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5-AGOSTO 2012


í Ano 7 - Número 73 - Novembro/2012

ENTREVISTA

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Desafios e problemas para novo corregedor - Ministro Francisco Falcão assume a CNJ, indicado por Eliana Calmon

POLÍTICA

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Nas mãos de novos gestores... - Dos nove prefeitos eleitos nas capitais nordestinas, seis nunca gerenciaram uma cidade

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Montando o tabuleiro - Os principais partidos políticos brasileiros começam a desenhar os próximos passos eleitorais

36

Vitória federal - Nova distribuição dos Royalties de petróleo é aprovada pelo Congresso mas pode ser barrada no STF

39

Pequenos partidos, grandes negócios - Legendas de pouca expressão buscam caminhos para crescer

Diretor Presidente

Walter Santos

Diretora Administrativa/Financeira

Ana Carla Uchôa Santos

Diretor Comercial

Pablo Forlan Santos Diretor de Marketing

Vinícius Paiva C. Santos Logística

Yvana Lemos COMERCIAL Gerente Comercial

Daniela Seravalli

Atendimento Comercial

Jone Falcão REDAÇÃO Editora

Rivânia Queiroz

ECONOMIA 44

O mar virou sertão - Queda no nível do reservatório de Sobradinho expõe limitações do sistema elétrico na Região

Editor Adjunto

João Thiago

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Colaboradora

Jéssica Figueiredo (PB) Editoria de Arte Ceiça Rocha (editoração eletrônica) Kleber Costa da Fonseca (tratamento de imagem, diagramação e charges) Vinícius Santos e Eudes Lopes (capa)

NEGÓCIOS 62

Projeto Visual: Néctar Comunicação

Kelly Magna Pimenta

De olho no mercado financeiro - Grupo Caoa pensa estratégias para abertura de capital

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As cidades se reinventam - Evento traz ao Recife a discussão de soluções para as cidades do futuro

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Para todos os gostos - Grupo JCPM inaugura Shopping RioMar que torna-se referência de sustentabilidade entre centros de compras

78

Economia em ascensão - Mercado de shopping centers cresce e até 2014 oito novos empreendimentos serão erguidos no NE

Contas a Receber

Milton Carvalho Contabilidade

Emília Medeiros (contadora) ASSINATURAS (83) 3041-3777 Segunda a sexta, das 8 às 18 horas www.revistanordeste.com.br/assinatura CARTAS PARA REDAÇÃO faleconosco@revistanordeste.com.br PARA ANUNCIAR Ligue: (83) 3041-3777 comercial@revistanordeste.com.br

CULTURA

Multiplicando pães e oportunidades - Microempresários começam a enxergar filão nas compras governamentais

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ATENDIMENTO/ FINANCEIRO Supervisora e Contas a Pagar

Cinturão de desenvolvimento - Divisa entre Paraíba e Pernambuco se torna região atrativa para empresariado

89 Um passo de cultura - Projeto de lei propõe incentivo ao consumo de cultura por trabalhadores brasileiros

94 Capital do circo - João Pessoa sedia Festival Internacional que

ESCRITÓRIOS COMERCIAIS ÔMEGA MÍDIA

privilegia arte circense

São Paulo / SP (+55 11 3670-4072) Rua Ministro Godói, 478 10º andar - 05015-000

Brasília / DF (+55 61 3223-3003) SHS QD. 6 Cj. A Bloco E Sl. 1713 - 70316-000

COLUNAS

Rio de Janeiro / RJ (+55 21 2225-0206) Largo do Machado, 54 Cj. 1204 - 22221-020

Belo Horizonte / MG (+55 31 2535-2711) Av. do Contorno, 6283 Sl. 1605 - 30110-110

Salvador / BA (+55 71 3017-6969) Av. Tancredo Neves, 1189 Sl. 1413/1414 - 41820-021

Recife / PE (+55 81 3465-4479) Av. Visc. de Jequitinhonha, 279 Sl. 1405 - 51021-190

* Representantes exclusivos das praças (SP, DF, RJ, MG, BA, PE e CE).

SEDE Pça. Dom Ulrico, 16 - Anexo - Centro João Pessoa - PB Cep 58010-740 / Tel/Fax: (83) 3041-3777

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Impressão: Gráfica Sul e Editora

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Cartas e E-mails

16 Antonio Delfim Netto 20 Plugado (Walter Santos) 22 Carlos Roberto de Oliveira 34 Ipojuca Pontes 42 José Dirceu 60 arquiteturas (Rossana Honorato)

Av. Cel. Estevão, 1107 Alecrim - Natal - RN Fone: (84) 3211-2360

82 Momento Fashion (Fabíola Beltrão)

Distribuição: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

84 Digestivo (Rivânia Queiroz)

A Revista NORDESTE é editada pela Scientec - Associação para o Desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia

90 Vinhos (Afra Soares)

www.revistanordeste.com.br

92 Agito Nordeste


CAPAPA 54

Gargalos emperram crescimento - Estudo da CNI levanta maiores entraves para a logística nordestina

CULTURA

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Nova referência da MPB - Cantor e compositor Zé Manoel desperta o interesse de produtores internacionais e se prepara para a primeira turnê europeia

Rodovias em mau estado de conservação, carência de ferrovias, transporte oneroso, portos obsoletos. O cenário mostra a dificuldade da região Nordeste para consolidar o seu potencial econômico no país e a necessidade urgente de investimento em infraestrutura para resolver os gargalos logísticos e fazer a região avançar. Com uma produção diversificada e rica, que vai de matéria prima a artefatos tecnológicos complexos, de frutas a medicamentos, de veículos a pedras preciosas, a região é responsável por um considerável volume de negócios. Por ano, é produzida uma média de 278,4 milhões de toneladas de mercadorias, o que representa quase R$ 30 bilhões anualmente. Mas o volume está ameaçado e pode emperrar nas nossas estradas, portos, aeroportos ou ferrovias. Isso porque é preciso R$ 25,8 bilhões de investimentos em infraestrutura nos próximos oito anos para garantir o escoamento da produção do Nordeste. É o que levantou um estudo conduzido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em outubro deste ano. O montante é necessário para tocar 83 projetos de ampliação e modernização de rodovias, ferrovias, hidrovias e portos em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, estados considerados pela CNI como prioritários dentro do universo de 196 projetos logísticos que esperam ser executados. Juntos eles somariam R$ 71 bilhões. A CNI lembra que o Nordeste é responsável por 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e afirma que a região precisa de “obras urgentes” para aumentar a sua eficiência no transporte de cargas. Sem a conclusão dessas obras - apenas um quarto dos 83 projetos estão em andamento – a região vai limitando a sua produção e emperrando o seu crescimento. É preciso que o setor público tome consciência de que sem investimentos não há desenvolvimento e que a falta deles reflete diretamente no ritmo dos negócios e retração da demanda. Boa leitura!

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Gargalos emperram crescimento


Cartas e E-mails “Fiquei muito surpreso ao apreciar a Revista NORDESTE. De fato, a melhor vitrine jornalística no segmento em minha opinião na região. Parabéns a todos os que a fazem!”

A Revista NORDESTE, do nobre amigo Walter Santos, é uma verdadeira integração da Região Nordeste com o País como um todo”. Bosco de Melo, Professor, João Pessoa, PB

Meu amigo Walter Santos, Parabéns! Você é o orgulho da Paraíba! É dotado da sabedoria de um sacerdote egípcio! A revista está maravilhosa!

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Alex Albuquerque, Consultor político, João Pessoa, PB

Mas, o empreendedorismo está realmente na veia do nordestino. Essa assertiva pude comprovar logo que tive em mãos a Revista NORDESTE, editada pela capacidade e perseverança desse homem chamado Walter Santos, um cidadão que desconhece a palavra medo, e, abraça diuturnamente o vocábulo desafio. Aliás, prestando bem atenção, o que era tempos atrás um sonho, que tornou-se realidade diante dos caminhos dos desafios, hoje tornou-se uma verdade contínua, forte, de conteúdo profundo, de opiniões variadas e destemidas. A Revista Nordeste é indiscutivelmente uma realidade que muito nos deixa orgulhoso. Nascida na Paraíba, ela paulatinamente ganhou terreno, espalhou-se pelo próprio Nordeste, depois foi se expandindo e hoje é uma Revista de penetração nacional, quizá internacional, já que a encontramos eletronicamente no mundo virtual, o que nos possibilita acesso on-line de onde estivermos. Editada com material de alta qualidade, o que viabiliza uma apresentação charmosa e respeitável, se consagra ainda mais quando o leitor mergulha em seus textos, sempre dotados de visões esclarecedoras sobre questões que envolvem politica, economia, cultura, esporte, lazer, agricultura, saúde, família, indústria,

Marcone Barbosa, compositor, João Pessoa, PB

agropecuária, ciência, negócios, enfim promove uma abordagem variadíssima em termos de temas, o que permite ao leitor numa só revista passear, conhecer e se manter atualizado acerca do um vasto mundo em que vivemos. Parabéns aos que firmemente conseguem fazê-la forte e credenciada, principalmente por se lançar num mercado tão perverso e mesmo assim consegue concorrer de forma gloriosa com Revistas outras do eixo Rio/São Paulo, por isso, a Revista Nordeste é orgulho para nós paraibanos. Onaldo Queiroga, Jurista, João Pessoa, PB

Nota da Redação: Sugestões de pauta ou matérias podem ser enviadas para o endereço eletrônico da editora: rivaniaqueiroz@ revistanordeste.com.br. Agradecemos a sua participação.

NORDESTE On-line Facebook: Revista Nordeste Twitter: @RevistaNordeste E-mail: faleconosco@revistanordeste.com.br Site: www.revistanordeste.com.br

REVISTA NORDESTE • Ano 7 • N.º 72 Enfim, o Nordeste tem uma revista do tamanho e melhor do que muitas nacionais”. Roberto Pereira, Diretor-executivo da CTI Nordeste


Fundos de Investimento não contam com garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou do Fundo Garantidor de Crédito – FGC. Rentabilidade passada não representa a garantia de rentabilidade futura. Leia o prospecto e o regulamento antes de investir. A metodologia utilizada e os prêmios recebidos pela CAIXA entre os anos de 2004 e 2012 podem ser obtidos no Guia Exame de Investimentos Pessoais do ano relativo à premiação.

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O BANCO DAS MELHORES TAXAS TAMBÉM É O BANCO DOS MELHORES FUNDOS DE INVESTIMENTO.


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Entrevista

Desafios e problemas p Ministro Francisco Falcão assume a presidencia da CNJ falando em disposição de construir soluções

N

omeado corregedor Nacional de Justiça, o ministro Francisco Falcão herda a presidência da entidade de Eliana Calmon, uma das mais atuantes ministras no papel de corregedora no Brasil e protagonista de diversas polêmicas. Foi Calmon que enviou carta para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal indicando o nome de Falcão, afirmando que ele seria o nome ideal para dar continuidade ao trabalho que começou. Entre as brigas que Eliana Calmon comprou e que Falcão dará continuidade está a da presença obrigatória dos magistrados em suas comarcas durante toda a semana, quebrando as pernas dos juízes TQQ (que trabalham apenas terça, quarta e quinta) e abrindo caminho para que a justiça brasileira seja exercida de forma plena no Brasil.

Francisco Falcão


para novo corregedor Fotos: Wilson Dias/Abr

Falcão será o quinto corregedor Nacional de Justiça desde a criação do CNJ, em 2004. Ele acredita que seu trabalho deve ser como um “braço executivo” dentro do órgão. Entre seus objetivos, otimizar o trabalho e acelerar os processos são os mais destacados, e para ele, para alcançar esta efetiva celeridade é necessária uma modernização e um aprimoramento da gestão no Judiciário. De passagem pela Paraíba para falar sobre o programa que vai colocar os juízes no ‘cabresto’, o pernambucano sublinhou que perfil assumirá em sua gestão e falou sobre alguns dos escândalos envolvendo juízes nos últimos meses. Revista Nordeste - Senhor ministro, não será uma missão simples colocar a casa em ordem, não é? O judiciário está sofrendo em decorrência de sua baixa credibilidade. Como isso será enfrentado? Ministro Francisco Falcão – Será uma missão espinhosa, mas edificante. Vamos ter que tomar medidas profiláticas e corretivas para restaurar a credibilidade do poder judiciário. Vamos atuar com mão de ferro, conduzindo as questões nacionais e dando autonomia para que as corregedorias locais atuem com liberdade. No entanto, estaremos em cima, cobrando o trabalho deles e intervindo apenas quando juízes acusados de irregularidades não forem devidamente julgados. Nossa corregedoria jamais se eximirá da responsabilidade que tem como representante da população. Mas não imporemos nada. Vamos buscar o diálogo e trabalhar em parceria com os tribunais de justiça. Nordeste - O senhor diria que seu trabalho com a corregedora anterior, a ministra Eliana Calmon, ajudará em sua gestão? Sua gestão será de conti-

Será uma missão espinhosa, mas edificante.

nuidade do trabalho dela? Falcão – Eu aplicarei meu estilo próprio à minha gestão, mas tenho muita coisa em comum com Eliana. Tenho, também, com o ministro Cezar Peluso, que foi presidente do Supremo Tribunal Federal, especialmente no que diz respeito à competência das corregedorias locais em investigar juízes denunciados por irregularidades. Eu tenho o foco nas ações preventivas. Mas o que Eliana Calmon fez antes de mim certamente servirá de base para nosso trabalho ao longo da gestão. Pegamos um terreno aplainado por quem teve coragem moral o bastante para agir.

Nordeste - O projeto que está sendo efetivado aqui na Paraíba sobre a presença dos juízes nas comarcas é uma destas ações preventivas? Falcão – Sem dúvida. A presença do juiz na comarca é a certeza de que a justiça vai atender ao cidadão que precisa dela. Precisamos melhorar a imagem do judiciário, e para isso precisamos do juiz, o Ministério Público, a Defensoria Pública presentes na comarca para que possamos cumprir com o que está estabelecido na Lei Orgânica da Magistratura. A maioria dos juízes no Brasil cumpre com seu papel republicano. Nós temos uma meia dúzia de faltosos 


que não cumprem seu dever, às vezes até com desvios de conduta. Estamos iniciando o processo na Paraíba porque aqui os juízes já têm uma consciência da necessidade de morar na comarca. Nordeste - Por que escolher a Paraíba? Não há outros estados que poderiam ser beneficiados com este projeto antes da Paraíba? Falcão - A Paraíba foi escolhida por que temos, aqui, o apoio incondicional da Corregedoria Local, do Ministério Público, do Tribunal de Justiça, da Ordem dos Advogados do Brasil. Estamos estabelecendo uma parceria muito forte com estas instituições. A OAB conduziu à corregedoria local pelo menos dez reclamações sobre juízes que estavam ausentes de suas comarcas. No entanto, não são as deficiências da Paraíba que nos atraíram para conduzirmos o projeto aqui, e sim suas qualidades. Os magistrados do estado são alguns dos mais comprometidos com a justiça no Brasil, cumprindo regularmente com suas obrigações republicanas.

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Nordeste - E os motivos para que isso aconteça foram identificados? Falcão – Muitos juízes ocupam mais de um cargo nos Tribunais, cuidando de mais uma comarca, por vezes até sendo juízes substitutos na capital. Isso ocorre porque faltam juízes. Trinta novos magistrados foram aprovados em julho e até o final do ano vão poder desafogar este problema no estado. Esta não é uma realidade exclusiva da Paraíba. Já identificamos este problema em outros estados, como o Piauí e outros lugares também. Se por um lado temos que fazer com que a justiça se faça presente nas comarcas, por outro precisamos dar aos magistrados as condições para fazer isso acontecer. Nordeste - Mas como vai ser resolvido este problema? Com juízes sobrecarregados, como fazer a lei ser cumprida? Falcão – Vamos fazer concursos, identificar os pontos mais críticos, mudar a mentalidade dos juízes. Faremos o que estiver ao nosso alcance para mudar

É um escândalo o que aconteceu em Monte Santo.

esta realidade. Para acelerar os processos estamos contando com a presença de vários agentes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, especialistas em serões. A troca de experiências é muito importante, especialmente porque o presidente do TJ do Rio de Janeiro já manifestou sua vontade de levar o projeto para lá também. Estamos estudando como fazer isso. Nordeste - Houve algum estudo preliminar para aplicar este programa? Falcão – A OAB da Paraíba encaminhou os ofícios apresentando os locais onde a ausência dos juízes era mais sentida. Um projeto deste tamanho não passaria sem uma pesquisa preliminar. Por isso contamos com todos estes parceiros. Estamos sendo muito felizes em começar com a Paraíba. Existem problemas pontuais que precisam ser resolvidos. Temos que separar o joio do trigo. Temos como afirmar que a maioria dos juízes é composta por homens honrados, mas infelizmente tem muitos exemplos que representam o contrário. Nós sabemos que temos problemas com funcionários. Temos

concursos que foram barrados por muito tempo, o que complica o trabalho de juízes nas comarcas. Há cartórios que contam apenas com dois funcionários. Se um deles adoece, todo o trabalho fica atrasado. Nordeste - Mudando de assunto, como o senhor pensa em lidar com a situação dos bebês adotados de forma irregular na Bahia? Como este processo correrá? Falcão - É um escândalo o que aconteceu em Monte Santo. Estas irregularidades até poderiam ser investigadas pela corregedoria local, mas há suspeita de envolvimento de juízes de segunda instância neste processo. Apesar de nossa política de autonomia, este é um caso excepcional que terá de ser tratado com todo o cuidado pela Corregedoria Nacional. (O juiz de Monte Santo, Vitor Manoel Xavier Bezerra, destituiu o poder dos pais sobre as crianças para da-las em adoção a quatro famílias do interior de São Paulo sem que qualquer pessoa da família das crianças estivesse presente à sessão, que foi executada em menos de 24 horas).


Nordeste - Quais as ações do CNJ para agilizar a tramitação processual e celerizar o processo jurídico? Falcão – A parceria estabelecida com a magistratura carioca tem sido bastante interessante neste sentido. O Tribunal do Rio de Janeiro tem sido exemplar no exercício de mutirões. A equipe que está aqui na Paraíba está trocando informações sobre isso. Eles vêm para cá para ensinar aos paraibanos a como acelerar os julgamentos de processos. Quanto ao mais, é questão de metas. O Supremo acaba de divulgar o relatório de 2011, do qual eu participei, e agora vamos fixar metas para os anos seguintes. Vamos lutar para que estas metas sejam alcançadas. Nordeste - Qual o objetivo maior do CNJ neste momento? Falcão – Aquele que sempre foi o objetivo que norteou nosso trabalho. Estamos unidos para que o cidadão tenha um bom serviço. Tenha um atendimento digno e justo e que a justiça possa chegar até ele. Temos buscado agir com celeridade nos processos, acelerando o máximo que

É responsabilidade da sociedade cobrar e fiscalizar o trabalho do Judiciário.

podemos nossos trabalhos. Isso só é possível com modernização e aprimoramento de gestão do Judiciário, além de transparência. Tudo isso fará com que a população recupere a confiança no judiciário local. Não vamos negar que, em alguns casos, muitos juízes não ajudam no cumprimento desta meta, mas queremos dar um passo importante neste sentido. Queremos mostrar que a sociedade está avançando por meio de suas instituições, e que não vale a pena conviver com a irresponsabilidade. Nós queremos construir um Judiciário do qual nos orgulhemos. Este é o maior objetivo do CNJ neste momento. Nordeste - Existe uma falta de identificação do juiz com o público, hoje? Falcão – Sim, existe, infelizmente. O juiz deixou de ser uma referência nas comarcas. As pessoas sabiam quem eram os juízes, assim como sabiam quem era o prefeito, o medico, o advogado, o promotor da cidade. Porém, esta identificação acabou pois muitos juízes frequentam suas comarcas

apenas de terça a quinta. Os famosos TQQ. São como turistas, sem ter ideia de qual é a identidade daquela comunidade. Isso tem que acabar. E não basta o juiz residir na comarca, ele tem que ter uma atuação ali. Nordeste - Os estados do Nordeste têm apresentado bons resultados no que diz respeito à solução de situações jurisdicionais? Falcão – Estão. A Paraíba apresenta resultados consideravelmente bons, diga-se de passagem. É o estado nordestino que fica em primeiro lugar no número de sentenças proferidas em relação ao número de processos, e o terceiro em acórdãos. Isso levando em conta a situação difícil em que o Judiciário no estado se encontra. Mas esta não é uma situação exclusiva do estado. No resto do Brasil não é diferente, com juízes atuando em três comarcas diferentes. Cada estado tem suas particularidades, e o CNJ entende cada uma delas. É nosso papel lutar para um judiciário competente, mas também com boas condições de trabalho.

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Nordeste - Qual o papel da sociedade, organizada ou não, dentro dos processos judiciais? Falcão – É responsabilidade da sociedade cobrar e fiscalizar o trabalho do Judiciario. Envolvemos a imprensa no processo justamente para podermos contar com a ajuda desta para a fiscalização. No caso dos juízes que não vão às suas comarcas, é importante saber em que lugar isso vem acontecendo, e ficamos sabendo disso por meio da sociedade. A OAB é representante organizada da sociedade, e nos trouxe dez ofícios apresentando casos de ausências de juízes em dez comarcas na Paraíba. Para nós a participação da população é importante porque é para esta população que estamos prestando serviços. O juiz é um funcionário público como outro qualquer e tem que saber que seu dia de trabalho deve ser como o de um funcionário público comum.


Opinião

A lei dos portos

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E

m ambiente concorrencial de excelência e competitividade, o mercado de transporte marítimo e seu irmão siamês, o portuário, tornaram-se crescentemente solicitados. Do sistema de transportes, altamente intensivo em capital, é exigido o emprego de navios cada vez maiores, transitando por rotas comerciais capazes de garantir taxas de ocupação remunerativas. Do sistema portuário são exigidos investimentos capazes de habilitar os portos à operação eficiente e competitiva de modernas frotas de navios. O forte aumento da atividade portuária brasileira, na última década, reflete em certa medida uma consolidação do modelo de gestão proposto pela Lei 8.630/93, que preconiza distintas competências para os setores público e privado, respectivamente, na construção, manutenção e operação da infraestrutura portuária do país. No modelo, iniciativa privada e poder público devem atuar complementarmente. Aquela, responsável pela operação portuária propriamente dita, em regime concorrencial. Este, cuidando do planejamento estratégico e regulação, de modo a prover ambiente adequado à livre iniciativa, à simetria de concorrência e, consequentemente, ao resguardo do interesse público. O t ex t o c o n t e m p l a d o n a L e i 8.630/93,foi baseado no modelo “Land Lord Port” que muito antes já regulava a gestão do Porto de Rotterdam e, de resto, a de outros portos de excelência no mundo. Enquanto nestes a estrutura de gestão portuária já estava voltada para as necessidades logísticas, que a globalização iria impor aos mercados a partir dos anos 80 do século passado, só em 1993, com a promulgação da Lei, o Brasil iniciou a caminhada para suprir uma logística portuária eficiente e competitiva nos portos da costa nacional – com o

arrendamento de áreas portuárias à iniciativa privada e os investimentos modernizadores que daí fluiriam. Entretanto, a falta de planejamento público consistente, de gestão eficiente e uma notória carência de segurança jurídica inibem a continuidade ou a aceleração de investimentos privados – contribuindo para acentuar as diferenças qualitativas entre portos brasileiros e seus congêneres em países mais desenvolvidos. O modelo Land Lord Port, vigente nos principais portos do mundo, tem como característica principal que o Estado forneça a infraestrutura, ficando a iniciativa privada responsável pela superestrutura e pela operação portuária. No Brasil o modelo foi corrompido, diante de uma injustificada – mas notória – incapacidade do Estado para investimentos indispensáveis em infraestrutura. Como consequência, para capitanear uma operação minimamente eficiente, a iniciativa privada viu-se obrigada a investir também em infraestrutura. Em todo sistema econômico organizado, os portos são instrumentos de política pública. Ao Estado cabe praticamente tudo – planejamento estratégico, zoneamento, localização e finalidade, metas, segurança, regulação etc. – exceto a operação dos terminais, transferida à iniciativa privada. A preocupação não deve ser revogar ou modificar a Lei 8.630/93, para desfigurar o desenho original nela proposto, que é adotado com sucesso nos portos internacionais de primeira linha. O debate atual sobre a ineficiência dos portos está muito mal informado. Não se trata de “inventar” um novo modelo ou, mais trágico, “repetir” o velho. É mais razoável e mais eficiente atacar os problemas que até agora se opõem à apropriada implementação da Lei.

Antonio Delfim Netto Professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento

A falta de planejamento público consistente, de gestão eficiente e uma notória carência de segurança jurídica inibem a continuidade ou a aceleração de investimentos privados


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Walter Santos ws@revistanordeste.com.br

A crise na obra da Transposição e seus efeitos A presidente Dilma Rousseff tem sido advertida, mas talvez não esteja dimensionando o desgaste de seu Governo no trato e encaminhamento da mais importante obra hídrica do Nordeste, a famosa Transposição do Rio São Francisco, cujo desempenho e atraso já repercute mal em diversos estados. Tratada pelo ex-presidente Lula como obra do século, a sequência lenta e mal resolvida, pelo que se diz nos bastidores da política partidária, tem afetado a relação da chefe do Executivo federal porque, mesmo com todos os argumentos possíveis, até agora não se apresentou concretamente um cronograma eficiente. O Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, anda irritado com as

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Paulo Freire ainda “vive” O saldo revolucionário do método Paulo Freire voltará à agenda principal da educação em 2013, a partir do Rio Grande do Norte. O estado decidiu investir na área, atraindo os ensinamentos e efeitos adotados em Angicos (RN), no início dos anos 60. A secretária estadual e professora Betânia Ramalho anunciou as ações do próximo ano. Nela, a obrigação da agenda, levando em conta a obra do famoso educador. O método Paulo Freire consiste na proposta para a alfabetização de adultos. Ele foi desenvolvido quando Freire dirigia o Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, em 1962. À época, ele formou um grupo para testar o método na cidade de Angicos. O resultado foi a alfabetização de trezentos cortadores de cana em apenas 45 dias. Isso porque o processo se deu em apenas 40 horas de aula e sem cartilha.

empreiteiras e já reproduz a necessidade de mais tempo visando retomar fortemente a obra. Entretanto, precisa reagir, pois pode também sobrar para ele no debate político de 2013 em diante. Talvez seja em face de questões como

esta que Dilma cresce de popularidade no Sudeste e Sul mas perde substancia no Nordeste porque, no ano de retomada forte da estiagem, a paralisação da Transposição é algo injustificável no imaginário do nordestino.

