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Um novo ciclo letivo significa sempre

ano, fora da UA; a atividade cultural e de

um recomeço: de vida, com redobrados

promoção do gosto pela Ciência, de que

sonhos e esperanças, para os

são exemplo a Fábrica-Centro de Ciência

estudantes que chegam pela primeira

Viva e a Orquestra Filarmonia das Beiras; a

vez; de planos, com novas ideias

intensa relação com as empresas, decisiva

e entusiasmos, para os que fazem

para nos tornar na Universidade com maior

acontecer Universidade em Aveiro; de

percentagem de receitas próprias.

prioridades, com afinação de políticas e estratégias, para a própria instituição no

Razões bastantes para comemorar. Mas

seu afã de melhor realizar a missão que

o mais importante é, sempre, “o jogo

lhe cumpre.

seguinte”! Neste ano vamo-nos centrar nessa revisitação às questões da qualidade

Manuel António Assunção Reitor da Universidade de Aveiro

É assim em cada ano. Todavia, este virar

e do viver com o mundo. O tema e o

de página é especial: vamos completar a

convidado – o eminente filósofo Gilles

quarta década de existência. Tempo para

Lipovetsky - para a Sessão de Abertura do

celebrar, claro. Mas também para uma

Ano Letivo dão o mote certo para o que

reflexão profunda sobre o nosso percurso,

tem que ser, cada vez mais, missão da

sobre aquilo que nos tem feito fortes, sobre

universidade: ajudar a compreender o que

aquilo que importa corrigir ou incorporar.

se passa na sociedade, interrogar-se sobre possíveis saídas para os problemas; e

Nasceu e cresceu a UA sob duas

contribuir para o desenho de soluções que

importantes ideias: a afirmação pela

permitam escolhas adequadas.

qualidade e a abertura ao exterior. Duas preocupações iniciais que temos sabido

Esta revista foi muito pensada para

honrar, duas caraterísticas que fomos

promover uma relação mais intensa com os

capazes de tornar identitárias da nossa

antigos estudantes da UA. A Linhas é-lhes

matriz, dois motores das nossas escolhas e

especificamente dedicada. Porque são

da nossa atuação, sempre presentes.

essenciais para trazer ideias, dinâmicas e oportunidades de fora para dentro; e

A procura da qualidade tem tradução bem

porque são “embaixadores” num duplo

visível: a presença constante em rankings

sentido, já que podem atuar em favor da

internacionais, de que destaco o 66º

UA, com o conhecimento e afeto que nos

lugar mundial entre as universidades com

liga, e são, na sua vida, a melhor evidência

menos de 50 anos; a liderança nacional na

do impacto da nossa ação.

Editorial

investigação, em número de publicações e citações por docente; a oferta de cursos

A realização pela primeira vez do Dia do

com grande atratividade; e a crescente

Antigo Aluno da UA, em união de vontades

internacionalização, comprovada pelas 77

entre a Associação dos Antigos Alunos, a

nacionalidades que integram a UA.

Associação Académica e a própria UA, é uma das maneiras mais bonitas de celebrar

Temos, do mesmo modo, sido fiéis ao

40 anos de serviço público. Vamos fazer do

repto que o Prof. Veiga Simão nos lançou

dia 28 de setembro um momento coletivo,

quando criou a UA: uma Universidade

inspirador e com efeito multiplicador.

em osmose com o meio, para melhor servir a região e o país. Veja-se a rede

Desejo, a cada um, membro ou

regional de formação, com mais de uma

simplesmente amigo da UA, um 2013/2014

dezena de concelhos do Baixo-Vouga e

muito proveitoso e feliz! O “Campus Que

do Entre-Douro-e-Vouga; a Incubadora de

Pensa”, em que diariamente nos revemos,

Empresas, ela própria estendida à Região;

não é mais do que a dinâmica que resulta

a parceria com a CIRA, especialmente

do contributo de todos.

reconhecida pelo Observatório do QREN; mais de mil estágios realizados, em cada


linhas

set 2013

03

EDITORIAL Manuel António Assunção

10 - 15

Reitor da UA

PERCURSO ANTIGOS ALUNOS Elisabete Rita Manuel Fernandes Thomaz Paulo Castelo-Branco

06 - 07

OPINIÃO Revisitar a linha de vida da UA

16 - 21

PERCURSO honoris causa Há espaço para novas utopias Gilles Lipovetsky

obriga-nos a mergulhar nas razões da sua origem Jorge Arroteia

08

22 - 26

PERCURSO singular Joaquim Renato Araújo

OPINIÃO 2013 — Ano internacional da matemática do planeta terra

27 - 31

DISTINÇÕES

e ano internacional da estatística João Santos

09

OPINIÃO Conhecimento e inovação no centro da região de Aveiro Filipe Teles

32 - 33

COOPERAÇÃO Uma mão cheia de saberes que se estende à comunidade


5

34 - 38

DOSSIER A UA do tamanho da língua portuguesa

50 - 52

ENSINO Novo edifício congrega ESSUA, SACS e Centro de Biologia Celular

39

EDIÇÕES

53 40 - 43

Robôs já não sonham

54 - 55

ACONTECEU NA UA

INVESTIGAÇÃO Alta pressão: novo paradigma na conservação de alimentos e aplicações biotecnológicas

47 - 49

Sons dos Festivais de Outono voltam a ouvir-se na cidade de Aveiro

INVESTIGAÇÃO com carneiros elétricos

44 - 46

CULTURAL

ENTREVISTA COM ... António Barreto

56 - 57

ALUMNI UA promove o Dia do Antigo Aluno


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set 2013

Revisitar a linha de vida da UA obriga-nos a mergulhar nas razões da sua origem À semelhança do que sucede com as

A tenacidade dos “heróicos” entrincheirados nas instalações do

demais organizações sociais a Universidade

Pavilhão I foi coroada com a homologação dos primeiros Estatutos

de Aveiro, que assinala em data próxima o

da UA (Despacho Normativo, nº 52/89) e a instituição reconhecida

seu quadragésimo aniversário, apresenta

como “pessoa colectiva de direito público”, dotada de autonomia

marcas da sua evolução no tempo.

estatutária, científica, pedagógica, administrativa, financeira e

Da fase de instalação à consolidação

disciplinar. Este documento veio acabar com a fase de transição

do seu estatuto como Universidade

em que se encontrava desde 1982 - fim do período de instalação -

de referência entre as universidades

e abriu o período seguinte de consolidação da Universidade.

portuguesas e a nível internacional, Jorge Carvalho Arroteia Docente aposentado do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro

decorrem quatro décadas de afirmação

Com o arranque da construção dos novos Departamentos

de um projecto de desenvolvimento com

e demais instalações do Campus de Santiago, a UA foi

orientação estratégica, desempenho

construindo o seu “estatuto de alforria”, acolhendo mais

assertivo, doação e labor da sua população

estudantes, docentes e funcionários, vencendo novos

e responsáveis.

concursos e projectos de investigação, fortalecendo o seu corpo de investigadores e ampliando a formação e graduação

Evocar a linha de vida da UA obriga-nos

académica e especializada com novos cursos de Licenciatura,

a rever, nos pergaminhos do seu passado

Mestrado e Doutoramento. Nesta fase beneficiou do “efeito de

recente, o esforço desenvolvido pela

onda” decorrente da democratização do ensino, alargamento

comunidade académica e incentivar as

da esperança de vida escolar obrigatória, expectativas de

gerações vindouras para que venham

mobilidade social da população portuguesa e abertura do

a responder com determinação e

mercado de emprego aos novos diplomados. Beneficiou,

compromisso académico, científico e

igualmente, da diversidade de fundos europeus que foram

profissional, às necessidades de uma

postos à disposição dos países membros de UE e dos

sociedade confiante no desempenho das

incentivos à investigação conferidos por instituições europeias

suas instituições universitárias. Entendida

e internacionais.

como “locus” de conhecimento e de investigação científica, de inovação e

O contexto favorável desta etapa da UA foi acompanhado

de regeneração social, de mobilidade

pela acção de equipas reitorais que, em momento próprio,

e de formação avançada de recursos

souberam criar as condições indispensáveis à construção

humanos, a Universidade de Aveiro

de uma comunidade académica interessada, dinâmica,

pugnou desde o seu início por ser uma

competitiva e dotada de grande generosidade. Tais atributos

Universidade nova e não só, uma nova

foram determinantes na construção do “ethos” organizacional

Universidade (Victor Gil).

e da “marca” – Universidade de Aveiro – consubstanciada na diversidade dos seus cursos, desempenho e qualidade dos efectivos académicos e formações, afirmação das equipas


7

opinião

de investigação e expressão da investigação desenvolvida,

Revisitar a linha de vida da UA nestas quatro décadas obriga-

abertura da Universidade ao exterior e à internacionalização,

-nos, mais do que assinalar datas, factos, pessoas ou

procura crescente de alunos.

entidades, a mergulhar nas razões que estiveram na origem da criação desta instituição universitária, reflectir sobre o seu

Evocar a fase de consolidação da UA – que prosseguimos

desempenho e entraves, pugnar pela afirmação e determinação

de forma contínua nos dias de hoje -, não desmerece o

como projecto coeso, inovador, funcional, equilibrado, inclusivo

esforço e a acção de antigos e novos “pioneiros” integrados

e eficaz, responsável pela formação dos melhores e mais

em diferentes equipas de gestão académica, pedagógica,

reconhecidos recursos humanos a que pode aspirar uma

científica e reitoral na construção de projectos e orientações

instituição universitária. Obriga, de igual modo, a estar atento

universitárias conducentes à consolidação da estrutura

à evolução da matriz organizacional e à leitura dos muitos

matricial, abertura a novos públicos, afirmação da qualidade e

contextos, internos e externos, que sugerem uma constante

avaliação internacional, alargamento da rede, consolidação da

adaptação desta organização social e académica às exigências

cooperação institucional.

do meio na procura de uma melhoria contínua dos processos, procedimentos e dos resultados expressos na formação

O acolhimento do ensino superior politécnico e a oferta de

e enriquecimento do seu “capital humano”, qualidade da

novas formações pós-secundárias e universitárias estabelecem

investigação, mediação e cooperação com a sociedade.

a ligação com a nova fase de vida da UA marcada pela expansão do seu “campus”, construção do espaço europeu

Quando escasseiam recursos financeiros e alunos não se

de ensino superior – determinada pelo Modelo de Bolonha

pode abrandar a dinâmica de uma obra que se quer renovada

– e adopção do regime fundacional. Acompanham-no um

e constantemente acarinhada pela excelência do seu

contexto demográfico adverso marcado pelos efeitos da

desempenho, mas cada vez mais dependente de uma teia de

recessão demográfica, degradação da situação económica

decisões políticas e financeiras que transcendem as fronteiras

das famílias, constrangimentos internos e internacionais

tradicionais de um Estado soberano. Porque dos homens se

ditados pela situação de dependência financeira da “velha”

faz conhecimento e deste o desenvolvimento social e humano,

Europa, competitividade dos mercados, mobilidade acrescida

pugnamos para que as futuras comunidades de seres e de

da população jovem e adulta, consolidação da “dependência

saberes da UA saibam prosseguir o sonho dos “heróicos” e

estrutural” da nossa sociedade e expectativas insanáveis de

“pioneiros” e manter vivo um projecto sempre novo, consistente

melhoria do seu bem-estar e nível de vida.

e de excelência que marque, na sua vida pessoal e profissional, a sua afiliação a esta Universidade.


linhas

set 2013

2013 — ano internacional da matemática do planeta terra e ano internacional da estatística O ano de 2013 concilia duas importantes

O DMat não podia ficar alheado desta importante iniciativa,

iniciativas a nível internacional na área

associando-se através da organização de diversos eventos,

da Matemática a que o Departamento

nomeadamente a concretização já verificada de um workshop,

de Matemática (DMat) naturalmente dá o

ações de formação, palestras e seminários. Estão ainda a ser

seu contributo. De facto, está a decorrer

ultimados novos eventos que serão brevemente divulgados na

o Ano Internacional Matemática do

página oficial do DMat.

Planeta Terra 2013 (MPT2013), iniciativa

João Santos Docente e diretor do Departamento de Matemática da UA

apoiada pela UNESCO, que tem como

A outra grande iniciativa que decorre em 2013 é a

objetivo promover o desenvolvimento

comemoração do Ano Internacional da Estatística

de atividades que visam mostrar como

(Statistics2013). Também aqui se verifica à escala mundial,

a Matemática desempenha um papel

em mais de cem países, a participação de múltiplas

fulcral em questões relacionadas com o

organizações — universidades, institutos de investigação,

planeta Terra.

escolas, sociedades científicas e profissionais, agências governamentais e empresas – que se associam com o objetivo

A abertura oficial do ano MPT2013

de promover e celebrar a importância da Estatística.

decorreu no passado dia 5 de março,

Durante o ano de 2013 as organizações participantes

na sede da UNESCO, em Paris, contando

propõem-se aumentar a tomada de consciência pública sobre

a nível mundial com a dedicação de

o poder e o impacto da Estatística em todos os aspetos

universidades, institutos de investigação,

da nossa sociedade e ainda fortalecer a Estatística como

fundações, associações e sociedades

uma carreira profissional, especialmente entre os estudantes

e com um programa estruturado em

dos ensinos secundário e superior.

quatro grandes temas sob a égide de um planeta - para descobrir (oceanos,

O DMat também se associou a esta iniciativa, tendo decorrido já

meteorologia e clima, processos do

um workshop integrado no Statistics2013 (e, simultaneamente, no

manto, recursos naturais, sistemas

MPT2013), organizado pelo Grupo de Probabilidade e Estatística

solares); - suportado por vida (ecologia,

do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e

biodiversidade, evolução); - organizado

Aplicações (CIDMA), da Universidade de Aveiro, visando fomentar

por humanos (sistemas políticos,

a interdisciplinaridade e promover a importância da Estatística

económicos, sociais e financeiros,

Aplicada em diferentes domínios científicos. Ainda neste

organização das redes de transporte e

âmbito, o DMat e a Sociedade Portuguesa de Estatística (SPE)

de comunicação, gestão dos recursos,

organizam em Aveiro, de 29 de novembro a 2 de dezembro de

energia); - em risco (mudanças

2013, o XXI Congresso da Sociedade Portuguesa de Estatística.

climáticas, desenvolvimento sustentável,

Neste congresso a SPE encerrará as atividades relativas ao Ano

epidemias, espécies invasoras,

Internacional da Estatística através de uma sessão especialmente

desastres naturais).

dedicada ao tema.


9

opinião

Conhecimento e Inovação no Centro da Região de Aveiro orientação comum representa um esforço significativo de identificação de prioridades e instrumentos, afirmando-se, também de forma muito clara, que o seu sucesso depende da eficaz articulação dos diversos stakeholders regionais. A missão, que sublinha a aposta da Região de Aveiro no conhecimento, no empreendedorismo e na atratividade do seu

Filipe Teles Docente do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA e coordenador UA/ CIRA do Quadro Comum de Investimentos da Região de Aveiro

O Plano Estratégico da Universidade de

território, procura traduzir aqueles que serão os instrumentos

Aveiro (2012) reconhece como prioritário

preferenciais a privilegiar e os objetivos a atingir: a promoção

o “reforço da cumplicidade da UA

da qualidade de vida, a criação de um contexto favorável

com o desenvolvimento económico,

ao empreendedorismo, e a construção de mecanismos de

social e cultural da Região, como

boa governação e de atratividade do território, em estreita e

fator distintivo […] nos panoramas

inseparável relação com o conhecimento e a inovação.

universitários português e europeu”.

A sua concretização contribui para a resposta aos desafios

O acordo interinstitucional assinado

societais que enfrentamos, tais como o emprego e a necessária

com a Comunidade Intermunicipal da

internacionalização da economia regional, com a promoção da

Região de Aveiro deu maior visibilidade

inclusão e da sustentabilidade, com a garantia de instrumentos

a esta opção estratégica e enquadrou

de escala de governação e de promoção da coesão territorial.

o trabalho que veio a ser desenvolvido em parceria e que culminou com a

Para a criação das condições necessárias a um contexto

apresentação de um Quadro Comum de

favorável ao crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo

Investimentos da Região de Aveiro.

da Região de Aveiro, a Universidade desempenha um papel determinante através: da contribuição para o sistema de

Este documento é, agora, uma peça

inovação regional, intimamente ligado – mas não de forma

central no posicionamento da região

exclusiva – às atividades de investigação; da promoção do

no futuro período de programação

empreendedorismo, do desenvolvimento empresarial, de

financeira 2014-2020, contribuindo

negócio, de processos e de produtos; da contribuição para

de forma decisiva para que esta

o desenvolvimento das competências, qualificações e capital

venha a contratualizar uma Iniciativa

humano da região; e da melhoria da coesão territorial, através

Territorial Integrada (ITI), fundamental

do seu impacto no tecido cultural, social e económico.

para prosseguir a operação de desenvolvimento regional que tem vindo

Uma Região saudável, equilibrada, promotora de emprego e

a ser concretizada, no atual período de

com uma política de educação que seja capaz de proporcionar

gestão do QREN. A região, sabemos hoje,

as melhores condições para a qualificação e a qualidade de

soube marcar a diferença no volume, tipo

vida dos seus cidadãos, necessita de uma Universidade forte

e categoria de investimentos efetuados,

(e que se ajuda a fortalecer, precisamente, ao torná-la útil ao

numa tentativa de lhe dar uma articulação

desenvolvimento regional). Desta forma colocam-se, também,

intermunicipal e ao apostar na relação

desafios importantes à Universidade de Aveiro. Esta deve saber

interinstitucional que estabeleceu com a

assumir de um modo ativo o seu papel de instituição de ensino

Universidade de Aveiro.

superior de referência no panorama internacional, na formação, na investigação e na articulação com a região, de forma

A apresentação deste documento de

independente, mas também particularmente empenhada.


Elisabete Rita

linhas

set 2013

“Sempre foi um orgulho ser aluna da UA�


11

percurso antigo aluno

Desde muito cedo soube que o seu futuro profissional passaria pelo planeamento do território ou ambiente. A Universidade de Aveiro foi a escolhida, pela proximidade e pelos cursos que lecionava. O futuro destinou-lhe o cargo de diretora geral da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA). Mas o contributo para a indústria começou muito antes, com a criação de um sistema de georreferenciação para o concelho de Aveiro. Nascida e criada em Ílhavo, a UA foi

investidor saber rapidamente que terrenos

saudar todos os colegas, logo de manhã,

uma opção mais do que natural para a

estavam disponíveis, o seu tamanho, quem

quando não está no estrangeiro em

continuação dos seus estudos. Colocou

era o proprietário, as distâncias a um porto

missões empresariais, pois “o apoio à

a licenciatura em Planeamento Regional e

de mar, a uma autoestrada, etc.

internacionalização é uma das áreas fortes de trabalho da AIDA”.

Urbano em primeiro lugar no concurso de acesso ao ensino superior e entrou.

Durante este projeto apercebeu-se que a AIDA necessitava de dar apoio às

“Este curso é essencial para o

Durante os cinco anos do curso, Elisabete

empresas numa área em que também

desenvolvimento do país”

Rita foi fazendo as disciplinas de um

tinha competências: os processos de

Apesar de hoje em dia a licenciatura

ano e algumas do ano seguinte. Quando

licenciamento industrial. Ou seja, “foram

que frequentou já não existir na UA,

chegou ao 5º ano faltava-lhe apenas o

as competências obtidas no curso que

mas sim um mestrado, Elisabete Rita

projeto final. Neste âmbito, trabalhou num

acabaram por me trazer para

considera que este curso é essencial para

gabinete de arquitetura no Porto com

uma tipologia de empregador que não

o desenvolvimento do país: “Nenhum

Teresa Andresen (arquiteta paisagista,

seria o empregador típico”, explica.

país se pode dar ao luxo de descurar o urbanismo e o planeamento regional. Seria

professora na UA entre 1987 e 2002 e orientadora do projeto final de curso de

E quais foram essas competências?

uma pena que não se percebesse que a

Elisabete Rita): “Uma pessoa que muito

“A percepção do território como um todo,

sustentabilidade do território depende de

me marcou e que continuo a ter como

ter uma visão das empresas como uma

visões integradas, sustentáveis e globais e

absoluta referência”, frisa.

parte integrante do desenvolvimento

que, para isso, pessoas com esta tipologia

regional, perceber a ligação urbana com

de formação podem dar um contributo

as áreas industriais, etc”.

muito importante”.

necessidades do país naquela época: o

Este projeto continuou a ser desenvolvido

Por tudo isto, para Elisabete Rita “sempre

ordenamento do território e as implicações

em parceria com a UA, através da

foi um orgulho ser aluna da UA”. “Cada

que isso tem no desenvolvimento social e

GrupUNAVE, e alargou-se a todo o

vez mais, quando se veem notícias da

económico”. O curso focava áreas como

distrito de Aveiro. “O sistema evoluiu de

Universidade, sinto-me honrada por

economia, história, matemática, ambiente,

tal forma que neste momento temos um

ser antiga aluna e por a entidade onde

o que permitiu “ter uma visão muito

projeto emblemático em cooperação com

trabalho hoje manter um elo cada vez

alargada de vários assuntos”.

a Associação Nacional de Empresas de

mais forte com ela. Poder contribuir para

Metalurgia e Electromecânica em que

que haja relações mais fortes entre a UA

Por isto mesmo afirma que não é raro

estamos a desenvolver um Sistema de

e as indústrias, para mim é uma forma

encontrar antigos alunos deste curso em

informação Georreferenciado de Apoio

de recompensar o que me foi atribuído

“empresas privadas ligadas à atividade

à Metalomecânica”, explica.

enquanto estudante”, frisa.

além das saídas profissionais óbvias dos

A recompensa para o seu trabalho foi a

Uma dessas iniciativas é o projeto

alunos desta área: câmaras municipais,

proposta de ocupar o lugar de secretária

Aveiro Empreendedor, uma parceria que

gabinetes de arquitetura e planeamento,

geral da AIDA em 2001, função que ainda

une a AIDA, Câmara Municipal de Aveiro

comissões de coordenação.

desempenha. O seu dia-a-dia é tudo

e UA com as empresas. “Felizmente

menos rotineiro: coordena internamente

temos em Aveiro ‘a’ universidade mais

A ligação à AIDA

uma equipa de 23 pessoas, faz a ponte

virada para o exterior do ponto de vista

Foi isso mesmo que aconteceu a Elisabete

com a direção, define estratégias e

das empresas, a nível nacional. A UA

Rita. No final da licenciatura, no âmbito do

acompanha todo o tipo de atividades.

tem conseguido conciliar o saber de

estágio, Elisabete propôs à AIDA a criação

“O meu dia começa sempre cedo e não

uma universidade com as necessidades

de um sistema de georreferenciação para

tem hora para acabar”. Mas no meio de

das empresas, tem tido uma abertura

o concelho que permitisse a um potencial

tantos compromissos, faz questão de

extraordinária para o exterior”.

