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CARTA AO LEITOR

U

m dos diferenciais da região tem sido o crescimento da fruticultura. Várias têm sido as opções de investimentos dos agricultores, que buscam principalmente pela agregação de valor nas propriedades. Um dos destaques nos últimos anos é a viticultura, especialmente em Ametista do Sul, Alpestre e Planalto, que conseguem ter uma precocidade bastante competitiva na colheita da fruta, entrando antecipadamente no mercado. Esse é o destaque de capa desta edição. Para produzir a reportagem, percorremos esses municípios, com a orientação das equipes da Emater/RS. Mais uma vez fica em evidência o perfil empreendedor desses viticultores, que a cada ano aprimoram os seus sistemas de produção para obter melhores resultados e entregarem ao consumidor uvas de mais qualidade. Neste ano, apesar de algumas intempéries climáticas – geadas em alguns parreirais e granizo em outros –, a expectativa é positiva, pois mesmo que em algumas áreas a produtividade baixe um pouco em relação ao ano passado, a qualidade dos frutos já tem se mostrado excepcional. Outra boa notícia em relação ao assunto é que, neste ano, Ametista do Sul sediará um evento regionalizado que marcará o início da vindima. Trata-se da Abertura Oficial da Colheita da Uva do Médio Alto Uruguai, que também integrará o Seminário Regional da Fruticultura, no dia 30 de novembro, na linha Alta. Cabe lembrar que, em 2016, o município também inovou com a realização de um evento municipal, que agora ganha mais força e visibilidade. Sem dúvidas, será um encontro muito especial do ponto de vista técnico, de comercialização desse produto, bem como de comemoração!

Edição conjunta

Neste mês, excepcionalmente, a Novo Rural circula com uma edição conjunta, correspondente a novembro e dezembro. O formato foi adaptado tendo em vista o período de férias da equipe. Em janeiro voltamos com as energias renovadas e muitas novidades! Gracieli Verde - Editora-chefe

COMENTÁRIOS Erva-Mate Gurizinho, de Palmeira das Missões “Parabéns a essa família linda e muito abençoada! Kati muita linda tomando chimarrão e sempre participando junto a seus pais.”

Jovem Elisandra Natali, de FW “Linda tua história. Fico muito feliz em ver que mais mulheres se realizam no campo.”

Patricia Botton, via Facebook “Parabéns, Elisandra Natali. Isso faz com que muitos jovens como nós se motivem. E mostra a importância que temos perante a sociedade em buscar novas ideias para o desenvolvimento da região”

Cassiano de Pellegrin, via Facebook

Eliziane Maria Pizzatto, via Facebook

“Agradecemos a confiança de todos os envolvidos na trajetória deste projeto. Com certeza, notícias melhores e projetos maiores serão realizados.”

Paulo Sergio Diedrich, via Facebook

Desabafo do agricultor Giovane Weber, de Santa Cruz do Sul “Concordo com o amigo agricultor, pois defendo esta causa também, mas, só lembrando e fazendo justiça, que o povo da cidade também é desfavorecido e esquecido pela classe política. Conheço muita gente que trabalha duro debaixo do sol escaldante também, assim como nossos agricultores, para ganhar míseros R$ 1.110,00, pagando R$ 560,00 de aluguel, com três filhos, dependendo de fila do SUS.”

Leandro Busatto, via Facebook

Fotografou, comentou, viajou!

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Produção de banana em Caiçara

Atenção! Não se esqueça de colocar, no fim do texto, o seu nome e qual cidade você mora. O sorteio será no dia 15 de dezembro. Boa sorte!

COMO PARTICIPAR

ara comemorar o primeiro ano da revista Novo Rural, estamos presenteando um leitor com uma viagem gratuita, com momentos de fé e lazer. Através de parceria com a STL Turismo, um leitor da revista conhecerá o Santuário do Divino Pai Eterno, no Estado de Goiás. O passeio também inclui visita à cidade de Caldas Novas, para aproveitar as piscinas com águas termais, tudo com almoço, café da manhã e pernoite inclusos. Por isso, se você ainda não programou suas férias, aproveite esta oportunidade. Para participar do sorteio é necessário apenas enviar sua foto junto da Novo Rural ou, se preferir, encaminhe seu comentário dizendo o que mais gostou na revista, ou ainda pode sugerir algum assunto para ser tratado nas próximas edições.

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COMENTÁRIO

A revista Novo Rural é uma publicação realizada em parceria por Convênio:

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Envie sua foto com a revista + comentário sobre o que gostou da revista ou se preferir alguma sugestão de reportagem revistanovorural@oaltouruguai.com.br ou WhatsApp: (55) 9.9624-3768

Diretora

Editora-chefe

Patricia Cerutti

Gracieli Verde

Coordenador financeiro

Gerente Comercial Ivone Kempka

Eduardo Cerutti

Circulação Mensal

Reportagem

Tiragem

13.500 mil exemplares

Fone: (55) 3744-3040 Endereço: Rua Getúlio Vargas, 201 - B. Ipiranga Frederico Westphalen/RS

Revista Novo Rural

@novorural

55 99624-3768

Débora Theobald

Diagramação e publicidade Fábio Rehbein, Karen Kunichiro e Leonardo Bueno

ABRANGÊNCIA: Alpestre, Ametista do Sul, Barra Funda, Boa Vista das Missões, Caiçara, Cerro Grande, Chapada, Constantina, Cristal do Sul, Dois Irmãos das Missões, Engenho Velho, Erval Seco, Frederico Westphalen, Gramado dos Loureiros, Iraí, Jaboticaba, Lajeado Do Bugre, Liberato Salzano, Nonoai, Nova Boa Vista, Novo Barreiro, Novo Tiradentes, Novo Xingu, Palmeira das Missões, Palmitinho, Pinhal, Pinheirinho do Vale, Planalto, Rio dos Índios, Rodeio Bonito, Ronda Alta, Rondinha, Sagrada Família, São José das Missões, São Pedro das Missões, Sarandi, Seberi, Taquaruçu do Sul, Três Palmeiras, Trindade do Sul, Vicente Dutra e Vista Alegre.


Em destaque

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Revista Novo Rural Novembro/Dezembro de 2017

Audiência debate orçamento da Emater/RS Uma audiência pública para debater a situação orçamentária e a necessidade de fortalecimento da Emater/RS-Ascar foi realizada no dia 19 de outubro, no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do RS, em Porto Alegre. Participaram diversas autoridades, empregados da instituição e agricultores, além de membros das direções de entidades representativas dos quadros da Emater/RS-Ascar e de sua direção, como o presidente, Clair Kuhn. A audiência foi proposta pelos deputados Elton Weber, Zé Nunes e Jeferson Fernandes e realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, presidida pelo deputado Adolfo Brito. Kuhn disse que, apesar das dificuldades, a entida-

Encontro reúne mulheres cooperativistas

de é exemplo para as demais do Brasil no que se refere à gestão. Fato que se comprova durante as reuniões da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer). Está prevista para o dia 26 de novembro a votação de duas emendas ao orçamento do Estado propostas pelos deputados Edson Brum, Elton Weber e Jéferson Fernandes. As entidades representativas dos trabalhadores que atuam na Emater/RS-deverão produzir um documento enfatizando a necessidade de aprovação das emendas e a manutenção dos recursos financeiros e humanos da Instituição, que será entregue à relatora do projeto, deputada Liziane Bayer, e ao governo do Estado.

A sétima edição do Encontro de Mulheres Cooperativadas, realizado no início de outubro, em Chapada, reuniu mais de 400 pessoas. Organizado pela Coagril, em parceria com a Emater/RS-Ascar, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e apoio do Sescoop, o evento propôs uma reflexão sobre o empoderamento das mulheres e seu posicionamento nos campos familiar, social, político e econômico. Uma das palestras foi ministrada por Dalmir Sant Anna e outra por Roselei Luiz Angst e sua equipe. “O encontro possibilitou uma profunda reflexão sobre o papel da mulher na sociedade atual, além de proporcionar momentos de diversão e lazer”, assinala a extensionista social da Emater/RS-Ascar, Odete Finck.

Divulgação

Oportunidade para agricultores de FW Produtores de Frederico Westphalen podem se inscrever na Secretaria Municipal de Agricultura para a aquisição de mudas de eucalipto. Cada agricultor terá a sua disposição até mil mudas, sendo que a meta é que em cada propriedade rural sejam plantadas, em média, 300 mudas. A ação ocorre em parceria com o programa Rural Sustentável – financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento

(BID) – e a Secretaria de Agricultura. O município pagará 50% do valor total da muda e o agricultor deverá efetuar o pagamento antecipadamente – cada muda deve custar cerca de R$ 0,14. Para que o agricultor consiga efetuar a inscrição, é necessário que esteja em dia com as contas do município, apresentando o bloco de produtor revisado para a conferência. Expectativa dos organizadores é chegar à marca de mil participantes

Meio rural pode ter porte de armas Foi aprovada no início de outubro na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, na Câmara dos Deputados, a proposta que permite a concessão de licença para o porte de arma de fogo para proprietários e trabalhadores rurais maiores de 21 anos. O objetivo, segundo o texto, é proporcionar a defesa pessoal, familiar ou de terceiros, assim como a defesa patrimonial. Segundo a proposta, a licença será concedida mediante requerimento, com a apresentação dos seguintes documentos: documento de identificação pessoal; comprovante de residência ou de trabalho em área rural; e nada consta criminal. O comprovante de residência poderá ser substituído pela declaração de duas testemunhas e o nada consta criminal, pela

declaração da autoridade policial local. A licença para o porte rural de arma de fogo terá validade de dez anos e será restrita aos limites da propriedade rural, condicionada à demonstração simplificada, à autoridade responsável pela emissão, de habilidade no manejo. A arma licenciada será cadastrada e registrada no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal. O extravio, furto ou roubo deverá ser imediatamente comunicado à unidade policial mais próxima, que providenciará sua comunicação ao Sinarm. O projeto ainda tramita em caráter conclusivo e será analisado agora pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Dia do Porco será na região em 2018 A 44ª edição do Dia Estadual do Porco já tem seu anfitrião definido. Será o município de Rodeio Bonito. A decisão foi anunciada em reunião com o prefeito José Arno Ferrari, em outubro. Segundo ele, a suinocultura representa uma das principais fontes de renda de Rodeio Bonito. “É um sonho receber o Dia Estadual do Porco”, exclamou Ferrari. A expectativa é chegar à marca de mil participantes, assim como ocorreu na 43ª edição do evento. Tradicionalmente o evento ocorre na segunda sexta-feira do mês de agosto de cada ano.


Jantar com pratos à base de peixe foi servido no salão paroquial da cidade

Desde a segunda quinzena de outubro a Secretaria de Agricultura de FW está disponibilizando mais um mil horas-máquinas terceirizadas para demandas de propriedades rurais. Conforme o anúncio, no total serão 300 horas para trator-esteira, 300 horas para escavadeira hidráulica e 500 horas de retroescavadeira. O serviço será oferecido de acordo com a demanda, até que seja atingido o limite de horas. Para ter acesso aos serviços, o agricultor precisa estar em dia com a municipalidade, além de apresentar a escritura das terras. Ele também precisa fazer um cadastro na Secretaria de Agricultura, quando também deverá efetuar o pagamento antecipado de 50% do valor de cada hora-máquina. A Secretaria de Agricultura de Frederico Westphalen está localizada no parque de máquinas e atende a partir das 8 horas.

Emater/RS festeja 20 anos em São José das Missões

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Horas-máquinas terceirizadas à disposição

Casas familiares estão com inscrições abertas

Pelo segundo ano o município de São José das Missões sediou o Jantar do Peixe, no O período de matrículas para as casa familiares rurais da região já está aberto. dia 20 de outubro. Mais de 400 pessoas participaram do evento, que também comemorou Filhos de agricultores que tenham o ensino fundamental completo podem se insos 20 anos da Emater/RS no município. O evento também fez parte das atividades relaciocrever na Escola de Ensino Médio Casa Familiar Rural de Frederico Westphalen nadas à Semana da Alimentação realizadas no município. O jantar foi servido no salão paaté o dia 14 de dezembro, na Vila Faguense, nos Sindicatos dos Trabalhadoroquial, promovido pela Emater/RS-Ascar, prefeitura e Rádio Comunitária de Vanguarda, res Rurais de cada município de abrangência da entidade ou, ainda, pelo tecom apoio das cooperativas Sicredi e Cresol. lefone (55) 9.9642.9845. Já na Escola de Ensino Médio Casa Familiar Rural A equipe da Emater/RS-Ascar prestou uma homenagem aos ex-colegas que trabaRegional de Alpestre, o período de inscrições segue até 15 de novembro e lharam no município, que contribuíram para o desenvolvimento das famílias rurais de São as matrículas podem ser feitas na própria CFR, escritórios municipais da José das Missões. “O que nós mostramos hoje é o resultado do trabalho de todos, da Emater/RS-Ascar ou pelo telefone (55) 3742.1562. soma do esforço de cada extensionista que já passou por São José das Missões e deixou a sua contribuição, realizando o trabalho de Aters, buscando o desenvolvimento das famílias do campo”, salientou o chefe do escritório municipal da Emater/RS local, Dilamar Chaves. Entre as lideranças que participaram do evento esteve o prefeito, Silvio Pedrotti de Oliveira, e o presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Edegar Pretto.

Febre aftosa: segunda dose da vacina

Expodireto e Expoagro selecionam expositores da agricultura familiar

Prazo para o CAR encerra em dezembro

Já abriram as inscrições os interessados em expor a produção de suas agroindústrias, nos pavilhões da Agricultura Familiar da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, de 5 a 9 de março de 2018, e da Expoagro Afubra, em Rio Pardo, de 20 a 22 de março. O período de inscrições segue até o dia 23 de novembro. As inscrições serão realizadas mediante preenchimento completo da ficha disponível nos sindicatos ligados à Fetraf e à Fetag. As orientações sobre o correto preenchimento e o envio dos documentos adicionais serão de responsabilidade das entidades e dos expositores. A homologação das inscrições se dará após validação da comissão organizadora de cada evento. Entre os critérios de seleção está o de essas agroindústrias estarem inclusas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), ter condição de legalidade tributária, sanitária e ambiental em conformidade com a legislação vigente, entre outros. Procure o sindicato do seu município.

O prazo para produtores rurais registrarem suas propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR) termina em dezembro deste ano. Existe possibilidade de mais uma vez o prazo ser prorrogado, para o fim de 2018, mas nada foi confirmado por enquanto pelo governo federal. O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todas as propriedades rurais, no qual o proprietário ou posseiro informa a situação ambiental do seu imóvel, como existência de área remanescente de vegetação nativa, de área de uso restrito ou protegida. O objetivo é criar uma base de dados para orientar as políticas ambientais. De acordo com o Código Florestal, os bancos só poderão conceder crédito agrícola, independente da modalidade (custeio, investimento e comercialização) para proprietários rurais que estejam inscritos no CAR. Na região, os sindicatos dos trabalhadores rurais estão fazendo o cadastro. Na dúvida, procure o do seu município.

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Começa em 1º de novembro a segunda etapa da vacinação contra a febre aftosa. No rio Grande do Sul agora é a vez de imunizar os animais com até 24 meses de idade. Neste caso, o criador também precisa comprovar a compra e a aplicação das doses junto à Inspetoria Veterinária do seu município. É importante também ter cuidado com o transporte e o armazenamento dessas vacinas, que precisam estar entre 2°C e 8°C para não perder a eficácia. Em caso de dúvidas, procure sempre a equipe técnica da Inspetoria Veterinária da sua região.

Seminário deve reunir famílias em Jaboticaba Jaboticaba se prepara para o 2º Seminário de Pais e Filhos, a ser realizado no dia 29 de novembro, durante a semana de aniversário do município. Entidades promotoras do evento têm se mobilizados para acertar os detalhes da programação. Participam desse trabalho a Cooperjab, a Creluz, o Poder Executivo, diretores de escolas, secretários municipais, Acija e Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Neste ano o tema do encontro será o empreendedorismo rural e a sustentabilidade.


A campo

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

Safra de milho é motivo de preocupação Em Frederico Westphalen, um encontro abriu espaço para professores analisarem cenário de alta incidência de pragas

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ataque severo de lagartas ao milho na região se tornou um grande problema e motivou a promoção de um encontro técnico no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen, no dia 18 de outubro. Isso porque é grande o número de produtores que tem procurado os sindicatos da região, bem como outras entidades técnicas, relatando problemas sérios nas lavouras. Mesmo com várias aplicações de inseticidas, em muitos casos o controle não foi eficiente. Além de questionamentos relacionados ao manejo pré-plantio, também foram levantadas dúvidas relacionadas às tecnologias que as variedades milho possuem para o controle desse tipo de praga, no caso das opções Bt. “É um momento importante para refletirmos sobre o que está acontecendo”, reforçou o presidente Buzatto.

Relatos de produtores em relação às lavouras de milho foram apresentados pela equipe do STR. Um dos casos foi o do produtor Volnei Busato, da linha Castelinho, Frederico Westphalen. Ele tem 85 hectares de milho e registrou diferença gritante entre diversas variedades. Mesmo cultivadas lado a lado, teve variedades que resistiram às pragas sem inseticida, enquanto outras foram devastadas. “É isso que a gente acha muito estranho”, disse outro produtor presente. Além desses relatos, professores da área de Ciências Agrárias expuseram seus pareceres sobre o assunto. As oscilações de temperatura e variações climáticas durante o inverno – que neste ano teve pou-

“Tivemos um inverno com pouco frio e essas temperaturas mais elevadas favorecem o desenvolvimento desses insetos. Isso favorece também que aumente a população de lagartas” professor Alexandre Gazolla Neto, da URI/FW

Produtores devem ter prejuízos Ainda não se sabe se alguém poderá arcar com o prejuízo. Por hora, os produtores aguardam que o milho se desenvolva para ver como será o desempenho. Em Iraí, onde grande parte das lavouras teve esses surtos de lagartas, a Emater/RS estima uma perda de 40% na safra, conforme o agrônomo Fernando de Rossi. No município também teve áreas que foram atingidas por granizo em outubro. Segundo ele, a maior parte das lavouras estava em fase reprodutiva no fim de outubro. Já em nível regional, ainda não há uma estimativa oficial de perdas.