Saúde debilitada O governador do Sergipe, Marcelo Déda, convive há meses com a fragilidade de sua saúde. Ele identificou um câncer no fígado, que vem gerando intervenções em São Paulo, onde tem estado para conter os efeitos da doença. Marcelo Déda é um dos melhores quadros do PT do Nordeste, mas o problema o tirou da possibilidade de voos mais altos. Ele foi responsável pela nomeação do ministro Carlos Ayres de Brito para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Belchior: hora de solução As agruras particulares do cantor e compositor Belchior bem que poderiam despertar o interesse de organismos públicos e até privados, sobretudo ligados à Cultura, para construir meios dele resolver pendências financeiras. A obra e importância do artista têm justificativas de sobra, visando definir projetos nos quais seu trabalho intelectual elevado sirva de justificativa para a solução da crise contemporânea. E o Governo Cid, do Ceará, vai ficar assim sem uma atitude?


Goiana: brasileira em ascensão

Mudanças de rumo Sem que o grande público tenha percebido, das ultimas semanas de setembro em diante as políticas do Governo Rozalba, no Rio Grande do Norte, passaram a ter a costura do executivo Carlos Augusto no comando da Secretaria da Casa Civil, com foco na articulação política, cobrança de resultados nas várias Pastas e redimensionamento das ações via Midia. Expert em bastidores da política, Carlos Augusto está convencido de que, depois de muitas adversidades para conter o crescimento do desembolso com Pessoal e outros compromissos exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, chegou a hora de mostrar à sociedade potiguar que o rumo do Governo atende às expectativas, mas precisa ser mostrado para dentro e, sobretudo, fora do estado.

A Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, tomou uma decisão, nas últimas semanas, que pouco foi percebida no conjunto dos formadores de opinião, em Brasília, mas de relevo conjuntural no segundo escalão do Governo Federal. Nomeou a advogada Francisca Carvalho, que assumiu a chefia de Gabinete do Ministério. Goiana de nascimento, Chica Carvalho, como é conhecida, presta um reforço subestimável porque é, dentro da administração, quem melhor demanda conhecimento sobre as diferenças regionais do pais. Deve repercutir nos próximos meses na gestão do Ministério.

Foi Wellington Dias Independentemente de sanção da Presidência da República sobre a aprovação da nova partilha dos Royalties, se faz prudente identificar que, na fase decisiva de retomada do projeto do Pré-Sal, no Senado, foi o senador do Piauí, Wellinton Dias, quem produziu a proposta diferenciada, seguida de aprovação em plenário. Claro que o senador Vital do Rêgo Filho foi o relator da matéria aprovada, da mesma forma que o deputado federal Marcelo Castro foi na Câmara Federal. Entretanto, o ex-governador piauiense foi determinante.

Capital europeu Os estados do Nordeste brasileiro estão cada vez mais no alvo dos investidores europeus, a partir de Portugal e Espanha – países que vivem histórica crise financeira, há anos nunca vista. Em face do desempenho econômico nordestino

são muitos os grupos interessados em aportar recursos e gerar dividendos no campo do turismo e da infraestrutura. Nas principais capitais, já percebe-se com frequência negociações com empresários portugueses querendo se instalar.

Os prefeitos eleitos de João Pessoa (Luciano Cartaxo) e Recife (Geraldo Júlio) decidiram conhecer de perto o formato e processo das políticas públicas adotadas em Cuba, originárias do programa “Médico da Família”, e transformadas pelo Brasil, posteriormente, em PSFs, embora com valores distintos da experiência cubana. Os dois futuros gestores aceitaram a proposta do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para atestar “in loco” o programa de Cuba, consi-

derado um dos mais consistentes do mundo em face dos resultados que trazem à sociedade. Ele conta com a

ação preventiva a reduzir custos médicos e hospitalares, gerando melhor acompanhamento.

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Cuba atrai novos lideres


Opinião

Será que dá para acreditar em Papai Noel?

22-NOVEMBBRO 2012

D

epois do fiasco eleitoral, com o PT conquistando com um “poste” a Prefeitura de São Paulo, a armação midiática do mensalão – que alguns preferem chamar de linchamento – continua, inclusive elevando José Dirceu à condição de “maior criminoso da história do Brasil”, cujo delito pôs em risco a democracia no país. Ao mesmo tempo, a mesma grande imprensa, que hoje assume o papel da oposição, silenciada esta pela existência dos mensalões mineiro e brasiliense (estranhamente ainda não julgados), tenta dar a Marcos Valério uma auréola de credibilidade para que, mesmo na condição de condenado a 40 anos de prisão e, ainda, à espera do julgamento do mensalão tucano, em Minas Gerais, possa fazer de acusações sem provas a Lula um passaporte para a redução de sua estadia na prisão. É possível que o tema mensalão já esteja enchendo o saco de milhões de brasileiros que, nem de longe, lhe atribuem a importância de uma feira farta na dispensa de suas casas. É mister, porém, que se enfatize o que de inusitado, para dizer o mínimo, ocorre na mídia e no STF em relação a esse episódio jurídico. Na imprensa, o que se viu foi uma inédita e afrontosa blitzkrieg que, para muitos observadores, extrapolou o bom senso ao defender, sem pejo e sem ética, que o mensalão petista fosse julgado durante a campanha eleitoral. Ficou claro que, por trás desse “grito de moralidade”, dormitava o desejo de impedir que Lula e o seu PT conquistassem a prefeitura paulistana. E mais, a grande imprensa não defendia, pura e simplesmente, o julgamento dos envolvidos no mensalão; exigia que fossem eles condenados de maneira exemplar. No STF, um desfile de supremas vaidades, ministros batendo cabeça a todo instante e abraçando, por decisão da maioria, a teoria do domínio funcional dos fatos em detrimento da exigência de provas para a condenação dos réus. No caso específico

de Dirceu, sua condenação – 10 anos e 10 meses de prisão, mais uma multa de R$675 mil – foi baseada em deduções e indícios entendidos como provas. E, como ensina o dicionário, indícios são, etimologicamente, indicações de possibilidades. Não são verdades, nem certezas. Para não limitar a análise à condenação de José Dirceu, tome-se, por exemplo,o que aconteceu com Simone Vasconcelos, funcionária da agência de Marcos Valério, cuja tarefa era levar pacotes com dinheiro a figuras também constantes do processo. Não se obteve prova de que Simone soubesse o motivo real das entregas. Mesmo assim, passou de entregadora de encomendas a membro de quadrilha. Foi condenada a 12 anos, 7 meses e 20 dias de prisão. O festival de penas, aplicadas com a sanha punitiva e medieval dos que condenaram Torquemada – na visão do ministro Dias Toffoli – provocou até na grande imprensa momentos de reflexão e de estranheza. Em editorial, a Folha de São Paulo escreveu: “As punições hão de ser drásticas, e seu efeito, exemplar, mas sem a predisposição vingadora que parece governar certas decisões (e equívocos) do ministro Joaquim Barbosa”. Por menos não fez o jornal O Globo, cujo colunista Merval Ferreira, ao acompanhar as sessões do STF, observou a falta de critérios para a fixação das penas e o despreparo do ministro Joaquim Barbosa na discussão da dosimetria, o que o teria levado a cometer vários erros. A telenovela do mensalão continuará disputando audiência com a “guerra civil” que angustia São Paulo. Enquanto isso, o país aguardará que a mídia pressione o STF para colocar em pauta os mensalões do PSDB e do DEM, o primeiro ocorrido há 14 anos e denunciado, 5 anos atrás, pelo Procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza. E que, por uma questão de isonomia e justiça, isto só aconteça durante a campanha eleitoral de 2014, por pressão inclusive da grande imprensa. Será que dá para acreditar em Papai Noel?

Carlos Roberto de Oliveira Jornalista, consultor de Marketing e sócio da CLG

O festival de penas, aplicadas com a sanha punitiva e medieval dos que condenaram Torquemada – na visão do ministro Dias Toffoli – provocou até na grande imprensa momentos de reflexão e de estranheza


PRODUTOS E SERVIÇOS DO SISTEMA UNICRED: SOLUÇÕES PARA VOCÊ CRESCER diferenciados, criados sob medida para atender a suas necessidades. Todas essas ações vêm proporcionando frutos positivos para o Sistema Regional. Em 2012, mesmo em meio a tantas mudanças registradas na economia no último semestre, como a queda nos resultados das instituições bancárias, a Unicred Central N/NE pôde comemorar o crescimento de 5% do seu resultado no período de janeiro a julho, comparado ao último semestre de 2011. Podemos destacar, ainda, que as Sobras brutas, em setembro de 2012, estão 42% maiores que no mesmo mês de 2011, repetindo a mesma tendência de 2010, onde foi registrada uma evolução em todos os indicadores.Os números são expressivos, e podem alavancar os negócios das Cooperativas e facilitar a vida dos cooperados. “As Sobras são o nosso maior diferencial, porque não há

outra instituição financeira que divida entre os usuários os lucros (sobras) obtidos durante um exercício”, explicou o diretor-presidente da Unicred Central Norte/Nordeste. Em cinco anos, o Sistema Unicred N/NE cresceu 32% ao ano, totalizando 195% no período. Seu número de cooperados cresceu 132,53%, demonstrando a credibilidade alcançada. Contando atualmente com 27 Cooperativas, totalizando 97 pontos de atendimento espalhados pelas regiões Norte e Nordeste do país, o Sistema Regional Unicred gera cerca de 920 empregos diretos. Seus indicadores apresentam constante crescimento. Visite uma de nossas Cooperativas e venha fazer parte de uma Instituição em que você tem os privilégios de ser um cliente especial e os benefícios de ser o dono do negócio.

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23-NOVEMBRO 2012

As Cooperativas de Crédito têm-se desenvolvido de forma bastante relevante nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Nessa tendência, as Cooperativas filiadas ao Sistema Unicred N/NE ganharam destaque com opções viáveis para o acesso ao crédito, além de oferecerem aos seus cooperados um amplo portfólio de produtos e serviços pensados exclusivamente para suas necessidades. Um exemplo desse trabalho voltado para o perfil dos cooperados se reflete na oferta de crédito com taxas atrativas e processos menos burocráticos. Em 2012, até o mês de setembro, o Sistema Unicred N/NE conseguiu colocar à disposição de seus associados um montante de R$ 1,4 bilhão, o que possibilitou ainda mais a movimentação de recursos na economia, a geração de riqueza nas regiões e o aumento do poder aquisitivo da sociedade. “Voltada ao princípio do cooperativismo – ‘interesse pela comunidade’ –, a Unicred promove o desenvolvimento da região através da disseminação do crédito e da distribuição de resultados aos seus cooperados”, explicou Wilson Moraes, diretor-presidente da Unicred Central N/NE. Além da disponibilização de empréstimos pessoais e de diversas linhas de financiamento, nossas Cooperativas possuem um conjunto de produtos


24-NOVEMBBRO 2012

Política

Em seis capitais do Nordeste os prefeitos eleitos nunca haviam gerido uma cidade. Nas outras três, nomes antigos voltam a assumir a frente dos municípios, sem que tenham sido reeleitos

João Thiago

A

s primeiras eleições com a presença da Lei da Ficha Limpa no Brasil foram marcadas por uma série de surpresas ao longo de todo seu percurso. De grandes nomes que tiveram sua candidatura impugnada até jovens promessas da política se destacando e assumindo, pela primeira vez, a responsabilidade sobre suas cidades. Com o fim do processo, as nove capitais nordestinas estão nas mãos de novos gestores. Da cidade de Salvador, na Bahia, que confirma o poder do eterno “painho” Antonio Carlos Magalhães, por meio da eleição de seu neto homônimo, até São Luís, no Maranhão, onde os poderosos Sarneys viram seus planos indo por água abaixo com a vitória do jovem Edivaldo Holanda Junior, representante da opo-

sição no estado, as mudanças estiveram presentes em todo o processo eleitoral. E as campanhas de superação foram muitas neste pleito. Em várias capitais nordestinas, desconhecidos que não tinham qualquer força política no início do processo eleitoral conseguiram virar o jogo e vencer em suas respectivas cidades. Recife (PE), João Pessoa (PB), São Luís (MA), Maceió (AL) e Fortaleza (CE) tiveram como vencedores candidatos que saíram do zero, embasados em uma campanha propositiva. No Recife, o candidato tirado da manga do governador Eduardo Campos, Geraldo Júlio (PSB), venceu no primeiro turno, desbancando a poderosa dupla petista pernambucana: Humberto Costa (PT) e o ex-prefeito e candidato a vice, deputado João Paulo. O apoio do governador do estado fez toda a diferença para a vitória de Júlio.


Fotos: Divulgação

...nem tão

novos assim

Com a força do governador Teotônio Vilela (PSDB) também não foi difícil para o tucano Rui Palmeira vencer em Maceió. Ajudou o fato de seu principal adversário, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), ter sido impugnado pela Lei da Ficha Limpa. Rui venceu ainda no primeiro turno. Na cidade de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) começou a campanha tentando juntar aliados em torno de sua candidatura. À época, o Partido dos Trabalhadores não desejava sair com chapa própria, o que foi sacramentado com a viabilidade do seu nome. Cartaxo venceu o pleito com uma diferença considerável para o segundo colocado, o senador tucano Cícero Lucena (PSDB). Em Fortaleza não foi fácil para o médico Roberto Cláudio (PSB) derrubar o candidato da prefeita Luizianne Lins (PT), Elmano de Freitas. No meio do

João Alves fez uma campanha calcada na lembrança da população do estado sobre seu governo. Conseguiu firmar-se como líder absoluto desde o início da campanha e oferece, desde já, grande risco aos candidatos de Marcelo Déda (PT) ao governo do estado em 2014. Em Natal, a escolha pelo nome de Carlos Eduardo Alves (PDT) não foi surpresa. Liderando as pesquisas desde que lançou seu nome como possível candidato, Carlos Eduardo encarou um fraco Hermano Morais (PMDB), que não conseguiu emplacar, apesar de ter levado a disputa para dois rounds. Hermano carecia do carisma que sobrava a Carlos Eduardo, que conquistou a

caminho ainda havia o democrata Moroni Torgan, bem colocado nas intenções de voto, e o senador Inácio Arruda (PCdoB), bem cotado até dois meses antes do pleito. Cláudio virou o jogo e conseguiu a vitória no segundo turno contra Elmano. Talvez o caso mais emblemático entre as capitais do Nordeste seja o de Edivaldo Holanda Junior (PTC), candidato de oposição em São Luiz, liderado pelo presidente da Embratur, Flávio Dino. As pesquisas não indicavam Edivaldo no segundo turno. À sua frente estava o prefeito João Castelo (PSDB), veladamente parte do grupo de José Sarney; o candidato do PP, Tadeu Palácio, ex-prefeito da capital maranhense; e o vice-governador e candidato biônico Washington Oliveira (PT). Numa atitude de mudança, o eleitorado optou por Edvaldo Holanda, alterando o cenário político da capital.

maioria da população. Em Teresina, quando tudo apontava para um segundo turno entre o atual prefeito e candidato a reeleição, Elmano Férrer (PTB), e o senador do PT, Wellington Dias, o jogo mudou a favor do ex-prefeito da cidade, o economista Firmino Filho (PSDB). Firmino levou a disputa para o segundo turno, com uma campanha baseada em propostas consistentes contra ataques direcionados or Elmano Férrer. Estabeleceu-se na segunda fase do pleito, deixando Férrer para trás e conquistando a prefeitura da cidade. Em seu discurso, falou sobre os grandes desafios que enfrentou. “Somos um Davi que venceu o Golias”, comemorou.

Recuperação da hegemonia Em luta para sobreviver, o DEM elegeu o prefeito da cidade que garantiria sua subsistência. Antonio Carlos Magalhães Neto venceu apertado em Salvador o candidato petista Nelson Pelegrino, que durante o primeiro turno chegou a virar o jogo nas pesquisas de intenção de voto. O DEM sobrevive graças a vitórias como a de ACM Neto e de João Alves Filho e se renova para seguir como partido importante e atuante na política brasileira.

Foto: Divulgação

25-NOVEMBRO 2012

Três ex-prefeitos venceram em suas capitais e voltarão a gerir suas cidades, mostrando que suas administrações contaram com a absoluta aprovação da população. Em Aracajú (SE), Natal (RN) e Teresina (PI), a luta foi travada entre grandes nomes, com destaque para os vencedores, que mostraram que experiência é fundamental em uma disputa política como esta. No caso de Aracajú a escolha da população foi pelo ex-prefeito e exgovernador João Alves Filho (DEM), que venceu ainda no primeiro turno. O único adversário que poderia representar algum risco seria Valadares Filho (PSB), mas


Perfil

Propostas

João Alves Filho (DEM) é engenheiro civil e começou sua trajetória política aos 20 anos quando estudava na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Assumiu a Prefeitura de Aracaju (19751979) como prefeito biônico, apoiando a ditadura militar durante o governo de José Rollemberg Leite, no estado. Foi eleito governador de Sergipe três vezes: em 1982, 1990 e 2002 e nomeado Ministro de Estado do Interior pelo presidente José Sarney, em 1987.

- Melhoria do nível das escolas públicas - Reordenação do sistema de coleta de lixo; - Equilíbrio do orçamento municipal; - Elaboração de um Plano Diretor que possa resolver problemas e preparar Aracaju para as dificuldades do futuro; - Investimento em saneamento básico e melhoria da rede de esgotos; - Apoio à polícia no combate ao crime. - Modernização do sistema de iluminação pública.

“Vamos cuidar de Aracaju, do futuro. É isso que o povo quer e precisa neste momento”. Perfil

Propostas

Roberto Cláudio (PSB) é médico com mestrado e doutorado em saúde publica. Está em seu segundo mandato como deputado estadual, tendo sido eleito em 2006 e 2010 e atuado como membro de importantes comissões parlamentares como a de educação, cultura e esportes, seguridade social e saúde. Ele também fez parte da Frente Parlamentar de Apoio à Defensoria Pública do Estado do Ceará. Em fevereiro deste ano foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado.

- Ampliação de investimentos na prefeitura; - Implantação das escolas em tempo integral; - Criação do bilhete único integrado ônibusmetrô e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT); - Criação de túneis e vias expressas em pontos estratégicos da cidade, recapeamento de ruas e avenidas; - Postos de saúde em todos os bairros de Fortaleza; implantação de policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) nas seis regionais da cidade.

26-NOVEMBBRO 2012

“Prefeito tem que ser para toda Fortaleza, ebuscar o diálogo com todos os partidos”. Perfil

Propostas

Luciano Cartaxo (PT) é formado em Farmácia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Foi vereador na cidade de João Pessoa de 1996 até 2006, quando saiu candidato a vice-governador na chapa encabeçada por José Maranhão (PMDB). Não venceram, mas em decorrência da cassação do mandato do governador Cássio Cunha Lima, a dupla assumiu o governo em seu lugar. Em 2010 foi eleito deputado estadual, cargo que abandonou para trabalhar na transição do governo da capital paraibana.

- Criação do passe livre para os estudantes da rede municipal; - Ampliação das políticas habitacionais da cidade com a construção de 13 mil casas; criação do Banco Cidadão para beneficiar o microcrédito e as micro e pequenas empresas; - Descentralização da administração municipal com a criação das subprefeituras; - Presença de médicos em 100% dos Postos de Saúde da Família na cidade.

“João Pessoa pode esperar inovação e, a garantia de todas as conquistas de Agra”.


Perfil

Propostas

Rui Palmeira (PSDB) é formado em direito e foi eleito em 2006 deputado estadual, tendo sido eleito deputado federal em 2010. O novo prefeito de Maceió é de uma família tradicional na política do estado. Seu pai, Guilherme Palmeira, já foi prefeito da capital alagoana e governador de 1979 a 1982, além de ter atuado como senador e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

- Implantação da escola em tempo integral; - Construção de linha de VLT; - Triplicar o número de creches municipais, - Construção de 3 Unidades de Pronto Atendimento (UPA); - Implantação de 7 ambulatórios médicos especializados (AME); - Construir o primeiro hospital maternidade de Maceió.

“A população fez sua escolha baseada na vontade de mudar. Vamos fazer acontecer”. Perfil

Propostas

Carlos Eduardo Alves (PDT) é advogado e filho do político e jornalista Agnelo Alves. Em 1986 foi eleito deputado estadual, tendo ocupado a cadeira na Assembleia Legislativa por quatro mandatos. Em 2000 foi eleito vice-prefeito na chapa encabeçada por Wilma de Farias, que em 2002 deixou a prefeitura para assumir o governo do estado. A chapa agora foi invertida, e a ex-governadora assume o cargo de viceprefeita ao lado de Carlos Eduardo.

- Construção de novas escolas; - Modernização da rede de iluminação pública; - Plano de manejo e coleta de resíduos sólidos; - Ampliar o alcance do Programa Saúde da Família para 70% da população natalense; - Ampliar o tempo de integração dos ônibus do sistema de transporte urbano municipal;

Perfil

Propostas

Geraldo Júlio (PSB) é administrador, e o cargo de prefeito de Recife é o primeiro eletivo que ocupa. Ingressou no Tribunal de Contas do Estado, e foi diretor de Planejamento da Prefeitura de Recife e secretário da Fazenda da Prefeitura de Petrolina. Desde 2007 trabalha com Eduardo Campos no governo do Estado. Primeiro como secretário de Planejamento e depois como secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do Porto de Suape.

- Construção de 20 Upinhas 24h, seis Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para consultas e exames; - Construção do Hospital da Mulher; - Construção de 42 creches no padrão MEC e ginásios de fisioterapia; - Implantação do ProUni Municipal; - Promoção da universalização do ensino integral do 6° ao 9° ano, com tablets para os alunos.

“Conquistarei a confiança dos recifenses porque todos merecem uma cidade melhor”.

27-NOVEMBRO 2012

“A cidade viveu um retrocesso nos últimos quatro anos, vamos lutar para mudar isso”.


Perfil

Propostas

Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) é formado em direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Já está em seu terceiro mandato consecutivo como deputado federal, tendo sido eleito pela primeira vez para o cargo em 2002, aos 23 anos. Em 2008 foi candidato a prefeito, mas foi derrotado por João Henrique. Como deputado, foi corregedor da Câmara dos Deputados e vicepresidente da Casa, tendo participado como titular da Comissão de Constituição e Justiça.

- Criação das prefeituras bairros; - Criação de um Centro de Operações para melhoria da mobilidade urbana; - Implantação de bilhete único integrado para usuários de ônibus, metrô e trem; - Meia passagem aos domingos; - Extensão do sistema de atendimento de creches e construção de centros de educação integral; - Implantação de um hospital municipal no bairro de Pau da Lima;

“Terei que enfrentar interesses corporativos, mas acredito que teremos sucesso no final”. Perfil

Propostas

Edivaldo Holanda Junior (PTC) se graduou em direito, tendo sido vereador por duas gestões a partir de 2004. Em 2010, licenciou-se da Câmara de Vereadores de São Luís para candidatar-se ao cargo de deputado federal, tendo sido eleito com mais de 70 mil votos. A prefeitura de São Luís é o primeiro cargo executivo que Holanda Júnior exercerá.

- Modernização da gestão municipal; - Implantação do ensino integral; - Construção de 20 novas creches; - Melhorias no transporte público, implantação de BRT e de bilhete único; - Modernização da iluminação; - Coleta seletiva de resíduos; - Dobrar o número de Pronto Socorro da Família (PSF);

“O primeiro passo é dar transparência à gestão e fazer política para a população”. Perfil

Propostas

Firmino Filho (PSDB) é economista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Foi auditor do Tribunal de Contas da União e professor da Universidade Federal do Piauí(UFPI).foi secretário Municipal de Finanças na gestão do prefeito Wall Ferraz de 1993 até 1996, quando concorreu à prefeitura. Venceu e ficou na cadeira por oito anos. Em 2008 foi eleito vereador e em 2010, deputado estadual.

- Priorizar programas habitacionais; - Enfrentar os desafios no trânsito; - Criar a Bolsa Primeira Infância, com um complemento de R$ 100 para famílias cadastradas no Bolsa Família; - Garantir a presença de dois professores nas salas de aula dos três primeiros anos do Ensino Fundamental; - Criação de um polo industrial na rodovia Teresina-Fortaleza.

“Lutamos contra um gigante, e vencemos. agora é fazer aquilo que a cidade precisa”.


Uma outra fase política Eleitos no primeiro turno em três capitais, novos prefeitos já estruturam futuros governos

E

m três capitais nordestinas candidatos mostraram a amplitude do seu poder de fogo e venceram no primeiro turno. Três histórias diferentes, que representam de forma apropriada as diferenças de realidade nos estados e destacam a importância da estratégia certa para alcançar a vitória. Em Recife, o desconhecido Geraldo Júlio, do PSB, venceu com pouco mais de 52% dos votos. Geraldo começou a campanha no zero, sem ter qualquer destaque. Porém, com a presença do governador Eduardo Campos em seu Guia Eleitoral, mostrando seu apoio e sua indicação, a população escolheu Geraldo Júlio como prefeito ainda no primeiro turno, mostrando que a força do governador é transferível quando ele é cabo eleitoral. Geraldo é desconhecido. Antes da campanha só havia ocupado cargos técnicos ao lado de Eduardo quando ele estava no Ministério da Ciência e Tecnologia. Eduardo trouxe o amigo para perto no governo estadual, mantendo-o ao seu lado devido a qualidade do

seu trabalho. A confiança em Eduardo se refletiu no apoio irrestrito a Geraldo na campanha. Vence Eduardo, que mostrou seu poder na capital até então dominada pelo PT. Em Aracaju, no Sergipe, a vitória de João Alves Filho (DEM) foi pavimentada sobre os erros da gestão atual. João Alves, que já foi prefeito da cidade, governador do estado, senador e ministro do governo Sarney, foi escolhido pela população pela longa experiência em gestão pública. Edvaldo Nogueira (PCdoB), atual prefeito, não conta com tanto apoio popular, o que facilitou o trabalho do candidato democrata, que fez mais de 52% dos votos populares. Alves, de perfil centralizador, já está montando seu secretariado, mas prefere mante-lo em sigilo, controlando cada passo do processo. “A população me deu autorização para governar, então eu vou governar. O povo não respeita líder que não lidera, então vou lutar para mostrar para o povo que eles fizeram a escolha certa quando me colocaram na prefeitura”, disse. A surpresa maior ficou para a cida-

de de Maceió. Lá, a vitória de Ronaldo Lessa (PTB) e seu grupão formado por Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor (PTB-AL) era dada como certa. Porém, eles não contavam com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que caçou a candidatura de Ronaldo, que se dizia vítima de uma perseguição. Melhor para o PSDB e para Rui Palmeira, que venceu as eleições com 52% dos votos. O jovem deputado tucano começou a voar cedo e já está se destacando no cenário nacional. Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, em busca de novos nomes para a renovação dos quadros do PSDB, veem o novo prefeito de Maceió com bons olhos, e querem utiliza-lo no diretório nacional. Aécio, em relatório ao presidente de honra do partido, destacou que o cenário político do Nordeste foi modificado, e que o partido mudou sua posição neste cenário, ganhando destaque em outras cidades. Rui tem sua primeira chance de brilhar, e, ao que tudo indica, vai aproveitar a oportunidade.


