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Muitas histórias e uma confissão

+ FICÇÃO

Bom mesmo era o Eixão sem pardal

U N°

13 Ano 2 | Maio 2012 | www.meiaum.com.br

+ DETETIVES

Inúteis enfeites As 31 administrações regionais custam muito caro aos cofres públicos, empregam apadrinhados de políticos e não servem para nada


FOTO: FRANZ TAGORE


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O BRB fOi O pRimeiRO BancO a ReduziR as taxas de juROs.

Desde 8 de março, o brb reduziu suas taxas de juros para operações de crédito. Porque, para o brb, acreditar é realizar. Reduzimos nossas taxas de juros. E não é apenas um gesto, é uma política de crédito para o brasiliense colocar em prática todos os seus projetos, gerar empregos e melhorar de vida. Mas, além das melhores taxas, o BRB também é o banco que possui o melhor atendimento da região, que tem a maior rede de conveniência, que incentiva a nossa cultura, que apoia o nosso esporte e as nossas empresas. Enfim, o brb é o banco que o brasiliense tem orgulho de falar que é de brasília e é da gente.

www.brb.com.br

É de Brasília. É da gente.


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Papos da Cidade

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Detetives

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Conto – João Pitella Junior Nos anos 70, a especialidade deles era quebrar boates

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Fora do Plano

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Perfil

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Reflexões, análises e resmungos de quem vive em Brasília

Como é a rotina dos profissionais em investigação de Brasília

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Charges do Gougon

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Artigo – Luis Turiba

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Poesia – TT Catalão

O coordenador das Cidades, Francisco Machado (foto), diz que os administradores se esforçam e têm “certa autonomia”

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Caixa-Preta

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Brasífra-me

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Arte, Cultura e Lazer

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Opinião – Alberto do Carmo No terceiro texto da série sobre saúde mental, as terapias e os profissionais

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Banquetes e Botecos

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ÍNDICE

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Noelle Oliveira conta quem são os dois distritais de confiança do governador

As histórias do criador do Cinema Voador, José Damata

Capa

Os poemas-enigmas de Nicolas Behr

O que o elefante disse ao rei Juan Carlos

Homenagem ao Resa, operário do design

Vento contra é pra voar mais alto

Luiz Cláudio Cunha diz qual é a maior injustiça do Supremo

Os destaques da programação da cidade

Em cada edição, Marcela Benet visita um restaurante. E ninguém sabe quem ela é


Mas os princípios do bom jornalismo permanecem. Apuração benfeita, compromisso com a informação, criatividade e respeito à língua portuguesa não ficam ultrapassados. inte ou no papel, produzimos o Na internet conteúdo de que você precisa para se comunicar com o seu leitor.

ODE JEITO REGISTRAR OS FATOS

MUDOU SHIN CA 1 Lote A Sala 349 | Deck Norte Shopping – Lago Norte Brasília/DF | www.editorameiaum.com.br | 61 3468.1466


Nilson Carvalho Nilson Carvalho

João Pitella Junior

pág. 18

É ex-jornalista, graças a Deus. Ou pelo menos gostaria de ser. Sustenta algumas livrarias, mas tem cada vez menos tempo para ler. Detestava a Apple e agora é tiete do Steve Jobs. Só não deixou de ser torcedor do Flu. E lamenta que as comemorações do centenário do mestre Nelson Rodrigues sejam divididas com “aquele chato do Jorge Amado”.

Bruno Gafanhoto pág. 50

Fazendo mestrado em jazz performance nos Estados Unidos há um ano, já perdeu muitos fins de semana com os amigos para estudar bateria – e não se arrepende. Perna de pau, engana os americanos dizendo que é bom de bola – e por aqui anda tentando convencer de que agora sabe cozinhar, mas, vai acreditar?

Luis Turiba pág. 42

Poeta, jornalista, produtor cultural, é pernambucano criado no Rio, mas tem ligação transcendental com Brasília, onde morou por mais de 30 anos. Criador e exeditor da revista de poesia experimental Bric-a-Brac, com Resa, João Borges e Lúcia Leão. Publicou seis livros em Brasília. Um deles, Meiaoito, mereceu resenha do caderno Prosa & Verso, de O Globo. Criou a Revista Fecomércio, trabalhou no Jornal do Brasil, na Gazeta Mercantil, no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense. Foi assessor de Comunicação do ministro Gilberto Gil, no Ministério da Cultura. Mora no Rio de Janeiro, onde trabalha como assessor de Marketing no Clube de Engenharia.

Rômulo Geraldino pág. 54

Mineiro de Uberaba e brasiliense de coração. Ilustrador, seus trabalhos estão quase sempre no âmbito governamental, utilizando aplicativos de código aberto como alternativa viável de produção.

E mais...

Cláudia Dias pág. 8 Rosana Santos pág. 8 André Cunha pág. 9 Bianca Stucky pág. 9 Fernando Oliveira pág. 9 Kátia Morais pág. 10 Rafania Almeida págs. 10, 12 e 28 Paula Oliveira pág. 11 Francisco Bronze pág. 18 Gougon págs. 21, 41 e 46 Noelle Oliveira pág. 21 Lúcio Flávio págs. 22 e 53 Nilson Carvalho pág. 22 Nicolas Behr pág. 36 Alberto do Carmo pág. 38 Daniel Banda pág. 38 TT Catalão pág. 44 Luiz Cláudio Cunha pág. 46 Priscila Praxedes pág. 47 Marcela Benet pág. 54

Colaboradores


Carta dos editores

A verdade dói

E

sta edição começará a circular e dirão que o que acontece nas administrações regionais não acontece só lá. Que não é só no Distrito Federal, nem apenas no Executivo. É verdade, mas não se justifica. As 31 administrações são um bom exemplo de como se priorizam os recursos públicos resultantes da implacável arrecadação de impostos. Por isso escolhemos o tema para a nossa reportagem de capa, assinada por Rafania Almeida e Noelle Oliveira. As administrações regionais poderiam ter papel importante no bom funcionamento das cidades, mas são úteis mesmo para atender a interesses políticos de forma escancarada, como se o fato de a prática ser antiga a tornasse mais aceitável. Pagamento de favores, promoção de políticos sem expressão, acomodação de apadrinhados, loteamentos partidários... são tantas

utilidades! A fim de que pareçam importantes, têm o poder de conceder licenças e alvarás. Para ganharem a simpatia da comunidade e festejarem com os padrinhos, de vez em quando promovem eventos culturais ou esportivos. Sob o pretexto do crescimento do Distrito Federal, as administrações serão cada vez mais numerosas. Porque é desse jeito mesmo: o lugar pode não ter asfalto, saneamento, mas precisa de administração própria só para parecer que é cidade. E assim vamos convivendo com esse teatro todo, numa grande atmosfera de mentiras e hipocrisia, fingindo que não sabemos para onde vai a maior parte dos nossos impostos. A política não é reflexo da sociedade? A verdade é muito mais dura, talvez por isso ignorada mesmo quando evidente. O pai que não quer acreditar

que o filho consuma drogas, a mulher que precisa de uma prova para reconhecer a infidelidade do marido, a empresa que é roubada pelo próprio funcionário. Freguesia típica de detetives, confirmou a repórter Rafania Almeida. Na reportagem sobre esses profissionais, ela conta casos e revela características dos que realmente levam o trabalho a sério e dos que são golpistas. Falando em enganação, dizem que toda mentira tem um fundo de verdade. Leia o conto de João Pitella Junior e tire suas conclusões. O autor garante que o enredo é ficção, mas achamos que os personagens do texto dele são inspirados em figuras que conhecemos de algum lugar...

Anna Halley e Hélio Doyle

( ) MEIA

U

(meiaum) é uma publicação mensal da Editora MEIAUM Diretor Editorial: Hélio Doyle Diretora de Redação: Anna Halley Fotografia: Leonardo arruda Projeto gráfico e diagramação: Carlos Drumond Assistente de Produção: Cristine Santos Publicidade Sucesso Mídia Comunicações – (61) 3328-8046 – barroncas@sucessototal.com.br TIRAGEM 12 mil exemplares Impressão Gráfica Imprima – CSG 9 Lote 3 Galpão 3, Taguatinga Sul Os textos assinados não expressam, necessariamente, a opinião da Editora Meiaum. | Contato: editora@meiaum.com.br

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Diretores: Anna Halley e Hélio Doyle SHIN CA 1 Lote A Sala 349 Deck Norte Shopping – Lago Norte | Brasília-DF | (61) 3468-1466 www.editorameiaum.com.br

CAPA | Por Pedro Ernesto

Desenho a lápis aquarelado Designer gráfico, atua no mercado brasiliense, é autor de livro infantil e colabora na meiaum desde seu primeiro número. Faz parte do escritório Grande Circular. Veja os trabalhos da equipe em www.grandecircular.com.


Papos da cidade } ilustrações Cláudia Dias

www.claudiadias.com

A fada da sala ao lado Muito prazer, sou a professora da sala ao lado. Formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia, tive muitos mestres, todos caricaturáveis. Meus primeiros anos de escolaridade foram difíceis, mas existia felicidade, especialmente na sala ao lado. Eu poderia jurar que aquela professora que me apelidara de indiazinha, me acariciava o rosto e seguia para sua sala, era uma fada. Era amável e eu compreendia cada palavra que docemente saía de sua boca. O contrário da minha professora, sempre

enfurecida, principalmente comigo. Eu não era aquela criança que aprendia com facilidade. Quanto mais ela gritava, menos eu compreendia. Quanto menos eu compreendia, mais ela gritava e me puxava pelas trancinhas. A dificuldade de aprendizagem e a letra de menino eram inadmissíveis. O caderno era atirado no chão. Aos berros, ela dizia que eu tinha que fazer letra de menina, que, aliás, até hoje não sei fazer. Inconscientemente passei a me vestir como menino, só assim minha letra estaria de acordo comigo. As constantes humilhações me fizeram desejar a morte, sem dor, obviamente. Quando aprendi a rezar, pedia a Deus que parasse meu coração para que eu morresse sem dor. Tempos depois, minha professora finalmente foi afastada, por raspar a cabeça da Fabíola, que passou a ir à escola de lenço. Nos anos seguintes, eu não demonstrava muito interesse pela escola. Ao chegar à 8ª série, mal entrava na sala, ficava no portão esperando a aula terminar. A situação persistiu até a chegada de uma professora de português, Maria de Paula, que ficava depois da aula me dando reforço. Por acreditar em mim, melhorou minha autoestima e minhas notas. Percebi que poderia assimilar conhecimento, construir e existir. Aprendi que um professor pode destruir uma criança, mas tem poder para promover a transformação e mudar a realidade de um ser humano. Acredito que o bullying gere ódio, mas pode ser superado com solidariedade, que tem o poder de curar a alma. Digo aos meus alunos o que gostaria de ter escutado da minha professora, faço o que adoraria que tivessem feito por mim. Sou para as crianças que chegam à escola pela primeira vez, com olhinhos assustados, aquela professora da sala ao lado. Rosana Santos


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A vida é uma piada No livro Poética, de Aristóteles, há pistas sobre a estrutura da comédia. É “a imitação dos homens inferiores” e busca “aquela parte do torpe que é o ridículo”, enquanto “a epopeia e a tragédia concordam somente em serem, ambas, imitações de homens superiores”. Fazer comédia, portanto, é escarnecer: mostrar o quanto somos risíveis, patéticos, ridículos. “Eu não sou besta pra tirar onda de herói”, já cantava o roqueiro baiano. E rimos. Da nossa própria condição transitória, dos nossos dilemas banais. Milan Kundera, em seu Livro do riso e do esquecimento, chega a dizer que o riso é o último bastião do oprimido contra o opressor. Você pode me subjugar e cercear meus direitos, mas posso rir da sua cara! Hahaha! Há quem diga que existem seis ou sete piadas arquetípicas, das quais infinitas outras seriam variações. Fariam parte do inconsciente coletivo. Desde os tempos dos deuses, dos heróis e das bestas mitológicas, havia um gaiato que podia até perder a eternidade, mas não uma brincadeira. O bom humorista não segue regras e postulados. Mas dá pra catalogar técnicas sobejamente utilizadas em todos os continentes: O exagero: técnica muito utilizada por aí, que tende a tornar tudo maior, mais grotesco e mais surreal. É também a característica fundamental do desenho cômico, a caricatura. A ironia: é mais sofisticada. Quando você diz uma coisa, na verdade está dizendo outra. Sacou? Ou quer que eu desenhe? O choque de realidades: você fantasia que é o bambambã, o magnata do petróleo, o intelectual do século, cercado de beldades, bajulado e idolatrado. A realidade vem e mostra o zé-ruela feio e burro que você é.

O exercício deliberado do anacronismo: inserir num contexto algo totalmente diverso, como o papa dançando na boquinha da garrafa ou a Carla Perez lendo Heidegger em alemão. O pastelão: alguém levando um estabaco ou tomando uma lapada no pé orelha. A mais antiga e bem-sucedida forma de fazer rir. Aquele que não ri é usualmente chamado de enfezado. Ou seja, cheio de fezes. O mau humor, portanto, seria um fenômeno psicossomático em virtude da prisão de ventre. Nessas horas, vale o provérbio aplicado aos futebolistas relapsos: pede pra cagar e sai. André Cunha

Lembranças à Dilma Morar em Brasília é morar no quintal da Dilma. Não importa para onde eu vá, se alguém descobre que moro na capital federal, manda algum recado para a nossa presidente. – E, aí? Tem visto a Dilma? Manda um abraço pra ela! – Fala para a Dilma passar o mês com um salário mínimo. – Peça à Dilma que dê um aumento decente para os aposentados. – Diga à Dilma que a política no Brasil é um grande circo... dos horrores! Eu não faço a menor questão de ser uma pessoa politizada. Não gosto quando o assunto é esse. Se não tem jeito de fugir dele, tento ao máximo me esquivar. Sabe por quê? Porque os cidadãos brasileiros, e eu estou entre eles, estão tão descontentes e descrentes com a política do País há tantos anos, que não é possível tocar nesse assunto sem que ele se torne um desabafo irritado por parte de um dos elementos, se não de todos, do grupo. A política brasileira perdeu a credibilidade, chegando ao

ponto de ser comparada a um circo, dos horrores! Se como eleitora e cidadã me sinto desrespeitada, não vejo motivo para descartar meu tempo como se ele pouco fosse para debater política, defender meus ideais – seria mais acertado dizer banalizá-los, afinal, política no Brasil acaba em pizza. Raul Seixas dizia que “sonho que se sonha junto é realidade”, mas há quanto tempo uma nação inteira sonha com um progresso que adentre todos os lares, não meia dúzia? Com políticos que lutam contra a corrupção ao invés de praticá-la? O melhor que conseguimos foram políticos que fizessem vista grossa para ela. O sonho de uma nação é destruído pela ambição de alguns, que chegaram ao poder às custas dessa nação e nem sequer despendem seus esforços para ela. Cidadãos honestos pagam impostos para políticos corruptos roubarem-nos. É preciso viver da esperança de que um dia elegeremos um governante leal, que conquistará o respeito de seus eleitores e lutará contra a corrupção, e toda uma nação viverá feliz para sempre. Enquanto o Papai Noel não vem, tento fazer com que os recados para a presidente cheguem a ela. Bianca Stucky

Mágicas do dia (ou da noite) Era noite. Parado no sinal vermelho, aguardando para entrar na W3 Norte, vi se aproximar uma figura vestida com uma camisa do Flamengo; maltrapilho, no mais. Antes que me falasse qualquer coisa, balancei a cabeça, negativamente. Com um sorriso por entre sua barba sem banho e braços abertos como se sua vida fosse uma alegria só, me enfrentou: – Mas, meu amigo! Eu nem falei nada e você já diz que “não”? – Eu imagino o que você queira e não, eu não vou dar dinheiro a você! – me defendi.


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Mas o carioca – denunciado pelo seu jeito – era cheio de técnicas de sedução. Disparou uma delas, tentando, talvez, minha simpatia: – Pneumoultramicroscopicossiliciovulcanoconiótico!! Eu não acreditei! Meu pai (meu velho Ícaro) me ensinara essa palavra quando ainda criança e a decorei. Como sou dos que “perdem o amigo, mas não perdem a piada”, quase senti um orgasmo ao responder: – Amigo, a palavra correta é pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (a maior palavra da língua portuguesa: 46 letras). Uma delícia, o seu olhar surpreso e, recobrando o ar, insistiu: – Pneumoultramicroscopicossiliciovulcanoconiótico. – Não é “...siLÍCIOvulcano...”, é “...sÍLICOvulcano...”! Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico! – repeti, já no terceiro orgasmo!!! Ele precisava mudar de assunto (qual a chance de que duas pessoas leigas da cidade que sabem de cor o nome dessa rara doença se encontrem, no acaso de uma rua?): – E você sabe a fórmula da CIBALENA? – ele, numa saída de mestre, convenhamos! – Eu sei, mas não vai dar tempo de dizer porque o sinal abriu... – menti, só de maldade. Pelo retrovisor, vi quando se afastava: roto, simpático e, agora, surpreso. Ele não entendeu nada! Eu entendi tudo: quando menos se espera, a gente encontra par nas nossas mais profundas e esquisitas alegrias (lembranças), mesmo da longínqua, criança, inocente e pulsante infância... Fernando Oliveira

Salve, Brasília! És tua a maioridade cinquentenária. De dia, menina ensolarada, clarão de outono.

