Page 1

março - 2015 • nº 14

ILPF R e v i s ta M e r c ad o R u r al

Integração Lavoura, Pecuária e Floresta

Caixa d’água como mini Usina

Resfriamento de vacas no verão Cacatua e canguru

Ano 4 • N º 14 •

Algaroba e Sucupira

m ar ç o - 2 015

Fabiano Lopes Ferreira

Presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios encerra gestão e se prepara para novos desafios


março - 2015 e d i to r ial Redação Unique Comunicação e Eventos Tel.: (31) 3063-0208 marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Geral Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Jornalista responsável Tatiana Vieira - MTB 14.525/MG editorial.mercadorural@gmail.com Direção de Arte Otávio Vieira Lucinda otavio.vieira@mobtechsolucoes.com.br Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey www.revistamercadorural.com.br A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

Comemoramos o lançamento da 14ª edição da Revista Mercado Rural, publicação a qual devemos ao apoio das empresas anunciantes que acreditam em nosso empenho em levar informação de qualidade sobre setor agropecuário. Reconhecemos a importância deste incentivo, especialmente no atual período de crise econômica que o Brasil enfrenta. Apesar das dificuldades, conseguimos trazer um material completo e com o mesmo zelo dedicado nas edições anteriores, conteúdo diversificado e projeto editorial elegante. A matéria de capa traz a interessante trajetória profissional de Fabiano Lopes Ferreira, empresário que está à frente da Multimarcas Consórcio. Fabiano dividiu conosco sua experiência como presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, a Abac, falou sobre o setor e seus projetos futuros. Em nossa tradicional seção de “Entrevista”, conversamos com o novo Presidente da Comissão de Política Agropecuária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado Fabiano Tolentino, que destacou seus projetos e o agronegócio em Minas Gerais. Mantendo as colunas fixas da revista, na seção “Personagem”, trazemos o relato de vida e profissão do criador Fernando Aguiar Paiva, titular do Haras do Café, tradicional criatório da raça Mangalarga Marchador e Pampa. Nossa seção “Como Fazer” vai ensinar como controlar as formigas usando o extrato de mamona. A criação pet em destaque foram as cacatuas e os cangurus ganharam as páginas da coluna “Criações Exóticas”. Na seção “Automóveis”, falamos sobre o novo Kia Trail’ster, uma combinação especial entre charme e desenvoltura 4x4. Já na editoria “Bebidas”, abordamos o suco Detox, famoso por prometer a limpeza do organismo. Em “Turismo Rural”, o tema foi o “Caminho do Vinho”, destino localizado na região de São José dos Pinhais – PR. Também tratamos de outros assuntos relevantes, como a intolerância à lactose, a algaroba, a sucupira, a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), a violência no campo, os seguros rurais, o soro para picadas de abelha, o cavalo Gypsy Horse, a questão hídrica, a importação de aves, dentre outros. Apreciem, amigos leitores! Esta edição foi especialmente preparada para vocês e para os nossos anunciantes, aos quais reforçamos a nossa gratidão por contribuírem para que a revista Mercado Rural se fortaleça e ocupe, cada vez mais, destaque no mercado de veículos de comunicação brasileiro. Boa leitura! Marcelo Lamounier

C@rtas

Recebi a revista. Está muito boa. Parabéns.

Acesse o Facebook e deixe sua crítica ou sugestão

Cynthia Bydlowski - LinkGen Laboratório - São Paulo, SP

Mercado Rural Curta nossa página

Leitura de hoje: a nova Mercado Rural! Ela fica melhor a cada edição! Parabéns! Binho Santos - Ribeirão Preto, SP

Gostei muito da revista, está de parabéns! Ela contempla várias reportagens interessantes que vão além do conhecimento rural.

É um tipo de material no qual recorro pra obter informações técnicas nas mais diversas áreas. Muito bem feita, com reportagens sucintas que doam as informações necessárias e assuntos muito bem escolhidos.

Maysa Martins Almeida Candeias, MG

Lais Campos Martinho Campos, MG


4

Entrevista deputado Fabiano Tolentino

6

Personagem: Fernando Aguiar Paiva

8

Intolerância à lactose

12

Como Fazer: Extrato de mamona para controle de formigas

16

Violência no Campo

18

Algaroba, Leguminosa rica em proteínas é usada em rações para diversos animais

20

Integração Lavoura, Pecuária e Floresta: Conheça o sistema que gera inúmeros benefícios às atividades no campo

24

Haras Nova Tradição: Propriedade se destaca por patrimônio histórico-cultural

28

30 32

34 35

Integração granja - frigorífico

36

38

Projetos Especiais para o Mangalarga Marchador

42

Fabiano Lopes Ferreira fala sobre sua gestão na Abac, o sistema de consórcios no Brasil e seus projetos futuros

46

Soro para picadas de abelhas

48

Gypsy Horse: Raça exótica combina docilidade, força e resistência

50

Carne suína brasileira

52

Questão hídrica e a outorga de uso da água

54

Crioulo Lageano: Raça naturalizada brasileira se destaca pela boa genética

Seguro Rural Resfriamento de vacas no verão: Especialista israelense explica os benefícios da técnica na manutenção da produtividade Irrigação por gotejamento Sistema transforma caixa d’água em miniusina elétrica

A força da Sucupira

56

Painço: Comida de passarinho chega ao cardápio de humanos

58

Universidade do Cavalo: Centro de ensino especializado possui Curso Superior pioneiro no Brasil

61

Sessão Economia: Valor da Produção Agropecuária de 2015 é estimado em R$ 479 bilhões Taxa é 0,6% maior que 2014

62

Zoneamento Ambiental Produtivo é modelo em Minas Gerais

63

Receita: Paçoca Pantaneira

64

Turismo: Conheça o “Caminho do Vinho”, região paranaense que mantém traços únicos da cultura italiana

66

Bebidas: Suco detox

68

Automóveis: Kia Trai’lster

69

No Mundo Das Águas

70

Importação de aves exóticas: Conheça mais sobre o processo, a quarentena e os cuidados necessários

72

Sessão Pet: Cacatua

74

Criações exóticas: Cangurus

76

Evento: Rações Futura, Faceb/Unipac e AMCGIL realizam Dia de Campo

78

Giro Rural

80

Agenda Rural revista mercado rural

3


entrevista

Fabiano Tolentino A Revista Mercado Rural convidou o deputado mineiro Fabiano Tolentino (PPS), que atualmente ocupa a presidência da Comissão Parlamentar de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para falar mais sobre suas propostas à frente do órgão, os desafios a cumprir e a atual situação do agronegócio em Minas Gerais. Na entrevista abaixo, o parlamentar destacou a questão hídrica e o crescimento da agricultura e pecuária em Minas, bem como a sua importante colaboração para o PIB do Estado. MR: A Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial possui um papel relevante na Assembleia Legislativa e representa não somente o setor produtivo, como a logística do estado, sendo o carro chefe da economia mineira. Quais são as suas propostas de políticas públicas para o setor agropecuário e agroindustrial de Minas Gerais? As políticas públicas relativas ao setor agropecuário e agroindustrial terão papel importante na Comissão de Política Agropecuária da Assembleia Legislativa. Também merecerá destaque o estudo da fragilidade hídrica imposta ao Estado por três anos de estiagem pronunciada que, além de impactar profundamente as safras e expectativas futuras de produção de todas as regiões, aponta para a premência de integrar a agropecuária, principal demandante de recursos hídricos do Estado, ao debate sobre a crise hídrica. MR: Como você avalia o cenário do agronegócio em Minas atualmente? O agronegócio confirmou-se como destaque na economia do Estado em 2014, mesmo enfrentando diversos desafios como a crise hídrica e o aumento da taxa de juros, entre outros. Em ano atípico, o PIB de Minas Gerais atingiu o valor recorde de R$ 159,265 bilhões, incremento de 6,22% em relação a 2013, de acordo com os dados oficiais mais recentes. O agrone-

4

março 2015

gócio mineiro tem crescido e continuará crescendo, uma vez que o setor tem investido cada vez mais em qualidade e o Estado está se consolidando como referência no agronegócio. MR: Quais são as matérias de competência da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial? De acordo com o regimento interno da ALMG, as matérias incluem o fomento da produção agropecuária; a agroindustrialização e o desenvolvimento do negócio agrícola; a política fundiária; a promoção do desenvolvimento rural e do bem-estar social no campo; a alienação e a concessão de terras públicas. MF: Existem outras competências paralelas da comissão permanente? Sim. Segundo o regimento interno, compete às comissões permanentes apreciar, conclusivamente, em turno único, as seguintes proposições: projetos de lei que versem sobre declaração de utilidade pública e denominação de próprios públicos; projetos de resolução que tratem de subvenções; requerimentos escritos que solicitarem providência a órgão da administração pública; manifestação de pesar por falecimento de membro do poder público; manifestação de apoio, aplauso, regozijo ou congratulações; e manifestação de repúdio ou protesto. Esses requerimentos não precisam de parecer.


MR: Quais são as suas metas à frente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia? Temos diversas metas a serem alcançadas, dentre as quais podemos citar: • Discussão dos impactos da estiagem prolongada sobre as cadeias produtivas da agropecuária em Minas Gerais e medidas para contornar as dificuldades dos produtores rurais atingidos; • Prosseguimento e consolidação do pagamento por serviços ambientais (Bolsa Verde); • Consolidação da estrutura institucional para a execução das políticas públicas da agricultura familiar no Estado; • Universalização da habilitação sanitária e reconhecimento dos diversos queijos artesanais de Minas Gerais e a edição do novo RIISPOA; • Implementação do FECAFÉ; • Realização de audiências públicas para discutir as políticas do Estado para a avicultura, bovinocultura, suinocultura, silvicultura, piscicultura, equinocultura, entre outros; • Busca de solução para o problema da segurança no campo. MR: Alguma consideração final? Eu gostaria de registrar meu profun-

do agradecimento aos 62.776 eleitores que acreditaram no nosso trabalho e confiaram seu voto para que possamos representá-los na Assembleia de Minas. Queremos fazer política de uma maneira nova, mais próxima de todos, mais acessível, desconstruindo a imagem do político distante e que só aparece a cada

quatro anos. Tenho atuado para mostrar que podemos fazer a diferença, pois fui o primeiro deputado mineiro a recusar o pagamento do 14º e 15º salários, além de votar contra este benefício e recusar também o recebimento do auxílio moradia, porque entendo que o homem público não deve ter privilégios.

revista mercado rural

5


personagem

Fernando Aguiar Paiva

“Nasci debaixo de um pé de café e montado em um cavalo pampa” Uma paixão por cavalos e pelo café que se transformou em uma história de vida repleta de boas memórias, amigos, viagens e conquistas. Esse enredo, que já completa 88 anos, pertence ao Sr. Fernando Aguiar Paiva, proprietário da Fazenda Cachoeira e do Haras do Café, em Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas Gerais. O cenário é um casarão do século 19, cercado por um criatório de cavalos Mangalarga Marchador e cerca de 40 hectares de café. Nos arredores, montanhas e cachoeiras embelezam o local onde o Sr. Fernando construiu a sua trajetória, dando continuidade à tradição de seus antepassados e repassando também o amor pelo que faz à esposa Hilda, à filha Mirian, e ao genro Rogério, que o ajudam a gerenciar a propriedade. Além das atividades do agronegócio, a fazenda conta um hotel e disponibiliza turismo rural nos arredores. Com um bom humor nato, Sr. Fernando costuma dizer que “nasceu debaixo de um pé de café e montado num cavalo pampa”. Para o proprietário, quem nasce e cresce no meio rural acaba seduzido pela vida encantadora no campo e nunca para de trabalhar. “Tenho lembrança, de ainda menino, viajar por trinta dias, em comitiva de gado, com meu pai. Cresci ajudando-o a criar o gado

6

março 2015

de leite, zebu e a cuidar do café”, recorda. O interesse pelos cavalos pampa também foi herdado da infância. O proprietário relembra com saudosismo da “Primavera”, égua que era de sua irmã mais velha. “Eu a admirava muito pela sua beleza”, conta. Haviam também outros cavalos usados para o lazer e o trabalho na fazenda, mas sua criação própria só começou mesmo quando adquiriu o garanhão “Balote AC”. “Com ele, ganhei muitos prêmios e pude desenvolver meu negócio”, ressalta. Há trinta anos, Sr. Fernando prioriza a seleção genética dos animais, o que lhe permitiu ter uma linhagem bem definida atualmente. O criador admite ter um entusiasmo especial pelo Mangalarga Marchador de pelagem pampa e, por isso, busca o aprimoramento seus cavalos em vários aspectos, que vão desde a linhagem à aparência. Para ele, lidar com a raça proporciona muitas alegrias, como fazer bons amigos e acompanhar o melhoramento da morfologia do animal, principalmente o seu andamento e beleza. O trabalho do Sr. Fernando não para por aí. Ele também monitora a plantação do café orgânico, herança do seu pai e que continua como um negócio forte da Fazenda Cachoeira, sendo exportado para muitos países. “O café sempre foi minha paixão. Rodei o mun-

do, conheci muita gente e fiz bons negócios no universo cafeeiro”, destaca. Em seus 88 anos de idade, Sr. Fernando não deixa de inovar. Para dar o suporte necessário na agricultura e também na criação do pampa, ele conta com o apoio de técnicos especializados. Além disso, a fazenda fez uma parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), com a qual, segundo o proprietário, toda a equipe da propriedade tem aprendido muito. “Nosso

Flora Aguiar


Autorretrato Conheça mais sobre o proprietário da Fazenda Cachoeira, Sr. Fernando Paiva: Fernando Aguiar Paiva e Miriam Aguiar

Família: “Minha esposa Hilda. Completaremos sessenta anos de casados este ano”. Viagem: “Foram muitas, mas especialmente a visita aos criatórios de cavalos nos Estados Unidos”. Comida: “Frango com quiabo e arroz. Nunca comi feijão”. Um lugar: “Fazenda Cachoeira e o Parque da Gameleira, que eu vi ser inaugurado por Getúlio Vargas”.

Miriam Aguiar

Fotos: Marcelo Eduardo

projeto para este ano é nos profissionalizarmos ainda mais, tanto na doma dos animais quanto no gerenciamento do Haras do Café. Fizemos, no mês passado, o curso de doma da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador. Estamos investindo também na capacitação de nossos colaboradores que trabalham no operacional e na gestão”. A ideia de Sr. Fernando é buscar o máximo de profissionalização do trabalho na fazenda para que todas as atividades se tornem sustentáveis e possam ser continuamente melhoradas. “Espero que as próximas gera-

ções trabalhem com a mesma paixão e a mesma dedicação que mantenho há mais de trinta anos”, declara. Questionado sobre o segredo do sucesso, Sr. Fernando relembra as suas origens, destacando o legado deixado por seus pais, avós e tios, que fizeram sua vida trabalhando com dedicação e afinco. “A Fazenda Cachoeira tem duzentos anos, são cinco gerações dedicadas ao agronegócio. Acredito que a prosperidade do negócio está relacionada em trabalhar com o que aquilo que se gosta de fazer e se faz bem”. Tanta experiência tem também os seus ingredientes. Segun-

Uma companhia: “Meus amigos do café e do cavalo”. Música: “Bolero. Nunca perdi baile, nem de tolda nem de clube”. Distração: “Baralho, principalmente o buraco porque jogo com meus amigos, todas as tardes”. Felicidade: “Ter nascido na Fazenda Cachoeira e poder ter visitado tantos lugares diferente no mundo”. Tristeza: “Quase não tenho”. Cavalos: “Balote AC e Espoleta do Café”. do o proprietário, para se tornar um gestor do campo bem sucedido é necessário “ter excelentes reprodutores, buscar genética de referência, inovar, investir em tecnologia e aprender com outros criadores”.

A Unique Comunicação e Eventos atua há 8 anos no agronegócio, prestando com excelência e qualidade seus serviços. Atenta à crescente demanda do setor, a empresa especializou-se no ramo de organização de leilões e divulgação de projetos voltados para o agronegócio.

