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NOVO

R E V I S TA

Confira nesta edição conteúdo especial sobre a importância do setor para a região

INFORMA | ORIENTA | INSPIRA Ano 1 - Edição 9 - Julho de 2017

GRACIELI VERDE

Família Tonin, de Constantina

AVICULTURA

Integradora projeta ampliação na região de Frederico Westphalen

COOPERAR PARA VIVER MELHOR A revista é uma iniciativa de

APOIO

REALIZAÇÃO

Cooperativismo mostra sua força na economia regional e, ao mesmo tempo, é considerado um modo de vida por famílias do campo

BOVINOS DE LEITE Programe-se com antecedência para as pastagens de verão

PALMEIRA DAS MISSÕES

Veja mais um case da agricultura familiar do município


CARTA AO LEITOR

Para celebrar e refletir

Nesta edição Caderno Especial

Intercooperando

A

revista Novo Rural tem uma missão extra nesta nona edição. Através de parceria firmada com o Fórum Regional de Cooperativismo, levamos leva até você, e a outras 13,5 mil famílias, uma informação que revela a importância do cooperativismo em nossa região. Serão 10 páginas dedicadas ao tema cooperação, com entrevistas, reportagens e a divulgação, em primeira mão, dos números da pesquisa “O cooperativismo como indutor do desenvolvimento regional”. Os dados revelados pelo levantamento realizado pela Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/Ascar de Frederico Westphalen, conduzido pela coordenadora Márcia Faccin, mostra o impacto que as cooperativas provocam nos mais diversos setores da nossa economia e também no campo social. É impossível não reconhecer a relevância deste formato de organização social, e do quanto o cooperativismo está presente em nossa vida. Mas será que realmente estamos comprometidos com as cooperativas em que somos associados? Será que enxergamos as possibilidades que a cooperação nos oferece? E estamos cientes do nosso papel nesta grande engrenagem, onde o maior capital são as pessoas? As respostas para boa parte destas perguntas você encontrará ao ler as reportagens que preparamos para celebrar o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado neste 1º de julho. Neste dia também é realizado um evento histórico, o 1º Seminário Regional do Cooperativismo, que irá debater ideias e os números da pesquisa que apresentamos nesta edição da Novo Rural. Não podemos encerrar este rápido diálogo sem registrar nosso agradecimento às cooperativas que aceitaram o convite para auxiliar na viabilização do encarte especial sobre cooperativismo, que enrique a nona edição da Novo Rural. A contribuição foi essencial e cooperou com um desafio que é de todos nós: fortalecer o cooperativismo, cada vez mais! Uma excelente leitura e um grande abraço de toda a equipe da revista Novo Rural!

Acompanhe conteúdo especial sobre o cooperativismo regional, em função do Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado no dia 1º de julho. Veja como este setor contribui para a economia dos municípios, que ações sociais executa, bem como histórias inspiradoras de famílias e projetos que graças à cooperação somam esforços para o benefício comum.

27 Turismo rural

Em Sarandi e arredores o vinho também é um dos atrativos que podem ser explorados nos roteiros rurais.

28 Dentro da Porteira

6 A Campo Em Palmeira das Missões a produção de morangos também vem ganhando espaço e traz novas possibilidades para a agricultura familiar. Veja também como foi a programação de interiorização que a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) promoveu na cidade. A editoria traz ainda informações sobre a colheita de citros, com várias dicas, poda de frutíferas, crédito e o plantio de trigo na região.

30 Clima

Somar Meteorologia estima que inverno deve ter menos chuvas.

31 Bem-estar

Saiba mais sobre os benefícios do chimarrão, a bebida-símbolo do Rio Grande do Sul. Acompanhe também informações sobre o 6º Encontro da Biodiversidade, Segurança e Soberania Alimentar e o 2º Encontro de Plantas Bioativas, realizados em Vista Alegre.

16 Entrevista O cooperativista Cledir Magri fala sobre a importância deste segmento para a região e defende que desenvolver a cultura do cooperativismo é um dos desafios.

18 Criação Nesta edição você confere a cobertura de dois eventos relacionados à bovinocultura de leite: o 4º Fórum Itinerante do Leite, realizado em Palmeira das Missões, e o Seminário Regional do Leite, que ocorreu em Palmitinho. Saiba também como a Frangos Piovesan está estruturando a ampliação do abatedouro e, com isso, busca mais produtores para a integração de aves. Você confere ainda conteúdos sobre apicultura, cuidados com a ambiência em aviários e impactos das chuvas de junho na produtividade de leite.

Patrícia Cerutti | Diretora

A editoria traz como destaque o município de Nova Boa Vista, que no fim de julho sediará a Kolonie Fest 2017, em comemoração ao Dia do Colono e Motorista. Conheça também a história de um casal de Iraí, que representa um novo perfil de agricultores.

A revista Novo Rural é uma publicação realizada em parceria por Convênio:

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34 Ações que Inspiram Você sabe que tipo de política pública tem acesso? Leia e esclareça suas dúvidas.

Diretora

Editora-chefe

Patricia Cerutti

Gracieli Verde

Coordenador financeiro

Gerente Comercial Ivone Kempka

Eduardo Cerutti

Circulação

Mensal

Reportagem

Tiragem

13,5 mil exemplares

Fone: (55) 3744-3040 Endereço: Rua Getúlio Vargas, 201 - B. Ipiranga Frederico Westphalen/RS

Revista Novo Rural

@novorural

55 99624-3768

Débora Theobald

Diagramação e publicidade Fábio Rehbein, Karen Kunichiro, Leonardo Bueno e Elisandro Alexandre

ABRANGÊNCIA: Alpestre, Ametista do Sul, Barra Funda, Boa Vista das Missões, Caiçara, Cerro Grande, Chapada, Constantina, Cristal do Sul, Dois Irmãos das Missões, Engenho Velho, Erval Seco, Frederico Westphalen, Gramado dos Loureiros, Iraí, Jaboticaba, Lajeado Do Bugre, Liberato Salzano, Nonoai, Nova Boa Vista, Novo Barreiro, Novo Tiradentes, Novo Xingu, Palmeira das Missões, Palmitinho, Pinhal, Pinheirinho do Vale, Planalto, Rio dos Índios, Rodeio Bonito, Ronda Alta, Rondinha, Sagrada Família, São José das Missões, São Pedro das Missões, Sarandi, Seberi, Taquaruçu do Sul, Três Palmeiras, Trindade do Sul, Vicente Dutra e Vista Alegre.


Em destaque

Revista Novo Rural - Julho de 2017

Divulgação

Um dos cursos da UniPermacultura é sobre a construção de ecovilas, que também soma nesse trabalho realizado em Alpestre

Valdecir Folador palestrará em seminário, no dia 6 ais um momento de debate sobre a M cadeia produtiva de suínos será realizado em Frederico Westphalen, no dia

UniPermacultura, localizada na A comunidade de Dom José, interior de Alpestre, teve seu traba-

lho em prol da sustentabilidade reconhecido por dois prêmios. Um deles, o Most Desired Places To Collaborate, organizado pelo Worldpackers, foi recebido em 2015, premiando o turismo colaborativo desenvolvido pela universidade. Mais recentemente, A UniPermacultura ganhou o Prêmio La-

tinoamérica Verde 2017, ficando na 37ª colocação entre 2.409 projetos de 37 países e 639 cidades. “Sabemos da importância desta informação para a autoestima da nossa região, porque fomenta o setor”, comenta um dos diretores do projeto, Clairton da Silva. “Isso gera valor simbólico para o nosso trabalho e inspira e influencia toda a região, que fica em evidência”, completa.

um jantar. Os interessados em participar devem confirmar a presença até o dia 5 de julho, nos escritórios da Emater/RS dos municípios e no de Frederico Westphalen, pelo fone (55) 3744-1191. A realização do encontro é do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Associações de Suinocultores da Região do Médio Alto Uruguai e município de Frederico Westphalen. A primeira edição do seminário foi realizado em Palmittinho e, ano passado, o encontro ocorreu em Pinhal.

6 deste mês, com a promoção do 3º Seminário Regional da Suinocultura, a partir das 19 horas, no salão do bairro Fátima. Um dos painéis da noite será coordenado pelo presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador. Ele abordará a situação e as perspectivas da suinocultura no Estado e no Brasil. Em seguida, o assistente técnico regional de Sistema de Produção Animal, agrônomo Valdir Sangaletti, e o coordenador da Câmara Técnica Regional, Cleber Cerutti, apresentarão dados da conjuntura regional relacionada à suinocultura. “É um momento de mobilizar os suinocultores, bem como de mostrar esses dados para lideranças políticas que estão sendo convidadas”, assinala Cerutti. Para encerrar a proInformações sobre a conjuntura estadual e nacional gramação, está previsto da suinocultura serão repassadas a criadores

Gracieli Verde/Arquivo Jornal O Alto Uruguai

UniPermacultura tem trabalho reconhecido

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Em destaque

Revista Novo Rural - Julho de 2017 Fabio Pelinson/Arquivo Novo Rural

Ciclo de palestras é promovido pela Cooperjab em vista os 26 anos de Tsedeendo fundação da Cooperjab, com em Jaboticaba, em maio

Derivados Vegetais; Alessandro Caseri, médico-veterinário da VitallTech do Brasil; além da engefoi realizado um ciclo de panheira-agrônoma Bruna Prior, da lestras técnicas para associaAgroceres. dos. Os temas abordaram quesConforme o presidente da VEJA AS ATRAÇÕESCooperjab, DESTE ANO Irramir Piccin, há tões relacionadas às atividades leiteira e agrícola. Colaboraram uma preocupação em ver o proneste ciclo o agrônomo Jaques dutor sempre atualizado. “Por Appelt, representante comercial isso se busca trazer profissioda Nutron/Cargil; Cristian Vacnais qualificados para repassar caro, administrador e gerenteorientações técnicas, em busca -comercial da Vaccaro Indústria de maior rentabilidade”, salienta. Divulgação

Os vencedores de 2016 foram Cassiano de Pellegrin, Denise Secretti e André Bisolo

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Jovens rurais serão premiados em concurso alorizar os jovens que permanecem no V campo, de forma que sejam reconhecidos como exemplo para outros agriculto-

res que pensam em investir e inovar, está entre os objetivos da segunda edição do concurso Jovem Empreendedor Rural. A promoção é da Secretaria de Agricultura de Frederico Westphalen, em parceria com a Emater/RS-Ascar, Secretaria de Educação e Casa Familiar Rural. O prazo para inscrição termina no dia 3 de julho. Já o resultado deverá ser divulgado no dia 22 de julho, durante o Concurso

de Vinhos de FW, realizado no salão de evento da capela do bairro Fátima. Para se inscrever o jovem deve preencher os dados solicitados na ficha de inscrição, disponível na Emater/RS e nos demais organizadores, além de ter de 15 a 29 anos. Em 2016 foram premiados por meio do concurso os jovens Denise Secretti, André Luis Bisollo e Cassiano De Pellegrin, que inclusive já estamparam suas histórias na revista Novo Rural, na edição de lançamento.

Encontros marcaram o aniversário de fundação da cooperativa em Jaboticaba

arandi iniciou o calendário Sna região, de concursos de vinhos no mês de junho,

quando no dia 17 sediou a 28ª edição do Festivinho, na linha São Cristóvão Sobradinho. O produto é convidativo levando em conta o frio que faz na região e mais uma vez o público participante foi expressivo. A organização ficou a cargo da Emater/RS-Ascar, Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf), prefeitura e a comunidade sede do evento. Nesta edição foram inscritas 31 amostras de vinho, tintos e brancos, de 26 vitivinicultores do município. Na categoria vinho branco, o primeiro lugar foi conquistado por Odivan Zardo, o segundo lugar por Cláudio José Pollon e o terceiro colocado é Darlei Andrighetti. Já na categoria vinho tinto, Dirceu Colombo foi o vencedor, seguido de Adelino Zardo e Agostinho Pollon. No município de Novo Barreiro o concurso também foi realizado no dia 30 de junho, na Cantina do Amigo – os resultados serão divulgados na próxima edição. O engenheiro-agrônomo Leonir Bonavigo, do Escritório Regional da Emater/

RS-Ascar de Frederico Westphalen, explica que na região de Sarandi esses concursos se tornaram tradicionais. – Surgiu a necessidade de aprimorar a produção de vinhos, porque vendíamos uva para fora, mas não tínhamos um bom vinho para consumir localmente. Por meio da Emater/RS foram feitas diversas capacitações, desde a fabricação do vinho até a forma de consumir – explica Bonavigo, ressaltando que mesmo assim era necessário aproximar o público consumidor dos produtores. Foi por isso que esses concursos foram “ganhando corpo”. “Víamos que as pessoas queriam conhecer esses vinhos locais e com isso também começaram a ser servidos os jantares”, recorda. Ele acredita que esse trabalho também ajudou a difundir o suco de uva na região, tanto que diversas agroindústrias se especializaram nesse produto, sem contar a diversidade de cantinas que também pulveriza os municípios. Normalmente esses eventos são realizados em parceria entre Emater/RS, prefeituras e sindicatos dos trabalhadores rurais.

Jornal Folha da Produção/Divulgação

Valorizando o vinho produzido na região

Sarandi já sediou a seleção deste ano no dia 17 de junho

Calendário do Vinho

Agende-se!

Planalto Em Planalto a quinta edição do Concurso de Vinhos está marcada para o dia 8 de julho, a partir das 20 horas, no salão paroquial. Também haverá palestra de um especialista da área.

Rondinha Também no dia 8 de julho haverá o Concurso do Vinho, que é realizado na praça da cidade, a partir das 17 horas. Mais tarde o Jantar do Porco será servido na linha Lajeado Seco Caravaggio.

Frederico Westphalen No município será realizada a quarta edição do Concurso de Vinhos, promovida pela Secretaria de Agricultura, em parceria com a Emater/RS-Ascar, no dia 22 de julho, no salão da comunidade católica do bairro Fátima. Também haverá jantar.

Ametista do Sul Em Ametista do Sul ocorre o 3º Concurso Municipal de Vinhos Coloniais e Artesanais, na linha São Rafael, no dia 29 de julho. A abertura está marcada para as 19 horas, seguida da premiação dos melhores vinhos. Às 21 horas ocorre jantar típico.

Barra Funda Em Barra Funda a linha Ervalzinho sedia o Concurso do Vinho no dia 28 julho. O início da degustação está previsto para as 18 horas.

Ronda Alta No dia 5 de agosto o Concurso Municipal do Vinho está programado para ocorrer em Ronda Alta, no Esporte Clube Brasil. A partir das 18 horas inicia o concurso com degustação. Em seguida é feita a apuração dos resultados e antes do jantar serão divulgados os vencedores, que receberão troféus.


Eventos

Revista Novo Rural - Julho de 2017

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Colônia em Festa: produção de alimentos em evidência

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esmo com o clima um tanto adverso pelo excesso de chuvas, a 12ª Colônia em Festa foi considerada um sucesso, tendo em vista a intensa movimentação de público, bem como a participação efetiva de expositores. O evento ocorreu entre os dias 2 e 4 de junho, na Praça Nossa Senhora da Paz. A feira tem se tornado tradicional no município e integra o público do interior com o da cidade, uma vez que os produtos predominantes que são comercializados vêm da agricultura familiar e de agroindústrias locais. “É uma forma de mostrar o nosso produto. Todas as edições abriram portas para os nossos negócios”, assinala o seberiense Orlando Pazuch, que faz parte da agroindústria Doces e Conservas Kinkas, localizada na linha Bonadiman. Ele e alguns vizinhos fazem conversas de pepino, pimentão, de frutas em geral, e neste ano lançaram na feira a massa de tomate caseira, sem conservantes. Assim como a Doces e Conservas Kinkas, outras agroindústrias expuseram e comercializaram seus produtos, como embutidos, panificados, sucos, sem contar aquelas famílias que ofereciam hortaliças e frutas. “Esse é o resultado do trabalho de uma grande equipe que valeu a pena”, resume a chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Seberi, Ro-

Agroindústria Doces e Conservas Kinkas mais uma vez expôs produtos na feira

sane Tomczak. Segundo ela, a nova organização do espaço, que favoreceu a aproximação do público durante os shows com os estandes, repercutiu de forma positiva nesta edição. “Era hora de mostrar um formato novo, mais dinâmico”, ressalta. Na visão do prefeito, Cleiton Bonadiman, na Colônia em Festa os agricultores mostram um pouco do que fazem dia a dia. “É uma classe que trabalha em prol do desenvolvimento do município”, constata. Entre as lideranças presentes esteve o presidente da Emater/RS-Ascar, Clair Tomé Kuhn. Para ele, a produção de alimentos é mais uma dentre tantas atividades de uma propriedade, mas é também uma das maiores responsáveis pela sucessão, envolve a gestão, o bem-estar e a qualidade de vida das famílias do meio rural. “Este evento é especial porque celebra essa importante profissão”, disse, ainda na abertura. A Colônia em Festa é realizada por meio da prefeitura, Câmara de Vereadores, Aciseb/CDL e Emater/RS-Ascar de Seberi. Também integraram a programação os shows musicais, café colonial e homenagem a pioneiros – o desfile temático foi cancelado em função das chuvas. O evento também é comemorativo ao aniversário de emancipação de Seberi, que neste ano completou 58 anos.

Marcela Buzatto/Emater/Divulgação

Maior funcionalidade nos espaços para os produtos da agricultura familiar foi um dos pontos positivos desta edição

Durante o encontro a Aamelau recebeu um atestado de qualidade com o selo Sabor Gaúcho

“Era hora de mostrar um formato novo, mais dinâmico” Rosane Tomczak, chefe do escritório municipal da Emater/ RS-Ascar de Seberi

Aamelau conquista o selo Sabor Gaúcho Um dos eventos paralelos à 12ª edição da Colônia em Festa foi o 4º Seminário Regional de Apicultura do Norte do RS, que capacitou técnicos e produtores da região e evidenciou o tema entre os participantes. A promoção foi da prefeitura de Seberi, Associação de Apicultores e Meliponicultores Alto Uruguai de Seberi (Aamelau), Emater/RS-Ascar e Fargs. O evento contou com representantes de 27 municípios da região. Durante o seminário a Aamelau recebeu um atestado de qualidade. Os apicultores associados receberam das mãos do presidente da Emate/RS-Ascar, Clair Kuhn, o selo Sabor Gaúcho. O selo integra o Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) e tem como objetivo comprovar a autenticidade de produção artesanal e familiar dos produtos. Para a Aamelau, que foi criada em 2012, e há pouco menos de um ano entrou com o pedido para conseguir o selo, a obtenção é vista

como uma conquista. “É algo muito importante para nós, porque é um selo de qualidade do produto que estamos vendendo, é um certificado que está garantindo a qualidade e produção natural do mel. Ficamos muito felizes”, observa a presidente da entidade, Dagmar da Silva Dalla Nora. Já para a engenheira-agrônoma Bruna Zanchet, da Emater/RS de Seberi, a divulgação dos produtos dos apicultores do município deverá ser impulsionada a partir deste selo. “Ter o selo Sabor Gaúcho é um bom marketing, atesta que o produto é da agricultura familiar”, explica. O agrônomo Valdir Sangaletti, que atua no Escritório Regional da Emater/RS-Ascar, compartilha da mesma opinião. “Isso dá garantia para o consumidor de um produto de qualidade. O selo passa uma segurança para quem vai adquirir o produto e poderá incrementar a renda dos apicultores”, completa.

Momento de capacitação Entre as palestras do seminário esteve a de “Associativismo e cooperativismo na apicultura”, abordada pelo presidente da Fargs, Aldo Machado dos Santos. O engenheiro-agrônomo Valdir Sangaletti, do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, também falou sobre o trabalho e a organização regional, destacando a criação de um Coletivo de Apicultura. Em seguida, os presentes ouviram uma palestra sobre “Manejo das colmeias

para alta produtividade de mel”, ministrada pela engenheira-agrônoma Angélica de Lara, do Senar. Outro assunto que foi tratado abrangeu a meliponicultura – criação de abelhas sem ferrão –, pelo agrônomo Paulo Conrad, da Emater/RS-Ascar de Lajeado, além do Sistema de Inspeção Federal para casa e entreposto de mel, que foi explicado pelo fiscal federal agropecuário Daniel Melo, do Ministério da Agricultura.


