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outubro - 2014 • nº 12

Exposições:

Nacional Pampa, Campolina, Pônei, Mangalarga Marchador, Expointer e Barretos

O agronegócio brasileiro nas eleições de 2014

Hipismo

esporte que agrada diferentes gerações

Mangalarga Marchador e bem-estar animal: boas práticas de manejo transformam a criação


o u t u b r o - 2014

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O agronegócio brasileiro nas eleições 2014

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Haras Meninada se destaca na criação de pôneis

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Mercado do carvão: a gangorra do produtor

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Personagem: Pamela Kayser

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XXIX Exposição Nacional do Cavalo Pônei

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Fazenda Bom Fim celebra 70 anos de sucesso

Exposições, feiras, congressos e visitas técnicas entre Brasil e USA: um investimento local com retorno global

30 Receita das exportações de carne de frango

Brasil enfrenta uma das piores estiagens dos últimos anos

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Fruto da Macaúba

Como Fazer Curral para gado

Megaleite 2014 termina com quebra de recorde mundial

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Febre Aftosa

34ª Semana Nacional do Cavalo Campolina

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O planeta cabe na urna

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37ª Expointer

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Tífton-85 é recomendado para qualquer tipo de rebanho

Meio Ambiente e Mineração

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Etanol de milho: uma nova fronteira

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Safra temporã do Cacau está chegando ao fim

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Automóveis : triciclos de carga

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Receita: Salada Grega

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Turismo: Parque Estadual do Ibitipoca

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Sessão Pet: mini cabritos

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Criações exóticas: camaleão

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Bebidas: cervejas especiais

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Evento Feira de vinhos Super Nosso Aniversário Marcelo Lamounier

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Giro Rural

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Agenda Rural

e d i to r ial Redação Unique Comunicação e Eventos Tel.: (31) 3653-0633 marcelo@uniquecomunicacao.com.br Editora e jornalista responsável Amanda Ribeiro - MT10662/MG amanda@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Direção de Arte Otávio Lucinda otavio.vieira@mobtechsolucoes.com.br Jornalistas colaboradoras Tatiana Vieira tatianavl@yahoo.com.br Rose Rocha rosedpaula@yahoo.com.br Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey

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A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

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Esta edição tem para mim um significado especial, pois é a última que escrevo como diretora de jornalismo da Mercado Rural. Foram três anos à frente da revista e 12 edições publicadas, que muito me orgulham. Mas é preciso persistência e muita dedicação, fatores que não faltam em Marcelo Lamounier, diretor comercial que segue a partir de agora à frente da revista. Eu seguirei novos rumos profissionais, mas terei sempre a revista como um troféu, exemplo e case de sucesso; um veículo que se expande cada vez mais com reconhecimento em nível nacional. E é claro que caprichamos no conteúdo desta bela edição, que traz matérias com temas exclusivos, como as eleições, um dos fatos mais importantes do ano de 2014 e que terá grande influência no futuro do agronegócio. Na matéria de capa, o destaque foi para a raça Mangalarga Marchador, que realizou exímia Exposição Nacional em julho, com tema “Cavalo Nacional”. Enfatizamos a importância do bem-estar animal para garantir sustentabilidade e eficácia na criação. Entrevistamos o presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, Magdi Shaat, que contou sobre os projetos para a raça e o Apex-Brasil. Cobrimos os grandes eventos deste segundo semestre, como a Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, do Cavalo Pampa, do Pônei, a Festa do Peão de Barretos, Megaleite e Expointer, exposições que aquecem o agronegócio brasileiro e movimentam as criações de animais de elite no Brasil. Na seção personagem, trouxemos a estória de Pamela Kayser, a bela amazona apaixonada por cavalos que vive intensamente a rotina do hipismo e reúne uma lista de superações em sua vida. Contamos, também, a experiência da amazona Priscilla Menezes, que coleciona troféus, seu último o de Vice-Campeã no ranking do CEPEL de 2013. Outros interessantes temas abordados foram o plantio do cacau, do tifton, a construção de um curral, a raça Marchigiana e os problemas enfrentados com a seca no Brasil. Na seção pet foi a vez dos mini cabritos, na seção de exóticos, os camaleões. Aproveitamos a oportunidade para agradecer aos nossos anunciantes, que acreditam na força da divulgação da nossa revista. Agradeço ao Marcelo pela amizade e sociedade nesses três últimos anos: sua determinação faz o sucesso da Mercado Rural! Boa leitura! Marcelo Lamounier e Amanda Ribeiro

Bela revista, a cada dia ganhando mais espaço no meio agropecuário. Parabéns. Marcus Vinicius - Inhaúma, MG Parabéns pela edição de junho. Revista Mercado Rural maravilhosa. Márcio A. Silva - Itapecerica, MG

Adorei a Revista, muito bem escrita e conteúdo excelente! Obrigada e muito sucesso!!! Morgana Sales - Belo Horizonte, MG Mais uma vez obrigada por me encaminhar a revista Mercado Rural. Parabéns! Ótimas reportagens. Elba Caroline - Pimenta, MG

Recebi a edição número 11 no qual veio recheada de ótimas matérias, como a que falou sobre o grande empresário do ramo imobiliário e amigo Dr. Adevailde Veloso e também fomos agraciados pela linda matéria da Hípica Corumi. Renato Menezes Belo Horizonte, MG

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Marchigiana

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Setor Sucroalcooleiro

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Caprinos e ovinos: levantamento inédito CNA /Cepea mostra lenta recuperação na criação de ovinos e caprinos no Brasil

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21ª Enapampa

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Hipismo: esporte que desperta paixões em diferentes gerações

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Festa do Peão de Barretos: evento comemora resultados positivos de público e movimentação econômica

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Pesca esportiva: atividade cresce no Brasil

Destaque: Mangalarga Marchador e bem-estar animal

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33ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador

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Mangalarga Marchador pelo mundo

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O agronegócio brasileiro nas

eleições 2014

A revista Mercado Rural pesquisou nos programas de governo dos dois candidatos à Presidência da República no segundo turno as promessas e ações relacionadas ao agronegócio brasileiro. Nem todas as ações estão aqui listadas, mas trouxemos um panorama dos principais pontos de campanha de cada um.

Plano de governo da candidata Dilma Rousseff Há 12 anos, quando o Governo Federal estabeleceu uma política na área agrícola voltada para o Agronegócio, havia a certeza de que a produtividade do setor estava muito aquém de sua capacidade. Para mudar esse quadro, foram necessários investimentos quase três vezes maiores ao longo desses anos e o aumento de recursos humanos para as áreas de pesquisa, tecnologia e inovação. Com a reformulação do Plano Agrícola e Pecuário (PAP), agora com foco em produtividade (2003 a 2014), a colheita de grãos saltou de 96,8 milhões de toneladas, numa área de 40,2 milhões de hectares, para 191,2 milhões

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de toneladas, produzidas em 56,4 milhões de hectares, crescimento 70% superior a uma década atrás. Juntos, produtores e governo estabeleceram um diálogo colaborativo e colocaram nos trilhos a locomotiva do Agronegócio, líder no cenário internacional e um setor fundamental para o desenvolvimento sustentável do Brasil, com a perspectiva de o País desempenhar papel estratégico em nível mundial. A oferta de crédito, a redução da taxa de juros e o aumento da produtividade foram os pilares para que o PAP colocasse em prática todos os projetos e programas que reuniu sob sua coordenação. Os

mais importantes são: Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos (Moderfrota); Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Juntos, Moderfrota e PSI Rural somaram recursos da ordem de R$ 9 bilhões, com juros médios de 4,5%, este ano. Inova Agro; Programa de Modernização da Agricultura e Conservação dos Recursos Naturais (Moderagro); Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro); Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp); Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp); e Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC).

Plano de governo do candidato Aécio Neves 1. Resgate da qualidade e dos recursos alocados aos investimentos em infraestrutura no país, inclusive por meio de PPP. 2. Criação de regras claras para o desenvolvimento, o uso e a multiplicação dos diferentes produtos e processos da biotecnologia. 3. Estímulo à implantação da Agricultura de Baixo Carbono. 4. Resgate dos investimentos em pesquisa pública no país, integrando na forma de redes de trabalho os sistemas federais, estaduais e privados de pesquisa. A rede de desenvolvimento tecnológico irá envolver as universidades de ciências agrárias e biológicas. 5. Promoção da melhoria do sistema brasileiro de patentes, não apenas para o caso da pesquisa na área de biotecnologia, conferindo-lhe mais agilidade. 6. Melhoria da alocação de recursos orçamentários para a defesa sanitária, com a consequente cobrança de aumento da qualidade dos serviços.

7. Ampliação do quadro de técnicos da vigilância sanitária e desenvolvimento de trabalho conjunto com as vigilâncias sanitárias estaduais, a fim de otimizar os resultados das estruturas existentes. 8. Desenvolvimento de ações de controle e combate a doenças e pragas, em parcerias com o setor privado, comunidade científica e sociedade civil. 9. Harmonização dos sistemas de vigilância do Brasil com os demais países da região. 10. Erradicação da febre aftosa em todo o país, sem distinção de região. Priorização do controle e erradicação de zoonoses, tais como tuberculose, raiva, brucelose e clostridiose. 11. Implantação de ações de educação sanitária dos produtores. 12. Priorização do Programa Nacional de Controle de Resíduos. 13. Estimulo à adoção voluntária de certificação e de organização, divulgando aos produtores os diferentes

sistemas de certificação, e exigência de rastreabilidade em produtos de maior risco sanitário. 14. Proteção ao risco de catástrofe. 15. Proteção ao risco de preço. O elemento de defesa de risco mais adequado ao uso pelos agricultores é o mercado de opções, que deverá ser desenvolvido e estimulado no Brasil. 16. Estimulo e divulgação dos mecanismos de financiamento da agricultura, especialmente no que diz respeito ao Banco do Brasil. 17. Regularização da titulação de todas as propriedades brasileiras, com o reforço da unificação dos cadastros estaduais e federais no que diz respeito à titulação das propriedades, estabelecendo um cadastro único de terras. 18. Estimulo à adesão dos produtores ao regime de pessoa jurídica, o que será alavancado pelo desenvolvimento de um modelo tributário tipo “Simples Agrícola”.

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personagem

Pamela Kayser

“Nunca se deve desistir de um sonho” Quem poderia imaginar que o simples fato de aceitar um convite para assistir a uma prova de Hipismo mudaria radicalmente a própria vida? Pois foi exatamente o que aconteceu com Pamela Kayser. O mês era dezembro. O ano, 2009. Nessa data, a filha mais nova, Rafaela, chamou a mãe para ver uma prova de Hipismo, no Centro de Preparação Equestre da Lagoa (Cepel), sabendo de sua adoração por cavalos. Um convite normal. O que ela não sabia era que, a partir desse dia, a vida de sua mãe seguiria uma nova trajetória. Pamela kayser, que sempre montou cavalos, mas nunca teve a oportunidade de aprender Hipismo, se emocionou ao ver ali o que sempre sonhou em fazer. Começaria, naquele local, uma vida dedicada aos cavalos, ao esporte e à superação. Presenciar o campeonato despertou em Pamela a vontade de realizar seu desejo de infância: o de praticar o Hipismo e de aprender a saltar. Assim, em janeiro de 2010, Pamela, que hoje é Amazona de Hipismo Clássico, estava matriculada na sua primeira aula. De lá pra cá, já são mais de quatro anos de muitos treinamentos, competições, conquistas e, acima de tudo, de realizações. E o amor pelos cavalos e pelos animais não é de agora. Segundo Pamela, desde infância ela tem contato com os bichos, o que contribuiu diretamente em sua escolha tão rápida. “Desde pequena eu gosto de animais. Está na minha alma amá-los. É interessante

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como eu consigo entender a linguagem deles e também os seus sentimentos, podendo sempre me aproximar de qualquer um sem medo. Minha paixão pelos cavalos nasceu comigo. Aprendi a montar com quatro anos e, aos 45, realizei meu sonho de fazer Hipismo e aprender a saltar”, relembra. E depois das primeiras aulas vieram as primeiras competições, primeiras medalhas e os primeiros desafios vencidos. E, para Pamela, tudo isso não seria possível sem a ajuda de seus filhos e de seu treinador. “Não poderia imaginar que o Ramiro, meu professor desde a minha primeira aula, entraria em minha vida não só para me ensinar. Hoje somos parceiros, amigos e unidos pelos mesmos sonhos, trabalhando em conjunto e evoluindo no esporte dia a dia. Ele me incentiva a ser cada dia melhor. É também apaixonado por cavalos, fazendo seu trabalho sempre com muita dedicação e talento”, enfatiza. Ao longo dos três primeiros anos de Hipismo, os treinamentos eram realizados no Cepel. Mas, no início de 2014, Pamela mudou o local de suas aulas e, com essa mudança, ganhou também um novo estilo de vida. Agora, ela divide seu tempo e os seus dias da semana entre seu apartamento em Belo Horizonte e seu espaço dentro da Hípica Corumi. Para alguns pode parecer estranho, mas para Pamela a mudança só trouxe benefícios. “Ficamos no Cepel até de-

zembro de 2013, quando o Ramiro recebeu o convite da Hípica Corumi para ser instrutor e responsável pelo Hipismo lá. Em fevereiro deste ano, chegamos com os nossos cavalos. Eu aluguei um espaço especial da hípica, no qual eu tenho quatro baias, um piquete, uma varanda com fogão a lenha, um quarto e banheiro. De uma a três vezes na semana durmo pertinho dos meus animais”, comenta. O caminho percorrido até aqui pode ser considerado de consagração, evolução e superação, e significa muito na vida de Pamela. “O Hipismo pra mim é uma motivação, é uma realização diária. Com o esporte descarrego minhas dores e recarrego minhas energias. Eu perdi uma filha em 1986, mas com o passar do tempo, a dor da perda me ensinou a lutar, pois sempre acreditei no amor e em Deus, tendo sempre a esperança de realizar sonhos. Praticar Hipismo me faz viver com satisfação e confiança. É fazer o que gosto tendo os cavalos para dar e receber amor”. A primeira prova que disputou na escola de equitação foi na categoria 0,70m e, a cada ano, Pamela melhorava suas marcas e mudava de categoria. No entanto, alguns problemas de saúde e pessoais fizeram com

que, desde o ano passado até julho deste ano, ela diminuísse o ritmo de treinamentos e participasse menos de competições. Mas nada que a afastasse de vez dos saltos. Pelo contrário. Com muita força de vontade e determinação, em agosto deste ano ela voltou a saltar e teve a alegria de conquistar o terceiro lugar no Campeonato Hípico da Escola de Sargentos das Armas de Três Corações. Pamela destaca que esse prêmio tem um gostinho especial em sua vida. “Nesse esporte, cada prova é uma vitória de superação e evolução. Considero sempre a última competição como especial. Mas essa prova de Três Corações representou muitas vitórias em minha vida. Além do Hipismo, marcou minha volta às competições, minha recuperação física e emocional”. Todas essas vitórias e experiências são acompanhadas bem de perto por aqueles que a apoiaram e a incentivaram desde o início. A realização desse sonho, segundo Pamela, só foi possível porque ela teve pessoas especiais ao seu lado que a estimularam todo o tempo. E o caminho, para ela, é de continuar prosseguindo no esporte, concretizando seus sonhos, dedicando suas conquistas e provas aos que ama. “Amo meus filhos. Sempre dediquei minha vida a eles. Eles são os meus tesouros, são tudo pra mim. Fico muito feliz em ver que eles me estimulam e apoiam. Minha filha me mostrou que era possível realizar esse sonho que eu já tinha dado como impossível. Ela me ajudou a começar, que é o mais difícil. Hoje meus filhos se sentem felizes

de me ver realizada e torcem pelo meu sucesso. Agradeço ao Ramiro por ter chegado até aqui e me apoiar sempre, sem ele e nossa equipe de trabalho, nada sou. Não posso me esquecer de agradecer aos meus cavalos também, são meus bebês”, ressalta. E, se depois de conhecer essa história, ainda ficou alguma dúvida de que sempre é tempo para realizar um sonho, fica aqui um conselho de quem acreditou em si mesma, venceu os medos e os obstáculos, superou algumas barreiras e se diz totalmente realizada e feliz. “O Hipismo é meu talento, minha paixão, minha motivação. Poder fazer o que gostamos é um privilégio. É viver com satisfação e superar todas as dificuldades pela conquista de sonhos diários. Nunca se deve desistir de um sonho. Eu me casei com 17 anos e fui mãe aos 18. Fui trabalhar com o meu marido na empresa e, depois,

precisei cuidar dos meus pais. E foi só aos 45 anos que chegou a hora de cuidar de mim e fazer o que sempre quis e sonhei”. Você acha que os planos de Pamela terminam por aqui? Ela afirma que ainda tem muitas coisas para realizar e viver! “Esse ano comecei uma nova etapa, tanto na minha vida pessoal quanto no esporte. Meus dois filhos se casaram, infelizmente me divorciei, mudei de hípica e posso ir todos os dias treinar e estar com meus cavalos. Enfim, quero me superar a cada dia, ver meus filhos felizes e aguardar a chegada dos meus netinhos. Vou curtir demais ser vovó. Viver é simples, basta acreditar que é capaz e ter fé”, finalizou.

