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R E V I S TA

Davi Rebelato, 24 anos, produz hortaliças

NOVO INFORMA | ORIENTA | INSPIRA

GRACIELI VERDE

Ano 1 - Edição 7 - Maio de 2017

Vanderlei Lermen fala sobre os desafios da juventude rural

SUINOCULTURA

Granja São Paulo deve iniciar alojamento em FW no mês de julho

CASAS FAMILIARES

REALIZAÇÃO

Assessoramento na área de gestão envolverá jovens

A revista é uma iniciativa de

Na terra onde a soja predomina em quantidade de área plantada, também há espaço para se destacar na agricultura familiar. Produtores têm visto em atividades familiares a possibilidade de agregar renda e qualidade de vida

APOIO

ENTREVISTA

NOVOS HORIZONTES PARA PALMEIRA DAS MISSÕES

Revista Novo Rural - Maio de 2017

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Carta ao leitor

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ocê é sócio de alguma cooperativa? Sim? Não? Por quê? Sente-se dono desta cooperativa? Participa ativamente das reuniões e atividades desenvolvidas pela cooperativa? Compra e investe na “sua” cooperativa? Você realmente sente-se “dono” da cooperativa ou apenas mais um cliente? Sente orgulho em estar sócio da “sua” cooperativa? Defende-a quando alguém tenta falar mal? Estas são algumas das perguntas que a coordenadora da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen, Marcia Faccin, faz no espaço que criamos, a partir desta edição, para dialogar mais sobre este tema tão importante para o desenvolvimento da nossa região. Sem dúvida, cada questionamento merece uma reflexão em separado, tanto do agricultor quanto das lideranças à frente das cooperativas da nossa região, pois é preciso melhorar a compreensão, o comprometimento e também a gestão, para que esta filosofia de vida, que “transforma o mundo em um lugar mais justo, feliz, equi-

Nesta edição 6 A Campo

librado e com melhores oportunidades para todos”, esteja cada vez mais forte em nosso meio. Outro tema prioritário desta edição é a sucessão no meio rural, pois de acordo com a Fetraf-RS, 40% das propriedades de pequenos agricultores no Estado enfrentam a falta de sucessor. Por isso, contamos a história do agricultor, palestrante, radialista e escritor Vanderlei Holz Lermen, 26 anos, que com muita criatividade tem chamado a atenção pela forma como defende a permanência do jovem no campo. Com simplicidade e muita clareza, Lermen traduz os desafios que as famílias enfrentam e é este o questionamento que deu início a um grande projeto, a pesquisa sobre as Perspectivas da Juventude Rural, que já conta com o relato de mais de 400 jovens falando o que pensam sobre o presente e o futuro. Se um dos propósitos desta publicação é inspirar, sem dúvida esta entrevista cumpre com louvor a missão. Uma excelente leitura!

Veja como está a colheita do amendoim, em São José das Missões, bem como mais dados da safra da soja na região. Na reportagem de capa desta edição a reportagem traz a preocupação de lideranças e produtores de Palmeira das Missões em fortalecer o incentivo à agricultura familiar. Por mais que a agricultura empresarial esteja consolidada, o poder público municipal percebe que é necessário apoiar os agricultores familiares para promover melhor distribuição de renda.

22 Entrevista

Nesta edição o entrevistado especial é o jovem Vanderlei Holz Lermen, de Boa Vista do Buricá. Ele conta como foi o processo de decisão de ficar no campo e como as redes sociais podem influenciar a vida dos jovens rurais.

25 Intercooperando

Patrícia Cerutti | Diretora

13 Criação

Crédito Maira Dill/Especial Novo Rural

Granja São Paulo deve começar a alojar matrizes no mês de julho, em Frederico Westphalen, e pode ser considerada referência no uso de tecnologia para a produção de suínos. Em Lajeado do Bugre o projeto SPA Leiteiro tem conseguido trazer mais produtores para a atividade. Além disso, conheça mais sobre a Cabanha Sol Brilhante, que está com a égua AM Gaita na final do Freio de Ouro 2017, que será em agosto, em Esteio. Também tem dicas de como cuidar do solo nas áreas de pastagens.

Estreia nesta edição a coluna Espaço Cooperativo, assinada pela coordenadora da Unidade de Cooperativismo de Frederico Westphalen da Emater/RS-Ascar, Marcia Faccin. A editoria também traz informações sobre o Fórum Regional do Cooperativismo, que está sob nova coordenação.

“Sobre a sexta edição, o que mais chamou a atenção foram as matérias sobre o leite e sobre a depressão. Pautas bem desenvolvidas e contextualizadas de forma que se aproximam do leitor. Parabéns e vida longa ao veículo!”.

Maira Kempf, de Santo Augusto, via Facebook

R E V I S TA

NOVO

Saiba como a Emater/RS-Ascar está articulando o trabalho com escolas rurais para debater temas como a sucessão rural.

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COMENTÁRIOS Novo Rural

26 Ações que Inspiram

Juventude e Sucessão

Inicia um acompanhamento mais próximo dos extencionistas da Emater/RS-Ascar a jovens de casas familiares rurais da região, por meio do programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar.

Apicultura

“Há vários anos em Erval Seco também temos um entreposto de mel que tem Inspeção Federal. Ele é mantido pela Associação Regional de Criadores de Abelhas (Arca), que inclusive pode receber associados de outros municípios, não somente Erval Seco, e que já teve mel premiado como um dos melhores do mercado”.

28 Clima

Equipe da Somar Meteorologia expõe tendência climática para os próximos meses.

Ivo Pessotto, de Erval Seco A revista Novo Rural é uma publicação realizada em parceria por ®

Diretora

Editora-chefe

Patricia Cerutti

Gracieli Verde

Coordenador financeiro

Gerente Comercial Ivone Kempka

Eduardo Cerutti

Circulação

Mensal

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Reportagem

Tiragem

12 mil exemplares

Fone: (55) 3744-3040 Endereço: Rua Getúlio Vargas, 201 - B. Ipiranga Frederico Westphalen/RS

Revista Novo Rural - Maio de 2017

Revista Novo Rural

@novorural

55 99624-3768

Débora Theobald

Diagramação e publicidade Fábio Rehbein, Karen Kunichiro e Leonardo Bueno

ABRANGÊNCIA: Alpestre, Ametista do Sul, Barra Funda, Boa Vista das Missões, Caiçara, Cerro Grande, Chapada, Constantina, Cristal do Sul, Dois Irmãos das Missões, Engenho Velho, Erval Seco, Frederico Westphalen, Gramado dos Loureiros, Iraí, Jaboticaba, Lajeado Do Bugre, Liberato Salzano, Nonoai, Nova Boa Vista, Novo Barreiro, Novo Tiradentes, Novo Xingu, Palmeira das Missões, Palmitinho, Pinhal, Pinheirinho do Vale, Planalto, Rio dos Índios, Rodeio Bonito, Ronda Alta, Rondinha, Sagrada Família, São José das Missões, São Pedro das Missões, Sarandi, Seberi, Taquaruçu do Sul, Três Palmeiras, Trindade do Sul, Vicente Dutra e Vista Alegre.


Revista Novo Rural - Abril de 2017

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es EM ta qu e d

Debora Theobald

Peixe à mesa! Uma oficina de pratos à base de peixe contou com a participação de 22 mulheres em Novo Xingu. A atividade foi desenvolvida em abril, com o apoio do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Constantina, no Centro de Apoio Educacional de Novo Xingu. A oficina foi ministrada pelas extensionistas sociais da Emater/RS-Ascar, Elaine Pereira e Cleise Cantelli. Ao terminar a oficina, as participantes receberam materiais com receitas à base de peixe e amostras de sal temperado. Divulgação

Aniversário de Alpestre valoriza agricultura O mês de abril é de festejos de aniversário no município de Alpestre, que comemorou 53 anos em 2017. No dia 13, data do aniversário, a Praça Tancredo Neves sediou mais uma edição da Feira do Peixe Vivo e da Agricultura Familiar. Como a data antecedia os feriados de Sexta-feira Santa e Páscoa, a venda do peixe também foi realizada. “É mais uma maneira de

Venda de vários produtos da agricultura familiar marcou feira

Encontro ocorreu no Centro de Apoio Educacional de Novo Xingu

atrair o público, além do que já é oferecido semanalmente”, observa o secretário adjunto de Agricultura, Jacson Rodrigues França. Durante todo o mês outras atrações fizeram parte da programação de aniversário, como o show com a dupla Gilberto e Gilmar, no dia 21, no ginásio municipal, bem como o tradicional costelão de aniversário, no dia 23.

Colônia em Festa será em junho

Vista Alegre agora tem associação de suinocultores Adriano Dal Chiavon

Vista Alegre, que também tem a suinocultura como uma atividade importante para a economia local, agora tem uma associação de suinocultores. A ideia é auxiliar e mobilizar os produtores para que estejam presentes nas discussões relacionadas à cadeia produtiva. Está como presidente da entidade Leonardo Centenaro, que tem como vice, Cleomar Bridi. Já como secretário atua Ademir Peretto; segundo-secretário, Clemente Verbilo; tesoureiro, Ricardo Zabot; e segundo-tesoureiro, Eder Candaten.

Diretoria foi oficializada no dia 31 de março

para o correto destino de resíduos sólidos domésticos produzidos pelos municípios consorciados ao Conigepu. O projeto que inspirou esse trabalho vem do município de Gramado dos Loureiros, que em parceria entre a Emater/RS-Ascar e Secretaria da Saúde, deu vida à Campanha de Coleta de Lixo. Com 100% das famílias alcançadas, o trabalho trouxe excelentes resultados ao município, como a diminuição significativa de insetos, propriedades mais organizadas, destino adequado do lixo produzido na área urbana e no interior, mais pessoas mobilizadas e preocupadas com as questões ambientais.

O sindicalismo rural Frederico Westphalen começa a viver uma nova etapa neste mês de maio. Desde o ano passado, a sede do Sindicado dos Trabalhadores Rurais (STR) vem ganhando um novo ambiente. A construção abrigará a sede do sindicato, auditório, centro agropecuário e, a novidade, um centro de vendas de produtos coloniais. A inauguração oficial ocorrerá no dia 19 de maio, às 13h30min, com a presença de lideranças e autoridades, que falarão sobre a trajetória do STR. Também deve ser realizada uma benção e os atos inaugurais, como descerramento de fita. Após o ato solene será servido coquetel para celebrar a nova conquista da direção e associados. Debora Theobald

Doze municípios da região trabalham para controlar e dar o destino adequado à produção do lixo. Por meio do Consórcio Intermunicipal de Cooperação em Gestão Pública (Conigepu), Trindade do Sul, Alpestre, Nonoai, Gramado dos Loureiros, Rio dos índios, Três Palmeiras, Ronda Alta, Constantina, Engenho Velho, Sarandi, Entre Rios do Sul e Novo Xingu destinam os resíduos produzidos em seus municípios para a sede do Consórcio, em Trindade do Sul, onde é feita a triagem, compostagem e aterro sanitário. O consórcio, em parceria com a Emater/RS-Ascar, lançou a ideia de um projeto que prevê a implantação de práticas Revista Novo Rural - Maio de 2017

seminários técnicos, que tratarão de temas como a apicultura e a piscicultura. Além disso, tradicionalmente no dia 4, feriado municipal, ocorre o desfile temático, que traz para as ruas do centro da cidade representantes de entidades e das comunidades interioranas. A escolha das soberanas da festa será no dia 1º de maio, à noite, na Praça Nossa Senhora da Paz. Acompanhe na nossa fanpage no Facebook (facebook.com/ revistanovorural) a programação e outras novidades sobre o evento durante este mês.

STR de Frederico Westphalen inaugura nova sede

Lixo com destino certo

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Está confirmada para os dias 2, 3 e 4 de junho a realização da 12ª edição da Colônia em Festa, em Seberi. O evento é promovido pela administração municipal, Câmara de Vereadores e Emater/ RS-Ascar, com apoio de demais entidades ligadas ao setor agropecuário. O evento tem como principal função valorizar as potencialidades da agricultura seberiense, com destaque para a produção de alimentos, as agroindústrias e o artesanato local. Nesta edição também haverá a realização de

Espaço deve se tornar mais uma referência na comercialização de itens coloniais


Revista Novo Rural Maio de 2017 Encontro contou com expressiva participação de sindicalistas da região

De ginásio escolar para colégio técnico e de Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (Cafw) para Instituto Federal Farroupilha (IFFar), lá se vão 51 anos de história, comemorados no dia 11 de abril. Na data, um almoço foi servido para festejar o aniversário, que inclusive contou com discurso do diretor do campus, Carlos Trombetta. Hoje a instituição conta com 607 alunos e com a perspectiva de implantar o curso de Medicina Veterinária, a partir do ano que vem, um passo que soma não apenas para o local de ensino, mas também para toda a região. Serão 40 vagas, com processo seletivo marcado para o segundo semestre. Debora Theobald

Regional Sindical se reúne em FW Rondileite 2017 será em junho

Diretoria da instituição promoveu almoço comemorativo com a presença de professores, funcionários e estudantes

Adriano Dal Chiavon

Antigo Colégio Agrícola festeja 51 anos

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A Câmara de Indústria, Comércio, Agroindústrias e Serviços de Rondinha (Cicar) realiza nos dias 2, 3 e 4 de junho a Rondileite 2017, no Parque de Exposições 28 de Março. O evento tem apoio da prefeitura, Câmara de Vereadores e Emater/RS-Ascar. Neste ano preside a Rondileite 2017 o vice-prefeito, Aldomir Cantoni. No espaço da Emater/RS-Ascar haverá uma série de atrações, como distribuição de mudas de árvores nativas e frutíferas. Artesanato, turismo, jovens rurais e distribuição de sementes também farão parte do evento. Acompanhe mais informações sobre o evento na fanpage da revista Novo Rural do Facebook (facebook.com/revistanovorural).

Um encontro de motivação e orientação foi realizado no início de abril, em Frederico Westphalen, envolvendo presidentes e funcionários dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais da região. O encontro foi organizado pela Regional Sindical do Médio e Alto Uruguai. Com a presença do sindicalista Amauri Miotto, que representou a Fetag-RS, um dos assuntos debatidos foi a quantidade de associados aos sindicatos da região, bem como a importância da manutenção desse quadro social justamente para garantir que o movimento sindical se mantenha e siga defendendo a classe.

Revista Novo Rural - Maio de 2017

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A Campo Seu Vitor (1º à esq.) contente com o resultado da safra deste ano

Produtores de São José das Missões conseguem colher mais de três mil quilos por hectare. Desafio ainda é a mecanização de alguns processos para tornar a atividade mais atrativa aos jovens

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venderem frutas, como laranjas e bergamotas. O preço do amendoim tem variado entre R$ 5 e R$ 6/quilo com casca e de R$ 8 a R$ 10/quilo já limpo.

Um olhar mais apurado para o amendoim Em abril o município sediou até uma tarde de campo sobre o assunto, organizada pela equipe da Emater/RS-Ascar. “O mercado para o amendoim é grande. Se tivéssemos 100 hectares com a cultura, ainda assim teria saída”, avalia Piovesan, que ressalta a necessidade de ter o amendoim como aliado da agricultura familiar no município. Somando a produção comercial e para consumo interno, a Emater/ RS estima que nesta safra tenham sido cultivados 50 hectares.“Queremos que São José das Missões seja referência na cultura do amendoim para a região, pois temos solo propício para esse cultivo”, pontua o agrônomo. Um dos desafios é facilitar o trabalho dos agricultores com mecanização. Hoje a maior parte do trabalho é manual, desde o plantio, a capina até a colheita e a despenca. Mas, por outro lado, o poder público municipal tem reconhecido a atividade como importante e adquiriu uma máquina para despencar as vagens. “Mas ainda é necessário incorporar mais essa mecanização, com equipamentos mais adaptados à nossa realidade”, observa Piovesan.

