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REVISTA

ipê REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

ANO IV - Nº 12 - JUL/AGO/SET 2016

ESPORTE Uma história de superação e garra

ALÉM DO SABER: A medicina que também transmite amor e esperança

CIDADE Particularidades e acontecimentos curiosos da cidade

Em comemoração ao Dia do Médico, conheça a Unidade de Pronto Alegramento (UPA) que levará risos, bem estar e confiança aos enfermos de Lavras.

E MAIS: CIDADE DA SERRA: O FUTURO DE LAVRAS E REGIÃO TIME DE FUTEBOL AMERICANO DE LAVRAS

HOMENAGEM A FRANCISCO RODARTE.

SAIBA MAIS SOBRE O VEGANISMO

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ipê

Nossa Capa

REVISTA

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REVISTA TRIMESTRAL - DISTRIBUIÇÃO CONTROLADA

ANO IV - Nº 12 - JUL/AGO/SET 2016

ALÉM DO SABER:

ESPORTE Uma história de superação e garra

Foto: Daniel Rocha Fotografias Cidade: Lavras/MG

EDITORIAL

A medicina que também transmite amor e esperança LAVRAS

EXPEDIENTE

Particularidades e acontecimentos curiosos da cidade

Em comemoração ao Dia do Médico conheça a Unidade de Pronto Alegramento (UPA) que levará risos, bem estar e confiança aos enfermos de Lavras.

E MAIS: CIDADE DA SERRA: O FUTURO DE LAVRAS E REGIÃO TIME DE FUTEBOL AMERICANO DE LAVRAS

HOMENAGEM A FRANCISCO RODARTE.

SAIBA MAIS SOBRE O VEGANISMO

CONHEÇA NAU ROYAL

HOTEL BOUTIQUE E SPA CONSTRUÇÕES ALTERNATIVAS A CADEIRINHA DE CARRO IDEAL PARA O SEU BEBÊ.

PROJETO EDITORIAL Édison Marques Júnior DESIGN E PROJETO GRÁFICO Édison Marques Júnior JORNALISTAS Marina Alvarenga Botelho Camila Caetano JURÍDICO Édison Marques FOTÓGRAFOS José Henrique (Cia da Foto) Daniel Rocha Fotografias REVISÃO Pauline Freire Pimenta REDAÇÃO Ana Carolina Siqueira Abe-Sáber Derivan Ferreira de Souza Marina Alvarenga Botelho Rita de Cássia Oliveira Camila Caetano COMERCIAL Édison Marques Júnior Contato: (35) 9143-4125 contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br EDIÇÕES AVULSAS E ESPECIAIS contato@revistaipe.com.br Edição nº 12. Distribuição controlada IMPRESSÃO: Editora Rona

SIGA A REVISTA IPÊ

@REVISTAIPÊ FB.COM/REVISTAIPÊ Artigos assinados são de responsabilidade dos respectivos autores. Autoriza-se a reprodução, desde que citada a fonte.

UMA EDIÇÃO DE COMEMORAÇÕES A inspiração desta edição são as relevantes datas presentes no mês de outubro. Primeiramente, o aniversário da cidade das escolas e dos ipês. Em agradecimento à cidade onde a revista se consolida, fizemos uma matéria especial mostrando diversas curiosidades que permeiam nossa Lavras. Tendo ainda como foco as celebrações, tivemos a satisfação de produzir um vasto material voltado ao dia do médico, festejado em 18 de outubro. Além da matéria de capa, que traz a nova Unidade de Pronto Alegramento (UPA) de Lavras, o leitor também poderá apreciar um rico conteúdo, de diversas áreas da saúde, escrito pelos médicos colaboradores da Revista Ipê na seção “Saúde em Dia”. Também com o foco na saúde, o leitor poderá conhecer um pouco mais sobre o veganismo, um novo estilo de vida que tem obtido muitos adeptos. No esporte, a história de superação da triatleta Laura Mira, que venceu diversas etapas da vida para hoje se consagrar como campeã brasileira de Cross Triathlon e top 10 no ranking Panamericano. Conheça ainda diversas opções para fazer a sua casa de forma sustentável e barata; o Nau Royal Hotel Boutique e Spa, no litoral paulista; o Lavras Falcões, time de futebol americano da cidade; os grandes empreendimentos na Cidade da Serra, e muito mais. Todas as novidades de Lavras e região você encontra com qualidade aqui, na Revista Ipê. Édison Marques Júnior Diretor da Revista Ipê


REVISTA

ipê

Jul/Ago/Set 2016 SUMÁRIO

CAPA Em comemoração ao Dia do Médico, conheça a Unidade de Pronto Alegramento (UPA) e outras novidades de Lavras.

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CIDADE

ARQUITETURA

Para celebrar mais um aniversário de Lavras, a Revista Ipê traz particularidades e acontecimentos curiosos da cidade.

Construções Alternativas: veja as diversas opções para fazer a sua casa de forma sustentável e barata.

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54 VIAGENS

ESPORTE

VEGANO

Com o conceito pé na areia, o Nau Royal Hotel Boutique e Spa, no litoral paulista, proporciona uma experiência única aos seus hóspedes.

Uma história de superação e garra: Laura Mira, a campeã brasileira de Cross Triathlon e top10 no ranking Panamericano, que já se considera lavrense.

O veganismo rejeita produtos e alimentos de origem animal. Mais do que alimentação, é um estilo de vida.

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44 SEÇÕES COLABORADORES

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HOMENAGEM

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MODA INFANTIL

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NUTRIÇÃO

42

EMPREENDIMENTOS

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JURÍDICO

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ESPAÇO GOURMET

MARKETING

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Aprenda a fazer um delicioso hambúrguer gourmet com a chef Ana Carolina Abe-Saber.

CINEMA

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CARTAS

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EDIÇÃO 11

Envie comentários, sugestões e opiniões para serem publicados nesta seção Revista Ipê contato@revistaipe.com.br www.revistaipe.com.br

Estive em Perdões nos Laticínios Vimilk e tive a oportunidade de ler a última edição da Revista Ipê! Fiquei encantada com as reportagens, com a maneira como os temas são abordados e com o acabamento gráfico. Parabéns a toda equipe da Revista Ipê.

Solange Silva

Jornal o Repórter Nepomuceno MG A revista Ipê é um ótimo canal de entretenimento, sempre com matérias de qualidade. Possui um conteúdo atual, além de ser bem elaborada. É uma excelente opção para Lavras e região.

Mario Torquete Senhores, Depois de 42 anos fora de Lavras, eis-me de volta. Foi uma grata surpresa encontrar, no consultório de minha dentista, alguns exemplares da revista IPÊ. Meus cumprimentos pela qualidade da publicação --- que incluo no patamar de alta qualidade de publicações similares nas progressistas cidades de Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto --- onde transito e morei até recentemente. A qualidade gráfica, a programação visual, o conteúdo e a proposta da revista são ótimos. E, como membro da Academia Lavrense de Letras e Sócio Benemérito da APROAC - Associação para Promoção de Arte e Cultura-deixo minha sugestão para que a revista abra espaço para pautas oriundas de instituições como essas, que desenvolvem um trabalho precioso para a cultura lavrense. APROAC tem reconhecimento nacional tendo recebido o Prêmio FUNARTE dos Concertos Didáticos e, pelo trabalho que venho realizando nessa Associação, fui honrado, mês passado, como o brasileiro que recebeu o Troféu Cora Coralina de Honra ao Mérito 2016 - Categoria de Incentivador de Cultura no Brasil.

José Claret Mattioli

Ph.D. - da Academia Lavrense de Letras e da ABIME - Associação Brasileira de Imprensa em Mídia Eletrônica.

REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

Proprietário do CardapioAqui.com

A Ipê é uma revista moderna, que caminha lado a lado com os melhores profissionais. Sempre diversificando as publicações e buscando despertar novos conhecimentos e sonhos. Pude apreciar por várias vezes a revista e fiquei encantada com a qualidade do conteúdo, com a suavidade dos artigos que abordam a riqueza e a beleza da região de Lavras. Realmente um trabalho que busca transmitir informações. Gostaria de parabenizar a todos os envolvidos.

Sônia Alvarenga Mesquita Ferreira Servidora administrativa na Copasa/Lavras)


LAVRAS / MG - PRAÇA LEONARDO VENERANDO PEREIRA - LJ 105 436 - (35) 3826-6028


COLABORADORES

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RAIZES PIVOTANTES Os colunistas da Revista são como as raízes pivotantes dos ipês, imprescindíveis para o florescimento da nossa estrutura. Nutrem os leitores com conteúdos e informações de qualidade, constroem pontes, e estabelecem novas conexões, permitindo a disseminação de mentes férteis e brilhantes.

MARINA ALVARENGA BOTELHO Jornalista

RITA DE C. OLIVEIRA Nutricionista

ANA CAROLINA S. ABE-SÁBER Chef de Cozinha

DERIVAN FERREIRA DE SOUZA Barman

É jornalista, formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Especialista em Cinema pela Estácio de Sá e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Lavras (Ufla). Atualmente é professora dos cursos de Publicidade e Propaganda e Administração da Fadminas.

Nutricionista pelo Unilavras, Pós graduada em Nutrição Clínica e Esportiva Funcional e pós graduanda em Fitoterapia Funcional pela VPConsultoria / UNICSUL SP. Associada ao Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional. Atendimento em consultório nas diversas áreas da nutrição clínica e esportiva.

Nasceu em Lavras, formou-se em Turismo pela Newton Paiva em Belo Horizonte. Fez o curso de Cozinheiro Profissional do SENAC BH e Gastronomia Internacional pela escola de culinária Mausi Sebess de Buenos Aires. Foi chef da confeitaria do restaurante francês Alice Braserrie de Brasília, onde abriu seu restaurante.

Derivan Ferreira recebeu o Prêmio Barman do Ano – da Revista Veja São Paulo em 2004, e Prêmio Barman do Ano da Revista Gula em 2005, 2006 e 2007. Expert em drinks, tem quase quarenta anos de profissão. Mestre Derivan – como é conhecido, é uma das maiores referências sobre drinks no Brasil. É formado pela I.B.A –International Bartenders Association e pela Hostess Schol - Instituto de Hotelaria Ernesto Maggia –Stresa –Italia. Tem oito livros publicados sobre bebidas e drinks.

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PAIXÃO E DETERMINAÇÃO

ESPORTE

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X Terra Paraty de 2016

LAURA MIRA:

SUPERAÇÃO E GARRA Campeã brasileira de Cross Triathlon e top10 no ranking Panamericano Por Camila Caetano Fotos: Foco Radical

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atural de São Paulo, mas o coração e a alma de Lavras. É tanto amor envolvido que a triatleta Laura Mira, 31 anos, considera-se lavrense desde que chegou à cidade. Uma paixão à primeira vista. “Todos que me perguntam de onde eu sou, respondo: de Lavras”, comenta em entrevista à Revista Ipê. Além de atleta, possui formação em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (Ufla). “Eu tinha passado em Agronomia na Ufla e em Oceanografia no Rio Grande REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

do Sul. Quando cheguei aqui, fui à praça, e me encantei pelas árvores Tipuanas, centenárias. No outro dia, indo à Universidade, avistei a Serrinha. Achei tudo tão lindo. Então, falei para o meu pai que tinha certeza que ficaria. Decidi o curso, a vida, por causa daqui”. Em 2004, Laura iniciou a sua trajetória em Lavras. Chegou a sair por um tempo, mas sempre com a vontade de retornar. Em 2014, ela regressou, já como atleta profissional.

A primeira pergunta que todos fazem a Laura é a razão de ter se envolvido no esporte. Ela começou a nadar com dois anos, estimulada pelo pai, Miguel Dias, a treinar com cinco, e competir com sete. Na infância, em Barretos, passava a maior parte do seu tempo no clube e praticava tudo o que podia. Mas, não é apenas esta a razão. Ela nasceu com hidrocefalia, e toda a motivação que sua mãe, Ana Rita Mira, transmitira foi primordial para mantê-la sempre forte e focada. “Minha mãe estudou Terapia Ocupacional e Morfoanálise, e viu que havia algum problema no meu desenvolvimento. Enquanto os médicos não identificavam o que era, ela foi me estimulando. Aquela fase deixou uma forte mensagem em meu subconsciente: Você tem que ficar em pé, você tem que andar, você tem que ser forte”. Laura comenta que esse período lhe permitiu ter mais vontade de viver. “Como atleta você recebe muito ‘não’, e eu poderia ter desistido várias vezes. Mas, a vontade de ir além e de cultivar minha saúde foram sempre maiores”. A hidrocefalia pode deixar várias sequelas motoras. Entretanto, Laura só possui desvios na coluna devido ao baixo tônus muscular no início de seu desenvolvimento. “Até os dois anos eu me desequilibrava ao andar, o que acabou causando estes desvios que sempre trabalhei para corrigir. Se for pensar geneticamente, não era para eu ser atleta. Mas, como eu sempre amei esportes, essas dificuldades não se tornaram grandes obstáculos.” INICIANDO O TRIATLO Quando chegou a Lavras, Laura não tinha muitas opções, então iniciou pela corrida. Depois, começou ir às aulas em uma bicicleta simples, com apenas três marchas pesadas funcionando, enfrentando diversas subidas íngremes. “Após um tempo juntando dinheiro, consegui comprar uma bicicleta um pouco melhor”. Unir as três atividades já não era algo tão difícil, e o grande impulso no triatlo foi em uma competição realizada na Ufla. “Éramos calouros,


X Terra Paraty de 2016

X Terra Ilha Comprida de 2016

participei de todos os jogos. Um deles foi o triatlo, e acabei me apaixonando por este esporte”. Logo após, veio o convite do Lavras Tênis Clube (LTC) para participar da equipe de natação e, quando percebeu, já treinava todas modalidades. ESPORTE COMO PROFISSÃO Laura se profissionalizou em 2014. A motivação veio após ficar bem colocada em uma competição profissional. “Em 2012, resolvi participar do XTerra Costa Verde e me arriscar na elite. Fiquei em 3º lugar. Então, pensei: Vou treinar mais e ficar boa nisso. Em 2013, no primeiro ano que eu disputei como profissional, finalizei como vice-campeã do ranking nacional. Nessa época eu fazia pós-graduação, trabalhava e madrugava para treinar. Somente em 2014, em Lavras, que iniciei uma dedicação mais exclusiva como atleta”. A cada ano Laura consolida mais a carreira. Já disputou mais de 200 provas como amadora e profissional. As profissionais totalizam em 63. Em 2013, das 15 provas que participou esteve no pódio 13 vezes; em 2014, de 13 competições só não foi premiada uma vez; em 2015, dos 22 campeonatos alcançou vitória em 19, além de 2016 que até o momento já foram 14 provas com 12 pódios.