Política

Montando o

tabuleiro

Os três Principais partidos do país começam a refazer o xadrez político para 2014 e 2018 João Thiago

A

s eleições de 2012 desenharam o cenário dos próximos voos dos partidos. P Para 2014, o panorama já está certo. A menos que aconteça um tsunami no PT, a sigla tem como certa a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas também deixou claro que não pretende abrir mão do Palácio do Planalto nos próximos seis anos e já forma um quadro novo que seja viável para concorrer ao pleito de 2018. O nó da questão está justamente aí. Não foi de graça que o PSB apoiou o partido do ex-presidente Lula nas últimas eleições, sobretudo na que elegeu o prefeito da principal capital do País, Fernando Haddad. Nos bastidores, a informação é que haveria um acordo velado para que o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pudesse se tornar também protagonista do projeto nacional em 2018.No entanto, agora, os planos são outros. A eleição de Fernando Haddad em São Paulo mudou tudo, dando novo fôlego ao PT e reascendendo seu desejo de se manter no poder. O socialista, que não é tolo, deve ter consciência de que ou acelera o processo ou fica para trás. E, pelos movimentos que vem fazendo, o que estaria planejado para acontecer somente em 2018, pode ser antecipado para 2014.

Eduardo Campos sabe que se deixar o cavalo passar selado na sua porta e não montar no animal poderá perder a única chance de tornar-se viável para uma eleição nacional. Ele hoje é um nome forte nacionalmente, além de ter saído das urnas em 2012 como o grande vencedor em capitais e com poder de fogo para bancar uma candidatura própria à Presidência. Por outro lado, tem em mente as dificuldades. Não será fácil enfrentar o poderio do PT, detentor hoje da Prefeitura de São Paulo, que dita a política do Brasil. “O PT nunca apoiará a candidatura de Eduardo Campos. Se o PSB quiser ter um projeto próprio, não pode esperar até 2018”, anunciou, recentemente, um dirigente socialista. Estrategicamente, Eduardo tem preferido se manter neutro quanto ao seu futuro político, embor deixe escapar suas reais

PT sai fortalecido com a vitória em São Paulo, lutará pela reeleição de Dilma e quer fazer o seu sucessor em 2018


pretensões. Em entrevista coletiva logo após o segundo turno, afirmou que considera muito cedo para falar das eleições presidenciais. “Será preciso a gente viver para ver. É muito cedo para saber qual será o cenário, como o Brasil estará, o que vai acontecer. Para o Brasil, para o governo Dilma, quanto mais a gente deixar 2014 para 2014 melhor será para que possamos conseguir um diálogo nacional”, afirmou. Raposa política que se transformou, o socialista exibiu com orgulho o saldo do PSB, no último sufrágio. E mostrou que é o dirigente do

partido que mais cresceu em número de prefeituras de capitais, saindo de uma para cinco: Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho. “O PSB cresceu 42% no número de prefeitos eleitos, enquanto o segundo maior crescimento foi do PT, com 14%. Quando vamos para o número de pessoas governadas pelo partido, o número sobe ainda mais. Crescemos 101% enquanto o PT cresceu 36%. Somos o partido que governará mais capitais. Conquistamos cinco contra quatro do PT e quatro do PSDB”, comemorou Eduardo. Por sua vez, o presidente nacional do PT não se abalou com resultados alheios. Reiterou que o seu partido está bem e continua como o protagonista no Brasil. Ainda na sua avaliação, algumas derrotas sofridas não irão alterar o cenário federal para 2014, tampouco influenciarão na relação com os aliados. “Isso não terá maiores consequências à aliança federal que temos com o PSB”, afirmou. 

Foto: Divulgação

Foto: Marcello Casal/ABr

Rui Falcão acredita que, apesar dos conflitos diretos em algumas capitais, o PSB ainda é um grande aliado


Foto: Divulgação

Afagos e ataques 

Não faz parte do projeto atual do PT entregar o governo para o PSB em 2018. O Partido dos Trabalhadores conta, hoje, com corpo o bastante para criar herdeiros ideais para Dilma, fortalecendo o legado da presidente nacional. O PT tem por objetivo se manter no poder, e Haddad é o caminho para esta conquista. O presidente nacional do partido, Rui Falcão, avaliou que as disputas municipais naturalmente colocam aliados de lados opostos, mas que o PSB ainda é um aliado. “As eleições municipais, normalmente, fragmentam alianças. Do ponto de vista do PT, não perdemos para a oposição, mas para um aliado”, considerou, ao se referir ao PSB. Eduardo, do seu corner, continua mantendo as aparências de bom moço e amigo e fiel companheiro da presidente. Os panos quentes que usa são da melhor qualidade, mostrando o quanto apoia o governo Dilma e como continuará sendo um parceiro. “Já tem muita gente querendo criar problemas para a presidente Dilma. Nós queremos criar soluções, ajudar a tocar a pauta que interessa à população neste momento”, afirmou ainda na coletiva. Confirmando a amizade que se firmou, Eduardo recebeu um telefonema da presidente Dilma Rousseff durante a entrevista, retirando-se e voltando quinze minutos depois, Eduardo explicou que tratou de questões administra-

Eduardo é só afagos a Lula e Dilma, mas se opõe em diversas questões fundamentais

tivas com a presidente e de uma visita a Brasília que ele faria nos dias seguintes. Sobre a amizade com Lula, Eduardo afirma que não existem dificuldades que estejam se interpondo entre ele e o ex-presidente. “uma relação de tantos anos, que passou por momentos tão duros e bonitos da vida política brasileira nos últimos 20 anos não vai ficar ao sabor do disse me disse e de quem se interessa por esse tipo de coisa, de separar as pessoas, de tentar intrigar as pessoas”. Dos dois lados o que se vê são afagos e parcimônia de declarações. No entanto, é em questões práticas que começa a se enxergar a ruptura na

32-NOVEMBBRO 2012

Foto: Edu Saraiva

As ideias de Lula fazem a cabeça dos novos nomes do PT

parceria entre os dois partidos. Árduo defensor do Pacto Federativo, que desafogaria estados e municípios, Eduardo se vê de lado oposto ao de Dilma. Questionado sobre isso, sorri amarelo. “Estou fazendo meu trabalho como governador. Tenho que cobrar o Governo Federal, inclusive sobre a seca, sobre o apagão e sobre outras questões. São bandeiras que defendo há muito tempo”, concluiu.

Discurso perigoso O cientista político Rafael Cortez, da Tendências consultoria, diz que é necessário ter cuidado com os discursos de renovação. “Estes debates sempre aparecem no fim dos processos eleitorais. É importante não perder de vista que se trata de um processo muito lento dentro da realidade democrática”, explicou. Além disso, alerta que os discursos vêm carregados de mensagens que o eleitorado muitas vezes não enxerga e não compreende. “A bandeira de renovação não é neutra e, às vezes, representa apenas uma troca de nomes, mantendo as mesmas ideias”, afirmou. Ele cita o caso de José Serra, do PSDB. Após a derrota sofrida em São Paulo, o partido tucano partiu para um discurso de renovação encabeçado por seu presidente de honra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendia a necessidade da criação de novas lideranças. “No PSDB, o discurso de renovação quer dizer, na prática, tirar Serra do caminho para que Aécio possa crescer”, disse o cientista político.


Novas aves no tucanato

do amigo que, tendo sido derrotado na capital paulista, ainda poderia encontrar um “caminho para sua carreira” e que “a entrada

Fernando Henrique defende a renovação dos quadros do PSDB

de novos líderes não elimina as antigas lideranças”. Aloysio Nunes, senador tucano paulista, correu em defesa de Serra. “Muitos daqueles que falam da renovação foram os que imploraram para José Serra se candidatar a prefeito de São Paulo”, contou o senador. Mas renovação não é apenas ter novos nomes à frente do partido. E quem defende esta postura de renovação com respeito aos antigos nomes é o jovem deputado pernambucano e líder do PSDB na Câmara Federal Bruno Araújo. Aos 40 anos, o deputado assume a responsabilidade de liderar a bancada do partido na Câmara Federal, e acredita que renovação não é questão de idade. “Renovar tem mais a ver com um discurso sintonizado com as ruas, com o momento político. Não são apenas nomes novos, mas ter ideias alinhadas com a população em geral”, afirmou o deputado, que deu como exemplo o veterano Arthur Virgílio. “Veja ele, por exemplo. Um decano, com experiência comprovadíssima, grande partici-

pação em momentos decisivos do Brasil e sempre com as ideias sendo oxigenadas. Ele é um dos melhores exemplos de renovação em que podemos pensar”, declarou. No Nordeste, a renovação do PSDB começou no último pleito e teve continuidade nas eleições municipais deste ano. Na região, o partido acreditou em três candidatos jovens para concorrerem à prefeitura de capitais importantes. Todos os três eram deputados estaduais com comprovada atuação em prol de seus estados. Rui Palmeira, em Maceió, venceu ainda no primeiro turno o pleito em sua cidade, mostrando que um novo nome era o que a população precisava. Daniel Coelho, em Recife, teve um crescimento rápido e alcançou o segundo lugar, tendo sido derrotado pelo candidato do governador do estado, e Marcos Cals, em Fortaleza, que saiu de uma campanha fraca e conseguiu alcançar bons índices na capital cearense. “Há um ambiente propício para mudanças no partido. E estas mudanças são fundamentais. Aécio vem como timoneiro deste processo, e ele e Sérgio Guerra têm uma participação fundamental neste processo”, concluiu.

33-NOVEMBRO 2012

Pois dentro do discurso tucano de renovação, Aécio tem importância ímpar. Mais forte nome da legenda na atualidade, ele vem pregando a necessidade da criação de novos quadros. “Vamos por no comando do partido uma nova geração”. A ideia de renovação não partiu apenas de Aécio. FHC já teria afirmado que era necessário repensar as lideranças do partido. “Ela é necessária sempre e o Brasil está mostrando isso mais uma vez”, afirmou Fernando Henrique, em artigo publicado logo após as eleições de 2° turno. O candidato derrotado do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, teria confessado a correligionários que não estava feliz com as declarações do ex-presidente. Ele teria afirmado que sua candidatura teria seguido uma indicação do partido, que o via como melhor opção para bater de frente com o novo petista da cidade, e que agora o partido lhe virava as costas. FHC, por sua vez, tentou amenizar a barra

Foto: Divulgação


Opinião

A parte do leão

34-NOVEMBBRO 2012

P

or força de distorções históricas alimentadas pela política da má distribuição dos recursos orçamentários entre as unidades da federação, arquitetadas em Brasília, instalou-se no País uma briga de foice pelas receitas públicas provenientes da indústria do petróleo. Hoje assistimos com enfado o entrevero do Rio de Janeiro/ Espírito Santo contra os demais estados da federação. O governador Sérgio Cabral, por achar que as reservas do pré-sal estão localizadas em águas profundas do Rio de Janeiro, quer se apropriar do grosso de suas receitas. Mas depois de perder em votação no Congresso o privilégio de embolsar os almejados royalties do petróleo (estimados em R$ 77 bilhões anuais), se insurgiu contra o projeto de lei do senador paraibano Vital do Rego Filho, que divide com propriedade o rico ervanário do pré-sal com outros 25 estados da federação. Pois bem: reagindo ao projeto de lei, o governador do Rio (que é chegado a rodopiar a “dança da garrafa” em casas noturnas de Paris) armou passeata no centro do Rio para que Dilma Rousseff, levada ao canto do ringue, vete quatro dos cinco artigos que montam a proposição normativa do senador paraibano (por sinal, neto de Pedro Gondim, o mais humano dos governadores da Paraíba moderna). Dado importante: para reivindicar o grosso do ervanário do pré-sal, Rio de Janeiro e Espírito Santo se dizem “estados produtores”. Trata-se, sem dúvida, de uma empulhação explorada ad nauseam pela mídia amestrada. De fato, quem produz e explora o óleo, em geral com investimentos sacados do bolso da população, é a Petrobras - Rio e Espírito Santo não produzem nada. A expressão “estados produtores” é absolutamente incorreta, bem como a

falácia de que as ditas reservas petrolíferas estão localizadas no território dos dois estados do sudeste, um papo para enganar trouxas. De fato, elas estão localizadas no mar, que, segundo reza a constituição, é, sem exceção, da nação e do povo brasileiro. Na sua esperteza de falso malandro, Cabral, fazendo cara de maior abandonado, afirma que o projeto de lei do senador paraibano vai gerar um colapso nas finanças públicas do seu estado. E sem os hipotéticos royalties do petróleo ameaça fechar as portas do Rio para as Olimpíadas e a Copa do Mundo, outra conversa afiada de quem pretende embolsar por antecipação a grana bilionária em cima de um contrato inexistente. Li o projeto de lei do senador Rego Filho e devo dizer que ele é mais do que generoso com os dois estados do sudeste: ao contrário, por exemplo, do que articula a Emenda Ibsen (de autoria do Deputado gaúcho Ibsen Pinheiro), que distribui igualitariamente os royalties a todos os estados e municípios da federação, o projeto de Rego Filho preserva expressiva e diferenciada arrecadação para o Rio e Espírito Santo, o que já é, por si só, uma deferência. Resumo da ópera: fomentando distorções orçamentárias, o governo de Brasília se comporta como um ogro insaciável avançando sobre a grana dos estados. Em geral, ele arrecada em impostos muito mais recursos do que repassa aos estados, mantendo, assim, os municípios da união eternamente submissos. Todo ano, diante da divisão de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), vem à baila a criação de uma “comissão de notáveis” para discutir a questão de um novo “pacto federativo”. Tudo de araque, claro, pois o governo ditatorial jamais abre mão de sua parte – a gorda parte do leão.

Ipojuca Pontes Escritor e cineasta

De fato, quem produz e explora o óleo, em geral com investimentos sacados do bolso da população, é a Petrobras - Rio e Espírito Santo não produzem nada


35-NOVEMBRO 2012


Política

Vitória federal Parcial Com nova divisão dos Royalties, estados brasileiros não produtores receberão uma parcela maior dos lucros gerando valor federalizado, mas discussão ainda passa pela presidenta Dilma e pelo STF

Foto: Fabio Pozzebom/ABr

Ministros do Supremo ainda podem atrapalhar a divisão dos Royalties de petróleo

Foto: Divulgação

João Thiago

36-NOVEMBBRO 2012

A

Câmara aprovou, no dia 06 de novembro, por 286 votos favoráveis a 124 contrários, o projeto do Senado sobre a distribuição dos Royalties do Petróleo. De autoria do senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB), o projeto será, agora, apresentado à presidente para que possa contar com sua sanção. A proposta do senador paraibano redivide todas as receitas da exploração do petróleo, inclusive as obtidas em áreas já licitadas. Já no ano que vem os estados não produtores poderão contar com R$ 8 bilhões. Porém, tudo pode ir por água abaixo se o Supremo Tribunal Federal vetar a lei que, segundo representantes do Rio de Janeiro, apresenta pontos de inconstitucionalidade em seus trechos mais polêmicos. Como toda lei federal, a nova divisão dos Royalties ainda precisará passar pelo STF para ter plena valia. A vitória na Câmara foi só o se-

Marcelo Castro: primeiro relator

gundo passo de uma longa caminhada. O Tribunal já está avaliando um pedido de liminar que pode derrubar o texto antes mesmo que ele seja inspecionado pela presidente Dilma, o que

seria vitória para os estados produtores e bom para a própria presidente. A vontade de Dilma é que a responsabilidade pelos vetos ao texto fique nas mãos dos ministros do STF, pois assim não se indispõe, nem com os estados produtores, e muito menos com os estados não produtores, que são a grande maioria. A possibilidade do veto por parte dos ministros do Supremo, em decorrência de uma série de pequenos erros, é alta. Uma das características negativas da nova lei é a retroatividade de sua validade, que se encontra no 3º artigo, e faz com que a nova divisão seja válida, também, para os contratos sobre campos que já estão licitados. Este é o ponto mais polêmico de toda a legislação. Os cariocas dão como certo que os juízes do Supremo vetem este trecho da lei por considerarem ilegal esta quebra contratual, o que faria com que rejeitassem a ideia. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirma que o


Os royalties são valores que os entes da federação recebem como compensação por danos ambientais das empresas que exploram petróleo. A participação especial é outro tributo pela exploração, mas incidente apenas sobre grandes campos, por exemplo, das reservas do pré-sal. Eles se dividem da seguinte forma: A União representa o Brasil, os estados produtores, representados por Rio de Janeiro e Espírito Santo, os estados não produtores, que são todos os demais, os municípios produtores são aqueles que são usados como base para as empresas do petróleo, os municípios afetados por embarque e desembarque de petróleo são as cidades portuários por onde escoa o petróleo e os municípios não produtores são as outras cidades brasileiras.

Divisão das receitas do petróleo Nova lei muda distribuição dos recursos arrecadados com exploração

Estados não produtores

Municípios afetados

Municípios Produtores

Estados Produtores

Municípios não produtores

ROYALTIES

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

(valores que União, estados e municípios recebem das empresas pela exploração do petróleo)

(tributo pago pelas empresas pela exploração de grandes campos de petróleo; maior volume virá da exploração dos campos recém descobertos na camada pré-sal)

Como é hoje 30%

50%

Como é hoje

26,25% 26,25%

40%

8,75%

7%

10%

1,75%

Como fica em 2013*

Como fica em 2013*

(se sancionado pela Presidência)

(se sancionado pela Presidência)

20%

21%

20%

21%

43% 32%

15%

Royalties A proposta determina que o percentual dos Estados produtores, que hoje é de 26,25%, caia para 20% a partir de 2013, e permaneça, a partir daí, neste percentual. Os municípios produtores, que ficam com 26,25%, teriam redução para 13% e, até 2020, para 4%. Já a União deixaria de ficar com 30% para ficar com 20%. Os estados não produtores sairiam dos atuais 7% para 21% em 2013, indo a 27% em 2020. As cidades não produtoras têm acréscimo, de 1,75% para 21% em 2013 e 27% em 2020. Já os municípios afetados por embarque e desembarque de petróleo teriam sua participação diminuída de 8,75% para 7% em 2013 e 3% em 2020. “A proposta é uma solução para os mais de 5 mil municípios que têm direito a uma parte da riqueza da Nação, independentemente de sua localização geográfica l”, afirmou o senador Vital do Rego.

União

3% 5%

Como fica em 2020* (se sancionado pela Presidência) 27% 20%

27%

10%

10%

Como fica em 2020* (se sancionado pela Presidência) 46%

20%

4%

2%

20%

15%

15%

4%

* Conforme projeção da Assessoria Técnica da Liderança do PSDB na Câmara Fonte: Senado e Assessoria Técnica da Liderança do PSDB na Câmara

37-NOVEMBRO 2012

O que muda com a nova divisão dos Royalties?


veto já seria uma vitória para o estado do Rio de Janeiro. “O artigo está muito bom para o veto. Isso chega a ser uma vitória, nas atuais circunstâncias, para o Rio de Janeiro”, disse. Para o governo federal, outra vantagem de levar a discussão para o STF é a liberdade de poder voltar a licitar campos de petróleo no Brasil, modalidade de negócio que está vinculada à aprovação do Marco Regulatório. Com a lei sendo inspecionada pelo STF, o caminho fica livre para novas negociações e para a liberação de novos campos para prospecção. Em outros estados também existem campos para serem licitados. Com a liberação da questão na Câmara, tudo começa a tramitar bem mais rápido.

Foto: José Cruz/ABr

Projeto deVital distribui riquezas do petróleo

Foto: Ricardo Pozzebom/ABr

Maia: “Matéria votada é matéria vencida”

38-NOVEMBBRO 2012

Cariocas esperneiam Os estados mais prejudicados com a mudança são Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde estão localizadas as cidades-base das maiores bacias exploratórias no Brasil: as Bacias de Campos e Santos. No caso do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que a diminuição de sua participação na distribuição do dinheiro oriundo da exploração do petróleo prejudicará o andamento da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016. Cabral revelou que, só em 2013, o prejuízo com a mudança da distribuição dos Royalties de contratos já existentes chegará a R$ 4 bilhões. “Esta divisão, se aprovada, trará um colapso para as contas do Rio de Janeiro e a diversas prefeituras do estado. Será a bancarrota! Inviabiliza a Copa e as Olimpíadas”, afirmou, em tom de choro, o governador carioca. Para o deputado Anthony Garotinho, apesar das lágrimas, a presidente Dilma pode agir em favor do estado. “A presidente Dilma já anunciou publicamente que não sancionaria um projeto de lei que tivesse invasão de contratos já assinados. A presidente não sanciona projeto de lei inconstitucional”, afirmou, categórico. Os senadores Lindbergh Farias e Francisco Dornelles (PP-RJ) encaminharam à

Foto: Fabio Pozzebom/ABr

Cabral: Olimpíadas na berlinda

Presidência do Senado um requerimento em que pedem que o presidente da casa, o senador José Sarney (PMDB-AP), se manifeste sobre um erro material nos percentuais da escala de participação que caberá aos municípios, estados e à União. Segundo o projeto, a partir de 2017, a União terá que distribuir 101% do valor gerado pelos Royalties. O valor correto seria 100%. Eles querem interpretar isso como erro de conteúdo, mas tanto Sarney quanto Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados,

entendem que se trata de um erro material, o que corresponde a um erro de digitação. “Matéria votada é matéria vencida”, afirmou o presidente da Câmara, neutralizando os planos cariocas. Ele defende o projeto. “A expectativa de todos nós é de que a presidente produza o menor número de vetos, já que o projeto atende a demandas de 25 estados brasileiros, inclusive do Distrito Federal, e dos municípios”, disse. Apesar de Dilma estar solícita aos interesses dos produtores, a possibilidade dela intervir na lei aprovada pela Câmara é mínima. Ela prefere omitir-se de assunto tão polêmico. É verdade que a presidente já se manifestou contra qualquer ideia que envolva contratos já fechados. Para ela, a divisão dos Royalties merece uma “análise exaustiva, e eu não tenho uma posição sobre vetar ou não alguns pontos do texto”, disse. “Eu não vi a lei. Ainda vou avalia-la. Seria uma pessoa leviana se, sem recebê-la, fosse falar sobre ela”, continuou a presidente. Em conversaas com interlocutores ela já deu sinais de que conta com o crivo do STF para que os vetos desejados pelos produtores sejam efetuados. Ou seja, com Dilma, não adianta chorar pelo petróleo derramado.


Política

Pequenos

partidos,

grandes negócios

João Thiago

A

população brasileira está bem representada partidariamente falando. São 31 siglas diferentes atuando no país, representando princípios humanistas, democráticos, republicanos e até ecológicos, como o mais novo Partido Ecológico Nacional, que nasceu contando com cerca de 30 deputados estaduais em todo o Brasil, a maioria na Paraíba e no Acre. Para entender porque os partidos brotam no Brasil, basta saber que, até o final de julho deste ano os nanicos arrecadaram, do Fundo Partidário Nacional (FPN), a bagatela de R$

20,253 milhões. O dinheiro vem do orçamento da União e das multas eleitorais. De acordo com a legislação, 5% do total arrecadado é distribuído igualitariamente entre as legendas e 95% de acordo com a representação dos partidos na Câmara Federal.. Mais de vinte milhões de reais distribuídos pelas siglas foram para as mãos do PRTB, do candidato Levy Fidelix (aquele do Aerotrem) ou do PSDC, de Eymael (o democrata cristão). Partidos cuja representatividade pífia não influencia em nada a vida política nacional, ou cujo papel na democracia é, muitas vezes, alimentar os projetos de outros grupos políticos, oferecendo seu tempo de TV durante o Guia Eleitoral

como moeda de troca para receber benesses, secretarias e outros benefícios. O fundador do novíssimo PEN é o deputado estadual menos votado nas últimas eleições em São Paulo, Adílson Barroso, do PRONA. Ele é do mesmo partido de Enéas Carneiro, que, durante as eleições de 1989, 1994, 1998 e 2002 chamava a atenção com seus óculos de fundo de garrafa, vasta barba negra e o bordão “Meu nome é Enéas”, tendo morrido como o deputado eleito com mais votos na história do Brasil. Barroso saiu do PRONA para migrar para o PSC, outro nanico que começa a crescer, e de lá decidiu criar sua própria sigla. “Fiz minha matemática e falei: é aqui que ganho mais fácil”, lembrou. 

39-NOVEMBRO 2012

Investir em um partido nanico vale a pena! O Fundo Partidário Nacional distribuiu este ano mais de R$ 20 milhões para eles


Foto: Divulgação

Mais prefeituras para os nanicos Os pequenos notáveis começaram a ganhar corpo nestas eleições. Juntos, os 15 menores partidos brasileiros aumentaram seu espectro de influência de 370 para 516 prefeituras. Um crescimento de 40%, invejável para a maioria dos maiores partidos. Dos 15 nanicos, o que se saiu melhor foi o PV, com 22 prefeituras. No entanto, vencer mais disputas não fez com que as siglas se pulverizassem e se espalhassem pelo Brasil. A maioria das novas prefeituras conquistadas por estes partidos estão na mesma base política onde sempre tiveram atuação. No caso do PV, 70% das prefeituras

conquistadas foram vitórias nos estados onde eles já têm representatividade: São Paulo, Maranhão e Minas Gerais. O PRB segue a mesma cartilha. O partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus está com o poder concentrado entre o Maranhão, o Ceará e Minas Gerais. Dezenove das 24 prefeituras conquistadas estão nestes estados. O PSC, apesar de ter perdido em Curitiba, se fortaleceu no Paraná, o PPL, fundado em 2009, alcançou 12 prefeituras, metade delas em Minas e no Ceará. A surpresa neste ano foram as vitórias do Psol, que conquistou duas prefeituras, uma delas Macapá, capital do Amapá. Levy Fidélix: proposta inusitada para o eleitor

40-NOVEMBBRO 2012

“No balcão de negócios” Mas nem todos os partidos nanicos têm um projeto efetivo de conquistar prefeituras. Muitos negociam tempo de TV e fundo partidário no “mercado eleitoral” brasileiro. Em troca de seus minutos ou até segundos de tempo na TV conseguem promessas de secretarias, financiamentos de terceiros, benesses e até cargos altos, como a candidatura a vice-prefeitura em uma chapa majoritária. Foi o que aconteceu em João Pessoa, onde o PSC foi protagonista de uma briga acirrada. Tanto PT quanto PSDB cobiçavam a noiva que, até poucos dias antes das eleições, tinha candidato próprio à prefeitura, o médico Ítalo Kumamoto, que afirmava que “o PSC e o PMN fariam a diferença nas eleições municipais. “Eu serei mesmo candidato a prefeito”, afirmava. Parece que o que era irrevogável tornou-se maleável, pois Ítalo não saiu candidato, mas somou forças a Cícero Lucena, do PSDB e se tornou seu candidato a vice. O candidato derrotado à prefeitura de Belo Horizonte pelo PPL, Tadeu Martins, afirmou que não é difícil descobrir qual dos partidos pequenos é, na verdade, uma legenda de aluguel. “Basta observar quem se torna suporte de grandes partidos. Estes são partidos

Nem à direita, nem à esquerda

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Lourdes: “Não somos moeda de troca”

que se transformaram em balcões de negócios”, afirma. Sobre o seu PPL, ele diz que não é esta a proposta. “Até tentaram nos transformar em partido de aluguel, mas não conseguiram”, afirmou, orgulhoso. A candidata derrotada pelo Partido da Causa Operária (PCO) à prefeitura de João Pessoa, Lourdes Sarmento faz a mesma afirmação. “Não somos uma legenda de aluguel. Não somos moeda de troca para que partidos maiores ganhem tempo de propaganda eleitoral gratuita. Queremos usar nosso tempo para mostrar nossos projetos”, declarou, resoluta.

