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GRÃOS

EXEMPLAR GRATUITO

VENDA PROIBIDA

Monitorar a soja rende economia no bolso

R E V I S TA

VITICULTURA

Uva protegida garante qualidade dos frutos

ENTREVISTA

Zé Hamilton Ribeiro diz que agricultores são heróis

NOVO • INFORMA • ORIENTA • INSPIRA

Ano 1 - Edição 2 - Dezembro de 2016

OS DESAFIOS DA

LEI DO LEITE

DO CAMPO À INDÚSTRIA, BUSCAMOS SABER QUAIS OS IMPACTOS DESTA NOVA LEGISLAÇÃO ESTADUAL PARA O SETOR

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Carta ao leitor

Nesta edição

O

lá amigos! Não poderia iniciar esta conversa sem primeiro registrar o agradecimento, em nome da equipe da revista Novo Rural, a todas as pessoas que nos auxiliaram na tarefa de colocar em circulação a primeira edição deste veículo de comunicação que foi criado para informar, orientar e inspirar. Sabemos que a equipe da Emater enfrenta o desafio diário de dar conta de inúmeras atividades e mesmo assim não mediu esforços para garantir que todos os exemplares da revista estivessem nas mãos das famílias rurais o mais rápido possível, contribuindo com conhecimento para melhorar a gestão das propriedades. O sucesso do trabalho desenvolvido ficou demonstrado pelas inúmeras imagens de leitores que recebemos, de toda a região. Pela expressão no rosto de cada um percebemos a satisfação com o que encontraram nas páginas da Novo Rural. Mas ainda estamos recebendo sugestões, comentários, ideias novas, pois estamos abertos para cada vez mais melhorarmos a qualidade da revista. Queremos que ela tenha o seu jeito, a sua cara, mas também que ajude a promover mudanças, claro, sempre para melhor! Já a segunda edição da Novo Rural, que está em suas mãos, está recheada de reportagens interessantes. Dicas, orientações, informações técnicas e de mercado. Também conta com uma “deliciosa” entrevista com o jornalista José Hamilton Ribeiro, que há décadas trabalha no programa Globo Rural, nos informando de um jeito muito especial, contando histórias, mostrando a realidade do meio rural de uma forma simples e muito bonita. Gostaria de aqui detalhar um pouquinho de cada novidade que será possível encontrar nas próximas páginas, mas como o espaço é limitado, deixo com você e sua família esta tarefa, e junto com toda a equipe fico aguardando a sua opinião sobre o que mais gostou, combinado?! Confere logo abaixo o que preparamos para agradecer a sua colaboração. Boa leitura e boa sorte!

4 Especial

26 Clima

Saiba como foi o lançamento da revista Novo Rural

Tendência é que dezembro siga com chuvas espaçadas

8 A campo

28 Dentro da Porteira

Setor ervateiro tem buscado qualificação para conservar a bebida-símbolo do Rio Grande do Sul, o chimarrão. Conheça a história de uma ervateira de Novo Barreiro

Manejo integrado de pragas e doenças tem dado bons resultados na cultura da soja. Na uva uma tendência é o cultivo protegido e um especialista dá várias dicas. Fumo é colhido na região e o diferencial fica para Vicente Dutra, que consegue fazer duas safras por ano

30 Inovar para crescer

14 Criação

Cultivo protegido tem ganhado espaço na região

Lei do Leite ainda gera dúvidas no setor, mas também é uma esperança de recuperar a credibilidade do produto gaúcho entre os consumidores

32 Juventude e Sucessão

Jovem de Sagrada Família conta como vem sendo a experiência de dar sequência ao trabalho no setor rural, ao lado dos pais

20 Entrevista

Jornalista José Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, fala com exclusividade à Novo Rural e conta suas percepções sobre o setor agropecuário

34 Bem-Estar

22 Intercooperando

36 Espaço da Mulher

Saiba por que o uso do protetor solar é fundamental, principalmente no verão

Cotrifred programa investimento milionário em Frederico Westphalen para implantar uma indústria de laticínios e o presidente, Elio Pacheco, comenta o assunto. Já o tema liderança é explanado pelo presidente da Sicredi, Eugênio Poltronieri

Veja como fazer enfeites de Natal. Também tem receitas saborosas na Culinária

40 Ações que Inspiram

Escritório municipal da Emater/RS de Taquaruçu do Sul tem difundido a preservação de sementes crioulas

24 Turismo rural

Conheça a história da família Bonfanti, de Constantina, que mantém um casarão construído na década de 1930 e se tornou um ponto turístico

Patricia Cerutti Diretora

41

Mercado

Preço do leite deve seguir em queda

Fotografou, comentou, viajou!

Olha só quem já está concorrendo... Andressa Lazaroto de Taquaruçu do Sul

Nós queremos saber o que você achou da revista Novo Rural, qual conteúdo foi mais útil ou o que ficou faltando, para produzirmos nas próximas edições. Sua opinião é importante para fazermos a revista cada vez melhor! Quem colaborar com sugestões ou opinião participa do sorteio de um presentão, uma viagem Aparecida do Norte (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Para participar do sorteio é necessário apenas enviar seu comentário ou opinião e se possível uma foto sua junto da revista Novo Rural. Pode enviar para o e-mail revistanovorural@oaltouruguai.com.br ou se preferir encaminhe como mensagem no WhatsApp, no (55) 9624.3768. Participe! O sorteio será no dia 20 de dezembro, não perca tempo!!!

R E V I S TA

NOVO

Diretora

Reportagem

Consultora de vendas

Patricia Cerutti

Débora Theobald

Vanessa Pohlmann

Coordenador financeiro

Revisão

Coordenador de diagramação e publicidade

Suseli Cristo

Fábio Rehbein

Eduardo Cerutti A revista Novo Rural é uma iniciativa da Editora Jornal O Alto Uruguai Ltda.

2

Fone: (55) 3744-3040 Endereço: Rua Getúlio Vargas, 201 - B. Ipiranga Frederico Westphalen/RS

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Consultoria de conteúdo e logística de distribuição

Editora-chefe

Coordenadora comercial

Gracieli Verde

Kari Spada

Diagramação

Naiana Lemes e Karen Kunichiro

Revista Novo Rural

@novorural

Circulação

Mensal

Tiragem

10 mil exemplares

55 99624-3768

ABRANGÊNCIA: Alpestre, Ametista do Sul, Barra Funda, Boa Vista das Missões, Caiçara, Cerro Grande, Chapada, Constantina, Cristal do Sul, Dois Irmãos das Missões, Engenho Velho, Erval Seco, Frederico Westphalen, Gramado dos Loureiros, Iraí, Jaboticaba, Lajeado Do Bugre, Liberato Salzano, Nonoai, Nova Boa Vista, Novo Barreiro, Novo Tiradentes, Novo Xingu, Palmeira das Missões, Palmitinho, Pinhal, Pinheirinho do Vale, Planalto, Rio dos Índios, Rodeio Bonito, Ronda Alta, Rondinha, Sagrada Família, São José das Missões, São Pedro das Missões, Sarandi, Seberi, Taquaruçu do Sul, Três Palmeiras, Trindade do Sul, Vicente Dutra e Vista Alegre.


Sicredi: programa Propriedade Sustentável é desenvolvido na região O

Propriedade Sustentável é um programa da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, implantado no ano de 2013, que tem como propósito trabalhar a sustentabilidade das propriedades rurais, com foco nos aspectos sociais, ambientais e econômicos. Visando dar condições para que os associados participantes do programa recebam conhecimentos, tirem dúvidas, avaliem suas propriedades, podendo assim melhorar sua renda, expandir seus negócios e ter mais qualidade de vida. O programa também busca orientar a gestão da propriedade adotando atividades rentáveis de acordo com a legislação ambiental, além de buscar incluir os integrantes do núcleo familiar na gestão da propriedade. Em outubro e novembro deste ano aconteceram o lançamento de duas novas turmas do programa contemplando um total de 60 famílias dos seguintes munícipios: Ametista do Sul, Planalto, Alpestre, Seberi, Erval Seco, Frederico Westphalen, Vista Alegre, Taquaruçu do Sul, Palmitinho e Pinheirinho do Vale. Neste ano o programa foi socializado com o Sebrae, o qual poderá disseminar em outras regiões e com outras entidades que demonstrem interesse em realizar o mesmo. Através desta parceria, o programa foi reestruturado e passou a ser minis-

Abertura da 3º turma

trado pelo Sebrae. As orientações e atividades são realizadas diretamente nas propriedades dos participantes através de consultorias. Estas consultorias serão conduzidas por técnicos indicados pelo Sebrae e totalizarão 35 horas por propriedade em um ciclo de 12 meses. Durante o desenvolvimento do programa serão realizadas avaliações periódicas e após o nal do programa será realizado um relatório para vericar os resultados obtidos, a m de avaliar a sua aplicação com os objetivos propostos.

Desde o seu lançamento em 2013, o programa já contemplou 60 famílias dos municípios de Cerro Grande, Cristal do Sul, Iraí, Novo Tiradentes, Pinhal, Rodeio Bonito, Frederico Westphalen e Caiçara. Confira o depoimento de um dos associados participantes:

A nossa participação no programa foi muito importante, principalmente porque recebemos orientações quanto ao uso de sementes de hortaliças de melhor qualidade, o que tem garantido frutos mais resistentes e bonitos; sobre as pastagens mais adequadas e quantidade de água certa para o consumo, que fizeram com que os animais produzissem maior quantidade de leite. Assim nossa renda aumentou, e agora podemos ter uma vida mais tranquila e confortável, pagar todos os investimentos realizados na propriedade.”

Inésio Vagner

Associado contemplado com o Programa no município de Cerro Grande/RS.

Presidente conduzindo apresentação na abertura da 4º turma

Neste ano de 2016, o Programa Propriedade Sustentável recebeu o reconhecimento da Organizações das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), sendo uma das iniciativas da Sicredi Alto Uruguai RS/SC publicadas em sua Plataforma de Boas Práticas. Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Comunicação

Diversas autoridades estiveram presentes durante o lançamento

Letícia Waldow

Revista Novo Rural feita para informar, orientar e inspirar Veículo de comunicação chega a mais de 10 mil propriedades rurais em 42 municípios da região

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

“Precisamos acreditar no potencial da região, no microclima existente, no potencial do nosso solo e na capacidade do nosso povo”

Letícia Waldow

U

m evento, no dia 4 de novembro, com a presença de dezenas de lideranças regionais, bem como anunciantes e parceiros, marcou o lançamento da revista Novo Rural, que surgiu através de uma parceria entre o jornal O Alto Uruguai e o Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen. A primeira edição circulou com 10 mil exemplares e junto com a página no Facebook, a expectativa é que atinja 85 mil pessoas. “Queremos dar nossa contribuição para um setor que é essencial para a economia gaúcha, que é o agropecuário. A própria história do jornal O Alto Uruguai está ligada ao setor, pois desde o primeiro ano de circulação, há cinco décadas, já contávamos com uma página dedicada à agricultura e pecuária. Agora nasce o fruto de mais um sonho, de ter um veículo direcionado exclusivamente para o agronegócio familiar”, disse a diretora do jornal O Alto Uruguai e da revista Novo Rural, Patrícia Cerutti, destacando ainda que o objetivo da publicação é informar, orientar e inspirar as famílias rurais dos 42 municípios de abrangência. A editora-chefe da Novo Rural, Gracieli Verde, responsável pela produção do conteúdo que é publicado na revista, falou Gerente-regional do seu esforço em apresentar reportagens da Emater/RS, que façam a diferença na vida de cada Francisco Frizzo agricultor e lembrou da sua identificação com o meio rural. “Tenho minhas raízes na agricultura e isso reforça o meu compromisso de em bem informar nossas famílias rurais”, ressalta. Já o gerente-regional da Emater/RS-Ascar, Fran-

Diretora do jornal AU, Patrícia Cerutti, os gerentes regionais da Emater/RS-Ascar de FW e a equipe da revita Novo Rural

cisco Frizzo, destacou que a revista é a forma de difundir o potencial do setor entre as próprias famílias rurais, bem como de integrar os municípios onde a revista circulará. “Precisamos acreditar no potencial da região, no microclima existente, no potencial do nosso solo e na capacidade do

nosso povo”, ressalta. Emocionado, o gerente-adjunto, Mario Coelho da Silva, pontuou que é preciso mais do que palavras para atuar no setor agropecuário e que a revista será mais uma forma de sensibilizar as famílias da importância de empreender, de acreditar e de fazer a di-

ferença no campo. “Esse apoio de todos vocês, autoridades presentes, é fundamental”, disse Silva, em tom de agradecimento. Logo após o lançamento iniciou a distribuição dos exemplares, com a equipe do Escritório Regional retirando os malotes de revista da sede do jornal O Alto Uruguai.


Fotos: Divulgação

Revista Novo Rural chega a milhares de propriedades rurais da região Assim que foi lançada, a revista Novo Rural começou a ser distribuída. Foram 10 mil exemplares que chegaram a milhares de propriedades rurais dos 42 municípios da região. Confira algumas imagens feitas pelas equipes dos escritórios municipais da Emater.

Fotografou, comentou, viajou! A revista Novo Rural preparou um presentão de lançamento, sorteando, entre os leitores, uma viagem para Aparecida do Norte (SP) e Rio de Janeiro (RJ), no mês de janeiro de 2017. O objetivo desta promoção é incentivar sua participação, dando sua opinião sobre o que mais gostou na revista e qual assunto gostaria que a equipe produzisse para a próxima edição. Sua opinião é importante para fazermos a revista cada vez melhor! Você também pode participar enviando sua foto junto com a revista, como pode conferir nas imagens desta página. O sorteio será no dia 20 de dezembro, por isso não perca tempo! Para participar do sorteio você pode enviar sua foto ou comentário para o e-mail revistanovorural@oaltouruguai.com.br ou se preferir encaminhe como mensagem no WhatsApp, no (55) 99624.3768. Participe! Não perca tempo e já programe suas férias neste mês de janeiro!!!

Como acessar o conteúdo da Revista Novo Rural A Revista Novo Rural será distribuída gratuitamente pela equipe técnica da Emater/RS-Ascar. Caso você não tenha recebido, poderá retirá-la na sede do jornal O Alto Uruguai ou no Escritório Municipal da Emater do seu município, nos 42 municípios do Regional. Por enquanto são apenas 10 mil exemplares a cada edição.

Pinheirinho do Vale Palmitinho

Vicente Dutra

Alpestre

Caiçara Vista Alegre

Planalto

Frederico Westphalen

Ametista do Sul

Taquaruçu do Sul Erval Seco

Revista Novo Rural na internet

Gramado dos Loureiros

Pinhal

Trindade do Sul

Liberato Novo Salzano Tiradentes Jaboticaba Cerro Grande

Boa Vista das Missões

Lajeado do Bugre Sagrada Família São Pedro das Missões

Palmeira das Missões

Você também poderá conferir a revista no seu computador. É só acessar através do link www.bit.ly/revistanovorural, ou na nossa fanpage no Facebook (www. facebook.com/revistanovorural). Acesse, leia e envie seu comentário!

Nonoai

Cristal do Sul Rodeio Bonito Seberi

Dois Irmãos das Missões

Rio dos Índios

Iraí

Três Palmeiras

Constantina

São José das Missões

Novo Barreiro

Engenho Velho

Novo Xingú

Rondinha

Barra Funda

Ronda Alta

Sarandi

Nova Boa Vista

Chapada

www.bit.ly/revistanovorural

revistanovorural

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Em Destaque

Empreendimento está localizado na linha Volta Grande, em Frederico Westphalen

Fiscalização poderá ser terceirizada projeto de lei que trata da terO ceirização da fiscalização de produtos de origem animal, do

deputado federal Marco Tebaldi (PSDB/SC), vem sendo debatido por médicos-veterinários e representantes de fiscais agropecuários das três esferas de governo e municípios. Uma alternativa foi apresentada pelo Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical). A proposta é a viabilização de um sistema único de controle oficial de produtos de origem animal com a participação da União, dos Estados e dos municípios, prevendo a cobrança de taxas pelos serviços prestados e cumprindo os requisitos legais vigentes no país.

Debora Theobald

Laticínios Eduvavi é inaugurado

S

ituada na linha Volta Grande, em Frederico Westphalen, a Laticínios Eduvavi inaugurou no dia 4 do mês de novembro. Administrada e idealizada pelas famílias Pelegrini e Bellé, a agroindústria promete inserir no mercado produtos como doce de leite, queijos, iogurtes e afins. Na oportunidade, Sandra Bellé agradeceu o apoio de todos, principalmente da família, para que o sonho se tornasse realidade. Ressaltou que, apesar das dificuldades, seguiram sempre em frente e batalhando para tornar o sonho realidade.

m estudo desenvolvido pelo U Laboratório de Epidemiologia Veterinária da Universidade

de Brasília está concluindo que o risco da carne suína carrear o vírus da febre aftosa é praticamente desprezível. Atualmente a vacinação contra a doença impede o acesso do produto brasileiro a alguns mercados internacionais, como o Japão. Segundo o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, o setor de suínos está buscando argumentos para mostrar que a

escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Seberi O desenvolveu uma campanha com o objetivo de combater o mosquito borrachudo e conscientizar a popula-

ção. A equipe do município fez um pedido de um larvicida biológico. A entrega foi realizada no dia 21 de novembro. Na ocasião também foram repassadas orientações sobre como utilizar o produto de forma adequada.

imunização do rebanho bovino não carrega nenhum risco sobre a carne suína. Em parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal e o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS, o Fundesa está financiando a pesquisa. Além de servir como argumento para tratativas com parceiros comerciais, o resultado do trabalho poderá embasar políticas de atuação em defesa sanitária, tanto por parte dos veterinários das indústrias integradoras, como do serviço oficial.

Você quer saber mais sobre o cultivo de culturas, como uva, banana e afins, em ambiente protegido? Então o livro “Fruticultura em ambiente protegido” é uma boa opção. Produzido e organizado pelos editores técnicos Geraldo Chavarria e Henrique Pessoa dos Santos, o livro foi publicado em 2012, pela Embrapa. Você vai conferir algumas informações sobre o cultivo coberto em uva na editoria “A

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

trole e combate de parasitas. O veterinário Tiago Cantarelli afirma que é nesta fase do ano que os parasitas começam a atacar o rebanho. “Isso predispõe a presença de ectoparasitas, que são carrapatos, berne, mosca do chifre, além dos endoparasitas, que são os vermes”, explica. Ele orienta que existem vários meios de combater os parasitas e que para maior eficácia é recomendado integrá-los. O manejo de rotação de piquete aliado à utilização de algum produto farmacológico, químico ou homeopático costuma dar bons resultados.

