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ANO I - Nยบ 04 - MAR/MAI DE 2017


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Capa: Agência MV2

ÍNDICE

8 CONVERSA TEMPERADA Sensibilidade e espírito empreendedor inspiram consultoria gastronômica de Duca Lapenda

20 NOSSA CAPA Cerveja artesanal é a nova mania dos pernambucanos

16 DESPENSA 32 CERVEJA E TAL 34 PRA LER 38 ADEGA 40 BEBIDAS & DRINKS 46 PITADAS 52 SABOR CULTURAL 56 DOCE VIDA EXPEDIENTE

18 DICAS E TRUQUES Dedique um tempinho para organizar, armazenar e conservar os alimentos ANO I - Nº 04 - MAR/MAI DE 2017 revistamalagueta.com.br

W’editora

A Revista MALAGUETA é uma publicação trimestral da Walter Lins Pinheiro Júnior Editora - ME. Empresarial One Way, Rua Guimarães Peixoto, 75, sl 202. Casa Amarela, Recife-PE. CEP: 52051-200 Fone: (81) 3426.6144

DIRETOR EXECUTIVO | EDITOR Walter Lins Jr: walter@revistamalagueta.com.br

REDAÇÃO Ivelise Buarque, Juliano Mendes da Hora e Luciana Torreão: redacao@revistamalagueta.com.br

DESIGN Bruno Regis: producao@revistamalagueta.com.br

COLABORADORES Amanda Ferreira, Dan Coutelo, Goretti Santana, Juliana Lopes, Taciana Antunes e Talles Ruan

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Os textos e artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista. Envie pautas pelo e-mail: redacao@revistamalagueta.com.br

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CONVERSA TEMPERADA

Raízes que definem sabores Por: Juliano Mendes da Hora

Divulgação

Duca já foi hoteleiro, pecuarista e comerciante.Todas essas experiências envolviam a gastronomia de uma forma ou de outra

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Com uma cozinha intimamente ligada às experiências familiares, Duca Lapenda vem sedimentando seu toque no paladar dos pernambucanos. Conhecido por sua vitoriosa trajetória no Pomodoro Café, seu trabalho tem contribuído para uma maior interação entre os profissionais do Estado. Ele agora estreita laços com o mercado gastronômico ao

investir na faceta de consultor, sem deixar de encantar o público com suas criações no próprio restaurante. É lá no número 77 da Rua Alfredo Fernandes, no Bairro de Casa Forte, que a magia acontece. A casa, um espaço aconchegante cujo visual remete às cantinas italianas, é fruto de uma busca por um cenário que proporcionasse realização pessoal, temperado com um espírito empreendedor. Duca já foi hoteleiro, pecuarista e comerciante. Todas essas experiências envolviam a gastronomia de uma forma ou de outra, o que fez com que ele se interessasse pelo assunto. “Por conta das inúmeras viagens e contatos com pessoas das mais variadas culturas, esse lado da cozinha, que já existia por conta de minha família, que possui sangue português e italiano, cresceu ainda mais. Tanto que hoje possuo cerca de três mil publicações das mais variadas vertentes culinárias”, conta o chef. Quem só conheceu agora o tempero mágico de Duca Lapenda nem imagina que o Pomodoro Café praticamente desceu a serra para figurar na lista das melhores casas do Nordeste. O restaurante nasceu no ano 2000, em Gravatá, região do agreste pernambucano conhecida por seu clima mais ameno e altamente propício para uma comida, um bom vinho e um ambiente aconchegante para aquecer o coração. Em 2002, o Pomodoro carregava consigo uma mala cheia de satisfação dos clientes e muito gás para conquistar novos territórios, vindo para a Zona Sul da capital pernambucana, conhecida por estabelecimentos sofisticados e clientela exigente. O desafio foi encarado com muito amor e confiança. Mas um pouco de inovação


Juliano Mendes da Hora

poderia fazer a diferença. E foi o que ele fez. “Costumo dizer que a cozinha italiana tradicional, fortemente presente em minha família, foi a catalizadora para que eu tivesse os olhos e o paladar atento às outras cores e aromas. A cozinha italiana é como uma sinfonia de sabores. Mas até uma mesma canção pode ser executada de maneiras diferentes, e é isso que trago alguns elemetos técnicos mais sofisticados, que dialogam com um conceito mais contemporâneo.” Embora as duas cozinhas estejam presentes de forma diferente em sua vida, sempre é possível que uma influencie a outra, em termos de receita.“A italiana, sem dúvida é mais presente na minha história profissional, embora a culinária portuguesa seja mais presente na minha vida pessoal. Mas aprendi muito com ambas”, explica Duca, para quem as cozinhas rústicas das duas nações se assemelham em várias situações. “Nos ensopados, nos pratos com bacalhau e nas influencias das conquistas e invasões, que

acabaram incorporando elementos da África, do Oriente Médio e das Américas, na época dos desbravamentos”. E é desbravando o mercado gastronômico que Duca Lapenda fortalece seu lado empresarial, ao firmar parcerias com outras casas do Recife através de consultorias. É uma forma não somente de ajudar a definir o menu de um local, mas ajudar na construção da essência que o empreendimento deseja passar para o público. A nova iniciativa neste sentido pode ser provada no novo menu do Casato Bistrô, casa comandada por Márcia Cabral na Avenida Rui Barbosa, coração do bairro das Graças. Ao todo, são 30 novas pedidas, entre reformulações de opções já consagradas da casa e algumas inéditas, como itens servidos em tábuas e peças de ladrilhos decorados. Para esta nova temporada do Casato, Duca já tem as suas apostas: entre as opções que devem ganhar força, principalmente durante a happy hour, estão o Trio de Presun-

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CONVERSA TEMPERADA

“A italiana, sem dúvida é mais presente na minha história profissional, embora a culinária portuguesa seja mais presente na minha vida pessoal.” tos (Parma, lombo picante e royale cozido); a Tábua Alemã (Salsichas alemãs com molho de mostarda do chef); e o Asiette de Queijos (Mozzarella fresca, brie, gorgonzola e lascas de parmesão com geleia picante). Entre as pedidas mais tradicionais, os destaques são o Carré de Cordeiro, confitado com legumes e arroz de brócolis; o Coq au Brie – Peito recheado de queijo brie em molho de vinho branco com nhoque gratinado, e a Tilápia com Fettuccine al pesto rosmarinho. Para o chef, o desafio foi imprimir no cardápio uma série de opções que atendesse tanto quem curte o 'pós-trabalho', como também o público já familiarizado à cozinha afetiva da casa, conhecida como uma opção

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certeira para os almoços entre amigos ou família. E foi pensando em uma mesa partilhada por várias pessoas que Duca Lapenda compartilha com a Malagueta uma receita que fará seu coração navegar pela água da boca: senhoras e senhores, a Peixada Pernambuco! SERVIÇO POMODORO CAFÉ Rua Alfredo Fernandes, 77. Casa Forte. Fone: (81) 3314-0530 Funciona: terça-feira12:00–14:30, 19:00–23:30 quarta-feira12:00–14:30, 19:00–23:30 quinta-feira12:00–14:30, 19:00–23:30 sexta-feira12:00–14:30, 19:00–00:00 sábado19:00–00:00 domingo12:00–16:00, 19:00–22:30 segunda-feira, fechado


PEIXADA PERNAMBUCO (Serve quatro pessoas) INGREDIENTES 4 filets de pescada com 150g cada / 100g de cebola em gomos 100g de tomates em gomos / 100g de pimentão em rodelas 100g de banana da comprida em rodelas / 4 ovos frescos 100g de batata doce descascada em rodelas 100g de cenoura em rodelas / 50g de alho fresco fatiado 100ml azeite extra virgem / Suco de 2 limões 1 col. de chá de colorau / Sal e pimenta quanto baste MODO DE PREPARO Em um recipiente coloque metade do alho, metade do colorau, metade do suco e metade do azeite. Então misture tudo e envolva o peixe, tempere com sal e pimenta e reserve na geladeira. Em seguida, numa panela funda, doure a cebola com o azeite e o restante do colorau, e coloque todos os legumes e os ovos na casca, formando uma base. Adicione água até cobrir os ingredientes, regule o sal e deixe ferver por 20 minutos. Em seguida, coloque o peixe e cubra com o caldo já formado na panela. Cozinhe em fogo baixo, tampado por 10 minutos. Logo após retire um pouco do caldo para preparar o pirão, retire os ovos da casca e corte em fatias. Sirva quente com arroz branco, pirão e farofa.

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FRUTAS QUE REFRESCAM

Frutas para hidratar e cuidar da saúde Por: Talles Ruan

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recife é conhecido por suas temperaturas elevadas em todas as estações do ano, por isso, é importante se hidratar frequentemente e ficar atento aos cuidados com a saúde. E para isso as frutas são uma excelente pedida. Além de auxiliarem na hidratação do corpo, são ricas em vitaminas, fibras e minerais. Indica-se o consumo de frutas que possuem um alto teor de água. São mais refrescantes e costumam ser mais bem digeridas pelo organismo, é o caso da maçã, abacaxi, melancia e laranja. São alimentos com poucas calorias e bons para serem consumidos como sobremesas, pois auxiliam na absorção do ferro.

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Segundo Beatriz Maggioni, representante comercial do Grupo Cantu, distribuidora hortifrut com sede no Ceasa-PE (Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco), os clientes se interessam por dicas relacionadas ao melhoramento da saúde. “Hoje a população está mais preocupada com a saúde e com a moda do mercado que é fitness e o nosso conteúdo nas redes sociais é bem voltado para informações nutricionais, saúde e bem-estar”, comenta Beatriz. Segundo a nutricionista, graduanda em Gastronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, Daiane Gomes, as frutas contêm nutrientes essenciais para a saúde e o bom funcionamento do corpo. Boa


parte delas são ricas em minerais como o fósforo, cálcio e o ferro e também apresentam boa quantidade de vitamina C, vitamina A e do complexo B. Os nutrientes são substâncias fundamentais para o equilíbrio das funções orgânicas do corpo. A organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de no mínimo 400 gramas de frutas e hortaliças, o que significa um consumo diário de cinco porções desses alimentos. “Para o consumo diário recomendamos todos os tipos de frutas, exceto para pessoas que são portadoras de alguma doença como exemplo do diabetes, onde restringimos o consumo de frutas que tenham um alto índice glicêmico” explica Daiane. Do ponto de vista nutricional, a ingestão de frutas auxilia significativamente para redução de doenças, pois ajudam o corpo a recuperar os nutrientes faltantes. As temperaturas mais quentes exigem hidratação redobrada, por dentro e por fora e alguns alimentos como as frutas híbridas possuem substâncias que ajudam a manter a quantidade de água na pele e retém as radiações ultravioletas. As frutas híbridas foram criadas na antiguidade e são provenientes da mistura de duas espécies distintas.A sua reprodução visa o melhoramento genético, criando-se uma fruta mais bonita e resistente a pragas. E hoje as mais consumidas são as cítricas como a laranja, a tangerina e o limão. Frutas como o tangelo, a toranja, tangor e a clementina são outras espécies híbridas que algumas pessoas desconhecem e que podem ser encontradas em redes especializadas. O calor também é responsável por contribuir no aumento da venda de frutas. Seja como sobremesa ou refeição principal, as frutas estão dominando o mercado. O cardápio com frutas é constante na cozinha desde as festas de fim de ano, e o calor incentiva a degustação com diversas alternativas, como as sobremesas de salada de frutas ou sucos. Nas redes especializadas como sacolões e feiras livres, os produtos tem o preço mais em conta. A nutricionista Daniella Pereira, representante do VerdFrut, distribuidora

O tangelo ou a tângera, tanja ou tânjara é um citrino que é um híbrido de uma tangerina com uma toranja. Pode ter origem no Sudeste da Ásia há 3.500 anos atrás

A toranja ou toronja, também conhecida pelo seu nome em inglês grapefruit é um citrino híbrido, resultante do cruzamento do pomelo com a laranja

hortifrut em Pernambuco, observa que existe uma procura maior de frutas no verão. “Não só observamos a procura, como também quantificamos através do nosso sistema uma maior saída de melancia, frutas cítricas, abacaxi e até mesmo os folhosos que também podem compor determinados sucos verdes, bastante utilizados nessa época” explica Daniella. Clementina (Citrus clementina) é uma fruta resultante do cruzamento da laranja com a tangerina, com sabor simultaneamente doce e acidulado. A novidade apresenta casca avermelhada

Quem decide curtir o calor do Nordeste deve também tomar cuidados com a saúde.A alimentação correta, com uma dieta variada composta por frutas e hortaliças contribui no processo de hidratação do corpo e consequentemente no melhoramento da saúde da pele. Investir no consumo de frutas, sucos e sobremesas é uma alternativa para aproveitar bem uma das épocas mais quentes do ano.

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FRUTAS QUE REFRESCAM SUGESTÃO DE RECEITAS Por: Daiane Gomes, nutricionista

SUCO DE ÁGUA DE COCO COM UVA ROXA SEM CAROÇO INGREDIENTES 1 copo (200 ml) de água de coco; 5 uvas roxa sem sementes; Cubos de gelo (a gosto).

