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INTERIOR DECOR | ED. 01 | FEV | MAR | ABR | 2018

BRASILIDADE!


ENTRE SEM PEDIR LICENÇA, MAS CUIDADO PARA NÃO SE PERDER


“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem” Oscar Niemeyer


SUMÁRIO #ED. 01 | FEV | MAR | ABR | 2018 | ANO 01

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08 Expediente 09 Informativo Interior Decor 10 Colaboradores 13 Editorial 14 Mural PROGRAMAÇÃO CULTURAL, LANÇAMENTOS, INAUGURAÇÕES E SHOPPING

26 Achados FERNANDA BRIANTI

81

28 DBureau Design & Lifestyle DANIELA CHERFEN

32 Especial O BRASIL QUE A GENTE QUER

40 39 DESTAQUE 40 Estampas NATUREZA ARTÍSTICA

46 Gastronomia CORES E SABORES

48 Iluminação O ILUMINADO

52 Madeira PERFEITA IMPERFEIÇÃO

6 INTERIOR DECOR


62

57 ÁREA EXTERNA 58 Paisagismo SOLO FÉRTIL

62 Do lado de fora RESISTÊNCIA E ESTILO

64 Minha horta DA TERRA AO PRATO SEM SAIR DE CASA

70 Casa na árvore SONHO DE ADULTO

107

75 PRANCHETA 76 Design A NOVA CARA DO DESIGN

86 Decor LOFT COM TOQUE ARTSY

90 Decor FLEXIBILIDADE E ESTILO

94 Arquitetura REFÚGIO NO CAMPO

100 Hotel BRUTA LEVEZA

104 Urbanismo MONTE ALEGRE

32 CAPA ESPECIAL: O BRASIL QUE A GENTE QUER PRODUÇÃO: DANIEL MORAES FOTOS: THIAGO BORBA MODELO: JÚNIA EVARISTO (JOB FOR MODELS)

112 Ponto Final FOCO – KARINA WALTER

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ED. 01 | FEV | MAR | ABR | 2018 | ANO 01

GUI NEPTUNE MARCON gui.neptune@interiordecor.com.br

ANA LÚCIA ARRUDA ana.arruda@interiordecor.com.br

MAURÍCIO TROCOLLI JOÃO BITENCOURT CARLOS EDUARDO MANARINI

CLAUDIO BARROSO claudio.barroso@interiordecor.com.br ANA CAROLINA LIMA, DANIEL MORAES, DANIELA CHERFEN, FERNANDA BRIANTI, GABBO TORRES, GABRIELA GUEDES, JÚNIA EVARISTO, KARINA WALTER, NATHALIA GIORDANO, PAULA QUEIROZ, RAQUEL GUANAES, ROBERTO REBAUDENGO, SAMIA MALAS, THIAGO BORBA, THIAGO MIRANDA, THIAGO RODRIGUES DA SILVA

THIAGO IHA comercial@interiordecor.com.br LUCINÉIA FERREIRA lucineia.ferreira@interiordecor.com.br LOG PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA FALE COM A REDAÇÃO redacao@interiordecor.com.br

interiordecor.com.br Esta é uma publicação com distribuição gratuita da GNM DESIGN - ME. Cópias e reproduções somente com autorização. Todos os direitos reservados. Rua Coronel Melo de Oliveira, nº 417 - ap 73, Perdizes – São Paulo, SP – CEP 05011-040 | + 55 11 99662-0255 8 INTERIOR DECOR


INFORMATIVO INTERIOR DECOR

REALIDADE AUMENTADA

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CADASTRO

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USANDO O APP

CADASTRE-SE E SIGA O PERFIL INTERIOR.DECOR

A INTERIOR DECOR DISPÕE DAS TECNOLOGIAS REALIDADE AUMENTADA (RA) E QR CODE EM SUAS PÁGINAS, PERMITINDO TOTAL INTERATIVIDADE DO LEITOR COM O CONTEÚDO DAS MATÉRIAS EM VÍDEO E TAMBÉM ON-LINE.

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COLABORADORES

NATHALIA GIORDANO jornalista “Caipiracicabana de nascença e por opção. Mergulhei na potência de São Paulo, fui repórter da Playboy e produtora de conteúdo cultural. A simplicidade me trouxe de volta ao interior. Abri mão das multidões, hoje me sinto privilegiada ao admirar em silêncio a beleza do rio e a brisa que ele traz.”

THIAGO BORBA fotógrafo “De volta a Salvador após 10 anos morando em São Paulo, encontrei na minha terra natal, a Bahia, um lugar de reconexão com a fotografia através das minhas origens. Nasceu daí o projeto #BLVCKSBTFLL - Black is Beautiful que pode ser conferido no meu instagram @t_borba . Lazer pra mim é ir a praia.”

GABRIELA GUEDES

jornalista “Sou assessora de imprensa e atuo no mercado financeiro há mais de 10 anos, então, freelar como jornalista é uma válvula de escape gostosa da minha rotina alucinante – que inclui a vida com um bebê de um aninho que me enche de alegria. Melhor ainda é escrever sobre arquitetura, um assunto que eu amo!”

RAQUEL M. GUANAES jornalista “Sou cuiabana, sansei e a escrita é a minha paixão. Trabalhei no segmento editorial por cinco anos e agora tenho experimentado o dinamismo da área publicitária como redatora. Equilibro as minhas atividades em São Paulo com a prática de yoga, desenhos de mandalas e uma alimentação sem carne.”