Debate questionou a eficiência das tecnologias que estão sendo empregadas nas lavouras de milho, entre outras reflexões

Daiane Binello

Um conjunto de problemas

cos episódios de frio intenso –, entre outras questões, foram levantadas como possíveis causas deste problema. Segundo o professor Alexandre Gazolla Neto, que é doutor em sementes e atua como docente na URI/FW, é preciso avaliar a conjuntura. “Tivemos um inverno com pouco frio e essas temperaturas mais elevadas favorecem o desenvolvimento desses insetos. Isso favorece também que aumente a população de lagartas, o que resulta em uma pressão de seleção sobre a tecnologia”, avalia. Outro palestrante, o professor Claudir José Basso, da UFSM/FW, classificou a situação como um surto de pragas. “É natural que a gente se assuste com isso, porque a tecnologia que deveria controlar não tem conseguido ter um efeito tão eficiente. É um ano atípico, porque tem áreas de pastagens que também estão sendo atacadas”, comenta. Segundo ele, agora a atenção deve ser redobrada para o próximo ciclo, porque neste atual, infelizmente, não há o que fazer. – Além de um monitoramento ainda mais intenso, o produtor vai precisar trocar mais ideias para ver qual a variedade é mais resistente. Mas não estamos aqui para dizer quais são essas variedades, estamos aqui para debater que tipo de manejo pode ser mais adequado para não se ter tanto problema – disse Basso. A importância de fazer áreas de refúgio também foi evidenciada – no caso do milho essa área deve ser de 10% do total cultivado –, o que auxilia para a manutenção da tecnologia. Havia a expectativa de o encontro ter a participação de um profissional ligado a uma empresa que fornece sementes, mas ele cancelou a vinda ao evento.

Debora Theobald

Em Iraí a Emater/RS estima uma perda de 40% na safra

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Revista Novo Rural Novembro/Dezembro de 2017

7 Gracieli Verde

TRIGO com menos qualidade Produtores acionam seguro para tentar reduzir prejuízos

M

ais uma vez a safra de trigo não tem sido animadora para a maior parte dos produtores. O clima não colaborou, com períodos de muita chuva e outros de estiagem em pleno inverno. A frustração da safra se vê na baixa qualidade do produto, que não tem conseguido pH aceitável no mercado. Nos 42 municípios de abrangência do Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, são 76,7 mil hectares cultivados com o trigo. Tendo em vista esse panorama, no início da segunda quinzena de outubro o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, se pronunciou após ver as primeiras lavouras colhidas apresentando números abaixo da média. “Temos produtividades oscilando entre menos de 20 sacas por hectare e no máximo 35 sacas por hectare. A qualidade não é diferente, com pH 72 a 76. Com esse pH e este apa-

Chuva no fim do ciclo piorou situação do trigo, segundo o agrônomo Darci Iora, da Emater/RS

Em lavouras como a de Cleber Bridi, a má qualidade dos grãos gera prejuízos

“Não estamos tendo mercado. Estou em contato com várias empresas, mas não há liquidez. Tem cooperativas que até aceitam esse trigo, mas querem pagar com outros produtos, não em dinheiro.” Cleber Bridi, agricultor

rência de cor, o produto não tem qualidade”, disse. Em Palmeira das Missões, até o dia 31 de outubro, 50% da área de 18 mil hectares havia sido colhida e raras eram as áreas que conseguiam ter trigo com pH 78, conforme análise do agrônomo Felipe Lorensini, da Emater/RS. “Já a produtividade tem variado bastante. Produtores que têm solicitado o Proagro registram entre 20 e 30 sacas por hectare”, exemplifica. Em todos os municípios os pedidos de seguro das lavouras têm se intensificado à medida que a colheita avança. Esse cenário é bem parecido em outros municípios. Em Dois Irmãos das Missões, as lavouras do produtor Cleber Bridi também registram baixa produtividade e grãos comprometidos – no dia 24 de outubro o trabalho de colheita era intenso, porque a previsão era demais chuva para aquela semana. “Com essas últimas precipitações as lavouras pioraram muito no que se refere ao pH”, segundo o agrônomo Darci Iora, da Emater/RS, enquanto mostra algumas espigas escuras, comprovando a falta de qualidade do produto. – Não estamos tendo mercado. Estou em contato com várias empresas, mas não há liquidez. Tem cooperativas que até aceitam esse trigo, mas querem pagar com outros produtos, não em dinheiro – disse Cleber Bridi, em tom de preocupação. Até o dia 25 de outubro, 100 hectares do total de 250 haviam sido colhidos na propriedade. O agricultor expõe que o rendimento, até agora, tem sido no máximo de 25 sacas/hectare, o que não é o suficiente para cobrir os custos da lavoura. Em relação ao preço, nos últimos dias de outubro o valor pago por saca ao produtor ficou em R$ 30, no caso de pH 78. Índices menores de pH também baixam o valor do produto.


A campo

Chega a hora da semeadura

da soja Nesta edição trazemos mais orientações sobre quais detalhes observar em mais uma implantação das lavouras da oleaginosa

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or mais que a tecnologia seja um fator decisivo na hora de colher resultados considerados positivos nas lavouras, seguir à risca questões técnicas é crucial. Em mais uma safra de soja que se inicia, o monitoramento intenso das lavouras será fundamental, especialmente em um ano tão atípico no que se refere ao clima, e depois de vários problemas vistos em áreas de milho, com ataque severo de pragas. Antes disso, porém, o planejamento da semeadura é fator preponderante para o sucesso da lavoura. Isso porque o uso de cultivares adaptadas e de alto potencial produtivo é fortemente prejudicado se a cultura não for implantada no momento adequado, segundo orientação da engenheira-agrônoma e doutora em Agronomia Joana Graciela Hanauer, do escritório municipal da Emater/RS de Chapada. No município, na safra 2017/2018, estima-se o plantio de 42 mil hectares, um crescimento de 3 mil se comparado ao ano anterior.

Dando sequência às dicas para uma safra de saldo positivo – na edição passada você também pôde conferir informações importantes para um bom manejo pré-plantio –, neste mês ampliamos essas orientações, desta vez com a colaboração da agrônoma Joana Graciela Hanauer.

De olho no calendário Escolha a época certa de plantio O planejamento da semeadura dentro da época normal de semeadura, contida no Zoneamento Agrícola de Risco Climático, é imprescindível para obtenção de uma produtividade elevada. A implantação de cultivares de soja antes ou depois da melhor época de semeadura acarreta em alterações na altura da planta, altura da inserção da primeira vagem e no número de ramificações na haste principal, o que reflete no desempenho dos componentes do rendimento da cultura, número de vagens, número de sementes por planta e peso destas sementes, diminuindo, consequentemente, a produtividade agrícola. Lembrando que não são recomendadas duas safras consecutivas de soja no mesmo ano agrícola para produção de grãos. Isso porque a safrinha já iniciará com elevada pressão biótica, com ataque de mosca-branca, lagartas de folhas e vagens, percevejos sugadores de grãos, doenças de final de ciclo, ferrugem asiática, mancha-alvo e mofo-branco.

Inoculação Mais proteção para a planta A inoculação das sementes com os rizóbios fixadores de nitrogênio traz a vantagem da melhor proteção da planta contra a carência de nitrogênio, pois os rizóbios são responsáveis por estabelecer o processo de fixação biológica do nitrogênio no sistema radicular da soja, melhorando a assimilação do nitrogênio. Em uma sequência operacional de tratamentos químicos e inoculação de sementes de soja, esta sempre deve ser a última operação. Após a inoculação, deve-se aguardar 15 a 20 minutos para secagem das sementes tratadas e inoculadas antes de colocá-las na semeadora.

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Sementes O insumo mais importante A semente é o insumo agrícola de maior importância, pois se ela não for de qualidade, não haverá estande adequado de plantas e nem produtividade econômica, havendo desperdício e perda de eficiência na utilização e no desempenho dos demais insumos utilizados. As sementes devem apresentar requisitos básicos, como a pureza genética ou varietal que vai garantir uniformidade de desenvolvimento e maturação da lavoura. É fundamental prestar atenção na percentagem de germinação, que permite obtenção adequada da população de plantas, e na pureza física, ou seja, integridade das sementes e ausência de misturas com sementes de inços e impurezas.

As sementes ainda precisam estar isentas de rachaduras ou trincas que favorecem a entrada de patógenos e prejudicam a germinação. O diâmetro semelhante da semente é outra característica desejada, facilitando a regulagem da semeadora, permitindo emergência uniforme da cultura. Não esqueça de fazer o tratamento da semente, como já foi abordado na edição passada. Existem várias formulações que são utilizadas em produtos comerciais, tanto nas formas isoladas como associadas, como captan, thiram, carbendazin, difenoconazole, piraclostrobina e tiofanato metílico, no grupo dos fungicidas; e fipronil, abamectina e imidacloprida, no grupo dos inseticidas e nematicidas. Em caso de dúvidas, procure sempre uma assistência técnica de confiança.

Semeadura É preciso estar atento aos detalhes As sementes devem ser distribuídas de 3 cm a 5 cm de profundidade. Além da regulagem da semeadora, a velocidade de deslocamento afeta a qualidade da semeadura. A velocidade ideal é de 5 a 7 km/h. A densidade de semeadura é menor à medida que a velocidade de deslocamento da semeadora aumenta, acarretando desuniformidade de distribuição das sementes e injúrias mecânicas, levando a ocorrência de falhas de plantas na lavoura e infestação tardia de plantas daninhas pelo mau fechamento do dossel.

O espaçamento e a densidade de plantas na fileira utilizada para soja dependem, principalmente, das características da cultivar, da época de semeadura e da fertilidade do solo. Espaçamentos menores são mais indicados somente para cultivares de ciclo precoce, de porte médio e resistente ao acamamento, em solos com alta fertilidade e que tenham boa capacidade de armazenamento de água. O melhor desempenho produtivo é obtido dentro de uma faixa de 200 a 350 mil plantas por hectare. Populações muito elevadas estimulam a competição entre plantas, favorecendo o estiolamento, diâmetro de haste reduzido, pouca ramificação, maior altura de plantas e altura de inserção da primeira vagem e plantas mais propensas ao acamamento.

Sanidade da lavoura Fique de olho nas pragas e doenças A primeira fase de desenvolvimento da soja é chamada de estágio vegetativo. Nesse momento, o produtor deve estar atento em manter a lavoura livre das plantas daninhas e com atenção às doenças, como a antracnose, míldio, oídio, mancha alvo e inclusive a ferrugem, embora esta seja mais comum após o florescimento. Doenças radiculares, como podridões causadas por Macrophomina e Phytophthora, são evitadas preparando-se adequadamente o solo, eliminando camadas compactadas e corrigindo a acidez, além de fazer a manutenção da cobertura vegetal, usar cultivares tolerantes e adubação equilibrada. As principais pragas iniciais da soja são a lagarta elasmo, coró, piolho de cobra, caramujos, lesmas, grilos, gafanhotos, tamanduás e vaquinhas. Antes da semeadura deve ser feita vistoria no interior e na superfície do solo, a procura dessas pragas. Dependendo da praga encontrada, deverá ser feita a escolha do controle, como o tratamento de sementes para tamanduás e corós. As demais, em caso de presença, podem ter seu controle feito juntamente com a dessecação ou após seu surgimento com aplicação de inseticidas sobre a cultura.

Controle biológico

é opção para prevenir e combater pragas

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om a safra de soja já sendo implantada na região, e depois de um surto de lagartas nas lavoura de milho, o alerta é ainda maior para os agricultores. A atenção precisa ser redobrada, segundo o agrônomo Carlos Roberto Olczevski, que atua no escritório regional da Emater/RS em Frederico Westphalen. Uma opção para a prevenção e o controle de pragas é o uso do chamado controle biológico, que usa inimigos naturais para evitar infestações indesejadas. Para as lagartas da soja, a orientação é que se use o Trichogramma pretiosum (vespinha). Este controla lagartas como a fal-

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sa medideira, lagarta da soja, broca-grande-do-fruto, a Helicoverpa armigera e a Heliothis virescens. “As fêmeas do Trichogramma localizam os ovos do hospedeiro no campo e depositam neles seus ovos, interrompendo o desenvolvimento da praga no início de seu ciclo. Os ovos da praga tornam-se de coloração escura e dão origem a novas vespas Trichogramma, que atacam as novas posturas das mariposas presentes nas lavouras, e assim sucessivamente”, explica o agrônomo. Os pedidos podem ser feitos nos escritórios da Emater/RS, com a orientação da equipe técnica.

Modo de controle Soja intacta

2 aplicações

Soja não intacta

4 aplicações

Percevejo na soja O controle do percevejo da soja pode ser feito com a aplicação do Trissolcus basalis, que tecnicamente são chamados de parasitoides de ovos desses insetos. O Trissolcus basalis deve ser liberado na forma de adultos (5 mil parasitoides/ha) ou como ovos parasitados em cartelas de papelão (três cartelas/ha), no final do florescimento da soja, quando a população de percevejos ainda é pequena. Conforme Olczevski, o custo é estimado em R$ 50 por hectare. Ele ressalta que neste ano serão realizadas aplicações deste parasitoide em lavouras de soja da região, as quais fazem parte do Programa Lavoura de Resultados, por meio da SDR, que vem sendo executado pela Emater/RS.

Ácaro rajado Além das lagartas e percevejos, que são as principais pragas da soja, existem outras que podem causar prejuízos, como o ácaro rajado (Tetranychus urticae), que ataca mais de uma centena de espécies vegetais, como a soja, feijão, mamão, tomate, entre outros. Eles deixam as folhas atacadas amareladas e cobertas da teia que produzem. Para combater, são usados conídios do fungo Beauveria bassiana, em uma formulação de pó molhável. O produto comercial pode ser encontrado em cooperativas da região e agropecuárias. A aplicação se dá com a pulverização, devendo proporcionar o contato direto entre o produto e as pragas-alvo. É recomendado aplicar no fim da tarde ou em dias nublados, com temperatura entre 25°C e 35°C, e umidade relativa do ar mínima de 60%. Entre os benefícios desse tipo de controle está o amplo espectro de ação, além de ser uma prática importante do Manejo Integrado de Pragas. Além disso, é indicado para o manejo de resistência de insetos e ácaros, preserva os inimigos naturais das pragas, é de fácil associação com outros métodos de controle, não é tóxico ao meio ambiente nem à saúde humana e dos animais.

Milho safrinha

Se você optar por cultivar o milho safrinha, lembre-se que também há controle biológico para pragas que atacam a cultura. Procure as equipes da Emater/RS da região para mais orientações. A lagarta-do-cartucho, por exemplo, tem controle com inimigos naturais, que, inclusive, são mais baratos que os inseticidas.


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Em mais uma safra de uva, clima é de otimismo entre maior parte dos produtores Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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Em Planalto, o viticultor Adão da Silva Lopes projetava uma safra com frutas de qualidade, na metade de outubro

Precocidade torna a região estratégica na produção de uvas

potencial da região para a fruticultura é inegável. Clima, solo e outros pontos a favor somam para aqueles que investem no setor. Nos municípios de Ametista do Sul, Planalto e Alpestre, a uva é um dos componentes que faz a diferença quando o assunto envolve as frutíferas. Depois de deixar de lado a produção de grãos, que exige maior escala, esta tem sido uma opção considerada uma importante fonte de renda para as famílias e, consequentemente, para o comércio local. “Por mais que não tenhamos dados coletados sobre como essa atividade vem repercutindo no nosso comércio, sem dúvidas é uma renda importante para fomentar o consumo local”, reforça o presidente da Associação Comercial e Industrial de Planalto, empresário Fabio Canan. A precocidade que é atingida com a cultura nesses municípios é, de longe, o grande diferencial. “Essa capacidade de entrega de uva antes do período de Natal, que é quando inicia a colheita na Serra gaúcha, torna a região estratégica para a cultura”, ressalta o agrônomo e analista Daniel Grohs, da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves. Isso se diferencia, inclusive, da região de Sarandi, onde a cultura da uva também tem potencial e já possui vinícolas consolidadas há mais tempo no mercado. – Há cinco anos começamos o projeto Mudas de Qualidade em nível nacional e em diferentes regiões vitícolas. Esta região foi considerada estratégica já naquela época, em função das características culturais e do ambiente. Por isso, trouxemos a proposta de reformulação tecnológica para cá também no que diz respeito à atividade – explica o analista, que coordena esse projeto e também acompanha parreirais locais. Outra vantagem citada por Grohs é que por aqui é possível trabalhar com variedades que na Serra gaúcha é de difícil manejo, a exemplo da vênus, que na segunda quinzena de outubro já estava sendo colhida em Alpestre, em áreas mais próximas ao rio Uruguai. “Por isso, a Embrapa acredita muito na viticultura por aqui. Por mais que temos as peculiaridades de uma região de clima quente, isso é de domínio técnico”, garante. Juntos, esses três municípios somam mais de 900 hectares de uva em produção.


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AMETISTA DO SUL:

organização para a comercialização se destaca Esse domínio técnico é cada vez mais almejado pelos produtores locais. Nos últimos anos, a região tem olhado com carinho para a atividade. Emater/ RS, prefeituras, cooperativas e demais agentes que fazem assistência técnica na região, além dos produtores, vislumbram na viticultura uma oportunidade de continuar mudando e melhorando o panorama desses municípios. No caso de Ametista do Sul, cinco produtores plantaram os primeiros parreirais, em 1995. Um deles é José Ulisses Mezzaroba, hoje com 76 anos, na linha Alta, onde possui 21 hectares de terra. Na época, a família mantinha um garimpo, pecuária leiteira e hortaliças, mas plantou meio hectare de uva de mesa como um experimento. “Até então nós produzíamos somente para vinho”, conta o filho Elton, 48 anos, que hoje

além de produtor é o presidente da Coperametista e sucessor na família. Atualmente os Mezzaroba têm seis hectares das variedades niágara rosa e branca, mais uma parte de bordô e moscato. Com o passar dos anos, a alternativa se tornou a principal geradora de renda para a família. “Lembro que a gente começou a vender uva de fusca na cidade”, recorda Elton. Mais tarde passaram a vender o produto em Frederico Westphalen e, depois, já com uma caminhonete, a família vendia até em Porto Alegre. “Nos últimos tempos a disputa se tornou grande e os compradores começaram a vir aqui pegar a fruta”, lembra seu José Ulisses. Com o tempo o comércio se tornou mais seguro para uva, fazendo com que a atividade se viabilizasse com uma margem um pouco maior de lucro

Jurema e Ulisses Mezzaroba, com o filho Elton, a nora Jurema e as extensionistas Tatiane dos Santos e Joceane Dal Cero, da Emater/RS de Ametista do Sul

para o produtor, especialmente nos últimos dez anos. – A fundação da Coperametista foi importante nesse processo, porque os viticultores estavam melhorando a produtividade e começou a sobrar produto. Então, tinha que ser feito algo para aproveitar essa produção. Por isso, a cooperativa foi crucial para escoar essa uva, com a fabricação de vinhos e, mais tarde, os sucos – relata Elton. Nesta safra, os Mezzaroba estão otimistas. No ciclo passado se chegou a 15 toneladas por hectare, então a expectativa é manter esse número. Neste ano a ampliação da produtividade não deve acontecer porque parte do pomar é novo. “Também esperamos ter mais qualidade, porque nesta safra os parreirais estão mais saudáveis”, diz Elton. A colheita deve iniciar no fim de novembro.

