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Editorial Feira de Negócios

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Sebrae promoveu um show de organização, disciplina e resultados concretos nas propostas da Feira de Negócios, iniciada dia 26 de outubro, que já faz parte do calendário de ações da Instituição no Estado do Amapá. E não existe concorrência. Data marcada e calendário pronto do início à conclusão do evento. Este é um exemplo a ser seguido pela competência, responsabilidade e bom senso e pelos profissionais qualificados e cada um fazendo a parte para compor a grande sinfonia do sucesso. E nós, da Revista Olhar Amazônico, vamos vendo e registrando as ações. Estamos na 4ª edição trilhando um caminho de solidez no mercado de comunicação do Estado do Amapá. Estamos conquistando novos patrocinadores que acreditam no investimento publicitário como a solução para vender imagem e produtos. Este veículo também circula no portal www.amapadigital.net para os brasis e o mundo, em especial para o empresariado do Platô das Guianas que vê no Olhar Amazônico a rota do comércio traçada com o GPS dos grandes empreendimentos. Quem não vislumbrou esta realidade fica tateiando no provincianismo de quem ainda não sabe para onde ir. E como dizia Sêneca: “Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir”. Será que o grande timoneiro não está rodando muito, consumindo tempo e combustível para não sair do porto? Ou está tonto dessa rota interminável sem porto? É bom verificar a direção deste barco, antes que fique à deriva, sem combustível, água e alimentos. E, quem sabe, até sem comunicação. Nosso foco primordial é trabalhar em favor de uma nova cultura política alvissareira e humanística.

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Foire d’Affaires

e Sebrae a préparé un show d’organisation, de discipline et de résultats concrets au travers des propositions de la Foire d’Affaires, commencée le 26 de octobre, qui fait déjà partie du calendrier d’actions de l’Institution dans l’Etat de l’Amapá. Et sans concurrence. Dates respectées et calendrier prévu du début à la fin de l’évènement. C’est un exemple à suivre pour la compétence, la responsabilité et le bon sens et pour les professionels qualifiés jouant chacun leur rôle pour composer la grande symphonie du succès. Ici, à la revue Olhar Amazônico, nous avançons en voyant et en relevant les actions. Nous en sommes à la 4ème édition, parcourant un chemin fait de solidité sur le marché de la communication de l’Etat de l’Amapá. Nous obtenons de nouveaux annonceurs qui croient en l’investissement publicitaire en tant que solution pour vendre une image ou des produits. Ce véhicule circule également sur www.amapadigital.net pour les brésils et le monde, particulièrement pour les entrepreneurs du Plateau des Guyanes qui voient dans Olhar Amazônico la route du commerce tracée avec le GPS des grandes entreprises. Qui ne s’est pas apperçu de cette réalité reste à tatonner dans le provincialisme de celui qui ne sait pas encore où aller. Et comme le disait Sénèque : « Il n’y a pas de vent favorable pour le marin qui ne sait pas où aller ». Le grand timonier n’est-il pas en train de tourner en rond, consommant du temps et du combustible sans sortir du port ? Ou bien est-il étourdi par cette route interminable et sans port ? Il est bon de vérifier la direction de cette embarcation, avant qu’elle ne parte à la dérive, sans combustible, sans eau et sans aliments. Et, qui sait, également sans communication. Notre objectif primordial est de travailler pour une nouvelle culture politique prometteuse et humaniste. Notre objectif primordial est de travailler pour une nouvelle culture politique prometteuse et humaniste.


Nesta Edição

Raimundo Costa de Souza Superintentende

06 | Do Canto do Uirapuru ao Supermercado

10 | A festa da fé - mais de 200 mil pessoas no

Fortaleza - 35 anos de sucesso empresarial

Círio de Macapá

com desdobramento nacional

14 | CAPA: Base Aérea do Amapá - Um museu

de ruínas a céu aberto

Marcio Bezerra Diretor Comercial Elpídio Amanajás Diretor Corporativo e Correspondete em Brasília REG.MTB 8468/DF

12 | 1º Festival do “Ladrão do Marabaixo”

Sebastião Barreiro Crisanto Diretor de Jornalismo REG-MTB 145/DRT/PA

Édi Prado Editor Chefe REG.MTB 16137 DRT/RJ

23 | Feira do Empreendedor atrai mais de 15 mil

Colaboradores: Carlos Bezerra, Jéssica Alves, Paulo Araújo de Oliveira, Pe. Railson Carneiro, Sávio Nunes, Sérgio Adeodato

24 | Amapá e Mato Grosso definem agenda

Tradução: Marco Poli mp.3355@yahoo.com

pessoas com debate de sustentabilidade

comum

25 | II Encontro Internacional de Capoeira -

Arte, turismo e meio ambiente no ano da paz

28 | Sessões da Assembleia Legislativa poderão

ser transmitidas pela Rede Católica de TV

29 | Ocupação do Residencial Mucajá é concluída 30 | Amazônia Spa - O 1º spa itinerante naturista

do Amapá 32 | 100 anos de integração - A vida dedicada à educação

SEÇÕES

09 - Estamos de olho 18 - Olhar Social 20 - Caixa Postal 26 - Perfil: Marli Andrade 34 - Crônica: Carlos Bezerra 4 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Produção de Arte: Érika Bezerra Circulação BRASIL: Amapá, Pará, Amazonas, Acre, Maranhão,Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Distrito Federal GUIANA FRANCESA: Caiena SURINAME: Paranaribo Conceitos emitidos em artigos são de responsabilidade dos autores, não refletem a opinião desta revista. Contato reportagens: ediprado@amapaditigal.net (96) 9974-0465 / (96) 8129-2066 Contato comercial: amapadigital@amapadigital.net (96) 8124-9796

Uma publicação

CNPJ: 05.018.654/0001-66 Revista Olhar Amazônico Fone: (96) 3224-1406 Rua Eliezer Levy, 2322 - Centro CEP.: 68.900-140 Macapá - Amapá


Do Canto do Uirapuru ao Supermercado Fortaleza 35 anos de sucesso empresarial por Édi Prado

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tudo começou num barco com o velho marinheiro, Antônio Rocha Filho, que durante o nevoeiro, banzeiro e cheio de esperanças, levava o barco devagar rumo a portos seguros. Com o regatão amazônico, o pai negociava o látex , produto em grande expansão durante a 2ª Guerra Mundial. No porão, além da borracha, negociava gêneros alimentícios de ‘secos e molhados’. Os regatões eram os principais mantenedores do comércio na Amazônia. Casa Fortaleza

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Antônio Rocha vivia de maré. A cada maré alta era hora de desatracar, partir para uma nova aventura e na bagagem sempre o sonho de vida melhor para a família. Era um vai e vem incansável, sem trégua.

Antônio Rocha Filho, patriarca da família Rocha

O patriarca e empreendedor de sucesso

A saga nordestina - Durante a 2ª Guerra Mundial várias famílias foram obrigadas a deixar o estado de origem. Eram mandados para o campo de batalha na guerra ou para o campo da batalha nos seringais. Não havia saída. Era ordem do presidente da República, Getúlio Vargas. E os pais de Antônio Rocha Filho foi uma das tantas famílias enviadas para os seringais. Eles vieram para Belém, onde ele nasceu. A vida em Belém não estava fácil. O Território Federal do Amapá, desmembrado do Pará, em 13 de setembro de 1943, precisava de mão de obra para construir a cidade. A notícia se espalhou pela região norte e nordeste. 6 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