Relativamente ao curso, considera que “conseguia claramente dar resposta às

económica e à visão estratégica”, para


Manuel Fernandes Thomaz

linhas

set 2013

De engenheiro se fez gestor


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percurso antigo aluno

Com formação em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, hoje faz da gestão a sua atividade profissional. Os seus dias são passados entre Lisboa, Aveiro e outras cidades do país, enquanto administrador executivo da AdP - Águas de Portugal, SGPS, e presidente do conselho de administração da AdRA - Águas da Região de Aveiro. Sem raízes familiares em Aveiro, foi por

ANJE e a partir daí deixou a engenharia

Ligação às águas… Começa na

obra do acaso que os seus pais aqui se

definitivamente para trás. Mas nem tanto…

SIMRIA Manuel Fernandes Thomaz desempenha

instalaram depois do 25 de abril de 1974. Fez todo o percurso académico nesta

Manuel Fernandes Thomaz considera

atualmente funções no grupo AdP:

cidade, desde o ensino básico à licenciatura

que o “mind set” ou a maneira de pensar

é responsável pelas 19 empresas da

na Universidade de Aveiro, uma escolha

de um engenheiro é “muito importante

área das águas e saneamento e pela

“absolutamente natural”, porque a UA

em qualquer atividade”. E embora hoje

reforma do setor. Como as empresas

tinha o curso da sua preferência e por ser

se considere muito mais um gestor

se localizam em todo o país, anda

uma instituição relativamente jovem

profissional, não tem dúvidas de que

“de um lado para o outro”. Executa

e “com boa reputação”.

a forma de raciocinar, de abordar os

“essencialmente um trabalho de

problemas, é muito mais “à engenheiro”,

coordenação, de gestão e supervisão”.

Não teve de pensar “sequer um minuto”

“numa lógica de identificar um problema

em escolher Engenharia Eletrónica e

e fazer um plano para o resolver”.

Mas a sua ligação ao mundo das águas

Telecomunicações, pois “era exatamente

“A engenharia molda muito as pessoas

começou em 2003, quando assumiu as

o curso que queria”. Iniciou os

e não há dúvida de que o curso que eu fiz

funções de administrador-delegado da

estudos ainda nas antigas instalações

deu esse enorme contributo”, frisa.

SIMRIA, Saneamento Integrado da Ria de Aveiro, S.A., empresa pertencente ao

do Departamento de Eletrónica e Telecomunicações. No ano em que o

“Acho que hoje o mundo precisa de

grupo AdP. E é com orgulho que afirma

Departamento mudou de instalações,

soluções novas que só os engenheiros

que a SIMRIA “alterou radicalmente a

Manuel Fernandes Thomaz estava longe,

são capazes de dar. Não tenho dúvidas

face de Aveiro e da sua ria. Hoje a ria

na “University College of North Wales”,

que um engenheiro é claramente uma

é uma coisa viva, onde se faz turismo,

Reino Unido, no último ano de curso, ao

mais-valia para a área privada como

onde se cultivam bivalves!”

abrigo do programa Erasmus.

para a área pública. Um engenheiro que queira trabalhar e não tenha receio de

Em 2007 foi convidado pela

Dos anos que passou na UA, recorda

desafios, como sair do país, tem um

Administração da AdP para assumir as

como momento mais marcante aquele

enorme contributo a dar, se colocar

funções de administrador-delegado da

em que conheceu a esposa, estudante

no seu trabalho a forma de pensar à

empresa Águas de Moçambique. Fez

no Departamento de Línguas e Culturas.

engenheiro”, sustenta.

as malas com a família e viveu uma das mais marcantes e enriquecedoras

Hoje, casados há 22 anos e com três filhos, diz que foi na UA que encontrou

E defende também a inovação e o

experiências da sua vida. Desempenhou

a sua “companheira de vida”.

empreendedorismo como forma de

aí funções até julho de 2010, altura em

contribuir para o progresso do país e

que foi nomeado presidente do Conselho

Um pensar à engenheiro

ultrapassar a crise económica. E aí as

de Administração da AdRA.

Assim que terminou o curso, em

universidades desempenham um papel

1989, entrou na Phillips Portuguesa,

fulcral: “Não tenho a mínima dúvida de

De regresso a Portugal, além das funções

S.A., unidade industrial de Ovar, no

que hoje as universidades estimulam

na AdRA, continuou o seu trabalho de

departamento de Engenharia de Produção.

o empreendedorismo, a inovação e a

gestor na AdP tendo, em fevereiro de

Esteve lá um ano e depois concorreu ao

criatividade. As universidades podem

2012, sido eleito administrador e membro

programa JEEP - Jovens Empresários com

ser os motores de uma nova cultura

da Comissão Executiva da holding

Elevado Potencial. Recebeu um prémio

dos jovens, muito menos ancorada

AdP, SGPS. Os planos para o futuro

para investir numa empresa. Aí começou

no funcionalismo e no empreguismo e

passam pela continuação do trabalho de

a sua atividade na área da gestão.

muito mais no empreendedorismo, não

harmonização de tarifas e resolução do

Entretanto, inscreveu-se na Associação

só numa ótica de ser empresário, mas

problema do crescente deficit tarifário

Nacional de Jovens Empresários (ANJE)

também numa ótica do fazer. Ou seja,

do setor das águas e saneamento e do

e tornou-se delegado de Aveiro. Mais tarde

o empreendedor é aquela pessoa que

endividamento das câmaras municipais

foi convidado a assumir a presidência da

faz acontecer e arrisca”, considera.

perante a AdP.


Pedro Castelo-Branco

linhas

set 2013

Em busca dos segredos do cancro


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percurso antigo aluno

Licenciado em Biologia pela Universidade de Aveiro, o investigador do Centro de Investigação de Tumores Cerebrais do Hospital Sick Kids, em Toronto, uma referência mundial na investigação pediátrica, tem aberto, uma a uma, as portas aos segredos de uma doença que a Ciência luta por erradicar. Os títulos dos jornais colocaram-no nas

A estes ingredientes junte-se “o rigor e

Medicina da Universidade de Harvard, em

bocas do mundo. As letras gordas com que

a forma como os estudos científicos em

Boston, onde fez um Pós-Doutoramento

o nome Pedro Castelo-Branco foi impresso

geral são desenhados e desenvolvidos”

em investigação do cancro, durante o qual

durante o último mês de maio não podiam

na UA. “Foi a mais-valia que a academia

desenvolveu um vírus que reconhece células

ser mais justas. Do Centro de Investigação

me deu”, reconhece. Pedro Castelo-

cancerígenas. Seguiu-se, depois, o Centro

de Tumores Cerebrais do Hospital Sick

Branco lembra ainda Jorge Rino, docente

de Investigação de Tumores Cerebrais do

Kids de Toronto, no Canadá, o investigador

do Departamento de Biologia da UA,

Hospital Pediátrico Sick Kids, da Universidade

anunciava a descoberta de um novo

um exemplo que o marcou pela “forma

de Toronto, onde conclui, em 2013, outro Pós-

marcador biológico que poderá ajudar a

meticulosa com que se dedicava à

Doutoramento na mesma área.

tratar tumores cerebrais em crianças. Mais,

investigação”. Ciências (ou não) à parte,

o trabalho da equipa liderada por Pedro

da Magna Tuna Cartola, da qual foi um

O primeiro lugar alcançado no The Hospital

Castelo-Branco revelou que o mesmo

dos fundadores, rigorosa igualmente à boa

for Sick Children Genetics and Genome

marcador pode ser utilizado para melhorar

maneira dos cartolas, o saxofonista guarda

Biology Meeting poster competition, em

o diagnóstico de diversos tipos de cancros

“amigos para a vida”.

2010, e as dezenas de publicações e apresentações dos resultados alcançados,

e auxiliar os médicos na hora de decidir formas de tratamento mais eficazes para

De Aveiro para o mundo

são a parte mais visível do trabalho que

cada paciente.

Da UA seguiu para o Departamento de

Pedro Castelo-Branco tem realizado na

Microbiologia da Universidade François

perseguição de um sonho: contribuir

Antes das manchetes, Pedro Castelo-

Rabelais, em França, onde caracterizou

decisivamente para que um dia a Ciência

Branco não era um nome desconhecido

um novo gene resistente a antibióticos.

descubra a cura do cancro.

entre quem faz da investigação

Dois anos volvidos, Pedro Castelo-Branco

biomédica, com especial atenção à

regressa a Portugal, desta vez para o

Concretizar os sonhos

área oncológica, uma missão. Já em

Instituto Nacional do Desporto onde

Hoje, o investigador do Centro de

2011, então com 37 anos, o cientista

estudou o uso ilegal de diuréticos como

Investigação de Tumores Cerebrais do

demonstrava que através do uso de

disfarce de substâncias dopantes.

Hospital Sick Kids revela que o marcador biológico que deu a conhecer à comunidade

um inibidor de telomerase é possível erradicar células iniciadoras de tumores

O passo seguinte levou-o até ao Instituto

científica em maio “está a ser testado no

neuronais sem afetar células estaminais.

de Biologia Molecular e Celular da

cancro da próstata, da bexiga, dos ovários

Universidade do Porto. Na mira do

e do cólon”. E o futuro poderá acontecer

Licenciado em Biologia pela

microscópio do investigador estiveram

amanhã: “Há já várias companhias de

Universidade de Aveiro, em 1998, Pedro

mecanismos de regulação de mRNA.

biotecnologia interessadas em comercializar este marcador”.

Castelo-Branco dava então o primeiro dos muitos passos que entretanto já

Em 2000, a Fundação para a Ciência

calcorreou nas Ciências Biomédicas.

e Tecnologia atribui-lhe uma bolsa de

Trabalho, rigor, método e pró-atividade.

Doutoramento em Biologia Molecular para

As regras pelas quais Pedro Castelo-Branco

“Sempre gostei da ideia de fazer

ser feito em qualquer parte do mundo à

tem pautado a carreira são as mesmas,

investigação e a Licenciatura em Biologia

escolha. Apontou para a Universidade de

em formato de conselhos, que o investigador

da UA oferecia-me essa vertente”,

Oxford onde trabalhou entre gigantes da

dá aos estudantes de Biologia da UA que,

recorda o investigador. Biologia

área no processamento de RNAs e lecionou

como ele, querem deixar uma marca

molecular, métodos estatísticos, técnicas

a cadeira de Técnicas Laboratoriais. Em

na Ciência. “Invistam no desenvolvimento

laboratoriais, genética, bioquímica,

Inglaterra, ganhou o prémio Gustav Born

das vossas carreiras em áreas científicas

toxicologia, matemática e física foram

com um trabalho sobre os mecanismos que

que tenham grande impacto social

alguns dos alicerces que Pedro Castelo-

regulam a coagulação do sangue.

e económico. E identifiquem os centros de topo onde se faz a investigação

Branco adquiriu na academia. “O curso ofereceu-me um patamar para

Um grande passo chegou em 2005 com

que pretendem e façam as diligências

poder desenvolver diferentes linhas de

a ida para o Centro de Investigação de

necessárias para se juntarem a esses locais”,

investigação”, aponta.

Tumores Cerebrais da Faculdade de

aponta. E os sonhos concretizam-se.


linhas

set 2013

Gilles Lipovetsky, autor de “A Era do Vazio”, vai ser Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro Há espaço para novas utopias


17

percursos honoris causa

Gilles Lipovetsky é autor de uma obra com múltiplas

estabilidade, nem religiosa nem tradicional. É a nossa condição

implicações na qual parece estender,

de homens hipermodernos.

à sociedade moderna, um espelho de “aumento”,

questionamento, dúvida, não apenas sobre a economia

inflexível, sem qualquer condescendência, que incomoda, mas que nos obriga a refletir sobre uma sociedade “desorientada”.

Vivemos em sociedades abertas, sociedades que suscitam mas sobre tudo. Consideremos um exemplo recente: em França, existe uma lei, que foi aprovada mas que provoca enorme perturbação, que incide sobre o casamento dos homossexuais e sobre a adoção de crianças. A sociedade contemporânea encontra-se totalmente dividida sobre estas

O filósofo vai ser Doutor Honoris Causa pela

matérias. Não se trata de uma crise específica mas poderíamos multiplicar os exemplos, porque vivemos numa sociedade

Universidade de Aveiro, numa sessão marcada

onde os fundamentos são relativamente estáveis: aceitamos

para dia 18 de setembro. Foi entrevistado

a democracia, a liberdade, reconhecemos a igualdade como

por Otília Pires Martins, professora do Departamento de Línguas e Culturas da UA.

valor mas, depois, surge a tradução de todos esses aspetos. De repente, descobrimos que fazemos parte de uma sociedade de “desacordo”, de discordância… e poderíamos multiplicar os exemplos: que fazer com as “barrigas de aluguer”? E a pena de morte? Devem liberalizar-se as drogas? A sociedade não

As palavras “crise” e “austeridade” são repetidas

possui respostas claras para todas estas dimensões. Outrora,

à exaustão, nos media, e dominam o discurso do

tudo era diferente, nas sociedades em que as igrejas forneciam

quotidiano, em Portugal mas também no resto da Europa.

respostas dogmáticas; pelo contrário, numa sociedade

Recentemente o mundo inteiro assistiu ao funeral de

democrática e individualista, a igreja diz uma coisa mas a

Margaret Thatcher cuja responsabilidade no início da

sociedade pode discordar e argumentar… e a argumentação

desregulação dos mercados (com Ronald Reagan) já

tem consequências muito diversas. Eis o primeiro ponto.

não gera qualquer dúvida. O que é que se encontra, verdadeiramente, na génese da crise actual? Pensa que a

Segundo ponto: somos sociedades hiper-individualistas

crise actual obriga a uma maior regulação, para evitar os

mas somos também sociedades de informação. E, hoje,

malefícios decorrentes dos excessos, do hiperconsumo?

a informação não para de enviar mensagens, muitas vezes contraditórias, em todo o caso, múltiplas e diversas.

Com efeito, infelizmente, hoje, fala-se, na Europa – e sublinho:

Vejamos o caso concreto da alimentação: a alimentação foi

na Europa – de crise, mas a palavra crise é complexa.

sempre um problema. A História oferece registo de épocas em

Na realidade, a crise que conhecemos tem vários níveis

que se morria à fome. Hoje, na Europa, não se morre à fome

de entendimento. Não existe uma crise única: existe a crise

mas existe uma outra crise, a saber: “o que é que se come?”.

das subprimes, estritamente económica, de endividamento

Não se trata, de modo algum, de uma questão metafísica mas

excessivo e de risco demasiado elevado, mas a situação

sim do facto de a informação transmitir mensagens divergentes.

complicou-se ao surgirem novas crises: a crise do

Assim, dizem-nos: “Isso é muito perigoso para o sistema

financiamento público, das despesas do Estado, a crise

cardiovascular; isso é cancerígeno… quem come isso tem uma

do euro e a crise das instituições europeias.

menor esperança de vida…”. Veja-se o caso das OGM: será que vamos assistir à “transformação” dos produtos alimentares?

Bem, acerca das primeiras, não tenho uma opinião muito

Existem grandes debates sobre o assunto.

definida já que eu não sou propriamente economista;

Em resumo, hoje em dia, nenhum domínio escapa à crise.

o meu interesse incidiu, essencialmente, sobre a evolução da

Somos, pois, sociedades onde os fundamentos são estáveis,

sociedade atual. Questão: tratar-se-á, realmente, de uma crise?

mas a organização quotidiana é, diria, polémica.

Depende do que se entende por crise. Ao nível societal, um dos pontos que me parecem essenciais reside na dinâmica

Afirma que o “efémero” é uma das razões da crise…

de individualização do nosso mundo; e a sua dinâmica de

uma espécie de zapping que resulta na “mobilidade”

individualização significa que, no fundo, já nada é estável.

do indivíduo e lhe permite ir de um universo ao outro,

Nesse sentido, a crise é difusa. Posso dar exemplos concretos

em todos os aspectos (família, religião, vida íntima…)

que envolvem todos os domínios: a família, a religião, a arte, a cultura, a educação. Não existe um único setor que escape

Sim, é o resultado de uma sociedade individualista e

ao questionamento: numa sociedade hiper-individualista,

mercantil…

tudo é permanentemente posto em causa pois já não existe


linhas

set 2013

O ‘efémero’ tornou-se permanente e generalizado e é, também, um dos fatores desta ‘desorientação’.

as pessoas mudam de vida, mesmo bastante tarde. Assim, o “efémero” transformou-se numa espécie de lei permanente. É um oximoro: o “efémero” tornou-se permanente e generalizado e é, também, um dos fatores desta

Em que tudo é transacionável…

“desorientação”, porque, quando tudo é estável, as pessoas podem sofrer mas sabem onde estão, o que devem fazer…

Sim, transacionável. Toda a economia “funciona” baseada

Hoje, tudo muda constantemente!

no “efémero”. Veja-se: a quase totalidade dos produtos que consumimos não existirá dentro de dez anos. Todos os anos

A hipermodernidade, de que fala, vai acabar? Caminha

surgem, nos mercados europeus, 20 a 30 mil novos produtos

para um fim?

que desaparecem nos dois anos seguintes. Não paramos de inovar porque a inovação faz vender. Assim, a sociedade

Como todas as coisas, provavelmente, sim, mas…

mercantil “funciona” através do “efémero”. Produzimos constantemente coisas que vão desaparecer… Em segundo

O que poderá surgir no seu lugar? O que a poderá

lugar, somos sociedades do “efémero” porque somos

substituir?

sociedades da informação. Uma informação apaga a outra. Hoje, fala-se disto, amanhã daquilo e depois esquecemos!

Aquilo a que eu chamei “hipermodernidade” surge – falou disso,

Em terceiro lugar, somos sociedades do “efémero” porque,

no início –, com Margaret Thatcher, Ronald Reagan, por volta

como muito bem referiu no início, as regulações tradicionais

dos anos 80. É muito recente. A modernidade triunfal começa no

foram esvaziadas de substância. Exemplo: antigamente,

século XVIII: é algo que dura dois séculos, dois séculos e meio…

as pessoas casavam-se para a vida inteira! Não se tratava

Estamos, portanto, apenas no início da hipermodernidade. Mas

de uma escolha. Era a moral religiosa e, até, laica, que

dentro dessa hipermodernidade, podemos imaginar diferentes

conduzia as pessoas a comprometerem-se para sempre.

hipermodernidades, pelo menos, é de esperar que assim seja…

Isso não significa(va) que as pessoas se entendiam bem, mas

estamos perante um século XXI que tem de ter – como sublinhou

aceitavam… hoje, não é assim: os casais separam-se,

há pouco –, um certo número de regulações. Não sou um


19

percursos honoris causa

regulador frenético – sou de opinião que deve dar-se liberdade

permanentes do capitalismo. Não é nada de novo. Portanto se

às empresas, aos atores e aos indivíduos. Mas liberdade não

existe “falência”, não é, certamente, a do capitalismo.

significa anarquia – sabemos isso há muito – e talvez se tenha

Existe, aliás, uma “falência” bem mais importante: a do Estado.

ido demasiado longe – seguramente, mesmo –, num determinado

Se existe um sistema que perdeu poder, foi o Estado. O Estado

número de regulações. Assim, a hipermodernidade que temos

já não tem, hoje, margem de manobra e aí reside o cerne da

agora, não será sempre a mesma…, a hipermodernidade, hoje,

questão: é necessário reencontrar margens de manobra já que

é a entrada da China, da Índia, do Brasil, de todos esses países,

uma sociedade não pode reduzir-se a um mero mercado.

na era da competição internacional, mas, no fim do século,

Se só existisse mercado, graves problemas daí adviriam pois

haverá outras. Esperemos, aliás, que haja outras.

é necessário que haja competitividade e eficácia – o mercado

A face planetária será diferente, no plano geopolítico, mas será

e o melhor! – mas também necessitamos de justiça porque

diferente até no plano da vivência social. Exemplo: as mulheres.

somos sociedades democráticas. Se o sistema que organiza

Assistimos a uma importante revolução, ao longo dos últimos

essa eficácia for o único, então o liberalismo arruinará o ideal

trinta ou quarenta anos. Trata-se da condição feminina. Não é um

democrático. E tal não pode acontecer. É necessário encontrar,

aspeto de somenos importância. Estamos a falar de metade da

constantemente, meios para que o liberalismo seja compatível

humanidade! E isso muda muita coisa – e de que maneira! – na

com os ideais democráticos. Não se pode ir demasiado longe

vida das pessoas: a vida profissional, a identidade das mulheres,

porque o homem não é apenas um homem económico: é

a educação, a relação com o trabalho… mas “o que será

também um homem com valores, nomeadamente, valores

uma mulher?”, “ como é que as mulheres vão organizar a sua

democráticos. Existe, pois, neste ponto específico, uma

existência, daqui por um século?”. Tudo questões extremamente

profunda crise dos Estados – do Estado democrático porque já

difíceis, porque já não somos uma sociedade estável.

não tem margem de manobra nem poder. E isso não é aceitável

Creio, no entanto, que é possível fazer alguns prognósticos

mas – e, finalmente – sim, a Europa está doente, a Europa está

para o futuro. Penso que em relação à hipermodernidade –

muito doente, e eu desejo vivamente que a situação se altere,

não se pode falar de mil anos mas de um século, talvez –, ao

porque que me sinto profundamente europeu, sinto--me em

mercado, à democracia, não se antevê o desaparecimento de

casa, em qualquer parte da Europa, amo a Europa e sei que

tudo isso mas, depois, em pormenor, sim, poderá acontecer.

a Europa não está bem. Mas também acredito que podemos

Para retomar o primeiro exemplo, a propósito dos mercados: eles são uma realidade que se institui, como economia que se autoregula, em princípio, a partir do século XVIII. Nos dias

Lipovetsky, o pensador que alerta para os perigos

de hoje, assistimos a enormes vagas de desregulação mas o

da hipermodernidade

capitalismo da Finlândia ou da Suécia não é igual ao capitalismo americano. Tal significa que, a partir dos mesmos princípios,

Gilles Lipovetsky (1944), sociólogo, filósofo, professor

podemos imaginar diferentes tipos de regulação.

universitário (Grenoble), autor de inúmeros ensaios sobre

“O Estado já não tem, hoje, margem de manobra e aí reside o cerne da questão: é necessário reencontrar margens de manobra já que uma sociedade não pode reduzir-se a um mero mercado.”

questões como a hipermodernidade, o hiperconsumo e o individualismo contemporâneo. Desenvolve uma visão neoindividualista, questiona o conceito de pós-modernidade, preferindo-lhe o de hipermodernidade.

