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APEDIDO

Dr. Waltoir Menegotto Por volta de 1981/82, conheci o Dr. Menegotto, que já exercia a advocacia em Florianópolis. Foram contatos rápidos, episódicos e lembro que ele apoiava a Diretoria presidida pelo saudoso Dr. Evilásio Caon, que, na verdade, não tinha opositores ferrenhos, tal o respeito pessoal e profissional que todos dispensavam ao Dr. Caon. O Dr. Menegotto, embora não compusesse a Diretoria ou o Conselho da Ordem, prestou valioso apoio interno ao Presidente Caon na organização da Conferência Nacional, aqui realizada em 1982, um grande acontecimento na história da OAB catarinense. Na eleição seguinte, Menegotto acompanhou a corrente do Dr. Lenzi e no período seguinte a do Dr. De Bem, conquistando então, num pleito bastante disputado, uma cadeira. Começava Menegotto uma caminhada fulgurante na OAB, evidenciando sua capacidade de trabalho, sua lealdade com os companheiros de chapa e sobretudo à instituição, conquistando passo a passo a admiração e o respeito de quantos ligados à Ordem. Em 1986, numa eleição memorável, em que uma corrente de advogados, sob a liderança do ex-Presidente Sadi Lima, empenhava-se com grande afinco por mais um período no comando da OAB, formamos um grupo do qual faziam parte jovens advogados que revelavam nítida liderança em questões associativas da advocacia, entre eles João Henrique Blasi, Fernando Carioni, Jorge Mussi e Antônio Hugen. Pela idade, acabei coordenando a chapa de uma corrente que estava há cerca de seis anos fora da direção da Ordem. Percorremos o Estado inteiro, em caravanas de fins de semana, levando uma mensagem de renovação a todos os advogados, animadas as longas viagens de ônibus pelo saudoso Cláudio Carioni, com suas tiradas bem humoradas e a primorosa imitação caricatural. Do outro lado os Caon; Amauri Ferreira, cuja liderança oabiana - expressão criada ou difundida pelo Lenzi -, despontava com muita firmeza; Menegotto, Iran Wosgrau, Nicolau Pitsica e, naturalmente Sadi Lima, formavam uma chapa imbatível. Vinte e quatro vagas no Conselho, a situação elegeu 12 e a oposição igualmente 12. Fiéis da balança, os membros natos votaram em maioria com a oposição. Fui eleito Presidente e iniciamos o mandato em fevereiro de 87, para um período que se prognosticava trabalhoso e afirmativo. Amauri e Menegotto, já agora opositores, sentavam-se nas primeiras cadeiras do plenário da rua Padre Miguelinho. Vigilantes, atentos a tudo, manifestavam-se com muita competência e interesse em quase todas as matérias. Sem renegar suas convicções opositoras, am-

bos não hesitavam em apoiar a Diretoria nas questões de interesse da Ordem. Foi um período de frequentes viagens ao interior do Estado em visita às Subseções em que o trabalho e a participação do conjunto de conselheiros, da situação ou oposição, era extremamente relevante e necessário, até porque, a par de encontros de Subseções no interior, tencionávamos sediar em Florianópolis um Congresso Estadual de Advogados, ao ensejo mesmo dos trabalhos constituintes, em plena efervescência e concretização. No meio do mandato, o 1º Secretário, João Henrique Blasi é convocado pelo saudoso Governador Pedro Ivo Campos para substituir o também saudoso Dr. Cid Pedroso, Secretário da Justiça, que fora nomeado Desembargador. Aberta a vaga, teríamos nomes de expressão dentro da nossa chapa para escolher o substituto do Dr. João Henrique na 1ª. Secretaria.Mas a figura do Dr. Waltoir Menegotto, presente em todos os instantes da vida da Ordem, nas sessões ordinárias ou comemorativas, nas comissões, em viagens ou em outras eventuais missões que lhe eram confiadas, levou-nos, de imediato, a convidá-lo para integrar a Diretoria, o que ele acolheu com o sorriso franco e aberto que sempre ostenta, certo de que poderia prestar mais uma excelente colaboração à Ordem. Dias depois, foi sufragado com expressiva votação e manteve, nos meses seguintes, como o faria nos anos que se sucederam, sua profunda devoção às coisas da Ordem, uma conduta ética irrepreensível, uma dedicação insuperável a tudo quanto dissesse respeito à entidade. Foi mais um dos eficientes e leais companheiros de Diretoria da OAB que tivemos em nossos saudosos mandatos de presidente. Não se desligou mais da Ordem, a não ser após o último pleito, em que, Vice-Presidente na gestão Paulo Borba, não conquistando a vitória a sua chapa, soube perder com muita dignidade. É um profissional dedicado, competente e operoso, chefia prestigiada banca de advogados, em cuja equipe também trabalham seus filhos, desfrutando do maior apreço e respeito em toda a cidade. É um homem cordial, amigo de seus amigos, adversário sempre leal, é, enfim, um vitorioso, que colhe, agora, justas e merecidas homenagens pelos 35 anos de honrados e valiosos serviços à advocacia. Integro-me com muita alegria a esse momento de felicidade que desfruta com sua mulher, D. Jane, seus filhos e netos e seus amigos, entre os quais orgulhosamente me incluo. João José Ramos Schaefer

32ª Edição - Revista O Empresário  

32ª Edição - Novembro/Dezembro 2013 - Revista O Empresário

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