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DEZEMBRO - 2013 • Nº 9

Entrevista

Governador Antônio Anastasia

Retrospectiva 2 anos da revista Mercado Rural

Raça Piquira

Como fazer Carneiro hidráulico


REVISTA MERCADO RURAL

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ENTREVISTA

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REVISTA MERCADO RURAL

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D E Z E M B R O - 2013 E D I TO R I A L A revista Mercado Rural está completando dois anos, chegando em sua nona edição. Na acirrada competitividade do mercado de veículos de comunicação, crescer nesse segmento é hoje um fato bastante comemorado pela equipe da revista, que tem se empenhado cada vez mais em fazer um veículo de qualidade, com conteúdo diversificado e reportagens atrativas. O diferencial da revista Mercado Rural é sem dúvidas a variedade de assuntos abordados em seu conteúdo editorial, envolvendo o agronegócio de forma leve, porém tratando com seriedade assuntos de grande interesse de nossos leitores. Tudo isso aliado a um projeto editorial atrativo e uma revista bonita. Nessa edição, trouxemos uma retrospectiva com os principais assuntos abordados nas oito edições anteriores, relembrando as reportagens nesses dois anos de muito trabalho. A revista cresce a cada edição, tanto em número de anunciantes quanto na relevância desses em âmbito nacional. Hoje, temos orgulho de dizer que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Mercedes Benz, e muitos outros, acreditam na revista Mercado Rural, em sua importância e relevância nacional, no retorno e visibilidade que ela dá aos nossos anunciantes. Para fechar o ano, trouxemos uma análise econômica sobre o ano de 2013 e as perspectivas para 2014 na economia brasileira. Nosso entrevistado, o Governador do Estado de Minas Gerais, Antônio Anastasia, fez um balanço de sua gestão á frente do Governo e seus planos para o próximo ano eleitoral. Na seção de criações exóticas os primatas ganharam destaque, assim como as chinchilas foram escolhidas para ilustrar a seção pet. Na seção como fazer, ensinamos como construir um carneiro hidráulico. Os seguros rurais ganham destaque na reportagem que explica um pouco sobre as diferentes coberturas existentes nesse ramo. Mantendo a diversidade de assuntos, nossos leitores irão aprender um pouco mais sobre plantação de pimentas, flores comestíveis, criação de codornas e perus -em alta nas épocas natalinas, o barbatimão usado como cicratizante, o leite orgânico, dentre muitos outros assuntos de grande relevância. Desejamos um feliz natal e um próspero ano novo! Amanda Ribeiro e Marcelo Lamounier

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“Agradeço a gentileza do envio da revista Mercado Rural, que registra a Equitana, na Alemanha, e destaca também notícias do Leilão da Fazenda Baluarte e a terceira edição do Prato Rural, evento de expressiva expressão da gastronomia rural de Divinópolis.” Deputado Diniz Pinheiro, Presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Redação Unique Comunicação e Eventos Av. Barão Homem de Melo - 4.500/324 Estoril, BH/MG - Tel.: (31) 3653-0633 unique@uniquecomunicacao.com.br Editora e jornalista responsável Amanda Ribeiro - MT10662/MG amanda@uniquecomunicacao.com.br Diretor Comercial Marcelo Lamounier comercialmercadorural@gmail.com Tels.: (31) 3063-0208 / 9198-4522 Colaboração CCAS, Alfapress Comunicação, Embrapa, FAENG, Alta. Direção de Arte Stella Prada Ramenzoni stellapr@gmail.com Assinaturas Unique Comunicação e Eventos Periodicidade Trimestral Tiragem 5.000 exemplares Impressão Gráfica Del Rey

A Revista não se responsabiliza por conceitos ou informações contidas em artigos assinados por terceiros.

“Com meus cordiais cumprimentos, agradeço a gentil remessa do exemplar da revista Mercado Rural.” Antônio Anastasia, Governador

“Cumprimento á equipe responsável pela revista Mercado Rural, pela qualidade das reportagens e pelo diversificado conteúdo apresentado.”

do Estado de Minas Gerais.

Maria Coeli Simões Pires, Secretária de Estado.

“Recebi a revista Mercado Rural e agradeço a gentileza”. Renata Vilhena, Secretária de Estado.


6 ENTREVISTA

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Antônio Anastasia, GOVERNADOR DE MINAS GERAIS

10 PERSONAGEM

Beatriz de Almeida Moraes

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FLORES COMESTÍVEIS

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RAÇA SIMLANDÊS

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promete revolucionar pecuária leiteira COMO FAZER

Carneiro Hidráulico

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GRUPO PGV comemora resultados de 2013

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FABIANO TOLENTINO

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SEGUROS RURAIS

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TILAPICULTURA NO BRASIL:

BARBATIMÃO,

um excelente cicatrizante

44 Chegou a hora de assar o PERU DE NATAL

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PRODUÇÃO DE GRÃOS

avança 50% em oito anos

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CRIAÇÃO DE CODORNAS

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VESPAS MANDARINAS

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CARREIRAS

GESTÃO MÓVEL NO CAMPO:

56 O futuro DO BRASIL 60

CAVIAR, preciosidade

30 a raça PIQUIRA

ECONOMIA

PRESUNTO IBÉRICO o melhor

presunto do mundo

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OVINOS expostos ao sol podem ter fisiologia alterada CRISE DO CAFÉ puxa indicadores do agronegócio para baixo

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CULTIVO DE PIMENTAS

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ESTABELECER ESTAÇÃO DE MONTA colabora na reprodução

64 Produção orgânica de LEITE

em rebanhos de corte

38 Retrospectiva 2 anos de revista MERCADO RURAL

75 EVENTOS GRUPO PGV

CRIADORES DO CAVALO MANGALARGA MARCHADOR

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cada vez mais rara

Ceviche de Linguado com flores

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE CAVALOS PONÊS

uma cadeia de produção consolidada 24 horas

74 RECEITA

PREMIAÇÃO ARAUJO FONTES

79 GIRO RURAL 80 AGENDA

66 AUTOMÓVEIS

RANGE ROVER SPORT

68 TURISMO Turismo Rural

70 MERCADO PET Chinchilas

72 CRIAÇÕES EXÓTICAS Criação de primatas em cativeiro

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ENTREVISTA

Antônio Anastasia,

GOVERNADOR DE MINAS GERAIS

Omar Freire

A revista Mercado Rural conversou com o Governador do Estado de Minas Gerais, Antônio Anastasia, que falou sobre o agronegócio mineiro, eleições 2014, seus planos políticos e outros assuntos de grande interesse dos leitores. MR - O agronegócio mineiro tem atingido altas cada vez maiores, refletindo o bom momento do setor. Como o Governo do Estado tem atuado nesse segmento? Antônio Anastasia - O agronegócio mineiro é bastante diversificado. A variedade de clima, topografia e a extensão territorial permitem que Minas Gerais desenvolva atividades distintas dentro deste ramo de atuação, desde aquelas voltadas para a agricultura empresarial até a agricultura familiar. O sistema da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais é formado por instituições que atuam em várias frentes. A Emater, por exemplo, está presente em quase todos os municípios do Estado e é responsável pela assistência técnica gratuita aos agri-

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cultores familiares. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) atua na defesa sanitária animal e vegetal. O desenvolvimento de pesquisas fica por conta da Epamig e, finalmente, a Ruralminas trabalha com o investimento em infraestrutura, principalmente no semiárido. Conseguimos aumentar consideravelmente nossa produção de grãos – que atingiu o recorde de 12 milhões de toneladas em 2013 – e obter uma maior participação no PIB do agronegócio nacional, que hoje está em torno de 14%. Para se ter uma ideia desta evolução, em 2003 a participação de Minas Gerais no PIB do agronegócio do país era de 9,5%. Neste segmento, em especial, a cafeicultura e a pecuária leiteira representam um papel fundamental, e por isso, também recebem ações de estímulo como o Certifica Minas Café, o principal programa de certificação de propriedades cafeeiras do país, e o Minas Leite, que ajuda a melhorar o gerenciamento de pequenos e médios produtores orientando-os quanto ao uso de tecnologias simples e de baixo custo.


MR - Quais os novos projetos do Governo relacionados ao agronegócio mineiro? Antônio Anastasia - Iniciamos recentemente o programa Cultivar, Nutrir e Educar, envolvendo, além da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as secretarias da Saúde e Educação. O objetivo é viabilizar a comercialização de produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar. O programa está sendo desenvolvido, num primeiro momento, em 130 municípios, promovendo a qualificação de 1.235 agricultores familiares em organização e mercado e habilitação sanitária. Também demos início ao projeto Irriga Minas, integrante do Programa Estruturador Sustentabilidade e Infraestrutura no Campo, que busca a criação de condições favoráveis para que a agricultura irrigada amplie sua participação na produção agropecuária estadual. Outra recente ação foi a criação do Fundo Estadual de Café (Fecafé), que irá contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva do café em Minas. O fundo irá disponibilizar cerca de R$ 100 milhões até 2014 para modernização da produção do café, aumentando a competitividade e a qualidade do produto no estado. MR - Comente sobre possíveis iniciati-

vas de estímulo à educação a distância na agricultura. Antônio Anastasia - O avanço das tecnologias de comunicação representa uma grande possibilidade de compartilhamento do conhecimento e da informação para os agricultores familiares, sendo que a agricultura empresarial já se utiliza dessas tecnologias para conduzir seus empreendimentos. A possibilidade de avançarmos na ampliação do acesso ao conhecimento no meio rural, via educação a distância, é real, especialmente se levarmos em conta as vantagens desse sistema diante das grandes dimensões territoriais do nosso estado. No entanto, ainda é necessário que a Agência Nacional de Telecomunicações negocie com as operadoras de telefonia a expansão da internet em zonas rurais. A Secretaria de Agricultura de Minas Gerais está avaliando a viabilidade da utilização deste instrumento e em breve deverá anunciar ações neste sentido. MR - Minas saiu na frente ao assinar convênio com o Governo Federal para ações de defesa sanitária. Comente. Antônio Anastasia - Os trabalhos do Ministério da Agricultura são executados, no estado, pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O convênio assinado recen-

temente tem o objetivo de apoiar a reestruturação e implementação do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade (Suasa) e fortalecer as ações de defesa agropecuária, abrangendo as áreas de defesa sanitária animal, defesa sanitária vegetal e inspeção de produtos de origem animal. Serão repassados R$ 8,9 milhões do Governo Federal ao IMA, com uma contrapartida de 10% deste valor vinda do Estado. Minas foi o primeiro estado a entregar a documentação com todo o planejamento exigido e, por isso, garantimos acesso rapidamente ao benefício. Estas áreas de defesa são essenciais, pois garantem a sanidade e a qualidade dos produtos animais e vegetais e seus derivados em todo o Estado. Os recursos serão investidos em novos equipamentos, capacitação, aquisição de materiais utilizados nos sistemas de inspeção, campanhas de vacinação, vazios sanitários e controle de doenças como a aftosa e brucelose. Este tipo de convênio é fundamental para assegurar a estrutura necessária para o desempenho das atividades do IMA. MR - A que o senhor atribui o bom desempenho do Estado nos indicadores da saúde. Antônio Anastasia - Minas Gerais continua apostando em um processo de interiorização dos serviços públicos de saúde, buscando levá-los para cada vez mais perto dos cidadãos. Nosso estado é muito grande, são 853 municípios e uma extensão territorial que se apresenta como um dos grandes desafios. Para avançar neste sentido, desenvolvemos uma série de programas de descentralização. Entre estes programas estão o Farmácia de Minas, que leva medicamentos gratuitos a municípios de todas as regiões, e REVISTA MERCADO RURAL

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ENTREVISTA

MR - Quais suas expectativas para as eleições 2014? Antônio Anastasia - São muito positivas. Felizmente, temos realizado um trabalho sério em Minas Gerais que tem o reconhecimento de grande parte da população. Ao mesmo tempo, temos um grupo político forte, unido e coeso, imbuído do mesmo objetivo de fazer um Estado cada vez melhor, com mais empregos de qualidade e mais qualidade de vida para a população.

UNIQUE

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MR - Quais seus projetos políticos com o fim de seu mandato no Governo de Minas? Antônio Anastasia - Eu tenho dito sempre que o meu projeto é continuar desenvolvendo o trabalho com o qual nos comprometemos em Minas Gerais. Minha intenção pessoal é terminar o mandato e permanecer no Governo até 31 de dezembro de 2014. Meu nome, no entanto, é sempre cogitado para o Senado, o que é natural para um governador que já foi reeleito, como é o meu caso. Faço parte de um grupo político, como eu disse, e na hora certa as decisões serão tomadas. Vamos aguardar um pouco mais até uma decisão.

Gil Leonardi

o ProHosp, que apoia a reforma, ampliação e equipamento de unidades hospitalares. Outro programa de destaque é o Mães de Minas, que faz um acompanhamento personalizado de gestantes em todo o estado, proporcionando uma significativa da mortalidade infantil e materna. Outros programas, como o Saúde em Casa e o Sistema Estadual de Transporte, também são iniciativas que ajudam a democratizar o acesso à saúde e a levar serviços e medicamentos de qualidade a todos os mineiros.

Neste momento, o esforço das forças políticas que nos apoiam está concentrado em identificar os candidatos para compor a chapa completa em nível estadual, ouvindo todos os partidos que compõem nosso governo. No âmbito nacional, o senador Aécio Neves se revela o mais bem preparado quadro da política brasileira atualmente para exercer a Presidência da República. Agora é chegada a hora e tenho certeza de que ele terá apoio maciço dos mineiros, que conhecem bem não apenas sua extensa trajetória política, mas também sua alta capacidade administrativa. Tenho certeza de que o PSDB caminhará unido para apresentarmos, na hora certa, seu nome como alternativa real para o Brasil.


PERSONAGEM

Beatriz de Almeida Moraes

O AMOR AO CAVALO CAMPEIRO NA CRIAÇÃO E DEDICAÇÃO Á FRENTE DA ABRACCC

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É na Fazenda Dois Irmãos, situada na Fazenda da Forquilha, palco de uma das batalhas da Revolução Farroupilha, em Curitibanos (SC), que Beatriz de Almeida Moraes cria com seus filhos, cavalos da raça Campeiro e é atual vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campeiro (ABRACCC), fundada por seu pai Ivadi Coninck de Almeida. A criação de Beatriz teve início antes mesmo da regulamentação da raça, em 1985, iniciada pelo seu pai, e hoje continuada pela criadora e seus filhos Pablo Diego e Ivady. “O Cavalo Campeiro é um legado de geração a geração. Outro fato que me incentivou a criá-lo foi a sua comodidade, pois nas lidas do campo e com o gado, o cavalo além de confortável é inteligente, resistente e bastante ágil. Além disso, é um animal resistente ao frio (temos o inverno rigoroso em nossa região), e muito adaptado ao nosso tipo de terreno acidentado. Procuramos sempre manter a qualidade dos animais e conservar a morfologia e a rusticidade, esta que é uma das suas características. Outro fato também que nos

levou a criar essa raça foi o gosto que meu falecido marido tinha pelo Tiro de Laço. Participamos com o nosso CTG em Rodeios e meu marido fazia parte do quadro de laçadores, assim, sempre tivemos cavalos também para práticas esportivas equestres”, conta Beatriz. Como toda criadora dedicada e ainda vice-presidente de uma entidade ligada ao meio, Beatriz pondera que a criação de cavalos transmite muita alegria e satisfação. “Com eles sentimos o que é a verdadeira amizade. Criar cavalos é muito prazeroso, eles nos retribuem de forma sincera a dedicação que dispensamos a eles. Não nos pedem nada em troca. A atenção que dispensamos aos cavalos retorna em forma de lazer com as cavalgadas confortáveis e seguras, além do retorno financeiro com os negócios que fazemos”, comenta. Beatriz atua ativamente na raça há mais de 12 anos, foi presidente da ABRACCC durante oito anos, em duas gestões, e atualmente ocupa o cargo de vice-presidente. Dentre os compromissos inerentes à função exercida neste período, destaca a im-


portante participação pela primeira vez da raça na Expointer, importante exposição agropecuária que acontece anualmente na cidade de Esteio, RS. “Foram levados para o Rio Grande do Sul aproximadamente 15 animais. Tanto a curiosidade do público para conhecer mais sobre o cavalo Campeiro como o interesse para adquiri-lo surpreendeu todos os criadores que levaram seus animais”, comemora. “Criamos, também, três núcleos da Associação, os quais estão localizados na cidade de Concórdia (SC), Caxias do Sul (RS) e Lages (SC). Demos ênfase à realização das provas funcionais, incentivando mulheres e adolescentes a participarem. Como o cavalo Campeiro é um animal dócil e inteligente, com um bom treinamento por parte do competidor, o cavaleiro não terá problemas, pois costumo dizer que mostrado o percurso da prova para o cavalo, ele aprende com facilidade e dali para frente parece fazer o trajeto sozinho”, ressalta a vice-presidente. Á frente da entidade, a criadora pondera também que além de amizades e experiências adquiridas, teve o privilégio de receber das mãos da Prefeitura Municipal a nova Sede da Associação, que foi constru-

ída junto ao Parque de Exposições Pouso do Tropeiro, em Curitibanos (SC). “Gostaria de registrar que todo o trabalho desempenhado não foi feito sozinho, contamos com o auxílio principalmente, da família que em qualquer atividade, seja exposições, provas, concentração para registro morfológico, ‘pega junto no trabalho’. Também contamos com o auxílio dos membros da Diretoria, do Conselho Fiscal, do Conselho Deliberativo Técnico e do Superintendente da Associação, além de amigos e pessoas anônimas que se dedicam pela causa, ou seja, pelo cavalo Campeiro”, completa. Beatriz faz questão de destacar o quanto a continuidade da tradição familiar e o amor na criação do cavalo Campeiro são as premissas básicas de sua criação e também planos para o futuro. “Tenho planos de continuar seguindo nesta mesma direção visando, sempre, a manutenção das características raciais do Campeiro que, para mim, é um animal perfeito e muito bonito. Meus filhos já adquiriram esse gosto, pretendo continuar repassando esse amor pelos cavalos aos meus netos, assim como recebi da minha família. Continuar levando os animais para as exposições com o intuito de mostrar

ao público em geral as qualidades do cavalo Campeiro e o quanto ele pode auxiliar os pecuaristas em suas lides”, finaliza.

