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TUDO SOBRE O UNIVERSO MATERNO E INFANTIL - ED.15 - JUNHO / JULHO 2018 Paolo Rosa e seu filho, Rafael, dividem a paixão pela música.

TAL PAI, TAL FILHO

Em homenagem ao mês dos pais, entrevistamos famílias que compartilham hobbies, paixões e talentos entre várias gerações. ENTREVISTA: A master coach Meriel in dá valiosas dicas para as mães empreendedoras Devemos ser pais amigos ou pais autoritários? Uma reflexão sobre a importância de cuidar de nós mesmas


EXPEDIENTE

SUMÁRIO

Diretora Executiva: Mariana Bicalho mariana@revistamommys.com.br

Editorial Cartas

Editora e Jornalista Responsável: Eliane Ribeiro

Entrevista

eliane@revistamommys.com.br

Palavras que alimentam

Comercial: Gabriela Bicalho comercial1@revistamommys.com.br

Capa: De pai pra Filho Mommys em cena

Projeto Gráfico e Diagramação: Fabiana Cristina fabiana@adgerais.com.br

Pedacinhos das Mommys Tempo de Celebrar Brincar com Estilo

Colaboradores dessa Edição:

Adolescência na rea

Aninha Ataíde Hatanne Sardagna Helena Mendes Manu Sanna Meriellen Albuquerque Renata Lott

Aconteceu no Mommysl Perfil Mommy

Fale com a revista: contato@revistamommys.com.br

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Os textos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos textos, por qualquer meio, sem prévia autorização.

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EDITORIAL

UMA SUPERNOVIDADE

Essa edição vem com uma supernovidade! A Revista Mommys está de casa nova, agora ela pode ser acessada diretamente do Portal Mommys. No mês de agosto não poderíamos deixar de homenagear tantos pais maravilhosos e escolhemos como tema da nossa matéria de capa as paixões que são passadas de pais para filhos, que está demais. A nossa revista como sempre traz assuntos relevantes com uma leitura leve e agradável, nossas colunas estão imperdíveis e o perfil mommy traz a história que vem mobilizando o Mommys com muitas demonstrações de amor ao próximo e solidariedade. E também temos os Pedacinhos das Mommys em clima de copa, não foi dessa vez que o Brasil levou o hexa, mas as crianças curtiram muito e merecem medalha de ouro na #torcidamommys. Boa leitura! Um beijo,

MARIANA BICALHO

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CARTAS Também agradeço demais o convite para falar de um assunto tão importante e tão gratificante para mim! A revista está linda, completa e especial para esse mês tão especial pra gente! Parabéns à equipe da Revista Mommys por toda a dedicação e qualidade da revista! Fernanda Valadares

Ameiii!! Perfeita, leve, completa... como sempre!! Odette Bittencourt Andrade

Mari, que revista show!! Confesso que nunca tinha lido. A correira do dia a dia às vezes faz com que a gente passe batido por coisas tão legais. No último ano, pude me aproximar um pouquinho mais do mommys, através do mommyfit, e tenho percebido o quanto esse grupo é maravilhoso. Te admiro muito e também a sua capacidade de se envolver em tantas ações maravilhosas! Parabéns pela revista, só conteúdo relevante, e parabéns pelo Mommys! Aline Tatagiba

Gente, estou tão feliz pelo convite e por falar de algo que pode ser tão bom pra todas nós! Obrigada, Mariana Bi-calho, pelo convite! Obrigada, Eliane Ribeiro, pelo texto tão bem compilado e obrigada todas as demais na produção da matéria. Ficou muito bonita e leve! Espero que todas as dúvidas possam ser sanadas com essa matéria... E se não forem continuo à disposição para o que surgir! Beijos e obrigada. Amanda Viana Marques

Fale com a gente: contato@revistamommys.com.br

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ENTREVISTA

SER MÃE E EMPREENDER: COMO FAZER DAR CERTO? Em entrevista à Revista Mommys, Meriellin Albuquerque, master coach e fundadora da empresa Todas em Uma, dá dicas valiosas sobre como conciliar a maternidade e um negócio de sucesso. Você é a fundadora da empresa Todas em uma. Pode nos contar um pouco mais sobre esse projeto e como surgiu essa ideia? De um grande desafio que vivi, surgiu a Todas Em Uma como um presente divino. Comecei a empreender aos 24 anos e observava que muitas mulheres sentiam dificuldade em equilibrar carreira de sucesso, cuidados consigo mesma (vida saudável) e tempo para as pessoas que mais amavam. A

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ajuda era para a empresa por meio de uma consultoria, para a mulher em um aspecto mais terapêutico, mas pouco se enxergava a mulher de uma maneira integral, que vislumbrasse um caminho que conciliasse todas que ela desejava ser, um caminho de uma nova consciência e sobretudo de ação. Eu mesma vivi o dilema e cheguei ao extremo da saúde física (com internações hospitalares, privações), mas quando decidi superar, imergi nos estudos de desenvolvimento humano e com muita


ENTREVISTA fé nasci e renasci, vivi a cura, resgatei a vitalidade e descobri meu propósito. Era muito claro e maior que imaginava. Sim, eu precisava ajudar mulheres a fazerem novas escolhas, a viverem seu poder pessoal, com abundância, com liberdade de ser quem desejassem ser. Nascia a Todas Em Uma. Ainda assim, relutei em me dedicar integralmente porque tinha uma outra empresa de mais de 10 anos. Mas vi que a mesma jornada que construí para mim estava trazendo grandes transformações para outras mulheres em que eu compartilhava conhecimentos e ferramentas para uma nova mentalidade. Então, diante dos fatos e do meu propósito, era, realmente, um caminho sem volta: continuar meu despertar diário e o despertar de tantas outras mulheres. O impacto atingiu essas mulheres, as pessoas no entorno delas, assim como os seus negócios. Elas conquistaram resultados que nem mesmo haviam imaginado no início do programa. Sim, fui mais fundo e realizei um mapeamento dos desafios e assim foi formatada a jornada da “Vencedora Aprendiz”, para que cada mulher possa se conectar com seu poder pessoal, ter a liberdade de ser quem deseja ser e conquistar seus sonhos. É, realmente, uma nova mentalidade, mentalidade de sucesso contínuo e crescen-

te para mulheres que querem mais da vida e não sabem por onde começar, mesmo já tendo tentado várias iniciativas anteriores. Hoje, levamos nossa missão para mulheres em todo o Brasil. Quanto mais nos empenhamos, mais levamos uma nova perspectiva de vida para uma mulher, assim como para as pessoas que ela mais ama. É um prazer, hoje, acordar e saber que posso mais, que elas podem mais porque eu tomei a decisão de viver uma causa bem maior. É possível encontrar o equilíbrio entre todas as nossas versões (mãe, mulher, filha, profissional, etc)? Essa pergunta é ótima. Mora aí um grande ponto de inquietação. Gosto muito de dizer que equilíbrio é bastante relativo. Porque cada pessoa tem o seu momento, principalmente, cada uma tem seus valores. Por exemplo: se a mulher acabou de ter um filho, é evidente que ela irá se dedicar mais a esse momento pessoal, o equilíbrio dela será, algumas vezes, estar 100% dedicada a isso. Mas se é uma mulher que acabou de abrir uma empresa, o equilíbrio dela será 80% focada no profissional e 20% no pessoal. Cada mulher encontrará seu ponto de equilíbrio equalizando, portanto, seus valores, prioridades e metas. Isso será | Junho - Julho 2018

