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REVISTA

ipê REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

ANO II - Nº 07 - OUT/NOV/DEZ 2014

ESPORTE

DE LAVRAS PARA O MUNDO

ANA PAULA

ARTE E CULTURA

GRAFITTE NA RUA E NAS GALERIAS

OSGEMEOS VIAGENS

O LOBO GUARÁ DE PERTO

O SANTUÁRIO DO CARAÇA

VERDE CAMPO

Revolucionando a indústria de laticínios Empresa é referência no mercado sem lactose no país e sinônimo de produtos saudáveis e de alto sabor

E MAIS: SKANK EM ENTREVISTA EXCLUSIVA A MOTO TRIUMPH DE DAVID BECKHAM MODA FESTA

COLUNA TRILHAS, PARA QUEM PEDALA EM LAVRAS

O SAVEIRO CABINE DUPLA

THAYS TEMPONI: A GRIFE DA

O BARMAN DO ANO DAS REVISTAS VEJA E GULA DÁ DICAS NA IPÊ

DESIGN, MARCA


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www.cacel.com.br Fotos meramente ilustrativas. Alguns itens mostrados ou mencionados são opcionais, acessórios ou referem-se a versões específicas.


ipê

Nossa Capa

REVISTA

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REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

ANO II - Nº 07 - OUT/NOV/DEZ 2014

ESPORTE

DE LAVRAS PARA O MUNDO

ANA PAULA

ARTE E CULTURA

GRAFITTE NA RUA E NAS GALERIAS

OSGEMEOS VIAGENS

O LOBO GUARÁ DE PERTO

O SANTUÁRIO DO CARAÇA

VERDE CAMPO

Revolucionando a indústria de laticínios

Foto: Cia da Foto Lugar: Verde Campo Cidade: Lavras/MG

EXPEDIENTE

Empresa é referência no mercado sem lactose no país e sinônimo de produtos saudáveis e de alto sabor

E MAIS: SKANK EM ENTREVISTA EXCLUSIVA A MOTO TRIUMPH DE DAVID BECHAM MODA FESTA

COLUNA TRILHAS, PARA QUEM PEDALA EM LAVRAS

O SAVEIRO CABINE DUPLA

TAHYS TEMPONI: A GRIFE DA

O BARMAN DO ANO DAS REVISTAS VEJA E GULA DÁ DICAS NA IPÊ

DESIGN, MARCA

PROJETO EDITORIAL Édison Marques Júnior DESIGN E PROJETO GRÁFICO Édison Marques Júnior JORNALISTA RESPONSÁVEL Diter Stein - Mtb 12965-RJ JURÍDICO Édison Marques FOTÓGRAFOS - CIA DA FOTO José Henrique Daniel Rocha REVISÃO Pauline Freire Pimenta

REDAÇÃO Diter Stein - Editor Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber Sérgio Passos Eduardo Braga Rita de Cássia Oliveira Faria Derivan Ferreira de Souza

COMERCIAL Édison Marques Júnior Contato: (35) 9143-4125 contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br EDIÇÕES AVULSAS E ESPECIAIS contato@revistaipe.com.br Edição nº 7. Distribuição controlada IMPRESSÃO: Editora Rona TIRAGEM: 2.000 exemplares Curta a Revista Ipê no facebook Artigos assinados são de responsabilidade dos respectivos autores. Autoriza-se a reprodução, desde que citada a fonte.

EDITORIAL

Do Voleibol ao Lobo Guará, na Serra do Caraça. Nesta edição, entrevistamos uma das mais famosas lavrenses: a Ana Paula do Vôlei, que participou de quatro Olimpíadas, duas na quadra e duas na areia. Conhecida como “A Musa do Vôlei” por sua beleza, Ana Paula hoje mora em Atlanta, EUA, e em recente passagem pelo Brasil conversou longamente com a revista Ipê, sobre sua infância em Lavras, seus pais, sua atual família, seus sonhos, suas alegrias e suas decepções com o vôlei.

Diter Stein, editor da Revista Ipê, e sua esposa Eliete Veríssimo, no Caraça.

Quem gosta de natureza, não pode deixar de ler a matéria sobre o Caraça, aqui em Minas Gerais, uma viagem que vale a pena. O editor da revista, Diter Stein, esteve no santuário do Caraça para dar as dicas aos nossos leitores, e contar tudo sobre a magia do lugar. Um santuário ecológico, que todo ano recebe turistas do mundo todo para conhecer de perto a serra, sua natureza exuberante, o Lobo Guará, e a história do antigo seminário que recebeu até D. Pedro, hoje transformado em uma mágica pousada. A música e as artes plásticas estão bem representadas nesta edição. A música na matéria sobre o Skank e as artes plásticas na matéria sobre OSGÊMEOS. A revista Ipê conversou com Samuel Rosa, que falou sobre o atual momento da banda e o recente álbum, o “Velocia”, depois de 5 anos sem lançar músicas inéditas. Para quem gosta da arte de rua, do grafiti, a revista Ipê apresenta OSGÊMEOS, que fizeram recentemente uma exposição em São Paulo com um público cuja fila dobrou quarteirões. OS GÊMEOS estão no momento com um trabalho enorme na Bienal de Vancouver, e grafitaram recentemente o avião da Gol utilizado pelos jogadores da seleção. Para o leitor mais radical, a revista criou a coluna Trilhas, apresentando as boas da região, para quem gosta de pedal. Continuando na linha aventura, apresentamos a moto utilizada pelo jogador de futebol inglês, David Beckham, em sua recente aventura com seus amigos pela Amazônia. Isto, e muito mais, você vai encontrar na revista Ipê que tem nas mãos. Esperamos que goste, até a próxima! Édison Marques Júnior Diretor da Revista Ipê


REVISTA

ipê

Out/Nov/Dez 2014 SUMÁRIO

CAPA Uma empresa de Lavras que respeita o meio ambiente, utiliza os melhores ingredientes e alia técnicas artesanais com sistemas modernos, e assim revoluciona a indústria de lacticínios no país.

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MÚSICA

VIAGENS

Depois de quase seis anos sem gravar, Samuel Rosa, em entrevista exclusiva para a revista Ipê, fala de Skank, futebol, Minas e do novo álbum “Velocia”.

Hoje, no mundo em que vivemos, o verdadeiro luxo é sentir o vento no rosto. O Caraça mostra, na prática, como a vida pode ser diferente.

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50 ESPORTE Conhecida como a “Musa do Vôlei”, Ana Paula saiu de Lavras para fazer história no vôlei feminino. Foram duas Olimpíadas pela seleção e duas pelo vôlei de praia.

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AVENTURA

ARTE E CULTURA OSGEMEOS grafitaram um avião da Gol, sua exposição a “Ópera da Lua” teve filas de dobrar quarteirões e participaram com sucesso da Bienal de Vancouver.

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Nova seção na Revista Ipê. Dedicada aos praticantes de mountain bike, apresentando trilhas da região, com texto e fotos de José Márcio Faria.

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SEÇÕES CARTAS

VEÍCULOS Saveiro cabine dupla. Mais espaço e mais conforto para a galera. 5 lugares, mais conforto, mais segurança e mais tecnologia. Os amigos (e as amigas) vão adorar!

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COLABORADORES

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SAÚDE

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DESIGN, MARCA

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MODA

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TECNOLOGIA

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ESPAÇO GOURMET

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CARTAS

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EDIÇÃO 06

Envie comentários, sugestões e opiniões para serem publicados nesta seção Revista Ipê contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br

UM MARCO NA HISTÓRIA DE LAVRAS Tenho acompanhado a evolução da Revista Ipê ao longo dos meses e gostaria de parabenizar a equipe que está por trás deste projeto que é um marco na história de Lavras. Trato como um marco importante pois existiram e ainda existem algumas publicações que tratam dos assuntos de nossa terra e região, mas a Revista Ipê vai além, conseguindo reportagens e entrevistas com pessoas importantes não apenas de nosso meio, mas que são conhecidas nacionalmente e até mesmo internacionalmente, como foi o caso da última edição, ao trazer uma entrevista com Ozíres Silva, fundador da Embraer. Ao propor uma nova temática, aonde a revista não se prende apenas em ser uma vitrine para os anunciantes, mas apresentando matérias, entrevistas, conteúdo diferenciado com um material digno de revistas de ponta, a Revista Ipê consegue se destacar e cria em seus leitores o desejo de ter sempre em mãos as novas edições. Eu desejo um futuro de sucesso e que este projeto que nasceu em Lavras possa ser levado a outras cidades de nossa região, mostrando que nossa cidade tem capacidade para produzir um material de excelente qualidade. Parabéns a toda a equipe!

Maxon Marinho

Técnico em Processamento de Dados

REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

LER A REVISTA IPÊ É UM PRAZER

CONTEÚDO E PROJETO GRÁFICO EDITORIAL

Fiquei muito contente em ter conhecido a Revista “Ipê”. Trata-se de uma publicação bem feita, profissionalmente bem concebida e com uma grande variedade de temas abordados. A Revista ”Ipê” apresenta tanto artigos sobre a economia da região, como sobre problemas específicos que estão na discussão política e econômica, ensaios e análises sobre aspectos culturais e sociais. Resumindo: a Revista cobre os temas que atraem um leitor interessado e curioso. Ela me parece ser um bom complemento aos meios de imprensa existentes na região de Lavras e do Estado de Minas Gerais, constituindo assim uma base de informação e de formação importante. Estive com vários números da Revista “Ipê” em mãos e, depois de lê-las atentamente, aprendi bastante sobre a região. É um prazer ler esta Revista. Parabéns por este trabalho, parabéns especialmente aos fundadores e à redação da “Ipê”!

Gostaria de parabenizar toda a equipe da Revista Ipê por todo o conteúdo e principalmente pela delicadeza do projeto gráfico editorial. O estilo moderno do layout, bem fundamentado e construído, possibilita uma experiência de leitura muito mais agradável.

Stephan Krier

Cônsul-Geral da Alemanha no Rio de Janeiro no período 2003 a 2007

Helder Tobias Publicitário

VALORIZANDO A NOSSA REGIÃO Como profissionais atarefados e com o dia a dia corrido, nada melhor do que ter acesso a um veículo de comunicação leve, agradável e que apresente todas as riquezas e belezas de nossa região. Por ser bancária e ter uma rotina estressante, ter acesso a conteúdos como receitas, dicas de viagens na região e assuntos diversos que nos tiram da maçante rotina é impotante para que levemos a vida com mais leveza. Parabéns à Revista Ipê pelo conteúdo e por valorizar tanto a nossa região.

Izabella Pereira Freire Silva Bancária - Perdões/MG


Derivan Ferreira de Souza

COLABORADORES

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Derivan Ferreira recebeu o Prêmio Barman do Ano – da Revista Veja São Paulo em 2004, e Prêmio Barman do Ano da Revista Gula em 2005, 2006 e 2007. Expert em drinks, tem quase quarenta anos de profissão. Mestre Derivan – como é conhecido, é uma das maiores referências sobre drinks no Brasil. É formado pela I.B.A –International Bartenders Association e pela Hostess Schol - Instituto de Hotelaria Ernesto Maggia –Stresa –Italia. Tem 8 livros publicado sobe bebidas e drinks.

SERVIÇOS Eduardo Braga

Designer gráfico pela FUMA - 1992. Tem uma atuação intensa na área de design, gestão e co­municação pela Pessoas Comunicação de Marcas como Diretor de Estratégias Criativas.

www.fb.com/pessoasmarcam

Segue abaixo a relação das lojas e demais empreendimentos mencionados nesta edição, além das empresas que nos cederam locação ou material para fotos. Adega Gourmet (35) 3013-2828 Cia da Foto (35) 3821-6269

Rita de Cássia Oliveira Faria

Nutricionista pelo UNILAVRAS, Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria/UNICSUL - SP desde 2010. Atualmente cursa a pós-graduação em Nutrição Esportiva Funcional VP/UNICSUL - SP Associada ao Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional. Atendimento em consultório nas diversas áreas da nutrição clínica e esportiva.

Deckiosque (35) 9164-1609 Ermínio Amorim cirurgião Plástico (35) 3821-8008 Inout Comunicação (35) 3013-1653 Laboratório Santa Cecília (35) 8842-4855 Lavras Laser

Sérgio Passos

Formado em Ciência da Computação, com especializações em Telecomunicações e Marketing Digital, Sergio é sócio­diretor da Take.net, empresa que presta serviços para telefonia celular. Apaixonado por inovação, acompanha e participa ativamente de eventos e fóruns sobre tecnologia e empreendedorismo. Atua como palestrante, mentor de startups e consultor na área de mobilidade.

Depilação a Laser (35) 3826-2889 Santuário do Caraça (31) 3837-1939 Thays Temponi (31) 3037-2002 Unilavras (35) 3694-8170 Verde Campo (35) 3829-3000

Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber

Nasceu em Lavras, formou-se em Turismo pela Newton Paiva em Belo Horizonte. Fez o curso de Cozinheiro Profissional do SENAC BH e Gastronomia Internacional pela escola de culinária Mausi Sebess de Buenos Aires. Foi chef da confeitaria do restaurante francês Alice Braserrie de Brasília, onde abriu seu restaurante. Em 2012, retornou para Lavras para assumir a Adega Gourmet.