MODO DE PREPARO Bata os ingredientes no liquidificador e coe. Sirva em seguida.

SORVETE DE MANGA COM MORANGOS INGREDIENTES 1 xícara (chá) de manga madura picada em cubos congelada 1/2 xícara (chá) de morango 1 colher (café) de suco de limão (não precisa colocar caso o morango esteja mais azedinho) 1 colher de sopa de açúcar (caso queira um pouco mais doce)

MODO DE PREPARO Bata bem todos os ingredientes no liquidificador. Leve ao congelador por mais de 30 minutos, pelo menos.

PICOLÉ COM PEDAÇOS DE FRUTAS INGREDIENTES 2 kiwis descascados e cortados em meia lua ½ xícara (chá) de uvas roxas sem sementes cortadas em rodelas ¾ de xícara (chá) de morangos cortados em fatias (sentido do comprimento) 1 litro de água de coco (ou suco de limão adoçado a gosto). Formas e palitos de madeira para picolé

MODO DE PREPARO Encaixe nas paredes da forma de picolé, as frutas de pé. Após colocar as frutas em todas as forminhas acrescente a água de coco com delicadeza até que cubra totalmente a camada de frutas. Leve ao congelador por 6 horas e sirva.

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DESPENSA REFRESCANTE E REQUINTADO Nestlé Gelato ganha novos sabores e lança linha de picolés em três versões com combinação de ingredientes selecionados. Com 40% a menos de teor de gordura que os produtos da categoria Super Premium, o novo produto traz escolha criteriosa dos ingredientes e textura inconfundível, para garantir uma intensa experiência em sabor das autênticas gelaterias italianas para dentro de casa. Na linha de potes, estão nove sabores em dois tamanhos de embalagem (455ml e 140ml), entre os quais Cappuccino, Gianduia e Fragola, os três novos; e os demais Vaniglia, Caramello Salato, Limoncello, Cioccolato Nero, Pistacchio e Panna Cotta. E na nova linha de picolés, as opções são Pistacchio, Fragola e Limoncello.

Picolé e Nestlé Gelato 140ml

valor médio ,00

| R$10

Multipack e Nestlé Gelato 455ml

valor médio ,90

| R$28

LEVEMENTE PICANTE Sempre trazendo novidades em termos de especiarias do mundo, a Bombay Herbs & Spices aposta em mais um lançamento para agradar o paladar nacional com uma tradição norteamericana: o Barbecue Spicy, tradicional molho com leve picância e um sabor defumado, muito utilizado para cozimento de carnes e legumes. O produto chega em embalagem de vidro de 350g, não contém glúten e utiliza ingredientes orgânicos e naturais, com especiarias que dão um sabor único a esse molho. E com essas características, o Bombay Barbecue Spicy se torna uma ótima sugestão também durante o preparo das carnes de porco e aves, na grelha ou forno, e também ao final do cozimento.

valor médio ,00

| R$ 16

GOSTOSO E SAUDÁVEL Líder no segmento de pães especiais, a Wickbold lança o Pão Sem Glúten da linha Pró. A novidade, voltada ao público que busca benefícios específicos, pode ser encontrada nas versões Tradicional ou Grãos (300g cada), produzidos com receita exclusiva, que garante um produto muito mais macio e saboroso. A versão Grãos explora alimentos ricos em nutrientes essenciais à saúde, enquanto a versão Pão Sem Glúten Tradicional é uma alternativa versátil, que combina perfeitamente com acompanhamentos doces e salgados. Os produtos ainda possuem baixo teor de gordura saturada, são livres de gordura trans, não tem colesterol e apresentam gorduras boas (mono e poliinsaturadas).

valor médio p/ embalagem de 300g ,50

| R$14 16


SABORES FAVORITOS Os chocolates favoritos do consumidor Nestlé ganham embalagem especial em edição limitada, a 4M, que reúne os quatro produtos preferidos do público (KitKat, Prestígio, Alpino e Suflair), em formato especial para consumo individual. A embalagem contém nove unidades e vem com um zíper, tornando o produto ainda mais prático e ótimo para levar no carro, na bolsa ou até deixar no trabalho.

valor médio ,49

| R$ 7

MAIS SABOR NO LANCHE

Premium Premium Premium Premium Ketchup Barbecue Mostarda Maionese valor médio valor médio valor médio valor médio ,90 ,30 ,10 ,00

| R$5

| R$4

| R$4

| R$5

Castelo Alimentos, marca de referência em temperos e conservas, aprimora o seu portfólio com o lançamento da linha de molhos para lanche Premium. Produzidas com ingredientes selecionados e de consistência mais cremosa, foram idealizadas para atender consumidores de paladar mais exigente. A empresa centenária, conhecida no mercado como antiga Vinagres Castelo, aposta nesta linha com embalagem top down, nas versões maionese, ketchup, mostarda e molho barbecue e, inclusive, pode substituir o ketchup para acompanhar empanados à milanesa, bolo de carne, churrascos e a tradicional costelinha.

SABOR NATURAL E RICO EM FIBRAS A Ovomaltine marca seus 70 anos de presença no Brasil com diversas surpresas para os seus consumidores, entre as quais sua pipoca gourmet Pipó, que chega em charmosas latas de 500ml e 1L. A novidade é resultado de dois anos de pesquisas e muitos tastings para chegar a um snack ultra crocante e com o marcante sabor único do Ovomaltine, que é amado e um sucesso no mercado. A Pipó faz uma releitura do pipoqueiro tradicional em um cuidadoso processo de produção para garantir que a pipoca esteja sempre crocante e com o sabor bem equilibrado e distribuído. As embalagens também foram uma grande preocupação e foram desenhadas com a meta de manter as propriedades originais da pipoca (crocância e sabor) com abertura fácil.

valor médio ,00

| R$31

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DICAS E TRUQUES

A Malagueta dá dicas importantes de como organizar a sua despensa N

osso cotidiano é corrido e temos diversas atividades para fazer no dia a dia. Algumas tarefas como organizar a despensa, podem acabar ficando em segundo plano, mas são essenciais para evitar desperdício e aproveitar bem os alimentos. Uma despensa organizada garante saúde para a família e economia para o bolso. Por isso pedimos a ajuda da nutricionista Aretha Magalhães, da Equilibrium, consultoria de nutrição da M Dias Branco para nos ajudar. “A farinha de trigo, por exemplo, é bastante utilizada no preparo de diversos pratos. Para ela não estragar antes do seu período de validade e comprometer a execução de sua receita, é importante deixá-la guardada dentro de pote hermético, aqueles que ficam inteiramente tapados.Além de ficar totalmente fechado, impedindo a entrada e saída de ar, você não vai se preocupar com carunchos, que podem infestar todo seu armário de alimentos”, afirma Aretha. Separe alguns minutos na semana ou mesmo do fim de semana para organizar a despensa. De acordo com Aretha, é importante ter cuidado ao separar os produtos de limpeza dos alimentos. Se não for possível ter um armário próprio, eles podem ser colocados no nível mais baixo, separado do que é comestível. Que tal colocar a mão na massa?

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Veja abaixo as dicas de Aretha Magalhães: O primeiro passo é começar com a limpeza. Esvazie o espaço, descarte os produtos vencidos, embalagens vazias e passe um pano úmido nas prateleiras usando uma mistura de cravo da índia com vinagre de álcool. Essa mistura ajuda a eliminar cheiros indesejáveis e a afastar insetos; O segundo passo é dividir os alimentos em categorias, por exemplo: farinha de trigo, cereais matinais, biscoitos, arroz, feijão, massa, condimentos e temperos, caixas de leite, garrafas de suco e água; De acordo com cada categoria de alimentos, distribua-os nas prateleiras disponíveis. Coloque itens mais pesados, como garrafas de água e suco, em prateleiras mais baixas, e alimentos mais leves em embalagens fechadas nas mais altas; Caso você tenha um espaço de nível intermediário, normalmente é a parte que fica na visão de nossos olhos, coloque os alimentos mais usados no dia a dia e os mais próximos ao vencimento. De qualquer forma, você pode criar organizadores com bandejas, caixas menores, cestos de palha e até potes de sorvete; Os condimentos podem ser agrupados nestas cestas ou caixas pequenas. Os alimentos que já estão abertos como farinha de trigo, arroz, feijão, milho para pipoca e biscoitos


“É importante ter cuidado ao separar os produtos de limpeza dos alimentos.” Aretha Magalhães

devem ser tirados da embalagem original e colocados em pote de plástico ou vidro transparente bem fechado.A maioria dos grãos e farinhas se conserva por bastante tempo se respeitado o armazenamento correto. Esses alimentos precisam de um ambiente seco, fresco e sob proteção do sol, de insetos e de roedores. Para facilitar a identificação de cada alimento, para evitar confundir o sal com o açúcar, vale utilizar etiquetas com o nome de cada um, data de abertura da embalagem e data de validade (uma vez que a embalagem original será jogada fora). Esses mantimentos, geralmente, são utilizados com frequência em preparações triviais

e, por isso, devem ser enfileirados e colocados mais à frente para facilitar o acesso. A mesma regra vale para os produtos próximos ao vencimento. Eles devem ser dispostos mais à frente para utilizá-los o quanto antes, evitando, de forma despercebida, colocá-los em alguma receita, acarretando assim em mais um desperdício doméstico. Esperamos ter ajudado um pouquinho para que você tenha mais organização em sua despensa. Então mãos à obra!

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www.visitcalifornia.com/Foto: George Ruiz/Flickr

NOSSA CAPA

Minha breja, meu toque pessoal Por: Juliano Mendes da Hora

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uem nunca se pegou imaginando como seria ter uma cerveja pra chamar de sua? Aquela que reuniria toda a textura e nuances de sabor que mais lhe agradam e fazem seu coração pulsar de saudade, e doer por não encontrar alguma marca que reunisse toda essa idealização do seu paladar? Pois a fabricação de cervejas agora está ao alcance de qualquer apreciador dessa bebida, como nunca se viu antes. O mercado de cervejas artesanais está em alta e você só tem a ganhar com isso! Em todo o Brasil, a febre das cervejas mais elaboradas não dá sinais de que irá parar de crescer, e a iniciativa das novas marcas tem chamado a atenção dos fãs da loura gelada. Só para termos uma noção do quanto esse amor

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movimenta a economia, o Brasil está na 25ª colocação do ranking mundial de consumo de cerveja, com destaque para as marcas convencionais produzidas pelo mercado, como Antarctica, Brahma e Skol, entre outras. De acordo com números do Sistema de Controle de Produção de Bebidas da Receita Federal (Sicobe), somente nos últimos 10 anos, a produção cervejeira deu um salto de 64%, indo de 8,2 bilhões de litros para 13,4 bilhões produzidos ao ano. Mas nós sabemos que é impossível agradar a todos, então é natural que o consumidor iria trazer à tona suas insatisfações perante ao que é vendido de forma massiva nos supermercados e outros estabelecimentos. E é aí que entram as cervejas artesanais. O que


começou como um hobby para muita gente, hoje tornou-se uma nova fonte de renda. O auge desse movimento se deu recentemente, em 2015. De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) esta categoria obteve crescimento de 20% no último ano. A ascensão das artesanais encontra um paralelo com o caminho tomado pelo vinho. Se até bem pouco atrás, presenciamos o aumento de clubes, confrarias e cursos formando sommeliers e enólogos, hoje a cerveja também movimenta uma série de atividades, inclusive de formação, para mestres cervejeiros. Foi assim com João Filipe Muniz, sócio da CiBrew, loja especializada em insumos de cerveja, localizada no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife.A paixão pela fabricação caseira da paixão nacional teve início em 2008, e ao longo dos anos, ele reuniu conhecimento com outras pessoas mais experientes, acessou publicações e fóruns na internet, culminando num curso de mestre cervejeiro realizado na Europa. A CiBrew deixou de ser uma simples loja para se transformar numa comunidade de mestres cervejeiros e entusiastas da fabricação caseira. Por lá se reúnem pessoas que têm essa paixão como um hobby, até as outras que acabam se aprofundando no assunto e se revelando empreendedores natos! A loja está localiza-

da na Avenida Norte, em frente ao Pronto Socorro Infantil Jorge de Medeiros e funciona de terça a sábado, com happy hours às sextas e cursos e workshops periódicos com turmas lotadas.“As happy hours são repletas de artistas e bandas autorais do Recife e região, então conseguimos unir o útil ao agradável. Muitos de nossos clientes acabam trazendo suas próprias criações, inclusive no ramo da gastronomia. Alguns deles já estão enveredando pelo setor de molhos e temperos, que enriquecem os pratos que trazem para harmonizar com a cerveja”, revela.

Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), Blumenau (SC)

Carlo Enrico Bressiani: A nossa estrutura não fica nada a dever às maiores instituições internacionais

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NOSSA CAPA

Kainã Terto: A diferença entre a cerveja artesanal e a industrial é abissal! A feita em casa é esteticamente mais bonita, é muito mais aromática, e sem contar que o sabor é inigualável

Para o vendedor Djalma Junior, da CiBrew, o movimento é bastante intenso e o estabelecimento conseguiu construir uma relação sólida com a vizinhança. “Muitos são tão assíduos que é impossível esquecer o nome de cada um”, conta.Além dos insumos, a CiBrew também vende marcas locais e também dá chance às criações de seus clientes, que precisam passar pelo crivo de Filipe Muniz. “Caso a cerveja seja aprovada, oferecemos R$ 12 por litro, revertido em crédito para as próximas compras de insumos.”

A Duvália produz quatro tipos de chopes, todos artesanais: Blonde Ale, Pale Ale, Welss e a inusitada Stout Mel de Engenho

FORMAÇÃO - Para quem é mordido pelo bichinho do empreendedorismo, não tem jeito: a paixão precisa ser levada a sério se quiser ganhar dinheiro com ela, e a saída é investir numa boa formação. No Brasil, a referência é a

Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), a primeira da América Latina a abranger ensino, pesquisa e extensão sobre a bebida mais amada do Brasil.A localização da instituição é estratégica: Blumenau (SC), cidade conhecida por sua colonização e tradição alemãs, também sede da maior festa da cerveja do Brasil e polo de cervejarias artesanais. “A nossa estrutura não fica nada a dever às maiores instituições internacionais”, informa o diretor geral Carlo Enrico Bressiani. A escola oferece salas específicas para o ensino presencial inspiradas nas escolas cervejeiras, um brewpub, além de biergarten, cinco laboratórios de produção de cerveja, um laboratório de química e a maior biblioteca sobre cerveja existente no país. “Nós também passamos a oferecer cursos com certificado e renome internacional da secular escola alemã Doemens Academy.” Em dois anos de atividades a escola já lançou cerca de três mil alunos para o mercado, entre brasileiros e até mesmo estrangeiros.“Tivemos estudantes da Polônia, Canadá e Austrália que vieram buscar conhecimento conosco”. O crescimento da escola foi benéfico não apenas para quem lá buscou formação, mas para a economia e o turismo do entorno onde ela está localizada. Hoje ela é incentivadora dos roteiros culturais voltados ao segmento cervejeiro no Sul do Brasil, como a Rota Vale da Cerveja, que integra atrações em diversas cidades de Santa Catarina. Para quem ficou interessado, mas não tem condições de ir até lá, a instituição oferece alguns cursos à distância, voltados à comercialização, tributação, montagem de cervejaria, boas práticas de fabricação, água cervejeira, entre outras. Já aspectos como brasagem, home brewer, controle de qualidade, equipamentos caseiros, elaborações de receitas, controle de aromas, importação e exportação, projetos para financiamento e pósgraduação, entre outros, são essencialmente presenciais. DE GRÃO EM GRÃO – Geralmente o contato com a cerveja artesanal ocorre por intermédio de alguém mais familiarizado que contagia os amigos num passe de mágica. Com o recifense Kainã Terto foi assim: seu vizinho o apresentou ao sabor diferenciado da bebida,

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que mudou sua percepção a respeito da bebida: “o que me fez decidir tentar fazer a minha foi provar a cerveja dele e me surpreender com a qualidade do resultado. A diferença entre a cerveja artesanal e a industrial é abissal! A feita em casa é esteticamente mais bonita, é muito mais aromática, e sem contar que o sabor é inigualável”, explica. Uma vez conquistado pelo sabor, o próximo passo seria adquirir o equipamento necessário e conhecer mais a fundo a fabricação da bebida. “Eu aprendi a maior parte do processo com o meu vizinho que se tornou meu mentor na produção. Até hoje escuto os conselhos dele, principalmente porque admiro bastante o resultado das cervejas que ele produz. Mas cheguei a comprar livros sobre o assunto, e claro que assistir vídeos e tutoriais na internet também fizeram parte da construção do meu conhecimento sobre cerveja”. Para quem nem imagina o quanto terá de desembolsar para tanto, Kainã dá a dica. “A obtenção de equipamento foi acontecendo gradualmente. Em sua maioria ele foi comprado aqui em Recife. Quanto a valores, isso varia bastante com os tipos de adaptação que você vai fazer para conseguir executar os processos necessários.Você precisa entender bem de todas as etapas para em seguida ver do que precisa. Devo ter gastado perto de mil reais pra ter o equipamento mínimo necessário. Mas esse foi o meu caso.” NORDESTE EM CRESCIMENTO – Atraídos pelo cenário favorável ao consumo da bebida, vários empresários estão de olho no mercado nordestino, e Pernambuco tem sido a porta de entrada para o setor de franquias relacionadas à cerveja. Um bom exemplo é a loja Mestrecervejeiro.com, localizada no bairro de Casa Forte. O fundador da rede Daniel Wolff tem observado o crescimento da região atentamente.“Acredito que podemos contribuir com o fomento deste segmento”, diz ele, do alto de um catálogo de mais de 600 cervejas artesanais e 16 lojas pelo país. Além do vasto cardápio de sabores, a mestre-cervejeiro.com também oferece uma série de ações como workshops voltados ao público e empresas, realizações de viagens voltadas ao segmento cervejeiro e outras iniciativas de aprendizagem, como cola-

borações em publicações, e vídeos, entre outros. Quem pensa que a cerveja artesanal se limita às confrarias e lojas especializadas também está muito enganado. Há dois anos o movimento cultural Mercado Pop Cola e a Feira Mix promovem o Festival de Cervejas Artesanais de Pernambuco. A segunda edição foi realizada entre os dias 7 e 8 de maio do ano passado, no Bairro do Recife, trazendo na bagagem bandas de rock, quiosques de comida e bazares. COM SABOR DE NOSTALGIA – Todos sabemos que o paladar envolve muito mais que a necessidade de sensações. Ele é um catalisador de lembranças e referências, transportando aqueles que se deliciam a momentos esquecidos lá atrás. No caso dos irmãos Mário, Barto-

Daniel Wolff: loja Mestre-cervejeiro.com

Mário Acioli: Duvália é uma flor que empresta seu nome à rua em que os irmãos viveram desde a infância até a juventude

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NOSSA CAPA

Belmino Correa, que é fotografo, criou a Risoflora em 2014, no 11º andar, pavimento escolhido para morar e empreender

lomeu e Gustavo Acioli, de Olinda, essa nostalgia foi aplicada na fabricação de cerveja. “Por volta de 2013, eu e meus dois irmãos resolvemos fazer uma experiência ao fabricar a loira gelada em casa, para consumir no final do ano. A ideia foi de Gustavo, que já era mestre cervejeiro. O resultado foi tão satisfatório, que nos perguntamos do potencial que teríamos se decidíssemos comercializá-la”, lembra Mário, que é administrador. Completando a trinca empreendedora, Bartolomeu contribuiria com seus conhecimentos de biólogo, fechando assim o ciclo necessário de conhecimentos iniciais para dar os primeiros passos. Nascia assim a Duvália, primeira microcervejaria de Olinda. Mas por que microcervejaria? A resposta é simples e vem do passado dos irmãos. Duvália é uma flor que empresta seu nome à rua em que os irmãos viveram desde a infância

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até a juventude, e lá tiveram os melhores momentos de suas vidas.A casa onde viveram com seus pais é hoje utilizada como o quartel general responsável por fazer a mágica acontecer: a produção dos chopes é feita totalmente nos cômodos repletos de histórias e boas energias, devidamente adaptados para atender às exigências para o funcionamento de uma microempresa do seu segmento. Por coincidência, a flor que batiza a rua e a cerveja tem tudo a ver com o Nordeste: ela é uma flor suculenta, parente dos cactos, presente em lugares de climas áridos. Suas formas lembram as flores que estampam várias artes em xilogravura, expressão bastante querida por quem tem orgulho da terra.“Acho que não poderíamos perder esse potencial todo que estava bem à nossa frente, e nos dedicamos com muito foco desde então”, conta Mário. Quanto a esse afinco que ele faz questão de relatar, se dá ao fato dos irmãos estarem investindo num mercado que ainda é novo no Brasil, e envolve muitos altos e baixos. “São questões referentes à regulamentação e outras de ordem tributária.Antes de movermos qualquer parede aqui nesta casa, percorremos todos os órgãos, como CPRH, Prefeitura, Ministério da Agricultura, todos os que você possa imaginar, a gente foi, com o projeto embaixo do braço, que por várias vezes precisou de revisões e alterações para se adequar e iniciar a fabricação. Estivemos nesse processo desde 2013 e este ano entramos no mercado.” DESAFIOS – Quem abre o próprio negócio sabe qual a parte que mais exige paciência e força de vontade para continuar seguindo adiante: lidar com os impostos. Hoje, 56% do que a Duvália fatura vai para o pagamento de tributos, uma carga muito alta se compararmos com as grandes cervejarias.“Esta é uma pauta para a qual estamos nos mobilizando. Muitas boas ideias não seguem adiante por que a concorrência é injusta, mesmo que seu nicho não seja o mesmo de uma grande empresa. O volume que elas comercializam é gigantesco, e o de empresas como a nossa, não. Financeiramente, abrir uma microcervejaria pode não ser tão atraente. Tanto que nós seguimos em nossas carreiras, não dependemos inteiramente desse negócio, nem podemos. O que nos move é a


vontade de empreender, e por cada um contribuir com a sua parte, a caminhada se torna mais agradável. No final, está valendo muito a pena, estamos crescendo num ritmo tranquilo”, revela Mário. A Duvália produz quatro tipos de chopes, todos artesanais: Blonde Ale, Pale Ale, Welss e a inusitada Stout Mel de Engenho. Esta última chama a atenção por possuir uma espuma densa, aroma de malte torrado e café, que vai bem com pratos condimentados e sobremesas à base de chocolate.“Nós já triplicamos a capacidade mensal de produção. Começamos com mil litros”, lembra Mário. A comercialização da cerveja é um ponto importante: a Duvália está presente em diversas feiras temáticas e eventos. “Procuramos estar nos lugares que podem contribuir com a nossa visibilidade. Ano passado, estivemos na Mimo – mostra de música de Olinda, e posso dizer sinceramente que foi um sucesso.” Além das feiras e eventos, a Duvália possui um jeito todo especial de comercializar o seu produto. “Começou com as pessoas do próprio bairro, que vêm até aqui para comprar e levar o produto no growler. Temos uma cartela de clientes fiéis, com os quais temos uma boa amizade. Quando um deles não pode passar por aqui, mas nos encontra em algum evento, a gente faz o preço de casa, e isso fortalece o laço.Além disso, promovemos em dias específicos uma apreciação do produto e convidamos food trucks na nossa rua, e as pessoas gostam, deixa o entorno com mais vida e desperta as pessoas para ocuparem os espaços e se verem, como era antigamente.” CULT – Outra cervejaria que está ganhando destaque, é a Risoflora, principalmente entre o público mais antenado, que frequenta o centro do Recife para respirar arte e cultura. Localizada no alto do Edifício Pernambuco, a linha de cervejas de Belmino Correa possui uma bela história. Correa é um dos herdeiros do primeiro proprietário do edifício e resolveu voltar à capital pernambucana em 2010, para cuidar e habitar o prédio. Ao mesmo tempo em que assumiu a administração do condomínio, criou a Risoflora em 2014, no 11º andar, pavimento escolhido para morar e empreender. Belmino estava com a faca e o queijo

nas mãos: o Edifício Pernambuco, apesar do baixo valor comercial à época em que chegou, está localizado numa área privilegiada do centro da cidade, mais precisamente, uma Zona de Proteção de Patrimônio Histórico e Cultural (ZEPH). Sendo assim, tratou de convidar amigos a ocupar os andares vazios com ateliês. Com o tempo, esses espaços, mantidos em cooperativas de profissionais de diversas áreas, mas com predominância em economia criativa, design, tecnologia e artes foi transformando a cara do edifício. Hoje ele se encontra revitalizado, e a Risoflora se faz presente nos diversos eventos que ali são realizados. O próprio nascedouro da marca é o mesmo lugar onde ela pode abrir portas para crescer, pelo constante movimento de pessoas com boas ideias para investir. Sempre que circula nos eventos, é comum Belmino encontrar alguém que se impressiona com a história de sua cerveja. Ele é fotógrafo, mas conheceu o processo de produção através do cunhado, que mora em São Paulo.A partir desse contato, fez cursos e começou a reunir o maquinário necessário. O resto é história, e hoje ele possui um equipamento de brasagem, dois freezers para fermentação e maturação numa sala-lounge com cozinha americana detentora de um amplo espaço com vista inestimável para o Recife e Olinda. A sala-lounge é palco para os encontros promovidos periodicamente, com buffets

A história da Capunga começou com dois jovens cervejeiros de Panela e apreciadores de boas cervejas, Victor Lamenha e Edgar Domingues em meados de 2013

