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EDITORIAL As universidades não podem apenas ter como missão diplomar estudantes e gerar conhecimento novo: devem actuar também como parceiras activas da sociedade.

Manuel António Assunção Director da revista Linhas Reitor da Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro foi, aliás, pioneira nessa atitude e nessa prática, inscrevendo-as nos seus planos desde o primeiro momento; o que se traduziu logo na criação da primeira associação universidade-empresa no país, num abrangente e continuado programa de estágios e projectos em contexto de trabalho e no assumir de um papel determinante no desenvolvimento regional. Hoje, como então, a cooperação é uma prioridade e, no seu todo, deve ser reforçada e incentivada: estabelecendo mais acordos com empresas, autarquias e outras instituições, nacionais e estrangeiras, nos mais variados domínios; e pela participação da Universidade, seus Departamentos, Escolas e laboratórios, estimulando também iniciativas individuais de professores e investigadores, em programas de natureza diversa. Esta terceira missão da universidade, a cooperação com a sociedade, é um campo vastíssimo no que respeita à tipologia de acções, às características dos parceiros, ao impacto dos programas e aos instrumentos utilizados. E é de primordial importância para possibilitar aos empregadores e outros parceiros externos um maior papel nos processos de formulação de políticas para a UA. Importa pois, muito, aumentar o alcance das parcerias com a sociedade. A UA possui ou participa num significativo número de entidades que a coadjuvam e são fundamentais na sua relação com a sociedade. Estamos empenhados em majorar o papel dessas entidades coadjuvantes e de interface, reforçando a visibilidade externa e o impacto da UA nas frentes da qualificação, prestação de serviços, transferência de tecnologia, fomento do empreendedorismo, divulgação científica, divulgação cultural e cooperação internacional para o desenvolvimento; procurando assegurar uma lógica coerente de articulação entre estas entidades e os Departamentos, Escolas e Unidades de Investigação da UA.

Como elemento crucial desse reforço desejado de cooperação estamos a sistematizar um conjunto de portfolios estruturados de serviços ao exterior que serão, em breve, apresentados publicamente; e que ficarão disponíveis para utilização pelos potenciais parceiros. O papel dos diplomados e antigos alunos da UA é igualmente decisivo neste processo de aproximar a Universidade da sua envolvente externa. Continuaremos a trabalhar com afinco e o melhor da nossa imaginação para esse fim de termos os nossos alumni mais próximos de nós, enquanto embaixadores e membros de uma comunidade a que pertencerão, sempre, por direito próprio. Estas iniciativas, a juntar à grande dinâmica já existente, ajudarão a fortalecer, em termos de conhecimento e confiança mútuos, a relação da UA com a indústria e as empresas e a reforçar políticas de promoção da inovação: objectivos que, por sua vez, serão mais facilmente alcançados aumentando o volume de I&D privado no Campus (que o Parque de Ciência e Inovação, em instalação, deve ajudar a acontecer), incentivando as teses de mestrado, os estágios e o trabalho doutoral em empresas e instituições externas. Investigação e inovação são actividades distintas e que requerem abordagens e incentivos próprios, complementares mas não intermutáveis. É claro que a ciência e a tecnologia não devem ser desenvolvidas desligadas de uma política de inovação que, pelo seu lado, determina e é determinada pelo mercado. Acredito que temos condições para sermos agentes activos na ligação entre ciência e criação de riqueza. Porque podemos juntar no Campus os elementos essenciais à inerente e imprescindível competitividade sustentável: qualificação, inovação, densidade tecnológica. Assumimos esse desígnio de, com base na investigação de excelência que produzimos, ser uma instituição intensamente envolvida na valorização social e económica do conhecimento.


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COOPERAÇÃO universidade de aveiro conduz reestruturação curricular do ensino secundário geral de timor-leste

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Thin Film Tec inovação no fabrico de chips de memória

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Korange coragem e alcance na criação de robôs cortadores de relva

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biólogas derrubam dogma de 20 anos com a produção de um lantibiótico em E. coli.

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cancro do pulmão metabolismo dá pistas para a concepção de novo método de diagnóstico

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INVESTIGAÇÃO bioquímicos da ua atestam potencialidades da saliva na detecção de patologias

ENTREVISTA COM… alexandre cruz provedor do estudante

2CTech inovação em biomarcadores na área da saúde

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PRÉMIOS recebidos pela comunidade académica da ua

DEPARTAMENTOS EM REVISTA… directores dos departamentos e escolas dão a conhecer prioridades de acção

CAMPUS EXEMPLAR uma salina para um campus exemplar

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radioactividade e energia nuclear carlos borrego ANTIGOS ALUNOS antigos alunos da ua falam das suas carreiras

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ENSINO

ESCAPARATE publicações da comunidade académica

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OPINIÃO em rede com os antigos alunos carlos pascoal neto

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EDITORIAL manuel antónio assunção director da revista linhas e reitor da ua

ACONTECEU NA UA… alguns momentos que marcaram a vida académica


opinião

ua aproxima-se dos seus antigos alunos

em rede com os antigos alunos LINHAS

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Carlos Pascoal Neto Vice-reitor

Os antigos alunos são parte essencial da Universidade de Aveiro! São os primeiros embaixadores, os representantes da qualidade do ensino e da investigação e os parceiros privilegiados da nossa Instituição. Consciente desta importância, a Reitoria está a lançar novos projectos e a dinamizar um novo modelo de relacionamento com os antigos alunos da UA, em complementaridade e articulação com a Associação de Antigos Alunos (AAAUA).

O modelo assenta na criação de uma Rede de Antigos Alunos, participativa no processo de desenvolvimento da UA, promotora da imagem da instituição que os acolheu e beneficiária ou parceira no vasto leque de actividades, serviços e iniciativas de valorização profissional que esta Instituição de Ensino Superior tem para lhe oferecer. Pretendemos envolver todos os antigos alunos dos diferentes graus e ciclos de estudo do sistema universitário e politécnico e dos cursos de nível pós-secundário (CET), nacionais e estrangeiros, bem como os alunos que frequentaram a UA no âmbito de programas internacionais de mobilidade. No essencial, pretendemos com esta Rede trazer os antigos alunos de volta à Universidade, Departamentos e Escolas Politécnicas onde se formaram e, obviamente, levar a UA até aos seus antigos alunos. De entre as actividades a dinamizar, destacaria em primeiro lugar, a frente da formação e valorização profissional. Num mundo global em rápida mudança, a adaptação aos novos desafios sociais, económicos, científicos e tecnológicos, requer a permanente actualização de conhecimentos. Neste contexto, e no novo quadro de Bolonha, a Universidade, com a sua oferta formativa de nível pós-graduado assente numa estrutura modular e flexível, está organizada para responder às necessidades de formação complementar e/ou especializada dos seus antigos alunos. Refiro, a título de exemplo, o Curso de Formação Avançada em Gestão para Executivos, recentemente lançado pelo Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e frequentado por alguns antigos alunos ligados ao sector empresarial, ou o Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica, que desejamos igualmente promover junto dos nossos antigos alunos. Acções de formação, palestras e workshops orientados para a valorização profissional dos antigos alunos da UA irão igualmente ser dinamizados. Não menos importante nesta relação com os antigos alunos é a frente da investigação, desenvolvimento e

inovação. Ambicionamos estabelecer e reforçar, nesta área, parcerias com entidades públicas e privadas, nomeadamente com as empresas que integram os nossos antigos alunos, permitindo-lhes o acesso privilegiado ao conhecimento científico, ao parque de infraestruturas científicas e tecnológicas e aos serviços disponíveis na UA, bem como à rede de contactos e parcerias internacionais em que a Universidade está envolvida. Parcerias privilegiadas com antigos alunos empresários deverão igualmente ser estabelecidas ao nível do acolhimento de estágios em ambiente empresarial, nomeadamente ao nível dos diferentes ciclos de Bolonha ou de Cursos de Especialização Tecnológica. Com a Rede de Antigos Alunos gostaríamos, também, de envolver os nossos diplomados no processo de construção e consolidação da Instituição, pronunciando-se, nomeadamente, sobre a satisfação e adequação da oferta formativa recebida nesta Universidade, apresentando propostas de melhoria e desenvolvimento do projecto UA e participando activamente no processo de monitorização e acompanhamento dos percursos profissionais e empregabilidade dos nossos diplomados. A melhoria contínua do desempenho da UA na sua missão principal depende dos contributos de todos quantos participam no processo de ensino-aprendizagem. Manter a Universidade de Aveiro como instituição de referência no ensino superior nacional é um objectivo a perseguir e para o qual todos os diplomados poderão dar o seu contributo. De forma a enquadrar e dinamizar esta nova relação estruturada entre a UA e os seus antigos alunos, está a ser criado o Gabinete do Antigo Aluno (GAA), entidade que assegurará a coordenação das actividades no âmbito da Rede, promovendo a devida articulação com as Estruturas Departamentais e as Escolas Politécnicas, com o Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais (GESP) bem como com a AAAUA. Este Gabinete será igualmente o responsável pela gestão e dinamização do Portal do Antigo Aluno, site que será brevemente

lançado e que, com as ferramentas de comunicação e gestão de informação que lhe estarão associadas, pretende vir a ser o ponto de encontro ou reencontro de todos os antigos alunos da UA, bem como a plataforma a partir da qual estes poderão ter acesso a informação sobre estágios e saídas profissionais, benefícios, serviços e actividades dinamizadas pela UA. O GAA, em devida articulação com as demais entidades envolvidas, terá igualmente como função promover o networking entre antigos alunos. Neste sentido, a criação e/ou dinamização de núcleos de antigos alunos de um curso ou de um Departamento ou Escola Politécnica, de antigos alunos estrangeiros ou de antigos alunos na diáspora, constituirá certamente um factor de sucesso na aproximação entre antigos alunos e entre estes e a Universidade de Aveiro. Desde a sua criação, a UA diplomou já mais de 30 mil estudantes, dos quais cerca de 900 de nacionalidade estrangeira. De imediato, vamos iniciar contactos com os antigos alunos, no sentido de actualizar a base de dados existente. Estamos conscientes da dificuldade de recuperar os contactos de alguns, sobretudo dos mais antigos. No entanto, é nosso intuito que todos os nossos diplomados façam parte desta rede! O sucesso da actualização da base de dados na futura plataforma informática*, dependerá muito da divulgação e mobilização entre antigos colegas. Contamos com a colaboração de todos na dinamização e participação activa na Rede de Antigos Alunos da Universidade de Aveiro! *Brevemente disponível. Mais informações: Gabinete do Antigo Aluno (e-mail: gaa@ua.pt)

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opinião

radioactividade e energia nuclear

radioactividade e energia nuclear verso e reverso da mesma medalha LINHAS

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Carlos Borrego Departamento de Ambiente e Ordenamento UA

A radioactividade em doses benéficas, na ciência A crise nuclear no Japão ganhou repercussão mundial. Desde o tremor de terra e maremoto de 11 de Março e do desastre nuclear que se seguiu, em Fukushima, nomes como Röentgen, Becquerel, Curie e Sievert começam a ser familiares. Será, no entanto, que sabemos como medir com precisão as unidades de radiação? Como é que nasceram? Quais os cientistas que lhes deram o seu nome? Responder a estas perguntas é, de facto, visitar toda a história da radioactividade (Carvalho, 1957). Uma das poucas disciplinas científicas em que conhecemos com precisão a data e o local de origem. A 8 de Novembro de 1895, em Würzburg (Alemanha), Wilhelm Röentgen descobriu que o seu aparelho eléctrico emitia raios invisíveis e altamente penetrantes, a que chamou “Raios X”, já que a sua natureza permanecia um mistério. Descobriu também que esses raios impressionavam placas fotográficas e que assim se podiam visualizar os ossos dentro do corpo. A radiografia da mão da sua mulher (conhecida como “A mão de Bertha”) viajou pela Europa, a descoberta revolucionou a medicina da época e ainda hoje é um meio de diagnóstico importante. Em 10 de Dezembro de 1903, o casal Curie e Henri Becquerel receberam o Prémio Nobel de Física pela descoberta da radioactividade e estudo desta radiação. Nesta data ainda se falava pouco, ou nada, dos efeitos biológicos das radiações!

Mas como medir a “dose absorvida”? Ou seja, quantificar o número de partículas recebidas pelo organismo? Era necessário conhecer as propriedades físicas das partículas emitidas, medir a sua velocidade, compreender os resultados que provocavam no organismo, sendo certo que nem todos os órgãos e nem todos os organismos reagem da mesma maneira… Vasto programa de investigação! O cientista sueco Rolf Sievert descobriu que os resultados eram diferentes quando tratava doentes de cancro com raios X e electrões (como se fazia naquela época em radioterapia) ou com neutrões: para a mesma dose física os neutrões eram cinco a 10 vezes mais eficazes a matar as células tumorais que o raio X. Para efeitos de saúde humana, o limite da dose está fixado em um milésimo de sievert por ano (1 milisievert por ano, 1mSv/ano). O progresso feito no uso da radioactividade e da energia nuclear foi claramente um passo benéfico para a humanidade na medicina, como produção de radioisótopos, mas também em inúmeras actividades na agricultura, indústria, esterilização de alimentos e investigação científica. A ciência não é “boa nem má”, mas pode ser usada com diferentes objectivos, éticos ou não, pacíficos ou bélicos – a escolha está nas mãos de quem possui o conhecimento ou toma as decisões políticas.

A radioactividade em doses inseguras, nos acidentes e fins bélicos Ao descrever a devastação duma cidade do Japão, um jornalista escreveu: “Parece que um tractor gigante passou por cima e arrasou tudo o que existia ali. Escrevo estes factos… Como uma advertência ao mundo”. O jornalista era Wilfred Burchett, que escrevia de Hiroshima, Japão, em 5 de Setembro de 1945. Burchett foi o primeiro jornalista ocidental a chegar a Hiroshima após o lançamento da bomba atómica. Também enviou informações a respeito de uma doença estranha que matava pessoas, passado um mês desse primeiro e letal uso de armas nucleares contra seres humanos.(1) O maior terramoto na história do Japão e do maremoto que o sucedeu, responsável por milhares de mortos, tornou-se mais grave devido ao episódio do complexo nuclear de Fukushima. As explosões nos reactores números um, dois e três e o incêndio no reactor quatro libertaram radioactividade a um nível tal que, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica (2), o estado de segurança foi classificado como “acidente máximo”, nível de radiação sete (numa escala de um a sete). Ninguém melhor que os ucranianos para compreender o alerta causado pelo acidente na central nuclear japonesa: à 01h23 do dia 26 de Abril de 1986 (há 25 anos) a explosão do reactor quatro gerou um pesadelo em Chernobyl, que foi considerada a maior catástrofe na história do uso pacífico da energia nuclear, e contaminou uma boa parte da Europa. A central, cuja falha foi provocada por uma cadeia de erros humanos, técnicos e de construção, lançou para a atmosfera cerca de 200 toneladas de material com uma radioactividade equivalente entre 100 e 500 bombas atómicas como a que foi lançada sobre Hiroshima. No entanto, o governo japonês ressalta que, apesar de Fukushima ter a mesma classificação que Chernobyl, o seu problema é menos sério, porque o material radioactivo lançado pelo acidente de Fukushima foi aproximadamente um décimo do lançado por Chernobyl e no caso japonês não houve explosão de nenhum reactor. Também referiu que se tiraram

algumas lições do modo como se lidou com a crise em Chernobyl. A principal lição foi dizer a verdade. A este aspecto junta-se a organização, o civismo, a coragem e dignidade do povo japonês. Por outro lado, os níveis de radiação medidos permitiram estabelecer de imediato um perímetro de segurança de 20 quilómetros em torno de Fukushima, que levou a evacuar cerca de 80 mil moradores, e que será ampliado em meados de Maio para 40 quilómetros. Estes são os aspectos perigosos e negativos da radioactividade e da energia nuclear. Obviamente os desastres só reiteram a máxima de que há aplicações cujos riscos são elevados, sendo difícil a contenção de danos e redução de perdas em termos de um acidente nuclear. É algo que não é 100% seguro (tal como muitas outras situações) e havendo falhas de distintas ordens, pode exterminar e prejudicar toda a vida em redor, com uma propagação que não tem paralelo noutros acidentes. Perspectivas para o futuro energético A crise nuclear japonesa reforçou o debate sobre a segurança deste tipo de instalação. Mas quando o assunto é geração de electricidade “não existem almoços grátis” (There is no such a thing as free lunch) como escreveu várias vezes o economista e Prémio Nobel Milton Friedman. Toda a energia é suja e a produção tem impactos e riscos para o ambiente e para os seres humanos. De facto, qualquer fonte de energia causa um dano ambiental, nem que seja para produzir a tecnologia usada. Mesmo nos casos das energias eólica e solar este impacto não é zero, embora seja bastante menor do que nas outras opções. Não há dúvidas que precisamos de um futuro baseado em energias renováveis, mas não daremos os passos todos de uma só vez. Actualmente, em Portugal, energia é (quase) sempre energia eléctrica, mas esta só representa cerca de 20% da energia que os portugueses precisam. E construir uma central nuclear no nosso País seria para suprir apenas esta percentagem! Quem se ocupa dos outros 80%? Esta componente maior é a energia para os transportes e para produzir calor (que usamos nas empresas ou nas nossas casas, na cozinha, nos banhos, no aquecimento e na indústria).

Temos, por isso, que ser racionais quanto à energia e usá-la de acordo com a procura. Grande parte dos problemas energéticos podem ser resolvidos aproveitando os recursos energéticos localmente e organizando os usos de energia com racionalidade energética e ambiental. Logo, a política energética não se pode ficar nas “renováveis para a electricidade”, nem tão pouco pensarmos que os veículos eléctricos serão a panaceia que resolve o problema do tráfego de amanhã. O mesmo se passa com os edifícios, o segundo sector que consome mais energia em Portugal. O conforto deve ser obtido com meios próprios, o que é favorecido pelo nosso clima (radiação solar, temperaturas amenas, luz natural, etc.). Tudo indica que a disponibilidade de energia fóssil se irá reduzindo gradualmente até ao fim deste século com o aumento de uma oferta energética diversificada e renovável e num modelo inteligente de procura. Entretanto, a esperança também se vira para a fusão nuclear (por oposição à actual fissão nuclear) que pode providenciar uma fonte praticamente inesgotável de energia para produção de electricidade, no final do século. Podemos ficar sem petróleo, mas não ficaremos sem energia e nunca sem ideias. Temos que apresentar abordagens com pragmatismo, ou seja, ponderar as alternativas de modo a encontrar as que respondem melhor às necessidades da economia, do ambiente e do bem-estar das pessoas. O que designo por encontrar soluções energéticas sustentáveis. O futuro passa por investir no conhecimento, na informação, na eficiência e na diversificação das fontes de energia, o que dará resiliência a Portugal. Fukushima não devia ter sido necessário para esta reflexão! Bibliografia Carvalho, R. (1957): História da Radioactividade, Colecção Ciência para Gente Nova, Coimbra. (1) http://www.estrategiaeanalise.com.br (consultado em 25 de Abril de 2011). (2) http://www.iaea.org (consultado várias vezes, a última a 3 de Maio de 2011).

