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SETEMBRO 2017

Redação Unique Comunicação e Eventos editorial.mercadorural@gmail.com

Editorial

Tel.: (31) 3063-0208 Diretor Geral

Caros amigos, leitores e leitoras.

Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 99198-4522 Jornalista Responsável Sabrina Braga Bellardini MTB 09.941 JP editorial.mercadorural@gmail.com Direção de Arte Clebiane Alves de Lima Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey www.revistamercadorural.com.br A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

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esta 24ª edição da Revista Mercado Rural, trazemos como sempre um conteúdo diversificado e muito bem elaborado para que vocês fiquem por dentro do que de mais interessante acontece no mundo agropecuário, de forma leve, porém tratando com seriedade assuntos relevantes. São reportagens atrativas para tornar a revista cada vez melhor para nossos leitores e anunciantes. Tudo isso aliado a um projeto editorial atrativo e elegante. Nosso especial de capa traz vários fatos sobre a 36ª Nacional do Mangalarga Marchador. Os números que impressionam: cerca de 220 mil pessoas visitaram o evento que movimentou apenas em leilões mais de 9 milhões de reais. O especial traz ainda entrevista com Daniel Borja, presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador; o novo produto da ABCCMM: Programa Resenha do Marchador; lazer e entretenimento na Nacional, além dos destaques do evento. O entrevistado da edição é o Diretor Geral do IMA, Marcílio de Souza que traz dados interessantes e fala sobre importantes projetos. Na seção Personagens, tivemos o prazer de conversar com Guilherme Antônio Ribeiro Fernandes, criador de pôneis, cuja paixão virou uma marca. Trazemos também um balanço dos principais eventos ocorridos, tais como ExpoGenética, Festival do Queijo Minas, ExpoVet e Expo Brahman. Na Seção Natureza vocês vão poder conhecer um pouco sobre as tribos indígenas mais populares no Brasil e na Seção Meio Ambiente sobre o desmatamento, uma triste realidade. E não para por aqui. Em Como Fazer mostramos como produzir de forma bem simples uma chocadeira. A Moringa Oleífera é uma novidade, trata-se de uma planta que é considerada um verdadeiro milagre frente aos inúmeros benefícios. Já que estamos falando de plantas, trazemos também uma matéria sobre a florada dos Ipês e outra sobre plantas consideradas tóxicas. O amendoim forrageiro também marca presença nesta edição, assim como um legume muito consumido por todos nós: a cebola. Outra matéria apresenta as frutas mais refrescantes para a próxima estação, o verão. Na Seção Bebidas, falamos sobre vinho, essa bebida que agrada a maioria das pessoas. Em Receita Rural tem o legítimo pão de queijo mineiro. Nas seções Pet e Exótica, temos aves. Pavões e faisões e Aves de rapina, respectivamente. Em Turismo, o encanto das cidades históricas mineiras. Apreciem amigos leitores, pois esta edição foi especialmente preparada para vocês e para os nossos anunciantes, aos quais reforçamos a nossa gratidão por contribuírem para que a revista Mercado Rural se fortaleça e ocupe, cada vez mais, destaque no mercado de veículos de comunicação brasileiro. Vale a pena conferir estes assuntos interessantes que agora estão a sua disposição, elaborados com muito carinho para os nossos leitores. Como veem, a edição está imperdível. Espero que gostem. Boa leitura e até a próxima edição. Marcelo Lamounier

Muito obrigado pela revista. O material é de excelente qualidade e a matéria ficou muito boa. Parabéns pelo seu trabalho!

Quando chega a minha revista Mercado Rural cheia de novidades eu fico até mais feliz. Obrigada, Marcelo Lamounier.

Seu trabalho está belíssimo. A revista tem muita qualidade. Parabéns pelo nível de excelência! Parabéns pelo excelente trabalho!

Rony Antonio Ferreira

Estella Santos

Raquel Leandro

Lavras - MG

Coluna - MG

Lagoa Santa - MG


4 ENTREVISTA

Marcílio de Souza, Diretor-geral do IMA

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PERSONAGEM: Guilherme Antônio Ribeiro Fernandes

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12 IPÊS:

COMO FAZER: Chocadeira Festival do QUEIJO MINAS ARTESANAL época das floradas

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10ª EXPOGENÉTICA: expectativas superadas

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SILAGEM: planejamento é fundamental

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EXPOBRAHMAN 2017: técnica e parcerias

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ITR

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SEÇÃO MEIO AMBIENTE: Desmatamento

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PSICICULTURA: tilápias em tanques rede no Mato Grosso

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SOJA: temporada de soja na América do Sul deve bater recordes

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PLANTAS TÓXICAS: atenção redobrada com o gado

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54 BEBIDAS:

Novidades na EXPOVET

Pro Chile Vinho, a bebida dos deuses

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AMENDOIM FORRAGEIRO

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COLHEITADEIRAS: menos perda na colheita

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FRUTAS que refrescam

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CEBOLA: irrigação por gotejamento

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LAVOURA, SAFRAS E MERCADO: Café

DICAS DA AGROSID: Mastite ambiental

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36ª NACIONAL DO MANGALARGA MARCHADOR: Saiba tudo o que aconteceu no evento

TURISMO: As cidades históricas mineiras

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SEÇÃO PET: Pavões e faisões

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SEÇÃO EXÓTICA: aves de rapina

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EVENTOS: Sucesso com a 36ª Nacional do Marchador

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GIRO RURAL

72 AGENDA

Infestação de ROEDORES em fazendas SEÇÃO NATUREZA: Tribos Indígenas EXPOINTER: agricultura familiar em alta

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da Europa para o Brasil

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SEÇÃO ECONOMIA: exportação de aves e suínos A planta que é um milagre: MORINGA OLEÍFERA Épocas de plantio da CANA DE AÇÚCAR

57 RECEITA:

o legítimo pão de queijo mineiro

58 AUTOMÓVEIS:

As antigas caminhonetes


Entrevista

Marcílio de Souza Magalhães Assumiu a diretoria-geral do Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA - em 30 de junho de 2016 e desde então conduz o instituto em uma gestão alinhada com as demandas dos produtores rurais, consumidores e do agronegócio mineiro, mantendo a posição de destaque que o órgão possui como referência nacional do setor de defesa sanitária e inspeção de produtos. 4

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inas Gerais é um importante celeiro na produção de alimentos, com liderança na produção de café e leite, entre outros produtos, e isso requer do IMA um trabalho constante de acompanhamento, fiscalização e orientação junto aos produtores, indústrias e demais agentes do setor, de forma que nossos produtos tenham destaque no mercado interno e também no exterior. Mercado Rural: O IMA iniciou recentemente uma campanha de recadastramento obrigatório dos criadores de bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e equídeos. Qual o objetivo principal e o que muda a partir do recadastramento? Marcílio de Sousa Magalhães: O recadastramento tem o objetivo de regularizar os dados dos criadores junto ao IMA, tendo em vista que muitos produtores deixaram a atividade ou venderam seu rebanho e não comunicaram ao Instituto. Da mesma forma, muitos já faleceram e os familiares não comunicaram esse fato ao IMA. As duas situações contribuem para que o banco de dados do órgão não esteja fiel à realidade. Essa situação abre brechas para fraudes de todas as ordens, inclusive econômicas, uma vez que pessoas inidôneas de posse dos dados dos produtores podem utilizá-los para transações fraudulentas. Além disso, essa situação restringe a atuação do IMA frente às constantes demandas de ordem sanitária. Cito como exemplo a retirada da vacinação do gado contra a febre aftosa no país até 2021, conforme previsto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que vai exigir das instituições confiabilidade e agilidade nas informações dos rebanhos de forma a tornar mais eficaz o estado de alerta previsto nos atendimentos às ocorrências zoosanitárias. Mercado Rural: Quais outros benefícios virão com o recadastramento? Marcílio de Sousa Magalhães: Ele permitirá ao IMA direcionar melhor ações de apoio aos produtores, com programas governamentais de investimentos em melhorias na prestação dos serviços de defesa sanitária e inspeção de produtos. É importante ressaltar também que no ato do recadastramento o criador receberá uma senha para acesso gratuito ao Portal de Serviços do Produtor Rural, disponível no site do IMA – www.ima.mg.gov.br.


Esse portal revoluciona o relacionamento do IMA com o homem do campo, pois permite que os produtores acessem, pela internet,vários serviços do Instituto como a emissão de guias e documentos oficiais, sem precisar ir pessoalmente a uma unidade do Instituto. Ou seja, independente do dia ou da hora o produtor poderá acessar serviços de seu interesse diretamente da sua propriedade ou escritório. Esse novo portal funciona desde abril deste ano. Mercado Rural: Como o IMA tem se preparado para as novas demandas do mercado? Marcílio de Sousa Magalhães: O IMA atua na defesa sanitária animal e vegetal, na inspeção dos produtos de origem animal, na certificação de produtos agropecuários e no apoio à agricultura familiar,

o que na prática significa que o órgão executa um extenso leque de ações voltadas para contribuir com a qualidade e a segurança dos alimentos que chegam na mesa do consumidor. Para atender às crescentes demandas dos produtores, indústrias e sociedade em geral o Instituto realiza periodicamente treinamentos para capacitação, atualização e reciclagem dos conhecimentos dos servidores e, também, para o alinhamento com as diretrizes dos programas de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária. Com isso, moderniza o atendimento ao produtor e às indústrias. Neste segundo semestre já realizamos diversos treinamentos voltados para a certificação de granjas que trabalham com reprodutores de suínos; granjas avícolas; fiscalização de lojas de revenda de produtos veterinários; atualização de informações sobre sanidade equídea e capacitação para servidores que atuam nas 16 barreiras sanitárias do IMA. Os servidores nessas barreiras fiscalizam o trânsito de produtos de origem animal e vegetal, no intuito de prevenir a entrada, em Minas, de doenças que podem acometer os rebanhos e pragas que podem chegar até as lavouras. No caso da cachaça, realizamos o treinamento de servidores que irão atuar com a fiscalização da produção dessa bebida no estado. Essa será uma nova área de atuação do IMA, pois até então a fiscalização da produção de cachaça estava a cargo do Ministério da Agricultura. Lembro que Minas é o maior produtor nacional de cachaça de alambique, com cerca de 50% da produção nacional, o equivalente a 200 milhões de litros/ano. Ainda nessa área de atualização e modernização dos conhecimentos e procedimentos o IMA firmou em agosto deste ano protocolo de intenções com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Se-

nai), por meio do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), para o desenvolvimento conjunto de projetos, consultorias e treinamentos em prol da indústria e do agronegócio mineiros. Por outro lado, acabamos de enviar para a Casa Civil um anteprojeto de lei que prevê a criação do Conselho e do Fundo Estadual de Defesa Agropecuária, medida esta que irá mudar o paradigma de relacionamento entre o órgão e as entidades e órgãos que atuam no setor agropecuário. O Conselho será um espaço aberto e democrático para ouvir, discutir e definir a política estadual de defesa agropecuária e o fundo público será, por sua vez, quem irá sustentar o custeio e os investimentos necessários para manter o IMA como o melhor órgão de defesa sanitária estadual do Brasil. Mercado Rural: Números mostram que as exportações do agronegócio mineiro cresceram mais de 10% de janeiro a agosto deste ano. A que se deve este fator em uma época de retração econômica geral e quais são os produtos que puxam estes números? Marcílio de Sousa Magalhães: Realmente, nestes sete meses o agronegócio mineiro exportou para mais de 150 países e obteve uma receita de US$ 5,7 bilhões que representou 11,1 % superior, em relação ao mesmo período do ano de 2016. Em contrapartida, o volume exportado apresentou um declínio de 0,8%. Esses resultados evidenciam que os principais produtos exportados (café, soja, carnes, açúcar e produtos florestais) tiveram uma valorização no mercado externo, resultando assim neste crescimento na receita.


PERSONAGEM

Uma história de sucesso movida pela paixão Fotos: Fagner Almeida

Guilherme Antônio Ribeiro Fernandes: sua paixão virou marca

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uilherme Antônio Ribeiro Fernandes tem 38 anos e é proprietário da Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, situada no município de São Lourenço do Sul – RS, onde cria atualmente pôneis e as raças bovinas Angus e Brangus, além de cultivar soja e pastagens. Embora tivesse tido a chance de escolher qual profissão seguir, Guilherme não titubeou em continuar no ambiente rural e contou inclusive com o incentivo dos pais, que também tiveram influências familiares voltadas ao campo. “Desde pequeno sempre gostei muito de ir pra fazenda e contei com o incentivo de meu pai, que logo que eu nasci já começou a colocar todos os pôneis que adquiria em meu nome criando a marca GARF.”

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Paixão que vem de berço A marca é formada pelas iniciais do nome completo de Guilherme que acredita inclusive que a paixão pelo universo agropecuário esteja nos genes. “Acho até que a herança genética foi determinante pois, embora meus pais tivessem herdado o campo, de nada adiantaria se não tivesse ninguém na família que realmente gostasse da atividade a ponto de dedicar toda sua força e energia ao agronegócio”. “Ainda que eu tenha me dedicado a outros ramos de negócio o que mais me fascinava era a atividade com os animais e a medida em que comecei a fazer os Leilões pela televisão vislumbrei um novo horizonte, passei a atingir todo o Brasil, a marca se tornou conhecida nacionalmente”, explica.

Embora a vocação rural venha dos antepassados, Guilherme é o único da terceira geração que escolheu ser criador e produtor. Quando nasceu a família já vivia integralmente da agropecuária que teve inicio com seu tataravô materno, que era um tradicional fazendeiro na região. “Dos netos e tataranetos sou o único que permaneceu e gosta da atividade, fato este do qual me orgulho muito. Em 50 anos de criação de Pôneis, sou da terceira geração e tataraneto de um tradicional fazendeiro, que iniciou como tropeiro”.


Receita de sucesso

Reconhecimento na criação de animais Continuar um negócio iniciado pelo antepassado a mais de 100 anos e garantir a produção de animais cada vez melhores é a grande satisfação apontada por Guilherme que neste ano, entre mais de 20 prêmios, recebeu na Expointer, o troféu de Grande Campeã, entre outros. “Ver nascer a cada ano animais melhores do que os que meus pais conseguiram é a maior realização que posso ter como criador. Este ano fiz, mais uma vez, a Grande Campeã da Expointer, com um animal todo de nossa genética. Entre mais de 20 prêmios, ganhamos, pela décima vez o Troféu Cabanha do Ano e no ranking do Pônei recebi o título de melhor criador e expositor”.

Qualidade e compromisso A pressão de seleção na criação de Guilherme é muito grande e tudo é possível graças à qualidade das pastagens e campos, já que a criação é totalmente a campo. Ele conta também com uma estratégia muito eficiente, conforme ele mesmo explica. “Minha criação tem uma pressão de seleção muito grande. Desde 2006 trabalho com uma ferramenta que me ajuda bastante na padronização do meu plantel que são, no mínimo, os três leilões anuais que realizamos. Hoje meus animais nascem direcionados às datas dos leilões. Conseguimos compatibilizar

os nascimentos numa temporada atípica no Rio Grande do Sul, pois eles ocorrem no final do outono e terminam no inicio da primavera”.

Sonhos e planos Iniciar os leilões de vendas de reprodutores Angus e Brangus, além de aumentar o plantel é um dos projetos que o criador tem. “Acredito que a venda de reprodutores e animais melhoradores para o Brasil Central será um bom negócio para esse ciclo pecuário que se expande cada vez mais no país”

De São Lourenço para o Brasil e o mundo Toda a soja produzida é exportada, via Porto de Rio Grande -RS. Desde 2012, Guilherme exporta pôneis que já foram parar na Venezuela, Angola, Costa do Marfim, Namíbia, e Senegal. Para territórios nacionais já foram entregues mais de 1.200 animais, como para o Pará, Baixo Amazonas, Ilha de Marajó, Rondônia, Acre e o Nordeste. “Muitas pessoas não se dão conta que as distancias continentais de nosso país são superiores, muitas vezes às exportações internacionais”. Guilherme comenta que segue e comprova uma crença de seu pai. “Meu pai sempre acreditou que iríamos exportar em razão da qualidade e não pela quantidade, e este é o nosso maior orgulho”.

Apesar das dificuldades encontradas como os fatores climáticos e, segundo o criador, as próprias dificuldades impostas pelo governo através de elevada carga tributaria sobre toda a cadeia produtiva e a falta de investimento em logística, Guilherme é confiante e segue firme. “Aqui no Sul a gente costuma dizer que é o olho do dono que engorda o boi, por isso estou sempre presente”. Tanto na pecuária quanto na agricultura, Guilherme afirma que trabalha por prazer e sempre buscando melhorias. “Tudo que se faz com prazer, tem mais chance de dar certo. A procura pelo animal perfeito é instigante e isso sempre me serviu de estímulo na busca da melhoria como meta. Na agricultura também esta sendo assim. Melhoramos a cada ano e sempre me cerco do melhor assessoramento técnico e das melhores e mais modernas técnicas”, conclui.