A sua obra põe a nu o modo como os novos paradigmas do capitalismo e do individualismo desembocaram, nas últimas

O que é que está em “falência”, o modelo capitalista ou o

décadas, numa “civilização do desejo” e, posteriormente, numa

modelo europeu?

sociedade marcada pela preeminência absoluta do mercado. Em suma, Lipovetsky analisa os paradoxos e os perigos das

Bem, não me parece, de todo, que o capitalismo esteja em

sociedades dominadas pelo hiperconsumo e tenta demonstrar

“falência”! De modo algum! Até se “planetarizou”! Sabe que,

que “o espírito consumista é, quase sempre, sinónimo de

ainda nos anos 80, pelo menos no início, existia um aceso

deceção, ansiedade e frustração”.

debate, entre os grandes intelectuais que diziam que o capitalismo – ou o liberalismo –, iria desaparecer porquanto

Desde o enorme sucesso, em 1983, de L’Ère du vide, já

não iria conseguir resistir à economia planificada, à União

publicou uma obra considerável lida no mundo inteiro e, muito

Soviética, a todo o sistema comunista. Ora, aconteceu

recentemente, publicou L’esthétisation du monde: vivre à l’âge du

precisamente o contrário: o capitalismo saiu vitorioso.

capitalisme artiste (2013).

Ele vence, no seio das crises… as crises do capitalismo são a sua própria natureza. Sabe-se, desde Marx, que existem crises


linhas

set 2013

ultrapassar esta crise. Ao fim e ao cabo, a verdade

crises permitiam caminhar para um mundo melhor porque se

é que a Europa sempre avançou no meio de crises. Esperemos,

acreditava que a Ciência, as Luzes conduziam o homem em

pelo menos, que esta crise, que é gravíssima, e que corre

direção a algo superior, no sentido de: “amanhã será melhor que

o risco de asfixiar um certo números de países, permita

hoje”. Mas agora, interrogamo-nos – e esta religião do progresso

encontrar regulações mais moderadas, menos duras para um

é profundamente contestada. Exemplo: a questão da ecologia.

desenvolvimento mais solidário da Europa e, sobretudo, que

A ecologia diz: “Não! Vamos para pior porque estamos a assistir

este não seja uma “religião do curto-prazo” porque querer

à degradação da ecosfera e porque o abuso da tecnologia e

reduzir e impedir os desequilíbrios orçamentais é uma coisa

da ciência resultará num planeta onde não será possível viver.”

sã, boa, mas o remédio não deve matar o doente. Está-se a

Eis-nos, pois, perante uma grave crise do ideal da modernidade.

ir demasiado depressa. Deve permitir-se, às nações sobre

Mas, simultaneamente, temos de convir que outros valores

endividadas, que, através de regulações, pratiquem uma gestão

dessa modernidade estão mais fortes que nunca. Por exemplo,

mais moderada, mais controlada sem, no entanto, retirar meios,

a democracia já não é fundamentalmente contestada no seu

a um Estado, impedindo-o de impulsionar a sua economia.

princípio, pelos povos democráticos, pelos povos europeus. O ideal de liberdade é um valor já profundamente interiorizado

Em sua opinião, o que resta dos valores da modernidade?

pelos povos, de certo modo – eis a razão que me leva a falar

Que valores poderiam salvar a modernidade?

de hipermodernidade: os valores da democracia, os valores da modernidade já não têm de ser conquistados; são dados

Bem, um desses valores está gravemente enfermo: o progresso!

adquiridos. Existe, portanto, uma crise da modernidade mas que

Durante mais de dois séculos, os Modernos tiveram a religião

tem, como pano de fundo, algo de mais estável do que o que

do progresso, a religião – laica – do progresso. Existia a ideia

acontecia outrora: é o paradoxo!

de que a História ia no sentido do progresso, isto é, de mais justiça, mais liberdade, mais bem-estar. Havia crises, mas essas

O que pensa das críticas à modernidade, feitas por autores como o britânico John Gray que afirma que a modernidade só produziu erros trágicos como o nazismo e o comunismo? Não partilho essa opinião. Não. São questões demasiado complexas mas, se quiséssemos sintetizar, eu diria que se pode defender a ideia de que esses erros – que não são erros mas sim verdadeiras perversões! – não são a essência da modernidade. Pertencem a sociedades de uma modernidade inicial. E essa modernidade inicial não é uma verdadeira modernidade. Os acontecimentos de que fala, o nazismo, o comunismo são, na realidade, manifestações pré-modernas, manifestações que quiseram reconstituir uma espécie de formação pré-moderna. Em meu entender, o fascismo, por exemplo, não é uma pura expressão da modernidade: a noção de povo, a noção de raça e outros aspetos continham, em si mesmos, uma exigência de totalidade, uma recusa da diversidade que não são de essência moderna. Por tal facto, penso que a modernidade produziu horrores absolutos – o Goulag, o Holocausto… são o horror absoluto – mas a modernidade significa, também, a invenção do ideal de liberdade dos homens, da democracia, da liberdade de pensamento, da ciência que se desenvolve e se transforma numa magnífica aventura… Claro que existem riscos mas, sinceramente, que a humanidade possua a capacidade e o poder de construir o seu próprio futuro é algo que me enche de entusiasmo! A ideia de que caminhamos em direção ao conhecimento do infinitamente pequeno e do infinitamente grande, que somos capazes de pensar o big-bang, esta aventura imensa que nos faz recuar catorze biliões de anos, compreender, é uma extraordinária exaltação:


21

percursos honoris causa

a ciência é a honra do homem. Claro que existiram tragédias, claro que sim. Mas não culpemos demasiado depressa a modernidade!

Honoris Causa para referência no estudo de

A modernidade não é a única responsável por massacres.

políticas públicas

A História está pejada de massacres, extermínios e outros horrores… a humanidade viveu com a escravatura…

Gilles Lipovetsky é considerado «um dos maiores pensadores

a modernidade produziu muitos problemas mas tem também

contemporâneos sobre questões relacionadas com a

imensos méritos: a esperança de vida do ser humano não para de

‘hipermodernidade’, o ‘hiperconsumo’ e o ‘hiperindividualismo’

crescer, as mulheres conquistaram o livre domínio de si mesmas

contemporâneo. O primeiro livro que publicou (…) – ‘A Era

e podem, agora, construir livremente as suas vidas;

do Vazio’ – constitui um ensaio incontornável sobre este

a aventura da ciência… tudo isto está aberto… não existe apenas

‘hiperindividualismo’, alicerçado na sedução alienante da

miséria, desgraça ou drama… existe também uma admirável e

sociedade de consumo». No texto, aprovado por unanimidade no

poderosa energia nesta modernidade!

Conselho Científico da UA, reunido a 17 de abril, que inclui este

“É necessário dar aos jovens intrumentos que lhes permitam, através do comprometimento e da paixão, construir um futuro melhor.”

extrato, o pensador é comparado a Beck, Baumanm, Habermas e Giddens, embora conjugando uma «particularidade muito rara» entre os autores que mais se têm debruçado sobre problemas na esfera pública: parte da Filosofia e não raramente busca o auxílio da Sociologia ou da Psiocologia (Social) para analisar o fim do

Uma última questão: o vazio é definitivo ou será ainda

evolucionismo utópico que caraterizava obras de autores como

possível reinventar, recriar sentido?

Marx, Durkheim ou Weber.

O vazio de que trata o meu livro, L’ère du vide, é o vazio dos

O pensador, considerado referência para o estudo das políticas

grandes sistemas explicativos, das grandes ideologias coletivas.

públicas e para o Departamento de Ciências Sociais, Políticas e

Muito sinceramente, não o vejo reconstituir-se… isto é, não vejo

do Território da UA, recebe o Doutoramento Honoris Causa a 18

reconstituir-se a situação, a conjuntura que o antecedeu:

de setembro.

os grandes sistemas religiosos, o ideal do progresso, de que já falei, o nacionalismo, o comunismo, a revolução… não considero que isso se possa reconstituir… Aquilo a que assistimos, aliás, infelizmente, é à fragilização do que poderia servir de inspiração aos povos, isto é, a ideia de Europa, o ideal europeu… portanto, nesse aspeto, não vejo que seja possível o regresso das grandes ideologias coletivas e não é por essas grandes ideologias coletivas estarem caducas, isto é, por já ninguém acreditar nelas; aliás, não acreditar nessas ideologias não significa não acreditar em nada: existem tantos outros projetos, mais restritos, talvez, mas tão carregados de sentido! Quando nos dedicamos a uma causa e acreditamos nela – os ecologistas, os movimentos humanitários, a ajuda aos mais desprotegidos no planeta, a investigação científica – mas talvez, também, fazer um filme, criar uma orquestra, escrever um livro… pode ser algo de arrebatador e apaixonar uma existência. Dramático seria se tudo se reduzisse ao consumo! O consumo pode ser positivo mas não pode existir em demasia. Se ocupar demasiado espaço, poderá empobrecer toda a humanidade. Mas, acredito que, entre as grandes ideologias e o consumo, que são polos extremos, existe espaço para novas formas de utopia, novas formas de sonho, novas formas de projetos, mais disseminados, mais diversos, mais variáveis, talvez, mas que podem preencher uma existência. Por tudo isso, é necessário dar aos jovens instrumentos que lhes permitam, através do comprometimento e da paixão, construir um futuro melhor. E, isso, estou convicto de que a modernidade é perfeitamente capaz de fazer.

(N.R. : Esta entrevista foi realizada paralelamente às “Exit Talks – Conversas sobre exportação”, promovidas pela Universidade de Aveiro, em parceria com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a 15 e 16 de abril).


linhas

set 2013

Joaquim Renato Araújo uma equipa, uma visão e o futuro da UA acontece Foi Reitor da Universidade de Aveiro entre 1986 e 1994, anos decisivos para a jovem academia alcançar robusta a idade adulta. A implementação do Campus de Santiago pela mestria dos melhores arquitectos portugueses, a aquisição de equipamentos científicos de ponta e a aprovação dos primeiros estatutos da UA cunham uma época em que Joaquim Renato Araújo e um grupo de homens e mulheres visionários fizeram da Academia um imenso espaço para o Ensino e a Investigação se multiplicarem rumo ao século XXI.

Imagem de cima // Renato Araújo a discursar durante o jantar que o homenageou em 1994. Imagem de baixo // Renato Araújo (segundo a contar da esquerda) durante a visita de Marçal Grilo, então Secretário de Estado do Ensino Superior em 1994.


23

percurso singular

Finais dos anos 80. O Campus de Santiago é um enorme

presente nos lugares cimeiros dos rankings mundiais. Hoje a

estaleiro de obras. Há sete departamentos em construção.

UA é o único lugar do mundo onde à distância de um pestanejar

Centenas de operários plantam alicerces e fazem nascer

se podem ver obras de dois Prémios Pritzker.

paredes a um ritmo avassalador. Ao longo dos dias dezenas de camiões chegam, descarregam materiais, carregam entulho

“A nossa responsabilidade era para com o futuro”, recorda hoje

e partem. Para se fazerem ouvir, os homens falam alto lá de

Renato Araújo. Do gabinete que tem no Complexo Pedagógico,

cima dos andaimes. Em volta dos edifícios vestidos ainda a

Científico e Tecnológico, um dos edifícios construídos no Campus

cimento cru tudo é poeira, lama, ruído, guindastes e betoneiras.

já no século XXI porque há 25 anos atrás se imaginou que um

Às toneladas, tijolos de barro, vigas de ferro, madeiras,

dia pudesse existir, o antigo Reitor folheia a memória: “Não

cerâmicos, vidros e alumínios aguardam pela vez de entrarem

queríamos que as nossas decisões constrangessem qualquer

na história.

tipo de crescimento da Universidade. Nós não éramos os donos do futuro da UA, éramos apenas uns meros contemporâneos

O caos é apenas aparente. A UA está em expansão e segue uma linha escrutinada até ao milímetro. Por entre as obras, de olho nos detalhes, há uma figura que passa diariamente. Leva na cabeça o plano concebido pelo arquiteto Nuno Portas que, juntamente com os melhores mestres da arquitetura contemporânea portuguesa, ousou desenhar um Campus virado para as necessidades da academia, em sintonia com a cidade e com a região e, sobretudo, voltado para o futuro. Nas mãos traz os esquiços que vão ganhando forma à sua frente. Reservado, de trato afável, abranda o passo para conversar uma e outra vez. Tem uma palavra, sempre, para toda a gente. Chama-se Joaquim Renato Araújo, foi reitor da UA entre 1986 e 1994 e a obra de edificação do Campus de Santiago confunde-se com o seu nome. “Não concordo com essa afirmação. Prefiro que se escreva que a obra de edificação do Campus coincidiu com os meus dois mandatos”, propõe. A correção fica feita.

Renato Araújo a discursar na cerimónia de tomada de posse do Reitor Júlio Pedrosa em 1994.

O coletivo sempre à frente do Eu

de um determinado período e, por isso, havia sempre o cuidado

Setembro de 2013. O Campus de Santiago é um museu

que qualquer decisão que se tomasse não fosse limitativa para o

aberto da arquitetura portuguesa contemporânea. Cada um

caminho que a academia pudesse vir a fazer”.

dos departamentos da UA tem a assinatura de nomes tão incontornáveis como Eduardo Souto Moura, Alcino Soutinho,

“Nós” é um pronome constante no discurso sereno de Renato

Pedro Ramalho, Adalberto Dias ou José Maria Lopo Prata.

Araújo. Utiliza-o sempre. Nunca se refere ao que fez mas ao

A Biblioteca e o depósito da água têm a assinatura de Siza Vieira.

que “nós fizemos”. É difícil, senão impossível, fazê-lo centrar-

O Edifício Central e da Reitoria é de Gonçalo Byrne. Na alameda,

-se nele próprio. Nunca gostou de protagonismos. Google-se

os três andares de cada edifício respeitam os olhos virados

“Renato Araújo” juntamente com “Universidade de Aveiro” e

para a paisagem da ria de Aveiro e a traça de uma cidade pouco

pouco aparece. Não tem o currículo disponível no site da UA

dada à volumetria e às alturas. Por entre os hectares de espaços

nem o quer mostrar agora porque o que fez pouco lhe interessa

verdes, o laranja do barro sobressai. Só podia ser assim numa

publicitar. “O percurso coletivo é mais importante”, volta a

universidade nascida de uma região onde a cerâmica povoa todos

sublinhar. As fotos são raras porque não se deixa retratar

os livros da história cultural e industrial.

facilmente. Não gosta de falar se si.

Mas é essencialmente o futuro que se antevê em cada

“É uma característica que devo à aldeia onde cresci e fiz a

espaço do Campus. Depois de 1994, ano em que passou

escola”, justifica-se. Entre os trabalhos agrícolas – e não havia

o testemunho da Reitoria para as mãos de Júlio Pedrosa, a

nenhum na aldeia que não envolvesse toda a gente - “tive a

academia continuou a expandir conciliando a linha harmoniosa

sorte de ter um professor fabuloso, um pedagogo excelente

do Campus com as necessidades estruturais para incrementar

que ajudou a congregar em mim esse espírito e, por isso, os

investigação e ensino. Hoje a UA é uma universidade sempre

meus amigos dessa altura continuam hoje a ser meus amigos”.


linhas

set 2013

Equipa para retomar o caminho primordial

cuja “linha foi de certa rutura” com a herança deixada pelo

Chegou à UA em dezembro de 1974. Licenciado em Geologia

primeiro responsável da academia.

pela Universidade de Coimbra, o 25 de Abril encontrou Renato Araújo na Universidade de Lourenço Marques onde era professor

Assim, perante a candidatura de um dos vice-reitores de

convidado. Na leva dos retornados, aterrou em Aveiro para

Mesquita Rodrigues, que apontava para a continuidade de um

colaborar com Victor Gil, o primeiro Reitor da UA, “na pequena

projeto com o qual Renato Araújo discordava, “um grupo pensou

equipa que iniciava o caminho da edificação desta academia”.

em retomar com as linhas orientadoras” de Victor Gil. “Resolveu-

Por três vezes foi presidente do conselho científico da academia

-se que seria eu a avançar”, lembra. Avançou e ganhou. A seu

antes de ser eleito para o lugar maior da Reitoria em 1986.

lado tinha os Vice-reitores João Baptista e Júlio Pedrosa. Que projeto tinham? “Estávamos na linha com o que o

Candidatou-se porque “alguém tinha de o fazer”. A eleição,

professor Victor Gil tinha marcado como opção e que foi

a primeira em cuja vontade da comunidade académica era

transmitido ao conjunto de pessoas que, como eu, foram

alvo de escrutínio, definiu muito do amanhã da UA. “Para

entrando nos dois primeiros anos de vida da Universidade”,

contextualizar o que estava em causa”, lembra Renato Araújo,

diz. Era, “sem dúvida”, uma linha que “agradava totalmente”

a Victor Gil seguiu-se, em 1976, Mesquita Rodrigues, um Reitor

a Renato Araújo. A estratégia de Victor Gil, que tanto o cativou, apontava para “uma universidade próxima da lógica das universidades novas inglesas, assente numa estrutura muito participativa, que começava ao nível da base nos departamentos, e com uma capacidade de inovar em áreas que se entendiam serem fundamentais” para o desenvolvimento do país. “Havia uma dinâmica que tinha em conta esse referencial mas também aquilo que era Portugal e o que era necessário que as universidades ajudassem a fazer para o país crescer”, acrescenta. Para isso, urgia a criação de “cursos muito novos, transversais e com qualidade”. “Foram essas as linhas mestras que a nossa equipa reitoral voltou a agarrar quando entrou”, relembra. A edificação de um Campus sintonizado com a cidade era, igualmente, um dos planos que Victor Gil deixou na ‘gaveta’ e que “era prioritário retomar”. Assim aconteceu quando assumiu a Reitoria. E com ele um grupo que tinha “grande vontade de mudar o mundo” e que carregava uma força que haveria de fazer toda a diferença: “A interajuda entre todos, a disponibilidade para discutir e ajudar a encontrar uma ideia trave que fosse significativa para aquilo que se pedia que fossem as universidades públicas eram a nossa marca”. Nuno Portas junta-se ao futuro da UA No cenário do Campus, na hora de tomada de posse do Reitor Renato Araújo, existiam já os pavilhões 1, 2 e 3. A Zona Técnica Central, os Serviços Sociais e o Departamento de Eletrónica estavam em construção. Mas para cumprir os objetivos que a que se propuseram - uma UA atenta à realidade do país e que pudesse formar jovens quadros para suprimir as necessidades do mercado de trabalho - esse campus não chegava.

Imagem de cima // Renato Araújo (segundo a contar da esquerda) durante a cerimónia

Já na anterior reitoria, lembra, “havia uma série de colegas,

que o homenageou em 1994.

nomeadamente o João Baptista e o Luís Severo, que tinham

Imagem de baixo // Júlio Pedrosa, Victor Gil, Jorge Veiga e Renato Araújo

questionado o desenvolvimento do campus da UA”. “Nós não


25

percurso singular

aceitávamos o tipo de edifícios que estavam a ser projetados para a UA”. O Departamento de Eletrónica e Telecomunicações e o de Ambiente e Ordenamento ainda hoje traçam esse modelo contestado. Os planos da equipa de Mesquita Rodrigues e da Direcção Geral do Ensino Superior apontavam para duas linhas de edifícios paralelos, construídos em altura com materiais estranhos à região de Aveiro, e que “cortavam a relação da academia com a ria, um dos elementos estruturantes da Universidade, tanto mais que tínhamos criado em Portugal o primeiro curso de ambiente”. A equipa de Renato Araújo defendia ainda que a UA tinha de ter uma ligação próxima à cidade e que isso passava pelo património. “A Universidade não podia ser uma instituição qualquer, edificada numa cidade em que o património construído é muito frágil e pouco expressivo”, lembra. De facto, Renato Araújo e os seus pares queriam “uma UA cujos edifícios

Renato Araújo e Júlio Pedrosa em 1994.

pudessem ajudar Aveiro a ter um património de referência”. Para ajudar a concretizar essa missão, Nuno Portas, marca maior

iria caminhar”, relembra. Por isso, como responsáveis pela

da Escola de Arquitetura do Porto, era a pessoa indicada.

universidade, “não podíamos construir um modelo que fosse

“Convidámo-lo para fazer parte do projeto e ele ficou encantado

rígido e que pudesse ser um constrangimento para o futuro”.

por poder estar connosco. Tivemos com ele uma convivência

Para além dessa imposição, a visão dos responsáveis pela UA

magnífica”, lembra Renato Araújo. Com a adesão do país à

apontava para “uma estrutura que levasse à rápida e simultânea

Comunidade Económica Europeia e, com isso, a possibilidade

construção de vários departamentos, ao contrário do modelo

de aceder a fundos financeiros extraordinários - aos quais a UA

anterior que apontava para a construção de um departamento

antecipadamente preparou candidaturas - estavam alinhados os

de cada vez, uma opção trabalhada pelo Prof. Ferrer Correia”.

astros da bonança para a jovem academia que contou com o apoio dos Secretários de Estado Ralha e Fernando Real

E numa época em que o aproveitamento energético era um

e dos engenheiros Cândido Ribeiro e Maria dos Anjos Alfaiate,

assunto inexistente, os arquitetos ouviram da UA uma ideia

técnicos da Direcção Geral do Ensino Superior.

inédita para os edifícios escolares: paredes duplas. “Foi a primeira vez que elas apareceram em escolas portuguesas”,

Arquitetura de excelência

regozija-se Renato Araújo.