Neste ano, disputou, além dos circuitos nacionais, três provas internacionais (México, Argentina, República Dominicana), e está classificada para a final Panamericana nos EUA. “Estes países fazem parte do Circuito Panamericano de Cross Triathlon (Xterra Panamerican Tour). Além destas, gostaria de chegar ao meu maior objetivo de disputar novamente, e de maneira mais madura e experiente, uma final mundial”. Para obter tantas vitórias, ela treina seis vezes por semana, de três a cinco horas por dia, alternando entre natação, corrida, bike, musculação e treinamento funcional direcionado. Também segue uma dieta cuidadosamente balanceada. Entre tantas competições, sempre há uma mais marcante na vida do atleta. Laura começou sua carreira profissional no XTerra Costa Verde, em 2012, e por mera coincidência, a prova que mais lhe marcou emocionalmente foi a X Terra, também em Costa Verde, no ano de 2014. “O campeonato estava para ser decidido, e essa prova valeria o dobro de pontos. De última hora fiquei sabendo pela minha adversária que haviam mudado as regras. Chorei, liguei para o meu técnico, Douglas Miranda, e ele disse: Você se preparou muito para estar aí. Vai lá e vença! Mas tome cuidado para

não deixar o emocional lhe abalar”. A emoção interferiu, mas ainda assim ela venceu a competição. “Tive duas quedas fortes, a cerca de 40 km/hora. Cheguei à transição toda machucada. Comecei a sentir dor na metade da corrida. Após chegar à linha de chegada, fui ao hospital na mesma hora”. Laura rompeu parcialmente o ligamento do ombro, trincou a costela, a mão e o queixo. Foi um ano de recuperação. Apesar de tudo, conseguiu treinar e competir. Chegou a disputar uma competição nadando com apenas um dos braços em pleno funcionamento. Um tempo após o acidente, ela se classificou como top 10 no ranking Panamericano de Cross Triathlon (XTerra) e se consagrou campeã da Ultra Maratona de MTB, Desafio Sertão Diamante (176km), e ainda campeã da KTR Serra Fina 16 km. Além disso, Laura se consagrou campeã em uma das edições mais esperadas do circuito XTerra Brazil Tour 2016 - a Estrada Real - realizada nos dias 24 e 25 de setembro em Tiradentes.

FICHA TÉCNICA Laura Mira Idade: 31 anos Triatleta profissional desde 2014 Já disputou 63 provas profissionais @laurinhamira

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ESPORTE

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Equipe de Lavras Falcões Futebol Americano

LAVRAS FALCÕES FUTEBOL AMERICANO Lavras já possui seu próprio time de futebol americano. Conheça o esporte que mais cresce no Brasil! Por Marina Alvarenga Botelho Fotos: Marina Alvarenga Botelho

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ão, não é rúgbi, é futebol americano! Aquele esporte da bola oval vermelha, que é lançada com as mãos, sabe? São onze jogadores de cada lado do campo, sendo um time de ataque e outro de defesa. O objetivo é chegar com a bola do outro lado do campo e fazer um touchdown! Pode parecer confuso à primeira vista, com aquele tanto de gente pulando em cima do cara com a bola, mas após uma explicação e um olhar mais atento, o futebol americano se torna um dos esportes mais emocionantes de se assistir. Isso porque ele inclui muita estratégia – é quase um jogo de xadrez – e as coisas acontecem até o último segundo do jogo, literalmente. Seguindo as tendências do crescimento do esporte no Brasil e no mundo, Lavras já conta com o REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

seu time – o Lavras Falcões Futebol Americano. O time, que surgiu em 2011 como uma modalidade dentro da Universidade Federal de Lavras (UFLA), se tornou, em junho de 2016, o time oficial da cidade. Para a escolha do novo nome e do mascote, os até então UFLA Leões optaram por abrir uma enquete via Facebook para toda a população lavrense. DE LEÕES A FALCÕES A prática do Futebol Americano em Lavras teve início na UFLA em 2011 com o time masculino, na modalidade No Pad (regras do jogo tradicional, mas sem equipamento de proteção). Participavam do time tanto estudantes da UFLA quanto membros da comunidade lavrense. O time cresceu, disputou campeonatos e amistosos e em 2015 criou o time feminino na

O time, que nasceu da vontade de um grupo de amigos de praticar o futebol americano, hoje busca representar toda a cidade de Lavras e honrar sua rica tradição esportiva comenta João Maurício de Pádua Souza, atual presidente dos Falcões.


modalidade Flag (sem contato físico). Atualmente o time conta com cerca de 50 jogadores e jogadoras. Os treinos acontecem no estádio da UFLA e ainda recebe apoio da universidade. “Na verdade hoje temos uma dupla identidade, somos Leões, ou seja, uma modalidade desportiva da universidade, a fim de disputar campeonatos universitários. Mas somos também Falcões, abertos à toda comunidade lavrense, para representar também toda a cidade”, explica João Maurício. O ESPORTE O futebol americano é um esporte inclusivo, pois qualquer tipo físico pode participar: há alguma posição ideal para cada jogador, de acordo com suas características, sejam meninas ou meninos, altos, baixos, magros, gordos. Além de promover o trabalho em equipe, a socialização e a inclusão esportiva, o esporte também contribui para ampliar a responsabilidade, o comprometimento, o raciocínio lógico e, é claro, tudo o que vem junto como benefício de uma prática esportiva. O Futebol Americano surgiu como uma variação do rúgbi nos Estados Unidos em 1867. Com o tempo, popularizou-se e firmou-se como esporte, mas foi somente após os anos 1950, com a popularização das televisões, que se tornou um grande espetáculo e consolidou-se como o esporte mais popular dos Estados Unidos, junto com o baseball. Atualmente, com televisões a cabo e por assinatura, a popularidade do esporte tem crescido exponencialmente no mundo todo. A história do Futebol Americano no Brasil começa com transmissões na TV Tupi em 1967, mas começa a ser jogado no país somente na década de 1986. Nesses vinte anos, o FA adquiriu cerca de três milhões de fãs de esporte e o acompanhamento pelo público na televisão cresceu 800% nos últimos três anos . A internet e as mídias sociais tem sido essenciais para a troca de experiência com times amadores e profissionais no país. Um mapa não oficial aponta a existência de cerca de 180 times no país, entre masculinos e femininos e entre as modalidades Full Pad, No Pad e Flag. Já exis-

Jogo treino

tem diversas ligas e campeonatos também nas várias modalidades. POPULARIZAÇÃO E FUTURO DO ESPORTE Na final mineira do esporte, Get Eagles versus Minas Locomotiva, promovida pela Federação Mineira de Futebol Americano (Femfa), que aconteceu em junho, o Mineirão contou com um público pagante de quase nove mil torcedores. Com o início da temporada da NFL, principal liga norte-americana, a tendência é, para o comentarista de futebol americano dos canais ESPN, Antony Curti, de maior popularização do esporte no país, não

só em termos de público, mas em termos de times brasileiros: “Há dez anos você não tinha nem cinco equipes com equipamentos. Os campeonatos dependiam de parques ou campos horríveis. Hoje, são mais de 100 equipadas, vários campeonatos estaduais, duas divisões no campeonato nacional e partidas em estádios da Copa do Mundo de 2014, como o Beira Rio, o Mineirão e a Arena Cuiabá. Definitivamente foi uma evolução notável em dez anos. Agora resta saber como serão os próximos dez. Espero que de solidificação dessas equipes e cada vez mais melhora no nível técnico”.

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HOMENAGEM

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HOMENAGEM A FRANCISCO RODARTE O advogado lavrense Dr. Franciso Rodarte é homenageado pela Câmara dos Vereadores Por Marina Alvarenga Botelho Fotos: Divulgação

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avras é assim: aquele tipo de cidade pequena e aconchegante que tem muita gente boa. Muitos ficam marcados na história. Francisco Rodarte, carinhosamente conhecido por “Chico Rodarte”, é uma dessas pessoas – pai de família, avô, advogado e com uma trajetória de vida única, marcada por realizações e conquistas em diversas esferas. Por tudo que ele fez por nossa cidade, porque sempre tratou todos sem distinção, que recebe, em agosto de 2016, duas homenagens póstumas. A primeira é pela Câmara dos Vereadores de Lavras. De acordo com o presidente da Câmara, Luciano “Tilili”, “o que nos levou a escolher o nome do Dr. Francisco para o prédio da Câmara de Lavras foi por ele já ter sido vereador e por possuir respaldo moral e político na cidade. Foi um homem íntegro, que sempre lutou pelo certo”. Já a segunda é pela Caixa de Assistência dos Advogados, em Belo Horizonte. TRAJETÓRIA Francisco nasceu em Lavras, filho de Rodartino Rodarte e Umbe-

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Franciso Rodarte e sua esposa Sônia Aparecida Monteiro Rodarte, e seus filhos: Nise, Nieta, Neto e Négis.

lina Alvarenga Rodarte, em 1930. Estudou na Escola Estadual Firmino Costa e também no Instituto Presbiteriano Gammon. Obteve sua primeira graduação em 1960, em Direito, pela Faculdade de Direito Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Formou-se também, no mesmo ano, em jornalismo e foi orador oficial da União Nacional dos Estudantes (UNE), na mesma época em que era presidida pelo atual ministro José Serra. Já de volta a Lavras, sua cidade natal, o advogado e jornalista não mediu esforços para defender seus valores e crenças. Foi advogado militante na esfera criminal, com consagrada atuação no Tribunal do Júri. Em 1964, casou-se com a então Miss Lavras, Sônia Aparecida Mon-

teiro Rodarte, com quem teve quatro filhos: Nise, Nieta, Neto e Négis. Vieram também a ser avós de sete netos e netas: Diogo, Maryna, Gabriel, Mariana, Maria Paula, Bruno e Laís. Fez parte também da história do Rotary Clube de Lavras, tendo sido sócio, fundador e presidente da casa. Candidatou-se a deputado estadual, ao lado de Tancredo Neves, em 1972, sendo até hoje, na história da cidade, o candidato mais votado em percentual. Na política, por aqui também deixou sua marca: foi candidato a vice-prefeito e foi vereador, prestando continuamente ajuda a entidades filantrópicas. As homenagens recebidas fazem jus a sua história.


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Carmen Steffens


CIDADE

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LAVRAS A cidade dos ipês, das escolas e de histórias engrandecedoras Por Camila Caetano Apoio da Secretaria de Cultura de Lavras

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ais um aniversário de Lavras é celebrado. E poucos sabem que a cidade não é tão jovem como se imagina. Alguns comemoram neste ano os 185 anos de Lavras, outros 148, mas, de fato, ela já completou seus 296 anos. Pode parecer algo complicado de entender, por isso a Revista Ipê traz nesta edição a explicação dessa particularidade e ainda outros acontecimentos curiosos de Lavras. ANIVERSÁRIO DE LAVRAS Há algum tempo o aniversário de Lavras era comemorado em 20 de julho, data em que ocorreu a elevação da Vila de Sant´Ana das Lavras do Funil à categoria de cidade, em 1868. Já na década de 80, o prefeito Maurício de Pádua fez a alteração para 13 de outubro, data em que o arraial de Lavras do Funil havia conquistado a posição de vila, em 1831, passando a contar com uma Câmara Municipal. Um marco na sua emancipação política. De acordo com a Secretaria de

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Cultura, todos esses períodos revelam a emancipação política da cidade, mas não apresentam de fato a sua fiel origem. Assim, após intensas pesquisas, foi aprovada, em 14 de junho de 2012, a lei municipal nº 3.845, que estabeleceu uma nova data de fundação de Lavras: 26 de julho de 1720. O dia é em homenagem à Sant’Anna, padroeira da cidade, e o ano por conta dos primeiros registros do povoamento da cidade em torno da Igreja do Rosário. Sendo assim, em 2020, Lavras completará na verdade seus 300 anos. Apesar de ter sido estabelecida uma nova data, por enquanto, Lavras ainda mantém a tradição de celebrar o aniversário da cidade em 13 de outubro. IGREJA DO ROSÁRIO Conta a história que o bandeirante Romualdo Pedrosa da Costa Lima afogou-se na cachoeira do Funil do Rio Grande, aparecendo somente após um dia e uma noite. Para mostrar a todos o milagre, ele

Crédito: Wagner Gonçalves - IPHAN / Lavrastur

colocou na colina do Pouso do Funil uma imagem de Sant’Ana, santa de sua devoção e padroeira de sua bandeira. Após um tempo, ocorreu o primeiro marco da história de Lavras, a construção de uma simples capela, como pagamento da promessa do bandeirante, em 1698. Há relatos que a Igreja do Rosário foi construída entre 1720 e 1729, no mesmo local dessa primiti-


Foto: Daniel Rocha Foto: Daniel Rocha

Banco que ficaria à disposição da princesa Isabel na visita da família real a Lavras

obtida em 18 de setembro de 1751. O Bispo de Mariana oficializou a capela em 1754, e em 1810 ela passou por mudanças e foi ampliada. De acordo com dados históricos, próximo ao altar só ficavam os senhores mais prósperos; no meio da igreja, os de poucas posses e os negros, e já nos fundos os não batizados e que não eram católicos. Outro marco curioso é que no fundo do altar da Igreja do Rosário foram enterradas várias pessoas. “Conseguimos em Carrancas, na Matriz, localizar no seu livro de registro, nome de cinco pessoas que foram sepultadas dentro da Matriz de Sant’Ana em Lavras, hoje Igreja do Rosário. Os documentos que confirmam os dados dessas pessoas estão guardados, lá pois, no período que aconteceu o fato, Lavras era freguesia de Carrancas”- afirma a Secretaria de Cultura, em documento. BANCO DA PRINCESA ISABEL

va capela de madeira. Nesta época era conhecida como a Capela de Sant’Ana das Lavras do Funil. Um pequeno arraial foi se desenvolvendo em torno da capela. Com o crescimento, os bandeirantes entregaram ao bispo de Mariana, Dom Frei Manoel da Cruz, um documento pedindo a autorização para edificar o povoado Campos de Sant’Ana das Lavras do Funil, sendo

O rei D. Pedro e sua filha Princesa Isabel começaram a fazer a rota do ouro em Minas Gerais. Assim que souberam das riquezas em Sant’Ana das Lavras do Funil avisaram que viriam conhecer o povoado. Os bandeirantes tomaram diversas providências para a chegada da família real. Chegaram a construir uma sacada dentro da Igreja do Rosário para que o rei pudesse ficar durante uma celebração especial. Também fizeram um banco especial, luxuoso, que ficaria à disposição da princesa Isabel. Este banco, hoje, fica em exposição na lateral da Igreja. “Os bandeirantes preocupados com a chegada da família real

prepararam tudo, só faltavam os visitantes: à tardinha veio a notícia de que haviam chegado na Vila de São João Del Rey, mas que não poderiam chegar a Lavras porque um de seus sobrinhos tinha sido assassinado no Rio de Janeiro e precisavam ir para lá com muita urgência. E assim aconteceu. Foram para o Rio e Lavras ficou na história de não ter recebido as ilustres visitas”- retrata a Secretaria de Cultura. TELA VERÔNICA, PRIMEIRA DO BRASIL Outro fato enriquecedor sobre Lavras e que está prestes a chegar ao fim é sobre a tela conhecida como “Verônica”, do século 18. Depois de muito tempo de espera, a expectativa é que ela volte à cidade, para a Igreja do Rosário. Medindo 1,20 metro de altura por 60 centímetros de largura, a obra de autoria desconhecida esteve no acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp) por cerca de 12 anos. Muito antes disso, ela ficava na Igreja do Rosário, até aproximadamente 1950, quando um estudante do Instituto Gammon, após vê-la abandonada no meio de uma obra, pediu que o vigia da Igreja lhe entregasse, alegando que o local não oferecia a segurança necessária, que o quadro poderia desaparecer em pouco tempo. Convencido dos argumentos do estudante, o vigia cedeu e acabou lhe conferindo a obra, que foi restaurada e doada ao Masp. “O estudante, William Daghlian, é um grande músico, mora nos Estados Unidos. Depois de anos, ele REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


