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Imigrante

Abbey College encerra atividades

Força jovem O estudante brasileiro Luan Camargo chegou à Irlanda sem falar inglês. Passados cinco anos de muita luta e dedicação, ele se transformou em um exemplo para outros jovens que chegaram na mesma situação. Hoje Luan é destaque do curso de Engenharia Aeronáutica da Universidade de Limerick.

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Texto por Luan Camargo

heguei à Irlanda no dia 4 de março de 2006 com a minha mãe, Cristina, e meus irmãos, Jean e Luana. Meu pai, Camargo, já morava aqui há pouco mais de um ano, na região de Roscommon; para ser mais específico, na cidade de Castlerea. Quatro dias após minha chegada, comecei a estudar; entrei no final do primeiro ano da escola secundária em Castlerea. No começo foi muito difícil, pois a língua se revelou uma enorme barreira e, por nao conseguir me comunicar com eficiência, acabei isolado e sem muitos amigos. Porém, com o tempo, conquistei o respeito e a amizade de muitos irlandeses que até hoje se mostram companheiros leais. No final do quinto e começo do sexto ano escolar, já integrado à comunidade e cultura irlandesas, comecei a pesquisar um assunto que notei não ser muito comum entre os brasileiros por aqui, pelo menos não entre os

adolescentes que têm uma história similiar à minha: Faculdade! Conversando com alguns colegas brasileiros, descobri que muitos, se não todos, desejavam entrar nas faculdades irlandesas, porém a maioria se deparava com a barreira financeira, falta de informação e a incerteza de suas famílias permanecerem ou não na Irlanda e, por isso, acabaram desistindo. Atualmente estou estudando Engenharia Aeronáutica na Universidade de Limerick. Confesso que os custos pesam um pouco no bolso e que sem o apoio da minha família eu nao chegaria aonde cheguei. Mas com toda certeza posso dizer que vale a pena, pois não estou adquirindo somente conhecimento acadêmico, mas também experiência de vida e maturidade, que serão muito bem utilizados no meu futuro. Na Irlanda tenho a oportunidade de conhecer culturas de diferentes países, ampliar o meu círculo de amizades e experimentar um estilo de vida diferente. As taxas anuais e de matrícula nas faculdades irlandesas atualmente giram em torno de €7500 para brasileiros que estão vivendo e pagaram, ou os pais pagaram, impostos por 3 dos últimos 5 anos em qualquer país da

Uniao Europeia. Porém, se você ou seus pais tiverem cidadania europeia não pagará taxas anuais, mas terá de pagar uma taxa de manutenção de €2000 por ano. Essas taxas podem variar de acordo com o curso e a faculdade para os quais você se aplicar, mas lembre-se de que despesas, como aluguel e comida, não estão incluídas. Se estiver interessado, aconselho que entre em contato com a instituição de ensino na qual deseja estudar e busque mais informações. Se você estiver na escola secundária, converse com seu ‘guidance teacher’ - toda escola tem um. Eles poderão lhe prover informações muito úteis a respeito dos cursos e faculdades na Irlanda e tambem benefícios do governo. Outra alternativa bem legal é ir aos ‘Opening Days’ das faculdades que acontecem geralmente antes ou durante o verão. É basicamente um dia dedicado aos alunos que gostariam de conhecer a faculdade e sempre oferece palestras sobre os diferentes cursos e guias para apresentar o campus. Voce poderá conversar com alunos que já estão estudando na instituição, tirar suas dúvidas e pegar algumas dicas que serão valiosas, caso você decida estudar lá.

Educação

Umas das escolas de idiomas mais populares entre os alunos brasileiros, a Abbey College, encerrou suas atividades na última sexta-feira, 05 de agosto, sem dar maiores explicações

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a manhã de segunda-feira, 08 de agosto, centenas de alunos se amontoaram na porta da escola e só foram saber da má notícia quando já estavam lá. Muitos deles haviam se matriculado há poucas semanas. Cerca de 360 alunos, 64% deles matriculados no curso de inglês, e mais de 20 professores e funcionários administrativos ficaram perplexos com a situação. Segundo o jornal The Irish Times, os funcionários foram avisados do fechamento da escola através de uma mensagem de texto no final de semana e, quando chegaram para recolher seus pertences, souberam também que a direção da instituição não teria como pagar os salários em atraso há seis meses. A estudante brasileira, Alessandra Stieler, que havia completado dois meses de aulas no curso de inglês, conta: “No domingo por volta das 18 horas recebi uma mensagem de texto informando que a escola havia cessado as atividades, mas que estava providenciando outro local para os alunos continuarem seus estudos. Mas quando fui lá, na segunda-feira, para saber mais informações não tinham ninguém da diretoria para conversar conosco. Muitos alunos nem tinham recebido a mensagem pelo celular.” Já Maribeth Sanico, das Filipinas, em depoimento ao jornal Independent, diz não acreditar que a escola não sabia o que es-

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tava acontecendo. Ela havia começado um curso de enfermagem há poucos dias e pagou dois mil euros por ele. “É muito injusto [...] Dois mil euros não é brincadeira. Se eu tiver que ir para outra escola não conseguirei arcar com a despesa por mais um ano.” A escola alega que estaria enfrentando dificuldades para se enquadrar no novo regime de imigração para estudantes não europeus. As novas regras impedem que alunos não europeus freqüentem um curso de idiomas por mais de três anos. Ou seja, cada aluno pode renovar seu curso por duas vezes. Após esse período, é preciso se matricular em um curso de graduação ou pós-graduação para conseguir renovar o visto de estudante. Isso fez com que muitas escolas de inglês perdessem uma parcela ampla de seus alunos, encarando então uma crise financeira. A chamada “Estratégia de Cinco Anos”, que estabeleceu as novas regras de concessão de vistos estudantis, implantada em janeiro de 2010, não deu tempo aos alunos nem às escolas de se adaptarem. E não será surpresa se outras escolas começarem a anunciar seus fechamentos. Entretanto alguns alunos não acreditam nesse argumento. “Acredito que tenha sido má administração, pois falta de alunos não foi. Na minha sala havia cerca de 25 alunos quando deveria ter no máximo 15.” Alguns estudantes temem agora que as host families, famílias que recebem estu-

dantes estrangeiros em troca de um pagamento, também não tenham sido pagas e que eles não tenham mais onde morar. Em uma nota, publicada no site institucional, a Abbey College se compromete a ajudar os alunos que tinham cursos em andamento a encontrar escolas alternativas. Os gestores do colégio têm reunião marcada ainda essa semana com a FETAC (Further Education and Training Awards Council), órgão nacional que regulamenta, monitora e assegura a qualidade dos programas de educação e treinamento na Irlanda, para buscar medidas de auxilio aos alunos prejudicados. A estudande Alessandra se diz tranqüila e otimista: “Tenho o respaldo da minha agência de intercâmbio no Brasil. Eles disseram que se a Abbey não nos encaminhar para outra instituição eles o farão, porém temos que aguardar alguns dias. Mas sei de estudantes, como a minha flatmate bolivina, que fecharam pacotes direto com a escola e não sabem o que fazer agora.” A escola pede que os alunos acompanhem a atualização das informações através do website – www.abbeycollege.ir -, entretanto ele encontra-se intermitente.

Ana Paula Marques Jornalista

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NewsBrazil - Agosto/2011  

Edição de agosto de 2011 da revista NewsBrazil. www.revistanewsbrazil.com

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