Os projetos dos partidos nanicos variam de acordo com seu perfil ideológico. Partidos como o PCO, PSTU e PSOL têm a causa socialista em seu ideário. Renan Palmeira, candidato derrotado à Prefeitura de João Pessoa pelo PSOL explicou que sua candidatura teve como objetivo a apresentação de “um novo perfil de candidatura. No momento em que as candidaturas se tornaram algo tão mercadológico, com o fortalecimento das oligarquias. Vimos a possibilidade de criar uma candidatura contestatória, de perfil provocativo”, justificou o socialista. Em outros casos, os projetos de partido são genéricos, como o caso do PSD, cuja linha ideológica não permite que ele se posicione nem à direita e nem à esquerda, mas muito pelo contrário, indo de acordo com o vento que o leva, unindo-se em cada cidade com a base eleitoral que for mais interessante, estando com o PSDB em São Paulo e com o PT em Belo Horizonte. O PEN conta com a mesma “ideologia”. Quer dar para políticos de oposição a tão almejada oportunidade de estar ao lado do governo. “Não se trata de ser direita ou esquerda. Isso não existe mais. Eu não consigo enxergar isso, e olha que não sou cego”, afirmou Adilson Barroso, o


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Candidato pelo PRONA à presidência, Enéas queria construir uma bomba atômica

O PEN já nasce gigante O presidente nacional do PEN, o ex-deputado paulista Adilson Barroso aperta a mão do deputado estadual Toinho do Sopão, um dos dez representantes do legislativo estadual que fazem parte da legenda na Paraíba. “Vou instalar um sopão desses lá em São Paulo. Isso dá muito voto, hein?”, zombou o deputado. Toinho responde à altura. “Levando em conta o quociente eleitoral, eu fui o deputado estadual mais bem votado do Brasil”, conta vantagem. Este é o espírito do Partido Ecológico Nacional. Se o assunto é sustentabilidade, o objetivo é sustentar a legenda. Nestas eleições municipais eles não puderam participar de forma direta, mas se preparam para ter representatividade nas próximas eleições federais. Para tanto, Adilson tem viajado o Brasil para fortalecer a legenda. Na Paraíba ela já nasce gigante. É a maior bancada na Assembleia Legislativa do estado, tem o presidente da Casa. O PEN pode não ter eleito nenhum vereador e prefeito nestas eleições, mas garante que já está atraindo alguns dos que foram vitoriosos por outras legendas. O partido já está estudando como pode atrair estes prefeitos. “Estamos aguardando a posição do Tribunal Superior Eleitoral sobre isso. Há prefeitos

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Barroso prometeu copiar Toinho do Sopão

que nos ajudaram a fundar diretórios em suas cidades, e que podem ter uma história com o partido”, afirma o presidente nacional. Apesar de todos os deputados federais em atuação no PEN terem vindo do PSDB, partido de oposição, a legenda ecologicamente correta compõe a base do Governo Federal. “Entendemos que o país está andando na direção correta. O desconforto com o partido do passado que fez os deputados virem para o PEN. Geralmente o partido não está bem administrado por alguém que o administra, não deixa as pessoas tomarem decisão, fica impondo ditadura, e ditadura não serve em lugar nenhum,

especialmente nos partidos”, afirma Adilson. Ao todo, 33 tucanos voaram na direção dos trevos do PEN, o que desfalcou o PSDB em nível nacional. O presidente do partido na Paraíba, o deputado estadual e presidente da ALPB, Ricardo Marcelo, vai além em sua posição diante do governo. “No PEN não tem oposição e nem situação. O que o partido tem é a prioridade na questão da sustentabilidade e a vontade de fazer todo o possível para fazer o Brasil se desenvolver e crescer”, afirmou Marcelo. O Nordeste parece ser o campo mais promissor do partido. “Aqui vocês têm o foco na sustentabilidade. Gostam da natureza”, afirma Adilson. O PEN já tem deputados estaduais em 7 dos nove estados do Nordeste. A Paraíba é o estado com mais deputados estaduais até agora. Quase metade da Assembleia Legislativa. Em outros estados, como Alagoas, deputados com diversos mandatos aderiram ao partido. Para as eleições federais, Adilson afirma que tem um nome muito forte para concorrer à presidência da República. “É um dos cinco nomes mais fortes da política brasileira”, afirmou. Vale a pena lembrar, apenas por lembrar, que o partido cresceu muito não só na Paraíba, mas também no Ceará, do ex-governador Ciro Gomes, hoje, no PSB, e no Acre, da ex-senadora e ex-candidata a presidente do Brasil, Marina Silva, atualmente sem partido.

41-NOVEMBRO 2012

presidente e fundador do partido. Se alguns têm projetos de esquerda e outros não têm ideologia formada, partidos como PRONA e PRTB apresentam propostas, no mínimo, inusitadas e megalomaníacas, como a construção de um aerotrem que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Enéas, quando candidato a presidente pelo PRONA, defendia a necessidade da criação de uma bomba atômica com o intuito de garantir a “soberania nacional”. Já o presidente do PRTB, Levy Fidélix, prometeu que, se eleito prefeito de São Paulo, fecharia o aeroporto de Congonhas. Talvez o caos aéreo fizesse a ideia do aerotrem funcionar melhor, afinal.


Opinião

Unificação do ICMS

42-NOVEMBBRO 2012

A

proposta de unificação em 4%, da alíquota interestadual do ICMS cobrada pelos Estados para todas as mercadorias que passam de uma unidade da federação para outra, além de ter o potencial de pôr um fim à chamada “guerra fiscal”, tem o mérito de recolocar em pauta a questão, uma vez que a realização da reforma tributária segue a passos lentos. Hoje os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Espírito Santo, cobram uma alíquota de 12%. Já os do Sul e mais São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro cobram alíquota menor, de 7%, nas vendas para o restante do país. Pela proposta do governo, que prevê um dispositivo de transição, a redução e a unificação da alíquota em 4% para todos os Estados ocorreria em um prazo de oito anos, mas já a partir de 2014. Diante desse cenário, é provável que a renúncia fiscal? ou? taxa de sacrifício?, como classificou o governador da Bahia, Jaques Wagner? tenha muito mais impacto no Nordeste, cuja indústria, que tem crescido com índices robustos, é mais direcionada ao mercado nacional. Para minimizar as perdas para os Estados, o governo propôs a criação de um fundo de compensação, inicialmente de R$ 12 bilhões. Deste montante, R$ 3 bilhões seriam providos com recursos da União, enquanto os R$ 9 bilhões restantes entrariam no caixa dos governos estaduais em forma de empréstimos. Além dessa compensação direta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ofereceu aos governadores a possibilidade da criação de um fundo de desenvolvimento regional, para destinação de recursos aos Estados que têm receitas menores, e a revisão do indexador de suas dívidas com a União. Atualmente, essa dívida é corrigida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) mais 6% ou 7,5% ao ano e o governo estuda a substituição deste índice pela Selic. Como era de se esperar, e acontece sempre que reforma tributária e o

fim da guerra fiscal voltam à baila, os governadores se mostram divididos. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), por exemplo, vê a proposta do governo como “consistente e segura”. Seu colega do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSD), argumenta que a aceitação da proposta dependerá de como será feita a compensação, ressaltando que seu Estado perderia R$ 2 bilhões de arrecadação com a unificação da alíquota. Já os governadores do Amazonas, Omar Aziz (PSD), de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), posicionaram-se contra a medida com a justificativa de que seus Estados - e os demais de suas regiões - perdem com a proposta. Como se pode perceber por este início de discussões, não será uma negociação fácil, já que cada qual tem suas razões. Tanto os Estados consumidores e menos industrializados, quanto os produtores e industrializados se julgam prejudicados e não abrem mão de estímulos compensatórios. A julgar pela maneira como se posicionaram os Estados menos desenvolvidos para aprovar a nova divisão dos royalties, que ainda depende de sanção da presidenta, Dilma Rousseff, as disputas e divergências também darão o tom dessa questão. Para tentar um acordo que possa fazer a unificação do ICMS prosperar, é importante que o governo coloque na mesa de negociação outras questões que não podem mais tardar, como a dívida interna dos Estados e as novas regras de divisão dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Esses aspectos e a adoção de políticas que possam ativar os potenciais das regiões brasileiras, distribuindo de forma mais equilibrada as atividades produtivas em nosso território, são cruciais para acabar com as disputas, corrigir as desigualdades regionais existentes e oferecer a todos os Estados da federação oportunidades de se desenvolverem plenamente.

José Dirceu Advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

é importante que o governo coloque na mesa de negociação outras questões que não podem mais tardar, como a dívida interna dos Estados e as novas regras de divisão dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE)


43-NOVEMBRO 2012


Economia

O mar viro Maior estiagem dos últimos 40 anos faz reservatório de Sobradinho ter queda drástica de volume e gera apagão nos Estados

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João Thiago

44-NOVEMBBRO 2012

A

profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar cumpriu-se com a construção da barragem de Sobradinho, em 1974. O maior lago artificial do mundo na época cobriu as áreas urbanas das cidades de Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado e da própria Sobradinho, que dá nome ao lago que é usado, hoje, como uma das hidrovias mais movimentadas do Brasil, além de ser fonte do fornecimento de cerca de 90% da energia elétrica consumida em todo o Nordeste. Agora, outra profecia do beato Antonio Conselheiro, a de que o mar viraria sertão, está prestes a se tornar verdade com a maior seca dos últimos quarenta anos no Nordeste. Uma estiagem que

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Barragem de Sobradinho e a Chesf: Seca compromete a produção de energia nas nove hidrelétricas da Bacia do São Francisco

já se prolonga por três anos na região do sertão e que teve uma consequência que já era esperada, mas não planejada: Sobradinho começou a secar. É difícil imaginar Sobradinho tão baixo, mas basta conhecê-lo em números para se ter uma ideia da dimensão do problema. Seu tamanho já impressiona. Com 400 km de extensão, 4.214 km² de espelho d’água, chegando, em

alguns trechos, a 25 km de distância entre uma margem e outra, a barragem consegue armazenar até 34 bilhões de metros cúbicos de água. Ainda é uma das mais ambiciosas obras executadas no Brasil e orgulho da engenharia nacional. No entanto, os números, por mais impressionantes que sejam se tornam inexpressivos quando não há uma fonte contínua de água.


ou sertão Foto: Divulgação

O apagão de 26 de outubro foi só o último de uma série de quatro ocorrências que preocuparam a Agência Nacional de Energia Eletrica (Aneel) no último mês. A matriz energética do Nordeste se divide nas nove hidrelétricas ao longo da Bacia do São Francisco e termelétricas que geravam, até o apagão, 25% da energia consumida na região. Com o blecaute, para suprir a ausência das fontes hídricas, a energia térmica forneçerá até 40% de toda a matriz. A dependência da Chesf fez com que as outras fontes não fossem tão exploradas. Sobradinho tem capacidade para abastecer o Nordeste durante uma estiagem de até dois anos com 10% de sua capacidade. Mas a seca já dura três anos e o reservatório chegou a 24% da capacidade. As termelétricas foram a alternativa que o governo encontrou para suprir a demanda. “Neste momento, o Operador Nacional do Sistema (NOS) explora o máximo

Apagão gera demanda por termelétricas...

... afirma presidente da Chesf

das usinas hidrelétricas, deixando para as termelétricas apenas o complemento da energia. Isso é necessário para que a gente preserve o saldo de água nos reservatórios até o período chuvoso, que ocorre no mês de outubro, no caso do São Francisco”, explicou João Bosco de Almeida, presidente da Chesf. As Termelétricas apresentam dois problemas. O primeiro deles se deve ao custo, já que essa energia surge da combustão de produtos que possa gerar calor, como petróleo, carvão mineral, bagaço de cana, urânio enriquecido, no caso das usinas

nucleares, e outros. Adquirir estes produtos tem um custo. “E essa conta será paga por todos os brasileiros, independentemente do local onde a fonte de energia é usada. Isso é reateado por todos os consumidores do país”, continuou João Bosco. Outro problema é que essas usinas produzem gás carbônico e poluem mais que as hidrelétricas. Em decorrência do uso desta energia, nos últimos dez anos, o brasileiro aumentou em 19% a produção deste gás. Isso sem precisar ter comprado um carro ou acender um único fósforo.

Graças à estiagem dos últimos meses, o lago está com apenas 24% de sua capacidade total e a baixa no reservatório tem gerado preocupações. As nove usinas hidrelétricas da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que ficam ao longo do Rio São Francisco, precisam da Barragem de Sobradinho trabalhando a todo o vapor para produzir a energia elétrica

necessária para o consumo na região. Sem isso, a produção cai e o risco de um apagão cresce consideravelmente. O blecaute que aconteceu na madrugada do dia 26 de outubro, uma sexta-feira, quando toda a região Nordeste e partes do Pará, do Tocantins e de Minas Gerais ficaram no escuro por até quatro horas, não foi motivado pelo reservatório que está em baixa. Nesse caso,

um equipamento que não passou por manutenção na subestação de Colinas (TO) causou o blecaute. No entanto, se Sobradinho estivesse a plenos vapores, bastaria um redirecionamento da fonte energética e as nove usinas hidrelétricas da Chesf que dependem do reservatório supririam a demanda. Em decorrência do baixo nível do lago,  isso não foi possível.

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Acendendo a luz vermelha

Foto: Divulgação


Alternativa para energizar Estados

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E as outras fontes de energia? Há bem pouco tempo, falar em energia eólica, por exemplo, era algo distante da nossa realidade. Hoje, a partir dos investimentos nos parques eólicos e usinas de energia termosolar – o BNDES tem dado incentivos consideráveis neste sentido – já é possível ver exemplos concretos do desenvolvimento dessas energias alternativas, embora ainda sejam tímidos. A usina de Coremas, no interior da Paraíba, ou os 71 parques eólicos licitados no primeiro leilão de energia eólica do Brasil, em 2009, são pequenas demonstrações do que vem acontecendo. Em setembro de 2011, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, assinou um termo para a construção da usina de Coremas, que fica no sertão paraibano. O parque, que usará energia termosolar, produzirá 50 MW de energia e custará R$ 350 milhões. O investimento é alto e não se sabe se compensará, haja vista o pequeno potencial que irá produzir. Só para ilustrar, o conjunto de nove usinas hidroelétricas da Bacia do São Francisco produz quase 10 mil MW. A usina mais fraca deste sistema, a Paulo Afonso I, na Bahia, produz 150 MW, ou seja, três vezes mais energia que Coremas produzirá em seu auge. As fontes alternativas poderiam ser mais bem aproveitadas, não fossem os entraves do governo. Um exemplo são os parques eólicos licitados em 2009. Todos já estão prontos para funcionar, no entanto, 32 deles amargam um isolamento da rede elétrica geral que não pode chegar a eles porque a empresa

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A energia termosolar, produzida através de turbina ou motor, é uma alternativa cara

que venceu a licitação para instalar estas redes não as preparou até agora. A empresa que venceu o processo licitatório para fazer as tais linhas que uniriam os parques à rede elétrica geral foi a estatal Chesf. Até agora a Companhia não concluiu nenhuma das linhas, e, em alguns casos, nem começou as obras. As usinas, em compensação, já estão prontas, e poderiam estar alimentando boa parte do Nordeste. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está negociando com a Chesf uma forma de minimizar o prejuízo com a demora na construção dessas linhas. Enquanto isso, os parques construídos em 2010 estão enfrentando problemas. Alguns cronogramas previam que eles começariam a atuar em se-

tembro de 2013, mas a previsão agora é de que só funcionem em janeiro de 2015. “Houve um descasamento entre a entrega das usinas e do sistema de transmissão. Uma das possibilidades que estamos negociando com a Chesf é a instalação de um sistema provisório enquanto o definitivo não fica pronto”, explicou o diretor da Aneel, Romeu Rufino. Prejuízo para a população, mas não para as empresas que instalaram as geradoras de energia. O contrato firmado prevê que, mesmo sem o fornecimento da energia, as empresas podem receber. Resultado: Os 32 parques eólicos parados, sem produzir qualquer energia, sem ligar os moinhos e sem gastar um centavo com funcionários, já têm receita de R$ 370 milhões para receber.


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Departamento de Fontes Alternativas de Energia do BNDES, Antonio Tovar. Em 2009 o banco havia liberado só R$ 230 milhões em financiamentos para projetos de energia movida pelo vento. Desde então, o valor aumentou muito. Hoje, os parques instalados no Brasil podem produzir cerca de 1.600 MW. Até o fim do ano este valor poderia quase dobrar, chegando a 3000 MW, mas a falta das linhas de transmissão ameaça este objetivo. Ate 2016, se tudo der certo, os parques eólicos do Brasil produzirão 8.100 MW, o que garantiria uma boa quantidade de fornecimento de energia para o Nordeste e parte do sudeste, onde estão instalados a maioria dos parques eólicos brasileiros.

A crise energética não é uma novidade no Brasil, e investimentos em fontes alternativas são mais que necessários. Não se trata de descartar o uso da energia gerada pelas termelétricas, mas de usa-la com responsabilidade, buscando o equilíbrio na matriz, com energias limpas. Para o especialista da ONG Ilumina, João Paulo Aguiar, este é o maior dos problemas. Ele tem mais de 50 anos no setor elétrico, e vê o uso de energias termelétricas com desconfiança. “O prejuízo é o custo. A água é gratuita, a térmica custa centenas, às vezes, milhares de reais. Sem contar a poluição que ela gera, o que é uma preocupação”, lamentou. Enquanto o mar de Sobradinho vai secando e virando sertão, cumprindo a palavra do beato Antônio Conselheiro, o governo não dá adeus a Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado, mas a energia barata fornecida pelas usinas hidrelétricas. Com o aumento no preço do fornecimento em decorrência da utilização das termelétricas o plano da presidente Dilma Rousseff de diminuir o custo das contas de luz dos brasileiros pode entrar em risco. A ideia era cortar tarifas, impostos e oferecer aporte às empresas fornecedoras de energia elétrica. No total, o corte seria de cerca de 20% para o consumidor. Esperemos.

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Os ventos sopram a favor A energia eólica desponta como melhor opção para quem quer investir em fontes alternativas. Segundo o gerente do BNDES, Luis André Sá d’Oliveira, o preço deste tipo de energia tem ficado, em média, de 20% a 25% mais barato a cada ano, fazendo com que ela seja a mais competitiva entre estas fontes de energia. “Até 2014 esperamos que esta matriz seja responsável por 5% da energia fornecida no Brasil”, revelou. Os cataventos têm sido a grande vedete do fornecimento de energia. No ano passado o BNDES investiu R$ 2,2 bilhões, e a expectativa é que, neste ano, este valor aumente 30%. “A capacidade instalada saltou três vezes de 2009 até agora”, comemorou o chefe do

Termelétricas: Custo pode atrapalhar planos de Dilma de desconto em contas de luz

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Adeus descontos?

Produzida pela força dos ventos a energia eólica é abundante, renovável e limpa


INFORME PUBLICITÁRIO

Política HaBitacional e Beneficia cerca

N

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os últimos 30 meses, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) entregou 3.838 unidades habitacionais a moradores da Capital paraibana que antes viviam em imóveis sem habitabilidade. Até dezembro deste ano, está prevista a entrega de mais 2.244, totalizando 6.082 casas e apartamentos. Outras 5.187 novas unidades estão em construção e devem ser entregues ainda no primeiro semestre de 2013. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Semhab), o prefeito Luciano Agra já entregou os residenciais Manacá, com 244 casas, em Paratibe; o Anayde Beiriz, com 584 apartamentos, no Bairro das Indústrias; o Irmã Dulce, com 1.240 apartamentos, no Colinas do Sul; 19 casas no Alvorada,

em Mandacaru; e 96 apartamentos no Residencial Maria Salete (Sassá), na Ilha do Bispo. Também recuperou e entregou condomínios, como o Fraternidade, nos Funcionários IV, e o Índio Piragibe, na Ilha do Bispo. Estão previstos para entrega, até o fim deste ano, o Residencial Jardim Veneza, com 576 apartamentos, no Jardim Veneza; os 192 apartamentos restantes do Residencial Maria Salete (Sassá); mais 114 casas da Comunidade Taipa, no Costa e Silva; 396 apartamentos do PAC Jaguaribe, no Cristo; 224 no Condomínio Esperança, no bairro Padre Zé; 272 no Condomínio Independência, em Paratibe; 152 no Condomínio da Paz, no Jardim Veneza; 64 no Condomínio Girassol, em Mangabeira; 136 apartamentos na Comunidade

do Timbó; e mais 222 casas de alvenaria, em substituição a imóveis de taipa, pelo Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH). Em andamento – Entre as obras que continuam em 2013, estão o Residencial Jardins das Colinas, com 288 apartamentos, no Colinas do Sul; 876 apartamentos em Jaguaribe; urbanização e construção de 129 casas na comunidade Maria de Nazaré, nos Funcionários III; construção de 400 apartamentos na comunidade Saturnino de Brito, nas Trincheiras; e a continuação do PAC II, na Comunidade São José, com a construção de 2.961 apartamentos. Requalificação – Para o prefeito Luciano Agra, a estrutura dos residenciais restaurados

TÍTULOS DE POSSE Padre Zé (bairro Padre Zé)

e Condomínio Esperança

738

títulos de posse entregues

Amizade (Paratibe)

180 títulos de posse entregues

Pac Sanhauá

(Ilha do Bispo, Porto do Capim, Alto do Mateus, comunidade do “S”)

1309 em andamento

Maria de Nazaré (Funcionários II)

650 em andamento

Taipa/Nova Vida e Vila da Palha (Costa e Silva e Distrito Industrial)

680 em andamento

Saturnino de Brito

Distrito Mecânico

Muçumagro

(Trincheiras)

(bairro de Muçumagro)

1621 2.280

39

em andamento

em andamento

(Trincheira)

Gervásio Maia Paulo Afonso Nova República

em andamento

Comunidade Marta Pacheco

Condomínio Fraternidade

23

16

40

em andamento

em andamento

CONCLUÍDO

(Oitizeiro)

(Funcionários IV)


de João Pessoa avança de 10 mil famílias

Programa Morar Legal – Além de construir e restaurar unidades habitacionais, a PMJP

também regulariza imóveis ilegais da Capital paraibana. Agra já entregou escritura da casa própria para 1.052 famílias em João Pessoa, e mais de três mil novos títulos estão tramitando em cartório e devem ser entregues em breve. Só no Bairro Padre Zé, um dos primeiros a ser mapeado, 738 famílias já receberam a escritura do imóvel. No Condomínio Amizade, o primeiro a ser reformado, das 232 famílias, 177 já receberam a escritura. No Condomínio Fraternidade, das 40 famílias, 37 já têm a escritura do apartamento e, na Comunidade 5 de Junho, no Alto do Mateus, 100 títulos foram entregues. Vários outros bairros estão passando pelo processo de legalização de imóveis. No Residencial Gervásio Maia, no Colinas do Sul, das 1.336 famílias,

1.036 têm títulos tramitando em cartório. No Residencial Paulo Afonso, em Jaguaribe, são 250 famílias; em Nova República, no Geisel, mil famílias; no Distrito Mecânico, Varadouro, são 39 famílias; na Comunidade do Eucalipto, no Jardim Cidade Universitária, 200 unidades habitacionais; na comunidade Taipa, no Costa e Silva, mais 600 imóveis;na Rua Marta Pacheco, em Oitizeiro, outros 19 títulos; e, no Parque do Sol, em Gramame, mais 48 no Condomínio Vitória.

Condomínio Liberdade

Condomínio Cidadania

Condomínio Independência

Condomínio Girassol I

Condomínio Índio Piragibe

Condomínio da Paz

Comunidade Cafofo Liberdade

Santa Bárbara

88

112

288

64

32

136

50

400 111

em andamento

em andamento

em andamento

em andamento

em andamento

em andamento

em andamento

famílias em andamento

(Paratibe)

(Paratibe)

(Paratibe)

(Mangabeira)

(Ilha do Bispo)

(Jardim Veneza)

(Expedicionários)

(Paratibe)

Eucalipto

(Jardim Cidade Universitária)

em cartório em andamento

Padre Hildo Bandeira

(Tambauzinho e Torre)

680 famílias em andamento

Comunidade 5 de Junho

(Alto do Mateus)

100 entregues

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melhorou de forma considerável, o que promoveu a requalificação das unidades habitacionais. “Esse segmento da nossa política na área de habitação é referência para alavancar outros projetos”, disse. Dentro deste projeto, ao todo serão 1,1 mil apartamentos reformados, sendo que 680 devem ser finalizados até o final deste ano. Já foram entregues os condomínios Fraternidade (Funcionários IV), Amizade (Paratibe), Girassol (Mangabeira) e Índio Piragibe (Ilha do Bispo). Ainda este ano, deverão ser finalizados os condomínios da Paz (Jardim Veneza), Esperança (Padre Zé) e Independência I e II (Paratibe).