Contato: (31) 3063-0208 • 9198-4522 Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br

CONHEÇA ESTA MARCA!

www.uniquecomunicacao.com.br

revista mercado rural

7


Intolerância à lactose A intolerância à lactose tem sido um tema recorrente na atualidade. Como forma manter sua força no mercado, muitas indústrias de laticínios vêm se especializando em produtos sem a presença deste açúcar natural do leite. Para tirar todas as dúvidas sobre o tema, a Revista Mercado Rural contou com a participação especial do Dr. Joel Alves Lamounier, médico pediatra e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). No artigo a seguir, são apresentadas informações sobre o distúrbio, bem como as opções de tratamento e adequação da dieta.

A lactose é um açúcar dissacarídeo presente no leite dos mamíferos. Sua assimilação pelo nosso organismo acontece sob ação da enzima digestiva lactase, que “quebra” a lactose e libera moléculas de glicose e galactose, absorvidas pelo intestino. Algumas pessoas não produzem quantidade suficiente da enzima e, por isso, sofrem de intolerância a lactose. As pessoas com intolerância a lactose não conseguem digerir o açúcar do leite, o que causa desconforto gastrointestinal ao consumirem quaisquer produtos lácteos. Cerca de 90% da população mundial adulta sofre de intolerância à lactose, sendo que apenas 2% dos afetados possuem sintomas. No Brasil, o distúrbio atinge 40% da população. Sem a presença da lactase, o açúcar do leite passa pelo intestino sem ser digerido e encontra bactérias que vão fermentar essa lactose. Essas bactérias é que são responsáveis pelo incômodo que as pessoas intolerantes à lactose sentem ao ingerir produtos derivados do leite. Os sintomas mais comuns incluem dor abdominal, diarreia, flatulência, cãimbras, gases, assaduras, inchaço abdominal, náusea e vômito. Os sintomas aparecem entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão dos derivados do leite, que contém lactose. O diagnóstico pode ser clínico pelos sintomas, com melhora pela retirada do leite e derivados da dieta. Também existe o teste laboratorial, que consiste em monitorar a glicose sanguínea após uma dose

8

março 2015

oral de lactose. A intolerância pode ser detectada, ainda, através da técnica do hidrogênio expirado, que não requer a retirada de sangue. Além desses métodos, atualmente, é possível realizar um exame genético para verificar se a pessoa possui a mutação que a torna tolerante à lactose. O tratamento consiste em mudanças na alimentação para evitar a lactose. A retirada do leite de vaca da dieta pode ser total ou parcial. A tolerância do indivíduo depende do grau de atividade da enzima residual. Conforme a faixa etária e a importância do leite na dieta da criança, o mesmo poderá ser substituído por fórmulas especiais ou suplementos “sem lactose”. Acima de seis meses de idade, o leite de soja pode ser usado, pois não contém lactose. É necessario ter cuidado com sucos à base de soja, pois eles não substituem o leite de soja.

Outra alternativa é usar a enzima lactase em forma de suplementação, possibilitando que pessoas com intolerância à lactose consumam produtos derivados do leite com digestão normal. Bastam apenas dois comprimidos da enzima lactase antes de cada refeição e a digestão acontecerá sem desconfortos. A indústria de laticínios também tem produzido leites e derivados lácteos com baixo teor de lactose ou ausência da mesma. Portanto, hoje a pessoa que possui a intolerância já consegue ter uma dieta sem muitas restrições. Um aspecto importante é diferenciar intolerância à lactose da alergia à proteína do leite. No caso de alergia, os sintomas decorrem da presença da proteína. Entretanto, em algumas situações pode ocorrer simultaneamente à alergia e à intolerância ao leite. Frente a uma criança com o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca, a retirada da dieta deve ser total, não sendo permitida nem pequena quantidade da proteína. Nas crianças, como o leite é uma importante fonte de nutrientes, particularmente nos lactentes, o mesmo deverá ser substituído por fórmulas especiais (hidrolisados de proteína, de aminoácidos e de soja). Estas fórmulas especiais não tem a proteína do leite de vaca e são completas em termos nutricionais. Por fim, chamamos atenção para as mães amamentarem seus filhos com leite humano, pelas inúmeras vantagens do leite materno para criança nos primeiros anos de vida e repercussões positivas para saúde do adulto.


revista mercado rural

9


10

marรงo 2015


revista mercado rural

11


como fazer

Extrato de mamona para

controle de formigas As formigas-cortadeiras estão entre as pragas responsáveis por causar grandes danos em hortas, pomares e lavouras. De acordo com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), um sauveiro adulto com cerca de seis anos de idade (que pode ter em média 2 milhões de formigas) pode abranger uma área de 100 m2 e 7m de profundidade, consumindo, aproximadamente, uma tonelada de matéria fresca por ano. Outro exemplo é o estrago que podem causar em uma plantação de cana-de-açúcar. Um único formigueiro adulto, com cerca de três metros de profundidade, provoca uma perda anual média de três toneladas por hectare em

12

março 2015

uma cultura de cana. Muitos produtos químicos estão disponíveis no mercado para a combater a saúva, porém, existe uma forma de produzir um formicida simples e ecológico, sem usar veneno, evitando, assim, o depósito de resíduos tóxicos no meio ambiente e nos alimentos. A tecnologia, eficiente e de baixo custo econômico e operacional, necessita apenas de água e folhas de mamona.

Instruções 1. Mascere as folhas de mamona 2. Coloque as folhas em 20 litros de água e deixe em repouso por vinte e quatro horas

Materiais utilizados

3. Retire a terra do formigueiro antes da aplicação

• 300 gramas de folhas de mamona • Água

4. Coe a solução e aplique um litro dela em cada formigueiro


revista mercado rural

13


14

marรงo 2015


revista mercado rural

15


Violência no campo

Quadrilhas especializadas em roubos a propriedades rurais geram insegurança entre criadores A violência no campo tem sido um tema recorrente na mídia por conta dos vários casos de assaltos e roubos registrados em propriedades rurais. O problema não se limita a determinadas regiões do país. Praticamente todos os estados têm registrado ocorrências desta natureza. A ação dos ladrões costuma ser semelhante. Em geral, os roubos acontecem à noite e, no caso de animais, estes são comercializados a preços inferiores e sem registro. Em alguns casos, cobra-se recompensa para a devolução. A reportagem da Revista Mercado Rural conversou com um criador que teve uma égua recentemente roubada. Ele conseguiu recuperá-la pagando uma gratificação. O produtor, que prefere não identificar, diz que o grande medo dos fazendeiros é que

16

março 2015

possam ter suas vidas ameaçadas, uma vez que os ladrões costumam fazer parte de quadrilhas especializadas neste tipo de delinquência e andam fortemente armados. O criador conta que a quadrilha atua durante a noite e madrugada. Eles vão até a propriedade com uma carreta para carregar o animal ou instrumentos de trabalho, como máquinas e tratores. “Para nós, fica muito difícil de controlar, pois não temos como colocar um vigia no pasto à noite”. O produtor acrescenta que os animais são transportados durante a madrugada para que não haja risco algum de serem barrados por fiscais, uma vez que nenhum deles têm o registro. “Sabemos do trabalho do IMA para controlar os animais sem fiscalização e também do patrulhamento rural da

Polícia Militar, porém, acredito que precisamos de um reforço ainda maior nas estradas, especialmente à noite, quando a quadrilha costuma agir”, defende. No caso do roubo de cavalos, os animais geralmente são vendidos a preços inferiores e em cidades distantes de onde foram furtados. “Temos tentado divulgar nas redes sociais para criar uma rede de produtores que conheçam o animal e possam denunciar, no caso de verem anúncios de venda dos mesmos ou os avistem em alguma propriedade”, explica o criador. Já os bovinos costumam ser encaminhados a frigoríficos, o que dificulta ainda mais na sua recuperação. Algumas vezes, antes da venda, a quadrilha tenta negociar com o proprietário cobrando uma gratificação para a devolução do animal. “Eu, assim como outros colegas, conseguimos recuperar nossos cavalos porque pagamos uma recompensa. Muitas vezes, optamos por este caminho para preservar a nossa vida e a de nossos familiares”, afirma. Para controlar roubos desta natureza, a Polícia Militar tem investido em projetos de Patrulhamento Rural. Delegacias especializadas estudam a ação das quadrilhas a fim de localizar os chefes e efetuar a prisão de todos os envolvidos.


revista mercado rural

17


Algaroba Leguminosa rica em proteínas é usada em rações para diversos animais A algaroba é um alimento bastante conhecido no sertão do Nordeste brasileiro e tem sido de grande utilidade para os criadores que enfrentam a seca, garantindo a boa nutrição dos animais. O vegetal, transformado em farelo, pode ser incluído em dietas de bovinos, equinos, caprinos, ovinos, suínos, aves e peixes, de acordo com as recomendações de um técnico habilitado. A algaroba é uma leguminosa com formato de uma vagem achatada, curvada

18

março 2015

e com cerca de 20 centímetros de comprimento. Ela tem um aroma que lembra a baunilha e sabor doce, em função de seu alto teor de sacarose, que pode chegar a 30%. Rica em proteína, gordura, vitaminas e sais minerais, a algaroba vem sendo usada na formulação de rações para diferentes espécies de animais e apresenta ótimos resultados. O criador Antônio Edson Bernardes relata que conheceu a leguminosa em 2005, quando viajou para o sertão pernambuca-

no à procura de animais da raça Bergamácia. Lá, Antônio notou o quanto os ovinos eram grandes e bem nutridos e, por isso, ficou interessado em saber como era possível manter o porte do animal, mesmo nas condições adversas do clima semiárido. “Um dos criadores me disse: Bernardes, nós temos algaroba!”. O produtor afirma que aquele foi o primeiro momento que ouviu o nome do vegetal e, a partir dali, passou a buscar todas as informações sobre o farelo de algaroba, alimento que hoje é amplamente utilizado em sua criação de ovinos, no sertão baiano. Antônio explica que a vagem, em forma de farelo, facilita a catalisação, ou seja, acelera a absorção dos nutrientes pelo animal. Seu diferencial é a presença de proteína bruta, que varia de 85 a 120 gramas por quilo. Além disso, a algaroba é considerada um excelente aglutinante de rações. Conforme o criador Antônio, a inclusão do produto nas rações pode variar de acordo com a necessidade de cada categoria animal e com a composição nutricional dos demais ingredientes utilizados na dieta. “As inclusões médias nas composições que fabricamos variam de 1% a 5% para aves, e 10% a 30% para bovinos, equinos, ovinos e caprinos”. O farelo pode ser armazenado por até 6 meses.


revista mercado rural

19


Integração Lavoura, Pecuária e Floresta Conheça o sistema que gera inúmeros benefícios às atividades no campo Uma nova tecnologia tem chegado em muitas propriedades rurais brasileiras e agregado bastante em termos econômicos, sociais e ambientais. Quem já aderiu à Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) garante que a mudança no modo de produzir vale a pena. Sua ideia central é reunir, em uma única propriedade, uma plantação, a criação de gado e uma área arborizada, cada parte contribuindo para o desenvolvimento da outra. A Revista Mercado Rural buscou informações detalhadas sobre a técnica através de consulta na Cartilha da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Fundação Casa do Cerrado. De acordo com os especialistas que participaram da elaboração do material explicativo, a ILPF é um ensinamento do passado (aplicada na época

20

março 2015

da Idade Média, na Europa) que vem para mudar o futuro do planeta, pois combina o aumento da produtividade à conservação dos recursos naturais. Isto acontece porque a técnica incentiva a plantação de lavouras em áreas já degradadas como solução para devolver a capacidade produtiva dos pastos e do solo. Além disso, requer a implementação de uma área florestal.

Início A primeira experiência de ILPF no Brasil ocorreu em 1994, na região do Cerrado, com a plantação de eucalipto integrado ao cultivo de grãos e braquiária de criação de gado. A partir dos seus resultados positivos, instituições de pesquisa e extensão


rural instalaram Unidades de Referência Tecnológica (URT) em várias regiões do país para validar e implementar a melhor opção de ILPF em cada propriedade. De lá para cá, as técnicas e estudos se aprimoram e, hoje, já existe um passo-a-passo para guiar o produtor que deseja aplicar a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta. Recomenda-se retirar de 10% a 20% da pastagem degradada para introduzir a técnica. A cada ano, pode ser iniciada a implantação em uma nova área, dentro do limite de investimento que o produtor pode fazer e respeitando-se a sustentabilidade ambiental.

A implantação O primeiro passo é fazer um bom planejamento, através do diagnóstico da propriedade, com o apoio de um técnico. Em seguida, determinam-se as metas, o cronograma de atividades e como será feita a avaliação dos resultados. Nesta fase, é de extrema importância fazer uma análise do solo em laboratório, de maneira a diagnosticar as melhores áreas para plantio e quais as culturas que se adaptarão bem. Depois de planejar, sugere-se fazer um estudo de mercado, que guiará as decisões sobre o que será implantado. Por exemplo, no caso do plantio de árvores, deve-se optar pela produção de madeira para fins nobres ou para a produção de frutos, sementes, resinas, láctex ou óleos. A escolha vai depender das potencialidades de cada região, bem como da mão de obra disponível, logística e das características da propriedade. Recomenda-se, preferencialmente, o plantio de árvores de rápido crescimento inicial, de modo a diminuir o intervalo de tempo entre a implantação do sistema e a introdução dos animais, que é a última fase da ILPF. Com tudo definido e bem planejado, é

hora de firmar parcerias para viabilizar o empreendimento. De acordo com a cartilha da Fundação Banco do Brasil, para a ILPF podem ser buscados recursos através do Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC) ou de Fundos Constitucionais. Posteriormente, já no momento da implantação, deve-se buscar uma assistência técnica para que as etapas seguintes sejam realizadas de forma correta e organizada. Já na fase de ativação da ILPF, a primeira ação é preparar o terreno. É necessário adequar áreas degradadas e marginais, corrigir o solo, recuperando a sua fertilidade (60 a 90 dias antes da implantação do sistema), fazer o controle de formigas e cupins (antes e durante o cultivo) e deixar o solo pronto para o plantio. Sugere-se fazer três cultivos de grãos em rotação de cultura, sendo que a primeira deve exigir menos do solo, e a seguinte contribuindo mais para o seu enriquecimento. Com o solo preparado, inicia-se a implantação da floresta e da lavoura ao mesmo tempo. No caso do plantio de árvores, é importante atentar-se ao espaçamento entre as plantas, à distribuição das mudas, adubação de cobertura, controle de pragas e poda lateral. Já para as lavouras, na terceira plantação é indicado consorciar o capim, para servir de alimento ao gado. Após a inserção da área florestal e com o crescimento do capim, pode-se introduzir o gado. Um fato interessante é que, devido ao sombreamento das árvores, o capim sofre menos nos meses secos e a recuperação das pastagens é mais rápida quando começa o período das chuvas. Sendo

revista mercado rural

21


assim, durante todo o ano, o gado conta com um pasto de qualidade. Além disso, a sombra proporciona conforto térmico aos animais, o que estimula o seu pastejo e, estando mais bem nutridos, aumentam a sua taxa de fecundidade e natalidade, bem como a produção de carne ou leite.

