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“Do muito simples ao muito complicado, os hospitais são muito distintos e não podem ser todos organizados da mesma maneira.” Jorge Penedo

a todos os níveis da prestação de cuidados”, o palestrante enquadrou os CRI como uma possível resposta a parte dessas necessidades. Jorge Penedo, o segundo palestrante da noite, assumiu não acreditar que “todos os serviços possam passar a CRI”. Recordou ainda que a discussão acerca do tema datava de 1998 e que, desde essa altura até ao momento atual, em pouco ou nada se alterou o modelo proposto. Indo mais longe no seu levantamento de questões, enumerou algumas das problemáticas mais complexas, como a questão da organização dos hospitais. O Vice-Presidente do CRSOM afirmou que, “do muito simples ao muito complicado”, os vários hospitais são muito distintos e não podem ser todos organizados da mesma maneira. Depois de muitas perguntas terem ficado sem resposta, seguiu-se um amplo debate que envolveu o público que acorreu à Sala de Conferências da SRNOM. O ponto comum, unânime entre palestrantes, moderador, presidente do CRNOM e público, foi o reconhecimento de um problema grave na organização atual e a ideia de que o Serviço Nacional de Saúde tem de mudar. O modelo atual, descrito como algo que “tem de ser profundamente alterado”, foi alvo de duras críticas e adjetivado como “anacrónico”.

Por outro lado, e tendo em conta a presença na plateia de alguns gestores e administradores hospitalares, foi lançado o desafio de que os novos modelos fossem rapidamente testados, para se poder começar a implementar um clima de mudança. Segundo relembrou um gestor hospitalar presente na sessão, “não foi o Governo que criou as USF”, mas sim um grupo de pessoas da área da Medicina que se uniram para criar um projeto que defendiam e no qual acreditavam. Os Centros de Responsabilidade Integrados foram, assim, considerados um tema complexo, que merece ser discutido pelos governantes mas que precisa também de um grande investimento profissional por parte dos médicos. Estas são questões que, segundo António Araújo, preocupam a Ordem dos Médicos, o CRNOM e classe médica em geral, que se encontra notoriamente descontente com a atualidade do sistema de gestão e administração de muitas das unidades dos serviços de saúde, em particular os serviços hospitalares. n Decreto-Lei n.º 374/99, de 18 de Setembro «(…) a lei de gestão hospitalar em vigor manteve, como células básicas da organização dos hospitais, os serviços, posteriormente agrupáveis em departamentos, numa visão organizativa essencialmente técnica e desligada da visão global da gestão dos recursos disponíveis. (…) Os fins sociais que os cidadãos têm direito a esperar dos hospitais não se compadecem com a actual inoperacionalidade do seu sistema de organização (…) a organização interna dos estabelecimentos hospitalares em centros de responsabilidade integrados tem como objectivo atingir uma maior eficiência e melhorar a acessibilidade, mediante um maior envolvimento e responsabilização dos profissionais pela gestão dos recursos postos à sua disposição». Definição (art. 2.º) 1 – Os CRI constituem estruturas orgânicas de gestão intermédia, agrupando serviços e ou unidades funcionais homogéneos e ou afins. 2 – Os CRI podem coincidir com os departamentos, podendo excepcionalmente coincidir com os serviços quando a sua dimensão o justificar. Objectivo (art. 3.º) Os CRI têm por objectivo final melhorar a acessibilidade, a qualidade, a produtividade, a eficiência e a efectividade da prestação de cuidados de saúde, através de uma melhor gestão dos respectivos recursos.

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