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JUNHO - 2015 • Nº 15

Exposição Estadual Agropecuária Expocachaça ExpoZebu Agrishow

Entrevista: João Cruz Reis Filho, Secretário de Agricultura de MG DrogaVET: Manipulação Veterinária

Grupo PGV

Empresa aposta na força da juventude e comemora resultados de novos diretores


Redação Unique Comunicação e Eventos Tel.: (31) 3063-0208 marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Geral Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Jornalista responsável Tatiana Vieira - MTB 14.525/MG editorial.mercadorural@gmail.com Direção de Arte Otávio Vieira Lucinda otavio.vieira@mobtechsolucoes.com.br Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral

Tiragem 5.000 exemplares

Impressão Gráfica Del Rey www.revistamercadorural.com.br A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

C@rtas

J U N H O - 2015 E D I TO R IAL Queridos amigos e companheiros da Mercado Rural, chegamos, finalmente, à edição que consideramos uma das mais importantes do ano. O segundo semestre está recheado de importantes eventos do agronegócio brasileiro e a nossa revista estará presente na maioria deles, divulgando o melhor conteúdo do mercado rural brasileiro. E, nesta importante edição, não poderíamos deixar de trazer matérias de agradável leitura para nosso público apreciar a diversidade de informações aqui contidas. Na seção “Aprenda a fazer”, vamos ensinar como recolher corretamente o solo para encaminhar à análise. Abordamos temas muito interessantes, como a homozigose de pelagens em equinos, a maca, um tubérculo da Cordilheira dos Andes com grande potencial nutritivo, a astrapeia, flor que serve de alimento para abelhas durante o inverno, o Mogno Africano, as raças bovinas Wagyu e Berganês, a raça equina Árabe, a anta brasileira, dentre outros assuntos curiosos. Em nossa capa, destacamos o Grupo PGV, que aposta em uma gestão jovem e se consagra no mercado imobiliário, investindo no lazer rural ao adquirir o melhor Haras do Vetor Norte da capital mineira. Também entrevistamos o novo Secretário da Agricultura de Minas Gerais, João Cruz Reis Filho, que contou sobre os seus projetos e os desafios da sua gestão. E trazemos, ainda, a cobertura de importantes eventos agropecuários, como a ExpoZebu, Agrishow, Expocachaça e a Exposição Estadual de Minas Gerais. Vale a pena conferir essas e outras reportagens que elaboramos com muito carinho para nossos leitores. Boa leitura! Marcelo Lamounier

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Recebi minha revista das mãos do amigo Marcelo Lamounier. Cada vez mais interessante e consistente. Recomento a todos! Parabéns! Oswaldo Junior - Belo Horizonte, MG Mil vezes parabéns pela revista, conteúdo, fotos, matérias muito interessantes e pela diversidade de temas... Que Deus continue abençoando! Jacqueine Simão Bacha - Belo Horizonte, MG Sr. Lamounier, fico grata em ter recebido em minha casa a sua belíssima revista Mercado Rural. Digo a você e fiquei maravilhada pelos conteúdos que propõe para nós, leitores, fora a quantidade de conhecimento e curiosidades que ela nos dá em relação ao mundo agropecuário. Há coisas que eu não conhecia e passei a conhecer, informações das quais tive o prazer de acompanhar e pesquisar. Parabéns por essa maravilhosa revista, estou admirada com ela! Obrigada de coração. Any Lopes Silva - Pará de Minas, MG

Mercado Rural Curta nossa página

Estou cursando o sétimo período de Medicina Veterinária e tive a oportunidade de ler alguns exemplares da revista ‘Mercado Rural’ nas minhas passagens por Santa Bárbara. Sempre que posso, pego alguns exemplares da revista que estão no hotel e levo para Montes Claros. Além de ler e repassar o conhecimento aprendido, levo a revista para a Faculdade e mostro para professores e colegas, pelo fato da revista ter um conteúdo altamente interessante e diversificado, englobando grandes áreas de atuação (manejo, raças, doenças, alimentação, peculiaridades) e uma forma simples e direta de passar o conteúdo abordado. Através do meu pai, fiquei sabendo da oportunidade concedida por você, onde poderei receber os exemplares da revista. Desde já agradeço a oportunidade e, como mínimo agradecimento, irei divulgar a revistas nas salas dos cursos de Veterinária, Zootecnia e Agronomia, oferecendo esse conhecimento que ainda não é conhecido por grande parte dos alunos. Leandro Lopes Queiroz - Montes Claros, MG Terminando o dia com a Revista Mercado Rural! Muito boa a edição número 14, parabéns! Binho Santos - Ribeirão Preto, SP


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ENTREVISTA Secretário de Agricultura de MG, João Cruz Reis Filho

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PERSONAGEM: Maria Eliza Hass

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COMO FAZER: Coleta de solo para análise

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HOMOZIGOSE (PRETA E TORDILHA)

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CASALE está otimista com a cadeia produtiva do agronegócio

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EXPOCACHAÇA

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MACA: Tubérculo da Cordilheira dos Andes

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GADO WAGYU

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55ª EXPOSIÇÃO ESTADUAL AGROPECUÁRIA

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ASTRAPEIA: Flor para abelhas

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MINHOCUÇU: Projeto busca seu uso sustentável e a regulamentação da atividade de extração

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SORGO: Gramínea usada na alimentação de bovinos é uma ótima opção em termos nutritivos e de viabilidade econômica

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DROGAVET: Manipulação Veterinária

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GRUPO PGV investe no lazer rural e adquire o Haras Vale dos Sonhos em Lagoa Santa - MG

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SEÇÃO ECONOMIA: Governo anuncia destinação de mais de R$ 180 bilhões para o Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016

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BERGANÊS: O ovino destaque do Nordeste brasileiro

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RECEITA: Creme de abóbora

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TURISMO: CABACEIRAS Cidade do interior da Paraíba é conhecida por servir de cenário para dezenas de filmes e pela sua natureza surpreendente

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BEBIDAS: A tradição dos chás

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AUTOMÓVEIS: Novo Discovery Sport

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34ª NACIONAL DO MANGALARGA MARCHADOR

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COELHOS: Animais têm se destacado por sua carne saudável e nutritiva

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QUEIJO DE MANTEIGA

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MOGNO AFRICANO: O futuro é o presente

PALMEIRA-AZUL: Com uma beleza única, planta é muito procurada por paisagistas e entusiastas

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SESSÃO PET: Periquito Inglês e Codorna Bobwhite

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CRIAÇÕES EXÓTICAS: Anta brasileira

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EVENTO: Encontro corporativo do Grupo PGV

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EVENTO: Raça bovina Wagyu na 55ª Exposição Estadual Agropecuária

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GIRO RURAL

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AGENDA RURAL

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EXPO ZEBU 2015 termina com faturamento de R$46,4 milhões

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BREEDERS CUP chega à sua 20ª edição consagrando o melhor do CAVALO ÁRABE

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XXX Exposição Nacional do CAVALO PÔNEI e XII Exposição Estadual do CAVALO PIQUIRA

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SEÇÃO MEIO AMBIENTE: O uso racional da água na agricultura

AGRISHOW 2015

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ENTREVISTA

João Cruz Reis Filho O Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais falou à Revista Mercado Rural sobre o seu mandato, ações prioritárias, apoio produtor rural e enfrentamento da crise econômica do país

O engenheiro agrônomo João Cruz Reis Filho, 33 anos, natural de Belo Horizonte, com raízes familiares e afetivas em Miradouro, na Zona da Mata mineira, assumiu a Secretaria do Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais em janeiro deste ano, nomeado pelo governador Fernando Pimentel. João Cruz possui graduação em Agronomia (2003); mestrado (2006) e doutorado (2009) em Genética e Melhoramento — todos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É criador de Guzerá, Gir Leiteiro e Girolando e foi presidente do Sindicato Rural de Miradouro. Servidor efetivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está licenciado do cargo de fiscal federal agropecuário para atuar no Governo mineiro. No Ministério, teve também a função de chefe da Assessoria de Gestão Estratégica. A Revista Mercado Rural conversou com o secretário sobre assuntos diversos envolvendo o agronegócio em Minas Gerais e as prioridades de seu trabalho, conforme detalhados na entrevista a seguir:

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MR: Quais foram as principais medidas tomadas desde que assumiu o cargo? João Cruz: Adotamos várias medidas, mas algumas realmente dão enorme alegria porque já têm efeito prático imediato ou num futuro bem próximo. Destaco o acordo para que os cafeicultores incluídos

no Certifica Minas Café tenham, sem nenhum custo, a certificação internacional 4C, que envolve os maiores compradores do mundo. Também conseguimos os recursos para fazer o georreferenciamento necessário para conhecermos o parque cafeeiro do Estado. Outro destaque é o acordo que fizemos com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que a inspeção e fiscalização da produção de cachaça e de polpa de frutas em Minas sejam feitas pela Seapa por meio do IMA, o que vai permitir um melhor controle da qualidade desses produtos. E ainda estamos em conversa com a Secretaria da Fazenda para reduzir os impostos e a burocracia sobre essas atividades, possibilitando inclusive a formalização dos produtores. MR: Você tem prioridades neste mandato? Quais são e como serão executadas? João Cruz: Sem dúvida, nosso foco será o produtor rural, e todas as ações desempenhadas terão como objetivo finalístico a melhoria de renda e da qualidade de vida deste, por


meio do acesso a tecnologias e políticas públicas especialmente delineadas para eles. No geral, o ganho é de toda sociedade mineira, com mais produção de alimentos, de melhor qualidade e geração de riquezas com os excedentes comercializáveis.

na aplicação destes recursos subsidiados pelo Governo Federal. Também estamos trabalhando para que a área de agronegócios do BDMG, extinta no governo passado, seja recriada, haja vista que nosso setor responde por um terço do PIB do Estado.

MR: O que é possível fazer para valorizar e proteger os produtores de leite? E em relação aos criadores de gado de corte? João Cruz: A atividade leiteira é de extrema importância para Minas Gerais. Temos um longo caminho a percorrer na agregação de valor ao leite, em especial com o produto derivado que é sinônimo de Minas Gerais, o nosso queijo. A organização dos produtores em associações e cooperativas, a ampliação dos programas de assistência técnica com ênfase na gestão das propriedades, bem como o incentivo à adoção de tecnologias e acesso à genética melhorada fazem parte do arcabouço do Programa Minas Pecuária, que iremos apresentar em breve. Este programa também integrará atividades de fomento à pecuária de corte.

MR: A atual crise econômica do país pode afetar no orçamento de Secretaria? E quanto à própria atividade agropecuária no Estado? Você acredita que ela sofrerá um impacto muito grande? Como driblar as dificuldades? João Cruz: Apesar de a crise afetar diversos setores da economia do País, o agronegócio é um dos que vêm mostrando melhor desempenho neste período, sendo que algumas culturas foram mais afetadas pela estiagem do que propriamente pela retração de investimentos. Nosso setor foi um dos principais responsáveis por impedir uma queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre. Em Minas, o setor também tem ajudado a manter de forma contínua o superávit da balança comercial, principalmente com o café. Mesmo com alguma redução pontual no volume exportado, o aumento no preço tem sido suficiente para manter os bons resultados. Evidentemente que, como todas as Secretarias do Governo, gostaríamos de ter um orçamento ampliado, o que infelizmente para 2015 será inviável haja vista o déficit orçamentário herdado do governo passado que supera os R$ 7 bilhões.

MR: Em relação aos programas de financiamento rural, quais têm sido priorizados? Algum projeto novo para os próximos anos? João Cruz: Recebemos com muita satisfação o anúncio do Plano Safra, com ampliação dos recursos para o desenvolvimento da agricultura. Iremos trabalhar para que Minas Gerais assuma a liderança

MR: Deixe uma mensagem para o produtor rural mineiro. João Cruz: Como também sou produtor rural, assim como nosso vice-Governador Antônio Andrade e mais cinco Secretários deste governo, nos colocamos a serviço de cada um de vocês. A despeito de todas as dificuldades apresentadas, montamos uma equipe muito competente e comprometida, o que nos permite projetar um futuro otimista para a agricultura mineira.

A Unique Comunicação e Eventos atua há 8 anos no agronegócio, prestando com excelência e qualidade seus serviços. Atenta à crescente demanda do setor, a empresa especializou-se no ramo de organização de leilões e divulgação de projetos voltados para o agronegócio.

Contato: (31) 3063-0208 • 9198-4522 Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br

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PERSONAGEM

MARIA ELIZA HASS

A paixão como combustível para o êxito Conheça a trajetória da veterinária e empresária, Maria Eliza Hass, que aproveitou seu encanto por cavalos para construir uma carreira de sucesso Grandes visionários de nosso tempo, como o empresário Steve Jobs, justificaram seu êxito afirmando que só é possível desenvolver um bom trabalho quando se ama o que se faz. Quem consegue unir a paixão pessoal com a carreira sabe que gostar da profissão é um dos principais ingredientes para o sucesso. E foi assim, carregando em si a realização de atuar com os cavalos, que a jovem veterinária e empresária, Maria Eliza Hass, tem conseguido crescer em sua área de atuação e concretizar seus sonhos. Maria Eliza, aos seus 30 anos de idade, formada em Medicina Veterinária pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e pós-graduada em Clínica e Cirurgia de Equinos pelo Instituto Brasileiro de Veterinária (IBVET) é, hoje, um exemplo da união perfeita entre aptidão e visão empreendedora: além de atuar como médica veterinária na Hipolife Clínica de Equinos, ela também é sócia administradora da DrogaVET farmácia de manipulação veterinária, ambas em Belo Horizonte. O fascínio pelos equinos começou bem cedo, ainda na infância de Maria Eli-

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za. Ela conta que, desde pequena, já falava para todos que queria ser veterinária e ter um cavalo em casa. “Os meus pedidos de presente de aniversário sempre foram os mesmos, por muitos anos: um cavalo!”, diz, com entusiasmo. A empresária e veterinária ganhou seu primeiro equino aos 15 anos de idade, quando seu tio adquiriu um sitio e se dispôs a cuidar do animal para ela. “Meu prazer era montar, dar banho, escovar, tratar, enfim, eu admirava toda a rotina e os cuidados com cavalos e animais em geral”, recorda-se. Maria Eliza ressalta que a paixão pelos equinos sempre foi sua grande inspiração e o principal combustível para correr atrás dos seus sonhos profissionais.

TRAJETÓRIA Ainda durante sua graduação, Maria Eliza conta que fez vários estágios voltados para a área de cavalos. Durante o último ano de faculdade, ela trabalhou com seu marido, na época noivo, que já era veterinário. “Eu ajudava-o na rotina com os cavalos e foi também neste período que me espe-

cializei em radiologia, pois além de gostar muito de diagnóstico por imagem, estávamos investindo em um equipamento de última geração”, destaca. O fascínio pela área foi tão grande que Maria Eliza trabalhou por quatro anos nesse projeto com o marido. “Realizei um sonho imenso na minha vida atuando na área de clínica e radiologia em equinos. Essa é minha grande paixão profissional!”, afirma a veterinária e empresária. No ano de 2008, Maria Eliza e o marido trouxeram para Minas Gerais o primeiro aparelho de radiologia digital do estado, um instrumento portátil e que continua acompanhando-os nos atendimentos por todo o país. Paralelamente ao trabalho desenvolvido na Clínica Hipolife, o casal decidiu, em 2010, comprar uma franquia da DrogaVET, a primeira e maior rede de farmácias de manipulação veterinária do Brasil. Foi ali que começou o que Maria Eliza considera a sua segunda paixão profissional. “Eu acredito muito na proposta da DrogaVET, porque, com nova forma de administrar medicamentos que ela oferece, possibilitamos um tratamento sem sofrimento e estresse aos animais, além de


também propiciar maior economia aos proprietários, pois os medicamentos são feitos na dose certa, evitando o desperdício”, ressalta. Maria Eliza acredita que, entre os ingredientes para o sucesso empresarial, está conhecer e dominar bem a atividade que se pretende desenvolver e o mercado de trabalho. “Eu sempre digo que não basta ter uma boa ideia: é preciso entender o mercado e manter-se atualizado. A organização do nosso negócio é um grande segredo do sucesso, no quesito humano, financeiro e material. Estamos sempre atentos às oportunidades, criamos planos de ações e os priorizamos sempre para alcançarmos nossos objetivos”, defende. Os planos para o futuro são vários e, segundo Maria Eliza, estão pautados no aprimoramento constante da qualidade dos serviços oferecidos pelos seus empreendimentos. “Neste ano, estamos mudando nossa unidade da DrogaVET para um lugar melhor e maior, de maneira a fornecer estrutura e atendimento cada vez melhores aos nossos clientes. Quanto à Hipolife, a especialização dos veterinários, os equipamentos de última geração e a dedicação aos cavalos de esportes estão cada vez melhores e acompanhando o crescimento do nosso mercado neste ramo, principalmente da raça Mangalarga Marchador, a qual é nossa grande atuação”, conclui.