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ENTREVISTA libertador, porque com essa clareza pode-se montar uma agenda semanal e contemplando o que alimenta seu ser. E aí me afirmam: “Não tenho tempo para isso”. É justamente por isso que precisa tirar um tempo, é preciso decidir, é uma escolha ser feliz de segunda a segunda. A mulher tira um tempo para se conhecer e se livra da culpa, das frustrações. Portanto, encontrar harmonia é uma escolha para uma vida abundante. Sabemos que muitas mulheres iniciam seus empreendimentos após a maternidade. É possível obter sucesso e ser uma mãe presente? Como? Existem hoje cerca de 7,9 milhões de empreendedoras no país, segundo o Sebrae, e 75% delas são mães. Isso ocorre por diversos motivos: desejo por flexibilidade de tempo, perda do emprego anterior, e mesmo pelo desejo de deixar um legado significativo que se intensifica após a maternidade. Esta nova mãe quer deixar alguma contribuição para o mundo em que o filho dela faz parte, então ela vai empreender. As dicas são autoconhecimento, clareza do propósito, definição de metas, uma agenda semanal de excelência e que contemple áreas que tragam prazer e ajudem a alcançar suas metas.

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É preciso separar momentos para trabalhar, para os filhos, para o parceiro, para a vida social e para si mesma. Estabelecer horários e cumpri-los. Quando a mulher se conhece, tem clareza das suas reais motivações e vive realmente o seu propósito, tudo flui melhor. Porque ela sabe o que precisa fazer e tem a sua programação. Ter horários, por mais que pareça contraditório, é libertador. Qual a importância do autoconhecimento nesse processo? Autoconhecimento é libertador. Quando nos conhecemos, construímos nossa própria jornada. Deixamos de ficar na dependência de opiniões alheias ou vivendo de maneira desconexa com o nosso ser. Descobrimos, realmente, o nosso poder pessoal e a partir daí iniciamos uma jornada de crescimento contínuo. O que podemos fazer para evitar a autossabotagem? Conhecer-se. Amar-se. E sempre dar um passo além, ação. Estudar, mas não um estudar convencional de universidade, pós, MBA. Leia bons livros, faça imersões de autoconhecimento, cursos, assista filmes, vídeos. É conhecer e alimentar sua vida de possibilidades que te possibilitem ser quem você deseja ser. Esse é um caminho


ENTREVISTA

É preciso separar momentos para trabalhar, para os filhos, para o parceiro, para a vida social e para si mesma. Estabelecer horários e cumpri-los. Quando a mulher se conhece, tem clareza das suas reais motivações e vive realmente o seu propósito, tudo flui melhor.

às vezes, até mesmo a palavra sucesso gera uma certa repulsa, a pessoa cresceu acreditando que “sucesso é para os outros”, “sucesso é coisa de gente metida”, “ter sucesso e ambição são inapropriados” (entre tantas em níveis muito mais aprofundados e que minam o sucesso) e assim ela nem se permite receber elogios, finalizar um projeto, receber um prêmio, porque ela se limitou inconscientemente a não ter sucesso. Portanto, sai fazendo, fazendo e está sempre começando algo novo, dificilmente conclui algo com excelência, assim evita o sucesso.

contínuo e, sim, pode ser bem prazeroso. Ah! Uma dica é o nosso e-book: Como Iniciar Mudanças na Sua Vida Hoje, que está disponível, de forma gratuita, em nosso site, Facebook ou Instagram. E depois de conhecer, é preciso agir e aí entrar neste ciclo contínuo de desenvolvimento.

E para ajudar a ressignificar compartilho uma definição de sucesso que faz muito sentido para mim e que criei quando me dei conta disso na minha própria jornada: “Ter sucesso é viver o que você desejou, desenhou e conquistou. E vivendo tudo isso, diariamente, com muito amor e brilho no olhar”.

Você disse que as crenças têm influência direta no sucesso. Por que?

Você divide essas crenças entre: crenças de identidade, capacidade e merecimento. Poderia nos explicar um pouco melhor sobre cada uma e como elas podem afetar nossos objetivos?

Sim, estão diretamente ligadas ao sucesso. Porque as nossas crenças funcionam como um termostato, elas nos dão um teto, definem até onde iremos: se vamos ter sucesso, nível de felicidade, e muitos outros aspectos da nossa vida, como relacionamento amoroso, relação com os filhos, com o trabalho e aspectos financeiros. Por exemplo,

A nossa autoestima é formada por crenças que se classificam em três categorias: sobre quem sou (crenças de identidade), o que faço (crenças de capacidade) e o que tenho (crenças | Junho - Julho 2018

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ENTREVISTA de merecimento). Por exemplo, se eu tenho como crença de identidade que sou uma pessoa difícil, que não sou divertida, ou que sou qualquer outra coisa negativa, isso irá interferir nas minhas relações, tanto pessoais como profissionais, porque eu tenho essas crenças fixas na cabeça que me limitam a não mudar, a não buscar o que tenho de qualidade. E aqui vai uma dica de elogiar, validar os seus filhos por quem são e não só pelo que fazem. Quanto às crenças de capacidade, estas determinam o quanto você se sentirá capaz de algo. Por exemplo, se você não pratica a atividade física que deseja porque acha que não tem coordenação, ou não se sente capaz de negociar e já se autossabota antes mesmo de chegar à mesa de reuniões. São exemplos de crenças que limitam a vida e paralisam as ações. Já as crenças de merecimento estão ligadas diretamente aquilo que você se acha merecedora ou não. Por exemplo: se você deixa de colocar o seu negócio em uma concorrência com a seguinte fala “Isso não é para a gente não” ou mesmo se nutre pensamentos “todo rico é desonesto”, entre outros. A pessoa acaba se sabotando porque, afinal, ela não quer conquistar os aspectos negativos que viriam junto com

