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58 CULTURA

Livro

“E se tivesses uma companheira bipolar? – O labirinto dos afectos”

Texto Maria Martins › Fotografia Digireport

da autoria de Nelson de Brito

Nelson de Brito, médico ginecologista, apresentou, no dia 07 de julho, o seu livro “E se tivesse uma companheira bipolar?” na Sala Braga do Centro de Cultura e Congressos da SRNOM. O livro, dedicado ao “labirinto dos afetos”, como se pode ler na capa, conta a história de Diogo e Heloísa, a sua companheira bipolar.

N

elson de Brito é um médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, particularmente dedicado às áreas da ecografia e cirurgia ginecológica e obstétrica, colposcopia, PMA e peritagem médico-legal. Fez um mestrado em Medicina Legal no ICBAS e frequentou (durante 2 anos) o curso de Direito na Universidade Lusíada. A obra de Nelson de Brito conta a história de dois personagens, Diogo e Heloísa, descrevendo as incidências de um

ano de vivência em conjunto: Heloísa mostra fases de profunda depressão e tristeza, alternadas com outras em que se mostra extremamente feliz, um comportamento característico da bipolaridade. Momentos de alucinação e delírio alternam com momentos de total desinteresse até pelos aspectos mais triviais do dia a dia, como a higiene pessoal. Sobre a obra, Nelson de Brito começa por explicar que “em medicina é mais ou menos fácil a um médico debelar e tratar a doença física do corpo”, no entanto, “tratar doenças da alma, aqui entendidas como doenças da mente, é um esforço titânico que quase nunca, ou nunca mesmo, resulta por má colaboração ou ausência total de adesão dos doentes aos tratamentos, o que se entende por perfeitamente normal e está relacionado com a sua própria patologia.” Reportando-se à sua experiência enquanto obstetra, lamenta ter encontrado casos de gravidez resultante de abuso e violação de doentes com trissomia 21 ou doença bipolar, muitas vezes cometidos por familiares. Nelson de Brito aborda neste livro a doença bipolar e faz um apelo para que a sociedade pare de recriminar e/ou abusar das pessoas com este problema: “a esperança média de vida é encurtada, (...) e a tendência para o suicídio faz encurtar ainda mais essa esperança de vida”, destaca o médico. Ao longo da sua carreira como obstetra, Nelson de Brito passou a dar uma crescente importância a pessoas com problemas do foro psiquiátrico e, actualmente, considera que estes são tão ou mais graves que os problemas oncológicos ou outras doenças terminais: “Quem tem coragem de abandonar um doente de foro oncológico, com AVC ou outras patologias graves à sua sorte? Ora, como vimos, a doença bipolar é tão ou mais grave que as anteriores, pelo que pergunto se devemos abandonar estes doentes à sua sorte”, reitera Nelson de Brito, que garante ter passado a ouvir com mais atenção todos os seus doentes. É esta experiência e a necessidade que sentiu de mudar o seu comportamento enquanto médico que Nelson de Brito narra ao longo das 66 páginas do seu livro, o relato da vida de um casal, Diogo e Heloísa, que vivem de perto a doença bipolar e as suas consequências. n

Nortemedico 72  
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