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DEZEMBRO - 2015 • Nº 17

Nacional do Cavalo Campolina Marchador Paint Horse Zika Vírus Seringueira

Entrevista: Daniel Borja, novo presidente da ABCCMM Bovinos: Simental e Simbrasil Seção Pet: Gatos

Caprivama

Destaque da caprinocultura leiteira completa 25 anos priorizando genética e criação


D E Z E M B R O - 2015 E D I TO R IAL Redação Unique Comunicação e Eventos Tel.: (31) 3063-0208 marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Geral Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Jornalista responsável Tatiana Vieira - MTB 14.525/MG editorial.mercadorural@gmail.com Direção de Arte Otávio Vieira Lucinda otavio.vieira@mobtechsolucoes.com.br Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey www.revistamercadorural.com.br

Comemoramos, nesta 17ª edição, o quarto ano da Mercado Rural. Só temos a agradecer: aos nossos anunciantes, que acreditam no retorno da revista e estiveram conosco, aos leitores, que apoiam nosso projeto, e aos nossos amigos, familiares e colaboradores, que nos incentivam continuamente. Seguimos empenhados em fazer um veículo de qualidade, com conteúdo diversificado, reportagens interessantes e diagramação atrativa. Nossa matéria de capa é sobre o Capril Caprivama, que vem, há 25 anos, desenvolvendo um trabalho de excelência na criação de cabras leiteiras. Conversamos com o proprietário, Pedro Paulo Vasconcellos Leite, que falou sobre o negócio, seus diferenciais, a produção de queijos finos, o manejo das cabras leiteiras e o mercado. Na seção de entrevista, conversamos com o novo presidente da ABCCMM, Daniel Borja, sobre os seus planos e projetos para o mandato. Já na editoria de equinos, abordamos o Paint Horse, raça de cavalos considerada entre as mais belas do mundo. Conversamos com o criador Rodrigo Guedes, do Haras Horizonte, em Itapecerica-MG, que falou tudo sobre o equino. Sobre bovinos, tratamos do novo Sumário de Touros, das raças Simental e Simbrasil. Abordamos, ainda, o uso de drones na agropecuária e a imunocastração de bovinos de corte, tema do artigo assinado pelo pesquisador da Embrapa, Rodrigo da Costa Gomes. Também trazemos o artigo dos mestres Gustavo Monteiro e Josiane dos Santos, da UFLA, sobre a suplementação de bovinos durante a fase de recria. A seção Dicas da Agrosid traz a terapia da vaca seca. Trazemos, ainda, matérias sobre temas de grande destaque em 2015, como o Zika Vírus e a Tragédia em Mariana-MG. Outros assuntos presentes na edição são a extração de óleos da Amazônia, o sucesso das associações comunitárias, novas pragas da safra 2015/2016, o Programa Balde Cheio, dentre outros temas relevantes. Na seção Personagem, conversamos com a criadora de gatos sem pelos, Ana Luiza Martins. Os animais também foram tema da seção Pet, que ganhou uma página adicional sobre a raça Siberiana e Neva Masquera. Na seção Exóticos, o destaque é a aranha caranguejeira. Na editoria de Turismo, apresentamos o hotel fazenda Canto da Siriema, e na seção Bebidas, trazemos tudo sobre o chimarrão e o tereré. Esses e outros assuntos estão presentes na primeira edição da revista Mercado Rural de 2016, feita com muito carinho para todos os leitores e parceiros. Boa leitura! Abraços,

A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

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Ficou ótima a revista, já recebi!!! Linda!!! Parabéns!!! Obrigada!!! Maria Eliza Hass - Belo Horizonte, MG Já li a revista. Ficou muito boa... Parabéns! Fábio Lopes Ferreira - Belo Horizonte, MG

Marcelo Lamounier

Grande Marcelo Lamounier, Uma boa revista! Um grande Diretor! Um bom amigo do bem. Um abraço! Juvenal Perestrelo São Paulo, SP

Parabéns a toda a equipe da Revista Mercado Rural, pela qualidade do material produzido. As matérias abordam assuntos interessantes e apresentam um conteúdo enriquecedor para produtores e profissionais do agronegócio. Muito sucesso para vocês! Felipe Athayde - Vassouras, RJ


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Entrevista: DANIEL BORJA, presidente da ABCCMM

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Usos do DRONE no campo

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PERSONAGEM: Ana Luiza Martins

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COMO FAZER: Bonsai

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O PERIGO DOS RAIOS: Época de tempestades requer cuidados especiais no campo

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ZIKA VÍRUS: Entenda mais sobre a relação com a microcefalia, os sintomas do contágio, diagnóstico e prevenção

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SUPLEMENTAÇÃO DE BOVINOS durante a fase de recria

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Simental e Simbrasil lançam 18º SUMÁRIO DE TOUROS

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FARINHA DE BANANA VERDE: Alimento equilibra o Intestino, aumenta a Imunidade, previne o diabetes e o câncer de cólon OVOS: Setor espera mercado mais firme em 2016

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IMUNOCASTRAÇÃO de bovinos de corte

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PAINT HORSE: Conheça a raça equina que cuja pelagem é como uma impressão digital, característica que lhe confere uma beleza única

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INFESTAÇÃO DE CARRAPATOS BOVINOS aumenta nesta época do ano

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SUCESSO DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS: Agremiações promovem a qualificação do trabalho e a melhoria da vida no campo

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Os potenciais dos ÓLEOS DA AMAZÔNIA: Extrativismo de óleos naturais garante a renda de muitas famílias e fortalece a sustentabilidade da floresta Ataques de ABELHAS E MARIMBONDOS

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ABCCMM: Grandes projetos e números expressivos

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BALDE CHEIO: Projeto da Embrapa incentiva o manejo profissional das produções leiteiras

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35ª NACIONAL DO CAVALO CAMPOLINA MARCHADOR

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Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas desenvolvem TELHA SUSTENTÁVEL

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DICAS DA AGROSID: Terapia da vaca seca

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ANILHAS CAPRI: Empresa brasileira se destaca por oferecer produtos personalizados e alinhados às novas tecnologias

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RECEITA: Pernil assado ao molho de hortelã

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BEBIDAS: Chimarrão e Tereré

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TURISMO: Fazenda Lazer Canto da Siriema

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AUTOMÓVEIS: Fiat Toro chega em 2016 reforçando a nova tendência das picapes

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SESSÃO PET: Siberiana e Neva Masquerade

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SESSÃO PET: Gatos sem pelos

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CRIAÇÕES EXÓTICAS: Aranhas caranguejeiras

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EVENTO: Rações Futura brinda mais um ano de conquistas

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EVENTO: VII Marchador Fest

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EVENTO: Cia do Nado faz confraternização de Natal - Haras JHR reúne amigos e criadores

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GIRO RURAL

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AGENDA RURAL

CAPRIVAMA

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Vantagens da CAPRINOCULTURA no Brasil

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LEITE DE CABRA e derivados

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SESSÃO MEIO AMBIENTE: O Mar de lama - Tragédia sem precedentes

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SESSÃO ECONOMIA: FAEMG divulga balanço do agronegócio mineiro em 2015 e expectativas para 2016

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SERINGUEIRA: Aumento da demanda pelo látex enaltece a importância econômica da árvore nativa da Amazônia

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NOVAS PRAGAS da safra 2015/2016

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ENTREVISTA

Daniel Borja Presidente eleito da ABCCMM fala sobre os desafios do cargo, as prioridades de sua gestão e como pretende fortalecer o Mangalarga Marchador no Brasil vez mais, começando a pegar gosto, ver leilões, ler revistas especializadas de cavalo e fui aprofundando meus conhecimentos sobre o Mangalarga Marchador. E assim, ainda jovem, dei início à minha criação. A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) conta com uma nova diretoria, empossada no dia 5 de janeiro e que assume o mandato por três anos. À frente do grupo está o criador e empresário, Daniel Figueiredo Borja, eleito diretor presidente. Daniel tem 43 anos, é casado e tem dois filhos. O novo presidente da ABCCMM atua na área de hotelaria e construção civil, mas já vem, há mais de 20 anos, dedicando-se ao cavalo Mangalarga Marchador. Confira a entrevista exclusiva que Daniel concedeu à Mercado Rural: MR: Quando iniciou a sua relação com a raça Mangalarga Marchador? O interesse por cavalos é uma herança familiar? Daniel Borja: Eu comecei a criar o cavalo Mangalarga Marchador com dezenove anos, mas eu já tenho contato com fazenda desde criança. Meu pai criava gado Girolando e eu tinha o costume de buscar os animais no pasto quando era menino, entre oito e dez anos de idade. E eu sempre amei cavalo. Fui me interessando cada

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MR: Como você encara o desafio de assumir a presidência da ABCCMM? Pretender dar continuidade ao trabalho que já vem sendo desenvolvido nos últimos anos? Daniel Borja: Na verdade, eu me estruturei para enfrentar, assumir e dar continuidade ao trabalho da diretoria. Há um ano e meio venho me estruturando, em termos de empresa e de família, para que eu pudesse começar essa empreitada. Vamos dar continuidade nas coisas boas do cavalo: existem vários projetos do Magdi e sua equipe que nós temos total interesse em continuar. Mas, com certeza nós vamos inovar em vários aspectos e uma deles vai ser a parte de mídia, o marketing da Associação. Nós vamos criar uma estrutura que possa divulgar o Mangalarga Marchador dentro do Brasil. Eu quero focar, especialmente, no estados do Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão, e também nas regiões Sul e Nordeste. MR: Como você vê o atual cenário do Mangalarga Marchador? Acredita

que assume a presidência da ABCCMM em um bom momento da raça? Daniel Borja: Eu acho que a raça cresceu e se consolidou. Nós temos uma média de trezentos leilões por ano. A raça é muito aquecida e, dentro do nosso objetivo, nós queremos montar uma Cooperativa Nacional do Mangalarga Marchador. Vão ser produtos agropecuários, veterinários, rações, ferraduras, enfim, vamos oferecer uma série de produtos para que o criador possa entrar no nosso site e ter acesso direto a essa cooperativa, para comprar com preços diferenciados e, assim, continuar aumentando a tropa e fomentando a raça Mangalarga Marchador. MR: Como você pretende atuar para fortalecer ainda mais marca Mangalarga Marchador nacional e internacionalmente? Daniel Borja: Nós vamos fazer, em nível internacional, uma estrutura de divulgação, mas, nesses três anos, nós vamos focar grande parte do nosso recurso e da nossa estrutura para ações dentro do Brasil. Nós queremos, na realidade, reforçar cada vez mais a marca Mangalarga Marchador, já conhecida nacionalmente como a maior raça na América Latina. Ou seja, nós pretendemos dar continuidade a esse crescimento dentro do território brasileiro.


MR: Quanto às parcerias, como irá atuar para fortalecer as atuais e buscar novas alianças para a Associação? Daniel Borja: Dentro da nossa visão de marketing, nós vamos fazer uma parceria e buscar no mercado cinco empresas master para apoiar a produção de impressos da Associação, e essas cinco marcas terão acesso à entidade. De maneira simplificada, todo material que nós iremos produzir contará com cinco patrocinadores principais, que vão ser parceiros da Associação e vão estar sempre com a gente. E esses patrocinadores, na verdade, vão estruturar com verbas diferenciadas para que possamos fazer premiações dentro do Mangalarga Marchador. Tanto na Nacional quanto no CBM, nós vamos fazer premiações nunca vistas na raça.

fomentar a raça, aumentar o número de criadores e elevar as vendas no mercado. Então, nós vamos buscar uma aproximação imediata com os seus presidentes. Nós vamos fazer reuniões trimestrais e trazê-los para dentro da ABCCMM, de modo que possamos, junto com eles, fazer exposições, copas de marcha, feiras e leilões, fortalecendo a raça pelo país. MR: Em linhas gerais, como será a atuação nas áreas de Eventos e Social? Daniel Borja: Na área de Eventos, além da parceria com os presidentes de núcleos, nós vamos ter a Exposição Nacional, em julho, e o CBM, em outubro, ambos com muita estrutura e muita premiação, exatamente para fomentar a raça, ajudar no seu crescimento e trazer novos criadores. A nível social, nós vamos aumentar,

MR: Você pretende ter uma gestão participativa, com o apoio dos presidentes de núcleos regionais? Daniel Borja: Esse é, talvez, um dos conceitos mais importantes para nós, da raça Mangalarga Marchador. Nós vamos fazer uma união dos núcleos e eu, como representante da Associação, pretendo apoiá-los com muita força. Eu entendo, de uma forma muito participativa, que os núcleos são a continuidade da Associação para

com muita intensidade, o projeto Marchadores Pela Vida. Eu entendo esse projeto como uma ação solidária, em que a gente tem a oportunidade de fazer o bem, e os criadores do cavalo Mangalarga Marchador já aderiram à iniciativa com muita vontade e disposição. No ano que vem, nós vamos fazer um leilão com quarenta animais selecionados dos melhores planteis do Brasil, vendendo 50% em um leilão beneficente. E essa verba será direcionada para ajudar pessoas necessitadas, com deficiências e problemas de saúde. MR: Deixe uma mensagem para os associados e também para os demais criadores da raça Mangalarga Marchador no Brasil. Daniel Borja: Nós estamos assumindo a gestão de uma raça forte e consolidada, em que a diretoria que sai a deixa com muita estrutura para que a gente possa dar continuidade. Nós estamos muito animados e dispostos a trabalhar em prol da raça, colaborando com o seu crescimento e sempre pensando em fomentar o Mangalarga Machador dentro do Brasil. Esse vai ser realmente o nosso maior incentivo para desenvolver um trabalho de excelência, com uma equipe bastante participativa.

Juliana, Daniel e Bernardo Borja A Unique Comunicação e Eventos atua há 8 anos no agronegócio, prestando com excelência e qualidade seus serviços. Atenta à crescente demanda do setor, a empresa especializou-se no ramo de organização de leilões e divulgação de projetos voltados para o agronegócio.

Contato: (31) 3063-0208 • 9198-4522 Marcelo Lamounier marcelo@uniquecomunicacao.com.br

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TECNOLOGIA PODE DESEMPENHAR DIVERSAS FUNÇÕES NA FAZENDA, ALÉM DE FACILITAR O MONITORAMENTO DE GRANDES ÁREAS

USOS DO NO

drone

campo Análise de plantação: os drones registram imagens aéreas de toda a plantação, sendo capazes de detectar pragas e doenças, falhas no plantio, excesso de irrigação, etc. Demarcação do plantio: com a captação das imagens do alto, é possível verificar quais as melhores áreas da fazenda para a realização da semeadura. Acompanhamento da safra: pode-se utilizar o drone com frequência (semanalmente, por exemplo) para sobrevoar a lavoura e acompanhar o seu desenvolvimento. As imagens são analisadas cronologicamente. Pulverização: esta função ainda está em desenvolvimento, porém já existem protótipos que conseguem embarcar até 18 litros de químicos. A vantagem do uso do drone está em sua capacidade de aproximação das plantas e na sua segurança, já que não tem piloto embarcado. Acompanhamento de pastagem: através das imagens aéreas captadas pelo drone, é possível verificar quais pastos necessitam de reforma e quais estão bons para o uso. Caso seja necessário uma aná-

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Há quem diga que os olhos do dono não são suficientes para monitorar toda a sua propriedade. E, para isso, ele já conta com uma tecnologia que tem gerado bons resultados e permitido o mapeamento de lavouras e de criações inteiras, ajudando na detecção de problemas e em sua rápida resolução. Esses “olhos mecânicos” são os drones, pequenas aeronaves comandadas por controle remoto e que possuem uma câmera capaz de registrar imagens em vários ângulos e altitudes. A pequena aeronave não tripulável tem conquistado muitos agricultores, pecuaristas, além de profissionais do setor de agronegócio. Quem já experimentou a tecnologia, garante que a sua versatilidade compensa o investimento. Confira os seus variados usos no campo:

lise detalhada, pode-se identificar pontos estratégicos para fazer uma coleta do solo para posterior análise em laboratório. Controle do desmatamento: com a visão ampla de lugares mais distantes e de difícil acesso, é possível constatar quais as áreas que estão sendo devastadas e, assim, combater o desmatamento. Localização de nascentes, descoberta e abertura de novas estradas: como algumas nascentes podem se localizar em matas fechadas, através do uso de drones é possível descobrir a origem da água. Assim também, é possível constatar do alto quais as melhores coordenadas para abrir novas estradas. Vigilância: os drones podem ser utilizados para vigiar as divisas da propriedade.

Localização de focos de incêndio: os drones conseguem sobrevoar incêndios, podendo descobrir o foco do fogo para que seja feito o controle. Telemetria: é possível medir as propriedades utilizando imagens de alta qualidade captadas pelo drone. Contagem da boiada e localização de animais perdidos: através das imagens aéreas, é possível contar o rebanho sem a necessidade de deslocar um peão para a tarefa. Os drones também podem ser utilizados para encontrar um animal que tenha se desgarrado dos demais. Fonte: SENAR / Globo Rural


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PERSONAGEM

Gatos: um amor por toda a vida Conheça a trajetória da criadora de gatos, Ana Luiza Martins, e sua paixão pelos felinos pelados Em uma rápida conversa com ela, já se percebe que o amor que sente por gatos é de uma pureza e verdade que encantam. Sua grande afeição pelos felinos a impulsionou na concretização de um sonho. A personagem de nossa revista, a advogada Ana Luiza de Rezende Martins, 43, é dona de um criatório de gatos de raças peladas no Rio de Janeiro, o Gatil Suryanamaskar. O empreendimento é fruto de uma paixão que começou em 1996 e se concretizou a partir de 2003. A criadora herdou o apreço pelos animais da família. Seu pai era filho de um fazendeiro do Rio Grande do Sul, e a mãe sempre estimulou os filhos no amor pelos animais. Ana Luiza conta que o primeiro contato que teve com gatos pelados foi com um exemplar da raça Sphynx. “Eu vi a foto de um Sphynx na internet e me apaixonei. Passei noites sem dormir, pensando naquele gatinho, totalmente sem pelos, e aquela visão se tornou uma obsessão”, re-

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lembra. Na época, só existiam três criadores da raça no Brasil, sendo que dois deles não criam atualmente. Ana Luiza, então, não hesitou em se tornar mais uma criadora brasileira desses gatos exóticos e comprou o seu primeiro casal. “A primeira ninhada eu perdi, mas não desisti. Comprei outra fêmea, me mudei para uma casa e foi ali que percebi o quanto aqueles gatos transformaram a minha vida para melhor”, salienta.