Custos e benefícios Na ILPF, existe o que se chama de “Poupança Verde”: a receita da lavoura e da pecuária cobrem os custos da floresta e o que se obtém com a madeira ou os demais produtos das árvores é lucro. Tem-se, também, uma melhoria para o trabalhador do campo, pois reduz-se a sazonalidade no uso da mão de obra. Outros benefícios são: o aumento da oferta de alimentos com menores custos de produ-

22

março 2015

ção, o bem-estar animal e a recuperação de áreas degradadas. Pensando-se no custo-benefício, a ILPF é, hoje, uma solução eficaz para o au-

mento da produtividade no campo e a geração de renda, tornando a atividade rural mais forte economicamente e responsável nos nichos social e ambiental.


revista mercado rural

23


Haras Nova Tradição Propriedade se destaca por patrimônio histórico-cultural e genética diferenciada dos cavalos Mangalarga Marchador Paixão, perseverança, respeito à história. Com uma dose de cada um desses ingredientes, o Haras Nova Tradição vem construindo a sua trajetória repleta de títulos e cavalos de prestígio nacional. A aposta é a mistura da linhagem do Mangalarga Marchador 53 com a JB, decisão que contribuiu fortemente para o sucesso do negócio. Mais que um criatório de cavalos, o Haras Nova Tradição é, hoje, um dos locais de maior importância no município de Porto Ferreira, a 230 km de São Paulo. Isto porque fica localizado em uma fazenda centenária que guarda um rico patrimônio histórico-cultural. A Fazenda Santa Mariana, datada do século 19, foi o lugar escolhido pelo Sr. Luiz Carlos Silveira Schereiner, pai do atual proprietário, Luiz Francisco Pandolfo Schereiner, para intensificar e profissionalizar o seu trabalho com o Mangalarga Marchador. A propriedade, adquirida em 2004, possui 76 alqueires de belas montanhas e pastagens. É mais antiga que o próprio município e chegou a ter mais de três mil colonos, no período áureo do café. Atualmente, conta com o Centro Cultural Orlando Prezotto, instalado no galpão da antiga tulha de café (de 1898) e que resgata a toda a importância histórica do local. Outro diferencial da propriedade é a sua mata nativa, com cachoeiras e árvores centenárias. Curiosamente, a criação dos cavalos começou por acaso. Luiz Francisco conta

24

março 2015

que, incialmente, seu pai possuía cavalos de todas as raças, usados para passeio nos finais de semana. “Ele tinha uma égua Mangalarga Marchador que pariu um potro castanho, destacando-se pelo tipo e andamento, o que o motivou a conhecer seu pai, reprodutor no centenário criatório 53, em Jaborandi-SP. Esta visita foi responsável pela decisão de criar através de acasalamentos de linhagens tradicionais de genética comprovada e que viessem pela linha alta de um mesmo tronco, no caso, o tronco dos ‘Fortuna’s’”, explica o atual criador. Ao longo dos anos, o Haras Nova Tradição vem colecionando troféus e campeonatos em grandes torneios. Luiz Francisco manteve com afinco a paixão do pai pelos cavalos e busca aprimorar o seu trabalho com “bastante foco, paciência e persistência”, conforme pontua. Para ele, o importante é acreditar no que faz, além de ter as estratégias corretas. “Acredito que o criador precisa priorizar a boa genética, confiar nos animais certos, além de participar também dos bastidores do cavalo. O treinamento e as reciclagens se fazem necessários, sem se esquecer de uma boa dose de sorte”, ressalta. O criador cita a seleção dos animais, as boas condições de trabalho e o comprometimento da equipe como primordiais para o sucesso do negócio. Além do Mangalarga Marchador, Luiz

Francisco também trabalha com a criação do bovino Nelore Padrão e, recentemente, introduziu cavalos pampa ao haras. “Estreamos nossa primeira representante este mês, na 3ª Exposição Estadual da Raça Pampa, que aconteceu no Parque Água Branca, na capital paulista”, destaca. Com relação à principal raça criada na propriedade, a expectativa é com o macho e a fêmea que já estão sendo preparados para participar da Nacional do Mangalarga Marchador, em julho deste ano. Sobre as dificuldades enfrentadas, o criador cita a mão de obra qualificada, o alto custo da manutenção e a segurança da propriedade, entretanto, apesar dos percalços, Luiz afirma que a renovação do plantel o motiva a continuar. “Torcemos por um Brasil melhor para que possamos continuar investindo, criando, treinando, expondo e comercializando nossos cavalos”, finaliza.


revista mercado rural

25


26

marรงo 2015


revista mercado rural

27


Integração

granja - frigorífico Relação contratual entre empresa e produtor garante estabilidade econômica e eficiência produtiva Em uma parceria que gera benefícios e facilidades para ambos os lados, a integração de granjas, que conta com a participação de um produtor e um frigorífico, é boa oportunidade para quem quer iniciar um negócio na área de granjas, mas não possui alto capital de giro. O sistema funciona através de uma relação contratual de terceirização do processo produtivo, ou seja, o produtor torna-se um prestador de serviços, uma vez que em que as aves são de propriedade do frigorífico e o integrado é responsável pelo seu trato. A parceria começa, em geral, com a solicitação do produtor de se integrar ao frigorífico. Para tanto, ele precisa cumprir alguns requisitos, como possuir infraestrutura adequada, equipamentos exigidos para a instalação da granja e mão de obra especializada. Assim que o contrato é firmado (de acordo com a demanda do frigorífico), a empresa passará a fornecer os pintinhos, a ração e a assistência técnica. Fernando Araújo Gato é proprietário de uma granja integrada e, conforme explica, a sua responsabilidade é fornecer o galpão

28

março 2015

e arcar com a energia elétrica, a lenha para aquecimento dos pintinhos, a mão de obra e o material para fazer a cama do frango. De acordo com o proprietário, o investimento inicial para a construção de uma granja está em torno de R$ 300 mil, para galpões mais simples e com sistema de ventiladores, e de R$ 650 mil, para galpões climatizados. É recomendável que o galpão esteja em local arejado, protegido do vento, em tipografia o mais plana possível para reduzir o investimento em terraplanagem, e em posição leste-oeste, de maneira a evitar a entrada do sol. Para apoiar o produtor, existem linhas de investimento do governo, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf ) e outros programas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outro cuidado que o integrado precisa ter é em relação à parte legal da granja. É solicitada a Licença Ambiental de Funcionamento ou, dependendo do tamanho da granja, uma licença especial, devido ao impacto ambiental. Além disso, podem ser exigidos outorga de uso de água, licença para uso de

lenha ou carvão e certificações especiais. O controle é realizado através de planilhas preenchidas pelo integrado. Nelas, anotam-se a mortalidade diária, as recomendações técnicas, os medicamentos utilizados e o consumo de ração. Para calcular a remuneração do produtor, a empresa toma como referência o Índice de Eficiência Produtiva (IEP), e de acordo com o resultado, tem-se uma tabela onde se define o valor repassado ao dono da granja. Alguns frigoríficos possuem também um check list de bonificações, que incluem, por exemplo, a organização, fichas atualizadas, baixo índice de “calo de pé” (ferida no pé do frango), e outros itens. “Podemos dizer que, quanto mais o frango engordar, menos comer e menos morrer, maior será a remuneração, e um dos fatores que mais contribui para o sucesso, é o bem estar da ave”, explica Fernando. Além desse pagamento, o produtor pode ter ganhos com a venda da cama de frango (casquinha de arroz, maravalha de madeira, capim picado, etc.), que é considerado um excelente adubo orgânico.


revista mercado rural

29


Seguro

Rural

Conheça mais sobre o programa que protege o produtor rural contra perdas e impulsiona investimentos através da cobertura de riscos O ano de 2015 pode apresentar dificuldades para os produtores, especialmente pelos riscos de estiagens, como já vem acontecendo nos primeiros meses do semestre. Lidar com os imprevistos, muitas vezes, é um desestímulo aos novos investimentos e isto pode afetar diretamente o setor agropecuário brasileiro. Como uma forma de ampliar o apoio ao produtor, o Seguro Rural busca minimizar prejuízos em caso de sua ocorrência. O programa, que recebe o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), oferece ao empresário do campo a oportunidade de contratação de um seguro particular pagando de 30% a 70% do prêmio, sendo o restante subvencionado pelo governo.

Como funciona O benefício pode ser solicitado por qualquer Pessoa Física ou Jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo projeto. Além disso, existem algumas prioridades, com acréscimos de 20% na subvenção do prêmio pelo governo, para os casos dos produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP), produtores de orgânicos (independente da atividade e região), produtores de

30

março 2015

algodão, ameixa, arroz, caqui, feijão, maçã, milho (1ª safra), pêssego, soja, tomate e uva, e, ainda, para as microrregiões consideradas prioritárias. Tais locais são definidos de acordo com uma série de fatores, que avaliam os riscos de prejuízos e de alterações climáticas, o valor da produção, o Índice de Desenvolvimento Rural e o acesso às seguradoras. Muita gente costuma confundir o Seguro Rural com o Seguro Agrícola que, na verdade, é uma modalidade do primeiro. Existem diversas áreas de abrangência do programa, como o seguro pecuário, aquícola, de benfeitorias e produtos agropecuários, de penhor rural, de florestas, de vida do produtor e de cédula do produto rural. Todos eles têm como objetivo ajudar o segurado a recuperar o prejuízo ou, no mínimo, reduzi-lo, com o recebimento do capital para ajudar a quitar as despesas. O Seguro Rural funciona da seguinte forma: o produtor procura uma seguradora habilitada pelo MAPA no Programa de Subvenção. Esta firma o contrato com o segurado e é responsável por cerca de 10% do risco de perdas de produção. Quem assume a maior parte do risco, na verdade, são as resseguradoras. Tais empresas têm um papel importante, pois como normalmente são estrangeiras, possuem mais conhecimentos sobre

históricos de perdas no campo e transferem sua experiência para o mercado interno. Já o Governo Federal arca com parte do preço da apólice, ampliando, assim, o acesso de empresários rurais de várias classes ao seguro.

Dados De 2005 até 2013, o número de produtores atendidos no Brasil passou de 849 para mais de 65 mil. A subvenção, que era de R$ 2,3 milhões, chegou a R$ 557,8 milhões, e o número de apólices contratadas, passou de 849 para quase 102 mil. As regiões que mais participaram do programa no ano de 2013 foram a Sul, com participação de 54%, e a Centro-Oeste, com 23%. Durante o Plano de Safra de 2014, o governo anunciou R$ 700 milhões para o seguro, mas foram liberados apenas R$ 400 milhões. Os R$ 300 milhões restantes devem ser liberados neste ano através de medida provisória. Também estão previstos mais R$ 700 milhões para 2015 e R$50 milhões que serão disponibilizados através de emendas do Senador Romero Jucá. No site oficial do MAPA, podem ser acessadas informações detalhadas sobre o seguro, sua legislação e a lista de seguradoras habilitadas.


revista mercado rural

31


Resfriamento de

Muitos produtores já devem ter notado que, durante o verão, as vacas costumam reduzir a sua produtividade. Isto acontece pelo fato de o calor gerar um estresse no animal, o que ativa as suas células de defesa e provoca uma queda de sua energia. Para combater este problema, existe uma tecnologia que possibilita o resfriamento das vacas durante as estações mais quentes. Através desta solução, estudada há mais de 30 anos, consegue-se manter a temperatura normal da vaca, garantindo a sua produtividade. De acordo com Israel Flamenbaum, israelense, especialista em pecuária leiteira em climas quentes e doutor pela Herbew University of Jerusalem, a temperatura normal de uma vaca oscila entre 38ºC e 39ºC. Acima de 39ºC, já se considera estado de estresse devido ao calor. Tal situação influencia negativamente na produção leiteira, na gordura e no teor de proteína de qualidade do leite, na fertilidade da vaca e na sua capacidade de transformar o alimento em leite (eficiência alimentar). O consultor explica que a vaca em lactação é quase “uma máquina que gera calor”. “Quando o clima não possibilita a dissipação natural deste calor, ou seja, em épocas

32

março 2015

vacas no verão Especialista israelense explica os benefícios da técnica na manutenção da produtividade

muito quentes, a vaca para de produzir para diminuir esse calor, caso contrário, poderá morrer”, pondera. O território israelense, que possui a maior produtividade leiteira do mundo, tornou-se um dos pioneiros no desenvolvimento da tecnologia que soluciona o problema do aquecimento das vacas e sua consequente perda produtiva. A maneira mais simples e barata para resfriar as vacas consiste na combinação de umidade e ventilação, que promovem a evaporação de água pela pele do animal. “Nossos estudos mostram que o investimento nestes meios de arrefecimento podem ser retornados muito rapidamente, em menos de 2 anos”, ressalta o especialista. Este tipo de resfriamento é adaptável para todo tipo de clima. Israel explica que todas as vacas precisam ser resfriadas no verão, mas existe

uma ordem de prioridade. “As vacas recém-paridas e as que estão nas últimas três semanas de gravidez devem ser as primeiras encaminhadas ao resfriamento. Depois vem as vacas com lactação média e, por último, as que estão com baixa produção”. O consultor esclarece que a refrigeração não promove um aumento da produtividade, ela apenas impede que haja uma queda nos dias quentes. Ao dar esta contribuição, a técnica permite que não aconteça uma perda produtiva anual de cerca de 10% a 15% (o valor varia conforme o nível de produção no inverno), causada pelo estresse da vaca em dias quentes. O consultor Israel Flamenbaum já esteve no Brasil para dar palestras e cursos sobre o tema. Atualmente, ele oferece um curso eletrônico, através de parceria com o Instituto Milk Point, da rede Agro Point.


revista mercado rural

33


Irrigação por

gotejamento garantia de economia de água e produtividade em períodos de seca O ano de 2015 promete ser de grande desafio para os agricultores brasileiros. Apesar da estimativa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) de que a agricultura será um dos únicos setores econômicos que irá crescer no país neste ano, as ameaças que o clima tem feito deixam a categoria apreensiva quanto às próximas colheitas. Em meio às incertezas, surgem propostas de uso racional do recurso hídrico, como os novos sistemas de irrigação. Até o momento, o Brasil não faz uso da irrigação em grande escala e se beneficia muito do sistema de chuvas regulares, por isso, a produção pode ser severamente afetada pela seca. Segundo o gerente agronômico da empresa Netafim, Carlos Sanches, alguns produtores já têm observado uma queda de 50% na produtividade de toda a lavoura pela falta de água. “A cultura de verduras e hortaliças já apresentou queda, o que provocou o aumento dos preços dos produtos agrícolas”, pontua o especialista. Carlos acredita que os agricultores brasileiros não estão preparados para um racionamento de água, pois a grande maioria

34

março 2015

ainda não conta com irrigação inteligente, como a por gotejamento e microaspersão. “Neste sistema, a água é levada através de tubos que contêm gotejadores, produtos que controlam a pressão e liberam as gotas conforme o horário e quantia necessários para cada tipo de planta”, explica.

Vantagens Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a agricultura é responsável por cerca de 72% do consumo de água no Brasil. Para mudar este quadro, uma das alternativas mais viáveis seria a adesão a um modelo irrigação que seja eficiente e não desperdice o recurso hídrico. Os benefícios, conforme defende Carlos, vão além da economia de água. “O produtor terá outros ganhos, como a diminuição de uso de insumos, o menor consumo de energia e a maior produtividade”. No caso da irrigação por gotejamento, por exemplo, obtêm-se a redução na quantidade de água por ela ser aplicada diretamente nas raízes das plantas, de maneira localizada e com alta frequência. Com isso, há uma diminuição das

perdas por escoamento superficial, percolação profunda e evaporação direta. De acordo com o engenheiro agrônomo, estudos realizados pela Netafim constataram que a irrigação por gotejamento ajuda a economizar de 30% a 50% da água, além de aumentar a produtividade com a técnica de fertirrigação (direto na raiz) em até 200%. O especialista acrescenta que não se pode falar em “custo alto” ou “custo baixo”. O interessante, segundo ele, é pensar na relação “custo x benefício” que a implantação do sistema pode trazer. “Um exemplo que me recordo é de uma produção de tomate que alcançou 140 toneladas por hectare usando a técnica de irrigação por gotejamento. Isso significa 100% a mais que a média nacional, que é de 80 toneladas. No caso dessa fruta, a economia de água chega em até 30%”. Carlos ressalta ainda, que, na cafeicultura, a implantação da irrigação por gotejamento paga os investimentos do sistema já na primeira colheita, uma vez que, a utilização da irrigação localizada somada à fertirrigação pode triplicar a produtividade.


