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SETEMBRO - 2015 • Nº 16

Nacional Mangalarga Marchador e Pampa Expointer Semana Internacional do Café Festa do Peão de Barretos

Entrevista: Roberto Simões, presidente da FAEMG Bovinos: Charolês e Galloway

Haras Capim Santo Garanhões Trilho da Zizica e Lobo da Pedra Verde são destaques na tropa


REVISTA MERCADO RURAL

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S E T E M B R O - 2015 E D I TO R IAL Redação Unique Comunicação e Eventos Tel.: (31) 3063-0208 marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Geral Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Jornalista responsável Tatiana Vieira - MTB 14.525/MG editorial.mercadorural@gmail.com Direção de Arte Otávio Vieira Lucinda otavio.vieira@mobtechsolucoes.com.br Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey www.revistamercadorural.com.br A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

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Chegamos à 16ª edição da Revista Mercado Rural e estamos muito satisfeitos com o produto final que oferecemos aos nossos leitores. A cada edição, temos nos dedicado e esforçado para produzir um conteúdo de qualidade e bem diversificado, que busque atender aos vários ramos do agronegócio. Atravessamos um momento conturbado, com uma crise generalizada que tem afetado a economia brasileira. Entretanto, o agronegócio está, cada dia mais, se mostrando com grande força nessa conjuntura, destacando-se e crescendo em diversos setores. Gostaria de agradecer aos anunciantes e parceiros da revista, pela confiança em nosso trabalho e por estampar a sua marca e divulgar os seus produtos na Mercado Rural. Estamos todos juntos, superando esse momento difícil, pois acreditamos no mercado do agronegócio brasileiro. O destaque desta edição é o Haras Capim Santo, que tem como principal cartão de visitas o cavalo Trilho da Zizica, um dos maiores nomes da raça Mangalarga Marchador no Brasil. O haras, que se sobressai na venda de coberturas, potros, potras, matrizes e doadoras, também conta com outros animais de genética diferenciada, como o Lobo da Pedra Verde e o Nilo Sarimar. Na nossa matéria de capa, falamos sobre o empreendimento e os principais garanhões da tropa. Também abordamos a raça de equinos Crioulos e a sua expansão em Minas Gerais. No ramo dos bovinos, falamos do gado Charolês, famoso por sua fácil adaptação, rusticidade e carne de qualidade, e do gado Galloway, considerado o bovino mais bonito do mundo. Abordamos, ainda, os principais eventos do agronegócio que aconteceram no segundo trimestre de 2015. Na seção Como Fazer, damos dicas de como montar um cerca elétrica rural, e na editoria Meio Ambiente, trazemos detalhes sobre o carvão ecológico. Além disso, apresentamos matérias sobre o plantio direto, o controle biológico da mosca-da-fruta, as vantagens da agroindústria familiar e dicas sobre o crédito rural. Na Seção Pet, falamos sobre as mini galinhas, e as iguanas ganharam as páginas da editoria Exóticos. No Turismo Rural, apresentamos o Zorah Beach, um incrível hotel com decoração asiática no litoral cearense. A bebida de destaque é o aluá, considerado o primeiro refrigerante natural brasileiro. Já a receita vem da tradição alemã no Rio Grande do Sul, a cuca crocante de banana com farofa. Esses e outros assuntos foram selecionados e apurados com todo o rigor para que a nossa revista continue como referência em informação atual e de qualidade. Aproveite bastante esta nova edição! Boa leitura!

Parabéns pela revista. Está cada vez melhor... Celso Fernando Dias - Pelotas, RS Recebi a revista aqui em casa... Muito obrigado e parabéns pelo excelente trabalho de vocês! Igor Torres Dutra - Trindade, GO

Marcelo Lamounier

Marcelo, recebi a revista e essa edição está maravilhosa! A Mercado Rural está cada dia melhor! Parabéns à você e à equipe! Amanda Ribeiro Belo Horizonte, MG

A revista chegou, muito obrigada! Como sempre impecável e com matérias interessantes... Parabéns! Gabriella Rabelo - Bebedouro, SP Recebi a revista, cada edição é melhor que a outra, sempre maravilhosas! Parabéns a toda equipe, principalmente pelas matérias sobre o Marchador, raça que é uma das minhas paixões. Parabéns! Kamila Neves - Angelândia, MG


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Entrevista: ROBERTO SIMÕES, presidente da FAEMG

PERSONAGEM: Luciana Maluf COMO FAZER: instalação de cerca elétrica rural AGROINDÚSTRIA FAMILIAR: empreendimento garante emprego e renda à população do campo e reduz as migrações para o meio urbano

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Controle biológico da MOSCA-DA-FRUTA

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O PLANTIO EFICAZ DA SOJA: cuidados no pré-plantio garantem uma boa safra

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GADO CHAROLÊS: raça diferencia-se por sua rusticidade, fácil adaptação e carne de qualidade

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PORTAL DE CONSULTAS FITOSSANITÁRIAS GRATUITAS contribui para uso correto de defensivos agrícolas

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GALLOWAY: destaque na fazenda vacaquá, raça bovina é conhecida como a mais bonita do mundo

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FEIJÃO-DE-CORDA: leguminosa típica do Norte e Nordeste brasileiros possui alto valor nutritivo e pouca exigência para o cultivo

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Componente do SORO DO LEITE pode trazer benefícios à saúde

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MEIO AMBIENTE: Carvão ecológico

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Nacional do MANGALARGA MARCHADOR movimenta R$ 11 milhões

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PLANTIO DIRETO: sistema garante boa cobertura e proteção do solo, além de reduzir os impactos ambientais e os custos de produção

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CAVALOS CRIOULOS ganham espaço em Minas Gerais

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RECEITA: Cuca crocante de banana com farofa

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ENAPAMPA 2015: a festa do cavalo Pampa

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BEBIDAS: Aluá - bebida originária dos índios da Amazônia é feita a partir da fermentação da casca do abacaxi, do milho ou do arroz

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GESSO ajuda no aumento da PRODUÇÃO DE MEL

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HARAS CAPIM SANTO: Garanhões Trilho da Zizica e Lobo da Pedra Verde são destaques na tropa

AUTOMÓVEIS: Duster Oroch - novo modelo da Renaut reúne a versatilidade de uma picape e o conforto interno

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TURISMO: Zorah Beach empreendimento que une a exuberância da Ásia às belezas do litoral cearense

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SEÇÃO PET: Mini galinhas

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CRIAÇÕES EXÓTICAS: Iguana

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EVENTO: Marcelo Lamounier comemora seu aniversário no restaurante Boi Vitório

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GIRO RURAL

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AGENDA RURAL

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EXPOINTER 2015 encerra com R$ 1,70 bilhão em negócios

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60ª FESTA DO PEÃO DE BARRETOS

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ECONOMIA: Crédito Rural 2015/2016 - crise, alta do dólar e seca impõem dificuldades aos produtores

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INDÚSTRIA PET ALIMENTÍCIA crescerá dois dígitos em 2015

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3ªª SEMANA INTERNACIONAL DO CAFÉ: evento estimula desenvolvimento da cadeira cafeeira

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ENTREVISTA

Roberto Simões Presidente da FAEMG fala sobre a sua atual gestão, estratégias para a melhoria da produção agropecuária e os desafios futuros do agronegócio mineiro

Atual presidente da FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), Roberto Simões é natural de Paraopeba. Formou-se engenheiro agrônomo em 1965, na UFV (Universidade Federal de Viçosa) e, em 1970, obteve o título de Magister Scientiae em Economia Rural, também pela UFV. Roberto iniciou sua vida profissional na Secretaria de Estado de Agricultura de Minas Gerais, como diretor-geral do Centro de Estudos Rurais, entre 1966 e 1974. De lá pra cá, ocupou outros cargos de destaque, sendo eleito, em 2005, para presidir a FAEMG. Ao mesmo tempo, assumiu a presidência do Sebrae-MG (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais). Reelegeu-se para a presidência da Federação, para os períodos 2008-2011 e 2012-2014; e do Sebrae-MG, para o biênio 2009-2010. Atualmente, além de presidir o SISTEMA FAEMG, é vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). A Mercado Rural conversou com Roberto sobre diversos temas relevantes para a agropecuária em Minas Gerais e no país e também sobre a sua gestão. Acompanhe a entrevista.

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MR: Neste novo mandato do senhor enquanto presidente da FAEMG (triênio 2014/2017), quais tem sido as suas prioridades? Roberto Simões: Estamos atuando prioritariamente na consolidação de ações visando o aumento da produção, com

preservação ambiental, mais tecnologia e inovação para elevar a competitividade dos produtores rurais e a busca pela modernização da legislação trabalhista. Temos focado esforços no fortalecimento dos Sindicatos e o atendimento das necessidades regionais. Outra prioridade é o fortalecimento dos nossos bem-sucedidos programas Balde Cheio e Café Forte, na continuidade do Soja Plus e no novo programa Nosso Ambiente. O fortalecimento das nossas entidades Senar Minas e INAES também continua pautando nosso trabalho, com a ampliação dos programas de capacitação do homem do campo, seus familiares e empregados e de pesquisa para o desenvolvimento da agropecuária. MR: Atualmente, o Brasil vive um momento de crise de confiança generalizada, também sentida pelo meio rural. Como a FAEMG tem atuado nesta fase e quais as medidas que a entidade tem cobrado do governo?


Roberto Simões: Estamos sistematizando, por meio dos nossos sindicatos, a identificação de problemas locais, produzindo e encaminhando análises técnicas às esferas de decisão. Temos trabalhado muito na aproximação, especialmente este ano, com a Secretaria de Agricultura e Pecuária e entidades vinculadas, e com a Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da ALMG, para mostrarmos os problemas que têm impactado o setor, como os desdobramentos da seca, a insegurança no campo, e questões de crédito e renegociação. Também temos trabalhado no diálogo com o governo federal, via CNA, levando continuamente o posicionamento de Minas sobre os mais diversos temas. Exemplos este ano têm sido o encaminhamento sobre a necessidade de repactuação das dívidas e o pleito pela adequação do sistema mineiro do Cadastro Ambiental Rural - CAR e compatibilização com sistema nacional. MR: Muito se fala sobre a importância de uma política agrícola de longo prazo. Como seria a implementação dessa política e quais seriam as suas principais peculiaridades? Roberto Simões: Países desenvolvidos reconhecem a importância de planejar e fortalecer ações de fomento e estabilidade para a produção de alimentos. Nos EUA, a legislação agrícola conhecida como Farm Bill tem duração de cinco anos. Na União Europeia, a PAC (Política Agrícola Comum) vale por período ainda maior,

O produtor rural mineiro tem cumprido seu papel com grande eficiência, apesar das dificuldades que encontramos. oito anos. Por aqui, um dos mais fortes e expressivos setores da economia, o agronegócio tem índices de crescimento que – na falta de uma política agrícola – se sustentam quase que por vontade própria. É preciso consolidar como prioridades (e de fortalecimento contínuo) os investimentos em infraestrutura, os programas de garantia de renda e políticas anticíclicas (previsibilidade, para tentar reduzir a níveis suportáveis os riscos da agricultura), seguro agrícola eficiente, créditos compatíveis com a atividade, investimentos em logística, rotas de exportação, transportes e armazenamento da produção, em pesquisa aplicada e inovação e, finalmente, assistência técnica competente.

MR: Como a FAEMG tem atuado para garantir que a produção agropecuária em Minas seja ambientalmente sustentável? Roberto Simões: O carro-chefe destes novos tempos é o programa Balde Cheio, criado pela Embrapa e implantado pela FAEMG no estado há sete anos. Com a orientação dos técnicos e implantação de medidas bastante simples, o produtor passa a produzir muito mais leite em área menor, o que reduz a pressão ambiental, os custos e aumenta os lucros. Em alguns casos, o ganho de produtividade chega a 1.000%. Também estamos estruturando programa semelhante voltado à pecuária de corte e, progressivamente, a outras atividades agropecuárias. Exemplo é o Soja Plus, que implantamos no estado ano passado, em parceria com a Abiove. Além disso, lançamos em junho o programa Nosso Ambiente, uma agenda contínua de projetos e ações de fortalecimento do desenvolvimento agropecuário sustentável em um grande programa. Os produtores também são orientados através das capacitações, tanto nos programas da FAEMG que acabamos de lembrar, como nos diversos cursos e ações promovidas pelo Senar Minas em todo o estado. MR: A produção do café encerrou a safra recentemente e já deve desenvolver estratégias para a colheita seguinte. Quais serão os desafios para a próxima safra? Roberto Simões: A safra atual foi marcada por forte aumento nos custos de produ-

A Unique Comunicação e Eventos atua há 8 anos no agronegócio, prestando com excelência e qualidade seus serviços. Atenta à crescente demanda do setor, a empresa especializou-se no ramo de organização de leilões e divulgação de projetos voltados para o agronegócio.

Contato: (31) 3063-0208 • 9198-4522 Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br

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ção e problemas climáticos. O longo período sem chuva e a temperatura muito acima da média histórica resultaram na ocorrência de grãos miúdos, com perda em quantidade e qualidade. Ao final do processo, os produtores ainda amargaram queda nos preços pela saca. Diante desse cenário, os principais desafios serão: administrar, de forma estratégica, o escoamento da produção, realizar uma gestão otimizada do caixa e ainda planejar e investir na próxima safra. É importante que ele elenque prioridades e alternativas rentáveis, como a produção de cafés especiais. MR: No mês passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou a abertura do mercado chinês para o leite brasileiro. Como superar as dificuldades para que o produto chegue ao mercado internacional com preços competitivos?

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Roberto Simões: A abertura de novos mercados é fundamental, mas precisamos resolver gargalos antes de ampliar a produção. É necessário que se invista em melhorias da qualidade, produtividade e gestão para que o produto chegue ao mercado externo com preços competitivos frente aos demais países produtores. Outro desafio é ampliar o volume de sólidos no leite, já que exportaremos leite em pó, queijos e leite condensando. Enquanto no Brasil são gastos em média 8,5 litros para produzir um quilo de queijo, na Nova Zelândia são necessários apenas 7,5 litros, o que torna o produto brasileiro mais caro. E o Ministério da Agricultura precisa dar condições de trabalho aos fiscais federais, garantindo a questão da sanidade para que possamos permanecer nos mercados já conquistados e avançar em novos mercados.

MR: Ao seu ver, qual o principal desafio da produção agropecuária mineira neste momento? Roberto Simões: O produtor rural mineiro tem cumprido seu papel com grande eficiência, apesar das dificuldades que encontramos. Mas, claro, podemos ir além. Precisamos manter o crescimento que viemos conquistando, capacitando o produtor e lhe dando condições para que possa, cada vez mais, se adequar às diversas situações que vierem. Possibilitar que ele mantenha-se no campo, contratando pessoas, produzindo cada vez mais e melhor, com mais tecnologia, preservando e recuperando áreas pelo manejo adequado do solo e da agua. E vamos continuar atentos aos pontos que ainda não foram solucionados pelo governo, nas áreas de segurança no campo, marcos jurídicos, infraestrutura e logística. Tudo isso são grandes desafios.