Dia Mundial do Solo é neste mês solo é parte fundamental para a O agricultura, é a base de todo e qualquer cultivo. Por isso, preser-

Dica de livro

6

s produtores de bovinos preciO sam estar atentos aos cuidados no que diz respeito ao con-

Seberi tem ação contra o mosquito borrachudo

Divulgação

Pesquisa mostra risco insignificante da aftosa para a carne suína

Época de combater parasitas

campo”, mas caso deseje se aprofundar no assunto, o livro reúne resultados recentes de pesquisa sobre o cultivo protegido de bananeira, figueira, macieira, mamoeiro, morangueiro, pessegueiro e videira, que podem servir de referência para instruir e implementar as tecnologias de ambiente protegido na sua propriedade. O livro está disponível para compra no site da Livraria da Embrapa.

vá-lo é garantir a sustentabilidade produtiva para as atuais e futuras gerações. Tanto que o dia 5 de dezembro é dedicado a ele. No RS houve a necessidade de instituir o Programa Estadual de Conservação do Solo e da Água. A ideia é permitir que os agricultores tenham um suporte na hora de planejar o uso do solo na propriedade. Mais informações você pode acessar com a equipe da Emater/ RS-Ascar do seu município.


Debora Theobald

Selo identificará produtos da região Agência de Desenvolvimento do MéA dio Alto Uruguai (Admau) vem desenvolvendo um selo, o Nosso Gosto.

Este constará nos rótulos e embalagens dos produtos da agricultura familiar identificando a região do Médio Alto Uruguai e do Rio da Várzea. Com isso, a ideia é agregar valor aos produtos da região. Conforme o presidente da Admau, Gelson Pelegrini, alguns ajustes ainda serão realizados no visual do selo. Um dos próximos passos será capacitar as agroindústrias para que se adaptem aos padrões necessários para utilizar o selo nos produtos. Gustavo Menegusso

Alpestre programa 4ª Festa da Uva

C

omo forma de incentivar ainda mais o trabalho dos viticultores de Alpestre, está programada para os dia 17 e 18 deste mês, a 4ª Festa da Uva, na linha Gabreúva. Neste ano o evento contará com exposição e venda de uva, além de matinê e roteiros de visitação aos parreirais. Assim como é realizado na Serra Gaúcha, a visitação aos parreirais é algo atrati-

vo e que costuma encantar os participantes. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alpestre, Valdemar Scalvi, a visitação é um modo de impulsionar o turismo rural em Alpestre, além de mostrar a rotina dos produtores. “Essa visitação servirá para mostrar para as pessoas como é conduzida a produção, que técnicas são usadas”, observa.

Evento deve coroar sucesso de mais uma safra de uva no município

Alguns ajustes ainda serão feitos para o selo ser utilizado

Natal com

F rangos Piovesan

é mais gostoso

Desejamos a todos os nossos colaboradores, parceiros e clientes um Feliz Natal e um novo ano de paz e união!

Fone/Fax: 55 3744-7024 / 3744-6941 BR-386, Km 35 - Bairro Bela Vista - Frederico Westphalen

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A campo

Uva protegida: garantia de qualidade e de melhor preço Especialista dá dicas de quais cuidados são necessários ao investir nesta tecnologia

A

uva tem uma simbologia importante para o Estado gaúcho, tanto pela colonização italiana em municípios da Serra, como pela relevância econômica que conquistou ao longo dos anos. Em municípios da região, a viticultura também tem mudado o cenário de diversas propriedades. Vários desses produtores já tralharam na Serra e, ao voltar para suas propriedades, viram nos parreirais uma possibilidade de gerar renda e manter-se no campo. Ao mesmo tempo em que os produtores buscam maneiras de impulsionar a atividade, a pesquisa também tem trabalhado para que novas tecnologias possam ser usadas. Uma técnica que vem sendo aplicada pelos gaúchos, e que aos poucos ganha espaço na região, é o cultivo protegido dos parreirais. A proteção é, na prática, a instalação de uma cobertura de plástico sobre as linhas de parreira. O engenheiro-agrônomo Henrique Pessoa dos Santos, doutor em fisiologia e fitotecnia de cultivos e que atua na Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, estuda este tema desde 2001. Conhecedor das vantagens do sistema, ele defende que é preciso um manejo técnico intensivo nestes casos. – Na região Sul se tem um índice de chuva muito alto, uma média de 1,7 mil milímetros por ano. Isso representa uma porta de entrada das principais doenças da cultura da uva. Assim, para se fazer uma redução de agroquímicos nesse cenário propenso à proliferação de doenças, e para garantir a safra e a qualidade, a plasticultura é uma boa ferra-

menta – defende Santos. Ele explica que o que se busca com a plasticultura é o efeito guarda-chuva, atuando também como barreira física para granizo e vento. São fatores como este que motivaram os produtores Eugênio e Alexandre Potuski a investir na técnica, na linha Vale das Uvas, em Planalto. Sucessores da propriedade dos pais, Teodoro e Amélia, eles trabalharam durante anos na Serra Gaúcha e, com o desejo de terem o próprio negócio, conseguiram estruturar a atividade na propriedade. Hoje, os irmãos cuidam de sete hectares de uva, sendo um hectare protegido. A primeira experiência com cultivo protegido se deu há oito anos, mas foi nos últimos quatro que esse manejo foi ampliado. “Aqui no município eles são referência em manejo tecnificado e focado na qualidade”, comenta o técnico em agropecuária Doraci Bedin, da Emater/RS-Ascar local. Para essa constatação bastam alguns minutos de conversa com Eugênio. Mostrando o parreiral, motivo de orgulho para ele e demais familiares, Eugênio conta que a rotina é de trabalho intenso, mas é gratificante poder oferecer um produto diferenciado ao consumidor, especialmente pela redução no uso de aplicações de insumos. “A maioria dos nossos clientes faz questão de vir aqui buscar as uvas, porque gosta de apreciar o parreiral e ver de perto como é feito esse trabalho. Isso cria uma relação de confiança entre nós e os consumidores”, assinala o viticultor. Para esta safra os Potuski estimam uma produtividade de 30 toneladas na área protegida.

Qualidade dos cachos dá indicativo de boa safra para as diversas variedades que a família cultiva, segundo Eugênio Potuski

Gracieli Verde

No caso da família Potuski a proteção foi instalada em um hectare

Uvas bonitas de ver, de consumir e de vender O pesquisador Henrique Pessoa dos Santos reforça que a aparência e o sabor da fruta são beneficiados com a cobertura do parreiral. “O fato de a planta não perder muita água força que a baga seja maior do que a convencional. Assim, a fruta é mais uniforme e a coloração também”, comenta Santos. Além disso, a redução é drástica na incidência das principais doenças, como míldio e podridões. “Observamos dados de 85 a 90% no grau de redução de incidência de doenças”, acrescenta. Santos alerta para outra questão que é considerada bem importante: normalmente no Rio Grande do Sul se tem uma média de 17 pulverizações na cultura da uva. Com esse manejo diferenciado conseguimos reduzir para uma pulverização e meia, ou três, como no caso da propriedade de Potuski. O pesquisador observa que esses fatores devem ser levados em conta na hora de comercializar o produto. “Por mais que tenha menos aplicações, o custo de produção da uva no sistema protegido é mais alto do que no convencional, portanto, isso deve ser considerado na hora da venda, até porque o produto é de uma qualidade muito superior”, ressalta.

Atenção ao efeito residual Outro alerta para quem quer apostar nesta tecnologia é para o efeito residual dos agrotóxicos que fica nas frutas. “Com a plasticultura, a carência dos produtos usados na planta aumenta de três a quatro vezes em relação ao cultivo convencional”, explica o pesquisador, salientando que isso, além de ser uma questão técnica, envolve a conscientização dos produtores. Ele comenta que hoje não existe na rotulação dos produtos indicações de carência para áreas protegidas, tanto que a Embrapa tem buscado fazer essas alterações, sugerindo que órgãos do governo definam uma legislação específica para isso. “Hoje, o agricultor precisa olhar a carência que os produtos indicam na embalagem e adaptar para o caso do cultivo protegido”, reforça.

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Gracieli Verde

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Santos destacou várias dicas para quem está interessado nesse tipo de cultivar. É melhor sanar as dúvidas antes de investir, segundo ele. O cultivo protegido é mais caro que o convencional. O custo de um hectare sem cobertura fica em torno de R$ 35 mil, já com a cobertura o custo fica em torno de R$ 120/150 mil. O plástico representa em torno de R$ 55 mil do custo em um hectare. Existem dois tipos de plástico: o extrudado e o tipo ráfia, que tem um grau de industrialização maior, é mais reforçado. Este tem mais resistência ao vento. O plástico tipo ráfia tem durabilidade de cerca de oito anos. Já o extrudado dura em torno de dois anos. Com a cobertura se reduz a necessidade de irrigação. Antes de apostar na cobertura plástica é preciso investir em quebra-vento.

A cobertura plástica exige uma sustentação adequada para ter mais durabilidade, com o uso de arcos de aço galvanizado. A vegetação da planta não pode tocar no plástico. É preciso ter um manejo intenso de amarração dos galhos novos. O plástico tem que ser mantido limpo. A lavagem deve ser feita a cada dois anos. O manejo fitossanitário deve, obrigatoriamente, ser diferente do convencional. O plástico já é a garantia de mais sanidade para a uva e, portanto, devese adotar a pulverização apenas em pontos de molhamento. A uva produzida em ambiente protegido é diferenciada em termos de qualidade e isso deve ser considerado na hora da venda. O produtor deve observar isso e valorizar o produto que está colocando à venda. Todo metal que fizer contato com o plástico precisa ser aço galvanizado, porque outros tipos de metal fazem com que o plástico estrague e se rompa.

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A campo

Mais renda em menos área de terra Produção de fumo ainda é aposta de famílias da região. Em Vicente Dutra, microclima permite que produtores façam duas safras por ano

O

Sul do Brasil concentra praticamente toda a produção de fumo do país. Por mais que o consumo mundial do produto esteja baixando nos últimos anos, refletindo na demanda interna, a cultura ainda é considerada importante para a economia de diversos municípios. No Brasil, o município gaúcho de Venâncio Aires lidera o ranking de maior produção de fumo por ano, conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Na região de abrangência da revista Novo Rural, Alpestre, Vicente Dutra e Caiçara estão entre os maiores produtores de tabaco. São, em sua maioria, pequenas propriedades cujos agricultores enxergam a possibilidade de ter mais renda em pouco espaço de terra. Além disso, municípios como os recém-citados têm algumas vantagens para o cultivo – que também beneficiam outras culturas. – Com a proximidade do rio Uruguai, esse microclima que se forma é diferenciado, principalmente, por não haver a incidência de geadas. Isso permite que os produtores façam o cultivo do tabaco em duas vezes por ano, ampliando a produtividade e aproveitando melhor as áreas – explana o técnico em Agropecuária Valner Elio Kunh, que atua no escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Vicente Dutra. O plantio de fumo poderia ser feito durante todo o ano, garante o produtor Rube Gue-

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des, 47 anos, que tem a propriedade de 35 hectares na linha Pão-de-Açúcar, distante oito quilômetros do perímetro urbano de Vicente Dutra. “Mas a gente opta por fazer a rotação com outras culturas. Até porque, na resteva do fumo safrinha o porongo tem ótima produtividade”, comenta o agricultor, que trabalha na propriedade com a esposa, Rosane, 46 anos, além do filho, Jean, 24 anos, e da nora, Danimara, 21 anos. Inserido na cultura do fumo desde muito cedo, Rube assinala que a permanência na atividade se dá, principalmente, por causa da geração de renda. “É muito difícil fazer render igual ao fumo com outra cultura”, reforça. Neste ano, na primeira safra, que pode ser plantada já em março ou abril, dependendo do clima (se houver chuva suficiente), a família Guedes cultivou dois hectares. Esta remessa é colhida por volta do mês de junho. Já na safra normal, que é implantada habitualmente em junho ou até fim de agosto, neste ano são quatro hectares cultivados, que já começaram a ser colhidos. Por ano são plantados, em média, 90 mil pés de fumo na propriedade. No restante da área, os Guedes plantam trigo e soja, ou então o porongo, que é muito requisitado entre os artesãos do município e da região para a fabricação das cuias e outros tipos de artesanato. Além disso, a unidade produtiva mantém pastagem para gado de corte.

Por ano, família Guedes costuma cultivar 90 mil pés de fumo. Na foto, o pai Rube (D), filho Jean e nora Danimara

Safrinha de vantagens “Por isso gostamos de fazer a safrinha, porque é mais fácil de manusear o fumo e isso também favorece a mão de obra” Jean Guedes, produtor

O trabalho com fumo é considerado penoso. Geralmente a mão de obra maior é necessária em uma época do ano em que as temperaturas são altas, como na colheita, entre novembro, dezembro e até janeiro. “Já tem tecnologias que facilitam a colheita, mas isso ainda não chegou até aqui”, comenta Rube, em tom de brincadeira, mas ciente de que isso facilitaria o trabalho. “Por isso gostamos de fazer a safrinha, porque é mais fácil de manusear o fumo e isso também favorece a mão de obra”, diz o filho Jean. Com a colheita praticamente no inverno, as temperaturas para trabalhar são bem melhores do que as de primavera ou verão. Além disso, é uma forma de otimizar a estrutura que é montada para a secagem do fumo, como o galpão e os espetos usados para pendurar os pés. “Se não faz a safrinha, o galpão fica vazio durante mais tempo”, assinala o produtor. A incidência de pragas, como o popular pulgão – tão comum na safra normal, principalmente no fim do ciclo – não aparece na safrinha. Outra vantagem é, obviamente, que a família tem mais uma renda no ano, geralmente no mês de dezembro, adiantando o dinheiro que tradicionalmente só entraria na propriedade em janeiro, além de normalmente conseguir um preço mais competitivo pela arroba do produto. Essa safrinha é vista de forma tão positiva que a família Guedes quer ampliar a área no próximo ano.


Gracieli Verde

Agilidade para secar Como na época mais fria o fumo demora mais para secar, o que pode comprometer a qualidade final do produto, hoje as empresas do setor têm incentivado o uso de um novo modelo de galpão padrão. Diferente do galpão coberto com telhas e rodeado com tábuas de madeira, a família também investiu em outro que tem cobertura plástica e ao redor é colocada uma tela de sombreamento. Isso faz com que em 10 dias o fumo esteja pronto para ser remanejado para o outro galpão de madeira, conseguindo manter uma folha em tom marrom claro, que geralmente é a mais requisitada e melhor remunerada pelo mercado. Esse novo modelo de galpão, que mais parece uma estufa, também tem a possibilidade de abrigar o cultivo das mudas de fumo. Inclusive a família Guedes deve construir um novo galpão em breve. “O custo-benefício vale a pena, porque a estrutura se paga com o valor a mais que a gente recebe pela qualidade do produto”, observa Rube.

Safra deve ter bom rendimento Nas lavouras dos Guedes o rendimento esperado nesta safra é de mais de dois mil quilos por hectare. Isso corresponde a um pouco mais da média que é esperada para o município, conforme dados da Emater/ RS-Ascar, que é de até dois mil quilos/ha. Em 2015, a colheita rendeu uma média de 1,62 mil quilos por hectare, pois o clima não favoreceu a cultura, com excesso de chuva. Naquele ano foram cultivados 900 hectares com a cultura no município. Já em 2016, são mil hectares plantados em Vicente Dutra, envolvendo cerca de 280 famílias. Em relação ao preço, a expectativa para este ciclo é que fique entre R$ 120 e R$ 140 por arroba, dependendo da qualidade do fumo.

Novo modelo de galpão seca o fumo em até 10 dias

Em Vicente Dutra

900

hectares plantados

2015

1000

1,62

hectares plantados

mil quilos por hectare

2016

2015

Gracieli Verde

Fumo da safrinha está quase pronto para ser comercializado

2

mil quilos por hectare (estimativa)

2016

Alternativas diante do tabaco são debatidas Durante vários dias, delegações oficiais de mais de 140 países estiveram reunidos na Índia, em novembro, para debater sobre as recomendações às nações que fazem parte Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP7), na 7ª Conferência das Partes. O Brasil está entre eles. Um dos pontos debatidos foi em relação à viabilização de alternativas econômicas que sejam viáveis e sustentáveis nas unidades produtivas que hoje cultivam o fumo. Para isso, os governos terão que destinar recursos para projetos, respeitando os aspectos ambientais e sociais da atividade. Na região, nos últimos anos, diversas propriedades vêm fazendo parte do trabalho de entidades como a Emater/RS-Ascar, que dá um assessoramento para que outras atividades sejam inseridas nas propriedades.

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Gracieli Verde

A campo

De olho na lavoura para ter mais no bolso Manejo integrado de pragas e doenças é uma das ferramentas que vem sendo difundida entre os produtores de soja para obter maior lucratividade

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e para quem produz boi o olho do dono “garante a engorda”, como se diz popularmente, nas lavouras de soja é o monitoramente das doenças e pragas que garante a redução de custos e, possivelmente, maior lucratividade ao fim do ciclo. É essa consciência que o produtor Wagner Orbak, residente na linha Vitório, em Ronda Alta, tem desenvolvido desde a safra passada. Isso graças a um acompanhamento feito pela equipe da Emater/RS-Ascar local, que integra uma estratégia adotada em todo o Estado gaúcho há quatro anos, resultado de uma parceria com a Embrapa e a Itaimbé Máquinas. Reduzir o uso de agrotóxicos e o custo de produção da principal cultura de verão do Estado gaúcho, a soja, é uma das premissas desse trabalho, e aos poucos o monitoramento das lavouras vem ganhando espaço. Tecnicamente chamado de manejo integrado de pragas e de doenças, esse trabalho é complexo, exige alto grau de conhecimento por parte dos profissionais e dos produtores, mas se mostra como uma alternativa para garantir a lucratividade do se-

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

tor, bem como a manutenção de tecnologias que estão no mercado. Isso tem exigido a capacitação de extensionistas pelo Estado, para que os produtores possam ter esse suporte na hora de tomar a decisão de aplicar ou não os defensivos na lavoura para controlar doenças e pragas. – Estamos trabalhando com um viés de conhecer que praga há na lavoura para usar a melhor estratégia de combate, sempre buscando a preservação dos inimigos naturais, no caso dos insetos. Isso tem gerado a diminuição do número de aplicações de fungicidas e inseticidas – comenta o engenheiro-agrônomo e assistente técnico estadual em culturas da Emater/RS-Ascar, Alencar Paulo Rugeri. Uma das principais doenças que esse trabalho quer monitorar é a ferrugem, um fungo que faz um grande estrago quando atinge a soja. Para executar essa iniciativa a Emater/RS conta com a disponibilidade de produtores espalhados pelo Estado. Neste ano mais de 60 propriedades disponibilizaram pelo menos parte de suas lavouras para esse monitoramento. “Vamos apresentar resultados nas próximas edições da Expodireto e da Expointer”, adianta Ru-

geri. A Emater/RS tem trabalhado para espalhar esse monitoramento pelo Estado há quatro anos, mas só agora tem conseguido mais adesões. Questionado se o produtor ainda tem muita resistência para adotar essa prática, Rugeri acredita que isso esteja diminuindo. “O produtor está sedento por informações desse tipo, porque está vendo que tem tecnologias se perdendo por falta de um manejo adequado”, defende. Rugeri acredita que hoje o grande problema não são os produtos que estão no mercado, mas a tecnologia de aplicação. “Estamos trabalhando forte para que isso seja melhorado”.