A CRIAÇÃO Depois da primeira experiência com os gatos Sphynx, Ana viajou até a Rússia para aprender mais sobre os felinos e a criação. Lá ela conheceu outra raça que também tem a caraterística da ausência de pelos: o Bambino. “Achei o Bambino tão adorável que trouxe três fêmeas da raça para criar”, conta. Há dois anos, uma terceira raça pelada encantou a criadora: a Elf. Desde a

primeira aquisição até hoje, já se passaram mais de dez anos e Ana Luiza ressalta que sua admiração pelos felinos só cresce. “Eu nem penso em parar com a minha criação que, atualmente, já faz parte do meu cotidiano. É uma dedicação exclusiva, um amor que transcende qualquer outro sentimento, sempre para melhor”, defende. Para cuidar do Gatil Suryanamaskar, Ana conta com o apoio do marido e de três funcionários, os quais ela relata que se tornaram grandes amigos pessoais e amantes dos felinos. “A Nívia eu digo que é a babá das minhas crianças, o Luís se tornou um apaixonado pelos nossos bichanos”, brinca. A criadora ressalta que o gatil conta também com o apoio de veterinários. “Temos um especialista em felinos, além daqueles especializados em cardiologia, oftalmologia, ultrassonografia, anestesista e cirurgia, que também fazem parte da nossa equipe”, pontua.


COMPARTILHANDO AMOR Algo que Ana Luiza faz questão de frisar é que o seu negócio é movido pelo amor e respeito aos animais. Ela conta que, desde que iniciou a criação, sua ideia sempre foi a de compartilhar os bons sentimentos que os gatos lhe passavam. “Quando vendo um gatinho meu, não penso em dinheiro, só penso em dividir o prazer que ele me proporciona. Eu não sou vendedora de gatos, eu faço amigos, e os animais são mágicos, curativos. Então, acho que, no meu caso, tenho como missão compartilhar com os outros aquilo que eu sinto”, destaca. A criadora completa dizendo que sempre se diverte ao ver os animais brincando. Além disso, se emociona quando recebe um carinho dos felinos ou quando eles interagem com ela. “É muito agradável e bem diferente”, diz. Quando questionada sobre os segredos do sucesso, Ana Luiza afirma imediatamente: “compartilhar amor”. Para ela, quando há um sentimento de apreço e também a dedicação aos animais, o resultado é surpreendente. A criadora cita, ainda, a amizade com seus clientes. “Meus gatos são vendidos para apaixonados pela raça e a minha relação é de amizade. Não tenho um comportamento meramente comercial, sou muito afetiva, seja com seres humanos ou animais. Cada um novo pai ou mãe que tem um bichinho meu, passa a fazer parte da minha vida e se torna um membro de uma grande família. Eu sempre gosto de dizer: ‘seja bem-vindo à família Suryanamaskar, porque é exatamente assim que eu me sinto”.

PERSISTÊNCIA MOTIVADA PELA PAIXÃO

maior conforto possível, ela diz que não consegue se ver longe da atividade. “Eu defino a minha paixão por gatos como algo incondicional, um amor à primeira vista e que se tornou eterno. Os felinos são a razão da minha vida. Hoje não

conseguiria viver sem eles”, diz. A criadora afirma também que não costuma fazer planos para o futuro, mas já tem uma certeza: não teria outro hobby em sua vida, a não ser criar seus gatos com muito carinho e amor.

Ping Pong Família: Todo mundo tem uma, não importa a origem ou como ela acontece! Viagem: Conhecimento Um lugar: Minha casa Uma companhia: Meu marido e meus gatos Música: Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento Filme: Cidade dos Anjos O que te distrai: Observar

Embora Ana Luiza tenha enfrentado dificuldades para estabelecer o gatil em uma cidade grande, em especial, para encontrar um espaço que fosse adequado para criar os felinos e oferecer-lhes o

Felicidade: Amor Tristeza: Perdas Cavalos: Lindos! Gatos: Amor incondicional

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COMO FAZER

Bonsai

O termo “bonsai” significa, em japonês, “árvore de bandeja” ou “árvore num vaso”. A técnica de miniaturização de plantas, mantendo suas características e a morfologia, foi desenvolvida na China e reconstruída sob a influência do zen-budismo japonês. Tudo isso aconteceu há mais de mil anos atrás. Hoje, muitos são fãs e admiradores dos bonsais e utilizam a técnica para paisagismo e decoração. A Revista Mercado Rural traz, em detalhes, dicas para você criar o seu. Confira:

Materiais: Planta; vaso de cerâmica para bonsai; substrato; tela de drenagem; arame; hashi; raque; tesoura para poda; enraizador (hormônio para estimular o crescimento de raízes).

Como plantar: 1. Coloque uma tela de drenagem no fundo do vaso, para impedir que, além do excesso de água, o substrato da planta também seja eliminado. 2. Passe o arame pelos buracos no fundo do vaso, de maneira que suas pontas saiam na parte de dentro (com tamanho razoável para que a planta seja amarrada posteriormente). 3. Coloque uma pequena quantidade de substrato no vaso para acomodar as raízes. 4. Com o auxílio da espátula do raque, afrouxe a terra que se encontra nas laterais da muda (ainda dentro do pote ou plástico onde se encontra), evitando tocar as raízes para não danificá-las. Em seguida, vire a planta de cabeça para baixo e retire-a com cuidado. 5. Retire cuidadosamente a terra que envolve as raízes, fazendo movimentos leves com o raque da base do tronco para a parte de baixo do torrão. (Deve ser retirado 1/3 da terra). Em seguida, pode cuidadosamente as raízes, retirando 1/3 delas. Lembre-se de manter tanto ramificações finas como grossas, pois cada uma tem um papel diferente e importante para o vegetal. As finas alimentam a planta e as grossas sustentam-na. 6. Coloque a planta no vaso, fazendo movimentos circulares para a esquerda e para a direta para espalhar e acomodar as raízes no fundo. 7. Coloque o restante do substrato no vaso, preenchendo-o e cobrindo as raízes finas. Depois, fixe o tronco com os arames. 8. Utilize um hashi para compactar o substrato no vaso, de forma que o solo tenha contato direto com as raízes. 9. Fixe a planta no vaso com os arames de fixação. Esse procedimento ajuda na recuperação das raízes. 10. Em uma bacia, acrescente dois litros de água e junte uma tampinha e meia do enraizador, dissolvendo-o. Em seguida, coloque lentamente o bonsai na bacia com água. Você verá bolhas de ar saindo do bonsai, mas isso é normal. Deixe imerso por 15 minutos. Depois, retire o vaso e deixe a água escorrer. 11. Borrife água na parte externa da planta, limpe o vaso e retire o excesso de substrato. Seu bonsai está pronto!

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O PERIGO

dos raios

O Brasil é o país com a maior concentração de raios do mundo, atingindo a marca de 57 milhões por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em dias de tempestades mais fortes, podem ocorrer cerca de 20 descargas elétricas por minuto. E os danos não são apenas materiais. Além de causarem R$ 1 bilhão de prejuízos ao ano, segundo o INPE, os raios provocam no Brasil cerca de 130 vítimas fatais e 200 feridos anualmente, além da morte de milhares de animais. Durante o verão, quando acontece 70% dos raios, a precaução deve ser redobrada. No campo, em especial, é importante se informar sobre as formas de proteção, visto que aqueles que têm o costume de estar mais ao ar livre estão mais propensos a serem atingidos por raios (80% das mortes por raio no Brasil ocorrem no campo). Em geral, as descargas atmosféricas tendem a incidir preferencialmente nos pontos mais altos do relevo, uma vez que há menor distância entre a nuvem e a terra. No entanto, também é bastante comum a ocorrência de raios em locais descampados. Assim, é recomendada a implantação de sistemas de proteção contra raios,

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ÉPOCA DE TEMPESTADES REQUER CUIDADOS ESPECIAIS NO CAMPO PARA A PROTEÇÃO DE PESSOAS, DOS ANIMAIS E DAS EDIFICAÇÕES

especialmente em locais onde pessoas e animais podem estar presentes.

SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA RAIOS Existem três tipos de sistema de proteção contra raios que podem ser utilizados nas edificações. O sistema tipo Franklin (para-raios de pontas) é instalado próximo ou sobre o imóvel, criando uma região imaginária de proteção. Já o sistema de aterramento localizado permite a difusão das correntes dos raios para o solo, evitando danos na edificação. Vale destacar que pessoas e animais não devem ficar próximos a esse sistema para não serem atingidos pelas correntes superficiais. O sistema Gaiola de Faraday (sistema de blindagem), por sua vez, é utilizado principalmente onde se deseja preservar a estética da edificação ou não foi possível instalar o para-raios tipo Franklin.

PERIGOS E RECOMENDAÇÕES Especialistas recomendam às pessoas que estão no campo terem um cuidado es-

pecial quando inicia a tempestade. Ao ouvir o barulho do trovão, o que significa que um raio caiu por perto (numa área de 15 km), é importante buscar um abrigo: dentro de um carro fechado ou residência próxima. Caso não se tenha opções de se abrigar, deve-se evitar estar próximo a objetos metálicos, como uma cerca, trator, moto, torre de celular, enxada, pá, etc. Também deve-se afastar de locais com água e de árvores. Em relação ao gado, é recomendado criar uma área cercada de madeira, sem arame farpado (ou qualquer outro tipo de metal) e árvores, para que os animais sejam alojados no mesmo quando a tempestade se iniciar. Dessa forma, reduzem-se os ricos de serem atingidos por raios.

PRIMEIROS SOCORROS Em caso de incidência de raios, as vítimas devem ser submetidas a um socorro médico urgente, utilizando técnicas de reanimação cardiorrespiratória. Após a reanimação, deve-se verificar a extensão das queimaduras (principalmente internas), pois a corrente elétrica do raio pode causar essa anomalia e outros danos a diversas partes do corpo.


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Zika Vírus

Um vírus até então desconhecido entre os brasileiros tem sido motivo de temor entre a população, especialmente as mulheres grávidas, e também de uma insistente busca por desvendá-lo, ação que tem sido desempenhada por médicos e cientistas. O zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e originário da Floresta de Zika, na Uganda, foi descoberto em 1947 e, até então, não havia chegado ao Brasil. Tudo mudou quando foi identificado em abril deste ano e, especialmente, após o registro de vários casos de microcefalia (má-formação cerebral, onde o cérebro se apresenta em tamanho menor) em recém-nascidos e a suspeita de que sua causa estaria no contágio das gestantes. Até o final de novembro, foram registrados no Brasil 1.248 ocorrências de microcefalia e sete mortes, fato que motivou o Ministério da Saúde a decretar, pela primeira vez no país, estado de emergência em saúde. No mesmo mês, o órgão confirmou a relação entre o zika vírus e a má-formação cerebral, ao constatar a presença do vírus em um recém-nascido acometido pela microcefalia, em exame realizado pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará. Outro forte in-

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dício da relação é o fato de Pernambuco, o primeiro estado do país a registrar a presença do vírus, ser também o que conta com o maior número de casos de microcefalia. Algo que chama a atenção de pesquisadores é que a manifestação do zika vírus em pessoas contagiadas é branda, apresentando sintomas como febre baixa, coceira, lesões na pele e dores musculares. Além disso, somente 18% dos indivíduos que têm o vírus apresentam os sintomas, os quais não duram mais que uma semana. Por esses motivos, torna-se ainda

Confira medidas de prevenção do contágio pelo zika vírus: • Eliminar qualquer foco de água parada, local onde os mosquitos se reproduzem • Usar roupas que diminuem a exposição da pele • Utilizar os repelentes DEET ou Icaridina. • Instalar telas nas janelas da casa para evitar a entrada do mosquito e mosquiteiros na cama. Em caso da detecção de focos de mosquito que o morador não possa eliminar, é importante acionar a Secretaria Municipal de Saúde do município

ENTENDA MAIS SOBRE A RELAÇÃO COM A MICROCEFALIA, OS SINTOMAS DO CONTÁGIO, DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO mais difícil seu diagnóstico, em especial, nas mulheres grávidas que podem transmiti-lo ao bebê, ocasionando a microcefalia. Não existe um exame padrão para a detecção do zika vírus. Até o momento, utiliza-se a técnica de PCR, que é complexa e somente é realizada por três unidades da Fiocruz, além do além do Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O que os médicos mais recomendam é buscar a prevenção, evitando qualquer contato com o mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus, o mesmo que transmite a dengue. Por enquanto, não existe vacina que previne a infecção pelo vírus zika.


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Suplementação de bovinos durante a fase de recria Por Gustavo Reis Monteiro e Josiane Pereira dos Santos*

Criar bezerros mais saudáveis e pesados é um desafio do pecuarista brasileiro. A escassez do boi magro no mercado de reposição tem resultado na valorização do bezerro, e, por isso, conseguir uma boa engorda no momento da recria pode apresentar uma alternativa rentável. O período pós-desmama é uma fase bastante importante, visto que a categoria está passando pelo estresse da desmama e geralmente deixando o período das águas, onde a oferta de alimento é maior e de melhor qualidade. Portanto, esses animais estão muito suscetíveis a apresentarem uma queda na produção, ou seja, um ganho de peso reduzido ou até mesmo a perda de peso. Animais recém-desmamados apresentam uma maior exigência em proteína verdadeira, demanda esta que a pastagem na época da seca não é capaz de suprir, ainda que esteja apresentando um bom volume de massa seca. Nesse caso, uma suplementação de proteína verdadeira, à base de farelos proteicos, torna-se necessária para fazer com que animais recém-desmamados tenham um bom desempenho durante sua primeira seca, reduzindo o tempo de recria e otimizando os índices zootécnicos da propriedade.

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Um animal recém-desmamado suplementado apenas com mineral durante todo o ano levará aproximadamente 36 meses para chegar ao peso de abate. Por outro lado, aquele que recebe uma suplementação proteica na seca e mineral nas águas, para atingir o mesmo peso, levará aproximadamente 24 meses, ou seja, um ano a menos. À medida que esses animais passam a receber um suplemento energético também nas águas ou a suplementação proteico-energética durante o ano todo, esse período pode ser reduzido gradativamente, podendo chegar em até 15 meses entre a desmama e o abate, o que se chama de produção de novilhos precoces, gerando um retorno financeiro ainda mais superior. A fórmula e quantidade do suplemento fornecido variam de acordo com o plano nutricional de cada propriedade. Como base de suplementação na seca, adota-se o provimento de nitrogênio para a microbiota ruminal, a qual fornece a maior parte da proteína metabolizada pelos ruminantes. A suplementação pode variar desde o nitrogênio não proteico, como a ureia, ao suplemento com diferentes fontes de proteína verdadeira, como o farelo de soja. Planos nutricionais devem ser elaborados de acordo com o plano de metas de cada propriedade, respeitando a genética

animal e o custo de produção. Outro fator que deve ser considerado é o manejo do animal, mantendo o equilíbrio entre a taxa de lotação (definida de acordo com a disponibilidade de forragem) e a taxa de acúmulo de massa forrageira. A pastagem deve proporcionar a maior quantidade de massa aliada à máxima qualidade. É importante ressaltar que a lucratividade da suplementação tem que ser calculada com base não apenas no ganho de peso do período, mas sim utilizando índices zootécnicos de todo sistema, como índice de prenhes, intervalo de partos e taxa de desfrute. Dessa forma, o produtor começará a enxergar de forma mais clara a sua importância. Estabelecer uma meta para a atividade e executar um plano nutricional condizente com a meta e a avaliação econômica do projeto certamente permitirão ao pecuarista uma tomada de decisão mais precisa. Assim, para justificar o valor investido na criação/aquisição bezerro e agregar valor no momento da venda/engorda, é primordial uma recria bem executada. Qualquer erro na recria, poderá apagar o benefício da cria e comprometer o resultado na engorda/terminação. * Gustavo e Josiane são Zootecnistas e Mestres em Produção e Nutrição de Ruminantes pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).