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a riqueza. É algo bem amplo e que vem em diferentes níveis de profundidade. A melhor notícia é que da mesma forma que aprendemos algo, podemos ressignificar e aprender de outra forma, agora, de maneira consciente e saudável, criando crenças saudáveis e que permitam viver de maneira abundante em todos os sentidos. Afinal, temos a neuroplasticidade a nosso favor, que nos permite gerar novas conexões neurais em nosso cérebro e assim ter novos aprendizados. Como nossas crenças podem impactar a maternidade e influenciar as crenças de nossos filhos? Quando você diz: “não suba aí que é perigoso”, “filho meu só faz isso quando não estiver mais morando comigo”, “isso é de família mesmo”, “filho fala que a mamãe não está”, quais são as respostas das crianças? “Eu tenho medo de altura”, “não gosto disso, não gosto daquilo...”. Ele desenvolve o medo do novo, o medo de experimentar, e não busca se superar, fica apenas ancorado nas desculpas e justificativas que não apenas ouve, mas vê, sente e acaba modelando isso para a vida dele também. Ou frases como: “dinheiro é sujo” ou frases negativas sobre trabalhar, também geram crenças nas crianças de que elas não devem ter dinheiro, ou que trabalhar é


ENTREVISTA ruim, e então elas crescem não querendo saber disso ou de ter responsabilidades. Da mesma forma, podemos validar nossos filhos e fazer com que cresçam se sentindo amados, seguros, acreditando em uma vida abundante e repleta de oportunidades. A vida pode ser muito mais e isso pode ser demonstrado por meio de palavras, gestos e ações. O que pode ser feito para desconstruir certas crenças negativas? E qual legado podemos deixar para nossos filhos após essa mudança? Identificar quais crenças estão em você e que estão sendo transmitidas aos seus filhos é o primeiro passo para desconstruí-las. Por exemplo: se falou que dinheiro é sujo, reconstrua isso. Fizemos um vídeo lá nas nossas redes sociais, mas que antes de qualquer refeição, quando chega da rua é preciso higienizar as mãos dele. Já se você reclama do trabalho, ou diz alguma frase negativa quanto a ir trabalhar, tente modificar isso. Fale que precisa trabalhar para ajudar pessoas, fale que em breve você chega para ficarem juntas, fale que o trabalho é importante para você. Mostre que você está deixando um legado e que ter responsabilidades é ótimo. Que crescer é um processo natural e seguro. Que cada nova idade, ele vai ganhar novas habilidades e vai ter plena ca-

pacidade de fazer e conquistar o que deseja. É sempre importante valorizar os aspectos positivos dos filhos estando junto deles ou quando estamos em uma roda de adultos. Isso muda nossa perspectiva sobre os filhos e o que estimulamos consciente ou inconscientemente neles. Alguma dica valiosa ou mensagem que você gostaria de deixar para as Mommys? Conheça-se, fortaleça-se emocionalmente e crie crenças para uma vida abundante. A vida pode ser muito mais.

Meriellin Albuquerque Master Coach, empresária e palestrante. Ajuda mulheres que vivem o desafio de ter e conciliar um negócio de sucesso e uma maternidade de presença a conquistarem autoridade em suas vidas e em seus negócios. | Junho - Julho 2018

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PALAVRAS QUE ALIMENTAM

O TEMPO DE CADA MÃE por Hatanne Sardagna

Cada criança é única e cada criança tem seu tempo. Cada mãe também. Tempo de deixar nascer aquela que nasce junto com o bebê, de se perder, de se desesperar, de se reencontrar... Tem choro que dura mais; tem sorriso que custa a chegar. Tem amor que não surge imediatamente. Normalmente a maternidade que idealizamos cai por terra logo no parto... Então, é ali que vemos que tudo vai de fato mudar. “Tem coisas que ninguém te conta”. Hoje eu acho que nos contam sim, mas a gente não ouve. Acha que com a gente será diferente. Que é exagero. É tão avassalador que a gente vai pra um universo paralelo e depois volta. E a vida ali mudou. Cada mãe vai voltar a se cuidar no seu

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tempo e de forma diferente. Umas vão até se acostumar com aquela barriguinha que, veja bem, gerou uma vida. Ou mais de uma.  E tudo bem; ninguém tem que cobrar que ela volte a ser o que era. Porque nem se ela quisesse ela conseguiria; ela não é mais aquela, com todos os ônus e bônus. Cada mãe vai entender, no seu tempo, qual a melhor forma de educar; quais os princípios quer seguir. Se quer repetir padrões, se quer quebrá-los. Se a referência que ela tem de criação lhe serve ou se ela pode ousar questionar. Sim, podemos questionar nossa própria criação. E, sim, a do nosso filho é a única que temos pleno direito de mudar. Conforme nosso tempo como mães vai passando, vamos entendendo que


PALAVRAS QUE ALIMENTAM

Cada mãe vai entender, no seu tempo, qual a melhor forma de educar; quais os princípios quer seguir. Se quer repetir padrões, se quer quebrá-los. não adianta olhar a vizinha, a prima ou até a irmã; o que funciona lá, não funciona aqui. Então, o que é o “certo”? O certo é o que funciona dentro da sua família.

Quero só um filho, dois? Quero casa cheia? Existem mulheres inclusive para quem esse número é zero. E elas também tem seus porquês, tem seus outros amores. Tem mãe que precisa estar com os filhos o dia inteiro para se sentir bem; outras precisam trabalhar (por gosto ou necessidade; ou os dois) e se sentem bem com o tempo dividido e com o tempo dedicado. O tempo de cada mãe dura a vida inteira. Conforme os filhos crescem e ela entende que eles não têm que ser iguais aos outros, ela vê que ela também não. Sua maternidade, suas regras, sua verdade. Seu tempo.

Umas vão deixar o filho dormir junto com elas por mais tempo; outras o deixarão no próprio quarto desde o primeiro dia. Umas vão deixar ir na excursão da escolinha, ou sozinhos numa festinha, aos 3. Outras aos 5. Outras mais. Sabe, cada mãe tem seu tempo. Cada mãe tem seu número.

Hatanne Mãe do Guilherme. Geminiana, ama fotografia e fala demais. A favor da maternidade real e possível. Sem culpas, sem extremismos. Para lembrar, compartilhar e não transbordar, escreve. www.facebook.com/enquantomeufilhodorme

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CAPA

DE PAI

Fernando e seu filho Caio comemorando juntos no Mineirão.