À noite, turva, enigmática Como se não houvesse amanhã. Quando nasceste Em terras poeirentas e vermelhas, Trouxeste luz Para quem sonhou o sonho de JK. Ainda chão distante para muitos, Soubeste arar teu próprio solo Como quem necessita, Não da mão humana, Do coração pulsante, Mas da insistência e do penar De quem em ti Busca sentido para suas vidas. Não nos deixes órfãos Da terra perdida. Salva o salvador Que te criou e, Em clemência, Salva os que em ti acreditam. Alcança uma infinidade de tempo Mas anda, sobe, escala. Mira um futuro Que justifique e proteja Tua identidade. Um insight que seja. Kátia Morais

Uma ameaça chamada flanelinha Eram 23h38 quando saí do hospital, após uma crise alérgica, e procurava uma farmácia para comprar os remédios recomendados pelo médico. Pelo horário, esperava encontrar um estabelecimento aberto apenas ali na 102 Sul, a famosa Rua das Farmácias. Chegando lá, vi apenas quatro ou cinco carros estacionados. Parei bem em frente a uma das poucas farmácias abertas para saltar do carro, comprar e voltar correndo. Observei o

movimento dos flanelinhas e mendigos. Saí com minha mãe às pressas, comprei os remédios sem questionar o preço. De onde eu estava, dava pra ver meu carro. Aproveitamos a distração do flanelinha mais próximo para correr para o carro. Deixei para desligar o alarme quando estava bem próxima, para que não desse tempo de me notarem. Assim que entramos, portas travadas. Tarde demais. Lá estava o garoto, cerca de 20 anos, roupas bem maltratadas, mas corpulento. Tinha braços fortes o suficiente para realizar qualquer tipo de serviço. Não precisava estar ali ganhando dinheiro fácil, fingindo que olha carros. Parou ao lado do carro e começou a dar orientações para manobrar. Nem se eu fosse cega erraria. Não havia trânsito nem obstáculos. Resumindo: o trabalho dele era inútil e eu não o contratei. Realizei a ação sem dificuldades, sem a “ajuda” dele. Indignado, correu para a frente do meu carro. Fazia sinais de que tinha vigiado, que eu tinha obrigação de pagar a ele pelo “serviço”. Dizia que eu não sairia dali e que tinha marcado meu rosto. Num acesso de ódio, pisei fundo no acelerador. Não o atropelei. Havia engatado a ré para uma manobra que o deixaria falando sozinho. Fui para casa aliviada, porém revoltada. Até quando teremos de suportar isso? Chegaremos ao patamar de São Paulo, onde esses exploradores cobram R$ 150 para deixarmos nossos carros em vias públicas e ainda correndo o risco de termos o veículo furtado? O nome disso é extorsão e, pelo que eu sei, é crime. Rafania Almeida

Como um balão vira área de descanso Acho que ainda não acordaram para o fato de que o Centro de Atividades do Lago


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Norte, mesmo com toda a resistência (o mercado imobiliário sempre vence), se tornou um lugar onde mora e trabalha muita gente. Talvez ali circulem mais carros do que em todo o Lago Norte, mas o tráfego tem tratamento de cidade de interior. Sem fiscalização, não faltam motoristas querendo mostrar a potência do carro. Param para deixar o carona no lugar que bem entendem. Estacionam onde for conveniente, inclusive os motoristas dos caminhões que servem às obras. É assim que as estreitas vias de mão dupla se tornam intransitáveis. Há pistas com tantas irregularidades, tantos buracos, que fica impossível qualquer tipo de sinalização horizontal. Deve ser por isso que motoristas fazem o que querem no CA. Ruas abandonadas assim não impõem respeito, são um convite às manobras ilícitas, à invenção de vagas, à alta velocidade. Há coisas inacreditáveis. Atrás do Shopping

Iguatemi, um balão contornado por duas pistas agora ganhou mais uma utilidade. À tarde, quando a árvore faz uma sombrinha, motoristas esperam as madames terminar as compras ali mesmo, na curva. É cada uma. Anna Halley

Papo de boteco Um amigo conseguiu emprego no Senado Federal. Ele é terceirizado e está encantado com o novo trabalho. Há muito tempo já vem reclamando da iniciativa privada e tenta passar para o outro lado, por meio de concurso. Enquanto isso não acontece, ele precisa se virar para se sustentar. Ser servidor público é estar no paraíso, segundo ele. Meu amigo me contou que lá cada pessoa tem um jeito de subir, de ganhar um adicional, de trabalhar um pouco menos. Tudo depende de quem você conhece ou da sua disposição de lutar por condições mais “justas” de

trabalho. Vence quem tiver o melhor Q.I. Bobo é aquele que não se aproveita das oportunidades. “Tem funcionário antigo que dirige carro de jogador de futebol!” O lance é correr atrás desses adicionais aí. “Ainda vou entrar no esquema”, pensou alto. Ele continuou na filosofia dele e disse que todos os servidores precisam ter acesso a oportunidades de crescimento. Que o funcionalismo deveria ser mais justo. Afinal, quem está lá estudou bastante para isso. Decorou cada artigo da Lei 8.666 e da 8.112. Grande mérito. Eu retruquei... disse que precisaríamos nos preocupar com a justiça social para que todas as pessoas tenham oportunidades de crescimento, inclusive na iniciativa privada. Meu amigo se indignou e disse: “Na iniciativa privada é um querendo se dar bem à custa do outro. Ninguém respeita ninguém. É coisa do capitalismo selvagem”. Tudo bem. Diante disso, não vou argumentar. Paula Oliveira


Detetives


Eles saem do anonimato, divulgam serviços na internet, fazem contrato e emitem nota fiscal – só preferem não ter foto publicada na revista para não atrapalhar o trabalho. Estão cada vez mais profissionais, mas um deles entrega: não há boa investigação sem uso de algum recurso ilegal Texto Rafania Almeida rafania@meiaum.com.br


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O

fétido corpo do marido estava estatelado no chão quando a polícia chegou. A mulher, apesar de chorosa, parecia conformada com tudo aquilo. “Ele chegou bêbado e desmaiou, tentei acordá-lo, mas não consegui”, dizia a jovem viúva tranquilamente. Sem investigações, o caso foi arquivado. O homem foi enterrado e a esposa, liberada. Para a família dele, a morte do moço saudável era muito estranha, assim como a reação da esposa, que vivia em pé de guerra com o “amado”. Com a falta de interesse da polícia, os parentes resolveram contratar um detetive para pôr fim em todas as dúvidas. Não levou muito tempo para concluir: a culpada era a viúva. Escutas, ligações, depoimentos e documentos levavam a ela. Sem tiro, sem facada, sem veneno. Como? “Ele caiu e bateu a cabeça, ferindo-se gravemente”, explicou. “Ela negligenciou o socorro, esperou ele morrer para chamar bombeiros e polícia”, desvendou o investigador. Por quê? “Era conveniente se livrar dos problemas com o marido e ainda sair com uma grana, a mixaria de pensão que ele deixou para ela.” As provas foram suficientes para a viúva perder o benefício e responder a um processo criminal. O detetive Edilmar Lima concluía, assim, mais um caso. A profissão parece excitante. E seria bom se todos os dias fossem assim. Mas os detetives que conhecemos nem de longe lembram os heróis apaixonantes e incríveis das histórias de Arthur Conan Doyle – criador do admirável Sherlock Holmes e do imprescindível Watson – e Georges Simenon – pai do instigante bebedor de cerveja quente e torturador de suspeitos, comissário Jules Maigret. Também não são tão emocionantes e encantadores quanto Dick Tracy, muito menos misteriosos. A maioria dos casos investigados pelos detetives de Brasília é de infidelidade conjugal. Cerca de 80% dos clientes querem saber se estão sendo traídos. Entre uma escapadela de homem casado e as filmagens de

uma esposa que sai com o melhor amigo do marido, se envolvem em casos bizarros e até produzem dossiês políticos. Recebem rios de dinheiro para localizar desaparecidos, permanecem por anos em casos sem solução. Saíram do anonimato. Os detetives estão em todos os lugares. Têm sites, blogs, publicam livros e mostram a cara na tevê. Só evitam muitas fotos, para não correr o risco de terem seu rosto relacionado com determinados casos. Para eles, quem se esconde demais deve. “Se o cara tem muito medo de aparecer, é porque é daqueles que recebem o dinheiro do cliente e somem sem fazer o serviço”, afirma Laureni Alves, o detetive Bareta. Mas a classe ainda é muito desconfiada, pois boa parte dela é formada por ex-policiais e ex-militares. Não consideram ter perdido a essência de um detetive, apenas se adaptaram para sobreviver no mundo atual e continuam cheios de histórias para contar. Se elas são verdadeiras? Eles afirmam que sim e com detalhes que não costumam levantar dúvidas. Caso duvide, pode contratar um profissional da área para investigar.

disse, buscando uma desculpa. “Não sei nem quando ele volta”, finalizou o primeiro consultado. “Desde que você não me venha perguntar sobre escutas e grampos, porque isso é ilegal e se você me perguntar eu vou dizer que não faço”, estabeleceu outro. “Estou em uma perseguição. Ligue depois, jornalista.” O telefone desse, misteriosamente, ficou indisponível “para sempre”. Fui então pelo óbvio. Aqueles que claramente não tinham medo de mostrar o rosto em seus blogs, os indicados por outros detetives e os que usavam o método mais antiquado de fazer propaganda, a lista telefônica. Descobri que os que recebem em uma agência com endereço fixo costumam ser mais sérios. Pediu para marcar encontro em algum lugar, desconfie. Ele não quer deixar vestígios e está premeditando algo. E tenha cuidado! Você estará sendo observado, filmado e cada detalhe que o identifique ou permita uma análise, como um sinal de nascença ou uma tatuagem, será gravado. Tudo pode e será investigado, afinal, segundo os próprios profissionais, detetive não se cria, nasce com um dom.

Em busca de profissionais Quando comecei a pesquisar nomes de detetives para esta reportagem, não fui pelo convencional método do século 21, o Google. Pensava que esse tipo de serviço não se divulga assim. Engano meu. Os próprios detetives admitem: “A internet é o mais eficiente meio de investigação. Comece sempre por ele”. No tira-teima descobri que é esse também o principal veículo de divulgação dos serviços. “Fotos, filmagens, gravações telefônicas. Contrate detetives que levam a investigação a sério”, dizia uma das páginas. “Atuamos há mais de 25 anos no DF e em todo o Brasil. Trabalhamos pelo interesse e pela tranquilidade de nossos clientes”, garantia outra. Decidi ligar para alguns daqueles telefones na tentativa de agendar uma entrevista. “Jornalista?”, indagou assustado. “Ah! Meu sócio está viajando e só ele pode falar com você”,

Um bom começo Em 1994, aos 18 anos, Edilmar Lima pegou o primeiro caso. Queria ser detetive, colocou anúncio em lista telefônica e recebeu uma ligação. Apaixonado por filmes de investigação, tinha certeza do caminho que queria seguir. “Era a gerente de uma empresa de laticínio em Goiás que havia sido assaltada, mas a polícia local estava em greve e não desvendaria o caso.” O crime aconteceu um dia antes do pagamento aos funcionários. “Levaram cerca de R$ 50 mil em vales-transporte, porque o salário atrasaria e o dinheiro não estava no cofre”, conta. Lima começou pelo óbvio: a lista de funcionários e ex-funcionários. Eles seriam os principais interessados e tinham informações sobre a existência do cofre e sobre a data do pagamento. Além disso, a empresa era extremamente segura, com


15 cães e câmeras. Só lá dentro para conhecer. Detalhe: não houve arrombamento. Chegou a um funcionário que havia acabado de se mudar. No lixo da casa encontrou caixas de televisores muito caros na época. “Até aí eram só indícios, mas a vizinha disse que ele esperou anoitecer para fazer a mudança, o que levantou fortes suspeitas.” Lima descobriu que ele estava em uma cidade próxima, esbanjando dinheiro, o que era incompatível com o salário que recebia da empresa. Não deu outra. O novato descobriu que ele estava com uma alta quantia em dinheiro e alguns vales. Depois de ser instigado, o criminoso confessou ao detetive ter planejado tudo com dois comparsas. A investigação foi encaminhada para a polícia, que tratou de prender o trio. Lima fechou o primeiro caso, descobriu que realmente tinha talento para a coisa e economizou dinheiro por um bom tempo, pois recebeu o pagamento em leite. Depois de muitos casos, começou a buscar cursos para se especializar e hoje é ele quem treina outros detetives.

Os que recebem em uma agência com endereço fixo costumam ser mais sérios. Pediu para marcar encontro em algum lugar, desconfie.

Política e traição De acordo com o detetive Edson Arnold, há 18 anos no mercado, em 75% dos casos de investigação de infidelidade, a traição é confirmada. “Às vezes é puro ciúme, mas se chega a procurar um detetive, a pessoa já tem certeza do que está acontecendo”, diz. Mulheres de lobistas são figuras comuns nos escritórios dos detetives. Parece que o dinheiro e o poder levam esses homens ao adultério. Quase todos os detetives entrevistados pela meiaum tinham alguma história dessas para contar. Nem todos gostam de revelar os casos. Temem ser descobertos. O flagrante feito por Arnold aconteceu em um hotel sofisticado de Brasília. O lobista subiu para o quarto onde esperaria por uma garota. O detetive acompanhou todos os passos da jovem, até ela entrar no quarto. Fotos feitas, ligou para a esposa do investigado revelando o caso. O escândalo estava armado. Ele não revela o que mais descobriu sobre o infiel marido. Diz que se resumiu apenas ao que foi contratado para fazer. Prefere não brincar de polícia e bandido, mesmo tendo sido policial militar por 30 anos. Edilmar Lima, que já fez parte da Polícia Civil, lembra a vez em que outra mulher de um famoso lobista o procurou para confirmar as suspeitas de traição. As investigações levaram o detetive a descobrir mais que um mero caso extraconjugal. “Ele falsificava contracheque e


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comprovantes do imposto de renda em um espaço no Conic”, relata. Lima infiltrou um detetive disfarçado no local para conseguir as provas. “O Conic é o sindicato do crime organizado. Entendeu?” Ao fim do trabalho, Lima tinha um verdadeiro dossiê contra o lobista. A mulher não quis denunciar. Precisava apenas ter certeza da traição. “Era uma mulher vingativa, que precisava de munição contra o marido.” Com a investigação, ela teria o marido na mão e poderia continuar usufruindo os benefícios que o dinheiro sujo dele lhe proporcionava. Arnold diz que muitas esposas perdoam e vivem melhor depois que descobrem uma traição. “Muitas vezes elas só precisam ter certeza ou querem descobrir o que está errado para mudar”, avalia. Lima revela que, em conversas de boteco com amigos policiais, procuradores, entre outros, costuma “deixar escapar” dados sobre uma investigação. Caso eles se interessem, podem investigar e até ganhar mídia nacional, como já aconteceu, diz. Pais x filhos A traição não é a única preocupação das famílias. Os filhos também são foco dos investigadores. Desde uso de drogas até opção sexual. Sem controle e com as relações cada

vez mais abaladas, os pais acreditam que só conseguirão ter acesso aos segredos de suas crias com ajuda de um profissional. Nem sempre os psicólogos são a primeira opção. Um detetive que pediu para não ser identificado disse que viu um pai espancar um filho ao descobrir que ele gostava de meninos. “Também teve outro que queria se matar porque provei a ele que a filha beijava outras meninas.” Arnold e Lima explicam que, na maioria das vezes, a prova está na frente dos pais, mas, por preferirem não acreditar no que veem, contratam um detetive, na esperança de ainda estarem errados. Lima diz que o boom de investigação de jovens aconteceu após a morte do índio Galdino, em abril de 1997. Ele foi assassinado por cinco garotos da classe média alta brasiliense, que atearam fogo nele. “Não quero acordar no meio da noite com a notícia de quem meu filho foi preso”, justificava um pai na época. Já em 2000, o ecstasy foi o grande fantasma das famílias. Pais temiam ver os filhos viciados na droga ou até mesmo mortos por causa dela. “Salvei dois garotos de um amigo que morava na Europa e pagou tudo para que eles fossem encontrá-lo, mas com as malas carregadas de ecstasy”, afirma Lima. Serviços com jovens acima de 19 anos cos-


