Revista Lundi n°1

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1ª EDIÇÃO | 20 DE DEZEMBRO DE 2021


Revista Lundi é uma produção da disciplina de Laboratório de Produção Jornalística, do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)

SUPERVISORA GERAL

EDITOR-CHEFE

ROBERTA SCHEIBE

LÉO NILO

EDITORA ADJUNTA

EDITORA ASSISTENTE

HEVILA SAMIRE

LAYSE GONÇALVES

EDITORias entretenimento

comunidade

ciÊncia

cultura

Editores ANGLEY PANTOJA MARIANA FERREIRA

KARINA LINS

RAYANE DOS SANTOS

Redatores MATHEUS ANTÔNIO JAQUELINY BARROS MÔNICA COSTA

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JOÃO PESSOA KEUM HEE LUCAS PADILHA RAFAELLI MARQUES

ADRIANO SOUSA LUIZ FELIPE

FELIPE MENDES BEATRIZ HAUSSLER MARTHA SOPHIA

DIAGRAMADOR-CHEFE

ASSISTENTES

EDUARDO BELFORT

BRUNA GABRIELA LORENA LIMA SÁVIO DIAS


SUMáRIO ENTRETENIMENTO

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COMUNIDADE

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CIÊNCIA

34

CULTURA

38 03


ENTRETENIMENTO

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Incentivo esportivo

POR ANGLEY PANTOJA

Incentivar a prática esportiva deveria ser um dos pontos mais importantes do Estado, pois além de ser uma atividade física, o esporte representa saúde e instiga a disciplina. Porém sabemos que as dificuldades enfrentadas pelos atletas para chegar a um campeonato nacional – por exemplo - não é novidade, muitos deles precisam realizar promoções de rifas, vaquinhas virtuais, pedir ajuda nos pontos de semáforos da cidade e outras ações beneficentes. No Amapá, existem algumas políticas públicas voltadas ao esporte como o “Bolsa Atleta” – programa criado pelo Ministério do Esporte Brasileiro em 2005. Há alguns critérios para garantir o benefício, são esses que muitos atletas acham burocráticos e dificultosos. Em Macapá são oferecidas diversas modalidades esportivas, através de instituições privadas, escolinhas de futebol, projetos sociais e associações independentes. Grandes personalidades, sobretudo

jovens, ganham destaque em competições, o que é um ponto super positivo. “Eu estava me divertindo mais do que competindo”, essa frase dita por Rayssa Leal, vice-campeã mundial de Skate Street das olimpíadas de Tóquio 2020, chama atenção não pela frase, mas pelo impacto que ela causa vindo de uma menina de 13 anos que vê o esporte como algo benevolente. Nem precisamos ir tão longe, temos um grande exemplo de superação no esporte amapaense, este é Venilton Teixeira que representou não só o Amapá, mas o Brasil nas olimpíadas do Rio de Janeiro (Rio 2016), na modalidade de Taekwondo, chegando a estrear com vitória na competição. Mas qual processo Venilton teve que conquistar para alcançar esse feito? Com certeza muitos. Constantemente nos programas de televisão são transmitidos alguns casos de pessoas que mudaram de vida, por conta do esporte, o que de certa forma incen-

tiva outras a seguirem esse caminho. O que você pensa quando escuta o nome Rebeca Andrade e Daiane dos Santos? Exatamente! Grandes atletas da ginástica brasileira. Tem noção quantas pessoas se inspiram nelas? Não? Pois é, são muitas. Outra vez não precisamos ir tão longe para termos referências esportivas. Lucinilda Rosário, 48 anos, nadadora amapaense que conquistou em 2012 e 2013 o 1º lugar no “Top Ten” – campeonato que elege os 10 melhores nadadores do mundo - organizado pela Federação Internacional de Natação (FINA), está aí para provar que temos grandes vencedores no Amapá. Venilton Teixeira, Marta, Neymar, Oscar Smith, Fernanda Garay, Guga, Falcão, Lucinilda Rosário... tantas histórias, tantas inspirações, tantas experiências que não cabem em uma revista, mas podem trazer a importância do incentivo esportivo. É algo de muita honraria para a Lundi. 05


ENTRETENIMENTO

Matrix retorna após 18 anos longe dos cinemas POR MATHEUS ANTÔNIO

Em 22 de dezembro, o lançamento nos cinemas de Matrix Ressurections marca o retorno de uma das franquias mais influentes de toda a cultura pop no século XXI. O subtítulo e primeiro trailer do filme foram divulgados na CinemaCon 2021 — convenção de cinema que reúne grandes estúdios apresentando novidades. Após 18 anos de seu encerramento em 2003 com o terceiro filme, a 06

franquia será revivida com uma sequência que traz velhos nomes conhecidos de volta ao universo das máquinas e simulações, como Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss como os protagonistas, além de uma das diretoras da trilogia original (1999-2003), Lana Wachowski. Novos rostos também surgem no elenco, como Yahya Abdul-Mateen II, conhecido por papéis em Candyman (2021) e a série de Watch-

men (2019). Matrix é uma obra que deixou influências e bases para toda a cultura pop do século XXI, principalmente nos ramos da ficção científica e futurismo. Seus temas e subtemas giram em torno da revolução tecnológica, messianismo e até mesmo transexualidade, adicionando camadas à trilogia que marcou também pelo visual original e cenas de ação memoráveis.


ENTRETENIMENTO Imagem: Warner Bros

Pôster oficial de Matrix (2021).

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ENTRETENIMENTO

Pré-venda de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa supera Vingadores Ultimato

Em 24 horas, o filme se tornou a maior pré-venda da Ingresso.com no Brasil, superando em 5% o recordista anterior "Vingadores: Ultimato" POR JAQUELINY DA SILVA

Os fãs do universo Marvel estão ansiosos após o lançamento dos novos trailers do filme Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. Muitas teorias já circulam na internet e geram expectativa de algo épico. É uma das maiores promessas da nova fase do Universo Cinematográfico Marvel, e mesmo com todo o mistério criado em torno dele, a presença do multiverso foi confirmada. E para que você não fique boiando, analisaremos o que já foi revelado até agora. Peter Parker (Tom Holland) tem sua identidade como super-herói revelada e, incapaz de lidar com as consequências disso em sua vida normal, pede ajuda ao Doutor Estranho (Benedict Cumber08

Imagem: Lúcio Meireles/Arquivo pessoal

Cosplay do Homem-Aranha.

batch). Mas algo dá errado no feitiço e os perigos acabam ficando maiores. Uma das teorias mais fortes sobre o filme é a participação das encarnações anteriores do personagem, interpretadas por Tobey Maguire e Andrew Gar-

field, após a aparição do Doutor Octopus de Alfred Molina no trailer. Em outra cena temos o retorno de Willem Dafoe como Duende Verde, e segundo Dafoe os avanços tecnológicos trouxeram novos truques e habilidades ao seu per-


ENTRETENIMENTO Foto: Jaqueliny da Silva

Cinépolis Macapá Shopping.

sonagem. O filme traz também Jamie Foxx como Electro. A grande expectativa é que Homem-Aranha: Sem Volta para Casa comece a criar o caminho para colocar o Peter Parker de Tom Holland mais próximo do Venom interpretado por Tom Hardy. Essa expectativa começou depois da cena pós-crédito de Venom: Tempo de Carnificina, que mostra o Homem-Aranha de Tom Holland na TV. Pelo que os trailers sugerem, devemos ver Octopus deixando de atacar Peter e aconselhando ele sobre seus inimigos, enquanto os vilões tentam ficar nessa realidade. Todos estão destinados a morrer em combate com o Aranha em seus mun-

dos. No terceiro trailer liberado podemos acompanhar Peter lutando contra a capa do Doutor Estranho, a dimensão espelhada sendo quebrada, e o tecido da realidade começando a se despedaçar, o que fez os fãs pensarem que o filme está mais insano do que imaginavam. E apesar do trailer ter sido muito aguardado por todos, as primeiras impressões não foram uma unanimidade positiva. O escritor e roteirista de quadrinhos Ivan Carlo contou que suas expectativas para o filme não são altas, pois em comparação com o personagem nos quadrinhos, o Peter do filme recente é pouco desenvolvido. O roteirista diz que talvez pela neces-

sidade de ligar o personagem aos Vingadores, o drama do personagem tenha ficado de lado. “Nos primeiros filmes a gente via todo o drama familiar, o Peter sem dinheiro para pagar o aluguel, isso era relevante para história”, comentou Ivan Carlo. Já um grande fã do MCU, Lucas Padilha contou que está ansioso desde o final de Vingadores Ultimato. “Quero sentir a sensação de assistir no cinema, com várias pessoas sendo pegas de surpresa, aquela emoção e reação do público, não tem sensação melhor”, revela Lucas. Além disso, para ele as teorias acerca do filme estão certas e os fãs podem esperar por grandes revelações. 09