“Se a colheita fosse mecanizada, plantaria mais” A afirmação é do agricultor Gilmar Granck de Quadros, 39 anos, que também planta amendoim há oito anos, depois de retornar de uma “aventura urbana” em centros como Rio de Janeiro e São Paulo. O retorno para a agricultura foi viabilizado pelo amendoim. Ele garante que mais mecanização na atividade é importante para seguir investindo. “Mas vamos achar alguma alternativa”, diz, otimista.

Na lavoura de Gilmar, que é sobrinho do seu Vitor, o amendoim ainda não estava pronto para a colheita quando a reportagem esteve lá, mas a expectativa era muito positiva em relação à produtividade. Para o futuro, ele os tios planejam abrir um ponto de venda de produtos coloniais ali próximo da rodovia que corta as propriedades. “O movimento aqui é grande e é um bom mercado para alimentos”, aposta.

Secador solar garante a qualidade do produto A qualidade do amendoim colhido em São José das Missões é visível ao abrir qualquer vagem. A variedade crioula, também conhecida como paraguaia, é vistosa e tem sementes grandes. O produtor Dorival Grans Koch, morador da linha Primeiro de Maio, tem uma vantagem a mais nesta safra, um secador solar justamente para manter essa qualidade do produto. Com um custo considerado baixo, de cerca de R$ 200, apenas para a compra da lona e de sombrite, o secador foi construído com orientação da equipe da

Emater/RS-Ascar. Com 13m de comprimento e 1,5m e largura, o secador tem capacidade para 25 sacas de amendoim, quase 500 quilos. São necessários quatro dias de sol para deixar o produto no ponto para ser armazenado. “Isso facilita o trabalho dos agricultores e reduz muito a perda de amendoim por fungos. Também evita que o amendoim rancifique”, explica Piovesan. É uma estrutura considerada simples, que pode aproveitar madeira que se tem na propriedade, por isso de custo é tão baixo. Gracieli Verde

nquanto colhia o amendoim em uma área de menos de quatro mil metros quadrados, o agricultor Vitor Rodrigues de Quadros, da linha Monjolo, São José das Missões, não escondia a satisfação em ver que a produtividade desta safra está muito acima do esperado. Antes de a colheita se intensificar no município, a projeção da Emater/RS era de mais de dois mil quilos do produto por hectare. “Agora, já dá para dizer que a produtividade está maior do que três mil quilos por hectare”, aponta o engenheiro-agrônomo Mairo Piovesan, do escritório municipal da instituição. Das primeiras 25 sacas de amendoim que já colheu, seu Vitor vendeu grande parte para compradores da região e no próprio município. Como a lavoura fica próximo da rodovia BR-386, tem gente que passa por ali, vê ele e a esposa, Soeli, trabalhando e faz uma parada para comprar o produto. Seu Vitor é um de cinco irmãos que são dedicados à cultura do amendoim no município. Todos residem ali por perto e gostam da atividade. “Isso aqui é um esporte” define o agricultor, contente. Para dar conta do trabalho, que é intenso nesta época de colheita, ele troca serviço com vizinhos. Aí o trabalho fica regado ao bom papo e quase não se vê as horas passarem. E lá se vão oito anos na atividade, no caso de Vitor. Hoje esta é a principal fonte de renda dele e da esposa, apesar de também

Gracieli Verde

Produtividade do amendoim supera expectativa

Agrônomo Mairo Piovesan e o produtor Dorival Grans Koch


Revista Novo Revista Novo Rural - Abril deRural 2017 Maio de 2017

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Mais uma safra de incertezas para o trigo? O Farsul prevê uma redução de 15% na área destinada ao cereal no RS

cenário para mais uma safra de trigo que se aproxima ainda é de desestímulo, segundo o presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim – ele também preside o Sindicato Rural de Palmeira das Missões. “A dificuldade que os produtores tiveram em comercializar a produção da safra passada ainda repercute de forma negativa”, acredita. Outra questão que pode influenciar na tomada de decisão do produtor plantar ou não o trigo é o baixo preço da soja e do milho. “Tem quem não consegue crédito para o tri-

go, e também não quer vender a soja ou o milho com o baixo preço que está. Isso pode fazer com que produtores deixem a principal cultura de inverno de lado”, prevê. Segundo Jardim, a Farsul projeta para a próxima safra de inverno cerca de 650 mil hectares destinados para o trigo no Rio Grande do Sul, uma redução de 15% em relação ao ano passado. “Isso é visto com preocupação, porque o trigo também gera empregos diretos e indiretos, sem contar que o produtor fica sem esse retorno de mais uma cultura de grão que poderia implantar, diante dos custos fixos da propriedade, que perduram em todos os meses do ano”, avalia.

Uma possível transição para outras culturas de inverno, como a canola ou a cevada, é descartada por Jardim. “São culturas que têm nichos pequenos e essa migração não se faz naturalmente. O carro-chefe do inverno é o trigo e deve seguir sendo ele”, acredita. Em abril a cidade de Passo Fundo sediou o Fórum do Trigo, na UPF. No evento o presidente do Sindicato Rural daquele município, Jair Dutra Rodrigues, reforçou que o produtor precisa ficar atento para não deixar a lavoura ociosa. “Além disso, o trigo reflete em melhores resultados lá na frente, na produção de soja. É nisso que temos que pensar levando em conta esse cenário”, disse.

Trigo é uma das culturas que mais repercute positivamente em plantios posteriores, como na produtividade da soja

Divulgação

Revista Novo Rural - Maio de 2017

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Revista Novo Rural Maio de 2017

A Campo

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Produção familiar pode mudar a realidade palmeirense Com uma agricultura empresarial já consolidada e uma das maiores áreas agricultáveis do Estado gaúcho, é hora de dar atenção à agricultura familiar, de Palmeira das Missões. Diversas famílias já são protagonistas e comprovam que levar comida à mesa pode trazer mais dinheiro no bolso revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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uem olha todo o potencial produtivo de Palmeira das Missões, que é reconhecida por ter a maior área de produção de grãos da região e uma das maiores do Estado gaúcho, não imagina que na “outra ponta” tem agricultores familiares que tem se superado para ter renda e qualidade de vida. A postura empreendedora de muitos tem mostrado que mesmo na terra em que predomina a agricultura de extensão é possível criar alternativas para ter mais renda durante o ano, e não apenas na safra mais tradicional. Para isso, produção de folhosas, legumes, verduras e suínos despontam como atrativas. A agricultura familiar, que produz 70% do alimento que vai à mesa dos brasileiros, segundo o governo federal, tem se revelado uma excelente alternativa para promover o desenvolvimento econômico não apenas das famílias agrícolas, mas do comércio, dos prestadores de serviços da cidade, que serão beneficiados com a movimentação local da renda gerada no campo. Um motivo extra para que as lideranças políticas, as entidades ligadas ao setor e os empreendedores olhem com mais atenção para as demandas e implementem ações de incentivo a este setor que está brotando com força em Palmeira das Missões. A nossa reportagem esteve em Palmeira das Missões, fez uma série de visitas e trará ao longo dos próximos meses casos de êxito que aos poucos vão dando uma nova cara ao meio rural de Palmeira das Missões. O poder público, por sua vez, tem demonstrado preocupação com o assunto e garante que quer dar mais atenção ao setor.

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invessndo em ideias, no futuro e em você. Revista Novo Rural - Maio de 2017

“Queremos implantar projetos-pilotos na área de suinocultura e piscicultura, para mostrar para as demais famílias que essas atividades podem ser rentáveis. Esta é uma questão de sobrevivência para o nosso município” Eduardo Russomano Freire, prefeito de Palmeira das Missões

Gracieli Verde

Por Gracieli Verde

Vice-prefeito, Lucio Borges, prefeito, Eduardo Russomano Freire, e engenheiro-agrônomo Felipe Lorensini

Foco é distribuir melhor a renda no setor agropecuário Se por um lado as famílias agricultoras de Palmeira das Missões visualizam uma série de demandas que precisam ser atendidas, como a melhoria das estradas, dos acessos, da infraestrutura de forma geral, bem como de telefonia e de acesso à internet, do outro lado o poder público municipal tem a visão de que a agricultura familiar precisa de mais atenção. Essa visão, que é compartilhada pelo prefeito de Palmei-

ra das Missões, Eduardo Russomano Freire, e pelo vice, Lucio Borges, deve dar início a uma série de ações nos próximos meses. – Não queremos apenas ‘apagar incêndio’, vamos partir para programas que incentivem a produção da agricultura familiar, para que utilizemos melhor a nossa área útil que pode ser destinada para o setor. Hoje temos cerca de 130 mil hectares, mas entre 60/70 mil hectares

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Revista Novo Rural Abril de 2017

Davi Rebelato, 24 anos, e muitos planos para o futuro das suas hortas e estufas

Gracieli Verde

estão na mão de uns dez produtores – observa Freire. Essa necessidade de focar na diversificação é defendida pelo gestor, que afirma também confiar em parcerias para que novos projetos sejam implantados no município. A formação de um conselho comunitário também está sendo organizada, para que sejam planejadas ações nesse sentido. “Entendemos que a agricultura familiar é a forma ideal de distribuir melhor a renda no município”, acredita o chefe do Poder Executivo. As prioridades, segundo Freire, seriam atividades como a suinocultura, piscicultura e avicultura. “A ideia é que aproveitar o conhecimento de entidades como a Emater/RS, que sabe da realidade local, para implantar essas atividades”. Outra preocupação é em relação ao leite, uma vez que o município conta com uma unidade de processamento da Nestlé, o que facilita a logística, mas tem tido uma redução no número de produtores nos últimos anos. O vice-prefeito acrescenta que outra intenção é incentivar as agroindústrias, para agregar valor aos produtos. Hoje já existem empreendimentos na área de panificação, mas tem uma série de outras que podem ser regularizadas para incrementarem a renda das famílias e gerarem o retorno de impostos para município, segundo Borges. Conforme o engenheiro-agrônomo Felipe Lorensini, que faz parte da equipe local da Emater/ RS, vários casos já estão se sobressaindo e comprovando que é possível fazer diferente. “Basta que cada propriedade perceba qual a sua vocação, que se identifique com um segmento”, analisa.

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Empreendedorismo pleno

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a comunidade de Cristo Rei, distante oito quilômetros da cidade e depois de passar por uma estrada com muito barro – havia chovido na noite anterior à visita da reportagem –, reside a família de Moacir, 58 anos, e Sirlei Rebelato, 54. Quem conversou com a equipe da Novo Rural foi o filho mais velho, Davi, 24 anos, que logo mostrou as estufas e hortas que estão garantindo boa renda para a família. O pai, Moacir, cuida do rebanho leiteiro, que tem em média 15 vacas em lactação – o leite é vendido para uma indústria em Almirante Tamandaré do Sul, que fica a mais de 70 quilômetros dali. A mãe, Sirlei, a esposa, Jaqueline, 22 anos, e o próprio Davi têm nas atribuições diárias na propriedade o cultivo, o manejo e a comercialização de uma infinidade de hortaliças que dá gosto de olhar, seja pelo capricho nas instalações ou pela satisfação que ele demonstra ter pelo trabalho. Na propriedade ainda reside o irmão caçula João, de oito anos. Quando terminou o ensino médio, Davi mudou-se para Santa Catarina, mas o destino fez com que ele voltasse a Palmeira das Missões para estudar. Como as aulas ocor-

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SUPERPRECOCIDADE SUPERPRODUTIVIDADE SUPER-RENTABILIDADE

riam à noite, ele precisava achar um trabalho para o período diurno. Começou a cultivar tomates em um pequeno espaço na propriedade dos pais. Hoje já são quase dois mil metros quadrados somente de estufas, mais uma área de horta, onde mantém sistemas como de hidroponia, semi-hidroponia e cultivo convencional irrigado, com uma infinidade de folhosas, legumes e verduras. Com uma feira que abre quatro vezes por semana na cidade de Palmeira das Missões, o que é produzido na propriedade tem destino certo. Com um olhar aguçado para o mercado, Davi não para de planejar o que pode agregar para a produção da propriedade. Aproveitar períodos de entressafra de alguns produtos para cultivá-los nas estufas é uma das estratégias que vem dando certo, especialmente com o tomate. “Isso permite que o produto possa ser comercializado com um valor diferenciado, porque vou ter em época de escassez”, observa. No município existe uma associação de feirantes, para a qual a prefeitura sede o espaço da feira, que funciona de terça-feira a sábado. Como a demanda é crescente, se mais produtores tivessem alimentos para

vender no local, tranquilamente a feira poderia ser ainda mais movimentada, conforme análise do engenheiro-agrônomo e extensionista Felipe Lorensini, da Emater/RS-Ascar. Davi não chegou a concluir o curso de Educação Física que havia começado, porque o interesse pelas hortas, estufas e plantas foi maior. Nessa área a curiosidade é uma aliada de Davi, que também conta com o acompanhamento da equipe da Emater/ RS-Ascar. Casado há três anos com Jaqueline, que sempre viveu no meio urbano, Davi demonstra que a dedicação em cultivar produtos que podem ir direto para a mesa do consumidor tem incrementado a renda da família e permitido que ele e a esposa fiquem na propriedade. Não passa mais pela cabeça dele sair de lá, porque cada vez mais vai se dedicar para que as hortaliças sigam vistosas e saborosas para a clientela. Mas não é somente isso, com uma renda bruta de cerca de R$ 1 mil a cada semana, a atividade se consolida como importante para a economia familiar, sem contar que ele gerencia os próprios horários, próximo dos pais.

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ALTO POTÊNCIAL PRODUTIVO ESTABILIDADE QUALIDADE DE GRÃOS E COLMO

Consulte informações em:

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A Campo

Casal Nelson Josemir e Angélica Endres investiram na suinocultura e já planejam ampliação

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arece estranho falar que em Palmeira das Missões não havia nenhuma pocilga com a criação comercial de suínos até pouco tempo. Coube ao casal Nelson Josemir e Angélica Endres, ele com 43 anos e ela 36, ser o pioneiro na atividade. Os dois moram no Assentamento Bom Retiro – são casados há 20 anos. O filho Nelson Emanuel, de 15 anos, estuda técnico em agropecuária e a expectativa para a propriedade é positiva para o futuro. São 600 suínos na terminação a cada lote, que em média demoram seis meses para serem abatidos em um frigorífico localizado em Condor e que pertence a uma cooperativa de Panambi. Além disso, a bovinocultura de leite também está sendo estruturada. “Por hora, são rendas que se complementam, não há apenas uma atividade que se sobressaia”, comenta Nelson Josemir. A decisão em permanecer na propriedade está diretamente ligada ao investimento – apesar de eles viverem ali há 11 anos, com a mãe de Angélica,

dona Bibiana, de 74 anos. Visitaram outras pocilgas na região para verem de perto como a atividade funcionava e, levando em conta que esse era um sonho do casal, o investimento foi feito. Apesar das dificuldades em acessar crédito e em emitir as licenças ambientais, que demoraram em ser aprovados, o projeto foi executado e eles não escondem a felicidade em cuidar do próprio negócio. Além disso, o casal tem consciência de que essa atitude também deve refletir no futuro do único filho, que tem tudo para ser o sucessor da propriedade. A necessidade de o poder público municipal olhar com mais atenção ao setor é considerada importante pelos dois. “Na época em que implantamos o projeto a terraplanagem foi cedida pela prefeitura, mas nós precisamos pagar para que melhorias fossem feitas na estrada de acesso à propriedade, para facilitar a vinda do caminhão que carrega os animais”, conta Angélica, que mesmo assim acredita no potencial da agricultura familiar de Palmeira

Gracieli Verde

Os pioneiros da suinocultura palmeirense das Missões. Um dos pontos favoráveis para a atividade suinícola no município é a área agricultável que existe para receber os dejetos como adubo, pela característica do relevo, que é mais plano. Mesmo assim, a família já analisa a possibilidade de implantar projetos que processem o dejeto para comercializá-lo. Os Endres devem visitar outros já implantados na região para analisar o que é viável para a propriedade. Para o futuro, Nelson Josemir e Angélica planejam ampliar a atividade, a produção de leite e implantar a criação de gado de corte. Essa diversificação de atividades é vista de forma positiva pelo agrônomo Felipe Lorensini. Ele acredita que por mais que uma grande área do município seja destinada para a produção de grãos, especialmente a soja, é importante que as famílias que possuem áreas menores analisem essa possibilidade de implantar mais de uma fonte de renda. “Casos como este, da família Endres, servem de inspiração”, diz.