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Filho de senador, falso inválido e milionário Não são apenas meros mortais que precisam do faro apurado de um detetive. Até o FBI (Federal Bureau of Investigation), o serviço de investigação e inteligência estadunidense, supostamente já baixou em Brasília em busca de um dos profissionais mais antigos da capital, Laureni Alves, o detetive Bareta. Há dez anos a investigação de um golpe do seguro chegou à mesa de Bareta. Um jovem brasileiro, filho de um senador, trabalhava em uma instituição nos Estados Unidos. Recebia US$ 14 mil por mês. Desse valor, reservava US$ 3 mil para pagar um seguro em caso de morte ou invalidez. Após cinco anos de dedicação e pagamentos, conseguiu atestados para comprovar que não tinha mais capacidade de trabalhar. Locomovia-se em uma cadeira de rodas e dizia não ter nem vida sexual ativa. Contratou uma acompanhante para auxiliá-lo no dia a dia. Mas isso só até voltar para o Brasil. No país tropical, o rapaz encontrou a cura. Bareta o fotografou pilotando jet ski e indo a motéis com belas garotas. Investigou os atestados, reuniu as provas e as enviou ao FBI. A farsa não sobreviveu a um processo e ele perdeu todos os benefícios. “Não sei o que aconteceu depois, pois não acompanhei mais o caso.” A única coisa que Bareta sabe é que o tal pai não é mais senador. Das bizarrices da profissão Uma das coisas que mais aparecem em escritório de investigação é gente mau caráter. Bareta diz que aproveitadores contratam detetives para provar que algum parente não

está consciente dos próprios atos e deve ser interditado na Justiça. “Filhos fazem isso para conseguir ficar com o dinheiro dos pais.” Mas ele garante que não aceita e ainda alerta a vítima do golpe. Não é porque trabalham com o secreto e o ilícito que topam qualquer negócio. Com Lima o caso esquisito é uma mulher com problemas psicológicos. Socialite conhecida na cidade, ela contrata o detetive constantemente já há seis anos. “Uma ligação de número diferente é motivo suficiente para ela me telefonar e dizer que está sendo perseguida, querendo descobrir quem é.” O detetive diz que recusava o trabalho, mas a família insistia em financiar a loucura para não contrariá-la. Além dela, há clientes que o contratam a cada vez que iniciam um relacionamento. “Gente insegura. Não encontro nada e elas insistem.” Também há o caso que levou cinco anos para ser concluído. O marido foi dado como desaparecido e a mulher não sossegaria enquanto não o encontrasse, mesmo que fosse morto. Ele foi localizado morando em uma cidadezinha de Minas Gerais, onde abriu uma padaria. Fugiu de casa, pois não aguentava mais viver com ela. Arnold foi outro a fazer investigação por solicitação internacional, como Bareta no caso do FBI com o filho do senador. Um europeu estava vivendo um romance com uma brasileira e pediu que ele a investigasse. A bonitona preparava um golpe, com o namorado brasiliense, para roubar dinheiro do gringo apaixonado. Mas o pior episódio relatado envolve uma família inteira. Desconfiada da traição do marido, a mulher queria ter certeza para pedir o divórcio e viver em paz com a filha. Edilmar Lima começou a seguir o homem. O trajeto não variava muito entre a casa e o trabalho. Nada fora do normal. Até o dia em que conseguiu flagrá-lo em um motel. Típico em uma traição. O caso estava no papo. Avisou a pobre esposa enquanto filmava tudo. Já esperava o resultado: escândalo e separação. Foi pior do que imaginava. “O cara simples-

mente saiu do motel com a filha deles, de 17 anos.” Pior, a menina era completamente apaixonada pelo pai e acreditava ser ele o amor da vida dela. “Fiz a mesma cara que você acabou de fazer. Foi inacreditável.” Sofrimento multiplicado. A mãe pediu divórcio, todos foram fazer tratamento, e Lima cortou todas as relações com a cliente. Para ele, era tudo tão inadmissível que ele preferiu não ter notícia nenhuma sobre o assunto. Trabalho sério Ser detetive não é ilegal. Apesar de não regulamentada, a profissão é totalmente livre. As empresas são regidas pela legislação trabalhista. Emitem nota, pagam impostos. “Mas não existe trabalho de investigação sem burlar leis”, admite um deles. Escutas e grampos sem autorização judicial são considerados crimes, de acordo com a Lei 9.296/96. A pena varia de dois a quatro anos de prisão, além de multa. No entanto, boa parte do trabalho depende disso. Sem regulamentação, é fácil existirem golpistas na área. “Não considero honestos nem 10% dos que estão no mercado”, avalia Bareta, que já foi contratado para investigar “colegas” de profissão. O golpista recebeu o pagamento e sumiu, sem nunca ter investigado. Bareta diz que todo detetive cobra parte do pagamento antecipado. Isso porque alguns casos não dão resultado, mas eles trabalham e precisam arcar com as despesas da investigação, que ocorre mesmo que seja para provar que nada aconteceu. “Se cobrarem R$ 100, já desconfie, porque numa campana sempre vão duas pessoas e isso não paga nem a gasolina nem o almoço”, explica Bareta. A diária dele custa entre R$ 800 e R$ 1.200. Arnold cobra R$ 600 por oito horas de trabalho e R$ 100 por hora extra. O preço de Lima varia de R$ 2.500 a R$ 3 mil por semana, mas pode fechar um pacote de serviços. Já recebeu R$ 15 mil para vigiar adolescente e chegou a receber propostas de ) até R$ 300 mil por um caso. )

tumam ser mais caros, pois são mais difíceis, uma vez que eles não têm rotina preestabelecida como adolescentes, que ainda estão na escola. É comum também não encontrar nada contra eles. “Alguns pais são superprotetores, psicóticos”, analisa Lima. “Tudo bem que o mundo está um caos, mas alguns exageram”, completa o detetive anônimo.


Conto

Rápido e eficiente

Meu herói, o playboy

Para seus dois amigos de classe média, Armando Alonso era o modelo da perfeição Texto JOÃO PITELLA JUNIOR Ilustração francisco bronze pitellajr@globo.com

Quebrar boates era a minha especialidade nos anos 70. E não pense que bastava ser forte ou violento — você precisava ter a técnica certa, o timing. Nada de bater por bater, de destruir qualquer espelunca. O importante era mostrar conhecimento do ofício. E ter um certo carinho pelo lugar a ser detonado. Hoje eu sou um sessentão e você não vai me levar a sério, mas eu sabia o que estava fazendo. Eu e os meus dois grandes amigos. Pode acreditar, nós colocávamos abaixo as melhores boates de Brasília. Só coisa de muita classe. Era po-

bronze@grandecircular.com

ético ver cadeiras voando, mesas se quebrando no chão, garrafas explodindo em cabeças incautas, as moças correndo assustadas. Tempos românticos. Boate? O que é isso? Você que é jovem no século 21 deve usar outra expressão, algo como “o point da balada”. Ou será que a gíria já mudou? Não importa. Eu não tenho culpa de você não ter conhecido a melhor parte da festa. Talvez você se ache muito esperto, hoje, porque consegue escapar da blitz quando alguém avisa no Twitter. Ora, o Twitter que se dane, junto com essa porcaria de Facebook.

Bom mesmo era ver o Eixão aberto à nossa frente, inteiro, sem pardal nem polícia, sem nenhum dedo-duro idiota com câmera no celular para fotografar a placa do seu carro e jogar a imagem em alguma “rede social” mequetrefe. As boates, os carros, as mulheres, a cidade só para nós... Eu nunca me esqueço daquela noite. Começou no Gilbertinho: eu e o Mauro Sávio estávamos na porta da boate, puxando conversa com as meninas, quando o Armando Alonso chegou de Porsche. Sim, meu amigo, de


19 Porsche! Quantas pessoas tinham um Porsche nos anos 70 em Brasília? Só o Armando Alonso. Nem me pergunte como ele conseguiu importar aquela máquina. Claro, foi o pai dele, que era dono de usinas e o escambau, mas mesmo assim era difícil. Precisava ter pistolão no governo pra desenrolar a papelada. Contatos, entende? O Armando Alonso era “o cara”, como você deve dizer hoje. E ele já chegava de nariz empinado, com o cabelão no ombro, gola rulê e aquele vozeirão de artista de cinema. Parecia o Alain Delon. Assim era covardia. As meninas babavam. Eu e o Mauro Sávio não éramos duros, mas ninguém tinha dinheiro sobrando daquele jeito. Os nossos carros eram da Volks — com motores envenenados, sim, porque um conhecido nosso que virou piloto sabia mexer com essas coisas, mas continuavam sendo da Volks. Bem, deixe essa parte pra lá. Eu detesto lembrar que já fui de classe média.Talvez seja melhor ser pobre; pelo menos dá mais ibope. Só que nós éramos amigos do Armando Alonso, então ficava tudo certo. Amigos? Ele era o nosso líder, o mentor. Você também deveria ter um. Passa uma tremenda segurança — você olha para o seu mestre e pensa: se eu for como ele, nunca vou me dar mal. Era nisso que eu e o Mauro Sávio acreditávamos. Então, naquela noite só entramos na boate quando o Armando Alonso chegou. E foi um frenesi. Ele passou no meio da turma de cabeça para o alto, sem cumprimentar ninguém, sem piscar. E nós dois logo atrás, eu e o Mauro Sávio, um esbarrando no outro para ver quem ia ficar mais perto do Armando Alonso. O pior é que as nossas roupas estavam bem parecidas, a minha e a do Mauro Sávio. Alguém falou que éramos irmãos gêmeos. Aquele pessoal dizia muita besteira. A boate parou para olhar o Armando Alonso, e ele foi direto conversar com a Ritinha. A Ritinha era filha de juiz, de família tradicional do Rio, vivia na coluna do Ibrahim Sued. Eu e o Mauro Sávio nem tínhamos coragem de chegar perto, mas quando o Armando Alonso estava conosco nós conseguíamos falar

com as amigas dela. Aliás, escute o conselho do coroa aqui: se você quiser ir a algum lugar na vida, o primeiro passo é ter amigos ricos. Trabalho, carreira? “Carreira é dinheiro no bolso”, como diria o meu doleiro que também vivia nas colunas sociais, já nos anos 80... Chega de fugir do assunto. Na minha idade não posso abusar da memória, então é melhor desembuchar logo. O problema é que naquela noite a Ritinha estava na boate com um namoradinho bobo, filho de um fazendeiro do Paraná, e o sujeito quis peitar o Armando Alonso. A coisa não durou nem dois minutos. Quando eu percebi, o Armando Alonso já tinha dado um golpe de judô no cara. O janota quase perdeu o pé num ventilador no teto da boate, antes de se espatifar no chão, e uns amigos borra-botas dele quiseram tomar as dores do almofadinha. Era a nossa chance de fazer média com o Armando Alonso, então eu e o Mauro Sávio demos uns sopapos na turma toda. Aqui entre nós, foi fácil nocautear aquela plebe ignara. Difícil deve ter sido reconstruir a boate, só que aí são outros quinhentos. Eu e o Mauro Sávio nos machucamos um pouco, nada demais. Talvez por isso o meu nariz ainda seja meio torto. O Mauro Sávio quebrou um dedo da mão e só percebeu no dia seguinte. Na minha roupa e na dele, apareceram algumas manchas de sangue. E o Armando Alonso? Ah, ele nem desmanchou o penteado. Ele ficou tão feliz conosco que fomos todos comemorar ali perto, no Pontão, com a Ritinha e duas amigas dela. Papo vai, papo vem, e uma das garotas teve a ideia maluca: — Os carros de vocês não são envenenados? Quero ver, então, se vocês conseguem bater um pega contra o Porsche do Armando Alonso. Hoje, você diria algo como “perdeu, Playboy”... Encarar um Porsche? O cara pode ser doido, mas não é maluco. Só que o Armando Alonso não iria perder a viagem. Ele sempre tinha um jeito de convencer todo o mundo — principalmente o


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Eram duas da manhã, e naquela hora sempre juntava muita gente pra ver os pegas. O pessoal do Gilbertinho ficou sabendo e chegou até antes de nós. O Eixão estava com as pistas livres, era só nosso. Eu e o Mauro Sávio estacionamos um quilômetro à frente do Porsche do Armando Alonso, o que poderia ser um pouco humilhante para nós, se você parar pra pensar. Só que ninguém estava preocupado com isso. O importante é que tinha plateia, e estávamos fazendo uma coisa legal junto com o Armando Alonso. Todos com os relógios sincronizados. Na hora marcada, arrancamos com tudo. Eu saí na frente do Mauro Sávio, ele encostou e ficou por alguns segundos competindo comigo. Quando os nossos carros estavam quase batendo um no outro, o Porsche do Armando Alonso passou voando por nós. Na outra ponta do Eixão, a Ritinha e as amigas dela esperavam para dar a bandeirada final. Só que naquela noite ninguém chegou perto da Ritinha. Lá pelo meio do caminho, um pouco antes do Buraco do Tatu, o Armando Alonso bateu na bicicleta de algum maluco que resolveu atravessar a pista logo naquela hora. O coitado voou longe. Vimos o Porsche do Armando Alonso com a frente quase toda

No fundo a culpa foi minha e do Mauro Sávio: para não ficar atrás do Armando Alonso, nós tínhamos dito a elas que os nossos carros foram turbinados por um piloto profissional.

destruída, e ele em pé ao lado do carro, sem nenhum arranhão e ainda com o cabelo engomadinho. Acho até que ele estava rindo um pouco. Nós paramos para ajudá-lo e, de repente, apareceu uma radiopatrulha. Deveria ser a única da cidade. Sorte é sorte. Sim, meu amigo, fomos todos para a delegacia. O Armando Alonso nem ligou; entrou de nariz empinado, como se estivesse indo dar só mais um passeio. Eu e o Mauro Sávio ficamos um pouco nervosos. Por causa da briga na boate, nós dois é que estávamos com sangue nas roupas, você deve lembrar. Eu não consigo me recordar de todos os detalhes, mas o delegado pensou que um de nós é que tivesse atropelado o sujeito da bicicleta, e não o Armando Alonso. O Mauro Sávio tremia feito vara verde. Eu disfarçava bem, porque não ia dar bandeira pra polícia, mas também fiquei preocupado. O pai do Armando Alonso, que tinha sido juiz e outros bichos, chegou logo e conseguiu tirá-lo rapidinho do xilindró. Eu e o Mauro Sávio passamos a noite na cadeia.Naquela época a imprensa era bem comportada, então pouca gente ficou sabendo da história. Acho que o pai do Armando Alonso deu uns trocados para a família do rapaz da bicicleta.

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Bem, eu não sou de ficar filosofando, mas talvez aquela noite tenha resumido tudo o que viria a acontecer conosco, em todos esses anos. Deve ter sido um sinal profético, ou algo do tipo. Se bem que não acredito nessas frescuras. Hoje o Armando Alonso está de cabelo branco, mas não perdeu a pose. Depois de uma época de vacas magras, ele já conseguiu de novo um alto cargo na República. Eu e o Mauro Sávio ainda estamos tentando ficar por cima da carne-seca outra vez. Um dia chegaremos lá. Às vezes eu penso que no fundo nada mudou. No fim das contas, é sempre o Armando ) Alonso que se dá bem. )

Mauro Sávio e este seu velho amigo aqui: — Pessoal, é o seguinte: vamos pro fim do Eixão e eu dou um quilômetro de lambuja pra vocês, já que o meu carro é um pouco mais potente. Ganha quem chegar primeiro na outra ponta. Um quilômetro de vantagem não ajuda muito, se você colocar um Porsche contra dois Volks. O problema é que as garotas não entendiam nada daquilo e, do jeito que o Armando Alonso falou, acharam que era um grande negócio para nós. No fundo a culpa foi minha e do Mauro Sávio: para não ficar atrás do Armando Alonso, nós tínhamos dito a elas que os nossos carros foram turbinados por um piloto profissional. E na época o cara era só um mecânico que queria ser piloto...


Fora do Plano por NOELLE OLIVEIRA noelleoliveira@meiaum.com.br

Dupla imune

Apesar da ampla base de apoio do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, o que corre nos corredores da Câmara Legislativa é que o chefe do Executivo confia mesmo em apenas dois aliados. Todos já esperavam que o apoio de um grupo tão heterogêneo não seria fácil. Porém, os nomes dos amigos fiéis estão circulando de boca em boca na Casa. São eles Chico Vigilante e Arlete Sampaio. No caso dos supostos grampos a políticos da cidade – que, segundo as acusações, teriam sido feitos pelo próprio governo –, apenas os dois estariam fora da lista. É o que garantem outros parlamentares da base. No mais, todos podem ter tido conversas bisbilhotadas, inclusive correligionários de Agnelo, como o presidente da Câmara, deputado Patrício. Aliás, foi-se o tempo em que este andava às boas com o governador. A possibilidade de grampo seria apenas um motivo a mais para atrapalhar a relação. Agnelo não deixou Patrício indicar o nome do novo comandante da Polícia Militar do DF. O último dirigente, Sebastião Gouveia, foi definido pelo distrital. Quem determinou a nova escolha foi o secretário de Segurança, Sandro Avelar, que trouxe Suamy Santana para a função. Aliás, esse é o segundo momento em que ele consegue apitar com autonomia na pasta sob sua responsabilidade. O primeiro foi na troca do diretor da Polícia Civil, com a entrada de Jorge Xavier.

Muito barulho, pouco planejamento Parece que as preces de Sandro Avelar, rotineiramente visto na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na 311 Sul, finalmente começam a ser atendidas. Mas falta muito para colocar a segurança pública em ordem. Recentemente, o governo lançou um plano de integração entre as Polícias Militar e Civil. Esta designou quatro delegados para atuar nas recém-criadas Regiões de Segurança Integrada. O intuito é comandar grandes áreas da cidade, como já ocorre na PM. O problema é que, segundo membros da cúpula da Polícia Civil, o governo se esqueceu de organizar a estrutura de funcionamento.

Enquanto na PM as regionais dispõem de cerca de 20 militares, na Civil cada delegado está ganhando poucos agentes. Por enquanto, não há garantia de ganhos extras para assumir as maiores responsabilidades, o que não tem facilitado o processo. Os locais onde as sedes serão instaladas também não foram definidos. Reconhecimento profissional, mas uma batata quente nas mãos dos delegados escolhidos.

Concurso à vista O secretário ainda tem mais uma preocupação: a Copa do Mundo de 2014. Em depoimento à comissão especial na Câmara Legislativa, Avelar garantiu que o planejamento “está adian-

tado” e “em condições de se tornar um piloto para outras unidades da Federação”. “Estamos tranquilos”, concluiu. Será mesmo? Para a execução dos planos, o próprio secretário já assumiu que precisa, entre outras coisas, contratar pessoal. É necessário negociar com o Ministério do Planejamento, lançar edital, nomear e treinar policiais, nada que se faça assim tão rápido. Para atender os turistas, a prova deve exigir dos novos policiais conhecimentos básicos em inglês e espanhol. O esquema deveria estar parcialmente pronto para a Copa das Confederações, em junho de 2013. Entre policiais civis e militares, no entanto, poucos acreditam no prazo.