Redução de aplicações de agrotóxicos motiva produtor a seguir com a experiência Voltando ao caso do produtor Wagner Orbak, de Ronda Alta, a primeira experiência com o monitoramento de lavouras de soja foi na safra passada. Dos quase 100 hectares que ele cultiva com a soja – em parceria com o irmão Marcelo e os pais Marilene e Moacir –, destinou nove para esse trabalho em parceria com a Emater/RS-Ascar. Conforme o engenheiro-agrônomo Douglas Campigotto, do escritório municipal da Emater/RS, no ciclo 2015/2016 duas lavouras foram acompanhadas em Ronda Alta. Já na safra 2016/2017 três áreas devem ser monitoradas, incluindo a de Orbak. – Entendemos que é importante buscar o aumento da renda do agricultor com a redução do custo de produção, porque isso pode dar um impacto muito grande no município ou no Estado. Nossa reflexão é de quanto isso impactaria na economia de Ronda Alta se isso fosse feito nos 22 mil hectares que geralmente são destinados para a soja a cada ano – propõe o agrônomo. Sensibilizado com o resultado, apesar de uma resistência natural ao manejo integrado, Wagner Orbak comenta que a cada semana a preocupação com a lavoura aumentava, mas, com a noção precisa de que tipo de insetos estava na área, a partir dos panos de batida, foi possível ter resultados interessantes. Das habituais quatro ou cinco aplicações de inseticidas feitas no restante da lavoura, na área monitorada foi necessária apenas uma, no fim do ciclo, contra o percevejo. Outra necessidade é de desenvolver um olhar diferenciado do ponto de vista ambiental. “É preciso entender que a lavoura de soja não está sozinha, que há inimigos naturais e que esses insetos também nos ajudam a combater pragas”, pontua Campigotto. Na lavoura de Orbak eram seguidas as recomendações de fazer 10 panos de batida em cada 10 hectares. Com isso se contava a quantidade de lagartas e era feita a identificação delas. A quantidade e a espécie determinavam se haveria a necessidade ou não de aplicação. Nesse processo também se avaliava o estágio das plantas para aí tomar uma decisão de controle. Para o controle da ferrugem eram colhidas folhas baixeiras da planta e enviadas para a análise de profissionais da Embrapa Trigo, em Passo Fundo. Como o estágio-limite para se precaver da ferrugem é até a floração, somente nesta fase é que houve a primeira aplicação e no total foram quatro – uma a menos do que na lavoura com manejo convencional. Nesta safra 2016/2017, Orbak vai fazer o monitoramento nos nove hectares com o apoio da Emater/RS, mas vai tentar expandir para toda a lavoura, por conta própria, buscando reduzir o custo de produção.

Das habituais quatro ou cinco aplicações de inseticidas feitas no restante da lavoura, na área monitorada foi necessária apenas uma, no fim do ciclo, contra o percevejo.

Na lavoura de Orbak em que a soja já está cultivada, expectativa é para mais uma safra de acompanhamento. Na foto, Wagner Orbak e o agrônomo Douglas Campigotto, da Emater/RS


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Revista Novo Rural Dezembro de 2016

Na área monitorada Quatro aplicações de fungicida No área convencional Cinco aplicações de fungicida Média colhida 68 sacas/hectare, mantendo boa produtividade em toda a área

Em Constantina adesão aumenta nesta safra A pouco mais de 40 quilômetros de Ronda Alta, no município de Constantina, o monitoramento de lavouras de soja também vem sendo feito. Na safra 2015/2016, a propriedade de Ezir Ferrari contou com esse trabalho, destinando para isso cinco hectares dos 30 cultivados com o grão, na linha Gheller. Já no ciclo 2016/2017, seis propriedades devem apostar nesse cuidado mais intenso, conforme o técnico agropecuário Aldoir Ott, do escritório municipal da Emater/RS-Ascar. – Fizemos diversas tardes de campos, em diferentes localidades do município, para sensibilizar esses produtores. A economia que percebemos com

Um trabalho semelhante ao que está sendo feito no Rio Grande do Sul foi iniciado no Paraná, há algumas safras, e tem mostrado resultados interessantes. Na safra 2013/2014, em 50 unidades de referência testadas, a quantidade de pulverizações diminuíram de cinco, que é a média estadual, para 2,6. Além disso, considerando o custo de utilização de inseticida por hectare e o serviço de pulverização, o custo total para o manejo de pragas com a prática do manejo integrado de pragas foi metade do custo onde foi feito o manejo convencional. Já a produtividade entre as duas áreas foi bastante similar.

seis variedades de soja cultivadas na safra passada, em uma delas foi feito o manejo integrado de pragas e doenças. A variação de produtividade entre elas foi pouca e na lavoura monitorada praticamente se igualou. “Isso tem um peso bem importante, porque mostra que o produtor conseguiu agregar mais renda, pois teve um custo reduzido naquela área”, assinala o técnico Ott. Depois de uma análise feita de todos os custos da lavoura, a diferença foi considerável. “Na lavoura monitorada o custo por hectare ficou em 14,4 sacas. Já naquela em que o manejo foi convencional o custo foi de 21,53 sacas/hectare”, revela Ott.

Produtividade dos cultivares da safra 2015/2016 na propriedade de Ferrari

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sacas/ hectare Variedade 1

No Paraná

esse manejo é considerável e, com isso, conseguimos ter uma adesão maior nesta safra. É uma análise importante que o produtor precisa fazer, porque se ele não cuidar do manejo ele joga dinheiro fora – pontua o técnico. Ott atenta para o fato de que onde não há a aplicação desordenada de inseticida sempre há a presença de insetos que são inimigos naturais das pragas. Esses e outros pontos foram apresentados aos produtores, para que percebessem o quanto vale a pena usar a técnica a seu favor, reduzindo custo com produtos que custam caro na hora de implantar uma lavoura. No caso das lavouras de Ferrari, das

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sacas/ hectare

65

50

sacas/ hectare

Variedade 3

Variedade 4

sacas/ hectare Variedade 2

Custo por hectare • Custo de produção das lavouras monitoradas: 14,4 sacas/hectare. • Custo de produção das lavouras não monitoradas: 21,53 sacas/hectare. • Em outras lavouras que não foram monitoradas, de outros produtores, a média de custo de produção foi de 20,64 sacas.

• Com o manejo integrado o produtor lucrou 7,43 sacas/hectare, o que representa um montante de aproximadamente R$ 560/hectare, levando em conta um preço de R$ 75/saca (valor referência na última semana de novembro, na praça de Passo Fundo).

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sacas/ hectare

sacas/ hectare

Variedade 5

Variedade 6 (monitorada)

• Somente nos cinco hectares que o produtor Ezir Ferrari destinou ao manejo integrado, ele poderia ter lucrado R$ 2,7 mil. • Se Ferrari tivesse adotado o manejo integrado nos 34 hectares cultivados, poderia ter quase R$ 19 mil a mais ao fim do ciclo.

Na safra 2016/2017, Ferrari deve fazer novamente o manejo integrado em parte da área cultivada com a consultoria por meio da Emater/RS, com o técnico Aldoir Ott (E)

Gracieli Verde

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Gracieli Verde

Criação

Lei do Leite: desafio e esperança à vista Programada para entrar em vigor no dia 27 deste mês, a legislação quer retomar a confiança dos consumidores e prevê uma série de medidas que impactam nos diversos elos da cadeia produtiva

D

epois de passar por momentos de pouca credibilidade no mercado, com a descoberta de diversos esquemas de fraudes pelo Estado, o leite gaúcho passou uma série de debates e uma nova legislação entre em vigor no dia 27 deste mês, com a promessa de fiscalizar e regulamentar todos os elos da cadeia produtiva. A Lei do Leite, que foi sancionada em junho deste ano pelo governador, José Ivo Sartori, agora passa a ser mais que uma legislação, mas também uma ferramenta para seguir resgatando a confiabilidade das pessoas para com o produto gaúcho. Na prática, a lei institui o Programa de Qualidade na Produção, Transporte e Comercialização de Leite no Estado do Rio Grande do Sul, estabelecendo medidas de regramento do setor, “com os objetivos de coibir fraudes e adulterações no leite, preservar a saúde pública e ampliar os mercados interno e externo, com benefícios sociais e econômicos para todos os integrantes da cadeia produtiva leiteira, estendendo seus efeitos a todos os estabelecimentos e serviços de inspeção oficial no Estado”. Na visão do coordenador da

Câmara Estadual do Leite, Danilo Gomes, que fica lotado junto à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) do RS, é preciso entender que a Lei do Leite não é uma imposição, mas uma necessidade. – É algo que foi criado justamente porque o Estado vem sofrendo muito com os episódios das fraudes e a ideia é privilegiar quem trabalha sério, quem realmente produz leite no Estado e quem prima pela qualidade do produto. Já temos deputados propondo essa legislação em nível federal. É algo pioneiro, porque também se soma a ela a regulamentação do trabalho dos transportadores – defende. Hoje, no Estado, são produzidos 12,5 milhões de litros de leite diariamente. Já na região de abrangência da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, que compreende 42 municípios, em 2016 a produção foi de quase 440 milhões de litros. São mais de 8,7 mil produtores que comercializam o produto para cooperativas e indústrias, número bastante considerável para o modelo econômico que tem se estabelecido nos últimos anos, pois essa renda mensal das famílias envolvidas reflete diretamente nos comércios locais.

“A lei foi criada porque o Estado vem sofrendo muito com os episódios das fraudes e a ideia é privilegiar quem trabalha sério, quem prima pela qualidade do produto”. Danilo Gomes, coordenador da Câmara Estadual do Leite

Diante de diversas dúvidas relacionadas à Lei do Leite, conversamos com o coordenador da Câmara Estadual do Leite, Danilo Gomes, que atua junto à Seapi. De acordo com a lei, somente podem fornecer leite para a indústria as propriedades que estiverem cadastradas, com atualizações nos prazos e formas estabelecidos, junto ao Departamento de Defesa Agropecuária (DDA), da Seapi. O coordenador da Câmara Estadual do Leite, Danilo Gomes, explica que todos os produtores já têm que ser, por força de lei, cadastrados nas Inspetorias Veterinárias, independente da atividade que executam. Agora, com a nova lei, a ideia é que os produtores atualizem esses dados junto às inspetorias, identificando quais membros da família trabalham com o leite. “Muitas vezes o que acontece é que a atividade do leite é cuidada pela esposa, por exemplo, mas quem declara

as vacinações contra a febre aftosa é o marido. Então fica difícil identificar quem realmente é o responsável pela atividade. Queremos identificar isso”, explica. Assim, quando for feito o cruzamento de dados, a pessoa que entrega leite também tem que estar registrada na inspetoria. A lei prevê que as propriedades fornecedoras de leite devem estar regularizadas com as obrigações sanitárias estabelecidas pela legislação vigente. Os bovinos com idade superior a seis semanas devem cumprir os programas oficiais de controle e erradicação de tuberculose e brucelose, conforme normas e legislação vigentes. Gomes explica que neste caso os produtores devem seguir uma


normativa já existente, que prevê a obrigatoriedade de vacinar fêmeas de três a nove meses de idades contra a brucelose e a tuberculose, bem como efetuar a imunização obrigatória contra a febre aftosa.

questões que ele já tem que saber. Claro que é importante que a indústria realize um trabalho focado nisso, para que o produtor saiba mais a fundo todos os requisitos da Lei do Leite”, assinala.

O envio de leite cru ao posto de refrigeração ou ao estabelecimento de processamento de leite precisa estar de acordo com os padrões estabelecidos nas normas e na legislação vigentes. Gomes salienta que esses parâmetros referidos na lei são os de coleta. “Então o leite deve passar no teste de Alizarol, não estar ácido e estar na temperatura adequada”. O leite não pode estar a mais de 4°C, mas pode ser recolhido até 7°C. “Então, se esse leite está na temperatura de 10°C, o transportador tem a responsabilidade de não recolhe-lo, pois se o fizer pode sofrer alguma sanção, assim como a indústria, se esta for conivente com isso”. Esses testes devem ser feitos pelo motorista/transportador na propriedade rural.

Regramento para os transportadores: a grande novidade. Gomes explica que não existia um regramento para o transportador de leite. O treinamento do transportador é uma das grandes novidades desta legislação. “As indústrias já sabem o que precisam fazer, até antes da lei elas já vinham treinando os seus transportadores. Mas esse treinamento que a indústria precisa promover para o seu transportador é importante para conscientizá-lo de todo esse processo”, pontua.

Produtor já tem noção do que precisa cumprir. Gomes acredita que em relação ao produtor, a maioria deles já está ciente dos aspectos previstos na lei. “São

Indústria precisa treinar os transportadores. Ficou a cargo da indústria promover o treinamento dos transportadores. Para isso podem contratar profissionais habilitados. Fiscalização poderá ser feita por fiscais federias, estaduais e municipais. O coordenador da Câmara

Estadual do Leite explica que o fiscal terá um instrumento legal para abordar os caminhões em trânsito, se for necessário, e identificar se está carregando um leite ácido ou fora da temperatura. Para esse trabalho poderá atuar qualquer fiscal. É uma lei estadual, mas pode ser aplicada por fiscais do Ministério da Agricultura, do Estado ou dos municípios. Danilo Gomes adianta que deverá haver auditorias, algumas barreiras sanitárias de fiscalização e operações conjuntas com outros órgãos de fiscalização e polícia militar para identificar casos de irregularidades. Documento de trânsito será exigido dos transportadores. Muitos dos transportadores já possuem uma organização quanto ao leite coletado, os produtores e quais testes foram realizados. Segundo Gomes, a Secretaria de Agricultura vai propor um modelo compondo informações sobre o que é preciso realizar. A indústria pode escolher qual modelo utilizar, desde que conste as informações obrigatórias, como de qual produtor é o leite, qual o volume e se teve rejeição na coleta. Outra informação importante é a do leite con-

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Revista Novo Rural - Novembro de 2016 denado, quando uma empresa limitando-se à prestação de serrejeita o produto, em relação a viço de transporte, sendo vedaqual o procedimento tomado da a intermediação da compra e da venda do produto. com esse produto. Cadastro de transportadores deverá ficar disponível. Uma novidade da lei é o cadastro de transportadores, que será publicado no site da Secretaria de Agricultura. Só vão poder transportar leite os que estão listados nesse site. A empresa vai ter que informar para o órgão a data da capacitação desse transportador, quando foi o último treinamento dele e qual caminhão ele dirige. Também será possível fazer auditorias para saber se realmente houve treinamento na empresa. Esses transportadores devem ser treinados a cada dois anos, como uma “reciclagem”. No Estado se estima que 95% dos transportadores já tenha passado por algum curso. Transportadores precisam ter vínculos com a indústria. Segundo a lei, ficam caracterizados como transportadores pessoas físicas ou jurídicas direta e obrigatoriamente vinculadas aos estabelecimentos de processamento ou postos de refrigeração de leite,

Multas podem ser aplicadas em todos os elos da cadeia. As multas variam de R$ 8,5 mil a R$ 34 mil para os produtores que venham a sofrer alguma punição, e de até R$ 340 mil para a indústria, ou ainda maiores se forem considerados alguns agravantes previstos na lei.

“A indústria vai ser mais cautelosa com os seus fornecedores e com os seus transportadores”. Danilo Gomes, coordenador da Câmara Estadual do Leite Segue >


Gracieli Verde

Criação

Família Banaletti segue planejando investimentos e quer “firmar o pé” no setor

Lá no campo, lei ainda é novidade

A

s dúvidas em relação à Lei do Leite ainda são várias entre os produtores. Em conversa com profissionais que atuam no setor e percorrem diversos municípios, há quase que uma unanimidade na opinião de que a maioria dos produtores ainda não conseguiu ter informações suficientes de como a Lei do Leite vai funcionar. Mas, há também ponderações de que vários dos aspectos que são citados na lei já são executados pelos produtores, que antes ficavam “reféns” do sistema, muitas vezes dos transportadores, que após a retirada do leite da propriedade adulteravam o produto que ia para a indústria – fato constatado nas investigações da operação Leite Compen$ado em casos que foram trazidos à tona por meio do Ministério Público. Em Rondinha, um dos municípios com maior produção de leite na região, o produtor Edemar Banaletti comenta que por mais que tenha participado de vários encontros nos últimos tempos, ainda sabe pouco em relação à legislação. “Se reunir um grupo de produtores, acho que a opinião vai ser a mes-

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ma”, diz. No caso de Banaletti, assim como outras famílias do setor, a mão de obra é familiar, com a atuação de Edemar e a esposa Marleide, contando também com o apoio da filha Bruna, de 15 anos. A primogênita Patrícia trabalha fora, mas vive com a família, na linha Cachoeira Branca – onde ainda reside a avó Adelaide. Hoje a família comercializa a produção para uma cooperativa da região, com quem tem uma relação de confiança, pois também tem acesso à assistência técnica. Tendo estrutura a produção de leite com vacas holandesas e algumas jersey, a propriedade tem investido em pastagem e prevê um novo espaço para fazer a ordenha do rebanho. Para o futuro os investimentos também devem ser efetuados em mais animais – podendo passar dos atuais 15 em lactação para até 30 –, com cria e recria na propriedade, como vem sendo feito nos últimos anos. Hoje a produtividade média é de 22 litros/dia/ vaca, mas já chegou a 27, número muito superior à média municipal, que é de 14,8 litros/ dia/vaca.