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‘meninos’: Jesuíta, Jesuíno, Geraldo, Josué, Maria das Graças e Perpétua do Socorro. Decidiu ficar mais tempo em terra. E de saca em saca de açaí, Antônio Rocha foi se ‘aprumando’ e adquiriu um barco freteiro, batizado de Iate Fortaleza, em homenagem a cidade natal do pai e a própria Fortaleza de São José de Macapá, para cobrir a rota Macapá/ Belém. Foi ao lado da Fortaleza que se instalou para começar as atividades comerciais. Por ser homem de palavra, ele adquiriu a confiança dos comerciantes e passou a fazer as compras em Belém e as trazia para Macapá. Essa convivência bem sucedida também lhe abriu créditos com os grandes fornecedores de Belém. Aportar à vida - Na década de 70 decidiu ancorar o barco para atuar no comércio. Em 1976 comprou a Casa Uirapuru, facilitando assim armazenagem e venda de produtos alimentícios e afins. Havia necessidade de ampliar os negócios. A Uirapuru passou a ser chamada de Casa Fortaleza, bem mais ampliada e diversificada. Os negócios estavam indo de ‘vento em popa’. Em 1983 inaugura o Armazém fortaleza, atacadista de alimentos e outros produtos. “O supermercado Fortaleza foi uma grande ‘sacada’. Vendia a varejo e abastecia o comércio local, com custo bem menor do que comprar em Belém”

A vez dos ‘meninos’ - A

Partir daí os empreendimentos decolaram, aumentando consideravelmente a participação no varejo e atacado de Macapá. Em 1986 o Sr. Antonio Rocha Filho resolve se aposentar. Confiou a gerência dos negócios para os filhos. Eles deram continuação ao crescimento ao grupo. Mas sempre seguindo as orientações do pai. Com a ajuda dos filhos e de toda a família os negócios iam prosperando. Foi o início da grande rede de Supermercados Fortaleza. Em 1991 foi inaugurou a loja da Av Padre Júlio Maria Lombaerd. Em novembro de 1995 foi aberto o supermercado Fortaleza , onde hoje funciona o Shopping Center Macapá. E na esteira da expansão em 31 de dezembro de 1996 surge a loja do Supermercado Fortaleza do Jesus de Nazaré. Em 14 de dezembro de 1997, o Macapá Shopping Center, um grande investimento que trouxe a população de Macapá um centro de compras, com duas salas de cinema, praça de alimentação e lojas de diversos segmentos. “Precisávamos estar presente nos principais bairros da cidade e também nos maiores municípios.

“XXXXXXXXX”

Armazém Fortaleza

A meta é estar presente em todo o Estado do Amapá”

Em 05 de junho de 2000

foi à vez da loja do Supermercado Fortaleza no bairro do Laguinho, em crescente expansão do grupo. Em 18 de julho de 2000 a Central de Distribuição, com padrões de logística de ponta. Em 2004 surge o Magazine Fortaleza no Macapá Shopping, logo em seguida ampliado e depois o Magazine Fortaleza Kid´s, um avanço no atendimento ao público infantil.

Em 31 de maio de 2006

veio o Supermercado Fortaleza, no Município de Santana, tendo como diferencial a modernidade e praticidade, com lojas agregadas e duas salas de cinema. Em 28 de Dezembro de 2007 foi a vez do Supermercado Fortaleza, no Bairro Perpétuo Socorro, uma loja moderna em conortáveis instalações.

Maria Souza Rocha, matriarca da família Rocha

Antônio Rocha Filho - Em 1952 veio para Macapá, acompanhado da esposa, Maria Souza Rocha e a filha, Jesuíta Rocha e grávida de Jesuíno de Souza Rocha. Em terra estranha, precisava trabalhar para sustentar a família. Continuou a navegar. Navegar era preciso. Ele conhecia bem o mercado de compra e venda de açaí das ilhas do Pará. Continuou este trabalho Macapá. Ele abastecia as amassadeiras, as chamadas vitaminosas. A mais conhecida era a do Chicó, que se tornou um bem sucedido comerciante da época. Cuidar da prole - O velho marinheiro percebeu que estava sobrecarregando a mulher dele, Maria Souza Rocha, que cuidava praticamente sozinha dos

Supermercado Fortaleza da BR Olhar Amazônico | Outubro 2011 |

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Não basta apenas conhecer os caminhos dos rios. Navegar era preciso. Mas a honradez de um homem é o leme que conduz ao porto seguro.

Em 28 de Maio de 2009,

o Supermercado e magazine Fortaleza na BR 156, na zona norte da cidade de Macapá. Uma loja espaçosa, com layout inovador e lojas agregadas, além de amplo estacionamento coberto e a céu aberto. O Grupo Fortaleza tem como Diretores os Srs. Josué Rocha, Jesuíno Rocha e Erik Rocha. A Missão é inovar e empreender, gerando empregos e investindo no crescimento econômico do Estado do Amapá. Estes são os pilares desta administração, sem esquecer-se da qualidade de vida dos funcionários e clientes.

Jesuíno de Souza Rocha

Ele e o pai foram os grandes esteios, que sustentaram os mastros do barco em busca do porto seguro da empresa. Jesuíno Rocha nasceu em Macapá, no dia 18 de dezembro de 1952. Estudou na Escola Padre Dário e Alexandre Vaz Tavares, no Bairro do Trem. Ele começou no ‘batente’ junto com o pai vendendo açaí, abastecendo as ‘vitaminosas’ e auxiliando a mãe nos serviços domésticos. Concluiu o 2º grau no extinto Ginásio de Macapá (GM) e como não havia faculdade em Macapá, teve que interromper os estudos para se dedicar ao trabalho, ajudando o pai e depois contando com a ajuda do irmão, Josué Rocha, para a ascensão da empresa. 8 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

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E m presário bem sucedido

– Jesuíno Rocha tem Josué Rocha hábitos simples. É avesso às badalações e às sa, fazendo pequenos serviços, mas vaidades exibicionistas. Gosta de indispensáveis para conhecer os caestar no sítio ao lado dos familiares minhos de funcionamento de um e amigos. É católico e sente-se or- comércio em expansão. Começou gulhoso pelos filhos Erick Rocha, desde cedo observando pai e o irTatiane Rocha e o caçula, Fábio mão, Jesuíno de Souza Rocha, a realizar as inúmeras tarefas. “Meu pai Michel. Gratidão e admiração foi meu grande mestre na arte de pelo pai – Para Jesuíno, o pai gerenciar e negociar”, diz orgulhoso dele, Antonio Rocha Filho é o herói Josué Rocha. Mas a saga de Antônio e modelo de coragem, determina- Rocha estava apenas começando. Ascensão funcional – Aos ção e disciplina e a mãe, a heroína que soube compartilhar com os fi- 13 anos, passou a exercer a função lhos, uma vida de lutas, sacrifícios e de cobrador nos fretes de barco, vitórias. A foto do pai no escritório que o velho marinheiro continuava dele é um símbolo de espelho, onde fazendo na linha Macapá/Belém/ se mira para manter a memória, paz Macapá. A mãe, Maria Souza Rocha e realização empresarial. Em 1977 cuidava da casa e do lar. Rigorosa, ele foi o empresário do ano, conde- severa, mas amável no trato com corado pela Associação Comercial os filhos, ensinando e exercitando e Industrial do Amapá-ACIA e foi a disciplina e o amor pelo trabalho. agraciado com o título de Honra ao Viviam relativamente bem econoMérito pelo Jornal do Dia, no mes- micamente. Priorizar os estudos – mo ano. Tem outros títulos. Josué Rocha teve que abandonar Josué Souza Rocha - Naso barco e atracar em terra para esceu quatro anos depois da chegada tudar. Foi à determinação da mãe. da família Rocha em Macapá, no Estudou na Escola Paroquial Padre dia 23 de dezembro de 1956. Desde os nove anos de idade, na volta da Dário e no Ginásio de Macapá, ex GM e agora Prof. Antonio Pontes. escola, começou a ajudar na empre

