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REVISTA

ipê

ANO III - Nº 08 - MAR/ABR/MAI 2015

MÚSICA EX-BATERISTA DO DIESEL, UDORA E SEPULTURA

REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

JEAN DOLABELLA UFLA CRESCIMENTO EM TODOS OS SENTIDOS! ENTREVISTA:

PROF. SCOLFORO VIAGENS QUANDO A NATUREZA É PERFEITA!

XCARET ECO PARK

JOÃO MENDES O suave sabor da cana

Selecionada entre as melhores cachaças do país, a Cachaça João Mendes está presente na mesa do premiado restaurante Mocotó, frequentado por pessoas que buscam o sabor da verdadeira culinária brasileira.

E MAIS: LOFT: UM NOVO CONCEITO DE MORADIA CENÁRIO PERFEITO

MOUNTAIN BIKE: PEDAL NA SERRINHA, 40 KM DE

EDUCAÇÃO: QUANDO O FILHO NÃO VAI BEM NOS ESTUDOS

ANA CAROLINA DA ADEGA GOURMET DÁ A RECEITA

TECNOLOGIA

SAÚDE

ESPAÇO GOURMET: MODA

DESIGN


ipê REVISTA

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EDITORIAL Nossa Capa

ANO III - Nº 08 - MAR/ABR/MAI 2015

MÚSICA

REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

EX-BATERISTA DO DIESEL, UDORA E SEPULTURA

JEAN DOLABELLA UFLA CRESCIMENTO EM TODOS OS SENTIDOS!

PROF. SCOLFORO VIAGENS QUANDO A NATUREZA É PERFEITA!

XCARET ECO PARK

JOÃO MENDES O suave sabor da cana

Foto: Cia da Foto Lugar: João Mendes Cidade: Perdões/MG

EXPEDIENTE

Selecionada entre as melhores cachaças do país, a Cachaça João Mendes está presente na mesa do premiado restaurante Mocotó, frequentado por pessoas que buscam o sabor da verdadeira culinária brasileira.

E MAIS: LOFT: UM NOVO CONCEITO DE MORADIA CENÁRIO PERFEITO

MOUNTAIN BIKE: PEDAL NA SERRINHA, 40 KM DE

EDUCAÇÃO: QUANDO O FILHO NÃO VAI BEM NOS ESTUDOS

MET: ANA CAROLINA DA ADEGA GOUMET DÁ A RECEITA

TECNÓLOGIA

SAÚDE

ESPAÇO GOURMODA

DESIGN

PROJETO EDITORIAL Édison Marques Júnior DESIGN E PROJETO GRÁFICO Édison Marques Júnior JORNALISTA RESPONSÁVEL Diter Stein - Mtb 12965-RJ JURÍDICO Édison Marques FOTÓGRAFOS - CIA DA FOTO José Henrique Daniel Rocha REVISÃO Pauline Freire Pimenta

REDAÇÃO Diter Stein - Editor Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber Sérgio Passos Eduardo Braga Derivan Ferreira de Souza José Márcio Faria

COMERCIAL Édison Marques Júnior Contato: (35) 9143-4125 contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br EDIÇÕES AVULSAS E ESPECIAIS contato@revistaipe.com.br Edição nº 8. Distribuição controlada IMPRESSÃO: Editora Rona TIRAGEM: 2.000 exemplares Curta a Revista Ipê no facebook Artigos assinados são de responsabilidade dos respectivos autores. Autoriza-se a reprodução, desde que citada a fonte.

UFLA: uma história feita por visionários. O progresso de Lavras, passa pela UFLA. Todo lavrense sabe disso. Quando os alunos da universidade somem em férias, o comércio local fica à míngua. Segundo cálculo realizado para a matéria sobre a importância da UFLA para a economia da cidade, escrita pelo editor da revista Ipê, Diter Stein, para o jornal Lavras News, edição de 1 de agosto de 2009, cada aluno da UFLA gasta na cidade, por mês, uma média de mil reais. Como são atualmente mais de 16 mil alunos, só os estudantes injetam mais de 16 milhões por mês na economia da cidade. Sem contar os investimentos diretos da universidade. Gerando um reflexo no faturamento das imobiliárias, indústria de construção civil, supermercados, restaurantes, bares e comércio em geral da cidade. Criada por dois visionários, Samuel Rhea Gammon e Benjamim Harris Hunnicutt, em 1908, como uma pequena escola agrícola, a instituição teve um crescimento constante. Um crescimento que culminou em uma grande explosão, que aconteceu com a gestão de dois grandes visionários, os reitores da UFLA, os professores Antônio Nazareno Guimarães e José Roberto Scolforo, que foram os grandes responsáveis pelo crescimento desenfreado da Universidade, e que incluiu hoje a UFLA entre as melhores universidades do país. Muitos projetos fantásticos para a cidade aconteceram neste período, mas alguns irão mudar a cara da cidade, como o parque científico Lavrastec, o projeto de internacionalização da universidade e o Hospital Universitário na Zona Norte da cidade, recém anunciado. Para falar desta UFLA que orgulha a todos os lavrenses, a REVISTA IPÊ entrevistou o seu reitor, o professor José Roberto Soares Scolforo. A Revista Ipê traz também nesta edição o sucesso de outro representante da região, a Cachaça João Mendes, da cidade vizinha, Perdões. E quem fala sobre a cachaça João Mendes e sua qualidade, entre outros, é o Chef Rodrigo Oliveira, de São Paulo, do badalado restaurante Mocotó, indicado como um dos melhores restaurantes do mundo pela revista Newsweek Magazine, a revista inglesa Restaurant, e pelo mais respeitado guia gastronômico do mundo, o francês Guia Michelin, além de ser apontado um dos melhores restaurantes de São Paulo por uma lista interminável de revistas especializadas. Para quem gosta de viajar e natureza, a matéria sobre o XCARET ECO PARK é imperdível, para a turma da música, entrevistamos Jean Dollbala, ex-baterista do Diesel, Udora e Sepultura, e para a turma do pedal, José Marcio preparou um super roteiro pela Serrinha. Esperamos que goste! Édison Marques Júnior Diretor da Revista Ipê


REVISTA

ipê

Mar/Abr/Mai 2015 SUMÁRIO

CAPA Um dos mais premiados restaurantes do Brasil, selecionou a João Mendes entre as melhores cachaças do país. Saiba por que pelo chef do restaurante, e o motivo do sucesso da JM, pelo mais destacado sommelier de cachaça do país.

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MÚSICA

ESPAÇO GOURMET

Jean Dolabella, baterista, entre outras bandas, do Sepultura, lembra do show no Rock in Rio, quando tocou para mais de 250 mil pessoas, e de quando recebeu as boas vindas de Fidel Castro no show em Cuba.

Talharin ao molho de tomates assados. Menos é mais: uma receita simples resulta em um prato extremamente saboroso e sutil, dica de Ana Carolina, chef do Adega Gourmet

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VIAGENS Xcaret Eco Park: em Cancun, paisagens exuberantes, atividades aquáticas de todo tipo, praias paradisíacas e shows de cultura mexicana.

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UFLA

AVENTURA

O reitor da UFLA, professor José Roberto Soares Scolforo, fala para a revista Ipê, sobre o curso de Medicina, o início das obras do Hospital Universitário, da internacionalização da instituição e do seu crescimento.

Pedalando na trilha da Serra de Ijaci. 40 km de rara beleza, trechos de sombra de árvores frondosas dos dois lados da estrada, araucárias e muito visual.

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SEÇÕES EDITORIAL

ARQUITETURA Foi em Nova York no Soho, nos anos 60, que surgiram os primeiros Lofts. Uma moradia para quem gosta de receber amigos.

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CARTAS

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COLABORADORES

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SAÚDE

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EDUCAÇÃO

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DESIGN, MARCA

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MODA

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TECNOLOGIA

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SOCIAL

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CARTAS

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EDIÇÃO 07

Envie comentários, sugestões e opiniões para serem publicados nesta seção Revista Ipê contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br O que primeiro me chamou atenção na Revista Ipê foi a entrevista com o Ozires Silva, que é uma lenda para quem conhece a história da aviação brasileira. Achei interessante como a matéria fez o paralelo entre a revolução do conhecimento aeronáutico que ocorreu em São José dos Campos com a criação do CTA e do ITA e o papel que a UFLA desempenha na região de Lavras, enfatizando a importância da educação. Essa entrevista foi só o primeiro contato com a Revista. Após isso, passei a buscar outras matérias e outras edições e gostei muito. O design me agrada e o conteúdo é moderno e diversificado.

Marcos Paulo Coelho Engenheiro da Embraer

CONTEÚDO SIGNIFICATIVO DA PRIMEIRA À ÙLTIMA PÁGINA. Quando vi pela primeira vez a revista Ipê, imaginei que seria mais uma dessas revistas de fotos, bonitinha e sem conteúdo. Já na primeira reportagem vi que estava completamente enganada. É uma revista de textos com conteúdo, dinâmica, em uma linguagem que atende a todos. Sem falar na diagramação da revista que foge dos padrões das revistas similares, tem um casamento perfeito entre texto e imagem. Conteúdo significativo da primeira à ùltima página.

Grazielle Moreira TV Universitária

REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

O Sul de Minas está em franco desenvolvimento. Lavras segue esse ritmo e necessita cada vez mais de veículos de comunicação que possam integrar clientes e empresas à informação. A Revista IPÊ tem uma importante contribuição nesse cenário.

Diego Nascimento Conheci a Revista Ipê recentemente e achei uma publicação bastante interessante, tanto pelos objetivos e matérias diversificadas produzidas quanto pela qualidade do conteúdo. É motivo de orgulho para a população da região que está sendo contemplada por material de ampla abordagem de temas, editado com primor! Aproveito, assim, para elogiar e parabenizar os profissionais responsáveis pela Revista. Com certeza vale a pena a leitura!... É conteúdo recomendado para todas as idades.

Joelma Santos

CARO DITER Fiquei honrado pela entrevista que fez comigo para a revista Ipê, de Lavras. Agradeço a introdução dando-me o rótulo de criador da EMBRAER que, como sabe, foi feita graças ao ITA e à própria Aeronáutica, pois, sem essas duas entidades, nada teria acontecido. A revista Ipê me impressionou por sua qualidade, cuidadosa redação e seleção de temas que trata com propriedade e pela qualidade de sua diagramação. Agradeço pela gentileza de ter me enviado alguns exemplares e pela entrevista que dei com muito prazer. Mostrei-a aos meus filhos e eles também gostaram muito. Abraços e muito obrigado

Ozires Silva

Fundador da Embraer


SHOW ROOM modafeminina

MULTIMARCAS Praça Leonardo Venerando, 436, loja 105, Edifício Dr. João Lacerda - Centro - Lavras/MG


Derivan Ferreira de Souza

COLABORADORES

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Derivan Ferreira recebeu o Prêmio Barman do Ano – da Revista Veja São Paulo em 2004, e Prêmio Barman do Ano da Revista Gula em 2005, 2006 e 2007. Expert em drinks, tem quase quarenta anos de profissão. Mestre Derivan – como é conhecido - é uma das maiores referências sobre drinks no Brasil. É formado pela I.B.A –International Bartenders Association e pela Hostess Schol - Instituto de Hotelaria Ernesto Maggia –Stresa –Italia. Tem 8 livros publicado sobe bebidas e drinks.