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Interior Decor no mundo

fonte: issuu.com

Países que acessaram a revista digital Alemanha

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ANUNCIE CONOSCO +55 19 98338-8505 comercial@interiordecor.com.br @revistainteriordecor


FALE COM A REDAÇÃO PARA ELOGIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES

REDACAO@INTERIORDECOR.COM.BR


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EDITORIAL

ré-requisitos para um cantinho “de leitura”: iluminação adequada e uma poltrona ultra confortável (se for de design, melhor ainda!). Ao dispor desses elementos e uma bela revista nas mãos, você está no paraíso, com conforto e conteúdo! Adianto aqui o que vai encontrar nesse olimpo, confira: matéria incrível sobre o bairro Monte Alegre, em Piracicaba (SP), que está sendo todo revitalizado pelas mãos de quem sabe dar valor a uma bela história; oito profissionais à frente do cenário brasileiro de design e suas principais criações; os jardins mágicos criados pela paisagista do momento, Clariça Lima; um hotel assinado pelo Sub Estúdio, localizado num charmoso casarão da década de 1960, em São Paulo, faz uma mistura muito boa do velho com o novo; na seção Minha Horta, o cultivo de verduras e legumes em casa mostra que pelo menos parte do que se come é livre de agrotóxicos; elementos do Brasil que a gente quer ver estampam o especial – que vem cheio de cores, texturas e muita simpatia. Na seção Mural, um garimpo de produtos com pegada sustentável e os melhores spots do interior. Daniela Cherfen, designer e fundadora da Dbureau design place, em Campinas (SP), estreia sua coluna na revista com dicas imperdíveis. Tudo isso e muito mais. Boa leitura! ANA LÚCIA ARRUDA

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MURAL PINA_LUZ

por Nathalia Giordano fotos Divulgação

AMARELO OURO Amarelo é a cor do otimismo, representa a luz e desperta a criatividade. E sob influência dessa tonalidade, a Casa Amarela, em Campinas (SP), nasce como um espaço de multiplicidade que mescla moda, arte e gastronomia – tudo blindado pela tranquilidade da natureza local. Vale uma visita prolongada.

Quatro mostras imperdíveis para ver na Pinacoteca de São Paulo: uma seleção de obras de arte colonial da coleção da Fundação Nemirovsky; um vídeo de Rosangela Rennó; um conjunto de trabalhos recentes da artista Ana Dias Batista e pinturas do paulista José Antonio da Silva. Todas as mostras têm curadoria assinada pela equipe da instituição e integram uma série de exposições em que o museu se propõe destacar obras específicas ou pequenos conjuntos do acervo, pouco ou nunca antes mostrados. Na foto, Livro das escalas, 2016, de Ana Dias Batista (cortesia Galeria Marília Razuk, foto: Edouard Fraipont). Até 06 de agosto. pinacoteca.org.br

@casaamarelaideiaspravoce

MIL E UMA UTILIDADES O espaço ALMA presenteia os campineiros com um ambiente descolado e com inúmeras facetas. Há comidinhas saborosas, cenas de teatro, café filosófico, música ao vivo, exposições de arte, loja colaborativa e até área para trabalho em co-working. Sem contar a arquitetura do local que encanta facilmente. almacoliving.com.br

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MADEIRA A VISTA O manjar móveis, em São Paulo, tem um acervo garimpado de brilhar os olhos, focado no design brasileiro das décadas de 50 e 60. Além disso, também toma como rumo o desafio de prolongar a vida da madeira – respeitando a preciosidade do material e o valor da natureza. Madeiras que seriam descartadas como entulho são muitas vezes raras e sofrem perigo de extinção. Junto a Calu Fontes, o Manjar Móveis une arte, design e utilidade, garimpando azulejos e madeiras, transformando-os em maravilhosas tábuas de corte. É lindo de ver!

ITALIA MIA

@manjar.moveis

Um bom doce italiano cai bem em qualquer hora do dia. A Dolciaria di Callipo, em Campinas (SP), reproduz receitas passadas a gerações, elaboradas pela própria família. A ambientação do espaço também segue essa linha e conta com várias relíquias da família, expondo sutilmente a trajetória do patriarca italiano Domenico. dicallipo.com.br

O FILME VAI COMEÇAR Final de semana, um bom filme, comes e bebes, bate-papo com a turma. É uma junção certeira. O Terracota promove esse evento todas as sextas-feiras em estilo colaborativo – cada um leva o que for consumir. Depois da sessão, uma conversa informal sobre o filme ou qualquer outro tema que surgir. E, quem chegar cedo, ainda aproveita um happy hour! Rua Luverci Pereira de Souza, 545, Campinas, SP

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MURAL COFFEE BREAK Três cafés no cardápio: blend container, da premiada barista Isabela Raposeiras; grão visitante – cafés especiais de fazendas brasileiras e edição limitada – micro lotes de grãos premiados que permanecem na casa por curto período. Tudo isso dentro de uma linguagem arquitetônica fundamentada em containers. Um ambiente singular que tem cara de paraíso para a turma do cafeinado. cafecontainer.com.br

GARIMPEIRO Os festeiros de plantão têm que prestar muita atenção nessa dica, afinal, um bom evento precisa encantar o olhar. O Garimpo Design garante uma recepção – tanto social quanto corporativa – de cair o queixo. Especialistas em locação de objetos para eventos, eles oferecem materiais de alta qualidade e também assessoram quem estiver com dificuldade nas escolhas. Alto astral, boa música, bebida gelada e decoração deslumbrante – um combo de sucesso. Rua Santa Cruz, n°387, Cambuí, Campinas, SP

TUDO EM FAMÍLIA De que adianta um ambiente bacana que não contemple toda a família? Aos papais e mamães de plantão, o Gato Mia Café, em Campinas (SP), propõe um espaço lúdico onde as crianças também são atendidas. Brincadores capacitados propõem atividades e deixam os pais apreciarem o local – e um café – com tranquilidade. É importante olhar a programação cultural, a qual é repleta de atividades incríveis para o público infantil. gatomiacafe.com.br

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SAMPA NA FAIXA A Virada cultural de São Paulo reúne inúmeras atrações, como shows, teatros, exposições e danças. É um dos maiores eventos do calendário cultural da cidade de São Paulo e, neste ano, chega a sua 14a edição. 19 e 20 de maio. viradacultural.prefeitura.sp.gov.br

HAPPY HOUR No agitado Cambuí, aos pés do Im Design Hotel Residence, o Zaff Bar oferece comida saborosa, em cardápio assinado por Bruno Fischetti, e drinks formidáveis. O ambiente moderno e requintado conta com três espaços: bar, salão – que tem pé direito duplo – e deque. O happy hour às quintasfeiras são imperdíveis, ao som de bossa nova, o bar oferece espumante à vontade. zaffbar.com.br

COM CULTURA Um bom café não precisa de grandes justificativas, mas apreciá-lo dentro de um casarão histórico tombado pelo patrimônio cultural da cidade de Piracicaba parece ser um argumento convincente. O café Metrópolis tem estrutura aconchegante e é um ótimo ambiente para um brunch, ler um livro ou até encontrar os amigos. Rua Alferes José Caetano, 1048, Centro, Piracicaba, SP, (19) 3434-1649

