Page 1

Revista my sugar is raw

Edição especial:

#05


Editorial

L

ançado em agosto de dois mil e nove, como uma experimentação de novas mídias do curso de Jornalismo, o My Sugar is Raw é um site que fala sobre cultura POP e suas vertentes. O nome do site foi inspirado na música Candy Shop e a escolha tem a ver com a trilha sonora que marcou a vida do jornalista naquele ano. Composta para o álbum Hard Candy de Madonna, a canção não saía do player de música de Adriano durante a criação do blog. A concepção do blog veio em um período em que as lan houses eram febre e a sua intenção era a de ser um blog dedicado exclusivamente para notícias relacionadas a Material Girl. Com o início da faculdade de comunicação no ano seguinte, o My Sugar is Raw, ganhou nova identidade e novo foco: produção de conteúdos diários sobre música pop. Essa fase se encerrou com a proximidade do TCC.


De lá pra cá, o blog ficou sem receber atualizações e viu pouco a pouco o seu público ir embora. O My Sugar is Raw passou então por uma repaginada neste ano e se tornou um espaço para a divulgação do portfólio do jornalista. No final deste ano, a revista do Msraw foi reativada como material promocional do projeto Hashtag a Festa que acontece mensalmente em São Paulo. Confira agora matérias especiais sobre as divas Pop mais descoladas do momento e saiba as novidades deste universo agitado. Boa Leitura,

Adriano Santos - Editor


NOITE

Close on the dance floor!

Já não é mais novidade dizer que a noite gay de Sampa e do Rio são hiper democráticas. De ursos a alternativos, há opções de diversão para todos, o fervo é sempre garantido nas festas promovidas pelos promoters Adriano Santos e Valdo S. Sem segregar nenhuma fanbase, esses projetos prometem agradar a todos, independente se você for Team Gaga ou Team Katy Perry. Conheça agora essas baladas e se jogue com tudo na pista de dança! Foto: Renan Lima


O

clube A Lôca em São Paulo será palco da quarta edição da Hashtag a Festa, projeto do jornalista Adriano Santos. Nascida no baixo Augusta com a proposta de unir jovens antenados nas tendências virtuais celebrando a boa música Pop, a Hashtag já passou pelo Dex bar e também pelo bar D’Hotel Cambridge reunindo uma média de 120 pessoas por mês.

Hipster

Com a proposta de aumentar o público de suas festas, o jornalista Adriano Santos em parceria com o Peep Lounge decidiu marcar uma data extra para a Hashtag. Nesta noite, o tema é mais underground. No som vai rolar muito indie, poprock e música alternativa. Claro que vai ter um pouco de Gaga, Madonna e Britney, mas o foco são os hipsters e descolados.Lembrando que a casa tem uma regrinha: Só pode entrar Boy Magia! Nas pickups estão confirmados: William Tagart da Black Pop e os residentes Driko Hype e Tafuri.

Para esta edição, a aposta é o mais recente álbum de Lady Gaga, o aclamado disco ARTPOP, que surpreendeu os Little Monsters com sua sonoridade eletrônica e vanguardista. Comandando as pickups, os Djs Driko Hype, Mang0 e Tafuri farão o público ferver na pista de dança com os melhores hits e A Bloc Party, projeto remixes da Mother Mons- carioca formado pelos ter. A Lôca fica na Rua amigos: Bernardo Costa, Frei Caneca, 916.

POP


Juba, Vino e Valdo S, é uma festa onde o som é “POP sem ser vulgar”. A ideia é tocar tudo o que seja dançante e soe bem aos ouvidos dos produtores e dos DJs, mas o principal é agradar o público, fazendo todo mundo dançar e curtir esse agito! “Mas Vai ter Lady Gaga? Vai ter Beyoncé? Vai ter Madonna? Vai ter Rihanna? Vai ter relacionadas?”. CLAAARO que vai, mas aqui elas estarão integradas a outras sonoridades tão boas quanto e com a intenção de misturar, BOMBAR e botar a pista para ferver! Então, prepara o seu look mais dançante para fazer bonito nessa pista, porque a BLOC PARTY é BAPHÔNICA!!! A próxima edição está marcada para o dia 21/12 no Studio RJ.

Serviço:

Hashtag a Festa #4 Especial ARTPOP 13/12 – 01:00 A Lôca – Frei Caneca , 916 Lista Vip*: contato. hashtagafesta@gmail.com Contato: http://fb.com/ hashtagafesta * Válida até 1h, depois vale o preço da Lôca: $15 entrada ou $40 consumação.