SERVIÇOS Eduardo Braga

Designer gráfico pela FUMA - 1992. Tem uma atuação intensa na área de design, gestão e co­municação pela Pessoas Comunicação de Marcas como Diretor de Estratégias Criativas.

www.fb.com/pessoasmarcam

Segue abaixo a relação das lojas e demais empreendimentos mencionados nesta edição, além das empresas que nos cederam locação ou material para fotos. Adega Gourmet (35) 3013-2828 Cachaça João Mendes (35) 3864-8727

Dr. Hermínio Amorim Filho

Cirurgião Plástico, graduado pela UFMG, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) com mais de 20 anos de profissão.

Cia da Foto (35) 3821-6269 Ermínio Amorim cirurgião Plástico (35) 3821-8008 Espaço Lago da Serra (35) 3843-1275 Frequencia (35) 3821-9777 Griss Moda Jovem

Sérgio Passos

Formado em Ciência da Computação, com especializações em Telecomunicações e Marketing Digital, Sergio é sócio­diretor da Take.net, empresa que presta serviços para telefonia celular. Apaixonado por inovação, acompanha e participa ativamente de eventos e fóruns sobre tecnologia e empreendedorismo. Atua como palestrante, mentor de startups e consultor na área de mobilidade.

(35) 3822-3048 H-Bens (35) 3013-3062 Lavras Laser Depilação a Laser (35) 3826-2889 LL Comunicação (35) 3826-4774 Pontual (35) 3822-0007

Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber

Nasceu em Lavras, formou-se em Turismo pela Newton Paiva em Belo Horizonte. Fez o curso de Cozinheiro Profissional do SENAC BH e Gastronomia Internacional pela escola de culinária Mausi Sebess de Buenos Aires. Foi chef da confeitaria do restaurante francês Alice Braserrie de Brasília, onde abriu seu restaurante. Em 2012, retornou para Lavras para assumir a Adega Gourmet.

José Marcio

José Marcio Faria é engenheiro florestal, professor da UFLA e pedala por prazer.

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Tutor & All (35) 3821-0589 Unilavras (35) 3694-8170 Unopar (35) 3694-2139 Top Negócio Imobiliários (35) 3822-6551


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O que o caso do Hidrogel nos ensinou?

SAÚDE

A indústria estética e a ética médica. Em que ponto encontra-se a sensatez?

Dr. Hermínio da Cunha Amorim Filho Cirurgião Plástico, graduado pela UFMG, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) com mais de 20 anos de profissão.

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indústria da estética possui atualizações rápidas e constantes, sempre surgem novas técnicas e novos procedimentos a serem realizados. As celebridades e high societies costumam encabeçar a lista de estreia das novas modalidades de cirurgias e tratamentos estéticos e a população, claro, quer reproduzir os resultados que costuma ver nas TVs e Revistas. Porém, é necessário ter extremo rigor e cuidado na hora de optar por procedimentos cirúrgicos. Todos eles, sem exceção, são agressões ao corpo que precisam ser dosadas e balanceadas. É claro que beleza é fundamental! Portanto, basta avaliar o seu caso com ética e respeito e determinar qual a melhor técnica a ser aplicada. “A você, cabe nunca abrir mão de realizar sua avaliação e o procedimento com um profissional qualificado e a mim, realizá-lo com moderação, respeito e ética”, explica o cirurgião plástico Doutor Hermínio Amorim. Atualmente, casos de abusos e má conduta médica na área estética têm surpreendido a sociedade pela gravidade de suas consequências. O recente caso da modelo Andressa Urach com aplicação de hidrogel teve grande repercussão e gerou uma série de discussões sobre a infindável busca por um padrão de beleza e os excessos praticados nesse percurso. O Doutor Hermínio Amorim, que é graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e possui mais de 20 anos de experiência na área, alerta para os riscos do uso indiscriminado de quaisquer produtos da área estética. Para o Dr. Hermínio, a formação humana de cada um afeta diretamente o trabalho realizado. À vista disso, um cirurgião precisa ter consciência, atentar para a avaliação psicológica do paciente e ponderar sobre a necessidade da indicação de determinado procedimento. “É obrigação do médico deixar claro ao paciente que toda cirurgia é uma agressão e tem seus riscos e que, sendo assim, a indicação de uma intervenção cirúrgica deve ser baseada no risco/benefício. O fator econômico definitivamente não pode prevalecer”, enfatiza. O especialista é também proprietário de um comtemplo centro de saúde para tratamentos de Cirurgia Plástica. Além de diversos tratamentos Estéticos Faciais e Corporais, ele comenta sobre a importância da ética médica ao administrar um espaço desses. “Conduzir o Núcleo Hermínio Amorim exige que eu tenha uma visão ainda mais completa de todo o corpo humano, é uma grande responsabilidade. É necessário estar muito atento às evoluções científicas tanto na parte cirúrgica quanto na de aparelhos, mas fazendo uma crítica rigorosa aos materiais que chegam até mim. Infelizmente, muitos deles não são sérios e priorizam, basicamente, interesses econômicos”, revela. Positivamente, ele afirma que esse cuidado proporciona uma clareza sobre o que ele realmente necessita utilizar para gerar real benefício ao paciente. Ele acredita que gostar do que faz, atuar com paixão e respeito e buscar aprimoramento constante são características importantes a um cirurgião plástico e podem evitar fatalidades como a ocorrida com a Andressa Urach.


AVENTURA

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SERRA DE IJACI SERRA DE IJACI Percurso: 40 km

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aindo do centro da cidade, passamos pelo Trevo da UFLA, Bairro Aquenta Sol e pegamos a rodovia para Ijaci (MG 335). É uma rodovia sem acostamento, portanto, muito cuidado! Vamos em direção a Ijaci até o Trevo da Boca da Mata onde, finalmente, deixamos o asfalto. Nesse ponto, já pedalamos 6,5 km. Pegamos uma estrada de terra à direita e depois de 1,8 km passamos por

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um pontilhão sobre a estrada de ferro. A partir daí pedalamos por uma estrada das mais aprazíveis para a prática do ciclismo. É a região do Imbezal. Nesse trecho, vamos quase que o tempo todo à sombra de árvores frondosas dos dois lados da estrada. É como pedalar por um túnel de árvores, incluindo algumas araucárias (pinheiro-do-paraná), com seus belos troncos e arquitetura de copa inconfundível.

Passamos por várias propriedades rurais, com destaque para uma fazenda com uma bela casa em estilo colonial e uma paineira-rosa gigante, bem à beira da estrada. Até esse ponto já são 11,5 km. É uma parada obrigatória para admirar a beleza da fazenda e da paineira. Muitos ciclistas, principalmente os iniciantes, fazem a trilha até a paineira e voltam, o que já é uma ótima pedida. Mas como o


nosso destino hoje é a Serra de Ijaci, seguimos em frente. Mais 700 m e chegamos a um “trevo”, onde pegamos a esquerda. Mais 600 m e, logo após cruzarmos um pequeno curso d’água, saímos da estrada e pegamos uma trilha à direita. Daí em diante, muita subida, até chegarmos a um pequeno eucaliptal. Nesse ponto, já pedalamos 14 km em cerca de 1 hora. Passamos por uma tronqueira e tem início a travessia da Serra de Ijaci. Como esse é um pedal contemplativo, ou seja, o objetivo principal não é chegar rápido, mas sim curtir a paisagem, os 5,5 km pela serra são percorridos em 2 h, contando as paradas para tomar água, comer uma fruta e, claro, admirar o visual lá de cima (Serra da Bocaina, Serra de Itumirim, parte da cidade de Ijaci, muito verde e o lago da Usina do Funil). A trilha percorre basicamente a crista da serra e a vegetação é do tipo Campo e Cerrado, com uma alta diversidade de espécies vegetais, entre elas, o pequizeiro, lobeira, caliandra e saco-de-carneiro. Quase ao final da serra, um belo muro de pedra, dividindo propriedades. Ao terminar a travessia, chegamos a uma estrada de terra e temos que decidir: esquerda ou

direita. 1ª. Opção: Esquerda. Se virarmos à esquerda, logo chegaremos a outra estrada de terra, próximo a Ponte do Rio Capivari e, por ela, vamos até a cidade de Ijaci (Bairro Serra), distante 7 km, sendo a metade por asfalto. De lá, continuamos por uma estrada de terra em direção aos fundos da Camargo Corrêa (fábrica de cimento), pedalamos mais 3,6 km, encontramos novamente a Estrada do Imbezal, naquele “trevo” por onde passamos na ida. Mais 12 km e estamos de volta a Lavras. Total: 42 km. 2ª opção: Direita. Ao terminarmos a travessia da serra, se virarmos à direita, evitamos o asfalto. Algumas subidas e descidas fortes por 3,7 km e encontramos novamente a Estrada do Imbezal. Mais 3 km e chegamos ao “trevo”. Pedalamos de volta a Lavras, completando 38 km ao chegarmos ao centro da cidade. Um ciclista médio (não confundir com medíocre) como eu faz esse percurso entre 4h e 4h:30h. Evite fazer essa trilha sozinho. Procure estar acompanhado por um ciclista que conheça o caminho.

Caliandra

Saco de Carneiro

José Márcio Faria Professor da Ufla

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UFLA

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UFLA

Crescendo, e ganhando o mundo!

Quando Samuel Rhea Gammon e Benjamim Harris Hunnicutt lançaram a semente da educação em solo mineiro não se podia prever o potencial das futuras colheitas. O desempenho da Universidade Federal de Lavras surpreende a todos que a visitam, fortalece a comunidade acadêmica e ampara o crescimento da cidade.

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Entrevista: Diter Stein Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

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ecentemente, o sonhado curso de Medicina teve início e acaba de ser anunciado mais um projeto visionário: a construção do Hospital Universitário na Zona Norte da cidade, em propriedade da UFLA. A imagem da pequena notável Escola de Agricultura de Lavras se transformou e está ganhando o mundo! A cada ano, muitas conquistas e desafios, novos cursos e estudantes. Para os lavrenses, o orgulho de sediar uma instituição centenária, cujo diploma sempre foi honrado pela qualidade de ensino e formação cidadã destacada. Para falar deste crescimento, em todos os sentidos, a REVISTA IPÊ entrevista o reitor da UFLA, professor José Roberto Soares Scolforo. Nas linhas que seguem, o orgulho de um professor que tem se dedicado com extremo amor às causas afetas ao ensino, pesquisa e extensão, para honrar, todos os dias, o forte nome da Universidade. 1 IPÊ: A UFLA acaba de anunciar o novo local para a construção do Hospital Universitário. Como foi esse processo e quais serão os benefícios para a comunidade? PROF. SCOLFORO: Deve ser destacada a complexidade que envolve o projeto de um hospital universitário. O importante é levar em conta que o curso de Medicina da UFLA foi anunciado sem a previsão de construção de um hospital universitário, já que as diretrizes do MEC sinalizam para uma atuação mais próxima aos hospitais da cidade que atendem pelo SUS. Porém, houve uma oportunidade e o antigo Hospital do Coração foi adquirido pela