NA VIBE O interior tem suas delícias, mas tem um inconveniente: fica longe da praia. Os amantes do surf deram um jeitinho de trazer o clima praiano para Piracicaba. Em um espaço descontraído, com almofadas e violão disponível, a ISCA é um lugar delicioso para tomar uma cerveja gelada. O melhor é que ainda dá para olhar as roupas da loja e acabar o dia com um hambúrguer vegetariano! Rua Dom Pedro II, 2183, Nova América, Piracicaba, SP

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MURAL LIVROS por Ana Lúcia Arruda

SERGIO RODRIGUES / DESIGNER Organizado por Babba Vaccaro e Fernando Mendes, exalta o trabalho do arquiteto e designer carioca no aperfeiçoamento do mobiliário brasileiro, e também aborda a importância do conhecimento que Sergio Rodrigues detinha dos meios de fabricação e de representação. A edição, bilíngue, ainda oferece um caderno de croquis e um ensaio fotográfico de Fernando Laszlo que mostra todo o processo criativo de Rodrigues (240 págs).

foto Fernando Laszlo

bei.com.br

FIVE HUNDRED SELF-PORTRAITS Publicado pela primeira vez em 1937 e, depois, em 2000, o livro foi classificado por Laura Cumming, especialista e critica em retratos, como “a melhor antologia de auto-retratos já compilada”. 80 anos após a primeira edição, a Phaidon apresenta a obra revisada e expandida, com trabalhos de artistas como Marina Abramović e David Hockney e da fotógrafa Cindy Sherman (588 págs). phaidon.com

Aurélia de Sousa, Self-Portrait, 1900, óleo sobre tela, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Portugal. foto/crédito Institute Portugues de Museus, Lisbon (pag. 308)

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HISTORY OF GRAPHIC DESIGN. VOL. 1, 1890–1959 Reúne uma abrangente história do design gráfico e traça a evolução do campo criativo desde o início como design de cartaz até seu desenvolvimento adicional em publicidade, identidade corporativa, embalagem e design editorial. Organizado cronologicamente, o volume apresenta mais de 2.500 projetos selecionados pelo autor Jens Müller desde o século 19 (480 págs). taschen.com

BEATRIZ MILHAZES Apresenta mais de 280 obras de arte da pintora brasileira. As rupturas de cada capítulo foram criadas pela artista especificamente para o livro, como colagens pintadas com papéis e objetos. As imagens são complementadas por uma conversa com o editor Hans Werner Holzwarth, em que Milhazes expõe seus processos e discute as ideias e os antecedentes culturais por trás de seu trabalho. Edição de Colecionador, cada uma numerada e assinada pela artista (480 págs). taschen.com

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MURAL SUSTENTÁVEL

CASA ECO Dez marcas apresentam novidades para a casa, entre metais, eletrodomésticos, revestimentos e móveis, que foram produzidos de maneira sustentável ou que oferecem alguma solução de economia para o consumidor por Paula Queiroz foto Divulgação

VALCUCINE Presente no Brasil desde 2002, a empresa italiana Valcucine é especializada na fabricação de cozinhas. Um dos destaque da marca é a linha Forma Mentis, uma cozinha desenvolvida com a tecnologia Angel Skin, que é um acabamento todo feito de PET. Esse modelo de acabamento, que conta com seis opções de cores em tons neutros e amadeirados, não utiliza recursos naturais e é totalmente reciclável. valcucinebrasil.com.br

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MURAL SUSTENTÁVEL

ARTEFACTO Perfeita para decorar a área externa, a coleção Pescaria da Artefacto B&C é composta por mantas e almofadas feitas com redes de pesca que foram descartadas. Essa linha é produzida por um grupo de artesãs da região Sul que recolhe as redes e as transformam em rolos de fios, com três cores diferentes que são usados para dar vida a novos produtos. artefacto.com.br

DECA Especializada em louças e metais, a Deca conta com mais de 380 soluções para economia de água. Uma delas é o modelo de chuveiro Acqua Plus, que apresenta uma nova tecnologia criada pela empresa na qual mistura água e ar, transmitindo sensação de maior volume de água, ao mesmo tempo em que se evitam desperdícios e contribui para uma economia de até 80% de água. deca.com.br

CARBONO A marca de design produz sofás, poltronas e pufes revestidos com lona reaproveitada e também com tecido PET. A lona reciclada e reaproveitada é fruto de uma parceria com a marca ecológica Será o Benedito. Já o tecido é produzido pela EcoSimple, que reutiliza algodão e fibra de garrafa PET e não faz uso de aditivos químicos. A Carbono ainda oferece uma cartela de cores exclusivas. carbonodesign.com.br

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FUTON COMPANY Para produzir sofás, poltronas e almofadas, a empresa utiliza materiais reciclados, como a Ecolona, um tecido 100% reciclado, sendo 70% proveniente de resíduos de algodão da indústria têxtil e 30% de garrafas PET. Esse processo de produção sustentável ainda dispensa o tingimento do fio, que utiliza produtos químicos e grandes quantidades de água. futon-company.com.br


COSENTINO Expert na produção de superfícies para a arquitetura e interiores, A Cosentino lança a série industrial do revestimento Dekton, que é produzida com 80% de material reciclado, proveniente das sobras da fábrica. As novas cores são Nilium e Radium, inspiradas nos metais envelhecidos e enferrujados, com aparência de pedra natural, e a cor Orix que representa a degradação do cimento. cosentino.com

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MURAL SUSTENTÁVEL

JRJ Um dos clássicos da loja é a linha ECO, feita com o reaproveitamento da Lona BR 100, a mesma utilizada pelo caminhoneiros para o transporte de cargas. As lonas são feitas de algodão e passam por um processo de reciclagem, que as transformam em um tecido resistente e macio. Os tecidos dessa linha contam com diversas opções de cores e padronagens. jrj.com.br

SAMSUNG A Lava e Seca Add Wash, da gigante sul-coreana tem sistema Eco Bubble, no qual as bolhas potencializam a ação do sabão, resultando em uma economia de até 70% de energia com a lavagem fria. E o motor Digital Inverter foi projetado para obter mais eficiência energética com um consumo 19,5% menor. O modelo também conta com a Sanitização, que elimina odores e bactérias, sem a utilização de água. samsung.com.br

PORTINARI Seu porcelanato Cinza Star é fabricado com 100% de matéria-prima reciclada e alia sustentabilidade à resistência e qualidade. A empresa reaproveita todas as sobras de sua produção, que seriam descartadas, para criar um produto novo que consome menos energia para ser elaborado. A empresa ainda possui uma série de itens que pontuam na certificação LEED. ceramicaportinari.com.br