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percursos antigos alunos

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percursos

antigos

alunos

Armindo Ribeiro Gaspar, 42 anos, é licenciado em Química Analítica. Vive no estado do Carolina do Norte, nos EUA, e trabalha na multinacional Novozymes onde é cientista Sénior. Cláudio Santos, 32 anos,formou-se em Planeamento Regional e Urbano, rumou para França ao abrigo do programa Erasmus e, actualmente, lidera um projecto importante. Nuias Silva, 36 anos, licenciado em Engenharia e Gestão Industrial, encontrou na UA a formação académica necessária para, hoje, ser um profissional polivalente e versátil na sua terra natal, Cabo Verde.

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armindo ribeiro gaspar sem perseverança não há futuro!

Armindo Ribeiro Gaspar desde cedo manifestou interesse pela área da Química. Após 13 anos de investigação e três ligados ao ensino, rumou aos EUA para se tornar cientista na Novozymes, no estado do Carolina do Norte. É aqui, todos os dias, que dá o seu contributo para tornar o mundo mais sustentável.

armindo ribeiro gaspar

A paixão de Armindo Ribeiro Gaspar pela química remonta aos tempos do liceu. Os primeiros contactos com a disciplina de Físico-Química fascinou-o e, desde logo, tentou perceber como as moléculas, os átomos e os electrões interagiam despertando-lhe a curiosidade por esta área. Escolher o curso a seguir no Ensino Superior e qual a instituição de ensino a frequentar foi tarefa fácil. “Estávamos na década de 80 e já a UA era uma universidade de referência. As dúvidas apenas residiam se seguia o curso de química ou de bioquímica”, relembra o antigo aluno da UA. O balanço da experiência que vivenciou na UA é altamente positivo. “Ganhei um conjunto de ferramentas vastas e essenciais que, ainda, hoje servem de suporte à minha vida profissional”, confessa. A rede de professores e amigos com os quais contactou no seu percurso académico também constitui um pilar vital para a sua formação como químico mas, acima de tudo, como pessoa. Armindo Ribeiro Gaspar continua a acompanhar o crescimento da UA e, nas suas palavras, tem sido uma evolução sem paralelo, salientando a qualidade das pós-graduações leccionadas na academia aveirense que são “importantes para atingir um nível de conhecimento indissociável da investigação.” O sucesso alcançado como estudante universitário é fruto de muito trabalho e empenho. Garra, eficiência, conhecimento, honestidade e humildade foram sempre valores e atitudes presentes na sua vida e impulsionaramno para uma carreira de topo como cientista sénior em Biotecnologia, na multinacional Novozymes, nos EUA. Contudo, batalhou imenso para atingir este patamar.

Antes de chegar à Novozymes uma empresa dinamarquesa, que tem como visão assegurar um equilíbrio entre melhores negócios, meio ambiente mais limpo e, consequentemente, uma vida melhor, trabalhou 13 anos como investigador (incluindo diversas pós-graduações) e três anos como professor no ensino secundário. O cientista chegou aos EUA em 2004 para realizar trabalhos de investigação na North Carolina State University. Três anos depois, juntou-se à Novozymes e começou a trabalhar, maioritariamente, na área da investigação e de desenvolvimento (I&D) focando-se, especialmente, no desenvolvimento e aplicação de enzimas para a indústria de produtos florestais. Actualmente, lidera um projecto que está em fase de implementação à escala mundial que consiste “em usar a fracção orgânica do lixo municipal sólido e transformá-lo em produtos energéticos (bioetanol e biogás) de uma forma economicamente viável, em colaboração com parceiros industriais”, explica. Para além desta função, Armindo Ribeiro Gaspar acumula a responsabilidade de dar “assistência na conectividade e desenvolvimento do novo departamento de I&D no Brasil, que serve a América Latina e centra-se em actividades relacionadas com o uso de enzimas em indústrias de bioenergias (bioetanol, biogás e biodiesel).” Esta polivalência de funções é um estímulo para continuar a fazer um bom trabalho. Sentir-se realizado a 100 por cento é uma utopia, mas Armindo Ribeiro Gaspar deseja “um dia atingir a realização profissional plena”. No entanto, refere, “só o facto de sentir que contribuo de uma forma eficaz para um mundo mais sustentável é uma sensação fantástica”. Armindo Ribeiro Gaspar aconselha futuros e recém-licenciados a “trabalharem durante as férias de Verão em algo relacionado com a química, mesmo em regime de voluntariado. É uma mais-valia, porque contacta-se com o mundo real, obtêm-se experiência e enriquece-se o CV”, afirma. Esta vida activa durante e pós universidade

ajudam “na inserção do mercado de trabalho. Pautar a vida pela honestidade, ser humilde e persistente na obtenção de resultados são atitudes que de uma maneira ou de outra ajudam a atingir melhores patamares”, reforça. Relativamente ao futuro, deseja dar o melhor de si nas áreas tecnológicas direccionadas para as bio-inovações e bio-soluções. Se assim o destino permitir, Armindo Ribeiro Gaspar dará o seu contributo para que tanto os seus filhos como toda a população vivam num mundo mais sustentado. “O regresso a Portugal depende do projecto a desenvolver, porque a nossa terra é aquela onde as oportunidades se tornam realidade.”

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nuias silva LINHAS

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o homem multifacetado

Nuias Silva, 36 anos, traz na memória os momentos inesquecíveis vividos como estudante universitário em Portugal. O curso em Engenharia e Gestão Industrial que frequentou na UA conferiu-lhe todas as competências necessárias para ser um cidadão de sucesso na sua terra natal, Cabo Verde. Nas mãos, carrega um mundo profissional versátil, polivalente e com grandes responsabilidades.

nuias silva

Viajou de Cabo Verde para Portugal para estudar. Na bagagem apenas carregava a certeza que a Universidade de Aveiro seria uma óptima instituição de ensino para tirar o curso de Engenharia e Gestão Industrial (EGI). “O carácter inovador do curso, tanto pelo seu plano curricular como pelo equilíbrio entre a componente de engenharia e gestão, foi o que me impulsionou a frequentar o curso na UA”, conta Nuias Silva. Acrescenta, ainda, que esta conciliação de duas áreas distintas, permite aos alunos entrarem no mercado de trabalho “altamente qualificados e capazes de exercerem a profissão num leque diversificado de áreas e empresas”. O processo de adaptação à cidade de Aveiro e ao campus universitário foi rápida e fácil. As condições técnicas e logísticas, a envolvência e aproximação da UA à cidade, a qualidade do corpo docente e administrativo e os serviços de apoio facilitaram e garantiram a integração plena de Nuias Silva que vinha de um contexto e forma de vida diferente. Terminou o curso em 1999 e regressou à sua terra natal, à cidade da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. De imediato iniciou a sua actividade na Sociedade Interbancária e Sistemas de Pagamentos, SA. Permaneceu nesta empresa cerca de quatro anos até que aceitou um novo desafio, proposto pelo Governo do seu país, que consistia em assumir as funções de Director Geral da Administração Eleitoral. O antigo aluno da UA é a prova de que os licenciados em EGI estão aptos a desempenhar funções na área de gestão das operações em empresas industriais dos mais diversos sectores, empresas de serviços ou organismos públicos. Em 2007, assume a coordenação do projecto de implementação e gestão da reforma da Administração Pública como gestor da Casa do Cidadão. Recentemente, foi eleito Deputado Nacional pelo Partido Africano de Independência de Cabo Verde (PAICV) para o Círculo Eleitoral de Santiago Sul.

Aos 36 anos, pode ser considerado o “homem dos sete ofícios”. Actualmente, desempenha, também funções como administrador não executivo da Imprensa Nacional de Cabo Verde, Presidente da Assembleia Municipal de São Filipe Presidente da Juventude do PAICV e é professor a tempo parcial na Universidade Jean Piaget e na de Cabo Verde. Nuias Silva destaca alguns projectos deste percurso profissional tão rico e vasto. “A participação na montagem da primeira rede interbancária em Cabo Verde bem como a expansão da Casa do Cidadão para a nossa diáspora aproximou a administração pública Cabo-verdiana ao seu povo e facilitou a vida de milhares de cabo-verdianos que residem no estrangeiro.” Outro projecto que lhe deu gozo foi a criação da Casa do Cidadão Móvel que permite levar serviços públicos às zonas rurais, poupando tempo e dinheiro a estas populações mais carenciadas que assim já não precisam de se deslocar aos grandes centros urbanos para terem acesso a serviços públicos. Recentemente, foi nomeado para o cargo de Administrador Executivo e membro da Comissão Executiva do segundo maior Banco Comercial de Cabo Verde, a Caixa Económica de Cabo Verde – CECV, Nuias Silva aconselha todos aqueles que vão começar a sua vida profissional a serem criativos e inovadores porque “as dificuldades podem ser transformadas em oportunidades, pelo que cada um de nós é a todo o tempo chamado a colocar as nossas ideias em marcha e assim criar postos de trabalho para o mercado.” A persistência e a ousadia encaminharam este engenheiro e gestor a um patamar pouco comum.

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cláudio santos LINHAS

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“sem a formação pluridisciplinar que a UA me proporcionou não teria as bases necessárias para exercer as minhas actuais funções” Cláudio Santos, 32 anos, terminou a licenciatura em Planeamento Regional e Urbano na UA, em 2004. Antes da conclusão do curso viajou para a cidade de Grenoble ao abrigo do programa Erasmus. A oportunidade de realizar um estágio profissional “fora de portas” foi o ponto de partida para abraçar um novo desafio e abriu caminho para criar um percurso profissional sólido. Actualmente, colabora num projecto que abrange quatro cidades francesas.

cláudio santos

Quando frequentou o programa de mobilidade Erasmus, no ano de 2002, na cidade de Grenoble, começou a definir os seus objectivos e metas para o seu percurso profissional. Era altura de pensar no futuro. Finalizada a Licenciatura em Planeamento Regional e Urbano (PRU) na UA, surge a oportunidade de realizar um estágio profissional no país que já o tinha acolhido. Foi na Câmara Municipal de Saint-Martin-le-Vinoux, nos arredores de Grenoble, que iniciou a sua vida profissional trabalhando num projecto importante de Renovação Urbana onde teve como objectivo definir as acções necessárias e respectivos meios de financiamento para melhorar a qualidade de vida de certos sectores da cidade considerados como “zonas urbanas sensíveis”, recorda o antigo aluno da UA. Cláudio Santos trabalhou em mais duas câmaras municipais francesas, nas cidades de Froges e de Fontaine, onde tinha como função a análise, gestão e controlo das licenças de construção. Desde 2009, tem em mãos o projecto mais aliciante da sua carreira. Regressou à Câmara Municipal de Saint-Martin-le-Vinoux onde é responsável pela gestão do projecto, para esta cidade, do “novo metro de superfície que irá circular em quatro cidades contíguas abrangendo uma área de 11,5 km de percurso com um custo de 300 milhões de euros”. Ter de corresponder eficazmente aos objectivos propostos do estágio fez com que Cláudio se adaptasse facilmente a um novo país. A distância e a saudade que sente da família têm sido os obstáculos mais difíceis de ultrapassar. No entanto, na altura, era necessário “cumprir a missão”. Ao longo do tempo, apercebeu-se que são mais as semelhanças do que as diferenças entre a cultura francesa e a portuguesa, o que acabou por facilitar a adaptação. Reportando-se à altura em que frequentou PRU na UA, Cláudio Santos é determinante quando afirma “sem a formação pluridisciplinar que a UA me proporcionou não teria as bases necessárias para exercer as minhas

actuais funções”. Esta versatilidade de disciplinas aliadas à experiência transmitida pelos professores de diferentes áreas permitiram-lhe encarar “com mais segurança as várias facetas e exigências do projecto em que estou envolvido e também funcionam como elementos facilitadores no poder de decisão”. Com esta experiência fora do país onde nasceu, o licenciado em PRU acredita que os licenciados portugueses são tão bem formados como os estrangeiros. Apenas, ressalva, que na maioria dos planos curriculares de outros países existe uma “permeabilidade entre o ensino e o mercado de trabalho, o que facilita o ingresso na vida activa”. No caso específico de um diplomado em PRU é fulcral antecipar a entrada no mercado de trabalho, procurando diversos estágios de forma a enriquecer o CV. “É difícil encontrar trabalho mas não é impossível”, lembra. Para avançar e dar passos seguros e fortes nesta área, Cláudio Santos aconselha todos os diplomados em PRU a serem perseverantes e que “aproveitem as oportunidades, mesmo que não se adequem à formação académica adquirida e ao perfil de trabalho desejado”. Embora adore Portugal, não está nos planos de Cláudio Santos regressar às origens, “aqui sinto-me feliz e realizado”.

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prémios

Relevância da carreira científica de quatro investigadores reconhecida

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O Professor Catedrático do Departamento de Física da UA, Luís Carlos, foi eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (secção de Física), em Março, no decorrer da reunião de efectivos da Academia. Esta tão distinta eleição deste docente, que é também vice-director do Laboratório Associado CICECO, assinala a relevância da sua carreira enquanto professor e investigador da UA. Em Abril, o Prof. Ricardo Sousa, do Departamento de Engenharia Mecânica da UA, foi distinguido pela European Association for Forming Processes (ESAFORM) pelo seu percurso científico. Este prémio contempla, anualmente, jovens investigadores, com idade até 35 anos, com carreiras de mérito nos domínios da mecânica computacional e processos de conformação. Em Maio, o investigador e docente no Departamento de Engenharia Mecânica da UA, Prof. Vítor Costa, foi um dos dois investigadores distinguidos pelo Jornal de Ciência, Tecnologia e Empreendedorismo “Ciência Hoje” com o prémio “Seeds of Science” 2011 na categoria de Engenharias e Tecnologias. O prémio abrangeu a actividade desenvolvida pelo Professor na área da Engenharia Mecânica, nomeadamente uma torneira misturadora inovadora que permite reduzir o desperdício de água em casa. Também merecedor de uma distinção pelo trabalho que tem vindo a realizar ao nível de técnicas de química computacional em vários contextos, desde simulações de dinâmica molecular clássica até cálculos ab initio, ao estudo de reacções químicas em fase gasosa ou em fase condensada, foi o investigador do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), em Química Computacional, José Richard Gomes. A alta qualidade, originalidade e autonomia do trabalho de investigação que este jovem investigador tem vindo a desenvolver na área da Química foram reconhecidas pela Sociedade Portuguesa de Química com a atribuição da Medalha Vicente de Seabra 2010.

Projecto da UA e da Revigrés recebe Menção Honrosa europeia

João Pedro Oliveira galardoado em Itália e nos EUA

Liga Portuguesa Contra o Cancro apoia investigação da UA 17

O projecto “Best Practices in Research and Innovation”, desenvolvido através de uma parceria entre a UA e a Revigrés, foi galardoado, em Fevereiro, com uma Menção Honrosa nos European Enterprise Awards. A atribuição desta distinção é reflexo da estreita relação de cooperação que existe entre as duas instituições ao nível da Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação; Cooperação em Consórcios com Empresas; e Formação de Recursos Humanos. Para além de um projecto de investigação aplicada com vista ao desenvolvimento de materiais cerâmicos com actividade fotocatalítica (revestimento antibacteriano, descontaminante gasoso e aquoso e auto limpante), ambas as instituições estão envolvidas no projecto Inovadomus – Associação para o Desenvolvimento da Casa do Futuro, que está a conceber novos produtos e processos no domínio da habitação na promoção do concurso Cidades Criativas, com o objectivo de promover a reflexão dos jovens estudantes para a apresentação de propostas inovadoras e criativas sobre a potencialidade das cidades locais. Esta colaboração envolve, ainda, a integração, planeada e estruturada, de estagiários, como foi o caso de uma recém-licenciada em Design que aproveitou o seu estágio na Revigrés para participar no desenvolvimento de Pavimentos Tácteis através do programa DesignMais.

João Pedro Oliveira, docente na UA, soma mais dois prémios à sua carreira como compositor. No início deste ano, foi distinguido com o 1º prémio no Concurso Internacional de Composição Franco Evangelisti, pela associação de música contemporânea Nuova Consonanza, e com o prémio Internacional de Excelência em Composição, pela Academia Nacional de Música dos EUA, pelo Conservatório de Música de Neapolis e pelo Conservatório de Música de Sykies, na Grécia. “Mosaic” e “Hokmah” foram as obras apresentadas a concurso. Ainda, em 2010, o compositor recebeu o prémio para a melhor obra europeia atribuído pela International Computer Music Association e o primeiro prémio no III Concurso Internacional de Composição Francisco Escudero.