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Receita das exportações de

carne de frango

cresce 24,3% em setembro Resultado de suínos in natura também apresenta elevação, de 26,4% Levantamentos feitos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o volume das exportações brasileiras de carne de frango (considerando frango inteiro, cortes, processados e salgados) atingiu 359,6 mil toneladas em setembro, resultado 19,1% maior em relação ao mesmo período de 2013. O desempenho foi ainda melhor em receita, com alta de 24,3%, segundo a mesma comparação, alcançando US$ 718,8 milhões. No acumulado do ano, os embarques de carne de frango do Brasil totalizaram 2,965 milhões de toneladas, número 3,5% maior em relação aos nove primeiros meses de 2013. Em receita, houve

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queda de 1,8% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, com US$ 5,882 bilhões registrados entre janeiro e setembro deste ano. “O desempenho menor em receita entre janeiro e setembro, entretanto, não é negativo para o setor. Se verificarmos que entre janeiro e agosto a queda relacionada era de 4,6%, notamos que há uma recuperação na receita dos embarques em setembro, favorecida pelo ótimo desempenho do mês”, destaca o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra. De acordo com Turra, o desempenho de setembro, em volume, mostra o efeito da autorização russa, em agosto, para embarques de produtos de indústrias avícolas brasileiras. “O resultado alcançado em setembro já é proveniente do aumento nas exportações para a Rússia. Partimos de 8 mil toneladas em agosto para cerca de 20 mil toneladas em setembro”, afirma Turra. O presidente da ABPA destacou, ainda, a forte presença do Egito no resultado geral do mês. “Para lá, saltamos de 4 mil toneladas em agosto para algo como 13 mil toneladas no mês passado”, diz.

Suínos in natura Ainda segundo a ABPA, a receita das exportações de carne suína in natura registrou, em setembro, elevação de 26,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, chegando a US$ 143,3 milhões. Em volume, houve redução de 9,9%, com 36 mil toneladas embarcadas. O ritmo positivo da receita dos embarques manteve-se entre janeiro e setembro de 2014. As exportações somam, no período, US$ 1,035 bilhão, um crescimento de 13,2% em relação aos nove primeiros meses de 2013. Em volume, houve queda de 7,6%, com 306,7 mil toneladas acumuladas. “A reordenação do fluxo de exportações no mercado internacional, em decorrência do cenário político no leste europeu, vem impactando positivamente os ganhos com os embarques. Isto é especialmente notável quando verificamos que o crescimento de receita em setembro é superior ao verificado em setembro do ano passado. Desde abril de 2014, o faturamento mensal é maior do que a receita mensal auferida em 2013”, destaca Rui Eduardo Saldanha Vargas, vice-presidente de suínos da ABPA.


como fazer

O terreno escolhido deve estar bem posicionado em relação à sede e às invernadas, visando à facilidade de acesso e manejo. A localização no centro da propriedade, antecedendo a construção de cercas e outras benfeitorias, é a melhor opção. Entretanto, através de simples instalações de acesso ao curral, construídas com cercas de arame, é possível garantir uma eficiente condução dos animais ao interior do curral. O local deve ser firme e seco, preferencialmente plano, não sujeito à erosão. A capacidade total do curral é calculada em 500 reses, levando-se em conta a área útil e a relação de 2 m2/cabeça. Quando o manejo inclui aparte, a lotação fica restrita aos currais de depósito (200/300 reses), reservando-se os currais de aparte para separação dos animais. Outras benfeitorias, que devem ser construídas anexas ao curral (curralão, manga de recolhida, piquetes, etc.), além de faciIitar o manejo e acesso ao interior do mesmo, permitem ampliar, com instalações simples, a capacidade de reunir animais que serão trabalhados em lotes de até 500 reses por vez. Procede-se, inicialmente, à limpeza

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do terreno, que deve ficar livre de toda vegetação e detritos. Posteriormente, faz-se uma movimentação de terra no círculo aproximado onde deverá ser instalado o curral, no sentido de fora para dentro, visando obter uma superfície redonda, semelhante a uma calota esférica, com cerca de 2% de inclinação. Esta operação visa favorecer o escoamento das águas pluviais, impedindo a formação de lama nos pontos de maior movimentação de gado. Finalmente, acrescenta-se uma camada de cascalho em toda a área, com uma faixa excedente em volta do curral e proximidades do embarcadouro, seguido de compactação para acabamento.

Marcação do curral Escolhido e preparado o terreno para a instalação do curral, determina-se a posição do mesmo, considerando a facilidade de acesso e a insolação. A orientação leste/oeste, em seu maior eixo, é a posição desejável, impedindo maior

penetração dos raios solares nas laterais do galpão. A partir do centro da área preparada, utilizando estacas, procede-se à marcação do galpão, brete, tronco de contenção e apartadouro. Posteriormente, marcam-se as cercas externas, subdivisões e porteiras.

Recomendações especiais Uma planta baixa detalhada, facilitará a demarcação e construção do curral. Se o local escolhido for inclinado, é necessário nivelá-lo antes do preparo da área. é conveniente, além disso, nas imediações do curral, fazer proteção contra a erosão. A inclinação dada ao terreno na superfície da calota esférica, não deve ultrapassar a 2%, para evitar problemas no assentamento (fixação) e abertura das porteiras.

O eixo do conjunto brete, tronco de contenção e apartadouro deve ser em nível ou com pequeno aclive, evitando-se o declive. Quando o terreno for excessivamente arenoso ou não apresentar boas condições de drenagem, é conveniente proceder à concretagem dos palanques. Outros materiais podem ser utilizados na construção de currais, como cordoalhas de aço, vergalhções de ferro, arames galvanizados etc., cuja opção depende da conviniência local, da facilidade de aquisição e do custo.

Os portões corrediços utilizados no brete e embarcadouro, podem ser construídos também com canos de ferro galvanizado, fornecendo-lhes maior resistência. É conveniente aplicar tinta preservativa, à base de alcatrão líquido e creosol ou produto similar, em todo madeiramento sujeito à ação do tempo. Sob a cobertura do galpão usa-se normalmente tinta a óleo. Construído o curral, pode-se fazer a arborização da área de serviço com espécies apropriadas para sombra.

Fonte: Embrapa

Fonte: Portal esobre

Curral para gado

Detalhe de fixação das porteiras em terreno com declive


Criação da raça

Marchigiana cresce no Brasil

Ainda incipiente no Brasil em número de criadores, a raça Marchigiana vem ganhado espaço na pecuária nacional. Os primeiros registros dos bovinos Marchigiana fazem referências à Itália como sendo o país de origem da raça, mais precisamente na região de Marche. No Brasil, em 1966, o Dr. Emano Bonaspetti, um italiano que se tornou brasileiro, divulgou na imprensa do Rio Grande do Sul, pela primeira vez, por meio de artigos de sua autoria, as virtudes da raça que tão bem conhecia em seu país de origem. Utilizando o sêmen adquirido, fez inseminações em Uruguaiana (RS) com muito sucesso. De lá para cá, alguns anos foram importantes para a aceitação e desenvolvimento da raça no país. Em 1969, por exemplo, ocorreu a primeira importação de animais para São Paulo e, em 1971, a segunda importação de animais para a Bahia. Em 1995, ocorreu a mais recente importação de animais para várias regiões do Brasil e, a partir dos anos 2000, começou a ocorrer, anualmente, a importação de sêmen de touros italianos testados. O crescimento da criação da raça Marchigiana, no Brasil, é uma realidade. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de

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Marchigiana (ABCM), das importações principais, ocorridas no país, acrescidas de posteriores importações menores, de animais, sêmen e embriões congelados, oriundas da Itália, Canadá e Argentina, formou-se o atual plantel Marchigiana no Brasil, hoje composto de, aproximadamente, 15.000 animais puros de origem e puro por cruzamento e, aproximadamente, 300.000 animais cruzados, com controle de genealogia. Esse expressivo aumento populacional só se tornou possível, de acordo com a ABCM, principalmente devido ao alto grau de fertilidade, uma das características da raça. Ainda, segundo a Associação, atualmente o país possui 50 criadores entre associados e não associados. Em Minas Gerais, são cinco associados, além de vários criadores que utilizam os touros em seus rebanhos. Um desses criadores é o empresário Bruno Lombardi Navarro. A fazenda que administra, Boa Vitória, está localizada em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Com uma área de cerca de 600 ha de pasto, a fazenda se destaca na pecuária de corte. De acordo com Bruno, há três anos começaram a investir na raça Marchigiana por meio da inseminação por tempo fixo, usando sêmens de touros selecionados dos principais

criadores da Itália, em vacas Nelore. O rebanho também aumentou com a compra de touros puros de origem selecionados dos melhores criadores da raça do Brasil para cobertura no repasse de vacas vazias. Segundo Bruno, algumas características da raça chamaram a atenção e fizeram com que tivessem interesse em criá-la. “Resolvemos optar pela Marchigiana, pois se trata de uma raça que tem muita rusticidade por vir de uma região com frios extremos, no inverno, e calor extremo, no verão. Apostamos no cruzamento industrial e no ganho de peso precoce. Além disso, a qualidade de carcaça e rusticidade também são diferenciadas. Sabemos que os frigoríficos bonificam em até 20% o valor da arroba por se tratar de uma carne nobre e especial”, avalia. Recentemente, a fazenda resolveu investir na compra de 20 doadores de embriões puros de origem e da novilha Londrina, Campeã Nacional da Feicorte 2013, para dar início ao trabalho de fertilização in vitro. Para o empresário, as expectativas são as melhores possíveis. “O resultado deste trabalho é a previsão de nascimento de 200 bezerros puros de origem. Nosso objetivo é estar em 2015 com tourinhos puro de origem, participando de exposições, levando a genética Marchigiana de maneira a ofertar tourinhos reprodutores puros de origem para pecuaristas no Brasil”, ressalta.

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Caprinos e ovinos

Setor Sucroalcooleiro Para onde vamos?

Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos em commodities agrícolas, especialista no setor sucroalcooleiro e diretor da Archer Consulting

O setor sucroalcooleiro continua derrapando na crise que se instalou, agravada pela (não) política de reajustes de preços dos combustíveis instaurada pelo atual Governo Federal, somado aos baixos retornos do açúcar no mercado internacional neste ano. Mesmo com o cenário de baixas do açúcar, é ainda mais reconfortante para o setor saber que pode se planejar em linha com a commodity do que pisar em terreno movediço no etanol. A falta de transparência na formação de preços da gasolina é ainda a questão que mais afeta este segmento. O etanol está sujeito aos reajustes nos preços da gasolina, mantidos sob rígido controle do governo com intuito de controlar a inflação. Esse congelamento de preços distorce o valor real do combustível, provoca uma sangria no caixa da Petrobras e afeta gravemente o setor sucroalcooleiro, afastando novos investimentos. A política do governo ao subsidiar a gasolina joga o ônus do aumento de preço do etanol em cima da cadeia sucroalcooleira. Não há necessidade

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de subsídios do governo, mas se esse interferisse o menos possível, o aumento do consumo de combustíveis seria visto positivamente. Enquanto a demanda cresce, os investimentos somem justamente em razão da interferência nociva deste governo. Os números divulgados pela ANP mostram que o consumo de combustível no país, no acumulado dos últimos 12 meses (período de julho/2013 a junho/2014), soma 54,7 bilhões de litros, dos quais 11,7 bilhões de litros de hidratado (com crescimento de 18,68% em relação ao mesmo período do ano passado), 10,7 bilhões de litros de anidro (27,88%) e 32,3 bilhões de litros de gasolina A (apenas 0.88%). O etanol, no acumulado, respondeu por 41,1% de todo o combustível consumido no Brasil (Ciclo Otto) – o maior percentual desde dezembro de 2011. O ritmo atual mostra que, para atender a esse consumo constante no próximo ano, a safra de cana 2015/2016 precisará crescer no mínimo 22 milhões de toneladas, isto é, um aumento de 3,75% na produção. Quanto precisaremos investir para atender a essa demanda? Que investidor colocaria seu dinheiro no setor com tanta falta de transparência por parte do governo sobre a política de formação de preços? Essa é só mais uma questão para um setor

já altamente endividado. Segundo estimativas do Itaú BBA, o setor tem uma dívida de R$ 99/tonelada de cana moída (R$ 12 com o BNDES). Multiplique-se isso pela estimativa de produção e encare o tamanho da dívida: são quase 60 bilhões de reais. No açúcar, também não tem sido fácil. Esse tem sido um ano particularmente difícil para as usinas, que sofrem com a baixa demanda de açúcar no mercado internacional, com o pesado serviço da volumosa dívida e com o congelamento do preço da gasolina. Com a chance de segundo turno para as eleições, divulgadas pelas últimas pesquisas, o mercado apreçou essa possibilidade e as ações da Petrobras voltaram, depois de tempos, a negociar em alta. O alinhamento provável do preço dos combustíveis com o petróleo no mercado internacional abre uma perspectiva melhor de remuneração para o etanol para a próxima safra. É lamentável que um setor econômico tenha que se sujeitar aos mandos e desmandos do governo. Não deveria ser assim em um país sério, mas no país do PT dá-se muito pouco valor a quem produz. Sabe-se que Dilma não gosta do setor, mas desde quando um presidente da República tem que gostar ou não desse ou daquele setor? Como presidente, tem a obrigação de trabalhar pelo crescimento econômico do país.

Levantamento inédito CNA/Cepea mostra lenta recuperação na criação de ovinos e caprinos no Brasil A criação de ovinos e caprinos vem se recuperando lentamente no Brasil, após a crise nos preços da lã ocorrida no mercado internacional nos anos 1990, que desestimulou os criadores de ovelhas. Os dados mais recentes, de 2012, indicam que o rebanho de ovinos atingiu 16,7 milhões de cabeças, 11% menor em comparação com os números de 1991, quando houve recorde na criação de ovelhas, totalizando 20 milhões de cabeças. As informações estão no boletim “Ativos de Ovinos e Caprinos”,

o primeiro do segmento, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). Depois da crise dos anos 1990 e a partir de 2003, segundo o estudo Cepea/CNA, ocorreu uma lenta recuperação do rebanho de ovinos, especialmente em consequência do aumento do consumo interno desse tipo de carne. Em relação aos caprinos, o rebanho total era de 8,6 milhões de cabeças em

2012, segundo o mais recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, a atividade cresceu expressivamente em outras regiões, como no Centro-Oeste e Sudeste, voltada principalmente para a produção de carne. A região Nordeste é , historicamente, uma das mais tradicionais na criação de ovinos e caprinos no país. Os indicadores revelam que a participação dos estados nordestinos na criação de ovinos e caprinos cresceu de forma substancial a partir de meados dos anos 1990. O Nordeste detinha, em 2012, 56% do rebanho de ovinos. O aumento do poder aquisitivo da população brasileira permitiu a ampliação do consumo de proteína animal, avalia o estudo. No caso da carne ovina, a demanda vem crescendo especialmente nos grandes centros urbanos da região Sudeste, com o produto ganhando espaço em restaurantes e churrascarias. Esse aumento da demanda, de acordo com a CNA e o Cepea, provocou aumento das importações de carne ovina. Em 2013, por exemplo, nove mil toneladas foram compradas do Uruguai. A carne de caprinos, contudo, ainda é pouco consumida no país, com exceção dos estados do Nordeste.

Fonte: CNA

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Fotos: Aldo Azevedo

21ª Enapampa A estreia da Expo Nacional do Cavalo Pampa no Estado de São Paulo foi um sucesso. Um público estimado em 10 mil pessoas foi conferir as atrações do evento realizado entre 23 e 31 de agosto no Parque de Exposições Dr. Fernando Costa, em Bragança Paulista. A mostra contou com mais de 500 animais inscritos nas quatro categorias de andamento: marcha batida (MB), marcha picada (MP), marcha trotada (MT ) e marcha de centro (MC).

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Com uma programação intensa, a mostra levou para as pistas representantes das raças Pampa, Mangalarga e Mangalarga Marchador de criadores dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os concursos de morfologia, andamento e provas de ação definiram os campeões por categoria de idade ao longo da semana, e entre os vencedores das categorias de jovem a máster e seus

reservados foram eleitos os oito campeões dos campeões, macho e fêmea, das quatro categorias de andamento. Em cada categoria de andamento, os animais foram divididos por sexo e idade: Dente de Leite, Mirim, Potro (a), Potro (a) Junior, Potro (a) Junior Maior, Cavalo/Égua Jovem, Cavalo/Égua, Cavalo/Égua Sênior, Cavalo/Égua Adulto e Cavalo/Égua Máster. Entre os animais campeões dos campeões, dois oito títulos, criadores de Minas Gerais e do Rio de Janeiro faturaram três títulos cada, enquanto os de São Paulo ficaram com dois. Os mineiros fizeram a campeã das campeãs da categoria marcha picada e os campeões dos campeões das categorias marcha batida e marcha de centro. Os criadores fluminenses levaram para casa o troféu de campeã das campeãs da marcha batida e da marcha de centro, além do campeão dos campeões da marcha picada. Aos paulistas couberam os títulos de campeão dos campeões, macho e fêmea, da marcha trotada.

Confira quem foram os Campeões dos Campeões Marcha Picada: a vencedora foi a campeã égua adulta Folia do Zel, criação e propriedade de José Lauro Megale, Fazenda Talismã/Haras Zel, de Ouro Fino (MG); entre os machos o título ficou para o campeão sênior Quito Elfar do Lual, criação de Rogério Torres Pinheiro de Faria e propriedade de Alexandre Todeschini Pires, Haras São Francisco de Paula, de Sapucaia (RJ). Marcha Trotada: vitória de Espada do Saara, que também foi eleita campeã égua sênior. Espada do Saara é de criação de Leonardo Jorge Nassif Dagher e propriedade de Roberto Montenegro Filho, Haras RM, de Tatuí (SP). Entre os machos venceu Zagros do PEC, também campeão cavalo adulto, de criação e propriedade de Paulo Eduardo Corrêa da Costa, Haras lagoinha, Jacareí (SP). Marcha de Centro: vitória da campeã égua sênior Deusa JW, criação e propriedade de Jorge de Aguilar Pinto, Fazenda São Francisco de Assis, Nova Friburgo (RJ). Entre os machos venceu Inglês do Morro Alto, campeão cavalo, criação e propriedade de Lauro Megale Neto, Haras Morro alto, de Inconfidentes (MG). Marcha Batida: venceram os dois campeões da máster. Pelas fêmeas Veneza Estrela do Rei, criação de Luiz Carlos da Silva

Costa e propriedade de Aquilino da Motta Morais Junior, Haras Estrela do Oriente, Paraíba do Sul (RJ). Pelos machos venceu Narayan do Vale da Prata, criação e propriedade de José Eduardo Arnaldi Simões Filho, Chácara Portuense, Curralinho, Jabó (MG).

