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a componente da arte e da emoção na Medicina também é muito importante”, observou, reforçando a necessidade de “transferir para o doente a confiança que a doença lhe retirou”. Também a diretora do ensino pré-graduado do ICBAS, Idalina Beirão, se referiu à importância da dimensão humana da Medicina, assumindo que a profissão tem “grandes responsabilidades” e “não é uma ciência exata, mas uma ciência de probabilidades”. “É uma profissão muito nobre e temos de lutar muito para que vocês sejam médicos satisfeitos”, acrescentou.

Novos desafios

O presidente da SRNOM elogiou o trabalho que o ICBAS tem desenvolvido em termos de integração da actividade clínica nos curricula, colocando os alunos “em contacto com o doente” e dando-lhes a possibilidade de trabalharem “num quadro clínico completo”. “São vocês que, no futuro, terão a responsabilidade de tratar os nossos doentes”, reforçou António Araújo, interpelando os novos titulares da ‘bata branca’ a “aprender, estudar e questionar muito” ao longo do ciclo de formação clínica. “Os vossos professores estão a tornar o curso de Medicina cada vez mais prático. Mas cabe-vos o papel de questionar e aprender”, vincou. Numa última mensagem aos futuros colegas, o dirigente da Ordem dos Médicos desafiou-os ainda a assumir uma responsabilidade fundamental: “respeitar o código deontológico”. “O curso também vos vai ensinar a promover a relação médico-doente, a conviver com o sucesso e o insucesso, a dar más-notícias”, concluiu.

Presidente do Conselho Pedagógico do ICBAS, Corália Vicente explicou aos alunos que os objectivos da instituição não diferem muito dos das outras escolas médicas: “dar-vos a melhor formação possível e manter-vos na crista da onda, acompanhando a evolução da Medicina. Mas o ICBAS, sublinhou, tem a particularidade da “convivência com outras áreas de ensino”, uma vez que é a única escola médica do país que “tem outros cursos superiores de áreas científicas diferentes”.

Arte e Emoção na Medicina Perante mais de duas centenas de alunos, o diretor do Mestrado Integrado em Medicina assumiu que “agora é que vão perceber o que é ser médico”. Henrique Cyrne Carvalho subscreveu a “importância do estudo e da investigação” para que os estudantes sejam bons profissionais, mas salientou também outras competências: “a vossa geração é muito formatada para a ciência exata, mas

Andreia Godinho, presidente da Associação de Estudantes do ICBAS, partilhou a sua visão sobre o que representou, para si própria, os primeiros anos de curso e assumiu que “não foram em vão”. “Percebo agora que nem sempre conseguimos tirar todo o potencial das situações que vivemos”, assumiu a representante dos estudantes, dizendo que, no entanto, “são anos que abrem portas” e onde se “adquirem capacidades fundamentais para o futuro”. Recordando o facto de nem todos os médicos recém-formados poderem vir a ter acesso a uma especialidade, a dirigente desafiou os colegas a assumirem as “realidades novas” da profissão, olhando-as “não como uma ameaça, mas como um desafio”. Testemunhando precisamente a realidade com que se depara um médico recém-formado, Ana Paula Cruz – interna do Ano Comum – falou da relação humana que se estabelece com os doentes e de como é “fundamental” estabelecer “empatia” e olhar para as “pequenas coisas” que acabam por “fazer a diferença entre ser um médico que cuida das pessoas ou ser apenas mais um médico”. A líder da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), Pilar Simões, encerrou esta V Cerimónia da Bata Branca do ICBAS com uma reflexão sobre a importância da ética e da deontologia para um jovem médico. n

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