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Cooperativismo fortalece a cadeia produtiva Hoje um dos diferenciais de Ametista do Sul é a organização do comércio, que pela proximidade da cooperativa facilita as negociações e torna possível agregar valor ao produto. A expectativa para esta safra é que a Coperametista processe 300 toneladas da fruta. “Penso que será um ano de preços estáveis, sem muitas variações, em função do cenário econômico. É um momento que precisamos ganhar pela escala de produção”, acredita o presidente Elton Mezzaroba. Neste ano também foi fechada uma parceria com a Cotripal, de Panambi, para venda de uva in natura. A Coperametista está na expectativa de viabilizar uma estrutura com câmera-fria, para poder fazer cargas maiores do produto e vender em regiões grandes consumidoras. É uma forma de fugir dos atravessadores e ter um preço melhor. Outro diferencial em relação ao município é o investimento em áreas irrigadas. Com o apoio da Creluz, que tem viabilizado redes de energia elétrica trifásica, mais produtores conseguem financiar esses sistemas, o que reflete em maior produtividade. “Temos evoluído bastante nesse sentido, gerando mais segurança para o produtor”, comenta a agrônoma Joceane Dal Cero, da Emater/RS local – por meio da entidade os produtores encaminham esses projetos. Um grupo de viticultores também tem se organizado para realizar compras conjuntas de insumos e produtos para tratamento. Nesta safra, pelo menos 15 famílias se reuniram para isso, conseguindo cerca de 20% na redução de custos.

Hectares de uva em Ametista do Sul

160 hectares Produtores

50 viticultores Gracieli Verde

Postura empreendedora Deste grupo que tem feito compras conjuntas também faz parte o jovem casal Adilson dos Santos e Maria Antônia Cassol, que reside na linha Cassiano Fortes. Eles têm cinco hectares de uva em produção e outro hectare implantado mais recentemente. Ano passado a produtividade foi de 12 toneladas por hectare e para este ciclo a expectativa é manter esse número – as variedades são niágara rosa e branca e bordô. Como o parreiral tem irrigação, se conseguiu manejar de forma que fosse possível garantir a sanidade das plantas, o que promete ser um diferencial nesta safra. “No início da brotação, por exemplo, faltou chuva, então compensamos com a irrigação, que tem sido uma ferramenta fundamental para a qualidade

do produto”, afirma Maria Antônia. No parreiral do casal as bagas também estavam em fase de enchimento quando a reportagem esteve por lá, na metade de outubro. “De agora em diante a atenção é redobrada para manter essa qualidade das frutas até a colheita”, diz Maria Antônia. Por lá a expectativa é que a colheita comece em 20 de novembro – em algumas propriedades se vê um adiantamento de cerca de 10 dias em relação ao ano passado, segundo a equipe da Emater/RS. Para o futuro, o casal projeta a ampliação do parreiral, apostando em outras variedades, para oferecer mais diversificação. “Aqui eles têm uma localização privilegiada, com boa incidência de sol. Isso favorece a atividade”, comenta a agrônoma Joceane Dal Cero.

Casal Adilson dos Santos e Maria Antônia Cassol, da linha Cassiano Fortes, Ametista do Sul, pretendem ampliar os parreirais


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Extensionista Doraci Bedin e o viticultor Adão da Silva Lopes conferindo os parreirais da propriedade

PLANALTO:

produtores se organizam em parceiras

ALPESTRE:

variedade vênus sendo colhida em outubro Na linha Farinhas, interior de Alpestre, o produtor Paulo Sérgio Rockenbach começou a colheita das uvas da variedade vênus no dia 17 de outubro. Ele deu sorte, porque dias antes pelo menos 80 hectares de videira foram prejudicados pelo granizo no município. “Esse granizo atingiu uma região muito produtora de uva. Ainda estamos trabalhando no levantamento das perdas e nos encaminhamentos do seguros”, assinala o técnico agropecuário Clair Olavo Bertussi, da Emater/RS, ressaltando que em breve será possível saber o quanto de queda na produtividade o município deve registrar nesta safra. Voltando ao caso da família Rockenbach, são cinco hectares de videiras das cultivares niágara, bordô e vênus. Paulo Sérgio espera colher entre 25 e 30 toneladas por hectares, um pouco menos do que no ciclo anterior, que foi de 38 tone-

Hectares de uva em Alpestre

ladas/ha. A proximidade com o rio Uruguai também conta a favor neste caso, porque permite o manejo da variedade vênus, considerada precoce, não seja prejudicado por geadas, por exemplo. “No município a área de vênus é pequena, de 20 a 25 hectares, mas é um diferencial, porque tem produtor recebendo um preço bom nesta época”, pontua Bertussi. Paulo Sérgio revela que tem recebido R$ 4 por quilo vendido, um valor bastante remunerador. Em Alpestre, o cultivo comercial de uva começou em 1992, com 0,6 hectares, segundo a Emater/RS. É visível a evolução dos produtores, assim como em Ametista do Sul e Planalto. Antes da ocorrência do granizo, a expectativa era de colher uma média de 22 toneladas por hectare. Com a intempérie, esse dado ainda não foi atualizado até o fechamento desta edição.

Produtores

250 hectares 190 viticultores Divulgação

Ao andar pelo parreiral do viticultor tado no início da reportagem – é um dos Adão da Silva Lopes, na linha Santa Cruz, motivos que mais influencia Lopes a seem Planalto, com o técnico agropecuáguir com a cultura, afinal, são pelo merio e agrônomo Doraci Bedin, da Emater/ nos 20 dias para aproveitar um mercado RS, a sanidade é vista até por quem é leique ainda não tem uva disponível. Inclugo no assunto. Por mais que na propriedasive, neste ano, parte da uva foi podada de uma geada um pouco um pouco mais cedo tardia prejudicou o ciclo, para influenciar as planporque tinha plantas já tas a brotarem antes, o com brotação, a qualique também ajuda nesdade dos frutos deve ser se adiantamento na forbem superior se compamação dos frutos. “Para rado a anos anteriores, esse tipo de manejo é segundo Bedin. Este cefundamental ter boa exHectares de uva nário também é visto na posição solar, além de em Planalto maior parte das áreas de temperaturas que na videira do município. média não passem de São dois hectares de 14°C no dia. É precivideiras da variedade niso ter técnica”, orienProdutores ágara rosa que garanta Bedin. tem para a família Lopes Na safra passada, uma renda importante a Lopes colheu 18 tonecada ano. Para conseladas por hectare, mas guir negociações mais competitivas, seu para este ano estima uma redução de 30%, Adão tem parceria com mais três produem função do clima. Em relação ao preço, tores vizinhos, para que na hora da venda ele tem a expectativa que consigam um vapossam conseguir um preço melhor. Ali a lor mais remunerador. “Viemos de duas saexpectativa também é que a colheita inicie fras com preços congelados em R$ 3,50, no fim de novembro. mas o custo subiu. Então, penso que é imO adiantamento da colheita – comenportante ter um incremento”, opina.

500 hectares

238 viticultores

Família Rockenbach: Janete e Paulo Sérgio (C) com os filhos Mateus e comemoram colheita antecipada da variedade vênus

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Abertura da colheita e fomento à atividade

Em Alpestre, quase 200 pessoas acompanharam tarde de campo sobre viticultura

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Um projeto que tem como objetivo fomentar a fruticultura nos municípios de Ametista do Sul, Planalto, Alpestre e Iraí está em andamento. O Juntos para Competir – iniciativa da Farsul, Sebrae/RS e Senar/RS – está assessorando um grupo de produtores para melhorar aspectos relacionados à produção e à comercialização, em parceria com a Admau, Emater/RS, secretarias de Agricultura e prefeituras desses municípios. Tanto que várias atividades têm sido feitas, como uma tarde de campo que reuniu cerca de 200 produtores em Alpestre, no dia 24 de outubro. Uma das iniciativas desse grupo também é trazer para a região mais reconhecimento a esse setor considerado tão importante para a economia local. Por isso, neste ano se decidiu evidenciar o início da colheita da cultura. No ano passado, algumas iniciativas de abertura da colheita foram realizadas na região, como em Ametista do Sul. Em 2017 a ação será regional, envolvendo Ametista do Sul, Alpestre e Planalto. Por isso, no dia 30 de novembro será realizado o Seminário Regional da Fruticultura e a Abertura Oficial da Colheita da Uva, na linha Alta, em Ametista do Sul, com programação durante todo o dia.

SERVIÇO O QUE: 2ª Abertura da Colheita da Uva QUANDO: 30 de novembro ONDE: Linha Alta, Ametista do Sul


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Inicia a colheita do pêssego Mesmo que ainda em pequenas quantidades, a fruta tem se mostrado como uma alternativa viável

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Parceria entre Edison Alexandre, Vergenis da Silva, Cleberson Pereira e Adelar Manica viabilizou a formação de uma associação, o que tem facilitado alguns investimentos em infraestrutura

Parceria resulta em uma associação Esse grupo de produtores em específico firmou uma parceria para viabilizar a compra de uma câmera-fria e uma classificadora, o que teve um investimento de R$ 300 mil – tanto que criaram uma associação. “É uma forma de podermos acumular mais produto aqui para a venda, porque com a câmera não teremos problema de a fruta estragar, já que o pêssego é bastante perecível”, pontua Alexandre. Sem contar que, com isso, o investimento foi dividido entre os quatro. Hoje o município de Trindade do Sul tem 24 hectares de pêssego. A colheita vai até a segunda quinzena de dezem-

bro. No caso de Vergenis da Silva, tem investido em outras frutíferas também, como laranja, bergamota e uva – uma aposta na diversificação. E os planos não param. Um dos projetos que no futuro poderá sair do papel é uma agroindústria, para reaproveitar as frutas que não vão para o consumo in natura. Hoje os quatro produtores também fazem parte do programa de Gestão Sustentável da Emater/RS, que tem auxiliado na hora de traçar metas e gerenciar melhor os indicadores das propriedades. Atualmente o mercado que mais consome o produto oriundo do município são dos estados como Paraná, Mato

Grosso e Santa Catarina, além de outras regiões gaúchas. Em um ano considerado normal em relação ao clima, a produtividade é de 20 toneladas por hectare, mas nesta safra as intempéries climáticas – como estiagem na floração e granizo – devem influenciar numa queda deste dado, mas nada que desanime os fruticultores. O manejo integrado de pragas é outro detalhe que tem atenção dos produtores, buscando alternativas que possam ser tão efetivas quanto os defensivos convencionais, no entanto menos agressivas. Caldas orgânicas, por exemplo, são usadas corriqueiramente.

Planalto: atividade requer um novo formato de negócios

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movimento de ida à Serra gaúcha em busca de trabalho que muitos jovens fizeram há alguns anos teve seu lado positivo. Quem tinha o objetivo de um dia trabalhar no próprio negócio, e não se desfez das terras, voltou para as origens e está fazendo a diferença. Em Trindade do Sul, na linha Baú, propriedades de menor porte tiveram sua matriz produtiva transformada nos últimos anos. Isso porque há 15 anos o agricultor Vergenis da Silva plantou o primeiro pomar de pêssegos. Em seguida, o vizinho Adelar Manica, que também trabalhou na Serra gaúcha, foi o próximo a apostar na cultura. Não demorou muito para os agricultores Edison Alexandre e Cleberson Pereira também acreditarem na fruticultura como fonte de renda – entre outros produtores locais. Pereira ainda mantém um emprego na cidade, mas em breve deverá se dedicar apenas à agricultura. Por mais que a soja ainda predomine nas lavouras com maior extensão, o pêssego tem mudado “a cara” dessas propriedades. “Vendo a experiência deles, e que o pêssego se adaptou ao nosso clima, a gente enxergou aí uma oportunidade”, observa Alexandre – antes ele trabalhava com a bovinocultura de leite. “Foi sofrido no começo, mas deu certo, conseguimos nos adaptar”, comenta Silva. Uma das vantagens da região é que o clima daqui favorece o cultivo de variedades mais precoces, o que garante que esses frutos entrem antes no mercado a um valor diferenciado, segundo o agrônoma Priscila Baraldi Volpi, da Emater/RS. A diferença entre a colheita aqui comparada à Serra chega a cerca de 60 dias – um bom espaço de tempo para comercialização a produção. Em relação a preço, neste início de colheita é mais alto, pode chegar a R$ 3,50 por quilo, mas ao longo do ciclo ele baixa, chegando a R$ 2/quilo.

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Em Planalto, outro município que vem se destacando na produção de frutas, são pelo menos 11 produtores, chegando a 50 hectares cultivados. Uma das demandas do setor é a organização em relação à comercialização dessas frutas. Fora um grupo familiar e organizado que projetou um sistema próprio de venda, os demais produtores comercializam para compradores de outras regiões. O fruticultor Alberto Pedro Merlo, da linha Santa Cruz, é um dos que apostou na atividade há 15 anos, depois de deixar de lado a produção de feijão e soja na propriedade de 30 hectares. São três hectares de pêssego em produção, onde também já iniciou a colheita em outubro – é uma variedade mais precoce. “Mesmo sendo um pomar com um tempo considerável de produção, o desempenho tem sido bom, até porque aqui o produtor tem um manejo cuidadoso, com

pouco uso de químicos. Ele prioriza muito a qualidade dos frutos que chegam ao consumidor”, observa o técnico agropecuário e agrônomo Doraci Bedin, da Emater/ RS. Isso também reduz o custo de produção. Nos pomares de Merlo a colheita também segue até dezembro. A expectativa é de ter uma média de 12 toneladas por hectare nesta safra. Localmente se percebe a necessidade de um formato diferenciado na comercialização, segundo análise de Bedin. “Já tem se debatido essa demanda de, quem sabe, instalar uma central de negócios, para que haja mais segurança em trabalhar com os atravessadores, ou mesmo que a venda seja feita sem a participação deles, mas é algo que precisa ser construído com parcerias, inclusive com o poder público. Infelizmente é um mercado que tem muita especulação”, avalia o extensionista.


Empreendedorismo

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AgroBella com negócios em expansão Diretor-geral Benoni Sponchiado fala sobre o crescimento da empresa e da nova unidade fabril instalada em Pelotas

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AgroBella deu mais um passo considerado importante para a trajetória da empresa nos últimos tempos. Depois de quase 30 anos inserida no mercado, agora a direção da empresa comemora a inauguração de mais uma fábrica, desta vez no Sul do Estado, abrindo as portas para a exportação e para duplicar as vendas de ração em 2018. O empresário Benoni Sponchiado, que tem suas raízes no campo, concedeu entrevista ao Jornal O Alto Uruguai, que nesta edição trazemos ao leitores da Novo Rural.

Família empreendedora

A AgroBella sempre cresceu. Somos empreendedores e graças a Deus nesses anos de existência estamos em um processo constante de evolução. Isso significa novos produtos e também ampliação da estrutura de produção. Eu e minha família queremos sempre crescer, não pensamos em outra coisa. A unidade fabril de Pelotas é resultado desta atitude, desta visão de expansão. Após perceber que a AgroBella estava com as fábricas muito concentradas no Norte do RS e em Santa Catarina, vimos uma oportunidade, que havia um vácuo no mercado e após um estudo feito pelo meu filho Renato e outros gerentes constatamos que havia uma oportunidade no Sul do Estado.

Atentos a novas oportunidades

Quando analisávamos o mercado do Estado, percebíamos que havia uma grande oportunidade a partir de outras regiões promissoras, desde Porto Alegre, Santa Maria e Uruguaiana, e sabíamos que poderíamos atender por lá, regiões que vão crescer muito, inclusive observamos que muitas pessoas do Norte do Estado estão indo investir no Sul em função das perspectivas que estão surgindo. Lá na região Sul encontramos produtores maiores, mas em menor quantidade, algo diferente da realidade daqui. Com estes clientes queremos fornecer ração para as quarentenas de boi que são exportadas. A partir desta nova planta da indústria de ração, ç teremos melhor logístig ca para aproveitar a oportunidade de exportarmos a ração para o Uruguai, abrindo o mercado externo para a AgroBella.

A decisão em expandir para Pelotas

Na região de Pelotas não existia nenhuma fábrica de ração. Vimos ali oportunidade de crescimento, que vinha de encontro ao

nosso planejamento estratégico. Era uma oportunidade para ampliar produção e faturamento. Percebemos também que nesta região a bovinocultura de corte é muito forte, mas há um atraso muito grande no manejo, além de que a soja está tomando conta de todas as terras que eram de pecuária, de campo nativo. Automaticamente, os animais terão de ser confinados e ali se cria a oportunidade para aumentar a necessidade por ração.

Tecnologia para duplicar a produção

No momento, a produção em Pelotas é equivalente à unidade de Frederico Westphalen, mas em função da tecnologia que instalamos, do nível de automatização, quando estiver com toda a capacidade sendo utilizada, irá superar a produção da matriz em FW. É uma fábrica melhor e mais moderna do que a que temos aqui, e nós acreditamos que a partir da metade do ano que vem será a fábrica que mais irá produzir, porque lá, na verdade, são duas fábricas: uma para produzir ração em geral – principalmente gado de leite e de corte – e a outra fábrica para produzir ração para equinos. Lá também é melhor o espaço físico para estocar a ração.

Impacto aqui e lá

Este investimento irá impactar na economia daquela região, mas também na nossa, aqui em Frederico Westphalen, porque demandaremos de mais profissionais para dar suporte na área administrativa. A contabilidade, a gestão financeira, continuará acontecendo aqui, então irá precisar de mais pessoas, ajudando a desenvolver nossa cidade. Em Pelotas, na fábrica, pelo nível de automatização, serão necessárias poucas pessoas, com mais contratações em equipe de vendas. Mesmo assim, demandará contratações, pois lá a ração para cavalo será ensacada, exigindo mais mão de obra.