Hashtag a Festa #5 Hipster Edition 14/12 – 00:00 Peep Lounge – Rua Araújo, 155 Info: www.hashtagafesta. wordpress.com

Bloc Party 21/12 – 23h Entrada: R$ 25 até 0:30 após R$ 40 Studio RJ – Avenida Vieira Souto, 110 – Arpoador I n f o : h t t p s : / / w w w . fa c e book.com/festablocparty


RAPIDINHAS

Tropico

A cantora Lana del Rey divulgou nesta tarde o seu curta metragem Tropico. Nos vinte minutos do vídeo, a cantora faz uma viagem do paraíso à Los Angeles com o seu companheiro, o modelo albino Shaun Ross. Mostrando um excelente trabalho de atuação a cantora interpreta Eva sendo provocada pela Serpente no Jardim do Éden, logo em seguida se torna uma stripper que namora um Bad Boy viciado em drogas e após um clímax emociconante encontra o caminho da redenção ao lado de seu amado.A trilha sonora do curta é composta por músicas do álbum Born to Die Paradise Edition, são elas: “Body Electric“, “Gods & Monsters” e “Bel Air“.

Fergie isBack

fergie confirmou em entrevista ao Ryan Seacrest, que lançará seu segundo álbum solo em 2014.Afastada do mundo da música desde o lançamento do disco “The Begining”, a cantora se prepara para o retorno aos trabalhos. O seu último trabalho foi o álbum “The Dutchess”, lançado em 2006. Fergie participou este ano da trilha sonora do filme “O Grande Gatsby”, com a música “A Little Party Never Killed Nobody (All We Got).


Do what you want

o diretor Terry Richardson divulgou uma imagem dos bastidores da gravação do clipe do what you want, segundo single oficial de artpop que conta com a participação de R. Kelly. No Vevo, canal oficial de videoclipes musicai, foi anunciado que será lançada uma novidade de gaga na semana que vem. fãs da mother monster acreditam que essa novidade se refere ao vídeo dos bastidores do clipe, que teve seu lançamento adiado recentemente.

Top Ten A plataforma VEVO, onde os artistas divulgam oficialmente seus clipes, divulgou uma lista com os 10 videoclipes mais vistos do ano, até agora. Liderando o ranking, a polêmica Miley Cyrus faturou os dois primeiros lugares com os videclipes: wrecking ball e we can’t stop. saibam quais foram os clipes mais vistos até dezembro no vevo:

wrecking ball we can’t stop scream and shout Diamonds roar just give me a reason blurred lines stay la la la kiss you


COMPORTAMENTO

A culpa pela soroconversão

Aprender a conviver com o HIV pode ser um processo cheio de percalços e perguntas sem respostas: “O que eu fiz para merecer isso?” Matéria de Adriano Santos para o site Vestiário.org

“Você está preparado para saber o resultado?” perguntou o infectologista, que aparentava ter 29 anos. “Augusto*, você não é o primeiro e muito menos o último a passar nesta sala. Saiba que daremos todo o apoio necessário daqui pra frente caso seja preciso” completou antes de abrir o resultado do exame de HIV do publicitário.

R

eagente, uma simples palavra que pode mudar histórias em segundos. Ser reagente ao HIV significa que você faz parte de uma estatística que aumenta ano após ano no Brasil, o de infectados pelo vírus da Aids. Somente em 2012, jovens com idade entre 15 e 24 anos, representavam 50% dos novos casos de contaminação pelo HIV. E Augusto acabara de entrar para este triste grupos. 24 horas antes daquela consulta, o publicitário levava uma vida normal, estava no último ano da

Ilustração Vic Matos


faculdade, conciliava a vida acadêmica com o estágio em uma agência, acabara de completar seis meses de namoro, saía aos finais de semana com os seus amigos e sempre arrumava tempo pra fazer um freela. Na tarde anterior, Augusto tivera uma discussão com seu companheiro e, em meio a lágrimas, gritos e xingamentos, terminara um relacionamento de meio ano. No dia seguinte ele precisava ir ao médico realizar exames de rotina. Dentre os testes, estava o preventivo de DST. Como havia acabado de sair de um namoro, estava tranquilo em relação aos resultados. O que ele não sabia era que o fantasma de um passado regado a bebidas e relações sexuais desprotegidas ressurgiria.

e evitasse se relacionar com outras pessoas. “Me sentia sujo por ter esse vírus correndo em meu organismo e não queria que ninguém me tocasse. Parecia que não fazia mais parte daquela realidade. Eu era um ser estranho. Optei por me isolar e vivi o meu luto em silêncio por cerca de dois anos”. A superação deste trauma só foi possível graças a um intenso acompanhamento psicológico: “eu cheguei ao hospital completamente destruído, o sentimento de culpa era tão forte que nas primeiras semanas minha maior vontade era dar um fim a minha vida. Foi uma fase conturbada que superei com o apoio psicológico. Graças a esse tratamento pude rever conceitos, me aceitar como soropositivo e seguir minha vida normalmente”.