“Na época em que implantamos o projeto a terraplanagem foi cedida pela prefeitura, mas nós precisamos pagar para que melhorias fossem feitas na estrada.” Angélica Endres, suinocultora

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FILIAIS BR-386, km 85 Interior Lajeado do Bugre-RS (55) 3616-9069

RS-500, Km 1 Distrito Industrial Constantina-RS (54) 3363-1399

BR-386, Km 91 Linha Bonita Sagrada Familia-RS (55) 3747-1075


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atenção que a agricultura familiar precisa em Palmeira das Missões se comprova pelos números. Conforme dados da Emater/RS-Ascar, hoje existem 1.604 propriedades no município, sendo que 1.049 possuem área inferior a 20 hectares de terra, ou seja, 65% do total. Sob a ótica do gerente-regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Francisco Frizzo, para essas propriedades a matriz produtiva baseada na soja, no milho e no trigo não proporcionam renda suficiente para manter uma família com renda e qualidade de vida mínima necessária e, dificilmente, garantem a sucessão familiar. – Dentro desse cenário, é necessário buscar alternativas que proporcionam maior renda por área de terra, como por exemplo a produção de leite, suínos, avicultura, agroindústrias, fruticultura, hortigranjeiros, erva-mate, piscicultura, entre outros – enumera. Ele defende também que é necessário ressaltar que cada propriedade tem a sua realidade, que precisa ser analisada. “É necessário dialogar com as famílias, verificar sua aptidão, porque cada família deve fazer o que gosta, e investir na profissionalização, com capacitação constante. – Enquanto instituição prestadora de assistência técnica e extensão rural e social, acreditamos na necessidade da elaboração de um Plano Municipal de Desenvolvimento Rural, que contemple todas as atividades que possam ser desenvolvidas no município, que venha a somar os esforços do poder público e de todas as entidades, dividindo responsabilidades – explana. Frizzo também salienta que é fundamental elaborar programas específicos para cada atividade, transformar em um plano de governo e não apenas de uma gestão, para que não tenha descontinuidade, estabelecendo incentivos para quem quiser investir, produzindo com qualidade, garantindo uma determinada escala de produção e a constante eficiência na produtividade.

Daiane Binello

65% das propriedades do município tem menos de 20 hectares Investimentos em infraestrutura são indispensáveis Em relação aos investimentos em infraestrutura, ele vê como indispensável a busca urgente de recursos estaduais e federais, que somados aos recursos do próprio município, garantirão o tráfego de veículos, independente das condições climáticas. – Se falarmos em projetos de suinocultura, avicultura e produção leiteira, por exemplo, as condições de trafegabilidade precisam estar garantidas todos os dias, tanto para o transporte dos insumos, quanto da produção. Acredito que Palmeira das Missões possui todas as condições para ser um polo de desenvolvimento regional na produção de alimentos, em alternativas de energias e em outras tantas potencialidades. Para isso, é necessário um plano de desenvolvimento que tenha o envolvimento de toda a sociedade, produzindo e investindo no município – argumenta Francisco Frizzo.

Áreas ociosas no inverno Frizzo atenta para outro dado. Dos 130 mil hectares agricultáveis, no verão Palmeira das Missões cultiva 90 mil hectares com soja e 14 mil hectares com milho, segundo dados da Emater/RS. “No inverno, temos apenas 21 mil hectares cultivados com trigo, restando uma expressiva área ociosa neste período, onde poderiam ser inseridas alternativas, como a integração lavoura-pecuária”, sugere.

“Palmeira das Missões possui todas as condições para ser um polo de desenvolvimento regional na produção de alimentos, em alternativas de energias e em outras tantas potencialidades.”

Francisco Frizzo, gerente-regional da Emater/RS em FW

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A Campo

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Fim da colheita comprova boa produção Por outro lado, preços da soja continuam baixos

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Divulgação

“Hoje não tem como sonhar com um preço da soja igual ao do ano passado, é preciso decidir levando em conta um cenário que pode não reagir”

s “bons ventos” que favoreceram a alta produtividade da soja durante a safra 2016/2017 na maior parte dos municípios da região do Médio Alto Uruguai e do Rio da Várzea não tiveram o mesmo efeito nos preços, que são considerados baixos. No Estado gaúcho, na última semana de abril, a média paga ao produtor foi de R$ 57,14, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar. O produtor está vendendo somente o necessário. “O preço é muito baixo. O agricultor só vai vender quando precisar pagar as contas”, avalia o empresário e produtor Idalvo Rigon, de Boa Vista das Missões. Ele conta que a grande vantagem neste ano foi para quem vendeu a produção de forma antecipada, porque recebeu em média R$ 80 por saca. “Mas neste ano teve bem menos venda futura, cerca de 30 mil sacas”, revela, citando no ciclo 2015/2016 cerca de 110 mil sacas haviam sido comercializados antecipadamente. Esse represamento excessivo de soja no Estado é considerado prejudicial pelo empresário e produtor Osmar Bonfanti, tendo em

vista que o mercado é muito incerto. “É um momento que o produtor precisa ter calma para tomar as decisões, precisa buscar informações. Hoje não tem como sonhar com um preço da soja igual ao do ano passado, é preciso decidir levando em conta um cenário que pode não reagir, pode ser de especulação”, opina. Sobre a colheita, o assistente técnico regional da Emater/RS de Supervisão e Planejamento, agrônomo Claito Dal Foro, revela que quase 90% da área plantada na região – de 380.982 hectares – está colhida. “Temos visto uma média de 65 sacas/hectare, o que é considerada excelente”, avalia. Em Palmeira das Missões, maior produtor da região com 92 mil hectares, a média é de 66 sacas/hectare. A colheita terminou no fim de abril. Em Chapada a colheita também foi finalizada, com uma média de 65 sacas/ ha, conforme a Emater/RS. Lá foram 39 mil hectares ocupados com a cultura. Em Ronda Alta, que está como terceiro maior produtor no ranking da região, com 22 mil hectares, a média também se manteve em 65 sacas/ha.

Palmeira das Missões Chapada

Ronda Alta

Osmar Bonfanti, empresário e produtor rural

92 mil hectares 66 sacas/hectare

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39 mil hectares 65 sacas/hectare

22 mil hectares 65 sacas/hectare


CRIAÇÃO

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Um projeto grandioso para Frederico Westphalen e região Granja São Paulo deve iniciar operações em julho e terá capacidade para sete mil matrizes, com um investimento de R$ 30 milhões no total Por Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

Gracieli Verde

O projeto impressiona. São cerca de 40 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 25 hectares, localizados na linha São Paulo, interior de Frederico Westphalen. No total serão 16 galpões, que abrigarão setores como a creche, maternidade e gestação. A Granja São Paulo, que terá capacidade para abrigar sete mil matrizes, produzirá 210 mil leitões por ano. Com uma previsão dessas, o trabalho segue intenso na obra, com mais de 50 pessoas atuando diariamente. “A projeção é de que possamos alojar o primeiro lote de porcas em julho”, adianta Luiz Henrique Balestreri (foto), que administra o empreendimento representando a Agropecuária Balestreri. O investimento deve somar R$ 30 milhões, sendo R$ 5 milhões em matrizes.

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Tecnologia adotada é referência no mundo Um dos projetos mais ousados para Frederico Westphalen e região, sem dúvidas, é o da Granja São Paulo, gerenciada pela Agropecuária Balestreri. O projeto foi lançado em 2015 e falta pouco para entrar em operação. A partir de julho devem ser alojadas as primeiras fêmeas de um total de sete mil, que deverão gerar 210 mil leitões por ano, uma média de 30 leitões/matriz/ano. Quem está coordenando a execução desse projeto é o jovem advogado Luiz Henrique Balestreri, 26 anos, que é um dos filhos dos empresários Leonir Balestreri e Simônia Gonçalves de Oliveira. Depois de morar seis anos em Porto Alegre, onde estudou, Luiz Henrique assumiu o desafio de conduzir a realização de um empreendimento que já é referência no setor.

– Quando voltei para a região estávamos modernizando duas granjas, uma em Seberi e outra em Caibi (SC). Na época, meu pai delegou para mim a função de cuidar dessas obras. Eu não entendia muito sobre o assunto, mas fiz uma imersão. Temos o acompanhamento do médico-veterinário da Labema, Alessandro Vicari, que tem me ensinado muito – revela o rapaz, demonstrando humildade e, ao mesmo tempo, a veia empreendedora que herdou dos pais. A equipe qualificada que atua em todas as frentes da obra tranquiliza Luiz Henrique, até porque um dos desafios do projeto é justamente trazer essa tecnologia de grandes granjas do mundo para a região. “Temos um pessoal muito comprometido com o projeto, em todas as áreas”, elogia.

Para que esse trabalho fosse executado em Frederico Westphalen, Luiz Henrique esteve na Alemanha, no ano passado, também para conhecer mais a realidade suinocultura europeia, a convite da Big Dutchman, empresa fornecedora das estações de alimentação do plantel. Mesmo que a Agropecuária Balestreri tenha outras cinco granjas, é nesta que está em construção que Luiz Henrique mais aprendeu. Até porque, conforme informações da Big Dutchman repassadas à Agropecuária Balestreri, no Rio Grande do Sul apenas outras duas granjas possuem essa tecnologia, mas são menores do que a frederiquense. “Segundo eles, no mundo esta é a maior granja com este tipo de equipamento”, conta o gestor.

Processos complexos, mas extremamente tecnificados Primeiramente os animais passarão pelo galpão de adaptação da granja, para que possam aprender a utilizar as estações de alimentação. Depois dessa adaptação inicia o processo de inseminação. As porcas serão monitoradas para saber se estão prenhas, inclusive com exames de ecografia. Todo o projeto respeita normas internacionais de bem-estar animal, portanto, as matrizes ficam soltas nas pocilgas. “Essas gestações coletivas ainda são novidade no Brasil, mas em outros países já é uma exigência”, ressalta Luiz Henrique.

Alimentação balanceada para cada animal O controle na qualidade e quantidade de alimentação das porcas será bastante apurado. As estações de alimentação fornecidas pela alemã Big Dutchman – que tem uma das indústrias no Estado de São Paulo –, são extremamente modernas. “Identificadas por um chip, as porcas vão entrar na máquina e comer a quantidade que está prevista para elas. A partir do momento que a fêmea se alimentar o suficiente, outra vai entrando na estação e, assim, ocorre a rotatividade”, explica. Cada estação deve alimentar cerca de 70 animais. – Esse tipo de equipamento evita que os animais dominadores comam mais que os outros, o que é natural nas granjas que têm outros tipos de comedouros. Além disso, a matriz tem autonomia na decisão de quando quer comer, porque sempre que ela quiser vai poder entrar na estação de alimentação e, se ainda não esgotou a quota diária, vai poder se alimentar. Essa estação de alimentação também identifica e

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marca com um spray o animal que por ventura não esteja se alimentando o suficiente, para que o funcionário responsável possa averiguar a situação – detalha Luiz Henrique. Cada estação tem um computador próprio, mas ao mesmo tempo os sistemas de cada uma se comunicam. “Então, cada fêmea pode comer em mais de uma máquina, que a leitura da quantidade de ração que já foi consumida por ela será feita da mesma forma”. O acesso às informações de todo esse sistema pode se dar pela central dos equipamentos e também remotamente, pelo tablet, celular ou computador. Dentro da granja também haverá ilhas em que estarão os machos rufiões, para identificação do cio. Através de um orifício, as fêmeas terão o cio identificado pelo tempo em que elas cheiram os suínos. O equipamento ao qual elas se aproximam e ficam por um determinado tempo emite um spray para marcá-las, assim os funcionários podem encaminhá-las para o galpão de inseminação.


Gracieli Verde

70 mil vagas para terminação A produção de leitões da Granja São Paulo deve abastecer 70 mil vagas de terminação a cada ciclo. Segundo Luiz Henrique, se projeta que saiam da granja cerca de 800 animais por dia em direção às terminações. Para atender a demanda, a própria Agropecuária Balestreri, com demais sócios, está construindo outra granja para 10 mil animais. Outro dado é que os 800 leitões que sairão da granja diariamente atenderão cerca de 40% da demanda do Frigorífico Labema, com sede em Seberi, do qual a Agropecuária Balestreri também é sócia. Considerando toda a obra, com a creche, que tem um prazo maior para ficar pronta, dá para dizer que 50% do projeto está concluído. A creche ficará pronta no fim de 2017 e por volta de outubro a maternidade também deverá estar concluída.

Automatização viabiliza granja com menos mão de obra Por mais que o sistema da Granja São Paulo seja bem complexo, cheio de detalhes, a automatização é a palavra-chave por lá. “A expectativa é que sejam contratados entre 30 a 40 funcionários, o que é considerado pouco para uma granja deste tamanho, que serão devidamente treinados. Além disso, há empresas terceirizadas que prestarão serviço para a granja, a exemplo de quem faz as ecografias nas matrizes, que é algo mais especializado”, observa o administrador. Claro que a geração de empregos com a granja vai além da estrutura que está sendo construída na linha São Paulo, porque também haverá quem fará o transporte dos animais para as terminações e da ração, caseiros que ficarão no local para monitorar as instalações, além das famílias que têm as pocilgas para engordar os leitões. Outra novidade é na área de climatização, que tem o uso de exaustores, fazendo a pressão negativa. Esse sistema é mais comum em aviários para frangos ou perus, mas também tem ganhado força na suinocultura, pelo conforto que proporciona aos animais, além da garantia da temperatura ideal em todas as etapas da granja, sendo usado tanto no verão como no inverno. O piso vazado na gestação coletiva também é um diferencial, porque evita que seja necessário limpar o chão manualmente, pois o dejeto escorre via tubulação e segue até os locais de estocagem. Luiz Henrique ressalta ainda que a granja contará com um rigoroso controle de acesso, para garantir a sanidade dos animais e do ambiente, além de monitoramento por meio de imagens.

O que fazer com tanto dejeto A granja tem uma capacidade de estocagem de dejetos para um período de 180 dias, entre lagoas e mais o espaço que tem embaixo dos galpões. Possibilidades para dar destino aos dejetos estão sendo estudadas. “Gostaríamos que fosse utilizado na agricultura, mas isso está sendo analisado. Uma opção seria montar uma rede de distribuição. Nós doaríamos para a prefeitura um caminhão, para então o poder público auxiliar nesse sentido, mas isso ainda está em análise”, revela Luiz Henrique.