Perfil

Ele não busca só promover o cinema. Quer uma plateia que o faça se sentir feliz e útil. O menino que assistiu a um filme pela primeira vez na rua virou o homem que espalha a arte por aí

Texto Lúcio Flávio

Fotos Nilson carvalho

luciointhesky.wordpress.com

nilson.carvalho@gmail.com


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H

ouve um tempo em que era fácil andar pelos bastidores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e esbarrar com D. Lúcia Rocha, mãe do genial cineasta baiano Glauber Rocha e eterna guardiã da obra do filho, morto em 1981, de braços dados com um sujeito alto, forte e de semblante cativante. A figura em questão era ninguém menos do que José Carvalho Damata, baiano assim como D. Lúcia e o seu ilustre varão, mas não de Vitória da Conquista, e sim da pequena Xique-Xique, onde segundo o próprio, nascem os autênticos filhos da terra de todos os santos. “Baiano que vai atrás de trio elétrico não é baiano”, brinca Damata, há quase cinco décadas radicado em Brasília, mais da metade desse tempo como um dos mais importantes e influentes programadores de cinema da cidade, além de idealizador do mítico Cinema Voador. Mas a ligação de Damata com o clã Andrade Rocha vem de longa data. Com o diretor de Deus e o diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em transe (1967), desde a época em que o artista baiano perambulava pela capital, livre, leve e solto, no fim dos anos 70. “Ele veio para Brasília a convite do Oliveira Bastos [na época diretor de redação do Correio Braziliense], então pintou a ideia de fazer uma mostra retrospectiva dos seus filmes na cidade”, recorda Damata. “Eu conhecia um exibidor que poderia talvez ajudar o Glauber nesse projeto, era o Karim [Abdala Karim Nabut]. Mas teve mostra do Glauber em Brasília o quê?! Conversaram uma tarde inteira e não saiu nada”, conta, entre gargalhadas. O fascínio pela sétima arte remonta à infância querida na distante e quente terra natal, na região do médio São Francisco. Foi lá que, na década de 50, graças às aspirinas e ao Laboratório Bayer – que, como mostra o filme Cinema, aspirinas e urubus,

saía divulgando os remédios da empresa Brasil afora, em caminhões munidos de tela, projetor e coragem –, viu pela primeira vez um filme em sua vida. “E é aquela tal história, o primeiro filme a gente nunca esquece”, diz, referindo-se ao clássico do cinema de aventura Tarzan e o terror do deserto (1943), protagonizado pelo imbatível Johnny Weissmuller. “Lembro como se fosse hoje, vi a fita no colo do meu pai.” Aquelas primeiras imagens em preto e branco o acompanhariam pelo resto da vida. Anos mais tarde, em Barreiras, as aventuras do homem da selva seriam turbinadas pelas estripulias circenses da dupla Oscarito e Grande Otelo – ícones dos estúdios Atlântida – e os sucessos de Hollywood. “Só tinha filmes legais nessas matinês, desde os grandes clássicos das chanchadas, passando pelo que tinha de melhor do cinema americano. Nada de Van Damme e Arnold Schwarzenegger, não.” Sua chegada a Brasília, em 1965, também foi cinematográfica. Desembarcara no centro de Taguatinga, na Praça do Relógio, que ainda não exibia a enorme torre com o marcador do tempo, que só seria inaugurada cinco anos depois. Próximo ao Bar e Restaurante Estrela, o letreiro de quase um quilômetro em neon despertou sua atenção. Era o Cine Paranoá, uma das primeiras construções de alvenaria da cidade. Seria o primeiro contato de Damata, então com 13 anos, com a sétima arte na terra do visionário Juscelino Kubitschek. “Larguei as malas ali mesmo e entrei no cinema”, conta. “O filme era O professor aloprado, de Jerry Lewis.” Os cineclubes, um cinéfilo especial e o projetor russo As primeiras experiências de Damata como cineclubista teriam início no Centro de Ensino Médio Ave Branca, o Cemab, uma das escolas mais importantes de Taguatinga. “A gente tinha um diretor muito


25 liberal que incentivava nossas aventuras culturais e o cineclube foi uma delas”, conta. “Foi um momento histórico para os alunos do Cemab.” Ao terminar o segundo grau, até arriscou o sonho da faculdade, mas o que ele queria mesmo era exibir filmes para a rapaziada. “Naquele tempo passar num vestibular era muito difícil, então meti a cara nessa ideia de cineclube”, diz. O primeiro grande cineclube profissional criado por Damata foi aberto em 1975. Funcionava no auditório da TV Brasília e se chamava Cineclube Nelson Pereira dos Santos, em homenagem ao grande nome do Cinema Novo, diretor de filmes como Rio, 40 graus (1955), Vidas secas (1963) e Como era gostoso o meu francês (1971). “Por coincidência ele estava na cidade e, graças à mobilização da jornalista Wilson Ibiapina, prestigiou a inauguração do cineclube. E não foi sozinho: levou com ele o Tarcísio Meira, o Jece Valadão e o [cineasta] Roberto Farias”, destaca. O espaço tinha como modelo o Clube do Cinema, mítico encontro de cinéfilos tocado pelo professor universitário e crítico de cinema Rogério Costa Rodrigues, durante muito tempo espécie de tutor de toda uma geração de amantes da sétima arte. “O cineclube mais importante da história de Brasília foi o do Rogério Costa, nós somos cria daquele cinema. O Rogério foi o nosso alicerce, o nosso tudo”, reconhece Damata. “Ali na TV Brasília fizemos uma programação enorme e não cabia gente, isso acontecia sempre”, lembra, com orgulho. Dois anos depois, o Cineclube Nelson Pereira dos Santos foi transferido para a Escola Parque da 308 Sul. A primeira película exibida ali seria o denso Morte em Veneza, do mestre Luchino Visconti. A segunda, o rebelde Easy Rider – Sem destino, estreia de Dennis Hopper na direção. “As pessoas enlouqueceram, pensei que fossem quebrar o cinema.” Na sequência, mostras temáticas de


26 resgate da nossa história cinematográfica. “Havia 12 anos que esse filme não era exibido no Brasil, o maior clássico do cinema brasileiro, um sucesso mundial e que não era exibido há 12 anos no País por causa da ditadura, ou seja, uma geração inteira estava sem conhecer o filme, um crime”, lamenta. Agora na condição de professor da Cultura Inglesa, Renato Russo não deixava de prestigiar as sessões do cineclube. “Ele era rato de cinema. Se o cinema não fosse um negócio complicado e difícil de fazer no Brasil, o Renato Russo não seria músico, seria cineasta”, aposta Damata, que por longos 12 anos tocou o cultuado Cineclube da Cultura Inglesa. Cinema Voador Mas 12 anos é muito tempo e, de repente, Damata se viu desiludido com o esquema de cineclubes em Brasília. Entre uma sessão e outra, se deu conta de que estava dedicando seu tempo ao público errado. Pela primeira vez se sentia incomodado com o público. “Estava esgotado de exibir filmes para a classe média, esse povo que vê cinema de arte tem suas defesas”, desabafa. “O sujeito ia assistir a A batalha de Argel, do Gillo Pontecorvo, e, em vez de sair da sessão com metralhadora na mão [risos], ia comer no Dom Francisco. Ou seja, vi que o meu trabalho não estava tendo utilidade.” Foi quando imagens do passado, personificadas tanto na figura do mascate audiovisual da Bayer quanto do mestre dos primórdios do cinema nacional, o mineiro Humberto Mauro, o levaram a um estalo: botar o bloco na rua, ou melhor, o cinema. “Pensei comigo: ‘O que diabos eu estou fazendo aqui, vou é botar o cinema na rua, vou partir para as periferias, exibir filme para os necessitados’”, decidiu. Assim nasceria da insatisfação e da necessidade de trilhar novos rumos o Cinema Voador, projeto que, desde 1994, foi apre-

ciado por cerca de 2 milhões de pessoas. A primeira sessão ocorreu na 309 Sul, em frente ao Beirute. O filme escolhido para estrear o projeto foi mais uma vez o documentário Monterey Pop. Na sequência, o polêmico filme canadense Jesus de Montreal, do niilista cineasta Denys Arcand. “Fechamos o viaduto e botamos o cinema literalmente na rua. O Bartô (já falecido), que era o dono do Beirute, com o Chiquinho (seu sócio), deu um coquetel, foi um acontecimento”, conta. Em 1995, parcerias com o governo local permitiram que o projeto ganhasse outras praças, a partir da aquisição de dois ônibus. Assim, munido de arquibancadas, projetor e enorme telão de 12 metros, passou a exibir seus filmes em todas as cidades-satélites de Brasília. Foi mais longe, levando o projeto para fora do Distrito Federal. “O Cinema Voador contempla Brasília, mas, frequentemente, somos convidados para apresentar o projeto nos estados, já viajamos o país inteiro”, revela. Mudou a plateia e a satisfação também porque a cada praça em que desembarca, uma nova emoção surge em seu horizonte. As experiências vividas por Damata, o peregrino do audiovisual em Brasília, nessas mostras itinerantes são inesquecíveis. “A reação do público é a melhor possível, é um pessoal supercarente, eles não têm nada, aquilo é de rachar o coração”, observa. “Quando a gente começa desmontar o cinema para ir embora, as pessoas, principalmente as crianças, não querem deixar”, conta. A festa de 18 anos do Cinema Voador já tem data e local marcados. Será em julho, no tradicional Bar Beirute da Asa Sul, local que recebeu a primeira sessão do projeto. “Vamos fazer uma festa chamada 2 Milhões esta Noite”, antecipa Damata, em referência ao número de espectadores que angariou ao longo de quase duas décadas. “Vou procurar um filme raríssimo, que é para ) encher a praça”, faz mistério. )

nomes emblemáticos das telonas como Vittorio De Sica, Ingmar Bergman, Jean-Luc Goddard, Pasolini, Federico Fellini, Roberto Rosselini, Bresson, Michelangelo Antonioni, os clássicos do cinecubismo, a série “O cinema e a música”, com exibição de documentários de festivais antológicos, entre eles o Monterey Pop Festival e o Woodstock. Na plateia, encantado com as performances viscerais da texana Janis Joplin, um jovem que seria, durante muito tempo, um dos frequentadores mais assíduos do espaço: Renato Russo. “O Renato Russo não saía da Escola Parque, ele foi a todas as sessões do filme sobre Woodstock só para ver a Janis Joplin, terminava a Janis Joplin e ele ia embora”, se diverte. “E ainda ficava me cobrando filmes: ‘Por que você não passa Quadrophenia, por que você não passa Quadrophenia?’, que, na época, era proibido no Brasil”, conta, referindo-se ao antológico filme de 1979, baseado no álbum homônimo da banda inglesa The Who. Quando mudou o cineclube para o antigo Centro de Criatividade, na 508 Sul – hoje Espaço Renato Russo –, em 1978, conseguiu um projetor russo de 35 mm da antiga embaixada da União Soviética, um luxo. “O projetor era o que de mais moderno havia no mercado. Parecia coisa do céu, divina”, empolga-se. Só que o governo brasileiro, em pé de guerra havia décadas com o regime comunista, não viu com bons olhos aquela parceria cinematográfica. “Não é que descobriram que os projetores eram soviéticos e proibiram as sessões... Vocês já viram uma história dessas?!”, ri, estrondosamente. De endereço novo, desta vez na Cultura Inglesa da 709/909 Sul, no fim dos anos 70, Damata programou uma estreia apoteótica, com a exibição do filme Deus e o diabo na Terra do Sol, do amigo Glauber Rocha. A escolha do western sertanejo não foi aleatória, ia além dos laços de amizade com o diretor, tinha fortes implicações com o


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“O sujeito ia assistir a ‘A batalha de Argel’, do Gillo Pontecorvo, e, em vez de sair da sessão com metralhadora na mão, ia comer no


CAPA Brasília – RA I

Administrador: Messias de Souza Integrante do PC do B, foi indicado pelo partido, que compõe a base aliada do governo. É velho amigo do governador Agnelo Queiroz.

Administrador: Carlos Antoneto de Souza Lima Integrante da Associação dos Moradores do Paranoá, é do PT e foi indicado pelo partido.

Núcleo Bandeirante – RA VIII

Gama – RA II

Administrador: Marcio Palhares de Oliveira Indicado pelo presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício (PT).

Administrador: Elias Dias Também entrou na cota do secretário de Governo, Paulo Tadeu.

Ceilândia – RA IX

Taguatinga – RA III

Administrador: Carlos Alberto Jales Apadrinhado pelo deputado Washington Mesquita (PSD), que deixou o DEM para compor a base aliada do governo.

Brazlândia – RA IV

Administrador: José Bolivar da Rocha Cruz Leite Filiado ao PT, foi escolhido pelo próprio governador, depois de trabalhar em sua campanha e ter sido seu secretário particular.

Sobradinho – RA V

Administradora: Maria América Menezes Bonfim Também é do PT e sua escolha foi do secretário de Governo, Paulo Tadeu. Ambos são da mesma corrente interna do partido.

Planaltina – RA VI

Paranoá – RA VII

Administrador: Ari de Almeida Cabo eleitoral de Agnelo durante a campanha, foi indicado pelo PT.

Guará – RA X

Administrador: Carlos Nogueira da Costa Outro que faz parte do PPS, mas a indicação foi feita pelo secretário de Justiça, Alírio Neto (PPS).

Cruzeiro – RA XI

Santa Maria – RA XIII

Administrador: Neviton Pereira Junior Está na lista dos agraciados pelo vicegovernador Tadeu Filippelli (PMDB).

São Sebastião – RA XIV

Administradora: Janine Rodrigues Barbosa Escolha feita pelo deputado Agaciel Maia (PTC).

Recanto das Emas – RA XV

Administrador: Sebastião Stênio Pinho Filiado ao PMDB, chegou ao cargo com o aval de Tadeu Filippelli e do deputado

Administrador: Antonio Sabino de Vasconcelos Neto Filiado ao partido, foi indicado pelo PT-DF.

Samambaia – RA XII

Administrador: Risomar Carvalho Vice-presidente do PT-DF, ganhou do deputado Wasny de Roure (PT) o empurrão para ocupar o cargo.

Administrador: Nilvan Pereira de Vasconcellos Membro do PPS, foi indicado pelo deputado Cláudio Abrantes, do mesmo partido.

31

lugares e alg

Texto Rafania Almeida Fotos Leonardo arruda rafania@meiaum.com.br

fotografia@meiaum.com.br

para acom apadrinhado


1

guns bilhões

Rôney Nemer. Já fez parte dos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda.

Lago Sul – RA XVI

Administrador: Wandermilson J. G. Azevedo Indicado pelo PMDB.

Riacho Fundo I – RA XVII

Águas Claras – RA XX

Administrador: Manoel Carneiro de Mendonça Neto O deputado Olair Francisco (PT do B) é o responsável pela escolha.

Riacho Fundo II – RA XXI

Administrador: Artur Nogueira Escolha feita pelo deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), ligado ao senador Gim Argello.

Administradora: Geralda Godinho Sales Filiada ao PT e ex-presidente do Sindicato dos Comerciários, ganhou o cargo depois de fazer campanha com a categoria pelo governador.

Lago Norte – RA XVIII

Sudoeste/Octogonal – RA XXII

Administrador: Era Marcos Woortmann, indicado pelo deputado Israel Batista (PDT). Quando este deixou de apoiar o governo, Woortmann saiu do cargo. Até 2 de maio não tinha sido substituído.

Candangolândia – RA XIX Administrador: João Hermeto de Oliveira Neto Filiado ao PMDB, é mais um da lista de Tadeu Filippelli.

modar os políticos

SCIA – RA XXV

Administradora: Maria do Socorro Torquato Casada com o presidente regional do PT, deputado federal Roberto Policarpo, é do partido e atuou fortemente na campanha de Agnelo.

Sobradinho II – RA XXVI

Administrador: Hamilton Alves da Cunha Indicado pelo deputado Dr. Michel (PSL).

Jardim Botânico – RA XXVII

Administrador: Cesar Trajano de Lacerda Indicação de Benício Tavares (PMDB).

Administrador: Marcelo Ciciliano Ocupa a cadeira depois de ser escolhido pelo governador com a benção de Paulo Tadeu e Raad Massouh (DEM).

Itapoã – RA XXVIII

Varjão – RA XXIII

SIA – XXIX

Administrador: Hélio Ferreira das Chagas Indicado por Wellington Luiz (PPL), que apoiou nas eleições em campanha pela cidade.

ParkWay – RA XXIV

Administrador: José Benevenuto Estrela Apadrinhado por Chico Leite (PT).

Administrador: Gesiel Miguel da Silva Escolhido pelo governador Agnelo Queiroz.

Administrador: Adauto de Almeida Rodrigues Tem relação pessoal com Agnelo desde 1990 e garantiu o cargo de administrador do Gama, no início do governo, por ter mobilizado o empresariado na campanha petista. Desafeto do deputado Patrício, foi levado para o SIA no fim de 2011.

Vicente Pires – RA XXX

Administrador: Dirsomar Ferreira Chaves Filiado ao PT, foi escolhido pelo próprio partido para ocupar a vaga, indicado por Geraldo Magela.

Fercal – RA XXXI

Oficialmente criada no fim de abril. Resta esperar quem indicará o novo administrador.