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PERSONAGEM

A persistência como chave para o

sucesso

Conheça a trajetória da empresária Luciana Prata Maluf, os desafios enfrentados e como ela chegou à plena realização pessoal e profissional Charles Chaplin já dizia: “o mundo pertence àquele que se atreve”. Abraçar a vida e as oportunidades com paixão faz toda a diferença na construção de um sonho. E foi desta forma que a empresária Luciana Prata Maluf, 43, mãe de três filhos pequenos, escreveu sua história de sucesso: herdando a paixão pelo agronegócio, presente em três gerações de sua família – bisavô, avô e pai –, enfrentando as dificuldades que o destino impôs e apostando em persistência e criatividade. Hoje, ela possui duas propriedades, a Fazenda Riachão da Três Marias, em Felixlândia/MG, e a Fazenda Perobas, em Comendador Gomes/MG. Sua principal aposta de negócio é o mogno africano, cultivado e extraído com um zelo especial ao meio ambiente. Prova disso é a sua empresa de Consultoria Ambiental, a Respira Mais, que enaltece a preocupação

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de Luciana em desenvolver um trabalho de respeito e preservação da natureza. Tudo começou ainda na infância. A empresária conta, com orgulho, que “tem o pé vermelho”, pois cresceu em uma família que sempre acreditou na terra e nos negócios dela decorrentes. Para permanecer em contato com as fazendas, Luciana teve que percorrer uma trajetória inicial repleta de desafios. O pai faleceu em um acidente de carro, em 1997, deixando ela e os irmãos, com idades entre 20 e 25 anos, com a missão de dar continuidade ao trabalho no campo. “Na época, o caminho mais fácil teria sido vender a fazenda, mas a paixão é algo mesmo inexplicável! Sequer pensamos nesta possibilidade”, diz. Ela e os irmãos assumiram o trabalho das fazendas e, paralelamente a isso, a empresária trabalhava em uma multinacional, o que

exigiu-lhe um empenho ainda maior para manter vivo o sonho de seu pai. Luciana conta que, algum tempo depois, a parceria com os irmãos se desfez naturalmente. Ela reconhece que já admirava muito seus irmãos, mas os anos de sociedade e, principalmente, a “cisão”, foram fundamentais para que pudesse os conhecer e amar ainda mais. Após a divisão das terras, Luciana e o marido resolveram vender o gado e investir no plantio de eucalipto, cujo mercado era atrativo e o futuro promissor. “Por ser um investimento de longo prazo, esta nova atividade não arcava com os custos mensais da fazenda. Então, resolvemos investir em um viveiro de mudas clonais de mogno africano”, relembra. Naquele momento, Luciana não imaginava que daria um importante passo rumo ao sucesso de seu negócio e à


sua realização pessoal e profissional. Foi assim que surgiu o Viveiro Origem, há cinco anos consolidado no mercado de mudas clonais. Para a empresária, o investimento nesse ramo foi mais que uma estratégia de negócio; ela e o marido apostaram em algo que realmente acreditavam: o plantio de árvores de ciclo longo e que contribuísse para a redução do aquecimento global. Luciana relata com grande entusiasmo que, recentemente, estabeleceu uma parceria com o professor Ítalo Falesi, precursor do mogno africano no Brasil e uma das maiores referências no assunto. A proposta é fazer um clone diferenciado das melhores e mais antigas matrizes do país, cujas árvores estão sob os cuidados do professor des-

de que foram plantadas, há quase 40 anos. “Certamente, estes clones produzirão excelentes exemplares de mogno africano kaya ivorensis e conquistarão o mercado”, aposta. Um forte princípio que Luciana sempre priorizou é a sustentabilidade. A empresária, que investe no reaproveitamento de água e redução desperdícios, idealizou, há dois anos, um novo projeto, o qual julga “ainda mais desafiador e mais apaixonante”. Através da empresa Respira Mais Consultoria Ambiental, Luciana desenvolve planos ambientais e sociais que visam o reaproveitamento de resíduos para artesanato de qualidade e plantios monitorados para neutrocarbonização das emissões de CO2 de seus clientes. Segundo a empresária, o

novo empreendimento “já nasceu abençoado”, dado os seus compromissos agregados: “Respira Carbono Neutro, Respira Solidariedade e Respira Dignidade”. Hoje, Luciana se considera realizada pessoal e profissionalmente, embora mantenha uma rotina bastante agitada. Além das duas empresas que administra, ela cursa Direito e é associada a um grande escritório de advocacia na área de consultoria tributária. No campo pessoal, a empresária celebra contar com um tempo de qualidade para seus três filhos e o marido. “Sempre fui uma pessoa sonhadora e empreendedora, e este ritmo não me assusta! Sou feliz por estar trabalhando em meu próprio negócio, fazendo minhas escolhas e, principalmente, podendo me dedicar às minhas paixões”. E ela faz questão de repassar esse entusiasmo aos filhos. “Nada me deixa mais feliz que vê-los livres e sujos na fazenda, longe dos eletrônicos que tanto ‘roubam’ a infância das nossas crianças”, finaliza.

Ping Pong Família: Essência de tudo Viagem: Praia sem celular Comida: A que meu marido cozinha Um lugar: Minha fazenda. Considero um lugar abençoado Uma companhia: Meu marido e filhos Música: Relicário (Nando Reis) Filme: Cidade dos Anjos O que te distrai: Uma mesa com bons amigos, boa bebida e boa comida Felicidade: Fazer o bem Tristeza: Ver o Brasil sendo mal administrado e a educação sem boas perspectivas Cavalos: Paixão de criança e grandes planos para o futuro. Assim que meu filho menor crescer um pouco mais, farei aula de hipismo rural com todos eles.

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COMO FAZER

INSTALAÇÃO DE

cerca elétrica rural

A instalação de uma cerca elétrica na propriedade rural requer cuidados especiais para evitar acidentes, bem como para que a mesma funcione corretamente. A Revista Mercado Rural selecionou algumas dicas que ajudam no procedimento. Confira: ELETRIFICADOR Opte por uma marca de qualidade e que atenda aos padrões internacionais de segurança. Lembre-se de respeitar a capacidade do aparelho quanto à quilometragem e à distância máxima de eletrificação. ISOLADORES Exija sempre isoladores próprios para cerca elétrica, que possuem proteção contra os raios ultravioleta. ARAME Utilize arame próprio para cerca elétrica, pois os mesmos conduzem melhor a eletricidade (se comparados aos arames para cerca convencional) e não oxidam com facilidade. ATERRAMENTO Ao fazer o aterramento, utilize os materiais adequados. As hastes, cantoneiras, canos e mourões precisam ser galvanizados para que não enferrujem. Evite o uso de haste “cobreada” e faça o aterramento principal (do eletrificador) com, no mínimo, três hastes que devem ser enterradas próximas ao aparelho, preferencialmente, em local úmido. Essas hastes precisam estar interligadas com o mesmo arame da cerca e devem ter, no mínimo, dois metros de comprimento ou o necessário para chegarem até a parte úmida do solo. PROTEÇÃO E MANUTENÇÃO Instale um protetor para diminuir a incidência de raios sobre o eletrificador. Existem, ainda, sistemas que direcionam parte da descarga elétrica para o solo, via aterramento, o que evita que a mesma chegue ao eletrificador com carga total. Quanto à manutenção da cerca, deve-se avaliar o seu funcionamento periodicamente. Faça vistoria para checar se os isoladores estão intactos, retirar os vegetais que possam estar em contato com o arame eletrificado e medir a voltagem da cerca com um voltímetro. A voltagem deve ser entre 5.000 e 9.500 volts.

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Agroindústria familiar EMPREENDIMENTO GARANTE EMPREGO E RENDA À POPULAÇÃO DO CAMPO E REDUZ AS MIGRAÇÕES PARA O MEIO URBANO

Embora o país esteja enfrentando um período de crise, o governo tem investido cada vez mais no agronegócio, o que pode ser uma boa oportunidade para famílias que vivem no campo e desejam melhorar a sua renda. Entre as atividades que são incentivadas está a agroindústria familiar, um modelo de negócio que traz benefícios que vão além do retorno financeiro. Através do empreendimento na propriedade rural, são gerados novos postos de trabalho e, com isso, evita-se o êxodo dos moradores do campo para as grandes

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cidades. Em diversos casos, todos os membros da família trabalham juntos e, com o empenho, tornam o negócio cada vez mais estável e lucrativo. De acordo com uma pesquisa realizada em 2004 pelo Ministério da Integração Nacional, em 74% das agroindústrias brasileiras não ocorreu nenhuma migração do membro da família para o meio urbano. E, em 37% delas, aconteceu exatamente o contrário: os filhos e os parentes retornaram para a sede da indústria, no setor rural, para auxiliar suas famílias no desenvolvimento da atividade. Um dos estados brasileiros que se destaca no ramo da agroindústria familiar é o Rio Grande do Sul. Dados do Censo Agropecuário de 2006, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o estado conta com mais de 80 mil empreendimentos desta natureza, sendo que quase 40% dos seus proprietários declaram ter renda com a atividade, o que resultou, no ano de 2007, em um valor bruto de produção superior a R$ 230 milhões. Devido a isso, a atividade é bastante incentivada também pelo governo estadual, que vê na agroindústria familiar uma oportunidade de garantir emprego e renda para a população rural.

O principal suporte que o produtor recebe do governo federal para a agroindústria vem do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), administrado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Só no ano passado, os recursos destinados ao programa ultrapassaram R$ 24 bilhões, destinados para a agroindústria e também para outros fins da agricultura familiar. Além do Pronaf, o governo federal conta com programas que apoiam a comercialização da produção, que incluem até a compra dos alimentos produzidos pelas agroindústrias para destinar às instituições de ensino da rede pública e outras entidades de assistência social. Para pleitear os recursos do Pronaf destinados à agroindústria, o produtor deve procurar o seu Sindicato Rural ou a Emater, onde precisa preencher a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), a qual será emitida de acordo com a renda anual do requerente (até R$ 360 mil na safra 2014/2015) e conforme a atividade que ele pretende explorar no ramo da agroindústria familiar. Vale ressaltar que também é possível fazer um cadastro em conjunto com outros associados, caso se tenha a pretensão de criar uma agroindústria familiar coletiva.


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Controle biológico da mosca-da-fruta CONHEÇA A TÉCNICA DA ESTERILIZAÇÃO DO MACHO QUE TEM GERADO RESULTADOS SATISFATÓRIOS EM CULTURAS FRUTÍFERAS DO BRASIL A mosca-da-fruta é um inseto que causa grande preocupação em muitos agricultores brasileiros. Conhecida como a praga de culturas frutíferas, chega a causar até US$ 120 milhões em prejuízos por ano no país, entre perdas de produção, custos de controle, processamento e comercialização. Diversas entidades de apoio ao produtor rural, e incluindo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), têm se mobilizado na busca pelo controle a praga que, além do dano direto causado na polpa dos frutos, é responsável por barreiras quarentenárias impostas por países importadores de frutas frescas. Entre as formas de conter a atuação da mosca-da-fruta está o controle biológico através da esterilização dos machos, técnica que tem gerado resultados satisfatórios em algumas culturas. A esterilização dos machos acontece através da incidência de radiações gama Cobalto 60 sobre os insetos em estágio de pupa. Objetiva-se, com isso, soltá-los na área cultivada para que os mesmos possam competir com os machos selvagens, reduzindo, assim, os acasalamentos férteis e a população da praga a cada ciclo. Um benefício dessa técnica é que ela pode ser aplicada em áreas amplas, sem a contaminação do meio ambiente e com um alto grau de eficiência.

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Em geral, o processo de controle biológico acontece da seguinte forma: a cada semana, libera-se na área cultivada uma população de machos estéreis no mínimo nove vezes maior que a de machos selvagens. Assim, o macho estéril acaba tendo mais chances de copular com a fêmea selvagem, impedindo a geração de descendentes.

BIOFÁBRICA NO BRASIL Juazeiro, na Bahia, foi a cidade pioneira no uso da técnica. O município conta com uma biofábrica para a produção dos machos estéreis, a primeira do país e do mundo escolhida pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para utilizar a técnica de esterilização dos insetos através de raios-X. A biofábrica, uma Organização Social reconhecida pelo MAPA e pelo Governo da Bahia, está presente também em outros estados brasileiros, em parceria com as Agências Estaduais de Defesa Agropecuária. A organização foi criada para combater espécie Ceratitis capitata, que ataca principalmente os pomares de goiaba, acerola, manga e pêssego. A técnica da esterilização do macho da mosca-da-fruta é usada em vários países como uma política pública e, em muitas localidades já conseguiu reduzir em até 70% a população dessa praga na área cultivada. Vale destacar que ela não implica na abolição total do uso de produtos químicos, mas reduz consideravelmente as pulverizações nos pomares e conta com mais uma vantagem: é aceita sem restrição pela legislação fitossanitária internacional.


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O plantio eficaz da soja CUIDADOS NO PRÉ-PLANTIO GARANTEM UMA BOA SAFRA A soja tem um papel importante no desenvolvimento da economia brasileira. A safra de 2013/2014 no Brasil, o segundo maior produtor mundial do grão, contou com a produção de mais de 85 milhões de toneladas. Segundo o Ministério da Agricultura, o cultivo da soja já corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. Tudo isso só tem sido possível devido ao constante aprimoramento na produção, seja tecnológico, no manejo ou na eficiência dos produtores. Para alcançar bons resultados, é necessário uma atenção no pré-plantio, garantindo os cuidados necessários. Um dos aspectos mais relevantes para garantir uma boa safra, é preparar a terra para o plantio. É importante fazer uma análise química do solo a fim de verificar se há a necessidade de fertilizantes ou de corretivos, como o gesso ou o calcário. Além disso, a avaliação permite monitorar como o solo está em termos dos nutrientes manejados na cultura, como o potássio, o fósforo, o enxofre, dentre outros. Após a ocorrência do vazio sanitário, ou seja, o pe-

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ríodo de ausência total de plantas vivas de soja, excluindo-se as áreas separadas para pesquisa ou produção de semente genética, é recomendado aguardar que as chuvas cheguem a um nível de 80 a 100mm. Outro fator que merece atenção é a escolha da semente. O produtor precisa tomar muito cuidado ao verificar no catálogo das empresas fornecedoras se as sementes são adaptáveis à região em que será feito o plantio. Se a semente escolhida tiver a tecnologia RR2, que apresenta resistência às lagartas e ao herbicida glifosato, é fundamental que se respeite o refúgio, ou seja, deve-se separar pelo menos 20% da área plantada para o cultivo de outra variedade convencional. Quanto ao maquinário, deve-se escolher o disco ou a peneira ideal, adequado ao tamanho da semente que será plantada. É válido também verificar o estado de conservação da botinha ou facão (parte da máquina onde o adubo é distribuído). A máquina precisa, portanto, estar bem regulada para garantir o resultado desejado.

Não se pode esquecer também da lubrificação e das rodas de profundidade, que precisam estar ajustadas para a distribuição dos grãos com a mesma nivelação.