Economia

Cinturão de des Região Norte de Pernambuco e Sul da Paraíba atrai investimentos e se torna novo polo desenvolvimentista do Nordeste Mônica Melo e João Thiago

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À

s margens da BR-101, entre Recife e João Pessoa, a paisagem é majoritariamente marcada por canaviais, usinas de açúcar e cidades pouco desenvolvidas. Surgem, eventualmente, empresas aqui e acolá, que se utilizam da facilidade logística oferecida pela rodovia, que liga todo o Brasil pelo litoral, para agilizar a distribuição de seus produtos. Mas este cenário vem mudando. Especialmente na divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Ali, no litoral norte pernambucano, mais exatamente na cidade de Goiana, há algum tempo foi dado início a uma transformação. O município, considerado pequeno, pelo menos em termos populacionais, vem ganhando destaque e se firmando como centro industrial e econômico da região, que compreende também o estado vizinho paraibano. A cidade fica mais próxima a João Pessoa, estando localizada a pouco mais de 60 km da capital da Paraíba. Nessa nova região industrial está sendo instalado o Polo Farmacoquímico e empresas respeitadas dentro de diversos seguimentos, a exemplo da multinacional fabricante de papéis, Klabin, a também multinacional produtora de cimentos Nassau e mais recentemente a nova unidade da Fiat Automóveis, que sozinha vai gerar aproximadamente 4.5 mil empregos efetivos e deverá entrar em funcionamento em 2014. Isso sem falar na Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), que entrará em funcionamento em 2013 e cujo faturamento deve girar em torno de R$ 500 milhões por ano, gerando 370 empregos diretos. Apenas em 2011, em um grupo de quinze empresas de grande porte que se instalaram em Pernambuco, cinco optaram pelo município. A região cresce, e a olhos vistos.


senvolvimento Atrair e crescer

Parque industrial atrai grandes empreendimentos e gera emprego e renda para a região fronteiriça

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Foto: Divulgação

Historicamente o estado de Pernambuco sempre demonstrou uma forte vocação industrial. Desde as primeiras iniciativas com Delmiro Gouveia, no século XIX até a instalação de empresas do porte da Votorantim Cimentos, M&G Polímeros, Coca-Cola Guararapes, Mossi & Ghisolfi, White Martins e da Odebrecht, essa tendência parece se confirmar. Além disso, o estado conta com o complexo industrial e portuário de Suape, que é o mais completo polo de negócios industriais e portuários da região Nordeste. A política de desenvolvimento de Pernambuco tradicionalmente prioriza a atração de investimentos, a expansão da infraestrutura, a promoção de arranjos produtivos, e o suporte às exportações. Com isso, no ano de 2011, o PIB (Produto Interno Bruto) de Pernambuco foi de R$ 86 bilhões, cifra bastante diferente da sua vizinha Paraíba, cujo PIB no mesmo período não ultrapassou a casa dos R$ 32 bilhões. Esses dados demonstram que o estado da Paraíba, apesar da localização favorável, não conseguiu pegar carona no processo de industrialização pernambucana e agregar, com poucas exceções, grandes empresas ou iniciativas que pudessem alavancar a economia local e se livrar do status de primo pobre de Pernambuco.


Área fronteiriça oferece Fotos: Divulgação

A Paraíba começa a sentir os efeitos de ter um vizinho importante. A cidade de Pitimbu, localizada no litoral sul paraibano, a poucos quilômetros da divisa com o estado de Pernambuco, foi uma das beneficiadas. No local, o Grupo Brennand Cimentos está investindo R$ 600 milhões na construção da primeira fábrica da empresa na região. O empreendimento vai gerar 245 empregos diretos e 800 indiretos quando entrar em funcionamento. A escolha do município se deveu não apenas pelo solo da região ser rico em calcário, mas também por sua localização estratégica, que possibilita a comercialização dos produtos em todo o Nordeste.

Grupo Brennand está investindo 600 milhões na construção da primeira fábrica da empresa no litoral sul paraibano

Fotos: Divulgação

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Mais indústrias desembarcam em Goiana Outra empresa de grande porte que agora disputa a escassa mão de obra na construção civil com a Brennand é a Fiat, que apostou no posicionamento estratégico de Goiana. A empresa está construindo uma unidade industrial na cidade que deverá produzir entre 200 mil e 250 mil unidades por ano, com investimentos entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. Só para levantar a estrutura física mais de sete mil profissionais oriundos de treze municípios vizinhos, foram mobilizados. Ela será a segunda fábrica da empresa no Brasil e deve se tornar o centro de um polo automotivo altamente integrado. Com previsão de início de funcionamento em 2014, a linha de produção deve gerar mais de 3,5 mil postos de trabalho. "A Fiat e o Estado de Pernambuco estabelecem hoje uma relação duradoura, produtiva e transformadora, que beneficiará toda a economia e toda a sociedade. Estamos dando início formal ao que será uma nova fase na história de 35 anos da Fiat no Brasil, ao mesmo tempo em que ajudamos a construir uma etapa importantíssima

Montadora da Fiat pretende produzir até 250 mil carros por ano. Em breve se tornará centro de um polo atomótivo integrado

do desenvolvimento de Pernambuco”, disse o presidente da Fiat para a América Latina, Cledorvino Belini. Mas antes da Fiat, deve começar a funcionar em agosto do próximo ano, a Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), primeira fábrica de vidros planos do Nordeste; O empreendimento conta

com um investimento de R$ 770 milhões e será sediada também em Goiana. A indústria deverá suprir os mercados das regiões Norte e Nordeste, bem como parte da demanda das regiões Centro-oeste e Sudeste. A expectativa é a geração de 370 novos empregos diretos e mais de 1500 indiretos.


“Juntando os demais investimentos industriais projetados para instalação nas regiões sul da Paraíba e norte de Pernambuco, o novo Distrito Industrial do Nordeste mudará o perfil sócio econômico desta região”, defende o coordenador da Brennand Cimentos, Francisco Carlos da Silveira. Para Silveira, o Nordeste vem se destacando economicamente, independentemente do setor em que se investe, mas precisa ampliar seus horizontes. “É preciso apresentar uma nova postura, ampliando seu campo de atuação não apenas para conquistar novos consumidores, mas para aproveitar as possibilidades que a região oferece”, disse.

E a área fronteiriça entre Paraíba e Pernambuco é cheia dessas novas possibilidades. A obra isolada da Brennand Cimentos irá gerar aproximadamente 1,8 mil empregos nas áreas civil, mecânica e eletrônica. “Os moradores de Pitimbu recebem aulas de Cidadania visando a preparação para mudança de perfil profissional de agricultores e pescadores para industriários, bem como complementação educacional para permitir o acompanhamento dos conhecimentos tecnológicos ministrados pelo SENAI para as profissões demandadas, tanto na fase de construção do site industrial como também para a fase operacional”, explica.

Gerando reações em cadeia Com foco na moderna e rentável indústria de medicamentos e biotecnologia, Pernambuco está inovando, mais uma vez, ao construir o primeiro Polo Farmacoquímico do Brasil. A iniciativa é ousada e pretende levar para uma área de 302 hectares no município de Goiana empresas e pesquisadores acadêmicos, numa aliança estratégica. Quase uma dezena de empresas já foi atraída para o empreendimento e, com a consolidação do projeto, sua base começa, inclusive, a chamar a atenção de ramos próximos, como os da cosmética. Os últimos anúncios feitos são referentes às plantas da Ion Química (insumos para a indústria farmacêutica e de cosméticos); AC Diagnóstico (kits de diagnósticos); Inbesa, detentora da marca de cosméticos Rishon; Cosméticos Indústria e Comércio, conhecida no mercado como Hair Fly, também do ramo de cosméticos, e a Multisaúde, de medicamentos homeopáticos. Além das novatas, o Polo Farmacoquímico conta com o envolvimento da Hemobrás, estatal do Ministério da Saúde, que já inaugurou parte de seu parque fabril, a Vita Derm (cosméticos) e a Riff Laboratório Farmacêutico (soro). Há ainda a Lafepe Química, cujo projeto para produção de antirretrovirais está sendo formatado pelo Laboratório de Pernambuco (Lafepe). Todos esses empreendimentos

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Polo Farmacoquímico atrai grandes empresas deverão gerar 1.546 empregos diretos. O investimento total será superior a R$ 846,3 milhões. Por suas características gerais, o Polo Farmacoquímico está sendo montado como um empreendimento de classe mundial. O estado é o único do Brasil a concentrar, numa só iniciativa, tantos pontos favoráveis à recepção de indústrias do setor. A partir da operação pernambucana, as indústrias aqui instaladas poderão construir bases para operações internacionais, atendendo a mercados vizinhos, como o africano e o americano. A concepção e implantação do empreendimento fazem parte de uma robusta política pública estadual, que prevê desde a concessão de incentivos fiscais específicos para o setor até a garantia de oferta de infraestrutura.

Goiana parece ser o polo irradiador de uma mudança de perfil socioeconômico na região e seus efeitos serão sentidos na economia, no mercado de trabalho e na educação e qualificação profissional. As grandes empresas estão atraindo consigo pequenos empreendedores, o sistema “S”, com Senai, Sesi, CNI, universidades, shopping centers e construtoras. Grandes empreendimentos estão sendo erguidos em Pitimbu e outras cidades do litoral sul paraibano, como condomínios fechados e edifícios. A procura por mão de obra especializada está incentivando as grandes empresas que chegam a formar profissionais para satisfazer o mercado. A Brennand investiu no programa “Mãos dadas com o futuro” e vem formando pedreiros e carpinteiros que já estão trabalhando na planta que a empresa está levantando em Pitimbu. Os cursos são ministrados por profissionais do Sebrae e têm sido um diferencial para a empresa, para o mercado e para os cidadãos da localidade, que vislumbram uma nova oportunidade com a formação. Foi o caso do pescador Wilson Barroso. Ele está se formando no curso de carpintaria e tem se destacado. “A gente tem que buscar uma nova oportunidade. A empresa está dando e a gente tem que tentar de todo o jeito pegar”. Seu objetivo é mudar de vida e fazer da pesca não a profissão, mas o hobbie. “Mergulho perto da Ponta do Seixas, e ali tem umas lagostas enormes. Quero pescar só por diversão”, afirma. Para o coordenador da Brennand, Francisco Carlos da Silveira, capacitar mão de obra local é importantíssimo para o desenvolvimento da região. “Vamos formar cerca de 900 alunos. Queremos que eles encontrem muito campo para trabalhar aqui na região”, disse. Com todas as obras em andamento na região o que não vai faltar é empregos. Nos próximos anos serão levantadas plantas de empresas de autopeças, vidros, cimenteiras, químicas, cosméticas, estradas vicinais terão de ser construídas, e isso vai gerar a necessidade de novas moradias, da ampliação da infraestrutura, segurança e outros serviços. O boom da região está no começo.

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e oportunidades

Investindo em gente


Capa

GARGALOS EMPERRAM CRESCIMENTO

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Infraestrutura deficiente e logística defasada são os maiores entraves para empresários que querem investir na região. Solucionar este problema vai exigir mais de R$ 25 bilhões em obras estruturantes

João Thiago

O

Nordeste produz uma média de 278,4 milhões de toneladas de mercadorias por ano. Quase R$ 30 bilhões anualmente. Esta produção é diversificada e rica. De matéria prima a artefatos tecnológicos complexos, de frutas a medicamentos, de veículos a pedras preciosas, a região é responsável por um considerável volume de negócios que deixa orgulhosos os moradores da região. Este volume corresponde a 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas poderia ser mais. A produção do Nordeste só não é mais efetiva em decorrência de gargalos logísticos sérios na região. Rodovias em mau estado, poucas ferrovias, transporte oneroso, portos obsoletos. A falta de opções de transporte para, ou trazer matéria prima, ou escoar produtos acabados é fator impeditivo para empresários investirem na região. Segundo estudo conduzido pela Confederação Nacional das Indústrias, a região Nordeste precisa investir R$ 25,8 bilhões em infraestrutura nos próximos oito anos para garantir o escoamento da produção. Esse valor é necessário para tocar os 83 projetos de ampliação e modernização de rodovias, ferrovias, hidrovias e portos nos nove estados que são considerados pela CNI como prioritários dentro do universo de 196 projetos logísticos fundamentais. Ao

todo, os projetos, nos próximos anos, precisariam de um investimento total de R$ 71 bilhões. “A priorização dos 83 projetos permitirá que com 2/3 do investimento necessário seja possível alcançar mais de 80% da economia potencial consolidada. Em suma, todos os 196 projetos são relevantes, mas os 83 selecionados devem ser priorizados e realizados no curto ou médio prazo”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. As ferrovias e os portos são os que mais precisam de dinheiro. Juntas, as duas malhas vão demandar 90% dos R$ 25,8 bilhões, destinados à região para os próximos oito anos, sendo R$ 12 bilhões para ferrovias e R$ 11 bilhões para os portos. Outros 9% devem ser investidos nas rodovias e 1% nas hidrovias. “A baixa eficiência de transporte de cargas compromete o esforço de adequação do setor produtivo aos padrões de competição e qualidade internacionais. Os custos de transporte são, em média, bastante superiores aos do mercado internacional”, afirma o presidente da CNI. Para comparação, um levantamento da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, estudou os custos logísticos do Brasil e chegou à conclusão que eles comprometem 13,1% da receita das empresas brasileiras. O levantamento foi feito com 126 empresas de diversos setores. Elas representam 20% do Pro-


de que a região demanda investimentos urgentes. Para Francisco Metidieri, da Pavlog, operadora logística que atua principalmente na Bahia, os investimentos públicos não acompanharam o ritmo de crescimento da região, que acabou ficando prejudicado. “Ainda é necessário que a iniciativa pública melhore o acesso ao mercado nordestino. É preciso melhorar portos, ferrovias, aeroportos e rodovias urgentemente”, reclama o empresário. Agapito dos Anjos, diretor executivo da Stock Tech, empresa de armazéns gerais, explica que os projetos logísticos da região não evoluem em uma velocidade que supre a demanda de crescimento do mercado. “Isso ocorre porque muitos dos envolvidos, seja governo, indústria, investidores e os próprios operadores logísticos não enxergam o retorno que investimentos em infraestrutura podem trazer”, diz. 

Em trecho crítico da PI-140 veículos encontram dificuldade para transitar tranquilamente. Rodovias nordestinas estão entre as piores do Brasil segundo estudo da CNT

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duto Interno Bruto Nacional. “O nosso nível de investimento em infraestrutura logística nunca passou de 2% do PIB ao longo dos últimos anos. Quanto maior o custo logístico, menos é a margem de lucro para as empresas”, pondera o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende. O estudo conduzido pelo instituto mineiro também aponta que o custo logístico do Brasil é de 12% do PIB, enquanto essa relação é de 8% do PIB nos Estados Unidos. Se a logística brasileira tivesse o mesmo desempenho da americana, o País teria uma economia de R$ 83,2 bilhões ao ano. Empresários do ramo logístico que resolveram investir no Nordeste têm em comum a opinião


Restrições preocupantes 

Os empresários e o poder público estão de comum acordo que é necessário investir nos gargalos do Nordeste. Hoje, em toda a região, existem 83 projetos sendo conduzidos na área da logística. Seja construção ou reparação de rodovias, ferrovias, hidrovias ou qualquer caminho que possa ser usado para escoamento da produção da região, estas obras precisam ficar prontas o mais rápido possível. Um cálculo do estudo do CNI prevê que nos próximos oito anos os custos logísticos da região aumentem 50% e cheguem a R$ 44,5 bilhões em 2020. Este valor é quase o dobro do que a CNI prevê que seria necessário investir para que os problemas logísticos na região fossem resolvidos. Aí optar entre gastar R$ 44,5 bilhões em 2020 com gargalos logísticos em diversas rodovias, hidrovias, ferrovias e portos, ou gastar R$ 25,8 bilhões ao longo dos próximos oito anos montando uma infraestrutura economicamente viável que fará com que o gasto logístico diminua consideravelmente fica bastante fácil. O estudo da CNI é emblemático ao revelar os gargalos específicos na região Nordeste. Entre estes gargalos, um dos

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Presidente da CNI, Robson de Andrade

mais preocupantes é a BR-101. Em vários trechos da rodovia, que nasce no Rio Grande do Sul e corta o Brasil pelo litoral, a capacidade de transporte é ultrapassada (veja quadro), ou seja, de 51,3 mil toneladas/dia de mercadorias transportadas. Em alguns trechos este peso está sendo excedido em até 165%, como no que vai de Maceió a Recife,

onde se anota até 84,8 mil toneladas/ dia sendo transportadas. No ramo ferroviário, a situação começa a ficar preocupante. Como o modal é menos privilegiado do que o rodoviário, sua capacidade de transporte ainda não chegou ao limite, mas está perto. A Estrada de Ferro Carajás, que liga as minas de minério de Ferro do Pará ao porto de São Luís é um bom exemplo. A ferrovia está trabalhando com 90,8% de sua capacidade total. Ou seja, quase em seu limite. A expectativa é que, até 2020, o trecho entre em colapso, tendo que transportar quase três vezes mais do que transporta hoje. O problema dos portos do Nordeste é justamente a falta de acesso local a eles, o que faz com que se tornem uma opção por vezes cara para que empresários invistam. Atualmente apenas o Complexo Portuário de São Luís e o Porto de Recife utilizam mais do que suas capacidades permitem. Em 2020, no entanto, seis portos vão operar acima da capacidade e outros dois estarão com potenciais gargalos. Os casos mais críticos devem ser os do Complexo Portuário de São Luís e do Porto de Natal.

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Saiba em quais áreas estão as obras prioritárias que podem solucionar o gargalo logistico existente no Nordeste. Serão necessário mais de R$ 71 milhões em obras.


Balança Comercial da Região Nordeste

“Existe uma cultura que precisa ser modificada. Há uma tendência de se olhar apenas o custo aparente e imediato da atividade logística da região Nordeste, o que acaba fazendo com que boa parte do mercado ainda se contente com operações de baixa performance e duvidosa qualidade”, afirma Agapito dos Anjos, da Stock Tech. Esta cultura, ainda bem, está mudando. “Existe um movimento entre as empresas interessadas em mudar essa visão e profissionalizar o setor, o que será um longo trabalho, principalmente para melhorar a qualidade das estradas, já que a região possui a pior avaliação de rodovias de todo o país”, continua Agapito. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Nordeste possui 84% dos trechos que foram apontados como “regulares”, “ruins” ou “péssimos” pelos usuários em todo o Brasil. O empresariado poderia ver os gargalos como um problema, mas muitos enxergam nele uma oportunidade. A

Descaso com o modal ferroviário é um dos principais entraves para desenvolvimento logistíco

ideia da Confederação Nacional das Indústrias com o “Nordeste Competitivo”, é convidar os empresários a pensar na logística como assunto de seu interesse. “O Governo Federal elabora seus projetos e propõe as parcerias à iniciativa privada, mas nem sempre estes projetos coincidem com a necessidade

do empresariado. Com o levantamento feito pela CNI, os empresários podem passar a oferecer para o governo projetos que sejam do seu interesse”, explica o presidente da entidade. O interesse dos empresários é que eles possam efetuar seus transportes de forma segura, rápida e barata. Para 

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Mudança de foco

Foto: Divulgação


isso, o estudo levantou as cadeias produtivas mais importantes do Nordeste no ano de 2010, considerando volume e valor de mercadorias. Foram selecionadas 18 cadeias que correspondem a 90% do volume movimentado na região Nordeste. Estas cadeias foram divididas regionalmente, levando em consideração países e estados de destino, origens de matérias primas, volume transportado, tudo para chegar ao fluxo de mercadorias na região. “Mais de 12 mil fluxos foram mapeados por nosso estudo”, afirma Robson de Braga Andrade. Com estes dados em mãos a CNI foi atrás das principais infraestruturas atuais de transporte de cargas e armazenamento no Nordeste, no resto do Brasil e nos países vizinhos, chegando ao número de 27 portos e terminais, 23 aeroportos, 34 principais rodovias, 4 ferrovias, 8 rios

navegáveis e 4 dutovias. “Com as cadeias nas mãos e sabendo qual era a infraestrutura disponível, pudemos avaliar os fluxos e identificar os gargalos levando em conta os números de 2010 e a previsão de crescimento para 2020”, revela o presidente da CNI. Algumas das soluções para a logística nordestina que foram oferecidas pelo estudo são o trabalho de dragagem no leito do Rio São Francisco, uma das principais hidrovias brasileiras; reformas generalizadas nos portos da região, com ampliação, modernização e desenvolvimento de acessibilidade; duplicações em diversas estradas, principalmente as que são eixos intermodais, ou seja, que unem hidrovias a ferrovias, a portos, etc; ampliação da malha ferroviária e ampliação dos aeroportos. Das 18 cadeias produtivas princi-

pais, que movimentam 90% do fluxo mercadológico do Nordeste, oito são responsáveis por 63% desta movimentação: Petróleo e derivados, químicos industriais, ferro e aço, veículos e autopeças, madeira, açúcar e álcool, cobre e soja. Em 2010 estes produtos movimentaram quase R$ 21 bilhões na região. O Nordeste Competitivo é o terceiro estudo que a CNI divulga para o Brasil. Os primeiros estavam focados nas regiões Norte e Sul e demonstram, por comparação, que a situação do Nordeste é a mais crítica até agora. Na região Norte, a necessidade de investimentos em logística é de cerca de R$ 13,8 bilhões, e no sul o valor é de R$ 15,2 bilhões. Os dois juntos dão pouco mais que os R$ 25,8 bi necessários apenas para colocar o NE inicialmente nos eixos.

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Em todo o Nordeste empresários enfrentam dificuldades para escoar seus produtos e mesmo para receber matéria prima. Conheça os pontos mais críticos nas rodovias e ferrovias da região.


Foto: Divulgação

Trechos da BR-101, especialmente na Bahia, apresentam buracos e pouca qualidade. No Piauí e no Maranhão a situação não é diferente

Por hora, ter como foco o desenvolvimento da região é o caminho. O Ministério da Integração Nacional, a Sudene e outros órgãos têm se mobilizado em nome deste desenvolvimento, e os investimentos começam a chegar. Em 2011, só de financiamentos oriundos do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social, a região teve disponíveis R$ 9,9 bilhões para investir em infraestrutura. Muito foi absorvido pelo combate à seca na região, outro grande problema apontado pelos empreendedores nordestinos, que vem atrapalhando o trabalho e restringindo o crescimento em decorrência da grande necessidade da água para o fornecimento de energia. Com empresários decididos a investir junto do Governo Federal e dos demais órgãos públicos na transformação da logística regional,

o processo de recuperação pode ser acelerado. O estudo prevê que o empresariado apresente para o governo suas propostas para melhorias logísticas e se proponha a ajudar até financeiramente. O retorno do investimento total poderia se dar em pouco mais de quatro anos com a economia de gastos logísticos que se dará em decorrência da melhoria das vias de acesso daregião. Atualmente a região gasta em torno de R$ 30,2 bilhões com transportes, incluindo custos com frete interno, pedágios, transbordo e de terminais, tarifas portuárias e frete marítimo. Mas, no longo prazo, O Nordeste demanda investimentos mais robustos. A análise é de que para solucionar os problemas de logística totais da região seriam necessários R$ 71 bilhões para

196 projetos. “Macroproblemas” que exigem “macrosoluções”, mas geram “macrooportunidades”. Olhar para o Nordeste agora e enxergar além de seus problemas é um desafio que alguns empresários já aceitaram. Empresas estão se instalando na Região, formando polos de desenvolvimento focados em cadeias específicas de produção, o que pode mudar o mapa econômico brasileiro. Pernambuco, Ceará, Paraíba e Bahia estão atraindo alguns bilhões de investimentos da iniciativa privada que só precisam encontrar o caminho certo para chegar. E este caminho certo tem que passar, sempre, por nossas estradas, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A logística, assim como o Nordeste, não pode esperar.

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A região não pode esperar


arquiteturas Rossana Honorato

m

A dignidade do espaço público

ilhões de brasileiros aguardam o quadriênio da gestão municipal que se avizinha com relação à administração da avassaladora expansão urbana. O apelo à dignidade dos espaços públicos face ao volume de investimentos injetado no tempo das cidades implica reabilitar zonas bem abastecidas de infraestrutura, atinar para os vazios urbanos e racionalizar o adensamento do uso do solo visando a economicidade da ocupação territorial. Vigente há mais de uma década o Estatuto da Cidade ainda se impõe como instrumento regulador. À parte a defasagem quantitativa da demanda desassistida , é premente sustentar o ordenamento normativo para promover a superação da desigualdade da distribuição territorial de benefícios. O mais barato nem sempre convém.

Quanto melhor o investimento em planejamento, conforto ambiental, concepções estruturais e materiais de alta resistência e durabilidade maior a eficácia para os gastos públicos pelo rebaixamento de demandas por manutenção e pelo abalo que causam ao cotidiano da vida nas cidades. Serviços, não raras vezes recém-executados e sem planejamento, impactam negativamente sobre a execução de cronogramas físico-financeiros - quando existem -, e terminam por empatar a aptidão municipal para a competitividade global na atração de novos investidores. A dignidade do espaço público implica uma revisão essencial sobre a qualidade das intervenções financeiras que garanta o pleno direito ao ir e vir de pessoas em qualquer faixa etária e condições de mobilidade, amparado por um conceito que carece

popularizar-se: o direito ao desenho universal na implantação de sistemas viários, transportes coletivos, espaços abertos, equipamentos institucionais (públicos e privados), mobiliário urbano e habitação popular que acolha, com equidade de oportunidade, a diversidade física e motora das necessidades de habitantes e visitantes da cidade. Validar o planejamento estratégico, integrado e transversal às políticas públicas, que busque não somente gastar menos, mas gastar bem o dinheiro público em prazos adequados e com o benefício que o concurso de variadas concepções em arquitetura e engenharia pode trazer para a sociedade com equidade de direitos de acesso e de participação; sobretudo à informação global em tempo real, como instrumentos de controle sobre a gestão pública.

Crônica visual

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Foto: Cácio Murilo

A ocupação desordenada da orla marítima cada vez mais atrai a atenção social para episódios como o flagrado, no último dia 12 de novembro, pelo fotógrafo paraibano Cácio Murilo. Frequentadores da Baia da Traição guardam de memória, um terraço de praia já comprometido pela ocupação espontânea de habitações à beira-mar da década de 80 do século 20. Um dos núcleos de povoamento mais antigo da Paraíba, o município de mesmo nome registra um índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0.594 e uma renda per capita de R$ 72,46 (PNUD, 2000), cuja população é testemunha de uma histórica invasão da Terra Indígena Potiguara. O desequilíbrio antrópico generalizado no planeta

lamentavelmente sentencia a reação da natureza que já se nos avizinha por meio de tantos fatos correntes em cidades praieiras do mundo.


rossanahonorato@revistanordeste.com.br Foto: Rossana Honorato

Urbi et orbi Uma das esquinas mais populares da cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, surpreende semanalmente os passantes com charges de rua que enfocam com muita graça e fina ironia a realidade socioeconômica e cultural brasileira. É nela que fica o atelier CHARGES NA RUA do artista popular Regis Soares que, há poucos dias, postou em seu perfil no facebook uma nota celebrando e agradecendo aos inúmeros fãs de seu trabalho as 1.300 charges de rua produzidas ao longo de 27 anos no mesmo estabelecimento. Além da atuação na rua, Regis reproduz suas charges nas redes sociais, e mantém um site onde se pode conhecer o conjunto da sua obra no endereço www. chargesnarua.com, além de encomendar serviços de caricaturas, faixas, adesivos, placas, painéis etc. Bastante repeitado pelo público pessoense, pelo senso crítico apurado e bem-humorado, Regis Soares já chegou a publicar quatro livros sobre seu trabalho. E atraiu a atenção de pesquisadores de cursos de Pós-Graduação em Letras, mestrado já concluído, e em Pedagogia, mestrado em desenvolvimento, da Universidade Federal da Paraíba.

