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Edição n.º 45 :: Março de 2012 :: Revista do Município de Loures

PROTEGER

Hospital Beatriz Ângelo :: 32

Mais de 90 anos depois, um sonho concretizado

Melhores Práticas Autárquicas de Integração de Imigrantes – Câmara de Loures distinguida pela segunda vez Geração Ecológica – Crescimento demográfico, alterações de consumo, crescimento sustentável Carnaval Saloio de Loures – Mais do que uma tradição, uma paixão!

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: : SACE

: : SIAI

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: : Serviço de Apoio à Família

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O crescimento populacional e as alterações provocadas pela sociedade de consumo levam a que se torne necessário alterar os nossos hábitos em prol de um ambiente melhor

: : O futuro Está na Agricultura

: : Melhores Práticas Autárquicas de Integração de Imigrantes

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: : Geração Ecológica

: : Por um Melhor Ambiente

: : Conversar

SUMÁRIO

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: : Rota Histórica das Linhas de Torres

: : Missão: Salvar Vidas

: : Não Compre. Adote!

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O Carnaval está ligado ao reinício do ano agrícola e à chegada de um novo ciclo de vida

: : Jovens Agarram Oportunidades

Quando abriu as primeiras portas, no dia 19 de janeiro, terminou uma espera que remonta a 1919

Mais do que uma Tradição, uma Paixão! : :

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: : Rota das Empresas

: : Hospital Beatriz Ângelo

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FICHA TÉCNICA

PROPRIEDADE :: Câmara Municipal de Loures Praça de Liberdade, 4, 2674-501 Loures DIRETOR :: Carlos Teixeira PERIOCIDADE :: Trimestral CONTACTO :: louresmunicipal@cm-loures.pt DEPÓSITO LEGAL N.º :: 183565/02 ISSN 1645-5088 | Anotada na ERC


EDITORIAL

Carlos Teixeira Presidente da Câmara Municipal de Loures

Caros Munícipes, Permitam-me que partilhe convosco a enorme satisfação que sinto por termos, finalmente, o Hospital Beatriz Ângelo em pleno funcionamento. Na verdade, sinto-me um guardador de sonhos.

A saúde não tem preço e esta obra justifica tudo aquilo de que Loures abriu mão para que o Hospital fosse uma realidade. Regozijo-me, sobretudo, porque novas crianças nascerão em Loures, enriquecendo a identidade do concelho e devolvendo aos lourenses o sentimento de pertença.

Porque este sonho remonta a 1919 e a sua realização faria felizes homens como Domingos Pereira – presidente da Câmara dos Deputados e por três vezes primeiro-ministro, durante a I República – ou Augusto Dias da Silva, cuja capacidade de conceção e realização ficou firmemente comprovada quando exerceu o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Loures. O Hospital foi um dos seus muitos projetos, chegando mesmo, à época, a ser aprovado. Em 1919, Domingos Pereira afirmava: «(…) o desenvolvimento de um Município é o desenvolvimento de uma parte da Nação. (…) Loures vai lançar-se corajosamente no caminho dos melhoramentos (…)». A inauguração do Hospital Beatriz Ângelo é a prova de que trilhámos esse caminho, rumo ao sonho que guardei até hoje e que foi igualmente prosseguido e acalentado por ex-autarcas que, desde 1976 até hoje, sem exceção, lutaram para que este dia chegasse. É com orgulho que junto o meu nome ao de outros guardadores do mesmo sonho, como António Riço Calado, Severiano Falcão, Demétrio Alves ou Adão Barata, sublinhando a unidade e a unanimidade verificadas Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 5


EDITORIAL relativamente à esmagadora maioria das decisões tomadas, quer por administrações anteriores, quer por aquelas a que tive e tenho a honra de presidir. A saúde não tem preço e esta obra justifica tudo aquilo de que Loures abriu mão para que o Hospital fosse uma realidade. Regozijo-me, sobretudo, porque novas crianças nascerão em Loures, enriquecendo a identidade do concelho e devolvendo aos lourenses o sentimento de pertença. Muito já foi dito sobre esta obra emblemática que, além de nos trazer mais saúde e sobretudo saúde mais perto, nos fortalece social e estrategicamente. Continuarei a lutar para que este Hospital seja acessível a todos os munícipes do concelho, como é justo e, por isso, exigível. As promessas devem ser cumpridas, sempre que possível, e o seu adiamento não pode ficar refém de caprichos do poder central, nem alienar os anseios legítimos dos munícipes de um concelho que é um todo e, por isso, não pode nem deve ser dividido. Desejo as maiores venturas ao Espírito Santo Saúde e aos que, no Hospital Beatriz Ângelo, tenho a certeza, tudo farão para nos ajudar na conquista de uma vida com mais saúde e mais qualidade. O meu obrigado antecipado pela dedicação, empenho e profissionalismo com que, certamente, tratarão os nossos. Este Hospital, ao qual orgulhosamente chamamos “nosso”, foi uma bandeira desde o primeiro momento que assumi a Presidência do Município de Loures. Foi uma luta que os sucessivos executivos travaram, contra ventos e marés. Ganhámos todos com esta conquista, com esta realização à qual daremos valor de forma crescente, à medida que os nosso filhos e netos forem nascendo, à medida que o nosso conforto e segurança se forem baseando, mais e mais, no garante de uma saúde melhor e mais próxima. Se, no futuro, for apenas conhecido como o presidente cujo mandato ficou marcado tão só pela inauguração do Hospital de Loures, serei um homem feliz.

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Conversar

Agarrar as oportunidades…

Brincam nas ruas, sem qualquer vigilância ou supervisão. Aprendem cedo a lei do mais forte e agregam-se em grupos que discutem a supremacia nos territórios que designam por “bairros”. Descobrem cedo que há sempre formas mais fáceis de ganhar dinheiro, principalmente fora da lei. Encontram na transgressão a adrenalina que os faz viver. Ignoram princípios e valores porque nunca lhes foram incutidos. Desprezam a ternura e conotam sentimento com fraqueza.

São reis do nada, donos do invisível, marginais de todas as ruas, todas as cidades, todos os países… Existem em Lisboa, em Nova York, em Paris, Londres, ou mesmo Maputo, Budapeste ou Roma. Evitamo-los e escolhemos sempre o caminho mais fácil: condenar sem querer ir ao fundo da questão. São meninos sem infância, crescidos à pressa, na urgência de sobreviver. São o produto da mais pobre das pobrezas: a que vota o ser humano à sorte de conseguir construir pelos seus próprios meios, sem alicerces, sem rede. É a vida no arame, sem esperança de evoluir para outra que não seja a ponta de uma faca, uma bala perdida ou a prisão. Não tem de ser assim! Há esperança para lá dos maus começos. Há oportunidades e fins felizes no horizonte. Por-

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que mudar é possível quando há vontade e empenhamento e, sobretudo, quando há homens e mulheres que se dedicam à integração, à recuperação, à inclusão destes meninos julgados perdidos. A capacidade criativa é inata ao ser humano, seja qual for o seu estatuto social, o meio onde cresce ou a forma como se desenvolve. Conduzir, moldar, educar essa criatividade é uma forma de recuperar jovens para a vida activa, dando-lhes um rumo, um objetivo e, sobretudo, uma ferramenta que lhes permita sobreviver fora do esquema viciado em que se encontravam. O Projecto Territórios Invisíveis aponta exatamente nesse sentido, promovendo o enriquecimento curricular e a integração no mercado de trabalho de jovens em situação de


abandono ou absentismo escolar, tendo como atividade primordial a realização de cursos de formação profissional na área das indústrias criativas, nomeadamente audiovisuais e produção e gestão de eventos, abrangendo matérias das áreas do design, comunicação multimédia, guionismo, vídeo e planeamento, gestão e montagem de eventos. Segundo Richard Florida, fundador do Creative Class Group, “a aptidão para progredir e prosperar na economia global não se limita, actualmente, à troca de bens e serviços ou ao fluxo de capital e investimento: baseia-se, cada vez mais, na habilidade das nações em atrair, reter e desenvolver pessoas criativas. Na era da criatividade, é necessário despertar o potencial criativo de todos”. De acordo com dados da ONU, as indústrias criativas contribuem globalmente com mais de 7% da população mundial e espera-se que nos próximos anos cresçam a uma média de 10%. Em 2002, na Europa, 4,2 milhões de pessoas trabalhavam em Indústrias Culturais, o que significa 2,5% do emprego total. Em Portugal, um estudo do Ministério da Cultura provou que, no ano de 2006, o setor cultural e criativo foi responsável por 2,8% de toda a riqueza criada, gerando um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 3691 milhões de euros e cerca de 127 mil empregos. Assim, o Projecto Territórios Invisíveis assenta numa estratégia de ação concertada entre Educação, Formação e Empregabilidade, no setor das indústrias culturais; na união entre tecnologia e capital intelectual; na criatividade e na promoção da diferença. A 20 de janeiro, foi inaugurada, na Galeria Municipal Vieira da Silva, no Parque da Cidade de Loures, uma mostra final do Projecto, com as criações dos jovens participantes e um programa dinamizado por todos os parceiros do projeto.