PÓS-PLANTIO: ATENÇÃO ÀS PRAGAS Muitos especialistas acreditam que a tendência futura é o aumento da tolerância da soja às variações do clima, mas, para isso, é fundamental o investimento em tecnologia, de maneira a reduzir as perdas e aumentar a produtividade. Para tanto, além de outros fatores relacionados a técnicas de cultivo modernas e eficientes, é fundamental uma atenção especial às pragas, buscando todas as formas de evitá-las. Isso já é um passo para o pós-plantio, mas fica a recomendação de um monitoramento constante da lavoura, verificando se há a presença de mariposas ou lagartas, ainda pequenas, para que haja tempo hábil de intervenção. * Informações do Projeto Soja Brasil


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Gado Charolês

RAÇA DIFERENCIA-SE POR SUA RUSTICIDADE, FÁCIL ADAPTAÇÃO E CARNE DE QUALIDADE Um bovino que se destaca por seu porte grande e ampla massa muscular com adequada camada de gordura. É forte, com alta capacidade de locomoção e adapta-se bem a todo tipo de clima e vegetação. Tais características, que revelam um animal de qualidade diferenciada, são atribuídas ao gado de corte Charolês, raça que chegou ao Brasil há mais de 100 anos e vem conquistando amplo espaço no mercado. O gado Charolês é considerado uma das raças mais antigas que se tem registro no mundo. O animal é originário da França, mais especificamente do Distrito de Charolles. No Brasil, o primeiro rebanho de Charolês chegou ao Rio Grande do Sul no ano de 1885. Gradativamente, o número de cabeças cresceu e se espalhou por outras regiões, em especial, Paraná e São Paulo, além do primeiro estado que recebeu o animal. Existem também registros de utilização da raça no Norte do país. Todo esse crescimento do gado Charolês no

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Brasil proporcionou a criação de uma entidade representativa nacional, a Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC). De acordo com Wilson Borges, presidente da ABCC, em um recente trabalho científico realizado no Pará, o Charolês apresentou desempenho superior comparado ao Nelore puro e a outras cruzas em todos os indicadores zootécnicos, em termos de ganho de peso, conversão alimentar, peso ao abate e rendimento de carcaça. “No cálculo final do resultado financeiro, a cruza Charolês x Nelore foi 7% mais rentável que o Nelore puro e 4% mais rentável que o cruzamento com outra raça europeia muito difundida atualmente”, destaca.

CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS De fato, a raça tem ganhado grande visibilidade devido aos seus diferenciais, em especial, à palatibilidade de sua carne, considerada saborosa, macia e com

adequada camada de gordura, desde que oriunda de carcaças de animais jovens e bem acabados. No caso brasileiro, houve um meticuloso trabalho de seleção genética ao longo dos anos, o que tem propiciado funcionalidade e produtividade aos bovinos charoleses do país. Segundo Wilson, a formação da linhagem no Brasil se deu essencialmente com o padrão francês (maior massa muscular) e britânico (de grande porte). Hoje, tem-se preconizado um modelo de Charolês de porte moderado, mais precoce e adaptado à realidade do país, sem abrir mão das grandes qualidades de ganho de peso e rendimento da carcaça. “Podemos considerar que foi muito importante a liberação, em meados da década passada, do uso de touros de origem americana em rebanhos puro de origem, que contribuíram decisivamente na seleção de animais com facilidade de parto, boa produção de leite e maior aptidão para deposição de gordura,


acelerando o processo de terminação do gado para abate” acrescenta Wilson.

MERCADO O mercado do Charolês é, atualmente, fortalecido pela valorização crescente de sua carne. Conforme explica o presidente da ABCC, até o momento, o comércio da carne é feito em nível nacional, porém a entidade está trabalhando com o projeto “Carne Charolês Certificada”, o que pode contribuir para a abertura de mercados. Outro destaque da raça é a grande procura existente por animais cruzados com Charolês para a exportação de gado em pé. “Há uma preferência declarada de boa parte dos importadores de outros países por animais com a genética da raça justamente por ela apresentar uma melhor resposta nos confinamentos, que é o regime dos navios e, posteriormente, quando chegar ao seu destino”, destaca Wilson.

MANEJO E REPRODUÇÃO Por se tratar de um animal bastante dócil, seu manejo é facilitado, permitindo a aplicação dos princípios de bem estar animal com tranquilidade e segurança. O presidente da ABCC, Wilson Borges, chama a atenção para um cuidado especial que se deve ter no caso de criações do Norte

do Paraná e regiões acima. “Deve-se ficar atento à ocorrência de ectoparasitas, principalmente o carrapato, pois, assim como as demais raças europeias, o Charolês apresenta uma menor tolerância e resistência comparado às raças zebuínas”, adverte. A reprodução do Charolês se dá de maneira semelhe às demais raças bovinas. Vale o destaque para a capacidade reprodutiva dos machos e para o fato de as fêmas apresentarem alta fertilidade, serem sexualmente precoces e com grandes habilidades maternas.

VISIBILIDADE E FUTURO A raça participa de diversas exposições do país, sendo as ranqueadas as mais importantes, onde criadores e expositores são pontuados de acordo com a premiação de seus animais e com a quantidade dos animais expostos (o ranking pode ser acompanhado no site www.charoles.org.br).

Segundo Wilson, a ABCC pretende ampliar o número de eventos como este. “A realização de uma exposição ranqueada sempre motiva o criador a participar com o que tem de melhor, tornando-a uma grande vitrine da genética da raça e valorizando a mostra do município que a sedia”, destaca. Quanto aos demais projetos da associação, destacam-se a busca de maior aproximação com o setor acadêmico, o contato direto com Centrais de Inseminação e o incentivo aos criadores de participarem do Programa de Melhoramento de Bovinos de Corte (PROMEBO). “Com este programa, pretendemos identificar touros geneticamente superiores tanto para inseminação quanto para monta à campo, gerando uma evolução e melhoria progressiva no Charolês. Paralelamente, é possível identificar as melhores matrizes do rebanho, possibilitando um sistema de seleção prévio ao acasalamento”, finaliza Wilson.

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Portal de consultas fitossanitárias gratuitas CONTRIBUI PARA USO CORRETO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS A Agrotis Agroinformática lançou recentemente o Receituário Online, portal que oferece consultas fitossanitárias gratuitas sobre alternativas de controle às pragas, doenças e plantas daninhas de mais de 230 culturas de interesse econômico. O objetivo da ferramenta é auxiliar na utilização correta de defensivos, evitando desperdícios. Criado há 25 anos pela empresa, o banco de dados sobre o controle fitossanitário e o registro de defensivos disponibilizado no portal é o mais completo do Brasil, sendo utilizado por mais de três mil agrôno-

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mos em todo o país. Além disso, as informações são atualizadas frequentemente por uma equipe especializada e que mantém contatos regulares com os fabricantes e órgãos responsáveis pelos registros.

EMISSÃO DE RECEITA Para os usuários agrônomos e técnicos agrícolas que necessitarem emitir uma receita fitossanitária, o portal também oferece a alternativa mediante a aquisição de créditos pré-pagos. Para isso, basta se

cadastrar no site e adquirir os créditos de forma online e emitir a receita. A emissão também pode ser feita via desktop, versão criada pela Agrotis. Neste caso, não é necessário conexão com a web e as receitas são ilimitadas. Para empresas que possuem um sistema de ERP, a versão webservice é a mais indicada, pois ela se integra ao sistema. O site está no ar no link: www.receituarioonline.com.br. Fonte: Centro de Comunicação


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Galloway A Fazenda Vacaquá, localizada em Rosário do Sul/RS e de propriedade de Pedro Paulo Gonçalves, conta com uma criação especial: o rebanho de Galloway, considerada a raça bovina mais bonita do mundo. O animal, de porte médio e semelhante ao Alberdeen Angus, possui uma cobertura peculiar, com pelagem preta e uma faixa branca ao redor do corpo, destaque que enaltece sua beleza e exuberância. O Galloway é originário da Escócia, onde existe em estado puro desde o século XIX. A raça está presente em países como a Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Na América do Sul, possui exemplares no Brasil, mais especificamente, no Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai. A introdução da raça na Fazenda Vaca-

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DESTAQUE NA FAZENDA VACAQUÁ, RAÇA BOVINA É CONHECIDA COMO A MAIS BONITA DO MUNDO quá aconteceu na década de 80. Em 1983, a pecuarista Shirlei Kroeff importou um touro e dez vacas da Escócia. Poucos anos depois, ela vendeu a maioria da criação para Pedro Paulo, que já atuava no ramo pecuário desde 1960. Segundo o criador, a decisão por adquirir e criar o Galloway em sua propriedade foi motivada pela be-

leza e rusticidade do animal. Atualmente, a Fazenda Vacaquá conta com quase 300 exemplares da raça, número que conferiu a Pedro Paulo a posição de maior criador do Galloway no Brasil e na América Latina. Entre as características do Galloway, estão a fertilidade, facilidade de parto, rusticidade, qualidade da carne, alto valor do couro para tapetes, além de maior resistência à mosca do chifre. De acordo com o pecuarista Pedro Paulo, o manejo do Galloway é o mesmo empregado nos outros gados de origem europeia. Algo que ele destaca como um diferencial do animal é a sua valorização extra no mercado devido à beleza. Além disso, a carne do Galloway é semelhante à do Alberdeen Angus, considerada a melhor carne vermelha do mundo.


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Feijão-de-corda O feijão é uma leguminosa de preferência praticamente unânime no Brasil, sendo o país o seu maior produtor mundial. Presente na mesa da maioria da população, possui espécies variadas e, uma delas, conhecida como feijão-de-corda, feijão-fradinho ou feijão-caupi, se destaca pelo seu alto valor protéico, facilidade de absorção de nitrogênio e pouca exigência em fertilidade do solo. O feijão-de-corda tem sua origem na África e chegou ao Brasil no porão das caravelas, trazido pelos colonizadores portugueses e espanhóis. Desembarcado na Bahia, foi ganhando o Norte e o Nordeste do país, dada à sua fácil adaptação a climas quentes e semiáridos. Assim como os outros tipos de feijão, o feijão-de-corda é rico em fibras, ferro e vitaminas, e, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2009, esta espécie de leguminosa tem um desempenho ainda mais satisfatório que os demais feijões no controle do colesterol. Devido ao seu valor nutritivo, o feijão-

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LEGUMINOSA TÍPICA DO NORTE E NORDESTE BRASILEIROS POSSUI ALTO VALOR NUTRITIVO E POUCA EXIGÊNCIA PARA O CULTIVO

-de-corda é cultivado principalmente para a produção de grãos, secos ou verdes, para o seu consumo humano em forma de conserva ou desidratado. Além disso, a leguminosa é utilizada como forragem verde, feno, ensilagem, farinha para alimentação animal e, ainda, como adubação verde e proteção do solo. No Nordeste do Brasil, o vegetal ainda tem uma importância maior: é cultura de subsistência de vários pequenos agricultores, por apresentar ciclo curto e maior tolerância ao estresse hídrico. O feijão-de-corda pode ser cultivado em quase todos os tipos de solos, desenvolvendo-se, em geral, em solos com quantidade razoável matéria orgânica, leves, profundos e arejados. Geralmente, são solos dotados de média a alta fertilidade, no entanto, é possível

cultivar o feijão-de-corda em solos com baixa fertilidade, desde que se faça o uso de fertilizantes químicos ou orgânicos. A melhor época para o plantio do feijão-de-corda, seguindo o seu ciclo médio (de 71 a 90 dias) é no meio do período chuvoso de cada região. Já para os ciclos super precoces (55 a 60 dias), recomenda-se o plantio cerca de dois meses antes do término do período chuvoso. A colheita acontece quando a planta atinge a sua maturidade fisiológica, com a mudança de cor das vagens e grãos. Outra vantagem do feijão-de-corda, além do fato de ser tolerante à seca, é a resistência que possui contra pragas, como a mosca-branca. O vegetal também não necessita de fungidas ou fertilizantes quando cultivado em áreas velhas de cultivo de soja ou algodão.


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Componente do soro do leite pode trazer benefícios à saúde PESQUISA DESCOBRE QUE PROTEÍNAS DO SUBPRODUTO LÁCTEO AUXILIAM NO COMBATE À HIPERTENSÃO Um novo estudo realizado por pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trouxe uma descoberta que pode ser uma grande notícia para quem sofre de hipertensão: a proteína encontrada no soro do leite pode ajudar no controle da doença, com efeito semelhante ao de medicamentos. A pesquisa foi feita analisando-se pequenas partes de proteína (peptídeos) encontradas no soro do leite e aplicadas em cobaias. Testes in vitro indicaram que houve a vasodilatação das artérias das cobaias, entre 80% a 100%. De acordo com a coordenação da pesquisa, o diferencial deste estudo foi o processo tecnológico de preparo e fracionamento do soro de leite desenvolvido pela Embrapa, o que proporcionou um produto de alto valor agregado. Até o momento, a pesquisa analisou o efeito nas aortas de cobaias, mas já estão sendo preparadas as próximas etapas, quando serão realizados testes em humanos. Antes de chegar a esse índice de vasodilatação das artérias, os pesquisadores fizeram dez testes de amostras, até chegarem na composição ideal. Para a realização do estudo, o soro do leite foi concentrado por utrafiltração e as suas proteínas foram parcialmente hidrolisadas, quebradas em molé-

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culas menores, os peptídeos. Após a separação dos peptídeos, foi simulado o processo de funcionamento do sistema digestivo humano para avaliar as possíveis alterações químicas e biológicas no trato gastrointestinal. Posteriormente, esses peptídeos foram secados por atomização para gerar um produto em pó, que poderá ser incorporado pela indústria alimentícia, nutracêutica ou farmacêutica, caso confirmada a sua eficácia. Os pesquisadores já realizaram um primeiro teste sensorial para avaliar se o amargor resultante dos peptídeos após a hidrólise pode inviabilizar o seu uso pela indústria alimentícia. Na experiência, realizada com a adição do produto a uma sobremesa láctea, os resultados foram satisfatórios, com a preferência maior dos provadores pela sobremesa com o ingrediente funcional. A ideia é continuar realizando testes com outros produtos alimentícios. O aproveitamento do soro do leite é uma das iniciativas da Embrapa para promover a redução do impacto ambiental. Estima-se que o Brasil produz cerca de quatro bilhões de litros de soro de leite por ano, sendo a metade descartada no meio ambiente. Vale destacar que o soro de leite como suplemento alimentar é legislado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Fonte: Embrapa


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Fernando Ulhoa

Nacional do Mangalarga Marchador

movimenta R$ 11 milhões “Nunca vi o Parque da Gameleira tão cheio como desta vez”. Este foi um dos comentários mais frequentes durante a 34ª Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, que teve público acima de 150 mil pessoas. A exposição reuniu 1.500 animais, de 940 expositores de 16 estados brasileiros. Marcaram presença neste, que é um dos maiores eventos equestres da América Latina, exemplares provenientes de MG, RJ, BA, SP, DF, PE, ES, GO, PR, SC, AL, CE, RS, RN, SE e PA. Realizada de 15 a 25 de julho de 2015, em Belo Horizonte, a Nacional teve como tema central “Marchadores pela Vida”, numa alusão ao novo projeto social da entidade que visa arrecadar fundos destinados a instituições que atendem crianças portadoras de câncer e dependentes químicos. Só o leilão de doações bateu a casa dos R$ 813 mil. Durante os onze dias de realização foram movimentados R$ 11 milhões em negócios ocorridos nos leilões presenciais e on-lines, shoppings de animais e vendas diretas entre os criadores.