Identidade Descober ta na Paraíba, a Tillandsia Paraibense é a mais nova espécie bromélia classificada por pesquisa do botânico Ricardo Pontes. A floração propícia à rocha nua e ao sol escaldante parece prescindir de qualquer substrato de nutrientes para sobreviver. Foi identificada no Parque Estadual da Pedra da Boca, no município de Araruna.

Bom filme Belíssimo! Intenso! Emocionante! Gonzaga - De pai para filho, o filme. Gonzaguinha disse: _”Viver e não ter a vergonha de ser feliz.” Gonzagão falou: _”Minha vida é andar por esse país pra ver se uma dia descanso feliz.” Se não viu, vá ver! Cantar e cantar e cantar...

Sala de aula A UFPB retoma a ordem dos semestres letivos ao final de novembro. O segundo período do exercício 2012 se inicia compartimentado a festas de fim de ano e a merecidas férias que a produtividade requisita para a renovação da criatividade e do senso crítico propício à formação profissional. As aulas voltarão ao ritmo normal no dia 17 de janeiro de 2013.

Economia Dez anos no mercado editorial marcam o lançamento da 40ª ed. da Revista ARTESTUDIO, dirigida pela diretora executiva Márcia Barreiros. Extrapolando fronteiras, já alcança as capitais de PE e do RN. De excelente qualidade gráfica e distribuição gratuita, a revista também pode ser acessada em versão on line: www.artestudiorevista.com.br

Canteiro de reflexão “Ninguém deve contentar-se com o que lhe dizem. Deve averiguar se é verdade. Saber se é a única verdade e compará-la com a verdade dos demais. Há que procurar sempre o outro lado de tudo”. José Saramago, em José Saramago nas Suas Palavras. Revista AU, No. 222, Set2012.

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Acontece


Negócios

Multiplicando pães e oportunid Paraíba desenvolve programa para aumentar participação dos micro e pequenos empresários nas compras governamentais. Microempresas já fornecem 1/3 dos materiais e serviços utilizados pelo Governo Federal João Thiago

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o interior da Paraíba os padeiros começam a arregaçar as mangas. Isso porque as pequenas padarias das cidades de Sousa, Cajazeiras, Pombal e Patos podem começar a participar de pregões do Governo Estadual para passarem a fornecer pão para escolas e repartições públicas. Isso acontecerá em decorrência do programa “Compra Legal”, uma parceria entre o Sebrae e o governo da Paraíba que tem como objetivo preparar micro e pequenos empresários para participarem das compras governamentais. Atualmente a parcela de compras governamentais feitas de micro e pequenas empresas na Paraíba é pequena. Desde março de 2011, quando o sistema de compras governamentais foi aplicado no estado, até outubro deste ano, apenas R$ 6 milhões foram negociados entre a Paraíba e os empreendedores de pequeno porte. O governador do estado, Ricardo Coutinho, justificou que a participação das empresas paraibanas tende a crescer a partir de um maior conhecimento do projeto. “Nossa meta é criar um ambiente mais adequado para que microempresas possam ter não só o acesso ao crédito, como já existem em outros projetos do governo, mas ao mesmo tempo fazer com que as compras governamentais sejam

realizadas através desses pequenos empreendimentos”, observou o governador. Do lado de quem mais gera empregos, o empresário e presidente do Sindicato da Indústria de Panificação da Paraíba, Romualdo

Araújo concordou com o governador. Ele vê com bons olhos a iniciativa de criar esta ponte entre o empresariado e o governo. “Para vendermos para o poder público precisamos estar qualificados, preparados. O momento de escolher


Fotos: Pedro Nolasco

Fotos: Andrea Gisele

O empresário Mário de Barros aprendeu com o Fomenta a participar de licitações e entrou para o grupo de fornecedores do governo

é agora: ou o empresário se qualifica ou estará fora do mercado”, considerou. A falta de conhecimento sobre a legislação brasileira é um grande empecilho para as MPEs. Mário de Barros Melo Neto, proprietário da Panificadora Miramar, em João Pessoa, não tinha co-

Empreendedores buscam informações no Fomenta sobre universo das compras governamentais

nhecimento de como participar de uma licitação e virar fornecedor do Governo do Estado. Ele já oferecia Coffee Breaks para o Sebrae, e participou do Fomenta, evento promovido pela entidade, com o objetivo de aproximar as MPEs do governo e gerar negócios. “É o tipo de oportunidade que abre a nossa visão”, afirmou o empresário. A padaria, que existe desde 1978, foi passando de pai para filho desde seu avô, sempre com o desejo de tornar-se fornecedora do governo. Faltava apenas o conhecimento. “A gente não sabia como fazer, não tinha ideia da legislação. Já pensava em participar de licitações, mas nunca consegui por desconhecimento”, confirmou. Só neste ano, entre janeiro e setembro, as micro e pequenas empresas já contam com uma participação de 33% no fornecimento de bens e serviços para o Governo Federal. Ao todo, foram negociados com os pequenos e micro fornecedores um total de R$ 7,5 bilhões. Entre os anos de 2007 e 2012 a participação das MPEs nas compras federais cresceu 58%. A participação das empresas nordestinas neste mercado é grande. Das compras feitas pelo Governo Federal a MPEs, 43% foram de empresas nordestinas, segundo dados do Ministério do Planejamento (MP). A Paraíba é um dos estados com o maior percentual de participação das micro e pequenas empresas nas compras

governamentais federais. O Governo Federal comprou das micro e pequenas empresas da Paraíba mais de R$ 623,3 milhões, o que equivale a 70% de toda a movimentação deste tipo no estado. Bom para as empresas, bom para o governo. A economia conquistada por meio do fornecimento das MPEs chegou a R$ 2,1 bilhões. Segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do MP, Delfino Natal de Souza, esta participação deve crescer cada vez mais. “A administração pública federal deve utilizar o seu poder de compra para ampliar a regionalização de seus fornecedores e gerar desenvolvimento econômico por todo o país”, ressaltou. Para o presidente da Federação das Microempresas e Empresas de pequeno Porte da Paraíba (Femipe), Antonio Gomes, a legislação ajuda, especialmente a Lei da Microempresa. “A legislação foi um dos fatores para o crescimento das microempresas, pois permitiu que muitos empresários saíssem da irregularidade e entrassem no mercado formal”, comemorou. No entanto, apesar de as MPEs nordestinas terem uma vasta participação nas compras do Governo Federal, em seus próprios estados a realidade é outra. A participação desta modalidade de empresa nas compras governamentais estaduais é muito pequena, apesar de este cenário estar mudando aos poucos  graças à intervenção do Sebrae.

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dades


Fotos: Pedro Nolasco

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Fomenta ensina a vender O Sebrae fornece o conhecimento que falta aos micro e pequenos empresários. Por meio do Fomenta, um evento que a instituição tem promovido em todos os estados, os empreendedores têm um primeiro contato com o universo das compras governamentais. No evento, além de oficinas sobre legislação, o Sebrae promove mesas de negociação, em que os governos apresentam suas requisições e os empresários podem oferecer seus produtos e serviços. “Além de orientarmos os empresários e ensiná-los como vender para o governo, fazemos o contato deles com potenciais compradores”, destaca o gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Paraíba, Elinaldo Macedo. Durante o Fomenta-PB, que aconteceu entre os dias 30 e 31 de outubro, em João Pessoa, doze instituições expuseram suas demandas para o empresariado que estava presente ao encontro. Elinaldo destacou que o mais importante é que o governo tenha o foco nas micro empresas. “Quando o poder público prioriza a MPE nas suas compras, ele faz circular o dinheiro na própria localidade, aumentando a geração de emprego e renda no estado e município”, completou. Mário saiu satisfeito do encontro, e fazendo as contas. “O governo da Paraíba tem mais de R$ 600 milhões para investir nos micro e pequenos empresários. Esta é a hora de encontrar a oportunidade e desenvolve-la”, disse, com os olhos brilhando.

Aprendizado: Empresários têm a oportunidade de se capacitar para melhorar o desempenho dos seus negócios

Fornada boa de investimentos Não é só na Paraíba que os governantes estão investindo na capacitação dos micro e pequenos empresários, visando futuras parcerias. Em diversos estados do Nordeste, os governos começaram a aplicar iniciativas para atrair pequenos e micro fornecedores em busca de aumentar a interação com eles. Em Alagoas, no meio do ano, foi lançado o “Compra Alagoas”, que consiste em um conjunto de ações que vão desde a capacitação de microempresários e técnicos do Governo do Estado, passando pela elaboração de cartilhas consultivas que auxiliam os empreendedores, até um trabalho de cooperação técnica entre a iniciativa privada e o poder executivo. Um dos benefícios do programa é a preferência pelos fornecedores locais, em caso de empate nas licitações. O superintendente de Desenvolvimento Regional e Setorial da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplande) do estado, Michael Chinelato, explicou que um projeto piloto foi instalado no órgão, no ano passado.

Fotos: Antonio Cruz/ABr

Teotônio Vilela quer dobrar participação das MPEs nas compras do estado

“Em parceria com secretarias do governo, a Procuradoria Geral do Estado e outros órgãos, pudemos mapear os procedimentos e padronizar os empreendimentos e capacitações. O resultado foi que 42% das


compras feitas pelo órgão vieram de micro e pequenas empresas”, revelou, satisfeito, o gestor. O governador do estado, Teotônio Vilela, tem uma meta ousada: mais que dobrar a participação das micro e pequenas empresas nas compras governamentais. “Queremos, até 2014, passar de 12% para 30% o número de compras públicas feitas às micro empresas, índice que representa uma movimentação de R$ 250 milhões na comercialização de produtos”, revelou. Em Pernambuco, a participação das MPEs é pífia: apenas 9% das compras governamentais são feitas delas. Porém, o objetivo do governo é fazer com que, até o final do ano que vem, elas sejam responsáveis por 25% das vendas para o governo do estado, alcançando R$ 400 milhões, em 2013. Para chegar a este objetivo o governo tem incentivado as micro e pequenas empresas a participarem dos processos licitatórios no estado. Nas compras de até R$ 80 mil, por exemplo, a exclusividade de compra é das empresas menores. Nos casos em que as compras ultrapassem este valor, o serviço e os

Fotos: Divulgação

Gomes: “legislação foi fator de crescimento”

produtos das MPEs deverão ser utilizados em, obrigatoriamente, 30% da negociação. No Rio Grande do Norte, apesar de 99,2% das empresas do estado serem micro e pequenas, apenas 7,5% das compras governamentais do estado são adquiridas destes fornecedores. O objetivo é fazer com que este número chegue a, pelo menos, 15%. “No Brasil,

a fatia dos micro e pequenos negócios nas compras fica em torno de 5% ou 6%. O ideal, de acordo com ele, é que chegue a 15% ou 20%”, afirmou Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional. O governo do estado tem um acordo com o Sebrae para a aplicação de um programa similar ao Compra Legal, na Paraíba. O objetivo é fazer com que mais MPEs participem das licitações estaduais. Para se comunicar com os empreendedores, foi criado o site Licita Fácil, onde se pode encontrar cursos do Sebrae e as oportunidades de negócio no estado. Outra inovação promovida na Paraíba é o Inovatec, um programa de apoio a micro e pequenas empresas que queiram investir em inovação e tecnologia. É voltado para empreendimentos dos setores de comércio, indústria, serviços e agronegócio. Segundo João Bosco Freire, gerente de inovação e tecnologia do Sebrae-RN, a meta é atingir 3,6 mil empresas no estado. “O investimento em inovação e tecnologia permitirá ao micro e pequeno vender para o governo”, destacou.

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O Sebrae promove mesa de negociação, em que os governos apresentam suas demandas e os empresários oferecem os seus produtos e serviços


Negócios

De olho no mercado financeiro Maior revendedor da Hyundai no mundo deve anunciar nos próximos dias local da nova fábrica no Nordeste Walter Santos

Foto: Divulgação

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Q

uem adentra os jardins do escritório do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade - uma mansão instalada no bairro das Nações, na Rua Antilhas, em São Paulo - se depara com um aparato de segurança somente afeito a grandes homens de negócios. Aqueles bem guardados e que utilizam de modernas ferramentas para gerar crescimento e criar oportunidades. Esta síntese conceitual aplicada a Caoa, como é chamado o revendedor da Hyundai no Brasil, tem várias justificativas. A mais recente delas é a de que ele está muito próximo de, até 2013, entrar no seleto grupo de nomes do Mercado Financeiro. Carlos Alberto está apostando no óbvio: quer expandir o capital utilizado internamente nos seus negócios com a montadora para se transformar em base rentável, atraindo outros grandes investimentos. Foi o que ele manifestou à reportagem da Revista NORDESTE durante entrevista nos primeiros dias de outubro. O empresário foi visto recentemente em tratativas com o Banco Central com vistas à consolidação de novos

Empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade pode lançar Caoa no Mercado financeiro

investimentos na área financeira. “De fato, estamos em negociações com o banco para adequarmos nosso volume de ativos financeiros fixos com uma estrutura adequada ao setor”, admitiu.

O empresário contou que está de olho na instalação de uma nova planta da montadora no Nordeste brasileiro, onde, atualmente, os estados de Pernambuco e Paraíba brigam por abrigar os investimentos estimados em R$ 7


bilhões, e que devem atrair algo em torno de 120 mil empregos indiretos. “Temos dialogado com alguns governos do Nordeste para efetivar os novos investimentos no ano de 2013, embora precisemos tomar a decisão final nos próximos dias”, comentou, referindo-se ao local de instalação da fábrica a ser instalada. A dados do tempo da entrevista, Pernambuco era preferencial para receber a montadora devido aos incentivos do governador Eduardo Campos. O presidente nacional da Hyundai se credenciou a partir da fábrica de caminhões de Anápolis, no estado de Goiás, em virtude das mudanças socioeconômicas produzidas também nas cidades vizinhas e em face da multiplicação de outros empreendimentos correlatos, que tem produzido uma escala elevada de geração de emprego e renda. É esta realidade que tem feito outros governos seguirem o exemplo do primeiro mandato do governador de Goiás, Marconi Perillo. “Sou natural da cidade de João Pessoa, onde gostaria de ver a fábrica instalada. Mas como se trata de alta demanda de investimentos, estamos alinhando todos os fatores possíveis para fazer uma escolha bem resolvida”, comentou CAOA, ao confirmar que Pernambuco continua no páreo.

“O governo Dilma tem se mantido como fator impulsor de diversos segmentos da economia brasileira, e demonstrando ter capacidade de motivar o setor produtivo, mesmo em meio à crise registrada em outras partes do mundo. Sobre isso, o empresário considera que “a renovação da redução do IPI, recentemente, é um dos exemplos de que a presidente está conduzindo com competência este momento da vida brasileira, que não tem sido fácil diante da artificialização do câmbio que vem mexendo fortemente nas moedas”.

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CONJUNTURA


STJ determina retorno de vendas do grupo Caoa A Hyundai Caoa Do Brasil Ltda. conseguiu na Justiça efeito suspensivo ao Recurso Especial impetrado pela Daisan Comercio de Veículo Ltda., que pedia para ser reconhecida como concessionária da Caoa Montadora de Veículos S/A, na cidade de João Pessoa e região. O documento também tentava impedir que o grupo Caoa atuasse na área como revendedora de veículos da marca Hyundai. O Superior Tribunal de Justiça entendeu que não caberia a sanção contra a Hyundai Caoa, podendo ela continuar exercendo suas atividades empresariais. Também não considerou alegação da Daisan de que o grupo Caoa praticava concorrência desleal. A decisão do relator do processo, ministro Mass Ami Uyeda, foi publicada no último dia 13 de novembro. A Daisan havia conseguido na Justiça paraibana suspender o alvará de funcionamento do grupo Caoa com o argumento de que a empresa não seria propriamente uma concessionária de veículos, porque a Caoa Montadora de Veículos S/A estaria importando, produzindo e montando os veículos e, em seguida revendendo-os, ela própria, diretamente, por meio da Hyundai Caoa do Brasil LTDA, por preços menores.

Ministro do STJ concede medida cautelar favorável a Hyundai Caoa Foto: Lenilton Bessa

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ENTRAVES JURÍDICOS

Montadora Hyundai retoma atividades empresariais na capital paraibana

No início do ano, a juíza Maria de Fátima Lúcia Ramalho, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, determinou a cassação do alvará de funcionamento da Hyundai Caoa do Brasil. Ela julgou procedente o pedido formulado pela Daisan Comércio de Veículos que alegava ser detentora de todos os direitos de comercialização da marca Hunday, havendo inclusive uma decisão proferida pelo juiz da 2ª Vara Cível da Capital, que proibiu o grupo Caoa de abrir, funcionar e comercializar veículos da marca Hyundai em João Pessoa.


Negócios

AS CidadeS

SE reinventaM Rivânia Queiroz “Era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada, ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão...”. A música “A casa”, de Vinícius de Moraes, permite construir, através de seu texto, uma série de significados importantes para a arquitetura. Fazendo uma leitura livre da letra, é possível observar alguns paralelos entre a música e o ato de projetar, ou ainda, verificar os signos e mensagens presentes de forma objetiva ou subjetiva na canção. Vinícius não era arquiteto, embora tivesse convivido com grandes nomes da arquitetura nacional, como Oscar Niemeyer, daí talvez tenha surgido o interesse por projetos, mesmo que no seu imaginário. É esse desejo de criar, de planejar, de inventar, de reinventar e mudar a forma de pensar a construção

civil e melhorar a forma de viver na coletividade, que tem motivado arquitetos, ambientalistas e estudiosos em todo o mundo a pensar nas cidades do futuro. O assunto foi tema de um evento que aconteceu na capital pernambucana, no final de outubro. O Smart City Business – Negócios para Cidades do Futuro - debateu com nomes renomados do Brasil e do exterior formas de sustentabilidade, novas tecnologias, transporte e segurança pública mais inteligentes, construção e incorporação e comunidades conectadas. O escritor e presidente da Stuchi & Leite, Carlos Leite, especialista em Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável pela University of California, confirmou que a pauta é mundial e aproveitou para ressaltar que o desafio do desenvolvimento futuro está

nas cidades. “Dois terços do consumo mundial de energia e aproximadamente 75% de todos os resíduos gerados têm origem nas cidades. Portanto, falar em mudanças climáticas, aquecimento global e sustentabilidade é falar de cidades sustentáveis. E cidades sustentáveis são, necessariamente, compactas, densas”, explicou. Ele disse que o Brasil, apesar de só está despertando para projetos dessa natureza recentemente, tem dado passos importantes para criar ambientes melhores. “Já há alguns exemplos de planejamento. Em Palhoça, em Santa Catarina, há um modelo do que é o novo urbanismo utilizado hoje em vários locais do mundo”. O urbanismo emergente que o especialista comentou reage ao modelo de crescimento dos subúrbios americanos, reforçando a importância de cidades menores e densas, onde a mobilidade urbana seja realizada a pé e por bicicleta, induzindo ao mínimo o uso do automóvel. Durante a palestra, na manhã do dia 30 de outubro, em Recife, Carlos Leite mostrou que o padrão inteligente das cidades do futuro deverá nortear os novos planos de cidades, bairros e comunidades brasileiras. E que, no caso de Palhoça, as intervenções feitas adquirem sinais de destaque e despertam o interesse do poder público local e de empresas privadas. 

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Modelo inteligente deverá nortear os novos planos de edificação de comunidades brasileiras


Foto: Rivânia Queiroz

Evento no Recife debateu formas de sustentabilidade e novas tecnologias para as cidades do futuro

Na era sustentável Projetos inovadores têm transformado metrópoles que conseguiram dar a volta por cima

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As cidades inteligentes, ou Smart Cities, expressam a necessidade de uma reformulação radical desses espaços na era da economia global e da sociedade baseada no conhecimento. Esse é o pensamento do presidente da Stuch & Leite Projetos, Carlos Leite. Ele considerou que as metrópoles são o desafio estratégico do planeta e que se elas adoecerem, o planeta ficará insustentável. Por isso, projetos inovadores têm buscado transformar metrópoles que conseguiram dar a volta por cima, a partir de medidas sustentáveis. O melhor exemplo está aqui bem próximo da gente. Trata-se de Bogotá, na Colômbia, que passou de lugar desordenado, para ser visto como a capital da sustentabilidade. “Em 12 anos, a capital deixou de ser violenta e caótica. Os últimos prefeitos mostraram como solucionar os problemas e tornar a cidade sustentável em termos de transporte, poluição e integração social”. Desde 1998, Bogotá passa por grande reforma. A sua população ganhou um

milhão de metros quadrados de novas praças e áreas de lazer, muitas delas ocupando o lugar de cortiços e pontos de tráfico. A prefeitura também investiu pesado em transportes coletivos eficientes. Na metrópole foi implantado o Transmilênio, sistema de corredores de ônibus, que diminuiu o trânsito e reduziu a emissão de gases poluentes. Em Bogotá foi proibido o tráfego de veículos e houve uma campanha de incentivo às caminhadas e ao uso de bicicletas. As calçadas

foram ampliadas e hoje a cidade conta com uma das maiores ciclovias do mundo, com 300 quilômetros de extensão. Outra referência em planejamento sustentável é Portland, cidade cravada nas montanhas vulcânicas dos Estados Unidos que aprendeu a desenvolver soluções que respeitam o meio ambiente, desde o transporte urbano à geração de energia. Conhecida como a “comunidade dos 20 minutos”, o município é considerado o melhor lugar para andar de bicicleta naquele país americano. Hoje, as bikes são o principal meio de transporte, usado por um quarto dos mais de 5 milhões de habitantes. “A cidade voltou a crescer para dentro. Adotou novos sistemas de transportes coletivos e resgatou o centro com moradia e um mix de usos. É sem dúvida a cidade mais sustentável dos Estados Unidos”, colocou Carlos Leite. O centro de Portland é integrado por um bonde gratuito, e os projetos de carona solidária trazem resultados cada vez melhores. Outra inovação em Portland é o Zip Car, uma espécie de serviço de aluguel de veículos elétricos que custa, em média, US$ 8 por hora. Ele é bastante usado pelos moradores que não gostam de pedalar e podem ser alugados em vários pontos da cidade.


Foto: Divulgação

Fonte de renda tirada do lixo

Investimentos no entorno da Arena Recife primam por sustentabilidade

Da Copa nasce uma cidade Em Pernambuco está sendo erguida a primeira cidade sustentável da região. Na verdade, um grande bairro no entorno da Arena da Copa. Localizado no município de São Lourenço da Mata, na Grande Recife, o bairro ainda não será visto pelos que forem ao estádio durante o campeonato mundial futebolístico, em 2014. Ele ficará pronto onze anos depois, em 2025. Quando for concluído, o bairro inteligente terá sete mil residências, um campus universitário, museu, teatro, um ginásio (arena indoor), hotéis, centro de convenções, shopping center e escritórios comerciais e empresariais. O investimento é de R$ 2 bilhões. Por enquanto, só o estádio e poucos elementos âncoras estão em fase de construção, as casas ficarão para depois. A Arena Pernambuco será um estádio amplo, moderno e sustentável. Com 129 mil metros quadrados e capacidade para 46 mil pessoas. Ele terá estacionamento para seis mil carros, sistema de reaproveitamento de águas pluviais, células fotovoltaicas de

captação de energia solar e até quatro turbinas eólicas para suprir o sistema de ar condicionado”, apresentou . No seu entorno, um terreno de 240 hectares (equivalente a 300 campos oficiais de futebol) disponibilizado pelo Governo de Pernambuco à Construtora Oderbrecht, dará lugar ao ousado projeto urbanístico inspirado no evento internacional de futebol. Marcos Lessa, diretor-presidente do Consórcio da Cidade da Copa, informou que todas as atividades construtivas serão interrompidas durante o torneio, e não será perceptível que, naquela localidade, está-se construindo uma nova cidade. O executivo adiantou que o empreendimento está sendo construído em esquema de PPP (Parceria Público-Privada) entre o Governo de Pernambuco e o consórcio formado pela construtora Oderbrecht e pela Odebrecht Participações e Investimentos. “Esse consórcio será responsável pelo loteamento do bairro e pela comercialização dos terrenos, casas e apartamentos residenciais e comerciais”. 71-NOVEMBRO 2012

Comunidade localizada na zona sudeste da cidade de São Paulo que possui 125 mil habitantes, em uma área de quase um milhão de metros quadrados. Cidade Nova Hielópolis já foi considerada a maior favela do Brasil, mas passou por um processo de urbanização e hoje tem estatuto de bairro. É nessa gigantesca área que vem sendo desenvolvida uma experiência inédita no Brasil. Há dois anos foi iniciado o Projeto Eco Vida Heliópolis, que prevê a criação de uma usina de reciclagem de plásticos, madeiras, entulhos e sólidos recicláveis em geral. Eco Caçambas foram instaladas em pontos estratégicos da comunidade para receber os sólidos que vão para a usina de reciclagem. Mais tarde a matéria-prima produzida poderá ser utilizada na construção civil e na confecção de produtos como móveis, por exemplo. “Dentro dessa ideia, a própria comunidade será beneficiada”, garantiu Carlos Leite, ao acrescentar que outras ideias criativas e inovadoras estão saindo da comunidade. Ele citou a criação da Orquestra Sinfônica e do Cine Favela, que estão ‘fabricando’ música e arte de qualidade para serem apreciadas pelo Brasil afora.