Função, integração e negócios Além das provas de andamento e ação, julgadas conjuntamente à morfologia, a 21ª Expo Nacional do Cavalo Pampa promoveu provas sociais, reunindo homens e mulheres, divididos por idade e sexo. Os

concorrentes das categorias Mini-mirim, Mirim, Juvenil e Amazonas foram avaliados em conjunto e individualmente, possibilitando que um juiz, em nome do colegiado, atribuísse as qualidades do conjunto (cavalo/cavaleiro). As provas também tiveram como objetivo despertar o interesse de crianças e jovens para o cavalo pampa e o prazer da montaria. A mostra maior do cavalo Pampa contou com dois momentos de comercialização com a realização do 6º Leilão Nacional Futuro da Raça e o 14º Leilão Nacional Adulto. A 21ª EnaPampa foi organizada pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Pampa (ABCPampa), entidade presidida desde outubro de 2012 por Walfran Feitosa Guerra. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Bragança Paulista, Secretaria de Desenvolvimento dos Agronegócios de Bragança Paulista, Núcleo Paulista de Criadores do Cavalo Pampa, Fênix Eventos e Business Leilões e Canal Business. O patrocínio da mostra levou a assinatura da NM Engenharia e RTB Rações.

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Hipismo:

do ranking interno do CEPEL de 2013. A adrenalina de cada salto a faz continuar em busca de novas conquistas.

Cavalo Brasileiro de Hipismo

esporte que desperta paixões em diferentes gerações

Não é de hoje que o Hipismo está presente na vida dos brasileiros. De acordo com a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), a primeira competição hípica no país foi o Torneio de Cavalaria realizado em abril de 1641, em Maurícea, onde hoje está Recife (PE). A iniciativa da disputa foi do príncipe holandês João Mauricio de Nassau, o único governador-geral da colônia não português. Nassau chegou ao Brasil no século XVII, trazendo uma equipe que promoveu uma enorme reformulação urbana e cultural, e a competição hípica fez parte desse conceito. De lá para cá, muitas coisas mudaram na arte de montar a cavalo. As cavalgadas, as simulações de combate e as corridas rasas, que ocorriam nos séculos XVIII e XIX, deram lugar a uma prática esportiva profissional. O Hipismo, ao longo de todos esses anos, ganhou força. A adoção de regras, a fundação de escolas e centros equestres, a criação de campeonatos, a estruturação das modalidades e a aplicação de várias outras iniciativas fizeram com que o esporte agregasse as características peculiares que tem hoje. O Hipismo, que já revelou grandes talentos e que tem nomes consagrados, tem

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Em Belo Horizonte, prática tem atraído a atenção de jovens atletas atraído a atenção de jovens atletas. É o caso da mineira Priscilla Menezes de Almeida. Há dois anos, a estudante, de 16 anos, ingressou na escolinha do Centro de Preparação Equestre da Lagoa (Cepel), em Belo Horizonte, e não parou mais de praticar o esporte. Já são dois anos de muita dedicação e entrega à modalidade esportiva. Priscilla pratica o Hipismo Clássico e, pelo menos três vezes na semana, realiza seus treinamentos. Segundo a jovem, o compromisso com a atividade lhe ajuda a alcançar seus objetivos. “Ter seriedade e responsabilidade é um ótimo caminho para que eu possa

realizar meus sonhos nesse esporte”, define. Fazer outro esporte? Que nada! De acordo com Priscilla, nunca passou por sua cabeça praticar outra atividade física. E de onde vem tanto amor pelo Hipismo? Segundo a jovem, ela sempre teve apoio e incentivo da família. “Desde pequena, sempre fui fascinada por cavalos. Meu pai brincava comigo que um dia ele iria me dar um cavalo. Logo que tomei conhecimento do esporte, aqui em Belo Horizonte, através de alguns amigos, me informei para iniciar a prática. Apaixonei-me pelo esporte e estou nele até hoje”, destaca.

O prazer de praticar o Hipismo não fica restrito, na família, apenas à jovem. Segundo ela, sua mãe, Angela Menezes, também é praticante do esporte, o que a estimula todo o tempo. E, para ela, a resposta pelo amor aos cavalos e ao Hipismo pode ser encontrada até em outras gerações. “Acho que isso está no sangue, pois meu avô foi da Cavalaria da Polícia”, comentou. Apesar do pouco tempo de Hipismo, Priscilla já coleciona medalhas e troféus. A estudante participa de competições e já tem, em sua trajetória, nove medalhas e seis troféus. Seu último título foi o de Vice-Campeã

Priscilla tem dois cavalos: o Connan PC e o Clint BN. Ambos são da raça Brasileiro de Hipismo, conhecido como “BH”. Segundo a Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), o BH é uma raça de cavalos com aptidão para os esportes hípicos. A subespécie é formada no Brasil, partindo de animais rigorosamente selecionados, já existentes no país, definidos como “Raças Formadoras”, nacionais e estrangeiras, comprovadamente reconhecidas como de grande aptidão para os esportes equestres. Cavalo leve, ágil e de grande porte. Possui excelente mecânica de salto, coragem, inteligência e elegância nos movimentos. São admitidas todas as pelagens. Suas características o tornam apto para quaisquer modalidades de salto, adestramento ou concurso completo de equitação. É um cavalo de trote muito cômodo, ágil e esperto, dócil e fácil de lidar. Segundo a ABCCH, a associação continua se empenhando na divulgação da raça, orientando e incentivando os cruzamentos de alto valor genético e incorporando novas técnicas de reprodução e treinamento, na busca constante de um cavalo nacional que possa atuar com perfeição nas diversas modalidades do esporte equestre.

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Festa do Peão de Barretos

Evento comemora resultados positivos de público e movimentação econômica Terminou dia 31 de agosto, a 59ª edição da Festa do Peão de Barretos. O evento, considerado o maior da América Latina, recebeu aproximadamente 900 mil visitas durante os 11 dias. Finais das maiores competições de rodeio do país e do mundo apresentaram os mais corajosos competidores em busca de uma premiação de mais de R$700 mil. O diretor de rodeio Kiko de Almeida Prado comemorou o sucesso proposto para os campeonatos, informando que Barretos recebeu 53 companhias de touros e 15 de cavalos que proporcionaram grandes espetáculos todos os dias da festa. Final da Professional Bull Riders – PBR, final da Associação Nacional de Três Tambores – ANTT, final da Liga Nacional de Rodeio, competição de Novos Talentos no cutiano, modalidade brasileira de rodeio e fechando as provas o 22º Barretos International Rodeo. Kiko ressaltou também a harmonia entre rodeio

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e shows. “Este ano conseguimos manter os horários, sem atrasos, resultado de organização e harmonia entre as diretorias”, disse. Foram mais de 200 shows divididos em diferentes palcos e apresentações inéditas como o show que reuniu no mesmo palco dois ícones da música sertaneja, Chitãozinho & Xororó e Milionário & José Rico.

Ricardo Rocha, diretor cultural, declarou que foram feitos investimentos em iluminação, em tecnologia de ponta e na estrutura dos palcos, que foram ampliados. “Conseguimos fazer os shows serem surpreendentes. Todas as apresentações do palco do Estádio de Rodeio foram exclusivas e inéditas”, declarou. Em entrevista coletiva no final do evento, o presidente Jerônimo Luiz Muzetti agradeceu a imprensa: “nós planejamos e realizamos o evento, mas vocês são os responsáveis por nos ajudar a fazer da Festa do Peão um sucesso”. Jerônimo disse também que estava apreensivo por ser um ano atípico no país devido à Copa do Mundo e eleições, porém o público compareceu em peso e a festa surpreendeu até mesmo a direção. O diretor financeiro Hussein Gemha Taha informou que os números da movimentação financeira foi superior a de 2013 e que a equipe já começou os preparativos para a próxima edição do evento. Fotos: Divulgação


Oba-Oba Elfar

Pesca esportiva,

Galeão da Ogar x Gaivota da Encruzilhada

atividade cresce no Brasil A pesca esportiva está entre as atividades de lazer mais praticadas pela população brasileira, com mais de 280 mil pescadores amadores esportivos licenciados, movimentando por volta de R$ 1 bilhão no Brasil e crescendo a taxas constantes de 30% nos últimos anos, com uma ampla cadeia produtiva, em função dos bens e serviços consumidos em suas atividades. Em dez anos, quase dobrou o número de pessoas com o hábito de pescar no Brasil, passando de 4 milhões para 7,8 milhões, segundo a consultoria Ipsos | Marplan. De acordo com a Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), essa modalidade apresenta um setor produtivo grande e diversificado, diretamente ligado ao turismo, mas junto do comércio e da área de prestação de serviços. Assim, o ramo gera por volta de 200 mil empregos diretos e indiretos, incluindo as lojas de matérias de pesca, rede hoteleira especializada, gastronomia, criadores de iscas vivas, guias de pesca, condutores de embarcações, enfim, toda uma cadeia paralela de oportunidades comerciais. O Brasil é ainda um mercado que tem muito a crescer, ainda mais se comparado aos Estados Unidos. Lá, a pesca esporti-

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va emprega mais trabalhadores do que a somatória da indústria automobilística e autopeças. Só a área de equipamentos de pesca movimenta entre os norte-americanos cerca de US$ 45 bilhões ao ano. Apesar de ainda ser pequena se comparada a outras práticas esportivas como a natação ou a corrida, por exemplo, a pesca esportiva, que tem como menina dos olhos as espécies de peixes Tucunaré, Dourado e Robalo, chama a atenção do mercado. No ano passado, a consultoria Ipsos apurou que 53% das pessoas que pescam são da classe A e B, sendo que em nove mercados analisados, entre 50 milhões de brasileiros, 8 milhões têm esse hábito. Pesca desportiva, esportiva ou recreativa é a pesca que se pratica enquanto atividade de lazer, sem que dela dependa a subsistência do pescador. Também se pode chamar de pesca de lazer ou amadora. Uma das modalidades mais populares da pesca esportiva é a praticada utilizando-se apenas vara de pesca, linha de pesca e anzol. A atividade é praticada no mar, rios e lagos utilizando-se iscas naturais ou iscas artificiais, molinetes ou carretilhas. A pesca esportiva é uma evolução ecologicamente correta da pesca amadora.

A pesca recreativa está entre as atividades de integração social e lazer mais difundidas no mundo, sendo uma prática que promove a união familiar ou de grupos de amigos. Muitas vezes é a principal motivação para uma viagem de turismo. Apesar de ser pouco explorada no Brasil é grande o potencial desta atividade devido à variedade de peixes e à grande extensão costeira e rede hidrográfica, quando comparada com a América do Norte, que atualmente gera um enorme resultado com o turismo pesqueiro. Algo bastante comum é considerar que a pesca desportiva é somente a pesca do marlin e outros peixes marinhos de grande porte, porém, existem várias outras espécies, de menor tamanho, que se enquadram nesta modalidade de pesca como a truta que apresenta de 30 cm a 40 cm e, também existe a modalidade dedicada à pesca das grandes carpas, denominada Carp fishing, que poderia ser praticada em qualquer “pesque-pague”. Outra modalidade da pesca recreativa é a realização de concursos, onde vários pescadores competem pela quantidade de peixes capturados num certo período de tempo, ou pelo maior exemplar.

Res. Campeã Nacional Adulto da Raça - BH/MG 2014 Campeã Nacional Égua Master - BH/MG 2014 Res. Campeã Nacional Égua Master de Marcha - BH/MG 2014 Res. Campeã Nacional Marchador Ideal - BH/MG 2014 Res. Campeã Nacional Adulto da Raça - BH/MG 2013 Campeã Nacional Égua Graduada Maior - BH/MG 2013 Campeã Nacional Marchador Ideal - BH/MG 2013 Campeã Nacional Égua Graduada - BH/MG 2012

4º Melhor Criador Expositor da Nacional 2014 (35) 9808-9509 | (35) 9979-4671 | www.haraselfar.com.br revista mercado rural 25


Animais do criatório chegam a participar de cinco a dez exposições por ano

XXIX Exposição Nacional do Cavalo Pônei A ABCC Pônei realizou no mês de julho em Macaé/RJ a XXIX Exposição Nacional do Cavalo Pônei. A etapa contou com a presença de 210 exemplares da Raça Pônei Brasileiro e 50 piquiras para o Campeonato Brasileiro de Marcha, premiamos os campeões (a) dos cam-

peões (a) da Raça Pônei e os campeões (a) de Marcha da Raça Piquira com uma moto 0Km. A ocasião serviu para confraternizar criadores de vários estados, congregando e expandindo o crescimento das Raças para todo Brasil. Mobilizamos um grupo de criadores

da Raça Piquira na busca do Resgate deste cavalo que é o pequeno Marchador. Foi realizado o X Leilão Top Pônei, onde foram vendidos 40 exemplares com média de R$ 10.200,00, o que comprova o mercado ativo das Raças.

Prado’s Ônix Grande Campeão Adulto da Raça Proprietário Alexandre Prado

Kika do Ravial Grande Campeão Adulta da Raça Proprietário Guilherme Diniz

Trombadinha do T.G.B Campeão de Marcha Proprietário Alessandro de Vasconcellos

Holiwood do Marcon. Campeão dos Campeões Proprietário Alexandre Camargos e Filhos

Nativa da Meninada Campeã das Campeãs Proprietário Guilherme Diniz

Pipoca do Pombal Campeã de Marcha Proprietário Henrique Furtado Macedo

Haras Meninada

se destaca na criação de pôneis Os cavalos da raça pônei são animais de pequeno porte. Chamam a atenção das crianças nos parques e em exposições. E estão atraindo, cada vez mais, os olhares e o interesse, também, dos adultos. Fabrício Borges Santos é criador de cavalo pônei e preside a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pônei, estando em seu segundo mandato. Mas sua história com esses pequenos equinos não começou agora. Fabrício ganhou de seu pai o primeiro pônei quando ele tinha cinco anos de idade. Naquele momento, o pequeno criador daria início, então, a sua criação de cavalos da raça. Em 1980, começava em Itororó, na Bahia, um criatório conhecido como Haras Meninada, que hoje conta com 50 animais para a reprodução. Visando o crescimento do criatório e a expansão para o Sul do país, o Haras instalou, em 2001, uma nova sede em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O espaço abriga 70 animais para exposição e comercialização. Assim, o Haras Meninada tem um plantel atual de 120 animais. De acordo com Fabrício, de um presente de criança nasceu a possibilidade de um mercado rentável. “Crio pôneis porque foi um encanto desde a infância. Quando cresci, desco-

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bri que o cavalo pônei é um grande negócio, muito lucrativo”, diz o criador. Fabrício explica que, por serem menores, os pôneis comem 1/4 na comparação do que come um cavalo grande, além de ocuparem pouco espaço. Os diferenciais trazem a vantagem do custo-benefício, fazendo do pônei um cavalo lucrativo e ideal para propriedades de tamanho menor. “A criação do pônei também possibilita o envolvimento da família ao meio rural. Os pôneis são animais dóceis e de fácil manejo”, esclarece. Fabrício destaca, ainda, a importância das exposições e da comercialização dos animais nesse mercado de criação de pôneis. “Desde o início da minha criação, eu percebi que as exposições são muito importantes para os criadores. Nas exposições avaliamos nosso trabalho, trocando idéias com os outros colegas, divulgamos o Haras e comercializamos os animais”, destaca. O criador participa, em média, de 5 a 10 exposições por ano, em Minas Gerais e em diversos estados, principalmente no Nordeste. Ele explica que, com relação à comercialização, existem várias maneiras de fazer a compra e venda dos animais. “É possível comercializá-los em exposições, sites, redes sociais, entre outros dispositivos. No entanto, eu prefiro os leilões. Há oito anos eu criei um leilão chamado “Top Pônei”, no qual eu realizo,

pelo menos, uma edição por ano. Já realizamos dez edições. O leilão é a melhor maneira para comprar e vender, onde constatamos o que o mercado está absorvendo”, argumenta. No Haras Meninada, os planos são de inovação e avanço na criação de pôneis. A ideia, agora, é investir na transferência de embrião. Segundo Fabrício, essa nova experiência já é uma realidade entre os criadores. Ele explica que, com a evolução da raça, não se pode perder tempo. É preciso selecionar o melhor. “Este ano, vou começar a transferência de embrião no meu Haras. A prática já é realidade na raça e alguns criadores já obtiveram sucesso. Como o pônei é um cavalo ligado às crianças, então as pelagens mandam muito na escolha. Vou selecionar animais de pelagens exóticas, como: persa, apalusa e pampa”, ressalta. E, para Fabrício, um dos maiores prazeres na criação de pôneis é ver o trabalho sendo reconhecido. “Acredito que o desejo de qualquer criador, quando inicia e leva a sério uma criação, é ver seu trabalho sendo reconhecido, fazer um grande campeão nacional. Eu, em 34 anos de criação, já tive o prazer de fazer vários. Este ano, por exemplo, tivemos uma Campeã das Campeãs Nacional. Um animal de nossa criação: Nativa da Meninada. É muito prazeroso!” finaliza.