Confira emocionantes histórias de pais e filhos que compartilham uma grande paixão. Fotos: Acervo Pessoal

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CAPA

PRA FILHO

Daniella junto com sua filha Isadora, de 3 anos, seu pai Wagner e sua irmã Gabriella. Todos unidos pela paixão pelo Clube Atlético MG.

Em algumas famílias, muito mais do que herdar costumes e traços da personalidade, os filhos também compartilham com os pais algumas de suas paixões. E quando o assunto é a paixão pelo futebol, esse interesse em comum pode se transformar em uma

grande parceria. Foi assim com Daniella da Silva e seu pai, Wagner da Silva, que dividem um amor incondicional pelo Atlético MG. Segundo Daniella, crescer vendo esse amor de seu pai pelo futebol e pelo | Junho - Julho 2018

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CAPA seu time do coração foi determinante para que ela também se apaixonasse pelo esporte e se tornasse sua companheira. Seja nas arquibancadas ou em casa, assistir aos jogos juntos e ouvindo o rádio virou tradição na família. “Em dia de jogo é inevitável a conexão com o rádio. Sentimos uma emoção maior e acreditamos dar sorte”, ressalta a dupla. Um dos momentos mais marcantes para ambos foi a final da libertadores, em 2013, no qual o time foi campeão. “Jogo com direito a ausência de gols, prorrogação e pênalti. No final de tanto sofrimento, finalizamos a noite na praça sete. Meu pai imensamente feliz!”, relembra Daniella. Para ela, o futebol é um misto de amor, parceria, celebração e muita alegria. Outra dupla apaixonada pelo futebol é o cruzeirense Fernando Lima e seu filho Caio, de 5 anos. “Não existe satisfação melhor do que ver meu filho tendo a mesma paixão e poder compartilhar estes momentos juntos. É muito bom chegar em casa e ele vir correndo me contar algum resultado, falar de jogadores e me surpreender com o seu conhecimento e interesse pelo futebol”, conta Fernando. Para ele, uma das melhores lembranças de sua infância era assistir aos jogos do seu time do coração no Mineirão, por isso, a primeira vez que levou seu filho ao estádio foi inesquecível.

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“Foi um jogo entre Cruzeiro e Grêmio, pelo campeonato Brasileiro. Um empate de 3x3, muito emocionante, com muitos gols, e, apesar do empate, comemoramos muito. Foi muito bom ver a felicidade dele em conhecer o Mineirão e sentir a emoção de ver um jogo do seu time com toda aquela torcida incentivando. Só tive que adaptar alguns gritos da torcida, como: ‘ei, juiz, vai tomar Caju’ (risos)”, lembra. Assim como no futebol, o amor pela música também é algo que passa de pai para filho. E na família de Paolo Rosa, esta é uma paixão que já perpetua há três gerações e, ao que tudo indica, está caminhando para a quarta. Ele conta que tudo começou com seu avô. “Ele cantava e tocava em uma banda, fazia espetáculos em festas populares e atuava. Por causa dele, meu pai cresceu com o mesmo amor e seguiu seus passos. Eu acompanhei desde pequeno as apresentações do meu pai na orquestra e, com 12 anos, comecei a estudar piano. Fiz também aulas de canto e contrabaixo”. Atualmente, Paolo tem uma banda e tem como seu maior fã seu filho Rafael, de 4 anos. Ele acompanha o pai em todos os ensaios e apresentações e sabe todas as músicas de cor. “A paixão do Rafa pela música vem desde o berço. Eu sempre tocava e cantava pra ele e, ao invés de desenhos, ele


CAPA assistia clipes musicais”, lembra Paolo. Ele afirma que é um orgulho poder dividir com seu filho essa paixão.

Sheyla Pinheiro e a câmera que era de seu pai.

Paolo, seu pai Franco e seu filho Rafael.

Já a história de Sheyla Pinheiro é um pouco diferente da convencional. Mesmo sem nunca ter conhecido seu pai, ela descobriu que eles compartilhavam da mesma paixão: a fotografia. “Sou filha de pai desconhecido. Quando minha mãe faleceu, eu fui buscar conhecer a outra parte da história, porém, meu pai também havia falecido. Entre uma conversa e outra com meus parentes, descobri que ele era o fotógrafo oficial da família e tinha uma câmera profissional. Acabei ganhando essa câmera antiga de presente dos meus irmãos, para me lembrar da herança genética. Apesar de não tê-lo conhecido, ele se fez presente em minha vida através desse amor que temos em comum. Nada é por acaso”, conta a fotógrafa.

Outra paixão que foi capaz de atravessar gerações foi o amor pelo basquetebol. KK Carone afirma que o esporte está na raiz de sua família e que a história de seu pai com o basquete sempre o inspirou e foi decisiva para a escolha de sua profissão. Ele relata que acompanhar a trajetória de seu pai, desde jogador a Presidente da Federação Mineira de Basquete, foi motivador tanto para sua fase como atleta, como para o momento atual de sua carreira, no qual é gestor e idealizador do Projeto Montes Claros Basketball. “Mais que uma paixão, o basquete me ensinou a ser um jogador da vida real, me formou como cidadão, como homem. Qualquer situação para mim pode ser revertida. Você perde um jogo, mas ganha outro e isso na vida é muito importante”, ressalta KK.

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CAPA contar o quanto eles aprendem com os cavalos: disciplina, autoconfiança, postura. É bom demais!”, afirma Bruno.

À direita, kk Carone quando atleta e à esquerda seu pai, Antônio Carlos Carone, também em sua época de atleta.

Diferente de KK Carone, a paixão de Bruno da Silva é recente. Ele conta que apenas em 2015, após o convite de um amigo para uma cavalgada, descobriu seu amor pelos cavalos. E, à medida que foi crescendo, fez questão de dividi-lo com seus filhos Matheus, de 4 anos, e Yasmim, de 11. “Gosto muito de estar com meus filhos. Então, logo que percebi que era um programa bacana, que dava pra fazer em família, tratei logo de arrastar todo mundo (risos) e daí nem precisei incentivar. O amor e o prazer de cavalgar foram surgindo naturalmente”, diz. Hoje em dia, eles têm quatro cavalos e andam juntos, praticamente, todos os domingos. Para ele, poder proporcionar isso aos seus filhos é algo impagável. “Vê-los felizes, aproveitando a infância é maravilhoso. Ter eles perto, curtindo juntos, não tem preço. Sem

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Bruno e seus filhos, Matheus e Yasmin.