Entenda por que as administrações regionais nada significam em termos administrativos


30

N

em a população, nem os funcionários, nem os próprios administradores conseguem definir para que servem as 31 administrações regionais do Distrito Federal. As ARs, como são chamadas, vão gastar R$ 16 bilhões neste ano, mas quase todo esse dinheiro é para pagar aos funcionários. As administrações não têm autonomia e não resolvem os problemas das cidades. Seus recursos financeiros são mínimos e os administradores dependem das secretarias, das autarquias e das empresas públicas para fazer alguma coisa. São, na verdade, cabides de emprego comandados por pessoas bem remuneradas, que nem precisam morar nas cidades que administram e estão nos cargos graças a indicações políticas. Em 1964, quando era governado por um prefeito nomeado pelo presidente da República e não tinha deputados, o DF foi dividido em oito regiões administrativas: Brasília, Gama, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, Brazlândia e Jardim. O objetivo era descentralizar a gestão do território. A lei determinava aos administradores que residissem na região sob sua responsabilidade. Os deputados distritais, ao aprovar a Lei Orgânica do DF em 1990, acabaram com essa exigência, mas determinaram, sem dizer como, que a população deveria participar do processo de escolha do administrador. O que, naturalmente, não acontece. As administrações proliferaram, chegando a 31, com a criação recente da Administração Regional da Fercal. E já se planeja a

criação de outras. Mas não para cumprir os objetivos iniciais, de descentralizar a gestão e torná-la mais eficiente. As administrações nada significam em termos administrativos, mas valem muito politicamente. Os administradores são, quase todos, indicados por deputados distritais, e os cargos comissionados, de modo geral, ocupados por cabos eleitorais e apadrinhados desses deputados e de membros do governo. De acordo com dados fornecidos por 30 administrações regionais (a da Fercal ainda não funciona), elas têm juntas 3.427 funcionários, mas provavelmente são mais. Apenas 28,19% são servidores estatutários e 71,81% não têm vínculo com o governo do DF, o que fere a decisão do Tribunal de Contas do DF de limitar a 50% os contratados sem concurso público nesses órgãos. A população não tem nenhuma participação na escolha dos administradores, apesar da Lei Orgânica. O senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, apresentou emenda constitucional para que sejam eleitos, mas as chances de isso acontecer são pequenas, pois o DF não se divide em municípios e assim não tem prefeitos. Sem verba própria e autonomia, o administrador eleito pouco poderia fazer além do que fazem os hoje indicados. De 30 administradores, 13 nem sequer moram nas “cidades” e nos bairros que teoricamente dirigem, como mandava a lei que constituiu as administrações regionais. Cada um ganha R$ 16 mil por mês, ou R$ 208 mil por ano. Significa um gasto anual de R$ 6,24 milhões para o gDF, fora encargos. Muito dinheiro, para pouquíssimos resultados. Os administradores se defendem e dizem

estar de mãos atadas, por não terem autonomia. Dependem de deputados distritais para liberar verbas e da boa vontade do governo para que seja realizado desde um serviço simples, como jardinagem, até obras importantes e urgentes, como a duplicação de vias. São no máximo intermediários entre as necessidades da população e as secretarias, autarquias e empresas do gDF. Os únicos serviços que realmente funcionam nas administrações são de concessão de licença e alvarás para estabelecimentos e obras. A submissão ao jogo político visa a, segundo administradores, inflar o orçamento e conquistar o respeito da comunidade – e assim mais votos para o padrinho. Um deles confirma que as administrações são cabides de empregos: “Resolveria os problemas da cidade com apenas metade dos funcionários que trabalhassem de verdade; porém, tenho que atender aos pedidos”. A ex-governadora Maria de Lourdes Abadia passou 16 anos na administração de Ceilândia, dez como chefe do órgão (de 1975 a 1985). Foi a primeira a ocupar a cadeira e, graças à função, elegeu-se deputada federal nas primeiras eleições no DF, em 1986. O hoje ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União, também se elegeu deputado federal, na mesma eleição, depois de administrar o Gama, Taguatinga e Brazlândia. As críticas de Abadia são duras e têm ares de autocrítica, para quem já foi vice-governadora e governadora. “As administrações não têm função”, diz. “Até começaram bem, mas a coisa desandou e elas deixaram de ser técnicas para ser políticas.” Os administra-


31 dores não são independentes, segundo ela, e não têm poder de decisão. Estão lá para fazer política. Sem autonomia para sequer planejar, ficam imobilizados. Não podem garantir que o orçamento seja cumprido porque não sabem quanto terão para investir. “Depende de eles serem apadrinhados de um deputado amigo do governador”, resume. Para a ex-governadora, eles não conhecem a realidade das regiões e, por terem mero compromisso político, por tempo limitado, não criam vínculo forte o suficiente para trabalhar pela população. Dessa forma, avalia, a cidade fica à mercê de um burocrata, perfil da maioria dos administradores. Na opinião de Abadia, falta gestão pública. “Tem administração com mais de 200 funcionários e apenas oito concursados, o resto é indicado político que muitas vezes nem aparece para trabalhar.” Ela admite que muitos usam o cargo para iniciar a carreira política, como ela. “Mas agora, quando fazem isso, perdem seus padrinhos, porque viram concorrentes deles e, geralmente, são tirados do cargo.” O que eles dizem Os administradores acabam sendo, na verdade, apenas intermediários entre a população e os órgãos do governo. Ouvidores, como alguns dizem. Recolhem as reivindicações, os problemas e as informações da sociedade e os repassam. Eles mesmos nada podem resolver. Mas, para isso, não precisariam de estruturas tão grandes e ineficientes. O ex-gerente da Caixa Econômica Federal Marcio Palhares de Oliveira assumiu o cargo de administrador do Gama em março, por indicação do presidente da Câmara Legislativa, o deputado Patrício (PT). Morador da cidade, afirma ter aceitado o convite para fazer algo pelo Gama. “Quando era só um habitante, achava, como todo mundo, que nada acontecia por incompetência dos gestores.” Agora do outro lado, diz que existe, sim, incompetência, mas falta mesmo é poder de decisão. Como apenas um deputado repre-

Marcio Palhares de Oliveira assumiu como administrador em março. O Gama tem uma festa de mais de R$ 2 milhões, mas não dispõe de verba para ajeitar praças, ruas e calçadas, reclama.


32

Carlos Alberto Jales administra Taguatinga. Diz que os moradores o chamam de prefeito e acham que pode resolver tudo. Garante que não usará a administração como palanque.

senta o Gama, ele alega ter dificuldades em gerir a cidade por falta de apoio para emendas parlamentares que lhe destinem recursos. O orçamento que tem, explica, serve apenas para gestão de pessoal e manutenção da máquina administrativa. Oliveira diz que tem metas, mas não garante resultados. A ideia é fazer com que obras importantes saiam do papel, como as ciclovias e o Parque Vivencial. A falta de qualificação de pessoal é outro entrave. “Existe muito aqui dentro a questão da indicação política”, reconhece. “Não dá para tapar o sol com a peneira.” Oliveira reclama do fato de uma das festas mais tradicionais da cidade, a ExpoGama, custar mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos, enquanto não há dinheiro para serviços muito mais baratos, como revitalização de praças, ruas e calçadas, e saúde, educação e segurança não recebem a devida atenção. Em Taguatinga, o administrador Carlos Alberto Jales, desde novembro de 2011 no cargo, se vangloria de contar com quatro deputados para destinar emendas à cidade. São eles Dr. Charles (PTB), Olair Francisco (PT do B), Benedito Domingos (PP) e Washington Mesquita (PSD), que o indicou para o cargo. “Eles foram eleitos por Taguatinga e precisam cuidar da cidade”, justifica. Jales diz que repassa as necessidades da população aos deputados e eles dão um jeito de assegurar os recursos. “O que mandar mais emendas aparece mais e ganha mais votos”, diz. Apesar disso, afirma que a verba é pouca e é preciso fazer “ginástica”. Quando não consegue emendas, convence os deputados a terem uma conversa com o governador, pois entrar na fila das secretarias e da Novacap não garante resultados. Segundo Jales, morador de Taguatinga, as vias são antigas, o asfalto é velho e o orçamento é pouco para cobrir todas as demandas de infraestrutura. Mesmo há pouco tempo no cargo, conta, conseguiu a construção de estacionamentos para 270 carros no C1 e a concessão de 3 mil alvarás de funcionamento para os feirantes da Feira dos Goianos, que considera suas principais conquistas até


33 agora. Além disso, bolou uma estratégia para conseguir mais dinheiro: cobra dos comerciantes locais pelo uso da área pública e a arrecadação, segundo ele, é investida na cidade. “Mas não conseguimos fiscalizar nem 0,1%, por falta de pessoal.” Entre as principais demandas da população local estão as obras de infraestrutura, segurança – “como se eu tivesse as chaves disso” – e saúde. Reclama que os moradores de Taguatinga só o chamam de prefeito e acham que ele é mágico e pode resolver tudo. Garante conhecer a cidade como a palma da mão, pois mapeia tudo pelo Google Earth, e diz que não usará a administração como palanque político. É fiel a seu grupo e está satisfeito com o padrinho Washington Mesquita. Dirsomar Ferreira Chaves foi indicado para administrar Vicente Pires pelo PT, especificamente pelo deputado federal e secretário de Habitação Geraldo Magela. Morador de lá, participa da luta pela regularização dos condomínios há 18 anos e deixou o cargo de secretário de Estado da Micro e Pequena Empresa, no qual recebia mais de R$ 20 mil, para assumir a administração em dezembro. Não reclama da falta de deputados eleitos pela região e diz estar bem servido. O administrador mantém como principal bandeira a regularização, mas garante querer dar “cara” para Vicente Pires, carente de transporte público, saúde, educação e vias públicas. A menina dos olhos dele é a duplicação de uma das principais vias, a Rua 4. Confia nos recursos da compra dos terrenos irregulares da União pelos moradores para implantar a infraestrutura. Considera tarefa árdua fazer a administração funcionar sem autonomia e recursos suficientes. As demandas aos órgãos do governo nem sempre são respondidas no prazo e com a qualidade requerida. Para Chaves, a estrutura precisa ser repensada. “Não podemos resolver os problemas licitando com recursos que não temos”, reclama. Acredita que o modelo atual distancie o povo da administração. Na opinião dele, alguns órgãos, como a Novacap, deve-

Dirsomar Ferreira Chaves, de Vicente Pires, diz que as demandas aos órgãos do governo nem sempre são respondidas no prazo e com a qualidade requerida.


34 riam ter representações nas administrações para, de fato, dar solução a problemas de manutenção, como asfaltamento e poda. Apontada como a terceira região mais pobre do DF, o Varjão é carente de infraestrutura. Quem afirma isso é o próprio administrador, Hélio Ferreira das Chagas, indicado pelo deputado distrital e secretário de Condomínios Wellington Luiz (PPL). Ele diz que a maior demanda lá é por moradia. Os problemas de invasão permanecem e a Quadra 11, que tinha 120 famílias, hoje tem mais de 300. “Não conseguimos controlar, pois não temos mais funcionários da Agência de Fiscalização aqui nem autonomia para trabalhar”, diz Chagas. Morador de Sobradinho, afirma participar de ações sociais e campanhas políticas no Varjão desde 2005. “Posso não morar, mas conheço a cidade porque já participei de várias ações aqui, inclusive na campanha eleitoral.” No pequeno bairro são muitas as áreas não asfaltadas e carentes de água e luz. Chagas aponta como uma das necessidades uma escola de ensino médio, pois tem apenas jardim de infância e ensino fundamental. Quer derrubar a escola e construir uma nova. Em compensação, o centro de saúde é referência e, segundo o administrador, atende até pessoas de outros lugares. Entre outros projetos, destaca a construção de um centro esportivo, a revitalização de cinco praças (das quais duas já foram feitas), a criação do centro de reciclagem, que já tem a estrutura, e a construção de um bloco para abrigar famílias que invadiram chácaras. Também quer erguer cinco blocos para acabar com a invasão da Quadra 11 e um centro de convivência do idoso. Para a sorte do administrador, boa parte dessas obras será financiada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outras urgências, como a duplicação da principal via da cidade, a criação de estacionamentos e de mais uma saída, não têm previsão orçamentária. Mas em 2011 foram gastos R$ 2 milhões com eventos esportivos e culturais e apenas R$ 500 mil com obras no Varjão. “Gostaria ainda de ter um grupo


35

O Varjão é uma das regiões mais carentes do DF. O administrador, Hélio Ferreira das Chagas, gostaria de ter gente que fizesse trabalhos braçais para manter a cidade limpa, mas falta verba.

Qual o critério? Um fator que revela a falta de gestão e controle das administrações é o número de funcionários. Não existe padrão para atender à comunidade. Enquanto Vicente Pires tem 71 funcionários para atender à população de aproximadamente 70 mil pessoas, o Varjão, com cerca de 7 mil habitantes, tem 61. Apenas dez a menos para uma população dez vezes menor. Brasília, com mais de 200 mil moradores, tem 113 pessoas na administração, enquanto o Gama conta com 215 para 120 mil habitantes. Além disso, vários deles não reconhecem o administrador como chefe, pois se reportam diretamente a seus padrinhos políticos. E concursados também se recusam a fazer algumas tarefas. “Tem gente aqui que fala que não vai fazer serviço braçal porque é concursada e não fez provas para isso”, conta o administrador de Taguatinga. Esse quadro não incomoda os governantes e os políticos, pelo contrário. Nada foi feito para mudá-lo em sucessivos governos. Há até poucos dias eram 30 RAs, mas já foi criada mais uma, a Fercal, antes ligada a Sobradinho 2, por sua vez desdobrada de Sobradinho. Francisco Machado, coordenador das Cidades, órgão do gDF que articula as administrações regionais, nega, mas os comentários são de que está sendo estudada a criação de outras três: Arniqueiras e Areal deixarão Águas Claras e se tornarão autônomas, enquanto Ceilândia deverá ser dividida. Até 2011, Areal era parte de Taguatinga. Mais administrações nada resolvem para a população, mas representam mais empregos e, assim, mais apoio de aliados. A Secretaria de Estado de Publicidade

Institucional fez recentemente uma pesquisa com a população do DF para saber o nível de satisfação com os administradores. O resultado não foi tornado público, mas uma fonte do governo revelou: quase todos tiveram avaliação negativa. Na verdade, péssima. Entre as reclamações, estariam a falta de competência, as poucas realizações e a má qualidade do atendimento. Questionado pela avaliação negativa, Machado diz que os administradores se esforçam, mas os recursos humanos estão aquém do necessário, apesar de muitas unidades terem mais empregados do que precisam. “As administrações funcionam mais como subadministrações do governo”, diz. Explica que, como os administradores não têm orçamento próprio, cuidam residualmente do orçamento voltado para a manutenção. “O DF é uma grande cidade e o governo precisa funcionar integradamente”, observa. Por isso, diz, as políticas públicas não são dos administradores, e sim do governo. Machado não concorda com a afirmação de que os administradores estão de mãos atadas. Admite que a ação é limitada, mas diz que a lei permite “certa autonomia”, desde que tenham recursos. “Podem até fazer licitação, se tiverem orçamento.” Para que tivessem verba própria, de acordo com Machado, seria necessário tributar a população mais uma vez, e a bitributação não é permitida. “O grosso mesmo vem das secretarias, desde limpeza até segurança pública.” O coordenador reconhece que as relações muito estreitas dos deputados com os administradores influenciam a gestão, pois se as promessas de campanha não são cumpridas eles ficam mal perante a sociedade. Machado acredita ainda que o orçamento participativo, que conta com delegados das comunidades para definir onde serão investidas as verbas destinadas às cidades, ajude a dar um norte para as administrações, possibilitando maior atendimento de demandas. Os administradores deixam de ser, assim, apenas ouvidores. ) (Colaborou Noelle Oliveira) )

para fazer serviços braçais de manutenção para manter a cidade limpa, mas não temos verba, nem gente interessada nesse tipo de trabalho”, reclama. Chagas considera o administrador uma extensão do governo e acha que o cargo está mais para um ouvidor do que para um gestor. Está na função desde outubro passado.


2** fora do plano amaislongavenida

paubrasilia@paubrasilia.com.br

por Nicolas Behr

BRASÍFRA-ME

Personagens, lugares e episódios marcantes da história da nossa capital. Desvende estes poemas-enigmas.

1*

os anúncios de luzes e logos piscam frenéticos para a esplanada e a esplanada, burocrata mal amada, poderosa e esnobe, nem tchun

sol prático da silva atravessa tagualândia chega até a finlândia e volta por onde não há mais retorno começa onde termina


4*

5**

palácio-cascata

palmas para a palmácea

de onde cai toda a água que falta no semiárido

a solidão do poder no meio da praça

palácio-cascata

voam mirando a água como se esta espelho fosse narcisos aos bandos mais negros que os bantos na ponta de uma asa um b no bico um a a de paranoá

6* cadê a cidade? lobo comeu cadê o lobo? virou nome de cidade cadê a cidade? lobo comeu cadê o lobo? virou nome de cidade

Respostas: 1 Anúncios do Conjunto Nacional – 2 Av. Hélio Prates – 3 Biguá – 4 Palácio da Justiça – 5 Praça do Buriti – 6 Guará

3*

mas se a bolívia tem o seu ministério da marinha...