Maria Eliza e o marido possuem três cavalos da raça Mangalarga Marchador para passeio e dois pôneis, sendo um deles criado em casa. “Somos apaixonados por pôneis!”

Ping Pong:

Família: “Meu alicerce e minha alegria” Viagem: “Orlando é uma das preferidas” Comida: “Massa é uma das paixões” Um lugar: “Minha casa” Uma companhia: “Deus” Música: “Adoro e não vivo sem” Filme: “Qualquer comédia romântica” O que te distrai: “Diversão com minha filha e meus animais” Felicidade: “Item essencial no meu dia a dia” Tristeza: “A perda do meu pai” Cavalos: “Uma grande paixão”

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COMO FAZER

Coleta de solo

para análise

A realização da coleta do solo para a análise antes do plantio não é um procedimento complicado. Boa parte do trabalho, antes do envio a um laboratório especializado, pode ser feita sem segredos. Para tanto, basta que se tenham materiais para recolher as amostras, como um trado ou pá de corte, enxada, sacos plásticos, balde, etiquetas para a identificação do material coletado e estacas para marcar os pontos de coleta. Através de 5 passos, é possível recolher as amostras de maneira correta para que as mesmas sejam encaminhadas a um laboratório especializado e, posteriormente, analisadas por um Técnico Agrícola ou Engenheiro Agrônomo. Confira como deve ser realizado o procedimento:

1. Divida a propriedade em áreas uniformes de até 10 hecta-

res, para a retirada de amostras. Cada uma dessas áreas deverá ser uniforme quanto à cor, topografia, textura e quanto às adubações e calagem que recebeu. Áreas pequenas, diferentes das circunvizinhas, não deverão ser amostradas juntas.

2. Fazendo um percurso em zig-zag, retire, com um trado

ou pá de corte, amostras de 15 a 20 pontos diferentes, que deverão ser colocadas juntas em um balde limpo. Todas as amostras individuais de uma mesma área uniforme deverão ser muito bem misturadas dentro do balde, retirando-se uma amostra final, em torno de 500g.

3. Retire as amostras da camada superficial do solo, até a

profundidade de 20 cm, tendo antes o cuidado de limpar a superfície dos locais escolhidos, removendo as folhas e outros detritos. Não retire amostras de locais próximos a residências, galpões, estradas, formigueiros, depósitos de adubos, etc. ou quando o terreno estiver encharcado. No caso de culturas perenes (frutíferas, por exemplo) sugere-se também retirar amostras entre 20 e 40 cm de profundidade.

4. Separe a amostra e coloque num saco plástico bem limpo. Na boca do saco, amarre uma etiqueta de madeira ou papelão, indicando seu nome, endereço e o número da amostra. Lembrando que uma amostra deverá ser feita para cada tipo de solo diferente. 5. Preencha corretamente um questionário para cada amostra, enviando-o junto com ela ao laboratório de análise de solo do município. Após o resultado, consulte um Técnico Agrícola ou Engenheiro Agrônomo.

Amostra 2

Amostra 1

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* Fontes de consulta: Embrapa e Blog Infoagro.


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ENTENDA MAIS SOBRE O FENÔMENO EM CAVALOS DE PELAGEM PRETA E TORDILHA

Homozigose Ter um conhecimento básico acerca dos princípios da genética nos animais é um diferencial para que o criador trabalhe com acasalamentos escolhidos que possam produzir um melhoramento contínuo de seus animais e da raça. Isto acontece, por exemplo, no caso da pelagem dos cavalos. Quando se investiga um par espécífico de genes do equino, é possível determinar a cor do pelo em futuras gerações e, por isso, é válido investir na detecção da homozigose, fenômeno que influencia diretamente na aparência das crias. Em linhas gerais, um animal é homozigoto quando possui uma linhagem pura,

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ou seja, carrega um par de genes iguais, dominantes ou recessivos (ex: AA ou aa). O fato de ele ser homozigoto para determinado par de gene (que produz uma certa característica externa), em muitos casos, já revela que todos os seus filhos herdarão o mesmo atributo. Isto acontece com a cor da pelagem Tordilha.

HOMOZIGOSE EM CAVALOS TORDILHOS Conforme explica o médico oftamologista, criador de cavalos, estudioso de genética de pelagem equina e vice-presiden-

te da Associação Brasileira do Cavalo Paint, Dr. Carlos Rangel, os cavalos homozigotos tordilhos, ou seja, que apresentam dois genes para esta pelagem [GG] terão 100% de seus filhos também tordilhos. Segundo o criador, isto ocorre porque tal gene é dominante e qualquer que seja o outro do pai, o cavalo homozigoto fornecerá sempre o gene [G] que, automaticamente, determinará a pelagem Tordilha do potro. Para identificar este gene, a sigla mais comum é o [G], de “grey” (cinza, em inglês). Já no caso de um animal heterozigoto para essa pelagem [GN], o mesmo terá, pelo menos, 50% de filhos tordilhos, se o outro pai não for tordilho. “Esta probabilidade aumenta para 75% se o outro pai também for tordilho heterozigoto”, acrescenta Dr. Rangel. Sendo assim, é possível dizer que um cavalo tordilho tem, obrigatoriamente, um dos pais de pelagem Tordilha. E, se ambos os pais fornecerem o gene para tordilho, o potro será homozigoto [GG] e todos os seus descendentes terão esta pelagem, como detalha o criador.

HOMOZIGOSE EM CAVALOS PRETOS No caso dos equinos de pelagem Preta, pelo fato de o gene determinante da característica também ser dominante (tendo [E]


como sigla mais comum, do inglês “extension” – extensão), a homozigose para a pelagem Preta [EE] apresenta o mesmo mecanismo de determinação genética que o da Tordilha. Assim, de acordo com Dr. Rangel, se não houvesse a interferência de outros genes, como, por exemplo, pelo fenômeno da epistasia, animais homozigotos pretos teriam 100% de filhos também pretos. Quanto aos cruzamentos entre heterozigotos, as probabilidades seriam as mesmas que as apresentadas para os tordilhos. Conforme ressalta o criador, a epistasia diminui muito a frequência da cor Preta, tornando-a bastante rara, apresentando-se em cerca de 2% em situação

natural de cruzamentos. Tal fenômeno acontece pela ação de outro gene, o chamado Agouti [A]. Quando ele está presente, tanto na forma de homo [AA] como heterozigoto [Aa], o mesmo impede que a cor Preta se manifeste na pelagem, mesmo que o potro seja homozigoto para preto [EE].

DETECÇÃO DO GENE Dr. Carlos Rangel explica que o estudo genético para a descoberta do par de genes determinantes da pelagem dos cavalos pode ser feito, atualmente, com a amostra de 20 a 30 pelos da crina ou, prefe-

rencialmente, do rabo. “Mas há que se verificar, na coleta, se os bulbos capilares estão presentes nas amostras, pois é de onde se retira o material a ser analisado”, adverte. Os pelos podem ser enviados por correio ao laboratório, o qual envia o resultado pela Internet, facilitando o processo. Ainda conforme o criador, os estudos genéticos desta natureza estão se tornando cada vez mais comuns, principalmente para as raças cuja cor da pelagem é mais importante (como a Paint Horse, Appaloosa, Pampa, etc.) e as quais se caracterizam ou permitem variações de cores na pelagem de seus animais, sendo, por este motivo, mais procurados.

Cruzamento com influência do gene epistático O quadro a seguir traz todas as possibilidades de cruzamentos do gene para a pelagem Preta e o gene epistático, apresentando as cores de pelagens resultantes. Esta tabela pode também ser consultada sempre que o criador quiser saber qual a cor de pelagem ou pelagens podem resultar dos cruzamentos que fizer e qual a possibilidade percentual das mesmas ocorrerem.

GARANHÃO MATRIZ

ALAZÃO [eeaa]

ALAZÃO [eeAa]

ALAZÃO [eeAA]

PRETO [Eeaa]

CASTANHO [EeAa]

CASTANHO [EeAA]

PRETO [EEaa]

CASTANHO [EEAa]

CASTANHO [EEAA]

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25% castanho 25% preto 50% alazão

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ALAZÃO [eeAa]

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25% castanho 25% preto 50% alazão

37.5% castanho 12.5% preto 50% alazão

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ALAZÃO [eeAA]

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50% castanho 50% alazão

50% castanho 50% alazão

50% castanho 50% alazão

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PRETO [Eeaa]

50% preto 50% alazão

25% castanho 25% preto 50% alazão

50% castanho 50% alazão

75% preto 25% alazão

37.5% castanho 37.5% preto 25% alazão

75% castanho 25% alazão

100% preto

50% castanho 50% preto

100% castanho

CASTANHO [EeAa]

25% castanho 25% preto 50% alazão

37.5% castanho 12.5% preto 50% alazão

50% castanho 50% alazão

37.5% castanho 37.5% preto 25% alazão

56% castanho 19% preto 25% alazão

75% castanho 25% alazão

50% castanho 50% preto

75% castanho 25% preto

100% castanho

CASTANHO [EeAA]

50% castanho 50% alazão

50% castanho 50% alazão

50% castanho 50% alazão

75% castanho 25% alazão

75% castanho 25% alazão

75% castanho 25% alazão

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PRETO [EEaa]

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50% castanho 50% preto

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100% preto

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50% castanho 50% preto

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CASTANHO [EEAa]

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100% castanho

50% castanho 50% preto

75% castanho 25% preto

100% castanho

CASTANHO [EEAA]

100% castanho

100% castanho

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100% castanho

100% castanho

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Casale está otimista com a cadeia

produtiva do agronegócio DURANTE A AGRISHOW, PECUARISTAS SINALIZAM INTERESSE EM INVESTIR A Agrishow, uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina, que teve a sua edição de 2015 realizada entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), encerrou deixando na gestão da Casale um sentimento de otimismo em relação ao setor agropecuário. A presidência da empresa acredita que a feira é uma oportunidade para ouvir o pecuarista sobre suas necessidades e satisfações. “Esta troca de informações faz com que a cadeia produtiva seja mais eficiente e objetiva para atender às expectativas do criador e do produtor rural”, explica o presidente Celso Casale. Para o diretor Comercial da Casale, Gino Gragnani, embora o país esteja passando por turbulências, o setor agropecuário está otimista. “Percebemos que muitos pecuaristas pensam em expandir seus ne-

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gócios, motivados principalmente pelos bons preços pagos pela arroba do boi gordo e pelo bom momento que vive a atividade leiteira”, ressalta.

LANÇAMENTO: FEEDER SC 75 Como acontecem todos os anos durante a feira, a Casale apresentou toda sua linha de produtos, mas a grande repercussão ficou por conta da ampliação da linha Feeder SC. “Esta linha busca atender a necessidade de suplementação de animais a pasto. O Feeder tem um sistema exclusivo GEO-PEC Control, com GPS de série, um software desenvolvido para monitorar o abastecimento e o consumo em todos os locais de distribuição de ração a pasto, ou seja, mais conhecido como processo de pecuária de precisão”, comenta Gino.

Além do Feeder, a Casale também lançou a LEC Hydro (espalhador de esterco e de compostos orgânicos sólidos) e novo sistema automático antitravamento da fresa desensiladora da Totalmix Autocarregável. E, no segmento de misturadoras de ração total, a empresa evidenciou a linha Totalmix, com menor consumo de potência e o diferencial da precisão na pesagem dos ingredientes, além de ter maior resistência à abrasão e à oxidação por produtos ácidos.


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Expocachaça 2015 CELEBRA SALDO POSITIVO EM NEGÓCIOS

A Expocachaça 2015, que aconteceu entre os dias 4 e 7 de junho em Belo Horizonte, terminou com um saldo de 30 milhões em negócios e um público de 31 mil pessoas. Foram quatro dias de feira em que produtores de cachaça e de cerveja

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artesanais de todo o Brasil se encontraram para trocar experiências, conhecer as novidades e tendências do segmento, ver novos equipamentos e apresentar seus produtos a consumidores finais, distribuidores e lojistas. Para o diretor da Expocachaça, José

Lúcio Mendes, nem o cenário econômico desfavorável conteve o avanço do evento que, com 18 anos e 25 edições, já se consolidou no calendário nacional. “A Expocachaça 2015 veio com força total e mostrou sua vitalidade num momento em que a maioria dos eventos encolhera em função da crise”. Renato Costa, da cachaçaria Cipó da Serra, é expositor e esteve pela primeira vez na feira lançando sua cachaça segmentada ao público feminino. “Foi uma grande surpresa pra nós, que somos uma empresa nova no negócio. Ano que vem pretendemos voltar”, disse. Já para Geraldo Figueiras, proprietário do Engenho Buriti, a Expocachaça 2015 foi uma ótima oportunidade para a venda e negócios. “Em relação ao ano passado, vendemos 400% a mais”, conta. O Brasil possui 40 mil produtores de cachaça e a atividade gera 600 mil empregos diretos e indiretos. Através de Decreto Federal, a cachaça é considerada bebida nacional do Brasil.


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Maca

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peruana TUBÉRCULO CONSIDERADO “MILAGRE DOS ANDES” TEM PODERES AFRODISÍACOS, REVIGORANTES E DE REFORÇO DA IMUNIDADE Das grandes altitudes da Cordilheira dos Andes, no Peru, surgiu um vegetal que tem sido considerado um “superalimento”, até mesmo milagroso, por sua extensa atuação na prevenção e cura de doenças. A maca peruana, como é conhecida no Brasil, é um tubérculo com formato semelhante ao rabanete, fonte de vitaminas, minerais, proteínas e fibras. Toda a sua riqueza nutricional torna-a um alimento revigorante, com propriedades afrodisíacas, de reforço para a imunidade e que pode contribuir no combate ao câncer, diabetes, osteoporose, dentre outros males. A cada ano, quando novas pesquisas científicas sobre a maca são desenvolvidas e divulgadas, cresce a procura mundial pelo tubérculo peruano. Entre as propriedades principais da maca, está o seu poder afrodisíaco e de aumento da fertilidade. Um estudo publicado no Asian Journal of Andrology, conduzido por um pesquisador acadêmico peruano, observou os efeitos do vegetal em homens de 24 a 44 anos. O resultado mostrou que a maca provoca o aumento da quantidade de sêmen, na contagem dos espermatozoides e na motilidade espermática. Outros pesquisadores descobriram, ainda, que a maca aumenta o desejo sexual e reduz os níveis de ansiedade e stress. Isso acontece também com as mulheres, que ainda são beneficiadas pela maca durante a menopausa ou quando sofrem dis-

túrbios menstruais, uma vez que o tubérculo é considerado um repositor hormonal natural. Além disso, a maca é vista como uma aliada da imunidade, pois auxilia na adaptação do organismo a condições diversas do ambiente, aumentando a força e a resistência muscular. Ela também é benéfica para o coração, pois possui ômega 3, que protege a saúde cardiovascular pelo seu efeito vasodilatador e regulador do colesterol, e o ômega 9, que reduz os níveis do colesterol ruim (LDL) e aumenta as taxas do bom colesterol (HDL). Os aminoácidos presentes no vegetal ajudam a controlar as gorduras no sangue e a hipertensão. E os efeitos positivos da maca não param por aí: pesquisas sugerem que ela atua na prevenção do diabetes, contra a osteoporose e a anemia, ajuda no emagrecimento (pois dá sensação de saciedade, reduzindo o apetite), melhora a memória, alivia enxaquecas e pode ter ação no combate ao câncer de estômago e outros cânceres relacionados aos hormônios. O alimento, que já é usado no Peru há mais de 3.000 anos como planta medicinal, pode ser encontrado no Brasil em farmácias e laboratórios de manipulação, geralmente consumido em forma de pó e cápsulas. Sua ingestão e dosagem diária devem ser definidas por um nutricionista, nutrólogo ou outro profissional da área.