Foto: Daniel Rocha

CIDADE

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O Cruzeiro de Lavras é um majestoso símbolo de fé

Tela conhecida como “Verônica”, do século 18, está prestes a retornar para Lavras

contou essa história. Nós tivemos conhecimento e entramos com uma ação no Ministério Público, solicitando a devolução. A tela já foi devolvida, e hoje está em Belo Horizonte. Fizemos uma solicitação para fazer a restauração da mesma e trazê-la para a Igreja do Rosário. A empresa responsável pela restauração pediu cinco meses para concluir o trabalho”, relata a presidente do Conselho do Patrimônio, Clarice Maria Pacheco Gomes. De acordo com Clarice, para que a tela possa retornar a Lavras será preciso fazer uma reforma na Igreja do Rosário. Segundo ela, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) conseguiu que a restauração seja realizada. “Estudos mostram que ela é a primeira tela pintada no Brasil”, comenta Clarice. ENFORCAMENTOS EM LAVRAS De acordo com o historiador Ary Florenzano, o Cruzeiro de Lavras, localizado na Praça Zumbi dos Palmares, à Rua Cristiano Silva, era um local onde se executavam centenas de enforcamentos. Dados mostram que o último enforcamento foi realizado no dia 26 de junho de 1839. Há ainda relatos que ao lado do Cruzeiro existia uma árvore, em que em um dos seus galhos era feita a corda utilizada nos enforcamentos. Furtunato era o lavrense que REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

executava as sentenças. Os valores das execuções variavam de acordo com a vítima. O último enforcamento tratava-se de um lavrense chamado Joaquim Congo, que havia assassinado José Pimenta, a foiçada. O atual Cruzeiro não é o original. O primeiro caiu após uma forte tempestade em 29 de maio de 1896. Após um tempo foi construído outro no mesmo local, a pedido do padre Henrique Lacoste, que também acabou por ser derrubado. Posteriormente, em 1956, houve a construção do atual, em estrutura de concreto. Com 6 metros de altura e 3 de extremidades, atualmente, o Cruzeiro é um majestoso símbolo de fé. No centro da cruz, no encontro dos seus eixos, há uma coroa de espinhos e uma flecha, representando a paixão de Cristo. Alicate, martelo e escada foram aplicados nas extremidades, de maneira desigual, representando os construtores do cruzeiro. Há ainda um véu no eixo central, simbolizando uma cruz de penitência. CIDADE DO BONDE A linha do bonde elétrico foi construída em 1910. No mesmo ano, foram adquiridos os dois carros de 11 bancadas de dois eixos da Waggonfabrik Falkenreid, da Alemanha. Assim que chegaram a Lavras, o povo local empurrou os carros para o trilho. Os serviços de bonde iniciaram em 21 de outubro de 1911. Durante o 1º semestre de 1938, o bonde transportou 128.439 pessoas, de acordo com um relatório da Prefeitura de Lavras. Uma elaborada estação foi cons-

truída na Praça Barão de Lavras, no centro da cidade, para o embarque no bonde. “Lavras se torna conhecida em toda Minas Gerais como a ‘Cidade do bonde’”- declara, em documento, a Secretaria Municipal de Cultura. O bonde parou de funcionar em Lavras em 8 de novembro de 1967. Dos postes que recebiam a fiação usada para o funcionamento do antigo bonde que fazia o transporte de passageiros, restam apenas quatro na cidade, que foram tombados como patrimônio. Eles possuem 7 metros e ficam na área central da cidade: na Rua Santana, próximo a Casa da Cultura; na Praça Dr. Augusto Silva; na Rua Francisco Sales, e na Rua Otacílio Negrão. “Na base do poste localizado próximo ao prédio da Casa da Cultura na Rua Santana, possui uma placa indicativa com as inscrições referentes ao ano de sua função e a sua importância para a história do município de Lavras”- retrata a Secretaria Municipal da Cultura. LAVRAS, GAMMON E UFLA Como falar da história de Lavras sem mencionar personalidades como Samuel Gammon. Ele foi responsável pela mudança do Instituto Presbiteriano Gammon para Lavras, e o idealizador da Escola Agrícola, atual Universidade Federal de Lavras (Ufla). Samuel Gammon chega ao Brasil em 1889, para incrementar o corpo docente do Instituto Internacional de Campinas. Mas, após um surto de Crédito: Wagner Gonçalves - IPHAN / Lavrastur


febre amarela na cidade, os missio- e ao Progresso Humano”), que, em nários Gammon seguem em viagem 1938, passa a ser chamada de Espor Minas Gerais para encontrarem cola Superior de Agricultura de Laum novo local. Assim que chegam vras (Esal). A federalização ocorreu a Lavras, percebem a fertilidade da em 1963. Mas, foi somente em 1994 terra e o clima agradável, resolven- que a instituição tornou-se universido voltar para se estabelecerem de dade, Ufla. Essa trajetória teve início vez. com a concretização dos ideais de Em 1892, instalam-se Samuel Gammon, e de seu em Lavras. O escritor primeiro diretor, BenjaJoão Castanho Dias mim Harris Hunnicutt. conta em seu livro Samuel Gam‘A Terra promemon não consetida de Lavras’ guiu desfrutar da que inicialmente concretização os habitantes de de todos os seus Lavras ficaram projetos. Faleceu desconfiados dos em 4 de julho de recém-chegados, 1928, aos 63 anos. contudo, com o “Nas exéquias da tempo perceberam manhã seguinte, o coque “os presbiterianos mércio de Lavras cerrou não estavam apenas as portas, as escolas interessados na pre- Crédito: arquivos do Pró-Memória suspenderam as aulas. Instituto Presbiteriano Gammon gação do seu credo, O Royal Circo e o Cimas também na formação moral e nema Internacional cancelaram as escolar da juventude. Refeitos da re- sessões. Uma massa popular seguiu jeição que não houvera na cosmopo- seu corpo até o cemitério onde foi lita Campinas, eles já se sentiam em enterrado junto do jazido de Carlota casa, estando prontos para oferecer Kemper”- trecho extraído do livro ‘A à comunidade de Lavras os serviços Terra prometida de Lavras’, de João para os quais deixaram os confortos Castanho Dias. da terra natal”- retrata o escritor. Samuel Gammon era um homem A CIDADE DOS IPÊS visionário. À frente do seu tempo. O E DA ESCOLA projeto educacional desenvolvido por ele e seus missionários foi de reE para finalizar os dados peculevante valor social, contribuindo de liares de Lavras, a Revista Ipê não maneira expressiva no crescimento poderia deixar de mencionar o fato de Lavras. de Lavras ser conhecida por muitos Idealizou a Escola Agrícola, fun- como a “terra dos ipês e das escodada sob o lema do Instituto Gam- las”. Tudo começou em 24 de agosto mon (“Dedicado à glória de Deus de 1941, quando o jornalista e poeta Jorge Duarte publicou um poema sobre a cidade no jornal A Gazeta: “Lavras, cidade dos ipês e das escolas... Há uma grande semelhança entre os ipês e as escolas, na minha terra natal. Ninguém dá importância aos ipês, durante o ano inteiro, viúvos de folhas, órfãos de flores, parecendo esqueletos vegetais. As raízes vão realizando o seu trabalho anônimo de armazenar energias, para a grande surpresa de agosto. É então a festa dos ipês, em uma orgia de cores deslumbrantes. Assim também as escolas. Durante o ano inteiro os nossos mestres preparam silenciosamente, anonimamente, os seus alunos, sem despertar a atenção para a sua obra. Em novembro,

quando as festas finais se realizam, é que aparecem as flores da inteligência – resultado de um labor fecundo. Os ipês florescem em agosto. As escolas florescem em novembro”. UMA CIDADE RECEPTIVA De acordo com a última atualização do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Lavras possui 101.208 habitantes (sem contar a população flutuante) e área territorial de 564,744 km². Mas, ainda assim, preserva o seu aspecto interiorano, de intensa cordialidade. Uma cidade considerada receptiva para muitos que vieram de outras localidades. Há aqueles que já se consideram lavrenses, por conta do total vínculo afetivo com a cidade e seus habitantes, como Luciana Alves Reidler, proprietária da loja Ninar. Natural de Bom Sucesso, ela já morou em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até mesmo Suécia, mas há cinco anos em Lavras ela não pretende sair da cidade. Formada em Direito, Luciana resolveu interromper a sua carreira como advogada, quando residia na Suécia, e retornar para Minas após perder seu único irmão. “Escolhi Lavras por ser uma cidade que tem infraestrutura, com boas escolas, hospitais, e perto de Bom Sucesso, onde está a minha família. Aqui, tive várias ajudas. Meu filho nasceu prematuro, ficou muito tempo na Santa Casa, e criei um enorme vínculo, fiz muitas amizades. Além disso, a Ufla também me auxiliou nessa nova etapa como empresária, com consultorias a um custo menor. Hoje, me fixei em Lavras e pretendo continuar aqui”, comenta.

Luciana Alves Reidler

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MODA INFANTIL

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CADEIRINHA DE CARRO

mercado modelos que atendem a uma grande variedade de pesos e tamanhos, permitindo que a mesma cadeirinha possa ser utilizada por recém-nascidos e crianças maiores, sendo uma ótima maneira de se economizar e ao mesmo tempo garantir a segurança do seu filho.

Qual é a ideal para seu bebê?

SEGUEM ALGUMAS DICAS: 1 Bebê recém-nascido, até completar um ano, deve utilizar o bebê conforto virado para trás. Os fabricantes ainda recomendam que a criança seja transportada dessa maneira pelo maior tempo possível, ou até completar dois anos. 2 Alguns modelos reversíveis servem tanto para bebês pequenos, que devem ser transportados virados para trás, como também se adequam aos maiores, que já podem ficar virados para frente. Assim, não é preciso comprar um novo equipamento. BEBÊ CONFORTO DA MAXI-COSI 0 a 13 Kg

1

do nascimento até 13 Kg ou até 1 ano de idade, no bebê conforto presa de costas para o movimento;

2

de 1 a 4 anos (13 a 18 Kg) em cadeirinha de segurança;

Q

uando estamos com os filhos, um simples passeio se torna praticamente uma viagem. O ritual é o mesmo: preparar mala, roupa, mamadeira, lanchinhos, e após tudo isso, colocá-los na cadeirinha do carro, torcendo para que o bebê não chore durante o trajeto. E esse último item - a cadeirinha do carro - é fundamental em qualquer passeio que envolva automóvel e criança. Além de o seu uso ser obrigatório no Brasil desde maio de

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CADEIRINHA INFANTI 9 a 36 Kg

3

de 4 a 7 anos e meio em assento de elevação ou “booster”;

4

*acima de 7 anos e meio com cinto de segurança.

2008, é esse equipamento que garante a segurança do seu filho durante o trajeto. Como qualquer produto no mercado de bebê e criança, são tantas as opções à venda que os pais acabam se sentindo um pouco perdidos na hora da escolha. Porém, com algumas dicas e cuidados você conseguirá escolher a cadeirinha ideal para transportar o seu filho com segurança e sem gastar muito. Hoje, é possível encontrar no

3 Após completar quatro anos de idade já é possível dispensar a cadeirinha e fazer uso somente do assento de elevação e usar o próprio cinto de segurança do carro. 4 O assento de elevação deve ser utilizado até os sete anos e meio, ou então até que a criança atinja a altura 1,45m. Aí sim, ela estará pronta para andar no banco de trás com o cinto e sem nenhum equipamento extra, praticamente um mini adulto.

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ALÉM DO SABER: A medicina que também leva amor e esperança aos hospitais de Lavras. Em comemoração ao Dia do Médico, conheça a Unidade de Pronto Alegramento (UPA) que levará risos, bem estar e confiança aos enfermos de Lavras. Leia também a seção “Saúde em Dia” com diversos esclarecimentos de médicos colaboradores da Revista Ipê.

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Por Camila Caetano

Foto: Daniel Rocha

SAÚDE

E

m 18 de outubro comemora-se o Dia do Médico, data escolhida em homenagem a São Lucas, conhecido na literatura católica por “o médico amado”. Além de ter sido pintor, músico e historiador, ele também teria estudado medicina e exercido a profissão com total zelo. O dever do “médico amado” ia muito além do cuidar de vidas, era fundamental dedicar amor, confiança e respeito aos pacientes. Tradição que se seguiu ao longo da história. E hoje, esse desafio se mantém. Durante todo o curso de Medicina, os professores procuram guiar seus alunos a também se tornarem médicos humanizados, que acima de tudo saibam amar as pessoas. Por isso, cada vez mais aumenta o número de projetos, em diferentes cidades, que desenvolvem a terapia da alegria. Teatro, música, brincadeiras e cores se tornam instrumentos dos profissionais da saúde. São os especialistas na “risologia” e o objetivo é simples: cuidar e alegrar. Em Lavras não poderia ser diferente. Com o objetivo de levar risos aos hospitais, esperança aos enfermos, e ainda formar melhores médicos, foi criada a Unidade de Pronto Alegramento (UPA). A equipe, com 29 pessoas, é composta por professores e estudantes da área de saúde da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e médicos que atuam nos hospitais Vaz Monteiro e Santa Casa. O projeto começou com o estudante de medicina Lucas Matheus Chagas, que trouxe toda a sua experiência obtida na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), por meio do projeto “Rir é o Melhor Remédio”, que consistia na humanização dos profissionais da área da saúde e transformação do ambiente hospitalar através da figura do palhaço. Natural de Barbacena, ele decidiu retornar para Minas Gerais, iniciando o curso de medicina na UFLA. “Um dos maiores desafios foi deixar o ‘Rir’ para trás, porque o projeto redimensionou totalmente minha forma de ver o mundo”, comenta. Mas, logo no primeiro período do curso na UFLA ele já foi descoberto pelo professor Rodrigo Moura. As-