Augusto ficou abalado com aquela nova situação. Ser positivo mudava completamente as regras do jogo. Como lidar com a sensação de culpa que o assombrava constantemente? “As pessoas esperam que a gente leve uma rotina padrão. Você tem que ser independente, ter um emprego bacana, arrumar um companheiro, ser fiel a ele... Então ao quebrar esse modelo e ter vários parceiros fixos, eu transgredia todos os valores impostos pela sociedade”.

Hoje, um ano e meio depois daquele fatídico dia, o publicitário riscou de seu vocabulário o termo culpa. “Agora consigo ver que o HIV acabou tendo um lado positivo. Eu era uma pessoa irresponsável que não valorizava minha vida. Deixei de lado aquela sensação de que a Aids era um castigo. Percebi que isso poderia acontecer com qualquer pessoa, inclusive com quem tem parceiros fixos. O fato de eu ser gay não pode servir como argumento para provar que mereço carregar esse Em seus devaneios, sentia que essa fa- vírus. Esse pensamento é equivocado e talidade acontecera pelo simples fato de preconceituoso”, finaliza. não seguir o estilo de vida monogâmico e heteronormativo imposto pela sociedade. Atordoado, passou a acreditar então que quebrara o pacto social estabelecido pela sociedade e que estava A primeira sensação do estudante sendo punido por manter uma rotina Cláudio* (27) ao descobrir ser sorosexual considerada promíscua. positivo, era a de que sua sentença morte estava assinada para dali a três O medo de ser rejeitado aliado a sen- anos. “Não pensei em suicídio, houve sação de culpa fez com que se isolasse

Desafios


um desespero inicial que demorou alguns meses para passar. Comparo isso com uma espécie de luto que dura alguns meses. Com o tempo, aceitei que não era eterno. Todo jovem entre 15 e 25 anos imagina-se eterno, a sorologia positiva foi o grande confronto”, conta. Além do HIV, havia outro desafio: a depressão. Cláudio passou por uma fase tão complicada, que decidiu parar de tomar os medicamentos, mas somente com o apoio profissional e com a ajuda de amigos, pôde superar essa fase ruim. “O meu grande problema de saúde não é o HIV e sim a depressão. Foi esta visita indesejada que derrubou minha imunidade e realmente alterou minha rotina. Após a união dos sintomas do HIV com a depressão, o HIV me obrigou, de forma urgente, a aceitar melhor a depressão e tratá-la. Acho que me tornei uma pessoa moralmente melhor após aceitar o HIV”, conclui.

Aceitação O administrador Marcos*, de 39 anos, soropositivo há 10 anos, diz ter recebido apoio da família e amigos, e que isso foi de total ajuda para a própria aceitação. Marcos contraiu o vírus HIV durante um namoro que durou 7 anos, e só soube o que estava acontecendo após receber a notícia de que seu ex havia falecido vítima da Aids. “Eu era apaixonado por ele e cometi o erro de confiar cegamente. Nosso namoro era estável, e nunca passou pela minha cabeça que ele me traía com outras pessoas”, comenta.

um quadro de depressão. No entanto, por já fazer acompanhamento psicológico desde adolescente, e isso colaborou para que o seu tratamento não fosse interrompido por conta do seu estado. Hoje, Marcos leva uma rotina pacata. Longe da vida noturna agitada, ele se concentra no seu tratamento e em um estilo de vida mais reservado. “Estou em um período introspectivo, mas isso não tem relação com a depressão. É o meu novo estilo de vida”. O seu psicólogo disse a ele, nas últimas consultas, que é absolutamente normal esses estágios de isolamento. “Durante a terapia, eu descobri que tem muita gente que passa pela mesma situação, e que nos primeiros meses após a descoberta da sorologia positiva, optam por se fecharem em seus mundos particulares. Eu sempre fui mais na minha, então não via relação entre meu comportamento e a descoberta do HIV”, completa. Marcos, Augusto e Cláudio são três personagens da vida real. Todos passaram por um processo que remete aos cinco estágios do luto. A negação da nova realidade, a raiva pelo acontecido, a barganha, a depressão — representada pela introspecção e necessidade de isolamento — e finalmente, a aceitação, momento em que as emoções não estão mais à flor da pele e a situação é encarada de frente. O HIV é um desafio presente no dia a dia de 650 mil de brasileiros. No entanto, ele não pode e nem deve ser encarado como um ponto final. Como dizem os sábios, o fim nada mais é do que um novo começo!

Assim como muitas pessoas que passam por essa situação, Marcos desenvolveu * nomes alterados a pedido dos entrevistados.


Adrian Bruce e outras 46 pessoas estiveram aqui.


My Sugar is Raw #5  

Edição Especial Artpop