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Fazenda Bom Fim celebra 70 anos

de sucesso

Propriedade no Rio Grande do Sul é reconhecida pela criação de pôneis, Quarto de Milha, Crioulos e Mini Bovinos Já são 70 anos de história de dedicação aos pôneis. Uma trajetória longa coroada por grande sucesso e reconhecimento. A Fazenda Bom Fim, localizada na cidade de Guaíba, no Rio Grande do Sul é, hoje, uma referência não somente na criação da raça de cavalos menores, com mais de 1.000 animais já registrados, como também em cavalo Quarto de Milha, Crioulos e Mini Bovinos. Tudo começou de maneira inusitada. Em 1944, Vasco Antônio da Costa Gama adquiriu um lote de pôneis de um circo argentino que havia falido quando se encontrava em excursão em Porto Alegre (RS). A partir daquele momento, começou a sua jornada de paixão por esses animais. Vasco, um dos pioneiros na criação dos pôneis no Rio Grande do Sul, passou a priorizar uma criteriosa seleção dos animais de melhor morfologia, mais dóceis e produtivos. Logo que foi fundada a associação da raça pônei no Brasil, Vasco registrou seus animais em nome do filho, Vasco Antônio da Costa Gama Filho, na época recém-nascido. O criador e entusiasta foi, ainda, presi-

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dente do núcleo de criadores de pônei no seu estado. Vasco também priorizou a participação em exposições nacionais da raça, conquistando grandes vitórias nas categorias macho e fêmea. Além disso, participou de vários outros eventos da área em todo o país, com inúmeros campeonatos conquistados, garantindo posição de destaque no ranking nacional da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pônei (ABCCP). E não é somente na área de pôneis que a Fazenda Bom Fim se consagra nacionalmente. A criação da raça Quarto de Milha, que já completa 39 anos, é, também um grande diferencial da propriedade. O primeiro passo foi a importação de 2 garanhões palominos e 2 potras. O reconhecimento veio logo. A Fazenda Bom Fim participou de inúmeras exposições e provas nacionais e conquistou diversos prêmios. Vasco conta que, inicialmente, a criação foi voltada para produzir cavalos de serviço e corridas, cruzados e puros. Em seguida, passou para a seleção de animais de linhagem de Conformação, chegando, atual-

mente, na seleção das linhagens de Trabalho. Outro destaque também são os Mini Bovinos, que começaram a ser criados em 1953, contando, hoje, com 2 touros, 50 matrizes e 40 produtos anuais. Também com mais de 50 anos de criação na Fazenda Bom Fim estão os cavalos Crioulos, que, atualmente, são de propriedade de Vasco Filho. A manada de cria, com cerca de 50 éguas, está localizada na Fazenda Santa Regina, em Rosário do Sul (RS). Um trabalho de grande reconhecimento do criador são os leilões que a Fazenda Bom Fim organiza. Desde 2008, Vasco realiza o Leilão Virtual Origens do Pampa anualmente. O sucesso tem sido tamanho. Para comemorar os 70 anos da criação de pôneis, acontecerão o 9º Leilão Virtual de Seleção Bom Fim, com 50 lotes de pôneis, Mini Bovinos e equinos Quarto de Milha e o 11º Leilão Virtual Origens do Pampa, com a oferta exclusiva de pôneis. Em junho deste ano, Vasco foi homenageado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul com a Medalha do Mérito Farroupilha, a maior honraria concedida pelo parlamento gaúcho, pelos serviços prestados à agropecuária do estado. Após 70 anos de um trabalho dedicado, Vasco enaltece o que considera o melhor prêmio: os amigos que conquistou. Para o criador, o maior lucro é ter feito amizades no Brasil e até mesmo no exterior. Onde quer que ele vá viajar no país, encontra um amigo que a criação do pônei proporcionou e celebra os frutos de uma trajetória de muito empenho e gratificações.


Brasil enfrenta uma das

piores estiagens dos últimos anos

A falta de chuvas no Brasil está provocando uma das estiagens mais severas que algumas regiões do país já passaram. Diversos estados brasileiros sofrem com a falta d’água e a situação já é sentida no campo, interferindo diretamente em algumas culturas do agronegócio. Além disso, os reservatórios estão abaixo do previsto, alterando, também, alguns hábitos e comportamentos dos brasileiros. De acordo com levantamento feito, no início do mês de setembro pelo Jornal Folha de São Paulo, com base em dados do Ministério da Integração Nacional, ao menos um em cada cinco municípios brasileiros já havia decretado situações de emergência ou calamidade pública, neste ano, devido à falta de chuvas. Os números revelam que 1.183 cidades afetadas pela seca já receberam auxilio do Governo Federal para ações de socorro e assistência à população. De acordo com a pesquisa da Folha, o número equivale a 21% dos municípios brasileiros. Ainda, segundo o jornal, é como se a cada

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mês 148 novas cidades tivessem que ser socorrida por causa da crise hídrica. O índice já era 18% maior do que o de 2013, quando a média era de 125 novas cidades por mês.

Situação difícil do Nordeste A seca que atinge boa parte do país está causando grandes estragos na região Nordeste do Brasil. Mais da metade dos municípios nordestinos já estão em situação de emergência, neste ano, por causa da estiagem. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, em 2014, 63% das cidades da Região Nordeste, ou seja, 1.135 municípios já tiveram a situação de emergência reconhecida. Os reservatórios da região acumularam as águas das chuvas de períodos anteriores que caíram normalmente. No entanto, como falta de chuva em cidades da região e sem a reposição de água, os reservatórios estão secando, operando abaixo do previsto. A falta de água em algumas cidades, principalmente as do interior, está sendo

minimizada pelo abastecimento das caixas d’água pelo caminhão pipa.

Seca já prejudica culturas do agronegócio A falta de chuvas na região Sudeste já começa a afetar diretamente algumas culturas do agronegócio. A estiagem pela qual passa o estado de São Paulo, por exemplo, já causa impactos na produção de cana-de-açúcar. Nos canaviais paulistas, é fácil perceber os reflexos da pior seca das últimas décadas. As lavouras paulistas correspondem a 60% da produção nacional de cana. Segundo a União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA), a queda no rendimento deve chegar a 16%. Segundo Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA, em entrevista dada para o Jornal Nacional, da TV Globo, a nova estimativa de safra, hoje, é da ordem de 545 milhões de toneladas de cana. Uma redução de mais de três milhões de toneladas na produção de açúcar e uma redução de 1,3 bilhões de etanol. Se o clima não ajudar, de acordo

com ele, tudo indica que a safra do ano que vem será menor ainda que a safra atual. A redução do plantio e a diminuição da safra impactam, diretamente, na geração de mão de obra. A safra no interior de São Paulo, que normalmente vai até novembro, deve terminar mais cedo este ano. Algumas usinas já pararam as máquinas em agosto. Por isso, muitos funcionários foram dispensados. De acordo com a cooperativa dos plantadores de cana do estado, cerca de cinco mil trabalhadores foram demiti-

dos nos últimos dois meses.

Mudanças de hábitos e comportamentos A falta de chuvas e a baixa nos reservatórios de água de muitas cidades brasileiras está fazendo com que o brasileiro mude alguns hábitos e comportamentos. Com a crise de água, o jeito é a conscientização de todos na adoção de algumas medidas e iniciativas que contribuam para o menor desperdício.

Em tempos de racionamento, a boa idéia é fechar as torneiras e reduzir o consumo. Nada de lavar a casa, o jardim, o carro e a calçada com a mangueira. O certo é dar lugar ao balde com água, o pano e rodo. Os banhos também podem ser de menor duração e podemos juntar um número maior de roupas sujas para lavar todas de uma vez, economizando a água da máquina. Essas e outras atitudes podem ajudar nesse momento em que passamos por um período de seca. Ficam as dicas!


Megaleite 2014

quebra de recorde mundial Depois de 32 anos como detentora do recorde mundial de produção leiteira em um dia, a vaca cubana Ubre Blanca acaba de perder o posto para a brasileira Indiana Canvas 2R. O novo recorde foi registrado durante a Megaleite 2014, principal feira do setor leiteiro do Brasil que aconteceu no mês de julho em Uberaba (MG). Indiana produziu 115,020 kg/leite em um único dia, superando em 4,12 kg a produção registrada em 1982 pela cubana. Ela é uma vaca Girolando (3/4 de sangue) pertencente ao expositor Delcio Tannus Filho, da cidade de Uberlândia (MG). Nos três dias do Torneio Leiteiro da Megaleite, produziu 325,290 kg/leite. A Megaleite 2014 registrou ainda dois recordes nacionais. Na categoria Vaca (½ sangue), Rayka Blitz FIV LE, do expositor José Na-

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ves de Ávila Toledo, é a recordista com produção de 263,380 kg/leite. O terceiro recorde da competição foi estabelecido pela novilha (½ sangue) Érica FIV Toyota Fube, do expositor Eurípedes José da Silva. Ela produziu 186,120 kg/leite. Outras raças que tiveram Torneio Leiteiro na Megaleite foram Gir Leiteiro, Guzerá, Sindi e dos cruzamentos Guzolando e Guzerá/Jersey. Também houve mostra da raça Indubrasil e do cruzamento Indolando. Além dos recordes, a Megaleite foi palco de debates sobre o setor leiteiro, de ações para garantir o acesso de pequenos produtores à genética de ponta, de cursos e venda de animais. O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando assinaram a renovação do contrato do programa Pró-Genética, que viabiliza a aquisição de touros de alta qualidade genética por parte de pequenos e médios produtores. O documento também foi assinado pela Epamig, Emater/MG e pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A 1ª Feira de Negócios Girolando, voltada para os pequenos produtores, recebeu caravanas de mais de 25 cidades. A movimentação financeira gerada pelos 13 leilões e por um shopping de animais foi de R$ 6.458.839,90.

Mercado do leite As Perspectivas da Cadeia Produtiva do Leite no Brasil e no Mundo foram discutidas durante o Fórum de Debates, na Megaleite 2014. Lideranças do setor discorreram sobre o tema e concluíram que a cadeia leiteira avançou muito nos últimos anos, mas ainda será preciso novos avanços para o país se tornar um grande exportador de leite. O país saiu de uma produção de 7,3 bilhões de litros de leite na década de 70 para atuais 35 bilhões de litros. A expectativa é de que o país assuma este ano a terceira colocação em produção mundial de leite. Os debatedores do Fórum de Debates foram o deputado federal Junji Abe (Presidente da Subcomissão do Leite da Câmara dos Deputados), Cenyldes Moura Vieira (Presidente da Calu), Vicente Nogueira (Presidente da Comissão de Leite da Organização das Cooperativas do Brasil - OCB), Rodrigo Sant’Anna Alvin (Presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados do MAPA), Paulo do Carmo Martins (Chefe Geral da Embrapa Gado de Leite), Ronan Salgueiro (diretor da Girolando), Marcel Scalon Cerchi (empresário dos Laticínios Scala).

Fotos: Divulgação

termina com


34ª Semana Nacional do Cavalo Campolina Campolina Marchador planeja outra exposição inesquecível, com prêmios inéditos, eventos sociais e muita qualidade reunida em pista A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina irá promover entre os dias 8 a 19 de outubro, no Parque Bolivar de Andrade (Parque da Gameleira), em Belo Horizonte, Minas Gerais, a 34ª Semana Nacional do Cavalo Campolina. O grande destaque dessa edição será a premiação, com dez carros e sete motos, num total de R$ 300 mil, que serão distribuídos em prêmios. A expectativa da Associação é de superar os números do ano passado, quando 750 animais participaram do julgamento e cerca de 10 mil pessoas transitaram pelo parque. Se os criadores elegeram a edição passada como a melhor dos últimos tempos, a deste ano vai surpreender ainda mais. Três leilões colocarão à venda cavalos de elite e também prontos para a monta. Nos finais de tarde, mini eventos animarão os visitantes, além da tradicional “Choppada Campolina”, sucesso de público. Para as crianças, brinquedos e atividades recreativas no “Espaço Kids”. Já as mulheres têm encontro marcado no tradicional “Almoço das Criadoras”. Na pista de julgamento dez jurados se dividem em dois grupos, um para avaliar

andamento e outro, morfologia. Maiores e menores pontuações serão desconsideradas, evitando subjetividades, muitas vezes comuns neste segmento. A novidade vem com a decisão da Campolina Marchador em adotar o antidoping em suas exposições nacionais. Criou-se um regulamento com base nas recomendações da Federação Equestre Internacional (FEI), que compreende uma listagem das substâncias capazes de mascarar a performance dos

cavalos. Haverá prova funcional e estão confirmadas as tradicionais provas do Coronel, Amazonas e Mirim. A programação terá ainda uma prova de marcha especial, apenas com mulas Pêca (híbridas do Jumento Pêga em matrizes Campolina), que são lindas e boas de marcha. Essa iniciativa amadurece a parceria firmada com a Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga), para o registro desses muares.


37ª Expointer encerra com balanço considerado positivo pelo Governo e entidades do agronegócio O secretário do Desenvolvimento Rural, Elton Scapini, destacou a participação do agricultor familiar no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, que representa em torno de 30% da nossa economia. “Temos um crescimento sistemático de expositoes e visitantes. Maior diversidade e qualidade dos produtos a cada edição”. O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, completou: “A agricultura familiar está consolidada na Expointer. Tivemos um número recorde e uma excelente feira, o que era o esperado pelo contexto que vivemos aqui”. O evento recebeu cerca de 450 mil visitantes, quantidade de pessoas que ultrapassa a edição do ano passado, quando 384 mil visitantes estiveram na feira. Na avaliação do secretário Fioreze, o resultado é fruto da melhora no acesso ao Parque Assis Brasil, via BR-448, e das melhorias estruturais. Neste ano, a Expointer vendeu cerca

de R$ 2.8 milhões em máquinas, número 17% menor do que em 2013, mas é considerado ótimo pelo setor. E se comparado à edição retrasada, o balanço atual ainda é positivo, considerou o presidente do Simers, Claudio Bier: “O ano passado foi atípico, teve uma série de fatores que facilitaram a antecipação de negócios. E mesmo assim, nesta edição superamos em 34% o ano de 2012”. As vendas de animais atingiram R$ 12.419.410,00, com destaque para a qualidade dos exemplares trazidos a Esteio RS. “Neste ano os expositores fizeram uma seleção muito criteriosa. Os jurados tiveram muito trabalho. O reflexo, está no preço médio pago por animal, que está mais alto em 2014. E os negócios não param aqui, porque a Expointer é vitrine para as próximas feiras”, disse o presidente da Febrac, Eduardo Finco.

Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC/Divulgação

De 30 de agosto a 07 de setembro, a cidade de Esteio, no Rio Grande do Sul, sediou a tradicional festa Expointer, que nessa edição movimentou cerca de R$2,8 milhões em negócios fechados. O rendimento é considerado positivo, tanto pelo Governo do Estado, quanto pelos setores produtivos representados pela Farsul, Simers, Febrac e Fetag. “O número é espetacular. O agronegócio não vive crise, ao contrário, continua crescendo. Um número da celebração da estabilidade”, avaliou o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Claudio Fioreze. O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, complementou: “os resultados deste ano nos impressionam ainda mais. O produtor já tomou muito crédito e a conjuntura internacional é desfavorável. Portanto, são números fantásticos. São um recado de confiança do mercado.”

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Meio Ambiente e Mineração Uma Outra Visão Daniela Teixeira Pinto Dias Raquel de Melo Vieira

A mineração organizada é uma das atividades econômicas mais antigas da civilização moderna, que sempre apresentou peculiar e conflituosa relação com o ambiente em que se desenvolve. Notadamente, após exponencial crescimento da consciência coletiva acerca da protetividade ambiental, grande parte da sociedade, formada pelo cidadão comum bem como pelo cidadão ambientalista, passou a polarizar, de maneira marcante o antigo conflito. Crê-se que o porquê do despertar de tantas opiniões contraditórias reside no fato de que a mineração altera significativamente o meio físico do local em que o bem mineral se localiza e, ao mesmo tempo, importa em notável conforto à sociedade. Assim, deve-se ponderar que a dinâmica minerária é “aparentemente” dualista: retira-se a substância mineral de um local e destinam-se os resíduos da extração para outro local. Sem dúvidas, o dia a dia da atividade minerária traz a equivocada ideia de caos. Menciona-se

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equivocada, pois as técnicas extrativas, a tecnologia e o direito evoluíram! Atualmente os impactos decorrentes da atividade minerária podem ser reduzidos de acordo com a solução técnica apresentada pelo empreendedor e aprovada pelo órgão ambiental licenciador, bem como antigos passivos ambientais, a exemplo de áreas degradadas, podem ser equacionados por meio do licenciamento ambiental ou de medidas administrativas e/ou judiciais. É fácil observar que a imprescindibilidade da alteração das características ambientais da região pela mineração será reduzida técnica e juridicamente pelos diversos stakeholders que atuam no cenário ambiental. Isso tudo porque a atividade mineral envolve o interesse nacional, de forma que é necessária e fundamental tanto para a manutenção da cultura e estilo de vida atual, assim como para a economia brasileira. Praticamente todos os produtos, inclusive os que possibilitam o desenvolvimento acelerado da agricultura, provêm da mineração, desde o creme dental até as estruturas metálicas. Isto é, os recursos minerais são indispensáveis ao bem estar e melhoria da qualidade de vida, pois são a matéria prima para as diversas indústrias e até mesmo para a expansão da fronteira agrícola e para o saneamento básico.

Para apimentar o debate, importante considerar que a atividade minerária goza do pressuposto da rigidez locacional dos recursos minerais, ou seja, os bens minerais só podem ser explorados no local em que ocorrem naturalmente. Assim, o ambiente que sofre o impacto decorrente da mineração é o mesmo que sacramenta sua localização imutável. Tem-se, a partir de tal premissa, a seguinte conclusão: a atividade será desenvolvida necessariamente no local em que “aparece”, cabendo aos diversos atores ambientais promover o equilíbrio entre a protetividade integral e o exercício da mineração sustentável, com o desenvolvimento regional que ela possibilita. Qual a sua escolha? Bem de ver que a escolha não é fácil, sendo fato que, de acordo com a legislação mínero-ambiental vigente, esta cabe ao Departamento Nacional de Produção Mineral em conjunto com os órgãos ambientais licenciadores, com apequenada participação da comunidade. Vale lembrar aqui, por fim, que dada a importância da mineração, é possível conciliar a exploração minerária, com todo o seu impacto, com a proteção ambiental, desde que fielmente observados todos os preceitos normativos e normas técnicas aplicáveis à tipologia.