Sistema transforma

caixa d’água em miniusina elétrica Uma nova forma de geração de energia elétrica pode se firmar como solução para o desenvolvimento sustentável. O casal de empreendedores Mauro Serra e Jorgea Marangon desenvolveu uma miniusina elétrica autossustentável a partir de caixas d’água, transformando o abastecimento hídrico em geração de energia. O sistema, simples e não poluente, foi desenvolvido com recursos da FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

A UGES (Unidade Geradora de Energia Sustentável) possui pequenas dimensões, fica anexada à caixa (na entrada de água) e conectada, por fios elétricos, a uma unidade móvel. Quando a água entra pela tubulação, ela é pressurizada pelo sistema gerador e passa pela minusina. Ao girar com pressão mínima de 3 a 5 bar, a água produz energia, levada, pelos fios elétricos, ao sistema capaz de transformar a energia de 12V em 110/220V e acumulá-la para abastecer a residência. A UGES deve ser compatível com o

volume do reservatório de água, ou seja, em locais públicos, onde há um maior consumo de água, tem-se uma caixa maior, logo, a miniusina deverá ter suas dimensões calculadas de acordo com este consumo, para que seja capaz de gerar energia compatível. Em ambiente doméstico, o sistema só não é recomendável para abastecer aparelhos com alto gasto energético, como secador de cabelo, ferro de passar roupas, micro-ondas, chuveiro elétrico e ar-condicionado.

revista mercado rural

35


A força da Sucupira

Árvore nativa do Brasil destaca-se pela exuberância, madeira resistente e uso medicinal Sua beleza chama a atenção no Cerrado brasileiro, onde é espécie característica. Com flores de coloração roxa e tronco resistente, a Sucupira, árvore nativa do Brasil, tem uma importância que vai além da ornamentação de ruas ou do uso da madeira. Como é pouco exigente em solos, é ótima para o plantio em áreas degradadas e de preservação permanente. Apesar de sua relevância para o meio ambiente, por possuir uma madeira de longa durabilidade natural e ser muito utilizada por madeireiras, a Sucupira acabou entrando para a lista de plantas ameaçadas no Brasil, devido à exploração sem fiscalização e à ausência de projetos de plantio e manejo.

Características especiais A árvore está presente nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. Pode-se dizer que a espécie é característica de Cerrado com terrenos bem drenados e também em sua transição para a Mata Atlântica. Em quase todas as regiões do país, o seu plantio pode ser feito durante todo o ano, com exceção do Cerrado, onde recomenda-se plantar entre setembro e março. O que mantém a força da Sucupira é a sua raiz, considerada seu órgão de reserva. Ela pode formar expansões ou túberas denominadas “batatas-de-sucupira”. A espécie pioneira pode atingir alturas de 6 a 14 metros no Cerrado e Caatinga, e até 20

36

março 2015

a 25 metros em solos mais férteis, como o da Floresta Atlântica. Seu tronco é de cor branco-amarelada e casca lisa, com espessura de 50 a 80 centímetros. A Sucupira também produz um fruto, tipo legume, com uma única semente protegida por um óleo em formato esponjoso. Durante a estação seca, a espécie perde as suas folhas. As folhas novas apresentam coloração avermelhada, contrastando com o creme ocre dos frutos maduros. A frutificação da Sucupira acontece de setembro até a floração seguinte e o pico de frutos maduros ocorre entre junho e julho. Geralmente, as flores aparecem de julho a outubro, com pico no mês de setembro. Sua polinização

deve-se, basicamente, à ação das abelhas e o mel é de ótima qualidade.

Usos A Sucupira, também chamada de faveiro, fava-de-sucupira, fava-de-santo-inácio, sucupira-branca, sucupira-lisa ou macanaíba, é muito utilizada para a construção civil, devido à qualidade de sua madeira, que é de alta durabilidade e resistente ao ataque de fungos e cupins de madeira-seca. Seu fruto é aproveitado para uso medicinal popular, de onde é retirado um óleo usado para o tratamento de reumatismo e inflamação da garganta. Das folhas, pode-se preparar um chá com a mesma finalidade. Os nódulos da raiz (chamados de batatas-de-sucupira) são utilizados para o tratamento de diabetes.


revista mercado rural

37


Divulgação BSH

PROJETOS ESPECIAIS PARA O MANGALARGA MARCHADOR

Fomento

Estande do Mangalarga Marchador na Equitana/2015

nos primeiros meses do ano Com a finalidade de difundir cada vez mais a raça, a Diretoria da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) iniciou 2015 com importantes ações de marketing. A raça Mangalarga Marchador esteve presente em mais uma edição da Equitana/2015, a maior feira equestre mundial. O evento aconteceu de 14 a 22 de março, em Essen, na Alemanha. A Equitana contou com mais de 800 expositores, concentrados em uma área de 90 mil m2. A participação do Mangalarga Marchador na feira é mais uma ação do projeto setorial Brazilian Saddle Horse (BSH), fruto da parceria entre a ABCCMM e a Apex-Brasil. Firmado em novembro de 2012, o projeto Brazilian Saddle Horse tem o objetivo de consolidar a imagem do cavalo de sela brasileiro no mercado internacional. Além da exportação de animais vivos, a iniciativa visa incrementar as exportações de material genético para potenciais mercados na criação de animais da raça Mangalarga Marchador, além de criar oportunidades de negócios para os associados e empresas interessadas. Nesta edição, foi criado estande para receber os visitantes . As apresentações dos garanhões Patek de Maripá e Fandango de Maripá, do Haras Maripá (Jaguariúna/ SP), chamaram atenção do público, que também teve a chance de conhecer de perto o exemplar Ouro Fino Elfar, propriedade do Haras Elfar (Lavras/MG).

38

março 2015

Nos últimos dois anos, o Mangalarga Marchador já participou junto ao Projeto BSH de sete eventos na Alemanha, país de tradição equestre que tem apresentado potencial de mercado para a raça.

Inspiração fashion O Mangalarga Marchador também está no segmento da Moda. A raça é fonte de inspiração Outono/Inverno do estilista mineiro Victor Dzenk. A coleção Le Cheval, de Dzenk, foi lançada em 3 de março de 2015, na capital mineira. As peças de roupas da temporada ganharam espaço nas vitrines da flagship, localizada no tradicional bairro de Lourdes, em Belo Horizonte/MG. Estiveram presentes ao evento, o presidente Magdi Shaat e sua esposa Ana Cristina

Marquito, criadores da raça, clientes do estilista, além da mídia especializada em Moda. Para Magdi Shaat, o trabalho com Victor Dzenk é oportuno para o fomento da raça. “Esse projeto fortalece e divulga o nosso cavalo nos meios artísticos, culturais e da Moda. Com isso ganharemos ainda mais criadores, usuários e novos adeptos, enfatizou. A loja Victor Dzenk, instalada no Rio de Janeiro/RJ, também recebeu as peças da coleção do estilista. O lançamento na “cidade maravilhosa” aconteceu em 5 de março de 2015. Além dos polos Rio/BH, Dzenk tem peças em 180 lojas multimarcas pelo Brasil. Para a 34ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, de 15 a 25 de julho de 2015, o trabalho continuará. Segundo Magdi, uma loja-conceito está sendo planejada para atender criadores e grande o grande público da exposição. Junior Vilhena

Victor Dzenk, Ana Cristina Marquito e Magdi Shaat


revista mercado rural

39


40

marรงo 2015


revista mercado rural

41


“A menor distância entre dois pontos é uma vida reta” Fabiano Lopes Ferreira fala sobre sua gestão na Abac, o sistema de consórcios no Brasil e seus projetos futuros O empresário Fabiano Lopes Ferreira está deixando a presidência da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) e do sindicato do setor (SINAC), após dois mandatos consecutivos. O balanço de suas realizações à frente dessas duas importantes entidades, hoje indispensáveis à economia nacional, é positivo quanto ao escoamento da produção de bens móveis, imóveis e serviços de uma variada série. O dirigente celebra a sensação de dever cumprido e diz tornar a sua prestação de contas um imprescindível dever de casa com perguntas e respostas, assim como usa as frustrações como instrumento de aprendizado. Mesmo sem contar com as prerrogativas do cargo, Fabiano quer continuar contribuindo para as entidades, colaborando não somente para com os profissionais do setor, como também com toda a população que se beneficia do sistema de consórcios.

Gestão Conforme salienta Fabiano, sua gestão da Abac foi fundamentada em observações enquanto era associado da entidade. “Eu identifiquei cinco pontos que, a meu ver, poderiam ser as bases para gerir o meu trabalho. A partir daí, fiz delas o meu plano de metas, comprometendo-me a executá-las isoladamente, quando possível, ou em conjunto, quando necessário”, explica. Questionado sobre quais seriam tais metas, o empresário relata que a primeira delas originou as demais. Segundo ele, sua prioridade foi dar continuidade ao trabalho de seus antecessores, o qual considera “um esforço conjunto de décadas que trouxe a entidade a um estágio de competência”. O dirigente completa que a colaboração dos companheiros de diretoria

42

março 2015


foi fundamental para “seguir a boa trilha, ampliando e pavimentando seu percurso”. Dentre as realizações de melhoria executadas por Fabiano, estão o aperfeiçoamento do atendimento aos associados e profissionais de todos os níveis do sistema, e a promoção de cursos, treinamentos, reciclagens e palestras. “Nossos funcionários estão preparados para sanar as dúvidas de menor porte, assim como temos bons advogados que respondem pelas questões de maior complexidade. O serviço é muito bom. Associados e consumidores gostam e confiam nesses procedimentos”, ressalta. Além do esforço por qualificar o atendimento, Fabiano buscou o fortalecimento da relação com os órgãos reguladores do sistema, entidades da sociedade civil e do governo, especialmente o Banco Central, ao qual todas as ações da associação estão limitadas, reguladas e fiscalizadas. “Nessa aproximação, mostramos que somos um sistema confiável, sério, e muitíssimo importante para a economia nacional”, diz. Em relação ao poder judiciário, o empresário esclarece que adotou uma política de fortalecimento da imagem da Abac junto ao órgão, sobretudo nos juizados especiais, onde a entidade se apresenta permanentemente por meio de cursos, palestras e treinamentos. “Eu e a doutora Elaine viajamos constantemente por todo o Brasil para mostrar o quanto somos cumpridores da lei; um ou outro caso não enquadrado no lícito e no legal é exceção no sistema consorcial”, defende.

Consumidores Uma ação bastante destacada por Fabiano é o trabalho junto aos Procons. A equipe da Abac tem um contato muito próximo à entidade, de maneira a compartilhar informações contidas na lei de consórcios, esclarecer pormenores, tirar dúvidas, além de oferecer cursos aos funcionários de atendimento e graduados. “Hoje,

os Procons são unânimes em afirmar que as ocorrências envolvendo o nosso sistema tiveram queda significativa em todo o país; praticamente não figuramos mais nas estatísticas dos maus procedimentos”, garante. Outro esforço foi o de aproximação com a mídia para levar esclarecimentos aos consumidores em geral. Fabiano salienta que manteve uma relação franca e permanente com a imprensa, de modo a explicar sobre a importância do consórcio. “Os jornalistas passaram a nos procurar para conhecer o sistema e também ouvir o ‘outro lado’ nas esparsas reclamações de consumidores, geralmente infundadas”, ressalta. Com isso, o dirigente afirma que a entidade deixou de ser retratada apenas pelo lado negativo, aspecto exposto por alguns clientes insatisfeitos. “Fomos divulgados com elevada frequência em páginas de economia dos jornais ou nas matérias do gênero nas emissoras de rádio e TV. Saímos das páginas de polícia para o noticiário nobre, com a ajuda do rá-

pido, franco e transparente atendimento à imprensa”, celebra Fabiano. Paralelamente ao trabalho junto à imprensa, o gestor da Abac conta que a entidade também investiu em campanhas publicitárias em uma conceituada emissora de televisão. O empresário relata, ainda, que a associação aproveitou o boom das redes sociais para apresentar o consórcio de uma forma didática ao seu “eclético e crítico público”, conforme classifica. Fabiano considera o maior desafio vencido a participação em um congresso das administradoras de consórcios fora do Brasil, evento inédito para o setor. Ele esclarece que foram várias etapas de programação, a começar pelo convencimento dos demais membros da entidade de que o evento em Punta Del Este (Uruguai) seria proveitoso e economicamente viável. “A decisão, como tudo numa gestão essencialmente democrática, ocorreu pelo voto, sistema que sempre norteou as ações da Abac”, explica.

revista mercado rural

43


Projetos futuros O empresário deixa a presidência da Abac (ou conselho nacional), mas se manterá à frente de sua empresa, a Multimarcas Consórcios, muito ligada ao sistema. Fabiano diz que pretende estar sempre aberto para a troca de experiências entre administradores e profissionais do setor. Tal abertura foi ampliada quando, por causa de seu livro “Consórcio e Direito, Teoria e Prática”, editado em 1998, ele próprio se tornou uma fonte de consultas, esclarecimentos, informações e pareceres sobre o tema. O dirigente acrescenta que, certamente, virão novas convocações e desafios. Sua intenção é dedicar-se mais à família e também ao trabalho no âmbito da cidadania, por possuir o sonho de ocupar cargos que possibilitem servir ao povo mais objetivamente. “Posso também levar minha experiência como empresário, presidente de uma empresa presente em quase todo o território brasileiro, advogado, dirigente de entidades de classe, já atuando politicamente na minha região, e acostumado a trabalhar em equipe. Como candidaturas não se impõem, tomarei como base pesquisas e a opinião das correntes políticas que me apoiam. Se elas convergirem em minha direção, posso continuar sonhando. Estou preparado e até já fiz um cursos de formação política”, afirma com convicção.

44

março 2015

Entre aspas Confira a opinião de Fabiano Lopes sobre alguns temas de relevância para o sistema de consórcios Legalização da profissão de vendedor de consórcios “Apesar de termos elaborado um anteprojeto de lei, não consegui apoio para legalizar a profissão de vendedor de consórcios. As grandes administradoras têm condições de selecionar, treinar, capacitar e até certificar profissionais. Entretanto, existem as de menor porte que continuam trabalhando com pessoas despreparadas, o que trás problemas para o sistema. Sou a favor da legalização da profissão, com exigências rígidas para alguém ser profissional de vendas do sistema, como as dos corretores de imóveis, seguros e etc.”. Penhora online “Há necessidade de motivar o Banco Central para rever a questão da ‘penhora online’, que são os bloqueios judiciais permitidos pelo REGULAMENTO BACEN, JUD 2.0. No caso específico dos consórcios, ela contraria a Lei 11.795/2008, no artigo terceiro, paragrafo terceiro, que deixa claro que não pode haver a ‘confusão de patrimônio’. O desrespeito está no fato de o crédito de

um consorciado ser levado a débito no saldo geral do consórcio em sua conta única. Quando há uma demanda, os juízes, baseados nessa norma, determinam a penhora online, transferindo saldo de um grupo para outro, provocando transtornos para a administradora, para o grupo e até para o sistema. A Abac deve postular objetivamente junto ao BC para rever essa prática”. E-commerce “Penso que todos nós, independentemente de cargos ou funções, devemos motivar as autoridades constituídas a criarem mecanismos que possibilitem o uso do “e-commerce” para realizar as vendas das cotas de consórcios pela internet. Para tanto, é preciso ter sistemas (softwares), que permitam a compra de forma completa e com total segurança. É necessário também que o e-commerce seja regulamentado para os consórcios, uma vez que os custos das vendas vão baixar muito. Se atingido este objetivo, teremos um novo marco divisório na história dos consórcios”.


revista mercado rural

45


Soro para picadas

de abelhas Tecnologia 100% nacional aguarda aprovação da Anvisa

Famosas por sua agressividade, a abelhas africanizadas, comuns em toda a América, são responsáveis por cerca de 10 mil acidentes por ano no Brasil, 40 deles causando mortes. Até o momento, o paciente que sofre ataque destes insetos é tratado apenas sintomaticamente, ou seja, não existe uma fórmula específica para combater diretamente o veneno. Mas este quadro está para mudar. Através de parceria entre o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e

46

março 2015

o Instituto Vital Brazil (IVB), foi desenvolvido um soro para picadas desta espécie de abelha, fórmula pioneira que já está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Pesquisa O estudo que culminou na produção do soro teve início na década de 1990. Quem levou a pesquisa adiante foi o professor Rui Ceabra Júnior. O veterinário trabalhou com o tema durante sua passagem pelo Cevap na graduação, e depois em seu Mestrado e Doutorado. Já no Pós-Doutorado, no Instituto Butantã, Rui apresentou a tecnologia ao Ministério da Saúde, mas não obteve a aprovação pelo fato de ser desenvolvida a

partir de carneiros. O usual era produzir os anticorpos do soro através de cavalos. Devido a estes fatores, em 2010, o professor, de volta ao Cevap como diretor-executivo e assumindo o papel de coordenador de desenvolvimento do projeto, buscou uma parceria sólida para tornar o soro contra picadas de abelhas uma fórmula aceita pelos órgãos de saúde e disponível nos hospitais. Para tanto, acionou o Instituto Vital Brazil, em Niterói/RJ, órgão conhecido pelas suas atividades científicas e tecnológicas, principalmente na área


A abelha africanizada A origem da abelha africanizada no Brasil, conforme esclarece o professor Benedito Barraviera, se deu na década de 1950, quando houve uma crise de mel e derivados. Para melhorar a produção do alimento, o geneticista Warwick Estevam Kerr trouxe ao país abelhas da África e encaminhou rainhas e operárias a uma quarentena em Rio Claro. No entanto, aconteceu um acidente. Acredita-se que 26 rainhas

de soros a partir dos anticorpos de equinos. “Com o novo suporte, tive que fazer a transferência da metodologia e reformular a pesquisa para a aplicação em cavalos”, salienta. Basicamente, a tecnologia se dá da seguinte maneira: os pesquisadores inoculam o veneno das abelhas nos cavalos e estes criam anticorpos contra a toxina. Posteriormente, retira-se cerca de 5mL de sangue do animal e a parte que não coagula é o soro com o sistema de defesa. As hemácias são retornadas para o cavalo, evitando-se danos à sua saúde.