Concluiu o curso de mineração, na Escola Técnica Federal do Pará, no final da década de 70, quando havia o boom da mineração em Serra dos Carajás e a instalações de grandiosos empreendimentos industriais na Amazônia. Iniciou o curso de engenharia química, na Universidade Federal do Pará (UFPa) mas teve que trancar a matrícula no último semestre para assumir funções na empresa, que estava em expansão e precisava do mutirão de toda a família. Mas a operação de gerenciar os negócios exigia todo o empenho e administração pessoal da família. Mesmo estudando em Belém, Josué Rocha era o representante da empresa naquela cidade. Mas o trabalho consumia muito tempo e ele optou em dedicar-se mais a empresa e adiou o sonho do ‘anel de doutor’. Josué Rocha descobriu que a fórmula mágica e a química do su-

cesso era trabalhar ao lado do pai. Investir no negócio que estava dando certo. Retornou para Macapá e continuava fazendo a conexão em Belém, onde conhecia os caminhos da negociação. Muito trabalho - A vida financeira prosperava e por isso exigia mais trabalho e dedicação exclusiva. O esforço valeu a pena e nem sente falta do ‘anel de doutor’ para sentir-se em realizado pessoal e financeiramente. Hoje o Grupo Fortaleza em Macapá continua em expansão e diversificando os empreendimentos. Compartilha de uma vida saudável ao lado da esposa, Mira Santos Chagas, com quem tem dois filhos: Breno e Caio Santos Rocha. Mas ele já tinha as filhas Michella e Anne Caroline Rocha, de outro relacionamento. Comemoração - Este ano ele e a família Rocha comeram 35 anos de sucesso empresarial. Josué

Rocha já ocupou todos os cargos e funções na empresa. Tem conhecimento operacional de toda a estrutura empresarial e atua como uma espécie de ‘Coringa’. Gosta de ver e jogar tênis e mantém-se sempre atualizado com revistas e livros especializados na área de atuação e viaja sempre para todo o Brasil e exterior em busca de novos conhecimentos, tecnologias visando a ampliação do mercado .

Os 11 anos da Amaps

Josué Rocha, como o 1º presidente, também comemora este ano os 11 anos da fundação da Associação Amapaense de Supermercados – AMAPS, criada em 07.12.2000, visando integrar os empresários do setor de supermercados do Amapá e criar formas de baratear os custos dos produtos. Ele foi presidente de 2002 a 2004 e agora conclui o 2º mandato, que começou dia 7 de dezembro de 2008 até 2012.


A FESTA DA FÉ

Mais de 200 mil pessoas no Círio de Macapá por Pe. Railson Carneiro

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Círio de Nazaré é uma das maiores manifestações religiosas do mundo, e é comemorado em cidades como Lisboa (Portugal), Belém do Pará e outras cidades brasileiras, particularmente as situadas na Amazônia, Macapá entre elas. A Lenda de Nazaré é antiquíssima. Sua origem começa na Galileia, e representa a Virgem Maria sentada, de cor escura, tendo no seu colo o Menino Jesus. A imagem de Nossa Senhora da Nazaré venerada no Brasil, é semelhante à imagem de Nossa Senhora da Nazaré do principal Círio português. O Termo “Círio” tem origem na palavra latina “Cereus”, que sig10 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Vista aérea do Círio de Macapá

nifica vela grande. No Brasil, no início era uma romaria vespertina, e até mesmo noturna, daí o uso de velas. No ano de 1854, para evitar a repetição da chuva torrencial como a que havia caído no ano anterior, a procissão passou a ser realizada de manhã. Alguns estudiosos estão considerando o Círio de Nazaré em Belém do Pará, como sendo a maior manifestação religiosa do Planeta. Consegue congregar dois milhões de pessoas em uma só manhã. A Festa Nazarena do Pará se inicia na povoação da Vigia, muito embora a mais conhecida relate que, em 1700, Plácido, um caboclo, descendente de portugueses e de índios, andava pelas imediações do igarapé Murutucu (área

correspondente, hoje, aos fundos da Basílica) quando encontrou uma pequena estátua de Nossa Senhora de Nazaré. Essa imagem, réplica de outra que se encontra em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, encontrava-se entre pedras lodosas e bastante deteriorada pelo tempo. Plácido levou a imagem para casa, onde limpou-a e improvisou um altar. De acordo com a tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer às próprias custas uma pequena ermida no local, como sinal de devoção. A divulgação do mila-

gre da imagem santa atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a acorrer à capela, para render-lhe homenagem. No caso do Círio de Nazaré em Macapá, como de resto nas demais cidades, o número de devotos da Virgem de Nazaré se multiplica a cada ano, todos buscando o consolo e as bênçãos da Mãe de Deus. A Festa exige amplo planejamento envolvendo a Igreja Católica como um todo, assim como a participação do Poder Público que, devido à grande participação popular, precisa se fazer presente para proporcionar segurança e tranquilidade para todos os participantes dessa festa sagrada. Em Macapá, o dia do Círio é esperado com grande expectativa pelo povo, que se aglomera na Praça Nossa Senhora de Fátima para a Missa Campal. A berlinda segue um trajeto repleto de emoção e muitas homenagens. Como sempre, a Missa é conduzida pelo Bispo da Diocese de Macapá, que atualmente é Dom Pedro Conti, é acompanhada com muito fervor por todos os fiéis que, este ano, segundo dados estatísticos divulgados pela Policia Militar, teve a participação de cerca de 200 mil pessoas. Emissoras de rádio diversas, tradicionalmente, transmitem ao vivo a procissão. Este ano, de forma inovadora, a Rede Católica de Televisão (Rede Vida, Rede Nazaré Macapá e Santana) em cadeia e ao vivo, transmitiram todo o evento para aqueles que, por algum motivo não puderam estar presentes, seja por questões de saúde ou de outras naturezas. O Círio, pelo grande sentimento familiar que representa, transformou-se numa espécie de “Natal fora de época”, onde as famílias se reúnem para almoço à base de pratos típicos da região como pato no tucupi, maniçoba e outros. Talvez pelo fervor com que os católicos cumprem os rituais de devoção à Virgem de Nazaré, ela, a Mãe de Jesus, tenha feito da terra tucuju, a terra abençoada que é.

Estamos de olho ... LEI DESEQUILIBRADA

O s legisladores estão certos. Crimes de trânsito devem ser punidos com rigor. Os acidentes causados por condutores embriagados devem ser punidos com cadeia e multa financeira pesada.Tudo certo. Mas as prefeituras e o Estado devem construir calçamentos, cuidar das vias com meio fio, asfaltamento, sinalização adequada e rigor na fiscalização. A lei deverá ser implacável com os gestores. Para se exigir é preciso criar condições para cumprir as leis.

Muro das lamentações

O retrovisor é um instrumento indispensável num veículo. É o que orienta os motoristas para os obstáculos e perigos que estão atrás. Mas o veículo foi programado para ir para frente. O motorista que dirige só olhando pelo retrovisor não avança e nem sai do lugar. Ninguém aguenta mais ouvir desculpas, colocando a culpa em governos passados. O Estado precisa de ação, solução para os problemas agora, imediatamente. Erros vistos pelo retrovisor não devem ser repetidos.

Importar tecnologias

O Amapá não produz nem farinha para o consumo próprio. Nem o governo nem a empresa privada investem em equipamentos para a produção em alta escala utilizando tecnologia, nem permitem que empresários de fora se instalem com para geração de emprego, renda e produtos com preços mais acessíveis para a população. E vamos ficar na praça dando milho aos pombos?

Atrair investidores

O governo deveria adotar medidas extremamente urgentes e necessárias para atrair investidores: isenção de alguns impostos por um determinado limite. O resultado é o aumento da arrecadação de impostos pela produção de bens e serviços, além de absorver a mão de obra ociosa, a um passo da marginalidade. Quanto custa para o Estado um só detento/mês? Fazendo as contas é mais negócio investir nos investidores do que ampliar a penitenciária.

Nada se cria...

Então vamos copiar o modelo que está dando certo em outros Estados. A agricultura precisa largar a enxada e usar tratores com orientações técnicas avançadas para que o campo produza pelo menos o alimento para consumo interno. Temos que conter o êxodo rural, mas é preciso dar condições para o homem do campo permanecer lá com a família. O campo pode viver sem a cidade. Mas a cidade não vive sem o campo.