CAPA Já no caso de Gustavo Paiva, foi um carrinho bem simpático que conquistou seu coração: o fusca. Ele conta que sua paixão pelo veículo está em seu DNA, pois seus pais sempre adoraram o carro e já tiveram três fuscas. Diz, ainda, que esse foi também o seu primeiro carro, em 1999, mas que precisou vendê-lo e sempre ficou na vontade de ter outro. Hoje em dia, ele tem um Fusca 72, o Donatello, e compartilha com seu filho Luan, de 3 anos, esse amor. “Desde muito pequeno ele já sabe reconhecer um fusca, nem que seja só pelo barulho”. Para ele, mais que uma paixão, o fusca é também sinônimo de proximidade. Gustavo, Luan e o fusca Donatello.

Seja apenas compartilhando um hobby ou até mesmo uma profissão, a relação de pais e filhos que tem uma grande paixão em comum é cercada de momentos bastante especiais e, no mínimo, garantia de uma boa amizade e ótimas lembranças.

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MOMMYS EM CENA

MOMMYS NAS FÉRIAS No dia 27 de julho, sexta, aconteceu um superevento de férias para as Mommys e seus filhotes na Cultura Inglesa. As crianças puderam se divertir com uma deliciosa oficina de cupcakes, além de várias brincadeiras com vivências em inglês. Enquanto as crianças brincavam, as mommys participaram de um animado quiz interativo.

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ADOLESCENCIA NA REAL

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PEDACINHOS DAS MOMMYS

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PEDACINHOS DAS MOMMYS

s y m m o idam

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TEMPO DE CELEBRAR

CUIDAR DE SI MESMO Por Aninha Ataíde

Quando nos tornamos mães, pais ou responsáveis por crianças e adolescentes, devemos cuidar de tudo, mas também não podemos nos esquecer de dar atenção para alguém muito especial: nós mesmos. Isso não se trata de ser mais egoísta, pelo contrário, pois é realmente preciso estar bem para zelar pelo próximo. Cuidar de si mesmo é saber se amar ao olhar no espelho diariamente, é poder se acolher ao perceber vulnerabilidades e chorar de vez em quando. É aprender a se perdoar diante dos nossos erros e contradições, é desenvolver a resiliência para lidar com os problemas e, acima de tudo, se valorizar. É um desafio permanente. Devemos nos esforçar para não falar mal de nós mesmas e também sermos mais carinhosas conosco em termos práticos: na alimentação, na higiene pessoal, na quantidade e qualidade de sono, nas escolhas profissionais, no sexo e no lazer. Não desistir dos nossos sonhos e lutar com persistên-

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cia para alcançá-los também faz parte desse “cuidar de si”. Se você sonha é porque você tem todo o necessário para tornar realidade. Conheço muitas pessoas que abrem mão dos seus sonhos e também de viver, para se dedicar apenas aos filhos e à família, sem perceber o perigo ou ter consciência dessa negligência consigo mesma. Por mais que as intenções de querer ajudar os outros ao redor sejam boas, as consequências desse descuido podem ser terríveis. Como nas instruções de segurança antes de uma decolagem de avião que dizem “coloque a máscara de oxigênio em você primeiro e só depois na criança ao seu lado”. O motivo é simples: como poderá ajudar alguém em uma situação de emergência se você não estiver devidamente protegida? Lembre-se: se você não estiver bem, não conseguirá cuidar de mais ninguém. Ambos acabarão sofrendo da mesma forma.


TEMPO DE CELEBRAR Em caso de “despressurização”, agora você já sabe o que fazer. Relaxe e respire, aprenda a dizer “não”, coloque-se em primeiro lugar e cuide de si mesma.

Viva a vida de forma realista, mas cheia de otimismo, imaginação e bom humor. Muitos estudos científicos argumentam que o sorriso é um presente para si mesmo, em níveis físicos e emocionais. Ele também influencia as pessoas ao seu redor. Quem cuida de si de modo equilibrado e com empenho, também sabe que não temos qualquer espécie de controle sobre muitos aspectos da existência. Exercer controle excessivo do cotidiano implica em ansiedade, angústia, obsessões e compulsões. O antídoto para tudo isso é exatamente deixar a vida fluir, deixar as pessoas e as coisas serem como são. Aceite elogios e críticas construtivas, mas evite se comparar com os outros. Quando não nos aceitamos como somos, com nossos pontos fortes e menos positivos, estamos bloqueando nossa essência. Aquilo que faz com que você se sinta viva e que ame a si mesma. Não tenha vergonha de manifestar seus sentimen-

tos para as pessoas que ama, mas só compartilhe seus pensamentos com aquelas que gozam de sua confiança. Deixe os problemas no relacionamento e das crianças de lado e pense só em você por um momento: como você está lidando com seu corpo? Quais sonhos quer concretizar até o final do ano? Como andam suas finanças? E sua vida espiritual? Você já sorriu hoje? Está vendo?! Sempre existirão pontos a serem trabalhados... Em caso de “despressurização”, agora você já sabe o que fazer. Relaxe e respire, aprenda a dizer “não”, coloque-se em primeiro lugar e cuide de si mesma. Então, quando você estiver bem e com seu equilíbrio interno saudável, saberá o que fazer para ajudar as outras pessoas e fará isso com a maior satisfação do mundo. Aninha Ataíde Sócia - proprietária do Carrossel Buffet Infantil, acredita que a família é a nossa maior conquista.

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BRINCAR COM ESTILO

O POBRE TESTE DO PEZINHO NO BRASIL Por Helena Mendes

Dia desses fui passear com mamãe e conheci a Larissa e o Théo. Mãe e filho num shopping. Ele, quase 3 anos, minha idade, se divertia muito, mas com muita dificuldade. Ela, pacientemente, carregava, equilibrava o filho e se apertava pra entrar com ele nos brinquedos. Queria que ele fizesse parte da festa, como eu e as outras crianças. A cena marcou minha mamãe! Larissa, diante da deficiência do filho, poderia ser triste, revoltada. Não me pareceu nada disso. Théo deveria estar correndo por aí. Mas ainda não senta, não anda, não fala. Se comunica com a mãe emitindo alguns sons, fazendo gestos e ela entende bem. E ele? Entende tudo. Tudo ao seu redor. É perceptivo, risonho, curioso. Então perguntei à minha mamãe o porquê dele ainda não conseguir fazer as mesmas coisas que eu e os outros amiguinhos! Foi aí que fo-