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Gado Wagyu CARNE DO BOVINO, FAMOSA PELO SABOR DIFERENCIADO, ESTÁ ENTRE AS MAIS CARAS DO MUNDO

Famoso pela qualidade diferenciada de sua carne, o gado de origem japonesa Wagyu tem conquistado a simpatia de diversos criadores no Brasil e seu rebanho vem crescendo no país. Sua destacada predisposição genética ao marmoreio da carne, isto é, isto é, a gordura se distribui entre as fibras musculares, formando desenhos similares ao mármore (daí o nome marmoreio), é a grande responsável pelas características de maciez, suculência, sabor e aroma incomparável. Para se ter uma ideia do alto valor de sua carne, ela é considerada uma das maiores iguarias do mundo. A faixa de preço de 1 kg de carne de Wagyu puro pode variar entre R$ 300,00 a R$ 600,00, dependendo do grau de marmoreio. Além disso, o Wagyu possui em sua genética a habilidade de produzir gordura com alto teor de ácidos graxos insaturados, e, por esse motivo, sua carne é vista como um alimento extremamente saudável, que ajuda a reduzir os índices do colesterol ruim.

A RAÇA NO BRASIL O gado Wagyu chegou ao Brasil em 1992, importado pela empresa Yakult. Vindo do Japão, onde inicialmente era utilizado para a tração animal, a raça ficou desconhecida no mundo até o século XIX,

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quando, com a disseminação para outros países e continentes, ganhou fama por sua carne, resultando em sua denominação mais conhecida: Kobe Beef. De maneira geral, o Wagyu se adaptou bem ao clima e relevo do Brasil e, hoje, já existem 50 criadores da raça no território nacional, com estimativa de mais de 35 mil animais cruzados da raça e 5 mil animais puros. Os exemplares encontram-se em diversos estados do país, como Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Para o fortalecimento da categoria, em 1996, surgiu a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), que busca de zelar pela divulgação, desenvolvimento e classificação do legítimo boi japonês no país. As características do bovino Wagyu envolvem o porte mediano, chifres e pelagem de cor preta ou vermelha, temperamento dócil, rusticidade, precocidade sexual, habilidade maternal, facilidade de parto e longevidade. Fêmeas Wagyu PO são extremamente férteis e, em coletas de embriões convencionais, chegam a produzir entre 10 a 20 embriões viáveis. Para a criação do animal, alguns cuidados são recomendados, tais como: instalações

adequadas, com ambiente seco, limpo e confortável, e o manejo cuidadoso, para amenizar os efeitos estressantes do ambiente (o stress prejudica o marmoreio).

MERCADO Atualmente, os principais mercados para carne produzida no Brasil são os restaurantes de alta gastronomia, os consumidores de produtos “premium” e os criadores de outras raças de gado, que, através do cruzamento com o Wagyu, agregam valor ao seu rebanho, comercializando uma carne de maior qualidade e com preços melhores. Para o fortalecimento da raça no país, os criadores têm investido em alta qualidade animal, importando embriões do Canadá e dos Estados Unidos, países com a melhor genética disponível no mundo. Além disso, têm-se utilizado a tecnologia de ultrassonografia de carcaça, que ajuda na identificação do potencial de marmoreio dos animais, para seleção do rebanho nacional. Como projeto futuro, a ABCWagyu, pretende trabalhar para a criação de um selo de qualidade que garanta a procedência e as características da carne (rebanho puro ou cruzado, nível de marmoreiro, etc).


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Fotos: Carlos Alberto/ Imprensa MG

55ª Exposição Estadual Agropecuária apresenta animais de alta qualidade A 55ª Exposição Estadual Agropecuária, realizada em Belo Horizonte, no Parque da Gameleira, entre os dias 2 e 7 de junho, reuniu um público de cerca de 20 mil pessoas. Os três leilões realizados, das raças Campolina, Jumento Pêga e Pônei, somaram negócios de quase R$ 1 milhão. Ao todo, a exposição apresentou cerca de 1,4 mil animais de 12 raças, entre bovinos e equinos, dando visibilidade ao rebanho mineiro, além de criar um ambiente favorável aos negócios. Os resultados dos julgamentos revelaram a qualidade genética dos animais, como o exemplo do campeão Gir Leiteiro, Gabarito Ávila, do criador João Vicente Ávila. O animal, com apenas 14 meses de idade e proveniente de uma linhagem de premiados, surpreendeu ao vencer uma competição onde geralmente ganham os exemplares adultos. Outro exemplo, a fêmea da raça Girolando, Atual Rhoeland, de 36 meses, de Sete Lagoas (MG), conquistou os prêmios nas categorias Três Anos Júnior e Úbere Jovem Fêmea ½ Sangue. Entre os equídeos,

o destaque foi Jumento Pêga, de Uberaba (MG), que teve metade da sua propriedade vendida por R$ 50 mil no leilão da raça. Já na pista de grama do Parque da Gameleira, cavalos das raças Mangalarga Marchador, Árabe, Campolina, Pampa, Pônei e Jumento Pega chamaram a atenção pela qualidade de seu perfil morfológico e andamento. Quanto aos bovinos, a raça estreante Wagyu, conquistou o público com sua carne tenra e suculenta, que pode ser degustada por convidados no estande dos criadores. Outro novato no evento, o Senepol, mostrou seu potencial. Um dos exemplares da raça apresentou peso de mais uma tonelada. Participaram também as raças bovinas Guzerá e Sindi. A Exposição Estadual Agropecuária é uma realização da Seapa (Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e sua vinculada IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária), junto com o Sistema FAEMG. De acordo com a organização, para o próximo ano, a meta é trazer de volta a Superagro.

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Astrapeia Durante o inverno, a disponibilidade de alimentos para as abelhas é escassa e, muitas vezes, recorre-se à alimentação artificial para que não haja um impacto muito grande na produção de mel. No entanto, existe uma planta que é bastante utilizada por determinadas espécies do inseto nessa época do ano, dispensando a dieta artificial, visto que floresce em abundância na estação mais fria. A astrapeia, árvore ornamental de origem africana, possui néctar em abundância e costuma atrair abelhas como a Appis melífera melífera. Com flores em cor rosa a avermelhada e delicadamente perfumadas, com aroma que lembra o coco, o vegetal também é chamado de flor-de-abelha, exatamente pela sua funcionalidade. Além de seu papel na cadeia alimentar, a astrapeia chama a atenção pelo seu visu-

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al exuberante. Seus ramos são cobertos de pelos e suas folhas são grandes, aveludadas, de cor verde brilhante e com formato de coração. As flores, que aparecem entre junho e outubro, se apresentam em cachos. Seus frutos possuem forma de cápsulas, que dividem-se em cinco partes. A árvore tem ciclo de vida perene e deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente, porém, é importante destacar que a astrapeia gosta de solo úmido, mas não encharcado. Para que o vegetal apresente um crescimento saudável com florações exuberantes, recomendam-se fertilizações durante a primavera e o verão. Quando em boas condições de cultivo, a astrapeia apresenta

ALIMENTO DAS ABELHAS NO INVERNO, PLANTA EMBELEZA JARDINS COM SUA APARÊNCIA COLORIDA E VISTOSA rápido crescimento e manutenção facilitada. Uma dica para manter o bom aspecto da planta é remover as flores velhas que permanecem nos ramos, adquirindo cor amarronzada. As mesmas podem apresentar um odor desagradável e atrair moscas. Em geral, a astrapeia é comercializada em sacos para cultivo. Ao plantá-la, sugere-se escolher um local com bastante sol e amarrar o tronco da muda ao tutor com um cordão de juta ou algodão e dando a forma de um oito, para evitar danificar a casca. Segundo os especialistas, a melhor época de plantio é no inverno e início da primavera, para as regiões do Sul, e na estação das chuvas, para as demais. A astrapeia reproduz-se facilmente por estacas e já emite inflorescência logo em seu primeiro ano.


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comprovado e nem descrito nenhum procedimento de criação da espécie em cativeiro, mesmo porque, até o momento, todas as tentativas de manter o anelídeo fora de seu habitat natural não obtiveram sucesso.

Minhocuçu

PROJETO BUSCA SEU USO SUSTENTÁVEL E A REGULAMENTAÇÃO DA ATIVIDADE DE EXTRAÇÃO

O minhocuçu é um anelídeo bastante conhecido no setor da pesca. O animal, que é uma minhoca grande com média de 60 cm de comprimento e 1cm de diâmetro, vem sendo amplamente utilizado como isca de peixes. Atualmente, diversas entidades científicas e acadêmicas batalham para tornar a sua extração uma atividade regulamentada, de maneira a garantir o equilíbrio e a sustentabilidade ambiental, bem como possibilitar que a mesma continue como fonte de renda para muitas famílias. Na região central de Minas Gerais, onde é possível encontrar a espécie de minhocuçu Rhinodrilus alatus, vem sendo desenvolvido, desde o ano de 2004, o Projeto Minhocuçu, apoiado por diversas entidades de pesquisa e educacionais. A equipe envolvida no programa trabalha arduamente para conscientizar sobre o uso sustentável da espécie, através de um manejo adaptativo.

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QUADRO ATUAL De acordo com Raquel Hosken, integrante do Projeto Minhocuçu, o anelídeo já é extraído há cerca de 80 anos e ainda é abundante na região central de Minas Gerais, “o que indica que sua extração não é tão impactante, pois essa população de minhocuçus tem se recuperado naturalmente”, completa. No entanto, tem-se estudado agora sobre as mudanças climáticas, que podem representar uma ameaça à espécie. Hoje, o uso do minhocuçu sem a devida autorização ambiental é proibido por lei. Conforme explica Raquel, a legislação brasileira considera como crime a extração, comércio, transporte ou uso de espécies da fauna silvestre sem licença dos órgãos competentes. O Rhinodrilus alatus não se encontra mais na lista de espécies ameaçadas no Brasil, porém, Raquel informa que não há

REGULAMENTAÇÃO Conforme explica Raquel, o Projeto Minhocuçu está, desde 2004, na tentativa de regularização da atividade, mas o Rhinodrilus alatus foi retirado da lista de espécies ameaçadas apenas em dezembro de 2014. Sendo assim, somente a partir de 2015 que o grupo voltou a atuar na parte de políticas públicas junto aos órgãos ambientais para que o plano de manejo da espécie seja implantado. “O processo é muito complexo e a legislação brasileira para uso de fauna é bastante limitada, diferente de outros países, onde o manejo de fauna é praticado para a conservação e uso sustentável” defende. Enquanto a atividade não é regularizada, os extratores e comerciantes seguem acordos informais consolidados em reuniões com as comunidades e instituições envolvidas, como a não captura da espécie durante seu período reprodutivo, que acontece na época das chuvas.

Para acompanhar as ações do Projeto Minhocuçu, visite a página oficial no Facebook: facebook.com/ pequieminhocucu


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Balanço Agrishow 2015 AGRISHOW DESTACA LANÇAMENTOS DA TECNOLOGIA PARA AUMENTO DA PRODUTIVIDADE E REAFIRMA PAPEL DE AGENTE DE ESTÍMULO AO AGRONEGÓCIO De 27 de abril a 1º de maio, a Agrishow 2015 (22ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) foi palco central do agronegócio brasileiro. A feira se posicionou, mais uma vez, como referência do segmento e como o principal termômetro do comportamento do mercado. As mais importantes lideranças empresariais e setoriais, bem como os fabricantes e empresas e toda a cadeia produtiva, estiveram presentes. No total, a feira contou com cerca de 160 mil visitantes. Entre as autoridades que marcaram presença no evento, estiveram o vice-presidente Michel Temer, o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, os ministros Katia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), Edinho Araújo (Portos), Gilberto Kassab (Cidades), além de secretários de estado, de-

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putados e senadores. Também foram recebidos milhares de visitantes especialmente convidados para a tradicional caravana de produtores rurais, que este ano envolveu um grupo de mais de 15 mil agricultores. Considerada uma das três principais feiras de tecnologia agrícola do mundo, a Agrishow 2015 foi vitrine das mais avançadas tendências e inovações tecnológicas para o agronegócio (800 marcas estiveram presentes apresentando inúmeras novidades), além de oferecer um ambiente favorável para negócios. Nesta edição, apesar dos inúmeros desafios pelos quais vem passando a economia nacional, a Agrishow obteve um volume de negócios expressivos, na ordem de R$ 1,9 bilhão. As entidades realizadoras do evento reafirmaram a importância do agronegócio para o país e que uma das esperanças para o reequilibro

da situação do agronegócio poderá vir a ser o Plano Safra. Eventos paralelos aconteceram durante a feira. Na solenidade de abertura, foi entregue o Prêmio Brasil Agrociência e o homenageado foi Alfredo Scheid Lopes, professor emérito da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por sua contribuição para a construção e o desenvolvimento do agronegócio. O Programa Brazil Machinery Solutions (BMS) promoveu a 16ª Rodada Internacional de Negócios, cujos resultados confirmaram a vocação exportadora dos fabricantes brasileiros de máquinas, implementos agrícolas e equipamentos de irrigação. Outra atração que chamou bastante a atenção foi o Caminho do Boi, iniciativa presente pela primeira vez na feira que convidou o público a se colocar no lugar no animal e percorrer as diversas etapas da fazenda até o frigorífico para produzir uma carne de qualidade. O projeto mostrou a importância da integração da cadeia produtiva da carne, levando em conta o respeito ao bem-estar animal e a aplicação de tecnologia para fortalecer ainda mais a posição do Brasil de líder na produção de carne bovina. Agrishow 2016 será promovida em Ribeirão Preto, de 25 a 29 de abril de 2016.


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Sorgo

O sorgo, gramínea de origem africana, tem se tornado cada vez mais uma alternativa viável para pequenos produtores rurais enfrentarem períodos de estiagem, sem causar prejuízos ao equilíbrio da dieta do gado. O vegetal, considerado bastante energético, com alta digestibilidade, produtividade e adaptação a climas quentes e secos, pode ser utilizado para pastejo e silagem, uma vez que possui disponibilidade de matéria seca, além de alto valor nutritivo. Rico em amido e fibras, o sorgo já ocupa, hoje, o quinto lugar entre os cereais mais plantados no mundo, ficando atrás do trigo, arroz, milho e cevada. Na Ásia, África, China, Rússia, América Central, os grãos desse vegetal são largamente utilizados na alimentação humana. Já na América do Norte e Sul, Europa e Austrália, a produção do sorgo é destinada apenas para alimentar os animais. O fato de ser uma boa opção para períodos de estiagem deve-se à capacidade do sorgo de suportar a seca e as altas temperaturas, adaptando-se a diferentes tipos de solos. Outra vantagem é que, depois de cortada, a planta cresce novamente sem necessidade de replantio. O sorgo apresenta

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GRAMÍNEA USADA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS É UMA ÓTIMA OPÇÃO EM TERMOS NUTRITIVOS E DE VIABILIDADE ECONÔMICA

rápido crescimento e necessita de poucos cuidados. Seu rendimento e durabilidade também chamam a atenção: um hectare da planta pode render até cinquenta toneladas de forragem, entre folhas e grãos; além disso, a silagem do sorgo resiste por cerca de um ano e meio, o que garante a alimentação dos animais durante os meses sem chuva. Um benefício especial do sorgo é a sua viabilidade em termos econômicos: ele apresenta menor custo final de produção por tonelada que o milho, com um preço que chega a ser 25% mais barato. A gramínea ainda ganha do milho em termos de estabilidade e rusticidade. Segundo especialistas, a silagem do milho pode ser substi-

tuída pela do sorgo sem perdas na produtividade dos animais, pois este grão não afeta na conversão alimentar, no ganho médio diário e peso vivo final. Há também quem recomende a sua associação com o milho, em cerca de 50% de cada na dieta animal. O sorgo é, ainda, uma ótima forragem. Para o seu tratamento, recomenda-se compactar a massa verde após a fenação, de maneira a facilitar a sua fermentação, procedimento que tira as impurezas e melhora o paladar do alimento para os animais. Sugere-se o seu uso três meses após o armazenamento. O roço na lavoura de sorgo deve ser feito a cada três ou quatro dias para retirar a água.