MUVUCA

O mês de novembro no Congresso Nacional e tido como o mais “nervoso” do ano, pois é o mês da apresentação das emendas parlamentares ao orçamento de 2012. Prefeitos de todas as regiões do país lotam Brasília, fazendo o corpo a corpo nos gabinetes dos representantes em busca de uma fatia desse orçamento.Vários prefeitos do Amapá se somam nesta peregrinação orçamentária. Olhar Amazônico | Outubro 2011 |

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1º Festival de ‘Ladrão de Marabaixo’ com desdobramento nacional por Édi Prado

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Marabaixo é consagrado à maior manifestação cultural do Amapá. No mês de abril, as comunidades dos Bairros do Laguinho, Favela e a zona rural do município de Macapá realizam a Festa da Santíssima Trindade, Divino Espírito Santo e outros Santos ligados a religiosidade afro. E em todas essas manifestações, um dos componentes originais, o “ladrão”, os versos de improviso que retratam a cada instante desses cenários e ironias vem se desintegrando no tempo. O Grupo foi convidado a participar do evento: Amazônia em Cantos, patrocinado pelo Sesc, a ser exibido em 11 cidades da Amazônia. O “ladrão”, é o verso cantado ao som dos tambores e caixas de Marabaixo, assim chamado por roubar a privacidade e o sentimento dos integrantes da comunidade ou fato relevante ocorrido naquele determinado momento, formando assim, uma importante coletânea de registros históricos, cantados, através dos ciclos da manifestação, embalados pela estimulante gengibirra, uma bela mistura de cachaça com gengibre, que bebida freneticamente sob o som dos tambores, ’ inspira’ os sentimentos. E foi pensando em unir o útero da essência ao agradável desafio, é que Zezinho Duarte, produtor cultural, conseguiu desengavetar uma antiga intenção e convencer a irmã, Tel12 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Daniela Ramos, representante da comunidade do Laguinho, vice campeã e melhor apresentação,

do Sesc, organizadora do evento Amazônia em Cantos, que existe há quatro anos, além convidá-los a participar da próxima edição, exibida em 11 cidades amazônicas, tem interesse em produzir um

Noite de grande movimentação no universo do marabaixo

ma Duarte, presidente da Confraria Tucuju a promover o 1º o Festival de Ladrão de Marabaixo. A missão, além do resgate desta tão importante característica histórica e cultural, unificar as tendências e unir todos esses grupos numa só manifestação popular. Um Marabaixo sem dono, mas que todos fossem os donos. O 1º Festival ocorreu, com o patrocínio do Ministério da Cultura, proporcionado por recursos de emenda parlamentar da Dep. Lucenira Pimentel. Todas as comunidades venceram e a grande campeão foi à cultura do Amapá. E a consagração desta reunião foi o lançamento do DVD coletando a essência do “ladrão”, unindo os sons e trazendo os filhos dos tambores para a mesma oca onde tudo começou para continuarem novos sons revigorando a origem.

Foram apenas mil cópias distribuídas entre as comunidades, órgãos públicos e produtores culturais do País e entidades afro-brasileiras. Um sucesso arrasta o outro na esteira das conquistas. A Banda Afro-Brasil/Ap foi convidada a participar do show de encerramento do Festival, realizado em abril deste ano no Centro de Cultura Negra da União dos Negros do Amapá (UNA). Um show a parte. E para apresentar esta Banda para participar de outros eventos afro-brasileiros, pediram uma mostra desta emergente e talentosa Banda. O produtor, Zezinho Duarte, editou seis canções, exibidas naquele fim do Festival e iniciaram uma nova e brilhante carreira. A simples cópia de apresentação, que foi enviada à coordenação nacional

DVD solo e incluí-los no DVD oficial do Amazônia em Cantos. E não se espantem quando nas noites festivas de Marabaixo, além das tradicionais rodadas que viram madrugada, aparecerem de

Ronaldo Silva, o grande ganhador, representando a comunidade de Torrão do Matapi, com a obra (“ladrão”) A Cobra Grande

improviso, as rodas de Marabaixo e reconhecendo o aparecimento de novos talentos para a valorização da cultura e do turismo amapaense.


Especial

Especial

Base Aérea do Amapá Um Museu de ruínas a céu aberto

por Édi Prado

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ste Museu restaurado pode ser um carimbo com o selo de pessoal do governo de Camilo Capiberibe. Uma obra que servirá como um grande referencial de resgate histórico para o Estado do Amapá e um presente para a história, assim com o acesso pela estrada que liga ao Jari, Cutias do Araguari e a conclusão da BR até Oiapoque, além de obras essenciais que estão paradas no tempo.

O que se mantém de pé é a esperança de restaurar a história do Amapá

A ideia em transformar a Base Aérea do Amapá, usada como base de apoio americano, durante

O que se mantém de pé é a esperança de restaurar a história do Amapá

14 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

a 2ª Guerra Mundial, nasce do desejo do pioneiro Cabo Alfredo, que por muitos anos serviu na base como professor de técnicas agrícolas. Nos dois governos de João Alberto Rodrigues Capiberibe (91/95 e 95/2002), este sonho renasceu. Foi criada a expectativa e ‘gorou’ na casca. Agora o filho, Camilo Capiberibe, atual governador, reacendeu o estopim. Seria um belo monumento, mesmo coletando carcaças enferrujadas, pode ser um referencial histórico de interesse mundial, da participação do Amapá, como base de apoio às forças aliadas contra o nazismo. O manifesto do Cabo Alfredo - Como documento que comprova este sonho está registrado este texto, escrito há quase meio século: O início da construção da Base Aérea foi em 29 de outubro de 1941, por uma equipe de

engenheiros, arquitetos, topógrafos e fotógrafos, sob o comando da Marinha Americana. A Base Aérea do Amapá constitui-se em grande importância para a história contemporânea do Ocidente, sendo ela, fundamentada no valor estratégico e no objetivo de prestar apoio às forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. A história narra que na região norte, o interesse maior do governo Americano foi pelo município do Amapá, pelo seu ponto estratégico, principalmente para isolar a antiga Guiana Holandesa, do contexto de um ataque por parte do inimigo, no continente americano. A construção da Base, entretanto, tornou-se imperiosa, a fim de assegurar as operações dos aviões da Marinha dos EUA, empenhado da guerra antissubmarino e nas atividades de salvamento de aviões no mar ao longo da costa norte e nordeste, sendo de inteira responsabilidade da Marinha Americana a manutenção da Base Aérea no período de 1942 a junho de 1945. Durante este período, era grande o número de aviões que transitavam diariamente pela Base, vindos dos EUA, passando pelas Antilhas, Guianas Francesas e Amapá. “A fim de que as novas gerações não percam de vista a magnitude do que foi aquela organização militar no contexto das Nações Unidas, o Governo do estado resolveu transformar a Base Aérea em um monumento vivo, que muito representará para a memória do povo amapaense, implantando o Museu a Céu Aberto, localizado a 15 Km do Município do Amapá e a 306 quilômetros da capital, Macapá, transformar-se em um atrativo a mais para o nosso Estado”. (Texto: Alfredo Oliveira).