Em Loures, o Programa Municipal de Juventude contempla a promoção do desenvolvimento integral dos jovens, ao nível da aquisição, do desenvolvimento e do treino de competências pessoais e sociais. Estruturado em três grandes eixos, o Programa Municipal de Juventude contempla a prevenção e a intervenção (para fatores de risco), a educação para a cidadania e a proatividade, bem como a aprendizagem (formal e não formal), o empreendedorismo e a procura ativa de emprego. Abre-se, deste modo, para os jovens a oportunidade de participar num programa que prevê a inclusão social e a sua formação enquanto indivíduos mais conscientes, críticos e autónomos. Agarrar o futuro passa, assim, a ser uma opção e não uma impossibilidade. Porque as conjunturas adversas, a pobreza e a ausência de bases estruturais não têm de ser uma fatalidade, mas podem funcionar como indicador de uma necessidade de intervenção, por parte dos órgãos competentes, constituindo novos desafios para a construção de uma sociedade mais digna e, sobretudo, mais igualitária e solidária com os problemas dos que nos rodeiam. Afinal, seremos necessariamente mais felizes numa sociedade mais venturosa, que consegue identificar, tratar e curar os grandes males que a afetam, num esforço conjunto que, ao beneficiar o próximo, beneficia os próprios, numa lógica em que todos saem a ganhar. Em Loures, os jovens não estão sozinhos, pois, mau grado os cortes orçamentais sucessivos, as dificuldades que vivemos e que a todos afetam, existe vontade política e empenhamento num trabalho paulatino de procura de oportunidades, de criação de programas, projetos e iniciativas, motivadores para as camadas mais jovens e, sobretudo, promotores da integração, da valorização e da formação dos jovens. Loures desafia. Loures desafia-te!

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AGIR

Melhores Práticas Autárquicas de Integração de Imigrantes Câmara de Loures distinguida pela segunda vez

A Câmara Municipal de Loures foi distinguida, em 2011, pelas Melhores Práticas Autárquicas de Integração de Imigrantes. Uma distinção que a Plataforma Imigração da Fundação Calouste Gulbenkian já havia atribuído a Loures em 2007.

O projeto municipal distinguido – Centro UNESCO A Casa da Terra – o primeiro centro UNESCO nacional de iniciativa municipal, destina-se à criação de sistemas de comunicação entre as diversas comunidades, de modo a realçar a importância da cultura como grande chapéu de inclusão partilhada e abrangente. Aberto ao público em março de 2010, o Centro UNESCO está vocacionado para a abordagem sociocultural da pluralidade/diversidade da condição humana, encorajando a defesa dos valores do pluralismo, do respeito pela diversidade cultural e da promoção da sociedade do conhecimento proclamados pela UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência, Cultura e Comunicação.

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Recorde-se que o concelho de Loures tem das mais elevadas taxas de população imigrante residente, e que a mobilização e valorização deste “património cultural da humanidade” assumem um lugar central na estratégia de desenvolvimento do Município, que segue a recomendação do Fórum Mundial sobre Migrações e Desenvolvimento: “Um governo local inclusivo e responsável pode ter um papel fundamental, não só na prestação de serviços, mas também na prevenção e no alívio das tensões sociais.” Esta política municipal mereceu o reconhecimento da Fundação Calouste Gulbenkian na primeira edição dos prémios da Plataforma Imigração, em 2007, na vertente específica do apoio à legalização, acolhimento e inclusão social, e agora, em 2011, naquela que será a sua última edição, na vertente da promoção da diversidade cultural e da valorização do património imaterial.


O concelho de Loures tem das mais elevadas taxas de população imigrante residente, e a mobilização e valorização deste “património cultural da humanidade” assume um lugar central na estratégia de desenvolvimento do Município Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 11


AGIR

Geração ecológica

Crescimento demográfico, alterações de consumo, crescimento sustentável

No passado, os problemas ambientais eram sentidos com maior intensidade nos países desenvolvidos. Nos dias de hoje, contudo, o crescimento populacional e as alterações provocadas pela sociedade de consumo levam a que se torne necessário alterar os nossos hábitos em prol de um ambiente melhor

O crescimento económico, a concorrência e a necessidade de gerar lucros levam as empresas a apostar em embalagens de design atrativo para camuflar o mesmo produto de sempre. Sim, aquele que você sempre consumiu mas que ao vê-lo, na prateleira do costume, com cara lavada indu-lo a desejá-lo uma vez mais. Esta é a chamada sociedade de consumo, onde cresce a vontade de querer ter mais e melhor ou aquilo que é novidade. Já pensou na quantidade de embalagens produzida nos dias de hoje? Milhões! Com formas e tamanhos diferentes que acabam sempre no mesmo local, no lixo! Um investimento necessário – dirão gestores, publicitários e marketers –, sem o qual não conseguiriam garantir as vendas. Uma realidade empresarial com que teremos certamente de conviver nos próximos anos. No passado, as coisas eram diferentes e vivíamos quase da mesma forma – dirão os mais saudosistas –, tínhamos os produtos e dispensávamos as embalagens.

Duas visões diferentes, ambas corretas, mas será que nós conseguiríamos viver nas mesmas condições? Imaginam o que era ir a uma grande superfície comercial e trazer tudo em pacotes de papel? Pois! Não seria fácil… Nas atuais circunstâncias não dispensamos o nosso conforto e preferimos a situação do presente. Assim sendo, se não queremos ou não temos como reduzir as embalagens, podemos dar-lhes um destino final diferente e colocá-las num ecoponto perto de nós. No presente, só no concelho de Loures, os serviços municipalizados recolhem mais de 160 mil toneladas de resíduos por ano. Destes, apenas cerca de 11 mil toneladas são destinados à reciclagem. Não acha que podemos fazer melhor? Não seria mais interessante ver estes números invertidos e termos a certeza que as nossas próximas embalagens são feitas de material reciclado e, como tal, menos prejudiciais para o ambiente? Atualmente, produzimos resíduos que muitas vezes acabam no lixo indiferenciado quando poderiam ser valorizados. Não reutilizamos determinados resíduos e acabamos por não reduzir os nossos consumos, que a cada ano que passa provocam um aumento exponencial de lixo no planeta.

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No presente, só no concelho de Loures, os Serviços Municipalizados recolhem mais de 160 mil toneladas de resíduos por ano. Destes, apenas cerca de 11 mil toneladas são destinados à reciclagem.

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AGIR Perante tudo isto, não acham que podemos ser diferentes? Ser a verdadeira geração ecológica, consumindo menos, colocando resíduos para reciclar como forma de poupar os recursos naturais para as gerações vindouras? Assuma já, em 2012, um compromisso sério na defesa dos recursos naturais. Adote a regra dos 3 R’s, reduza, reutilize e, acima de tudo, coloque mais resíduos para reciclar do que para queimar.

Algumas curiosidades Uma tonelada de papel reciclado

evita o abate de 22 árvores e evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, um gás responsável pelo efeito de estufa;

1000 kg de PET (plástico)

permitem produzir 2000 calças de poliéster;

100 toneladas de plástico reciclado

evitam a extração de 1 tonelada de petróleo, um combustível fóssil não renovável.

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Por um ambiente melhor Dia Mundial da Árvore e da Floresta

As florestas portuguesas constituem um património vivo, essencial ao desenvolvimento sustentável do nosso país, ao equilíbrio dos ecossistemas e à vida humana. É por essa razão que Câmara Municipal de Loures mantém o empenho na área ambiental realizando ao longo do ano um conjunto de atividades que pretendem sensibilizar a população para uma intervenção responsável e mais ativa.

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PROTEGER

Numa altura em que o País se depara com grandes problemas a nível económico, há uma forte tendência para reduzir as necessidades à sua expressão mais básica, o que deixa por vezes de fora as questões ambientais. Defender a floresta é um dever de todos os cidadãos. A Câmara Municipal de Loures participa ativamente, promovendo, através do seu Departamento de Ambiente e Transportes Municipais, projetos e ações com o objetivo de conservar as suas florestas autóctones. Exemplo disso é o esforço desenvolvido na florestação do concelho ao longo dos últimos anos. Muitas têm sido as ações de reflorestação, algumas em parceria com entidades ambientais, empresas, escolas e particulares, o que permitiu que fossem plantadas nos últimos três anos 25 453 árvores, sendo ainda expectável a plantação em 2012 de 12 266 de plantas de espécies autóctones. As florestas promovem a manutenção da biodiversidade, libertam oxigénio, armazenam o dióxido de carbono (principal gás com efeito de estufa), moderam as temperaturas, facilitam a infiltração da água no solo, fixam-no e impedem a sua erosão. O problema das alterações climáticas confere atualmente à floresta uma importância crucial no combate à crise ambiental global. Em Portugal, quase 40% da área do território é ocupada por florestas, maioritariamente associada a monoculturas de pinheiro-bravo e eucalipto, mas também por montados protegidos de sobreiros e azinheiras.