PING PONG Família: A base e o alicerce de tudo. Viagem: Sempre a próxima Comida: Simples Um lugar: O Lar Uma companhia: Jesus Música: Com conteúdo Filme: Romance O que te distrai: Meus netos Felicidade: Família Tristeza: Pessoas que se vão... Cavalos: Uma Paixão

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ENTREVISTA

Flores COMESTÍVEIS

Elas são bonitas, perfumadas e saborosas. A maioria das pessoas está habituada a come-las mas muitas desconhecem o que são as flores comestíveis. A couve-flor, o brócolis e a alcachofra são exemplos mais comuns, mas há uma infinidade de flores que podem enfeitar pratos, além de trazer benefícios nutricionais. Pode-se utilizá-las frescas para aromatizar vinhos, vinagres, geleias, compotas, saladas e cristalizadas podem ser utilizadas em tortas de frutas, sanduíches e como ornamentação de bolos. Mas é preciso tomar cuidado, pois nem toda espécie é comestível e algumas são toxicas e venenosas por isso é recomendável conhecer primeiro as espécies antes de se aventurar na gastronomia dessas flores. Especialistas recomendam identificar as plantas pelos nomes científicos, pois os nomes populares variam muito e podem gerar confusões. É recomendável escolher as flores que estão bonitas e utilizar somente flores orgânicas, além de nunca comer flores

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de florista, viveiros ou de beira-de-estrada. Selecionamos algumas flores mais usadas na gastronomia e que possuem benefícios para a saúde. São elas:.

HIBISCUS Comum em regiões subtropicais e tropicais, o Hibiscus, da espécie Sabdariffa, possui a antocianina, um potente antioxidante, além da vitamina C. As antocianinas diminuem o risco de doenças cardiovasculares, pois reduzem a oxidação do LDL (colesterol ruim). Uma forma de utilizar esta flor é por meio do seu chá, que estimula a queima de gordura corporal, facilita a digestão, regulariza o funcionamento do intestino e combate a retenção de líquido.


CALÊNDULA A flor de Calêndula é fonte de vitaminas A e C, carotenoides, fitoesterois e rica em flavonoides. Pode ser considerada anti-inflamatória, analgésica, expectorante, calmante e ajuda na regulação do ciclo menstrual, além de possuir poder cicatrizante, de acordo com a nutricionista. Suas pétalas podem ser utilizadas em sopas, omelete, arroz e sobremesas.

CAPUCHINHA A capuchinha é rica em vitamina C, que possui diversas propriedades, como antibiótica, expectorante, digestiva e diurética. É bastante utilizada na culinária, pois tem um sabor picante. Suas flores podem ser postas de forma simples ou dobradas em saladas frias, sucos e finalização de pratos.

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EFEITO NO BOLSO

Raça Simlandês PROMETE REVOLUCIONAR PECUÁRIA LEITEIRA

Cruzamentos genéticos desenvolvidos nos últimos oito anos por produtores do Paraná ligados ao POOL ABC (Arapoti/Batavo e Castrolanda) – entidade que integra um seleto grupo de cooperativas de sucesso do país formado por 754 sócios - identificou uma nova raça híbrida com alto potencial econômico. O Simlandês, formado a partir da combinação de genes de animais das raças Simental e Holandês, foi apresentado oficialmente em agosto durante a Agroleite (Castro/PR), umas das principais feiras da pecuária leiteira. Os resultados técnicos apresentados durante o evento vão reforçar o pedido de registro da raça junto ao Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – encaminhado pela Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil – ABCRSS. Testes realizados em duas propriedades com controle de produção em animais em lactação demonstraram que as características da raça Simental em qualidade de leite são passadas com grande intensidade para as fêmeas F1 (vacas resultantes do cruzamento entre raças puras). As vacas em lactação mostraram excelentes porcentagens

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nos indicadores zootécnicos de efeito econômico: em média, o leite produzido obteve 3,98% de gordura, 3,45% de proteína e a lactose sempre acima da casa dos 4% com contagem de células somáticas (CCS) muito baixas, isto são 65 CCS, indicando uma excelente sanidade de úberes. A média da Cooperativa está próxima de 450 CCS. “Isto indica que o leite da vaca Simlandês não perde em nada para a vaca Simental pura, e com produção média na primeira cria em torno de 35 litros/dia”, explica Luiz Geraldo Barreto Almeida, coordenador da Agroleite e um dos pesquisadores da nova raça. A vaca F1 mais velha na região de Carambeí pertencente ao criador Alberto Reinaldo Los, Tieta Von Morello de sete anos de idade, está na quinta cria com o menor intervalo entre partos de 345 dias. “Isto mostra uma fertilidade muito boa, vaca esta que teve seu pico de lactação com 70 quilos de leite/dia”, completa. No rebanho de Alberto Reinaldo Los (Fazenda Bela Vista, Carambeí/PR) existem dezenas de vacas na mesma condição, sendo mais de 30% do rebanho composto por animais Simlandês, mesmo ele sendo tradicional criador de vacas Holandesas.

Há pelo menos trinta anos, o cruzamento é feito nas fazendas da Europa. A diferença é que no Brasil, o Simental já está adaptado ao clima tropical e torna-se uma alternativa competitiva aos cruzamentos hoje feitos com raças zebuínas. “O Simlandês torna-se uma excelente alternativa para a pecuária leiteira brasileira em função do alto teor de sólidos e baixa contagem de células somáticas (CCS), pois com o pagamento por qualidade de leite, estes fatores rendem ao produtor hoje, um acréscimo em torno de R$ 0,06 por litro de leite pago pelo laticínio”, lembra Alan Fraga, criador e presidente da ABCRSS. O pagamento por sólidos totais (% na forma de proteínas, lactose, gordura, sais minerais e outros componentes de menor presença no leite) é a chave para o Brasil se tornar grande exportador de lácteos, caminho que seguiram a Nova Zelândia e Austrália, para se consolidarem no mercado mundial. “Mesmo tendo somente 30% do leite de vacas Simlandês na Fazenda Bela Vista, o produtor já obteve um aumento significativo no volume total de sólidos produzidos em função dos altos teores do leite destas vacas”. As vacas Simlandês também provarem ter maior longevidade do que a média de vida util de uma Holandesa HPB: enquanto estas chegam ao máximo próximo dos cinco anos, existem casos comprovados de vacas na Áustria com mais de 15 anos e produzindo. As vacas Simlandês descartadas do rebanho também estão gerando uma renda superior. “A fêmea Simlandês de descarte rende em média 25 arrobas (algo como 375 quilos de carne), que a preços de hoje dá algo próximo de R$ 2.000,00 equanto uma Holandesa HPB (em lactação) no descarte rende R$ 400,00 no máximo”, aponta Almeida. Outro fator que faz a diferença é o aproveitamento dos machos F1, que são criados confinados alcançando 500 kg de peso vivo aos 13 meses, dando aos produtores uma renda extra. O bezerro holandês, por exemplo, é vendido na região de Castro/PR ao nascer por R$ 10,00 sem aproveitamento nenhum.


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COMO FAZER

Carneiro Hidráulico

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carneiro; 2- Tubulação de adução ou alimentação, a qual desempenha a função de conduzir a água da fonte à entrada do carneiro; 3- Carneiro Hidráulico; 4- Tubulação de recalque ou de saída, que conduz a água energizada pelo carneiro até o reservatório superior; 5- Reservatório ou

caixa onde será armazenada a água conduzida pela tubulação de recalque. No site da Universidade Federal de Lavras, departamento de engenharia, você pode encontrar a explicação completa de como fazer o carneiro hidráulico com suas especificações de montagem.

Fonte: UFLA

Trata-se de um aparelho muito simples e de grande utilidade para o abastecimento de água nas fazendas, podendo ser definido como uma máquina de elevação de água com energia própria. Uma vez instalado, este aparelho trabalha dia e noite (24 h/dia). O aparelho é instalado em nível inferior ao do manancial. A água que chega ao carneiro hidráulico inicialmente sai por uma válvula de descarga, até o momento em que é atingida uma certa velocidade elevada. No momento em que atinge uma velocidade elevada, a válvula de descarga fecha-se repentinamente (“Golpe de Aríete”), ocasionando uma pressão que possibilita, automaticamente, a elevação de uma parcela de água que nele penetra a uma altura superior à aquela de onde a água proveio, sem necessitar do auxílio de qualquer força motriz externa, bastando para isso que se tenha uma pequena queda hidráulica. Além de ser uma máquina simples, robusta e barata (± R$ 300,00), funciona ao mesmo tempo aproveitando a queda d’água e elevando uma fração desta. Apresenta rendimento relativamente elevado, podendo variar, na maioria dos casos, de 50 % a 80 % ; Os gastos com manutenção são praticamente desprezíveis; Trabalha dia e noite sem qualquer energia externa, exceto a da própria queda d’água. Uma instalação de bombeamento com carneiro hidráulico constitui-se basicamente, de: 1-Fonte ou manancial d’água, que pode ser um córrego, canal, etc. desde que o mesmo permita uma queda até o local de assentamento do


Adevaílde Veloso

GRUPO PGV COMEMORA RESULTADOS DE 2013

e lança novo empreendimento Formado pela Pavotec - empresa com quase 40 anos de mercado -, a Geoline Engenharia - que tem mais de 250 empreendimentos no currículo - e Adevailde e Bruno Veloso –homens de visão altamente empreendedora -, o Grupo PGV trouxe o dinamismo do mercado mundial para o mercado regional. “Antigamente as imobiliárias eram formadas por corretores, que não tinham muitas opções de trabalho, estavam em fim de carreira. Nós começamos a formar a equipe de trabalho semelhante às grandes corporações”, comenta Adevailde Veloso, presidente do grupo. “Começamos a trabalhar no mercado imobiliário como trabalham as grandes marcas mundiais, com treinamento diário de equipes, aplicação de metas comerciais de marketing, ou seja, um processo comercial

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muito agressivo em relação às demais práticas de outras empresas que atuam nesse segmento”, completa. Para Veloso, conhecer o mercado é uma qualidade indispensável para que qualquer empresa, independente do seu segmento, consiga se manter na liderança. O empresário ressalta que esse é um dos grandes diferenciais do Grupo PGV Urbanismo: sua capacidade de realização. “Hoje nós conseguimos dominar todas as etapas de produção. Realizamos o estudo de aspectos ambientais, técnicos e comerciais. Somos uma empresa que consegue ter esse domínio de toda essa cadeia, de todo esse círculo de produção”, relata. “O conhecimento é a moeda do nosso século, conhecimento é o que agrega valor. Antigamente uma empresa era considerada

rica pela quantidade de patrimônio, hoje o que vale é o nome, a marca”, afirma Veloso. Preparado para atender demandas específicas de mercado e de consumidores que, cada vez mais, buscam personalização e exclusividade, o Grupo PGV conseguiu agregar valor a sua atuação, de modo que um selo de qualidade se tornou indissociável da sua marca. Tamanha credibilidade é fruto de um alto rigor com a qualidade dos serviços prestados e um compromisso ético com o público alvo da empresa. “Estamos atendendo aos anseios de quem zela pelo prazer de morar bem. Temos todo corpo técnico em relação a biólogos, geólogos, arqueólogos, projetistas, engenheiros florestais, engenheiros agrimensores, equipe comercial, equipe de gestão, equipe financeira”, explica Veloso. “Quando se inicia uma etapa de projeto nosso corpo técnico não tem nenhuma surpresa. Eles já sabem exatamente o que tem de fazer seja qual for o tipo de terreno. E como estamos iniciando nossos serviços em outros estados, também estamos preparados para atender a legislação, inclusive fora de Minas Gerais”, revela o empresário. Ciente da responsabilidade de ser uma grande empresa, o Grupo PGV Urbanismo se preocupa em desenvolver com total transparência e consciência ambiental o passo a passo minucioso da sua missão. “Nosso diferencial é justamente atender a demanda de forma completa, iniciando um estudo de viabilidade, desenvolvendo este estudo e chegando a um projeto. Em seguida, aprovando este projeto, implantando as suas obras comercializando as unidades imobiliárias e fazendo a gestão de recebíveis”, diz. “A proposta do grupo PGV é ser auto suficiente e, dentro disso, ser o maior do mercado atual. Eu acredito muito na força da genética, que passa as características de pai para filho e nesse caso, quando se trata de conhecimento, é um conhecimento técnico alcançado ao longo de décadas”, salienta Veloso.


Feliz por ter o filho Bruno atuando efetivamente a seu lado no grupo, Veloso já tem a certeza de que os negócios da família estarão em boas mãos. Para Bruno, o momento é de boas oportunidades já que o cenário está completamente mudado. “O mercado está bem mais competitivo e as técnicas consideradas inovadoras são copiadas imediatamente porque a comunicação está muito rápida. E temos a impressão de que isso não acontece só aqui. Estive analisando um projeto no nordeste, onde estão sendo feitos prédios maravilhosos, e a impressão é que estamos em Miami”, comenta. “Tudo isso porque desde 2006 o chamado boom imobiliário acabou atraindo para este mercado pessoas mais preparadas”, completa Bruno..

políticas, atletas do esporte nacional e os principais representantes do mercado imobiliário mineiro, destaque para Paulo Dias, representante do SINDIMÓVEIS e Evandro Veiga Negrão, representante do Câmara do Mercado Imobiliário (CMI). Em ritmo acelerado, o grupo PGV vem comprovando sua excelência com empreendimentos cada vez mais bem conceituados por todo estado. O Lagoa Eco Park Residence foi o quinto lançamento apenas nesse ano. Além disso, foram lançados condomínios nas cidades de Lagoa Santa,

Formiga, Três Marias e Conselheiro Lafaiete. Para Andrey Luiz Cardoso, sócio diretor do grupo, as expectativas são as melhores possíveis. “A empresa foi criada há pouco mais de um ano e já está lançando seu quinto empreendimento imobiliário. É sabido que os prazos de aprovação são longos, podendo ultrapassar cinco anos. No entanto, com todo know-how que o grupo possui, nossa perspectiva para o próximo ano seria similar a quantidade de empreendimentos lançados em 2013, podendo até chegar ao dobro desse número”, conclui o empresário.

No dia 28 de novembro, o Grupo PGV lançou no estádio do Mineirão seu mais novo empreendimento, o Lagoa Eco Park Residence, em Itabirito, região metropolitana de Belo Horizonte. Para Bruno Veloso, o sucesso do empreendimento, que foi 100% vendido antes mesmo do lançamento, é fruto de um trabalho elaborado com o máximo cuidado e responsabilidade. “O Lagoa Eco Park Residence é um condomínio diferente de tudo que já foi construído na região de Itabirito. Um empreendimento de uma qualidade realmente superior”, comenta o empresário. O momento de celebração dos bons negócios realizados em 2013 foi mais do que especial. Numa noite de gala, repleta de empresários, autoridades políticas e estrelas globais, o que se via nos rostos de cada membro do grupo era o sorriso satisfeito de missão cumprida. A festa impecável contou com presenças de artistas consagrados como Miguel Falabella, Ellen Rocche, Carlos Casagrande e Thaís Pacholec, Mauro Naves e Patrícia Naves, Adriana Colin e a dupla Don e Juan, autoridades

Fonte: Revista Impactto

LANÇAMENTO

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Seguros rurais MODALIDADE CRESCE CADA VEZ MAIS E É ALTERNATIVA PARA PRODUTORES RURAIS

O seguro agrícola é a mais importante e mais comercializada das modalidades de seguro rural no Brasil, oferecendo garantias amplas. Cobre a produção agrícola contra perdas causadas, principalmente, por fenômenos climáticos. Garante basicamente a vida da planta, desde a germinação até a colheita, contra a maioria dos riscos de origem externa, como chuvas em excesso, incêndio, queda de raio, tromba d’água, ventos fortes, ventos frios, granizo, seca, geada e variações excessivas de temperatura. É importante destacar que tais coberturas excluem riscos decorrentes de doenças, pragas e seca para lavouras irrigadas. Estas podem ter, esporadicamente e em situações especiais, proteção específica com coberturas especiais. Para tanto, deve ser feito pagamento de prêmio adicional. Entretanto, no Brasil, ainda não é comum a concessão dessas coberturas especiais. O seguro agrícola também tem coberturas específicas nas seguintes modalidades: seguro de granizo e seguro multirrisco. O primeiro, um dos mais antigos, cobre perdas provocadas por tempestades

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de granizo. A apólice padrão indeniza um valor de cobertura por unidade segurada, sendo aplicada uma dedução mínima. Já os programas de multirrisco preveem cobertura para causas não evitáveis de perda de produção, em especial, e para os casos de clima adverso (seca, chuvas excessivas, geadas, incêndio, raio, tromba d’água, ventos fortes). A elevada exposição do seguro multirrisco agrícola se reflete no preço: são cobradas taxas altas e aplicados fatores de redução significativos. A abertura do mercado de resseguro e o aumento da procura por parte do produtor facilitaram a introdução de outras modalidades do seguro agrícola. A expectativa é de aumentar a oferta de novos produtos. Entre os tipos de seguro agrícola mais procurados estão: custeio, produção, renda e índice. Seguro de custeio – cobre a despesa de custeio da safra, do preparo do solo à colheita. No caso de perda da produção, este seguro permite que o produtor tenha recursos para o replantio (se a indenização ocorrer em tempo hábil) ou, pelo menos, tenha condições financeiras para manter-

-se na atividade. Seguro de produtividade física (sacas/ha) – cobre a perda de produção do agricultor. Ou seja, este seguro indeniza a diferença entre a produção em quantidade (sacas ou toneladas por hectare/ha), estimada na contratação da apólice e a produção efetiva na colheita. Seguro de renda (físico + preço) – cobre a perda de receita do agricultor por hectare cultivado. A perda de receita é a diferença entre a receita esperada e a receita realizada com a venda da produção. A receita esperada depende da produtividade da lavoura (sacas ou toneladas por ha) e também do preço do produto. Como ambos os fatores têm fortes oscilações, a receita esperada se baseia na produção futura pelo preço futuro do bem que vier a ser colhido. Por isso, a indenização é calculada de acordo com o valor das perdas decorrentes do risco físico da produção e do risco de mercado. Seguro de índice – cobre a perda de produtividade, associada a um indicador regional. A perda é estimada através de um índice que determina a quebra de produtividade (toneladas ou sacas por hectare) da região. A quebra é determinada pelo confronto das produtividades estimada e efetiva.

SEGURO PECUÁRIO Garante indenização por morte de animais (bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos, etc) em consequência de acidentes e doenças. Também indeniza morte de animal destinado – exclusivamente – para o consumo, produção, cria, recria, engorda ou trabalho por tração. Este tipo de seguro inclui, ainda, os animais destinados à reprodução, com o objetivo de aumentar e/ou melhorar plan-


SEGURO AQUÍCOLA Garante indenização por morte de animais aquáticos (peixes, crustáceos, etc) em consequência de acidentes e doenças. O termo aquicultura pode ser definido como a produção de organismos aquáticos vivos em cativeiro. Aquicultura comercial é um dos negócios agrícolas mais recentes. Novas técnicas e materiais permitem que esse setor se desenvolva desde mar aberto até lagos ou fazendas agrícolas distantes de rios, condições que deixam a produção altamente exposta a riscos. O seguro aquícola tem coberturas all risks ou riscos nomeados, dependendo da situação e das exigências do ressegurador. No Brasil, a cobertura mais comum é a de riscos nomeados, isto é, o produtor nomeia a cobertura dos riscos que vai contratar. Os riscos cobertos, normalmente, incluem tempestades, marés, avalanches, deslizamentos, inundação, danos por excesso de chuva, algas, poluição, pestes, roubo, colisão, doenças e outros riscos naturais.