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NOSSA CAPA

Thomé Calmon e Eduardo Farias

temáticos e convidados musicais, com acesso aberto ao público a partir das 11h, nas datas previamente marcadas na Fanpage da Risoflora no Facebook. Os eventos são um sucesso de público e movimentam a saída do produto. O último encontro teve como estrelas a nova America IPA Flor do Mangue e a consagrada IPA com Rapadura, com o growler a R$ 15. A harmonização contou com os petiscos e almoço do Miss Pig Comidinhas Especiais e Ceviche Dom Remix. PÚBLICO FIEL – “A cerveja artesanal está para o universo das bebidas assim como a cozinha afetiva está para a comida apressada dos nossos dias”, afirma Renata Cesar, administradora recifense que fez das loiras geladas um motivo para apurar o paladar. “Depois que descobri as artesanais, redescobri o prazer de beber. Quando você degusta uma artesanal, você passa a degustar como se deve, sem exagero, descobrindo as camadas de ingredientes, identificando um no início do gole, outro no finalzinho... é uma experiência que ultrapassa o simples ato de beber por beber. Quem trava o primeiro contato com uma cerveja dessa categoria, não larga mais.” De fato, embora ainda seja incipiente em comparação com outros países, o público de cervejas artesanais no Brasil tende a crescer, fazendo deste um nicho com bastante espaço a ser explorado. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Cerveja, as cervas mais refinadas ocupam 5% do mercado,

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com previsão de dobrar o número de vendas pelos próximos cinco anos. Outro ponto animador é o perfil de quem consome esse tipo de produto, que paga cerca de três vezes mais, comparado ao preço de uma cerveja comum. “O sucesso das cervejas artesanais se deve a um trabalho árduo bem desempenhado pelas cervejarias, no momento certo para o público certo, que está disposto a novas experiências e beber produtos de mais qualidade desenvolvidos em sua própria região. O pernambucano é bairrista, e isso contribui para que o público experimente e valorize nossos produtos. A cerveja artesanal é uma tendência, quando o consumidor conhece, fica difícil voltar as cervejas em larga escala, devido a qualidade e variedade de estilos das artesanais”, pondera Victor Lamenha, da Cervejaria Capunga. “Apesar das cervejas artesanais pernambucanas estarem ganhando espaço nos últimos dois anos, há um trabalho sendo feito a bem mais tempo pelos cervejeiros caseiros, e foi daí que tudo começou.” Também foi assim que começou a história da Capunga. Jovens cervejeiros de panela e apreciadores de boas cervejas,Victor e seu sócio Edgar Domingues começaram a fazer cerveja em casa em meados de 2013, e sempre tiveram o sonho de ter sua própria cervejaria. Resolveram pôr em prática esse desejo e lançaram a Capunga em 2015. Edgar e Victor escolheram o nome Capunga para homenagear a região do Recife onde viveram praticamente toda a vida. Mal sabiam eles da importância do próprio bairro para a história das cervejas brasileiras, quando, ao ler o livro “A Capunga, crônica de um bairro recifense", do autor professor José Antônio Gonçalves de Melo, descobriram que foi naquela região que surgiu a primeira cervejaria de todas as américas, em 1640, fundada por Maurício de Nassau, e comandada pelo cervejeiro holandês Dirc Dicx. Este também foi o ponto de partida para a DeBron, dos sócios Raimundo Dantas, Eduardo Farias e Thomé Calmon. O nome escolhido para a marca deles é a tradução holandesa para “La Fontaine”, utilizado para batizar esta lendária cervejaria fundada pelo célebre conde, em referência à casa habitada pelo mesmo em terras pernambucanas. Este termo,


vertido ao português, significa “A Fonte”. Entre a ideia e o lançamento da linha de cervejas, foram dois anos de pesquisas e inúmeras visitas a outras cervejarias artesanais pelas Américas, Europa e sul do Brasil. Segundo Eduardo Farias, o plano de negócios e estratégia de posicionamento iria se apoiar no princípio alemão de que a verdadeira cerveja deve ser produzida com apenas quatro ingredientes: água, malte, lúpulo e levedura. O lançamento do negócio contou com a consultoria do experiente mestre-cervejeiro Matthias Rembert Reinold, formado em Tecnologia Cervejeira pela Universidade Técnica de Berlim e atuante no segmento há 33 anos. Entre os últimos lançamentos da marca, destaca-se a Imperial Stout, uma co-criação com o mestre-cervejeiro Ilceu Dimer, composta de rapadura e amêndoas de cacau, envelhecida em barris de cachaça, com quase 10% de álcool. Outra grande pedida é a Witbier, que leva cascas de laranja e sementes de coentro na composição, tornando o sabor mais leve e refrescante, em sintonia com o verão. ESTRATÉGIAS – Até bem pouco tempo atrás, as linhas da DeBron Bier estavam disponíveis em choperias ou abastecidas pelos clientes em growlers, que conservam o chope por até cinco dias, sem alteração do sabor e aroma. “Mas agora, com a pasteurização e o envase, nosso produto terá uma ampliação da validade por pelo menos seis meses”, explica o sócio Thomé Calmon, ao falar orgulhoso da garrafa lançada em agosto do ano passado. Isso abre uma janela para uma possível ampliação da presença de sua marca para além das choperias. Para os sócios, isso é algo a ser estudado com bastante atenção e parcimônia. Já a Capunga aposta no estudo constante das tendências para conquistar seu público.“A gente naturalmente acompanha tendências de mercado, introduzimos nossas preferências e inspirações, conversamos bastante internamente, fazemos testes e assim lançamos o produto. O mais importante é exatamente fazer experiências, para levar ao consumidor algo diferente que possa vir a surpreender.” O mercado é muito grande e as cervejas artesanais tem apenas cerca de 2% do market share. Por isso, o momento é de reconhecimento,

planejamento e investimento. “Primeiramente precisamos nos consolidar e fortalecer o mercado, e descobrir até onde podemos chegar. Atualmente temos mais de 100 clientes, de segmentos variados, como Beerdock, Mafuá do Januário, Beer House, Casa dos Frios e Beer Cave Boa Viagem. Estamos mudando nossas instalações e ampliando um pouco a produção, com isso devemos crescer paulatinamente nossa participação no mercado.” A marca começou com dois produtos em seu portfolio, a Capunga American Lager e a American Pale Ale. Enquanto a primeira é uma encorpada combinação de maltes alemães e belgas com teor alcoólico de 5.6% ABV, a segunda é do tipo clara com corpo leve e refrescante, rica em aromas cítricos que remetem a frutas tropicais, com um amargor na medida certa, harmonizando bem com pratos rápidos como carpaccio, hambúrguer e Ceasar Salad. O último lançamento trouxe a Cabulosa Black IPA, uma cerveja preta com UBU 66 e 6,5% de teor alcoólico, feita em parceria com a cervejaria Frieda Haus; e a Cumade Florzinha, uma IPA com 60 de IBU e 6% de ABV. LEGALIZE JÁ – Em Brasília, mais especificamente na Câmara dos Deputados, está em tramitação desde 2013 um Projeto de Lei para regulamentar o mercado das cervejas artesanais no Brasil. O texto, que responde sob o número 5191/13, define que o estabelecimento responsável pela produção da bebida deve estar localizado numa área urbana e a sua produção anual não deve ultrapassar a marca de 30 mil litros. Esse último ponto tem gerado discussão entre os legisladores e os fabricantes das artesanais. Sem nenhum consenso, a proposta ainda não foi votada.

A Imperial Stout é uma cerveja escura com rapadura e amêndoas de cacau e envelhecida em barris de cachaça

Nos últimos 10 anos, a produção cervejeira deu um salto de 64%, indo de 8,2 bilhões de litros para 13,4 bilhões produzidos ao ano Fonte: Sistema de Controle de Produção de Bebidas da Receita Federal (Sicobe)

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PRATO DA BOA LEMBRANÇA

Boa lembrança em dose dupla Por: Juliano Mendes da Hora A Boa Lembrança nasceu em 1994, em Petrópolis (RJ). A proposta é representar um grupo de restaurantes que prima pela excelência e qualidade nos serviços, promovendo e divulgando a diversidade do setor através das peculiaridades regionais e do associativismo. A ideia chegou no Brasil com o italiano Dânio Braga, fundador e atual conselheiro

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Q

uem sobe as ladeiras de Olinda, já sabe: no coração do Largo do Amparo não há quem não conheça o chef César Santos. Seu restaurante, a Oficina do Sabor, é parada obrigatória para turistas e nativos da região, que fazem do espaço um território onde a cozinha de César se funde com o espírito de Olinda, ativando laços afetivos na construção da memória cultural do estado. E é justamente por isso que este templo faz par te da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, com lançamentos anuais de pratos temáticos inesquecíveis. Para este ano, César celebra o seu retorno à presidência da associação com sua nova criação: o Camarão Sococo Oco. Praticamente um embaixador da cozinha pernambucana, César assumiu a missão de difundir a culinária pernambucana, ao utilizar ingredientes da terra, mas sem deixar de ser inédito. “Acredito que isso é intrínseco ao espírito de um chef. Nós gostamos de brincar, de criar. Somos curiosos. O fato de conhecermos bem os ingredientes que nos rodeiam nos impulsionam para seguir experimentando combinações, dosagens, modo e tempo de preparo... Cozinha é alquimia pura! Então, um restaurante com ingredientes regionais nunca será monótono, sempre haverá novas formas de saborear aquilo que você achava que conhecia bem”, explica. Para chegar ao Prato da Boa Lembrança deste ano, a receita passou por meses de elaboração, sendo testada e transformada, de acordo com as experimentações do chef ao longo dos festivais gastronômicos realizados no decorrer do ano passado. “Esse é o ponto que eu sempre enfatizo: encarar a cozinha como um laboratório, juntar texturas, descobrir novos ingredientes e resgatar sentimentos. Os

festivais temáticos que realizei no ano passado me ajudaram a manter esse espírito de criação em constante estado de exercício”, revela o chef, que contou com parcerias inestimáveis com seus fornecedores na criação. “Foi uma forma de ajudar cada etapa da cadeia que envolve o mercado gastronômico. Nós trouxemos novidades com preço atrativo, proporcionando aos clientes novas oportunidades de saborear uma cozinha autoral e genuinamente pernambucana. A Sococo tinha sido minha parceira no início de 2016, e agora, ela contribui com a qualidade de seus produtos no Prato da Boa Lembrança”. O Camarão Sococo Oco é uma combinação perfeita de camarões e legumes ao molho de coco do chef. Essa combinação ainda reúne pimenta de cheiro e especiarias, acompanhado de um delicioso arroz de curry e purê de banana comprida.“A boa lembrança ficará marcada antes mesmo de provar”, brinca César.“O aroma da receita é o primeiro passo para justificar a escolha dela para o 19° Prato da Boa Lembrança do Oficina do Sabor”. UMA BOA IDEIA - A importância em torno desse prato se explica pela contribuição dada pelos chefs para o mercado gastronômico. A Associação que deu origem a essa ideia nasceu em 1994, em Petrópolis (RJ), num momento em que o cenário gastronômico brasileiro precisava de uma lufada de criatividade que despertasse a valorização das receitas da terra, respeitando as particularidades e potencialidades de cada região do país.A inspiração vem de um velho hábito italiano de se levar uma lembrança do restaurante após uma boa refeição. No Brasil, a Associação oferece um prato de cerâmica de alta qualidade, decorado com pinturas à mão em cores vibrantes, ilustrando os ingredientes da


refeição de cada estabelecimento, de maneira bem humorada. “Já tem gente que fica esperando eu anunciar pra vir aqui provar e levar o seu prato. Sei de pessoas que fazem coleção deles, percorrendo o país em busca dos restaurantes associados”. César retornou à presidência da associação recentemente. Este será o seu quarto mandato, que ele abraça com muito carinho e satisfação.“Serão dois anos fazendo o que amo, que é enaltecer e integrar as cozinhas do Brasil. Gosto de poder me encantar com a identidade plural do nosso povo. Não há um dia em que eu não seja surpreendido com algo que descubro. Seja uma nova receita, seja um novo talento. Redescobrir e reinventar a comida me dá muito prazer”. LÁ E CÁ - Pois foi redescobrindo ingredientes que ele recebeu uma homenagem e um convite para ser coautor do Prato da Boa Lembrança do restaurante Varanda, de Fernando de Noronha. A receita, criada pelo

chef Auricélio Romão, traz um papillote de filé de peixe e camarão sobre uma cama de banana comprida e tomate, ao molho perfumado com leite, gengibre e curry, acompanhado de arroz de passas de banana, foi batizado de Santo's Santos César. Seu preparo resgata um hábito típico dos nativos da ilha. “Buscamos um prato que contasse um pouco da história de Noronha. O modo de fazer é uma releitura de como servimos os peixes no arquipélago. O envolvimento na folha de bananeira ajuda no cozimento e na acentuação do sabor”, explica Auricélio. “Como o César é uma de minhas fontes de inspiração como chef e empresário, o convidei para me ajudar no preparo e o resultado não poderia ser diferente do que ele costuma fazer. Espetacular, como sempre”. O caminho percorrido por César Santos vai quebrando paradigmas na comunidade gastronômica mundial. É comum grandes chefs se tornarem consagrados fora do seu lugar de origem, depois de percorrer por períodos de aprendizado em outras