ENTRETENIMENTO

Metaverso promete revolucionar formas de interação social nas plataformas de entretenimento

Empresas de tecnologia e games já investem no possível “futuro da internet” Imagem: Banco de imagens

Ambiente virtual. POR MÔNICA COSTA

Durante evento em outubro de 2021, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a mudança do nome da empresa para Meta, justamente por causa do Metaverso. De acordo com ele, a alteração visa abranger a representação do grupo, pois já não se trata apenas de uma única rede social. A aposta agora está na interação em três dimensões. Jogar. Passear. Reunir. Essa é uma das promessas do Metaverso. O assunto 10

ganhou mais visibilidade nas redes sociais após o anúncio de Zuckerberg. Mas, não! Não foi ele quem criou o termo. Sua primeira aparição foi citada por Neal Stephenson, no livro de ficção científica Snow Crash (1992). A palavra referia-se a um mundo virtual em 3D, habitado por avatares de pessoas reais. Atualmente, a ideia é apresentada em três formas: Realidade Virtual (RV), Realidade Aumentara e Realidade

Mista (RM). A primeira proporciona a imersão total ao mundo virtual – um ambiente totalmente digital; a seguinte, insere elementos virtuais no mundo real, por exemplo o jogo Pokémon GO; Já a última mescla ambas, possibilitando a interação de objetos virtuais no mundo real. No mais, não há um criador ou uma definição própria para o metaverso, mas a maioria dos visionários garantem revolucionar o modo como usamos a Internet.


ENTRETENIMENTO Foto: Banco de imagens

Testes do Metaverso.

O METAVERSO EMPRESARIAL Em um post no Instagram, Zuckerberg apresenta um protótipo de luva para o metaverso e promete: “um dia você poderá sentir a textura e pressão ao tocar objetos virtuais”. Assim, no futuro da internet, você poderá ser o que quiser - alto, magro, bem-sucedido, e, acima de tudo, interagir com diferentes pessoas através da realidade aumentada. A Disney, Roblox, Epic Games e a Microsoft também embarcam nessa corrida. Segundo o gestor de projetos, Ashley Michel, “nesse começo, as empresas que mais vão lucrar

serão as empresas de desenvolvimento de jogos, que desenvolverão plataformas para abranger ainda mais esse mundo virtual, onde poderão vender equipamentos e serviços. Um exemplo é a Microsoft que está trabalhando para construir um ‘metaverso empresarial’ à medida que os mundos digital e físico convergem”, ressalta. De acordo com uma pesquisa realizada entre os dias 24 e 25 de novembro de 2021. No Amapá, cerca de 93,3% das pessoas entre 17 à 30 anos sabem ou já ouviram falar sobre o Metaverso, 71,4% afirmam ter visto ou ouvido o termo pela primeira vez nas redes sociais.

O internauta, Leandro Paula reflete: “é uma temática boa e um pouco fora da realidade quando escutamos de primeira, é um ‘mundo’ que nos deixa com muitas perguntas. Como vai acontecer? Será que um dia vai acontecer?!”. Mas, podemos dizer que já existem Metaversos descentralizados controlados por uma DAO (Organização Autônoma Descentralizada) que é o caso da Axie Infinity, Descentreland, The Sandbox, Star Atlas, Somnium Space VR etc. O plano é ambicioso, porém esse futuro integrado é ansiosamente aguardado pelo público. 11


ENTRETENIMENTO

Parque de diversões Fantástico Park chega em Macapá As atrações seguem os protocolos de segurança para combater o COVID-19 Imagem: Reprodução do Facebook

Diversão em Macapá. POR JAQUELINY DA SILVA

Do dia 18 a 31 de dezembro, o Fantástico Park estará funcionando no estacionamento do Amapá Garden Shopping, localizado no bairro Universidade. Seguindo todos os protocolos de prevenção e higienização ao combate da Covid-19, o parque informa o uso obrigatório de máscara, a disponibiliza-

ção de álcool em gel em todo o recinto e recomenda o distanciamento social. O evento tem diversões ao ar livre com brinquedos radicais, infantis e entretenimento para todas as idades. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Garden ou pelo site oficial Sympla.com. A compra antecipada

custa 40 reais e na bilheteria do Park 60 reais. Os passaportes são limitados devido a capacidade reduzida de público, sendo indispensável um documento de identificação original com foto. Os horários de funcionamento durante a semana são de 18h às 22h, e de 16h às 19h nos finais de semana.

INTERDITADO Na noite do fechamento desta revista, em 20 de dezembro, ocorreu um acidente em um dos brinquedos do parque de diversões. Uma criança de cinco anos teve ferimentos graves. O Corpo de Bombeiros do Amapá, em nota, comunicou a interdição temporária do Fantástico Park. 12


ENTRETENIMENTO Foto: Arquivo pessoal

Brenda Lazareth:

as batalhas até a coroa de miss amapá POR ANGLEY PANTOJA

Miss Amapá 2019.

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ENTRETENIMENTO “Não foi uma trajetória curta”, responde Brenda quando perguntei sobre o concurso de beleza Miss Amapá Be Emotion 2019. Acadêmica do curso de pedagogia na Universidade estadual do Amapá (UEAP), Brenda foi a representante do município de Santana, segundo maior em território e população do Amapá, durante a conversa ela relembrou: “Não foi um sonho repentino, pelo contrário era um sonho desde a adolescência”. Quando foi colocada diante de situações adversas e momentos em que ela nunca tinha vivenciado, se viu na obrigação de repensar ações, ideais e como a pluralidade é importante para a vivência humana. Também questionei sobre o que a seletiva de Santana representou para Brenda, ela me disse: “Foi onde o sonho de me tornar miss começou a ganhar forma e não ter desistido foi crucial para mim e para as experiências que estavam por vir”. 14

e dando certo, até que cheDA DECISÃO AO DIA DO CONCURSO gou o dia do concurso e no

Como você decidiu participar do certame de 2019? Meu primo que se chama Júnior, sempre foi um dos meus maiores incentivadores e sempre viu potencial em mim, partiu dele a ideia de me inscrever. Nós já tínhamos entrado em contato com a coordenação (em anos anteriores), porém nunca tinha dado certo. Em 2019, finalizando meu 6º semestre no curso de pedagogia lá na UEAP, abriram as inscrições para o Miss 2019, então nós começamos a pensar novamente no concurso. Me inscrevi, passei na seletiva de Santana e no dia do concurso foi só sucesso. Conte o que o concurso representou para você. Representa uma fase de transição, existe uma Brenda antes do concurso e uma depois do concurso. É importante dizer, que na seletiva de Santana aconteceu tudo errado (risos), pois choveu, meu cabelo molhou, ficou murcho, eu não tinha sapato alto e nem biquíni. Então eu já queria desistir. Aí tudo foi passando

momento em que eu pisei no armazém (local do evento), a emoção veio forte e eu sempre digo que foi um dos momentos mais felizes da minha vida, pois ali eu não estava vendendo apenas um concurso de beleza, mas todos os traumas que carreguei durante minha vida, pois eu tenho características que por muito tempo não eram consideradas “bonitas” (cabelo cacheado, pele morena, ser alta).