A investigadora Iola Duarte, a desenvolver trabalho no Laboratório Associado CICECO, Departamento de Química da UA, foi contemplada com uma Bolsa da Liga Portuguesa Contra o Cancro, no valor de 5 mil euros, destinada a apoiar o trabalho intitulado “Desenvolvimento de novos métodos auxiliares de diagnóstico e monitorização do cancro do pulmão com base nas assinaturas metabólicas detectadas por metabonómica”. Focado, actualmente, na demonstração do interesse clínico da abordagem metabonómica no diagnóstico dos carcinomas pulmonares, bem como no acompanhamento da resposta à quimioterapia, este projecto é uma das fortes apostas do grupo da UA a trabalhar em Metabonómica por RMN na área da saúde, a par de outras aplicações semelhantes na saúde pré-natal e do recém-nascido e distúrbios nutricionais. Esta abordagem tem um enorme potencial como meio complementar de diagnóstico e mesmo de prognóstico, podendo vir a traduzirse em novos métodos clínicos rápidos e não-invasivos.


prémios

LINHAS

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Galardão Gulbenkian/ Oceanário de Lisboa atribuído ao Departamento de Biologia

Estímulo à Investigação para APRITEL premeia avanços obtidos por desenvolver tecnologias equipa da UA em busca amigas do ambiente do rádio inteligente

O projecto “Conhecer para preservar a biodiversidade marinha de Pemba”, em Moçambique, coordenado pelo Prof. Amadeu Soares, do Departamento de Biologia e do Laboratório Associado CESAM da UA, venceu, em Janeiro passado, o prémio Gulbenkian/ Oceanário de Lisboa 2010, no valor de 100 mil euros, que distingue os melhores programas de gestão sustentável de áreas marinhas nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Alexandra Carvalho foi um dos oito investigadores contemplados com um prémio de estímulo à investigação atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este incentivo, no valor de 12.500 euros, vai permitir à jovem cientista do Departamento de Física da UA (Laboratório I3N – pólo Aveiro) o desenvolvimento de métodos de aproveitamento de energia e tecnologias que venham a contribuir para um desenvolvimento sustentável, privilegiando materiais com baixo impacto ambiental.

Com a participação de várias entidades moçambicanas, entre as quais a Universidade de Lúrio, o projecto tem como objectivo intervir nas políticas de gestão ambiental, com acções concretas que conduzam à utilização sustentável do espaço costeiro e marinho de Pemba (Cabo Delgado, Moçambique) e de promover a qualidade de vida da população que depende desta área, através de um programa intensivo de capacitação de recursos humanos locais.

Um aparelho multifunções, que pudesse funcionar como rádio, televisão ou telemóvel e substituísse todos estes, bastando apenas a instalação de um software para cada caso, significaria uma importante economia de meios. É com essa perspectiva que está a trabalhar uma equipa de investigadores do Instituto de Telecomunicações (IT) e do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática (IEETA). Os avanços já conseguidos mereceram a atribuição do Prémio PLUG, pela Associação dos Operadores de Telecomunicações (APRITEL). Embora em fase de protótipo – e ainda em evolução -, a nova tecnologia traduzir-se-á numa redução significativa nos custos e em ganhos de eficiência no uso do espectro de frequências.

UA volta a dar cartas na área da Robótica

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Para além de ter obtido o primeiro lugar em todas as provas em que competiu no 11º Festival Nacional de Robótica, que decorreu em Lisboa, no passado mês de Abril, todas as cinco equipas da UA em competição no ROBOTICA2011 foram premiadas: três primeiros lugares, um segundo lugar e um terceiro lugar.

Desde a sua origem, em 2001, a prova de Condução Autónoma foi sempre ganha por uma equipa da UA e, sempre que houve mais de uma equipa da UA nessa prova, o pódio foi continuamente ocupado por duas ou mesmo três equipas da UA, como foi o caso da edição de 2011.

Pela 5ª vez consecutiva, a equipa CAMBADA, do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), sagrou-se campeã nacional de Futebol Robótico da Liga dos Médios, e a equipa do Projecto ATLAS, do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM), obteve o título de Campeã Nacional na prova de Condução Autónoma, pela 6ª vez consecutiva, com o robô ATLAS2011.

Também a equipa de futebol robótico FC Portugal, projecto conjunto da UA e da Universidade do Porto, arrecadou dois segundos lugares durante a participação no RoboCup German Open 2011, que se realizou em Magdeburgo, na Alemanha, em Abril. A equipa FC Portugal competiu nas Ligas de Simulação de Futebol Robótico 2D e 3D, tendo-se sagrado Vice-Campeã Europeia.

O grupo do Projecto ATLAS apresentou, ainda, na nova competição “FreeBots” o veículo robotizado ATLASCAR, que obteve o primeiro lugar nessa prova na sequência de apresentações e demonstrações públicas avaliadas muito positivamente por um júri constituído por destacados representantes académicos e industriais do nosso país. O robô ATLAS-MV4, apresentado pelo Projecto ATLAS, obteve ainda o segundo lugar na prova de Condução Autónoma, e o robot Zinguer, apresentado pelo DETI, conquistou o 3º lugar nessa mesma competição.


prémios

Alunos reconhecidos nacional e internacionalmente

Projectos de empreendedorismo em alta

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Em território nacional ou além-fronteiras, os alunos da UA continuam a dar provas da qualidade do ensino ministrado em Aveiro e da excelência da investigação que aqui se desenvolve. Em Novembro passado, uma equipa de três alunas do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA (ISCA-UA) conquistou o 1º prémio do EDP University Challenge 2010. As primeiras licenciadas em Marketing pela UA, Bárbara Barbosa, Eliana Valado e Susana Moura, apresentaram uma estratégia de comunicação baseada num conjunto de acções originais e criativas com o intuito de sensibilizar a população portuguesa para a temática da eficiência energética. Um mês depois, Nathalie Barroca, estudante de doutoramento do CICECO, recebeu um dos dois prémios FLAD Nanotecnologia 2010. À doutoranda foram atribuídos 5 mil dólares americanos e a possibilidade de realizar um estágio, por um período mínimo de três meses, nos Estados Unidos, para aprofundar a sua investigação na área da compreensão em nanoescala da adsorção de proteínas em biomateriais com comportamento piezoelétrico. Ainda em Dezembro, o aluno finalista do Mestrado Integrado em Engenharia Electrónica e de Telecomunicações Manuel Duarte foi um dos 10 alunos galardoados com uma 2010 MTT-S Undergraduate/Pre-Graduate Scholarship. Atribuído pela Microwave

Theory and Techniques Society do IEEE – The Institute of Electrical and Electronics Engineers, o prémio distinguiu a excelência do trabalho desenvolvido na área da Electrónica de Rádio Frequência e Microondas, nomeadamente no estudo, projecto e implementação de um amplificador de potência auto-oscilante baseado numa topologia inovadora, visando a obtenção, em simultâneo, de transmissores de sistemas sem fios lineares e energeticamente eficientes. Em Fevereiro, a Galp Energia destacou os três melhores trabalhos desenvolvidos por alunos da UA na área da eficiência energética, durante o seu estágio, no âmbito do Projecto Galp 20-20-20@UA. Jorge Miguel Rodrigues foi o vencedor do primeiro prémio, com a apresentação de um software, que, através de uma linguagem de programação Visual Basic e uma interface userfriendly, permite ao gestor de uma frota, de um modo simples e rápido, avaliar a performance de uma viatura relativamente ao seu consumo de combustível e consequente emissão de poluentes atmosféricos. O vencedor do segundo prémio, Sérgio Silvano, criou uma ferramenta para apoio à simulação e orçamentação energéticas e de emissões de CO2 que é adaptável a diversas empresas de diversos ramos de negócio. O terceiro prémio foi entregue a Vasco Zeferina, o autor de um programa que permite dimensionar diversas soluções de co-geração, em função da mesma energia térmica requerida num processo industrial, permitindo calcular/prever

as diversas características inerentes a diversos sistemas de co-geração. Leonardo Azevedo, aluno de Doutoramento da UA/IST e membro do Laboratório de Geologia e Geofísica Marinha do Departamento de Geociências e do Laboratório Associado Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), integrou uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que alcançou o 3º lugar na competição europeia do Imperial Barrel Award (IBA) promovido pela American Association of Petroleum Geologists (AAPG), a mais prestigiada associação internacional neste domínio. O estudo apresentado a concurso envolveu uma enorme quantidade de trabalho de sistematização sobre o funcionamento do sistema petrolífero, a evolução e a modelação térmica da bacia, os sistemas deposicionais e a ocorrência de rochas geradoras e reservatórios, os plays e a identificação sísmica de prospectos, a quantificação de volumes e reservas, a economicidade dos prospectos e algumas recomendações para o desenvolvimento exploratório futuro. João Pedro Nunes, membro do Laboratório Associado CESAM da UA, também ganhou, em Abril passado, um Outstanding Young Scientists Award, atribuído pela European Geosciences Union, pelo seu trabalho de investigação desenvolvido na área das ciências do solo. A frequentar o 3º ano de pós-doutoramento na UA, João Pedro Nunes tem vindo a desenvolver investigação na área do

estudo de impactes das alterações climáticas, com enfoque na relação entre clima, ciclo hidrológico, coberto vegetal e erosão do solo na região Mediterrânica e na forma como estas relações poderão ser afectadas pelas alterações climáticas, contribuindo para a desertificação. Em Abril, o Simantra Grupo de Percussão, composto por três alunos do Departamento de Comunicação e Arte da UA (DeCA), arrecadou o 1º prémio do II Concurso Internacional de Música de Câmara “Cidade de Alcobaça” (CIMCA), na Categoria Sénior, que decorreu no Cine -Teatro de Alcobaça. Com esta vitória, o CIMCA garantiu a presença do grupo em três concertos, em espaços e eventos de excelência nacionais, tais como, o Centro Cultural de Belém, na Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura e no CisterMúsica.

O segundo prémio, no valor de 5 mil euros, da segunda edição do Prémio Inovação e Empreendedorismo, promovido pela Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV), foi entregue à Korange Robotic Systems (http://www. korange.pt/), uma empresa de base tecnológica constituída por uma equipa jovem com formações multidisciplinares da UA. Instalada desde o início de 2010 na Incubadora de Empresas da UA, a sua actividade caracteriza-se pela produção de sistemas robóticos autónomos direccionados para a manutenção de espaços verdes. Em Janeiro, a UA realizou mais uma Sessão do Concurso de Ideias da UATEC “Empreende +”, no âmbito do projecto GAPI 2.0 – Gabinetes de Valorização do Conhecimento pela promoção do Empreendedorismo, Inovação e Propriedade Industrial e do Programa Operacional Factores de Competitividade – COMPETE. A Thin Film Tec – Advanced Processing Solutions (TFT-APS), cuja missão passa por ser uma empresa líder mundial no projecto, desenvolvimento, fabricação e comercialização de memórias electrónicas, semicondutores e componentes passivos integrados usados numa gama alargada de produtos e mercados, venceu o concurso, na categoria “Empreendedorismo de Base Tecnológica”. O prémio “Empreendedorismo Inovador Jovem” foi atribuído ao EcoBioSys, um projecto que introduz uma tecnologia


prémios

Teses e dissertações da UA com qualidade reconhecida

Centro de Tecnologia Mecânica e Automação avaliado com “Excelente” pela FCT

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de tratamento biológico de efluentes e resíduos orgânicos e que oferece um retorno económico através produção de sub-produtos altamente valorizáveis (biopolímeros). O 2CTech conquistou o prémio da categoria “Empreendedorismo Feminino”, com o seu projecto de desenvolvimento e de aplicação de conhecimentos científicos ao diagnóstico, prognóstico e terapêutica, nas áreas das doenças neurodegenerativas (particularmente na Doença de Alzheimer – DA) e da infertilidade masculina. Em Fevereiro, o projecto Thin Film Tec, desenvolvido pelos investigadores da UA Luís Amaral e Monika Tomczyk, sob a coordenação da Professora Paula Vilarinho, voltou a conquistar mais um prémio: o segundo lugar no Concurso Idea to Product (I2P) Portugal 2011. O I2P Competition é um concurso de planos de comercialização de tecnologia, originário da Universidade do Texas em Austin que tem por objectivo apoiar equipas oriundas de instituições de ensino superior nacionais na geração de um conceito de produto a partir de uma tecnologia por eles desenvolvida, fazendo deste modo a ponte entre a ciência e o mercado.

Em Dezembro passado, Romeu Vicente, docente na UA, foi distinguido pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana. A sua tese de doutoramento, intitulada “Estratégias e metodologias para intervenções de reabilitação urbana. Avaliação da vulnerabilidade e do risco sísmico do edificado da Baixa de Coimbra”, foi uma das três melhores teses de doutoramento, produzidas em 2008 e 2009, na área da reabilitação urbana, destacando-se pela sua qualidade e criatividade entre o universo de 40 teses submetidas ao “Prémio IHRU 2010”, na variante de Trabalhos de Produção Científica. A Associação Portuguesa de Compras e Aprovisionamento (APCADEC) premiou, em Abril passado, dois mestres do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA. João Rabaça e Luís Neves venceram o Prémio APCADEC/Universidades, nas áreas de Gestão de Compras e Gestão de Stocks, respectivamente, com duas dissertações que exploraram o desenvolvimento do processo de global sourcing, através de um caso de estudo de uma pequena e média empresa portuguesa do sector metalomecânico, em contexto internacional, e a implementação de um sistema Vendor Managed Inventory (VMI), um sistema de gestão de stocks em que o fornecedor é o responsável pelo inventário do cliente. Mariana Belo Oliveira, aluna do Departamento de Química da UA, arrecadou o segundo prémio para melhor tese, intitulada “Modelação do Equilíbrio de Fases na Produção de Biocombustíveis”, no Excellence Award in Thermodynamics and Transport Properties 2011, promovido pelo European Federation of Chemical Engineering (EFCE). A tese estudou e

desenvolveu modelos termodinâmicos para descrever diferentes equilíbrios de fases de vários sistemas binários e multicomponentes que se podem encontrar nos processos industriais de produção e de purificação de biodiesel, permitindo uma optimização dos processos industriais já existentes e o correcto dimensionamento de novos. A dissertação de mestrado em Estudos Franceses que Dulce Martinho defendeu em Janeiro de 2009 no Departamento de Línguas e Culturas da UA, sobre “A França na reflexão europeia de Eduardo Lourenço”, foi também distinguida com uma menção honrosa pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, na edição de 2010 do Prémio Jacques Delors. O seu trabalho foi o primeiro texto dedicado à temática da Europa na perspectiva das humanidades, línguas e culturas a ser apresentado a este concurso.

O Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) da Universidade de Aveiro viu reconhecido o seu potencial científico pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com a obtenção da classificação de “Excelente”. O painel de avaliação enalteceu o esforço do TEMA na captação de financiamento e a sua cooperação com a indústria que resultou em patentes e produtos de valor acrescentado. O ranking científico de 2010 colocava o impacto da investigação do TEMA na 138ª posição a nível mundial, sobretudo devido ao elevado número de citações: em 2010 os artigos de 10 investigadores do TEMA foram citados 1500 vezes. O Centro solicitou à FCT a re-avaliação do seu desempenho depois de um processo interno de preparação da alegação, com uma análise das suas actividades em termos nacionais e internacionais. A FCT nomeou para avaliação do TEMA um painel internacional independente constituído por investigadores de renome internacional, especificamente: o Prof. John Morton da Universidade de Oxford, o Prof. Alain Bernard da Escola Central de Nantes e o Prof. Peter Hagedorn da Universidade Tecnológica de Darmstadt.

Após a re-avaliação, o Painel considerou que a investigação do TEMA, traduzida pelas suas publicações, projectos e citações é “Excelente” e que o impacto das suas actividades se faz sentir a nível internacional através de várias cooperações com centros de I&D de renome. O Centro de Tecnologia Mecânica e Automação da Universidade de Aveiro (TEMA) é, hoje em dia, uma das mais prestigiadas Unidades de I&D do Sistema Científico Nacional. As sua actividades são multi-disciplinares e multi-facetadas, percorrendo as áreas tradicionais de engenharia mecânica, nomeadamente a tecnologia mecânica, a mecânica da fractura, a mecânica dos fluidos e transferência de calor, a automação e robótica industrial e a mecânica computacional bem como áreas emergentes de enorme importância estratégica, económica e social como a biomecânica, a nanotecnologia, o ambiente e as energias alternativas.

Investigador da UA no Top 100 dos cientistas com mais impacto na área da Ciência dos Materiais Nicola Pinna, investigador no Laboratório Associado CICECO, é o único cientista com filiação portuguesa a integrar o Top 100 dos mais citados, na última década, na área da Ciência dos Materiais, de acordo com um ranking da Sciencewatch. Em 25 artigos publicados, foi citado 1057 vezes, atingindo um índice de impacto na ordem dos 42.28. Publicado na Times Higher Education, o ranking lista os 100 investigadores com maior impacto na década passada, medido através do número de citações em papers (artículos e revistas) publicados desde Janeiro de 2000, no campo da Ciência dos Materiais, uma área que coabita com a Química, a Física, a Engenharia, entre outras áreas. Nicola Pinna é o único cientista com filiação portuguesa a constar nessa lista. O investigador estudou Físico-Química na Université Pierre et Marie Curie (Paris). Concluiu o seu Doutoramento em 2001 e em 2002 transitou para o Fritz Haber Institute do Max Planck Society (Berlin). Em 2003 ingressou no Instituto Max Planck (Potsdam) e, em 2005, entrou para a Universidade Martin Luther, Halle-Wittenberg, na qualidade de Professor Associado de Química Inorgânica. Desenvolve, desde 2006, trabalho de investigação no Departamento de Química da Universidade de Aveiro e no Laboratório Associado CICECO, sendo ainda Professor Assistente na Escola de Engenharia Química e Biológica da Universidade Nacional de Seul, no âmbito de um projecto universitário internacional, da responsabilidade da Fundação Nacional de Investigação da Coreia. O seu trabalho de investigação incide sobre o desenvolvimento de novas rotas para materiais nanoestruturais, a sua caracterização e o estudo das suas propriedades físicas.