O Prato da Boa Lembrança é o troféu de todo colecionador. Ele é feito em louça de alta qualidade, resistente, produzido especialmente para ser pendurado e exposto como uma peça de arte. Cada prato possui desenho original e exclusivo, sempre muito alegre, de cores vibrantes e tom bem humorado

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PRATO DA BOA LEMBRANÇA reconhecido primeiro aqui, os próprios pernambucanos me impulsionaram, não precisei ir lá fora para depois voltar. O incentivo e crescimento veio daqui, e por isso sou muito grato”. EVOLUÇÃO – César se mantém entre os melhores do País justamente por ter ficado atento às mudanças ocorridas no seu cenário profissional. E também por ter uma boa dose de ousadia.“Sou de uma época que a culinária regional era relegada à cozinha de casa, e os restaurantes se reservavam ao luxo de oferecer outras escolas de sabores, como a francesa e a italiana, por exemplo. Era muito fácil alguém perguntar por que deveria sair de casa para comer um prato com charque, jerimum e outros, quando os livros de receitas das famílias estavam lá à disposição na estante?” A coisa mudou quando César resolveu empregar novas técnicas e resgatar modos de preparo que estavam sendo esquecidos, combinando o melhor de dois mundos: tradição e inventividade. “A partir disso, a cartela de clientes ampliou, principalmente em diversidade. Passei atender não Juliano Mendes da Hora

Os chefs César Santos e Auricélio Romão em parceria para a criação do Prato da Boa Lembrança

terras e sotaques. Mas o pernambucano cresceu de forma gradual, com muita vontade de refinar seu talento e muito suor.“Comecei fazendo serviços de congelamento em algumas casas de Olinda. Cozinhava comida para um mês, e isso me rendeu uma clientela fiel e condições para juntar o necessário para os primeiros passos do meu sonho, que era abrir um restaurante.Também fiz muito buffet para festas e jantares nos finais de semana. Posso dizer que a sementinha da Oficina do Sabor estava germinando naquelas pessoas que já conheciam o meu tempero. Elas foram as primeiras a conhecer meu cardápio quando abri a casa”. A maioria segue saboreando até hoje, disputando lugares com turistas nos 120 lugares dispostos na charmosa casa, que reserva desde ambientes mais reservados e aconchegantes, repletos de quadros e obras locais, além de um terraço com uma vista magnífica para Olinda e Recife, que faz o maior sucesso no almoço e no jantar. “Esse laço com o estado é muito forte. Sempre levei meus ingredientes nas viagens, e no meu dólmã você sempre encontrará a bandeirinha de Pernambuco. Fiz o caminho inverso: Fui

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Juliano Mendes da Hora

somente aquele que buscava familiaridade nos pratos, mas aquele também ávido por novidades, e disposto a pagar por uma experiência mais elaborada. Procurei inovar, mas sem perder a essência da minha comida. O nosso regional é uma comida de casa em uma versão mais elegante e experimental. Nossa cozinha não tem tédio!” A premissa de valorizar o ingrediente local acabou tornando-se um dos principais motes dos estabelecimentos brasileiros. A globalização e a facilidade no acesso à informação e cursos, fez com que muitos brasileiros pudessem tanto absorver como oferecer o nosso sabor a outros países. Em alguns, provocou ímpetos inovadores positivos, como fusão de cozinhas, em outros, uma sinfonia de sabores, ao prestar mais atenção à despensa da casa Brasil. Nesse ponto, César é referência mundial, tendo ganho várias estrelas e prêmios de veículos e instituições renomadas. “O meu intuito é continuar provocando boas lembranças em todos aqueles que vierem saborear os nossos tesouros gastronômicos. Somos um país riquíssimo de culiná-

ria e criatividade. Portanto, tomei como missão fazer a minha parte para que novos talentos surjam e que novos pratos sejam incorporados à nossa memória da mesa. Cozinhar é uma arte que reverbera em todos os cantos da vida”, reflete. Então, só nos resta desejar uma vida longa de boas lembranças e água na boca para a Oficina do Sabor!

SERVIÇO RESTAURANTE OFICINA DO SABOR - Rua do Amparo, 335, Cidade Alta, Olinda. Funcionamento: de terça a sexta das 12h às 16h; sábado das 12h à 01h e aos domingos, das 12h às 17h - para jantar, de terça a quinta das 18h à 0h e sexta-feira das 18h à 01h Mais informações: (81) 3429-3331

“O nosso regional é uma comida de casa em uma versão mais elegante e experimental. Nossa cozinha não tem tédio!” César Santos

RESTAURANTE VARANDA - FERNANDO DE NORONHA - Rua Major Costa, 130 - Vila do Trinta, Fernando de Noronha (Dist. Estadual) - PE Funcionamento: todos os dias das 12h às 23h Mais informações: (81) 3619-1546

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CERVEJA E TAL

Conheçam a NEIPA (New England IPA) Por: Eduardo Mozir | Colaborador

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as escolas cervejeiras a americana se mostra a mais inovadora, buscando sempre os limites dos estilos já estabelecidos ou mesmo indo além. Nos Estados Unidos as IPA continuam sendo o estilo líder em vendas e crescimento. Mas uma nova onda está em curso e uma das inovações que está dando o que falar pela forma como vem se disseminando nos Estados Unidos é a New England IPA,Vermont IPA ou simplesmente NEIPA.

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As IPA americanas sempre estiveram ligadas mais comumente a costa oeste onde algumas cervejarias se destacam por sua produção, e que tornaram o estilo de cervejas amargas, tão popular. Esta variação vem sendo produzida originalmente no Nordeste dos Estados Unidos, região conhecida como New England, sendo uma nova abordagem de um estilo já tão cultuado em todo o mundo as IPA (India Pale Ale), traz desde seu visual até sabores e aromas diferenciados. São cervejas


de boa drincabilidade, de cores claras, amargor refinado, porém com uma turbidez que nos remete a suco de fruta. Essa proximidade do frutado vai além da aparência, a presença forte de sabores e aromas cítricos, trazidos pelo excesso de uso de lúpulos ao final da produção o que extrai características mais aromáticas e frutadas com menor amargor, além de leveduras específicas que reforçam esse perfil de turbidez e aromas e em algumas o uso direto de frutas.As influências mais importantes deste recente estilo não são da costa oeste, mas de muito longe, da Nova Zelândia e Austrália e o frio e verde estado de Vermont na costa leste, com o uso de novos tipos de lúpulos vindo destas áreas como o Galaxy e Nelson Sauvin e novas variedades americanas como o Azacca, Equinox e El Dorado, entre outros. No Brasil já existem cervejarias em plena produção das NEIPA, mesmo sobre outros títulos por ainda não ser oficialmente um estilo de cerveja, mas já são as top no ranking nacional registrado pelo aplicativo Untappd, usado por muitos apreciadores de boas cervejas. São destaque sendo primeiro e segundo lugar respectivamente a Overdrive da Hocus Pocus e a Rizoma da Dogma. Estão ganhando espaço nos melhores bares e restaurantes de sul a norte. Outro ponto que se observa é o uso de latas, em sua maioria, para comercialização, que tem como característica a conservação dos aromas e sabores mais frescos por mais tempo, que se faz necessário principalmente pelo uso de

grandes cargas de lúpulo. Por seu caráter cítrico e frutado é uma cerveja extremamente refrescante, e harmoniza com pratos e petiscos bastante apreciados por nós além de uma diversidade de queijos. Casquinhos de siri, camarões, caldinho de feijão, peixe frito, brie/camembert, gouda, cheddar, massas ao pesto além das comidas japonesas e indianas são muito bem-vindas para uma experiência sensorial de grande qualidade. Você poderá degustar estas e muitas outras em bares e restaurantes que mantêm cartas de cervejas atualizadas, certamente uma experiência diferenciada para alegrar nossos sentidos.

New England: de cores claras, amargor refinado, porém com turbidez que nos remete a suco de fruta. Essa proximidade do frutado vai além da aparência, a presença forte de sabores e aromas cítricos

Eduardo Mozir e as cervejas Overdrive da Hocus Pocus e a Rizoma da Dogma

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PRA LER

GARDE MANGER: A ARTE OFICIAL DA COZINHA FRIA – Editora Senac, 706 páginas. O Garde Manger tem garantido cada vez mais espaço dentro do cenário gastronômico e isso se deve pelo trabalho detalhado e minucioso que ele exige. Este tipo de gastronomia está na atenção aos mínimos detalhes, como harmonização das cores e textura dos componentes. Você vai aprender como manusear corretamente os alimentos, através de palavras, imagens e receitas elaboradas pelo Instituto Americano de Culinária.

DAS PANELAS DAS NOSSAS AVÓS A ALTA GASTRONOMIA – Tainá Bacellar, Editora Paco Editorial, 284 páginas. Esta obra representa como o processo de reinvenção das tradições culinárias na gastronomia se desdobra em questões relacionadas a práticas culturais, fortalecimento de identidades individuais e de grupos étnicos, políticas públicas, formação de novos mercados para a agricultura familiar, uso da biodiversidade local e a valorização de produtos e práticas tradicionais. Para quem sabe a importância e a influência da comida da vovó nas tradições familiares não pode perder esta leitura. Confira.

COZINHA DE ESTAR: RECEITAS PARA RECEBER – Rita Lobo, Editora Panelinha, 240 páginas. Em um mundo de fast-food, delivery e comida congelada, cada vez mais pessoas estão redescobrindo o prazer de cozinhar e de receber as pessoas em casa. É isso que a Rita Lobo recupera nessa nova edição de Cozinha de estar: Receitas práticas para receber. Ela apresenta algumas dicas do material básico necessário na cozinha, além sugerir algumas receitas de sopas, saladas, pratos principais, sobremesas e drinques que realmente funcionam. Agora você pode conhecer receitas práticas e bem explicadinhas. Imperdível.

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GASTRONOMIA E TURISMO – Regina G. Schluter, Editora ALEPH, 96 páginas. Esta obra representa as relações gastronômicas e suas variações enquanto aspecto cultural das sociedades. As receitas culinárias representam um bem cultural tão valioso quanto um monumento. Com a cozinha atual sendo afetada pela globalização, que padroniza tudo, esse interesse do turismo pela gastronomia pode ajudar a resgatar antigas tradições que estão prestes a desaparecer. Este livro despertará o leitor para o mundo da gastronomia e saciará sua curiosidade sobre vários aspectos deste segmento do turismo.

CULINÁRIA ESSENCIAL: O LIVRO DEFINITIVO PARA CADA ESTAÇÃO DO ANO – Editora Publifolha, 490 páginas. Conhecer as características de cada ingrediente é indispensável para preparar receitas saborosas e nutritivas. Culinária essencial é uma obra que oferece informações detalhadas sobre alguns tipos de alimentos como frutas, verduras, carnes e frutos do mar e como aproveitá-los de acordo com a época em que estão mais frescos. Os capítulos trazem cardápios organizados por estação, destacando os principais alimentos da época e suas propriedades e indicando como comprar, armazenar e conservar cada um deles para consumi-los o ano inteiro. Aproveite as dicas.

ESCOLHAS E IMPACTOS – GASTRONOMIA FUNCIONAL – Gisela Savioli e Renato Caleffi, Editora LOYOLA, 232 páginas. Escolhas e impactos - Gastronomia Funcional não se trata apenas de um livro, é também um acréscimo à saúde pública, de acesso a todas as classes e todos os gostos. As sugestões apresentadas, a qualidade dos pratos, a riqueza de sabores e aromas, aliados à segurança alimentar, podem levar-nos a resultados surpreendentes para uma vida melhor. Esta obra traz receitas, sugestões diferenciadas, dicas de preparo e reeducação alimentar, levando em consideração a qualidade de vida. Imperdível.