Para você qual foi a maior dificuldade após a seletiva de Santana, seguida da seletiva estadual? Muitas coisas vieram na cabeça, preocupações com a universidade, família e a situação financeira também. Logo após o Miss, eu entrei em contato com a coordenadora, praticamente desistindo do concurso, pois o valor da inscrição era um pouco alto, mas ela disse que daria tempo de conseguir o dinheiro e não me deixou desistir. Então eu persisti, o que me trouxe momentos maravilhosos em que pude conhecer pessoas que eu admirava a bastante tempo.


ENTRETENIMENTO

Miss Amapá 2019.

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Brenda, para você existe algum padrão de beleza?

Acho que não! Sobretudo hoje em dia, onde as pessoas aceitam seus corpos e suas personalidades. Creio que cada um tem sua identidade e a beleza é isso, algo mais interno! Se sentir bem consigo mesmo.

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Relate sobre o dia da final. Como foi? Primeiro que eu ficaria feliz por qualquer uma das meninas que ganhasse o concurso, pois todas tiveram suas dificuldades pessoais e coletivas. Mas eu estava com os pés no chão e sabia que se fosse para eu ser eleita, assim seria. Além de estar firme também estava com o sentimento de gratidão, muito grande, porque eu fiquei pensando todo o esforço da minha equipe,

todos nós fizemos o possível para que tudo ocorresse bem e assim foi. Para mim a melhor forma de retribuir o trabalho deles, era dando o melhor de mim no concurso. Um concurso de beleza é algo que pode trazer muitas críticas e elogios. Com você foi diferente? Não! Vi muitas pessoas na internet tentando me ofender e me desqualificar. E isso me afetava bastante, pois eu acabo absorvendo tudo isso e como tinha pouco tempo para me preparar para o Miss Brasil, procurava não ver essas coisas. Não era a maioria que me criticava, recebi muito apoio e carinho do povo amapaense, porém as coisas negativas às vezes afetam mais que as positivas. Teve algum momento em que a emoção falou mais alto? Antes de entrar no palco, foi um momento muito especial e único, quando a música de abertura tocou, os meus olhos começaram a marejar, pois passou um filme na minha cabeça, as lembranças de

todas as dificuldades que enfrentei até chegar ali, os complexos com meu corpo, meu rosto, meus cabelos foram desbloqueados e eu me senti capaz e vitoriosa, superando essas dificuldades. E seu aprendizado com o Miss Amapá? Aprendi a lidar com as diferenças, pois eu fui colocada diante de pessoas totalmente diferentes de mim, tanto nas características físicas quanto na personalidade.

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Foto: Arquivo pessoal

Isso foi algo muito significativo para mim, foi muito bom de viver tudo isso.

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Foto: Arquivo pessoal

Miss Amapá 2019.

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COMUNIDADE

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O fazer jornalístico

POR MARIANA FERREIRA

Acorda (ou nem dorme), toma café (bastante), encontra as fontes, entrevista, grava e escreve. Ufa, acho que acabou! Está apenas começando! O começo de uma jornada diária respeitando os deadlines da vida, horários e horários. Quando criança nossa imaginação é aflorada, alguns pensam em ser médico, engenheiros, professores, advogados, até astronauta, mas jornalista NÃO! Essa disputa injusta se tornou comum, afinal, ninguém quer ter em suas mãos a responsabilidade de comunicar as dores de cabeça diárias, e mais ser parte dessas dores. Então o que é o fazer jornalístico? É ter a liberdade de ser e não ser, é preciso para além de ser um comunicólogo, ser humanizado, se despir de qualquer preconceito, está preparado para ser um bom ouvinte. Ser humano. Que brilhante! Nossa função é noticiar fa-

tos que não morrem, que não se apagam, pois, o jornalismo, em sua essência, os faz virar história, aquelas histórias que você ouve da sua avó, dos seus professores, de todos. E sabem quem escreveu essa história? Fui eu, foi meus colegas de profissão, fomos nós que demos voz a aqueles que estavam calados, cotamos histórias que para alguns seriam incontáveis, fomos nós, ser humano. Antes de tudo é preciso de ética, ela caminha com nós, jornalistas, lado a lado. Você me conta, eu escuto, escrevo, mas não, não mudo o que você falou, eu sou ética! Jornalismo não é escrever bonito ou rebuscado, aliás, o que rebuscado? Eu não sei, apenas achei bonito e anotei aqui, não, isso não é jornalismo, é preciso ser acessível, entendido, compreendido. Escreva, fale e comporte-se de maneira fácil de lhe entender.

Estamos falando de pessoas para outras pessoas. É preciso ser fácil, ou você não quer que sua história seja ouvida e lida? Ser jornalista é ser humano. Um astronauta quando vai ao espaço ele tem diferentes funções e emoções. Por exemplo, eles adaptam-se a um ambiente de baixa gravidade, precisam conduzir experimentos científicos, fazer manutenção de equipamentos, e até praticar exercícios físicos para manterem-se saudáveis. Isso tudo me parece tão comum, será que não sou jornalista e sim um astronauta? Todos os dias tenho diferentes emoções, preciso adequar-me os meus espaços de vivencias (que são diferente diariamente), fazer manutenções diárias das informações, afinal jornal velho só serve para embrulhar peixe. É isso, talvez eu seja um astronauta disfarçado de jornalista. 17


COMUNIDADE

ALERTA MUNDIAL

Var Variante Ômicron causa preocupação entre os cientistas

POR LUCAS PADILHA

Nova variante do Coronavírus é detectada na África do Sul entre os dias 11 a 23 de novembro de 2021, especificamente na província de Gauteng, Botswana, Hong-Kong, Israel e Bélgica. Denominada de ômicron pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a nova cepa vem apresentando alguns sintomas como Fadiga, dores de cabeça e corpo, dores de garganta, tosse, entre outros sintomas detectados em pacientes afetados com a variante. Os cientistas estão estudando para saber mais sobre a nova mutação do vírus, se é mais transmissível, se é 18

resistente às vacinas já aplicadas ou se causará doenças mais graves. Segundo a OMS, os casos até agora relatados são considerados leves, porém podem se agravar nas próximas semanas de infecção. Foi detectado mais de 50 mutações em seu genoma em relação ao vírus original encontrado na cidade de Wuhan, na China, no final de 2019. Algumas dessas mutações já foram detectadas em outras variantes, mas não todas em uma única só variante. O que lhe caracteriza como “Variante de risco” pela OMS, mantendo o vírus em total observação pelos cientistas.


COMUNIDADE Imagem: Banco de imagens

Variante Ômicron.

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COMUNIDADE Foto: Banco de imagens Unsplash

Vacina contra a COVID-19.

Anvisa aprova dose do reforço da vacina contra Covid-19

Saiba como está funcionando o esquema de vacinação e qual imunizante tomar

POR LUCAS PADILHA

O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, anunciou em outubro, no dia 16, que o governo iria aplicar uma dose de reforço das vacinas para as pessoas acima de 18 anos. A vacinação já vinha ocorrendo, porém, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sa

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nitária) aprovou no final de novembro a aplicação da terceira dose. A vacinação ocorre de forma diferente de acordo com cada tipo de imunizante. Para quem tomou as duas doses da vacina do Instituto Butantan (CoronaVac), o reforço acontece de forma he-

teróloga, ou seja, pode ser feito o reforço com imunizantes diferentes, já para as demais vacinas (Pfizer, AstraZeneca e Janssen) o reforço acontecerá preferencialmente de forma homóloga (imunizantes iguais), mas caso falte a dose no posto de imunização, poderá ocorrer al-


COMUNIDADE terações de acordo com a ANVISA.