UFLA - Departamento de Ciências da Saúde blco principal

Instituição com o objetivo de ser reformado e ampliar o número de leitos disponíveis na cidade. Esse projeto inicial foi fundamental para requerer o credenciamento do Hospital Universitário no Ministério da Educação. No entanto, ao longo das tratativas com o MEC, nós tivemos a oportunidade de negociar um hospital maior, para se tornar referência não apenas para Lavras, mas para toda a macrorregião do Sul de Minas. O contexto das negociações foi alterado com mudanças no Ministério, mas as tratativas tiveram continuidade, por meio de reuniões semanalmente em Brasília, para que o acordo de construção do hospital fosse mantido. Esse projeto prevê um hospital com 39 mil m², que será construído em três módulos, com capacidade para 350 leitos. Será na Zona Norte da cidade de Lavras, na Fazenda Muquem, propriedade da UFLA. O hospital estará estrategicamente localizado no anel viário “Presidente Tancredo Neves”, próximo ao condomínio do projeto “Minha Casa, Minha Vida”.Esperamos que os recursos para a construção do primeiro módulo estejam previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA – 2016). Para

que isso se concretize, é preciso muita persistência e muitas reuniões em diferentes ministérios. Estamos na fase de elaboração do projeto arquitetônico, realizado por uma empresa licitada no final de 2014. Esse projeto será a base para a realização de 37 outros projetos específicos que são exigidos para a construção de um hospital de referência. A nossa expectativa é que a obra se inicie no primeiro semestre de 2016. Com isso, a área do antigo Hospital do Coração terá um novo destino, vamos buscar a implantação de uma escola técnica federal, visando a agregar mais oportunidades para a população. 2 IPÊ: A UFLA realizou uma pesquisa para conhecer as principais demandas da comunidade de Lavras em relação ao novo curso de Medicina. Quais foram e como essa pesquisa interferiu no posicionamento da proposta pedagógica? PROF. SCOLFORO: O curso de Medicina foi amplamente desejado pela comunidade de Lavras e agora se torna realidade. Embora com igual importância administrativa no conjunto dos 35 cursos ofertados pela Instituição, para a Comissão de ImREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


UFLA

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plantação do Curso de Medicina ele representa a esperança de uma população, que foi a grande motivação para a elaboração de um projeto pedagógico que atenda aos anseios desta comunidade. Por isso o projeto foi amplamente discutido com especialistas e lideranças, locais e nacionais, além de uma pesquisa realizada diretamente com a população. Para que o novo curso siga aos critérios de qualidade já consagrados na instituição, tanto o projeto pedagógico, quanto sua infraestrutura, foram cautelosamente planejados de forma colaborativa por uma comissão especial de implantação. O resultado é que o curso já foi positivamente avaliado pela Comissão Especial de Avaliação de Escolas Médicas do Ministério da Educação (Ceaem-MEC). Ele atende às mudanças das diretrizes curriculares, que preveem destaque à atenção primária, à medicina da família e, sobretudo, ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Temos orgulho por iniciar o curso tão aguardado e que certamente trará reflexos positivos para a comunidade de Lavras e região. Mas também, temos a consciência de ser um grande desafio, para que a Medicina siga a linha de qualidade da UFLA e seja um curso de referência, não apenas mais um curso ofertado no País. 3 IPÊ: Qual a infraestrutura que está sendo montada para o curso de Medicina na Ufla? PROF. SCOLFORO: No câmpus da Universidade já estão em construção as infraestruturas do Departamento de Saúde (DAS), que vão ocupar uma área de 5 mil m2, incluindo dois prédios, com laboratórios específicos de última geração, como o Laboratório de Robótica, Centro de Simulação Realística, Laboratório de Anatomia e o Laboratório de Técnica REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

Cirúrgica. Os equipamentos já foram adquiridos e a Biblioteca Universitária está preparada com todo o acervo para o novo curso. Os estudantes que fazem parte da primeira turma de Medicina da UFLA terão a sua disposição, nos primeiros anos do curso, os laboratórios da UFLA que são multidisciplinares e atedem à área da saúde. Além disso, vão atuar na rede municipal de saúde de Lavras, incluindo os 18 Postos de Saúde da Família (PSFs), além dos hospitais de referência: Santa Casa de Misericórdia e Hospital Vaz Monteiro. 4 IPÊ: A aula inaugural da primeira turma de medicina foi carregada de emoção, um sonho antigo. O senhor pediu aos alunos para “não se acostumarem com a morte e a indiferença”. O que podemos esperar dos médicos que irão se formar pela UFLA? PROF. SCOLFORO: Vamos investir fortemente para a formação de um médico que prime pelo amor à profissão, pela cidadania e amor ao próximo. Na UFLA, a formação técnica será acompanhada da persistente valorização de alguns princípios que julgamos prioritários nesta profissão, como sensibilidade, solidariedade e respeito pela vida. São esses os princípios que farão de nossos egressos verdadeiros embaixadores desta Universidade. Para isso, o projeto pedagógico já considera uma integração maior com a comunidade, em especial com a população que depende do atendimento pelo SUS. Queremos que o estudante tenha vivência com a realidade local e seja solidário com as mazelas da comunidade, independentemente do poder aquisitivo do paciente. Esse é nosso grande desafio, formar médicos comprometidos com as pessoas e com o respeito à vida.

INTERNACIONALIZAÇÃO 5 IPÊ: O que é o Programa de Internacionalização da Universidade Federal de Lavras? PROF. SCOLFORO: O Programa de Internacionalização reúne ações em desenvolvimento na Instituição e traça novas metas para os próximos anos, visando a aumentar a competitividade acadêmica da UFLA em diferentes eixos prioritários (Ambiente Educacional Bilíngue; Produção Científica e Tecnológica Internacionalizada; Visibilidade Internacional e Cooperação Internacional). O princípio desse programa é estruturar a Universidade em uma série de projetos para amparar a sua projeção internacional e fazer com que a UFLA figure, ao longo de algumas décadas, entre as mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa do mundo. O sonho é ousado, mas o processo é inevitável para elevar a Universidade a um novo patamar de interação global, com destaque crescente nos rankings internacionais. 6 IPÊ: Teremos mais estrangeiros em Lavras? Quantos estrangeiros a universidade tem no momento entre alunos e professores? PROF. SCOLFORO: O Programa de Internacionalização tem, entre suas metas, a atração de estudantes e professores estrangeiros. Atualmente, cerca de 100 estrangeiros estão em atividades na UFLA e a meta é triplicar esse número nos próximos quatro anos. A ideia é que a mobilidade seja de mão-dupla, ou seja, assim como incentivamos o intercâmbio de nossos estudantes nas melhores instituições do mundo, também queremos atrair um grupo crescente para realizar um período de estudos e pesquisas na nossa Universidade. Conquista-


Foto: ASCON UFLA

Alunos estrangeiros chegando na UFLA: uma recepção calorosa para quem vem do exterior

mos 40 vagas para professores visitantes atuarem tanto na graduação, pós-graduação e pós-doutoramento, elevando o nível de internacionalização de nossa comunidade acadêmica. Essa interação é feita com diferentes países, porém, desejamos fazer grandes parcerias com países em desenvolvimento, da África e América do Sul, para fortalecer o compartilhamento de tecnologias que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas. 7 IPÊ: Acredita que a interna-

cionalização da UFLA vai beneficiar também a cidade de Lavras, ajudando a torná-la uma cidade mais cosmopolita? PROF. SCOLFORO: O estudante que vem para a UFLA, independente de ser brasileiro ou de qualquer outro país, traz benefícios para Lavras, ampliando a demanda de serviços e produtos. Existe um estudo que aponta um gasto médio mensal de mil reais de cada estudante na cidade. Além do benefício econômico, o intercâmbio de estudantes de diferentes partes do mundo contribui para a diversidade cultural e todos saem

ganhando, tanto a comunidade acadêmica, quanto de Lavras. Se o Programa de Internacionalização continuar na intensidade que esperamos, este intercâmbio será ainda maior. 8 IPÊ: Em recente palestra um

headhunter de uma empresa multinacional contou que um cliente dos EUA solicitou a contratação de um número enorme de profissionais do mundo todo, para seu quadro de pesquisas. Apesar de um número significativo ter se saído muito bem nas avaliações, aqui no Brasil, só puderam aproveitar uns 5% pois quase todos não tinham o nível de inglês exigido pela empresa. Segundo o headhunter uma das grandes dificuldades para a inserção de nossos profissionais no mercado externo, é o inglês que deixa a desejar. Faz parte dos projetos de internacionalização da UFLA, investir no inglês de seus alunos e professores? PROF. SCOLFORO: O domínio de um segundo idioma é fundamental quando se deseja ampliar as interações com instituições internacionais de refe-

rência. Antes do Programa de Internacionalização, o incentivo ao aprendizado da língua inglesa era pontual, por meio de cursos ofertados a estudantes e servidores. Agora, contamos com dois grandes programas: somos credenciados ao “Idiomas sem Fronteiras” (ISF), do governo federal, incluindo a aplicação de teste de proficiência Toefl, e também lançamos um programa institucional para tornar a UFLA bilíngue. Contratamos dois professores que já iniciaram um curso intensivo para os servidores da Instituição e outros dois professores ainda serão contratados. Muitos dos nossos estudantes já dominam um segundo idioma e estão percebendo as vantagens deste diferencial. Desejamos ampliar as oportunidades para todos, não apenas para os quem têm condições para pagar, democratizando o acesso aos cursos e a um novo mundo que se abre a partir desta fluência. Para os estudantes estrangeiros na UFLA, ofertamos o curso de Língua Portuguesa, para fortalecer ainda mais a interação.

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UFLA

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PESQUISAS & PROJETOS 9 IPÊ: Projetos da UFLA são frequentemente divulgados em programas de abrangência nacional, como o Sistema Urubuzar e o polímero que retém água na cultura do café. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) também esteve presente em diferentes veículos de mídia de todo o país. O que é o CAR, qual sua importância para a UFLA e que benefícios esse projeto traz também aos alunos da universidade? PROF. SCOLFORO: A exposição na mídia reforça a imagem da UFLA como uma instituição alicerçada em diferentes áreas do conhecimento e demonstra o crescimento da inserção de um maior número de professores e estudantes em projetos de referência nacional e até internacional. O CAR é o projeto de maior abrangência na Universidade e um dos maiores cadastros georreferenciados do mundo. Foi desenvolvido pela equipe do Laboratório de Estudos e Projetos em Manejo Florestal (Lemaf), envolvendo mais de 150 pessoas, entre profissionais e estudantes. A meta é que sejam cadastrados no Sistema NaREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

cional mais de cinco milhões de propriedades do País, além de cerca de 55 milhões de hectares de assentamentos rurais e unidades de conservação. O CAR é um registro eletrônico obrigatório para os imóveis rurais, implementado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) desde o primeiro semestre de 2014. A Plataforma, desenvolvida pela UFLA, permite a efetiva aplicação do Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012), pois inclui uma base de dados que integra as informações ambientais com fotos de satélites disponíveis a toda população. A partir dela é possível o registro e a posterior conservação de remanescentes de vegetação nativa; áreas de preservação permanente e reserva legal. Antes, as pessoas eram fiscalizadas para receber multas, agora o cunho é educativo. Funcionará como um imposto de renda, para o monitoramento de toda a vegetação do Brasil. Para os estudantes, o benefício é enorme, já que além de estarem participando do desenvolvimento de um projeto de abrangência nacional, eles estão sendo capacitados para atuarem em diferentes áreas, seja na elaboração do cadastro ou

mesmo em projetos de reflorestamento de áreas degradadas. Do ponto de vista de desenvolvimento do País, o CAR propiciará uma ação preciosa de recomposição das nascentes e da preservação da biodiversidade. 10 IPÊ: A UFLA é hoje um o principal local do lavrense para a prática de corrida e caminhada. Outros projetos em andamento, como a nova pista de atletismo, também estarão à disposição dos lavrenses? PROF. SCOLFORO: A aproximação da Universidade com a comunidade local é uma recorrente preocupação desta Instituição. Uma forma singela de integração é justamente dotar o câmpus da UFLA de espaços para o lazer e a prática de esporte, de maneira tranquila e segura. Para isso, também é preciso que as pessoas que usufruam desses espaços sigam algumas regras. Este é um patrimônio do povo brasileiro, em espacial da população de Lavras, que carece de um projeto urbanístico que atenda aos anseios de uma população crescente. A Pista de Atletismo do