Rodrigo Salvador

Apaixonado por artes culinárias, estudou na escola Mausi Sebess em Buenos Aires (Argentina), pós-graduando em cozinha de vanguarda. Após a conclusão de seus estudos, seguiu para a Europa para se aperfeiçoar profissionalmente e culturalmente, tendo seu regresso a Lavras em 2011.

REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

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Praça Leonardo Venerando, 436, loja 105, Edifício Dr. João Lacerda Centro - Lavras/MG


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Mídia e Nutrição: Um desafio profissional

SAÚDE

A

Rita de Cássia Oliveira Faria Nutricionista Pós graduada em Nutrição Clínica Funcional e Pós graduanda em Nutrição Esportiva Funcional Av. Silvio Menicucci (Perimetral),1800, Lavras/MG NUTRIR-SE - (35) 3821-8008

REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

limentação, saúde, bem-estar, corpo perfeito, detox, emagrecimento. Somos bombardeados todos os dias por matérias e dicas de nutrição em sites, blogs, revistas, “posts” nas redes sociais, muitas vezes desvinculadas de análise crítica, de fontes não profissionais, sem embasamento científico e vinculadas a personalidades, figuras midiáticas, marcas de produtos ou interesses econômicos. Permitindo-me parafrasear e complementar aquele conhecido ditado popular, “de médico, louco e nutricionista todo mundo tem um pouco”, a veiculação irrestrita de informações de todos os tipos pode ser bastante desastrosa em se tratando da nossa saúde. O termo dieta, originado da palavra grega “díaita”, significa um “modo de vida”, não por duas semanas, um mês ou algum período da vida, mas para sempre, como hábito adquirido. Como ter e manter como modo de vida a dieta dos pontos, da proteína, do tipo sanguíneo, do zero carboidrato, da sopa, dos sucos, do limão, do suco verde, da goji berry, dos “shakes” e de incontáveis outras? Neste contexto, em uma breve circulada pela internet é possível acessar uma série de notícias que exemplificam o exposto acima. A “Dieta da Goji”, que emagrece dois quilos por semana, melhora o sono e o humor e é assunto na mídia. Seu potencial antioxidante e hepatoprotetor, dentre outros, são inquestionáveis, mas atribuir a ela o poder de reduzir dois quilos por semana passa a ser muito simplista. Incluir a Goji e outras berries na alimentação é sim estratégia valiosa à saúde e deve ser considerada. Outra vedete da mídia é o suco verde, considerado “novidade no universo das dietas da moda”. Há tempos sua capacidade de melhorar o funcionamento intestinal, ser desintoxicante do fígado, ajudar na imunidade e diminuir a inflamação são conhecidos. A obesidade é um desequilíbrio metabólico e sob a ótica da nutrição funcional, o tratamento de um paciente obeso envolve muito mais do que a redução de calorias ingeridas – a retirada de alimentos alergênicos e inflamatórios e a introdução de alimentos funcionais e compostos bioativos são considerados. Por reestabelecer o equilíbrio orgânico e conter substâncias termogênicas, o suco verde auxiliaria no emagrecimento, mas é fundamental a adoção de um estilo de vida saudável como um todo. Não é coerente ingerir o suco verde no café da manhã, almoçar “fast food” com refrigerante, lanchar pão francês com embutidos, consumir adoçantes artificiais e ser uma pessoa estressada e sedentária. Consulte um nutricionista devidamente qualificado para te acompanhar seja qual for seu objetivo. Para a nutrição funcional o foco é sempre garantir saúde e vitalidade positiva com base na individualidade bioquímica. Sim, somos seres únicos e a nutrição não pode ser diferente!


“Em Lavras, sou apenas a filha do Professor Monteiro” Com 15 anos saiu de Lavras para fazer história no vôlei feminino. Foram 4 Olimpíadas: 2 pela seleção de quadra e 2 pelo vôlei de praia. Vive hoje em Los Angeles, EUA. Conhecida pela mídia como a “Musa do Vôlei” por sua beleza, um dos maiores talentos do vôlei feminino brasileiro tem hoje uma nova paixão: a arquitetura e a decoração de interiores.

ESPORTE

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Por Diter Stein

O

limpíadas de Barcelona de 1992. Na festa de abertura, entre as delegações dos 169 países participantes, está a delegação brasileira, e entre os 9.356 atletas estão as atletas da seleção feminina de vôlei. É a nata dos atletas do mundo. Quase sem acreditar no que estava acontecendo, ouvindo apenas o som do vento nas bandeiras, está Ana Paula, do LTC de Lavras, com o uniforme da seleção brasileira, em sua primeira olimpíada. Apesar da proibição expressa do COB, o Comitê Olímpico Brasileiro, Ana Paula, sem ninguém perceber, tira fotos com sua pequena máquina para recordação. Há poucos anos era apenas uma menina sapeca que só pensava em brincar e se divertir, cujos pais na época foram muito criticados na cidade, por apostarem no talento de sua filha e terem deixado que fosse sozinha, com 15 anos, morar em Belo Horizonte, lutar por seu sonho. Impossível falar de Ana Paula, sem falar de seu pai. O Professor Monteiro teve sempre a palavra e a postura certa nos momentos chaves da vida de sua filha Ana. Foi fundamental no início da carreira, e foi também fundamental quando chegou o momento de parar e dar atenção à REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

família. Como lembra Ana Paula, “Mais do que meu pai, ele era o meu melhor amigo, perdi recentemente, mas é no exemplo dele e de minha mãe Maria Auxiliadora, “Dorinha”, que eu me baseei para educar o Gabriel e passar para ele o que passaram para mim. Tudo que conquistei na minha vida foi por meus pais nunca terem podado meus sonhos”. VÔLEI EM FAMILIA Irmã de Marcelle Mendes Rodrigues, que seguiu a carreira da irmã mais velha e foi jogadora de vôlei em clubes nacionais e internacionais e também da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, Ana Paula Rodrigues Henkel, hoje casada com ex-jogador de voleibol de praia americano Carl Henkel, vive em Los Angeles, EUA, e lembra com saudade de sua infância, de quando passava o dia solta: “Minha infância em Lavras foi uma das épocas mais felizes da minha vida, foi nesta época que me apaixonei pela natureza. Passava o dia inteiro andando de bicicleta. Cuidei de vários filhotes de passarinho que achei no chão, cuidava até que eles aprendessem a voar. Salvei vários, assim como salvei muitos gambás. Na época eram muitos, e meu pai e alguns funcionários

do colégio em que meu pai era diretor, deixavam pratos com pinga espalhados pelo colégio, que por gostarem de beber a cachaça eram pegos bêbados e viravam refeição dos funcionários da escola. Ficava com pena e, sem ninguém saber, trocava a pinga por água e assim salvei também muitos gambás. Foi uma infância muito diferente. Quando nasceu meu filho Gabriel, quis oferecer para ele uma infância parecida, morava no Rio de Janeiro e comprei um sítio em Petrópolis, para que ele também aprendesse a reconhecer o som do tucano, do canto do sabiá, do canário-da-terra. Sou apaixonada pelo bem-te-vi, tanto que penso em tatuar um no meu corpo. Aliás, pelas minhas tatuagens dá para ver minha paixão pela natureza, tenho também uma pombinha e uma libélula, a única tatuagem diferente é a em homenagem ao Gabriel, um G com asas de anjo...” Quando suas amiguinhas começaram a falar de namorados, Ana Paula descobriu o atletismo, o basquete e vôlei. “Ainda não tinha me apaixonado pelo vôlei, apesar do Professor Carlos Wander (Drico) ter me dito que eu jogaria vôlei muito bem. No colégio eu estava me destacando, mesmo jogando entre meninas


Foto: shutterstock


ESPORTE

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bem mais velhas, eu com 12 e as outras com 15, mas não sabia se gostava mais de atletismo ou do vôlei. Logo depois integrei a equipe do Lavras Tênis Clube. A paixão pelo esporte aconteceu mesmo foi quando jogadores da seleção brasileira masculina adulta de vôlei visitaram Lavras, para uma série de amistosos entre o Minas Tênis Clube e o Bradesco. Eram jogadores brilhantes como o Bernard, Montanaro, William, Bernardinho. Fui escolhida para ser uma das gandulas, e me lembro que enquanto minhas amigas ficavam impressionadas com a beleza do Montanaro e Renan, o que me impressionava era a beleza do jogo, fiquei fascinada como jogavam um vôlei lindo. A REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

paixão pelo esporte veio como um raio, ali eu descobri: é isso que quero para mim, é isso que quero ser, uma jogadora de vôlei. Logo após esses jogos, a própria Seleção Brasileira Masculina treinou uma semana em Lavras. Engraçado que naquela época peguei um autógrafo do Bernardinho, que depois quando veio ser nosso técnico na seleção, riu muito quando contei para ele a história. Vê-los jogar foi o divisor de águas, naquele momento descobri o que queria da vida”. CONVITE PARA BELO HORIZONTE Jogando cada vez melhor no LTC, logo surgiu o convite para defender o Minas Tênis Clube em Belo Horizonte. “Com o con-

vite do Minas Tênis Clube, e vendo a intensidade de meu sonho, meus pais me apoiaram, mesmo com toda a crítica que receberam por pessoas que acharam irresponsabilidade deixar a filha ir morar sozinha em BH. Fui morar na capital, em uma república junto com outras meninas do time, estudava e treinava. Tinha 14 anos e era um ambiente bem competitivo, e todas as meninas queriam ser as melhores. Aprendi muito sobre a vida naquele período, em quem eu podia confiar e em quem não podia, em levar um tombo e a levantar. Liguei algumas vezes chorando para Lavras. Todas as vezes, nessas crises, meu pai dizia que estava pegando o carro e que vinha


Foto: shutterstock

garam a lista dos convocados e meu nome estava lá. Não acreditei, sai do vestiário como uma zumbi, meus pais vendo meu estado acharam que tinha sido cortada. Quando contei que tinha sido convocada, desmontamos em abraços e fomos comemorar com um jantar. Tinha vinte anos e tinha sido convocada para minha primeira Olimpíada!”

para BH, que se quisesse era só voltar com ele. Ele chegava e toda aquela angústia passava.” O sucesso veio passo a passo e muito treino. Foi convocada para a seleção mineira, depois a seleção brasileira juvenil, em 1989. No Campeonato Mundial de Vôlei Juvenil em Curitiba, o time se saiu muito bem e foi medalha de prata, com a boa atuação saiu a primeira convocação para a seleção feminina adulta, em 1991. “Em Curitiba, coloquei um pé na seleção de vôlei adulta. Fui convocada e passei a treinar cada vez com mais empenho, e como ficou difícil para estudar, tive que mudar de colégio, para não perder o ano. Passei para a seleção feminina adulta e com a

convocação começou a especulação de quem iria para as Olimpíadas de 92 em Barcelona. Era um tal de seu nome está e não está na lista final das cortadas. Sobrevivi aos dois primeiros cortes. No último, das 18 meninas da lista, só 12 ficariam. Treinava muito mas agora com medo de me machucar. No último amistoso da seleção antes das Olimpíadas de Barcelona, a lista final sairia logo após a partida. O jogo era em Juiz de Fora e meus pais foram assistir. Só joguei um pouco no final. Para mim, isso era um sinal claro que eu seria cortada. No vestiário, quando acabou o jogo falei com algumas jogadores sobre meu receio e medo de ser cortada. Ainda no vestiário entre-

O SONHO Uma convocação que, apesar de toda ansiedade, tinha sido anunciada por Ana Paula, doze anos antes, quando ela só tinha oito anos. Assistindo, com sua mãe em sua casa em Lavras, a abertura das Olimpíadas de Moscou de 1980, Ana, soltou a frase pra mãe: “Um dia também vou estar lá”. Depois repetiu a frase para as amigas, que imediatamente caíram na gargalhada. Daquele dia em diante passou a sofrer o que hoje se conhece por bulying. “Debochavam de mim, ‘olha lá a maluca que vai participar das olimpíadas...’ Minha mãe, na época, sem querer cortar meu sonho sempre era discreta, não dizia nem que sim nem que não, meio assim tá bem Ana Paula, um dia você vai estar lá. Depois das Olimpíadas de Barcelona, encontrei algumas dessas amigas que comentaram: bem que você tinha dito”. Na Olimpíada de Barcelona de 1992, Ana Paula ajudou a Seleção Brasileira de Voleibol Feminino a obter o 4º lugar, que foi o início do Brasil como um sucesso reconhecido no vôlei feminino em uma Olimpíada. Ainda pela seleção brasileira se tornou tricampeã do Grand Prix, em 1994, 1996 e 1998, e da BCV Cup, em 1994 e 1996. “Em Barcelona tiramos o quarto lugar, infelizmente não deu podium, o time era muito bom, mas não era um time de medalha. O grande sucesso aconteceu no Mundial de 1994, em São Paulo. Com um público de mais de REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


ESPORTE

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Ana Paula, seu filho Gabriel e seu marido Carl Henkel em Atlanta, EUA.

