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ANO 3 - Edição 14 - ABRIL 2013

www.revistanewsbrazil.com

ESPETÁCULO NÃO SÓ COM A BOLA Copa do Mundo no Brasil promete tecnologia de ponta para receber a festa do futebol Páginas 13, 14 e 15

páginas 20 e 21

páginas 6 e 7

NEM TODO BRASILEIRO páginas 10 e 11 PREFERE FUTEBOL o PAPA NÃO É Jovem troca o esporte mais popular no Brasil pelo rubgy BRASILEIRO e joga temporada na Irlanda

Mas Jorge Mario Bergoglio gosta de futebol, churrasco e mate!

Vida de Garrincha encanta irlandeses e logo estará emocionando nas telas de cinema

IMORTAL GÊNIO DAS PERNAS TORTAS


Conteúdo

4 Palavra do editor

6 8

Especial

Panoramas

10 Mundo 12 Imigração

13 16 18 20

COPA DO MUNDO

Artigo

política

CINEMA

23 Comportamento 24 Entrevista 26 Música 27 Cultura

28 30

CARNAVAL

Gastronomia

31 ST. PATRICK’S DAY 32 ACONTECE 34 BEM-ESTAR


Equipe Diretor Raffael Abarca

Edição Daiani da Silveira

raffa@revistanewsbrazil.com

editor@revistanewsbrazil.com

Arte e design Gelson Pereira

Marketing Rodrigo Salgueiro rodrigo@revistanewsbrazil.com

Vendas e anúncios Raquel Nascimento raquel@revistanewsbrazil.com

Contribuições - Denisa Gabriela Gherghina - Peter O’Neil - Richard Gibney

- Immigration press office - UCD - EPP media

- Miley Sarah - Silvia HT Borges - Sofia Sunden

Revista News Brazil é uma publicação da DMP - Dreams Media Producers Endereço: 41 Lower Dominick Street , Dublin 1 Telefone: 018792365 Fax: 018792348 Dublin, Ireland. www.revistanewsbrazil.com Email info@revistanewsbrazil.com Todos os conteúdos da Revista News Brazil são apenas para informação geral e / ou utilização. Tais conteúdos não constituem aconselhamento e não devem ser usados na tomada (ou deixar de fazer) qualquer decisão. Algum conselho específico ou respostas a consultas em qualquer parte da revista é / são a opinião pessoal de tais peritos / consultores / pessoas e não são subscritas pela Revista News Brazil.

Abril 2013

Colaboradores Ana Patêz Psicóloga

Andrea Cordeiro Jornalista

Camila Casassa Jornalista

Fernanda Lima Jornalista

Henry Mira Jornalista

Juliana Lougue Gastróloga

Leonardo Pereira Jornalista e fotógrafo

Palavra do editor Olá amigos leitores, Mais uma edição chega até você! A revista News Brazil deste mês está com cheirinho de saudade do Brasil. Acredito que a neve, que persiste estar presente em plena primavera, andou tocando sentimentalmente nossa equipe, e os olhos dos jornalistas se voltaram para a pátria amada. O resultado deste fenômeno é uma edição repleta de boas notícias do Brasil! Isso porque, assim como disse o Ministro Irlandês para Educação e Habilidades, Ruairí Quinn TD, na última edição da News Brazil, a atenção do mundo estará voltada para o nosso país nos próximos anos. Um dos motivos para este destaque é o esporte, o Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. No entanto, será que o País está preparado para receber eventos deste porte?

A nossa reportagem fez um giro pelas obras para a Copa do Mundo e o resultado você confere na matéria de capa. Também contamos com a contribuição da pesquisadora Sofie Sunden, que faz uma importante reflexão sobre os investimentos para estes eventos esportivos e os possíveis impactos na sociedade brasileira. Mas o esporte não para por aí, ele é a grande estrela desta edição! Você vai conhecer irlandeses que estão fazendo um documentário sobre o futebol brasileiro, e brasileiro que está jogando rugby. A troca de figurinhas entre as duas nações não está apenas no setor da educação, como vimos na edição anterior. Além do esporte também acompanhamos a comunidade brasileira na Irlanda, através do registro das comemorações do Saint Patrick’s Day e de uma entrevista com a brasileira que

é Miss Carnaval na ilha. Nossa equipe ainda vai deixar você informado sofre os principais fatos no Brasil e no Mundo. Confira tudo sobre o novo Papa na editoria de Mundo e as principais questões no cenário político brasileiro. Para relaxar a coluna de gastronomia apresenta Portugal e o famoso bacalhau. Para evitar estresse, na hora de dividir moradia com outros estudantes, a coluna de comportamento sugere algumas pequenas atitudes que fazem toda a diferença. Na editoria de música, conheça alguns dos artistas que fazem parte do cenário musical nas ruas e bares de Dublin. E ainda, unindo o útil ao agradável, saiba como assistir filmes pode ajudar a dar um up no seu inglês!

Daiani Silveira


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Fotos: Gelson Pereira

Especial

Um esporte

de muitos

valores

Brasileiro joga temporada de rugby na Irlanda

Por Daiani Silveira

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riado na Inglaterra, em 1845, o rugby é um dos esportes mais populares na Irlanda. O jogo é disputado por duas equipes de quinze jogadores em partida de duas partes de quarenta minutos contínuos, sendo que o relógio do árbitro só para quando algum jogador necessita de atendimento médico. Conhecido pelo intenso contato físico, o rugby pode até parecer violento em um primeiro olhar. No entanto, logo após conhecer um pouco mais sobre o esporte, percebe-se que um dos aspectos mais importantes é o respeito às leis do jogo. E entre elas são destacados valores como a disciplina e a conduta dos jogadores para que, por exemplo, a pressão física em um adversário seja na tentativa de ganhar a posse de bola, e não, um ato intencional de ferir. Atraído por estes valores, o brasileiro Lucas Viñas Vieira abandonou os treinos de futebol. “Eu gostava muito de futebol, meu pai era jogador e eu ia assistir sempre. Porém, com o passar do tempo, muitos dos valores e das virtudes desse esporte acabaram se resumindo apenas a dinheiro. Eu não concordo, por exemplo, com jogador fingindo ou desrespeitando o árbitro”, explica o jovem que praticou dos 12 aos 14 anos de idade o desporto favorito dos brasileiros. A maneira como Vieira descobriu o rugby no Brasil foi um pouco inu-

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sitada. Aos 17 anos, o gaúcho natural de Bagé mudou-se com a família para Maringá, no Paraná. “Na época, eu usava a rede social Orkut e vi um post de algumas pessoas interessadas em jogar rugby. Também demonstrei meu interesse e compareci no local e na data determinada para um primeiro encontro do grupo. Uma equipe amadora de jogadores foi formada e as partidas seguem acontecendo até hoje. Vieira, que desde então pratica o esporte, é atualmente estudante de Educação Física e assim como muitos jovens brasileiros, percebeu a necessidade de estudar inglês em busca de um maior leque de oportunidades. Após decidir morar na Irlanda, ele entrou em contato com o Clontarf Rugby, um dos aproximadamente 20 clubes da liga amadora de rugby de Dublin, a capital da Irlanda. “Foi uma experiência muito boa, na verdade deu até inveja, lá no Brasil para jogar uma partida tem que ter toda uma preparação pré-viagem, locar ônibus, arrecadar dinheiro, etc. Aqui tem um time em cada esquina, eles jogam tanto nos finais de semana quanto durante a semana à noite”. Além dos problemas de logística, o brasileiro aponta outras dificuldades da prática do rugby em seu país. “Tem a questão da base, aqui na Irlanda existem todas as categorias com muitas crianças treinando, no Brasil ainda é difícil montar uma

equipe infantil ou juvenil, pois os pais pensam que o rugby é muito violento”. No entanto, ele ressalta que o esporte é viril e de intenso contato físico, porém, sempre seguindo as normas e regras para um jogo saudável. Na visão do jovem, ao contrário do que os pais pensam, o rugby pode ajudar as crianças na formação pessoal e profissional, através dos valores que transmite como o respeito, o espírito de equipe, a determinação e a superação. “O Rugby em alguns países na Europa e na Oceania até entra no currículo profissional de tão importante que é considerado na formação”, relata. Além disso, para o crescimento do esporte no Brasil, o jogador enfatiza a necessidade de apoio dos órgãos públicos e privados. “Precisamos de dinheiro para comprar material para os treinos e jogos, confecção de uniformes, viagens, inscrições e coisas do tipo, e esse dinheiro, muitas vezes, ainda está saindo do bolso dos atletas, que por sua vez nem sempre tem condições financeiras”. Mesmo com todos estes desafios, Vieira volta para o Brasil cheio de esperança. “Eu levo daqui o respeito ainda maior pela hierarquia e a noção de que tenho que treinar muito mais para, quem sabe um dia, realizar o sonho que tenho desde que entrei para o esporte, chegar à seleção gaúcha e à seleção brasileira de rugby”, confessa. Abril 2013


Troca cultural

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O campo do rugby Linha de meta

Jogadores fora de campo devem permanecer junto ao banco de suplentes

Linha de 5 metros Linha de 10 metros

Linha de meio

Banco de suplentes

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Linhas laterais

e acordo com Kevin O’Mahony, um dos treinadores do Clontarf Rugby, Lucas Viñas Vieira chegou no clube no início da temporada, em setembro de 2012, com enorme entusiasmo e rapidamente se adaptou na equipe nível J5, um grupo que reúne iniciantes do esporte, sendo composto por irlandeses e não irlandeses. “Ele fez um rápido progresso, superou as dificuldades de comunicação, tornando-se jogador fixo na nossa equipe em um período de apenas duas semanas’’. No entender de O’Mahony, a facilidade de desenvolver a linguagem coloquial dentro do ambiente de equipe, foi um dos pontos positivos do brasileiro. “Pois isto é sempre um desafio para os jogadores que não são irlandeses, mesmo falando inglês”, ressalta. Outro destaque apontado foi a indiferença do jovem com as duras condições da prática do esporte na Irlanda, como por exemplo, o inverno rigoroso e os campos pesados. A força de vontade possibilitou que, nas últimas semanas do intercâmbio, Vieira jogasse em um nível superior, o grupo J2. Na temporada, cuja qual o brasileiro jogou durante seis meses, o grupo J5 do Clontarf Rugby foi composto por 11 diferentes nacionalidades. “O mix cultural no plantel tem sido fantástico dentro e fora do campo”, destaca o treinador. Para ele, o intercâmbio de Vieira foi de grande contribuição para o clube. “Além disso, é a primeira vez que a América do Sul é representada em Clontarf no J5 e espero que agora o Clontarf Rugby tenha tocado todos os continentes”, brinca O’Mahony, lembrando que o clube é aberto para dar boas-vindas a jogadores de todo o mundo, independentemente da habilidade ou tradição de rugby.