Nuno Portas rapidamente se fez rodear da nata da arquitetura portuguesa. Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Alcino

“Nós fomos a primeira instituição a dar aos arquitetos

Soutinho, Alfredo Matos Ferreira, Joaquim Oliveira, Adalberto

portugueses dessa geração a possibilidade de construírem para

Dias, Victor Figueiredo e os irmãos Mateus, entre tantos outros

o Estado ao nível do Ensino Superior”, diz Renato Araújo. Se

arquitetos geniais, sob a batuta de Nuno Portas e o sonho

indelevelmente a UA ganhou para sempre um cunho daqueles

de Renato Araújo e dos seus vice-reitores, desenharam em

que já eram a promessa de uma arquitetura de excelência

conjunto o futuro do Campus.

portuguesa, “também a UA os marcou a eles para sempre”.

Renato Araújo lembra que “não foi difícil reunir todos esses

Comunidade académica pequena, coesa e muito motivada

arquitetos porque beneficiámos muito do prestígio de Nuno

A edificação do Campus ocorreu a um ritmo frenético.

Portas, uma referência para todos os colegas”.

Renato Araújo lembra o período em que “chegámos a ter ao mesmo tempo sete edifícios em construção”. Outra inovação

As reuniões decorreram ao ritmo da “boa disposição e de forma

introduzida pela equipa prendia-se com a fiscalização

assertiva e construtiva” e sem nunca perder de vista o plano da

das obras que havia de ser entregue a entidades externas

equipa reitoral: “A qualidade do Campus era fundamental para

constituídas por engenheiros civis que, desde o primeiro

nós. Sem isso a UA não poderia afirmar o seu objetivo número

minuto, acompanharam o desenvolvimento do projeto. “Isso

um que era a qualidade na investigação e no ensino”.

dava-nos a garantia de que tínhamos uma visão externa e que podia interferir e ser crítica quer para a própria Universidade,

“Estávamos numa fase em que a Universidade tinha três ou quatro áreas de referência e não sabíamos para onde

quer para os projetistas e construtores”, justifica Renato Araújo.


linhas

set 2013

A contratação destas equipas independentes ajudou também

edifícios. “Tínhamos os recursos humanos e começávamos a

a UA a equilibrar o acompanhamento das obras já que os

ter as condições físicas, só faltavam os equipamentos. E eles

serviços técnicos eram constituídos apenas pelos engenheiros

vieram graças ao Programa Ciência para o qual concorremos

Tavares da Conceição e o desenhador Miguel Morais.

com bons projetos coordenados pelo professor Joaquim

“As pessoas não acreditam que nessa altura tínhamos só duas

Vieira e dentro do âmbito da política interna estimulada pelos

pessoas nos serviços técnicos, duas pessoas extraordinárias

professores João Baptista e Júlio Pedrosa, que incrementaram

a quem a UA deve muito”, lembra Renato Araújo.

os doutoramentos e as opções por equipamentos laboratoriais de referência”, diz. Foi igualmente neste período que a equipa

O antigo Reitor recorda igualmente o professor Aristides Hall,

de Renato Araújo fez aprovar os primeiros estatutos da UA

homenageado mais tarde com o Pavilhão Gimnodesportivo da

que consolidaram o regime departamental e o princípio da

UA que recebeu o seu nome. “Era um trabalhador fantástico.

representatividade em todos os órgãos da academia.

Ele preparava os cadernos de encargos como pouca gente conseguia”, reconhece. Derrapagens orçamentais?

Olha pela janela do gabinete em direção à alameda. Sorri.

“Só tivemos uma num único edifício. De resto o orçamento

“Ainda hoje, felizmente, o campus continua harmónico e em

foi inteiramente cumprido até ao tostão”, orgulha-se. A UA

crescimento. Ainda hoje se vê por aí o génio da equipa de Nuno

“tinha uma belíssima situação financeira graças às pessoas do

Portas que nos trouxe o atual modelo daquilo que é a ferradura

Serviço Administrativo, em especial o Ulisses de Carvalho de

da UA”.

Jesus e o Modesto Aradas que trabalharam noites inteiras para podermos processar a parte administrativa dos processos,

Passagem do testemunho

e à Dra. Maria do Rosário Amador que controlava perfeitamente

Março de 1994. Final do segundo mandato de Renato Araújo

toda a despesa”.

que teve na equipa os Vice-reitores Aristides Hall, Gustavo Caldeira, Estela Pereira e Maria Helena Nazaré, os presidentes

Não esquecer que as obras não fizeram parar o ensino e a

dos conselhos científicos Edmundo Fonseca e Manuel Serrano

investigação “o que exigia equilíbrios muito difíceis e grandes

Pinto e o presidente do Conselho Pedagógico Manuel António

sacrifícios de muita gente que teve de abdicar de certas coisas

Assunção. Regressa ao Departamento de Geociências e

porque não se conseguia fazer tudo em simultâneo”. Aulas em

aposenta-se pouco depois com a certeza da missão cumprida

salas improvisadas, trabalhos de laboratório a decorrerem em

após 20 anos de dedicação à construção da UA e 39 de serviço

‘vãos de escada’, tudo serviu para aguentar num enorme fôlego

no total. Podia ter concorrido a um terceiro mandato mas

os anos em que os andaimes foram quem mais ordenava na

recusou essa hipótese aberta pelo então Ministro da Educação

UA. “Éramos uma comunidade pequena mas coesa e disposta

Roberto Carneiro que fazia aprovar a lei que dava aos reitores

a fazer grandes sacrifícios” para que a UA se cumprisse.

essa possibilidade.

Campus harmónico e em crescimento

“Eu fui o único reitor a recusar concorrer ao abrigo dessa lei”,

O resultado salta à vista até dos menos atentos: cada edifício

sublinha. A razão é simples: “entendida que aproveitar uma

da UA tem diferenças, sobretudo nos seus espaços internos

lei que saía a meio do percurso não era cordial. Nós tínhamos

de circulação e de trabalho. Mas o que é comum tem a força

sido eleitos com outra lei e era com essa que tínhamos de

unificadora para os enquadrar de forma harmoniosa no

funcionar”. Ponto final. “Felizmente havia a garantia que o

conjunto do campus. Depois das provas dadas em Aveiro,

caminho da UA ainda ia melhorar muito com o professor

muitos dos arquitetos que assinaram cada um desses primeiros

Júlio Pedrosa [um dos Vice-reitores de Renato Araújo que o

edifícios foram chamados a conceber outras universidades.

sucederia] que estava disponível e muito mais bem preparado do que eu”.

A Renato Araújo escapa um segredo: “É bom ver que temos alguns defeitos nalguns edifícios, nomeadamente com muitas

Depois de “milhares de situações com uma efervescência

das janelas, porque os arquitetos estavam a projetar pela

enorme”, de anos seguidos em que “entrava na Universidade

primeira vez para o Ensino Superior”. E, já agora, a jovem

às oito da manhã e visitava o campus todo, departamento a

equipa reitoral, “também com pouca experiência”, não

departamento” a hora era de “adeus e até já”.

conseguiu fazer passar para os esboços dos edifícios “algumas

Na verdade, Renato Araújo esteve sempre presente na

coisas importantes”. Mas o caminho faz-se caminhando:

Universidade desde então. Discreto, integra o Conselho de

“Há defeitos que eles depois melhoraram e corrigiram quando

Curadores da UA. Diz hoje que a UA “tem bases suficientes

projetaram para outros sítios. Aprenderam muito aqui”.

para aguentar qualquer impacto e encarar com esperança

Para além do cimento, dos andaimes e dos tijolos de barro

o futuro”. Sendo ele a dizer, a UA pode certamente continuar

acrescente-se ainda, sublinha Renato Araújo, o recheio dos

a trabalhar como até aqui.


27

distinções

DISTINÇÕES

UA volta a estar entre as 70 melhores e mais jovens do mundo

Anticorpos a partir da gema de

A Universidade de Aveiro é a 66ª melhor universidade do mundo com menos

ovo valem bolsa milionária

de 50 anos e a melhor das portuguesas. A classificação no ranking da revista

A investigadora Mara Freire, da

Britânica Times Higher Education (THE) de 2013, um dos mais conceituados rankings

Universidade de Aveiro, conquistou uma

internacionais de ensino superior, foi atribuída pela segunda vez consecutiva.

das bolsas atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação, as mais

Entretanto, num outro ranking mundial, de difusão científica da SCImago, um dos

importantes na Europa. A bolsa atribuída

mais prestigiados a nível internacional, a academia aveirense sobe 29 posições

à cientista do Centro de Investigação

na lista das instituições com mais artigos publicados, integrando o top cinco das

em Materiais Cerâmicos e Compósitos

universidades portuguesas e o 524º lugar, em termos mundiais.

(CICECO) corresponde a cerca de 1,4 milhões de euros, a atribuir ao longo de

“Melhorámos a nossa performance, porque a competição é sempre maior de ano

cinco anos para desenvolver o projeto

para ano”, denota o Reitor da UA, Manuel António Assunção, sobre a manutenção

“IgYPurTech: Uma tecnologia sustentável

do mesmo lugar do ano passado no ranking THE. Simultaneamente, Manuel António

para a purificação de anticorpos”.

Assunção entende que as classificações que têm vindo a ser conseguidas pela UA são o resultado de 40 anos de trabalho: “Há aqui um testemunho de todo o nosso

O trabalho da cientista de Aveiro procura,

percurso, das escolhas que fizemos em sermos diferentes na oferta formativa,

a partir de anticorpos retirados da gema

na organização, e também do esforço que fizemos, desde o primeiro momento,

do ovo, desenvolver biofármacos baratos

de entendermos que a formação e qualificação dos recursos humanos e a aposta

e mais eficazes do que alguns dos atuais

na investigação são uma área estruturante de base fundamental para se ser uma

antibióticos. Nos últimos anos, o estudo

universidade de qualidade”.

da produção e purificação de anticorpos para uso em seres humanos tem-se

Já em abril deste ano, a UA se tinha destacado em relação às restantes

centrado, principalmente, nos anticorpos

universidades portuguesas, quanto à prestação científica, ocupando o lugar 133 da

produzidos por animais de pequeno

Europa, de acordo com ranking CWTS publicado pela Universidade de Leiden que

porte. Contudo, para além do elevado

contabiliza todas as áreas científicas. Na área de “Ciências Naturais e Engenharia”,

custo de produção, a recuperação destes

a UA surgia no lugar 69 das universidades europeias.

anticorpos requer o uso de práticas


linhas

set 2013

invasivas. “Uma potencial alternativa baseia-se na imunoglobulina Y (IgY), um anticorpo produzido em grande quantidade e presente na gema de ovo”, aponta a investigadora do CICECO. Para além da sua obtenção não fazer uso de técnicas invasivas, explica, “o facto de o IgY ser abundantemente produzido contribui para uma redução dos custos de produção pela indústria farmacêutica”. O desafio maior do projeto premiado da UA é o desenvolvimento de uma nova

Academia Mundial

Estudo sobre código

técnica de purificação de IgY que, a

de Cerâmica acolhe José Maria

genético na Nature Reviews

partir da gema de ovo, permita obter

FONTE Ferreira

in Microbiology

os anticorpos com a pureza necessária

José Maria Fonte Ferreira, investigador

O estudo de investigadores da

à indústria farmacêutica e a um preço

do Departamento de Engenharia de

Universidade de Aveiro sobre o invulgar

competitivo.

Materiais e Cerâmica (DEMAC)

código genético do fungo patogénico

da Universidade de Aveiro, é o mais

“Candida albicans” voltou a ser

recente membro da Academia Mundial

destacado numa publicação científica

EUR-ACE atribui qualidade

de Cerâmicas e, com isso, tornou-se

internacional e de renome.

europeia a Engenharia Física

no único português a ser convidado

Após a publicação do artigo em

O Conselho Diretivo Nacional da Ordem

para fazer parte de um grupo constituído

“Proceedings of the National Academy

dos Engenheiros atribuiu a Marca de

pelos melhores cientistas do mundo

of Sciences”, o estudo que mostra como

Qualidade Europeia EUR-ACE (European

na área. Os estatutos da Academia,

o fungo alterou o seu código genético,

Accreditation of Engineering Programmes)

constituída por cerca de 200 membros,

antes considerado universal e comum

ao Mestrado Integrado em Engenharia

permitem apenas abrir as portas aos

a todos os seres vivos, foi destacado

Física (MIEF) lecionado na Universidade

investigadores cujo trabalho constitui

na “Nature Reviews in Microbiology”.

de Aveiro, o primeiro curso desta área,

“uma notável contribuição internacional

a nível nacional, a receber o selo.

para o avanço da cerâmica”.

Esta marca é conferida segundo critérios

A Academia Mundial de Cerâmica foi

sob coordenação de Manuel Santos,

definidos pela associação European

fundada em 1987 e é um centro de

professor do Departamento de Biologia

Network for Accreditation of Engineering

excelência para a comunidade científica

da Universidade de Aveiro e investigador

Education (ENAEE), e destina-se também

internacional que promove o progresso

do Centro de Estudos do Ambiente e do

a promover a mobilidade no mercado

tecnológico no campo da cerâmica.

Mar, descobriu que o fungo patogénico

A equipa constituída pelos doutorandos Ana Rita Bezerra e João Simões,

“Candida albicans” utiliza um código

de trabalho: um curso ao qual tenha sido atribuída a Marca de Qualidade será

Coordenador do Grupo de Materiais de

genético diferente do de outros seres

automaticamente reconhecido em todos

Processamento Avançado de Materiais

vivos e percebeu como foi alterado.

os países da União Europeia.

Cerâmicos do DEMAC, José Maria Fonte

A partir daí, alterou artificialmente

Ferreira tem como principais alvos de

o código genético do fungo e testou

Com a atribuição deste selo ao MIEF,

trabalho o processamento de materiais

o efeito quanto à resistência a antibióticos

válida até 2019, são já quatro os cursos

cerâmicos, vítreos, vitrocerâmicos

e ao potencial inflamatório em ratos.

de engenharia da UA reconhecidos

e compósitos, com enfâse especial no

Os investigadores concluíram, então,

internacionalmente: Mestrado Integrado

desenvolvimento de substitutos ósseos

que a alteração do código genético leva

em Engenharia Eletrónica

sintéticos para aplicações na regeneração

a mudanças na constituição da parede

e Telecomunicações, Mestrado Integrado

óssea em ortopedia e medicina dentária,

celular do fungo e traz vantagens na

em Engenharia Química e Mestrado

na engenharia de tecidos e na libertação

adaptação às condições ambientais,

Integrado em Engenharia Civil.

controlada de fármacos.

nomeadamente tornando-o mais resistente aos antibióticos e à resposta imunitária do hospedeiro.


29

distinções

Projeto de novos

lugar no pódio. O mesmo lugar, terceiro,

Emoções de um novo sistema

revestimentos é um MUST

foi também conseguido pela equipa FC

de partilha de “bikes”

O projeto MUST (Multi-Level Protection

Portugal, das Universidades de Aveiro,

O bikeemotion, sistema de quarta geração

of Materials for Vehicles by Smart

Porto e Minho. Os portugueses trouxeram

de partilha de bicicletas, foi nomeado por

Nanocontainers) em que participam o

ainda prémios de relevo em desafios

um júri internacional de especialistas na

Departamento de Engenharia de Materiais

técnicos específicos de cada liga. Estes

área das TIC para representar Portugal no

e Cerâmica e o Centro de Investigação

resultados mantêm a Robótica da UA no

World Summit Award (WSA), na categoria

em Materiais Cerâmicos e Compósitos

topo da investigação e desenvolvimento

e-Culture & Tourism.

da Universidade de Aveiro ganhou

neste domínio a nível mundial.

o segundo lugar na competição para o “melhor projeto de Investigação 2013”.

O bikeemotion é um dos cerca de 500 A edição deste ano do RoboCup (www.

produtos de 168 países, destacados pelo

robocup2013.org) decorreu de 24 de

seu conteúdo de excelência.

Organizada pelo EuroNanoForum-2013,

junho a 1 de julho, em Eindhoven,

O projeto tem autoria de antigos

a maior conferência europeia na área

na Holanda, e reuniu mais de 2500

alunos da Universidade de Aveiro (UA)

das nanotecnologias e dos materiais

participantes de 35 países.

e a colaboração do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território.

que se desenrolou de 18 a 20 de junho, a competição premiou um projeto que

A delegação portuguesa foi composta

tem nos investigadores Mário Ferreira

por seis equipas de instituições de ensino

O bikeemotion é um projeto inovador

e Mikhail Zheludkevich da UA duas das

superior e por treze equipas de escolas

que visa desenvolver um sistema de 4ª

principais forças motrizes.

básicas e secundárias. Esta delegação

geração de partilha social de bicicletas

esteve entre as 10 maiores do mundo e foi

mais económico e sustentável, dado que

a segunda maior da Europa.

o bloqueio/desbloqueio remoto permite

Baseado na ideia de autorreparação de

estacionar as bicicletas livremente.

revestimentos de materiais, com atuação a diferentes níveis de proteção, sugerida

Na participação de equipas do ensino

O bikeemotion está equipado com a

pelo investigador Mikhail Zheludkevich,

superior, a UA destacou-se ao conquistar

mais moderna tecnologia de localização,

o MUST é um projeto europeu que,

seis prémios, nas ligas de futebol robótico

pagamento e reserva de bicicletas,

entre outros objetivos, pretende

médio, futebol robótico simulado 3D e

mantendo, ao mesmo tempo,

desenvolver para a indústria aeronáutica

futebol robótico simulado 2D.

a simplicidade de utilização.

por si a fuselagem dos aviões.

A CAMBADA participou este ano com

O projeto está a ser desenvolvido

O revestimento vai ser utilizado por um

novas plataformas robóticas cuja

pela Ubiwhere (empresa graduada

dos maiores fabricantes mundiais

estrutura mecânica resultou de uma

da Incubadora de Empresas da UA),

de aviões comerciais, a EADS,

estreita parceria entre o Departamento

promotora, em cooperação com a UA,

a empresa proprietária do AIRBUS.

de Electrónica, Telecomunicações e

a Ponto. C e a Micro I/O.

No entanto, as tecnologias desenvolvidas

Informática da UA e a Escola Superior

não estão apenas focadas em aplicações

de Tecnologia e Gestão de Águeda

aeronáuticas já que também estão

que interveio na conceção, desenho e

a ser desenvolvidos revestimentos

maquinação da estrutura.

revestimentos inteligentes que reparem

para a indústria automóvel e marítima. O MUST resultou na criação de uma spin-off da UA, a Smallmatek, facto que contribuiu igualmente para a atribuição do prémio.

Mais um pódio internacional para a CAMBADA da UA A CAMBADA, equipa de futebol robótico da Universidade de Aveiro, a concorrer na liga de robôs médios, regressou da RoboCup 2013, na Holanda, com mais um


linhas

set 2013

Bolsa inédita para investigador

de Mérito Científico do Município

do telecomando sem pilhas

de Aveiro. A atribuição da Medalha

Uma das dez “MTT Graduate Student

de Mérito Científico tem um significado

Fellowship” de 2013 no mundo

especial, este ano em que se assinalam

inteiro, um primeiro prémio na “IMS

40 anos da Universidade de Aveiro,

2013 Student SDR and DSP Design -

35 do Departamento de Ambiente

Undergraduate Competition” e ainda um

e Ordenamento e 20 anos do Instituto

segundo lugar na “SDC-LSNA MTT-11

de Ambiente e Desenvolvimento.

Measurement Competition”, resultaram da que foi a maior participação de

A distinção foi atribuída em sinal do

sempre da Universidade de Aveiro no

reconhecimento pelo contributo decisivo

International Microwave Symposium

para a inovação, formação, avanço e

de 2013 (IMS2013), em Seattle.

desenvolvimento científico dado pelo

O aluno de doutoramento Alírio

académico. Carlos Borrego, que também

Boaventura está entre os dois primeiros

exerce funções de diretor do Instituto de

num grupo de dez a nível mundial a

Ambiente e Desenvolvimento, foi Vice-

receber o prémio Graduate Fellowship

reitor, entre 1998 e 2002, e ministro do

Estudantes da UA premiados no

2013, sendo o primeiro estudante em

Ambiente e Recursos Naturais, de 1991 a

design de garrafas de azeite

Portugal a receber esta distinção na

1993. Para além de vários outros cargos e

“Desenvolver uma garrafa para azeite

categoria Graduate Student.

funções que desempenhou e desempenha a nível nacional e internacional, é

português” foi o desafio que a BA Vidros, especializada em embalagens

Este prémio, atribuído pela Sociedade

coordenador do Grupo de Emissões e

de vidro para a indústria alimentar e de

de Radio-frequência e Micro-ondas

Modelação das Alterações Climáticas

bebidas, lançou aos jovens designers

(Microwave Theory and Techniques -

(GEMAC), do Departamento de Ambiente

portugueses. Através dos Glassberries

MTT-S) do Institute of Electrical and

e Ordenamento da Universidade de Aveiro,

Design Awards 2013, a empresa premiou

Electronics Engineers (IEEE), consiste

sendo coordenador de seis projetos

as propostas mais criativas para novas

numa bolsa de estudos de pós-

atualmente em curso com financiamento

embalagens de vidro. A Universidade de

graduação no valor de sete mil dólares,

da UE e de quatro com financiamento do

Aveiro, que assegurou participação com

que visa reconhecer o mérito

PRAXIS XXI.

os alunos de Design, conquistou todos

e excelência académica.

os prémios a concurso. Alírio Boaventura, de nacionalidade

Dissertação de antiga aluna

O concurso premiou as propostas mais

cabo-verdiana, é aluno do programa

é ideia de futuro com prémio

criativas para as novas garrafas de

doutoral em Engenharia Eletrotécnica

europeu

azeite português, entre os estudantes

na Universidade de Aveiro e investigador

Antiga aluna do Departamento de

da área de design de produto de três

no Instituto de Telecomunicações, sob

Ambiente e Ordenamento (DAO) da

universidades nacionais. José de Oliveira

orientação científica de Nuno Borges

Universidade de Aveiro, Ana Sofia

Araújo e Tiago Ruivo Pinheiro venceram

de Carvalho, professor do Departamento

Fonseca venceu a categoria de

o primeiro prémio; Catarina Mouta e

de Eletrónica, Telecomunicações

Manufacturing (Indústria) na competição

Mariana Gomes conquistaram a segunda

e Informática. A proposta apresentada

«Future Ideas - European Innovation

posição no pódio e Soraia Carvalho da

relaciona-se com o projeto

Master Thesis Competition 2013»,

Rocha e Bruno Graça levam para a casa

“Telecomandar sem pilhas”.

com a dissertação de mestrado.

o terceiro lugar a concurso. Para além A ex-aluna da UA defende, no seu

dos prémios, os vencedores terão a Carlos Borrego recebe

trabalho, que o desmantelamento

medalha municipal de Mérito

de veículos em fim de vida (em vez

O desafio da BA Vidro foi lançado

Científico

da habitual desfragmentação) traz

em março e, nesta segunda edição,

O professor e diretor do Departamento

vantagens para o meio ambiente.

a BA convidou três escolas a participar:

de Ambiente e Ordenamento da

a UA, a Universidade Lusíada e a ESAD,

Universidade de Aveiro e ex-ministro do

O concurso Future Ideas destina-se

de Matosinhos.