SEGURO DE BENFEITORIAS E PRODUTOS AGROPECUÁRIOS Cobre perdas e/ou danos causados aos bens diretamente relacionados às atividades agrícola, pecuária, aquícola ou florestal, que não tenham sido oferecidos em garantia de operações de crédito rural. Garante todo o patrimônio do agricultor, nos limites da propriedade, contra os riscos de incêndio, raio ou explosão, ventos fortes, impacto de veículo de qualquer espécie, desmoronamento, roubo ou furto. Estão cobertos construções, instalações ou equipamentos fixos, produtos agropecuários depois de removidos do campo de colheita ou estocados, produtos pecuários, veículos rurais mistos ou de carga, máquinas agrícolas e seus implementos. No entanto, as coberturas podem variar conforme a forma de comercialização, sendo, em geral, necessária vistoria prévia para a aceitação dos riscos.

SEGURO DE PENHOR RURAL Este seguro destina-se a preservar os bens diretamente relacionados ás atividades agrícola, pecuária, aquícola e florestal dados em garantia nas operações de crédito rural, durante a vigência da apólice. A garantia se estende às benfeitorias, máquinas, veículos e implementos utilizados na atividade rural, bem como a produtos agropecuários já colhidos. Garante indenização de perdas e/ou danos até o limite máximo de garantia, desde que tenham sido causados diretamente de um ou mais riscos cobertos.

SEGURO DE FLORESTAS

existem duas metodologias de cálculo: florestas em formação e florestas formadas. No primeiro caso, as coberturas podem abranger o custo de implantação, acrescido do custeio anual para a sua manutenção, visando à reposição de florestas em formação. No caso de florestas já formadas (ou naturais), a quantia de cobertura deve ser determinada pelo valor comercial da floresta.

SEGURO DE VIDA DO PRODUTOR RURAL Em caso de morte do segurado (produtor rural), este seguro amortiza ou liquida as operações de crédito rural que ele contratou com um agente financiador. A vigência deste seguro é limitada ao período do financiamento. E o beneficiário é o agente financiador.

SEGURO DE CÉDULA DO PRODUTO RURAL (CPR) Garante ao segurado o pagamento de indenização, no caso de o tomador não cumprir comprovadamente as obrigações determinadas na Cédula do Produto Rural (CPR). A CPR é um título emitido pelo produtor rural ou suas associações, inclusive cooperativas, que vende a termo sua produção, recebe o valor da venda no ato da formalização do negócio e compromete-se a entregar o produto vendido na quantidade, qualidade, no local e na data estipulados no título. É um papel que garante ao último titular credor da CPR o fiel cumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo produtor (tomador), desde que este não seja o emitente ou seu avalista (segurado).

Fonte: Portal tudosobreseguros

téis. É importante ressaltar que os animais de elite não fazem parte do universo do seguro pecuário, porque eles são cobertos pelos chamados seguro de animais. Então pergunta-se, qual é a diferença entre seguro pecuário e seguro de animais? Ao contrário do seguro pecuário, o seguro de animais não está enquadrado como uma modalidade de seguro rural. Por isso, o seguro de animais não tem isenção tributária irrestrita de quaisquer impostos ou tributos federais – benefício que o seguro pecuário tem. O seguro de animais garante o pagamento de indenização pela morte de animais classificados como de elite ou domésticos. Animais de elite, para efeito do seguro, são aqueles destinados ao lazer ou à participação em torneios e provas esportivas, além dos que são utilizados exclusivamente para coleta de sêmen e transferência de embriões para fins diferentes dos que são definidos para o seguro pecuário.

Garante cobertura dos custos de reposição de florestas em formação ou de seu valor comercial, quando se tratar de florestas já formadas ou naturais, contra as perdas decorrentes de incêndio, eventos biológicos e meteorológicos. As florestas seguradas devem estar identificadas e caracterizadas na apólice e a indenização será relativa aos prejuízos decorrentes de um ou mais riscos cobertos. Para definição do valor de cobertura REVISTA MERCADO RURAL

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Tilapicultura no Brasil: UMA CADEIA DE PRODUÇÃO CONSOLIDADA

*Fábio Rosa Sussel - Zootecnista, Dr. Pesquisador Científico da Apta - UPD Pirassununga, SP. A aquicultura brasileira, apoiada na produção de tilápias e algumas espécies nativas (Pacu e Pintado), é a segunda maior da América do Sul. Perde apenas para a do Chile. A chamada revolução azul não é tão explosiva quanto às outras. Sem fazer alarde, vai-se implantando aos poucos e ocupando espaços. Revolução azul é o nome que se deu ao crescimento da produção de pescado no mundo, numa alusão à revolução verde, do final da primeira metade do século passado, que multiplicou as colheitas com novas tecnologias. No Brasil, a criação de tilápias é o movimento mais importante da revolução azul. A

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liderança na produção já foi ocupada por vários estados, e atualmente está no Nordeste. O mais importante, porém, é que em nenhuma região a produção encolheu. Novas áreas de cultivo, com novas tecnologias, fizeram com que outras regiões passassem a produzir mais. Além de novos investidores estarem entrando na atividade, quem já se encontra produzindo vem ampliando vossas estruturas. Em 2009, segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, o País produziu quase 133 mil de toneladas de tilápias. Levantamentos não oficiais apontam uma produção de 250 mil para o ano de 2013. A tilápia é a mais consolidada das criações de peixes em cativeiro. A atividade teve seus altos e baixos, mas tem apresentado um crescimento sólido há mais de 10 anos. Os reveses serviram para ajustar e fortalecer os elos da cadeia de produção. Até o final da década de 1990, a tilapicultura brasileira seguia um modelo semi-intensivo em viveiros escavados e em barragens. Em 2000, produtores passaram a utilizar tanques-rede, sobretudo em águas da União – nos grandes reservatórios das

hidrelétricas. Após alguns anos, nos quais o sistema de produção foi ajustado, a tilapicultura começou a crescer vigorosamente.

ONDE ESTÁ A TILÁPIA A produção concentra-se basicamente em três polos: Região Nordeste, Noroeste Paulista e Oeste Paranaense. O polo do Nordeste abrange duas áreas: os reservatórios do Rio São Francisco, na região de Paulo Afonso (BA), e os grandes açudes cearenses de Castanhão, Orós e Sítios Novos. O do noroeste paulista compreende a região de Santa Fé do Sul e reservatórios do Rio Paraná, do Rio Grande e do baixo Rio Tietê. No oeste do Paraná predominam os tanques escavados. Há tendência de expansão da atividade nos reservatórios de Furnas e Três Marias, em Minas Gerais, e no lago de Serra da Mesa, em Goiás. Em breve é possível que essas áreas configurem um quarto polo de produção. A maior parte dos tanques-rede utilizados na Região Nordeste e no Noroeste Paulista tem volume de 6 a 20 metros cúbicos. Entretanto, alguns empreendimentos


já utilizam equipamentos semelhantes aos da salmonicultura chilena, ou seja, tanques redes de 240 a 300 metros cúbicos confeccionados com polietileno de alta densidade, máquina de despesca, classificador e alimentadores automáticos.

A TILÁPIA NORDESTINA É MAIS LUCRATIVA Apesar dos custos maiores com rações e outros insumos, é no Nordeste que se obtém maior lucro com a tilápia. O clima favorece o crescimento dos peixes e os hábitos dos consumidores barateiam a comercialização. Grande parte do peixe produzido no Nordeste é vendido inteiro, pois é dessa forma que os compradores locais preferem. Assim, praticamente não há despesas de processamento e armazenamento do pescado. Em abril de 2013, os produtores do Nordeste recebiam em média R$ 5,00/kg. O peso

padrão é de 800 g por peixe. Os de peso inferior valiam R$ 4,50/kg e os de peso superior podiam chegar a R$ 6,00/kg. Nessa região, o custo de produção médio para tilápias com peso padrão oscila entre R$ 2,90 e R$ 3,10/kg.

tão construindo fábrica de ração, frigorífico e destinando recursos à produção de alevinos, sobretudo na região de Santa Fé do Sul.

PRODUÇÃO EM CRESCIMENTO O que dá certo numa região nem sempre funciona bem em outra. Há diferenças de clima, disponibilidade de água, preço de ração, preço de venda, logística e hábitos de consumo. Cada um dos polos encontrou formas de se adaptar a essas condições e os produtores mostram-se relativamente satisfeitos com a atividade. Muitos produtores de pequeno porte estão começando a criar tilápias nas três regiões. Os de grande porte estão ampliando o número e o tamanho dos tanques-rede e investindo em mecanização. Alguns até es-

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ENTREVISTA

24 horas GESTÃO MÓVEL NO CAMPO:

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS); Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Já se fala de uma nova revolução de produtividade na agricultura. Sabe-se que, em boa parte, ela viria de ganhos na gestão operacional da produção, através do acesso a melhores informações e decisões mais precisas e mais rápidas. Nesse cenário, um dos candidatos a protagonista será o chamado “dispositivo móvel” (celular ou tablet), para uso direto no campo ou em conexão com o campo, através de aplicativos especiais. Com um smartphone e aplicativos inteligentes é possível monitorar a fitossanidade de lavouras ou operar implementos à distância por controle remoto. Há uns quatro anos, por exemplo, foi criado um microscópio digital (Digilab) que auxilia na identificação e diagnóstico de pragas, através de imagens. Em sua versão atual, ele pode ser acessado via smartphone e dispõe de um GPS para o georreferenciamento da plantação. Também da palma da mão o agricultor pode controlar um sistema inteiro de irrigação: ativar e desativar pivôs, controlar o tempo de aplicação e verificar se a vazão

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está correta. De quebra, pode visualizar todo o conjunto de pivôs (via MapView), avaliar seu status de conformidade, localizar problemas (via GPS) e reduzir o tempo para eventuais consertos, agindo pontualmente nos locais de reparo. A lista de softwares é extensa e eles ajudam a fazer avaliação de culturas, análise de fibras, hidratação das plantas, monitoramento de animais, clima e de mercado. Nem todos ainda rodam em celular, mas essa “é uma ferramenta que vai explodir”, segundo proclamam os apaixonados pela mobilidade digital e sua capacidade de permitir a tomada de decisões qualificadas na hora, no lugar onde se está. Aliás, essa é a revolução implícita do mundo online: a redefinição do conceito clássico de espaço e tempo no trabalho. Foi assim no mercado financeiro, levando o banco para dentro da casa das pessoas; e chega agora com força na agricultura. Basta lembrar do microscópio digital mencionado, com ele o produtor não precisa mais enviar amostras

de plantas e pragas ao laboratório e esperar pelo diagnóstico para decidir. Nos países desenvolvidos, a produtividade média de grãos é 40% maior do que a dos países em desenvolvimento*. Obviamente, as causas desse diferencial competitivo são muitas e complexas. Mas uma delas certamente está no maior acesso dos países desenvolvidos à informações de qualidade em fatores críticos para a eficiência no campo. Entre os desenvolvidos, a taxa média de penetração dos celulares na força de trabalho da agricultura está em 118%*, enquanto nos países em desenvolvimento esse índice 70%*. Ainda é uma taxa bem inferior à do mundo desenvolvido, mas vem crescendo e, por isso, o celular desponta como ferramenta de potencial para a competitividade do campo. Isto, porquê amplia o acesso do produtor à informações de qualidade, melhorando o perfil informativo das suas decisões e com rapidez e funcionalidade incríveis. (*) Fonte -- GSMA. The World Bank, The World Factbook, FAO STAT. Cálculo do índice de penetração de celulares: total de conexões móveis versus população total do target analisado. O resultado representa um índice de penetração de celulares, que pode ultrapassar 100%, devido a pessoas que possuem mais de uma conexão.


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ENTREVISTA

Caviar,

PRECIOSIDADE CADA VEZ MAIS RARA

EXTINÇÃO DO PEIXE ESTURJÃO FAZ CAVIAR SUMIR DO MERCADO O progressivo desaparecimento das reservas de esturjão no Mar Cáspio está transformando o caviar selvagem iraniano em um luxo impossível de ser encontrado no Irã e cada vez mais raro no mercado mundial. O Mar Cáspio é a maior reserva de esturjões selvagens do mundo, com cinco espécies diferentes responsáveis por 90% do legítimo caviar consumido no mundo. Atualmente, a maior preocupação é com a reprodução dos esturjões, sendo que estes quando são capturados são levados vivos para se reproduzirem e ajudar a devolver mais peixes para repovoar o Mar Cáspio. Em 1998, uma convenção internacional classificou o esturjão como ‘espécie em perigo de extinção’ e impôs cotas para exportação. No Irã, a cota é de 150 toneladas para este ano. No ano seguinte, o comércio internacional de caviar selvagem do Mar Cáspio foi totalmente proibido. Todo o caviar exportado atualmente pelo Iran vem da produção artificial. O caviar selvagem que ainda se podia consumir no

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país está praticamente em extinção. As autoridades apontam a desintegração do bloco soviético (a antiga URSS) no fim dos anos 1990 e o consequente fim dos controles de gestão de recursos naturais como uma das causas do problema. Outra causa é a poluição causada por indústrias militares no rio Volga, além da contaminação provocada pela produção de algodão e exploração de petróleo na região.

ORIGEM São cultivadas na Europa diversas espécies da família dos Acipenseridae, incluindo o esturjão da Sibéria, o esturjão do Danúbio, o esturjão do Volga, o esturjão comum e o esturjão adriático. Muitas das espécies de esturjão são consideradas ameaçadas ou mesmo seriamente ameaçadas. Com efeito, a sua população diminuiu drasticamente devido à construção de barragens, que cortam as suas rotas de migração, à sobrepesca e à poluição. A criação do esturjão é, assim, importante não só para a

produção de carne e de caviar, mas também para o repovoamento destas espécies, tendo um impacto positivo na conservação das unidades populacionais selvagens. Uma das espécies mais cultivadas na União Europeia é o esturjão da Sibéria (Acipenser baerii). Os sistemas utilizados para a cultura de esturjão da Sibéria foram desenvolvidos na antiga União Soviética, na década de 1970. Os primeiros espécimes foram introduzidos em França sensivelmente na mesma época, no âmbito de um programa de cooperação científica. A aquicultura tomou o lugar da pesca, respondendo a China por 85 % da produção mundial. A seguir à China, os principais produtores de esturjão são a Rússia e a União Europeia. O esturjão da Sibéria é o mais cultivado na Europa Ocidental. Embora não sejam totalmente confiáveis, as estatísticas indicam que a aquicultura do esturjão na Europa visa essencialmente a produção de caviar (80 % em valor), a ponto de, atualmente, a UE registar um maior volume de exportações deste produto que de importações (em valor). A Itália e a França são os principais países produtores da União.


CRIAÇÃO A reprodução do esturjão da Sibéria é um processo complicado, na medida em que as fêmeas não ovulam todos os anos e não ovulam todas ao mesmo tempo. No entanto, através do controle da temperatura da água, é possível obter ovos durante um período relativamente longo, de dezembro a maio. O esturjão da Sibéria pode ser criado em tanques, lagunas ou jaulas. Trata-se de peixes carnívoros que são alimentados com granulados à base de farinha e óleo de peixe e que também contêm extratos vegetais. O período médio de criação de esturjões para produção de carne é de 14 meses, para se obter um peixe de tamanho comercial (700 g). Quando atingem a dimensão pretendida, são capturados com redes. A cultura do esturjão para produção de caviar é onerosa, dado as fêmeas só se reproduzirem a partir dos sete anos. Até essa idade,

são criadas em tanques de água doce corrente. No passado, as fêmeas eram abatidas para lhes extraírem os ovos. Contudo, nos últimos anos, os aquicultores desenvolveram técnicas para extrair o caviar sem matar o peixe, o que, ao aumentar o rendimento por fêmea, permite reduzir os custos de produção.

O LEGITIMO CAVIAR A denominação caviar apenas pode

designar os ovos de esturjão (família dos Acipenseridae) conservados em sal. As ovas de outras espécies de peixes apenas podem ser designadas por substitutos do caviar. A carne do esturjão, que tem a vantagem de não ter espinhas, é um produto atrativo. No entanto, os consumidores europeus ainda não estão familiarizados com esta espécie, que pode ser comercializada em filetes ou fumada.

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ENTREVISTA

A RAÇA

Piquira

Murilo Sérgio Gomes Torres - Superintendente do Registro Genealógico – ABCCPonei

A raça Piquira, surgiu no sul do Estado de Minas Gerais, região do campo das vertentes e no Triângulo Mineiro, espalhando-se por Goiás, Bahia e demais Estados do Nordeste, hoje em dia está difundida em todo o Brasil. O Piquira era criado sem diretrizes uniformes até que, em 1970, se constituiu, em Belo Horizonte, a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Piquira e Pônei, que a partir de 1978 passou a denominar-se Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Pônei. A Raça Piquira se formou a partir de um lastro étnico de várias naturezas assim relacionadas: Miscigenação das raças eqüinas introduzidas durante a colonização do Brasil, com éguas nativas de pequeno porte; Produtos que, na seleção da raça Pônei Brasileiro, modificaram sua morfologia, seu porte e dinâmica de locomoção; Grupo de indivíduos que sofreram um processo de atrofia por consangüinidade estreita, alimentação, clima e outros fatores. (São as outras raças marchadoras nacionais, ese ramo é o que teve menor influência). Produtos oriundos de uma evolução natural, onde, por circunstâncias de clima,

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alimentação e seleção funcional, chegaram a um tipo que consideramos ideal para a composição desta raça. Não possuem origem exclusiva de regiões áridas do sertão, como querem alguns, quando os chamam, impropriamente, de “caatingueiros”. Esses espécimes foram identificados em regiões diversas e com padrões bastante próximos. É um belo Pônei de cabeça refinada com perfil retilíneo, olhos expressivos, narinas amplas e flexíveis. Seu pescoço possui forma piramidal de inserções harmoniosas e crinas finas e sedosas. Cernelha bem definida, peito amplo e profundo, costelas longas e arqueadas, dorso-lombo curto, reto e musculado, garupa longa, proporcional, inserida harmoniosamente ao lombo e suavemente inclinada. Membros de ossatura forte e delicada, bem aprumados. O padrão racial prevê a estatura ideal de 1,22m para machos, sendo a máxima de 1,30m; para fêmeas, ideal de 1,20m sendo 1,28m a altura máxima e 1,15m a altura mínima para ambos. A essência desta raça é o andamento cômodo. O Piquira é um cavalo tipo sela, que se iguala, em qualidade, às tradicionais raças que se locomovem em tríplice apoio,

sendo o menor marchador geneticamente selecionado. Trabalhador, ágil e incansável, o cavalinho se presta, e muito, para os serviços da fazenda. Portador de grande agilidade, o Piquira pode ser utilizado em todas as modalidades hípicas, como o salto, as provas funcionais, o charreteamento, cavalgadas e, principalmente, concursos de marcha, sua maior vocação. Pelo seu pequeno porte, grande rusticidade e resistência ao esforço físico, docilidade, fácil manejo e, sobretudo, por ser marchador, o Piquira é o preferido na lida da fazenda, trabalhando com rapidez e agilidade em ladeiras, trilhas de gado, cerrados e capoeiras. Muito conhecido como “o cavalo da porta”, para qualquer eventualidade, sempre disposto e paciente, transporta seu cavaleiro com segurança mesmo nos terrenos mais pedregosos, íngremes ou escorregadios. É o cavalo ideal também para pequenas propriedades, por ser menor, ocupar menos espaço e consumir menos alimentos. O cavalo Piquira é, no Brasil, o cavalo da garotada. Não há montaria que se equipare nessa destinação ímpar de iniciar hoje os cavaleiros do amanhã e despertar vocações para o campo. Na verdade, não existe nenhum eqüino mais apropriado ao início da equitação infantil do que o Piquira, pois este é o único corcel que reúne extrema facilidade de condução, aliada à marcha cômoda, com rara beleza, e aquela proporcionalidade que deve existir entre o porte do cavaleiro mirim e o de sua montaria.