PINGUE PONGUE Família: A base de tudo Viagem: Uberaba/MG. Conheci na pré adolescência e me possibilitou fazer inúmeras amizades e passar a ver minha criação de um outro ponto de vista. Transformou o meu negócio! Comida: Churrasco Um lugar: Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, São Lourenço do Sul -RS Uma companhia: Meu pai Música: Hino do Rio Grande do Sul Filme: O encantador de cavalos O que te distrai: Ver meus animais Felicidade: Que minha família tenha saúde Tristeza: Meu avô, Armando Fernandes, não ter conseguido ver onde chegou a criação iniciada por ele há 50 anos. Cavalos: Minha paixão Gado: o futuro

REVISTA MERCADO RURAL

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Como Fazer

Chocadeira G

alinhas criadas em sítios, fazendas e até em quintais, além de proporcionarem uma carne mais saudável, também fornecem ovos. Um criador de aves pode pretender que os ovos sigam o seu ciclo completo de desenvolvimento até darem origem a pintinhos, o que nem sempre é fácil. Uma boa saída é utilizar uma chocadeira. E é exatamente isso que vamos mostrar como fazer.

Materiais necessários •

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Uma caixa de isopor, de madeira ou papelão com capacidade para 50 litros Algodão Uma ou mais lâmpadas transparentes de 15 watts com bocal e fiação Grade ou rede Medidor de temperatura e umidade Recipiente com água

Passo a passo 1 - Fixe a grade em uma altura média dentro da caixa. Os ovos ficarão nesse suporte, por isso é importante que ele esteja bem firme e que não tenha furos grandes, para que os pintinhos não caiam quando nascerem. 2 - A caixa escolhida deverá ter tampa e é nessa tampa que deverão ser feitas perfurações para fixação das lâmpadas, de forma que fiquem penduradas por dentro, como se fosse o candeeiro de teto de uma casa. 3 - Faça uma abertura com porta em uma das laterais da caixa. Faça alguns orifícios nas laterais e na tampa da caixa, de forma a dispersar o calor que pode se acumular.

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4 - Se a caixa escolhida for de madeira as laterais internas devem se forradas com algodão para criar um ambiente mais quente para os ovos. Em seguida, por baixo da grade afixada previamente, coloque um recipiente com água. Ele ajudará a criar um pouco de umidade dentro da caixa e a tornar a casca do ovo menos dura. A chocadeira está pronta, mas há algumas recomendações que precisam ser observadas. A chocadeira deve ser colocada em local sossegado e abrigado do frio e vento. Só após a escolha do lufar ideal coloque os ovos e acenda as lâmpadas, que deverão ficar ligadas durante os 21 dias de incubação. A temperatura ideal no interior da caixa é de 37º ou 38º. Se a temperatura estiver alta, crie mais perfurações na caixa de forma a libertar o calor. Se estiver baixa, volte a verificar passadas outras duas horas, fixe mais lâmpadas ou feche alguns dos orifícios da caixa, de forma a manter o calor no interior. Os ovos são virados manualmente para que se mantenham quentes por igual. Por essa razão, devem ser virados a cada 12 horas. Após eclodirem, as pequenas crias deverão permanecer na incubadora por 24 horas.


Queijo Minas Artesanal Festival apresenta as maravilhas do queijo

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Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte – MG, sediou o 1º Festival do Queijo Minas Artesanal nos dias 28, 29 e 30 de julho. Na programação do evento os melhores queijos das sete regiões produtoras no estado: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro, que são destaque nesse segmento da economia. Além de chefs de cozinha renomados, cervejas artesanais, vinhos e azeites mineiros, cursos, palestras e a escolha popular do Melhor Queijo do Festival. As palestras e cursos que aconteceram no festival reuniram produtores, comerciantes e apaixonados por queijo. As oficinas degustativas chamaram a atenção do público em geral. Na pauta dos cursos e palestras, assuntos como empreendedorismo, conservação e consumo do queijo, harmonização e história do queijo. Além de muitas curiosidades e informações para os amantes de quei-

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jo, foram discutidas políticas de governo para a produção de queijos artesanais em Minas Gerais, processo de reconhecimento das regiões produtoras e legislação da produção dos diversos queijos produzidos na região de Minas Gerais.

Queijo Artesanal Para ser considerado Queijo Minas Artesanal, o produto deve ser feito com leite cru, não pasteurizado, sadio, integral e recém ordenhado. O processo produtivo também precisa cumprir as normas de equipamentos, higiene, controle de saúde dos animais e dos trabalhadores, embalagem e comercialização. São elas que garantem ao consumidor um queijo genuíno e com alto padrão de qualidade. O Queijo Minas Artesanal inspira e enriquece nossa culinária, mas ele também é motivo de orgulho por outras conquistas. O modo como é feito ganhou o título de Patrimônio Cultural do Brasil, em 2008,

concedido pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Melhor queijo do festival O público provou queijos das 7 regiões e votou no favorito. O Queijo Sítio Real, da região de Araxá, do produtor Reinaldo Lima, recebeu o prêmio de melhor queijo do festival. Em segundo lugar ficou o Queijo Canastra LH da região da Canastra, do produtor Luciano Carvalho. O terceiro mais votado foi da região de Campo das Vertentes, da produtora Lúcia Resende: Queijo Sabores do Sítio.


Ipês Floração que fascina

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e maio a setembro, todos os anos e por todos os lados, em cidades e matas, lá estão eles a chamar a atenção: os ipês. Nos outros meses do ano essas árvores passam despercebidas, misturando-se as outras espécies folhosas. Com a proximidade do outono e do inverno as muitas folhas verdes começam a cair anunciando que a época da florada está próxima. Além das lindas cores, os ipês se tornam vistosos por apresentarem apenas flores nesta época, sem nenhuma folha sequer. Os mais comuns são os ipês roxo, rosa, branco e amarelo, não nesta ordem. O amarelo é o mais abundante no Brasil. Bastante resistentes à seca e ao calor intenso, é encontrado com maior frequência no cerrado e na caatinga, onde temos o clima mais tropi-

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cal, contudo está muito presente no cenário urbano, ao longo de ruas, ou como elementos isoladas em praças e parques. As árvores dos ipês podem alcançar até 25 metros de altura e, além das flores bonitas, a casca e a entrecasca possuem propriedades medicinais antiinflamatórias, antiinfecciosas e cicatrizantes e são bastante utilizadas para tratamento de dermatites, varizes, infecções renais e amigdalites. Além do porte e das cores, o que também varia são os nomes utilizados para designar a árvore em diferentes regiões do Brasil. Em Mato Grosso são chamados de Piuvas (peúva – árvore da casca); em Goiás de Ipeúna (ipê comum); no Norte e no Nordeste, Pau d’arco, por causa da madeira que ainda é utilizada na fabricação de arco e flecha.

Árvore símbolo O Ipê Amarelo, abundante em nosso país, e toda sua beleza encantouo então presidente Jânio Quadros que em 1961, através de Projeto de Lei, declarou o Ipê Amarelo flor nacional símbolo do Brasil. Mesmo sendo vetado, Quadros foi além e, por declaração verbal apoiado pela população brasileira, declarou o Ipê Amarelo como tal.


ExpoGenética 2017

Expectativas superadas e importantes lançamentos

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ntre os dias 19 e 27 de agosto o Parque Fernando Costa, em Uberaba – MG, foi palco da 10º edição da ExpoGenética, um evento que apresentou programação técnica intensa e grande movimentação financeira. A ExpoGenética é considerada a maior em genética zebuína do país e em 2017 reuniu cerca de 700 animais destacando-se ainda por importantes lançamentos, como a ‘Marca do PMGZ’ e o ‘Projeto para aplicação da seleção genômica das raças zebuínas’. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, a feira deixou um resultado positivo e a certeza de “que contribuímos bastante para o mercado da carne e do leite no país. A ExpoGenética 2017 superou todas as nossas expectativas”. Com uma das maiores equipes técnicas de campo do setor pecuário, a ABCZ promoveu uma série de eventos de capacitação para seus 102 técnicos. O ciclo de debates técnicos incluiu encontros, palestras, mesas redondas e treinamentos.

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Negócios e lançamentos Durante a ExpoGenética foram realizados 11 leilões. Apenas os primeiros nove remates movimentaram quase R$10 milhões. A agenda de leilões da décima edição da ExpoGenética contou com 11 remates e 1 shopping. Ao todo foram comercializados 1467 exemplares por R$19.348.711,00, a uma média de R$ 13.189,31. Mesmo com um leilão a menos em relação à edição anterior, a ExpoGenética registrou um montante maior de negócios de quase R$500 mil.

Um dos grandes lançamentos foi a Marca do PMGZ. Agora, o animal registrado com bom desempenho no PMGZ ganhará também essa outra marca, facilitando a identificação do zebu superior capaz de fazer a diferença numa seleção. A marca do PMGZ tem formato de Z (de zebu) e, ao centro, o desenho lembra um DNA e o símbolo de infinito, demonstrando as possibilidades infinitas que o melhoramento genético oferece. Durante o lançamento, foram marcados animais de todas as raças participantes do PNAT: Brahman, Guzerá, Nelore, Nelore Mocho, Sindi e Tabapuã. O registro é feito na perna direita dos animais melhores avaliados. Na décima edição da feira, o programa ganhou uma novidade: o Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar para touros das raças Nelore e Nelore Mocha. Para o próximo ano, a participação no Teste será obrigatória para todas as raças de corte. Este ano, participaram do PNAT nos currais da ExpoGenética: 38 animais Nelore, 11 Sindi, 6 Nelore Mocho, 4 Tabapuã e 3 Guzerá. Deles, 23 foram selecionados pelo crivo do Programa, sendo eles 2 touros Brahman, 2 Guzerá, 15 Nelore e Nelore Mocha, 2 Sindi e 2 Tabapuã. Para a seleção, durante dois dias, criadores, técnicos da ABCZ e representantes de Centrais de Inseminação votaram e ajudaram a escolher os melhores.


Silagem Planejamento é fundamental para um bom processo

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os últimos 15 anos, em função das mudanças ocorridas na pecuária de leite, os produtores chegaram ao termo silagem de qualidade. De acordo com pesquisas elaboradas pela Embrapa Gado de Leite, a introdução de tecnologias de manejo do rebanho e das pastagens foi marcante para essa evolução, sendo que a mudança mais importante aconteceu em relação ao comportamento do produtor. Em 2012, uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras consultou 272 produtores de leite de diferentes regiões do País e observou que aproximadamente

55% utilizavam silagem de milho e 20% a de sorgo. Os outros 25% produziam outros tipos de silagem, principalmente de capim e de cana de açúcar. Embora existam tecnologias acessíveis para a produção das melhores silagens, muitos produtores ainda fazem silagem de má qualidade o que acaba interferindo na produtividade dos animais e do custo do leite. Uma silagem de qualidade depende, basicamente, de uma boa lavoura e um bom processo de ensilagem. O planejamento é fundamental, pois fazer silagem de qualidade envolve custos, riscos e co-

nhecimento. O processo exige rapidez, por isso é muito importante o planejamento. É necessário providenciar tratores, carretas, ensiladeiras e mão de obra em quantidade compatível com a área que será colhida e o número de silos da propriedade. Segundo orientações da Embrapa Gado de Leite, a revisão e a manutenção das máquinas e equipamentos devem ser feitas nas semanas que antecedem a data prevista para iniciar a colheita. É importante que sejam verificadas mangueiras, correias, níveis de óleo, engraxamento, afiação e regulagem das facas e contra-facas.


Caracu

Da Europa para o Brasil

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razida ao Brasil pelos colonizadores portugueses com a primeira entrada datada de 1534, em São Vicente – SP, a raça caracu foi criada durante vários séculos enfrentando dificuldades como a escassez de alimentos, doenças, clima e parasitas. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC), esta pressão de seleção natural moldou os animais chamados crioulos, que são os nativos. Destes foram separados os de pelo amarelo que formaram o Caracu. A ABCC foi fundada em 1916, sendo que antes, em 1909 formou-se o posto de

seleção de raças nacionais caracu e mochos nacional em Nova Odessa –SP. Esta raça contribui significativamente na produção de carne e leite e apresenta crescimento expressivo nas regiões centro e centro-oeste do país, sendo multo utilizada para cruzamento com zebuínos. A raça caracu é de dupla aptidão e pode ser aproveitada por suas potencialidades em sistemas de produção, revertendo investimento em bons lucros. Renilson Leite tem 58 anos e cria a raça desde 1990, em sua propriedade, no muni-

cípio de Divinópolis – MG, onde desenvolve atividades de melhoramento genético e produção de carne com cruzamento industrial. “É uma raça que apresenta rusticidade, adaptação, precocidade e habilidade materna e isso, é vantajoso. Porém, algumas linhagens vindas do sul do Brasil para nossa região tem grande dificuldade com ectoparasita”, esclarece.

Características Essa adaptação a que o produtor se refere é um dos pontos que mais chamam atenção, pois apesar da origem, adaptou-se muito bem aos climas tropical e sub tropical. A raça adaptada apresenta pelo curto, resistência ao calor e a endo e ectoparasitas, facilidade de locomoção, cascos resistentes;umbigo curto e sem prolapso prepúcio; capacidade de digerir fibras grosseiras e facilidade de parto.

Cruzamento Industrial A raça é muito usada para cruzamento e sendo puro produz um mestiço com alto grau de heterose na cruza com vacas zebuínas. Os resultados têm sido animadores, pois competem em igualdade com raças especializadas em qualidade e produtividade de seus mestiços. Em área de baixa tecnologia a grande vantagem é que os touros cobrem naturalmente em regime de campo, facilitando o manejo. Isso, além do baixo custo de implantação e manutenção do sistema de produção de cruzados industriais. Em regime exclusivo de pasto, o peso médio das vacas está em torno de 550 a 750 kg. Os touros pesam ao redor de 1.000 kg a 1.200 kg. Aos dois anos as novilhas atingem cerca de 400 kg, alguns animais chegam a pesar 500 kg. Os bezerros de um ano atingem uma média de 300 kg, devido à boa habilidade materna das matrizes e nascem relativamente pequenos, pesando em média 30 kg, só depois ganhando peso, facilitando o trabalho de parto.

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ExpoBrahman 2017 Premiações, experiência técnica e parcerias Uberaba, em Minas Gerais, foi palco da XIII ExpoBrahman – Exposição Internacional da Raça Brahman – do dia 25 de setembro a 1º de outubro de 2017. O evento aconteceu no Parque Fernando Costa e contou com jul‑ gamentos, leilões, confraternização, integração técnica e reuniões. Dois tipos de disputa são tradicionais na feira. Um é o julgamento e outro o Grande Campeonato. No dia 28 de setembro teve iní‑ cio o julgamento de pista e no dia 1º de outu‑ bro o Grande Campeonato. Já no dia 29 foi a vez do julgamento de campo com o Grande Campeonato no dia 30. O Leilão Virtual Prosperar, ocorrido dia 29, ofer‑ tou cerca de 100 touros Brahman e 10 fêmeas. Consumo Alimentar Residual A médica veterinária, Giovanna Faria de Moraes, apresentou no dia 28, durante a Ex‑ poBrahman, a avaliação genética para CAR (Consumo Alimentar Residual) com base em dados fenotípicos e genealógicos dos animais pertencentes ao rebanho Uberbrahman. Com a avaliação genética, foi possível identificar as melhores linhagens da raça Brahman para utili‑ zação eficiente do alimento. Segundo Giovan‑ na, a avaliação consiste em estimar parâmetros genéticos, identificar e selecionar os animais geneticamente superiores para CAR. Dessa forma, é possível multiplicá‑los por meio de cruzamentos direcionados e assim aumentar a frequência de genes relacionados a maior efici‑ ência alimentar.

O projeto lançado há 8 anos pela fazenda recebeu o nome de Futurity. A visão dos titula‑ res e técnicos envolvidos neste projeto é que o equilíbrio entre adaptação e desempenho nos avanços genéticos deve nortear a gestão das atividades. As ferramentas de seleção utilizadas são as tradicionalmente disponíveis no mer‑ cado, em especial no PMGZ. O diferencial está na maneira em que fazenda conduz e aplica os resultados, levando em consideração além da eficiência alimentar, características produti‑ vas e reprodutivas, para que seja possível triar bovinos equilibrados. O objetivo é fomentar a rentabilidade de quem utiliza essa genética melhorada, entregando um produto final de excelente qualidade. Parceria com Senar Os criatórios da raça Brahman poderão capacitar suas equipes de trabalho via Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. A ACBB firmou parceria com a entidade para

que seus associados tenham acesso a quase 300 cursos oferecidos. O anúncio da parceria foi feito durante a ExpoBrahman pelo geren‑ te regional do Senar Minas, Flávio Henrique Silveira, que aproveitou a solenidade para explicar como a entidade atua. Os cursos são totalmente gratuitos e ocorrem em situações reais de trabalho, dentro das propriedades rurais dos criadores. “Anualmente, o Senar Minas capacita cerca de 200 mil pessoas nas mais diversas áreas. Estamos atendos às novas demandas para oferecer cursos dentro das ne‑ cessidades do setor. Por isso realizamos essa parceria com a ACBB para que mais profissio‑ nais possam ser capacitados.”, informa Silveira.