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DrogaVET

Manipulação Veterinária O homem conseguiu, ao longo de sua evolução, adestrar, domesticar e se beneficiar da companhia e da ajuda dos animais. Mas também aprendeu a amar. Aprendeu lições como fidelidade, amizade e de demonstrações de amor incondicional. A vida dos animais pode ser longa ou curta, dependendo da espécie, mas será sempre muito intensa nos sentimentos e marcará profundamente a nossa. Qual dono de um desses incríveis seres nunca sofreu ao ver seu animal doente? Quem nunca se preocupou com o modo de administração de um medicamento? Ou a forma de tratamento de uma doença crônica que requer medicamentos de uso contínuo? Por esses motivos, surgiu, em 2004, a primeira farmácia de manipulação exclusivamente veterinária do Brasil, a DrogaVET, oferecendo medicamentos voltados para a saúde e longevidade dos animais produzidos com qualidade e dedicação. Toda farmácia de manipulação veterinária deve estar registrada no Ministério da Agricultura, órgão res-

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ponsável pela fiscalização e regulamentação dos estabelecimentos que manipulam produtos veterinários. Aravés de pesquisas e estudos, a DrogaVET desenvolveu produtos diferenciados, tanto para uso tópico como para uso interno, apresentando como vantagens a adequação do sabor ao paladar do animal, tornando, dessa forma, mais fácil a administração de medicamentos e a eficácia dos tratamentos aos nossos amigos. As principais formas farmacêuticas disponíveis nas farmácias são: pasta oral, sachês, xaropes com sabores, como cenoura, maça e mel, além de sprays, pomadas, shampoos, etc. Os medicamentos são manipulados sempre mediante a receita de um médico veterinário, o qual saberá avaliar qual a melhor forma farmacêutica para seu paciente. A DrogaVET tem, ainda, a preocupação de preparar tudo na dose exata para cada espécie, verificando sempre o peso e o tempo de tratamento. Estamos capacitados para atender às

situações mais especiais, como produção de medicamentos livres de açúcar, corantes ou conservantes, assim como medicamentos industrializados que já estejam fora de linha, e também diversas e possíveis associações de princípios ativos.

SOBRE A DROGAVET Foi em busca de soluções no segmento de manipulação veterinária, respeitando integralmente todos os princípios éticos que regem a produção de medicamentos e a sua aplicabilidade aos animais que, em 2004, surgiu a DrogaVET. Criada pela farmacêutica Sandra Schuster, a empresa é pioneira no ramo e a maior rede de farmácias de manipulação veterinária no Brasil, especializada em produzir e oferecer produtos com inovação e qualidade, atuando na prevenção, tratamento e prolongamento da vida dos animais. Hoje, contamos com mais de 25 lojas espalhadas em todo território nacional. Mais informações estão disponíveis no site www.drogavet.com e na Fan Page: www.facebook.com/pages/DrogaVET.


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CAPA

Grupo PGV investe no lazer rural e adquire Haras Vale dos Sonhos em Lagoa Santa - MG LOCAL OFERECE HOSPEDAGEM A CAVALOS E PROPORCIONA AO PÚBLICO TODO O ACONCHEGO DA VIDA NO CAMPO Atualmente, estatísticas comprovam que vem crescendo, a cada dia, o desejo das pessoas em se aproximar da natureza e criar animais, como uma forma de alcançar tranquilidade e aconchego. Dentre as atividades de maior interesse, está a criação de cavalos de raça, hobby que tem ganhado os altos setores da sociedade, envolvendo toda a família, seja em competições, cavalgadas ou no ensino de equitação aos filhos. Um dos locais que tem ganhado visibilidade neste meio, conquistando um seleto público apaixonado por cavalos, é o Haras Vale dos Sonhos, localizado em Lagoa Santa e que agora faz parte do Grupo PGV. A cidade sede do haras não ganhou esse mérito ao acaso. Lagoa Santa, com acesso facilitado da capital Belo Horizonte pela Linha Verde, tem se configurado como um point do esporte equestre e do lazer rural, oferecendo um rico turismo ecológico, com trilhas e cavalgadas que percorrem belas paisagens, relembrando o período dos tropeiros e bandeirantes. De Lagoa Santa, é possível chegar à Serra do Cipó através de uma trilha que encanta os olhos de quem já visitou, entre nascentes e cachoeiras. E foi por isso que o Haras Vale dos Sonhos escolheu a cidade para se ins-

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talar. O empreendimento recebe o nome do bairro em que se localiza, o qual indica a exuberante paisagem ao redor. O Haras Vale dos Sonhos trabalha, atualmente, com o aluguel de baias, o trato completo dos animais, passeios a cavalos, trilhas ecológicas, lazer para crianças, além de diversos eventos, como cavalgadas e modas de viola. Para quem admira universo equino e gosta de cavalgar aos finais de semana, o Haras é uma excelente opção de serviço e lazer: lá os cavalos são hospedados, manejados com todo o profissionalismo de veterinários e tratadores, e o dono, ao chegar ao local para uma cavalgada, já encontra o seu animal limpo, escovado e selado, pronto para proporcionar um passeio agradável! Algo que também chama a atenção no Haras Vale dos Sonhos é o seu ambiente familiar. Não é raro encontrar várias crianças passeando com os cavalos e divertindo-se nas áreas de lazer. As famílias contam também com um restaurante, que oferece almoço aos sábados e domingos. O atual administrador do Haras Vale dos Sonhos, Leonardo Araújo, filho do conhecido empresário belorizontino “Dedé, Rei da Suspensão”, fortaleceu, com a sua experiência em eventos, uma atração que já era destaque no local: os eventos cultu-

rais. Às sextas-feiras, o Haras recebe shows de duplas sertanejas de várias partes do Brasil ou de serestas. Vale destacar que muitos cantores e duplas sertanejos, no início de suas carreiras, utilizaram o Haras como palco para divulgação de seus trabalhos, como Eduardo Costa, César Menotti e Fabiano, e Fred e Paulinho. O empreendimento também tem se mostrado um local ideal para a realização de exposições e leilões, especialmente os da categoria de elite, visto que hoje é visitado por empresários mineiros de renome. E se todos esses atributos já fazem do Haras Vale dos Sonhos um lugar especial, hoje ele tem ganhado mais uma nobre missão: servir de cenário para casamentos rurais, com direito à carruagem de cinderela e cavalo branco, realizando o sonho de muitos casais. Para o administrador do empreendimento, Leonardo Araújo, o que faz a diferença no Haras é o compromisso de todos os colaboradores em atender bem o público, oferecendo-lhe todo o conforto e aconchego e, principalmente, transformando-o em um espaço dentro da cidade “com gostinho de campo”. O Haras Vale dos Sonhos fica localizado bem próximo ao centro de Lagoa Santa, à 900 metros da lagoa central.


Grupo PGV aposta na juventude e se consagra no mercado imobiliário O Grupo PGV, empresa de destaque no mercado de imóveis, traz uma novidade em sua gestão: uma diretoria dinâmica que tem inserido uma visão jovem à cultura organizacional. Tudo isso vem sendo demonstrado pela ousadia da corporação na formatação de empreendimentos inovadores e de forte impacto comercial. A empresa, apesar de jovem, já soma um grande volume de experiências e Know-how conquistados desde seus primeiros trabalhos, chegando, atualmente, a se diferenciar por realizar eventos de grande impacto e que corroboram o atendimento de qualidade que oferece na viabilização de empreendimentos. Exemplo disso foi o grande lançamento do condomínio Lagoa Park Eco Residence, realizado no estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte. Na ocasião, clientes, autoridades locais, políticos, jogadores de futebol, além de renomado elenco global, estiveram presentes, prestigiando o Grupo e o destacado empreendimento, localizado na região central de Itabirito. Em menos de uma semana, foram vendidas mais de 500 unidades, reforçando a credibilidade da empresa junto ao seu público.

EMPRESA COMEMORA RESULTADOS SATISFATÓRIOS COM NOVA DIRETORIA De acordo com a diretoria do Grupo PGV, tal sucesso foi conquistado pela somatória de experiências acumuladas nos trabalhos desenvolvidos anteriormente: algo muito valorizado dentro da corporação é a importância do conhecimento para dar passos longos e acertados. Seus gestores acreditam que “a excelência se constrói de forma empírica, ou seja, só se consegue realizar um bom trabalho quando se trilha uma trajetória de aprendizados”. Ainda segundo a diretoria, a missão do Grupo tem o foco na grandeza de princípios (e não em “ser grande em números”), conquistada pelo respeito às pessoas, ao cliente, meio ambiente e colaboradores. A empresa acredita que a força que a move

é oriunda das alianças e parcerias firmadas ao longo de seus anos de atuação. O Grupo PGV realiza, hoje, todas as etapas do empreendimento e com recursos próprios, sem recorrer à terceirização dos mesmos, como muitas empresas do setor imobiliário costumam fazer. O compromisso da empresa vai desde a prospecção do negócio, passando pelo desenvolvimento dos projetos, o licenciamento ambiental, a execução das obras de urbanização, a análise da viabilidade dos aspectos jurídicos, ambientais, técnicos e comerciais, até o recebimento da última parcela do financiamento das unidades imobiliárias disponíveis para a comercialização. Para cumprir todas essas etapas com qualidade e eficiência, a corporação aposta no treinamento e valorização de sua equipe. Conforme os gestores da corporação, quando se inicia uma etapa de um projeto, o corpo técnico da empresa já sabe exatamente o que fazer, seja qual for o tipo de terreno. Portanto, para o Grupo PGV, todo novo empreendimento é uma oportunidade de adquirir conhecimentos relevantes e, por isso, sua prioridade é ter uma equipe sempre preparada tecnicamente para novos desafios.

Adenilson Veloso, Adilson Veloso, Marcelo Veloso e Guilherme Utsch REVISTA MERCADO RURAL

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ECONOMIA

GOVERNO ANUNCIA DESTINAÇÃO DE MAIS DE R$180 BILHÕES PARA O

Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, no dia 02 de junho, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, acompanhada pela presidente Dilma Rousseff, anunciou os valores do Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016. Para este período, serão destinados R$ 187,7 bilhões em crédito para o campo. O orçamento do Plano teve um aumento de 20% nos volumes de recursos em relação à safra anterior. Entre as novidades do Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016, estão a destinação de R$ 149,5 bilhões para o custeio e comercialização dos alimentos e de R$ 96,5 bilhões para o custeio equalizado, representando um aumento de R$ 6,5 bilhões em relação à safra passada. Quanto ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o investimento do governo será da ordem de R$ 18,9 bilhões, 17% a

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mais em relação ao Plano anterior. Em termos do custeio agrícola, os juros para o Pronamp serão de 7,7% e, para os grandes produtores, de 8,75%. E, para ambos, o governo irá aumentar o limite de crédito por produtor em 8%. Segundo a ministra Kátia, tal elevação do crédito se faz importante “para cobrir os aumentos no custo de produção e fazer justiça aos produtores, para que eles não deixem de aplicar tecnologia apropriada em sua produção e não baixem a sua produtividade”. Quanto ao Seguro Rural, o orçamento aprovado para 2015 foi de R$ 668 milhões. A ministra anunciou, ainda, que será criado um Sistema Integrado de Informações do Seguro Rural, o SIS Rural, de forma a reduzir a dificuldade de transferência do setor, pois “é o argumento mais forte usado pelas seguradoras para não baixar o custo do

Seguro Rural”. Kátia Abreu ressaltou que o governo pretende chegar à padronização das apólices, com nível de cobertura por apólice de, no mínimo, 60%. Além disso, pretende-se reduzir custos da franquia. De acordo com o governo, esses investimentos fazem parte da estratégia para que o país possa continuar aumentando a sua produção e garantindo a oferta de alimentos de qualidade e com um preço justo para todos. Durante seu pronunciamento, a ministra Kátia Abreu salientou, ainda, que “o agronegócio brasileiro é um caso quase exemplar de uma articulação virtuosa entre Estado e iniciativa privada”. E, para justificar a importância do investimento, ela destacou que R$ 270 milhões investidos na agropecuária geram R$ 820 bilhões de valor adicionado ao agronegócio, ou seja, cada R$ 1,00 investido gera R$ 3,03 em valor agregado.


Rodrigo Mendes Marcelo Eduardo

Fascinação MFC- Grande Campeã Adulta da Raça de Marcha Batida

Jogo do Malboro - Grande Campeão Adulto da Raça de Marcha Batida

34ª Nacional do Mangalarga Marchador EXPOSIÇÃO EM BH REÚNE 940 EXPOSITORES E 1.300 ANIMAIS Um dos eventos de equinocultura mais importantes da América Latina, a Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, realiza a sua 34ª edição em Belo Horizonte, entre os dias 15 e 25 de julho. A mostra acontece no Parque Bolívar de Andrade (Parque da Gameleira), e a expectativa dos organizadores é que 150 mil pessoas circulem pelo local, que reunirá 940 expositores. Declarado como a raça nacional de cavalos do Brasil, em 2014, o Mangalarga Marchador, originário do Sul de Minas Gerais, conquistou o país e conta hoje com 10.400 proprietários distribuídos por todas as regiões. A exposição é organizada pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) e receberá cerca de 1.300 animais vindos de várias partes do país, inclusive do Pará, que vão participar de concursos de marcha, julgamentos, provas funcionais e sociais. No dia 17 de julho, acontece o leilão filantrópico “Marchadores pela Vida”, que pretende arrecadar doações para instituições que trabalham com pacientes porta-

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dores de câncer e dependentes químicos. Já nos dias 23 e 24 de julho, serão realizados dois leilões de elite. No espaço, haverá dois shoppings de animais, onde os interessados poderão vistoriá-los e negociar a compra diretamente com o vendedor e dois remates on-line. Como em todo ano, uma das atrações, principalmente para as crianças, é a minifazenda, com cabritos, lhamas, cordeiros, minivacas e minicabras. Outra atividade bastante concorrida é o Test Ride, em que os visitantes podem montar em cavalos e comprovar a docilidade e a qualidade do andamento típico da raça. Para o público feminino, haverá a Casa do Criador, coordenada por Ana Cristina Marquito, com palestras, exposições, desfiles, sessões de massagens e compras.

OS NÚMEROS DA RAÇA A ABCCMM, com sede em Belo Horizonte, foi criada em 1949 e ostenta hoje o título de maior entidade de criadores de equinos, com 480 mil animais registrados. No exterior, existem núcleos oficiais do

Mangalarga Marchador nos Estados Unidos, na Alemanha, na Itália e na Argentina. Dados apurados na ultima pesquisa da Comissão Nacional do Cavalo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que o Complexo do Agronegócio Cavalo gera faturamento anual de R$ 7,5 bilhões, registrando 642,5 mil empregos diretos e 2,6 milhões de empregos indiretos. “Os criadores se profissionalizaram e pensam na atividade como investimento visando ao retorno financeiro, seja comercializando exemplares de alto padrão genético e zootécnico, ou reparando os animais para trabalho nas fazendas, esportes e lazer. A raça Mangalarga Marchador possui características muito atraentes, que a tornam um investimento lucrativo”, considera o presidente da ABCCMM, Magdi Shaat.

ACESSO AO EVENTO Os ingressos para a exposição podem ser adquiridos por R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada). Crianças até 12 anos e idoso acima de 65 anos não pagam.