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PRINCIPAL FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO DE REPRODUTORES, O SUMÁRIO CONTÉM RESULTADOS DE PESQUISAS REALIZADAS NOS ÚLTIMOS 18 ANOS EM MAIS DE 90 MIL ANIMAIS

Simental e Simbrasil lançam

18º Sumário de Touros A Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil (ABCRSS) lançou a 18ª edição do Sumário de Touros das Raças Simental e Simbrasil - Anuário de valores genéticos 2015, sob a coordenação e análise de dados dos professores Luiz Fernando Aarão Marques (UFES/CCA – ES) e Henrique Nunes de Oliveira (UNESP/Jaboticabal – SP). A base da avaliação genética são informações obtidas dos serviços de Genealogia e de Controle de Desenvolvimento Ponderal da ABCRSS, que resultou em 89.149 animais de ambas as raças. De acordo com o professor Aarão, a cada anuário, mais criadores aderem ao programa de melhoramento da ABCRSS, aumentando a base de dados a cada safra de novos touros e criadores associados. “Em reforço a este quantitativo, a Pesquisa e o Desenvolvimento (P & D) permitiram incluir nas últimas análises os animais provenientes de TE (Transferência de Embriões), o que incrementou o número de animais no arquivo de produção, principalmente o peso à desmama. Houve um crescimento substancial

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na base de dados analisada, resultando em maior número de grupos contemporâneos e progênies mais numerosas, para todos os touros. Em consequência, foram aumentadas as Acurácias (Acc), dando maior confiabilidade às DEPs”, completa. Nesta edição do Sumário de Touros, foram incluídos os Líderes Genéticos do Peso à Desmama Maternal (PDM), que é a DEP indicativa de reprodutores que transmitem para as suas filhas genes para a capacidade materna do peso à desmama. O professor explica que a 18ª edição destaca o trabalho de seleção de diversos criadores por meio de seus touros jovens, os quais, em tenra idade, já dispõem de progênies numerosas, o que lhes garante alta confiabilidade (Acurácias) nas Diferenças Esperadas de suas Progênies (DEPs). “O uso intensivo de reprodutores jovens traz consequências formidáveis para o Melhoramento Genético das Raças porque reduz o intervalo entre as gerações, garantindo o ganho genético em menos tempo. Com a redução da idade de abate, garante lucro

ao produtor de gado comercial”. O sumário é ferramenta primordial e fundamental para administração, seleção e acasalamento nos rebanhos. Com a aplicação racional dos dados, é possível aumentar a lucratividade do rebanho pela otimização do uso de reprodutores.

Interessados em adquirir o catálogo na versão impressa devem solicitar à ABCRSS, pelo telefone (28) 3521-5666 ou e-mail simental@simentalsimbrasil.org.br


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ALIMENTO EQUILIBRA O INTESTINO, AUMENTA A IMUNIDADE, PREVINE O DIABETES E O CÂNCER DE CÓLON

FARINHA DE

banana verde Ninguém se imagina comendo uma banana verde, bem verdinha... Ao mesmo tempo, pouca gente deve saber que a fruta nesse estágio traz inúmeros benefícios ao organismo. Para que o seu consumo seja feito sem causar estranheza no paladar, pesquisadores desenvolveram a farinha de banana verde, que possui sabor neutro e pode ser adicionada em vários tipos de alimentos. Mas por que inclui-la na dieta? Estudos recentes descobriram que a banana verde possui uma substância que turbina a imunidade, equilibra o trânsito intestinal, previne o câncer no intestino e, até mesmo, reduz a produção da insulina. Além de todos esses pontos positivos, a farinha pode auxiliar no emagrecimento. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) estudaram a banana verde e

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descobriram que um de seus componentes, o amido resistente, é um grande aliado do bom funcionamento do organismo. Ao ser ingerido, ele passa direto pelo intestino delgado, sem ser digerido, absorvido ou mesmo transformado em glicose. Quando chega ao intestino grosso, o amido é então digerido pelas bactérias que ali existem, as quais produzem substâncias benéficas tanto ao intestino grosso como ao organismo de uma maneira geral. Muitos especialistas associam o amido resistente a uma “esponja”, porque, ao entrar no corpo, ele passa fazendo uma limpeza, agregando a si moléculas de triglicérides e colesterol. Com isso, tem-se a redução do colesterol do sangue. A substância também evita picos de glicemia após a refeição, prevenindo a ocorrência do diabetes tipo 2.

Outro grande papel do amido resistente no organismo é a sua função como prebiótico, um alimento para a flora bacteriana intestinal. O componente da banana verde equilibra a flora, melhora a saúde da mucosa do intestino e ainda beneficia o trânsito intestinal, diminuindo o risco do câncer de cólon. Especialistas afirmam que a substância é indicada tanto para quem sofre de desequilíbrios no intestino quanto para casos de constipação. Além disso, o amido resistente influencia no aumento da imunidade, pois 60% das imunoglobinas são produzidas pelo intestino e, quando o órgão está funcionando bem, o nosso corpo fica mais protegido. A banana verde, consumida na forma de farinha, ainda oferece mais vantagens ao organismo. Segundo os pesquisadores da USP, o amido resistente, por ter uma digestão mais lenta, promove sensação de saciedade e, por isso, pode ajudar na perda de peso.

COMO CONSUMIR O consumo diário da farinha banana verde indicado pelos nutricionistas é de uma a duas colheres de sopa por dia. A farinha pode ser consumida adicionando-a a iogurtes, salpicando nas refeições ou até mesmo, misturando com água. Não existem contraindicações para o seu consumo equilibrado. A farinha de banana verde pode ser encontrada em lojas de suplementos naturais, supermercados, ou em lojas virtuais.


Ovos: Setor espera mercado mais firme em 2016 O setor avícola de postura brasileiro espera um cenário mais promissor para 2016. Os preços dos ovos devem iniciar o novo ano a patamares superiores aos do início de 2015 – vale lembrar que os valores foram sustentados ao longo de praticamente todo o segundo semestre de 2015, quando tendem a cair com força. A produção deve se manter praticamente estável, com aumento de até 2%, segundo dados da ABPA (Associação Bra-

sileira de Proteína Animal), o que pode contribuir para sustentar as cotações. Do lado da demanda, projeções de baixo crescimento da economia brasileira favorecem o consumo de proteínas mais baratas, como o ovo, ainda que seus preços se elevem. Segundo cálculos do Cepea, a elasticidade-renda do ovo é menor que para os cortes mais nobres das carnes bovina e suína. Para 2015, a ABPA já havia estimado sal-

to no consumo per capita de ovos no Brasil, para 191 unidades, 4,8% superior ao total de 2014, de 182 unidades, e um recorde. Para 2016, a Associação ainda não divulgou estimativas. Tais fundamentos poderão, inclusive, amenizar os efeitos da típica retração das vendas de início de ano. Com as férias escolares, a procura pelo produto para merendas cai e a rotina alimentar da população também se altera. Fonte: Cepea

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IMUNOCASTRAÇÃO DE

bovinos de corte Por Rodrigo da Costa Gomes*

A castração dos machos é uma prática tradicional na pecuária corte. Seu intuito é eliminar os efeitos dos hormônios produzidos nos testículos, deixando o animal mais dócil e facilitando o manejo. Mais um benefício da castração é que o animal castrado possui maior facilidade de depositar a gordura de acabamento de carcaça, que recobre e protege os cortes comerciais de carne, como contra filé, coxão mole e picanha, preservando a sua qualidade. Se o animal não é castrado, ele sofre mais estresse no período que antecede o abate (durante o transporte até o frigorífico, por exemplo), o que muitas vezes resulta em uma carne dura e escura, fato que acontece menos com animais castrados. Recentemente, uma nova tecnologia revolucionou a prática da castração. Chamada de imunocastração, ela consiste na aplicação de uma vacina, de forma semelhante ao que é feito com a vacina de febre aftosa, por exemplo, substituindo a castração cirúrgica tradicional. Ao eliminar a necessidade de cirurgia, a imunocastração é muito favorável do ponto de vista de bem estar animal, pois evita o seu sofrimento. Do ponto de vista econômico, também pode ser vantajosa, pois no período após a castração cirúrgica, o animal perde peso, enquanto que na imunocastração isso não acontece. Além disso, existe o risco de perdas por morte

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na castração cirúrgica e também gastos com medicamentos, como cicatrizantes e anti-inflamatórios. Já na imunocastração, o único custo é o da própria vacina. A vacina para imunocastração é facilmente encontrada em casas veterinárias, mas o pecuarista deve estar muito atento ao seu modo de utilização. Existem dois protocolos de uso da vacina, sendo um para animais que serão terminados em confinamento e outro para animais que serão terminados a pasto. Nos dois protocolos, existe a necessidade de se aplicar duas doses da vacina, sendo que apenas após a segunda dose (reforço) o animal estará realmente castrado. No protocolo para confinamento, o período entre a primeira e a segunda dose é de 28 dias e, após a segunda dose, o animal permanecerá castrado por 90 dias. No protocolo para animais a pasto, o período entre a primeira e a segunda dose é de 90 dias e o animal permanecerá castrado por 150 dias. Caso o animal não seja abatido dentro do período de ação da vacina (90 dias para confinamento e 150 dias para pasto), há necessidade de se aplicar uma nova dose, pois a ação é temporária, ou seja, não se garante a imunocastração após os períodos indicados. Importante destacar que os protocolos devem ser seguidos à risca e que, para isso, o produtor deve ter planejamento, prevendo a época de abate do lote de animais e adotando o cronograma correto de aplicação da vacina. Im-

portante também chamar a atenção do produtor de que a vacina “não faz mágica” e por isso ele não pode esperar que ela faça com que o seu boi fique adequadamente “acabado” (com cobertura de gordura de acabamento de carcaça desejado) de um dia para o outro. Nesse ponto, a imunocastração é semelhante à castração tradicional, havendo a necessidade de o boi ser submetido a uma boa nutrição por um tempo considerável, para que ele então consiga depositar a gordura de acabamento de carcaça desejada. Isso é especialmente importante para animais terminados a pasto e, portanto, recomendamos que junto com a imunocastração, o produtor disponibilize pastagens de ótima qualidade e realize uma suplementação adequada, de acordo com a época do ano.

* Rodrigo da Costa Gomes é pesquisador da Embrapa Gado de Corte, especialista em Nutrição Animal. Possui graduação em Zootecnia, mestrado e doutorado em Qualidade e Produtividade Animal, e pós-doutorado em Melhoramento Animal, todos na USP


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Paint Horse

CONHEÇA A RAÇA EQUINA CUJA PELAGEM É COMO UMA IMPRESSÃO DIGITAL, CARACTERÍSTICA QUE LHE CONFERE UMA BELEZA ÚNICA Eles são conhecidos por sua grande exuberância e beleza. À primeira vista, já encantam por uma pelagem peculiar. Em contato mais próximo com eles, sua docilidade também chama a atenção. Os Paint Horses, cujo nome faz alusão à cobertura de pelos mesclada em cores, têm, nos últimos 20 anos, conquistado muitos criadores brasileiros. Atualmente, já são mais de 35 mil exemplares da raça registrados no país e os mesmos estão distribuídos em, pelo menos, sete mil haras. Um dos criadores que se diz apaixonado pelo Paint Horse é Rodrigo Guedes, do Haras Horizonte, localizado em Itapecerica-MG. Rodrigo afirma que, além da beleza inquestionável (tanto pela pelagem quanto pela morfologia) e do comportamento dócil, admira a raça também a sua versatilidade. “O Paint Horse pode ser utilizado tanto para uma cavalgada de lazer, quanto para qualquer esporte que necessite de explosão muscular e a inteligência para lidar com o gado (cow sense), o que o torna um animal completo”, defende. O Paint Horse chegou ao Brasil na década de 90, trazido dos Estados Unidos por alguns criadores de Brasília-DF, os quais fundaram uma associação nacional do Paint Horse (ABCPaint). Entretanto, a raça não foi muito difundida na época e, em 1995, um outro criador de Bauru-SP, Or-

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lando Lamonica Junior, resolveu investir no Paint Horse, devido a sua funcionalidade, docilidade e beleza. “Ele conseguiu transferir a sede da associação para Bauru, onde investiu na divulgação da raça e na promoção de provas para poder mostrar aos demais criadores a funcionalidade do cavalo Paint Horse”, explica o criador Rodrigo. De lá pra cá, a raça foi se tornando cada vez mais conhecida, ganhando espaço em eventos e competições. Os animais Paint Horse participam, atualmente, de provas de apartação, team penning, laço (em todas as suas variações), rédeas, três tambores, vaquejada, dentre outras modalidades. De acordo com Rodrigo, nas categorias citadas, tem sido constatado um crescimento muito grande na participação dos cavalos Paint Horse em todos os estados do Brasil. “Isso acaba por nos motivar e nos deixar cada vez mais animados com a nossa criação”, destaca.

CARACTERÍSTICAS O porte do cavalo Paint Horse varia muito conforme a sua linhagem, ou seja, a aptidão para o trabalho. O criador Rodrigo explica que existem animais de diferentes linhagens, as quais são direcionadas, através de cruzamentos, para a melhoria nas qualidades e aptidões à modalidade esportiva escolhida.

Quanto à pelagem do Paint Horse, a mesma é determinada de acordo com o gene para padrão de branco que o animal carrega, resultando em uma grande variedade de manchas e pintas que tornam os equinos dessa raça únicos. “Um cavalo Paint Horse nunca será igual ao outro; sua pelagem é, praticamente, uma impressão digital, tornando a criação fascinante e praze-


rosa. Temos pelagens desde animais com pouco branco distribuído em seu corpo a pelagens quase que totalmente brancas, animais com olhos azuis ou castanhos”, afirma Rodrigo. Segundo o criador, a combinação de todas essas características faz com que a raça atenda a diversos tipos de exigências e gostos. A nomenclatura da pelagem do Paint Horse será sempre baseada, primeiramente, na cor do animal, seguida de seu padrão, que é classificado de acordo com a distribuição do branco em seu corpo. “É importante ressaltar que a mancha ou pinta não é o branco e sim a outra parte que possui cor. A parte branca é a área onde não houve a pigmentação e que é ordenada pelo gene para padrão de branco que o animal carrega”, detalha Rodrigo. Conforme esclarece o criador, existem quatro grupos de padrões dentro da classificação usada pela ABCPaint: Tobiano, Overo, Tovero e Sólido.

O Tobiano caracteriza-se pelas partes brancas que cruzam a sua linha de dorso, mantendo um padrão de mancha vertical, em qualquer ponto entre as orelhas e o rabo. Na cabeça predomina a cor escura, podendo apresentar também estrela ou listra brancas. Os olhos geralmente são marrons, mas podem ser azuis ou parcialmente azuis. A crina e a cauda, com frequência, têm duas cores. “A cor de base da pelagem pode ser qualquer outra que não seja branca e, normalmente, se mantém no peito, como um escudo, e nas laterais do corpo, podendo a pelagem ser predominantemente escura ou branca”, ressalta Rodrigo. O Overo é caracterizado pela presença de partes brancas de formatos irregulares que se espalham ao longo do corpo e nunca cruzam a linha do dorso entre a cernelha e a cauda, sempre mantendo um padrão de mancha horizontal. De acordo

com o criador, equinos Paint Horse dessa categoria apresentam a crina, o rabo e, pelo menos três dos membros, de uma só cor. Além disso, as marcas brancas na cabeça pode ser bem abertas ou marcas normais. A cor dos olhos pode ser castanha, azul ou parcialmente azul. Já o Tovero apresenta características de ambos padrões, tanto do Tobiano quanto do Overo. E o Solido é o animal que não apresenta na extensão de seu corpo nenhuma parte branca, predominando sua pelagem básica, podendo apresentar calçados nos membros que não ultrapassam os joelhos e jarretes, e a cabeça pode ter ou não marcações simples.

MANEJO E REPRODUÇÃO Conforme afirma o criador Rodrigo, o manejo do Paint Horse é bem semelhante aos demais equinos. “Como em qual-

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quer outra raça, um animal Paint Horse ingere, diariamente, cerca de 3 - 4% do seu peso vivo. Basicamente, o animal precisa ter acesso a uma boa fonte de água e a um bom volumoso. Além disso, a dieta pode ser complementada com ração, de acordo com a necessidade do animal em função de sua atividade física diária”, explica. Ainda segundo Rodrigo, esse volumoso pode ser disponibilizado através de uma boa pastagem, devidamente adubada para fornecer a grande maioria dos nutrientes necessários à sua manutenção, ou através do fornecimento de feno de boa qualidade, o qual pode ser de Tifton, Coast Cross, Alfafa, dentre outros. “O criador deve manter o animal vacinado, vermifugado e se preocupar com a manutenção do casco. É indicado que cada propriedade tenha um veterinário responsável que possa assessorar com sugestões para a melhoria no manejo alimentar e no tratamento clínico do animal”, completa. Nos casos de reprodutores, especialmente os que são muito utilizados na estação de monta, é recomendável que se aumente o arraçoamento e faça uma

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suplementação com vitaminas e minerais específicos para a melhoria da qualidade do sêmen. Quanto aos cavalos de competição, o criador certamente deverá suplementar a alimentação do cavalo atleta com produtos que irão melhorar a energia, proteger as articulações, o casco, etc. “Os produtos devem ser recomendados pelo veterinário que acompanha o animal, pois é o mais indicado por conhecer as particularidades do equino”, diz. A reprodução do Paint Horse, como em qualquer outra raça, pode ser por monta natural ou inseminação artificial. De acordo com Rodrigo, os criadores de Paint Horse já estão bastante criteriosos quanto à seleção por genótipo e fenótipo e têm investido bastante em transferências de embrião, compra de coberturas de criatórios variados e importação de animais dos Estados Unidos, a fim de melhorarem o seu plantel. “O mercado hoje é crescente, tanto entre os criadores que têm como foco o melhoramento genético e a competição nas variadas modalidades, quanto em relação aos usuários finais que desejam ter um animal versátil, competitivo e bonito”, salienta o criador.

Para Rodrigo, o mercado de equinos no Brasil tem crescido em todas as raças, tanto em número de criatórios, competidores e, principalmente, no número de usuários que utilizam o animal apenas como lazer. E, com o Paint Horse não está sendo diferente. “Como criador tenho percebido que o número de usuários está crescendo acima da capacidade de produção dos criatórios. No meu caso, tenho cerca de 35 produtos anualmente e poucos completam um ano no haras, pois são vendidos ainda novos”, diz. De acordo com a ABCPaint, os valores da raça são muito favoráveis, tanto para quem adquire o Paint Horse quanto para quem vende. Ainda segundo a entidade, a liquidez em quase todos os leilões da raça é de 100%.