HARAS TERRA NATAL

HARAS TERRA NATAL

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FAGULHA DA TERRA NATAL Limite D2 x Quijuba do Yuri

Limite D2 x Brava G.M.O (Ringo D2)

FAÍSCA DA TERRA NATAL

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Limite D2 x Brava G.M.O (Ringo D2)

Limite D2 x Ilicínea Granfina

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capa

Mangalarga

Marchador e bem-estar animal Boas práticas de manejo transformam a criação e garantem a sustentabilidade O bem-estar animal tem sido um assunto recorrente em todas as áreas de criação. Sabe-se, hoje, que promover o bom manejo é o caminho certo para agregar valor ao produto, reduzir custos e trazer uma dinâmica de trabalho melhor no dia a dia da fazenda. A qualidade de vida do animal é defendida não somente pelas associações que representam os produtores, como também pela própria Constituição Brasileira de 1988, que pune o autor de quaisquer atos de violência contra os animais. Uma entidade em específico que tem prezado muito pelo bem-estar animal é a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), que defende e incentiva as boas práticas de manejo. Para tanto, está constantemente adotando novas iniciativas e projetos que garantam uma melhor qualidade de vida da raça. Tais atividades são realizadas a colaboração de uma equipe de profissionais qualificados e com um grande número de parceiros, somando mais de oito mil associados que trabalham para que o Marchador seja uma raça reconhecida em todo o mundo.

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Bom manejo Quando se fala em bom manejo, tem-se como premissa básica garantir ao animal o atendimento de suas necessidades naturais, como liberdade, companhia, alimentação, adaptação, controle, saúde e respeito. No caso do Mangalarga Marchador, entre as práticas defendidas para se garantir o bem-estar animal, estão as interações com outros exemplares da mesma espécie, boas condições de alojamento, correto manejo sanitário, reprodutivo e nutricional, tratamento e treinamento adequados, boas condições de transporte e cuidados veterinários. O cavalo Mangalarga Marchador é uma das raças que mais favorece o resgate dos valores ambientais por meio do maior contato do homem com a natureza. Tudo isso devido às suas características de docilidade, inteligência, resistência e rusticidade. A criação destes animais está diretamente ligada ao trabalho de promoção de seu bem- estar, como uma espécie de retorno positivo pelos benefícios que a raça oferece ao seu criador.

Iniciativas primordiais A ABCCMM lançou em 2010, o Projeto Sela Verde e o Mangalarga Marchador será a primeira raça de equinos no mundo a ter um selo ambiental. Iniciativa da ABCCMM em parceria com o Instituto Biotrópicos, o projeto já tem consolidado um Programa de Incorporação, Adequação e Certificação Ambiental da Atividade Equestre, desenvolvido para os criadores interessados na causa. Com o conceito da sustentabilidade, o Sela Verde é um estímulo para a preservação ambiental e para o fortalecimento das propriedades no âmbito econômico. Na Nacional de 2014, lançou a Cartilha para o Bem-Estar de Equinos da Raça Mangalarga Marchador, que recomenda para criadores e tratadores, algumas práticas e cuidados gerais de manejo, com resultados satisfatórios ao animal, que serão enumeradas a seguir. Uma das orientações é não fazer uso da violência e respeitar as características naturais de cada animal; não usar artifícios que lesam e alteram o andamento natural dos

animais, tais como correntes, elásticos, ferraduras com peso excessivo, rollers, etc.; respeitar sempre os limites de conformação de cada cavalo; manter os animais em liberdade por pelo menos 4 horas por dia em piquetes adequados e devidamente sombreados; não usar, em hipótese alguma, qualquer substância química que altere o desempenho do animal (“doping”); ter cuidados especiais a fim de preservar a saúde e o bem-estar dos animais idosos; e seguir sempre a orientação de um médico veterinário. Uma frase bastante utilizada pela ABCCMM é “os cavalos devem ser tratados como cavalos”, ou seja, é importante atentarse para as características específicas do animal, não se esquecendo de tratá-lo com carinho e respeito. O animal precisa de liberdade e de desfrutar de bem-estar de uma maneira geral, em todas as suas atividades, seja no haras ou nas competições e eventos.

Atividades recomendadas Entre as recomendações referentes à garantia da reprodução do cavalo com conforto e segurança está a indicação de que a égua deve ser coberta ou inseminada e o garanhão deve realizar coberturas somente a partir dos 36 meses de idade. Além

disso, as éguas gestantes só deverão ser montadas ou iniciadas a partir dos 90 até os 240 dias de gestação e as prenhas e/ou lactentes não deverão participar de competições. Quanto à castração, é orientado que somente deverá ser feita com o animal sedado e anestesiado por médico veterinário. No caso dos potros, logo após o seu nascimento, deve-se realizar a cura do umbigo e conferir a eliminação do mecônio e a mamada do colostro. O desmame deverá ser realizado preferencialmente após os cinco meses de vida. Outro fator de extrema importância é criá-los em liberdade e na companhia de outros animais. A alimentação do cavalo Mangalarga Marchador precisa seguir um programa, respeitando as exigências nutricionais de cada categoria. Os animais devem ter acesso livre à água de qualidade bem como às forrageiras, 24 horas por dia. É fundamental, também, não misturar alimentos concentrados e volumosos durante o fornecimento e atentar-se para que não seja oferecida uma quantidade excessiva de concentrados. Vale lembrar, ainda, que os cavalos devem trabalhar somente uma hora depois da ingestão do concentrado. Um quesito que a ABCCMM se preocupa bastante é o treinamento do Mangalar-

ga Marchador. É recomendado que se siga uma planilha de atividades, atentando-se para o fato de que o animal precisa ter um período de descanso durante o ano. Animais com qualquer tipo de lesão deverão ser resguardados do treinamento e é imprescindível que se use materiais flexíveis e confortáveis para o animal. Sugere-se também que animais estabulados sejam escovados diariamente, para que sejam massageados e tenham circulação da pele ativada, além da remoção de pelos velhos. Outro ponto que interfere diretamente na qualidade de vida do Mangalarga Marchador é o seu transporte, que precisa ser feito com total conforto e sem uso de violência no embarque e desembarque. E, quanto às instalações, a ABCCMM tem uma série de recomendações, que incluem: garantir baias com mínimo de 12 m2 de área, limpas, arejadas, com camas fartas e adequadas; não usar cercas de arame liso, dando preferência ao uso de cercas elétricas específicas; realizar manutenção periódica das instalações elétricas, a fim de evitar acidentes com eletricidade, podendo causar a morte dos equinos. Além dos itens citados, o bem-estar animal inclui uma atenção rigorosa quanto à sanidade, prevenindo doenças com a administração de vacinas e controle de parasitas. É primordial, ainda, exigir a documentação necessária para o ingresso de animais provenientes de outras propriedades. Garantir a qualidade de vida do Mangalarga Marchador é mais que um compromisso do criador para com a associação que o representa. É um ato de respeito ao animal, ao meio ambiente e à sociedade como um todo, que se beneficia das competências que o cavalo oferece.

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Fotos: Fernando Ulhoa

BALANÇO OFICIAL DA 33ª EXPOSIÇÃO NACIONAL DO CAVALO

Mangalarga Marchador

De 23 de julho a 02 de agosto, Belo Horizonte sediou, no Parque da Gameleira, a 33ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, um dos maiores eventos equestres da América Latina. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), a exposição teve como tema central “Cavalo Nacional”, numa referência à Lei nº 12. 975, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que decreta a Mangalarga Marchador como a raça nacional de cavalos. No ano em que se comemoram 65 anos de atividades da ABCCMM, que atualmente conta com 9.200 associados, estiveram reunidos no parque 1.500 animais oriundos de todas as regiões do país. Os

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animais participaram de concursos de marcha, julgamentos de morfologia, provas funcionais e sociais. Durante onze dias, a Nacional do Mangalarga Marchador recebeu a visita de 145 mil visitantes - entre eles, uma comitiva de criadores americanos, canadenses e italianos -, e movimentou R$ 10 milhões em negócios ocorridos nos leilões, shoppings de animais e vendas diretas entre os criadores. No dia 31 de julho, foi oficializada uma parceria entre a ABCCMM e o estilista Victor Dzenk, que terá no Mangalarga Marchador fonte de inspiração para a sua Coleção de Inverno 2015. As provas funcionais, realizadas na pista de areia do parque, contaram com a participação de 420 conjuntos inscritos que

disputaram as modalidades Cinco Tambores, Seis Balizas, Maneabilidade, Marchador ideal, Apartação e Team Penning. Participaram das competições os criadores e seus familiares, usuários e profissionais ligados ao Mangalarga Marchador. O Test Ride do Mangalarga Marchador, atividade oferecida pela ABCCMM ao público visitante, propiciou a crianças, jovens e adultos a oportunidade de experimentar o cavalo. Ao todo, 2.000 pessoas puderam comprovar as qualidades da raça. De acordo com Magdi Shaat, presidente da Associação, o evento foi um grande sucesso. “A expectativa era extraordinária e tudo correu muito bem, apesar da forte chuva que atrapalhou

um pouco a pista, mas foi tudo resolvido a tempo. A parte técnica foi nota dez em termos de julgamentos e palestras. A expectativa de 10 milhões em negócios foi atingida, um recorde na marca desse tradicional evento”, destacou. O evento foi realizado, como de costume, no Parque de Exposições da Ga-

meleira, mas as próximas edições devem mudar de casa, pois o Parque entrará em reforma. “Um novo local será escolhido para sediar esse grande evento. a Associação irá esperar o resultado na licitação das obras para avançar na procura de um novo espaço. Caso o evento saia de Minas, será um grande desafio,

mas iremos nos adequar e achar um local apropriado para a realização dessa grande festa que abriga cerca de 1.500 animais, 620 expositores e quase 1.000 trabalhadores. Nosso sonho é ter um parque próprio do Mangalarga Marchador e estamos batalhando para isso, para conseguir realizá-lo”, finaliza Magdi.

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A MEDIDA CERTA PARA O SEU EMPREENDIMENTO GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS

Mangalarga Marchador

pelo mundo

Projeto Brazilian Saddle Horse, viabiliza exportação de material genético para os Estados Unidos A Apex-Brasil é parceira da ABCCMM no desenvolvimento do Projeto Setorial denominado Brazilian Saddle Horse, iniciativa voltada para a promoção comercial das exportações de cavalos de sela brasileiros e material genético, tendo com mercado-alvo o mercado americano e o europeu. O projeto objetiva consolidar a imagem do Brasil como origem do melhor cavalo de sela, agregando valor ao produto brasileiro através da demonstração das habilidades e da adaptabilidade do animal brasileiro às diferentes condições ambientais e, desta forma, gerando oportunidades para a continuidade e o aprimoramento da raça no mundo. De acordo com Anderson Dib, gestor de projetos setoriais da Apex-Brasil, o projeto já está em vigor. “Estamos, atualmente na fase de estruturação da estratégia e definição de mercados-alvo. No final de julho, durante a 33ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador realizada em Belo Horizonte, criadores e investidores norte-americanos vieram ao Brasil a

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convite do projeto e assinaram um contrato para venda de 50 embriões de cavalos da raça Mangalarga Marchador. O acordo aconteceu por meio de uma joint venture, parceria entre criadores brasileiros e americanos: os brasileiros ficaram responsáveis pela coleta e envio dos embriões, enquanto os americanos ficaram responsáveis pela inseminação, fornecimento de receptoras e criação do produto (cavalo) até que se completar 6 meses, após desmame. As partes envolvidas na negociação são: Criohorse-central genética, Haras Três Corações, Haras Elfar e o presidente da Associação dos Estados Unidos. A Criohorse, central genética parceira do projeto Brazilian Saddle Horse, foi homologada recentemente para atender os criadores do estado de Minas Gerais, onde estão concentrados aproximadamente 50% dos criadores do país”, conta Dib. A expectativa de envio deste primeiro lote de embriões é para o primeiro trimestre de 2015. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores

do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), Magdi Shaat, a Associação identifica, nos vários eventos internacionais de que participa, uma grande procura por animais da raça, porém, o que dificulta o acesso dos interessados são barreiras impostas por alguns países para os animais vivos. Uma das dificuldades encontradas, por exemplo é mormo, doença infecto-contagiosa presente em quase todos os estados brasileiros que impede o ingresso dos nossos animais na União Européia. Assim como em todo projeto pioneiro, é preciso regulamentar o novo modelo de negócios, a fim de criar alternativas para suprir a crescente demanda do mercado externo. No caso da exportação de material de multiplicação (sêmen e embriões) é necessário um protocolo sanitário específico, conhecimento técnico especializado e centrais genéticas homologadas. Magdi completa ainda que criadores interessados na exportação, em explorar o grande mercado americano, devem entrar em contato com a ABCCMM.

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Mercado do carvão:

a gangorra do produtor Leonardo Lamounier

Ainda que tenha morado na cidade durante toda minha vida, sou de uma família que descende de pessoas que têm origem rural, como tantas outras no Brasil afora. Num dado momento, passei a imaginar o que poderia ser feito para dar continuidade ao trabalho de gerações anteriores nas nossas terras. A vida no campo havia mudado muito desde a época dos avós e, era preciso pensar em algo e sair do modelo tradicional, já que a maioria dos nossos vizinhos havia se mudado para a cidade por falta de opção e de renda dos produtos agropecuários, leite e café, que já não davam o retorno de outras épocas. Questionei qual caminho seguir, considerando que as opções eram poucas, dadas as características das propriedades rurais da região. Não havia uma vocação clara nem para a pecuária, nem para a agricultura moderna. Restou por exclusão, o plantio de eucaliptos, cultura relativamente nova e com um centro consumidor próximo, no caso a cidade de Divinópolis (MG), com grande demanda por carvão vegetal. Esta foi a escolha e a aposta, já que se tratava de um investimento de retorno num prazo de seis anos, um período médio, dadas as experiências brasileiras. Plantei florestas de eucalipto durante seis anos na expectativa de colher os frutos desse trabalho intenso de cultivo. Marinheiro de primeira viagem, embora contando

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com assessoria técnica e com conceitos antigos, e porque não dizer antiquados, me embrenhei nesta empreitada. No começo imaginava a partir de conceitos arraigados no campo de coisas como eucalipto dá em qualquer terra! Ledo engano! Que dá não há dúvida, porém a produtividade é baixa! No momento de decidir em que investir, o histórico do eucalipto no Brasil pesou. Mas o que encontrei depois de efetivado o plantio e chegada a colheita? Deparei-me com um mercado de comercialização de carvão que foi afetado diretamente pelo desaquecimento geral da economia desde a crise econômica mundial que se iniciou em 2008. Como resposta à crise, vimos o governo brasileiro atuando quase que exclusivamente de modo paliativo, sem uma estratégia clara. As siderurgias foram atingidas, como de resto todos os setores da economia brasileira e o segmento de carvão para siderurgia também foi colhido por este tsunami econômico. Segundo dados da Associação Mineira de Silvicultura (AMS), o carvão vegetal alcançou em julho de 2014 o valor de R$531 por tonelada, representando uma queda de 11,5%, quando comparado ao mesmo período do mês anterior, que vinha se apresentando estável desde março. Isso porque a produção de aço caiu em 2014, se comparada ao mesmo período de 2013. Houve uma queda de 1% na produção de aço bruto e de 4,7% nos aços laminados. No mercado interno, os dados de julho de 2014 indicaram queda de 6% nas vendas acumuladas em 2014 se comparadas ao mes-

mo período do ano anterior. A sinalização era de queda de produção e vendas de aço no mercado interno em 2014, de acordo com o Instituto Aço Brasil (IABr). Isso porque o setor industrial brasileiro encontra-se numa situação difícil e as perspectivas para o próximo ano não são muito animadoras. E é este mercado que regula os preços do carvão vegetal em boa medida. Se pelo lado do mercado interno as notícias não são alvissareiras, o mercado externo também não sinaliza um horizonte muito tranquilo. A análise conjuntural do Centro de Inteligência em Florestas (CI Florestas) aponta que as exportações de produtos siderúrgicos até julho de 2014 totalizaram 4,8 milhões de toneladas e US$3,6 bilhões, representando declínio de 1,6% em volume e um aumento de 6,9% em valor, quando comparados ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o próprio estudo não é muito otimista, indicando “um segundo semestre ainda mais fraco diante dos atuais indicadores da economia brasileira”. Se o cenário é este, o que esperar para o futuro? Houve uma gangorra de preços que foi entre 1999 até 2014. Principalmente após maio de 2008, os preços caíram fortemente, começaram a se recuperar janeiro de 2009 até que em maio de 2010 inicia-se uma nova queda e os valores passam a oscilar em torno de 100 reais o metro cúbico. Muitas dúvidas e poucas respostas. A dificuldade de uma análise de médio prazo e uma conjuntura adversa para as siderúrgicas brasileiras apontam um cenário difícil no curto prazo, dada a diminuição do ritmo da economia do país. A queda do consumo de aço no mercado interno provocada pela queda de atividade de setores como o automotivo e da construção civil, implica na necessidade das siderurgias buscarem a ampliação do mercado externo. Mas aqui outro obstáculo, a valorização do real e o controle da inflação e o equilíbrio instável da economia brasileira, mas aí são outros quinhentos que ficam para outra ocasião.