Centro Esportivo de Alto Rendimento, especificamente, terá um acesso restrito, pois será utilizada para o treinamento de atletas destacados e também para atender ao projeto CRIA Lavras, projeto de referência em inserção social que atende a mais de 550 crianças e adolescentes de Lavras e mais oito cidades da região. Recentemente, recebemos o treinador Santiago Antunes, de Cuba, considerado o melhor treinador de saltos com barreiras para oferecer um treinamento na UFLA e ele ficou encantado com o projeto e com o potencial de nossos atletas. Ele confirmou que os atletas de alto rendimento, que treinarão nesta pista, têm potencial para o sonho olímpico. Mas a UFLA tem outros espaços que tem sido a opção de muitas pessoas para a prática de esportes, por isso, já disponibilizamos estagiários para orientar algumas ações dentro do câmpus. Outro exemplo é o Circuito UFLA de Corrida, realizado em quatro etapas anuais na Universidade, que já se tornou um evento de sucesso. A UFLA é uma das universidades que mais incentiva as atividades esportivas, sendo

a primeira a oferecer a bolsa atleta e bolsas para monitores das atividades esportivas, além de investir em equipamentos, infraestruturas e apoio para participação de estudantes em representações estudantis e em eventos esportivos. O esporte é uma forma de contraposição aos excessos que queremos evitar e são característicos da faixa etária prevalecente entre estudantes da graduação. O estudante que se dedica ao esporte dificilmente se desvia de seus sonhos e metas. 11 IPÊ: No início de abril, a UFLA teve o seu nome mais uma vez veiculado em programa da Rede Globo, de abrangência nacional. O programa Como Será, apresentado pela jornalista Sandra Annenberg, trouxe entre os destaques o Plano Ambiental e Estruturante da UFLA, colocando a instituição como exemplo de sustentabilidade. Este é mais um orgulho para a UFLA? PROF. SCOLFORO: O Plano Ambiental da UFLA é um orgulho não apenas para a comunidade acadêmica, mas também para

Lavras e para o País. Temos sido destacados como exemplo para instituições públicas e privadas, em virtude das práticas que realizamos no câmpus da Universidade. Recentemente, a UFLA foi reconhecida como exemplo de sustentabilidade, ocupando a 26ª posição, no mundo, no ranking internacional Green Metric World University, além da melhor colocação de uma instituição da América Latina. O princípio básico que nos motivou a investir neste plano foi que nós ensinávamos todas as práticas de desenvolvimento sustentável, de manejo e conservação do ambiente, mas não as praticávamos. O mais importante é que agora estamos ensinando aos nossos estudantes o valor do crescimento sustentável, contribuindo para a formação de profissionais comprometidos com a preservação ambiental, por meio de diversas ações que podem ser vivenciadas na própria universidade. Este é o resultado de um esforço coletivo, que envolve toda a comunidade acadêmica.

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EDUCAÇÃO

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Meu filho não vai bem nos estudos... A s dificuldades no aprendizado podem decorrer de falhas no método de ensino e no ambiente escolar. Também podem pesar fatores relacionados à vida familiar e às condições psicológicas das crianças. Nos transtornos ou distúrbios de aprendizagem, há problemas em áreas específicas do cérebro. “Há uma característica de origem genética, neurobiológica. A criança nasce com uma falha de processamento. Não quer dizer que não vá aprender, ela vai, só que de uma forma diferente”, diz Sylvia Ciasca, docente em neurologia infantil na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Laboratório de Dificuldades, Distúrbios de

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Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da instituição. Segundo a professora, os distúrbios são mais raros que as dificuldades escolares. Rosa Maria Junqueira Scicchiato, psicopedagoga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que, em sua experiência de atendimento clínico, é mais comum se deparar com problemas do sistema educacional. “Já vi casos de meninos que não sabiam ler e escrever porque nunca ninguém tinha sentado com eles e ensinado. Apenas isso. Não tinham nenhum transtorno. Foi só dar atenção, usar método adequado, e eles aprenderam.” Para ela, salas lotadas e formação de professores

Por Bruno Gomes Fotos: Divulgação

deficientes em todo país são os maiores vilões do ensino. Quais são os principais transtornos.

As pesquisas científicas sobre distúrbios de aprendizagem são relativamente recentes – ganharam relevância a partir dos anos 1980. Ainda não existem testes padronizados mundialmente para diagnosticá-los, embora haja referências importantes. Com isso, é difícil encontrar crianças com diagnóstico fechado de outros transtornos além dos mais conhecidos como dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou sem Hiperatividade (TDA).


A dislexia é um distúrbio específico das operações relacionadas ao reconhecimento das palavras, segundo definição do livro Transtornos da Aprendizagem: Abordagem neurobiológica e multidisciplinar, da neuropediatra brasileira Newra Tellechea Rotta e outros autores (Editora Artmed). Os disléxicos têm dificuldade para identificar as letras com precisão e velocidade e para formar as sílabas. Há diferentes graus de comprometimento e os sintomas variam conforme a idade. Crianças em fase escolar costumam sofrer para adquirir a habilidade de leitura e escrita e, quando conseguem, fazem tudo num ritmo mais lento que os colegas. Para elas, são atividades penosas copiar textos da lousa, escrever redações e fazer provas dissertativas.

se adaptar e encontrar outras formas de cumprir suas funções.

Um adulto com dislexia apresenta falhas principalmente no hemisfério esquerdo do cérebro e em regiões parietais – áreas responsáveis pelo processamento da linguagem. Elas acabam sendo menos ativadas do que deveriam no momento da leitura e da escrita. Com tratamento, o disléxico consegue aumentar a ativação das regiões, mas nunca da mesma maneira que uma pessoa sem o transtorno. Sylvia Ciasca, da Unicamp, afirma que o cérebro é capaz de

ções físicas, mentais e sociais. “Nem sempre o adolescente está preparado para tanta mudança. Não tem as informações sobre si mesmo, nem sobre o mundo, na qualidade e na quantidade adequadas às suas necessidades de respostas, aos seus questionamentos”, afirma Miguel Perosa, psicoterapeuta e professor da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Problemas familiares, festas, drogas e choque de gerações

A fase adolescência por si só já atrapalha os estudos... “Alguns adolescentes conseguem ter muitas atividades e ainda ir bem na escola, outros precisam de mais tempo para estudar” As notas do seu filho pioraram de uma hora para outra? De repente, ele pintou o cabelo de azul e ficou agressivo com os professores ou com colegas? Ele só quer saber de dormir quando chega em casa? Deixou os estudos de lado? Esses comportamentos podem ser mais comuns do que se pensa na adolescência, etapa do desenvolvimento caracterizada por muitas altera-

são fatores que, há algumas décadas, vem tornando essa fase da vida ainda mais complicada e contribuem para a dificuldade dos jovens em se concentrar na escola. E essa lista só tem aumentado. No século 21, a internet, o celular e o MP3 se somam aos antigos problemas. Com tanta coisa nova, o professor diante da lousa parece pouco interessante. Tudo isso contribui para que muitos jovens tenham problemas na hora de estudar. O resultado é um desempenho escolar ruim ou uma queda momentânea nas notas. É sempre bom ter em mente, no entanto, que ter problemas nessa fase é normal. “Filhos muito normais também devem ser motivo de preocupação”, alerta Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo(USP). “Não é normal ter as escolhas definidas demais nessa idade. Ter problemas e dúvidas faz parte do desenvolvimento.” Seu filho está com problemas para estudar? Descubra se isso se deve a dificuldades de aprendizagem ou a problemas comportamentais. Diante dessa situação, muitos pais e muitos professores ficam sem saber como agir com seus filhos adolescentes. Pensando nisso, psicólogos, educadores e coordenadores pedagógicos listam os principais problemas dos adolescentes na hora de estudar. PRINCIPAIS PROBLEMAS 1. Uso exagerado de internet 2. Uso de drogas 3. Uso do celular em local de estudo 4. Excesso de atividades extra sala 5. Problemas familiares 6. Sexualidade 7. O bullying * Texto retirado e modificado da revista época 30/08/2012 REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


JOÃO MENDES:

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O suave sabor da cana Por Diter Stein Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

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Selecionada entre as melhores cachaças do país, a Cachaça João Mendes está presente na mesa do premiado restaurante Mocotó, frequentado por pessoas que buscam o sabor da verdadeira culinária brasileira.

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tir o sabor da cana-de-açúcar em uma caipirinha. Foi por este motivo, pela constância de sua qualidade, e por melhor se harmonizar ao sabor das frutas, que a cachaça branca João Mendes foi escolhida há 13 anos, para as caipirinhas servidas no restaurante do consagrado Mocotó, que serve mais de 60 mil doses por ano.

Revista VIP de 2011.

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culinária brasileira está em alta. Um exemplo é o Restaurante DOM, do chef Alex Atala, de São Paulo, eleito, por anos seguidos, como o sexto melhor restaurante do mundo, pela bíblia dos gourmets, a revista inglesa Restaurant, e o único restaurante brasileiro com 2 estrelas do Guia Michelin, que elege desde 1900 os melhores restaurantes ao redor do mundo. Outro exemplo é justamente um dos preferidos do chef Atala que, como diz, “o emocionam em comer”. É o Restaurante Mocotó, do Chef Rodrigo Oliveira, de São Paulo, que também recebeu estrela do Guia Michelin e é um dos melhores do mundo, segundo a “101 World Best Restaurant” da revista Newsweek Magazine, e um dos melhores da América Latina, segundo a revista inglesa Restaurant, além de ser apontado um dos melhores restaurantes de São Paulo por uma lista interminável de revistas especializadas.