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bioquímicos da ua atestam potencialidades da saliva na detecção de patologias

investigação

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cáries, diabetes, cancro da cabeça e pescoço bioquímicos da ua atestam potencialidades da saliva na detecção de patologias

Conseguir que uma única gota de saliva permita, num futuro próximo, evidenciar a possibilidade de um indivíduo vir a ter cárie dentária, diabetes ou cancro da cabeça e pescoço é o desígnio de um grupo de bioquímicos do Departamento de Química da UA. A partir da caracterização das proteínas salivares, os cientistas querem provar que a análise da saliva pode vir a ser um método não invasivo usado para rastreio e diagnóstico eficaz daquelas doenças. Previne infecções devido às suas enzimas e anticorpos, tem propriedades cicatrizantes e neutraliza os ácidos que causam a cárie. A saliva tem um papel fundamental na digestão e na deglutição. No entanto, um grupo de investigadores da Unidade de Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares da UA acredita que a saliva pode ter outra importante função como meio de diagnóstico de algumas doenças, como por exemplo, a cárie dentária, podendo contribuir para a sua detecção precoce a

incorporar em programas preventivos para a saúde oral com elevada importância e impacto sócio/económico. Ao longo dos últimos 11 anos, os bioquímicos já conseguiram comprovar que existe correlação entre proteínas e peptídeos presentes na saliva e a cárie dentária, uma das infecções bacterianas crónicas mais comuns e que afecta cerca de 80% da população mundial e 66% da população portuguesa. A partir da caracterização das proteínas salivares de uma amostra constituída por indivíduos com cáries e indivíduos sem cáries activas e alguns ensaios in vitro e in vivo, os cientistas conseguiram perceber que os indivíduos resistentes às cáries apresentavam maiores quantidades de alguns péptidos constituintes da película aderida, contribuindo para a manutenção da estrutura cristalina do esmalte e diminuindo a ocorrência de infecções por bactérias cariogénicas. O investigador, Doutor Rui Vitorino, do Departamento de Química, explica o processo. “Depois de analisarmos e confrontarmos os dados obtidos através de técnicas separativas e de espectrometria de massa, foi possível detectar uma forte correlação entre o grau de fosforilação de péptidos e proteínas salivares e a susceptibilidade ao desenvolvimento de cáries dentárias, até agora apenas associadas com bactérias cariogénicas, como as do tipo Streptococcus mutans, presentes na cavidade bucal. Conseguimos, ainda, recolher informação preciosa que nos deu a entender existir uma clara diferenciação entre os dois grupos experimentais (em função da susceptibilidade individual) através das diferenças estatisticamente significativas observadas na caracterização básica do proteoma/ peptidoma salivar para esta doença”. Esta descoberta foi o ponto de partida para alguns testes com compostos ricos em grupos fosfato, já usados por exemplo no tratamento da osteoporose, que nos ensaios in vitro mostram o favorecimento do processo de remineralização do dente, com potencial uso terapêutico nas cáries. Os primeiros ensaios com

vista à introdução destas substâncias em pastas dentífricas efectuados por um grupo de investigadores em Inglaterra, deixam antever boas perspectivas. Apesar de optimista, o investigador refere, no entanto, que há, ainda, muito trabalho para fazer nesta área e que as potencialidades são variadas. “Queremos estudar mais aprofundadamente outras situações em que ocorrem alterações da composição das proteínas salivares para conseguirmos prever, acompanhar a progressão e verificar os resultados do tratamento de uma forma eficaz, não apenas na cárie dentária mas também em outras doenças como a diabetes e o cancro da cabeça e pescoço. É nossa intenção perceber em detalhe quais as alterações associadas ao aparecimento de cada uma destas doenças”. Os cientistas acreditam que diagnósticos realizados com a saliva podem ser tão eficientes quanto os tradicionais exames realizados com recolha de sangue, sendo um procedimento mais barato e mais rápido. “A saliva será cada vez mais uma ferramenta de diagnóstico, de prevenção e de monitorização muito menos invasiva, mas apenas se conseguirmos identificar e validar biomarcadores salivares específicos associados a essas doenças”. Com este objectivo no horizonte, a UA já estabeleceu parcerias com o IPO do Porto, a CESPU e o Hospital de São João e os resultados preliminares neste novo campo de acção já lhes permitiram fazer, também, a caracterização básica da saliva de indivíduos com cancro da cabeça e pescoço e de indivíduos diabéticos. “Tal como no estudo das cáries dentárias, também aqui encontramos diferenças, mas agora temos de perceber essas variações”. As próximas abordagens dos bioquímicos vão passar pela determinação do perfil do proteoma salivar e pela análise dos padrões de expressão dos biomarcadores em relação ao carcinoma da cabeça e pescoço. Todos os resultados obtidos até ao momento foram objecto de publicação em revistas da área.

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produção de um lantibiótico em E. coli.

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biólogas derrubam dogma de 20 anos com a produção de um lantibiótico em E. coli. Duas biólogas da UA isolaram um antibiótico capaz de combater duas das mais resistentes e patogénicas bactérias hospitalares: Staphylococcus aureus meticilina resistente (MRSA) e Enterococcus vancomicina resistentes (VRE). Produzido pela bactéria de Gram positivo Bacillus licheniformis, isolada numa fonte termal, o composto foi sintetizado pelas investigadoras da UA, pela primeira vez, in vivo, numa bactéria de Gram negativo, quebrando-se desta forma um dogma de 20 anos.

Em 1941, nascia uma nova era na área da medicina. Howard Florey e Ernst Chain conseguiam produzir, pela primeira vez, à escala industrial, o antibiótico descoberto por Fleming em 1928: a penicilina. Em 2011, Sónia Mendo e Tânia Caetano, duas investigadoras do Departamento de Biologia da UA/Laboratório Associado CESAM, alcançam um novo feito ao conseguir, pela primeira vez, sintetizar totalmente in vivo numa bactéria de Gram negativo o lantibiótico lichenicidina, um composto com propriedades antibióticas. “Utilizando Escherichia coli (E. coli), uma bactéria de Gram negativo, que é a mais comum e uma das mais antigas bactérias simbiontes do homem, principalmente em ambiente hospitalar, como hospedeiro, obtivémos, por expressão heteróloga, a síntese deste composto. Esta conquista foi de extrema importância porque conseguimos colocar um organismo de Gram negativo a produzir um composto que, de forma natural, não o produziria”, explicam as investigadoras. A estirpe produtora de antibiótico, Bacillus licheniformis I89, foi isolada numa fonte termal, a 65 graus, durante um estudo de procura de estirpes produtoras de novos antimicrobianos. O composto produzido inibia o crescimento de bactérias indicadoras, denunciando propriedades antibióticas. Após vários estudos de caracterização fisiológica e genética da estirpe, bem como da caracterização da substância produzida, as investigadoras perceberam que estavam perante um antibiótico peptídico, mais concretamente um lantibiótico, a lichenicidina. A investigação desenvolvida parcialmente em parceria com o Instituto de Química da Universidade Técnica de Berlim mostra que o composto original bem como o agora produzido pela bactéria de Gram negativo (E. coli) tem propriedades activas contra estirpes hospitalares como MRSA e VRE, duas bactérias facilmente transmissíveis, principalmente em ambiente hospitalar, e com grande resistência aos medicamentos já existentes.

“Existem cada vez mais bactérias resistentes ou multi-resistentes aos diferentes antibióticos. O composto isolado possui algumas características particulares que permitem, por exemplo e através de manipulação genética, produzir novos compostos antibacterianos. Por outro lado, dado o seu mecanismo de acção (dois alvos em simultâneo), o desenvolvimento de resistência por parte das bactérias torna-se mais difícil. Este antibiótico pode ter potencial do ponto de vista biotecnológico, não só pela temperatura a que é produzido, 50 graus, mas também, sendo peptídico, permite fazer manipulações que podem, no futuro, originar novos compostos também com actividade antibacteriana melhorada”. A possibilidade de produzir a lichenicidina em E. coli foi determinante para aprofundar o conhecimento da maquinaria de síntese do composto, permitindo derrubar um dogma dos últimos 20 anos: não ser possível produzir, totalmente in vivo, lantibióticos em bactérias de Gram negativo. “Conseguiu-se por manipulação genética que o composto fosse produzido neste organismo (E. coli), mantendo todas as características antibióticas do composto original”, ressaltam as cientistas. No entanto, as investigadoras salientam que há, ainda, um longo caminho a percorrer até à sua aplicação e produção em larga escala. “Os lantibióticos são um campo de investigação recente. É, por isso, essencial conhecer um pouco mais sobre a natureza química da molécula, o seu exacto modo de acção e a forma como é sintetizada pela célula, para se conseguir optimizar todas as etapas da síntese deste composto e perceber melhor as suas possíveis aplicações, não só ao nível clínico mas também na indústria alimentar e na agro-pecuária. Posteriormente, existe ainda toda uma fase de testes em laboratório, em animais e numa população restrita de indivíduos. Só após esse longo percurso poderá o composto ser lançado no mercado”.

Conhecer melhor a função de todos os genes envolvidos na síntese deste composto, os seus alvos de acção e ainda optimizar a expressão dos genes envolvidos na sua produção são, por isso, as próximas fases do projecto. As investigadoras pretendem, agora, decifrar na totalidade o mecanismo de produção do composto em E. coli e também na estirpe original. “Se, por um lado, existem possibilidades infindáveis, com recurso a manipulação genética, introduzindo modificações que poderão tornar esses compostos ainda mais activos ou eventualmente originar novos compostos, comercialmente torna-se mais viável a sua produção a partir da estirpe original porque permite produzir maiores quantidades do composto. São dois caminhos diferentes mas paralelos porque o objectivo final será sempre o mesmo: maximizar a produção deste ou do melhor composto”. Os resultados desta investigação foram publicados em Janeiro na Revista especializada Chemistry & Biology (https://www.cell.com/ chemistry-biology/abstract/S10745521%2810%2900445-X).

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cancro do pulmão

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É o carcinoma mais mortífero e só em Portugal aparecem todos os anos mais de 3 mil novos casos. O cancro do pulmão raramente apresenta sintomas numa fase inicial, não é objecto de rastreio e na maior parte dos casos é diagnosticado tardiamente. As universidades de Aveiro e de Coimbra estão empenhadas na concepção de um novo método de diagnóstico e de monitorização do tratamento, que possibilite a detecção precoce da doença, através de uma simples análise à urina e ao plasma sanguíneo.

cancro do pulmão

metabolismo dá pistas para a concepção de novo método de diagnóstico

Uma equipa multidisciplinar de bioquímicos, espectroscopistas, médicos e patologistas da Universidade de Aveiro e da Faculdade de Medicina e Hospitais da Universidade de Coimbra está a trabalhar numa nova forma de olhar para o diagnóstico do cancro do pulmão, a partir das alterações metabólicas associadas a esta doença, detectadas de forma global e não selectiva. Através da análise de tecidos e biofluídos de doentes com carcinoma do pulmão, os investigadores detectam variações nos metabolitos endógenos, que reflectem alterações no metabolismo celular, e que podem ser essenciais para fornecer novos dados sobre a condição em estudo. Como explica Iola Duarte, investigadora no Laboratório Associado CICECO, “os níveis de metabolitos são sensíveis ao estado fisiológico global do organismo, dependendo não só do nosso código genético mas também da interacção com o meio ambiente. Ao sermos capazes de detectar variações consistentes nestes metabolitos em função de uma dada patologia podemos, não só compreendê-la melhor do ponto de vista bioquímico, como encontrar novos biomarcadores com potencial diagnóstico”. Para detectar uma assinatura metabólica de malignidade no pulmão que distinga os doentes de indivíduos saudáveis e que permita diferenciar diferentes tipos de tumores do pulmão, os investigadores estão a analisar amostras de tecido tumoral e de tecido normal adjacente, plasma sanguíneo e urina de doentes cancerosos e de pessoas saudáveis, com recurso à ressonância magnética nuclear (RMN) e à espectrometria de massa, combinadas com análise estatística multivariada. O trabalho realizado ao longo dos últimos três anos deixa evidenciar diferenças notórias entre o tecido maligno e o tecido normal. De acordo com a investigadora, esta conclusão vem confirmar que os tumores apresentam um metabolismo alterado

detectável por RMN e que essas alterações dependem do tipo histológico do tumor. Aprofundar a relação entre o perfil metabólico e os diferentes aspectos histopatológicos, bem como caracterizar em detalhe os diversos tipos de tumores do ponto de vista bioquímico são, pois, objectivos da equipa.

Esta investigação recebeu, recentemente, o apoio da Liga Portuguesa contra o Cancro, com a atribuição de uma bolsa no valor de 5 mil euros, e já foi objecto de publicação no “Journal of Proteome Research” e no Jornal Oficial da Sociedade Europeia de Patologia “Virchows Archiv”.

“Para além de encontrar marcadores nos tecidos que se possam relacionar com a malignidade, o tipo histológico e outras características morfológicas, queremos perceber se o impacto do tumor sólido no organismo é suficiente para detectar alterações metabólicas nos biofluídos. Seria excelente termos à disposição uma sonda da patologia tão acessível como são os biofluídos, já que a recolha destes é minimamente invasiva”.

A par deste projecto, o grupo da UA que se encontra a trabalhar em metabonómica por RMN na área da saúde tem vindo a apostar também fortemente na investigação de marcadores metabólicos em desordens da saúde da grávida e do feto e em distúrbios nutricionais.

Os resultados já obtidos permitiram construir modelos de classificação que diferenciam indivíduos saudáveis dos doentes, com base nos perfis metabólicos de urina e plasma sanguíneo. A investigadora assegura que esta informação denuncia potencial de diagnóstico neste método e aponta para novos desafios que se prendem com a detecção precoce. “Um dos passos seguintes é estudar o metaboloma de fumadores crónicos e ver até que ponto conseguimos correlacioná-lo com lesões pré-neoplásicas, ou seja, com a doença numa fase muito inicial”. Uma outra vertente do trabalho, iniciada recentemente, consiste em analisar biofluidos de doentes em estado mais avançado, não cirúrgico, ao longo dos ciclos de quimioterapia. “A ideia aqui é detectar variações na composição do sangue e da urina que reflictam o grau de progressão ou de remissão do tumor e/ou o estado fisiológico global do doente. Com isto, pretendemos desenvolver métodos rápidos e sensíveis para avaliar a resposta à quimioterapia e assim ter mais dados para a ajustar eficazmente a cada doente”.

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sentir o Provedor como um observatório permanente na vida universitária

A Universidade de Aveiro tem uma nova figura de apoio aos estudantes da academia, instituída pelo novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Trata-se do Provedor do Estudante, uma personalidade nomeada pelo Conselho Geral, por um período de três anos, que tem como missão a defesa e a promoção dos direitos e interesses legítimos dos estudantes, em articulação com os vários órgãos e serviços da instituição. Na UA, essa função é assumida por Alexandre Cruz. 31

Revista Linhas (RL) – Que função está associada à figura do Provedor do Estudante? Alexandre Cruz (AC) – Esta é uma função nobre em todos os domínios, quer no contexto do ensino superior em Portugal, quer no contexto muito particularizado da Universidade de Aveiro, resultado de um processo progressivo da passagem da Universidade a fundação pública de direito privado e da aplicação do novo Regime Jurídico [das instituições de ensino superior]. No fundo, o Provedor do Estudante é mais um membro da comunidade que deve ir criando a mediação, actuar numa lógica preventiva, e viver sempre esta filosofia que é: sentir o Provedor como um observatório permanente na vida universitária. RL – Como caracteriza a acção do Provedor, no contexto da UA? AC – Conforme está no regulamento, a acção do Provedor do Estudante é exercida com isenção, liberdade, inter-independência e autonomia. Quero sublinhar, a par deste ponto, um outro: a UA é a única Universidade (tanto quanto pudemos averiguar) no país em que o Provedor é alguém sem vínculo à instituição – não é docente, não é funcionário, não é dirigente. Isto garante-lhe uma autonomia e independência de exercício. Todavia, o parecer do Provedor do Estudante não é vinculativo, normativo, é antes um parecer de recomendação, enviado a todos os envolvidos no processo.

Primeiro encontro nacional de provedores vai realizar-se na UA RL – Tem acompanhado a acção dos seus pares nas restantes instituições de ensino superior? Como avalia a implementação desta figura nas universidades? AC – Logo após o convite - honroso e, ao mesmo tempo, temerário - para esta missão como Provedor, iniciei a pesquisa, em termos nacionais e internacionais, sobre o que é esta figura, a sua identidade e missão. Foi depois, nesse sentido, elaborado o estatuto do Provedor do Estudante, devidamente aprovado pelo Senhor Reitor. Estamos, desde há algum tempo, na linha programática da Provedoria do Estudante da UA, a fazer a pesquisa nacional de todos os contactos dos provedores do ensino superior, público e privado. O objectivo será, num futuro, de forma sustentável, podermos proporcionar um primeiro encontro dos provedores do estudante a nível do país, na Universidade de Aveiro. A UA tem sido pioneira, aliás, num conjunto imenso de matérias, de domínios e a perspectiva aqui é cumprir este objectivo em Setembro deste ano. Naturalmente que uma iniciativa dessas terá de ser muito bem preparada, no sentido da rentabilização máxima de um encontro que, da informalidade, possa proporcionar ópticas no sentido formal e de um conceito que seja, ao mesmo tempo, flexível, funcional, eficaz mas que possa ter também, uma matriz interventiva, serena e saudável, como se pede ao Provedor do Estudante.

“O Provedor é um garante daquilo que são os legítimos interesses, direitos e deveres do estudante” RL – O que podem os alunos da UA esperar da acção da Provedoria? AC – Temos, naturalmente, que prosseguir com serenidade, para evoluirmos com sustentabilidade e eu julgo que as iniciativas, hoje, tal como no lema “a união faz a força”, devem centrar-se em gerar parcerias. Julgo que a Provedoria do Estudante, que está em contínuo diálogo com diferentes serviços, quer da UA – com os seus vários serviços –, quer em termos de fenómeno associativo, detectou já alguns pontos fulcrais onde a concepção de parceria pode ajudar a potenciar e também a sensibilizar o estudante para a sua componente cívica, cultural, social, etc. O estudante não pode ter o individualismo de querer tudo o que lhe aprouver, porque há pressupostos normativos, regulamentares, éticos, cívicos, etc. O Provedor deve ser, no meu ponto de vista, alguém que, pela resposta e pelo diálogo, proporciona reflexão, fundamentação de situações e de solicitações, ou seja, um garante daquilo que são os legítimos interesses, direitos e deveres do estudante.


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“A Provedoria do Estudante não é um queixódromo”

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RL – Depreende-se, das suas palavras, que todas as matérias podem ser apresentadas ao Provedor? AC – Todas as matérias podem e devem ser apresentadas e, para o Provedor, está a ser – partilho em termos pessoais – uma experiência gratificante. Mediante as situações que vão ocorrendo, o Provedor tem de ser, no fundo, um especialista em Psicossociologia neste aspecto de cooperar e de, naturalmente, ir fazendo “trabalho de casa”, conhecendo a lei, o que é a norma, aquilo que são, digamos, os princípios comunitários e institucionais. A Provedoria do Estudante não é um “queixódromo”, não há lugar apenas para a queixa, mas para também fundamentar e reflectir, na perspectiva de uma cultura cívica e académica. Em todas as tipologias de casos, faço questão de sublinhar, está presente o princípio fundamental da confidencialidade. RL – E que assuntos são comummente apresentados? AC – Em termos de tipologias de situações o que acontece com a generalidade do cidadão estudante é um conjunto diversificado de preocupações do foro pedagógico, académico, da acção social, pessoal, existencial, familiar, afectivo, … ou seja, há aqui naturalmente um conjunto de campos de acção que são consequência de campos de solicitação. Na Universidade de Aveiro, graças a uma perspectiva de uma Universidade aberta e universalista, digamos assim, os assuntos e as problemáticas são encarados de frente, e de forma saudável, para que rapidamente consigamos agilizar as devidas e correspondentes soluções. Neste campo, preocupa-me um aspecto, que é o de os estudantes participarem mais na vida universitária.