15.000 pessoas, nosso time foi vice-campeão, foi emocionante. Naquele torneio eu solidifiquei meu nome na seleção. Inesquecível também foi a semifinal nas olimpíadas de Atlanta em 1996, contra a Seleção Cubana, nossas grandes rivais. Aquilo não foi um jogo, foi uma guerra na quadra! Até hoje comentam comigo sobre aquele jogo. Recentemente peguei um táxi no Rio e o motorista, disse a escalação completa do time. Todos sabiam os nomes de cada uma de nós. Foi a primeira medalha olímpica do vôlei feminino brasileiro em uma Olimpíada, tiramos bronze e foi naquele momento que o vôlei feminino explodiu”, lembra Ana Paula. Além da explosão do vôlei, foi também a explosão de Ana Paula, que passou a se destacar não só por suas brilhantes atuações na Seleção Brasileira e no Leite Moça de Sorocaba, mas também por sua beleza e foi eleita pela mídia como a “Musa do Vôlei”, passando a ser assediada pelas revistas masculinas para ensaios fotográficos, que foram sempre recusados. “Sempre REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

me preocupei com essa coisa de “Musa do Vôlei”, tinha medo que me prejudicasse, pedia nas reportagens que evitassem me chamar assim, tinha medo do Bernardinho que sempre dizia que lugar de musa bonitinha que não joga, é no banco (risos). Ok, não era uma coisa ruim, mas era só uma cerejinha do bolo...” VÔLEI DE PRAIA Em 1999, através de um acaso e uma lesão, descobriu o vôlei de praia, com ajuda do técnico Marcos Miranda que depois veio a ser o pai de seu filho Gabriel. Assim como nas quadras, na areia do vôlei de praia teve uma carreira de sucesso, sendo escolhida a melhor jogadora do Circuito Banco do Brasil dois anos depois, e uma série de títulos e medalhas. “No Mundial de 98 do Japão, jogando pela seleção, eu quebrei a patela, tive que parar de jogar para me recuperar. Fiz minha recuperação no Rio, com a CBV arcando com as despesas pra que não saísse do país. Foi feito um trabalho de recuperação na areia,

pelo Marcos Miranda, técnico e na época supervisor da Seleção Brasileira. Treinava na areia que amortecia os impactos e fortalecia minha musculatura. Treinava muito e sempre na areia e o Marcos passou a dizer que eu levava jeito para vôlei de praia. Um dia, a Jackie Silva que já estava no vôlei de praia, me viu treinando, estava sem parceira e me convidou para jogar com ela no Torneio de Acapulco no México. Fiquei na dúvida, mas o Marcos me incentivou muito, tipo vai lá, joga um torneio e vê o que dá. Isso foi em 1999, fomos e entre 32 duplas ficamos em nono. Gostei demais de jogar na areia. No vôlei de praia é só você e sua parceira, você fica totalmente exposta, tem que ser muito forte, fisicamente e mentalmente. O desgaste físico e mental são maiores, mas o clima é mais light. Na volta desse torneio joguei ainda com a Jackie no torneio brasileiro, e com a exposição na mídia a Nestlé me ligou e me ofereceu uma proposta de patrocínio. A empresa tinha um bom orçamento para tentar


Foto: Divulgação

classificar uma dupla para as Olimpíadas de Sidney em 2000, e bancou minha saída da quadra. Já estava apaixonada pelo vôlei de praia e aceitei na mesma hora, mesmo com o Bernardinho me chamando para participar pela seleção. Logo depois minha parceria com a Jackie não deu certo e então fiz dupla com a Mônica Rodrigues, que havia sido prata em Atlanta. Começamos nossos treinos e a luta pela classificação para a Olimpíada de Sidney. Estávamos brigando cabeça a cabeça, com excelentes resultados e ótimas chances de classificação, quando comecei a me sentir mal todos os dias. Comecei então a suspeitar que pudesse estar grávida, fiz o teste e deu positivo! Ainda jogamos três torneios, mas não deu. Apesar de todo esforço, ficamos fora de Sidney em 2000, mas por um excelente motivo!” Na olimpíada de Atenas, Ana se classificou com a parceira Sandra, mas não conseguiu o objetivo de conquistar sua se-

gunda medalha olímpica, ficando na 5º posição. Na Olimpíada de Pequim, ao lado de Larissa, substituindo Juliana às vésperas da competição, que estava lesionada, ficaram novamente na 5º colocação. Mas se não ganhou a medalha, o episódio mudou as regras de classificação olímpica na FIVB: as jogadoras deixaram de ser as donas da vaga, que passou a ser do país. Caso a nova regra já estivesse em vigor, Juliana que se apresentava com uma séria lesão no ligamento cruzado do joelho, teria sido substituída antes, para dar tempo para Ana Paula se entrosar com sua parceira: “Cheguei na China na sexta, e no sábado já era o primeiro jogo. Eu e Larissa começamos a nos entrosar só nas oitavas de final. As pessoas começaram a falar em medalha, mas a situação que a CBV nos colocou, não me mandando mais cedo para treinar com a Larissa, era completamente desfavorável. Tinha câimbras por todo o meu corpo todos os dias... Ficamos

em quinto lugar, perdemos para as campeãs olímpicas e acredito que se tivéssemos tido um pouco mais de preparação teríamos mais chance de mudar esse desfecho” explica Ana Paula. Na preparação para as Olimpíadas de Londres, sentiu o seu grande incentivador, seu pai, reticente: “Quando contei que estava fechando patrocínio para as Olimpíadas de Londres, meu pai ficou meio quieto, e depois de algum tempo comentou: “Filha, você precisa mesmo dessa quinta olimpíada? Não acha que é a hora de cuidar mais de você e de sua família? Qual a diferença de 4 para 5 Olimpíadas? Para seu filho são dois anos que não voltam.” Entendi o que ele queria dizer. Era hora de parar, cuidar mais de mim, da família e do Gabriel”. Ana Paula casou em 2010, virou mãezona, deu ao seu filho uma presença maior que não conseguia quando treinava, apesar de ter levado o filho durante 7 anos para o Circuito Mundial, passou a competir na liga norte-americana de praia (AVP). Matriculou-se na UCLA no curso de Arquitetura e Design de Interiores. Apaixonou-se pela nova profissão assim como foi apaixonada pelo vôlei.

FICHA TÉCNICA Ana Paula Rodrigues Henkel Medalhas Vôlei de Quadra: • • •

Jogos olímpicos de Atlanta 1996: Copa do Mundo Japão 1994: Campeonato Mundial São Paulo 1994:

Grand Prix de Voleibol: • • •

Xangai,1994: Xangai, 1996: Hong Kong, 1998:

Medalhas Vôlei de Quadra: • •

Campeã Mundial em 2003 Campeã Brasileira em 2004

Melhor Saque do Circuito Mundial em: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


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Trilhas

José Márcio Faria é engenheiro florestal, professor da UFLA e pedala por lazer. SERRINHA Percurso: 26 km (do centro da cidade até o topo da serra, ida e volta)

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avras situa-se em uma região privilegiada em termos de opções para os praticantes dos chamados esportes não convencionais e de lazer em contato com a natureza. Inúmeras serras, cursos d’água, estradas de terra e trilhas compõem o cenário perfeito para o mountain bike, montanhismo, voo livre, rafting e caminhada. O número de praticantes dessas modalidades vem crescendo rapidamente em Lavras, com destaque para o mountain bike, seja como esporte competitivo ou lazer, o que motivou a criação desta coluna, que trará a cada edição uma opção de trilha, com informações sobre distância, atrações ao longo do caminho e belas imagens que o motivarão a conhecer a nossa região da melhor maneira possível, ou seja, de bike. Como primeira trilha, a SerriREVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

nha (Serra da Bocaina), localizada na parte sul do município de Lavras. Chamamos de trilha, mas na verdade o caminho todo é por estradas. Saindo do centro da cidade, pedalamos por 3,6 km e pegamos a Estrada da Serrinha. Daí pra frente, só estrada de terra, bem conservada e as poucas subidas e descidas não são muito fortes. Passamos por várias fazendas, alguns cursos d’água e uma pequena olaria. Após pedalarmos 11 km, chegamos ao pé da serra, altitude de 1000 m, um pouco acima dos 920 m do centro da cidade, ou seja, nesses 11 km o desnível é de apenas 80 m. A partir daí, 2 km de subida por uma estrada construída em um vale. Os atletas de mountain bike sobem pedalando, enquanto os pobres mortais (meu caso) sobem empurrando, o que traz a vantagem de poder observar com mais calma as belezas naturais ao longo da subida. Na parte mais baixa do vale, uma formação florestal exuberante, com cedros e ingás crescendo ao longo de um modesto curso d’água. É

possível observar também várias bromélias e aves, como tucanos e jacus. Se você gosta de fotografar a natureza, essa subida vai levar muito mais tempo, pois


a cada curva você vai se deparar com algo que vale a pena ser registrado. Na maior parte da subida, temos o conforto da sombra proporcionada pelas árvores. Distanciando-se do fundo do vale e indo em direção às partes mais elevadas da serra, longe do curso d’água e com solos mais rasos, a vegetação é outra. Ali encontramos o Cerrado (típico, com poucas árvores, retorcidas e de casca grossa) e o Campo Rupestre (aquelas áreas com afloramentos rochosos e com predominância de espécies herbáceas e subarbustivas). Encontramos muito barbatimão, candeia e arnica. Essas formações vegetais, embora não tão exuberantes como as florestas, guardam uma alta diversidade, o que pode ser constatado ao andarmos por elas, observando cada planta, cada inseto, cada pássaro. Aproveite para fotografar! Também há formações rochosas interessantes, com predominância do quartzito, conhecido como “Pedra São Tomé”. Chegando ao

topo, nos deparamos com um visual de tirar o fôlego (se é que alguém ainda tem fôlego após os 2 km de subida). A 1.260 m de altitude, a visão é total para onde quer que você olhe. Lá de cima dá pra ver as cidades de Lavras, Ribeirão Vermelho, Ingaí, Luminárias, Itumirim e São Thomé das Letras, além da Serra de Itumirim e Serra do Faria. Essa é uma das melhores sensações proporcionadas pelo ciclismo: chegar por suas próprias forças ao topo de uma montanha. Seja pedalando o tempo todo ou alternando entre pedalar e empurrar a bike. Mesmo com toda a sua imponência, a Serrinha é um ambiente vulnerável, devido ao solo muito raso, altamente suscetível à erosão. Os incêndios, geralmente criminosos, são outra ameaça àquele local, especialmente à flora e fauna. Em função de sua importância ecológica e fragili-

dade, existe um movimento liderado por ambientalistas, lutando para que a Serra da Bocaina seja transformada em Unidades de Conservação, juntamente com a Serra de Luminárias e a Serra de Carrancas.

José Márcio Farias Professor da Ufla

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Vital, ops... David, e sua moto David Beckham, um ídolo pop, casado com a cantora Victoria das Spice Girls, jogador de futebol, descolado e, ainda por cima, bom de bola, foi ídolo do Real Madri. Pouco antes da Copa, jogou a sua Triumph personalizada no barro das florestas da Amazônia para um especial da BBC. Mas quem se tornou a grande estrela do especial foi a moto. Por Diter Stein Fotos: Divulgação

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om a aposentadoria recente no futebol, David Beckham parece que passou a se sentir total e a investir na sua grande preocupação que é a ecologia, a natureza, o futuro do planeta e, claro, no seu estilo e visual como, meio James Dean, tipo Juventude Transviada. Aproveitando que, com a Copa, o Brasil estaria na mídia, Beckham sugeriu para a BBC fazer um documentário sobre a floresta Amazônica, a Rain Forest, a tal Floresta da Chuva, como os gringos chamam nossas florestas tropicais. A ideia dele era entrar fundo, com alguns amigos, na floresta, nas suas trilhas, nas cidades e estradas do Amazonas. Viajar durante duas semanas pela floresta, dormir ao relento e fazer um documentário, que teria como um dos pontos altos a visita aos Ianomâmis. O veículo ideal para a empreitada só poderia ser uma moto, o que casava com a sua paixão de metal. Com o ok da BBC, David escolheu a Triumph, que não por acaso, foi a primeira moto de James Dean. A Triumph escolheu então preparar uma Bonneville para o barro. Acabou que a grande estrela foi

a moto que se saiu super bem, mesmo atolada no barro amazonense até o guidão, saiu-se bem também nas estradas de terra e asfalto e até no trânsito das cidades. O sucesso da moto foi sensacional. O sucesso foi tão grande que a Triumph trouxe para o Brasil a edição especial Black Jungle, que foi o nome que a moto utilizada por Beckham recebeu. Parte Bonneville, parte Scrambler, parte algo completamente novo, esta agressiva edição especial Black Jungle se tornou mais um capítulo da história das motocicletas Triumph. Construída para uma aventura na selva amazônica, mas também confortável e suave para circular pelas ruas e avenidas do Rio de Janeiro, as Triumph Bonnevilles, destaque no documentário da BBC de David Beckham, foram especialmente personalizadas com este propósito. Com uma aparência de Scrambler, pneus off-road, escapamentos Arrow e sem para-lamas, essa moto teve como base uma Bonneville T100 que evoluiu para uma verdadeira Off Road. Um assento personalizado revestido em união com

barras largas da Bonneville deram uma posição de pilotagem fácil e confortável para a cidade e o controle necessário para a aventura nas estradas mais remotas da selva amazônica. Projetada para ser pilotada em terrenos acidentados e até mesmo para ser transportada por canoas rio adentro. A Black Jungle do documentário resultou em uma versão tão descolada quanto seu dono, fez história, e se mostrou perfeita em qualquer terreno, como queriam David Beckham e a Triumph.

