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Café e mamão Cultura consorciada garante bons resultados Mesclar culturas diferentes numa mesma área, o que é chamado de cultura consorciada, é algo que vem dando certo de acordo com a experiência de alguns produtores, principalmente no norte do Espirito Santo e sul da Bahia. Nestas regiões há a cultura do mamão junto à do café robusta-conillon onde os plantadores de mamão arrendam a terra e devolvem com o café formado. No Espírito Santo o café conillon é principal produto da economia estadual e o mamão, a fruta que disparou as exportações há anos atrás. O plantio do mamão entra como forma de sombrear o cafezal, além de haver economia na utilização da mesma área, mão de obra e em parte dos insumos que acabam sendo comuns, além de duas fontes de renda. Outra vantagem é a irrigação. O sistema de micro aspersão possibilita a utilização da água ao mesmo tempo para as duas culturas,

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diminuindo os custos com energia. Mas há cuidados a serem tomados. Os herbicidas para controlar o mato acabam sendo aproveitados para as duas culturas, porém, o café, por ser uma planta mais baixa, precisa ser protegido no momento da aplicação. Uma lona pode ser utilizada para que o produto não tenha contato com o pé de café. O controle de pragas e doenças também é realizado de forma casada entre as lavouras.

Espaçamento Uma média utilizada por muitos agricultores com base em orientações de programas e assessoria de agronomia são as medidas de 3,0 x 2,0 metros para o mamão e de 3,0 x 1,0 metros para o café. Contudo, trata-se de uma média e muitos produtores costumam ajustar de acordo com sua necessidade, levando em consideração o sistema de irrigação e a utilização ou não de máquinas na lavoura.

Experiência Plínio Antônio Vendramini mora no sul da Bahia e há 23 anos lida com a cultura do café e do mamão no mesmo espaço, nas fazendas Santa Rita e Karoline, em Itabela, numa área de 800 hectares.

“Aqui começou esse consórcio e deu certo porque mamão e café é um casal perfeito. Tudo que aplico para o mamão beneficia o café. Sem contar que o mamão produz com nove meses e, dessa forma, acaba custeando a lavoura de café que é introduzida aproveitando todos os tratos culturais como defensivos, fertilizantes e outros componentes. A região onde Plínio produz é grande produtora de café e de mamão, pois o clima é muito propício.

Revista Mercado Rural  
Revista Mercado Rural  

Edição de Março de 2017

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