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SANTA LUZIA De Braço do Norte, interior de Santa Catarina, a empresa produz molduras, rodapés e revestimentos feitos com poliestireno e poliuretano reciclados. O grande destaque da marca é a coleção Escamas, assinada por Marcelo Rosenbaum em parceria com O Fetiche. O revestimento tem três linhas com formatos diferentes e quatro tons de cinza, o que permite diferentes composições. santaluziamolduras.com.br


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ACHADOS

FERNANDA BRIANTI

Colar de miçangas Oaxaca, do México Colares indígenas de miçangas, da Colombia

fotos Fernanda Brianti

NOSSA COLABORADORA APRESENTA UM GARIMPO DO MELHOR ARTESANATO LOCAL ENCONTRADO NAS SUAS ANDANÇAS PELO MUNDO. AS PEÇAS, QUE ESTÃO DISPONÍVEIS NO SEU INSTAGRAM, DÃO UM UP NO VISUAL E NA CASA

@achadosdebrianti

Passadeira mexicana para mesa, bordada à mão, da região de Oaxaca e almofada bordada, do México

Porta guardanapos de Trancoso (BA)

Tábua de madeira dos índios Caiapós, do sul da Bahia

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Nadadores de cerâmica do artista Gabriel Calazans, de Trancoso (BA)

Bolsa feita na agulha de crochet, da tribo Wayuu, da Colômbia

Espelho mexicano

Oratório pintado à mão, de lata, com Nossa Senhora de Guadalupe, do México

Colheres para suco, da Patagônia

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DBUREAU

DESIGN E LIFESTYLE A PARTIR DESTA EDIÇÃO, A DESIGNER DANI CHERFEN PASSA A COMPARTILHAR AQUI AS NOVIDADES DO SEU ESPAÇO, O DBUREAU, LOCALIZADO EM CAMPINAS (SP). CONFIRA! fotos Divulgação

@dbureaudesign

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HANDMADE “Grand trend hoje é a valorização do artesanal, peças feitas com todo cuidado conferindo exclusividade ao trabalho. O feito à mão envolve calor humano e estampa o selo da originalidade. Nesse tema, o Brasil está na frente disparado. Em 2017, por exemplo, o país brilhou no A’ Design Award & Competition. A tradicional premiação italiana, que anualmente prestigia as melhores produções de design do mundo, entregou surpreendentes 33 prêmios para 24 artistas brasileiros. Um dos ganhadores é o designer Tiago Curioni, que em 2016 já havia sido premiado pelo seu banco Angel e, em 2017, recebeu prêmio pela luminária Bubble – uma das minhas favoritas. De seu estúdio em São Paulo saem peças de materiais como cobre, aço e madeira, revelando um caráter dinâmico e inquieto de sua produção. Ele também se apropria do conceito do up-clycling como técnica transformadora dos materiais, coletando diversos elementos descartados em caçambas e ferros velhos e dando uma nova vida a eles em seu estúdio”.

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TAPETES “Sempre adorei os da italiana Paola Lenti, marca expert em outdoor, mas os preços não são muito atrativos. Para nossa alegria, o mercado nacional está com belas produções. Materiais como poliestireno (resistentes a sol e a chuva) e corda náutica podem compor desde um lounge sofisticado a um jardim mais descontraído. A criatividade não tem limites e os teares também não – produzem tramas ricas e repletas de cores. O tapete em tecido suede super soft (indicado para áreas internas), que leva impressão digital, é a bola da vez. Desenhos geométricos, reprodução de imagens, coloridos...o céu é o limite”.

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DBUREAU

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PAPÉIS DE PAREDE “Como não amá-los? São capazes de mudar totalmente a decoração de um ambiente de forma rápida e prática. A inglesa Sanderson possui uma variedade incrível de estampas, desde tecidos florais, clássicos geométricos a coloridos intensos. A fabricante sempre convida designers renomados para assinar suas linhas. É a única marca de wallpapers que recebeu a chancela da família real e assim estampa as paredes dos castelos e casas de veraneio da realeza britânica com composês riquíssimos em tecidos. “Muitos se confundem na hora de escolher um papel de parede. Então, vamos a um guia prático”: Vinílico - indicado principalmente para grandes áreas de circulação (restaurantes, hotéis); Vinilizado - pode ser lavado e possui inúmeras padronagens; Acetinado - acumula menos poeira, ideal para quarto de criança; Non Woven - feito de um mix de fibras naturais e sintéticas, ele deixa a parede “respirar’, evitando com isso mofos e bolores. É lavável e perfeito para diversos ambientes, como cozinhas, banheiros e espaços com grande circulação de pessoas; Mica - desenvolvido a partir de uma reação química, possui um leve brilho e é indicado para áreas internas; Palha / Fibra Natural - também muito indicado para espaços cobertos; Têxteis - tecidos diversos sobre base Non Woven – para ambientes internos.

AGENDA DBUREAU DESIGN E LIFESTYLE 24/05 - Vernissage Fotografia; Lançamento Revista Interior Decor; Acústico com Big Chico. Apoio: Cave Pavesi e Qualimpor 26/05 - Workshop e aula Prática - Como fazer fotos incríveis com o celular; Food Truck - Cervejaria Artesanal, Vinhos e Finger Food. 7/06 - Curso de Gastronomia 14/06 - Curso de Enologia harmonização com vinhos Portugueses Junho/Julho - Lançamento de coleção de estampas desenhadas por Daniela Cherfen /Dbureau para a marca Queridinhas Brasil. Para garantir sua presença em qualquer um dos eventos acima, envie um e-mail para eventos@dbureaudesign.com.br

VINHOS

SELEÇÃO DBUREAU. ANOTE AÍ! AMEAL Loureiro Branco, 2015 - um vinho branco da região dos Vinhos Verdes, sub-região de Ponte de Lima. A casta Loureiro é muito aromática, mineral, com excelente corpo - e nessa região o clima e terroir são ideais para a sua expressão máxima. Desde 1999, a Quinta do Ameal produz vinhos brancos com reconhecimento mundial. Este vinho e esta safra obtiveram 94 pontos Robert Parker, a nota mais alta dada a um vinho verde português.