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Criação

Cabanha Sol Brilhante está na final do Freio de Ouro 2017 Premiação de primeiro lugar recebida pela égua AM Gaita no Bocal de Ouro é comemorada pela família Amaral, de Frederico Westphalen

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esde quando foi comprada pela Cabanha Sol Brilhante, quando tinha um ano de idade – hoje ela está com sete anos –, a maneira como a égua AM Gaita andava chamava a atenção. Sempre foi uma égua muito bonita, tanto que já venceu concursos nesse quesito. Mais recentemente, no dia 9 de abril, AM Gaita foi a classificada em primeiro lugar no Bocal de Ouro, em Esteio, entre as competidoras fêmeas, além de ter obtido a maior média funcional. A prova integra o circuito Freio de Ouro 2017, que é organizado pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), com demais parceiros, e que nesta etapa classifica animais inéditos para o prêmio. Naquela fase, 98 animais disputaram, pela primeira vez, por uma vaga na final do Freio de Ouro 2017. O orgulho em poder trazer o prêmio para Fre-

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derico Westphalen não é escondido pela famítumamos dizer que o sangue dela é muito funciolia do empresário – proprietário da Tecsol Agroinnal, o que se traduz em características como a dustrial – e criador Sérgio Augusto docilidade. No momento que ela preAmaral, que tem paixão por cavalos. cisa ser calma, ela responde dessa Segundo ele, esse amor pelos aniforma, mas também mostra força e mais vem de casa, porque os pais já potência quando é necessário – explicultivavam esse apreço. Com a esca Torriani. posa, Elair, e os filhos, Marcelo AuEle ressalta que esse prêmio cogusto e Bruno Roberto, ele costuma loca o nome de Frederico Westphalen participar de exposições de animais, em nível nacional, chama a atenção como a Expointer. “Num desses leitambém de pessoas que não conhelões o meu filho Marcelo se interescem muito esse meio e é extremasou pela Gaita, ela estava com um mente importante. “É uma nova fase ano de idade. A trouxemos de Urupara o cavalo da raça crioula em Freguaiana para Frederico Westphalen”, derico Westphalen e região”, define. conta. Voltando à Gaita, outra vantagem Com uma andadura elegante e que ela tem é a boa resistência físiuma beleza diferenciada, o potencial ca e a sanidade em dia. Depois de ser visto em Gaita não decepcionou os domada, em Frederico Westphalen, donos, nem os profissionais que atuela foi encaminhada para um centro am na cabanha. O médico-veterináde treinamento, em Santiago, onde rio Hugo Torriani, que acompanha o tem uma rotina intensa com o gineplantel de Amaral, fala entusiasmado te Claudio Fagundes, que a conduziu da trajetória de Gaita. Médico-veterinário nas provas em Esteio. Agora, a próxi– Ela faz parte da quinta gerama prova de Gaita será na Expointer, Hugo Torriani ção dos melhores cavalos crioulos no fim de agosto, na fase final do prêdo Chile e do Brasil. Desde o bisavô da Gaita, esmio. “Podemos dizer que ela é uma das favoritas tão 95% dos ganhadores do Freio de Ouro. Cosao Freio de Ouro”, estima Amaral.

“A Gaita faz parte da quinta geração dos melhores cavalos crioulos do Chile e do Brasil”


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INFORME PUBLICITÁRIO

Um agradecimento especial a todos que torcem pela AM Gaita Emocionados com o destaque obtido pela égua AM Gaita, a família Amaral quer agradecer a todos pelo apoio recebido. “Queremos agradecer a Deus, por nos proporcionar esta conquista, que é um sonho para todos os criadores de cavalos crioulos, e ainda mais pela cabanha ter apenas sete anos e já conseguir uma conquista deste nível. Queremos agradecer, de coração, ao ginete Cláudio Fagundes, a sua família e toda sua equipe pela dedicação, cuidado e por conseguir realizar esse sonho, que é tanto nosso quanto de vocês. A toda equipe da Cabanha Sol Brilhante, que nos ajuda a crescer cada dia mais e que de uma forma ou de outra ajudou a fazer com que esse sonho fosse realizado, e que continuará fazendo com que novos objetivos sejam alcançados. Parabenizamos também a rações Bagetti, pela qualidade e atendimento, comprovando que é sim

Fagner Almeida/Cabanha Sol Brilhante/Divulgação

Fagner Almeida/Cabanha Sol Brilhante/Divulgação

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Família Amaral reforça a gratidão aos parceiros que apoiaram a Cabanha Sol Brilhante na competição

a ração que faz campeões. Nossa gratidão a toda equipe da ABCCC, pela organização e realização deste grande evento, que é um dos maiores da raça criou-

la. Ao Canal Rural, pela divulgação, transmissão e entretenimento deste grande evento. A todos que torceram por nós e pela AM Gaita, nosso muito obrigado!”

Novos criadores despontam no cenário do cavalo crioulo

Prêmio conquistado pela AM Gaita coloca o nome de Frederico Westphalen em nível nacional

Os resultados do último Bocal de Ouro apresentaram novos nomes no mundo do Cavalo Crioulo, conforme análise da direção da ABCCC. Criadores há pouco tempo na atividade já estão despontando entre os primeiros colocados nas modalidades promovidas pela associação. São profissionais que uniram o hobby e a paixão pelo cavalo com trabalho e dedicação para alcançarem o pódio nas competições. Histórias que mostram que com foco e determinação é possível atingir os objetivos dentro da atividade da raça, como o caso da família Amaral.

Empresário no ramo de armazenagem de grãos, Sergio Augusto Amaral decidiu, pelos filhos, novamente cultivar as raízes do campo. Hoje a Sol Brilhante tem cerca de 40 animais e está cercada de profissionais especializados e consultoria para criar um projeto para a cabanha Sol Brilhante, focado em um trabalho de gestão empresarial, assim como faz com a própria Tecsol. O criador analisa que a vitória da cabanha vai incentivar outros projetos na região. “Esperamos também valorizar ainda mais o trabalho dos nossos colaboradores e também os nossos animais”, salienta. Fagner Almeida/Cabanha Sol Brilhante/Divulgação

A égua da “cocheira número um” No linguajar dos criadores, a “mimosa” ou a égua da “cocheira número um” – quando se referem àquele animal especial da cabanha – é diferenciada. “A Gaita sempre foi muito mimada e muito bem cuidada”, comenta Elair, que completa dizendo que este foi um sonho que se tornou realidade para a família Amaral, tendo em vista essa paixão pelos cavalos. E a Cabanha Sol Brilhante tem tudo para conquistar outras premiações, porque o desejo também é competir em fases internacionais de prêmios da raça crioula. O “namorado” de Gaita, o cavalo Quilero Valentim – estampado em uma fotografia na parede do escritório de Amaral –, já ficou em sétimo colocado no Bocal de Ouro em 2015. O potro Envocado, que está com dois anos e é filho de Gaita e Quilero, já está participando de provas morfológicas e é um animal que também mostra potencial para o Freio de Ouro. Não é por acaso que se vislumbram novos tempos para os criadores da região, porque isso os motiva a sonhar alto quando o assunto é Freio de Ouro da raça cavalo crioulo.

Casal Amaral com o ginete Claudio Fagundes recebendo a premiação, em Esteio

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Criação

O “spa” que as vacas precisam para produzir bem Em Lajeado do Bugre, projeto envolve famílias que trabalham na bovinocultura de leite e potencializa resultados mais eficientes na atividade e no aspecto social Outro modelo de assistência técnica

Por Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

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a linha Picada Grande, em Lajeado do Bugre, a propriedade de Lúcio André Barboza, 33 anos, exemplifica bem que quando há uma política pública eficiente de assistência técnica é possível alcançar resultados mais competitivos no setor leiteiro. Ele e a esposa Camila, 22, trabalham com gado de leite há oito anos e mantêm, em média, 20 animais em lactação. Nos últimos dois anos a família passou de uma produção de quatro mil litros mensais para uma variação entre nove e 11 mil litros/mês. Camila também trabalha como merendeira, em uma escola da cidade. Outra mudança foi em relação ao preço recebido pelo litro de leite. Tendo em vista as práticas adotadas para primar pela qualidade do produto, hoje a família tem recebido até R$ 1,45 por litro, bem mais do que os R$ 0,70 que recebia no passado. “Hoje nos pagam também pela qualidade, com uma série de controles, tanto de células somáticas como da contagem bacteriana, além da quantidade de gordura do leite”, exemplifica o produtor. Esses dados mostram na prática como é possível influenciar mudanças positivas quando há políticas claras de assistência técnica. Conforme conta o técnico agropecuário e extensionista Pedro Ademir Matias da Rosa, da Emater/RS-Ascar, ainda em 2014 foi iniciado um debate do que fazer para mudar o cenário da bovinocultura do leite. Foi aí que iniciou o projeto SPA Leiteiro. – SPA é uma sigla dos termos sombra, pasto e água, que é a base do nosso trabalho na produção de leite. A ideia é que o produtor deixe disponível para o rebanho justamente o pasto em abundância, que se criem espaços com sombra, além de colocar a água nos piquetes. Isso reflete diretamente no bem-estar animal e da família, porque também se quer um trabalho menos penoso e de baixo custo – explica Da Rosa.

“A ideia é que o produtor deixe disponível para o rebanho justamente o pasto em abundância, que se criem espaços com sombra, além de colocar a água nos piquetes.” Extensionista Pedro Ademir Matias da Rosa

A partir do SPA Leiteiro também foi implantada no município uma nova forma de prestar assistência técnica – que já é utilizada em outros contextos. Ao invés de atender as famílias individualmente, foram formados cinco grupos de produtores, divididos de acordo com a localização das propriedades. É uma assistência técnica coletiva, em que cada encontro é realizado na propriedade de uma das famílias participantes. Além disso, a pauta é definida pelas famílias e os assuntos são tratados justamente para o todo, sendo uma oportunidade de incluir as mulheres nesse debate. “A gente percebia que em outros encontros as mulheres praticamente não participavam, iam somente os homens, apesar de elas terem um papel central nessa produção, principalmente na garantia da qualidade do leite, porque normalmente elas fazem a ordenha”, observa Da Rosa.

Captação de recursos Um dos desafios do projeto SPA Leiteiro era promover a aproximação entre os produtores rurais e as instituições financeiras do município. Outra busca foi por recursos para que se pudesse apoiar esses bovinocultores a melhorarem as pastagens perenes. Via Consulta Popular, foi viabilizado recurso para implantar 80 hectares de pastagens no município. Inclusive, a propriedade de Lúcio André Barboza foi beneficiada com esse recurso e já registra uma oferta de pastagem considerada ótima, o que garante que a produção seguirá com qualidade e regularidade. Agora já se iniciou um processo de monitoramento da qualidade do leite produzido no município, para incentivar que esse aspecto também seja prioridade nas unidades produtivas envolvidas. Gracieli Verde

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Revista Novo Rural Maio de 2017 Revista Novo Rural - Maio de 2017

Equipe da Emater/RS do município mobilizou grupos de produtores para prestar assistência técnica coletiva, o que está refletindo no modo de vida social das famílias


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Caminho contrário à exclusão de produtores da atividade

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INSTITUTO FEDERAL FARROUPILHA

Indústria agrega valor ao produto

Recentemente um estudo da Emater/RS-Ascar revelou que cerca de 20% dos produtores de leite da região haviam deixado a atividade entre 2015 e 2016. Em Lajeado do Bugre o cenário foi diferente: houve um incremento de 20% no número de produtores, o que é visto de forma muito positiva. – Mas não é somente isso. Houve também um incremento na produtividade, na quantidade de litros de leite produzidos, o que também é visto no caso da família Barboza. As melhorias na pastagem foram fundamentais para isso, bem como na gestão da atividade. Algumas dessas famílias também fazem parte do programa de gestão que é aplicado pela Emater/RS, para que melhorem seus indicadores econômicos – explica o extensionista.

Diminuição do arrendamento Uma realidade que vinha afastando famílias das atividades rurais é o arrendamento das áreas para produtores de grãos – realidade de muitos municípios da região. “Aqui em Lajeado do Bugre não é diferente, mas com o projeto SPA Leiteiro tem muitas famílias que estão revertendo essa realidade, pegando de volta terras de sua propriedade para gerar renda com o leite”, analisa o técnico. Esse fator é considerado importante pela equipe da Emater/RS, porque é uma forma de as famílias terem uma receita maior, além de ser uma renda mensal. Outro tema trabalhado com as famílias e que repercute nesse aspecto é a diversificação de atividades, especialmente para a subsistência e para que possam ter o excedente comercializado, focando o mercado local.

Câmpus Frederico Westphalen

Desde 2015 também outro fator influenciou para que a atividade tivesse ascensão no município. Foi a chegada de uma indústria com inspeção federal que transforma o leite em queijo mussarela e que tem capacidade de processar até 30 mil litros por dia, apesar de hoje a quantidade que está chegando à unidade é de 15 mil a 18 mil litros diários. Desse total, 30% da matéria-prima é de Lajeado do Bugre, segundo o responsável pelo controle de qualidade, Diogo Paulo Cocco. Para a indústria, quanto mais leite dos produtores locais tiver, melhor, segundo o queijeiro Adelmo Kipper, da Laticínios Alto Uruguai. A logística fica mais fácil tendo a indústria local e isso é um fator que pode contribuir com a cadeia produtiva no município.

Medicina Veterinária no IFFar – Campus FW: um sonho antigo

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Queijeiro Adelmo Kipper e controle de qualidade, Diogo Paulo Cocco, da Laticínios Alto Uruguai

Temas sociais entram no debate Gracieli Verde

Mais um ponto que é citado com orgulho pela equipe que está coordenando esse trabalho é a inserção de temas sociais nos encontros do SPA Leiteiro. “Esses resultados são mais difíceis de serem mensurados, mas é visível que esses produtores estão mais conscientes do seu papel na agricultura e dos seus direitos”, comenta a extensionista Michele Soares Carvalho, que é responsável pela parte social do escritório municipal. “Já se percebe que o relacionamento entre as famílias melhorou muito”, acrescenta o engenheiro-agrônomo André Camargo Volpato. Um dos debates envolve a juventude rural, tanto que já estão em formação grupos de jovens, para envolvê-los nesse trabalho e para que analisem mais de perto a possibilidade de fazer a sucessão familiar. O grande número de beneficiários do programa Bolsa-Família também fez com que o enfrentamento à pobreza no meio rural entrasse na pauta dos encontros. “Esse tipo de benefício não pode ser permanente. Temos várias famílias que já conseguiram sair do programa e ter a própria renda”, assinala Da Rosa. Hoje são entre 80 e 100 famílias que participam mensalmente dos encontros do projeto.

Apoio do município Segundo o agrônomo André Camargo Volpato, o projeto SPA Leiteiro foi determinante para que toda a política pública local direcionada para o leite se reformulasse. “Gerou um grande debate, porque era necessário organizar melhor os serviços para atender a demanda desses produtores que querem crescer na atividade”, diz. Por mais que foi um trabalho sugerido e iniciado pela Emater/RS, a equipe da prefeitura e da Secretaria de Agricultura também apoiou e abraçou essa causa.

No caso da propriedade de Lúcio André Barboza Antes do SPA 12 vacas em lactação

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Depois do SPA 20 vacas em lactação

3 mil a 4 mil litros mensais

9 mil a 11 mil litros mensais

Recebia R$ 0,70 por litro

Recebia até R$ 1,45 por litro

Custo de 60/70%

possibilidade de criação do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária foi um dos principais motivadores para a migração do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (CAFW), então pertencente a Universidade Federal de Santa Maria, para o Instituto Federal Farroupilha em Frederico Westphalen (IFFar- FW). Esse sonho vem de longa data, porém, começou a ser estruturado em 2015 e a previsão atual é que sejam ofertadas 40 vagas para ingresso dos alunos no primeiro semestre de 2018. A escolha pelo curso de Medicina Veterinária considerou a realidade produtiva e social do território de abrangência do campus, com economia regional fortemente atrelada a presença de agroindústrias de carnes e laticínios, suinocultura, bovinocultura de leite, bem como a forte presença da agricultura familiar, sendo que a região apresenta a maior concentração de agroindústrias familiares do Rio Grande do Sul. Associado a isso, temos os baixos índices de desenvolvimento socioeconômico, altos níveis de pobreza e pouca oferta de ensino público na região. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), 76% das vagas de Medicina Veterinária do país provêm de instituições privadas. Dos potenciais candidatos a uma vaga no curso, apenas 26,5% candidatam-se a uma dessas vagas, principalmente em função do valor da mensalidade. Isso se reflete numa relação candidato/vaga média de 16,7 nas instituições públicas e 1,84 nas instituições privadas. Nas instituições de ensino superior pública, o curso de Medicina Veterinária é um dos mais concorridos, junto com Medicina, Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo e Direito. Em levantamento realizado pela comissão de implantação do referido curso, observou-se que as instituições de ensino públicas que oferecem o curso de Medicina Veterinária no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que totalizam oito, a distância média em relação a Frederico Westphalen é de cerca de 400 km. Num raio de 300 km de Frederico Westphalen, a oferta de vagas públicas para Medicina Veterinária é feita pela UFSM (Santa Maria-RS), IFC (Concórdia-SC) e UFFS (Realeza-PR). O que predomina em nossa região é a oferta de vagas na rede privada, limitando assim o acesso dos menos favorecidos economicamente. Além disso, acaba restringindo o desenvolvimento regional, baseado no setor primário, que necessita de capacitação da mão de obra e qualificação dos processos e sistemas produtivos. Nesse sentido, a criação do curso de Medicina Veterinária busca proporcionar o ingresso da população local no ensino superior gratuito e de qualidade, evitar a migração, principalmente dos jovens, para centros urbanos de qualificação profissional, fixar os graduados em seus municípios de origem e estimular o desenvolvimento econômico e social na região.

