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NOTÍCIAS 25

à única porta aberta que estes doentes e famílias encontram: o serviço de urgência. Muitas camas hospitalares são frequentemente a última solução encontrada para estes doentes com as repercussões económicas e sociais que tal representa. Importa igualmente salientar que a grande maioria das famílias portugueses não dispõe dos recursos humanos e técnicos nem da formação necessária para saberem lidar com a complexidade e exigência destas situações terminais. Urge, por isso, reforçar os recursos humanos, técnicos e científicos necessários, bem como, promover a formação alargada dos profissionais de saúde e das famílias envolvidas. Seria desejável que esta discussão sobre a eutanásia possa abrir as portas à necessária discussão sobre este problema com o qual, diariamente, todas as instituições de saúde lidam e para o qual não dispõe da capacidade de resposta desejável. Se existe uma vontade política em salvaguardar o direito individual do doente como pessoa “à morte medicamente assistida” em situações de doença terminal, deve obrigatoriamente existir a real preocupação com a salvaguarda da defesa universal do direito destes doentes ao alívio da sua enorme dor e sofrimento humanos. Assim, urge repensar e reforçar a organização das respostas já existentes e promover todas as políticas de saúde necessárias de modo a rapidamente tornar eficiente e humano este cuidado assistencial premente em situações de profundo sofrimento Esta situação é demasiado dramática para ser ignorada pelo poder político. O respeito integral e intemporal pelo Valor da Vida Humana exige uma consciência coletiva, responsável e informada sobre as várias dimensões envolvidas quando falamos de situações limite como as situações do final da vida. Como tal, o tratamento da dor e sofrimento são componentes integrais, absolutos e universais deste processo e que devem ser sempre salvaguardados. O nosso humanismo assim nos exige. O nosso compromisso com os direitos fundamentais da vida humana assim o determinam. n

Prof. Carlos Mota Cardoso

Académico Correspondente Estrangeiro da Real Academia Nacional de Medicina de Espanha

C

arlos Mota Cardoso, médico psiquiatra, docente e investigador na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, vogal do CRNOM e também membro da Comissão Regional para as Actividades Culturais e de Lazer da SRNOM, foi nomeado pela Real Academia REAL ACADEMIA Nacional de Medicina de Espanha como NACIONAL DE MEDICINA Académico Correspondente Estrangeiro. DE ESPANHA Para a SRNOM e para o Professor, esta nomeação é uma honra. A Real Academia Nacional de Medicina de Espanha surge no século XVIII e pretende fomentar o progresso da Medicina em Espanha, publicar a sua história, formar a geografia médica do país, assim como criar um dicionário tecnológico da medicina. Atualmente, a associação organiza sessões públicas para exposição de temas de interesse científico, bem como sessões de tomada de posse, de inauguração e encerramento de cursos, sessões extraordinárias, etc. Entre outras publicações, edita trimestralmente a revista “Anales de la RANM”, que inclui todo o trabalho científico da Academia e outras notícias da sua actividade. Para saber mais sobre a RANM aceda a www.ranm.es.

Nortemedico 72  
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