Conflito no litoral Embarcações alemãs foram afundadas na costa brasileira

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posição geográfica estratégica em relação à Europa, África e Ásia levou o Brasil a entrar na 2ª Guerra Mundial. Após várias negociações com os Estados Unidos, o Presidente Getúlio Vargas rompeu relações com Alemanha e Itália e autorizou a instalação de bases americanas no Brasil. A base militar de Parnamirim (RN) era a mais importante. De lá decolaram entre 400 e 600 aviões para o combate na Europa e para a vigilância do Atlântico Sul, formando um cinturão de 1.700 milhas entre Natal e Dacar, na África. Em troca, os Estados Unidos financiaram a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e o programa de incentivo à produção de borracha na Amazônia, produto que se tornara escasso devido ao avanço japonês na Ásia. O Brasil passou a fornecer aos americanos materiais estratégicos como bauxita, berilo e manganês e recebeu armas modernas. Naval Air Facility Amapa - base estabelecida pela US Army em princípios de 26.11.43. Era a base mais setentrional do Brasil e nela a US Navy construiu instalações para dar suporte a aviões baseados em terra. Aeronaves do VP-83 davam cobertura antissubmarino a partir dessa base para as rotas de comboios entre Trinidad e a Bahia. Aviões do NATS ocasionalmente usavam a base para reabastecimento. A parte naval foi fechada em 30.06.45 e o aeroporto retornou ao US Army. Dados importantes - A marinha americana estabeleceu diversas bases para apoiar sua aviação no Brasil, aproveitou e expandiu as instalações já existentes em aeroportos comerciais, em bases da FAB ou em bases da United States Army Air Force. Complementando os esquadrões aéreos, foi comissionada no Recife em 08.43, uma ala de emprego antissubmarino e resgate de tripulações com blimps, a Fleet Airship Wing Four, subordinando os esquadrões: ZPN-41 - com oito blimps modelo ZNP-K. Esquadrão chega em 27.09.43 na base de São Luís-Tirirical e passa a manter destacamentos em Amapá, Belém, Igarapé-Açu, e Fortaleza. Manteve unidades no Brasil meses após o final da guerra para dar suporte aos aviões americanos que voltavam da Europa; ZPN-42 - com oito blimps modelo ZNP-K. Criado em 08.43, o primeiro blimp, o K-73, chegou a Maceió em novembro de 1943 e o esquadrão manteve destacamentos em Recife, Fernando de Noronha, Ipitanga, Caravelas, Vitória e Santa Cruz, Rio de Janeiro, onde recebiam manutenção no grande hangar do Zeppelin. Em 04.44 passou para o controle operacional do 1o Grupo de Bombardeio Médio da FAB. Em 04.03.45 voltou para os Estados Unidos.

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Especial Legado Histórico Cultural em ruínas Texto Sérgio Adeodato O bombardeiro B-17 dos EUA passou pelo Brasil na 2ª Guerra, onde ganhou o nome “muito trabalho”. A antiga oficina mecânica dos americanos está em ruínas, coberta pelo mato na cidade do Amapá, norte do Estado do Amapá As ruínas da velha oficina mecânica estão cobertas pela mata. Tratores, caminhões e tanques de fabricação americana, enferrujados pela ação do tempo, destacam-se na paisagem verde, nos arredores da cidade do Amapá, situada a 306 km de Macapá (AP). Das residências dos soldados, restaram apenas os pisos de cimento e lajota, escondidos no bosque de ameixeiras. A 500 metros dali, duas pequenas inclinações do terreno plano forradas por vegetação rasteira, preservam no subsolo os antigos paióis de armamentos, como 50 anos atrás. No alto de uma torre metálica, o farol de sinalização dos aviões de combate que ali pousavam funciona até hoje. Na frente dele, o poço artesiano, o reservatório de água, o almoxarifado-geral e os escombros da casa

Sair do discurso - A concretização da transformação da Base Aérea em Museu, voltou a tema de interesse não só da Câmara

de bombas hidráulicas dão pistas sobre o poderio do lugar no passado. De fato, esse grotão do extremo-norte do país, localizado a 284 km do Oiapoque, guarda um patrimônio que poucos brasileiros conhecem ou ouviram falar: os vestígios da base aérea construída pelos Estados Unidos em plena Amazônia durante a 2ª. Guerra Mundial. Em 1942, uma semana após o Brasil aderir à guerra contra alemães e italianos, uma delegação de engenheiros, arquitetos e topógrafos dos Estados Unidos, França e Inglaterra começou a construir a base militar do Amapá. O local era considerado estratégico para a patrulha do Oceano Atlântico contra uma eventual incursão inimiga nas Antilhas Holandesas, chegando à porta de entrada dos Estados Unidos. Durante a guerra, o Amapá foi também o primeiro ponto de abastecimento das aeronaves americanas que se dirigiam até outra base construída no Brasil, na cidade de Parnamirim, próximo a Natal (RN), de onde partiam para o combate na Europa. Registros da Aeronáutica indicam que pelo menos 21 aviões pousaram na cidade do Amapá durante viagens até Natal durante a guerra.

do Município de Amapá , como do prefeito , governador Camilo Capiberibe, entidades populares, diretores escolares, estudantes, moradores da comunidade e imprensa. Como garantia de compromisso do governo do Estado, foi criada uma gerência específica para tratar o assunto. Força tarefa De acordo com a gerente do projeto , Neidiane Sucupira Assunção, a determinação do governador Camilo Capiberibe é

organizar uma força tarefa, para tornar o sonho em realidade. A iniciativa ganhou parceiros fundamentais: Governo do Amapá, através da Gerência de Transformação da Base Aérea do Amapá em Museu; da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Museu de Arqueologia e Etnologia; Secretaria de Estado da Infra-Estrutura (Seinf); Secretaria de Estado do Turismo (Setur); Agência de Desenvolvimento do Amapá (Adap); Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa); Universidade Federal do Amapá (Unifap); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); Prefeitura de Amapá; Secretaria de Cultura de Amapá; Ministério Público Federal.


Publicidade Sebrae


Amapá e Mato Grosso definem agenda comum

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integração socioeconômica entre Amapá e Mato Grosso reuniu lideranças políticas dos dois estados. Eles acertaram a ampliação da agenda comum para ações de desenvolvimento econômico e social. Uma dessas atividades foi a visita do Governador do Amapá, Camilo Capiberibe, dias 20 e 21 deste mês, a Mato Grosso. No último dia, ele visita Lucas do Rio Verde, a convite do Prefeito Marino Franz, para participar do Encontro Nacional do Milho Safrinha e conhecer melhor a atividade econômica.

Representantes de Mato Grosso com o Governador Camilo Capiberibe e a Deputada Fátima Pelaes discutem integração sócio-econômico

Produção agrícola - Um dos maiores interesses de investimento da iniciativa privada com apoio governamental é a produção agrícola e a transformação dessa matéria prima para beneficiar os dois estados. “É uma ação para construir a relação entre o Norte de Mato Grosso e o Amapá e para investimentos em Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, tendo como base o porto de Santana para o escoamento de produção”, resume o governador sobre as intenções de intercâmbio socioeconômico. Diálogo - O presidente do PSB de Mato Grosso, Deputado Federal 24 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Valtenir Pereira, disse que o foco dos trabalhos é a união dos setores público e privado. “Um grupo de empresários já esteve no Amapá com interesse de investimento, após uma articulação nossa”, conta, sobre a visita de produtores de soja ao Amapá este ano. A Deputada Federal Fátima Pelaes (PMDB/ AP), que acompanhou a visita do governador ao Dep. Valtenir, informa que “foi iniciado um diálogo desde junho com visita de um grupo de produtores da Aprosoja ao Estado do Amapá”. Produção e logística - O ponto de interesse de empresários e auto-

ridades do Estado para a economia primária de grãos de Mato Grosso foi mostrada no levantamento desta quarta-feira, 9, do IBGE. O Paraná lidera a produção nacional, com 19,7% de participação. Mato Grosso responde por 19,5% e o Rio Grande do Sul com 18,3%. A estimativa para a safra brasileira deste ano é de 159,7 milhões de toneladas, ou 6,8% acima do ciclo produtivo passado. Os dados são da produção de outubro. Produtor de soja - Mato Grosso é o maior produtor de soja, algodão e de produto que utiliza commodities, como o caso da produção de biodiesel. A região do médio Norte e extremo Norte de Mato Grosso (Nortão), rumo ao Pará, onde estão às cidades de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, tem o eixo logístico da BR-163 como apoio para distribuir a produção agrícola e produtos agregados do campo. A infraestrutura não é adequada e sempre é motivo de avaliações, seminários, estudos e cobrança da União por empresários para sua melhoria. Projetos - No futuro, com previsão de 2014, há ainda projetos logísticos de outras rodovias federais, hidrovias na divisa de Mato Grosso e Pará e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), cujo investimento estimado para ser feito pelo governo federal é de R$ 6,4 bilhões. A ferrovia vai ligar o centro do Brasil, no rumo leste-oeste e ao norte, a partir dos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará aos portos do Atlântico no Norte do país, como de Vila do Conde (PA) e Maranhão, com interconexão pela Ferrovia Norte/Sul.(Jonas da Silva - Gabinete do Deputado Valtenir Pereira).