Levando inovação para o Sul do Estado

Nosso investimento em Pelotas também significa inovação para aquela região. Lá é como se fosse a pecuária daqui 20 anos atrás. Uma cena que é bastante comum aqui, dos caminhões de ração, lá não existe, as fábricas não têm. Muitas agropecuárias, muita gente do ramo nunca viu esses caminhões de ração. Então nosso sistema significa um diferencial, uma inovação, da mesma forma que levaremos a experiências do armazenamento da ração em silos a granel. Lá não existe a tradição e nós já estamos inaugurando a fábrica com essa novidade, com esse dispositivo, com esses silos a granel, que irão impactar nos grandes produtores e num custo menor pela ração.

O futuro está no confinamento

Estamos levando um projeto que propõe o confinamento dos animais na entressafra. Nós entendemos e falamos lá que se não evoluirmos, se não modernizarmos a

pecuária, passando para o confinamento, não haverá animais para comermos no Natal, para atendermos a demanda crescente de alimento para a população. Não há espaço de terra para os bois a campo. Numa análise simples consideramos que um hectare produz um boi a cada dois anos. Isso dá 250 kg por ano. Se em uma lavoura você plantar milho ou qualquer outra cultura e fazer a ração com esse produto, ele produz três mil quilos. Nós já fomos para diversos congressos e vimos isso. Esse é o futuro. No futuro não haverá mais boi no pasto, os bois serão todos criados como criamos suínos. Isso é bem claro para nós. Assim como aconteceu com os frangos e suínos, que eram criados soltos e foram colocados nos aviários e chiqueiros. O boi é o que mais está atrasado.

“Não caímos de paraquedas”

A fábrica em Pelotas significa uma oportunidade extraordinária que surgiu para a AgroBella, para poder crescer e continuar investindo. Com o poder público não tivemos muita receptividade, tivemos inclusive atrasos nas liberações dos alvarás, mas o pessoal pecuarista e a sociedade em geral gostaram demais. Eles precisam de pessoas com perfil empreendedor, que fosse lá para investir e produzir alimento para os animais e, neste sentido, fomos muito bem recebidos. Além disso, o produto AgroBella já era conhecido. Não é 100% novidade, não caiu de paraquedas. Já estava presente mesmo sem contar com este investimento maciço. Com mais trabalho, claro, vai consolidar.

Para consolidar o primeiro lugar

No cenário atual, a AgroBella disputa o primeiro lugar no mercado, revezando com outra marca, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Agora, com esta nova estrutura, tenho certeza e segurança em afirmar que a partir do próximo ano, com a ampliação da produção, teremos reflexo no faturamento e, principalmente, estaremos aptos a conquistar a liderança do mercado. Será uma consolidação como a marca mais vendida comercialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Também é importante ressaltar que sempre nos posicionamos baseados no custo-benefício para o produtor e na tecnologia para dar resultado.

O futuro

Certamente 2017 é um ano importante na história da AgroBella, com a conquista deste investimento que contribui com nosso sonho, que é ser reconhecida no futuro como a empresa que mais colaborou para a revolução e a evolução da bovinocultura de corte no Sul do país. Sou empreendedor, sou empresário e trabalhando com ética, contribuindo também com o desenvolvimento social da nossa comunidade, acredito que sempre a gente pode prosperar e, embora as dificuldades que enfrentamos no nosso país, é possível evoluir e desenvolver a região.


Cotrifred

Revista Novo Rural Novembro/Dezembro de 2017

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Há 60 anos prezando pelo bom cooperativismo Letícia Waldow

O

mês de novembro é especial para a Cooperativa Tritícola de Frederico Westphalen (Cotrifred), uma vez que a data marca os 60 anos de atuação da cooperativa de produção na região do Médio Alto Uruguai, que possui filiais em sete municípios da região. Conhecida como a primeira cooperativa de produção do Médio Alto Uruguai, o pioneirismo faz parte da trajetória da Cotrifred, que ajudou a desenvolver os municípios onde está inserida, além de trazer investimentos na área agropecuária. Sempre atuante na região, participando de seminários, feiras, fóruns e dias de campo, a Cotrifred também preza pelo bom relacionamento e fidelização de seu associado, buscando cada vez mais estreitar laços por meio de campanhas, ações e benefícios especiais. – O nosso objetivo é sempre pensar no que podemos trazer de melhor para a nossa região e aos nossos associados. Na medida em que eles acreditam e têm confiança, nós vamos fazendo melhorias e trazendo alternativas. Por isso, queremos que essas pessoas continuem trabalhando conosco, porque nesse espírito de cooperação vamos fazer a diferença na região – destaca o presidente, Elio Pacheco. Ele cita ainda iniciativas importantes para o desenvolvimento regional que tiveram o impulso decisivo da Cotrifred, como o fortalecimento da bacia leiteira da região, a reabertura do frigorífico de Frederico

ros e números gerais, como quadro de colaboradores e serviços oferecidos pela instituição. – Realizamos esses encontros em cada município que a cooperativa está presente buscando incluir todos em nossas comemorações de 60 anos, assim cada associado pode se sentir parte da família Cotrifred – comenta Pacheco.

Festejos

Conselho que está à frente da Cotrifred atualmente

Westphalen, em 2001, bem como a vinda para a região das cooperativas de crédito Sicredi e Cresol e do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar”, registra. Ainda de acordo com Pacheco, a comemoração dos 60 anos acontece em um momento em que importantes projetos estão sendo iniciados, como a indústria de laticínios, que demandará de investimento de aproximadamente R$ 10 milhões e dará novo impulso ao setor na região. Ele destaca também as diversas reformas e inaugurações já realizadas e outras programadas para os próximos meses, que estão modernizando os supermercados e agropecuárias da Cotrifred em sua abrangência.

Confraternizações para celebrar os 60 anos Valorizando o associado, a cooperativa promoveu uma comemoração diferenciada para seus 60 anos. Buscando contemplador os mais de quatro mil cooperados dos municípios de Pinheirinho do Vale, Palmitinho, Iraí, Caiçara, Vista Alegre, Taquaruçu do Sul e Vicente Dutra, a Cotrifred realizou, desde agosto, almoços festivos em todas as filiais. A ideia, segundo o presidente, foi integrar os cooperados com a cooperativa, além apresentar dados e prestar contas sobre a instituição, deixando claro para o associados o lucro, investimentos futu-

Para fechar o ciclo comemorativo, no dia 10 de novembro a cooperativa realiza um grande evento em Frederico Westphalen. Programado para acontecer a partir das 19 horas, no salão do bairro Aparecida, a noite contará com missa alusiva aos 60 anos, homenagens aos ex-presidentes e jantar, com presença de associados. As comemorações também se estendem por meio de campanhas promocionais idealizadas cooperativa, que terão edições especiais alusivas ao aniversário. Por isso, ainda no dia 10 de novembro também serão realizados os sorteios das campanhas Meu Carrinho dos Sonhos, às 16 horas, e Super Aniversário Premiado, às 16h20min.


Paalmeira daas Missõões

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

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Gracieli Verde

Sindicato Rural festeja cinquentenário Homenagens e recordações dos 50 anos da entidade marcaram jantar comemorativo Gracieli Verde

Jantar festivo foi servido a dezenas de convidados

Ex-presidentes e representantes foram homenageados com placa comemorativa

N

ão foram poucos os nomes que ficaram em evidência durante um jantar comemorativo aos 50 anos do Sindi-

cato Rural de Palmeira das Missões, realizado no início de outubro, no restaurante do parque de exposições da cidade. O seleto público foi recepcionado pelo

presidente da entidade, agrônomo Hamilton Jardim, bem como demais integrantes da diretoria. A alegria em estar no comando da diretoria que comemo-

ra o cinquentenário da entidade não foi escondida pelo presidente, que no protocolo citou um a um os ex-presidentes que construíram a história da entidade em Palmeira das Missões. – Oficialmente o sindicato foi criado em 14 de outubro de 1967, quando 258 ruralistas assinaram a ata de fundação, reunidos no Galpão da Boa Vontade. Foi quando as associações rurais existentes foram transformadas em sindicato, atendendo a legislação da época. Na época o foco maior mais para a pecuária, mas não de morou para a agricultura também ser protagonista no município – salientou Jardim. Antes de a entidade sindi-

cal ser oficializada, o sindicalismo já atuava, por meio das associações rurais, desde 1938. Os investimentos na agricultura por parte de produtores de outras regiões se intensificou no fim da década de 1950. “Foram homens que transformaram os campos cheios de barba-de-bode em áreas produtivas para extração vegetal”, disse Jardim. Segundo ele, inicialmente o trigo é que transformou as paisagens da região, inclusive, esse produto foi moeda de troca na aquisição de diversas áreas por parte desses produtores que chegavam na Grande Palmeira, e não demorou para chegar a soja, que hoje ocupa a maior parte da área a cada safra de verão.

Fotos: Divulgação

Sicredi Grande Palmeira renova mais uma agência

N

este mês a Sicredi Grande Palmeira entregou oficialmente aos associados e à comunidade de São José das Missões uma nova, moderna e ampla agência de atendimento. Dentre as mudanças apresentadas na nova agência estão a evolução para a nova marca e também a implementação de um novo conceito de design ambiental. Participaram do ato de reinauguração da agência o prefeito de São José das Missões, Silvio Pedrotti de Oliveira, o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Paulo Sturmer, o vice-presidente da Sicredi Grande Palmeira, Jorge Luis Martins de Oliveira, o diretor-executivo Eraldo Fassini, a diretora de Operações, Kellen Cristina Delai Lava, além de colaboradores, associados e comunidade em geral.

Comunidade de São Cristóvão sediou evento neste ano

R Rainha i h infantil i f til é Vanessa Ribeiro

Divulgação

Rainha adulta é Dalva Correa Schneider

Famílias rurais confraternizam em encontro

P

elo menos sete comunidades do interior de Palmeira das Missões estiveram representadas na Comunidade de São Cristóvão, no dia 21 de outubro. Mesmo com o tempo chuvoso, o público compareceu, interagindo com diversas atividades recreativas. Segundo a extensionista social Zuleica Magalhães Malheiros, da Emater/RS, o evento integra a Semana da Alimentação, que propõe uma reflexão em relação aos produtos consumidos pelas famílias. O dia foi marcado por uma série de ativida-

des, como a escolha das rainhas do evento e o concurso do prato gastronômico a base de abóbora. Foi escolhida como rainha adulta Dalva Correa Schneider. Já na categoria infantil, Vanessa Ribeiro foi a vencedora. No concurso gastronômico, o primeiro lugar foi para a comunidade São Francisco, e o segundo e terceiro colocados para a comunidade Esquina São Bento. Para finalizar, à tarde foi servido um café colonial, com o intuito de valorizar alimentos produzidos no município.

Inauguração teve presença de lideranças e foi realizada no mês de outubro


Palmeira das Missões

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro / de 2017

Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

“Não precisamos ter medo do mercado” Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

P

rojeções para a agricultura para os próximos anos e desafios que o agricultor precisa superar, como o acesso à tecnologia, foram algumas das abordagens que o professor Derli Dossa trouxe para Palmeira das Missões, em mais um ciclo de palestras do curso de Mestrado em Agronegócios da UFSM, realizado em outubro. Hoje Dossa é professor na UFPR e também atua na Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná, cujo secretário é o economista e técnico agrícola Norberto Anacleto Ortigara, natural de Oswaldo Cruz, Frederico Westphalen. Dossa também trabalhou na chefia da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura de 2007 a 2013 e foi pesquisador da Embrapa. É reconhecido por ter sido um dos técnicos que participou da criação do programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que tem trazido recursos da Inglaterra, por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para os agricultores do Brasil adotarem práticas sustentáveis para recuperação de áreas degradadas e redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Ele também acompanhou todo o processo de formulação do novo Código Florestal brasileiro, entre outros marcos considerados importantes para o setor. Antes de palestrar, ele conversou com a reportagem da Novo Rural.

PRODUTIVIDADE, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA Segundo Dossa, cada vez mais se tem visto que o crescimento da produção se dá pela produtividade, e não necessariamente pela extensão usada, com origem na inovação e nas tecnologias, indicando que para ser competitivo no meio rural o indivíduo tem que usá-las a seu favor. – Os agricultores familiares que tiverem condições de fazer essa adaptação, de ter assistência técnica, sempre terão espaço para continuar crescendo. O setor depende disso para ser competitivo – ressalta.

“Muitos dos meus alunos começam a observar que com dois, três ou quatro hectares de hortaliças podem ter uma renda alta.”

AGRICULTURA FAMILIAR Para analisar o setor, Derli Dossa traz dados ainda no Censo de 2006, que mostrou que o Brasil tinha 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários. Destes, aproximadamente 4,2 milhões seriam caracterizados como de agricultores familiares. No Censo 2017, ele estima uma redução de, pelo menos, 10% no número de estabelecimentos rurais. – Sem dúvida, a maior parte da população brasileira rural transita na agricultura familiar. Todavia, temos que olhar, por outro lado, que 500 mil estabelecimentos produziam, em 2016, 86% da renda da agricultura. Mesmo assim, não há dúvida que a agricultura familiar por definição e por legislação tem um espaço importante – defende, apesar de o êxodo ser uma realidade.

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AOS JOVENS

Nas aulas na área de administração rural, na Universidade Federal do Paraná, Dossa revela que estimula os alunos a se tornarem pequenos empresários rurais, mostrando que a maior rentabilidade virá da produção de hortifrutigranjeiros. – Muitos dos meus alunos começam a observar que com dois, três ou quatro hectares de hortaliças podem ter uma renda alta. As pessoas que se direcionarem para isso terão êxito. Também é preciso estar atento aos produtos que realmente pagam melhor, que são os não-folhosos, como os tomates. São atividades que dependem muito de clima e outros fatores, o que faz com que os produtores que se destacam sejam aqueles que se especializaram – defende o professor, acrescentando que em todas as atividades há espaço para crescer, mas é preciso ser competitivo.

O QUE ESPERAR PARA O FUTURO O crescimento da agricultura brasileira acontece, segundo Derli Dossa, por várias razões. Uma delas é em função do clima tropical, pela regularidade de chuvas, também pela tecnologia disponível e por existir produtores competentes para produzir. Dossa não acredita, por exemplo que a agricultura não “esfriou” em função dos problemas da política que afetaram a economia brasileira nos últimos anos. “Pelo contrário. Nos grãos, por exemplo, tivemos a

maior safra da história, e esses números tendem a crescer”. Para ele, o Brasil é um país em crescimento em todas as áreas da agricultura, “ou seja, a crise não está no campo”. Tendo em vista que o Brasil exporta para 180 países, estando na lista como segundo maior exportador de alimentos do mundo, ele defende que é para este caminho que “anda a humanidade”. Dossa defende que para ver o potencial da agricultura basta olhar para o crescimento de outros países, como a China, e que a quantidade extraordinária de pessoas que lá vivem precisam ser alimentadas. “Por isso uma das tendências é a produção de pequenos animais para corte, porque se produz mais rápido e a um custo menor. Não esqueçam que a agricultura de amanhã vai exigir eficiência técnica, econômica e ambiental”, ressalta.

Ex-assessor de Gestão Estratégica do Mapa, o professor Derli Dossa acredita no crescimento da agricultura brasileira

“A agricultura de amanhã vai exigir eficiência técnica, econômica e ambiental.”

Professor Derli Dossa


Revista Novo Rural Novembro/Dezembro de 2017

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4    

Como garantir o bem-estar do rebanho? Cuidados com o conforto das vacas leiteiras Ê essencial para manter bons resultados na propriedade. Saiba como melhorar esse manejo do seu plantel Divulgação

Ă gua fresca

Texto: Priscila Baraldi Volpi

O fornecimento de ågua de qualidade Ê tão importante quanto à alimentação. Cerca de 60% a 80% da necessidade do animal Ê de ingestão de ågua, o restante Ê alimentação. As vacas gastam em mÊdia 20 a 30 minutos por dia para tomarem ågua e desta ingestão, 30% a 40% Ê consumida nas imediaçþes da sala de ordenha, caso a ågua esteja presente ali. Uma vaca em lactação consome, em mÊdia, 150 litros de ågua por dia. Jå a temperatura ideal da ågua para o consumo das vacas Ê entre 25°C e 30°C. O ideal Ê que se façam bebedouros rasos e compridos, favorecendo que o primeiro sol da manhã jå aqueça a ågua e, na saída da sala de ordenha, essa ågua esteja na temperatura adequada ou menos gelada. Lembre-se que para se sentirem confortåveis, as vacas precisam de sombra e ågua limpa e morna.

Engenheira-agrĂ´noma na Emater/RS de Trindade do Sul

Edição: Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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Vacas de mÊdia e alta produção devem receber suplementação com concentrados e silagem

Gracieli Verde

preocupação com o bem estar animal nĂŁo ĂŠ nova. A primeira lei sobre o tema surgiu em 1822, na GrĂŁ-Bretanha. No Brasil, a primeira lei sobre o assunto surgiu hĂĄ cerca de 80 anos, mas as discussĂľes e a adoção de tĂŠcnicas que diminuam o “sofrimentoâ€? dos animais de criação em geral sĂŁo mais recentes. Para estarem em condição de bem-estar e conforto, os animais devem estar livres de sede ou fome, de desconforto fĂ­sico e de dores, em boas condiçþes de saĂşde, sem medo e estresse. Na bovinocultura de leite, atividade importante na cadeia produtiva da regiĂŁo, o bem-estar animal ĂŠ fundamental para que se obtenha mais eficiĂŞncia produtiva e econĂ´mica na atividade. Atingir a condição de bem-estar do rebanho como um todo exige algumas medidas. Acompanhe algumas dicas importantes sobre o assunto.

Boa alimentação e em quantidade adequada Oferecer aos bovinos de leite uma dieta equilibrada o ano todo, e em quantidade adequada, Ê o princípio båsico quando se pensa em bem-estar. Ofertar volumosos na quantidade e com qualidade ideal tambÊm Ê fundamental para manter a produção de leite e a sanidade do rúmen. Independente da espÊcie forrageira, deve suprir a demanda de matÊria seca, fibras, energia,

proteína e demais nutrientes. Vacas de mÊdia e alta produção devem receber suplementação com concentrados e silagem, para que a dieta garanta a manutenção e produção de leite com eficiência econômica, sem perder condição corporal. Qualquer mudança na alimentação deve ser gradativa. Mudanças repentinas prejudicam o sistema digestivo e a produção de leite.