FICHA TÉCNICA Triumph Bonnevilles T100 MOTOR: Refrigerado a ar, DOHC, duplo paralelo, 360° de intervalo de ignição, 865cc,Injeção eletrônica multiponto sequencial, exaustão com portas em aço inoxidável, silenciadores duplos cromados, Corrente x ring Embreagem Hidráulica, multi­ discos. 5 marchas CHASSI: Berço de aço tubular. Braço oscilante bilateral, aço tubular. Roda dianteira de 36 raios, 19 x 2,5 polegadas. Roda traseira Roda traseira: 40 raios, 17 x 3,5 polegadas.Suspensão dianteira: garfos Kayaba de 41 mm, 120 mm de curso. Suspensão traseira: Amortecedores duplos com molas Kayaba com pré­carga ajustável, 106 mm de curso da roda traseira. Freio dianteiro: disco único de 310 mm, pinça flutuante Nissin de dois pistões. Freio traseiro: disco único de 255 mm, pinça flutuante Nissin de dois pistões. Preço: R$ 31.490,00

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Por Diter Stein Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

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galera, os amigos e as amigas, vão adorar! Para quem gosta de aventura, tecnologia e conforto é o carro. Mas com certeza o pai vai curtir tanto quanto o filho, é uma pickup agressiva que, apesar do visual jovem, não foge da luta, claro só vai trocar o pendrive e a trilha musical e o lazer pelo trabalho. Para não deixar o povo espremido, o banco traseiro é 10cm mais alto do que do dianteiro e o teto foi elevado. Na frente, o mesmo conforto perfeito para o motorista, sua posição na Saveiro ficou extremamente confortável, graças aos ajustes, o volante se desloca 30º na altura e cinco centímetros na distância. A Saveiro traz ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos, computador de bordo, além dos obrigatórios airbags frontais e freios ABS, que se somam aos controles de estabilidade e de tração. E para quem quer colocar a mão um pouco mais fundo no bolso, há alguns opcionais interessante: bancos em couro sintético (os de tecido são melhor trabalhados) e módulo tecnologia com espelho eletrocrômico, sensores de chuva e de luz e controle de cruzeiro. A Saveiro, para ampliar o espaço de quem está nos bancos traseiros, optou pelo modelo duas portas, com entrada como é feito em todos carros de duas portas, puxando os bancos da frente. Na parte de trás há espaço para três REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

Uma pick-up inovadora, com 5 lugares, mais conforto, mais segurança, mais tecnologia, e o logotipo Volkswagen na carroceria, o que faz toda diferença, na hora da revenda.


Saveiro cabine dupla Mais espaรงo e mais conforto para a galera

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passageiros com conforto, todos com encosto de cabeça e cintos de segurança, e alguns mimos, como a tomada de 12v para o pessoal de trás poder carregar seu celulares ou alimentar outros aparelhos, e dois porta-copos. Outra opção da Volkswagen foi fazer o vidro traseiro sem aberturas para poder colocar desembaçador, um item bastante importante em uma cabine-dupla. Para ventilar a cabine quando o ar condicionado estiver desligado, os vidros laterais traseiros utilizam a solução basculante. Por sua vez, se a cabine dupla ganhou conforto para seus passageiros, a caçamba perdeu um pouco, tem 1,1m de comprimento, contra os 1,65m da cabine simples. O que deixa sua capacidade de carga entre 667kg e 607kg de acordo com a versão, espaço perfeito para quem vai utilizá-la para trabalho e mais do que perfeito para pranchas de surf, paraglider e outros equiREVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

pamentos de aventura. Para a montadora, tão importante quanto o espaço e o conforto é a segurança de quem dirige e dos seus passageiros. A Volkswagen incluiu recursos de segurança que tornaram a pick-up o veículo com mais recursos de segurança do mercado. Além do airbag duplo para motoristas e passageiros e dos freios ABS, o modelo oferece, de série em todas as suas versões, um sistema de freios a disco nas 4 rodas. Para otimizar a ação do ABS, a versão Cross oferece a função

off-road para ser utilizada em estradas de terra, cascalho ou arenosas, que uma vez ativadas, reduz a distância de frenagem. A versão Cross oferece também o ESC, controle eletrônico de estabilidade, que funciona como um “anjo da guarda” do motorista, e evita que o veículo perca estabilidade direcional nas curvas. Ao perceber que veículo saiu da trajetória solicitada pelo volante, ele desacelera o motor e aciona os freios individualmente para trazer o veículo para o percurso desejado. O ESC agrega ainda as


funções, EDB-distribuição eletrônica da força de frenagem, HBA-sistema de assistência a frenagem, que em uma emergência em uma frenagem brusca, amplia o esforço do pedal para uma frenagem antecipada com mais segurança, ASR-sistema de controle de tração, que reduz o escorregamento das rodas durante a aceleração quando o veículo começa a perder sua trajetória em curvas acentuadas, HHC-assistente para partida em subida, que impede que, durante um arranque em subida, o veículo volte para trás e o EDS-bloqueioeletrônico do diferencial que em terrenos adversos é acionado para evitar que o carro patine. Muito útil também é o Park Pilot-Sensor de estacionamento, ao engatar a ré, o sistema Tilt Down é acionado, inclinando o espelho retrovisor direito que ajuda na visualização do meio fio. Ao mesmo tempo, pelo sistema OPS (Optical Parking System), são mostradas no display do rádio as áreas de aproximação a obstáculos traseiros, enquanto um aviso sonoro de intensidade crescente alerta o motorista à medida que a distância diminui. A Saveiro Cabine Dupla se saiu muito bem no test drive da Revista Ipê. Com oito opções de cores, um ano de garantia e um design agressivo que promete agradar ao pessoal que busca um carro para suas aventuras e a turma que busca um carro para trabalho. Vai muito bem no asfalto, mas está a vontade no ambiente de estradas de terra, com barro, buracos e areia. É um carro com personalidade, que vai agradar a todos que querem se divertir com a galera, e vai agradar a todos que buscam um carro para o trabalho que querem também um carro para os finais de semana, um carro de passeio, com conforto e segurança para a família.

FICHA TÉCNICA Saveiro Trendline CD - R$ 47.490 freios com ABS e EBD (distribuição eletrônica de frenagem), alerta de lanternas ligadas, banco do motorista com regulagem de altura, brake-light e iluminação da caçamba, conta-giros, chave sem controle remoto, desembaçador do vidro traseiro, direção hidráulica, faróis duplos com máscara negra, freios a disco nas 4 rodas, grade na janela traseira, janelas basculantes para os passageiros traseiros, preparação para som, protetor de caçamba, rodas de 14 polegadas, tampa da caçamba com amortecedor e chave, vidros e travas elétricos. Saveiro Highline CD - R$ 52.720 Os mesmos da versão Trendline, mais 4 alto-falantes e 2 tweeters, alarme keyless, ar-condi-

cionado, chave com controle remoto, faróis de neblina, I-System, iluminação interna temporizada, peças internas pintadas ou cromadas, rádio com CD/MP3 e entradas USB e auxiliar, retrovisores externos elétricos com “tilt down”, rodas de 15 polegadas, volante multifuncional. Saveiro Cross CD - R$ 59.990 Os mesmos da versão Highline, mais ABS com função off-road, capota marítima e ganchos deslizantes na caçamba, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, controle eletrônico de estabilidade, faróis auxiliares (neblina e milha), assistente de partida em rampa, molduras alargadas da caixa de roda, pedais em alumínio, rodas de liga leve de 15 polegadas e pneus para todos os terrenos.

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Somos a única agência de publicidade de Lavras certificada pelo CENP e pelo Sinapro. Isso quer dizer que temos estrutura e um time de profissionais experientes para oferecer uma Assessoria de Comunicação que vai, de fato, fazer a diferença para sua empresa. Acesse nosso site, conheça nosso trabalho e faça da sua marca uma referência de mercado.


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Verde Campo:

Revolucionando a indústria de laticínios Empresa é referência no mercado sem lactose no país e sinônimo de produtos saudáveis e alto sabor.

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Toda linha de produtos lacfree Por Diter Stein / Verde Campo Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

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roporcionar uma vida mais leve e saudável ao consumidor é o que move a Verde Campo, desde a sua fundação, a produzir alimentos saudáveis e diferenciados. Localizada em Lavras, a empresa desenvolve, há 15 anos, produtos inovadores e de altíssima qualidade. São iogurtes, queijos frescos e maturados, requeijão e creme de leite de altíssima qualidade - que se destacam pelo sabor e pela leveza, por conciliarem em sua produção processos modernos com técnicas artesanais de fabricação de alimentos. Uma história de sucesso construída com uma mistura de tradição, tecnologia e crenças. A primeira empresa de laticínios da família foi criada pelo Sr. Antônio Alberto, conhecido como Sr. Totonho. Famoso na região, Sr. Totonho era responsável por produzir o queijo cobocó Gato, ganhador do melhor queijo cobocó do país. O queijo era produzido onde hoje funciona a fábrica da Verde Campo. Seu filho e sucessor, Alessandro Rios, cursou tecnologia de laticínios e engenharia de alimentos e dedicou-se à vida acadêmica e de consultoria por 12 anos, até se render à tradição familiar

Nova fachada Laticínio Verde Campo - Ilustração 3d Danielle Brito e criar, em 1999, um centro de referência em tecnologia de laticínios para produzir derivados lácteos diferenciados e desenvolver consultorias para clientes de todo o Brasil. Nascia aí a Verde Campo, com o objetivo de oferecer produtos saudáveis e de qualidade, com investimento constante em tecnologia e inovação. Os primeiros produtos desenvolvidos na fábrica foram os produtos diet e light, seguindo uma demanda de mercado que pedia por produtos mais saudáveis. Em 2004, a Verde Campo saiu do ramo de consultoria e

passou a se dedicar exclusivamente a ela mesma. O sonho estava se realizando. Já consolidada no mercado diet e light, a equipe da Verde Campo começou a pesquisar sobre os produtos sem lactose, um grande vilão para os intolerantes e, em 2011, lançou o primeiro iogurte sem lactose a base de leite do país, o Lacfree. Com a conquista do mercado e o retorno positivo dos clientes, a empresa lançou novos produtos sem lactose (queijo cottage, queijo minas, coalhada e três opções de iogurtes) e caiu no REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


a empresa tem hoje 200 funcionários, com produtos em todas as capitais e principais cidades brasileiras. O portifólio da empresa conta hoje com 30 produtos, todos com foco na saúde. “Tudo isso faz com que a Verde Campo seja hoje a principal referência em derivados lácteos saudáveis no Brasil”, afirma Alessandro.