Negócios Empreendimento investe em conforto, sustentabilidade e entretenimento

Foto: Divulgação

Para todos os Shopping Rio Mar abre as portas no Recife e quer se tornar referência nacional em centros de compras

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Rivânia Queiroz

E

scondido pelo bairro de Boa viagem, considerado o glamour da zona Sul do Recife, capital pernambucana, o Pina deixa de lado a pecha de bairro marginalizado, para se transformar no novo sonho de consumo de muitos recifenses, que almejam morar no mais novo polo de lazer, serviços e gastronomia da cidade.

gostos

A poucos quilômetros de importantes áreas comerciais e empresariais da cidade, e distante pouco mais de quatro quilômetros do marco zero do Recife, o bairro ganha importância e passa a servir de endereço para o Shopping Rio Mar, empreendimento do grupo JCPM de R$ 600 milhões em investimento. Com um novo conceito em centros de compra, o Rio Mar abriu as portas no dia 30 de outubro, trazendo conforto, sustentabilidade e entretenimento para

os pernambucanos e visitantes. São mais de 410 lojas, sendo 18 âncoras e mais sete megalojas e 12 restaurantes em um espaço amplo, de arquitetura moderna, com corredores mais largos e domos de vidro, que permitem o aproveitamento da luz do sol. “A praça de alimentação, no terceiro andar, tem área de expansão para mais 26 unidades”, anunciou o presidente do grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, durante a inauguração do


equipamento, que já nasce grande e com vontade de tornar-se gigante. Ele explicou que a ampliação da praça se faz necessária devido ao número de empreendimentos que estão sendo erguidos no entorno do estabelecimento. “Vamos aguardar a inauguração dos empresariais para abrir todos os restaurantes previstos para o Rio Mar”, concluiu. Tantos detalhes e novidades farão do empreendimento uma referência em shoppings centers, além de um destino turístico a mais para quem chega à capital do estado. São 202 mil metros quadrados de terreno e 295 mil metros quadrados de área construída, que resultou em um dos maiores centros de compras do Brasil, que tem 101 metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL). “Ele se posiciona como o 11º centro comercial do grupo JCPM, que atua, além de Pernambuco, em Sergipe, Bahia, São Paulo e, atualmente, está construindo uma unidade no Ceará”, confirmou João Carlos Paes Mendonça. O Rio Mar oferece um dos melhores mixes de lojas do Nordeste. Muitas delas são inéditas na região, como é o caso da Perine, uma delicatessen com proposta de supermercado gourmet. Pelo menos 60 lojas que aportaram

Foto: Divulgação

Paes Mendonça apresenta novo shopping

por lá ainda não operavam no Recife. Entre elas, algumas grifes badaladas como a britânica Burberry, especializada em roupas e acessórios de luxo, a novaiorquina de bolsas Coach, a famosa jeanswer Diesel e a Alemã Hugo Boss, essa última, vendida apenas em multimarcas locais. Completam o mix a Cavendish, a versão feminina da Brooksfield e Ricardo Almeida, estilista considerado a maior referência brasileira no quesito roupas masculina. Mas, apesar do padrão elevado, o

empresário João Carlos Paes Mendonça justificou que o centro não é voltado para o público de classe alta e média. “O shopping foi feito para todos os públicos, inclusive, para as classes C e D, que aspiram comprar em lojas de alto nível. Como dizia Joãozinho Trinta, quem gosta de pobreza é intelectual”, brincou o empresário, que tem participação em outros grandes shoppings da cidade, como o Shopping Recife, Tacaruna e Plaza. Além de fazer parte do grupo do Guararapes, na cidade vizinha de Jaboatão dos Guararapes. Lojas com perfil mais popular também estão funcionando dentro do equipamento. É o caso das Lojas Americanas, C&A, Riachuelo, Renner e Marisa, essas com o grande objetivo de atrair consumidores diversificados, conforme deseja Paes Mendonça.

O Equipamento Área Bruta Construída

295 mil m2

Área do Terreno

202 mil m2

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Área Bruta Locável

101 mil m2 Pisos

Cinco Estacionamento

Presidente do Grupo JCPM anuncia primeira expansão do centro de compras. Em breve, a praça de alimentação receberá mais 26 unidades

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6.200 vagas


Um leque de

dentro

Em cinco pisos, os frequentadores poderão desfrutar de conveniências, lojas, restaurantes, cinemas e teatro

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P

restes a sediar dois grandes eventos esportivos mundiais, a Copa das Confederações 2013 e a Copa do Mundo 2014, a capital pernambucana passa a oferecer um importante equipamento de turismo e lazer, que traz no seu conceito o conforto e a comodidade, com uma variedade de serviços. O Shopping Rio Mar conta com cinco pisos, divididos em áreas de serviços e conveniências, lojas diversas, restaurantes locais, nacionais e internacionais, além de um espaço exclusivo para o lazer e a diversão. Para as famílias foram criados três ambientes, um em cada andar, com estrutura para troca de fraudas, salas para amamentação e banheiros exclusivos. Também há fornos de micro-ondas, que permitirão esquentar os alimentos dos bebês, além de carrinho para eles. Na parte de entretenimento, o cinemark – pela primeira vez no estado - inaugurou duas salas VIPs e uma XD (Extreme Digital Cinema). As primeiras são equipadas com poltronas grandes, confortáveis e reclináveis, e oferece um lounge exclusivo e reservado aos clientes que aguardam o início das sessões, além de um atendimento personalizado que inclui até serviço de

garçom. Há sala de cinema 7D e galpão que simula a ambientação de uma ilha deserta para jogos de tiro ao alvo. No teatro, com capacidade para 720 lugares, os deficientes visuais contarão com a tecnologia de audiodescrição recurso de acessibilidade que amplia o entendimento em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como as peças que serão apresentadas. Mas as portas só estarão abertas em 2013. Game station, boliche com 12 pistas profissionais e espaço para reuniões e comemorações se somam às redes de fast food e o boulevard de restaurantes, incluindo os gourmets, com horários independentes do centro de compras. Em todo o shopping há rede de internet sem fio gratuita e aparelhos de televisão com programações próprias. Outro diferencial são os banheiros femininos, que têm corredores espelhados e modernos equipamentos. Do lado de fora são 6.200 vagas de estacionamento, a maior parte localizadas no edifício-garagem, sinalizadas a partir da disponibilidade. Um display vai direcionar o motorista aos locais onde há espaço para estacionar. O Rio Mar também conta com bicicletário e um quilômetro de ciclovia preparada especialmente para quem vai ao local passear apenas no seu entorno.


e opções

o e fora Fotos: Divulgação

Consumidor tem novos serviços à disposição Os pernambucanos ganharam, além de um espaço de compras e lazer, um local de serviços. No Rio Mar, o Governo do Estado de Pernambuco instalou uma unidade Expresso Cidadão, onde será possível tirar documentos como carteira de identidade, certidão de antecedentes criminais, carteira de habilitação e renovação, por meio do Detran, e CPF. Na loja da Ouvidoria Geral haverá acesso a serviços do poder público, local para denúncias, reclamações e informações. Ocupando uma área de 1.546 metros quadrados, será a primeira unidade a atender a demanda da zona Sul do Re-

cife. A previsão é que já em janeiro de 2013 o recifense possa retirar também o passaporte. Ainda no complexo, um escritório do Tribunal Regional Eleitoral ofertará serviços ao cidadão, e um posto da Empetur vai atender aos turistas. Batizado de Espaço de Conveniência, é no térreo que os consumidores também terão posto de vacinação, consultório oftalmológico, unidade do Lafepe e um posto da Agência do Trabalho, para a inscrição de cursos de capacitação e requalificação. Em janeiro do próximo ano está prevista a entrada de um serviço da Prefeitura da Cidade do Recife. A previsão é de que sejam atendidas 50 mil pessoas por mês no Expresso Cidadão, que funcionará de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h. Aos sábados, das 9h às 15h.

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Dentro do shopping os cidadãos também poderão contar com um espaço de conveniência


Fotos: Divulgação

Das palafitas

para o luxo Intervenções do setor público e privado mudaram a cara do Pina

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S

ituado em local estratégico para o Recife – além de ter uma vista privilegiada para o mar e uma orla de um quilômetro de extensão -, o Pina passou nos últimos anos por mudanças radicais para se tornar a menina dos olhos dos recifenses. Saindo de palafitas para prédios suntuosos, o local abriga hoje, além do Rio Mar, novos empreendimentos empresariais e deve se tornar, em breve, um polo importante nos setores diversos. No local, encravado dentro de um mangue, o bairro cresce e muda a

realidade dos seus moradores, antes formado basicamente por pescadores. Mas para chegar a um moderno polo, o Pina precisou passar por projetos ousados, envolvendo os setores público e privado, que teve início com a transferência dos moradores das palafitas, para os residenciais da comunidade. No entorno do shopping, há conjuntos habitacionais que abrigam famílias que vieram do Jardim Beira Rio, Deus nos Acuda e Pantanal. Obras de mobilidade urbana também foram executadas para garantir o acesso ao centro e ao cinturão de empresas que está se instalando por lá. Dentro do pacote de investimentos estão a requalificação de 4,7 quilômetros de vias públicas, a criação de uma nova ciclovia e a construção de pontes. O grupo JCPM anunciou que já investiu na área algo em torno de R$ 35 milhões. “Dentro do projeto Rio Mar, trabalhamos muito a questão da

mobilidade. Devido à dimensão do equipamento, tivemos a preocupação de fazer com que o shopping fosse um lugar de fácil acesso”, explicou o diretor de Divisão Imobiliária do Grupo JCPM, o engenheiro Francisco Bacelar. Ele acrescentou que dentre as principais intervenções, estão o acesso à Ponte Paulo Guerra, o acesso para interligar o centro de compras à Avenida Domingos Ferreira e a Via de Contorno do Rio Mar. O poder público tirou do papel um projeto que há décadas vinha sendo planejado. Trata-se da Via Mangue, a maior obra de Pernambuco, com previsão para ser concluída em 2013. Com investimentos da ordem de R$ 430 milhões, a via terá 4,7 quilômetros de extensão e, quando estiver pronta, será um relevante acesso não apenas para o shopping, mas para a ligação entre as zonas Norte e Sul da capital pernambucana.


Mall é referência em sustentabilidade

Valorizando imóveis Ao lado do Rio Mar e dos espigões que estão sendo erguidos, os imóveis do bairro do Pina passam a se valorizar e despertar maior interesse por moradias. Hoje, a região aparece como a segunda que tem o maior valor por metro quadrado no Recife, ficando bem próximo ao de Boa Viagem - R$ 5.359 e R$ 5.492, respectivamente. O Pina já supera bairros tradicionais da cidade, como Casa Forte, Parnamirim e Aflitos, todos localizados na zona Norte do Recife, que têm custo em média de R$ 4.741.

Capacitando moradores Os moradores do Pina estão passando por grandes mudanças. Eles foram inscritos para capacitações e tiveram prioridades nas contratações do Rio Mar. Agora, sonham com um futuro melhor. O Instituto JCPM coordenou ações de capacitação e qualificação profissional, visando garantir a inserção de jovens, sobretudos os que residem na área. Em parceria com o Senai e Senac foram qualificados trabalhadores para atender às vagas abertas. Para atuar na construção da obra, 1.725 pessoas foram habilitadas e outras 2.430 para as atividades varejistas.

Shopping sustentável 6 milhões de litros de água por mês serão economizados 35% a menos de uso de energia, comparado a empreendimentos de mesmo porte 100% de aproveitamento de energia natural com a utilização de domos de vidros

Quanto à energia elétrica, a redução em 50% foi possível em função do uso de sistemas como vidros importados capazes de reduzir a entrada de calor e pisos frios, o que diminuiu o consumo do ar-condicionado. Os domos de vidro também ajudam a aproveitar a iluminação natural do shopping, reduzindo a demanda energética por meio da utilização da luz solar. Os resíduos orgânicos produzidos no estabelecimento terão um destino diferenciado. Uma central de compostagem será capaz de transformar os restos de alimentos da praça de alimentação em adubo para ser usado nos jardins. Mas a intervenção que mais salta aos olhos é na área externa do Rio Mar. O empreendimento acrescentou 40 mil metros quadrados de área verde, plantando quase duas mil árvores no entorno do shopping, o que vai recriar o ambiente nativo e atrair espécies que há anos não habitam o local. “Criamos um cinturão verde no entorno do Rio Mar, reflorestando a área com mata ciliar. Além do que investimos no paisagismo, trazendo uma qualificação estética á região”, comentou o engenheiro Francisco Bacelar. Foto: Divulgação

40 mil metros quadrados de reflorestamento no terreno 2.183 novas árvores plantadas

Vidros importados e domos ajudam a reduzir o consumo de energia em 70%, das 10h às 17h

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Bairro desponta como importante centro de negócios na capital pernambucana

Tecnologias que preservam o meio ambiente e soluções que priorizam economia de água e energia elétrica. Essas são algumas das medidas que foram adotadas no projeto do Rio Mar, que foi concebido nos mais rigorosos padrões de sustentabilidade. Só para ter uma ideia, a utilização do sistema hidrosanitário a vácuo irá reduzir em até 80% a necessidade do uso de água em comparação ao sistema comum. Além disso, a coleta de água pluvial em um reservatório será capaz de suprimir 60% da demanda desse recurso natural nos banheiros e na jardinagem do Mall. O empreendedor João Carlos Paes Mendonça reforça: “Haverá uma economia de mais de seis milhões de litros de água por mês no shopping”.


Negócios

Foto: Divulgação

A capital de Alagoas ganhará o Parque Maceió em fase de construção

Nordeste vira terra fértil para novos empreendimentos. Até 2014, oito novos shoppings aportarão na região Jéssica Figueiredo*

Economia em ascensão Foto: Divulgação

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O

povo brasileiro está enriquecendo. A disponibilidade de mais empregos, formais e informais, melhores condições de trabalho e o acesso aos créditos bancários são alguns dos fatores que contribuíram para ampliar a condição financeira da população, o que influenciou positivamente na economia do país. À medida que o brasileiro trabalha para receber salários mais altos, sua capacidade de consumo também aumenta progressivamente. De acordo com a última pesquisa realizada pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC), boa parte desse consumo é gerado pela classe C.

Shopping de Guarabira, no brejo paraibano, tem 190 lojas e estacionamento para 800 carros


Foto: Divulgação

Novo empreendimetno no Piauí visa atender a demanda de consumo da população local Foto: Divulgação

Diretor da Alshop: classe média aquece setor

se transformando, a mobilidade se desenvolve. Isso vai impondo certos comportamentos às pessoas. Os shoppings oferecem a esse consumidor serviços reunidos num espaço amplo, com boas condições de limpeza, de higiene e segurança”. Luís Augusto concorda e acrescenta que o consumidor da classe C pode perceber que os preços dos produtos nas lojas dentro do shopping não variam muito daqueles encontrados

no comércio popular. “O consumidor moderno pode desfrutar da segurança, do conforto e da comodidade que os shoppings oferecem para comprar os mesmos produtos que ele compraria numa loja de rua, em que as condições não seriam as mesmas”, aponta. Outro ponto positivo para os investidores de Shopping Centers são as cidades de médio-porte, geralmente situadas no interior dos estados. Neste ano, municípios como Salgueiro, em Pernambuco, Sobral, no Ceará, e Arapiraca, em Alagoas, receberam novos centros de compras e entretenimento. Cidades como Açailândia (PI), Juazeiro do Norte (CE) e Parnaíba (PI) estão na lista para receber novos empreendimentos a partir de 2013. Raymundo esclarece que a expansão dos shoppings para as cidades do interior só acontece após haver um estudo do volume populacional e comercial daquele município. “A existência de um Shopping Center numa cidade só é viável quando existe um centro urbano que tenha um volume de demanda e de infraestrutura compatíveis com um investimento como esse. O essencial de um shopping é a atividade comercial”, analisa. 

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Representada por 53% da população total do país, a nova classe média gasta por volta de R$1,03 trilhão a cada ano, num índice que só tende a aumentar – como explica o estudo do Instituto Data Popular, Vozes da Classe Média. Nessa configuração, o Nordeste é a região que melhor representa o grupo, com 47% da sua população fazendo parte da classe C. À procura desta parcela consumidora da população, empresários de grandes redes de Shopping Centers direcionam novos investimentos à região. Para o diretor de Relações Inconstitucionais da Associação de Logísticas de Shopping Centers (Alshop), Luís Augusto, a aceleração da classe média trouxe um amplo reforço para o varejo nacional, principalmente aquele especializado em grandes centros comerciais. Ele explica que, em um primeiro momento, os consumidores da nova classe média perceberam que poderiam optar entre o shopping e o comércio popular para fazer suas compras. “Por isso, eles preferiram comprar suas necessidades básicas, como geladeira, fogão e outros materiais para o lar, nas lojas de rua. E passaram a frequentar os shoppings para comprar objetos pessoais. Isso trouxe um grande dinamismo, tanto para o comércio da região, quanto para estes estabelecimentos”, explica. Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), dos 460 shoppings construídos no país, 62 estão localizados no Nordeste. A previsão é que, em 2014, mais 47 centros comerciais sejam inaugurados no país – e oito deles tomarão lugar em cidades do Ceará, da Paraíba, de Alagoas e do Piauí. Embora a nova classe média seja responsável por manter a economia da região em ascensão, não é somente por conta dela que os empresários estão direcionando seus centros comerciais para lá. O diretor executivo da Associação Pernambucana de Shopping Centers (Apesce), Raymundo de Almeida, explica que o desenvolvimento e a modernização de cada região são os fatores que motivam os gestores a inaugurar novos centros nas cidades. “A população cresce, as cidades vão


Foto: Andrea Gisele

Opor quem Em 2011, 775 mil pessoas foram contratadas em shoppings

Gabriela Muniz e sua mãe Iranice: frequência na praça de alimentação

Domingo é dia de shopping

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Já virou tradição para muitas famílias brasileiras: domingo é dia de almoçar no shopping. A variedade de restaurantes e lanchonetes encontrados num só lugar convida pessoas que não necessariamente visitam os centros para fazer compras, mas também para aproveitar os variados serviços que são oferecidos ali – como cinemas e salas de jogos. “Lá também é um lugar de diversão, de descontração. A maioria das pessoas vai lá para comprar, tudo bem, mas é nos shoppings também que muitos jovens marcam encontros com seus amigos, vão ao cinema, ou vão só passear” diz Raymundo, diretor executivo da Apesce. Pelo menos duas vezes por semana, a estudante de moda Gabriela Muniz acompanha sua mãe, Iranice Gonçalves Muniz, nas idas ao principal shopping da capital paraibana. “Lá tem muita variedade, e as lojas também parecem ser mais confiáveis. A preocupação com falsificação é menor”, analisa a estudante. Compras podem ser um grande atrativo, mas o que leva mãe e filha a frequentarem o shopping

com tanta assiduidade é a praticidade de poder escolher um tipo de refeição diferente todos os dias. “Como a gente não tem muito tempo para ficar cozinhando por causa do trabalho ou da faculdade, acabamos sempre almoçando ou lanchando por lá”, conta. Gabriela e Iranice fazem parte da grande classe C, mais nova frequentadora das praças de alimentação dos milhares de Shopping Centers no Brasil. A Alshop calculou que a visitação dessa classe média nas praças aumentou de 24% para 44% somente neste ano. “A praça de alimentação é um fator importantíssimo porque, além de trazer a própria receita, ela também canaliza receita para as lojas, para o serviço, para o lazer. Essas áreas se entrelaçam e fazem a receita total do shopping”, explica o diretor da Alshop, Luís Augusto. De acordo com a Abrasce, o setor faturou pelo menos R$108 bilhões em 2011, superando em 18,2% a porcentagem de vendas do ano anterior. Atualmente, os shoppings representam 18,3% da economia nacional.

P

ara que os estabele cimentos dentro dos shoppings possam funcionar, é necessária uma grande quantidade de funcionários. Dessa forma, os centros comerciais também favorecem aqueles que estão à procura de um espaço no mercado de trabalho. Só no ano passado, 775 mil pessoas conseguiram emprego nos diversos setores dos shoppings - de serviços a atendimento nas lojas. E esse índice só tende a crescer. “Há uma média de 35 a 40 shoppings sendo construídos por ano, e pelo menos 700 novas lojas sendo abertas dentro desses centros. Então, para preenchimento do quadro dessas lojas, novos funcionários precisam ser contratados”, diz o diretor de Relações Institucionais da Alshop. Muitas dessas vagas são ocupadas por jovens, geralmente entre 18 e 27 anos, que se candidatam aos diferentes tipos de recrutamentos oferecidos pelos centros comerciais. Esse período costuma acontecer nas temporadas mais movimentadas do ano, como natal, ano novo ou carnaval, e acaba beneficiando tanto a empresa


rtunidade para está começando Foto: Andrea Gisele

quanto os trabalhadores. De um lado, evita que as empresas percam clientes, uma vez que há demanda disponível no mercado para ocupar as vagas. De outro, dá uma nova chance de emprego tanto para os jovens a procura de experiência, quanto para as pessoas que estão sem trabalho. “O ideal é que toda empresa tenha um quadro efetivo, pois fazer rodízio de funcionários gera um custo muito grande. Além disso, esses novos funcionários podem permanecer na empresa por três, quatro anos”, explica o subgerente da loja Taco, José Clau-

diano Genésio. Buscando um lugar no mercado, o estudante de jornalismo Richardson Gray pode ter na Taco sua primeira experiência profissional. “Sentia muita dificuldade em me comunicar. O shopping ajudou a melhorar minha comunicação e a forma de lidar com as pessoas”, confessa. Richardson passou da temporada de recrutamento e foi contratado, permanecendo na loja por mais oito meses. No fim de 2011, decidiu sair por conta própria. “Vi que meu tempo ali já tinha dado. Mas todo sacrifício valeu a pena”, conta.

A contratação desses novos profissionais acontece geralmente de forma independente. Cada empresa opta por um tipo de treinamento. Isso gera receita para as lojas e resulta num aquecimento do mercado. “É uma contribuição que move a economia. Se você levar em conta, muitos jovens querem entrar no mercado paralelamente aos estudos. Fazer esse tipo de recrutamento é uma forma de abrir portas para que, futuramente, eles possam seguir outros caminhos”, explica Genésio. * Especial para a Revista Nordeste

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José Claudiano Genésio: “O ideal é que toda empresa tenha um quadro efetivo. Fazer rodízio de funcionários gera um custo muito grande”


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Apostar no casual é a melhor opção

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Fotos: style.com

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Fotos: Net-a-porter.com

Foto: Gq.com

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Foto: Gq.com

Neste mês, decidimos trazer um tema que tanto sirva para homens, quanto para as mulheres. A ideia é mostrar as tendências de roupas e acessórios para essa época de fim de ano. E em que podemos investir? A melhor resposta está nas peças versáteis que podem fazer sucesso agora e ser reaproveitadas depois dos eventos, ou seja, nas pós-festividades. A quem prefira ficar no tradicionalíssimo branco para não errar ou fazer feio. Mas se desejar vale apostar em tons ousados, claro, sabendo usa-los a seu favor, e de forma que fique confortável. O branco é tradicional, mas não é uma regra. Usa-se geralmente por opção ou crença. Se você preferir cores claras, aproveite as sugestões que montamos para você. Nas fotos dos looks masculinos e femininos há composições casuais, que podem ser usadas na virada do ano, em outras festas e no nosso dia-a-dia. Fa l a n d o e m acessórios, as clutches são peças atemporais. A dica é escolher uma cor que fique legal com a roupa e os materiais que a compõe, como tachinhas e correntes, por exemplo. Essa última é uma ótima opção para ser usada.


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Digestivo

Rivânia Queiroz rivaniaqueiroz@revistanordeste.com.br

Digerindo bem... No dicionário brasileiro a palavra “digestivo” significa algo que pode ser dissolvido e absolvido. Trocando em miúdos, é o ato de digerir. Essa mesma expressão também pode nos remeter a um aperitivo, aquela bebidinha que costumamos tomar após uma refeição, justamente para melhorar a digestão, um costume bem oriental, mas que foi absorvido por nós. Ainda podemos pensar nesse termo quando vamos nos alimentar de informação. E aí, assim como fazemos quando vamos comer ou beber, aqui também se faz necessária uma boa degustação, para que a informação adentre o nosso organismo e tenha uma boa assimilação ou digestão. A informação é degustável. Ela deve ser apreciada, desejada e saboreada de forma que o leitor possa consumi-la com prazer, igual a

Incentivo à leitura

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Os amantes da literatura de cordel se deliciaram na X Bienal Internacional do Livro que aconteceu em Fortaleza no início do mês. O Espaço Cordel reuniu o que há de melhor no gênero, como cordéis, CDs e livros, além de ter contado com apresentações artísticas. Chico Pedrosa, poeta popular, escritor e um dos maiores declamadores do país, foi um dos convidados. Este ano, mais de 2,5 mil pessoas puderam conferir a nova edição da feira que trouxe ampla programação de incentivo à leitura.

um vinho do Porto, um licor de amêndoas ou uma caninha envelhecida. Como vimos, há uma interessante relação entre a comida e a informação. Igual ao que fazemos quando comemos, ao ler, adquirimos a informação e a guardamos dentro de nós. Aí começa a segunda etapa do processo: temos que digeri-la, isto é, pegar os seus elementos importantes e transformá-los em conhecimento, a fim de ampliar sua descoberta. A Coluna Digestivo tem esse intuito: oferecer a degustação de algo leve e de fácil e rápida absorção. Nesse espaço, vamos trazer novidades e falar sobre música, arte, cinema, literatura, diversão, turismo e gastronomia. Boa leitura!

Cine Futuro

O Festival Cine Futuro - VIII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – trouxe a Salvador a exibição de mais de 100 curtas e longas inéditos, entre nacionais e internacionais. O evento aconteceu no início do mês de novembro na capital baiana e contou com a presença de artistas como Nei Matogrosso, ator principal do filme Luz nas Trevas - A volta do Bandido da Luz Vermelha, de Helena Ignez. O festival também teve mesas redondas, diálogos e oficinas.

Tintas coloridas Entre pinceladas e cores, o artista plástico Flávio Tavares vai construindo a sua quinta obra de grande porte: Alegoria sobre a Bagaceira. O telão em óleo sobre tela imortaliza os aspectos da vida e da obra do escritor José Américo de Almeida, numa visão panorâmica que destaca aspectos do litoral ao sertão da Paraíba. O artista mescla personagens reais com aqueles que povoam o universo literário de José Américo. A obra vai ilustrar as instalações do Centro de Artes da UFPB.


Pela cidade De passagem por João Pessoa, a jovem paranaense Liah Soares, 32 anos, uma das participantes do programa The Voice Brasil, soltou a bela voz na capital paraibana. A cantora fez dois shows na cidade, no início do mês. Integrou o projeto Corredor Cultural, na Praça Rio Branco, no Centro, e se apresentou no Samba da Vela, no Bar Barril 21, ritual que vem encantando os paraibanos nos finais de semana. Com quatro discos na carreira (“Liah”, “Perdas e Ganhos”, “Livre” e “Quatro Cantos”) Liah cantou músicas autorais, além de ter interpretado clássicos da Música Popular Brasileira como ‘As rosas não falam’, de Cartola. A artista vem se apresentando pelo Brasil e avisou que em breve estará novamente em João Pessoa.

Arquitetura com estilo

A Casa Cor Pernambuco retorna ao Recife neste mês e se instala em três chalés do século XIX que abrigaram o Instituto de Psiquiatria Luiz Inácio, na Boa Vista, parte mais antiga da cidade. É a primeira vez que o casario estará de portas abertas para o público. A 16ª edição do evento ocorre entre os dias 13 de novembro e 18 de dezembro. Este ano, a mostra tem como tema Moda, Estilo e Tecnologia. O artista plástico Romero Britto será um dos homenageados.