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Opinião

Política antimanicomial

Saúde mental; a que não ousa dizer o nome (iii) A Torre de Babel das terapias x Faça-se a luz Texto Alberto Francisco do Carmo Ilustração DanIEl banda albertofcarmo@gmail.com

Quem leu os artigos anteriores talvez tenha desconfiado de que falaríamos de profissionais da saúde mental. Quem assim pensou acertou. Choca-nos descobrir que a Psicologia seja tão nova como ciência independente. Por séculos, conceitos “psicológicos” apareciam aqui e ali, tentando explicar comportamentos. Desde os egípcios, pelo menos. O “nosce te

bandinha.dinelli@gmail.com

ipsum” (conhece-te a ti mesmo) constava do pórtico do Oráculo de Delfos. Foi a base do pensamento de Sócrates. Mas, em O banquete, de Platão, Sócrates presente, a explicação da homossexualidade, por exemplo, é risível. Zeus criara de início seres duplos, metade homem, metade mulher. Mas mudou de ideia. Separou-os. Daí que cada homem procurava sua parte perdida, a mulher. Mas, em

alguns casos, seres duplos eram do mesmo sexo, num tempo sem recall. Então, procuravam seu complemento, do mesmo sexo. Mesmo com Sócrates ali, “conhece-te a ti mesmo” ficava difícil. E o tempo passou e muito. De fato, somente em 1879, em Leipzig, o MÉDICO Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório do que chamou “psicologia experimental”, sendo por


39 isso considerado o pai da Psicologia. Daí surgiu um monte de “linhas”: estruturalismo, funcionalismo, psicanálise, culturalismo, behaviorismo, humanismo, gestalt, existencialismo, cognitivismo e outras “técnicas” como psicodrama, grito primal, biodança, reflexologia pavloviana, etc. e tal. Se a demência fosse um ser do mal, diríamos que usou, contra tais “linhas”, uma estratégia diabólica: dividir para reinar. Percebe-se claramente como uma “linha” disputa poder com outras, no mais tolo etnocentrismo. Quanto a clientes, algo as une: altos custos das consultas. Para quem pode, é claro. Para quem não pode, resta um papo rápido num posto de saúde ou hospital público, uma receita tarja preta, que é como “Soma” de Admirável Mundo Novo: para os que se tornassem agressivos ou contestadores, uma espécie de polícia espalhava um spray e todos ficavam felizes, cordatos, inofensivos. Hoje, não há polícia, mas um corpo clínico e nada de spray – comprimidos são mais práticos. Porém, não negamos a utilidade dos fármacos. Houve progresso enorme em termos de conhecimento da constituição e da fisiologia do cérebro. Produto disso: medicamentos que atuam diretamente nos locais de onde partem estímulos químicos indesejáveis, que geram comportamentos idem. Em muitos casos, o paciente procura ajuda em situação tão precária que uma abordagem psicológica pura é simplesmente impossível. Daí uma fase de medicação, algumas orientações breves até que a pessoa tenha condição de refletir sobre seu comportamento e ambiente. Aí o “papo” é possível. Porém, certos transtornos como o TOC, o transtorno de estresse pós-traumático e a esquizofrenia implicam medicação de uso contínuo e visitas vitalícias ao terapeuta, salvo exceções. Uma das metas de progresso da Psicologia/Psiquiatria seria tentar diminuir a elongação de sessões terapêuticas. Em seu Psicologia Geral, Mira y Lopez aconselha o

estudo da Psicologia como meio para se conhecer mais rápido. Observa que coisas como “a vida é que ensina“, pouco adianta sabê-las quando prestes a deixá-la. Certas terapias chegam muito próximas disso. Muito tempo para “elaborar” soluções, às vezes tardias. No Brasil, os cursos de Psicologia só se estruturaram a partir de 1962, 83 anos após Wundt. Ao atraso do País somaram-se os equívocos terapêuticos. Exemplo: não se costuma submeter postulantes à Psicologia/ Psiquiatra a testes de aptidão. O resultado: é grande o número de pessoas portadoras de psicopatologias que conseguem entrar para tais áreas, em que mais prejudicam do que tratam. E chegou-se a tal ponto que o Conselho Federal de Psicologia adotou uma espécie de linha dura contra pseudoterapias “exóticas”. Com razão. Numa delas, uma paciente foi metida num saco para simular seu “renascimento”, com todos apertando-a para simular contrações uterinas. Noutro exemplo, um paciente em terapia de grupo, muito oprimido na vida pessoal, levou uma espécie de surra de travesseiros dos outros membros, a mando da terapeuta, que berrava: “Até quando você vai se deixar ser massacrado??!!” Ficou traumatizado. No dia seguinte, no trabalho, um chefe até legal pediu-lhe algo em tom mais duro e o paciente explodiu: “Vai à PQP!!” Felizmente, o chefe percebeu algo errado e retirou-se. Nesse meio tempo, o funcionário caiu em si, correu ao chefe para explicar-lhe que fizera terapia, daí aquilo tudo. E o chefe: “Logo vi que algo estava errado. Largue essa doida antes que ela te endoide!” Mas houve perigo de demissão. De um livro: “grupos políticos e mesmo grupos terapêuticos de vanguarda, de sensibilização, psicodramas, etc. também podem promover o aparecimento de atuações histéricas e também reações de conversão e de dissociação”. Fiat Lux. Mesmo com uma vela apenas...


40 está fora de moda. Por ineficácia, ou por se tornarem quase seitas religiosas. Surgiu a psicologia cognitiva, uma volta ao bom senso. Tenta-se fazer o paciente olhar a si próprio em sua condição real, não na idealizada, e suas relações com outros. Aí, ponto importante, combate-se a autorreferência e aprende-se a ser empático: colocar-se no lugar dos outros; evitam-se as frustrações, especialmente as constantes, que tenham o mesmo mecanismo, o “colecionador de injustiças”. Em suma, tenta-se corrigir o até então incorrigível. A psicopatologia tem hoje uma tipologia bem mais ampliada do que sanidade e demência, ou o menos velho tripé: normal/ neurótico/psicótico. Inclusive a constatação de que indivíduos transitam entre esses três estágios, no que concerne ao transtorno de personalidade limítrofe, ou borderline. Destaque: a questão do transtorno de estresse pós-traumático. Resulta de traumas violentos: guerras, conflitos familiares, sequestros, estupros, espancamentos, bullying, etc. Nesses casos, não tem sentido “aconselhar” as vítimas a perdoarem ou esquecerem os males a elas causados. Não esquecem porque não se lembram. REVIVEM a experiência. Isso escapa a qualquer controle. Portanto, palavras como “rancoroso”, “odiento” são injustas para tais pessoas. A ideia do “perdão” religioso pode encher de culpa quem não a tem nem a teve. O TEPT não surge em todos, mas conforme resistência individual, física e psicológica, onde possivelmente entra a genética. Mas, em outros, pode durar anos, ou a vida inteira. Não surge imediatamente, mas certo tempo depois do trauma. Aí, à psicoterapia, tem-se de juntar os recursos farmacológicos de hoje: sertralina (mais comum) e outros mais novos como a paroxetina e a buspirona . Aqui, um problema. Tanto para o TEPT quanto para outros quadros psicopatológi-

cos, o mundo tem uma enorme população de indivíduos nunca tratada convenientemente, na hora e idade certas, sobretudo com o profissional adequado. Portanto, o transtorno cristalizou-se. Só pode ser minimizado. Em certos casos graves, o recurso é a internação vitalícia. A população, políticos inclusive, deve ser orientada quanto a sintomas. Fala-se muito em “começo insidioso”, ao descrever transtornos psiquiátricos. Realmente muitas pessoas “sem saber, mas sabendo” convivem com outra (ou outras) por um tempo enorme, até uma vida inteira, sem notar que estão ao lado de alguém com sério problema mental, e até risco de vida. Há opostos: aqueles que não sabem nada de nada. mais o comodismo. Até aceitam as “esquisitices”. Mas há aqueles tão seguros do seu saber que nem notam que alguém ao lado está se deteriorando mentalmente. Marísia Von Richtofen, psiquiatra, VINTE MIL REAIS por mês, em seu consultório. E não percebeu algo muito grave na cabeça da filha, sabe-se lá desde quando. “Em casa de ferreiro, espeto de pau”, não dá para explicar e muito menos, controlar. Um bom contraexemplo: senhora, mãe de uma penca de filhos. Casos de demência no seu ramo familiar. Por isso, ao notar certa agressividade e índole um tanto vingativa num dos filhos, levou-o a um psiquiatra, dos 10 aos 18 anos. O filho “diferente” teve vida normal. Faleceu precocemente por outro grave problema de saúde. Estudou, formou-se (nível superior) casou-se, constituiu família. Mas nunca enlouqueceu. Todavia, entre seus parentes, o mesmo cuidado não houve. Resultado: vários casos de esquizofrenia, ou transtorno bipolar. Finalmente, a tal “volta para casa” pode ser a volta ao Inferno. Um da família foi tratado, mas o resto, não. À política do “voltar para casa” talvez tenha de aliar-se ao “aprender a ter sua casa”, ou ainda: me) lhor não voltar. )

A política antimanicomial é um caso clássico de pôr o carro adiante dos bois. Cito Karen Horney, que os psicanalistas ortodoxos detestam. Em sua obra-prima, Neurose e desenvolvimento humano, observa: “Sentem (tais pessoas) que é dever seu ter grandes ideias ou projetos brilhantes, mas os pormenores devem ficar a cargo dessas criaturas terra a terra. Se houver empregados ou colegas, que possam pôr em prática as suas ideias, tudo irá bem; mas se forem obrigados a fazer, eles mesmos, o serviço – escrever um trabalho, desenhar um modelo, redigir um documento legal –, podem considerar consumado o trabalho para sua grande satisfação, antes mesmo de haver iniciado o trabalho. A sua incapacidade de fazer esforços contínuos provém das mesmas raízes. A sua qualidade especial de orgulho reside na superioridade desprovida de esforços. A sua imaginação é empolgada pela glória do dramático, ao passo que as tarefas humildes da vida diária são sentidas como humilhações. Podem fazer esforços esporádicos que lhe alimentam o orgulho, mas os esforços contínuos o humilham. Qualquer joão-ninguém é capaz de conseguir alguma coisa pelo esforço constante.” Bem, parece que o pessoal que ideou a política antimanicomial tem algo disso, não? Ao contar a um psicólogo – defensor de tal “ideia” – casos de loucos à solta, do nosso artigo anterior e mais outros, não resistiu. Deu boas gargalhadas, até conter-se: – É. A gente ri, mas é trágico. Realmente há casos em que a internação é inevitável. Ora, se há casos de internações inevitáveis, e os manicômios têm de acabar, temos de pensar em futuros locais de internação, sim. Claro, nada de repetir hospícios sinistros, do tipo Jacarepaguá, Barbacena, Juqueri, etc. É preciso concatenar as ideias e pô-las em ORDEM. Depois, planejamento realista. Aí sim, haverá PROGRESSO no país que viveu 388 anos de escravismo. Aliás, esse livro de Horney, extrapolado do individual para o coletivo, é Brasil puro. Um alívio: toda aquela Babel de terapias


CHARGES DO GOUGON hgougon@gmail.com


Artigo

Resa: no mínimo o máximo*

“Ques que ti pance? Que chup-chup caju et no canse. Caaaanse! Et como canse. Avec la castanhe... principalmant.”

Texto Luis Turiba Arte resa turibapoeta@gmail.com


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O

poeta de tantas capas maravilhosas, grafismos mágicos e objetos poéticos de múltiplos significados – na certidão Luis Eduardo Resende de Brito, que nos deixou prematuramente aos 56, no início de abril – adorava fazer a citação ao lado. Parecia até um ator quando puxava do seu repertório anedótico a performance: fazia biquinho, rodopios e trejeitos. Tinha plena consciência de que estava escaneando (ou sacaneando) a mania de eruditismo de certos intelectuais brasileiros. Trouxe a brincadeira de Maceió, Alagoas, onde está uma de suas peças mais significativas: um Cristo crucificado com duas seringas. Tudo no Resa era verdade absoluta e radical. Resa foi o operário do design que acendeu a vela nos dois lados, gerando luz e energia em tudo que riscou, pintou, bordou, bolou e pariu. Amava trabalhar, enfrentar no silêncio criativo o branco da prancheta. Autor de todas as capas e da magistral programação visual das seis revistas Bric-a-Brac editadas em Brasília; do projeto Graphoesia, com dez lâminas poéticas em serigrafia; e das capas de livros da Editora UnB como Noel Rosa, uma biografia, de João Máximo e Carlos Didier. Fez coleções infindáveis de cartazes e logomarcas da cultura brasiliense: Martinica, Bom Demais, Feitiço Mineiro. Foi por mais de dez anos programador visual da rede de hospitais Sarah em Brasília e Salvador e do Clube do Choro. Resa chega a Brasília em 82 a convite do então secretário de Cultura, o também poeta Reynaldo Jardim. De cara, monta uma coleção de cartazes com poemas do então desconhecido Manoel de Barros. Mas já desembarcou com respeitável bagagem. Editou a saudosa revista Flor do Mal, de Rogério Duarte, e fez parte do grupo Nuvem Cigana, tendo participado do Almanaque Biotônico Vitalidade com o trabalho “a sétima face do dado”, que ganhou nova versão em calendário no ano passado. Foi o rei das letras sete. Parceiro gráfico de poetas como Manoel de Barros, Chacal, Claudio Lobato, Ronaldo Santos, Xico Chaves, Carlos Nico (seu irmão e bad boy da capa na Bric-a-Brac nº 6), Angélica Torres Lima, Paulo José Cunha, Antônio Risério e este que vos escreve. Resa lia muito. De formação visual, era capaz de pegar um verso estroncho e malanjambrado e transformá-lo num poema publicável. Mas quando não gostava era capaz de picar o original e fazê-lo voar em mil pedacinhos pela janela do 12º andar da redação da Bric-a-Brac. “Ah, essa m ee r d aaaa... é impublicável”, sentenciava. E de tanto fazer cirurgias plásticas em poemas capengas, tornou-se também ele um poema vestido por macacão jeans

desbotado, cuja melhor tradução é sua obra-prima, o poema Tênis de beiço, que ilustra este texto. Reconhecimento nacional Resa começou a carreira solo na passagem do século 21. O poeta-mestre Augusto de Campos conta essa história, em texto de apresentação do livro Cartas marcadas – poesias visuais: “Ele tenta agora uma outra aventura, um novo desafio, propondo-se apresentar um conjunto de trabalhos visuais que pedem exposição e livro próprio. Pertencem àquele gênero de trabalhos que não se pode classificar ou tabelar facilmente. Wagner Barja incluiu com justeza alguns deles na exposição Obranome, dedicada precisamente a esse espaço ou ‘vão’ (expressão de Barja) interdisciplinar da poesia-arte visual. São trabalhos que se posicionam numa linha intermediária entre objeto-poema e/ou poesia-plástica, aquilo que o norte-americano Dick Higgins, discípulo de John Cage e integrante do grupo Fluxus, denominou ‘intermídia’.” Já a produtora e curadora Marília Panitz diz que “Resa foi um escritor de objetos, inventor de uma língua sem som, ou talvez povoada por ruídos de dados sendo jogados, de peões sendo deslocados no tabuleiro, de cartas batendo umas nas outras ao serem embaralhadas”. Na exposição Miserere Nobis, em 2010, Resa foi fundo, radicalizando nos seus poemas-objetos com retratos da realidade brasileira pinçados de crueldade e humor. A exposição mereceu artigos, citações e interpretações, com destaque para poema Sabor da sobra, do cantor e compositor Chico César. Seguiu sua trilha caprichando na mira. Embaralhando ainda mais as Bric-a-Bracs, invertendo os calendários, revelando a sétima face do dado, buscando matéria-prima nas feiras de antiguidades, como a da Praça XV. Enquanto enfrentava o câncer, tão radical como sua obra, jamais parou de trabalhar. Preparou uma exposição que será apresentada em agosto com poemas inéditos em forma de livros sagrados e/ou profanos. Enjaulou gaiolas para se libertar. Fez cartazes e logomarcas para o Clube de Engenharia. Ou como diz Chico César: “sobre o insalubre coração de pedra do mundo/o artista prepara as próprias sobras/em seu canto de genuflexão e ofertório/Resa reza”. Descanse em paz, mano. Sua obra não sobra.

* Título extraído do poema Resa, do Chacal, publicado na contracapa do livro Cartas marcadas – poesias visuais.


Poesia

o céu é seu

e vento contra é pra voar mais alto: mais forte mais bonito mais leve, vento contra é pra sair do chão e dar o salto Texto e fotomontagem TT Catalão ttcatalao@gmail.com


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acima da nossa cabeça o juízo – abaixo, o prejuízo; o céu como limite e o sol por testemunha – a cidade dos horizontes fartos convida; a cidade dos giros 360 graus resplandece luz, deseja luz, exige luz, precisa respirar luz em luz refletida – grávida de luz – em luz desperta sobre todas as camadas – luz nas pessoas, luz nas autoridades, luz na máquina, luz pelo lume de uma justiça liberta das trapaças; a cidade ensina que o céu é seu se assim você se faz piloto dos seus próprios planos: não são as asas que possibilitam navegar além do chão, mas a atitude movida pelo desejo de reinventar a luz e a claridade que transpassa a carne frívola dos que não merecem a cidade – mais transparência ainda é pouca nos desvios dos muitos véus e tantas vias camufladas para antigos réus; o céu é seu nesta brasília em resplendor – cortar a retina dos olhos narcotizados pelas sombras – o céu é seu como carta orientadora – um lado diz: cai, recua, foge, destoa; e o outro brilha a nos dizer: vai – avança – resiste – voa; sem temer a vertigem do salto quando se faz urgente a justiça; clarão para cegar mentiras o céu é seu pela capacidade de enfrentar vento contra – e vento contra é pra voar mais alto: mais forte mais bonito mais leve, vento contra é pra sair do chão e dar o salto, mais solto mais longe menos breve – vencer a gravidade dos graves, instalar a gravidez do voo sobre os entraves; vento contra é pra voar sem rumo, mesmo que a linha nos ensine o valor do prumo...


Caixa-preta

por Luiz Cláudio Cunha cunha.luizclaudio@gmail.com

A maior injustiça do Supremo

Abril foi um mês luminoso para a Justiça e para o Brasil. Começou com a aprovação por oito votos a dois no Supremo Tribunal Federal, dia 12, do aborto para fetos anencefálicos. Terminou no dia 26 com a consagração unânime de cotas raciais nas universidades públicas de um país onde 51% dos brasileiros são negros ou mestiços e só 2% deles têm acesso ao ensino superior. O ápice aconteceu no intervalo, dia 19, com a posse na presidência do STF do sergipano Carlos Ayres Britto, um juiz enfim com alma de poeta. “Dar à luz é dar a vida, e não a morte”, ensinou no voto pelo aborto. “Os magistrados não governam, eles evitam o desgoverno”, recitou no discurso de posse, em que investiu contra a prepotência e a pose dos juízes: “Quem tem o rei na barriga um dia morre de parto... Juiz não é traça de processo, não é ácaro de gabinete...” O STF avançou sobre temas que dividem a opinião pública. Reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, liberou o uso de embriões em pesquisas com células-tronco, definiu que mandatos pertencem aos partidos e não aos parlamentares, liberou a lei da Ficha Limpa para sanear a política e brecar o acesso aos maus políticos.