PROGRAMAÇÃO PARALELA Também foram muito prestigiadas pelo público as Provas Funcionais. Elas aconteceram na pista de areia do parque e receberam, no total, a inscrição de 413 conjuntos (cavalo/cavaleiro). As competições de 5 e 3 Tambores, provas que são individuais, contaram respectivamente, com

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EDIÇÃO DE 2015 REUNIU 1.500 ANIMAIS E CONTOU COM 150 MIL VISITANTES 50 e 66 inscrições. A Apartação de Curral, com 80 inscritos, foi realizada com 40 duplas, e o Team Penning foi disputado por 21 trios. Também feitas individualmente, as competições de Maneabilidade e 6 Balizas tiveram 67 e 53 participantes. A prova de Laço foi prestigiada por 35 competidores. Já o Test Ride do Mangalarga Marchador, atividade oferecida pela ABCCMM ao público visitante, possibilitou que crianças, jovens e adultos conhecessem o andamento e a docilidade do cavalo MM. Ao todo, 2.000 pessoas puderam comprovar as qualidades da raça. Durante a 34ª Nacional também ocorreu o I Congresso de Equoterapia, nos dias 23, 24 e 25 de julho, com renomados profissionais do segmento, fato que gerou grande interesse daqueles que trabalham com esta terapia, tais como médicos, psicólogos, psicoterapeutas, equitadores, dentre outros. Diversas palestras, conferências, mesas redondas foram marcadas nos três dias.

ENTRETENIMENTO A Casa do Criador foi uma das atrações desta Nacional, sobretudo, para as mulheres. A programação, coordenada por Ana Cristi-

na Marquito, esposa do presidente da ABCCMM, Magdi Shaat, foi bem planejada e teve atividades intensas. Destaque para as palestras, bazares, o Dia da Beleza, exposições artísticas, gastronomia e a presença especial do estilista Victor Dzenk, que trouxe para o evento parte de sua coleção lançada em novembro de 2014, no São Paulo Fashion Week, além de peças criadas exclusivamente para serem comercializas na Nacional.

ENCERRAMENTO Compromissos profissionais fora do país fizeram com que o presidente Magdi Shaat não pudesse estar presente na solenidade de encerramento do evento, última Nacional de seu mandato. Ele agradeceu na véspera, dia 24/7, a presença dos expositores, criadores, corpo técnico e funcionários, e lembrou das eleições para a nova Diretoria, em 11 de dezembro. Também deixou uma mensagem de boa sorte para aqueles que disputariam a grande final. O vice-presidente Antônio Sérgio encerrou os trabalhos da 34ª Nacional, no dia 25 de julho, reafirmando que ela tinha sido a melhor de todos os tempos, e que a diretoria tinha cumprido a sua missão.


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Plantio direto

O plantio direto é uma técnica que tem sido bastante empregada nas últimas décadas, substituindo, em muitos casos, o método de cultivo tradicional (50% calagem, aração, 50% calagem, gradagem e plantio). Entre as vantagens proporcionadas, tem-se a contenção dos processos erosivos, a diminuição dos custos de produção, a redução do impacto ambiental e a maior retenção de água no solo. De acordo com o Engenheiro Agrônomo e doutorando de Fitotecnia/Agronomia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Ranieri Laredo, a técnica do plantio direto consiste na não remoção do solo e na manutenção das palhadas das culturas anteriores, as quais irão se decompor e se transformar em matéria orgânica. “A palhada na superfície amortece o impacto da chuva, evita a exposição do solo ao meio ambiente, aumenta a fase viva do solo, ou seja, a presença de microorganismos, e mantém a temperatura do solo mais amena”, afirma. Além disso, a decomposição dessa matéria orgânica possibilita a liberação de nutrientes para a solução do solo. Ranieri explica que o ideal é fazer, inicial-

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Confira os passos para antes, durante e após o plantio direto: 1. Análise do solo 2. Calagem 3. Abertura da terra 4. Elevação do teor de matéria orgânica (*um mês antes do plantio) 5. Adubações corretivas 6. Plantio da cultura 7. Tratos culturais (capina, adubação e tratamentos fitossanitários) 8. Colheita (recomenda-se a mecanizada para que sejam mantidos os restos culturais na lavoura) 9. Escolha do herbicida ideal 10. Sistema de plantio direto 11. Rotação de culturas mente, o cultivo mínimo, sistema no qual há uma menor mobilização do solo. “Geralmente, faz-se a gradagem, calagem (total), subsolagem, outra gradagem e o plantio. O

SISTEMA GARANTE BOA COBERTURA E PROTEÇÃO DO SOLO, ALÉM DE REDUZIR OS IMPACTOS AMBIENTAIS E OS CUSTOS DE PRODUÇÃO uso do subsolador ajuda a descompactar e arejar o subsolo, de maneira que a infiltração de água seja mais eficiente”, ressalta. Nos anos seguintes, já pode ser adotado o plantio direto. “Quanto mais revolvemos o solo, pior é, pois há a oxidação da matéria orgânica, com a perda de carbono”, diz. Um ponto importante relacionado ao plantio direto é a importância em se fazer a rotação de culturas, pois a mesma ajuda no controle de pragas e de plantas daninhas, já que certas culturas liberam substâncias que inibem o crescimento e o desenvolvimento de outras plantas (efeito alelopático). Além disso, quando as raízes de uma cultura morrem, com o tempo, elas se decompõem e arejam o solo para a próxima cultura. Quanto ao uso de herbicidas, deve ser realizado com cuidado. “No pré-plantio, o primeiro passo é descobrir o princípio ativo do herbicida e seu mecanismo de ação na planta alvo (planta daninha). É fundamental também que se saiba o efeito residual do produto no solo, pois dependendo das implicações, pode prejudicar as plantações subsequentes”, defende Ranieri. Por fim, fica a orientação de, antes de iniciar o plantio direto, buscar a ajuda de um especialista, uma vez que a sua implantação requer uma observação das condições climáticas de cada região e do tipo de solo.


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Cavalos Crioulos ganham espaço em Minas Gerais

EMPRESÁRIO DA REGIÃO DE ITAPECERICA INVESTE NA RAÇA E DESTACA AS QUALIDADES DO ANIMAL

A paixão pelos cavalos Crioulos tem, a cada dia, ultrapassado as fronteiras do Rio Grande do Sul e chegado a outras regiões do Brasil. O motivo é a fácil adapatação do animal, sua rusticidade, docilidade e força. Quem conhece e cria a raça defende sua multifuncionalidade e eficiência. Em Minas Gerais, o Crioulo vem se destacando com o aumento gradativo do plantel, graças ao trabalho de criadores que apostam nos diferenciais do animal. Um deles é Sidnei Carvalho, que possui um Centro de Treinamento em Lamounier, município de Itapecerica/MG. Sidnei é natural de Itapecerica e empresário no ramo do comércio varejista. Ele relata que sua criação de cavalos Crioulos começou em fevereiro de 2014 e que sempre contou com o apoio da família nesse proje-

ranhão. As principais atividades são a venda de coberturas, além da comercialização de potros e potras. Um dos animais da propriedade já conquistou o 1º lugar na prova de custeio em Itapecerica. Sidnei defende que, para alcançar sucesso no negócio, é necessário ter planejamento, gostar do que faz e ser dedicado. Além disso, segundo o empresário, é fundamental garantir o bem estar dos animais. “Na minha criação de Crioulos, procuro manejá-los da forma mais natural possível para que eles se sintam bem”, ressalta. Questionado sobre o que mudou em sua vida após iniciar a criação dos Crioulos, Sidnei destaca os novos contatos e aprendizados. “No ramo do cavalo, o que mais me gratifica é que todos os dias você faz amizades e adquire mais conhecimentos”.

to: seu pai, Sr. Zeferino Soares de Carvalho, sua mãe, Sra. Marina Teixeira de Carvalho, esposa, Daniele Alves Barros Enes, e seu filho, Henrique Barros de Carvalho. O criador destaca também que esse era um sonho antigo, desde o ano de 2006. “A oportunidade de concretizá-lo surgiu quando dois amigos, Dr. Onelcides Garcia e Amiltom Diniz, me incentivaram e me ajudaram a aquirir um garanhão e seis éguas”, afirma. Sidnei acrescenta que seu interesse pela raça vinha desde a infância. “Optei por criar o cavalo Crioulo porque na nossa região não tínhamos o animal e também por ser um cavalo dócil, bonito e de porte mediano”, diz. O Centro de Treinamento do empresário possui uma área de nove hectares e sua tropa se mantém com seis éguas e um ga-

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Enapampa 2015: a festa do cavalo Pampa

Fotos: Waldyr Ribeiro

MAIS DE 500 ANIMAIS PARTICIPARAM DA 22ª EXPOSIÇÃO NACIONAL DO CAVALO PAMPA, O MAIOR EVENTO DA RAÇA NO PAÍS

Babilônia do Caballú: Campeã das Campeãs da categoria Marcha Batida

O ano de 2015 marcou mais um sucesso da Exposição Nacional do Cavalo Pampa, a Enampa, que está em sua 22ª edição. O evento aconteceu entre os dias 23 e 30 de agosto, no Centro Hípico Sapucaia, na serra fluminense. Vitrine da apurada genética do plantel do cavalo Pampa selecionado oficialmente no Brasil há 23 anos, a Enapampa contou com participação de planteis dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Goiás. Em pista, machos e fêmeas de seis a 36 meses foram apresentados puxados, e os animais com idade acima de 36 meses, puxados e montados. Durante seis dias, os animais desfilaram perante um rigoroso time de 12 juízes para serem avaliados em sua morfologia e andamentos. Separados por quatro tipos de andamento – Marcha Batida, Marcha de Centro, Marcha Picada e Marcha Progressiva – os animais disputaram a faixa de campeão nas categorias de idade e definida na soma das notas dos julgamen-

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Aramis do São Gonçalo: Campeão dos Campeões da categoria Marcha Picada

tos de Morfologia e de Andamentos. Os campeões acima de 36 meses de idade concorreram em suas categorias de andamento aos títulos de Campeão dos Campeões e Campeã das Campeãs. Ao todo, oito animais, quatro machos e quatro fêmeas, foram contemplados. O plantel paulista faturou quatro deles, seguido do Rio de Janeiro com três e a Bahia com um.

MELHORES CRIADORES E EXPOSITORES Em cada uma das quatro categorias de andamentos, também foram eleitos o Melhor Criador e o Melhor Expositor, conquistas divididas entre paulistas e fluminenses. Mas, feito e tanto mesmo foi faturar estes mesmos títulos no cômputo geral da Enapampa. A disputa é sempre acirrada e quem levou o troféu nas duas categorias em 2015 foi o Haras Lagoinha, de Jacareí (SP). O mais premiado plantel de Mangalarga Pampa do país continua imbatível, confirmando em

pista a excelência da apurada e pioneira seleção da raça que vem sendo realizada há mais de vinte anos pelo casal Paulo Eduardo Corrêa da Costa e Marisa Iório. Um dos mais importantes selecionadores de Mangalarga Marchador de marcha picada no Estado de São Paulo, Antônio Gil de Faria, do Haras Enseada, de Cerqueira César/SP, ocupou o 2º lugar no ranking de Melhor Criador e 3º como Melhor Expositor. O plantel de Alexandre Todeschini, da Fazenda São Francisco de Paula, de Sapucaia/RJ, também fez bonito ao ocupar a vice-liderança de Melhor Expositor e o 3º lugar no de Melhor Criador.

RESULTADOS POR CATEGORIA A classificação geral, com todas categorias e seus destaques, pode ser acessada no site da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Pampa (ABCPampa), no link: http://www.abcpampa.org.br/2015/09/04/ resultados-nacional-2015/


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Gesso ajuda no

aumento da

produção de mel

USO DO MATERIAL COMO REVESTIMENTO DE COLMEIAS MELHORA A PRODUTIVIDADE DAS ABELHAS O gesso é um material conhecido pela sua função de regulador térmico. Utilizado para diversas finalidades, agora conta com mais uma aplicabilidade, uma nova descoberta que pode trazer benefícios aos apicultores. Um experimento realizado em Pernambuco no ano passado constatou que, quando a colmeia é revestida por chapas de gesso, as abelhas tendem a produzir uma quantidade maior de mel. O projeto, pioneiro no mundo, foi desenvolvido pelo pesquisador e apicultor pernambucano Edgar Oliveira, em parceria com uma empresa produtora de gesso. Após a realização de várias análises, foi

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detectado que as abelhas ficavam mais agitadas durante o dia e, à noite, quando se acalmavam, produziam uma quantidade maior de mel. Edgar, então, passou a testar vários materiais para o revestimento das colmeias, de maneira que se simulasse o ambiente noturno para as abelhas e, consequentemente, provocasse a produção de mais mel. Antes de descobrir o gesso como o material ideal para o revestimento da colmeia, o apicultor testou o concreto e o isopor. No entanto, o gesso foi o que apresentou os melhores resultados, tanto em termos da garantia de bem estar e lon-

gevidade das abelhas, como em relação à produção do mel, a qual constatou-se um aumento significativo. As chapas de gesso utilizadas na pesquisa têm a peculiaridade de dissiparem melhor o calor. Durante a fase final da pesquisa, Edson observou que, com o uso do gesso, há um controle maior da temperatura no interior da colmeia, o que faz com que as abelhas vivam melhor e por um período maior de tempo. Além disso, o material, mais resistente, impede que a colmeia seja danificada pela umidade, fator que proporciona uma moradia de longo prazo aos insetos.


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PHD Pace Hospital

comemora 15 anos de fundação e inaugura serviço de Ortopedia e Cirurgia Bucomaxilofacial O PHD Pace Hospital comemora os seus 15 anos de fundação inaugurando o Serviço de Ortopedia, afinado com o que existe de mais avançado na área, somando-se às outras especialidades atendidas pela instituição hospitalar, sempre com qualidade e tratamento humanitário, características do PHD Pace. A Diretoria do hospital é composta pela Senhora Lourdes Prata Pace, Presidente; Dr. Walter Pace, Vice-Presidente; Dr. Bernardo Pace, Diretor Clínico; e Dra. Ângela Pace, Diretora Administrativa. De acordo com a Sra. Lourdes Pace, é mais um desafio enfrentado pela instituição. “Digo para os funcionários do PHD que cada paciente é um desafio, que deve ser encarado com a seriedade que nossa profissão exige. Assim entendo também o Serviço de Ortopedia”, destaca. O vice-presidente, Dr. Walter Pace, feliz com a inauguração dessa nova área, ressalta que o PHD Pace, numa proposta de crescimento, dando mais um passo em relação ao futuro, inaugura o Serviço de Ortopedia dentro dos mesmos princípios que orientaram a concepção do hospital, de sempre zelar pela excelência, fazendo da instituição a primeira a obter a certificação ISO de Minas Gerais. “Estamos sempre na busca incessante pela qualidade, tratamento carinhoso e familiar e, suponho, que conseguimos fazer do PHD Pace, uma casa voltada para o tratamento humanitário”, defende. Já Dr. Bernardo Pace, Diretor Clínico, salienta que “o PHD Pace Hospital tem o or-

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gulho de apresentar a toda população de Belo Horizonte e Minas Gerais e aos colegas médicos, o novo Serviço de Ortopedia composto por profissionais de formação científica e técnica inovadora, todos com grande conceito na área médica”.