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ESPECIAL

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BRASILIDADE! NAÇÃO DAS CORES, DAS DIVERSAS ETNIAS E DA MISCELÂNEA DE GÊNEROS MUSICAIS, QUE VAI DO XAXADO À BOSSA NOVA. EM FORMA DE POESIA, JÁ CANTAVA CAETANO VELOSO: “ISTO AQUI, Ô Ô, É UM POUQUINHO DE BRASIL IÁ IÁ, DESTE BRASIL QUE CANTA E É FELIZ, FELIZ, FELIZ...”. INSPIRE-SE!

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direção de arte e cenografia Daniel Moraes fotos Thiago Borba look Nau modelo Júnia Evaristo móveis Tidelli

Na página ao lado, Poltrona Painho, estrutura de alumínio com trama em corda náutica, a partir de R$ 10.794. Pufe Marina, estrutura de alumínio com trama em corda náutica, a partir de R$ 3.448. Garden seat Marina, estrutura de alumínio com trama de corda náutica, a partir de R$ 2.676. Rede Marina, de corda náutica, a partir de R$ 2.435. Banco Spool, de corda náutica, a partir de R$ 1.967. Tudo à venda na Tidelli (tidelli.com.br)

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ESPECIAL

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Bancos Bento, de chapa de aรงo dobrada e soldada com pintura eletrostรกtica e automotiva, design Henrique Gabbo Torres e Nadezhda Rocha (gabbotorres.com). Redes Marina, feitas de cordas nรกuticas, a partir de R$ 2.435, cada uma, na Tidelli

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Rede Marina, de corda náutica, a partir de R$ 2.435, na Tidelli. Na página ao lado, pufe Marina, estrutura de alumínio com trama em corda náutica, a partir de R$ 3.448, na Tidelli

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ESTAMPAS

GASTRONOMIA

ILUMINAÇÃO

MADEIRA

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ESTAMPAS

NATUREZA ARTÍSTICA danielmoraesss.com.br

À frente do Graphique, estúdio de estamparia, Daniel Moraes revela experiências no segmento de moda e decoração e suas aventuras nas artes plásticas por Ana Carolina Lima

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foto Ricardo Lima

Abaixo, mostruário de estampas do Estúdio Graphique. À dir., Daniel Moraes

F

ormado em design, mas sempre ligado à moda e à arte, Daniel Moraes achou um jeito de unir esses segmentos em um trabalho de sucesso. Criador e à frente do Graphique desde 2008, produz estampas encomendadas por grifes renomadas e, mais recentemente, aventurou-se em uma colab no segmento da decoração, com a elegante Costanza Pascolato. Plantas e animais são os temas principais das criações de Daniel, que também pinta telas, faz intervenções de arte contemporânea e participa de projetos sociais que viabilizam o desenvolvimento de comunidades por meio do design. “Fauna e flora sempre foram inatas, coisas que para mim são meio óbvias. Eu tenho uma intimidade com a natureza, vem do meu olhar”, explica, quando questionado sobre suas inspirações. Seguindo essa linha, o designer apresenta um trabalho autoral com caráter tropical, permeado por cores, formas e signos refletores dessa conexão do criador com componentes vitais do ecossistema. “Há quem compara designer de superfícies a uma maquiagem. De certa forma, não deixa de ser. Mas qualquer projeto, independente da sua funcionalidade ou estética, exige um conhecimento apurado que só é alcançado quando nos comprometemos com nossa essência. Costumo dizer que admiro a ‘profundidade da superfície’ e é daí que extraio minhas referências”, complementa.

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ESTAMPAS

“Fauna e flora sempre foram inatas, coisas que para mim são meio óbvias. Eu tenho uma intimidade com a natureza, vem do meu olhar”

Acima, estampa criada em parceria com o Projeto Arte Naturalista (jovens ilustradores do povoado de Crasto - SE) para o Banco Banese À dir., estampa criada para marca The Paradise

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Moda: a base Tudo começou com uma vontade pessoal de trabalhar com estampas. Daniel Moraes colocou a mão na massa sozinho. Sem muitos parâmetros e planos de negócios, criou o Graphique, localizado em Campinas, e conquistou o mercado de estamparia que, até então, era quase inexistente. Marcas como Colcci, Cantão, Blue Man e Helô Rocha passaram a requisitar o trabalho do profissional, e isso proporcionou grande visibilidade. Em pouco tempo, os desenhos começaram as estampar as passarelas de importantes semanas de moda nacionais - São Paulo Fashion Week e Fashion Rio -, vestindo celebridades como Gisele Bündchen, Grazi Massafera e Sabrina Sato. Aliás, até Lady Gaga já chegou a usar um look com traços Graphique. Incialmente, as ilustrações eram encomendadas de acordo com o que o cliente queria, sem deixar de lado a liberdade de criação. “Sempre trabalhei com diversas técnicas de ilustração, manuais e digitais. A principal característica do meu trabalho é o aspecto elaborado, brasileiro, é uma profusão”, declara. Posteriormente, começou a desenvolver junto à estilista Loretta Petinatti, um mostruário de estampas prontas para atender consumidores numa escala mais industrial. Hoje, o estúdio tem uma equipe de designers e estagiários dirigidos por Daniel. A empresa chegou a produzir mais de 100 criações por mês em 2017, para atender tecelagens e confecções de todo o Brasil que aplicam as ilustrações em tecidos.


Apesar do sucesso, Daniel afirma que seu trabalho não é baseado em tendências e estilos. Além disso, pretende resgatar algumas características das raízes do estúdio. “O Graphique está tomando outro rumo, mais especializado em criação e conhecimento da área de estamparia. Como focamos muito em uma larga produção, acabamos perdendo a essência criativa e artística dos anos iniciais. Estamos agora buscando um posicionamento que envolve o respeito a todos os participantes do processo de concepção das estampas”, declara. Por isso, iniciou um projeto que objetiva abrir as portas para designers interessados em desenvolver novas ideias. Segundo ele, é um coletivo de parceiros, aberto para quem deseja apresentar seus trabalhos. Outra novidade é uma plataforma de venda online, que será lançada esse ano com o intuito de divulgar trabalhos desses profissionais da área. Decoração: uma aposta O setor da decoração é um campo imenso a ser explorado pelo Graphique, apesar da ligação mais estreita com a moda. Um dos exemplos disso é uma coleção criada para a Copo & Cia, parceria do estúdio e Costanza Pascolato. Foram desenvolvidas quatro linhas com temáticas diferentes e Daniel agiu como personal draw. Orquídeas, azulejos portugueses, carambolas e suculentas estampam as peças. Essa união juntou a exuberância e a modernidade estética do designer com o refinamento clássico de Costanza. “O resultado final é lindo e está dando frutos para novos projetos com cama, mesa e banho”, revela. A troca: um diferencial A curiosidade e a preocupação com as cadeias de criação e produção colocaram Daniel diante de um projeto de economia criativa com jovens ilustradores do Povoado de Santa Luzia do Luzia do Itanhy, em Sergipe. “Eles foram ensinados por científicos botânicos, possuem um talento enorme com o desenho da flora do mangue e desde 2015 vou visitálos. Essa é uma das parcerias mais gratificantes que tenho. A troca e o conhecimento humano fazem toda diferença’, conclui. O designer faz, anualmente, uma visita ao local e coordena ações que conectam os artistas ao mercado e à indústria. No último trabalho executado foram criadas estampas com os desenhos desses jovens para a papelaria do Banco Banese.