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Preocupação é com quem tem menos escala

“Isso nos mostra a necessidade de entendermos essa mudança e de nos posicionarmos em relação à importância que tem a atividade do leite para os municípios”. Ivor Vicentini, presidente da Coopac

Se por um lado a sensação é de preenchimento de uma lacuna na cadeia produtiva do leite, uma vez que agora todas as partes dela devem ser fiscalizadas, inclusive com a previsão de multas em caso de penalizações, por outro também há uma preocupação com uma fatia de produtores que estão à margem desse processo, aqueles que têm menos escala de produção e que podem vir a ser excluídos ao longo do tempo. Na região, segundo pesquisa atualizada recentemente pela Emater/RS-Ascar, já houve uma diminuição de quase 20% dos produtores em menos de dois anos. Hoje são mais de 8,7 mil produtores que seguem na atividade nesses 42 municípios. “É nesta parcela que continua na atividade que temos que focar políticas públicas que sejam eficientes”, disse o coordenador da Câmara Regional do Leite, engenheiro-agrônomo Valdir Sangaletti, em recente reunião na Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop), em Seberi, quando também participaram os prefeitos eleitos

que assumem as prefeituras em 1º de janeiro de 2017. Na visão do presidente da Cooperativa de Produção Agropecuária Constantina (Coopac), Ivor Vicentini, que também esteve presente na reunião, a transformação pela qual a cadeia produtiva do leite vem passando é reflexo da constatação de muitos erros cometidos em alguns setores internos, como

“O produtor que seguir as normas vai se beneficiar. Para aquele que está investindo, a tendência é evoluir mais”. Deonir Sarmento, presidente da Regional Sindical Alto Uruguai


Revista Novo Rural - Dezembro de 2016 no caso das fraudes. “Isso nos mostra a necessidade de entendermos essa mudança e de nos posicionarmos em relação à importância que tem a atividade do leite para os municípios e para as famílias agricultoras”, disse. Para o presidente da Cotrifred, que está encabeçando um investimento em uma nova indústria em Frederico Westphalen, a qualidade independe de porte do produtor, e a lei prevê isso. “Se a lei valer para todos, será bom”. Para o presidente da Regional Sindical Alto Uruguai, Deonir Sarmento – que também preside o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palmitinho –, a lei é uma garantia para o produtor de que o leite que sai da propriedade vai chegar na indústria com a devida qualidade. “Agora todos têm responsabilidades mais claras e isso é um fator importante. O produtor que seguir as normas vai se beneficiar. Para aquele que está investindo, a tendência é evoluir mais”, acredita o líder sindical, mesmo sabendo que hoje a oscilação de preço é o que mais deixa o produtor inseguro, e não necessariamente a lei. Já na visão do secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio

Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, o grande desafio é a efetivação da fiscalização por parte dos órgãos responsáveis. “É importante que a lei seja cumprida. Desde a sua constituição essa foi uma preocupação, para que não se tornasse mais uma legislação que corra o risco de ficar abandonada. Penso que esse desafio é conjunto, porque não podemos dar as costas ao Estado neste momento”, pontua, esperando, inclusive, que a Lei do Leite gaúcho de fato inspire o restante do Brasil a rever os processos em relação a essa cadeia produtiva tão importante para a economia.

Gracieli Verde

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Expectativa é que a Lei do Leite gaúcho inspire o restante do Brasil a rever os processos em relação a essa cadeia produtiva

“O maior desafio é o poder de fiscalização do Estado”. Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

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Criação

Daiane Binello

Conforto dos frangos garante ganho de peso Em dias de intenso calor, cuidados com o manejo das aves são fundamentais para garantir a lucratividade ao fim do lote

E

m localidades de clima tropical e subtropical, como o caso da região Sul do Brasil, a produção de frangos de corte sofre com um fator determinante para o bom rendimento de carne: as elevadas temperaturas durante o auge do verão. Isso pode ser prejudicial aos animais com mais de 21 dias de idade, sensíveis às variações de calor e umidade. Conforme explica o médico-veterinário Joel Schwertz, o estresse calórico diminui o consumo de ração e faz com que as aves desperdicem parte da energia que deveria ser usada para o ganho de peso para se desfazer do excesso de aquecimento corporal. – Para entender um pouco sobre as aves, é importante saber que elas dissipam o calor pelas patas, cristas e barbelas quando estão em zona de conforto. Quanto mais calor estiver dentro do ambiente onde elas se encontram, mais aumenta a taxa metabólica da ave, chegando ao desconforto térmico. Com isso o frango joga seu calor em excesso fora pela respiração e, dependendo da umidade relativa do ar, o frango tem dificuldade de realizar essa função, chegando à morte por aumento de toxinas produzidas pelo próprio organismo da ave, por isso, é imprescindível o controle adequado de temperatura, através da ventilação – explica Schwertz.

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Em aviários climatizados há mais ferramentas para proporcionar o máximo de conforto térmico aos frangos

Temperatura ideal “A água oferecida nos bebedouros também é motivo de preocupação, pois deve estar sempre fresca e protegida da radiação solar para ajudar a eliminar o calor corpóreo”. Médico-veterinário Joel Schwertz

A idade dos frangos é o fator determinante para saber qual a temperatura ideal a ser mantida dentro do aviário. Por ser um animal que mantém sua temperatura constante, a ave exige, à medida que vai crescendo, cada vez menos calor. Portanto, em seu primeiro dia de alojamento, o animal jovem se sente confortável aos 32°C, com uma umidade relativa de 70%, enquanto que aquele que está próximo da fase de abate, aos 49 dias de idade precisa de 18°C, com uma umidade relativa do ar de 50%. O veterinário reforça que condições apropriadas são alcançadas com o uso de equipamentos como ventiladores, nebulizadores e, no caso de galpões climatizados, coolers ou exaustores – que atualmente são os aviários com custo-benefício melhor e que trazem mais vantagens aos produtores e à própria empresa integradora. Nos aviários convencionais, que ainda usam ventiladores e nebulizadores, os animais têm uma série de mecanismos que são

responsáveis por desviar a energia fundamental para o ganho de peso, na tentativa de compensar o calor excessivo. “Com isso, o avicultor terá um lote com menor produtividade e consequente lucratividade”, alerta. O profissional orienta que, em primeiro lugar, os cuidados com a alimentação são importantes. “As dietas dos frangos são ajustadas quanto aos níveis energéticos de proteínas e de aminoácidos. Além disso, a água oferecida nos bebedouros também é motivo de preocupação, pois deve estar sempre fresca e protegida da radiação solar para ajudar a eliminar o calor corpóreo. Ela precisa ser de boa qualidade, sendo que o próprio produtor deve ter coragem de beber a água oferecida à ave”, orienta Schwertz. Já nos aviários climatizados há todas as ferramentas possíveis para proporcionar o máximo de conforto térmico aos frangos e, consequentemente, um desempenho melhor, gerando um retorno financeiro maior para o produtor e para a empresa.

Cuidar do negócio como uma empresa O veterinário observa que tendo um manejo adequado e tratando a avicultura como um negócio, o retorno do investimento é garantido. “Hoje a tecnologia tem beneficiado muito o setor. Tanto que o intenso ganho de peso dos frangos se dá devido ao trabalho de melhoramento genético, novas tecnologias de nutrição, além de um trabalho incansável de controle do conforto térmico das aves. O uso de hormônios, por exemplo, é mito”, garante Schwertz.


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Entrevista

“Considero o produtor rural um herói”

Jornalista José Hamiltom Ribeiro

Com 60 anos de profissão e há mais de 30 produzindo reportagens sobre a agropecuária para o programa e a revista Globo Rural, o jornalista José Hamiltom Ribeiro fala sobre a sua admiração em relação ao homem do campo

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Por Gracieli Verde

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ocê me fez falar mais do que eu sei”, exclamou José Hamilton Ribeiro, modesto, com seu sotaque paulista meio “cantado” ao finalizar a entrevista, por telefone, numa dessas manhãs de sábado, quando ele atendeu a reportagem da Novo Rural. Jornalista renomado internacionalmente, aos 81 anos ele segue como repórter no Globo Rural, programa da emissora Globo que está no imaginário das pessoas retratando aspectos ligados ao setor agropecuário e ao dia a dia rural. Ele também escreve para a revista que leva o mesmo nome. Conhecido como um dos repórteres mais premiados do Brasil, Ribeiro deixou na Guerra do Vietnã parte de uma das pernas, em 1968, após pisar em uma mina que explodiu durante a cobertura do combate como correspondente da revista Realidade, hoje extinta. Com forte ligação com o setor rural, ele emite opiniões como quem transita entre propriedades rurais no Brasil inteiro, dos mais variados tamanhos e com os mais diversos níveis de tecnologia. Acompanhe a entrevista.

NR

Qual a sua ligação com o interior rural, fora o jornalismo?

Ribeiro – Houve uma mudança muito grande, basicamente com a chegada do celular. E depois do computador. O produtor rural mais organizado, mais preocupado com o futuro, com o planejamento, hoje não dispensa seu computador. Por ali ele se informa sobre o tempo, que antigamente era uma coisa que dependia de palpites de velhos moradores. Hoje se tem uma previsão meteorológica científica. Então, a informação mudou muito. Mas ainda o produtor rural se ressente de uma coisa, como a assistência de extensão rural. Em alguns Estados isso até funciona bem. Essa presença dos técnicos nas áreas de produção é importante para levar tecnologias e maneiras de produzir que gerem mais renda para esses produtores.

“Essa presença dos técnicos nas áreas de produção é importante para levar tecnologias e maneiras de produzir que gerem mais renda para esses produtores”

José Hamilton Ribeiro – Nasci numa cidade pequena, perto de Ribeirão Preto, chamada Santa Rosa de Viterbo. Na época da minha infância era bem pequena mesmo, pouco mais de dois mil habitantes. Era uma cidade praticamente enraizada no mundo rural. Eu tinha muita ligação com o pessoal que vivia no setor. Até porque minha família também tinha uma fazenda de criação de gado que a gente frequentava muito. Desde cedo eu tenho essa familiaridade com a vida no campo.

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Como o senhor vê o acesso à informação entre os produtores rurais?

NR

Como é olhar para trás depois de 60 anos de profissão, praticamente metade trabalhando com o setor agropecuário?

Ribeiro – As coisas mudaram muito neste tempo que estou na reportagem. Abriram-se novas fronteiras agrícolas no Oeste brasileiro, assim como em Goiás. O Brasil cresceu na parte agrícola, principalmente com a chegada dos gaúchos nessas regiões, com a vinda dos centros de tradições gaúchas, que se tornaram uma marca nacional, talvez a marca cultural brasileira mais presente em todo o país. Hoje não tem nenhuma outra cultura regional que tem uma presença desse tipo em um país tão grande. Basicamente, o que eu sinto é que ser produtor rural é uma tarefa heroica no Brasil. Até se diz que quando o governo intervém junto ao produtor rural é só no mau sentido, para multar, fiscalizar, para legislar de maneira absurda, para

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exigir coisas que ele não tem condições de fazer. Muito dificilmente chega ao produtor rural uma notícia do governo que seja favorável. Mas, o Brasil caminha enquanto o governo dorme, enquanto Brasília dorme. O Brasil avança mesmo assim.

Em um dos aniversários do Globo Rural o senhor rememorou personagens que têm feito a diferença na agricultura brasileira, como o pesquisador João Kluthcouski, da Embrapa. Como é olhar para trás e resgatar temas importantes como a integração lavoura-pecuária?

NR

“Quando o governo intervém junto ao produtor rural é só no mau sentido, para multar, fiscalizar, para legislar de maneira absurda”

Ribeiro – Um costume bom que temos é de tempos em tempos visitar novamente um personagem que conhecemos 10, 15, 20 anos atrás, para ver o que se avançou, quais dificuldades se teve. É algo que se faz de maneira dosada, porque na verdade muitas das nossas reportagens, assim como acontece em outros meios, no momento em que se veicula parece algo que vai ter muito futuro, mas depois aquilo mostra que foi só um fogo de palha. Muitas tecnologias são abandonadas. Tem reportagens que morrem depois que vão para o ar. Enquanto outras crescem com o passar do tempo.

Essa ideia da integração lavoura-pecuária estava muito à vista de todo mundo, mas faltava um pesquisador que desse uma palavra de ordem. Por isso a importância de João K, que mostrasse as ideia dele, o entusiasmo que ele tem, a sua capacidade de empolgar as pessoas. Este é um assunto que valeu a pena revisitar anos depois.

NR

Dentre tantas reportagens que já fez pelo rural brasileiro, alguma que mais marcou?

Ribeiro – Desde que estou no Globo Rural eu fiz algo como mil reportagens em locais rurais do Brasil. Teve coisas boas, muitas coisas duvidosas. O que guardo mesmo são alguns personagens. Uma matéria fica boa porque tem um personagem bom, que faz brilhar a reportagem. Se a reportagem depender só do repórter ela fica limitada. Dos grandes personagens que eu encontrei, sem dúvidas, um é o gaúcho Paixão Côrtes, que é ícone da história dos CTGs no Rio Grande do Sul e que influenciou o país inteiro. Outro é um criador de galo capão, no interior de Minas Gerais. Desde que cheguei no Globo Rural eu estava atrás desta pauta, porque eu sabia que tinha produtores rurais, moradores de sítio, que tinham o costume de capar o galo, para que ele


Divulgação

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“Fomos conversar com a mulher que capava os galos, que morava perto. Uma mulher misteriosa, de bonitos olhos verdes, mas destruída pelo tempo, embora não fosse muito velha. Perguntei se pode capar galo de qualquer idade. Ela disse: ‘Não, não. Tem que observar o frango e a hora que ele cantar a primeira vez, aí capa, porque ele ainda não conheceu galinha. Se ele conhecer galinha e você capar, morre de paixão”

cuidasse dos pintinhos e liberasse as galinhas para elas porem ovos. Ainda hoje muitos agricultores precisam produzir a própria comida. No caso de Minas Gerais, no meio rural se tem o costume de consumir muito ovo, tanto no almoço quanto na janta. Também é um ingrediente de biscoitos e bolos. A fazenda que fica sem ovo desequilibra o departamento culinário. Então, alguém descobriu que se capar o galo, ele cuida dos pintinhos e toma conta dos ninhos, liberando as galinhas para seguirem botando ovos. Numa fazenda que tem umas 30 galinhas, se todas elas entram no choco ao mesmo tempo, ficam de 20 a 30 dias cuidando do ninho e nesse período a fazenda fica sem ovos. Descobrimos um mineirinho típico lá do interior, bem no meio do campo, e ele tinha um terreiro cheio de galiná-

ceos, pato, peru, galinha de angola, pavão. Era o Zé Bilico. Também fomos conversar com a mulher que capava os galos, que morava perto. Uma mulher misteriosa, de bonitos olhos verdes, mas destruída pelo tempo, embora não fosse muito velha. Perguntei se pode capar galo de qualquer idade. Ela disse: “Não, não. Tem que observar o frango e a hora que ele cantar a primeira vez, aí capa, porque ele ainda não conheceu galinha. Se ele conhecer galinha e você capar, morre de paixão. Outro caso que lembro são de índios bacairis da região de Paranatinga, no Mato Grosso. Eles fazem canoa para pescar usando casca de jatobá. Pegam uma árvore de jatobá com um bom porte, riscam na árvore o que eles querem tirar da casca e a descolam com todo cuidado para não rachá-la. Eles esquentam a casca com fogo para fazer a moldagem dela e ao final fica uma canoa muito leve, que não faz barulho na água, que navega com tranquilidade. É ideal para pescar de flecha, porque desliza sem fazer barulho, sem fazer marola. São personagens como esses que ficam na nossa mente.

“O Brasil caminha enquanto o governo dorme, enquanto Brasília dorme. O Brasil avança mesmo assim”

NR

Levando em conta a sua experiência jornalística com o meio rural, como o senhor enxerga a realidade das famílias rurais brasileiras?

Ribeiro – As grandes fazendas no Mato Grosso e o avanço da cana-de-açúcar no Brasil todo estão acabando com o homem rural brasileiro. Uma grande fazenda no Mato Grosso, de 50 mil hectares, não tem um morador. Tem um guia na sede e talvez um motorista do patrão, mas não tem morador, não tem família. O dono

mora na cidade, levanta cedo, pega o carro ou a moto, vai para a fazenda, troca de roupa, sobe na máquina, dá uma pausa para almoçar, e no fim do dia volta à cidade. A vida dele é na cidade, não é mais um homem rural. É só mais um trabalhador que tem horários, mas não tem a cultura do homem rural. Nas grandes propriedades o homem rural está acabando. A cana quando chega destrói tudo pela frente. Uma fazenda no interior de São Paulo teve uma experiência, lá nos anos 1920/30. Tinha uma olaria que fazia tijolo e criava gado. Essa fazenda, grande para a região, foi vendida para um plantador de cana. O cara veio com um trator de esteira e derrubou tudo. Só deixou para trás uma igrejinha. O último guardião do mundo rural brasileiro está sendo a pequena propriedade, geralmente a agricultura familiar, que mantém a família, que consegue renda para criar e estudar os filhos, que não precisa ir para a cidade. Onde é possível fazer lavoura com muita máquina a vida rural desaparece, e também a vida silvestre, a flora e a fauna. Mas, aos poucos, o pessoal está aprendendo que é preciso manter as áreas de reservas ambientais, cuidar das margens dos rios, mas é um entendimento que ainda não é geral.

NR

O que mais o encanta quando faz uma reportagem com as famílias rurais?

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NR

Como conhecedor da realidade do campo, qual o principal desafio para as famílias rurais? Ribeiro – Considero o produtor rural um herói, um lutador, uma pessoa que merece todo o respeito da sociedade, por se manter e ganhar a vida com pouca remuneração, muitas vezes, quando não tem produção em grandes escalas. É um pessoal que a gente tem que reverenciar e agradecer.

Essa valorização seria o maior desafio?

Ribeiro – Isso. Enquanto houver uma valorização social e cultural desse homem que vive no campo, na pequena propriedade, ele vai se manter.

Se tivesse que deixar um conselho aos agricultores, o que diria?

NR

Ribeiro – A agricultura tem que ser vista como um desafio permanente, uma luta, para se manter, para tirar algum dinheiro disso. Trabalhar e produzir é fácil se comparado à questão do preço, que chega na hora de vender e nem sempre é tão bom.

“O último guardião do mundo rural brasileiro está sendo a pequena propriedade, geralmente a agricultura familiar, que mantém a família, que consegue renda para criar e estudar os filhos, que não precisa ir para a cidade”

Ribeiro – Me encanto com as pessoas. Uma coisa gratificante é que o povo simples da roça é muito acolhedor, se esforça para oferecer uma estadia prazerosa, o que não é comum com o grande fazendeiro, às vezes o dono nem aparece.

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NR

O senhor “mergulhou” em vários assuntos ligados ao campo que também renderam livros, como o que trata da música caipira. O rural também se tornou uma paixão?

Ribeiro – Eu sempre trouxe da infância essa influência. Uma coisa que me intrigava era que a música caipira, quando não é bem escolhida, chega a ser repulsiva. A forma de cantar e a violinha fraca às vezes são enjoadas. Fiquei pensando: mas não é possível que neste mundo da música caipira não tenha aquelas composições que são boas, tanto na melodia como na letra e na história que elas contam. Procurei um livro que fizesse essa seleção da música caipira, separando do que há de ruim – que é uma coisa comum em todos os gêneros musicais, o bom é apenas uma pequena porcentagem. Como não encontrei um livro assim, achei dois parceiros, violeiros em Minas e pesquisadores, e fiz o livro “Música Caipira, as 270 melhores modas”. A gente deixou de lado tudo que é ruim e escolhemos as de boa música e de boa letra, que não tenham apelação, que não tenham mentiras. Porque às vezes pega uma música caipira que conta uma história toda inventada, fora da realidade. Selecionamos letras de quem entende daquilo. Se você quer cantar sobre uma caçada de uma onça, tem que ter participado, senão faz bobagem com coisa que não acontece. Divulgação

A partir do livro sobre a música caipira brasileira, José Hamilton Ribeira também fez diversas reportagens televisivas sobre o assunto, com referências como Victor e Leo, Sergio Reis e Renato Teixeira, entre outros grandes nomes


Intercooperando

Capacitação é a palavra-chave para os líderes cooperativistas Presidente da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, Eugenio Poltronieri, defende que líderes do setor devem estar atentos aos modelos de gestão e priorizarem a busca por conhecimento

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Adriano Dal Chiavon

epresentantes do setor cooperativo da região tiveram mais um fórum regional em outubro, desta vez em Rodeio Bonito, berço da Sicredi Alto Uruguai RS/SC, que vem se destacando no cooperativismo de crédito. O tema principal do encontro, que ocorre a cada três meses de forma itinerante, foi a formação de líderes no setor. O presidente da Sicredi, Eugenio Poltronieri, palestrou sobre o assunto e também conversou com a reportagem da revista Novo Rural. Confira.