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Infestação de carrapatos bovinos aumenta nesta época do ano EMBRAPA ALERTA PECUARISTAS SOBRE AS DOENÇAS QUE OS PARASITAS PODEM TRANSMITIR E OS CUIDADOS QUE DEVEM SER TOMADOS A Embrapa vem chamando a atenção dos pecuaristas quanto aos cuidados para que evitem a infestação de carrapatos bovinos (Rhipicephalus microplus), pois esta época do ano, com temperaturas acima de 27°C e alta umidade do ar, favorece a multiplicação dos mesmos. Segundo a veterinária Márcia Cristina de Sena Oliveira, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, condições ambientais propícias, como nesta época de chuva e calor, facilitam a eclosão de larvas provenientes dos ovos de carrapatos colocados nas pastagens. Ainda de acordo com Márcia, os prejuízos produzidos pelo parasita são significativos e difíceis de serem calculados. “Os gastos no controle são representativos, como construção de banheiros de aspersão, compra de acaricidas, pagamento dos serviços, medicamentos, redução da natalidade, entre outros. Além disso, os tratamentos podem gerar resíduos na carne e no leite e, ainda, contaminar o meio ambiente”, destaca. Outra preocupação é com a saúde e bem estar dos animais. Os carrapatos se alimentam de sangue. Cada fêmea pode ingerir até 0,5 ml. Eles transmitem hemoparasitas para os bovinos, microrganismos que produzem doenças hemolíticas graves, conhecidas como a tristeza parasitária bovina (TPB). Os principais sintomas da TPB são apatia, prostração, mucosas oculares pálidas ou amareladas, febre acima de 40°C, desidratação e urina escura. Podem apresentar

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também sinais neurológicos, principalmente relacionados à coordenação motora. De uma forma geral, a infestação de carrapatos nos bovinos pode provocar perda de peso, diminuição na produção de leite, danos no couro, anemia, entre outros malefícios.

CONTROLE Os métodos de controle devem incluir ações para reduzir o número de parasitas no gado e nas pastagens. O controle estratégico, conforme a pesquisadora, deve ser realizado com um acaricida que apresente mais de 90% de eficácia e ser iniciado na primavera, com intervalos de 21 dias, até que se consiga uma infestação baixa no rebanho (cerca de 20 carrapatos/animal). É importante que os acaricidas sejam usados nas concentrações indicadas pe-

los fabricantes, em dias secos, para que a chuva não lave o medicamento. A rotação de pastagens também é recomendada, dando um descanso maior de 90 dias para os piquetes. Outra dica é usar animais com suscetibilidade reduzida, o que irá diminuir a necessidade de tratamentos e a quantidade de parasitas nas pastagens. As altas taxas de carrapatos em alguns sistemas de criação de bovinos é resultado da grande infestação presente nas pastagens, abrigo de cerca de 90% desses parasitas. A redução dessa população só ocorre quando as condições ambientais não forem mais propícias ao desenvolvimento das larvas nas pastagens, ou seja, no período seco e frio. Porém, a larva pode se manter viável por períodos de até 200 dias nas pastagens, o que dificulta o controle. Fonte: Embrapa


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O SUCESSO DAS

associações comunitárias rurais

AGREMIAÇÕES PROMOVEM A QUALIFICAÇÃO DO TRABALHO E A MELHORIA DA VIDA NO CAMPO As associações comunitárias de trabalhadores do campo têm sido cada vez mais incentivadas pelo governo e órgãos de fomento, devido ao fato de trazerem inúmeros benefícios à população rural, como a geração e manutenção de empregos, a redução da migração para a zona urbana, a geração de renda, a melhoria da qualidade de vida e a diminuição da pobreza. A ideia do associativismo rural é unir esforços para atingir objetivos. Em linhas gerais, produtores rurais e suas famílias se associam com o intuito de buscar a solução de problemas comuns a todos, como, por exemplo, nas áreas da produção e comercialização de alimentos e produtos artesanais. Os resultados desse trabalho se revelam benéficos com a melhoria da produtividade e a redução de riscos. Isso acontece porque, em geral, uma associação pode, em conjunto, comprar insumos, máquinas e equipamentos para uso coletivo, agregar valor à produção através da seleção, classificação, embalagem e industrialização, construir locais comunitários para a venda

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dos produtos, além de fortalecer a comercialização. Muitas delas também incrementam as atividades incentivando a produção de peças artesanais e confecções, o que auxilia na renda familiar.

BENEFÍCIOS À COMUNIDADE E não é só com o trabalho que a associação comunitária se preocupa. Esse tipo de agremiação procura incentivar o lazer e a cultura através da realização de eventos e atividades que fortalecem os laços entre a família e também entre os produtores. Além disso, o Manual de Orientação para a Criação e Estabelecimento de Associações Comunitárias, disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento, destaca que “os produtores organizados em associações possuem mais força para reivindicar do Governo o apoio à construção e à manutenção de postos de saúde, escolas, estradas, etc”. Como esses agrupamentos não têm fins lucrativos, eles são vistos como de interesse público

e, por isso, são beneficiados por diversos programas de fomento. Um exemplo é a Associação Comunitária Lagoa da Prata e Capoeira do Milho, de Várzea da Roça-BA. Produtores da região se uniram para qualificar a produção da mandioca e conseguiram desenvolver uma agricultura sustentável, através do plantio agroecológico e a redução do uso de agrotóxicos. Hoje, a associação produz farinha de mandioca para ser comercializada, além de aproveitar os restos para alimentação do gado. O grupo de produtores criou também a “Casa do Biscoito”, onde são produzidas e comercializadas quitandas feitas com a farinha. A associação, que já tem mais de 20 anos de existência, tornou-se, hoje, um exemplo de sustentabilidade e criatividade na geração de renda no campo. Assim como essa, diversas outras associações existem no Brasil com a finalidade de transformar o trabalho e a vida na zona rural. O Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento, através da Secretaria de Defesa Agropecuária, elaborou um manual para a elaboração das associações comunitárias rurais, com todas as informações referentes à inscrição, legislação e estrutura administrativa. O documento pode ser acessado no site do órgão: www.agricultura.gov.br.


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OS POTENCIAIS

DOS

óleos da

Amazônia

EXTRATIVISMO DE ÓLEOS NATURAIS GARANTE A RENDA DE MUITAS FAMÍLIAS E FORTALECE A SUSTENTABILIDADE DA FLORESTA A Amazônia está investindo em novas formas de extrativismo que garantem o aproveitamento das riquezas biológicas da floresta sem prejudicá-la. Tudo isso promovendo o desenvolvimento rural e gerando renda a várias famílias que ali residem. Este é o caso da extração de óleos naturais que têm demonstrado grande potencial na indústria de cosméticos e perfumaria. Plantas como a andiroba, copaíba, cumaru, pau rosa e murumuru estão ganhando maior reconheci-

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mento tanto na indústria da beleza nacional como também no cenário internacional. De acordo com o Instituto Amazônia, o uso de óleos a partir de raízes, sementes, frutos e folhas é, na verdade, uma tradição que ultrapassou séculos na região. Porém, de alguns anos para cá, esses produtos passaram a ser valorizados por grandes empresas de cosméticos e perfumaria, as quais utilizam os óleos como ingredientes para a produção de perfumes, xampus, sabonetes e hidratantes. Com essa nova fase, foram desenvolvidos projetos variados que visam a melhoria da qualidade de vida de famílias da região. Muitas cooperativas têm sido formadas com o intuito de organizar a extração, mantendo seu perfil sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecendo a atividade, de modo de que as famílias que trabalham no meio possam contar com essa renda complementar. Um exemplo é o município amazonense de Manicoré, mais precisamente, a comunidade de Lago do Atininga. Lá a extração do óleo de copaíba, utilizado para a produção de sabonetes, xampus, cremes e perfumes, tem crescido e se destacado. Segundo o Instituto Amazônia, o manejo é realizado com todo o cuidado para não prejudicar a saúde da árvore. Para retirar o óleo, é feito

um buraco no caule que depois é tampado com madeira. Em cerca de um ano, a copaibeira recupera o mesmo volume de óleo. Já a comunidade de Monte Alegre, no município de Bragança, nordeste do Pará, a extração do murumuru, oléo oriundo do fruto da palmeira, tem melhorado a vida de muitas famílias carentes da região. O óleo é conhecido por seu potencial hidratante e sua extração na localidade é feita através de um trabalho coletivo e planejado. Outro exemplo de melhoria de renda a partir da extração de óleo vegetal é na Ilha de Marajó, no município de Salvaterra. Lá os moradores estão complementando seu ganho com a extração do oléo retirado da semente da andiroba, utilizada como matéria-prima de produtos para o cabelo. Algumas grandes indústrias de cosméticos brasileiras e internacionais firmaram parcerias com as cooperativas, promovendo uma troca que beneficia a todos. Elas oferecem cursos de qualificação e incentivam a sustentabilidade, além de desenvolverem ações de responsabilidade social com as famílias envolvidas. Outras instituições também tem apoiado a atividade, como universidades, ONGs e institutos de proteção ambiental.


ATAQUES DE

abelhas e marimbondos Uma picada de uma abelha ou marimbondo pode causar uma dor instantânea e pequenos hematomas para alguns, entretanto, para quem tem alergia, número estimado em 5% da população, o contato com o veneno que inoculam pode até levar à morte. A gravidade do caso tem relação com o grau da alergia ou com o número de insetos que atacaram. Segundo os especialistas, no caso mais grave, na reação inicial são constatadas urticárias, edemas nas pálpebras, língua ou lábio, vômitos, hipotensão, difi-

culdade respiratória, rouquidão, desorientação e perda da consciência. Porém, essa manifestação pode evoluir, chegando ao estágio de anafilaxia, o que pode comprometer os órgãos e levar a óbito. Para investigar se o organismo é alérgico a picadas de abelhas e marimbondos, é recomendado verificar o histórico familiar e fazer uma pesquisa IGE, um exame que determina o nível alérgico. Caso seja descoberta a presença da alergia, é possível fazer o tratamento através de vacinas que induzem a produção de novos anticorpos.

Ao ser picado por uma abelha ou marimbondo, coloque uma compressa fria no local. Além disso, recomenda-se observar a evolução do hematoma e retirar o ferrão raspando-o. As reações brandas, em geral, são localizadas. Se elas se espalharem, é importante buscar assistência médica imediatamente. Aos alérgicos, é recomendado que sempre tenham em mãos um kit de emergência, com medicamentos especiais, como adrenalina, corticoide e antiestamínico, todos sob prescrição médica.

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ABCCMM

GRANDES PROJETOS E NÚMEROS EXPRESSIVOS O presidente Magdi Shaat termina os dois mandatos (2008/2011 - 2011/2015) com a sensação de dever cumprido junto à Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) e seus associados. Todos os principais projetos assumidos em 2008 foram realizados, especialmente aqueles voltados ao fomento da raça, e possibilitaram quase quadruplicar o número de sócios nesse período. A entidade fecha 2015 com 11.400 associados. Durante as duas gestões, foram diversos os empreendimentos concluídos. Destaque para a criação do Museu Nacional do Mangalarga Marchador, em Cruzília-MG, o primeiro de uma única raça nas Américas, que possibilitou à Associação resgatar os 200 anos de história do Marchador.

VALORIZAÇÃO DA MARCA Houve ainda grandes investimentos em tecnologia para acelerar procedimentos e também na divulgação da marca Mangalarga Marchador. “Não adianta ter um produto extraordinário, como o nosso cavalo, se ele fica guardado na gaveta”, sempre comentava o presidente. Nesse sentido, a Diretoria criou o programa “Mangalarga Marchador TV” e houve também a participação da raça no Carnaval do Rio de Janeiro, em 2013. Ambos os esforços foram fundamentais para dar visibilidade ao Marchador. Além disso, a parceria firmada com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) permitiu divulgar a raça nos Estados Unidos e na Europa. “Começaram a admirar nossos ani-

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mais em razão da docilidade, comodidade e beleza que eles têm, ou seja, descobriram o nosso cavalo lá fora”, ressaltou Magdi. Atualmente, o Marchador conta com 490 mil animais vivos. Ao todo, são 67 núcleos regionais espalhados por todo o Brasil e quatro Sucursais no exterior: Associação Americana (Arizona), Associação Europeia (Alemanha), Associação Italiana (Tagliacozzo/Região de Abruzzo) e Associação Argentina (Buenos Aires).

NÚMEROS RELEVANTES E SATISFATÓRIOS Outro motivo de grande satisfação para a atual Diretoria é o fato de ela ter conseguido disseminar o conhecimento técnico com os projetos “Mangalarga Marchador para Todos”, voltado para os criadores, sobretudo os iniciantes, e o “Formação por Competência”, visando a formação de mão de obra especializada. A atual Diretoria fecha 2015, até o momento, com 198 eventos realizados em 18 estados participantes, envolvendo 12.301 expositores. No total, foram inscritos para as exposições 24.138 animais. Já a Exposição Nacional, maior evento da raça, realizado pela ABCCMM, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte-MG, envolveu a participação de 1.366 animais, de 417 expositores. Em se tratando de negócios, em 2015, a ABCCMM chancelou 271 leilões, contra 259 em 2014 e 196 em 2013. A média por produto (animais, embriões, óvulos) tem girado em torno de R$ 20.166,86. Os nú-

meros e as realizações nas duas gestões são bastante favoráveis. No dia 5 de janeiro de 2016, foi empossada a nova Diretora da ABCCMM, a qual passa a ser presidida pelo empresário e criador Daniel Borja. Nesse sentido, o presidente Magdi Shaat deseja sucesso aos membros da nova gestão na condução da ABCCMM e da raça.


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BALDE

Cheio Um projeto que tem como missão trazer o conhecimento para dentro da propriedade rural, fomentando a produtividade e melhorando a vida no campo. É com essa ideia que o programa Balde Cheio, idealizado pela Embrapa há 17 anos, vem desenvolvendo os seus trabalhos em propriedades rurais de onze estados brasileiros. O objetivo é a capacitação de técnicos que possam dar todo o suporte aos proprietários na condução da atividade leiteira. O projeto funciona da seguinte forma: técnicos extensionistas de órgãos públicos, privados, cooperativas ou autônomos são tutoreados por instrutores da Embrapa durante uma média de quatro anos. Esse aprendizado acontece em uma propriedade rural, geralmente de agronegócio familiar, onde o técnico adquire os conhecimentos e já começa a aplicá-los naquele negócio. Assim, os profissionais adquirem, na prática, conhecimentos sobre formas adequadas de manejo do rebanho, produção do leite, genética animal e administra-

PROJETO DA EMBRAPA INCENTIVA O MANEJO PROFISSIONAL DAS PRODUÇÕES LEITEIRAS

ção. De acordo com o coordenador nacional do projeto Balde Cheio e pesquisador da Embrapa, Arthur Chinelato, não existe uma metodologia fixa que será transmitida ao técnico. “Nós ensinamos o técnico a escutar cada produtor e a promover a mudança mais adequada para aquele negócio em específico”, explica. Para Chinelato, a propriedade que participa do Balde Cheio acaba se destacando pelo aumento de sua produtividade e geração de renda e, com isso, chama a atenção dos proprietários vizinhos, que, muitas vezes, manifestam interesse em receber a visita do técnico extensionista. E a produção intensiva fomentada pelo projeto traz resultados extremamente benéficos ao negócio. “Temos o exemplo de uma propriedade da região Sul, de setenta hectares de extensão e que, em três a quatro anos de trabalho do Balde Cheio, dobrou a sua produção leiteira, isso usando apenas dez hectares. O produtor pôde, então, reflorestar vinte hectares e alugar os quarenta

2.500

400

propriedades já participaram do projeto Aumento médio da produção leiteira nas propriedades participantes: 40

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hectares restantes, o que contribuiu não apenas para o cumprimento da legislação ambiental como também para o aumento de sua renda”, explica Arthur. Esse é um dos vários exemplos de propriedades que conseguiram produzir mais em um espaço menor, através do manejo profissional incentivado pelo Balde Cheio. Para o coordenador do projeto, o melhor retorno que a Embrapa e a equipe recebe é ver o progresso do produtor. “Nós, que trabalhamos em uma empresa pública, temos a missão que devolver à população o investimento que ela faz. Por isso, é muito gratificante ver o produtor crescer e o seu negócio prosperar. Acredito que o Balde Cheio é um exemplo de iniciativa que trouxe maior autoestima e entusiasmo ao empresário do campo”, diz. Para participar do projeto Balde Cheio, o produtor deve identificar em sua região um técnico extensionista credenciado pela Embrapa ou motivar o profissional de sua confiança a buscar o contato com o órgão para a sua participação no projeto.

técnicos capacitados / em capacitação (em média)

20.500 1.500 litros por hectare/ano

de

para

11

estados de atuação: SC, MG, RJ, SP, ES, BA, MA, PE, PI, RO e AC após uma média de quatro anos no projeto


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Caprinocultura

bem sucedida

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DO CAPRIL Para chegar a esse patamar distinto, o proprietário Pedro Paulo Vasconcellos Leite, conta que a tradição e a experiência

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COM MAIS 25 ANOS DE ATIVIDADE, CAPRIL CAPRIVAMA É REFERÊNCIA DE PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL COM QUALIDADE E EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Fotos: Guilherme Macedo

O Brasil figura, hoje, entre os países com maior potencial de crescimento da caprinocultura no mundo. E não é por menos. A atividade vem evoluindo a passos largos nos últimos dez anos, com o ingresso de novos criadores e beneficiadores dos derivados, ambos focados na eficiência e lucratividade do setor. Para se ter uma ideia desse avanço, atualmente, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o país conta com um rebanho de caprinos estimado em 14 milhões de cabeças, distribuído em 436 mil estabelecimentos agropecuários. Por esses motivos, o Brasil ocupa a 18ª posição no ranking mundial de exportações. Uma atividade que vem se destacando na caprinocultura nacional é a produção de derivados do leite e queijos finos. Cada vez mais, os produtores têm investido em sistemas de criação modernos, animais com genética diferenciada e uma produção de derivados lácteos com uma qualidade única. Exemplo disso é o Capril Caprivama, localizado no Rancho Ivama, em Alfenas-MG e que chama a atenção por seus padrões ecologicamente corretos, o bem estar de animais produtivos e longevos, com alta sanidade úbere e fertilidade.

fizeram a diferença. Há 27 anos, ele ingressou na atividade agropecuária, criando vacas de leite, com uma produção diária média de 500 litros. Pouco tempo depois, ele percebeu que precisava aumentar a produção, uma vez que, com as margens diminuindo, a solução vista era elevar o volume. “Como nossa propriedade é pequena, resolvemos buscar algo que pudesse se adequar ao nosso espaço, agregando mais valor aos produtos. Foi quando descobrimos as cabras leiteiras”, salienta. De lá pra cá, a criação de cabras no Racho Ivama foi se especializando e qualificando. Hoje, toda a família de Pedro Paulo

está envolvida na atividade, a qual produz mais de 10 mil litros de leite de cabra por mês, beneficiando 90% em queijos finos e especiais. “Em nosso capril predominam as raças Saanen e Alpinas e nosso sistema de criação é do tipo confinamento com um free stall, com animais que chegam a produzir oito litros de leite por dia e média de seis litros diários”, explica o criador. O Capril Caprivama conta com um plantel estabilizado, com 500 animais de várias idades, de mamando a caducando. “Nós pretendemos, nos próximos meses, aumentar ainda mais a nossa produção, superando nossa diária atual, que fica em


torno de 400 litros por dia, até chegar a 1.000 litros por dia, nossa meta”, diz.