Ilustração desenvolvida para a Linha Costanza Pascolato / Copa&Cia

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foto Ricardo Lima

ESTAMPAS

A crise e uma descoberta: a arte Em homenagem à avó, Moraes abriu o Ateliê Francisca. Como artista plástico, já desenvolveu projetos para a Melissa, mas o objetivo atual é fazer de suas telas, criadas nesse local, um trabalho menos comercial. “Sou formado em design, mas arte sempre foi um alicerce. Tive uma crise e agora possuo experiência e maturidade para notar que design vai além da estampa. A arte é uma evolução do meu trabalho e tenho me jogado”, desabafa. Daniel conta que foi amadurecendo profissionalmente com o passar do tempo e há uns três anos decidiu desenvolver ainda mais o seu lado artístico. Fez cursos em Berlim e Nova York para aprimorar o seu trabalho. Reconhecido pela estamparia, considera as artes plásticas uma extensão da sua atuação como designer, seguindo a mesma linha de criação: traços exuberantes inspirados na fauna e na flora. Além disso, em viagens para florestas e lugares tropicais, o designer colocou em prática uma outra habilidade artística: a intervenção do bem na paisagem natural. Nessas ocasiões, observou plantas secas e animais mortos e pensou em pintá-los. “Adoro saber que uma pessoa que está passando por um local seco pode ver uma árvore pink, por exemplo. É uma intervenção poética”, finaliza.

No alto, tela Sem Título, tinta acrílica sobre tela. Acima, projeto de arte - Intervenções na Paisagem do Sertão Nordestino, 2017. Ao lado, painel pintado à mão para o Projeto Melissa + Art . À dir., projeto de arte – Intervenções na Paisagem do Sertão Nordestino, 2017 44 INTERIOR DECOR


“Sou formado em design, mas arte sempre foi um alicerce. Tive uma crise e agora possuo experiência e maturidade para notar que design vai além da estampa. A arte é uma evolução do meu trabalho e tenho me jogado”

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GASTRONOMIA

CORES E SABORES

Localizado no bairro do Cambuí, em Campinas, o Madero Container tem arquitetura industrial, grafitti e cardápio assinado pelo chef Junior Durski, que ensina uma saborosa receita de hambúrguer artesanal por Ana Carolina Lima

restaurantemadero.com.br

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fotos Gerson Lima

m container bem colorido, decorado com pegada industrial arrematada por eletrocalhas, dutos e luminárias aparentes. O grafitti complementa o visual moderno, que se contrapõe positivamente à madeira, um traço da identidade do restaurante. Estamos falando da concepção arquitetônica do Madero Container, no bairro do Cambuí em Campinas. O projeto é de Kathlen Ribas Durski, responsável por unir o estilo de um design despojado às características conceituais da marca, como a típica cor das paredes. O estabelecimento tem 230 m², estacionamento e capacidade para 82 pessoas. Nas áreas externa e interna, o grafitti de Gustavo Silva, conhecido como Gustas, retrata personagens fazendo gestos em LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais. As figuras expressam uma saudação (“olá”) e três verbos associados ao negócio do Madero (“inovar”, “cuidar” e “servir”). “Meu objetivo foi mostrar que as diferenças podem e devem coexistir em harmonia, no mesmo espaço”, explica o artista.

“A sustentabilidade é outro destaque, já que o próprio container tem essa característica. A separação do lixo, o reaproveitamento da água e a captação de energia natural estão entre os propósitos cada vez mais inseridos na rotina do Madero”, declara Kathlen. Comer, comer! Além do ambiente com design cool, o público visita o local por um motivo principal: comida, claro! A unidade do Cambuí segue o modelo fast casual, ou seja, o cliente faz o pedido diretamente no caixa. Entradas, sanduíches e sobremesas assinadas pelo chef Junior Durski recheiam o cardápio. Entre as sete variedades de cheeseburgers, a estrela da casa é o premiado Cheeseburger Madero. O sanduíche é feito com cortes de carne de alta qualidade, pão crocante assado na hora, alface americana, tomates frescos, cebola grelhada, queijo cheddar e maionese artesanal. O Container também tem opções mais leves, como


Hambúrguer Madero, por Junior Durski Ingredientes 480 gramas de fraldinha moída uma vez 480 gramas de contrafilé moído uma vez 120 gramas de gordura de picanha moída duas vezes Modo de preparo Misture bem todos os ingredientes e divida em porções de 180 gramas, fazendo pequenas bolas. Pegue cada uma e jogue de uma mão para a outra para compactar bem e não “esfarelar” quando abrir o disco em forma de hambúrguer. Isso é necessário porque não usamos nenhum tipo de liga, somente a carne e um pouco de gordura. Na hora de assar na churrasqueira, em fogo bem forte, coloque sal e pimenta do reino moída na hora. Grelhe por 3 minutos de cada lado. Corte o pão crocante, coloque maionese, alface, tomate, cebola grelhada e picada, queijo cheddar e, finalmente, o hambúrger.

o Cheeseburger FIT, com menos gordura, e o Cheeseburger Madero Menos Sal, a tradicional receita com redução de 50% do tempero. Nessa mesma linha, há os sanduíches Gourmet, incluindo o Choripán e o Cheese Mignon. Para quem não come carne, a opção é o Cheeseburger Vegetariano, elaborado com quinoa, aveia, cenoura e temperos, grelhado na churrasqueira em fogo forte. E se há dúvidas sobre o que pedir, o chef dá a dica: “minha sugestão é começar pelos pastéis de carne, depois o Cheeseburger Madero, acompanhado de chopp na caneca congelada. Como sobremesa, o brigadeiro de colher servido na panelinha”. O Madero Container Cambuí foi inaugurado em novembro. Há previsão de aberturas de outros restaurantes em breve no interior de São Paulo, como Containers em Americana, Barueri, Santo André, São Caetano do Sul e São José dos Campos, e um Steak House em Campinas.