“Aquelas cooperativas que têm investido bastante em capacitação, não só de seus líderes, mas também do seu grupo técnico e dos funcionários, têm se sobressaído”.

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Qual é o maior desafio para os líderes cooperativistas de hoje? Eugenio Poltronieri – Entendemos que os desafios são diversos, mas as oportunidades são imensamente maiores. Na sociedade e nas organizações cooperativas um dos maiores desafios é a convergência de ideias e comportamentos. O individualismo e o ego aparecem muito enraizados na mente das lideranças. E, para mim, nada melhor que quebrar esses paradigmas para conseguir uma construção coletiva. No nosso entendimento, o maior desafio é esse, além de ter como prioridade a gestão, a visão para o futuro e o planejamento. O fórum regional tem trazido alguns ganhos no esforço de unir as cooperativas da nossa região na construção de um projeto que realmente mostre a força e os valores do cooperativismo.

Presidente do Sicredi, Eugenio Poltronieri

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Eugenio Poltronieri – Primeiro: humildade. Segundo: reconhecer que nós somos seres humanos, frágeis e que erramos. Reconhecer o erro e aprender com isso para fazer as correções é importante. Sempre tenho dito que talvez o principal que nós precisamos fazer é mostrar aos associados como eles são os donos do negócio, valorizá-los, integrá-los, fidelizá-los na sua estrutura, fazer com que eles realmente entendam que aquele empreendimento é deles.

Eugenio Poltronieri – Se não estão, eu diria que é urgente que se faça um trabalho de formação e capacitação. Aquelas cooperativas que têm investido bastante em capacitação, não só de seus líderes, mas também do seu grupo técnico e dos funcionários, têm se sobressaído. Hoje não tem empresa forte sem líderes conscientes e com capacidade de gestão. É preciso visão de futuro, consciência e ges-

Em sua opinião, quais características são essenciais para um líder cooperativista?

A busca por qualificação também é importante. O senhor acredita que na região as lideranças cooperativistas estão se preparando nesse sentido?

Associados, parceiros e amigos, desejamos que a prosperidade deste ano se estenda a 2017, e que possamos continuar juntos nessa história de união e sucesso.

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Feliz Natal e um próspero Ano-Novo!

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tão de pessoas. Vejo que esse é um dos pontos cruciais que o cooperativismo precisa investir mais. Na região esta formação existe de forma precária. As oportunidades existem, mas falta dar prioridade para isso. Depende da visão de cada empreendedor e líder cooperativista em adotar essas práticas e de fazer com que este conhecimento realmente chegue a seus conselheiros, colaboradores e equipe gestora.

NR

Como o senhor avalia o desempenho das cooperativas em tempos de tantas dúvidas em relação ao cenário econômi-

co/político brasileiro? Eugenio Poltronieri – Falando da nossa organização, a Sicredi, temos dito que há oportunidades nas crises. Quando muita gente enxerga problemas, temos mostrado que há possibilidade e temos provado isso na prática. No ano passado nós atingimos toda a nossa meta planejada. Neste ano também estamos com a nossa meta alcançada e superada. O cooperativismo como um todo, no Rio Grande do Sul, mesmo neste período de crise, investiu quase dois bilhões nos mais diversos setores em 2016. Não tenho dúvidas que o cooperativismo é uma alternativa diante das crises.

FETAG-RS

Sindicato dos Trabalhadores Rurais

ASTRAMAU ASSOCIAÇÃO DOS SINDICATOS DOS TRABALHADORES RURAIS DA REGIÃO DO MÉDIO E ALTO URUGUAI


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Indústria de laticínios é a “menina dos olhos” da Cotrifred Projeto da cooperativa promete abrir novas possibilidades para o setor na região, com um investimento de quase R$ 10 milhões. Sede deve ser construída às margens da ERS-150 olhos” da cooperativa para esta nova fase que se inicia, uma vez que a Cotrifred completa 60 anos em 2017, o projeto da indústria deve contemplar 30 empregos diretos, com alto nível de automação. A capacidade para receber e resfriar em torno de 100 mil litros por dia e industrializar até 50 mil litros diariamente. A previsão é de que o faturamento anual seja de R$ 50 milhões. Na unidade serão produzidos quatro tipos de queijos, creme de leite/nata, manteiga, requeijão, ricota e creme de ricota. – Queremos que o produto gere ICMS no município de origem, para que o valor adicionado da indústria volte para às cidades de origem. Estamos pensado de forma regional. A expectativa é que a geração de ICMS para os municípios seja de R$ 3 milhões por ano – observa Pacheco. O presidente destaca, ainda, que este é mais um voto de credibilidade da cooperativa para com a região. “Se espera que com isso o cooperativismo também seja visto de outra forma. Entendemos que a cooperativa é uma das formas mais claras de distribuição de renda, por isso nossa aposta em novos empreendimentos, que contribuam com o desenvolvimento regional”, pontua o líder cooperativista.

“Entendemos que a cooperativa é uma das formas mais claras de distribuição de renda, por isso nossa aposta em novos empreendimentos que contribuam com o desenvolvimento regional”.

Elio Pacheco preside a Cotrifred há sete anos

Gracieli Verde

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ue o setor de bovinocultura de leite é importante para a região, ninguém contesta, afinal, a renda mensal para os produtores que trabalham com a atividade faz com que a economia dos municípios tenha uma movimentação diferenciada a cada data de pagamento. Por esse e outros fatores é que um dos grandes investimentos propostos pela Cotrifred é uma indústria de laticínios. Com expectativa para entrar em operação em março de 2018, a estrutura deve ser instalada no quilômetro 4 da ERS-150, na saída para Caiçara. No local a cooperativa mantém, por enquanto, um abatedouro. No empreendimento serão investidos entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões. – Sentimos que a procura dos produtores por estabelecer parcerias com a cooperativa é grande, por isso acreditamos muito nesse projeto. A cooperativa tem um grande compromisso com o setor e com a região. Portanto, nosso papel é buscar alternativas para trazer mais oportunidades. No dia de pagamento de leite não é só a cooperativa que é movimentada, mas todo o comércio – defende. Definido como a “menina dos

Estrutura à disposição de milhares associados Quatro mil associados, 236 funcionários, sete unidades de recebimento de grãos com capacidade de armazenamento de 950 mil sacas, oito agropecuárias, sete supermercados, uma fábrica de rações, um abatedouro de bovinos e suínos e um posto de recebimento e resfriamento de leite. Essa é a estrutura atual da Cotrifred, que atua nos municípios de Frederico Westphalen, Iraí, Palmitinho, Vista Alegre, Pinheirinho do Vale, Vicente Dutra, Caiçara e Taquaruçu do Sul. Além do novo investimento da indústria de laticínios, a cooperativa também deve aplicar cerca de R$ 1 milhão em Palmitinho, R$ 750 mil no supermercado e R$ 250 mil na agropecuária. Em Vista Alegre, os investimentos no supermercado e na agropecuária somam R$ 500 mil. São melhorias que contribuem para atender com mais eficiência o público associado, bem como dar a resposta que a comunidade onde a cooperativa está inserida espera.

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Turismo rural Antonio, Ivete e Andrei administram a propriedade que tem o casarão e o moinho

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História e turismo andam juntos Em Constantina, família Bonfanti tem recebido turistas que visitam o casarão que ainda serve de comércio e que foi construído na década de 1930. Local também faz parte da história do município

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om humor, comida saborosa, ambiente agradável e praticamente uma viagem no tempo. Elementos como esses fazem parte da visita que turistas podem usufruir no interior de Constantina. A família Bonfanti, que tem também o nome em uma das comunidades do município, de origem italiana, tem feito da história um ponto turístico. Um casarão de madeira com porão, dois andares, mais o sobrado, não passa despercebido. Até porque lá ainda funciona uma loja, dessas que se encontrava antigamente pelo interior. Esse cenário vem chamando a atenção das pessoas há muitos anos e hoje faz parte do roteiro turístico Nostra Terra, criado por meio da Emater/ RS-Ascar no município. Mais do que isso, o local é ponto de referência quando se fala em resgate da história de famílias pioneiras de Constantina. O casal Antonio e Ivete Bonfanti, que reside no local com o filho Andrei – engenheiro-agrônomo que agora ajuda na administração da granja de suínos e nos cerca de 60 hectares de lavoura –, demonstra no rosto a alegria em poder contar um pouco da história da família e mostram nas ações a força do relacionamento familiar que os Bonfanti têm. – Foi meu avô Roberto que construiu essa casa, na década de 1930. Ele veio de Guaporé. Mais tarde o casarão ficou com o meu pai, Paulino, e depois eu assumi. Há vários anos muitas turmas de escolas vinham conhecer o casarão e

Antes de os turistas chegarem é hora de ensaiar com a gaita

o moinho da família – comenta Antonio, um dos oito filhos de Paulino, que faleceu há 13 anos. “Fazíamos turismo e nem sabíamos”, diz a esposa Ivete. Ela conta que foi por meio da equipe da Emater/RS-Ascar que se começou a olhar de forma diferente essa questão e, assim, foi organizada como seria a recepção dos turistas, que produtos seriam oferecidos e que ambientes seriam visita-

dos. “É uma satisfação poder manter a história da família aqui no casarão. A gente vem seguindo o exemplo do avô, do pai e pretendemos continuar”, observa Andrei. Ele, o irmão Maurício – que mora no Paraná – e demais primos representam a geração mais nova da família. “Vemos o turismo como algo para resgatar e para manter as origens que os nossos avós deixaram”, completa a mãe Ivete.

“Vemos o turismo como algo para resgatar e para manter as origens que os nossos avós deixaram” Ivete Bonfanti


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Recepção calorosa

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Grupo Ricordi Della Itália é parceiro para a animação dos turistas

Gracieli Verde

É com a música “Velho casarão”, de Teixeirinha, que o grupo Ricordi Della Itália, de Constantina, recepciona os visitantes na propriedade dos Bonfanti. Com integrantes espalhados pelas janelas do casarão, não tem como não se contagiar com a música acompanhada da gaita. Após a apresentação da canção, que faz parte da música tradicionalista gaúcha, os visitantes recebem as boas-vindas de Antonio, Ivete e Andrei. De forma resumida eles contam aspectos relacionados ao casarão e à família Bonfanti. Em seguida, os turistas podem visitar o casarão, conhecer os diversos cômodos e ver de perto roupas de padres que há décadas passavam pelo local e tinham na propriedade um ponto de parada e de descanso. “Alguns padres acabaram deixando vestes aqui e estão expostas lá dentro”, conta Antonio, lembrando que antigamente até missas e Crismas já foram celebradas na loja do casarão, enquanto a comunidade ainda não tinha igreja. Depois de conhecer o casarão, os turistas são convidados a visitarem o moinho da propriedade. O local foi restaurado e também faz parte da história da família Bonfanti. Mas durante o pequeno trajeto que é feito entre o casarão e o moinho, nada de silêncio. Músicas continuam sendo entoadas pelo Ricordi Della Itália, e aí a animação fica completa. Para finalizar a passagem pela propriedade, os grupos se despedem do moinho normalmente cantando outro hino da música italiana muito reverenciado pelo descendentes que vivem no Brasil, a “La Merica”. Aí a visita encerra com um saboroso lanche da tarde, que tem à mesa cucas feitas pela proprietária Ivete, sucos naturais, inclusive de uva e de vinho, entre outras delícias caseiras.

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BOLETIM AGROMETEREOLÓGICO

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Leandro Marques Engenheiro-agrônomo | Extensionista rural da Emater/RS-Ascar Dezembro requer atenção na horta

O calor que costuma ganhar força em dezembro, com dias mais longos e quentes, também exige alguns cuidados com a horta que garante o alimento saudável e fresquinho para as famílias rurais. Para os vegetais folhosos como alface e rúcula, o uso de sombrite para evitar o sol mais forte é uma boa alternativa. Outro fato importante é evitar irrigar as plantas nos períodos mais quentes do dia, pois tal condição, além de não ser ideal para a planta, pode favorecer o aparecimento de doenças, reduzindo a qualidade da produção, ou até mesmo inviabilizar a horta naquele local. Quando for o momento de irrigar, é importante escolher os momentos mais frescos do dia.

Chuva abaixo da média

Novembro encerrou mais seco nos municípios da região. Boa parte registrou chuvas abaixo de 100mm ao término do mês. Cenário bem diferente daquele ocorrido nos primeiros dias de novembro, quando mais de 50mm foram registrados apenas no dia 2, em Frederico Westphalen, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os agricultores que costumam anotar a chuva em suas propriedades também constataram um novembro mais seco. Com a proximidade do verão, a chuva é observada com mais atenção no campo, seja pelas plantas que passam a exigir mais água, ou entre uma conversa e outra dos agricultores.

A expectativa no mel

A primavera entra na reta final e o clima registrado para a florada de algumas plantas durante a estação animou os apicultores da região. Se nos anos anteriores a primavera mais chuvosa trouxe queda na produção de mel, este ano o cenário anima o campo e a cidade. Conforme relatos de agricultores da região, a florada da laranja, por exemplo, já trouxe bons resultados na produção. Em outros casos, os agricultores aceleram as trocas de cera bruta por cera laminada junto às entidades parceiras, visando fortalecer a produção nos apiários. O clima criou uma boa expectativa para o mel. Divulgação

Horário da manhã é o mais indicado

Para os locais onde é possível iniciar a colheita do fumo, é recomendável aos agricultores que, preferencialmente, realizem a atividade nas primeiras horas da manhã, evitando expor as folhas colhidas ao sol forte e altas temperaturas para não perder a umidade. Vale lembrar que a umidade presente na folha de fumo é essencial para o processo de cura após a colheita, quando, já no galpão em processo de secagem, ocorrem transformações químicas e físicas nas folhas que garantem a qualidade do produto.

É tempo de pêssego

A colheita do pêssego começa a ganhar espaço na rotina diária dos agricultores da região. Enquanto algumas famílias destinam o pêssego para a venda, outros, em maior número, colhem a fruta para o consumo familiar. Os primeiros materiais colhidos são aqueles mais precoces, com característica de sabor menos doce. A ausência de chuva na maior parte dos dias em novembro favoreceu o avanço nos trabalhos de colheita e a venda do produto proporcionou a entrada de recursos nas propriedades rurais, principalmente aquelas de cunho familiar, onde o cultivo do pêssego é tradicional. Aqueles agricultores que realizaram a poda dos pessegueiros de forma adequada meses atrás percebem agora a melhora produtiva em seus pomares. Em locais onde não foi possível proceder a poda das plantas, é necessário repensar o manejo para o próximo ano, para estimular boas produções.

Clima de colheita no fumo

Cultura tradicional na região, de bons retornos econômicos em pequenas áreas e de importância destacada para agricultura familiar, a cultura do fumo começa a ser retirada do campo. O granizo registrado em outubro em algumas cidades da região, como Frederico Westphalen e Vicente Dutra, preocupou as famílias com relação à qualidade das folhas de fumo, danificadas em alguns locais. Conforme relato de agricultores, as primeiras áreas que estão sendo colhidas são aquelas que foram colocadas no campo mais cedo. Em dezembro, a colheita do fumo deve ganhar força na região.

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Clima

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Dezembro com chuvas espaçadas Conforme meteorologista, La Niña fraca influencia o clima para menos incidência de precipitações mais espaçadas – explica Oliveira. Para dezembro, o meteorologista afirma que o cenário não deve mudar muito. “Não há expectativa de completa ausência de chuvas na região, mas deveremos observar essa situação de chuvas espaçadas, alternadas com períodos de grande amplitude térmica, ou seja, noites e madrugadas que ainda podem ser frias, mas tardes com temperaturas elevadas”, diz.

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epois de tantas “idas e voltas”, a La Ninã veio. Fraca, mas está aí dando o ar da graça no nosso clima. Segundo o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, já em novembro as chuvas foram abaixo da média em relação ao ano passado. “Na região de Santa Rosa, por exemplo, neste mês choveu 135 mm, 15% acima da média, mas em 2015 choveu mais de 300 mm, porque ano passado tínhamos um El Niño muito forte”, compara o profissional. Neste ano, mesmo que o fenômeno La Niña esteja fraco, está acontecendo. Ele observa ainda que este resfriamento (La Niña) ou aquecimento (El Niño) das águas do Oceano Pacífico é importante porque três quartos do globo são cobertos pelos oceanos e o citado é o maior de todos. – Qualquer mudança nesses oceanos acaba provocando alterações na temperatura do ar. Essa menor ou maior quantidade de calor muda a intensidade dos ventos em todo o globo. No RS, o El Niño provoca vários dias de chuva forte. Já o La Ninã tem por hábito favorecer o deslocamento das frentes frias, elas não conseguem ficar paradas sobre o Rio Grande do Sul, passam rapidamente, muitas vezes nem provocam chuva, e vão para o centro do país. Essa diferença já é percebida neste mês de novembro, com chuvas

Chuvas devem ser espaçadas e alternadas com períodos de noites e madrugadas frias, mas tardes com temperaturas elevadas

Cuidado com a cultivar usada

Oliveira comenta que uma preocupação que existe é com as variedades de grãos que os gaúchos devem cultivar. “Nos últimos anos as variedades de ciclo precoce têm funcionado bem no Rio Grande do Sul, mas elas exigem muita água durante todo o ciclo. A preocupação é qual a decisão do produtor em relação a isso. Não há ausência completa de chuvas, mas essas plantas não são tão toleráveis a períodos de tempo seco que vamos perceber ao longo do verão”, pontua. Em Estados como o Paraná e Santa Catarina, a expectativa é que as chuvas não sejam tão espaçadas, porque estão mais perto da Amazônia, mais perto da umidade. “Então, muitas chuvas que acontecem no Paraná são devido a essa umidade que não chega com a mesma intensidade ao Rio Grande do Sul”, explica Oliveira.

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Dentro da Porteira

Sistema de agrofloresta permite que outras espécies nativas convivam com a erva-mate

Gracieli Verde

Qualidade preserva a bebida-símbolo dos gaúchos Ervateira tem buscado qualificação para garantir que o tradicional chimarrão siga sendo uma fonte de energia e saúde para os consumidores

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-mate da Grande Palmeira – como a região é chamada – é reconhecida pelo sabor diferenciado, o foco era investir na manutenção desses ervais nativos. – Nosso consumidor gosta da erva-mate mais suave e esse sabor só se consegue com a variedade nativa. Por isso a importância em manter esses ervais e manejá-los adequadamente. Durante um tempo teve quem trouxe mudas de erva-mate da Argentina, mas esta tem um sabor mais amargo, e eles gostam assim. Com isso, é um desafio a mais conseguir manter o nosso padrão que costumamos oferecer ao consumidor – relata o ervateiro Dalvino Ribeiro. Mesmo que o setor ainda esteja passando por um momento difícil, se recuperando de um cenário de pouca erva-mate de qualidade para o mercado interno, a família Ribeiro tem conseguido seguir com a manutenção de um padrão que é reconhecido por milhares de clientes. Para isso, tem conseguido manter a parceria com produtores de ervas locais que primem por essas plantas nativas. Além disso, a família também mantém um erval próprio, no sistema agrofloresta, em que outras espécies de árvores nativas também são cultivadas.