O ideal Ê que se façam bebedouros rasos e compridos, favorecendo que o primeiro sol da manhã jå aqueça a ågua

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Em parceria com

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Laticínios

Piton Revista Novo Rural Novembro/Dezembro de 2017

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Divulgação

Ninguém gosta de dificuldades para se locomover, nem as vacas O trajeto que as vacas precisam percorrer nos arredores da propriedade deve ter o menor número de obstáculos possível. No caso de pedra soltas, para evitar que sejam causadas lesões, o próprio animal passa a não colocar todo o casco no solo, dividindo a carga do corpo de forma desbalanceada. Se o animal passar muito tempo em pé, além de não favorecer

a ruminação e a produção de leite, os cascos também são prejudicados. Portanto, é fundamental que ao planejar a atividade e a formação do plantel, o produtor defina da raça e o tamanho dos animais de acordo com o sistema utilizado, bem como faça as adequações necessárias no que se refere à infraestrutura, para evitar problemas de saúde aos animais.

Por instalações mais funcionais

A arborização em áreas de pastagens é uma opção para garantir conforto térmico dos animais

Quem não gosta de sombra?! A oferta de sombra para o rebanho leiteiro pode ser natural ou artificial. É a medida mais barata para amenizar o estresse calórico dos animais. O ideal é que 35 % da área de pastagem esteja sombreada, isso faz com que se consigam temperaturas no verão cerca de 8°C menores que a média, e 3,5°C maiores no inverno, favorecendo o conforto térmico dos bovinos de leite. Apesar de as raças mestiças zebuínas tolerarem temperaturas mais elevadas, também se deve estar atento aos efeitos do estresse calórico. Raças europeias são mais sensíveis e nelas são constatados os efeitos mais severos da falta de condição térmica adequada. A sombra natural é o mais indicado em

sistemas a base de pasto, com ou sem suplementação. Podem ser usadas espécies com fim de posterior comercialização, como é o caso de eucalipto, que pode ser destinado para madeira, ou frutíferas, como a nogueira-pecã. Caso o objetivo seja apenas sombra, o plátano é uma excelente opção, apresenta crescimento rápido e pode-se fazer mudas por estaquia. Além destas, existem outras espécies arbóreas e arbustivas que podem ser usadas pelo produtor de leite para arborização das pastagens e formação sistema silvipastoril. Os agricultores interessados na adoção do sistema silvipastoril podem procurar os escritórios municipais da Emater/RS de seus municípios para buscarem mais informações.

O local onde as vacas deitam também deve ser adequado. Caso não seja confortável, o animal automaticamente passará mais tempo em pé. Preferir instalações funcionais, sem grandes rampas ou piso escorregadio, é o ideal. Também é preciso manter sala de ordenha e de alimentação limpas. Se optar pelo uso de cama, que seja feito o manejo correto, mantendo a

Consciência da importância desse manejo Preocupar-se com o bem-estar dos bovinos de leite é uma tendência mundial, além de ser uma demanda crescente do mercado consumidor – todos querem consumir um leite produzido em boas condições para todos, tanto produtores como animais, tanto que a expressão em inglês “cow friendly”, que corresponde a “leite ami-

CHEGOU A NOVA RAÇÃO PARA EQUINOS Fórmula diferenciada com melaço líquido externo e melaço pó interno Milho e aveia machacada externa Exclusivo para equinos de alta performace Embalagens de 40 Kg abre fácil

sanidade dos animais. As melhorias nas instalações incluem facilitar acessos, diminuir distâncias e evitar a formação de lodo e lama. Tudo isso favorece o bem-estar dos bovinos de leite. Quando criamos uma condição para as vacas deitarem em local mais limpo, sem barro nem moscas, proporcionaremos uma vida mais saudável a estes animais.

gável”, tem se popularizado. Outro detalhe importante: a ordenha deve ser feita com calma, sem gritos, nem correria. Ao invés de obrigação, com a adoção destas práticas de manejo podemos convencer os animais a darem o que procuramos: o leite de qualidade. O manejo dos bovinos de leite de forma planejada gera lucros ao bovinocultor.


Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

Parceiros do leite

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O Banco do Brasil em FW está localizado na rua Presidente Kenedy, número 937

Investimentos Com relação aos investimentos, o Banco do Brasil está com foco na agilidade nas contratações nestes meses de novembro e dezembro. “Temos condições de financiar um trator em uma semana, se o produtor estiver com a situação cadastral em dia. Isso tudo deve-se à disponibilização orçamentária, pois o banco elevou em praticamente

Além disso, o Banco do Brasil oferece uma linha de custeio para aquisição isolada de animais, tanto para leite como para corte, também destinada à agricultura familiar. Se o valor for de até R$ 20 mil, o juro é de 2,5% ao ano, com prazo de dois anos para o produtor pagar. “É mais uma oportunidade que o produtor tem para investir na atividade”. Sebastião informa ainda que todas essas informações estão disponíveis nos sindicatos dos trabalhadores rurais de Fre-

em 15% a sua disponibilidade de recursos para a atividade agropecuária”, expõe Sebastião, ressaltando que hoje a instituição financeira tem 60% de participação no crédito rural para o agronegócio. “É um momento bom que precisa ser aproveitado, porque estamos saindo de uma crise e o agronegócio foi, é e sempre será o nosso esteio”, completa.

derico Westphalen, Caiçara, Vicente Dutra, Taquaruçu do Sul e Vista Alegre, incluindo os requisitos para que os produtores possam acessar esse tipo de crédito. “Os agricultores que preferirem podem fazer os encaminhamentos no próprio sindicato, para depois somente ir no banco no ato da liberação do recursos, quando ele apresentará o contrato assinado. As equipes dos escritórios da Emater/RS também estão aptas a acolherem essas propostas e fazerem os projetos”, esclarece.

5º Fórum Itinerante do Leite ocorre neste mês

vido pelo Sindilat, URI/FW, Canal Rural e Emater/RS, com apoio de outras entidades. O evento será no dia 21, a partir das 8h30mim, no salão de atos da URI/FW. Além dos pronunciamentos de lideranças e autoridades, o evento contará com a participação de produtores rurais, técnicos e demais profissionais do setor. Pela manhã ocorrem as palestras e à tarde diversas oficinas, inclusive com casos de produtores locais.

Novo Barreiro também capacita produtores ma reunião técnica sobre bovinocultura de leite envolU veu produtores de Novo Barrei-

ro, em uma atividade realizada na linha Progresso, na propriedade da família Smaniotto – no fim de setembro. A propriedade mantém a produção de leite, suínos e grãos. São produzidos em média 12 mil litros de leite por mês, com 20 vacas em ordenha e 600 suínos integrados. A família Smaniotto ingressou este ano no Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar e já se tornou Unidade de Referência Técnica (URT). Além disso, a propriedade é URT da Embrapa e analisa o cultivo do trigo duplo propósito BRS Pastoreio, a nova cultivar desenvolvida pela Instituição de Pesquisa. Durante a atividade foram abordados os temas gestão da propriedade e da atividade leiteira, trabalhado pelo assistente técnico regional de sistemas

Gracieli Verde

este mês de novembro, Frederico Westphalen sediará o 5º N Fórum Itinerante do Leite, promo-

rimeiros socorros, mastite e esse tipo de atividade é importanreprodução animal foram os te para capacitar os produtores. temas predominantes de um – Na atividade leiteira são os curso destinado a bovinocultores detalhes que fazem a diferença. de leite em Palmitinho. A atividaDetalhes do dia a dia que dimide, realizada no fim de setembro, nuem o custo e fazem o produtor ocorreu na linha Sete de Setemganhar dinheiro, como por exembro. A iniciativa surgiu de uma plo o uso do colostro ou da sidemanda levantada pelo produtolagem de colostro, que às vezes res interessados em profissionali- é jogado fora, bem como tantas zar-se na atividade. outras práticas da rotina do proA capacitação foi ministradutor – afirma Sangaletti. da pelo médico-veterinário Alencar Santos Piovesan, da Emater/RS-Ascar. O assistente técnico regional de sistemas de produção animal da Emater/ RS-Ascar, Valdir Sangaletti, ressalta que Atividade ocorreu no interior de Palmitinho

Divulgação

os meses de novembro e dezembro o Banco do Brasil está com uma disponibilidade de orçamentária considerada mais robusta para operações de custeio pecuário e para operações de investimento. A informação é do gerente da agência do banco em Frederico Westphalen, Genaro Sebastião. Em relação ao custeio pecuário, Sebastião explica que este é destinado principalmente para agricultores familiares, com operações no valor de até R$ 20 mil. – O produtor que é amparado pelo Pronaf terá uma taxa de juros de 2,5% ao ano. Para isso ele precisa atender alguns requisitos, como ter as fichas de vacinação dos animais em dia e comprovar a outorga da água, cujo documento é emitido pela Emater/RS. Inclusive, os projetos também podem ser feitos pelas equipes da Emater. Já o prazo para pagamento é de um ano, podendo ser prorrogado pelo mesmo período – explica o gerente. Esse custeio pecuário prevê um orçamento por animal. Ou seja, dependendo do número de animais que o produtor possui é que vai limitar ou estabelecer os valores que ele pode obter. Esse recurso pode ser destinado para a produção de pastagens, ao plantio do milho que será usado para a silagem, para manutenção sanitária e veterinária do rebanho, melhorias nas instalações, entre outros aspectos para melhorar a pecuária de leite ou de corte de modo geral na propriedade. “O juro baixo é um dos diferenciais deste custeio”, reforça Sebastião. Pelo Pronamp, destinado para médios e grandes produtores rurais, essa linha de custeio também está disponível, mas, o juro é de 6,5% e 7,5% ao ano, conforme prevê o manual de crédito rural.

Debora Theobald

Banco do Brasil oferece De olho nos detalhes da bovinocultura de leite P custeio pecuário N

NOVEMBRO DIA

7

DIA

Em junho a 4ª edição do evento havia sido realizada em Palmeira das Missões

de produção animal da Emater/RS-Ascar, Valdir Sangaletti, que também apresentou os objetivos e metas do Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar. O tema qualidade do leite foi abordado pela extensionista social da Emater/RS-Ascar, Cinara Martins, e pela médica veterinária, Camila Machado. Por fim, o assunto manejo de forrageiras de inverno, com ênfase na cultivar BRS Pastoreio, foi trabalhado pelo pesquisador da Embrapa, Renato Fontanelli. Em Novo Barreiro, são 22 famílias envolvidas no Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar este ano. Mais 12 famílias serão acrescentadas a esse número no próximo ano. Na região de abrangência do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, que envolve 42 municípios, até o momento são assistidas 890 famílias no programa.

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Seminário Municipal de Bovinos de Leite de Planalto CTG Querência do Cristal Planalto/RS 8h45min

5º Fórum Itinerante do Leite Salão de Atos da URI/FW Frederico Westphalen 8h30min

DIA

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7º Seminário Municipal de Bovinocultura de Leite e 7ª Amostra da Terneira

CTG Lenço Preto Trindade do Sul

9 horas


Famurs

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

CONTEÚDO PATROCINADO

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“A agricultura tem sido a salvação da economia do Brasil” Presidente da Famurs, Salmo Dias de Oliveira, também fala sobre a importância do setor agropecuário para os municípios gaúchos

F

ilho de pequenos agricultores e nascido no interior de Nonoai – hoje município de Rio dos Índios –, o atual presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Salmo Dias de Oliveira, tem trazido para o debate assuntos importantes no que diz respeito à agricultura e à pecuária. Diante de uma da federações mais importantes do Estado, e com suas origens no interior, Oliveira sabe muito bem o valor da agricultura familiar para os municípios, especialmente os de menor porte. Oliveira é prefeito de Rio dos Índios pelo segundo mandato consecutivo e reconhece no setor agropecuário o grande potencial da região. Graduado em Filosofia, Sociologia e Direito, o presidente se declara um cidadão convicto de que o Brasil pode ser um lugar ainda melhor para viver. “Acredito que da vida a gente leva as boas relações, a capacidade de interagir e de construir soluções”, afirma, em tom de entusiasmo. Confira a entrevista.

Como tem visto a agricultura na economia brasileira?

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“O que é preciso ser debatido e revisto é o alto custo Brasil, que prejudica o produtor na hora de competir com o mercado internacional.”

Oliveira – Acredito que a agricultura tem sido a salvação da economia do Brasil por muitos anos. Inclusive neste último, que fez com que o nosso superávit primário equilibrasse a balança comercial. O Brasil tem um potencial extraordinário para a produção de alimentos e para comercializar isso com o planeta. Se a gente olhar a quantidade de consumidores de alimentos que crescem por ano somente na China, por exemplo, é um mercado incrível. Nos próximos 20 anos temos um potencial extraordinário de consumo, de gente que precisa comer. Aliado a isso, temos clima, espaço e condições de produzir. O que é preciso ser debatido e revisto é o alto custo Brasil, que prejudica o produtor na hora de competir com o mercado internacional. Acredito muito que produzir alimentos é uma vocação.

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ao Sisbi, porque as inspeções municiais são bastante limitadoras, pois o produtor vende somente no município e não pode ultrapassar fronteiras próximas. Temos que ter uma legislação que priorize os cuidados sanitários, mas que os produtores possam vender em todo o Estado e todo o Brasil. Isso muda a cara da região, porque promove a geração de mais emprego no campo, incentiva outras atividades. Tanto que queremos propor um debate com mais força sobre isso nos próximos meses. Isso terá um reflexo grande na sucessão familiar, que não vem acontecendo porque faltam políticas públicas adequadas. Para ficar no meio rural o jovem precisa ter acesso à internet, a telefone, estradas em boas condições e, especialmente, maneiras de agregar valor à produção. Tudo isso vai acontecer à medida que tivermos legalidade. Precisamos modernizar esse processo para quem quer viver no campo.

Em relação à região, no que é possível evoluir?

Oliveira – Bom, a região tem um potencial muito grande na produção de grãos, que já está consolidado, com grandes produtores, inclusive. A dificuldade maior está na agricultura chamada familiar, que está mais ligada a essa produção de alimentos, que tem a produção de suínos, de leite, de verduras, que são grandes potenciais. Temos que levar em conta que a nossa região tem um microclima especial, que viabiliza produzir muita coisa. A citricultura, por exemplo, se fortaleceu, assim como a produção de frangos, de leite. Enfim, a nossa região tem um potencial muito grande. Já na parte de agroindústrias, temos que evoluir, porque o Estado e a União tem sido atrapalhadores, temos uma legislação que não favorece. Há a necessidade urgente de avançar em relação ao Susaf e

A Famurs tem estado presente em debates relacionados ao setor, a exemplo da crise do leite. Qual tem sido o posicionamento da federação?

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Oliveira – O nosso mandado tem sido marcado pela participação efetiva em várias decisões. Nos últimos meses temos acompanhado esse cenário do leite. Com um mercado interno estagnado, desempregado em alta, aumento na produção e no custo, além do crescimento da importação de leite do Uruguai, nos vimos obrigados a participar desse debate, especialmente no pedido ao governo que barrasse essas importações, o que acabou sendo feito pelo ministrado da Agricultura, Blairo Maggi. Essa situação é preocupante, porque dos 497 municípios p do Estado,, 435 têm produção de leite. É algo muito significativo. Nos municípios, os prefeitos têm feito a sua parte, têm comprado máquinas e equipamentos para auxiliar na confecção de silagem, têm ajudado a fornecer assistência técnica para esse público, têm acompanhado esses produtores. Muito embora houve uma restrição para aqueles produtores que trabalhavam de forma mais manual e em baixa escala, aqueles que estavam mais estruturados conseguiram ampliar a produção. Nos reunimos com representantes de muitas entidades para debater esse assunto e pres-

sionar o governo para que algo fosse feito, como aconteceu. Outro pedido é que o governo faça um aporte de recursos para que compre uma parte do produto que está em estoque, para poder melhorar o preço pago ao produtor. Entretanto, é lamentável que o governo não tenha recursos para investir nisso, porque o dia que o produtor vender os seus animais e sair da atividade, ele não volta mais para o setor e pode se tornar mais um desempregado na cidade.

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Esse cenário reflete no comércio dos municípios, não é?!

Oliveira – Não tem como não admitir que no mês temos pelo menos duas datas muito importantes: uma delas é quando os aposentados recebem e outra é o dia do pagamento do leite aos produtores. Temos 100 mil famílias ligadas à essa produção no Rio Grande do Sul. Então, é natural, necessário e importante que a Famurs se posicione. Consideramos a nossa contribuição importante porque, apesar do momento que vive a política brasileira, as coisas são resolvidas de forma política. Se temos pressão em cima dos prefeitos, nosso trabalho na Famurs também é definir esse posicionamento e representá-los, porque são os prefeitos que estão diretamente ligados à população. O empoderamento dos municípios significa termos mais recursos onde as pessoas efetivamente moram, e menos recursos em Brasília, que está distante dos olhos da maioria da população.

O seu mandato na Famurs segue até julho de 2018. O que será prioridade até lá?

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Oliveira – Espero que as dificuldades que estamos tendo possam se equacionar, para poder produzir com mais tranquilidade, sem abrir mão dos controles sanitários que precisamos ter. Outro debate importante para o Estado é torná-lo livre da febre aftosa sem vacinação, porque isso vai repercutir nos mercados de carne e vai abrir novas parcerias comerciais. Vale lembrar que 2018 será um ano eleitoral, hora de ver quem tem o comprometimento com o setor, com o produtor, que seja defensor desta causa. Espero que possamos passar por esse momento cinza, de desconfiança nos mercados interno e externo, porque só vamos ter o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) com valores maiores à medida que a economia melhorar. Oliveira é prefeito de Rio dos Índios pelo segundo mandato consecutivo


Criação/ A Campo

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017 Re

Você controla os parasitas do seu rebanho? M anter a sanidade do rebanho requer controles rigorosos na propriedade, o que se traduz em cuidado com os animais. No caso dos bovinos, tanto de leite como para corte, o controle dos parasitas externos, chamados de ectoparasitas, é essencial, especialmente na primavera e no verão, quando aumenta essa incidência nos rebanhos. Portanto, é essencial que os criadores estejam atentos às infestações e adotem controles preventivos e estratégicos. A orientação é do médico-veterinário Thiago Cantarelli, que atua na Cotrifred e é professor na URI/FW. Ele alerta que os prejuízos causados pela infestação envolvem fatores que diminuem a produtividade, como a perda de peso, a redução da produção leiteira e o rendimento, devido ao estresse que os parasitas causam aos animais.