SERVIÇO DE ORTOPEDIA Á frente do Serviço está o ortopedista e médico do esporte Rodrigo Otávio Dias de Araújo. Dr. Rodrigo Otávio traz consigo, além da experiência de mais de 20 anos de profissão, todo o know-how adquirido como chefe dos Serviços de Ortopedia dos hospitais São Francisco e Santa Lúcia. “Conseguimos unir dois aspectos que entendo como imprescindíveis para a prática da boa medicina: equipamentos e instrumentais de ponta e a credibilidade do PHD Pace Hospital. Esse casamento já nasce com tudo para dar excelentes frutos. Esta é

a nossa expectativa e é com esse objetivo em mente que iremos atuar com o máximo de cuidado, atenção e comprometimento”, enfatiza.

DIFERENCIAIS DO ATENDIMENTO Segundo Dr. Rodrigo Otávio, um dos principais diferenciais do Serviço de Ortopedia do PHD Pace Hospital é sua infraestrutura, de primeiro mundo. “O investimento realizado em sua implantação vai além da questão monetária. Conseguimos instalar, dentro da estrutura do PHD Pace, equipamentos de ponta, como o Intensificador de Imagens, além do que há de mais inovador em instrumentais, como aqueles para artroscopia. Isso faz toda a diferença para que possamos oferecer um atendimento diferenciado e de qualidade para nossos pacientes”. Todas as subespecialidades da Orto-


INFORME PUBLICITÁRIO

Dr. Rodrigo Otávio , Dra. Ana Luiza Cerqueira, Dra. Angela Pace e Sra. Lourdes Pace Dr. Bernardo Pace, Dr. Rodrigo Otávio e Dr. Walter Pace

Equipe de Ortopedia e Cirurgia Bucomaxilofacial

Dr. Bernardo Pace, Dr Rodrigo Otávio, Dra. Ana Luiza, Dra. Angela Pace, Dra. Bárbara Pace, Sra Lourdes Pace e Dr. Walter Pace

Dra. Rayssa Villafort, Dr. Rodrigo Otávio e Dra. Luiza Lamounier

Dr. Bernardo Pace, Dr. Rodrigo Otávio, Sra. Lourdes Pace e Dr. Walter Pace

pedia integram o Serviço de Ortopedia do PHD Pace Hospital, tais como cirurgia de mão, coluna, cirurgia de quadril, joelho, pé e tornozelo, ombro e traumatologia esportiva. Este é outro ponto importante, destaca o Dr. Rodrigo Otávio. “Por estarmos atuando na mesma estrutura, podemos realizar diagnósticos diferenciados, através da consulta e de análises multidisciplinares”.

MEDICINA ESPORTIVA E DANÇA Além de todo o suporte ambulatorial, de consultas e cirurgias ortopédicas, o Serviço também agrega um diferencial: cuidados de medicina esportiva. Isso se deve à carreira do Dr. Rodrigo Otávio, que atuou por mais de 10 anos no Minas Tênis Clube. Ou-

tra novidade é a ortopedia ligada à dança e o PHD Pace está preparado para atender às necessidades de tratamento dos bailarinos.

CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL O novo Serviço de Ortopedia do PHD Pace Hospital conta com as cirurgiãs-dentistas Luiza Carvalho Lamounier e Rayssa Nunes Villafort, graduadas em Odontologia e especialistas em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. “Trata-se de uma ótima novidade para a população da capital mineira e região”, ressalta a Dra. Luiza Lamounier. Segundo ela, o número de pacientes, vítimas de trauma da face vem aumentando a cada dia. Na maioria das vezes, o trauma da face está associado a lesões em

outras partes do corpo, principalmente em membros superiores e inferiores. Ela ainda explica que a especialidade Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial é uma área da Odontologia que diagnostica e trata o trauma, a patologia bucal e as malformações faciais na região. A especialidade vem complementar o Serviço de Ortopedia no PHD Pace Hospital para que o paciente possa ser atendido como um todo, em um só serviço.

Serviço de Ortopedia do PHD Pace Hospital

Rua Conde Linhares, 20 Cidade Jardim Belo Horizonte Telefone: 31 3343-6615 Site: www.phdpacehospital.com.br

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Haras Capim Santo

CRIATÓRIO SE DESTACA PELOS DOIS CONSAGRADOS GARANHÕES DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR: TRILHO DA ZIZICA E LOBO DA PEDRA VERDE Um case de sucesso, alcançado com crescimento e aprendizado acelerados e rápido ajuste de rumos. Este é o Haras Capim Santo, que estreou na criação de cavalos Mangalarga Marchador há quase três anos e já tem grandes nomes entre os garanhões da tropa, como o famoso equino e pai de grandes campeões, Trilho da Zizica, e o Lobo da Pedra Verde, um dos mais premiados filhos de Favacho Único. A criação dos animais divide-se em duas propriedades em Minas Gerais: Fazenda Nossa Senhora da Saúde, no município de Engenheiro Navarro, Norte do estado, e Fazenda Califórnia, no município de Florestal, a 55 km de Belo Horizonte. Tudo começou no início de 2013, na Fazenda Nossa Senhora da Saúde, a qual tinha como atividade principal o plantio de Mogno Africano irrigado. Observadas as suas ótimas condições para a criação de gado e de cavalos, além de sua bela paisagem, com vastas pastagens, várzea de rio e vista para a serra, dois dos seus sócios,

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José Felipe Diniz e Marcelo Martins Araújo, decidiram iniciar a criação do Mangalarga Marchador, considerado por Marcelo Araújo um “animal dócil e de excelente cômodo”. Tão logo introduziram cavalos da raça na propriedade, convidaram mais um dos sócios da Fazenda, José Rosinei Silva, para fazer parte da atividade. E, assim, os objetivos e metas começaram a se firmar: alcançar a qualidade da marcha e boas linhagens. Com a ajuda de amigos e de profissionais especializados, a busca pela constituição de um bom plantel de animais começou e vem se ajustando. De acordo com Marcelo Araújo, uma das estratégias do trio de sócios foi a aquisição de garanhões que pudessem ser a base da criação. “No curso da 32ª Exposição Nacional, adquirimos Lobo da Pedra Verde e Trilho da Zizica. Formamos uma grande parceria com os Haras Muralha de Pedra, Bavaria e Sarimar. Desde então, tivemos novos parceiros, aquisições de doadoras, matrizes, embriões, potras e po-

tros, sempre buscando as orientações iniciais de qualidade da marcha e linhagens selecionadas”, destaca.

NOVO CRIATÓRIO E NOVAS ATIVIDADES No final de 2014, Marcelo e José Rosinei decidiram adquirir uma nova base para ampliar e melhorar ainda mais a criação do Haras Capim Santo. Foi escolhida a Fazenda Califórnia, em Florestal/MG. Tal escolha teve como princípio oferecer um local de fácil acesso para a apresentação da tropa, bem como dos animais à venda. Segundo Marcelo, o objetivo é promover, com frequência, eventos para a exposição dos animais aos amigos e clientes. Além disso, afirma que o Haras Capim Santo está aberto a visitações programadas. Atualmente, a criação divide-se entre as duas fazendas e as centrais de embriões. Os embriões produzidos, logo que liberados, são encaminhados para a Fazenda


Nossa Senhora da Saúde. Lá os animais são criados em vasta pastagem, irrigada, onde ficam, pelo menos, até o desmame. Outra atividade que vem sendo desenvolvida pelo Haras Capim Santo é a doma racional. “Estamos investindo e evoluindo com nossos profissionais para a execução de um trabalho dedicado e cada vez mais forte, com um adestramento que respeite a integridade dos nossos animais”, ressalta Marcelo. De acordo com o sócio proprietário, tudo é feito para que os equinos estejam bem preparados para as pistas.

DIVULGAÇÃO E VENDA Durante a edição deste ano da Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, o Haras Capim Santo esteve presente, fazendo um intenso trabalho de divulgação, o qual, segundo Marcelo, teve um resultado muito satisfatório. “Foi um desafio interessante e que funcionou muito bem. Não foi fácil convencer os criadores a deixarem o parque para passar grande parte do dia em visita a um haras. Tivemos um menor movimento nos primeiros dias e chegamos a cerca de 60 visitantes nos últimos. O balanço foi muito positivo, muita divulgação, novos amigos, bons contatos e, ainda, um ótimo resultado de venda direta”. Na oportunidade, foram disponibilizados para a venda éguas cobertas por Trilho da Zizica e Lobo da Pedra Verde, potras, potros e doadoras filhos de animais com genética de excelência. Também foram oferecidas coberturas e embriões dos três garanhões de destaque do haras (Trilho da Zizica, Lobo da Pedra Verde e Nilo Sarimar). Marcelo afirma que o grupo de sócios do Haras Capim Santo está sempre aberto a novos formatos de venda e parcerias. “Estamos em fase final de preparação para podermos vender animais para pequenos e/ou novos criadores que querem criar, mas têm dificuldade com local e estrutu-

Claudio Augusto, Clelio Rodrigues e Marcelo Araújo

ra adequados. O formato permitirá que o interessado compre o animal ou parte dele e o deixe sob os cuidados do Haras Capim Santo. Outro trabalho que temos estrutura para fazer é o de reprodução para terceiros e hospedagem de receptoras”, explica.

DESTAQUE Até o momento, os garanhões Trilho da Zizica e Lobo da Pedra Verde têm sido, juntos, o principal cartão de visitas do Haras Capim Santo. No entanto, a criação já conta com Nilo Sarimar e tem iniciado novos garanhões, como Quaruzo Bavária (Trilho da Zizica x Angaí Tatuagem) e

Quiosque Bavária (Fogo das Minas Gerais x Sapoti do Aeroporto). O haras possui também doadoras que já produziram grandes produtos (Preciosa da Santa Esmeralda, Quadra da Santa Esmeralda, Baliza do Secretário, Tiroleza do Colorado, Raça Elfar, Fênix do Marmelo, dentre outras). Para Marcelo, o intenso trabalho realizado nos últimos anos já rendeu ótimos resultados. “Hoje já estamos, orgulhosamente, colhendo os frutos da criação Capim Santo, com a produção das primeiras letras do nosso sufixo. E nossa busca pela evolução da criação vai continuar, no sentido da melhoria da qualidade do nosso plantel”, salienta.

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Conheça os três principais garanhões do Haras Capim Santo: TRILHO DA ZIZICA Cavalo de destaque do Haras Capim Santo, Trilho da Zizica é um dos maiores nomes da raça Mangalarga Marchador no Brasil. Nas competições que participou, o equino de pelagem alazã sempre esteve entre os primeiros lugares do ranking. Hoje, possui mais de cinquenta títulos de marcha, entre eles, três Nacionais: em 1999 e 2000, foi Reservado Campeão Nacional de Marcha e, em 2001, Campeão Nacional de Marcha, ficando em terceiro lugar no grande campeonato. Trilho da Zizica também foi Campeão dos Campeões em Exposições importantes que, na época, reuniam mais de 300 cavalos. O equino conquistou o 1ª lugar na XVI Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga, realizada em 2001, em Caxambu/MG, com a participação de 390 animais, e também foi campeão da II Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador, no Rio de Janeiro, que aconteceu em 2000 e reuniu 331 animais. Trilho da Zizica nasceu em 1992, na Fazenda Morro Grande da Zizica, em Baependi/MG. O animal é filho do garanhão Caruzo J.D. (Ouro Preto do Porto x Rosada J.D.) e da égua Gigi do Morro Grande (Truc do Morro Grande x Palma do Morro Grande). Trilho foi testado na lida, nas caçadas e cavalgadas. Entre as qualidades demonstradas de andamento, boca e resistência, uma se destaca: o seu temperamento. Qualquer pessoa monta o cavalo sem dificuldade, em qualquer local ou horário. Trilho tem todo garbo e libido de um garanhão, mas quando arreado, apresenta-se dócil e disciplinado. O Haras Capim Santo adquiriu Trilho da Zizica em 2013 e, de lá pra cá, tem celebrado as grandes conquistas dos filhos do equino. Trilho já se consagra como o cavalo com maior número de filhos campeões nacionais e estaduais, tendo como destaque Athos do Conforto, eleito este ano como o Campeão dos Campeões Nacional de Marcha Adulto, Hotrilho da Figueira, Campeão Nacional de Marcha Cavalo 2015, e Galante do Expoente, Campeão dos Campeões Nacional de Marcha 2011. Em 2010, o animal conquistou o título de 4º Reprodutor do Ranking, em 2011, ficou em 6º lugar e, em 2012, ocupou a 5ª colocação. Trilho da Zizica também está inscrito no livro Elite MM-7.

LOBO DA PEDRA VERDE Lobo da Pedra Verde nasceu em 2007 e é filho do famoso Favacho Único e da égua Soraia da Pedra Verde. Lobo é um dos mais premiados filhos de Favacho Único, cavalo que desde que iniciou sua carreira nas pistas, conquistou mais de cinquenta títulos. Entre as principais premiações recebidas pelo equino, destacam-se Reservado Campeão Nacional Cavalo Júnior de Marcha, em 2010, e Reservado Campeão Cavalo Júnior de Marcha, no Campeonato Brasileiro de Marcha, em Varginha/MG, no ano de 2010. Uma das características marcantes do Lobo da Pedra Verde é sua fama como um reprodutor que passa muita beleza zootécnica e uma marcha de extrema qualidade. Lobo tem vários filhos premiados, os quais se sobressaem Johnnie Walker do Quelé, atual Campeão Nacional Cavalo Júnior Maior, Itaenga Orlândia, Gesso da Muralha Preta e Pegada da Pedra Verde.

NILO SARIMAR Filho do garanhão Favacho Quociente e Nata da Piuma, Nilo Sarimar é considerado um exímio marchador, cavalo de gesto e montada rara. Além de cômodo e franco, seu temperamento também chama a atenção. Nilo é irmão do consagrado Favacho Estanho e já conquistou diversos prêmios nas pistas mineiras, entre eles: Reservado Campeão dos Campeões de Marcha e Campeão Cavalo Júnior de Marcha, em Divinópolis/MG, no ano de 2013, e Campeão Cavalo Júnior, em Oliveira/MG, também em 2013.