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Divulgação/NB

Chamada para estudantes União de pessoas do mesmo sexo

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tema sobre o casamento gay voltou à pauta no mundo com a escolha do novo Papa Francisco, e no Brasil com o polêmico deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. No entanto, alguns países estão adiantados neste assunto. No Canadá, por exemplo, a lei do casamento gay e o direito à adoção está valendo desde 2005. A Argentina foi pioneira na América Latina, autorizando a união, em julho de 2010. Agora é a vez dos Estados Unidos decidir sobre o assunto. Juízes da Suprema Corte América estão analisando alguns casos específicos e o parecer final sobre a aprovação ou não aprovação do enlace entre o mesmo sexo deve ser anunciado em junho. Em alguns países da Europa o ca-

samento gay foi aprovado há alguns anos. A Holanda foi o primeiro país no mundo, a assinar a lei que existe desde 2001. Na Bélgica a união homossexual entrou em vigor em 2003, no entanto, apenas três anos depois os casais obtiveram o direito à adoção. Em 2009 foi a vez dos casais do mesmo sexo da Noruega, celebrarem o enlace. Neste mesmo ano a Suécia liberou à adoção para casais do mesmo sexo, que tem o direito à união desde 2005. Recentemente, a lei do matrimônio para todos também passou a valer em Portugal. E na França, várias manifestações resultaram em um projeto de lei que será analisado pelo Senado no mês de abril. O continente Africano também não está de fora da discussão e aprovação da união de casais do mesmo sexo. Na Africa do Sul a lei existe desde 2006.

Associação das Universidades Irlandesas anuncia primeira chamada para estudantes brasileiros interessados no programa de um ano de estudo no exterior. De acordo com a instituição, os interessados em estudar na Irlanda deverão se candidatar ao financiamento diretamente no site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Após a aprovação do recurso financeiro, o futuro aluno poderá aplicar para as universidades irlandesas durante o período de 10 à 20 de maio, através de um link que estará disponível no site da CAPES. O embaixador Frank Sheridan assinou o acordo de participação de Instituições de Ensino Superior irlandeses nos programas de graduação do Ciência Sem Fronteiras, com o Dr. Jorge Almeida Guimarães, presidente da CAPES em 14 de dezembro de 2012. Outras informações acesse www. educationinireland.com Divulgação/NB


Inverno prolongado

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paisagem com neve no hemisfério norte do globo terrestre é típica do Natal, pois a estação do ano é o inverno, e este costuma apresentar temperaturas muito baixas. Nos filmes americanos e europeus que retratam esta época, os flocos formados por cristais de gelo dão um ar mágico ao clima natalino. Mas para a surpresa de quem vive neste lado do mapa mundial, este ano a neve resolveu dar as caras também na Páscoa. Fortes tempestades tem afetado alguns países europeus e os Estados Unidos nas últimas semanas de março. Na Irlanda do Norte, por exemplo, estima-se que cerca de 10 mil reses morreram embaixo da neve em Belfast, pois em alguns condados o acúmulo chegou à 5 metros

de altura. O Exército do Reino Unido anunciou na última semana do mês ações para ajudar os fazendeiros que estavam impossibilitados de alimentar os animais. Assim como, as autoridades norte-irlandesas iniciaram a distribuição de alimentos básicos e medicamentos para pessoas de localidades isoladas. Além da Irlanda do Norte, outro local bastante afetado por este prolongamento do inverno é a Escócia, onde cerca de três mil casas ficaram sem eletricidade. Cinco dias antes do domingo de Páscoa, três pessoas haviam morrido devido ao frio no Reino Unido, que de acordo com especialistas, presenciou uma das Páscoas mais frias de toda a história do país.

Gelson Pereira

Maconha pode ser liberada no esporte A maconha é, no momento, o doping mais discutido no esporte. Apesar de estar na lista anti-doping, a planta é considerada uma substância de melhoria no desempenho dos atletas. Alguns ídolos mundiais como o argentino Maradona, e o jogador brasileiro de vôlei Giba, já sofreram pelo resultado de teste ser positivo. No entanto, John Fahey, presidente da World Anti-Doping Agency (WADA), informou que a erva poderá ser removida da lista de proibições em breve. Outro motivo para a legalização da maconha estaria relacionado aos testes anti-doping positivos em lutadores do Ultimate Fighting Championship (UFC), entre eles, os testes dos americanos Jake Shields, Nick

Diaz e Matt Riddle, assim como o do brasileiro Thiago Silva. Além disso, a venda da planta já é legalizada em alguns locais dos Estados Unidos, na Califórnia e em Nevada a substância pode ser comercializada para fins medicinais.

Divulgação/NB


Mundo Divulgação/NEWS.VA

Perfil

Arcebispo de Buenos Aires e primado da Argentina, Jorge Mario Bergoglio é um homem tímido e de poucas palavras, que goza de grande prestígio entre seus seguidores, que apreciam sua total disponibilidade e seu estilo de vida sem ostentação. Ele é admirado pelos dotes intelectuais e, dentro do Episcopado argentino, é considerado um moderado. Mesmo tendo essas características mais introvertidas, se declarou amante do mate, do churrasco, do tango e do futebol, sendo um árduo torcedor do San Lorenzo, um dos cinco grandes times de Buenos Aires junto com Boca Juniors, River Plate, Racing e Indepediente. Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina, Bergoglio formou-se em engenharia química, mas aos 21 anos decidiu se tornar padre, entrando para o seminário em Villa Devoto. Em março de 1958, ingressou no noviciado da Companhia de Jesus (jesuítas). Em 1963, ele estudou humanidades no Chile, retornando posteriormente a Buenos Aires. Entre 1964 de 1965, Bergoglio foi professor de literatura e psicologia no Colégio Imaculada Conceição de Santa Fé e, em 1966, ensinou as mesmas matérias em um colégio de Buenos Aires. De 1967 a 1970, estudou teologia. Em 13 de dezembro de 1969, foi ordenado sacerdote. Bergoglio foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel, entre 1980 e 1986. Após completar sua tese de doutorado na Alemanha, serviu como confessor e diretor espiritual na cidade de Córdoba. Em 1992, Bergoglio foi nomeado bispo titular de Auca e auxiliar de Buenos Aires. Em 1997, ele foi nomeado arcebispo titular de Buenos Aires. Também atuou como presidente da Conferência Episcopal da Argentina de 2005 até 2011. E foi nomeado cardeal pelo então Papa João Paulo II, em 2001, até chegar ao Papado, agora em 2013.

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PAPA É POP Por Andréa Cordeiro

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esde que Bento XVI anunciou sua renúncia ao cargo mais alto da Igreja Católica em fevereiro, alegando que não tinha mais forças para a tarefa de liderar a igreja, a eleição do novo Papa tem sido um dos assuntos mais comentados na imprensa internacional. Contrariando as expectativas e estatísticas, e marcando um importante período na história da Igreja Apostólica Romana, a escolha para o novo Papa aconteceu em apenas dois dias. O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito no último dia 13 de março com mais de 2/3 dos votos e adotou o nome de Francisco. Foram muitas primeiras vezes nesta nova escolha, o que deixou a imprensa e a comunidade católica em polvorosa. Começou com Bento XVI e a renúncia, a primeira na história dos papados. Além disso, o argentino é o primeiro jesuíta da história a se tornar Papa, o primeiro que nasceu na América Latina e o primeiro com um nome jamais ado-

tado por um pontífice. Papa Francisco tem 76 anos e é o 266° da Igreja Católica Apostólica Romana. No último dia 13 de março, o nome do eleito pelos 115 cardeais foi anunciado pela característica fumaça branca e com a tradicional fórmula latina “Habemus Papam!” (“Temos um Papa!”). O comunicado foi realizado pelo mais velho dos cardeais-diáconos, o francês Jean-Louis Tauran, e recebido com aplausos pelos fiéis que enfrentaram o frio e a chuva na Praça de São Pedro, no Vaticano. Também houve festa na Basílica de Buenos Aires, em que 200 fiéis argentinos assistiam à missa no momento do anúncio. A decisão dos cardeais pelo Papa argentino surpreendeu, pois ele, apesar de citado inicialmente, não aparecia nas últimas listas de favoritos, que incluíam o brasileiro Dom Odilo Scherer e o italiano Angelo Scola. Apesar disso, foi revelado que ele foi vice no último conclave realizado em 2005, quando foi eleito o alemão Joseph Ratzinger. Abril 2013


Tarefa de manter a Igreja Conclave A revista NewsBrazil esteve em Roma unida é um dos desafios dois dias antes do início do conclave e pôde sentir o clima na cidade. Nas na missão de Francisco ruas, nos restaurantes, nos hotéis e nas

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apa Francisco não terá uma missão fácil. Para quem não sabe, as funções básicas de um Papa estão em manter integridade e fidelidade do deposito da fé, se dedicar à expansão do catolicismo e da fé cristã pelo mundo, nomear cardeais e eleger bispos, canonizar santos e criar dioceses, intervir em questões administrativas do Vaticano e da Igreja Católica em todo o mundo, trabalhar pelo diálogo inter-religioso e pela defesa dos direitos-humanos. Além disso, talvez uma das tarefas mais difíceis, precisará manter a unidade de uma igreja que, nas palavras de seu próprio antecessor, o agora Papa Emérito Bento XVI, está dividida e imersa em crises. Ao longo dos anos, o argentino se mostrou crítico em relação às desigualdades sociais e à união homossexual, assuntos que serão muito discutidos em seu papado. A reforma da Cúria Romana, o fim da perseguição aos católicos na África e Ásia, a ampliação do diálogo ecumênico, além da discussão de temas

como divórcio, celibato e ordenação de mulheres já estão em pauta. Em sua primeira missa como Papa, marcando oficialmente o início do pontificado na Basílica São Pedro, no Vaticano, além de passar a usar o anel de pescador que simboliza o poder do pontífice, Francisco falou muito em defesa dos pobres, dos idosos, dos mais fracos e do meio ambiente. Ele afirmou que a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana e de seus 1,2 bilhão de fiéis deve ser um “serviço humilde”, acolhendo a todos, e principalmente aos mais pobres. A primeira viagem internacional do Papa Francisco já está marcada. Durante a missa de Domingos de Ramos, em 24 de março, ele anunciou que vai ao Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontecerá de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro. “Aguardo com alegria o próximo mês de julho, no Rio de Janeiro. Vamos nos encontrar naquela grande cidade”, falou à multidão que acompanhava o início das celebrações da Semana Santa.

lojas o assunto entre as pessoas era a escolha do novo papa. Assim como, a imprensa já estava se organizando para o momento e a famosa chaminé, que iria expelir a fumaça branca anunciando o novo Papa, já tinha sido colocada no seu devido lugar. Na Praça de São Pedro conversamos com duas senhoras da Legião de Maria, coincidentemente uma irlandesa e que morou por alguns anos na Paraíba, no Brasil, Kathleen O´keeffi e a americana, de Nova York, Catherine Patten. Muito simpáticas, nos contaram um pouco da vida na cidade italiana, pois hoje vivem em Roma. Elas também aguardavam pelo início do Conclave e quando perguntadas o que acharam sobre a renúncia de Bento XVI foram muito categóricas: “Obra do Espírito Santo. E ele também já estava muito cansado, precisava disso”. Elas não quiseram palpitar sobre quem seria o novo Papa. “Não temos ideia nenhuma, esperamos que seja eleito aquele que Deus quiser”, disse Patten.