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Primeiras embalagens

Lançamento do ano da Verde Campo, eleito o grego mais saudável do Brasil.

gosto dos intolerantes a lactose e daqueles que buscam uma vida mais saudável. Agora, três anos depois, inova novamente ao produzir o primeiro iogurte grego sem lactose do Brasil, o Lacfree Grego35, com apenas 35 calorias por pote. Com investimentos expressivos em tecnologia, adequação da fábrica e treinamento de equipe, a chegada do novo produto aumentará em 50% a capacidade produtiva da empresa que fica em Lavras (MG). Foram dois anos de pesquisa e desenvolvimento para chegar na fórmula ideal do Grego35, o GreREVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

go mais saudável do Brasil. Com foco em novos produtos, a Verde Campo está investindo R$5 milhões na ampliação da unidade fabril, que passará a processar 3,6 milhões de leite por mês em meados de 2015. O incremento é próximo a 30% frente à capacidade instalada. A demanda crescente por produtos mais saudáveis e a diversificação do mix e do mercado são fatores que estimularam o aporte e que vêm alavancando os negócios da empresa, que espera encerrar 2014 com crescimento acima de 80% no faturamento. Com a conquista do mercado,

EMPRESA DE “PROPÓSITO” O crescimento da Verde Campo está sustentado pelas crenças da empresa, que podem ser resumidas em três pilares principais: Primeiro e mais importante, todo produto Verde Campo deve ser capaz de trazer benefícios concretos para a saúde dos consumidores. Essa crença é o pilar central dos negócios da Verde Campo e por esse motivo a empresa investe tanto em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. “Estamos sempre atentos às tendências de mercado e só fabricamos produtos que possam efetivamente contribuir para melhorar a saúde das pessoas”, afirma Álvaro, Diretor Comercial. Por isso, a Verde Campo tem sido pioneira na fabricação de diversos produtos saudáveis no Brasil, desde iogurtes diet até produtos de soja e atualmente iogurtes e queijos sem lactose. Segundo, os produtos da Verde Campo são fabricados de


Todos os leites utilizados na linha de produção da Verde Campo são coletados nas fazendas dos produtores certificados.

maneira íntegra, respeitando o meio ambiente, usando os melhores ingredientes disponíveis no mercado e aliando técnicas artesanais com sistemas modernos de gestão de qualidade. Esse pilar baseia-se na crença de que, além de serem saudáveis, a maneira como os produtos são produzidos também influencia na qualidade final percebida pelo consumidor e faz diferença na sociedade. Dessa forma, a Verde Campo ainda adota técnicas artesanais na fabricação de diversos produtos, pois elas garantem mais sabor e melhor textura aos produtos. Além disso, só compram leite fresco de produtores rurais da região, trabalhando com certificação de qualidade nas fazendas e têm processos rigorosos de controle de qualidade que garantem que todo o leite usado nos produtos Verde Campo seja 100% livre de antibióticos. Finalmente, os lucros da Verde Campo são investidos de maneira a trazer benefícios para os envolvidos no processo produtivo - acionistas, colaboradores, produtores e a sociedade. Esse último pilar resume a filosofia da empresa e em função dele são definidos como os lucros da empresa são investidos. Atualmente, há investimentos na ampliação dos programas de benefícios aos colaboradores e produtores rurais, além de pro-

gramas de apoio à formação técnica dos funcionários e projetos de assistência técnica gratuita nas fazendas. Na área social, a Verde Campo tem hoje diversos projetos que estimulam a prática esportiva e a alimentação saudável, beneficiando diretamente centenas de crianças e jovens na região. Entre esses projetos destaca-se o projeto de basquete “Arremesso para um Novo Horizonte” coordenado pelo prof. Ricardo Pacheco e o projeto de atletismo “Cria Lavras” coordenado pelo prof. Fernando Roberto de Oliveira, na Universidade Federal de Lavras.

sárias cerca de doze horas de fermentação e um controle total das etapas, com análises em vários pontos do processo que comprovam que a molécula de lactose está sendo totalmente eliminada. Esse é o principal diferencial dos produtos LacFree em relação a outros produtos no mercado. A Verde Campo trabalha com tecnologia que garante que seus produtos sejam totalmente livres de lactose sem perder sabor.

TECNOLOGIA LACFREE A principal característica dos produtos livres de lactose é sua alta digestibilidade. Isso ocorre porque a molécula de lactose é transformada em moléculas simples durante o processo produtivo. Isso é feito através da adição da enzima lactase – responsável pela quebra das moléculas de lactose, simulando o que acontece no organismo humano durante a digestão. Como resultado final, os nutrientes do leite (em especial as proteínas do cálcio) são absorvidos de maneira mais rápida e eficiente pelo organismo, trazendo uma sensação de leveza e bem estar. Para que a lactose seja totalmente eliminada, são necesREVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


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As máquinas de envase dos iogurtes são projetadas para não prejudicar a textura do produto, o que garante uma textura mais consistente dos produtos Lacfree, como os iogurtes caseiros.


A Verde Campo conta com um controle de qualidade e segurança que busca a inocuidade dos alimentos, evitando que eles se transformem em fonte de doenças.

CERTIFICAÇÃO A certificação do leite é outro diferencial da empresa. A Verde Campo é a primeira empresa de laticínios do Brasil a fabricar alimentos com leite certificado pelo Programa Alimentos Seguros para a cadeia produtiva do leite (PAS-Leite). A empresa implantou o programa de boas práticas na pecuária leiteira com o apoio do Polo de Excelência do Leite, e deu continuidade criteriosa às medidas, o que lhe garantiu o reconhecimento. “Com o programa, garantimos que a Verde Campo só utiliza o leite de origem confiável e que realizamos todos os procedimentos para garantir a qualidade do alimento, livre de contaminantes químicos e de fraudes”, afirma o diretor comercial e também sócio da Verde Campo, Álvaro Gazolla. Todo o leite certificado está sendo direcionado à produção de iogurte e produtos Lacfree, sendo a primeira linha da Verde Campo certificada pelo PAS-Leite. Para obter a certificação, fo-

ram realizadas diversas etapas entre treinamento teórico, diagnóstico inicial, consultorias na propriedade, verificações e auditoria. Foram analisados itens como nível de higiene que o leite foi ordenhado, qualidade do armazenamento e, principalmente, a segurança do leite, o principal diferencial do Programa.

FICHA TÉCNICA Linha Diet: Iogurte Morango Diet,Iogurte Natural Diet,Iogurte Natural sem açúcar Linha Light: Iogurte Ameixa Light,Iogurte Banana Mamão e Maçã Light, Iogurte Morango Light, Iogurte Natural Light, Queijo Minas Frescal Light, Queijo Minas Padrão Light, Queijo Mussarela Light, Queijo Prato Light, Ricota Light, Requeijão Light Linha Soja: Iogurte Soja Banana, Mamão e Maçã, Iogurte Soja Morango Linha LACFREE: Coalhada sem lactose, Cottage, Iogurte Ameixa, Iogurte Morango, Iogurte Natural, Natural sem adoçante, Banana Mamão e Maçã, Queijo Minas Padrão e Mussarela. Linha Tradicional: Queijo Tipo Cottage, Creme de Leite, Creme de Leite Leve, Queijo Minas Frescal Tradicional, Queijo Prato (Cobocó). Linha LACFREE Grego: Morango e Original www.verdecampo.com.br REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


A geração digital está em um ponto qualquer do universo ou em um universo qualquer ponto com.

DESIGN, MARCA

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E Foto: Daniel Mansur

Eduardo Braga

Designer gráfico pela FUMA - 1992. Tem uma atuação intensa na área de design, gestão e co­municação pela Pessoas Comunicação de Marcas como Diretor de Estratégias Criativas. www.fb.com/pessoasmarcam

*CC = Creative Commons Texto original de 2009, com uma ou duas adaptações para 2014. O mundo muda e algumas Pessoas continuam mudas.

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m um mundo imperativo, uma sociedade baseada em redes periféricas e centrais se desenha no maior espaço nômade jamais habitado: os comprimentos de banda, as transferências de conteúdo praticamente instantâneas com a possibilidade real de se filtrar e descartar o que não lhe pertence ou o que os indivíduos que passaram de consumidores a articuladores, provedores de conteúdo, manipulam com uma energia frenética. Sejamos todos observadores de um período incerto habitado por pessoas criadas para a certeza e a durabilidade que nos proporciona mudanças comportamentais em esferas primitivas, avançadas e paralelas. E como será o consumo em um mundo onde o centro se desloca vertiginosamente para a periferia e a periferia assume papel fundamental de condutora de sistemas ávidos por capacitação, inclusão e dedicação? Mas atenção: não falo em posicionamento geográfico. Comunicação fluida, nômade, estática, soberana apoiada em poderosos programas estratégicos e de gestão de marcas assumem espaços até então democráticos, onde os conteúdos são escolhidos e acolhidos, retransmitidos em um sistema de marketing viral fulminante. A senha desta nova ordem abrirará e descortinará as portas para uma geração que se ipod conteúdos nas esquinas dos shoppings, dos metas espaços, que experimenta compartilhamento total em redes wimax, que se habitua com o 25º horário como se faz com o horário de verão, porém, de uma forma permanente e reciclada a cada novo fuso. Vivemos em um tempo em que a nossa comunicação não reflete a realidade que vivemos. Direitos autorais CC*. Direitos de propriedade CC*. Espaços primitivos das mãos, das impressões digitais que regem as consultas numéricas de seus cpfs, mentes e consumidores que ditam o andar da carruagem gerando o marketing inverso e o hiperconsumo, sim, porque a virtualidade é medieval, a armadura que se conecta ainda é um desenho de consumo e de comportamento. Empresas que são sucesso, mas não sabem como capitalizar seus conteúdos e acessos. Universos mais democráticos, forças compartilhadas, inclusão sempre, modelos sem manual e principalmente vontade de adaptação regem as senhas que serão pedidas e perdidas para estas novas oportunidades de migração e emigração da comumicação direcionada aos nômades de hoje - os comunicativos em tempo integral, que estão em algum espaço desse mundo real.


Foto: Bárbara Zanco

MODA

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Thays Temponi:

a grife da moda festa

Thays Temponi é uma grife recente, em apenas um ano de vida criou uma reputação sólida pela qualidade e beleza de suas criações, vestidos ousados e de estilo marcante que a jovem estilista Thays imprime em suas criações.


Foto: Álvaro Fráguas

Por Diter Stein

J

ovem, formada em design de moda pela universidade Fumec, Thays Temponi tem como referência o grande estilista Valentino, especialista em vestidos de festa, sempre original e muito inspirador, por quem Thays tem paixão. A história de Thays com a arte se iniciou na infância, quando adorava desenhar de tudo um pouco, mas principalmente vestidos de noiva e retratos de pessoas. Fazia roupas para suas bonecas com retalhos que ganhava de uma tia que trabalhava com costura. Logo após a faculdade teve a oportunidade de trabalhar durante anos em uma empresa no segmento de moda festa, onde pode definir seu estilo . Em janeiro de 2013, abriu a Thays Temponi que é um nome que vem se consolidando na moda festa de Belo Horizonte e já está em mais de 72 pontos de venda em todo Brasil. Os vestidos se destacam pelo trabalhos handmade, modelagem e acabamentos, originalidade e requinte dos bordados. Thays falou com a Revista Ipê sobre seu trabalho, a moda mineira e o segmento de moda festa no país. IPÊ: A Thays Temponi é uma grife recente, mas já está em diversos pontos de venda em todo Brasil, qual é o motivo desse sucesso? THAYS TEMPONI: Acredito que o retorno positivo venha crescendo pelo diferencial das peças e dos bordados que são sempre cuidadosamente criados e elaborados a partir do tema escolhido para a coleção. Sabemos que nossos vestidos serão parte de um momento especial na vida de alguém e por isso estamos atentos a todos os detalhes. IPÊ: Como você apresenta

suas criações para as lojas? THAYS TEMPONI: Atualmente o Minas Trend Preview tem sido o nosso meio de apresentação da marca, mas já temos projetos para participar de novas feiras nacionais e internacionais e em breve ficará pronto o nosso show room. IPÊ: Como você define suas criações? THAYS TEMPONI: São únicas e atemporais, trabalho com arte e não apenas com roupa, participo da criação e desenvolvimento dos mínimos detalhes. Minas Gerais tem grandes artistas e cada uma delas tem sua particularidade e isso é o que torna a peça ainda mais especial. IPÊ: Quais as dicas que você dá para quem está pensando em comprar um vestido de festa? THAYS TEMPONI: O segredo é dosar, é tudo uma equação, pura matemática, portanto, se colocou muito no vestido, tire um pouco nos acessórios, cabelo e na make e vice-versa. IPÊ: Como está o mercado de moda de festa no Brasil? THAYS TEMPONI: Está em plena ascensão, principalmente a moda mineira, que tem se destacado e criado milhares de admiradores por todo o mundo. Nosso trabalho é muito diferenciado e artístico. IPÊ: Em quais ocasiões geralmente são utilizadas suas criações? THAYS TEMPONI: Meu público alvo são as formandas, mas também abrange debutantes, convidados e mães de noivos. IPÊ: Parece que um dos horrores de uma mulher é encontrar, em uma festa, outra com o mesmo vestido. Suas criações

Thays Temponi

são exclusivas? THAYS TEMPONI: Trabalho com exclusividade de modelo por loja, ou seja, cada loja recebe um modelo exclusivo para sua loja, que será exclusivo em sua cidade, desta forma é mais fácil administrar o que cada cliente irá vestir e evitar que este tipo de imprevisto aconteça. IPÊ: Qual é a característica de seu trabalho? THAYS TEMPONI: Desenho cada detalhe dos bordados pessoalmente a partir do tema escolhido para a coleção, após este processo de criação faço a ampliação do desenho que está na folha para o tamanho do vestido e então começo a desenvolver os pontos que serão usados no bordado, a escolha de cores e de materiais, acompanho tudo de perto e fico sempre atenta a todos os detalhes. Meus bordados são sempre originais e únicos, minhas inspirações são os meus temas.