Palmeira das Missões

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A cultura que mudou a vida da família Franco Olericultura viabiliza a sucessão familiar e a permanência de famílias no campo

“É uma cultura que necessita de bastante mão de obra, mas o mercado é crescente. A gente não consegue atender toda a demanda. Por isso, queremos continuar investindo”

Gracieli Verde

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eferência na agricultura de extensão, PalmeiFamília Franco tem sido uma das pioneiras ra das Missões tamna produção de morango no município bém vê crescer, com vigor o número de pequenas propriedades rurais que encontram em culturas como a do morango, mais do que uma fonte de renda, visualizam uma oportunidade de empreender e conquistar sua sustentabilidade. A revista Novo Rural há três meses publica uma série de reportagens que mostra essa realidade que surpreende, como a reportagem desta edição, sobre a família Franco, moradora da linha Passo da Taipa, a 11 quilômetros do perímetro urbano. Já conhecidos no município pelo trabalho desenvolvido com a cultura do morango, os Franco têm mostrado que empreendedorismo e dedicação são palavras-chave para conseguir viabilizar negócios. A trajetória dos Franco não é de hoje. Há quase 20 anos o casal Sadi e Maria Franco, de 66 e 56 anos, respectivamente, cultivam morango na propriedade que soma 22 hectares. A atividade divide tempo e dedicação dos agricultores com o cultivo de grãos – milho e soja –, mas viabilizou o retorno da filha, Simone, e do genro, Moisés Maso, bem como do neto Eduardo, Por ano são cultivados enpara a propriedade. tre 12 mil e 15 mil mudas de Antes disso, morango na propriedade, em Moisés e Simoum sistema semi-hidropônine mantinham uma co, em estufas. São 1,8 mil lanchonete na cimetros quadrados destinados dade de Palmeira para o produto, cuja maior pardas Missões – mas te da colheita se concentra de também já trabaoutubro até fim de fevereiro – lharam em granapesar de ter produção pratides centros, como camente o ano todo. “O traSão Paulo. O conbalho é intenso. É uma cultura vite para auxiliar no que necessita de bastante mão cultivo do morango de obra, mas o mercado é foi visto como uma crescente. A gente não consepossibilidade de gue atender toda a demanda. conquistar um esPor isso, queremos continuar tilo de vida difereninvestindo”, avalia Moisés. Agricultor te, que priorizasse Atualmente a família tem Moisés Maso a qualidade de vida a clientela formada por supara o filho. Há três permercados da cidade, mas anos Simone e Moisés invesquando há bastante produtem na produção de morangos e to, chega a levar para Sarandi também já sonham em produzir – distante menos de 50 quilôuva para comercializar. metros dali. O morango é co-

A propriedade como um negócio mercializado já embalado, em bandejas identificadas com a marca Morangos Franco, o que demonstra o profissionalismo com o que o negócio é encarado. Dona Maria revela que a produção de morangos foi um divisor de águas para a família, uma vez que antes tinham que sobreviver apenas com a renda dos grãos, que tem bem menos regularidade do que a dos morangos, que chega a ser quase diária na alta temporada de colheita. Por isso o interesse em viabilizar mais culturas, com a uva, porque vários canais de comercialização foram abertos com o morango – neste caso a família ainda está buscando mudas de qualidade, com o auxílio da equipe local da Emater/RS.

Autodidatas na atividade O interesse pela produção de morango e a necessidade de viabilizar renda com a atividade fez com que a família sempre fosse autodidata na busca por saber como manejar e produzir bem. Mesmo assim, o acompanhamento da equipe da Emater/ RS-Ascar tem proporcionado que outras melhorias sejam viabilizadas, a exemplo do projeto de investimento que permitiu a compra de um veículo adequado para o transporte do morango, segundo o engenheiro-agrônomo Felipe Lorensini, do escritório municipal. Ele cita que outras melhorias também têm sido intermediadas, como a irrigação para a futura produção de uvas, que deverá ser implantada em breve.

Felipe Lorensini, agrônomo da Emater/RS local


Palmeira das Missões

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pós as intensas chuvas registradas no início do mês de junho, os produtores aproveitaram ao máximo os períodos de sol para realizar o plantio do trigo, além de algumas medidas emergenciais tendo em vista problemas com o solo – uma vez que o índice de chuvas foi alto e gerou perdas em muitas lavouras. No caso de Palmeira das Missões, dos 18 mil hectares de trigo previstos para a esta safra, segundo estimativa da Emater/RS, entre 20% e 30% estavam implantados até o dia 19 de junho. “Mas, se não tivéssemos chuvas em excesso, como aconteceu, esse trigo estaria todo plantado, comparado com outros anos”, aponta o engenheiro-agrônomo Felipe Lorensini, do escritório municipal da Emater/RS. Isso preju-

dica também que o produtor faça o escalonamento no plantio. Uma estimativa preliminar indica que pode haver uma diminuição na área projetada para o município – dois ou três mil hectares – em relação a esses 18 mil hectares. É possível que alguns produtores não consigam implantar dentro do zoneamento agrícola. Em relação a outras culturas de inverno, Palmeira das Missões deve ter nesta safra oito mil hectares de aveia branca para grão – na safra passada eram 10 mil hectares. “Ainda tem produtor com aveia estocada, que não conseguiu vender, isso fez com que reduzisse a área”, observa Lorensini. Já de aveia preta para grão o município deve somar quatro mil hectares. Ainda se prevê a implantação de 900 hectares de canola e 1,8 mil ha de cevada.

Gracieli Verde/Arquivo Jornal O Alto Uruguai

Trigo: escalonamento do plantio comprometido Região Na região, cerca de 70% da área projetada para a cultura foi implantada até o dia 26 de junho. O agrônomo Clairto Dal Forno, do escritório regional da Emater/RS, observa que os produdutores precisam ficar atentos ao prazo do zoenamento, que em alguns casos teve alterações. "Quem tiver dúvida pode pedir auxílio para os colegas que atuam nos escritórios municípios, ou buscarem a portaria 246, de 26 de dezembro de 2016. "Isso é importante para, caso ocorra algum problema, os agricultores possam acessar o Proagro", alerta.

Em Palmeira das Missões, dos 18 mil hectares de trigo previstos, entre 20% e 30% foram implantados até o dia 19 de junho


Palmeira das Missões

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“Agro é gente”, diz secretário Rodada do processo de interiorização da Seapi chega a Palmeira das Missões e secretário, Ernani Polo, destaca os desafios do setor

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vem do setor agropecuário, o que se iguala ao PIB uruguaio. Também temos tido produções bem expressivas, o que repercute na geração de emprego, de serviços, de impostos, no crescimento econômico. Por outro lado, isso nem sempre representa rentabilidade, porque muitas vezes a margem de lucro é menor. Por isso, é preciso trabalhar na agregação de valor desses produtos e chegar a grandes centros consumidores, como Rio de Janeiro e São Paulo – explanou Polo. Questões relacionadas à defesa agropecuária, como a necessidade de o Estado se tornar livre de febre aftosa sem vacinação, a exemplo de Santa Catarina, também foi levantada pelo secretário. “Isso permitirá que possamos acessar mercados importantes para a carne produzida no Estado”, estima. “A defesa sanitária é

uma ferramenta importante para o setor”, reforçou. Apesar das dificuldades que a Seapi enfrenta para executar uma série de ações que são consideradas importantes para o setor, Polo defende que é preciso sair da zona de conforto. – Há necessidade de gestão e de profissionalização do setor. Também há que fazer um trabalho de reconhecimento do agricultor. Tivemos acesso a um estudo feito no Estados Unidos que mostra que o agricultor precisa tomar duas mil decisões ao longo de uma safra, desde o planejamento até a colheita e venda. Além disso tudo, ele lida com o clima, que pode ser adverso para a produção. Temos que pensar que o setor agro é gente, nem todos produzem, mas todos precisam de alimentos para sobreviver – ressaltou o secretário estadual.

Secretário de Agricultura do Estado, Ernani Polo, destacou a necessidade de o setor sair da “zona de conforto” e agilizar os processos

Gracieli Verde

azendo parte de um roteiro que também tem contemplado outras regiões do Estado, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul tem buscado se aproximar dos municípios, lideranças, produtores e técnicos com o processo de interiorização do setor. Palmeira das Missões sediou o encontro no dia 23 de junho, no auditório do Sindicato Rural. O secretário de Estado da Agricultura, Ernani Polo, coordenou o encontro, amparado pelo coordenador regional da Seapi, Joel Rubert – que também preside o Corede Rio da Várzea. Dados como o ranking da produção agropecuária do Estado, os desafios do setor, programas em andamento e algumas demandas mais urgentes foram expostas por Polo. – Hoje, 41% do PIB gaúcho

Gracieli Verde

Susaf: importante para viabilizar as agroindústrias familiares O fiscal agropecuário e veterinário Vilar Ricardo Gewehr, chefe da Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Seapi, abordou questões relacionadas ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), que permite que as agroindústrias vendam seus produtos em todo o Estado gaúcho. – Para isso, é preciso que as cidades tenham os Serviços de Inspeção Municipais estruturado e funcionando, para então

viabilizar o Susaf. Esta é uma ferramenta para que seja possível tornar viável também as agroindústrias, porque se elas produzirem apenas para abastecer o mercado local, nem sempre vale a pena – reforçou Gewehr. Isso é um requisitos básicos para que seja solicitada à Seapi uma auditoria prévia para analisar a equivalência ao Susaf, porque com isso se prevê que haja um programa de trabalho de inspeção e fiscalização, com organograma, le-

gislações, ralação dos estabelecimentos, programação das atividades da inspeção, entre outros requisitos. “O que mais se percebe é que não há um cumprimento a procedimentos básicos e até mesmo desconhecimento da legislação. Uma possibilidade é a implantação de sistemas de inspeção municipais consorciados, que pode ser uma forma de otimizar profissionais. “Mas, de qualquer forma, é preciso padronizar os processos”, ressalta o veterinário.

Encontro foi realizado no auditório do Sindicato Rural de Palmeira das Missões

invessndo em ideias, no futuro e em você.

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A campo

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Revista Novo Rural - Julho de 2017

Cobertura de solo comprova

eficiência após intensas chuvas Produtor de Boa Vista das Missões tem sido referência na adoção de práticas que respeitem a conservação de solo, como a cobertura no intervalo entre verão e inverno

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oi ainda no início da década de 1990 que o produtor Cornelis Uitdewilligen, da Granja Holanda, localizada em Boa Vista das Missões, percebeu a necessidade de efetivar ações de proteção e conservação do solo. “Foi exatamente em 1990, em maio, que tivemos praticamente um mês de chuvas, situação bem parecida com o que vivemos neste ano”, conta Uitdewilligen. A partir disso, o produtor passou a ter um olhar mais apurado em relação às restevas de milho. – Uso o milheto em toda a resteva de milho, em torno de 300 hectares, que pode ser consorciado com nabo, plantado na segunda quinzena de fevereiro e concluído na primeira quinze-

“É nessas situações adversas que temos que rever as nossas práticas para reaprender, melhorar e evitar perdas” Rogério Wollmann, técnico agrícola

na de março, tempo de transição das culturas de verão para inverno. Neste ano, como tivemos um período seco, o milheto nasceu mal e o nabo, por ser de inverno, nasceu melhor e fechou o solo – revela. Na área em que Uitdewilligen adotou esse manejo, não foi percebido nada de erosão, apesar das chuvas intensas, cenário bem diferente de outras áreas que estava descobertas. – É uma lavoura que tem bastante palhada, que está bem protegida. O milheto tem uma estatura mais alta, então não deixa a chuva chegar direto no solo, não causa erosão nem compactação. Por mais que esse manejo seja somente de cobertura, vai refletir nas próximas culturas implantadas – reforça o técnico agrícola Rogério Wollmann, que também acompanha as lavouras do produtor. A rotação de culturas também é priorizada neste caso, o que é considerado fundamental no uso do sistema de plantio direto. “Priorizando uma cultura com o sistema radicular diferente, por exemplo, também traz benefícios para o solo, porque se quer que haja uma absorção diferente de nutrientes que por vezes estão nas camadas mais profundas do solo”, observa o técnico. Wollmann assinala que o investimento, desse tipo de cobertura de solo é considerado irrisório por hectare, tendo em vista o resultado na produtividade de outras culturas subGracieli Verde

Técnico agrícola Rogério Wollmann

Divulgação

Produtor Cornelis Uitdewilligen, da Granja Holanda, de Boa Vista das Missões

Boa Vista das Missões sequentes, sem contar a tranquilidade de, em um momento de problema climático, o produtor ter a lavoura coberta, sem nenhum prejuízo. É claro que no caso do milheto, o produtor também pode plantar um pouco mais cedo e colher a semente para venda. É uma forma de rentabilizar a lavoura, mas aí

precisa usar a plantadeira na hora da implantação. No caso de Uitdewilligen, a implantação da cobertura foi feita a lanço, para baratear custos. “Isso tem comprovado que o plantio direto funciona com a rotação de culturas e que esse manejo é fundamental para melhorar a produtividade nas próximas culturas”, ressalta Wollmann.

Veja outros benefícios de ter cobertura de solo e mais dicas Controle de pragas e de ervas daninhas, principalmente a buva. Aumenta a matéria orgânica do solo, o que repercute de forma muito positiva em outras culturas usadas posteriormente. Mantém a umidade do solo, o que é importante em caso de alguma ocorrência de estiagem futura. Também é possível semear milho guacho para cobertura, que tem um custo baixo e deixa bastante palha. Outras opções: aveia ou nabo forrageiro. Se aconselha ainda semear uma mistura de nabo, milheto, milho e aveia. É uma forma de imitar uma floresta, de ter plantas de vários portes, o que protege ainda mais o solo.

Situação pós-chuvas A análise poderia ser de qualquer município da região em relação à situação das lavouras após as intensas chuvas registradas entre fim de maio e início de junho. Afinal, não foram poucos os estragos ocasionados – um dos principais talvez seja a erosão. O técnico agropecuário Leônidas Piovesan, do escritório municipal da Emater/RS de Boa Vista das Missões – município que entrou na lista de cidades em situação de emergência no Estado no dia 19 de junho – observa que esse cenário deve provocar reflexões de como estão sendo colocadas em prática as técnicas de conservação de solo. “Sem dúvidas, lavouras onde é feita a rotação de culturas, o plantio em nível, terraceamento, onde se usa plantas de cobertura, se faz o controle de pisoteio em áreas com bovinocultura, a perda foi muito menor. O importante é justamente adotar um conjunto de práticas, não somente uma, de forma isolada”, ressalta.


A campo

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Plano Safra mantém juros para agricultura familiar

M

ais um ano agrícola começa e com isso a busca por crédito é retomada para a próxima safra. Esta época do ano é marcada pelos lançamentos dos planos safras por parte dos governos. O plano destinado à agricultura familiar liberará R$ 30 bilhões por meio do governo federal, valor igual ao do ano passado. Neste ano os juros permaneceram em 2,5% e 5,5% ao ano. Uma das novidades é que as áreas de atuação dos programas de fomento agora valem até 2020. O plano safra prevê ainda seguro agrícola com proteção de 80% da renda bruta esperada. Na visão do gerente de Ciclo de Crédito da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, Neimar da Rosa, não há nenhuma alteração significativa, mas a recomendação é que o produtor sempre mantenha-se informado das condições e características das linhas de crédito que tem interesse em buscar junto ao sistema financeiro. – É importante que o produtor procure este apoio financeiro para a viabilização de sua atividade junto aos agentes financeiros, seja necessidade de custeio das despesas ou mesmo de investimento, porque isso influencia no desenvolvimento econômico e agregação de receita na atividade com recursos subsidiados, com taxas diferenciadas. É uma forma de incentivar o setor de maneira direta – acredita.

“É importante que o produtor procure este apoio financeiro para a viabilização de sua atividade, pois são recursos subsidiados e com taxas diferenciadas.”

Para agricultura empresarial, valor aumentou Por meio do Plano Safra para a agricultura empresarial, neste ano são R$ 190,25 bilhões destinados liberados para financiamentos de custeio e investimento, valor superior aos R$ 183,8 bilhões liberados no ciclo passado. “Vejo que esse aumento ajuda a atender as demandas do setor, levando em conta que se mantenha a mesma proporção de áreas cultivadas para o custeio agrícola”, analisa Rosa. Em relação aos juros, para a agricultura empresarial as taxas reduziram entre um e dois pontos percentuais. O volume de crédito para custeio e comercialização é de R$ 150,25 bilhões, sendo R$ 116,25 bilhões com juros con-

Prazos

trolados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 34 bilhões com juros livres (livre negociação entre a instituição financeira e o produtor). O montante para investimento saltou de R$ 34,05 bilhões para R$ 38,15 bilhões, com aumento de 12%. Apoio à comercialização terá 1,4 bilhão. Algumas entidades do setor, como a Farsul, se posicionou com crítica em relação a essa baixa no juro, que é considerada muito tímida diante das necessidades do setor. Na opinião de Neimar da Rosa, mesmo tendo uma retração tímida, o agronegócio ainda continua com taxas atrativas para fomentar as necessidades de custeio e investimento.

Neimar da Rosa, gerente de Ciclo de Crédito da Sicredi de FW

Houve alteração nos prazos máximos das operações de custeio e pré-custeio Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais produtores (recursos controlados) limita a 14 meses. As demais condições de custeio agrícola e pecuário permaneceram conforme as normas vigentes. Nas linhas de BNDES tiveram alterações de prazos nas linhas de Pronaf Boas Práticas (ampliou de 5 anos para 10 anos) ABC (redução do prazo máximo de 15 anos para 12 anos), Moderinfra (redução de 12 anos para 10 anos) e Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras - Moderfrota (redução de 8 anos para 7 anos).

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Sicredi Alto Uruguai RS/SC direciona mais de R$ 200 milhões para o Plano Safra 2017/2018 Associados já podem demandar os recursos junto as agências da Cooperativa Daiane Binelo

Diretor de negócios Márcio Girardi apresentando as linhas de crédito disponíveis no Sicredi

Diretor executivo Jaques Samuel do Santos enfatizando a atuação do Sicredi como agente fomentador do agronegócio

C

omo tradicionalmente acontece, a Sicredi Alto Uruguai RS/ SC mais uma vez reforça a sua atuação como parceira dos seus associados e do agronegócio regional, quando anuncia uma projeção de mais de R$200 milhões para o Plano Safra 2017/2018. Deste montante, R$ 165 milhões vão para custeio, comercialização e investimento em linhas do Pronaf, do Pronamp, e demais produtores, com estimativa de atender mais de 4,9 mil operações. E mais, R$ 35 milhões será direcionado para operações com fontes do BNDES para a safra de verão, que vai até final deste ano. Para a safra de inverno, a Cooperativa destinará mais um montante para atender as demandas dos seus associados. Durante o mês de junho várias atividades foram realizadas pela Cooperativa, a fim de marcar o lançamento deste novo ciclo e divulgar as informações necessárias para que os associados contem com o Sicredi para fortalecer e ampliar as suas atividades produtivas. No dia 13, um grupo de técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos participaram de um evento, onde os principais temas técnicos foram conduzidos pelos engenheiros agrônomos Jonas Altenburg Braatz e Felipe Freitas Miranda, do Banco Cooperativo Sicredi e da Confederação Sicredi, respectivamente. Já nos dias 27 e 28, aconteceram eventos regionalizados de lançamento do Plano Safra 2017/2018, em Cunha

R$ 1,7 bilhão foram liberados via recursos do BNDES. É por essa relevante atuação no agronegócio que o nosso propósito de atendermos cada vez melhor as necessidades dos nossos associados se fortalece através de uma relação realmente agregadora.”, explicou o diretor executivo da Silcredi Alto Uruguai RS/SC, Jaques Samuel dos Santos.

Perspectivas do Agronegócio Brasileiro

Mais de 120 pessoas estiveram reunidas em Seberi

Porã/SC e Frederico Westphalen/RS, onde mais de 250 pessoas, presenciaram informações sobre o cenário do agronegócio brasileiro, as perspectivas da cooperativa para o setor agropecuário e os benefícios de buscar os recursos no Sicredi. Para o ciclo 2017/2018, a agricultura familiar segue como o segmento mais atendido na Cooperativa, onde cerca de 4 mil operações serão destinadas para este público. A agricultura empresarial também será ampliada, onde estima-se mais de 860 operações. O Diretor de Negócios da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, Márcio Girardi, comentou sobre as vantagens que o produtor rural tem ao buscar o financiamento junto ao Sicredi. “Procuramos atender as necessidades dos nossos

associados, oferecendo soluções financeiras adequadas a cada perfil, ajudando o produtor a planejar sua produção e assim, escolher a linha de crédito mais apropriada. Aqui ele conta com o nosso apoio para continuar crescendo”, reforçou Girardi. Ao todo no Brasil, o Sistema Sicredi está disponibilizando mais de R$ 14,8 bilhões em crédito rural para o Plano Safra 2017/2018, projetando atingir cerca de 195 mil operações, entre custeio e investimento. “Importante destacar que no fechamento consolidado nacional do ciclo Safra 2016/2017, o Sistema Sicredi liberou mais de R$ 11,3 bilhões em custeio e investimento, sendo 39% superior que na safra anterior (2015/2016), com a realização mais de 150 mil operações. E desse total,

As perspectivas para a safra 2017/2018 são favoráveis, considerando que o clima vem apresentando comportamento dentro da normalidade, o que proporcionará resultados positivos para os produtores. No que diz respeito a produção, se projeta uma ligeira elevação dos custos, a repetição de produtividades elevadas nas lavouras e obtenção de preços ligeiramente inferiores, mas remuneradores, o que apontam para um cenário de rentabilidade positiva na próxima safra. Como a economia apresenta perspectivas positivas, a recuperação parcial do poder de compra dos consumidores também deverá favorecer as cadeias de produção de proteínas.


A campo

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Colheita de citros exige atenção aos detalhes

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restes a intensificar a colheita de citros, o município de Liberato Salzano estima uma queda na produtividade de 30% nesta safra. A informação é da Emater/RS-Ascar. A expectativa é que sejam colhidas 17/18 mil toneladas no total. Normalmente é nos meses de agosto a setembro que a colheita de concentra e, para não errar nesta hora, o técnico em agropecuária Valtemir Bazeggio, que atua no escritório municipal da Emater/ RS local, separou algumas orientações. Afinal, é preciso garantir que a qualidade dos frutos que saem do pomar seja mantida na prateleira ou mesmo no processamento de sucos.