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2004 Extensão Probatório para Estudante AVISO Estudantes que residem na Irlanda antes de 01 de Janeiro de 2005 Contexto Novo Regime de Tempo Integral para estudantes não-europeus iniciou no dia 1 º de Janeiro de 2011. O novo regime introduziu um período de residência máxima de 7 anos para os nacionais de países não-europeus que foram matriculados em cursos acadêmicos elegíveis na Irlanda. O novo regime aplica-se a todos os estudantes não-europeus que vieram para a Irlanda após 1º de Janeiro de 2011 e para todos os cidadãos não-EEE que já estavam residindo como estudantes nessa data. Disposições especiais foram feitas para facilitar os alunos que excederam o prazo de sete anos na data da apresentação. Estas disposições foram estendidas em várias ocasiões, desde a introdução do novo regime para permitir aos alunos “timed-out” completar seus estudos, usarem rotas de pós-estudo ou organizar sua partida da Irlanda. Como medida final em apoiar à transição para o Novo Regime, uma extensão experimental para o estudante está sendo disponibilizada para os alunos que têm sido residentes continuamente no Estado antes de 1º de Janeiro de 2005 (ou seja, o estudante deve ter recebido o cartão GNIB durante ou antes 2004 e para cada ano depois disso). Estes novos procedimentos irão permitir que os alunos elegíveis residam na Irlanda por um período adicional de dois anos em condições especificadas. Além disso, na conclusão do período experimental de dois anos os estudantes serão elegíveis para se candidatar a um estado mais permanente com a condição de que certas obrigações sejam cumpridas.

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Elegibilidade ão-EEE nacional que registrou residência na Irlanda como estudante, em ou antes de 31 de Dezembro de 2004, e que iniciou seus estudos em ou antes de 31 de Dezembro de 2004 poderá requerer extensão ex-

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perimental especial. Os estudantes não-europeus que não são mais residentes no Estado, não serão elegíveis para a concessão da extensão experimental . Para que seja concedida ao estudante a extensão, ele deve ter mantido a extensão a sua residência como um estudante desde o primeiro registro, até a data do requerimento da Extensão Experimental do Estudante. O estudante que não estiver registrado e que tiver uma diferença significativa no registro não será elegível para se candidatar para a extensão. Os estudantes também deverão suprir o certificado P60 que foram adquiridos nos últimos três anos. Para requerer a extensão os estudantes elegíveis também deverão preencher o formulário e a Declaração Estatutária para Extensão Experimental do Estudante. Detalhes da Extensão Experimental do Estudante Extensão Experimental do Estudante permitirá que os alunos elegíveis se registrem ao período experimental por dois anos. Durante este período estudante elegíveis residirão com o carimbo 2 e sua situação continuará como estudante. As condições de residência seguintes serão requeridas para o período experimental • O aluno elegível não será obrigado a ser registrado ou matriculado em um curso acadêmico. • O estudante elegível terá permissão para trabalhar por um período máximo de 40 horas por semana, sem ser obrigado a possuir um visto de trabalho. • O aluno elegível terá que manter o seguro médico particular. • Os estudantes elegíveis deverão residir no Estado sem pedir ajuda de fundos públicos ou programas de assistência social (por exemplo, prestações suplementares de assistência social, cartão médico, seguro desem-

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prego, etc.) • Os estudantes elegível não serão autorizados a aplicar para a reunificação com os familiares que residem fora do Estado. • O aluno elegível tem de ser de bom caráter e deve demonstrar que cumpre a lei. Conclusão do Período Experimental a conclusão do período experimental de dois anos os estudantes elegíveis poderão solicitar o carimbo 4 a residir no Estado. Os alunos serão obrigados (a) • Demonstrar que residiram na Irlanda durante o período experimental, e • Apresentar o certificado P60 válido o qual foi emitido durante o período de dois anos de estágio, e • Residir no Estado, sem pedir por fundos públicos ou assistência social (por exemplo, prestações suplementares de assistência social, cartão médico ajuda desemprego etc.), e • Seja de bom caráter e não ter sido condenado ou acusado de qualquer crime, e • Pagar uma taxa de imigração adequada. Um formulário de inscrição apropriado será publicado em 2014. A taxa de imigração será pago no final do segundo ano da Extensão Experimental do Estudante. O valor da taxa será decidida pelo “Minister for Justice & Equality” e será publicado antes do final do período dos dois anos experimentais. Perguntas sobre a Extensão Experimental do Estudante pode ser abordada através de e-mail apenas para 2004timedoutstudent@ justice.ie.

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Tradutora /Interprete: Português/Inglês ou Inglês/ Português Silvia HT Borges Tradutora e Interprete pertencente a Associação de Tradutores e Interpretes da Irlanda.(ITIA) Experiência em interpretações e traduções em tribunais (Irlanda) e voluntariada da Crosscare.ie e orgãos afins. E-mail: traducoescertificadasdublin@outlook.com Celular : 087 187 6818


Copa do Mundo

Uma CopA

high-tech Por Gelson Pereira

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futebol surgiu na Inglaterra, mas foi no Brasil que ele se tornou quase uma religião. E em pouco mais de um ano o país pentacampeão irá receber a maior festa deste que é o esporte mais popular no mundo. A 20ª edição da Copa do Mundo de Futebol acontece entre os dias 12 de junho e 13 de julho do ano que vem. E enquanto a bola não rola, o momento é de obras de norte a sul do país. Planejamento e tecnologia de ponta são palavras de ordem para receber os visitantes. Entre as preocupações, o tapete onde os craques mais badalados do planeta vão duelar é uma das primeiras. Dos 12 estádios que receberão jogos da Copa, seis serão novos e o restante passa por profundas reformas. O gramado de todos eles terá cuidados e tecnologias utilizadas nas principais arenas europeias e já testadas na última edição do Mundial, em 2010 na África do Sul. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) acompanha de perto as obras e tem como parceira a empresa britânica STRI desenvolvendo os projetos dos gramados dos 12 palcos da Copa. A STRI já assessorou o desenvolvimento dos gramados de grandes estádios da Europa e pres-

tou o mesmo serviço para a Fifa na preparação para o Mundial de 2010. O gramado do Maracanã, no Rio de Janeiro, palco da decisão da Copa de 2014, por exemplo, foi plantado no mês passado e já deve estar disponível para os primeiros testes no final de abril. A tecnologia de plantio é espanhola e a mesma utilizada em estádios como o Camp Nou, do Barcelona. O sistema de irrigação para manter o tapete verde o ano inteiro é dotado de aspersores de comandos individuais e sensores de umidade. O Maraca é o primeiro estádio no Brasil a utilizar esse sistema. A grama utilizada em todas as arenas da Copa do Mundo será da espécie Bermuda, indicada para o clima tropical do Brasil. Nas sedes de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, serão mescladas no plantio outras espécies de grama de crescimento mais rápido por causa das temperaturas mais baixas nessas cidades. Mesmo que o Mundial, motivo principal das reformas e construções dos estádios, aconteça em uma época em que não há ocorrência de chuvas torrenciais, todos os gramados terão sistema de drenagem a vácuo, quatro vezes mais eficiente do que o convencional. Divulgação/NB

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Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, foi o segundo a ter as obras finalizadas e já está recebendo jogos do Campeonato Mineiro

Ensaio para o mundial Conforto o torcedor as novidades serão acontece em junho deste Para muitas. A Copa do Mundo promete a forma como os ano em seis cidades-sede transformar apaixonados pelo futebol assistirão

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ntes da Copa do Mundo, o Brasil vai receber um ensaio do Mundial no próximo mês de Junho, entre os dias 15 e 30. A Copa das Confederações reunirá, além do país sede e da Espanha, atual campeã mundial, os campeões continentais: Japão, Itália, México, Uruguai, Nigéria e Taiti. Para esta competição preparatória, a Fifa escolheu seis cidades-sede: Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, que receberá a partida final. Dois estádios estão prontos e já foram inaugurados. O primeiro estádio da Copa de 2014 a ser entregue foi o Castelão, em Fortaleza.

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A inauguração aconteceu ainda em dezembro, com um show do cantor cearense Fagner. A bola, no entanto, rolou apenas em janeiro. Fortaleza e Sport empataram em 0 a 0 pela Copa Nordeste. No início de fevereiro foi a vez do Mineirão, em Belo Horizonte, voltar a receber jogos oficiais. A cerimônia de reabertura do complexo começou em uma sexta-feira e teve show da banda mineira Jota Quest. No domingo, um clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, pelo Campeonato Mineiro, marcou o retorno da bola ao gramado do estádio construído na década de 1960. A vitória foi cruzeirense: 2 a 1.

às partidas. A infraestrutura de ponta é uma exigência da Fifa. Além de acompanhar os jogos em assentos confortáveis, quem for ao estádio terá à disposição telões de alta definição para ver os mínimos detalhes do duelo que acontece diante de seus olhos. Ingressos assinados digitalmente, para evitar a falsificação, e acessos rápidos à arquibancada também são novidades nas novas arenas do Brasil. Além da cobertura total das arquibancadas em todos os 12 estádios que receberão a Copa. E a interatividade inclui rede Wi-Fi gratuita para o torcedor poder ficar conectado durante a partida.

Abril 2013


Como andam as obras dos 12 estÁdios Mineirão (Belo Horizonte-MG) Concluído 64,5 mil lugares Reformado

Inaugurado no início de fevereiro, já está sendo utilizado no Campeonato Mineiro e receberá a Copa das Confederações.

Arena das Dunas (Natal-RN) No prazo 45 mil lugares Novo

A obra atrasou no início, mas já passou da metade da construção e será inaugurado em dezembro deste ano.

Arena Pantanal (Cuiabá-MT) No prazo 43,6 mil lugares Novo

Arena da Baixada (Curitiba-PR) No prazo 42 mil lugares Reformado

Castelão (Fortaleza-CE) Concluído 67 mil lugares Reformado

Fonte Nova (Salvador-BA) Concluído 50 mil lugares Reconstruído

Mané Garrincha (Brasília-DF) No prazo 71 mil lugares Reconstruído

A previsão de inauguração é para o dia 21 deste mês, mas apenas com uma cerimônia pública. Ainda não está agendado o primeiro jogo na arena que será palco da Copa das Confederações.