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CARRAPATO CARRA • O carrapato Rhipicephalus (boophilus) microplus é um ectoparasita que se alimenta exclusivamente do sangue e tem como hospedeiro fundamental o bovino. Por isso, pode transmitir doenças como a tristeza parasitária bovina à animais susceptíveis e, por outro lado, auxiliar na imunização do gado contra os agentes destas enfermidades. Para o devido controle, é preciso considerar que 95% dos ácaros estão no pasto e 5% no animal. • É preciso aliar um conjunto de medidas para o devido combate: » Manejo de pasto, com piqueteamento e roçada. » Consorciação com outros animais, como equinos, ovinos ou caprinos » Uso de produtos químicos, homeopáticos e/ou fitoterápicos. » Tome cuidado também para ter raças bovinas menos susceptíveis, vacinas biológicas e uso de feromônios. » Lembre-se que para um carrapaticida ser de total eficácia deve ter permanência do composto no organismo, na pele e/ou nos pelos do animal, e ser inócuo para o animal e ao ambiente, não deixando resíduos.

BERNE

• O berne é uma larva depositada, no bovino, pela l mosca DermatoD t bia hominis. Essas larvas alimentam-se de tecido vivo dos seus hospedeiros e causam o quadro conhecido como miíase primária cutânea nodular ou berne. Os movimentos das larvas dentro dos 'nódulos causam dor, inquietação e irritação, prejudicando a alimentação e o descanso dos animais; já os nódulos levam à desvalorização do couro.

MOSCA-DOS-CHIFRES

• Os princípios ativos utilizados para o controle são os mais variados: fluazuron, fipronil, diazinon, amitraz, ciclorfós, cipermetrina, organofosforados, avermectinas (abamectina, ivermectina, doramectina, eprinomectina, moxidectina), etc.

• A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans irritans) também tem hábito alimentar exclusivamente hematófago, causa muita irritação e desconforto aos animais e prejudica a alimentação e o repouso adequado, provocando um expressivo gasto de energia. Isso influencia a redução do ganho de peso e da produção de leite.

• A escolha de um ou outro vai depender da realidade de cada propriedade, ou seja, a resistência ao princípio ativo, a categoria animal (recém-nascidos, jovens e/ou adultos), tempo de carência (abate e leite), concentração do fármaco (tempo de ação e consequentemente a frequência de aplicação) e a possibilidade de controlar endoparasitas (vermes) e outros ectoparasitas concomitantemente.

• Essa mosca também pode transmitir o agente da Tristeza Parasitária Bovina, conhecida como “amarelão”.

• Você pode optar por injeção subcutânea (“embaixo do couro”), aspersão mecânica (banheiro de aspersão), aspersão manual (pulverizador costal) e aplicação de pour-on [produto aplicado na linha media dorsal do animal (“fio do lombo”)].

• O brinco repelente, impregnado com Diazinon, tem apresentado o melhor custobenefício para o controle desta mosca.

Veja como fazer a área de refúgio Como fazer? O que é o refúgio? O s problemas registrados na atual safra de milho, que registrou alta incidência de pragas, trouxe para a vitrine um debate considerado importante, como a necessidade da área de refúgio nas lavouras que usam tecnologia Bt. A prática ainda não é tão rotineira quanto o necessário, na opinião de especialistas. Na visão do professor-doutor Claudir José Basso, do curso de Agronomia da UFSM-FW, é necessário uma mobilização mais efetiva tanto por parte das empresas como de entidades que prestam orientação aos produtores. Por mais que não exista uma legislação que preveja algum tipo de fiscalização, é importante que o setor se conscientize em relação ao assunto. “Independentemente do tamanho da propriedade, o produtor precisa de mais orientação. Hoje a forma de fazer agricultura é bem diferente de 20 anos atrás e se conscientizar disso é de extrema importância”, ressalta.

• O refúgio é uma ferramenta eficiente para evitar a evolução de populações de pragas resistentes a determinada tecnologia, como a do Bt, pois sempre haverá uma população de pragas/insetos que desenvolvam essa resistência. • Quando se faz refúgio, pragas que sobrevivem à tecnologia Bt cruzam com pragas susceptíveis do refúgio e geram descendentes susceptíveis à tecnologia. Logo, o refúgio serve para preservar a tecnologia por mais tempo. Se isso não for feito, a cada ano aumenta a quantidade de indivíduos resistentes e se corre o risco de perder a tecnologia. • A área de refúgio é uma medida preventiva e deve ser realizada todo o ano.

Exemplos de Configurações de Áreas de Refúgio 800 metros

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O produtor pode adaptar esse refúgio de várias maneiras na lavoura, dependendo das características da área. Alguns exemplos, inclusive da Embrapa Soja, podem ajudá-lo. A recomendação técnica para o refúgio é de 10% da área cultivada com a tecnologia Bt para o milho e 20% da área cultivada para a soja. Essa área de refúgio pode estar dentro da própria lavoura ou no máximo a 800 metros de distância. Na dúvida, sempre procure ajuda técnica.

Manejo integrado como aliado O agrônomo Carlos Roberto Olczevski, da Emater/RS, ressalta que o refúgio também precisa estar associado ao manejo integrado de pragas. Essas práticas são fundamentais para a sustentabilidade da tecnologia Bt. Outro cuidado no refúgio é em relação ao ciclo das cultivares, que precisam ter proximidade, sendo semeadas as duas na mesma época.

Área de refúgio do milho (milho não Bt)

Importante: a área de refúgio deve estar na área irrigada para que tenha as mesmas condições de manejo.

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Milho YieldGard®

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Entrevista Gracieli Verde

“A Creluz nasceu por causa do agricultor”

Elemar Battisti preside a Creluz há 26 anos


Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

Presidente Elemar Battisti expõe como tem sido sua postura como presidente da Creluz e a busca por inovação no setor de geração de energia Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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dinamismo e o comprometimento com a sociedade onde está inserida a Creluz, sem dúvidas, são características que ficam evidentes na forma como o presidente Elemar Battisti tem gerenciado a cooperativa, que tem a matriz no município de Pinhal. Natural de Lajeado, hoje município de Progresso – que era distrito na época –, mais tarde Battisti veio com a família para Novo Tiradentes. Administrador, mas também com formações nas áreas de economia e cooperativismo, Battisti teve uma temporada como professor na área de Economia Rural, quando a URI-FW ainda era Fesau. Desde 1991 ele está na presidência da cooperativa e é reconhecido por, juntamente com os demais integrantes dos conselhos, ter colocado e mantido a “casa em dia”. Com origens no campo, Battisti tem consciência da importância de auxiliar no desenvolvimento das comunidades rurais. Do total de consumidores de energia elétrica por meio da Creluz, 54% é formado por produtores rurais, o que só reforça o compromisso com o setor. “A Creluz nasceu por causa do agricultor, porque no passado as concessionárias nem queriam chegar nessa área, pela dificuldade de acesso e de instalação das redes”, recorda. A gestão inovadora e focada nos resultados já rendeu à Creluz o Prêmio de Ecologia, em Londres, na Inglaterra, no ano 2010, motivo de orgulho para a cooperativa – inclusive o patrono desse prêmio é o príncipe Charles. Neste mês de dezembro é comemorado o primeiro ano de funcionamento da Usina Solar Boa Vista, que tem sido referência para o setor, localizada em Boa Vista das Missões. Em entrevista, Battisti fala sobre como foi restaurar a vida da Creluz e torná-la uma cooperativa reconhecida e consolidada na área de infraestrutura.

É de conhecimento público que a Creluz passou por dificuldades extremas no passado e o senhor foi uma das apostas para colocar “a casa em dia”. Como foi assumir esse compromisso?

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Elemar Battisti – Quando assumi, a Creluz tinha uma rede de lojas, que estava tornando o negócio inviável. A crise vivenciada pela Creluz mostrava que era necessário se questionar sobre o porquê a cooperativa havia sido fundada, que era para promover o acesso à energia elétrica, tanto no campo como na cidade. Bom, se o nosso negócio principal pelo qual a cooperativa nasceu era energia elétrica, tínhamos que avaliar a possibilidade de gerar a própria energia. Até porque era preciso melhorar a qualidade dessa energia que ia para a redes. Foi por isso que estruturamos as atuais oito usinas, sete hidrelétricas e uma solar. Essa foi uma decisão estratégica para a cooperativa. Outra política da Creluz era priorizar a utilização de rios locais, mas sem causar nenhuma retirada de famílias, por exemplo. Assim conseguimos contemplar vários municípios e resolver os problemas. À medida que esse novo posicionamento foi se consolidando, se percebeu uma melhora na satisfação dos clientes, foram atraídos novos negócios para a região, e se reduziu custo com uma série de problemas que vinha acontecendo. Também solucionamos a questão das fugas de energia, adequando para um padrão norte-americano de apenas 10%. Já as lojas foram fechadas ou vendidas. Tudo isso representou dinheiro que foi ficando na casa, o que melhorou o desempenho da cooperativa, aprimorando o plano estratégico da Creluz. Mas manter isso tudo é um desafio permanente, porque trabalhar com energia de modo geral não é simples, é algo que está exposto ao tempo, às intempé-

ries, e o consumidor, naturalmente, é cada vez mais exigente, porque hoje em dia há cada vez mais uma dependência da energia para todos os processos.

Então, o crescimento constante da Creluz pode ser creditado a esse “ajuste de rota”?

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Battisti – Sem dúvidas, a geração de energia foi o grande salto para a Creluz – a primeira usina vai fazer 20 anos em 2019. Além disso, priorizamos por uma estrutura enxuta. Hoje as operações estão tendo muito comando remoto. A usina solar, por exemplo, não tem nenhum funcionário lá, tudo é controlado por aqui. A gente tira até leitura do medidor a distância. As nossas equipes internas também são enxutas e eficientes.

Com a consolidação da cooperativa, ela também passou a ser reconhecida pelo forte trabalho social na região.

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Battisti – Como a cooperativa é de infraestrutura, a política interna prevê que as devoluções de parte dos lucros para associados e para a região seja por meio de serviços. Tudo é decidido nas assembleias com os associados. Para ter uma ideia, antes mesmo de ter o programa Luz para Todos, a Creluz já tinha criado o programa Luz na Roça, que recebia como pagamento das redes elétricas produtos da agricultura, como milho e soja, e servia para tornar a energia trifásica onde fosse necessário. Depois, com o Luz para Todos, foi conseguido atender praticamente toda a demanda na área de abrangência. Também executamos outro programa para quem era de baixa renda e residia na cidade. Nesse tempo também criamos o programa Água Limpa, para levar água potável e poços artesianos para as comunidades. Com este já chegamos ao poço número 160 em 16 anos de trabalho. Para manter esses programas foram criados fundos, controlados pela contabilidade da cooperativa. Da mesma forma funciona o reforço de rede, que prevê a viabilização de redes bifásicas ou trifásicas em propriedades rurais que estejam investindo em alguma atividade como a suinocultura, a avicultura, entre outras. Isso tem ajudado muito a região, porque temos uma produção grande de proteína animal, com integração de suínos e frangos, e que gera renda para as famílias. Por isso, nosso compromisso também é oferecer energia de qualidade para o setor rural durante o ano inteiro.

Na área de educação, a Creluz tem investido na formação de funcionários e filhos de associados, certo?

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Battisti – Exato. Teremos a formatura do curso de Engenharia Elétrica em março de 2018, aqui em Pinhal. São nove filhos de associados e bolsistas e nove funcionários que já trabalham com energia que atenderão nossa demanda por profissionais. Essa foi uma parceria com a Unijuí – na época não havia esse curso na URI – e é motivo de orgulho.

Se a instituição é reflexo do seu gestor, que princípios o senhor tem conseguido implementar na Creluz enquanto presidente?

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Battisti – Eu tenho compromisso com essa região, com esse povo, com a atenção ao associado, mas nunca esquecendo das origens, é preciso ter humildade sempre. Nosso compromisso também é entregar inovação, não podemos ficar para trás. Somos amigos da tecnologia. Tanto é assim que vamos inaugurar em dezembro deste ano um centro quer funcionará 24 horas – que está sendo concluído –, um dos mais modernos da região, tudo eletrônico, para melhorar o atendimento aos consumidores. Através deles será possível visualizar as chamadas de emergência e automaticamente encaminhar isso para as equipes de plantão. As usinas também devem ter cada vez mais o monitoramento a distância, controle remoto de turbinas, entre outras novidades. Também estamos implantando a fibra óptica até os nossos ligadores, para que não fiquemos dependentes da telefonia, porque ultimamente quando cai a energia também ficamos sem sinal para telefone, o que dificulta a identificação dos locais com problemas. A partir de cada problema, temos que achar uma solução.

“Nosso compromisso também é oferecer energia de qualidade para o setor rural durante o ano inteiro.”

O Horto Florestal também tem sido destaque pela distribuição gratuita de mudas de árvores e plantas em geral. Pode ser considerado um dos destaques da Creluz?

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Battisti – É um projeto que realmente precisa de decisão de gestão e política para ter continuidade, porque consome recursos o ano todo. Mas, tem se destacado pelo seu formato, que reutiliza água da chuva para regar as plantas, tem todo um cuidado com o meio ambiente, além de profissionais capacitados. São pelo menos 50 variedades de mudas nativas e estamos trabalhando para conseguir outras. Como precisamos limpar as áreas em que há rede elétrica, damos esse retorno ao meio ambiente, sem contar o trabalho feito com escolas e entidades, que têm acesso a mudas gratuitamente. É um trabalho que tem sido referência e precisa ser mantido.

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É esse compromisso que o mantém na presidência da Creluz?

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Battisti – O nosso associado é bem conservador, então ele está querendo manter o projeto que está dando certo. Penso que é isso que tem me mantido na função, porque o associado sofreu muito no passado. Nossa gestão tem sido inovadora e responsável, porque investe, mas não exagera, e procura ter um crescimento constante. Não se descuida do futuro, na medida que monitora e tenta acompanhar para que lado vai o mercado. É uma gestão de compromisso com o cliente e o associado.

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Para o futuro, o que esperar da Creluz?

Battisti – Bom, já estamos implantando o sistema de geração instantânea da fatura de energia nas propriedades rurais. Até dezembro todos os clientes rurais terão essa praticidade. No meio urbano isso já é comum, mas no interior é algo novo. Isso melhora a transparência entre o cliente e a cooperativa. Para o futuro, a Creluz depende muito de setores de regulação e do tarifário, porque muitas vezes no Brasil não depende somente de o gestor querer, mas de poder fazer. Mesmo assim, a gente quer ampliar a geração de energia diversificada, como foco nas energias limpas, tentando incluir neste leque que já temos a energia eólica. Claro que deveremos continuar executando melhorias no fornecimento, tanto que já temos várias subestações projetadas e que deverão ser construídas, uma delas em Pinhal.


Clima

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

BOLETIM AGROMETEREOLÓGICO Leandro Marques Engenheiro-agrônomo | Extensionista rural da Emater/RS-Ascar Gracieli Verde

O início do cultivo da soja Em nossa região, o ritmo de semeadura da soja costuma ganhar intensidade na primeira quinzena de novembro. Conforme relatos de produtores, engenheiros-agrônomos e técnicos ligados aos órgãos de assistência técnica, os primeiros dias de novembro, costumeiramente, concentram os maiores avanços na área semeada com a cultura em anos de condições favoráveis no clima. Além de todos os esforços realizados pelo agricultor, fortalecendo o solo, planejando a melhor semente, entre outros itens de manejo, a espera pelo clima ideal sempre ganha espaço na expectativa de quem produz o grão. As pesquisas da Embrapa apontam que entre 650 a 700 milímetros de chuvas bem distribuídas ao longo do ciclo da soja é o cenário favorável para garantir boas colheitas, desde que registrados de forma regular ao longo da safra. Neste início de nova safra, as chuvas expressivas de outubro garantiram a boa umidade do solo para a semeadura. No entanto, o comportamento do tempo em novembro vai determinar o ritmo da soja neste início de cultivo.

O debate do preço

Gracieli Verde

O assunto do preço do leite é um debate constante entre os agricultores que trabalham na atividade. O número expressivo de agricultores da região que tem o leite como uma das principais fontes de renda torna o assunto ainda mais recorrente, seja no campo ou na cidade. A importância da atividade para a economia da região também impulsiona a preocupação com o assunto. Se o preço do leite ainda não está de acordo com a necessidade do agricultor, a alternativa mais próxima é trabalhar o custo do litro produzido na propriedade. Nesse sentido, o planejamento para diminuir o custo por litro é influenciado, em boa parte, pela alimentação que é fornecida aos animais. Para aqueles agricultores que trabalham com alimentação baseada em pasto, o período atual, de plena primavera e proximidade do verão, favorece o crescimento das plantas. As plantas apresentam maiores taxas de crescimento e rebrote quando os dias mais longos chegam. A qualidade das pastagens também apresenta bons níveis nessa condição, tendo em vista que o sol favorece, por exemplo, o aproveitamento da adubação em áreas de pastejo. Nesse modelo de produção do leite, estimular o pastejo dos animais por mais horas no campo é importante. Buscar orientação técnica para possíveis ajustes na dieta dos animais, avaliando cada animal e a sua necessidade, pode ser decisivo. Seja favorável ou abaixo do esperado, o debate do preço do leite vai longe.

Colheita tradicional A tradicional colheita do pêssego começa a ganhar espaço na rotina diária dos agricultores da região. As famílias que cultivam a fruta estão colhendo aqueles pomares mais precoces, com colheita mais cedo. O pêssego costuma ocupar dois cenários na agricultura da região, com algumas famílias produzindo a fruta para a venda e, outras em maior número, produzindo para o consumo interno na propriedade. Em ambos os casos, aqueles agricultores que realizaram a poda dos pessegueiros de forma adequada meses atrás percebem agora a melhora produtiva em seus pomares. Em locais onde não foi possível proceder a poda das plantas, é necessário repensar o manejo para o próximo ano, para estimular boas produções.

A preparação para o verão Dezembro traz a chegada do verão, com o maior registro de dias com baixa umidade do ar, temperatura elevada e sensação de abafamento no campo e na cidade. Nesse cenário, o planejamento do trabalho no campo requer algumas adaptações para minimizar perdas e prejuízos. É sempre válido lembrar que as aplicações de produtos em áreas de lavoura devem, preferencialmente, serem realizadas nas primeiras horas da manhã, ou no fim da tarde, por conta da umidade do ar mais adequada naqueles horários. Quando necessário irrigar, dar preferência pela manhã, evitando excessos e desperdício de água e energia. No caso da irrigação de hortas, sempre que possível é importante não molhar as folhas das plantas, para minimizar o risco de doenças que podem comprometer a qualidade e, em casos mais severos, toda a produção. A estação mais quente está próxima.