“A criação do curso de Medicina Veterinária busca proporcionar o ingresso da população local no ensino superior gratuito, evitar a migração dos jovens para centros urbanos de qualificação profissional, e estimular o desenvolvimento econômico e social na região.”

Custo de 46%, em média

• Hoje Lajeado do Bugre tem 640 famílias no meio rural. • A média é de 7 hectares por família.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha - Campus Frederico Westphalen Linha 7 de setembro, s/n, BR 386 - KM 40, Fone: (55) 3744-8900 – Frederico Westphalen – RS Revista Novo Rural - Maio de 2017

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Debora Theobald

Criação

Seberi lança programa de incentivo a suinocultura A lei prevê o retorno para o bolso do suinocultor de 35% do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços gerado pelo seu empreendimento

O

s suinocultores de Seberi e potenciais produtores que desejam aderir à atividade receberam uma boa notícia em abril, segundo o secretário de Agricultura e vice-prefeito, Marcelino Galvão Bueno Sobrinho. O Poder Legislativo aprovou uma lei que oficializa o recém-instituído Programa Municipal de Incentivo para a Implantação e Ampliação de Unidades de Produção de

Suínos. Este tem como objetivo fomentar o crescimento da atividade no município, uma vez que Seberi possui um frigorífico com capacidade de absorver praticamente toda a demanda. A lei prevê o retorno para o bolso do suinocultor de 35% do valor do ICMS gerado pelo seu empreendimento. O valor será devolvido para o produtor em 10 parcelas anuais e consecutivas,

Programa foi apresentado em reunião com suinocultores, líderes municipais e agentes de crédito

começando a contar do ano de início do retorno do imposto para o município. Além disso, aqueles que iniciarem na atividade ou desejarem ampliar as pocilgas, receberão o auxílio da prefeitura na terraplanagem e no encaminhamento da licença ambiental – no último caso, o benefício vale para empreendimentos com capacidade de alojar até mil suínos.

Maio é mês de vacinar bovinos contra a febre aftosa no RS Vacinação é considerada importante para garantir o status sanitário gaúcho, que hoje é considerado zona livre de febre aftosa com vacinação

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Revista Novo Rural - Maio de 2017

ri-las”, reforça. Outro alerta feito aos produtores é que a vacinação é considerada importante para garantir o status sanitário gaúcho, que hoje é considerado zona livre de febre aftosa com vacinação. O último caso registrado da doença no Estado foi em 2001. Além disso, quem não vacinar o rebanho está sujeito a multa. Na dúvida, sempre busque informações na Inspetoria Veterinária do seu município. Lá você também pode checar quais agropecuárias estão credenciadas para vender as doses da vacina.

Fernando Dias/Seapi/Divulgação

O

s criadores de gado do Rio Grande do Sul tem mais um compromisso neste mês de maio, a vacinação do rebanho contra a febre aftosa. Conforme o assessor técnico da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), Fernando Groff, é fundamental que os criadores se organizem e atualizem o cadastro de seu rebanho. “A expectativa é que sejam imunizados 13,8 milhões de bovídeos no Estado, até o dia 31 de maio, em cerca de 330 mil propriedades rurais”, enumera. O médico-veterinário Edson Buzetto, que atende na Inspetoria Veterinária de Frederico Westphalen, assinala que os produtores precisam adquirir as doses nas casas agropecuárias credenciadas e em seguida comprovar a aquisição na Inspetoria, com nota fiscal, para então providenciar a aplicação das doses no rebanho. “Desta vez, assim como ocorreu em novembro do ano passado, não haverá a doação de doses para os produtores, todos precisam adqui-

Serviço O que: vacinação contra febre aftosa nos bovinos de todas as idades Quando: durante este mês de maio Por que: garantir o status sanitário gaúcho de zona livre de febre aftosa com vacinação

Produtores devem comprar as doses em agropecuárias credenciadas


Revista Novo Rural Maio de 2017

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Áreas destinadas às pastagens requerem cuidados com o solo Fique atento também ao manejo de pastagens de inverno, que pode ser determinante para ter estabilidade na produtividade nas demais épocas do ano Edivaldo Cenci/Divulgação

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Na foto, uma pastagem implantada com o uso de grade

Edivaldo Cenci/Divulgação

urante este mês bovinocultores de leite ainda estão implantando algumas pastagens de inverno, apesar de esse trabalho ter iniciado em abril para a maioria. Para quem conseguiu fazer o planejamento forrageiro, fica mais fácil pensar na alimentação do rebanho leiteiro da propriedade. Um aspecto que precisa ser evidenciado, segundo o engenheiro-agrônomo Carlos Roberto Olczevski, que é um dos assistentes técnicos do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, é o cuidado com o solo também nessas áreas de pastagens. Separamos algumas orientações do profissional para ajudá-lo a programar melhor esse manejo na sua propriedade.

Faça análise do solo Engana-se em que pensa que as análises de solo apenas são necessárias nas lavouras comerciais de soja, milho ou feijão. Em áreas de pastagem ou destinadas para a produção de milho para silagem é crucial ter uma avaliação completa do solo, que mostre os números relacionados aos macro e micronutrientes. Na região as análises completas de solo podem ser feitas no Laboratório de Solos da URI-FW, com quem a Emater/RS-Ascar tem uma parceria. Os produtores podem levar as amostras até os escritórios municipais, que as equipes as encaminham ao laboratório. É uma forma rápida e eficiente de saber como está a qualidade da sua terra. O custo é de R$ 47 por análise completa. Depois disso, é hora de corrigir o solo, aplicando os nutrientes que possam estar em deficiência.

Com o uso da plantadeira, a uniformidade da pastagem é percebido logo após a germinação

Use plantadeiras para implantar as pastagens de inverno Um alerta que é feito por Olczevski é em relação ao plantio das pastagens de inverno. – Normalmente na região essa semeadura é feita a mão e depois o produtor passa a grade para cobrir a semente. Por mais que parece um manejo fácil, é extremamente prejudicial ao solo. Primeiro porque a grade mobiliza uma camada de cerca de 10 centímetros de solo e, se der uma chuva forte, a água que não infiltrar pode lavar esse solo. Isso acaba com qualquer prática conservacionista que possa ter sido usada até então. Outro problema que é ocasionado pela grade é a compactação do solo abaixo dos cerca de 10 centímetros que ela escava. É o chamado “pé de grade”, que tem grande impacto na produtividade dessas áreas – explica.

“É fundamental produzir matéria seca para repor a matéria orgânica que se degrada durante o ano. Isso mantém a estabilidade de produtividade.” Agrônomo Carlos Roberto Olczevski

Deixe o último rebrote para produzir matéria seca Outra recomendação é em relação à matéria seca que é necessário deixar no solo, inclusive depois dos pastejos do gado leiteiro ou de corte. “É importante que o produtor deixe o último rebrote das pastagens de inverno para formar palha para o solo. Isso vai garantir a reposição de parte da matéria orgânica do solo que naturalmente se degrada”, pontua Olczevski. Além disso, o aconselhamento inclui a adubação nessas áreas, mesmo que seja para produzir matéria seca. “Num primeiro momento o produtor fica receoso em fazer essa adubação, mas depois vê que o resultado nas culturas que futuramente são plantadas na área é melhor. É um investimento que vale a pena”, orienta o agrônomo, citando que para esse rebrote se recomenda pelo menos 50 quilos de ureia por hectare. Nas pastagens perenes o adubo também é importante, principalmente para que já no início de setembro os animais possam pastejar nestas áreas. “A não utilização da adubação pode comprometer todo o planejamento das forragens e a produtividade. É algo que não pode ser ignorado pelo produtor que quer ter abundância em pasto”, salienta.

Rotação nas áreas para silagem Uma prática que vem se tornando imprescindível para manter a produtividade da silagem – fique atento para o próximo ciclo – é a rotação nas áreas destinadas para o milho destinado a esse tipo de armazenamento. Por mais que na região em propriedades com menos hectares isso seja mais difícil de colocar em prática, é algo que exige um novo planejamento. – A silagem tira toda a palhada da lavoura, por isso, a terra pode ficar deficiente em alguns nutrientes e também em micronuntrientes. Já temos ouvido relatos na região de produtores que estão registrando queda na produtividade de silagem por hectare a cada ano. Em algumas análises temos percebido que dois dos micronutrientes que mais faltam no solo nessas áreas são o boro e o po-

tássio, que refletem diretamente na produtividade das plantas – ressalta. Com o plantio rotacionado é possível deixar mais palha no solo e evitar essas deficiências. Além disso, no espaço destinado para o plantio de milho para silagem é preciso dar atenção para a adubação. “O milho para silagem consome o dobro de nutrientes da área, para ter uma produtividade mais alta de massa verde”. Ao fazer o planejamento forrageiro, é importante ficar atento a esse aspecto. Olczevski observa que a média que a maioria dos bovinocultores da região tem conseguido é de 40 toneladas de silagem por hectare, mas quem está atento a um manejo mais técnico, com adubação adequada, conseguem chegar a uma produtividade de 65 ton/ha, chegando até a 80 ton/ha.

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“Se o pai não mostra que pode ser bom, o jovem não vai ficar”

Com os animais da propriedade, Vanderlei Holz Lermen faz sucesso nas rede sociais pelo posicionamento adotado diante da sucessão familiar rural. O porco Vudi, inclusive, é seu bichinho de estimação

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Maira Dill/Especial Novo Rural

Entrevista


Maira Dill/Especial Novo Rural

Vanderlei Holz Lermen, 26 anos, é agricultor, palestrante, radialista e escritor, mora em Boa Vista do Buricá e tem sido inspiração para muitos jovens que almejam o campo como modo de vida Por Gracieli Verde

revistanovorural@oaltouruguai.com.br

N

as redes sociais ele já é famoso. Na propriedade que ele administra é o líder e o executor de todas as ações. No setor em que atua já se tornou uma referência quando o assunto é refletir sobre juventude rural e sucessão familiar no campo. Aos 26 anos, Vanderlei Holz Lermen já demonstrou que com humildade e atitude é possível caminhar rumo ao sucesso e, ao longo do caminho, desfrutar aos poucos da qualidade de vida almejada. Morador da linha Gaúcha, em Boa Vista do Buricá, distante cerca de 150 quilômetros de Frederico Westphalen, Lermen demonstra conhecimento ao falar sobre sucessão e os desafios dos jovens que querem permanecer na área agropecuária. Ele vivencia na prática isso tudo. Depois de fazer o curso técnico em agropecuária, ele tinha a intenção de implantar algumas novidades na propriedade, mas a resistência dos pais fez com que ele se organizasse para a ter própria área para trabalhar. Filho único do casal Célio e Noeli, hoje ele mora com os pais, mas trabalha em uma área bem próxima da propriedade de origem. No total são quatro hectares utilizados por ele, sendo um arrendado. Ali ele mantém a horta e as vacas que produzem leite – oito em lactação. Já os pais também mantém a bovinocultura de leite, nos seus 5,5 hectares. Para ter o plantel atual, Lermen iniciou a produção em 2006, quando a primeira vaca deu cria – esta foi a primeira terneira que ganhou dos pais. Depois começou a comprar outros animais – o pai Célio quitava o pagamento e o rapaz devolvia a ele os valores mensalmente. Lermen é o idealizador do projeto “Perspectivas para a juventude rural”, que tem pesquisado sobre os fatores que influenciam a permanência ou não dos jovens no campo na região em que ele mora. Hoje ele cursa o bacharelado em Desenvolvimento Rural, a distância, pela UFRGS. Acompanhe a entrevista.

na cidade, por ser mais tranquilo e também mais seguro na maioria dos casos. Não é como era antigamente, quando se tinha dificuldade para ter acesso ao estudo.

Como o acesso à internet tem influenciado a sua vida?

NR

Lermen – Se eu não tivesse internet eu não seria quem sou, nem conhecido e reconhecido por tudo isso. Hoje todos os trabalhos que faço são divulgados na internet, ela se tornou a minha vitrine. Desde as vendas dos produtos do sítio, tudo é feito pela internet, pelo site, pelo aplicativo, em grupos no WhatsApp. Isso influencia o jovem a ficar no campo, porque ele tem a possibilidade de estudar, de interagir com o mundo.

NR

Como surgiu o projeto “Perspectivas para a juventude rural”? Lermen – Começou há três anos, quando estava terminando o curso técnico em agropecuária na Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem). Lá tem o Salão de Pesquisa, em que os alunos escolhem um tema para estudar e apresentar aos demais. Ali surgiu a ideia de aproveitar que eu sempre falava sobre sucessão rural e buscar saber o que os jovens do município pensavam sobre o assunto. Queria saber se eles tinham interesse em ficar no meio rural, o que mais os influenciava a ficar ou a sair. A partir de então fiz a pesquisa com jovens do ensino médio aqui de Boa Vista do Buricá. Muitos acharam a ideia interessante e me incentivaram a fazer essa mesma pesquisa em outros municípios, para que fosse possível fazer comparativos e ter uma análise mais ampla. Assim, a pesquisa já foi feita em Boa Vista do Buricá, Nova Candelária, São José do Inhacorá, São Martinho e Sede Nova, e ainda quero fazer em Humaitá, porque são localidades que têm características semelhantes na economia e no tamanho das propriedades. Este também é o tema do meu trabalho de conclusão de curso da graduação que estou fazendo agora, e a ideia é editar um livro com essas experiências, mostrando também histórias de jovens que estejam fazendo a sucessão rural. Nesse tempo também comecei a dar palestras sobre esse assunto em escolas, seminários e encontros para difundir essas informações. O mais recen-

“Esse jovem interiorano também precisa se sentir uma pessoa de negócios, porque trabalhar no interior não é só tirar leite, é preciso ter outras habilidades.”

NR

Como você define a vida no meio rural hoje? Vanderlei Holz Lermen – Hoje se equivale à vida na cidade. Você tem acesso às mesmas tecnologias. Creio que tem até mais qualidade de vida no interior do que

te convite foi da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Quais aspectos desse trabalho tem chamado mais a sua atenção?