FICHA TÉCNICA Thays Temponi Show Room Rua Miranda Ribeiro, 197 Vila Paris-Belo Horizonte- Minas Gerais (31) 3037-2002 www.thaystemponi.com REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


ARTE E CULTURA

OSGÊMEOS:

gigantes na Bienal de Vancouver Por Diter Stein

Faz tempo que o grafitti virou arte. OSGEMEOS são um desses artistas de rua. Reconhecidos e admirados internacionalmente, pintaram silos imensos na Bienal de Vancouver, grafitaram o avião da Gol que transportou a seleção brasileira. Suas exposições são sempre sucesso de público, como a “Ópera da Lua” em São Paulo.

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rabalhos de impacto! Depois de grafitar um Boeing, a dupla OSGEMEOS foi convidada para participar da última Bienal de Vancouver. Participaram pintando 6 imensos silos na área industrial da cidade, na Ilha de Granville e deixaram sua marca. Imagine um mural de 360 graus, uma grande obra em 3D, 21 metros de altura e mais de dois mil metros quadrados de área, a maior que eles já pintaram. Foi um mês de trabalho intenso. Gustavo e Otávio Pandolfo foram desafiados a encontrar um mural fora do convencional. Eles decidiram então procurar um local em que pudessem tirar a arte da bidimensionalidade e passá-la para o 3D. Além disso, queriam integrar o projeto ao cenário da cidade. “O primeiro desafio deste projeto foi o de encontrar um local que se encaixasse com a nossa ideia, não queríamos uma parede bidimensional convencional como tínhamos feito antes – queríamos algo diferente, especial e único”, explicam OSGÊMEOS. O presidente da Bienal de Vancouver diz que os canadenses ficaram muito orgulhosos com o trabalho de OSGÊMEOS no país. A obra é parte de uma série chamada “Giants“, reunindo grandes murais em países como Grécia, Polônia, Inglaterra, Brasil, Holanda e Portugal. Vancouver é conhecida pela ausência de espaços verdes, e o obje-

Foto: by roaming-the-planet

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Obra de OSGÊMEOAS na Bienal da cidade de Vancouver, Canadá. Seis silos de uma zona industrial da cidade viraram palco de uma obra de arte gigantesca, uma obra de 360 graus, com 20 metros de altura, e 2.000m2 de área pintada.

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Foto: by roaming-the-planet

ARTE E CULTURA

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Os gigantes de OSGÊMEOS, na ilha de Granville, podem ser visto de diversos pontos da cidade.

tivo de sua bienal é transformar as paisagens urbanas da cidade em exibições de arte, deixando a cidade mais alegre visualmente, um objetivo que o trabalho dos OSGÊMEOS acertou em cheio. Quem faz uma busca do nome OSGÊMEOS no Google, tem como resultado links em sites que, em sua grande maioria, estão em inglês e outras línguas, é o sucesso internacional da dupla. Realizaram inúmeras mostras individuais e coletivas em museus Exposição “Ópera da Lua”

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e galerias de diversos países, como Cuba, Chile, Estados Unidos, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Lituânia e Japão. Suas obras estão presentes em grandes coleções como: Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; Museum of Contemporary Art, Tokyo Art Museum, Japão; The Franks-Suss Collection, Inglaterra, entre outras. A mostra A Ópera da Lua, realizada em São Paulo na Galeria Forte Vilaça, antes da participa-

ção na Bienal de Vancouver, reuniu, de junho a agosto deste ano, cerca de 30 pinturas, três esculturas e uma vídeo-instalação 3D. A exposição repetiu o sucesso de público da primeira individual dos artistas em São Paulo, realizada em 2006, quando um público de quase 40 mil pessoas formou imensas filas que dobraram vários quarteirões, cujo público precisou esperar pelo menos 3 horas na fila até conseguir entrar na galeria para apreciar os famosos trabalhos dos artistas. O nome “A Ópera da Lua”, segundo OSGEMEOS, tem uma ligação com a música: “Em tudo o que fazemos que pode ser desenhos, pinturas, esculturas, instalações, há algo de novo. Sempre trabalhamos com a música em nossas obras, mas nesta mostra em especial a colocamos de forma mais intensa – daí o título “A Ópera da Lua”. Estamos explorando cada vez mais os movimentos em nossas obras, levando cada vez mais o bidimensional para tridi-


Foto: Divulgação

O avião da Gol grafitado pelos OSGÊMEOS

mensional, sempre em conjunto com a música. Nesta exposição, vamos apresentar a nossa maior escultura já realizada para uma mostra, que explora exatamente esse movimento” explicaram OSGEMEOS para a Revista Ipê. Grafitti não é uma arte que tem a unanimidade, e assim foi com o avião Boeing 737-800, grafitado pelos OSGEMEOS, a convite da Gol, para personalizar o avião que transportou a seleção brasileira. Alguns amaram e outros odiaram a recente obra de arte de OSGEMEOS, mas, onde a aeronave da Gol pousou criou um enorme impacto. Se a seleção brasileira foi um fiasco, a mesma coisa não aconteceu com o avião da Gol, que chamou atenção e trouxe uma vida nova e um forte colorido ao asséptico visual dos aviões e dos aeroportos. Segundo explicou Florence Scappini, Diretora de Marketing da GOL, assim que o avião fez sua primeira decolagem na rota Confins-Congonhas: “Esta é uma obra de arte que levaremos para todo o Brasil como uma homenagem à torcida brasileira”. A ideia ao grafitar o avião da GOL foi homenagear os brasilei-

ros e a sua etnia. Otávio e Gustavo Pandolfo, famosos por levar sua arte para as pessoas de forma inovadora, já haviam grafitado castelos, prédios, túneis e trens. Foram necessárias cerca de 100 horas para a conclusão da pintura do Boeing. Além de mil latas de spray de tintas, especiais para este novo desafio. O grafitti tem sempre um componente transgressor, e está bem representado na obra dos OSGEMEOS: “Nosso processo criativo vai do lúdico ao drama, mas sempre focando o lado positivo das coisas, por mais que ele tenha um diálogo questionador. É difícil não ter um caráter contestador vivendo em um país como o Brasil, principalmente quando utilizamos as ruas. Procuramos não teorizar sobre nossa arte para que as pessoas encontrem por si todos os possíveis significados nela contidos. O papel da arte para nós não é só o estético, mas o seu poder transformador de levar informações às pessoas de uma forma direta, seja ela clara ou camuflada, escondida atrás de uma flor ou de uma máscara. Tivemos uma escola na rua, lá apren-

demos a explorar o lugar onde moramos, a procurar o que podemos tirar dele para devolver transformado, como modificar, respeitar e se conectar com o espaço. Ao transformar uma galeria, acreditamos também estar conectando o visitante ao mundo que criamos. Mas não classificamos o que fazemos dentro de um espaço expositivo como graffiti. Graffiti é o que feito do lado de fora, na rua”.

Otávio e Gustavo Pandolfo

FICHA TÉCNICA Gêmeos univitelinos, Otávio e Gustavo Pandolfo, 31 anos, conhecidos como OSGÊMEOS, com trabalhos em Londres, Paris, Milão, Tóquio, Los Angeles, Nova York, Berlim, Havana, Hong Kong e Atenas, são representados em Nova York pela galeria Deitch Projects, que representa, entre outros, Basquiat, Keith Haring e Barry Macgee. A Nike acaba de lançar um tênis desenhado por eles. Segundo o jornal “The New York Times”, suas obras podem valer até US$ 15 mil (R$ 34,2 mil) nos EUA. REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


MÚSICA

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SKANK, EM ALTA VELOCIDADE Por Diter Stein Foto: weber Padua

Samuel Rosa, em entrevista exclusiva para a Revista Ipê, fala de Skank, futebol, Minas e do novo álbum “Velocia”, depois de quase seis anos sem gravar.

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e o Skank já tem seu nome marcado na história da música popular brasileira, com músicas como “Te Ver”, “É uma Partida de Futebol”, “Garota Nacional”, “Jackie Tequila” a “Balada do Amor Inabalável” e “Vou Deixar”, com o recém lançado “Velocia”, depois de quase seis anos sem gravar um álbum de inéditas, o nome do Skank ficou confirmado no topo das grandes bandas do pop-rock brasileiro. O pique do último Skank revela a vontade da banda em gravar um novo álbum. A banda de BH foi uma das últimas de Rock, nos anos 90, a estourar numa época em que o mercado brasileiro praticamente dava como encerrado o movimento mpb de pop-rock, construindo uma carreira sólida e coerente, tornando-se um grande sucesso e um fenômeno latino. Segundo o crítico Sílvio Essinger, do jornal O Globo, e responsável pelo texto de apresentação do último álbum do Skank,

“Velocia é o álbum que melhor traduz os anos de história da banda; é o disco que, por passear pela carreira toda do grupo, soa deliciosamente contemporâneo e familiar à primeira audição; foi concebido dentro do estúdio, de modo orgânico, sem conceitos pré-determinados; é o disco do Skank de todas as fases”. Fases que o Skank trilhou de maneira clara e segura como no início, nos anos 1990, uma época que o som da banda era mais calcada no reggae e seus arredores, presente em álbuns do grupo como “Calango”, “O Samba Poconé” e “Siderado” - com o básico, guitarra, baixo, bateria e teclados mas com muito tempero de metais e um toque dançante. Depois, a fase dos anos 2.000, mais psicodélica, menos eletrônica representada pelo “Maquinarama” e “Cosmotron”. Ambas muito bem representadas no Velocia. Gravado parte no Máquina, de Belo Horizonte, parte no AbREVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


MÚSICA

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bey Road de Londres, onde foi gravado o disco dos Beatles com o mesmo nome, Velocia foi mixado no estúdio Avatar em Nova York. O álbum mantém o bom tempero brasileiro de sempre, e no caldeirão das composições tem a presença forte de Nando Reis e a participação especial de Lucas Silveira, Emicida e Lia Paris. É sobre o novo trabalho e a estrada do Skank que Samuel Rosa fala com entusiasmo, como se a banda estivesse iniciando agora. 1 IPÊ: O futebol sempre esteve presente nas músicas do Skank. Em “Velocia”, tem a “Alexia”, que homenageia a atacante do time feminino do Barcelona, de certa forma, uma maneira diferente de abordar o futebol. Já era um sentimento que alguma coisa estava esREVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

tranha no futebol brasileiro? Acha que é o momento de repensar o futebol? SAMUEL ROSA: Eu acho que as manifestações que ocorreram contra a Copa deixaram esse sentimento estranho nos jogadores e também nos brasileiros. A Copa é algo que veio para cá e caiu junto com uma insatisfação de coisas que estão acontecendo no nosso país. Na nossa visão, a Copa é algo onde convidamos os países para verem os jogos, mas não colocamos a cerveja pra gelar e não arrumamos o sofá para recebê-los. Acho que sempre é um momento de repensar tudo o que fazemos na vida, seja qual for a área de atuação. E com certeza os últimos acontecimentos inspiram a isso. 2 IPÊ: 5 anos sem gravar, por

que tanto tempo? Estavam com sede de lançar um CD com inéditas? SAMUEL ROSA: Demoramos para lançar um álbum com músicas inéditas pois decidimos que queríamos fazer o disco quando fosse a hora certa. Não queríamos ter a obrigação de fazermos um CD a cada ano, ou a cada dois anos, sem estarmos preparados. Sentimos que esse era o momento, e tivemos 10 meses para escolhermos aquilo que queríamos, e algo que fizemos nesse álbum foi simplesmente ir pro estúdio, tocar e ver o que ia saindo, até termos algo que confiássemos. 3 IPÊ: O Skank sempre fez um rock brasileiro, misturando Brasil, pop, rock, reggae em um som e letras fortes, e com extrema personalidade, como


o Skank define o “Velocia” ? SAMUEL ROSA: Nós definimos o “Velocia” como uma representação do Skank de hoje. Investimos muito nesse álbum, cada um de nós, e como foi um álbum que não sentamos e decidimos o que queríamos fazer, apenas entramos no estúdio, tocamos e vimos o que ia saindo, percebemos que esse disco apontou mais para um Skank “do futuro”, com coisas mais inéditas e que desprenderam do que já fizemos em outros álbuns. 4 IPÊ: O Skank sempre con-

tou com parceria de outros compositores e participações especiais. Como foi a participação do Nando Reis, Lucas Silveira, Emicida e Lia Paris, no Velocia? SAMUEL ROSA: As participações vieram todas juntas. Com o Lucas, foi um encontro que tivemos no Rock in Rio e eu falei que estávamos fazendo um novo disco do Skank, e como já tinha trabalhado com o Emicida antes e queria trabalhar novamente, aproveitei a minha vontade de tabelar com cantores de outras

gerações. Já o Nando, eu senti que ele estava muito envolvido, querendo muito trabalhar com o Skank, e ele foi um elemento importante para a criação do disco. A Lia foi uma grata surpresa. Estávamos compondo uma parte mais melódica do disco e queríamos que uma mulher escrevesse a letra, ou até mesmo cantasse, e eu tinha acabado de conhecê-la. Ela gravou duas músicas com a gente, sendo que a outra será lançada no seu álbum. É bom ‘trocar figurinha’ com essa turma mais nova, que escreve e, principalmente, pensa diferente. Queremos um povo mais inquieto. 5 IPÊ: Como Minas está pre-

sente no Velocia? A banda nunca deixou BH, o Velocia foi gravado em BH? SAMUEL ROSA: Minas está totalmente presente. A maioria do disco foi gravado em BH. Só os metais que foram gravados em Londres e os arranjos em Nova Iorque.

mos o resultado incrível. 7 IPÊ: Por que o nome “Velo-

cia”?. SAMUEL ROSA: Escolhemos o nome ‘Velocia’ porque eu sou obcecado com o tempo, adoro ficar fazendo conta de quanto tempo ainda vou viver, fazer contagem regressiva e tudo relacionado ao tempo, e também sou muito ligado nas coisas do passado. Pensando nisso e no tempo que ficamos sem novidades, e associando isso a velocidade que possuímos hoje em dia com a internet, comecei a procurar variáveis de palavras relacionadas a isso e me deparei com velocia, de velocímetro. No começo, os meninos não gostaram do nome, mas acabei convencendo eles.