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todo o Estado. Em dezembro são esperadas precipitações pouco abaixo do padrão no Sul e Leste gaúchos e dentro do padrão nas demais regiões. Já para janeiro, a tendência é de menos chuvas na maior parte Rio Grande do Sul. Portanto, segundo o boletim, apesar de nos últimos meses a chuva ter sido regular, é possível um déficit hídrico neste trimestre que se inicia, visto que a elevação gradativa na temperatura contribuirá para o aumento da evaporação.

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Chuva reduzida para os próximos meses prognóstico climático divulgado pelo Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet), da UFPel, e do 8º Distrito Meteorológico do INMET no RS, mostra a confirmação do fenômeno La Niña para os próximos meses. Isso deve gerar a diminuição da umidade atmosférica, além de influenciar a redução do número de chuvas nos próximos meses. Para novembro, as precipitações acumuladas mensais já devem ser abaixo do padrão em

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Juventude & Sucessão

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

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De Alpestre para a França! Jovens passam temporada em terras francesas e fazem bonito em concurso de paisagismo Grupo visitou a casa familiar de Bage le Chatel

Divulgação

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uatro representantes da Casa Familiar Rural (CFR) de Alpestre puderam realizar o sonho de ir para a França no mês de setembro, quando participaram do Concurso Internacional de Paisagismo e também visitaram outras casas familiares. Participaram da viagem os egressos Gabriel Cesar Knob e Fernando Antônio Mikolaiczki, a estudante do 2° ano, Fernanda Ozekoski, e as monitoras, Bárbara Azevedo, e a extensionista social Adriana Fátima Memlak, da Emater/RS-Ascar de Alpestre. Os brasileiros conheceram a Maison Familiare Rurale (Casa Familiar Rural) de Bâgé le Chatel, que tem formação agrícola e em paisagismo, a Maison Familare Rurale Pont de Veyle, que possui formação na área de gastronomia e cuidadores de pessoas, além de um encontro com a professora e a turma de alunos da Maison Familiare Rurale de Saint-Laurent de Chamousset, que será a próxima delegação a visitar a Casa Familiar Rural de Alpestre, em março de 2018. A cidade de Paris também fez parte do roteiro.

As percepções

Destaque gaúcho

Na visão do presidente da Associação de Casas Familiares Rurais do RS (Arcafar/RS), Wagner Bohn, o Estado tem se destacado cada vez mais com essa modalidade de ensino, em especial nessa cooperação de intercâmbios com a França. – Com essa oportunidade de enviar jovens, professores, agricultores e parceiros para conhecer a realidade da França, onde as casas familiares já existem há mais de 80 anos, podemos nos fortalecer. A cada ano estamos inovando e buscando trazer diferenciais – garante. A partir de 2018, o intuito é promover intercâmbios com duração de um ano na França, em que os jovens, após concluírem o ensino médio em uma CFR no RS, poderão fazer um quarto ano de estudos em território francês, sendo possível aprimorar o conhecimento técnico e o aperfeiçoamento do idioma. “Isso é único em uma escola de ensino médio, principalmente em que que trabalha com os filhos de agricultores”, avalia Bohn. A CFR de Alpestre vem se destacando também por ter a disciplina do idioma francês. O próximo passo é uma possível cooperação com a China na formação dos jovens e na diversificação de atividades, como o bambu, segundo o presidente. “Podemos dizer com tranquilidade que a CFR de Alpestre e as demais do RS são escolas de ensino médio ligadas com o mundo, não temos mais fronteiras”, exclama.

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As boas condições estruturais e a agricultura fortalecida chamaram a atenção do jovem Fernando Antonio Mikolaiczki, que já se formou pela CFR de Alpestre. “Tivemos a oportunidade de ver alguns sistemas de produção, que em parte é ótimo, mas no caso do gado de leite, por exemplo, o custo deles é muito alto pela dificuldade de alimento. Já nós temos esse alimento disponível o ano todo, não precisamos estocar tanto”, compara. A pouca diversidade de frutíferas por lá também ficou em evidência. “Aqui temos uma diversidade enorme e, às vezes, não sabemos aproveitar. Lá não se perde nada. A gente tem que dar mais valor ao nosso lugar, por mais difícil que seja”, ressalta Fernando. E estas adversidades, geradas pelo local e clima, resultaram em um esforço maior em desenvolver técnicas para superar estas dificuldades. Este conhecimento também foi alvo de interesse dos jovens brasileiros. “Há uma diferença muito grande entre a forma como eles fazem a agricultura, isso oportunizou conhecer novas técnicas”, acrescenta a estudante Fernanda Ozekoski. Para o jovem Gabriel Cesar Knob, foi gratificante participar dessa experiência, até porque viajar para fora do país, até então, era algo considerado distante da sua realidade. “Lá ainda podemos ver as propriedades rurais com os seus sistemas de produção e sua gestão feita pelos agricultores que fizeram a sucessão rural, tão comentada por aqui. São famílias que estão na sexta geração desenvolvendo a mesma propriedade, mas usando tecnologias bem avançadas”, relata. Aspectos culturais, como a arquitetura e a gastronomia, também foram os diferenciais da viagem, segundo a monitora de francês na CFR, Bárbara Azevedo. “São cenários dignos de filmes, sem contar as refeições, que por lá têm um ritual de acontecimento bem diferenciado dos nossos costumes”, cita.

Técnica de jardinagem foi exposta em concurso

O concurso O Concurso Internacional de Paisagismo, do qual o grupo participou pela primeira vez, tem o objetivo de aplicar na prática os conhecimentos relacionados à formação em paisagismo e jardinagem. A Casa Familiar Rural de Alpestre competiu com outras nove casas familiares, sendo duas da França e as outras da Polinésia, Portugal, Québec, Itália, Bósnia Herzegovina, Espanha e Alemanha. – A importância deste concurso centra-se nos conhecimentos apreendidos, e ainda, pela representatividade ao nosso país, já que fomos à única delegação brasileira e da América do Sul – ressalta a extensionista Adriana Memlak, da Emater/RS.

Essa competição é realizada a cada quatro anos, dentro de uma feira na cidade de Bourg-En-Bresse. Os participantes tiveram aproximadamente uma semana para construir um jardim, com um espaço de 42 m² dentro do salão da feira. Uma lista de materiais era disponibilizada pelo evento e estes deveriam ser usados. Além da equipe do Brasil, a Casa Familiar Rural de Alpestre contou com o auxílio de dois jovens franceses para a construção do jardim, Valentin Garcia e Leo Donnini. No resultado do júri técnico, a equipe de Alpestre conquistou o quarto lugar, mas pelo voto do público que passou pelo local a equipe levou a segunda colocação.


Dentro da Porteira

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Gracieli Verde

Família Gomes pretende ampliar o número de plantas e chegar a mais de 80 mil pés de morango produzindo

O morango que virou negócio Família Gomes, de Vicente Dutra, tem conseguido viabilizar a “volta pra casa” com o cultivo e comercialização do morango

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Neste ano a produtividade talvez não seja tão grande como no ano passado, segundo Jadir. Mesmo assim, se espera colher um quilo de morango por pé durante a safra. No mercado, o preço baixou um pouco, tem ficado próximo de R$ 10 por quilo, que corresponde a uma caixa – mesmo assim dá uma renda bem mais atrativa do que o milho e o feijão que antes era cultivado pelo agricultor. A pressão nos preços, segundo ele, se deve ao aumento no número

de produtores nos arredores. “Acho que também começou a entrar produto de outras regiões. Hoje, para apostar na cultura, é importante se estruturar para vender para outros centros consumidores também”, avalia o agricultor. Por mais que o custo da lavoura de morango não é baixo, Jadir defende que é possível ter uma margem de lucro interessante. “Temos condições de produzir de igual para igual com a Serra, mas ao mesmo tempo tem que ter

Para o cultivo são utilizados os túneis baixos e irrigação por gotejamento

os pés no chão”, comenta o técnico agropecuário Valner Kuhn, da Emater/RS local. Neste ano a sanidade dos morangos se destaca, pois no ano passado doenças como a podridão foram comuns. Até hoje, os investimentos na cultura foram de cerca de R$ 60 mil, com acesso a crédito agrícola. O próximo investimento que a família precisa fazer é num veículo para o transporte da produção, além de melhorar o espaço em que o morango é embalado. Gracieli Verde

ma temporada de 12 anos trabalhando na Serra gaúcha mudou a vida da família de Jadir Gomes. Morador de Vicente Dutra, ele, a esposa Neli, o filho Eliéser e a nora Maquelis aprenderam por lá a trabalhar com a cultura do morango. Depois de retornar para a região, voltaram a cultivar a área de terra que deixaram, localizada às margens do rio Uruguai – hoje são 15 hectares. Nos 12 anos que trabalharam na Serra, as idas e voltas foram várias. Agora, a decisão de ficar tem motivos a mais. Em especial, porque neste ano são 35 mil pés de morango produzindo – mas já foram 50 mil –, e já está projetada para o próximo ano a ampliação, com outras 50 mil unidades a serem plantadas. Para o cultivo são utilizados os túneis baixos, que são pequenas estufas que usam um tipo de plástico específico e que possui a irrigação por gotejamento. Com isso, é possível produzir praticamente durante todos os meses, variando a produtividade de acordo com a época do ano. Jadir conta que no início houve a necessidade de adaptar a cultura ao clima da região, mas é algo perfeitamente possível. É isso que tem sido levado em conta por toda a família, que vê na planta essa oportunidade de ter o próprio negócio. “Queremos trabalhar no que é nosso, não somente para os outros, e ensinar isso para as nossas filhas”, exclama a nora Maquelis. Ela e o esposo têm as pequenas Kemily e Ketlin. Jadir recorda que no primeiro ano em que cultivaram o morango começaram com três mil pés da variedade San Andrés, mas o resultado não foi bom. Problemas com as mudas comprometeram a produção. Depois plantaram 18 mil pés e, ano passado, seguiram ampliando a área. Para o próximo ciclo, a família pretende fazer parcerias com interessados em auxiliar na atividade, uma forma de driblar a pouca mão de obra disponível.

Safra deve ser positiva


Ações que inspiram

Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

Rural - Outubro de 2017 Novembro/Dezembro Revista NovoRevista Rural - Novo

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Cada resíduo no seu lugar! Gramado dos Loureiros implanta projeto de coleta de resíduos sólidos e uso de composteiras

E

ncontrar soluções para o destino correto de dejetos sólidos e orgânicos é muito mais do que pensar no meio ambiente, é decidir em relação ao bem-estar e à saúde das pessoas. A fim de trazer esse assunto para o debate, a revista Novo Rural começa nesta edição uma série de reportagens sobre como o destino do lixo foi repensado em alguns municípios de abrangência. Na primeira reportagem, saiba como o município de Gramado dos Loureiros conseguiu estruturar um sistema de coleta que priorizasse a seleção correta dos resíduos e a implantação de composteiras caseiras na cidade, além da coleta periódica no interior.

Como surgiu a ideia do projeto

Em maio de 2015, quando a equipe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Gramado dos Loureiros fortaleceu o acompanhamento a duas propriedades que foram delegadas como unidades de referência – como se fossem unidades demonstrativas de tecnologias para as demais –, uma das demandas que imediatamente surgiram foi em relação ao destino do lixo. – Ao mesmo tempo que queríamos sugerir melhorias nesse sentido, principalmente no descarte correto de alguns materiais, não tínhamos uma solução imediata, porque ainda não havia coleta nas comunidades do interior. Foi quando buscamos uma parceria com a unidade de saúde e a administração municipal para auxiliar nesse processo. Então, pensamos em desenvolver um trabalho em todo o município, envolvendo a cidade e o interior – conta a extensionista da área social Carmen Zanella, da Emater/RS local.

Mobilização em torno do assunto

“Acho que tem tudo para reduzir ainda mais a quantidade de lixo que vai para a coleta.” Maria Rubini, moradora

Ela conta que para estruturar um trabalho que abrangesse o município foi solicitado o apoio da prefeitura, para que cedesse recursos humanos e maquinário para esse trabalho. As equipes das secretarias de Obras e de Saúde foram parceiras desde o início. “Mobilizamos também os agentes de saúde, os grupos de mulheres com os quais trabalhamos, as escolas, toda a sociedade”, recorda Carmen, citando que em três meses todo o trabalho estava organizado. Em seguida, mutirões de limpeza deram um novo visual aos espaços de uso comum, e também foram implantados roteiros de coleta permanentes no interior. Na cidade, mais lixeiras foram instaladas, identificadas para resíduos sólidos e orgânicos, para facilitar e motivar a comunidade a seguir colaborando com o projeto.

Trabalho poderia avançar

Depois que isso foi feito, se percebeu que era possível avançar. Isso implicaria em uma nova abordagem, como a conscientização em relação a que tipo de produto é descartado nas lixeiras. “Pensamos na possibilidade de as pessoas fazerem a compostagem do lixo orgânico, que gera um adubo considerado excelente. Como aqui a maioria das pessoas mora em casas com quintal, é possível adaptar isso no próprio terreno, de forma bem prática e segura”, conta Carmen. Para conscientizar as pessoas da importância desse trabalho, outra abordagem foi “certeira”. Os idealizadores promoveram visitas à sede do Conigepu, em Trindade do Sul, para conhecer a realidade de como era aquela separação do lixo e de como esses resíduos chegavam ao local. “Cada um que ia conhecer o local voltava mais comprometido com o processo, porque a realidade era bem complicada em relação à não separação adequada do lixo”, ressalta a extensionista.

Gracieli Verde

Casal Carmen e Santo, a amiga Maria Rubini e a extensionista Carmen Zanella, da Emater: iniciativa gramadense já soma resultados positivos

ES P ECIAL

Sustentab lidade

Resultado se destaca

Carmen expõe que, com esse trabalho, foi conseguido reduzir consideravelmente a quantidade de lixo orgânico encaminhado ao consórcio. Além disso, o que é encaminhado chega ao destino com mais qualidade para a triagem que é feita pelos profissionais. Na cidade, o caminhão usado para a coleta foi dividido ao meio, para não misturar e desperdiçar o trabalho feito pelas pessoas. A equipe que executa a coleta também foi devidamente treinada, para que possa corrigir qualquer deslize percebido ao longo do percurso. Na cidade são mais de 130 composteiras instaladas, comprovando uma boa adesão a esse novo hábito. O casal Carmen e Santo Roso, que mora no perímetro urbano, é adepto ao projeto e o resultado também é visto na qualidade das hortaliças que se vê na horta. “A gente não desperdiça nada, porque assim fica bem prático para aproveitar esse lixo como adubo”, conta dona Carmen. Ela foi uma das pessoas que visitou a sede do consórcio e viu de perto a dificuldade em separar o lixo depois que é coletado tudo misturado. A amiga do casal Maria Rubini, que também é presidente de um dos grupos de mulheres, ressalta que é visível a conscientização das pessoas em relação ao projeto. “Acho que tem tudo para reduzir ainda mais a quantidade de lixo que vai para a coleta”, acredita. Conforme dados da Emater/RS em alguns meses o município chegou a entregar ao consórcio 19 toneladas de lixo somente da cidade. Depois do projeto tem reduzido até para 12 toneladas, somando tudo o que é recolhido, inclusive do interior.


Turismo rural

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

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Separamos algumas opções de roteiros para você aproveitar momentos de lazer com a família

* O roteiro inclui moinho histórico, o museu da família Pasqualli, visita à propriedade rural, ao Museu Evangelizador, entre outros pontos do município.

esta época do ano é comum que os passeios se intensifiquem, afinal, o verão é convidativo para atividades ao livre. Na região, é possível conhecer várias localidades, valorizando o meio rural. Para facilitar a sua escolha, separamos algumas dicas de locais que você pode passar por momentos de lazer, incluindo a boa gastronomia interiorana.

* O custo médio por pessoa varia muito, mas gira em torno de R$ 45 por pessoa.

* Em relação ao tempo de duração, o visitante tem opção de ficar o dia todo ou apenas um turno.

* É importante fazer um agendamento prévio, na prefeitura ou Emater/RS: (54) 3365-1417/(54) 3365-1153.

Rondinha

* Em relação à alimentação, é servido café colonial, com vários pratos como polenta, salame, geleias, cucas, sucos, entre outros.

Rota Cultural, Histórica e Gastronômica

Nova Boa Vista Roteiro Encantos da Colônia * O roteiro inclui cinco propriedades rurais, uma capela de Nossa Senhora das Graças, uma escola antiga o interior do município, pode ser feito durante um dia.

Constantina

* Também é servido almoço e chá da tarde, inclusive com cenário para fotografias. O roteiro é encerrado na Casa do Artesão.

Roteiro Nostra Terra Constantina

* Reservas para grupos podem ser feitas pelos telefones (54) 3360-1141, (54) 3360-3000, (54) 9-9622-1042 ou (55) 9-9609-9641.

* O roteiro inclui lazer durante todo o dia, com diversas atividades. * Durante o roteiro os visitantes também podem adquirir peças de artesanato. * Em relação à alimentação, é servido café da manhã, lanche e almoço.

* Esse roteiro envolve várias propriedades rurais de Sarandi, com a oferta de lazer, gastronomia e conhecimento. O visitante pode conhecer agroindústrias, vinícolas, desfrutar da convivência familiar, paisagens, cultura e tradição. * O roteiro inclui café da manhã na linha Carijo (Barra Funda), na propriedade da família Tolotti, à fábrica de refrigerantes e água mineral da Fonte Sarandi, com passeio guiado, visita na linha Barra do Signor, Sarandi, onde tem uma capela construída em 1930, almoço típico italiano, visita à Vinícola Vizini, o museu do vinho e o Pesque-Pague Arco-Íris. * O transporte é feito em ônibus ou micro-ônibus, categoria turismo, com ar-condicionado, e acompanhamento de guia. * As reservas podem ser feitas pelo número (54) 3361-2583.

* Podem participar crianças e adolescentes, estudantes, famílias, terceira idade, entre outros. Também são aceitos grupos com mais de 20 pessoas.

Sarandi/Barra Funda

* O agendamento deve ser feito na prefeitura, pelos telefones (54) 3363-8100 ou (54) 9.8425.1544; ou na Emater/RS, pelos telefones (54) 3363-1044 ou (54) 9.9963.8310. * Os destaques do roteiro são a gastronomia e a cultura italiana, o lazer, as belezas naturais, os tratamentos alternativos, como yoga, além de trilhas e jardinagem.