NR

Lermen – Vejo que é a importância do incentivo dos pais para que o jovem permaneça ou não no meio rural. Tenho percebido que apenas 30% dos pais incentiva os filhos a ficarem no interior. É muito pouco. Para o jovem é um fator de decisão muito importante, porque quando os pais incentivam o jovem a gostar do interior ele fica, senão ele sai. O jovem cresce na propriedade ouvindo que a agricultura é ruim, que não tem fim de semana, que não dá dinheiro, que é sofrido. Se o pai não mostra que pode ser bom, o jovem não vai ficar. Esse dado se comprova porque a pesquisa mostra que uma porcentagem semelhante aos 30% quer ficar no interior. A gente se pergunta: o que falta para isso dar certo? Veja bem: esse assunto é discutido dentro das entidades, mas geralmente não chega nas escolas. Se você perguntar aos jovens o que é a sucessão rural, 80% não tem nem ideia do que significa isso, e muito menos de como isso deveria acontecer. Então falta essa discussão com o principal ator desse processo, que são os jovens e as famílias. Teria que ter essa discussão

voltada a eles. Esse é o ponto principal da pesquisa e das palestras. Para se ter uma ideia, ainda não tive uma oportunidade de falar sobre isso com os pais. Eles não imaginam que as suas ações são determinantes na influência para os filhos ficarem ou não no interior.

NR

Então essa seria a principal lacuna a ser preenchida para de fato incentivar o jovem a permanecer no campo? Lermen – Eu acho que o principal fator são os pais, além do envolvimento do jovem no setor. Veja bem: estamos fazendo a pesquisa com jovens que estão no ensino médio, ou seja, que logo estarão definindo o seu futuro, estão decidindo o que querem da vida. Mas você conversa com eles e percebe que não participam na hora de vender a produção agropecuária da propriedade, nem na hora em que o pai vai ao banco pedir um empréstimo, fazer um Pronaf. Como ele quer assumir uma propriedade se não sabe como acontecem essas negociações? Esses fatores são bastante importantes, porque mostram o quanto os jovens estão envolvidos de verdade nos negócios. Aí a gente se pergunta se falta vontade do jovem em participar ou falta abertura dos pais em permitirem isso. São questões como essas que fazem a difeRevista Novo Rural - Maio de 2017

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Entrevista

“Aí o cara chega em casa com um monte de ideias, mas não pode colocar em prática porque os pais não permitem. Esse é outro desafio da família, em abrir esse espaço para os jovens.”

rença, porque vejo que o incentivo do governo de forma geral ou outras possibilidades, como a oferta de cursos na área, existem. Mas aí o cara chega em casa com um monte de ideias, mas não pode colocar em prática porque os pais não permitem. Esse é outro desafio da família, em abrir esse espaço para os jovens. Outro dado que assusta: apenas 14% dos jovens que já participou de dias de campo ou de cursos na área da agricultura, mesmo sendo gratuitos. Oferta de capacitação tem, mas o pessoal participa pouco.

NR

Você acredita que o cenário político e econômico atual está repercutindo na decisão dos jovens, tendo em vista questões como a reforma da Previdência? Lermen – Tenho observado quem está participando das palestras e mobilizações relacionadas à reforma da Previdência e 90% são pessoas que já estão aposentadas. Acredito que o jovem ainda não tem muita noção do que está acontecendo em relação à Previdência. Se realmente o agricultor perder seus direitos até então conquistados, isso vai ser mais um fator – que vai atropelar todos os outros – para menos gente ficar no interior. Você já imaginou como um pai vai conseguir incentivar o filho a ficar no interior se este jovem vai ter que traba-

lhar até os 65 anos para se aposentar? Vai dar um grande impacto. Por outro lado, eu ainda acredito que essa reforma não pode ser aprovada dessa forma.

Você acredita que seja possível tirar proveito dessas mídias sociais para incentivar o jovem?

NR

Lermen – Talvez sim. Mas também é preciso de políticas públicas que proporcionem momentos de interação entre os jovens, tanto da cidade quanto do interior, porque eles precisam entender que independentemente de onde eles atuarem, seja na cidade ou no interior, precisam ter uma capacidade administrativa. O jovem rural precisa entender o que ele tem nas mãos, onde ele pode chegar. Esse jovem interiorano também precisa se sentir uma pessoa de negócios, porque trabalhar no interior não é só tirar leite, é necessário ter outras habilidades. Os jovens precisam desse choque de realidade para ver quais as possibilidades eles têm no campo.

Segundo o projeto, menos de 7% dos jovens postam fotos relacionadas à sua atividade nas redes sociais. É preconceito? Lermen – Eu acho que eles têm vergonha de mostrar o que fazem. Eu vejo isso nas escolas, onde os alunos ainda têm vergonha de dizer que são do interior. Mas eu sempre me pergunto: por que postam fotos em uma festa, com os amigos, e não com os animais, ou nas atividades corriqueiras. Quando eu mostro a esses jovens o que eu posto eles acham graça, porque eu posto foto do porco, da horta. Mas eles não sabem a força que isso tem. Tenho visto que as pessoas de cidades maiores acham isso o máximo, porque é diferente. O jovem muitas vezes não tem muita noção do que ele tem. Quem tem 10 hectares de terra, tem animais e alguns maquinários, facilmente soma cerca de um milhão de reais em patrimônio. Na cidade, o que é necessário ter para somar um capital deste? É essa reflexão que os jovens não fazem, por isso nem sempre valorizam a propriedade. Eles se assustam quando eu digo isso.

NR

Saiba mais sobre o trabalho de Vanderlei Holz Lermen nas redes sociais visitando as páginas no Facebook:

• sitiolermen • vanderlermen • perspectivasdajuventuderural

Ou nos sites: • www.sitiolermen.com • www.vanderleilermen.com

Maira Dill/Especial Novo Rural

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Revista Novo Rural - Maio de 2017


Espaço

Intercooperando

Fórum Regional do Cooperativismo tem nova coordenação

A importância do cooperativismo Por Marcia Faccin

Coordenadora da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS de Frederico Westphalen

Eleição e posse foram realizadas durante encontro do fórum, em Alpestre, na Casa Familiar Rural

Seminário Regional comemora Dia Internacional do Cooperativismo Outro assunto que foi amplamente debatido entre os dirigentes foi a realização do Seminário Regional do Cooperativismo, programado para o dia 1º de julho, em

Gracieli Verde

O

Fórum Regional do Cooperativismo teve mais um encontro no mês de abril, na Casa Familiar Rural de Alpestre. A reunião foi promovida pelo fórum, em parceria com a Cooperativa Extremo Norte, com sede no município, e tratou de diversos assuntos. Na mesma oportunidade foi definida a nova coordenação do Fórum Regional do Cooperativismo para os próximos dois anos. No lugar de Wagner Rogério Bohn, da Cooperativa Extremo-Norte, que atuava como coordenador, assumiu Loreno Cerutti, da Cresol. Na vice-coordenação agora está o presidente da Coperametista, Elton Mezzaroba. Já a secretaria executiva do fórum ficará a cargo da equipe da Unidade de Cooperativismo do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen. Além disso, a equipe da UCP da Emater/RS propôs um modelo de estatuto para o fórum, que será avaliado pelos dirigentes para, posteriormente, ser aprovado e reger os trabalhos do grupo.

No lugar do coordenador Wagner Bohn (E) assumiu Loreno Cerutti, além do vice, Elton Mezzaroba, com apoio da UCP da Emater, na foto representada pela extensionista Marcia Faccin

comemoração ao Dia Internacional do Cooperativismo. O evento será no salão de atos da URI/FW e deve reunir centenas de cooperativistas de toda a região, tanto do Médio Alto Uruguai como do Rio da Várzea. Para isso, cada cooperativa mobilizará seus associados para participarem do encontro para difundir o tema. Segundo os organizadores, a ideia é justamente demonstrar aos participantes o potencial e a importância das cooperativas para a região, com dados e resultados econômicos ligados ao setor. Além disso, palestras devem integrar a programação, bem como um almoço e uma confraternização com espaço para talentos locais. Uma comissão também foi formada para seguir a organiza-

COOPERATIVO

ção do evento. No dia do encontro será feita uma campanha de arrecadação de alimentos, que beneficiará hospitais da região. Cada participante poderá contribuir com um quilo de alimento não-perecível.

Visitas técnicas Para incentivar e mostrar aos dirigentes cooperativistas novas experiências relacionadas ao setor, visitas técnicas estão sendo programadas para este ano. Uma delas já ocorreu em abril, no dia 28, para a Ecocitrus, em Montenegro. Para isso, a Emater/RS conseguiu apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado. Outras visitas devem ser agendadas, para o Oeste catarinense. Gracieli Verde

A partir deste mês estaremos nos encontrando mensalmente neste espaço dedicado ao cooperativismo para apresentarmos temas relacionado a este segmento local e regional! Este espaço está sendo ampliado, haja visto a importância que o cooperativismo tem para o fortalecimento do desenvolvimento regional. Estaremos trazendo em evidência várias informações pertinentes as atividades relacionadas ao dia a dia das cooperativas, ações essas que, se implementadas, as colocam em posição de destaque no cenário local e regional. Para iniciarmos, vou discorrer um pouco sobre o que é de fato cooperativismo e seus benefícios para a comunidade. Uma das definições mais claras sobre o que é o cooperativismo é encontrado no site somoscooperativismo.coop.br, que diz que: “Mais que um modelo de negócios, o cooperativismo é uma filosofia de vida que busca transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. Um caminho que mostra que é possível unir desenvolvimento econômico e social, produtividade e sustentabilidade, o individual e o coletivo. E tudo começa quando pessoas se juntam em torno de um mesmo objetivo, em uma organização onde todos são donos do próprio negócio”. E você, é sócio de alguma cooperativa? Sim? Não? Por quê? Sente-se dono desta cooperativa? Participa ativamente das reuniões a atividades desenvolvidas pela cooperativa? Compra e investe na “sua” cooperativa? Você realmente sente-se “dono” da cooperativa ou apenas mais um cliente? Sente orgulho em estar sócio da “sua” cooperativa? A defende quando alguém tenta falar mal? Você sabia que em uma cooperativa todos nós somos donos dela? Que devemos participar ativamente de todas as atividades realizadas pela cooperativa. Que devemos fiscalizar e acompanhar as ações e atividades desenvolvidas pelo presidente e pela diretoria, eleita em assembleia geral ordinária. Você sabia que as cooperativas promovem maior desenvolvimento econômico e social nas comunidades onde estão inseridas? Que na grande maioria das vezes são as cooperativas as grandes indutoras do desenvolvimento, investindo e valorizando a vocação do município onde estão inseridas. Na região existem diversas cooperativas que apresentam um trabalho maravilhoso em prol dos associados e da comunidade onde está inserida, cooperativas com 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos de vida, sempre primando pelo trabalho sério, ético e honesto em prol dos seus associados e da comunidade onde está inserida. Nas próximas colunas vamos continuar escrevendo sobre esta maravilhosa temática que é o cooperativismo sério, competente, transparente e profissional e seus benefícios para a comunidade onde está inserido.

“Mais que um modelo de negócios, o cooperativismo é uma filosofia de vida que busca transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos”

Até a próxima!

Reunião com dirigentes tratou da organização de um seminário regional

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Ações que Inspiram

Emater/RS mais próxima das escolas do campo Após uma demanda apresentada pela 20ª Coordenadoria Regional de Educação, extensionistas propõem trabalho diferenciado em educandários de toda a região Debora Theobald

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Maio contará com encontro de mães

Técnico em agropecuária Dieter Windmoller, extensionista social Edi Sandri e o agrônomo Daniel Morin

Para este mês de maio, a equipe da Emater/RS planeja um encontro, no dia 9, na escola rural, para fazer uma programação especial às mães, com diversas oficinas. Além disso, está previsto para julho um intercâmbio de mudas e sementes crioulas. “Esse é um trabalho que reflete na motivação das famílias para diversificar a alimentação”, pontua a extensionistas Edi Sandri. A integração entre professores, direção e extensionistas nessa abordagem é citada como positiva pelo agrônomo Daniel Morin. “Todos têm se mostrado muito empenhados em dar o melhor, participando das atividades. Isso é importante para gerar mais interesse e estímulo nos alunos, para que também queiram uma realidade diferente”, defende. “É importante que os alunos enxerguem que podem fazer mudança nas propriedades e podem evoluir”, acrescenta Windmoller.

forma de cativá-los para o espaço rural. “É nesta fase que esses adolescentes estão descobrindo o mundo, mas também precisam ver o que tem ao seu redor”. Em Erval Seco esse trabalho também é executado, uma vez que lá existe a Escola Estadual de Ensino Fundamental Coronel Finzito, distante quatro quilômetros da cidade e que tem quase 100 alunos. A extensionista da área social do escritório municipal da Emater/RS, Edi Sandri, assinala que esse trabalho visa integrar a escola, a assistência técnica e a família. Fazendo parte desse trabalho, ainda em março foi feita uma revitalização da horta da escola. “Também coletamos amostras

Dulcenéia Haas Wommer

de solo para fazer análises, cujos resultados serão expostos neste mês de maio”, adianta o agrônomo Daniel Morin, também da Emater/RS. Ele ressalta que devem seguir fazendo o manejo da horta, trabalhar no plantio de hortaliças e, num segundo momento, melhorar o pomar. “É uma forma de mostrar aos alunos e pais o que podem aplicar em casa”, acredita. Esse reflexo nas propriedades também é esperado, até porque, conforme o técnico em agropecuária Dieter Windmoller, algumas práticas deverão ser realizadas em unidades produtivas, porque não tem como fazer tudo na escola, o que reforça essa aproximação com as famílias.

Divulgação

esde o início deste ano extensionistas da Emater/RS-Ascar da região estão com mais uma missão: levar informação e conhecimento para dentro das escolas estaduais localizadas no interior dos municípios. Conforme explica a assistente técnica regional da área social, Dulcenéia Haas Wommer, esta foi uma demanda apresentada pela 20ª Coordenadoria Regional de Educação, que tem sede em Palmeira das Missões, para que fosse reforçado o trabalho de acompanhamento das escolas do campo. – Iniciamos as capacitações dos professores e diretores em fevereiro, mas esse trabalho terá sequência conforme as demandas. Contamos com um grande empenho por parte da Coordenadoria, que convocou as equipes das mais de 30 escolas do campo que existem na região. Foram cerca de 300 professores capacitados. Depois disso, os extensionistas dos escritórios municipais vão acompanhar esse trabalho – explica. Ela assinala ainda que em março projetos foram estruturados nas escolas, para que fossem definidos os temas a serem trabalhados nos próximos meses com os alunos. “Nossa proposta é que assuntos como alimentação saudável, horta escolar, solos e água estejam em pauta com os estudantes”, afirma. Para o mês de julho, conforme Dulcenéia, mais uma etapa de capacitação será feita em três dos sete polos que formam a 20ª CRE. “É um tema muito pertinente, porque a gente sempre enfoca a sucessão familiar nos nossos trabalhos e esses alunos ainda fazem parte da rotina das propriedades rurais. Então, vão ter acesso a esse conteúdo e levar novas ideias para casa”, aposta. Além disso, aproximar esses adolescentes da rotina da propriedade é uma

Daiane Binello

Um trabalho para fazer a diferença Mario Coelho da Silva, gerenteadjunto regional da Emater/RS

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Revista Novo Rural - Maio de 2017

Para o gerente-adjunto do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Mario Coelho da Silva, esta é uma forma de os profissionais “semearem” ideias entre os jovens das escolas envolvidas, lembrando que a Emater/RS também está acompanhando as casas familiares rurais da região (veja mais na editoria Juventude e Sucessão desta edição). “É assim que o trabalho de extensão rural melhora a vida dessas famílias”, ressalta. “A ideia é que estejamos cada vez mais dentro das escolas, para acompanhar esses alunos e suas famílias”, completa. Como o processo de decisão em relação ao futuro dos adolescentes ocorre cada vez mais cedo, esse trabalho é ainda mais importante, segundo Silva. “O

fato de uma criança ver uma semente germinando tem um impacto grande, porque é uma série de conteúdos que podem ser trabalhados e relacionados com as suas vivências na propriedade”, ressalta. Outro destaque, na visão do gerente-adjunto, é que há um grupo de professores muito empenhados em fazer a diferença na educação regional. – Os jovens têm um papel importante em mudar o cenário agrícola, em planejar mais para ter menos sobrecarga. Com certeza é um privilégio para a região ter essas escolas no interior, porque são uma semente do desenvolvimento do meio rural, assim como as casas familiares rurais, escolas técnicas e universidades – avalia.