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Queijo de manteiga ESPECIARIA NORDESTINA REPRESENTA PRINCIPAL FONTE DE RENDA PARA VOLUMOSO GRUPO DE PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DO SERTÃO De cor amarelo-palha, casca fina e consistência macia, ele é uma grande expressão da cultura e culinária nordestinas, tendo sua origem na própria colonização do sertão. Com nomenclaturas variadas - queijo de manteiga, queijo-manteiga, requeijão do sertão ou requeijão do norte - este laticínio traz em si, além de um sabor todo especial, com o toque da manteiga, o zelo que pequenos produtores rurais do Nordeste imprimem em sua elaboração: todas as peças, geralmente em formato retangular, possuem as iniciais de quem o produz, marcadas com ferro em brasa. Um diferencial que chama a atenção neste queijo é o fato de não usar coalho artificial na receita. Sua massa é produzida através da desnaturação ácida, em que a precipitação do leite em queijo é feita com o próprio soro do leite. Para a sua preparação, muita paciência é exigida, pois o processo requer tempo e dedicação, uma vez que a massa formada de um dia para

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o outro precisa ser cozida no tacho à lenha junto com leite por cerca de cinco horas e mexendo-se sempre. Além disso, é preciso ter uma atenção especial quanto à higiene, pois o leite utilizado é o cru, sem passar por processos de pasteurização. Neste caso, requer-se um cuidado tanto no processo de fabricação quanto com a saúde das vacas. O fato de não necessitar do leite pasteurizado em sua matéria-prima deve-se ao tratamento mais drástico que o ingrediente sofre, ao passar pelo cozimento longo e sob altas temperaturas. Este procedimento é importante para retirar a acidez da coalhada formada no primeiro dia de preparo, visto que, com a adição do leite cru ao tacho, o mesmo consegue desempenhar esta função. Basicamente, a preparação do queijo de manteiga se dá da seguinte forma: começa-se adicionando ácido lático ao leite para a formação da coalhada natural. Em seguida, faz-se a dessoragem várias vezes. No dia seguinte, a massa

formada vai para o tacho e adiciona-se o leite cru, permanecendo em cozimento por cinco horas. Depois, passa-se a massa pelo saco novamente, retorna-a ao fogo e adiciona-se bicarbonato de sódio para retirar a acidez. Por último, acrescenta-se a manteiga de garrafa à mistura, mexendo-a bastante até que a mesma adquira aparência uniforme. Para finalizar, coloca-se a massa em uma forma ou refratário e espera a mesma esfriar para desenformar. Vale destacar que o Ministério da Agricultura conta um regulamento técnico próprio de identidade e qualidade para o queijo de manteiga. Para que o produto assuma tal definição, deve apresentar coloração amarelo-palha, ter casca fina, consistência macia e, o mais importante: ser feito a partir de leite não pasteurizado. O queijo de manteiga é fabricado principalmente nos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte.


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Mogno Africano:

o futuro é o presente

A tendência mundial em reduzir o desmatamento, aliada às características geográficas e climáticas do Brasil e ao potencial retorno financeiro da produção de madeiras nobres, têm provocado, nos últimos anos, um aumento no interesse do produtor rural em relação ao plantio de madeiras de alto valor comercial. Nesse contexto, desde a inclusão do Mogno Brasileiro na lista de espécies ameaçadas em 2001 (lista CITIES) e a sua respectiva proibição de comercialização, o Mogno Africano tem chamado a atenção no agronegócio, seja pela projeção de bons lucros ou pela adaptação da espécie Khaya ivorensis ao nosso relevo e clima. Esta espécie tem como aplicação principal a movelaria, a fabricação de instrumentos musicais e a construção civil. Visando uma conscientização da indústria moveleira nacional e o acompanhamento dos plantios de seus associados, foi criada a Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano - ABPMA, que veio para unir os produtores e objetiva tornar o Brasil o maior produtor de florestas plantadas de Khaya ivorensis no mundo. Existem, pelo menos, sete espécies de árvores conhecidas como Mogno Africano. As duas espécies mais comercializadas no Brasil são a Khaya ivorensis e a Khaya senegalensis. A espécie Khaya ivorensis tem se destacado no país pela elasticidade quanto às suas exigências climáticas e de solo, e pela maior capacidade de produzir madeira ao final do ciclo. O resultado financeiro no final do plantio tem sido muito

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Professor Falesi junto à matriz KhayaPiave 92, com 23 anos de idade

promissor e superior às demais espécies de mogno, o que compensa um maior investimento inicial, seja na estrutura de irrigação recomendada para algumas regiões, seja na aquisição de mudas de qualidade.

HISTÓRIA A introdução da Khaya ivorensis no Brasil se deu em 1975, quando ocorreu uma audiência do professor Ítalo Claudio Falesi, então diretor do Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, o IPEAN (atual Embrapa Amazônia Oriental), com o ministro africano de Águas e Florestas da Costa do Marfim. O professor foi presenteado com oito sementes dessa espécie de mogno, sendo que somente seis germinaram e geraram o banco genético da árvore no Brasil. No momento em que as sementes foram presenteadas, o ministro marfinense disse a seguinte frase: “plante, pois será o ouro do futuro”. Tais árvores encontram-se, hoje, com 39 anos. Em 2012,foi realizado o primeiro corte de Khaya ivorensis no Brasil, no terreno do produtor Hiroshi Okajima, com excelentes volumes de madeira aos seus 16 anos (2,63m³).

DIVULGAÇÃO Por se tratar de uma semente cujo período germinativo é curto, a introdução de novas sementes de khaya ivorensis no país torna-se um processo complexo, devido ao período de quarentena e ao tempo de transporte, partindo de sua origem africana. Atualmente, existem poucos fornecedores de sementes no Brasil, entre eles, o próprio Professor Falesi, que, com mais de trinta anos de experiência com o Mogno Africano, percorre o país ministrando palestras e consultorias em plantios, divulgando e estimulando a cultura do Khaya ivorensis, em companhia de seu neto Ítalo Claudio Falesi P. de M. Bittencourt, também agrônomo e, hoje, braço direito do professor em seu trabalho.

VIVEIRO ORIGEM Para tentar suprir a demanda de mudas de Khaya ivorensis, alguns viveiros começaram a produzir mudas clonadas. Um deles é o Viveiro Origem (mudasorigem.com.br), localizado na Fazenda Riachão, em Felixlândia (MG), cujos proprietários são o médico Carlos Eduardo Diniz Couto e a tributarista


Luciana Prata Maluf. Segundo eles, foram mais de cinco anos de investimentos em estrutura e pesquisa para conseguirem produzir uma muda clonal resistente e preparada para o plantio comercial. Para o proprietário Carlos Eduardo, a garantia de genética das mudas é essencial, por isso, ele recomenda que, antes de comprar as mudas de clones ou de sementes, o cliente deve questionar a origem das matrizes ou das sementes, saber se o viveiro possui RENASEM (registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA) e exigir que as mudas tenham nota fiscal e sejam acompanhadas por um Termo de Conformidade assinado pelo responsável técnico do viveiro. Estes são cuidados necessários tanto para atestar a qualidade das mudas adquiridas, quanto para futuras certificações e monitoramento das florestas plantadas. O Viveiro Origem tem focado muito em melhoria genética. “Como o ciclo do mogno Khaya ivorensis é longo e o registro das matrizes demanda tempo, para encurtar esse prazo e encontrar a melhor genética, fechamos uma parceria com a Fattoria Piave, empresa do Professor Falesi e vamos clonar suas melhores matrizes, que atualmente estão com mais de 24 anos. A PIAVE 92 é uma delas”, relata Carlos Eduardo. O retorno financeiro é a grande aposta dos investidores e as projeções são muito promissoras. O lucro líquido estimado pelo Viveiro Origem, para o período de 15 anos, é de R$350 mil por hectare. “Mesmo que o retorno fosse a metade do projetado atu-

almente, o investimento ainda seria espetacular e bastante superior ao gerado por qualquer aplicação financeira convencional ou outros tipos de plantios, como, por exemplo, de eucalipto”, afirma a empresária Luciana. Para ela, o mercado de madeiras tem se valorizado bastante e a exigência de madeiras com origem comprovada é a garantia de preços e clientes no futuro. Luciana recomenda aos fazendeiros diversificarem e destinarem parte de suas terras para o plantio. “Poucos sabem, mas conforme a legislação do atual código florestal, até mesmo áreas de reserva que precisam ser recompostas podem ser plantadas em parte (até 50%) com árvores exóticas e esta parcela pode ser utilizada para exploração comercial futura. São oportunidades em um cenário de necessidade de atendimento às normas legais”, explica. A empresária completa que o plantio cumpre o papel de recomposição da área desmatada e de contribuição para a redução do aquecimento global, e, ao mesmo tempo, o fazendeiro viabiliza o investimento realizado. Vale destacar que o retorno do investimento não ocorre apenas em longo prazo, pois, a partir do momento em que o plantio é efetuado, as terras tendem a valorizar a cada ano, aumentando o valor agregado. Aparentemente, o ouro do futuro está bem consolidado no Brasil, com mais de três milhões de árvores plantadas de khaya ivorensis. Pelos números e resultados apresentados pela espécie, hoje já se pode dizer que “o futuro é o presente”.

Jardim Clonal do Viveiro Origem

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Julgamento de animais na ExpoZebu

ExpoZebu 2015 R$46,4 milhões TERMINA COM FATURAMENTO DE

A 81ª edição da ExpoZebu, realizada entre os dias 3 a 10 de maio, em Uberaba (MG), conquistou um faturamento de R$ 46.432.940,00, valor referente às vendas de animais ocorridas em 34 leilões. A maior feira de zebuínos encerrou com uma média por animal 3% maior que a registrada em 2014, comercializando, ao todo, 481 animais. O exemplar mais caro foi a fêmea da raça Nelore, Predileta da Santarém, vendido 50% de sua posse por R$ 1.104.000,00. Além dos leilões, ocorreram vendas de animais em quatro shoppings, porém, a comercialização ainda está sendo apurada. A feira, que teve transmissão ao vivo pelo site da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), reuniu um público de quase 200 mil visitantes, incluindo 362 estrangeiros de 23 países, e mais de 120 empresas que apresentaram e comercialiVitrine da carne

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zaram seus produtos. A ExpoZebu também foi visitada por autoridades políticas. A feira sediou o debate político promovido pela Frente Parlamentar Agropecuária e muitas autoridades marcaram presença em todos os dias de evento, dentre embaixadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores. O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, assinou o protocolo de intenções com a ABCZ para a ampliação das pesquisas sobre o zebu dentro do estado de São Paulo. Já o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, conheceu o projeto sobre a “Aplicação da genômica na seleção das raças zebuínas”, feito em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

NOVIDADES A Vitrine da Carne foi a grande novidade deste ano. O público pode conferir como são feitos os cortes e a limpeza da carne, além do preparo de receitas com cada corte. Outra atração foi o lançamento do Centro de Referência da Pecuária Brasilei-

ra – Zebu (CRPB-Z). O portal concentra um acervo completo de informações ligadas aos mais diferentes segmentos da atividade (pesquisa, genética, economia, produção, sustentabilidade, meio ambiente, etc.). Paralela à ExpoZebu, aconteceu a ExpoZebu Dinâmica. Com a proposta de disseminar as últimas tecnologias em pecuária de corte de leite para produtores de pequeno, médio e grande porte, a feira foi considerada, pelos seus parceiros, um verdadeiro sucesso.

COMPETIÇÕES DE ANIMAIS A ExpoZebu contou com 1.824 animais inscritos de nove raças zebuínas. Os grandes campeões do julgamento foram premiados no dia 9 de maio. A lista completa está no site da feira (www.abcz.org.br/ expozebu). Já o concurso leiteiro registrou três novos recordes. A grande campeã da raça Gir Leiteiro e nova Recordista Mundial foi Alma Viva FCD, da fazenda Lumiar Agropecuária LTDA (Brasília/DF), pertencente ao criador Pedro Passos. Alma produziu 71,130 kg de leite, quebrando o recorde que era da Fêmea Ampola FIV, com 70,593 kg. Entre as vacas Sindi, o recorde ficou com a fêmea do criador Adaldio Castilho, da Reunidas Castilho, de Novo Horizonte, interior de São Paulo. Belga produziu 36,980 kg. O recorde anterior era de 32,602 kg. Na raça Guzerá, quem levou o prêmio foi a Sociedade Educacional de Uberaba (Uniube), com a Fêmea Jovem Malina, que atingiu 36 kg de leite. O recorde anterior era de 31,510 kg.


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Breeders Cup chega à sua 20ª edição consagrando o melhor do Cavalo Árabe Há 20 anos, o Departamento de Exposições da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA), no intuito de impulsionar ainda mais a visibilidade e relevância dos cavalos nascidos e criados no Brasil, idealizou a Breeders Cup, a Copa dos Criadores, atualmente a principal vitrine da genética do cavalo Árabe brasileiro. O responsável dessa idealização foi o Diretor de Exposições da época, Luiz Antonio Moreira Rocco, criador e proprietário do Haras Clio, de Limeira (SP), e também atuante como juiz das provas oficiais do cavalo Árabe. A grande diferença já concebida desde a

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sua primeira edição, realizada em 1996, foi a adoção do sistema de notas, um aperfeiçoamento do julgamento das provas de Halter, tipo europeu modificado, com os animais divididos por sexo e idade e avaliados por soma de pontos e não mais por sistema comparativo. Pelo regulamento da Breeders Cup, cada criador tem o direito de inscrever até quatro animais do seu haras com idade máxima até dois anos, sendo o julgamento feito por três juízes, inclusive internacionais. E também se permite a soma das notas conquistadas pelo criador em cada categoria disputada e pontuada. Segundo Luiz Rocco, o idealizador da Copa, o julgamento por notas é um sistema que, hoje, é adotado por mais de 90% das exposições no mundo. “Procurei combinar esse sistema com a participação limitada a, no máximo, quatro animais criados e, ainda, de propriedade de cada expositor, premiando o haras que conseguir a maior soma de pontos com três deles”, explica. O vencedor recebe um troféu especial que é de posse transitória até se chegar a cinco copas conquistadas, mesmo que alternadas para a posse definitiva. Nestes 20 anos de Breeders Cup, o único a conseguir este feito foi o Haras Vanguarda, do criador Fábio Diniz, de Monte Mor (SP), que ganhou nas edições de 1999, 2000, 2003, 2004 e 2006 e ficou com o troféu original em cristal Baccarat. O título conquistado na Breeders Cup

tem um peso muito grande para o criador, já que é a conquista máxima do Halter do Brasil. É a plena consagração para o arabista vencedor em termos de reconhecimento e projeção de todo o trabalho que é desenvolvido dentro do seu haras, desde a combinação dos pedigrees até à seleção dos cavalos jovens nascidos no Brasil. Uma conquista que credencia o vencedor a ter oportunidades de ouro dentro e fora do País. O criador Rodrigo Foz Forte, do Haras Santo Antonio da Bela Vista, de Itapetininga (SP), Campeão da Breeders Cup de 2011 e duas vezes Vice-Campeão nas edições de 2013 e 2014, revela com orgulho que 24 dos seus 34 anos de idade já somam como dedicados ao cavalo Árabe, representando a nova geração de arabistas em franca atividade. “Todos os títulos são importantes, mas ganhar uma Copa dos Criadores é a consagração e reconhecimento de todo um trabalho de criação e que me estimula a continuar trabalhando e me preparar cada vez melhor para poder ganhar de novo”, destaca o criador, convidado pela ABCCA para julgar os animais da Exposição Nacional deste ano. A Breeders Cup de 2015 acontecerá de 10 a 13 de setembro, no Parque “Dr. Fernando Cruz Pimentel”, durante a Exposição Agropecuária de Avaré (SP), a A EMAPA, e está entre os eventos mais participativos e aguardados pelos criadores.


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XXX Exposição Nacional do Cavalo Pônei e XII Exposição Estadual do Cavalo Piquira No mês de junho de 2015, foram realizadas em Belo Horizonte, no Parque de Exposições da Gameleira, a XXX Exposição Nacional do Cavalo Pônei, que contou com a participação de 220 exemplares da raça Pônei Brasileiro, e a XII Exposição Estadual do Cavalo Piquira, com 45 exemplares da raça Piquira. Na ocasião, estiveram presentes 38 criadores dos estados de Minas Gerais, Sergipe, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia, que aproveitaram o evento para confraternizar e compartilhar sua admiração pelos equinos. Foi realizado também o XII Leilão Pônei Show, o qual comercializou um

GRANDES CAMPEÕES PÔNEI

GRANDES CAMPEÕES PIQUIRA

Jovem da Raça

Jovem da Raça

Campeã: Pretinha do Inharé Res. Campeã: Guria Elite Horse

Campeã: Alteza do Humaitá Res. Campeã: Afrodite do Humaitá

Campeão: Apach Elite horse Res. Campeão: Jacob de Bicas

Campeão: Atrevido do Humaitá Res. Campeão: Brinquedo do Humaitá

Adulto da Raça

Adulto da Raça

Campeã: Giuliana de Bicas Res. Campeã: Bela Negra da Meninada

Campeã: Abaiba do Pombal Res. Campeã: Cobiçada da Meninada

Campeão: Guri de Bicas Res. Campeão: Kojak D`Luca

Campeão: Setinha do Gasemira Res. Campeão: Royal Salute do Humaitá

total de 35 lotes das raças Pôneis e Piquira, gerando um faturamento de R$ 245.000,00, com média de R$ 7.000,00

Fabrício Borges, César Menotti, Marcelo Lamounier e Guilherme Diniz

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por exemplar. O destaque foi para o lote Hickman, de Bicas (MG), vendido por R$ 19.000,00 para o criador César Menotti.