Competências do Provedor do Estudante › Tem como função a defesa e a promoção dos direitos e interesses legítimos dos estudantes da Universidade, competindo-lhe apreciar as queixas e as reclamações que, nesse âmbito, lhe sejam apresentadas, e actuar por iniciativa própria dirigindo, com base nos resultados apurados, as adequadas recomendações aos órgãos e entidades competentes. › Todos os órgãos, unidades e serviços têm o dever de colaboração que o Provedor lhes requerer, no exercício e para consecução das suas funções, e o dever de se pronunciarem e de darem conhecimento da posição que adoptem sobre as recomendações recebidas, ao Provedor e aos interessados. › O Provedor do Estudante exerce a sua actividade com total independência, isenção e liberdade. É nomeado pelo Conselho Geral, por maioria de dois terços, de entre personalidades sem vínculo à Universidade, de elevada reputação cívica e reconhecida aptidão para o exercício da função. › O Provedor apresenta anualmente um relatório circunstanciado da sua actividade ao Conselho Geral, que promove a divulgação e desencadeia as medidas que considere adequadas. › O mandato do Provedor do Estudante é de três anos. Atendimento › O Provedor do Estudante presta atendimento todas as quartas-feiras, das 09h30 às 13h00, em gabinete próprio, localizado no 4º piso do edifício III (Antiga Reitoria) e na Casa do Estudante, sede da Associação Académica da UA, das 15h00 às 18h00. › O atendimento aos estudantes das Escolas Politécnicas, localizadas em Águeda e Oliveira de Azeméis, é efectuado mediante agendamento junto dos núcleos associativos de cada uma das Escolas. › Os contactos com o Provedor podem também ser estabelecidos através de correio electrónico, para o endereço: provedor@ua.pt Mais informação http://www.ua.pt/provedordoestudante

Deste desdobramento posso sugerir que os estudantes conheçam bem aquilo que são os regulamentos e as orientações que nos presidem, para que estejamos munidos da informação necessária. Julgo que há aqui muitos territórios, que têm a ver com a componente académica e cívica, que é preciso aprofundar, da parte dos estudantes também. RL – Os estudantes da UA têm, actualmente, um conjunto alargado de serviços de apoio (Gabinete Pedagógico, LUA, Provedor do Estudante). Considera a criação destas estruturas um reflexo dos tempos? AC – Eu julgo que estamos a ir ao encontro das pessoas, e assim, a corresponder àquilo que são as expectativas de uma instituição, que não é meramente de instrução, mas de formação transversal no sentido da educação superior; aliás, esse é o conceito referido pela UNESCO. Todos os serviços são poucos, e eu tinha dúvidas sobre esta função e a missão do Provedor do Estudante. Por um lado, como nova que é, por outro, sobre os territórios, os campos da sua acção, a sua aparição e o seu exercício. Contudo, essas dúvidas foram-se dissipando logo nas primeiras semanas. Sentirmos a utilidade, que estamos a desempenhar algo que é positivo, construtivo, e que contribui para uma ajuda efectiva do estudante, é muito gratificante. O Provedor do Estudante vai sendo conhecido, num crescendo, uma vez que há um ano era praticamente inexistente.

Alexandre Manuel da Silva e Cruz nasceu em Canelas – Estarreja, a 15 de Fevereiro de 1973. É licenciado em Filosofia e Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e Mestre em Ciências da Educação, na especialidade de Formação Pessoal e Social, pela Universidade de Aveiro. Dirigiu, entre Setembro de 2001 e Agosto de 2009, o Centro Universitário Fé e Cultura onde se empenhou em desenvolver uma linha de actuação assente na promoção da cultura, do diálogo intercultural e inter-religioso e de programas de voluntariado, na academia e na cidade. Actualmente, dirige uma instituição social na Gafanha da Nazaré (Ílhavo). No “Ano Europeu das Actividades Voluntárias que promovam uma Cidadania Activa”, Alexandre Cruz integra também a equipa promotora do concurso de projectos “Cidadania e Empreendedorismo Social, UA – 2011” que desafia os estudantes da Universidade de Aveiro a desenvolverem iniciativas de empreendedorismo social, aliadas ao exercício da cidadania activa e centradas na resolução de problemas sociais. O seu interesse pelas acções de voluntariado, como dinâmica de formação cívica, e de cultura da participação, levou-o, ainda neste âmbito, a dinamizar, nos últimos anos, diversas actividades de parceria ligando estudantes da Universidade de Aveiro a vários programas de voluntariado com organizações locais e regionais. Como interesses pessoais, Alexandre Cruz aprecia as temáticas de investigação na área da globalização e educação, do encontro de culturas e do diálogo inter-geracional. Nos tempos livres gosta de escrever, exercendo colaborações periódicas com a imprensa regional e com o UniverCidade, jornal da Associação Académica da Universidade de Aveiro. Brevemente, gerando proximidade com os estudantes, na qualidade de Provedor, estará disponível em redes sociais como o Facebook. Alexandre Cruz é o primeiro Provedor do Estudante da Universidade de Aveiro, tendo assumido formalmente as suas funções no dia 7 de Abril de 2010. Presentemente, a par do seu desempenho na UA, lidera o processo da realização do primeiro Encontro Nacional de Provedores do Estudante das universidades portuguesas, a realizar em Setembro na UA.

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1636 candidatos Foram 1636 os diplomados que se candidataram ao curso de Medicina da Universidade de Aveiro, o que no entender do Reitor, Prof. Manuel António Assunção “comprova a confiança dos candidatos na qualidade da formação ministrada pela UA”. Os 40 seleccionados começam as aulas no próximo mês de Setembro.

O Mestrado Integrado em Medicina que a Universidade de Aveiro, em consórcio com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade de Porto, vai ministrar a partir do ano lectivo 2011/2012 abrirá com 40 vagas neste seu primeiro ano de funcionamento. Formar clínicos que estejam à altura dos novos desafios colocados aos sistemas de saúde, nomeadamente o envelhecimento acentuado da população, a pluripatologia e a incapacidade, e que possam responder às actuais necessidades dos cidadãos é o principal objectivo deste curso. Para além das diversas intervenções habitualmente contempladas em Medicina (prevenção, rastreio, diagnóstico precoce, diagnóstico, terapêutica e acompanhamento), este curso vai formar médicos com um nível de formação abrangente que lhes permita não só evoluir para uma das várias vertentes profissionais da área clínica (comunitária ou hospitalar), mas também enveredar por uma carreira de investigação, garantindo-se, assim, uma capacidade para reconhecer, avaliar e resolver novos problemas em saúde. O programa de formação apoiar-se-á essencialmente na rede assistencial da região, hospitais e centros de saúde, contabilizando um total de mais de mil camas, onde são prestados os cuidados que, no dia a dia, a maioria dos cidadãos necessita. Recorde-se que o curso de Medicina foi aprovado pela Comissão Internacional de Avaliação dos Cursos de Medicina, a qual reconheceu que tanto a UA como o ICBAS têm unidades de investigação em medicina, ciências da vida e biologia de grande notoriedade e avaliadas internacionalmente. A UA possui grande afirmação no desenvolvimento de aplicações para as ciências da saúde que advém dos avanços na área da tecnologia biomédica e das tecnologias de informação, comunicação e electrónica. O aprofundamento dessas aplicações em domínios como o dos materiais biocompatíveis,

a nanomedicina, a telemedicina, a imagem médica, os biosensores e as aplicações biomecânicas, decorre em unidades de investigação avaliadas internacionalmente com o estatuto de “laboratório associado” ou classificadas como “excelente” e “muito bom”. Importa ainda referir que a Universidade de Aveiro tem vindo a leccionar diversos cursos na área da saúde, tanto na Secção Autónoma das Ciências da Saúde (SACS) como na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA). Na SACS são leccionados os cursos de especialização em Medicina Farmacêutica, a licenciatura em Ciências Biomédicas, os mestrados em Biomedicina Farmacêutica, em Biomedicina Molecular, em Ciências da Fala e da Audição e em Gerontologia e os Programas Doutorais em Gerontologia e Geriatria (em associação com a UP) e em Ciências e Tecnologias da Saúde. A ESSUA propõe licenciaturas em Enfermagem, Fisioterapia, Gerontologia, Radiologia e Terapia da Fala. Informações complementares sobre o curso de medicina podem ser consultadas em http://www.ua.pt/mestrados/medicina/

A3ES acredita cursos da UA A Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) emitiu decisão favorável à acreditação dos ciclos de estudos em funcionamento na UA. Este processo de acreditação decorreu de Janeiro a Março de 2010, tendo a UA submetido 44 cursos de Licenciatura, 61 cursos de Mestrado – dos quais cinco são Mestrados Integrados na área das Engenharias – e 31 cursos de Doutoramento, dos quais 14 são oferecidos em parceria com outras Instituições de Ensino Superior.

Engenharias da UA com marca EUR-ACE_OE+ A Ordem dos Engenheiros atribuiu recentemente a marca de qualidade europeia EUR-ACE (European Accreditation of Engineering Programmes) ao Mestrado em Engenharia Química da Universidade de Aveiro, aumentado para dois, o número de cursos da UA (Mestrado em Engenharia Electrónica e de Telecomunicações e Mestrado em Engenharia Química) distinguidos com o selo de qualidade de formação em engenharia. Para o Vice-reitor, Prof. Eduardo Silva, a atribuição da Marca de Qualidade EUR-ACE a um curso “configura um selo de qualidade e prestigia os seus diplomados, uma vez que corresponde a um reconhecimento internacional da formação ministrada”.

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directores dos departamentos e escolas dão a conhecer prioridades de acção Na sequência da transformação da Universidade de Aveiro em Fundação Pública com regime de direito privado e da consequente revisão dos seus estatutos, os departamentos universitários e as escolas politécnicas passaram a ter como responsável superior um Director, a quem incumbe a direcção e representação destas unidades orgânicas de ensino e investigação.

Na data de fecho desta edição, o processo de selecção dos novos directores ainda não tinha terminado, mas a maioria já tinha passado todas as fases do processo, desde a candidatura à indigitação por parte do Comité de Escolha e confirmação pelo Reitor, através da respectiva nomeação formal. A Linhas dá a conhecer os directores já empossados e algumas das prioridades que apontam para as suas respectivas unidades durante os próximos quatro anos.

do que está a funcionar bem e daquilo que é necessário corrigir. Procuraremos também estimular a inserção de um maior número de estudantes de 2º ciclo em empresas da região para que desenvolvam a sua dissertação em ambiente empresarial.”

LÍNGUAS E CULTURAS

MATEMÁTICA

Doutorou-se em Literatura na Universidade de Aveiro, deu aulas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e ingressou no Departamento de Línguas e Culturas da UA, em 1997, onde é Professor Auxiliar. Publicou vários estudos, recensões e manuais para o ensino do Latim e do Português, coordenou dois livros e é autor de três monografias. Foi coordenador dos cursos de Português como Língua Estrangeira e é responsável pela área de Língua Portuguesa nos Projectos PmatE e Pensas@MOZ. Carlos Morais, 50 anos, é coordenador do Projecto ForLíngu@MOZ e Director do DLC desde 1 de Fevereiro.

Licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Matemática, João Manuel da Silva Santos, 49 anos, colaborou na EDP, na Universidade da Beira Interior e foi membro da Direcção Regional do Centro da Sociedade Portuguesa de Matemática. É Professor Auxiliar no Departamento de Matemática desde 1986. Foi Secretário da Unidade de Investigação Matemática e Aplicações, Vice-Coordenador da Comissão Científica do Departamento de Matemática e Presidente do Conselho Directivo. Foi a 1 de Fevereiro que assumiu a direcção do Departamento.

GEOCIÊNCIAS

QUÍMICA

Veio para a Universidade de Aveiro estudar e não mais abandonou a instituição. Sócio fundador da Associação de Antigos Alunos da Universidade de Aveiro, é autor de um livro didáctico, autor/co-autor de oito capítulos de livros internacionais, de três patentes nacionais e de cerca de 130 artigos em publicações do SCI. Ao longo do seu percurso académico desempenhou vários cargos de gestão académica e integrou diversos órgãos universitários. Professor Associado com Agregação, Augusto Costa Tomé, 48 anos, exerce as funções de Director desde 1 de Janeiro. Para o Director do DQ, a primeira grande prioridade do seu mandato é a melhoria das condições de trabalho no edifício da Química. Está previsto que o primeiro edifício, inaugurado em 1993, entre em obras de conservação e de melhoria ainda em 2011. A segunda é a renovação dos recursos humanos, especialmente ao nível docente, uma vez que muitos professores estão agora a aposentarse, e a terceira prioridade tem a ver com a reestruturação dos cursos de 1º e 2º ciclos. “Alguns anos após a sua adequação ao Processo de Bolonha, é necessário fazer um levantamento

Está há 25 anos ao serviço da UA e já desempenhou funções de Pró-reitor, de Vice-reitor e de Presidente do Conselho Directivo. Hoje, acumula a condução do Departamento de Geociências com a coordenação da Unidade de Investigação Geobiociências, Geotecnologias e GeoEngenharias (Geobiotec) e a actividade docente. Fernando Tavares Rocha, 55 anos, assumiu o cargo de Director deste Departamento da UA a 17 de Janeiro. Consolidar a oferta formativa é a grande prioridade de Fernando Tavares Rocha. “Aparentemente vivemos uma fase de boa procura da nossa formação, por isso há que consolidar esta oferta de 1º ciclo, reorganizar um pouco a oferta de 2º ciclo e, sobretudo, apostar cada vez mais no 3º ciclo”. Promover a cooperação e intercâmbio com centros de investigação, nacionais e estrangeiros, tendo em vista a internacionalização da investigação, e incrementar a oferta de estudos e trabalhos orientados para as necessidades da sociedade, são outras acções consideradas prioritárias.

Alcançar para o Departamento de Línguas e Culturas relevância interna e externa, através da concretização de objectivos estratégicos centrados em três domínios fundamentais: a investigação, o ensino e a cooperação com a sociedade. Este é o objectivo de Carlos Morais para os próximos quatros anos. A refundação da Unidade de Investigação é a prioridade das prioridades. “Ao nível do ensino, queremos consolidar os cursos de 1.º ciclo, fazendo, porventura, a redistribuição pontual do número de vagas de acesso a cada um dos cursos, de acordo com os índices de procura; apostar fortemente na captação de alunos para os cursos de 2.º ciclo já existentes; e alargar a oferta formativa dos 2.º e 3.º ciclos, através de parcerias com outras instituições de ensino superior. Por fim, no domínio da cooperação, pretendemos desenvolver iniciativas não só para a comunidade envolvente mas também para os países da CPLP, em especial para os PALOP”.

As prioridades de João Santos passam pela consolidação da oferta formativa conferente de grau nos três ciclos de estudos. “Vamos apostar na captação de alunos, com especial enfoque no 2º ciclo, e na internacionalização, passando pelo recurso a programas de mobilidade internacional de estudantes, pelo estabelecimento de protocolos que permitam a formação de estudantes oriundos do espaço CPLP e de outras universidades estrangeiras, e pela oferta de cursos com aulas em inglês. Também estamos a trabalhar no sentido de tentar convencer, a regressarem à UA, os alunos que não concluíram as licenciaturas pré-Bolonha.” A formação contínua será também uma área de intervenção prioritária. O Departamento, sendo reconhecido o seu potencial científico e pedagógico, está consciente deste desafio e está a preparar, no curto prazo, a oferta de um conjunto variado de formações não conferentes de grau, de qualidade, flexíveis, de curta ou média duração, muitos dos quais em horário pós-laboral, dirigidos a diversos públicos e distintas categorias profissionais.

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AMBIENTE E ORDENAMENTO

pela divulgação da ciência, pretende atrair para a formação, nos cursos de pós-graduação, mais estudantes (em especial da CPLP), também numa lógica de aprendizagem ao longo da vida.

ELECTRÓNICA, TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA

ENGENHARIA CERÂMICA E DO VIDRO

ENGENHARIA CIVIL

EDUCAÇÃO

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A experiência de 35 anos de vivência diária na UA, associada à que resultou do exercício de cargos no Departamento de Ambiente e Ordenamento, na Universidade, na Reitoria e no Governo, evidenciou a decisão de Carlos Borrego, 62 anos, continuar a dedicar-se à condução dos destinos do DAO. Foi Vice-Reitor, Coordenador do Gabinete da Ria de Aveiro, Ministro do Ambiente e Recursos Naturais, entre outros cargos que ocupou ao serviço do país. O Professor Catedrático de Ciências Aplicadas ao Ambiente assumiu a direcção do DAO a 4 de Fevereiro, função que acumula agora com a de Director do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (entidade instrumental e coadjuvante da UA para a cooperação com a sociedade). Ao longo dos próximos quatro anos, Carlos Borrego pretende continuar a privilegiar a criação de conhecimento através de uma investigação científica de excelência. Outra das suas prioridades para o Departamento está relacionada com a melhoria da oferta formativa, que entende dever ser acompanhada por uma estreita monitorização da aceitação pelo mercado de trabalho dos diplomados do DAO, tendo em atenção as necessidades nacionais e os novos públicos. A terceira prioridade passa por levar o Departamento a adoptar uma atitude eficaz na prevenção e identificação das disfunções ambientais da sociedade e na construção de soluções que envolvam inovação. “Entendo que o DAO se deve distinguir pela qualidade da sua comunidade departamental e pela sua capacidade em apresentar, aos decisores políticos, soluções adequadas para as disfunções ambientais emergentes. Estas acções suportam outra vertente que quero realçar: atrair para o DAO novos públicos. Este projecto, que passa ainda

Professor Associado, António Moreira, 53 anos, acumula a direcção do Departamento de Educação com a coordenação do Centro de Competência TIC da Universidade de Aveiro e do Laboratório de Conteúdos Digitais. Doutorado em Didáctica de Línguas, o docente da Universidade de Aveiro desde 1984, era ainda Director do Programa Doutoral em Multimédia em Educação no momento em que assumiu a direcção do Departamento de Educação, a 4 de Fevereiro. Criar, desenvolver e sustentar uma nova identidade/cultura departamental é a primeira prioridade de um director que herda a fusão de dois antigos departamentos: o de Ciências de Educação e o de Didáctica e Tecnologia Educativa. A sua aposta passa por “mobilizar a comunidade do Departamento de Educação em torno de um projecto de afirmação interna e externa e dotá-lo de competências e atributos que o salientem, pelo menos a nível Europeu e da CPLP, enquanto pólo de atracção, nos domínios da formação, investigação, cooperação e transferência de conhecimento”. A oferta formativa do departamento deverá ser coerente com o “mercado”. Para tanto será necessário dotar o DE de recursos que qualifiquem essa oferta e diversificar os seus públicos-alvo. Desafio não menos importante é criar condições e articulações entre o Departamento e o Centro de Investigação em Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores, sem esquecer o desejo de que a área da Psicologia, em tempo devido, também se candidate a constituir o seu próprio Centro de Investigação.