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mos pesquisar e descobrimos: o Théo está numa cadeira de rodas porque perdeu neurônios responsáveis pelo tônus muscular, equilíbrio do corpo e controle motor, do jeito mais impensável: toda vez que mamou no peito da mãe, comeu papinha com carne, ovo, feijão ou tomou leite, perdeu neurônios de uma parte do cérebro chamada núcleo da base. A doença que ele tem - Acidúria Glutárica - é da família das doenças metabólicas. O corpinho dele, por causa de um erro genético, não consegue metabolizar proteína. Quando ele come proteína, perde neurônio. E como a Larissa e outras mães de crianças como o Théo poderiam saber que seus filhos têm essa doença tão grave? O ultrassom não dá sinais. No parto, Larissa me contou com satisfação: “foi tudo bem. Ao nascer, ele


BRINCAR COM ESTILO

recebeu nota 9/10. Peso, tempo de choro... Tudo do Théo foi normal”. Então, só teria um jeito de detectar a doença logo no início e poupar os neurônios da criança: pelo teste do pezinho.

errada com ele só apareceu lá pro sexto mês de vida: “Théo não rolou, não bateu palminhas, não firmou o pescoço. Era molinho demais”. Aí a pediatra pediu uma ressonância, que mostrou uma lesão cerebral. E foi difícil pra mamãe dele descobrir!

Sim. O teste do pezinho revela doenças genéticas, hereditárias e metabólicas como a do Théo. Existem mais de cem doenças desse tipo. Mas o nosso teste do pezinho é pobre, e só mostra seis. A doença do Théo é uma das que não estão entre essa meia dúzia. Os sinais de que tinha alguma coisa

Começava uma saga pelo diagnóstico. Neuropediatras apostavam em falta de oxigênio na gravidez ou no parto. Larissa, não. Vivia se perguntando dia e noite: “Que hora deu errado? Que hora meu menino perdeu neurônios?”... Sem nem imaginar que cada colherada de feijão, cada mamada no | Junho - Julho 2018

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BRINCAR COM ESTILO peito, estavam aumentando a lesão. Só com quase dois anos, um exame genético no Sarah Kubitschek revelou a doença metabólica. Na esperança de melhorar os movimentos do filho, Larissa e o marido se revezam entre sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, equoterapia, terapia musical. Na cozinha fazem arte: pesam tudo, contam cada grama de proteína que Théo come pra não piorar a lesão.

pública, podendo reduzir o sofrimento e a dor de tantas famílias! Você pode fazer parte: assinar a petição é rápido. São necessários 1 milhão de assinaturas. Me ajude a ajudar... ASSINA TAMBÉM?! maequeama.com.br/formulario-pezinho Pra falar com a Larissa: @jornalistalarissacarvalho.

É a luta dela pelo filho. E pelos filhos de outras mães que virão um dia com essa mesma doença do Théo, Larissa também luta. Ela faz parte da campanha da ONG “Vidas Raras”, que quer ampliar o teste do pezinho no Brasil, de 6 pra 50 doenças. Ah, já ia me esquecendo! Atualmente, o único lugar em Belo Horizonte que faz esse teste do pezinho ampliado é o Hospital Materdei. E quem nos deu essa informação foi a Larissa, mãe do Theo! Se ela soubesse ela não mediria esforços para que o filho fizesse, mas ela não sabia! Então, para instruir todas as mamães que querem detalhar tudo, no Materdei já é possível fazer o teste! Mas quantas mamães não podem pagar por ele?! Por isso a luta é que o teste do pezinho seja gratuito na rede

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Helena Filha de Lilian Mendonça, é modelo, Miss Baby MG 2016 e Mini Blogueira. Instagram: @helenamendesoficial


ADOLESCENCIA NA REAL

PAIS AMIGOS OU PAIS AUTORITÁRIOS? OU NENHUM DOS DOIS? por Renata Lott

Mesmo que na adolescência o adolescente busque referências de valores em seu grupo de amigos, na escola e até mesmo na internet, a família ainda é o lugar mais propício e adequado para ensinar esses valores. O ensino desses valores deve iniciar-se na infância e ser reforçado na adolescência. Porém, quando a família deixa de transmitir esses valores adequadamente, os demais veículos de informação ocupam o seu papel. Antigamente as regras e maneiras de se educar não variavam muito. Os pais e educadores deveriam punir e castigar seus filhos para que esses “aprendessem” a se comportar. Era dever deles educar os seus filhos para que esses não precisassem ser questionados pela sociedade e até mesmo culpados pelo mau comportamento de seus filhos.

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“A revolução de costumes dos anos 50 trouxe consigo uma série de questionamentos quanto à maneira de educar as crianças. A severidade habitual de costumes foi confrontada, inicialmente, através da liberdade sexual e, em seguida, pela flexibilidade das regras na educação das crianças. Os novos pais, pós-revolução sexual, também se rebelaram quanto às regras rígidas de educação de filhos. Passaram a conceder mais, repudiaram a punição física e, quiseram se tornar mais amigos dos filhos. Começaram a utilizar o diálogo como fonte de educação” (Paula Gomide, 2014). Mas essa nova forma de educar trouxe alguns problemas, os filhos ficaram mais rebeldes e desobedientes... Não queriam assumir compromissos e se tornaram alvo fácil para grupos desviantes.


ADOLESCENCIA NA REAL E assim você se pergunta: - As regras antigas com punições eram mais eficientes? - As regras antigas eram realmente mais aversivas? - Conversar é a melhor maneira de resolver situações de conflito com os filhos? - Ser amigo é melhor do que ser um pai autoritário e distante? É... É verdade que as formas de educar antigas são mais rigorosas. Assim como também é verdade que conversar é a melhor maneira de evitarmos conflitos e também é preferível um pai “amigo” do que um pai autoritário. Mas alguns pais em prol de se adequarem a esse novo método de educar, acabam se esquecendo de um detalhe: de serem pais educadores (o pai educador é ainda melhor e mais eficiente que o pai amigo)! E com isso: - Esquecem de estabelecer regras. - Esquecem que os pais são o modelo moral para os filhos. - Esquecem que romper com a punição não é ser permissivo.