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CONFEITARIA

Tradição, açúcar e afeto: eis a Confeitaria Pernambucana Por: Amanda Ferreira Fotos: Juliano Mendes da Hora

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um casarão nostálgico, de arquitetura original, está sediada a Confeitaria Pernambucana. De esquina, na principal avenida do bairro de Apipucos, os tijolos aparentes nas paredes, azulejos com arabescos originais no piso, lustres ao teto, mobília antiga e até a máquina registradora do caixa, podem nos transportar para o século XIX num piscar de olhos. O lugar de comidinhas pra lá de especiais, de sabor caseiro, mas com toda pompa dos quitutes portugueses, abriu as portas no Recife há poucos meses. É a realização de um sonho do empresário Sérgio Poggi, proprietário da casa, mas primeiramente tataraneto de Dona Maria Rosalina Monteiro da Cruz, forte inspiração para a abertura do estabelecimento. “Cresci ouvindo falar dos doces caseiros como ambrosia, baba de moça e muitos outros que decoravam as cristaleiras do palacete onde minha tataravó morou, no bairro da Soledade”, lembra Sérgio. As criações de Dona Maria sempre reuniram ao redor da mesa os filhos, netos e bisnetos. Elas ultrapassaram o tempo e foram encontradas num caderno repleto de criações, daquelas que dispensam (mas não desmerecem) as super técnicas da culinária

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contemporânea e revelam segredos como o ponto da massa molhadinha do típico Pastel de Nata, por exemplo.“De Maria em Maria, as criações da minha tataravó chegaram em minhas mãos e eu não poderia desperdiçar este tesouro”, conta Poggi. Cada folha deste relicário guarda tradição, mas, sobretudo, conta a história de uma cozinha de afeto, reproduzida, hoje, na Confeitaria Pernambucana de Sérgio. Ele mesmo se responsabiliza de colocar a mão na massa e executar em casa, sob sigilo, as receitas da sua grande inspiradora. Para a tarefa nada fácil, ele conta com a ajuda de sua mãe, Maria de Fátima, neta da matriarca que deixou um verdadeiro patrimônio para a família e agora para os recifenses. Mãe e filho preparam tudo à risca e já levam os recheios prontos para serem usados nas bases dos doces. Delícias conventuais da doçaria portuguesa à base de ovos, leite e açúcar preenchem o cardápio da casa, mas apesar da predominância ibérica, também notamos o toque brasileiro e até pernambucano nas criações da dupla. É o caso do coco, cana e mel de engenho. Dentre as delícias da casa, podemos mencionar Pastel de Belém, Pastel de Nata, Pastel de Tentugal, Pastel Santa Clara,


Taco de Camarão e Margarita

Toucinho do Céu e Barriga de Freira, na ala dos típicos portugueses. Mas também encontramos cocada, sanduíches diversos, bolos, empadas, coxinhas, pães de Oliva e tomate seco, pain au chocolate, croissants e, claro, o pão francês nosso de cada dia, pão doce daqueles com coco e goiabada, pão carteira e pão crioulo, todos despachados nos saudosos sacos de papel. Tamanha obediência à gastronomia lusitana abre espaço para harmonizações especiais, pois a casa conta com um quintal bem pretencioso, arejado, ideal para apreciar uma taça de espumante enquanto confere o refinado e enxuto cardápio do local. Entretanto, nem só de pães e doces vive a Confeitaria. O público também pode conferir um antiquário de itens garimpados para amantes da cultura de Portugal, mas também do Brasil. São estes: porcelana, faianças, cristais, peças imperiais, marfim, prataria, ourivesaria, mobília brasileira e até europeia. Um verdadeiro celeiro da boa mesa e cultura, não?!

A Confeitaria Pernambucana está sediada em um casarão nostálgico, de arquitetura do século XIX no bairro de Apipucos

Delícias conventuais da doçaria portuguesa à base de ovos, leite e açúcar preenchem o cardápio da casa

SERVIÇO: CONFEITARIA PERNAMBUCANA Rua de Apipucos, 1230, Apipucos Telefone: (81) 3132-2007 Funcionamento: todos os dias, das 10h às 20h

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ADEGA

Vinícola Aurora: 86 anos de muita história Por: José Figueiredo | Colaborador

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O espumante Aurora Moscatel recebeu Medalha de Prata no Decanter Asia Wine Awards 2016

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uando os imigrantes do norte da Itália ocuparam a Colônia Princesa Isabel, atual Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, trouxeram na cultura o hábito do vinho nas refeições. Se, no início, estes vinhos foram rudimentares, o passar do tempo os aperfeiçoou. Meio século depois de suas chegadas, vinte e um entusiastas, oriundos de dezesseis famílias, se juntaram para elaborar e comercializar seus vinhos, fazendo nascer a CooperativaVinícola Aurora, em fevereiro de 1931. Os primeiros trinta anos foram de elaboração de vinhos modestos comercializados a granel, no centro do país, em barris de 100L. Contudo, as últimas décadas do século passado mostraram refinamento crescente na produção, tanto que, nos anos 80, milhões e milhões de caixas foram exportadas para os Estados Unidos. Bastante diferente do incipiente Legendário, sua primeira marca, atualmente a Vinícola Aurora ostenta treze rótulos. Variam de vinhos de grande público a seus seletos reservas. Porém, avança no tempo e no apogeu dos vinhos brasileiros de guarda com o seu ícone, o Millésime Cabernet.Vinho para poucos, produzido, apenas, em anos de safras excepcionais, o Millésime Cabernet Sauvignon 2012, acaba de chegar ao mercado, criando hesitação para quem os tem em suas taças, e a certeza de longevidade para quem os ostenta em suas adegas. Quando, no começo do ano passado, mais de 3.300 pessoas lotaram o pavilhão da Fenavinho, em Bento Gonçalves/RS, para comemorar os 85 anos de história da Vinícola Aurora, jamais poderiam imaginar o que 2016 ainda reservava. Flavio Zilio, enólogo-chefe, foi eleito o Enólogo do Ano 2016 pelos seus colegas de profissão da


Associação Brasileira de Enologia (ABE). E recentemente, o espumante Aurora Moscatel recebeu Medalha de Prata por ter obtido 90 pontos no Decanter Asia Wine Awards 2016,

primeiro vinho brasileiro a obter esta nota neste rigoroso concurso chancelado por uma das maiores publicações especializadas do mundo, a britânica Decanter.

O Millésime Cabernet, esta em sua oitava edição as anteriores foram em 1991, 1999, 2004, 2005, 2008, 2009 e 2011

No coração de Bento Gonçalves, a Vinícola Aurora é a maior do Brasil. Mais de 1.100 famílias se associaram à cooperativa, sendo a produção orientada por técnicos que, diariamente, estão em contato com o produtor – fornecendo toda a assistência necessária.

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BEBIDAS & DRINKS

Whisky Teacher’s cria opções de drinks internacionais

Receitas práticas e saborosas inspiradas em países de clima Tropical

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Teacher's elaborou três opções de drinks internacionais que foram criados a partir de referências sobre as matérias-primas e o estilo de beber de alguns países tropicais. Além disso, as receitam combinam com as características do scotch, que apresenta sabor marcante, devido à alta concentração de malte – 45% de sua composição –, e uma mistura de 30 singles maltes das terras da Escócia. Consumido em mais de 110 países, Teacher's é um dos whiskies internacionais mais vendidos no Brasil, sendo Pernambuco o estado com maior apreciação da bebida.Além do tradicional consumo puro, ou simplesmente com gelo, o admirador do scotch poderá também usufruir de misturas criativas. O mixologista Luciano Guimarães aproveitou ingredientes de fácil acesso e bastante utilizado no Nordeste para criar novas receitas. “Pensamos em opções práticas, saborosas e marcantes. Os coquetéis também fazem referência ao jeito de beber de alguns países de clima quente, como Havaí -

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que utiliza muitas especiarias em seus drinks e Ibiza - que faz bastante uso de frutas”, explica Luciano. Ainda segundo o mixologista, as receitas contemplam insumos como sucos de frutas cítricas, que contribuem para a refrescância do drink, além do mel e da canela para potencializar o sabor amadeirado e maltado do scotch. “Também pensamos no visual do coquetel, priorizando as cores florais”, ressalta. Outra opção interessante de Teacher's é a degustação simultânea de whisky com cerveja, ideal para aqueles que apreciam bebidas mais fortes e com sabores marcantes.“Teacher's combina perfeitamente com cerveja escura, por conta dos sabores defumado e maltado do scotch, quando harmonizados com os sabores de chocolate e torra de café da cerveja escura”, explica Luciano. Nesse caso, o mixologista recomenda degustar Teacher's e, em seguida, beber a cerveja para que haja interação entre os sabores.


Paulo Higor Nunes

TEACHER'S TROPICAL SUMMER Referente à cultura de misturar whisky com água de coco, colocamos um toque especial do limão e mel, ressaltando o sabor maltado do whisky Teacher's.

Paulo Higor Nunes

INGREDIENTES 50ml de whisky Teacher's; 10ml de sumo limão Tahiti (o tradicional limão verde que temos em casa); 20ml de mel de abelha; 100ml de água de coco verde; Montado em copo highball (long drink) cheio de gelo em cubos; Garnish - twist de limão Tahiti

TEACHER'S FRESH FUSION Referente à cultura de tomar drinks frutados, leves, com bastante acidez e refrescância.

TEACHER'S SOUL SPICE

Paulo Higor Nunes

INGREDIENTES 50ml de whisky Teacher's; 10ml de sumo limão Tahiti (o tradicional limão verde que temos em casa); 50ml de suco de abacaxi; 100ml de refrigerante citrus; Montado em copo highball (long drink) cheio de gelo em cubos; Garnish 2 fatias de maçã vermelha.

Referente à cultura hawaiana de usar flores e especiarias. Nessa receita, foi usada a flor de hibiscus, produto ícone do Hawai, e a canela para dar leve toque de complexidade e harmonizar muito bem com o sabor do whisky Teacher's. INGREDIENTES 50ml de whisky Teacher's; 20ml de sumo limão Tahiti (o tradicional limão verde que temos em casa); 20ml de xarope de hibiscus; 100ml de água com gás; 1 pau de canela; Montado em copo highball (long drink) cheio de gelo em cubos; Garnish 1 pau de canela.

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QUALIDADE DE VIDA

Fuja das farinhas ruins É possível incluir outras opções no cardápio, com maior quantidade de fibras, vitaminas e outros nutrientes importantes para a rotina Por: Chef Mariana Dias

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Orgânico22: Smothie de tahine com banana e tâmaras

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roduzidas a partir de cerais, grãos, legumes e frutas, as farinhas são utilizadas no preparo de doces e salgados, com o objetivo de dar consistência às receitas. A farinha de trigo ainda é uma das mais consumidas pelos brasileiros. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), cada brasileiro ingeriu, em média, 40kg dessa farinha em 2015.A branca é a preferida e está presente em pães e massas, em geral. No entanto, durante o processo de refino essa farinha de trigo perde boa parte das fibras e outros nutrientes, ficando ainda com alto índice glicêmico. Além disso, também é restrição para celíacos – pessoas com intolerância ao glúten, proteína presente no trigo – e evitada pelos que desejam uma alimentação mais saudável. “Existem diversas opções para substituir o trigo nas preparações de bolos, salgados, pães e outras receitas. Farinhas funcionais são muito mais ricas em proteínas, vitaminas e outros nutrientes essenciais para o nosso corpo. Algumas possuem uma ótima textura para se trabalhar e aumentam a ingestão de


fibras, contribuindo para uma receita equilibrada, leve e de menor índice glicêmico”, explica Mariana Dias, chef do Greenmix Mercado Saudável. Desenvolvendo o que denomina cozinha inteligente, o empreendimento foi idealizado para atender pessoas em busca de um estilo de vida saudável e funcional, tendo também preocupação com aquelas que possuem restrições alimentares. O restaurante da casa, localizada em BoaViagem, é livre de contaminação de glúten e lactose. “Os ingredientes são substituídos de maneira inteligente, mantendo as propriedades nutritivas e funcionais. Nada em nossa cozinha é utilizado por acaso, cada alimento tem sua função e buscamos oferecer o melhor, aliando sabor e saúde”, reforça a chef. Ótimas opções para substituir a farinha de trigo são as farinhas de aveia, amêndoa, quinoa, linhaça e banana verde. Confira os benefícios: FARINHA DE AVEIA: possui alto teor de fibras, o que ajuda no funcionamento do intestino e no controle do colesterol. Contém, ainda, vitaminas do complexo B, que atuam no processo de energia, e silício, que age na saúde da pele. É uma das principais substitutas da farinha de trigo, podendo ser utilizada em diversos preparos.

FARINHA DE AMÊNDOA: possui vitamina E, antioxidante que evita danos às células do organismo. Esse tipo de farinha também é rico em proteína e gorduras boas, que combatem o colesterol. Pode ser utilizada em substituição à farinha de rosca, para empanar carnes, frango e peixes. FARINHA DE QUINOA: é rica em ômega 3 e 6 e uma ótima opção para ser acrescentada a preparações como bolos, pães e massas. FARINHA DE LINHAÇA: possui lignanas, compostos benéficos que atuam no controle da tensão pré-menstrual (TPM), além de ser rica em fibras, vitaminas e minerais. Pode ser acrescentada no preparo de sucos, saladas, panquecas e bolos. FARINHA DE BANANA VERDE: é rica em amido resistente, uma fibra prébiótica que ajuda a melhorar o bom funcionamento do intestino, prevenindo, assim, constipação, azia e outros problemas. O amido resistente também auxilia no controle dos níveis de colesterol e glicemia. Pode ser utilizada em tortas e massas.