Cultivo de Pimentas Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares, dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Cinco séculos depois do descobrimento das Américas, as pimentas passaram a dominar o comércio das especiarias picantes, sendo de relevância tanto em países de clima tropical como temperado. Atualmente, a China e a Índia tem mais de 1.000.000 hectares cultivados com Capsicum, e os tailandeses e os coreanos-do-sul, tidos como os maiores consumidores de pimenta do mundo, comem de 5 a 8 gramas por pessoa/dia.

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O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. A produtividade média depende do tipo de pimenta cultivada, variando de 10 a 30 t/ha. A crescente demanda do mercado, estimado em 80 milhões de reais ao ano, tem impulsionado o aumento da área cultivada e o estabelecimento de agroindústrias, tornando o agronegócio de pimentas (doces e picantes) um dos mais importantes do país. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais. Apesar do crescente interesse no cultivo pimentas, este ainda é feito por pequenos produtores que produzem suas

próprias sementes ou compram frutos maduros em mercados e feiras e deles extraem as sementes que serão utilizadas para plantio. Normalmente estas sementes são de qualidade variável, apresentam baixa germinação e podem transmitir doenças, já que são obtidas sem seguir regras básicas para a produção de sementes. Na maioria das áreas cultivadas com pimentas, as plantas apresentam sintomas de mancha-bacteriana, doença transmitida a longas distâncias por meio de sementes.

CULTIVO A técnica mais recomendável para se produzir mudas é de semeio em bandejas de isopor de 128 células, preenchidas com substrato comercial ou preparado na propriedade, colocando uma semente por célula. Caso haja comprometimento da germinação, o ideal é aumentar o semeio para três sementes/célula, procedendo-se a um desbaste posteriormente, se necessário, através do corte com tesoura, rente ao colo das mudas menos vigorosas quando estas apresentam pelo menos duas folhas definitivas. O arranquio das mudas germinadas em excesso não é recomendado pelo risco de comprometer o sistema radicular da muda remanescente na célula. As bandejas devem ser colocadas em suporte tipo bancada, formada por tela de arame ou somente por fios de arame a 0,60-0,70 m do solo, a fim de que haja luz na parte inferior da bandeja. Este cuidado impede o de-


SEMENTEIRAS As sementeiras devem ser preparadas com revolvimento da terra, destorroamento e correção da fertilidade com base na análise química do solo. Os canteiros devem ter de 1,0 a 1,2 m de largura, 0,20 a 0,25 m de altura e comprimento de acordo com a necessidade de mudas. As sementes devem ser distribuídas uniformemente em sulcos transversais ao canteiro, distanciados 0,10 m um do outro e com 1,5 a 2,0 cm de abertura e 1,0 a 1,5 cm de profundidade. Gastam-se de 3 a 5 gramas de sementes por metro quadrado de sementeira. Após a distribuição, as sementes devem ser cobertas com terra do sulco. A colocação de uma cobertura com saco de aniagem sobre o canteiro evita que o impacto das gotas da água de irrigação ou de chuva desenterrem ou afundem as sementes, prejudicando a germinação ou a emergência. O nú-

mero de sementes é de aproximadamente 200 por grama. A área da sementeira deve ser calculada com base na área que será plantada e no espaçamento a ser utilizado. Atualmente é possível adquirir mudas ou contratar a produção das mesmas com profissionais que se dedicam a esta atividade. Este sistema é recomendado para cultivo em áreas maiores e apresenta como principais vantagens a rapidez na obtenção das mudas, assim como a boa qualidade das mesmas. O produtor pode fornecer ao viveirista suas próprias sementes ou indicar a cultivar ou variedade e adquirir as sementes no mercado.

Fonte: Embrapa Hortaliças

senvolvimento das raízes por baixo da bandeja, o que facilita a retirada das mudas por ocasião do transplante, evita injúrias às raízes novas e não cria condições para infecção das mesmas por fungos e bactérias do solo. As irrigações (duas vezes por dia, no máximo) deverão ocorrer nas horas de temperaturas mais amenas, ou seja, no início da manhã e final da tarde, utilizando-se água fresca e em quantidade suficiente para que se verifique apenas o início da drenagem (gotejamento) na parte inferior da bandeja. O cuidado nas irrigações é fundamental para se obter mudas de boa qualidade. Em caso de necessidade, deve ser feita uma adubação foliar após o desbaste, pulverizando-se as mudas com uma solução de adubo foliar com uma formulação de macro + micronutrientes. Deve-se evitar o excesso de nitrogênio para não favorecer a proliferação de doenças fúngicas nos tecidos foliares.


ENTREVISTA

Estabelecer estação de monta COLABORA NA REPRODUÇÃO EM REBANHOS DE CORTE Os índices reprodutivos da pecuária brasileira ainda possuem muitas deficiências. Definir um período fixo para a realização da atividade reprodutiva em uma propriedade é um dos grandes desafios para a atividade de corte. O estabelecimento de uma estação de monta (EM) nos rebanhos torna-se uma ferramenta essencial para driblar problemas de reprodução nas fazendas. A estação de monta é um período pré-determinado propício ao acasalamento entre vacas e touros. A concentração dos trabalhos de inseminação artificial é uma das vantagens oferecidas na escolha deste sistema. Para Fernando Andrade, técnico de Corte da Alta, quando se estabelece este período alguns desafios podem ser resolvidos: Fertilidade: no sistema de criação extensivo a fertilidade do rebanho apresenta variações que dependem de fatores como

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condições climáticas. Estabelecer uma época certa para emprenhar a vaca facilita na pressão para a fertilidade. Além disso, ha-

verá mais tempo entre uma monta e outra, o que possibilita a identificação e descarte dos touros menos férteis usados no repasse.


ALIMENTAÇÃO:

é importante poupar os touros na época de menor oferta de alimentos. Concentração de nascimento: estabelecer a estação de monta permite que os bezerros nasçam na mesma época e assim, padroniza os rebanhos. Mortalidade: diminuir o índice de mortalidade de bezerros. Ganho de peso: a época do desmame, 6 ou 7 meses de idade, não deverá ser efetuada durante a seca. Determinar o período que a vaca ficará prenha possibilita o cálculo para evitar esta situação. A escolha da época da estação de monta varia de cada região e das condições da propriedade. Segundo Fernando, os produtores devem estar atentos aos fatos importantes como: a disponibilidade de alimentos, que afeta diretamente a ocorrência de cio; a época de nascimento e a de desmame. Desta

forma é possível diminuir a mortalidade dos bezerros e aumentar o ganho de peso. O tempo de duração pode ser controverso, quanto menor a EM, maior a racionalização dos trabalhos na fazenda. Porém, uma EM curta, entre 72 e 90 dias, é recomendada apenas para propriedades que realizam um bom trabalho em produção de forragem. Para condições tropicais 90 dias é o recomendado boa duração para a estação de monta. Em uma fazenda que deseja aplicar

pela primeira vez a estação de monta no seu sistema de reprodução, o ideal é começar com um período mais longo para não causar prejuízo aos índices de fertilidade. O indicado é iniciar com a duração de seis meses (180 dias) e depois reduzir 15 dias gradativamente a cada ano até ajustar de acordo com o programado. Em rebanhos maiores, com mais de três mil matrizes, é recomendado a realização de duas EM’s: uma de primavera – de outubro a dezembro – e outra de outono – de março a junho.

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Café IRRIGADO A irrigação no cafeeiro é uma técnica cara, mas que ser for empregada de forma correta vale a pena para o cafeicultor. Além de aumentar a produtividade, ela assegura a qualidade do café. Em períodos sem chuva ou de outros estresses, o grão do café cultivado de forma tradicional tende a diminuir e a produtividade cai, com a irrigação não há este problema e não corre também o risco de perder a florada. Existem três sistemas básicos de irrigação utilizados no cafeeiro: a irrigação convencional, o sistema de irrigação localizada por gotejamento e o pivô central. Cada um deles serve para uma região específica em função da geografia do terreno e da extensão de plantio. - PIVÔ CENTRAL - mais indicado para áreas maiores, com declividade até 20%, exigindo menos mão de obra. - GOTEJAMENTO - com baixo custo de instalação, serve para lavouras pequenas ( até 10 hectares) em qualquer tipo de solo, declíveis em até 30% e regiões de baixa disponilidade de água. - TRIPA - de custo inicial inferior, exige mais mão-de-obra, recomendando-se sua utilização em áreas pequenas e médias (até 30 hectares) , em qualquer tipo de solo

e boa disponibilidade de água. Na região oeste da Bahia, com as plantações extensas e planas, é muito comum a irrigação por pivô central. Já no Sul de Minas, tem muita irrigação localizada e a Zona da Mata usa muito a aspersão convencional. Estudos comprovam, para relação custo/ benefício, que compensa implantar o sistema de irrigação em lavouras de café. Em circunstâncias normais, o café sequeiro rende 22 sacas beneficiadas, por hectare, na primeira safra, chegando a 103 sacas no final de três safras, ao passo que o café irrigado rende 37 na primeira e 150 sacas nas três safras. Já em circunstâncias anormais, por

exemplo, com a forte estiagem, a diferença é bem maior em favor da área irrigada. O café sequeiro, na primeira safra, em algumas lavouras ainda atingiu perto de 15 sacas, enquanto em outras não chegou sequer a render 6 sacas por hetare. A presença de um técnico é muito importante, porque o produtor precisa entender qual é a melhor forma de irrigação para a sua propriedade, buscando a que vai melhorar mais a rentabilidade. Apesar de o café tradicionalmente não ser uma cultura irrigada, com o avanço da tecnologia, o sistema de irrigação passou a ser bastante viável.

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RETROSPECTIVA 2 ANOS DE REVISTA A REVISTA MERCADO RURAL ESTÁ COMPLETANDO DOIS ANOS E NESSA EDIÇÃO TROUXEMOS UMA RETROSPECTIVA COM OS PRINCIPAIS ASSUNTOS ABORDADOS NAS OITO EDIÇÕES ANTERIORES, RELEMBRANDO AS REPORTAGENS NESSES ANOS DE MUITO TRABALHO. EDIÇÃO 1 Matéria de capa: A raça de cavalos Pônei com matéria sobre o Haras Fazenda Nova. Destaques da edição: • Entrevista: Roberto Simões, presidente da FAEMG. • Personagem: Rodrigo Costa. • Raça Brahman • A profissionalização do agronegócio • 1ª Suiminas • Agronegócio digital • Grãos • Feileite • Psitacídeos • Criações exóticas: Lhamas • Mercado pet: Leshimaniose

EDIÇÃO 2 Matéria de capa: Alexandre Todeschini, criador de Pampa do Haras da Ginga Destaques da edição: • Entrevista: Elmiro Nascimento, Secretário da Agricultura de Minas Gerais • Personagem: Murilo Sérgio • Como fazer: Fossa septica • Novo Parque da Gameleira • Leilão Pampa Elite Marca Ginga • Lichia • Feinco • Canários • Café • Couro • Exodo rural • Raça Gir • Trabalho escravo no Brasil • Criações exóticas: Avestruz • Mercado pet: Gatos

“O diferencial da revista é a variedade de assuntos abordados, envolvendo o agronegócio de forma leve, porém tratando com seriedade assuntos de grande interesse de nossos leitores”, Amanda Ribeiro, editora.

EDIÇÃO 3 Matéria de capa: Cachaça Pendão, do empresário Giovanni Viotti Destaques da edição: • Entrevista: Alysson Paulinelli, Ex-Ministro da Agricultura. • Personagem: Giselle de Sá Pinto Gontijo • Como fazer: Hidroponia • Expozebu, Agrishow, Avesui, Superagro, Expocachaça e Rio + 20. • Orquídeas • Miniature Mediterranean Donkey • Mini horse • O uso da terra no Brasil • Nascentes • Aves aquáticas • Criações exóticas: Insetos • Mercado pet: Peixes ornamentais

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EDIÇÃO 4 Matéria de Capa: Attualitá Agronegócios, do veterinário Gianfranco Ferreira Destaques da edição: • Entrevista: Alberto Pinto Coelho, Vice-Governador de Minas Gerais • Personagem: Teófilo Soares de Almeida • Como fazer: Biodigestores • Exposições: Mangalarga Marchador, Pampa, Quarto de Milha e Campolina. • Expointer e a Festa do Peão de Barretos. • Integração lavoura-pecuária • Três Barras, 30 anos • Rebanho Agropecuária • Simental brasileiro • Pirarucu • Pisteiros , fundamentais no sucesso dos leilões. • Odontologia equina • Mormo • Projeto Sela Verde • Cavalo Nordestino • Criações exóticas: Cervídeos • Mercado pet: Coelhos gigantes

EDIÇÃO 6 Matéria de capa: Fabiano Lopes Ferreira, da Multimarcas Consórcios. Destaques da edição: • Entrevista: Altino Rodrigues Neto, diretor Geral do IMA • Personagem: Luiz Roberto Horst Silveira Pinto, criador das raças Dorper e Campolina • Como fazer: Viveiro de mudas • Cana de açúcar • Milho • Agricultura familiar • Fazenda São Benedito • Haras Santa Rosa • Cuíca • Plantas carnívoras • Viveiro de mudas • Cupins nas pastagens • Febre aftosa • Cama de frango • Licor de café • Criações exóticas: Ranicultura • Mercado pet: Mini porcos

“Temos orgulho de dizer que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Mercedes Benz, e muitos outros, acreditam na revista Mercado Rural, no retorno e visibilidade que ela dá aos nossos anunciantes”, Marcelo Lamounier, diretor comercial.

EDIÇÃO 5 Matéria de capa: Mini-horse, do criatório Haras JP, de Pedro e Lúcia Goulart Destaques da edição: • Entrevista: Mendes Ribeiro, Ministro da Agricultura • Personagem: Mila de Carvalho Laurindo e Campos • Como fazer: Mini horta • Marchador e Nelore fest • Feileite • Raça Blonel • Haras Tarumã • Morcegos • Geada negra • Inseminação artificial em abelhas • Sardinha • Cerveja de cana • Funrural • Chá Verde • Criações exóticas: Hedgehog • Mercado pet: Furão • Acupuntura veterinária

EDIÇÃO 7 Matéria de capa: Javante do Nilo, de propriedade de Adelaide Veloso, o empresário do Grupo PGV Destaques da edição: • Personagem: Henrique Salvador • Como fazer: Compostagem e vermicompostagem • Expozebu e Superagro. • Minhocário • Papilomatose bovina • Mapitoba • Rotação de culturas • Equitana • Seca • Ora-pro-nóbis • Búfalos • Ipê amarelo • Doença de Lyme • Bebidas de soja • Doença da vaca louca. • Criações exóticas: Gekco Leopardo • Mercado pet: Mini vacas

EDIÇÃO 8 Matéria de capa: Mangalarga Marchador, entrevista com o presidente da sua associação Magdi Shaat Destaques da edição: • Entrevista: Antônio Andrade, Ministro da Agricultura • Personagem: Carlos Junqueira • Como fazer: Estufa • Exposições Campolina e Pampa. • Festa do peão de Barretos e Expointer • Novo código florestal • Cedro australiano • Soja e milho • Jumentos e bardotos • FIV • Alta nos preços da terra • Carne de cavalo • Trufas • Raçao de abelhas • Camarão de água doce • Plantas medicinais • Criações exóticas: Jacarés • Mercado pet: Diamante de Gould

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Barbatimão,

USO DA PLANTA É INDICADO PARA HUMANOS E ANIMAIS O barbatimão está presente principalmente no Bioma do Cerrado brasileiro. Na medicina popular, o barbatimão, principalmente na forma de extrato da casca é utilizado para o tratamento de diversas doenças como leucorreia, diarreia, hemorragia, hemorroida, feridas, conjuntivite, inflamação da garganta e úlcera gástrica, mas esse fitoterápico destaca-se por sua propriedade cicatrizante, antimicrobiana, e antioxidante. A maioria dos estudos sobre cicatrização envolvendo o barbatimão utilizaram o fitoterápico na forma de extrato aquoso ou glicólico, pomadas e cremes a base do extrato seco. A casca do tronco é a principal matéria-prima para o desenvolvimento de produtos medicinais, porém a sua extração

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de forma desordenada, estimulada em grande parte por indústrias farmacêuticas, tem levado ao esgotamento deste recurso, fator agravado pela degradação do meio ambiente, colocando esta espécie em risco de extinção. Como a colheita da casca do tronco é conduzida de forma prejudicial ao barbatimão, a árvore torna-se sensível a ação de microrganismos, insetos, clima e ao fogo. Além disso, a remoção da casca da árvore interfere na longevidade do espécime, pois a casca possui tecidos condutores de seiva elaborada. Além de ser reconhecido como fitoterápico aos humanos, de acordo com pesquisa realizada por Diego Bardal em sua tese de mestrado em Ciências Agrárias da UFMG, descobriu-se que o barbatimão

Fotos: Fernando Ulhoa

UM EXCELENTE CICATRIZANTE

também possui atividade antimicrobiana e pode ser usado como alternativa no tratamento da mastite bovina, um dos principais problemas que afetam as vacas leiteiras. Os remédios que costumam ser utilizados podem prejudicar ainda mais a saúde dos animais, podendo até mesmo provocar sua morte. De acordo com o pesquisador, hoje, o tratamento da mastite bovina é geralmente realizado por antimicrobianos sintéticos que vem sendo utilizado indiscriminadamente desde a década de 1970 e tem causado a seleção de microorganismos resistentes. Hoje, isso tem causado a superpopulação de bactérias resistentes, o que faz com que esses antimicrobianos não sejam mais efetivos na cura da mastite. Então, outras formas de medicamentos estão sendo procuradas, onde entram os fitoterápicos, que não causam também as reações de hipersensibilidade no animal e diminuem os índices de descarte. Os taninos do barbatimão possuem várias propriedades, mas as três principais são as propriedades antioxidantes, quelantes de metais e complexação de macromoléculas, principalmente proteínas e polissacarídeos. Nesse caso, a principal ação empregada são as propriedades quelantes de metais e complexação de macromoléculas, que fazem com que atuem farmacologicamente como antimicrobianos frente a alguns microorganismos, dentre os que causam a mastite bovina.


