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Editorial

“Veja, lá está ele, andando pelas calçadas, cansado, vestindo jeans e jaqueta. Vestindo os infortúnios de ontem como se fossem um sorriso. Um dia, houve a chance de ter um futuro cheio de dinheiro, amor e sonhos, mas ele lançou fora como se fizessem parte de um outro estilo de vida. Agora ele se mantêm firme na busca por uma mudança para melhor ou pior, à procura de algo que nunca teve. Sem saber se acreditar nisso é uma bênção ou uma maldição. Se continuar em frente seria melhor que cair. Ele é um poeta e um traficante. Parte verdade, parte ficção. Uma eterna contradição.” Kris Kristoferson

Expediente direção

Renato Loose

capa

Gian Paolo La Barbera

coluna legenda

Karla Monteiro de Moraes

trilha sonora Daniela Bissoli

imagens

Bruno Dellani, Daniel Carvalho, Fábio Favaro, Felipe Sobreiro, Galina Arbeli, Guilherme Vieira, Ida Belogi, Juan Vanegas, Lese Pierre, Luciana Vasconselos, Marcelo Carreiro, Mario Sughi, Simone Achille, Simone Belintani, Thiago Figueredo, Yan Sorgi


Arte de Rua Imagine ter sua arte divulgada pelo planeta com o custo de apenas alguns cliques do mouse. Soa interessante? Pois é essa a proposta do projeto Wall Spankers. Criado em 2006, tem a intenção de reunir e promover a troca de trabalhos, sempre em preto e branco, desenvolvidos por pessoas de todo o mundo. O alvo são os stickers, uma faceta da arte de rua que consiste na colagem de imagens feitas previamente em papel, entre outros materiais. A revista possui uma versão para visualização rápida e outra, em alta resolução, pronta para ser impressa, recortada e espalhada por aí. A publicação vai ao ar apenas quatro vezes por ano, mas aceita contribuições durante todos os meses. Conheça a Wall Spankers: www.wallspankers.com

Trailer é o espaço para a divulgação de outras revistas


Capa

Gian Paolo La Barbera O que esperar de alguém que traz na bagagem mais de 20 anos dedicados à ilustração? Trabalhos de qualidade e cheios de personalidade. Assim são as imagens criadas por Gian Paolo la Barbera, 39, que desde os 17 relaciona-se com o universo de traços e tintas. Sua principal influência é a arte pop dos anos 60 e 70. “Além disso, também busco referências em capas de discos e música em geral, muita música”, completa. Entre seus clientes estão revistas nacionais como Criativa, Placar, Playboy, Revista da MTV, Rolling Stone Brasil, Simples, Trip, entre outras. Ele também foi responsável pela capa do “Ed Motta em DVD”, cantor homônimo. E não é apenas em território verde-amarelo que o talento de Gian Paolo é reconhecido. Prova disso é a publicação de suas criações em revistas como Dazed and Confused (Inglaterra) e Wax Poetics (EUA). Para ele, um bom profissional da sua área nunca deve caminhar segundo às regras. “Não siga dogmas, inclusive este”, conclui.

www.barberaestudio.com.br


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Karla Monteiro de Moraes

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“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra (...). Então se arrependeu o Senhor de haver feito o homem (...) E disse: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra (...) E durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas e levantaram a arca (...) Assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a face da terra (...)” (Gênesis 6:58; 7:17;23). Táxi Driver (1976; direção de Martin Scorsese), cenas iniciais: o solitário jovem Travis Bickle (Robert De Niro), 26 anos, circula em seu táxi após uma forte chuva. “Graças a Deus, a chuva tirou o lixo e a sujeira das calçadas”... “Um dia uma chuva forte tirará a escória das ruas”. Por escória, Travis referia-se a uma série de pessoas que circulavam pela noite da decadente Nova York dos anos 70 – de traficantes a viciados, de assaltantes a trapaceiros, de cafetões a prostitutas. O cenário era marcado pela guerra da diferença: brancos contra negros; políticos contra povo; maridos contra esposas. Nenhum inocente. Travis quer um dilúvio e, ironicamente, o motorista também deseja “um senso de direção” para sua vida. Ele acha que “é preciso se tornar uma pessoa, como os outros”, e ser uma pessoa, para Travis, significava transcender seu próprio rótulo: táxi driver, ou motorista de táxi. E o trabalho de Travis determinava quem ele era, inclusive, para a sua idolatrada Betsy (Cybill Shepherd).Curiosamente, é ela quem melhor define a personalidade ambígua de seu admirador platônico, citando Kris Kristofferson: “Ele é um profeta e um traficante. Parte verdade, parte ficção. Uma eterna contradição”.