Maracanã (Rio de Janeiro-RJ) No prazo 76 mil lugares Reformado

O Maraca será entregue à Fifa no dia 27 de abril, mas a primeira partida acontece apenas no dia 2 de junho, entre Brasil e Inglaterra. O Estádio receberá jogos da Copa das Confederações.

Beira-Rio (Porto Alegre-RS) No prazo 60,8 mil lugares Reformado

Arena da Amazônia (Manaus-AM) No prazo 44,3 mil lugares Novo

Arena Corinthians (São Paulo-SP) No prazo 65 mil lugares Novo

Arena Pernambuco (Recife-PE) No prazo 46 mil lugares Novo

A estrutura deve ser entregue dentro do prazo, que vence no dia 30 de dezembro deste ano. Mas jogos só deverão acontecer nos primeiros meses de 2014.

A previsão é de que o estádio receba seu primeiro jogo no final do ano. Não está descartada a realização de jogos do Brasileirão deste ano em Manaus.

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O estádio foi o primeiro a ser finalizado e já está recebendo partidas do Campeonato Cearense. Também estará na Copa das Confederações.

Com cerca de 70% da obra concluída, o novo estádio do Corinthians deve estar pronto até dezembro, mas será utilizado para jogos oficiais apenas no ano que vem.

O estádio deve ser inaugurado em novembro com uma partida da seleção brasileira e um show, ainda sem data exata.

Inaugurado com um clássico entre Bahia e Vitória no início de abril, o novo estádio da capital baiana será uma das sedes da Copa das Confederações em junho.

O estádio do Internacional foi fechado após o Brasileirão do ano passado e está com 60% das obras concluídas. A reinauguração do complexo deve acontecer em novembro deste ano.

As instalações devem ser entregues no dia 14 de abril, mas a primeira partida deve acontecer apenas em maio, mas as equipes e a data ainda não estão definidas.

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Artigo

Jogos Olímpicos e a

Copa do Mundo no Brasil Legados, impactos econômicos e sociais Por Sofia Sunden

É

um momento histórico no Brasil. O Brasil está atualmente se preparando não apenas para um, mas para dois dos maiores eventos de esporte do mundo; os Jogos Olímpicos de Verão, em 2016, e a Copa do Mundo de futebol, em 2014. É uma situação excepcional que um país é selecionado para ser o anfitrião destes dois mega eventos de esportes em um curto espaço de tempo. Isto é, sem dúvida, uma grande oportunidade para o Brasil demonstrar a sua capacidade como anfitrião e organizador. Assim como, o evento resultará em uma série de impactos no País, incluindo o aumento das atividades econômicas, através de maciços investimentos públicos em novas infra-estruturas, um crescente interesse de investidores estrangeiros e a criação de oportunidades de

emprego nos setores de turismo e de construção. As autoridades brasileiras, o Comitê Olímpico Brasileiro e os organizadores da Copa do mundo estão todos promovendo estes jogos internamente como uma grande oportunidade para criar um legado duradouro e positivo desses eventos, mesmo após os jogos terem acabado. O emblema dos Jogos Olímpicos é Paixão e transformação, que demonstra a convicção dos organizadores de que estes eventos vão transformar o Brasil e fazer a longo prazo um legado na sociedade. Mesmo que ninguém pode saber ainda a duração do impacto no Brasil, através de uma série de artigos vamos discutir o conceito de legado e considerar os possíveis legados desses jogos no Brasil. Além das novas arenas e infra-

-estrutura, quais serão os impactos na economia e na sociedade brasileira? Enquanto os organizadores estão enfatizando os legados positivos que estes jogos supostamente irão criar, há inevitavelmente as possibilidades dos legados negativos, como enormes perdas econômicas e violações do direito internacional, por força de despejos de pessoas de suas casas. Esses tipos de heranças negativas ocorreram em muitos outros países que organizaram mega eventos desportivos, e nem despejo de pessoas, assim como perdas econômicas são incomuns. A hospedagem de dois dos mega eventos mundiais de esporte no Brasil sem dúvida vai deixar um impacto no País e particularmente no Rio de Janeiro, além de 2016, a questão permanece: que impactos serão estes?

Ricardo Zerrenner/Riotur

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Abril 2013


motivação

O

que motiva um país para sediar mega eventos de esporte? Para o país de acolhimento, preparando-se para um mega-evento esportivo é necessário de grandes investimentos públicos em infra-estrutura, sistema de transporte melhor, construção de arenas e complexa de carcaça. O custo das melhorias de infra-estrutura necessária é geralmente ofuscado pelas perspectivas de ganhos econômicos e o objetivo de melhor reputação de renome mundial político. A escala de hospedagem de um mega evento de esporte é atual-

mente tão grande e com tantos diferentes atores envolvidos, que chega a ser considerado como assuntos globais que vão bem além da construção de arenas e atração de turismo adicional. Para os países de acolhimento parecem ser considerado uma média por Estados para perfil próprios para investidores estrangeiros e turistas potenciais; um potencial para melhorar o perfil de mercado do país. A este respeito, mega evento de esporte ganhou uma importância política para os países de acolhimento. O caso do Brasil não é exceção. O Brasil pode ganhar uma reputação crescente

devido a estes jogos, contudo economicamente, estes mega eventos de esportes serão um assunto caro. Investimentos em novos terminais de aeroportos aeroporto, estradas e linhas de Bus Rapid Transit estão sendo desenvolvidos como parte dos preparativos. O custo de infraestrutura e local, apenas no Rio de Janeiro, somam R$ 23,2 bilhões, pagos pelos fundos públicos. Adicione o investimento na melhoria da infra-estrutura de todo o país e o investimento maciço em segurança. Não há a menor dúvida de ser um negócio caro, no entanto, talvez os ganhos serão maiores?

Legado – um conceito impugnado

L

egado é um conceito que é muitas vezes mencionado em relação ao mega evento de esportes e está normalmente ligado as melhorias no bem-estar a longo prazo. Ele envolve melhorias duradouras nos meios de subsistência dos moradores locais, como o orgulho nacional, a melhora da reputação internacional e a melhoria da infraestrutura. Os governos muitas vezes enfatizam os resultados positivos potenciais para inaugurar a aprovação pública e justificar o gasto de grandes quantidades de dinheiro público, que é o que está acontecendo atualmente no Brasil. Os organizadores e autoridades brasileiras repetidamente enfatiza que estes eventos desportivos são sobre a criação de um legado duradouro para além de 2016 no Brasil e como estes jogos transformarão o Brasil, supostamente para melhor. O uso de um famoso legado, frequentemente como um exemplo dos fortes impactos dos mega eventos de esporte, é os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Os Jogos Olímpicos reforçavam Barcelona e tornaram a cidade famosa pelo seu designer inovador e desenvolvimento urbano. No entanto, por outro lado, enormes perdas econômicas e

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de violação dos direitos humanos, devido despejos à força, parecem ser um legado mais comum. E a lista dos países que sofreram enormes perdas econômicas e violação dos direitos internacionais pela força de expulsar pessoas é longo: Atenas, Pequim, Vancouver, África do Sul etc. Legados de mega eventos de esporte anteriores demonstram que os legados no passado foram positivos e negativos. Enquanto os organizadores e dos políticos usam a noção de legado como um resultado positivo para o apoio do público usuário, o legado pode também fornecer uma sequência negativa como enormes perdas econômicas. O cenário dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro pode ser um prejuízo financeiro, o custo será pago pelos contribuintes brasileiros desde que três níveis de governo têm garantido para o Comitê Olímpico Internacional que quaisquer perdas serão pagos pelo governo brasileiro (no caso de Vancouver em 1976, o governo estava fazendo pagamentos até 2006). Previsões econômicas têm sido feitas para mostrar os impactos econômicos de organizar esses eventos. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo e um relatório da Ernst and Young, ambos concluem figu-

ras de oportunidades de aumento de emprego, investimento estrangeiro, aumento do turismo e atividade econômica em geral. Isso tudo é bom, no entanto, qualquer previsão econômica deve ser lida com um certo grau de ceticismo, uma vez que mostrou no passado, que muitas vezes não são econômicas previsões a falta dos resultados reais. Existem sérios problemas na relação entre a metodologia usada em previsões feitas antes e os cálculos mais tarde sobre os impactos. O que é curioso a considerar é que as previsões econômicas feitas antes e o que virá depois, raramente é feito pelas mesmas pessoas, mas normalmente os impactos econômicos são calculados por empresas de consultoria em nome das nações de hospedagem. Considerando que os relatórios finais, investigando os resultados são, geralmente, feitos por pesquisadores acadêmicos em nome de universidades ou para ser publicados em revistas acadêmicas. Concluindo a primeira observação: a motivação para estes mega eventos de esportes de hospedagem parece ser a esperança de ganho econômico e crescente reputação política. Se o prêmio vai valer a pena, só se saberá com tempo.

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Política

Brasileiros

voltam às Ruas

Letícia Mendes

O Manifesto a favor da cassação do Presidente do Senado bateu o número de 1,5 milhão de assinaturas

Por Camila Casassa

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m 2007, denúncias fizeram Renan Calheiros pedir a renúncia da presidência do Senado, evitando assim a sua cassação. Após seis anos de afastamento, o ocorrido não impediu Calheiros de voltar a concorrer ao cargo neste ano. No dia 01 de Fevereiro, os congressistas o elegeram por 56 votos como o seu Presidente. O novo mandato de Renan Calheiros não começou tão bem como ele desejava. Antes mesmo de sua eleição, houve movimentos pedindo a queda de sua candidatura. Mesmo com todos os protestos, Calheiros voltou ao comando do Senado e com isso, as manifestações continuaram a crescer em todo o Brasil e no mundo. Uma das iniciativas contra o mandato veio do representante comercial Emiliano Magalhães, de Ribeirão Preto, que criou uma petição online e obteve mais de 1,5 milhão

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de assinaturas. A ideia de Emiliano é que este manifesto atinja a marca de 1,6 milhão para que possa ser levada ao congresso. Para o advogado e especialista em política, Kleber Bispo, a iniciativa deste manifesto é um exemplo de mobilização, mas não pode derrubar Calheiros da Presidência do Senado ou de seu cargo de Senador. “Pela atual legislação, apenas as assinaturas coletadas de forma física têm valor jurídico e, ainda assim, essas iniciativas se limitam à proposição de projetos de lei. Isso quer dizer que não é possível cassar um senador ou alterar o rito das votações parlamentares, uma vez que esses casos estão descritos na Constituição”, declara o advogado. Neste caso, a cassação de Renan Calheiros só seria possível caso o processo fosse iniciado com uma representação feita pela mesa diretora, ou por algum partido político no

Conselho de Ética do Senado. Segundo o advogado, seria necessária uma reforma legislativa, desde a Constituição Federal, com regulamentação em leis infraconstitucionais para que se possibilite uma participação popular, por meio de um número mínimo de assinaturas online. “Esses manifestos representam o amadurecimento da democracia, e a mobilização popular por meio dos novos mecanismos de comunicação da internet que se propagam com muito mais celeridade”, e Kleber finaliza, “sou favorável à regulamentação legal no sentido de validar manifestos por assinatura pela internet, pois hoje estamos na era da certificação digital, processos judiciais digitais, e porque não avançar política e democraticamente nesse sentido, colocando mais essa ferramenta para a participação popular na democracia?”. Abril 2013


Você sabia? Trabalham no Senado três representantes de cada estado e mais três para o Distrito Federal. Ao contrario dos deputados, que representam o povo, os senadores representam seus estados. Entre as funções dos senadores, estão a

criação e fiscalização de leis existentes no Brasil, a autorização de operações externas de natureza financeira, e a aprovação das nomeações de autoridades indicadas pelo Presidente da República, como Ministros e Procuradores.