Gracieli Verde

Técnico da Emater/RS reforça dicas para produtor garantir a rentabilidade dos pomares Você observa o ponto de maturação? Nem sempre a coloração amarela indica que os frutos estão no ponto ideal de maturação fisiológica. – Esse é um ponto que gera transtornos, porque frutos colhidos fora das especificações mínimas, como os verdes ou imaturos, apresentam maior sensibilidade da casca, principalmente no momento da manipulação e processamento, levando ao aparecimento de manchas, com depreciação do seu valor econômico, além de oferecer ao consumidor um produto sem qualidade e com sabor indesejável – indica Bazeggio. Esse cuidado possibilita maior rendimento industrial e significativa melhora na qualidade do suco. Consequentemente, a indústria consegue remunerar melhor pela fruta, observando o ponto de maturação de cada variedade. Por outro lado, segundo o técnico, os frutos colhidos em estágio avançado de maturação também apresentam problemas, pela baixa resistência da casca às manipulações, que podem levar a ferimentos e ataques de micro-organismos, com prejuízos à sua qualidade e vida útil. Portanto, é importante ficar atento a esses aspectos.

Colheita bem feita também garante melhor remuneração ao produtor

Material de colheita Todos os materiais de colheita, como as sacolas ou caixas, devem estar em bom estado de conservação e limpas, sem saliências que possam machucar os frutos.

Para os frutos destinados ao consumo In natura, fique atento a:

Métodos de colheita Condições climáticas Evite a colheita em dias de chuva ou ambiente com alta umidade relativa, uma vez que o fruto estará em estado de turgescência, tornando-o sensível, podendo provocar danos em sua casca, deixando-o suscetível a ataques fungos, causando diminuição do tempo de conservação do mesmo.

Na colheita da bergamota, principalmente, que é realizada com tesoura, o corte deve ser rente ao fruto, para evitar que o excesso de pedúnculo danifique outros frutos. Já na colheita por torção (puxado com a mão), devem ser evitados os golpes ou pressões excessivas para não romper a casca.

Acondicionamento dos frutos Depois de colhidos, deve-se evitar golpes durante o transporte, não se recomenda o acondicionamento com enchimento excessivo nas caixas para evitar o amassamento das camadas superiores. No processamento no packing house, em que o fruto recebe a maior parte dos tratamentos pós-colheita, com o objetivo proporcionar homogeneização e melhoria na aparência, também podem ocorrer perdas em razão de falhas ocorridas no processamento ou uso excessivo de produtos, que podem causar danos irreparáveis. Para minimizar esses danos, as máquinas do packing house devem ser bem dimensionadas, para os diferentes tipos de frutos a serem processados, pois bergamotas, laranjas e limões possuem diferentes sensibilidades. A higiene do packing house também deve ser observada, pois é de fundamental importância na redução das perdas no processo de comercialização.

Fique atento: manejo do mês Levando em conta as intensas chuvas no fim de maio e início de junho, é recomendável que o produtor realize algum manejo fitossanitário no pomar, a fim de diminuir o ataque de fungos, que podem causar queda de frutos e perdas de produtividade.

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A campo

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Podar para produzir mais Frutíferas precisam deste manejo para responder melhor na hora da colheita va alterar a forma natural da planta. Isso modifica a arquitetura da planta a fim de torná-la de menor porte, proporcionando melhor iluminação e arejamento no interior da copa. “Além de regularizar a produção a cada ano e com frutos de boa qualidade, também se faz a poda para manter a forma, a sanidade e o vigor da planta”. Neste caso, é realizada principalmente após a colheita em plantas adultas para controlar seu vigor e sanidade. Ele reforça que para fazer a poda é interessante conhecer a classificação das gemas com relação às suas funções, que são vegetativa, florífera e mista. “A gema vegetativa é aquela que se desenvolve e forma ramos, folhas e outras estruturas, sem formar flores. A gema florífera, quando se desenvolve, forma uma flor e a gema mista é aquela que se desenvolve e forma ramos que trazem botões florais”, detalha. – Já a importância da poda varia conforme a espécie. É decisiva para videira, goiabeira, figueira, pessegueiro, ameixa, atemóia. É relativa na macieira, pereira, caquizeiro e oliveira e de menor importância nos citros, nogueira-pecã, entre outras – acrescenta.

Fotos: Emater/Divulgação

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esta época do ano uma das recomendações para quem tem frutíferas na propriedade é a poda, um procedimento que muitas vezes é deixado de lado, mas é considerado crucial para determinar a produtividade das plantas. Pêssego, videira, goiaba e figo são algumas das variedades que requerem essa poda. O técnico em agropecuária Clair Olavo Bertussi, do escritório municipal da Emater/RS de Alpestre, expõe alguns aspectos sobre esse assunto. Independente de o seu pomar ser comercial ou apenas para o consumo da família, é sempre bom ter frutas vigorosas e saudáveis à disposição – e é nisso que a poda influencia. Na arte de cultivar plantas, a poda é considerada uma técnica cultural utilizada para alterar o desenvolvimento natural delas. “Um dos princípios fisiológicos fundamentais é que o excesso de crescimento vegetativo reduz a quantidade de frutos e o excesso de frutos reduz a qualidade dos mesmos, ou seja, existe uma relação inversa entre vigor e produtividade”, explica Bertussi. Tecnicamente, a poda objeti-

Antes da poda

Atenção!

Você conhece quais os tipos de poda? De formação: é realizada com o objetivo de formar a estrutura da planta.

De frutificação: quando executada com o

objetivo de obter uma frutificação regular, com frutos maiores e bem desenvolvidos.

De limpeza: se o objetivo é manter as estruturas bá-

sicas e a sanidade da planta. Em plantas de clima temperado, como pêssego e uva, que perdem as folhas no outono, executa-se tanto a poda de limpeza como a de frutificação no inverno e início de primavera. Como nessa época as plantas se apresentam sem folhas e bastante lignificadas, com ramos lenhosos, é denominada de poda seca ou de inverno.

De verão: já a poda de verão (ou poda verde) é reali-

zada durante o período de desenvolvimento vegetativo, quando as plantas se apresentam totalmente enfolhadas. Esta poda é importante e complementa a poda de inverno, pois permite uma seleção mais criteriosa dos ramos, facilitando a penetração de luz e canalizando as energias para os ramos remanescentes, melhorando a qualidade dos frutos. Também pode ser realizada a poda verde com o objetivo de produção. Essa técnica é utilizada em diversas frutíferas, como uva e goiaba, com a finalidade de deslocar a época de colheita.

Após a poda

“Além de regularizar a produção a cada ano e com frutos de boa qualidade, também se faz a poda para manter a forma, a sanidade e o vigor da planta.”

Bertussi orienta que independente da denominação que receba de acordo com a intensidade ou época de realização, é importante que sejam definidos claramente os objetivos da poda. Vale ressaltar que cada espécie possui suas particularidades, épocas corretas de poda, e que é preciso conhecer muito bem a morfologia e fisiologia da planta, além de ter boa prática, para executar as operações da maneira mais correta e assim obter bons resultados. Em todos os escritórios municipais da Emater/RS é possível ter acesso a orientações, junto aos técnicos.

Cuidado para não errar! Na poda de formação os erros mais comuns são realizar a poda antecipada de ramos que nascem no tronco, impedindo seu engrossamento e expondo-o à luz; formar uma copa muito alta que dificulta os tratos culturais e a colheita; deixar numerosos ramos principais e permitir a produção na fase de formação da planta. Na poda de frutificação o erro mais comum é deixar de realizar essa poda durante vários anos e voltar a fazê-la de forma severa em anos subsequentes, podendo resultar em alternância de safras, pelo esgotamento das reservas e pelo crescimento vegetativo intenso, levando a uma redução da produtividade. Outro erro é a eliminação exagerada de ramos no interior ou na base da planta, prejudicando a produção e expondo os ramos secundários à insolação intensa que causa escaldadura. Na dúvida, busque sempre orientação técnica de confiança.


A campo

Cam Dia de

Gracieli Verde

pelo menos cinco estações, na linha São Marcos. Uma delas será específica sobre a bovinocultura de leite e lavoura-pecuária e será montada na Fazenda Busanello, com participação da Emater/RS e UFSM. As demais serão sediadas na Fazenda Librelotto. Segundo os organizadores, esta será uma das inovações no formato do evento, tendo em vista os seus 10 anos. Agricultores e profissionais do setor agropecuário estão convidados a participar. O evento é gratuito, contará com almoço e os escritórios municipais da Emater/RS estão organizando comitivas para participar. Se você se interessou pelo assunto, procure o extensionista do seu município.

gração Lavo Inte ur ária

B

do nos dias 15 e 16 de agosto. Além das duas fazendas, o evento conta com a parceria na promoção da Sementes Cometa, Agrobon, com apoio da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, da Emater/RS-Ascar e da Universidade Federal de Santa Maria – Campus de Palmeira das Missões, além de patrocinadores. No dia 15 a programação contará com um painel, no Clube Atlético Boa Vista, em que se priorizará a participação de agricultores que estão tendo resultados com a lavoura-pecuária. Um deles será Ivonei Librelotto, da Fazenda Librelotto. Já no dia 16, desde a manhã até o fim da tarde, o dia de campo deve contar com

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po

ec u aP

Dez anos de ILP em Boa Vista das Missões oa vista das Missões tem mostrado para o Estado e o país casos de propriedades que conseguem ter lucratividade e sustentabilidade graças ao sistema de integração lavoura-pecuária, priorizando o uso de trigo duplo propósito. Ao longo de 10 anos, as fazendas Librelotto e Busanello, vizinhas na linha São Marcos, adotaram o sistema como principal fator de desenvolvimento da pecuária de corte e de leite, aliadas à produção de grãos. Essa adoção também tem sido tema recorrente no Dia de Campo de Integração Lavoura-Pecuária, que completa neste ano uma década de existência, e será reedita-

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Revista Novo Rural - Julho de 2017

anos

Quer participar do evento? Procure a equipe da Emater/RS do seu município, que comitivas estão sendo organizadas!

Na Fazenda Librelotto, produção de carne é aliada à de grãos, pois os bois se alimentam do trigo duplo propósito

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Revista Novo Rural - Maio de 2017


16 de AGOSTO 8h às 12h | 13h às 18h

Fazenda Librelotto Boa Vista das Missões/RS

Mostra da agroindústria e artesanato regional

Uma década de resultados

Sarandi

Dia de Campo

estrada de chão

Jaboticaba RST 323

Seberi BR386

Boa Vista das Missões

Promoção Fazenda Busanello


Entrevista

Por Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

Revista Novo Rural - Julho de 2017

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Cledir Magri, 35 anos, vem se destacando como um dos principais líderes e pensadores sobre o cooperativismo no Estado. Ele é de Frederico Westphalen

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atural do interior de Frederico Westphalen, o cooperativista Cledir Magri sabe bem a realidade dos agricultores familiares da região. Sexto filho de uma família de oito irmãos, nasceu e cresceu em uma propriedade de cerca de 15 hectares, na linha Ponte do Pardo, onde hoje um dos herdeiros segue trabalhando. Magri iniciou sua atuação como assistente na Cresol. Doze anos depois, a trajetória é vasta para um jovem líder de 35 anos: graduado em Filosofia, especialista em educação voltada ao meio rural, mestre em cooperativismo de crédito e doutorando em Filosofia da Economia, ele está no segundo mandato como presidente da Cresol de Frederico Westphalen, atua na asses-

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soria institucional e estratégica da Cresol Central – com sede em Chapecó –, é presidente da Cresol Confederação – que atua em 15 Estados brasileiros, com 550 agências – e desde o fim de abril foi eleito como membro do conselho do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop). Ele também acompanhou todo o processo de criação da Cresol em Frederico Westphalen, que de 2008 a 2012 era um posto de atendimento ligado à cooperativa de Constantina. “Vivo o cooperativismo, tenho um encanto e um apaixonamento pelo que faço”, declara. Com morada fixada em Frederico Westphalen, mas com agenda por todo o Brasil, ele garante que é por aqui o seu ponto de parada, onde também acompanhada a família e a noiva.

Como surgiu esse interesse pelo cooperativismo?

Cledir Magri – Vivi oito anos em um seminário para formação de padres. Por entender que o maior líder que difundiu a necessidade do cooperativismo foi Jesus Cristo, quando sai do seminário gostaria de trabalhar em uma instituição em que eu pudesse, de alguma forma, praticar esses ensinamentos do Evangelho. Com isso, acabei conhecendo o sistema Cresol, onde ajudei a coordenar um projeto de formação de lideranças. Foi convidado para trabalhar dentro do Sistema Cresol. Isso me permitiu que conhecesse mais o sistema, bem com o que os dirigentes conhecessem meu trabalho. Na época via a minha mãe ordenhando 15 vacas a mão, a residência numa situação complicada. Por outro lado, acompanhei algumas regiões em que a realidade estava começando a mudar, que já havia famílias financiando casas, e o trabalho era menos penoso. Senti que a Cresol poderia ajudar mais e vi que ali seria um espaço para contribuir. A cada dia foi aumentando meu encanto por esse trabalho.

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Revista Novo Rural - Julho de 2017

NR

Na sua opinião, o que falta para sensibilizar as pessoas para a importância do cooperativismo? Magri – Tive a experiência que conhecer cooperativas no Canadá e na Europa e vejo que temos que avançar na difusão da cultura do cooperativismo. Há várias formas de fazer isso, uma delas é pela educação. A educação formal das escolas deveria ter uma disciplina focada no cooperativismo. Se a nossa geração tivesse tido acesso a isso, hoje a sociedade seria muito mais cooperativista. É um aspecto em que precisamos avançar. Já as cooperativas precisam intensificar a sua participação na sociedade, como no mês de julho, quando se celebra o Dia Internacional do Cooperativismo. Mas, todo dia é uma oportunidade de fortalecer o setor. E as cooperativas devem e têm a missão de serem as principais propagadoras dessas ideias, de mostrar seus potenciais. Se a gente se preocupar somente em comprar e vender dinheiro, a gente se torna uma instituição financeira convencional, mas a cooperativa tem uma visão muito além disso.

NR

Qual o seu olhar em relação ao setor agropecuário da região? Magri – Se for ver quais elementos contribuem para o desenvolvimento de uma região, temos todos aqui, além da participação das cooperativas nos diferentes ramos, na prestação de serviços, de crédito, de produção, além da organização sindical, que é forte. Temos uma estrutura que permite o nosso crescimento e desenvolvimento. Porém, há desafios. Alguns podemos resolver pelas nossas próprias forças, e outros são alheios à nossa capacidade. Muitas vezes se observa ações fragmentadas, porque cada organização cria o seu mundo, a sua estratégia, enquanto que poderíamos ter momentos para todas essas forças estarem juntas. O impacto na região seria muito maior. Isso não depende do mercado externo, do presidente da República, depende da capacidade de diálogo da região. No meu ver o Fórum do Cooperativismo é um espaço que propicia isso. Mas como ampliaríamos para que outros setores estivessem envolvidos?

NR

Estar no interior não nos deixa à margem, certo?

Magri – Com certeza não nos deixa à margem. Isso corre o risco de ser uma “muleta” para justificar coisas que dependem de nós resolvermos, que não é nenhum agente externo que vai resolver. Às vezes gera algum tipo de dificuldade, mas fico olhando algumas colocações que põem esse como aspecto principal para a região ser menos desenvolvida em relação a outras. Eu entendo que não é necessariamente isso. Depende da nossa capacidade interna de resolver. Exemplo é a minha comunidade. A Ponte do Pardo tem se desenvolvido, mas continua a 12 quilômetros da cidade. Se o líder começa a vender essa ideia, as pessoas vão dar continuidade a isso e você começa a criar no imaginário coletivo que aqui na região vamos continuar sempre do mesmo jeito. Alto lá! Temos limitações, mas neste momento de crise econômica, política e moral, nós, lideranças, precisamos ser portadores do estandarte da esperança. Mesmo que por vezes a situação é adversa, temos essa missão e responsabilidade. De forma conjunta, vamos melhorar essa realidade.

NR

Que característica básica um “bom cooperativista” precisa ter? Magri – Não acredito que tenha cooperativismo em lugar nenhum do mundo sem o princípio da solidariedade. Se não tiver essa capacidade ou sensibilidade de identificar as necessidades da sua organização ou do entorno dela, dificilmente vai conseguir coordenar a organização atendendo as expectativas dessas pessoas. Mas também é preciso ter diálogo, honestidade, simplicidade e humildade.

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Você acredita que a intercooperação já faz parte da vida dos cooperativistas na região? Magri – Entendo que conseguimos dar alguns passos. A experiência do Fórum do Cooperativismo é concreta, que saiu do mundo discursivo para ações práticas. Avançamos, há um ambiente mais propí-

Propriedades que já contam com energia solar instalada pela Marsol Energia

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cio e favorável. A realização do Seminário Regional do Cooperativismo, que envolve várias cooperativas na mobilização e na organização, também é um exemplo para que não haja apenas ações isoladas. Ao mesmo tempo, aí faço uma crítica interna à Cresol, assim como a outras cooperativas, porque em várias vezes se vê mais competição do que intercooperação. Às vezes a disputa é muito forte e não se consegue avançar. Há a necessidade de aumentar esse debate. Não se pode cobrar do associado a cooperação se entre as cooperativas não há essa intercooperação. Já se qualificou muito o debate. O primeiro passo é esse, é a compreensão no campo ideológico, à medida em que a gente nivela isso, vamos ter ações concretas. A filosofia de cada um precisa ser respeitada, mas há um conjunto de ideias que interessa a todos.

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Essa seria uma deficiência do setor?

Magri – É uma delas, porque a Cresol sozinha vai longe, mas à medida que se articula vai mais longe e de forma mais sólida e segura. Mas tem outro tema que a gente precisa colocar na pauta: o cooperativismo na sua essência precisa ter viabilidade econômica, tem que gerar sobras no fim do ano para distribuir com os associados. Mas não podemos nos contentar somente com as sobras. O cooperativismo tem um conjunto de outros elementos, como a dimensão social. A gente fala de desenvolvimento sustentável de uma região e para isso precisa ter cinco elementos, a dimensão econômica, social, política-organizativa, ambiental e cultural. Qual entidade ou organização consegue realizar isso com maestria? A meu ver o cooperativismo tem todos esses elementos.

NR

O que esperar do futuro?

Magri – É preciso construir a cultura do cooperativismo e facilitar que as pessoas entendam isso não só do ponto de vista intelectual, mas transformar em ações. É necessário intensificar essa busca diária pelo equilíbrio entre o econômico e social. É preciso expandir, formar dirigentes, conselheiros, sócios, funcionários. Isso é fundamental para outro desafio, que ter uma gestão eficiente, saudável, que produza sobras. Mais um desafio: a ampliação da confiança.

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Rondileite 2017 incentiva o melhoramento genético

U

tantina. A vaca da propriedade de Villa produziu 70,25 quilos de leite e como prêmio o pecuarista levou uma vaca de pura origem da raça holandesa, que foi adquirida no Paraná pelos organizadores. Esse animal servirá para coleta de embriões aos demais participantes do concurso, uma forma de melhorar a genética dos rebanhos locais. Já no Concurso Leiteiro Municipal os rondinhenses Roberto e Ivânio Lorenzi foram os vencedores. Eles também foram premiados com uma novilha adquirida em solo paranaense, onde a genética da raça holandesa tem sido referência para outras regiões do país.

Animais adquiridos no Paraná foram a premiação dos ganhadores

Potencial do setor agropecuário

A feira

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ulgaçã

o

m dos municípios com maior potencial de produção de leite da região, Rondinha se destaca nesta área e em um de seus eventos mais tradicionais, a Rondileite, outra vez a atividade ficou em evidência. Na edição realizada no início de junho vários concursos ligados ao setor foram promovidos, como o da Novilha, da Bezerra, o Concurso Leiteiro (municipal e regional), além do Jovem Puxador. Neste ano, produtores de Rondinha, Ronda Alta, Constantina e Engenho Velho participaram da edição regional do Concurso Leiteiro, cujo vencedor foi Rogério Villa, de Cons-

Divulgação

Produtores que participaram de concursos com animais leiteiros concorreram a exemplares que são referência em genética

Rondinha é o quinto município com maior produção leiteira no RS e o quarto na suinocultura. São mais de três milhões de litros de leite produzidos por mês, atividade que envolve 600 famílias. Na produção de suínos, somente em 2016, foram 190 mil animais abatidos. E o objetivo da cadeia produtiva é evoluir na atividade para alcançar melhores posições no ranking estadual. Durante a expo-feira foram comercializados diversos produtos da agricultura familiar, como hortigranjeiros, erva-mate, embutidos, sucos, panificados, entre ou-

Marce

la Buz

A Rondileite 2017 foi uma realização da prefeitura, Câmara de Vereadores e Câmara da Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços de Rondinha (Cicar), com apoio da Emater/RS-Ascar, Cotrisal e Suinocultura Gobbi. A Rondileite ocorreu no Parque de Exposições 28 de Março.

tros alimentos. O grupo de artesãs Rondiart também comercializou peças de artesanato. Já a Emater/ RS-Ascar demonstrou atrativos do turismo rural, orientações sobre organização da propriedade, segurança e soberania alimentar, juventude rural, energias renováveis, pomar doméstico, olericultura, secagem e armazenagem de grãos, biodigestor, entre outros temas. Também foram distribuídas sementes e mudas crioulas, fazendo parte da campanha regional “Produza seu alimento e colha saúde”, e três mil mudas de árvores nativas cedidas pela Creluz.