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Equipe da Unidade de Pronto Alegramento (UPA) de Lavras

sim, professor e aluno se uniram para criar o projeto em Lavras. ROMPENDO BARREIRAS Os novos cursos de Medicina visam a uma abordagem integral do ser humano. Além do atendimento voltado ao cuidar, à prevenção e ao tratamento de doenças, existe o reconhecimento de que é fundamental a interação entre médico e paciente, onde deve haver empatia, respeito e humanidade. Nesse contexto que se fundamenta a Unidade de Pronto Alegramento, um projeto de extensão da UFLA, criado em fevereiro deste ano, que além do curso de Medicina, também envolve os de Educação Física e Nutrição da Universidade. O coordenador, professor Rodrigo, explica que o projeto foi criado para atender a dois objetivos principais: promover alegria aos pacientes no ambiente hospitalar e ambulatorial através da figura do palhaço, e a humanização dos futuros profissionais de medicina. “Para que se consiga promover risadas, é necessária a existência

de empatia e conexão entre duas ou mais pessoas. Através desse exercício, chega-se na humanização dos alunos, para que nunca se esqueçam da importância do paciente enquanto ser humano, mas também para que não sejam sobrecarregados pela cobrança de perfeição e infalibilidade tão frequentes nos cursos e na carreira médica. Acima de tudo, que fique o aprendizado de que apesar da finitude da vida, os laços proporcionados são presentes que enriquecem aos outros e a si mesmo”, conclui o coordenador do projeto. O provedor da Santa Casa de Lavras, o médico Marcos Abe-Saber, também comenta que nos últimos anos muitos cursos de medicina passaram a ter em suas grades curriculares a medicina humanitária, a medicina de família, valorizando muito esse lado social. Para ele, trabalhos com essa abordagem são de extrema relevância para melhorar o astral do paciente. INTENSO TREINAMENTO No primeiro semestre deste ano


toda a equipe passou por diversas oficinas semanais, que permitiram a capacitação necessária para atuar nos hospitais. “Nos nossos encontros tivemos dinâmicas, palestras, documentários, dentre outras atividades que possibilitam ao acadêmico saber o que fazer durante as visitas hospitalares, e ter aquele autoconhecimento para desenvolver o perfil do seu doutor-palhaço, que não é algo tão simples como as pessoas imaginam, é um processo muito elaborado”, relata Lucas. Em Lavras, desde a sua criação, o projeto também contou com o apoio da jornalista Vanessa Trevisan que já auxiliou em projetos semelhantes quando era analista de marketing da Unimed Maringá. “Participei do treinamento para formação de palhaços e logo após comecei a atuar nas alas de atendimento médico. Posteriormente tive que retornar para Lavras, mas o desejo de me envolver novamente no projeto esteve sempre presente em meus pensamentos, e o destino me presentou com uma grata surpresa quando conheci o Lucas, que estava envolvido com a implantação do UPA”. Vanessa conta que em Maringá já acompanhou diversos casos, desde pacientes que conseguiram se curar, os quais ressaltaram a importância das visitas dos doutores palhaços, que transformaram o tratamento em algo mais leve, a pacientes que se foram e deixaram sorrisos e arrancaram lágrimas dos palhaços. “Essa experiência, de hoje poder ajudar a construir esse projeto tão importante, não só para o próximo, mas também para nós mesmos, me transforma a cada dia em uma pessoa mais consciente, que entende o valor da vida, o valor da proximidade, da empatia e do cuidado com o próximo”, comenta.

muito estresse, medo, ansiedade. É nesse contexto que fazemos a intervenção como palhaços. Na literatura científica há evidências da existência de uma correlação muito positiva entre o bem-estar emocional do paciente e a sua recuperação diante da doença física. Além disso, sabemos que existe todo o estereótipo do ambiente hospitalar ser mórbido, triste, e nas nossas visitas tentaremos levar alegria e distração para aquelas pessoas que estão nessa situação vulnerável”, explica Lucas. OUTRAS NOVIDADES NA CIDADE Investir em infraestrutura também é primordial quando se pensa no bem-estar do paciente. Assim, para que mais pessoas possam realizar o tratamento de hemodiálise em Lavras, o hospital Santa Casa iniciará nos próximos meses a construção de uma nova estrutura, na “Cidade da Serra”. “A hemodiálise é um procedimento que, mesmo com todo cuidado, causa certo desconforto. Essa mudança a ser feita é visando ao bem-estar do paciente, que fica hoje em um espaço pequeno”, afirma o provedor da Santa Casa, o médico Marcos Abe-Saber. O serviço de hemodiálise do município, inicialmente projetado para atender 60 pacientes, já não comporta a atual demanda, com cerca de 130 pessoas. “É uma estrutura possível de se fazer fora do hospital, desde que sejam mantidos alguns critérios, com uma ambulância de emergência, uma sala de emergên-

cia, plantão médico. Sempre que você parte para uma estrutura moderna, feita de maneira adequada, você consegue agilidade, eficiência, economia”, complementa o médico. Abe-Saber comenta que, além da hemodiálise, outros serviços de saúde em Lavras têm apresentado significativas melhorias, podendo ser considerados referências na região nas diversas especialidades da medicina. Ele também relata que já existe um contrato de intenções para criação de uma clínica de radioquimioterapia na cidade. “É uma demanda com uma estrutura cara, complexa, com diversas normas de segurança. É algo em médio prazo, mas a semente já foi lançada”, comenta. SAÚDE EM DIA Visando à melhoria na qualidade de vida, o conhecimento preventivo na saúde tem alcançado maior evidência nos últimos anos, sendo considerado um dos pilares da medicina. Em todas as áreas da saúde é preciso ter muita atenção, por isso manter-se informado é de extrema relevância. Neste sentido, para manter a “Saúde em Dia”, a Revista Ipê traz nesta edição diversos esclarecimentos na área de dermatologia, com a Dra. Ana Márcia; de cardiologia com o Dr. Afonso Celso; de ginecologia com o Dr. Cássio Furtini Haddad, Dr. Hélio Haddad e Dr. Hélio Haddad Filho; de pediatria com o Dr. Leandro V. Bôas de Souza, além do apoio do ortopedista e traumatologista Dr. Ednaldo Bougleux da S. Andrade.

MAIS ALEGRIA A LAVRAS As capacitações dos integrantes da Unidade de Pronto Alegramento ainda seguem, mas agora já é possível colocar todo o conhecimento em prática. A previsão é de que a partir do mês de outubro deste ano a equipe inicie as visitas semanais aos hospitais de Lavras. “A internação e a doença em si configura em uma situação que gera

Projeto da nova unidade de hemodiálise do hospital Santa Casa de Misericórdia de Lavras REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


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Saúde em dia

SAÚDE

Informações para viver bem Dra. Ana Márcia Dermatologista

VITILIGO

V

itiligo é uma dermatose crônica, adquirida, caracterizada por máculas acrômicas/hipocrômicas localizada em qualquer parte do corpo. Quando acomete área expostas como a face e mãos, pode determinar um grande impacto psicossocial. Afeta cerca de 1% da população, sem diferença entre raça ou sexo. O início surge em qualquer idade, sendo mais comum na infância e em adultos jovens. CLINICAMENTE, A DOENÇA É CLASSIFICADA EM: Vitiligo não segmentar – poucas ou muitas lesões com distribuição simétrica. Pode comprometer qualquer região de corpo, inclusive face, mãos pés e região genital. Os subtipos são: focal, acrofacil, generalizado, de mucosas, e o universal. O curso é lento e progressivo. Repigmentação espontânea ocorre em até 10 a 20% dos casos. É frequente associação com doenças autoimunes. Vitiligo segmentar – lesões unilaterais localizadas em um segmento, acompanhando a distribuição de um dermátomo. Tem evolução mais rápida que o vulgar e não está associado a doença autoimune.Sugerem que uma anormalidade neurogênica ou mosaicismo cutâneo contribuam para sua patogênese. Vitiligo misto – associação dos dois tipos anteriores. Nesse caso as lesões segmentares precedem as lesões de vitiligo vulgar. A evolução da doença é incerta.

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No vitiligo não segmentar, períodos de reativação podem ocorrer após períodos estáveis, determinando rápida despigmentação da pele. A melhora espontânea, com repigmentação local é descrita, principalmente em áreas expostas à luz solar. Também foi descrita a parada espontânea de despigmentação sem qualquer tipo de tratamento. Não é incomum relatos de pessoas com vitiligo cujas lesões estão melhorando com a terapêutica empregada enquanto novas manchas aparecem ao mesmo tempo. Áreas de pele tratadas com sucesso podem perder a pigmentação novamente. Na patogênese do vitiligo, mecanismos autoimunes, genéticos e fatores ambientais provavelmente atuam em combinação levando à ausência de melanina nas áreas afetadas. Anticorpos contra a antígenos de melanócitos já foram descritos demonstrando a participação de imunidade humoral no processo. Autores também relacionam o “stress” oxidativo local como causa no aparecimento da doença. Fatores desencadeantes como trauma da pele e “stress” psicológico são descritos. Aproximadamente um terço dos pacientes com vitiligo tem história familiar positiva da doença. Foram descritas evidências genéticas associando o vitiligo com doenças autoimunes, como tireoidites autoimunes, alopecia areata, anemia perniciosa, diabetes tipo 1, artrite reumatoide, entre outras. O diagnóstico se faz pelo quadro

clinico. O exame das lesões com lâmpada de Wood diferencia a lesão acrômica do vitiligo das lesões hipocrômicas presentes nas dermatoses que fazem diagnóstico diferencial: Eczematide e Pitiríase alba, Pitiríase versicolor, Hipomelanose macular progressiva, Leucodermia gutata, Nevo despigmentoso, Hipopigmentação pós-inflamatória,entre outras. Entre os exames laboratoriais recomenda-se pesquisa da função da tireoide(T3, T4livre,TSH), pesquisa de auto-anticorpos antitireóide: antiperoxidade e antitireoglobulina. O tratamento deve ser realizado logo de início, para evitar evolução do quadro clínico, principalmente quando a doença compromete o estado psicológico do paciente. O uso de maquiagem corretiva e orientação para evitar exposição solar podem contribuir para que as lesões se tornem menos evidentes e auxiliam na condução do paciente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em resumo, o vitiligo é uma doença crônica que pode interferir na qualidade de vida do paciente. Apesar de algum consenso entre autores sobre várias teorias, a causa do vitiligo ainda é desconhecida. O tratamento visa a controlar o processo inflamatório/autoimune e estimular a repigmentação. Em geral é prolongado, razão pela qual sempre se deve avaliar individualmente o paciente e considerar os riscos e benefícios de cada opção terapêutica, minimizando seus efeitos colaterais.


Saúde em dia Informações para viver bem Dr. Afonso Celso Cardiologista

DOENÇAS CARDIOVASCULARES: A PREVENÇÃO É VITAL

C

om índices de mortalidade cada vez mais significativos, as doenças cardiovasculares chamam a atenção para a importância de se adotar medidas de prevenção e controlar os fatores de risco, tais como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, etilismo, estresse, obesidade e sedentarismo. Atualmente, cerca de 300 mil pessoas morrem por ano no Brasil devido a doenças do coração. E em sua maioria sem nem mesmo ter o primeiro atendimento. Por isso, manter uma dieta saudável (com pouca gordura e sal, além de rica em frutas e verduras), praticar exercícios físicos e evitar o estresse é fundamental, sendo um grande passo para evitar os problemas cardíacos. É válido ressaltar que a cardiologia tem avançado cada vez mais. Hoje, além dos tradicionais tratamentos, como troca de válvulas, revascularização miocárdica cirúrgica e tratamento clínico, há também a angioplastia transluminal intracoronária, que permite uma reabilitação bem precoce. FATORES DE RISCO: Fumo: Um fumante ativo tem o dobro de risco de ter um ataque cardíaco, e até quatro vezes mais o perigo de morrer subitamente. Além disso, as chances também aumentam com relação ao fumante passivo. Colesterol elevado: Os riscos de

doença do coração aumentam na medida em que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue, podendo ainda se agravar pela idade e pelo tipo de alimentação. Pressão arterial elevada: Com a pressão elevada, o coração realiza um trabalho maior, com isso vai hipertrofiando o músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque cardíaco. A elevação da pressão também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral, de lesão nos rins e de insuficiência cardíaca. Sedentarismo: Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos têm um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. A atividade física também previne a obesidade, a hipertensão, o diabete e abaixa o colesterol. Obesidade: A obesidade exige um maior esforço do coração, por isso também pode desencadear um acidente vascular cerebral ou uma doença cardíaca, mesmo na ausência de outros fatores de risco. Diabetes: Mesmo se o açúcar no sangue estiver sob controle, o diabetes aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas com diabetes morrem de complicações cardíacas ou cerebrais. Idade: Quatro entre cinco pessoas acometidas de doenças cardiovasculares estão acima dos 65 anos. A partir dos 40 anos deve haver realização

de exames periódicos de saúde. Histórico familiar: As pessoas com antecedentes familiares devem começar a se prevenir mais cedo, pois filhos de pessoas com doenças cardiovasculares têm uma maior propensão para desenvolverem essas patologias. FIQUE POR DENTRO • Doenças cardiovasculares: são todas as doenças do coração e sistema sanguíneo (artérias, veias e vasos capilares). Geralmente, são provocadas pela acumulação, durante anos, de gordura na parede dos vasos sanguíneos. • Doenças cardiovasculares mais frequentes: enfarte do miocárdio, angina de peito, acidente vascular cerebral, hipertensão arterial e aterosclerose. • Sintomas que sugerem ao médico doença cardíaca: dificuldade em respirar, mesmo em repouso; sensação de aperto no peito, que pode irradiar até o pescoço ou braço esquerdo durante o exercício físico; alterações do ritmo cardíaco e pernas inchadas. • Tratamento: realizado com medicação para diminuir o esforço e aumentar a força do músculo cardíaco e consequentemente baixar a pressão arterial. É importante procurar um médico cardiologista ainda nos primeiros sintomas. A partir do diagnóstico, ele indicará o tratamento correto. REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


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Mais do que uma profissão, medicina é uma vocação.

Uma homenagem da Unimed ao Dia do Médico.