A Suécia é reconhecida pela política transparente, onde corrupção é coisa rara. Lá, governador e prefeito não possuem o direito à residência oficial. Deputados estaduais e vereadores não recebem salários e também não têm direito a gabinete.

Trabalham de casa. Durante a semana, enquanto estão no congresso, os deputados vivem em apartamentos funcionais, onde a lavanderia é comunitária e não há empregados para fazer o serviço doméstico.

José Cruz/Agência Senado

Câmara aprova fim de benefícios extras aos congressistas

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m 27 de fevereiro deste ano, foi aprovado pela Câmara a extinção do pagamento do 14º e 15º salário para deputados e senadores. O processo já estava na fila da votação há mais de um ano e foi anunciado como prioridade pelo recém-empossado presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que assumiu o cargo em 04 de fevereiro. Durante sua candidatura à presidência da Câmara, uma de suas promessas de campanha era a votação para extinguir o benefício. Após ser empossado, Alves negociou e conseguiu a aprovação unânime da proposta. A renumeração era feita duas vezes por ano a cada um dos 594 parlamentares, sendo 513 deputados e 81 senadores, que recebiam dois salários extras de R$ 26,7 mil. Com a nova medida, durante os quatro anos de

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mandato, os parlamentares vão custar para a Câmara cerca de R$ 80,1 milhões a menos. Os deputados e senadores ainda terão direito a receber ajuda de custo paga no inicio e no final do mandato, além de auxílio com despesas de mudanças. Quando a capital brasileira ainda era o Rio de Janeiro, a Constituição de 1946 decretou que os parlamentares começassem a receber ajudas de custo extras para conseguir lidar com as constantes viagens, que na época eram mais difíceis e mais caras, e desde então, benefícios são acrescentados aos cargos políticos. Em entrevista recente ao site UOL, o filósofo Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que este passo dado pelos parlamentares serve para encobrir e se redimir de uma falha imperdoável.

“Acho que se esses pagamentos forem suspensos, é um pouco mais de respeito que os parlamentares mostram diante do dinheiro do povo. Mostram que [a suspensão] atenua um pouco a tirania que os move. A definição mais importante de tirania vem de Platão e Aristóteles e foi assumida no começo da Modernidade. Nessa formulação diz que o tirano é aquele que usa os bens dos governados como se fossem seus”, afirma. Após a medida, a ideia do presidente da Câmara era analisar mais os honorários dos funcionários, para que houvesse novos cortes como este. Em recente decreto, a Câmara aprovou uma nova regra para o pagamento da hora extra noturna. A nova regra que começa a valer a partir de abril, restringe o benefício a funcionários que fizerem mais de 40 horas semanais de trabalho.

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Cinema

RELEMBRANDO

GARRINCHA “O Pelé era 30 anos após a morte de um dos maiores jogadores do futebol mundial, ainda há histórias para contar - e imaginar sobre os anjo de pernas tortas

Armando Nogueira, jornalista e cronista esportivo

Por Henry Mira

D

riblar era como caminhar. Não importava para qual lado, o gênio das pernas tortas não errava a passada. Mas o russo, o sueco, o flamenguista, o cruzeirense... todos os seus marcadores erravam. Bastava observar o movimento das pernas de Mané, o Grande Garrincha, hora para a esquerda, hora para a direita, sempre caindo pela ponta direita. Rei dos dribles, da essência do futebol brasileiro. Para aqueles que vêem em Garrincha apenas um espelho do passado glorioso do futebol brasileiro, suas imagens em preto e branco não chamam tanta atenção quanto as chuteiras multicoloridas filmadas em alta definição de Messi e Neymar. A garotada se identifica com o novo, moderno, isso é natural. Mas basta procurar imagens de Manoel Francisco dos Santos, nome de batismo da “Alegria do Povo”, apelidado assim nos tempos de Botafogo, que facilmente percebemos que se tratava de um monstro em campo. Para ele, defensores não tinham nomes, estavam ali para serem driblados uma, duas, três vezes. Sem desrespeito al-

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um atleta e Garrincha um artista”

gum, apenas porque era instintivo. Em uma entrevista de arquivo da TV Cultura, de 1994 (apresentada na reportagem especial “Garrincha 75 Anos”, de 2008), o jornalista Sandro Moreira definiu de forma certeira o talento de Mané. “Ele era o Charlie Chaplin do futebol”. Nilton Santos, outro dos grandes nomes do futebol brasileiro, conta, na mesma reportagem, a paixão de Garrincha pelos dribles. “O Zezé Moreira (treinador do Botafogo na década de 50) colocava uma cadeira para ele driblar e bater no gol. Aí ele driblava a cadeira e voltava para driblar outra vez”. Mas, conforme Mané driblava, seus joelhos ficavam cada vez mais expostos a lesões e sua rotina de jogos do Botafogo não lhe dava descanso. Quando foi constatada uma lesão mais grave que o tiraria de combate por três meses, em meados dos anos 60, a diretoria do clube carioca não permitiu esse intervalo e o jogador foi para o sacrifício - por anos, o que adiantou o fim de sua carreira. A estrela solitária brilhou tantos anos no Botafogo e na seleção

brasileira e fez sorrir o país com a habilidade de suas pernas tortas, mas nunca bambas. Ainda assim, Garrincha caiu. Caiu em doses cada vez maiores de seu alcoolismo no final da carreira e, antes de completar meio século de vida, o mestre dos dribles deixou fãs, uma dezena de filhos e casos amorosos para trás. No mesmo Rio de Janeiro em que nascera, em 1933, faleceu, em 1983. Fora vencido pela bebida, companheira nas celebrações de suas vitórias e cada vez mais presente conforme era premiado. Foi a adversária que não conseguiria driblar. Mané, já aposentado, pregava a simplicidade com que via a vida e o futebol, conforme visto na reportagem da TV Cultura, em entrevista em meados de 76. “Juro pra você que o futebol não tem mistério. O mistério quem faz é você. Acho que a coisa mais fácil do mundo é jogar futebol”. É difícil saber se o rumo do futebol brasileiro teria sido diferente com tamanha influência do patrono do futebol arte, mas é certo que haveria muita história para contar - por ele e sobre ele. Abril 2013


Garrincha, um curtametragem irlandês

I

magine um boteco carioca, tradicional em cores, aromas e clientela. Há diversos pôsteres desbotados espalhados pelas paredes do lugar, incluindo uma empoeirada moldura da seleção brasileira fotografada após o título da Copa do Mundo de 1962. Em um canto, um senhor de trinta e tantos anos se senta acompanhado de cachaça e esquecimento. Um jovem fã não consegue aceitar essa nova imagem do homem que anos antes brilhara na seleção brasileira e no Botafogo. Cezário, o fã, quer acertar as contas com Garrincha, pois não suporta ver seu ídolo caído, escondido em um canto de bar. Esse é o cenário preparado para o curta-metragem escrito e produzido por Arthur Deeny, escritor e copywriter do mercado publicitário irlandês, e Ronnie Carrol, idealizador do Samba Soccer, uma espécie de acampamento de verão, projeto que aproxima as crianças irlandesas do futebol praticado no Brasil. Carrol visita o país com freqüência - devido a seu projeto, já conheceu grandes jogadores brasileiros, como Pelé e Ronaldinho Gaúcho - e, em uma dessas visitas ao Rio de Janeiro, percebeu que muitas pessoas falavam de Garrincha. “Ronnie começou a ficar cada vez mais interessado na história do jogador. Sabendo que a Copa vai ser no Brasil no ano que vem, ele pensou, ‘porque não fazer uma história sobre o Garrincha?’, ‘porque não a gente?’”, conta Arthur Deeny. A inspiração para roteirizar Mané veio do livro Estrela Solitária (CASTRO, Ruy, Companhia das Letras,1995), obra que destrincha a vida do jogador e adentra por passagens até então pouco conhecidas pelo grande público. Levando em consideração a dificuldade de produzir um longa metragem, no que diz respeito aos recursos necessários

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para tal, a dupla irlandesa decidiu por um filme de curta duração. “Não é possível contar toda a história de Garrincha em um curta, mas queremos mostrar um momento dele, não é uma cena fictícia, mas dá mostras de como seria essa situação em sua história”, aponta o diretor, que lembra ainda que os atores que participam do filme o fazem por experiência e para estar neste projeto diferente. Sobre esse “momento” do genial Mané, Deeny explica que seu filme não é sobre futebol, “é sobre o final de sua vida. É uma situação triste, dramática.” O retrato do curta é Garrincha depois de Garrincha, a estrela solitária já estava longe de seus anos de brilho. A história é contada durante a Copa do México, em 1970. Mané é apenas um homem se embebedando e envelhecendo num bar. “Há esse jovem, Cezário, um fã (interpretado pelo ator brasileiro Tulio Marcos Menezes), que quer acabar com o jogador, pois ele não suporta ver o que Garrincha havia se tornado”, indica Deeny. “Queremos fazer isso respeitando a imagem do jogador, mas é uma situação triste, pois era triste na época. É isso que estamos tentando fazer”, completa. Com seu curta-metragem (rodado em Dublin no porão de um bar transformado em boteco carioca), Deeny quer começar uma conversa, fazer com que as pessoas fiquem interessadas. “Se conseguirmos fazer esse curta despertar bastante interesse, podemos atrair atenção para um projeto maior”, diz ele. Em seus planos, há a vontade de produzir um grande documentário sobre Garrincha, com imagens do mestre dos dribles em ação. “Mas isso é um segundo projeto que só aconteceria se conseguíssemos levantar investimentos”, lamenta o diretor.