Da esq. para a dir., o grafitti de Gustas retrata personagens fazendo gestos em LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais; projeto de Kathlen Ribas Durski, responsável por unir o estilo industrial, evidenciado pelo container, aos elementos conceituais da marca; Junior Durski e o seu suculento hambúrger; a unidade do Cambuí tem um ambiente cool que segue o modelo fast casual: o cliente faz o pedido diretamente no caixa

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foto Thiago Apolinário

foto Victor Hugo Cecatto

ILUMINAÇÃO

M O ILUMINADO

Dos palcos para dentro de casa: conheça o trabalho do lighting designer brasileiro Maneco Quinderé por Paula Queiroz

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aneco Quinderé é uma referência no Brasil quando o assunto é iluminação. Seu estilo é uma mescla harmônica de experimentação, brasilidade e minimalismo. Nascido em Teresina, no Piauí, e radicado no Rio de Janeiro, Maneco iniciou sua carreira na década de 1980 com projetos de iluminação para espetáculos teatrais, shows, balés, óperas e desfiles de moda. Foi em 1999 que ele começou a iluminar projetos de interiores, e, desde então, trabalha em parceria com diversos arquitetos renomados, como Miguel Pinto Guimarães, Dado Castello Branco, Cadas Abranches e Arthur Casas. Ele também cria o design de luminárias que são apresentadas em feiras de arte e design nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Qual a importância de pensar o projeto de iluminação em conjunto com o projeto de arquitetura e interiores? Toda! A grande mudança que um ambiente pode ter é através da luz. Com a luz você pode modificar um espaço, pode emocionar e pode até usá-la como música. Pensar nisso é muito interessante para um projeto. Já na hora de fazer o projeto de iluminação com a casa pronta são muitas as dificuldades, pois isso engessa a criatividade. Nada como ter um papel em branco para criar.


foto Victor Hugo Cecatto

Luminária Prumo, um pendente feito com cobre, aço inox e vidro. Na página ao lado, da esq. para a dir., luminária Mis, feita com haste de aço inox e peças de cerâmica; luminária Branche, com base de mármore e haste de latão

Como você define seu estilo? Não tenho preconceito, eu tenho conceito com o que estou fazendo, gosto de trabalhar a quatro mãos e respeito muito o projeto. Eu contribuo com o meu olhar, procuro valorizar o espaço arquitetônico, procuro fazer com que a luz comunique, emocione, revele e desperte curiosidade. Acredito que a luz tem um poder enorme de comunicar. Como se deu a transição da iluminação feita para os espetáculos para os projetos residenciais? Foi natural. Como diz um amigo, eu já iluminava casas há muito tempo, fiz casas do Hamlet, de Shakespeare, e a fazenda das Três Irmãs, de Tchekhov, por exemplo. Acho que a maior dificuldade foi a adaptação para a construção real, a arquitetura é real. Como o seu processo de criação difere de um projeto para o outro? Depende muito, vários caminhos são sugeridos pelo arquiteto, pelo diretor do espetáculo ou pelo cliente. Eu parto do escuro e tenho que fazer uma luz acontecer e, para isso, penso de que forma posso fazer isso, quem eu quero atingir, como eu posso emocionar e como eu posso fazer uma pessoa não notar a luz e se sentir bem. INTERIOR DECOR 49


manecoquindere.com.br 50 INTERIOR DECOR

foto André Nazareth

foto Fernando Guerra

ILUMINAÇÃO


O que te inspira? Sobretudo a natureza, as montanhas do Rio de Janeiro, as dunas do Ceará, as incidências de luz numa janela na mata. Mas tudo é subjetivo, algumas vezes eu vejo um filme, uma foto, um documentário, uma conversa com amigos, e isso me inspira.

Acima, projeto de iluminação para um apartamento em São Paulo, de Cadas Abranches. À esq., projeto de iluminação para um apartamento no Rio de Janeiro, de Miguel Pinto Guimarães. À dir., luminária Disco, da coleção Matilha, feita de polipropileno e neon

Que projeto você considera como divisor de águas, que o elevou para outro patamar? Na verdade acho que nós vamos evoluindo a cada trabalho. Há uns que gosto mais e neles descobri uma nova forma de conduzir minha trajetória. Acho que, com o tempo, você vai agilizando o seu pensamento de como fazer; às vezes você erra e evolui com os erros, na verdade os erros te ensinam muito. Alguma luminária ou coleção que está prestes a ser lançada? Pode contar um pouco mais? Estamos trabalhando numa nova coleção para lançar na próxima feira de design no Rio, a IDA.

foto Victor Hugo Cecatto

foto Joaquim Nabuco

Você se inspira em outros profissionais? Independente da pessoa, eu gosto de trabalhos. Algumas vezes eu vejo um trabalho que eu não gosto, de uma pessoa que eu admiro, mas algumas vezes eu vejo trabalhos muito bons de pessoas que eu não gosto tanto.

Na pág. Ao lado, projeto de iluminação para uma residência no interior de São Paulo, de Jacobsen Arquitetura; retrato de Maneco Quinderé

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MADEIRA

PERFEITA IMPERFEIÇÃO Pedro Petry transforma madeiras não convencionais, com rachaduras e até buracos, em peças únicas e belas por Ana Carolina Lima

Banco Dublin, de itaúba preta, coleção Mobiliário , À direita, no alto, escultura Fasciculada, de raiz de Palmeira toddy, coleção Galeria. Peças feitas com utilização de material de descarte, não convencional