Ambiente e Recursos Naturais, Carlos

a galardoar os melhores trabalhos

Borrego, foi distinguido com a Medalha

académicos produzidos no âmbito de

oportunidade de estagiar na BA Vidro.


31

distinções

cursos de mestrado em 12 categorias,

e Emanuel Oliveira, conseguido duas

características das macroalgas marinhas

tendo por objetivo estimular a atividade

menções honrosas. A seleção dos

da costa portuguesa, desde a continental

de inovação e empreendedorismo.

trabalhos a concurso foi feita por um

até às dos Açores e da Madeira.

O trabalho premiado foi realizado no

júri constituído pelo público em geral,

âmbito da dissertação do Mestrado

através de votação no Facebook, pela

A obra da dupla de biólogos, intitulada

em Engenharia do Ambiente, intitulado

Love Tiles, por docentes da Universidade

“Macroalgas Marinhas da Costa

“Impactes Ambientais da Integração vs

de Aveiro e ainda pela empresa Viriato

Portuguesa – Biodiversidade, Ecologia

Eliminação de Resíduos de VFV”, com

& Viriato, parceira da promotora em

e Utilizações”, aborda as principais

orientação científica de Maria Isabel da

projetos de comunicação. Estes

espécies de algas que podem ser

Silva Nunes, do DAO, em parceria com

trabalhos foram desenvolvidos no âmbito

encontradas e identificadas na costa,

a empresa Lyrsa Reciclagens Industriais,

da unidade curricular de Projeto de

bem como metodologias e métodos para

Unipessoal Lda.

Design em Empresas do curso de Design

sua recoleção, conservação e estudo.

da UA. A entrega dos prémios decorreu

O trabalho vencedor apresenta também

no DeCA.

as principais utilizações destes vegetais

Ana Sofia Fonseca defende que optar

marinhos para além do uso direto nas

por aumentar o desmantelamento de

indústrias alimentar, farmacêutica, da

componentes no sistema de tratamento de Veículos em Fim de Vida (VFV) traz

Laboratório Central

benefícios ao nível da conservação de

de Análises da UA recebe selo

recursos não renováveis e de redução de

de qualidade

Atribuído pela Câmara Municipal de

emissões para o ambiente, pois permite

O Laboratório Central de Análises da

Cascais, desde 1995, e com o objetivo

a “separação e a obtenção de fluxos de

Universidade de Aveiro é um laboratório

de reconhecer trabalhos científicos

materiais com um nível de pureza” tal

acreditado pelo Instituto Português da

dedicados ao mar, o prémio, de 2500

que “facilita o envio para reciclagem

Acreditação. A acreditação garante aos

euros, inclui ainda a publicação do

de uma maior quantidade de resíduos”.

clientes do LCA que são cumpridos

trabalho em livro, numa edição de 2500

os requisitos mais exigentes a nível

exemplares.

internacional nos ensaios laboratoriais “Fusion” entre “Love” e Design

e logística envolvente. A UA fica dotada

da UA

de um serviço que corresponde ao topo

Tiago Santos, Cristina Fernandes e

da hierarquia da Qualidade e onde são

Emanuel Oliveira são alunos de Design

garantidos níveis de confiança máximos.

no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (DeCA)

O LCA é acreditado para ensaios de

e receberam, da cerâmica Love Tiles,

águas naturais (análise de Cu e Zn por

o prémio lançado sob o lema “Dream

ICP-OES) e águas de consumo humano

it…Book it…Love it”. O trabalho

(análise de Fe, Mn e Na por ICP-OES

apresentado ao júri resultou na criação,

e análise de Al, Cr, Cd, Ni e Pb por

conceção e implementação de novas

ICP-MS). Ao cumprir os requisitos da

ideias e projetos inovadores no âmbito

norma NP EN ISO/IEC 17025, para as

do design gráfico.

suas atividades de ensaio, o laboratório garante que o seu sistema de gestão

O concurso teve por objetivo a criação

da qualidade satisfaz os princípios da

de materiais de comunicação para a

norma ISO 9001.

nova coleção cerâmica Fusion. Mais do que a elaboração de um catálogo, as propostas apresentadas à Love Tiles

Biólogo da UA ganha Prémio

mostraram a criação e desenvolvimento

do Mar Rei D. Carlos

de todo o conceito de comunicação,

Os biólogos Fernando Correia, da

associado ao lançamento dos novos

Universidade de Aveiro, e Leonel

materiais cerâmicos.

Pereira, da Universidade de Coimbra, conquistaram o Prémio do Mar Rei

Tiago Santos arrecadou o primeiro lugar

D. Carlos de 2012, com um original

tendo os colegas, Cristina Fernandes

trabalho conjunto sobre as múltiplas

cosmética e da saúde.


linhas

set 2013

Portefólio de competências e serviços da UA Uma mão cheia de saberes que se estende à comunidade

A Universidade de Aveiro afirmou-se, desde a sua criação, em

serviços disponíveis envolvendo um significativo número de

1973, como uma instituição de ensino superior inovadora e

entidades e pessoas, agregados num “Portefólio de Competências

aberta à sociedade, em particular, à região e às entidades do

e Serviços da UA”. Esta ferramenta está disponível em versão

tecido económico e social, orientando a sua atividade pelos

impressa e eletrónica na forma de um portal. A versão impressa

mais elevados padrões internacionais de excelência. Estando a

(catálogo)contém informação detalhada sobre a tipologia de oferta

cooperação inscrita num dos vetores da missão da instituição,

por unidade orgânica, com a indicação da pessoa ou entidade a

a UA quer contribuir para o reforço da competitividade das

contactar em cada caso.

empresas nacionais, disponibilizando os seus serviços e as suas competências científicas e tecnológicas.

A versão eletrónica consiste num portal dinâmico e em permanente crescimento, assente numa base de dados

Neste contexto, todas as unidades orgânicas, bem como as

pesquisável. Numa única página é congregada toda a capacidade

unidades de interface, estão envolvidos em atividades de

instalada na UA disponível para colaborar com as empresas,

formação, de consultoria e apoio técnico, científico, prestação de

autarquias e entidades do tecido económico, cultural e social.

serviços, investigação, desenvolvimento tecnológico e inovação em consórcio, orientados para as necessidades das empresas.

O reforço do processo de cooperação com as empresas é

Trata-se, na realidade, de um vasto leque de competências e

promovido através do Gabinete Universidade/Empresa (GUE).


33

cooperação

Esta estrutura assume-se, igualmente, como o “balcão único”

Estas unidades cobrem uma parte significativa das áreas de

das empresas e outras entidades junto da UA.

conhecimento da UA e geram investigação de alto nível.

Com estes novos instrumentos, suportados na agilização de

Avaliação e caracterização de antenas

procedimentos administrativos, assim como numa adequada

O Instituto de Telecomunicações – polo de Aveiro e o

política interna de incentivos à cooperação com empresas, a

Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática

Universidade de Aveiro consolida o seu papel de motor

da UA têm ao seu dispor uma infraestrutura que permite a

de desenvolvimento regional.

caracterização de antenas e a realização de diagramas de radiação, em gamas de frequência entre 1 a 20 GHz, para antenas

É neste âmbito que se destacam algumas das valências

até 1,5 metros.

dos quatro laboratórios associados da UA: Instituto de

O equipamento possibilita ainda a análise de antenas que distem

Telecomunicações – polo de Aveiro (IT), Centro de Estudos

até quatro metros entre si e está também automatizada em três

do Ambiente e do Mar (CESAM), Centro de Investigação em

eixos, permitindo, igualmente, a realização de diagramas 3D.

Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) e Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação - Física

Este tipo de medidas permite ao IT realizar investigação nesta área

de Semicondutores em Camadas Optoeletrónicas e Sistemas

de conhecimento, abrangendo a medição de antenas de pontos

Desordenados - I3N-FSCOSD (I3N).


linhas

set 2013

de acesso WiFi, sistemas de comunicações móveis, sistemas RFID

é objeto de investigação pelo mundo fora, têm a ver com

e também prestação de serviços a empresas que necessitem de

o desenvolvimento da chamada eletrónica transparente.

caracterizar as suas próprias antenas. “safe aquaculture in a box” No Laboratório de Antenas está ainda disponível uma Gaiola de

Investigadores do CESAM e do Laboratório para Estudos

Faraday para testes de interferência eletromagnética.

Moleculares de Ambientes Marinhos (LEMAM), do Departamento de Biologia, estão a apostar em análises da composição de

Deposição de filmes finos por “RF-magnetron

microrganismos que vivem em meio aquático e que causam

sputtering”

doenças às espécies piscícolas. Estas doenças microbianas

O sistema que o Laboratório Associado I3N e o Departamento de

podem afetar o crescimento, a reprodução e causar a morte

Física possuem está vocacionado para a deposição de filmes finos

dos peixes cultivados. Vários agentes patogénicos são,

de óxidos transparentes e condutores, constituídos essencialmente

inclusivamente, responsáveis por perdas significativas na

por ITO, TiO2, ZnO, entre outros, intrínsecos ou dopados.

produção de pisciculturas semi-intensivas e intensivas em todo

A obtenção de filmes destes materiais, com as propriedades óticas

o mundo. Através da utilização de metodologias moleculares

e elétricas pretendidas, e de forma reprodutível, requer um controlo

inovadoras, desenvolvidas na UA, é possível detetar quais são

muito fino das condições de deposição.

os agentes patogénicos bacterianos presentes nos sistemas de aquacultura e nas espécies de robalo, linguado, pregado, entre

A técnica de “sputtering” permite assim, de um modo geral,

outras, produzidas na região de Aveiro.

a deposição de camadas ativas e passivas de materiais, com vista à modificação das propriedades óticas e elétricas da

A breve prazo, esse processo vai ser ainda mais fácil. Através do

superfície de dispositivos ou peças. Trata-se de filmes que são,

AQUASAFE Kit, no âmbito do projeto AQUASAFE, criado pelo

simultaneamente, condutores e transparentes, sendo materiais

investigador Newton Gomes, os produtores piscícolas podem

que têm aplicações tecnológicas importantes, como por

recolher amostras de água, fixá-las no kit e entregá-las na UA para

exemplo, em monitores de computadores, televisores, ou ecrãs

análise, recebendo pouco depois um relatório com os resultados.

planos de todo o tipo. Outras aplicações, cujo desenvolvimento

Oportunamente, será ainda disponibilizada na web uma página


35

de serviços que servirá também para esclarecer as dúvidas dos piscicultores, sobre a microbiologia dos seus sistemas de produção. Com estas ferramentas, os produtores passam a ter maior controlo microbiológico do sistema de produção e, consequentemente, menos doenças, menos custos e mais peixes saudáveis, assegurando assim a qualidade do pescado. O desenvolvimento do kit, e demais serviços, é financiado, pelo Programa Operacional das Pescas (PROMAR). Novos materiais e suas aplicações São três, dão pelo nome de difractómetros, moram no CICECO e têm por função fazer uma espécie de “RX” a materiais e compostos químicos com aplicações tão diversas, que vão desde a indústria farmacêutica às cimenteiras. Muitas vezes, nos processos químicos é necessário analisar a composição dos materiais e, com isso, obter informação sobre as suas características. Esta análise é feita, essencialmente, em materiais cristalinos para aplicação, por exemplo, na indústria têxtil ou fibras óticas mas é, sobretudo, muito utilizada na indústria farmacêutica para a descoberta de novas moléculas ou formulações. Outra das indústrias que recorre à análise dos seus produtos é a da cerâmica, seja em peças de arte ou mesmo em cimentos. Com o difractómetro de raios-X de pós é possível efetuar análises in situ a altas temperaturas e, com isso, avaliar o comportamento do material, quando sujeito a determinadas condições. É também uma técnica não destrutiva, daí ser muito útil no estudo de peças de arte e em arqueologia. O equipamento possibilita, ainda, graças às suas valências complementares, analisar um elevado número de amostras num curto intervalo de tempo. As análises de difração de raios – X de pós são, igualmente, extensíveis ao setor da eletrónica e das telecomunicações. Todas as informações sobre o portefólio de competências e serviços da UA em: http://portefolio.ua.pt

cooperação


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set 2013

Uma UA do tamanho da língua portuguesa Faça o seguinte exercício: tire os olhos da Linhas e à primeira pessoa que vir pergunte-lhe se tem alguma ligação a África. Já o fez? Como resposta teve certamente a memória de quem lá viveu e retornou com o 25 de abril, de um militar das guerras coloniais ou de alguém que tem no continente negro um amigo a trabalhar. Faça o mesmo com o Brasil e Timor. Quem tem um familiar que emigrou para o Rio de Janeiro ou torce pela seleção canarinha quando Portugal não joga? Quem ficou arrepiado com o massacre de Santa Cruz e se emocionou na enorme onda de solidariedade com o povo maubere? Toda a gente. É nesta umbilical relação com quem faz da língua portuguesa uma pátria comum que a Universidade de Aveiro dá e recebe no âmbito da Cooperação para o Desenvolvimento.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São

que o próprio Reitor da academia de Aveiro é o responsável

Tomé e Príncipe, Timor e mesmo Goa (Índia) são países onde

pelo pelouro da cooperação no Conselho de Reitores das

a academia de Aveiro se tem desmultiplicado em projetos

Universidades Portuguesas.

ligados ao ensino, à investigação, à divulgação da ciência, à educação para o desenvolvimento e, de uma forma geral, à

Por esse mundo fora

assistência técnica a programas. “A Cooperação da UA está

O Pensas é o mais emblemático projeto de cooperação que

apontada em mais de 90 por cento para as antigas colónias”,

a UA tem fora de portas. Pensado pela mão impulsionadora

sublinha Carlos Sangreman, responsável na academia de

de António Batel Anjo, o Pensas trabalha há quase uma

Aveiro pela dinamização dos projetos de Cooperação para o

década para melhorar a qualidade do ensino em Moçambique.

Desenvolvimento. A aposta geográfica, que tem no sangue

O docente do Departamento de Matemática da UA dirige

irmão um fator decisivo, é, de resto, a mesma da Cooperação

hoje aquele que é o maior projeto português de formação e

oficial portuguesa com quem a UA trabalha lado a lado.

ensino além-fronteiras de professores e alunos nas áreas da Matemática e da Língua Portuguesa.

Mas de que se fala quando o assunto é Cooperação para o Desenvolvimento? “Não há uma definição estandardizada.

Como exemplo desse imenso trabalho da UA em terras de

Existe uma que é a da cooperação oficial portuguesa e que

Moçambique, registem-se os dez centros que o Pensas edificou

nós, na UA, adaptámos e utilizamos”, diz o responsável.

em cada uma das províncias do país, à exceção de Maputo, e que, equipados com computadores ligados à rede global,

Considerando que, no atual mundo global, uma universidade

proporcionam várias formações ao longo do ano aos professores

de excelência tem que ter como missão a luta, dentro e fora

locais. Com o apoio de manuais com o selo do Pensas e de

de portas, por um desenvolvimento humano que potencie a

uma plataforma de ensino assistido que serve de base ao

expansão da personalidade dos indivíduos e da identidade

projeto, essas formações procuram reciclar e aprofundar os

coletiva de todos os países como atores sociais, a definição

conhecimentos dos professores moçambicanos.

de Cooperação para o Desenvolvimento adotada pela UA, é simples e abrangente. “Apontamos para uma atividade de

Do outro lado do mundo, em Timor-Leste, o empurrão da UA

transferência de recursos em prol de um desenvolvimento

ao jovem país lusófono passou, já este ano, pela conclusão

maior, seja no país que recebe esses recursos seja, a médio

da reestruturação do respetivo plano curricular do Ensino

longo prazo, na entidade que fornece os recursos, neste

Secundário Geral, pela construção dos programas das diversas

caso, a UA”, explica Carlos Sangreman sem deixar de lembrar

disciplinas e, ainda, pela elaboração dos manuais escolares


para alunos e guias didáticos para professores. Um trabalho

projetos de cooperação em Timor, São Tomé e Príncipe,

hercúleo de uma vasta equipa coordenada por Isabel Martins,

Moçambique e Cabo Verde que já são financiados, em parte

docente do Departamento de Educação da academia de Aveiro,

ou na totalidade, pelos governos locais”. Até porque, refere o

que não optou pelo caminho mais fácil. “Todos os manuais são

responsável, “a nossa academia não é uma instituição altruísta

documentos originais, não são traduções nem adaptações de

ou de caridade mas também não é uma empresa ou uma

Manuais e Guias de outros países, e estão contextualizados na

instituição que tenha como objetivo maximizar o lucro”.

sociedade e cultura de Timor-Leste”, aponta a responsável. A UA, desde que oficializou em 2004 a política de Cooperação O Pensas e a restruturação do ensino secundário em Timor são

para o Desenvolvimento, “decidiu que estas atividades não

‘apenas’ alguns dos projetos mais icónicos do vasto trabalho

podem ter lucro negativo”. Ou seja, “podemos não ganhar nada

– incomensurável nestas páginas - que a UA tem realizado em

com um determinado projeto mas não podemos é ter prejuízo”,

prol de um mundo mais humano, igual e participativo. No que

salienta Carlos Sangreman. Por isso, “a avaliação financeira é feita

diz respeito à formação de professores e alunos e cooperação

globalmente e não projeto a projeto”.

académica e científica, também Angola, Brasil, Cabo-Verde e Guiné-Bissau, entre outras ações, têm recebido da UA apoio, seja

Para financiar os programas, para além de orçamento próprio e, em

de recursos humanos, seja de saberes, seja de meios técnicos.

alguns casos, do apoio dos governos locais, a UA procura ou aceita programas e projetos com financiamento do Estado português,

Projetos que extravasam fronteiras

de entidades internacionais (como é o caso da União Europeia

Mas nem só de apoio ao ensino e à investigação se faz a

ou do Banco Mundial) e de entidades privadas, sejam fundações,

Cooperação para o Desenvolvimento da UA. Exemplo disso é a

empresas ou autarquias. Atualmente, a academia de Aveiro tem

adaptação que a academia de Aveiro está a fazer de um software

como entidades financiadoras dos seus inúmeros projetos em

criado pela ONU a pensar na gestão da atividade parlamentar.

curso o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Camões

Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, países

- Instituto da Cooperação e da Língua, a Fundação Calouste

que não possuem ainda qualquer ferramenta informática para

Gulbenkian, os governos de Moçambique, Cabo Verde, Timor

o efeito, estão a ser apetrechados pelo Departamento de

e São Tomé e Príncipe e a Fundação Portugal África.

Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da UA. Aposta nas boas práticas governativas Ainda na área informática, Joaquim Sousa Pinto, investigador do

Na UA há uma grande certeza: “são os projetos na área da

DETI e responsável por estas missões, lembra a conceção do

governação que dão sustentabilidade à cooperação”. Professor

Programa de Gestão Informatizada das Secretarias e do Processo

no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território

Penal do Ministério da Justiça de Cabo Verde. O programa entrará

da UA, Carlos Sangreman garante que “se as governações forem

brevemente em funcionamento e, explica o investigador, “pretende

estáveis, há estabilidade em tudo o resto”. Por isso, é cada vez

informatizar os processos penais de forma a torná-los mais céleres,

mais uma obrigação envolver nos projetos de cooperação as

baratos, transparentes e seguros, contribuindo deste modo para a

instituições estatais, parlamentos e ministros locais e operar

maior confiança dos cidadãos na Justiça”.

em conjunto no apoio ao que possa resultar na melhoria da governação e da política. Tudo o resto, com a mesma velocidade

No que toca a programas de cooperação transversais a vários

com que se faz, assim é desfeito “se não houver uma cultura

países refira-se também o “Memória de África e do Oriente”.

política e institucional adquirida profundamente”.

O projeto existe desde 1996 e tem online mais de 2500 obras digitalizadas referentes à história dos países de língua portuguesa

A informatização da gestão das Secretarias e do Processo

e 350 mil referências bibliográficas de instituições em Portugal,

Penal de Cabo Verde, que a UA está a realizar em sintonia

Guiné, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Goa.

com o Ministério da Justiça local, a reestruturação do ensino secundário em Timor-Leste e o Pensas, que envolvem

Dar e receber, receber e dar

profundamente os ministérios da Educação locais, e a adaptação

Se até à crise económica europeia, que se instalou em 2008,

do programa de gestão informático para os Parlamentos

o movimento de recursos para ações de Cooperação para o

de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste,

Desenvolvimento teve, grosso modo, um só sentido, ou seja,

debatidos com cada uma dessas instituições, “são os projetos

dos países mais desenvolvidos para os menos favorecidos,

que valem realmente a pena pois darão frutos a médio e longo

hoje o cenário tem tendência para ser mais equilibrado. “Os

prazo de forma mais sustentada”.

chamados países emergentes foram adquirindo capacidade para financiarem eles próprios o seu desenvolvimento”, explica

“Essa é a metodologia chave”, aponta Carlos Sangreman.

Carlos Sangreman. Assim, exemplifica, “a UA tem atualmente

Por aí é o futuro, sublinha a UA.


linhas

set 2013

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE A UA está a adaptar um software de gestão para os parlamentos de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (STP) e Timor-Leste. O programa está a ser preparado por uma equipa de investigadores do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da academia de Aveiro e São Tomé e Príncipe deverá ser o primeiro país a tê-lo a funcionar. “Está a ser um trabalho complexo e que exige uma atividade de parceria entre a Universidade e os

UA

Parlamentos de Portugal e de São Tomé”, aponta Joaquim Sousa Pinto, investigador do DETI e coordenador do projeto. “É um programa estruturante para o país e uma afirmação da UA como uma universidade de elevada capacidade tecnológica e com forte empenho na cooperação para o desenvolvimento e na transferência de tecnologia”, sublinha o responsável.