NUTRIÇÃO E MELHORAMENTO GENÉTICO Para conseguir a alta produtividade, Pedro Paulo investe em uma dieta balanceada e rica em nutrientes para os caprinos. “A base de alimentação dos animais é silagem de milho e ração de acordo com a produção, na mesma proporção das vacas. Para os animais jovens, oferecemos feno e capim picado”, diz. Outra preocupação é com a reprodução, visto que os animais leiteiros devem, sempre que possível, estar em gestação. De acordo com o criador, o Capril Caprivama faz três estações de monta por ano, de modo a facilitar o manejo de criação de filhotes. “Usamos até 50 % de inseminação artificial em nossos animais para reprodução, com o intuito garantir uma qualidade genética especial”, destaca Pedro Paulo. No quesito de melhoramento genético, o Capril Caprivama demonstra expertise. E, para isso, conta com o suporte do veterinário Ivan da Silveira Leite, Inspetor de Registro Genealógico de Caprinos da Caprileite/Accomig e da Associação Brasileira de Criadores de Caprinos (ABCC). O especialista é responsável pelo controle zootécnico do rebanho, avaliando o desempenho de cada animal, com o objetivo de promover a melhoria das espécies e do padrão de raça. No Capril Caprivama também é feita a coleta de embriões de suas matrizes para comercialização. Atualmente, são dez reprodutores em centrais de coleta de sêmen. Segundo o proprietário, Pedro Paulo Vasconcellos Leite, a preocupação com o aprimoramento genético dos animais deve-se à busca pelo aumento na produção de leite e sólidos (proteína e gordura), fundamentais na produção dos queijos. “Também entendemos que uma genética

diferenciada é sinônimo de eficiência econômica, sanidade e bem estar do animal, por isso, priorizamos ações que possam garantir um aprimoramento contínuo das raças e espécies”, defende o criador. Os animais do Capril Caprivama, registrados em PO, fazem parte do programa de melhoramento genético estabelecido através de convênio entre a Caprileite e a Emprapa. Esses caprinos participam do controle leiteiro oficial e teste de protênie de reprodutores, os quais vêm fechando, em média, lactações de 305 dias de produção, acima de 1.500 litros.

MERCADO ANIMAIS Questionado sobre o mercado de caprinos, Pedro Paulo afirma que o setor está bem aquecido, com uma busca maior por animais melhoradores, devidamente registrados e com produção comprovada. “Acredito que essa mudança de postura dos criadores tem feito a diferença. Ninguém quer um animal mediano. Hoje, exige-se produtos diferenciados, principalmente os estados do Nordeste, que vêm produzindo leite de cabra para atender os programas do governo que encaminham o leite para a merenda escolar. Temos recebido em nossa propriedade vários criadores nordestinos em busca de reprodutores e matrizes da região Sudeste para a melhoria genética”, ressalta. Quanto aos benefícios da caprinocultura, em especial, a produção de leite, Pedro Paulo destaca que o leite de cabra tem sido descoberto nos últimos anos por consumidores ávidos por produtos diferenciados, orgânicos, funcionais e de boa procedência. “O leite de cabra e os seus derivados têm representado uma ótima opção a esse público, pois é mais digestivo, com 20% a mais de cálcio e propriedades que tornam o seu queijo um produto único, com sabor e qualidade”, afirma. Devido a esses diferenciais, o criador acredita

que investir no ramo, com comprometimento e buscando um aprimoramento constante, traz resultados satisfatórios.

ASSESSORIA TÉCNICA E PRÊMIOS Por sua ampla experiência na caprinocultura, o Capril Caprivama oferece capacitação e assessoria técnica relacionada à instalação e manejo, reprodução, inseminação e análise de viabilidade econômica para a atividade do criadouro. O resultado do trabalho eficaz desempenhado no criatório é percebido em exposições premiadas, onde a marca Caprivama se destacou, tais como: a premiação na Fapija-Expocapri, em São Paulo (2005/2006), o bicampeonato de melhor expositor e criador na Super Agro 2006/2007, em Belo Horizonte; o campeonato Cabrito Feinco (2007), em São Paulo; e a premiação como melhor criador e expositor na Exposição Nacional de Cabras Saanen (2007), em Poços de Caldas-MG, com onze premiações.

PRODUÇÃO DE QUEIJOS O Capril Caprivama conta com a atividade paralela de produção de lácteos, cumprindo normas e exigências dos órgãos reguladores para a configuração de sua cadeia produtiva. A propriedade possui metodologias e práticas especiais para a sua atividade de laticínios, produzindo leite de cabra pasteurizado e queijos finos, como o tipo chevrotin ou o feta, todos feitos artesanalmente.

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Caminhos da caprinocultura leiteira no Brasil Muitos produtores rurais brasileiros devem se perguntar: criar cabras leiteiras é vantajoso? Quem acredita que o negócio pode dar mais trabalho do que trazer benefícios engana-se. A atividade tem crescido no país exatamente pelas vantagens que demonstra, até mesmo em relação à criação de vacas. De acordo com Pedro Paulo Vasconcellos Leite, proprietário do Capril Caprivama, localizado em Alfenas-MG, além de serem animais dóceis, inteligentes e perspicazes, os caprinos possuem grande capacidade produtiva no decorrer dos anos. “Proporcionalmente ao peso e alimentação, as cabras são mais eficientes na produção de leite que as vacas. Além disso, elas têm alta conversão alimentar, e o que chama a atenção é que seis cabras consomem a mesma quantidade de alimento que uma única vaca”, explica o criador. Outra vantagem destacada por Pedro Paulo é quanto à reprodução dos caprinos, visto que apresentam um ciclo reprodutivo

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mais curto que o dos bovinos. “A gestação da cabra é de cinco meses e a cria geralmente é de dois filhotes”, salienta. O ciclo curto também facilita a evolução do rebanho por meio de seleção para melhoramento genético. A caprinocultura é uma boa opção para pequenos produtores ou produtores da agricultura familiar, pois em um pequeno espaço podem ser criadas muitas cabras, o que viabiliza a criação para esses proprietários. “No Nordeste, temos exemplos do benefício em criar cabras intensivamente, onde o comum era criá-las a pasto. Dessa forma, consegue-se aumentar a produção de leite por animal para atender às demandas governamentais”, destaca Pedro Paulo. Ainda de acordo com o proprietário do Capril Caprivama, muitos criadores nordestinos têm demonstrado uma maior preocupação com o melhoramento genético de seu rebanho, algo pouco explorado há alguns anos atrás. “Para aprimorarem a sua produção com animais de genética diferenciada, muitos deles têm vindo ao

Sudeste buscar caprinos da região”, afirma. Pedro Paulo ressalta que a grande dificuldade do pequeno produtor de caprinos é conseguir mercado para a venda do seu leite. “Para atuar com derivados, por exemplo, é necessário um volume maior para viabilizar a atividade”, explica. O criador acrescenta que já têm sido desenvolvidos projetos de laticínios regionais que servem de base-satélite para pequenos produtores, agregando volume e transportando produtos acabados para os grandes centros. Questionado sobe como tornar a produção de caprinos leiteiros viável, o proprietário do Capril Caprivama sugere a busca por animais produtivos, a atualização aos novos sistemas de criação e o melhoramento genético. O criador recomenda, ainda, que os animais sejam criados, de preferência, em sistema de confinamento. “Acredito que o produtor de caprinos deve se preocupar em oferecer sempre bons alimentos ao seu rebanho e na quantidade necessária, além de garantir o bem estar do animal e, atentar-se, principalmente, ao manejo, buscando a eficiência produtiva e a qualidade do leite”, finaliza.


Leite de cabra e derivados CONHEÇA SEUS DIFERENCIAIS QUE VÊM CONQUISTANDO NOVOS CONSUMIDORES Atualmente, vivemos uma fase em que os consumidores estão mais atentos e preocupados em incluir em sua dieta alimentos que promovam saúde e bem estar. Muitos buscam alternativas viáveis aos produtos convencionais. E é nesse contexto que o leite de cabra tem conquistado cada vez mais espaço e aderência. A justificativa para a escolha do leite de cabra em substituição ao leite de vaca é que o primeiro possui maior facilitação digestiva. Pesquisas concluíram que a proteína do leite de cabra coalha de uma forma mais suave. Além disso, sua gordura contém uma maior proporção de ácidos graxos curtos e médios e, com isso, as enzimas do intestino são capazes de digeri-la mais facilmente. Tais benefícios fazem do leite de cabra uma ótima alternativa de alimentação para quem precisa da rápida absorção de nutrientes, como crianças em crescimento, idosos e debilitados fisicamente. E os benefícios do leite de cabra não se limitam a essas qualificações.

Machèvre l’huille

O produto também é considerado completo em termos nutricionais, possuindo 20% mais cálcio que o leite de vaca e uma alta concentração de fósforo, sendo, portanto, um alimento que ajuda na formação e manutenção dos ossos, auxiliando no crescimento saudável de crianças e evitando a desnutrição. Além disso, também é recomendado para idosos e mulheres em menopausa, atuando na prevenção da osteoporose. De acordo com o proprietário do Capril Caprivama, Pedro Paulo Vasconcellos, antigamente o consumo do leite de cabra e seus derivados era restrito porque havia uma falsa crença de que eram mais fortes, com um odor diferente dos demais leites. “Na verdade, o leite de cabra tem um aroma e sabor próprios e isso faz toda a diferença na qualidade de seus derivados”, explica. Ainda segundo o criador, com o programa dos governos nordestinos de incluir o leite nas merendas escolares, houve uma desmistificação desses antigos conceitos. “Hoje eu acredito que o consumo do leite de cabra só não é maior por falta de oferta e logística de distribuição e transporte”, defende Pedro Paulo.

Chevrotin

DERIVADOS Os queijos produzidos a partir do leite de cabra também têm conquistado um número crescente de consumidores especiais: os admiradores de queijos finos e de produtos orgânicos. Conhecido por seu sabor diferenciado, os queijos de cabra contam com outros diferenciais, como os benefícios do leite (seu principal ingrediente) para a saúde, sua boa procedência e o fato de serem produzidos artesanalmente. Conforme ressalta Pedro Paulo, os produtos importados e a qualidade dos queijos de cabra produzidos no Brasil têm contribuído muito para o aumento do consumo do alimento no país. “Por ser considerado um produto gourmet, o queijo de cabra, que hoje conta diversos tipos e sabores, tem sido muito utilizado em ocasiões especiais”. O criador completa dizendo que novos investidores vêm contribuindo para uma melhoria constante da cadeia produtiva de queijos de cabra no Brasil, o que beneficia ainda mais a atividade. REVISTA MERCADO RURAL

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O “MAR

DE LAMA”

O dia 05 de novembro de 2015 ficou marcado com a ocorrência de um dos maiores desastres ambientais já registrados no Brasil. Com o rompimento da barragem Fundão, localizada em Mariana-MG e pertencente à mineradora Samarco, 62 mil metros cúbicos de lama foram despejados morro abaixo, quantidade suficiente para encher 25 mil piscinas olímpicas, segundo especialistas. O deslizamento deixou pelo menos dezessete mortos, quatro desaparecidos e mais de 600 desabrigados. E a tragédia não se findou aí. O Rio Doce foi duramente afetado pela lama e sua sobrevivência está ameaçada. Além disso, a lama já chegou ao oceano Atlântico, no litoral capixaba. Muitas informações e notícias foram divulgadas diariamente após a tragédia, e a Mercado Rural traz um levantamento dos principais números referentes ao desastre (estimados no final de 2015) e suas implicações. Confira no infográfico abaixo:

663

É o número de barragens existentes no Brasil, sendo 445 delas localizadas em Minas Gerais e 35 consideradas inseguras.

200

É o número estimado de famílias que tiveram suas casas destruídas pela invasão da lama de rejeitos.

11

toneladas

É a quantidade de peixes mortos: 8 toneladas em Minas Gerais e 3 no Espírito Santo.

250 milhões 48

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879 quilômetros 10 anos 80

É a extensão da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, que conta com uma área de drenagem de 86.715 quilômetros quadrados, dos quais 86% estão no Leste mineiro e 14% no Nordeste do Espírito Santo.

3,5

milhões

É o tempo mínimo estimado para a recuperação da bacia do Rio Doce, segundo o governo federal. Entretanto, a presença de elementos tóxicos como o zinco e o arsênio traz prejuízos que podem ser irreversíveis à fauna, flora e ao abastecimento de água potável. É o número de espécies de peixes apontadas como nativas da Bacia do Rio Doce antes da tragédia. Dessas, 11 são classificadas como ameaçadas de extinção e 12 são endêmicas do Rio Doce.

É o valor total das multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à empresa Samarco, pelos danos causados.

É o número de habitantes da população estimada da Bacia do Rio Doce, distribuída em 228 municípios, sendo 202 mineiros e 26 capixabas. Desses, mais de 220 foram afetados pela tragédia.

16

milhões de m3

11mil

É a quantidade de lama que está sendo levada para o mar, chegando ao litoral do Espírito Santo.

É o número de ribeirinhos que dependem do Rio Doce para o seu sustento.

* Fontes de pesquisa: Agência Brasil, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce).


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FAEMG divulga balanço do agronegócio mineiro em 2015 e expectativas para 2016 CRESCIMENTO INEXPRESSIVO DEMONSTRA QUE O AGRONEGÓCIO TAMBÉM FOI IMPACTADO PELA CRISE O balanço anual do desempenho do agronegócio em Minas Gerais, realizado pelo Sistema FAEMG, apontou um pequeno crescimento no faturamento de 2014 para 2015, na ordem de 0,65%, fechando em R$ R$ 164,2 bilhões. De acordo com a entidade, o agronegócio, um dos setores mais resistentes da economia brasileira, também fechará 2015 amargando efeitos da crise. Produtores descapitalizados enfrentaram o aumento nos custos de produção e os prejuízos de pelo menos dois anos consecutivos de estiagem, o que impactou nos ganhos. O resultado em Minas Gerais foi avaliado como um dos piores desempenhos do setor na última década. Para o presidente do Sistema FAEMG, Roberto Simões, a perspectiva para 2016 é ainda pior, e o momento deve ser de cautela para os produtores rurais. “Deve ser um ano de perdas maiores, com fenômenos climáticos mais vigorosos, conjuntura econômica desfavorável, aumento muito maior dos custos, com mais impacto da alta do dólar e, por fim, um mercado consumidor muito mais descapitalizado. Nossa orienta-

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ção é que se foquem na gestão dessa nova safra, e que contenham investimentos”. Ele destacou ainda outros desafios para o setor, como a falta de segurança no campo, a necessidade de adequação dos produtores à legislação ambiental e problemas de infraestrutura. Lembrou também a importância do acesso dos produtores à tecnologia, uma

vez que, para aumentar a produção sem expansão horizontal, será preciso maior produtividade e sustentabilidade, alcançadas através de pesquisa e assistência técnica aos produtores. Por outro lado, destacou que alguns setores podem ser beneficiados pela abertura de novos mercados: “Carne e leite têm boas perspectivas de negociações com importantes mercados, como a Rússia, China, Estados Unidos e Arábia Saudita. A questão cambial é muito favorável às exportações brasileiras. Pode estar aí uma oportunidade para o setor, desde que o Governo saiba aproveitá-la com mais agilidade nas negociações, privilegiando acordos bilaterais e efetivação de remessas aos principais compradores”. O documento produzido pela entidade com o balanço geral da agropecuária mineira em 2015 e os detalhes de cada uma das principais cadeias produtivas já está disponível no portal Sistema FAEMG. Fonte: Sistema FAEMG.