- Esquecem de usar a conversa como uma troca de ideias e passam a usá-la como forma punitiva, dando sermões desnecessários e ameaçadores. Minha intenção nessa série é discutirmos os principais pontos que devem ser enfrentados pelos pais que desejam uma educação promissora. - Como podemos corrigir os principais erros e como eles ocorrem? - Como ser um pai amoroso sem perder a autoridade? Bora refletir? Espero poder contribuir com você, nessa linda e difícil arte de educar. Acredito que através de uma relação autêntica e amorosa, podemos criar jovens que saibam estabelecer relações intensas tanto com eles mesmos quanto com o meio com os quais eles se relacionam. Renata Lott Psicóloga, coach e empreendedora, com mais de quinze anos de experiência em ajudar adolescentes e jovens a vivenciarem suas novas descobertas através do processo de autoconhecimento e desenvolvimento emocional. É, também, uma das fundadoras do Acompanhar e responsável pelo canal Adolescer na Academia do Psicólogo. E-mail: renata@acompanhar.com.br

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ACONTECEU NO MOMMYS DO FACE

ADOÇÃO ESPECIAL: MINHA HISTÓRIA COM O BIEL Por Juliana Siqueira

Terminei um relacionamento em novembro de 2012 e resolvi, dessa vez, fazer diferente do comum. Foquei no abrigo em frente a minha casa. Queria ajudar, doar meu tempo fazendo o bem. Todos os dias após o trabalho ia pra lá como voluntária. Eram 12 bebês com idade até 12 meses. Eu trocava fraldas, dava mamadeira, dava carinho. Um menino em especial me chamou a atenção. Moreninho, com as perninhas pra fora do berço, a cara fechada e chorão. Sim, Biel era o mais chorão do abrigo (tinha refluxo, otite e hérnia umbilical). Comecei a me apegar a ele a cada dia. Gostava de cuidar, gostava de fazêlo parar de chorar nos meus braços e quando vi já era puro amor! Em janeiro de 2013 viajei com minha mãe, mas minha cabeça estava no abrigo, ou melhor: no Biel. Lá eu decidi: quero adotá-lo. Minha mãe me falou: “Você está louca!”. Porém, eu tinha certeza da minha escolha. Eu, no auge dos meus 28 anos, solteira,

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cheia de vida, podia sair para namorar, viajar, curtir, mas resolvi adotar uma criança especial. Para mim esse detalhe não era relevante, mas as outras pessoas me diziam que seria uma loucura. Eu só pensava no meu amor, e que o Biel havia nascido pra mim. Ele era meu filho! No Brasil não se pode escolher a criança a adotar. Existe um cadastramento e análise para ver se a pessoa está apta. Me inscrevi no cadastro de adoção e, em março de 2013 tive minha primeira entrevista com a psicóloga e assistente social. Elas me “colocaram na parede”, me mostrando a “dura” realidade do Biel: “Você sabe que ele pode nunca andar? Você sabe


ACONTECEU NO MOMMYS DO FACE que vai ser difícil arrumar um namorado? Você acha que vai dar conta? Você é solteira, tem uma vida pela frente!” . Mesmo assim, eu estava certa do que queria: o Biel! Elas me disseram que eu não poderia escolher, eu sabia disso mas tinha fé! Se não tivesse ninguém na fila querendo uma criança como ele (Biel nasceu de 30 semanas com paralisia cerebral), então ele viria para mim. Os dias se passaram, vieram conhecer minha casa e fiz duas entrevistas com assistente social e psicóloga. Em novembro de 2013, com 1 ano e 2 meses, ele foi liberado para passar os finais de semana comigo. Em dezembro o juiz o liberou para passar férias comigo até o final de janeiro. Em fevereiro de 2014 saiu o maravilhoso papel dizendo que eu tinha a guarda dele. Logo dei entrada no processo de adoção. Hoje Biel faz uma sessão de musicoterapia, três sessões de terapia ocupacional, quatro sessões de fisioterapia e duas sessões de fonoaudiologia por semana. Em uma consulta com um oftalmologista (Biel é estrábico), um anjo que estava também aguardando olhou para ele e percebeu que ele “ se assustava” a todo momento. Já havíamos percebido isso e, comentando sobre isso, ele disse: “isso não é susto, é síndrome de West”.

Fui então pesquisar sobre a síndrome e vi: CONVULSÕES. Desesperei e logo corri atrás de um neurologista. Fizemos um eletro de urgência e veio o resultado: Biel estava convulsionando. Entramos com a medicação doada no posto de saúde, que logo não consegui mais pegar pois estava sempre em falta. Apesar de tudo,ficamos bem. Biel estava na escolinha, aprendendo a falar, começou a engatinhar e estava conseguindo se comunicar na medida do possível. Até que, em maio de 2016, quando estávamos na fazenda de um coleguinha da escola, percebi que Biel estava muito nervoso à noite. Quando nos deitamos as convulsões começaram: uma a cada meio minuto, seguidas. Entrei em desespero e corremos pro hospital. Depois desse episódio, fui a uma consulta com uma médica top no Rio de Janeiro que me falou, depois de três horas de consulta, que ele seria um eterno cadeirante. Falei na cara dela que não acreditava no que ela me dizia e que eu acreditava no meu filho! Fui atrás do melhor neurologista de BH, focado em convulsões, alguém que acreditava que meu filho era capaz. Iniciamos então as tentativas de inserir algumas medicações. Foi aproximadamente um ano tentando diversas dro| Junho - Julho 2018

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ACONTECEU NO MOMMYS DO FACE

gas do mercado farmacêutico. Vi meu filho, que era ativo, se tornar um bebê novamente: todo molinho, não conseguia nem se sentar mais, passava a maior parte do tempo “grog”. Foram três meses acordando todas as noites, com reação à medicação. Ele acordava às 2 da manhã e ia dormir às 10! O resto do dia ele passava “lesado”, não falava mais, não engatinhava... E eu tendo que trabalhar, pois o nosso sustento dependia do meu trabalho!