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Saúde em dia Informações para viver bem

SAÚDE

Dr. Cássio Furtini Haddad Dr. Hélio Haddad Dr. Hélio Haddad Filho Ginecologistas

O VÍRUS HPV E A SAÚDE DA MULHER

O

vírus HPV é o vírus associado à imensa maioria dos casos de câncer de colo de útero, um dos mais frequentes cânceres ginecológicos e que ainda tem, apesar das campanhas e da realização de exames preventivos, alta incidência na população brasileira. Mais de duzentos sorotipos diferentes desse vírus são encontrados na natureza, sendo que dezenas deles podem acometer o trato genital feminino e causar desde pequenas lesões facilmente tratadas a formas graves de acometimento, como o câncer de colo uterino, que acomete, principalmente, mulheres jovens, entre 18 e 40 anos de idade, com incidência aumentada também em torno dos 50 aos 55 anos de idade. Trata-se, portanto, de um vírus que acomete mulheres desde a adolescência e muito tem se falado, nos dias de hoje, sobre suas repercussões. A transmissão do vírus HPV ocorre por via sexual, constituindo-se, provavelmente, na doença sexualmente transmissível mais comum na atualidade. Após a entrada no organismo, o vírus pode ser combatido pelo sistema imunológico ou atingir as células alvo, especialmente as da região vulvo-vaginal e as do colo do útero. Nesse caso, pode haver um processo infeccioso e até alterações mais profundas que, se não forem tratadas, poderão evoluir para lesões graves e um câncer. Vale lembrar que a maioria das infecções REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

causadas por esse vírus são prontamente combatidas pelo sistema imunológico, com as células do colo do útero retornando a seu estado de normalidade. As principais consequências de uma infecção genital pelo HPV que não foi controlada pelo sistema imune são o desenvolvimento de verrugas na região vulvo-vaginal, de lesões pré-cancerosas no colo uterino e do câncer do colo do útero. Além dessas, outras menos frequentes são o câncer de vulva, vagina e ânus. As lesões externas podem ser percebidas pela mulher , entretanto as lesões internas, que acometem o colo uterino, só podem ser detectadas pelo exame ginecológico e pela realização do exame preventivo. Daí a importância do exame ginecológico periódico feito por toda mulher após início de sua vida sexual. À medida que a medicina evolui, novos estudos vão sendo realizados, com o objetivo de oferecermos, às nossas pacientes, a melhor opção terapêutica, com os menores inconvenientes possíveis e tratamentos seguros e apropriados. A maneira mais segura de prevenção contra o HPV constitui-se no uso de preservativos e, notadamente, na vacina contra HPV. Existem, atualmente, dois tipos de vacinas, que atuam contra os principais subtipos do vírus. A eficácia da vacinação chega a índices próximos de 100% e sua utilização tem sido amplamente recomendada

em todo o mundo, sendo aprovada por mais de 120 órgãos regulatórios de diversos países. Importante frisar que, nos dias atuais, a decisão do tratamento e das medidas preventivas envolve, muitas vezes, uma decisão conjunta entre médico e paciente ou seu responsável, visto a existência de mais de uma opção terapêutica possível, ao invés da existência de uma conduta certa ou outra errada. Assim, toda mulher deve buscar as informações adequadas e ter participação ativa na decisão e na escolha da melhor opção para cada caso, sempre pensando na preservação da saúde da mulher, de sua fertilidade e na cura de sua doença.

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Dr.

Ednaldo Bougleux da S. Andrade CRM MG 47523 - TEOT 12720

Ortopedia e Traumatologia • Residência médica em ortopedia e traumatologia pelo hospital IPSEMG: • Título de especialista em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT; • Residência médica em medicina e cirurgia do tornozelo e pé pelo hospital IPSEMG IPSEMG.

Lavras

Perdões

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Saúde em dia

SAÚDE

Informações para viver bem Dr. Leandro V. Bôas de Souza Médico Pediatra

PEDIATRIA E SAÚDE DO ADOLESCENTE

A

Pediatria é a especialidade médica voltada para a manutenção da saúde da criança, tratamento de agravos e a prevenção de doenças da vida adulta. A palavra Pediatria vem do Grego: Paidós (criança) + iatrós (tratamento, aquele que cura, médico) e este termo só começou a ser utilizado no século XIX, quando se percebeu que havia diferença no seguimento e tratamento de adultos e crianças. Ela tem papel relevante na atenção a crianças e adolescentes em todos os níveis – social, pessoal, intra-familiar, intra-escolar - auxiliando na implementação de medidas que tragam o bem estar dessa população e seu pleno desenvolvimento no ambiente familiar e social. A Pediatria tem na Puericultura a sua principal ferramenta de prevenção, no ambiente familiar, onde se orienta alimentação, vacinação, higiene, cuidados com acidentes, estímulos adequados para cada faixa etária e se acompanha o crescimento e o desenvolvimento. Atua também, de forma direta, nas condições agudas de agravo à saúde de crianças e adolescentes. A Saúde do Adolescente ou Hebiatria (do grego: hebe – jovem, adolescente + iatrós) emerge no amplo universo da Pediatria como uma das suas subespecialidades. O termo Hebiatria não é o mais utilizado, sendo o termo “Saúde do

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Adolescente” o de escolha, por dar uma ideia melhor daquilo que a especialidade se propõe. A ‘Adolescência ou Puberdade’ representa o momento de “passagem” ou transição física, psíquica e emocional da infância para a fase adulta. E é um marco importante na vida do indivíduo com influência direta do meio e da cultura de cada um, deixando, esse processo, marcas que perduram por toda a vida. É um momento difícil que pode deixar o jovem perdido entre estes 2 mundos: a infância e a vida adulta. É uma fase de muitas mudanças e muitas dúvidas onde a comunicação e a escuta assumem um papel crucial. É através do compartilhamento das experiências que os povos passam a seus descendentes a cultura e o conhecimento adquirido suficientes para que eles possam, acrescidos de suas vivências individuais, vencer as provas e os obstáculos impostos pela adolescência. O papel da família é fundamental para auxiliar o jovem a encontrar seu caminho. E hoje, quando o mundo cada vez mais se fecha em si mesmo, abandonando a tradição da cultura falada, e se enveredando na comunicação impessoal através de máquinas e dispositivos eletrônicos, o jovem se vê cada vez mais isolado e sozinho na busca dessa trajetória. Nesse interim, a Saúde do Adolescente tem, como função, au-

xiliar nesse processo de transição, estimulando o jovem a se responsabilizar por seus cuidados, acompanhando seu desenvolvimento físico e emocional, detectando situações de risco, valorizando o papel da família - harmonizando e reconectando pais e filhos, além de orientar o calendário vacinal, a prevenção de acidentes, o uso de drogas, as DST´s e a gravidez. Nesse contexto o médico especializado no Adolescente torna-se um confidente e amigo, encarando o jovem sob um aspecto global da sua saúde (física, psíquica e social) oferecendo-lhe uma escuta atenta sem discriminação ou censuras e auxiliando-o a se ressincronizar com a sua família e sociedade. Coates, V; Beznos, G.W.; Françoso, L. A. MEDICINA DO ADOLESCENTE, pp10-11, ed.Sarvier, 2003

DR. LEANDRO VILAS BÔAS DE SOUZA Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFMG; Residência em Pediatria credencida pelo MEC pelo Hospital Municipal Odilon Behrens; Título de Especialista em Pediatria pela AMB; Sub-especializado em Saúde do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UFMG. Faz atendimentos de recém nascidos a adolescentes (0 aos 18 anos) em seu consultório. Rua Manoel Carvalho de Souza,25 - Sala 302/ Centro - Lavras/MG. Tel: (35) 3826.6287 ou (35) 4104.0396. Atende também no Hospital Vaz Monteiro.


COLABORADORES

“SAÚDE EM DIA”

DRA. ANA MARCIA P. POSSAi Dermatologista • Doenças de pele • cabelo • unha • Depilação a Laser

DR. AFONSO CELSO DE ABREU Cardiológista Clínico Geral Angiocor Diagnósticos • Teste Ergometrico Computadorizado • Duplex Scan MMII (arterial e venoso) Ecocardiograma Transtorácico (adolto e criança) • ECG • Mapa 24h • Holters 24h • Duplex Scan Carótidas • Vértebras

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SÍNDROME DE BURNOUT

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NUTRIÇÃO

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Rita de Cássia Oliveira Nutricionista Pós graduada em Nutrição Clínica Funcional e Esportiva Funcional Av. Silvio Menicucci (Perimetral),1800, Lavras/MG (35) 3826-2889 / 98833-7388

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urn out do inglês, “queimar por dentro”, “consumir-se”, deu origem ao termo burnout descrito como um sentimento de fracasso e exaustão causado por um excessivo desgaste de energia e recursos internos. É considerado um risco ocupacional para profissões que envolvem cuidados com a saúde, a educação e os serviços humanos. Assim sendo, a Síndrome de Burnout é um fenômeno psicossocial relacionado ao contexto laboral resultante do estresse crônico, típico do cotidiano do trabalho. É caracterizada pela exaustão emocional, despersonalização e falta de realização pessoal que em casos extremos pode levar à perda total da capacidade laboral. As ocupações de mais risco são aquelas cujas atividades estão direcionadas às pessoas e que envolvam contato muito próximo, de cunho emocional. Os fatores de risco para o desenvolvimento do Burnout são dispostos em quatro dimensões, que são relativas à organização, ao indivíduo, ao trabalho e à sociedade. Os sintomas podem ser subdivididos em físicos, psíquicos, comportamentais e defensivos e suas consequências podem atingir o indivíduo nos níveis pessoal, organizacional e social. De forma geral, os sintomas são inúmeros e podem ser facilmente confundidos com depressão ou síndrome da fadiga crônica. Distúrbios do sono, enxaqueca, queda e branqueamento dos cabelos, infecções virais constantes, alergias, suspiros profundos e constantes, redução da libido, disfunção sexual masculina, alterações menstruais, falta de concentração, memória ruim, pensamento lento, impaciência, desânimo, labilidade emocional, palpitações, hipertensão, fadiga excessiva, dores no corpo e perturbações gastrintestinais são alguns dos sintomas mais frequentes. Vale lembrar que o diagnóstico é feito por profissionais habilitados considerando os vários aspectos que caracterizam a síndrome. Mas onde a nutrição funcional entra nesse contexto? A resistência corporal ou celular ao estresse só pode ser mantida até que ocorra a exaustão. A tolerância ao estresse é fisiológica e é ele que impõe as adaptações necessárias à nossa sobrevivência. Tal processo foi didaticamente dividido nas fases: I de Alarme, onde os recursos orgânicos são mobilizados, II de Adaptação, onde os recursos mobilizados são utilizados, e III da Exaustão, onde as reservas são depletadas e NÃO regeneradas, instalando-se assim um processo inflamatório celular desencadeado pela excessiva produção de radicais livres decorrentes do estresse crônico. Assim sendo, o fornecimento de nutrientes que atuem no combate ao processo inflamatório, possibilitando maior atividade do nosso sistema destoxificante e antioxidante, aliado às estratégias psicológicas como relaxamento, meditação, planejamento da vida pessoal, prática de exercício físico, atenção à religiosidade e/ou espiritualidade são descritas como tratamento da Síndrome de Burnout! É a Nutrição Funcional como uma estratégia valiosa contra mais um distúrbio do mundo moderno!! Antene-se! Procure sempre profissionais atualizados e preocupados com seu bem estar geral!


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Foto: José Henrique / Cia da Foto

VEGANO

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substâncias que necessitamos são encontradas nos vegetais.” Para Anderson Rodrigues, atualmente dono da empresa de produtos veganos, Vida Veg, o veganismo possui três pilares: a ética, que envolve a não exploração de animais; a saúde, já que há estudos científicos recentes comprovando que uma alimentação baseada em origem vegetal, desde que equilibrada, é mais saudável e evita várias doenças oriundas principalmente do consumo de produtos de origem animal, como por exemplo doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, entre outros; e preservação do meio ambiente - um exemplo é que 80% da Amazônia é desmatada para fazer pasto para animais ou para plantar soja e milho para fazer rações.

Anderson Rodrigues, fundador da Vida Veg, empresa que produz produtos veganos

VEGANISMO O veganismo rejeita produtos e alimentos de origem animal. Mais do que alimentação, é um estilo de vida. Por Marina Alvarenga Botelho

O

veganismo rejeita produtos e alimentos de origem animal. Mais do que alimentação, é um estilo de vida. A busca por um estilo de vida mais saudável e sustentável tem se tornado um movimento crescente do século XXI. Uma das opções abraçadas por quem opta por esse caminho é a do veganismo. Só no Brasil, até 2012, cerca de 15,2 milhões de pessoas eram vegetarianas, o equivalente a 8% da população brasileira. Dentre elas, o número aproximado de veganos é de 5 milhões, sendo que, nesses últimos quatro anos, embora não haja dados oficiais, o que se observa é um aumento gradual no número de adeptos. Ser vegano é mais do que alimentação, é um estilo de vida. O veganismo é uma vertente mais ampla do vegetarianismo, por assim dizer. Além de não comer carne ou qual-

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quer produto derivado de origem animal, quem opta por esse estilo de vida não consome nada que tenha sido testado em animais, ou qualquer coisa que passe por processos de maus-tratos e crueldade, de cosméticos a roupas e corantes de alimentos. Também não apoiam práticas como rodeios, touradas, rinhas, em suma, qualquer atividade envolvendo exploração animal. A Revista Ipê conversou com duas veganas e dois veganos, a fim de conhecer um pouco sobre seus processos e experiências. O estudante de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Pedro Carbogim, é vegano há um ano e acredita que “Ser vegano, é, acima de tudo, uma opção política. Não concordo em condicionar a existência de um animal aos caprichos do meu paladar, transformando-os em produtos. Além disso, todas as

Veganismo é uma filosofia e estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade; e, por extensão, que promova o desenvolvimento e uso de alternativas livres de origem animal para benefício de humanos, animais e meio ambiente. (livre tradução de “The Vegan Society”, grupo que criou o termo “Veganismo”, fundado em 1944 no Reino Unido, retirada do site veganismo.org.br) OS BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO VEGANA Muitos são os mitos do senso comum sobre a alimentação vegana. Como explica a nutricionista Priscilla Lopes, “um dos grandes mitos é que o veganismo significará sempre uma restrição alimentar fisiologicamente prejudicial ao organismo, com deficiência de alguns nutrientes predominantemente presentes em alimentos de origem animal. Porém, quando bem planejada, a dieta vegana pode ofertar os nutrientes que uma pessoa precisa. Dentro disso, existe também uma ideia de que apenas adultos saudáveis podem aderir a esse tipo de alimentação. A dieta vegana pode ser adotada em qualquer fase da vida. Isso significa que crianças, gestantes, idosos


e até mesmo atletas podem adotar esse perfil alimentar sem que haja prejuízo no crescimento, desenvolvimento ou performance esportiva”. Dentre seus benefícios está a grande disponibilidade de vitaminas, minerais, carboidratos e lipídios de boa qualidade encontrados em alimentos de origem vegetal. Além disso, a dieta vegana disponibiliza apenas o chamado colesterol bom, que é necessário à saúde humana e pode ser encontrado em oleaginosas, azeite e outros óleos vegetais. O estudante de agronomia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e professor de inglês, Thiago Rossi, enumera alguns dos benefícios que o veganismo trouxe à sua vida: “economia nas compras; refeições mais leves e conscientes nutricionalmente; consumo consciente; saúde equilibrada e a consciência tranquila por saber que aquilo que estou consumindo (alimentício ou não) não envolveu sofrimento aos animais”. Em relação ao bem estar, a nutricionista Priscilla ainda explica: “os últimos estudos na área mostram uma relação positiva entre alimentação restrita em produtos de origem animal e menor incidência de algumas doenças cardiovasculares, como hipertensão e dislipidemias”. No entanto, ressalta também a importância do acompanhamento médico e nutricional. A doutoranda em Engenharia Florestal da UFLA, Polyanne Coelho, é vegana há três anos e comenta: “Após me tornar vegana, me senti muito mais disposta no dia a dia. A digestão dos alimentos é mais fácil e