A floresta detém também papel relevante ao nível económico e social, representando atualmente quase 12% das exportações portuguesas, entre as fileiras do eucalipto, do pinho e da cortiça. Mas existem também diversas ameaças à floresta portuguesa, destacando-se os incêndios, doenças, pragas, más práticas de gestão, abandono do meio rural e alterações climáticas. Foi com o objetivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra que Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 17


PROTEGER em 1971, na sequência de uma proposta da Confederação Europeia de Agricultores, que mereceu o melhor acolhimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi estabelecido o Dia Mundial da Floresta. Em 21 de março de 1972, início da primavera no hemisfério norte, foi comemorado em vários países, entre os quais Portugal, o primeiro Dia Mundial da Floresta. Mais recentemente, a ONU proclamou o ano de 2011 como o Ano Internacional das Florestas. A comemoração do Dia Mundial da Árvore e da Floresta adquiriu, graças a esta medida, ainda maior força no concelho de Loures, testemunhada pela participação de cerca de quatro centenas de crianças em atividades como plantação de árvores, visita a exposições, criação da sua própria floresta, entre outros, que decorreram no Parque Municipal do Cabeço de Montachique, em Fanhões. Para este ano já se encontra agendado o programa para o Dia Mundial da Árvore. A semana de comemoração vai decorrer de 19 a 23 de março para as escolas inscritas

através do Programa de Educação Ambiental, sendo o dia 24 reservado para a população em geral. A iniciativa vai decorrer no Parque Municipal do Cabeço de Montachique e inclui diversas atividades de sensibilização, jogos e ateliês, entre os quais: Ser Sapador Florestal por Um Dia, Cantinho dos Insetos, Minibiblioteca da Natureza, Caça ao Tesouro, insufláveis e ateliês de construção da árvore mágica, decoração com folhas, molduras de galhos, selos de folhas e construção de ninhos. Caso a sua família não tenha oportunidade de participar nestas comemorações, damos-lhe o exemplo de ateliê que pode desenvolver em sua casa: a Floresta Mágica. Uma caixa de cartão é um ponto de partida. Através da reutilização de materiais, podemos recriar um ecossistema florestal. Basta reutilizar diversos materiais como imagens de revistas e jornais, folhas de embrulho usadas, folhas e ramos secos de árvores, pedrinhas, cola, tesoura e fita-cola. O resto fica ao sabor da sua imaginação!

Uma caixa de cartão é um ponto de partida. Através da reutilização de materiais, podemos recriar um ecossistema florestal

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AGIR

O futuro está na agricultura Área de Apoio à Agricultura Sustentável

No concelho de Loures, a tradição da prática agrícola tem uma longa expressão histórica, tendo a sua produção hortícola uma significativa representação ao nível da produção nacional. Atualmente, regista-se o surgimento de uma geração de novos e jovens agricultores, com maior formação e competências, direcionados para a introdução de novas técnicas e culturas e a aplicação de práticas agrícolas mais sustentáveis, em complemento ao saber tradicional, o que constitui um potencial de mudança e desenvolvimento económico no território. Foi a pensar neste novo fenómeno e para responder a estes desafios que a Câmara Municipal de Loures decidiu criar a Área de Apoio à Agricultura Sustentável (AAAS), que integra a Divisão de Desenvolvimento Económico e Promoção do Emprego, e que iniciou a atividade em fevereiro de 2011, dando continuidade, no ano anterior, a uma sequência de iniciativas pontuais. A AAAS tem por objetivo dinamizar, de forma coerente e sustentada, a atividade do setor primário do concelho de Loures, através do estímulo das diferentes partes interessadas, com vista a promover o desenvolvimento socioeconómico do concelho, contribuindo para conciliar o desenvolvimento da atividade produtiva local com a sustentabilidade ambiental, e também para construir um território sustentável. Pretende-se, assim, corresponder às necessidades dos produtores, dos distribuidores e dos consumidores, proporcionando informação técnica de qualidade, disseminando boas práticas, estimulando a inovação e o envolvimento dos diferentes atores de dinamização do setor primário, por forma

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a promover sinergias que, numa ótica de responsabilidade social, tragam mais-valias ao tecido empresarial do Município, aos consumidores e à comunidade. Protocolos e iniciativas De modo a dar corpo ao projeto, a Câmara Municipal começou por celebrar protocolos com a Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (AGROBIO) e a Confederação Nacional dos Jovens Agricultores de Portugal, que têm como objetivos a promoção de uma agricultura biológica, por um lado, e sustentável, por outro. A par destes protocolos, a Área de Apoio à Agricultura Sustentável tem realizado ao longo dos dois últimos anos várias iniciativas visando aproximar os produtores dos consumidores e dinamizar a agricultura. São disso exemplo a Feira Rural de Loures (Parque das Nações), a Feira do Parque (Parque da Cidade de Loures), o projeto a Quinta Vai à Escola, várias visitas a explorações


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AGIR agrícolas, o Mercado AGROBIO (Praça da Liberdade, em Loures), bem como várias ações de sensibilização, informação e formação, assim como visitas de estudo. Em curso estão também o projeto Hortas Biológicas Urbanas e o Diagnóstico do Setor Primário do concelho de Loures, que visa a recolha de informação para diagnóstico do setor agrícola, designadamente ao nível da produção, da distribuição e do consumo, com base no recenseamento agrícola, na análise documental e nas visitas a explorações agrícolas para conhecer e valorizar o património do concelho. Quanto ao futuro, a AAAS prevê a criação de um Banco ou Bolsa de Terrenos Agrícolas tendo como objetivo promover o uso para fins agrícolas dos terrenos abandonados no concelho de Loures, a dinamização de circuitos comerciais para os produtos do setor primário, e o lançamento do projeto Sementes de Loures, tendo por fim o processo de identificação e levantamento das variedades das sementes locais, com vista a proteger um património natural local de interesse para o reforço da biodiversidade no território de Loures. A implementação de boas práticas sustentáveis no setor agrícola a par da dinamização de ações dirigidas aos agentes económicos, são outras das temáticas a desenvolver.

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Em curso estão o projeto Hortas Biológicas Urbanas e o Diagnóstico do Setor Primário do concelho de Loures, que visa a recolha de informação para diagnóstico do setor agrícola, designadamente ao nível da produção, da distribuição e do consumo, com base no recenseamento agrícola, na análise documental e nas visitas a explorações agrícolas para conhecer e valorizar o património do concelho.


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Serviço de Apoio à Família Apostar na educação é apostar no futuro

Escola é sinónimo de aprender a ler, escrever ou contar. Mas para a Câmara Municipal de Loures é muito mais do que isso. A escola é sobretudo um espaço privilegiado de convívio e desenvolvimento social capaz de combater algumas das necessidades sentidas pelas crianças e pelos próprios pais.

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PROTEGER

A Constituição da República Portuguesa defende o direito à Educação, atribuindo ao Estado a responsabilidade pela garantia da igualdade de oportunidades no acesso ao ensino e à educação, através da implementação de medidas de carácter socioeconómico que promovam mais justiça social. Cabe aos municípios o desenvolvimento de serviços de ação social escolar que garantam o direito a uma efetiva igualdade de oportunidades, promovendo mais equidade no acesso à Educação. A colaboração entre o Poder Central e a Administração Local assumiu diversas formas de participação. Nesse sentido, a Câmara de Loures criou o Serviço de Apoio à Família (SAF), que tem como destinatárias as crianças que frequentam os jardim de infância e as escolas básicas do 1.º ciclo do ensino básico da rede pública do concelho de Loures. O SAF intervém fundamentalmente ao nível dos auxílios económicos para aquisição de manuais e materiais escolares, dos transportes escolares, do serviço de refeições, prolongamento de horário, com o objetivo de criar condições para a permanência das crianças nos jardins de infância, até às 18h30, e apoios ao nível social. A atribuição dos auxílios económicos, o valor da comparticipação do serviço de refeições e prolongamento de horário são determinados pelo posicionamento do agregado familiar nos escalões de rendimento para a atribuição de abono de família, nos termos da legislação em vigor. A Loures Municipal falou com duas famílias beneficiárias do SAF para tentar saber em que medida é que o trabalho desenvolvido pela autarquia tem contribuído para a melhoria das suas condições de vida e a importância deste serviço na sua organização diária.

Ao serviço de todas as famílias Cristina Lopes, residente na Quinta das Mós, em Camarate, é mãe de sete filhos, tendo-lhe sido atribuído o escalão A do Serviço de Apoio à Família. O mesmo é dizer que não paga nada pelas quatro crianças que tem a frequentar o SAF. O Sandro, de 5 anos, a Mara, de 6, a Maria, de 8, e a Joana, de 11, usufruem do serviço de refeições e dos lanches nas respetivas escolas. As ementas diárias são compostas por sopa, prato de carne ou peixe com os acompanhamentos básicos da alimentação, que contêm legumes cozidos ou crus adequados à ementa, água, pão e sobremesa, constituída por fruta ou doce. “Se não tivesse o apoio do SAF, os meus filhos teriam de ir muitas vezes para a escola sem comer. As auxiliares já testemunharam o meu desespero, mas há sempre uma voz amiga para me ajudar”, revela Cristina Lopes. Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 25


PROTEGER Não tem emprego certo: “É quando há trabalho. Atualmente estou como ajudante de cozinha. O meu marido é servente, mas está desempregado desde outubro.” Cristina Lopes revela que devido à vida difícil que leva, “o SAF tem sido uma grande ajuda. Estou muito satisfeita. Os miúdos comem bem na escola, o que alivia o orçamento familiar”. “Apoios como este para famílias como a minha são muito importantes”, refere Cristina Lopes. “As crianças passam a maior parte do dia na escola e as refeições principais são feitas aí, o que pode ajudar a preencher essas faltas que tenham em casa.”