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Foi a fase mais difícil que vivi. Lembro de acordar de madrugada aos prantos, dizendo que não iria conseguir. Cheguei a questionar se tinha feito a coisa certa em adotá-lo. Porém, esse foi meu único momento de fracasso. Logo tive forças para vencer mais essa etapa e seguimos firmes. Outra data marcante foi quando fomos para o hospital, pois ele estava muito agressivo, também por efeito de medicação. Lembro-me de terem aplicado


ACONTECEU NO MOMMYS DO FACE mais de uma dose de sedativo e de ser necessário cinco pessoas para segurá-lo. Eu segurava sua mãozinha e ele, sedado, deixava apenas uma lágrima escorrer pelo olhinho. Depois de várias tentativas, o médico sugeriu o Canabidiol, remédio derivado da maconha. Porém, como a droga não é liberada no Brasil, existe um processo de autorização na Anvisa para a importação do medicamento. Ele me perguntou se eu conseguiria pagar. Eu logo disse: “Eu me viro! Se é pra ele parar com as convulsões faço de tudo!”. Veio, assim, o segundo ano do evento Anda Logo Biel que aconteceu em 2017. Conseguimos arrecadar um bom dinheiro, que deu para pagar todo o custo com a medicação do ano. Resolvemos fazer o evento todos os anos, para ajudar na medicação e para poder proporcionar um momento interativo entre as famílias com atrações para todas as idades.

ca e já dá passos sozinho. Começou a interagir mais, porém o cognitivo ainda está prejudicado em relação a antes da “grande crise”. Continuamos batalhando para que ele consiga melhorar a cada dia. Sobre a mudança na minha vida: continuei fazendo tudo que eu gosto! Levo Biel para todos os lugares: shows, parques, viagens, festas e nunca tive isso como um empecilho para viver minha vida da melhor maneira. Namorei muito, me juntei a uma pessoa muito especial, ficamos três anos juntos considerando esse período mais crítico. Essa pessoa me ajudou de maneira incondicional a conseguir passar por todas essas etapas e esteve o tempo todo ao meu lado. Hoje não estamos mais juntos, mas tenho certeza que criei um laço de amor entre duas pessoas que jamais irá se desfazer. E nunca tive medo de estar “sozinha”.

Fico muito feliz ao ver as pessoas acompanhando nossa história e luta, vibrando e rezando para que tudo fique bem! Quantas mensagens de carinho recebo! É tão fortalecedor...

O que me enche de alegria e esperança é a certeza de que nunca desistirei do meu filho. Eu acredito nele e sempre acreditarei! Anda logo Biel! Pelo meu filho farei sempre o possível e o impossível! “Por você faria isso mil vezes”...

Com o uso do Canabidiol, Biel voltou a falar, começou a caminhar como nun-

Saiba mais sobre o evento nas redes sociais: @andalogobiel | Junho - Julho 2018

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PERFIL MOMMY MANU SANNA FAMÍLIA É: minha maior conquista. AMIGOS SÃO: já tive muitos... Hoje conto nos dedos. Prefiro qualidade à quantidade. DEFEITOS: vixi... Tantos! Acho que o que mais se destaca é ser muito explosiva. QUALIDADES: acredito que a minha maior qualidade é a determinação,  eu não desisto nunca!  Se quero alguma coisa luto até conseguí-la. NUNCA VOU ESQUECER: do momento em que vi meus filhos pela primeira vez. ADORO IR: para lugares frios. PARA FICAR MAIS BELA: já fui muito vaidosa, hoje não sou mais. O máximo que faço é pintar os cabelos... Quando dá. COMERIA TODOS OS DIAS: espaguete e pudim de leite condensado. NÃO FALTA NA BOLSA: documentos. SER MOMMY É: um presente! É receber abraços,  mesmo que virtuais, de pessoas que nunca vi na vida. É receber colo, carinho e amor. Serei eternamente grata a esse grupo que me deu apoio no pior momento da minha vida.

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PERFIL MOMMY SOBRE LORENZO: Tudo começou na 12a semana de gestação, quando descobrimos que o bebê teria um problema: uma escoliose. O médico do ultra nos mostrou as imagens e, naquele momento, tive certeza que minha vida jamais seria a mesma. Ouvimos dele que poderia ser uma “simples” escoliose, mas que ela poderia ser consequência de algo mais grave: síndromes, doenças cromossômicas ou paralisia cerebral. Eu não desejo o que senti a ninguém! Meu mundo caiu, eu sentia dor no corpo inteiro, saí do exame em frangalhos. Meu marido ligou para o GO e ele pediu que me levasse até lá e a frase que mais me marcou foi: não vamos desistir desse bebê! Durante 72 horas eu fiquei na cama, chorando, pesquisando coisas horrorosas a respeito da escoliose congênita. Vivi dias horrorosos até o momento do exame morfológico, que detectaria se ele tinha ou não algum problema além desse e, graças a Deus, tudo certo. Minhas pesquisas continuaram. Entrei em grupos no face, whatsapp, procurei por pessoas que passaram por isso, implorei ajuda a médicos e fisioterapeutas. Minha gestação durou, pra mim, uns 15 anos. No dia 21 de abril ele nasceu: lindo, forte, bonzinho e com um desvio muito maior do que esperávamos. Lorenzo nasceu com 80 graus de curvatura, um caso raro e grave. Saí da maternidade com muito mais força do que achei que teria e, a cada olhar dele pra mim, eu sabia que venceríamos e eu estaria ao lado dele até o fim. Começamos então a procurar médicos para tratá-lo e foi extremamente sofrido. Por enquanto fomos em três e ainda não encontramos quem irá acompanhá-lo. Em uma das consultas escutamos de um ortopedista de renome que ele não pegaria o caso, e que deveríamos ir a Itália (em um congresso em outubro) procurar o MAIOR ESPECIALISTA DO MUNDO pois ele corria todos os riscos possíveis.  Não preciso dizer como saí do consultório né?! Uma mãe, no auge do puerpério, escutar esse tipo de coisa, da maneira mais fria possível, é o mesmo que enfiar uma faca em seu coração. Saí de lá em choque e só lembro dos primeiros cinco minutos da consulta pois, no restante, eu já não escutava nem assimilava mais nada. Ainda temos mais dois médicos agendados: um em BH e outro em Curitiba (indicado como o melhor e único capacitado para tratar meu pequeno). Minhas pesquisas não acabaram e busco informações do tratamento aqui, na Itália (por ter cidadania italiana) e nos EUA. Ao que parece, o tratamento aqui é mais invasivo. Ele teria que colocar uma haste na coluna e, de 6 em 6 meses, fazer uma nova cirurgia para o alongamento. Lá fora a haste utilizada é alongada por radiofrequência, não sendo necessários os alongamentos. Não consigo imaginar Lorenzo tendo que fazer, por volta, de vinte cirurgias até a pré-adolescência; é cruel demais. Nosso futuro é incerto e a única coisa que tenho certeza na minha vida é que, por ele, vou até pra China buscar o melhor tratamento! Quando fico desanimada ou acho que não vou dar conta, é pro Mommys que eu corro, é no Mommys que renovo a esperança e as minhas forças e, por isso, a minha eterna gratidão. Obrigada Mari e Gabi, sempre dispostas a ajudar, obrigada meninas que tanto me acolhem, obrigada Mommys do meu coração, vocês fazem toda a diferença na minha vida! | Junho - Julho 2018

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Revista Mommys - Edição 15  
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