Na área da educação, em parceria com a UNICEF de STP e com o Ministério da Educação e Cultura das ilhas, a UA, através da investigadora Gabriela Portugal, do Departamento de Educação, concebeu um programa curricular para educadores de infância locais. Estes receberam da UA, em 2012, um conjunto de orientações educativas de forma a melhor promoverem a aprendizagem e o bem-estar das crianças de STP.

CABO VERDE É um dos grandes projetos que a UA tem fora de portas. Em Cabo Verde a academia tem a cargo a conceção do Programa de Gestão Informatizada das Secretarias e do Processo Penal. Promovido pelo Ministério da Justiça local e desenvolvido em parceria com a Universidade de Cabo Verde, o programa vai informatizar os processos penais aumentando com isso a celeridade, a transparência, a segurança e a confiança dos cidadãos no sistema jurídico. O projeto, coordenado por Joaquim Sousa Pinto,

GUINÉ-BISSAU

investigador do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações

A formação de educadoras de infância e de técnicos do Ministério

e Informática da UA, deverá entrar em funcionamento durante o atual

da Educação da Guiné-Bissau, em 2004, marcou o início da

mês de setembro. O investigador tem ainda a cargo a adaptação de

cooperação da UA com aquele país. Hoje, a presença da academia

um software de gestão da atividade parlamentar para o Parlamento

na Guiné-Bissau expressa-se na Casa dos Direitos, um espaço que

daquele país.

pretende contribuir para a paz e o desenvolvimento do país através da consolidação da consciência cívica dos cidadãos. Neste projeto a

Na terra da morna, a UA já ajudou a edificar a primeira Casa da

academia é parceira da Associação para a Cooperação Entre os Povos,

Ciência. Inaugurada em 2012, esta tem por objetivo promover a

da Liga Guineense para os Direitos Humanos, do Camões – Instituto da

cultura científica e tecnológica e a ligação entre as universidades

Cooperação e da Língua e da Fundação Calouste Gulbenkian.

e a sociedade. O projeto resultou de uma parceria entre a UA, a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro e o Ministério do Ensino

A academia de Aveiro está também a dar apoio ao Instituto Nacional

Superior, Ciência e Inovação. A academia de Aveiro prepara-se

de Estudos e Pesquisa (INEP), apoiando a gestão da presença na

também para instalar em Cabo Verde um Laboratório de Tecnologias

Internet daquele instituto e divulgando a respetiva produção científica

de Comunicação e de Informática e estruturar a Universidade local

sobre a Guiné-Bissau. Ao lado da UA está nesta missão a Fundação

nas áreas da Engenharia Informática e da Música.

Mário Soares.


39

dossier

Moçambique É o ex-libris dos projetos de Cooperação para o Desenvolvimento da UA. Chama-se Pensas e, no resumo possível, tem como principal motor a formação de alunos e de professores do 1º ciclo nas áreas da Matemática e da Língua Portuguesa. A estes docentes moçambicanos, o Pensas destina programas que, desde o início do projeto, em 2007, procuram reciclar e aprofundar os conhecimentos nas áreas referidas. As atividades do projeto realizam-se nos dez espaços que o Pensas criou por todo o território moçambicano e que estão equipados com computadores ligados à Internet.

Ainda na área da formação, o Pensas dinamiza anualmente a atividade “Formação em Ação” que envolve professores portugueses e moçambicanos numa troca de experiências, métodos de aprendizagem e lecionação em contexto de sala de aula. O Pensas nasceu de uma parceria entre Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento e o Ministério da Educação de Moçambique e está hoje cada vez mais inserido no próprio sistema oficial de ensino moçambicano.

Naquele país, a academia de Aveiro tem ainda implementado o Programa de Cooperação na Área do Ensino à Distância através do qual se pretende promover a conceção e a avaliação de programas de formação, em modalidade de ensino à distância, na Universidade Eduardo Mondlane. No contexto desse projeto, a UA tem fomentado a qualificação de recursos humanos e técnicos do Centro de Ensino à Distância e lançou o Programa Doutoral em Multimédia em Educação para um grupo de docentes da Universidade Eduardo Mondlane. Ao lado da UA, neste projeto, está a Fundação Calouste Gulbenkian.

timor leste A reestruturação do plano curricular para o Ensino Secundário Geral em Timor-Leste (10º, 11.º e 12.º anos) e a concepção de programas, manuais do aluno e guias do professor para as disciplinas de cada um dos três anos iniciaram-se, pela mão da UA, em 2010. Os projetos da academia, abraçados a convite da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), terminaram em junho deste ano com a entrega em Timor-Leste dos manuais e guias. Financiados pelo Fundo da Língua Portuguesa/ IPAD (atual Camões - Instituto da Cooperação e da Língua) e pela FCG, os trabalhos envolveram 75 especialistas e inúmeros professores timorenses.

Ainda ligado ao Ensino, a UA participa em terreno timorense no Projeto de Formação Inicial e Contínua de Professores tendo selecionado e formado uma equipa de docentes portugueses do ensino secundário. Sob supervisão cientifico-pedagógica da UA, os professores lusos foram reforçar a formação dos colegas timorenses, em particular os que compõem a Bolsa Nacional de Formadores do Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação.

Para além destes projetos, a UA tem ainda em curso a inventariação da flora de Timor-Leste, a implementação de um herbário nacional e um estudo sobre a genética populacional timorense.


linhas

set 2013

brasil

ANGOLA

Nascido em 2007 pelas mãos da UA, do Instituto Energias do

A cooperação da UA com Angola tem estado nas últimas décadas

Brasil e do Instituto Ecológico, o Centro de Conhecimento em

muito centrada na componente académica. Esta tem sido pautada

Biodiversidade Tropical é um local de pesquisa com capacidade

por ações pontuais, nomeadamente as que dizem respeito

para alojar grupos de estudantes e investigadores. A academia de

à mobilidade de docentes e técnicos, envolvendo essencialmente

Aveiro é responsável pelo conteúdo científico e pedagógico dos

a Universidade Agostinho Neto. Mais recentemente, em

projetos e atividades que lá se desenvolvem e pela promoção do

2011,“estabeleceram-se protocolos de cooperação com diversas

intercâmbio de estudantes universitários e investigadores, visando

instituições de ensino superior”, lembra Carlos Pascoal Neto,

a troca de experiências nas áreas de biodiversidade, inovação

Vice-reitor da UA. As atividades desenvolvidas ou em curso, desde

tecnológica, mudanças climáticas e sustentabilidade.

então, “envolvem programas de apoio à capacitação e qualificação do corpo docente e técnico bem como programas de apoio

Do outro lado do Atlântico, a UA tem celebrado parcerias com

à formação graduada e pós-graduada”.

várias universidades e institutos brasileiros com o objetivo de estabelecer programas de colaboração técnico-científica centrados

Destacam-se, nestes contextos, a formação no Departamento

no desenvolvimento de projetos de ensino e investigação e no

de Química da UA de técnicos na área da Química do Instituto

intercâmbio de professores e estudantes. O Instituto Natureza do

Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências e o programa de

Tocantins, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul,

apoio à formação prática de várias dezenas de alunos do Instituto

o Instituto Homem Pantaneiro, o Instituto Nacional de Pesquisas

Politécnico de Benguela das áreas de Engenharias, Administração

da Amazónia, a Universidade Federal de Campina Grande e a

Local e Enfermagem, formações essas oferecidas pela ESTGA-

Universidade Federal do Rio Grande são algumas das instituições

UA e pela ESSUA, bem como o programa de apoio na orientação

a quem a academia de Aveiro tem juntado esforços.

de mestrandos do Instituto Superior de Ciências da Educação – ISCED/Huíla por parte do Departamento de Educação da UA.


EDIÇÕES Descomplicar a Asma

ISBN 9789725923641

Autoria Sílvia Rocha e Ricardo Dias, docentes

Ano 2013

Ano 2013

52 ideias para o Professor -

nos Departamentos de Química e de Física da UA, e André Moreira da Universidade do Porto.

A Virtude nas Organizações - Fonte

Matemática - 1.º ciclo

Edição UA Editora

de progresso e sustentabilidade

Autoria Vários autores, com coordenação

ISBN 9789727893638

Autoria Neuza Ribeiro, docente no Instituto

de Isabel Cabrita, docente no Departamento

Ano 2013

Politécnico de Leiria, Arménio Rego, docente

de Educação da UA

no Departamento de Economia, Gestão e

Edição Porto Editora

Reflexão sobre a escrita: o ensino

Engenharia Industrial da UA, e Miguel Pina

ISBN 9789720130204

de diferentes géneros de textos

e Cunha docente na Universidade Nova

Ano 2013

Autoria Luísa Álvares Pereira, docente

de Lisboa.

no Departamento de Educação da UA,

Edição Sinais de Fogo Publicações

Supervisão e Colaboração - Uma relação para

e Inês Cardoso, investigadora no Centro

ISBN 9789897180378

o desenvolvimento

de Investigação Didática e Tecnologia

Ano 2013

Autoria Isabel Alarcão, professora aposentada da UA, e Bernardo Canha, investigador

na Formação de Formadores da UA Edição UA Editora

SuperEquipas - Orientações para as Equipas

no Laboratório Aberto para a Aprendizagem

ISBN 9789727893584

que Desejam Superar-se

de Línguas Estrangeiras da UA

Ano 2013

Autoria Miguel Pina e Cunha, docente na

Edição Porto Editora

Universidade Nova de Lisboa, e Arménio Rego,

ISBN 9789720345752

Guia das Aves das Dunas de S. Jacinto

docente no Departamento de Economia,

Ano 2013

Autoria Davina Falcão, antiga aluna da UA,

Gestão e Engenharia Industrial da UA

e António Luís, docente no Departamento

Edição Actual Editora

O eSsencial em… Sinalização Celular

de Biologia da UA

ISBN 9789896940393

Autoria Margarida Fardilha, Odete da Cruz e

Edição Departamento de Biologia da UA

Ano 2013

Silva, docentes na Secção Autónoma de Ciências da Saúde da UA e Miguel Conde, antigo aluno da

e Edições Afrontamento; ISBN 9789723612523; Comunicação Eletrónica na Aula de

UA e Cientista Associado na empresa Ablynx.

Português Língua Estrangeira

Edição Departamento de Biologia da UA

Português Língua Não Materna:

Autoria Sílvia Melo-Pfeifer, investigadora

e Edições Afrontamento

Investigação e Ensino

no Centro de Investigação Didática e Tecnologia

ISBN 9789723612530

Autoria organizada por Rosa Bizarro, Maria

na Formação de Formadores da UA, e Maria

Ano 2012

Alfredo Moreira e Cristina Flores, com colaboração

Helena Araújo e Sá, docente no Departamento

de Maria Helena Ançã, docente, e Sílvia Melo-

de Educação da UA

Sinais de Cinza – Estudos de Literatura

Pfeifer, estudante de pós-doutoramento, ambas

Edição Lidel

Autoria António Manuel Ferreira, docente

do Departamento de Educação da UA

ISBN 9789727577088

no Departamento de Línguas e Culturas da UA

Edição Lidel

Ano 2013 - confirmar

Edição Opera Omnia

Ano 2013

ISBN 9789898309334Ano 2012

ISBN 9789727579280 Ano 2013

Lidere como um Líder: Os 12 trabalhos do executivo

Dos Planos à Execução Urbanística

Geologia de Portugal - 2 volumes

Autoria Miguel Pina e Cunha, docente na

Autoria Jorge Carvalho, docente

Vol. I - Geologia Pré-mesozónica de Portugal

Universidade Nova de Lisboa, Arménio Rego,

no Departamento de Ciências Sociais,

Vol. II - Geologia Meso-cenozóica de Portugal

docente no Departamento de Economia, Gestão

Políticas e do Território da UA

Autoria 141 autores, incluindo Beatriz Valle

e Engenharia Industrial da UA, e João Cotrim de

Edição Almedina

Aguado, José Francisco dos Santos, Maria

Figueiredo, gestor.

ISBN 9789724050362

do Rosário Azevedo e Luís Pinheiro,

Edição Edições Sílabo

Ano 2012

docentes no Departamento Geociências da UA.

ISBN 9789726187219

Edição Dinternal


linhas

set 2013

Vinte anos de sucesso na robótica na UA amadureceram o projeto Robôs já não sonham com carneiros elétricos

As competições nacionais e internacionais de

tecnológicos. Persistem muitos problemas a investigar

futebol robótico trouxeram ainda mais visibilidade

e ultrapassar pela ciência, como o refinamento da coordenação

à robótica da UA. Mas, o grupo dedicado a esta

processamento, ou a facilidade de interação com o homem,

área, Atividade Transversal em Robótica Inteligente, estende os braços a vários outros campos com resultados expressivos. A família de “descendentes”, na UA, do Dr. Alfred Lanning, da U.S. Robôs, criador de robôs no livro “Eu, Robô”, de Asimov,

das funções e dos movimentos, da capacidade sensorial e de acrescidos da integração em espaço limitado, da autonomia e do uso de materiais bio compatíveis, em particular quando se pretende vir a apoiar, substituir ou replicar muitas das funções humanas, salienta Bernardo Cunha, professor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro. O professor é também coordenador da Atividade Transversal em Robótica Inteligente (ATRI),

tem vindo a alargar-se e a ampliar o seu portfólio

grupo de investigação do Instituto de Engenharia Electrónica

de competências e sucessos ao longo de 20 anos.

e Telemática de Aveiro (IEETA). Dir-se-ia que o sonho se tornou mais maduro e se foi ajustando às condicionantes da investigação, às necessidades do dia-a-dia das pessoas e,

“Era um robô grande, feio e desajeitado, recendendo a óleo

globalmente, à realidade. A surgirem robôs na ficção científica

lubrificante e destinado a trabalhar nas minas projetadas

atual, certamente já não sonharão com carneiros elétricos.

para Mercúrio. Mas era capaz de falar e fazer sentido”. Esta descrição de “Eu, robô”, de Isaac Asimov, editado em 1950,

Tal não significa que a investigação em robótica tenha

obra de ficção científica que popularizou o termo “robô”, terá

esquecido a semelhança humana. Mas, desenvolver tarefas

dado o mote a uma ideia de futuro, traduzida na literatura e em

humanas, objetivo que a robótica da UA tem cumprido

filmes e construída com base em robôs que se aparentavam

com tanta distinção, não significa necessariamente aspeto

com seres humanos. Tanto, que em “Do androids dream

humano. Bernardo Cunha destaca a importância dos passos

of electric sheep?” (“Sonham os androides com carneiros

que se vão dando pelo caminho, que podem ser tão ou mais

elétricos?”), de Philip K. Dick, e base do filme “Blade Runner –

transformadores do dia-a-dia das pessoas que uma eventual

Perigo Iminente”, os robôs revoltosos eram tão parecidos com

máquina de aspeto humano.

pessoas que só se distinguiam através de um questionário e da simultânea observação do olho. “Blade Runner” faria sentido

Como muito bem escreve o criador da Microsoft, Bill Gates, na

hoje? Talvez estas imagens precisem de atualização.

Scientific American em janeiro de 2007, ”Ainda que alguns robôs do futuro tenham aspeto antropomórfico tal como personagens da

A robótica é um daqueles poucos casos em que o sonho andou

‘Guerra da Estrelas’, a maior parte nada terá a ver com o ‘C3PO’.

mais depressa que a velocidade já vertiginosa dos avanços

(…) Dado que as novas máquinas serão tão especializadas e


43

investigação

omnipresentes e tão pouco parecidas com os humanoides da

de aplicações e de novas áreas de desenvolvimento.

ficção científica, nem lhes poderemos chamar robôs. Mas,

Neste estudo, afirma-se: “A área da robótica, pela sua natureza,

à medida que se vão tornando mais acessíveis à carteira dos

adapta-se à resolução de problemas e catalisa a geração

consumidores, poderão vir a ter um impacto tão profundo como

de novas atividades e aplicações.”

o PC, ao longo dos últimos 30 anos, na maneira como trabalhamos, comunicamos, aprendemos e nos entretemos”.

Luís Seabra Lopes, para além de co-autor de “Robótica no Mapa”, é também “pai” do CARL. O CARL - Communication,

De notar, a atenção às questões da robótica que Bill Gates

Action, Reasoning and Learning in Robotics – foi o primeiro

evidencia neste texto. Aliás, a Microsoft Portugal foi um dos

projeto de investigação com financiamento externo, na área

parceiros do projeto de domótica Living Usability Lab (LUL), em

da robótica inteligente na UA, e também o primeiro projeto

que também participou a UA e o IEETA, e no qual, entre outras

português centrado no tema da interação humano-robô.

vertentes, se integrou o projeto de conceção de um robô de

O CARL participou em eventos internacionais e apareceu

apoio a idosos ou a pessoas com mobilidade reduzida. Após

na capa do “AI Magazine”, a revista da American Association

uma fase de desenvolvimento das capacidades de navegação,

for Artificial Intelligence (AAAI), em 2001. Seguiram-se os

localização no espaço e outras funções básicas, a próxima fase

projetos LANGG: Language Grounding for Human-Robot

será dedicada à instalação de braços no robô, acrescentando-

Communication, UA@SRVC que teve como objetivo o

-lhe assim capacidade de manipulação.

desenvolvimento de um agente de software para participação no Semantic Robot Vision Challenge (segundo lugar em 2008,

CARL e descendentes

no Alasca), LUL, IntellWheels – projeto com as universidades

Esta é uma vertente da robótica que se poderá designar

do Porto e do Minho para desenvolver uma cadeira de rodas

como antropocêntrica, centrada nas necessidades das

inteligente com interface multimodal já premiado cinco

pessoas, classifica Luís Seabra Lopes, investigador na área da

vezes - e RACE – Robustness by Autonomous Competence

inteligência artificial. Também membro da ATRI, o investigador

Enhancement, financiado pelo 7th Framework Programme,

fez parte da equipa autora de “Robótica no Mapa – Contributos

entre 2011 e 2014. Este último, que procura desenvolver

para um Livro Branco da Robótica em Portugal”, publicado em

unidades capazes de “aprender” usando a “cloud”, é um dos

Dezembro de 2011, onde se traça um quadro das evoluções

primeiros projetos europeus na área da robótica em que a UA

desta área científica em Portugal e se constata a multitude

está envolvida (o outro foi o RESOLV entre 1995 e 1999).


linhas

set 2013

O Flexible AGVs using Mobile Robots, na área da robótica

da ciência e da tecnologia junto dos jovens, se levarmos em

móvel inteligente, foi o primeiro projeto de cooperação

conta as dimensões relativas dos países”. Esta dimensão

internacional entre a Universidade de Aveiro e a Universidade

didática da robótica foi precisamente a primeira a surgir na

de Zhejiang, China, em 2002-2003, financiado pelo antigo

UA, impulsionada por um curso lecionado por Keith Doty,

ICCTI (atual GRICES).

investigador do Machine Intelligence Lab. da Universidade da Florida (EUA), já lá vão cerca de 20 anos. Pouco depois,

A robótica antropocêntrica é uma das três áreas estratégicas

em 1995, dois investigadores da ATRI criaram o Concurso

da ATRI, que incluem ainda a robótica autónoma e cooperativa

Micro-Rato, a mais antiga prova de robótica em Portugal

e a condução e transporte autónomos. Até há pouco tempo a

organizada regularmente. A vertente didática traduziu-se ainda,

robótica da UA dedicava-se, sobretudo, aos robôs inteligentes

por exemplo, numa área dedicada a esta temática na Fábrica

completamente autónomos ou semiautónomos, embora há

Centro de Ciência Viva da UA.

vários anos haja formação em robótica de manipulação no Departamento de Engenharia Mecânica e na Escola Superior

Quando, em 2001, surgiu o primeiro Festival Nacional de

Aveiro Norte. Os robôs estáticos clássicos, como braços

Robótica, uma iniciativa conjunta da UA, do Instituto Superior

robóticos amplamente usados na indústria, foram pouco

Técnico e da Universidade do Minho, dos sete elementos

aprofundados na ATRI, situação que, em certa medida, está

que constituíam o seu Comité Técnico Científico, quatro

a mudar com parcerias recentes. É o caso de uma parceria

eram docentes e investigadores da UA: José Luís Azevedo,

com a EFACEC, para desenvolvimento de robôs móveis

Vítor Santos, Pedro Fonseca e Luís Almeida (atualmente, na

autónomos para desempenhar tarefas pesadas em armazéns,

Universidade do Porto). Os dois primeiros investigadores

outra com a Azevedos Indústria, para criação de um braço

voltam a estar, com Bernardo Cunha, no grupo de fundadores

robótico coordenado com um tapete onde passam pedaços

da Sociedade Portuguesa de Robótica, em 2006, entidade que

de cortiça, ou ainda com a SONAE Indústria no âmbito da

passou a organizar o Festival Nacional de Robótica (FNR).

otimização de processos de produção. A vertente de robótica cooperativa da ATRI engloba as O impulso da robótica didática e de competição

competições nacionais e internacionais, como o futebol

O estudo “Robótica no Mapa – Contributos para um Livro

robótico na Liga dos Robôs Médios (ver caixa) – onde a

Branco da Robótica em Portugal” regista que “Portugal tem

equipa CAMBADA da UA se tem destacado, desde 2007,

sido polo de uma das maiores experiências internacionais na

sucessivamente, a nível nacional e internacional - e as

utilização da robótica para fins educativos e para promoção

competições de futebol robótico simulado, com a equipa


45

investigação

FCPortugal, criada em 2000 em resultado de uma colaboração

A Atividade Transversal em Robótica Inteligente, um dos cinco

entre as universidades de Aveiro e Porto (mais recentemente,

grupos de investigação o IEETA, tem um carácter transversal e

também a do Minho), e que tem obtido, ao longo dos anos,

agrega investigadores de outros grupos da UA. Inclui cerca de

resultados de topo a nível internacional.

15 investigadores doutorados e um número variável de bolseiros. Eis uma família bem-sucedida e em evolução permanente.

O coordenador da ATRI considera que as competições nacionais e internacionais, particularmente as de futebol robótico real e de futebol robótico simulado, muito mais que um jogo, constituem oportunidades ímpares para testar algoritmos, soluções e resultados de investigação sob condições que não se conseguem reproduzir em ambiente de laboratório. A chave do sucesso das equipas da UA reside, salienta Bernardo Cunha, na articulação entre a dimensão real e a dimensão simulada da competição que se completam e contribuem para o enriquecimento das competências da UA nesta área. A simulação permite antecipar e dominar soluções de maior complexidade, que posteriormente podem vir a ser aplicadas em condições reais, as quais estão sempre condicionadas pela autonomia energética, pelo volume e capacidade de processamento das máquinas, pelo elevado grau de incerteza que o mundo real proporciona e também por questões orçamentais.