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BALANÇO EXPOINTER 2015

VENDA DE ANIMAIS TEVE AUMENTO DE 23,79% EM RELAÇÃO A 2014

com Expointer encerra R$ 1,70 bilhão

2015 em negócios

A 38ª Expointer, realizada em Esteio/RS, entre os dias 29 de agosto e 06 de setembro, encerrou com volume de negócios batendo na casa dos R$ 1,70 bilhão. Na coletiva realizada na Central de Imprensa do Governo do Estado, o governador José Ivo Sartori destacou que a feira – considerada uma das maiores mostras agropecuárias da América Latina – “foi uma experiência exitosa, otimista e feita com os pés no chão”. Durante o evento, o Parque de Exposições Assis Brasil foi visitado por mais de 509 mil pessoas. Diante de um cenário de retração econômica, taxas de juros maiores que a dos últimos anos e preços mais elevados, o segmento de máquinas e implementos agrícolas teve redução de 37,4%, totalizando R$ 1,69 bilhão em negócios encaminhados. Segundo o presidente do sindicato do setor, Claudio Bier, o número é reflexo da economia nacional. Bier destaca que para o próximo ano a área de máquinas e implementos no parque estará maior e com mais empresas expositoras. Já a venda de animais teve incremento de 23,79% em relação ao ano de 2014. O volume chegou a R$ 15.389.240,00. Os

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leilões da raça Crioula e a comercialização de coberturas puxaram, mais uma vez, a venda de animais, alcançando R$ 10,98 milhões. A venda de bovinos de corte e mistos atingiu R$ 2.687.520,00 – aumento de 60% em relação a 2014, quando o desempenho foi de R$ 1.671.910,00.

AGRICULTURA FAMILIAR Um dos espaços mais concorridos na feira, o Pavilhão da Agricultura Familiar, bateu novo recorde neste ano. A venda das agroindústrias nos nove dias chegou a R$ 2.200.504,99, incremento de 12,67% em comparação a 2014. Nesta edição de 2015, o número de agroindústrias familiares presentes na Expointer também aumentou, em 17%, contando com 239 expositores. Para o próximo ano, de acordo com

a organização do evento, há a previsão de construção de um novo pavilhão para ampliar a área da agricultura familiar. O vice-presidente da Fetag, Nestor Bonfanti, afirmou que a Expointer 2015 foi a melhor de todos os tempos. “A feira agrofamiliar esgotou os estoques de muitos expositores. Chegou a faltar espaço para outras agroindústrias interessadas, mas poderemos ter um novo e mais amplo para o próximo ano”, finalizou Bonfanti. Já no artesanato, o faturamento ficou em R$ 960.090,25, com a venda de 28.631 peças expostas na área que reuniu 282 expositores cadastrados no Programa Gaúcho do Artesanato (PGA) da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Houve queda de 30% em relação ao ano anterior, quando o faturamento fechou em R$ 1,4 milhão. Fonte: Imprensa Expointer


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60ª Festa do Peão de Barretos revela campeões e supera expectativas Foto: André Monteiro

Depois de 11 dias de uma agenda repleta de shows e com as principais competições do país, a 60ª Festa do Peão de Barretos terminou no dia 30 de agosto com um saldo favorável. O evento contou com cerca de 900 mil visitas e expectativas superadas, de acordo com o presidente de “Os Independentes”, Jeronimo Luiz Muzetti. “O público foi muito bom, nos surpreendeu em alguns dias como no sábado, dia 29, quando reunimos mais de 105 mil pessoas no Parque do Peão”, declarou. A receita também foi positiva, segundo o presidente. O evento reuniu mais de 100 artistas nos palcos, além de 500 competidores, 3 mil animais e apresentações culturais. No encerramento da festa, a organização já anunciou a data da 61ª edição, em 2016: 18 a 28 de agosto. Confira os campeões do 23º Barretos International Rodeo, a principal competição do evento, cuja premiação total atingiu R$ 800 mil:

Campeão Sela Americana

MONTARIA EM TOURO (23º BARRETOS INTERNATIONAL RODEO) Campeão: Kaique Pacheco, de Itatiba/SP Melhor Touro: Relíquia da Cia. João Paulo Melhor boiada: animais do proprietário Juliano Domingos

PROVA DOS TRÊS TAMBORES Campeã: Fatiana Ferreira Pignanelli, de Guaíra/SP, montando o cavalo Exclusive Moon

RODEIO CUTIANO Campeão: Paulo Henrique Baesso, de Bálsamo/SP, montando o cavalo Brasileiro, da Tropa Galego Guaraçaí

BAREBACK Campeão: Leandro Medeiros, de Terra Roxa/SP, montando o cavalo Big Gun, da Companhia Pro Horse

SELA AMERICANA Campeão: Leandro Baldissera, de Campão Bonito/SP

TEAM PENNING Campeões: Lucas Andrade de Oliveira, Gustavo Andrade de Oliveira e Antônio César Gumieiro, de Uberaba/MG

RODEIO JÚNIOR Campeão: Weslen de Oliveira Bonfim, de Álvaro de Carvalho/SP, montando o touro Gole Seco, da Companhia Osmar Marchi

RODEIO EM CARNEIROS Campeão: Gabriel Pita, de Barretos/SP 54

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Crédito Rural 2015/2016 CRISE, ALTA DO DÓLAR E SECA IMPÕEM DIFICULDADES AOS PRODUTORES. FINANCIADORAS ESTÃO MAIS EXIGENTES O ano de 2015 tem sido de bastante cautela aos produtores rurais, em especial, aos agricultores. Devido a fatores como a crise política e econômica, a alta do dólar, os prejuízos das últimas secas e a indefinição quanto à previsão de chuvas, muitos estão receosos quanto aos investimentos para a próxima safra. Para esse fim, o produtor pode contar com o crédito rural. Porém, ainda que seja objeto de política pública, as instituições financeiras estão mais exigentes neste ano-safra quanto às garantias, o que pode dificultar na contratação do crédito. De acordo com a coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG, Aline Veloso, as exigências dos bancos aumentaram porque o período pelo qual o país passa não está favorável à economia. Segundo a especialista, os impactos das secas recorrentes na região Centro-Sul do país, em especial em Minas Gerais, afetaram a capacidade de pagamento do produtor. Além disso, devido à situação econômica adversa, houve uma redução dos depósitos à vista, fator que influencia diretamente na quantidade de recursos disponíveis nas instituições financeiras, os chamados recursos livres. “Os recursos obrigatórios, aqueles orçados pelo Governo Federal, com recursos do Tesouro, foram anunciados, inclusive, em volume maior no Plano Agrícola e Pecuário 2015/16, porém, a redução da disponibilidade de recursos nos bancos afeta o volume oferecido para o crédito rural e há também a concorrência na aplicação em produtos financeiros, mais rentáveis”, explica Aline. Outro fator que também tem preocu-

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pado os produtores, bem como as instituições que apoiam a classe, é a não liberação, neste ano, do crédito para o pré-custeio. De acordo com Aline, os recursos disponibilizados para o período que antecipa a safra, são fundamentais para que o produtor consiga se planejar para a safra e adquirir insumos a preços menores. Como as instituições financeiras não liberaram o recurso, muitos produtores buscaram outras soluções, seja através da troca de produtos ou da venda antecipada, o que, muitas vezes, acarreta em aumento dos custos de produção.

O CRÉDITO Ainda que as dificuldades se apresentem, o crédito rural continua sendo um suporte de extrema importância para que o produtor consiga resultados favoráveis em seu negócio. Para contratar o crédito, é necessário apresentar uma lista de documentos à instituição financeira, incluindo um projeto técnico, contendo o orçamento com a estimativa de custos. Conforme Aline, o produtor pode buscar apoio de profissionais para a elaboração do projeto, como engenheiros agrônomos, zootecnistas, técnicos agrícolas ou veterinários, dentre outros profissionais, consultoria que pode ser disponibilizada via Emater, Sindicatos, ou através de contratos privados. “Às vezes, nem é necessário apresentar um projeto estruturado, como nos casos de crédito para custeio, mas um bom orçamento e o planejamento da ativi-

dade são de extrema importância”, afirma. Além disso, deve-se buscar uma instituição financeira com a qual o produtor já tenha um bom relacionamento. “A contratação do crédito é uma relação de confiança e, certamente, quando o banco já conhece o contratante e tem o histórico de sua produção, tende a analisar e liberar os recursos com mais facilidade”, defende Aline. A coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG explica, ainda, que caso haja quebra da safra ou prejuízos de qualquer ordem, o Manual do Crédito Rural (MCR), elaborado pelo Banco Central do Brasil, garante ao produtor a possibilidade de renegociação da dívida. “Para que ele consiga renegociar, é necessário apresentar documentos e laudos técnicos que comprovem a situação ocorrida. Outra dica é sempre buscar essa renegociação antes do vencimento da parcela, protocolando o pedido em duas vias”, ressalta. Aline recomenda aos produtores que busquem superar o momento de crise através de um bom planejamento e organização. “A tomada de decisões deve ser bem pensada e todos os passos organizados previamente”. Quanto ao apoio do governo, a especialista defende que a classe agropecuária merece um olhar especial. “O agronegócio é um dos principais pilares da nossa economia e é o único setor que ainda tem resultados positivos atualmente. Por isso, a classe rural deve contar com todo o suporte dos governos estaduais e federal para garantir uma atividade competitiva e produtiva”, finaliza.


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Indústria pet alimentícia crescerá dois dígitos em 2015 Apesar da crise econômica atual, o setor industrial de alimentos pet já demonstrou que o faturamento do ano de 2015 tende a alcançar crescimento na margem de dois dígitos, superando a marca de R$ 16,6 bilhões registrados no ano passado. O valor, estimado pela COMAC – Comissão de Animais de Companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal, inclui os lucros

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obtidos por diferentes segmentos, como os de Pet Food (alimentos), Pet Vet (produtos veterinários), Pet Serv (serviços e cuidados com os animais) e Pet Care (equipamentos, acessórios e produtos para higiene e beleza). Entre os destaques do ano de 2015 está o segmento Pet Food, que tem alavancado as vendas do mercado. Muitos fabricantes têm apostado em rações integrais, com o

uso de grãos e até mesmo do frango orgânico Korin, que não leva anabolizantes para seu desenvolvimento. Tal investida tem como princípio a ideia da saudabilidade dos animais de estimação, que cada vez mais tem ganhado espaço no ambiente familiar. No ano passado, o faturamento registrado pela indústria pet alimentícia consolidou o Brasil como o segundo colocado no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Outro destaque está na população brasileira de animais de estimação, que, até o final de 2014, já era de aproximadamente 106 bilhões, sendo mais da metade composta por cães e gatos. Quanto à produção de alimentos para os animais pet, em 2014, estima-se que mais de 2,3 milhões de toneladas tenham sido produzidas. Deste total, a grande maioria foi voltada à nutrição de cães, principalmente as rações secas, mas incluindo também os insumos úmidos, semi-úmidos e os snacks.


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3ª Semana Internacional do Café movimenta EVENTO ESTIMULA DESENVOLVIMENTO DA CADEIRA CAFEEIRA A 3ª edição da Semana Internacional do Café (SIC), realizada entre os dias 24 e 26 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte, movimentou cerca de R$ 25 milhões em negócios. O evento, considerado o maior encontro do setor no país e um dos principais do mundo, contou com 13 mil visitantes, número que superou a edição de 2014. Entre o público, cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores, fornecedores, empresários, baristas, proprietários de cafeterias e apreciadores de todo o mundo. Muitos empresários e produtores do setor cafeeiro buscam no evento uma oportunidade de divulgar seus produtos, compartilhar aprendizados e experiências, conhecer novas tecnologias, além de expandir e fortalecer seus negócios. O evento é também uma forma de o Brasil mostrar aos mercados nacionais e internacionais que não produz apenas quantidade, mas também grãos de alta qualidade.

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Conforme defende Roberto Simões, presidente da Faemg, uma das entidades organizadoras do evento, os cafés brasileiros e, em especial, os produzidos em Minas, já têm se consolidado como referência mundial. “A Semana Internacional do Café é especialmente importante como oportunidade para que o produtor apresente o resultado deste bem sucedido trabalho que vem desenvolvendo em sua propriedade e da qualidade alcançada, fazendo bons negócios”, ressalta. Mariana Proença, diretora de conteúdo da Café Editora, idealizadora do evento, afirma que este ano as expectativas foram superadas, tanto em relação ao número de visitantes quanto em qualidade. “Vieram pessoas de todo o Brasil em busca de cafés especiais, de novidades e inovação”, conta. Ela acrescenta que esta edição foi sustentável e muito produtiva. Priscilla Lins, gerente de Agronegócios do Sebrae, outra entidade que está à frente

da realização da SIC, ressalta que esta edição consolidou a estratégia de ter Minas Gerais como centro das atenções na cadeia do café. “Os eventos técnicos foram grandes sucesso de público e de qualidade. O produtor pôde ver que ele é a razão do negócio do café, que movimenta tanta gente, gera emprego e renda e, ainda, tem milhões de consumidores pelo mundo”, salienta. A SIC reuniu mais de 200 profissionais do mercado de café, cerca de 100 expositores e 150 marcas. Durante os três dias de intensas atividades, os visitantes também participaram de cursos, palestras, workshops, rodadas de negócios e sala de cupping. No total, foram 30 ações simultâneas e 60 palestrantes, sendo 10 deles internacionais. O público conferiu mais de 65 temas, distribuídos em 280 horas de conteúdo. E a quarta edição da Semana Internacional do Café já tem data marcada em Belo Horizonte: 22 a 24 de setembro de 2016, no Expominas.


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MEIO AMBIENTE

Carvão ecológico

ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL DE PRODUÇÃO DO CARVÃO VEGETAL PRIORIZA O ZELO AO MEIO AMBIENTE E A SAÚDE DO TRABALHADOR Boa parte do carvão produzido nas áreas ameaçadas de desertificação no Brasil é feita artesanalmente em carvoarias precárias. Muitas delas funcionam de maneira clandestina, utilizando madeiras extraídas ilegalmente. Devido a esses fatores, a produção do carvão vegetal tem sido associada ao desmatamento e à desertificação. Como solução para este grave problema ambiental, uma nova forma de produzir o carvão foi criada, focando na eficiência e no respeito ao meio ambiente. O carvão ecológico é um modelo sustentável que gera lucros e não causa danos à natureza ou ao ser humano. Na verdade, o carvão ecológico é o carvão produzido de forma ecologicamente correta, ou seja, em todas as etapas do processo de produção tem-se um cuidado para não agredir o meio ambiente. Tudo

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começa com a obtenção da matéria prima (lenha), extraída de maneira legal e autorizada pelos órgãos fiscalizadores. Outro diferencial está na carbonização da lenha, feita por um maquinário com maior eficiência energética. Tais equipamentos reduzem consideravelmente o consumo de madeira necessária para processar o carvão, baixando a emissão de gases na atmosfera e evitando resíduos no pátio de produção. Além de todos esses benefícios, o modelo de produção do carvão vegetal também tem um cuidado especial com a mão de obra. O trabalhador está sempre ao ar livre, sem exposição ao pó do carvão, diferente do que acontece no sistema tradicional, no qual o funcionário entra no forno de barro, com o interior a 70º C, temperatura que ameaça sua saúde. Na região do Semiárido brasileiro, a

produção do carvão vegetal já tem despontado como uma opção promissora, pois consegue promover a convivência sustentável com a semiaridez e assegura a participação da biomassa entre as matrizes energéticas da região. Só no Nordeste, os biocombustíveis sólidos (lenha e carvão) correspondem a 30% de toda a matriz energética do estado. Com esse novo modelo, pode-se garantir o suprimento do carvão sem agredir o meio ambiente, com baixos custos e ainda priorizando o capital humano que participa da produção. Atualmente, o principal mercado para o carvão vegetal é a indústria de ferro gusa, matéria prima básica do aço. Nesta produção, o carvão entra também na liga do ferro, ou seja, não é utilizado apenas uma fonte de calor, mas também como um componente do produto.