“Jamais o adversário terá a velocidade genial de seu instinto” Nelson Rodrigues, jornalista, escritor, dramaturgo e cronista esportivo

Estreia do curta SERÁ em junho

Divulgação/NB

Como é um curta, o lançamento do filme não vai acontecer em grandes salas de cinema. A película deverá ser distribuída em festivais de cinema, como o Dublin International Film Festival. O plano de Arthur Deeny e seu produtor Ronnie Carrol é lança-lo em 2 de junho, uma data especial para os brasileiros, pois marca a reinauguração do Estádio do Maracanã, que será celebrada com o amistoso da seleção brasileira contra a seleção inglesa - o evento também será a celebração dos 150 anos da Federação Inglesa de futebol. “Levaremos o curta para festivais de cinema também no Brasil, Inglaterra e Estados Unidos”, ressalta Deeny. Vale a pena esperar para ver mais esta história do anjo das pernas tortas, o driblador Mané Garrincha.

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Comportamento Divulgação/NB

Dividindo moradia

em Dublin... Pode ser bom?

Participe do grupo de apoio Motivação coordenado pela psicóloga Ana Patêz, em Dublin. Outras informações pelo e-mail: maibgrupo@gmail.com

Por Ana Patêz

O

ser humano tem a necessidade de ter o seu território, o seu espaço, a sua moradia e isso faz parte do seu processo de individualidade, ou seja, a forma única como cada um visualiza e vive sua vida. Também é essencial para determinar como se estabelecem algumas rotinas básicas do nosso cotidiano, como por exemplo, horário de dormir e de acordar, fazer as refeições diárias, manter a higiene pessoal ou guardar e utilizar os utensílios domésticos. E para isso precisamos de um ambiente minimamente estruturado, que possa nos possibilitar com algum conforto, a sensação de nos sentirmos “em casa”. Independentemente do tamanho, ou nível da moradia, quer seja em bairros luxuosos, de classe média ou ainda em comunidades, o mais comum é que cada um tenha sua própria casa. Justamente por ser algo tão pessoal, mesmo quando moramos com nossa família, podem surgir divergências de opiniões sobre diversos aspectos. Imagine o que pode acontecer quando dividimos moradia com pessoas até então desconhecidas com origem em outros países ou não, mas que tenham hábitos que nos pareçam pra lá de

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estranhos! Durante o período de intercâmbio, dividir moradia com outros estudantes se torna essencial para a sobrevivência. No entanto, as dificuldades podem começar na hora de localizar um imóvel para alugar, uma vez que a procura é maior do que a demanda, pois existe um número considerável de estudantes chegando ao mesmo tempo na Irlanda. Encontrar um local para morar, no qual o valor do aluguel seja compatível com o orçamento mensal destinado para essa despesa, passa a ser o primeiro desafio. Após a localização do tão esperado “Lar doce Lar” os desafios na verdade só estão começando, e podem aumentar em muito a proporção, pois agora é hora de descobrir...Com quem morar! E se tratando de Dublin, o que normalmente ocorre é dividir moradia com outros brasileiros, ou ainda, com estudantes de outros países. Por isso, alguns choques culturais serão inevitáveis, já que as diferenças vão desde hábitos alimentares, idioma, religião e principalmente, questões relacionadas a ponto de vista. Assim, com tantas distinções é natural que as pessoas partilharem idéias diver-

gentes sobre o mesmo assunto. No começo a convivência pode ser interessante, pois cada um passa a conhecer alguns aspectos culturais do outro como a história de vida, ou então, a pronúncia de algumas palavras do idioma do flatmate e curiosidades sobre o país de origem, se este for de outra nacionalidade. Por outro lado, com o passar do tempo o que é diferente pode assumir uma relevância maior e gerar alguns conflitos. A receita é praticar a política da boa vizinhança, nesse caso vale uma boa dose de tolerância, de respeito e de flexibilidade com os costumes e o espaço do outro, mostrando-se receptivo para aceitar diferentes idéias. Além do que, existe a possibilidade da amizade se tornar muito mais do que apenas a divisão do mesmo espaço, podendo se solidificar e expandir as fronteiras. Nesse caso, para se tornarem amigos não é necessário falarem a mesma língua desde o início da divisão do mesmo teto, o que torna esta experiência em uma excelente oportunidade para praticar o inglês, sendo o idioma em comum para todos. Enjoy it!

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Entrevista

Quebrando

tabus

Por Daiani Silveira

N

esta edição a revista News Brazil apresenta a brasileira Maria Rosa da Silva Costa, 25 anos, vinda da distante Teresina, localizada no estado do Piauí, terra de lindas praias e um dos mais importantes parques brasileiros, o Parque Nacional da Serra da Capivara, patrimônio mundial da Unesco, onde se encontram belíssimas formações rochosas, sítios arqueológicos e paleontológicos que testemunham a presença de homens e animais pré-históricos. Conhecida como a professora Rosa pelos alunos da escola SEDA (Skills and Enterprise Development Academy), onde ministra aulas de

inglês desde outubro de 2009, ela mostra que com força de vontade e determinação nada é impossível. Inclusive, conquistar espaço em um mercado de trabalho tão concorrido na Irlanda quanto no Brasil, e ainda, considerando o fato de não ser nativa da língua inglesa. Mas para Rosa realizar o sonho de dar aula de inglês do exterior, muita preparação foi necessária, entre elas a Licenciatura Plena em Letras-Ingles, pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e o Mestrado em Ensino de Língua Inglesa para falantes de outras línguas, realizado na University College Dublin (UCD). Confira um pouco mais desta trajetória:

Rosa realiza sonho de ensinar no exterior

Fotos: Daiani Silveira

“Todos os empregos que eu tive aqui, embora parecessem distante da minha realidade, foram muito gratificantes” News Brazil - Quando e como foi que você decidiu morar na Irlanda? Eu tinha um amigo na universidade que morou três meses na Irlanda, e ele costumava me contar suas estórias, como tudo funcionava aqui e o quanto ele queria voltar para a ilha. Sempre tive vontade de estudar fora do país, mas somente em 2007 eu comecei a pensar seriamente em vir. Formei-me em agosto de 2008 e em outubro do mesmo ano decidi partir.

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News Brazil - Como foi o período de adaptação no País? Assim que cheguei à Irlanda começou a crise financeira. Na época estava muito difícil para arranjar qualquer tipo de emprego. Eu trabalhei de au pair por seis meses, depois trabalhei em uma pizzaria como caixa por quatro meses, depois como faxineira etc. Todos os empregos que eu tive aqui, embora parecessem distante da minha realidade, foram muito gratificantes. As pessoas aqui são adoráveis.

No começo foi complicado fazer amizade, mas hoje tenho tantos amigos irlandeses quanto brasileiros. Enfim, minha adaptação foi suave, sem maiores problemas. Algumas vezes meus amigos irlandeses esquecem que eu sou brasileira. Eu acho engraçado! News Brazil - Há quanto tempo você trabalha como professora de inglês na Irlanda e como surgiu esta oportunidade?

Abril 2013


Eu comecei a trabalhar na SEDA em outubro de 2009. A oportunidade surgiu quando eu estava procurando uma escola para me matricular em um curso de business. Eu então mencionei que era professora de inglês no Brasil e depois de alguns dias fui convidada para me juntar a escola. News Brazil - Quais as diferenças entre o Brasil e a Irlanda para ministrar aulas de língua inglesa? No Brasil os professores precisam ter um diploma de nível superior em língua inglesa para ministrar aulas em escolas de ensinos fundamental e médio. As escolas de línguas são menos exigentes. Ainda assim, no Brasil, qualificações são algo de grande importância. Os alunos não são motivados, uma vez que são, muitas vezes, forçados pelos pais a estudar uma outra língua. Na Irlanda, inglês é a língua oficial, portanto não e nada difícil encontrar professores de inglês por aqui. Ao contrário do Brasil, aqui experiência é bem mais importante do que qualificações. Para dar aulas de inglês em uma escola de línguas é necessário ter um diploma de nível superior – este podendo ser em qualquer área – e um certificado de professor de inglês, obtido através de um curso que tem duração de um mês. Os alunos aqui são, também, um tanto diferentes. Apesar de, a grande maioria dos meus alunos serem brasileiros, eles são mais focados e bastante motivados. Creio que por serem adultos eles são capazes de entender melhor a necessidade de www.revistanewsbrazil.com

uma segunda língua em um mundo globalizado. Por último, mas não menos importante, está o contexto, o fato de que no Brasil os professores tem que ter muita criatividade e contar com a imaginação dos alunos para praticar a língua. Aqui na Irlanda eles vivem a língua, todo o tempo, em todos os lugares, então há uma necessidade real de se comunicar, não só com os nativos, mas com pessoas de vários outros países.

“Para os alunos brasileiros aprender inglês é uma prioridade” News Brazil - Qual é o perfil do aluno que quer aprender inglês na Irlanda? Alunos que estudam inglês na Irlanda têm perfis diferentes. Os europeus, por exemplo, vem por um período curto, geralmente no verão. Estes são alunos que querem aperfeiçoar a língua e visitar lugares. Já os alunos brasileiros, na grande maioria, demoram algum tempo guardando dinheiro para comprar um curso e vir. Alguns vendem todos os bens materiais em busca de uma nova experiência. Para eles, aprender inglês é uma prioridade, uma linha extra no currículo que pode fazer toda a diferença. News Brazil - Como são as aulas? As aulas são dinâmicas e os professores procuram trabalhar

com diferentes tipos de atividades. São quatro horas de aulas onde os professores revezam níveis e materiais; na primeira aula eu trabalho com um livro, e na segunda aula eu uso materiais criados e/ ou adaptados por mim. Enquanto na primeira aula o foco é ensinar gramática, na segunda eu procuro trabalhar com um método mais comunicativo. News Brazil - Quais as dicas que você sugere para um bom rendimento no aprendizado da língua inglesa? Tudo é valido! Sempre digo isso aos meus alunos. Procurar se envolver na cultura irlandesa, assistir TV, ouvir rádio, ir ao cinema ou teatro e ler jornais. As coisas mais simples fazem uma grande diferença. E, é claro, internet! Existem milhares de páginas na internet com vários tipos de atividades que podem ser feitas em casa, sem a ajuda de um professor. News Brazil - Você tem outros projetos na Irlanda? No momento estou me dedicando exclusivamente ao meu trabalho. Terminei o meu mestrado no ano passado e foi uma experiência muito gratificante, mas também muito desgastante. Estou estudando a possibilidade de começar um doutorado no próximo ano, mas nada definido ainda. Também quero aprender uma nova língua, provavelmente espanhol ou alemão. No mais, estou sempre aberta para oportunidades que possam me trazer crescimento pessoal e profissional.