Exposições, feiras, congressos e visitas técnicas entre Brasil e USA: um investimento local com retorno global Prof. Dr. Marcus Anthony Baptista, de Boston, especial para a revista Mercado Rural

O agronegócio exige uma busca para uma interação mais eficaz entre os recursos humanos, os produtos e os serviços que fazem desse ramo, um dos mais importantes, não somente a nível local mas a nível global. Todos os eventos dirigidos a um público alvo bastante específico (como no caso dos congressos, feiras e exposições, além das visitas técnicas) agregam o desenvolvimento profissional e a educação continuada aos contatos fraternais e sociais. As associações de classe que congregam indivíduos com interesses mútuos se tornam um alicerce para a sociedade ter como um ponto de partida e uma base aquilo que o profissional se propõe a fazer pelo bem estar da sociedade propriamente dita. Alguns eventos se tornaram destaque com a participação em massa durante o mês de agosto. Vários eventos, não somente no Brasil, como também nos Estados Unidos, fornecem uma oportunidade para delinearmos uma comparação e para contemplarmos uma reflexão. A maioria concorda que conceder entrevistas, além de entrevistar mais de 100 criadores, agricultores, pecuaristas e empresários durante os eventos como a 33a. Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador em Belo Horizonte, a Feira Anual Agropecuária do Estado de Nova Iorque (próximo à Syracuse, no estado de New York, USA) e o 61º Farm Progress Show (na

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região central do estado americano de Iowa) proporcionaria uma amplitude de interatividade entre as pessoas que atuam no meio, as quais desempenham uma rica diversidade de atividades na mídia e no mercado rural. Olhando para o futuro, sabemos que o Farm Progress Show no início de setembro de 2015 será em Decatur, no estado de Illinois e depois voltará para Iowa em 2016. Trata-se da maior feira livre dos agronegócios nos EUA: quase mil expositores e 200 mil visitantes. Este ano, a quantidade das centenas de visitantes brasileiros, sem a mínima dúvida, bateu um recorde. Ao compararem a produção e a produtividade norte-americana com a brasileira (por exemplo, quanto ao milho e à soja), todos os brasileiros produtores rurais comentaram em solo norte-americano que não constataram uma diferença significativa. Porém, quanto ao maquinário e equipamentos, todos ficaram extremamente impressionados. Como a contratação de mão-de-obra qualificada no meio rural está se tornando um desafio, a obtenção e a utilização de máquinas adequadas para a realidade do ruralista facilitam a eficiência e a eficácia na hora de desempenhar certas tarefas nos haras, nas fazendas, nos sítios e nas outras propriedades no campo e no mercado rural. Ao traçarem um paralelo entre este evento (durante o qual tivemos muita chuva) como alguns no Brasil, sem exceção, 100% dos entrevistados disseram categoricamente que a organização, antes e durante os dias 26 e 27 de agosto, foi o que mais chamou a atenção

dos visitantes ao 2014 Farm Progress Show. Os projetos que envolvem visitas técnicas estão disponíveis desde já e estamos propondo o lançamento e a realização de viagens aos Estados Unidos para que os brasileiros possam ter contato com modernos equipamentos e técnicas comprovadamente práticas à nível de Brasil. Estas propostas envolvem aquelas pessoas que trabalham com o setor da produção animal e agrícola principalmente, em um clima diplomático para que haja a troca de informações, experiências, conhecimento, sabedoria e também para estreitar as relações entre os povos dentre os continentes norte e sul-americanos. Naturalmente, os norte-americanos interessam, e muito, em visitarem o Brasil em números expressivos a fim de aprenderem com os brasileiros em uma troca sadia de experiências. Os idiomas inglês e português frequentemente se tornam um desafio dentre os dois povos, porém com a assessoria adequada e apropriada, ultrapassamos essa barreira com bastante facilidade e sucesso. As ações bilaterais entre os EUA e o Brasil são uma realidade que ambos os governos apoiam e, portanto, antecipamos um enorme crescimento e desenvolvimento naquilo que envolve o agronegócio entre ambos os países. Enquanto que as empresas multinacionais e a mídia nacional e internacional se aproveitam de megaeventos (como a Copa e as Olimpíadas), entendemos que a colocação da coincidência na indústria e no comércio, nas instituições de ensino e de formação profissional, nos orgãos governamentais e nas ONGs, entre outras, colocam o Brasil e os Estados Unidos da América ainda mais em sintonia com aquilo que representam ambas as bandeiras verde e amarela e a vermelha, azul e branca. Concluímos que a liderança educacional, na relação custo-benefício e no retorno do investimento, exerce um papel fundamental na gestão do agronegócio e nas decisões empresariais de todos que atuam nesse ramo.


Fotos: Divulgação/IMA

Fruto da

macaúba atrai atenção de pesquisadores e investidores

A macaúba (de nome científico Acrocomia aculeata) é uma palmeira que alcança até 25 metros de altura e possui espinhos longos e pontiagudos. Ela pode ser encontrada em quase todo o Brasil e por isso é também conhecida por outros nomes, como bocaiúva, macaiba, coco-baboso e coco-de-espinho. Com folhas de até 5 metros de comprimento, apresenta flores e frutos em cachos que podem chegar a 60 Kg. Adapta-se facilmente ao clima e a diversos tipos de solo. É uma planta perene que dura até cem anos e necessita de pouca água para sua sobrevivência. As flores atraem abelhas, e os frutos, marron-amarelados, produzem óleo. A macaúba dá frutos quando alcança entre três e cinco anos de idade e, quando maduros, são colhidos no chão. A espécie tem várias utilidades. Seu aproveitamento vai do fruto até a madeira. Fonte de alimento, a polpa e a farinha retiradas de seus frutos são ricas em vitamina A e betacaroteno. Podem, também, ser usadas para fazer suco, sorvete, bolos, pães e doces. As folhas servem para a confecção de redes e linhas de pescaria. Já a madeira

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pode ser aproveitada na construção de casas e outras edificações no campo. As empresas tem voltado seus olhos para essa planta que, além de todas as características citadas, também produz um óleo. Após beneficiamento, com esse material é possível fazer sabão, sabonete, margarina e até cosméticos. Essa matéria-prima tem atraído interesse de várias linhas industriais como a química, a alimentícia e a de combustíveis. Dentro dessa perspectiva, a macaúba surge como uma alternativa de fonte de combustível renovável. O Brasil desenvolve pesquisas com a planta com foco na produção de biodiesel, combustível feito a partir de óleos vegetais. É o que está sendo feito, por exemplo, pela Embrapa Agroenergia. A Embrapa vai desenvolver um programa com agricultores familiares do Nordeste brasileiro, que tem como objetivo a produção de macaúba em sistemas agroflorestais para gerar alimentos e matéria-prima para bioenergia. A iniciativa integra o Programa para Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis do World Agroforestry Centre (Icraf ), financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad) e o Governo da Índia. Segundo o órgão, a macaúba é uma palmeira nativa do Brasil, encontrada em várias regiões, cujo fruto tem grande potencial para ser utilizado na produção de biodiesel, biocombustíveis de aviação e outros produtos.

Além de ser fonte de alimento, o fruto é muito procurado pela indústria Inicialmente, as ações serão desenvolvidas no município de Piracuruca, no Piauí, e envolverão três unidades da Embrapa – Agroenergia (Brasília/DF), Cerrados (Planaltina/ DF) e Meio Norte (Teresina/PI) –, além da Universidade de Brasília, Universidade Federal de Viçosa e a empresa Acrotech. O órgão explica que a busca por fontes de energia mais sustentáveis abre oportunidade de renda para pequenos agricultores e suas famílias. Além do etanol e do biodiesel, uma das expectativas é o surgimento do mercado de biocombustíveis de aviação, já que a Associação Internacional das Empresas de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) se comprometeu a reduzir em 50% as emissões de gás carbônico até 2050. Para a Embrapa Agroenergia, a diversificação das culturas agrícolas empregadas como matérias-primas é a chave para incluir pequenos produtores de diferentes regiões nas cadeias produtivas.


Fotos: Divulgação/IMA

Minas Gerais supera meta estabelecida

para vacinação contra

febre aftosa

Minas Gerais, através do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), atingiu a meta estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de vacinar 95% do rebanho mineiro de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa. A etapa envolveu 23.633.117 animais vacináveis em 359.661 propriedades. No total, foram vacinados 22.718.579 bovídeos de todas as idades, o que representa 96,1%. Os produtores rurais tiveram até o dia 10 de junho para comprovar, nas unidades do IMA de seus municípios, a imunização de seus animais. A campanha obteve uma boa adesão dos produtores que têm na pecuária o seu sustento, demonstrando a importância da participação efetiva na vacinação semestral. No entanto, este índice ainda deve aumentar, tendo em vista que

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alguns produtores entregam a declaração fora do prazo definido pelo Mapa. Para o diretor-geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, é necessário que os produtores mineiros e de todo o país continuem aderindo as campanhas de imunização, que são fundamentais para erradicar e prevenir doenças de grande impacto econômico como a febre aftosa. “No estado, a participação dos produtores é crucial para manter Minas como área livre com vacinação contra doença, o que valoriza e fortalece ainda mais a nossa pecuária”, comenta.

Prevenção O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) tem como estratégia principal a implementa-

ção progressiva e manutenção de zonas livres da doença, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O Brasil, sob a coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e com a participação efetiva dos serviços veterinários estaduais, no caso do IMA em Minas Gerais, e do setor produtivo, segue na luta contra a doença em busca de um país livre da doença.


O planeta cabe na urna Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS); Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM

Na sociedade da hiperinformação – multiconectada e agindo cada vez mais por valores – o produtor rural parece ter conquistado, definitivamente, um espaço de valor na percepção do público urbano, por desempenhar uma função essencial na sociedade. Mais ainda: ele próprio, o produtor, aumentou seu nível de confiança e hoje se vê como um provedor de alimentos. Está na pesquisa Farm Perspectiv Study*, que ouviu 1.300 pessoas no Brasil e cujos resultados foram divulgados em agosto último: 88,6% dos consumidores têm consciência que o produtor “é um fornecedor de alimentos” e 93% dos produtores assim se percebem também. Ou seja, a consciência do papel do produtor na segurança alimentar cresceu – na cidade e no campo. O levantamento também revela que a preocupação dos consumidores com a sustentabilidade atingiu a marca de 82%. Mostra, ainda, que 67% dos agricultores afirmam usar métodos sustentáveis de

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produção e só 37% dos consumidores concordam com isso. Outra dissonância: 75% dos consumidores concordam em pagar mais por alimentos produzidos de forma ambientalmente amigável, mas apenas 36% dos agricultores acreditam nisso. Como se vê, há uma nova realidade do mercado de alimentos, emergente, que cria oportunidades e abre espaço para o marketing do produtor e do agronegócio, para agregar valor percebido em seus produtos e atividades – ou pelo menos reduzir eventuais abismos de percepção entre cidade e campo, como os mostrados acima. Desde que a revolução verde chegou a nossos campos e a produção animal modernizou-se, um hectare de terra multiplicou sua capacidade geradora de proteína animal -- de 2 para 2,8 kg de carne suína, ou de 1 para 5,6 kg de frango, por exemplo. Isso é sustentabilidade em três dimensões: ambiental, econômica e social. Mas no mundo contemporâneo, das percepções mutantes, é preciso contar ao público nossas conquistas e progressos. E, olhando a pesquisa Farm Perspective Study, talvez esteja faltando uma maior energia em marketing do agronegócio, para contar

essas e outras histórias para a cidade. Falta, por exemplo, desenvolver uma narrativa do campo sobre a sua sustentabilidade. Quer ver um exemplo? A sustentabilidade depende cada vez mais da incorporação de tecnologia; vale dizer, de sistemas de produção apoiados em uso intensivo de tecnologia. Mais ciência e menos regras – ainda que essas sejam também necessárias e importantes, para induzir o progresso da consciência sustentável. Essa é uma mensagem que precisa ser levada, por exemplo, aos candidatos a governo federal e estadual da próxima eleição, principalmente aqueles mais identificados com as causas do meio ambiente. Dizer, propor e levar estudos mostrando que a sustentabilidade do campo vai se resolver de fato, na tecnologia. Essa é uma iniciativa só nossa, só das lideranças do agro, não tenha dúvidas. Pois o planeta cabe em uma urna eleitoral e dá voto, principalmente entre os eleitores mais jovens. (*) Farm Perspective Study, pesquisa realizada pela BASF em 2014, ouvindo 300 agricultores e 1.000 consumidores, no Brasil.


Tífton-85 é recomendado para qualquer tipo de rebanho

Gramínea apresenta características que a difere de outras Do gênero Cynodon spp, a Tífton-85 é um híbrido estéril resultante do cruzamento da Tífton-68 com a espécie Bermuda Grass da África do Sul. É um capim que apresenta crescimento rasteiro, produz bastante massa seca e tem uma qualidade nutritiva bastante considerável. Desenvolvida nos Estados Unidos, a gramínea foi registrada e liberada para plantio em 1992 e, no Brasil, foi introduzida a partir de 1993. A Tífton-85 se adapta bem as regiões quentes e, também, a lugares de climas mais amenos. Isso porque a gramínea perene estolonífera, com grande massa folhear, possui rizomas grossos, que são os caules subterrâneos que mantêm as reservas de carboidratos e nutrientes, o que proporcionam a sua incrível resistência a secas, geadas, fogos e pastejos intensivos. Muito plantado no Brasil, o Tífton-85 é bastante usado tanto para pastejo quanto para a produção de feno. De acordo com os agrônomos, o capim Tífton-85 é recomendado para qualquer tipo de rebanho e apresenta características alimentares que devem ser levadas em consideração. Segundo os especialistas, como alimento, apresentam teor de proteína de 15% a até 20% de pro-

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teína bruta, num pasto bem adubado. É um tipo de capim bastante exigente em fertilidade, que precisam de uma boa adubação. Quando comparamos o capim Tífton-85 com um outro tipo de gramínea, como por exemplo o capim vaqueiro, conseguimos detectar algumas características que são bem particulares e importantes do Tífton. A primeira diferença clara e de fácil percepção é o visual. Enquanto o Tífton-85 tem as folhas mais compridas e o talo bem mais longo, o capim vaqueiro apresenta as folhas mais curtas e o talo bem mais estreito e curto. Já com relação à produtividade, o Tífton, de um modo geral, tem a sua produtividade girando em torno de 14 a 15 toneladas por hectariano e o capim vaqueiro apresenta uma produtividade um pouquinho maior, em torno de 16 a 18 toneladas por hectariano. No entanto, a diferença mais relevante e significativa entre esses dois tipos de capim é o método de plantio. O Tífton-85 é plantado por meio de mudas, enquanto que o capim vaqueiro é plantado por semente. Mas, como se faz uma boa muda desse capim? Segundo especialistas, a parte da planta a ser usada para fazer uma muda de Tífton pode ser tanto a parte área quanto

parte do sistema radicular. Se a escolha for pela parte área, também chamada de estolão, é importante que ela tenha gemas. Em contato com o solo, ele vai enraizando. De acordo com os agrônomos, a escolha vai depender da disponibilidade de muda e a facilidade para tirar, pois o resultado é o mesmo. No entanto, para os especialistas, para dar certo, as mudas têm que ter pelo menos 100 dias. São as chamadas mudas maduras, pois muito nova pode ocorrer de muitas morrerem. E para retirar a muda é muito simples. Se a propriedade for pequena, as mudas podem ser retiradas com a própria enxada ou cortadas com foice. Numa escala maior, podem ser cortadas com a ceifadeira. E quando o assunto for o plantio do Tífton, o melhor momento para fazê-lo, de acordo com os especialistas, seria nos meses de dezembro e de janeiro, pois é necessário que o solo esteja úmido e chovendo. Se as condições forem favoráveis, com 60 dias já é possível fazer um corte de uniformização e até para o aproveitamento. É uma planta de crescimento rápido. A dica é cortar as mudas de Tífton no mesmo dia do plantio para que elas não percam a capacidade de enraizamento.