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RECEITA

Cuca crocante de banana com farofa

Quem visita o Rio Grande do Sul, acaba voltando encantado com uma especiaria típica do estado. A cuca, como é conhecida nas terras gaúchas, é o que os alemães chamam de bolo Kuche. Sua receita também costuma variar de família para família. Umas são mais molhadinhas, outras mais macias, amanteigadas... Mas todas tem algo em comum: o toque especial da tradição alemã que perdura por muitos anos na região. A Revista Mercado Rural selecionou uma receita especial para você preparar em casa e surpreender a família no café da manhã ou lanche da tarde: a cuca crocante de banana com farofa.

Ingredientes

• 1 ovo • 2 xícaras de farinha de trigo Massa da cuca: • 1 xícara de leite • 8 colheres (sopa) de açúcar

Farelo da cuca: • 5 colheres (sopa) de farinha de trigo • 5 colheres (sopa) de açúcar

• 2 colheres (sopa) de manteiga • 2 colheres (sopa) de fermento biológico • 8 bananas-prata cortadas em fatias • 1 pitada de sal

• 3 a 4 colheres (sopa) de manteiga • Canela em pó

Modo de preparo Massa da cuca: • Misture o ovo com o açúcar, a manteiga e o sal como se fosse uma gemada. Depois acrescente a farinha, o fermento e o leite e mexa bastante para não empelotar. Unte uma forma, coloque a massa e coloque as fatias de banana em cima da massa. Farelo da cuca: Misture todos os ingredientes com as mãos até formar uma farofa. Espalhe por cima das bananas dispostas sobre a massa. Deixe crescer por 30 minutos e leve ao forno por 40 minutos.

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BEBIDAS

Aluá

Você já ouviu falar no aluá? Bastante conhecido nas regiões Norte e Nordeste, o aluá, ou aruá, é uma bebida concebida por muitos como o primeiro refrigerante brasileiro. Há quem diga que o aluá veio de Portugal, de uma versão adicionada de bagaceira, a cachaça feita de uva. Na época do Império, foi uma das bebidas mais consumidas pela corte. Outras vertentes defendem que o nome vem de “ao luar”, pois os escravos consumiam a bebida à noite. No entanto, uma das receitas que permanece até os dias atuais foi criada pelos índios da Amazônia, a partir da fermentação da casca do abacaxi, e por isso, quando se fala em aluá, faz-se uma referência direta à tradição indígena.

VARIAÇÕES O aluá pode ser produzido a partir da fermentação da casca do abacaxi, do milho ou do arroz, e possui baixo teor alcoólico. Geralmente, costuma ser servido em celebrações tradicionais, como as festas juninas ou festejos religiosos. O preparo da bebida costuma variar de região para região, cada uma utilizando um ingrediente específico, porém todos

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BEBIDA ORIGINÁRIA DOS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA É FEITA A PARTIR DA FERMENTAÇÃO DA CASCA DO ABACAXI, DO MILHO OU DO ARROZ

incluindo produtos típicos do Brasil. No Acre e na Amazônia, costuma-se usar o milho triturado ou a farinha de milho. Na capital Manaus e arredores, utiliza-se a casca do abacaxi, raízes de gengibre, milho, açúcar, cravinho e erva doce. No Pará, a bebida também é preparada a partir da casca do abacaxi, adicionando-se raiz de gengibre ralada ou esmagada, açúcar ou caldo de cana e sumo de limão. As variedades do aluá não param por aí. No Ceará, existe uma versão feita com pão branco seco, cravo-da-índia, gengibre, erva doce e rapadura preta. Em Minas Gerais, no sertão do estado, a bebida marcou tradição. Também chamada de “gasosa”, é feita a partir da casca do abacaxi.

PREPARO O aluá pode ser preparado em casa e a receita tradicional não tem mistérios. A versão feita a partir

da casca do abacaxi requer cascas de dois abacaxis maduros, dois litros de água filtrada, uma xícara de açúcar mascavo, seis cravos-da-índia e uma colher de chá de gengibre ralado. Para preparar, deve-se colocar as cascas de abacaxi em uma tigela grande e com a água, cobrindo com um pano e deixando descansar por um dia. Durante esse período, a casca da fruta é fermentada e a bebida já começa a se formar. No dia seguinte, são adicionados os demais ingredientes e a mistura fica mais 24 horas “descansando”. Já no terceiro dia, o aluá estará pronto para ser servido. Deve-se coar a mistura e deixar gelar para que a bebida seja apreciada como um refrigerante natural e saudável.


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AUTOMÓVEIS

Duster Oroch NOVO MODELO DA RENAUT REÚNE A VERSATILIDADE DE UMA PICAPE E O CONFORTO INTERNO DE UM SUV O principal lançamento da Renaut 2015 tem despertado a curiosidade dos amantes das picapes. A nova Duster Oroch, que deve chegar este mês ao Brasil, combina design moderno, robustez e inovação. Com um porte intermediário entre as picapes compactas e as médias, o conceito principal do modelo é oferecer o conforto de um carro de passeio aliado à versatilidade de um utilitário. Um destaque da nova Duster Oroch é o seu espaço. A caçamba de 1,35 m su-

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porta 650 kg e, com o seu extensor, que será vendido como acessório, o comprimento diagonal pode chegar a 2m e 300L extras, espaço suficiente para o transporte de todo tipo de equipamento, até mesmo motos. A nova picape da Renaut vem equipada de série com protetor de caçamba, oito pontos de fixação e porta que fecha com chaves. E se o espaço externo já chama a atenção, o interno também apresenta vantagens. O modelo tem cabine dupla, em uma

referência à plataforma Duster. São quatro portas com cinco lugares confortáveis. Segundo informações do portal Autoesporte, a picape terá 4,7 metros de comprimento, 1,8 m de largura e 1,69m de altura. A suspensão traseira multilink da nova Duster Oroch é baseada na linha Duster 4x4. O modelo é equipado com motores 1.6 16V de 110/115 cv e 2.0 16V de 143/148 cv, ambos flex, além de pneus de uso misto. A picape contará também com um pacote de equipamentos que inclui sensor de ré, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, protetor de caçamba, piloto automático e o sistema Media Nav Evolution, que recebe atualizações das redes sociais, oferece seus canais de música e GPS integrado. A nova Duster Oroch está sendo fabricada no Brasil e sairá para as concessionárias direto da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná.


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TURISMO RURAL

Zorah Beach Um cenário paradisíaco. Lugar para deixar o estresse de lado e desfrutar de belíssimos cenários naturais que proporcionam paz e tranquilidade. Trairi, no Ceará é o destino. A cidade, localizada a cerca de 130 km de Fortaleza guarda em si grandes tesouros, a começar pelas águas em coloração verde-esmeralda, areias brancas e coqueirais. E para deixar tudo ainda mais peculiar, imagine-se curtindo o litoral cearense em um ambiente que lembra a exuberância de Bali, na Indonésia, ou a Índia... A praia do Guajiru conta com um local exatamente assim, a união harmônica entre o Brasil tropical e a exótica Ásia: o Zorah Beach. A escolha da localidade para a instalação do empreendimento não foi por acaso. Assim como as ilhas asiáticas oferecem praias privativas e com belezas surpreendentes, Guajiru é como se fosse um lugar ainda intocado do

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litoral brasileiro, com sua praia de águas calmas e mornas e piscinas naturais na maré baixa. Para completar o cenário, areias límpidas que formam desenhos com o vento e coqueiros por todos os lados. O vilarejo, habitado por cerca de 800 pessoas, dá o tom ainda mais aconchegante. No interior do Zorah Beach, faz-se uma viagem ao outro lado do mundo, com os lustres e luminárias em bronze e vidro típicos da Turquia e do Marrocos, estátuas, vasos e jarros feitos de uma pedra branca especial pelas mãos de um artesão de Bali, na Indonésia, além de peças de bronze e metal do premiado artista indiano M Khane, e de porcelanas exclusivas da escola Jaipur Blue Pottery, feitas a mão, e que contam com a assinatura do artista que foi o responsável pela restauração da arte na Índia, o Kripal Singh. A decoração típica da Ásia também inspirou a criação das acomodações. No Zorah Beach é possível encontrar bangalôs, como se vê nas regiões turísticas da Indonésia ou Tailândia, por exemplo, além de uma vila com traços do Oriente. E, assim como muitos hotéis do litoral asiático, a proximidade com o mar confere o sossego necessário para um descanso merecido. Somando-se a isso, tem-se a gastronomia

CONHEÇA O EMPREENDIMENTO QUE UNE A EXUBERÂNCIA DA ÁSIA ÀS BELEZAS ÚNICAS DO LITORAL CEARENSE

que une ingredientes regionais a pratos típicos da Ásia, harmonizando com uma carta de vinhos exclusiva e cervejas artesanais produzidas em diferentes países. Para quem curte esporte, a região oferece aventuras de buggy e quadriciclos, passando por trilhas, dunas, lagoas e pelo interior rural. Outro destaque é o passeio de Catamarã pelo rio Mundaú e os passeios a cavalo pela praia. Os profissionais e iniciantes das práticas de Kite Surf, windsurfe, surf e SUP também podem aproveitar as condições perfeitas oferecidas pela região. As dunas contam com locais ideais para o sandboard.

COMO CHEGAR Para visitar a bela região de Trairi, que foi descrita minuciosamente por José de Alencar no romance “Iracema”, é recomendado ir até Fortaleza, alugar um carro ou contratar um transfer. Se for dirigir, escolha a rodovia CE-085, conhecida como Estrutural ou Estrada do Sol Poente, ladeada por cajueiros, carnaúbas e coqueiros. O trecho encontra-se em bom estado.


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Nagazaki

SEÇÃO PET

Mini galinhas As mini galinhas são originárias de ramos genealógicos distintos, bem como de diferentes países. Em geral, correspondem a 1/5 do tamanho das galinhas de tamanho standard (grandes) e apresentam aparências e cores variadas. As principais raças são a Sebrigth, Nagazaki, Mini Cochin, Belgian, OldEnglish Game, Rosecomb, dentre outras.Apesar de terem um porte menor, a criação dessas galinhas é praticamente a mesma que as demais, exigindo apenas algumas adaptações.

Mini Cochin

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As mini galinhas, comparadas às espécies de tamanho normal, se alimentam de uma quantidade menor de milho, ração ou verduras. No caso da ração, por exemplo, é recomendado que se dê a metade do que é oferecido às galinhas de porte normal, as quais geralmente comem 120g a 150g por dia.

CRIAÇÃO E MANEJO As mini galinhas são criadas em uma área delimitada, na qual há total controle

Sebright

produtivo, nutricional e sanitário. Neste tipo de criação, as aves são separadas em piquetes de acordo com a idade e lote (inicial, crescimento/engorda, cria e recria). Além disso, são vacinadas periodicamente e a alimentação é balanceada. O local para a instalação do galpão do galinheiro deve ser seco, livre de inundações e, de preferência, com proteção natural contra a incidência de ventos fortes. O piso, de terra batida ou concretado, deve ser ligeiramente inclinado para facilitar a limpeza e a desinfecção. Para melhor aproveitamento da incidência do sol, sugere-se seguir a direção leste/oeste. Já com relação aos piquetes, os mesmos devem ser rotacionados para facilitar a recuperação da cobertura vegetal. A alimentação das mini galinhas no modelo de criação não industrializado precisa de uma atenção especial. A ração deve ser mesclada com outros alimentos que fornecem energia para o animal, como o milho, legumes ou o capim. A água também precisa ter um controle rígido, pois muitas doenças são transmitidas via água


Belgian

contaminada. Além disso, a cada dois meses, é recomendável acrescentar um pouco de vermífugo específico para galinhas na água para que todas estejam protegidas contra verminoses.

REPRODUÇÃO A reprodução das mini galinhas segue o mesmo procedimento que a das galinhas de porte normal. A galinha bota o ovo dentro de 24 horas após a sua ovulação, independente da fertilização ocorrer. A incubação natural de um ovo leva 21 dias, embaixo das penas quentes da fêmea, até o pintinho se desenvolver, quebrar a casca e nascer. A incubação também pode ser feita através de chocadeiras elétricas.

Confira algumas raças de mini galinhas e as suas características principais RAÇA

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

Sebright

De origem inglesa. Os ovos têm casca branca. Os olhos são grandes e expressivos, os tarsos finos e cinza-azulados. A cabeça é pequena de crista rosa. A raça pode ter três cores: amarelo-limão, dourada e prateada.

Mini Cochin

De origem chinesa. Ave de penas fofas desde as pernas até os pés e com cauda curta. O Cochin é um frango resistente, amigável e dócil. A raça pode se apresentar em 18 cores diferentes. A pele sob as pernas é amarela e a cor do ovo é marrom.

Nagazaki

Raça originária da Ásia. Possuem cristas grandes, asas grandes que tocam o chão. As penas da cauda são grandes e arqueadas. As pernas são curtas e os galos atingem, no máximo, 30cm de altura do chão até a crista. Necessitam de pouca alimentação e pouco espaço para locomoção.

Belgian

Raça originária da Bélgica. Apresentam postura baixa, um pescoço curto bem desenvolvido e uma cauda bastante aberta. Sua crista é simples e as penas podem se apresentar em várias cores. É conhecida por ser uma ave calma. Os seus ovos são notoriamente pequenos e com coloração creme.

MERCADO O mercado de mini galinhas oferece diversas oportunidades. Elas podem ser comercializadas como aves ornamentais, além de oferecerem ovos e carne com a mesma qualidade que as outras, porém o tamanho do ovo é um pouco menor. Além da venda como alimento, os ovos podem ser comercializados galados (fecundados), direcionados a outros criatórios.

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SEÇÃO EXÓTICA

Iguana Nativa das regiões tropicais da América, a iguana é um dos répteis criados em cativeiro mais encontrados no mundo. De fácil adaptação, seu temperamento, embora não seja interativo, é considerado dócil se comparado aos demais animais da classe que pertence. Apesar de se apresentar em mais 700 espécies diferentes, no Brasil ocorre somente uma: a iguana-verde, encontrada no Norte, Nordeste e Pantanal. A aparência da iguana é bastante peculiar, com escamas de coloração esverdeada, patas fortes, unhas compridas e longa cauda, além de uma crista que vai da nuca até a cauda e de um saco dilatável na garganta. Seu comprimento pode chegar até 1,8 m, sendo que a cauda ocupa 2/3 de seu corpo. Um diferencial na fase adulta é o surgimento de linhas escuras nas escamas, as quais perdem um pouco a tonalidade verde intensa, típica dos mais jovens.