6 IPÊ: As capas dos álbuns

do Skank são um capítulo a parte e marcaram tanto quanto suas músicas, apesar de realizados por artistas diferentes como Gringo Cardia, Rafael Silveira, Marcus Barão, as capas dos álbuns da banda tem uma forte unidade visual. O “Velocia” tem um visual bem diferente, mais limpo, foi intencional? Como chegaram ao artista Oriol Angrill Jordà responsável pela capa? SAMUEL ROSA: Não foi intencional, foi algo onde nosso empresário Fernando Furtado nos apresentou ao trabalho do Oriol e nós gostamos, fomos atrás e pedimos para ele fazer uma capa para o “Velocia” e acha-

FICHA TÉCNICA Skank - Velocia • • • •

Samuel Rosa - vocal, guitarra e violão

Henrique Portugal - violão, teclados, guitarra e vocal de apoio Lelo Zaneti - baixo elétrico e vocal de apoio Haroldo Ferretti - bateria e percussão

www.skank.com.br facebook.com/skank

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As startups e o impacto em nossas vidas

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TECNOLOGIA

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Sérgio Passos

Formado em Ciência da Computação, com especializações em Telecomunicações e Marketing Digital, Sergio é sócio-­diretor da Take.net, empresa que presta serviços para telefonia celular. Apaixonado por inovação, acompanha e participa ativamente de eventos e fóruns sobre tecnologia e empreendedorismo. Atua como palestrante, mentor de startups e consultor na área de mobilidade.

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os últimos anos temos passado por um momento único em nossas vidas por conta dos avanços cada vez mais rápidos no campo da tecnologia. Além das evoluções no mundo digital, algo muito importante tem alterado a forma como lidamos com todas estas novidades em nosso dia-a-dia. Trata-se do surgimento das startups, empresas criadas para desenvolverem produtos inovadores, com o objetivo de resolverem problemas muito específicos da sociedade através do uso da tecnologia. Essas startups normalmente são empresas de pequeno porte, que trabalham em um cenário de muita incerteza, mas com um grande potencial de crescimento rápido. Exemplos de empresas que começaram como startups e hoje são gigantes no setor de tecnologia são o Google, Facebook e Twitter. Aqui no Brasil podemos citar o Peixe Urbano (site de compras coletivas) e o Buscapé (ferramenta de comparação de preços). Na época do surgimento destas empresas, entretanto, criar uma startup não era algo fácil: além de pensar na criação do produto em si, era necessário preocupar-se com toda a infraestrutura necessária para se colocar o negócio de pé. Após o surgimento do conceito de computação em nuvem, provedores como Google e Amazon criaram uma série de ferramentas que facilitam a vida do novo empreendedor digital, permitindo colocar no ar em poucos dias e com pouquíssimo investimento uma ideia inovadora que pode mudar o mundo de um dia para o outro. De lá pra cá começaram a surgir startups para resolver todo tipo de problema: desde encontrar a melhor opção para financiar o imóvel dos sonhos (como a startup Canal do Crédito) até chamar um táxi no momento em que mais se precisa dele (startup WayTaxi). Este movimento ficou tão importante para a economia, que vários países no mundo inteiro criaram políticas específicas para incentivar o empreendedorismo digital. No Brasil, isto não foi diferente: em 2013, o governo federal criou o Start-Up Brasil, programa para apoiar as empresas nascentes de base tecnológica. Já o governo de Minas Gerais criou seu próprio programa de apoio às startups, chamado SEED - Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development. Algumas destas startups já podem resolver problemas do seu dia-a-dia. Sabe quando você precisa encontrar um professor particular para o seu filho? Ou quando ele precisa estudar para o ENEM? Ou então quando está difícil achar um amigo para trazer aquela encomenda do exterior? Pois então, a solução pode estar no Go Aulas, App Prova ou Cabe na Mala, todas elas startups participantes do SEED, em Minas Gerais.


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O santuário do lobo-guará

VIAGENS

Por Diter Stein

A 120 km de Belo Horizonte, na região de Catas Altas e Santa Bárbara, uma boa estrada asfaltada serpenteia serra acima por entre matas, riachos e desfiladeiros. A 1.300 m de altitude, a estrada termina entre os picos das montanhas, em uma construção histórica com 240 anos, cercada por uma natureza exuberante, hoje a charmosa Pousada do Caraça. Um santuário para quem quer sentir a paz, a vida e a natureza em toda sua plenitude.

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Foto: Pablo Saborido

Caraça visto do Morro do Cruzeiro Tendo ao fundo o maciço do Inficionado (2.068 metros de altitude), o conjunto do Caraça se apresenta solitário, magnífico e fecundo. Tristão de Ataíde escreveu no Livro de Ouro dos visitantes: “Vivi de perto, com a alma transfigurada de emoção, a santa trilogia do Caraça: o silêncio, a solidão, a santidade”. Todos somos chamados à mesma experiência divina. (Pe. Lauro Palú, C. M.)

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lguns lugares, depois que os conhecemos, marcam-nos para sempre. Assim acontece com quem esteve, por exemplo, no Mosteiro do Monte Saint Michel, na Normandia, na França, cujo clima mágico acontece quando a maré sobe e faz do monte, sobre o qual está o mosteiro, uma ilha distante do continente. O mesmo clima mágico acontece, quando ao anoitecer, os lobos-guarás chegam desconfiados ao adro da Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, no Caraça, para receber a comida dos padres. Padre Lauro Palú, da Congregação da Missão que é proprietária e mantenedora do Caraça, é um exímio fotógrafo e dono de

um humor agradável. Possui uma profunda ligação com o local, para onde veio quando criança, do Paraná, em 1953, estudar no seminário que havia então, onde agora reside há um ano e meio e agora começou a liderar, como novo diretor. “Posso dizer que sempre vivi aqui, tal o encantamento que sinto por tudo o que temos neste santuário, nesta reserva biológica, neste ambiente altamente espiritual e cultural. Morar aqui é certamente um privilégio, uma responsabilidade, uma missão social”, conta o padre Lauro. Hoje, no mundo em que vivemos, o verdadeiro luxo é a simplicidade, o bom relacionamento humano, é viver a natureza de

forma harmônica, sentir o vento no rosto, e parece que, em 1774, o Irmão Lourenço, ao dar início ao Caraça, resolveu, através de sua obra, mostrar na prática como a vida pode ser diferente e extremamente rica em novas experiências e sentimentos. Os padres, conservando e desenvolvendo o lugar onde hoje funciona a Pousada do Caraça, mostram como os homens podem conviver em harmonia com a natureza. Esta é a mensagem que o local transmite, acessível a todas religiões e até para quem não as tem. Além da natureza, surpreende o visitante a obra do homem, pela maneira com foi recuperada a ruína do Seminário após o incêndio em 1968, como explica o Padre REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


Foto: Denilson Mathis

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Lauro: “No prédio sinistrado, foi feita uma reforma original, bastante eficaz, executada e concebida pela equipe de Rodrigo Meniconi, M. Edwiges Sobreira Leal, M. Beatriz Ribeiro Climaco e Paulo Hermínio Guimarães. O atual prédio, de aço, cimento armado e vidro, está apoiado nas ruínas de pedra e apoiando as ruínas. O Caraça começou há 240 anos, como um centro de romarias e um local de penitência. Quando o Irmão Lourenço de Nossa Senhora, nosso fundador, morreu, em 1819, tinha deixado as terras e a ermida em testamento para que o Rei de Portugal as confiasse a uma congregação de Padres que estabelecesse aqui uma escola para crianças e um centro de missões. O Colégio do Caraça começou logo em 1820, após a nossa chegada, e durou até REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

1912, quando ficou funcionando apenas o seminário, que formava padres para nossa Província. Depois do incêndio, que destruiu as instalações do seminário, a casa foi adaptada para receber os visitantes e o Caraça se firmou como um centro de peregrinação, cultura e turismo, hoje também muito ativo como centro de educação e preservação ambiental. Com isto, seguimos nosso destino de centro de espiritualidade e missão, de casa de educação, de polo irradiador de conhecimento e cidadania. Neste sentido, se deve dizer que o Caraça atual não são ruínas: o Caraça nunca morreu, está sempre vivo e atuante, em sua missão humanista e natural”. O clima alegre do local também acontece pela quantidade de famílias com suas crianças, hospedadas na pousada, e que

circulam pela região, trilhas e corredores da pousada, crianças que esquecem seus iPhones, tablets e joguinhos, preferindo a vida real, curiosas com os objetos do museu e de como era a vida nos tempos passados e, claro, ansiosas pelo grande evento que acontece à noitinha, que é a chegada dos lobos-guarás. O museu do Caraça tem em sua entrada uma maquete, realizada pelo Pe. Estanislau Adamczyk, que ajuda a visualizar a região como um todo, e exposições de fotos da rica biodiversidade do Caraça. Além da maquete e das fotos, o acervo encanta o visitante, como explica o Padre Lauro: “O museu tem em seu acervo a exposição dos objetos da história do Colégio e do Seminário: instrumentos e objetos simples, da sapataria, carpintaria, alfaiataria, louças e


Foto: Pe. Lauro Palú, C. M.

Vitrais da ábside da igreja - No estilo gótico, as paredes podem perfeitamente ser substituídas por vitrais, que iluminam a igreja e a vida de quem entra no santuário.

utensílios da cozinha, farmácia, gabinete dentário, marcenaria; peças dos antigos mineradores, dos professores, da sacristia, da adega, da fábrica de vinhos e cachaças; uma parte substancial de peças sacras, imagens, relíquias, paramentos, prataria. Junto à pousada está a igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, em cujo adro chegam os lobos à noitinha. A igreja é de estilo neogótico, cheia de colunas de pedra e iluminada por belos vitrais, um deles doado por D. Pedro II. Ligada aos corredores da pousada, a igreja é admirada por sua acústica, que levou Milton Nascimento a gravar em seu interior o disco da Missa dos Quilombos, que ele compusera com o Bispo D Pedro Casaldáliga. E diversos músicos já gravaram ou se apresentaram em seu interior como a flautista D. Odete Ernest Dias, que ali organizou vários

encontros de flautistas e outros instrumentistas de orquestras sinfônicas. E uma vez por mês o maestro Lucas Raposo, de Belo Horizonte, se apresenta no órgão da igreja em concertos inesquecíveis. A pousada oferece quartos bastante confortáveis, com algumas diferenças dos hotéis tradicionais: seus quartos não têm televisão, telefone, nem frigobar; as refeições acontecem em horários previamente marcados; apesar de a comida ser extremamente saborosa e saudável, é simples, realizada com produtos colhidos de suas hortas. Em Caraça a sofisticação é a simplicidade, o bem-estar. Como frisa o padre Lauro: “O Caraça oferece aos hóspedes, além das instalações, boas companhias, pois nossos visitantes são educados, gostam de uma boa leitura e são em geral bastante atentos

à limpeza dos nossos espaços, interessados na natureza, de boa conversa, instrutiva, interessada, que anima os outros a se interessarem pela natureza, pela história, pela espiritualidade, pela culinária, pelos vinhos, pela produção da horta e de nossa fazenda. Temos produção de verduras suculentas e apetitosas, como a nossa azedinha; além da dedicação e do carinho das cozinheiras contamos com uma nutricionista e uma gastrônoma e todo mundo percebe a qualidade do que come e bebe, dos salgados aos doces. Não temos aquecimento nos quartos, mas a água dos chuveiros, pelo aquecimento solar abundante, reconcilia qualquer pessoa, mesmo a mais preguiçosa, com o banho, se não preferirem ir “morrer” congelados nas águas das cachoeiras e do rio... Recebemos por ano cerca de 70.000 visitantes, dos quais REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


uns 20.000 se hospedam para dormir ou passar alguns dias conosco. Para hospedar-se, é preciso sempre reservar os quartos com antecedência, pois a procura é enorme nos fins de semana e feriados.” Para quem vem pela primeira vez ao Caraça, o Padre Lauro tem dicas interessantes sobre os guias, os passeios e o banho nos lagos e cachoeiras geladas do parque: “Tudo vale a pena no Caraça, dependendo dos interesses do turista. Há os sete picos mais procurados como o Pico do Sol, Inficionado, Verruguinha, Canjerana, Três Irmãos, Conceição e Carapuça. Há grutas, extraordinárias, as 2ª e 3ª mais profundas do mundo, em quartzito, os três maiores abismos em queda livre do Brasil, os Tanques Grande e São Luís, onde é proibido nadar, pelo perigo de câimbras fatais por ocorrência de correntes de água quente e fria simultaneamente, além das trilhas mais acessíveis, como a da Cascatinha, Cascatona, Banho do Belchior, Mirante da REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

Piscina, Gruta de Lourdes. Vale também uma visita à Fazenda do Engenho, onde se hospedam os que não conseguiram lugar no Caraça, e de onde vêm o queijo, o leite, os ovos de codorna e galinha, a carne de vaca e de porco, os frangos, as verduras, as frutas. Com a reforma e revitalização das hortas do Caraça e do Engenho, com a formação dos pomares de cima e da Fazenda, teremos frutas nas diversas estações, colhidas apenas quando maduras, o que não se vê nos supermercados há muito tempo... As caminhadas em certas trilhas e montanhas só podem ser realizadas com os guias, que se contratam por telefone, com preço que varia conforme o tamanho dos grupos”. Quem vem ao Caraça e busca também religiosidade, vai encontrar uma obra meritória católica realizada ao longo de dois séculos e meio e uma fonte constante de inspiração, em todos os sentidos. Sem propaganda ou manipulação religiosa, o local

Foto: Pe. Lauro Palú, C. M.