ITR e valor da terra nua O

ITR – Imposto Territorial Federal foi criado pela Lei nº 9.393, de 19.12.1996, tendo por fato gerador a propriedade ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do município, tendo por base de cálculo o valor fundiário e, como contribuinte, o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. É um tributo cuja competência para sua instituição é da União. Além disso, trata-se de um imposto progressivo, vez que as alíquotas serão fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas, numa tentativa de se atender à sua finalidade social. Dessa forma, o ITR assume um caráter extrafiscal, vez que o legislador constituinte prima pela progressividade, pelo estímulo à produção e pela observância da capacidade contributiva. Em suma, o interesse estatal na criação desse imposto ultrapassa o mero interesse arrecadatório. Apesar de se tratar de um tributo federal, nota-se, desde o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003 (que incorporou o inciso III ao § 4º do art. 153 da Carta Magna), uma espécie de “municipalização” do citado imposto. De fato, o citado dispositivo legal estabelece que o ITR “será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal”. A Lei em referência é a Lei nº 11.250, de 27.12.2005, que em nenhum momento estabeleceu

qualquer excepcionalidade às normas constitucionais e complementares, de natureza tributária, aplicadas ao ITR. Diante dessa flagrante possibilidade de “municipalização” do ITR, vários municípios firmaram convênio com a União para que pudessem, dessa forma, fiscalizar e cobrar o tributo, passando a ficar com 100% da arrecadação do mesmo. Até então, o município participava em 50% da arrecadação do ITR. Sabe-se que quanto maior a propriedade rural, maior será o encargo tributário do ITR. Por outro lado, quanto maior o grau de utilização dessa propriedade na produção agropastoril, menor será o peso da tributação. Isso porque, para o cálculo do tributo, se leva em consideração algumas variantes: valor do imóvel; as benfeitorias, culturas, pastagens e florestas existentes; a área total do imóvel e as áreas de preservação, reserva legal e de interesse ecológico, dentre outras; a área aproveitável, que consiste na área explorável, excluindo-se as áreas ocupadas por benfeitorias e áreas de preservação, reserva legal, etc; a área efetivamente utilizada, representada pela área explorada em atividade agropastoril no ano anterior. Assim sendo, o ITR será apurado mediante aplicação de alíquota sobre o Valor da Terra Nua Tributável, que, por sua vez, resulta da multiplicação do Valor da Terra Nua pelo coeficiente dado pela relação existente entre área total menos as áreas de preservação. Conforme estabelecido no art. 1º da Lei nº 11.250/2005, a União delegou aos municípios conveniados o poder de fiscalizar e arrecadar o ITR, incluindo o procedimen-

to de lançamento dos créditos tributários. Ora, compete exclusivamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Determinar a matéria tributável consiste em identificar a base de cálculo do tributo para sobre ela recair a alíquota, conforme o caso. E é justamente aqui – determinação da base de cálculo – que pode surgir o problema para os proprietários de imóveis rurais. Se a base de cálculo é o valor da terra nua tributável, e esta tem como fundamento o valor venal do imóvel, corre-se o risco de o município fixar um valor diametralmente diverso daquele efetivamente praticado no mercado, podendo inclusive sub-avaliar a metragem das áreas de preservação, reserva legal, de benfeitorias etc., a fim de modificar o Valor da Terra Nua Tributável e o Grau de Utilização, para determinação da alíquota aplicável, dentre outros mecanismos. Os produtores rurais devem dedicar especial atenção aos fatores que impactam o cálculo do tributo. Revisão cuidadosa dos mesmos deve ser realizada e, caso se identifique erros na apuração do ITR, pode ser requerida a restituição do imposto pago à maior, relativo aos últimos cinco anos, ou compensar o valor pago a mais com o ITR devido em relação a exercícios futuros. Amaury Rausch Mainenti Advogado Tributarista e Contador

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Infestação de roedores em propriedades rurais O

s ratos, além de serem responsáveis por grandes prejuízos, são transmissores de uma série de doenças que podem afetar tanto ao homem quanto aos animais. Dentre essas doenças podemos destacar a leptospirose, a salmonelose, a sarna e micoses, hantavirose e tifo. Estes roedores ainda veiculam ácaros e outros ectoparasitas. Quando infestados em fazendas, sítios ou chácaras podem causar grandes prejuízos com a perda econômica oriunda de danos em instalações e equipamentos. As roeduras em maquinários podem gerar curto-circuito. As roeduras também trazem prejuízos no armazenamento de ração e insumos ao contaminar os produtos com fezes, urina e pelos, podendo chegar a uma perda de 10% da ração total consumida pelos animais ali criados . Espécies mais comuns Na zona rural as espécies com maior importância encontradas são três: a conhecida ratazana

(Rattus Norvegicus), o rato preto também conhecido como rato de telhado (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus). Estes tipos vivem onde o homem se estabelece, pois estão sempre próximos a uma grande oferta de alimentos. Dessa forma, onde há criação intensiva de galinha, suínos e gado confinado, há grandes chances de haver infestação caso não haja prevenção ou observação. Infestações de ratos, no entanto, podem ser facilmente detectadas, pois costumam fazer os mesmos caminhos deixando alguns vestígios, tais como fezes, urina, roeduras, trilhas, tocas, ninhos, sons e pegadas. Através da intensidade desses vestígios pode-se inclusive avaliar o grau de infestação dos roedores. Encontrar ratos durante o dia indica infestação muito alta uma vez que esses animais possuem hábitos noturnos. Medidas de prevenção Como prevenir é sempre melhor do que remediar, seguem algumas dicas para os produtores

Citromax

que ainda estão longe desse pesadelo. Aqueles que identificarem sinais de infestação em suas propriedades devem buscar informações técnicas e usar métodos eficazes sob controle, como a utilização de raticidas. A área externa da propriedade precisa estar limpos, sem entulhos e sem materiais acumulados como tijolos, telhas, canos e madeiras. A poda de galhos de árvores que estejam projetados sobre a construção deve estar em dia, assim como matos e gramas devem estar devidamente aparados. Rações, grãos e outros cereais e produtos alimentícios devem estar sempre muito bem armazenados. Empilhamento de sacos de rações devem estar afastados das paredes numa distância mínima de 30 centímetros e colocadas sobre pallets. Também é primordial que rachaduras e brechas em paredes e pisos estejam bem vedadas, assim como os vãos sob as portas ou janelas, com telas ou chapas galvanizadas.


SEÇÃO NATUREZA

Índios

Aldeias pelo Brasil

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pesar das mudanças acontecerem a passos largos algumas comunidades continuam arraigadas a costumes antigos. O maior exemplo disso são os índios que, ao perpetuarem sua cultura, vivem ao modo de seus antepassados. O Brasil abriga grande número de tribos que moram em ocas, não utilizam tecnologia e que precisam abstrair da natureza tudo o que precisam para seu sustento e sobrevivência, desde comida, roupas e objetos, até instrumentos de caça e de diversão. Embora os índios passem uma ideia de serem todos iguais, não é bem assim.

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Os Guaranis brasileiros dividem-se em três grupos: Mbya, Kaiowá e Guarani (ou Nhandeva). Os Guarani e Kaiowá estão em Mato Grosso do Sul. Com uma população de mais de 46 mil índios, possuem costumes comuns como viver em grandes grupos familiares liderados política e religiosamente por um dos avós. Cada grupo fala um dialeto particular e tem suas peculiaridades: a poligamia, por exemplo, é proibida entre os Kaiowás, mas é bem aceita entre os Nhandeva. A terra indígena Ianomâmi, encravada no meio da floresta tropical, é um importante centro de preservação de biodiversidade amazônica, constantemente ameaçado pelos garimpeiros. Os Ianomâmis têm o costume de aglomerar seus membros: várias famílias vivem juntas sob o teto de grandes habitações e geralmente se casam com parentes. Estima-se que a população desses índios seja em torno de 16 mil. Há cerca de 13 mil Xavantes, divididos em aldeias pelo Brasil, dos quais 70 aldeias estão no estado do Mato Grosso e todas seguem o mesmo modelo: casas enfileiradas em forma de semicírculo. Numa das pontas da aldeia, há uma casa reservada à reclusão

de meninos de 10 a 18 anos. É neste local que eles ficam por cinco anos e, ao final do período, saem prontos para a vida adulta com uma festa em comemoração à tradição. Os xavantes costumam pintar o corpo de preto e vermelho, além de usar uma espécie de gravata de algodão nas cerimônias. Com uma população um pouco menor que a dos Xavantes, os Pataxós ganharam projeção nacional em 1997 com a morte do índio Galdino, incendiado por jovens de classe alta de Brasília enquanto dormia em uma rua da capital federal. O ganhapão principal dos pataxós é o artesanato, com peças que misturam madeira, sementes, penas, barro e cipó. Nas festas, costumam dançar o típico auê, servir o mukussuy, que é o peixe assado em folhas de palmeira, e o tradicional kauím, uma espécie de vinho de mandioca.


Expointer E

ntre os dias 26 de agosto e 03 de setembro de 2017, a cidade de Esteio, no Rio Grande do Sul, sediou a 40ª edição da Expointer, considerada uma das maiores mostras agropecuárias da América Latina. O evento aconteceu no Parque de Exposições Assis Brasil e recebeu, em nove dias de feira, mais de 380 mil pessoas que puderam conhecer também a representação de 19 estados e 11 países, com movimentação de R$ 2.035.790.142,62 em negócios. O Parque Assis Brasil tem 45,3 mil metros quadrados de pavilhões cobertos, 70 mil metros quadrados de área de exposição, nove espaços para leilões, auditórios e 19 locais para julgamentos. A estrutura tem também 10 mil vagas de estacionamento, postos médicos, restaurantes, agências bancárias e internet. A programação contou com mais de 280 atrações simultâneas, entre exposições, palestras técnicas, shows e eventos culturais, além dos julgamentos e leilões de animais. A feira contou também com 3.207 animais de argola, de 88 raças diferentes, inscritos nas competições.

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Agricultura familiar em alta Os números revelam um crescimento de aproximadamente 6% na comercialização, em comparação à edição do ano passado. Já o aumento do volume de negócios da Feira da Agricultura Familiar foi de 40% em relação ao ano passado. O único setor que registrou queda em relação à edição anterior foi o de venda de animais, com redução de 12%. Já os negócios no setor de máquinas e implementos agrícolas chegaram a R$ 1.923.226.000,00, um aumento de 0,75% em relação ao ano passado.

Cooperativismo De acordo com o secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcisio Minetto, a edição mostrou a força do cooperativismo. "O pavilhão da Agricultura Familiar é um espaço de saudade da avó e do avô, onde o público se sente à vontade e onde estamos recuperando o consumo pelos produtos das agroindústrias”.

Delegacia especial Durante as festividades da Expointer foi anunciada pelo Governo do Estado a criação de uma delegacia

da Polícia Civil especializada em combater crimes de abigeato, ou seja, combater roubo de gado. O secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo, agradeceu a todos que se empenharam na organização do evento e frisou o mesmo como patrimônio. "Não temos dúvidas de que é uma feira que é patrimônio de todos os gaúchos. Podemos afirmar, com toda certeza, que a 40ª Expointer transcorreu de forma positiva, dentro de um contexto muito real, num ambiente com harmonia, astral positivo e de congregação".

Fechamento com chave de ouro A Prefeitura de Esteio coletou 270 toneladas de resíduos na feira, vistoriou 250 estabelecimento através da Vigilância Sanitária, aplicou vacinas, fizeram 60 atendimentos pelo Procon e obtiveram 15% menos ocorrências, culminando com o fato inédito de nenhum registro de furto durante a feira, além de não haver nenhum caso de prostituição infantil.


meio ambiente

Mata Atlântica

Desmatamento no Brasil

De acordo com informações da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto de Pesquisas Espacias (Inpe), o desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% entre 2015 e 2016, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. Neste mesmo período, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento: 12.288 hectares desmatados, 20% a mais que no período anterior. Minas Gerais aparece em segundo lugar com 7.410 hesctares desmatados. Para o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, a situação é grave e apresenta uma reversão na tendência de queda do desmatamento que já foi registrado em anos anteriores. “O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar”.

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Foto: Welington Pedro de Oliveira

Brasil está na lista dos países com a maior cobertura vegetal do mundo, aliás, estamos em segundo lugar, ficando atrás apenas da Rússia. Mas o desmatamento está reduzindo de forma significativa a cobertura vegetal no território brasileiro. Aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa são desmatadas todos os anos. Os maiores motivos? Derrubadas e incêndios. O desmatamento gera perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, ero-

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sões, emissão de gás carbônico na atmosfera, alterações climáticas e outros fatores prejudiciais. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, até o ano de 2002, ou seja, há 15 anos, a área desmatada na Amazônia era superior ao tamanho de todo o território francês. O mesmo instituto afirmou que a extração de madeira é um dos principais motivos. Segundo pesquisas do Ministério do Meio Ambiente, foi constatado que 80% da extração da madeira na Amazônia ocorrem de forma ilegal.


Piscicultura Produção de tilápias em tanques rede no MT

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o dia 15 de setembro o governador de Mato Grosso, José Taques, assinou decreto que regulamenta a lei da piscicultura no estado, permitindo a criação de Tilápia em tanques rede e viveiros escavados em todo o estado. Com a liberação da criação da tilápia nos tanques, espécie de peixe mais cultivada no país, o estado almeja voltar ao topo do ranking de maior produtor de peixes do Brasil, conferindo assim grande ganho para a cadeia produtiva do peixe e para o estado.

Com a permissão o produtor passa a ter mais uma opção de espécie para criar e diversificar a produção. Além de tudo, a criação de peixe em tanques rede apresenta baixo impacto ao meio ambiente e também ao peixe nativo. O Estado do Mato Grosso é o quarto maior produtor de peixes cultivados do país. O estado produziu 59.900 toneladas em 2016, de acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura, produzido pela Peixe Br – Associação Brasileira da Psicicultura.

Produção e consumo de pescado Brasil Tanto a produção quanto o consumo de pescado no Brasil vem crescendo a cada ano. Dados do IBGE apontam que, em 2015, foram 483 mil toneladas de peixe, com incremento de 1,5% em relação a 2014. De acordo com o Ministério da Agricultura, o consumo de pescado no Brasil - de 14,4 kg por habitante/ano - já superou o recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que é 12 kg, por habitante, a cada ano. Relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado em 2016, estima que o País deve registrar crescimento de 104% na pesca e aquicultura até 2025. Segundo o estudo, o aumento na produção brasileira será o maior registrado na região. Parte dessa produção já tem destino certo: neste ano, a agroindústria de pescados de Sorriso – MT, vai começar a exportar para os Estados Unidos, Portugal e Angola.


Temporada de soja na América do Sul deve bater recordes R

esultado supera em 10 milhões de toneladas a marca alcançada por Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai na temporada anterior. Os dados são da Expedição Safra que informou também que os principais produtores, destes mesmos países, devem colher juntos mais de 177 milhões de toneladas de soja na temporada 2016/17. A maior parte da soja, o que corresponde a 107,8 milhões de toneladas, é oriunda das lavouras brasileiras. O resultado final também foi puxado pelas safras históricas do Paraguai e do Uruguai. Apenas a Argentina, prejudicada pelo clima instável neste ciclo, ficou fora da curva dos recordes. Terceiro maior produtor de soja do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América e do Brasil, o país deve colher 56 milhões de toneladas de soja na temporada 2016/17 – 2,7 milhões de toneladas a menos que no ciclo anterior. De acordo com o integrante da Expedição Safra, Gabriel Azevedo, há pelo menos quatro temporadas o Paraguai persegue a marca de 10 milhões de toneladas do grão, meta que deve, finalmente, ser alcançada neste ciclo. “Os números ainda não estão consolidados, mas tanto o Ministério da Agricultura do país, quanto os produtores, acreditam na conquista”. “No Paraguai, a média nacional é de 49,8 sacas de 60 quilos por hectare, mas

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encontramos produtores colhendo até 80 sacas por hectare em algumas regiões”, destaca Azevedo. No Uruguai, os índices oficiais de produtividade são semelhantes e a média nacional chega a 50 sacas por hectare. O país tem potencial para colher até 3,3 milhões de toneladas da oleaginosa – 1,1 milhão a mais que no ciclo anterior. Porém, o que ainda preocupa os produtores continua sendo o preço. “Entre os países da América do Sul, o Uruguai é o que tem mais condições para expandir área. Isso não acontece devido aos custos de produção, mais altos por serem baseados em dólar, e à pecuária”, explica Azevedo.