Sommelier Leandro Batista

Rodrigo Oliveira recebeu um pequeno comércio de produtos de comida nordestina de seu pai e o transformou em um restaurante que hoje é referência em comida brasileira.Criou uma releitura da culinária nacional e, para acompanhar suas iguarias, como não podia deixar de ser, buscou, na brasileira cachaça, a bebida ideal. Para satisfazer ao paladar apurado de seus clientes, criou um profissional que realizasse uma seleção do que existe de melhor em cachaça no Brasil. Assim como os mais sofisticados restaurantes tem um sommelier para cuidar da carta dos vinhos, o Mocotó tem um especialista na carta de cachaças. A Cachaça João Mendes recebeu o segundo lugar no ranking nacional de cachaças brancas da “Revista Vip 2011”, promovido pela revista da editora Abril. A cachaça branca, pelo seu sabor e suavidade, é a cachaça ideal para quem quer sen-

Leandro Batista, primeiro sommelier de cachaça do Mocotó, hoje um dos maiores especialistas e divulgador da bebida no Brasil e no exterior, consultor de restaurantes e de produtores, explica como conhecer uma boa cachaça: “A grande diferença entre as cachaças está na maneira como são destiladas, as industriais são destiladas em coluna e as artesanais em alambiques e, de uma maneira geral, as artesanais são mais saborosas. Mas não basta ser de alambique para ser boa. Tem muita cachaça de alambique que não atende às expectativas. Outra diferença importante está entre as cachaças brancas, que por serem armazenadas em tonéis de aço ou de madeira revestidas, mantém apenas o sabor da cana-de-açúcar, e por este motivo harmonizam bem com o sabor das frutas. Já as cachaças envelhecidas em tonéis recebem o sabor e o aroma de REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


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cada madeira. São mais de 20 tipos de madeira, o bálsamo, por exemplo, transmite um sabor de anis, assim como as envelhecidas em carvalho transmitem a sua característica”. Apesar de muito saborosas, os fabricantes de cachaças artesanais tem bastante dificuldade em manter o mesmo padrão ao longo dos anos, explica o sommelier Leandro Batista: “Acontece com certa frequência você se frustrar ao tomar uma cachaça que adorou no passado, e hoje está com um sabor totalmente diferente. É que muitos alambiques artesanais investem pouco em tecnologia, não mantém sempre o mesmo cuidado durante a fermentação e destilação, fazendo com que o sabor oscile. Além do seu sabor, uma das grandes qualidades da Cachaça João Mendes é manter sempre o mesmo padrão e qualidade. Ao longo destes mais de 13 anos que a conheço, ela manteve sempre exatamente o mesmo sabor. Um cuidado que a Cachaça João Mendes mantém também em suas cachaças REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

envelhecidas em barris, mantendo sempre uma equilibrada nota de carvalho, mas sem encobrir o sabor da cana-de-açúcar e assim como as brancas, e suas cachaças envelhecidas, mantém sempre o mesmo padrão” A história de uma das melhores cachaças do país teve início em uma pequena propriedade em Perdões, perto de Lavras, na região dos Campos das Vertentes, Minas Gerais. O Sr João Mendes era um pequeno agricultor habilidoso e rigoroso com a qualidade. Ao iniciar sua cachaça, como não podia deixar de ser, seguiu os seus rígidos padrões para produzir uma autêntica e verdadeira cachaça mineira. E como é no canavial que começa uma boa cachaça, procurou um grande conhecedor no cultivo de cana-de-açúcar, o professor Luis Antônio de Bastos Andrade, o Chacrinha,especialista da Universidade Federal de Lavras – Ufla. “O Sr João Mendes há uns 20 anos me procurou aqui na universidade, com uma proposta curiosa, queria fazer uma plantação de cana, dentro dos mais

rigorosos padrões para a produção de sua cachaça e gostaria que a Universidade Federal de Lavras, a UFLA, o ajudasse com seu conhecimento. Em contrapartida, oferecia seu sítio, maquinário, mão de obra e sua produção de cana e cachaça como um laboratório para que a UFLA pudesse realizar seus estudos em campo” explica o professor Luís Antônio de Bastos Andrade. “Percebi que o Sr. João era um pessoa determinada, diferente, e que faríamos uma ótima parceria, com resultados interessantes para as duas partes. Fizemos a parceria e até hoje os canaviais da Cachaça João Mendes é um dos principais laboratórios nas experiências no cultivo da cana de açúcar da UFLA.” Conforme explica o professor Luis Antônio de Bastos Andrade, “O tipo da cana-de-açúcar não interfere no paladar da cachaça,

Prof. Luis Antônio de Bastos Andrade

o sabor da cachaça acontece na maneira correta de processá-la, e, importante também é o solo e as questões climáticas, sol e chuva na hora certa. É por esse motivo que as cachaças do Sul de Minas, por exemplo, são mais suaves.” A Cachaça João Mendes sempre seguiu as orientações de Luís Antônio de Bastos Andrade da UFLA, lembra bem humorado o professor: “Quando o canavial foi


Engenho de dois ternos para cana triturada

tomado pela broca, sugeri que a melhor maneira de combater seria o controle biológico realizado pela vespinha, o Sr João Mendes não conseguiu levar a sério, mas como confiava muito na gente, as vespinhas foram compradas e soltas no canavial. Resolvendo o problema, acabando totalmente com as brocas, mantendo seu canavial limpo de agrotóxicos, o que fez do Sr João Mendes um entusiasta do controle biológico em seu canavial”. “A parceria se tornou uma grande amizade e deixou muita saudade. Ele faleceu, mas o seu espírito e a preocupação em fazer sempre o melhor, o João Mendes passou para seus filhos, que sentiram a falta do pai, mas tocaram a empresa com o mesmo carinho, sem perder o sabor do processo artesanal. Estão sempre modernizando, investindo e melhorando o processo, para manter a qualidade inalterada,como fizeram com o engenho que trocaram recentemente e agora moem a cana picada e não a cana inteira com um rendimento 70% melhor.” explica o professor Luis Antônio de Bastos Andrade. Além do plantio, a Cachaça João Mendes tem parceria também com o Departamento de Química da UFLA. Para garantir a qualidade da bebida inalterada em todo processo químico, Maria das Graças Cardoso, professo-

profª. Maria das Graças

ra da UFLA e do único curso de pós-graduação em tecnologia de cachaça do país e coordenadora do livro “Produção de Aguardente de Cana”, editado pela Editora UFLA, comenta a parceria: “Um aprende com o outro, a Cachaça João Mendes é como uma extensão do laboratório para nossas pesquisas. Trabalhamos juntos há uns 10 anos. Cinco vezes por ano, a João Mendes, no princípio da safra, nos manda amostras para analisarmos, e segue a risca nossas sugestões para melhorar o sabor, o aroma e a qualidade que, entre outros, é mantida por diversos parâmetros físico e químico”. Uma das partes delicadas do processo produtivo da cachaça é a fermentação, a assepsia, a higiene para evitar a proliferação das bactérias, e é muito importante seguir os pa-

drões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento- MAPA, explica a professora Maria das Graças: “A destilação da cachaça artesanal mineira é feita em sua maioria em alambiques de cobre, o que faz toda a diferença, transformando alguns compostos da bebida em compostos de sabores mais agradáveis, mas ao mesmo tempo é fundamental observar o processo de separação das frações, somente utilizar o “coração” da destilação, descartando a “cabeça” que é a primeira parte da destilação e a “cauda”, o final, pois o início e o fim contém elementos tóxicos como o metanol, azinhavre, aldeídos, infelizmente não são todas as cachaças artesanais que seguem estes procedimentos. Já a destilação industrial, feita em coluna, não é realizada em frações, é feita toda de uma vez, o que dá uma grande diferença no sabor”. Seguindo as orientações de seus consultores, mais a tradição da boa cachaça artesanal mineira e o conhecimento que receberam do pai, os irmãos modernizam equipamentos e buscam sempre melhorar o processo, para manter inalterado, em cada garrafa que leva o nome da família João Mendes, o aroma e o paladar de uma boa cachaça artesanal mineira.

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Como acontece a cada safra da Cachaça João Mendes, ela é analisada no Laboratório de Análise de Qualidade de Aguardente, situado no Departamento de Química do Campus Universitário da UFLA, o que ajuda a manter sempre a mesma qualidade de uma autêntica cachaça artesanal mineira, ao longo dos anos. REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


Rodrigo de Oliveira Gastronomia de raiz

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pesar de premiado, o preço do Restaurante Mocotó é acessível, o que realiza uma simpática mistura entre seus clientes, celebridades e gente comum, todos em busca de uma experiência memorável com a cozinha do restaurante. Não é pouca coisa, o restaurante é estrelado pelo tradicional Guia Michelin que elege desde 1900 os melhores restaurantes ao redor do mundo, um dos melhores restaurantes da América

Latina, pela lista 50th Best, da revista Restaurant, de Londres, e um dos melhores do mundo pelo 101 World Best Restaurant, da revista Newsweek Magazine. Seu Chef, Rodrigo de Oliveira, é Chef do Ano por uma lista interminável de publicações,além de ter sido escolhido “um dos brasileiros mais influentes da década”, pela revista Época da Globo, por sua contribuição a gastronomia e cultura brasileira.

Por Diter Stein Fotos: Ricardo D’Angelo

1 IPÊ: O Mocotó foi um dos primeiros restaurantes a ter um Sommelier especializado em cachaça, como surgiu a ideia? RODRIGO OLIVEIRA: A ideia não foi de estalo, na verdade foi acontecendo de forma natural, do tempo em que tínhamos o pequeno empório do outro lado da rua. Desde esta época era natural que tivéssemos cachaças a venda. Tempos depois, com o Mocotó já estabelecido, percebemos que este conhecimento REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


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precisava ser organizado. O que fizemos foi aproveitar o enorme interesse mostrado pelo então garçom Leandro Batista e passamos para ele a incumbência de organizar as garrafas. Nesta tarefa foi nascendo o interesse de Leandro pelo tema. O resto ficou por conta de sua imensa vontade de aprender, estudar, aprofundar… daí nasceu o nosso primeiro sommelier. 2 IPÊ: Por que escolheu a ca-

chaça João Mendes para suas caipirinhas? Quantas caipirinhas servem por mês? RODRIGO OLIVEIRA: Conheço a João Mendes há mais de 10 anos, durante uma viagem que fiz pelo interior do país para conhecer diversos alambiques. A cachaça João Mendes me impressionou por todo seu conjunto, a história da família, o cuidado em todas as etapas de produção e o resultado final: uma cachaça de primeira. A escolha para servir de base às nossas caipirinhas foi pelos fatores acima e pela pureza da cachaça branca, que harmoniza perfeitamente com as frutas que trabalhamos. Servimos cerca de 5.000 caipirinhas por mês. O que faz da João Mendes um produto de excelência é o conjunto, que pode ser entendido no cuidado, e, principalmente, na regularidade e permanência de todos estes pressupostos. 3 IPÊ: Qual a importância do Alex Atala, Chef do DOM, para o Mocotó? RODRIGO OLIVEIRA: Alex é um de nossos “nortes”, talvez o mais reluzente deles. Seu brilho deriva não do espaço que ocupa, merecidamente, hoje na mídia mundial, mas exatamente ao contrário. Seu trabalho obstinado pelo produto e produtores brasileiros de qualidade, o caráter inovador e sua conduta – notadamente agora no Instituto ATA, fazem do Alex um de nosREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

sos melhores luminares. E com muito orgulho, temos a sorte de ter o Alex em nossa mesa, de vez em quando! 4 IPÊ: Qual o cuidado do restaurante Mocotó em relação a seus clientes? RODRIGO OLIVEIRA: Uma das coisas que, penso, fazem do Mocotó um destino apreciado por gente de projeção é nossa discrição em relação a essas pessoas. O respeito a sua privacidade, ao momento em que temos que dedicar toda nossa atenção, que é a experiência da comida. Por isso procuramos não fazer muitas fotos e outros tipos de divulgação com relação a essas pessoas. Gostamos de pensar que os chamados “famosos” vem até nossa mesa pelos mesmos motivos que os anônimos – uma experiência memorável com a nossa cozinha. Mas podemos listar entre os clientes notáveis, alguns presidentes da República, incluindo outros países, prefeitos, primeiros ministros, chefes internacionais, esportistas e artistas de projeção, gente que nos traz orgulho e alegria, compondo, com o pessoal simples do bairro, nosso estímulo de fazer cada dia melhor nosso trabalho.

