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10 Destaque: «O Norte da Saúde»

Como grande conhecedor da realidade médica da região, o palestrante começou por destacar a população “dispersa” e “idosa” que era necessário atender e as “muitas carências” a nível hospitalar. Fernando Próspero Luís realçou ainda “a grande aposta do CHTMAD na formação”, salientado que a grande dificuldade que se seguia a essa conquista era a de conseguir contratar os jovens médicos que lá se formavam. Criticando o facto de Portugal viver “muito inclinado”, um país que “não olha para a realidade do interior”, Fernando Próspero Luís enumerou as consequências que este panorama acarreta para o trabalho médico desenvolvido. O “burnout” e a desmotivação profissional foram os principais problemas identificados e, quando aliados a um sistema em que os médicos mais velhos têm de sair ao mesmo tempo que as camadas jovens não permanecem, podem contribuir para tornar a região num lugar menos desejável para se estar, profissional e pessoalmente. O Presidente do CRNOM retomou a palavra para realçar os tempos difíceis que caraterizam a atualidade. Depois de ter mencionado a empregabilidade médica como um dos problemas que se relacionam diretamente com as questões levantadas durante o encontro, António Araújo afirmou que “os políticos perdem-se muito na política de Lisboa e dos grandes centros”.

Hospitais com algumas carências enfrentam muitas dificuldades para conseguir contratar”. Fernando Próspero Luís

“Está na ordem de trabalhos a realidade de muitos dos nossos colegas não terem acesso a vagas para formação específica; este debate é fundamental para podermos criar eventuais soluções”. António Araújo

má distribuição dos médicos Margarida Faria, Presidente da Sub-Região de Vila Real da OM, atribuiu as responsabilidades da má distribuição dos médicos aos sucessivos governos e rematou dizendo que “alguma coisa tem que ser feita urgentemente”. O mais grave da situação, segundo a dirigente, é o facto de não se compreender o sentido das políticas de saúde e de, a pouco e pouco, “se estar a tornar cada vez menos atrativo trabalhar no Serviço Nacional de Saúde”.

Pedro Sampaio, como médico mais jovem que conseguiu ficar a trabalhar em Vila Real, realçou, num registo bem-humorado, que o seu colega mais novo tinha “perto de 60 anos” e que as equipas médicas não eram devidamente repostas quando alguém se reforma. No debate que se seguiu foi total a unanimidade no reconhecimento do grave problema da distribuição médica nacional. O Presidente do CRNOM concor-

dou nesta preocupação e assegurou que a OM tudo fará “para garantir a qualidade da formação pós-graduada”. Fernando Próspero Luís recuperou a palavra para encerrar o debate, dizendo que “a indiferença é mortal” e que está na hora de agir. Bragança, Viana do Castelo e Porto serão as próximas sub-regiões onde proximamente o CRNOM levará a discussão o futuro dos jovens médicos. n

Nortemedico 72  
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