Foto: Diter Stein

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oferece um santuário acolhedor, inspirador, onde as pessoas têm gosto de participar . Todo dia e especialmente nos sábados e domingos são realizadas missas animadas por cantos adequados, e sermões caprichados. Sem dúvida, conhecer de perto o lobo-guará é o prêmio de quem se hospeda na pousada do Caraça, e ele é assíduo em suas visitas. Mas, além do lobo-guará, é possível avistar diversos animais, o que faz do Caraça roteiro mundial dos observadores de


Lobo-guará com sol - Nas tardes claras do horário de verão, o lobo-guará antecipa sua simpática visita ao adro da igreja. Seus pelos dourados se acendem no fulgor da tarde, fazendo-nos entender seu nome científico: Chrysócyon brachyúrus (animal dourado de rabo curto). Foto de 1º de janeiro de 2009, a mais reproduzida pelos visitantes, quando da exposição no Museu do Caraça. (Pe. Lauro Palú, C. M.)

aves. Segundo o Padre Lauro: “O lobo-guará nos visita há 32 anos, praticamente sem falhar uma noite, sobretudo agora, quando acabaram as churrasqueiras onde às vezes encontravam ossos e restos de carne, depois de suas caçadas. Eles caçam, como sempre, e vêm depois de nosso jantar, chegando das seis e meia

em diante. No horário de verão, vêm até mais cedo, com sol no pelo dourado e nos olhos de fogo. Constituem um espetáculo à parte, no Caraça, representando um contato maravilhoso com a natureza original, intacta, preservada, surpreendente e inesquecível. Neste primeiro semestre, falharam duas noites, quando

choveu bastante. Nas trilhas, durante o dia, e no asfalto, quando chegamos de noite, já foram vistos tamanduás, bandeira e mirim, macacos saúas, antas, onças pardas, uma pantera espetacular, o próprio lobo-guará, lagartos tiús, grandes cobras caninanas, cascavéis, tatus de vários tipos, pacas, veados-mateiros e catinREVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


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O Caraça, da Boa Vista - Da mesma curva caprichada do asfalto, se vê o Caraça, quando chegamos, e por isso é a Boa Vista, ou quando partimos, e então é a Curva da Saudade. Impressiona a todos os visitantes a solidão magnífica do Santuário, em meio a uma natureza esplêndida, protegida por lei e defendida pelo próprio Criador, que fez o Caraça excepcional e exemplar, como o conhecemos e conservamos. (Pe. Lauro Palú, C. M.)

gueiros, iraras, guaraxaim, jaguatiricas, etc. Na frente da igreja, além do lobo-guará, aparecem o cangambá ou jaratataca, o cachorro-do-mato, além de umas duas dezenas de aves, gaviões, jacus, passarinhos, comendo as carnes que deixamos para os lobos. No jardim em frente a casa, comem frutas e restos de pão e biscoitos os jacus, os quatis e centenas de passarinhos, seguidos pelas formigas...” Faz frio em Caraça! A temperatura média é de 15 graus. No inverno, a temperatura às vezes desce abaixo de zero, como lembra o Padre Lauro que já pegou frio de cinco graus negativos, motivo pelo qual muita gente prefere vir ao Caraça no inverno, para curtir o frio seco habitual. Mas, segundo ele, “um dos meses mais bonitos para conhecer Caraça é maio, quando o personagem principal é a luz, extremamente pura, transparente, que transfigura a gente e nos enche de uma sensação inigualável. Outros preferem outubro, com o comecinho do calor chegando, aquele ventinho nas palmeiras. Caraça atrai turistas de todo lugar: “Nos meses de férias, julho e janeiro, especialmente, a maioria dos hóspedes vem dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Durante o ano, o predomínio é de Minas Gerais. Já os estrangeiros vêm indiferentemente em todos os meses. No primeiro seREVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

mestre deste ano, já tivemos gente de 33 países. Sempre quando pergunto como souberam do Caraça me respondem que através de guias turísticos, pela internet, por amigos e conhecidos, ou por revistas especializadas para observadores de aves ou borboletas. Além de dar a dica sobre cada época para visitar a região, Padre Lauro aproveita para fazer um convite: “Conheçam o Caraça, façam uma boa viagem e sejam bem-vindos!”.

FICHA TÉCNICA Santuário do Caraça (31) 3837-1939 ou (31) 3837-2698 pousadadocaraca@gmail.com www.santuariodocaraca.com.br Caraça é o nome de um trecho da Serra do Espinhaço localizado nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, distante 350 km de Lavras e aproximadamente 5 horas de viagem. Sede do antigo Colégio e Seminário do Caraça, uma das mais tradicionais escolas de Minas, recebeu visita de Dom Pedro I em 1831 e de Dom Pedro II que fez questão de conhecer a instituição e o lugar em 1881, e teve entre seus alunos personalidades como os presidentes Afonso Pena e Artur Bernardes, e muitos que se tornaram governadores de estado, senadores e deputados e altas autoridades eclesiásticas. Hoje, a região é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). O nome oficial do local é Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens. O nome Caraça, é devido à forma de uma parte da serra, que lembra um gigantesco rosto. Para observar o lobo-guará é necessário estar hospedado na pousada, pois ele só aparece no final do dia, quando o parque já está fechado. As diárias para pouso (pensão completa) tem valores diferenciados conforme as Alas, variando para duas pessoas, de R$ 272,00 a R$ 173,00 aproximadamente.


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ESPAÇO GOURMET

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Nhoque recheado e ao molho sugo Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

Essa é uma forma diferente de fazer nhoque. É prática, fácil e a massa fica super leve! INGREDIENTES: MASSA: • 650 ml de água • 125 g de manteiga • 2 Cubos de caldo de galinha • 3 Xícaras (chá) de farinha de trigo • 500 g de batata cozida e amassada • 250 g Mussarela em cubinhos MOLHO: • 6 Tomates italianos maduros • 1 Cebola • 2 Dentes de alho • Azeite • Sal à gosto

MODO DE FAZER: MASSA: Em uma panela, coloque a água, a manteiga e o caldo de galinha. Leve ao fogo até levantar fervura. Abaixe o fogo e junte a farinha de trigo de uma só vez, mexendo sem parar até formar uma massa homogênia. Retire do fogo e deixe esfriar. Junte a essa massa a batata cozida e amassada. Faça bolinhas colocando dentro de cada uma um cubinho de mussarela. Coloque tudo em um refratário e regue com o molho e queijo parmesão ralado. Leve ao forno até gratinar.

açúcar. Bata tudo no liquidificador para ficar bem fino, e volte ao fogo para acabar de apurar. Despeje o molho sobre as bolinhas de nhoque. Dica: você pode rechear o nhoque com outros ingredientes, como bacon, peito de peru, queijo provolone...

MOLHO AO SUGO: Corte os tomates e a cebola em pedaços grandes e refogue no azeite com alho. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por pelo menos uma hora. Acerte o sal, e se necessário equilibre a acidez com uma pitada de

Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber Adega Gourmet (35) 3013-2828 REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


ESPAÇO GOURMET

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MOLHO AL FREDDO:

Frango Al Freddo de Roma Creditos: Mondrian Gourmet

N

esta edição estarei ensinando a preparar uma receita, elaborada e servida no restaurante Mondrian Gourmet aqui em São José dos Campos - SP. Com uma combinação de sabores irresistível, fácil preparação e ingredientes populares.

INGREDIENTES

RECHEIO

• 1 Coxa e sobrecoxa desossada • 200g Ricota • 1 Cebola Ralada • 100g Manteiga • 200g Fettuccini • 50ml Creme de leite fresco • 25g Farinha de trigo • 200ml Leite • 20g Queijo Parmesão ralado Folhas de Espinafre, noz moscada, sal e pimenta do reino a gosto.

Temperamos a peça de carne com um pouco de sal e pimenta, logo amassamos a ricota com um garfo e condimentamos com a cebola ralada, sal e pimenta e um pouco de manteiga e colocamos esta mistura ao centro da peça de carne. Com ajuda de um filme plástico enrolamos a peça de carne tendo o cuidado para que o recheio fique bem no centro. Feito isso levamos ao forno pré aquecido a 180ºC por cerca de 40 minutos ou até que a peça esteja douradinha. Por outro lado já colocamos nossa massa para cozinhar.

O primeiro passo é pedir para seu açougueiro que desosse uma peça de coxa e sobrecoxa. REVISTA IPÊ | OUT/ NOV/DEZ/2014

Em uma panela, colocamos o restante da manteiga e a farinha de trigo até formar uma espécie de pasta, adicionamos a noz moscada e o leite e cozinhamos até que essa mistura comece a engrossar. Adicionamos o creme de leite, deixamos cozinhar por mais alguns minutinhos. Desligamos o fogo, adicionamos o queijo ralado e regulamos o sal com a pimenta para um sabor mais pronunciado. Retiramos o filme plástico da carne, cortamos em fatias. Servimos com o fettuccini com molho. Bom apetite! Agradecimentos: Luiz Pimenta

Chef Rodrigo Salvador rodrigopsalvador@gmail.com (35) 8865-5393


vinho tinto, o clericot é feito com o branco seco ou espumante. Esta bebida é própria para nosso verão escaldante, e vai muito bem em churrascos, encontro de amigos, festas de fim de ano, apresenta baixo teor alcoólico e um rico sabor de frutas frescas. Vamos tentar melhorar o melhor, recomendo para você leitor da Revista Ipê, uma variação bem brasileira do Clericot. BRASIL CLERICOT IGREDIENTES • 150 ml de Cachaça Gouveia Brasil. • 1 maçã verde picada com casca sem sementes. • 1 rodela de abacaxi picadas. • 1/2 carambola pequena fatiada. • 1/2 laranja picada sem pele e sem sementes. • 30 ml de licor stock curaçau. • 150 ml de Soda limonada. MODO DE PREPARO Foto: Luis Saraceni

Claret Cup ou Clericot

C

idades como Punta Del Este, Floripa ou qualquer praia que tenhamos los hermanos uruguaios e argentinos, o drink que predomina é o Clericot, bebida do verão que os ingleses levaram para o Uruguai como claret cup, claret (denominação dada pelos ingleses aos vinhos de Bordeaux) rebatizada de “clericot”. Acredita-se que esta bebida tenha sido criada por Felix Kir em uma tarde ensolarada na Borgonha. O produtor de vinhos e prefeito de Dijon serviu aos seus convidados vinhos brancos frutados e frutas picadas de seu pomar, esta bebida tornou – se

um grande sucesso que a partir daí invadiu toda a Europa. Esta bebida foi levada em meados do século XIX no sudeste de Punjab, na Índia, pelos Ingleses que na Índia sofriam com o calor da região de Punjab. Eles tomavam clericot em suas reuniões, sempre com o primeiro brinde em honra do rei ou da rainha da GrãBretanha. Esta bebida foi apresentada para o Rajá (administrador da colônia britânica) e aí tornou-se a bebida mais apreciada nas festas típicas da Índia, onde o álcool era permitido. Parecido com a sangria, enquanto a bebida é preparada com

Em uma taça de vinho bordeaux, coloque gelo, as frutas, o licor e os outros ingredientes. Em seguida, misture bem. Decore com um espiral de laranja.

Derivan Ferreira de Souza Barman

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