FAEMG faz balanço do ano E APONTA PERSPECTIVAS PARA O AGRONEGÓCIO EM 2014

CAFÉ EM CRISE, LEI AMBIENTAL E ALFORRIA PARA O QUEIJO FORAM ALGUNS DOS DESTAQUES LEMBRADOS PELO PRESIDENTE DA ENTIDADE, ROBERTO SIMÕES Em um ano em que o café, principal produto do agronegócio mineiro, teve uma de suas maiores crises de preços, pecuaristas de todo o estado tiveram muito que comemorar. Para os setores de carne e leite, 2013 trouxe de volta bons resultados, substituindo o desânimo deixado pelo ano anterior. Perspectivas renovadas, os produtores já estão investindo em mais qualidade e produtividade para encarar os novos mercados buscados pelo Brasil. Esta é também a aposta da FAEMG e da CNA, que este ano organizaram missões empresariais à China e investiram na implementação de programas que garantam maior competitividade para os produtos agrícolas mineiros e brasileiros.

Para o presidente do Sistema FAEMG, Roberto Simões, este foi um ano marcado por grandes lutas e conquistas históricas: “No primeiro semestre, o agronegócio mineiro voltou atenções à mobilização dos produtores em campanha pela revisão do preço mínimo do café. Com grande união e empenho, os produtores se fizeram ouvir e alcançaram vitórias. Já a segunda metade do ano foi marcada por três grandes avanços: a assinatura, em agosto, da Instrução Normativa para a comercialização do queijo minas artesanal; a realização, em setembro, da Semana Internacional do Café em BH; e a aprovação da Lei Florestal Mineira, em outubro”. Em sua avaliação, a legislação florestal representa importante ganho para o

produtor rural em segurança jurídica, especialmente por estar alinhada ao Código Ambiental Federal: “Foi um grande avanço para nosso estado. Nossa meta agora será orientar bem os produtores para o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e, depois, para o Programa de Regularização Ambiental (PRA). O desenvolvimento de uma política de sustentabilidade é de interesse direto do agronegócio e, por isso, a aprovação da legislação estadual foi um dos destaques do ano para todos nós, produtores”, disse Roberto Simões.

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ENTREVISTA

CHEGOU A HORA DE ASSAR O

Peru de Natal ESPECIALISTA ENSINA PRÁTICAS DE MANEJO NA CRIAÇÃO DE PERUS. *Alexander Kohler

Perus não devem ser criados junto com outras aves. Só devemos colocar em reprodução aves sadias e de boa procedência, para obtermos aves precoces, resistentes e de maior rendimento. Em pequenas áreas, os perus devem ser criados no chão, mas em galpão, com “cama” de maravalha fina, sabugo moído ou outro material absorvente. As instalações podem ser simples, mas higiênicas. O “verde” (capins, verduras, confrei etc.) não devem faltar para eles. Para começar a criação, pode-se adquirir ovos, peruzinhos de 1 dia, ou aves, dependendo das circunstancias. Talvez o melhor seja pela aquisição de peruzinhos de 1 dia, já selecionados por especialistas, pois

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requer menos instalações e menores gastos iniciais, inclusive na aquisição das aves. O ideal é adquirir os peruzinhos de 6 a 8 meses antes de uma data especial como o Natal pois, assim, teremos perus para as festas, reservaremos os destinados à reprodução e ainda poderemos vender os excedentes. A alimentação mais indicada é a base de rações balanceadas e o verde, embora, nas criações caseiras possam ser aproveitados outros alimentos, inclusive os restos de comida (para a engorda).

POSTURA É em geral, de 30 a 50 ovos no primeiro ano, chegando a 100 ou 180 nas peru-

as melhores e precoces, decrescendo em 30% no segundo ano. Os ovos devem ser recolhidos todos os dias, datados, marcados com o número da perua e guardados em locais frescos até serem postos a incubar. Um fator que influencia muito na postura é o choco. Para fazer com que as peruas “percam o choco”, basta prendê-las em uma gaiola com água e comida, longe do ninho e em poucos dias o choco desaparecerá. Quando a incubação vai ser natural, devemos evitar que mais de uma perua ponha ovos no mesmo ninho.

ENGORDA Para que os perus engordem, atingindo maiores pesos, basta prendê-los em pequenos cercados (quando não estão em galpões) e submetê-los a uma alimentação especial, quando atingem 4 a 5 meses de idade, reduzindo o verde e dando ração balanceada para engorda. Podemos dar-lhes, também, milho, outros grãos, raízes de mandioca mansa ou aipim, picados em fatias e cruas, de preferência um dia após serem arrancadas ou outros alimentos como batatas cozidas, farelo de trigo, cevada, aveia, leite desnatado, restos de comida, etc.


A engorda dura de 20 a 60 dias. Quando aparecer canibalismo, aumentar o verde e o teor de temas da ração. Os perus comem, em média, desde o nascimento até o abate (28 semanas), 35kg de ração. A ceva rápida é usada em geral, para as raças pequenas, como a Beltsvlle. Os perus desta raça podem ser abatidos com 12 semanas, dando um peso vivo de 2,750 a 3,750kg. As idades para o abate são 26 semanas para fêmeas e machos, antes que nasçam as penas que vão prejudicar a carcaça.

INSTALAÇÕES Podem ser mantidos confinados ou então soltos em cercados, para que possam receber maior assistência e controle. Como são muito resistentes, basta que lhes sejam fornecidos abrigos para passarem a noite e se protegerem das chuvas, dos ventos, do frio e do sol muito forte. Devem ter sempre ração à sua disposição. Comem, em média, 200 a 300g por dia. Nos abrigos ou galpões podemos colocar poleiros, todos à mesma altura, medindo 5cm de grossura e 10 de largura, separados 60 a 80cm uns dos outros e abrigando 2 a 3 perus por metro linear. Manter luz acesa nos abrigos ou galpões é uma boa medida porque, embora comam mais, os perus crescem e se desenvolvem mais rapidamente. Devemos fornecer-lhes pedriscos ou areia, para maior aproveitamento dos alimentos e melhoria das suas condições de saúde, porque concorrem para melhor trituração e assimilação dos alimentos. Os terrenos devem ser grandes, secos, gramados e com divisões para permitir á rotação das pastagens. Nos primeiros dias, os comedouros e bebedouros devem ficar próximos aos abrigos, sendo afastados gradualmente, para obrigarem as aves a se espalharem, fazendo exercícios. Não aconselhamos a colocação de perus adultos em gaiolas, porque podem aparecer inchações nas patas, prejudicando as aves. O melhor é ficarem sobre cama.

INCUBAÇÃO Pode ser natural, feita pelas próprias peruas, que incubam de 15 a 25 ovos de cada vez, são boas chocadeiras e, às vezes, não abandonam o ninho nem para comer. Neste caso, devemos retirá-las do ninho para forçá-las a se alimentarem, Os ninhos podem ser feitos de simples caixotes de madeira medindo 40cm x 50cm e com uma camada de palha ou capim seco, no fundo. Podemos usar, também, a incubação artificial, com o emprego de chocadeiras, sendo mais indicada para as grandes criações, embora existam incubadoras para poucos ovos. A temperatura deve ser de 38,5ºC, aumentando até 39,5ºC no final da incubação. Os ovos devem ser virados 2 a 3 vezes ao dia, examinados no 9º dia (é observada a “aranha” ou “anel de sangue”) e no 23º dia. A incubação dura 28 dias. Os ovos devem ter no máximo 10 dias após a postura, mais de 70g e serem de aves precoces e sadias. Os de peruas muito novas são pequenos e, em geral, não são férteis.

OS PERUZINHOS Quando saem dos ninhos ou das incubadouras, os peruzinhos devem ser colocados em criadeiras ou baterias, com piso de tela ou ripa de madeira ou mesmo sobre uma cama adequada e com uma fonte de calor (lâmpada de raios infravermelhos), aí permanecendo até 9 a 10 semanas, pois posteriormente são levados para parques gramados ou então para galpões com cama. Nessa época devem ser vacinados contra a bouba. Um metro quadrado comporta 10 peruzinhos. Sua alimentação deve ser com ração balanceada “inicial”, com 26% de proteínas, até 30 dias de idade, passando para a de crescimento com 18 a 20% mas, na falta desta, podem receber a de adultos. O “verde”, não deve faltar nunca. Quando soltos nos campos, “pastam” como bois, economizando 20 a 25% de ração. Nas pequenas criações e nos primeiros dias, podem receber quirera de milho, ovos

cozidos picados, verduras picadas, pão com leite e aveia. Até aos 3 meses devem ser bem protegidos do sol, das chuvas, dos ventos e da umidade, pois é nessa idade que passam pela “crise do vermelho”, facilmente superável pelas aves sadias e bem alimentadas. Torna-se, depois, uma das aves mais resistentes. Podem ser mantidos em galpões até serem vendidos para o corte ou abatidos. Não é aconselhável aglomeração ou a permanência de perus em terrenos muito pisados, dos quais não possam ser mudados pelo menos todas as semanas.

REPRODUTORES A proporção deve ser de 1 macho para 8 a 10 fêmeas. É preferível que cada macho com suas fêmeas seja separado dos demais, para evitar as brigas. Os machos devem ser escolhidos de acordo com o tamanho das fêmeas. Para machos de 14 ou 15kg, devemos escolher fêmeas de mais ou menos 8kg. Os machos devem ser sadios, vigorosos, de bom tipo ou padrão da sua raça e de preferência de 9 a 10 meses de idade. As pernas devem ser sadias, fortes, dentro do padrão da raça, com 8 meses e devem ser retiradas da reprodução, com 3 anos de idade. A inseminação artificial é empregada como rotina e com sucesso, nas grandes criações.

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Produção de grãos AVANÇA 50% EM OITO ANOS, MOSTRA EXPEDIÇÃO SAFRA

Os trabalhos desta edição seguem até o primeiro semestre de 2014. Além de percorrer os 14 estados brasileiros responsáveis por 90% da produção nacional de soja e milho e as regiões produtoras dos Estados Unidos, Paraguai e Argentina, a temporada 2013/14 fecha com uma viagem a África.

MAPA LOGÍSTICO Foto: Christian Rizzi

Coordenador da Expedição, Giovani Ferreira, lança 8ª edição do projeto que levanta o debate em busca de soluções e alternativas aos gargalos do agronegócio.

PROJETO MOSTRA EXPANSÃO ACELERADA DA AGRICULTURA E AMEAÇA QUE GARGALOS LOGÍSTICOS REPRESENTAM No momento em que o Brasil planta nova safra recorde de grãos e se depara com uma demanda por alimentos de uma população mundial que deverá passar de 7 bilhões a 9 bilhões até 2050, foi lançada no mês de novembro, em Foz do Iguaçu (PR), a 8ª edição da Expedição Safra sob a temática “Expansão que desafia preço, mercado e sustentabilidade”. O levantamento técnico-jornalístico acompanha as potencialidades do plantio à colheita de grãos desde 2006/07 e nesse período verificou que a produção cresceu perto de 70 milhões de toneladas, passan-

do de 131,57 milhões de toneladas até atingir potencial para 200 milhões de toneladas para esta safra – um crescimento de mais de 50% nos últimos oito anos. “Agronegócio hoje é o que traciona a economia e, para o crescimento sustentável, é preciso haver mercado, infraestrutura e logística. A Expedição Safra objetiva levantar o debate em busca de soluções e alternativas aos gargalos”, afirma o coordenador do projeto, Giovani Ferreira. Ao todo, o levantamento já percorreu mais de 350 mil km em dez países na América do Norte e do Sul, Europa e Ásia.

Durante o evento, também foi apresentado o mapa logístico do Brasil, que objetiva mostrar um retrato de onde se produz, quais são as distâncias e percursos de escoamento, bem como as portas de saída da produção brasileira. Novidade desta temporada, o material terá atualização anual, acompanhando as sondagens da Expedição. “Apesar de precária, a infraestrutura brasileira está melhorando. Mas é necessário discutir a respeito, pois aí está o diferencial competitivo”, avalia Ferreira. Desenvolvida pelo Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), a Expedição Safra 2013/14 conta com apoio técnico da INTL FC Stone e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), além de apoio da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Toyota. O projeto é um oferecimento do Governo do Paraná, apresentado pela New Holland, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e copatrocínio da Seara.


ENTREVISTA

CRIAÇÃO DE

Codornas LUCRATIVIDADE ALTA COM CUSTOS BAIXOS PARA O PRODUTOR De acordo com pesquisa do IBGE, divulgada no mês de outubro de 2013, única dentre as espécies de animais investigadas a apresentar crescimento, o efetivo de codornas cresceu 5,6% no Brasil entre 2011 e 2012, chegando a 16,436 milhões de unidades, bastante concentrado no Sudeste, sobretudo em São Paulo, que detém de 51,1% da produção nacional. A produção de ovos de codorna, de 284,973 milhões de dúzias ao longo de 2012, representou um incremento de 9,4% sobre 2011 e o preço da dúzia de ovos passou de R$0,83 para R$0,96. “Eu quero um ovo de codorna pra comer, o meu problema ele tem que resolver”. Quem nunca ouviu essa famosa frase da letra de Luiz Gonzaga? Os ovos de codorna tem sabor semelhante aos ovos de galinha e segundo dizem, é afrodisíaco. Com pouco

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colesterol e muita proteína, vitamina B1 e B2 e nutrientes como ferro, fósforo e cálcio, os ovos são produzidos em abundância e ótimos produtos para serem comercializados. No Brasil é muito comum a criação de codornas pela facilidade e baixo investimento. Fáceis de manusear, de rápido crescimento e produtivas, as codornas são ótimas para criadores inexperientes. Mas como toda criação, exige um mínimo de cuidado, por isso é importante que as aves sejam de boa procedência, tenham à disposição alimento de qualidade, vitaminas e medicamentos, e vivam em ambiente limpo e livre de doenças. É importante também evitar o sol e o vento freqüente. As codornas podem ser criadas em espaços livres ou em gaiolas, na proporção de um macho para três fêmeas e chegam

a botar 300 ovos por ano, dependendo do manejo. Esses ovos podem ser destinados à reprodução ou para consumo humano, cuja comercialização é bastante grande. Criar codornas para produção de ovos é uma atividade que tem atraído novos produtores por seu baixo custo e ótima aceitação do produto em restaurantes, mercearias e demais pontos de vendas. Apesar da carne de codorna ser bastante saborosa, criá-las com essa finalidade irá exigir maiores investimentos do produtor. Um dos fatores que encarecem a atividade é o uso de chocadeiras. Como as aves não chocam os próprios ovos quando vivem em cativeiro, o criador tem de recorrer a esses equipamentos para garantir que nasçam os filhotes. Já o abate tem que ser realizado em frigoríficos aptos e credenciados a fazê-lo. As codornas ficam adultas com 45 dias de idade, quando são encaminhadas para o abate, caso a criação seja para esse fim, se a finalidade for a reprodução, a partir daí


faz-se o aproveitamento dos ovos. As codornas devem viver em temperatura ambiente, porém deve-se ter cuidado com a umidade. Por ser uma ave altamente rústica e muito produtiva, ocupando pouco espaço, pode-se fazer uma criação integrada com outros animais. Deve-se observar a altura dos bebedouros e comedouros para essas aves para evitar que elas não alcancem os alimentos e a água. Os ovos destinados à incubação devem ser selecionados e levados à incubadora no prazo máximo de 10 dias de armazenagem em local seco e fresco. Ovos com casca defeituosa ou tamanho indesejado devem ser descartados da incubação e encaminhados para consumo. O período de incubação dos ovos de codorna é de 16 a 17 dias. Além dos ovos e da saborosa carne, o criador ainda pode vender esterco de codornas para floriculturas e hortas. No caso de criação para o abate, restos como ossos, cabeça, pata, penas e vísceras são matérias-primas para a produção de sabão, ração e óleo.

- 2000 aves é um número que não exigirá disponibilidade integral para a atividade e poderá promover o retorno do investimento a curto prazo. Ideal para o empreendedor que quer criar codornas sozinho e sem dedicação exclusiva; - se a disposição de trabalho for integral ou houver a possibilidade de contratação de um trabalhador, esse número deve situar-se entre 5 e 10 mil aves, para que a mão-de-obra não se torne ociosa. Fonte: ABCAVES


Vespas Mandarinas

MAIOR VESPA DO MUNDO CAUSOU A MORTE DE 42 PESSOAS NA CHINA A vespa gigante asiática ou vespa mandarina é a maior vespa do mundo, sendo nativa da Ásia oriental e encontrada em ambiente tropical. Seu comprimento é de aproximadamente 5 centímetros e consegue voar por cerca de 100 quilômetros por dia e alcançar até 45 km/h. No Japão, a vespa mandarina é chamada de abelha do pardal, alusão ao seu tamanho e coloração. A vespa mandarina é uma caçadora implacável que se alimenta de outros grandes insetos, tais como abelhas, outras vespas e louva-a-deus. As vespas mandarinas atacam frequentemente colmeias de abelhas do tipo européia com o objetivo de obter as larvas. Uma única vespa ao se aproximar cautelosamente do ninho, libera um feromônio que conduzirá as outras vespas até a colmeia. As vespas mandarinas podem devastar completamente uma colônia de abelhas : um único zangão pode matar 40

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abelhas graças as suas grandes mandíbulas que podem rapidamente golpear e decapitar uma abelha. Elas demoram apenas algumas horas para eliminar a população de uma colmeia de 30.000 membros. No final da batalha as vespas se alimentam das larvas e do mel das abelhas.

ATAQUE E MORTES NA CHINA Uma incomum onda de ataques de vespa causou 42 mortes e deixou quase 1,6 mil feridos na província de Shaanxi, no norte da China, nos meses de setembro e outubro. Nos humanos, a picada da vespa mandarina é tóxica e pode fazer com que os rins parem de funcionar e a toxina dos ferrões também podem provocar choques anafiláticos mesmo em pessoas que não são alérgicas; além disso, o veneno é tão forte que as áreas picadas ficam com feri-

das negras do tamanho de uma moeda. A província chinesa manteve ativo o alerta de setembro á novembro quando foi percebido o aumento das mortes em relação aos anos anteriores. Os ataques de vespa são mais comuns nesta época do ano no país asiático. As autoridades locais divulgaram informação aos cidadãos sobre como se proteger das picadas, e pediram que todos os estados se integrem para combater esta onda e destruir os ninhos de vespas que existem em áreas muito povoadas. As altas temperaturas registradas em Shaanxi deixaram os insetos mais ativos, explicou à agência Huang Rongyao, um especialista do Bureau Florestal da cidade de Ankang, uma das mais afetadas pelos ataques. No entanto, para o professor Hua Baozhen a principal causa é a redução do número de “inimigos naturais” das vespas, como aranhas e pássaros, consequência de mudanças ecológicas.