“Nosso consumidor gosta da erva-mate mais suave e esse sabor só se consegue com a variedade nativa”. Dalvino Ribeiro, ervateiro

Qualificação da cadeia produtiva também passa por treinamentos de quem trabalha na ervateira

Negócio familiar O gosto pela erva-mate passado de pais para filhos reflete no empreendimento de forma direta. O filho mais velho, Douglas, de 26 anos, é contador e continua atuando com a família. Esse caminho também vem sendo trilhado pelo irmão Lucas, de 20 anos. – Cresci junto com a erva-ma-

te. Por mais que eu estudei, o que eu entendo mesmo é de erva-mate. Com o tempo a gente aprende que não é só fazer o que se gosta, mas também tem que gostar do que nos sustenta, tem que dar valor para isso – assinala Douglas, revelando uma postura que é motivo de orgulho para os pais.

Gracieli Verde

ara quem ceva o chimarrão diariamente a reflexão de onde vem a erva-mate ou como ela é industrializada nem sempre é rotineira. Saber a origem do produto pode dizer muita coisa sobre esse item que é tão consumido pelos gaúchos. Geralmente esse fator vem atrelado à qualidade e ao sabor diferenciado de cada variedade da planta. Conhecedora dos pormenores da cadeia produtiva da erva-mate, a família Ribeiro, residente em Novo Barreiro, ao longo de 20 anos tem conseguido estruturar um negócio que vai além da comercialização, mas que também preserva as características originais da bebida-símbolo do Rio Grande do Sul, o chimarrão. Com a marca Prenda & Peão já consolidada no mercado, o casal Dalvino e Ana Maria e os filhos Douglas, Lucas e Gabriela são os grandes responsáveis pelo diferencial dentro do setor regional, tornando-se referência no processamento de erva-mate nativa. Dalvino trabalhava como agricultor quando partiu para a atividade da erva-mate. Primeiro com uma sociedade e depois com o apoio da família, o desejo de ter o próprio negócio fez com que se especializasse e buscasse excelência na atividade. Como a erva-


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Reproduzindo um patrimônio do RS A pesquisa por cultivares que tenham um sabor de acordo com o que o consumidor quer é longa, segundo Dalvino. Ele já experimentou plantar diversas mudas de ervas de vários lugares, na tentativa de conseguir reproduzir cultivares que garantissem a qualidade da marca Prenda & Peão. Agora, mais recentemente, conseguiu ter acesso a sementes de um granjeiro aqui do Estado e uma parceria com um viveiro local permitirá ter mais mudas de qualidade à disposição, tudo para manter a originalidade da erva-mate nativa. “Não tenho dúvidas que tem ervais com mais de 200 anos na região, por isso é importante preservar”, reforça Dalvino.

“Com o tempo a gente aprende que não é só fazer o que se gosta, mas também tem que gostar do que nos sustenta, tem que dar valor para isso”. Lucas Ribeiro, ervateiro

Potencial de industrialização da Prenda & Peão: até 30 toneladas mensais Capacidade usada hoje: sete toneladas mensais Preço pago ao produtor pela arroba de erva nativa: R$ 15 Preço pago ao produtor pela arroba de erva-mate cultivada: R$ 6

A prática de fabricar a erva-mate é bem antiga. Fazer com que cadeia produtiva se modernize, sem deixar de lado as raízes, é um dos desafios. Hoje, mesmo com uma maneira tradicional de produzir, a Prenda & Peão conseguiu aliar tecnologia para garantir a qualidade do produto também do ponto de vista sanitário. Com uma agroindústria setorizada e padronizada, a tranquilidade em comercializar o produto é vista ao conhecer a Prenda & Peão. Inclusive, com o empacotamento a vácuo, é possível chegar um período de validade do produto na prateleira de até seis meses. É também nesse sentido que um trabalho mais abrangente vem sendo feito para que a cadeia da erva-mate se qualifique e consiga manter a qualidade deste produto, que é tão importante para a economia do Estado. Recentemente, a Secretaria Estadual de Saúde do RS publicou a portaria 194/16, que prevê a melhoria de qualidade para a erva-mate e também a garantia sanitária mínima necessária para a segurança dos consumidores. Conforme o engenheiro-agrônomo Ilvandro Barreto de Mello, assistente técnico regional em Manejo de Recursos Naturais na Emater/RS de Passo Fundo, nas ações cotidianas com a cadeia produ-

tiva da erva-mate a entidade elegeu como prioridade a melhoria da qualidade do produto, centrando o trabalho nas boas práticas agrícolas e boas práticas de fabricação para a erva-mate e derivados, auxiliando os produtores rurais e as agroindústrias ervateiras através de assistência técnica, cursos de formação e certificação de produto a atenderem essa nova exigência sanitária e também mercadológica, pelo incremento do nível crítico e seletivo do consumidor atual, sendo apoiada por outras organizações que representam o setor ervateiro produtivo. A importância de o consumidor saber que a cadeia produtiva da erva-mate está se qualificando também é citada pelo engenheiro-agrônomo Gaspar Scheid, que atua como assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar em Frederico Westphalen. – É preciso entender que a qualificação é importante. Hoje todas as ervateiras tem um checklist específico de tudo o que é necessário. Além disso, existe uma força-tarefa da Vigilância Sanitária, Emater/RS-Ascar e Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate) para regularizar as ervateiras, fazendo com que as mesmas melhorem as condições estruturais e com boas práticas de fabricação – explica Scheid.

“Existe uma força-tarefa para regularizar as ervateiras, fazendo com que as mesmas melhorem as condições estruturais e com boas práticas de fabricação”. Gaspar Scheid, engenheiro-agrônomo da Emater/RS em FW

Serviço Para quem quer conhecer de perto o trabalho da família Ribeiro, pode fazer uma visita na sede da ervateira, na linha Jogareta, em Novo Barreiro. A localização é o quilômetro 22 da ERS-569.

Dalvino e Ana Maria com os filhos Douglas, Lucas e Gabriela

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Inovar para Crescer

Tecnologia a favor da produção de alimentos saudáveis Cultivo protegido permite que agricultores apostem na produção de grande variedade de alimentos Gracieli Verde

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busca por alternativas que otimizem espaço da propriedade e a mão de obra é uma constante. Os agricultores estão cada vez mais atentos às necessidades do mercado em relação à produção de alimentos, primando também pela qualidade e visando um preço mais competitivo. Conforme o técnico agrícola Sílvio Madaloz, que atua no setor desde 2003 em toda a região, uma das tecnologias que os produtores têm acessado é a plasticultura, que consiste em utilizar uma cobertura de plástico na montagem de estufas. As mais procuradas são para a produção de hortaliças, como alface, rúcula, agrião e tomate, entre muitas outras opções. – Nos últimos três/quatro anos os investimentos têm sido grandes nesta área, tanto que em vários municípios a demanda local está sendo praticamente atendida. Muitos agricultores se profissionalizaram e têm conseguido um bom nível de produção – observa Madaloz. Ele comenta que uma demanda mais atual é em relação ao cultivo do morango no sistema semi-hidropônico. A grande vantagem, segundo Madaloz, é o aumento da produtividade e a garantia de qualidade dos frutos, que refletem no melhor preço quando essa produção for comercializada. Como em abril inicia o plantio de morango, já tem muitos produtores procurando saber mais sobre como instalar um sistema desses. Além do morango, outra opção é o plantio de tomate, que também tem grande demanda no mercado. São casos como o da família Sabadini, da linha Candaten, em Constantina. Há vários anos atuando no ramo de hortaliças, os produtores vêm se especializando e são referência em diversas culturas, como alface, rúcula, repolho, tomate, pimentão e muitas outras. São quase 15 estufas, algumas com hidroponia e outras com cultivo direto no chão. “Para a alface, a nossa estrutura pode produzir 22 mil pés por mês”, comenta Dalvan Sabadini, que cuida do negócio com os pais Denir e Lorene e os tios Nilvo e Elisete.

Vamos a uma projeção de custos para montar uma estrutura mista, utilizando parte de madeira que o produtor tem na propriedade, arcos para montar a estufa, o plástico para a cobertura, a tela lateral e o sistema de irrigação

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Em uma estufa de 5m x 50m, ou seja, 250m², é possível colocar de 750 a 1 mil pés tomate ou 2 mil pés de alface.

» O técnico agrícola Sílvio Madaloz dá algumas dicas para quem tem interesse em investir no ramo

A quantidade está relacionada à época que você vai plantar. Se plantar no outono ou no verão, consegue adensar mais, porque o dia é mais longo. Se plantar no inverno, é melhor pôr menos mudas para ficar mais distanciado.

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Dalvan Sabadini mostra a produção em estufas, referência em qualidade na linha Candaten, em Constantina

Normalmente empresas fazem os orçamentos para os projetos, que são estruturados por meio dos escritórios da Emater/ RS-Ascar. Em seguida é preciso buscar o crédito em uma instituição bancária, caso não haja capital de giro para iniciar o negócio.

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É importante ter uma orientação da equipe da Emater/RS-Ascar, para saber mais sobre o mercado e se o produto em que se quer investir realmente tem saída.

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O plástico usado é um material aditivado, com garantia de 24 meses, que protege da chuva e do sol forte. A durabilidade varia de três a cinco anos, dependendo do clima.

Desejamos que o Ano-Novo seja repleto de vitórias e nossa parceria seja sinônimo de sucesso.

Feliz Natal e 30

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Boas-festas!

Os arcos para dar sustentação à estufa devem ser de aço zincado e galvanizado, para não degradar o plástico com o atrito e a variação de temperatura. Nos arredores da estufa é preciso manter o ambiente limpo para facilitar o manuseio da produção. Também não pode ter árvores que façam sombras. Matagais próximos podem trazer insetos que ataquem as culturas, por isso, não é o ideal.

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A vantagem é que se consegue atingir o máximo de produção, além de ser um alimento mais saudável, pois como está protegido, é utilizado menos agrotóxico.

Para isso, o investimento vai estar na faixa dos R$ 4 mil a R$ 5 mil. Um produtor iniciante de tomates consegue chegar a uma produção de 7kg por pé. Isso daria uns 7 mil kg por estufa. Se ele vender a um preço médio que varie entre R$ 2,50 e R$ 4, dependendo da variedade, pode ter uma retorno na faixa de R$ 21 mil no primeiro ciclo, que demora de 80 a 150 dias no caso do tomate. Se for alface, podem ser feitos de 9 a 10 plantios em 12 meses.

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Usina Boa Vista é a primeira do RS Com este novo empreendimento, geração de energia fotovoltaica é mais um diferencial da Creluz meio de câmeras HD, subestação blindada, por meio da qual a energia gerada pelas placas será ligada à rede de energia elétrica, além da colocação de gramas, entre outros aspectos. Além de todas as vantagens de uma “tecnologia limpa”, porque a usina não interfere em rios ou em matas, a Usina Solar Boa Vista tem outro diferencial que é determinante para a sua viabilidade econômica, segundo o presidente da Creluz, Elemar Battisti. Ele explica que a usina solar trabalha em ciclo combinado com a Hidrelétrica Carlos Bevilácqua, de Seberi, que tem uma rede que passa perto da estrutura. “Então, quando chega o verão e tem muito sol, também se intensifica a evaporação de água nos reservatórios e a tomada de água para pivôs de irrigação, é nesse momento que a Usina Boa Vista se destaca na compensação da defasagem da energia elétrica. Esse é o grande diferencial que faz com que o projeto seja competitivo”, observa o presidente. Outro ponto favorável é que a usina tem uma rede de fibra ótica, que permite que a equipe de engenheiros da Creluz colha as informações a longa distância. E os planos não param: “quem sabe no futuro poderemos aliar também a energia eólica a esse projeto”, estima Battisti, cheio de planos na área de energia sustentável.

Gracieli Verde

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primeira usina de geração de energia por meio do sol do Estado gaúcho está localizada na região, em Boa Vista das Missões. O empreendimento da Cooperativa de Distribuição e Geração de Energia, a Creluz, já se tornou um ponto de visitação no município, tanto pela beleza do projeto como pela importância que tem no contexto atual. Em fase de testes desde o fim de setembro, o projeto é considerado inovador, uma vez que fornece eletricidade para todo o consumo da estrutura da cooperativa espalhada pela região. A inauguração ocorre neste dia 9 de dezembro, às 10 horas, com a presença de diversas autoridades. A usina está localizada em uma das margens da BR-386, em Boa Vista das Missões, no entroncamento com a BR-158, que segue a Palmeira das Missões. A obra foi finalizada em sete meses e conta com quatro patamares, sendo que dois deles fazem parte da fase A da construção e o restante para a fase B – onde devem ser investidos mais R$ 2 milhões. Na primeira etapa o investimento foi de R$ 4 milhões, quando foram instaladas 1.008 placas solares. Também foi feito o arruamento do local, sistema de escoamento de água – para caso de excesso de chuvas –, obras civis, elétricas e de engenharia, monitoramento por

Projeto inovador tem data marcada para ser inaugurado neste dia 9 de dezembro

Deixe a energia do Natal iluminar o seu lar! Desejamos a todos um ótimo Natal e um 2017 de esperanças renovadas. Boas-festas! www.creluz.com.br facebook/creluzEnergia ANOS

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Gracieli Verde

Juventude e Sucessão

Amor pelo rural resulta em sucessão Eliane, Armindo e o jovem Cristiano dividem o tempo mantendo a diversificação de atividades na propriedade

Jovem morador de Sagrada Família, Cristiano Büdchen mostra que com o apreço pelas atividades do setor agropecuário é possível permanecer com a família e ampliar a renda

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Veja o que a família fez e está fazendo para potencializar as chances do jovem Cristiano apostar no setor agropecuário Foi adquirida mais uma área de terra para ampliar as atividades produtivas. Foi investido em um trator, para reduzir a penosidade do trabalho. Investimento na irrigação da pastagem para o gado de leite, para dar mais tranquilidade e segurança nesse quesito, influenciando a produtividade de leite e, consequentemente, a geração de renda. Hoje o plantel produz em média 12 mil litros de leite por mês. Melhorias e ampliação das estufas também permitiram mais produtividade de hortifrutigranjeiros.

“Tudo é vendido na cidade. A gente leva em determinados dias da semana e já temos clientela fixa”.

As decisões sobre investimentos são tomadas em conjunto. A viabilidade financeira é um dos critérios principais.

Eliane Büdchen, agricultora

Os pais apoiam o filho no dia a dia. Ainda estão previstos investimentos na sala de ordenha, para melhorar a postura de quem trabalha para ordenhar os animais.

Investimentos constantes para melhoria da renda

Para o futuro também existe a previsão de investimento em uma residência para os pais e outra para o filho. Gracieli Verde

m toda e qualquer profissão o amor pelo trabalho é determinante para que haja sucesso. Não são poucos os casos que se veem por aí de profissionais que largam uma carreira de anos para fazer o que gostam, que muitas vezes não está nas atribuições da profissão que escolheu no passado. Faz parte de um processo de descoberta pessoal, de escolha, de decisão. No meio rural não é diferente. Se não houver amor pela atividade, não há realização, tampouco êxito. Mesmo muito jovem, aos 23 anos, Cristiano Büdchen não demonstra dúvidas em relação ao futuro que quer. Morador da linha Sete Lote, em Sagrada Família, ele e os pais Armindo e Eliane gerenciam uma propriedade de 21 hectares. Impressiona a quantidade de atividades que os três dão conta, prova de que o amor pelo trabalho não falta. A irmã Simoni e o irmão Tiago já não moram na propriedade – ela reside em Novo Xingu e ele em Pinto Bandeira. Além das 24 vacas em lactação, ao redor das benfeitorias não falta lugar para pôr a “mão na massa”. São pelo menos três estufas onde são cultivados diversos produtos, como tomates, morangos, verduras e temperos. Do lado de fora também são plantados repolhos e outras variedades, sem contar o pomar, com várias frutíferas, e o parreiral. “Tudo é vendido na cidade. A gente leva em determinados dias da semana e já temos clientela fixa”, comenta a mãe Eliane. A demanda por alimentos saudáveis e de qualidade é outro fator que tem motivado a família a produzir. Isso também faz com que se motivem a apostar em novidades sempre que possível. “Tem gente que demonstra interesse em outros produtos, aí a gente tenta cultivar porque sabe que tem mercado”, comenta a agricultora. Essa dedicação dela inspira o filho também. Mesmo um pouco tímido, é visível que Cristiano tem orgulho em produzir alimentos e vê perspectivas no setor. Mas, quem sabe, o segredo esteja no amor pela atividade, pela autonomia que tem em executar as atividades e pelo apoio dos pais. “Não me vejo trabalhando na cidade”, diz ele, convicto de que ali é o lugar em que quer estar, quer trabalhar e seguir a vida. Em relação à gestão das atividades, pais e filho garantem que as decisões são tomadas conjuntamente. “O que mais influencia é a viabilidade financeira”, brinca a mãe. “A pessoa tem que se identificar com o trabalho, fazer o que gosta”, comenta o engenheiro-agrônomo Fabiano Cassol, do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Sagrada Família. Segundo ele, o trabalho junto aos jovens se dá basicamente com orientações em relação às atividades, da mesma forma que para as demais famílias. “O processo de decisão tem que ser do jovem. Ele precisa saber o que quer”, pontua o profissional, que também faz o acompanhamento à família Büdchen, repassando orientações técnicas em relação às diversas atividades que executam no dia a dia.

Mãe Eliane mostra com orgulho as opções de geração de renda da unidade produtiva

Ao longo dos últimos anos vários investimentos foram efetuados na propriedade, tanto para reduzir a penosidade do trabalho como para ampliar as possibilidades de gerar renda para a família. Cristiano é beneficiário de um programa de crédito fundiário e com isso foi possível incrementar mais 5,6 hectares de área para a propriedade. Um trator também foi adquirido recentemente, para facilitar o trabalho. “Meu marido fazia as lavouras tudo a boi. Era muito difícil”, recorda Eliane, como quem não quer ver o filho passar por isso também. Outro investimento foi na melhoria das pastagens para o gado de leite. A irrigação foi fundamental para que se conseguisse atingir um nível de melhor qualidade no alimento oferecido para o plantel, tanto que o próximo passo para a atividade é investir em uma sala de ordenha mais confortável para o trabalho, favorecendo uma postura que não resulte em dores nas costas ou má postura ao ordenhar os animais.