Com os investimentos em tecnologia aliados às condições naturais, nos últimos anos, tem sido observado forte avanço da safrinha de milho, que não tem sido acompanhado por um aumento do consumo doméstico nas mesmas proporções. Ademais, a oferta mundial também está bastante ampla, com destaque para o potencial de mais uma safra recorde dos EUA, no ciclo 2014/15. Como resultado, os preços do grão estão bastante pressionados, caindo, inclusive, abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo em muitas regiões. O cenário de aumento da oferta do milho não representa tendência passageira. Pelo contrário. O país tem condição de continuar expandindo sua produção nos próximos anos com a demanda doméstica, não devendo absorver o adicional produzido. Nesse contexto, a produção do etanol a partir do cereal, que já é realidade no Brasil, mostra que veio para ficar, sendo uma alternativa para absorver a crescente produção e abastecer o mercado de combustíveis em expansão. O investimento na produção de etanol de milho mostra-se viável tanto no caso de usinas dedicadas exclusi-

vamente à produção do biocombustível do cereal, como nas situações em que parte da estrutura seja compartilhada com usina de cana. Tal alternativa mostra-se bastante atraente em estados como São Paulo, que conta com elevado número de usinas de cana e grande mercado consumidor de combustíveis, com a flexibilização de uma unidade, trazendo vantagens como a redução de custos fixos e menor oscilação nas receitas. A produção do etanol de milho garante, ainda, receita adicional com a venda de um valioso produto, formado pelo farelo dos grãos destilados, que pode assumir diferentes características. Esse farelo pode ser seco ou úmido, com ou sem a incorporação de solúveis, com seu conteúdo proteico e rendimento por tonelada de cereal processado variando bastante em função do processo produtivo. O mais comum destes subprodutos é o DDGs (grão destilado seco com solúveis), mas em determinadas situações a produção do WDG (grão destilado úmido) é mais recomendada, principalmente quando for possível a realização de arranjo produtivo que combine uma usina de etanol próxima a um confinamento ou granja, já que o WDG é altamente perecível. Uma planta de biocombustível de milho pode produzir 300 kg de DDGs por tonelada de grão processado, além de aproximadamente 375 litros de etanol anidro. O

produto tem conteúdo proteico em torno de 26%, podendo em alguns casos ultrapassar 30%, e seu grau de inserção na dieta de animais é em torno de 10% para suínos, 15% para frangos e poedeiras e 20% para o gado de leite ou de corte, podendo chegar a 30%. Supondo cenário de investimento em planta com capacidade de produção de 300 mil litros de etanol ao dia, com operação 345 dias no ano, em um ano, o processamento de 276 mil toneladas de milho resultaria na produção de 104 milhões de litros de anidro e de 83 mil toneladas de DDGs. Nesse cenário, o empreendedor poderia garantir margem operacional bruta de até 30%, dependendo da região. A receita obtida com a venda dos grãos destilados coloca-se como fator determinante da viabilidade desse tipo de investimento, de modo que cada negócio requer avaliação detalhada de especificidades do empreendimento, para que seja escolhido o modelo de negócios e o subproduto mais adequado para cada situação. A INTL FCStone desenvolveu um estudo aprofundado sobre o tema, que analisa a viabilidade da produção de etanol de milho em uma operação integrada a uma usina de cana ou em uma nova planta exclusiva para o etanol de milho, passando por questões industriais, comerciais e financeiras. Além disso, esse estudo pode ser adaptado para as especificidades de cada região, gerando o modelo ótimo de negócio para cada empreendimento.

fotos: Gustavo Lovalho

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cacau

Safra temporã do

está chegando ao fim A colheita do cacau está chegando ao fim na Bahia. A produção superou as expectativas dos produtores. Nesta época do ano, a safra é chamada de temporã. Apesar dos problemas com doenças, a safra desse ano deve crescer 44% na comparação com o ano passado. Os frutos que estão no pé de cacau mostram que esta é a fase de cruzamento das safras. Os frutos menores, da safra principal, serão colhidos a partir de outubro. Os grandes, já maduros, são da safra temporã, que está no final. A colheita da temporã deve chegar a 78 mil toneladas. De acordo com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), haverá aumento da quantidade em relação à safra principal, que geralmente é maior. Uma fazenda em Itacaré, no sul da Bahia, tem 40 hectares plantados com o cacau. Na safra temporã foram colhidas, por exemplo, 600 arrobas de cacau. Já na safra principal, a previsão é que sejam apenas 180 arrobas. A safra temporã de 2014 só não foi melhor porque o clima favoreceu a proliferação da vassoura de bruxa e da podridão parda, duas doenças causadas por fungos. A arroba de cacau está mais valorizada este ano, sendo vendida a R$ 106. No ano passado, valia R$ 80. Apesar do aumento no custo de produção por causa das doenças, o preço anima os produtores. Eles fazem planos para agregar mais valor à produção.

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Agricultores querem produzir cacau fino para produzir o próprio chocolate gourmet.

Em busca de um cacau gourmet E é com o olhar já voltado para esse mercado do chocolate fino, que o cultivo desse fruto está vivendo uma nova fase. Algumas fazendas da Bahia estão mudando o manejo para produzir um cacau de qualidade superior. Estão apostando no cacau gourmet. Uma dessas propriedades é a do produtor João Tavares. Ele é um dos mais respeitados produtores de cacau gourmet do Brasil e já ganhou duas vezes a principal premiação internacional de cacau no salão de chocolate em Paris. João fala que o segredo do cacau gourmet está no beneficiamento do grão. E a primeira etapa, de acordo com ele, acontece na colheita, no meio da Mata Atlântica. O agricultor explica que essa é a etapa um de todo o processo de beneficiamento do cacau gourmet. Inicialmente, descartam-se os frutos que estão doentes, infectados com a vassoura de bruxa, podridão parda, perfurados por roedores ou pássaros. Eles são tirados do lote que vai ser beneficiado e depois faz-se por maturação. Então, frutos verdes, verdoengos ou sobremaduros também são retirados do lote. Já na etapa da quebra da casca, ocor-

Produtividade deve ter um aumento de 44% na comparação com o ano passado re uma segunda seleção. O fruto escuro demonstra, segundo o produtor, que está com a vassoura de bruxa. Ele fala que esse cacau convencional vai para outra casa de fermentação, outra estufa, totalmente isolada do gourmet. As amêndoas precisam ser levadas para a casa de fermentação logo após a colheita. Aliás, a fermentação é uma etapa que muitos produtores de cacau comum não fazem. Na fazenda, as amêndoas permanecem em cochos durante sete dias, mas preci-

sam ser reviradas a cada 48 horas. Essa etapa, de acordo com os produtores, é um dos segredos da produção. Os cochos de fermentação são redondos e não quadrados ou retangulares, como de costume. Esse detalhe faz uma grande diferença na qualidade final do cacau gourmet para os especialistas. A temperatura ultrapassa os 47 graus. Com os cochos redondos, a distribuição de calor é uniforme. Quando existem cantos, as amêndoas que ficam depositadas ali têm o processo de fermentação prejudicado. A ideia é dar a mesma condição a todos os grãos. Fazer a fermentação mais homogênea possível. Passados sete dias, a certeza de que essas amêndoas estão boas pra ir pra secagem vem através do corte. Ao abrir as amêndoas, elas têm que estar clarinhas. Na fazenda, são cortadas 50, sendo que 40 têm que estar boas. Oitenta por cento.

Depois dessa análise, é hora das amêndoas subirem para as estufas. Em vez de usar o método tradicional de secagem na barcaça, o produtor adaptou estufas de café para secar o cacau. Primeiro as amêndoas ficam em montes e são movimentadas para a parte úmida receber sol, secar e a partir do terceiro dia, elas são revolvidas de forma mais aberta. Além de proteger da chuva, a estufa precisa ter ven-

tilação senão o cacau mofa. Aí é ensacar para fazer um último teste de qualidade. É feita a verificação do percentual de fermentação em um grupo de amêndoas de um determinado lote. Esse é um indicativo, além da qualidade, de que não há o amargor, dependendo do percentual de fermentação apontado. Trinta dias depois da colheita, o cacau gourmet chega à fabrica para virar chocolate. Fonte: Globo Rural


automóveis

Triciclos de carga são utilizados em diferentes segmentos da economia

Unidades podem ser usadas, também, em coleta de lixo Cada vez mais, os triciclos de carga são adotados por diferentes segmentos da economia. De baixo custo, fácil manutenção, versátil e muito prático, o triciclo assume, atualmente, a posição de um dos principais meios de transporte para deslocamento de pequenas cargas. Sua utilidade para os serviços de entrega em domicílio acabou colaborando para que sejam empregados também pela rede varejista, como os supermercados. Os triciclos podem ser considerados veículos rápidos e econômicos para o transporte de cargas que podem chegar, aproximadamente, a 300 Kg. Geralmente, a adaptação é feita a partir de uma moto 150 cc, cuja parte traseira, após ser desmonta-

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da, recebe um chassi com duas rodas. O triciclo possui suspensão traseira independente (sem o eixo), o que deixa o veículo mais leve, com maior altura do solo. A carroceria é mais baixa, proporcionando uma maior estabilidade ao veículo. Por ganhar rapidamente o mercado, o triciclo vem se tornando mais presente nas ruas e nas avenidas. O fato de ocupar pouco espaço no trânsito dos centros urbanos já tão congestionados, torna-o uma boa opção de mobilidade nas vias, otimizando o tempo gasto nos deslocamentos e reduzindo os custos de combustível. Segundo os fabricantes, esse veículo tem autonomia média de 25 km/litro de combustível. Outro fator importante a ser destacado é a facilida-

de de estacionamento. Por serem menores, os triciclos são mais fáceis de serem parados, na comparação com os grandes caminhões. Os fabricantes estão investindo bastante nessa modalidade de veículo e diferentes modelos já podem ser vistos. O objetivo é atender à variedade de empresas que necessitam de transporte rápido, seguro e econômico para pequenas cargas. As empresas fabricam, entre outros, modelos para atender atividades como pet shop, floricultura, lanchonete, distribuidora de bebidas, material de construção, mototáxi, supermercado e turismo. Em Minas Gerais, um dos fabricantes desse tipo de veículo é a Triciclos Katuny. A empresa desenvolve diferentes modelos de triciclos de carga, atendendo aos mais diversos públicos. Pensando na questão ambiental e no transporte de resíduos, alguns empresários e gestores públicos estão apostando nos triciclos de carga para solucionarem problemas como, por exemplo, a coleta de lixo. Em locais como clubes, condomínios, parques ou mesmo em locais de difícil acesso de caminhões, o triciclo vem sendo utilizado nos programas de coleta seletiva e transporte de lixo comum. Nas cidades que adotaram a iniciativa, a ideia é realizar, por exemplo, a coleta de lixo onde é impossível fazer de caminhão ou onde há difícil acesso, como em becos, ruas estreitas, morros, entre outros. A Triciclos Katuny já lançou no mercado o seu modelo de triciclos para o desenvolvimento dessa atividade.

RECEITA

Salada Grega

Ingredientes

Serve: 6 pratos e maduros, • 3 tomates grandes s médios cortados em pedaço • 2 pepinos, fatiados ena, • 1 cebola roxa pequ as cortada em rodelas fin ino a gosto • Sal e pimenta do re azeite • 4 colheres (sopa) de orégano seco • 1 1/2 colher (chá) de esfarelado • 150 g de queijo feta, ona preta (grega). • 1 punhado de azeit a sem caroço. Se quiser, use azeiton

Modo de prepar o

onto em: 30min zimento: 15min › Pr Preparo: 15min › Co pino e a cebola. misture o tomate, o pe a, ras a eir lad sa a m Nu alguns minutos deixe descansar por e sto go a l sa m co pepino. Tempere água do tomate e do da o uc po um a ov m re gosto. para que o sal orégano e pimenta a e iqu lp sa e, eit az o a da salada. Regue a salada com ue o queijo feta por cim loq co e a on eit az a Acrescente Sirva com pão fresco.


turismo

Grutas, cachoeiras e trilhas: Os vários encantos do

Parque Estadual

do Ibitipoca

Quem decidir pegar a estrada em busca de um lugar que misture natureza, aventura e o clima gostoso das montanhas, pode dar uma paradinha no Parque Estadual do Ibitipoca para contemplar as belezas que esse lugar proporciona. Com uma área de 1.488 hectares, a unidade de conservação está numa extensão da Serra da Mantiqueira, onde se dividem as bacias do Rio Grande e do Rio Paraíba do Sul. A reserva natural, localizada na Zona da Mata Mineira, entre os municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca, fica a 241 km de Belo Horizonte e oferece aos visitantes uma série de diferentes atrações. Uma das grandes opções de lazer e turismo do estado, o Parque Estadual do Ibitipoca é um dos mais procurados pelos turistas. Recentemente, foi classificado como o 3º melhor da América Latina e o 2° melhor do Brasil pelo traveller´s Choices 2013, do site de viagens TripAdvisior. As várias trilhas sinalizadas que existem no parque levam os visitantes, amantes de boas caminhadas, aos mais diferentes e encantadores pontos turísticos. Entre os vários atrativos podemos destacar os mi-

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rantes, os paredões, as grutas, os picos, as belas cachoeiras e as piscinas naturais formadas pelo rio do Salto. Alguns pontos de visitação de Ibitipoca são “famosos” e conhecidos como, por exemplo, a Ponte de Pedra, a Cachoeira da Pedra Furada, o Lago das Miragens, Lago dos Espelhos, a Janela do Céu (de onde se tem uma linda vista panorâmica), entre outros. Com o mapa na mão e muita disposição, o local é uma ótima alternativa para curtir a paisagem, a flora e a fauna.

Infraestrutura O parque possui uma boa infraestrutura para receber seus visitantes, inclusive conta com uma área de camping. Mas, quem quiser visitar essa área de proteção deve ficar atento ao número máximo de pessoas que podem passar pelo lugar. Atualmente, o número de visitantes diários está limitado a 300 pessoas, de segunda a sexta-feira, e 800 nos sábados, domingos e feriados. É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por pessoa em dias úteis e R$ 20,00 nos finais de semana e feriado, para entrada.

História De acordo com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), ‘Ibitipoca’ é uma palavra tupi-guarani e significa “Serra Fendida”. Criado pela Lei nº 6.126, em 04 de julho de 1973, o Parque Estadual do Ibitipoca completa 41 anos em 2014 como um dos parques mais visitados do estado e conhecidos do Brasil.

Caminho Para chegar até o Parque Estadual do Ibitipoca, o caminho é a BR-040 seguindo em direção a Juiz de Fora. No trevo de acesso a BR-267, o motorista deve entrar e prosseguir em direção a Lima Duarte. Até chegar ao Distrito de Conceição de Ibitipoca são mais 27 Km de estrada de chão e, de lá, mais 4 Km até a portaria do parque.


sessão pet

Mini

cabritos

Espécie de mini animal é uma alternativa para quem tem pouco espaço para criação Eles chamam a atenção pelo tamanho. São bem menores que os animais de um rebanho convencional. Estamos falando dos mini animais, bichinhos simpáticos e que estão se tornando uma boa oportunidade de negócio. São vários os motivos que levam um produtor a investir nesse segmento. Esses pequenos animais podem ser comercializados, participar de exposições, aproximar as crianças do mundo rural e, inclusive, favore-

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podem ser encontrados em sítios, chácaras e hotéis fazenda cer os proprietários que tem pouco espaço para suas criações. De acordo com especialistas e criadores, algumas espécies podem, até mesmo, serem criadas no quintal de casa como animais de estimação, animais pet. Atualmente, são encontrados nas fazendas os mini pôneis, mini vacas, mini cabras, mini coelhos, mini porcos, entre outros. Na Revista Mercado Rural deste mês, escolhemos falar sobre os mini cabritos e dar algumas dicas para quem se interessar por esse tipo de criação, que tem ganhado destaque no mercado pecuário nacional. Um exemplo de sucesso é a Mini Fazenda Reino Encantado, localizada em Alfenas (MG), de propriedade de Mateus Ferreira. Eles são animais bem dóceis, mas se

engana quem acha que, por serem menores, necessitam de menos cuidados. No entanto, os mini animais reúnem características que facilitam manejo, e a criação apresenta algumas vantagens em relação aos rebanhos tradicionais. No geral, os mini cabritos são bem parecidos com os animais de porte convencional. Na alimentação, levam alguma vantagem quando comparados aos caprinos de tamanho comum, já que comem menos. Segundo os criadores, esses animais se alimentam de capim ou feno e ração própria pra caprino, devendo ser alimentados duas vezes ao dia. De acordo com a Embrapa, os caprinos são animais capazes de sobreviver em condições de alimentação escassa e de baixa

qualidade, entretanto, nesses casos, o seu desempenho é pouco satisfatório, ficando comprometido. É necessário, portanto, que os caprinos disponham de alimento de boa qualidade e em quantidades que satisfaçam suas necessidades durante o ano, resultando em aumento da produção e gerando mais lucros à atividade. Não podemos esquecer, também, dos cuidados que devemos ter com esses pequenos bichinhos quanto à alimentação. É necessária a vermifugação de três em três meses e disponibilização de sal mineral em sua dieta. É importante para a sua boa saúde. De baixo custo e podendo responder

bem em pequenas propriedades, o mini cabrito não necessita de grandes espaços para viver, como uma vaca, por exemplo. O espaço recomendado para a criação de caprinos deve ser rústico, destinado ao abrigo e manejo dos animais. Deve ser construído utilizando materiais existentes na propriedade, tais como madeira redonda e palha de babaçu ou carnaúba para a cobertura, com piso de chão batido. O tamanho deve ser definido de acordo com a dimensão do rebanho, recomendando-se uma área útil de 0,8 m² a 1,0 m² para cada animal adulto. O tamanho e o peso também são duas características que chamam a atenção nos

mini animais. De acordo com os criadores, não há manipulação genética para desenvolver mini animais. A espécie é resultado do cruzamento de bichos cada vez menores até ir chegando a crias bem pequenas. No caso dos mini cabritos, por exemplo, eles medem, normalmente, de 30 a 45 cm de altura e pesam entre 20 e 35 Kg. Por serem animais de rebanho, as cabras não gostam de viver sozinhas. Desta forma, os mini cabritos podem ser criados com outros animais em espaço fechado – piquete - ou confinado, e se adaptam bem no convívio com outras espécies. Com relação à reprodução, os produtores explicam que não há muita diferença comparada à dos rebanhos tradicionais. A reprodução ocorre da mesma maneira que nos caprinos de tamanho comum. A monta é natural e o tempo de gestação é de cinco meses, podendo vir de um ou dois animais por gestação.


Criações exóticas

camaleão O camaleão é um réptil muito conhecido da família dos lagartos, que distingue-se deles pela habilidade de algumas espécies em trocar de cor, entre outras características. São animais extremamente reservados, quietos e observadores. Se você escolheu ter um camaleão, você vai precisar de um terrário, já que esse espaço vai ser a moradia dele. É preciso adaptá-lo de maneira que o local apresente as condições e as características da natureza. É importante que o tamanho também corresponda às necessidades do animal. O ideal é que seja grande o suficiente para que ele possa se movimentar. Porém, não precisa ser exagerado. Os camaleões são animais que não andam muito. Ao contrário. São bem parados e tranqüilos. Dê preferência aos terrários que são grandes no comprimento já que eles gostam de locais altos. A decoração, dentro desse terrário, deve lembrar o habitat do animal. Procure colocar muitos troncos de árvores, arbustos pequenos, areia, galhos, rochas

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e muitas plantas já que é onde eles normalmente ficam para se esconder. Não se esqueça, contudo, de deixar um espaço livre no terrário, sem decoração, e procure mantê-lo em um local onde não haja muita movimentação e não tenha muito barulho.