Uma CAMBADA de sucessos no futebol robótico

Condução autónoma

A primeira participação internacional da robótica da UA numa

Se a robótica cooperativa da UA, com o futebol robótico,

competição internacional ocorreu em 1996, no “Festival

tem vindo a acumular sucessos vários a nível nacional e

International des Sciences et Technologies – FIST”, em La Ferté-

internacional, o braço da condução autónoma que se estende

Bernard, França. O projeto CAMBADA - Cooperative Autonomous

ao Departamento de Mecânica, com coordenação de Vítor

Mobile roBots with Advanced Distributed Architecture - foi

Santos, o primeiro doutorado em robótica na UA, em 1995,

apresentado à FCT, em 2002, e financiado entre 2003 e 2006.

não fica atrás. Após um modesto quarto lugar na prova de condução autónoma do FNR, em 2003, o Projeto ATLAS só

A CAMBADA, a competir na Liga de Robôs Médios, sagrou-se

somou vitórias entre 2006 e 2011. Mais que isso, como a partir

campeã nacional em todas as competições nacionais desde

de 2008 participou com dois robôs na competição nacional

2007 (atualmente hepta campeã nacional) e, a nível internacional,

de condução autónoma, chegou a conseguir o primeiro e

sagrou-- se campeã mundial na sua liga, em 2008, tendo desde

segundo lugares, em mais de uma edição. Este projeto esteve

então conquistado mais oito prémios internacionais, o que a

na origem do Atlascar, o primeiro e, até à data, único projeto

coloca entre as melhores do mundo neste contexto. O sucesso

desta natureza em Portugal com a capacidade de fazer estudos

internacional mais recente foi a medalha de bronze na RoboCup

em situação real, não só manobras autónomas mas também de

2013, em Eindhoven, a que acresce o primeiro lugar no Technical

avaliação de segurança do condutor e de outros agentes na via.

Challenge e o o terceiro lugar no Scientific Chalenge.

Acumula também a caraterística única de poder ser conduzido por uma pessoa ou por um computador, mesmo em simultâneo

A equipa de futebol robótico simulado FCPortugal, parceria entre

com a partilha de funcionalidades entre os dois. Para além

a UA e a Universidade do Porto (atualmente, também a UMinho),

dos sucessos do projeto Atlas nas competições de condução

participou em todos os eventos mundiais do RoboCup, desde

autónoma, a UA (incluindo a Escola Superior de Tecnologia e

2000. Conquistou três campeonatos mundiais e sete campeonatos

Gestão de Águeda e trabalhos de ex-alunos), conquistou o 1º

europeus na modalidade de Futebol Robótico Simulado, tendo

lugar em todas as provas deste tipo disputadas no FNR, desde

também um título europeu na modalidade de Operações de Socorro

2001 até 2013 inclusive.

e Salvamento simuladas, para além de vários lugares no pódio, como o recente terceiro lugar no RoboCup 2013 em Eindhoven, Holanda.

Para além do Atlascar, Vítor Santos, atualmente também

Neste âmbito, resultaram mais de 80 publicações científicas e foram

membro da ATRI, coordenou o Projeto Humanoide da

aprovados três projetos de investigação financiados pela FCT.

Universidade de Aveiro desde 2004, onde se mantinha a semelhança humana como objetivo a longo prazo.


linhas

set 2013

Área de investigação e serviços à indústria em expansão na UA Alta pressão: novo paradigma na conservação de alimentos e aplicações biotecnológicas Já é designado “o novo

O uso da pressão para pasteurização

cru. Adicionalmente, a tecnologia de

paradigma” na conservação

a frio de alimentos teve a primeira

alta pressão permite processos de

aplicação comercial em 1990, com um

pasteurização não-térmica de alimentos

forte incremento a partir de 2000, o

mais eficazes energeticamente e

que estamos a entrar por efeito

que motivou uma aposta reforçada da

amigos do ambiente. Em refeições pré-

da alta pressão abre horizontes

Universidade de Aveiro na investigação

cozinhadas e fatiados de charcutaria

nunca imaginados à investigação

e serviços prestados à indústria e à

ready-to-eat, esta tecnologia permite

sociedade nesta área.

a redução e, em alguns casos, a

de alimentos. Esta “galáxia” em

e à indústria.

eliminação de aditivos antimicrobianos A alta pressão é já “um novo paradigma”

e o aumento de prazo de validade, como

na conservação dos alimentos, porque

explica Rui Queirós que, com Mauro

A Universidade de Aveiro aguarda

permite a pasteurização não-térmica

Santos e Liliana Fidalgo, faz parte da

dois aparelhos, quais naves

de alimentos (sendo mesmo realizada

equipa de investigadores que trabalha

em muitos casos a temperaturas

sob coordenação de Jorge Saraiva.

espaciais, que permitem entrar na linha da frente na galáxia da alta pressão.

de refrigeração), mantendo as propriedades organoléticas originais,

O potencial desta nova tecnologia para

sublinha Jorge Saraiva, investigador do

conservação de alimentos alargou-se

Departamento de Química e da Unidade

à produção de alimentos esterilizados

de Investigação de Química Orgânica,

(como enlatados), após a aprovação pela

Produtos Naturais e Agroalimentares

pela Food and Drug Administration (FDA),

(QOPNA) e coordenador do grupo

dos EUA de uma nova metodologia

dedicado a esta área.

de esterilização, já conhecida como Pressure-Assisted Thermal Sterilization

Um exemplo icónico e de sucesso

(PATS) e em fase de industrialização

comercial crescente, consiste na

pelas Forças Armadas dos EUA.

pasteurização a frio de ostras, mantendo o sabor e textura das

Aplicações mais recentes incluem

ostras cruas, mas eliminando o risco

a extração da parte comestível de

microbiológico de consumo em estado

crustáceos, produção de chá “cru”,


47

investigação

sendo a extração realizada a frio sob alta pressão sem

(6000 atm) equivale à pressão exercida na base de uma coluna

submeter as folhas de chá a temperatura, e a possibilidade

de água com 60 km de altura.

de “cozer” ovos e outros alimentos, a frio por alta pressão, resultando em produtos com características organolépticas

Uma cooperativa da zona de Alcobaça, a Frubaça, foi a

novas, abrindo a possibilidade de uma outra dimensão de

pioneira na aplicação industrial desta tecnologia em Portugal,

alimentos “cozidos” a frio.

na produção de sumos, a partir de 2002. E assim se manteve, solitária nesta prática e no contexto português, durante

Como tenta explicar Mauro Santos, investigador do

vários anos. No entanto, o interesse tem vindo a aumentar

Departamento de Química da Universidade de Aveiro, “Sabe

progressiva e aceleradamente, sobretudo, desde que algumas

a cru, mas tem textura de cozido; é como uma gemada sem açúcar”, ao explicar o inédito sabor do ovo processado a alta pressão. Vantagens? O sabor mais intenso que o do ovo cozido

Parcerias com a indústria

abre muito boas perspetivas para ir ao encontro de todo um conjunto de novos produtos.

Para além de outras parcerias ocorridas ou que ainda se venham a desenhar com a indústria, decorrem projetos financiados pelo

Máquinas aguardadas com expetativa

Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e fundos

Alertado para esta nova área de investigação, Jorge Saraiva

europeus envolvendo a tecnologia da alta pressão.

lembrou-se de dar outro uso a um aparelho que funcionava no então Departamento de Cerâmica e Vidro, corria o ano de 1998.

Um envolve as empresas Pascoal & Filhos, Frulact, Derovo

Em 2003, foi criada no Departamento de Química uma linha de

e Ernesto Morgado para processos de pasteurização a frio de

investigação nesta área. O aparelho usado no Departamento

vários alimentos. Outro envolve a empresa Primor e dirige-se

de Química desde 2007 consegue atingir 7000 atmosferas e

a produtos de charcutaria, fatiados, com redução do teor de sal

simultaneamente temperaturas entre -20ºC e 100ºC, sendo

e de aditivos antimicrobianos. No âmbito deste último, foram

claramente insuficiente para as necessidades de investigação

desenvolvidos alguns produtos na fábrica da Primor, atualmente

e, sobretudo, para as solicitações da indústria que a equipa de

em fase de teste, que beneficiam de um aumento do prazo de

investigação tem recebido. Por isso, a Universidade de Aveiro

validade muito considerável, permitindo à empresa portuguesa

aguarda dois novos aparelhos: um de 2 litros de capacidade,

a colocação dos produtos em mercados mais longínquos.

9000 atm e 130ºC para fins laboratoriais e outro de 55 litros, 6000 atm para apoio à indústria. Teoricamente, esta pressão


linhas

set 2013


49

investigação

multinacionais acordaram para a novidade em 2011 e 2012, como foram os casos da Starbucks e da rede de sanduíches Subway. O coordenador do grupo de investigação estima que o valor dos alimentos processados com esta tecnologia, em todo o mundo, tenha atingido os três mil milhões de dólares em 2011. As empresas dedicadas à produção de aparelhos de alta pressão vendem cada vez mais e investem cada vez mais no aumento de capacidade dos equipamentos industriais. Nova galáxia Novos horizontes se abrem à investigação com esta nova tecnologia, nomeadamente a aplicação a áreas não alimentares e associadas à biotecnologia. Jorge Saraiva refere os casos do papel (com projetos já em curso com a empresa Renova, envolvendo o investigador Dmitry Evtyugin ); de produtos farmacêuticos que poderão ser mais eficazes em tratamentos se processados através da alta pressão e não da temperatura (um caso encontra-se já em ensaios clínicos de fase 3); a investigação relacionada com organismos que só sobrevivem ou existem nos fundos oceânicos, sujeitos a condições extremas de pressão e temperatura; uma área de aplicação designada “sub-zero”, que consiste na possibilidade de conservação de alimentos abaixo de 0ºC mas sem ocorrer congelação (só possível sob pressão), evitando assim os efeitos prejudiciais da congelação nas propriedades dos alimentos, como a textura. A equipa coordenada por Jorge Saraiva submeteu recentemente um artigo nesta área, que abre novas potencialidades envolvendo este inovador método de conservação de alimentos.

Jorge Saraiva membro do Institute of Food Technologists (IFT)

A simulação de ambientes do fundo do mar para crescimento de microrganismos com novos potenciais biotecnológicos é

O trabalho desenvolvido pela equipa dedicada às aplicações

uma outra área de investigação a dar os primeiros passos,

da alta pressão da Universidade de Aveiro e, especialmente,

acrescenta Jorge Saraiva, tendo a sua equipa de investigação

a atividade de Jorge Saraiva como coordenador desta área

publicado recentemente um artigo de revisão nesta área na

de investigação do Departamento de Química e da Unidade

revista Biotechnology Advances, uma das mais conceituadas

de Investigação de Química Orgânica, Produtos Naturais e

revistas científicas da área da Biotecnologia, tendo como co-

Agroalimentares (QOPNA), mereceu reconhecimento internacional.

autores Rita Lopes, Maria João Mota e Ivonne Delgadillo. O investigador foi proposto para integrar a Non-Thermal

Outro trabalho em curso envolve a pasteurização de queijo da

Processing Division (NPD) do Institute of Food Technologists

Serra a frio por alta pressão, o que permitirá a exportação para

(IFT) dos EUA, por eleição entre os seus membros, pelo atual e

países como os EUA, envolvendo outra investigadora, Ana Rita

anteriores presidentes da NPD.

Inácio. Todas estas possibilidades surgem agora mais tangíveis

Jorge Saraiva foi eleito para o biénio que se inicia em setembro

com os novos aparelhos aguardados na UA. “Entramos numa

de 2013.

nova galáxia”, exclama Jorge Saraiva.


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set 2013

Entrevista com António Barreto Universidades devem contribuir mais para as políticas públicas

António Barreto, sociólogo

As exportações estão muito ligadas à capacidade de inovação das empresas.

e presidente da Fundação

Sabendo que o conhecimento é ingrediente básico da inovação, sabendo,

Francisco Manuel dos Santos,

disseminação do conhecimento, pergunto-lhe como olha para o papel que

considera que as universidades deveriam participar mais em estudos para fundamentar políticas públicas e sublinha

também, que as universidades são centros privilegiados de criação e as universidades podem desempenhar neste esforço de promoção das exportações. Sobretudo, num contexto em que as empresas tendem a surgir em sectores tradicionais e a ter um conteúdo tecnológico mais baixo do que o quadro que foi pintado por realidades como as de Silicon Valley ou as dos países escandinavos.

que crescimento económico e

Não esgotando, certamente, o tema, queria distinguir duas funções da universidade.

coesão social não se podem

Uma delas é função cultural e de estudo através da qual contribui para as políticas

divorciar. Carlos Rodrigues,

públicas. As universidades, enquanto instituições – não os seus membros

professor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, da Universidade de

individualmente, porque muitos delas colaboram nessa função – estão longe de contribuir como deveriam para as políticas públicas de transporte, de saúde, de educação, de energia… Essas políticas públicas, de todos os sectores, estão muito mal informadas, porque são muito baseadas em trabalhos demagógicos, ou de interesse imediato, ou de interesse partidário ou de interesse político imediato.

Aveiro, entrevistou o sociólogo

Dado que o Estado tem uma grande deficiência de capacidade científica, a grande

paralelamente às “Exit Talks –

área de expansão das universidades, poderia ser o contributo para a formulação de

Conversas sobre Exportação”,

robustez e mais rigor.

políticas públicas do Estado. O contributo das universidades daria ao Estado mais

promovidas pela UA e AICEP, a 15 e 16 de abril.

A outra função está nos antípodas dessa e tem a ver com o contributo para transformação e inovação dos padrões de produção. Por vezes, é a ciência que resulta em atividade económica. Muitas vezes, é a atividade económica que puxa a ciência. Nesta sessão das Exit Talks, de 16 de abril, muitos palestrantes falaram no gosto e na necessidade do consumidor como ponto de partida para a exportação e em como o processo volta novamente a montante para, em conjunto com a ciência, se definirem as soluções tecnológicas para chegar aos objetivos definidos. Ao ouvir


51

entrevista

o debate, lembrei-me do caso do vinho do Porto. O vinho do Porto é, certamente, o produto mais importante da economia portuguesa nos últimos três ou quatro séculos, e chegou a representar 40 por cento das exportações portuguesas há cerca de 100 ou 150 anos. Grande parte dos produtos que Portugal adquiriu, neste período, foi-o com a ajuda das receitas do vinho do Porto. Este não foi, obviamente, feito pelos lavradores do Douro que contruíram, isso sim, a paisagem do Douro. O vinho do Porto foi feito em Inglaterra, em Antuérpia, na Flandres, em Oslo… consumidores esses que começaram a fazer exigências de corpo, sabor, cor, teor alcoólico… As universidades e escolas em Portugal têm uma enorme importância científica, tecnológica e cultural na transformação

PORDATA tornou jornalistas mais rigorosos no uso

de padrões de produção, mas não na conceção dos produtos.

de dados estatísticos

Esses são os consumidores e os vendedores que o definem. A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) tem como

UE devia dar força à relação

missão estudar, divulgar e debater a realidade portuguesa, com

universidade-empresa

liberdade e independência, segundo a página da instituição na Internet. A FFMS toma a iniciativa e patrocina projetos vários,

Concordando consigo, digo que essa ligação exige uma

alguns permanentes e outros com duração determinada. Entre os

proximidade muito grande em termos institucionais.

projetos permanentes estão a PORDATA, Base de Dados Portugal

Entre as barreiras mais referidas na aproximação entre

Contemporâneo, e a coleção “Ensaios da Fundação”. Estes têm

as universidades e o mundo empresarial estavam o

como característica essencial pôr à disposição dos cidadãos a

distanciamento cultural, diferentes noções do tempo…

mais vasta informação existente sobre a sociedade portuguesa. No

Sabe-se que, hoje, essas duas realidades estão mais

caso da PORDATA, trata-se de informação quantitativa.

próximas, mas a relação ainda não é natural, nem sistemática... Continuará a fazer sentido falar

Que importância tem tido a base de dados PORDATA (http://

nessas barreiras?

www.pordata.pt/), gerida pela Fundação francisco Manuel dos Santos, no conhecimento da sociedade portuguesa e na

Acho que houve melhorias nas últimas duas ou três décadas,

produção de estudos mais bem informados?

mas estamos muito longe do que deveria ser essa relação.

Não me compete a mim fazer o elogio da PORDATA, dado que

Fiz grande parte do percurso profissional na universidade,

estou na sua origem… Mas, o número de pessoas que usam os

com passagem pela vida política, e preocupei-me com a

seus dados, de referências na comunicação social, de papers

relação entre o mundo académico e o mundo empresarial.

e na produção científica no mundo académico, ultrapassou as

Percebi que o universitário desconfia do empresário e as

nossas expectativas. Verificámos que, passados quatro anos da

justificações são sempre as mesmas: que o empresário

sua constituição, havia realmente falta de um recurso quantificado,

quer é ganhar dinheiro e não se interessa pelo bem comum,

de indicadores e dados credíveis – não por sermos melhores

quer ganhar dinheiro muito rapidamente, que o empresário

que os outros, mas por usarmos indicadores de fontes oficiais.

quer dominar a ciência, etc… Algo disto é verdade, mas

Limitamo-nos a arrumar e a organizar dados reunidos por outros

nem tudo! No outro lado, o empresário queixa-se que o

(como o Instituto Nacional de Estatística ) – no total, mais de 50 –

académico demora demasiado a chegar aos resultados,

que produzem dados estatísticos. Creio que a PORDATA já ajudou

quer colaboradores a mais, não se preocupa em prestar

jornais, televisões e rádios a usar de modo diferente a informação,

contas, que, no fundo, o académico quer é, também, ganhar

com um pouco mais de respeito. Tenho pena de o dizer, porque

dinheiro… Aqui também há alguma verdade! Alguns bons

estive ligado, durante 20 ou 30 anos, ao jornalismo: não há pior

exemplos começam a aparecer com o atrevimento de alguns

inimigo da estatística que um jornalista. Penso que a PORDATA

empresários e de certos académicos e a força da necessidade.

deu um pequeno contributo e os órgãos de comunicação social

Do lado do Estado, haveria vantagens se, para além dos

começam a ser um pouco mais rigorosos no uso destes dados.

funcionários públicos e organizações políticas, estivesse

A PORDATA serve para pormos o pé no terreno sólido dos factos

também representado o ensino superior, em certos domínios,

para, depois, podermos pensar, estudar e interpretar – isso sim, é

como na gestão do sistema de saúde, na gestão do sistema

uma atividade criativa e importante.

de educação, na gestão das exportações, no vinho, nos portos… As universidades poderiam estar envolvidas em todos


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set 2013

esses setores. E os empresários poderiam estar ainda mais QUEM É ANTÓNIO BARRETO?

envolvidos na vida universitária. Esta ligação poderia, aliás, ser forçada pelas instituições públicas e pela União Europeia…

António Barreto nasceu a 30 de Outubro de 1942, na Foz do Douro, Porto. Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de

Qual acha que poderá ser o papel de conferências

Coimbra, de 1960 a 1963, foi exilado político na Suíça, onde se

e eventos de debate, como o “Exit Talks”, para essa

licenciou em Sociologia, na Faculdade de Ciências Económicas

necessária mudança?

e Sociais da Universidade de Genebra. Depois de regressar a Portugal, em 1974, foi docente na Faculdade de Ciências Sociais

As Exit Talks são um excelente ambiente, mas esses ambientes

e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigador no

são, muitas vezes, efémeros. Não vou exagerar: a aproximação

Gabinete de Estudos Rurais da Universidade Católica Portuguesa

e o convívio constituem um passo importante, desde que

e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e

se prepare o modo como se vai aproveitar esse esforço de

ainda docente e membro da Comissão Instaladora na Faculdade

aproximação. Caso contrário, acontece como no Carnaval

de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Doutorou-se

brasileiro, em que tudo se acaba na quarta-feira.

em Sociologia, pela Universidade de Genebra, em 1985. Foi investigador principal do Instituto de Ciências Sociais desde 1982

Não é o parque eólico, ou a barragem,

até 2008, ano em que se reformou e passou a ser investigador

que cria coesão social

emérito do mesmo instituto.

Que papel podem desempenhar as ciências sociais na Entre os trabalhos que António Barreto realizou, destacam-se a

aproximação entre a universidade e a sociedade no

coordenação (em colaboração com Maria Filomena Mónica) dos

desenvolvimento socioeconómico?

três volumes do “Dicionário de História de Portugal” e a autoria da série de documentários para a televisão “Portugal, Um retrato social”

Custa-me responder, porque parece que defendo a minha

(realizada por Joana Pontes). Colabora, há trinta anos, na imprensa

“dama”… Acho que o papel das ciências sociais é crucial.

escrita e na televisão. Foi galardoado com o Prémio Montaigne em

A ideia que estas questões se resolvem com engenheiros,

2004, e eleito para a Academia das Ciências em 2008.

químicos, matemáticos, médicos ou advogados é errada. Quando se fala destas questões, fala-se, no fundo, de coesão

A sua atividade académica foi interrompida por duas vezes,

social, nacional, territorial, regional, e até de coesão entre

para desempenho de funções políticas, tendo sido deputado

instituições, entre empresas e instituições. Ora isto, sem

à Assembleia Constituinte, secretário de Estado do Comércio

cultura, sem conhecimento da sociedade, sem humanidades,

Externo, ministro do Comércio e Turismo e ministro da Agricultura

sem ciências sociais, não se faz. Não é o parque eólico, ou

e Pescas, e ainda deputado à Assembleia da República.

a barragem, que cria coesão social. Muitas vezes, não cria

Em 2009, foi nomeado presidente do Conselho de Administração

coesão social, de todo!

da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

(Mais informação em http://www.ics.ul.pt/instituto/?ln=p&pid=15&m m=2&ctmid=4&mnid=1&doc=31809901190)


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ensino

Novo edifício congrega ESSUA, SACS e Centro de Biologia Celular

A adaptação ao edifício que congrega a Secção

A nova realidade, em valências e recursos, traz

Autónoma de Ciências da Saúde (SACS), a Escola

laboratórios equipados com tecnologias de ponta,

Superior de Saúde (ESSUA) e o Centro de Biologia

salas de aula, dois anfiteatros ideais para eventos

Celular, torna diferente o início do ano letivo para

científicos e um ambiente natural circundante

os alunos dos cursos de saúde.

propício ao estudo e investigação, no Crasto.


linhas

set 2013

Em novas instalações desde o final de junho, a comunidade

Elsa Melo, também membro da Comissão Executiva da Escola

universitária na área da Saúde está ainda a descobrir o novo

e docente de Enfermagem, corrobora o seu colega:

espaço físico, com cerca de 11 mil metros quadrados, divididos

“Esta escola conta com profissionais de saúde, o que permite

em dois blocos. Se antes tinham como vizinhos o bulício dos

aos alunos interagirem em contexto real desde muito cedo.

carros e das sirenes das ambulâncias que se dirigiam ao

Além disto, estamos inseridos numa universidade muito

hospital, agora têm a ria, o cheiro a maresia, as gaivotas…

dinâmica, uma instituição que tem uma visão da investigação

E um enorme manancial de novos equipamentos à disposição

e da cooperação com a sociedade e comunidade. Agora, com

de alunos e investigadores, que propiciam o desenvolvimento

as novas instalações e novos equipamentos, temos condições

de três vetores considerados essenciais por Rui Costa,

para a formação que nos colocarão em vantagem em relação

membro da Comissão Executiva da Escola e coordenador do

a outras escolas”, afirma.