II Encontro Internacional de Capoeira

Arte, turismo e meio ambiente no ano da paz por Édi Prado

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Centro Cultural Arte Capoeira realizará no período de 23 a 27 de novembro de 2011, o 2º Encontro Internacional de Capoeira do Estado do Amapá. Durante o evento os alunos/atletas terão a oportunidade de fortalecer o contato com atletas de outros países e mestres de outros estados do Brasil, além de outros grupos de Capoeira e de dança. Abertura do evento será no Ginásio Avertino Ramos com recepção estrangeira, quando haverá um mega batizado de Capoeira, com a presença do Governador e Secretários de Comunicação, Cultura, Turismo e Esporte do Estado e representantes do Município de Pedra Branca. Projetar o Amapá - O evento servirá como oportunidade para divulgar o Estado nas áreas do turismo, economia, educação social e ambiental e cultural, por meio das atrações

Capoeristas do Grupo Ginga Amazônia amizade entre o Brasil e outros paítradicionais com apresentação de ses, contribuindo para a firmação de danças e artesanatos e outras formas uma identidade cultural própria do de identificação cultural , atraindo a nosso estado, com desenvolvimento atenção de países de 1° mundo para econômico, social e turístico no que o prestigio da cultura local, consciênse refere à arte da dança, música, cia ecológica e geração de renda. natureza da Amazônia, integrado ao Metas - Promover a Capoeira do universo da Capoeira. Amapá para o mundo e as vertentes Maiores informações podem da história, educação, música, arte, ser obtidas com Marcos A. P. Melo esporte, mostrando a nossa própria nos contatos: (96) 9134 0997, (96) identidade como cidadãos desta re81224095, marcosjaribsgi@hotmail. gião e do próprio País, proporcionancom do intercâmbio cultural para estreitar

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Perfil

Marli Andrade: a mineira de alma amapaense

que desligou “o piloto automático” por Paulo Araújo de Oliveira

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Há coisas na vida que devem ser questionadas; outras, somente aceitas: e é preciso sabedoria para diferenciar as duas.

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Marli Andrade

ó quem tem como livro guia a obra “O sucesso é ser feliz”, de Roberto Shinyashiki, sabe o poder de desativar o “piloto automático” e viver a felicidade plena, incorporando no cotidiano a receita dos quatro “D”: Dedicação, Determinação, Disciplina e Desprendimento.Marli de Fátima Andrade sabe disso. 26 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Com uma força interior descoberta provavelmente ainda na adolescência, quando teve de enfrentar a orfandade materna, essa mineira de alma amapaense aprendeu que “há coisas na vida que devem ser questionadas; outras, somente aceitas: e é preciso sabedoria para diferenciar as duas”. Seguindo com destreza o ensinamento de Shinyashiki, Marli desfruta há vinte anos do sucesso profissional no Amapá, reconhecido a cada novo convite de promoção. Dedicada, determinada e disciplinada, a analista judiciária conquistou, com desprendimento, cargos de chefia que enriqueceram o seu currículo profissional e contribuíram para a evolução administrativa da Justiça do Amapá. A trajetória profissional de Marli no Estado começou em 1º de novembro

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início deste ano, quando a então chefe de gabinete do Tribunal de Justiça do Amapá foi convidada para a função de secretária executiva da Escola Judicial do Amapá, onde atua até hoje. Formada em Direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, e pós-graduada em Políticas Públicas, pelo Instituto Superior de Administração e Negócios de São Luis (Isan/FGV), Marli também desempenhou, durante quatro anos, a função de secretária da Escola Judicial Eleitoral do Maranhão. A passagem pela terra natal do Senador José Sarney enriqueceu ainda mais o currículo da competente servidora. Com os sólidos conhecimentos acumulados, atualmente, ela supervisiona, elabora calendários de eventos, coordena cursos, organiza e fiscaliza os serviços desenvolvidos na Escola Judicial do Amapá. Mãe de uma jovem de 21 anos, Marli de Fátima Andrade afirma que é feliz com o seu trabalho, o que, segundo ela, é o segredo para o êxito profissional.

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Com “Olhar Amazônico” ela contempla a natureza e a beleza das cores, sempre sob a ótica de que, como ensina o mestre Roberto Shinyashiki, o sucesso é ser feliz.

Essa mulher alegre e comunicativa, apaixonada por toadas de Parintins e pelas belezas da Amazônia, sabe o que é bom. Apreciadora de bons filmes, com o seu “Olhar Amazônico” contempla a natureza e a beleza das cores, sempre sob a ótica de que, como ensina o mestre Roberto Shinyashiki, “o sucesso é ser feliz”. Marli é, assim, conhecida e reconhecida pela lealdade, competência e profissionalismo. Pode-se dizer que ela é

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diferente, bem humorada e inteligente, cuja trajetória é marcada pela alegria e pelo contentamento em bem servir ao próximo; além da imensa satisfação em contribuir para o aprimoramento da Justiça do Estado do Amapá ao longo dos vinte anos de dedicação profissional, com disposição e entusiasmo para pelo menos mais vinte anos de trabalho, com a marca da excelência e do sorriso, contagiando a

todos ao seu redor.

de 1991, quando um convite feito pelo Desembargador Dôglas Evangelista, à época presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, trouxe-a para terras tucujus. Naquela ocasião, Marli desenvolvia atividades técnico-jurídicas no Tribunal de Justiça de Rondônia, para onde havia ido trabalhar, depois de deixar Patos de Minas (MG), sua cidade natal. De lá para cá, Marli passou pela diretoria do departamento judiciário do Tribunal de Justiça do Amapá, chegando à administração geral do órgão e do Tribunal Regional Eleitoral do Estado. Também foi assessora jurídica e chefe de gabinete do Tjap, sob a presidência de Dôglas Evangelista, a quem declara sentimentos de gratidão e respeito profissional mútuo. Também foi vice-diretora da Associação Nacional de Chefes de Gabinete da Região Norte, cargo deixado no Olhar Amazônico | Outubro 2011 |

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Sessões da Assembleia Legislativa poderão ser transmitidas pela Rede Católica de TV por Sávio Nunes

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atual mesa diretora da Assembleia Legislativa do Amapá vem inovando e criando mecanismos de modernização e aperfeiçoamento da casa. Presidida pelo deputado estadual Moisés Sousa(PSC) o legislativo estadual tem dado passos largos na aproximação com o povo. Em 10 meses a frente da casa,foram dezenas de audiências públicas onde os anseios da coletividade foram debatidas e soluções apontadas. A publicidade dos atos e projetos da casa se ampliaram com a criação dos informes “Canal Legislativo” oportunizando aos 24 deputados divulgar ações e projetos em benefícios daqueles que os elegeram. O prédio foi reformado e dotado de instalações confortáveis e de melhor acesso ao cidadão. O legislativo estadual na administração de Moisés tem marcado presença em todos os momentos de dificuldades da população como as enchentes nas regiões de Ferreira Gomes, Calçoene e Porto Grande e na participação popular fomentando a cultura local. As sessões atualmente são transmitidas por uma emissora de rádio FM. Buscando aprimorar ainda mais e tornar público os fatos que acontecem dentro da casa do povo, que é a Assembleia Legislativa, seu presidente vem conversando com a administração local e nacional da Rede Católica de Televisão, que em Macapá comportam quatro canais 28 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Carro Link da Rede Vida

televisivos, que incluem a Rede Vida, Canal 40 e 39 em HDTV, Rede Nazaré Macapá, Canal 52 e Nazaré Santana, Canal 48, para que juntas em cadeia possam transmitir as sessões da Assembleia Legislativa e os momentos solenes e importantes da casa. As emissoras católicas são de cunho educativo, e as únicas no estado que possuem três Links, por isto, tecnicamente tem condição de transmitir Ao vivo as reuniões em plenário. “Estamos com processo em Brasília pleiteando para a Assembleia um Canal de Rádio e TV, mais existe uma longa tramitação e enquanto isso não acontece a alternativa e buscar outros meios que possam, a baixo custo, oferecer essas transmissões”disse Moises. O Diretor da Rede Católica de TV no Amapá Pe.