Numa noite rotineira, de insônia e trabalho, algo tira Travis do “piloto automático”. Uma prostituta de 12 anos entra no táxi, mas é violentamente arrancada por seu cafetão, que dá dinheiro a Travis para que ele se esqueça do que presenciou e vá embora. A nota amassada é guardada por Travis como um memorial, e uma promessa de que haveria troco. “Agora percebo claramente que minha vida tinha uma direção. Nunca houve escolha para mim”. Travis compra armas, faz exercícios, muda o visual, bola estratégias. Ele impede o assalto de um bar e quase promove um atentado no comício de um candidato à presidência (cuja campanha era apoiada por Betsy). Mas, seu destino estava lá, esperando por ele – levar redenção a sua “Maria Madalena”, a prostituta viciada Íris (Judie Foster), induzida pelo namorado e cafetão a fazer programas (João 8).


Numa versão moderna e violenta de Messias, Travis invade o prostíbulo levando o juízo a todos os homens: do proprietário ao cliente. Ele também experimenta as mazelas de seu ministério: leva tiros e quase se torna um mártir, não fosse o fim do coma em que entrou após o tiroteio. Quando a polícia chega ao local da chacina e o encontra baleado, temos a clássica cena de Travis apontando o dedo ensangüentado para a cabeça, como se fosse uma arma. É como se ele dissesse: “Não importa que eu morra. Essa é a minha cruz, minha missão ‘está consumada’” (João 19:30). Nesse ínterim, é conhecido o “fruto do penoso trabalho” de Travis (Isaías 53:11): Íris retorna à casa dos pais, que ficam gratos, pois a estavam procurando; volta à escola; à vida de adolescente. Travis é exaltado nos jornais, nas esquinas. Quando sai do hospital, não é mais o táxi driver – é o “Matador”, seguro de si, para um desencantado reencontro com Betsy e com as ruas de Nova Iorque.

Karla Monteiro de Moraes é jornalista, pós-graduada em História e Literatura e fanática por cinema. karlademoraes@gmail.com Ilustrações:Renato Loose

- O filme é marcado Karla Monteiro de Moraes é jornalista, pelo realismo, sendo pós-graduada em História e Literatura considerado e fanática por cinema. um dos karlademoraes@gmail.com mais importantes da cinematografia Ilustrações: Renato Loose americana.

- A obra rendeu a Scorsese a Palma de Ouro do Festival de Cannes. O filme faturou vários prêmios, em festivais e categorias diversas. - Natural de Queens, NY (EUA), Scorsese vem de uma família de origem italiana e, aos 14 anos, decidiu entrar para a vida de seminarista, que não durou muito. Aos 22 anos, ele graduouse em Cinema pela Universidade de NY.


Daniela Bissoli é a convidada desta edição. Arquiteta ligada às artes e à cultura, está sempre com alguma novidade musical do indie rock na manga. Ela é idealizadora de festas em Vitória (ES) e foi pioneira ao usar o título “Hang the dj”, por volta de 2002, quando a rima entre rock e pista ainda soava esquisita para alguns. Também ataca como dj, criando “sets com muita dancinha”, como ela mesma costuma dizer. Com todo esse potencial, a moça – que, inclusive, é a pessoa na foto da página – preparou uma lista de músicas essenciais para uma volta no táxi de Travis Bickle.

Trilha Sonora é um espaço preenchido pela arte e por uma lista de músicas feitas por um convidado especial.


wake up alone - AMY WINEHOUSE invisible man - THE BREEDERS the jeep song - THE DRESDEN DOLLS everything is in its right palce - RADIOHEAD baby doll - CAT POWER napalm love - AIR dead´s man curve - FRANK BLACK verything´s worse - GIANT DRAG attaque surprise - VIVE LA FÊTE

dani_bissoli@yahoo.com.br


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Lese Pierre - Brasil - www.lesepierre.multiply.com


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