Tem 54 anos, mais de metade ligados à Universidade de Aveiro, primeiro como um dos alunos pioneiros; depois como docente. Arnaldo Martins licenciou-se em Engenharia Electrónica e Telecomunicações e doutorou-se na área de Redes de Computadores. Foi membro da Direcção Regional do INESC Aveiro, Director do Centro de Informática e Comunicações da UA e Membro da Direcção do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro (IEETA). Professor Catedrático desde 2004 e investigador sénior no IEETA, ocupa o cargo de Director do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) desde 7 de Fevereiro. Manter a qualidade dos cursos ministrados pelo DETI e tentar atrair os melhores estudantes: objectivos a prosseguir, tanto pela via da promoção do Departamento e do trabalho nele desenvolvido, junto das escolas, como através da auscultação das necessidades das empresas, para uma melhor adequação tanto da oferta formativa do DETI como de I&D. A par da criação de condições para contratar pessoal docente e da requalificação de alguns espaços físicos, as prioridades deste Director passam ainda, ao nível de I&D, pelo “desafio de aumentar a qualidade e visibilidade do nosso trabalho e potenciar a colaboração entre as unidades”.

Licenciou-se em Engenharia Química e doutorou-se em Ciência e Engenharia de Corrosão, na Universidade de Manchester. Mário Ferreira, 62 anos, tem quatro livros de cariz científico editados, publicou mais de 200 artigos e foi responsável pela realização de 55 projectos de R&D, co-financiados por diversas entidades nacionais, pela Comissão Europeia e pela NATO. O Professor Catedrático da UA e Professor Catedrático Convidado do Instituto Superior Técnico foi Subdirector Geral do Ensino Superior no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de 2003 a 2007. É director do Departamento de Engenharia Cerâmica e do Vidro desde 1 de Março. Manter a qualidade da investigação desenvolvida, atrair os melhores estudantes e proporcionar um ambiente de criatividade e pensamento crítico aos membros do Departamento são as principais prioridades de Mário Ferreira para os próximos quatro anos. Este director pretende garantir uma oferta formativa adequada às necessidades do mercado de trabalho, não só a nível de cursos conducentes a grau mas também em cursos de formação para alunos exteriores ao Departamento e à UA, e adoptar a estrutura modular para os cursos, de modo a haver maior flexibilidade na sua frequência. Para além de apostar no recrutamento de mais investigadores de qualidade, nacionais e estrangeiros, quer “impulsionar a mobilidade dos estudantes, fomentar a realização de doutoramentos, projectos e estágios de alunos em ambiente empresarial e ainda estabelecer mais contratos e projectos com a indústria”.

Nas funções de Director desde 1 de Março, Paulo Barreto Cachim, 42 anos, é licenciado e doutorado em Engenharia Civil. Este Professor Associado chegou à Universidade de Aveiro em 1997 e já desempenhou funções de Coordenador Sócrates/Erasmus, Director de Curso e membro do Conselho Pedagógico da UA. Reorganizar e obter a marca de qualidade EUR-ACE para o Mestrado Integrado em Engenharia Civil é uma das metas que o Director deste Departamento pretende alcançar no decorrer do seu mandato. Outra das prioridades passa pelo aumento da produção científica do departamento e pelo crescimento da procura e da qualidade dos alunos que procuram o departamento. “Como, para crescermos, é necessário financiamento, teremos igualmente de aumentar a prestação de serviços ao exterior e a participação em projectos de investigação como forma de nos auto-financiarmos”. COMUNICAÇÃO E ARTE

quais da Cincinnati Concert Orchestra e da Filarmonia das Beiras, e director artístico do Festival de Internacional de Música de Aveiro. Docente da UA desde 1997, este Professor Auxiliar assumiu a direcção do Departamento de Comunicação e Arte a 3 de Março. Para António Vassalo Lourenço, a grande aposta do Departamento passará pela afirmação e valorização da investigação com o consequente aumento da produção científica académica, cultural, etc. “Existem no DeCA quatro unidades de investigação a funcionar, todas em conjunto com outras instituições de ensino superior, e todas elas com projectos financiados, sendo que em algumas áreas, apesar de existir de facto investigação, ela ainda não está suficientemente valorizada e reconhecida. Temos em primeiro lugar que definir o que é investigação nas nossas áreas, como avaliá-la, como reconhecê-la e torná-la reconhecida não só na UA como fora da instituição. Estabelecer metas e cumprir objectivos nesta área é o nosso grande desafio enquanto departamento.” A nível do ensino, o Director diz que “para lá de alguma intervenção pontual que se venha a achar necessária no sentido de colmatar alguma debilidade que venhamos a identificar, podemos afirmar que a oferta formativa do DeCA está estabilizada nas quatro áreas científicas aqui leccionadas e nos três ciclos de ensino, aguardando apenas a acreditação do novo Programa Doutoral em Estudos de Arte (uma formação pioneira em Portugal ao nível do 3º ciclo) para que esta oferta esteja completa.” Promover a cooperação com o exterior, numa lógica de prestação de serviço, é outra das prioridades assumidas para os próximos quatro anos.

Doutorado em direcção de orquestra, António Vassalo Lourenço, 48 anos, foi coordenador artístico do Teatro Nacional de S. Carlos, director artístico e maestro de vários coros e orquestras, entre as

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FÍSICA

ENGENHARIA MECÂNICA

diz respeito, “o eventual aumento dos números e da qualidade dos estudantes de 3º ciclo oferece a possibilidade de elevar a investigação no Departamento a um novo patamar de importância. Assim, serão produzidas publicações de maior impacto levando a um melhor reconhecimento internacional do nosso trabalho. Neste processo, e como parte da nossa internacionalização, procuraremos parcerias internacionais para concorrermos com maior intensidade a financiamentos fora de Portugal, e muito especificamente, através de projectos europeus”.

Licenciou-se e doutorou-se em Física nesta Universidade onde, em 1986, começou a exercer funções docentes. Professor Associado desde 2000, António Luís Ferreira, 46 anos, ocupou, entre outros cargos, o de Pró-Reitor (2004-06), o de Presidente do Conselho Directivo (2010-2011) e o de Director da Licenciatura em Física (2009-10). Como Director, está a conduzir os destinos do Departamento de Física desde 7 de Março.

António Carlos Mendes de Sousa, 64 anos, é Professor Catedrático da UA desde 2000 e até 2010 foi “Full Professor” na University of New Brunswick, no Canadá, onde, de resto, exerceu vários cargos de coordenação e gestão. Membro Conselheiro e Especialista em Energia da Ordem dos Engenheiros, foi Director (representante do Governo) do Centro para a Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau, Consultor para Transferência de Tecnologia do Programa para o Desenvolvimento de Negócios entre a União Europeia e Macau e, entre outras cargos, coordenador de Projecto da 1ª recarga do reactor nuclear Angra I, Nuclebrás, S.A. (Brasil). O doutorado em Mechanical Engineering, Thermal Sciences, pela Victoria University of Manchester, assumiu a direcção do Departamento de Engenharia Mecânica a 15 de Março.

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO DA UA

No topo das prioridades enunciadas pelo Director do Departamento de Física para os próximos quatro anos está a promoção do sucesso pedagógico. A segunda prioridade passa por melhorar as condições de trabalho dos docentes e investigadores e a terceira por promover uma oferta de cursos não conferentes de grau. “Temos que acompanhar de perto os alunos de 1º ciclo e ser capazes de lhes dar percursos atractivos de segundo ciclo. Temos que optimizar a nossa organização curricular e o nosso serviço docente para que se consiga uma racionalização de recursos e um melhor equilíbrio entre docência e investigação. Temos de gerir melhor os espaços ainda existentes até que melhores condições estejam disponíveis no novo edifício. Temos que fortalecer a ligação com os professores do ensino não superior e o público em geral oferecendo oportunidades de formação em cursos não conferentes de grau”.

Valorização, promoção e consolidação dos recursos humanos com particular ênfase na área de investigação; reorganização dos laboratórios de ensino e investigação e, em geral, do espaço físico; internacionalização em todas as áreas de actuação do Departamento. São estas as três grandes prioridades do mandato de António Sousa. A nível de graduação, uma das suas apostas passa por tornar o 3º ciclo “mais atractivo e flexível, e eventualmente mais competitivo em relação a outros programas no estrangeiro”, e as dissertações do 2º ciclo “uma experiência profissionalizante e mesmo uma mais-valia na entrada do mercado de trabalho”. É ainda importante “fomentar a disseminação de áreas de ponta tecnológica através de acções de formação contínua baseadas, por exemplo, em cursos de curta duração, workshops, seminários e/ou estudos avançados”. No que à investigação

A aposta iniciada com o ensino à distância é para ser desenvolvida, procurando um modelo próprio, adequado e inovador, que pode constituir também uma ferramenta transversal na internacionalização de algumas unidades curriculares”. Já ao nível da investigação, e com o novo estatuto da carreira docente do ensino superior politécnico a trazer outras exigências na actividade de investigação para os docentes deste subsistema de ensino, é objectivo incentivar o desenvolvimento de uma linha de investigação nas grandes áreas de conhecimento do ISCA-UA, mas também promover o aparecimento de elos interdisciplinares que possam conduzir a projectos de investigação aplicada, em ligação estreita com o meio empresarial e integrando projectos que englobem alunos do 2º ciclo. A disponibilização de alguns serviços, o acompanhamento atento do diplomado, proporcionando-lhe formação de actualização profissional ao longo da vida, direccionada às suas necessidades e a aproximação às associações profissionais são outras metas a prosseguir nos próximos quatro anos. ESCOLA SUPERIOR AVEIRO-NORTE

Doutorou-se em Probabilidades e Estatística na Universidade de Lisboa e é docente do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro desde 1988. Cristina Souto Miranda integrou a Assembleia de Representantes do ISCA-UA, tendo presidido à mesa desta assembleia entre 1996 e 1997. É membro da Sociedade Portuguesa de Estatística e da Sociedade Portuguesa de Matemática, de cuja direcção regional fez parte em 2001. Recentemente teve oportunidade de participar nos trabalhos da Assembleia Estatutária da UA. A Professora Adjunta assumiu a direcção do ISCA-UA a 21 de Março. A aposta de Cristina Souto Miranda para o Instituto passa por três grandes eixos de actuação. No que diz respeito à oferta formativa “é importante assegurar as condições para o aperfeiçoamento contínuo dos cursos, proceder a eventuais ajustamentos que se mostrem necessários face ao mercado de trabalho e partir para a internacionalização de, pelo menos, um dos cursos actuais.

“Desenvolvimento e Afirmação da ESAN” é o lema da sua direcção. Para o perseguir é necessário que a Escola tenha novas instalações e reforce o seu parque de equipamentos, tenha pessoal altamente qualificado e coopere intensamente com a região. Uma das prioridades passa assim, desde logo, por afirmar a Escola na região, ministrando novos cursos e acções de formação, cooperando com a sociedade, participando activamente na vida cultural da região e internacionalizando-se. Para tanto, muito contribuirão as novas instalações da ESAN e a aquisição de equipamentos. Para Martinho Oliveira outra das apostas passa pela qualificação do corpo docente da Escola, já maioritariamente em formação, e outra ainda está relacionada com o reforço da ligação Universidade-Sociedade. “A ESAN tem vindo a responder às solicitações concretas através do desenvolvimento de projectos de ID&T, acções de consultoria e de prestação de serviços e ainda pela colocação dos seus alunos em formação em situação real de trabalho recorrendo a empresas e outras organizações. O incremento destas acções e a ajuda à criação de condições para o lançamento de novas formas de cooperação, já previstas no meu programa, serão cruciais para o desenvolvimento e afirmação da ESAN.” ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA E GESTÃO DE ÁGUEDA

Licenciado em Engenharia Química e doutorado em Ciência e Engenharia dos Materiais, José Martinho Oliveira, 45 anos, chegou à UA como estudante de mestrado e aqui ficou, exercendo funções docentes desde 2003. O Professor Coordenador da Escola Superior Aveiro-Norte, foi membro da Comissão Instaladora do Programa Aveiro-Norte da Universidade de Aveiro, presidente do Conselho Científico e do Conselho Pedagógico desta Escola Superior da UA, Director da Licenciatura em Tecnologia e Design de Produto e, ainda, Coadjutor da Direcção da Escola Superior Aveiro-Norte. A 21 de Março assumiu a direcção da ESAN.

Foi Presidente da Associação de Antigos Alunos. Doutorado em Engenharia Informática, é autor e co-autor de cerca de quatro dezenas de artigos e comunicações científicas nas áreas do governo electrónico, da sociedade da informação e dos sistemas e tecnologias da informação. Gonçalo Paiva Dias, 43 anos, foi Secretário do Conselho Geral e membro da Assembleia Estatutária, do Conselho, da Assembleia e do

Senado da Universidade. Para além de investigador na GOVCOPP, é Professor Coordenador na ESTGA, onde ingressou em 1998 e onde desempenhou os cargos de Presidente do Conselho Científico e Director da Licenciatura em Tecnologias da Informação. É director da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda desde 1 de Abril. Tornar a Escola cada vez mais atractiva é a grande prioridade de Gonçalo Paiva Dias para os próximos quatro anos. Neste contexto, tentará garantir a construção de residências em Águeda, o acesso a instalações desportivas e a melhoria da acessibilidade. Outra frente de actuação será a de promoção de uma imagem do politécnico na UA que valorize as práticas inovadoras de ensino/aprendizagem e a empregabilidade. “Esta prioridade inclui, ainda, objectivos relacionados com o desenvolvimento da própria oferta formativa: reestruturação da oferta de 1º ciclo; criação de uma oferta ao nível do 2º ciclo; alargamento e internacionalização da oferta de cursos de especialização tecnológica”. A segunda grande prioridade relaciona-se com a consolidação das principais áreas científicas, o que inclui objectivos relacionados com a formação e actualização científica dos docentes e a melhoria dos resultados da investigação. Gonçalo Paiva Dias pretende ainda aumentar o número de estágios curriculares e não curriculares, o número de projectos em cooperação com empresas (incluindo projectos de alunos), a oferta de cursos de formação especializada e a prestação de serviços. “A minha expectativa é a de que este incremento de actividade, para além de contribuir para o desenvolvimento da região, permita também um crescimento das receitas próprias da ESTGA.”

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reestruturação curricular do ensino secundário geral de timor-leste

cooperação

universidade de aveiro conduz reestruturação curricular do ensino secundário geral de

timor-leste

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Uma formação secundária adequada à realidade timorense mas com qualidade internacional que garanta o acesso a qualquer universidade é a principal preocupação da equipa que está a conduzir toda a reestruturação do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste; uma acção financiada pelo Fundo de Apoio à Língua Portuguesa (IPAD) e pela Fundação Calouste Gulbenkian. Seguindo as prioridades anunciadas pelo Governo de Timor-Leste para o Ensino Secundário Geral, a equipa portuguesa propôs um plano curricular que oferece duas vias alternativas de estudo: uma em Ciências e Tecnologias; outra, em Ciências Sociais e Humanidades. A articular as duas vias existe uma componente geral, comum a todos os alunos, que é constituída por quatro disciplinas: Português, Inglês, Tecnologias Multimédia, e Cidadania e Desenvolvimento Social. As componentes específicas integram, cada uma delas, cinco disciplinas; a saber: Física, Química, Biologia, Geologia e Matemática para a via das Ciências e Tecnologias; Geografia, História, Sociologia, Temas de Literatura e Cultura, e Economia e Métodos Quantitativos para a via das Ciências Sociais e Humanidades.

O plano curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste, a construção dos programas das diversas disciplinas do 10º, 11º, e 12º anos e, ainda, a elaboração dos respectivos manuais escolares para alunos e guias didácticos para professores é responsabilidade de uma equipa sediada na Universidade de Aveiro, coordenada pela docente do Departamento de Educação e antiga Vice-reitora da UA, Prof. Isabel Martins. O novo currículo do 10º ano entra em vigor já em Janeiro de 2012 e os programas das 14 disciplinas que o compõem foram entregues em Abril. Até 2014, serão implementados os currículos do 11º e do 12º anos.

Se até à validação final não se verificarem alterações, para além das disciplinas da responsabilidade da UA, cabe ao Ministério da Educação de Timor Leste, em articulação com a equipa portuguesa, a concepção de programas, manuais escolares e guias para os professores das disciplinas de Tétum, Educação Física e Desporto, Religião e Moral e de uma língua estrangeira opcional, que integram a componente geral comum a todos os alunos, elevando para 13 o número de disciplinas de cada ano lectivo. “No final de 2010, estivemos em Timor para apresentar e discutir com as autoridades timorenses e com as equipas homólogas, os programas das disciplinas do 10º ano, os exercícios constantes nos manuais dos alunos

e os guias dos professores”, explica a Prof. Isabel Martins, salientando a preocupação da equipa com três dimensões: “a especificidade dos temas e conteúdos que integram cada uma das disciplinas; os aspectos didácticos do processo de ensino-aprendizagem; e a clareza do próprio texto escrito em língua portuguesa.” Destacando a competência e o empenho com que todos os membros da equipa estão envolvidos neste trabalho de reestruturação curricular, a Prof. Isabel Martins lembra ainda que, na deslocação a Timor, vários foram os contactos estabelecidos com entidades governamentais e civis, na tentativa de melhor se conseguir apreender a realidade timorense. Terminada a fase de averiguação e validação das propostas apresentadas e respectivos reajustes, os manuais dos alunos e os guias dos professores foram todos entregues em Abril. “Os recursos didácticos produzidos serão apresentados em formato de colecção”, adianta a Prof. Isabel Martins, esclarecendo que a sua edição é da responsabilidade do Ministério da Educação de Timor-Leste.