Das águas do São Francisco Ele é Pernambucano da cidade de Petrolina e atualmente mora em Recife, mas garante que sua terceira casa é João Pessoa, cidade que frequenta constantemente e onde fez grandes amigos. Aqui Zé Manoel mostrou o seu trabalho em show intimista, na Usina Cultural, no dia 9 de novembro. O público se surpreendeu com o talento e a descoberta de um grande artista popular. Zé Manoel está no seu segundo trabalho e traz influências do chorinho, da valsa brasileira, do jazz e do samba.

curtas O mês de novembro será dedicado à mostra do Cinema Alemão. O Sesc de Fortaleza (CE), em parceria com o Instituto Goethe São Paulo, apresentará todas as quartas-feiras filmes que representam uma época marcada pelas barbaridades vividas pela população do país. Com mais de 30 prêmios em festivais no Brasil e no exterior, o filme pernambucano O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, será exibido pela primeira vez no Recife no dia 28 de novembro, ao ar livre, no Cais de Santa Rita, durante o evento Vivo Open Air. A Secretaria de Turismo de Alagoas fez ação promocional para divulgar o destino em um dos mercados prioritários para o estado: Brasília, maior emissor de turistas para a localidade. A Setur promoveu a ponte aérea Brasília/Maceió, através do programa, Alagoas Tem Pressa. Salvador acaba de ganhar dois novos charters da companhia Aerolíneas Argentinas. Serão nove rotas para o estado entre janeiro e março, transportando cerca de 1 mil passageiros por semana. Os voos Buenos Aires/Salvador terão 170 lugares. As rotas para Porto Seguro 128 poltronas.

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Foto: Gustavo Teixeira


Cultura

M

da

Nova referência Artista tem sido considerado uma das gratas revelações dos últimos tempos Walter Santos

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om a leveza do rio São Francisco que carrega de berço, o pianista, intérprete e compositor Zé Manoel vem encantando plateias. O jovem de voz suave e tranquila já vem sendo considerado pela crítica como a nova referência da Música Brasileira. Ele traz no seu repertório canções autorais e de artistas consagrados, deixando sair do seu piano notas como as de Tom Jobim e João Gilberto. Em entrevista exclusiva à Revista NORDESTE, o artista fala de sua carreira e das influências que recebeu do chorinho, da valsa brasileira, do jazz e do samba. Revista NORDESTE – Como você definiria sua obra ainda de tempo pequeno, mas de imposição serenamente musical vanguardista? Zé Manoel - Entitular não é muito o meu forte, mas eu diria que é a soma de memórias afetivas, musicais e uma vontade de cristalizar tudo isso e guardar dentro de um sachê, como diz uma das músicas do meu disco. NORDESTE – Aparentemente seu estilo destoa da sonoridade impositiva de outros

Uso os elementos que mais me fascinam. É um processo sentimental, eu diria até de querer dar continuidade àquela música que emocionava”


Foto: Divulgação

NORDESTE – Sua música, talvez influenciada pelo piano, tende ser interpretada como urbana. Quando vai se ouvindo é que se enxerga que, na raiz, há muita influência de antepassados, até rurais... Zé Manoel - Sem dúvida. Muitas das músicas desse disco foram compostas em Petrolina. Nesse período eu não me dava conta de que ela estava impregnada de tudo aquilo que eu vivia lá. O rio, a brejeirice, as cantigas de roda, o pintor de retratos, que em alguns interiores do Brasil, continuam a exercer sua profissão, o samba de veio, que é uma manifestação cultural da Ilha do Massangano, e tudo aquilo que eu ouvia através dos meus pais: Marines, Luiz Gonzaga, Cascatinha e Inhana. Tudo isso, de alguma forma, está lá e vai sempre estar nos meus trabalhos. A roupagem urbana vem mesmo por conta da formação base (piano, bateria, baixo) e das influências de música urbana, como a bossa nova e o jazz.

grandes valores de Pernambuco, a partir de gente como Alceu Valença, Lenine, Mangue Beat... Mas na essência, o maracatu, o samba e outros ritmos se fazem presentes em outro formato. Onde você encontrou essa fórmula? Zé Manoel - Assim como Alceu e Chico Science vieram depois, e através da estética de Luiz Gonzaga, dos tradicionais maracatus

NORDESTE – Onde difere, na sua leitura, a urbanidade musical do que você faz diante de grandes nomes da MPB, a exemplo de Tom Jobim, mais influenciado pela Bossa Nova? Zé Manoel - O fato de eu vir de uma cidade do interior de Pernambuco, mais precisamente, do Sertão, e de Petrolina ter sofrido outras influências, determina muito essa diferença. A música que faço não é totalmente urbana, inevitavelmente, é rural também. NORDESTE – No que você a considera próximo da Bossa Nova? Zé Manoel - Na linguagem. Eu não faço bossa nova, nem tenho essa pretensão, mas me interesso muito pela linguagem e pela forma  de expressão.

DISCOGRAFIA 2010

01. Samba Tem 02. Fantasia de Um Alecrim Dourado 03. Saraivadas de Felicidade 04. Noites Brejeiras 05. Valsa da Ilusão 06. O Pintor de Retratos 07. Acabou-se Assim 08. Motivo Número 2

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01. Sol das Lavadeiras 02. Deixar Partir 03. Samba Tem 04. Fantasia de um Alecrim Dourado 05. Dizem (quem não chora não mama) 06. Acorda Flor 07. Noites Brejeiras 08. Cinema Nacional 09. O Pintor de Retratos 10. Valsa da Ilusão 11. Samba Manco 12. Saraivadas de Felicidade 13. Acabou-se assim 14. Calundu

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MPB

da zona rural do estado, eu também sou fruto do que os influenciou e da influência que eles exercem. Como comecei a estudar piano clássico muito cedo e, na época, fui muito influenciado pelo gosto musical da minha professora de piano, fui me interessando pelas valsas, tangos de salão e chorinhos. Depois descobri Tom Jobim, Caymmi, João Gilberto, Chet Baker... Enfim, uma coisa foi levando à outra e fui descobrindo que isso se conectava com o meu jeito de pensar, ver e ouvir as coisas. Usando os elementos que mais me fascinavam, comecei a me expressar musicalmente. Foi um processo mais sentimental, eu diria até de querer fazer parte e dar continuidade àquela música que emocionava, nem que fosse só pra mim mesmo, do que querer criar uma fórmula, ocupar um lugar como artista o que, inevitavelmente, acaba acontecendo.


Foto: Divulgação

NORDESTE – Não é ‘bicho de sete cabeças’ admitir a influência que os artistas sofrem. No seu caso, quem mais o influenciou intelectualmente? Zé Manoel - Fui influenciado por muita coisa que se ouvia em casa, como já citei Luiz Gonzaga, Sivuca... Meu pai ouvia muito samba canção também. Mas a partir de um contato mais específico com a música, através das aulas de piano, veio Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, depois Tom Jobim, acho que inicialmente pelo fato de tocarmos o mesmo instrumento, em seguida veio Chico e Edu, chegando em Dorival Caymmi que me trouxe outra consciência sobre a música. Em Recife, em 2007, iniciei um período de novas descober tas, que ainda estão acontecendo, o que tem sido prazeroso e importante. Abriu-se um novo mundo, mas no momento certo, pois quando cheguei aqui já estava mais consciente do meu trabalho.

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NORDESTE – Você praticamente registra sua estreia na música em 2009 com o vídeo Observa e Toca. Diria que foi o start para ser percebido dentro e fora de Pernambuco? Zé Manoel - Em 2009 lancei o meu primeiro disco. Um EP (disco promocional) que gravei com o apoio de amigos. Uma parte gravada em João Pessoa, com músicos paraibanos, como Dennis Bulhões, que gravou bateria também no meu disco novo, e outra parte aqui em Recife, com músicos de Petrolina, Uauá-BA e Recife. Todos amigos e excelentes músicos. Mais ou menos dois anos depois fui convidado pela Fundarpe, já depois de ter passado por festivais como o RecBeat, Festival de Inverno de Garanhuns e outros shows importantes aqui em Recife, pra fazer o vídeo Observa e Toca, junto com outros quatro ar tistas, dentre eles Lula Cor tes, Mundo Livre S.A e o Grupo Bongar. Esse projeto teve uma ótima repercussão e foi realmente a primeira percepção mais significativa do meu trabalho, fora do estado e do Brasil. NORDESTE – Quem orbita sua vida, sua produção, shows...? Zé Manoel - Muitos amigos, gente que acredita no meu trabalho e me impulsiona para frente de alguma forma, sejam profissionais, conselheiro, parceiros. Além da minha família que me incentiva e apoia, mesmo diante de todas as dificuldades que é optar por esse caminho. NORDESTE – Seu primeiro contato com produtores franceses gerou uma música com formato mais elaborado. Qual o futuro

desse relacionamento? Zé Manoel - A produtora V.O. Music veio para acrescentar a um trabalho que começou antes e que continua aqui no Brasil. As perspectivas são as melhores possíveis. Estamos todos muito animados e confiantes. Eu me vi repentinamente no meio de ar tistas que admiro como Speranza Spalding, Angelique Kdjo, os pernambucanos da Spok Frevo Orquestra, além de Milton Nascimento e João Bosco. Isso pra mim já é uma alegria das grandes. Minha primeira turnê pela Europa vai acontecer no verão de 2013. NORDESTE – Quando não está compondo, fazendo arranjos, o que Zé Manoel faz, quem ouve, quais os artistas, suas parcerias...? Zé Manoel - Estou sempre ouvindo música. Gosto muito de ficar no meu canto. Quando saio, gosto de ver apresentações de amigos, ou encontra-los em algum boteco... Ouço muita coisa diferente, dependendo muito do meu estado de espírito. Dos que lembro agora, recentemente ando ouvindo Ederaldo Gentil, sambista da Bahia, Orquestra Contemporânea de Olinda, Siba, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Totonho (e os Caba), o pianista Benjamim Taubkin, Herbet Lucena, Carmen

Souza, de Cabo Verde... Também tenho me dedicado a um projeto com o músico e compositor Juliano Holanda, a cantora Isadora Melo, de Recife, e o escritor Walther Moreira Santos. Temos um disco/livro infantil que sairá pela editora Melhoramentos no início de 2013. NORDESTE – Quem você indicaria como talento a merecer abrigo auditivo, reconhecimento artístico? Zé Manoel - Musicalmente, a gente vive um período muito rico no Brasil. Pena que o mainstream está muito longe do que, de fato, tem acontecido de bom por aqui. Mas vou indicar Vinícius Sarmento, um jovem violonista de sete cordas e compositor fantástico, daqui de Recife, dentre muitos outros grandes artistas dessa geração, que eu poderia indicar. Vinícius merece todos os ouvidos atentos. NORDESTE – O que reserva seu futuro e o que se projeta para 2013? Zé Manoel - Adoraria saber... Tenho trabalhado muito para que seja um bom ano. Se eu conseguir me manter firme no propósito de fazer música, já é uma grande vitória para 2013.


Cultura

Um passe de cultura Projeto de Lei aprovado na Câmara Federal propõe benefício ao trabalhador para o consumo de cultura de música e apenas 7% assistiram a algum espetáculo de dança. A deputada explica que, caso o projeto seja aprovado pelo Senado, o trabalhador receberá, em cartão magnético “Vale-Cultura”, R$ 50 que poderão ser utilizados nas empresas a serem credenciadas pelo Ministério da Cultura. “Qualquer contribuição agrega um valor, mesmo que simbólico, como os 50 reais previstos no programa, que não daria para pagar as despesas de uma família no cinema. Precisaria de muito mais do que um vale cultura para que o público reconheça a importância deste acesso, afinal quem não teve o direito ao ensino não tem esta noção”, afirmou Manuela. Foto Divulgação

Manuela D’Ávila é autora da Matéria que aguarda aprovação do Senado

Proposta divide opiniões

O economista Rafael Bernardino concorda com a deputada, e acredita que o projeto sozinho não terá o impacto esperado. “As empresas de menor porte, que trabalham com lucro presumido não teriam interesse em aderir a essa Lei, inclusive porque o incentivo é limitado a 1% do lucro total”. O economista salienta que, de uma maneira geral, os trabalhadores têm outras prioridades que antecedem os produtos e serviços culturais. De acordo com a pesquisa utilizada no Projeto, o que motiva a população a não frequentar eventos culturais é a falta de hábito. Segundo Manuela, esta cultura poderá mudar. “Famílias muitas vezes não se interessam por produtos culturais por causa da baixa renda”. Para Ivonete Melo, Presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão no Estado de Pernambuco (Sated-PE), este será um avanço cultural para todos, já que os trabalhadores terão em mãos algo já pronto. “Existem espetáculos que custam bem menos que 50 reais, então teremos mais pessoas nos fins de semana vendo filmes e peças, por exemplo, sem precisar mexer na renda familiar”, comemorou.

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J

á imaginou ter mensalmente um valor destinado a cultura num cartão semelhante ao do Vale Transporte entregue pela empresa em que você trabalha? Este é o objetivo do Projeto de Lei, de autoria da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), aprovado pela Câmara dos Deputados e que será encaminhado ao Senado. A finalidade é assegurar aos trabalhadores o acesso a cinemas, peças de teatro, mostras de dança, espetáculos e outras apresentações do gênero, além de garantir a compra de objetos ligados à cultura. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 somente 6% da população assistiu alguma peça de teatro, 83% não foram ao cinema, 80% não estiveram em qualquer show


Vinhos [ por Afra Soares ]

Assim é melhor Fico muito indignada, para não dizer outra coisa, quando ouço um tomador de rótulo ou de pontos, como diz meu amigo Chel da Banca do Ramon, lá no Mercado Municipal de Sampa, falando asneiras e ainda por cima em altíssimos decibéis, obrigando quem esta ao seu lado escutar suas baboseiras. Recentemente, em um evento, um camarada falava em alto e bom som que o Chile não produz vinhos de qualidade e que, quem conhece vinho sabe muito bem disto. Percebi que suas palavras tinham endereço certo e que ele queria plateia. Para não polemizar –gosto não se discute- e para o seu desespero, fiz que não tinha escutado. Os amigos, que faziam parte da minha roda de conversas, me instigaram a dar-lhe uma resposta, o que faço agora com noticias sobre os vinhos do Chile. O Chile trabalha para se tornar o maior produtor de vinho do Novo Mundo nos próximos dez anos, apesar do tamanho geográfico do País. Hoje, ele é o sétimo maior produtor global e o quinto maior exportador, só perdendo para a Itália, França, Espanha e Austrália. É líder em exportações no mercado

do Mercosul e o maior exportador de vinho para o Brasil com 32% das exportações de vinhos, seguido da Argentina com 22,5%. Nos últimos nove meses as vendas de vinhos chilenos cresceram 15% no mercado nacional. O Brasil é o quarto maior destino dos vinhos chilenos, mas representa, apenas, 6,3% das exportações deste país. E o que dizer da pontuação, acima de 94 pontos de um máximo de 100, dada a alguns vinhos chilenos pela The Wine Advocate, publicação do todo poderoso Roberto Parker? Confiram: Viñedo Chadwick-Cabernet Sauvignon 2008 (96 pontos); Carmín de Peumo -Carménere 2007 (96 pontos); Montes Folly- Syrah 2007 (95 pontos); Carmin de Peumo- Carménere 2008 (95 pontos); Seña 2008 (95 pontos); Don Melchor 2007 (94+ pontos); Alpha M 2007 (94 pontos); Payén Syrah 2007 (94 pontos); Von Siebenthal Toknar -Petit Verdot 2007 (94 pontos) e Altazor Red Blend 2007 (93+ pontos). São pontos para encher qualquer barriga. Os chilenos sabem fazer vinho, agora se o cidadão não entende do assunto, que fique calado.

Contribuição premiada Distinguished Service Award é um prêmio lançado ha trinta anos pela Wine Spectator a mais prestigiada publicação norte-americana especializada em vinhos e que elege “líderes que se destacaram pela sua significante e permanente contribuição à indústria do vinho”. Entretanto, não é fácil fazer parte desta lista de privilegiados, uma cobiça de todos. Agora, Nicolás Catena Zapata, o produtor argentino mais conhecido e mais agraciado no mundo do vinho, acaba de receber o premio Distinguished Service Award 2012. A Wine Spectator avaliou com mais de 90 pontos 120 vinhos, entre tintos e branco, deste produtor. Eu, particularmente, sou apaixonada e, sempre que posso e a grana permite, degusto um.

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Orando e bebendo Produzido pela Fundação Eugenio de Almeida a partir das melhores vinificações do ano, às vezes de castas estrangeiras ao Alentejo, o vinho Scala Coeli, pouco conhecido dos brasileiros, apesar de ser irmão do famoso Pera Manca, estagia em garrafa no silêncio das caves do Convento de Santa Maria Scala Coeli, que em latim significa “escada para o

céu”, um local de muitas orações e contemplações, única presença dos Monges Cartusianos em Portugal. Lançado pela primeira vez em 2005, repetiu o feito em 2006, 2007, 2008 e 2009. Nunca provei o 2006, mas os outros são espetaculares, pena que o preço seja um “pouquinho salgado”, mas se o encontrar não vacile. Compre.


Fazendo fita

Cuide do seu

Só tem estrelas

Lover Your Liver (Ame seu Fígado) é uma campanha britânica que incentiva consumidores a ficar pelo menos dois dias da semana sem tomar bebida alcoólica e tem a participação da marca alemã de vinhos sem álcool Eisberg. O consultor da Eisberg disse que ““Love Your Liver é uma campanha de sensibilização para a saúde do fígado e Eisberg é o parceiro perfeito, pois permite que o público reduza a ingestão de álcool e de calorias sem privar-se de suas coisas favoritas”. Palestras com dicas de como diminuir o risco de desenvolver doenças no figado, testes não invasivos e conversas com especialistas serão oferecidos a população. O Brasil também tem o seu vinho sem alcool, o La Dorni, e poderia copiar esta ideia.

Chamada de “The Players’ Collection” (A coleção dos jogadores), produzida pela Bodegas Altanza - uma vinícola da região de Rioja- de uma única vinha com cerca de 100 anos de idade e com produção restrita a 1.999 caixas, foi lançada, durante a Feira Internacional de Vinhos e Destilados em Hong Kiong, o vinho oficial do time de futebol do Barcelona. Cada uma das garrafas tem o número e o nome de algumas das grandes estrelas do time, incluindo Fabregas, Messi e Xavi. As primeiras garrafas do vinho, 100% Tempranillo, foram vendidas por 220 iuans, o equivalente a 18 euros.

Raridades Quando você estiver lendo esta nota, os vinhos dos quais falo (escrevo) terão novos donos. Algumas garrafas do século XIX do Château d’Yquem e algumas outras de vinhos raros de Bordeaux e Borgonha foram a leilão em Nova York, em meados de novembro. Garrafas produzidas entre 1850 e 1890 e vinhos da safra de 1990 estavam entre os lotes. Os principais rótulos de 1816 foram avaliados entre 25 a 35 mil dólares. Château Latour 1961, sete garrafas de Latour 1929 –20 a 30 mil dólares, uma coleção vertical de Mouton Rothschild de 1953 a 1993 e uma caixa de 1945 também foram vendidas.

Mar Rouge

Bom pra eles

Com grande produção de vinhos na região de Dealu Mare, a Romênia esta se tornando parte do Novo Mundo dentro do Velho Mundo. Alguns enólogos, como Michel Rolland, prevêem que, no futuro, a região do Mar Negro - que abraça países como Romênia, Bulgária, Armênia - será de grandes produtores de vinhos finos. Para Walter Friedl, um austríaco co-proprietário da Lacerda Winery, uma vinícola romena de 200 hectares, as condições para produzir vinhos na Romênia são ótimas. . “Aqui nós estamos a 45 graus de latitude e temos condições como em Bordeaux ou Toscana”, disse ele. No país são cultivadas variedades clássicas como Merlot, Cabernet Sauvignon e Riesling, mas há também cepas nativas como a Feteasca Neagra, tinta e Feteasca Alba ou Tamaioasa, brancas.

Em contraste com a colheita dos países europeus, que teve em 2012 uma das menores safras já registradas nos últimos anos, os produtores californianos festejam a sua excepcional safra, 12% maior que a do ano passado, que deve chegar a 3,7 milhões de toneladas de uvas. Bobby Koch, presidente e CEO do Instituto de Vinhos da Califórnia declarou que, “a safra de 2012 irá oferecer aos consumidores do nosso mercado nacional e internacional escolhas fantásticas”. Frank Cabral, diretor da Trinchero Family Estates disse que “a maior parte das variedades teve o rendimento acima da média e que a safra de 2012 vai se tornar conhecida por sua abundância de frutas e pela qualidade dos vinhos.

Acesse o site: www.vinhoprosaerepente.com.br e vejam outras notícias.

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O que você faria se encontrasse 10 mil garrafas de Lafite “jogadas ao leu”? Pois foi isto que a polícia chinesa encontrou em uma casa de veraneio abandonada em Wenzhou, na Província de Zhejiang. O proprietário do imóvel disse nada saber sobre as preciosidades e que há mais de nove anos não vive ali. A polícia suspeita que os vinhos sejam falsos, o que é corroborado pelo fato de somente 50.000 garrafas verdadeiras de Lafite serem exportadas por ano para a China. Caso sejam verdadeiras, o que é pouco provável, devem valer 16 milhões de dólares.


Nordeste Agito

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faleconosco@revistanordeste.com.br

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O empresário João Carlos Paes Mendonça movimentou a sociedade pernambucana na noite de inauguração do seu mais novo empreendimento. No final de outubro, a cidade do Recife ganhou o Shopping RioMar. A Revista NORDESTE esteve presente à festa e mostra como foi o lançamento. 01 - Zé Maria e João Carlos Paes Mendonça 02 - O vice-governador de Pernambuco João Lyra Neto, a esposa Leila Queiroz, o governador Eduardo Campos e a primeira dama Renata

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03 - O senador Jarbas Vasconcellos, o prefeito do Recife, João da Costa, e o ministro da Integração Fernando Bezerra Coelho 04 - Jaci Tavares de Melo e Auxiliadora Paes Mendonça, esposa do empresário e anfitrião da festa

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05 - Joseilde e Francisco Vieira de Melo 06 - Prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes, e sua esposa Ana Karla 07 - Reginaldo Paes Mendonça e Nizete 08 - Keila e William Benício, da Blu K

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09 - Giovanni di Carli e Cecília Freitas, da Agência Gruponove 10 - Ministro Fernando Bezerra Coelho, Jarbas Vasconcelos, João Carlos Paes Mendonça e Eduardo Campos

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01 - Walter Santos com a Cônsul dos Estados Unidos em Recife, Usha Pitts 02 - Em evento no Recife, onde se discutiu Negócios para Cidades do Futuro, Walter Santos moderou a palestra Cidade Sustentável, Cidades Inteligentes 01

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03 - O ministro Fernando Bezerra Coelho ao lado do presidente da Revista NORDESTE 04 - O jornalista João Thiago entrega exemplar da Revista NORDESTE ao presidente do PEN, Adilson Barroso

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05 - O economista e consultor de negócios Ricardo Di Cavalcanti 06 - O cantor Zé Manoel ao lado dos paraibanos Walter Santos, Totonho e Adeildo Vieira 07 - Ivete Sangalo divide o palco com Marina Elali na gravação do DVD “Duetos”

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08 - Elba Ramalho e os filhos prestigiam o lançamento do filme “Gonzaga de Pai para Filho”

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02 - A 15º edição do Festival Recife de Teatro Nacional que aconteceu no Teatro de Santa Isabel, no Recife, trouxe uma homenagem ao dramaturgo e teatrólogo Marcus Siqueira. O evento trouxe a exibição do espetáculo “Gonzagão - A Lenda”, de João Falcão

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09 - A bela baiana Ju Moraes vem encantando o público e os técnicos do programa The Voice Brasil. Nas semifinais ela arrancou elogios de Carlinhos Brown


Cultura

CAPITAL

CIRCO

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João Pessoa foi palco do 2º Festival Internacional de Circo e se transformou num grande picadeiro Jéssica Figueiredo*

D

a agradecer”, confessou. Com tantos palhaços nas ruas da cidade, o evento contribuiu para modificar a visão das pessoas sobre eles. “Muitas crianças ainda têm medo de palhaço, e o Balaio veio para mostrar que palhaço é amigo, que ele está perto da nossa sociedade e não quer fazer nenhum mal”, explicou Diocélio. *Especial para a Revista Nordeste

Dadá Venceslau: palhaço há mais de 30 anos.

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urante uma semana, a cidade de João Pessoa se transformou num verdadeiro picadeiro. Espetáculos de palhaços, malabaristas, pernas de pau, dançarinos e equilibristas coloriram as principais praças, centros e teatros da cidade, em apresentações gratuitas. A festa completou a programação do II Balaio Circense – Festival Internacional de Circo, evento promovido pela companhia Trupe do Arlequim, realizado entre os dias 19 e 25 de novembro. Mais do que a pluralidade circense, esta edição do Balaio também trouxe cinquenta artistas de diferentes regiões do Brasil e do mundo, com espetáculos nunca antes apresentados na cidade. “Nós fizemos uma curadoria em cima de algumas peças que já tínhamos assistido antes, mas que ainda eram inéditas na capital. E isso proporcionou uma experiência maravilhosa ao público, que

nunca tinha visto aqueles espetáculos”, afirmou Diocélio Barbosa, fundador do evento. Apresentações ao ar livre, com os atores e palhaços interagindo com os espectadores, foi uma das prioridades do evento, como detalhou Diocélio. “Tivemos o cuidado de selecionar espetáculos que pudessem acontecer próximos ao público, em que os atores e palhaços olhassem no olho das pessoas”, contou. Valorizando ainda mais a cultura do circo no Nordeste e no país, o evento também homenageou Dadá Venceslau, palhaço reconhecido há mais de 30 anos. “Acompanhei muito a carreira dele desde cedo, então vi que ele era a pessoa ideal para receber nossa homenagem”, apontou o fundador. Para o palhaço, é uma honra receber o reconhecimento. “Eu nunca tive um prestigio tão grande. É uma coisa muito grandiosa, que eu recebo com muita alegria e só tenho

Fotos Divulgação


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SE JÁ É BONITO NA IMAGEM, IMAGINE AO VIVO VILA GALÉ CUMBUCO A imagem fala por si. Um resort de sonho, nas paradisíacas dunas da costa dos ventos junto à charmosa vila do Cumbuco. Um novo conceito de férias para o Ceará: All inclusive com diversão e conforto para você!

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Revista NORDESTE - Edição 73  

A revista de maior reconhecimento nacional por traduzir os fatos do Brasil com o olhar do Nordeste.

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