Se não tivesse o apoio do SAF, os meus filhos teriam de ir muitas vezes para a escola sem comer. As auxiliares já testemunharam o meu desespero, mas há sempre uma voz amiga para me ajudar   Quando chegamos já traz os trabalhos de casa feitos, o que é bom, pois temos mais tempo para estar em família, e ele também, para as suas brincadeiras. Acima de tudo ele está feliz 26 :: Revista :: Loures Municipal :: Março 2012

Numa outra zona do concelho, em Pinheiro de Loures, vive Cláudia Mendes. É assistente comercial, e o filho Martim, de 7 anos, está a usufruir dos serviços de refeições e do prolongamento de horário e lanches na EB1/JI da Fonte Santa. “Não houvesse prolongamento nesta escola, e teríamos de colocar o Martim num ATL“, até porque “o meu marido é técnico de informática e, nem eu nem ele temos horários compatíveis com a hora de saída do Martim. Então resolvemos optar pelo prolongamento de horário”, diz-nos Cláudia Mendes. “Além disso, enquanto está na escola pratica karaté e diversas atividades interessantes. Quando chegamos já traz os trabalhos de casa feitos, o que é bom, pois temos mais tempo para estar em família, e ele também, para as suas próprias brincadeiras. Acima de tudo ele está feliz”, prossegue a mãe de Martim. Cláudia Mendes usufrui do escalão C do SAF, comparticipando em 100% as modalidades que o Martim frequenta: “Tive conhecimento do SAF na escola. Como achei que tinha todas as condições para funcionar bem e que os serviços disponíveis iam ao encontro das nossas necessidades, decidimos candidatar-nos.” Relativamente às refeições e aos lanches, “as ementas são bastante equilibradas e percebe-se que há a intervenção de especialistas ao nível da nutrição, pois é visível a presença de todo o tipo de alimentos ao longo da semana”. Para Cláudia Mendes “é um descanso. Os valores são bastante apelativos, e feitas as contas é mais vantajoso o Martim almoçar e lanchar na escola do que levar refeições todos os dias de casa”.


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EMPREENDER

Apoio na Criação de Empresas e Emprego

SACE – Serviço de apoio à criação de empresas e emprego

A Câmara Municipal de Loures, através da Divisão de Desenvolvimento Económico e Promoção do Emprego integrada no Departamento de Atividades Económicas e Turismo, disponibiliza a empresários já instalados, ou a futuros empresários que pretendam instalar-se no concelho, o Serviço de Apoio à Criação de Empresas e Emprego (SACE). No contexto da crise económica nacional, torna-se premente realizar esforços suplementares tendentes à criação de novas oportunidades de emprego. O objetivo da promoção do emprego não é apenas a criação de novos postos de trabalho, mas sim garantir que ações e serviços existentes envolvam abordagem participativa e significativa de estímulo ao crescimento económico, contribuindo para a melhoria da produtividade e da competitividade do setor económico. É com esta perspetiva que o Município de Loures estabeleceu um mecanismo institucional e local de promoção e materialização de políticas que proporcionem crescimento do emprego e tenham papel ativo ao nível do reforço dos instrumentos que favoreçam o investimento e a capacidade competitiva das empresas do concelho. Ao dirigirem-se ao SACE, os atuais ou os futuros empresários contam com acompanhamento personalizado e poderão

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obter esclarecimentos relativos ao enquadramento legal aplicável à instalação e ao desenvolvimento da sua atividade e respetivos requisitos e processos de licenciamento. Este serviço procura dar resposta às necessidades de quem quer montar o seu próprio negócio – estimulando as competências empreendedoras dos participantes e proporcionando um conjunto de ferramentas de avaliação do potencial projeto –, desenvolver empresas que já existem e ajudar quem procura emprego por conta de outrem. Nesse sentido, o SACE desenvolve um conjunto de atividades de apoio à estruturação da ideia de negócio e à elaboração do projeto, nomeadamente através de sessões de informação sobre formas de financiamento disponíveis para cada caso (levando em conta a ideia da empresa, as características do empreendimento e o perfil do promotor), prestando igualmente esclarecimentos relativos à elaboração


de um plano de negócios, requisitos de licenciamento e certificação profissional. Para microempresários com atividade aberta há pelo menos um ano, o SACE disponibiliza workshops e seminários sobre fiscalidade, enquadramento dos impostos na atividade empresarial e segurança social. Em conjunto com os promotores, o SACE elabora também projetos de candidatura aos incentivos à criação de empresas/ /emprego disponíveis.

Em 2011 foram efetuados 2500 atendimentos a promotores/ /desempregados com intenção de criar empresa, mais 543 atendimentos que em 2010. Já a procura de emprego por parte de desempregados perfez um total de 465 atendimentos. No total, foram elaborados, em 2011, 75 projetos de investimento ao Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego. Além do acompanhamento personalizado, o SACE disponibiliza um centro de recursos onde poderá encontrar informações variadas como contactos de entidades, sistemas de incentivos comunitários e informações económica e institucional.

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EMPREENDER

Uma parceria para o investimento SIAI – Serviço de informação e apoio ao investimento

Pensar em economia local, sustentabilidade e competitividade é alargar e atribuir um papel importante aos municípios enquanto atores centrais do sistema económico.

Loures constitui um concelho estratégico inserido na Área Metropolitana de Lisboa, com potencialidades reais ao nível socioeconómico, que são reforçadas com a conciliação de políticas sociais adequadas, atração de investimento económico, transportes e acessibilidades imprescindíveis. O Serviço de Informação e Apoio ao Investimento (SIAI), integrado na Divisão de Desenvolvimento Económico e Promoção do Emprego do Departamento de Atividades Económicas e Turismo, tem orientado a sua atividade para a promoção do desenvolvimento económico do concelho de Loures, apostando no tecido empresarial, com uma forte componente nas vertentes do empreendedorismo, da inovação e da internacionalização. Pretende dar resposta qualificada às pretensões dos investidores privados, uma forma de modernizar o território, captar novas ideias e incutir maior motivação com vista ao desenvolvimento.

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O SIAI é um serviço, dirigido aos empresários do concelho de Loures e potenciais investidores, que tem como objetivo apoiá-los nas suas pretensões e na resolução dos problemas inerentes à sua atividade. Neste serviço poderá usufruir do acompanhamento personalizado dos vários processos, através da interligação com outros serviços da Câmara, e informação sobre zonamentos industriais, terrenos, loteamentos e instalações com aptidão para o exercício de atividades económicas, através da bolsa de terrenos e instalações, constantemente atualizada. Para além disso, este serviço apoia na elaboração de pareceres socioeconómicos, realizando igualmente visitas técnicas, sempre em conformidade com o regulamento do PDM. É ainda um importante dinamizador de medidas de internacionalização e exportação das empresas e dos projetos cofinanciados de apoio ao empreendedorismo, à inovação e ao desenvolvimento.


O apoio ao tecido empresarial do Município é entendido de forma inclusiva, abrangente e proativa, com eficácia assegurada pela cooperação com entidades experientes com saber e poder de intervenção neste domínio. Entre elas contam-se o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), a Agência para Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias (APME) e o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Tudo isto com a finalidade de captar e fomentar investimento de qualidade, apoiar e acompanhar a instalação de empresas no concelho, melhorar a eficácia de resposta aos processos e aos projetos de investimento, contribuir para o emprego e melhorar a qualidade de vida da população. Ao longo de 2011, o SIAI atendeu 59 pedidos, que obtiveram acompanhamento personalizado através dos técnicos deste serviço. A maior percentagem de processos recebidos refere-se a investimentos de raiz, ou seja, procura de terrenos e instalações e pedidos de relocalização.

Na sua maioria, os pedidos de instalação destinam-se ao setor secundário (indústria), enquadrado nas áreas de química, cofragem, reciclagem, serviços e outras não identificadas. Nos atendimentos efetuados registaram-se sobretudo pedidos de terrenos, normalmente encaminhados para a zona Norte do Município, onde ainda existem espaços para instalação de indústria e armazéns, com potencialidades de alargamento após a revisão do PDM. A taxa de resolução dos atendimentos (49%) é expressiva, em grande parte devido ao rigor e ao critério do trabalho desenvolvido, aliados à imagem positiva do concelho de Loures, visto como um município que agrega um conjunto de características interessantes para as empresas se instalarem, e onde encontrarão um serviço que pretende congregar todas as preocupações e aspirações dos possíveis investidores e dos empresários instalados.

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PROTEGER

Hospital Beatriz 1920 | 2012

MAIS DE 90 ANOS DEPOIS, UM SONHO CONCRETIzADO


Ângelo

O Hospital de Loures é uma ambição antiga dos habitantes do concelho de Loures, tendo sido necessário esperar mais de 90 anos para que o sonho se tornasse realidade. Quando o Hospital de Loures abriu as primeiras portas, no dia 19 de janeiro, terminou uma espera que remonta a 1919. O primeiro projeto para este equipamento nasceu no ano de 1919, com autoria do arquiteto Frederico Caetano de Carvalho, a pedido de Augusto Dias da Silva, à época vice-presidente da Câmara Municipal de Loures.