ENTREVISTA

Profissionais com formação DIFERENCIADA GANHAM ATÉ R$ 80 MIL EM NOVAS CARREIRAS DO AGRONEGÓCIO

Com o crescimento e profissionalização cada vez maior das empresas de agronegócios, novos cargos foram criados pelas grandes companhias do segmento. De acordo com levantamento realizado pela Abrahams Executive Search, empresa brasileira especializada em recrutamento, as companhias buscam profissionais com sólida formação técnica em profissões tradicionais, como engenharia agronômica, zootecnia e veterinária, mas que tenham se especializado em alguma área diferenciada, como finanças, seguros ou avaliação patrimonial. “Profissionais com este perfil são tão raros e demandados atualmente que, além de generosos pacotes de bene-

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fícios, recebem salários que variam de R$ 25 mil a R$ 80 mil mensais”, explica Jeffrey Abrahams, presidente da empresa e membro do Board das Américas da AESC (Associaciation of Executive Search Consultants). Um exemplo é o cargo de Gestão de Farming, tanto na área de grãos quanto etanol, que exige altos executivos capazes de buscar e adquirir novas terras com menores preços para prepará-las fisicamente e legalmente para futura venda ou uso para agricultura de precisão. “É necessário que o profissional saiba exatamente o processo de registros, demandas ambientais e os quesitos para a seleção das terras, como as questões pluviométricas, climáti-

cas, adequação geográfica e de solo. Como competências, podemos citar a capacidade de trabalhar matricialmente e de ter uma visão financeira e de negócios muito apurada, características essas raras nos engenheiros agronômicos”, explica Jeffrey. Outro novo cargo é o de Gestor de Risco Agrícola, que exige profissional capacitado tecnicamente para o mapeamento de áreas agrícolas para resseguro. É necessário que o executivo tenha grande network entre decisores, conhecimento de underwriter agrícola e de legislação do mercado de seguros. Já o Gestor de Acesso ao Mercado tem a função de maximizar a penetração de mercado e buscar de ferramentas fi-


nanceiras para diminuir a perda cambial e preço de commodities para a companhia. É um profissional que precisa conhecer as cadeias de valores nas diferentes regiões do país, além de ferramentas de distribuição e vendas, marketing, CRM e financeiras. “Essas novas profissões têm salários muito atrativos. Logo, não é a falta de interesse que traz a dificuldade para as empresas de captar o profissional certo, mas sim de achar o executivo que tenha todas as competências exigidas por esses novos cargos”, explica o consultor de executive

search. “O Brasil agora esta acordando, e dando mais ênfase em cursos administrativos e financeiros”, comenta. O conselho de Jeffrey para engenheiros agronômicos, zootecnistas, veterinários e outros profissionais com graduação em profissões ligadas ao agronegócio é buscar especialização na área financeira, imobiliária ou se seguros. Para esses profissionais, ele acrescenta, o domínio da língua Inglesa também é essencial, já que boa parte dos cargos mais valorizados é oferecida por multinacionais e grandes investidores globais.

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ECONOMIA

Os desafios para 2014 continuam... Em 2013 vivemos momentos de grandes efeitos nos mercados globais. Percebendo a melhora no cenário econômico norte americano, alguns membros do Fed (Federal Reserve) testaram o mercado no mês de junho deste ano, ao comentarem publicamente que defendiam o início da retirada dos estímulos, atualmente em 85 bilhões de dólares ao mês. Naquele mês, os investidores elevaram as taxas de juros dos mercados, mais rápido e em maior nível do que o próprio banco central norte-americano esperava. O que se viu a partir dali foram declarações controversas, com parte de integrantes com direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Fed contrários à continuidade dos incentivos e os defensores com argumentações de que a economia ainda encontrava-se frágil. Para essa última vertente, pesava principalmente o fato de a inflação continuar em trajetória descendente e distanciando-se cada vez mais da meta do Comitê de 2% ao ano, o que representava um risco para a recuperação

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econômica em vigência. No Brasil, o quadro de deterioração econômica parece ter catalisado esse ambiente de aversão ao risco, com o Real sendo umas das moedas que mais se depreciaram em todo o mundo em 2013. O modelo econômico praticado pelo atual Governo baseado na elevação da renda e do crédito através dos benefícios sociais e do aumento do Estado na economia, parece cada vez mais esgotado. Uma onda de manifestações iniciada em São Paulo espalhou-se pelo país pedindo “passe livre” no transporte público, com reivindicações de melhorias na saúde e educação, contra a corrupção e o “sistema político” brasileiro. Todo esse movimento popular, somado ao ambiente inflacionário alto, piora da balança de pagamentos e da situação fiscal, baixo investimento e medidas intervencionistas, provocaram uma queda na popularidade do Governo Dilma e nos índices de confiança dos empresários e consumidores brasileiros.

Por Rodrigo Dias, sócio e head da AF Invest, Gestão de Investimentos. A manutenção de politicas macroeconômicas equivocadas não elevaram as condições de poupança e investimento na nossa economia. O país investiu menos de 18% do PIB em anos anteriores, nos níveis de países desenvolvidos como a Alemanha (17%) e Estados Unidos (16%), e menos que outros países emergentes como China (47%) e Índia (35%), provocando um PIB potencial baixo. O resultado fiscal em 2013 foi prejudicado por diversos fatores, como desempenho ruim das principais empresas estatais (Petrobrás e Eletrobrás), redução do crescimento econômico (o que gera menos arrecadação), inchaço da máquina pública, entre outros. No entanto, somente não será pior em virtude de arrecadações extraordinárias, como o Refis e o leilão do Campo de Libra, com arrecadação de R$ 20 bilhões no primeiro e R$ 16 bilhões no segundo. Diante de todo esse agravamento, somamos a relação dívida bruta/PIB em cerca de 60% do PIB, um dos níveis mais altos para países emergentes, e um fraco


crescimento esperado de 2,3% para o ano de 2013 e caindo para abaixo de 2% em 2014. Assim, o Brasil se apresenta como o primeiro candidato a rebaixamento da nota de classificação de risco. Seria muito difícil perdermos o grau de investimento, pois precisaríamos perder duas notas. De qualquer forma, a luz amarela foi acesa. Mesmo com todo esse cenário de dificuldade de reversão, temos 4 fatores que podem mudar o ritmo de crescimento brasileiro: (i) A economia mundial mais forte elevando os preços das commodities agrícolas e de materiais básicos; (ii) Inicio na redução do QE3 de forma amena e gradual; (iii) Aumento dos investimentos impulsionados pelas concessões em infra-estrutura; (iv) Eleições Presidenciais. O item (i) seria especialmente benéfico para o país, na medida em que o Brasil é um grande exportador de commodities,

como o minério de ferro e a soja. O item (ii) auxiliaria na redução da volatilidade nos mercados, criando um ambiente mais favorável para o investimento estrangeiro de longo prazo no Brasil. O item (iii) é essencial para se aumentar o PIB potencial do país de longo prazo, uma vez que o modelo atual de crescimento voltado para expansão do crédito dá sinais de esgotamento. Por fim, o item

(iv) representa a necessidade da eleição de um Presidente com uma postura “pró-mercado”, o que auxiliaria na retomada da confiança do setor produtivo.


ENTREVISTA

O FUTURO DO

Brasil

EM UMA PERSPECTIVA SOBRE POPULAÇÃO, ALIMENTOS, ASSIMETRIAS E OPORTUNIDADES Maurício Antônio Lopes, Presidente da Embrapa

A ousadia de a vida se multiplicar em locais em que há falta de alimentos é um desequilíbrio que aqui chamamos de assimetria. Para a maioria das espécies, obedientes à regulação da natureza, o normal é a vida florescer onde há fartura de alimentos. Mas, com gente é diferente, já nos ensinou Jair Rodrigues, em “Disparada”: gente não gosta de ser regulada, gosta de ter liberdade para ousar e errar. Sob condições favoráveis, as pessoas se organizam para produzir com eficiência e garantir sua segurança alimentar. Elas controlam os fatores de produção e de sobrevivência. Reduzem a mortalidade, aumentam a longevidade e, para manter o equilíbrio entre oferta e demanda por alimentos, controlam a natalidade. E há aquelas que, nos desertos ou nas geleiras, com restrições para produzir alimentos e mesmo sem controles de natalidade e de mortalidade, conseguem superar os limites da natureza e fazer suas populações crescerem. Na Ásia, a China e a Índia, duas entre as

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três nações maiores produtoras de grãos, com sólidas políticas públicas e investimentos em ciência, já usam grande parte de suas terras aráveis. A maioria dos países da região convive com restrições para expansão da área agrícola e com poucos investimentos em ciência e tecnologia. A África tem muitas terras agricultáveis, mas ainda depende de um amplo esforço de geração e adoção de tecnologias para obter ganhos consistentes de produtividade nas lavouras, eficiência no uso de recursos e estabilidade na produção. Mudanças estruturais profundas, como construção da infraestrutura de produção, são necessárias. É possível prever, nesses dois continentes, crescente desequilíbrio entre o aumento de população, a sofisticação da demanda (com a melhoria na renda familiar) e a disponibilidade de áreas para maior produção agrícola. A demanda por alimentos, nas próximas duas décadas, deve crescer mais que a capacidade de ofertá-los.

Tudo isso impactará o mercado de alimentos, em quantidade e qualidade, abrindo novas perspectivas para o Brasil (quarto maior produtor de grãos) e países sul-americanos, que reúnem condições para a expansão da produção agrícola. Os avanços da produção local vão garantir a segurança alimentar dos brasileiros e podem suprir a parcela significativa dessa nova demanda internacional. Mas não será tarefa simples. O Brasil terá que aumentar ainda mais a produtividade na agricultura e pecuária, o que vai requerer novas tecnologias do tipo “poupa recursos” (terra, água, etc.). Só assim poderá liberar pastagens degradadas para cultivo de grãos. Será necessário investir no amplo campo das “novas ciências” (nano, bio e geotecnologias), automação e mecanização, para aumentar a produtividade do trabalho e consolidar a agricultura de precisão em propriedades de médio e pequeno porte, ajudando-os a poupar insumos e viabilizar novos modelos de negócios agrícolas sustentáveis. Inovações em tecnologias da informação e comunicação terão que ajudar mais produtores, sobretudo os de pequeno porte, a participarem desse crescimento. A intensificação da produção e da movimentação de safras vai pressionar a logística de transporte e armazenagem. Os alimentos terão que circular de forma mais intensa pelo mundo com implicações para a produção, o comércio, a defesa agropecuária, a segurança dos alimentos e a pesquisa agrícola mundial. O Brasil terá que estreitar a malha de monitoramento de pragas e doenças e ser mais ágil em operacionalizar as estratégias de segurança biológica. Enfim, mudanças cada vez mais rápidas, em cenários mais móveis e complexos. Garantir que assimetrias se transformem em oportunidades para os brasileiros exige que o país aumente a sua capacidade de antecipar mudanças e de redefinir o foco de intervenção dos setores público e privado. Requer, também, mais inteligência estratégica para antecipar e planejar ao invés de simplesmente reagir. Significa a chance de aprofundar a profissionalização da agricultura brasileira. Não é oportunidade que se perca.


Presunto ibérico O MELHOR PRESUNTO DO MUNDO

TAMBÉM CONHECIDO COMO PATA NEGRA, PRESUNTO ESPECIAL É DERIVADO DO PORCO IBÉRICO Para conservar as carnes por mais tempo, numa época em que não havia geladeiras, o homem desde a mais remota antiguidade aprendeu que era preciso tirar dela todo o líquido. “Perexutos”, em latim, quer dizer exatamente isso - “privado de todo líquido”. Curioso é que esse processo utilitário ainda deixa as carnes, sobretudo de porco, muito mais saborosas. Sem contar que, apesar de servidas cruas, não estragam porque são “curadas” em um processo que inibe o crescimento de bactérias. A fabricação dos presuntos se faz por etapas - salga, defumação, secagem, condimentação, maturação. O presunto ibérico ou presunto de pata negra é um tipo de presunto curado produzido principalmente na Espanha e Portugal, baseado no porco preto ibérico que também se designa como porco de pata negra ou porco de raça alentejana. Um porco meio selvagem, gordo, com pêlo, pernas longas, canelas finas e famosas unhas escuras, daí vindo o nome como é conhecido - “pata negra”.

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Para a sua produção o animal deve contar com um mínimo de 50% de pureza desta raça para poder chamar-se “presunto ibérico”. As principais características que distinguem os presuntos ibéricos pela qualidade provêm da pureza da raça dos animais, da criação em regime extensivo de liberdade em montados arborizados, onde os animais se movem livremente, e o processo de cura, que se estende dos 8 aos 36 meses, sendo tanto mais demorado quanto maior a peça e a quantidade de bolotas que o porco ingeriu. São abatidos em local próprio (chacineria), quando atingem por volta dos 180 quilos, entre 14 e 18 meses. Depois de mortos por choque elétrico, os animais seguem ritual que se reproduz há séculos. Primeiro são lavados em água morna, tosados e resfriado por 24 horas. Então são cortados em partes - reservando-se as pernas traseiras para fazer o presunto. Do restante da carne do porco ibérico se faz “chorizo” - de todo tipo: finos ou grossos, secos ou defumados, temperados com ervas e colorau; e “lomo embuchado” - lombo do porco curado, limpo de gorduras e bem temperado. A carne destinada ao presunto é pendurada, até que todo o sangue

escorra. Em seguida, cobre-se com camada grossa de sal; permanecendo assim, a carne, por 14 dias. Depois são lavados e armazenados, por seis semanas, em local fresco (entre 6º a 8ºC) que mais parecem adegas. Inicia-se então o processo da cura. Para tanto pendura-se o presunto, com cordas ou ganchos, em secadouros (secaderos). Sendo a entrada de ar fresco, regulada segundo o clima, com dispositivo especial. Essa carne então “transpira”, chegando a perder até um terço de seu peso inicial. Depois as peças vão para local com temperatura ainda menor, onde ficam penduradas por mais 14 meses. Esse tempo é necessário para que o fungo Penicillium roquefortis, o mesmo do queijo roquefort, possa cobrir a carne - produzindo sabor e aroma característicos do presunto. Todo o processo de preparação e cura dura, em média, 30 meses. Depois de pronta, a peça terá entre 6 a 8 quilos, com gordura marmorizada em toda a carne. O presunto ibérico representa cerca de 8% da produção de presunto em Espanha e atinge preços elevados, entre os 50 euros por quilograma para os de qualidade menor, até aos 120 euros por quilograma para os de categoria superior.


Ovinos expostos ao sol PODEM TER FISIOLOGIA ALTERADA A exposição solar tem potencial para alterar parâmetros fisiológicos de ovinos. Os animais das raças Dorper e Merino Branco demonstraram maior capacidade em perder calor. É o que aponta uma pesquisa realizada pela zootecnista Cláudia Caroline Barbosa Amadeu, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. O estudo comparou a resposta de ovelhas de corte de três raças em exposição à radiação térmica. Os animais das raças Dorper e Merino Branco demonstraram maior capacidade em perder calor pela transpiração que os ovinos da raça Santa Inês. A pesquisa de mestrado “Tolerância ao calor em ovinos das raças Santa Inês, Dorper e Merino Branco” foi orientada por Evaldo Antônio Lencioni Titto. Os resultados da pesquisa visam auxiliar os produtores para um melhor desempenho dos animais e para que sejam criados ambientes próprios para seu desenvolvimento mais pleno, sempre possibilitando um desempenho mais aprofundado. O experimento teve início em julho de 2010 e terminou em novembro de 2011.

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Neste período, foram feitas duas coletas de dados no verão brasileiro e uma outra coleta no verão em Portugal. Cláudia faz parte de um grupo de pesquisa que trabalha com o bem-estar e comportamento de animais de produção. A motivação pelo estudo de ovinos de corte vem do crescente destaque que esse segmento está tendo, devido ao consumo. A partir dos experimentos, foi possível perceber que as três raças tiveram parâmetros fisiológicos alterados devido à exposição ao sol. Os animais da raça Santa Inês mostraram mais vulnerabilidade à radiação, já que a sua capacidade termolítica foi considerada menor, quando comparados aos animais das raças Dorper e Merino Branco. O resultado surpreendeu a pesquisadora: a raça Santa Inês é brasileira e por isso era esperado que ela demonstrasse maior tolerância às condições ambientais estressantes de altas temperaturas. Também foi possível perceber que os animais Merino Branco e Dorper apresentam maior capacidade termolítica que os ovinos Santa Inês. No que diz respeito ao manejo alimentar, ele influencia no comportamento fazendo os animais buscarem ou não sombra.

Para chegar aos resultados obtidos, foram empregadas várias metodologias. “Para o índice de capacidade termolítica (ITC), a metodologia foi uma fórmula desenvolvida por S. F. Amakiri e O. N. Funcho em 1979 e adaptada por Evaldo Antônio Lencioni Titto em 1998, na qual utiliza-se uma medida de temperatura retal após os animais terem repousado à sombra (TR1) e uma medida de temperatura retal após os animais serem expostos ao sol (TR2) – [ITC= 10 - (TR2 - TR1)]. “Por meio do número obtido é possível dizer a capacidade que o animal tem de perder calor e restabelecer a temperatura normal após o fim da exposição à radiação solar estressante”, explica Cláudia. A partir do resultado encontrado é feita uma análise. Quanto mais próximo de 10, mais adaptado às condições ambientais o animal está. Outra metodologia empregada foi a descrita por A. V. Scheleger e H. G. Turner, em 1965, que avalia a taxa de sudação dos animais estudados. “E a terceira metodologia empregada foi a proposta por P. Martin e P. Bateson em 1986 para registros do comportamento desses animais”, relata Cláudia. Com essa metodologia é possível entender as razões comportamentais sobre a posição dos animais (ao sol ou a sombra), a postura (deitados ou em pé), e as atividades (ruminando, pastejando, em ócio ou outros). A importância da pesquisa reside no conjunto de dados sobre o comportamento dos animais durante o experimento: “os dados podem nos indicar mais especificamente o que se passa com os animais quando estão em situações de estresse térmico, podendo assim os criadores intervirem com manobras de manejo como, pastos com presença de sombras ou galpões arejados e horários de pastejo desses animais — visto que estes procuram se alimentar nas horas mais frescas do dia, assim, obteremos o maior desempenho possível desses animais”, afirma Cláudia. A pesquisadora também ressalta que para manter uma boa produção, o criador deve estar atento aos cuidados fundamentais com os animais: nutrição, reprodução, sanidade e manejo.