5 IPÊ: Qual a importância da cachaça para o Mocotó? RODRIGO OLIVEIRA: A cachaça faz parte de nosso universo desde sempre. Do pequeno empório de meu pai, passando por nossa nomenclatura nos anos 80 (“Restaurante e Cachaçaria”) até este momento, dedicamos atenção especial ao produto, desenvolvendo alguns blends, auxiliando produtores e, sobretudo, orientando nossos clientes sobre este patrimônio da nossa cultura. No Mocotó temos o orgulho de ter tido uma pequenina parcela nesta maravilhosa evolução da cachaça – de um destilado bruto a um produto com nuances sensoriais absolutamente únicas no mundo.

FICHA TÉCNICA Cachaça João Mendes www.cachacajm.com.br Mocotó www.mocoto.com.br Esquina Mocotó www.esquinamocoto.com.br Sommelier Leandro Batista sommelierleandrobatista@gmail.com (11) 95324-6047


CAIPIRINHA TRÊS LIMÕES, DO MOCOTÓ Rodrigo de Oliveira entregou para a Revista Ipê o segredo da caipirinha mais pedida no restaurante Mocotó. Veja receita:

INGREDIENTES • 1 limão Taiti • 1 limão Siciliano • 1 limão Cravo • Açúcar aromatizado com especiarias • Gelo • Cachaça prata João Mendes MODO DE PREPARO Corte a metade dos limões, retire a parte branca do centro, selecione meio de cada e seccione em fatias. Macere suavemente com o açúcar de baunilha. Complete com gelo, dependendo do copo de 6 a 8 pedras.. Despeje sobre a mistura uma dose de cachaça. Com a colher bailarina faça a mistura que ficou no fundo do copo incorporar-se melhor ao conjunto. Sirva imediatamente. REVISTA IPÊ | OUT/NOV/DEZ/2014


ARQUITETURA

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LOFT:

um conceito diferente de moradia Sucesso nas grandes cidades! Tem a cabeça aberta? Gosta de receber amigos? Curte ambientes integrados? Gosta de uma decoração ousada? Então você está procurando um Loft! REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


Por Diter Stein Foto: Jonas Grebler

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Arquitetos Danilo de Pina e Fernando Pereira (31) 9195-8797 / (31) 8365-1107 / (31) 8788-5546 danilodepina@gmail.com fernandocesararq@hotmail.com

oi em Nova York no Soho, nos anos 60, que surgiram os primeiros Lofts. Procurando locais mais baratos para morar e que pudessem servir também de atelier para pintar suas telas, os artistas plásticos da época acharam os prédios abandonados das fábricas da região portuária de Nova York, empresas de confecções e depósitos abandonadas, e transformam esses ambientes em suas moradias e ateliers. A medida que esses artistas se tornaram famosos, não só seus trabalhos ganharam espaço na mídia, mas também o estilo de vida e os lofts onde moravam. Os lofts, espaços sem parede, com uma decoração diferente, feita por estes artistas de vanguarda que nele viviam, passaram a servir de cenário para muitos filmes. O cinema começou a utilizar esses espaços charmosos para contar suas histórias, como “Ghost”, “After Hour” e “Contos de Nova York” tornando o estilo de moradia popular. É um lugar aberto, geralmente com o pé direito alto, quase sem paredes e divisões, como eram os galpões. É um espaço onde a pessoa pode usar e abusar da criatividade na decoração. Também no Brasil, as possibilidades que o ambiente permite fizeram aumentar cada vez mais as construções com esse conceito. É um ambiente aconchegante, permite uma decoração peculiar e, por não ter paredes, cria um grande ambiente único, perfeito para receber amigos. Nesta edição da Revista Ipê apresentamos o projeto desenREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


volvido pelos arquitetos Danilo de Pina e Fernando Pereira para a Casa Cor Minas 2014 que foi inspirado na realidade de um jovem solteiro ou um jovem casal. “Tivemos como premissa trabalhar a amplitude espacial do loft, porque ele tem só 45 m², então queríamos que ele parecesse um pouco maior, tínhamos também como objetivo ter um espaço completamente permeável visualmente, permitindo ao usuário visualizar o loft por inteiro logo que abrisse a porta, e por último, ter todos os espaços integrados.” explicam os arquitetos responáveis pelo projeto. Para que tudo isso fosse possível, depois de eliminadas todas as paredes internas do ambiente, foram projetados dois

ARQUITETURA

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móveis (estante na sala e armário no quarto) completamente vazados, sem fundo, permitindo assim a permeabilidade visual entre os ambientes, e a interação entre os mesmos, a TV instalada na estante da sala é outro ponto forte de integração entre os ambientes, pois foge do convencional, que é ter uma sala de estar com o layout virado totalmente para ela. Por exemplo, no Single Loft, os ambientes estão todos voltados para a vista, e a TV é que se vira para os ambientes, atendendo a todos eles, desde a banheira na varanda até a cozinha. Com relação à amplitude espacial, os arquitetos criaram um fundo branco, revestido com placas cimentícias da Castelatto (Scaleno) que tem textura geometrizada contrastando com o resto do loft que foi revestido por completo com microcimento, que é uma argamassa que tem uma textura semelhante ao concreto (utilizada no piso, parede, teto e no revestimento das bancadas da cozinha e do banheiro). “Esta placa cimentícia com a iluminação cria um jogo de luz e sombra, e dá a sensação de profundidade, deixando o ambiente parecer mais amplo” explicam os arquitetos.

FICHA TÉCNICA Single Lofth (Casa Cor Minas 20014) Danilo de Pina e Fernando Pereira Quitinete, Loft, Flat, o que é cada um? Muita gente confunde conjugado, quitinete, loft, estúdio ou flat. Para tirar as dúvidas a Revista Ipê pesquisou e explica:

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• Conjugado ou kitchinete: é a mesma coisa, uma utiliza o inglês, “cozinha pequena” para dar nome a mesma coisa. São moradias com até 50m² com sala, quarto, e cozinha conjugados e o banheiro separado. • Estúdio e loft: utilizam o mesmo conceito, a diferença é o tamanho. São apartamentos sem paredes, onde tudo é integrado - com exceção do banheiro; o estúdio é a mesma coisa, porém menor. • Flat ou apart hotel flat: são apartamentos com serviços de hotelaria, como arrumação, lavanderia, etc. Diferente de um hotel, nos apartamentos de flats pode se receber os amigos/amigas no quarto.


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DESIGN, MARCA

Valor que marca Marca, maior ativo da sua empresa.

Foto: Daniel Mansur

Eduardo Braga

Designer gráfico pela FUMA - 1992. Tem uma atuação intensa em design, gestão e co­ municação pela Pessoas Comunicação de Marcas como Diretor de Estratégias Criativas. www.fb.com/pessoasmarcam eduardo.braga@me.com

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alor, valore, fazer valer, registrar, ter propriedade. Marcar. Criar relações, aspirações e inspirações, em busca de uma respiração consciente e constante. Ser determinante, determinar e ter determinação. Construir espaços na mente e nos sonhos das Pessoas, marcar. Ser a referência, a lembrança e a motivação. Valer. Para uma empresa ser uma marca é preciso ter autenticidade, atributos mensuráveis, ideologia principal e um propósito central. Assim, poderá estar viva nas relações internas e externas para existir na mente de todos os públicos, ter imagem única e através de um processo de avaliação de marca ter o seu valor determinado (brand equity). E onde tudo isso começa? Na essência e estratégia da marca. No entanto, para que esta marca esteja viva e ativa é determinante que ela seja uma marca registrada, com propriedade e domínio. Agora, que já estamos no corpo da marca, é preciso conhecer uma definição de marca, a fim de entender o que é valor de marca. “Marca: A marca é uma mistura de atributos tangíveis e intangíveis, simbolizados por uma marca registrada que, quando tratada de forma apropriada, cria valor e influência. O “valor” tem diferentes interpretações: na perspectiva do mercado ou consumidor é a promessa e o cumprimento de uma experiência; na perspectiva empresarial é a segurança de lucros futuros; na perspectiva da lei é uma peça independente com propriedade intelectual. As marcas simplificam as tomadas de decisão, representam uma certeza de qualidade e oferecem alternativas relevantes, diferenciadas e com credibilidade em meio às ofertas da concorrência.” E agora, que você é capaz de avaliar se sua marca é realmente uma marca, podemos definir o que é valor de marca através da avaliação de marca, que é o processo de medição da equidade monetária de uma marca, realizado através das medidas de marca, que são as medições para monitorar as mudanças no brand equity. E, afinal de contas, o que é brand equity?! É o valor acumulado dos ativos da marca de uma empresa, tanto financeiramente quanto estrategicamente; a força de mercado de uma marca. Pronto. Sabemos que a marca é o ativo mais valioso de qualquer empresa. Por isso toda marca deve ter uma essência de marca - a separação de uma promessa de marca nos termos mais simples possíveis, construída e entregue através da estratégia de marca, que é o plano para o desenvolvimento sistemático de um marca a fim de cumprir objetivos comerciais e assim gerar o valor de marca em um processo realizado através da gestão do design e outras tantas disciplinas, objetivando criar o círculo virtuoso da marca. Definição de marca retirada do livro Glossário de Marcas da Interbrand

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L o t e a m e n t o

Dona SĂ­lvia


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Tendências Outono Inverno

MODA

O que precisamos saber para acertar nas escolhas para a próxima estação

Juliana Guerra Atua como stylist e produtora de eventos de moda. Adora o que faz! Desde pequena, quando desenhava vestidos cor de rosa para suas princesas, sabia que faria parte do mundo da moda, por opção e paixão!

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verão nem se foi e todas nós já estamos de olho nas tendências que vem por aí. E já é possível ter um gostinho, já que as coleções começam a dar o ar da graça nas araras das lojas em todo o Brasil. E o que vamos ver nas ruas logo quando começar a esfriar? Apesar de, atualmente, a moda ser muito democrática e ter roupas e acessórios para todos os gostos e estilos, algumas tendências se destacam entre tantas outras. Podemos falar das franjas e do comprimento mídi que já tem seu lugarzinho garantido há algum tempo. Da volta da gola rolê, do militarismo, da permanência dos croppeds, das capas e dos anos 70 que reinaram absolutos nos desfiles internacionais. Franjas: A maioria já se rendeu e adquiriu alguma peça com franjas há algum tempo. Pois vale o investimento. Elas continuam e aparecem nos mais variados estilos. Kimonos, coletes, saias, jaquetas e até vestidos de festa aparecem com esses detalhes em materiais diversos como couro, suede, seda e tricô. Tem para todos os estilos e bolsos. Quem não ama? Mídi: dessa vez, além das saias, a bermuda entra com força total. Mais solta e com um comprimento que pode variar de logo abaixo do joelho ou meio da canela, parece ser a peça polêmica do momento. É preciso alguns cuidados para usá-la já que pode achatar a silhueta. As saias, por sua vez, aparecem com uma pegada mais sexy, mais justas e com fendas poderosas. Gola Alta: Atire a primeira pedra quem nunca usou a tão conhecida gola rolê. Sucesso na década de 80, vem com tudo nessa temporada, tanto que várias marcas a incluíram em suas coleções. Podem ser encontradas nos mais diversos materiais, indo dos tecidos sofisticados como a seda ao esportivo. Pra usar já! Militarismo: Está aí uma tendência que sempre volta. Com seus bolsos utilitários, parkas, capas, trench coats nos mais variados comprimentos e estilos. Variando do verde ao marrom, cor que aparece muito em várias coleções, assim como o preto, é um clássico que nunca sai de moda. Croppeds: Eles permanecem e dessa vez vem mais discretos, um pouco mais compridos e mais soltos, o que facilita bastante o uso por não mostrar demais. Usados com peças de cintura mais alta, podem criar um look mais mulherão com calças jeans de lavagem escura tipo hot pants, ou com a boca mais aberta fazendo a linha hippie chic. Anos 70: Está aí a tendência que mais se vê nas vitrines e nas revistas. Estampas psicodélicas, bordados, peças rústicas e silhuetas desestruturadas. Texturas, franjas e detalhes preciosos aparecem nos mais variados estilos, passando pelo boho, folk e até cowgirls arrumadinhas. Vale usar tudo junto ou combiná-las com outras peças mais básicas. Os chapéus e as botas alongadas completam o look e fazem do inverno um prato cheio para arriscar e sair do lugar comum. Quem se arrisca?