Controle de qualidade Em 2012, foi concedido o aval para produção do soro antiapílico pelo presidente do IVB, Antônio Werneck e, paralelamente, Dr. Benedito Barraviera, professor titular de Infectologia da Unesp e coordenador do projeto, prestou o suporte para a realização dos estudos clínicos, que geraram os ensaios encaminhados ao Comitê de Ética da Anvisa. “Nossa missão no Cevap sempre foi focada no desenvolvimento de alternativas para o tratamento de venenos e este trabalho com o soro antiapílico é um desafio muito grande, pelo fato de ser inédito no mundo. Estamos nos esforçando para que consigamos todas as autorizações e possamos levá-lo aos hospitais do Brasil”, ressalta o professor. O diretor científico do Instituto Vital Brazil, Luiz Eduardo Cunha, reforça que a parceria com o Cevap tem sido muito pro-

tenham escapado. Estas cruzaram com as abelhas europeias que já estavam no território brasileiro e deram origem às abelhas africanizadas. Tais insetos acabaram por migrar por todo o país e, posteriormente, espalharam-se pelo continente americano. Suas características são herdadas pelas abelhas africanas: muito defensivas, atacam em enxame e com múltiplas picadas, podendo levar ao óbito.

veitosa, pois permite “fechar o elo do desenvolvimento científico clássico que inicia nas universidades e completá-lo nas ICTs e nas empresas”. O papel do IVB no projeto foi de desenvolver protocolos de imunização e sangrias de equídeos e produzir os protocolos de controles de qualidade. “Já estamos na fase de envasamento do produto a ser testado para verificação da sua eficácia, e a segurança já foi avaliada nos estudos pré-clínicos que realizamos”, explica.

Testes clínicos e exportação A expectativa é de que a resposta do órgão seja dada ainda neste primeiro semestre de 2015. “Com a aprovação da Anvisa, faremos a primeira fase dos testes em 40 pacientes, em hospitais onde há grande incidência de atendimento para casos de ataques da abelha africanizada”, explica Rui. Caso o resultado seja positivo no Brasil, a ideia é exportar o soro para os demais países da América, que também sofrem com os ataques das abelhas. “Já podemos celebrar a grande vitória acadêmica que conseguimos. Em breve, virá a fase de transferir pesquisa básica para a pesquisa aplicada, garantindo segurança e eficácia no tratamento do veneno da abelha africanizada. A aprovação da Avisa será motivo de grande orgulho para nós, pois esta é uma tecnologia 100% nacional”, defende Dr. Rui.

revista mercado rural

47


Gypsy Horse Ele é considerado por muitos o “cavalo dos sonhos”. Quem vê o animal pela primeira vez, encanta-se não somente pela sua beleza, como também pela grande docilidade. O Gypsy Horse, equino que chegou ao Brasil há cinco anos, tem em seu histórico as marcas da força e rusticidade, por ter sido o cavalo escolhido pelos ciganos europeus para acompanhá-los em longas jornadas. Há 100 anos, quando foi selecionado, as características principais que se buscava no Gypsy era que fosse resistente e que pudesse trabalhar com pouca água e comida. De acordo com Bábara Izabela Costa, proprietária do haras Royal Gypsy Horse, em

48

março 2015

Raça exótica combina docilidade, força e resistência Porto Feliz /SP, na fundação do Gypsy, foram usadas as raças Dales Ponei, Fell, Welsh Cob, Shire e Clydesdale, e, devido à rigorosa triagem feita pelos ciganos, este cavalo se tornou um animal de ótima índole e é considerado uma das raças mais dóceis do mundo. A aparência Gypsy se destaca pelas longas crinas e a abundância de pelos nas patas que protegem contra ataques de insetos no casco. Estes cavalos podem possuir bigode e barba, características únicas que o tornam exóticos. O tamanho do animal varia de 1.38 a 1.65m. Quanto às pelagens, todas são aceitas, porém a Tobiano de Preto, conhecida como Pampa, é a mais tradicional. É possível encontrar animais com olhos azuis, castanhos claros e verdes. O Gypsy Horse, considerado cavalo de sela, é aprovado pela Confederação Americana de Adestramento Olímpico. Ele pode ser treinado também para Equoterapia, Equitação de Trabalho, Hipismo de até 1,20m,

Volteio, Rédeas, Adestramento Circense, Enduro, Desfiles e Atrelagem. O equino possui um trote confortável e bom galope e, por isso, é bastante usado também em passeios.

Reprodução e mercado A base de criação do cavalo Gypsy no Brasil tem como foco a reprodução tradicional e natural, sendo produzidos e ofertados ao longo do ano exemplares de grande qualidade. “Vendemos coberturas apenas das matrizes Gypsy aprovadas e também selecionamos e importamos exclusivos exemplares para formação de novos plantéis”, explica a criadora. O mercado do Gypsy experimenta uma fase promissora no Brasil. Segundo Bárbara, a procura pelo equino tem crescido bastante. “Recebo propostas para compras diariamente e já existe uma lista de espera para este ano. A raça é, hoje, uma das mais procuradas no mundo, sendo uma boa oportunidade para novos criadores”, diz. O valor inicial para potros nascidos no Brasil é R$ 25mil, já matrizes, castrados e garanhões, a partir de R$50mil. Os criadores da raça já estão em fase final para a abertura oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gypsy Horse. Com a rápida adaptação do animal ao Brasil, a expectativa é que o mercado cresça no país e a raça se torne cada vez mais conhecida e valorizada.


revista mercado rural

49


Carne suína brasileira Perspectivas para 2015 voltam-se para a conquista de novos mercados

A carne suína brasileira ocupa destaque no cenário internacional por sua alta qualidade e sanidade. Hoje, o país é visto como um fornecedor confiável, o que tem contribuído para a manutenção de parcerias com países importadores e proporcionado oportunidades de abertura de novos mercados, ação que será um dos focos para 2015. O ano de 2014 foi finalizado com otimismo pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). De acordo com o presidente-executivo da entidade, Francisco Turra, ainda que o volume exportado tenha sido inferior a 2013, o crescimento em receita foi recorde. “O cenário político no leste europeu e as ocorrências de Diarreia Suína Epidêmica (PED) nos Estados Unidos afetaram o preço internacional, favo-

50

março 2015

recendo o ganho cambial do setor brasileiro”, ressalta. A Rússia, principal mercado nos países da União Aduaneira, contribuiu para este bom desempenho, com elevação de 38,3% em volume de exportação e de 96,8% em receita de 2014, na comparação com o ano de 2013. Atualmente, o território russo enfrenta um período de instabilidade econômica, social e política e, por isso, o presidente-executivo da ABPA acredita que 2015 será um ano de muitas negociações com o país. O trabalho da associação para este ano será focado, também, no esforço para a abertura de novos mercados, como a Coréia do Sul, México e Canadá. No país asiático a parceria já está próxima de se consolidar. “A ABPA promove, constantemente, encontros com

autoridades de países que são potenciais mercados para a carne suína do Brasil. Exemplo disto foi a rodada de negócios que promovemos, recentemente, no México. Na Rússia, estamos sempre realizando ações para expandir os negócios. Trabalhamos, também, pela recente reabertura das exportações para a África do Sul”. Quanto ao atual cenário econômico do Brasil, Francisco Turra afirma que todos poderão ser afetados pela crise, porém, ele acredita que na força da cadeia produtiva e na continuidade da demanda por alimentos, no Brasil e no Mundo, de forma que o setor de produção de carne suína continue crescendo. “Já enfrentamos momentos difíceis e deles saímos mais fortes. Não será diferente desta vez”.


revista mercado rural

51


A questão hídrica e a outorga

de uso da água Daniela Teixeira Pinto Dias Romeu Faria Thomé da Silva

O tema água é uma das questões mais relevantes que vem sendo discutidas atualmente, principalmente em face da escassez hídrica que o país enfrenta nos últimos tempos. Ainda que o Brasil seja um país com uma enorme disponibilidade hídrica, não podemos perder de vista que a água é um recurso natural escasso, limitado, e que demanda utilização adequada e sem desperdícios. Não se trata, ao contrário do que muitos ainda pensam, de um recurso natu-

52

março 2015

ral abundante e inesgotável. A Lei Federal nº 9433/1997 estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Dentre os objetivos principais da referida política, estão a manutenção da necessária disponibilidade de água à atual e futuras gerações, o uso racional e adequado dos recursos hídricos, almejando o desenvolvimento sustentável, bem como a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos. Nesse sentido, qualquer uso e/ou intervenção de água estão sujeitos à avaliação do órgão ambiental Estadual ou Federal, dependendo da localização do

recurso hídrico. Alguns exemplos do uso e/ou intervenção são: captação ou derivação em um corpo hídrico; construção de barramento ou açude; construção de dique ou desvio de água; rebaixamento de nível de água; lançamento de efluentes em corpo de água; dragagem, desassoreamento e limpeza de corpo de água; outras modificações do curso, leito ou margens dos corpos hídricos. Assim sendo, antes da implementação de qualquer intervenção que vá alterar o regime, quantidade ou qualidade do corpo de água, deve-se requerer a outorga de seu uso ao Poder Público. A mesma deve ser solicitada junto à Agencia Na-


cional de Águas, no caso de outorgas em águas de domínio da União [Lei Federal n° 9.984/2000] ou junto ao órgão responsável Estadual, como o Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM em Minas Gerais (Lei Estadual nº 13.199/1999), quando a água for de domínio do Estado. A outorga, portanto, autoriza o uso das águas pelos interessados, conforme as condições estabelecidas e por tempo determinado. Importante mencionar que, no âmbito estadual, alguns usos são considerados insignificantes e não estão sujeitos à outorga, bastando ao usuário fazer o cadastramento junto às Superintendências Regionais de Meio Ambiente (SUPRAMs). O procedimento inicial para o cadastro de uso insignificante é semelhante àquele realizado para solicitação de outorga.

Entretanto, diante do agravamento da escassez hídrica do ultimo ano, o órgão ambiental de Minas Gerais vem analisando uma minuta de norma [Deliberação Normativa] que estabelece diretrizes e critérios gerais para a definição da situação crítica de escassez hídrica e estado de restrição de uso de recursos hídricos nas circunscrições hidrográficas do Estado de Minas Gerais.

Verifica-se nitidamente a tendência de reformulação de algumas políticas públicas rurais adotadas, visando a maximizar a economia hídrica. Importante, ainda, alertar que a água é um bem público, de domínio da União ou Estados (incluído o Distrito Federal), e sua utilização deve ser dar em conformidade com as normas estabelecidas pelo Poder Público.

revista mercado rural

53


Crioulo Lageano

Raça naturalizada brasileira se destaca pela boa genética

De pelagem multicolorida e longos chifres, o gado crioulo lageano tem uma titulação especial: é reconhecido como gado genuinamente brasileiro e, gradativamente, vem ganhando espaço no mercado. A raça, que recebeu o termo “lageano” por ter sido desenvolvida na região de Lages, em Santa Catarina, apresenta características especiais oriundas de seu processo de seleção natural. Como se adaptou às variações climáticas do Planalto Serrano Catarinense, este tipo de bovino adquiriu a rusticidade e a resistência aos endo e ectoparasitas. Sua prolificidade e longevidade também tornam o animal um importante recurso genético brasileiro. O gado crioulo lageano é descendente dos animais trazidos pelos europeus na época da colonização e foi selecionado ao longo dos séculos, adaptando-se aos solos ácidos e pedregosos, às altitudes elevadas e invernos rigorosos. Ainda que, anos após a introdução dos bovinos, novas raças te-

54

março 2015

nham chegado ao país, alguns criadores dos campos de Lages mantiveram e resgataram a espécie, que serviu de base para a formação da raça.

Reconhecimento Apesar do esforço por manter o crioulo lageano original, este animal quase esteve ameaçado de extinção no Brasil após o século XX, quando a importação

de raças exóticas fez com que houvesse uma drástica redução na população de bovinos crioulos. Em 1983, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia incluiu a raça em seu Programa de Conservação de Recursos Genéticos Animais. Em 2003, foi criada a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Crioula Lageana (ABCCL). Com o esforço dessas duas entidades, aliado ao apoio de diversas instituições de pesquisa e ensino e do SEBRAE- SC, o gado crioulo lageano recebeu, em 2008, o reconhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como raça brasileira.

O crioulo lageano De acordo com Vera Villamil Martins, veterinária e produtora da Fazenda Bom Jesus do Herval (Ponte Alta – SC), especializada no gado crioulo lageano, a raça é criada em regime extensivo de campos naturais


de composição botânica rica e variada. Os bovinos se dividem em aspadas e mochas e a diferença entre eles é que o aspada possui longos chifres e o mocha não. Quanto ao manejo, é praticamente igual aos dos demais bovinos. “Um único diferencial é que a condução dos animais aspados nos bretes deve ser mais lenta e a distância entre eles é controlada para evitar ferimentos”, explica. Quanto à reprodução, pode ocorrer através de monta natural ou inseminação artificial. Em geral, o crioulo lageano é de alta fertilidade, sendo comum a presença de vacas com mais de 20 anos de idade com cria ao pé, conforme ressalta Dra. Vera. “As fêmeas, se colocadas em pastagens cultivadas durante o inverno, atingem a puberdade aos 15 meses de idade e os machos aos 18 meses”, acrescenta. Apesar de não serem essencialmente leiteiras, as vacas produzem, em média, 8 litros de leite por dia. Já existem alguns centros que trabalham com a genética do animal e um deles fica na Fazenda Bom Jesus do Herval. De acordo com a veterinária Vera, no Centro de Reprodução Animal da propriedade é feita a coleta e congelação de sêmen e embriões, visando a conservação de germoplasma e a comercialização do mesmo.