o humor agradece. Faço exames periódicos e está tudo em ordem. Também é mais fácil manter o peso. E a consciência fica muito mais tranquila, pois sei que não estou financiando nenhum tipo de tortura a inocentes”. Dentre os quatro entrevistados para a nossa matéria, uma coisa foi unânime: todos relataram que, após um tempo do início da dieta, o corpo agradeceu, a digestão ficou mais leve e o sistema imunológico melhorou consideravelmente. Todos relataram que raramente ficam doentes, possuem muito mais autoconhecimento, passaram a realmente sentir o sabor dos alimentos e entenderam o que é saciedade. MAS... O QUE O VEGANO COME? Com exceção da vitamina B12, todos os demais nutrientes podem ser encontrados nos alimentos de origem vegetal. No entanto, é necessário o acompanhamento médico, com a realização regular de exames, para saber se há a deficiência desta vitamina no organismo, e, para que, caso haja, seja facilmente suplementada com produtos encontrados em farmácia ou ainda alimentos veganos enriquecidos com a mesma. Ainda quebrando o mito de que “vegano não come nada” ou “não terá os nutrientes necessários”, a lista de alimentos é longa: frutas, legumes, verduras, grãos, grãos processados, cereais, oleaginosas (castanhas), raízes, ervas, cogumelos, enfim, tudo o que vem da natureza. Mas... e as proteínas? Além de amplamente encontradas em ali-

mentos como couve e brócolis, a nutricionista Priscilla explica: “uma boa forma de substituir a carne (uma porção de 100 gramas) é usar 1 concha de feijão (ou de outras leguminosas como por exemplo o grão de bico ou a soja). É verdade que em relação a alguns nutrientes específicos, as fontes de origem vegetal podem apresentar uma menor biodisponibilidade, porém, o que deve se levar em conta é uma alimentação equilibrada durante todo o dia e não apenas uma refeição isolada”. A criatividade vem para a cozinha e pratos deliciosos e super saudáveis têm surgido: são hambúrgueres diversos feitos a partir de legumes ou cogumelos, com ervas e aveia ou quinoa, por exemplo; leites e iogurtes de coco, amêndoas, soja; farinhas funcionais diversas para fazer bolos, pães, biscoitos e tortas. A estudante de biologia da UFLA, Tatiana Euzébio, conta que, além de ter adotado o estilo de vida e a alimentação vegana, começou a fazer, inclusive, lanches veganos para vender na faculdade a ajudar na renda mensal. “Eu amo cozinhar e amo a diversidade, e isso não era a variedade de bolos, salgadinhos ou congelados, mas de vidas botânicas e que eu posso me consumir delas. E elas movimentam cultura, valores antigos... Eu vi que não precisava tomar leite, comer queijo e fazer, pois eu gosto do processo da feitura, sem violentar nada. E isso instigou a minha criatividade”. O PROCESSO E AS DIFICULDADES Dentre as maiores dificuldade relatadas por quem adotou a dieta é a dificuldade de se comer fora de casa. Para o estudante Thiago Rossi, “lanchonetes e outros estabelecimentos comerciais ainda tem preconceito com o público vegano no geral e demoram (quando o fazem) a adaptar seus cardápios para esse público”. O juiz-forano Pedro Carbogim concorda: “quando saímos para um barzinho, geralmente tenho que ficar na batata frita mesmo. Também é complicado encontrar produtos prontos veganos nos mercados, como carnes vegetais/queijos vegetais”. Já para Tatiana, duas outras REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


VEGANO

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RECEITA BOLO DE CENOURA VEGANO: Ingredientes:

Todos os produtos da Vida Veg

dificuldades apareceram: a primeira em relação aos prazeres com os quais o paladar já está acostumado, e o segundo foi o fator social: “as pessoas acham que você não come, que você é doente, que você não tem opção. E ficam dando palpites, mesmo sem conhecimento, e cheio de coisas negativas. Principalmente a família, que já segue uma tradição”. OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO Foi pensando nesse público crescente e nas dificuldades enfrentadas por eles, e a partir de uma pesquisa de mestrado, que Anderson Rodrigues resolveu abrir a sua própria empresa do ramo, a Vida Veg, com o pensamento de que “a nossa missão é promover uma alimentação saudável e permitir que as pessoas tenham maior bem-estar, disponibilizando alimentos vegetarianos que respeitam as pessoas, os animais e o planeta. Nossa empresa sempre vai lançar produtos veganos, para facilitar a vida das pessoas que querem seguir este estilo de vida, e a um preço justo”. A Vida Veg nasce após a pesquisa para a dissertação de mestrado em Administração de Anderson, defendida em 2012 na UFLA, que, por meio de netnografia e entrevistas, entendeu que havia poucos produtos para esse nicho de mercado em

crescimento. Foi aí que o mestrando viu a oportunidade de abrir sua própria empresa e trabalhar com o que torna o mundo melhor. Após um tempo trabalhando em outros lugares, em 2015 surge a Vida Veg, pensando não só no público vegano, mas em intolerantes à lactose, alérgicos à leite e quem se preocupa com a saúde de forma geral. Os primeiros produtos a serem desenvolvidos foram oito sabores de iogurtes feitos com leite vegetais de três bases: coco, amêndoa e arroz. “Esse tipo de iogurte é pioneiro no país, pela forma como são produzidos e disponibilizados. Aqui fazemos a extração do leite do produto in natura”. O lançamento no mercado foi bem sucedido e hoje, após somente oito meses de seu surgimento, a Vida Veg está presente em 250 pontos de vendas em quase todo o Brasil. “Havia alguns produtos baseados em soja, por exemplo, inclusive alguns queijos, mas não eram muito saborosos e difíceis de encontrar”, comenta o empreendedor, que vai lançar ainda este ano novos produtos para a linha de iogurte, uma linha de queijos advindos da castanha-do-caju, além de já estar desenvolvendo outros produtos, como por exemplo uma linha de sorvetes. Dados do IBOPE de 2012, disponível em http:// www.ibope.com.br/pt-br/noticias/paginas/dia-mundial-do-vegetarianismo-8-da-populacao-brasileira-afirma-ser-adepta-ao-estilo.aspx

• 1 xícara de cenouras orgânicas picadas miúdas • 1 xícara de Iogurte sabor Amêndoa Vida Veg • 4 colheres de sopa de óleo de coco • 1 xícara de açúcar mascavo • 2 xícaras de farinha integral • 1 colher (sopa) de fermento em pó Preparo: Bater no liquidificador os ingredientes líquidos, despejar esse líquido em um recipiente de vidro e misturar os ingredientes secos, mexer bem até ficar homogêneo, assar em forma média por 35 mins em forno pré aquecido a 180º. Cobertura: • 1 Barra de Chocolate 70% cacau derretida em banho Maria; • 1 colher de sobremesa Manteiga Ghee (opcional) • 1 colher de sopa de Biomassa de Banana Verde (opcional) Misturar tudo em uma panela pequena e derreter em Banho Maria, despejar por cima do bolo.

FICHA TÉCNICA Vida Veg Pontos de vendas Supermercado Rex (Shopping) • Empório Verde Campo • Mundo Verde • Supermecado GF Lavras Norte • Casa da Dieta Natural @VidaVeg /vidaveg vidaveg.com.br


EMPREENDIMENTOS

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A nova Edge City de Lavras: moderna, planejada e sustentável.

CIDADE DA SERRA O futuro de Lavras e região Por Camila Caetano Fotos: Cia da Foto

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ma cidade moderna, totalmente planejada e envolvida pela estonteante Serra da Bocaina, um forte elo entre beleza e praticidade. Esta é a Cidade da Serra, a nova Edge City (cidade de contorno) de Lavras, com acessibilidade pela Avenida José Possato, próximo ao trevo do Centro de Distribuição Rex. Com projeto idealizado e projetado pela Construtora Laper e a Pemi Construtora, a Cidade da Serra estará apta a contemplar áreas específicas para residências, hospitais, escolas, supermercados, restaurantes, farmácias, padarias, postos de combustíveis, escritórios, lazer, dentre outras. O Projeto possui mais de sete milhões de metros quadrados, e já é considerado um padrão para o crescimento urbano, que visa por mais qualidade

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de vida, sustentabilidade ambiental e adequação aos parâmetros de acessibilidade e harmonia do urbanismo moderno. Os bairros projetados serão desenvolvidos de forma independente, cada um com suas próprias praças e, comércios voltados para as necessidades básicas do dia a dia, além de ruas e avenidas amplas e arborizadas. A Cidade da Serra foi planejada pensando no futuro, baseada nos princípios de Eco Urbanismo. A primeira etapa de vendas da Cidade da Serra é a área em torno de sua coluna vertebral, a Avenida do Futuro, batizada de Totonho Rezende, devidamente aprovada pelo município e registrada em cartório. Mais de 50% dos lotes comerciais (a partir de 600 m²) desta avenida já foram comercializados. Além disso, dentro do Projeto Cidade da Serra,

faz parte também o Condomínio Residencial Mont Serrat, que foi sucesso de vendas com aproximadamente 80% dos terrenos vendidos, e para selar este grande sucesso, os compradores já estão em plena execução de suas casas. Grandes empreendedores de Lavras e região também já investiram na nova Edge City, é lá que estará a nova unidade regional de hemodiálise do consagrado Hospital Santa Casa de Misericórdia e a futura sede da Corpal, empresa de insumos agrícolas, sementes, tratores e implementos agrícolas, com 29 anos de mercado. A Cidade da Serra é um projeto único e ousado, jamais pensado na nossa região, que reúne com excelência os melhores benefícios e vantagens para as empresas, pessoas e o comércio em geral prosperarem.


Carlos Roberto de Pádua CORPAL

Marcos Antônio Abe-Saber Miguel Provedor Da Santa Casa De Misericórdia De Lavras

A Corpal é uma empresa que leva tecnologia, modernidade e principalmente informações ao meio rural através de uma equipe de profissionais comprometidos e capacitados para atuar no agronegócio brasileiro, tornando-se referência no mercado agrícola do Sul de Minas. Possuímos uma filial em Lavras e queremos crescer nessa região, por isso investimos na Cidade da Serra, um projeto audacioso, moderno e, além de tudo, sustentável. Uma das premissas da nossa empresa é a sustentabilidade, sendo assim, é sempre importante investir em lugares ambientalmente corretos e culturalmente aceitos. Além disso, a Cidade da Serra é um projeto da Lasper e da Pemi, construtoras que nos inspiram confiança para empreender.

Após as comemorações dos nossos 150 anos, o trabalho para os próximos anos já começou de maneira intensa em 2016. Seguindo a nossa política de modernização e melhoria dos serviços prestados e buscando sempre a excelência, acabamos de fechar uma importante parceria com a Pemi Construtora. Na tão aguardada Cidade da Serra, a Santa Casa de Lavras recebeu a doação de um terreno de 600 m² e adquiriu mais um terreno de 882 m², para a instalação do seu novo Centro de Hemodiálise localizados na Avenida Totonho Rezende. Nesta primeira etapa a área construída será de 1.558 m² dividida em dois andares . Com as novas instalações, a Santa Casa de Lavras aumentará a capacidade atual do seu servi-

ço de Hemodiálise em 50%, ou seja, de 24 máquinas para 36 máquinas. Numa segunda etapa estão previstos mais dois pavimentos. Dessa maneira, dos atuais 72 pacientes atendidos por dia, passarão a ser atendidos 108 pacientes por dia em instalações modernas e exclusivamente preparadas, contando também com inúmeras vagas para estacionamento. A previsão de início das obras é para abril de 2016, pois já temos os projetos arquitetônico e estrutural em andamento e já em execução a prospecção do terreno para a fundação. A Santa Casa de Lavras através da sua Diretoria, Corpo Clínico, funcionários e pacientes, agradece à Pemi Construtora pela parceria e por permitir que nossos sonhos se tornem realidade.


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USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL

JURÍDICO

Importante novidade para a aquisição de bem imóvel

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sucapião é a forma de aquisição originária de bens móveis e imóveis, pelo exercício de posse pacífica e ininterrupta por prazos previstos em lei. A aquisição é denominada originária, tendo em vista não haver qualquer relação do titular anterior e o titular atual do imóvel. A usucapião permite o registro de um imóvel em nome do possuidor e também a regularização da situação do bem, seja ele urbano ou rural, como por exemplo, o registro de um imóvel com área inferior à fração mínima de parcelamento de solo. A aquisição é permitida pela legislação brasileira, desde que, obedecidas algumas exigências e requisitos legais, como por exemplo, tempo mínimo de posse, devendo ser esta pacífica, dentre outros requisitos, dependendo da modalidade de usucapião e o caso concreto. Com a entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil, que se deu no mês de março do corrente ano, criou-se um novo procedimento para a aquisição de bem imóvel, a Usucapião Extrajudicial, ou seja, realizado em Cartório de Registro de Imóveis. Passou-se a permitir o procedimento fora do judiciário, pois, o longo prazo de duração de uma ação de usucapião é uma característica mar-

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cante da mesma, tendo em vista as formalidades e a grande demanda do poder judiciário. A usucapião extrajudicial pode ser requerida por pessoa física ou jurídica, devendo necessariamente esta ser representada por um advogado, não somente por força de lei, como também para boa defesa do interessado, devido à necessidade da apresentação de requerimentos específicos acompanhados de provas e fundamentações jurídicas. O procedimento deverá ser realizado junto ao Cartório de Registro de Imóveis, o qual deve ser aquele da circunscrição imobiliária em que se situar o imóvel Usucapiendo. Da mesma forma que ocorre na via judicial, os interessados no procedimento deverão ser notificados e cientificados, para tomarem ciência do ato, tais como, o proprietário do imóvel, se existente, os confrontantes, os terceiros possíveis interessados e as fazendas públicas municipal, estadual e federal. Após a análise das documentações, o oficial do cartório poderá deferir ou indeferir o pedido de usucapião, sendo que a decisão no procedimento extrajudicial não obsta novo requerimento na via judicial. Nesse sentido, importante infor-

mar que a nova lei, ao dar ao cidadão uma segunda opção para atingir o objetivo que antes era somente através de um processo judicial, não deixou de lado o direito do interessado em se valer do poder judiciário caso queira ou seja necessário, tendo em vista que somente haverá sucesso da usucapião na forma extrajudicial com o consenso com relação à posse de todos os envolvidos no procedimento. A proposta trazida pelo Novo Código de Processo Civil é de grande valia, as vantagens do pedido extrajudicial de usucapião são notórias, é uma evolução levada para a sociedade, pois, além de proporcionar maior rapidez no pedido de usucapião, é também uma expectativa de reduzir a elevada demanda no poder judiciário.

FICHA TÉCNICA Mayra Nunes OAB/MG 168.795 Nayara Marques OAB/MG 143.625 Simone Marques OAB/MG 143.622 Contato: (35) 3826-4892 marques_advocacia@yahoo.com.br


Foto: José Henrique / Cia da Foto

JURÍDICO

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RESCISÃO INDIRETA DO CONTRATO DE TRABALHO Entenda as hipóteses em que o empregado poderá pleiteá-la.