Menos latinório, mais trabalho Além de tudo isso, o STF acolheu a denúncia sobre o maior escândalo do Governo Lula, o Mensalão, que Ayres Britto, sem poesia, antecipa como “o julgamento do século”. Ele chega ao comando do Supremo com a mente limpa (“Vamos deixar de tanto rebuscamento, de tanto juridiquês, de tanto latinório”) e um projeto claro: sessões todos os dias da semana, não só quartas e quintas, e trabalho até no recesso de julho. Tudo para agilizar o debate sobre o Mensalão e evitar sua prescrição por chicana de advogados. Ayres Britto será inclemente: “Juiz que joga para a plateia vale menos que a bola”, diz.

As decisões mais recentes do STF e a assunção de Ayres Britto mostram um aggiornamento do País, atualizando e ajustando a lei e seu cotidiano. Sempre cioso de sua independência, o STF costuma dizer que não age sob pressão. Mas é sempre um alento perceber que, sob a capa fria da lei e debaixo da toga intocável de magistrado, existem juízes de carne e osso, atentos à vida, ao povo e ao irrefreável progresso da mente humana. A balança do juiz alcança a sabedoria quando consegue o equilíbrio entre o cérebro e o coração. A justiça é a antítese da anencefalia.

Ministro até 2037 A lamentar, apenas, a mais flagrante distorção

no time de 11 ministros do STF. O mais jovem deles, José Dias Toffoli, ainda não tem 45 anos. É também o mais oco e despreparado, dono de uma biografia controversa, ali plantado por Lula graças, principalmente, ao papel de fiel advogado do PT em suas três campanhas presidenciais, a partir de 1998. O juiz mais idoso, e talvez mais sábio deles, é exatamente Ayres Britto, que completará 70 anos em novembro. Pela Constituição, Toffoli poderá ver no cargo de ministro outras seis Copas do Mundo, até aposentar-se compulsoriamente um ano antes da Copa de 2038. Ayres Britto, com toda sua sabedoria, será obrigado a deixar o Supremo já daqui a sete meses. Não existe maior injustiça do que essa.


Arte, Cultura e Lazer cultura@meiaum.com.br

Nilson Bastian

A tradição do Bolshoi, com a marca do Brasil A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil traz à capital um clássico do balé, a remontagem e produção do espetáculo Giselle (foto). É uma obra com quase 200 anos de história. A cenografia de uma pequena aldeia de camponeses foi feita por pinturas à mão. Os figurinos originais, criados pelo estilista francês Hubert Givenchy, do Teatro Bolshoi de Moscou, serviram de base para os usados no espetáculo nacional, confeccionados por Tatiana Artamonova. O bailarino russo Vladimir Vasiliev é quem assina a remontagem. A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil é a única fora da Rússia. Fica em Joinville, Santa Catarina, e formou a primeira turma de dança clássica em 2007, após o cumprimento do ciclo de oito anos de estudos. Os bailarinos formados aqui trabalham em diferentes países.

Cinema – lançamentos

Anjos da lei Direção: Phil Lord e Chris Miller. Adaptação da série de TV. Dois policiais atrapalhados, Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum), são enviados de volta ao ensino médio, infiltrados para derrubar a operação de um traficante de drogas. Comédia. Classificação 16 anos. Kinoplex em 4 de maio. 109 minutos.

Armadilha Direção: David Brooks. Três colegas de trabalho (Alice Eve, Josh Peck e Brian Geraghty) ficam presos em uma cabine de caixa eletrônico e lutam para se salvar diante do ataque de um homem misterioso. Suspense. Classificação 14 anos. Kinoplex em 18 de maio. 84 minutos.

Battleship – A batalha dos mares

Direção: Peter Berg. Uma aventura que tem início no mar e continua nos céus e em terra, na qual fuzileiros navais lutam contra uma força desconhecida. Baseado no jogo de batalha

naval. No elenco, Liam Neeson, Alexander Skarsgard, Taylor Kitsch, Josh Pence, Brooklyn Decker, Rihanna, Jesse Plemons, Peter MacNicol. Ação. Classificação 10 anos. Kinoplex em 11 de maio e Cinemark em 18 de maio. 113 minutos.

Codinome Cassius 7 Direção: Michael Brandt. O misterioso assassinato de um senador (Edward Kelly Austin) traz todas as marcas do assassino russo conhecido como Cassius (Stephen Moyer), que todos acreditavam estar morto. Para encontrar o criminoso, um agente aposentado da CIA (Richard Gere) que passou toda sua carreira perseguindo Cassius é obrigado a voltar a trabalhar em dupla com um jovem agente do FBI (Topher Grace). Suspense. Classificação 10 anos. Kinoplex em 18 de maio. 91 minutos.

Conspiração americana Direção: Robert Redford. Na sequência do assassinato de Abraham Lincoln (Gerald Bestrom), sete homens e uma mulher são presos acusados de conspirar para matar o presidente, o vice-presidente e o secretário

de Estado. A mulher era Mary Surratt (Robin Wright), proprietária da pensão onde John Wilkes Booth (Toby Kebbell) e outros se reuniram e planejaram os ataques simultâneos. O advogado Frederick Aiken (James McAvoy) concorda em defender Surratt. Percebe que sua cliente está sendo usada para capturar o conspirador. Drama. Classificação 12 anos. Cinemark e Kinoplex em 4 de maio. 122 minutos.

Flores do oriente Direção: Yimou Zhang. O filme reconta a história do Massacre de Nanjing. Na China, durante a década de 30, um padre norte-americano (Christian Bale) tenta auxiliar as vítimas do massacre, acolhendo na sua igreja prostitutas e estudantes que convivem com o medo de serem violadas e assassinadas pelos soldados japoneses. Drama. Classificação 12 anos. Kinoplex em 11 de maio. 146 minutos.

Lola Direção: Lisa Azuelos. LOL significa laughing out loud – morrendo de rir – na linguagem on-line. Os amigos de Lola (Miley Cyrus) a chamam


Arte, Cultura e Lazer

Ishika Mohan/Twentieth Century Fox

americana na fronteira, Driver (Mel Gibson) é jogado em uma das prisões mais violentas do mundo. Lá ele recebe a ajuda de um garoto de 9 anos (Kevin Hernandez) que passa informações vitais para a sua sobrevivência. Ação. Classificação 10 anos. Cinemark em 18 de maio. 84 minutos.

Um homem de sorte

O exótico Hotel Marigold Direção: John Madden. A trama gira em torno de um grupo de idosos que decide passar uma temporada em um luxuoso resort na Índia e acaba descobrindo que a estrutura do lugar não é o que parecia no folheto. No elenco, Judi Dench e Celia Imrie (foto). Drama. Classificação 10 anos. Kinoplex em 11 de maio. 124 minutos.

Direção: Scott Hicks. Sargento da Marinha dos EUA, Logan Thibault (Zac Efron) retorna de seu terceiro turno de serviço no Iraque, com o que ele acredita que salvou sua vida: uma fotografia que encontrou de uma mulher que ele nem conhece. Ao descobrir que seu nome é Beth (Taylor Schilling) e onde ela mora, o sargento aparece em sua porta e acaba por aceitar um emprego em seu canil. Um romance acontece entre eles, dando a Logan a esperança de que Beth pode ser muito mais do que seu amuleto da sorte. Romance. Classificação 12 anos. Kinoplex em 4 de maio. 101 minutos.

Cinema – outros

Diálogos africanos assim. Na volta das férias, ela descobre que foi traída pelo namorado. Para complicar, tem uma relação ruim com a mãe (Demi Moore). Aventura. Classificação 12 anos. Cinemark e Kinoplex em 11 de maio. 110 minutos.

MIB – Homens de preto 3 Direção: Barry Sonnenfeld. Yaz (Jemaine Clement) decide voltar no tempo para matar Kay (Tommy Lee Jones) e desencadeia uma série de acontecimentos que pode levar ao fim do mundo. Jay (Will Smith) precisa ir atrás de Yaz para salvar a humanidade. Para isso, ele viaja no tempo. Ação. Classificação 10 anos. Cinemark em 25 de maio. 100 minutos.

O que esperar quando você está esperando

Direção: Kirk Jones. Holly (Jennifer Lopez) quer

muito adotar, mas seu marido, Nate (Rodrigo Santoro), não tem ideia do que é ser pai e não se sente pronto. Pressionado, acaba indo parar num grupo de novos pais. Comédia. Classificação. 12 anos. Kinoplex em 18 de maio. 88 minutos.

Um continente no cinema A mostra conta a história do continente africano. São abordados os antigos e os atuais problemas, destacando também a cultura. Os filmes foram feitos por africanos, estrangeiros, exilados ou descendentes de africanos. 15 a 20

Piratas pirados

de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil. 23 a

Direção: Peter Lord e Jeff Newitt. O Capitão Pirata (Hugh Grant) sai em missão para derrotar seus rivais Black Bellamy (Jeremy Piven) e Cutlass Liz (Salma Hayek) na disputa pelo prêmio de Pirata do Ano. O Capitão e a sua tripulação vão parar numa ilha repleta de perigos. Animação.

programação em www.bb.com.br/cultura.

Classificação livre. Cinemark e Kinoplex em 11 de maio. 88 minutos.

Plano de fuga Direção: Steven Rosenblum. Capturado pela polícia do México quando fugia da polícia

27 de maio, no Instituto Cervantes. Classificação e

Douglas Sirk Retrospectiva com 29 filmes do diretor alemão

emigrado para os Estados Unidos no período de ascensão do nazismo. Nos EUA, Sirk (1900 – 1987) se tornou um dos grandes diretores de melodramas da Universal Studio na década de 1950, usando em seus filmes técnicas inovadoras para a época. 22 de maio a 17 de junho, no CCBB. Classificação e programação em www. bb.com.br/cultura.


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Junior Furlan

Música

1º Festival Vida Candanga de Música Independente

Com a banda paulista Rancore, lançando o disco Seiva. Abertura com as brasilienses Massay, Hellena, Siltu e Ana’s Cold. 12 de maio, às 17h, no Espaço Floresta (SCS). Ingresso (inteira): R$ 15. Classificação 16 anos. Telefone: 9107-9307.

31ª Noite Cultural T-Bone Duas vezes por ano, o T-Bone Açougue Cultural promove grandes shows na rua. Nesta edição, a tradicional festa traz o cantor e compositor Ivan Lins. 31 de maio, às 19h, na 312 Norte. Entrada franca e livre. Telefone: 3963-2069.

Criolo

Cerrado Virtual

O cantor e compositor vai abrir a sexta edição do projeto Todos os Sons, do CCBB. No show, Criolo mistura rap com MPB, funk, soul e blues. O evento ainda terá um concerto reunindo a baixista brasiliense Paula Zimbres e o Sistema Criolina, que é a mistura dos sons dos DJs Barata, Oops e Pezão. 27 de maio, às 17h, no CCBB. Entrada franca e livre. Telefone: 3108-7600.

O evento traz duas atrações internacionais na sua nona edição: Steel Pulse e a antiga banda de Bob Marley, The Wailers. 13 de maio, às 19h, no Camping Show. Ingressos (inteira): Pista R$ 80; Área VIP R$ 160 (open bar). Classificação 18 anos. Telefone: 3342-2232.

Clube do Choro Festival de Cinema Europeu

Mostra de Cinema Australiano

É a oitava edição, com a exibição de 13 filmes de países membros da União Europeia. Traz ficções e documentários que tratam dos três aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. 8 a 13 de maio, no CCBB.

Serão exibidos seis filmes – drama, ação, policial e romance – que retratam temas cotidianos tanto da sociedade contemporânea quanto dos antepassados aborígines australianos, com personagens fortes e bem característicos. Até 6 de

Entrada franca. Classificação e a programação em www.bb.com.br/cultura.

Mostra Madri em Curtas Documentários, ficções com toques de realidade e animações de romances e aventuras. Todas as apresentações terão áudio original em espanhol e estarão sem legendas. São 36 curtas. Até 15 de maio, de terça a quinta, das 12h30 às 13h30, no Teatro Brasília Shopping. Entrada franca e livre. Veja a programação em www.brasiliashopping.com.br/evento/lista.

Neste mês segue o projeto em homenagem a Chico Buarque, com interpretações de vários artistas. Shows às quartas, quintas, sextas e aos sábados a partir das 21h. Ingresso (inteira): R$ 20. Classificação 14 anos. Telefone: 3324-0599. | Ricardo Silveira: 4, 5 e 6 de maio | Grupo Vibrações: 5 de maio | Altamiro Carrilho e Grupo Choro Livre: 9, 10, 11 de maio | As meninas do semente: 12 de maio | Spok frevo:

maio, no CCBB. Entrada franca. Classificação e

16, 17 e 18 maio | Festivais, cantos contos: 19 de maio |

programação em www.bb.com.br/cultura.

Fernando de La Rua: 23, 24 e 25 de maio | Orquestra popular marefreboi: 26 de maio | Léo Gandelman Quarteto: 30 e 31 de maio.

www.cinemark.com.br www.kinoplex.com.br Não informaram a programação a tempo: www.itaucinemas.com.br www.cinecultura.com.br

Dori Caymmi e

Paulo César Pinheiro O compositor e o letrista fazem show para comemorar os 42 anos de parceria. Na oportunidade, apresentarão aos brasilienses


Arte, Cultura e Lazer

o CD Poesia musicada. 19 de maio, às 20h, no Teatro Unip (913 Sul). Ingresso (inteira): R$ 120. Classificação 14 anos. Telefone: 3346-3738.

Los Hermanos Depois de cinco anos fora dos palcos, a banda celebra 15 anos com uma turnê especial por 12 cidades. 5 de maio, às 20h, no Ginásio Nilson Nelson. Ingressos (inteira): Arena R$ 100; Pista R$ 140. Classificação 16 anos. Telefone: 4003-1212.

exposições

Água benta Do artista plástico Rogério de Deus, reúne série de trabalhos ligados ao universo do barroco mineiro. São 25 pinturas em óleo sobre tela com médios e grandes formatos. As telas fazem referência ao casario colonial de Ouro Preto. Até 10 de maio, de segunda a sexta,

Música Circo Antes de tudo: Parabéns! O projeto Sesc Partituras é uma vitória pra nós, músicos – e pra vocês, plateia. Para quem não sabe: o Sesc lançou um site com partituras digitalizadas de mais de 40 compositores

das 9h às 18h, na Câmara dos Deputados. Entrada

nacionais (www.sesc.com.br/sescpartitu-

franca e livre. Telefone: 3215-8081.

ras). A vitória é cultural e histórica. Entre os compositores, Padre José Maurício,

Maria Gadú A cantora vem à capital para o lançamento do álbum Mais uma página. O show terá canções do novo disco e sucessos anteriores, como Linda rosa, Altar particular e Dona Cila, além da interpretação de Oração ao tempo, tema de abertura da novela A vida da gente. 12 de maio, às 22h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Ingressos (inteira): Cadeira superior R$ 120; Cadeira especial R$ 160; Cadeira VIP lateral R$ 200; Cadeira VIP R$ 240. Telefone: 3447-5866.

Orquestra Brasileira de Música Jamaicana & Jurassic Sound System

A orquestra, além de músicas jamaicanas de raiz, incluiu no repertório clássicos brasileiros, tudo adaptado ao balanço dos ritmos da Jamaica. O Jurassic Sound System traz um reggae antigo, que remete aos anos 60. 11 de maio, às 22h, no Arena Futebol

Escritos em liberdade

Roxette O duo sueco Marie Fredriksson e Per Gessle lança o álbum T2 –Tourism 2. Não faltarão sucessos dos anos 1990, como Listen to your heart e Spending my time. 15 de maio, às 21h, no Ginásio Nilson Nelson. Ingressos (inteira): Setor superior R$ 160; Pista R$ 200; Pista Premium R$ 280. Classificação 16 anos. Telefone: 4003-1212.

portante Guerra-Peixe. Há óbvio incentivo

São 160 poesias, entre vitrines, documentos e audiopoesias de autores como J. M. Junoy, Ramón Gómez de la Serna, Ernesto Giménez Caballero, Juan José Tablada e Vicente Huidobro. Também com obras de autores de maior destaque, como Juan Hidalgo, Joan Brossa, Francisco Pino, Juan Eduardo Cirlot, José Miguel Ullán. Até 9 de junho, de

ao ensino de música – infelizmente, o

segunda a sexta, das 11h às 21h; sábado, das 9h às

o potencial do projeto é sensivelmente

14h, no Instituto Cervantes. Telefone: 3242-0603.

subtraído pela ausência de autores mais

sistema educacional em música no Brasil é subdesenvolvido para o tanto de talento que nasce nessa terra. Mais uma vez: a iniciativa é uma vitória para qualquer cidadão que admira o que se cria no País. Dito isso, me sinto na obrigação de atentar para um fato: mesmo louvável,

populares. Aqui nos encontramos em xe-

Índia e Brasil lado a lado

que-mate diante do sistema: nomes como

São 350 peças, entre objetos sacros, estátuas, vestimentas, máscaras, pinturas e fotografias que representam a cultura indiana. A exposição é dividida em três blocos, que reúnem obras datadas de 200 a.C. aos dias de hoje. 22 de maio a 29 de julho,

rendem milhares de reais por mês para

de terça a domingo, das 9h às 21h, no CCBB. Entrada

essencial ao projeto. Mas torço para que

franca e livre. Telefone: 3108-7600.

a iniciativa não caia no esquecimento da

Clube. Ingresso (inteira): R$ 25. Classificação 16 anos. Telefone: 8111-4627.

cuja obra tem mais de cem anos, e o im-

Israel e a Fé Bahá’í: imagens de uma comunidade global

São 30 painéis com pinturas que mostram o território israelense, ligadas à história e aos ensinamentos da religião bahá’í, religião mundial, independente, com suas próprias leis e escrituras sagradas. Até 14 de maio, de segunda a sábado, das 10h às 20h, no Shopping Iguatemi. Entrada franca e livre. Telefone: 3577-5000.