Lideranças estaduais conferiram feira, entre elas o presidente da Emater/RS, Clair Tomé Kuhn (C)

Veja os demais vencedores

Concurso reuniu concorrentes da raça holandesa

o

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Concurso Leiteiro Regional Vencedor: Rogério Villa, de Constantina Concurso Leiteiro Municipal Vencedores: Roberto e Ivânio Lorenzi Concurso da Novilha e da Bezerra Rondileite 2017 Grande campeã: Roberto e Ivânio Lorenzi Reservada campeã: Roberto e Ivânio Lorenzi Melhor fêmea: Rogério Stivanin Bezerra menor 1º lugar: Rogério Stivanin 2º lugar: Apler - Associação de Produtores de Leite de Rondinha

Bezerra júnior 1º lugar: Roberto e Ivânio Lorenzi 2º Lugar: Carlos Marchioro Bezerra intermediária 1º lugar: Balduino Balbino e Filhos 2º lugar: Rogério Stivanin Bezerra sênior 1º lugar: Roberto e Ivânio Lorenzi 2º lugar: Balduino Balbino e Filhos Novilha menor 1º lugar: Rogério Stivanin 2º lugar: Apler

Novilha júnior 1º lugar: Rogério Stivanin 2º lugar: Apler Novilha intermediária 1º lugar: João Carlos Bortolussi 2º lugar: Rogério Stivanin Novilha sênior 1º lugar: Família Colet 2º lugar: Apler Concurso do Jovem Puxador 2017 1º lugar: Mateus Colet 2º lugar: Guilherme Tonello 3º lugar: Eduardo Lorenzi


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No próximo mês inicia o plantio das pastagens de verão Produtor precisa estar atento na hora de organizar pastagens para mais um ciclo produtivo

A

Gracieli Verde

família Szelong, moradora da linha Nova, em Seberi, sabe bem o valor de um planejamento forrageiro preciso para o rebanho leiteiro. Com mais de 20 animais sendo ordenhados diariamente na propriedade, o casal Gabriel e Sandra, com o filho Cristian, contam com área definida para pasto perene, além da área para silagem e pastagem anual na propriedade de 33 hectares, mas onde 16 são utilizáveis. Hoje, o que se recomenda, conforme a Emater/RS, é que pelo menos 30% da área destinada à pastagem, incluindo nisso a área de milho para silagem, seja perene, o que já foi adotado pela família Szelong há vários anos. Isso tem refletido diretamente na produtividade e no custo reduzido por litro de leite que sai da propriedade para a indústria. “Nossa média tem sido de 20 litros/vaca/ dia”, expõe o produtor. Além disso, outra recomendação que é levada à risca na propriedade é em relação à adubação da pastagem. Tendo parceria de propriedades vizinhas que são produtoras de suínos, Szelong conseguiu instalar um sistema de fertirrigação, o que influencia diretamente na produtividade do pasto e no desempenho do plantel. No caso da família Szelong, a busca por aprimoramento na atividade de leite vem sendo feito há anos, com acompanhamento de profissionais da Emater/RS e de programas municipais que foram executados há alguns anos no município. “Na época tinhamos oito vacas dando leite e tirávamos nove litros por vaca por dia”, recorda Gabriel. Atualmente a propriedade também é referência na produção e venda de mudas de gramas, o que tem se tornado uma renda importante para a família.

Silagem Na metade de agosto já abre o zoneamento para plantio do milho para silagem. O técnico Edivaldo Cenci reforça que é importante ter cautela na hora de selecionar a semente. “Se a ideia é fazer safra e safrinha, vai precisar usar uma variedade mais precoce, que têm uma janela de floração curta, muitos são de até dez dias, e na nossa região é comum ter estiagens de até mais de dez dias, o que pode interferir na produtividade. Se aconselha que sejam usadas variedades de ciclo médio a longo, para não correr esses riscos”, explica. Outra orientação é que no plantio o espaçamento seja feito já levando em conta a colhedora que vai usar, para evitar perdas na hora da colheita. Mais um aspecto importante em relação à silagem é no quesito adubação. Cenci orienta que não há uma medida exa-

ta que vale para todos, mas que é fundamental seguir o que a análise de solo pede, para não exceder ou usar pouco produto. Para quem ainda não fez as análises, dá tempo de fazê-las antes do plantio. Basta procurar as equipes da Emater/RS, que fazem o encaminhamento ao Laboratório de Solos da URI/FW. “Temos que fazer a lavoura de milho de forma que renda, pelo menos, 50 toneladas de silagem por hectare”, desafia Cenci, ressaltando que nem sempre os produtores observam qual a quantidade produzida por hectare, mas isso é crucial para monitorar essa produtividade dos milhos que estão sendo usados, ou mesmo para organizar com mais precisão a quantidade de alimentos para o plantel. O engenheiro-agrônomo Jonas Eduardo Michta, que Agrobella, observa que um

Assunto levado a sério O técnico agropecuário Edivaldo Cenci, da Emater/RS-Ascar de Seberi, ressalta que o produtor que leva a sério esse trabalho de implantação de pastagens tem garantia de que o plantel corresponda com produtividade durante todo o ciclo. Ele também alerta para a importância da perenização das pastagens. “Por mais que o custo de implantação seja mais alto, vale a

pena pela praticidade de não ter mais que se preocupar em plantar a cada ciclo. A demanda maior fica na adubação, que precisa ser feita para garantir que a grama se mantenha com qualidade”, defende. É importante também que o produtor conheça bem o pasto implantado, para que saiba como manejá-lo e adubá-lo adequadamente.

dos pontos básicos para garantir que a silagem seja de qualidade é a escolha de uma variedade de milho apropriada, que vai garantir características importantes para a confecção deste alimento. “Outro fator que interfere muito é a adubação, que também reflete na qualidade do alimento a ser armazenado. Temos visto nas análises de silagem que as variedades específicas para isso conseguem pelo menos dois pontos percentuais a mais de proteína, e isso interfere diretamente na nutrição do animal”, assinala. Ele orienta ainda a ter sempre 30% a mais de silagem do que a necessidade calculada para o plantel, para ter garantia de que se houver alguma intempérie climática, como excesso de chuvas – que possa comprometer a utilização do pasto –, o produtor trabalhe com tranquilidade.

Atenção para estas dicas: • Para planejar a pastagem é preciso saber o número de unidades animais (correspondente a 450 quilos) na propriedade. • Divida a área destinada à pastagem anual no mínimo em três épocas diferentes de plantio, assim facilita o manejo para o ponte de corte. • Antecipe o plantio de inverno e retarde o plantio de verão para diminuir o vazio forrageiro no outono. • Para obter melhor qualidade da forrageira, procure usar o pasto sempre no ponto certo de corte e respeite a altura de retirada dos animais para não comprometer a longevidade da pastagem. • Tenha disponível no mínimo de 30% da área de pastagem de pasto perene. • Utilize adubação correta conforme interpretação da análise de solo. • Busque sempre fazer uma rotação da área destinada para a silagem, para não esgotar o solo. • Neste mês de julho ainda dá tempo de semear aveia ou azevém para a pastagem se prolongar até novembro. Isso reduz o impacto do vazio primaveril.

Família Szelong, de Seberi, trabalha com bovinocultura de leite

• Para quem tem pastagem perene, o vazio primaveril é menos impactante.


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Os diversos olhares em relação à produção de leite Lideranças destacam a importância reunir toda cadeia produtiva em debate aberto, com participação de duas mil pessoas, durante 4º Fórum Itinerante do Leite

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xpor os desafios de cada elo da cadeia produtiva do leite, promover a interação entre a indústria, assistência técnica, produtores e estudantes, bem como analisar o cenário para o futuro, estava entre os desafios da programação do 4º Fórum Itinerante do Leite – Mitos e Verdades, que ocorreu em Palmeira das Missões, no dia 1º de junho. O público surpreendeu, somando mais de duas mil pessoas no ginásio da Escola Técnica Estadual Celeste Gobbato. O fórum foi uma iniciativa do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) com apoio do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e Canal Rural.

Oportunidade para produtores e indústria: leite para alérgicos A possibilidade de o Estado gaúcho começar a produzir o leite do tipo A2A2, destinado a consumidores que têm alergia ao alimento, também foi assunto do 4° Fórum Itinerante do Leite. A médica-veterinária Roberta Züge, da Ceres Qualidade, que participou do painel Mercado, Consumo e Inovação, observou que produtores do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo já estão fazendo testes genéticos para identificar e segregar os aninais que produzem leite sem a proteína que causa a reação alérgica. Esse leite já é produzido em países

projeto-piloto para dar início à produção de leite A2A2, destinado às pessoas que apresentam reações alérgicas ao alimento, no Estado. A iniciativa poderá ser desenvolvida em parceria com a Escola Técnica Celeste Gobbato, de Palmeira das Missões. A médica-veterinária Roberta Züge ficou responsável pela elaboração de uma proposta para dar início aos trabalhos ainda este ano. “O primeiro passo é fazer o teste de genotipagem dos animais”, explica Roberta. A seguir, é necessário rever os acasalamentos e dar preferência a sêmen de touros A2A2.

Oficinas mostram cases de sucesso da região

Produção em escala menor

A

s oficinas técnicas foram aguardadas com grande expectativa pelos participantes. Com diferentes temáticas e envolvendo a atividade leiteira, cases da região estiveram em evidência. Um deles foi relacionado à produção de leite e gestão da propriedade, coordenada pelo assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Valdir Sangaletti. O pesquisador e consultor da Transpondo, Wagner Beskow, foi painelista e abordou o sistema por ele pesquisado, o Sistema Intensivo de Pasto e Suplementação (SIPS). Já a Emater/RS-Ascar apresentou o trabalho do jovem produtor Cassiano de Pellegrin, de Frederico Westphalen, que compartilhou com o público parte da sua história. Pellegrin é o sucessor na propriedade dos pais e tem evoluído na atividade leiteira. Ele é acompanhado pela equipe local da Emater/RS, especialmente pelo agrônomo Jeferson Vidal Figueiredo. – Um dia, conversando com um professor, ele me disse que tinha o conhecimento, mas não tinha a terra para vi-

ver e aplicar aquilo tudo. Eu pensei, a terra eu já tenho, então por que não estudar, me profissionalizar e depois poder aplicar na minha propriedade? É isso que estou buscando a cada dia. Porque o meu sonho é melhorar na atividade, formar minha família e viver com qualidade no meio rural – disse. Outra oficina abordou ferramentas de informática aplicadas na gestão, com a presença do técnico em agropecuária Maurício Stochero, da Emater/RS-Ascar de Jaboticaba. Ele apresentou as ferramentas de gestão usadas pela Emater/ RS no desenvolvimento do trabalho de assistência técnica em todo o Estado. Para fechar, o tema abordado foi a sucessão familiar. A assistente técnica regional social da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Dulcenéia Haas Wommer, enfocou sucessão na atividade leiteira e o trabalho de extensão rural desenvolvido com o público jovem. Esteve presente o jovem Gustavo Matter, do interior de Seberi. Ele expôs a experiência de sucessão e início na atividade leiteira. Gustavo contou o quanto a relação familiar é importante para esse processo. “O pai foi abrindo espaço para nós na propriedade. Foi isso o

Gracieli Verde

A engenheira de alimentos da Emater/RS, Bruna Bresolin Roldan, observou sobre a necessidade de inovação nas pequenas agroindústrias de leite. “Este é um setor que já tem inovado muito. Temos percebido que estão surgindo novos produtos, como queijos coloniais temperados. Mas, junto com essa inovação, também é preciso regulamentar alguns aspectos, para que se possa manter o sabor característico desses itens. Isso ainda é um desafio”, destacou. Por outro lado, Bruna acredita que há um vasto mercado para esses produtos. “Temos visto muitas iniciativas que usam a própria matéria-prima para suas agroindústrias e têm conseguido ter um bom retorno”, estima. O segundo painel da manhã foi sobre Gestão, Produção e Renda. Um dos painelistas, Jorge Rodrigues, coordenador das comissões de Grãos e de Leite da Farsul, foi enfático: “produzir leite não é para amador, é para profissional”. Segundo ele, a pecuária leiteira tem um “espaço vasto” para se trabalhar e é preciso tecnificar os tambos.

como Austrália e Nova Zelândia, e deve chegar ao Brasil em um ano. Segundo ela, esta é uma oportunidade para produtores e indústria. No Brasil, há pelo menos três laboratórios que já realizam o teste de genoma das vacas para verificar os animais capazes de produzir o leite A2A2. Roberta explica que os produtores podem direcionar acasalamentos para obter rebanhos capazes de produzir esse leite em escala. Ainda no início de junho foi anunciado que o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) vai elaborar um

Jovem produtor Cassiano de Pellegrin e o agrônomo Jeferson Vidal Figueiredo, da Emater/RS de FW

que nos segurou no campo, ele ouviu nossas ideias”, disse. Percebendo a possibilidade de sucessão, o pai de Gustavo avaliou os planos dos filhos e começou a adequar a propriedade para desenvolver novas atividades. Há três anos a bovinocultura de leite foi implantada. – A família Matter é um bom exemplo de como a sucessão funciona. Para isso acontecer, foi importante os pais ouvirem os filhos e cederem espaço na propriedade, assim como os filhos respeitarem tudo aquilo que já foi feito e entender que a sucessão é um processo que requer tempo e confiança – comentou a assistente técnica Dulcenéia Haas Wommer.


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Minientrevista Com a palavra o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra Por que realizar eventos como este? Alexandre Guerra – Quando colocamos no nosso plano estratégico a realização desses encontros itinerantes em diferentes regiões produtoras, era porque víamos a necessidade de ter momentos de debate como este, para que se possa conversar com o produtor, com as indústrias. Temos que falar sobre o que o mercado exige. Estamos inseridos em uma economia globalizada e quem determina preço é o mercado. Quer dizer, temos que fazer o dever de casa para sermos competitivos, reduzirmos as despesas, produzirmos em escala, buscarmos a profissionalização. É essa interação entre os elos que vai ajudar a desenvolver a cadeia produtiva. Até porque hoje o Brasil é um país importador, mas o Rio Grande do Sul é exportador para outros Estados. Se estamos inseridos em uma economia globalizada, onde mais importamos do que exportamos, significa que estamos enfrentando uma concorrência diferente do que estamos acostumados. Esta concorrência é mais competitiva. Para frear essa importação temos que rever genética, sanidade, produtividade, reduzir custos de transporte, de análises, porque a indústria precisa colocar escala na sua produção. Por outro lado, o governo também precisa fazer a sua parte, de desonerar essa cadeia, para que possamos ter toda a condição de sermos competitivos.

Como o Sindilat tem visto esse movimento de saída de pequenos produtores da atividade?

Guerra – É importante dizer que ninguém nasce grande, todos nascem pequenos. O que se faz necessário é que esse produtor receba assistência e que possa fomentar essa produção. É natural que haja essa seleção no mercado daquele que não investe na atividade. Quem quer ser um profissional do leite precisa investir. Hoje se tem mecanismos para isso ser feito. Tem que trabalhar com indicadores, saber quanto custa a alimentação, a energia elétrica, a ração, a genética, para isso pode-se buscar as entidades para darem esse suporte, a exemplo da Emater/RS e das universidades. No mundo inteiro quem não se profissionaliza sai da atividade. Essa desistência de produtores tem ocorrido sempre. Quando eu entrei no sindicato, há três anos, falávamos em 120 mil famílias produzindo leite. No ano seguinte falávamos em 100 mil e depois em 80 mil. Muitos têm o problema de não conseguir sucessores, os pais envelhecem, deixam da atividade, nem sempre as propriedades se tornam viáveis. Se analisar alguns dados, se vê que não desistem apenas os pequenos produtores, tem grandes que também mudam de atividade, porque muitas vezes o leite concorre com os grãos, que dependendo do ano tem boa rentabilidade e a mão de obra é diferenciada – menor em

relação ao leite. Este ano mostrou que o leite é fundamental, porque os grãos tiveram uma queda grande de preço e isso comprovou que é interessante ter a diversificação das atividades – o leite tem renda mensal e isso repercute na economia nas famílias. Mas, não adianta ser pequeno e não pensar em melhorar aquilo que se faz e isso passa pela gestão. Se não tivermos gestão nenhum negócio terá continuidade. A indústria precisa de leite resfriado, com qualidade, de produtividade, de custos reduzidos de produção, para então poder comercializar e concorrer com outros mercados. Todos precisam fazer a sua parte.

O que se espera para o mercado de leite no próximo semestre?

reu em 2016 e 2015 – quando a produção caiu 1,9% e 6,8%, respectivamente, segundo o IBGE. Desde quando se controlam os dados da quantidade de leite sempre foi registrado aumento. Esta foi a primeira vez que se viu queda e ligou o “sinal de alerta” em relação ao porquê isso aconteceu. Mas, para este ano pode haver um crescimento de 3% na produção leite no Estado. Tudo isso depende de importações, clima, insumos, porque vivemos nesse mercado que tem todos esses cenários. Além disso, existe uma projeção de que deveremos ter preços estabilizados, não teremos picos como ano passado.

Guerra – Começamos o ano de forma positiva. Nesses quatro primeiros meses de 2017 o produtor, em média, recebeu 15% a mais do que nos mesmos quatro meses do ano anterior. Outro fator positivo: o custo de produção da ração reduziu nesses meses, porque o preço dos grãos baixou. Então, isso significa uma rentabilidade melhor. Claro que depende do modo como é feita a gestão da atividade. Mas para a grande maioria dos produtores a atividade passa a ser mais atrativa, isso vai fazer com que a nossa produção cresça, diferente do que ocor-

27AJULHO/2017 30

(54) 3360-3000 / (54) 3360-3005 / (54) 99962-7310

www.novaboavista.rs.gov.br

programação

informações

NOVA BOA VISTA-RS

27.07

QUINTA-FEIRA 8h às 17h - 1º Roteiro Turístico Rural “Encantos da Colônia”

28.07

SEXTA-FEIRA 9h15min - Seminário Bovinocultura de Leite (organização: Secretaria Municipal da Agricultura, Emater, Sindicato dosTrabalhadores Rurais, Cesurg e Cotrisal) 14h - Abertura da 7ª Kolonie Fest, com pronunciamento de autoridades 15h30min - Abertura dos pavilhões para visitação 18h - Desfile de moda “Nossa Terra” (empresas locais) 21h - Fechamento dos pavilhões e apresentação das Invernadas Artísticas do CTG Porteira Aberta 21h30min - Shows com Chiquito & Bordoneio e Tchê Sarandeio

29.07 SÁBADO

9h - Abertura dos pavilhões para visitação 9h30min - 4º Seminário da Qualidade do Leite (organização: Lacticínio Boavistense-Mandaká Alimentos) 12h30min - Almoço no restaurante da feira 13h30min - Julgamento do gado leiteiro 16h - Workshop “Autoestima: o segredo das mulheres em empoderadas” 17h - Encontro de gaiteiros 19h30min - Desfile de moda “Nossa Terra” (empresas locais) 20h - Jantar no restaurante da feira 22h - Fechamento dos pavilhões 22h30min - Show nacional com Diego e Gabriel e banda Portal da Serra

30.07 DOMINGO

9h - Abertura dos pavilhões para visitação; provas campeiras do CTG Porteira Aberta 10h - Procissão e bênção dos carros, máquinas e motoristas (na Av. Jacob Wagner Sobrinho) 11h - Entrega de premiação para expositores do gado leiteiro 12h - Almoço no restaurante da feira 14h - Provas campeiras do CTG Porteira Aberta Desfile de moda “Nossa Terra” (empresas locais) 18h - Fechamento dos pavilhões; apresentação do Grupo de Danças Alegria de Viver; baile com a Orquestra La Montanara


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“Buscar conhecimento é essencial para melhorar” 3º Seminário Regional do Leite foi realizado em Palmitinho e reforça a importância desta cadeia produtiva para a economia dos municípios, bem como para as famílias inseridas na atividade Debora Theobald

Debora Theobald

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

“A

o assumir a gestão municipal, colocamos como meta aumentar em um milhão de litros a produção leiteira, e hoje isso é realidade”. A afirmação é do prefeito de Palmitinho, Luiz Carlos Panosso, durante a solenidade de abertura do 3º Seminário Regional do Leite, realizado no município, no dia 21 de junho. Panosso deixou claro que quando há esforço público e dos demais elos da cadeia é possível ter um cenário promissor. O resultado conquistado pela gestão palmitinhense foi um dos destaques no evento que aconteceu paralelo ao 2º Seminário do Leite de Palmitinho e da Cotrifred. Os números, obtidos no setor de blocos do município, consolidados com informações da Emater/ RS e da Secretaria de Agricultura local, demonstram que a administração municipal, ao investir na bovinocultura de leite e possibilitar a assistência técnica aos produtores, incentivou o crescimento na produtividade, fazendo os oito milhões de litros produzidos em 2014 saltarem para nove milhões dois anos depois. – Por mais que Palmitinho seja o maior produtor de suínos do Estado, a atividade leiteira no município é a que abrange o maior número de famílias no interior e tem uma grande função social – assinala o técnico-agropecuário Luan Jaques da Costa, do escritório municipal da Emater/RS-Ascar. Em 2016, 350 famílias foram credenciadas como produtoras de leite no município e, levando em conta o número de litros produzidos neste ano – 9.928.233 litros –, foi gerado um valor superior a R$ 11 milhões, mais precisamente R$ 11.411.590. “Com a produção rural, seja suinocultura, avicultura ou leite, conseguimos um retorno importante para investir em saúde, segurança e estradas”, aponta o prefeito Panosso. Por isso não é surpresa que tenha sido Palmitinho a sediar a terceira edição de um dos eventos mais relevantes para debater a bacia leiteira na região. A ideia também é que a produção, que está em ascensão no município, seja incrementada após a geração de conhecimento sobre gestão, nutrição e sistemas de produção de leite proporcionada pelo evento para as mais de 800 pessoas que participaram, entre elas técnicos, cooperativistas, autoridades locais, regionais e estaduais, estudantes e produtores. – Nosso município já é forte na suinocultura e na avicultura. Com o fortalecimento da bovinocultura queremos nos tornar o município da integração entre as atividades, tendo assim um retorno econômico e social – projeta o secretário de Agricultura, Elisandro da Silva. Quando se fala sobre a bacia leiteira na região de abrangência do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, percebe-se que a perspectiva é de crescimento e melhor aproveitamento daquilo que já se tem, sendo um dos destaques o projeto da Cotrifred para um laticínio, que irá absorver grande parte da produção leiteira dos municípios dos arredores. – O projeto de industrialização de leite que a cooperativa está desenvolvendo dará mais segurança e solidez para os produtores no fim do mês, além de impulsionar a região a se desenvolver – destaca o presidente da Cotrifred, Elio Pacheco.