Fora da curva As lavouras de soja da Argentina são uma exceção em meio aos bons resultados sul-americanos, pois foram prejudicadas por períodos de seca durante o desenvolvimento das plantas e pelo excesso de chuva no início da colheita. Segundo Azevedo, cerca de 5% das lavouras de soja foram inundadas pelas chuvas de março e abril, o que prejudicou o desenvolvimento da oleaginosa. “Na província de Santa Fé, encontramos agricultores com a soja pronta para ser colhida há 20 dias que não conseguiam

colocar as máquinas no campo. Nessas áreas, já havia registro de perdas pontuais. Mesmo assim a produtividade média do país está alta, em 60 sacas por hectare, puxada principalmente pelas regiões onde não choveu acima do esperado”.


Plantas tóxicas

Atenção redobrada com o gado

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ais de 50 plantas no Brasil são consideradas tóxicas em algum grau para os bovinos e este é, inclusive, um dos principais motivos de perda de bovinos adultos em nosso país. Essas mortes causam impacto porque geralmente acometem mais de um animal ao mesmo tempo. Mas quais são as plantas capazes de causar malefícios, inclusive o óbito? O sorgo, cereal bastante utilizado em ração, faz parte deste grupo por poder apresentar alta quantidade de ácido cianídrico em quantidades tóxicas. Comum em todos os estados brasileiros, o consumo do sorgo com concentração do ácido pode causar distúrbios gastrointestinais. Embora a lista das plantas que podem causar danos à saúde dos bovinos seja extensa, existem aquelas mais comumente associadas a casos de intoxicação natural. Tratam-se

de plantas que atualmente e com relativa frequência são responsabilizadas por quadros de intoxicação natural, nas regiões onde são encontradas em quantidades consideráveis.

Erva-de-rato Também conhecida como Café do mato ou cafezinho, é a planta tóxica mais importante do Brasil. Possui boa palatabilidade, com isso os animais a comem mesmo com forrageiras disponíveis; possui alta toxicidade, podendo causar a morte mesmo quando em pequenas quantidades ingeridas. Os bovinos, quando intoxicados pela planta, morrem subitamente. Aparentemente sadios, caem repentinamente ao chão e morrem em questão de poucos minutos, com respiração ofegante. Antes de caírem, podem apresentar perda de equilíbrio dos membros posteriores, relutância ao andar, tremores musculares, frequentes defecações e micções e pulsação intensa das veias jugulares.

Cipó preto Esta planta ocorre somente na região Sudeste e é também conhecida popularmente como “cipó-ruão”, “cipó-vermelho” ou “cipó-ferro”. Foram registrados grande número de óbitos de rebanhos bovinos em

Erva-de-rato

regiões do Vale do Paraíba, em São Paulo e na região de Governador Valadares, em Minas Gerais. Também foram r4latadas intoxicações no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A partir das importantes perdas econômicas em detrimento da morte dos animais acometidos, foram realizados vários estudos que identificaram como a causa as espécies de Tetrapterys spp. Importante observar que as intoxicações ocorrem em maior frequência na época da seca, quando há falta de pasto e a planta está em fase de brotação, portanto mais palatável. O principal sintoma da intoxicação é o aborto antes ou juntamente com a manifestação clínica: edema de barbela e da região esternal, veia jugular ingurgitada e arritmia cardíaca. Também observam-se fraqueza, letargia, anorexia e dispneia.


Amendoim forrageiro e alfafa Leguminosas perenes para a pastagem de verão

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em só de gramíneas forma-se a pastagem do gado. Várias espécies de plantas podem ser utilizadas para este fim e se dividem de acordo com o período de desenvolvimento: inverno ou verão; quanto ao ciclo de vida: anual ou perene; e quanto à família botânica: gramíneas e as leguminosas. O fato é que, ao escolher uma espécie forrageira deve-se considerar a produtividade e a qualidade nutritiva, além de sua adaptação ao clima e tipo de solo do local. Qualquer que seja a espécie escolhida, é importante o controle de formigas, que podem prejudicar muito o desenvolvimento inicial das plantas. Também durante o período inicial, deve ser feito o controle das chamadas invasoras, ou plantas daninhas. Outro cuidado, principalmente quando o plantio é feito por mudas, é de que haja umidade suficiente no solo. Tanto o amendoim forrageiro quanto a alfafa são boas indicações para a região Sul do Brasil.

Amendoim-forrageiro (Arachis pintoi) Com o ciclo de vida perene, esta leguminosa está ganhando destaque por sua alta produção e qualidade, além da capacidade de sobreviver também no inverno e de competir fortemente com ervas daninhas. Um diferencial do amendoim

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forrageiro é que ele não causa problemas de timpanismo no gado. O timpanismo é uma doença metabólica de animais ruminantes também conhecida por meteorismo ruminal, caracterizada pela distensão acentuada do rúmen e retículo, devido à incapacidade do animal em expulsar os gases produzidos através dos mecanismos fisiológicos normais, que acarreta um quadro de dificuldade respiratória e circulatória, com asfixia e morte do animal.

bermuda, o capim-elefante anão, a hemártria e o capim-nilo, ou ainda com gramíneas anuais de inverno, como a aveia e o azevém. Com as espécies de verão, pode ser implantado junto ou sobre pastagens já estabelecidas. Já as gramíneas de inverno devem ser semeadas em sulcos (plantio direto) sobre a pastagem de amendoim forrageiro já estabelecida. Outra possibilidade é realizar o plantio de mudas de amendoim no início do outono, semeando junto o azevém. .

Plantio

Alfafa (Medicago sativa)

Esta é uma leguminosa perene que vem ganhando destaque por sua alta produção e qualidade, capacidade de competir com invasoras e de sobreviver ao inverno. Diferente de outras leguminosas, não causa problemas de timpanismo no gado. É multiplicada principalmente por mudas, pois as sementes são mais difíceis de encontrar no mercado e possuem preço elevado. Os ramos e estolões (ramos enraizados) são utilizados como mudas e plantados em covas com espaçamento de 50 x 50cm e 15 cm de profundidade. Quando são utilizadas sementes, a quantidade é de 8 a 12 kg por hectare. As variedades existentes no Brasil são Alqueire-1, Amarillo e Belmonte. O amendoim forrageiro pode ser usado em cultivo solteiro, em consorciação com gramíneas perenes de verão como as gramas

Época: Verão Família: Leguminosa Ciclo de vida: Perene Conhecida como "rainha das forrageiras" por sua produtividade e qualidade. Porém, exige solos profundos, sem excesso de umidade e com boa fertilidade, e é sensível a doenças. É utilizada principalmente em corte e para a produção de feno. É semeada no início da primavera ou do outono e a quantidade de sementes é de 15 a 20 kg por hectare. A profundidade de semeadura deve ser de 2 cm ou menos. As sementes precisam ser inoculadas antes da semeadura. A variedade mais utilizada é a Crioula. Os cortes devem ser realizados no início da floração, deixando um resíduo de 6 a 8 cm. É necessário tomar cuidado pois, como outras leguminosas, a alfafa pode causar timpanismo.


Colheitadeiras Velocidade e pouca perda nas colheitas outros problemas, haverá gasto adicional com o combustível. Uma máquina com motor muito mais potente requer mais combustível, mas também um motor muito "fraco” terá que trabalhar em excesso, em rotações mais elevadas e por mais tempo, aumentando o gasto com combustível, além de aumentar o próprio desgaste da colheitadeira, que terá uma vida útil menor do que deveria.

Grandes lavouras

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colheita é uma das etapas mais importantes no processo de produção agrícola, principalmente em médias e grandes lavouras, onde na maioria das vezes a produção assume caráter competitivo que requer alta produtividade. Para contribuir com este cenário a mecanização é peça chave, pois agrega velocidade com poucas perdas, propiciando retorno do capital investido e os lucros da safra rapidamente. As colheitadeiras são itens indispensáveis, mas devem apresentar características

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apropriadas, tanto para o tipo de produção, quanto para o tamanho da área cultivada. Do ponto de vista econômico, é importante que essas máquinas não sejam muito grandes ou potentes acima do necessário e nem tampouco apresentarem características inferiores às das necessidades da lavoura. Não escolher a colheitadeira certa pode levar a um aumento considerável dos custos por hectare e isso, muitas vezes, acaba inviabilizando economicamente a operação. Ao adquirir uma colheitadeira com capacidade inferior, por exemplo, além de

O grau de sofisticação das colheitadeiras deve ser o maior possível em grandes lavouras para que a operação de colheita seja feita com a maior eficiência. Trata-se de um investimento revertido em garantia de alta produtividade, baixas perdas e um maior retorno sobre o investimento feito na lavoura. Contudo, uma colheitadeira que pode ser adequada em uma colheita, pode já não ser na seguinte. Há todo momento surgem lançamentos com funções e especificidades com excelente relação de custo e beneficio. É importante ressaltar que, para melhor adequar uma colheitadeira às suas funções, muitas vezes, basta a instalação de um novo acessório. Os acessórios eletrônicos, por exemplo, são peças que ajudam muito no controle da colheita e aumentam a produtividade das tarefas.


Frutas Opções refrescantes para o verão

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calor já deu o ar da graça, mas é no verão, nossa próxima estação, que ele vem com tudo. Nesta época temos também a temporada de algumas frutas que, além de refrescantes, contém vitaminas, minerais e antioxidantes. Seguindo os princípios da agricultura biológica, a colheita da fruta deve respeitar o ciclo natural da sua produção, pois se colhidas na época certa, nos fornecem os nutrientes necessários ao organismo nessa época. Paralelamente, eles ainda preservam os solos e a diversidade vegetal. Conheça algumas frutas que tem poder refrescante e sobre os benefícios que nos fornecem.

Melão Rico em água e, consequentemente muito hidratante, o melão, apesar de sabor doce, é pobre em açúcar. Fonte de vitamina C, provitamina A, potássio, magnésio, fibra, apresenta baixo valor energético e ajuda a regular o apetite. Consome-se ao natural, com presunto e também em sumos, gelados e compotas.

Melancia

Cereja

Da família do melão, da abóbora e pepino, a melancia tem valor calórico muito reduzido porque o principal componente da melancia é a água. Contém vitaminas A, B6 e C e o seu mineral mais rico é o magnésio. Assim como o melãoé pobre em açúcares e uma excelente fruta para ser consumida ao natural.

A cereja é uma fruta rica em antioxidantes e tem bom teor em fibra, cálcio, ferro e vitaminas A, B e C. Por conter muita água, é diurética e por conter muita fibra, contribui para o bom funcionamento do intestino.

Ameixa Vermelha É uma fruta rica em potássio e em vitaminas A e E. O teor de açúcar da ameixa varia de acordo com o tipo, pois existem centenas delas. A ameixa, como fruto seco, é ainda mais energética. É uma boa opção para sobremesas, bolos e compotas.

Figo Fonte de fibras e potássio, o figo é um fruto altamente energético por ser rico em açúcar. O figo seco é uma boa fonte de cálcio. Por ser muito doce, combina bem com ingredientes salgados e pode compor saborosas entradas.

Morango Fruta pouco calórica, os morangos contém vitaminas C e B9 e alguns minerais, como o ferro e o potássio. As sementes estimulam o trânsito intestinal. Os morangos são um excelente ingrediente para muitas receitas doces e também saladas.

Framboesa É um dos alimentos de origem vegetal com mais alto teor de fibras. Fonte de vitamina C, cálcio, potássio, magnésio, ferro, a framboesa é também rica em antioxidantes. É ótima para ser consumida ao natural, em sobremesas, em bebidas ou num molho para acompanhar carne.

Mirtilo Esta baga está no topo dos frutos antioxidantes, além de ser uma excelente fonte de fibra e de vitaminas C e K. Estas propriedades nutricionais conferem-lhe um poder de antienvelhecimento. O mirtilo é muito versátil e combina com sobremesas, carnes, saladas, chás e licores.


Cebola Produtividade aumentada com irrigação por gotejamento Com o sistema automatizado de irrigação por gotejamento foi possível diminuir o tempo de aplicação da água e garantir que as plantas recebessem a quantidade ideal de nutrientes. "Conseguimos economizar água e mão de obra, pois a automatização reduziu o tempo de aplicação do recurso e diminuiu a necessidade de pessoal operando o sistema", diz. Na plantação de cebola do produtor, a utilização de irrigação e fertirrigação garantiu ganho de 30% na produtividade da cebola, saindo de 45 sacas por hectare, para 65 sacas por hectare, em média, de cebola/ano.

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onstituída por mais de 90% de água a cebola é uma raiz que exige água em sua produção. Desde que bem manejada, a irrigação possibilita o desenvolvimento de bulbos uniformes e de qualidade, além de possibilitar mais de um cultivo por ano. A Embrapa realiza pesquisas que demonstram lucros aos produtores do semiárido brasileiro através de técnicas de irrigação, tais como a fertirrigação e o sistema de irrigação por gotejamento. Os benefícios são tão evidentes que a empresa investe em apoio técnico na implantação dos sistemas que servem como Campo de Aprendizagem Tecnológica (CAT). A empresa implanta o sistema de irrigação e acompanha o cultivo, depois repassa as experiências para outros produtores. O produtor fornece a propriedade, a energia elétrica e a mão de obra, ficando com a produção.

Irrigação por gotejamento Por não molhar as folhas das plantas, no sistema por gotejamento há menor

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ocorrência de doenças da parte aérea, além de pouco interferir nas práticas culturais. Tal sistema leva água e nutrientes diretamente na raiz da planta. Para o cultivo da cebola, os gotejadores devem ser espaçados de modo que se forme uma faixa molhada ao longo da linha de plantio. Pode-se adotar um espaçamento entre gotejadores de 0,30 a 0,60 m para solos de textura grossa, de 0,40 a 0,80 m para textura média e de 0,50 a 1 m para textura fina. Para sistema de cultivo em canteiros, com largura de 1 a 1,2 m, são necessárias de 1 a 3 linhas de gotejadores por canteiro.

Lucro Localizada na bacia do Rio São Francisco (PE), na plantação de cebola do produtor, Gilmar Freire, existe há cinco anos o sistema de irrigação por gotejamento. Todo o controle do recurso natural na propriedade foi modificado. Com isso houve maior potência e aumento da produtividade, o que, consequentemente, gerou ganhos na mão de obra.


SAFRAS E MERCADOS

Café Comercialização da safra 2017\2018 estimada em 44%

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evantamento realizado pela Safra & Mercado revelou que a comercialização da safra de café do Brasil 2017/18 (julho/junho) chegou a 44% até o dia 11 de setembro. Em relação ao mesmo período do ano passado, as vendas estão atrasadas. Na safra2016\2017 as vendas alcançaram 46%, no entanto a comercialização está à frente da média dos últimos 5 anos, que é de 41%. Já foram comercializadas 22,25 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de uma safra 2017/18 de café brasileira de 51,1 milhões de sacas. De acordo com o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, a comercialização ganhou um pouco mais de ritmo, como é normal para essa época do ano. "Mas a vendas seguem bastante cadenciadas e envolvendo pequenos volumes, o que continua passando a sensação de lentidão comercial. O fato é que o produtor busca dosar suas posições, cobrindo necessidades, pois acredita em preços melhores com o andamento da safra". Isso é reflexo de uma safra menor e problemática, que também ajuda a inflar o percentual comprometido por parte do produtor.

Café sem irrigação no Espírito Santo As atuais condições climáticas levaram à proibição da irrigação de lavouras de café em todo o Espírito Santo, já que o estado é o maior produtor de café conilon do Brasil. A medida foi publicada oficialmente no dia 11 de setembro e restabelece o cenário de alerta. De acordo com a Agerh (Agência Estadual de Recursos Hídricos) "a captação de água para fins que não sejam o abaste-

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cimento humano está proibida em todo o Estado durante o dia, das 5 às 18 horas". Não há prazo para suspensão da medida. No ano passado, a mesma medida chegou a ser aprovada pelo governo do estado em meio a uma severa seca que impactou fortemente a produção de conilon. Foi a pior safra dos últimos 10 anos. A colheita da temporada 2017/18 já foi finalizada, com ex-

pectativa de produção entre 6,5 milhões a 8 milhões de sacacas de 60 kg. Os reflexos das intempéries climáticas recentes devem aparecer em 2018/19. Cerca de 80% das lavouras de café do estado utilizam irrigação e as plantas que vão produzir no ano que vem estão em fase de floração. Neste momento, a planta necessita ainda mais de água para desenvolvimento dos frutos.