PROTEGER

A 6 de maio de 1920, António José de Almeida declarava: «Fazer regionalismo é (…) a melhor maneira de fazer patriotismo, porque sempre a política nacional foi tímida e frouxa onde lhe faltou a acção local, que é a única verdadeira força para estimular as energias de um Povo e dar consistências às aspirações de uma Nacionalidade.» Em simultâneo, Domingos Pereira afirmava que «(…) o desenvolvimento de um Município é o desenvolvimento de uma parte da Nação. (…) Loures vai lançar-se corajosamente no caminho dos melhoramentos (…)». Mas o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 e o falecimento, dois anos depois, do autarca impulsionador do projeto, arrastou por muitas décadas a concretização do sonho de centenas de milhares de pessoas. Foi este o caminho no início do século XX. Hoje, a começar o século XXI, o caminho e o espírito mantêm-se porque seguimos o conselho de Domingos Pereira que terminava desta forma um dos textos que escreveu a respeito do nosso Município, a 5 de maio de 1920: «(…) que não esmoreçam ante os inevitáveis obstáculos do negativismo e da preguiça nacionais (…)» Não esmorecemos, não perdemos a coragem, lutámos, sempre e, entre outras tantas obras dignas de nota, o

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Hospital de Loures é, hoje, uma realidade sonhada por tantos e realizada, também, com o esforço do atual Executivo. Passados 92 anos, aí está o novíssimo Hospital de Loures, batizado com o nome de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal, em 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, tendo sido também a primeira médica a realizar uma cirurgia em Portugal. Carolina Beatriz Ângelo (1877-1911) notabilizou-se por ser defensora dos direitos das mulheres, nomeadamente o direito ao voto. Foi fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defendendo os ideais republicanos, a instrução das crianças e a igualdade de direitos e deveres para homens e mulheres. A abertura do Hospital de Loures decorreu de forma faseada: a 19 de janeiro, entraram em funcionamento as consultas externas de Pediatria, Patologia Clínica e Imagiologia; a 1 de fevereiro começaram a funcionar o Bloco Operatório, para as cirurgias programadas, e os Cuidados Intensivos. A 22 de fevereiro abriram as portas das Urgências de Obstetrícia e de Pediatria. As unidades de internamento de Pediatria, Cuidados Intensivos e Médico-Cirúrgicas tiveram início a 26 de fevereiro. O último serviço a abrir ao público foi a Urgência Geral, a funcionar em pleno desde 27 de fevereiro.


O Acordo Estratégico de Colaboração, sob a forma de parceria público-privada, foi assinado pelo Município de Loures e pelo Ministério da Saúde em abril de 2003, através da cedência por parte da Autarquia, em direito de superfície por um período de 70 anos, dos terrenos avaliados em cerca de 15 milhões de euros.

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PROTEGER Hospital Beatriz Ângelo Resultado de uma parceria público-privada e gerido pelo grupo Espírito Santo Saúde, o Hospital Beatriz Ângelo (HBA) é um edifício construído de raiz, equipado com as mais recentes tecnologias. O Acordo Estratégico de Colaboração, sob a forma de parceria público-privada, foi assinado pelo Município de Loures e pelo Ministério da Saúde em abril de 2003, através da cedência por parte da Autarquia, em direito de superfície por um período de 70 anos, dos terrenos avaliados em cerca de 15 milhões de euros. O HBA situa-se na Quinta da Caldeira, em Santo António dos Cavaleiros, e está implantado num terreno de 166 mil metros quadrados, com uma área de construção de 63 mil metros quadrados.

Possui heliporto preparado para receber doentes urgentes e 1262 lugares de estacionamento. Dispõe de 424 camas de internamento, oito blocos operatórios, 44 gabinetes de consulta externa e 64 postos de hospital de dia, incluindo valências como maternidade, pediatria, cirurgia, serviço de urgência e consultas externas. Ao nível dos recursos humanos, o HBA conta com 1200 colaboradores, entre eles 280 médicos e 320 enfermeiros. Estima-se que, diariamente, recorram às urgências cerca de 300 utentes. Acessos viários e por transporte público ao novo Hospital Beatriz Ângelo A Via L1-4 surgiu como uma necessidade fundamental no que respeita às condições de acesso e circulação ao novo Hospital Beatriz Ângelo. Na malha viária envolvente salienta-se a proximidade do Nó da Bela Vista, que estabelece a articulação entre o IC22/A40 (Radial de Odivelas) e a EN250, que no contexto viário assume funções estruturantes no âmbito das acessibilidades externas de nível sub-regional (AML) e a nível local funções de via coletora/distribuidora. A intervenção ao nível viário consistiu na construção de um troço de ligação entre a Rotunda do Hipermercado Continente e a Rotunda da EN250 (Via L1-4), o reperfilamento de um troço da atual EN250 – ligação entre a Rotunda da EN250 e a Rotunda da entrada principal do Hospital, estando ainda previsto, no âmbito do Plano de Pormenor da Quinta do Correio-Mor, a execução da Via L1-5 que permitirá o prolongamento da Via L1-4 até ao centro de Loures.

Quando o Hospital de Loures abriu as primeiras portas, no dia 19 de janeiro, terminou uma espera que remonta a 1919.

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Com a execução deste conjunto viário pretende garantir-se o acesso direto e franco a este equipamento de saúde, contribuindo de um modo geral para o ordenamento do tráfego local e o incremento da mobilidade, facilitando a circulação de pessoas e bens, e potenciando as relações económicas e sociais entre núcleos urbanos, assegurando-se igualmente a melhoria da segurança rodoviária.


como chegar ao HBA através dos transportes públicos RODOVIáRIA DE LISBOA Principais Paragens Carreira 204 Patameiras (odivelas Parque), odivelas (Metro), Flamenga, Loures (Escola secundária), Hospital, Centro Comercial Carreira 215 Cacém (CP), Caneças, Montemor, Centro Comercial, Hospital, Almoinhas, Loures (Escola secundária), Loures (Largo r. reis) Carreira 225 odivelas (Metro), Casal Chapim, Jardim radial, Hospital Carreira 301 oriente (Metro, CP), Moscavide, sacavém, Apelação, Frielas, Loures (Escola secundária), Hospital

SANTO ANTóNIO – BARRAQUEIRO Principais Paragens Circular Santo António dos Cavaleiros – Hospital – Loures Loures (Escola secundária), santo António dos Cavaleiros, Hospital Circular Santo António dos Cavaleiros – Hospital Santo António dos Cavaleiros, Cidade Nova, Hospital HENRIQUE LEONARDO MOTA Principais Paragens Circular Guerreiros – Hospital guerreiros, Loures (Escola secundária), Hospital

Mealhada,

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AGIR

Jovens agarram oportunidades Projeto Territórios Invisíveis

Se pensa que esta é mais uma história sobre jovens de bairros problemáticos sem expetativas e esperança no futuro, engana-se! Esta é uma história sobre jovens que agarram oportunidades e que sabem muito bem o que querem ser quando forem “grandes”. Com muita criatividade e determinação.

Com a mesma determinação com que afirma ter riscado do seu vocabulário a palavra crise, Ericsson Silva, 21 anos, cidadão guineense a residir em Loures desde 2009, afirma que o seu projeto profissional passará “com certeza” por gerir a sua própria produtora de audiovisuais. Para fazer filmes, anúncios, cinema, televisão, animação?… “Logo se vê!”

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Para já, prepara-se para fazer um estágio na Fundação Gulbenkian e concluir a formação em audiovisuais e produção de eventos que frequentou em 2011 no âmbito do projeto Territórios Invisíveis, desenvolvido pela Câmara Municipal de Loures e financiado pelo Fundo Europeu para a Integração dos Nacionais de Países Terceiros. Depois, em setembro, “quero entrar na universidade”, de preferência no curso de Cinema, Comunicação e Multimédia, e “começar a trabalhar no meu projeto empresarial”.


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AGIR Quem fala assim não é gago e muito menos tem dúvidas e angústias relativamente ao futuro. Ericsson deixou a Guiné em 2009 para vir ao encontro do pai, com quem vive na urbanização municipal Terraços da Ponte, em Sacavém. No curriculum, trazia o 11.º ano de escolaridade, formação musical em guitarra e piano e participação em vários projetos musicais. O hino da campanha do candidato Henrique Rosa nas últimas eleições presidenciais na Guiné-Bissau foi um dos últimos. Decidido e ativo como já se percebeu, nestes dois anos em Portugal, Ericsson concluiu o 12.º ano e participou nos projetos de formação profissional BI (Bilhete de Identidade) e Territórios Invisíveis (TI). BI, que culminou com um programa de televisão exibido na RTP2, foi desenvolvido pela produtora Vende-se Filmes junto de jovens de diversas origens residentes em “bairros multiculturais” de várias zonas do país, entre os quais os Terraços da Ponte e a Quinta da Fonte no concelho de Loures. Consistiu num projeto de sensibilização artística e formação em cinema que, depois da participação em workshops sobre guionismo e técnicas audiovisuais, os formandos foram convidados a realizar curtas-metragens sobre as suas vivências nos bairros e processos de integração social. A curta de Ericsson – Não julgue quem não conhece – versa sobre a diversidade cultural para “rebater preconceitos”.

Baveche Ashoquecumar Venilal, 19 anos, prefere o trabalho de pós-produção e está a considerar vir a trabalhar em televisão, “coisa que nunca imaginei antes de fazer esta formação”. 40 :: Revista :: Loures Municipal :: Março 2012

No projeto Territórios Invisíveis, que frequentou ao longo do ano passado no Centro Comunitário da Apelação, aprofundou conhecimentos na área das chamadas indústrias criativas, nomeadamente em audiovisuais e produção e gestão de eventos, abrangendo matérias das áreas do design, comunicação multimédia, guionismo, vídeo e planeamento, gestão e montagem de eventos. “O TI deu-me conhecimento e foi determinante para a minha integração social”, reconhece este futuro empresário/produtor de conteúdos que quer criar o seu próprio emprego e, quem sabe?, o do seu colega de formação e “amigo” Baveche. Baveche Ashoquecumar Venilal, 19 anos, prefere o trabalho de pós-produção e está a considerar vir a trabalhar em televisão, “coisa que nunca imaginei antes de fazer esta formação”. Filho de cidadãos indianos que vivem em Portugal há mais de 30 anos, Baveche já nasceu em Lisboa. A família reside em Santo António dos Cavaleiros e faz parte da grande comunidade de pessoas originárias da Índia que chegaram a Portugal no pós 25 de abril de 1974, vindas das ex-colónias portuguesas de África.