Mercado O gado crioulo lageano tem conquistado visibilidade nos últimos anos. A raça já participa de eventos e exposições como a Expolages, a mais importante no Estado de Santa Catarina. No ano passado, o crioulo lageano esteve presente na ExpoInter, uma das mais expressivas do país. Atualmente, a raça encontra-se nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, somando cerca de três mil cabeças. A comercialização da sua carne, de acordo com Vera Villamil, é feita, até o momento, sem distinção com as demais raças. “Muitos estudos foram e estão sendo reali-

zados para identificar os diferenciais da carne do crioulo, com vistas à certificação do produto. Os resultados atuais são bastante estimuladores, pois mostram o potencial para a produção de carne com grande suculência, marmoreio, maciez e sabor diferenciado”, destaca. O próximo passo para o crescimento da raça no mercado, segundo a veterinária, é incentivar a sua expansão tanto na versão pura como em cruzamentos. “Para tanto, os centros de reprodução animal, como o da Fazenda Bom Jesus do Herval, têm exercido um papel importante, ao disponibilizar sêmen e embriões para que a raça chegue às diversas regiões do país e exterior e, com isso, se torne mais reconhecida”, finaliza.

revista mercado rural

55


Painço Comida de passarinho chega ao cardápio de humanos

O que antes era limitado ao universo das aves ou conhecido no Brasil como tal, agora chega à dieta humana e com efeitos surpreendentes. O painço, grão utilizado para a nutrição de passarinhos, foi descoberto como um excelente aliado da alimentação funcional e já vem conquistando espaço no cardápio de vários brasileiros. Uma descrição nutricional simples do grão já aponta seus potenciais: é rico em proteínas, fibras, minerais e vitaminas. E as boas notícias não param por aí. O painço não contém glúten, por isso, é uma boa opção para os celíacos e para os adeptos de uma dieta sem o componente. Entre a sua composição, está o triptofano, um aminoácido que estimula a produção de serotonina, hormônio

56

março 2015

responsável por proporcionar a sensação de bem-estar. Além disso, o painço é rico em antioxidantes, ajudando a prevenir o envelhecimento das células. Recentes pesquisas revelaram que este pequeno grão pode ajudar a evitar e controlar alguns problemas de saúde. O cereal ajuda na absorção da glicose no organismo, colaborando no combate ao diabetes. Seus minerais (manganês, magnésio e fósforo) são importantes para manter a saúde dos ossos e tecidos. O painço também colabora no controle da hipertensão, redução do colesterol, combate aos problemas cardíacos e prevenção do câncer de mama. Muitos nutricionistas tem indicado o grão nas dietas de controle de peso, pois ele é rico em fibras e, por isso, proporciona

sensação de saciedade e um bom funcionamento do intestino. Para os praticantes de atividades físicas, também é uma boa pedida: o grão possui a molécula ATP, que combate o cansaço e a fadiga. Recomenda-se triturar as suas sementes e usar esta farinha como substituta do trigo, na preparação de bolos, pães e tortas. Além disso, pode-se ingerir o painço como em forma cuscuz, risotos ou como acompanhante em saladas. Na alimentação diária, sugere-se ingerir duas colheres do cereal. Vale lembrar que o painço indicado para humanos não é o mesmo que os passarinhos se alimentam: ele precisa ser descascado e bem higienizado. Pode-se encontrar o cereal em lojas de produtos naturais, feiras e mercados especializados.


revista mercado rural

57


Universidade

do Cavalo Um centro de ensino que vai além do conceito de uma universidade formal. Ali, o termo “universidade” faz alusão à ideia de “universo”, associada à academia. O centro das atenções é o cavalo, em todas as suas particularidades. Com o nome de Universidade do Cavalo (UC), esta escola especial, localizada em Sorocaba, no interior de São Paulo, vem se firmando no mercado profissionalizante equestre brasileiro. A “menina dos olhos” da instituição é o Curso Superior de Gestão em Equinocultura, que completará 10 anos de existência. A história da UC começou em 1997. Buscando a experiência de instituições internacionais, a escola foi fundada e ao longo dos anos vem ampliando sua grade de cursos, que tem duração de 4 horas até 4 anos e meio. Hoje, a instituição conta com mais de 50 cursos, a maioria deles abertos a todo o público e alguns direcionados a categorias profissionais. De acordo com médico veterinário, idealizador e professor da UC, Aluísio Martins, a escola conta com um time de 15 profissionais fixos e demais colaboradores que ministram os cursos, como veterinários, professores, cavaleiros, zootecnistas e gestores em equinocultura.

Curso Superior O Curso Superior de Gestão em Equinocultura oferecido pela Universidade do

58

março 2015

Cavalo é pioneiro no Brasil e, por isso, tem um apreço especial pela equipe fundadora da escola. A modalidade só se tornou possível com o apoio da Universidade de Sorocaba (Uniso), que se tornou a detentora do curso, credenciando-o ao Ministério da Educação (MEC) como Curso Tecnológico e utilizando a UC como recurso especializado para as atividades práticas, elaboração de aulas, contato com o mercado e tudo o que se refere ao conteúdo. O curse obteve nota 4 do MEC (para máximo de 5). O professor e idealizador da Universidade do Cavalo explica que o curso superior tem duração de quatro semestres, divididos nos módulos de Manejo, Saúde, Administração e Equitação. Dentre a grade curricular, os tópicos que Aluísio destaca como diferenciais no curso são: Língua Portuguesa, Marketing para o Segmento Equestre, Modelos de Gestão, Gestão da Qualidade, Legislação aplicada à Equinocultura, Técnicas de Equitação, Modalidades Equestres, Fundamentos de Reprodução e Fundamentos de Medicina Preventiva. Para o professor, o curso de Gestão em Equinocultura é um “diamante no mercado”, pois catalisa as rotinas práticas e de gestão de qualquer estabelecimento equestre. “O profissional formado é a ponte entre o mercado e o cavalo, os prestadores de serviço e o centro equestre em si; ele é o contato

Pedro Viotti

Centro de ensino especializado possui Curso Superior pioneiro no Brasil

direto com o proprietário do cavalo ou do centro equestre, enfim, é quem tem o local em suas mãos”. Aluísio acrescenta que o mercado está aprendendo a reconhecer o Gestor em Equinocultura por ser uma profissão relativamente nova, no entanto, a escola tem recebido um retorno positivo de gestores formados pela Uniso e UC. O Gestor em Equinocultura e Ferrador profissional, Danilo Gabrilaitis, considera a instituição um divisor de águas em sua carreira. “Hoje sou profissional ferrador graças à formação que tive na UC e na Uniso. O diferencial é que a teoria e a prática se unem o tempo todo, os professores são pessoas do cavalo e consigo ter acesso ao mercado da forma mais rápida possível”, ressalta. Para quem está na rotina da Universidade do Cavalo, fazer parte da equipe profissional é um sonho, conforme define o veterinário Aluísio, que já lida com o animal desde os seis anos de idade. “Todos os anos, evoluo cavalos, pessoas e a mim mesmo. Não existe nada mais gratificante que transformar um sonho em profissão”, completa.


revista mercado rural

59


60

marรงo 2015


seção economia Distribuidor dos produtos VetScience

Valor da Produção Agropecuária de 2015 é estimado em

R$ 479 bilhões

(31) 3324-4670

www.vetscience.com.br

Taxa é 0,6% maior que 2014

Tomando como referência dados do mês de fevereiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) no Brasil para o ano de 2015. De acordo com o órgão, a estimativa é que chegue em R$ 479 bilhões, 0,6% a mais que em 2014, que foi de R$ 476,2 bilhões. Deste montante, 61% correspondem à lavoura e 39% à pecuária. O VBP é um cálculo que busca mostrar a evolução da agropecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. O valor é orçado com base na produção da safra agrícola e da pecuária, nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país - referentes aos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil, e no valor real da produção, sendo descontada a inflação. Neste ano de 2015, o destaque da agricultura deve ser a mamona, que teve um aumento de 113,8% no VBP. A pimenta do reino (17,4%), a soja (5,2%), o café (4,3%), o amendoim (2,7%)

e o fumo (2,3%) também apresentam um bom desempenho. Outros produtos, no entanto, foram listados pelo MAPA entre os que tiveram queda no VBP, resultantes da combinação de preços mais baixos e redução da produção. São eles: tomate (-23,7%), cacau (-21,1%), maçã (-13,7%), uva (-11,4%), milho (-8,1%), arroz (-5,4%) e algodão herbáceo (-4,8%). Já na pecuária, o ovo (2,3%), a carne de frango (0,1%), a bovina (12,3%) e a suína (3,4%), vêm apresentando bom desempenho. Entretanto, o leite tem previsão de menor valor que o de 2014. A maior projeção de faturamento é para a região Sul (R$ 137,6 bilhões), seguida do Sudeste (R$ 128,3 bilhões) e do Centro-Oeste (R$ 123,3 bilhões). No Nordeste e Norte, os valores são de R$ 48,4 bilhões e R$ 25,9 bilhões, respectivamente.

HORSE - YEAST: MICROFLORA EQUILIBRADA, REPRODUÇÃO, CRESCIMENTO, MANUTENÇÃO E SANIDADE

GAMA - ACTIVE - ACE: POTÊNCIA, RESISTÊNCIA, EXPLOSÃO, CRESCIMENTO, GANHO DE MASSA E DESEMPENHO.

GAMETOGENIC EQUI: NUTRIÇÃO EQUILIBRADA, REPRODUÇÃO POTENCIALIZADA.

ARTROX E EQUI: PROTEÇÃO E SAÚDE revista ARTICULAÇÕES mercado rural PARA 61


Zoneamento Ambiental Produtivo

é modelo em Minas Gerais Metodologia é padrão para desenvolvimento de arranjos produtivos no estado A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) disponibilizou em seu site a Metodologia Mineira de Caracterização Socioeconômica e Ambiental de Sub-bacias Hidrográficas, ou Zoneamento Ambiental e Produtivo (ZAP). O material contém instruções para a elaboração de mapeamentos e estudos necessários para o desenvolvimento de projetos agropecuários e licenciamento ambiental. Coordenado pela Seapa e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), as informações sistematizados na metodologia permitem que empreendedores, em determinadas bacias hidrográficas, possam estabelecer seu potencial produtivo levando em consideração as limitações do uso dos recursos naturais. Ao iniciar um empreendimento agrícola, o produtor é subsidiado de informações

62

março 2015

sobre o uso do solo, a disponibilidade hídrica, a caracterização do relevo, da geologia, da vegetação e das potencialidades de manejo conservacionista na propriedade. Parte desses dados já está disponível em Estudos de Impacto Ambiental (EIA), Relatórios de Impacto e Controle Ambiental e Planos de Controle Ambiental da Semad, e nos demais órgãos competentes. De posse destas informações, o empreendedor é capaz de compreender as oscilações na disponibilidade dos recursos naturais e projetar sua capacidade de produção em uma determinada bacia hidrográfica. Além disso, o ZAP pode auxiliar os proprietários de imóveis rurais a realizarem o Cadastro Ambiental Rural, uma vez que é possível quantificar e qualificar as áreas de proteção permanente (APPs), áreas de florestas remanescentes, dentre outros. Para colocar em prática a metodologia,

os interessados podem utilizar softwares gratuitos de geoprocessamento e imagens para agrupamento das informações como Quantum GIS,Hypercube e Spring 5.2.3. Todos eles possuem interface com o Google Earth, que é a plataforma utilizada para a publicação dos mapas. Para operá-los, são necessários conhecimentos básicos de geoprocessamento. O projeto que deu origem à metodologia foi desenvolvido nas sub-bacias do Rio Claro e Santa Juliana, utilizando afluentes do rio Araguari, no Triângulo Mineiro. As análises se iniciaram em 2013 e foram concluídas no ano passado. Ao todo, seis sub-bacias no estado já estão com o Zoneamento Ambiental Produtivo completo. A metodologia para realizar o Zoneamento Ambiental Produtivo – ZAP pode ser acessada no site da Seapa (www.agricultura.mg.gov.br), na guia Cidadão.


RECEITA

Pacoca Pantaneira

No Pantanal do Mato Grosso do Sul, o prato é um dos preferidos dos boiadeiros. Curiosamente, é consumido na região no café da manhã, tornando-o uma refeição reforçada para garantir a energia para o trabalho ao longo do dia. A paçoca pantaneira também pode ser consumida no almoço, acompanhada de um arroz branco. O preparo é fácil e o sabor especial, enaltecendo a culinária da região Centro-Oeste brasileira.

Ingredientes • 500 gramas de carne de sol • 1 colher de sopa de alho batido • 3 cabeças de cebolas raladas • 3 colheres de sopa de margarina • 3 colheres de sopa de óleo ou azeite • 100 gramas de farinha de mandioca, do tipo mais grossa

Modo de preparo

• Pique a carne de sol e leve-a para a panela de pressão por 10 minutos para tirar o sal. Depois, descarte a água da panela para deixar a carne menos salgada. Em seguida, coloque mais água e leve ao fogo por 40 minutos para cozinhar. • Depois de cozida, a carne deve ser desfiada, com o auxílio de um multiprocessador ou liquidificador. Em uma panela, coloque a manteiga e o óleo ou azeite. Acrescente a carne desfiada, a cebola e o alho. Para finalizar, retire a carne do fogo e misture a farinha de mandioca.

revista mercado rural

63


TURISMO

“Benvenuti nella terra del vino!”

Conheça o “Caminho do Vinho”, região paranaense que mantém traços únicos da cultura italiana Um passeio que promete uma viagem no tempo, direto da época da chegada dos imigrantes italianos ao Brasil. Aos amantes de um bom vinho, mais um atrativo: a degustação da bebida produzida artesanalmente e conforme a tradição que já percorre gerações. Este é o “Caminho do Vinho”, destino turístico localizado a 10 km da cidade de São José dos Pinhais, no Paraná. O local abrange a Colônia Mergulhão, com 44 propriedades rurais envolvidas nas mais diversas atividades, como a produção de vinhos, cafés coloniais, eventos, lazer, pousadas e artesanatos.

Tudo começou no final do século 19, quando algumas famílias italianas chegaram ao litoral paranaense. Como não se adaptaram ao clima, elas resolveram subir a serra, até a região onde atualmente se encontra o município de São José dos Pinhais. Lá encontraram poloneses que já residiam no local e, embora, tenham buscado se adaptar aos costumes dos primeiros imigrantes, ainda mantiveram a tradição da produção de vinhos artesanais, na época, produzidos amassando-se as uvas com rolos de madeira ou mesmo com os pés.

A difusão da cultura italiana se deu através das famílias Daldin, Bortolan, Bim, Juliatto, Pissaia e Possobom, as primeiras a se estabelecerem na região. Casas tradicionais foram edificadas, assim como capelas, hoje consideradas patrimônio histórico-cultural. As ruínas da primeira capela, erigida ainda no século 19, localizam-se na chácara da família Possobom. Em 1938, foi construída pela comunidade a capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, demolida em 1992 para a construção da atual, porém, com a preservação do Campanário, que data de 1952.

Atrações típicas Até 1998, a tradição da fabricação de vinhos se manteve de maneira particular, com a produção para consumo próprio ou venda apenas na “porta de casa”. Com o apoio da Prefeitura de São José dos Pinhais, os moradores fundaram uma associação e transformaram a Colônia Mergulhão em destino turístico rural. A partir daí, iniciou-se um trabalho intenso para viabilizar o acesso dos turistas aos mais diversos costumes e tradições praticados ao longo dos anos, como o folclore, o artesanato, as comidas típicas e a produção do vinho artesanal.

64

março 2015


A visita ao local promete atividade variadas. Além de conhecer as vinícolas e as edificações tradicionais, pode-se visitar o museu na comunidade Perbiche com entrada gratuita. Para quem gosta de artesanato, o local conta com uma Casa que oferece mimos típicos da região. Os amantes do esporte, podem se divertir no pesque-pague ou no velocross. Para manter a tradição da época da colônia, são servidos cafés colonais com os mais diferentes quitutes. Há, ainda, um minhocário, uma floricultura, dentre outros locais para compras e lazer. No mês de agosto, a região torna-se ainda mais movimentada, com a realização da Festa do Vinho. A celebração conta com degustações da bebida e de comidas típi-

cas, danças folclóricas e atrações musicais.