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MÚSICA

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JEAN DOLABELLA O batera lembra, entre outros, o show memorável, quando mais de 250 mil pessoas acompanharam a massa sonora de sua bateria no Rock in Rio. Um momento inesquecível como conta para a revista Ipê.

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ocar com o Sepultura em Cuba e receber carta de boas vindas do Fidel Castro não faz parte da história de qualquer um. Faz parte da história de Jean Dolabella. Tem no portfólio dois Rock in Rio. O Rock in Rio III, de 2001, com o Udora (ex Diesel) e o IV, de 2011, como batera do Sepultura. Tocou com a nata da MPB, com gente como Milton Nascimento, Ana Carolina, Lenine, Pitty, Scarceus, Flávio Venturini, Jair Rodrigues, e gringos como o Mike Patton, vocalista do Faith No More. Em Los Angeles, trabalhou REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

com os produtores Matt Wallace (Faith No More e Maroon 5) e Thom Russo (Audioslave, System of a Down e Michael Jackson). Com o Udora chegou a fazer diversas turnês rodando mais de 20 estados dos EUA. No projeto Rockfellas, em 2008, Jean Dolabella reuniu-se com Paul Di’Anno (Iron Maiden), Canisso (Raimundos) e Marcão (Charlie Brown) e realizou uma turnê pelo Brasil e América Latina, tocando clássicos do rock. Neste mesmo ano gravou “A-LEX”, seu primeiro disco com o Sepultura e, no início de 2011,

Por Diter Stein Fotos: Estevam Romera

gravou mais um trabalho com a banda, o álbum “Kairos”, considerado o melhor disco do Sepultura depois do Roots, ficando em primeiro lugar em rádios de rock norte-americanas por algumas semanas consecutivas. Atualmente Jean Dolabella tem produzido e gravado variados projetos musicais, bandas e trilhas para filmes nacionais e internacionais em seu estúdio em São Paulo conciliando a sua agenda com aulas particulares, workshops. 1 IPÊ: Como você vê o cená-


rio atual da música no Brasil? JEAN DOLABELLA: Acho que na verdade a “cena” está, por mais contraditório que isso soe, mais desconectada que nunca. A internet trouxe uma facilidade de “conexão” incrível, possibilidades de, com uns poucos cliques, conectar-se com o mundo inteiro, esteja onde estiver. Ao mesmo tempo, isso tirou o que mais fomentava a cena antes, o contato humano, cara a cara. Pelo fato de não ter outra forma de divulgar, éramos obrigados a ir aos shows, conhecer artistas/ músicos e bandas. Essa “conexão” era a “cena”. Hoje, estamos muito mais preocupados com a quantidade de “curtidas” ou “amigos” nas nossas redes sociais. Isso acaba trazendo uma ilusão de conexão, mas que não é muito real. Como tudo é meio cíclico, acredito que as pessoas estão cansadas deste mundo virtual e sentido falta de uma experiência mais real. Realmente acho que se conseguirmos voltar um pouco desse conceito de aproximar as bandas/músicos, conseguiremos construir uma cena melhor. 2 IPÊ: Como dono de estúdio, tem acesso ao som de muita banda nova, tem gostado do ouve? Qual a maior tendência

dessas bandas? JEAN DOLABELLA: Como são muitas bandas de muitos estilos, não dá prá falar muito da tendência. Aparece de tudo, coisas boas e coisas ruins. O que me preocupa as vezes é o nível musical, que na minha opinião vem caindo um pouco. Pelo fato de você conseguir editar e mexer no que quiser usando softwares e plug-ins de correção, os músicos não se preocupam muito com um preparo, que antes era essencial. 3 IPÊ: Quem já gravou no estúdio? JEAN DOLABELLA: O Family Mob não é só um estúdio de gravação. Fazemos bastante eventos, pocket shows, lançamento/ audição de discos, enfim, é um espaço musical “híbrido”. Já gravamos diversas bandas independentes e também nomes como Ratos de Porão, Fresno, RPM. Temos alguns projetos de conteúdo também como por exemplo um “bate papo” de batera pra batera que fizemos com o Ilan Rubin (Nine Inch Nails, Angels & Airwaves), Jean Paul (Clutch), Dave Lombardo (ex-Slayer, Philm). Já lançamos alguns discos aqui como o último disco do Beck, “Morning Phases”, que foi uma audição do vinil e o último disco do Maroon 5, “V”.

4 IPÊ: Como foi sua experiência nos EUA? JEAN DOLABELLA: Fui para Los Angeles com o Diesel pela primeira vez em 2001, logo depois de termos tocado no Rock in Rio. Chegamos na cara e coragem. A história é longa..., compramos uma van velha e moramos nela por um mês. Tocamos em alguns lugares e começamos a chamar atenção até que a banda chegou aos ouvidos do presidente da J Records (RCA/ BMG), Clive Davis. Ele assinou com a banda e colocou a gente em turnê pelos EUA abrindo os shows do Jerry Cantrell (Alice In Chains). Tivemos que mudar o nome da banda para Udora porque a marca de roupa Diesel abriu um processo contra a gente. Depois de meses de estrada começamos a gravar um disco com a produção do Matt Wallace (Faith No More, Maroon 5). A banda estava seguindo um caminho muito experimental e acabamos não nos entendendo muito bem com a gravadora. Depois de 2 anos de shows e um disco que acabou não sendo lançado, saímos da J Records e seguimos em frente de forma independente. Neste período eu consegui uma bolsa integral de estudos na L.A.Music AcadeREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


MÚSICA

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my, hoje LACM, onde me formei em 2004. Paralelamente, fiz vários shows e gravei alguns discos com artistas locais até que o produtor Thom Russo assistiu um show, e assinou com a banda para gravação de um novo disco, o “Liberty Square”. O disco ficou pronto e é um dos trabalhos que mais me orgulho de ter feito. Infelizmente nessa época o relacionamento no Udora já estava muito desgastado e eu decidi voltar pro Brasil e começar de novo. Foi uma experiência incrível, e, olhando pra trás, com certeza isso construiu muito do que sou hoje. 5 IPÊ: É possível hoje gravar um trabalho de qualidade a um preço acessível? JEAN DOLABELLA: O que faz a qualidade da gravação é a mistura de um bom engenheiro/ produtor (ou os dois juntos) e um equipamento bom. Porém, se você tem um equipo razoável mas um engenheiro/produtor muito bom você consegue um trabalho de qualidade. Já o conREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

trário é mais complicado, se o equipe é de primeira linha, mas o técnico não sabe tirar som, provavelmente o trabalho não vai ficar bom. 6 IPÊ: E a sua nova banda, o EGO Kill TALENT? JEAN DOLABELLA: Eu, Theo e Raphael começamos a fazer um som juntos sem nenhum tipo de compromisso há alguns anos atrás. Como o Raphael morava no Rio, os encontros eram esporádicos. Nesse meio tempo, eu e Estevam construímos o Family Mob e começamos a compor e tocar umas coisas juntos, nós dois com o Theo. Aos poucos começamos a levar a banda mais a sério. Chamamos o Raphael de novo, mas com algumas músicas prontas e a vontade de começar um trabalho. Eu e Raphael somos bateristas mas tocamos baixo e guitarra também, o que possibilita formações diferentes para tocar as músicas. Toda a experiência que tivemos com bandas e com a indústria em geral nos fez procurar um nome

que traduzisse um pouco disso, daí o nome Ego Kill Talent. Depois começamos a procurar por um vocalista. A princípio pensamos em alguns gringos porque, além de preferir a sonoridade da língua, o Inglês possibilita atingir o mercado dentro e fora do Brasil. Nesse meio tempo, o Jonathan já tinha sido comentado em conversas minhas com o Theo, decidimos mostrar o som pra ele e gravar com ele pra ver no que dava. Acabou que tudo deu muito certo logo no primeiro encontro. Ele curtiu as músicas e a gente ficou impressionado com o cara cantando. Agora estamos preparando o lançamento de um primeiro EP com três faixas que vai sair digital e em vinil. 7 IPÊ: Qual foi o show que você considera inesquecível? JEAN DOLABELLA: Tiveram vários… Quando toquei no Rock In Rio pela primeira vez foi realmente um daqueles momentos em que tive aquela sensação de “missão cumprida”. O Diesel na época participou daquele con-


curso de bandas, Escalada do Rock, que reuniu mais de duas mil bandas brasileiras. Pra uma banda que tocava Rock cantado em Inglês foi realmente surpreendente a gente ter ganhado aquela competição pra tocar ao lado do Silverchair, Deftones e Red Hot Chilli Peppers. Subir naquele palco e ver aquele mar de gente pela primeira vez foi realmente inesquecível. Além de vários outros, um que marcou muito também foi o show com o Sepultura em Cuba. Foi o primeiro show de Metal de todos os tempos lá, simplesmente insano. Tocamos ao ar livre pra oitenta mil pessoas, até o Fidel mandou uma carta de boas vindas, incrível. 8 IPÊ: O Family Mob tem um clima diferente, a palavra Family já puxa para uma coisa de união, de sangue, aconchegante. Qual a diferença do Family? JEAN DOLABELLA: Sim, com certeza. Quando planejamos o estúdio, eu e Estevam tínhamos a ideia de construir um espaço que trouxesse inspiração para artistas e músicos. Não queríamos um lugar frio com a “acústica perfeita” que se vê por aí em vários estúdios. Tivemos uma preocupação enorme com esse “aconchego” pra qualquer um que viesse, seja pra compor, gravar ou visitar. Fora o visual, temos uma grande coleção de equipamentos. Uma variedade enorme de amps/caixas e guitarras, sets, pratos e caixas de bateria, muita coisa vintage também. Temos a possibilidade de gravar totalmente analógico na fita de 2” sem ligar o computador ou fazer totalmente digital com pro-tools HD, ou misturar o melhor dos dois mundos. A gente busca resultados mais orgânicos, sem obviamente enfiar nada “goela abaixo” de ninguém. Sempre em direção ao melhor resultado artístico, tri-

lhando um caminho mais “real” onde algumas “imperfeições” são bem-vindas se soarem bem junto ao todo. 9 IPÊ: O que é o projeto Converse Rubber Tracks, que escolheu o Family Mob como estúdio permanente no Brasil? JEAN DOLABELLA: O projeto funciona da seguinte maneira, a banda/artista se inscreve através do site (http://www.converse.com.br/rubbertracks), e, se for selecionado, ganha um dia de estúdio para gravar o que quiser. O aproveitamento desse dia de estúdio depende muito da maturidade da banda/artista. Tem banda que consegue gravar 2 músicas inteiras e sair com elas mixadas prontas, ao mesmo tempo, tem bandas que conseguem sair com só uma música pronta mixada. Não existe nenhuma “obrigação” a ser cumprida, tem bandas por exemplo que usam o tempo de estúdio só para “captar” o som de bateria

para o disco e depois gravam os outros instrumentos em outro estúdio. Muito do meu trabalho com o projeto é justamente ajudar a banda a aproveitar da melhor forma o dia de gravação. Esse projeto não retêm nenhum direito de nenhuma música e nem lança nada no mercado. A ideia principal é dar a oportunidade para bandas independentes terem um dia especial gravando em um estúdio de primeira linha e acompanhamento de profissionais com anos de experiência.