Sustentabilidade

COMITÊ DA BACIA

Energia solar já é realidade na área rural

RIO DA VÁRZEA (55) 3744-4244

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Divulgação

Família de Ivo Rorh acompanhou a instalação do sistema

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Divulgação

que instalou o equipamento solar na residência da família Rorh e que está trabalhando com projetos para outras propriedades rurais da região, desde 2015 a produção própria de energia ficou bastante simples e acessível. “Todo processo leva menos de 60 dias, da solicitação do equipamento, projeto, liberação pela concessionária de energia, instalação e início da produção”, esclarece Bruxel, lembrando que o investimento começa a dar retorno imediatamente. Bruxel destaca ainda outra vantagem deste tipo de geração de energia, lembrando que o sistema fotovoltaico produz eletricidade com potência total por aproximadamente 25 anos, mas continua gerando por até 50 anos, de acordo estudos feito pela indústria. As placas solares são resistentes à chuva de granizo e não exigem manutenção. Atualmente, além do incentivo do fundo Feaper, outras linhas de crédito especiais estão disponíveis para os produtores rurais, como o Pronaf Eco/Mais Alimentos, Consórcio Sustentável do Sicredi, Proger e outros recursos com juros reduzidos para incentivo à adesão da energia solar no campo e também na cidade. Mais informações podem ser obtidas nos escritórios municipais da Emater ou diretamente com a empresa Marsol Energia e Soluções Sustentáveis por meio do telefone (55) 3744-6978 ou pelo celular/WhatsApp (55) 99723-3069.

www.comiteriodavarzea.com.br

Resolução impactará no uso da água para a agricultura e pecuária

Através do fundo Feaper, produtores rurais têm incentivo de R$ 10 mil para instalação de gerador próprio

utilização de fontes de energia renováveis já é realidade em algumas propriedades rurais da região, como na residência de Geraldo Ivo Rorh, no município de Chapada. No dia 25 de novembro, foi instalado o sistema fotovoltaico, composto de placas solares e um inversor que irá transformar a luz do sol captada pelas placas em energia elétrica. O equipamento da família Rorh irá gerar aproximadamente 40% da energia elétrica consumida na propriedade e representa uma significativa economia mensal na conta de luz. O investimento realizado pelo agricultor de Chapada foi viabilizado pelo Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), via Badesul, com um crédito de R$ 10 mil. O valor tem um ano de carência para o vencimento da primeira prestação, que serão no total de cinco, iniciando em 2018 e encerrando em 2022. Caso o produtor pague em dia a prestação terá um desconto de 80% no valor, configurando assim um grande incentivo para a utilização de energias renováveis no meio rural. De acordo com Marcos Bruxel, da empresa Marsol Energia,

contato@comiteriodavarzea.com.br

m breve, a implementação da Resolução do Conama nº 357/2005, que classica os corpos d´água (rios, sangas, banhados, lajeados, ou seja, os recursos hídricos pertencentes a todas as bacias hidrográcas), de acordo com a qualidade da água e o seu uso, causará grande impacto econômico, ambiental e social no Estado. O impacto desta mudança afetará o setor agropecuário, pois dependendo da classicação que o rio se enquadrará, as atividades até então realizadas com a água não serão mais permitidas, podendo ocorrer até cassações de outorgas, como para uso de irrigação. De acordo com a resolução, todos se enquadrarão em cinco classes, indo da classe especial, direcionada para o abastecimento doméstico, com desinfecção a partir do cloro, até a classe 4, que caracterizará os rios com maior nível de poluição. Através dos diversos órgãos ambientais será implementado um rigoroso monitoramento e controle, contando inclusive com informações de imagens produzidas por satélite. Outro aspecto importante desta resolução do Conama é de que serão estabelecidas metas, baseadas em medidas práticas para reduzir a poluição dos rios e fontes hídricas e a consequente evolução de

classicação. Os Comitês de Gerenciamento das Bacias Hidrográcas terão um papel fundamental na implementação, pois após o diagnóstico que denirá as condições de cada corpo d'água serão os integrantes dos comitês que decidirão o enquadramento dos mananciais hídricos da bacia hidrográca de cada região. No Comitê Bacia do Várzea, que engloba 55 municípios, a primeira etapa já será implementada no próximo ano, com a licitação e contratação de empresa que fará o diagnóstico da situação dos corpos d'água. Na sequência, outras etapas serão vencidas até o momento em que os membros do comitê denirão a classicação dos cursos de água. O vicepresidente da Bacia do Rio da Várzea, Ivan Carlos Viana, alerta para a importância de a comunidade estar atenta ao processo e de que as pessoas que participam da governança do comitê, representando todos os setores e entidades, devam estar cientes da responsabilidade que estão tendo em decidir o uso da água de toda a população e dos setores da economia. Já a presidente Simônia Goncalves de Oliveira enfatiza que a direção do comitê visitará as principais lideranças dos municípios que pertencem a Bacia do Rio da Várzea, alertando da importância da participação.

Boas práticas para uso eficiente da água na sala de ordenha ou na propriedade:

Planejamento regional O Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográca do Rio da Várzea, através do vice-presidente, Ivan Carlos Viana, participa da elaboração do Plano Estratégico do Corede, através da equipe que terá a tarefa de construir os pré-projetos públicos na dimensão da Infraestrutura e Economia. Até o dia 18 de dezembro, serão elaborados 15 pré-projetos que contemplarão as prioridades de investimentos estratégicos para os municípios pertencentes ao Corede.

• Raspagem do piso, • Uso da água sob pressão, • Substituição da mangueira de uxo contínuo por modelo de uxo controlado, • Manutenção do piso • Programa de detecção de vazamentos.

Exemplo de gestão inspira atitudes Em uma propriedade no interior de São Paulo, na cidade de Descalvado, os euentes utilizados na limpeza da sala de ordenha são reaproveitados para a fertirrigação, proporcionando uma economia de 30%. Foram implementados o sistema de captação da água da chuva, reuso integral de águas servidas e irrigação noturna para fazer a gestão adequada e consciente dos recursos hídricos. Os telhados da propriedade tem calhas de captação e condutores da água da chuva, que é utilizada para a lavagem dos galpões. Fonte: Revista Leite, edição 28 – Janeiro/fevereiro de 2016


Bem-Estar

O feijão nosso de cada dia!

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gosto pelo feijão provavelmente faz parte do seu dia a dia. Produzido na maior parte das vezes na propriedade, este é um alimento que além de saboroso traz muitos benefícios para a saúde humana. Acompanhado de um arroz, ele se torna ainda mais completo e, com certeza, muito saudável. Não é por nada que ele também faz parte da lista das leguminosas, que durante todo o ano de 2016 foram reverenciadas por meio da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, devido à importância desses alimentos para a população mundial. O Ano Internacional das Leguminosas fez com que esses alimentos ficassem ainda mais populares. Para ajudar você a entender melhor os benefícios das leguminosas, especialmente de vários tipos de feijões que temos, separamos algumas informações fornecidas pela nutricionista Leila Ghizzoni, da Emater/RS-Ascar. De acordo com a cor, saberá as vantagens deste alimento para prepará-lo com ainda mais carinho para você e sua família. Confira!

Leguminosas vermelhas

Brancas

Fazem bem para o coração, memória, pele, olhos, combate o câncer e melhora a circulação.

Têm vitaminas do complexo B e flavonoides. Proporcionam proteção das células, produção de energia, favorecem o sistema nervoso e inibem o aparecimento de coágulos na circulação.

Marrons

Têm fibras, vitaminas do complexo B e E. Com isso, combatem a ansiedade, depressão, câncer e doenças cardiovasculares.

STL Turismo

Laranjas e amarelas

Previne o câncer, fortalecem o sistema imunológico e a visão.

Verdes Roxas e azuladas

Favorecem a longevidade, pois têm vitaminas do complexo B, vitamina C e minerais, como o potássio, que faz bem para a pele, nervos, rins e aparelho digestivo, combate doenças cardíacas e retarda o envelhecimento.

Favorecem a desintoxicação do organismo. São ricas em cálcio, fósforo e ferro, que refletem no crescimento, coagulação do sangue, fadiga mental, glóbulos vermelhos do sangue, ossos e dentes.

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ROTEIRO

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Saída dia 15/01/2017, pela manhã, com chegada em Aparecida dia 16/01/2017, pela manhã, com o dia livre em Aparecida e café, almoço, janta e pernoite inclusos. Dia 17/01/2017 saída para o Rio de Janeiro, pela manhã, com city tour na cidade e visita em vários pontos turísticos, como Cristo Redentor, Pão de açúcar, Praça Tiradentes, Orla de Copacabana, Ponte Rio-Niterói, entre outros, acompanhado com guia local. Retorno à tardinha para Aparecida com pernoite (neste dia não está incluso o almoço e o jantar). Dia 18/01/2017 manhã livre em Aparecida com café e almoço inclusos. Após almoço retorno para Seberi, com parada no rio em que foi pescada Nossa Senhora.


Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Bem-Estar

Cuidando do que mais nos protege, a pele Para quem trabalha no campo, no verão, é preciso redobrar os cuidados

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Adri Marcolan Fotografia/Divulgação

or mais que os cuidados com a pele exposta ao sol devem ser mantidos durante todo o ano, independente de estação, sem dúvidas é no verão que são ainda mais necessários. Para quem trabalha no campo, monitorando as lavouras e culturas da época, ou mesmo na horta ou quintal de casa, é preciso redobrar os cuidados. O médico especialista em Dermatologia Márcio André Volkweis, que atende em Sarandi, alerta que a incidência da radiação ultravioleta aumenta muito nesta época e as pessoas ficam mais expostas. – Quem desempenha atividades ao sol, como o agricultor, deve redobrar os cuidados. Isso porque durante a vida dele haverá um acúmulo de radiação, com a exposição rotineira, todos os anos. Sabemos que o dano solar causado na pele vai favorecer o surgimento de câncer de pele, além de manchas, envelhecimento precoce, ardência e coceira. O ideal é usar proteção com creme que contenham filtros solares, os conhecidos protetores solares, chapéus, óculos escuros, tudo para esconder a pele dos raios solares – explica. Ele também atenta para a necessidade de mais de uma aplicação de protetor solar por dia. Também é importante que a pele esteja limpa, além de o protetor ser passado alguns minutos antes da exposição, pois o produto demora até 30 minutos para ficar bem aderido à pele. – Independente do número do fator de proteção, é importante lembrar que ele não dura mais do que três horas na pele e deve ser reaplicado. Além disso, o fator de proteção solar não tem a ver com tempo de exposição, mas sim com o tipo de pele. Peles mais claras devem usar fatores altos, acima de 50, enquanto peles morenas na faixa de 30. Em ambos os casos esses produtos devem ser reaplicados após três horas do uso – orienta o médico. Também é importante observar que hoje em dia há diversas apresentações do protetor solar, tanto em creme quanto em gel, fluídos ou até em mousse. Basta encontrar qual se adapta melhor à pele de cada pessoa.

Márcio Wolkweis tem consultório em Sarandi

Um risco para o câncer de pele

“Quem desempenha atividades ao sol, como o agricultor, deve redobrar os cuidados. Isso porque durante a vida dele haverá um acúmulo de radiação, com a exposição rotineira, todos os anos”.

O médico Márcio André Volkweis, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, alerta para outra questão considerada importante: a exposição ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer de pele. – No Norte do RS e Sul de SC temos duas das áreas do Brasil com os maiores índices de radiação ultravioleta. Isso, somado a etnias de pele mais brancas (italiana e germânica), faz com que nossa região tenha uma incidência muito grande de câncer de pele. Por esses motivos devemos usar ao máximo a proteção do sol, seja com filtros solares, seja com roupas, seja fugindo dos locais e horários de maior intensidade solar. O profissional que trabalha exposto ao sol, como o agricultor, é o tipo de pessoa que mais apresenta o câncer de pele. E por isso é o público que mais devemos incentivar esses cuidados – ressalta Volkweis. Inclusive, neste mês a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove o Dezembro Laranja, que é uma campanha de conscientização quanto ao câncer de pele. “Além do sol, exposição a outras radiações, como radioterapias, solda, uso de medicamentos imunossupressores (pacientes transplantados) e alguns pesticidas podem aumentar a incidência do câncer de pele”, acrescenta.

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Quando é necessário investigar as manchas da pele? Segundo Volkweis, manchas com alteração da cor, novas ou antigas, lesões ásperas e que apresentem descamação, nódulos ou feridas que demoram a cicatrizar são lesões de alerta e devem ser avaliadas. “Pessoas com casos na família apresentam uma chance maior de desenvolver câncer de pele também, e devem fazer avaliação com um médico dermatologista mesmo que não apresentem lesões. A sugestão é de, pelo menos, uma consulta anual”, diz.

E para as crianças, qual a orientação? Segundo o especialista, até os dois anos de idade as crianças possuem uma pele que ainda está amadurecendo e, por isso, não devem pegar sol. – O ideal é usar roupas que protejam a pele, ou mesmo não se expor ao sol. A partir dos dois anos de idade o uso do protetor deve ser assim como no adulto. Para os pequenos o ideal é usar as linhas de protetores especiais para crianças, que ficam mais aderidos na pele e com menos substâncias irritativas – recomenda.

Fique atento às seguintes dicas! • Reaplique o protetor solar durante o dia, a cada três horas. • Aplique o protetor na pele limpa. • Passe o protetor alguns minutos antes da exposição, pois o produto demora até 30 minutos para ficar bem aderido à pele. • O fator de proteção solar não tem a ver com tempo de exposição, mas com tipo de pele. • Peles mais claras devem usar fatores altos, acima de FPS 50, enquanto peles morenas na faixa de 30. • Além do protetor, use chapéus, roupas de manga longa e óculos escuros.

Gracieli Verde

Além de protetor solar, é importante

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Culinária

Mãos à massa!

U

m dos queridinhos desta época, em que nos aproximamos do Natal e do novo ano, é o panetone. Saboroso e com ingredientes diferenciados, como as frutas cristalizadas, este é um prato que

certamente fará sucesso no encontro da família e amigos. Para quem quer prepará-lo em casa, trouxemos uma receita de uma versão integral, ainda mais nutritiva. Siga os passos e faça sucesso com essa delícia.

Ainda nos doces, trazemos uma receita de um alfajor integral. Assim você também agrada a criançada e valoriza a alimentação saudável. Afinal, o bem-estar da família está sempre em primeiro lugar. Para auxiliar na sua escolha dos pra-

tos dos almoços e jantares de fim de ano, temos uma receita de uma picanha suína assada com ervas. Para acompanhar, você pode assar tomates e servir também uma farofa crocante. Gostou da ideia? Vamos à cozinha!

FONES:

Salame tipo italiano, copa, bacon, costela defumada, linguiça toscana, linguiças campeiras, medalhão, carnes resfriadas com osso e sem osso, entre outros produtos.

Revista Novo Rural - Dezembro de 2016 36andrimaralimentos3@gmail.com

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Linha Riboli - Vista Alegre-RS


ral

Panetone integ

l

Alfajor integra

Fermentação – primeira etapa

Ingredientes

Ingredientes

3 ovos 250g de açúcar mascavo

30g de açúcar refinado 80g de fermento biológico úmido

Modo de fazer

300g de farinha de trigo integral

2 ovos ligeiramente batidos 100g de farinha de trigo normal

Modo de fazer

150 ml de leite morno

•Misture bem o açúcar com o fermento e deixe diluir. •Acrescente os demais ingredientes. • Bater bem na batedeira até ficar esbranquiçada. • Cubra com plástico para fermentar por uns 10 minutos. •Não deixar essa fermentação derramar, pois passa do ponto.

250g de farinha de trigo

300g de maisena

Ingredientes

60 ml de óleo de milho

1 ovo médio inteiro

100g de açúcar refinado 3 gemas à temperatura ambiente

1 colher (café) de noz-moscada ralada

15g de baunilha

Misture todos os ingredientes numa bacia e sove bem. Reserve a massa por aproximadamente 30 minutos. Após, abra a massa na espessura desejada (mais ou menos 2 cm). Corte rodelas com o auxílio da boca de um copo. Coloque em uma forma untada e leve ao forno por cerca de 15 minutos, a 180°C. Para rechear, você pode usar geleias e doce de leite light. Caso preferir, você pode banhar o alfajor em um chocolate de sua preferência, derretido em banho-maria ou no micro-ondas. Espere secar e sirva.

Picanha suína s va assada com er

Massa básica – segunda etapa

150g de manteiga sem sal

10g de fermento biológico fresco

200g de margarina light

Ingredientes 1 picanha suína de 300g

Modo de fazer

50g de mel

1 colher (sobremesa) de raspa de limão

3g de sal

1 colher (chá) de canela em pó

1 colher (chá) de alecrim fresco e picado

•Bater na batedeira a manteiga picada e o açúcar e depois os demais ingredientes

1 colher (chá) de salsinha picada

• Bater até ficar um creme esbranquiçado (10 minutos).

4 colheres (sopa) de azeite

500g de manteiga 1 dente de alho picado

Terceira etapa Recheio Ingredientes 200g de uvas passas brancas e pretas 250g de frutas cristalizadas 100g de nozes picadas (opcional). Caso não tenha nozes aumentar as frutas

150g de chocolate ao leite picado

Modo de fazer • Colocar 15ml de essência de panetone na massa básica e acrescentar a etapa de fermentação. • Coloque 500g de farinha e bata na batedeira até descolar da bacia. • Deixe crescer até dobrar o volume. Em separado • Junte as uvas, frutas, nozes e chocolate picados. •Salpique com farinha de trigo, para que as frutas não vão para o fundo da massa.

Rendimento:

7 panetones de 300g

Cobertura Modo de fazer 500g de açúcar confeiteiro e claras até umedecer.

Espalhe sobre os panetones assados e enfeite com frutas cristalizadas e chocolate derretido.

1 ½ xícara (chá) de farinha de mandioca flocada (biju)

Como montar o panetone Coloque a metade das frutas na mesa e espalhe a massa por cima. Por cima da massa coloque a outra metade das frutas. Enrole como rocambole. Grude bem as frutas. Corte, arredonde e coloque na forma. Deixe crescer até dobrar o volume. Asse por 30 minutos a uma temperatura de 150°C.

Dica: você pode encontrar a essência de panetone em lojas especializadas em confeitaria ou em lojas de produtos naturais. Alguns supermercados também podem comercializar este item.

4 tomates maduros e firmes, cortados ao meio

Sal e pimentado-reino a gosto

Ramos de alecrim

Modo de fazer Em uma assadeira, tempere a picanha com sal, as ervas e 1 colher (sopa) de azeite. Leve ao forno quente (200°C), preaquecido por 20 minutos. Tempere a cavidade dos tomates com alho, sal e 2 colheres do azeite e coloque-os na assadeira da picanha, com os temperos virados para cima. Asse por mais 10 minutos até os tomates murcharem e deixe a picanha até esta ficar no ponto desejado.

Como preparar a farofa Em uma frigideira, derreta a manteiga com o azeite restante e misture a farinha, mexendo sempre, até ficar ligeiramente dourada. Tempere com sal. Como servir Sirva a picanha em fatias, com os tomates assados e a farofa ao lado. Você também pode decorar com ramos de alecrim. Se você preferir, pode substituir os tomates por batatas, mas aí o tempo para assá-las é maior.