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HARMONIZAÇÃO

Como harmonizar Gorgonzola com vinhos Queijos fortes e picantes, da Tirolez, ficam ótimos com vinhos doces, mas também podem combinar com tintos secos bem frutados

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Nas tábuas de queijos o vinho combina com sabores adocicados, como uva, pera e damascos, acompanhando muito bem vinhos doces

s queijos azuis, como o Gorgonzola, têm sabor forte e caracteristico. Por isso, há alguns segredos ao harmonizá-los com vinhos. Uma das combinações clássicas, conforme explica André Zangerolamo, sommelier da World Wine, uma das maiores importadoras do país, é com o doce Vinho do Porto. “Mas existem possibilidades de harmonização com vinhos secos e potentes que ficam deliciosas”, ele explica. O queijo nasceu na cidade de Gorgonzola, na Itália. Sua aparência é marmorizada, com veios esverdeados, devido à adição do fungo Penicilium roqueforti, o que dá a ele sabor bem característico, levemente salgado, frutado e picante. É muito apreciado por sua consistência

úmida e quebradiça, que derrete rapidamente na boca. Nas tábuas de queijos combina com sabores adocicados, como uva, pera e damascos, acompanhando muito bem vinhos doces. Produzido no Vale do Douro, em Portugal, e envelhecido em adegas na cidade litorânea de Vila Nova de Gaia, o Vinho de Porto é potente e doce. Pelo fato de ser fortificado com aguardente vínica, possui maior teor alcoólico (entre 18% e 22%) e contém açúcar residual, além de leve acidez. “Esta harmonização clássica é feita por contraste. A doçura do vinho, ressaltada pelo teor alcoólico, contrasta com o sabor salgado e levemente amargo do queijo, deixando na boca uma sensação final muito agradável. Um vinho potente que combina com um queijo potente”. Mas, conforme ensina André, é possível harmonizar queijos azuis, como o Gorgonzola, com vinhos tintos que sejam

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André Zangerolamo, sommelier da World Wine

bastante frutados e um pouco mais alcoólicos, o que acaba dando uma sensação de doçura na boca. Entre as regiões viníferas em que os vinhos costumam ter essas características está Ribera del Duero, no Norte da Espanha. “É uma região que fica a aproximadamente 600 metros de altitude, com baixa produção de uvas e produtores muito cuidadosos. Os vinhos de lá, em geral, são mais encorpados, chegando às vezes a ultrapassar 15% de álcool. Não são vinhos baratos, mas alguns produtores, como Bodegas y Viñedos Valderiz, oferecem opções mais acessíveis que podem ser

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comparadas a marcas icônicas por sua complexidade e elegância”, explica o sommelier. Outra sugestão de harmonização com o Gorgonzola são vinhos produzidos a partir da uva Garnacha, que também se expressa bem em várias regiões da Espanha. “Trata-se de uma casta que costuma produzir tintos secos e muito frutados”. Uma sugestão é o Tres Picos, da Bodegas Borsao.“Este vinho é produzido a partir de videiras bem antigas, entre 30 e 40 anos, e tem boa estrutura, com aroma e sabor rico de frutas vermelhas e chocolate. A graduação alcoólica alta (15%) e fruta intensa trazem uma sensação levemente doce que fica ótima com queijos azuis”, finaliza o sommelier. NOTA PENICILLIUM ROQUEFORTI é um vulgar fungo saprófito, que aparece na natureza e pode ser isolado do solo, degradando substâncias orgânicas e partes vegetais.


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CHÁS

Tradição renovada e refrescante Por: Ivelise Buarque

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O Rei do Mate incrementou com mais de 100 combinações de mate batido com polpas de frutas

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om temperaturas sempre altas no Nordeste , independente das estações do ano, quanto mais bebidas geladas melhor. Água de coco, sucos e frozens são pedidas comuns, mas uma nova vertente prega o consumo de uma opção igualmente refrescante e que chega com um plus: hidratante, leve e saudável. É assim que brilha o chá gelado, que conquista cada vez mais adeptos por aqui. Perfeito para quem busca sabor e ainda quer se refrescar, manter a forma e o corpo hidratado.A bebida em sua

versão resfriada pode ser tomada durante todo o dia e casa perfeitamente com a preocupação do consumo de baixo teor calórico. Por isso, o chá gelado é o mais indicado para os nordestinos, pois traz uma agradável sensação de frescor e de naturalidade. Contudo, é preciso prestar atenção a alguns detalhes quanto à preparação. O melhor é fazer os chás de forma natural, evitando os produtos industrializados, que contêm sódio e conservantes. E, por isso, é preciso primeiro fazer uma infusão de água


fervendo com a erva, folha ou casca, frescas ou secas. Em seguida, deve-se deixar a infusão descansar pelo menos por uma hora e, quando estiver no ponto, colocar em uma jarra ou copo e levar à geladeira, por pelo menos mais uma hora. Contudo, existem várias formas de consumir a bebida, numa construção de hábito que vem se desenvolvendo ao longo de quatro décadas. Um costume que talvez tenha se ampliado a partir da fundação, em São Paulo, do Rei do Mate, a maior rede no país de produtos à base de mate, oriundo da ervamate (que é uma árvore da família das aquifoliáceas, da região subtropical da América do Sul). “O mate é uma bebida não alcoólica que, por diversos estudos, traz comprovadamente muitos benefícios à saúde por suas propriedades nutricionais. Nela é encontrado zinco, crómio, potássio, Vitamina C, B1 e B2 entre outras, que trazem vantagens como redução de peso, evita riscos cardíacos, e é antioxidante, entre outros. É claro que tudo isso associado a um sabor agradável, refrescante, com uma proposta divertida e saudável de consumo, em um ambiente charmoso ajudam”, comenta João Baptista, diretor de expansão do Grupo. De fato, o mate faz parte da tradição do Brasil do chimarrão dos pampas ao tererê do cerrado, na qual o carioca eternizou o mate gelado na praia. E aproveitando esses costumes o Rei do Mate passou a “brincar” um pouco com essas convenções e sabores, pegando o que há de melhor, com os melhores ingredientes e incrementando com mais de 100 combinações de mate batido com polpas de frutas. Tudo isso agregado a um cardápio muito amplo, o que contribuiu para que a marca se adaptasse em qualquer local e agradasse aos mais diversificados paladares, independentemente de região ou gosto. “Apesar de sermos uma marca tradicional, buscamos sempre nos reinventar através de atualizações no cardápio com chás diferenciados e com ingredientes novos. Fora isso, o grande desafio está no treinamento e capacitação da equipe, pois estamos falando de uma grande diversificação de produtos. Cada produto e para cada medida de copo (300 ou 500 ml) estamos falando de receitas

distintas. Para se manter o padrão dos produtos e uniformidade temos que investir muito em treinamento e capacitação. Este é um grande desafio, ainda mais em um segmento onde tradicionalmente a rotatividade de mão de obra é mais comum”, completa Baptista. O aspecto da diversificação passa ser o maior diferencial desta nova tendência, e talvez uma das maiores referências é o Tea One, que trouxe uma nova forma de aproveitar e curtir os benefícios e os sabores que o chá gelado pode oferecer. “As bebidas Tea One têm como base os chás (chá preto, mate ou verde), que são totalmente livres de açúcar.

João Baptista: O mate é uma bebida não alcoólica que, por diversos estudos, traz comprovadamente muitos benefícios à saúde por suas propriedades nutricionais

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CHÁS

O Tea One é original de Taiwan, onde os bubble teas foram criados nos anos 80

A partir deles é possível fazer uma série de misturas, com néctar de frutas, leite de origem vegetal ou animal, mini-gelatinas e bolhinhas produzidas através de processo molecular, com suco de fruta e envolvidas por uma fina película comestível. O cliente também pode escolher entre bebidas do tipo Smothie e Yogurts, que também podem vir em sabores de frutas e chocolate. O padrão é adoçar as bebidas com frutose, mas quem quiser pode pedir para trocar por adoçante”, diz o empresário Miguel Lee, representante do Tea One Brasil. Original de Taiwan, onde os bubble teas foram criados nos anos 80, ele observou que a aceitação desta febre na Europa e nos EUA poderia ser exportada também para o Brasil e resolveu trazê-la e representá-la no país. E não à toa a proposta, que chegou há cerca de quatro anos em terras nordestinas, conquistou adeptos e chama a atenção daqueles que ainda não a conhecem. A fórmula, que não é completamente reconhecida ou até mesmo compreensível aos consumidores, envolve uma combinação dos chás mate (estimulando, rico em nutrientes e capaz de controlar os índices glicêmicos do sangue), ou preto (energético, vaso dilatador e com ação bactericida), ou verde (desintoxicante e termogênico) com néctares

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ou sumos de frutas e as bubbles (bolinhas), ou os recortes de gelatinas de algas marinhas, que são inusitadas e deliciosas. “O diferencial do Tea One é que ele é sempre uma novidade, já que as possibilidades de mixes são praticamente infinitas e estamos sempre trazendo novos sabores de néctares e bubbles. Quem já conhece um sabor vai ter sempre algo que ainda não provou. Logo que abrimos a nossa primeira unidade no RioMar Shopping (hoje estamos também nos shoppings Recife e Plaza) as pessoas ainda não conheciam o produto, mas contamos com a curiosidade natural de saber o que é a novidade. Para aumentar nosso alcance, fizemos um trabalho de aproximação com formadores de opinião e jornalistas, o que nos auxiliou a pulverizar a informação de que havíamos chegado”, reforça Miguel. De fato, quando se acompanha o atendimento das unidades da marca, observase uma preocupação grande de fazer com que o público entenda e aprecie as melhores combinações para o seu paladar. E, com isso, encontramos uma associação de pessoas em busca de sabor, novidade, saúde e bem estar e, especialmente, manter a linha ou emagrecer. “A ideia original é basicamente o chá misturado com frutas ou leite. As versões com gelo


são geralmente misturadas com frutas ou néctar. Em Taiwan, o público prefere os chás com bolinhas de tapioca, que também disponibilizamos nas lojas Tea One aqui no Brasil. Mas o público local prefere as bubbles de gelatina vegetal com néctar em vários sabores. Entretanto, ainda assim, nosso esforço está sempre em trazer as novidades produzidas constantemente em Taiwan e que venham a cair bem no gosto do brasileiro. Nestes quase quatro anos de atuação aqui (abrimos em 2013), percebemos que o que não pode faltar são as bases de chá preto e verde e néctares como Morango, Pêssego, Hibisco e Cramberry. As bubbles que mais saem são as de Morango, Lichia e Mirtilo. Fizemos um mix de bubbles que também faz bastante sucesso”, diz Lee. A maneira de tomar chá ganha então contornos divertidos e gostosos que se associam à forma lúdica de curtir essa bebida milenar, muito enraizada no Oriente. Novos sabores conquistam clientes que podem criar diversas combinações e cria uma nova aliança de adeptos de uma cultura tradicional, que conta com uma própria técnica de produção, de preparação, preservação e consumo. “Para extrair os sabores de um bom chá é realmente muito importante saber fazer.A temperatura da água, o tempo de infusão, a qualidade das ervas orgânicas e até mesmo o bule fazem a diferença”, destaca Giorgio Silva, sócioproprietário ao lado do marido Rodrigo Vilar da Provanza (com unidade no Recife e na Paraíba). Apostando no potencial da bebida em suas diversas formas, montaram uma proposta na qual o cliente pode levar para casa (com o modo de preparo) ou degustar in loco um bom chá, produzido com todos os equipamentos adequados e disponíveis (chás, bules e fogão de infusão, por exemplo). Na Provanza, busca-se despertar os cinco sentidos em um ambiente aconchegante, acolhedor, uma experiência que desperta diferentes aromas e sabores que vão além dos 28 tipos diferentes de chás e infusões quentes, de ervas provenientes da Índia, China, Siri Lanka, África do Sul e Estados Unidos. A casa também conta com chás gelados com infinitas combinações na qual o cliente criar sua própria combinação que sai pronta em

embalagem para viagem. “Fazemos a infusão de nosso blend contendo chá branco, chá verde, hortelã e menta e harmonizamos com reduções de frutas que o cliente escolhe na hora. Aqui todas as propriedades dos chás estão presentes no nosso chá gelado, são eles digestivos, diuréticos, emagrecedores, contém flúor, possuem agentes antioxidantes”, reforça Silva. E com isso uma nova força vem se adaptando a esta cultura milenar, datada de 2.737 A.C.