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AUMENTO DA DEMANDA PELO LÁTEX ENALTECE A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA ÁRVORE NATIVA DA AMAZÔNIA

Seringueira Natural da região Amazônica, a seringueira é conhecida pela sua capacidade de produção do látex, matéria-prima da borracha natural. A planta, do gênero Hevea e família Euphorbiaceae, conta com onze espécies, sendo a Hevea Brasiliensis a mais importante no país, dada a sua a diversidade genética e alta produtividade do látex. Além de estar presente no Brasil, a seringueira também é bastante comum na Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru, Suriname e Guianas. Com um ciclo de vida longo, a planta desenvolve-se especialmente em solos argilosos e férteis, próxima às margens de rios e lugares inundáveis de mata de terra firme. A seringueira é bastante influenciada pela temperatura e umidade relativa do ar. Ao plantar a semente, por exemplo, recomenda-se um cuidado especial para que os terrenos não sofram inundações. As mudas recebem terra, areia e serragem, com o objetivo de protegê-las e também manter a umidade em seu nível adequado. Indica-se, ainda, o plantio das mudas em áreas planas, mais propícias para a implantação e exploração dos seringais.

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CARACTERÍSTICAS A seringueira é uma espécie arbórea e pode atingir até 30 metros de altura. A espessura de seu tronco varia de 30 a 60 centímetros. Aos quatro anos, a planta inicia a produção de sementes e a extração do látex acontece a partir dos 7 ou 8 anos, quando a seringueira atinge a altura mínima de 1,5m e 45cm de espessura. Seu fruto tem a forma de uma cápsula grande e costuma abrigar três sementes grandes, com formato oval e superfície ligeiramente achatada. A coloração da madeira é próxima ao branco, mas pode também apresentar-se em tom marrom claro ou amarelo. A frutificação da seringueira acontece entre novembro e fevereiro, mês em que há a queda dos frutos e a extração da semente para o posterior plantio. Seu cultivo é chamado de heveicultura.

MERCADO Entre as últimas décadas do século XIX e início do século XX, o Brasil foi o maior

produtor mundial de borracha natural. Atualmente, os países da Ásia lideram o ranking de exportação do produto. Com uma demanda crescente e o mercado em alta, muitos brasileiros têm investido na produção de mudas e no plantio da árvore para um futuro que aponta ser promissor. As regiões Centro-Oeste e Sudeste se destacam no cenário atual. O látex, extraído através do corte diagonal na casca da seringueira, processo conhecido como “sangria”, produz uma borracha diferenciada. Embora já existam versões sintéticas, a borracha natural tem uma série de qualificações, como a elasticidade, termoplasticidade, resistência à abrasão e à corrosão, impermeabilidade e isolamento elétrico. Em geral, cada árvore produz 1 litro de látex por mês e a extração acontece durante dez meses do ano. Especialistas estimam que em 2020, o consumo de borracha natural pode chegar a 9,71 milhões de toneladas, por isso a preocupação com o plantio de novas mudas e a renovação dos seringais.


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Novas pragas da safra 2015/16 FAEMG CHAMA A ATENÇÃO PARA PRAGAS CONSIDERADAS EXÓTICAS VISTAS EM TRÊS ESTADOS E QUE PODEM CHEGAR EM OUTRAS REGIÕES

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG) enviou comunicado aos sindicatos de produtores rurais alertando sobre as principais doenças e espécies invasoras que podem prejudicar a safra 2015/16. O objetivo é promover a identificação precoce das pragas, exterminando-as antes que se espalhem pelo país e causem danos às lavouras e prejuízos aos agricultores. Um dos alertas feito pelo órgão é quanto à Ferrugem Asiática da Soja, que já está presente no país e pode ter ocorrência intensificada se houver aumento da umidade, trazida pelo El Niño. A FAEMG também chama a atenção para novas pragas, que, até então, eram consideradas exóticas

no Brasil, em especial, dois insetos e uma planta daninha que já foram vistas no Mato Grosso, Ceará e Rio Grande do Sul e que podem chegar às outras regiões produtoras. A planta daninha é o Amaranthus palmeri, presente há anos nos Estados Unidos. Estudos apontam que uma elevada população dessa invasora pode gerar queda na produtividade em até 91% para o milho, 79% na soja e 77% no algodão, por exemplo. Já quanto às pragas, uma das preocupações é a Helicoverpa punctigera, prima da Helicoverpa armigera, lagarta que causou enormes prejuízos quando surgiu no país em 2013. A nova praga pode reduzir a produtividade em até 16 sacas por hectare de soja, 54 sacas no milho e até

76 sacas no algodão. Outro problema que foi visto nos campos brasileiros é a Melanagromyza sp, conhecida como “mosca-da-haste da soja”. Encontrada no Rio Grande do Sul, segundo alguns pesquisadores, ela pode gerar perdas de até 30% na produtividade da oleaginosa, repetindo estragos registrados na Austrália, Argentina e Paraguai. A FAEMG destaca que a atenção dos agricultores deve ser redobrada nessa nova safra e, em caso de qualquer suspeita, órgãos de defesa, como o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Ministério da Agricultura (MAPA), devem ser notificados, além da própria FAEMG. Vale salientar que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é ferramenta fundamental para o controle e que, quando bem feito, resulta em uma lavoura vigorosa e produtiva. O Sistema FAEMG oferece, por meio do SENAR, cursos de capacitação com foco no MIP e recomenda a utilização adequada de defensivos agrícolas na condução das lavouras. Mais informações são disponibilizadas no site do órgão. Fonte: FAEMG

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35ª Nacional do Cavalo Campolina Marchador EVENTO REALIZADO EM BARBACENA CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DE CERCA DE 550 ANIMAIS E 120 EXPOSITORES Entre os dias 09 e 17 de outubro de 2015, a cidade de Barbacena recebeu um dos mais importantes eventos equestres do país: a Semana Nacional do Cavalo Campolina Marchador, em sua 35ª edição. O evento reuniu cerca de 550 animais, entre cavalos e éguas dos melhores plantéis do país, além de 120 expositores de nove estados brasileiros: Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Ceará e Distrito Federal. Tradicionalmente realizado no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, a exposição migrou para o interior do estado, através de parceria entre a Prefeitura de Barbacena e a Associação Nacional dos Criadores do Cavalo Campolina. Durante toda a semana, o que se presenciou foi um show de beleza e técnica, tornando os concursos ainda mais acirrados. A edição

de 2015 consagrou os melhores da raça, com destaque para o Grande Campeão da Raça: Destroyer do Santo Antônio (campeão) e Abdala da Dona Flor (reservado campeão) e a Grande Campeã da Raça: Udachi do R. N. (campeã) e Lambada do Barulho (reservada campeã). Na categoria Grande Marchador – Marcha Batida: os machos Jack de Luanda (campeão) e Vero da Água Santa (reservado campeão), e as fêmeas Khrisna da Ibipeba (campeã) e Jady Lalomax (reservada campeã). Além dos julgamentos e exposições, a 35ª Nacional do Cavalo Campolina contou com leilões chancelados, com a comercialização de 33 lotes, sendo 31 animais, um embrião e uma cobertura. O evento foi também uma oportunidade para os criadores fazerem negócios, trocarem informações e fomentarem o crescimento do

Campolina Marchador no país. Segundo a assessoria da Prefeitura Municipal de Barbacena, durante a preparação para a realização da Semana do Cavalo Campolina, o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Getúlio Feres, destacava que “a expectativa era de ter durante o evento um bom volume de negócios”. Ao terminar o evento, o secretário resumiu: “correspondeu todas as expectativas!”

SOBRE A RAÇA A raça Campolina foi trazida para o Brasil no final do século 19, por Cassiano Campolina. Desde então, vem sendo aperfeiçoada e já conta com cerca de 1,2 mil criadores em todo o país. A raça é reconhecida por seu porte único, marcha tradicional, grande comodidade, e também pela docilidade.

Fotos: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Barbacena

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Erico Xavier Agencia Fapeam

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas desenvolvem telha sustentável A partir do reaproveitamento de resíduos de olarias locais, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), estão desenvolvendo ecotelhas – telhas sustentáveis, produzidas com argamassa e fibras vegetais da Amazônia.

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Segundo o subcoordenador da pesquisa, o doutor em engenharia João de Almeida Melo Filho, essa composição dá mais resistência ao material e pode melhorar a sensação térmica nas residências localizadas nas regiões mais quentes do país. “Além de ter menos cimento em sua constituição, ela tem também areia, que se torna um material mais barato, além das fibras

naturais. A matriz que utiliza o cimento é muito frágil e as fibras naturais é que vão dar a verdadeira resistência a esse material. O conjunto que a gente chama de ‘material compósito’ vai produzir um produto com maior resistência mecânica e que tem maior desempenho térmico, devido ao uso de resíduos cerâmicos”, garantiu. O pesquisador informou que o protótipo da ecotelha deve ficar pronto em 12 meses. Após esse processo, ele disse que será necessário um patrocínio para adquirir o maquinário destinado à produção em larga escala. O projeto recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas. Fonte: Fapeam / Agência Brasil


DICAS DA AGROSID

Terapia da vaca seca

CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DO USO DE ANTIBIÓTICO DURANTE A FASE DE SECAGEM DA VACA O período seco pode considerado uma necessidade fisiológica da vaca leiteira, visto que tem relação com a saúde da glândula mamária, a prevenção de doenças e também com a produção do leite. Esse período deve ter início quando as vacas estão em fase adiantada de lactação e com prenhez confirmada. Vale destacar que o mesmo não significa o fim da lactação, mas sim o preparo para o início da próxima. Durante essa fase, vaca precisa realizar algumas tarefas importantes, como o desenvolvimento de 2/3 do feto. Por isso, para manter a sua saúde e também a da futura cria, são necessários procedimentos especiais, entre eles, o uso de antibióticos, práti-

ca conhecida como a terapia da vaca seca. Através desse procedimento, tem-se o controle da mastite, uma das doenças que mais prejudicam a produção leiteira no Brasil, além da redução da contagem de células somáticas no rebanho. A técnica consiste na aplicação de antibiótico específico em cada uma das tetas da vaca, no dia da secagem. O medicamento é próprio para a fase seca, tendo ação de 40 a 50 dias na glândula mamária. Pode-se dizer que a ação do antibiótico tem dois objetivos principais: extinguir as infecções subclínicas adquiridas durante a lactação anterior e proteger contra contaminações que possam ocorrer no

período seco, época em que a vaca fica mais susceptível a sofrer com tais infecções. Para se ter uma ideia, durante as primeiras semanas do período seco, a taxa de ocorrência de novas infecções pode ser de 40% do total, podendo chegar até a 60% das infecções intramamárias. Por fim, fica a recomendação de, quinze dias antes do parto, manter as vacas em piquete limpo e seco, de forma a garantir a prevenção contra infecções. Além disso, é importante ressaltar que, ainda que o rebanho tenha atingido um bom nível de controle da mastite contagiosa, é indicada a terapia da vaca seca para manter uma taxa reduzida de infecções durante o período seco.

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Anilhas para aves EMPRESA BRASILEIRA SE DESTACA POR OFERECER PRODUTOS PERSONALIZADOS E ALINHADOS ÀS NOVAS TECNOLOGIAS O anilhamento de pássaros silvestres, exóticos ou domésticos é um processo de extrema importância para a ave e também para o próprio criador. Com a anilha, é possível identificar individualmente cada pássaro para que se possa ter um controle de saúde, reprodução, desenvolvimento, genético ou veterinário. Além disso, caso o pássaro escape e seja encontrado por alguém, a anilha irá proporcionar o possível contato com dono desse animal. No caso dos pássaros silvestres criados em ambiente doméstico, o anilhamento é obrigatório e deve seguir as orientações e regras dos órgãos ambientais reguladores. Vale destacar ainda que existem anilhas específicas para cada espécie, com o tamanho correto que garanta conforto ao pássaro durante toda a sua vida. O material e o sistema de gravação devem garantir a durabilidade necessária para que o pássaro nunca perca a sua identificação. No Brasil, umas das empresas pioneiras no anilhamento e que se destaca em tecnologia é a Anilhas Capri, com sede em São Paulo. A fábrica de anilhas foi fundada em 1947, por um militar apaixonado por pássaros. “Em 1960, a empresa já atendia todo o mercado brasileiro de aves domésticas. Na década de 70, deu início à fabricação de anilhas para pássaros silvestres controlados pelo IBDF (atual IBAMA) e, na déca-

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da seguinte, começou a fornecer anilhas e identificadores para animais em geral, para a linha de conservação no meio ambiente através do CEMAVE. Dez anos depois, já tinha uma linha completa para identificação de qualquer tipo de animal”, destaca o diretor da empresa, Alexandre Gallaro. Atualmente, a Anilhas Capri conta com um polo fabril amplo e moderno, exportando 30% da sua produção para os Estados Unidos e alguns países da Europa. Para Alexandre, a maior satisfação em trabalhar nesse ramo é saber que está contribuindo para a conservação da fauna. “Em todo o nosso processo produtivo, buscamos respeitar o meio ambiente. A fábrica não utiliza nenhum material toxico e conta sistema de separação de seus resíduos para reciclagem. Além disso, a Anilhas Capri apoia e patrocina alguns projetos de conservação, como o Projeto Adote um Ninho do Instituto Arara Azul”, completa. A preocupação com o conforto do animal também se reflete no desenvolvimento de anilhas personalizadas para cada cliente. “Trabalhamos com pedidos por encomenda, buscando orientar o cliente quanto à melhor anilha para o seu animal. Também em casos de lesão na pata e necessidade de troca de anilha, contamos com um cadastro de veterinários especializados para indicar aos clientes, garantindo,

assim, o bem estar e a segurança da ave”, destaca Alexandre. De acordo com o diretor da empresa, um dos diferenciais da Anilhas Capri é a sua preocupação em inovar, mantendo a referência de qualidade e durabilidade, segurança e conforto para os animais. Entre os produtos de destaque da empresa, estão a anilha AFA, com garantia Anti-Adulteração e Anti-Falsificação, o que inibe o tráfico de animais silvestres; a anilha eletrônica RFID, com leitura digital e alta capacidade de armazenamento de dados; e nanomicrochip, um microchip ainda menor que o convencional para garantir maior conforto na aplicação dos animais maiores e proporcionar a utilizações em pequenos animais como pássaros, anfíbios ou repteis. Para este ano, está previsto o lançamento de uma nova tecnologia. Segundo Alexandre, a empresa está desenvolvendo uma anilha eletrônica que não exigirá manuseio dos pássaros para a leitura das informações. “A leitura será através de um smartphone, o qual terá um sistema on-line que funcionará através de aplicativo ou pela internet para verificação de todo histórico do pássaro Através desse sistema, o criador ou pesquisador poderá consultar e cadastrar informações do pássaro, como árvore genealógica, histórico de saúde ou desenvolvimento”, finaliza.


RECEITA

Pernil assado ao molho de hortela

Quando o assunto é reunião de família, sempre tem aquele prato especial, unanimidade na preferência. Para ocasiões como essa, a Mercado Rural traz uma receita especial, que se destaca por seu aroma dotado de frescor e sabor incrível. Veja como preparar o pernil assado ao molho de hortelã, prato que une tradição e requinte.

Ingredientes

• 01 peça de pernil • 01 garrafa de vinho branco • Sal, pimenta do reino e alecrim a gosto

Para o molho: • 3 copos de iogurte natural • 01 cebola picada • Sal, hortelã picada e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

• Deixe o pernil marinando (de molho) com o vinho, o sal, a pimenta do reino e o alecrim por, no mínimo, seis horas. Em seguida, asse o pernil coberto com papel alumínio por 4 horas ou até dourar e reserve. Para o molho, misture todos os ingredientes de forma homogênea (se preferir, bata no liquidificador). O pernil e o molho podem ser apresentados separadamente na mesa e servidos juntos em cada prato. Sugestão de acompanhamentos: arroz branco e farofa de uva passa.

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BEBIDAS

Chimarrão BEBIDAS FEITAS A PARTIR DA ERVA-MATE SÃO CONHECIDAS POR REUNIR AMIGOS E PELA TRADIÇÃO QUE ULTRAPASSA GERAÇÕES

Quando se fala em chimarrão, é impossível não fazer alusão direta aos gaúchos. No Rio Grande do Sul, ele reina absoluto e tem uma simbologia especial. Chimarrão é sinônimo de amigos ou família reunida. Por lá, a “roda de mate” já atravessa gerações e estima-se que 11 milhões de gaúchos se unam na paixão pela bebida. A tradição vem dos índios da América do Sul (quíchuas, aimarás e guaranis) e, para preparar a bebida, utiliza-se água morna e erva-mate moída, seu principal ingrediente. A bebida é alojada em uma cuia e apreciada com o auxílio de uma bomba ou bombilha, em cuja extremidade inferior há uma pequena peneira do tamanho de uma moeda. Quem entende bem de chimarrão alerta: quanto mais fresca for a erva, melhor o sabor da bebida. Além do chimarrão, outra bebida também feita com a erva-mate e bastante consumida no Mato Grosso do Sul é o tereré. A diferença está na temperatura da água (o tereré é preparado com a infusão em água fria) e na textura da erva (a erva de tereré é feita com folhas mais grossas e gravetos e a erva do chimarrão é muito bem triturada, quase em forma de pó).