O projeto Territórios Invisíveis, que lhe foi sugerido por um amigo, foi para Baveche “a oportunidade certa na hora certa”. Apareceu precisamente na altura em que se preparava para voltar a estudar e começava a procurar na Internet formação na área do multimédia. Trabalhar o som e a imagem, em vídeo ou fotografia, é mesmo o que Baveche quer fazer “quando for grande”. Reconhece interesse às matérias sobre direção de cena, direitos de autor e produção de eventos mas “o que me deixou mesmo fascinado foi o Photoshop e o trabalho de pós-produção em televisão”, confirma confessando que “não fazia a mínima ideia do trabalho que está por detrás de uma televisão, da produção à realização e à pós-produção”. Essa azáfama televisiva, Baveche teve oportunidade de confirmar na visita

de estudo às instalações da RTP. As visitas às empresas e às organizações que trabalham nas várias áreas das indústrias criativas foram uma constante no programa formativo do TI. Para promover o contacto com os profissionais e dar conhecer os meios técnicos e humanos necessários a cada uma das diferentes indústrias. Baveche destaca esse contacto com as profissões futuras como uma mais-valias do projeto, para além de lhe ter permitido aumentar as suas qualificações profissionais, que não iam além do 9.º ano de escolaridade, e de lhe ter alargado a rede de relações sociais. Agora, pensa concluir o 12.º ano, fazer mais formação profissional nestas áreas e trabalhar em televisão.

“O TI deu-me conhecimento e foi determinante para a minha integração social”, reconhece este futuro empresário/produtor de conteúdos que quer criar o seu próprio emprego. Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 41


AGIR À semelhança de Ericsson e Baveche, os outros 21 jovens que, no dia 20 de janeiro, receberam os diplomas desta formação também cumprem nesta altura estágios profissionais e têm projetos para o futuro. Se a sua integração no mercado de trabalho for plenamente conseguida, serão alcançados os objetivos da Divisão de Igualdade e Cidadania da Câmara Municipal de Loures, promotora do projeto, do Alto-Comissariado para Integração e Diálogo Intercultural (ACIDI), entidade que aprovou a candidatura da autarquia ao Fundo Europeu para a Integração de Nacionais de Países Terceiros (FEINPT), e de todos os parceiros – Associação de Melhoramentos e Recreativo do Talude (AMRT), Centro UNESCO A Casa da Terra, grupo de Teatro IBISCO, Programa Escolhas (seis projetos de Loures), Agrupamentos de Escolas da Apelação, Loures, Sacavém e Santo António dos Cavaleiros, Fundação Calouste Gulbenkian, ACIDI, RTP, IPAD e SOU – Movimento e Arte.

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SENTIR

Rota histórica das Linhas de Torres Em defesa do património

A Rota Histórica das Linhas de Torres é um projeto que visa a salvaguarda, o restauro e a valorização dos vestígios que restam das estruturas militares que pertencem às famosas Linhas de Torres. Consiste na recuperação parcial da parte mais significativa de um sistema de fortificações militares de campo, construído na sua maioria entre 1809 e 1810, com o objetivo de garantir a defesa da cidade de Lisboa, face às invasões do exército napoleónico durante a Guerra Peninsular (1807-1814). Um vasto património histórico e militar que, agora, é devolvido à população. Este sistema defensivo construído a norte da capital, entre o rio Tejo e o oceano Atlântico, afirmou-se como referência na arquitetura e na estratégia militares da história europeia, pela sua extensão (85 km), pelo número de fortificações (superior a 150), pela conjuntura que presidiu à sua edificação (envolvendo portugueses, ingleses e outros aliados europeus), e pela eficácia bélica alcançada, pois determinou o início da derrota das tropas francesas. Na sequência da recuperação cofinanciada pelos seis municípios que integram a Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres – PILT (Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira) e pelo EEA Grants (Islândia, Liechtenstein e Noruega) a-

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través do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (20072011), a Câmara Municipal de Loures implementou o Circuito Alrota/Arpim (Bucelas), em 2010, e o Circuito de Ribas (Fanhões), em 2012, em estreita parceria com o Exército Português, o Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) e as juntas de freguesia de Bucelas e Fanhões. Também definiu percursos pedestres, onde se pretendem combinar os benefícios do desporto e da história com as preocupações ambientais, promovendo, de forma regular e sustentada, este importante património de excecional beleza e interesse. O Circuito de Alrota/Arpim, integralmente localizado na freguesia de Bucelas, é composto por dois redutos (Ajuda


Grande e Ajuda Pequena) e um forte (Arpim), respetivamente pertencentes às 1.ª e 2.ª Linhas Defensivas de Lisboa. Já o Circuito de Ribas, recém-inaugurado, situa-se na freguesia de Fanhões, integrando três redutos (Ribas, Mosqueiro e Montachique) e um escarpamento (Ribas). O trabalho continua no sentido de tornar a Rota Histórica das Linhas de Torres num produto cultural e turístico sustentando e de qualidade, cumprindo-se um dos objetivos que estiveram na base da constituição da PILT.

No dia 4 de março de 2012, foi inaugurado o Centro de Interpretação da Rota Histórica das Linhas de Torres, localizado no núcleo histórico de Bucelas, numa parte do edifício que acolherá o futuro Museu do Vinho e da Vinha, um espaço associado à história da atividade vitivinícola, que caracteriza toda a região demarcada. Aqui, num incentivo à aventura, à caminhada, à descoberta do património e da natureza, o visitante pode recolher informação sobre a complexidade das Linhas Defensivas de Lisboa, sendo desafiado a conhecer as dificuldades das populações locais na construção das fortificações de campo e no Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 45


aprovisionamento de víveres, as estradas militares e o esforço de guerra quotidiano, indispensável à logística da máquina militar organizada para fazer frente ao invasor. Fica o convite para uma visita a este património, onde ainda terá ao seu dispor um conjunto alargado de ofertas: trilhos pedestres pelo património arqueológico e natural, passeios a cavalo, provas de vinhos, pratos da gastronomia local e a paisagem rural circundante.

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DESTAQUES Circuito de Alrota/Arpim O circuito integra os redutos da Ajuda Grande e o da Ajuda Pequeno e o Forte do Arpim, que apresentam a particularidade estratégica de serem pontos de ligação entre as duas Linhas Defensivas de Lisboa. O percurso oferece ao visitante a leitura de um extenso território, com magnífica paisagem rural, verdejantes vales ladeados por majestosos afloramentos calcários e encostas marcadas pelo cultivo da vinha. Circuito de RIBAS O circuito integra várias fortificações da 2ª Linha Defensiva, ao longo de um aprazível trajeto com uma paisagem deslumbrante, que caracteriza a zona rural do Município de Loures; o predomínio de uma cobertura herbácea nas terras altas, contrastando com um mosaico de diferentes usos do solo nas áreas de menor altitude. Outra característica desta região rural é o conjunto de sebes de vegetação, idêntico ao que se pode observar nos Municípios vizinhos de Sintra, Mafra e Arruda dos Vinhos. Salientamos que na área envolvente ao Reduto de Ribas subsiste uma vasta zona de orquídeas selvagens. Durante o percurso ao longo da estrada militar ladeada por um escarpamento, num dia límpido, consegue-se uma vista contínua, em todas as direções, desde o rio Tejo à serra do Socorro.

1 Reduto de Montachique 2 Reduto do Mosqueiro 3 Escarpamento de Ribas 1 Reduto de Ribas Acessibilidades Circuito de Ribas Parque Municipal de Cabeço de Montachique

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PROTEGER

Missรฃo:

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O grande cuidado a ter é garantir a sociabilização dos cães, pois traz-lhes estabilidade e equilíbrio emocional. Depois, nunca descurar a preparação física. É essencial manter-se ativo para não perder fiabilidade.

Salvar Vidas Brigada Autónoma de Resgate com Cães

O Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) de Loures não trabalha sozinho, lidando diariamente com um conjunto de entidades vitais para o bom desempenho das suas funções. Nesse sentido, a Câmara Municipal assinou um protocolo de colaboração com diversos agentes, com o objetivo de reforçar laços de parceria, com vista à proteção dos cidadãos e do território. A Brigada Autónoma de Resgate com Cães (BARC) é o exemplo de uma instituição com a qual a autarquia pode contar, colocando à disposição a equipa canina de busca e salvamento, sempre que ocorram situações de desaparecimento de seres humanos na área territorial do Município. A Loures Municipal mostra-lhe como é que, juntos, se faz a diferença!