Foto: Arquivo pessoal

QUE DOSE DEVO TOMAR? O esquema de vacinação acontecerá da seguinte forma: • Quem tomou as duas doses da CoronaVac deve tomar o imunizante da Pfizer após 5 meses da 2ª dose. • Quem tomou as duas doses da Pfizer deve tomar o mesmo imunizante após 6 meses da 2ª dose. Caso não esteja disponível no local de vacinação, poderá ser aplicada a fórmula da Janssen ou AstraZeneca. • Quem tomou as duas doses da AstraZeneca deverá tomar o mesmo imunizante ou da Pfizer após 5 meses da 2ª dose. • Agora para quem tomou a dose única da Janssen, deverá receber uma 2ª dose do mesmo imunizante após 2 meses da 1ª e o reforço após 5 meses completos, com a fórmula da AstraZeneca ou Pfizer.

Aplicação da terceira dose em Luana.

VACINAÇÃO NO AMAPÁ Aqui no Amapá a dose de reforço já começou a ser aplicada para pessoas acima de 18 anos (com ou sem comorbidades), idosos acima de 60 anos e profissionais da saúde. A acadêmica de direito, de 22 anos, Luana Aparecida Tourinho da Silva, tomou a terceira dose da Pfizer e relata como foi a experiência e lembra da importância da terceira dose da vacina contra o covid-19. “A terceira dose é de extrema

importância pela oportunidade do reforço no sistema vacinal, assim como a terceira dose, a primeira e a segunda são de devida importância para a saúde individual como também a segurança e proteção, firmando assim um pacto social.” Em relação a efeitos colaterais, a estudante relata ter sentido apenas um incômodo no braço da aplicação, sintoma esse relatado pela maioria dos cidadãos já vacinados. Lembrando que para se vacinar, o cidadão precisará apresentar as seguintes documentações: Os originais e cópias de um documento oficial com foto, comprovante de residência, CPF, carteira de vacinação e em casos de comorbidades um laudo médico para quem irá se vacinar pela primeira vez. Já quem irá receber a segunda ou terceira dose, basta apresentar um documento oficial com foto e o cartão de vacinação com a indicação para a segunda ou terceira dose. 21


COMUNIDADE Foto: João Paulo Pessoa

Monitores do Amapá Jovem em ação voluntária de arrecadação de brinquedos.

Beneficiários do programa Amapá Jovem são aprovados na terceira etapa do processo seletivo interno Mais de 200 inscritos foram selecionados nos 16 municípios amapaenses

POR JOÃO PAULO PESSOA

O processo seletivo para os quatro níveis de monitoria disponíveis aconteceu internamente através de inscrição pelo link inscricao.amapajovem.ap.gov. br. Apenas bolsistas e monitores ativos interessados em subir de nível puderam con22

correr às vagas ofertadas. Nesta última chamada, 100 participantes foram selecionados apenas em Macapá. Para participar deste tipo de processo que acontece todos os anos, os bolsistas e monitores precisam ter pelo menos 70%

de rendimento no projeto e não possuir vínculo empregatício. De acordo com o edital, a seleção é feita com base no nível escolar, trabalho voluntário, cursos preparatórios, conhecimento específico, entre outras atribuições. São reservadas


COMUNIDADE objetivos é incentivar a permanência dos jovens na escola e na universidade. Segundo Pedro Filé, mais de 25 mil jovens já foram beneficiados pelo projeto desde sua retomada em 2017, "o Amapá Jovem é atualmente a maior política pública para jovens em vulnerabilidade social existente no Brasil e que tornou-se referência para outros estados como Rondônia, Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros”. Os 170 polos do projeto estão distribuídos em todos os Monitor do Amapá Jovem em ação voluntária de arrecadação de brinquedos. 16 municípios do estado, cotas para pessoas com de- podem chegar a R$1200. incluindo áreas rurais, quificiência, afrodescendentes, Além disso, o número de lombolas, indígenas e ribeipardos, índios, quilombolas vagas para monitores au- rinhas. e pessoas autodeclaradas mentou de 580 para 1000. As inscrições para participar do Amapá Jovem LGBTQIA+. podem ser realizadas ao lon Pedro Filé, SecretáO QUE É O AMAPÁ go de todo o ano, de acordo rio da Juventude do Estado JOVEM com a disponibilidade de do Amapá, lembra que em O Amapá Jovem é vagas. Após realização da abril de 2021, o governador do estado, Waldez Góes, um programa de auxílio e inscrição pelo link inscrisancionou novas diretrizes capacitação de jovens ama- cao.amapajovem.ap.gov. ao projeto que possibilita- paenses entre 15 e 29 anos, br, se aprovado, o candidato ram aumento no valor das e tem por finalidade pro- deve aguardar ser chamado. bolsas e das vagas. O va- mover a autonomia, parti- Os critérios considerados lor do benefício para bol- cipação social, capacitação para aprovação do particisista comum aumentou de profissional, saúde e bem pante no projeto incluem R$120 para R$150 reais, estar da juventude do esta- renda familiar de até dois enquanto que as bolsas para do. Com o auxílio de bol- salários mínimos e possuir novos níveis de monitoria sas remuneradas, um dos cadastro ativo no CadUnico. Foto: João Paulo Pessoa

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Amapaense realiza son Flamengo após ven

Amiuller Ferreira, de 24 anos, percorreu quase 4 mil quilômetros pa

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nho de assistir jogo do nder tudo que tinha

para acompanhar o time na final da Copa Libertadores, no Uruguai POR KEUM HEE

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Para os brasileiros, o futebol é mais do que só um esporte, uma partida ou uma competição. O futebol movimenta as multidões, junta o pobre e o rico, possui um espírito que abrange as pessoas e faz todos se unirem, acima de tudo pelo amor ao seu clube do coração. Pensando nisso que o flamenguista amapaense Amiuller Ferreira, 24 anos, foi atrás do seu sonho de acompanhar seu time de perto, e logo na primeira vez que entra em um estádio é para assistir à final da Copa Libertadores da América, diretamente do Estádio Centenário no Uruguai. A partida contra o Palmeiras aconteceu no último dia 27 de novembro. “Picadinho”, como é chamado por seus amigos, vem de uma família humilde, e é morador do bairro da Fazendinha, em Macapá. Sua paixão pelo rubro-negro vem desde criança, apesar do pai também torcer para o clube ele diz que isso não interferiu na escolha de time. 26

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COMUNIDADE

A gente que é ribeirinho pensa que é quase impossível

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Foto: Amiuller Ferreira/Arquivo Pessoal

O maior sonho de Amiuller era acompanhar um jogo do Flamengo de perto.

O amor pelo clube foi alimentado em todas as vezes que assistiu um jogo do Flamengo na televisão ou quando debatia futebol com os amigos. Ele sempre sonhava em assistir de perto um jogo do time e rodeado pela torcida rubro-negra. Por conta da distância do Amapá para o Rio de Janeiro a ideia sempre ficou

só no sonho, “a gente que é ribeirinho pensa que é quase impossível”, afirma. Após o Flamengo vencer o jogo contra o Barcelona de Guayaquil e garantir a vaga para a final da Libertadores 2021, o torcedor viu a chance de acompanhar o clube na disputa. Foi então que ele começou a se mobilizar


COMUNIDADE de última hora juntando o máximo que podia. Ele vendeu bens tais como a televisão, central de ar, acessórios de sua própria casa, tudo para realizar esse sonho. Uma de suas motivações para uma decisão tão radical, além de ser um desejo pessoal, foi por seus amigos que já se foram, pois eles tinham o costume de assistir juntos aos jogos do Flamengo. Durante a entrevista percebo ele emocionado quando diz: “Quando você vê seus amigos morrendo de alguma forma, perdendo para o crime, para o trânsito ou doença de Covid, começa a passar uma ficha na sua cabeça: E se eu não conseguir realizar meu sonho?”.

A VIAGEM Mesmo com poucos recursos Amiuller foi em busca de seu sonho. Foram 6 dias viajando de Macapá até Montevidéu. O torcedor conta que as passagens mais baratas eram fazendo escalas, e assim foi seguindo: de Macapá para Belém, para

Foto: Amiuller Ferreira/Arquivo Pessoal

A viagem de ônibus se tornou cansativa por conta das paradas que faziam.