BENEFÍCIOS Consumida com moderação, a erva-mate pode trazer vários benefícios ao

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e tereré organismo, como combater o envelhecimento (por conter substâncias antioxidantes), controlar a pressão arterial (por ser diurética) e estimular o organismo (devido à presença da mateína, um estimulante com ação semelhante à cafeína). A erva-mate contém vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e magnésio. Pesquisas recentes da Universidade Federal de Santa Catarina associaram seu consumo ao combate do colesterol e à absorção de gorduras. Além disso, um estudo realizado pelo Instituto Pasteur, em Paris, atribui à erva-mate a função de regeneração celular. Por serem estimulantes, o chimarrão ou tereré evitam a depressão, como também a fadiga mental ou física. Especialistas afirmam, ainda, que a erva-mate não proporciona os efeitos colaterais que a cafeína produz, como irritabilidade e insônia.

DICAS Para fazer um bom chimarrão, é importante se atentar à temperatura da água. Ela não pode ultrapassar os 70º, uma vez que acima dessa temperatura, queima a erva e pode, além de prejudicar o sabor da bebida, trazer danos ao organismo. Ao fervê-la, recomenda-se observar o barulho na chaleira. Quando esta começa a chiar, é hora de desligar o fogo e começar o preparo. A erva deve ser colocada na cuia até o seu pescoço. Em seguida, usa-se um aparador, prato ou as mãos para tampar a cuia, incliná-la e abrir um espaço em uma das laterais para despejar a água. A água deve ser despejada vagarosamente e, ao inserir a bomba, deve-se tampar o seu bocal com o dedão. Pronto! O chimarrão pode ser apreciado com uma boa prosa para deixar o seu sabor ainda mais especial!


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TURISMO RURAL

Fazenda Lazer Canto da Siriema Em 1994, nasceu uma ideia que se transformou em sinônimo de tranquilidade e aconchego. Com esses conceitos, foi idealizada a Fazenda de Lazer Canto da Siriema, nome que alude ao som das seriemas, aves que circulam em seus arredores. E não é só o canto delas que torna o lugar um cantinho especial. Rodeado por uma bela paisagem natural, o hotel, localizado em Jaboticatubas/MG, a 50 km de Belo Horizonte, traz a ideia de uma grande fazenda repleta de atrações, lugar perfeito para quem mora em agitadas cidades e quer desfrutar da paz do campo com várias opções de lazer, além da oportunidade de realizar eventos empresariais. No início, o local era uma fazenda e a casa sede foi utilizada pelo proprietário para reunir amigos e famílias em uma boa roda de prosa e, claro, sem faltar o famoso frango caipira no fogão à lenha, prato tipicamente mineiro. O aconchego da fazenda era tão elogiado que surgiu, então, a ideia de compartilhar a sua boa energia com todos, sendo criada a Fazenda Lazer Canto da Siriema. A tradição da culinária servida no local perdurou por muito tempo e se transformou em mais um diferencial que a fazenda tinha. Com o tempo e o sucesso do empreendimento, o hotel cresceu e foi se modificando aos poucos, ganhando novas estruturas. Ao todo, são oito blocos, uma sede e o centro de convenções que, juntos, mantém a essência do Canto da Siriema, com forte apelo ao aconchego, conforto e tranquilidade.

EMPREENDIMENTO REÚNE A RUSTICIDADE E TRANQUILIDADE DO CAMPO PARA ATIVIDADES DE LAZER E EVENTOS EMPRESARIAIS LAZER E GASTRONOMIA Algo que chama a atenção no hotel fazenda, além de sua paisagem natural e do cuidado em manter os jardins e áreas verdes bem preservados, são as várias opções de lazer oferecidas. Lá é possível desfrutar de um parque aquático com piscinas climatizadas, andar de pedalinhos e pescar na represa, praticar esportes nos campos e quadras e curtir o salão de jogos. Para quem quer sentir ainda mais de perto a energia da fazenda, o Canto da Siriema oferece curral com leite ao pé da vaca, onde todo mundo pode viver um dia de fazendeiro. O hotel conta também com trilhas ecológicas e playground para crianças, sem falar de sua gastronomia que enche os olhos: café da manhã tipicamente mineiro, com um café quentinho regado a queijos, geleias caseiras, biscoitos e pães de queijo, além de almoço e jantar com comida mineira e saladas. Tudo isso servido em um restaurante cercado de uma exuberante paisagem natural.

O Canto da Siriema oferece pacotes e promoções exclusivas. Informações completas podem ser acessadas no endereço: www.cantodasiriema.com.br 64

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NEGÓCIOS A tranquilidade oferecida no Canto da Siriema também pode ser aproveitada para a realização de eventos empresariais e, para isso, o local conta com um estrutura completa, com um centro de convenções equipado com dezesseis salões com ar condicionado, áudio e vídeo, internet banda larga wi-fi e gerador próprio de energia elétrica. É oferecido, ainda, um centro de apoio com funcionários à disposição, além de salão equipado com computador, impressora e xerox. Outro destaque do hotel é o serviço Adventure, oferecido para empresas. São realizadas atividades guiadas por profissionais especializados que estimulam os participantes no trabalho em equipe, superação de limites, compartilhamento de lideranças, planejamento e estratégias, tomadas de decisão, dentre outras competências. O serviço oferece, ainda, circuito aéreo, tirolesa sobre o lago, trilha com obstáculos, trekking orientado, quadras para atividades ao ar livre, lago para construção de balsa e outras atividades aquáticas.


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AUTOMÓVEIS

Fiat Toro

Em 2016, chega ao Brasil a nova picape da Fiat. O nome e o design já foram revelados: a Fiat Toro segue a nova proposta do segmento de picapes, a médio-compacta, maior que as compactas, como a Fiat Strada. Segundo a montadora, o modelo terá quase cinco metros de comprimento e capacidade para levar até uma tonelada. A Toro contará também com espaço para levar cinco pessoas (no modelo cabine dupla) e a montadora promete “conforto de automóvel de luxo” para a picape. Ainda segundo a Fiat, a Toro apresentará acabamento e mecânica semelhantes aos do Renegade. A picape usará as mesmas formas de painéis e revestimentos do SUV, com um detalhe: serão trocadas todas as menções ao universo Jeep por emblemas da Fiat e logos estilizados com o nome da picape, onde a letra T deverá evocar a figura de um touro. No caso do modelo cabine dupla, a acomodação nos bancos deverá seguir o padrão de carros de passeio, que oferecem maior conforto. Haverá uma opção mais básica, voltada ao trabalho, com motor 1.8 flex (Etorq, 132

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cv) e câmbio manual (fala-se apenas no seis marchas). Todas as demais intermediárias usarão o seis marchas automático, enquanto as opções mais sofisticadas estarão equipadas com o 2.0 turbodiesel (Multijet 2, 170 cv), câmbio automático ZF de nove marchas e tração integral 4x4 selecionável.

FORÇA E VISUAL ATRATIVO Todas as opções da Toro irão contar com suspensão independente nas quatro rodas e os freios traseiros serão a tambor. De acordo com a montadora, a estabilidade e a tração, bem como o auxílio em

MODELO DESENVOLVIDO COM BASE NO JEEP RENEGADE CHEGA EM 2016 REFORÇANDO A NOVA TENDÊNCIA DAS PICAPES rampas, estarão garantidos. Outro destaque da picape é o seu visual, bastante atrativo, com frente em três níveis com luzes de posição, iluminação diurna no topo do conjunto e filetes de LEDs nas versões topo de gama. Nas demais, o formato permanecerá, mas com lâmpadas halógenas e materiais reflexivos para criar o mesmo efeito. Na traseira, lanternas usarão LEDs. A tampa da caçamba é bipartida e se abrirá como portas de armário, com duas folhas independentes de acionamento elétrico fracionado. A ideia é fugir das tampas tradicionais, facilitando a colocação de carga.

PREÇOS Com versões a gasolina e diesel, a estimativa é que os preços da Toro variem de R$ 70 a R$ 115 mil.


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SEÇÃO PET

Gatos sem pelos

Alliva Suryanamaskar - Raça: Elf

CONHEÇA TRÊS RAÇAS DE “GATOS PELADOS” CONHECIDAS PELA EXTREMA DOCILIDADE, INTELIGÊNCIA E PERFIL BRINCALHÃO Muitos dizem que os gatos são os pets do futuro. Tranquilos, amigos e fiéis aos donos, esses animais têm conquistado espaço em muitas casas. E para quem não gosta de pelos espalhados por todo canto, existem as espécies “peladas”, que se destacam por mais uma característica: são extremamente amorosos. Quem confirma isso é a criadora Ana Luiza de Rezende Martins, apaixonada pelas espécies sem pelos, das raças Sphynx, Bambino e Elf. Os gatos das três raças são de porte pequeno: as fêmeas não costumam ultrapassar 3,5kg e os machos chegam a 6 kg, se não forem castrados. Apesar da estatura menor, esses animais são musculosos, fortes e bastante ativos. De acordo com Ana Luiza, possuem ótimo temperamento e podem chegar aos 18 anos de idade com qualidade de vida. Apesar de serem considerados

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“gatos pelados”, não são completamente sem pelos: eles possuem uma camada de pelo muito fina, que se parece com uma camurça curta, quase imperceptível a olho nu.

PECULIARIDADES Os gatos da raça Sphynx são bastante afetuosos com o dono e também brincalhões, além de serem considerados muito inteligentes e, por isso, de fácil adestramento. A raça também é chamada de “esfinge” e, por incrível que pareça, não é fruto de uma miscigenação. Ela surgiu a partir de um gene recessivo que produz o que os especialistas chamam de “alopecia hereditária”, o que confere a característica da ausência de pelos. A criadora Ana Luiza considera os Sphynxs como adolescentes. “São felinos adoráveis, divertidos, com es-

pírito aventureiro e grudentos”, destaca. Eles requerem atenção e muitos mimos, recebendo o dono de maneira alegre e sempre pedindo um carinho. Os gatos Bambinos são de porte bem pequeno, permanecendo no tamanho de filhotes de, no máximo, cinco meses. O nome da raça, que em italiano significa “criança” ou “menino”, não foi por acaso. Esses animais permanecem brincalhões a vida toda. “Os Bambinos são como os bebês, exigem a sua atenção e passam o dia todo andando atrás da gente”, diz Ana Luiza. A raça surgiu a partir de gatos pelados de pernas curtas, nascidos ocasionalmente. Eram frutos de acasalamentos entre dois pioneiros da gatofilia: Sphynx, primeira raça de gato sem pelos aceita pela grande criação organizada, e Munchkin, primeiro felino de pernas curtas reconhecido pelo segmento.


Já os Elfs possuem as orelhas viradas para trás, como se fossem “elfos” ou “fadas”. Eles são fruto do cruzamento da raça Sphynx com a American Curl (que possui orelhas curvadas). Esses gatos são considerados inteligentes e amáveis, dando-se bem com outros animais. “Os Elfs são como os jovens universitários, mais tranquilos, doces, ternos e também grudentos, mas, se por algum motivo você precisa se ocupar, eles respeitam o seu espaço e desgrudam de você”, brinca Ana Luiza.

REPRODUÇÃO A reprodução desses gatos se dá de maneira natural. Na criação de Ana Luiza, as fêmeas cruzam uma vez por ano e, após 30 dias, é confirmada a gravidez com o exame de ultrassonografia feito por um veterinário especializado. O nascimento ocorre, normalmente, depois de 65 dias de gestação.

MANEJO Por se tratar de felinos dóceis, o manejo desses gatos é simples. “Os cuidados merecem um pouco mais de atenção, pois, por não possuírem pelos, precisam de protetor solar e não podem pegar muito sol. Os banhos são quinzenais, as unhas devem estar sempre aparadas para não se arranharem Fotos cedidas por Gatil Suryanamaskar

Britney Suryanamaskar - Raça: Sphynx e as orelhas limpas com frequência por causa da oleosidade”, explica Ana Luiza. Ela completa afirmando que são raças tranquilas de lidar, mas exigem atenção. A criadora defende também que quem deseja criar uma das três raças precisa ter tempo para se dedicar aos animais, visto que eles requerem carinho e atenção do dono. “Costumo dizer que o criador deve ter um coração forte. Como são seres vivos, os gatos possuem momentos de dor e tristeza e não conseguem manifestá-las, como, por exemplo, quando estão doentes. Por isso, o dono precisa ter tempo para se dedicar a eles, oferecendo-lhes qualidade de vida”, salienta. Outra recomendação é contar com o suporte de um

Suspiro Suryanamaskar - Raça: Bambino

veterinário especializado. “Os donos precisam buscar o apoio de um especialista em felinos que oriente sobre os cuidados para garantir a sua saúde do animal, envolvendo não apenas a higiene e a qualidade do ambiente em que vive, como também uma boa alimentação”, ressalta Ana Luiza.

CUIDADOS ESPECIAIS Além dos cuidados citados, é importante evitar mudanças de temperatura: a exposição do gato ao sol por períodos muito longos pode causar queimaduras em seu corpo, a umidade pode provocar a proliferação de fungos em sua pele, e o frio excessivo deve ser evitado. Para os banhos, recomenda-se o uso de shampoos especiais para gatos sem pelos. Na alimentação, sugere-se uma dieta rica em calorias e proteínas, nutrientes que ajudam na manutenção da temperatura corporal. Existem rações preparadas especialmente para gatos dessa raça. Por fim, para oferecer um conforto maior a esses felinos, sugere-se uma caminha forrada com mantos macios, para que eles não raspem a pele na cama, causando feridas e alergias.

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Siberian Soul Sophia

SEÇÃO PET

Siberiano e Neva Masquerade

GATOS DE APARÊNCIA SELVAGEM SÃO CONHECIDOS POR SUA DOCILIDADE E GRANDE SOCIABILIDADE

As raças de gatos Siberiano e Neva Masquerade, originárias da Rússia, estão entre as mais admiradas no universo de pets felinos. Isso porque, além de sua inteligência e natureza animada e forte, são animais que adoram aventuras e brincadeiras, ou seja, são vistos como ótimas companhias para quem quer um animal de estimação para interagir e divertir-se. De acordo com a proprietária do gatil Winter Soul, localizado em Santo André-SP, Rubia Guedes, a diferença entre as duas raças está essencialmente no padrão de cor. “O Neva Masquerade é o Siberiano que possui o que chamamos de padrão de cor ponteado ou ‘colorpoint’, que se diferencia das outras cores por apresentar um tom mais escuro da cor nas extremidades do corpo (rosto, orelhas, paBibinka Sweet Darling

tas e cauda) e mais claro no restante. Esse padrão de cor normalmente é conhecido como sendo a cor do gato Siamês”, explica. A empresária, especializada na criação das duas raças, acrescenta que o Neva Masquerade também deve possuir, obrigatoriamente, olhos azuis. O Siberiano e o Neva Masquerade são gatos de grande porte, musculosos e com pelagem semi longa. Eles apresentam uma aparência mais selvagem. São bastante fortes, ágeis e elegantes em seus movimentos. “Como durante a sua evolução, a natureza os preparou para viver em regiões de clima frio e floresta, eles são ótimos escaladores e gostam de ver o mundo ‘por cima’”, destaca Rubia. Além disso, possuem pelagem impermeável e uma camada de subpelos espessos que funciona como isolante térmico.

SOCIABILIDADE E DOCILIDADE Segundo Rubia, o Siberiano e o Neva Masquerade criam um vínculo muito forte com os seus donos e comportam-se de forma semelhante a um cão. “Eles adoram espaços abertos e de liberdade, mas ao mesmo tempo, adaptam-se facilmente à vida em um apartamento, por exemplo”, diz. Além dessas qualidades, a criadora destaca que as duas raças são hipoalergênicas, ou seja, produzem menor reação às pessoas alérgicas a gatos. Sua longevidade costuma ser de 15 anos, em média.

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Fotos: Osvaldo Mota

CUIDADOS Quanto aos cuidados que esses felinos requerem, além da atenção básica que todo

animal de estimação precisa, como alimentação e água de qualidade, visitas regulares ao veterinário e manutenção da vacinação e vermifugação, Rubia ressalta que é necessário cuidar da pelagem, com escovações que podem ser semanais. O Siberiano e Neva Masquerade trocam de pelos duas vezes por ano. No caso de gatis maiores, é importante também zelar pela saúde e bem estar das matrizes, especialmente das fêmeas, acompanhando-as desde o início da gestação até o nascimento dos filhotes e durante todo o período de lactação. Também é importante manter sempre o local limpo e higienizado. A criadora recomenda, ainda, estimular a inteligência e a curiosidade desses felinos com brincadeiras, proporcionar um ambiente com opções de lugares para escalar e, principalmente, “fornecer muito amor e carinho em retribuição ao companheirismo deles”.

MERCADO A proprietária do Gatil Winter Soul destaca que, atualmente, o mercado de gatos anda bastante aquecido. “Nos últimos anos, a escolha do gato como animal de estimação vem aumentando, em parte pela popularização das moradias verticais, habitações menores e novos estilos de vida”, defende. Ela acrescenta que nesses casos, os gatos acabam tendo uma resposta mais positiva do que os cães, por não necessitarem de passeios externos, não atrapalhar os vizinhos com relação ao barulho e pela facilidade de higienizar o local de suas necessidades básicas.


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SEÇÃO EXÓTICA

Aranhas caranguejeiras À primeira vista, elas podem causar certa aversão pela sua aparência ou mesmo pela falsa crença de são perigosas. Mas a verdade é que as aranhas caranguejeiras, conhecidas como as maiores aranhas do mundo, são animais dóceis e calmos. Elas são praticamente inofensivas ao homem, produzindo uma toxina que só causa maio-

res problemas em pessoas alérgicas. Pelo seu visual exótico, atraem admiradores de todo o mundo e são criadas em cativeiro, em especial, nos Estados Unidos e Europa. Também conhecidas como tarântulas, as aranhas caranguejeiras possuem mais de 900 espécies e, em média, têm um porte de 20 centímetros, podendo chegar a 30 centímetros de comprimento. Elas possuem oito patas e o corpo dividido em duas partes, o cefalotórax e o abdômen. Os machos apresentam o corpo menor e pernas mais longas. À medida que vai crescendo, esse aracnídeo precisa trocar o seu esqueleto, localizado na parte externa de seu corpo. Ele abandona o antigo exoesqueleto e desenvolve um novo posteriormente.