Fonte: ACCOBA

A BUSCA POR RESULTADOS


Crise do café PUXA INDICADORES DO AGRONEGÓCIO PARA BAIXO

O agronegócio mineiro desacelerou em outubro. A crise de preços enfrentada pela cafeicultura puxou para baixo os resultados dos principais indicadores do setor: VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária Mineira), IPR (Índice de Preços Pagos aos Produtores) e Balança Comercial, de acordo com pesquisa divulgada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). O decréscimo só não foi maior graças ao bom desempenho da pecuária, que está em fase de preços remuneradores.

VBP A pecuária garantiu estabilidade ao VBP, que fechou o mês 0,5% maior que em setembro. O segmento responde por 44,64% do VBP da agropecuária mineira, estimado em R$ 46,8 milhões. Com os dados de outubro, o valor da produção de proteínas animais subiu 18,5%, com estimativa de encerrar 2013 em quase R$ 30 milhões. O boi gordo teve o melhor desempenho, com crescimento de 25,2%; seguido pelos suínos (24,1%), frango

(16,7%), Leite (14,8%) e ovos (10,4%). Em contrapartida, o valor dos produtos agrícolas reduziu 10,5%. A maior queda foi registrada pelo café (31,6%). O grão responde por 16,78% do VBP, o que explica os resultados gerais. O milho também não teve bom desempenho e ficou com VBP 10,3% menor. O mesmo ocorreu com o algodão, que registrou queda de 10,9%, em função da produção 36,2% menor. A soja permaneceu estável, 0,5%. Dentre os cultivos, destacam-se as altas da batata (114,8%) e do tomate (43,6%) - ambos já encenaram o papel de vilão da inflação este ano – e da cebola (45,7%).

IPR Apesar da estabilidade do VBP e dos índices de inflação acima de 4% apontarem os alimentos como impulsores, os preços pagos aos produtores mineiros caíram 6,11% nos últimos 12 meses. A maior queda foi do café, que chegou a 32,75%. O milho e a soja também contribuíram com reduções de 16,41% e 11,38% respectivamente. Os produtos pecuários foram os que

melhor remuneraram. O destaque é o preço pago pelo leite, com alta de 29,16% nos últimos 12 meses. Para os suinocultores os ganhos também foram maiores, os preços recebidos aumentaram 22,3%. O boi gordo é outro destaque, com crescimento de 6,52%.

BALANÇA COMERCIAL No comercio exterior os resultados até outubro também não foram os melhores. O saldo gerado, US$ 5,18 bilhões, foi 6% menor que no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, as exportações do agronegócio renderam 3% menos que no mesmo período de 2012, somando US$ 6,2 bilhões; apesar de terem crescido 14% em volume. Do outro lado, houve aumento das importações em 9%, chegando a US$ 1,08 milhão. Novamente o café, principal produto das exportações do agronegócio mineiro, aparece com um dos piores resultados. Desde o início deste ano foram embarcadas 904,4 mil toneladas – 19% mais que nos 10 primeiros meses do ano passado, mas a receita gerada diminuiu 17% (US$ 2,5 bilhões). A pecuária registrou resultados positivos. As vendas externas de carnes cresceram 12% em receita (US$ 803 milhões) e 8% em quantidade (296,2 mil toneladas). Todos os segmentos apresentaram aumento na renda e no volume. A exportação de carne suína foi destaque com aumentou 29% em receita e 21% em volume.


BEBIDAS

PRODUÇÃO ORGÂNICA DE

Leite

João Paulo Guimarães Soares Pesquisador da Embrapa Agrobiologia

A produção de alimentos orgânicos é uma demanda atual da sociedade. O consumidor deseja alimentos de qualidade, a preço justo, saudáveis do ponto de vista sanitário (livres de zoonoses, como a brucelose, tuberculose, etc.), isentos de resíduos químicos e biológicos (antibióticos, vermífugos, hormônios, príons, etc.) e produzidos com menor uso de insumos sintéticos. Além do mais, existe a preocupação com a conservação do meio ambiente e a biodiversidade, com a geração de empregos no campo, diminuindo o êxodo rural, assim como, com o bem estar animal. A produção orgânica de leite, é um modelo de produção que tem em sua essência a simplicidade e a harmonia com a natureza, sem deixar de lado a produtividade e a rentabilidade, sendo considerada uma alternativa para o produtor preocupado com a qualidade e rentabilidade. Mesmo esta atividade sendo ainda incipiente na região, estimativas da FAO indicam que o segmento de produtos orgânicos deverá aumentar sua percentagem do total das vendas de alimentos nos países industria-

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lizados em até 30%, em função de que parcela significativa dos consumidores, principalmente de grandes centros urbanos, está disposta a pagar um adicional pelos produtos orgânicos. No Brasil isto também se evidencia, pesquisas recentes mostram que o consumidor, principalmente do sudeste, está disposto a pagar até 60% a mais pelo leite orgânico comparado ao convencional, no entanto isto ainda não seria o necessário, pois outro estudo mostrou que o preço do leite orgânico ao produtor tem que custar até 70% a mais do valor praticado pelo convencional para ser viável economicamente. Contudo, apesar de constituir um subnicho do mercado que cresce 10 % ao ano no País, a produção orgânica de leite pode ser uma das alternativas para o produtor que poderá produzir um produto livre de resíduos, com maior valor agregado e que embora atenda um pequeno mercado, este é composto de consumidores dispostos a pagar a mais pelo produto. Contudo, é preciso observar que um

sistema orgânico de produção de leite não é obtido somente com a troca de insumos sintéticos por insumos orgânico-biológicos/ecológicos. O Ministério da Agricultura e do Abastecimento estabelece também uma série de procedimentos para que o leite de uma unidade de produção seja considerado orgânico. Estes procedimentos regulamentam a alimentação do rebanho, instalações e manejo, escolha de animais, sanidade e até o processamento e empacotamento do produto e estão duplamente regulamentados pois obedecem a Lei 10831 (Brasil, 2003) para a produção orgânica além da instrução normativa- IN 51 (Brasil, 2002) que prevê entre outros sua distribuição e resfriamento adequado. No que diz respeito à alimentação, a dieta deve ser equilibrada e suprir todas as necessidades dos animais. Para os ruminantes, o consórcio de gramíneas e leguminosas na pastagem é recomendado e é exigida a diversificação de espécies vegetais. Sugere-se a implantação de sistemas silvipastoris, nos quais árvores e arbustos estejam associados a pastagens, ou ainda sistemas rotativos alternando-se pastejos e lavouras. Incentivase também a introdução de bancos de proteínas e cercas vivas. Os suplementos devem ser isentos de antibióticos, hormônios e vermífugos. São


proibidos aditivos, promotores de crescimento, estimulantes de apetite, uréia, etc. As características de comportamento de cada espécie a ser explorada devem ser consideradas. Para preservar a saúde dos animais, as recomendações são de que sejam utilizados tratamentos alternativos, como homeopatia, fitoterapia, acupuntura, etc. Os produtores devem ainda estar atentos ao processo de lavagem e desinfecção dos utensílios com emprego de produtos químicos. Contudo nada é mais importante que a qualidade do produto e questões relacionadas a segurança alimentar que afeta principalmente o consumidor que já sofreu com adulteração do leite convencional distribuídos por empresas tradicionais brasileiras. Neste tocante os princípios da produção orgânica de leite como a não utilização de antibióticos,

mas o uso de medicamentos a base de fitoterapia e homeopatia, alimentação livre do cultivo com adubos químicos convencionais, além de utilização de todos a maior parte das fontes alimentares serem de origem orgânica e da própria unidade produtiva, garantem a não contaminação do leite desde a sua produção até seu empacotamento, processos que atendem a demanda da sociedade por alimentos de qualidade e de integridade garantida. Ë imprescindível se ter em mente que os sistemas de produção orgânicos envolvem uma visão holística da gestão da unidade de produção, em que animais e vegetais tem importância ecológica para o funcionamento desses sistemas, contribuindo para a redução do impacto ambiental, distribuição equitativa dos lucros e viabilidade produtiva. Essas relações necessitam de entendimento científico

que permita multiplicar as experiências em diferentes agroecossistemas. Neste contexto viemos trabalhando com um conjunto de instituições preocupadas com o futuro do planeta e para isso com o alimento que estamos produzindo.


AUTOMÓVEIS

Range Rover Sport O LAND ROVER MAIS DINÂMICO DE TODOS OS TEMPOS. O modelo está completamente diferente, foi baseado no novo Range Rover, sendo que 75% dele totalmente novo o que o torna 8% mais dinâmico. Com monocoque em alumínio sendo o segundo maior modelo neste material no mundo, teve seu corte de peso de incríveis 420 kg, comparado ao peso total da primeira geração Range Rover Sport SDV6, o que ajuda na agilidade, é também mais rígido facilitando seu acerto de suspensão com mais precisão alem de mais economia e menor agressão ao meio ambiente. O consumo de combustível foi reduzido em até 24% em relação á versão anterior, e suas emissões podem atingir 180 gramas de CO² por quilometro rodado. Na nova geração a instrumentação foi reduzida, o console central está mais fluido e inclinado, o volante é menor e o seletor de trocas giratório foi substituído por um seletor estilo Jaguar F-TYPE. Os modelos topo de linha contam com vetorizador de torque, que o cana-

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liza diretamente para as rodas com mais condição de tração. Trata-se de uma estrutura mais leve, firme e equipada com um conjunto de força/tração mais ágil. A versão mais completa conta com um sistema de barras estabilizadoras ativas, que são acionadas no modo off road. Deixando assim uma alta articulação para situações extremas e proporcionando mais conforto. Nas curvas elas melhoram a condução. O condutor conta com o sistema Terrain Response 2, que seleciona o modo mais indicado para cada tipo de terreno e ainda um sistema de suspensão Adaptive Dynamics monitora o piso cerca de 500 vezes por segundo, aliado ao controle de altura da suspensão, oferece ótima estabilidade. No quesito segurança o Range Rover Sport conta com 8 airbags e sistemas como ABS, EBA, EBD, DSC, HDC, entre outros. No Brasil, o modelo chega com três opções de motores, duas a gasolina e uma a diesel, todas equipadas com transmissão automática e sequencial no volante de oito

velocidades. O motor SDV6 Diesel tem 292 CV de potência, com torque de 625 Nm a 2 mil rotações, o que se traduz em mais fôlego para transpor obstáculos off Road. Entre os motores a gasolina, a Land Rover oferece, pela primeira vez no Brasil, o 3.0 V6 Supercharged com 340 CV de potência, que permite sair da imobilidade e alcançar os 100 Km/h em 7,2 segundos, além de chagar aos 210 Km/h de velocidade máxima. Já a versão com motor 5.0 V8 Supercharged desenvolve 510 CV. O modelo alcança 250 Km/h de velocidade máxima limitada eletronicamente e faz de zero a 100 Km/h em 5,3 segundos.


TURISMO

Turismo Rural

CRESCE 6% AO ANO NO MUNDO, NO BRASIL NÚMERO É AINDA MAIOR A Organização Mundial do Turismo estimou que pelo menos 3% de todos os turistas do mundo orientam suas viagens para o universo rural, sendo uma das atividades potenciais das próximas décadas. Com crescimento anual de aproximadamente 6% , o setor responde a uma nova tendência global, onde o turista não mais deseja ser um mero expectador de sua viagem, mas sim, o protagonista, que efetivamente vivencia a cultura e a experiência nos novos destinos visitados. No Brasil, o IDESTUR – Instituto de Pesquisa do Turismo Rural detecta um percentual muito maior de crescimento, tanto no número de empreendimentos quanto ao de consumidores, e também prevê que o número de produtos ofertados aos turistas aumentará notadamente, nos próximos anos e em destinos ainda não reconhecidos. Durante muitos anos, não só no Brasil, mas em todo o mundo, a atividade de turismo rural foi reconhecida mais como uma

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ação de desenvolvimento setorial regional rural do que como uma atividade turística. Porém, hoje a postura exigida para manutenção da atividade é a figura empresarial que ao mesmo tempo responde as demandas do mercado, mas exige desse o reconhecimento como tal, voltado para o profissionalismo, mas sem perder a ruralidade. De acordo com pesquisa realizada pelo

IDESTUR, existe uma perspectiva de amplo crescimento do setor para 2014, ano em que o país sediará a Copa do Mundo, e com isso a possibilidade de galgar posições nesse ranking. O Brasil tem hoje um novo cenário do turismo rural, as atividades que antes se concentravam nas regiões Sul e Sudeste agora tem se expandido para outros estados, contribuindo para a oferta de produtos

FATURAMENTO MÉDIO DAS EMPRESAS VENDEDORAS DE TURISMO RURAL DA RODADA DE NEGÓCIOS RURALTUR 2013


e fomento da atividade. A pesquisa aponta que os empresários do ramo de turismo precisam estar aptos pra atender as demandas desses novos turistas que querem conforto e hospitalidade, mas sem perder a característica principal do aspecto rural. As atividades mais procuradas no turismo rural são os meios de hospedagem (hotéis fazendas, pousadas rurais) e restaurantes, cavalgadas e visitas á fazendas históricas, demonstrando a tendência do turismo da experiência, onde o turista busca o contato com as atividades do dia a dia de uma fazenda ou sítio. Apontando as tendências do segmento, o IDESTUR destaca que produtos como: observação de aves, turismo étnico, o turismo de base comunitária e o turismo do bem-estar devem ganhar espaço no segmento. Destaque também para a necessidade dos empresários investirem em infraestrutura e acesso, pois é crescente o número de turistas portadores de necessidades especiais com o desejo de conhecer produtos do turismo rural. Em relação aos desafios do setor, o Instituto aponta que é necessário a profissionalização da atividade, a qualificação de mão de obra específica, o acesso a novos

Fonte: IDESTUR

PRODUTOS OFERTADOS NO MERCADO DE TURISMO RURAL NA RODADA DE NEGÓCIOS RURALTUR 2013

mercados e a preocupação com os impactos sociais e ambientais que pode causar. Segundo os pesquisadores, as atividades de turismo rural vêm contribuindo para uma nova forma de economia local, integrando formas tradicionais produtivas e o turismo, com a conciliação entre as atividades agroprodutivas cotidianas. O turismo rural vai comprovando assim, que a atividade tende a fortalecer as diretrizes brasileiras que a reconhecem como: ‘o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometida com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade’. Cabe a todos os envolvidos, governos, entidades representativas e empresários, trabalharem em prol do desenvolvimento sustentável do turismo rural no Brasil, a fim de posicioná-lo dentre as principais atividades econômicas do país.

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SEÇÃO PET

Chinchila é o nome genérico dos mamíferos roedores da família Chinchillidae, nativa dos Andes da América do Sul que estão se tornando cada vez mais comuns como animais de estimação. A pelagem da chinchila é cerca de 30 vezes mais suave que o cabelo humano e muito densa, com 20.000 pêlos por centímetro quadrado. Esta densidade capilar impede, por exemplo, que estes animais sejam infestados por pulgas que não conseguem sobreviver na sua pelagem. Por isto, o seu pêlo não pode ser molhado. São animais muito ativos e precisam fazer exercício regularmente. Como também gostam de explorar, observar e ouvir sons, devem ser soltas, em casa ou num sítio fechado. Também são muito sociáveis e por isso não devem ter uma vida solitária. As chinchilas têm um sistema digestivo bastante sensível devendo a sua alimentação ser bastante equilibrada e devem comer uma ração própria. Não se deve dar ração de coelho ou para hamster - elas não podem comer muita sementes de girassol,

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Chinchilas por ser muito rica em gordura. Fora a ração própria, deve-se dar alfafa em cubo e em rama (alternando os dias) ou feno da montanha e suplemento alimentar. Dentre os petiscos é recomendado dar apenas maça ou banana desidratada e uvas passa. As guloseimas devem ser as mais racionadas possíveis, para que o animal não se torne guloso e rejeite a comida normal.

As sementes de girassol devem ser cruas, com casca e não serem salgadas.Um bom truque é usar as guloseimas para o treino da chinchila, em vez de lhe dar sempre que ela pede. Assim, ela passará a associar o comportamento (desejado) a uma guloseima e com o tempo habituar-se-à a fazê-lo, sempre que for repetir o comando. As chinchilas são roedores muito asse-


devido ao alojamento em gaiolas com fundo de grelha ou rede, pois as patas podem ficar presas nos buracos e o animal ferir-se na tentativa de se libertar. A maioria dos problemas de saúde das

COMO RECONHECER UM ANIMAL UMA CHINCHILA SAUDÁVEL DEVE TER COMO CARACTERÍSTICAS: • Olhos limpos e brilhantes; olhar vivo, alerta e sem “choro”; • Pêlo brilhante, sedoso e suave; • Corpo robusto e compacto; • Peso normal para o seu tamanho. • O comportamento de uma chinchila saudável é caracterizado por: • Estado de alerta (vivacidade); • Bom apetite; • Bebe água; • Usa vocalizações para se exprimir e é sociável; • Brincalhona, curiosa e muito interessada no que a rodeia; • Urina e fezes normais (diarreia, obstipação ou “cocôs encadeados” são sinais de problemas intestinais).

chinchilas estão relacionados com o não desgaste correto dos dentes, muito provavelmente pela mudança na dieta, uma vez que na natureza estes animais comem muitos vegetais e o atrito provoca o desgaste necessário nos dentes. Estes crescem entre 4 a 6 cm por ano, e continuamente durante toda a vida do animal. As chinchilas bebês já nascem com dentes, que curiosamente nesta espécie não têm raízes, porém ha uma grande porção do dente, chamada de coroa de reserva, no interior dos maxilares, que dão grande sustentação a estes dentes. Assim, convém dar à chinchila uma dieta com o máximo de folhas (as indicadas são as verduras com folhas verdes escuras), pois, se sua dentição chegar ao ponto de sobrecrescimento, ele não só dificilmente fechará a boca, como não conseguirá comer e terá uma morte lenta e dolorosa. Nestes casos, o veterinário deve proceder ao desgaste dos dentes do seu animal de estimação, para que a dentição volte a sua função normal. O procedimento deve ser realizado o mais rápido possível, para que a debilitação não cause danos maiores a saúde do animal. Consulte um veterinário especialista na espécie ao mínimo sinal de inapetência, salivação, passar a patinha na boca e emagrecimento. O tempo médio de vida da chinchila vai de 10 a 20 anos, sendo que há registro de chinchilas que já chegaram a viver 22 anos. REVISTA MERCADO RURAL

Fonte: Wikipedia

ados, comparativamente a coelhos e hamsters. Não criam carrapatos nem pulgas como outros animais domésticos, devido ao seu pelo não permitir a sobrevivência destes parasitas cutâneos. Às chinchilas não se deve dar banho com água, sua pelagem é muito sensível e existe uma areia especial, bastante fina, para elas tomarem banho. No seu habitat natural elas esfregam-se no pó da montanha. Em cativeiro, precisam que o seu dono recrie essa oportunidade de tirar a gordura e sujeira do pêlo. Na gaiola, é aconselhável colocar serradura no fundo e ir retirando a que estiver suja com urina. As chinchilas são animais bastante resistentes ás doenças, no entanto, convém serem examinadas periodicamente e a maior parte das doenças provém da falta de higiene. Também podem surgir feridas

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CRIAÇOES EXÓTICAS

Criação de primatas EM CATIVEIRO

Por, Natália de Melo Moraes, Médica Veterinária, Zoovet Consultoria Ltda. No mundo existem cerca de 4.400 espécies de mamíferos, sendo que destes, 191 são classificados como Primatas. Dentre os diferentes grupos da classe Mammalia, Primates é considerada a primeira ordem na classificação zoológica, dado a ser a mais evoluída do reino animal. Talvez por isso, nossos companheiros primatas não humanos despertam tanto interesses entre nós, humanos, sendo sucesso garan-

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tido em zoológicos, parques, resorts e em criatórios particulares. Infelizmente, diversas espécies apresentam-se em extinção ou na iminência de entrarem para a lista da CITES (Convenção Internacional de Comércio e Transporte de Espécies Ameaçadas), pacto internacional com o objetivo de regular o comércio internacional de espécies silvestres da fauna e flora em riscos de extinção. A destruição do habitat natural, o tráfico de animais silvestres ou até mesmo o hábito de consumo da carne (como é considerada iguaria

por algumas regiões do país) tem levado diversas espécies de primatas a estarem à beira da extinção, assim como ocorre com o Sagüi-leãozinho (Cebuella pigmae), menor símio do mundo, muito procurada por colecionadores particulares e o Muriqui (Brachyteles arachnoides), maior macaco das Américas, presente antes por todo o litoral sul da Mata Atlântica e hoje restrito apenas em algumas reservas. Uma alternativa para mitigar este tipo de problema é manter o animal vivo, em ambiente seguro, com todas as condições necessárias que proporcionem saúde e bem estar ao animal, deixando-o disponível para futuras ações preservacionistas (reintrodução, banco genético para inseminação artificial, formação de novos grupos familiares, etc.)