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oram 12 dias de intensos trabalhos de julgamento e muita qualidade em pista. O quadro de árbitros da ABCCMM trabalhou com afinco para premiar os melhores exemplares da raça na 36ª Nacional do Mangalarga Marchador. Dos 1.600 animais julgados os destaques foram, na Marcha Batida, Dínamo do Conforto, de Condomínio Dínamo do Conforto, Haras Conforto, Sorocaba (SP), que levou o título de Grande Campeão Nacional da Raça. Seu Reservado foi Luar do Malboro, de Maria Helena Pereira da Silva Cazzani, Haras MH, Vassouras (RJ). Entre as fêmeas, ainda na Marcha Batida, sobressaíram Reitora Elfar, de Magdi Shaat, Fazenda Boa Vista, Lavras (MG), como Grande Campeã Nacional da Raça e Florença do MH, de Maria Helena Cazzani, como Reservada. Na Marcha Picada, os principais títulos foram para Poeta do Porto Azul, de Bruno Henry Gregg, Fazenda Rodeio Gaúcho, Araruama (RJ), considerado Campeão Nacional da Raça Marcha Picada, tendo como Reservado Aladim do Kelner, de Bruno Henry Gregg, Fazenda Rodeio Gaúcho, Araruama (RJ). Na categoria fêmeas, a Campeã Nacional da Raça de Marcha Picada foi Mata Grande da Cavalgada, de Luís Guilherme Monteiro de Carvalho, Coudelaria Candelária, Itu (SP) e a Reservada Rampeira Bavária, de José Carlos Martins Filho, Fazenda São Jorge, Campos dos Goytacazes (RJ). O resultado completo da Nacional 2017, incluindo os Campeonatos de Marcha, pode ser visto no site da ABCCMM. Terminada a Nacional, os três melhores expositores na Marcha Batida foram, pela ordem, Maria Helena Cazzani, André Nascimento Monteiro e Cristiana Gutierrez. Na Picada, Bruno Henry Gregg, Luís Guilherme Monteiro de Carvalho e João Ricardo do Valle Sampaio.

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Fotos: Roberto Pinheiro

Os destaques da Nacional do Marchador

Mata Grande da Cavalgada • Campeã Adulta da Raça • Proprietário: Luis Guilherme M. de Carvalho - SP

Poeta do Porto Azul • Campeão Nacional Adulto da Raça • M.P. Prop. Bruno Gregg - RJ

Dínamo do Conforto • Campeão Adulto da Raça • Proprietário: Condomínio Dínamo do Conforto

Luar do Malboro • Reserv. Campeão Adulto da Raça • Proprietária: Maria Helena Cazzani - RJ

Rampeira Bavária • Reserv. Campeã Adulta da Raça M.Picada • Proprietário: José Carlos Martins Filho - RJ

Aladim do Kelner • Reserv. Campeão Nacional Adulto da Raça • M.P. Prop .Bruno Gregg - RJ

Florença do MH • Reserv. Campeã Adulta da Raça • Proprietário: Maria Helena Cazzani - RJ Reitora El far • Campeã Adulta da Raça • Proprietário: Magdi Shaat -MG


Foto: Marcelo Eduardo

Fotos: Renato Aguilar

Estacionamento cheio

Recorde de público

Números que impressionam A

Nacional do Mangalarga Marchador tem se superado ano após ano, não só em qualidade dos animais expostos, organização, confraternização, novidades, produtos, serviços, negócios e até em estruturas que proporcionam maior conforto. Enfim, o evento tem virado a cada edição um desafio de sempre fazer bem e melhor. O que mais surpreende é sua evolução, os números registrados. Em 2017, foram 12 dias exposição e não 11 como nos anos anteriores. Um dia a mais proporcionou um julgamento de pista com mais tranquilidade e mais tempo para os criadores aproveitarem a festa. Em se tratando do número de animais, o Parque da Gameleira recebeu aproximadamente 1.600 Marchadores que vieram de 611 criatórios espalhados por todo o país, mais especificamente de 17 estados da Federação. São eles: AL, BA, CE, DF, ES, GO, MG, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RS, SC, SE, SP. A quantidade de animais só não foi maior pela limitação do parque que passou por obras. Ao todo, 290 caminhões adentraram no Expominas e, com toda a segurança necessária, a maior parte ficou por lá, alojada nos dias do evento. Na gastronomia houve incremento de 30% na variedade de produtos alimentícios. Três cafeterias, churrascaria e restaurantes típicos de comida portuguesa, frutos do mar, japonesa e a tradicional culinária mineira foram estruturados. Lanchonetes, hamburgueria e opções de comida rápida também foram oferecidas. Além disso, foi montada uma choperia completa, com o famoso chope Krug Bier, elaborado pela primeira microcervejaria artesanal de Mi-

nas, que conquistou o paladar dos criadores e participantes da Nacional. Prova disso foram os 1.700 barris, de 50 litros de chope, consumidos durante o evento. Para combinar muita música. Este ano, cerca de 220 mil pessoas passaram pela Nacional 2017. Recorde de público. Não bastasse, o número de participantes nas provas esportivas chegou a 1.127, superando o que foi registrado no ano passado, quando 800 conjuntos se inscreveram.

Um número muito comemorado foi o de associados. Na Nacional, a ABCCMM cravou a marca dos 14 mil sócios. Quase 300 novos criadores ingressaram no grupo fortalecendo ainda mais a entidade como a maior e a mais relevante da América Latina. Para 2018, o desafio já foi lançado, promover uma Nacional ainda mais instigante em números, atrações e negócios.

Haja chope!

Parque da Gameleira movimentado REVISTA MERCADO RURAL

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Fotos: Renato Aguilar e Clau Silva

Leilões da 36ª Nacional do Marchador faturaram mais de R$ 9 milhões

Remate foi bastante prestigiado

Solidariedade com o Marchadores pela Vida Durante o Leilão Marchadores pela Vida, também realizado no Expominas, um dia depois do Santa Esmeralda, foram ofertados 53 lotes que apresentaram arrecadação de quase R$1,5 mi. O evento, de caráter beneficente, é, atualmente, a principal forma de angariar recursos para apoio a instituições de auxílio a crianças em tratamento do câncer e a dependentes químicos carentes. Os lotes em oferta, a maior parte de embriões e coberturas, foram fruto da doação de dezenas de criadores e apoiadores da iniciativa Também foram a venda joias, uma camisa do Serginho do vôlei e um violão da dupla sertaneja Henrique e Juliano. Quem participou não poupou elogios à belíssima festa marcada pela solidariedade.

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ois grandes pregões ocorreram durante a 36ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador e bateram recorde de vendas de leilões realizados durante o evento maior da raça. O Leilão Santa Esmeralda - 40 anos de história realizado dia 24 de julho, com excelente liquidez, registrou o faturamento de R$ 7,6 milhões. Marcado pelo bom gosto em todos os aspectos, da festa aos lotes criteriosamente selecionados, o remate foi realizado no Expominas. Adolfo Géo Filho, criador e anfitrião da noite, deu as boas-vindas aos participantes e, emocionado, agradeceu a fiel parceria dos tratadores que integram a família Santa Esmeralda. Os lotes mais valorizados do pregão foram todos vendidos em cotas de 50%. Vaidade da Santa Esmeralda foi negociada por R$ 800mil, Ultra Elfar por R$ 600 mil e Delicada do Carrossel por R$ 500 mil. Ao todo foram arrematados 74 lotes que apresentaram uma média individual de R$ 102.639,19.

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Venda de coberturas pelo telão

Criadores se solidarizaram com projeto

Encabeçando o Marchadores pela Vida, Paula Reis, Cristiana Gutierrez, Georgina Pena Costa,Vanessa Gomes e Andrea Menegat

Família Géo na abertura do leilão

Animais criteriosamente selecionados


Marchador tem deslanchado no cenário nacional O

mercado de cavalos tem crescido, apesar do momento econômico que o país atravessa. Um estudo, realizado ano passado, aponta que o segmento movimenta anualmente R$ 16,5 bilhões e gera 610 mil empregos diretos e mais de dois milhões de indiretos, sendo responsável por 3 milhões de postos de trabalho. Um dos cases de sucesso desse setor é a raça Mangalarga Marchador, que cresceu quase 10%, em 2016. Prova disso é que a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) tem registrado, por mês, uma média de 170 novos associados. Hoje, ela já conta com mais de 14 mil sócios. O Projeto Avante Marchador tem se incumbido desse expediente. Na agenda de 2017, cidades como Barreira (BA), Paraíso do Tocantins (TO), Cuiabá (MT), Imperatriz (MA) e Xinguara (PA) estiveram na rota. Oportunidade de crescimento nesses rincões, de mostrar as qualidades do Marchador e de divulgação, já que por onde a raça passa notícias e informações são geradas, incluindo até os programas regionais G1, da Rede Globo, que ampliam em demasia a presença do Marchador em determinadas localidades. Não bastasse, outros projetos vêm sendo desenvolvidos como o Genética Campeã,

cujo objetivo é melhorar a qualidade dos exemplares da raça, por meio da utilização de reprodutores de linhagens comprovadas. A realização de leilões chancelados comprova que a raça está em franca ascensão. Em 2015 foram realizados 272 pregões. Em 2016 este número cresceu para 301. E, tudo indica, que a raça fechará 2017 com um número maior desses eventos e um faturamento superior ao registrado nos anos anteriores. Realizado em todas as regiões do Brasil, o projeto “Mangalarga Marchador, um Cavalo para Todos”, desenvolvido pela ABCCMM, já formou, só no primeiro semestre deste ano, 710 alunos. Foram 36 cursos, nas disciplinas Criadores Módulo I e II, Universitário Módulo I e Formação de Mão de obra, incluindo este último as práticas de Casqueamento, Doma e Equitação. Em 2016 foram certificados 273 alunos, nos 33 cursos oferecidos, com uma média 18,43 formandos por curso. Desde 2010, quando o projeto foi implantado, mais de 11 mil criadores, tratadores e universitários se beneficiaram da iniciativa, que leva conhecimento àqueles que estão entrando na raça e aos que já possuem alguma vivência no Marchador. Todos os projetos não teriam repercussão se a Associação não tivesse um forte setor de Comunicação que inclui a produção

de revistas, informativos, o MMTV, que vai ao ar todo domingo às 20h, no canal Rural e o Resenha do Marchador, transmitido, ao vivo, mensalmente, por meio do portal da ABCCMM- plataforma na qual é possível ficar por dentro de todas as notícias da raça. A Associação conta ainda com a Rádio Mangalarga Marchador, que vem sendo idealizada para levar às exposições uma gama de informações ao público.

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Programa Resenha do Marchador novo produto da ABCCMM C

riadores e apaixonados pela raça tem agora um encontro marcado com tudo o que há de mais atual no Mangalarga Marchador. Por meio do portal da ABCCMM, um bate papo com um grupo de renomados comentaristas, mediado pelo jornalista e criador, Paulo Leite, garante informação e interatividade, ao vivo, a todos os interessados.

É o “Resenha do Marchador” que veio com tudo e, logo na estreia, reuniu o expressivo número de quatro mil internautas, que participaram ativamente do programa, durante as duas horas de transmissão. O canal foi inspirado em uma das iniciativas de maior sucesso da Nacional deste ano, que foi a exibição dos julgamentos em pista, ao vivo, comentados. Mais de um milhão de acessos

foram contabilizados. Gente de todo o país e também do exterior acompanharam a festa e o alto nível dos animais classificados. O próximo Resenha do Marchador está marcado para o dia 30 de outubro e você não pode perder! Antes disso, conheça um pouco mais de cada um dos integrantes deste time de comentaristas de primeira qualidade.

Carlos Augusto Sacchi

se tornou bastante conhecido no meio, está sempre envolvido nos eventos e é um grande incentivador do Mangalarga Marchador. “Achei a ideia do Resenha fantástica e participar me enche de satisfação. Como profissional da comunicação, consigo mensurar a grande relevância do conteúdo para os criadores que encontram informação de qualidade, com imparcialidade.”

Pedro Gabriel

Recém-empossado como diretor da Escola Nacional de Árbitros (ENA), Carlos Augusto Cunha Sacchi é médico- veterinário e atuou como árbitro durante 19 anos. Julgou 13 Nacionais e quatro edições do Campeonato Brasileiro de Marcha (CBM). Participou também de quatro Conselhos Deliberativos Técnicos e atuou como instrutor do projeto Marchador para Todos, formando vários alunos. “Levar informação e conhecimento aos criadores é o nosso grande mérito. Por onde tenho andado só ouço elogios em relação ao espaço de interação que se abriu, tanto durante a Nacional quanto agora, com o Resenha do Marchador.”

Paulo Leite O jornalista e criador Paulo Leite é o mediador do Resenha do Marchador. Apaixonado pela raça desde a infância, ele já

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Paulo Mello Mais conhecido por Paulinho Mello, o comentarista nasceu em Caxambu e desenvolveu um vínculo muito grande com a raça desde criança. Associou- se à ABCCMM aos dez anos de idade. É veterinário, consultor e colocou em evidência diversos criatórios que ganharam destaque no cenário nacional. “A ideia de comentar os julgamentos na Nacional veio suprir uma lacuna importante que se dava na transmissão ao vivo. Já o Resenha traz para público a clareza dos critérios utilizados nas classificação dos animais, propõe tratar com mais razão um ambiente onde a paixão é muito grande.”

Na raça há 38 anos, Pedro é criador e atua também como leiloeiro e consultor, por meio da empresa Marchador de Ouro, de sua propriedade. Atualmente, Pedro se dedica plenamente à raça, apesar de ser bacharel em direito. “A grande satisfação de participar de uma iniciativa como esta, da ABCCMM, é poder levar esclarecimento ao criador, seja ele novo ou experiente. Queremos estreitar os canais de interatividade com o público.”

Sandro Drumond Dedicado à raça desde a infância, Fusca, como é mais conhecido no meio, é criador e oferece consultoria a diversos plantéis. É também proprietário da Editora e leiloeira Marcha News, que atua no mercado há mais de dez anos. “O feedback que estamos recebendo é fantástico. É justamente por isso que a gente se cobra, cada vez mais, a fazer um trabalho equilibrado e imparcial. Queremos que o público entenda a raça de maneira mais clara. ”


ENTREVISTA

Daniel Borja À

frente da ABCCMM desde 2016, Daniel Borja comemora os resultados desta edição da Nacional do Marchador. Esta foi exposição dos recordes! Superação de público, movimentação financeira e de expositores são alguns dos exemplos. Em entrevista, o jovem visionário revela os planos que tem para a raça à revista Mercado rural.

Cientes desta realidade, investimos em projetos como o Genética Campeã, que disponibiliza sêmen de garanhões comprovados na raça, a fim de melhorar a qualidade genética de plantéis associados, a custos subsidiados pela ABCCMM. Inclusive, muitos criadores já melhoraram o nível de suas tropas e em breve vão colher os frutos da iniciativa.

Desde o ano passado a Nacional nos surpreende pela proporção que tomou. Como superar cada edição?

Quais outras iniciativas podemos citar como trunfos da gestão da atual diretoria no que diz respeito à Nacional?

Esse é o desafio que nos motiva. A raça está em constante evolução e a exigência é grande por parte dos criadores. Temos o compromisso de propiciar experiências cada vez melhores de relacionamentos no meio e acreditamos que eventos como a Nacional podem oferecer grandes avanços como a abertura de mercados e maior visibilidade para a raça.

Por falar em mercado, foi boa a rentabilidade na 36ª Nacional? Nossa movimentação bateu recorde. Com leilões e vendas diretas atingimos a cifra de R$ 25 milhões de reais. Em um único remate houve um faturamento de R$ 7,6 milhões. Recorde também de arrecadação no Leilão Marchadores pela Vida, já conhecido por seu carácter social. R$ 1,5 milhão de reais estão sendo destinados a casas de apoio a crianças com câncer e dependentes químicos carentes.

Destaco a entrada dos animais no parque. Este sempre foi um dos gargalos da festa, por conta das enormes filas que se formavam na entrada da Gameleira. Este ano abrimos o Expominas para este processo ser mais ágil e o resultado foi incrível. Em menos de 30 minutos os animais recebidos eram inspecionados e podiam se alojar de maneira confortável, assim como toda a equipe de tratadores envolvida no processo. Destaco ainda a transmissão comentada dos julgamentos, em tempo real. Contabilizamos mais de um milhão de acessos em nosso portal, durante a

festa. Gente de toda parte do país e também do exterior, com registros de mais de 30 países.

De fato, o sucesso foi absoluto. E para a frente, o que está sendo pensado? Estamos com vários novos projetos já em execução. Um deles nasceu justamente da transmissão durante a Nacional. Transparência, democratização da informação e imparcialidade estão agora no “Resenha do Marchador”. Um novo programa que conta com a participação dos comentaristas Carlos Sacchi (diretor da ENA), Paulo Mello (veterinário e criador), Pedro Gabriel (criador e consultor) e Sandro Fusca (criador e consultor) a respeito dos mais variados temas da raça e oferece muita interatividade, sempre com a participação de um convidado especial. Estamos focados também na realização do CBM Marcha Picada, em Porto de Galinhas (PE), de 01 a 05 de novembro, e no CBM Marcha Batida, que será realizado em Caxambu (MG), de 14 a 18 de novembro. Nossos planos são intensos e extensos. Do tamanho da nossa raça e da nossa paixão!