Gabinete de Educação para a Qualidade da escola: “Estes novos edifícios estão estruturados de forma a poderem cumprir

Pretende-se também aumentar e melhorar a formação de 1.º

a missão da universidade no seu global: melhorar o ensino, a

ciclo e apostar nos 2º e 3º ciclos. Atualmente funcionam os

investigação e a cooperação com a sociedade. Temos alguns

mestrados em Fisioterapia e Terapia da Fala e um programa

laboratórios que estão mais vocacionados para o ensino de 1.º

doutoral em Gerontologia e estão previstos novos cursos (ver

ciclo, outros que se vocacionam mais para a investigação, e

caixa).

outros ainda, como o Centro de Simulação, que podem estar nas três áreas”, explica Rui Costa.

Laboratórios de ponta para todos os cursos A área da enfermagem conta com quatro laboratórios: materno-

Esta é a primeira escola de saúde em Portugal que congrega

infantil, médico-cirúrgico, cuidados intensivos e cuidados de

no mesmo espaço enfermagem, tecnologias de diagnóstico

saúde primários. Todos eles estão equipados com manequins

e terapias de reabilitação, frisa o também diretor do mestrado

que permitem a simulação dos procedimentos técnicos,

em Fisioterapia. Ao integrar-se numa universidade, conta ainda

desde cateterização venosa, introdução de sondas vesicais

com a colaboração de docentes de diversos departamentos.

e nasogástricas, realização de pensos, execução de suturas,

A aprendizagem acontece num “ambiente multidisciplinar,

tratamento de feridas, banho ao recém-nascido, etc. Isto é,

facilitando, no futuro, uma prática profissional também ela

“estes laboratórios permitem simular todos os procedimentos

multidisciplinar”, explica Rui Costa, acrescentando: “A forma

que na prática os profissionais de enfermagem vão ter que

como os cursos estão organizados, numa sequência lógica e

realizar”, acentua Elsa Melo.

cumulativa por áreas de conhecimento, a rede de 123 parcerias para a realização dos estágios clínicos, com instituições

O Laboratório de Fisioterapia oferece condições para uma

idóneas e de reconhecida competência, o corpo docente

aprendizagem em termos de conhecimentos e competências

multidisciplinar, jovem e qualificado” fazem desta (nova)

para que no final dos quatro anos de formação o fisioterapeuta

escola uma referência, considera.

possa exercer a profissão. Proporciona intervenção


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em condições músculo-esqueléticas, neurológicas,

ensino

Centro de Simulação Clínica: a grande novidade

cardiorrespiratórias e uma intervenção mais específica voltada para a comunidade. Tem os recursos materiais essenciais para

O Centro de Simulação Clínica (CSimCS-UA) é o mais recente

uma formação quer ao nível das técnicas de mobilização (ou

projeto de simulação clínica avançada em Portugal. Os objetivos

terapias de movimento), eletroterapias e terapias manuais.

são melhorar a qualidade de ensino, pré e pós graduado e a formação ao longo da vida dos profissionais das diferentes áreas

O curso de Terapia da Fala conta com um Laboratório de

da Saúde, utilizando a simulação clínica avançada.

Fala, Linguagem e Audição (SLH lab) que está equipado com diversos instrumentos que “permitem a avaliação da

Para alcançar estes objetivos, o CSimSC-UA dispõe de programas

fala, linguagem e audição”, explica uma das docentes do

informáticos e modelos que permitem simular situações de

curso, Marisa Lousada.“O laboratório tem instrumentos que

cuidados intensivos, cirúrgicos, alterações cardíacas, suporte

são usados na avaliação tradicional dos utentes, bem como

básico de vida, suporte avançado de vida, simulação de um parto

equipamentos inovadores e únicos em Portugal como é o

ou cirurgia, entre outros, para apoiar a formação dos estudantes

caso da eletropalatografia, que irão permitir uma avaliação

ao nível da avaliação dos quadros clínicos e intervenção em cada

e intervenção de elevada qualidade à semelhança do que é

circunstância. “O manequim/modelo presente no local apresenta

realizado a nível internacional”, destaca a responsável.

um quadro clínico determinado por um software específico e o estudante tem de avaliar e agir em tempo real.

Na área da Radiologia a grande aposta continua a ser o processamento de imagem médica, para permitir aos alunos

Como estratégia de desenvolvimento, a prioridade vai passar pelo

uma formação sólida nessa área, elucida a diretora da

envolvimento de todas as entidades regionais das diferentes áreas,

licenciatura, Sílvia de Francesco. Para além do equipamento já

nomeadamente da saúde e da Proteção Civil, como parceiros

existente, no novo edifício a área da radiologia poderá contar

estratégicos do CSimCS-UA. Deste modo, os projetos abrangerão

com um equipamento de radiologia computorizada que irá

não só o ensino (pré e pós graduado) e investigação nas várias

permitir a aquisição de imagem radiográfica digital; um fantoma

áreas das Ciências da Saúde, mas também o treino e formação

antropomórfico (um manequim com esqueleto e órgãos

dos profissionais de saúde (hospitalar, comunitária e pública) e da

internos realizado com materiais cujas propriedades, no que diz

proteção civil.

respeito à interação com os Raios-X, são parecidas com as do corpo humano) para simulação de procedimentos de aquisição


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set 2013

de imagem; equipamentos para medição da dose de radiação nos diferentes procedimentos, para estudos de controlo de

Existe ainda um espaço com condições para prestar cuidados

qualidade e otimização de protocolos de exame (minimização

à comunidade, que poderá vir a integrar alguns dos serviços

da dose); um equipamento de ecografia equipado com sondas;

de saúde prestados atualmente pelos Serviços de Ação Social

um conjunto de fantomas (objetos de teste) para realização

da UA, nomeadamente consultas de medicina do trabalho e

de procedimentos de controlo de qualidade em raio-X,

exames complementares, ou consultas de ginecologia, por

mamografia, tomografia computorizada, ecografia, ressonância

exemplo. Podem ainda vir a ser realizadas parcerias com

magnética); e um reforço na área do processamento de imagem

outras entidades de modo a possibilitar a prestação de outros

com a criação de um novo laboratório.

cuidados específicos diferenciados, tendo sempre em conta a missão da universidade e a cooperação com a sociedade.

No âmbito da Gerontologia, a Escola vai contar com um laboratório que tem como objetivo principal estudar a funcionalidade e o desempenho de adultos com incapacidade e/ou deficiência em atividades no seu domicílio. Estas atividades incluem tarefas do dia-a-dia e recorrem à utilização

Novas propostas de oferta formativa na UA

de sistemas, produtos, estratégias e técnicas de suporte ao desempenho de alta e baixa tecnologia.

Nas novas instalações da Escola de Saúde e surgirá em funcionamento o Mestrado em Tecnologias da Imagem Médica,

A escola conta também com um Laboratório de Estudo do

que será lançado no ano letivo 2014/2015. A pós-graduação é

Movimento Humano que serve os vários cursos. “De referir

fruto da colaboração e integração técnico-científica entre diversos

que o país tem apenas seis ou sete laboratórios de movimento

departamentos da UA: SACS, ESSUA, Departamento de Eletrónica,

humano. Na área da reabilitação, o que mais se destaca é o

Telecomunicações e Informática, Departamento de Física

nosso”, frisa o diretor do mestrado em Fisioterapia.

e unidades de investigação associadas.

Por seu turno o Laboratório Cardiorrespiratório, que se destina

Para além das novidades na área da saúde, a oferta formativa

também a vários cursos, dispõe de instrumentos para avaliação

de pós graduação da UA para 2013/2014 também inclui outros

da função respiratória e cardíaca, incluindo prova de esforço e

cursos inéditos: o Mestrado em “Geoinformática”, os programas

prova de avaliação pulmonar, podendo ser feita em bicicleta ou

doutorais em “Ciência, Tecnologia e Gestão do Mar”, “História das

tapete rolante e incluir ainda uma ecografia de stress.

Ciências e Educação Científica”, “Políticas Públicas” e “Tradução e

Outros laboratórios transversais são os de anatomia e fisiologia

Terminologia” e o curso de especialização em “Promoção da Leitura

e de bioquímica e histologia.

e Bibliotecas Escolares”.


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cultural

Sons dos Festivais de Outono voltam a ouvir-se na cidade de Aveiro

Os Festivais de Outono da Universidade de Aveiro “invadem”, em

Vão passar ainda pelos palcos dos Festivais de Outono o

outubro e novembro, vários locais do Campus Universitário e da

Quarteto de Moscovo e Paulo Rodrigues, este último com um

cidade de Aveiro. Na sua nona edição, este festival conta com

espetáculo dedicado aos mais novos, intitulado: “A anatomia

concertos de vários géneros musicais (da música clássica ao jazz,

do piano”. O concerto de abertura, pela Orquestra Filarmonia

passando pelas artes de palco), conferências e masterclasses.

das Beiras, inclui a participação do pianista Pedro Burmester, da violinista Ana Pereira e do violoncelista Paulo Gaio Lima.

A chegada do Outono, com as primeiras chuvas e os dias

O elemento didático da programação materializa-se na inclusão

mais pequenos, não tem de ser sinónimo de momentos menos

no programa de recitais com alunos de Doutoramento em

preenchidos e ricos culturalmente. Pelo contrário. Pelo nono ano

Performance da UA e de um recital de percussão com

consecutivo a UA organiza os Festivais de Outono para alegrar

Tiago Ferreira, vencedor do Prémio de Interpretação

os dias e noites de todos os Aveirenses e de tantos quantos

Frederico de Freitas (UA/2013), para além de uma masterclass

queiram aqui deslocar-se, adultos ou crianças, e ouvir o que

com o cravista Miguel Jalôto.

de melhor se faz musicalmente. Desde consagrados artistas nacionais e estrangeiros, a jovens ainda em início de carreira,

Informações detalhadas sobre o programa podem ser

todos marcam presença neste evento que é já um marco na

consultadas em http://www.ua.pt/festivaisdeoutono/

programação musical da Região. “Os Festivais de Outono da Universidade de Aveiro procuram servir a Região Centro de Portugal com um leque diversificado de ofertas musicais. Tendo começado por ser um festival de música exclusivamente erudita, evoluíram no sentido de possibilitar a músicos da área do jazz, das músicas do mundo, da música etnográfica e ainda a criativos do design a apresentação de projetos multidisciplinares, funcionando como uma plataforma que gira entre a Universidade de Aveiro e o exterior”, explica o diretor artístico, compositor e docente no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da UA, António Chagas Rosa. Assim, o programa de 2013 reforça a intenção dos anos mais recentes de “providenciar espaço de palco para artistas portugueses de alto valor” frisa o diretor do certame. A programação contempla concertos sinfónicos, espetáculos de natureza músico-teatral, recitais de música de câmara e a solo e um concerto de jazz, com Helena Caspurro.

© Daniel Mendonça


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set 2013

ACONTECEU NA UA Novo Conselho Geral reelege

os estudantes para a aprendizagem de outras línguas. O Reitor

Alexandre Soares dos Santos

da UA considerou ainda que fatores como a singularidade da

Alexandre Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo

organização em departamentos e não faculdades, a aposta em

Martins, um dos cinco membros externos cooptados no

áreas novas e diferentes, a ligação à sociedade e às empresas

novo Conselho Geral da Universidade de Aveiro, foi reeleito

e a investigação e qualidade na UA têm feito toda a diferença.

presidente na primeira reunião com os novos membros deste

Destacando também a internacionalização crescente da

órgão, a 15 de julho. O conjunto de cinco personalidades

instituição, o Vice-reitor da UA para a Investigação, José

externas inclui três novos membros: João Paulo Oliveira,

Fernando Mendes, recordou a recente criação de institutos

administrador da Bosch Termotecnologia SA, Júlio Magalhães,

virtuais, agregadores do trabalho de investigação, como

diretor geral do Porto Canal, e o suíço Jean-Marc Rapp,

o Aveiro Institute of Nanotechnology (AIN) e Aveiro Institute for

ex-presidente da European Universities Association (EUA).

Marine Science and Technology (AIMARE) e a aposta em cinco áreas estratégias nas candidaturas ao Programa Mais Centro:

Mantém-se Lusitana Fonseca, que volta a ser escolhida para

recursos sustentáveis, medicina regenerativa, “cloud thinking”,

integrar o Conselho Geral por um mandato de quatro anos.

anomalias neuropatológicas e energia solar.

Os representantes dos docentes e investigadores foram eleitos em cada uma das quatro circunscrições que abarcam os vários departamentos e escolas politécnicas e são José Luís Oliveira, Ana Isabel Miranda, Maria Luís Pinto, Helena Alvelos, Elisabete Vieira, Marco André Costa, António Carlos Correia, António Manuel Caetano, Artur Silva e Teresa Monteiro. Os alunos de todos os graus de ensino estão representados neste órgão de governo por Luis Soares, Luís Lemos e André Silva. Miguel Oliveira foi o membro escolhido pelos trabalhadores não docentes e não investigadores. Research Day: os melhores de 2013 O Research Day de 2013, dia em que a Universidade de Aveiro celebra a investigação reunindo as centenas de investigadores

UA apresentou ideias para mudar o país

que constituem a comunidade científica da UA, apresentou 161

Durante dois dias a Universidade de Aveiro e a Agência para o

pósteres, 10 expositores, com protótipos e demonstrações,

Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) juntaram

12 palestras curtas e mais duas convidadas. No âmbito da

empresários, consultores, cientistas e investigadores, artistas e

iniciativa, foram premiados trabalhos de investigação nas áreas

criadores, responsáveis de instituições públicas com interesses

das Ciências, Engenharias e Artes e Humanidades

e atividades ligados à internacionalização nas “Exit Talks –

Na sessão de abertura do Research Day, o Reitor da

Conversas sobre Exportação”.

Universidade de Aveiro, Manuel António Assunção, dirigindose à plateia em língua inglesa, para melhor ser compreendido

O evento, decorrido a 15 e 16 de abril, permitiu mudar a letra que

pelos estrangeiros que estudam, ensinam e investigam na UA –

interessa no alfabeto do desenvolvimento, considerava Carlos

cerca de 10% da comunidade é estrangeira – destacou

Jalali, professor da UA, na leitura das conclusões: o habitual

o grau de internacionalização já alcançado pela instituição

“Portugal sem saída” mudou para “Portugal tem saída”. “Um bom

como um dos fatores para a qualidade de investigação

exemplo do que pode surgir quando a universidade se abre à

produzida. No entanto, referiu a necessidade de aumentar o

sociedade”, sublinhou Alexandre Soares dos Santos, presidente

número de aulas em língua inglesa, de sensibilizar ainda mais

do Conselho Geral da UA e promotor destas conversas.


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aconteceu na ua

Num formato que pretendeu evitar o tradicional monólogo

da UA – que mantém a aposta na interatividade com visitantes

durante algumas dezenas de minutos, oradores tão

e lhe confere características únicas no país.

reconhecidos como António Barreto, Augusto Mateus, Fernando Ulrich, Joana Carneiro, Henrique Cayatte, António

Cerca de 400 jovens de todo o país

Lobo Xavier, Luís Portela ou ainda o filósofo Gilles Lipovetsky

‘experimentam’ a UA através da Academia

partilharam os seus argumentos com uma audiência de meio

de Verão

milhar de participantes muito interessados e ativos..

A Universidade de Aveiro recebeu uma das mais participadas edições da Academia de Verão. Cerca de 400 jovens

Universitários trocaram currículos à procura

estudantes do 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino

de uma oportunidade no Fórum 3E

secundário entraram na UA para usufruírem de uma experiência

Durante dois dias, finalistas e recém-diplomados

única de iniciação à vida universitária. As atividades nas

da Universidade de Aveiro tiveram oportunidade de contactar

áreas das ciências e tecnologias, saúde, artes e humanidades

de perto com mais de duas dezenas de potenciais recrutadores

decorreram de 7 a 19 de Julho.

e receber informações privilegiadas sobre as exigências do mercado de trabalho. Apresentações concorridas, stands

A edição deste ano integrou 22 programas dirigidos aos

com visitas permanentes e muitos currículos entregues.

alunos do 5º ao 12º ano de escolaridade, explorados nos 14

Assim se resume a feira de emprego, integrada na 13ª edição

departamentos e em duas das escolas politécnicas da UA,

do Fórum 3E - Emprego | Empresas | Empreendedorismo,

envolvidos na iniciativa. O menu da 8ª edição da Academia de

que decorreu em maio, na UA.

Verão contou com um convidado especial, o físico e astrónomo James Kakalios, que veio à UA, com o apoio da embaixada dos

“A ideia é promover a ligação, que se quer estreita, entre o

EUA, falar sobre a Física e os Super Heróis. Nas suas palavras,

aluno e o mercado de trabalho, sobretudo numa altura difícil

foi em Aveiro que este conceituado divulgador de ciência

como aquela em que vivemos”, vincou Carlos de Pascoal Neto,

foi colocado perante a questão mais difícil da sua carreira

Vice-reitor da UA, durante o certame.

quando um participante da Academia lhe perguntou qual o super herói que melhor representaria Portugal. Considerou

Este ano, a terceira componente do Fórum 3E,

que a capacidade que o “Green Lantern” tem de criar qualquer

o Empreendedorismo, foi reforçada com um conjunto

objeto, bastando pensar nele com o poder da sua vontade,

de ações, realizadas na Incubadora de Empresas da UA,

seria o que mais se assemelha ao nosso país. Deixou junto dos

que visaram incentivar e apoiar a criação, o desenvolvimento

jovens o desafio: “ Não há nada que Portugal não possa criar,

e o crescimento sustentado de iniciativas empreendedoras.

impulsionado pelo poder da sua vontade”.

A 13ª edição do Fórum 3E esteve integrada na “Semana Aveiro Empreendedor”, uma iniciativa do projeto Aveiro Empreendedor,

A Academia de Verão contou também com o contributo de

composto por um vasto conjunto de atividades. O Fórum 3E

várias entidades e empresas que pretenderam associar-se a

voltará no próximo ano com novas ideias e propostas.

esta iniciativa de promoção da ciência junto dos mais jovens. Este ano, 68 participantes usufruíram de bolsas asseguradas

Fábrica renovada para novas aventuras na ciência Três mil metros quadrados de infraestruturas em cinco pisos, 12 salas de atividades que se traduzem em ofertas diversificadas em termos de valências e serviços são a proposta da renovada Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. A missão de levar a divulgação de ciência ao público em geral, através do incentivo à experimentação, tem agora condições beneficiadas. Quase dois anos depois de ter encerrado para obras de beneficiação, o Centro Ciência Viva de Aveiro, instalado no edifício da antiga Companhia Aveirense de Moagens, retoma a sua atividade. O centro, que funciona como uma estrutura de interface da Universidade de Aveiro para a promoção da ciência, e se integra na Rede Nacional de Centros Ciência Viva, apresenta-se com nova imagem, espaço alargado e um programa de atividades multidisciplinar reformulado – concebido em estreita articulação com os vários docentes

pela UA e pelos seus parceiros.


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set 2013

UA promove o Dia do Antigo Aluno E lembras-te quando…? E daquela vez em que a malta…?

O almoço vai ser servido na alameda do campus universitário,

E naquela célebre noite do enterro em que…? E naquela

em vários espaços onde estarão confrarias e associações

aula nos “galinheiros” quando de repente …? E quantas mais

gastronómicas da região, com ementas e preços

recordações e histórias dos velhos tempos passados

diversificados e ao gosto de todos os paladares.

na Universidade de Aveiro vão surgir no dia 28 de setembro?

O chef Chakall ficará encarregue de um “show cooking”

Todas e mais algumas guardadas para sempre no baú dos

em torno do tema do sal.

melhores tempos da juventude. Para tal, e pela primeira vez, a Academia de Aveiro vai reunir os antigos alunos e as

A participação no Dia do Antigo Aluno é gratuita

respetivas famílias durante um dia que se pretende de grandes

mas requer inscrição em www.ua.pt/diaantigoaluno.

reencontros e de fortes abraços. E se tem uma fotografia de um momento marcante A organização do Dia do Antigo Aluno é da UA, da Associação

da sua vida na UA ou da própria UA, uma história

de Antigos Alunos da UA e da Associação Académica da UA,

para contar, um vídeo de um desfile do Enterro do Ano

no âmbito dos 40 Anos da UA. O programa, que vai decorrer

que considere importante envie esse pedaço de memória

entre as 9h30 e as 18h00 no campus da UA, integra um vasto

coletiva para aaaua-40anos@ua.pt.

leque de atividades. Visitas ao campus e aos Departamentos e Escolas, prática desportiva, espetáculos musicais com Frankie Chavez, a Magna Tuna Cartola e a Tuna Universitária de Aveiro, stand-up comedy com Pedro Tochas e animação para crianças são algumas das supresas que o Dia do Antigo Aluno tem reservadas.


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set 2013


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set 2013

Linhas 19  

Ano 10, Setembro 2013

Linhas 19  

Ano 10, Setembro 2013

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