Passeio turístico Para quem deseja visitar a região, recomenda-se chegar pela rodovia BR-376. Há diversas placas orientando os turistas. Existe, também, a opção do passeio monitorado, que dura cerca de cinco horas. Os visitantes percorrem a estrada da Colônia Mergulhão e arredores em um ônibus especialmente criado para o turismo na região. Com o apoio de um guia, os turistas têm acesso a todas as histórias da tradição italiana no local e conhecem o roteiro enogastronômico completo da colônia. Ao todo, são oito paradas, com a visitação dos imóveis, a degustação de vinhos

e a oportunidade da realização de compras. O destino turístico conta com um site específico, com todas as informações para os visitantes. O endereço é: www.caminhodovinho.tur.br.

revista mercado rural

65


Suco detox BEBIDAS

Há pouco mais de um ano, uma modalidade de suco natural tornou-se famosa na mídia e passou a ser recomendada para consumo diário, especialmente após festas e exageros na dieta. De lá pra cá, muitas lanchonetes e restaurantes passaram também a incluir a receita no seu cardápio para ganhar os vigilantes da boa alimentação. O suco detox, que promete uma limpeza do organismo, é, hoje, visto como um aliado da saúde. Até então, falava-se muito no “suco verde”, com propriedades idênticas ao detox. O segundo termo ganhou mais visibilidade por trazer em sua nomenclatura a ideia de “detoxificação”, que é a desintoxicação do corpo. Tanto o suco verde como o detox possuem vegetais verdes em sua receita, com a presença da clorofila, pigmento que facilita a purificação do organismo. No entanto, existem variações do suco detox que substituem os componentes verdes mais comuns (couve, hortelã, salsinha ou salsão) por outras opções que também limpam o fígado, como o chá dente de leão, o chá verde ou grãos germinados. A função deste suco consiste em transformar as toxinas que capturamos para o

66

março 2015

Combinação de vegetais em forma de bebida é a nova aposta para eliminar as toxinas do organismo

corpo, como aquelas presentes no ar poluído, nos alimentos contaminados por agrotóxicos, alimentos industrializados, bebidas alcoólicas ou medicamentos, em substâncias que são eliminadas naturalmente pelo organismo. Seus benefícios vão além da desintoxicação. Muitos nutricionistas defendem que o suco detox pode melhorar a enxaqueca, concentração, cansaço, sono, humor, digestão, funcionamento intestinal, peso e medidas corporais. Seus nutrientes também beneficiam o sistema imunológico, uma vez que o suco é rico em vitaminas, minerais e fibras. Existem várias receitas de suco detox. Entre as frutas e vegetais mais utilizados estão: o abacaxi, que possui uma enzima que ajuda a sintetizar proteínas mal digeridas, a maçã e a laranja, que contém uma fibra que ajuda na eliminação de gorduras, a melancia, por ser diurética, o gengibre, com pro-

priedades que ajudam o fígado a eliminar as toxinas, e a couve, que auxilia em todos os processos de detoxificação do organismo. O ideal é ingerir o suco logo após o preparo, já que algumas vitaminas presentes na bebida oxidam em contato com o ar. Além disso, recomenda-se sempre incluir uma erva ou tipo de chá na receita, pois ambos ajudam na eliminação das toxinas. Entre as combinações do suco, de maneira geral, recomenda-se misturar uma fruta, água de coco ou chá, linhaça ou chia, couve e gengibre. Pode-se também substituir o gengibre por hortelã, utilizar a salsinha e o limão. O importante é informar-se sobre os vegetais que auxiliam na detoxficação e, de preferência, buscar a orientação de um nutricionista, que poderá indicar várias receitas para manter a sua saúde em dia e garantir mais energia para a sua rotina.


revista mercado rural

67


automóveis

Kia Trai’lster

Novo 4x4 impressiona por duplo motor e tração integral

Uma combinação entre charme e desenvoltura. Assim pode ser descrito o novo Kia Trail’ster, apresentado no Salão do Carro de Chicago (EUA), em fevereiro deste ano. Durante um tempo, a Kia tentou criar um mistério sobre o conceito “Trail’ster”, revelado com a exposição do automóvel no evento. Seu destaque está no design aventureiro e conjunto mecânico híbrido, formado por um bloco a combustão e outro elétrico. Inspirado na versão Soul, o Trail’ster tem grande apelo ao conceito off-road, com rodas de 19 polegadas, pneus 245/45, con-

68

março 2015

junto de luzes com faróis de neblina circulares e lanternas estilizadas em LED. O teto é de lona retrátil e o interior revestido em couro marrom com detalhes em alumínio. O carro conta também com apliques plásticos nas caixas de roda e nos para-choques, pontos nos retrovisores e no rack de teto e ganchos em tom vermelho. O câmbio é automático e com seis marchas.

Tração integral O maior destaque do modelo está no uso de um motor elétrico no eixo traseiro, provendo tração permanente às suas quatro rodas. Este motor bastante ajuda o crossover em condições off-road, detectando onde há perda de tração e movimentando a roda que precisa de força. Ele também auxilia nas desacelerações e frenagens, funcionando como um gerador de energia.

Tal diferencial, segundo a Kia, permite uma redução de 25 a 30% no consumo urbano e de 10 a 15% no rodoviário. Além disso, este motor elétrico, denominado e-AWD, é capaz de mover o carro com pouca demanda de potência por até 4 quilômetros de extensão. Já o motor de combustão do Trailster é um turbo 1,6 litro, com potência de 188 cavalos que traciona as rodas dianteiras. Com o trabalho dos dois motores, o Trail’ster consegue tração integral. Durante o seu lançamento, a montadora caracterizou o Trail’ster como carro indicado para aventuras ao ar livre, como ski, snowboard, caminhadas, campismo e outras atividades nesta linha. Conforme informações do site “Carplace”, a kia ainda não confirmou se produzirá o estudo em série, no entanto, os especialistas acreditam que o novo modelo já antecipa a estreia do Kia Soul com tração integral, o que seria um diferencial inédito no monovolume.


No Mundo Das Águas O “No Mundo Das Águas” é uma das mais completas exposições de mundo subaquático do Brasil, sendo a única da região metropolitana de Belo Horizonte com peixes de água salgada e a maior de Minas Gerais. Fruto de uma iniciativa particular, teve seu projeto instituído no início de 2003 e as obras iniciadas em novembro do mesmo ano. Após oito meses de construção, a exposição foi inaugurada em 18 de junho de 2004 com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da conservação do mundo subaquático. A exposição é direcionada a todo tipo de público. A infraestrutura, disposta em 600 m2, conta com 38 aquários, sendo 14 de água-doce e 23 marinhos, um lago de carpas, peças de naufrágio, esqueletos de corais, conchas, um jardim, uma pequena biblioteca, uma loja temática e mais de 150 espécies de animais aquáticos. Todas as visitas, com duração aproxi-

mada de 90 minutos, são monitoradas por estagiários, graduandos em Ciências Biológicas, que abordam o ciclo da vida aquática e citam curiosidades sobre os animais. As maiores atrações são o aquário de toque (onde crianças e adultos têm a chance de pegar em estrelas e ouriços), e o tanque dos tubarões. A equipe do “No Mundo Das Águas” escolheu a vida como objetivo de trabalho, e é na tentativa de defendê-la e cultivá-la que essa exposição foi idealizada. Atualmente, a natureza sofre os maiores índices de degradação da história e a poluição aquática está entre as mais graves de todas elas. Portanto, é necessário que haja um programa de conscientização mundial sobre a importância da água, base da vida. Com esse intuito, foi criado o “No Mundo das Águas” exposição subaquática conservacionista em Minas Gerais.

revista mercado rural

69


Importação de

aves exóticas Conheça mais sobre o processo, a quarentena e os cuidados necessários

A criação de aves exóticas no Brasil é uma prática antiga, porém seus avanços na legislação ocorreram recentemente. Desde o ano de 2011, os criadores, sejam amadoristas ou comerciais, precisam se cadastrar no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para atuarem no setor. A regra foi instituída através de Instrução Normativa (IN), que teve como objetivo aumentar o monitoramento do trabalho nos criatórios e prevenir que alguma ave importada traga riscos à saúde da população brasileira e também à fauna local. O criador legalizado, além de possuir todos os registros necessários, precisa ter um conhecimento aprofundado sobre a origem do animal, especialmente acerca de sua sanidade e genética. Para o zootecnista e proprietário do Criatório Comercial Amazona Zootech, Renato Severi Costa, a importação de aves ornamentais deve estar fundamentada em pesquisas de mercado, tanto internas e externas. “É aconselhável buscar animais que tenham uma importância para a renovação do plantel, ou mesmo espécies novas, que já não existam no país ou nunca tenham sido importadas em outras épocas”, explica.

70

março 2015

A importação O processo começa, basicamente, com a identificação e contato com o local exportador da ave. Este precisa ter todas as permissões exigidas, como a CITES, que é a licença para a exportação do animal. Renato acrescenta que é necessário que as aves tenham marcação por anilha ou outra que seja válida, assegurando que tenham nascido em cativeiro. Antes de o animal ser encaminhado, o importador, devidamente registrado, precisa garantir a sua vaga no quarentenário nacional. A quarentena de animais importados no Brasil é pública. A solicitação da vaga é feita com um pedido à Superintendência do Ministério da Agricultura no Estado, através de formulários disponíveis no site do órgão federal. Atualmente, o importador tem direito a, no máximo, um box por mês na quarentena, sendo que a estrutura do Quarentenário de Cananeia (o único no país que recebe as aves) é de quatro boxes ou salas. “Por isso, é necessário que o importador tenha todos os detalhes acertados com antecedência”, indica Renato. Quando as aves chegam ao país, é feita uma primeira inspeção no aeroporto (realizada pelo Ministério da Agricultura e Ibama), verificando se todas as marcações dos animais estão de acordo com os seus documentos, como o Certificado Zoosanitário, a CITES da origem e CITES Brasil. Após a liberação documental, a Receita Federal faz o levanta-

mento de impostos a serem pagos e as libera para o quarentenário depois da quitação das taxas. As aves permanecem no quarentenário por um período de 15 a 20 dias e, com o resultado negativo das doenças de Newcastle e Influenza Aviária, o importador poderá retirá-las e encaminhá-las ao local de criação.

Quadro atual Renato explica que o comércio das aves ornamentais no Brasil é feito através de veículos de comunicação, como revistas e sites especializados, e também diretamente com clientes fixos, que acabam por indicar novos compradores. Para ele, o momento atual do mercado é de altos e baixos. “Muitos querem criar as aves mais fáceis ou que se acredite ter melhor mercado. Este efeito é o que faz a saturação para determinadas espécies e, com o tempo, pode levar a um desestímulo na criação do mesmo e à perda de pares com viabilidade reprodutiva”, diz. Outra dificuldade enfrentada pelos criadores legalizados é o tráfico de animais silvestres. Renato acredita que o maior prejuízo da clandestinidade é o aumento da rigidez com quem está no comércio formal. “Com mais criadores na legalidade, conseguiremos ter mais força para lutar por avanços, por isso, é fundamental um trabalho de conscientização sobre a importância do registro nos órgãos que fiscalizam a atividade e que nos apoiam”, finaliza.


revista mercado rural

71


seção pet

Cacatua Pássaro originário da Oceania se destaca pela astúcia, beleza e longevidade

Inteligentes, brincalhonas, companheiras para uma vida toda. As cacatuas, aves da família dos psitacídeos, são consideradas uma ótima alternativa como animais de estimação. No Brasil, ainda não ganharam muito o ambiente doméstico, porém nos Estados Unidos e na Europa já são amplamente criadas dentro de casa. O que as fazem tão queridas? Sua capacidade de interação com o homem. Algumas chegam a imitar a voz humana e, até mesmo, a cantar. As aves deste gênero possuem várias espécies, sendo a Cacatua Alba e a Cacatua Galerita as mais comuns no Brasil. Ambas possuem um penacho vistoso na cabeça, que é reflexo de seu humor. Quando excitadas, erguem a crista e, quando alarmadas, encolhem-na. As cacatuas têm um bico encurvado e bastante forte e, por isso, recomendam-se brinquedos para a ave em

72

março 2015

cativeiro, a fim de que ela não faça estragos na gaiola ou no aviário. Suas patas são compostas por dois dedos voltados para frente e dois voltados para trás, característica que lhes proporcionam deslocar-se entre galhos, andar e levar comida até a boca. Algo interessante na cacatua é a sua necessidade de conviver com pessoas ou outros animais. Quando muito solitária, a ave pode perder a plumagem, mudar o seu comportamento e, até mesmo, chilrar muito alto. O zootecnista e proprietário do criatório Amazona Zootech, Renato Severi Costa, orienta que a pessoa que queira criar uma cacatua, deve ter em mente que precisará dar atenção à mesma. “Se a intenção é ter a ave, mas mantendo pouco contato, recomenda-se que adquira duas para uma fazer companhia à outra, em um ambiente espaçoso, como um viveiro ex-

terno, por exemplo”, explica. O especialista acrescenta que, quando bem manejadas, as cacatuas são excelentes companhias.

Manejo A cacatua alimenta-se, basicamente, de sementes, frutos e vegetais. Em cativeiro, recomenda-se dar uma ração adequada para este tipo de ave, em quantidade de 150 a 200 gramas por dia, e pode-se complementar a dieta com pequenas porções de alimentos naturais. Outro quesito importante na criação do animal em ambiente doméstico é dar um banho diário, com um borrifador ou mangueira. A criação comercial pode começar com a aquisição de um casal. No caso de compra de mais de um casal, é recomendado deixá-los separados para que não haja


disputa de território. Normalmente, é mais fácil conseguir filhotes, pois é raro criadores comercializarem matrizes prontas para reproduzir. A gaiola ou viveiro precisam ser constantemente higienizados e ficarem em local calmo, sem corrente de ar e, de preferência, que receba a luz solar pela manhã. De acordo com Renato, a construção de viveiros precisa de orientação técnica em razão da espécie que será criada. “Viveiros longos são sempre melhores para as cacatuas. Em alguns casos, os viveiros chegam a ter 8 metros de comprimento ou mais para as grandes cacatuas”, destaca.

Reprodução As cacatuas demoram cerca de 4 a 5 anos para atingirem a maturidade sexual. A postura é de dois a três ovos, que são incubados pelo casal durante um período de 25 a 27 dias. Em criatórios comerciais, os ovos ficam em chocadeiras, de maneira a triplicar a produção de fi-

lhotes. Quando as crias nascem, ainda sem pelagem, são totalmente dependentes dos progenitores e ficam sob seus cuidados nas primeiras semanas de vida. Até completarem 12 semanas, permanecem no ninho, sendo alimentadas pelos pais. Depois, passam a acompanhá-los durante alguns meses. Conforme o especialista Renato, os machos, na época de reprodução, possuem picos de testosterona, o que provoca um aumento de seu instinto de agressividade aliado ao de proteção. Tal situação faz com que o macho possa agredir a fêmea quando acha que esta sofra perigo por um predador ou por uma disputa de territorialidade. “Por isso, o manejo dos casais precisa atender vários detalhes que colaboram para manter a integridade da fêmea”, diz. O zootecnista acrescenta que o cuidado para o sucesso reprodutivo é uma junção de fatores. “Tamanho de viveiro, tipo de ninho, ocupação do tempo ocioso, tipo de alimentação são detalhes que auxiliam na prevenção de acidentes fatais entre pares”.

Mercado O preço da cacatua pode ser um pouco intimidante à primeira vista, no entanto, o retorno vem com cerca de dois anos após a iniciada da reprodução, para o caso de compra de um casal. Cada animal custa em torno de R$ 15 mil (no caso de filhotes das espécies mais conhecidas), porém o preço pode variar conforme a espécie, o sexo e a época do ano. Segundo Renato, o mercado de cacatuas no Brasil vive um momento bom, mas é preciso cautela, uma vez que o número de criadores tem aumentado e o preço da ave pode ser reajustado futuramente. “O comércio da ave no Brasil se restringe à Alba e à Galerita, devido à elevação de preço destas anualmente e a uma diminuição ou estagnação do preço das outras espécies. Muitos criadores se desfizeram dos pares de outras espécies, que foram, com o tempo, morrendo e, assim, ocorrendo um despareamento. A consequência foi a supervalorização das duas espécies de cacatua que são predominantes no Brasil hoje em dia”, explica. Os animais podem ser comercializados em pet shops, lojas de artigos para agronegócio e aviários, além de sites especializados. Vale ressaltar que, para adquirir e criar a ave, é preciso uma autorização em um Oema (Órgão Estadual do Meio Ambiente). revista mercado rural

73


criações exóticas

Canguru

Animal chama atenção por suas características únicas e curiosidades nos primeiros meses de vida De estaturas variadas e características bem específicas, como a bolsa (marsúpio) onde o filhote permanece até quase um ano de idade, os cangurus são animais típicos das planícies australianas e também da Papua Nova Guiné. Se forem vistos em outros países, possivelmente apenas em zoológicos. Em contrapartida, quem já visitou a Austrália, por exemplo, certamente está acostumado em vê-los pulando pelos campos às margens de rodovias. Várias delas, inclusive, possuem placas indicativas da presença do animal, para alertar os motoristas de forma a evitarem atropelamentos e também indicar aos turistas onde é possível encontrá-los. Aos que imaginam que exista um único tipo de canguru, uma curiosidade: há mais de 55 espécies do animal. E eles possuem muitos “parentes”, os animais da subclasse dos mamíferos chamados marsupiais. O nome deve-se exatamente ao marsúpio, a bolsa de pele que fica no ventre da fêmea. Dentre o grupo dos marsupiais encontram-se, além dos cangurus, os coalas, gambás e o diabo-da-tasmânia.