Lideranças destacaram a necessidade de articular investimentos para potencializar o setor

Caminho de desafios: busca por resultados “O projeto do laticínio que a cooperativa está desenvolvendo dará mais segurança e solidez para os produtores.” Élio Pacheco, presidente da Cotrifred

Ionara e Roberto Piovesan e o agrônomo Jeferson Vidal Figueiredo, da Emater/RS

A gestão na propriedade é responsável pelo sucesso das famílias, especialmente na bovinocultura de leite. Já que, em diversos casos, é graças à atividade que muitos jovens podem ter renda e assim permanecer no campo. Esse tema e outros aspectos foram abordados pelo engenheiro-agrônomo e assistente técnico regional de sistemas de produção animal da Emater/RS de FW, Valdir Sangaletti, para os olhares e ouvidos atentos do público presente no salão paroquial de Palmitinho.

Colocando na ponta do lápis a alimentação, gastos com os animais, vacinas e outros cuidados, é possível obter um controle sobre as ações desenvolvidas, diagnosticar os problemas e, assim, trabalhar para aumentar a produtividade, enumerou Sangaletti. Para exemplificar essas ações de gestão de produtores que já fazem parte do programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar, que vem sendo desenvolvido pela Emater/RS, também foram mostrados casos de produtores que estão inseridos na atividade.


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Relevância social e econômica Durante o Seminário Regional do Leite, a equipe de reportagem da Novo Rural escutou alguns produtores que participaram do evento e comprovou, junto a eles, a relevância social e econômica que o leite exerce nas famílias produtoras da região.

Nome: Adelar Lauro Ernest e Marcia Regina Fagundes Ernest Vacas lactantes: 10 Município: Palmitinho

Traçar metas e planejar Quando se pensa na produção leiteira, traçar metas e planejar são as palavras de ordem. A opinião é do agrônomo Jeferson Vidal Figueiredo, da Emater/RS, que é responsável por prestar assistência técnica para a família de Ionara e Roberto Piovesan, moradores do distrito de Castelinho, em Frederico Westphalen. “Com o comprometimento e planejamento para ter sempre um bom pasto a ser oferecido para as vacas, com a organização de tudo o que estes animais recebem e com persistência é possível prosperar na atividade”, assinala Figueiredo. Para quem viu os números saltarem de 59 mil litros para 109 mil litros em apenas um ano, a satisfação fica estampada no rosto. “Ter pessoas que entendem do assunto orientando faz muita diferença. Buscar conhecimento é essencial para melhorar na atividade”, diz Ionara Piovesan. Com 11 hectares de área útil, a família nunca teve medo de ousar e colocar em prática suas ideias, mesmo que os “nãos” fossem muitos. “Além do leite, investimos na suinocultura para utilizar os dejetos como adubo para as pastagens”, recorda Ionara. Hoje a fertirrigação é uma realidade na propriedade, garantindo pastagens de qualidade para os animais e possibilitando

“Ter pessoas que entendem do assunto orientando faz muita diferença.” Ionara Piovesan, agricultora

Engenheiroagrônomo e assistente técnico regional Valdir Sangaletti

uma segunda renda para a família. Outra história de criatividade e visão empreendedora apresentada foi a da família de Denis Paulo e Juliane dos Santos Caratti, moradores de Palmitinho. Acompanhados pelo técnico-agropecuário Alex de Mello Rubin, da Emater/RS, o casal mostrou a importância da persistência. Entre os avanços alcançados após o início da assistência técnica na propriedade estão o melhoramento genético, com a compra de novilhas e terneiras, e uma busca por mais conforto para as 17 vacas lactantes. Com simplicidade foram encontrando soluções para as dificuldades, inicialmente como a utilização de uma carroça com uma caixa d´água para levar água para os animais em todos os piquetes. A combinação entre gestão, planejamento e força de vontade levou os Caratti a seguirem o mesmo caminho dos Piovesan, com a produção leiteira crescendo em 52%, saltando de 63 mil litros, em 2014/2015, para 96 mil litros produzidos, em 2016/2017. “O melhoramento genético foi um dos principais fatores que nos fez evoluir. Criamos as novilhas e terneiras e damos o máximo conforto para elas. Agora estamos avaliando a possibilidade de implantar um sistema de confinamento”, adianta Denis.

“Temos a produção de leite como segunda atividade, a principal é o fumo. Mesmo assim quem paga tudo praticamente é o leite, desde a casa, ração, é o que segura as pontas, já que temos um retorno de dinheiro todo mês da atividade. Sem o leite não dá para ficar por causa da renda mensal”.

Nome: Maristela Lermen Fagundes e Claudemar Bastos Fagundes Vacas lactantes: 13 Município: Palmitinho “Só temos a atividade leiteira na propriedade. Avaliamos que era o caminho mais fácil a seguir ao invés de investir em grãos ou fumo, especialmente pela questão do retorno mensal. Também temos que fazer o que se gosta e o leite é algo que nos agrada, então decidimos investir só nisso”.

Nome: Nelson da Rosa de Souza Vacas lactantes: 12 Município: Vista Alegre “Estou retornando a atividade e pretendo chegar a umas 25 vacas. O leite é o que melhor se encaixa para os agricultores familiares em termos de rentabilidade”.

ld ora Theoba Fotos: Deb

Denis Paulo e Juliane dos Santos Caratti e o técnico Alex de Mello Rubin, da Emater/RS

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Avicultura abre oportunidade para produtores da região Frangos Piovesan organiza ampliação da integração e prevê a construção de mais aviários

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Se interessou na avicultura? Veja mais informações que você precisa saber para investir nesta área!

Quais os requisitos que uma propriedade precisa ter para a construção de um aviário? • Energia elétrica trifásica disponível. • Água em abundância. • Mão-de-obra que siga as orientações técnicas de manejo. • Acesso a financiamentos e garantias para que o banco aprove. • Área de terra favorável para a execução de terraplanagem.

Qual a projeção de retorno do investimento? A empresa disponibiliza assistência técnica? O que mais ela oferece? A Frangos Piovesan fornece ração, pintinhos de um dia, produtos para realizar o lote e a assistência técnica. Essa assistência técnica é imprescindível e faz com que a granja possa ter de saída uma boa rentabilidade. Além disso, a cada aperfeiçoamento genético ou de formulação de ração, os encarregados técnicos estarão trabalhando junto aos produtores para encontrar o melhor desempenho e viabilidade econômica.

A recomendação é que quanto maior escala, melhor o rendimento financeiro. Por isso, produtores que já atuam na avicultura e queiram ampliar têm esse fator como favorável. Para um produtor iniciante chegar num ponto de equilíbrio são estimados oito anos e meio, produzindo em torno de 58 mil frangos por lote, o que necessitaria de dois aviários de 150 metros de comprimento por 16 metros de largura. Mesmo assim, cada particularidade deve ser calculada à parte. Já o investimento é variável, dependendo de alguns aspectos da construção e dos equipamentos que serão utilizados para climatização e alimentação do plantel.

• Qual a média de lotes por ano e qual a duração média de cada lote? A empresa trabalha com frangos com uma idade avançada, porém, quanto mais tempo ficar no aviário, maior será o pagamento. A duração de um lote gira em torno de 51/52 dias. Considerando que o intervalo sanitário seja de 14 dias, o ciclo de criação está calculado em torno de 65/66 dias, isso significaria em torno de 5,5 lotes/ano. Daiane Binello

avicultura é uma das atividades que, assim como a suinocultura, gera retornos positivos no que se refere à arrecadação tributária dos municípios, além de ser uma opção de geração de renda para as famílias. Em Frederico Westphalen está prevista uma nova fase nesta área, tendo em vista um trabalho que vem sendo feito por meio do frigorífico Frangos Piovesan, que já mantém um sistema de integração com avicultores da região. A empresa está aumentando a capacidade de abate e, com isso, projeta também a ampliação do número de produtores integrados. Conforme o médico-veterinário Joel Schwertz, que atua no frigorífico, a projeção é passar dos atuais 15 abates mensais de 16 mil frangos cada para 22 abates/ mês, com 25 mil frangos cada. Ou seja, a empresa ampliará de 240 mil frangos abatidos no mês para 550 mil/mês. – Atualmente a empresa está em um processo de aquisição de um terreno para fazer uma nova estação de tratamento de efluentes, que deve ficar pronta em meados de 2018. A estrutura física do frigorífico já está praticamente pronta. Levando isso em conta, a empresa necessita de 140 mil metros quadrados de área para alojar, hoje contamos com 47.217 metros quadrados de área, o que quer dizer que necessitamos aumentar em área o equivalente 39 aviários de 150m por 16m – explica Schwertz. Ele expõe ainda que o raio de abrangência em que a Frangos Piovesan limita é de 25 quilômetros de distância do frigorífico, favorecendo um menor custo de logística para levar as rações e escoamento de frangos vivos para o abate, além de valorizar os municípios locais. Uma projeção inicial mostra que a empresa pode incorporar cerca de 15 novos produtores nesta cadeia da avicultura, além de valorizar famílias que já atuam na atividade, com ampliações. – Precisamos de produtores que estejam dispostos a se profissionalizarem e que se comprometam com o ramo. Temos que ter a visão de que a atividade deve ser a principal fonte de renda de uma propriedade e não só mais uma – exclama o empresário Vanderlei Piovesan.

Empresa passará de 240 mil frangos abatidos no mês para 550 mil/mês


Criação

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Frangos: manejo de inverno garante bom desempenho

A

s temperaturas baixas são motivo de preocupação para avicultores nesta época do ano. Por isso, é preciso estar atento a todas as intempéries climáticas para que a ambiência desejada para a idade do lote seja a ideal, o que repercute no desenvolvimento dos animais. – Essa ambiência é o ponto mais importante que o produtor deve analisar frequentemente. É um conjunto de fatores, como a velocidade de ar, temperatura desejada, concentração de gases e umidade. Estes quatro fatores são analisados de várias formas, sendo o pintinho o melhor “sensor” do que está sentindo. Se esta relação está harmônica, o pintinho se sentirá bem e expressará o máximo do seu potencial de ganho de peso e conversão alimentar – explica o médico-veterinário Joel Schwertz, que atua em uma empresa integradora em Frederico Westphalen.

Veja que fatores facilitam e dificultam esta ambiência ideal para os pintinhos Cama nova: facilita o manejo de

ventilação, porém aumenta o gasto com lenha, pois a cama nova não retém o calor com muita facilidade e, além disso, facilita a absorção da umidade, favorecendo a uma cama mais fria, o que pode representar perdas no desempenho do lote.

Fazer pré-aquecimento da pinteira no mínimo 48 horas antes: a

importância de fazer um pré-aquecimento da pinteira 48 horas antes é justamente evitar o impacto do choque térmico que a pata do pintinho terá com uma cama fria. Então, se a cama estiver bem aquecida, esse choque térmico não ocorrerá e haverá um ganho circunstancial na arrancada do lote.

Manter ventilação ligada: ventilar, mesmo já no pré-aquecimento da pinteira, se torna indispensável para tirar os gases que se acumulam e para retirar o excesso de umidade presente no ambiente, que dificulta a troca de temperaturas do pintinho e também do frango. Deixar a pinteira toda arrumada até iniciar o pré-aquecimento: o

intuito de deixar a pinteira toda arrumada até iniciar o pré-aquecimento é justamente para facilitar o aquecimento da

cama e do ambiente onde o pintinho será alojado, pois além de ter que aquecer o pintinho, facilitará que toda a estrutura esteja mais quente.

Fazer uma ventilação frequente: fazer as trocas de ar, propician-

do uma maior concentração de oxigênio dentro do espaço onde os pintinhos são alojados, resultará num maior ganho de peso em menor tempo, além de prevenir doenças respiratórias.

Se reutilizar a mesma cama do lote anterior, mantê-la livre de umidade e torrões: manter a

cama livre de umidade facilita fazer a ambiência, pois é através da umidade que ocorre um processo que produz e, consequentemente, libera mais amônia para o ambiente, justamente um dos gases mais nocivos para o frango de corte.

Dar espaço adequado ao pintinho: o

espaço que o pintinho ocupa é fundamental. Ao decorrer dos dias o pintinho cresce e ele precisa ocupar mais espaço, como ele se alimenta mais, o pintinho defeca um maior volume de fezes, juntamente com as fezes tem umidade e essa umidade cai no ambiente onde ele dorme, então é de fundamental importância o distanciamento de um pintinho com o outro.

Outro ponto a ser observado é que quanto maior o pintinho, maior será a disputa de comedouros e bebedouros no espaço em que ele está alojado, por isso o produtor tem que entrar com um aumento do espaço para diminuir essa disputa.

Ter lenha seca disponível: isso também vale para qualquer período do ano, mas o mais importante no inverno é ter lenha seca disponível. A lenha, depois de ser cortada, deve permanecer em um abrigo onde não haja contato com a água para que possa secar por um período de quatro meses. É importante respeitar esses quatro meses, pois é o período que a madeira precisa para secar até no cerne. A importância de uma lenha seca é justamente o rendimento de quilo-calorias que ela produz a mais por estar seca, melhorando o aproveitamento da lenha a ser consumida para fazer fogo e aumentar a temperatura interna do aviário. Fornos: é de extrema importância

ter um número adequado de fornos dentro do aviário para oferecer um aquecimento homogêneo e de boa qualidade. Existem diversos modelos de fornos, mas basicamente todos têm o objetivo de aumentar a temperatura interna do aviário. Para que um forno funcione bem, a manutenção periódica é importantíssima, bem como sua limpeza lote após lote.

Parâmetros de temperatura e umidade desejada: Cada integração tem a sua, conforme a necessidade energética que cada pintinho precisa, mas basicamente é usada

uma tabela que é oferecida em manuais de manejo das genéticas fornecedoras de pintinhos. Segue um dos modelos:

Idade

Temperatura

Umidade

1º dia

34°C a 35°C

30% a 50%

2º a 7º dia

32°C a 33°C

40% a 60%

8º ao 14º dia

30°C a 32°C

50% a 60%

15º a 21º dia

28°C a 30°C

50% a 60%

22º a 28º dia

26°C a 28°C

50% a 70%

28º a 35º dia

24°C a 26°C

50% a 70%

35º a 42º dia

22°C a 24°C

50% a 70%

43º a 49º dia

20°C a 22°C

50% a 70%

50º a 56º dias

18°C a 20°C

50% a 70%


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Turismo rural

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Vinho é aliado na hora de promover o turismo no campo No meio rural, a bebida faz parte das atividades de famílias que são tradicionais na vitivinicultura

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Gracieli Verde

Sede da Confraria Amigos do Vinho fica na linha Cocho, na propriedade dos Vizzini

Arquivo Agência Aero Plus/Divulgação

evar um grupo de pessoas da região para conhecer o interior de Portugal é um dos fortes argumentos que o empresário Marcio Tonetti, diretor da Aero Plus Viagens e Turismo, de Sarandi, tem na hora de defender o turismo rural da região. “Isso mostra que aqui também pode dar certo, porque temos potencial para oferecer vários atrativos, basta que organizemos melhor alguns detalhes”, assinala, ressaltando que o vinho pode ser um importante aliado nesta questão, assim como é em outras regiões do mundo. Em recente viagem a Portugal, neste mês de junho, junto com Tonetti, o vitivinicultor Arlézio Vizzini, que mora no interior de Sarandi – onde mantém uma vinícola –, pôde ver de perto esse trabalho por lá. “Vejo que temos alguns pontos que precisamos melhorar. Localmente um deles é o acesso com estradas. Precisamos ter a garantia de que os visitantes consigam chegar”, pontua, enquanto na propriedade máquinas faziam melhorias. Esse fator também é citado por Marcio Tonetti. “Para fazer roteiro no interior é preciso que o tráfego esteja garantido para ônibus, por exemplo. Hoje passa, no máximo, veículo de passeio”, avalia. Outro aspecto lembrado por Tonetti é que na região o turismo rural precisa ser visto de forma conjunta. “Não tenho como oferecer roteiros sem pensar em integrar as potencialidades de Sarandi, Rondinha ou Constantina”, exemplifica. “Quem vem de fora pode ficar dois ou três dias, o que também movimenta o mercado hoteleiro, mas é preciso ter atrativos para tal”, observa. A agricultura familiar também pode se beneficiar disso. “Veja bem. Se eu moro perto de uma vinícola ou ponto turístico que recebe turistas, posso vender meus produtos ali próximo. Isso abre outros mercados”, diz Tonetti, com muitas ideias e mostrando-se como um entusiasta do turismo.

Trabalho de sensibilização ocorre há vários anos Marcio Tonetti explica que o trabalho de sensibilização das famílias para participar de roteiros vem ocorrendo há vários anos, por meio de entidades também. “Como não faz parte da nossa cultura, termos esse turismo como um gerador de renda ainda é um pouco distante para muitas pessoas, mas vejo que é pre-

ciso acreditar. Eu mesmo, como empresário, tenho feito esse trabalho e espero que daqui alguns anos o resultado venha, que possamos ter retorno para essas famílias”, diz. Vizzini é outro entusiasta e, por mais que saiba que existem dificuldades, percebe que há um trabalho que pode ser desenvolvi-

do. Técnico agrícola e apaixonado por vinhos, acredita que é uma questão de tempo para o turismo “engrossar o caldo” em Sarandi e arredores. “Na Serra Gaúcha alguns roteiros também era desacreditados pelos agricultores no início, e hoje a realidade é muito promissora por lá. Vejo que estamos no caminho certo”, afirma.

Confraria Amigos do Vinho monta museu

Em Portugal, Vizzini e Tonetti conheceram regiões de produção de vinhos

O Museu do Vinho é um dos atrativos que a Confraria Amigos do Vinho quer oferecer para visitantes e a comunidade regional. O local, que faz parte da propriedade dos Vizzini, tem uma sede que antigamente era moradia da família. Lá eles têm uma cozinha gourmet com restaurante e peças antigas relacionadas à produção de vinhos, como pipas e outros objetos. O local foi todo remodelado graças ao investimento de um grupo de empresários de Sarandi, que vê no setor um potencial futu-

ro para a região. Já Arlézio Vizzini cresceu com a produção de vinho. O avô por parte de mãe, Benedito Dal Chiavon (em memória), quando veio para Sarandi, era tanoeiro, entre as década de 1940/50, e sempre tinha parreiral e fabricava vinhos. Mais tarde, o pai de Arlézio, seu Ivo, hoje aos 80 anos, comprou a propriedade onde moram hoje, no início da década de 1970. “Ele morou onde agora está o museu e ali também fazia vinho. Em 1978 ele construiu outra casa e a primeira ficou como

galpão. Foi este espaço que a confraria restaurou”, explica Arlézio, demonstrando a satisfação em poder comentar a história da família. Ele segue essa tradição e desde 1999 trabalha com a fabricação de vinhos. Antes disso vendia a uva in natura e presentava os clientes com vinho. Com o tempo o produto entrou no gosto de muitos e a produção comercial foi inevitável. Hoje são produzidos entre 70 mil e 80 mil litros por safra, com uva própria e de outros viticultores da região.


Dentro da Porteira

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O Canto Doce de Nova Boa Vista! 7ª Kolonie Fest está na sétima edição e promete reunir público em Nova Boa Vista. Evento incentiva o setor primário, inclusive as agroindústrias Ernesto e Sinésia Zambenedetti com o filho Luciano: parceria proporcionou ampliação dos negócios

Gracieli Verde

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Feira surgiu como uma demanda do setor "Percebi que esse negócio precisava de mais atenção e que eu poderia contribuir para isso."

“Em 2006, diversos produtores foram convidados a exporem seus produtos, tanto alimentos como artesanato, porque se queria ter algo diferente para esta época do ano. Com o tempo deu tão certo, que se tornou um evento maior, com a participação de outros segmentos da comunidade local”, explica o técnico agropecuário Valdinei Bazeggio, da Emater/RS-Ascar. Essa mobilização se deu por meio da prefeitura, Secretaria de Agricultura e Emater/RS.