HÁBITOS E REPRODUÇÃO As aranhas caranguejeiras possuem hábitos noturnos e vivem de forma solitária. Na natureza, constroem suas tocas per-

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to de raízes de árvores e de pedras. Cavam um buraco no chão e revestem com suas teias. Em cativeiro, vivem em terrários amplos, que devem conter um substrato de terra misturada a vermiculita e pó ou fibra de coco. No caso das espécies arborícolas, ou seja, que vivem sobre árvores, é recomendado inserir galhos no terrário para que elas possam se locomover e formar suas teias. Também devem ser colocados uma telha de barro, pedaços de vidro quebrado ou pedaços de madeira para que sejam usados como a toca da aranha. A reprodução das aranhas caranguejeiras se dá por acasalamento. Os machos introduzem o esperma na fêmea e elas chegam a produzir de 50 a 200 ovos. Ao nascerem, os filhotes abandonam a toca e passam a viver de maneira independente. Vale destacar que os machos morrem após o acasalamento, geralmente com idade entre 5 e 7 anos. As fêmeas, por sua vez, podem viver de 25 a 30 anos.


ALIMENTAÇÃO E MANEJO EM CATIVEIRO As aranhas caranguejeiras alimentam-se basicamente de insetos e pequenos animais ou neonatos (filhotes de ratos). Elas podem ficar vários dias sem comer, alimentando-se, geralmente, a cada cinco dias. Para os casos de criação em cativeiro, deve-se ter um biotério para criar insetos como grilos ou baratas, de modo a oferecer o alimento para a aranha. O manejo das aranhas caranguejeiras em cativeiro é bastante fácil. Esses animais não gostam de serem manuseados, por isso, são indicados para

os criadores interessados em apreciar o animal sem tocar muito nele e, caso seja manuseado, recomenda-se o mínimo movimento com as mãos para que esses aracnídeos não se assustem. Embora não sejam venenosos, a substância urticante que liberam através dos pelos pode causar ardência e coceira. A picada dessas aranhas também é tida como dolorosa. Outra recomendação para quem tem uma aranha caranguejeira de estimação é

evitar mexer no terrário, pois o aracnídeo tece suas teias dentro da estrutura para, entre outros motivos, mapear a área e o que tem nela. Assim, ao romper com as teias, é como se a aranha ficasse cega, o que causa stress no animal e pode reduzir seu tempo de vida. As aranhas são comercializadas com idade entre três e cinco anos. No Brasil, é proibida a captura, criação e comercialização desses animais. Os interessados em criar uma tarântula devem comprar um exemplar importado e que já esteja bem adaptado. As fêmeas são mais indicadas para a criação, pois tem maior longevidade.

REVISTA MERCADO RURAL

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EVENTO / CONFRATERNIZAÇÃO

Rações Futura brinda mais um ano de conquistas No dia 4 de dezembro de 2015, o diretor presidente da Rações Futura, Isnei Faria, realizou a sua tradicional confraternização de final de ano, em Martinho Campos-MG. A festa contou com a presença de vários criadores, funcionários e pessoas ligadas ao agronegócio. Durante o evento, foram prestadas homenagens aos criadores de destaque do ano.

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Walmer Silva, Antonio Matoso, João Capanema, Guilherme Capanema, Elísio Capanema e Circeia Vasconcelos

Daniel Lobo, Pulino Gontijo, Gustavo Gontijo e Fernando Andrade

Adriano Torres, João Lisboa, Lucas Moreira e Viviane Moreira

Marco Paulo, Luciano Ferraz, Márcio Ferraz e José Luiz

Sandra Marli, Dalton Arilton, Isnei Faria e Wilson Carlos

Salvio Fonseca, Cláudia Fonseca, Nelma Araujo, João Martinho, Karine Cardoso e Ulane Teixeira

Fábio Campos, Lara Brandão, José Flávio e Rafael Drumond

Cléber Borges, Débora Borges, Júnia Martins e Rock Falcão

Angelina Medeiros, Fernando César e Paulo César

DEZEMBRO 2015


Fotos: Marcelo Lamounier

Eliane Costa e José Monteiro

Sérgio Melo, Milene Silva, Isnei Fária, Hélcio Miranda e Aline Souza

Walkiria Bertelli, Cristiane Lopes, Rogério Vidal, Wilton Teixeira e Sérgio Miranda

Rejane Medeiros, Juliana Cançado e Cristiane Paula

Naiza Nerliana, Marcos Jeovane, Priscila Karen, Ana Clara e Renata Batista

Higor Assumpção, Walkiria Fernandes, Paulo Fernandes e Yon Araujo

Lucas Macedo, Eduardo Carneiro, Rejane Medeiros, Diego Morais e Cristiane Paula

Elessandra Santos, Hernani Faria e Isnei Faria

Elizabete Macedo, Libério Costa e Maria Soares

Geraldo Otacílio, Karlla Menezes, Janice Vasconcelos, Ricardo Alves e Elessandra Santos

Paulo César, Pedro Henrique e Rogério Vidal

Marcos Feorane, Naiza Nerliana, Olimpio Moura e Juliana Cançado REVISTA MERCADO RURAL

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EVENTO / MANGALARGA MARCHADOR Fotos: Roberto Pinheiro

VII Marchador Fest No dia 07 de novembro de 2015, foi realizada a sétima edição do Marchador Fest, considerado o “Oscar da raça Mangalarga Marchador”. O evento aconteceu no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, e premiou os melhores do Ranking da ACCCMM, bem como as pessoas que se destacaram no último ano equestre. Foram, ainda, prestadas Antônio Sérgio, Domingos Lollobrigida, homenagens em reconhecimento àqueles Oraldo Ricci, Tiziana Ricci e Magdi Shaat que têm contribuído para o crescimento e fortalecimento da raça Mangalarga Marchador no país.

Daniel Borja e Adolfo Géo

José Ferraz, Ethel França, Elder Grossi e Kênia Marques Grossi

Agenor Eduardo, Ana Marquito, Magdi Shaat, e Victor Marquito

Catarina Caliman, Carina Caliman e Marcelo Castro

Carlos Augusto Karam, Mônica Vaz, Antônio Michelini e Maria das Graças

Gládima Engler , Yuri Semansky Engler, Maria Eduarda e Yuri Engler Filho

Sheila Neves, Georgina Penna Costa e Agenor Eduardo Souza

Maurício Zacarias, Yuri Engler, José Luiz, Rina Gazzinelli e Paulo Leite

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DEZEMBRO 2015

Ana Flávia e Breno Patrus

Maria Helena Cazzani e José Luiz


EVENTO/CONFRATERNIZAÇÃO

Cia do Nado faz confraternização de Natal Fotos: Marcelo Lamounier

No dia 07 de dezembro de 2015, o restaurante Boi Vitório recebeu a turma da Cia do Nado para a sua confraternização de Natal. Durante a festa, foi realizado um amigo oculto divertido e animado.

João Neto, Tânia Gempel, Regina Monteiro e Andreia Mattozinhos

Jorge Augusto, Marcus Oliveira, Janice Oliveira e Elisa Maciel

Ana Carolina, Fernando Nasser, Nadia Mansur, Gabriel Rocha, Flávia Guimarães e Neide Caixeta

Mauricio Santos, Sara Santos, Elisa Maciel e José Geraldo

Marcelo Lamounier, Gabriel Rocha e Fernando Nasser

Em 24 de dezembro de 2015, seguindo o costume anual, Dr. Henrique Salvador e José Henrique receberam amigos e criadores no Haras JHR, em Confins-MG. Durante o encontro, foram apresentados os destaques da tropa. Os convidados foram servidos José Henrique e Henrique Salvador com um delicioso churrasco.

Fabiano Tolentino, Rodrigo Costa, Denis Fagundes e Antônio Helvécio

Fernando Vilela e Oci Nogueira

Fotos: Marcelo Lamounier

Haras JHR reúne amigos e criadores

Denis Fagundes e Jorge Salum

Henrique Salvador, Flávio Hermany, Fabiano Tolentino, Marcelo Lamounier e José Henrique

Fabiano Tolentino, Marcelo Patrus e Henrique Salvador

Adelton Moraes e Adriana Moraes

NOVO ENDEREÇO Av. Afonso Pena,RURAL 4374 77 REVISTA MERCADO Bairro Cruzeiro - Belo Horizonte / MG


GIRO RURAL

Linha AllEquus comemora um ano de existência Um dos grandes sucessos da empresa AllNova Fanton, a Linha AllEquus completou, em novembro de 2015, um ano de existência e com uma repercussão positiva entre os clientes. Segundo a empresa, a linha foi desenvolvida por nutricionistas com base nos mais avançados conceitos em nutrição equina. Ao todo, são 16 produtos para todas as fases de produção. Ainda de acordo com a empresa, produtos especializados como a ração AllEquus Extremus, destinada aos animais em esforço físico intenso, ou a AllEquus Natus, para potros recém-nascidos, são alguns dos que têm ajudado a AllNova Fanton, marca pertencente ao grupo norte-americano H.J. Baker, a conquistar clientes em função de sua eficácia comprovada. Muitos treinadores ficaram impressionados ao avaliar a diferença de performance e resistência apresentadas por seus animais após iniciarem o uso dos produtos da linha. O assistente técnico responsável pela linha, o MSc. Jean Martins, completa afirmando que “toda a linha foi desenhada focando em uma nutrição balanceada, de modo que a tropa venha a apresentar o máximo de seu potencial genético, desde o desenvolvimento de potros até o máximo potencial atlético de equinos nos treinamentos e durante as provas”.

FAEMG tem nova sede O Sistema FAEMG já está funcionando em novo endereço. A sede fica localizada na Avenida do Contorno, 1771, no bairro Floresta, em Belo Horizonte-MG. O novo prédio, com sete andares, distribuídos em 4.991 metros quadrados, foi idealizado levando-se em conta a necessidade do órgão de expandir suas atividades e facilitar o atendimento ao público. Em seus 65 anos de existência, este é o 4º endereço da FAEMG. Os números de telefones de todos os setores e e-mails institucionais permanecerão os mesmos. Funcionarão no prédio as entidades que compõem o Sistema: FAEMG, Senar Minas e INAES.

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DEZEMBRO 2015

Cerveja para cães e ração integral são destaques da Vet Expo Realizada na capital paulista, entre 31 de agosto a 02 de setembro de 2015, a Vet Expo reuniu mais de 120 expositores e confirmou a força do segmento de Pet Food. O evento aconteceu simultaneamente com o 13º Congresso Paulista de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais – CONPAVEPA. Foram várias novidades apresentadas e, entre os destaques, estão a ração integral e a cerveja para cães. De acordo com assessoria do evento, 80% dos expositores de Pet Food lançaram rações integrais, produzidas com grãos e também o frango Korian, que não leva anabolizantes em seu desenvolvimento. Outra atração foi a cerveja para cães, petisco líquido embalado como uma cerveja, que atraiu os olhares de curiosos. Além desses lançamentos, diversos outros produtos foram apresentados na exposição, como os brinquedos funcionais lançados pela Pet Games; o aplicativo de controle da vida do pet, da Pet Book Life; a torneira MagiCat, apresentada pela Catmypet; roupas pós-cirúrgicas para cães e gatos (Pet Med); a linha homeopática “Homeo Pet” (Real H); e o ativo inovador para dermatite atópica (DrogaVet). Segundo a COMAC (Comissão de Animais de Companhia), em 2015, o Brasil deve lucrar R$ 16,6 bilhões com o incremento das indústrias de Pet Food (alimentos), Pet Care (equipamentos, acessórios e produtos para higiene e beleza), e-commerce Pet Vet (produtos veterinários) e Pet Serv (serviços e cuidados com os animais).


Aplicação de vacina contra febre aftosa requer atenção O Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS) tem feito um trabalho intenso de conscientização quanto aos cuidados na aplicação da vacina contra a febre aftosa. Segundo o órgão, é importante zelar pelo manejo do gado e o acondicionamento das doses. O delegado do Simvet/RS, João Junior, explica que apesar de a aplicação da vacina ser uma prática simples, é preciso ter alguns cuidados. Primeiramente, na compra das doses em locais autorizados e no acondicionamento das mesmas em temperaturas adequadas. “É importante manter os frascos em temperatura entre 2º e 8º, pois tanto o calor quanto o frio intenso podem inutilizar a vacina e causar reações aos animais no local de aplicação”, ressalta. A troca de agulhas a cada dez lotes de animais vacinados também ajuda a evitar contaminações. Outro ponto destacado por Junior é a necessidade de evitar o estresse dos animais, o qual pode prejudicar a resposta imunológica da vacina. “É importante a participação de um médico veterinário para aconselhar sobre a maneira correta de manejo, forma de aplicação e o fluxo do gado dentro da mangueira”, explica. Sobre o local de aplicação, o delegado do Simvet/RS afirma que ela pode ser feita de forma subcutânea ou intramuscular. “O local mais adequado é a tábua do pescoço até por ser mais prático e ser uma carne de menor valor para que, caso haja alguma reação, não se tenha prejuízos. A única via que não pode ser administrada é a endovenosa”, alerta.

Novo presidente da ABQM toma posse em São Paulo

Fábio Pinto da Costa é o novo presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). O empresário, que cria e importa animais da raça há mais de 30 anos, encabeçou uma chapa única para o período de 2015 a 2019. A votação ocorreu no dia 27 de outubro de 2015, durante Assembleia Geral em São Paulo. Gestão será pautada na busca de uma associação mais moderna e que atenda com eficácia as necessidades dos quartistas.

Marco Livrão

NCCCGBH tem nova presidente

O Núcleo dos Criadores do Cavalo Campolina da Grande BH tem nova diretoria. Roberto Salum, Vice Presidente de Eventos, e Adriana Moraes, Presidente, assumiram os cargos com mandato de 2 anos, para o período de 2015 a 2017.

DrogaVET tem novo endereço A DrogaVET Belo Horizonte iniciou o ano de 2016 com uma novidade: está em novo endereço, com uma estrutura preparada para o crescimento do negócio. O novo espaço, localizado na Avenida do Contorno, nº 7449, no bairro Santo Antônio, conta com laboratórios e equipamentos de última geração e atendimento setorizado. Além disso, a loja oferece estacionamento próprio e uma equipe qualificada para atender os parceiros.

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GIRO RURAL

Fabiano Lopes Ferreira é homenageado pela Câmara de BH

No dia 18 de dezembro de 2015, Fabiano Lopes Ferreira, presidente da Multimarcas Consórcios, recebeu o título de “Cidadão Honorário” de Belo Horizonte. A homenagem foi concedida pela Câmara Municipal da capital mineira, sendo aprovada por unanimidade, em resposta à proposição do vereador Ronaldo Gontijo. A mesa da solenidade teve a presidência do vereador Heleno de Abreu Oliveira, e foi composta pelo vereador Omar Fonseca Siqueira, presidente da Câmara Municipal de Itapecerica-MG, cidade natal do homenageado, pelo desembargador Irmar Ferreira Campos e pelo vereador Ronaldo Gontijo. Também estiveram presentes na mesa Vitor Bonvino, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) e Paulo Rossi, presidente executivo da mesma entidade de classe.

Raça Ponei em confraternização de fim de ano e 2º Leilão Virtual Haras Dois Irmãos

Paulo Miranda, Fabrício Borges, André Aparecido e Mendelson Vasconcelos A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Ponei reuniu, em 20 de dezembro de 2015, criadores e amigos na casa do Criador, na Gameleira, em Belo Horizonte, em sua festa de final de ano. Durante o encontro, ocorreu o 2º Leilão Virtual Haras Dois Irmãos que, mais uma vez, foi um sucesso de vendas.

AGENDA RURAL

JANEIRO

16/01/16

FEVEREIRO

Festa do Figo 2016

Valinhos

SP

20/01/16 a 22/01/16

Showtec 2016

Maracaju

MS

26/01/16 a 29/01/16

Belasafra 2016

Cambé

PR

27/01/16

Coopershow 2016

Cândido Mota

SP

27/01/16

Itaipu Rural Show 2016

Pinhalzinho

SC

27/01/16

XXXII Feovelha – Feira e Festa Estadual da Ovelha 2016

Pinheiro Machado

RS

28/01/16 a 31/01/16

8º Exposição Inéditos em Pista do Cavalo Mangalarga Marchador

Betim

MG

01/02/16 a 05/02/16

Show Rural Coopavel 2016

Cascavel

PR

17/02/16 a 19/02/16

Tecnoeste – Show Tecnológico Rural do Oeste Catarinense

Concórdia

SC

17/01/16 a 21/02/16

V Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador

Avaré

SP

08/03/16

Fenicafé – Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura 2016

Araguari

MG

Dinapec 2016 – Dinâmica Agropecuária

Campo Grande

MS

MARÇO

09/03/16 a 11/03/16

Feipesca – Feira Internacional de Pesca Esportiva 2016

São Paulo

SP

16/03/16 a 17/03/16

10/03/16

Tecnoagro 2016

Chapadão do Sul

MS

21/03/16 a 23/03/2016

Expoagro Afubra 2016

Rio Pardo

RS

Showsafra 2016

Lucas do Rio Verde

MT

56ª Exposição Estadual de Minas Gerais do Cavalo Mangalarga Marchador

Uberlândia

MG

29/03/16 28/03/16 a 03/04/16

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DEZEMBRO 2015


Revista Mercado Rural  

Edição de Dezembro de 2015

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