O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), pela IN 169/2006, autoriza qualquer pessoa, física ou jurídica, a criar animais silvestres de forma legal, sem precisar adquirir os animais do tráfico, não contribuindo assim para a pilhagem de nossas matas. Para iniciar um criatório de primatas é importante adotar alguns cuidados que garantam a saúde e o bem estar dos animais. Deve ser realizado um projeto cuidadoso das instalações, feito por profissionais capacitados, que facilite o dia a dia de manejo e alimentação, diminua os riscos de transmissão de doenças e proporcione qualidade de vida, além de atenção à saúde dos animais. O recinto de manutenção de primatas deve ser projetado em tamanho compatível com a espécie e o número de indivíduos que se deseja criar. Os recintos devem sempre contar com

uma área de manejo, local onde normalmente os animais são alimentados e onde são realizados procedimentos veterinários. Deve ser de fácil higienização, com área de solário, proteção contra intempéries, corredor de segurança, e se possível, mecanismos de proteção contra roedores. A ambientação do recinto também é importante, tanto em termos do paisagismo do criatório como para o bem estar dos indivíduos. Árvores podem ser plantadas, assim como a introdução de cordas e troncos de madeira compatíveis com o peso dos animais, contribuindo com a qualidade de vida e ao embelezamento do criatório. Áreas de fuga visual como arbustos e anteparos podem ser utilizadas oferecendo opção de privacidade ao animal, para os dias em que este não quiser ser visto. A alimentação deverá ter como base raçoes, frutas e folhas formuladas por um

profissional experiente conforme a espécie criada, e devem ser dispostas em vasilhas próprias de alumínio ou cerâmica, no alto, em local adequado à prova de ratos. É importante ainda, estabelecer programas de enriquecimento ambiental como medidas mitigadoras do estresse de enclausuramento. Todo manejo deve ser sempre realizado por equipe treinada e nunca a captura deve ser executada de forma estressante, devendo a contenção ser realizada preferencialmente com a utilização de técnicas de condicionamento animal ou se necessário o uso de zarabatana, já que estes animais são muito ágeis, tornando assim, o procedimento seguro tanto para o animal quanto para a equipe. Ao receber animais adultos, particularmente encaminhados de Centros de Triagem, estes podem ter problemas para acostumar-se uns aos outros no momento em que forem agrupados, sendo um dos momentos críticos. A recepção no criatório e integração de novos membros a um bando já estabelecido deve ser acompanhada cuidadosamente e garantir que os indivíduos tenham sempre onde se refugiar no caso de confrontos. Os animais devem ser mantidos no recinto em tempo integral e alguns exames tais como hepatite, tuberculose, e parasitológicos devem ser realizados para atestar a saúde destes, já que podem transmitir doenças aos humanos. Estes também podem transmitir doenças aos primatas, sendo o herpes virus humano mortal em micos. Assim, é importante que um médico veterinário especializado sempre acompanhe o criatório, garantindo a saúde dos animais e da família. Tomando-se os cuidados necessários, a criação de primatas realizada com respeito ao meio ambiente a aos animais, é fascinante, e adotando-se medidas preventivas de sanidade e manejo, é uma atividade relativamente segura e solidária ao oferecer um lar a animais que tanto sofreram com o tráfico de animais. REVISTA MERCADO RURAL

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RECEITA ENTREVISTA

Ceviche de linguado com f lores ntes

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s 2 cubo ente s em o d a t adam r o m i c x o apro hos guad cubin ha de de lin s n i o m s r e é n b l e o o • 4 fi pequ o) de ab ortad (sum bem relo c delas s s a o o o r n m h 4 a a n • o icili cubi entã ões s o em da em e pim a t d • 2 lim r s ortad o a c i c e o a l h h c el ebo sopa verm •½c es de ntão r e e h m l i p • 2 co s de nos cheia eque a p p o m s be s de enos liva lhere pequ de o • 2 co e m t i e e b z a gosto hos pa de nca a o cubin a s r e b lher d reino • 3 co ta do n e e m azeit e pi a de • Sal p o s e her d delas a col as ro m e u h l e ne ra. Gr com dicio ladei tada tes, a e n n g u e i a e nt delas en red as ro s ing veme eserv r o e e l r s e b e o t o o d en ncia, es ost re to loqu eferê ira qu r re a g o e p c e d Mistu i p a e ig um su em uado ma fr s de com liva, t flore o ling e-as em u de o s d u a a g a h e d n om .R na obri ore c mari arem de ab urch . Dec rra a s o m a c d s o a ã e. E grelh ara n azeit inhas ado p r d i b he. u o c c i cev om de ab c o i s r a p nizad o pró higie ldo d a c o od pouc

par o e r p e d Modo

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Porção: para quatro pessoas Receita: Erick Jacquin


EVENTO / LANÇAMENTO

Grupo PGV lança mais um empreendimento de sucesso No dia 28 de novembro, em grande festa no Mineirão, o Grupo PGV lançou seu mais novo empreendimento, o Lagoa Park Eco Residence em Itabirito, na Grande BH. O lançamento contou com a presença de personalidades da televisão e importantes empresários, assim como amigos e clientes.

Andrey Cardoso,Bruno Veloso e Dr.Veloso

Dupla Don e Juan

Bruno Veloso,Miguel Falabella e Mary Veloso

Bruno Veloso e Rita Camargos

Deputado Eros Biondini, Veloso e Deputado Fabiano Tolentino

Barbara Utsch,Thais Pacholek e Grulherme Ustch

Pricila Assis e Yasmin Alvarenga

Mauro Naves,Patricia Naves,Dom,Thais Pacholek,Carlos Casagrande,Adriana Colin ,Bruno Veloso,Miguel Falabella,Juan e Ellen Roche

Felipe Santos e Ellen Roche REVISTA MERCADO RURAL

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EVENTO / CONFRATERNIZAÇÃO

Raça Pônei em confraternização de final de ano No dia 14 de dezembro, a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pônei, reuniu sua diretoria, criadores e amigos para comemorarem as festas de final de ano e a chegada de 2014.

Leif Grönstedt, Alexandre Camargos, Isabel Camargos, Henrique Macedo e Michele Macedo

Elísio Gesualdo, Claúdio Alvarenga, Ayeska Alvarenga e Fabrício Borges Marlene Torres, Murilo Torres, Márcio Paiva e Andréia Dias

Alessandro Vasconcellos, Flávia Carvalho e Filhos

Murilo Torres, Márcio Paiva, Henrique Macedo e Alessandro Vasconcellos, Leif Grönstedt, Alexandre Camargos e Fabrício Borges

Felipe Camargos, Sálua Zorkot, Thiago Lenoir e Fabrício Borges

Georgia Cardoso e Nathália Borges.

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EVENTO / CONFRATERNIZAÇÃO

Criadores do cavalo Mangalarga Marchador se reúnem em confraternização de final de ano

Renata Rosenburg, Marcela Meireles, Patrícia Lana e Flávia leite.

O restaurante Boi Vitório recebeu no último dia 05 de dezembro os amigos do cavalo Mangalarga Marchador para a confraternização de final de ano. A revista Mercado Rural também esteve presente e registrou esse momento de muita descontração e diversão Leonardo Motta, Frederico Salgado, Paulo Henpara festejar a chegada de um novo ano. rique, Helvécio Rosenburg e Carlos Augusto.

Antônio Pedrosa, Axel Sorensen, Bernardo Junqueira, Frederico Salgado e Leo Motta.

Carlos Augusto, Marcelo Lamounier, Fabrício Lana e Frederico Salgado.

EVENTO / PREMIAÇÃO

Revista Mercado Rural premia anunciante com final de semana em hotel A revista Mercado Rural sempre prestigiando seus anunciantes, sorteou no dia 21 de novembro, um final de semana com acompanhante no Hotel Águas de Santa Bárbara, dentre os anunciantes da sua última edição. Os agraciados com o prêmio foram: Adevailde Veloso leia-se Grupo PGV e Helvécio Rosenburg, Haras GTR.

Bernardo Junqueira, Leonardo Motta, Amanda Ribeiro e Daniel Medina

Alice Rocha, Helvécio Rosenburg e Renata Rosenburg.

Carlos Augusto, Amanda Ribeiro e Paulo Henrique.

Alice Rocha, Marcelo Lamounier e Amanda Ribeiro. REVISTA MERCADO RURAL

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Fotos: Alfredo Malagoli

EVENTO/PALESTRA

Araújo Fontes realiza palestra com Eugênio Mattar No dia 10 de dezembro, Eugênio Mattar, CEO da Localiza, foi o convidado da Gestora de Investimentos, Araujo Fontes, para proferir palestra sobre sua trajetória de sucesso. Na oportunidade, estiveram presentes clientes e amigos da AF Invest, a maior gestora independente de recursos do Estado.

Anuar Donato, Alex Veiga, Maria Elena Botrél, Sergio Botrél e Marcos Santana

Marco Antônio, Rodrigo Mascarenhas e Alberto Alkmin

Rodrigo Dias, Eugênio Mattar e Evaldo Fontes Eugênio Mattar

Gualter Moreira, Tiago Martins, Thiago Andrade e Adilson Soares

Gualter Moreira, Tiago Martins, Thiago Andrade e Adilson Soares

Marcelo Araújo e Daniel Uchoa

Evaldo Fontes


GIRO RURAL

Revista Mercado Rural premia anunciante

Alice Paculdino Rocha, Gerente de Marketing do Hotel Aguas de Santa Bárbara, Helvécio Rosenburg e sua esposa Renata, titulares do Haras GTR. Dentre as ações de marketing da revista Mercado Rural na comemoração de seu aniversário de dois anos, no dia 21 de novembro, os anunciantes, Helvécio Rosenburg do Haras GTR e Adevailde Veloso do PGV, foram contemplados com o sorteio de um final de semana com acompanhante no Águas de Santa Bárbara Hotel Resort, parceiro da revista Mercado Rural. Na oportunidade estiveram reunidos no restaurante Boi Vitório, amigos e anunciantes em confraternização e sorteio da premiação.

Triângulo, Noroeste e Alto Parnaíba concentram os maiores PIBs Agropecuários de Minas Um em cada cinco municípios que compõem o ranking dos 100 maiores PIBs (Produtos Internos Brutos) Agropecuários do país estão em Minas Gerais. A lista foi divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrando a participação municipal no PIB brasileiro em 2011. O estado tem o maior número de municípios na lista: 23. Os mineiros mais bem-sucedidos em gerar riquezas com a produção rural estão concentrados no Triângulo, Noroeste e Alto Paranaíba. As três regiões têm a produção agropecuária diversificada, mas com destaque em grãos e pecuária, e altos índices de produtividade. Dentre os municípios que se destacaram o único que não pertence a essas regiões é Três Pontas, no sul do estado. O ranking mineiro é liderado por Uberaba, seguida de perto por Unaí, municípios que, na relação nacional, ocupam a 10ª e a 11ª posições, respectivamente,

Vendas de animais pela internet A internet está ai para ser usada e abusada por qualquer um que tenha acesso a ela, e no agronegócio não é diferente. Cada vez mais, criadores estão buscando opções de comércio eletrônico para dar vazão aos seus estoques de animais. O que antes limitava-se a animais pet, agora inclui a oferta também de animais de elite como bovinos e eqüinos. De acordo com Ana Julia Ghirello, vice-presidente do portal de vendas bomnegócio.com, que recebe cerca de 10 milhões de acessos por mês, o volume de anúncios com o perfil de vendas de animais rurais tem aumentado. “Atualmente essas vendas representam 9% em nosso site, mas já identificamos esse nicho como um grande potencial e queremos investir nele. São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, são os estados com maior número de anunciantes de animais”, disse. O criador mineiro, Adalberto Cardoso, se cadastrou recentemente no site ofertando touros da raça Brahman e está satisfeito com a visibilidade: “No primeiro dia meu anúncio teve 100 visualizações, número acima das minhas expectativas. Ainda não concretizei a venda, mas sei que há procura devido ao grande número de acessos”, diz. A expectativa do site, que comercializa todo tipo de produto, é crescer 20% no próximo ano.

Faleceu, no mês de novembro passado, o

foto: CRI

Falecimento do touro Guzerá Russo TE JF

touro Russo TE JF, da raça Guzerá. O reprodutor, filho de Urutu e Banqueta, era coletado pela CRI Genética desde 2008 e apresentava PTA positivo para leite (de 242 kg). “O falecimento de Russo é, sem dúvida, uma perda para a raça. O animal deixa um legado de característica racial inconfundível. As filhas são extremamente leiteiras, férteis e precoces, assim com os descendentes machos”, comenta Oswaldo Lopes, supervisor de vendas da CRI. REVISTA MERCADO RURAL

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GIRO RURAL

Cavalo Campeiro

Programa de Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS) abre as inscrições para certificação

ministrado por Mauro Leite. O foco principal foi aprimorar novas técnicas para domar. O evento contou com 21 inscritos, entre eles 12 acompanhados de seus cavalos. De acordo com Mauro, o critério fundamental para se cuidar de um cavalo é o amor e o respeito e a ideia principal é o controle sem violência. “O resultado faz do cavalo um parceiro voluntário e faz desabrochar seu pleno potencial, seja como um cavalo de trabalho, laço, tambor, baliza, prova de marchas, cavalgada ou rédeas, que é de competição de alto nível”,disse.

foto: ABRACCC

Nos dias 27, 28 e 29 de setembro aconteceu em Curitibanos, SC a 23ª Exposição Nacional do Cavalo Campeiro. O evento contou com 84 animais participantes de julgamentos e foram apresentados para registro 41 animais. No sábado dia 28 aconteceu o 1º Leilão da Raça, onde foram arrematadas 6 coberturas. E de 1 a 3 de novembro, foi promovido um curso para formação de treinadores de cavalo, no Parque Pouso do Tropeiro, em Curitibanos,

MARÇO

FEVEREIRO

JANEIRO

AGENDA RURAL

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Está no ar o site de Certificação Aeroagrícola Sustentáve, o primeiro site com sistema voluntário de certificação para aplicadores aéreos no Brasil. O objetivo é incentivar a capacitação e a qualificação de empresas de aviação agrícola e de operadores aeroagrícolas privados. Desde o dia 1º de dezembro estão abertas as inscrições para que as empresas se cadastrem e submetam sua documentação para certificação. Depois da primeira etapa, as empresas que obtiverem a certificação terão seus nomes publicados para consulta e em seguida passarão para segunda etapa da certificação que está relacionada a capacitação dos responsáveis técnicos que será realizado ainda no primeiro semestre de 2014. As inscrições serão periodicamente abertas para novas remessas de certificações. A proposta é que, a partir do segundo semestre de 2014, o sistema fique aberto definitivamente. No site é possível também verificar mais informações sobre como obter a certificação: http://www.cas-online.org.br/?page_id=154

10/01 a 05/02

36ª Expofeira de Ovinos de Verão

Santana do Livramento

RS

22/01 a 24/01

ShowTec 2014

Maracaju

MS

27/01 a 31/01

Curso de Performance Total CRV Lagoa

Sertãozinho

SP

29/01 a 02/02

FEOVELHA 2014 - Feira e Festa Estadual da Ovelha

Pinheiro Machado

RS

29/01 a 01/02

16º Itaipu Rural Show

Pinhalzinho

SC

14/02 a 23/02

1ª Exponelore - Avaré 2014 - Expoinel Paulista

Avaré

SP

20/02 a 09/03

Festa Nacional da Uva 2014

Caxias do Sul

RS

20/02 a 22/02

24ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz

Mostardas

RS

20/02 a 20/12

Curso Gestão da Pecuária de Leite

Ibiá

MG

21/02 a 23/02

Curso de Ferramentas de Ação Participativa

Nazaré Paulista

SP

22/02 a 23/02

III Curso de Imersão à Fisiologia do Exercício em Equinos

Jaboticabal

SP

22/02 a 22/02

Leilão Haras Vista Verde e amigos

Sorocaba

SP

24/02 a 28/02

Curso de Inseminação Artificial CRV Lagoa

Sertãozinho

SP

25/02 a 26/02

Curso de Análise Fundamental e Introdução à Comercialização de Soja

Porto Alegre

RS

10/03 a 14/03

Expodireto Cotrijal 2014

Não-Me-Toque

RS

10/03 a 10/03

3° Leilão Virtual Dorper Bonfim

MF Rural

TV

15/03 a 15/03

3º Ciclo de Palestras sobre plantas medicinais e aromáticas

Piracicaba

SP

18/03 a 20/03

Fenicafe 2014

Araguari

MG

25/03 a 28/03

Show Safra 2014

Lucas do Rio Verde

MT

27/03 a 28/03

Curso de Capacitação em Gestão da Pecuária de Corte - Módulo 5

Jardim

MS

DEZEMBRO 2013


Revista Mercado Rural  

Edição 09 - Dezembro de 2013

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