Não há que se falar em crise econômica na raça? É claro que a raça sentiu os efeitos da crise. Principalmente os pequenos e médios criadores, por conta do excesso de oferta de animais de qualidade mediana. REVISTA MERCADO RURAL

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Apresentação do mágico Gimenez

Lazer e entretenimento na 36ª Nacional Realizada durante o período de férias da garotada, a 36ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador já entrou na agenda da capital mineira como opção de diversão e lazer para o público jovem. A ABCCMM sempre teve um cuidado especial para proporcionar entretenimento para a criançada e o Espaço Kids e a Fazendinha são atrações das mais disputadas. Ambas atividades, em edições anteriores da Nacional, ocorriam em uma área improvisada próxima à portaria de entrada do metrô. Para proporcionar mais conforto para esse público específico que, normalmente vem acompanhado da família, a Associação decidiu instalar tanto a Fazendinha como o Espaço Kids no galpão Redondo, que era tradicionalmente utilizado para a realização de leilões. Com isso a área infantil foi ampliada. De um lado ficou a Fazendinha, com animais típicos do campo e algumas espécies silvestres e exóticas, como serpentes, aracnídeos e aves. Do outro, vários brinquedos garantiram animação aos pequenos e também aos crescidinhos! Entre as novidades que mais chamaram a atenção do público de todas as idades estavam o touro mecânico e a árvore falante, para “contação” de histórias. No dia 23 de julho o Espaço Kids, recebeu o Mágico Gimenez que deu seu show à parte cercado de crianças e adultos. A apresentação lotou o espaço.

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Test Ride tem público cativo

Espaço Kids foi diversão garantida para a criançada

Outra atividade que desperta o desejo dos pequenos e, porque não dos adultos, é o Test Ride, afinal, quem não sente vontade de dar uma voltinha, um passeio no lombo do melhor cavalo de sela do Brasil. O espaço já é atração carimbada desde 2010 e tem público cativo. Este ano, milhares de pessoas passaram por lá. Quem não conhecia o conforto e a docilidade da raça pode comprovar as qualidades natas do Marchador. Foram disponibilizados dez profissionais para a atividade. Todos capacitados e com atuação no setor agropecuário, para garantir a segurança do público, composto por pessoas de todas as idades. Em média, cada condutor percorreu o circuito do Test Ride 30 vezes por dia. Ao final dos 12 dias de festa, a estimativa dá conta de que aproximadamente 3.500 voltas tenham sido dadas! Uma maratona de experiências muito bem suportada pelo grupo de animais envolvidos, que recebeu tratamento e atenção necessários para garantir o bem-estar dos animais.

Árvore falante atraiu público de todas as idades

Test Ride: uma passeio no melhor cavalo de sela

Espécies exóticas


ECONOMIA

Aves e suínos

Produção impulsiona exportações no Paraná

A

produção de suínos e de aves está alavancando as exportações do Paraná, além de contribuir para a balança comercial brasileira. A produção agropecuária do estado é responsável por 75% das exportações do Paraná e, no ano passado, contribuiu com 13,54% da receita dos produtos do agronegócio na balança comercial. O aumento nas vendas de carne suína para o mercado externo aumentou, em 2016, na ordem de 45%.

Suinocultura O principal mercado para a carne suína brasileira é a Rússia, com 34% de participação. Com 22,8% está Hong-Kong, que é o principal comprador do Paraná. A China voltou a comprar do Brasil em 2016 e tem a marca de compra de 12,2% do volume exportado

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O Paraná é o segundo maior produtor de suínos do país, atrás apenas de Santa Catarina. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a exportação de carne suína foi a que mais cresceu no volume de exportação de carnes paranaenses no ano passado, com quase 94 mil toneladas contra 65 mil toneladas em 2015.

Avicultura A economia do estado tem participação fundamental da avicultura que representa quase 90% da exportação na cadeia de carnes. O Paraná é o maior produtor do país com 30% da produção nacional, e o maior exportador de carne de frango. O setor movimenta quase R$ 15 bilhões por ano e tem como destino principais a Arábia Saudita, China, Emirados Árabes e Japão.

Em 2016, apesar da queda na receita de 2,12%, as exportações aumentaram 4% em volume, segundo dados do Agrostat/Secex e o Sindicarne-PR. Esse aumento equivale, em números mais precisos, à exportação de 1,5 milhão de toneladas de carnes de frango, contra 1,48 milhão de toneladas no ano anterior. A receita caiu de US$ 2,36 bilhões, em 2015, para US$ 2,31 bilhões no ano passado.


Moringa Oleífera Milagre da natureza

O

riginária da Índia, a Moringa Oleífera é uma planta rica em vitaminas e sais minerais. Estudos mais recentes comprovam que esta espécie tem doses consideráveis de vitaminas A, B, C e E, cálcio, proteína e minerais: cromo, cobre, fósforo, ferro, magnésio, manganês, potássio, selênio e zinco. A título de comparação, a Moringa Oleífera, contem sete vezes mais vitamina C que a Laranja e quatro vezes mais cálcio que o leite. Da família Moringaceae é vulgarmente designada como acácia-branca, árvore-rabanete-de-cavalo, cedro, moringueiro e quiabo-de-quina. Por ser a única planta conhecida que floresce todo o ano, é, também, considerada melífera, própria para a criação de abelhas. Seu mel é considerado medicinal e alcança elevado valor no mercado europeu. As flores são muito utilizadas para alimentação de abelhas tipo Europa (Apis) ou as nativas sem ferrão.

Utilização Como se não bastassem estes benefícios, a planta é totalmente aproveitada, das sementes ao tronco. Da semente é extraído um

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óleo similar em qualidade ao azeite de oliva. Já as sementes verdes podem ser consumidas cozidas e servidas na forma de salada. As folhas da moringa são comestíveis, assim como as flores, sendo utilizadas em chás. Na Indonésia há um prato feito das flores que é muito apreciado: Makansufa. As flores são fritas em óleo de coco e imersas em leite de coco, sendo comidas com arroz ou milho. Vitaminas e sucos também podem ser preparados com folhas e flores. As flores são utilizadas em chá medicinal para resfriados. Além de tudo ainda é considerada excelente para tratamento de redução de peso.

Decantador natural Das folhas, flores ou sementes é extraído um produto capaz de tratar a água

para o consumo humano, funcionando como um decantador natural. No nordeste brasileiro a Moringa Oleífera é utilizada para este fim. Pesquisas apontam que o poder de tratamento desta planta é similar aos produtos aos químicos utilizados pelas companhias de tratamento de água.

Mais utilidade Com as cascas se faz artesanato, pois são muito maleáveis e próprias para moldar e fazer cestos e trançados. Pode ser processada para extrair uma fibra utilizada para produção de tapetes. Em muitos países se planta a Moringa para ornamentação, pois é a única planta conhecida que floresce o ano inteiro.


Cana-de-açúcar Épocas de plantio A cana-de-açúcar é uma cultura de grande importância para a pecuária brasileira. Muito cultivada pelos produtores brasileiros, é considerada de fácil manejo, e a simples condução da lavoura gera produção de grandes quantidades de volumoso por unidade de área. O manejo bem feito pode garantir produção de 150 a 200 toneladas/ha de massa verde em um único corte. A época de plantio deve ser baseada no objetivo da sua produção. Controle de pragas e doenças, combate a plantas daninhas, adubação de cobertura e época de corte são algumas das práticas que, se inadequadas, geram baixa produtividade.

Variedades A escolha da variedade a ser cultivada vai depender de uma série de fatores como: resistência a pragas e doenças; ciclo da cultura; época de colheita; fertilidade do solo; área total de plantio; tipo de colheita; época de colheita e o ciclo de maturação. Com base na finalidade do canavial e de acordo com o planejamento anual da fazenda, são definidas três épocas distintas para o plantio da cana-de-açúcar: Cana-de-ano, Cana-de-ano-e-meio e Cana-de-inverno.

Épocas de Plantio Cana de ano Esse método é muito utilizado por pecuaristas com urgência de alimentos para os animais, pois proporciona rápida produção de alimento. O canavial apresenta baixa produtividade no primeiro ano. O plantio da cana é realizado no início da estação chuvosa (outubro a dezembro). A planta tem o seu desenvolvimento paralisado nos meses de março a abril e nos próximos meses inicia-se o processo de maturação. Após o primeiro corte, a cana-soca passa a ter um ciclo de 12 meses.

Cana de ano e meio É um método onde a cultura terá de 15 a 18 meses para se desenvolver, obtendo-se assim altas produtividades logo no primeiro ano. É um método muito usado por usinas e destilarias. É plantada nos primeiros meses do ano (janeiro a março) época em que a planta encontra condições ideais de temperatura e umidade para seu desenvolvimento.

Cana de inverno Adotado em propriedades em que há disponibilidade de irrigação, pois o plantio é realizado na época seca do ano, este canavial apresenta altas produtividades já no primeiro ano, pois é possível controlar a disponibilidade de água no solo.


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Produtos e serviços

Expovet 2017 A maior feira de negócios pet e veterinário de Minas

Nos 7 mil m² da feira, os visitantes encontraram fornecedores das áreas de alimentação, medicamentos, laboratórios, equipamentos e produtos de higiene e beleza. Ofurôs, cremes que alisam pelos, perfumes, roupas de festa, sapatos dentre outros itens foram apresentados aos donos dos pet shops como oportunidade de negócios. Sem contar que esses profissionais encontram ainda novidades em equipamentos e outros serviços exclusivos. Também no local teve um espaço exclusivo dedicado aos Groomers que trouxeram técnicas diferenciadas de tosagem. E uma programação com palestras e workshops variados. "Atentos ao mercado em ascensão, os pet shops estão investindo em produtos criativos e diferenciados para ir além da demanda do consumidor, que está cada vez mais exigente e sempre à procura de novidades. A feira é uma oportunidade de adquirir produtos em primeira mão", destaca Fabiana Braz, organizadora do evento há seis anos.

Congrevet Além da feira de negócios, o evento recebeu a terceira edição do Congresso Veterinário de Minas Gerais - Congrevet, voltado exclusivamente para estudantes e médicos veterinários. O Congrevet trouxe palestrantes nacionais e internacionais, especializados no ramo veterinário, que abordaram temas relacionados à dermatologia, oncologia, nefroulogia, cirurgia, doenças infecciosas entre outros.

Profissionalização

E

ntre os dias 7 e 9 de setembro, aconteceu a 6ª edição da Expovet - Feira de Negócios Pet & Veterinário de Minas Gerais -, um evento direcionado para profissionais dos segmentos pet e vet como lojistas, pet shops, médicos veterinários, clínicas, criadores, ONGs e estudantes de Medicina Veterinária. O evento aconteceu na Expominas em Belo Horizonte (MG) e proporcionou excelente oportunidade de várias marcas apresentarem seus produtos, fomentando vendas e estreitando relações para centenas de visitantes de mais de 300 cidades diferentes.

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O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de população de animais de estimação, com cerca de 132 milhões de pets - cães (52 milhões), aves (38 milhões), felinos (22 milhões) e peixes (18 milhões). De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animas de Estimação (Abinpet), as principais tendências em 2017 do setor pet para as micro e pequenas empresas estão na prestação de serviços e lojas de pet shop, além do desenvolvimento de aplicativos para a busca de cuidadores e hotéis especializados.

De acordo com Fabiana Braz um dos maiores desafios deste mercado é a escassez de mão de obra qualificada. "A feira é sempre bem direcionada para contribuir com melhorias para que os participantes se preparem para atender o cliente e se diferenciarem perante a concorrência. Os profissionais do mercado pet e vet tiveram oportunidades de identificar tanto os nichos quanto as carências para investir no segmento", destaca.


ProChile

País quer aumentar exportações para o Brasil

V

inte e três empresários do Chile estiveram em São Paulo na primeira semana de outubro cumprindo agenda da segunda etapa do programa “Uma despensa para o mundo”. Trata-se de uma nova ferramenta do ProChile que busca a promoção de alimentos e bebidas do país que possuem potencial de exportação. O programa é uma missão comercial onde cada mercado de destino, permite que os exportadores nacionais realizem reuniões de negócios com importadores. Há também vistas técnicas para conhecer in loco toda a logística e o processo de inserção de seus produtos nos países importadores. A qualidade e a versatilidade dos produtos alimentícios chilenos podem ser inclusive demonstrados em uma degustação gastro-

nômica. Para a rota da América Latina o chefe Kurt Schmidt e o sommelier Mariana Martínez, juntamente com renomados chefs locais, - providenciaram uma sessão gastronômica para centenas de convidados, incluindo importadores, líderes de opinião e jornalistas de renome de cada destino. Após São Paulo, a equipe partiu para Bogotá. "Nós escolhemos a América Latina como a segunda via desse programa, dada a relevância que tem para as remessas de comida chilena. O Brasil é o nosso quarto destino global e o primeiro na América Latina, enquanto estamos entre os três principais fornecedores da Colômbia. Estes são mercados estratégicos da região e queremos que nosso setor de exportação continue consolidando sua presença neles", disse Alejandro Buvinic, diretor da ProChile.

Azeite, frutas, salmão e vinho

Bebidas e alimentos chilenos ganharam destaque nas exportações para o Brasil, e ao longo dos anos caíram no gosto dos consumidores. Assim, 97% do salmão importado pelo país é de origem chilena, enquanto 44% dos vinhos que os brasileiros compram no exterior vêm do Chile. O azeite é outro produto que ganhou um reconhecimento importante dos consumidores brasileiros elevando o Chile à quarta posição nas importações desse produto, superando fornecedores consolidados como a Grécia e a Itália. Em 2 de outubro, primeiro dia da visita da comitiva, foi feita visita ao porto de Santos, o principal porto do Brasil e da América Latina, onde chegam 15% dos produtos chilenos. No segundo dia foram realizadas diversas reuniões de negócios com 67 compradores do Brasil, não apenas de São Paulo, mas de nove estados. "Nossa estratégia nesta ocasião é expandir o alcance de nossos exportadores para outros estados brasileiros. O Brasil tem dimensões continentais e, através desta ação comercial, procuramos fortalecer a presença de alimentos neste país", concluiu Maria Julia Riquelme, responsável comercial do Chile no Brasil.


bebidas

Vinho Das uvas vem a bebida dos deuses

O

vinho não é a bebida mais consumida entre nós, brasileiros. Talvez este fato seja um dos responsáveis por tanta gente se assustar e achar que não entende de vinho. As variedades, tanto de vinho quanto de uvas são muitas e isso torna o assunto um pouco complicado, mas nada impossível de entender. Com certeza você conhece ou já ouviu falar em Merlot, Pinot Noir, Chardonnay, Cabernet Sauvignon . Estas são as denominações para os tipos de uva mais utilizadas na fabricação da bebida e, portanto, mais conhecidas. O que muitos não sabem é que existem, em todo mundo, algo em torno de 8 mil tipos de uva. Países produtores como Itália, Grécia, Portugal e França possuem centenas de variedades de uvas. Quanto aos tipos de vinho também existem muitos desde que consideradas a origem do vinho e as técnicas de vinificação. Mas, os mais conhecidos são o tinto, o branco, o rose, os gaseificados ou espumantes, e os especiais que englobam os tipos licorosos. Além disso, ainda resta saber se são doces ou secos. Elaborado a partir da fermentação alcoólica do suco de uvas recém colhidas, o

vinho passa por um processo natural de fermentação que se dá através das leveduras, ou seja, microorganismos que se alimentam do açúcar presente no suco da uva, transformando-o em álcool e dióxido de carbono. Preferencialmente quando as uvas atingem seu estágio ideal de maturação é que devem ser colhidas, garantido dessa forma melhor qualidade da bebida. A maturação das uvas passa por diversas e importantes etapas e duas delas são fundamentais: maturação tecnológica e maturação fenólica. A primeira diz respeito ao acompanhamento de açúcares e acidez, já a outra determina os principais polifenóis: antocianinas e taninos. Ainda assim, o melhor momento para a colheita depende de inúmeros fatores, tais como as condições climáticas, as variedades de uvas e o estilo de vinho que se deseja obter. Assim que as uvas chegam na vinícola, o ideal é que a vinificação seja realizada o mais rápido possível, de modo a aproveitar todo o frescor da fruta e evitar uma fermentação indesejada. No hemisfério norte, a colheita geralmente ocorre entre o início de setembro até o início de novembro e, no hemisfério sul, entre meados de janeiro até o início de março.

Tipos de uvas e vinhos mais conhecidos Cabernet Sauvignon Essa é a uva mais popular para produção de vinhos em todo o mundo. Produz bons vinhos de mesa, geralmente tintos, secos e balanceados no amargor e aroma.

Merlot A uva Merlot se assemelha muito à Cabernet Sauvignon em relação a seu sabor balanceado e suave, porém apresenta um aroma mais frutado e sofisticado. Também elabora vinhos de mesa, tintos e secos.

Pinot Noir A uva Pinot Noir pode ser usada para a elaboração de vinhos de mesa, como também espumantes, em coloração branca ou tinta. É uma uva suave e muito delicada, difícil de ser cultivada, podendo desenvolver vinhos extremamente saborosos ou pouco complexos.

Chardonnay Essa é uma uva branca, considerada uma das mais nobres para a produção de bons vinhos de mesa ou espumantes, de coloração branca e sabor seco ou demi-sec. Além de ser usada para vinhos brancos, é destinada para a preparação de champagnes na França.