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Música

Música regulamentada

na Grafton Street Por Henry Mira

A

Grafton Street, uma das mais famosas de Dublin, abriga uma série de pequenos universos, todos espalhados em suas calçadas e fachadas. Há as lojas tradicionais do país, como Dunnes e um dos maiores shoppings da cidade, o Stephen’s Green. Há , também, marcas internacionais, como Zara e Tommy Hilfiger. Passantes vêem, entre vitrines, roupas e cafeterias, pessoas posicionadas com caixinhas, caixotes e cases à sua frente. Estão, ali, fazendo sua arte. Músicos e artistas de rua, os “Grafton Street Buskers”. A Irlanda é um país musical. A música está enraizada na cultura dos pubs, e não raro, ouvimos o tradicional folk irlandês, regado a violões encordoados a nylon, violinos, flautas e uma sensação de bem-estar. Muitas são, por consequência, a extensão das histórias e danças presentes nos pubs. Nas ruas não é diferente. Há músicos tentando viver ou sobreviver de sua arte, enquanto outros o fazem pela diversão ou pela possibilidade de se apresentar em público sem a necessidade ou a pressão de

uma apresentação formal. Busking, expressão que denomina o ato de realizar apresentações na rua, é bastante utilizada para falar sobre músicos de rua em países como Inglaterra e Irlanda. Conhecidos como buskers, fazem performances musicais, teatrais e de dança. Na Grafton Street, localizada em Dublin 2, pró-

xima à famosa região do Temple Bar, é fácil encontrar pessoas de diversas nacionalidades se apresentando, incluindo brasileiros, que se destacam com apresentações de forró e samba. Para quem quer sentir de perto essa sensação, as tardes de sábado e domingo são ideais, já que a rua fica mais povoada com artistas e público. Se o clima estiver agradável, é um passeio imperdível tanto para turistas quanto para moradores da cidade. Ainda que seja uma prática comum, há regulamentação extraoficial da atividade. Há que se considerar que a Grafton é, antes de mais nada, uma rua prioritariamente comercial. Por isso, o Dublin City Business Improvement District (DCBID), associação dos comerciantes do centro da cidade, em conjunto com a Garda (a polícia local) e o Conselho da Cidade, formataram um Código de Práticas, voltado exclusivamente para os buskers. 185 artistas assinaram o código, que teve três meses de aplicação teste no final de 2012. Entre as premissas listadas, estavam restrições à potência de amplificadores (15 watts), áreas nas quais não poderiam haver amplificadores, restrição de tempo da performance (uma hora apenas, para evitar monopolização do espaço) e a proibição do uso de baterias. O horário permitido para as apresentações, seria entre onze da manhã e onze da noite e, nas proximidades do Temple Bar, aos finais de semana, esse limite seria estendido até as três da manhã. O DCBID reportou, no último mês, que o projeto piloto não deu resultado, pois foram reportados à Garda 190 incidentes que desrespeitaram o Código, que deverá passar por revisão e aumento de fiscalização de seu cumprimento nos próximos meses. O DCBID alega que, em 2012, foram direcionadas 724 reclamações à Garda.

Gelson Pereira

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Abril 2013


Cultura

Pipoca e um bom

Filme para uma aula de inglês

Diversos espaços de exibição em de Dublin são convites para aprender o idioma

Por Raquel Nascimento

P

assar horas assistindo filme, quem nunca fez isso? Encontrar com os amigos e combinar de ver um lançamento no cinema, ou ainda, uma sessão de DVDs e pipoca no conforto de casa. Não importa como ou onde, o difícil é encontrar quem não goste de uma das formas mais populares de representação da arte. Para quem está aprendendo inglês e gosta de filmes poderá “unir o útil ao agradável”, pois de acordo com o professor Adir Ferreira, Pós-graduado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São

Paulo (PUC/SP) , utilizar filmes para aprender inglês é uma ótima estratégia. “Nos filmes vemos o idioma contextualizado e falado em velocidade normal, diferente dos diálogos dos livros de escola. Além disso, os filmes trazem expressões idiomáticas e gírias que formam parte do dia a dia do falante nativo”, explica. Ferreira, que trabalha para a Transparent Language/USA e é colaborador do Blog English Expert, ressalta que os filmes contribuem para o aprendizado do inglês, melhorando a audição e o vocabulário.

como aproveitar o filme

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a internet você vai encontrar diversos sites e blogs que dão dicas de como utilizar um filme e construir por meio dele uma forma de aprendizado. O site The English Learner Movie Guides (www.eslnotes.com) traz o enredo, fala da personalidade dos personagens e uma lista das palavras mais complexas de mais de 100 filmes. Segundo o site, a ideia é que o estudante-telespectador não assista apenas o filme, mas que explore um

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vocabulário específico do qual o filme trata ou ler algo a respeito que o contextualize. Para não gerar frustação após assistir a um filme e você correr o risco de não entender grande parte dos diálogos, o professor Ferreira do Blog English Expert , sugere ao estudante que ainda não atingiu o nível intermediário do idioma, que busque obras cinematográficas com linguagem mais fácil, como por exemplo, as de animação.

Cinemas em Dublin e região Chega ser tentador a carteirinha do Cineworld (€20 euros mensais) e a chance de assistir todos os filmes, quantas vezes você quiser. Assim como, visitar outros cinemas da cidade por um valor acessível aos estudantes, ou então, se cadastrar em uma biblioteca pública e ter acesso a muitos DVDs. Cineworld - Dublin 1 - €6.84 (ou €20 mensais livre acesso ao cinema) Savoy Cinema - Dublin 1 - Terças e quintas-feiras €4 Odeon Point Village - Dublin 1 - €7 (€5 Quartas-feiras) Screen Cinema - Dublin 2 - €6.20 (Segundas-feiras €5) Irish Film Institute - Temple Bar - Dublin (Exibição free) Swan Cinema - Dublin 6 - €7.20 Light House Cinema - Dublin 7- €6 Irish Multiplex Cinemas - Santry - Dublin 9 - €7 (Quartas-feiras €5) Onmiplex Cinemas - Santry - Dublin 9 -€7.20 Drundrum Shopping Center - Dublin 14 €5 Odeon Blanchardstown - Dublin 15 - €7 (€5 Quartas-feiras) Vue Liffey Valley Shopping - Dublin 22 €8.80 Irish Multiplex Cinemas - Dublin 24 -Tallaght- €7 (Quartas-feiras €5) Pavilions Shopping Centre - Swords- €6.50 Quayside Cinema - Balbriggan - €6.50 (Segundas-feiras €6) Irish Multiplex Cinemas - Dun Laoghaire €5,80 (Terças-feiras €4.30) Odeon Stillorgan - €7 (€5 Quartas-feiras) *Precos validos para estudantes ate às 7pm. **Confira a lista de todos os cinemas na Irlanda no site www.entertaiment.ie.

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Carnaval

Miss Carnaval

na Irlanda

é Brasileira! Por Fernanda Lima

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encedora do último concurso Miss Carnaval na Irlanda, a baiana Adriana Vieira, 25 anos, define a estadia em terras verdes com uma única palavra: aprendizado. Com o objetivo de estudar inglês, a bancária deixou o emprego no Brasil e decidiu vir para Dublin, há sete meses. Além de modelo, atualmente Adriana trabalha como au pair, mas ainda pretende atuar na área. “Cuido de três crianças, de 7, 9 e 11 anos, respectivamente. A c o nv i v ê n c i a com a família me ajudou muito a aprimorar o meu inglês. Trabalho live out e part time, o que me permite ter um tempo para estudar e fazer outras coisas

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que eu gosto, como por exemplo, malhar ou assistir filme. Tem sido uma experiência nova para mim, pois no Brasil eu já havia feito alguns trabalhos como modelo, mas nunca como au pair”. Adriana, que ficou sabendo sobre o concurso Miss Carnaval através de um amigo, diz que não esperava ser escolhida e que foi a primeira vez que participou de uma premiação. “Para mim foi uma grande surpresa. Eu enviei as minhas fotos para cadastro e junto com mais vinte meninas fui selecionada para a semifinal e depois com mais dez meninas para a final. Ganhei um prêmio em dinheiro, um photobook e um contrato com a uma agência de modelos bastante conhecida. Fiquei muito feliz por estar representando o Brasil e pelo meu próprio lado pessoal poder ser reconhecido”, afirma a brasileira. A escolha da Irlanda como destino de intercâmbio nasceu a partir de amigos que já estavam no local e também por ser, segundo Adriana, o país mais acessível financeiramente. Ao chegar em Dublin, a brasileira não tinha nenhuma familiaridade com a língua inglesa. “Eu nunca havia estudado inglês antes. Quando eu cheguei aqui eu me sentia um índio (risos). Morei no Pará e pude conviver com alguns deles na minha infância. Achava super estranho a tentativa deles de falar português. Foi assim Abril 2013


comigo no inglês. Na primeira semana umas crianças vieram até mim perguntando as horas e eu não entendia absolutamente nada, até que elas me demonstraram com gestos o que desejavam, então eu mostrei meu relógio”, relembra Adriana. Atualmente, a modelo divide uma casa com mais 4 brasileiras. “É bacana, porque você aprende a conviver com diferentes pessoas e a respeitar o espaço de cada um”. No entanto, acredita que a convivência com brasileiros pode atrapalhar no aprendizado da língua. “Quando a convivência se resume em pessoas da mesma nacionalidade, atrapalha um pouco sim. Infelizmente essa é uma triste realidade”. Como grande parte dos intercambistas, uma das coisas que a modelo mais sente falta no Brasil é da família, além das praias, do clima mais agradável, da água de côco e das comidas. Por outro lado, ela ressalta: “Mas não sinto nenhum pouco de saudade do trânsito e da falta de segurança”. Se ela pensa em voltar? Sim, mas ainda não faz ideia de quando! “Vou sentir muita falta de tudo o que vivenciei aqui, mas vou ficar feliz em poder reencontrar a minha família. A Irlanda é um país de fácil acesso para várias culturas poderem conhecer e aprender a falar inglês. A principal dica que eu dou é estudar muito e manter o máximo de conversação na língua”, sugere a brasileira destacando que esta é uma experiência para a vida toda.