Aldenor Benjamim acredita que será um ganho importante para a população caso se consolide a parceria, “Nossas emissoras vem a cada dia conquistando ainda mais credibilidade e a marca em ser a que mais promove transmissões Ao vivo dos maiores acontecimentos do estado e certamente será um grande feito, além do que, o que cobramos serve apenas para pagar as despesas de manutenção técnica, nada de absurdo”comentou o religioso. Para o diretor corporativo da Rede Vida em São Paulo, Elpídio Amanajás, as transmissões Ao vivo dão, além da audiência, uma alta credibilidade para a emissora. “O Círio de Nazaré e a Expofeira foram momentos marcantes da emissora onde pudemos comprovar a aceitabilidade da população”comentou. Olhar Amazônico | Outubro 2011 |

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Amazônia Spa

DEPOIMENTO

O primeiro spa itinerante naturista do Amapá por Elpídio Amanajás

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As pessoas estão muito focadas nos problemas relacionados à saúde e esquecem que o mais importante é realizar a prevenção para garantir saúde e bem estar.

Ana Pires é especialista em medicina natural

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na Pires é amapaense, descendente de indígena foi para Curitiba há oito anos se profissionalizar em medicina natural, trabalhou durante este período na Clínica Oásis Paranaense, onde esteve a frente do setor de estética e atuou como Relações Públicas com o objetivo principal de divulgar a medicina natural como meio de prevenção. Atualmente mora em Curitiba e esta retornando ao Amapá para implantar um projeto de medicina natural com foco na prevenção. Para verificar a aceitação no trabalho do Amapá esta atuando com um spa itinerante, o Amazônia Spa, cuja proposta é fornecer um tratamento diferenciando. O primeiro spa itinerante foi realizado no início do primeiro semestre deste ano, na Rodovia JK, 30 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

no espaço da Vale Verde, (Tobias e Ângela, da Construtora Vale Verde) com uma equipe composta de nutricionista, fisioterapeuta, clínico geral, assistentes. Caracterizado por ser um Day Spa, onde as pessoas passavam o dia realizando as terapias e retornavam para casa. “O objetivo é desintoxicar o organismo e fortalecer o sistema de defesa dos pacientes, não se trata somente de fitoterapia, aqui ela é complementar, é realizado um trabalho em conjunto com a medicina alopata, sendo utilizado várias terapias para fortalecer o organismo do paciente”, informa Ana Pires. Após esta primeira experiência foi observado a necessidade de um Spa de Destino, onde as pessoas pudessem realizar um tratamento intensivo. Por este motivo resolvemos iniciar este segundo trabalho, diz Ana

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Pires idealizadora deste projeto. O segundo spa itinerante foi realizado este mês, no Km 9, com o apoio da Suzane e do Manuel, da Tom Importadora, do Rai e da Cileide, da Casa do Motoqueiro e novamente da Constutora Vale Verde. Com o objetivo de fortalecer o trabalho inicial e de promover a reeducação do estilo de vida, reconhecidamente o meio mais coerente de promover a saúde. A intenção é promover um encontro da ciência médica com a rica sabedoria ancestral. “As pessoas estão muito focadas nos problemas relacionados à saúde e esquecem que o mais importante é realizar a prevenção para garantir seu bem estar”, diz Ana Pires. Corrigir a alimentação, praticar exercícios físicos, abandonar vícios, adotar postura mental correta são algumas das principais medidas de retorno à saúde.

Nome: Jair José de Gouveia Quintas, Procurador de Justiça do Ministério Publico do Estado do Amapá Terapias: Hidroginástica, bioflex, geoterapia. Relato: Tomou conhecimento através da indicação do Des. Gilberto Pinheiro que já conhecia a Ana Pires do Oásis Paranaense. Objetivo: Buscar tratamento alternativo de saúde para complementar o tratamento com a medicina alopática Problemas: contispação indestinal, dores no nerso ciático, gordura abnominal, ansiedade e estresse Resultados: através do uso das terapias naturopatas, em dez dias surgiram os efeitos positivos da utilização das terapias do Amazônia Spa. A Organização Mundial de Saúde vem recomendando o estudo das medicinas tradicionais com vistas a ampliar as possibilidades terapêuticas, pois é inegável o imenso potencial dessas terapias e a incapacidade dos sistemas oficiais de saúde de satisfazer plenamente às necessidades da saúde pública. Além das terapias Geoterapia (tratamento através da argila), Trofoterapia (tratamento através da alimentação), Fitoterapia (através de ervas), Hidroterapia (através da água), Helioterapia (através do infravermelho longo do sol), Fisioterapia (reabilitação), foi lançadas as terapias Massoterapia bioflex e massagens com vela, com pedras, com bambu. Massagem com vela: - A suave sensação de conforto físico, a redução do estresse, diminuição do cansaço e das dores são conseguidas através de uma massagem feita através de deslizamentos superficiais e profundos, utilizando manteigas es-

Jair Quintas com um suco de clorofila

peciais de frutas e trazendo um efeito relaxante sobre o corpo. A massagem é feita a partir das velas, com um tipo especial de manteiga cosmética derretida e óleo essencial, que são aquecidos até entrarem em estado líquido. Em seguida, os produtos são regados pelo corpo junto com manobras de massagem com deslizamento e compressões, que auxiliam na absorção. Neste tratamento, a manteiga é sempre usada em uma temperatura em torno de 38 a 39°C, o que torna a técnica agradável e prazerosa. “Senti um relaxamento profundo e uma sensação agradável”, diz Jair Quintas, que experimentou e aprovou a massagem com vela. Entre outros benefícios, destacam-se o aumento e a nutrição da pele, a reativação da circulação sanguínea através do efeito hipodérmico, a melhora da nutrição do tecido muscular e o aumento da capacidade contrátil, com a eliminação mais rápida das toxinas.

Cada seção do tratamento tem duração média de uma hora e qualquer pessoa pode realizar esse tratamento, que não tem contra-indicações. Ana Pires é Especialista em Medicina Natural pela UFPR, Técnica em Reabilitação em Dependências Químicas pela UFPR, Fundadora do Projeto Saúde Total e Relações Públicas deste projeto no Brasil e no Exterior. O objetivo do Projeto Saúde Total é cuidar das pessoas através do rádio, é divulgar saúde pelo rádio, interagir com o ouvinte, passar receitas e dicas de saúde naturalista.Este programa é campeão de audiência nas cidades onde foi implantado, no Rio, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e agora o esforço esta em trazer este projeto para o Amapá. Maiores informações: (96) 8121 6593 / 9122 9724, lidianeamoras@ hotmail.com - Lidiane Amoras, representante do Amazônia Spa.