Campinas até o Rio de Janeiro, mais de 10h de viagem. Ele se hospedou em um hotel no bairro da Lapa enquanto aguardava a caravana que ia sair 2 dias depois de ônibus. Durante sua estadia no Rio ele realizou outro sonho: conhecer o Maracanã e a sede do clube. Dia 24 de novembro, saiu no ônibus com pouco mais de 40 torcedores em direção ao Uruguai. A viagem teve diversos percalços no caminho e se tornou cansativa. A previsão de chegada era em dois

dias, mas acabou sendo três por conta das paradas que tiveram que fazer. Ele relata que quase 200 ônibus com torcedores estavam indo em direção ao Uruguai, por isso a segurança estava sendo redobrada com diversas revistas por parte do governo local, “ficamos quase 12h na fronteira, foram 3 dias sem tomar banho e comendo só água e bolacha”. No sábado ao chegar no país, a acomodação foi improvisada no ônibus mesmo. O amapaense conta também que o es27


COMUNIDADE

A HORA DA VERDADE "Quando peguei meu ingresso em mãos eu quase desmaio", diz. Chegado o tão esperado dia o palco do jogo, o estádio centenário em Montevidéu, recebeu mais de 45.000 torcedores de ambos os times, no meio deles estava um amapaense tomado de emoção. A energia dos mais de 13 28

mil flamenguistas presentes e cantando o hino do time são momentos que vão ficar marcados na memória do jovem torcedor.

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paço onde o veículo ficou estacionado foi cedido pelo clube e a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), e a localização dificultou sua estadia, “foi disponibilizado esse espaço, mas não tinha um lugar para comprar água, nem nada, nem banheiro químico para fazer nossas necessidades, ficamos revoltados, mas só importava que íamos ver o Flamengo”. Apesar dos empecilhos ele sempre carregava a esperança, as dificuldades não importavam contanto que visse o time em campo. E o momento estava se aproximando.

Falava nada só chorava! Eu pensava em toda vez que eu era criança e queria assistir jogo do flamengo e não tinha como, eu queria uma camisa do clube e não tinha como, tudo isso eu lembrava na hora, passou um filme na minha cabeça de todas as épocas da minha vida

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Ninguém consegue explicar as emoções que o futebol traz, e nem a paixão que leva as pessoas a fazerem tudo pelo sonho de ver seu time em campo. A paixão não se explica, ela acontece, engrandece e eleva a alma. Quando pergunto a ele se mesmo com a derrota a viagem e todo o esforço valeram a pena, Amiuller não pensa duas vezes e responde: "Com certeza, ainda não caiu a ficha da derrota porque eu acabei de realizar meu maior sonho, não tem como eu ficar triste. O títu-

lo não veio, mas não gerou arrependimento porque eu sempre disse que queria ver eles”. A partida encerrou com o placar final de 2x1 para o Palmeiras. O gol de Deyverson marcado na prorrogação consagrou o alviverde como campeão da Copa Liberadores de 2021. Seguindo a aventura do amapaense, após a final ao voltar para o Rio de Janeiro ele fez amizades com torcedores de outros estados e também aproveitou para visitar alguns lugares da cidade com mais calma. Em seu itinerário também aproveitou para assistir o próximo jogo do time, a partida contra o Ceará pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro na terça-feira (30). Após a derrota na Liberadores ele fala com vigor da importância em apoiar o clube acima de tudo nos próximos jogos, "a partida não vale nada, é um jogo normal e tem quase 50 mil ingressos vendidos no Maracanã, é incrível!".


COMUNIDADE A partida encerrou 2x1 para o rubro-negro com festa da torcida. Picadinho volta para Macapá com o sonho mais do que realizado, e con-

ta que já planeja assistir à final da Liberadores de 2022 em Guayaquil, no Equador. “Eu só fui mais um louco entre centenas que fi-

zeram loucuras para ir em Montevidéu. Torcedor que é torcedor sabe ganhar e perder, na próxima vamos ser campeões”, diz cheio de esperança. Foto: Amiuller Ferreira/Arquivo Pessoal

"Quando peguei meu ingresso em mãos eu quase desmaio".

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COMUNIDADE

Universidade Harvard oferece mais de 100 cursos online gratuitos POR JOÃO PAULO PESSOA Foto: Cottonbro, Pexels

LINK COM A LISTA DE CURSOS:

ONLINE-LEARNING.HARVARD.EDU/CATALOG/FREE

Imagem ilustrativa de acesso ao site oficial de Harvard.

Uma das universidades mais famosas do mundo disponibiliza cursos gratuitos em 14 áreas do conhecimento. Entre artes e design, medicina e saúde pública e ciências sociais, a universidade Harvard, referência em educação e pesquisa, oferece atualmente 127 cursos à distância gratuitos libera30

dos para o mundo todo. As inscrições podem ser feitas através do site parceiro edx.org após a escolha do curso e realização do cadastro. No site oficial da universidade, é possível encontrar facilmente a opção que mostra a lista dos cursos e informações sobre o conteúdo, metodologia e ministradores. As aulas também

são disponibilizadas através da plataforma Edx. A lista de cursos ofertados inclui: Introdução à ciência da computação, “Mulheres fazendo história”, Ciência e cozinha, A arte da escrita persuasiva e falas em público e Cálculos aplicados. Nas versões gratuitas, é necessário pagar uma taxa para que um certificado seja emitido.


COMUNIDADE Foto: Alessandra Ferreira/Arquivo pessoal

A PERSISTÊNCIA POR UM SONHO:

A história de Alessandra Ferreira Depois de anos de persistência, Alessandra realizou o sonho de ingressar no ensino superior POR RAFAELLI MARQUES

O seu foco sempre foi ingressar em uma Universidade Federal.

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COMUNIDADE Alessandra Ferreira da Gama, de 46 anos, mais conhecida como “Tia Sandra” é uma personalidade conhecida pelos corredores da Universidade Federal do Amapá (Unifap), onde vendia lanches antes da pandemia de Covid-19. No ano de 2021, realizou seu sonho de ingressar no ensino superior, através do Processo Seletivo da instituição foi aprovada no Curso de Bacharelado em Geografia, tornando-se assim um exemplo de força e inspiração. Casada e mãe de quatro filhos, ela já teve diversos ofícios, foi catadora de latinha, diarista, trabalhou em lojas e com vendas de panos de prato e jogos de cozinha. Além desses, trabalhou com vendas de lanches anteriormente no Senac, onde na época fazia curso, as vendas eram para pagar a passagem de ônibus e garantir a renda de sua casa. As vendas de lanches na Unifap se iniciaram no ano de 2017, e prosseguiram até março de 2020, por conta da pandemia. 32

Por que a senhora quis comercializar seus produtos na Unifap? Como começou a sua história na instituição? Porque eu precisava ajudar o meu filho que tinha acabado de entrar na Universidade e ele não tinha nem uma bolsa. Eu tava desempregada também aí eu precisava ajudar ele com algum dinheiro. Eu dei para ele vender, mas ele não conseguiu vender porque ele comia tudo (falou entre risos), aí eu tive que ir de manhã, e começar a vender para ajudar ele no transporte. Como foi a sua trajetória de preparação até a tão sonhada aprovação? A preparação foi feita há muitos anos, quando eu terminei o ensino médio em 2000 que eu fiz o magistério e aí de lá pra cá eu sentei duas vezes só no cursinho que tinha em Enem, em 2010, eu acho. Em 2012 foi a única vez que fui a uma escola estudar, tentar, mas não foi muito tempo... foi negócio de dois ou três meses, que tinha “o negócio de manter”, pagar a passagem e eu não tinha condições e eu

parei. Desde do ensino médio, quando eu terminei o magistério, começou a vontade de entrar na Faculdade. A convivência diária com o ambiente acadêmico lhe motivou de que forma? Eu sempre tive vontade de entrar numa faculdade, principalmente a Federal, meu foco sempre foi a Federal. Então eu via, sempre via as pessoas estudando, os jovens e me achava também capaz de poder estar ali. Sabemos que família é de suma importância, então de que forma sua família esteve presente e lhe inspirou? Bom, primeiro eu investi muito nos meus filhos, na educação deles assim com motivação, correndo atrás, insistindo e aí empurrava meus filhos. Sempre dizendo para eles não pararem de estudar e ir à luta. O meu esposo também entrou, mas foi numa estadual. Ele também não fez nenhum cursinho, fez Engenharia de Pesca e aí só faltou eu... daí vi inspiração neles, e me perguntei:


COMUNIDADE Toda a aprovação no vestibular é a maior festa. Então me diga como foi o dia que a senhora soube da aprovação, o que a senhora sentiu, como foi a comemoração? Quando saiu meu nome eu fiquei bem feliz, lógico. Assim eu já poderia imaginar que talvez conseguisse, porque eu já tinha dado na trave várias e várias vezes, e eu sentia de coração que dessa vez o negócio ia ser diferente. Eu tive que fazer uma comemoração muito reservada, em casa, devido a pandemia.