FICHA TÉCNICA Jean Dolabella Grupos Musicais: Udora (ex Diesel) (1997 - 2005) Sepultura (2006 - 2011) Indireto (2006) em atividade Ego Kill Talent (2014) www.JeanDolabella.com www.familymob.com.br/

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Energia, a próxima fronteira TECNOLOGIA

O novo desafio da inovação tecnológica.

Sérgio Passos

Formado em Ciência da Computação, com especializações em Telecomunicações e Marketing Digital, Sergio é sócio-­diretor da Take.net, empresa que presta serviços para telefonia celular. Apaixonado por inovação, acompanha e participa ativamente de eventos e fóruns sobre tecnologia e empreendedorismo. Atua como palestrante, mentor de startups e consultor na área de mobilidade.

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abemos que os avanços da tecnologia têm sido cada vez mais expressivos. Em média, o poder de processamento dos computadores dobra em 18 meses, ao mesmo tempo em que seu custo cai pela metade. Esta velocidade de inovação e ganho de escala possibilitaram que o smartphone se tornasse um computador mais potente que os sistemas da NASA que levaram o homem à lua, em 1969. E não precisamos ir tão longe assim para perceber como as coisas evoluíram rápido: basta retroceder 5 anos e lembrarmos que, naquela época, acessar a Internet através dos smartphones era algo para poucos. Voltando 10 anos, lembramos que o simples fato de se tirar uma fotografia pelo celular nos impressionava. 15 anos atrás e o envio de um SMS era a última novidade! Mas agora que temos um supercomputador nas mãos, com capacidade de processamento e armazenamento praticamente infinitos por conta da possibilidade de conexão à Internet, outro desafio tira noites de sono dos cientistas e pesquisadores: como utilizar a energia de forma eficiente, de modo a nunca ficarmos desconectados em um mundo cada vez mais móvel? Recentemente estive na Coréia do Sul participando de um evento sobre tecnologia. Sua capital, Seul, é uma das cidades mais modernas do mundo, sendo destaque em questões como sustentabilidade, mobilidade urbana e infraestrutura digital. Em uma cidade onde mais de 80% da população possui smartphones com acesso à Internet, o problema da energia fica mais evidente. As pessoas ficam conectadas o tempo todo, em todo lugar... a menos que acabe a bateria do celular! Por conta disto, a rede de cafeterias Starbucks se destacou novamente. Já conhecida em todo o mundo por disponibilizar acesso gratuito à Internet, em Seul suas lojas permanecem cheias, mesmo isto não sendo um atrativo para os consumidores. A diferença é que, numa cidade totalmente conectada, a empresa oferece algo extremamente valioso para os coreanos: tomadas com energia grátis. Várias empresas estão trabalhando forte neste mercado de eficiência no uso da energia. A que mais tem chamado a atenção é a norte-americana Tesla Motors, empresa que ficou famosa por produzir veículos elétricos de alta performance. Recentemente seu presidente anunciou que está desenvolvendo uma tecnologia para armazenamento de energia residencial, que poderá ameaçar as tradicionais companhias de eletricidade. Imagine poder armazenar a energia gerada pelos tradicionais painéis solares em baterias grandes e eficientes? Seria uma solução para os problemas de racionamento que vêm nos assombrando ultimamente.


* Oferta vĂĄlida para o mĂŞs de maio de 2015


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Xcaret Eco Park.

Onde a natureza é perfeita! VIAGENS

Por Diter Stein

Paisagens exuberantes e atividades aquáticas de todo tipo: um fantástico rio subterrâneo, canyons, praias paradisíacas, tartarugas, golfinhos, mergulhos, aquários e shows de cultura mexicana.

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Foto: Pablo Saborido

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VIAGENS

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m dos destinos favoritos dos turistas do mundo todo, que vão a Cancun, o Xcaret Eco Park está a 60km da zona hoteleira de Cancún e a apenas 6km da Playa del Carmen, em frente a ilha Cozumel. Apesar do complexo turístico estar baseado em rios, lagoas e praias, não é necessário ser um bom nadador para aproveitar todas as suas atrações. Com o local escolhido a dedo por um grupo de empresários há 41 anos, Cancun é hoje o maior complexo de lazer do México: uma área com 23 quilômetros de praias na Península de Yucatán, dentro do estado de Quintana Roo. São aproximadamente 150 hotéis, mais de 450 restaurantes que recebem mais de 3 milhões de turistas por ano. Com os altos preços do turismo no Brasil, muitos preferem esticar por lá, e hoje os brasileiros representam o nono povo que mais frequenta a região e, entre eles, vários moradores de Lavras. Um local Ideal para passeios em família. A estrutura do Xcaret é perfeita. Há armários para guardar pertences, o parque é bem sinalizado, possui inúmeros restaurantes, banheiros e muitas atrações. Entre as principais, um rio subterrâneo enorme, que percorre-se em 45 minutos, com colete e máscara para ir obserREVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015

vando os peixes. Mas, apesar da mesma organização que os parques da Disney, o grande destaque do Xcaret é a natureza. O parque foi construído em 1990, onde pode se observar animais em seu habitat, como os flamingos, tartarugas, golfinhos, arraias, araras, entre outros animais. A grande estrela do parque é a água, seus lagos, rios, e suas praias cristalinas e uma natureza exuberante em seu entorno. Além das atrações do parque é possível fazer mergulho com escafandro, nado com golfinhos ou tubarões e um passeio a um recife de corais perto do parque. São mais de 40 atrações relacionadas à natureza e cultura, como o pavilhão das borboletas, com

borboletas nativas da península de Yucatán em seu habitat natural, um exclusivo aquário de recife de corais, o visual da magia das ruínas da cultura Maia e do mar do Caribe a partir da torre panorâmica giratória. Depois de muita água e sol, o passeio termina com um espetáculo musical extremamente bem produzido que conta a história do México, desde os tempos pré-hispânicos até hoje. Uma viagem que vale a pena, para quem gosta de mar, sol, praia, natureza e muita diversão. AVALIAÇÃO Segundo avaliações de sites como o Tripadvisor, três atrações


se destacam: a flutuação nos rios subterrâneos, o mergulho com golfinhos (que é pago separadamente) e o show noturno, com encenações sobre a cultura maia, a conquista espanhola e o folclore mexicano. Além disso, o visitante tem a disposição trilhas na mata, exposições de arte e artesanatos, piscinas, lagoas de mergulho, praias paradisíacas, viveiro de plantas e animais da região, como os peixe-bois, pelicanos e a onça-pintada, uma réplica de uma fazenda mexicana tradicional e ruínas maias. Informe-se com sua agência de turismo, algumas atrações não estão inclusas no valor do ingresso como o mergulho com golfinhos,arraias e tubarões, ex-

cursões de mergulho e power boat. Dica: o parque está aberto para crianças de todas idades, mas crianças a partir de 6 anos aproveitam melhor, pois caminha-se muito no parque.

FICHA TÉCNICA Xcaret Parque Horário de funcionamento: das 8:30 às 21:30 Formas de pagamento: Cartões de crédito: American Express, Diners, Mastercard e visa. Valor do Ingresso: US$ 80,10 ( acesso ao parque com reserva online) www.xcaret.com


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SHOW ROOM

SOCIAL

Fotos: Marcelo Goulard

O SHOW ROOM moda feminina e masculina inova mais uma vez, apresentando a coleção outono inverno com um desfile realizado no Darce Beer. O desfile contou com a presença de clientes, amigos e parceiros que puderam conferir as tendências das marcas exclusivas Triton e Coca, e também das multimarcas. Aguardamos vocês com muitas novidades na loja!

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Por Diter Stein Foto: weber Padua


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Talharim ao molho de tomates assados Fotos: Daniel Rocha / Cia da Foto

INGREDIENTES: • 250g talharim • 200g tomate cereja • 100g bacon picado • 1 cebola picada • 2 dentes de alho laminados • 1 caixa de creme de leite • Azeite • Sal • Manjericão ou orégano frescos • Queijo ralado

MODO DE PREPARO: Em uma assadeira, colocar os tomates lavados e temperados com azeite, sal e alho. Assar em forno à 180°C até que fiquem macios, mas sem desmanchar. Em uma panela, fritar o bacon com a cebola e o alho laminado. Juntar os tomates assados a esse refogado, inclusive com a água que sai do assado. Deixe apurar um pouco e acrescente o creme de leite. Acerte o tempero e coloque sobre a massa já cozida. Finalize com manjericão ou orégano fresco.

Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber Adega Gourmet (35) 3013-2828 REVISTA IPÊ | MAR/ABR/MAI/2015


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ESPAÇO GOURMET

tropicais como malária e febre amarela. Este drink muito popular era servido nas grandes festas promovida pela Corte Inglesa, através de sua anfitriã Ângela Marguerite Bowes-Lyon – Rainha Mãe, que varava a noite inteira em porres maravilhosos da alta realeza. Este long drink não é só saboroso, mas garante alguns apreciadores, que os consumidores adquirem uma grande longetividade a exemplo de sua grande consumidora a Rainha Mãe que nasceu no século 19 e morreu no século 21. G&T INGREDIENTES • 50ml de Gin Seager´s • 2 fatias de pepino • 6 grãos de zimbro • 80 ml de Água Tônica MODO DE PREPARO Foto: Zeca Meireles

GIN & T

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ascido na Holanda como Genebra, através de uma inventiva criação de um médico estudioso das propriedades de uma semente chamada Zimbro, o holandês Franciscus Dela Boe criou um remédio com finalidades de curas de males dos rins. Bem depois da eficácia deste remédio, os usuários continuaram a consumir como bebida de comemorações. Esta bebida, modificada através de aparecimentos de outras ervas e com o aumento do teor alcoólico, tornou-se rapidamente a preferida pelos Ingleses, que criaram uma bebida a partir da Genebra e o chamaram de

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London Gin, tornando-se rapidamente a bebida mais apreciadas por todos do Reino Unido. Os súditos ingleses tinham uma resposta muito interessante quando questionados sobre quando parar de tomar seus drinks preferidos, a resposta vinha quase que imediatamente – “Quando o sol se por no Império Britânico”, e o sol nunca se Poe no vasto império Britânico. Eles bebiam um drink chamado Gin and Indian Tonic, que facilmente explicável seu consumo, o Gin para manter as tradições longe da Inglaterra e a Indian Tonic para afastar os mosquitos que causavam as doenças

Em um copo tipo Bordeaux, coloque gelo, em seguida o gin, a Tônica, misture bem. Decore com os pepinos, o zimbro e finalize com casca de limão siciliano.

Derivan Ferreira de Souza Barman


Revista Ipê 8 Edição  

João Mendes

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