Características e alimentação Camaleões são animais exotérmicos, ou seja, eles não mantêm a temperatura do corpo. Por isso é extremamente necessário colocar alguma lâmpada que forneça o aquecimento adequado. É bom manter dentro do terrário um termômetro para constante conferência da temperatura no ambiente. Tanto a luz do sol quanto essas luzes artificiais ajudam na produção de vitaminas essenciais para a saúde dos camaleões. Os camaleões são predadores de insetos na natureza e é muito mais fácil de ingeri-los vivos. No entanto, se você não conseguir dar ao seu animal esse tipo de

alimentação, o que você pode oferecer é o alimento peletizado para répteis. As folhas verdes também podem fazer parte da dieta dos camaleões, além das frutas.

Camaleão como mascote Ao escolher um animal de estimação, é importante levar em consideração e ob-

servar algumas características dos bichinhos. Não vai pensando que se você escolheu ter um camaleão é porque quer um animal que vai brincar com você e interagir quando chegar do trabalho ou, ainda, que vai ficar olhando pra você com uma carinha pedindo carinho. Isso realmente não vai acontecer. O camaleão é um animal solitário que, ao ter em casa, será alvo de admiração em razão de suas particularidades, por ser excêntrico. Os camaleões têm algumas características especificas que, além de os ajudarem muito na natureza, fazem com que eles se tornem um bichinho curioso e diferente. Um exemplo dessa característica que chama muito a atenção das pessoas são os olhos que podem se mover independentes um do outro. Porém, se vão atacar uma presa ou fazer algo que exija uma concentração grande eles precisam focar a atenção e fixar os olhos só naquilo que pretendem. Além disso, eles têm uma língua bem comprida que pode chegar a medir 1 metro. Essa língua consegue, sem dificuldades, sugar qualquer inseto sem que o mesmo precise se mover. Isso facilita a captura dos

alimentos. Essas vantagens são importantes e de grande utilidade para os camaleões, uma vez que são animais que não tem velocidade ao se deslocar. Ao contrário. São bem lentos. Suas patas e caudas formam uma espécie de pinças que os ajudam na movimentação. São animais que possuem uma resistência bem grande, com uma pele bem seca e rústica, totalmente apropriada para ambientes áridos, montanhoso. Eles possuem uma pele com muita queratina para resistirem bem a esse tipo de ambiente.

Legalização Depois de pesquisar e conhecer as características do animal, analisar todo o trabalho, os custos, verificar a questão de espaço e adaptação do mesmo e, mesmo assim, a escolha for por ter um camaleão, é

importante ficar atento quanto à legalidade para se obter um animal deste. Segundo a Assessoria de Comunicação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), somente criadouros autorizados podem vender animais silvestres, desde que tenham também autorização para comercializar aquele determinado tipo de animal. Ou seja, no caso do camaleão, é importante verificar se o criadouro é legalizado e tem a autorização para comercializar esse animal. Os criadouros podem ser autorizados tanto pelo Ibama quanto pelo órgão estadual de meio ambiente. As pessoas interessadas em adquirir um animal silvestre devem comprá-lo apenas desses criadouros autorizados, mediante nota fiscal. Devem também ver se o animal possui chip ou anilha. Comprar animais silvestres em feiras livres ou em beira de estrada, de pessoas que não possuem autorização, é crime ambiental e alimenta o tráfico de animais silvestres. Ainda, de acordo com o órgão, comete o crime ambiental tanto quem vende animal silvestre sem autorização quanto quem compra.

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BEBIDAS

Cervejas especiais

atraem cada vez mais consumidores

Um levantamento feito no final do ano passado confirmou o que todos nós já sabíamos: os brasileiros adoram uma cerveja. Pesquisa realizada pelo Ibope revelou que a cerveja é a bebida preferida de 2/3 dos brasileiros para comemorações, com 64% da preferência. E esse gosto pela bebida fermentada está levando os empresários e amantes desse segmento a apostarem, nos últimos anos, em uma produção diversificada, aumentando as possibilidades no setor. As chamadas cervejas especiais, incluindo as cervejas artesanais, estão ganhando, ano a ano, as prateleiras dos supermercados e das lojas especializadas. O cenário nacional de produção de cerveja mudou e as pequenas cervejarias demonstram fôlego no mercado com produtos de estilos diferenciados, buscando atender e atingir um público cada vez mais exigente. Obtida a partir da fermentação de cereais como lúpulo, cevada, trigo e cereais maltados, a cerveja é uma bebida alcoólica carbonatada produzida através da fermentação de materiais com amido

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EVENTO / Feira de vinhos Fotos: Flávio Borges

Feira de vinhos Super Nosso Belo Horizonte recebeu no mês de agosto, a quinta edição da Feira de Vinhos Super Nosso. Realizado no Espaço Meet, reunindo mais de 30 expositores e cerca de 600 rótulos, de vinícolas do novo e velho mundo, nacionais e internacionais. A feira também contou com uma vasta programação de cursos, degustações comentadas e palestras com produtores, enólogos e espe- Fernando Júnior, cialistas em enogastronomia renomados. Rafaela Nejm e Euler Nejm

Karina Campanema, Rodolfo Nejm e Pamela Kayser

Rodolfo Nejm, Rafaela Nejm e Euler Fuad Nejm

Segmento está conquistando o Brasil e o trigo. Seu preparo inclui água como parte importante do processo e algumas receitas levam frutas, ervas e outras plantas. No processo de fermentação, as bebidas passam por um processo biológico em que os açúcares são convertidos em álcool etílico e anidrido carbônico com desprendimento de calor. Dentro desta definição de cerveja, encontram-se diversas variedades, de acordo com fatores como método de produção, ingredientes usados, cor, sabor, aroma, receita, história, origem e assim por diante. Algumas cervejas incluem em suas fórmulas e receitas criativas ingredientes brasileiros como, por exemplo, açúcar mascavo, coentro, gengibre, raspas de laranja da terra, capim-limão, entre outros. De acordo com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), o país produziu 13,4 bilhões de litros de cerveja em 2013, segundo dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). Um crescimento expressivo na última década, quando o Brasil produzia, no inicio dos anos 2000, 8,2 bilhões de litros anu-

ais. Ainda, segundo a Abrabe, o brasileiro consome cerca de 64,4 litros/ano – índice que chega a 151,2 litros/pessoa por ano na República Checa, por exemplo. Estima-se que existam cerca de 200 microcervejarias no país, concentradas principalmente nas regiões sul e sudeste do Brasil, e que representam ainda menos de 1% do setor cervejeiro nacional. Segundo a associação, esse segmento apresenta tendência de crescimento e deve atingir 2% da fatia do mercado de cervejas em dez anos, motivada pela busca por parte dos consumidores de satisfação sensorial e favorecida pela melhoria na renda da população brasileira. Para a Abrabe, as microcervejarias se caracterizam por serem microindústrias que em sua quase totalidade têm origem familiar, com modestas instalações que permitem a produção de cerveja ou chope especial em pequenas quantidades. A sua produção resulta de um processo fabril praticamente artesanal, com a utilização de ingredientes especiais e seguindo receitas tradicionais, que utiliza maior quantidade de malte por hectolitro produzido quando comparado às grandes cervejarias.

Selmo Geber, Marcelo Dicker e Luiz Otavio Torres

Helder Mendonça e Euler Nejm

Eliani Nejm e Claudia Bernardes

Tatiana Gontijo e Patrícia Castilho

Daria Tereza e Andrea Monteiro

Alice Gontijo e Priscila Melo

Jacqueline Boncompagni Anaile Rabelo e Gabriela Gomes e Erica Silvério


EVENTO / aniversário

EVENTO / aniversário Fotos: Marcelo Cardoso

Marcelo Lamounier comemora seu aniversário no restaurante Boi Vitório No dia 13 de agosto, o diretor comercial da Mercado Rural, recebeu amigos e familiares para comemorar o seu aniversário. Na ocasião, estiveram presentes criadores de diversas raças, para brindar com o amigo Marcelo mais um ano de vida.

Teodoro Lamounier, Frederico Salgado, Marcelo Lamounier, Carlos Augusto e Fabiano Tolentino Luiza, Gloria, Conceição, Marcelo, Laura e Marcelo Lamounier

Regina Monteiro, Elisa Maciel, Inês Eugênio e Cristina Toledo

Débora Santos, Ana Paula e Marcelo Malaquias

Gabriel Rocha, Marcelo Lamounier e Fabiano Tolentino

Luiza e Mariana Lamounier

Christopher Ragnar, Jorge Augusto, Mauricio Santos, José Geraldo e Ricardo Ragnar

Luiza, Gloria, Conceição e Marcelo Lamounier, Amanda Ribeiro e Laura Lamounier

Gabriel Rocha, Luiza Lamounier, Marcelo Cardoso e Rivaldo Nunes

Marcelo Lamounier, Marcela Santos e Matheus Caporal

Marcelo Malaquias, Marcelo Melo, Rivaldo Nunes, Marcelo Lamounier e Rodrigo Costa Marcela Santos, Teodoro, Mariana e Luzia Lamounier, Célio e Débora Santos

Fabrício Lana, Fabiano Tolentino e Marcelo Lamounier

Fernanda Almeida, Sara Santos, Paula Apgatra e Flávio Brito Marcelo, Marcelo Lamounier e Rodrigo Denis


giro rural

TRACBEL inaugura unidade padrão Massey Ferguson em Valadares

A partir do dia 09 de outubro, a cidade de Governador Valadares passa a contar com uma unidade da TRACBEL. Com o objetivo de sempre promover soluções eficazes para o sucesso de seus clientes, a empresa inaugura a sua nova filial no maior centro comercial e econômico da região leste do estado de Minas Gerais. “Esta nova unidade será inaugurada no momento em que nossa empresa se prepara para crescer no segmento de máquinas agrícolas no Brasil, através da parceria bem sucedida que temos com a Massey Ferguson”, explica Victor Franco, Gerente Geral de Máquinas Florestais e Agrícolas da TRACBEL. Com investimentos de cerca de R$2 milhões, a nova unidade é dotada de ampla oficina para montagem de componentes e implementos agrícolas, almoxarifado espaçoso para controle de estoque de peças e show room com localização privilegiada na principal avenida de acesso à cidade. Com 47 anos, a TRACBEL atua no mercado de equipamentos de construção, agrícolas e florestais, atendendo aproximadamente 70% do território brasileiro.

Congresso de agronegócio debaterá a produção de alimentos Nos dias 07 e 08 de novembro será realizado, no auditório da Confederação Nacional do Comércio, no centro do Rio de Janeiro, o 14º Congresso de Agribusiness da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). O evento abordará o desafio da segurança alimentar para as próximas décadas, em virtude do aumento populacional. Autoridades, especialistas e representantes dos diversos segmentos do

agronegócio estarão reunidos para uma série de palestras e debates em torno da temática da alimentação. Os participantes poderão acompanhar seis painéis com questões relacionadas à viabilidade econômica, social e ambiental do sistema agroalimentar; ciência, tecnologia e inovação e comércio internacional; e as mais recentes tendências no consumo de alimentos. Durante o congresso serão conhecidas as

propostas sobre desenvolvimento da produção agrícola sob a ótica do Observatório Nacional de Transporte e Logística. Além disso, terá início um esforço de incorporação tecnológica por parte da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), do Ministério dos Transportes e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação para a implantação de um programa inédito, via Internet, de monitoramento por satélite da produção agrícola.

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Nelore, 5º Leilão EAO & Guadalupe e, por fim, o Leilão Matrizes Brumado. O faturamento total foi de mais de R$19 milhões. Os leilões da Expoinel deste ano demonstraram a força do Nelore para o Brasil e, até o momento, teve a marca recorde do ano com o lote mais valorizado de todos os leilões de 2014. O animal mais valorizado do ano, que foi vendido no 5º Leilão EAO & Guadalupe, 67% do animal arrematado por R$ 2.000.000,00, é a Grande Campeã da ExpoZebu 80 anos, ESPN JAVANESA.

Durante o 26º Leilão Virtual Touros Reserva da Agropecuária Jacarezinho (AJ), que aconteceu em 04 de agosto, a gerência de produto corte da CRI Genética contratou um dos touros Nelore que atuou na estação de monta durante a última safra no consagrado criatório. Passou a fazer parte da bateria Zebu da central o reprodutor Darri AJ. A venda de 50% das cotas de Darri no leilão tornou Adelar Geller, pecuarista e representante comercial da CRI Genética, sócio da AJ e do cria-

dor Paulo Miote. De acordo com Geller, o investimento é um negócio certo por toda a história da AJ, pela confiança no trabalho desenvolvido pela CRI Genética e pelos altos índices do animal. De acordo com André de Souza e Silva, supervisor técnico de pecuária da Jacarezinho, Darri é filho de Orff AJ, genearca largamente utilizado nos programas de melhoramento genético. No Sumário Aliança tem mais de cinco mil filhos avaliados com acurácia de 99%.

Couro: veja o quanto o Brasil exportou em setembro

Leilões da 43ª Expoinel superam 19 milhões A 43ª Expoinel encerrou as atividades no dia 28 de setembro, no Parque Fernando Costa, em Uberaba, Minas Gerais (MG), com 12 leilões oficiais da raça Nelore realizados durante os onze dias de evento. O primeiro leilão ocorreu no dia 20 de setembro com o Nelore TajMahal. Ao longo dos dias aconteceram os leilões: 11º Alianças e Convidados, Virtual Ventres Vip Matinha, Nelore Colorado, Nelore Perboni e Convidados, Nova Geração Sabiá, Liquidação de Plantel Nelore Elite Pinguim, Pérolas do Nelore, Terras do Nelore, Joias do

Touro Nelore Darri AJ é contratado pela CRI Genética

A Rações Futura está expandindo seu mercado de atuação por todo o Brasil. Está selecionando representantes para os Estados de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Espirito Santo. Interessados entrem em contato. www.racoesfutura.com.br (37) 3524-1008

O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) divulgou o balanço preliminar das exportações de couros e peles no mês de setembro: US$ 256 milhões. O valor foi apurado pela Inteligência Comercial da entidade, com base em dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Os números preliminares de setembro resultam em um crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2013. No acumulado do ano, o setor de couros do Brasil registra um

total de exportações de US$ 2,237 bilhões, significando uma ascensão de 23% sobre o igual período do ano passado. Avaliação do CICB destaca um decréscimo no abate de gado em todo o mundo, trazendo um novo posicionamento no cenário internacional de preços. Como resultado, há um ajuste no volume de negócios. A entidade destaca que o mercado está em uma configuração estável, sendo necessário um esforço contínuo de aprimoramento técnico e de promoção de imagem, relacionamento e ações comerciais.

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giro rural

Teve início o recadastramento de animais silvestres

Começou no dia 06 de outubro, o recadastramento de animais silvestres junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele deve ser feito por criadores comerciais e científicos, zoológicos, abatedouros e curtumes. O recadastramento é obrigatório para todos os estabelecimentos e criadores de animais silvestres autorizados. O procedimento deve ser feito até 06 de dezembro pela internet, com acesso pelo site do Ibama. A coordenadora de Fauna do Ibama, Maria Isabel Soares, explica que o recadastramento é necessário para que se tenha controle sobre o plantel existente nos empreendimentos, de forma a se ter uma noção de quantos animais existem. O cadastramento era realizado por meio de um processo de autorização, que determinava qual espécie o criador teria e ele só declarava quantos animais tinha anualmente. Mas agora esse controle será em tempo real. Quem não fizer o recadastramento estará sujeito às sanções administrativas e penais e as atividades relacionadas ao manejo de fauna podem ser suspensas.

dezembro

novembro

outubro

Agenda Rural

80

08/10 a 30/10

Pet South America 2014

São Paulo

SP

14/10 a 29/10

Leilão online Haras Siara e Haras Salto - Marcha News

Belo Horizonte

MG

18/10 a 19/10

EXPOPALMAS

Palmas

PR

20/10 a 24/10

XVI Congresso Mundial de Fertilizantes

Rio de Janeiro

RJ

20/10 a 21/10

14º Conferência Internacional DATAGRO - Açúcar e Álcool

São Paulo

SP

23/10 a 24/10

VI Simpósio Brasileiro de Citricultura

Piracicaba

SP

30/10 a 31/10

7º Congresso Internacional de Desenvolvimento Econômico Sustentável na Indústria de Base Florestal e de Geração de Energia

Rio de Janeiro

RJ

01/11 a 17/11

Leilão online Haras Capello - Marcha News

Belo Horizonte

MG

04/11 a 06/11

Avisulat 2014 - IV Congresso Sul-brasileiro de Avicultura, Suinocultura e Laticínios e Feira de Equipamentos, Serviços e Tecnologia

Porto Alegre

RS

05/11 a 07/11

III Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental

Vitória

ES

06/11 a 28/11

7º Congresso Brasileiro de Tomate Industrial

Goiânia

GO

09/11 a 22/11

22º Encafé - Encontro Nacional da Indústria de Café

Porto de Galinhas

PE

10/11 a 13/11

FENACAM - Feira Nacional do Camarão

Fortaleza

CE

12/11 a 13/11

7º Congresso Nacional da Bioenergia

Araçatuba

SP

18/11 a 18/11

11º Congresso Brasileiro de Marketing Rural e Agronegócios

São Paulo

SP

18/11 a 30/11

Leilão online Haras Tropa do Norte - Marcha News

Belo Horizonte

MG

02/12 a 02/12

Leilão Virtual Haras J. Garcia & Convidados Especiais - Agro Canal TV

Presidente Prudente

SP

02/12 a 04/12

Curso Básico de Arte Floral

Holambra

SP

04/12 a 06/12

XIII Expovinos de Verão

Cachoeira do Sul

RS

04/12 a 18/12

Leilão online Haras Luxor e Haras PVB - Marcha News

Belo Horizonte

MG

08/12 a 12/12

Curso de Inseminação Artificial CRV Lagoa

Sertãozinho

SP

16/12 a 18/12

Curso de Casqueamento Preventivo e Correção de Aprumos em Bovinos

Viçosa

MG

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Revista Mercado Rural  

Edição 12 - Outubro de 2014

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