"

Eu senti assim uma sensação de dever cumprido em ter passado numa Federal (...) pra mim foi assim o auge da felicidade felicidade

"

O que a inspirou a escolher o curso de geografia? Na verdade, o curso de Geografia foi uma das opções, porque eu tinha outras. Mas assim, o bacharelado eu escolhi por “N”

motivos, pela importância e por eu ver que poderia me dá bem no bacharelado. Antes da Geografia, eu tinha muita vontade de fazer, tenho vontade de fazer Veterinária, eu acho um curso assim “top” e amo animais, e a questão financeira também né, que Veterinário tem as portas bem mais fáceis de conseguir, eu acredito, por mais que demore. Geografia foi a minha segunda opção, quer dizer, a terceira, porque tinha Administração. Porém, fui para Geografia, tive que escolher um curso que desse certo com o meu horário de trabalho. Como está sendo o curso? O curso está sendo de grande valia para o conhecimento, ele está servindo para eu lembrar muitas coisas que não eu lembrava mais, outras coisas estou aprendendo. Muita coisa tenho para aprender ainda e vou continuar aprendendo a vida toda, porque ninguém é sabedor de tudo, então curso é muito bom. Como está sendo a rotina de estudos e vendas?

A rotina é essa: todas as tardes estudar. Tenho cinco disciplinas, tem semestre que faço quatro, tem semestre que faço cinco. Mas aí é bem puxado mesmo, porque muitas coisas eu não lembro mais, e aí eu tenho dificuldade, mas nem por isso eu desisto. A rotina da venda, eu tive que criar outro meio de venda de algumas coisas, mas também deu uma parada, pela questão do dinheiro mesmo, tem que ter um capital e aí ficou difícil. E por fim, qual mensagem a senhora deixa? A mensagem que eu deixo é que nunca desista, porque se passei mais de 15 anos tentando entrar numa universidade, por que que as outras pessoas não podem conseguir? Podem sim! Basta querer e tentar e tentar, e quando pensar que não vai conseguir tentar de novo, até a exaustão, quando descansar tenta de novo.

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então por que eu não?

"

Tem que persistir.

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CIÊNCIA

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Evolução:

Conscientização e acessos do mundo científico POR KARINA LINS

É nítido como o crescimento do tabu em cima do tema HIV/Aids não desacelera. Ao longo de anos, estudos científicos e crescimentos na produção de medicamentos visando uma qualidade de vida melhor para quem é portador do vírus, aumentam as expectativas para que a soropositividade seja tratada somente de forma natural em seu cotidiano. A introdução do tema no nosso dia a dia ainda é um problema social, visto que o acesso ao assunto é de uma qualidade baixa, e é tratado como problemática no seu primeiro contato com a população, pelo simples fato de carregar uma linguagem científica, levando em consideração que a população mais afetada é que não teve acesso básico a alfabetização, ou não entende a linguagem

técnica científica que é produzida em artigos de CNPq. Outro grande problema é a falta de espaços para que a vida sexual e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) sejam tratados como algo do nosso cotidiano. A introdução da educação do nosso corpo humano e seu crescimento, é tabu em muitos locais, onde estes deveriam dar o acesso a esse tipo de informação essencial, como em escolas, projetos sociais, TV’s, e etc, a ponto de que tais doenças possam ser evitadas, e em casos de infecção, possa ser explicado também que existem tratamentos e reversão de algumas outras IST’s. Mas a ciência traz medo para muitos, ela é a prova de que o futuro pode nos revelar uma trilha de acessibilidade e de igualdade para todos. A

prova disso são os novos medicamentos aprovados para um novo rumo dos tratamentos dos portadores de HIV/Aids, que ao longo desses mais de 20 anos de sofrimento, que ceifou vidas, traz um brilho no olhar para quem busca viver nos estigmas sobre uma doença que já apavorou nações. Não menos importante lembrarmos de quem luta até hoje para que tudo que é de nossa natureza, possa ser estudado, revelado, ampliado e naturalizado... Cientistas passam suas vidas estudando e pesquisando sobre o que pode sempre ser melhor para nossas vidas. Estar dentro de laboratórios, dia e noite, sem contar o tempo para que seja nos dado o melhor, mesmo que não seja para benefício próprio, é de ter orgulho e levantar a ideia de que a ciência é para todos!

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CIÊNCIA Imagem: Diego Balieiro/Revista Lundi

A análise do medicamento foi apresentada na 18º Conferência Europeia de AIDS (EACS 2021) e comprovou seus resultados POR ADRIANO SOUSA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou no dia 29 de novembro um novo medicamento para o tratamento de pessoas portadoras de HIV. O comprimido é uma combinação de outros dois medicamentos já utilizados na terapia contra HIV com o intuito de simplificar o tratamento e aumentar a adesão entre os pacientes. O comprimido é a junção de duas substâncias, a Lamivudina e Dolutegravir Sódico, administradas a pacientes portadores da imunodeficiência humana de tipo 1 36

(HIV-1). O novo medicamento, além de promover a redução da quantidade de HIV no organismo, também provoca o aumento de um tipo de glóbulo branco conhecido como CD4, que auxilia na conservação do sistema imunológico e que ajuda a reconhecer e combater agentes infecciosos. O estudo foi apresentado pelo laboratório GSK Brasil, que confirmou a eficácia e segurança na utilização do medicamento e que também recebeu o registro para a produção. A indicação do medicamento será feita a pacientes jovens e adul-

tos com idade acima dos 12 anos e que tenham mais de 40kg pelo menos. Para o jovem Habner Lucas, de 26 anos, que utiliza os antirretrovirais, a notícia é animadora e lhe causa uma boa ansiedade para que chegue logo aos postos de distribuição. “Conheço pessoas que têm medo dos familiares verem os medicamentos e descobrirem que a pessoa convive com o HIV. Muita gente não inicia [o tratamento] por conta disso. Com uma dose única, o tratamento vai ser mais discreto para essas pessoas”, completa Habner.


CIÊNCIA DADOS BRASILEIROS em 2019 foram diagnosti- des para se manter com a

No boletim epidemiológico de 2020 do Ministério da Saúde, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dentre estas, 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o vírus, por terem atingido a carga viral indetectável. Desde 2012, o Brasil tem registrado uma redução nos casos da doença, mesmo assim, somente

cados mais de 40 mil novos casos de HIV. A maior concentração de casos se encontra na faixa etária de jovens entre 25 a 39 anos. Mesmo com a pandemia de COVID-19, as campanhas de enfrentamento ao HIV continuaram. O Ministério da Saúde aumentou a estratégia de dispensa de antirretrovirais e atualmente os pacientes, ao invés de pegarem medicamentos para 30 dias, já recebem quantida-

medicação por até 90 dias. Atualmente, cerca de 77% dos pacientes já recebem a dispensa de medicamentos desta forma. Vale lembrar que o HIV é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e tem como principal forma de transmissão o contato sexual, seja ele oral, vaginal ou anal. O uso de camisinha, masculina ou feminina, é essencial para que se possa evitar a infecção.

