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lembrou Joel Cleto. Foi ao final da tarde do dia 8 de julho de 1832, tendo os liberais entrado no Porto no dia seguinte, quase sem ruído. Foi para assinalar este acontecimento que a rua de onde se deu início ao passeio recebeu o seu nome: “Rua de Nove de Julho”.

Capela da Ramada Alta: o coração do Porto liberal Na freguesia de Cedofeita, o percurso fez-se pela conhecida Capela da Ramada Alta. Joel Cleto informou os participantes que a história desta capela remonta a tempos anteriores à entrada do Exército Libertador na cidade do Porto. A capela foi o local escolhido pelo historiador para contar curiosidades como o aparecimento do topónimo “Rua das Balas” (antiga designação da Rua de Nossa Senhora de Fátima), que disse dever-se ao facto de se tratar da rua que “durante o Cerco do Porto marcava a linha da defesa dos liberais, que passava por um monte que ficava ao cimo da rua e que sempre foi um ponto estratégico”. Segundo Cleto, os absolutistas conseguiram, durante o Cerco do Porto, invadir esta zona da cidade e “chegam à Ramada Alta, muito perto do coração da cidade”. “Uma vez aí, os absolutistas estiveram a um passo de destruir a resistência dos liberais”, referiu. Da Quinta de Agramonte – a quinta que se localizava no monte ao cimo da Rua das Balas – os liberais passaram pelo local onde se encontra a capela, para enfrentar os absolutistas: “Dá-se aqui uma enorme batalha, desesperante para os liberais, um combate feroz que deixou muitos vestígios das balas na rua”. No entanto, esta que podia ser uma história do Cerco do Porto não passa, efectivamente, de uma lenda. Joel Cleto esclareceu o grupo de médicos e garantiu que os absolutistas nunca conseguiram pisar a zona da Ramada Alta, embora esta história seja contada por muitas gentes do Porto. “Porquê então o nome Rua das Balas?”, questionou Joel Cleto, que acabou a informar que o topónimo tem a ver com a típica pronúncia dos portuenses que, “muito originalmente”, batizaram a rua como Rua das Balas devido à existência da tal quinta ao cimo do monte que, em tempos, se chamou Quinta das Valas. “Eu ouvia esta his-

tória do meu avô”, contou divertido o historiador. Assim, concluiu o historiador, este local tem um especial simbolismo no que toca à história do Cerco do Porto e “não deixa de ser uma capela que se situa numa zona que era considerada o coração do Porto liberal”.

D. Pedro IV – “O grande responsáveL pela vitória liberal” Ao longo da visita – que neste dia foi mais curta por ser totalmente dedicada aos 185 anos do desembarque do exército liberal – Joel Cleto contou a história do grande responsável pela vitória sobre os absolutistas: D. Pedro IV. D. Pedro IV “tinha os seus barcos ao largo de Vila do Conde” e o objectivo inicial era desembarcar as tropas nesta cidade, uma pretensão não autorizada a Bernardo Sá Nogueira, o oficial enviado a terra para negociar com as forças militares aí estacionadas. “Não sendo possível desembarcar em Vila do Conde nem no Porto, foi decidido fazê-lo ao longo da costa, e a 8 de julho de 1832, D. Pedro IV e as suas tropas (‘bravos do Mindelo’) desembarcam desde as praias de Mindelo até à “Praia dos Ladrões” (‘Praia da Memória’), entre Lavra e Perafita, começou por explicar Joel Cleto. Apesar do desembarque ter ocorrido na noite de 8 de julho de 1832, a chegada vitoriosa à cidade do Porto dá-se apenas a 9 de Julho: “os bravos desembarcaram na ‘Praia da Memória’, avançaram para Pedras Rubras, sendo que alguns dos militares se instalaram no Carvalhido, verdadeiramente chamado Praça do Exército Libertador”, lembrou Cleto.

Casa de D. Pedro e o Museu Nacional Soares dos Reis No mesmo dia em que começava a história vitoriosa do Exército Libertador, D. Pedro IV instalou-se no Palácio dos Carrancas, o edifício do actual Museu Nacional Soares dos Reis: “É lá que durante alguns dias D. Pedro e alguns dos seus oficiais ficam hospedados”, informou Joel Cleto, num local que se encontra acima do rio Douro e em frente ao Castelo de Gaia onde, segundo Joel Cleto, “os absolutistas colocam a sua principal bateria durante o Cerco do

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