A

rescisão indireta é uma das hipóteses de resolução do contrato de trabalho e ocorre quando um ato faltoso é praticado pela empresa. Para se configurar uma falta grave ensejadora da resolução do contrato de trabalho, o ato faltoso deverá estar previsto em lei. Nas hipóteses de rescisão indireta, a falta grave, que é praticada pelo empregador, deve estar prevista no art. 483 da CLT. Neste caso, em razão da conduta faltosa do empregador, o trabalhador estará autorizado a colocar fim ao contrato de trabalho e receber todas as verbas rescisórias e demais direitos trabalhistas nas seguintes hipóteses: • Quando forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes ou alheios ao contrato: compreende esta hipótese as ilegalidades exigidas pelo empregador, tais como exigir trabalho insalubre ao menor de 18 anos, desvio de função etc.; • Quando for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo:

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esta hipótese ocorrerá, por exemplo, quando o empregado for perseguido ou, ainda, tratado com intolerância pelo empregador; • Quando ocorrer perigo manifesto de mal considerável: por exemplo, quando o empregado presta serviço insalubre ou perigoso sem os devidos equipamentos de proteção; • Quando não cumprir o empregador as obrigações do contrato: podendo ser citado como exemplo o atraso ou falta de pagamento de salários e ausência dos depósitos do FGTS; • Quando forem praticados pela empresa, contra o empregado ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e da boa fama: compreendendo atos que configurem injúria, calúnia e difamação, não sendo requisito a condenação criminal; • Quando houver ofensa/agressão física, salvo em caso de legítima defesa: nesta hipótese também não se exige condenação criminal; • Quando o empregador reduzir o

trabalho do empregado, que seja por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente os seus salários: hipótese que trata da redução indireta do salário, que é vedada pela Constituição Federal. Conclui-se que, praticada uma falta grave pelo empregador, que deve estar compreendida nas hipóteses acima descritas, o empregado poderá deixar de trabalhar, devendo comunicar a empresa a sua decisão e ajuizar Reclamação Trabalhista perante a Justiça do Trabalho, requerendo o reconhecimento da justa causa praticada pelo empregador que, se for reconhecida, ensejará o recebimento, pelo empregado, de todas as verbas rescisórias.

FICHA TÉCNICA Dr. Claudinei Silva de Castro OAB/MG nº 170.236 Dr. Talles Rodrigues da Silva OAB/MG nº 154.825 Dr. Wederson Leles Pereira OAB/MG nº 160.109 E-mail: pereirarodriguesesilva.adv@gmail.com


COMUNICAÇÃO INTEGRADA

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ARQUITETURA

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Projeto Juliana Melo

rústico, deixa a construção com um aspecto muito acolhedor”. CONSTRUÇÕES VIVAS

CONSTRUÇÕES ALTERNATIVAS Casas eco: econômicas e ecológicas Por Marina Alvarenga Botelho Fotos: Divulgação

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eaproveitamento, reciclagem de materiais e construção com coisas que a natureza dá. São alguns dos parâmetros levados em conta por quem busca, hoje, construir de forma eco: econômica e ecológica. São diversas as opções para fazer a sua casa de forma sustentável e barata: da reforma de um contêiner vazio à utilização do próprio solo do terreno para subir paredes. Quem quer construir sem gastar muito pode começar fazendo um exercício bem simples e prazeroso: o garimpo. Seja em cidade grande ou pequena, sempre há um “ferro velho” ou um “acumulador”. Portas, janelas, esquadrias, móveis antigos e materiais de demolição, como tijo-

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los maciços e estruturas de madeira, podem servir como base para o projeto da sua nova casa. A arquiteta lavrense Juliana Melo está atualmente trabalhando em um projeto alternativo, e dá dicas de economia: “O casal buscou primeiramente as estruturas, portas e janelas em garimpos, e somente após saber o que poderíamos usar, é que fiz o projeto, já pensando nessas peças. A economia pode chegar a mais de 50% nas esquadrias garimpadas e essa economia também aparece na utilização do tijolo aparente, na laje do quarto em concreto aparente, no piso em cimento queimado... Além disso, com linhas simples, poucas paredes, ambientes integrados e o efeito estético, todo

O baixo impacto ambiental pode ser obtido também com as técnicas de bioconstrução. O próprio nome já diz: é uma construção viva, com materiais orgânicos e, muitas vezes, é realizada juntamente a projetos de educação ambiental. As técnicas, além de contribuírem para evitar a produção de novos resíduos, aproveitam o que o próprio terreno pode oferecer, como terra, pedra, palha e madeira. Além disso, é importante observar os elementos naturais da região, como o sol e vento, para que se tornem aliados na obra. O pau-a-pique, por exemplo, é uma dessas artes tradicionais e também eficiente. Normalmente associado a regiões mais pobres ou zonas rurais, a técnica, que foi muito utilizada no Brasil nos séculos XVIII e XIX, hoje tem sido valorizada e aprimorada. Não só pelas suas vantagens, com as já citadas acima, mas pela autonomia que pode gerar a comunidades, já que pode ser feita pelos próprios moradores. Outras vantagens de se utilizar técnicas de bioconstrução (além da economia de material, baixo impacto ambiental e autonomia), incluem a rapidez de execução da obra e a eficiência energética, já que a terra é também um excelente isolante natural, resultando, assim, em economia nos gastos com refrigeração e aquecimento. Quem tem feito isso na região de Juiz de Fora (MG) são três arquitetos e bioconstrutores, Nina Reis, Mateus Foscarini e Thiago Samico, com ideais de mundo semelhantes,


prezando pela diversidade e cooperação, que se juntaram e fundaram o Taba Bambu. Taba em tupi-guarani significa aldeia construída através de mutirão; e Bambu, uma planta abundante utilizada desde os primórdios e que oferece um número incontável de utilizações. Além das construções, o Taba Bambu promove cursos junto às obras, não só pensando na propagação do conhecimento, mas na disponibilidade de mão de obra. Desde o seu início, o grupo buscava “atitudes mais integradas à natureza, e uma arquitetura que minimizasse os impactos normalmente vistos, começamos a desenvolver projetos utilizando materiais naturais. Nesse momento nos deparamos com a quase inexistência de mão de obra. Com isso, e já gostando de trabalhos manuais, nós mesmos começamos a construir nossos projetos. Foi nesse processo que vimos a importância de nos juntamos à mão de obra local e pessoas interessadas em resgatar e disseminar ao máximo o conhecimento, sendo esse momento de troca e aprendizado fundamental em nosso caminho”. O grupo constantemente mescla as diferentes técnicas, levando sempre em conta as condicionantes climáticas, a disponibilidade de materiais e pensando na durabilidade das residências. Grande parte do trabalho é feito, principalmente, utilizando o bambu, mas, para eles,

as soluções são infinitas e a disponibilidade de materiais e a criatividade sempre nortearão a escolha São três as vertentes trabalhadas pelo Taba Bambu: projeto/bioconstrução, para residências, abrigos, chalés e espaços educacionais; estruturas efêmeras, principalmente de bambu, para festivais e intervenções, e educação ambiental, com os cursos, oficinas e vivências. PAU A PIQUE: também conhecida como taipa de mão, é uma técnica construtiva antiga que consiste no

entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transformava-se em parede.

ADOBE: Um dos mais antigos métodos de construção, consiste basicamente no modelamento de tijolos com terra crua, água e fibras naturais, principalmente palha. Junto com o pau a pique, foi uma das principais técnicas do período colonial no Brasil.

SUPERADOBE: Consiste em sacos de polipropileno amarrados com arame, preenchidos com terra argilosa e moldado através do apiloamento por processo artesanal ou semi-industrial, através de pistões. A desvantagem do superadobe é a fragilidade à umidade, além do fato de que, para impermeabilizar, chapiscar e rebocar é necessário retirar o saco, colocando fogo no mesmo.

HIPERADOBE: Para solucionar os problemas ambientais do superadobe, foi criado o hiperadobe, no qual são utilizados sacos de ráfia natural (costumam chamá-la de Raschel). Dispensa o arame farpado, pois o barro se difunde pela trama da ráfia de fibra natural e esta ainda serve de chapisco, podendo-se aplicar o reboco natural diretamente sobre ela.

COB: O COB é um material de construção composto de argila, areia e palha, similar ao adobe. As paredes são grossas e servem como massa térmica, obtendo extremo conforto térmico. A técnica consiste em moldar as paredes como se fossem uma grande escultura. Com os pés, é feita uma mistura dos componentes, criando uma massa homogênea e plástica que será moldada. Após a mistura, são feitas bolas de argila colocadas uma em cima da outra, assim, levantando as paredes. Existe também a possibilidade de criar parte do mobiliário da casa como por exemplo estantes e bancos.

FICHA TÉCNICA Serviço Taba Bambu

www.tababambu.com/ Facebook.com/tababambu tababambu@gmail.com REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


COMUNICAÇÃO INTEGRADA

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MARKETING

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PROPAGANDA. COM OU SEM RESULTADOS? A propaganda é uma importante aliada na publicidade de seu produto ou serviço, mas deve ser utilizada de forma consciente, lastreada por objetivos estratégicos.

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á se foi o tempo que os consumidores eram facilmente influenciados por propaganda. Hoje, principalmente com a explosão do ‘mundo digital’, os indivíduos foram contemplados com uma infinidade de recursos que aumentam o seu poder crítico e aguçam a sua exigência, não somente por preço, mas também por qualidade e, principalmente, por satisfação. Em uma propaganda, em geral, uma marca vende benefício para os seus clientes, que vem atrelado ao seu produto ou serviço. No entanto, existe uma série de outras coisas que influenciam nesse real benefício que a empresa promete. Estamos falando de qualidade e de entrega real do que foi prometido. O benefício precisa sempre ser maior do que o custo. Se todos esses fatores caminham juntos, o investimento em propaganda pode ser considerado positivo. Caso contrário, talvez “rasgar dinheiro” seja uma boa definição. Mas como obter resultados por meio da propaganda?

Helder Tobias PUBLICITÁRIO E DESIGNER GRÁFICO Iniciou sua carreira profissional na Universidade Federal de Lavras (Ufla), onde atuou por mais de 15 anos nas áreas de comunicação e marketing. Atualmente presta consultoria e assessoria de comunicação e marketing para empresas e trabalha no Centro Universitário de Lavras (Unilavras), atuando com publicidade e marketing digital. Redes sociais: @heldertobias Blog: www.heldertobias.com

Essa é uma ótima questão para reflexão. Antes de tentar respondê-la, vamos a mais questionamentos: o que você vende? Para quem você vende? Como você vende? Por que você vende? Colocando-se no lugar de consumidor e conhecendo a sua realidade, você compraria de olhos fechados esse produto ou serviço que comercializa? Depois de responder a todas essas perguntas, comece a pensar em questões estruturais de seu negócio: quem somos? O que fazemos? Qual a importância da existência do nosso negócio no mercado? Agimos com respeito, ética e solidariedade com relação a questões sociais que cercam o nosso mercado e também nossos colaboradores? Onde queremos chegar? Qual o nosso objetivo? Se muitas dessas questões forem adequadamente respondidas, certamente estará traçando o seu rumo no mercado. Estará delineando o caminho a ser percorrido. Estará definido o seu referencial estratégico. Somente depois de todas estas questões estarem muito claras para o seu negócio, com certeza será o momento de investir em ações de marketing: comunicação, propaganda, marketing digital, relações públicas, etc.. E quando chegar neste ponto, opte em contratar empresas que se comprometam a desenvolver soluções e a vender propaganda que realmente lhe tragam resultados mensuráveis. Na próxima edição, falaremos sobre as diversas ações de comunicação como estratégias de marketing para atrair clientes, gerar diferenciação e atrair resultados.

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CINEMA

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Cena do filme Viagem à Lua

O AMOR NOS TEMPOS DA MÁQUINA Quais os limites da inteligência artificial e como o cinema tem retratado as relações com as máquinas? Por Marina Alvarenga Botelho / Jornalista e especialista em cinema Fotos: Divulgação

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s primeiros filmes de ficção científica no cinema surgem com o próprio surgimento dessa arte, que nasceu muito mais como uma curiosidade tecnológica do que como uma forma de contar histórias. Foi só com o passar do tempo que o cinema se transformou em cinema. Em 1902 um artista circense que se tornava cineasta, o Georges Méliès, fazia o primeiro filme explorando temas científicos, com viagem extraterrestre e seres de outros lugares. “Viagem à Lua” foi, se não o primeiro, o mais conhecido curta a explorar a temática na chamada época do “primeiro cinema”. A partir daí, a história da sétima arte está recheada de ficções cientí-

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ficas que ficaram marcadas no imaginário popular. Dentro desse gênero, um tema específico se destaca: a inteligência artificial. Pensado em obras de literatura, agora o cinema também refletia essa relação incômoda entre seres humanos, máquinas e robôs, talvez como forma de entusiasmo ou medo do que poderia surgir em uma sociedade que se industrializava tão rapidamente. Desde a obra-prima de Fritz Lang, Metrópolis, de 1927, o cinema viveu relações de medo, amor e ódio com os robôs. Até a década de 50, mais ou menos, a história contada era, normalmente, a de um robô maldoso, que queria tomar conta da terra, ou de apocalipses tecnológicos.

A partir dos anos 60, a ficção científica nos filmes passa a explorar de forma mais complexa essas relações. É em 1968, com 2001: Odisséia no Espaço e o computador inteligente HAL, que o diretor Stanley Kubrick inova nos conceitos de inteligência artificial: até que ponto a máquina pode ser autônoma em seus pensamentos e ações? Uma Era máquina X ser humano, em que, quase sempre esta é superior à nossa espécie, é inaugurada. Os anos 70, 80 e 90 vivem uma espécie de amor aos robôs. Um antropomorfismo tecnológico toma conta das telonas, com os simpáticos R2D2 e C3PO, do universo Star Wars, ou com os clássicos de ação


Exterminador do Futuro e Robocop. O filme Blade Runner, de 1982, do mestre Ridley Scott, nos apresenta dilemas sobre a (im)possível paixão entre humanos e androide . Nos anos 2000 três filmes hollywoodianos também se destacam: a animação fofa do Wall-E, Inteligência Artificial e Eu, Robô, que por sua vez discute questões éticas do comportamento das máquinas que conseguem pensar por si só. O FUTURO A PARTIR DE 2010 Dois filmes que discutem os limites da inteligência artificial, suas relações com os seres humanos e a possibilidade ou não de uma máquina amar, chamam a atenção mais recentemente. Ambos chegam ao limite do que podemos imaginar para inteligências artificiais. O primeiro deles é o Her (Ela), de Spike Jonze. Vencedor de melhor roteiro no Oscar de 2014 (e outros 76 prêmios), o filme é extremamente complexo e levanta muitas e muitas questões sobre a possibilidade real de se amar um não-ser, uma entidade não corporal, e a dessa entidade ser livre e amar ou não de volta um ser humano. Poderia algo programado por códigos possuir consciência, intuição, sentimentos, sentimentos que ainda não foram nomeados? Interpretado por Joaquin Phoenix, Theodore é um escritor de cartas profissional que acaba de passar por um divórcio e se sente totalmente solitário e depressivo. Sem saber lidar muito bem com o universo ao seu redor, Theodore compra um sistema operacional de inteligência ar-

tificial, que se dá o nome de Samantha. Os dois passam de uma relação de prestação de serviço a algo muito mais “humano”. É necessário uma presença física para amar? Qual o limite da onipresença de um sistema operacional? Uma ficção científica com drama e romance, Her é daqueles filmes que nos deixam pensando durante dias. O segundo filme que destaco é o Ex Machina (Instinto Artificial), do diretor estreante Alex Garland. Vencedor do Oscar de Melhor Efeitos Especiais de 2016, o filme explora o comportamento humano e as convenções sociais. Enquanto Her explora o não-corpo, Ex Machina se foca na figura do androide, de um corpo robótico com inteligência artificial capaz de compreender as

mais ínfimas nuances da linguagem dos seres humanos. Um programador é selecionado para participar de um teste que avaliará a qualidade de uma inteligência artificial, a robô Ava. Mas... quem ali está sendo testado? Qual é o teste último para avaliar a perfeição e o sucesso de uma inteligência artificial? Será que um robô consegue realmente amar ou será que tudo não passa de códigos programados? Dois filmes que abordam o mesmo assunto por óticas diferentes, mas ambas com um resultado semelhante. O que virá agora? Quais as próximas fronteiras? Termo utilizado para descrever robôs em forma de homens.