Como é que nasceu a BARC? Coordenador operacional da BARC, Jorge Leal (JL): Tanto eu, como os elementos que estão na origem da BARC, tínhamos o gosto de fazer desporto com os nossos

cães. Daí surgiu a ideia: por que não utilizá-los em busca e salvamento? Já que treinamos diariamente com eles, vamos torná-los úteis. Em 2006, frequentámos um curso de busca e salvamento e nesse mesmo ano constituímos a BARC. Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 51


“Fazer uma busca requer um grande trabalho de planeamento e recolha de estatísticas. É com esse background que conseguimos traçar o perfil das pessoas desaparecidas e determinar o local mais provável onde devemos procurar. (...)” Jorge Leal

localizou a vítima, encontrando-a viva, cerca de 24h após o desaparecimento. Entretanto surge a oportunidade de parceria com a Câmara Municipal de Loures e o SMPC… JL: Sim, tudo surgiu na sequência das chuvas que, em 2008, inundaram várias zonas do concelho, tendo um idoso de Loures sido levado pelas cheias. Após essa fatalidade, o coordenador do SMPC reconheceu ser importante ter uma equipa com cães para fazer a busca de pessoas desaparecidas. É essencial assinalar que a Câmara de Loures foi a primeira autarquia a celebrar um protocolo com a BARC, uma equipa civil de cães de busca e salvamento. Em que termos decorre essa parceria? Responsável pela área de comunicação da BARC, Rui Cortes (RC): Sempre que necessário, a proteção civil pode ativar a BARC. Além de estarmos disponíveis, fornecemos uma equipa operacional para tentar resolver o problema que nos for proposto, na área do concelho de Loures. Por seu lado, a autarquia suporta as despesas, a partir do momento em que somos ativados, fornecendo também os meios de comunicação. No fundo, é a responsável por toda a logística. Já tiveram de atuar alguma vez no concelho? JL: Já. Tivemos de procurar um senhor desaparecido na serra do Zambujal, em Bucelas. Felizmente, conseguimos solucionar a situação, e até foi um dos nossos cães que

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Estão satisfeitos com a parceria? JL: Sim, mas era importante que se realizasse um exercício anual com os vários agentes da proteção civil, para que todos pudessem conhecer-se e também para que, em situações reais, as operações fossem mais afinadas. RC: Loures tem uma zona rural bastante vasta e a probabilidade de as pessoas se perderem é grande. O número de idosos que se perdem é cada vez maior. Na Galiza, as estatísticas dizem que se perdem 400 pessoas por ano. Infelizmente, em Portugal que é maior, nem sequer temos números. A BARC funciona à base do trabalho de voluntários. Qualquer pessoa pode integrar a associação? RC: Sim, basta procurar-nos. Pode aparecer com cão, ficando ela a responsável pelo seu treino. São os chamados binómios. Ou aparecer sem cão. Nesse caso pode colaborar como voluntário nos treinos, fazendo de vítima. Em situações de busca real é essencial também que tenhamos alguém a trabalhar nas nossas costas, a dar apoio. Como se processa o treino com cães? JL: Por norma, vamos para sítios passíveis de virem a ser alvo de buscas reais. O treino começa com pequenas brincadeiras. Entregamos um brinquedo à pessoa que irá fazer de vítima, escondendo-se depois num sítio próximo. Quando o cão encontra a pessoa, a missão dele é marcá-la,


PROTEGER ladrando. A “vítima” tem, então, de entregar-lhe o brinquedo. Esta fase do treino dura, no mínimo, seis meses. Como as pessoas são uma forte fonte de odor, o cão vai percebendo que o brinquedo, que é aquilo que ele procura, seja nos treinos, seja em situações reais, está sempre junto de alguém, encontrando a vítima cada vez com maior facilidade. Ao fim de quanto tempo é possível ter um cão apto a responder às exigências do trabalho? RC: Quando esta fase está bem enraizada, começamos a levar os cães para ambientes mais complexos: campos abertos, ribeiras, pinhais, caminhos, arribas... Os nossos cães são treinados para encontrar pessoas apenas em ambientes rurais, nunca em ambientes urbanos. Só ao final de 2/3 anos de treino é que os cães são considerados operacionais para grandes áreas. Ao longo deste tempo, o cão vai fazendo testes, sujeitando-se no final a um “exame” para ver se pode ou não ser considerado operacional. Ao longo do treino, nunca saem para uma busca real? RC: Sempre que possível, durante a formação, o cão vai com o seu guia às situações reais. Não para fazer busca, mas para sentir o ambiente. Há todo um nervosismo e uma adrenalina que toma conta dos elementos que estão em busca. Os cães também sentem essa agitação. Por essa razão, em situação real, superam-se sempre.

background que conseguimos traçar o perfil das pessoas desaparecidas e determinar o local mais provável onde devemos procurar. Essa área é estabelecida tendo em conta o último ponto em que a pessoa foi vista e a distância provável que conseguiria percorrer, além de termos em nosso poder todas as informações sobre a vítima. Mas é claro que tudo funciona à base de probabilidades. RC: Chegar, por exemplo, à serra de Sintra, e dizerem-nos apenas que ali se perdeu uma pessoa e começar a procurar sem haver um histórico ou um perfil, é impossível. Tem sempre de haver um planeamento. A taxa de sucesso tem sido elevada? JL: A taxa de sucesso é de 100%, graças ao método utilizado. Por norma estabelecemos um círculo de um quilómetro à volta do último ponto em que a pessoa foi vista. E esse quilómetro corresponde a 50% dos casos de desaparecimento. Dentro desse quilómetro todas as pessoas que nos propusemos encontrar foram localizadas. Fora desse quilómetro, as áreas aumentam consideravelmente e, como instituição voluntária, não temos pessoas, nem cães, nem tempo suficiente para as buscas.

Como se processa a busca de alguém desaparecido? JL: Fazer uma busca requer um grande trabalho de planeamento e recolha de estatísticas. É com esse

“Sabemos que há raças que têm mais apetência para certos trabalhos. Há cães com maior agilidade e destreza física, como o pastor belga ou o border collie. Outras raças têm uma grande capacidade olfativa, como o pastor alemão. Quando vamos buscar um cão, o mais importante é saber o que se quer dele e analisar as suas características, independentemente da raça.” Rui Cortes

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PROTEGER Há raças especializadas para um tipo de trabalho específico? RC: Sabemos que há raças que têm mais apetência para certos trabalhos. Há cães com maior agilidade e destreza física, como o pastor belga ou o border collie. Outras raças têm uma grande capacidade olfativa, como o pastor alemão. Quando vamos buscar um cão, o mais importante é saber o que se quer dele e analisar as suas características, independentemente da raça. E que características são essas? RC: É importante que haja uma relação forte de confiança com o dono. Além disso, o cão deve ter gosto por brincar e apresentar o chamado “instinto de caça”. Quando ele está à procura de alguém desaparecido, o que ele quer é “caçar” o brinquedo, pois sabe que é a recompensa que recebe quando encontra a vítima. Por fim, deve ser sociável. Os cães obedecem a um plano rigoroso de tratamento? RC: O grande cuidado a ter é garantir a sociabilização dos cães, pois traz-lhes estabilidade e equilíbrio emocional. Depois, nunca descurar a preparação física. É essencial manter-se ativo para não perder fiabilidade. No geral são cães felizes… JL: Sem dúvida. Acredito que a pior coisa que poderia acontecer aos nossos cães seria não trabalharem. Qualquer pessoa pode contactar a BARC? JL: Sim, este serviço está ao dispor das pessoas da zona da Grande Lisboa, sem custos. Mas é importante que as pessoas percebam que, quando precisam de ajuda, têm de nos chamar o mais depressa possível. Geralmente, as pessoas desaparecidas em grandes áreas só sobrevivem até três dias. A partir daí, a probabilidade de estarem vivas é muito pequena. Portanto, só somos úteis nas 72 horas após o desaparecimento.

CONTACTOS Brigada Autónoma de Resgate com Cães

Tlm.: 914 927 021 E-mail: barc.barc@gmail.com

Serviço Municipal de Proteção Civil de Loures

Tel: 211 151 470

SOS 24h

Tlm.: 935 112 112

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PROTEGER

Não compre. Adote! Amigos de quatro patas

Compartilhar a sua vida com um animal de estimação é uma das experiências mais gratificantes que existem. Todos os dias chegam aos centros de recolha oficiais cães e gatos abandonados, perdidos ou mesmo entregues pelos próprios donos. A Câmara Municipal de Loures tem apostado cada vez mais numa política de preocupação com a vida destes amigos de quatro patas, promovendo a sua adoção. Por isso, não perca mais tempo: dirija-se ao Centro Veterinário Municipal de Loures e escolha o novo membro da sua família. Ao adotarmos um animal estamos a aceitar um compromisso a longo prazo: o de o proteger e tratar. É tendo em conta esta premissa que o Gabinete de Intervenção Médico-Veterinário e Defesa da Saúde Pública da Câmara de Loures tenta

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com que as dezenas de cães que se encontram no Centro Veterinário Municipal, no Parque Urbano de Santa Iria de Azóia, consigam encontrar o tão desejado lar que anseiam e verdadeiramente merecem.