João Cruz, Fabrício Borges e Fabiano Tolentino


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SEÇÃO MEIO AMBIENTE

O uso racional da água

na agricultura MEDIDAS PARA ECONOMIZAR NA IRRIGAÇÃO SÃO BENÉFICAS À PRODUTIVIDADE E AO MEIO AMBIENTE Um dos maiores desafios para o agronegócio é promover ações sustentáveis, que garantam o aumento da produtividade sem prejudicar o meio ambiente. Dentre tais medidas, está o uso racional da água, iniciativa de grande importância no contexto atual, de clima cada vez mais quente e escassez hídrica. Aos agricultores, é recomendada a implantação de um sistema inteligente de irrigação. É importante que se busque aplicá-lo de acordo com a necessidade da planta e tentar o reuso da água de outros sistemas da lavoura. A irrigação por gotejamento também tem sido uma forma interessante de se buscar a economia do recurso hídrico sem que haja perda da produtividade.

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Aconselha-se, ainda, antes de acionar a irrigação, calcular a evapotranspiração de cada cultura, para saber o volume exato que deve ser recolocado no campo. (Para fazer o cálculo, pode-se acessar um aplicativo disponível no site da Universidade Estadual Paulista, a Unesp: clima.feis.unesp. br/sma). Outra dica interessante refere-se ao horário de irrigar. Especialistas recomendam evitar utilizar os irrigadores entre 17h e 20h30, visto que é o horário de pico, com altas tarifas de energia. O ideal é irrigar entre 21h e 0h, quando o valor da energia é 30% mais barato, e também pelo fato de, à noite, as temperaturas e a incidência de ventos serem menores, promovendo uma

eficiência maior na aplicação da água. Se, após fazer um mapeamento da área, descobrir-se a existência de nascentes, é importante buscar a sua recuperação e conservação, plantando espécies nativas em volta. Quanto ao solo, é aconselhado fazer curvas de nível e manter uma boa quantidade de matéria orgânica no mesmo, o que ajuda na retenção da água e na manutenção de uma temperatura mais amena no solo. Por fim, uma orientação relevante é verificar constantemente se não há vazamentos no sistema de irrigação, pois cada milímetro desperdiçado pode representar um grande prejuízo para o agricultor e, principalmente, ao meio ambiente.


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Berganês: O OVINO DESTAQUE DO NORDESTE BRASILEIRO Por Antônio Edson Bernardes

O município de Dormentes, localizado na mesorregião do São Francisco Pernambucano e microrregião de Petrolina, no alto sertão nordestino, tem uma população de quase 17 mil habitantes, área de 1.538 km² e Bioma Caatinga. À medida que se afasta de Petrolina, em direção a Dormentes, começamos a sentir as dificuldades que o sertão imprime e a dureza de viver nesta região, mas a sensação desaparece quando se chega em Afrânio e, por fim, na minha amada Dormentes, uma pequena cidade, com um povo muito hospitaleiro e acolhedor. Com uma economia basicamente agropecuária, Dormentes possui 2.996 estabelecimentos agropecuários, produzindo culturas para a subsistência, como

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milho e feijão. No entanto, se destaca na produção ovina, detendo 7,26% do rebanho estadual (IBGE 2010). Fui a Dormentes pela primeira vez em busca de Ovelhas Bergamácias ou Gigante de Bergámo, como também são conhecidas, contudo, não encontrei nenhum exemplar na cidade ou região. Os produtores de Dormentes utilizaram a raça pura tempos atrás, para cruzamentos basicamente da Bergámacia, de origem italiana, tamanho exuberante e produtora de leite, com a Santa Inês, de origem brasileira. As características apresentadas pelo ovino Santa Inês correspondem a esse cruzamento. Há evidências de que a raça Bergamácia também influencie no seu porte, tipo de cabeça, orelhas e vestígios de lã. Da raça Morada Nova (vermelha e branca), a condição de deslanado. No ecótipo Berganês, o resultado foi um ani-

mal calipígio, com excelente conformação de carcaça, porte grande, precoce, rústico e com carne marmorizada, imprimindo o sabor único da caatinga. O município de Dormentes possui maior feira da região de caprinos e ovinos, chegando a comercializar cerca de cinco mil animais por semana, enviando esses para as regiões do sertão, agreste, zonas da mata de Pernambuco e outros estados limítrofes. A microrregião de Petrolina registra um consumo anual por habitante de carne caprina e ovina de aproximadamente 12 kg, contrastando com a média nacional que é de aproximadamente 0,6 kg. Daí esta demanda de mercado ser razão pela qual há tanto interesse na ampliação das criações. Outro motivo seria a busca por proteína animal com maior digestibilidade, valor biológico e menos colesterol ruim.


O OVINO DE DORMENTES Pode-se dizer que o surgimento do Berganês na região de Dormentes se deu no ano de 1988, quando o agricultor Sr. Ervércio Coelho de Macedo, vendo as dificuldades que tinha na agricultura, percebeu a necessidade de ter um complemento para a sustentabilidade de seu negócio e viu na ovinocultura a forma mais simples e prática de realizá-lo. Inicialmente, o produtor tinha um pequeno plantel de ovelhas “pé dura” e mestiças de Santa Inês. Anos depois, para melhorar geneticamente a sua criação, Sr. Evércio comprou um carneiro da raça Bergamácia, alavancando, a parti dali, o processo de aumento das carcaças dos animais, e despertando mais e mais interesse em produzir carne. Ao longo do tempo, Sr. Evércio e ou-

tros criadores enfrentaram diversas dificuldades para manter a sua atividade com os ovinos, mas como diz a linguagem popular, manteve-se a semente de ovelhas. Um borrego da raça Bergamácia, filho de uma ovelha que morreu logo após ter sido comprada pelo produtor, cresceu e produziu filhos e filhas de uma qualidade muito boa, e foi ali o maior passo para se aproximar do desejado sonho, que era ter animais grandes com boa aparência, que fantasiasse os olhos de quem o vissem. Com o passar dos anos, o criador investiu em cruzamentos com a raça Santa Inês, com o objetivo de tirar um pouco da lã das crias, mas mantendo o grande porte. Foram feitos vários choques de sangue até se chegar à melhor fase, com ovinos praticamente de cores escuras e sem lã. Daí por diante, como já existia um bom número de criadores de animais do mes-

mo padrão, a seleção dos melhores foi se intensificando. Conquistou-se um ovino que se destaca em produção de leite, melhor crescimento e mais caracterizado em princípios genéticos. O resultado alcançado pelos produtores envolvidos, após nove gerações de descendentes, foi um animal com grau de sangue de 41,21% oriundo da raça Bergamácia e 58,79% da raça Santa Inês. Este ovino apresenta como aptidão a produção de carne, é notadamente calipígio, com excelente conformação de carcaça, porte grande, precoce, rústico e com carne marmorizada. E, por tudo isso, não tenho duvidas de que estes animais têm a melhor conversão alimentar entre os nativos ou naturalizados, pois conseguem pesos bem expressivos com forrageiras de pouca qualidade e com muita utilização de algaroba.

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RECEITA

Creme de abobora com carne seca

Com a chegada do inverno, os caldos invadem a mesa de nossas casas e ganham também os cardápios de muitos restaurantes. A variedade de receitas é extensa e, para esta edição da Revista Mercado Rural, selecionamos uma especial, feita com abóbora e carne seca. A combinação do sabor ameno do vegetal com o toque marcante da carne resulta em um prato bastante apreciado e que merece espaço nos dias mais frios. Antes de preparar a receita, é muito importante escolher a abóbora ideal. Sugere-se optar por uma que apresente casca lisa, sem imperfeições. Além disso, vale conferir se a polpa da abóbora está brilhosa. Uma dica interessante é dar batidas na casca do vegetal. O som deve ser oco. O creme de abóbora com carne seca pode ser servido como entrada ou prato principal. Confira detalhes do preparo:

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Ingredientes

• 1 kg de abóbora madura • 600 g de carne seca • 4 dentes de alho picados • 1 cebola grande picada • 1 xícara de cebolinha verde picada

• 3 litros de água • Azeite de oliva • Opcional: creme de leite

Modo de preparo Um dia antes do preparo: • Deixe a carne seca de molho de um dia para o outro para extrair o excesso de sal. No dia do preparo: • Corte a abóbora em cubos (sem casca) e cozinhe-a até que seus pedaços se desfaçam com facilidade. Para garantir mais sabor, refogue-a com duas colheres de cebola picada e um dente de alho, temperando levemente com sal, pimenta e noz moscada. • Após o cozimento, adicione 1 litro de água à panela e reserve. • Com a carne já dessalgada, doure o resto da cebola e alho (preferencialmente em panela de pressão). • Acrescente a carne seca desfiada e refogue com os outros temperos. • Adicione o restante da água e deixe cozinhar por meia hora. • À carne, adicione a abóbora, cebolinha verde picada, um fio de azeite de oliva, e, se preferir, acrescente um pouco de creme de leite.


TURISMO RURAL

Cabaceiras

CIDADE DO INTERIOR DA PARAÍBA É CONHECIDA POR SERVIR DE CENÁRIO PARA DEZENAS DE FILMES E PELA SUA NATUREZA SURPREENDENTE Você já ouviu falar na “Roliúde Nordestina”? Poucos sabem, mas existe uma cidade no interior da Paraíba que ganhou este “apelido” por ter sido cenário de mais de vinte filmes. O motivo de tanta fama é sua exuberante riqueza natural combinada a um visual urbano com casinhas pitorescas de fachadas coloridas. A cidade fica localizada a cerca de 200 km da capital João Pessoa, no Planalto da Borborema e domínios do Rio Paraíba. Com vegetação típica das regiões mais áridas do Nordeste, Cabaceiras conta com um título peculiar: é o município com o menor índice pluviométrico do Brasil. Os moradores de Cabaceiras, acostumados a receber atores, cineastas e produtores, falam de sua origem com orgulho, exaltando os nomes de grandes produções cinema-

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tográficas que já foram rodadas no local, como “O Auto da Compadecida”, “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “Canta Maria”. Logo que se chega em Cabaceiras, avista-se o letreiro com as palavras “Roliúde Nordestina”. E as atrações não param por aí. A cidade conta com o Museu Cinematográfico, com fotos, cartazes e materiais dos filmes rodados no município, e o Museu Histórico e Cultural dos Cariris Paraibanos, que conta a história dos índios cariris que viveram na região. Outro atrativo é o Artesanato Zé de Cila, uma lojinha peculiar, que ganhou destaque no filme “O Auto da Compadecida”. A Cadeia Pública de Cabaceiras, também registrada no cinema, chegou a abrigar o temido cangaceiro Antônio Silveira, que representou, pouco antes de Lampião, o mais famoso

chefe do cangaço no Brasil. Se a paisagem urbana já apresenta seus toques especiais, o melhor ainda se esconde em sua belíssima natureza, considerada um estúdio ao ar livre. Cabaceiras conta com uma famosa formação rochosa, o Lajedo de Pai Mateus, composto por grandes pedras arredondadas e várias trilhas por sítios arqueológicos. O local, considerado um jardim milenar, impressiona por parecer cenário de um filme de ficção científica. Cabaceiras conta também com a Saca de Lã, uma área rochosa com trilhas entre mandacarus, xique-xiques e facheiros. As pedras se apresentam em blocos empilhados, formando uma espécie de muralha arqueológica, erguida à beira de um lago para completar o visual. Neste pequeno município do interior da Paraíba, quem reina é o bode. O animal, exaltado na região devido à sua importância econômica, conta com uma festividade exclusiva, com diversos atrativos curiosos. Para os criadores do animal, o evento é uma boa oportunidade de fechar negócios e trocar conhecimentos com profissionais do mesmo ramo. A festa do Bode Rei acontece no mês de junho, uma ótima época para vistar a cidade.


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BEBIDAS

A tradição

dos chás

Dias frios pedem uma bebida especial: um chá quentinho! Tomar uma xícara da infusão entre as refeições ou mesmo antes de dormir garante, além de um corpo aquecido, muitos benefícios à saúde. A bebida atua como um supressor de apetite natural, ajuda no equilíbrio de várias funções do organismo e também na prevenção de doenças. Por esses e outros fatores, especialmente pelo seu sabor tão apreciado, o chá ocupa, atualmente, o posto de segunda bebida mais consumida do mundo, perdendo apenas para a água e ficando à frente do café. Para se ter ideia do quanto a bebida é uma tradição mundial, estima-se que são consumidas cerca de três bilhões de chávenas de chá por dia.

HISTÓRIA O surgimento do chá traz consigo uma história bastante curiosa. Reza a lenda que, em 2737 a.C, o imperador chinês Shen

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Nung e sua corte fizeram uma pausa durante o percurso de uma viagem e, enquanto os nobres esperavam que os criados aquecessem a água para que pudessem beber (diz-se que o rei era muito exigente quanto à pureza da água), algumas folhas de arbusto teriam caído na mesma, produzindo um líquido em tom castanho. O imperador, que também era cientista, resolveu experimentar a nova bebida, classificando-a como muito refrescante. E foi assim que o chá surgiu e rapidamente caiu no gosto dos chineses. Com o passar dos anos, a bebida foi apresentada a viajantes e navegadores e exportada para vários cantos do mundo. Na China e no Japão, o chá foi incorporado também à tradição religiosa, como um aliado da meditação. Já a chegada da bebida na Inglaterra aconteceu apenas no ano de 1652 e, curiosamente, por influência por uma portuguesa, Catarina de Bragança, filha de D. João IV. Ao se casar com o Rei Carlos II, ela apresentou o chá e logo a bebida

ganhou a corte e se tornou uma tradição no país, permanecendo até os dias atuais.

CURIOSIDADES O Brasil costuma classificar como chá uma grande variedade de infusões com sabores diversos, como a camomila, erva-cidreira, maçã, dentre outros. Na verdade, a nomenclatura chá é restrita aos seus quatro tipos principais: preto, branco, verde e oolong (cada um deles tem centenas de subtipos). Os demais, feitos com folhas e frutos, são originalmente chamados de infusões. Em termos de saúde, acredita-se que o chá combate o envelhecimento das células, reduz o risco de câncer (principalmente estômago e esôfago), combate doenças como a gastrite, problemas no coração e derrame cerebral. Além disso, a bebida ajuda a fortalecer os ossos e controla a pressão arterial. Quanto ao preparo correto da bebida, especialistas dizem que não há uma temperatura ideal da água para a infusão. Ela depende do tipo do chá, assim como do paladar de cada um. O mesmo ocorre em relação ao tempo de infusão. Quanto mais tempo de contato da folha com a água, mais forte e aguçado fica o seu sabor. Para saber o momento certo de beber, dizem que existe um “truque” especial: se conseguir segurar a caneca do chá com as mãos é porque a sua temperatura está ideal para o consumo. E, na hora de escolher entre os saquinhos ou as folhas, recomenda-se a segunda opção, pois gera mais benefícios à saúde e possui sabor mais apurado.


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AUTOMÓVEIS

LANÇAMENTO DA LAND ROVER REÚNE VERSATILIDADE, CONFORTO E INOVAÇÃO

Novo Discovery Sport Um off-road versátil, robusto, com opções para grama, cascalho e neve, lama e atoleiro, e areia. Tração aprimorada e estabilidade. Esses são alguns dos diferenciais do Novo Discovery Sport SUV Médio, da Land Rover. Com design bastante arrojado e aerodinâmico, o automóvel reúne beleza e praticidade, permitindo grandes aventuras com conforto e segurança. De acordo com a montadora, as tecnologias do Novo Discovery Sport foram testadas em todo tipo de terreno durante 18 meses, sob condições desafiadoras em mais de 20 países. Fora da estrada, o sistema Terrain Response incorpora as situações de relevos variados. Já a Transmissão Activa maximiza a tração e o comportamento do carro. Para a condução em estrada, o mesmo sistema disponibiliza uma configuração específica, a Dynamic, que altera a cor do painel de instrumentos para vermelho e proporciona uma condução mais envolvente. O automóvel conta com motor 2.0 turbo a gasolina de 240 cavalos e câmbio automático de nove marchas.