Divulgação

Juventude e Sucessão

Aprender a gerir para suceder Jovens da Casa Familiar Rural de Alpestre contarão com acompanhamento na área de gestão da propriedade rural e trabalho também poderá ser aplicado na unidade de Frederico Westphalen

P

romover reflexões de como a gestão 42 municípios de abrangência do Regional de pode transformar uma propriedade ruFrederico Westphalen. ral; e mais: entender que a sucessão Ele reforça que uma das metas da Emafamiliar é um dos elementos da gester/RS é justamente aplicar o programa em tão. Eis alguns dos desafios que já esfamílias que tenham jovens como protagonistão fazendo parte da rotina dos tas, portanto, tem total identificajovens que estudam na Casa ção com o trabalho da CFR, que é Familiar Rural (CFR) de Alpesdirecionada para jovens rurais. tre. A partir de uma necessi– Independente do tamanho da dade de trazer o tema gestão propriedade ou das atividades que para o currículo da escola, ouse desenvolve, a sucessão tem tra demanda surgiu: a de incluir que ser um elemento de gestão. A os jovens que estudam na CFR sucessão é tão importante quanno Programa Gestão Sustentáto o capital, por exemplo. Uma das vel da Agricultura Familiar, exequestões que trouxemos para o cutado pela Emater/RS, com debate é que o jovem não seja soapoio da Secretaria de Estamente um coletor de informações, do de Desenvolvimento Rural e mas que faça parte do processo, Cooperativismo. que participe das discussões, das – Estamos numa região de decisões – explica o agrônomo. agricultura familiar, portanto, Sangaletti ressalta ainda que a gestão precisa ser feita pela a abordagem sistêmica, que avaAgrônomo Valdir família. E não tem como dislia questões ambientais, sociais, Sangaletti, da cutir sucessão familiar sem fatécnicas e econômicas, que teEmater/RS lar de gestão. Além disso, é nha ferramentas para produalgo que tem que ser debatizir indicadores para mensurar o do com os pais e os jovens. E o programa vai que está se fazendo na propriedade para toalém do debate sobre o assunto, mas pacmar as decisões, é o diferencial deste trabatua com a família que alguns processos selho. A expectativa é que como os jovens têm rão feitos para conseguir avançar – assinala mais facilidade com a informática, isso tamo assistente técnico regional e agrônomo Valbém facilite o uso de planilhas digitais para dir Sangaletti, que coordena o programa nos efetuar os controles.

“A gestão compartilhada entre pais e filhos é a melhor forma de alcançar o sucesso”

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Revista Novo Rural - Maio de 2017

Sensibilização com pais e alunos foi realizada na CFR de Alpestre e, com isso, 16 jovens serão incluídos no programa estadual de gestão

Os beneficiados Nesta fase, 11 jovens de Alpestre serão atendidos, mais dois de Iraí e três de Gramado dos Loureiros. Os técnicos da Emater/RS-Ascar que atuam nos escritórios municipais acompanharão de perto esse trabalho, auxiliando no diagnóstico de cada propriedade e na construção dos planos de gestão. “Toda a nossa equipe está envolvida no trabalho, tanto na parte técnica como na área

social”, reforça o chefe do escritório da Emater/RS de Alpestre, técnico agropecuário Clair Olavo Bertussi. Ao mesmo tempo, esse trabalho será integrado com os monitores da CFR. Essa mesma abordagem está sendo proposta para jovens que estudam na CFR de Frederico Westphalen. “Este é um trabalho novo em nível de Estado, por se tratar de CFRs”, pontua Sangaletti.

Jovens terão um diferencial: estudar gestão a partir da sua realidade Sangaletti avalia que pelo menos dois pontos são considerados de extrema importância nesse contexto. Um deles é a possibilidade de levar para dentro da escola o tema gestão de uma forma diferenciada. “Historicamente as universidades trabalham a gestão com o foco na contabilidade agrícola. O diferencial está no enfoque sistêmico que será dado, da preocupação em melhorar a renda, de pensar na questão social, ambiental e na qualidade de vida das famílias”, defende. Outro destaque é fortalecer a sucessão familiar como elemento de

gestão da propriedade e oportunizar um aprofundamento sobre esse assunto. “As famílias precisam estar conscientes de que o jovem fica na área rural só se quiser e, neste caso, quer ter participação nos resultados, se sentir valorizado”, completa. O técnico agropecuário Clair Olavo Bertussi acredita que esse é um trabalho que vai fortalecer a assistência técnica que já é oferecida às famílias desses jovens via Emater/RS. “Imaginamos que o resultado será muito positivo, ainda mais por serem jovens e por existir esse entusiasmo em querer saber mais sobre o assunto”, avalia.

Ficou curioso em saber como funciona uma CFR? Ou o programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar? Procure o escritório da Emater/RS ou a Secretaria de Agricultura do seu município. Certamente um dos profissionais terá orientações para lhe fornecer. Revista Novo Rural - Maio de 2017

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Clima

Inverno de 2017 pode ser mais chuvoso na região O mês de maio já deve ter chuva acima da média na região, segundo análise do meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia. “Essas chuvas devem acontecer principalmente no segundo decêndio do mês, que vai do 11 ao dia 20. Esse período também poderá ter uma queda mais acentuada da temperatura”, antecipa Oliveira. A média histórica para o mês é de

150 milímetros em Frederico Westphalen, e conforme a previsão pode ser de acima dos 200 milímetros. Oliveira também adianta que no Rio Grande do Sul poderá ter um El Niño fraco, portanto, com mais chuvas neste ano. “Mas, não é recomendado comparar este El Niño de 2017 com o que ocorreu em 2015, que foi muito mais forte”, tranquiliza. Para junho a média história para a re-

gião é de 100 milímetros, mas são esperados mais de 150mm. “Para julho a média e a previsão estão praticamente equivalentes nos 150mm; e em agosto, a média é de 100mm, mas pode chover 150mm”, acrescenta. Em relação às temperaturas, 2017 deve ter menos frio. “Entretanto, menos frio não quer dizer que não exista frio. Teremos temperaturas com potenciais

para geada, mas de forma mais espaçada, não com a mesma frequência que vimos em 2016. A primeira onda de frio já com potencial de geada está prevista para meados deste mês de maio”, projeta Oliveira. Segundo ele, o maior alerta é que as simulações mostram declínios de temperaturas na época de plantio das culturas de primavera, como o milho, em setembro.

BOLETIM AGROMETEREOLÓGICO Leandro Marques Engenheiro-agrônomo | Extensionista rural da Emater/RS-Ascar

Cultivo tradicional em propriedades rurais da região, principalmente aquelas de característica familiar, a bergamota começa a ganhar espaço em mercados e feiras, por conta da colheita que ganha força no campo. O produto que chega ao comércio traz renda aos agricultores que, tradicionalmente, cultivam a fruta em conjunto com outras atividades agrícolas dentro da propriedade. Por outro lado, para aqueles que não vendem a fruta, a colheita garante o sabor característico do inverno nas tardes de sol, entre uma conversa e outra das famílias rurais. O frio que costuma se intensificar em maio deve beneficiar os frutos que ainda estão no campo, mesmo que quase prontos para a colheita. Vale lembrar que as baixas temperaturas agregam sabor e qualidade à bergamota, além de minimizar a presença de alguns insetos que podem atacar os frutos em áreas de cultivo. A fruta do inverno chegou. É tempo de bergamota, no campo e na cidade.

A proximidade do inverno exige planejamento para fortalecer os rebanhos bovinos da região, principalmente aqueles de aptidão leiteira, visando enfrentar situações adversas no campo. Mesmo com a sabedoria e experiência do agricultor na atividade, fruto do trabalho no campo, é importante que alguns itens não sejam deixados de lado no manejo dos rebanhos. Dar alimentação diferenciada, priorizando vacas em lactação, terneiros e vacas prenhas é fundamental em casos de pouca oferta de alimento nas propriedades rurais, pois animais que estão em tais condições são mais exigentes. A alimentação dos animais deve ser prioridade.

Gracieli Verde/Arquivo Jornal AU

Hora de fortalecer o rebanho

Divulgação

A fruta do inverno

Momento de prevenir Baixas temperaturas agregam sabor à bergamota

Atenção com a umidade do solo Ao caminhar nas áreas da propriedade o agricultor já observa alguns locais com maior umidade no solo, demorando um pouco mais para secar, típico das estações mais frias do ano. Se tal cenário ocorre em áreas de pastejo dos animais, é necessário não descuidar nesse momento. Enquanto algumas pastagens de inverno ainda não estão completamente estabelecidas e ocupando o espaço daquelas cultivadas no verão, o cuidado com o pisoteio em excesso dos animais deve ser prioridade. Prevenir danos nas pastagens que estão iniciando o ciclo produtivo pode ser decisivo nos meses seguintes.

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Revista Novo Rural - Maio de 2017

O outono entra na segunda metade da estação e o inverno se aproxima da rotina no campo. Se as pancadas de chuva em dias quentes ajudam a formar o cenário do verão, no inverno os dias mais curtos e o frio intenso formam a característica da estação. Ainda assim, a geada talvez apareça na imaginação do agricultor como a característica mais forte do inverno, seja pelo belo cenário formado ao amanhecer ou, principalmente, pelos cuidados com cultivos e animais que são necessários em dias com formação de geada. En-

quanto algumas culturas são beneficiadas com tal fenômeno, outras não devem estar expostas à sua ocorrência. Este é o caso das mudas de mandioca, que devem estar protegidas da exposição ao frio intenso, com destaque para locais onde as mudas não sofram exposição à geada. Tal medida visa proteger e garantir a qualidade da muda que será cultivada logo após o inverno. Vale lembrar que a mandioca é um cultivo tradicional e de considerável importância em propriedades rurais da região. É momento de prevenir.


Revista Novo Rural Maio de 2017

Geral

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Daiane Binello

Devido à chuva, ato foi feito em um dos pavilhões do parque de exposições da cidade

Reforma da Previdência segue em pauta Mesmo que governo tenha mostrado um pouco de flexibilização, assunto ainda é preocupação contribuição sobre a produção será mantida no novo texto. Os detalhes de como será realizada a contribuição ainda serão definidas em projetos de lei no futuro. Atualmente, os produtores rurais contribuem para o INSS com um percentual de aproximadamente 2% apenas sobre a produção. Na busca por sensibilizar o Congresso e promover um debate sobre o tema, a Associação dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais da Região do Médio Alto (ASTRMAU), juntamente com a Fetag, com apoio da CDL-FW e Sindisfred, realizou uma manifestação no dia 25 de abril, em Frederico Westphalen. Cerca de quatro mil pessoas compareceram. O encontro teve apoio das regionais sindicais de Santa Rosa e Três Passos. Segundo o coordenador da Regional Sindical do Médio Alto Uruguai, Deonir Sarmento, é preciso mostrar a insatisfação antes da aprovação do projeto, uma vez que as consequências serão graves tanto para os produtores rurais como para os trabalhadores urbanos. “Caso esse texto seja aprovado, não há dúvidas que o êxodo rural será ainda maior, principalmente entre os mais jovens”, acredita.

Daiane Binello

O

governo federal cedeu e o projeto que prevê a Reforma da Previdência terá alterações. No caso dos agricultores, houve a redução na idade mínima para aposentadoria. Caso aprovado o atual texto, eles poderão se aposentar aos 60 anos (homens) e 57 anos (mulheres), com tempo mínimo de contribuição estipulado em 15 anos, diferente dos 25 anos previstos anteriormente. O relator da reforma, deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), admitiu que as alterações foram feitas devido às fortes pressões ao governo e parlamentares por parte da população e lideranças. Apesar de os agricultores já terem garantido um ponto favorável em suas reivindicações, a categoria deve continuar brigando para não perder direitos. Além da possibilidade de se aposentar mais cedo que o texto antigo previa, os trabalhadores rurais também conseguiram garantir uma contribuição menor do que se estava estipulando. Com o novo texto, os agricultores serão enquadrados no mesmo patamar de trabalhadores urbanos de baixa renda, o que possibilita que eles contribuam com no máximo 5% para a Previdência. Porém, a

Ato foi encerrado com carreata pela cidade, em direção à agência do INSS

E

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Bem-Estar

“Todos têm problemas e vai ao consultório quem quer resolvê-los” A médica-psiquiatra Joana Leticia Carvalho Cordeiro dá mais orientações em relação ao tratamento da depressão e alerta para a necessidade de atenção à doença

E

ntremeio a tanta informação sobre a depressão, é preciso ter uma orientação precisa sobre o que fazer diante desta doença que acomete milhares de pessoas, independente de sexo, idade e condição social. Por isso, nesta edição repercutimos mais uma vez esse assunto, desta vez com a participação da médica-psiquiatra Joana Leticia Carvalho Cordeiro, que atende em Frederico Westphalen. Sobre a busca pelo acompanhamento médico, o importante é seguir a recomendação do clínico geral ou do psicólogo. “Normalmente esses profissionais é que encaminham o paciente para um psiquiatra. O que ocorre é que geralmente os pacientes demoram muito para procurar esse atendimento e o quadro se agrava”, analisa Joana. É por isso que ela reforça: “vá ao psiquiatra quando o seu médico ou o seu psicólogo orientarem”. Além disso, é importante que paciente não veja a indicação para o psiquiatra como uma ofensa, afinal, problemas todos têm e vai ao consultório quem quer resolvê-los. Outro ponto que facilita o tratamento aliando a parceria entre médico, psicólogo e psiquiatra é que há mais sintonia no andamento do trabalho. De qualquer forma, o crucial é buscar ajuda. “Muitas vezes o paciente nem precisa chegar até o psiquiatra, porque o clínico geral ou o psicólogo têm ferramentas para ajudar nestes casos. O psiquiatra entra nesse processo quando é necessário reavaliar a medicação e outros fatores que podem influenciar na doença”, explica Joana.

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“Aquele que não gasta tempo cuidando da saúde vai gastar tempo para tratar a doença.”

NR

Hoje os moradores da zona rural têm buscado mais a ajuda psiquiátrica para se livrar da depressão?

Joana Leticia Carvalho Cordeiro – Eu morava em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e lá atendia muitos boias-frias, que trabalhavam com cana-de-açúcar e tinham péssimas condições de trabalho. Aqui na região a realidade é diferente, porque o agricultor é dono da sua terra, tem mais autonomia e tem um renda melhor. Pela vocação da região em ser mais agrícola, é mais frequente a vinda deles ao consultório. É claro que a depressão acomete mais mulheres, tanto na cidade como no campo. Além disso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a primeira causa de incapacidade ao trabalho das pessoas na atualidade. É um dado alarmante e que reflete na sociedade.

Revista Novo Rural - Maio de 2017

NR

As mulheres sofrem mais com a depressão, não é? Como explicar?

Joana – Sim. Essas causas são bem complexas, porque incluem fatores genéticos e o meio de vida, as circunstâncias que envolvem a pessoa. Por exemplo, já foi comprovado que pessoas deprimem mais quando estão em desemprego ou em ano que dá mais problema na lavoura. Outro fator que influencia muito são as crises de relações e situações de luto, como perda de um filho ou dos pais. Mais precisamente no caso das mulheres, elas vivem um contexto diferente no campo, normalmente deixam a casa materna, precisam conviver com a família do marido, cuida dos afazeres de casa, dos filhos, e depois, quando estes saem de casa, sentem mais o “ninho vazio” do que os homens. De forma geral as mulheres são mais sozinhas no interior, e isso pode ajudar a desencadear a depressão.