PROTEGER Com o seu olhar meigo, estes amigos de quatro patas procuram alguém que os acolha e que lhes dê uma nova oportunidade. Em 2010 foram adotados 109 cães, contando-se já outra centena de adoções até outubro do ano passado. Entre as diversas iniciativas promovidas pela Câmara Municipal de Loures, destaque para a VII Mostra de Animal de Estimação, em outubro, na Portela. O evento, inserido no âmbito da comemoração do Dia Mundial do Animal, celebrado a 4 daquele mês, consistiu numa feira de produtos e serviços relacionados com o bem-estar animal, cujo objetivo principal foi sensibilizar donos de animais e público em geral para aspetos relacionados com a vida animal. A adoção, bem-estar, cuidados de saúde e higiene, vacinação, serviços de hospedagem e petsitting, treino, não abandono, foram, entre outras, algumas das temáticas em destaque ao longo da mostra. A adoção de animais foi um sucesso, já que triplicou relativamente ao ano anterior, tendo sido adotados 14 animais. Contudo, é sabido que, muitas vezes, a decisão de adotar um animal de companhia é tomada sem uma reflexão prévia sobre as responsabilidades e as necessidades decorrentes de ter um animal em casa. A pensar nestas situações, a Câmara Municipal de Loures alerta-o para que tenha em consideração os seguintes pontos: – É preciso tempo para passear o animal, para o alimentar, para a sua higiene, mas principalmente para lhe dar toda a atenção e educação de que ele necessita e merece. – O animal irá necessitar de espaço, sem grandes condicionantes. Não se esqueça que o seu “amigo” irá precisar do seu canto, que cedo é assumido como local de repouso e refúgio. – É necessário lembrar o fator económico. Pondo de parte a alimentação, deve refletir as contas do veterinário e as eventuais estadias em hotéis para animais durante o seu período de férias. No concelho de Loures existem hotéis onde pode deixar o seu animal de estimação. O abandono de animais é um ato cruel que causa sofrimento e, por isso mesmo, é proibido. A coima poderá ir até aos 3740 euros. Para adotar um animal de estimação, o adotante deverá ser maior de idade, confirmando-o com a apresentação do bilhete de identidade ou cartão de cidadão e número de contribuinte. Deverá ainda preencher um termo de responsabilidade de adoção e cumprir os meios de profilaxia obrigatórios. Todos

os cães têm que ser identificados eletronicamente, e os maiores de três meses têm igualmente que ser vacinados contra a raiva e registados na junta de freguesia da área de residência.

CONTACTOS Gabinete de Intervenção Médico-Veterinário e Defesa da Saúde Pública Telefone: 211 150 740/41 Consultas/vacinação: de segunda a sexta das 15h00 às 17h00 Endereço: Câmara Municipal de Loures Departamento de Ambiente e Transporte Municipais, Rua do Funchal, 49 2670-364 Loures Centro de recolha oficial – Santa Iria de Azóia Parque Urbano de Santa Iria de Azóia, Estrada Nacional 115-5 Portela de Azóia Vacinação e adoção: às quartas e sextas-feiras, das 10h00 às 12h00 Telefone: 211 151 195

Ao adotarmos um animal estamos a aceitar um compromisso a longo prazo: o de o proteger e tratar

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SENTIR

Mais do que uma tradição, uma paixão! Carnaval Saloio de Loures

O Carnaval Saloio de Loures saiu uma vez mais à rua, cumprindo uma nova etapa do longo percurso que o transformou num dos principais entrudos de Portugal, destacando-se entre as festas folionas da Área Metropolitana de Lisboa.

Foi em 1934 que o Carnaval começou a ser celebrado em Loures com “pompa e circunstância”. Herdeiro das festas gregas – dionisíacas – e romanas – bacanais, saturnais e lupercais, o Carnaval está, na sua origem, intimamente ligado ao reinício do ano agrícola e à aproximação da primavera, ao renascimento da natureza e à chegada de um novo ciclo de vida. Proibido a partir da década de 40 do século xx, esteve vários anos suspenso durante o Estado Novo, voltando a realizar-se apenas na década de 70, embora com algumas interrupções.

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Antes de a festa saloia ter absorvido influências do Carnaval do Brasil, o Carnaval de Loures caracterizava-se pelas cegadas, uma espécie de teatro popular de crítica social e política, pelo lançamento de pulhas, que consistia em escarnecer personalidades locais, e pelo arremesso de ovos, farinha e água, o chamado “carnaval sujo”. As noites eram animadas com os bailes e as mastronças – – homens grosseiramente vestidos de mulheres – que andavam de porta em porta em busca de comida e, principalmente, de bebida. As celebrações carnavalescas terminavam na quarta-feira à noite com o “Enterro do Bacalhau”.


O Carnaval de Loures envolve mais de mil figurantes e 15 carros alegóricos, atraindo todos os anos à cidade, durante os cinco dias da folia, milhares de visitantes Revista :: Loures Municipal :: Março 2012 :: 59


SENTIR

O reaparecimento das celebrações do Carnaval, na década de 70, resultou da iniciativa da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Loures que, desta forma, pretendia angariar fundos para a construção do novo quartel. Foi nesta sequência que surgiu a denominação Carnaval Saloio de Loures, extravasando motivações meramente lúdicas e passando a ter uma forte componente económica, comercial e turística. Muitos anos depois, em maio do ano 2000 foi criada a Associação de Carnaval de Loures, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, e também de muitas empresas locais, tendo por objetivo tornar mais profissional a organização do evento. Atualmente, o Carnaval de Loures envolve mais de mil figurantes e 15 carros alegóricos, atraindo todos os anos à cidade, durante os cinco dias da folia, milhares de visitantes. Subordinados a determinados temas, todos os carros apresentam declinações que obedecem à temática escolhida.

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Para 2012 o tema foi “Fado, outra forma de vida”, homenageando a canção nacional recentemente promovida pela UNESCO a Património Imaterial da Humanidade. Este ano, cerca de um milhar de crianças de creches, jardins de infância e escolas do concelho de Loures encheram, no dia 17 de fevereiro, a Rua da República, em mais um tradicional Desfile de Carnaval Infantil. Subordinada ao tema “Histórias Mascaradas”, a iniciativa teve o acompanhamento de milhares de pessoas, entre familiares e amigos das crianças e ainda curiosos que não resistiram a acompanhar o divertido cortejo, ao qual se juntaram os utentes do Centro de Dia de Loures, num saudável e desejável convívio entre gerações, que comungaram da fantasia daquele dia de Carnaval ensolarado. O Desfile de Carnaval Infantil deu o mote para o arranque da festa do Carnaval Saloio de Loures que se prolongou até dia 22 de fevereiro.


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SENTIR

Entre domingo e terça-feira, foram mais de 30 mil as pessoas que assistiram ao festival de cor e alegria que percorreu as ruas de Loures, sem esquecer o já famoso Enterro de Dom Ocarário, cerimónia que encerrou com um bonito fogo de artifício. A polémica em torno da tolerância de ponto na Terça-Feira Gorda teve uma tomada de posição firme por parte da Câmara Municipal de Loures que decidiu respeitar o trabalho e o investimento coletivo e pessoal realizado por tantos munícipes e associações que, durante 12 longos meses, trabalharam para que o Carnaval de Loures fosse um sucesso. Esta festa pagã é muito mais que uma mera manifestação popular. É um exemplo vivo dos excelentes resultados do trabalho do movimento associativo, um polo de atração turística e cultural para Loures, e também um catalisador da atividade económica, que ergue bem alto o nome do nosso concelho e que jamais deixaremos de apoiar. Porque a alegria é um direito!

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O Desfile de Carnaval Infantil deu o mote para o arranque da festa do Carnaval Saloio de Loures que se prolongou atĂŠ dia 22 de fevereiro.

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POST-IT

“Rota das Empresas”

“Nós Somos Super-Heróis”

Pais INforma esclarece associações de pais

Novas Viaturas Adaptadas

Centro de Documentação Avelar Brotero inaugurado

O Departamento de Atividades Económicas e Turismo está a desenvolver, desde fevereiro de 2012, a “Rota das Empresas”, um projeto que pretende fomentar uma relação mais estreita entre o poder local e o tecido empresarial do concelho de Loures, através de visitas a empresas de sucesso. O objetivo é criar sinergias, encontrando soluções e oportunidades benéficas para ambas partes.

O projeto “Nós Somos Super-Heróis” é uma iniciativa promovida pelo Centro UNESCO A Casa da Terra, que tem como objetivo servir de reflexão sobre os heróis de hoje e os modelos seguidos pela maioria dos jovens, destinando-se a alguns agrupamentos de escolas do concelho. Depois de Sacavém e Camarate, a iniciativa viaja agora para as freguesias da Apelação e Santo António dos Cavaleiros.

Realizou-se, em dezembro, no Centro de Recursos e Animação Pedagógica da Casa do Adro, em Loures, a última sessão do ano do projeto Pais INforma. Dinamizada por Paula Bragança, jurista da Divisão de Educação, e Susana Fonseca, da Divisão Financeira da Câmara Municipal de Loures, teve como objetivo esclarecer as dúvidas de carácter jurídico e de organização contabilística das associações de pais.

A Câmara de Loures adquiriu para a sua frota mais duas viaturas adaptadas ao transporte de crianças com necessidades especiais. Em 2011/2012, 74 alunos são transportados nestas viaturas. O Município assume, assim, estar empenhado na supressão de barreiras que promovam a exclusão social, apoiando a inserção de crianças portadoras de deficiência e garantindo-lhes acessibilidade ao ensino.

A Câmara Municipal de Loures inaugurou o Centro de Documentação e Informação Avelar Brotero, biblioteca especializada na temática ambiental, a funcionar no Centro de Educação Ambiental, no Parque Urbano de Santa Iria da Azóia. O Centro tem ao seu dispor o serviço de referência bibliográfica, espaços de consulta, multimédia, videoteca e de ludoteca.

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POST-IT

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Revista Loures Municipal 45  

Informação ao munícipe sobre o concelho de Loures

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