Cena do filme Ex Machina (Instinto Artificial)

Cena do filme Her (Ela), de Spike Jonze

Marina Alvarenga Botelho Jornalista e especialista em cinema REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


VIAGENS

Foto: Revista Elitte

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Lucia Teixeira AGROTUR VIAGENS

Resort Iberostar Praia Do Forte

RESORTS:

Salinas de Maragogi

UMA NOVA TENDÊNCIA ONDE NÃO EXISTE TÉDIO Resort, esta é a palavra chave do momento que traduz um novo conceito de viajar e uma tendência que veio para ficar.

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s resorts apresentam variadas formas de lazer dentro de um mesmo espaço com muita diversão e conforto, frequentados tanto por família, amigos ou casais em lua de mel. A maioria dos resorts apresenta um sistema all inclusive ou vip inclusive, onde estão incluídas todas as refeições, em um número de até seis refeições por dia, que são feitas em restaurantes no sistema self-service ou à la carte, incluindo chás, pizzarias, churrascos, e opções de pratos light, além de peixes e frutos do mar e várias opções de drinks, que vão desde cervejas a uma sofisticada diversificação de coquetéis, vinhos e scotch, assim como sanduíches, sorvetes e várias guloseimas para a criançada. Diferentemente do que se pensava, que seria um local de confinamento, onde se é seduzido a permanecer, atraído por um cardápio variado, mais e mais pessoas optam por esse sistema, por apresentarem inúmeras opções de lazer, incluindo várias piscinas com som ambiente, onde você pode se interagir ou curtir a música que mais lhe agrada, assim como barracas exclusivas de praia, esportes como vôlei de praia, quadras de tênis e futebol, academias super bem equipadas, saúnas, arborismo, arco e flecha, golf, REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

tirolesa, parque aquático, piscinas de onda, aulas de dança ou mini-zoológico e cinema, entre cidades vizinhas. Cada resort tem um diferencial, que vai atender à sua expectativa de realizar o seu sonho de uma viagem de verão perfeita. Outra vantagem é a previsão de gastos, pois quando desfrutamos desse sistema de hospedagem, não haverá mais gastos com entradas em parques, cada um possui o seu, nem com alimentação ou mesmo baladas noturnas, já que a maioria possui um espaço exclusivo para festas , em boates eletrizantes, luaus na praia ou à beira da piscina com apresentação de shows ou folclore local, como capoeira, shows pirotécnicos, mpb ou rock, tal é a versatilidade. Normalmente, as únicas despesas que não estão incluídas, são: lavanderia, spa e salão de beleza. Quando os pais se perguntam como poderão desfrutar de todas essas comodidades com seus filhos pequenos, a resposta é simples. Todos os resorts, tem uma equipe de lazer e kids-club, com uma equipe especialmente treinada para atender as diferentes faixas etárias, com atividades recreativas, exceção para as crianças abaixo de 3 anos, mas ainda assim, pode-se contra-

tar uma baby-sitter para os bebês, além de disponibilizarem uma baby copa, equipada com: liquidificador, micro-ondas e todos os ingredientes necessários para se preparar uma papinha ou um shake, uma nutricionista também poderá criar um cardápio exclusivo para o bebê. Há ainda os especializados em lua de mel e comemorações de bodas, que não aceitam crianças, com vários cantinhos e ambientes românticos: piscina de borda infinita, ofurôs e jacuzzis, jantar à luz de velas, apartamentos com hidromassagens e roupões. Agora que você já sabe tudo sobre resorts, venha até à AGROTUR VIAGENS escolher a viagem de verão dos seus sonhos, onde a estrela principal, com certeza, será você. VIAJE COM QUEM CONHECE, VIAJE AGROTUR!!!

Praça Monsenhor Domingos Pinheiro,17, Centro - Lavras / MG 35

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VIAGENS

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PÉ NA AREIA E CONFORTO Hotel no litoral paulista oferece romantismo em ambientes exclusivos para casais que querem desfrutar o melhor da natureza Por Camila Caetano Fotos: Divulgação

uxo e clima intimista definem muito bem o Nau Royal Hotel Boutique e Spa, localizado na charmosa Praia dos Amores, em Camburi, no litoral norte de São Paulo. Considerado um espaço de bem estar, o hotel possui o único projeto com o conceito “ocean view” e “pé na areia” da região. Assim, os hóspedes podem sair das suas acomodações e irem direto à praia, em uma experiência única de integração com a natureza. O Nau Royal integra a região de São Sebastião, com uma das paisagens mais belas do litoral paulista. Há diversos atrativos, como cachoeiras, o Parque Estadual da Serra do Mar e as praias de Maresias, Boiçucanga, Barra do Una, Camburizinho e Camburi, conhecidas pelas águas claras e a areia fina. O hotel faz parte do Roteiro de Charme e da Brasilian Luxury Travel Association (BLTA), e reúne em seu projeto arquitetônico grandes referências e design nacionais, com prêmios de destaque, como melhor arquitetura em 2010 e hotel sustentável em 2013. REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


VIAGENS

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TUDO EM UM ÚNICO LUGAR Para dias de descanso nada melhor que exclusividade, um dos pilares do Nau Royal Hotel Boutique. Com apenas 13 apartamentos, o hotel é ideal para aqueles que buscam conforto e sossego. O projeto arquitetônico também se destaca pelas suítes amplas, com uma espaçosa varanda com vista para o mar, os jardins e a mata atlântica. O hotel se apoia na tríade: gastronomia, hospedaria e terapia no mesmo espaço. Conceito que se consolida com um restaurante gastronômico, um spa com 23 tratamenREVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

tos faciais e corporais e uma ótima hospedagem intimista. No Nau Royal, as terapias podem ser combinadas com aulas de yoga, uma forma de levar ao hóspede todo o relaxamento por meio de um tratamento mais profundo. ALÉM DO ROMANTISMO Os casais mais radicais também encontram atividades para curtir a natureza e praticar esportes. O hotel é uma das opções para aqueles que desejam unir experiência de bem-estar às práticas esportivas. O contato com a natureza, gra-

ças à proximidade com o Parque Estadual da Serra do Mar, permite a prática de diversas atividades como ciclismo, corrida, trilhas, surf, stand up paddle, mergulho no Refúgio Ecológico Ilha das Cabras, rapel em cachoeiras, passeios de caiaque, dentre outras opções. Um dos destaques da região é a trilha do Sítio Jatobá, com duração de quatro a cinco horas, sendo possível passar por pequenas cacheiras na área do Parque Estadual da Serra do Mar. Outro trajeto encantador é a trilha da Cachoeira do Ribeirão de Itú, em que para chegar à primeira queda d’água, com uma


privacidade, o hotel ainda possui a vantagem do SPA L’Occitane com tratamentos especiais para esta data tão significativa. REFORMADO E MAIS SOFISTICADO

verdadeira piscina natural de águas cristalinas, são necessários apenas 40 minutos. CASAMENTO PARADISÍACO E EXCLUSIVO O Nau Royal também foi idealizado para casais que buscam um lugar romântico com a finalidade de celebrar momentos especiais como aniversários, bodas, renovação de votos, e até mesmo casamentos. Por conta do seu projeto arquitetônico e paisagístico é possível realizar mini weddings e casamentos para até 400 convidados. Os

noivos e convidados são recepcionados em um cenário paradisíaco, com uma praia de areia branca e solta, em um clima hippie chique. A cerimônia pode ser realizada no deck, em frente ao mar; ou ainda na própria areia da praia e até mesmo em uma capela, que fica a 150m de distância. Os espaços e cardápios do Nau Royal foram motivados e pensados para justamente receber cerimônias, possibilitando uma experiência única, autêntica e sofisticada. Nessas ocasiões todos os espaços do hotel são fechados, sendo exclusivos dos noivos e convidados. Além de toda

Visando um atendimento ainda melhor, o hotel passou por uma grande reforma e ampliou algumas suítes de frente para o mar e outras com vista para mata atlântica, oferecendo assim uma experiência ainda mais diferenciada na hospedagem. Agora, as novas suítes possuem entre 120, 82, 64, 52 e 38 metros quadrados. Além das suítes, a cozinha do restaurante Azul Marinho também está renovada, com equipamentos mais sofisticados para elevar o padrão da gastronomia aos hóspedes. Comandado pela chef Marleide Ribeiro, a “Nega”, premiada pela melhor casquinha de siri do litoral norte, o restaurante possui uma gastronomia contemporânea e sensorial, incluindo menus refinados e jantares temáticos.

FICHA TÉCNICA Nau Royal Hotel Boutique & Spa Estrada do Camburi, 1533 - Praia de Camburí, São Sebastião - SP. Contato: (12) 3865 4486 www.nauroyal.com.br REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016


ESPAÇO GOURMET

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o açúcar e o molho de soja. Mantenha em fogo baixo até que a cebola caramelize. PARA A MAIONESE DE ALHO: • 1 Ovo • 1 Colher (sobremesa) de vinagre • 1 Colher (chá) de mostarda • 1 Dente de alho • Sal e pimenta a gosto • Óleo de boa qualidade o suficiente

PREPARO:

HAMBÚRGUER GOURMET Foto: Daniel Rocha

PARA O PÃO DE CEBOLA:

• 1 cebola média • 1 cubo de caldo de galinha • 75 ml de óleo • 75 ml de leite • 30 g de fermento biológico • 2 ovos • Farinha de trigo suficiente para o ponto

PREPARO:

Bata no liquidificador todos os ingredientes, com exceção da farinha de trigo. Despeje em uma vasilha grande e acrescente aos poucos a farinha de trigo, amassando constantemente até que forme uma massa lisa e que não grude nas mãos. Deixe descansar até dobrar de tamanho. Faça as bolinhas, coloque em uma forma e deixe crescer novamente. Pincele com ovo e leve ao forno pré-aquecido a 180ºc até que estejam bem dourados. PARA O HAMBÚRGUER: REVISTA IPÊ | JUL/AGO/SET/2016

Coloque no liquidificador o ovo, o vinagre, a mostarda, o alho, o sal e a pimenta. Bata na velocidade mais baixa até mesclar todos os ingredientes. Nesse momento, sem parar de bater, agregue o óleo lentamente em fio até que fique na consistência desejada.

MONTAGEM: • 200 gr de fraldinha moída • 50 gr de bacon moído • ½ Cebola roxa picada • Salsinha a gosto • Sal • Pimenta

Passe a maionese nas duas metades do pão. Coloque a cebola caramelada sobre a maionese, por cima tiras de bacon grelhadas, o hambúrguer grelhado e duas fatias de queijo canastra grelhado.

PREPARO:

Misture todos os ingredientes e amasse bem até ficar uma massa homogênia. Divida a massa em duas partes e molde no formato desejado. Grelhe em frigideira com azeite ou asse no forno a 180ºc. PARA A CEBOLA CARAMELADA: • 1 Cebola roxa grande em rodelas • 1 Colher (sobremesa) de manteiga • 2 Colheres (sobremesa) de açúcar • 1 Colher (sopa) de molho de soja

PREPARO:

Derreta a manteiga em fogo médio, acrescente a cebola e na sequência

Ana Carolina Abe-Saber Cozinha Gourmet (35) 99168.5895


A ORDEM É MELHORAR O MELHOR Foto: Zeca Meireles

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arte de preparo de cocktails está sempre em constante evolução. As técnicas são cada vez mais apuradas, diversificadas, dando sempre uma grande ênfase no resultado final, ou seja, o cocktail. Como sou aprendiz eterno, sempre buscando aprimorar as minhas técnicas e defendendo novas técnicas da coquetelaria, acredito que nossos bares tem uma gama de bartenders e mixologistas profissionais ávidos para testar novas ideias e bebidas. Há algum tempo alguns bartenders brasileiros, e de vários países, vem testando a maturação de coquetéis em madeira de diversas origens e procedências. Como é de conhecimento, o envelhecimento e o armazenamento em madeiras nobres tem ao longo dos anos beneficiado as boas bebidas, que descansam por períodos sempre bem demarcados em barris de diversos tamanhos, que podem ser europeus, americanos ou de madeiras nativas brasileiras. Os cocktails que iniciaram esta experiência foram: o Negroni e depois o Manhattan. Há também os autorais, de Bartenders famosos, e os de re-

leituras, que hoje são chamados de vintages - criações maravilhosas das décadas de 30 a 50, que adquirem maciez, enriquecem seus aromas e tornam-se mais complexos, quando envelhecidos nos barris. A ordem é melhorar o melhor, levar os apreciadores de bons cocktails a uma experiência olfativa e gustativa sem limites. As notas de baunilha e o tostado do carvalho conferem também um leve toque defumado, e dependendo do tempo e da madeira, terá um leve sabor amargo e concentração de aromas doces e florais. Para esta tarefa de envelhecer os cocktails em madeira, é fundamental conhecer as características das madeiras que serão usadas, pois elas possuem características bem diferentes umas das outras. Um pequeno aviso: opte por não usar barril de fornecedor que você não conhece! Certifique-se de que o barril é mesmo da madeira declarada. Uma outra técnica interessante é o uso de “chips” e resume-se em colocar o cocktail em um grande recipiente de vidro fechado e acrescentar pedaços de carvalho para ajudar

no envelhecimento. O Bar Número, um dos bares mais prestigiados de São Paulo, que atende uma clientela super exigente, serve um barrel aged cocktail, chamado de Wiberg, que leva em sua composição: cachaça Wiba Carvalho, Bitter Brasilberg, Red Curaçau, Infusão de St.Remy e Hibiscus e outros segredos do bartender. O Wiberg passa por um período de envelhecimento de seis semanas em um barril de castanheira. Convido vocês a degustarem esta criação feito exclusivamente para os clientes do Bar Número, aguardo todos e todas! Saúde!

Derivan Ferreira de Souza Barman

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