NR

Os homens são mais estressados do que deprimidos?

NR

O estresse do campo é diferente do estresse da cidade?

Joana – Partimos do princípio de que a depressão é como uma tristeza que não passa, é uma dor que está sempre presente. Mas há também quem fica irritado. Aí se encaixam os homens. O homem que está muito explosivo e nervoso é como se ele estivesse chorando, ele não está dando conta de gerenciar as emoções diante da situação que está vivendo e ele precisa ir ao médico, ao psicólogo ou ao psiquiatra. Às vezes o homem só admite que precisa dessa ajuda quando a família percebe essa agressividade, ou quando ele bate em alguém, quebra coisas ou tenta contra própria vida.

Joana – No campo tem um agravante que todo dia é segunda-feira, não é como um trabalhador que tem carteira assinada, que trabalha de segunda a sábado, e que tem o sábado à tarde e o domingo para descansar. As pessoas que atendo aqui, em geral, não se organizam para ter um dia de descanso. Aquele que não gasta tempo cuidando da saúde vai gastar tempo para tratar a doença. Então, arrume tempo e dinheiro para gastar para a saúde, para ficar com a família, para passear.

NR

Seria uma sobrecarga, então?

Joana – Isso. Todos, de forma geral, se desgastam muito trabalhando. Os homens até param no domingo, mas as mulheres geralmente trabalham ainda mais, porque acabam recebendo mais pessoas em casa, querem que a casa esteja “um brinco”, e por aí segue. Esse descanso, que muitas vezes é condenado por essa cultura do imigrante, faz com que muitas famílias prósperas tenham problemas de depressão.

“Os homens até param no domingo, mas as mulheres geralmente trabalham ainda mais, porque acabam recebendo mais pessoas em casa, querem que a casa esteja um brinco.”

NR

Em que época atende mais o público do interior?

Joana – Nesta época de colheita da safra da soja é bem mais frequente a vinda dos homens, porque eles trabalham muitas horas por dia. Chega um momento em que eles surtam e precisam de ajuda.


Culinária

É época de amendoim! E

stamos na época do amendoim, que está sendo colhido na região, um alimento rico em ácidos graxos monoinsaturados, as gorduras do bem – incluindo o ômega-3. O alimento também fornece grandes quantidades de potássio, magnésio e vitamina E – esses dois últimos são essenciais para deixar o cérebro funcionando a todo vapor, segundo especialis-

tas. Já o potássio é famoso por auxiliar a evitar cãibras e fortalece os ossos. As formas de consumo são as mais variadas. É um produto que permite preparar tanto pratos doces como salgados, ou também pode ser consumido na sua versão mais natural. Separamos a receita de um bolo que pode ser uma boa pedida para variar o consumo desta oleaginosa.

Maneiras de consumo do amendoim Torrado: ele preserva todos os nutrientes da leguminosa. Paçoca: na versão tradicional, o açúcar vem em excesso. In natura: liberado! Sua casca vermelha é nutritiva. Pé de moleque: o caramelo é uma doce armadilha para a dieta.

Bolo de amendoim

Joana – Nove em cada dez pacientes têm os agendamentos feitos pelos familiares. A família deve sim fazer esses encaminhamentos quando a pessoa está com depressão. É esse cuidador direto que precisa ir junto nas consultas e, inclusive, ajudar a tomar a medicação de forma correta. Outro ponto que não pode ser deixado de lado é que nessas horas aparecem também problemas como o alcoolismo, porque o homem normalmente sai de casa e vai para o bar. É um jeito que a pessoa tem de se “automedicar”, mas é claro que acaba agravando o problema. Ele alivia o estresse na hora, mas depois paga um preço alto por isso.

“É nessas horas aparecem também problemas como o alcoolismo, porque o homem normalmente sai de casa e vai para o bar. É um jeito que a pessoa tem de se automedicar.”

“O homem que está muito explosivo e nervoso é como se ele estivesse chorando, ele não está dando conta de gerenciar as emoções diante da situação que está vivendo...”

Ingredientes Meia xicara (chá) de óleo

3 ovos inteiros

1 xícara e meia de açúcar

NR

As pessoas têm vergonha de buscar ajuda psiquiátrica?

Joana – Bom, até a década de 1970 havia os manicômios. E muitas pessoas ainda têm no imaginário de que os tratamentos psiquiátricos são invasivos, não são tão amigáveis assim. Faz pouco tempo que a psiquiatria está diferente e esse medo ou vergonha de as pessoas procurarem esse tipo de ajuda vem disso. Mas o papel da família está em justamente acompanhar o paciente para saber exatamente o que está acontecendo e tranquilizá-lo em relação a isso.

1 xícara (chá) e meia de leite

1 xícara (chá) de amendoim torrado e moído

1 colher (sopa) de fermento em pó

Cobertura 1 xícara (chá) de amendoim torrado e moído

1 lata de leite condensado

1 colher (chá) de margarina

Modo de preparo Bater todos os ingredientes líquidos no liquidificador. Coloque a farinha de trigo e o fermento em pó em uma vasilha e vá colocando aos poucos o líquido batido no liquidificador. Misture tudo muito bem. Agora é só colocar em forma untada e enfarinhada, levar ao forno por aproximadamente 30 a 40 minutos.

Cobertura: Colocar todos os ingredientes em uma panela pequena e levar ao fogo até engrossar.

2 xícaras (chá) de farinha de trigo peneirada

o

O que a família pode fazer se o paciente não quiser buscar ajuda?

Divulgaçã

NR

Revista Novo Rural - Maio de 2017

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Revista Novo Rural Maio de 2017

Eventos

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Taquaruçu do Sul recebe 15 mil pessoas em feira Q

uarenta expositores, cerca de 15 mil visitantes, aproximadamente R$ 200 mil em negócios, mais de 200 voluntários envolvidos, 12 mil quilos de peixe comercializados. Esses são alguns dos números da 11ª Feira do Peixe, Comércio, Agropecuária e Agroindústria de Taquaruçu do Sul, realizada entre os dias 9 e 12 de abril, na Praça Monsenhor Albino Busato. O secretário de Agricultura e presidente da feira, Tiago Pessotto, pontua que o evento superou as expectativas. “Avaliamos de forma positiva, especialmente pela boa participação do público”, afirma. A mudança do local também foi um ponto favorável para o evento, segundo ele – an-

Gracieli Verde

11ª Feira do Peixe, Comércio, Agropecuária e Agroindústria contou com uma série de atrações

Venda de peixe vivo é o principal foco do evento

tes a feira ocorria na entrada da cidade. Outro aspecto que contribui para esse sucesso do evento é o espírito comunitário e solidário de lideranças, representantes de entidades e população em geral. Segundo a comissão organizadora, a edição deste ano contou com a colaboração de mais de 200 voluntários. Além disso, no último dia da feira foi realizada a escolha das novas soberanas do evento. As três vencedoras são Amanda Balestrin, Giovana Zancan e Tamires Gambin. As novas soberanas receberam das mãos do prefeito, Valmir Menegat, e do vice-prefeito, Guilherme Zanchet, um prêmio de R$ 600.

Outros municípios também realizam feiras Em toda a região a Semana Santa foi marcada pela venda de peixe vivo e congelado em diversos municípios, uma forma de incentivar o consumo do produto, bem como de estruturar mais canais de comercialização. Outra ação que foi realizada em várias oportunidades foi a difusão de informações sobre filetagem de peixe. Em Palmeira das Missões, por exemplo, a comercialização foi realizada no parque de exposições da cidade,

nos dias 11, 12 e 13 de abril. Em Frederico Westphalen, a comercialização também se deu nos dias 12 e 13 do mês passado, inclusive com a venda de peixe vivo, no parque de exposições. No dia 12 a feira se concentrou na rua Tenente Lira, em frente à agência da Sicredi, perto da praça central. Ali também teve venda de outros produtos da agricultura familiar, bem como porções de peixe frito, por voluntários do Promenor.

COMITÊ DA BACIA

RIO DA VÁRZEA

(55) 3744-4244

Uso da água passará a ser cobrado a partir de 2022 Etapas de implementação do Plano de Bacia foram definidas neste mês

32

A preocupação com a gestão dos recursos hídricos tem mobilizado uma série de reuniões e ações através dos trabalhos dos Comitês de Gerenciamento de Bacias. Neste mês de abril, o secretário-executivo do Comitê Bacia do Várzea, Ivan Carlos Viana, participou de um evento com a presença do Diretor do Departamento de Recursos Hídricos do Estado onde foram denidos os próximos passos que o Comitê Bacia do Várzea irá percorrer até ter seu Plano de Gerenciamento de Bacia em funcionamento. Ainda neste ano está prevista a licitação que irá denir a empresa que fará o projeto do Plano de Bacia, com o diagnóstico de todos os recursos hídricos existentes nos 55 municípios que pertencem à Bacia do Várzea, e a pré-classicação. Até 2019, este relatório será apreciado pelo Colegiado do Comitê, composto por representantes de todos os setores da sociedade, bem como entidades civis e governamentais. Após a análise será concluída a classicação dos recursos hídricos, que servirá de referência para a implementação da cobrança pela utilização da água a partir de 2022.

Revista Novo Rural - Maio de 2017

contato@comiteriodavarzea.com.br

Conselho de Recursos Hídricos do Estado aprova dispensa de outorga para safra 2017 Em função da diculdade encontrada pelos produtores rurais em conseguir documentação em tempo hábil, dentro dos prazos exigidos para o nanciamento da próxima safra, foi aprovada pelo Conselho de Recursos Hídricos do Estado a dispensa de outorga para uso da água para dessedentação animal, desde que esteja devidamente cadastrado no Sistema de Outorga de Água do Rio Grande do Sul (Siout). Esta resolução vale apenas para o nanciamento da safra de 2017.

www.comiteriodavarzea.com.br

Sindicatos Rurais acompanham trabalho do Comitê Várzea Representantes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais têm acompanhado de perto os trabalhos do Comitê Bacia do Várzea. Além da participação nas reuniões ordinárias, o STR convidou o secretário-executivo do Comitê para fazer uma apresentação durante a reunião da regional sindical, realizada em Frederico Westphalen, neste mês de abril. Na ocasião, foi feito um relato do impacto da implementação do Plano de Bacia para a agricultura, bem como dos benefícios que a gestão dos recursos hídricos trará para todos os setores da sociedade.


Revista Novo Rural Maio de 2017

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Feisa 2017 tem encontro para mulheres do campo D

entre os dias 26 de abril e 1º de maio Sarandi vivenciou mais uma edição da Feisa, a Feira das Indústrias da cidade, que também tem entre os destaques o setor agropecuário. No dia 27 de abril um dos eventos paralelos foi a realização do Encontro Intermunicipal de Mulheres, no Centro de Tradições Gaúchas Porteira da Querência. O evento contou com uma palestra de Ainor Lotério, que falou sobre mulheres e família. Cerca de 200 mulheres rurais participaram do encontro, que foi promovido pela prefeitura, Emater/RS, Sintraf e Cotrisal. Neste mesmo dia iniciaram as visitações aos pavilhões, no Parque de Exposições Pedro de Marco.

Na abertura quem representou o governador, José Ivo Sartori, foi o presidente da Emater/RS-Ascar, Clair Kuhn. Ele ressaltou a importância de o município ter uma atitude empreendedora com a realização do evento, mesmo tendo um cenário econômico não tão favorável. A edição 2017 da feira teve 120 expositores da região, que englobam os setores têxtil, moveleiro, agronegócio, metalmecânico, construção civil, agricultura familiar e veículos. O evento foi promovido pela Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agronegócio do município (Acisar), prefeitura e Câmara de Vereadores, com apoio da Cotrisal e Emater/RS-Ascar, além do apoio cultural da UPF.

Marcela Buzatto/Emater/Divulgação

Evento foi realizado no CTG Porteira da Querência, em Sarandi

Ainor Lotério palestrou para cerca de 200 mulheres rurais

Até

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l i r b 7

A201

DIA

13 Encerramento do projeto Mulheres e confraternização do Dia das Mães

Local: Largo Vitalino Cerutti,

DIA

2

19 Tarde de campo

Local: Linha Lambari, na

propriedade da família Balbinot, em Rondinha

DIA

DIA

3 Tarde de campo sobre brucelose e uso de fitoterapia Local: Linha Maraschin

Engenho Velho Horário: 13h30min

19 Inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen Horário: 13h30min

DIA

DIA

3

24

Encontro de Mulheres Local: Vila Carmo Frederico Westphalen Horário: 14 horas

Curso de Piscicultura

DIA

DIAS

9

24 E 25

Tarde de campo sobre brucelose e uso de fitoterapia

9º Simpósio de Atualização em Agronomia: desafios e perspectivas da agricultura familiar

Local: Linha Martinelli,

Engenho Velho

Horário: 13h30min

DIA

Rio dos Índios

Local: Auditório da Escola Cardeal

Roncalli, Frederico Westphalen Horário: a partir das 19 horas

31

Tarde de campo sobre brucelose e uso de fitoterapia Engenho Velho

Dia de campo sobre leite

Horário: a partir das 13h30min

Horário: 13h30min

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Homeopatia Popular

Inscrições estão abertas para curso A Cooperbio oferece curso básico de Homeopatia Popular no centro de formação localizado na linha Tesoura, em Seberi. A atividade inicia no segundo fim de semana de maio e prevê encontros mensais até o alcance das 400 horas/aula, previstas pela Associação Brasileira de Homeopatia Popular (ABHP), que ao lado do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) é parceira na realização da atividade. O investimento parte de uma taxa de inscrição no valor de R$ 50 e de pagamentos de R$ 200 a cada uma das 19 etapas previstas. Os organizadores destacam que no valor proposto já estão inclusos todo o material didático necessário, remuneração dos professores, bem como as refeições e alojamento junto ao centro de formação da Cooperbio a todos os participantes. O prazo de inscrição é até 5 de maio. Estão sendo disponibilizadas ao público 30 vagas, cujos interessados receberão por correio eletrônico a confirmação e orientações para efetivação de sua participação no curso. Mais informações pelo telefone (55) 9.9963.4234.

Palmeira das Missões

Fórum Itinerante do Leite será dia 1º de junho Segue em plena organização o Fórum Itinerante do Leite, que será realizado em Palmeira das Missões – o evento estava previsto para o ocorrer em abril. Conforme o professor João Pedro Velho, da UFSM – Campus de Palmeira das Missões, que coordena a comissão organizadora, várias palestras e oficias serão realizadas. O início está previsto para as 9 horas, na Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato. Poderão participar produtores rurais, profissionais e estudantes da área.

DIA

10 Local: Linha Bonita,

O município de Liberato Salzano terá a 14ª Abertura da Safra da Citricultura 2017 e o Seminário do Leite, no dia 16 de maio. O evento ocorre no salão paroquial da cidade, a partir das 8 horas. A promoção é da prefeitura, Câmara de Vereadores, Isau, Emater/RS-Ascar e Associação de Citricultores. A programação inclui palestras sobre manejo e adubação de pomares para altas produtividades, colheita de citros e sistemas de produção e perspectivas da atividade leiteira.

DIA

Tarde de campo sobre brucelose e uso de fitoterapia Local: Linha Trombetta, Engenho Velho Horário: 13h30min

Município promove abertura da colheita de citros

Gracieli Verde

no centro de Frederico Westphalen Horário: 15 horas

Liberado Salzano

Revista Novo Rural - Maio de 2017

São José das Missões

Atenção, secretário municipal de Agricultura e equipe: para participar deste espaço gratuitamente, basta enviar as informações que deseja divulgar, até o dia 20 de cada mês. (55) 99624.3768 revistanovorural@oaltouruguai.com.br

AGRICULTOR, fique atento a mais este serviço que a Novo Rural oferece para mantê-lo atualizado sobre o que acontece no seu municípío!


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Revista Novo Rural Maio.17  

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