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Pode-se dizer que esse é um carro apto a enfrentar qualquer desafio. O off-road oferece volume de carga de até 541 litros e uma segunda fila de bancos deslizante opcional que proporciona o espaço para pernas. Uma configuração de destaque é o conforto da segunda fila de bancos, que proporciona uma visibilidade elevada e conta com 160mm de ajuste. A terceira fila opcional 5+2 permite o transporte de duas crianças em ple-

no conforto nos bancos traseiros. Quanto ao painel, o off-road da Land Rover conta com controles avançados e organizados, com tela de 8” sensível ao toque, Head-Up Display opcional e modernas tecnologias para interação intuitiva. O Novo Discovery Sport conta com três opções de modelo: o SE, com maior conforto e conveniência; o HSE, com melhorias técnicas e de design; e o HSE Luxury, com interior sofisticado e inovações técnicas.

Confira as principais características de cada modelo do Novo Discovery Sport

SE • Faróis Halógenos • Faróis de neblina • Rodas de liga leve de 18” estilo 109 • Bancos revestidos parcialmente em couro • Sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré • Ar condicionado Dual Zone • Sistema de Áudio Land Rover (6 Alto-falantes 80W)

HSE

HSE Luxury

• Faróis de Xenon com assinatura em LED • Faróis de neblina • Rodas de liga leve de 19” estilo 521 • Bancos em couro e dianteiros com ajustes elétricos (8/8 Ajustes) • Saídas de ar condicionado nos bancos traseiros • Teto solar panorâmico fixo • Sistema de Áudio Land Rover (10 Alto-falantes 250W)

• Faróis de Xenon com assinatura em LED • Faróis de neblina • Rodas de liga leve de 19” estilo 902 • Bancos em couro Premium Windsor • Bancos dianteiros com climatização (Aquecimento e Resfriamento), ajustes elétricos e memória (10/10 Ajustes) • Iluminação interna configurável • Sistema de Áudio Meridian Surround (17 Alto-falantes 825W)


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Coelhos

ANIMAIS TÊM SE DESTACADO POR SUA CARNE SAUDÁVEL E NUTRITIVA A carne de coelho ainda não é muito consumida no Brasil, porém, quem já provou reconhece os seus diferenciais. É uma carne branca, macia e saborosa, rica em proteínas e com baixo teor de gordura e colesterol. Excelente fonte de vitaminas B3, B6 e B12, potássio, fósforo e ferro, é também rica em ácidos graxos poli-insaturados, o que favorece o sistema imunológico e que, juntamente com todas as qualidades citadas, confere um elevado valor biológico. Outra singularidade é que a carne de coelho contém menos ácido úrico que as demais carnes. Além disso, ela possui o dobro de cálcio que a carne bovina e é de fácil digestão. Devido a todas essas características especiais, o mercado da carne de coelho está em alta, no entanto, no caso brasileiro, este ainda não se fortaleceu propriamente, visto que ainda não há uma oferta regular do produto, dado também ao fato de o país não contar com o seu consumo frequente.

PRODUÇÃO BRASILEIRA No Brasil, os maiores rebanhos estão em São Paulo e Rio Grande do Sul. Neste

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último, mais especificamente na cunicultura Büttenbender, existem animais únicos no país, tanto em valor genético agregado, como em termos de raça. Sem dúvida, a paixão do proprietário Luiz Büttenbender pelos coelhos fez essa diferença. Criador há mais de 40 anos, Luiz sempre cuidou da qualidade genética dos animais, investindo em novos reprodutores e na seleção apurada de seus reprodutores e matrizes. Atualmente, a criação conta com mais de 800 coelhos e Luiz cuida do plantel de perto, nunca tendo contratado funcionários, o que demonstra seu empenho e paixão pelos animais. Na cunicultura Büttenbender, as cruzas são programadas e feitas através de consultas em seus registros genealógicos. O trato é realizado diariamente pelo próprio proprietário e resume-se em ração de coelho e rami, um vegetal que possui inúmeras vitaminas para auxiliar na alimentação dos animais. A água é toda através de bebedouros automáticos. Dentre as várias raças criadas na propriedade, a principal é a Nova Zelândia Branco, uma das mais criadas no Brasil e no mundo, sendo que ainda não enfrenta a consanguinidade no rebanho desta raça,

situação que a maioria dos plantéis brasileiros se deparam. Luiz conta também com raças gigantes, medias com aptidão em carne e variedades de Rex com aptidão de pele. O criador possui, ainda, algumas raças de pet, as conhecidas por mini coelhos. Atualmente, a cunicultura Buttenbender envia seus reprodutores para todos os estados do Brasil, porém, durante o verão o envio é interrompido, uma vez que, com as altas temperaturas, o risco de transportar coelhos é muito alto.

RAÇAS ESPECIAIS Duas raças de coelho de grande destaque são a Champangne D’ Argent e a Azul de Viena. No Brasil, ainda existem pouquíssimos exemplares deles. O Champange D’ Argent, nativo da França, foi nomeado o “coelho rico”, por causa da riqueza de sua pelagem. Ele chegou à América em 1912. Uma característica especial da raça é que os filhotes nascem pretos e, depois de atingirem a idade em torno de 4 meses, há a despigmentação dos pelos, conferindo-lhes a cor prateada. O Champagne Prateado, como também é conhecido no Brasil, é classificado como coelho de médio porte. Já a raça Azul de Viena surgiu na Áustria, em 1880, como resultado da cruza entre o gigante Flamengo com raças locais. O animal possui corpo em forma cilíndrica, orelhas de comprimento médio ereto e com pontas arredondadas. Seus olhos são azuis e suas unhas mais escuras. Eles crescem rapidamente e são bem musculosos, com pele muito grossa. A cor destes coelhos é de aço escuro liso com um tom de azul, às vezes um pouco mais leve na barriga e no peito. Colaboração: Antônio Edson Bernardes


Palmeira-azul

COM UMA BELEZA ÚNICA, PLANTA É MUITO PROCURADA POR PAISAGISTAS E ENTUSIASTAS Quem aprecia um jardim exuberante, certamente conhece esta modalidade de palmeira famosa por sua cor azul prateada e sua copa vistosa. A palmeira-azul, também chamada de palmeira-bismarkia ou palmeira-de-bismark, originária de Madagascar, na África, é uma das plantas favoritas dos paisagistas, dada a sua beleza e ao fato de, mesmo jovem, já apresentar aparência chamativa. A palmeira-azul alcança altura superior a 12 metros e o seu ciclo de vida é perene. Possui folhas grandes, eretas e cerosas, que se reúnem em número de 15 a 20 unidades em um mesmo pecíolo, formando um leque. Algo curioso é que quando as folhas caem, elas deixam uma marca no tronco, que fica anelado. Sua floração acontece durante a primavera: surgem inflorescências interfoliares, ramificadas e com numerosas flores de cor marrom. Esta espécie conta com flores menores e mais abundantes nos machos

que nas fêmeas. Os frutos são arredondados, de cor marrom escura e preta quando maduros. A polinização da palmeira-azul, para acontecer, precisa da existência de plantas dos dois sexos próximas uma da outra, assim, são capazes de produzirem sementes férteis. A multiplicação se dá pelas sementes dos frutos recém-colhidos e despolpados, plantados em um saquinho com substrato arenoso e mantidos úmidos. Também podem ser plantados em um recipiente fundo com solo orgânico. A sua transferência para a terra deve ser feita em um dia quente e somente após a planta adquirir um bom patamar de crescimento. De fácil adaptação, com a capacidade de resistir a períodos de estiagem, bem como de se estabelecer em ambientes úmidos, a palmeira-azul deve ser cultivada sob sol pleno e em solos bem drenáveis, enriquecidos com matéria orgânica. Para o

seu bom desenvolvimento, o ideal é manter um espaço de 8 metros quadrados para cada planta. Assim, ao plantar as mudas, recomenda-se usar a mesma medida. É importante irrigar a palmeira-azul frequentemente, contudo, observando-se sempre a drenagem do solo, para que não fique muito encharcado. Como a planta suporta o solo seco, ela pode ser aguada uma vez por semana. Os nutrientes recomendados para o seu crescimento são a areia grossa e fertilizantes orgânicos. Para a sua melhor performance, recomenda-se que seja criada em local de clima tropical e bem iluminada. O preço da muda da palmeira-azul varia de acordo com o seu tamanho. Por se tratar de um tipo de palmeira muito utilizada por paisagistas e por, atualmente, ser uma planta de grande procura, seu valor de mercado é mais elevado, comparado a outras espécies semelhantes.

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SEÇÃO PET

Periquito inglês O periquito inglês é considerado um pássaro de fácil criação e que se reproduz bastante ao longo da sua vida, vivendo, em média, de seis a dez anos. Para identificar o sexo do periquito, é preciso observar a cor de sua narina: quando azul, é macho, e quando bege ou marrom, é uma fêmea. Durante os períodos de reprodução da ave, é comum que a narina da fêmea apresente um tom marrom mais forte, e a do o macho, um azul mais escuro. A principal característica do periquito inglês está em seu tamanho e forma: ele pode ter porte pequeno, médio ou grande, mas o que interessa mais, neste aspecto, é possuir um excelente padrão e com todas as características desejadas. O nome “periquito inglês” foi criado na Europa, devido ao fato de os ingleses terem assumido um papel importante na evolução do periquito

australiano há muitos anos e que permanece até os dias atuais. O periquito australiano é chamado em alguns locais da Europa de “english budgerigar”. Os periquitos ingleses de padrão antigo são aves que possuem suas características equiparadas aos periquitos criados na década de 80 e 90, ou seja, possuem penas e máscara curtas, a cabeça com pequeno volume de penas e armando para cima. Vale lembrar que, mesmo sendo padrão antigo, pode apresentar porte maior e possuir uma excelente postura no poleiro, no entanto, dentre as características buscadas no padrão moderno, este periquito deixa muito a desejar ou deverá ser trabalhado no decorrer dos anos. Já o periquito padrão moderno possui penas longas, com excelente direcionamento e muito macias. Ele tem máscara profunda, grande quantidade de penas ao lado do bico, cabeça bem limpa e com penas direcionadas. Além disso, deve ter uma boa postura no poleiro e outras características.

ALIMENTAÇÃO

FOTOS JORGE DE PINA

A alimentação dos periquitos consiste basicamente em uma mistura das sementes de alpiste, painço, girassol e aveia. Alguns criadores oferecem frutas como alimento, entretanto, determinados periquitos gostam e outros não. Eles também apreciam folhas, como rúcula, couve e brócolis, mas vale ressaltar que a alface e algumas outras folhas não devem ser fornecidas a eles, pois podem causar diarreia, afetando, assim, a vida da ave. É muito importante ter um controle na hora de fornecer alimentos: a mistura de sementes é a que deve estar

sempre disponível em sua dieta, e as frutas e folhas devem ser intercaladas em dias alternados, dessa forma, a alimentação fica mais organizada e saudável.

REPRODUÇÃO A reprodução do periquito inglês está apta a acontecer quando macho e fêmea têm mais de um ano de idade e estão em perfeito estado de saúde. Pode haver rejeição do parceiro em alguns casos e o clima também tem que favorecer - as épocas de temperaturas mais altas são as ideias para a reprodução. A partir do momento que eles cruzam, leva-se, em média, de oito a dez dias para vir o primeiro ovo. A fêmea bota cerca de seis a oito ovos, eventualmente até dez, mas raramente irão nascer todos saudáveis. O período para o nascimento é de 18 a 21 dias para cada ovo. Quando o filhote nasce, os cuidados devem ser redobrados, pois, se a mãe rejeitá-lo, o criador deverá alimentá-lo com uma papinha aplicada com seringa . Mas o normal é que a própria fêmea o alimente e, caso o criador queira ter uma ave mansa, basta cuidar dele desde o nascimento. Em um período de 36 dias, o filhote se desenvolve, cresce, ganha suas penas e começa a aprender voar.

MANEJO O periquito deve ter um bom espaço para morar. Para um casal, sugere-se uma gaiola quadrada de cerca de 50x45cm e, para mais de um casal, o recomendável é fazer um viveiro. Quando for criar vários casais de periquitos juntos, deve-se ter um ninho para cada um e, por medida de segurança, separar casais em reprodução. Colaboração: Lucas Lisboa

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Codornas Bobwhite Por ser muito saborosa e nutritiva, sua carne é muito apreciada. A comercialização dos ovos (in natura) é um pouco restrita, devido a sua falta de pigmentação. A coturnicultura ou criação de codornas vem sendo considerada uma alternativa interessante para aumentar a renda do pequeno produtor rural.

A Bobwhite é uma ave de caça, tímida, esquiva, conta com uma camuflagem para passar despercebida e pode partir em voo baixo caso sinta-se ameaçada. Esta ave é geralmente solitária ou encontrada em pares no início do ano, mas grupos familiares são comuns no fim do verão e abrigos de inverno podem ter duas dúzias ou mais pássaros em um único bando. Entretanto, o habitat das codornas varia muito durante a sua vida. Em sua alimentação, há uma variedade de alimentos e, entre os favoritos, estão o milheto, trigo egípcio, sorgo e outros grãos. Além disso, codornas gostam de ervas daninhas, ambrosia e ervilhas. Em habitat natural, insetos e gafanhotos servem como dieta principal de Bobwhites jovens e adultas.

COLORAÇÕES As codornas Bobwhites são distinguidas por uma listra atrás do olho ao longo da cabeça, em preto e marrom. Quando a área em volta é branca, trata-se de um macho, quando marrom amarelada, é uma fêmea. O corpo é marrom, salpicado de preto ou branco em ambos os sexos, e seu peso médio é de 140 a170 g. Os pintos são muito pequenos, e precisam ser mantidos aquecidos por vários dias. O canto da Bobwhite inclui uma série de assobios sibilantes. Além da cor tradicional, há ainda outras mutações: dourada com pigmentação preta, dourada com pigmentação vermelha e

orange (preta com pigmentação dourada).

MANUTENÇÃO Não é uma espécie muito exigente e se adapta muito bem em viveiros. Uma gaiola para um casal medindo 25 cm x 25 cm de área e altura de 20 cm é suficiente.

REPRODUÇÃO A codorna Bobwhite é uma ótima poedeira: sua postura vai de setembro a março, podendo atingir 200 ovos por ano. O ovo é branco e pesa de 10 a 12g. A fêmea atinge a maturidade sexual e começa a postura com 4 meses de idade e o macho começa a cantar com 5 meses, quando podem ser acasalados. A incubação dura de 22 ou 24 dias, em uma temperatura de 38° C e 70% de umidade. Os filhotes nascem e, pouco depois, já alimentam-se sozinhos. Fontes: CriaçoesBobwhite (Evandro Dias), Proagri e Recanto das Aves

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CRIAÇÕES EXÓTICAS

Criação mantenedora de Rayane Medeiros Vilaça, bióloga da Zoovet Consultoria

antas

A anta brasileira, de nome científico Tapirus terrestres, é o maior mamífero terrestre neo-tropical, com ampla distribuição pelo país, presente também na Venezuela, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, Suriname, Paraguai e Norte da Argentina. O animal pode ser encontrado em ambientes abertos e florestais, como no Pantanal, na Amazônia e no cerrado. De hábito solitário, pode ser visto à noite ou ao entardecer, normalmente perto de cursos d´água. Uma curiosidade sobre esta espécie de anta é que ela defeca habitualmente em um mesmo local, chamado de latrina, ou em lugares próximos à água, onde também toma banhos de lama para se refrescar e proteger sua pele contra ectoparasitas, como moscas e mosquitos. O animal adulto pode chegar de 77 a 108 cm de altura, pesando entre 150 a 300 Kg. É herbívoro, alimentando-se de uma

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variedade de frutos, além de gramíneas rasteiras, taquaras, plantas aquáticas e bromélias. O mamífero atinge a idade reprodutiva após dois anos de idade, com uma gestação de duração aproximada de 400 dias, produzindo apenas um filhote, o qual nasce pesando, em média, 5 Kg. Essa longa gestação, associada à destruição das matas e à caça predatória, fizeram com que a anta brasileira seja considerada, atualmente, uma espécie ameaçada de extinção. A melhor estratégia de conservação desse mamífero é, sem dúvida, a preservação do seu habitat, no entanto, muitos animais não podem mais viver em ambientes livres, sendo resgatados de caçadores, tráfico ou atropelamentos. Diante de tal quadro, surge o questionamento: que fazer com esses animais? Aí é que entra o criador “mantenedor de fauna silvestre”. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) publicou no dia 30 de abril deste ano a Instrução Normativa Nº 07, que regulamenta o registro de pesso-

as ou empresas que queiram receber tais animais, oferecendo um ambiente adequado, alimentação balanceada e tratamento veterinário. Cabe salientar que, apesar da normativa ser federal, o registro deverá ser realizado no órgão ambiental estadual, já que a Lei Complementar 140/2011 atribuiu aos estados a função de registro dos criatórios de fauna silvestre.