74

março 2015

Reprodução Algo bem específico dessa subclasse é a sua reprodução. No caso dos cangurus, as fêmeas possuem duas vaginas laterais, e os machos, um pênis bifurcado, com o escroto localizado em sua frente. E, para conquistarem o direito de reproduzirem com uma fêmea, os cangurus machos costumam lutar entre si. Após a formação do embrião, o período de gestação é extremamente curto, durando de 30 a 40 dias. Apenas um filhote nasce por vez, sendo gerado ainda imaturo. Pode-se dizer que o canguru recém-nascido é pouco mais do que um feto com capacidade respiratória. Seu tamanho é mínimo, comparado ao de um caroço de feijão cozido. Após ser gerado, ele sobe até o marsúpio da mãe e permanece lá por até um ano, agarrando-se a uma das quatro tetas para que possa se alimentar. Este fato também carrega algo interessante, pois quando o canguru embrionário nasce, ele ainda é cego, e acredita-se que utiliza o faro para encontrar a mama.

Até um mês de idade, o canguru permanece agarrado à teta da mãe, pois sua mandíbula ainda não está desenvolvida. Quando consegue se soltar, ele passa a deslocar-se dentro da bolsa para testar os seus músculos. O filhote deixa a o marsúpio


da mãe em definitivo com cerca de nove meses de idade, mas não desmama antes de completar 1 ano de vida e sempre retorna para a bolsa materna toda vez que pressente algum perigo.

Características Os tipos mais comuns de cangurus são: os grandes cangurus (canguru gigante cinza e canguru vermelho), os wallbies (espécie um pouco menor com pelagem mais brilhante) e os cangurus arborícolas (possuem formato mais robusto e semelhança de tamanho entre os membros superiores e inferiores). A cauda dos cangurus é longa e musculosa e eles costumam usá-las como apoio quando caminham, estão sentados ou, até mesmo, como instrumento de equilíbrio durante um salto.

A idade desses animais oscila entre 12 e 25 anos e, algo que influencia bastante em sua longevidade, é a quantidade de alimento disponível. Quando atingem a fase adulta pesam, em média, 80 kg, e medem em torno de 1,40m. A variação de sua estatura se dá conforme a espécie. Outra curiosidade sobre os cangurus é que a maioria deles costuma ter hábitos noturnos, por isso, muitas vezes quando se visita um zoológico durante o dia, pode-se encontrá-los “tirando um cochilo”. Alguns deles estão mais ativos no princípio da manhã e no final da tarde.

Manejo Não existem criações de cangurus na Austrália, seu principal habitat. Todos, com exceção dos criados em zoológicos, vivem em estado selvagem, alimentando-se de frutas e vegetais e sem a intervenção humana. Estima-se que a população atual de cangurus no país varie entre 30 a 60 milhões de animais. A carne do canguru é utilizada para consumo, porém não muito amplo, devido ao seu forte sabor. Sua pelagem é usada para a confecção de bolsas, carteiras, dentre outros objetos e souvenires, todos com selo de legalização para o consumo. A caça do animal é extremamente controlada e apenas as espécies mais abundantes no país podem ser caçadas comercialmente, por profissionais com licença. A indústria de abate do animal também recebe monitoramento rigoroso e, por isso, é considerada “amiga do meio ambiente”, pois trabalha somente com as espécies mais abundantes, contribuindo para a sustentabilidade. Através da Lei Federal de Proteção ao Meio Ambiente e Conservação da Biodiversidade (1999), a Austrália proibiu a exportação de cangurus vivos, com pequenas exceções para fins não comerciais, como intercâmbios zoológicos.

revista mercado rural

75


Evento/ Dia de campo

Rações Futura, Faceb/Unipac e AMCGIL realizam Dia de Campo No dia 28 de fevereiro, foi realizado o Dia de Campo na Faculdade Faceb/Unipac, em Bom Despacho/MG. O evento, organizado em parceria com a Rações Futura e AMCGIL, contou com palestras e a presença de alunos, professores, criadores, autoridades e pessoas ligadas ao agronegócio.

Kleverson Mello, Fernando Lamounier, Isnei Faria, Samira Araujo e Fabiano Tolentino

Marcus Vinicius, Rodrigo Pontes, Samira Araújo, Fabiano Junqueira, Fabrício Amaral e Isnei Faria Paulo Barreira, Renato Laje, José Afonso, Luciano Ferraz e Kleverson Mello

Miguel Amâncio, Tomaz de Aquino, Elzira Maria, Giselle Gontijo e Hilton Grego

76

março 2015

Gisele Gontijo, Fernando Ordones, Aparecida Monteiro, Nataly Venancio, Ricely Alves e Denio Goulart


Evento/ Dia de campo

Paulo César, Ronaldo Queiroz, José Raimundo, Isnei Faria e Sergio Miranda

Giselle Gontijo e Ronaldo Costa

Rodrigo Taveira, Flávio Salim, Paulo Barreira e Leopoldo Moura

Ana Clara, Isnei Faria, Priscila Karen e Lara Brandão

Ellen Valadares, Giselle Gontijo, Fabiano Tolentino e Roberto Morais

Giselle Gontijo, Karla Ribeiro e Hannah Lacerda

Alexandre Ribeiro, Maria Carolina e Silvia Medeiros

Inimar Garcia, Mauro Borges, Lais Campos, Ebenezer Salum e Hilton Greco

NOVO ENDEREÇO Av. Afonso Pena,rural 4374 77 revista mercado Bairro Cruzeiro - Belo Horizonte / MG


giro rural

Homenagem ao pecuarista Antônio Alves de Freitas No dia 02 de fevereiro, o agronegócio perdeu Antônio Alves de Freitas, conhecido por Antônio Hilário, pecuarista que dedicou toda a sua a vida ao campo. Natural de Itapecerica/MG e pai de 4 filhos, Antônio faleceu aos 68 anos e deixa um bom exemplo para os filhos, netos, esposa, amigos e colegas de profissão. Antônio esteve envolvido com as atividades rurais desde a infância. Sua primeira fazenda, na localidade de Lambari/MG, foi comprada em 1971. Posteriormente, o criador adquiriu outras propriedades, todas no município de Itapecerica, cidade a qual admirava muito. Antônio devolveu diversas atividades ligadas à pecuária e, há 20 anos, especializou-se em criação do gado Nelore. O criador era muito devoto de Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças e São Sebastião, de cujo tradicional leilão era um dos organizadores. Caridoso, humilde e muito trabalhador, seu lema era: “ajudar a todos que necessitam, especialmente os que não têm condições financeiras”. A Revista Mercado Rural presta esta homenagem ao ilustre pecuarista. O agronegócio brasileiro perde um grande produtor, um aficionado homem do campo.

Museu do Tropeiro comemora 12 anos

Nos dias 27 e 28 de março, o Museu do Tropeiro, localizado no distrito de Ipoema/MG, celebrou os seus 12 anos. O evento contou com a tradicional cavalgada, no percurso de Santa Bárbara à Ipoema. Os cavaleiros, integrantes de comitivas de várias cidades da região, passaram por Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, Bamba, Senhora do Carmo e Ipocarmo. A benção foi realizada em frente ao Museu do Tropeiro, destino final da cavalgada. Além do encontro de cavaleiros, o evento trouxe shows, barraquinhas de artesanato local, comidas e bebidas típicas da região. O Museu do Tropeiro visa resgatar a memória dos tropeiros viajantes que contribuíram para o crescimento de Minas Gerais. O acervo é formado por mais de 700 itens, como documentos, certidões de casamentos, objetos usados nas viagens, livros de compra e venda e ferramentas utilizadas por eles. O museu fica na travessa Professor Manoel Soares, 217, em Ipoema, distrito de Itabira/MG.

Inseminador: profissão promissora no agronegócio brasileiro A Rações Futura está expandindo seu mercado de atuação por todo o Brasil. Está selecionando representantes para os Estados de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Espirito Santo. Interessados entrem em contato. www.racoesfutura.com.br (37) 3524-1008 78

março 2015

A inseminação artificial tem se mostrado como uma das mais eficazes alternativas para garantir o melhoramento genético do rebanho. Tal tecnologia traz rentabilidade e a qualificação do produto e, por isso, tem sido muito buscada por pecuaristas e criadores. Para que este trabalho seja desenvolvido com sucesso, é preciso ter bons inseminadores na fazenda. Em algumas regiões do país, é difícil encontrar profissionais qualificados e, em outras, a função é exercida por trabalhadores que cuidam tanto da inseminação como de outras atividades na fazenda. Muitas empresas já oferecem cursos especializados para o inseminador. Segundo a empresa Alta, há estados que chegam a remunerar de dois a três salários mínimos para o profissional qualificado e outros oferecem cerca de R$ 1.500/ mês mais os prêmios por índice de prenhez e, ainda, os que contratam durante a estação de monta. Acredita-se que a profissão deva crescer consideravelmente nos próximos anos.


Nasce primeiro clone da raça Campolina No dia 25 de fevereiro, nasceu o primeiro clone da raça Campolina, da égua campeã nacional, Figura do Barulho, mãe do Gavião do Barulho e número 15 do Livro da Elite da Raça. A égua que gerou o clone, falecida em 18 de fevereiro de 2014, aos 17 anos, é mãe de vários campeões da tropa do Barulho, como Gavião, Granada, Gang, Galáxia, Dinamite, Frevo, Imagem, Iluminada, Ivanhoe, Invejada, Louvre e Lancelot. O clone, que já é o quinto bem sucedido no Brasil (existem três da raça Mangalarga Marchador e um QM), foi gerado na InVitro Brasil, em Mogi Mirim/SP, sob a responsabilidade da veterinária Paula Fleury, especialista que fez a primeira clonagem de cavalo no país, do Turbante JO.

Misturador para pecuária de leite ou corte A empresa Casale desenvolveu a Rotormix Profi, máquina que proporciona uma mistura de qualidade no cocho, através da combinação de movimento rotativo e tombamento suave. O equipamento proporciona a combinação com milho moído ou em flocos, e volumosos de fibra curta e alta umidade, sem causar danos às fibras. A agilidade na mistura e o tempo indicado por tamanho de equipamento foi estudado pelos engenheiros da empresa para proporcionar vida útil às peças do equipamento, e uma ração homogênea, solta e palatável. Recentemente, a Casale lançou também sua terceira geração de rotor de mistura, o Rotoflex-ECO, produto exclusivo e patenteado pela marca. Seu principal diferencial é a economia de diesel ou eletricidade em até 15% e, consequentemente, redução da emissão de carbono. Assim, é possível que os pecuaristas ofereçam um produto mais sustentável e que atenda às exigências do consumidor final.

ABPA comemora publicação de listas de exportadores de frangos para Paquistão e suínos para a África do Sul A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a publicação, em fevereiro, da lista de empresas exportadoras de carne de frangos para o Paquistão e de carne suína para a África do Sul. No caso do Paquistão, a publicação – que efetiva a abertura de mercado comunicada pelo governo paquistanês em março de 2014 – autoriza empresas listadas a exportarem carne de frango para país islâmico. Já para a África do Sul, as empresas au-

torizadas voltam a exportar para o mercado depois do anúncio da reabertura, ocorrida em novembro do ano passado. O país africano havia suspendido as importações de carne suína do Brasil em 2005. A autorização das empresas, já no segundo mês de 2015, poderá impactar positivamente no saldo geral do ano das exportações de carne de frango e de suínos brasileiras. Maior produtor e exportador de carne de frango halal (que

segue os preceitos do islamismo) do mundo, o Brasil vê no Paquistão uma grande oportunidade de expansão dos negócios. Já a África do Sul chegou a representar quase 3% das exportações de carne suína, posicionando-se como quarto maior importador. Quando o embargo ocorreu, o setor exportador bateu recorde histórico de embarques, chegando a 625 mil toneladas – 18 mil delas, direcionadas ao mercado sul-africano.

revista mercado rural

79


giro rural

Semeato agrega inovação e tradição no Show Rural Coopavel 2015

Planejamento proporciona crescimento de 30% à Vaccinar

Vinicius Santos, Julio Emrich, Danielle Gillis, Nelson Lopes, Marcelo Torretta, Fátima Araújo, Álvaro Sobrinho e Henrique Fernandes A Vaccinar encerrou o ano de 2014 celebrando os grandes avanços e o crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Para atingir tais resultados, a empresa investiu em um planejamento focado em infraestrutura, pesquisa e recursos humanos e, entre suas realizações, destacam-se as modificações na Unidade de Bom Despacho /MG e Martinho Campos/MG, com ampliações do espaço de armazenagem, modernização do processo de expedição e aumento da capacidade produtiva. A corporação também priorizou a capacitação de seu pessoal, promovendo o conceito da excelência produtiva. Em oito anos, a Vaccinar dobrou de tamanho duas vezes e os planos de extensão não se encerram por aí. A empresa pretende dobrar novamente dentro dos próximos três anos, através da instalação de novas fábricas em pontos estratégicos, especialmente nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Sobre o sucesso do negócio, o Diretor Comercial da empresa, Júlio Pinto, lista os valores pelos quais a Vaccinar se orienta: “conceitos de HD (High Definition) praticamente em todas as linhas; Nutrição de Precisão; Rações Iniciais Completas; Aditivos e Suplementos de última geração, além de uma equipe de venda técnica especializada e comprometida com a qualidade da empresa”.

Uma das maiores feiras do Brasil e que abre o calendário anual de mostras agrícolas, a Show Rural Coopavel, realizada de 2 a 6 de fevereiro em Cascavel / PR, contou com um estande especial da Semeato. No local, foi exposta toda a linha de produtos da fabricante de Passo Fundo /RS, com destaque para a semeadora múltipla SSM 33 VS, que passou por um processo de reengenharia com o objetivo de aprimorar a sua eficiência na implantação das diferentes culturas. A semeadora SSM33 VS possui reservatórios de sementes e fertilizantes confeccionados em polietileno rotomoldado, com grande durabilidade e resistência. Além disso, a capacidade dos reservatórios tem maior rendimento operacional, uma vez que ocorre a redução do número de paradas para abastecimento. A máquina conta também com um sistema com grande capacidade de individualizar as sementes, resultando em maior índice de plantabilidade. Fundada em 1965, a Semeato é, hoje, uma referência em plantadeiras no mundo, disputando o mercado europeu. A empresa possui com oito unidades, sendo quatro montadoras de máquinas agrícolas, uma fabricante de discos, duas fundições e uma unidade de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

junho

maio

abril

Agenda Rural

80

09/04 a 19/04

Expolondrina - 55ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina

Londrina

PR

23/04 a 03/05

Expogrande 2015 - Exposição Agropecuária e Industrial de Campo Grande

Campo Grande

MS

27/04 a 01/05

AGRISHOW 2015 - 21ª Feira Internacional de Tecnologia em Ação

Ribeirão Preto

SP

26/04 a 02/05

64º Campeonato Brasileiro de Ornitologia

Itatiba

SP

03/05 a 10/05

81ª ExpoZebu

Uberaba

MG

04/05 a 06/05

XIII Congresso Internacional do Leite

Porto Alegre

RS

12/05 a 16/05

Agrobrasília 2015

Brasília

DF

27/05 a 29/05

ZOOTEC 2015

Fortaleza

CE

28/05 a 30/05

AveSui 2015 - FIPPPA - Feira da Industria de Produção, Processamento e Proteína Animal

Curitiba

PR

02/06 a 06/06

Bahia Farm Show - Feira de Tecnologia Agrícola e Negócios

Luís Eduardo Magalhães

BA

10/06 a 13/06

BioFach América Latina 2015

São Paulo

SP

10/06 a 13/06

Bio Brazil Fair 2015 - 11ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia

São Paulo

SP

23/06 a 24/06

12º Simpósio do leite, 6º Fórum Nacional de Lácteos e 4ª Mostra de Trabalhos Científicos

Erechim

RS

março 2015


revista mercado rural

81


82

marรงo 2015

Revista Mercado Rural  

Edição 14 - Março de 2015

Advertisement