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100 anos de integração A vida dedicada à educação

por Édi Prado

Eulice de Souza Smith

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nciã é a vovozinha Ninguém desavisado consegue ‘adivinhar’ a idade dela. No máximo arriscam uns 70 anos. Eulice de Souza Smith nasceu no dia 02 de março de 1911, na cidade de Bragança (PA), na Fazenda Fortaleza, que pertencia ao pai dela, Jorge Inácio de Souza e da mãe, Joana Ferreira de Souza. A educação dela foi rigorosa. Estudou na Escola Santa Catarina, um colégio interno de Belém, dos sete aos 18 anos. Foi neste período que ela formou o caráter, cultivou a religião e base moral, ética e espiritual. Exercitar a mente sempre- Ela teve a vida dedicada à leitura, poesia, música e ao estudo gramatical. Ainda hoje, por questão de hábito, lê em torno de seis horas por dia. Religiosa e católica praticante, não só dos rituais litúrgicos, quanto da vida de doação e amor ao próximo, atributos desenvolvidos junto com o marido. D. Eulice Smith fala do marido, Ricardo Smith, com muito carinho. Mesmo sendo militar 32 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Mais parece uma mocinha esperando a hora do passeio. Impecável o dia inteiro. Hora lendo, outras vezes conversando e às vezes lembrando as fases desses 100 anos de vida a serviço do outro. Fala mansa e vista aguçada, às vezes é traída pelo ouvido. Mas a lucidez é algo impressionante para uma centenária, às vésperas de inteirar 101 anos. Caminha sem ajuda e sabe exatamente o que vem fazer, sem perder a hora nem a noção do tempo. e severo, tinha um coração maior que os quase dois metros de altura, narra D. Eulice Smith. “Ele trazia os moleques e mendigos para se alimentar em casa, na Rua São José, 1124, no centro, onde moro até hoje. Mandava tomar banho e arranjava roupas. Ele teve mais de 500 afilhados, tanto em Macapá quanto nos interiores, onde trabalhou”, relembra. Coordena as ações - Não mais com o mesmo vigor de outrora, ainda participa dos trabalhos e atividades paroquiais. Era ela, junto com o marido, que conduzia os rumos da educação dos filhos. Era matriarcal quando o marido agia como a disciplina e o rigor militar. Veio para Macapá acompanhada do marido em 1944, quando ele foi convidado a compor o quadro de pessoal do governador Janary Gentil Nunes, o 1º do então Território Federal do Amapá. Missão sem trégua - Quando enviuvou continuou sozinha na missão de educar os filhos, netos e

bisnetos. É também a mãezona dos filhos, genros, amigos e das comunidades onde participa das ações . Os cabelos brancos espelham a beleza de uma mulher que aprendeu a viver e a cultivar o amor e mantém-se vaidosa porque aprendeu a se amar. “Ninguém consegue amar o outro se não se ama”, ensina. Os filhos - Ela e Ricardo Cardoso Smith tiveram cinco filhos: Maria Regina, Maria Ivone, Maria das Graças, Raimundo de Souza Smith e Ricardo Cardoso Smith Filho. Tem 14 netos, 15 bisnetos. É a matriarca da família Souza Smith. Temperamento dócil. Aparentemente frágil, mas forte e altiva quando necessário. Perfil biográfico - Atuou como professora do então ensino primário, técnica em contabilidade e taquígrafa. Amiga da professora Predicanda Lopes, Dayse Nascimento e do marido dela, professor Clodoaldo, Nanci Nina da Costa, Deuzite Sá Farias, Ernestina Neves, José Barroso Tostes, Gabriel de Almeida

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Ninguém consegue amar o outro se não se ama.

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Café e tantas outra pioneiros da educação no Amapá. Nesta época, relembra, não havia energia elétrica com regularidade e os professores levavam trabalho para casa e tinham que trabalhar a luz de vela ou lamparina e não havia transporte. “Tínhamos que andar a pé sob o sol escaldante ou de bicicleta” narra. Pioneiríssima - Teve atuação marcante como a 1ª secretária da extinta Escola Normal, depois Instituto de Educação do Amapá (IETA) e da também da extinta Escola Industrial de Macapá, depois Ginásio de Macapá (GM) e atual Escola Antônio Cordeiro Ponte. Pela competência, organização, disciplina e dedicação, foi guindada a gerenciar a Secretaria de Educação do então Território Federal do Amapá, uma espécie de coringa administrativa. Inaugurou escolas - Quando o marido, Ricardo

Família comemora 100 anos da matriarca Smith

Smith, militar do Exército foi comandar a guarnição de Clevelândia do Norte, ela teve que ir junto para também ser professora naquela localidade. “Trabalhei muito. Tempos difíceis. Mas nunca desisti de meu trabalho e jamais perdi a esperança no ser humano. E em nenhum momento deixei de agradecer a Deus por tudo que Ele vem me proporcionando”, diz com tanta convicção como que revelando os segredos da longevidade e felicidade.

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Carlos Bezerra

Carlos Bezerra é jornalista e cronista. Publicou no jornal Diário do Amapá algo em torno de 1.200 crônicas. É viciado em livros, jornais, revistas, pintura e música cássica. Leia outras crônicas em: www.jornalistacbezerra.blogspot.com

UM HOMEM CHAMADO JOSÉ

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erdido na imensidão do cosmos, um planeta revoluteava em giros tristes e solitários. Ficara assim, desde que a solidão o tornou diferente dos demais planetas e das super-novas, estrelas cheias de brilho, luz e vigor, que caminham pelo negror do Universo, acreditando que suas luzes durarão para sempre. Aquele triste planeta, além de não ter luz própria, perdera o pouco que refletia quando seu guia, o Sol, desabou para dentro de si mesmo, cansado por quatro bilhões de anos de fulgor constante. Quatro bilhões de anos é tempo demais, até mesmo para uma estrela que um dia pensou ser eterna. Ainda bem que pensou errado. A eternidade é cansativa demais. Mas, aquele planeta já tivera seus momentos de beleza sideral. Consta que selenitas encantados, encantavam suas encantadoras mulheres, cantando melodias tiradas de muito além das nossas limitadas sete notas musicais. Nesses momentos, a Via Láctea quedava-se, muda de prazer nas noites de Terra cheia. Dizem também, que num certo sentido, o planeta já tivera uma espécie de luz própria. Fora há muito tempo. Um tempo tão distante, que quase se perdera na história do tempo. Essa luz resultara de uma prosaica história de amor. Não o amor-paixão, o amor-erótico, o amor-frenesi, o amorloucura. Esse não. Esse era o amor diferente. Um amor feito de calma, de ternura, de bem-querer, de amizade. Um amor de pureza. Esta é a história de amor de um homem chamado José. José foi para aquele planeta o símbolo da humildade e da submissão a uma vontade superior, que não entendia, mas perante a qual se curvava, porque sabia que seu destino estava traçado nas estrelas, muito antes sequer da possibilidade de existirem. Tanto ele quanto as estrelas. Herdeiro de Davi em linha direta, não conhecia o orgulho ou a ambição. Era, antes de mais nada, um homem simples. Um puro de coração. Talvez tenha sofrido silenciosamente diante da dúvida que um dia, o demônio do ciúme tentou destilar em seu coração. Mas foi só um segundo. Como duvidar da mulher que amara sobre todas as coisas, e que fora escolhida para um destino maior que o seu? Os anos passaram, José envelheceu e morreu poucos anos depois de seu filho, condenado à morte aos 33 anos. Seu coração sangrou tanto, que por um momento pensou não resistir a tanta dor. Mas crente na recompensa do amor, não vacilou. Acreditou e amou Maria até o final dos tempos que ainda não chegaram. Uma história antiga, que só os privilegiados selenitas encantados conhecem com detalhes, diz que, se por ventura, em algum lugar, alguém conseguir ver dois cometas brilhantes lado a lado, verá também as figuras de um homem e uma mulher de mãos dadas, passeando pelo infinito, enquanto seu filho, Jesus, cuida da administração do Universo. 34 | Outubro 2011 | Olhar Amazônico

Publicida - Villa Nova


ANUNCIO DA GRテ:ICA TALENTO


Revista Olhar Amazonico 4