CRIAÇÃO LEGALIZADA Para iniciar um criatório de antas é necessário, primeiramente, procurar uma empresa ou técnico especializado no manejo de fauna em cativeiro. Assim, um projeto técnico será elaborado com as plantas construtivas, manejo dos animais, alimentação, memoriais descritivos, e todas as informações e documentos solicitados na IN 07/2015. Normalmente, a empresa se responsabiliza também por toda a tramitação no órgão ambiental, cuidado, assim, de toda a parte técnica e burocrática. O recinto deve contar com uma área


de manejo, onde os animais são alimentados e também onde são realizados os procedimentos veterinários. O mesmo deve ser de fácil higienização, com área para banho de sol, proteção contra intempéries e corredor de segurança com portas duplas. A ambientação do local também é importante, tanto em termo do paisagismo do criatório, como para o bem-estar dos indivíduos. Árvores podem ser plantadas, para oferecerem sombra aos animais, e é essencial que haja um tanque para que o animal possa nadar e ficar submerso. Para fins de cálculos, deve-se estimar, no mínimo, 4m2 por animal de área de tanque. A alimentação das antas em criatórios tem como base a ração para equinos, feno e vegetais frescos, incluindo frutas, gramíneas e leguminosas, tudo balanceado por um profissional experiente em nutrição animal. Os alimentos devem ser

oferecidos sempre no mesmo horário e dentro da área de manejo, de maneira que os animais se acostumem a entrar no local. Vale ressaltar também que o manejo da anta precisa ser realizado por uma equipe treinada, e a captura, quando necessária, nunca deve ser efetuada de forma estressante. A contenção é feita, preferencialmente, utilizando-se técnicas de condicionamento animal ou, se necessário, com o uso zarabatana, tornando o procedimento seguro tanto para o animal quanto para a equipe. Ao receber os animais no criatório, é necessário que os mesmos sejam mantidos por um período de avaliação clínica (quarentena). Quando introduzidas nos

recintos com outros animais, as antas precisam ser monitorados, devendo o local possuir uma área de refúgio, reduzindo os riscos de possíveis brigas entre os indivíduos. Tomando-se os devidos cuidados, a criação de antas realizada com respeito ao meio ambiente e aos animais, é uma atividade relativamente segura e solidária, uma vez que se presta a oferecer um lar a animais que, porventura, não tenham total segurança e condições de retornarem à natureza.

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EVENTO/REUNIÃO Fotos: Marcelo Lamounier

Encontro corporativo do Grupo PGV

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No dia 8 de julho, a diretoria e parte da equipe do Grupo PGV reuniu-se em seu tradicional encontro semanal, com o objetivo de compartilhar conhecimentos e discutir sobre novos desafios. A empresa tem valorizado a força jovem em sua gestão, como forma de enaltecer a inovação e a ousadia na formatação de novos empreendimentos.

Adenilson Veloso, Adilson veloso, Marcelo Veloso e Guilherme Utsch

Amanda Menezes, Mayron Veloso, Poliana Pimentel, Naiara Souza, Luiz Bicalho e Barbara Calazans

Claudio Menta, Larrisa Souza, Airton peixoto, Karen Barbosa, Charles Castro e César Bueno

Amanda Magalhães, Sandra Silva, Alexandre Magalhães, Karina Braga e Denia Guimarães

Liliam Morais, Edilane Castro e Assislene Guimarães

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EVENTO/EXPOSIÇÃO

Raça bovina Wagyu na 55ª Exposição Estadual Agropecuária Uma das novidades da 55ª Exposição Estadual Agropecuária foi a participação, pela primeira vez no evento, de exemplares da raça bovina Wagyu. De origem japonesa, os animais da raça têm a carne que é considerada a mais saborosa, macia e cara do mundo. A iniciativa de trazer esses exemplares para a exposição surgiu da parceria de três fazendas mineiras: Alegria, localizada próximo a Sete Lagoas, Cachoeira, em Caeté, e do Lago, que fica na região de Furnas. Todas são criadoras da raça pura Wagyu e perceberam na feira um momento de tornar a raça mais conhecida entre os expositores de gado. As fazendas contaram com um estande exclusivo, onde foi realizada a degustação da carne para convidados, além de uma rodada de conversa sobre a raça com consultores. Fotos: Marco Aurélio Lara

Fábio Camargo, Ellos Nolli, Roberto Simões e Evando Neiva

Fabiano Menotti, Fábio Camargo e Erica Nolli

Bernardo Neiva, Ivo Faria e Helena Neiva

Ellos Nolli, João Cruz Reis e Evando Neiva

Mendelssohn Vasconcelos, Ellos Nolli, José Afonso Bicalho e Evando Neiva

Rogério Satoru, Marcus Grossi e Bernardo Neiva

Fabiano Tolentino, Evando Neiva, Márcio Botelho e Ellos Nolli

NOVO ENDEREÇO Av. Afonso Pena,RURAL 4374 85 REVISTA MERCADO Bairro Cruzeiro - Belo Horizonte / MG


GIRO RURAL

Líder Aviação apresenta aeronaves durante a Agrishow

A Líder Aviação apresentou uma novidade especial aos seus clientes durante a 22ª Agrishow, realizada entre 27 de abril e 01 de maio, em Ribeirão Preto (SP). Representante exclusiva da Beechcraft e da Bombardier, a empresa levou duas aeronaves ao aeroporto Leite Lopes, disponibilizando-as à visitação e voos de demonstração para os convidados. Foi criado também um ambiente personalizado para os clientes da empresa na sala VIP e hangar da Passaredo. De acordo com o diretor de vendas de aeronaves da Líder, Philipe Figueiredo, a estratégia teve como objetivo aumentar as oportunidades de negócio, já que o cliente pôde conhecer de perto as peculiaridades das aeronaves. “Optamos por deixar os aviões prontos para voar, para que o nosso público possa conheça melhor a performance dos nossos produtos”, destaca.

Unipac inaugura fábrica de Limeira A Unipac, indústria nacional de transformação de polímeros, inaugura oficialmente sua nova fábrica em Limeira (SP). A necessidade de ampliar a capacidade de produção de embalagens plásticas – utilizadas nos segmentos agrícola, químico, alimentício, entre outros – e de modernizar suas atividades, motivou a empresa a migrar todas as operações, até então realizadas na filial de Santa Bárbara D´Oeste (SP), que encerrou seu ciclo. A nova planta conta com 23 mil m² de área construída e terreno de 57 mil m², concentrando, em um único lugar, as operações de fabricação e armazenagem. O prédio abriga a fabricação de embalagens plásticas de 250 ml a 20 litros e de tampas para o segmento de embalagens. Em breve, incorporará, também, a produção dos vasilhames para leite (linha Milkan). O total aplicado inclui, ainda, a compra de maquinários de última geração. Além disso, preocupada com o meio ambiente e a sustentabilidade, Unipac utiliza novos sistemas de abastecimento: na fábrica, para reduzir as perdas de água e de resinas, as máquinas permitem controle e qualidade do processo de suprimento. A escolha do local foi motivada, principalmente, pela proximidade com Santa Bárbara D´Oeste, a fim de manter o quadro de funcionários - cerca de 100 empregados diretos e 30 indiretos. Outros fatores que contribuíram para a definição foram o fato de Limeira estar numa região industrial forte, com mão de obra qualificada para apoiar o crescimento futuro da empresa, e a questão logística pelo fácil acesso, próximo a outras importantes rodovias.

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Sistema de irrigação Crise hídrica aquece o mercado de bombas submersas subterrâneo alavanca em até 46% a produtividade de grãos A Netafim, empresa pioneira em soluções de irrigação por gotejamento, apresentou recentemente o primeiro sistema de irrigação subterrâneo por gotejamento do país, que tem se mostrado uma alternativa em lavouras de cereais e grãos, como a soja e o milho. Os tubos gotejadores são enterrados, proporcionando melhor utilização da água, de forma precisa e na quantidade necessária, fator de extrema importância no contexto de irregularidade de chuvas enfrentado por diversas regiões do Brasil. Se comparado com a irrigação feita por pivôs centrais, o sistema por gotejamento proporciona uma economia de 20% a 30% no consumo de água e também em gastos com a energia elétrica. Além disso, aumenta a produtividade com menos impacto ambiental. É o caso do produtor Flávio José Fialho Velho, da Fazenda Três Capões, em Palmeira das Missões (RS), que resolveu testar a tecnologia na safra de 2012/2013, com sua plantação de milho. Os resultados alcançados foram significativos. Nos 80 hectares onde foi implantado o sistema de irrigação inteligente, a produtividade chegou a 280 sacas de 60 quilos por hectare, valor 46% maior em relação à área de sequeiro, na qual a produtividade foi de 150 sacas por hectare. Já na temporada de 2013/2014, o milho alcançou a marca de 318 sacas por hectare, onde se utilizou com eficácia a técnica fertirrigação. Quanto à expectativa de crescimento do agronegócio e, por consequência, das instalações do sistema pelo Brasil, o gerente agronômico da Netafim, Carlos Sanches, acredita que até 2017 é possível dobrar o atual faturamento da companhia. “O aumento de área virá à medida que a técnica de gotejamento subterrâneo passar pela fase de ajuste para cada cultura no Brasil”, declara o agrônomo.

A crise hídrica, que desde 2014 atinge principalmente o sudeste brasileiro, tem sido fator preponderante para o sucesso do mercado de bombas submersas. A procura por alternativas de amenizar os efeitos da crise fez com que o a atuação da Anauger, tradicional fabricante de bombas para captação de água, situada em Itupeva (SP) aumentasse. “Em 2014, obtivemos um crescimento de 20% e nossa equipe mobilizou-se em uma força-tarefa para atender a demanda de pedidos que vinham de diversas cidades”, destaca Marco Aurélio Gimenez, diretor comercial da empresa. A Anauger, que também conta com um sistema de captação de água por meio de energia solar, viu as vendas não apenas desse item, como de toda a sua linha aumentar. “Empresas e agricultores estão guardando água em grandes cisternas e até nas piscinas, e as bombas são aliadas na transferência desse recurso”, diz Gimenez. Ele ainda ressalta que a linha solar se ampliou. “O mercado de energia solar ainda é explorado de forma tímida no Brasil e mesmo o aumento de vendas tendo sido em sua maioria na nossa linha regular, a tecnologia foi difundida, pois além de ser solução à crise hídrica, gera economia de energia”, conclui.

Celebração em Itapecerica (MG), resgata tradição religiosa e cultural do Reinado do Rosário Nos dias 01, 07, 08, 09 e 10 de agosto, a cidade mineira de Itapecerica realiza a tradicional festa Grande Reinado do Rosário. Organizada pela Associação do Reinado do Rosário de Itapecerica, a celebração tem suas raízes no período colonial, sendo uma importante manifestação da tradição popular brasileira, nascida das práticas rituais desenvolvidas nas irmandades de africanos. Além da tradição dos ternos e do desfiles dos reis, rainhas, a tradicional festa conta com barraquinhas no Alto do Rosário. Centenas de pessoas acompanham todos os anos o evento.

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GIRO RURAL

Pecuarista inova na seleção do Nelore com ultrassonografia Com foco em carne qualidade, o pecuarista Nelson João Bertipaglia Junior e seu pai, Nelson João Bertipaglia, iniciaram um projeto pioneiro no Brasil há três anos, para mostrar o potencial da raça Nelore no Brasil. A iniciativa teve início na Fazenda Taperi, em Brasilândia (MS), com 36 animais selecionados através de ultrassonografia e criação a pasto. O objetivo é conquistar o marmoreio da carne como característica desejada As avaliações por ultrassom começaram desde a desmama dos animais, em condições de pastagem e terminação de oitenta dias em confinamento. Após este processo, todos mostraram, novamente por ultrassom, potencial para marmoreio. O primeiro abate técnico foi realizado no final do mês de abril, no Frigoestrela, em Estrela D’ Oeste (SP). No total, foram abatidos 36 animais, sendo 10 fêmeas e 26 machos da raça Nelore, com idade entre 24 e 25 meses, média de peso entre 17 e 20@, todos com acabamento de carcaça mediano ou uniforme, e apresentaram carne marmorizada, após a desossa. De acordo com o pecuarista Nelson João Bertipaglia Junior já existem mais dois lotes selecionados para serem abatidos nos próximos anos. “O abate nos mostrou que o Nelore é capaz de ser rentável, produtivo, de alto rendimento de carcaça, com bom acabamento, num bom equilíbrio de marmoreio e criado na realidade do brasileiro”, destaca.

JULHO

AGENDA RURAL 15/07 a 25/07

34ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador

Belo Horizonte

MG

15/07 a 19/07

Exposição Especializada do Cavalo Campolina

Cordeiro

RJ

17/07 a 19/07

6º SuperLeite 2015

Pompéu

MG

22/07 a 24/07

BioTech Fair 2015 - 7ª Feira Internacional de Tecnologia em Bioenergia e Biocombustíveis

São Paulo

SP

25/07

3º Leilão Grupo Confiança Genética – 70 lotes Girolando

Muriaé

MG

27/07

IV Leilão Virtual Trilha da Marcha – Terra Viva (21h)

São Paulo

SP

7ª SINAGRO – Feira de Agronegócios do Sudoeste Mineiro

Passos

MG

29/07 a 31/07

1º Leilão EFI e convidados – 40 animais das raças Mangalarga e Pampa

Itu

SP

03/08 a 04/08

01/08

14º Congresso Brasileiro do Agronegócio – Sustentar é Integrar

São Paulo

SP

04/08 a 07/08

XXIX Congresso Brasileiro de Agronomia

Foz do Iguaçu

PR

05/08 a 08/08

III ExpoINEL - Ranqueada da Raça Nelore - Faz. Paraíso

Vila Velha

ES

15ª Leilão Hibipeba – 17 anos – 35 lotes de cavalos da raça Campolina

Tiradentes

MG

11/08 a 13/08

12ª TecnoCarne & Leite - Feira Internacional de Tecnologia para a Indústria da Carne e do Leite

São Paulo

SP

19/08 a 22/08

Exposição Ranqueada do Gado Nelore

Linhares

ES

22/08

Leilão Novos Horizontes – Terra Viva

São Paulo

SP

22/08

13ª Leilão Explosão de Qualidade – 70 lotes de bovinos da raça Girolando

Patrocínio do Muriaé

MG

23/08 a 30/08

Exposição Nacional do Cavalo Pampa

Sapucaia

RJ

27/08 a 30/08

GranExpoES/2015

Serra

ES

29/08 a 06/09

ExpoInter

Esteio

RS

31/08 a 02/09

13º Conpavepa- Congresso Paulista de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais

São Paulo

SP

02/09 a 07/09

2ª Exposição Especializada do Cavalo Campolina

Muriaé

MG

05/09 a 14/09

Expo Prudente 2015 – Exposição Agropecuária de Presidente Prudente

Presidente Prudente

SP

09/09 a 11/09

II Encontro Nacional da Soja

Rio Verde

GO

13/09 a 17/09

44º CONBEA - Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola

São Paulo

SP

15/09 a 19/09

XXIX Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador

Brasília

DF

SETEMBRO

AGOSTO

08/08

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Revista Mercado Rural  

Edição de Junho de 2015

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