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RECEITA Ingredientes • • • • • •

Pão de queijo U

m dos símbolos da culinária brasileira, o pão de queijo é conhecido por todos e desejado pela maioria. Apesar de sua origem ser incerta, especula-se que o pão de queijo tenha nascido nas cozinhas de fazendas mineiras do século XVIII. Naquela época, a farinha branca demorava a chegar às fazendas e, quando finalmente chegava,

estava com a qualidade comprometida. Assim, em substituição à farinha do também delicioso pão com queijo, foi incorporado o polvilho à receita, fato que culminou no pão de queijo que conhecemos hoje. A receita tradicional dos mineiros, aprimorada com o tempo, é esta que você vai conhecer agora.

4 copos (americano) de polvilho 3 copos (americano) de queijo ralado 2 copos (americano) de água 1 copo (americano) de óleo 1 colher (sopa) rasa de sal 6 ovos inteiros (aproximadamente)

Modo de Preparo Coloque o polvilho em uma vasilha. Ferva a água, o óleo e o sal e despeje por cima do polvilho. Misture até amornar. Acrescente o queijo e misture. Vá colocando os ovos um a um até o ponto de enrolar. Asse em forno médio até corar.


automóveis

Caminhonetes Modelos antigos Ford

O

riginárias dos Estados Unidos, as caminhonetes caíram no gosto daqueles que valorizam utilidade e praticidade. A Ford foi referência no modelo que, no início, era simplesmente uma adaptação de carroceria sobre qualquer modelo Ford T. Polivalente e muito robusto, o modelo T fixou no ideal dos americanos e posteriormente para todos, a definição de caminhonete como um veículo resistente, forte e confiável para qualquer situação que fosse considerada difícil. O brasileiro é apaixonado por picapes e essa paixão começou nos anos 60, justamente quando Ford e também a Chevrolet disputavam as atenções com modelos projetados para os Estados Unidos. Até que, na década de 80, vieram as picapes leves que fazem do Brasil um dos poucos mercados consumidores deste tipo de utilitário. A estilização das caminhonetes, grandes, fortes e rústicas, caiu na graça de muitos e hoje são dirigidas tanto por produtores rurais quanto por motoristas que passam a maior parte do tempo na cidade e usam a carroceria apenas para o lazer. 1968

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F1 1952

Os clássicos Algumas caminhonetes ou picapes se tornaram verdadeiros clássicos. Os cobiçados modelos da F1 são exemplos. Acompanhando a evolução vieram as F100 e depois, as F150 e F200.

F1 Em 2013, a gama F-Series da Ford completou 65 anos de trajetória. A primeira picape, F-1, foi lançada em 1948 e, até 1952, nenhuma alteração visual foi feita. Posteriormente o modelo ganhou faróis e painel de instrumentos redesenhados. O motor da versão de entrada era seis-cilindros de 95 cv o da opção de topo era V8.

F100 A linha era produzida nas fábricas de Norfolk e Atlanta, nos Estados Unidos. Em 1958, o motor V8, que era importado, passou a ser feito também no Brasil. Em 1975, foi lançada uma versão F-150, para ficar posicionada entre a F-100 e a F-200. Essa configuração intermediária tornou-se a mais popular da linha.

2012

F150 A mais recente atualização deste modelo ocorreu em 2012, mesmo ano em que a F-250, última versão fabricada no Brasil, deixou de ser produzida. Entre os fatos inusitados, um exemplar de 2009, que pertenceu ao ex-presidente americano George W. Bush foi leiloado em janeiro por US$ 300 mil (Trezentos mil dólares).


DICAS DA AGROSID

Mastite ambiental bovina U

ma das doenças mais comuns nas vacas leiteiras, a mastite bovina é uma inflamação da glândula mamária que provoca mudanças na composição bioquímica do leite e no tecido da glândula. Essa enfermidade tem impacto negativo na qualidade e na quantidade de leite produzido, originando perdas para o setor bovino. Se não se tratada a tempo, pode converter-se em uma doença crônica e fazer com que a vaca precise ser sacrificada. A mastite ambiental é causada por agentes cujo principal reservatório é o ambiente em que a vaca vive, principalmente onde há acúmulo de esterco, urina, barro e camas orgânicas (estreptococos ambientais e os coliformes). Ao contrário da mastite contagiosa, grande parte das infecções ocorre durante o período entre as ordenhas. A mastite é uma doença multifatorial, uma vez que a infecção depende dos germens e das condições ambientas, além das características da vaca. Os micro-organismos invadem o tecido mamário provocando uma inflamação da glândula.

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Sintomas Dependendo dos sintomas pode-se classificar os tipos de mastites. A mastite subclínica é a mais difícil de detectar. Apesar de não se observar alterações nem no leite nem na úbere, a contagem de micro-organismo e de células somáticas é elevada. Já na mastite clínica observa-se uma inflamação do úbere afetado, inclusivamente o animal sente dor ao ser tocado nessa região. O leite apresenta descamações, coágulos, soro descolorido e até mesmo sangue. A mastite aguda põe em risco a vida do animal.Observam-se também sinais generalizados como febre, menos produção de leite ou perda de apetite.

Prevenção Mais importante do que tratar é prevenir. A prevenção da mastite ambiental pode ser eficaz observando-se medidas simples, como por exemplo, manter as tetas sempre limpas e secas. Realizar a ordenha em ambientes bem higienizados e com boa ventilação. Oferecer água e alimentação de

qualidade aos animais também ajuda na prevenção. Manter as vacas de pé algum tempo após a ordenha é outra dica que ajuda a prevenir a mastite ambiental.

Tratamento Quando comparada com a mastite contagiosa, a ambiental é, geralmente, de curta duração com maior tendência a evoluir para um quadro clínico que para a forma subclínica. A maioria das infecções por estreptococos ambientais tem duração menor que 30 dias, e sua prevalência em qualquer período do ano raramente excede 10 a 15% do total de quartos de um rebanho. Entretanto, em rebanhos com CCS maior que 750.000 céls./mL podem ser acometidos por alta prevalência de infecções causadas por estreptococos ambientais. Cerca de 20% das infecções por estreptococos ambientais persistem por mais de 100 dias e evoluem para uma mastite crônica não responsiva ao tratamento com antibióticos, sendo que 40 a 50% delas apresentam sintomas clínicos, freqüentemente moderados e raramente graves.


Turismo

Cidades Históricas de Minas Gerais Uma volta ao passado Que o estado de Minas Gerais é famoso por sua culinária não é segredo pra ninguém, e este diferencial já é um enorme produto turístico. Agora imagine isso aliado às maravilhas arquitetônicas bem preservadas e culturais das cidades históricas, desde a época do Brasil colônia. Passar por estes locais é como uma viagem no tempo com direito a conhecer de perto a história do nosso país. A Revista Mercado Rural selecionou alguns destinos mais conhecidos para apresentar um pouco de suas peculiaridades. Diamantina, Mariana e Ouro Preto são os pontos turísticos mineiros destacados nessa seção. Saiba mais e escolha um, dois, mais ou todos os destinos.

A Vesperata, um dos principais eventos da cidade, é um interessante concerto noturno ao ar livre, onde os músicos tocam sob os balcões dos sobrados da tradicional Rua da Quitanda. Na Praça do Mercado, o Mercado Velho, também conhecido como Mercado do Tropeiro, construído em 1835, chama a atenção por sua arquitetura, de influência árabe. Ele era utilizado pelos tropeiros como pólo de distribuição de mercadorias para o Vale do Jequitinhonha. Em meio às montanhas e serras de Diamantina, há cachoeiras que dão origem a deliciosas piscinas naturais de areias brancas. A cidade conta ainda com uma vasta manifestação cultural, marcada pelo seu famoso carnaval de rua, pela Semana Santa e pela Festa do Padroeiro Santo Antônio.

Mariana

Diamantina Berço do ex-presidente da república Juscelino Kubitschek e de Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, Diamantina está localizada no Vale do Jequitinhonha, e fica a aproximadamente 290 km de Belo Horizonte. O município chama atenção pela exuberante beleza natural que, em harmonia ao seu conservado e majestoso casario do século 18, traduz-se em um maravilhoso cartão postal. A cidade é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938 e, em dezembro de 1999, foi consagrada com o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, outorgado pela UNESCO. Dentre as construções coloniais mais antigas, destacam-se a Igreja Nossa Senhora do Bonfim dos Militares, a Casa da Chica da Silva e o Chafariz do Rosário, entre outros.

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Mariana faz parte do Circuito do Ouro e, chamada de berço da civilização mineira, foi a primeira capital, cidade e vila do estado, sendo também a primeira sede de bispado de Minas. Erguida por entre suntuosas montanhas, tem mais de 300 anos de existência. Fica a 112 km de Belo Horizonte e resguarda grande parte do patrimônio histórico cultural de Minas Gerais. Casarões, igrejas, praças e museus são um grande atrativo. A Casa Setecentista é um admirável exemplo da arquitetura civil do século 18. Mariana também abriga a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. A Mina da Passagem chega a 315 metros de extensão e 120 metros de profundidade, onde se avista um esplêndido lago natural. A descida para as galerias subterrâneas se dá através de um trolley. A Catedral de Nossa Senhora da Assunção Sé de Mariana é datada de 1703, possui fachada em estilo arcaico, painel do altar-mor pintado pelo italiano Lucas Jordane, lavabo da sacristia, risco do pórtico e tapavento de entrada atribuídos ao mestre Aleijadinho. O quadro do batistério é obra de Manuel da Costa Ataíde, maior nome da pintura barroca, que foi batizado na própria igreja.

A manifestação cultural na cidade é grande, com destaque para o Festival de Inverno.O município apresenta nascentes, cachoeiras, grutas e minas, que proporcionam aos amantes da natureza diversas opções como caminhadas e até a prática de esportes radicais com trekking e mountain bike.

Ouro Preto Ladeiras íngremes, casarões coloniais, arquitetura barroca, religiosidade e muita história. Esses são alguns dos marcos do município. Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, com mais de 300 anos, Ouro Preto, localiza-se a 95 km de Belo Horizonte e está entre as cidades históricas mais importantes do país. O município nasceu em 1711, com o nome de Vila Rica. Poucos anos depois, em 1720, foi escolhida como a capital da capitania das Minas Gerais. A cidade serviu como campo de manifestações históricas e culturais na época da descoberta do ouro no país. Foi cenário da Guerra dos Emboabas e do movimento da Inconfidência Mineira, no século 18, em que uma elite dominante lutou contra a exploração do ouro, principalmente da Corte Portuguesa, em favor de melhores condições de vida para o povo brasileiro. Nesse período, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado em praça pública, tornando-se mártir da libertação do povo aos domínios de Portugal. Ouro Preto só manteve sua preservação original devido à mudança da capital para Belo Horizonte, em 1897. A Praça Tiradentes e o imponente Museu da Inconfidência chamam a atenção de quem chega ao centro histórico. A cidade possui diversas igrejas e algumas representam o auge do barroco mineiro, tendência artística da época, com obras de grandes artistas, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Gastronomia e festas também são destaques na cidade. Restaurantes servem pratos da inigualável culinária mineira e, para quem gosta de diversão, Ouro Preto possui uma das mais animadas festas de Carnaval do país. Fonte de pesquisa: http://www.institutoestradareal.com.br


sEÇÃO pET

Faisão e pavão Aves que encantam

F

aisões e pavões fazem parte do mesmo gênero: galliformes, onde também estão inseridos perus e galinhas. São aves exóticas e ornamentais e os faisões são também criados para o abate e consumo de ovos. O mesmo não ocorre com os pavões, que têm a carne considerada dura e sem sabor.

Faisão

Origem e morfologia Originários da Ásia, principalmente da China, Rússia, Nepal, Japão, Himalaia e Tibet, os faisões existem em mais de 40 espécies variadas. De corpo robusto, mas pernas e asas curtas possuem plumagem bem colorida e apresentam grande dimorfismo sexual. Os machos são maiores e de penas mais coloridas e brilhantes. As penas abertas frente a qualquer a ameaça, distrai o predador. Nas épocas de acasalamento, assim como os pavões, realizam grandes exposições, são brigões e polígamos.

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Alimentação e reprodução

Mercado

Alimentam-se de frutas, raízes, insetos, folhas e verduras. A maturidade sexual acontece quando têm entre um e dois anos. Costumam botar de 6 a 25 ovos, que eclodem entre 21 e 28 dias. Um faisão saudável pode viver até 20 anos. No Brasil, em razão das condições climáticas, reproduzem de setembro a janeiro. Os ovos e pratos à base da carne de faisão são muito apreciados e custam valores altos.

O quilo da carne de faisão fica em torno de R$ 40,00 (quarenta reais), já a dúzia dos ovos custam R$ 30,00. Com baixo colesterol e pouca gordura, esses produtos são muito valorizados no mercado. Basicamente estão restritas a açougues especializados em cortes nobres e, nos restaurantes, é item presente apenas em menus de ambientes da alta gastronomia.

Criação

Origem e morfologia

O primeiro passo é a seleção por fenótipo. Não deve haver consanguinidade e para isso, uma maneira, é escolher fêmeas de um lote e machos de outro. A proporção em um viveiro é de um macho para seis fêmeas. Os viveiros devem ter quatro metros quadrados, receberem o sol da manhã e serem desinfetados de tempos em tempos. O piso deve ser de areia e apresentar boa drenagem. As paredes devem ser de tela e alvenaria. O teto também deve ter cobertura de tela e telhas de barro. Os comedouros e bebedouros automáticos devem estar bem dispostos no espaço. A faisoa custa a adaptar-se no cativeiro e a postura é realizada no chão, assim deve sempre haver, ao longo do dia, a captação dos ovos.

Pavão

Eles podem atingir mais de dois metros de comprimento, sendo que apenas a cauda mede em torno de 60 centímetros. O pavão já foi considerado um animal sagrado na Índia. Quem matasse um pavão seria condenado à morte. Hoje esse costume não existe, mas dezenas de pavões andam ainda livremente por certos templos hindus e são alimentados pelos sacerdotes. Preferem viver em árvores, onde, nos topos, passam a noite.


Normalmente, pode-se criar pavões em viveiros coletivos, misturando-se vários machos às fêmeas. Um macho pode cobrir até 3 fêmeas. Quantidade maior que essa não é recomendada, pois pode diminuir a porcentagem de nascimentos. Aqui no Brasil a época de procriação vai de setembro a janeiro. A pavoa é, comprovadamente, uma boa mãe. Tanto que, muitas vezes, na época de choca, ela prefere morrer a deixar o ninho quando atacado por predadores.

Alimentação

O peso do macho é em torno de 3,9 quilos, o da fêmea, 3,3 quilos. O pavão, de um modo geral, é uma ave muito dócil, facilmente adaptável e que pode viver até 30 anos.

Tipos de pavão Reprodução Os machos, na época de acasalamento, demarcam seu território através de brigas onde usam as fortes asas e a espora, mas é raro ver uma disputa sangrenta.

Corteja a fêmea abrindo a cauda e formando um leque. As fêmeas não aparentam estar prestando atenção, mas é então que cada uma faz um ninho, geralmente em uma porção elevada do terreno. Ali põem de 8 a 10 ovos e os chocam cuidadosamente até que os filhotes saiam da casca, um mês depois. Durante o tempo que dura a época do acasalamento, o pavão faz ecoar a sua voz noite e dia, sendo por isso um animal desaconselhado para viver em zonas muito habitadas.

Antigamente pensava-se que se devia oferecer, ao pavão, frutas, queijos e comidas exóticas. Mas precisam de proteína constantemente, por isso, é importante fornecer, sempre, uma ração de boa qualidade, aliado a água limpa e a um ambiente seco e livre de vento. O pavão é uma ave muito territorialista, portanto, sempre que sente o seu território invadido por outro macho da mesma espécie, vai lutar com ele, até que o estranho abandone o seu território. Se, eventualmente, perder uma luta, então se retira, para procurar outro território e lutar pela sua posse.

REVISTA MERCADO RURAL

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exótica

Aves de rapina F

alcões, gaviões, águias, corujas e urubus são aves de rapina exóticas que temos em nosso país, distribuindo-se em 99 espécies, das quais 86 são de ocorrência regular. Essas aves são caracterizadas por serem carnívoras e apresentam algumas modificações para a caça como excelente visão e audição, pico curvo e afiado, garras fortes, voo poderoso e penas resistentes. São encontradas em praticamente todos os continentes e nos mais variados ambientes, desde as matas tropicais até as montanhas mais elevadas. A variedade de formas e hábitos é impressionante, havendo representantes com pouco mais de 50 g até espécies imponentes com mais de 9 kg. Apesar das várias características compartilhadas, as aves de rapina não formam um grupo monofilético, pois agrupa aves pertencentes a linhagens evolutivas distintas. O grupo é formado pelas ordens Accipitriformes (águias e gaviões), Falconiformes (falcões e caracarás), Cathartiformes (urubus e condores) e Strigiformes (corujas).