Luciano Zambenedetti, agricultor

Após a realização da segunda edição, em 2007, o evento passou a ser realizado a cada dois anos. Além disso, foram incorporadas à feira outras atividades, como a exposição do setor moveleiro, do artesanato, comércio em geral e agroindústrias. Também é realizada a Mostra de Terneiras do Centro de Cria. Além disso, na organização foi incorporada a participação da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária (Acisa).

Gracieli Verde

Dia do Colono e Motorista, comemorado em 25 de julho, tem um significado especial em Nova Boa Vista. Por lá um evento comemorativo é realizado há vários anos e teve como origem justamente uma homenagem à data. Como Nova Boa Vista tem sua base econômica no setor primário, a Kolonie Fest também impulsiona o trabalho de agricultores, a exemplo da família Zambenedetti. Muito antes de a feira ser criada, ainda em 1991, o casal Ernesto e Sinésia Zambenedetti começou a trabalhar com panificados. Por problemas de saúde, os dois precisaram deixar de lado o trabalho com lavouras nos 13 hectares de terra que possuíam. Foi quando decidiram vender cucas e bolachas. “Lembro que havia feito três cucas e três pacotes de bolacha e fui na cidade vender. Uma amiga foi indicando para outras e assim começamos a vender”, conta Sinésia, um tanto tímida. O produto feito por Sinésia ganhou fama, pela qualidade e sabor diferenciados, e não demorou muito para sair dali o sustento do casal. Em 1995 a agroindústria familiar Canto Doce foi registrada e aí a produção também já era maior. A Kolonie Fest foi uma das oportunidades que os Zambenedetti tiveram para divulgar para um público maior os produtos que fabricavam. Com o tempo, os planos do filho Luciano, que morava em São Pedro da Serra, mudaram e ele acabou voltando para Nova Boa Vista para ajudar os pais. “Lá o custo de vida era alto, aí decidi voltar. Mesmo aqui, trabalhei em uma fábrica de móveis, mas depois percebi que esse negócio precisava de mais atenção e que eu poderia contribuir para isso”, recorda. Hoje a produção é de cerca de mil pacotes de bolachas caseiras por mês, além de pães e cucas. Além disso, a família tem um ponto de venda na cidade, faz venda direta ao consumidor e também fornece para supermercados de Palmeira das Missões, Carazinho e Sarandi, bem como para a merenda escolar. A inspeção estadual, por meio da Vigilância Sanitária, é um facilitador nesta hora, porque eles podem comercializar o produto em todo o Rio Grande do Sul. Neste êxito da Canto Doce também tem o apoio do poder público, que cedeu o atual espaço que é utilizado para a fabricação. Ali na linha Perau Baixo, bem próximo da cidade, os trabalhos são executados há quatro anos.

Bolachas caseiras estão entre os produtos fabricados na agroindústria


Dentro da Porteira

Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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Um novo perfil de agricultor Casal jovem se mostra como protagonista no campo e demonstra o interesse pela informação, pelo planejamento e por melhores rendimentos

Marcela Buzatto/Emater/Divulgação

leite é mantido pelo casal. – Sempre gostei de trabalhar no interior. Anos atrás era bem sofrido, hoje está melhor. No nosso caso, enxergávamos um futuro no interior, porque sempre teve quem incentivou. Lembro que teve épocas em que muita gente ia para a cidade, foi sobrando pouca gente no campo. Mas aí passamos a ver a oportunidade de se manter no interior – explica, consciente de que ao longo dos anos as melhorias na propriedade fizeram com que as atividades se viabilizassem. Basta ver os arredores da propriedade para perceber que o gosto pelo que se faz é muito presente no dia a dia da família, e isso reflete em bem-estar. “Quando começamos a trabalhar com leite, tínhamos apenas uma vaca. Investimos em melhorias na pastagem, em espaço para ordenha e não tem como comparar com os dias atuais”, reflete o rapaz, comprovando que

Dona Bárbara com o filho Josemar e a nora Mariluci: casal quer repassar aos filhos que devem chegar no futuro a importância do meio rural

Bovinocultura de leite viabilizou a propriedade economicamente e a família vez o “dever de casa” na busca pela qualidade de vida

este cenário que faz parte da vida de muitas famílias da região caracteriza este novo agricultor e pecuarista familiar, que está preocupado com o modo de vida, que quer viver melhor e que valoriza ainda mais a terra que herdou da família. – Não tenho dúvidas que foi o caminho certo escolher essa atividade de leite. Apesar de não querer fazer isso a vida toda, porque sabemos que é cansativo, entendemos que o retorno é muito significativo – revela Josemar. Esse modo de vida do casal permite que as decisões sejam tomadas de forma conjunta, além de a renda também ser distribuída igualmente. É a participação feminina também sendo valorizada, já que a contribuição nas tarefas diárias é grande por parte de Mariluci.

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Marcela Buzatto/Emater/Divulgação

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esidindo a 17 quilômetros da cidade de Iraí, o casal Josemar, 29, e Mariluci Castelli, 22, tem demonstrado nas ações diárias que é possível ser agricultor e estar antenado no que realmente importa no dia a dia: bem-estar, renda e qualidade de vida. É um novo perfil de agricultor que deixa bem claro seus objetivos e expõe isso de forma natural. Dos 54 hectares da propriedade, 30 ha é que são usados para lavoura e pastagens para o gado de leite. Há mais de dez anos a família de Josemar produz leite na linha Uvaieira – ele é natural de Iraí e casado com Mariluci há quatro anos; ela é natural da Vila Lurdes. Na mesma propriedade reside a mãe de Josemar, Bárbada. Hoje a propriedade mantém 28 animais em ordenha, com uma produtividade média diária de 26 litros/vaca. Todo o trabalho com a bovinocultura de

Inclusive, a história da família já foi aberta a outros produtores em um dia de campo, organizado por meio da Emater/RS local, uma vez que os Castelli demonstram esse dinamismo em gerenciar os negócios e as atividades agropecuárias. “É um caso em que a gente vê a participação de mulher, a aposta desses jovens no meio rural, bem como a busca por um estilo de vida em que prevaleça o bem-estar. Tudo isso compreende um conjunto de assuntos que temos falado muito nas nossas visitas e capacitações às famílias do campo. São características que precisam ser evidenciadas para que outras famílias se inspirem”, defende a extensionista Vanessa Dal Canton, que faz parte da equipe do escritório municipal da Emater/RS de Iraí.

“Lembro que teve épocas em que muita gente ia para a cidade, foi sobrando pouca gente no campo. Mas aí passamos a ver a oportunidade de se manter no interior” Josemar Castelli, agricultor


Clima

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Menos chuva neste inverno Chuvas Em relação às chuvas, a notícia é positiva para a região. “A principal característica deste inverno é que chova menos. Os últimos acumulados que aconteceram no Rio Grande do Sul não tendem a se repetir no decorrer da estação. Tem sim episódios de chuva, mas que não chegam a acumular tanta precipitação como aconteceu durante o outono”, esclarece a profissional da Somar Meteorologia. O período em que poderá haver um acúmulo maior de chuva é o segundo semestre de agosto. “Em agosto, os desvios de chuva tendem a ficar um pouco acima da média, diferente de julho, quando a metade Norte do Estado deve ter poucos acumulados”, conclui a meteorologista.

Estação mais fria do ano deve ter mais dias de sol e céu azul na região

BOLETIM AGROMETEREOLÓGICO Leandro Marques Engenheiro-agrônomo | Extensionista rural da Emater/RS-Ascar Divulgação

O resultado da análise Neste começo de inverno, muitos de nossos agricultores dedicam parte de seu tempo para o envio de amostras de solo aos laboratórios já planejando os cultivos de verão na propriedade. Muito além de uma exigência dos agentes financeiros para a liberação dos custeios, a importância da análise de solo ganha cada vez mais espaço nas conversas entre os agricultores. Alguns, por perceber no campo a melhor resposta das plantas aos adubos e corretivos. Outros, por verificar ao longo dos anos que o solo ganha qualidade e estrutura quando manejado de acordo com a interpretação dos resultados das análises. Vale destacar que a nossa região dispõe de laboratórios confiáveis para o envio das amostras. Muitos laboratórios acompanharam a evolução da agricultura nos últimos anos e trazem precisão nos resultados. O que ainda precisa

evoluir é a qualidade da amostra, de maneira geral. Assim, é importante que o agricultor aproveite os dias de sol para realizar uma boa coleta de solo em suas áreas, buscando orientação técnica e apoio para enviar ao laboratório algo confiável e representativo da sua propriedade. A Emater pode ajudar nessa etapa. O bom resultado da análise começa na amostra enviada ao laboratório.

Tradição na apicultura No próximo mês acontece, na cidade de São Gabriel, o 21º Seminário Estadual de Apicultura. O evento conta com a participação de apicultores da região, que inclusive já foram premiados pelo Concurso Estadual do Mel em outros anos, além de pesquisadores e diversos trabalhadores ligados a apicultura. Para quem trabalha no campo com as abelhas, é válido ressaltar que no inverno certos cuidados são decisivos para a boa colheita na próxima

primavera, como o fortalecimento dos enxames por meio da alimentação. Em tais situações é recomendável que o apicultor elabore um calendário de alimentação. Outro aspecto importante é o monitoramento de possíveis doenças no enxame. A presença de abelhas mortas no assoalho da caixa pode indicar o surgimento de doenças. Manter a limpeza e a boa higiene da colméia é fundamental. A tradição na apicultura é uma característica na região.

O amarelo do campo A cada safra, a cultura da canola ganha espaço nas lavouras da região. A planta é cultivada em maior volume nas cidades próximas a Palmeira das Missões, apresentando, ao entrar em floração, um cenário de tom amarelo em áreas de cultivo, chamando a atenção do campo e da cidade. É justamente a fase de floração que está iniciando nas próximas semanas que costuma trazer um desafio ao agricultor. É nesse período que a planta se mostra mais

sensível aos possíveis veranicos que ocorrem no inverno. Uma pesquisa conduzida na área experimental da UFSM, campus de Frederico Westphalen, constatou que a cultura pode apresentar problemas quando, durante a floração, ocorrer períodos de veranico com temperatura do ar acima de 27ºC. Monitorar o tempo nos próximos dias pode ajudar a explicar possíveis perdas na canola, caso o clima se torne um desafio no campo.

Manejo do parreiral Com a proximidade do período de poda dos parreirais, a chegada do frio ocorre em boa hora no campo. Para o início dos trabalhos de poda nos parreirais é recomendável que seja conferido com antecedência as condições dos equipamentos utilizados para a atividade, evitando situações na qual seja necessário interromper os trabalhos para substituir materiais e ferramentas. Os equipamentos como o serrote e a tesoura de poda, por exemplo, devem estar limpos, afiados e lubrificados para o bom andamento das atividades.

A limpeza prévia da área onde está o parreiral também é recomendável, visando facilitar a entrada de quem vai realizar a poda nas áreas de produção, bem como a manutenção da boa umidade no solo. Postes e arames de sustentação que caem com a ação da chuva e do vento costumam ser encontrados a cada limpeza das áreas, tornando necessário o trabalho de substituição desses itens. Evitar atrasos e fazer a poda na hora certa pode ser decisivo para boas produções na próxima safra de uva.

Gracieli Verde

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inverno já começou – desde 21 de junho – e na região ele já mostrou a que veio, com temperaturas na marca dos 0°C em várias cidades na metade da segunda quinzena no mês passado. Mesmo com essas quedas consideráveis da temperatura, a equipe da Somar Meteorologia estima que, durante a maior parte da estação, as temperaturas variem entre 12°C e 23°C, o que é considerado normal na região. – No geral, as temperaturas tendem a ser mais baixas, ao mesmo tempo que os desvios maiores devem se concentrar nesta região do Estado. A tendência também é que ocorram dois grandes declínios de temperatura, com possibilidades de geada, uma em cada quinzena de julho – detalha a meteorologista Juliana Resende. Para o segundo mês do inverno, em agosto, as temperaturas devem ter uma alta, porém, ainda com chances de ondas de frio. “Já a partir de agosto, a média climática deve aumentar, mas ainda devem ser registrados alguns períodos de baixas na temperatura, que devem prosseguir até início de setembro, inclusive com possibilidades de geada”, informa a meteorologista.


Verde Gracieli

Bem-Estar

Encontro da Biodiversidade chega à sexta edição

Extensionistas da Emater/RS reforçaram a necessidade de produzir alimentos para a subsistência das famílias

Importância da alimentação saudável e do uso de plantas medicinais foi reforçada por profissionais

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Brasil tem a maior parcela da diversidade de plantas do mundo, o que torna o país uma referência no assunto. Por outro lado, existe aqui uma indústria farmacêutica forte, o que retrai um pouco o uso de plantas medici-

nais para a prevenção e cura de doenças – por mais que seja uma prática corriqueira na maioria das famílias, especialmente nas que vivem no campo. Essa e outras análises foram feitas pela enfermeira Micherle Oliveira Bandeira, durante o 6º Encontro da Biodiversidade, Segurança e Soberania Alimentar e o 2º Encontro das Plantas Bioativas, em Vista Alegre, no dia 13 de junho. A enfermeira foi uma das palestrantes do encontro, que reuniu cerca de 200 agricultores, lideranças e extensionistas de Vista Alegre, Palmitinho, Taquaruçu do Sul e Pinheirinho do Vale. A programação foi dividida em dois momentos: as palestras no salão paroquial e a exposição e troca de sementes e mudas no Clube Sol D’América. Micherle Oliveira Bandeira também fez um resgate em relação ao trabalho com plantas medicinais, sendo que o ponto de partida foi em 1978, com a Conferência de Alma-Ata, na Genebra/Suíça, sobre cuidados primários de saúde. “Hoje o Ministério da Saúde brasileiro reconhece mais de 70 tipos de produtos fitoterápicos. É um número grande se for olhar para que tipos de doenças podem ser aplica-

Sai pra lá, GRIPE! Usando ervas comuns na propriedade, naturalista ensina a fazer xarope para prevenir e combater a gripe

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esta época é comum que a gripe incomode muita gente. Para prevenir, chás e xaropes naturais podem ser aliados. A naturalista e sindicalista Dilva Brum, de Constantina, dá uma dica: “para prevenir a gripe é importante sempre tomar um chá Revista Novo Rural - julho de 2017

à noite. Pode ser de guaco, gengibre ou limão”. Também pode acrescentar 15 gotas de própolis nesses chás, que além de ter a função preventiva, têm efeito curativo. Veja uma sugestão de receita de xarope que pode ser feito para combater e para prevenir a gripe.

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dos”, assinalou, citando exemplos como a babosa, o hortelã, o guaco, que já são mais habituais entre as famílias interioranas. Para ela, o desafio futuro é justamente fazer esse resgate de plantas que, com o tempo, se perderam, bem como que o conhecimento popular sobre esse assunto seja reconhecido como patrimônio cultural. “Quem sabe no futuro possamos ter programais municipais que abordem com mais intensidade esse assunto”, estimou a profissional. Com ela ainda participaram o médico Evel Wilson e o dentista José Luis Maglia. Outro assunto que esteve em debate foi a Campanha de Segurança e Soberania Alimentar para Produção de Subsistência “Produza seu alimento e colha saúde”, que é desenvolvida nos 42 municípios de abrangência do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen. A extensionista Vanessa Dal Canton, da Emater/RS de Iraí, expôs a necessidade de pensar em uma alimentação variada para a família, valorizando o que é possível produzir na propriedade. Já o extensionista e técnico agrícola Jú-

Xarope

lio Cesar Guerra, da Emater/RS de Taquaruçu do Sul, comentou do trabalho que é feito por meio da Emater/RS nas propriedades, incentivando e orientando a organização das hortas e pomares, além da produção de carnes para o consumo da família. “É claro que ‘dentro da porteira’ é o produtor que vai decidir o que é melhor para a sua família. Nós orientamos, mas quem executa são as famílias”, disse, reforçando que é importante essa conscientização. Também acompanharam a explanação o agrônomo Clairto Dal Forno e o gerente-adjunto Mario Coelho da Silva. “É um momento de pensar não somente no aspecto econômico das propriedades, o que já é de praxe, mas também no bem-estar das famílias”, ressaltou Silva. A promoção do encontro foi dos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar, secretarias de Saúde e administrações municipais de Taquaruçu do Sul, Vista Alegre, Pinheirinho do Vale e Palmitinho.

1 punhado de folhas de avenca

Suco de dois limões

30 ml de essência de própolis

3 litros de água

2 xícaras de mel

1 punhado de casca de angico vermelho

1 punhado de folha de tansagem

1 quilo de açúcar mascavo ou cristal

1 punhado de folhas de guaco

Casca de um abacaxi

1 punhado de folhas de picão preto

Modo de preparo Ferver a casca de angico e abacaxi por quinze minutos. Acrescentar as outras ervas, ferver mais dez minutos, desligar o fogo e deixar esfriar. Depois coar acrescentar o açúcar, ferver até ponto de xarope, desligar o fogo e acrescentar o mel e o suco de limão. Depois de frio acrescentar a essência de própolis e guardar em vidros.


Bruna Bonadeo

Bem-Estar

Por que você toma chimarrão? Saiba quais os benefícios deste companheiro inseparável dos gaúchos

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le faz parte da rotina dos gaúchos em vários momentos do dia. Pode ser feito de vários modos, mas em todos eles é cultuada a tradição gaúcha. Mas o tão popular chimarrão não serve apenas para isso, também traz os diversos benefícios da erva-mate para a saúde humana. Para trazer mais informações sobre o assunto, a reportagem conversou com o diretor-executivo da Escola do Chimarrão, Pedro Schwengber, que esteve no 32º Festival Carijo da Canção Gaúcha, realizado no fim de maio, em Palmeira das Missões. Na nossa fanpage no Facebook você também pode acompanhar um vídeo sobre o assunto. Acesse: facebook.com/revistanovorural. Prepara o mate, mas antes dá uma olhada em algumas dicas!

A planta “mais completa” do planeta O entusiasmo com que Pedro Schwengber fala do chimarrão não é à toa. Segundo ele, a erva-mate usada para a bebida é uma das plantas mais completas que existem no planeta. “São pesquisas internacionais que comprovam isso, porque nacionalmente se estuda pouco esse produto”, justifica, entre uma cuia e outra de chimarrão. Além dos benefícios para a saúde, que em seguida vamos listar, o mate tem uma simbologia importante para o gaúcho. “A pessoa que tem o hábito diário do chimarrão dificilmente vai ter depressão, porque mesmo quando mateamos solitos, o chimarrão responde a todas as perguntas, mesmo calado”, ousa dizer Schwengber. E quem duvida? Revista Novo Rural - julho de 2017

Escola do Chimarrão ensina 36 tipos de chimarrão

Diversos motivos para cevar e tomar um mate

Saiba algumas curiosidades sobre a erva-mate!

Pedro Schwengber defende que a erva-mate tem praticamente todas as vitaminas necessárias para o organismo humano, além de sais minerais. Listamos alguns dos benefícios da erva-mate, conforme a Escola do Chimarrão, para você cevar o mate mais consciente dos benefícios dessa bebida. A erva-mate é digestiva.

Estimulante das atividades físicas e mentais.

É rica em sais minerais, como cálcio, ferro, fósforo, potássio, manganês. É vasodilatador, atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco. Auxiliar no combate ao colesterol ruim (LDL), graças à ação antioxidante. É um produto rico em flavonóides (antioxidantes vegetais), que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce. Auxiliar em dietas de emagrecimento.

Escola do Chimarrão é um organização não-governamental que tem por objetivo difundir os benefícios da bebida, bem como valorizar a erva-mate produzida no Estado. Além disso, a escola difunde 36 tipos de chimarrão, inclusive vários deles bem práticos de serem preparados no dia a dia.

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Já em relação ao consumo, o Uruguai lidera o ranking, mas não tem erva-mate. Em seguida aparecem Argentina, Paraguai, Síria e o Brasil, em quinto lugar.

Paraná é o Estado maior produtor de erva-mate do Brasil, Santa Catarina fica em segundo e o Rio Grande do Sul em terceiro lugar.

No Brasil o consumo maior de erva-mate está no RS, seguido de SC e PR. Isso mesmo, bem no sentido inverso da produção.

Argentina é o maior produtor mundial de erva-mate, mas não tem erva nativa.

É um moderado diurético.

Contém vitaminas A, B1, B2, C e E.

A erva-mate só é produzida no Paraguai, Argentina e Brasil, nos Estados do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Estão sendo feitos experimentos de plantio de erva-mate na África e na Índia, mas ainda sem resultados.

Com a palavra, diretor-executivo da Escola do Chimarrão, Pedro Schwengber

NR

Qual o segredo para um bom chimarrão?

NR

E em relação à água?

NR

Como a qualidade do porongo interfere nisso?

Pedro Schwengber – Talvez sejam várias técnicas. Em primeiro lugar, tem que saber a temperatura da água, escolher e armazenar a erva-mate de forma correta, preparar e escolher bem a cuia, assim como a bomba. A cuia, por exemplo, é muito pessoal, cada um tem a sua preferência. As bombas devem ser de aço inoxidável, que são mais higiênicas e funcionais. Ao lavar a cuia, use somente água corrente, com esponja ou escova, deixe deitada, que é a única forma de o oxigênio passar por ela. Para lavar a bomba deixe-a em água corrente, para não deixar pó acumulado no bojo e não entupir. Outra coisa: escolha a erva-mate pela data de fabricação e não de vencimento, porque a Anvisa prevê que tem dois anos de validade, então quanto mais nova, melhor. O armazenamento pode ser feito no freezer, porque a erva é muito sensível e aí mantém a mesma cor e o sabor por até seis anos – eu tenho um freezer só para erva-mate.