“Apesar de sermos uma marca tradicional, buscamos sempre nos reinventar através de atualizações no cardápio com chás diferenciados e com ingredientes novos.” João Baptista

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SABOR CULTURAL

O sabor de uma tradição milenar Por: Ivelise Buarque

O enófilo Carlos Cabral e sua equipe de consultores de vinhos

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uitas histórias de amor mostram a comida como refúgio, mas uma curiosa comédia dramática produzida e dirigida em 2008 pelo norte-americano Robert

Allan Ackerman, que levou às telas “A Vida com Judy Garland” (2002), transforma uma singular protagonista na tábua de salvação da personagem principal da obra em “O Sabor de Uma Paixão” (The Ramen Girl). A produção japonesa e americana estrelada pela atriz Brittany Murphy, falecida em 2009, conta a história de uma jovem apaixonada que larga sua vida nos Estados Unidos para ir atrás do namorado. Contudo, a aventura amorosa leva uma guinada vertiginosa quando a bela e esperançosa Abby é abruptamente abandonada pelo rapaz em Tókio, totalmente perdida e sozinha, em meio a uma cultura completamente diferente da sua. Desolada, solitária e encharcada de chuva, ela encontra refúgio em uma casa de lámen, um dos pratos preferidos dos japoneses que oferece uma riqueza de sabores e texturas. Após uma experiência única se deliciando com este alimento japonês de origem chinesa, a personagem se encanta com os efeitos mágicos que a aconchegante comida tem sobre si mesma. E com a frequência constante no singelo restaurante do bairro, observa também como o lámen age de forma benéfica sobre seus clientes, e depois disso fica resoluta em convencer o chefe a ensinar-lhe a arte de cozinhar essa especialidade. Trabalhando com o dono do restaurante que tenta, apesar da dificuldade da língua, ensiná-la a preparar o lámen. Ela faz várias vezes e ele


joga tudo fora por achar horrível. Contudo, tudo muda quando uma visita da Abby com o mestre até a casa da matriarca, proporciona-lhe uma clareza do que significa a produção do prato: mais do que técnica muito apurada, para o prato ter gosto é preciso que lhe seja transmitido alma e amor. E é com este relacionamento com o tirano e temperamental mestre japonês de lámen que Abby aprende não só a cozinhar ou a arte de fazer um bom lámen. Ela descobre a si mesma, descobre que a vida implica em vários aprendizados e descobre que o amor pode vir em diversas formas, inclusive na de uma simbólica mistura de ingredientes. E isso sintetiza bem a cultura oriental e singularidade gastronômica da região. Uma profusão de temperos, de elementos e de misturas que representam toda diversidade de uma tradição que é pautada pela partilha de histórias, de momentos e de ensinamentos. O lámen, que é conhecido no Brasil como noodles também, é um tipo de macarrão (à base de farinha de trigo, ovo e água) feito em um caldo base (rico em sabor, cor e consistência) e diversas carnes. O prato introduzido da China, no Japão, no início da era Meiji (1868~1912), é produzido com verduras, legumes, carcaça suína, bovina, de aves (frango) ou frutos do mar,

temperados com shoyu, sal ou missô e decorados comumente com carne de porco, cebolinha e broto de bambu. E hoje o lámen é apreciado não só como um popular prato do Japão, com sabor apreciado por crianças e adultos, como se tornou uma febre no mundo. A moda do lámen varreu os Estados Unidos e passou a ser uma iguaria que caiu no gosto brasileiro, em São Paulo, onde tigelas fumegantes da massa conquistaram o público fora do circuito tradicional do tradicional Bairro da Liberdade.

SERVIÇO

Título original: THE RAMEN GIRL (103 min.) Protagonizada por Britanny Murphy, esta comédia dramática japo-americana de 2008 foi um dos últimos trabalhos da jovem atriz que faleceu no ano seguinte que mostra redescobertas através de uma cultura gastronômica milenar. Direção: Robert Allan Ackerman Produção: Robert Allan Ackerman, Stewart Hall, Kimio Kataoka, Brittany Murphy e Yoko Narahash Fotografia: Yoshitaka Sakamoto

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SAÚDE

Por: Goretti Santana | Jornalista, publicitária e colaboradora Fotos: Juliana Carvalho

Mitos e verdades sobre intolerância à lactose A

intolerância à lactose é um tema que desperta grande interesse nas pessoas. Principalmente no Brasil, onde cerca de 40% da população apresenta algum grau de intolerância* ao açúcar que está naturalmente presente no leite e derivados, como os queijos. Para sanar algumas das dúvidas dos consumidores, a revista Malagueta e a Tirolez Laticínios apresentam uma lista de mitos e verdades sobre o assunto. Segundo a RG Nutri, um dos grandes problemas que portadores de intolerância têm que enfrentar é abrir mão do valor nutricional proporcionado pelos laticínios,

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pois retirar os queijos da dieta pode causar carência de alguns nutrientes. Os leites e seus derivados são alimentos fonte de proteínas de boa qualidade e apresentam ótima quantidade de vitaminas e minerais essenciais à manutenção da saúde, como cálcio, fósforo, magnésio, zinco, selênio, vitamina A e as vitaminas do complexo B. Cabe ressaltar que, ao abrir mão de laticínios, o consumidor é obrigado a repor os ingredientes, tendo que consumir uma grande quantidade de outros alimentos ou mesmo fazendo uso de suplementos, principalmente cálcio, mineral importante na formação e densidade dos ossos.


A maturação pode ser considerada quase um ritual em que os queijos ganham cor, sabor, aroma e textura, dependendo de cada tipo, em função de diversos processos físicos, bioquímicos e microbiológicos. Gruyère, Estepe, Gorgonzola, Provolone e Parmesão são alguns exemplos dessa categoria de queijos. Durante a maturação, a lactose é fermentada, gerando ácido láctico e outras substâncias.

Assim, quanto maior o tempo de maturação, menor o teor de lactose, podendo chegar a zero. É justamente por isso, que nos queijos frescos, como Minas Frescal, Cottage e Ricota, ou nos queijos com pouco tempo de maturação, como o Prato, a lactose ainda pode ser encontrada e por isso, neste caso, precisam da fabricação adequada para quebrá-la.

CONFIRA ABAIXO A LISTA COMPLETA E TIRE SUAS DÚVIDAS: MITOS

VERDADES

Alergia à proteína do leite e intolerância à lactose são a mesma coisa . As pessoas com alergia ao leite geralmente apresentam lesões cutâneas, coceiras, sintomas respiratórios, além de distúrbios gastrointestinais, pois elas possuem anticorpos que reagem às proteínas do leite, identificando-as como invasores estranhos ao organismo. Algumas reações são bastante severas. Já as intolerantes à lactose apresentam distúrbios gastrointestinais, como enjoo, flatulência, diarreia, causados pela deficiência na produção da enzima lactase, que tem a função de digerir o açúcar do leite, a lactose.

Há vários níveis de intolerância à lactose. Há três tipos de intolerância à lactose. Sendo eles: A) Deficiência primária. Tipo mais comum; Tendência natural na diminuição da produção de lactase, com o avançar da idade; Fato mais evidenciado em algumas raças (negros, ameríndios e asiáticos) e menos comum em outras (branca). B) Diminuição enzimática secundária a doenças intestinais. Bastante comum em crianças no 1º ano de vida; Ocorre devido à diarreia persistente; Morte das células da mucosa intestinal; Intolerância temporária até a reposição das células. C) Deficiência congênita da enzima. Defeito genético muito raro, no qual a criança nasce sem a capacidade de produzir lactase.

Um indivíduo não pode desenvolver o distúrbio alimentar ao longo da vida. A intolerância à lactose pode ser congênita ou então surgir com o passar dos anos, sendo que muitas pessoas eram obrigadas a abrirem mão do prazer e da nutrição proporcionados pelo leite e, principalmente, pelos queijos, importantes fontes de cálcio, entre outros nutrientes gradativamente. Para essas pessoas, já há produtos desenvolvidos sem lactose.

O diagnóstico deve ser realizado por um médico. O diagnóstico é realizado por meio de testes específicos. Caso a pessoa tenha os sintomas e suspeite que eles estejam ligados à ingestão de lactose, é importante procurar um médico e explicar a situação. O acompanhamento médico é extremamente importante. Com o diagnóstico correto, é possível adaptar as dietas e ajustá-las de acordo com a condição específica de cada pessoa.

DEPENDE Há cura para a intolerância à lactose . A deficiência na produção da lactase pelo organismo acontece ao longo da vida, pois é normal que o ser humano produza menores quantidades dessa enzima na medida em que envelhece. Esse processo é natural e não há como revertê-lo e sim controlá-lo pela dieta. Porém, existem casos em que a intolerância à lactose está associada a alguma outra doença, como a Doença Celíaca.Assim, ao tratarmos a doença celíaca, a intolerância à lactose desaparece e o paciente volta a poder ingerir produtos lácteos normalmente. Pessoas com intolerância à lactose não devem consumir queijos. O teor de lactose nos queijos é variável, principalmente devido ao processo de maturação, ou seja: o tempo que o queijo “envelhece” antes de chegar ao consumidor. *Fonte: Food Intolerance Network, 2013

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DOCE VIDA

O doce sabor da torta de limão! Por: Juliana Lopes | Jornalista e colaboradora

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qui em Recife o verão vai embora mas as tempreturas continuam elevadas. E como esse calor danado dura o ano todo, vamos saborear doces mais refrescantes, que combinam com nossa regiao.A ideia é investir no frescor das frutas. Vou ensinar uma receita super fácil e deliciosa: torta de limão! Sou super suspeita para falar, pois a-d-o-r-o torta de limão, e não é querendo me gabar, mas a que eu faço é super

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elogiada. O que eu mais gosto nessa receita é que ela é super, hiper, mega simples. Mas você sabe onde surgiu a torta de limão? Pesquisando sobre isso, descobri que a origem da torta de limão se deu em meados do século 19, no Key West, Florida, Estados Unidos.A origem exata da torta é desconhecida, mas alguns dizem que a primeira menção formal como uma receita pode ter sido feita por William Curry, em um navio de um


milionário de Key West. Foi neste navio, que uma das cozinheiras, conhecida como "Tia Sally", fez a torta. A outra teoria sobre a criação da torta de limão é de Tennessee Williams, um teatrólogo norte-americano. Segundo ele, a origem da torta se deu como um resultado da devastação das plantações do Sul norteamericano, após o fim da Guerra Civil. Com a escassez de ingredientes as cozinheiras e doceiras buscaram novas possibilidades para suas receitas nos depósitos militares, onde encontravam grandes quantidades de bolachões salgados (que eram a base da alimentação da infantaria), além da manteiga e dos latões de leite condensado. Havia também

ovos e pomares de limoeiros e outras frutas cítricas que continuavam intactos. Sim, e ainda existe outra história sobre a criação da danada da torta de limão. Tem quem diga que ela foi elaborada por Elizabeth Goodfellow, da Filadélfia. Elizabeth foi uma pasteleira norte-americana, confeiteira e instrutora da escola de culinária. Considerada uma defensora dos ingredientes nativos e de um estilo americano de cozinhar, ela era uma das forças mais criativas da culinária americana durante o século XIX. Mas bem, teorias à parte, o que eu gosto mesmo é de comer, não importa onde ela foi criada. Então, vamos deixar de textão e passar a receita, não é verdade?

INGREDIENTES Para a massa: Farinha de trigo e margarina. Para o recheio: Leite condensado (duas latas) e suco de limão, e para deixar ela mais bonita, claras de ovos para fazer o suspiro (com açúcar refinado, claro).

MODO DE PREPARO Faça a massa da farinha de trigo com a margarina. Se a sua forma for relativamente grande, use o pote todo da margarina, caso contrário, metade já é suficiente. Também não sei te dizer ao certo a quantidade de farinha.Vá colocando até formar uma massa que solte das mãos (como se fosse massa de salgadinho de queijo). Forre a forma e leve ao forno. Deixe assar por uns 20 minutos. Enquanto isso, bata no liquidificador as duas latas de leite condensado e o suco de um limão (se gostar do gosto mais forte da fruta, pode colocar dois limões). Depois que bater, reserve. Faça agora o suspiro com duas claras em neve e quatro colheres de sopa de açúcar refinado. Depois que o suspiro tiver pronto, acrescente raspas da casca do limão. Agora vamos para a montagem. Tira a massa que estava no forno (deixe o forno ligado ainda), coloque dentro da massa o creme que foi batido no liquidificado e por cima o suspiro. Leve novamente ao forno até que o suspiro comece a ficar dourado. Tire do fogo, deixe esfriar, leve a geladeira para gelar um pouco, e pronto, pode se acabar de felicidade comendo a sua torta de limão!

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DOCE VIDA

Novo conceito de sobremesa gelada chega ao Recife

Dolcetto Freddo Cocada

Dolcetto Freddo Limão Siciliano

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Dolcetto Freddo, sobremesas gelada 100% artesanal e livre de aditivos químicos e conservantes, chegou em Recife com um novo conceito de sobremesa gelada. Com oito sabores exclusivos, o diferencial desse doce gelado é à combinação perfeita entre a cremosidade do sorvete e a de um mousse. A Dolcetto Freddo tem versões refrescantes à base de frutas, como o de limão siciliano, banana e cocada. A linha de sobremesas geladas conta ainda com outros três sabores exclusivos: Brigadeiro, Romeu e Julieta, Doce de Leite, Chocolate Branco com Nozes e Chocolate sem lactose. Recém-lançada na cidade, o doce gelado já pode ser encontrado em alguns pontos de Recife, como o Empórtio H, e a delicatessen Casa São Paulo, ambos em BoaViagem.

Dolcetto Freddo Banana

SERVIÇO

DOLCETTO FREDDO Casa São Paulo - Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, 366 Telefone: (81) 3019-8617 Horário de Funcionamento: De segunda à sábado das 7h às 21h | Domingos e Feriados das 7h às 19h Forma de Pagamento: Todos os cartões de débito e crédito. | Valor: R$ 9,90

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Revista malagueta 04  

A Malagueta é uma revista trimestral que aborda a gastronomia mundial, brasileira e pernambucana, com linguagem simples, projeto gráfico mod...

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