Roteiro Sarandi, Terra dos Sabores

O que o viisitante quer vivenciar? Tendências e desafios em nível nacional do setor foram debatidos durante o Congresso Brasileiro de Turismo Rural, realizado em Santa Maria, no fim de setembro. A necessidade de os municípios terem planos de ações locais, além de uma mobilização forte por parte de prefeituras e entidades que trabalham com o setor, ficaram em evidência durante a programação, segundo o agrônomo Leonir Bonavigo, da Emater/RS. Ele faz parte do grupo de trabalho sobre turismo rural do escritório regional de Frederico Westphalen e representou

a região no encontro. Tendo em vista que o espaço rural tem se tornado cada vez mais tecnificado, mas com menos gente, também é preciso adaptar o turismo neste setor. “Basicamente, o que mais se busca no turismo rural é ver aspectos relacionados ao passado e à história, contemplar paisagens e ter experiências. É algo baseado na tríade ‘saberes, sabores e fazeres’ que mais atrairá público para o meio rural”, segundo Bonavigo. Outras percepções que foram levantadas durante o congresso é que é importan-

te relacionar o turismo com atividades que as famílias já desenvolvem, priorizar por visitas agendadas e períodos mais curtos, porque normalmente não há locais para fazer o pernoite nas propriedades – e para isso demandaria de outros tipos de investimentos. Mais um ponto citado é em relação ao turismo pedagógico, para envolver também escolas e universidades. “A oferta de alimentação é imprescindível”, acrescenta o agrônomo. Além disso, quesitos como hospitalidade e reciprocidade também contam muito para os visitantes.


Intercooperando

Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

Debora Theobald

Espaço

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COOPERATIVO

A importância da transparência

na gestão cooperativa Auditório da URI/FW lotou com a presença de lideranças cooperativistas

Por Marcia Faccin

Por mais eficiência na gestão cooperativa

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iante de um cenário econômico conturbado visto nos últimos anos, as cooperativas têm demonstrado em números que mesmo assim conseguem “tirar de letra” e crescer, se desenvolver com os seus quadros de associados. Por outro lado, mesmo tendo um cenário considerado mais favorável, as cooperativas precisam seguir na busca por eficiência e inovação em suas gestões. Isso tem motivado a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Cooperativismo e Pesca a promover seminários sobre gestão e liderança em várias regiões do Estado. Em outubro foi a vez de Frederico Westphalen sediar o encontro, que teve na organização o apoio da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar. Realizado na URI/FW, o encontro contou com debates qualificados sobre o assunto. Um dos temas abordados envolveu estratégias de

gestão para empresas cooperativas, que foi explanado pelo superintendente do sistema Ocergs/Sescoop/ RS, Gerson José Lauerman. A importância da liderança e do perfil empreendedor nas cooperativas também foi o assunto de responsabilidade do gerente de gestão de pessoas da Aurora Alimentos, Nelson Paulo Rossi. As palestras foram mediadas pelos cooperativistas Eugenio Poltronieri, da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, e Elemar Battisti, da Creluz. O secretário da SDR, Tarcísio Minetto, destacou a importância do momento de reflexão proposto pelo Seminário Regional de Gestão e Liderança Cooperativa, demonstrando o potencial econômico e social das cooperativas. “Precisamos propiciar o desenvolvimento do cooperativismo e refletir sobre o nosso comprometimento com esse modo de gerenciar um empreendimento”, comentou.

Com a palavra: Gerson José Lauerman, superintendente do sistema Ocergs-Sescoop/RS O que se analisa para saber se a cooperativa está bem é, normalmente, o balanço no fim de um ano, mas os números apresentados não são a única coisa que podem nos dizer se a cooperativa vai indo bem. Também precisamos levar em conta as relações estabelecidas com o cooperado e o atendimento prestado.

operativismo, seguindo-os à risca. É um para cada dia da semana.

O ‘bem’ social que a cooperativa tem também deve ser levado em conta. Mais um modo de manter uma gestão satisfatória das cooperativas é gerenciar de acordo com os sete princípios do co-

A autogestão do cooperativismo é essencial, uma vez que a atividade só tem a crescer em momentos de crise e, tendo em vista isso, precisa estar fortificada e bem estruturada.

Nelson Paulo Rossi, gerente de gestão de pessoas da Aurora Temos um perfil de pessoa gestora que gostamos de contratar para a Aurora, para que assim o funcionário possa agregar à cooperativa. Em primeiro lugar, é preciso seguir e priorizar os princípios cooperativistas.

O jeito mais fácil de se capitalizar uma cooperativa é gerando resultados e essa meta só é possível quando todos que comandam o “negócio” sabem exatamente como desempenhar sua função.

Eugenio Poltronieri, presidente da Sicredi Alto Uruguai RS/SC Para se ter uma cooperativismo eficiente e humanizado é necessário envolver as pessoas e nunca perder a essência do ser cooperativa, preservar princípios, valores, missão e visão. O sistema cooperativo como um todo tem uma missão fundamental, que é agregar valor não só para o seu empreendimento, mas também para seus associados e para a sociedade.

Elemar Battisti, presidente da Creluz Os desafios do mercado hoje são globalizados, temos desafios de escala, temos cada vez mais empresas, então precisamos ter gestão para enfrentar e competir dentro desse mercado. Existem desafios também em trabalhar com as pessoas, com os associados e funcionários, além da necessidade em compreender o novo tempo em que se vive, um mercado em mudança, muitas vezes com mercados em colisão.

OS NÚMEROS DO COOPERATIVISMO NO RS 420 cooperativas no Estado

2,8 milhões de associados a cooperativas As cooperativas representam 10,05% do PIB Em 2016, foram 58,9 mil empregos diretos gerados

Coordenadora da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen

O

Seminário Regional de Gestão e Liderança Cooperativa foi realizado no dia 19 de outubro, em Frederico Westphalen, contando com participação significativa de lideranças e dirigentes cooperativos e demais entidades regionais, onde renomados palestrantes enfatizaram que para ter uma gestão eficiente e eficaz é fundamental seguir os princípios e valores cooperativos e, acima de tudo, ter transparência e ética nas ações desenvolvidas e implementadas nas cooperativas. Nesta linha, proponho uma reflexão sobre o nosso papel como cooperado frente às atividades e ações diárias das nossas cooperativas, pois só consigo defender “algo” que conheço. E, para conhecer, preciso participar, preciso interagir, e quando convidado, participar ativamente das reuniões, assembleias e atividades desenvolvidas pela cooperativa. E você, participa das reuniões e assembleias desenvolvidas pela sua cooperativa? Ou só chega no horário que está sendo servida a refeição? Quantas reuniões por ano você é convidado a participar? E destas, quantas você participa? Quantas vezes por ano, você conversa com o presidente, com o gerente e com os funcionários da sua cooperativa? Quais são as ações programadas pela sua cooperativa para serem implementadas neste ano de 2017? E qual o planejamento para 2018? Qual foi o crescimento econômico gerado pela sua cooperativa? Os números são disponibilizados de forma transparente para todos os associados? Quais são as ações sociais implementadas pela sua cooperativa? E você, como cooperado, consegue beneficiar-se das ações sociais da sua cooperativa? Qual o grau de confiança que você tem em sua cooperativa? E a confiança que você tem no conselho de administração e conselho fiscal? O que está fazendo para aumentar a confiança na sua cooperativa? Já participou de algum conselho na sua cooperativa? Sim? Não? Por quê? Como dizia o palestrante Gerson, no nosso seminário, o cooperativismo cresce quando se tem confiança no sistema. E só vamos conseguir aumentar o nosso grau de confiança na cooperativa na medida que participamos, que acompanhamos ativamente as ações, que negociamos diretamente com a nossa cooperativa. Quantos novos associados você captou para o sistema cooperativo neste ano de 2017? Quantas negociações você realizou com o sistema cooperativo neste ano? Quantas vezes você falou bem do sistema cooperativo neste ano? Em quantos eventos promovidos e organizados pelas cooperativas você participou? O sistema cooperativo traz inúmeras vantagens e benefícios para a comunidade onde ele está inserido, precisamos a cada dia divulgarmos mais, falarmos mais dos bons exemplos das cooperativas que efetivamente implementam e fomentam os princípios e valores cooperativos. E temos várias em nossa região. Que sejamos a cada dia mais defensores e apaixonados por esse sistema tão importante para o desenvolvimento local e regional, que é bom cooperativismo.

“O cooperativismo cresce quando se tem confiança no sistema”


Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017 Revist

Bem-Estar

Como você cuida do seu coração? V

ocê sabia que o infarto ocorre quando uma coronária apresenta uma oclusão aguda, impedindo a chegada do sangue em determinada região do coração, ocasionando assim a “morte” do músculo cardíaco naquele local? E que o principal sintoma é a dor torácica, geralmente no “meio do peito” ou na região do estômago, de forte intensidade, em caráter de “opressão/aperto” ou “queimação”? Separamos algumas informações importantes com a colaboração da médica-cardiologista Alice Zanella Schmalfuss, que atende em Frederico Westphalen. Confira.

15

A pressão alta pode ser sinal de infarto?

Alice Zanella Schmalfuss — Depende. A pressão elevada não indica por si só que o paciente irá enfartar naquele momento, pois nem todo infarto apresenta-se com pressão elevada, inclusive em alguns pacientes a pressão pode estar normal ou até baixa. A relação da pressão alta com o infarto se dá em sua grande parte a longo prazo, quando o paciente permanece com a pressão elevada durante meses ou anos, e isso faz com que ocorram alterações dentro das coronárias, aumentando assim a chance de ocorrer uma oclusão aguda.

Quais são os principais cuidados que devem ser tomados por pessoas que já têm problemas no coração?

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Alice — O objetivo principal nestes casos é reduzir os danos e as chances de acontecerem eventos maiores como infartos extensos, arritmias graves, acidentes vasculares cerebrais e morte. O pilar do tratamento cardiológico é baseado em alimentação/hábitos saudáveis, controle do peso e da pressão arterial e atividade física regular. Os maiores estudos que se tem na área da cardiologia mostram o grande benefício dessas medidas, tanto na redução da mortalidade quanto na melhora da qualidade de vida dos pacientes. O uso correto e regular da medicação, conforme orientação do médico, é imprescindível e de extrema importância, mas nunca será a única medida adotada para um tratamento eficaz.

Se a pessoa tem alguém na família com histórico de doença cardíaca, quando deve procurar o cardiologista?

15

Alice — Pessoas com parentes de primeiro grau acometidos por doenças cardiológicas antes dos 60 anos devem procurar um médico cardiologista para serem avaliados. Existem doenças genéticas que são transmitidas de pais para filhos e quando identificadas precocemente podem ser tratadas e assim evitar problemas futuros. Quem perdeu familiares por morte súbita e infarto deve ter maior cuidado e atenção.

Os sintomas do coração podem ser confundidos com outros problemas?

15

Alice — Sim. Muitas doenças podem causar sintomas semelhantes aos manifestados por doenças cardíacas. A dor no peito pode ter várias causas não cardiológicas, por exemplo: lesões musculares, ansiedade, cálculo na vesícula, refluxo gastroesofágico, espasmo esofagiano, pneumonia e crises de asma. A palpitação também pode ocorrer por “crises de ansiedade” ou por esforço físico. O cansaço pode ser causado por falta de condicionamento físico, ansiedade, distúrbios do peso, doenças da tireoide entre outros. Frente às situações comentadas, o ideal é que o paciente procure o médico cardiologista, para que seus sinais/sintomas e fatores de risco possam ser adequadamente avaliados, para que então, o melhor plano de investigação e tratamento seja realizado.

Alice Zanella Schmalfuss Médica-cardiologista da OftalmoCor, em Frederico Westphalen

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Revista Novo Rural

Culinária O tradicional que faz bem

A

farinha de milho faz parte da culinária em diversos pratos considerados bem tradicionais, especialmente no interior. Seja na polenta, nos bolos ou pães, essa é uma farinha que é facilmente inserida na nossa alimentação. Tanto em pratos doces como salgados, essa farinha é ingrediente comum e de fácil acesso. Quem não lembra dos antigos moinhos – alguns ainda estão em funcionamento na região –, onde as famílias levavam o milho e o transformavam em farinha? Por mais que essa farinha seja considerada calórica, entre os seus benefícios está a vitamina B1, além de ter pouca gordura e baixo índice de sódio em relação a outras.

Novembro/Dezembro de 2017

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Divulgação

Torta de farinha de milho Ingredientes: • 3 ovos • 3 xícaras de chá de leite • 3 xícaras de chá de açúcar • ½ xícara de chá de água • 1 ½ xícara de chá de farinha de milho • 3 colheres de sopa de farinha de trigo • 2 colheres de sopa de margarina ou manteiga • 1 pacote de coco ralado • 1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de preparo: Bata todos os ingredientes, exceto o fermento, no liquidificador. Quando tiver uma massa homogênea, misture com uma colher o fermento e derrame a massa em uma forma untada. Asse em temperatura média de 180 °C até ficar dourado.

Colaborou:

Vanessa Dal Canton, extensionista social no Escritório Municipal da Emater/RS de Iraí

SUCOS: aliados na hora de promover o bem-estar

I

ngerir sucos naturais é uma prática considerada saudável, desde que não sejam acompanhados de muito açúcar. Isso pode ser um aliado na hora de promovermos a nossa saúde. Sensações como saciedade e vitalidade são alguns dos benefícios, ainda mais quando se fala nos sucos verdes. Normalmente as receitas não adicionam açúcar, mas é possível optar pelo açúcar-mascavo, ou o açúcar-de-cana, que certamente você tem em casa oriundo de produção própria. Separamos algumas opções de combinações para esses sucos que, certamente, farão a diferença no seu dia a dia. Há profissionais que indicam que sejam tomados pela manhã, mas você tem total liberdade para inseri-lo no horário que melhor lhe convier, até para facilitar que o preparo seja constante. Lembre-se que o suco deve ser feito e tomado fresquinho, não pode deixá-lo para consumir mais tarde. Prepare-se para melhorar a aparência da pele, a digestão e a eliminação de líquidos.

Suco verde com limão Ingredientes: • ½ limão • 1 folha de couve • 200 ml de água

Modo de preparo: Coloque o suco do limão juntamente com a folha de couve no liquidificador e vá acrescentando água ao poucos. Quando o suco estiver numa textura e cor uniforme, estará pronto. Se quiser adoçar, use açúcar mascavo a gosto.

Suco verde tradicional Ingredientes: • 2 laranjas • 3 folhas de couve • 1 pedacinho de gengibre • 1 litro de água.

Modo de preparo: Descasque as laranjas, corte-as em pedaços, tirando as sementes; coloque no liquidificador junto com as folhas de couve bem lavadas e com talo. Acrescente o gengibre e a água. Bata tudo. Coe só se necessário.

Suco verde de abacaxi e pepino Ingredientes: • 1 fatia média de abacaxi • 1 folha grande de couve • 1 pedaço pequeno de pepino • 1 fatia fina de gengibre • 200 ml de água.

Modo de preparo: Coloque todos os itens no liquidificador e depois bata bem, para não precisar coar.


, Revista Novo Rural - Novembro/Dezembro de 2017

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SICREDI GRANDE PALMEIRA

O Sicredi na minha vida:

histórias de desenvolvimento e cooperação Divulgação

Selvino Waldemar Breitenbach, 62 anos, associado da Sicredi Grande Palmeira, agência de Boa Vista das Missões, há 31 anos

O

associado Selvino tem como principal atividade a pecuária leiteira, mas procura diversificar suas atividades, o que garante uma renda melhor. “Minhas principais atividades são pecuária leiteira e lavoura (cevada, milho, soja), mas também trabalho um pouco com verduras, gado de corte e pastagem. Instalei o sistema de irrigação fazem dois anos. Tenho 35 vacas em lactação e mais umas 20 novilhas", conta. Associado há 31 anos, Selvino revela que no início enfrentou dificuldades, mas que com o apoio do Sicredi conseguiu reverter a situação e hoje considera que está em pleno desenvolvimento. “A Tereça (colaboradora do Sicredi na época, hoje em memória) foi para mim uma rica pessoa, uma mãe. Eu estava sempre mal, com contas para pagar, como dizem, sempre apertado, e ela me deu conselhos, foi uma escola. Ela sempre me dizia: Selvino, tu tens que fazer dinheiro mensal, então eu comecei com a suinocultura, mas na época não deu certo, foi quando fui para a pecuária leiteira e foi o rumo que eu acertei. Seguimos na atividade até hoje, pois a pecuária leiteira me gera mais receita que a la-

Divulgação

voura", compara. As soluções que o Sicredi oferece são fundamentais e ajudam o associado Selvino quando ele mais precisa. “O Sicredi para mim é uma instituição muito boa, porque já me tirou de situações difíceis. Tem o rotativo, que é muito bom. Esses dias mesmo aconteceu com o leite, houve um atraso no pagamento, mas eu tinha minhas contas para pagar e que não podiam esperar, então usei o rotativo", recorda. É por todo apoio que Selvino encontrou no Sicredi que hoje afirma: "Eu só trabalho com o Sicredi, meu dinheiro está dentro do Sicredi. Eu indico o Sicredi para meus amigos e familiares. Digo que ser associado do Sicredi é um grande negócio. Além disso, me sinto seguro em ter meus investimentos na cooperativa, pois

sei que são criteriosos na liberação dos créditos e transparentes na gestão, onde estão cuidando do nosso dinheiro. Às vezes até demora um pouco para uma aprovação, mas a gente sabe que é porque tem que fazer uma boa análise". O associado Selvino faz parte da história da Sicredi Grande Palmeira desde o início. “Sou um dos sócios fundadores. A minha lavoura eu só financio no Sicredi, a maioria das coisas que eu adquiri foi tudo pelo Sicredi. O Sicredi foi igual uma mãe para mim, pois eu não tinha em outros bancos o apoio que o Sicredi me dava e me dá até hoje. O Sicredi conversou comigo e me disse o que eu tinha que fazer, me apoiou, me mostrou o caminho certo para o meu desenvolvimento", finaliza Selvino.

novembro 2017

DIA

7

1º Seminário Intermunicipal de Resíduos Sólidos - Coleta Seletiva: do sonho para a realidade Ginásio Municipal de Esportes 8h15min Gramado dos Loureiros

DIA

8

Seminário sobre intoxicação por agrotóxicos Câmara de Vereadores 9 horas Palmeira das Missões

DIA

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2º Seminário Pais e Filhos Salão paroquial 13h30min Jaboticaba


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Revista Novo Rural Nov/Dez17  

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