Schwengber – A água precisa ser de qualidade e estar na temperatura certa. É importante ter um termômetro. O ideal é em torno de 70°C, jamais acima de 73°C. Importante dizer que não viemos para cá para afirmar que essa é a forma ideal de fazer chimarrão, mas que também pode ser assim, porque o mais errado de tudo é não tomar chimarrão, tendo em vista os benefícios da erva-mate. Mas reforço: fazer chimarrão sem termômetro é como dizer as horas sem relógio.

Schwengber – Bom, a história do porongo vem desde os índios. Tanto que remotamente os ricos não tomavam chimarrão. Quem tomava eram os índios, depois os escravos e mais tarde os peões de estância. Mas, de forma geral, as pessoas se renderam ao chimarrão. As primeiras bombas, por exemplo, eram de taquara. As bombas de metais foram aprimoradas com bojo depois de 1900. Aí começaram a surgir outras cuias, como de porcelana, de vidro, de madeira. Mas, para o bom chimarrão, nada substitui o porongo e, de preferência, o mais natural possível, sem muitos enfeites, no máximo uma base para apoiar. Os bocais de alumínio ou outros materiais são bem anti-higiênicos, porque é um ambiente próprio para germes e bactérias. Não sou contra quem utiliza ou vende, mas não uso.


Culinária

Revista Novo Rural - julho de 2017

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Que tal a erva-mate em bolos e tortas?

A

erva-mate tem surpreendido como ingrediente em várias receitas, tanto doces como de salgados. É um produto tradicional do Sul do Brasil e que vai muito além do chimarrão. Vejas as sugestões que vem de Palmeira das Missões, por intermédio do escritório municipal da Emater/RS. Experimente!

Torta salgada de legumes e erva-mate Ingredientes para a massa 1 xícara de óleo

1 colher (chá) de sal 1 xícara de farinha de trigo

2 xícaras de leite 1 xícara de amido de milho

Ingredientes para o recheio

1 colher (sopa) de fermento em pó químico

2 colheres (sopa) de óleo Manteiga e farinha para untar

Queijo ralado a gosto

2 colheres (sopa) de erva-mate peneirada

4 ovos

1 cenoura (cozida) picada

1 cebola picada

1 lata de milho verde

½ pimentão verde picado

2 colheres (sopa) de azeitona (opcional)

1 xícara de brócolis

1 xícara de cheiro verde picado

Preparo Comece a torta refogando a cebola, cenoura e o brócolis em uma frigideira grande com manteiga, cozinhe por 5 minutos, acrescente os pimentões, depois acrescente o milho. Retire do fogo e tempere com sal, pimenta e cheiro verde. Em seguida, bater no liquidificador o óleo, sal, farinha, amido de milho, fermento, ovos e a erva-mate. Coloque metade da massa em uma forma untada com manteiga e farinha, coloque recheio, o restante da massa e salpique o queijo ralado e leve ao forno por 35 minutos.

Gracieli Verde

Bolo de erva-mate Ingredientes 3 xícaras de açúcar

Preparo 1 xícara de leite

2 xícaras de farinha de trigo 2 xícaras de amido de milho 2 colheres (sopa) de erva-mate peneirada

2 colher (sopa) de fermento em pó químico 6 ovos

Bater as gemas com 1 ½ xícara de açúcar, acrescentar o leite fervendo. Adicionar o amido de milho, a erva-mate, a farinha, o fermento e bater. Acrescentar as claras batidas em neve, com o restante do açúcar mexer bem e levar ao forno para assar. Retirar do forno e salpicar erva-mate peneirada. Colaborou: Dalva Rosane Moura Santos, da Escola Municipal Santa Rita de Cassia, de Palmeira das Missões

Gracieli Verde

Colaborou: Enéia de Fátima Rodrigues de Oliveira, da Agroindústria Salmos de Davi, de Palmeira das Missões


Ações que inspiram

Revista Novo Rural - Julho de 2017

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Você sabe qual política pública tem acesso? Muitas vezes processos considerados simples no dia a da do agricultor fazem parte de ações que se dão graças a essas políticas, a exemplo da própria extensão e assistência técnica rural Gracieli Verde

A

s pequeninas roupas estendidas no varal dão indícios de que há bebê “na área”. Várias casas próximas comprovam que a família é unida e que os filhos estão por perto. Nesse quesito dona Maria Fritzen, 64 anos, viúva, moradora da linha Fritzen, em Nova Boa Vista, pode se sentir privilegiada. Com ela mora a filha Lucilene, 33 anos. Além disso, na mesma propriedade residem as filhas Cláudia Fritzen Weber, 44 anos, viúva, e as netas Carol Thaís, 21, e Camila Aparecida, 18; Cátia Maria, o genro Paulo Cesar Seibel, 45, e os netos Pedro Augusto, 14, e Maria Heloísa, de pouco mais de um mês de vida; e o caçula Luciano, 31, a nora Cristiane, 32, e o neto Davi Luiz, 2 anos. Para viabilizar a propriedade de 24 hectares, ao longo dos últimos anos diversos investimentos foram feitos, especialmente em suinocultura e bovinocultura de leite. Mesmo assim, há outras rendas complementares, como o artesanato que Lucilene faz, que somam no orçamento, sem contar a infinidade de alimentos para subsistência que culturalmente são produzidos pelos Fritzen. Todo esse cenário, em que predomina muito trabalho, tem algumas influências que permitem potencializar o empenho da família e resultar em renda, afinal, para viabilizar que os filhos pudessem construir suas vidas na propriedade foi preciso estabelecer metas e buscá-las. “Tem que ter renda para sustentar a todos”, comenta Cláudia. Tanto que hoje na propriedade é mantido um plantel de 23 vacas em lactação e 750 suínos são engordados por lote, por meio de um sistema de integração. Dentro desse contexto, o acesso a algumas políticas públicas permitiu que esse cenário se estabelecesse. “Todos os investimentos foram feitos por meio do Pronaf, cuja carta de aptidão é emitida via Emater/RS”, cita Claudia. No caso da carta de aptidão, esta também pode ser obtida em sindicatos – e é considerada uma política pública.

“Além de pensar no bem-estar animal, é preciso pensar nas pessoas” Cláudia Fritzen Weber, agricultora

No registro o secretário de Agricultura, Edson José Mossmann, Cátia com a bebê Maria Heloísa, dona Maria, Lucilene, Luciano, Cláudia, Camila, Carol, o extensionista Valdinei Bazeggio, que também acompanha a família. Agachados estão Davi Luiz no colo do tio Paulo Cesar

Acesso a políticas públicas é importante para garantir investimentos Em conversa com a família Fritzen não há dúvidas de que uma série de políticas públicas disponíveis para os agricultores têm influenciado a vida no campo. Na agricultura familiar, a busca pela redução da penosidade é um dos aspectos que chamam atenção. “Tirei muito leite a mão, tendo que carregar os tarros pesados”, lembra Lucilene. Hoje a ordenhadeira canalizada mudou bastante esse aspecto. “Além de pensar no bem-estar animal, é preciso pensar nas pessoas”, acrescenta Cláudia. Isso, inclusive, influencia que a neta mais velha da dona Maria, Carol Thaís, que está cursando Zootecnia, planeje o retorno para a propriedade no futuro, após a formação. “A gente vê mais oportunidades”, diz ela. São essas oportunidades que hoje fazem a diferença, porque historicamente esse setor foi excluído das políticas públicas, conforme análise da assistente social Isolete Bacca, que atua no Escritório Central da Emater/RS, em Porto Alegre, mas que já trabalhou em Nova Boa Vista e conhece bem a realidade da família Fritzen. – A partir dos anos 1990 a agricultura familiar no Brasil começou a ter reconhecimento enquanto categoria social e produtiva, através da formulação de políticas a seu favor. De forma geral, pode-se dizer que até então não havia nenhum tipo de política pública, com abrangência nacional, para os agricultores fa-

miliares – assinala Isolete. Um dos exemplos citados por ela é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), criado pelo decreto 1.946, de 28 de junho de 1996, que é considerado uma das principais políticas públicas brasileiras voltadas para o desenvolvimento rural. “Inicialmente era uma linha que previa o custeio agropecuário, atualmente inclui linhas de custeio, investimento, comercialização, apoio ao cooperativismo e prestação de serviço como turismo rural”, reforça. Se for falar de exemplos, outra política pública que é voltada para o fortalecimento da agricultura familiar brasileira é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, a própria extensão rural, com sua forma de assistência técnica, é uma política pública – inclusive a família Fritzen recebe esse acompanhamento tanto por parte da Emater/RS-Ascar, como por meio de programas e ações da Secretaria Municipal de Agricultura de Nova Boa Vista. No caso do Rio Grande do Sul, essa assistência técnica e extensão rural estão presentes nos 497 municípios, assim como nos 42 que compõem o Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen. – Os extensionistas atuam executando diversas políticas públicas, uma vez que as diretrizes estratégicas da nossa institui-

ção compõem eixos como a defesa e garantia de direitos, inclusão social e produtiva, bem como ações socioambientais. Quando se fala em promoção da geração de renda para as famílias, os Fritzen exemplificam bem isso que expomos – avalia a assistente técnica regional Marlete Piaia, da Emater/RS. Ela explica que é contribuindo para o desenvolvimento social, produtivo e econômico, com a estruturação das famílias através da atuação compartilhada com outras instituições, que a ação da extensão rural se dá de forma planejada, continuada, gratuita e participativa às famílias assistidas – por isso a importância da parceria com secretarias municipais e outras entidades ou instituições que estão inseridas nos municípios. Em Nova Boa Vista, inclusive, a agricultura e pecuária familiar têm políticas municipais de incentivo, segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Edson José Mossmann. “Grupos de máquinas são mantidos nas comunidades para auxiliar nos serviços, além da patrulha agrícola da prefeitura. Também há incentivo na área de leite, com auxílio anual no pagamento dos investimentos, e de suínos, com o fornecimento de parte dos materiais para a construção das pocilgas”, pontua. São ações como essas que repercutem de forma positiva no setor, especialmente em municípios que como Nova Boa Vista, cuja economia é baseada na agropecuária.


Revista Novo Rural - Julho de 2017

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O Sicredi na minha vida: histórias de desenvolvimento e cooperação Personagem principal: Fabiano Delai da Silva, 37 anos, associado da Sicredi Grande Palmeira, agência de Sagrada Família (RS), há 13 anos.

O

associado Fabiano é produtor rural e sua maior fonte de renda é o plantio de soja, milho, trigo e feijão. Também concilia suas atividades rurais com a de professor. É casado com a Everla e pai do Augusto. Vê o Sicredi como um parceiro do agricultor. “Eu sou 100% Sicredi, já trabalhei com outras instituições financeiras, mas foi no Sicredi que encontrei a par-

ceria que eu precisava para o meu desenvolvimento, é uma relação de amigos”. O associado destaca o atendimento do Sicredi como um dos principais diferenciais em relação a outras instituições financeiras. “Dificilmente você vai voltar em um lugar onde não é bem atendido, e um dos diferenciais do Sicredi é o atendimento, a importância e atenção que os colaboradores nos dão, o empenho para resolver nossas demandas com agilidade, a proximidade e a facilidade são alguns dos pontos positivos do Sicredi”.

“Eu indicaria o Sicredi a um amigo, eu diria que o Sicredi nunca te deixa na mão, além da segurança que a cooperativa nos passa, pois administra e investe bem os recursos. Eu confio no Sicredi” Fabiano Delai da Silva Quando fala no desenvolvimento de sua propriedade, o associado não imagina como teria sido sem o apoio do Sicredi. “Meu primeiro investimento foi em 2010, de uma colheitadeira usada, depois 2014 a colheitadeira nova, e na sequência o trator e a plantadeira. Se não fosse o Sicredi eu não teria condições com recursos próprios. Foi uma caminhada feita em conjunto. Outro destaque é o acompanhamento que o Sicredi faz com nós, agricultores, para que estejamos investindo corretamente nossos recursos.

Esta consultoria com certeza facilitou muito nossa vida”. Fabiano se sente parte da cooperativa e sabe que contribui também para o desenvolvimento da mesma. “Eu como associado sinto que contribuo com a cooperativa, para que ela também se desenvolva, por isso utilizo, além dos financiamentos, investimentos, também dos consórcios e, principalmente, dos seguros do Sicredi. Eu procuro sempre manter tudo assegurado, hoje nós não temos o controle de tudo e temos que evitar surpresas”.

Para o futuro, o associado pretende continuar contando com o apoio do Sicredi. “Eu estou começando minha família, hoje tenho minha esposa, meu filho Augusto, de quatro anos, e um bebê a caminho, e esperamos continuar lado a lado com o Sicredi. Já estamos pensando em abrir uma conta para o Augusto, pois apesar da pouca idade, estamos pensando no seu futuro. Afinal, é ele quem vai assumir os negócios e dar continuidade ao desenvolvimento da nossa propriedade”.

Julho 2017 DIA

DIA

DIA

DIA

DIA

DIA

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DIAS

5

6

7

19

19

22

28, 29 e 30

Seminário Regional do Cooperativismo

Tarde de Campo

Seminário Regional da Suinocultura

4º Jantar do Peixe e lançamento da Feimate

Tarde de Campo de Viticultura

Café Colonial

Jantar do Vinho com premiação do Concurso do Jovem Rural

Salão de Atos da URI/FW Frederico Westphalen

Frederico Westphalen

Frederico Westphalen

Novo Barreiro

Frederico Westphalen

Engenho Velho

Frederico Westphalen

7ª Kolonie Fest Nova Boa Vista


Plano

Safra 2017/2018

Juntos, desenvolvemos a sua produção.

Os recursos já estão disponíveis com a gente. Procure seu gerente e conte mais uma vez com o nosso apoio para continuar crescendo.

1ª Instituição Financeira Cooperativa do Brasil. sicredi.com.br

SAC Sicredi - 0800 724 7220 / Deficientes Auditivos ou de Fala - 0800 724 0525 / Ouvidoria Sicredi - 0800 646 2519

Custeio Investimento Comercialização


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APOIO: R E V I S TA

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“Tenho o cooperativismo o meu DNA. Foi através deste fascinante sistema que construí minha trajetória de vida. Acredito que só através deste mesmo sistema construiremos um mundo melhor”

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Elio Luiz Duarte Pacheco, presidente Cotrifred

O impacto do cooperativismo na região Pesquisa inédita realizada pela Unidade de Cooperativismo da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen revela dados econômicos do setor nos 42 municípios de abrangência Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

A

s regiões do Médio Alto Uruguai e do Rio da Várzea têm, por meio de um trabalho realizado pela Unidade de Cooperativismo (UCP) da Emater/RS-Ascar e do Fórum Regional do Cooperativismo, uma pesquisa inédita que mostra vários dados relacionados ao setor, como faturamento, contribuição com impostos, funcionários, áreas de atuação, entre outros. “É um estudo inédito e que mostra o quanto este setor contribui para o desenvolvimento econômico e social dos municípios”, assinala a coordenadora da UCP, Marcia Faccin.

“Esse crescimento é resultado de uma gestão profissional, eficiente e comprometida com os princípios e valores cooperativos”. Marcia Faccin, coordenadora da UCP

Prova do crescimento também se vê nos empregos gerados Um dos dados revelados com a pesquisa é que a geração de empregos por meio das cooperativas é crescente, realidade diferente de outros setores, que nos últimos anos têm fechado vagas de trabalho. Conforme análise, de 2012 para 2013 ouve um crescimento de 3,8%, já de 2013 para 2014 o crescimento foi de 2,3%, de 2014 para 2015 foi de 5,3% e de 2015 para 2016 o crescimento foi de 6, 3%. – Percebemos que o sistema cooperativo regional consegue manter crescimento constante na geração de emprego em suas unidades, sendo em muitos municípios a principal opção de emprego para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho – avalia Marcia. Ela defende que, levando em conta os números, se comprova que as cooperativas conseguem, ano após ano, democratizar ainda mais o desenvolvimento de forma harmônica e sustentável na comunidade onde estão inseridas. “Outro aspecto fundamental a ser destacado é que as cooperativas regionais estão com uma média salarial acima da média das cooperativas estaduais, fator considerado positivo”.

Faturamento: crescimento não para Se há geração de emprego, é porque há crescimento e desenvolvimento. Esse crescimento das cooperativas é comprovado pelos números, que expõem o aumento, a cada ano, do faturamento desses empreendimentos. De 2015 para 2016, por exemplo, esse faturamento aumentou em 11,1%, passando de R$ 2,8 bilhões para R$ 3,09 bilhões. “Se comparar isso com o PIB nacional de 2016, que foi de -3,6%, se vê que é um crescimento muito importante para a região, vai na contramão do restante da economia”, aponta Marcia. Na visão dela, isso comprova também que a dinâmica utilizada pelo sistema cooperativo é mais interessante em relação a outros. – Um dos aspectos que pode-se creditar o aumento acima da média nacional do faturamento das cooperativas é a confiança que os associados e a comunidade estão tendo com o sistema, graças à dinânica de uma gestão transparente, profissional e competente da maioria das cooperativas com sede e unidades de atendimento na região. Esse crescimento é resultado de uma gestão profissional, eficiente e comprometida com os princípios e valores cooperativos – defende a coordenadora. Esse crescimento também passa pela consolidação comercial das cooperativas e pela descoberta de novos nichos de mercado. Um exemplo neste quesito é a Coperametista, de Ametista do Sul, que nos últimos três anos chegou a um faturamento de R$ 1,3 milhão, mas que há três anos estava em menos de R$ 100 mil/ano. “A migração para a fabricação de sucos de uva foi o nosso grande lance, porque conseguimos abrir mercados, ter uma tributação menor em relação ao vinho, e assim aumentamos nossa participação no mercado”, observa o presidente, Elton Mezzaroba.

EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO DAS COOPERATIVAS (R$) 3.095.961.683,34 2.815.062.636,52 2.112.225.637,50 2.112.225.637,50 1.792.057.541,18

2012

2013

2014

2015

2016

CRESCIMENTO DO FATURAMENTO DAS COOPERATIVAS CRESCIMENTO DOS POSTOS DE TRABALHO

5,3% 3,8% 2012/2013

6,5%

11,2%

2,3% 2013/2014

2014/2015

2015/2016

21,3%

18,1%

2012/2013

2013/2014

11,1%

2014/2015

COOPERATIVA VALE DAS CUIAS

2015/2016


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“O cooperativismo representa a união de pessoas, força e trabalho, proporcionando ganhos coletivos”

Lauri Inácio Slomski, presidente Sicoob Oestecredi

Recolhimento de impostos é outro dado que se destaca

Empreendimentos também podem ser considerados jovens

Que as cooperativas não sonegam impostos, já é de conhecimento das pessoas. Entretanto, ainda se pensa que elas são isentas ou imunes de grande parcela de tributos, mas, na prática, a isenção se dá apenas no Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e nas contribuições do PIS e Cofins, mas isso tudo somente sobre o resultados apurados com movimentação de cooperados. Exemplo desta segregação de atos cooperados e terceiros é a venda de insumos agropecuários separando a venda para um sócio e para um não-sócio e apurando o resultado produzido em cada operação. “Por isso, a importância da contabilidade na cooperativa em segregar dados e produzir informações claras, capazes de serem comprovadas pelo fisco e utilizáveis pela administração na tomada de decisão”, aponta o contador Adriano Francisco Cocco, que atua na Cotrifred.

IMPOSTOS PAGOS PELAS COOPERATIVAS (R$) 200.625.676,50 170.997.394,15 146.921.159,36 127.087.019,52 119.861.912,20

Área social: olhar atento para as necessidades da comunidade INVESTIMENTO EM AÇÕES SOCIAIS (R$)

O tempo de atividade das cooperativas é outro ponto analisado por meio da pesquisa, que revela que 24% delas foram constituidas nos últimos 10 anos, já 24% possuem de 31 a 40 anos de atuação. – Se somarmos esses percentuais, tem-se 48% das cooperativas com sede nos municípios dos Coredes Médio Alto Uruguai e Rio da Várzea com tempo de atuação de 30 a 60 anos de existência. Elas servem de modelo para as cooperativas mais jovens, que espelham-se nas mais experientes para conseguir desenvolver um modelo de gestão séria, transparente e trazer resultados para os associados e comunidade como um todo – avalia Marcia. Outro diferencial é em relação à qualificação dos dirigentes, que em sua grande maioria possuem nível superior e estão assessorados com boa equipe de profissionais nas mais variadas ações planejadas. “Isso reflete na forma compartilhada com que os assuntos são tratados com associados e conselheiros de administração e fiscal, para administrar e definir os rumos da cooperativa”.

30.936.638,88 24.026.879,82

13.080.402,22

2012

14.343.752,15

2013

17.279.608,71

2014

2015

2016

Das 25 cooperativas que participaram da coleta de dados, 13 não investem em ações sociais, o que se justifica por serem de pequeno porte, e que ainda não possuem um fluxo de caixa que permite investimentos em ações sociais. No entanto, as outras 12 cooperativas que investem nesta área têm aumentado esse valor nos mais variados programas. Essa também é uma forma de colocar em prática um dos princípios do cooperativismo, que prevê essa presença social nas comunidades onde estão inseridas. “Basta olhar a evolução do valor investido nisso entre 2012 e 2016, que passou de R$ 13 milhões para R$ 30,9 milhões”, cita Marcia Faccin.