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CARACTERÍSTICAS GERAIS As iguanas possuem hábitos diurnos e gostam de viver nas copas das árvores, utilizando seus longos dedos e garras para se deslocarem entre os galhos. Na fase jovem, alimentam-se preferencialmente de insetos e, quando adultas, de vegetais e frutas. Durante o inverno, quando há uma queda no seu metabolismo, esses répteis costumam diminuir consideravelmente a quantidade de comida ou mesmo passar algum tempo sem comer nada. E, por serem herbívoros, não podem ingerir carnes, pois como seu estômago não consegue digeri-las, pode ocasionar o entupimento de seu intestino, levando até à morte. Em estado selvagem, as iguanas habitam florestas tropicais e savanas. Geralmente, vivem sozinhas, no entanto, é possível encontrar várias delas em uma

mesma árvore, em diferentes alturas. Uma curiosidade é que as iguanas dominantes costumam ficar nos galhos mais altos, ao passo que as mais jovens se posicionam nos ramos mais próximos do chão. Estes animais contam com uma excelente visão, podendo enxergar objetos a grandes distâncias. Normalmente, as iguanas comunicam-se umas com as outras através de sinais visuais. Sua expectativa de vida é de cerca de 15 anos.

REPRODUÇÃO As iguanas são animais ovíparos, ou seja, a forma de reprodução inclui o depósito de ovos no meio externo. No caso da iguana verde, sua maturidade sexual é atingida entre 3 e 4 anos de idade. A reprodução acontece no período seco do ano, de maneira que a eclosão das crias ocorra na


época mais úmida, quando há maior disponibilidade de alimento. Durante o coito, macho sobe na fêmea e, às vezes, lhe morde o pescoço. Cerca de dois meses após o acasalamento, a fêmea colocará entre 10 e 30 ovos, cavando um buraco em terra úmida para inseri-los, assim, são incubados naturalmente. O nascimento acontece entre 65 e 115 dias depois.

CRIAÇÃO EM CATIVEIRO As iguanas podem ser criadas em ambiente doméstico, desde que autorizadas pelos órgãos ambientais especializados e com alguns cuidados especiais. Como é um animal de grande comprimento, o terrário deve ser amplo, alto e com galhos e trocos para que o réptil possa se exercitar. Esse habitat pode ser construído em madeira por todos os lados, com exceção da frente, que deve ser em vidro para permitir a visualização. É necessário fazer pequenos cortes nas laterais para que haja a circulação de ar. Além disso, é importante instalar lâmpadas para ajudar no aquecimento deste animal de “sangue frio”, bem

como lâmpadas do tipo UV-A e UV-B específicas para répteis, de modo a auxiliá-lo na sintetização de cálcio e vitamina B, além de ajudar na manutenção de sua pele em boas condições. O habitat original das iguanas é úmido, por isso, outro fator que deve ser priorizado em sua criação doméstica é a inserção no terrário de um hidrômetro que garanta uma umidade entre 70 e 80%. Também é recomendado fazer borrifações de água por, pelo menos, duas vezes ao dia, para o animal se refrescar. Quanto à temperatura, as iguanas precisam de ambientes com 29ºC durante o dia e 22ºC durante a noite, por isso, é importante colocar um termômetro no interior do terrário, de maneira a acompanhar as variações térmi-

cas. Caso sejam acostumadas desde cedo, as iguanas podem fazer passeios fora do terrário, mas sempre com muito cuidado. Uma dica dos especialistas é nunca colocar dois machos e uma fêmea no mesmo ambiente, pois os machos costumam se tornar agressivos e territoriais quando atingem a maturidade sexual. Além disso, a junção de uma iguana macho com fêmea deve ser feita apenas na época do acasalamento, pois, se deixados juntos durante todo o ano, o macho poderá agredir a fêmea para tentar acasalar.

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EVENTO / ANIVERSÁRIO

Marcelo Lamounier comemora seu aniversário no restaurante Boi Vitório No dia 13 de agosto, o Diretor Geral da revista Mercado Rural recebeu amigos e familiares para comemorar o seu aniversário. Na ocasião, estiveram presentes criadores de diversas raças para brindar com o amigo Marcelo mais um ano de vida.

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Laura, Luiza, Marcelo, Conceição e Marcelo Lamounier

Candido Lamounier, Soraya Celeste, Gloria Lamounier e Rosana Barcelos

Marcela Santos, Matheus Caporal e Celio Santos

Antônio Hilário, Marcelo Malaquias e Eder Santos

Carolina Lamounier e Robinson Santos

Mauro Garcia e Maria Amélia

Paula Apgaua e Flávio Brito

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Leonardo Motta, Axel Sorensen e Marcelo Lamounier

Rodrigo Dias e Amanda Ribeiro

Luiza Lamounier e Marcelo Cardoso

Bernardo Papini e Laura Lamounier

Conceição Lamounier, Katia Lamounier, Debora Santos e Luzia Lamounier

Frederico Salgado, Fabrício Lana, Antônio Hilário, Marcelo Lamounier, Teodoro Lamounier e Axel Sorensen

José Geraldo, Regina Monteiro, Sara Santos e Maurício Santos

Marlene e Murilo Torres

Teodoro Lamounier, Antônio Hilário, Frederico Salgado e Rodrigo Denis

NOVO ENDEREÇO Av. Afonso Pena,RURAL 4374 79 REVISTA MERCADO Bairro Cruzeiro - Belo Horizonte / MG


GIRO RURAL

GTPS participa de ação de sustentabilidade na Expo Milão Nos dias 22 e 23 de setembro, o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) participou de uma ação de sustentabilidade, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na Expo Milão, Itália. O evento tem como missão apresentar ao mundo o cenário brasileiro das iniciativas inovadoras e soluções sustentáveis que respondam aos desafios globais da sociedade quanto à segurança alimentar. Na ocasião, foram apresentados estudos técnicos que analisam setores para os quais o Brasil emerge como uma potência econômica e ambiental, tendo como foco a economia de baixo carbono. Além disso, o evento também compartilhou as práticas que vêm sendo adotadas por setores econômicos brasileiros estratégicos para reduzirem a emissão de carbono e tornarem-se referência na transição para uma economia mais sustentável. A Expo Milão contou com a presença de compradores internacionais, empresas comerciais exportadoras, formuladores de opinião europeus, representantes de governo brasileiros e europeus, jornalistas brasileiros e estrangeiros, representantes de universidades e instituições de pesquisa, organizações não governamentais, entre outros.

Cachaça Batista conquista, mais uma vez, selo de qualidade do INMETRO A fábrica mineira de aguardente, Cachaça Batista, acaba de conquistar novamente o Selo de Certificação da Qualidade pelo INMETRO. O selo é o mais importante existente no Brasil oferecido órgão regulador. Para manter a certificação da qualidade, é necessária a visita anual dos auditores do INMETRO, realizada, neste ano, no mês de setembro. Na auditoria, são verificados todos os parâmetros relacionados à produção, desde o canavial até o estoque do produto acabado. Avaliam-se as instalações, equipamentos, segurança, meio ambiente, documentos e anotações de controle de cada setor. Com a certificação, é possível oferecer ao consumidor dados de rastreabilidade da cachaça engarrafada, ou seja, pelo nº do lote é possível saber, por exemplo, quais tanques ou barris foram utilizados no preparo do lote. Apesar de não ser uma certificação obrigatória, a cachaça Batista optou por ser auditada anualmente, de maneira que possa garantir a qualidade em sua produção. A auditoria ocorreu 100%, ou seja, sem nenhum tipo de não conformidade nos mais de 100 itens avaliados.

Produção de ração cresce impulsionada por maior venda de carnes

Com as atividades pecuárias “resistindo à crise”, conforme defende o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), a indústria de rações deverá elevar a sua produção em 2015. Os representantes da entidade acreditam que o aumento poderá chegar a 3,2%, na comparação com 2014, para 67,1 milhões de toneladas. Segundo o Sindirações, no primeiro semestre, houve um incremento de 2,2%, com reflexo sobre o uso de milho e farelo de soja em ano de produção recorde. Além disso, neste mesmo período, somente a produção de rações para o segmento de aves demandou 18,7 milhões de

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toneladas, 3,4% a mais do que no mesmo intervalo do ano anterior, graças ao impulso das exportações de carne de frango. Já para atender a indústria de carne suína, que responde pela maior parte da demanda por ração no Brasil, a produção cresceu perto de 3% no acumulado do ano até junho, para 7,4 milhões de toneladas. Conforme o Sindirações, o aumento dessa demanda deve-se ao alívio no custo do milho e do farelo de soja utilizados na nutrição animal, à recuperação das exportações da carne suína e à maior procura do consumidor por causa do alto preço da carne bovina.


Projeto inovador de biodigestor com Cipageo é desenvolvido em frigorífico O frigorífico Cowpig, instalado em uma propriedade de 250 hectares na cidade de Boituva/SP, desenvolveu uma nova tecnologia com a adoção de um biodigestor revestido com Cipageo®, geomembranas de PVC produzidas pela fabricante de revestimentos sintéticos de Cerquilho/ SP, a Cipatex®. Idealizado pelos irmãos Sebatiani, fundadores do Cowpig, o projeto é inovador ao reduzir impactos ambientais, possibilitar 20% a mais em geração de biogás e reduzir gastos com a manutenção do equipamento em cerca de 50%. Além de receber restos de alimentos e dejetos dos animais, o biodigestor tem o diferencial de fazer o tratamento das águas das linhas verde e vermelha do frigorífico, relacionadas à lavagem das vísceras, rúmen e sangue de bovinos, suínos, ovinos e búfalos. A estrutura interna utilizada no novo equipamento permite que a geração de biogás seja ainda mais eficiente. Devido à função de agitação, o sistema produz cerca de 20% a mais de biogás em comparação ao biodigestor tradicional. Outro diferencial é a estrutura interna que conta com bombas e encanamentos para evitar o acúmulo de sólidos no fundo do equipamento, evitando manutenção frequente. O equipamento tem 50 metros de comprimento, 17 metros de largura e 5 metros de profundidade. O biodigestor é uma câmara totalmente fechada, onde os resíduos dos animais entram em um processo de fermentação anaeróbia. Dessa forma, é possível reaproveitar detritos para gerar adubo e gás, também chamados de biofertilizantes e biogás. De acordo com a Cowpig, a instalação do biodigestor garante à propriedade uma economia entre R$ 20 e 30 mil por mês com energia.

Expovelha 2015 sediará Nacional Dorper e White Dorper Entre os dias 10 e 18 de outubro, o Recinto de Exposições “José Oliveira Prado”, em Lençóis Paulista/SP, sediará a 9ª Exposição Nacional das raças Dorper e White Dorper 2015. O evento será realizado durante a 28ª edição da Exposição e Feira de Ovinos do Estado de São Paulo (Expovelha), a mais tradicional da ovinocultura paulista. Criadores das regiões Norte e Nordeste confirmaram participação, e a meta é, no mínimo, repetir o número de inscrições do evento anterior, realizado em Salvador (BA), que contou com 700 animais. Outros destaques da programação serão o 15º Seminário Paulista de Ovinocultura e 2º Con-

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GIRO RURAL

Seleção do programa Leite Saudável começa em 15 de outubro A seleção dos 80 mil produtores que serão contemplados pelo programa Leite Saudável terá início em 15 de outubro. Até 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) investirão R$ 387 milhões no programa, contemplando os cinco principais estados produtores de lácteos do país: Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os agricultores selecionados terão de atender a critérios técnicos, como produzir ao menos 50 litros de leite por dia, e apresentar estrutura mínima para receber assistência técnica, cursos de gestão e pacote tecnológico, como inseminação artificial. Os laticínios e as cooperativas locais, juntamente com o Sebrae e o Senar, auxiliarão na seleção desses produtores.

AGENDA RURAL 06 e 07/10

I Encontro de Ecotoxicologia e Ética em Experimentação Animal da Embrapa Meio Ambiente

Jaguariúna

SP

08 a 12/10

31º Hortishow - Encontro Estadual Hortigranjeiros

Santa Rosa

RS

08 a 18/10

77ª Exposição-Feira de de Animais e Produtos Derivados

Santana do Livramento

RS

09 a 17/10

35ª Semana Nacional do Cavalo Campolina

Barbacena

MG

Leilão Genética Lins & Convidados – Girolando

Lins

SP

9ª Exposição Nacional das raças Dorper e White Dorper

Lençóis Paulista

SP

Leilão beneficente em Prol do Hospital do Câncer de Barretos – Senepol PO

Barretos

SP

18 a 20/10

Pork Expo

Foz do Iguaçu

PR

20 a 23/10

17º Congresso Nacional da Associação Brasileira dos Veterinários Especialistas em Suínos

Campinas

SP

20 a 24/10

Agroleite 2015

Castro

PR

21 e 22/10

BeefExpo 2015

Foz do Iguaçu

PR

Encontro sobre Inovações Tecnológicas na Produção de Plantas Hortícolas

São Paulo

SP

41º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras

Poços de Caldas

MG

30/10 a 01/11

V SIMLEITE - Simpósio Nacional de Bovinocultura Leiteira

Viçosa

MG

30/10 a 02/11

42º CONBRAVET - Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária

Curitiba

PR

6º Leilão Virtual MAAB Fazenda Mula Preta - Muares

Canal Rural

10/10

OUTUBRO

10 a 18/10 11/10

24/10 27 a 30/10

DEZEMBRO

NOVEMBRO

04/11

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05/11

Leilão Virtual Embriões Genetropic

Canal do Boi

07/11

VII Marchador Fest

Rio de Janeiro

RJ

07 a 21/11

ESPM - Agronegócio em Tempos de Crise Econômica: Cenários e Oportunidades

Porto Alegre

RS

08 a 13/11

XXV CONIRD – Congresso Nacional e Irrigação e Drenagem

Aracaju

SE

11 e 12/11

29ª Reunião Anual do CBNA: Aditivos na Alimentação Animal - Aves e suínos

Campinas

SP

17 a 20/11

IX Congresso Brasileiro de Turismo Rural

Joinville

SC

22 a 27/11

XXI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

Brasília

DF

24 a 26/11

XIII Seminário Nacional Milho Safrinha 2015

Maringá

PR

02 e 03/12

14º Seminário sobre Produtividade e Redução de Custos na Agroindústria Canavieira

Ribeirão Preto

SP

04 a 06/12

3ª Exposição Nacional de Orquídeas

Itu

SP

07 a 11/12

Encontro Nacional da Agroindústria – ENAG

Bananeiras

PB

10/12 10 a 12/12

MARÇO 2015

V Seminário de Indicadores Econômicos do Setor Sucroenergético

Piracicaba

SP

V SIM - Simpósio de Agronegócio e Gestão

São Paulo

SP


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MARÇO 2015

Revista Mercado Rural  

Edição de Setembro de 2015

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