Os urubus, apesar de não possuírem todas as características de uma ave de rapina e de não serem classificados como tal por alguns autores, é considerado pela maioria das autoridades uma ave de rapina diurna. Predadores de topo, as aves de rapina caçam com destreza e se alimentam de diversas espécies de animais. São responsáveis por boa parte do controle da população de outros animais, muitos deles nocivos ao homem. Além disso, são excelentes bioindicadores de qualidade de ambiente. A presença delas em um ecossistema indica que aquela comunidade esta estável. Ou seja, se há uma população estável de rapinantes, consequentemente há indicação de uma diversidade grande de presas e, onde há diversidade de espécies há um ecossistema em equilíbrio.

Ameaças às aves A degradação ambiental é um dos fatores que contribui para a ameaça à existência dessas aves, uma vez que implica na diminuição de alimentos e locais para construir seus ninhos. O trafico é outra uma grande ameaça para os animais silvestres brasileiros, pois existe uma grande demanda desses animais no mercado ilegal. As aves de rapina também sofrem com essa prática ilegal, o que causa queda da população, além de maus-tratos, desidratação, doenças e fraturas que sofrem quando são capturadas.

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A proximidade do homem com os ambientes naturais faz com que haja maior proximidade também com as aves de rapina. Já que há falta de alimento natural dessas aves, elas atacam animais domésticos, o que faz com o que o homem persiga e mate essas animais.

Falcão peregrino, a ave de rapina mais rápida do mundo Esta é a espécie de falcão mais conhecida em todo o mundo. No Brasil é muito avistado nos meses de outubro ao início de abril, já que são migratórios. Monogâmico e solitário, o Falcão Peregrino se alimenta de outras aves, até mesmo de rapina, e também de morcegos. É considerada a ave de rapina mais rápida do mundo. Não corre risco de extinção.

Águia real, a maior ave de rapina brasileira A fêmea dessa espécie pode atingir um metro de comprimento e até dois metros de envergadura. As águias reais se alimentam de mamíferos tais como cachorros do mato, preguiças, macacos e até mesmo outras aves. Monogâmicas, essas águias botam apenas dois ovos por vez e apenas um sobrevive. O filhote depende dos pais por aproximadamente um ano e isso faz com que essa espécie se reproduza apenas a cada dois anos. Ameaçada de extinção, ocorre atualmente no Brasil apenas na Amazônia, pois precisa de florestas preservadas para sobreviver.


Coruja buraqueira É uma das corujas mais conhecidas do nosso país, pois possui hábitos crepusculares, ou seja, aparece sempre ao cair da noite sendo assim percebida por muitos. Os ninhos dessas corujas são feitos em diferentes tipos de solos, inclusive em locais próximos a praias. Presente em todo o Brasil, com exceção da Bacia Amazônica, alimenta-se de pequenos vertebrados e insetos. Possui baixo risco de extinção.

Gavião-asa-de-telha O comportamento dessa ave é social, fato que a difere das demais. Vivem em bando de três a seis aves e isso acaba facilitando a caça por presas maiores. Caçam pequenos vertebrados como répteis, mamíferos e outras aves. Os ninhos são construídos em plataformas no alto de galhos onde colocam de dois a quatro ovos por vez. Esses gaviões estão por quase todo o território brasileiro, com exceção de alguns estados da região norte.

Como criar

Viveiros

Aves de rapina devem ser compradas em criadouros que tenham documentação regularizada, que também tem de ser providenciada pelo novo criador. O estabelecimento deve possuir autorização do Ibama.

Viveiros feitos de madeira e telas de arame são apropriados para acomodar essas aves. O tamanho depende da quantidade de aves e das espécies na criação, mas não necessita de muito espaço. O diâmetro do poleiro também deve ser

adequado para as espécies criadas. As diversas medidas da instalação podem ser obtidas com um criador experiente.

Alimentação Codornas, camundongos e insetos são a base da alimentação. Antes de serem servidos, os pequenos animais devem ser sacrificados de forma rápida e indolor. As refeições podem ser complementadas com pedaços de carne bovina e de frango. A dieta pode ser reforçada fornecendo aminoácidos, vitaminas, minerais e substâncias nutritivas.

Reprodução Ovíparas, precisam de um ninho para chocar os ovos. O acasalamento vai depender da espécie. Espécies fáceis de reproduzir, como a Falco sparverius, podem procriar com um ano de idade. Os primeiros alimentos para os filhotes são fornecidos diretamente pela mãe, mas o macho colabora na busca pela comida. Fontes de pesquisa: avesderapinadobrasil.com exoticaseinvasoras.blogspot.com.br - http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-criar/ noticia/2013/12/como-criar-falcao.html REVISTA MERCADO RURAL

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EVENTO/exposição

Sucesso com a 36ª Nacional do Marchador P

Andréa Valamel, Ana Clara Santana, Neném Otone e Juliana Starling

Adolfo Geo, Rodrigo Pacheco, Daniel Borja, Mendelssohn de Vasconcelos e Alberto Pinto Coelho Neto

Fotos: Renato Aguilar e Clau Silva

Jonas Oliveira, Alexandre Gonçalves, Daniel Borja, Adolfo Géo Filho, Jaime Tavares Leite, Maurício Zacarias e Wilson de Biasi

romovida pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), de 18 a 29 de julho, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a Exposição Nacional, este ano em sua 36ª edição, foi marcada por intensos trabalhos nas pistas de julgamento, farta e diversificada gastronomia, leilões, além de muita confraternização. Confira a seguir flashes dos melhores momentos.

Vanessa Imaculada, Andrea Menegat e Paula Reis

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Jaime Tavares Leite

Juliana Borja, Daniel Borja, Paulo Henrique Araújo e Andrea Araújo

Lucas Santos, Luiz Opice, Sianga, Yuri Engler, André Aparecido e Moacir Bagarolli

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Carlos Augusto Sacchi, Adolfo Géo e

Marcela Patrus, Lucas Patrus e

Gládma Engler e

Breno Patrus

Valéria Ayres

Paulo Cézar Barreira, Daniel Borja, José Lindolfo Barreira e José Maurício Figueiredo

Eduardo Campos, Sandro Fusca, Sérgio Simão, Henrique Viana e Daniel Lage


GIRO RURAL

Eletricidade a partir da palha de cana-de-açúcar pode suprir 27% do consumo residencial Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou no dia 29 de setembro que a bandeira tarifária de outubro será vermelha patamar 2, o mais caro previsto, e a taxa extra cobrada nas contas de luz vai subir para R$ 3,50 a cada 100 kWh consumidos. É a primeira vez desde 2015, quando o sistema de bandeiras foi criado, que a taxa de R$ 3,50 é cobrada. Cálculos realizados pelo Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) indicam que a geração de bioeletricidade a partir da palha de cana-de-açúcar tem o potencial de produção de 35,5 TWh por ano. Esta quantidade poderia suprir 27% do consumo de eletricidade residencial no Brasil em 2016 ou abastecer quase todas as 28 milhões de residências do Estado de São Paulo. Gerar energia elétrica a partir da palha da cana pode ser uma das alternativas para se alcançar a meta de redução das emissões em 37% até 2025, prevista no RenovaBio, programa do governo federal que visa contribuir para o cumprimento dos Compromissos Nacionalmente Determinados (NDC) pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, em 2015, a partir da promoção dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Esses valores revelam o potencial de contribuição da palha de cana-de-açúcar para o sistema elétrico e para a diversificação da matriz energética brasileira, que é fortemente dependente de fonte hidrológica, cuja contribuição chega a 70% da oferta total de eletricidade.

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Projeto Uva Nossa Uma iniciativa da Famiglia Zanlorenzi, que completa 75 anos em 2017 e hoje é uma das mais importantes indústrias de bebidas do Brasil, está envolvendo cerca de 60 famílias de pequenos produtores, com propriedades localizadas no Rio Grande do Sul e no Paraná, que produzem anualmente cerca de 1 milhão de quilos de uva. Iniciado em 2010, o projeto é intitulado Uva Nossa e surgiu para reavivar a produção vitivinícola principalmente do Paraná, cuja história foi abruptamente interrompida com a praga da pérola-da-terra, que inviabilizou o cultivo de uvas no Paraná por volta da década de 70. Toda a gestão do projeto Uva Nossa é coordenada pela Famiglia Zanlorenzi, que cadastra os produtores, fornece as mudas, possui uma equipe de engenheiros agrônomos dando suporte técnico no campo; além de uma parceria com órgãos públicos para orientar sobre a prática e o manejo de produção em suas diferentes etapas. A Famiglia Zanlorenzi efetuou até agora o plantio em uma área de 50 hectares na Região Metropolitana de Curitiba Desde o começo do projeto, são colhidas, em média, 15 toneladas por hectare em cada safra. Todas as sobras das uvas se transformam em adubo para a terra ou ração animal.

Aditivos naturais auxiliam no desempenho dos animais em período de seca As pastagens escassas e de baixa qualidade, características do inverno e do período de seca, exigem atenção especial no manejo dos bovinos de corte. Isso porque, a maior inclusão de grãos e farelos na alimentação aumenta a exposição às micotoxinas, o que pode prejudicar o desempenho do animal. Complementar a dieta com suplementos proteicos e energéticos contribui para melhorar a produtividade e garantir a rentabilidade nesta época do ano. Entre as suplementações indicadas está a utilização de adsorventes naturais, prática adotada por diversos produtores de gado de corte. Segundo uma pesquisa desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) em parceria com a Alltech do Brasil, bovinos de corte confinados que consomem micotoxinas têm sua saúde e desempenho afetados. O estudo comparou o impacto dessas substâncias tóxicas nos animais com e sem a utilização de adsorventes naturais. O resultado mostrou que os bovinos que consumiram rações contaminadas com micotoxinas e com a adição de adsorvente ganharam 121g de peso médio diário ajustado a mais do que os animais que consumiram as rações sem o suplemento.

Balde Cheio Números superam expectativas A EMBRAPA apresentou os resultados de 2016 do programa Balde Cheio em reunião na FAEMG. Os dados foram levantados em 288 propriedades mineiras e mostram resultados são positivos chegando à conclusão de que a atividade leiteira, mesmo em momento de crise, pode ser rentável. Para o diretor da FAEMG e presidente da Comissão de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, “os indicadores mostram que, além

de competitiva, a atividade nas propriedades assistidas pelo Balde Cheio podem ser menos dramáticas, mesmo em momentos de crise”. A FAEMG tem a gestão o Balde Cheio em Minas Gerais há cerca de dez anos; o programa é um projeto da Embrapa Sudeste, de São Carlos –SP.


GIRO RURAL Parceria: Embrapa e governo da Nova Zelândia fortalece agricultura familiar no Maranhão Proporcionar aumento da produtividade de grãos e melhorar a qualidade do arroz produzido no estado do Maranhão pelos agricultores familiares por meio da divulgação e validação de tecnologias sustentáveis de cultivo, esse é o principal objetivo do

projeto desenvolvido pela Embrapa em parceria com o governo da Nova Zelândia. Com duração de um ano, o projeto prevê a instalação de Unidades Demonstrativas (UDs) nos municípios maranhenses de Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim e Codó. O estado é formado por 217 municípios, dos quais, na safra 2015/16, somam 213 que

Rússia lidera exportação de trigo Terceiro maior exportador de insumos do mundo, atrás apenas da União Europeia e dos EUA, a Rússia deve consolidar a liderança mundial na exportação de trigo. O país tem potencial para colher até 77,5 milhões de toneladas do cereal em 2017, um aumento de 49% nas últimas cinco safras. Este fato vai inundar o mercado externo com 31,5 milhões de toneladas, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA. Os impactos desse cenário no agronegócio brasileiro e sul-americano foram tema do painel “Rússia: grande player do inverno” durante o 5º Fórum de Agricultura da América do Sul. O evento ocorreu no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba- PR, nos dias 24 e 25 de agosto. Na temporada 2015/16, o Brasil produziu 6,72 milhões de toneladas de trigo, mas o consumo interno anual se aproxima de 12 milhões de toneladas, diferença suprida pelas importações. O principal fornecedor brasileiro é a Argentina, seguida pelo Paraguai e o Uruguai.

produziram arroz. A equipe tem como propósito estimular os agricultores a utilizarem em suas propriedades tecnologias sustentáveis no cultivo de arroz, melhorando a rentabilidade do produtor familiar de arroz de terras altas do estado e contribuindo para o desenvolvimento da agricultura sustentável do estado do Maranhão.

Mapa estabelece novos procedimentos para comercialização de produtos de uso veterinário Palmas para Minas Projeto articulado pela FAEMG vai beneficiar o semiárido mineiro e o leste de Minas, incentivando o uso da palma forrageira como alimento para o rebanho. Esse programa vai dar suporte a pequenos produtores no semiárido mineiro. “Palmas para Minas” vai implantar sete Unidades de Multiplicação de Palma Irrigada e fornecer equipamentos de apoio e plantio como trator, picadoras de palmas e resfriadores de leite para pequenos produtores rurais do que sofrem em função da seca prolongada. O programa, articulado pelo Sistema FAEMG, com outras 13 instituições está sendo implantado através de vários parceiros, reunindo um conjunto de atividades que visa fomentar o uso da palma forrageira como alternativa para garantir a segurança alimentar de rebanhos e reduzir os custos de produção em regiões atingidas pela estiagem. A disseminação da palma na região vai garantir a mitigação dos riscos de perdas decorrentes dos períodos de escassez hídrica.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) publicou instrução normativa estabelecendo novos procedimentos para a comercialização das substâncias sujeitas a controle especial quando destinadas ao uso veterinário e dos produtos de uso veterinário que as contenham. A Instrução Normativa (IN) n° 35, publicada no Diário Oficial da União (DOU), do dia 21 de setembro, é válida para todo estabelecimento que fabrique, armazene, comercialize, manipule, distribua, importe e exporte produtos de uso veterinário, bem como aos médicos veterinários que os prescrevam ou os utilizam no exercício da profissão. Na lista de controle foram introduzidas substâncias importantes do ponto de vista de saúde pública e retiradas as que não apresentam risco que justifique a sua manutenção na categoria de controlados. REVISTA MERCADO RURAL

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giro rural Diretoria da FAEMG eleita para triênio 2017/2020 Principais frigoríficos de carne processada voltam a exportar para os EUA

Foi eleita recentemente, para novo mandato de três anos, a diretoria-executiva da FAEMG, liderada pelo presidente Roberto Simões. Chapa única, a aprovação somou 99% dos 184 votos válidos. A posse está marcada para 28 de novembro, em BH. À frente da entidade desde 2005, Roberto Simões destaca que o triênio 2017/2020 será marcado por novos projetos de inovação e tecnologia: “Estamos entrando em uma nova era, de informatiza-

ção do agronegócio e de modernização do sistema sindical. Será momento de buscarmos cada vez mais participação dos Sindicatos e de oferecermos mais serviços, fortalecendo nosso sistema e reinventando o papel desse novo sindicalismo, tendo em vista, especialmente, as possíveis mudanças que virão com a reforma trabalhista”. Rodrigo Alvim é o 1° diretor Secretário e Breno Mesquita o 1º diretor Tesoureiro.

Autoridades sanitárias do Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos comunicaram o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que o Brasil poderá restabelecer as exportações ao país de cinco frigoríficos para produção de carne termoprocessada. As cinco unidades foram embargadas preventivamente pelo Ministério da Agricultura por problemas como rompimento de embalagens. A medida foi tomada com o objetivo de evitar eventual embargo total dessa exportação.

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09 a 14/10 10 a 15/10 11 a 15/10 12 a 15/10 14 e 15/10 17 e 18/10 28/10 29/10 01 a 05/11 09 a 12/11 15 a 20/11 14 a 18/11 17 a 19/11 15 a 19/11 19/11 22 a 24/11 25/11 a 03/12 01 e 02/12 06/12 08 a 10/12 16 a 18/12 SETEMBRO 2017

37ª Semana da Nacional do Cavalo Campolina 17ª Aceruva – Feira Regional da Acerola e da Uva 12ª ExpoToledo 3ª Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador Núcleo Bandeirante 57ª Feira dos Produtores 2º Congresso das Mulheres do Agronegócio 4º Encontro Técnico da Cultura do Café 3º Festival do Café 1ª Exposição de Porto de Galinhas 6ª Exposição Especial de Caprinos e Ovinos 43ª Exposição Agropastoril, Industrial, Comercial e Cultural. 31º Campeonato Brasileiro de Marcha - CBM 5ª Pet Fair 1ª Festa do Peão de Curvelo 17º Remate de Touros 15ª Feira de Primavera 28ª Fenagro 16ª Expovinos de Verão Encontro dos Apicultores e Meliponicultores 16ª Festival do Cavalo 12ª Expo Banana

Belo Horizonte Junqueirópolis Toledo Bragança Paulista

MG SP PR SP

Curitibanos São Paulo Garça Poços de Caldas Porto de Galinhas Chorrochó Rio Grande Caxambú São José dos Campos Curvelo Herval Alegrete Salvador Cachoeira do Sul São Paulo Alagoinhas Sete Barras

SC SP SP MG PE BA RS MG SP MG RS RS BA RS SP BA SP


Revista Mercado Rural  

Edição de Setembro de 2017

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