Caetano Veloso, Tom Jobim e Villa-Lobos editoras que publicam suas obras – cada exemplar de songbook pode custar até 100 reais. Que sonho seria se estivessem disponíveis, sem custo, para a população. A presença de nomes raros e históricos é

maior parte da classe artística. Podem me chamar de rabugento, mas essa falta de memória é a ponta do iceberg do que se tornou a “cultura” brasileira, com Popozudas, Telós etc. Mas isso é papo para outra hora.

Bruno Gafanhoto É músico profissional, formado pela UnB e mestrando em Jazz na Universidade de Louisville, KY, EUA


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Juan Pratginestós

Até 24 de maio, de segunda a sexta, das 14h às 19h,

com traços geométricos, algumas delas premiadas. O artista plástico neoconcretista incorpora a personalidade de poeta ao estilo próprio de pintura. Os visitantes podem tocar as peças para apreciar os efeitos de ilusão de ótica do trabalho do carioca. Até 8 de junho, sábados e

no Espaço Cena (205 Norte). Entrada franca e livre.

domingos, das 9h às 17h, na Câmara do Deputados.

Telefone: 3349-6028.

Entrada franca e livre. Telefone: 3215-8081.

Nascido em Barcelona, Espanha, vive desde 1962 em Brasília e fotografa desde o início dos anos 80. A mostra apresenta 25 imagens da exposição Janelas que passam, realizada em 2005, sobre passageiros de ônibus em Brasília.

O Egito sob o olhar de Napoleão

A mostra reúne 13 volumes da obra Description de l’Égypte. A coleção é fruto da expedição ao Egito do general francês Napoleão Bonaparte, que, em 1798, tomou as cidades de Alexandria e do Cairo. Os livros contêm estudos de arqueologia, topografia, religião e história natural realizados por uma equipe de 167 integrantes. O resultado das pesquisas é considerado hoje o mais importante estudo erudito europeu sobre o Egito antigo e moderno. Até 27 de maio, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional da República. Entrada franca e livre. Telefone: 3325-6410.

Yves Serpa São 28 obras de diversos tamanhos

Teatro

A cartomante Baseada no conto homônimo de Machado de Assis, publicado em 1884. A história gira em torno do triângulo amoroso entre Vilela, sua esposa Rita e seu amigo de infância Camilo. Paixão, traição e mistério influenciam o enredo, que tem uma cartomante como personagemchave. Com o Grupo Liquidificador Até 26 de maio. Entrada franca. Classificação 14 anos. Telefone: 9633-8711. | 4 a 6 de maio, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h, no Sesc Gama | 11 a 13 de maio, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h, no Sesc Ceilândia | 17 a 19 de maio, às 20h, no Sesc Taguatinga Norte | 24 a 26 de maio, às 21h, no Teatro Goldoni (208/209 Sul).

secretária bem humorada e dedicada, sempre disposta a atender aos caprichos de seu odioso chefe. Das companhias B e Colapso. 4 e 5 de maio, às 20h, no Teatro Paulo Autran – Sesc Taguatinga Norte. Entrada franca. Classificação 14 anos. Telefone: 3451-9103.

A princesa e o sapo O musical descreve a vida de dois humanos transformados em sapos, um crocodilo trompetista, um vagalume apaixonado e uma feiticeira, que buscam realizar seus sonhos em Nova Orleans (EUA). Apresentado pela Cia. Teatral Néia e Nando. Até 27 de maio, sábados e domingos, às 17h, na Escola Parque 307 Sul. Ingresso (inteira): R$ 30. Classificação livre. Telefone: 8199-2120.

Branca de Neve e os sete anões Inspirado no musical da Broadway, com direção do italiano Billy Bond, é baseado na obra original dos Irmãos Grimm. O espetáculo se destaca pelo uso de tecnologia, com telões centrais e laterais. Na entrada, o público recebe óculos especiais. Com eles, poderá ver cenas filmadas e projetadas em 3-D. 26 e 27 de maio,

Adelaide, a secretária

às 15h e às 19h, no Centro de Convenções Ulysses

De forma crítica, expõe as relações hierárquicas entre patrão e empregado. Adelaide é uma

100; Poltrona especial e VIP lateral R$ 160; Poltrona

Guimarães. Ingressos (inteira): Poltrona superior R$ VIP R$ 240. Classificação livre. Telefone: 8130-6681.


Arte, Cultura e Lazer Cárcere Uma semana na vida de um presidiário real, refém numa rebelião. Ele se expressou num diário, que o ator Vinícius Piedade leva para o palco. 11 a 13 de maio, de sexta a sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Teatro do Espaço Cultural Mosaico. Ingresso (inteira): R$ 30. Classificação 14 anos. Telefone: 3032-1330.

Conversando com mamãe Uma mulher de 82 anos e seu filho de 50, interpretados por Beatriz Segall e Herson Capri, abordam conflitos familiares, brigas entre a sogra e a nora, a ausência física do filho, mais presente por telefonemas do que por visitas, e a mãe que não deixa de cozinhar pra sua eterna criança. Direção de Susana Garcia. 4 de maio, às 21h, no Teatro Nacional. Ingresso (inteira): R$ 70. Classificação 14 anos. Telefone: 3325-6240.

CPI no motel Um deputado foi denunciado pela própria esposa na CPI da Corrupção. Desesperado, resolve relaxar no motel com a secretária Cleonice, mas não dá conta do recado. Samanta Raio Laser é acionada para ajudar. Para piorar, a esposa o flagra. Com a Cia. Teatral Néia e Nando. 5 a 26 de maio (exceto 19 de maio), sextas, às 21h; sábados e domingos, às 20h, no Teatro Brasília Shopping. Ingresso (inteira): R$ 30. Classificação 14 anos. Telefone: 8199-2120.

Doces lembranças de nós mesmos A história de pessoas que buscam lembranças. Um menino que solta pipa, uma menina que anda na linha do trem, uma mulher que espera por um homem. Com Bruna Nayara, Crys Lira, Jéssica Ximenes, Flávia Reis e Mateus Lima. Até 27 de maio, sábado e domingo, às 20h, no Espaço Semente (Gama). Ingresso (inteira): R$ 10. Classificação 14 anos. Telefone: 3556-0448.

E se... Discute os caminhos que a vida oferece e as interferências das escolhas de cada um. A

companhia Tato Criação Cênica traz a junção do teatro, da dança contemporânea, da mímica e do teatro de animação. 5 de maio, às 17h, no Espaço Cultural Garagem. Entrada franca. Classificação 14 anos. Telefone: 3445-4400.

Festival de teatro brasileiro

Simplesmente eu, Clarice Lispector Uma autora e seus personagens dialogando sobre a vida e a morte, criação, Deus, cotidiano, palavra, silêncio e solidão. Adaptado e interpretado pela atriz Beth Goulart, é extraído de depoimentos, entrevistas, correspondências de Clarice Lispector. 4 de

Cena gaúcha

maio, às 21h, no Teatro Oi Brasília. Ingresso (inteira):

Uma mostra do teatro do Rio Grande Sul. São 15 espetáculos dos mais variados gêneros, apresentados em vários pontos da capital, como Gama, Taguatinga, Ceilândia e Plano Piloto. 15 de maio a 3 de junho. Classificação e

Subsoloamarelo

programação em www.alecrim.art.br.

Labutaria Marco Luque interpreta cinco personalidades inspiradas no trabalho de profissionais do dia a dia. São eles: Mary Help, Silas Simplesmente, Mustafari, Jackson Five e Betonera. 5 e 6 de maio, sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Teatro Nacional. Ingresso (inteira): R$ 70. Classificação 12 anos. Telefone: 3325-6560.

Mostra de Teatro com a Cia. Cacos A mostra da companhia amazonense apresenta uma forma de conhecer e se envolver com as pesquisas sobre o corpo e a performance solo. E instiga para que se discuta cada vez mais a teatralidade amazônica contemporânea. 6 a 8 de maio. Entrada franca. Classificação 16 anos. Telefone: 3032-1330. | Trans: 6 de maio, às 19h30, no Teatro do Espaço Cultural Mosaico | Mãe: 7 de maio, às 19h30, no Teatro do Espaço Cultural Mosaico | Cultura da Carne e Diário de um Louco: 8 de maio, às 12h, na Praça Zumbi dos Palmares (Conic).

Sesc Festclown Grupos circenses nacionais e estrangeiros participarão da décima edição do festival de palhaços, com destaque aos que marcaram edições anteriores. Entre eles, Chacovachi, da Argentina, Teatro de Anônimos (RJ) e Parlapatões (SP). 8 a 13 de maio. Entrada franca. Classificação e programação em www.sescdf.com.br.

R$ 60. Classificação 12 anos. Telefone: 3424-7121.

Monólogo com o ator Vanderlei Costa. O espetáculo é dividido em quatro blocos: cão político, cão aparente, cão social, cão erótico. Entre os blocos são apresentados vídeos, músicas e fotos. O espetáculo fala sobre dramas e tragédias humanas. 11, 18, e 25 de maio, às 22h, no Balaio Café (201 Norte). Ingresso (inteira): R$ 10. Classificação 12 anos. Telefone: 3327-0732.

Tropeço Dois atores manipulam objetos sobre uma mesa e dão vida a duas velhas que moram juntas. O espetáculo fala sobre a velhice, a solidão e pequenas ações rotineiras. Da companhia Tato Criação Cênica. 5 de maio, às 21h, no Tetro Sesc Garagem. Entrada franca e livre. Telefone: 3445-4400.

Tudo que eu queria te dizer Monólogo com a atriz Ana Beatriz Nogueira. Do livro homônimo de Martha Medeiros, a atriz selecionou algumas cartas. Uma mulher anuncia ao marido que vai deixá-lo por um homem que visualizou num sonho; uma senhora faz um comovente desabafo sobre os desprazeres da idade avançada; uma terapeuta desnuda o amor que sente pela paciente; e uma amiga pede socorro à outra, com medo de que a visão de uma cartomante sobre a sua morte venha a se concretizar. Esses são alguns dos relatos. 5 e 6 de maio, sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Teatro Nacional. Ingresso (inteira): R$ 20. Classificação 14 anos. Telefone: 3325-6256.


Lígia Jardim

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Teatro O pesadelo sombrio que foi a Idade Média perpassou a obra do pintor e gravador holandês Hieronymus Bosch (1450 – 1516), célebre por trabalhos como O jardim das delícias e Os sete pecados mortais, este último o esteio temático do espetáculo Modéstia, em cartaz até 13 de maio no Teatro I do CCBB. Texto inédito no Brasil do dramaturgo argentino Rafael Spregelburd, a peça faz parte de heptologia baseada na impactante obra. “Modéstia seria equivalente a soberba”, explica o diretor Pedro Brício, conhecido

Isso é o que ela pensa Escrita em 1985 pelo inglês Alan Ayckbourn, a peça conta a história de uma mulher que lentamente perde a conexão com a realidade. Susan, na meia-idade, de classe média, sofre um acidente em seu jardim. A partir desse dia, passa a se relacionar com uma família imaginária, oposta à sua: figuras idealizadas, privilegiadas em beleza e delicadeza. Com Denise Weinberg (foto), Mário Borges, Clara Carvalho, Mário César Camargo, Francisco Brêtas, Eduardo Muniz, José Roberto Jardim e Clarissa Rockenbach. Direção de Alexandre Tenório. 17 de maio a 10 de junho, de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h, no CCBB. Ingresso (inteira): R$ 6. Classificação 16 anos. Telefone: 3108-7600.

do grande público como ator em novelas como América e Pé na jaca. “No espetáculo, os personagens tentam ser menos existenciais do que poderiam ser abdicando da sua força por algum motivo.” Em cena, os atores Bel Garcia, Fernando Alves Pinto, Gilberto Gawronski e Isabel Cavalcanti se desdobram em papéis duplos que dão conta de tramas paralelas ambientadas na Argentina dos dias atuais e na Rússia “tchecoviana”. Embora as duas narrativas sejam díspares, aos pou-

Dança

Giselle Cerca de 80 bailarinos da Escola Bolshoi no Brasil compõem o elenco. A remontagem e a produção são do russo Vladimir Vasiliev. A peça retrata a lenda das Willis (almas das donzelas que morrem às vésperas do casamento). A camponesa Giselle é apaixonada por Albrecht, mas descobre que foi enganada por ele e morre de amor, tornando-se uma Willi. O amor eterno de Giselle por Albrecht, que vem à noite visitar seu túmulo, o salva de ter seu espírito vital tomado pelas Willis. Elas, então, obrigam Giselle a dançar até a morte. 10 de maio, às 20h,

Vivadança Festival Internacional A sexta edição conta com profissionais de 18 países, entre artistas, pesquisadores, professores, curadores e fomentadores culturais. Além de espetáculos, a programação inclui exibição de documentários, exposições e intervenções de artes visuais, oficinas, debates e mesasredondas. Um dos espetáculos nacionais é o infantil Da ponta da língua à ponta do pé. Os bailarinos cantam história de um garoto que gosta de rap e skate, mas, ao se apaixonar por uma estudante de balé, mergulha no universo da dança. Até 6 de maio, no Teatro Funarte Plínio Marcos. Ingresso

no Teatro Nacional. Ingresso (inteira): R$ 40.

(inteira): R$ 10. Classificação e programação em

Classificação livre. Telefone: 3325-6256.

www.festivalvivadanca.com.br.

cos suas temáticas se encontram dentro de elaborado jogo dialético. Segundo o diretor, ao contrário da obra de Bosch, Modéstia não tem perspectiva cristã, mas lança olhar crítico sobre crise sintomática dos nossos dias. “O autor mostra o quanto estamos presos em comportamentos típicos da nossa época, como o egoísmo, a confusão com o caos contemporâneo, o preconceito com o que é estrangeiro”, observa Brício, que dirige peças desde 2003.

Lúcio Flávio É jornalista especializado em cultura


Banquetes e botecos } ilustração Rômulo Geraldino romulog2000@yahoo.com.br

Por Marcela Benet marcela.benet@gmail.com

Quer ir a um restaurante italiano maravilhoso? Vá à Trattoria da Rosario

12345 A Trattoria da Rosario, independentemente da hora e do dia, está sempre cheia. Aberta desde 2003, a casa tem crescido para acomodar a demanda. O ambiente tem capacidade para 100 pessoas, divididas entre o salão do térreo e o do primeiro andar, este muito sem graça, por sinal. Possui duas adegas climatizadas, com seleções espetaculares de vinhos. O chef napolitano Rosario Tessier veio para o Brasil em 1990. Trabalhou no Rio de Janeiro e em 1993 chegou a Brasília. Começou no Gaff, passou pelo La Bocca de La Veritá e pelo Partenopea. Prestou consultoria ao I Maestri até que se decidiu a realizar seu antigo sonho e se tornar dono de seu próprio restaurante. A Trattoria da Rosario se baseia em três pilares: a qualidade da matéria-prima, a excelência na elaboração dos pratos e o atendimento impecável. As massas e os azeites vêm da Itália, e as carnes exóticas e pescados vêm dos melhores fornecedores. Para começar, a casa oferece uma seleção de pães, queijos, pastas e verduras. A salada de folhas mistas com camarões, lulas e polvo, a Insalata Mare Nostro, é leve e refrescante. E para os amantes de carpaccio, como eu, tem o tradicional, que pode vir com lâminas de alcachofra e Grana Padano, ou com rúcula e cogumelos. Uma delícia, principalmente com um vinho branco italiano, o Friulano, da Lívio Felluga. O problema do restaurante é a dificuldade para escolher o prato principal. Se optar por carne, tem a bisteca de cordeiro com creme de hortelã, servida com risoto de funghi fresco e lascas de Grana Padano, a Bistecchina d´Agnelo. Se preferir massa, tem o Gnocchi Mediterrâneo, com bacalhau, manjericão, tomatinho cereja, azeitonas e alcaparras, além do papardelle com alcachofra fresca, gorgonzola e presunto de Parma. Tudo maravilhoso! Mas, apesar de já ter provado e amado todos esses, hoje não resisto ao Gamberi Imperiali, camarões ao molho de pimenta verde e ervas à provençal com risoto de polvo, que é de chorar de bom. O que não falta é um belo vinho italiano para acompanhar a opção escolhida: um Brunello di Montalccino, de André Constanti, o toscano Sassoaloro, de Biondi Santi, ou o Sassicaia, de Tenuta San Guido. Só dependerá do quanto se quer ou se pode gastar. De sobremesa, doces italianos: o tiramissú, a panna cotta com calda de ameixa e o semifreddo de chocolate branco e baunilha com calda de cereja, laranja e cassis. Para fechar, um cafezinho com um licor limoncello faz até pensar que estamos na Itália. Esta é a Trattoria da Rosario!

SHIS QI 17 Loja 215 (61) 3248-1672 Domingo: 12h – 17h Terça a sábado: 12h – 15h e 19h30 – 0h


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PESQUISA DISTRITAL 2012 Para melhorar a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura e tudo o que a sua cidade necessita, o GDF precisa de informações que só você pode dar. Responda à Pesquisa Distrital 2012 que está sendo realizada pela CODEPLAN. Residências foram selecionadas para serem pesquisadas em todo o DF até junho, e você pode identificar os pesquisadores pelo uso do uniforme, crachá e da carta de apresentação. Todas as informações colhidas serão mantidas em sigilo. Os resultados da pesquisa poderão ser conferidos no site da Companhia, www.codeplan.df.gov.br

Não deixe de responder à Pesquisa

Distrital 2012. Faça a sua parte pelo

bem da sua cidade.

Secretaria de Planejamento e Orçamento

ABRA AS PORTAS PARA A PESQUISA DISTRITAL 2012 E FAÇA O DISTRITO FEDERAL MELHOR.

Revista meiaum Nº 13  

As 31 administrações regionais custam muito caro aos cofres públicos, empregam apadrinhados de políticos e não servem para nada

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