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Policial

À beira do caos

A dúvida maior que não quer calar é a razão da grande repercussão seguido da morte de Mark Duggan. A brutalidade e os incontáveis crimes que a sucederam foram apenas oportunistas criminosos ou reação da aflição fomentada pela exclusão social? Isto porque é possível verificar que a maior parte das pessoas apreendidas vem de áreas com alto nível de desemprego, com poucas perspectivas de ascensão social e dificuldades que levam ao isolamento e discriminação. Nas ruas o que se escuta é que eles seriam pessoas que não ganham o suficiente para pagar suas dívidas e que as autoridades não se importam com isso, ainda mais com os cortes feitos em programas de promoção social. É importante ressaltar que embora a criminalidade tenha causas perplexas, tais como o desemprego, a desestrutura familiar, a promiscuidade, entre outros, o seu controle depende em alto grau da polícia, da justiça e da política de inserção promovidos pelo Governo que vise integrar os grupos excluídos a serem aceitos pela sociedade que os cerca. Se estes fatos não forem debatidos pelas autoridades e nada for feito, os próximos anos serão mais desgostosos que este de 2011.

A Inglaterra assistiu neste início de mês de agosto um cenário de guerra e violência em vários bairros da capital britânica, Liverpool, Manchester, Bristol, Birminghan, Wolverhampton e West Bromwich, e em diversas outras cidades do país

A

s ruas estavam repletas de destroços, inúmeros roubos e lojas destruídas, edificações e carros ateados em fogo, além de feridos e pelo menos cinco mortos. A população estava em pânico, insegura com novos ataques e revoltada com a lenta atuação das autoridades. Este distúrbio eclodiu após uma operação policial realizada na quinta-feira (04.08.2011) que se baseava em deter Mark Duggan. No momento da abordagem ele se encontrava dentro de um taxi, e, segundo a polícia, ele teria reagido e trocado tiros com os policiais, sendo atingido por dois tiros e vindo a falecer no local. Duggan tinha 29 anos, era pai de quatro filhos e morava em Tottenham, no extremo norte de Londres. Até o momento inexistem provas de que tenha havido disparo contra os agentes e não se sabe o real motivo dele ter sido surpreendido pela polícia. No início da noite de sábado (06.08), houve protestos pacíficos exigindo justiça, com pouco mais de cem pessoas, em uma passeata até a frente da sede da polícia de Tottenham. Entre os manifestantes estavam os parentes de Mark Duggan. A negativa da polícia em dar explicações acerca da morte ocorrida dois dias antes, causou uma manifestação violenta com grupos depredando lojas e incendiando carros, propagando-se em outros bairros da cidade, por meio do Twitter, Facebook e sistema de mensagens do aparelho celular BlackBerry, o que ocasionou mais tumul-

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tos, depredações, incêndios e roubos em estabelecimentos comerciais. Este não é o primeiro incidente policial que as autoridades dão justificativas contraditórias de suas ações. Em 22 de julho de 2005, um jovem brasileiro de 27 anos, Jean Charles de Menezes, ficou conhecido após ter sido morto por engano pela polícia dentro de um metrô em Londres, confundido com o terrorista árabe Hamdi Adus Isaac (ou “Hussain Osman”), suspeito de tentar fazer um fracassado atentado a bomba no metrô, na véspera. Ao final, a autoridade policial confessou que o brasileiro não tinha relação com nenhum grupo terrorista e, como motivo para o lamentável acontecido, disseram que o brasileiro teria se recusado a obedecer as ordens de parar dada pelos policiais. A consequência destes distúrbios fez com que o comércio fechasse mais cedo, inclusive na área central como a Oxford Street, vários bares e restaurantes não abriram, eventos culturais tiveram sua programação alterada, como o evento-teste para as Olimpíadas de 2012, ou cancelado, como o amistoso entre Inglaterra e Holanda, que ocorreria no estádio de Wembley. A população mostra-se extremamente insatisfeita com a atuação da polícia e das autoridades que não conseguiram controlar a situação e atender a grande demanda de chamadas de socorro, enquanto o Governo estava em férias e o Parlamento em recesso. Assim, partiu dos moradores dos bairros atingidos pelos distúrbios a inicia-

Paola Pizzano Jornalista-Londres

tiva de se unir e formar milícias de vigília e proteção do local onde moram. Voluntários limparam as ruas depois da onda de violência e destruição das manifestações. Apenas na segunda-feira, quatro dias após o começo dos tumultos, o primeiro-ministro, David Cameron, a ministra do Interior, Theresa May, e o prefeito londrino, Boris Johnson, retornaram a Londres e pronunciaram que o número de policiais nas ruas aumentaria de 6 mil para 16 mil, bem como estava autorizado o uso de balas de borracha. A polícia pediu o apoio da população na identificação dos suspeitos dos ataques, através da liberação das imagens das câmeras de segurança. A Scotland Yard colocou em ação mais de 450 detetives no caso. Até agora o número de suspeitos presos no país passa de um mil.

Agosto 2011

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NewsBrazil - Agosto/2011  

Edição de agosto de 2011 da revista NewsBrazil. www.revistanewsbrazil.com

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