Spin-off da UA desenvolve “Restaurante do Futuro” Perspectivar um modelo de restaurante do futuro, através da análise transversal dos factores competitivos da restauração, é o objectivo a que se propõe a idtour – unique solutions, lda., uma empresa spin-off da UA, na área do turismo, num desafio lançado pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). “Restaurante do Futuro” é resultado da ambição da AHRESP em conhecer e antecipar o futuro deste importante sector de actividade económica. Co-financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte – “ON.2 – O Novo Norte”, e com o apoio da CCDRN/ Estrutura de Missão do Douro, o projecto será um contributo para a qualificação transversal do sector, através de uma análise transversal dos factores competitivos da restauração. Esta iniciativa pretende ser mais um contributo para a potencialização do sector da restauração através do turismo, com a aplicação das TIC na modernização e inovação do sector e a promoção de boas práticas. Ao longo dos próximos dois anos, a idtour – unique solutions, lda. desenvolverá sistemas de informação de base tecnológica de suporte à operação, gestão e dinamização da restauração, considerando a região do Douro como área piloto, e definirá um modelo de negócios e governança para o sector da restauração da região. Será, ainda, produzido um manual de referência para o sector da restauração (Livro Branco da Restauração). O projecto pode ser acompanhado em http://www. restaurantedofuturo.com

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thin film tech

cooperação

inovação no fabrico de chips de memória

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um caso de “david” contra “golias” Um novo método de produção de chips que permite reduzir o custo e obter memórias com maior capacidade de armazenamento de dados é a aposta de um projecto empresarial proposto por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) designado Thin Film Tec – Advanced Processing Solutions.

A equipa de investigadores composta por Luís Amaral, Monika Tomczyk e Paula Vilarinho, Professora da UA e coordenadora da equipa, conseguiu desenvolver uma nova metodologia para processamento de camadas ferroeléctricas sob base de silício, que permite alterar a actual arquitectura dos circuitos integrados e abrir portas ao desenvolvimento de memórias com maior capacidade de armazenamento de dados. A empresa centrar-se-á no projecto, desenvolvimento, fabricação e comercialização de memórias electrónicas, sensores e componentes passivos integrados, usados numa gama alargada de produtos e mercados. Mais concretamente, a inovação reside numa fase do processo de fabrico designada front-end-of-line. Estes chips com componentes ferroeléctricos não são novos, no entanto estas memórias apresentarão maior capacidade de armazenamento de dados e consumirão muito menos energia que as actuais memórias, de uso limitado devido ao fabrico dispendioso. O projecto Thin Film Tec propõe uma nova metodologia de fabrico que permitirá baixar significativamente os custos e aumentar ainda mais a capacidade das memórias. A tecnologia está protegida através de um pedido de patente internacional. Em 2011, a Thin Film Tec conseguiu o segundo lugar no Concurso I2P, Idea to Product Competition, um concurso de planos de comercialização de tecnologia, originário da Universidade do Texas em Austin e organizado em Portugal no âmbito da iniciativa Act da COTEC e do GAPI 2.0. De acordo com o presidente do júri deste concurso, o projecto apresentado pela UA era o mais ambicioso de todos os participantes, pois pretende disputar um mercado global de muito grande dimensão e extremamente concorrencial. Em Janeiro, o projecto

venceu o Concurso de Ideias da UATEC - Unidade de Transferência de Tecnologia da UA, “Empreende+”, na categoria “Empreendedorismo de Base Tecnológica”, no qual participaram 18 ideias de negócio. Sendo uma proposta para mudar o método de produção estabelecido em meia dúzia de gigantescas unidades fabris a nível mundial, da autoria de uma equipa sediada numa zona periférica da Europa – embora em cooperação com uma equipa de investigadores espanhóis -, trata-se de uma espécie de “David contra Golias”. A este desafio de peso soma-se outro pelo qual passam todos os projectos de spin-off: a iminência da mais delicada fase do ciclo de qualquer experiência de transferência de tecnologia, o já designado “vale da morte”, em que falham muitos esforços de passagem do conhecimento científico ao produto comercial. Superar esse “vale da morte”, implica encontrar os parceiros financeiros certos. Nesse sentido, a Thin Film Tec está a desenvolver contactos com entidades bem colocadas no meio e a aplicar verbas provenientes dos prémios já conquistados.

UA impulsiona sector empresarial do Sudoeste Europeu Promover o avanço tecnológico das empresas do Espaço do Sudoeste Europeu é o principal objectivo da CarbonInspired, uma rede de transferência de tecnologia criada por 5 parceiros oriundos de Espanha, Portugal e Sul de França, entre os quais o Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) da UA, para aplicar materiais de elevado valor acrescentado baseados em nanopartículas carbonosas nos sectores Automóvel e de Construção. Com arranque agendado ainda em 2011, a CarbonInspired prevê a criação uma colaboração entre centros de pesquisa públicos e privados e empresas, apoiando-as na inovação e desenvolvimento de produtos de elevado valor acrescentado. Neste sentido, a rede prestará orientação e aconselhamento às empresas da região do Sudoeste Europeu, em particular às PMEs, com o objectivo de as tornar capazes de desenvolver novos produtos e processos baseados em nanopartículas carbonáceas, de encontrar parceiros, fornecedores e utilizadores finais, de detectar novas oportunidades, de obter formação apropriada e de fazer uma pesquisa tecnológica com vista a analisar as tecnologias cutting-edge. Para além de proporcionar um importante impulso tecnológico e sócio-económico na região do sudoeste Europeu, esta rede fará a ponte entre a pesquisa em nanomateriais carbonosos feita pela comunidade científica e a sua implementação no mercado, procurando a sua aplicação em processos e produtos de elevado valor acrescentado de maneira segura, rentável e amiga do ambiente. Mais informações em http://www.carboninspired.com

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cooperação

inovação em biomarcadores na área da saúde

coragem e alcance na criação de robôs cortadores de relva LINHAS

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Uma ideia que surgiu com um incómodo ruído matinal de um cortador de relva a combustível, na residência da Universidade de Aveiro, transformou-se, com a “coragem” e o “alcance” que deram origem ao nome Korange, numa empresa premiada. Os quatro antigos alunos da UA tentam agora desenvolver o protótipo de um robô cortador de relva, a concluir no segundo semestre de 2011.

A ideia surgiu numa conversa de pequeno-almoço na residência da Universidade de Aveiro (UA) e perante o incómodo matinal causado pelo ruído do cortador de relva. Seis estudantes de áreas distintas – da Engenharia Electrónica e Telecomunicações e Línguas e Relações Empresariais – alguns participantes no concurso MicroRato, falavam de alternativas ao cortador de relva convencional.

relvados de pequena e média dimensão e consumidores públicos ou privados. No segundo semestre deste ano, os promotores prevêem a conclusão e optimização de um protótipo, traduzido num conjunto restrito de unidades para teste em ambiente real, em parceria com a empresa de manutenção de espaços verdes HortiRelva.

Passados alguns anos e após a participação no Laboratório de Empreendedorismo da Unidade de Transferência de Tecnologia da Universidade de Aveiro (UATEC) que contribuiu para consolidar a ideia, três dos participantes naquela conversa de pequeno-almoço, mais um quarto elemento, criavam a Korange: um nome inspirado em “coragem” (“Courage”, em inglês) e “alcance” (“Range”, em inglês). O “K” de Korange em vez do “C” é um artifício de marketing. A empresa está sedeada na Incubadora de Empresas da UA e, nesta fase, usa as instalações laboratoriais do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro (IEETA) para desenvolvimento do produto.

A ideia já mereceu várias distinções, a última das quais foi o segundo lugar do Prémio Inovação em Empreendedorismo, promovido pela Associação Empresarial da Região de Viseu, em parceria com o Banco Espírito Santo (BES). No ano anterior tinha sido finalista do concurso de ideias “Incuba-te 3.0”, promovido pela Incubadora de Empresas da UA, e conseguiu ainda o segundo lugar a nível nacional no concurso Graduate Programme/Millennium BCP 2008/2009. O recurso ao programa “Invest+” do Instituto de Emprego e Formação Profissional, para apoio financeiro a esta fase de desenvolvimento do produto, em vez do recurso a empresas de capital de risco, permite manter o controlo total da empresa.

João Duarte Barbosa, 25 anos, e José Casal, 27 anos, o primeiro com mestrado em Línguas e Relações Empresariais e o segundo licenciado em Estudos Editoriais, e ainda Fernando Costa, 25 anos, e Sérgio Pires, 24 anos, ambos mestres em Engenharia Electrónica e Telecomunicações, desenvolvem agora o protótipo do cortador para

A grande vantagem do aparelho em relação aos existentes no mercado que também permitem um corte automático é que o robô da Korange, por um preço idêntico, tem sistema de localização (GPS) e planeamento, para além dos sensores, o que lhe permite optimizar o trabalho para uma determinada área, não repetir passagens, e fazer um cálculo do tempo que demorará.

Jovem empresa na área da biotecnologia, constituída formalmente no final de Fevereiro, a 2CTech ambiciona mudar o panorama português na compreensão molecular de certas doenças e no apoio ao seu diagnóstico. Numa primeira fase, a 2CTech propõe análises com garantia de qualidade para complementar o diagnóstico da doença de Alzheimer e da infertilidade masculina.

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Iniciativa de duas experientes investigadoras e professoras da Universidade de Aveiro (UA), Odete Cruz e Silva, coordenadora do Centro de Biologia Celular (CBC), e Margarida Fardilha, coordenadora do Laboratório de Transdução de Sinais do CBC, a 2CTech propõe-se tornar mais criteriosa e até mesmo uniformizar critérios em dois tipos de análise laboratorial. O projecto mereceu o prémio “Empreendedorismo Feminino” no Concurso de Ideias da UATEC “Empreende +” em 2011, concurso promovido pela Unidade de Transferência de Tecnologia da Universidade de Aveiro. A análise das amostras de esperma para fins de avaliação da sua qualidade fundamenta-se, essencialmente, na observação do movimento (motilidade), do número e da forma dos espermatozóides, com um grau considerável de subjectividade, o que leva a diferenças consideráveis nos resultados de laboratório para laboratório. A análise da 2CTech também é baseada nesses três critérios fundamentais mas, considera Margarida Fardilha, será feita com critérios mais rigorosos e controlo de qualidade externo que, aliás, ainda não existe em Portugal. A questão é tanto mais importante quanto se sabe que a infertilidade masculina tem vindo a aumentar nos últimos anos. A situação agrava-se com a tendência para as mulheres ficarem grávidas cada vez mais tarde. Quanto mais velha for a mulher, explica a investigadora, menor a capacidade do oócito de reparar os problemas genéticos do espermatozóide que o fecundou. O outro lado do negócio da 2CTech será o apoio ao diagnóstico e prevenção da doença de Alzheimer. Actualmente, o diagnóstico é feito a partir de consulta que avalie capacidades cognitivas introduzindo alguma subjectividade, considera Odete Cruz e Silva, dado que apenas 65% dos casos de demência diagnosticados são, de facto, Alzheimer. Ora, existe uma metodologia alternativa bem mais rigorosa que já é usada, como rotina, por grupos de investigação, por exemplo na Alemanha e Suécia, e implica a recolha de líquido cefaloraquidiano (líquor), a partir da espinal medula, e a análise da concentração de três produtos proteicos envolvidos na formação de dois tipos de depósitos proteicos: placas senis e tranças neurofibrilares. Estes depósitos são detectáveis por técnicas de imagiologia que são mais dispendiosas. Embora a análise proposta pela 2CTech implique o internamento em hospital de dia do paciente, permite um diagnóstico fiável antes da formação desses depósitos e abrindo caminho, mais cedo, à terapia. Também neste caso a 2CTech propõe controlo de qualidade que ainda não é rotina em Portugal. A análise cumprirá as normas da Alzheimer Association Quality Control Program. A 2CTech desenvolve agora contactos com a classe médica, para além dos que já consolidou, no sentido de garantir a viabilidade da actividade da empresa.


uma salina para um campus exemplar

campus exemplar

salina uma

para um

campus exemplar

marinha da ua prepara-se para visitas regulares

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Na marinha da Universidade de Aveiro centram-se as expectativas de quem acompanha o declínio da produção artesanal de sal e do ecossistema que lhe está associado. Prepara-se para receber visitas regulares a explicar a safra tradicional e constitui uma peça importante de um grande puzzle chamado Campus Exemplar. Na UA estuda-se também como desatar o nó em que o sector se enredou.

O pai, José Simões, 80 anos, e os dois filhos, João e Paulo, de 52 e 44 anos, respectivamente, voltaram, este ano, a pegar nas alfaias do sal e a responder ao ancestral chamamento que ajudou a construir a paisagem e a identidade de Aveiro. Apesar da safra da marinha lhe estar no sangue desde pequeno, João nunca imaginou vir a dedicar-se, a sério, à actividade. Mas, lá anda, numa azáfama própria de quem precisa de pôr a marinha Santiago da Fonte a produzir nos meses mais quentes do ano. Ser marnoto é, aliás, uma actividade que exerce e explica com gosto, como se nota numa breve troca de impressões. Este ano, esta marinha da Universidade incluída no seu campus, onde trabalha a família Simões e uma das sete que restam em laboração das cerca de 270 que existiram na Ria (números de 1987), transformar-se-á numa marinha visitável por todos. Um passadiço, da margem ao centro, permitirá uma visão mais ampla da marinha e das tarefas que nela decorrem sem as perturbar, inclusive por parte de quem tem mobilidade reduzida. O armazém, actualmente apenas de apoio à safra, será readaptado para também dar ao visitante todas as condições para conhecer a actividade da marinha e a biodiversidade que lhe está associada, particularmente aves e flora. Outra das medidas recentes, foi, aliás, a instalação de ilhas de nidificação para aves, previstas na actividade “Biodiversidade

e Turismo de Natureza”, que permitirá ainda o reforço das actividades didácticas e científicas associadas à marinha. Existem também aparelhos com sons de aves frequentadoras das salinas, para apoio a invisuais e uso quando as aves estão ausentes. Peça de um puzzle exemplar Estas adaptações recentes da marinha propriedade da UA estão a ser realizadas no âmbito do projecto europeu “ECOSAL ATLANTIS” (http://ecosal-atlantis.ua.pt/) que tem como objectivo a promoção do turismo sustentável com base no património natural e cultural das salinas atlânticas. A UA é um dos parceiros do projecto em que participam salinas e ecomuseus da Figueira da Foz e Rio Maior, para além de outras em Espanha, França e Reino Unido. Por outro lado, estas adaptações inscrevem-se no chamado Campus Exemplar, um programa para promoção da sustentabilidade e qualidade de vida no campus universitário da UA. Para além de medidas para melhoria da eficiência energética e instalação de tecnologias para produção de energia a partir de fontes renováveis, o Campus Exemplar inclui ainda acções para eficiência no uso da água, aplicação do cartão único (activação e desactivação de iluminações e aparelhos associados a cada membro da UA e com recurso a sensores de cartão), correcta gestão de resíduos, mobilidade sustentável dentro do campus e promoção da biodiversidade do campus. O projecto de voluntariado, de educação ambiental e de “permacultura”, designado HortUA, é outros dos tópicos incluídos. Embora dificilmente possam ser entendidos como principal fonte de rendimento na salina, o turismo sustentável e a visitação por pequenos grupos pode constituir um complemento num sector há muito em declínio, que ainda não conseguiu encontrar a luz ao fundo do túnel, já visível noutros locais com a mesma actividade. Esta ancestral actividade produtiva faz uso de recursos renováveis, é amiga da biodiversidade, define a paisagem e a identidade da região e tem potencial

em novos mercados, como os factos parecem vir a demonstrar cada vez mais. As análises químicas feitas até agora, nas quais a Universidade de Aveiro e os trabalhos coordenados pelo Prof. Manuel António Coimbra têm vindo a desempenhar um papel determinante, demonstram que o sal marinho tradicional tem características específicas que o podem tornar ainda mais interessante para o consumidor exigente e até, contrariando um preconceito comum, fazendo parte de uma alimentação cuidada. A produção artesanal de sal na marinha de Santiago da Fonte, para além de tudo o mais, foi uma das duas certificadas em Aveiro no ano de 2009. Assim, parecem estar reunidos todos os ingredientes para uma receita de sucesso nos dias de hoje. No entanto, a Santiago da Fonte e o Ecomuseu da Troncalhada, marinha propriedade da Câmara, são das poucas que vão resistindo à economia da massificação, neste caso ao domínio do sal “standard” e com menos custos. Mix de actividades complementares “Tem havido muitos hiatos e oportunidades perdidas” ao longo dos anos e das várias tentativas de revitalização do salgado de Aveiro, considera Filomena Martins, Professora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e investigadora destes temas há vários anos. Os obstáculos não são fáceis de ultrapassar e incluem, por exemplo, a sazonalidade da actividade, o trabalho árduo e completamente manual (ao contrário da mecanização que aconteceu noutros locais), a baixa remuneração, a falta de apoios à actividade e a reduzida escolaridade de quem se dedica a ela. A tudo isto, acresce o saber fazer que não passa para as gerações mais novas e que se vai perdendo e ainda a fragilidade das estruturas organizativas. A solução, defende a investigadora, pode estar na aposta em novos mercados e actividades como complemento à produção de sal e flor de sal, algumas já adoptadas noutras zonas. A flor de sal, aliás, é muito apreciada no mercado de produtos “gourmet”. Outras soluções

de rentabilização podem passar por: produção de plantas halófitas, como a salicórnia, usada em saladas e que substitui o sal, a visitação e o turismo sustentável, a rentabilização dos produtos da salina em aplicações estéticas e de bem-estar (sabonetes esfoliantes com sal marinho) e o aproveitamento de águas salgadas residuais das salinas na produção de pasta de papel. Os esforços da Universidade para dar uma nova vida ao salgado de Aveiro não são recentes e têm beneficiado do contributo de vários Departamentos da UA – de Ambiente e Ordenamento, de Química, de Geociências, de Biologia, de Engenharia Civil, de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e do Departamento de Línguas e Culturas – e em vários contextos: projectos internacionais, nacionais e trabalhos de pós-graduação. Antes do actual projecto ECOSAL ATLANTIS, a Universidade de Aveiro desenvolvera o projecto ESGIRA-MARIA, que incluiu um projecto-piloto sobre o salgado de Aveiro, e participou no projecto SAL “Sal do Atlântico” – “Revalorização da identidade das salinas do Atlântico. Recuperação e promoção do potencial biológico, económico e cultural das zonas húmidas costeiras”. Este projecto internacional foi financiado pelo Programa Interreg IIIB e envolveu 34 parceiros. “Com estes esforços é evidente que a UA nunca se assumiu como uma concorrente na produção de sal”, salienta a Prof. Filomena Martins. “Nem era essa a sua vocação, apesar da UA possuir uma marinha”, acrescenta. Aliás, o resultado da venda do sal produzido naquela marinha não reverte para a Universidade. A Santiago da Fonte tem apenas servido os propósitos da UA de promoção da investigação e de defesa do património da região.