Brasileira vence o concurso Miss Carnaval e assina contrato com agência irlandesa de modelos

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Gastronomia

Portugal e

Bacalhau,

fenomenal! N

Divulgação/NB

Por Juliana Lougue

o ano passado recebi o convite do meu tio para ir visitá-lo em Portugal. Confesso que esse era o último destino da minha lista de 20 Países a serem visitados na Europa. Isso porque eu não achava que seria um lugar interessante. Porém, meu pré-conceito mudou logo que pisei na cidade do Porto. Adorei a facilidade de transporte, logo do aeroporto tomei o trem que me deixou praticamente na porta do hotel. O hotel era muito aconchegante e limpo. Na manhã seguinte, quando fui tomar meu café vi que havia muita similaridade com os cafés da manhã servidos em hotéis brasileiros, muita variedade de frutas, pães e bolos. Após a refeição fui desbravar a cidade, eu tinha em mãos o endereço de uma escola de culinária e resolvi ir até o local para ver se eles poderiam montar para mim um curso rápido de Bacalhau. No caminho, estava perdida e resolvi perguntar para um senhor onde ficava o endereço que eu estava procurando. Ele espontaneamente respondeu que me levaria até o local, e ao chegar ao mesmo, me apresentou ao chef professor e recomendou que este cuidasse bem de mim. Estas são algumas das ca-

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racterísticas dos portugueses, hospitaleiros e sempre prontos para ajudar. Na escola conversei com o chef professor que montou um bom programa de um dia sobre bacalhau e eu retornei no dia seguinte para assistir a aula. Uma das informações que chamou à atenção, e ele fez questão de frisar, é que o bacalhau não é o ingrediente mais consumido no País, e sim as alheiras (linguiças tipicamente portuguesas feitas de animais e pão). O chef também ressaltou que, apesar de registros muito antigos afirmarem que o bacalhau é de origem Norueguesa, o alimento se tornou tradicional em Portugal. Pois o ato de salgar era necessário para garantir o frescor do peixe nas longas viagens desbravadoras dos portugueses. Muitos peixes são salgados, mas pela aparência do peixe é fácil identificar quando não é o verdadeiro bacalhau. O legítimo é alto, largo e apresenta coloração uniforme e esbranquiçada, portanto, qualquer alteração na coloração não se trata de bacalhau. A dessalga pode ser feita em água por 24 a 48 horas, esta deve ser trocada de tempos em tempos, ou por 12 horas no leite.

O professor fez três preparações diferentes. O bacalhau a Gomes de Sa, que é tradicional e mais conhecido no Brasil, sendo postas do peixe intercaladas com batatas, cebolas, tomates e pimentões, muito azeite e azeitonas pretas. O bolinho de bacalhau servido frio, que é feito com bacalhau desfiado, batatas, ovos e farinha de trigo para dar liga e é claro uma boa dose de azeite de oliva. E o prato que mais me encantou, o Bacalhau com Natas. Para prepará-lo cozinhe o bacalhau por três minutos, corte as batatas em rodelas e frite, corte a cebola em rodelas e as refogue no azeite, faça o molho béchamel (farinha de trigo, manteiga, leite, caldo de vegetais, noz moscada e uma pitada de parmesão ralado). No refratário monte as camadas de molho, peixe, batatas e cebola, polvilhe o topo com queijo ralado misturado com pão ralado e asse ate dourar. Essa receita é simplesmente divina! Fui a Guimarães, Braga e Lisboa, me encantei com todos os lugares que passei, com as pessoas que conheci, fiz amizades que ainda duram nos dias de hoje. Ainda voltarei a Terrinha, pois quero aprender muito mais sobre os pratos e costumes deste povo fenomenal! Abril 2013


St. Patrick’s Day

A festa é Por Daiani Silveira

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o ano em que a Irlanda vive o “Gathering Irlanda 2013”, um projeto do governo que convida pessoas do mundo inteiro para visitar a ilha e promover o turismo, a parada do Saint Patrick’s Day assume uma identidade internacional com o tema: “Grandes coisas acontecem quando estamos juntos”. De acordo com os organizadores, oito mil pessoas foram convidadas para participar da People Parede, desfile que antecedeu o tradicional de Saint Patrick’s Day e apresentou diversas culturas, no domingo 17 de março. Algumas, como por exemplo a americana, devido o grande número de descendentes irlandeses que vivem nos Estados Unidos. Outras, como a brasileira, é um reflexo do crescente número de negociações entre os dois países em diversos setores, e é claro, também relacionado ao grande número de brasileiros que residem na Irlanda.

de todos O bloco verde e amarelo foi muito bem representado por capoeiristas, passistas e dançarinos de frevo. De longe era possível ouvir o som do “batuque” brasileiro que se aproximava. Abriam sorrisos no rosto do público que exclamava “Brazil” ao mesmo tempo em que começava a ensaiar passos de samba para não fazer feio quando a banda passar. Ao meio dia, após encerrar o People Parede, acontecia nas principais ruas de Dublin o evento mais esperado do ano. Cores, sons e a alegria irlandesa contagiaram os expectadores que não se importaram com a chuva que caía. A magia do povo que celebra seus antepassados e a sua cultura e emocionou quem conferiu de perto o evento. Para o grupo de amigos formado por Bárbara Costa, Marina Gianneschi, Bruno Castro, Renato do Vale, Renato Martinazi, Sérgio Marques e Leonardo Richaerd a chuva, apesar de não ser bem-vinda, não tirou

Amigos animados para primeiro o St. Patrick’s

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o brilho da festa. No entender dos brasileiros, que vivem e estudam na Irlanda há três anos, a programação do festival foi o grande destaque da edição de 2013. “Este ano o Festival de Saint Patrick’s Day está oferecendo mais atividades, como eventos em parques, shows musicais e teatro”, destaca Bárbara. Com apenas uma semana em Dublin, os amigos Vinícius Garcia de Almeida, Fábio Teberga, Aldy Coelho, Lívia Cavalcante Lucena e Frank Malkon Matheus Júnior, estavam animados para o primeiro Saint Patrick’s Day. Ainda sem conhecer direito a capital, o grupo estava admirado com a devoção dos irlandeses ao padroeiro. “Eles se preparam mesmo, usam fantasias que representam a pátria, as cores verdes e laranja estão por todas as partes. É uma festa muito alegre”, aponta Aldy antes de partir com os outros brasileiros para conhecer alguns pontos turísticos da cidade.

Com chuva brasileiros celebram terceiro ano na Irlanda

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O jornalista e fotógrafo Leonardo Pereira acompanhou o desfile de Saint Patricck’s Day, que foi realizado nas principais ruas de Dublin, no domingo 17 de março. Confira as cores, o patriotismo e a devoção de um povo pelo seu padroeiro.

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Bruno Soares/St. Patricks BH

Bruno Soares/St. Patricks BH

A magia do Saint Patrik’s Day contagiou o mundo! As comemorações ocorreram nas cidades onde existem grandes números de descendentes irlandeses, mas também em países onde o intercâmbio cultural é cada vez maior, como por exemplo, o Brasil. Bruno Soares/St. Patricks BH

Renato Ramalho/All Balck Bruno Soares/St. Patricks BH

Bruno Soares/St. Patricks BH

Renato Ramalho/All Balck

33 Renato Ramalho/All Balck


Bem-estar

Saúde bucal no

intercâmbio O brasileiro é conhecido como um povo alegre. Distribuir sorrisos faz parte do cotidiano desta população e muitas vezes estes sorrisos chamam atenção, pois o cuidado com a saúde bucal não é apenas uma questão de estética no Brasil: felizmente, está na cultura. Desde criança, seja em casa ou na escola, aprende-se a importância da higiene bucal. Simples ações como escovar os dentes e usar fio dental podem evitar um sorriso indesejado, como também muitas doenças. O acesso aos profissionais desta área pode ser através do serviço pú-

blico, programas do governo federal, estadual ou municipal na sua cidade, ou ainda privado, em um consultório particular que estiver mais perto da sua casa. No entanto, este acesso fica um pouco mais complicado quando você decide viajar e esta viagem é um intercâmbio com a duração de um ano. Em Dublin, na Irlanda, você já pode contar com profissionais de odontologia brasileiros. Um deles é o Dr. Paulo Leão de Paiva, que destaca alguns cuidados e dicas para evitar surpresas desagradáveis no intercâmbio.

Revista NB - Quais são os cuidados básicos com a saúde bucal em um intercâmbio, que, normalmente, tem a duração de um ano? Dr. Paulo - Levando em consideração que o intercambista pode não ter acesso a um acompanhamento odontológico durante o período de intercâmbio, ai vão os princípios básicos de uma manutenção bucal: 1-Escovar os dentes pelo menos 3 vezes ao dia logo após as refeições, fazendo o uso do fio dental assim como de um bom enxaguante bucal com flúor. 2-Procurar manter uma dieta balanceada consumindo frutas, verduras, produtos lácteos, carne e peixes. 3-Evitar o consumo de alimentos que contenham corantes e açúcares. O seguimento dos princípios acima irá prevenir o aparecimento de problemas, tais como placa bacteriana, calculo dentário (tártaro), gengivite (sangramento gengival), cáries e halitose (mau hálito).

problemas bucais que podem aparecer nesta idade? Dr. Paulo - Os principais problemas bucais evidenciados nessa faixa etária são: *Desmineralização do esmalte dentário, fragilizando e acarretando sensibilidades aos dentes. *Cáries em um ou mais dentes. *Recessão gengival, expondo parte da raiz do dente causando sensibilidade, devido a má escovação ou uma má oclusão entre as arcadas. *Dores e desconfortos nas regiões dos Terceiros molares (sisos).

Revista NB - A faixa etária da maioria dos intercambistas é de 18 a 30 anos. Quais os principais

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Revista NB - Quais os tratamentos para estes problemas? Dr. Paulo - Importante é que se faça a manutenção dos princípios frisados anteriormente, evitando grande parte dos problemas dentários, mas é indispensável a visita a um Dentista para que se possa fazer uma avaliação clínica e exames complementares para detectar o problema e sua melhor forma de tratamento. Procedimentos como profiláxia, remoção de tártaro, restaurações, tratamentos periodontais, tratamentos de canal e

Dr. Paulo alerta sobre cuidados com os dentes para intercambistas na Irlanda

extrações de terceiros molares estão entre os principais tratamentos realizados. Revista NB - Quais as diferenças entre Brasil e Irlanda no setor de odontologia? Dr. Paulo - Em minha opinião, não há diferença tecnológica ou de conhecimento por base dos profissionais da área, a diferença se dá em relação a cultura entre as duas nações. Os brasileiros são extremamente rigorosos e preocupados com a estética dos dentes, são educados a ter em mente a importâncias da saúde bucal desde a infância valorizando o seu sorriso como cartão de visita. Revista NB – Qual a dica que você dá para aqueles que estão interessados em fazer um intercâmbio? Dr. Paulo - Um bom conselho seria que antes de embarcar para outro país, onde certamente irão ficar no mínimo um ano fora da sua zona de conforto, visite seu dentista e faça uma avaliação geral de sua condição bucal e trate suas necessidades previamente à sua viagem. Abril 2013

Daiani Silveira

Por Daiani Silveira


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NewsBrazil - Abril/2013  

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