TEMPO DE ATIVIDADE 2012

2013

2014

2015

2016

4%

12%

8% 24%

Setor primário também predomina entre as cooperativas da região Em relação aos ramos de atividade, Marcia explica que a região segue a tendência do Estado, em que mais de 60% das cooperativas são do ramo agropecuário. – Tanto o Rio Grande do Sul como a região têm sua base econômica pautada no setor primário. Se formos analisar o histórico de constituição das cooperativas agropecuárias, principalmente as tritícolas, que foram criadas na sua grande maioria na década de 1950 e 1960, como opções para os agricultores comercializarem sua produção, foram grandes agentes e fomentadores do desenvolvimento local e regional – aponta. Outro destaque fica para as cooperaticas de crédito, que na região são mais de 30%, e que possuem um papel fundamental nas ações relacionadas ao fomento ao crédito e aos investimentos regionais.

Ramos de atividade 60%: agropecuárias 32%: de crédito

4%: de infraestrurura 4%: mineral

24% 12%

Até 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 20 anos De 21 a 30 anos

16%

De 31 a 40 anos De 51 a 60 anos Acima de 70 anos

Faixa etária dos presidentes revela lideranças jovens • A maioria dos gestores das cooperativas regionais são jovens, sendo 32% de 30 a 40 anos, e 20% de 41 a 50 anos. • Outro dado que chama a atenção: 76% dos gestores estão na atividade no máximo há 10 anos, o que comprova que existe renovação no conselho diretivo das cooperativas, pois destas, algumas já estão no mercado há 30, 40, 60, 80 anos.

Seminário Regional do Cooperativismo Esses e outros dados serão apresentados no 1º Seminário Regional do Cooperativismo, no dia 1º de julho, no salão de atos da URI/FW, em comemoração ao Dia Internacional do Cooperativismo, numa promoção do Fórum Regional do Cooperativismo, Escritório Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen e cooperativas da região. “É um evento único, uma oportunidade para mostrar às pessoas a força do cooperativismo no desenvolvimento regional”, observa Marcia Faccin. Para o presidente do Fórum do Cooperativismo e vice-presidente da Cresol, Loreno Cerutti, é importante que lideranças participem deste seminário para justamente ter acesso a essas informações. “Temos muito para crescer e para conquistar, mas para isso é preciso que as pessoas se deem conta da importância dessas cooperativas para os seus municípios”, pontua Cerutti. A programação contará também com uma palestra, a cargo da Ocergs, sobre cooperativismo e economia. Forneceram dados para a pesquisa as cooperativas: Cooper A1, Sicredi Alto Uruguai, Sicoob Oestecredi, Cresol Sarandi, Cresol Frederico, Creluz, Cotrifred, Coperametista, Cooperjab, Cotrepal, Coopatrisul, Coopervale, Sicredi Produção, Coopraff, Coopaza, Coagril, Cresol Constantina, Extremo Norte, Cotrisal, Coocampo, Cooperali, Coogamai, Sicoob Creditaipu, Vale das Cuias e Sicredi Grande Palmeira.

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“O cooperativismo é um círculo virtuoso, que por meio da soma dos esforços individuais beneficia o coletivo. O cooperativismo promove a educação, empreendedorismo, oportuniza negócios e agrega valor à sociedade visando o desenvolvimento econômico e social”

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Eugênio Poltronieri, presidente do Sicredi Alto Uruguai RS/SC

Cooperar em família para cooperar na sociedade Gracieli Verde

Família Tonin, do interior de Constantina, mostra que o ato de cooperar começa em casa, em pequenas atitudes

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estão compartilhada das receitas financeiras da propriedade, parceria em todas as atividades que são executadas, bem como nas decisões. São aspectos como esses que mostram o comprometimento da família Tonin, moradora da linha São Marcos, em Constantina, com o cooperativismo, não necessariamente porque fazem parte de alguma instituição – hoje eles são sócios da Coopac, Cresol e da Cooperac –, mas por entenderem que ter a cooperação como modo de vida permite o crescimento e o bem-estar mútuo. Os irmãos Marino e Nilo Tonin são casados com as irmãs Noraci e Norma, respectivamente, há cerca de 30 anos. Até pouco tempo também vivia com os dois casais a dona Adélia Zorzi Tonin, mãe de Marino e Nilo, a quem eles creditam todo esse espírito de cooperação. Ela faleceu recentemente, aos 98 anos. O pai dos dois, Luiz Tonin, faleceu ainda quando eram crianças, aos 52 anos. Integrantes de uma família de 11 irmãos, no passado foi unânime a decisão de que eles ficariam na propriedade. “Foi a mãe que mais nos acompanhou, porque ela ficou sozinha cedo. Mesmo assim, lembramos que o pai era uma pessoa muito envolvida na comunidade”, comenta Nilo. A propriedade de 35 hectares tem apenas sete que são mecanizados, o que forçou a família a investir em produção de alimentos, que não dependam dessa automatização. A família também já trabalhou com a produção de leite, mas uma ocorrência de tuberculose no passado fez com que mudasse o foco da matriz produtiva, passando para verduras, embutidos, mandioca, açúcar-de-cana, entre vários outros – são cerca de 30 itens no total, vendidos na feira do produtor local e direto ao consumidor.

Extensionista Rubem Bernardi, os agricultores Nilo, a esposa Norma, com Marino e a esposa Noraci

“Nosso pai sempre ajudava nos cultos e deixou sua marca. Nós também entendemos que precisamos fazer a nossa parte.” Marino Tonin, agricultor

Caixa e vida em comum

Cooperar na comunidade

Ainda em cima do roupeiro da mãe Adélia, no quarto que ela ocupava, fica um caixa da venda de “miudezas” da família. Esse é o dinheiro de todos, que é usado para suprir as mais diversas necessidades da família – fora aquele que vai para a conta bancária. “Sempre foi assim e ainda não mudamos nada depois que ela partiu”, assinala Nilo. Essa união e esse companheirismo também refletiu na educação dos filhos dos dois casais, porque o diálogo sempre esteve em primeiro lugar. Tanto que desde o casamento, os dois casais moram na mesma casa. O agrônomo Rubem Bernardi, da Emater/RS-Ascar de Constantina, observa que no município é forte a cultura de valorização das entidades e cooperativas. “E aqui na família Tonin é exercitado o básico do que o cooperativismo prevê, que é cooperar, se ajudar”, ressalta Bernardi.

Além da família e nas próprias cooperativas onde estão inseridos, os Tonin sabem também a importância de contribuir com a comunidade, na própria localidade onde residem. A participação na diretoria da igreja e de outras entidades locais faz com que esse espírito cooperativo seja difundido em outros espaços. “Nosso pai sempre ajudava nos cultos e deixou sua marca. Nós também entendemos que precisamos fazer a nossa parte, por mais que às vezes é difícil, mas preferimos pecar pelo fazer do que pelo deixar as coisas de lado”, assinala Marino. Uma reflexão que os irmãos fazem é que hoje a maior parte dos líderes atuantes são pessoas que tiveram uma formação em grupos de jovens no passado. “A gente se questiona se no futuro os líderes vão se sentir preparados para assumir isso”, pontua Nilo.

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“O cooperativismo é transformação de vidas, é busca de um mundo melhor, é portas abertas para um futuro de conhecimento”

CONVÊNIO

NOVO

Elemar Battisti, presidente da Creluz.

Você conhece os sete princípios do cooperativismo? Entender melhor o que prevê esta forma de organização é essencial para fortalecer a atuação das cooperativas

COOPERATIVO

Um setor que cresce acima da média! Por Marcia Faccin

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e a formação relacionada ao cooperativismo é importante, o que também é defendida pelo líder cooperativista Cledir Magri (veja mais na entrevista especial desta edição), saber quais são os princípios que regem essa doutrina socioeconômica é fundamental. Afinal, defendemos e praticamos o

que conhecemos – por mais que alguns desses valores muitas vezes são difundidos de outras formas na sociedade, nas entidades, nas comunidades e até mesmo nas famílias. Isso também permite que os sócios possam participar com mais propriedade do processo de decisão dentro das cooperativas.

Veja quais são esses princípios 1

Adesão voluntária e livre:

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Gestão democrática pelos associados: as cooperativas são

cooperativas são organizações voluntárias abertas para todas as pessoas aptas para usar seus serviços e dispostas a aceitar suas responsabilidades de sócio sem discriminação de gênero, social, racial, política ou religiosa.

organizações democráticas controladas por seus sócios, os quais participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e nas tomadas de decisões. Homens e mulheres, eleitos pelos sócios, são responsáveis para com os sócios. Nas cooperativas singulares, os sócios têm igualdade na votação; as cooperativas de outros graus são também organizadas de maneira democrática.

3

Espaço

Participação econômica dos associados: eles contribuem equitativamente e controlam democraticamente o capital de sua cooperativa. Parte desse capital é usualmente propriedade comum da cooperativa para seu desenvolvimento. Usualmente os sócios recebem juros limitados sobre o capital, como condição de sociedade. Os sócios destinam as sobras para os seguintes propósitos: desenvolvimento das cooperativas, apoio a outras atividades aprovadas pelos sócios, redistribuição das sobras, na proporção das operações.

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5

Autonomia e independência:

as cooperativas são organizações autônomas de ajuda mútua. Entrando em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, elas devem fazer em termos que preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham sua autonomia.

Educação, formação e informação: as cooperativas oferecem edu-

cação e treinamento para seus sócios, representantes eleitos, administradores e funcionários para que eles possam contribuir efetivamente para o seu desenvolvimento. Também informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião, sobre a natureza e os benefícios da cooperação.

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Intercooperação: as cooperativas atendem seus sócios mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas e de forma sistêmica, através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais, através de federações, centrais, confederações, etc.

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Compromisso com a comunidade: as cooperativas trabalham pelo

desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas aprovadas pelos seus membros, assumindo um papel de responsabilidade social junto a suas comunidades onde estão inseridas. (Fonte: Ocergs, Sescoop/RS)

Coordenadora da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen

N

o primeiro sábado do mês de julho comemora-se o Dia Internacional do Cooperativismo, e o Fórum Regional do Cooperativismo realiza no primeiro sábado do mês o 1º Seminário “O cooperativismo como indutor do desenvolvimento regional”. Para este seminário foi aplicado um questionário para as cooperativas com sede ou unidades administrativas em um dos 42 municípios dos Coredes Médio Alto Uruguai e Rio da Várzea, onde a grande maioria das cooperativas responderam ao questionário, ou seja, 24 cooperativas. A pesquisa solicitava informações relacionadas ao faturamento, número de funcionário, tempo de atuação, impostos pagos, patrimônio da cooperativa e investimentos em ações sociais, todas informações que não comprometem o planejamento estratégico da cooperativa e as quais são apresentadas nas assembleias gerais que a lei obriga a fazer anualmente com a presença dos associados. Com a tabulação deste questionário, foi possível ter uma visão mais clara sobre a força e o poder que as cooperativas têm em promover e fomentar o desenvolvimento local e regional. Se compararmos o crescimento no aspecto de faturamento das cooperativas ao PIB nacional, percebe- que, enquanto o PIB no ano de 2013 cresceu 3%, as cooperativas cres-

ceram 18%, bem acima do PIB nacional, o que comprova realmente que com gestão transparente, profissionalizada, com foco e com a participação e envolvimento dos associados, o cooperativismo é sim o melhor sistema de promoção e geração do desenvolvimento. E você, tinha ideia que as nossas cooperativas regionais estavam tendo esse crescimento? Você apoia, valoriza e defende o bom cooperativismo? Vou aqui trazer mais alguns números do faturamento, em 2014 o PIB teve um crescimento de 0,5%, as cooperativas apresentaram um crescimento de 11,2%. Em 2015, o PIB obteve uma retração com crescimento negativo de – 3,8%, pior média desde 1996, já as cooperativas tiveram um crescimento de 21%. Em 2016, o PIB continua com retração e apresenta-se novamente com decréscimo de – 3,6% e as nossas cooperativas regionais apresentam crescimento superior a 11%. Você sabe quantos postos de trabalho as nossas cooperativas geram na região? Você sabe a média salarial que as nossas cooperativas pagam aos seus colaboradores? Você sabe quantas pessoas são associadas de uma ou mais cooperativas? Todas essas informações foram obtidas com a pesquisa, e serão amplamente divulgadas. Seja um (a) defensor (a) do bom cooperativismo!

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NOVO

“O cooperativismo autêntico é o melhor sistema socioeconômico que existe, pois sabe produzir e repartir riquezas. Acima de tudo, dá exemplo em princípios e valores morais, tão urgentes em nossa sociedade, como inclusão e solidariedade”

Elio Casarin, presidente Cooper A1.

Ações sociais fortalecem a importância do cooperativismo Programas e projetos têm se tornado diferenciais de diversas cooperativas na região

Cresol

Cotrifred

Mulheres têm espaço

Esporte também é valorizado

O

Divulgação

compromisso que as cooperativas têm com questões sociais pode ser considerado um motivo de orgulho para a região. São diversas as iniciativas que potencializam informações, conhecimento e ações que fazem a diferença na vida de milhares de pessoas. A convite da Novo Rural, várias cooperativas compartilham nesta edição alguns dos trabalhos que executam nesta área, comprovando que as suas atuações são fundamentais para o desenvolvimento da região. Somente em 2016, o setor investiu R$ 30,9 milhões nesta área.

Cresol

Divulgação

Grupo de mulheres em uma das viagens realizadas

Sicoob Oestecredi

Cotrifred

Páscoa Mais Doce

Juventude rural

Distribuição de doces na Páscoa alegra crianças

Divulgação

Há dois anos a Sicoob Oestecredi tem visto na Páscoa uma oportunidade de fortalecer a sua presença nas comunidades onde atua. Com a ação Páscoa Mais Doce, a cooperativa consegue beneficiar crianças carentes e de Apaes dos municípios de sua abrangência, com a adoção de cartinhas e posterior doação de ovos de Páscoa, uma forma de alegrar esta data comemorativa para esse público, bem como de fortalecer as ações de responsabilidade social da cooperativa. Divulgação

A área gerencial de propriedades rurais tem sido fortalecida entre associados à Cresol de Frederico Westphalen, desde abril de 2014, com a implantação do Projeto de Gestão da Unidade de Produção Familiar. Conforme a equipe da cooperativa de crédito, com isso tem sido feito um acompanhamento de 100% das operações de investimentos (com visita a partir do pedido, elaboração do projeto e pós-venda), além do acompanhamento do custeio, promoção de dias de campo e intercâmbios. São acompanhadas 27 famílias nesta área, que também são inclusas no programa Leitec, que é formado por cinco turmas, abrangendo 50 famílias que trabalham com a bovinocultura de leite nos diversos municípios em que a Cresol está presente.

Incentivo ao esporte se dá por meio da Copa União 60 anos Cotrifred

A partir deste ano de 2017 a Cooperativa Tritícola de Frederico Westphalen (Cotrifred) também incentiva o esporte, o que resulta em experiências de lazer para o público ligado à instituição. Em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes, Juventude e Lazer de Frederico Westphalen, é promovida a Copa União 60 anos Cotrifred. Também é uma forma de incentivar a prática desportiva, bem como difundir valores como a disciplina.

Gestão da propriedade

Uma das turmas do Leitec contemplou o município de Palmitinho

Divulgação

Mais de 500 mulheres, tanto do meio rural como do urbano, já foram envolvidas em ações por meio do projeto “Na Cresol as mulheres cooperam”, que foi implantado em março de 2013. Com isso, são oferecidas capacitações, viagens e seminários para as associadas em todos os municípios de abrangência. O intuito é oferecer formação e capacitação para inserção das mulheres na comunidade e na Cresol, valorizar esta parcela de associadas, garantir a participação efetiva delas na cooperativa, promover a educação financeira, ampliar a renda das famílias, bem como promover a formação de novas lideranças.

Presença na Casa Familiar Rural de Frederico Westphalen aproxima a cooperativa dos jovens

Outra ação que a Cotrifred executa é para a juventude rural. Uma delas é na Casa Familiar Rural de Frederico Westphalen, desde 2008. O intuito é incentivar os jovens a identificarem os potenciais do setor agrícola. Concomitante a isso, a cooperativa também disponibiliza bolsas de incentivo a jovens do campo, no valor de R$ 3 mil, para que eles desenvolvam o empreendedorismo. Esse trabalho iniciou em 2016.

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NOVO

Sicredi Alto Uruguai RS/SC

Cooperjab

Acesso à água

Sustentabilidade em foco: destaque na FAO

Eventos técnicos refletem no social

Divulgação

Creluz

Outro programa desenvolvido pela Creluz é o Água Limpa, que envolve associados da área de abrangência do Grupo Creluz – 4.585 famílias, o que soma em torno de 18.340 pessoas. Esse programa é desenvolvido desde 2002. Ao longo desses anos foram muitas histórias transformadas com a iniciativa. Foram executados 154 poços artesianos, sem custo, beneficiando os associados também com a rede elétrica. Já foi investida a cifra de R$ 2.397.692,25 nesse programa.

Sicredi/Divulgação

Creluz

Meio ambiente

Cooperjab/Divulgação

Linha Sete de Setembro, em Taquaruçu do Sul, foi uma das beneficiadas com poço artesiano sem custos

O Programa Propriedade Sustentável, mantida pela Sicredi Alto Uruguai RS/SC, envolve produtores rurais associados da cooperativa, que se reúnem em turmas pelo ciclo de 12 meses, desde 2013. O programa objetiva a orientação de agricultores para a sustentabilidade de propriedades rurais nos aspectos sociais, ambientais e econômicos. A primeira turma foi realizada em 2013 e contemplou 30 famílias dos municípios de Rodeio Bonito, Cristal do Sul, Pinhal, Novo Tiradentes e Cerro Grande. A segunda turma, iniciada em 2014, contemplou 30 famílias dos municípios de Caiçara, Irá e Frederico Westphalen. Em 2016, a cooperativa socializou o programa com o Sebrae e, em conjunto, a proposta foi reformulada. A partir daí iniciaram mais duas turmas, que estão em andamento. Uma delas, contempla 30 famílias dos municípios de Ametista do Sul, Planalto, Alpestre, Seberi e Erval Seco; e a outra contempla mais 30 famílias dos municípios de Vista Alegre, Taquaruçu do Sul, Palmitinho, Pinheirinho do Vale e Frederico Westphalen. Em 2016 o programa recebeu o reconhecimento das Organizações das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), sendo uma das iniciativas da Sicredi Alto Uruguai RS/SC publicadas em sua Plataforma de Boas Práticas.

Dias de campo também integram abordagem social da Cooperjab

as ações da Cooperjab está a promoção de evenEporntre tos técnicos, uma vez que a cooperativa é constituída pequenas e médias propriedades rurais e se busca

a difusão de tecnologias com crescimento e desenvolvimento sustentáveis. Por isso, periodicamente são realizadas palestras e reuniões técnicas, objetivando orientar os associados sobre as inovações tecnológicas, variedades de culturas, bem como novidades a respeito de fertilizantes e defensivos. Nessa linha também ocorrem os dias de campo.

Divulgação

Dia Internacional da Mulher Cooperjab/Divulgação

Famílias têm propriedades identificadas com o programa

Valorização as mulheres

No Horto Florestal a capacidade de alojar é de 400 mil mudas

Sicredi/Divulgação

A Cooperativa de Distribuição de Energia – Creluz mantém há mais de uma década o Programa Social Ambiental Creviva. Por meio deste é realizada a produção de mudas, incentivo à irrigação por declive natural sem gasto de energia, à captação de água da chuva, à sustentabilidade, à educação ambiental, ao reflorestamento dentro das áreas de compensação da cooperativa, à reciclagem de lixo e à adubação com detritos do canal das usinas. Por meio do programa são produzidas 40 espécies da flora regional, mudas de erva-mate nativa e de crotalária. A capacidade de produzir e alojar é de 400 mil mudas no Horto Florestal, numa área ambiental de preservação de 22 hectares no município de Pinhal.

O programa Sicredi Mulher é outra ação que se desafia a valorizar o público feminino da área de atuação da cooperativa. Foi lançado em 2016 em comemoração aos 35 anos de fundação da Sicredi Alto Uruguai RS/SC e envolve tanto associadas quanto não-associadas. A ideia é contribuir com o desenvolvimento pessoal e profissional das participantes. Esse trabalho também influenciou a criação da Liga Feminina de Combate ao Câncer em Rodeio Bonito e uma Associação de Costureiras em Cristal do Sul.

Cursos sobre vários temas são oferecidos aos grupos atendidos

Ação tem parceria de outras entidades locais

ara contemplar esse público considerado importante Porganização para a cooperativa, a Cooperjab participa da promoção e da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Este evento é anual, tradicionalmente no dia 8 de março, em parceria com outras entidades e o poder público. A Cooperjab defende que o encontro também serve para destacar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres da comunidade local, o que promove também a integração entre a mulheres do campo e da cidade, através da mostra de produtos da agricultura familiar, artesanato, debates, palestras e brincadeiras.

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sescooprs.coop.br

QUANDO PESSOAS TRABALHAM INTERLIGADAS PELO COOPERATIVISMO, A SOCIEDADE SE TRANSFORMA.

1 O DE JULHO. DIA INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO.

INTERAÇÃO COOPERATIVISTA PA R A U M M U N D O MELHOR

Revista Novo Rural.Jul2017  

www.facebook.com/revistanovorural

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