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Entrevista

Olavo Machado O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais -Fiemg- fala à Revista Mercado Rural sobre os desafios frente à crise, sobre o projeto de terceirização, operação carne fraca e sobre outros assuntos de relevância econômica e social.

Mercado Rural: O Brasil atravessa uma crise de ordem econômica, política e social. Como a Federação está lidando com estas questões? Houve interferência significativa no papel das indústrias em Minas Gerais? Olavo Machado: Desde 2012, a indústria vem convivendo com uma combinação perversa de aspectos conjunturais desfavoráveis, marcados pela instabilidade política, pela perda da governabilidade e por uma sucessão de erros de política econômica que abalaram a confiança de empresários e consumidores. Como consequência, assistimos à queda vertiginosa dos investimentos e da demanda, onde a indústria foi o setor mais afetado. Entre 2012 e 2016, o PIB mineiro recuou, aproximadamente, 3,9%, enquanto o PIB industrial exibiu contração muito maior no estado, de 17,2% no mesmo período. A FIEMG atua de forma incessante por mudanças institucionais que destravem o ambiente de negócios, buscando a simplificação do sistema tributário, a revisão da legislação trabalhista e a redução do custo do capital no Brasil. Reconhecemos também que é imprescindível expandir o apoio ao

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ensino fundamental e profissionalizante no país, tarefa que historicamente realizamos com sucesso cada vez maior por meio do SESI e do SENAI, ampliando os ganhos de produtividade e a competitividade da indústria. Ainda nessa linha, são vários os programas e investimentos do Sistema FIEMG de fomento à inovação de processos, produtos e apoio aos negócios internacionais. Cada vez mais, a indústria mineira precisa estar unida para seguir forte no combate à crise vivida pelo país. O momento nos pede colaboração, com a participação de todos – entidades representativas, empresários, sindicatos, governos e trabalhadores. Só assim poderemos retomar o caminho do crescimento e da justa distribuição de oportunidades no país. MR: Sobre a Lei da Terceirização que dividiu muitas opiniões em todo o país, com grande repercussão. Como o senhor enxerga essa mudança? Olavo Machado: A regulamentação da terceirização trará segurança jurídica para as empresas investirem. A indústria mineira acredita que a legislação sancionada pela Presidência da República estabelece um conjunto de normas compatível com as praticadas internacionalmente na prestação de serviços ou fornecimento de bens especializados. Ela define regras claras para a prática, reduzindo riscos para contratação de terceirizados e garantindo os benefícios trabalhistas a milhões de cidadãos que hoje já atuam dessa forma. É fundamental entender que a terceirização não exclui ou reduz os direitos dos trabalhadores. Ao contrário, os empregados da empresa contratante e da empresa contratada têm assegurados os direitos já previstos na legislação trabalhista – salários, horas extras, 13º salário, férias, além daqueles estabelecidos em acordos e convenções co-

letivas negociados pelos sindicatos das suas respectivas categorias profissionais. MR: Outra questão polêmica e de proporções econômicas foi a operação “Carne Fraca” deflagrada recentemente pela Polícia Federal. As indústrias mineiras alimentícias do ramo da carne estão em que patamar neste quesito? Olavo Machado: Nenhuma indústria mineira está envolvida, mas registramos nosso alerta: é preciso cuidado para evitar danos às empresas que atuam nesta cadeia produtiva, colocando em risco o emprego de centenas de milhares de trabalhadores. Falamos aqui de um dos setores mais tradicionais de Minas Gerais. Ao longo de décadas, nossas empresas construíram sua reputação com a busca constante por inovação e desenvolvimento de tecnologia, de forma a entregar aos consumidores produtos de reconhecida qualidade nos quatro cantos do mundo. Por esses motivos, é necessário evitar o sensacionalismo e a espetacularização de organismos fiscalizadores e policiais. Desses agentes, exige-se responsabilidade e compromisso com empreendedores e trabalhadores honestos, que, no seu cotidiano, contribuem para o desenvolvimento econômico e social do país. É preciso deixar claro que não pregamos a impunidade. Quem errou deve pagar pelo que fez. A indústria da carne e derivados em Minas Gerais defende inspeções sanitárias rigorosas e investigações necessárias para punir desvios. Não interessa a empresas sérias, que são a maioria esmagadora, que pessoas corruptas façam parte de seus quadros. Também não interessa à cadeia produtiva que irregularidades ameacem a reputação do setor. A integridade nos negócios e o respeito às normas é parte fundamental da concorrência ética e transparente.

Revista Mercado Rural  
Revista Mercado Rural  

Edição de Março de 2017

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