Ministério da Saúde apresenta nova linha de cuidado e prevenção contra o tabagismo POR ADRIANO SOUSA

O Ministério da Saúde lançou, no mês novembro, uma plataforma on-line para auxiliar a população na utilização do Sistema Único de Saúde (SUS) no controle ao tabagismo. O objetivo é deixar os serviços do SUS mais claros e contribuir com a diminuição do uso de tabaco e derivados.

O sistema foi criado principalmente para profissionais da saúde, mas pode ser utilizado pelo cidadão para ter mais autonomia na busca de informações, na confirmação se o seu encaminhamento está correto e até mesmo no acompanhamento de quais são as atividades e ações que

estão sendo promovidas. As linhas de cuidado estão sendo criadas em parceria com o Instituto para Avaliação de Tecnologia em Saúde e tem o intuito de integrar e padronizar os atendimentos e formas de tratamento para várias doenças dentro do SUS. O seu foco principal é a atenção primária. 37


CULTURA

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CULTURA

Parada LGBTQIA+ retorna atividades presenciais depois de um ano

Além do evento dia 28, o mês de novembro contou com diversas programações culturais

POR MARTA SOPHIA

A 21ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Macapá, com tema “Verás que um filho teu não foge à luta: Resistir para poder existir”, foi realizada no dia 28 novembro. A parada é a principal manifestação da luta pelos direitos humanos da População LGBTQIA+ do Estado do Amapá. O evento contou com transmissão pelas redes sociais e encontro pre40

sencial no Estádio Zerão. O número de presentes foi limitado a mil pessoas devido aos protocolos de prevenção à contaminação da Covid-19, com as inscrições realizadas através da internet de forma gratuita. Segundo o Coordenador Geral da Parada, Bryan Marques, o evento tem por objetivo celebrar o orgulho LGBTQIA+ em que a promoção da cidadania seja um direito garantido

para todos os participantes. Ademais, marca o encerramento das celebrações do Mês da Diversidade e comemora os 21 anos de luta pelos direitos humanos LGBTQIA+ em Macapá. A programação teve uma série de eventos culturais e de debates. Quarta Lilás, Parada Preta, Feira da Diversidade e Marcha das Mulheres foram os destaques da programação deste ano.


CULTURA Foto: Vinícius Trindade (@vinicttc)/Reprodução

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CULTURA Foto: Foto: Kleber Wandell/Arquivo pessoal

Equipe durante as gravações do filme "Ausência".

Grupo de cinema independente do Amapá produz filme sobre o apagão Wändel Filmes é o nome do grupo que realiza o filme

POR FELIPE MENDES

“A Escuridão Sorrateira” é o título da obra do grupo de cinema independente que atua no estado do Amapá. Com a direção de Igor Cardoso e Kleber Wandell, a obra se baseia no conto de Laura Martins e Dylan Cavalcante, também integrantes na produção do filme. A equipe já está em campo fazendo pesquisas e entrevistas para aprofundar a narrativa, e com isso, pretende 42

iniciar as gravações do filme em dezembro. Contudo, a produção ainda não tem data de lançamento prevista. O filme, além de mostrar um cenário pandêmico, se passa durante os dias da crise energética que ocorreu no estado no ano de 2020 e narra a história de uma garota chamada Cecília. Em paralelo a esta narrativa, desenrola a história de um assassino que está solto pelas ruas da cidade.

"Nossa pretensão principal com o filme, é fazer com que o amapaense se identifique!”, conta Kleber Wandell, um dos diretores do curta-metragem. “Todo mundo passou pelo apagão, tanto os de classe média, baixa, alta, então foi um problema geral para nossa sociedade aqui. Nós também precisamos mostrar o que aconteceu no nosso Estado, por ser um assunto bem negligenciado”, continua Kleber.


CULTURA O apagão no Amapá ocorreu no dia 3 de novembro e foi normalizado de maneira parcial no dia 24, com a crise energética, o sistema hidráulico também foi afetado, o que ocasionou a falta de água mineral, encanada e até mesmo a escassez de gelo no estado. A temperatura atingindo aproximadamente os 35º graus deixou tristes lembranças aos amapaenses. O filme mostrará a dura realidade vivida por muitos que passaram por esses percalços, como comerciantes que tem seu trabalho como única fonte de renda, pessoas que lutaram para sobreviver. “Foi algo muito severo vivido no estado, e que inclusive aconteceu durante uma pandemia mundial, imagina um povo inteiro ficar sem energia, sem água, até sem ter o que comer, pois foi no começo do mês, as pessoas tinham comprado tudo e por não ter energia toda comida estragou, então foi algo muito grave e que hoje é negligenciado.” Continua e conclui Kleber Wandell: “Para se ter uma noção, ocorreu na mesma época que as eleições americanas, e essas tinham uma duração maior nas mídias televisivas, enquanto nossa situação era de poucos minutos ou às vezes nem isso!”

Foto: Kleber Wandell/Arquivo pessoal

Equipe durante as gravações do filme "Ausência".

A obra conta com uma equipe de produção que inclui direção, produção, fotografia, direção de arte, figurino, roteiro e maquiagem que compõem a produtora denominada Wändel Filmes. A produção segue os protocolos e normas de segurança declarados pela Organização Mundial de Saúde

(OMS) como o uso de máscaras e o distanciamento social. Assim como uma outra produção da equipe “Ausência”, o filme sobre o apagão será lançado em festivais de cinema que ocorrem ao redor do país e do mundo, e logo depois será disponibilizado em outras plataformas de streaming. Foto: Kleber Wandell/Arquivo pessoal

Equipe durante as gravações do filme "Ausência".

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CULTURA

Prefeitura permite retorno dos eventos culturais em Macapá Diante dos baixos índices de casos da covid-19 na cidade foi permitido o retorno dos eventos culturais pela prefeitura

POR BEATRIZ HAUSSLER

Desde o segundo semestre de 2021, o processo de retorno de forma total dos eventos na cidade acontece gradualmente. A volta de eventos culturais como shows, festas, feiras e peças teatrais foi possível pela eficácia da campanha de vacinação e consequente queda no número de casos da Covid-19. Inicialmente, o retorno contou com algumas restrições de horário e taxa de ocupação dos eventos. Porém, com os últimos decretos divulgados o horário máximo foi estendido até às 2 horas da madrugada, alterando também a taxa de ocupação dos locais para 50% em eventos públicos-sociais. A restrição dos eventos trouxe muitos 44

malefícios à sociedade, pois depois da população passar tanto tempo em suas casas, muitas pessoas desenvolveram “fobia social”, que é o medo de locais lotados de pessoas. Isso dificulta a ressocialização da sociedade. Durante a quarentena, bandas locais enfrentaram dificuldades para conseguir se manter na ativa. Bruno Vinícius, integrante da banda O Janus, conta que no início da pandemia as gravações do álbum da banda tiveram que ser reduzidas e isso atrapalhou o rendimento e a produção do grupo. A falta de shows também desmotivou os integrantes. Para o público, o retorno dos eventos culturais na cidade é muito importante, pois durante

a maior parte de 2020 a população ficou em casa, sem saber quando as coisas iriam voltar ao normal. Ter esse retorno traz esperanças de que tudo volte à normalidade de fato. Recentemente, os shows locais e nacionais se tornaram mais frequentes no estado. Feiras culturais, peças teatrais também estão em cartaz no teatro da cidade, trazendo alternativas de lazer à população que ficou tanto tempo resguardada, devido a quarentena. Todos os eventos que estão ocorrendo exigem a carteira de vacinação com pelo menos 1 dose da vacina, para que dessa forma não se propague ainda mais a COVID-19. O retorno dessas atividades culturais é um alívio para os trabalhado-


CULTURA res dos eventos, como fotógrafos, cantores, músicos, djs e etc. Após todos esses meses sem trabalhar, essa volta é primordial para os profissionais da área conseguirem se reerguer e voltar à ativa. De acordo com a prefeitura de Macapá, com pelo menos 90% da população com a primeira dose e mais de 50%

da população vacinada com a segunda dose ou a dose única, os eventos culturais se tornam mais frequentes na cidade. A volta dos eventos impacta a comunidade amapaense de uma forma positiva, pois a população passou meses em quarentena sem poder ver os amigos ou se divertir. A expectativa é que

para 2022, a situação dos eventos melhore ainda mais e não tenha restrições e que a economia nesse setor possa voltar ao que era. A prefeitura está realizando mutirões de vacinação para alcançar quem perdeu o prazo ou quem ainda não se vacinou, diante disso a realidade que as coisas possam voltar está mais perto. Foto: Reprodução

Evento em Macapá.