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escaparate

Sistema Europeu de Contas

Grande Maratona de Estatística no SPSS

Gestores a Tempo Inteiro

Estratégia Oceano Verde

Avaliação em Educação Pré-Escolar – Sistemas de Acompanhamento das Crianças

Da autoria dos docentes do Departamento de Matemática da UA, Andreia Hall, Cláudia Neves e António Pereira, o livro “Grande Maratona de Estatística no SPSS” destina-se a todos os que pretendam iniciar-se na prática da análise de dados estatísticos e que possuam conhecimentos de Matemática, ao nível do primeiro ano de qualquer curso de engenharia ou ciências. O livro, que pode ser adquirido na livraria da UA, pretende explanar um conjunto de conceitos de Probabilidades e Estatística e de Métodos de Análise considerados fundamentais e simultaneamente assumir o carácter de um guia de introdução ao SPSS, um programa de Estatística de difusão mundial. Os conceitos e técnicas são introduzidos a um nível que se pretende acessível mas que dê uma ideia da sua origem ou construção. Os temas abordados distribuem-se por cinco capítulos: Análise preliminar de dados estatísticos; Distribuições, Intervalos de confiança e testes de hipóteses (paramétricos); Testes não paramétricos; Análise de variância (simples) e Regressão linear (simples e múltipla). Os procedimentos estatísticos são ilustrados através de exemplos de aplicação. O leitor poderá aplicar e desenvolver os conceitos e técnicas expostos nos exercícios propostos no final de cada capítulo. Os exercícios contextualizam os cerca de 50 ficheiros de dados que complementam o livro.

Muitas das causas de alguns insucessos na gestão das relações de negócio residem numa má gestão das relações entre parceiros. Esta obra, da autoria do Prof. Armando Luís Vieira, docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, aborda a qualidade das relações de negócio como factor diferenciador, de competitividade e de desempenho superior de pessoas e organizações. À venda na livraria da UA, o livro tem como protagonistas e destinatários todos os profissionais que passam a maior parte do seu tempo em contacto com pessoas e todos aqueles que diariamente dão a cara pelas suas organizações e negócios, ou seja, todos os Gestores a Tempo Inteiro (GTI). “Gestores a Tempo Inteiro” adopta uma perspectiva pragmática da Gestão a Tempo Inteiro e expõe linhas de acção que conduzem à identificação, ao estabelecimento e à optimização das relações de negócio com clientes e outros parceiros com vista ao cumprimento dos objectivos, económicos ou de outra ordem, de todas as partes. Esta obra dirige-se a todos aqueles que se querem transformar em gestores GTI, e a todos aqueles que pretendam aumentar e aprofundar os seus níveis de desempenho.

Da co-autoria do Prof. Arménio Rego, docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, este livro apresenta algumas estratégias para as empresas poderem transformar a ameaça das alterações climáticas em oportunidade para o negócio, para as pessoas e para o planeta. O desafio do aquecimento global e a mudança de mentalidades têm conduzido um número crescente de empresas a entender o ambiente como fonte de oportunidades e não como constrangimento ou ameaça. A exigência de negócios verdes (responsáveis) e a lógica da sustentabilidade são marcas fortes da actual gestão de empresas. Este livro discute a temática e sugere que a exigência de negócios verdes e a lógica da sustentabilidade serão marcas fortes da gestão de empresas nas próximas décadas. Nesta obra, disponível na livraria da UA, os leitores podem perceber se o ambiente é uma fonte de ameaças ou de oportunidades para as empresas, se o capitalismo é incompatível com um planeta saudável, se as empresas são parte do problema ambiental ou, antes, parte da solução ou porque esteve o ambiente historicamente afastado das preocupações dos gestores.

A UA construiu um sistema de acompanhamento das crianças (SAC) com base num ciclo contínuo de observação, avaliação, reflexão e acção, focalizado nos níveis de bem-estar e de implicação, organização do ambiente educativo, aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Conheça os pormenores desse trabalho nesta obra da autoria dos Professores Gabriela Portugal, do Departamento de Educação da UA (DE), e Ferre Laevers, Director do Centro de Investigação em Educação Experiencial, associado ao DE. Este livro é o resultado de um projecto que procurou desenvolver uma cultura de avaliação em educação, inspirando-se em “A process-oriented chila monitoring system for young children”, instrumento desenvolvido pela equipa do Centro de Educação Experiencial de Lovaina. Ao longo do projecto (2007-2010), o instrumento foi trabalhado e adaptado à realidade portuguesa, considerando (1) a cultura e orientações oficiais portuguesas; (2) a participação da criança na avaliação e desenvolvimento do currículo; (3) indicadores de qualidade contextuais, processuais (implicação e bem-estar emocional) e desenvolvimentos. Desse trabalho, realizado maioritariamente no contexto da formação inicial de educadores de infância da UA, envolvendo quer educadores estagiários quer educadores cooperantes, resultou o Sistema de Acompanhamento das Crianças (SAC). O livro inclui um CD-ROM que apresenta todas as fichas do Sistema de Acompanhamento das Crianças. O livro pode ser adquirido na Livraria da UA.

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Numa altura em que os assuntos relacionados com a área da Economia marcam a actualidade, Virgínia Costa e Sousa, docente de Economia no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA, lança o livro “Sistema Europeu de Contas”. Esta obra adopta uma estrutura que lhe permite descrever a evolução do pensamento económico, as suas repercussões na Contabilidade Nacional e consequente génese dos Sistemas Internacionais, cuja transformação tem vindo a responder a necessidades crescentes de informação. O “Sistema Europeu de Contas” é particularmente dirigido aos alunos dos vários cursos de licenciatura e mestrado do ISCA-UA e aos alunos do ensino superior em geral, aos economistas e quadros médios e superiores, nomeadamente das Administrações Públicas e de outras organizações públicas e privadas. Edição Grupo Editorial Vida Económica Autoria Virgínia Costa e Sousa, docente de Economia no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA ISBN 9789727883998 Ano 2011

Edição Escolar Editora Autoria Andreia Hall, Cláudia Neves e António Pereira, docentes no Departamento de Matemática da UA ISBN 9789725923016 Ano 2011

Edição Edições Sílabo Autoria Armando Luís Vieira, docente e investigador no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro ISBN 9789726186205 Ano 2011

Edição Texto Editores Autoria Arménio Rego, docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA, Miguel Pina e Cunha, docente na Universidade Nova de Lisboa, Helena Gonçalves, docente na Universidade Católica Portuguesa, e Susana Frazão Pinheiro, docente no The Lisbon MBA ISBN 9789724743042 Ano 2011

Edição Porto Editora Autoria Gabriela Portugal, do Departamento de Educação da UA (DE), e Ferre Laevers, Director do Centro de Investigação em Educação Experiencial, associado ao DE ISBN 9789720345745 Ano 2010


aconteceu na ua…

Na cerimónia estiveram ainda presentes o fotógrafo André Boto, a actriz e apresentadora Cláudia Semedo, a piloto Diana Gomes da Silva e a fadista Joana Amendoeira, todos embaixadores do Ano Internacional da Juventude.

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UA atribuiu Honoris Causa a Eduardo Barroso em Dia de Aniversário

Ministra da Cultura apresentou programa de criação nacional na UA

O 37º aniversário da Universidade de Aveiro comemorou-se a 15 de Dezembro, no Auditório da Reitoria, numa cerimónia iniciada com a habitual intervenção do Reitor. Na sessão foi atribuído o título de Doutor Honoris Causa a Eduardo Barroso, médico-cirurgião responsável pelo primeiro transplante hepático programado e realizado em Portugal. Maria Helena Nazaré, antiga Reitora da UA e madrinha do homenageado, destacou, no seu elogio ao Doutorando, o contributo de Eduardo Barroso para a “melhoria das condições da prática da medicina em Portugal”, assim como “o entusiasmo com que exprime e defende as suas ideias e/ou convicções”.

Integrada nas celebrações do Ano Internacional da Juventude, a Universidade de Aveiro acolheu, no dia 11 de Março, a sessão de lançamento do “PROJECTA 2011”, iniciativa conjunta do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, em parceria com o Ministério da Saúde. A cerimónia que decorreu no Auditório da Reitoria, contou com a presença do Reitor da UA, Prof. Manuel António Assunção, da Ministra da Cultura, Dra. Gabriela Canavilhas, da Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge e do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Laurentino Dias.

A cerimónia terminou com a entrega de prémios e bolsas de estudo aos melhores alunos da UA. Já à noite, e a fechar as comemorações, a Universidade ofereceu à comunidade um concerto na Igreja do Carmo, com interpretação da Orquestra Filarmonia das Beiras.

O “PROJECTA 2011” é uma iniciativa constituída por duas grandes acções, orientadas para estimular e divulgar a criação nacional emergente e promover a sua ligação à sociedade civil. A primeira acção integra uma exposição itinerante por cinco cidades do país e apresenta trabalhos e conteúdos desenvolvidos por jovens criadores de diversas áreas artísticas. A segunda assenta no lançamento de um concurso de ideias para jovens arquitectos e designers, tendo em vista a criação de uma peça escultórica que funcionará também como suporte de livros, a ser colocada em salas de espera de hospitais, em cinco cidades portuguesas.

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ESTGA abriu-se ao exterior para mostrar oferta formativa Como é tradição, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) voltou a organizar mais um Dia Aberto, a 16 de Março, com o objectivo de divulgar a oferta formativa da instituição, nas suas diversas áreas e dar a conhecer a investigação aí desenvolvida, entregar os diplomas aos finalistas dos Cursos de Especialização Tecnológica e premiar o mérito escolar dos melhores alunos. Neste Dia Aberto foram também distribuídos os prémios aos vencedores do Torneio Estudantil de Computação MultiLinguagem de Aveiro – TECLA. Na sessão de encerramento, presidida pelo Vice-reitor, Prof. Eduardo Silva, foi destacada a “qualidade formativa” da Escola e o seu contributo para cumprir o objectivo de “qualificar cada vez mais portugueses, preparando-os para desafios cada vez mais exigentes”.


aconteceu na ua…

Honoris Causa para o Reitor da Universidade de Macau A Universidade de Aveiro, em associação com as universidades membros do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), atribuiu, dia 20 de Março, o título de Doutor Honoris Causa ao Reitor da Universidade de Macau, Professor Wei Zhao.

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A cerimónia, realizada na Academia das Ciências de Lisboa, contou com a presença do Reitor da UA e da Prof. Maria Helena Nazaré (antiga Reitora desta Universidade) personalidade escolhida para tecer o elogio ao doutorando, em representação das universidades. De acordo com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a atribuição do título Doutor Honoris Causa ao Reitor da Universidade de Macau teve em conta não só o perfil académico e científico do Professor Wei Zhao, mas também o reconhecimento da importância das actuais relações entre a Universidade de Macau e as instituições que integram este conselho.

Campus Júnior despertou aptidões de alunos do secundário Numa iniciativa inédita, a Universidade de Aveiro criou a primeira edição do Campus Júnior, um programa onde 26 alunos das escolas do concelho, com baixas expectativas escolares, tiveram, durante as férias da Páscoa, a oportunidade de contactar com a ciência e a vida da UA. Esta aventura procurou despertar vocações e aptidões

e dar uma nova oportunidade ao percurso escolar dos jovens estudantes entre os 13 e os 15 anos. Durante a sua incursão pela UA, decorrida entre 13 a 16 de Abril, os participantes puderam desenvolver actividades científicas diversas e descontrair em programas de lazer, especialmente preparados para o efeito. Esta aventura universitária levou-os ainda a percorrer um trilho no Parque de Aveiro, a perceber a importância de um herbário, a visitar o Laboratório SAPO da UA, a falar da química das substâncias, a conhecer o projecto Geometrix de aplicações informáticas educacionais, a aprofundar conhecimentos sobre a língua portuguesa e passou ainda por uma discussão sobre a escola: a que se tem e a que se quer.

Biologia na Noite: 10 anos de conferências na cidade O Ciclo de Conferências “Biologia na Noite” completou 10 anos na edição de 2011. O programa deste ano inovou ao começar com uma conferência de antestreia no dia 26 de Abril, inserida no programa dos “Horizontes da Física 4”, promovido pela Associação de Física da UA, e só terminará com uma sessão de encerramento, em Outubro deste ano. No total, foram 10 os oradores convidados para esta 10ª edição, oriundos de Aveiro, Lisboa, Porto, Brasil, Chile, Espanha e Moçambique. O programa deste ciclo foi o mais internacional de todas as edições, abarcando todos os níveis de organização da Biologia. Entre 2001 e 2011, o ciclo de conferências “Biologia na Noite” promoveu 50 noites de conversas em que milhares de participantes, das mais variadas formações e proveniências, se reuniu à noite, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, para ouvir falar fundamentalmente de temas da Biologia, mas também de outras ciências ou ramos do conhecimento.

Tunas fizeram-se ouvir nas ruas da cidade na 21ª edição do FITUA Nos dias 29 e 30 de Abril, a Tuna Universitária de Aveiro (TUA) promoveu a 21ª edição do Festival Internacional de Tunas da Universidade de Aveiro (FITUA). A edição foi marcada por dois dias de espectáculo no Teatro Aveirense, onde cerca de 300 tunos, provenientes de nove academias, ofereceram um espectáculo à cidade. Este ano, o prémio mais importante do Festival foi entregue à anTunia, Tuna de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

os seus programas, procedimentos e formas de recrutamento. A avaliar pelas centenas de visitas que o certame acolheu, a 11ª Edição do Fórum 3e foi mais uma prova superada e uma mostra de sucesso na oferta de empregos para os futuros licenciados da UA. O Fórum é o culminar de um conjunto de iniciativas que a UA, através do Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais, leva a cabo ao longo do ano para facilitar a inserção dos seus diplomados na vida activa, onde tenta estabelecer relações de cooperação com entidades empregadoras e perceber as expectativas e necessidades das empresas, na área do recrutamento.

Entre 9 e 11 de Maio, a Universidade de Aveiro recebeu mais de 15 mil alunos provenientes de 400 escolas de todo o país, e de vários níveis de ensino, para disputarem as Competições Nacionais de Ciência, promovidas pelo PmatE – Projecto de Matemática Ensino da UA. Durante três dias, o Campus Universitário de Santiago transformou-se numa sala de aula gigante para a realização das provas de Matemática, Português, Física, Biologia e Geologia.

Acarinhado pelos habitantes da cidade e pela academia, o FITUA é reconhecidamente um dos ex-líbris culturais de Aveiro, tendo ganho o seu espaço no calendário nacional de eventos culturais.

Enterro do Ano recheado de nomes nacionais

Finalistas e mercado de trabalho mais próximos no Fórum 3e – Emprego I Empresas I Empreendedorismo Dias 3 e 4 de Maio, decorreu a 11ª edição do Fórum 3e – Emprego I Empresas I Empreendedorismo. Ao contrário do que tem sido habitual, este ano a feira de emprego funcionou numa tenda montada especialmente para o efeito em frente ao Edifício da Reitoria. No total estiveram presentes 27 empresas que, através de stands de divulgação e de um conjunto de apresentações, deram a conhecer

Competições Nacionais do PmatE juntaram 15 mil alunos na UA

A Semana do Enterro voltou a agitar a cidade de Aveiro. O palco dos estudantes, montado nas imediações do Estádio Municipal, recebeu, entre 6 e 12 de Maio, nomes consagrados da música portuguesa, como os Xutos e Pontapés, Deolinda, Legendary Tiger Man, David Fonseca, Aurea ou Diabo na Cruz. Além dos concertos, o Enterro de Aveiro contou, como habitualmente, com um programa paralelo recheado de actividades desportivas, culturais e radicais. A iniciativa terminou com o habitual desfile pela cidade, onde dezenas de carros alegóricos percorreram a cidade, celebrando o fim de uma semana de folia e o enterro de mais um ano lectivo.

Este ano, as competições contaram com uma novidade, a estreia de uma nova prova, a “Diz3”, destinada aos alunos do 1º. Ciclo do Ensino Básico, que englobou as áreas de Português, Matemática e Estudo do Meio. Na edição de 2011 foram batidos todos os recordes de provas realizadas e de modelos gerados, chegando a ultrapassar a barreira de um milhão. Essa meta não foi esquecida, tendo sido assinalada com uma exposição no local intitulada “O Milhão vem às Competições”.

Prof. Helena Nazaré eleita presidente da European University Association A antiga Reitora da Universidade de Aveiro, Prof. Maria Helena Nazaré, é a nova presidente da European University Association. As eleições realizaram-se em Abril, no decorrer da Assembleia-Geral da EUA, em Aarhus, na Dinamarca, e foram disputadas com o dinamarquês Lauritz Holm-Nielsen. O mandato da Prof. Helena Nazaré na liderança desta Associação, que integra mais de 850 membros oriundos de 46 países, terá a duração de três anos.

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Revista Linhas 15