Page 35

33

O início do ano letivo 2017/2018 foi ainda aproveitado para relembrar que o curso de medicina da FMUP “obteve as mais elevadas notas de acesso ao ensino superior”, enfatizando a liderança da instituição na formação médica, explicou a dirigente. Neste arranque das atividades académicas, foi destacado que se avizinhava “um ano muito importante”. As componentes teóricas das ciências básicas apreendidas até aí pelos futuros médicos poderão, agora, complementar-se com o mundo “das humanidades, do amor e da compaixão”, conformando desse modo a plenitude da profissão, concluiu Maria Amélia Ferreira. Foi com um discurso emotivo e motivador que a Dr.ª Elizabete Loureiro, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Estudante, deu seguimento à cerimónia. Com uma plateia cheia de estudantes ansiosos por experienciarem a compo-

nente prática do curso de medicina, foi realçado o acréscimo de responsabilidade que esta transição acarreta. Durante a apresentação, foi mencionado que esta etapa irá funcionar como a aplicação da “teoria à prática”, através da transição dos laboratórios para as enfermarias e para as consultas externas. Para esse efeito, foi explicado, muito sucintamente, como deverá ser feita a conjugação das competências técnicas e interpessoais dos discentes. “É esperado, nesta nova fase, que os estudantes revelem mais responsabilidade, mas também mais autorregulação do estudo. A aprendizagem prática é muito menos planeada e mais espontânea”. Esta trajetória “é orientada para o paciente e para os familiares cuidadores e é baseada num trabalho que é produzido em equipa”, acrescentou Elizabete Loureiro, que se propôs a apresentar uma espécie de kit de sobrevivência que tornasse a fase de transição “o mais tranquila possível” para os futuros médicos. Contextualizada a sessão, chegou o momento de introduzir a explicação do simbolismo da “Cerimónia da Bata Branca”. Francisco Vieira, Presidente da Associação de Estudantes da FMUP, encarregou-se de informar os estudantes do verdadeiro simbolismo que a utilização da bata de médico encerra. Numa apresentação bem humorada, o representante da comunidade estudantil fez referência ao design da “nova” bata branca, “que promete arrasar nos corredores do hospital”, uma vez que é “mais moderna, mais branca, com um novo símbolo, com um novo corte e até, imaginem só, com botões nos punhos”, refe-

riu. Num registo mais sério, realçou que “isto de ter uma nova bata, na verdade não tem importância absolutamente nenhuma”, referindo que esta “não é um acessório ou uma peça a ter em conta no outfit”. “A bata branca é um símbolo que, desde há 200 anos, faz parte do dia-a-dia dos médicos e dos estudantes de medicina”, constituindo-se como um elemento de identificação para os doentes, explicou Francisco Vieira. Durante o seu discurso, Francisco Vieira referiu ainda que a cerimónia poderia ser comparada “ao juramento de Hipócrates, em versão light”, porque aquilo que se estabelece na sessão poderá ser visto como “um compromisso de honra entre os estudantes e a FMUP” e, sobretudo, “como uma consciencialização do peso da responsabilidade e privilégio” enquanto futuros profissionais. O presidente da AEFMUP concluiu a sua participação na cerimónia fazendo referência a um grupo de jovens estudantes de medicina que, pouco tempo depois do fatídico 11 de setembro de 2001 – de que no dia da solenidade se assinalavam os 16 anos –, se voluntariaram a trabalhar numa morgue. Francisco Vieira chamou a atenção para “o exemplo de entrega e humanidade” destes estudantes, que deverá ser seguido por todos no futuro. Já o Prof. Filipe Almeida, Diretor do Serviço de Humanização do Centro Hospitalar de São João, captou a atenção da plateia ao comparar a profissão médica a uma arte, sendo este o primeiro patamar para a moldar e praticar “uma medicina de qualidade”. “Vão ensinar-vos a conhecer cada doente na sua inteira dimensão humana – não apenas a biológica, mas também a psicológica, a sociológica e a espiritual”, advertiu. Depois de uma série de conselhos de carácter profissional, o encerramento da sessão foi pautado pelo entusiasmo que os estudantes evidenciaram ao envergarem a bata de médico pela primeira vez, preparando-se para o percurso exigente que os espera. O desfecho não poderia acontecer sem que o solene momento fosse registado numa fotografia de grupo. Um momento que ficará seguramente registado na história individual de cada estudante como uma grande conquista, um grande passo em direção a um promissor futuro. n

Nortemedico 72  
Nortemedico 72  
Advertisement