Dica: se você e seus convi-

dados gostam de frutas, rodelas de abacaxis também podem ser assadas com um pouco de canela em pó por cima. Alguns minutos no forno darão mais intensidade ao sabor do abacaxi e a canela garante um aroma especial. Bom apetite!

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Espaço da Mulher

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Que tal enfeitar o Natal com o que tem em casa? Artesanato reaproveita produtos da propriedade, que renascem com um novo valor agregado

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razer para dentro de casa o espírito natalino, para muitos, também passa pela de decoração dos ambientes. Ter peças que lembrem figuras como José, Maria e o Menino Jesus fazem com que famílias vivenciem ainda mais esta época do ano. Mais do que isso, é uma forma de famílias agregarem renda com a comercialização desses itens, que muitas vezes usam produtos encontrados na propriedade, a baixíssimo custo. Em Boa Vista das Missões, na linha São Marcos, a agricultora Osvaldina Busanello é um desses casos que se esforça para conciliar o trabalho com o gado leiteiro, em parceria com o esposo Ari e familiares, com a montagem de presépios, guirlandas, caixas para presentes, cestas e demais itens, que são alusivos ao Natal. Em outras datas comemorativas, como a Páscoa, ela também tem saída certa para essas peças. Inspirada na mãe Matilde, hoje com 86 anos, que desde cedo ensinou as filhas a fazerem tranças com palha de trigo para confeccionar chapéus, Osvaldina se declara uma apaixonada pelo artesanato. Conta que aprendeu diversas técnicas apenas olhando algumas matérias relacionadas ao assunto em jornais ou conversando com pessoas que sabem fazer, e aprimorou depois que teve mais contato com outras artesãs, por meio da Emater/ RS-Ascar em Boa Vista das Missões e grupos de mulheres em Palmeiras das Missões e Jaboticaba. Além da palha de trigo, há mais de 30 anos Osvaldina aprendeu a manusear a palha de milho, que também se mostra como uma boa alternativa para fazer peças resistentes, como bolsas e caixas. “Até baú eu já fiz. Basta ter criatividade”, comenta. A participação em feiras também é contabilizada pela artesã. Já fez Expodireto, em Não-Me-Toque, uma das maiores do Estado, e também outras em municípios próximos. Além disso, a venda se dá no “boca a boca”. “As pessoas descobrem que eu faço e aí me mandam os pedidos”, comenta. As peças variam bastante de preço, de acordo com o tamanho e técnica usada, mas geralmente partem dos R$ 20 cada para valores maiores.

Dicas da Osvaldina! • Caso queira usar os cachos de trigo para enfeitar seu artesanato, colha-os ainda verdes, enquanto os grãos não estiverem formados. • Esponjas vegetais também podem ser usadas para servirem de complemento no seu artesanato. Elas podem ser usadas como detalhes e pintadas com anilina de várias cores. • O acabamento das peças é muito importante. Tranças de palha de trigo podem ser usadas para esconder o que você não quer que apareça na peça. Bases de isopor também se tornam baratas e fáceis de manusear.

Gracieli Verde

Osvaldina usa produtos que tem na propriedade para fazer as peças que comercializa

facebook.com/ revistanovorural

Na página da Novo Rural no Facebook você confere um vídeo em que Osvaldina mostra como faz um minipresépio. Confira!

Para fazer uma peça do minipresépio com palha de milho 1 - Use papel higiênico para montar a cabeça do personagem. Depois de feita a cabeça, enrole-a com a palha. Para ficar maleável, esta palha deve ser molhada com água quente. Opte por um ambiente sem vento, para que a palha não seque. Para amarrar você pode usar barbantes de sacos de ração devidamente higienizados.

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2 - Faça os braços do personagem. Em alguns casos, quando esses braços precisam dar sensação de movimento, você pode colocar um arame dentro, para depois moldar como quiser. 3- Prenda os braços no corpo do personagem com o barbante. 4- Com mais um pedaço de palha, faça uma abertura para passar nela a cabeça do personagem. Faça o acabamento da palha no corpo, escondendo os barbantes usados na peça com tiras de palha. Use cola quente ou outra específica para artesanato para colar as palhas. Enfeite e peça como quiser e invista em um acabamento bem feito.

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Ações que inspiram

Sementes que alimentam Trabalho da Emater/RS-Ascar também tem refletido na alimentação das famílias da região “Isso tem motivado até o pessoal que mora na cidade a cultivar alimentos no quintal de casa. É algo que vai além do setor rural”. Júlio Cesar Guerra, técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar

Para muitos agricultores, prática de manter sementes ainda é habitual

Na lavoura, Lopes mostra os pés de feijão plantados para alimentação da família

Mesmo que é preciso conscientização na hora de difundir esse trabalho, tem agricultores que naturalmente conservam em casa dezenas de sementes e plantas em geral que são crioulas, sem nenhuma modificação genética. Na linha Travessão Seco, em Taquaruçu do Sul, em uma propriedade de 12,5 hectares, a fartura de comida da família Lopes é resultado disso. “Sempre cuidamos para ter tudo em casa. Plantamos para nos alimentarmos e também para tratar os animais”, comenta Leonide Lopes, 59 anos. A esposa, Catarina, 57 anos, também mostra com satisfação a horta cheia de alimentos por eles cultivados. Hoje a principal renda da família vem do fumo, mas o sustento do casal e dos filhos Gelson, 23 anos, e Elaine, 18 anos, também se dá graças ao capricho com a preservação de diversas hortaliças, do pomar cheio de opções em frutas e de tantos outros alimentos que por eles são cultivados. Gracieli Verde

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Revista Novo Rural - Dezembro de 2016

Gracieli Verde

P

reservar as sementes crioulas pode parecer rotineiro para quem vive no campo, mas com o passar do anos muitas variedades acabaram se perdendo. Com a mecanização do setor, muitas vezes a praticidade acaba deixando de lado essa preocupação com a biodiversidade na propriedade rural. É por isso que a equipe municipal da Emater/RS-Ascar de Taquaruçu do Sul começou, em 2012, a realizar um trabalho diferenciado em relação ao assunto. Além das visitas aos produtores para incentivar que mantenham essas sementes e mudas de plantas, foi iniciado um evento que ocorre para promover o compartilhamento disso entre os demais agricultores. – Embora hoje exista alta tecnologia na área de sementes, é importante que as famílias preservem as variedades crioulas. Atualmente já conseguimos reunir muitas variedades e temos visto um resgate interessante nesse sentido. O objetivo disso tudo é fomentar a produção de alimentos de qualidade nas propriedades – observa o técnico em agropecuária Júlio Cesar Guerra, que atua como chefe do escritório municipal. Com o milho crioulo o trabalho é realizado há mais de 20 anos no município. O comportamento dos agricultores também tem mudado. “O poder aquisitivo das famílias aumentou e muitas vezes é mais fácil comprar o alimento do que cultivar na propriedade”, comenta Guerra. Ele assinala que em virtude disso um trabalho de conscientização vem sendo feito, por meio da campanha “Produza seu alimento, colha saúde”, que é coordenada pela assistente técnica regional da Emater/RS-Ascar, Dulcenéia Haas Wommer. É nesse sentido também que comenta o gerente-adjunto do escritório regional da Emater/RS em Frederico Westphalen, Mario Coelho da Silva, defensor desta prática. “Sem sementes não há alimento”, enfatiza. Segundo ele, esse trabalho que nasceu em Taquaruçu do Sul já tem dado bons frutos em vários outros municípios, tanto que as últimas edições do Encontro de Biodiversidade, Segurança e Soberania Alimentar foram promovidas em parceria com municípios vizinhos – Pinheirinho do Vale, Vista Alegre e Palmitinho. Em outros municípios, como Jaboticaba, também já existem grupos de produtores que têm como compromisso guardar sementes ou mudas de plantas que são importantes para a culinária das famílias, ou seja, refletindo também na sua alimentação. O técnico em agropecuária Júlio Cesar Guerra comenta que na cultura do feijão foi que mais teve avanço nesse resgate. Ele estima que hoje tenham conseguido juntar até 20 variedades do grão. “Isso tem motivado até o pessoal que mora na cidade a cultivar alimentos no quintal de casa. É algo que vai além do setor rural”, observa Guerra. Reflexo do empenho nesse trabalho é que o evento da biodiversidade e soberania alimentar que começou em uma sala anexa à Emater/RS do município cresceu. “Na edição deste ano fizemos no salão paroquial, porque o público foi muito maior”, comenta a extensionista da área social Marlene Zanatta Bridi, que também atua no município. Outro colega da equipe, o técnico agrícola Mateus Cargnin, atenta para o fato de que um exemplo de otimizar o uso de sementes crioulas mesmo por quem tem lavouras mais tecnificadas é para o refúgio. “Hoje é essencial que os produtores de grãos tenham a área de refúgio para manter as tecnologias que estão no mercado, e as sementes crioulas também podem ser usadas para isso”, pontua.

Equipe da Emater/RS de Taquaruçu do Sul, Mateus Cargnin, Marlene Zanatta Bridi e Júlio Cesar Guerra com o casal Leonide e Catarina Lopes


Gracieli Verde

Mercado

Milho: movimento ainda é de queda de preço

O

milho está em pleno desenvolvimento nas lavouras da região e é natural que a expectativa aumente tanto em relação à produtividade como ao preço. Nas lavouras se espera que o clima ajude a cultura, com chuvas adequadas, apesar de o fenômeno La Niña estar operando de forma fraca (veja mais na editoria Clima). Conforme o consultor Rogério Wollmann, da Solo Fértil, em diversas lavouras da região já se percebeu um déficit hídrico, devido ao maior intervalo entre as chuvas em novembro. “Tem lavouras em que já se estima uma perda de 15% a 20%”, prevê. Segundo análise do consultor Rafael

Ribeiro de Lima Filho, da Scot Consultoria, o mercado do milho deve seguir calmo neste mês de dezembro, uma vez que ainda é época de pouca comercialização. “O ponto principal tem sido o ritmo das exportações, que estão mais baixas neste ano em relação a 2015. Diferente do ano passado, temos um cenário menos aquecido, tanto pela demanda interna quanto para exportação”, observa. Lima Filho acredita que o preço deve seguir em queda. “Analisando contratos para janeiro, temos valores de R$ 37/38 a saca. Essa movimentação deve durar até o começo do ano que vem, principalmente fevereiro. Outro ponto é a questão dos estoques, que dá um certo alívio para o

mercado e, por enquanto, temos um cenário de clima tranquilo no desenvolvimento, da primeira safra em algumas regiões”, pontua. Ele lembra que o começo do ano é de retomada da demanda, principalmente pelas empresas que fabricam ração. Por isso, segundo ele, lá na frente o preço pode voltar a aquecer. Até porque, ainda segundo Lima Filho, não há um excesso de milho no mercado. – Mesmo no período de colheita, a gente sabe que o que deve ter de incremento na safra do milho não cobrirá a queda deixada no ano 2016. Não estou falando em uma retomada no preço como a gente viu em 2016, mas destacando o

consumo interno e ainda no cenário de baixa disponibilidade, a gente deve ter um alívio, com uma safra melhor. Diferente do ano passado, vamos ter um estoque retornando a 10/11 milhões de toneladas, mas isso a partir de maio e junho de 2017, com a colheita da segunda safra – explica. Em novembro o preço fechou, em média, R$ 38 por saca, segundo a Scot Consultoria. Levando em conta uma futura retomada da demanda e com o cenário de pouca disponibilidade do produto, quem precisa do milho em um curto e médio prazo, é importante ficar de olho neste mercado. A compra antecipada é uma opção, segundo o consultor.

Em novembro o preço fechou, em média, R$ 38 por saca, segundo a Scot Consultoria

Preço do leite deve seguir em baixa Consultor acredita que cenário deve se manter assim até janeiro, apesar do estoque estar equilibrado dos agravantes foi o clima, com muita chuva no Rio Grande do Sul no primeiro semestre. A captação vem aumentando, mas o ritmo de crescimento é menor do que em anos anteriores, em função também dos aumentos dos custos de produção”, ressalta o consultor. Segundo Rafael Ribeiro de Lima Filho, isso dá indicativo de que não há excesso de leite no mercado. “A demanda pelo produto por parte dos consumidores segue lenta, como no ano passado”. Ele acrescenta, ainda, que neste ano a importação aumentou em mais de 70% em relação a 2015, além da reconstituição do leite em pó para leite fluído no Nordeste. “Isso tudo ajudou para essa pressão de baixa nos últimos meses”, defende. Por outro lado, Lima Filho cita que o custo de produção tende a baixar nos próximos meses, uma vez que o preço do milho e do farelo de soja está recuando. “Isso ajuda a controlar os custos. Além disso, daqui para frente tem menor necessidade de suplementação alimentar, pois tem mais pastagem. Mesmo assim, a margem de lucro do produtor segue apertada, como foi no ano passado”, pondera o analista.

Letícia Waldow

O

período de safra no Brasil Central e no Sudeste, que favorece a produtividade de leite, associado ao aumento da produção em Estados do Sul, em outubro, influenciam para que o preço pago ao produtor siga com estimativa de baixa até janeiro de 2017. A análise é do consultor de mercado Rafael Ribeiro de Lima Filho, da Scot Consultoria. Um possível recuo na produção em novembro e dezembro não deve influenciar na manutenção das cotações, segundo ele. Em outubro, conforme levantamento da Scot, a média de preço pago ao produtor foi de R$ 1,15 por litro. “Trabalhamos com uma expectativa de queda de 1,5% para o pagamento de dezembro. No Sul o recuo deve ser mais moderado, de 1% a 1,5%”, adianta o consultor. A expectativa também é que o pico de produção fique entre dezembro e janeiro, o que reforça essa pressão nos preços. “Tanto que nos atacados o valor do leite longa vida também baixou bastante para o consumidor”, pontua Lima Filho. Ainda segundo análise da Scot Consultoria, em 2016 teve diminuição da produção de leite de forma geral, se comparado com 2015 e 2014. “Um

Preço para o consumidor também recuou nos últimos meses

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Curso de apicultura para extensionistas da Emater/RS-Ascar Nonoai Início: 9 horas, na Câmara de Vereadores. (54) 3362.1466

Porto Alegre – Conservação dos Solos Uma conferência estadual sobre conservação de solos ocorre em Porto Alegre, no auditório do Escritório Central da Emater/RS, no dia 5 deste mês. O evento inicia pela manhã e segue durante todo o dia, com diversas palestras e painéis. Entre os assuntos que serão abordados estarão as ações estaduais do Programa de Conservação do Solo e da Água, além da apresentação do concurso “Agricultor conservacionista e produtor de água do Estado do Rio Grande do Sul”.

1º Quinta 1º Jantar do Peixe São José das Missões Início: 20 horas, no salão paroquial. (55) 3753.1005

Nonoai – Tarde de campo

10 Sábado

9 Sexta

8 Quinta

13 Terça

5 Segunda Tarde de campo sobre bovinocultura de leite Nonoai Início: 14 horas, na propriedade da família Gatto, na linha Ronda (54) 3362.1466

Inauguração da Usina Solar Boa Vista Boa Vista das Missões Início: 10 horas (55) 3754.1800

11 Domingo

20 Terça

7 Quarta Reunião do Coletivo do Leite Constantina Início: 9 horas, no escritório municipal da Emater/RS-Ascar. (54) 3363.1044

14 Quarta

19 Segunda

17 Sábado

4ª Festa da Uva Linha Gabreúva, Alpestre (55) 3796.1216

22 Quinta 30 Sexta

23 Sexta 29 Quinta

24 Sábado 28 Quarta

Abertura da Colheita da Uva Ametista do Sul, linha Alta (55) 3752.1295

16 Sexta

18 Domingo

21 Quarta

6 Terça

15 Quinta

Tarde de campo Erval Seco Início: 13 horas, na propriedade de Saulo e Elizabeth Manfio, na linha Bom Jesus. (55) 3748.1364

Constantina – Reunião do Coletivo do Leite

Encontro de Jovens Caiçara Início: 13h30min, no Parque Municipal Guilherme Perlin (55) 3738.1280

25 Domingo 27 Terça

26 Segunda

31 Sábado

Erval Seco – Tarde de campo

Caiçara – Encontro de Jovens

A propriedade de Saulo e Elizabeth Manfio, da linha Bom Jesus, em Erval Seco, sedia uma tarde de campo no dia 13. O início está previsto para as 13 horas. Os temas do encontro serão sobre aproveitamento de recursos naturais, aspectos sobre milho grão e para silagem, melhoramento genético, nutrição, instalações, além de segurança e soberania alimentar.

São esperados mais de 200 jovens em um encontro de agendado para o dia 17, em Caiçara. O evento ocorre a partir das 13h30min, no Parque Municipal Guilherme Perlin. O evento contará com gincana e atividades de cunho artístico, social e cultural.

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4 Domingo

Roteiro Turístico "Nostra Terra" Constantina (54) 3363.1044

Ametista do Sul – Colheita da Uva

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3 Sábado

2º Encontro de Qualificação do Projeto de Extensão MDA/URI (55) 3744.9255

12 Segunda

No dia 7 haverá mais uma reunião do Coletivo do Leite, desta vez em Constantina, a partir das 9 horas, no escritório municipal da Emater/RS-Ascar. Depois da reunião os participantes conheceram duas propriedades que fazem parte do roteiro turístico do município. O encontro segue pela parte da tarde.

Conferência Estadual de Conservação de Solo e Água Porto Alegre (51) 9.8039.7783 sargs@sargs.com.br

2 Sexta

Está programada para o dia 6 uma tarde de campo sobre bovinocultura de leite, em Nonoai, na linha Ronda, na propriedade da família Gatto. O início está marcado para as 14 horas. Nas estações serão abordados temas como manejo de solo e água, silagem de grão úmido, saúde animal e manejo de pastagem.

Um evento promete marcar o início da colheita da uva em Ametista do Sul, no dia 6 deste mês. O evento ocorre na linha Alta, no pavilhão da comunidade. A recepção ocorre a partir das 8h30min. Em seguida ocorrem palestras sobre o cultivo protegido de videira, demonstração de encaixotamento de uva de mesa, além de tópicos para elaboração de vinho.

DEZEMBRO

Alpestre – Festa da Uva Alpestre sedia nos dias 17 e 18 a quarta edição da Festa da Uva, na linha Cabriúva. No dia 17, a abertura dos estandes ocorre às 9 horas. Já a solenidade de abertura do evento está marcada para às 10h30min. Ao meio-dia será servido almoço, com churrasco e saladas. Às 13 horas inicia um torneio de três-setes, e às 14 horas haverá show com a banda Tome Pegada. O fechamento dos estandes será às 18 horas. Já no domingo, 18, tem café colonial das 8 horas às 9h30min, com recepção das excursões. Às 9h30min inicia a visita aos parreirais, bem como os estandes serão reabertos e tem sequência o torneio de três-setes. A programação segue com almoço, show com as bandas Tchê Kakareko e Musical Integração. O encerramento está previsto para as 19 horas.


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