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CULTURA

IV Mostra Sesc de Cinema Panorama Norte exibe 11 filmes produzidos na região Exibições e debates aconteceram no Sesc Centro mediados pelos cineastas Aron Miranda e André Cantuária Foto: Secult/Divulgação

Super Panc Me, filme selecionado para a mostra. POR MARTA SOPHIA

Entre os dias 24 e 26 de novembro, o Sesc Amapá promoveu a Mostra Sesc de Cinema – Panorama Norte, em que foram exibidas as produções audiovisuais nortistas selecionadas pela mostra, que é nacional. O evento buscou também debater a sétima arte na região, tendo os cineastas Aron Miranda e André Cantuária como mediadores. 46

O evento é um recorte da IV Mostra Sesc de Cinema, que tem o objetivo de difundir as produções audiovisuais independentes pelo Brasil. Nesta edição, foram 31 filmes selecionados, dentre eles, 11 são produções do Norte, sendo 3 do Estado do Amapá. As produções amapaenses são: Açaí, do diretor André Cantuária; Super Panc Me, de Marcus Viní-

cius; e Montanha Dourada, da produtora Castanha Filmes. As outras produções nortistas que foram selecionados na mostra Sesc foram Benzedeira, Documentário CDA 20 anos, A Inacreditável História do Milho Gigante, Tá Quente, Nazaré: do verde ao barro, E o que Sobrou Para as Distopias, Meus Santos Saúdam Teus Santos e Elipses.


CULTURA Foto: Beco Teatral/Reprodução

Elielson Júnior conversa sobre seu trabalho e as dificuldades da produção teatral no Amapá POR FELIPE MENDES Fotos oficiais do "Beco Teatral" em sua produção recente: "O Herdeiro Amaldiçoado".

O teatro é crucial para o Amapá, pois traz oportunidades, além de incentivar a comunidade a se interessar pela cultura local e nacional, desenvolvendo a comunicação e a dicção. Uma das partes mais significativas para o teatro no Estado é o "Teatro das Bacabeiras", único espaço teatral da capital, trazendo vários espetáculos, shows de humor e instigando ainda mais a sociedade amapaense a se interessar por esse meio. A companhia de teatro “Beco Teatral” é uma das poucas companhias

no Estado, e apesar de todas as dificuldades de incentivo, valorização, e reconhecimento, se mantém firme. Elielson Júnior, o diretor da companhia, fala sobre sua trajetória no teatro, a criação do Beco Teatral com Iury Laudrup, e a apresentação do primeiro espetáculo: "Harry Potter e o Herdeiro Amaldiçoado", trabalhando também no curta-metragem “Rasga” já em 2021. Elielson não é ator e todas as vezes que apresenta, fica na parte de iluminação e sonorização, além de escrever e dirigir as peças.

Quais dificuldades você enfrenta para manter o projeto de teatro no estado? Dificuldade é a questão financeira, não apenas, mas eu vou explicar por partes. Quando eu digo questão financeira, não é muito na parte de fazer o espetáculo. Mesmo que eu tenha dez reais no bolso, eu vou dar um jeito e tentar fazer o que for preciso. Mas o que eu quero dizer com isso, é que às vezes a gente investe em muita coisa e o retorno é pouco. Isso por 47


CULTURA não termos tanto apoio das mídias, pois parece que não há interesse, e

Foto: Beco Teatral/Reprodução

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muitos falam que Macapá não tem interesse. E eu acredito que tem sim, só é preciso toda uma rede de apoio.

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Resumindo, é tanto a questão financeira pra fazer e para receber o valor do investimento, como tamEquipe do “Beco Teatral” em um de seus ensaios. bém o apoio da comunidade cultural e das mídias. poder se sustentar. Você das crianças e adolesacha que talvez falte in- centes que participam E como ocorre o susten- centivo ao artista brasidesses projetos? to da arte em um lugar leiro? Eu acredito que sim. onde esses trabalhos não Acho que falta sim Eu nunca trabalhei com são tão valorizados? incentivo ao artista, mas crianças e adolescentes, Bom... depende. também falta a popula- porém, durante esses anos No meu caso, eu preciso ção brasileira consumir eu encontrei com pestrabalhar com outras coi- mais produtos nacionais. soas que disseram que o sas além disso. Eu faço Notamos que o povo quer teatro salvou a vida deedição de vídeos e tal. consumir teatro, eu acre- las e, de certa forma, eu Conheço gente que tem dito que falta esse incen- me incluo nisso também. escola de artes, dá curso tivo de ir ao teatro. Moro e etc. Eu vejo que todo no Rio de Janeiro, e vejo Quando criei o Beco, eu mundo que trabalha de que lá o incentivo é muito estava num momento forma independente na maior, então é meio que muito ruim da minha arte, sempre precisa de os dois: incentivo para a uma segunda opção de arte e para a população. vida, foi o teatro que me fez ter animação emprego para se sustentar. Elielson, nessa perspec- novamente. Então o teatro A maioria dos atores de tiva de teatro e cultura pode mudar nossas visões teatro faz algum traba- nacional, você sente que de várias formas. lho paralelo à arte para o teatro mudou a vida

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CULTURA Foto: Beco Teatral/Reprodução

Equipe do “Beco Teatral” em um de seus ensaios.

Em seus trabalhos, você possui uma linha de gênero específica ou procura diversificar? Eu procuro diversificar. Nossas peças do Beco seguem a linha de fantasia e aventura, algo mais voltado para o juvenil. Porém, nosso primeiro curta-metragem é de terror. A gente quer flertar com vários gêneros. Nesses seus trabalhos, você fica mais na parte de direção e técnica. Mas tem alguma área que você se identifique mais? Eu gosto da produção. Foi com o teatro que eu me descobri como um produtor, como alguém que vai lidar com a papelada e a parte burocrática do processo. Falando um pouco de atuação, você como dire-

tor e produtor, o que mais admira em um ator? O empenho que ele bota no personagem. Eu valorizo muito quem está no mesmo pique que o meu para participar. Gosto de trabalhar com pessoas que estejam empolgadas e querem mostrar os seus melhores lados na atuação, então quando um ator me mostra seu empenho e preparação para um personagem, é uma das minhas partes favoritas. Se for um personagem que eu criei, tudo fica melhor, pois eu estou vendo em vida o que estava na minha mente. Às vezes o ator me mostra uma parte de um personagem que eu mesmo não conhecia, eu acho isso o máximo!

aqui no Amapá e também no Brasil? Trabalhar com o teatro eu já considero como um ponto positivo, porque o teatro me ajudou em muita coisa. É uma arte que ajuda na timidez, na fala, na dicção, foi através do teatro que passei a me exercitar mais e tive uma melhor compreensão do trabalho em grupo. Os pontos negativos é que nem sempre todo o esforço que fazemos é valorizado.

Pensando nessa preparação, o que você diria para alguém que está iniciando a carreira teatral? Eu diria pra pessoa se jogar e estudar. Tudo na vida precisa de um pontapé inicial, então se postergar muito, vai acabar não seguindo. E também, ser apaixonado por aquilo que está fazendo, porque a vida de artista não é fácil. O “Beco Teatral” apresentou dia 5 de dezembro a peça: “O Herdeiro Amaldiçoado”. Mais detalhes sobre os Você apontaria pontos trabalhos e apresentações positivos e negativos de em suas redes sociais: trabalhar com teatro @becoteatral 49