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fotos Divulgação


A

s madeiras consideradas não convencionais e até defeituosas aos olhos do mercado são as matériasprimas do trabalho de Pedro Petry, que se intitula pioneiro na pesquisa e na utilização desses materiais. Natural de Joinville, Santa Catarina, vive há anos em Itu, interior de São Paulo. Formou-se em administração de empresas, mas foi na marcenaria que encontrou sua realização profissional. “Há 30 anos, quando iniciei esse projeto, não imaginava o alcance e as mudanças de comportamento que iriam surgir. Também foi uma surpresa a aceitação do uso de espécies desconhecidas. A ideia era inovar, e isso acabou se transformando em um elemento importante, já que a substituição de espécies tradicionalmente conhecidas por novas promove e minimiza a pressão da demanda, contribuindo, assim, para a redução das contingenciadas”, relata Petry, ao traçar um paralelo com a sustentabilidade – assunto que ficou realmente em evidência na última década. A inciativa surgiu após a percepção do desperdício na cadeia produtiva do setor madeireiro. O designer com o olhar apurado via além, questionava o descarte de materiais que poderiam ser aproveitados, e logo começou a ressignificá-los. “A beleza de um detonado valoriza a peça final e dá uma identidade. Se não interfere na ergonomia da peça, não impede de ser utilizado. Isso acabou gerando, ao longo dos anos, um conceito de produto mais sintonizado com os novos valores de consumo”, comenta. INTERIOR DECOR 53


MADEIRA

No alto, mesa de centro Vitória Régia, de madeira Garapeira, coleção Folhas da Amazônia. Acima, vaso Borda Irregular, de madeira Limão, coleção Objetos Utilitários (conceito: pesquisa com madeira atacada por fungos). Na pág. ao lado, vaso UPP, de rádica de imbuia. O nome da peça foi uma homenagem ao professor de torno do designer, o alemão Herr Uppenkamp; retrato de Pedro Petry; Vasos Etrusco, de jacarandá, inspirados na civilização Etrusca. Remetem aos artefatos remanescentes desta civilização encontrados na Itália

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As peças criadas por Pedro também têm, por vezes, matérias coadjuvantes como ferro, latão, couro e aço inox. Mas a estrela é sempre a madeira com rachaduras, nós, brancais, buracos e até de árvores frutíferas, antes tratadas como resíduos. Segundo ele, o descarte excessivo está relacionado à abundância de biomas do Brasil, como a Mata Atlântica e a Amazônia. Ainda reforça que é preciso estar atento à demanda do planeta, aos recursos naturais e, por isso, “não podemos mais nos dar ao luxo de simplesmente descartar este material. Penso que foi isso que me motivou e me conduziu para essa proposta de um uso mais racional. Foi de certa forma um pouco inconsciente. Estou muito mais para um obstinado que busca otimizar perdas, do que propriamente um designer no literal conceito da função”. A inspiração vem naturalmente, em uma “conversa” com o material. E aí surgem as ideias de criação, levando em conta o melhor aproveitamento. As referências são aleatórias, mas muitas das peças de sucesso foram inspiradas nas próprias árvores ou são recortes tirados delas. Por exemplo, a Caneta Paxiúba tem a forma de uma palmeira também chamada Paxiúba, que é endêmica na região amazônica. Já as mesas Vitória-Régia são uma releitura da folha da planta.


Pedro também desenvolveu a secagem da raiz da madeira, que dura cerca de 10 anos e origina peças únicas. “Foram criadas algumas técnicas, como um autodesenvolvimento, já que seguimos um caminho inovador e pouco convencional. Especialmente formas de corte não usuais até então, que demandam processos tanto de secagem como de trabalho – usinagem, corte, lixamento - distintos dos processos clássicos disponíveis em escolas de marcenaria tradicional”, explica. O trabalho no torno manual é a expertise de Petry, que aperfeiçoou a técnica em um curso na Alemanha entre os anos de 1991 e 1992. “Levei estes princípios para a linha de objetos e móveis. A produção com algumas interferências de automação segue o princípio do trabalho artesanal, de elaboras peça a peça por um determinado profissional.” Dentre os seus clássicos, o artista da marcenaria destaca o Bowl Balde de Gelo (Champanheira) e as mesas Vitória-Régia. Ele acredita que esses itens incorporam o conceito de sustentabilidade e, ao mesmo tempo, cumprem uma função utilitária. Por serem objetos de madeira maciça, a manutenção das peças é necessária, mas não é nada que fuja do comum. “É só fazer aplicações de cera ou lustra-móveis para hidratar a superfície”, Atualmente, os produtos de Pedro Petry podem ser encontrados em lojas que comercializam objetos de design autoral. O ateliê também faz trabalhos sob medida, com especificação de arquitetos. Como a procura aumentou, será lançada nos próximos meses uma loja online para os consumidores finais.

pedropetry.com.br

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PAISAGISMO

DO LADO DE FORA

MINHA HORTA

CASA NA ÁRVORE

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PAISAGISMO

SOLO FÉRTIL Arquiteta e paisagista Clariça Lima fala sobre seus projetos, tendências e as principais novidades no mercado de paisagismo por Samia Malas

“O

paisagismo é uma fonte de sinergia entre o espaço e o homem. É um ponto de encontro, uma metáfora onde as pessoas procuram e provocam sensações e lembranças”, revela Clariça Lima, arquiteta que após dois anos trabalhando como decoradora, realizando trabalhos em residências, se apaixonou pelo mundo das plantas quando fez uma viagem à Amazônia, em 2004. “A imersão na Natureza me encantou nessa viagem”, conta. Aliás, viajar é a fonte de inspiração da profissional, formada em Arquitetura e Urbanismo e especializada em Arquitetura Paisagística. “Procuro mergulhar nas diferentes culturas que encontro e, juntamente com o plano de necessidades do cliente, desenvolvo algo especial. Esse é o charme do meu trabalho”, completa. Clariça destaca que, como o trabalho de paisagismo envolve arte e sonhos, existem grandes expectativas quanto ao resultado final. “O ideal é compreender as solicitações do cliente para alcançá-las o máximo possível”, explica a paisagista sobre o que seria uma “receita para o sucesso”.

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foto Thais Antunes foto Thais Antunes foto Thais Antunes

Acima, vista da recepção do hotel Mirante Galvão com as espécies pileia, orquídea grapete, heliconias angusta e heliconias rostratas. À esq., o acesso aos lodges foi decorado com alpinias vermelhas, palmeiras laca, bastão do imperador e heliconias psittacorum. À dir., vista posterior de um dos lodges do hotelboutique sustentável, cujas varandas são voltadas para a natureza

Portfólio Com trabalhos de encher a vista pelo Brasil afora, um dos seus projetos de maior destaque foi na própria Amazônia, na cidade de Novo Airão. Clariça elaborou, em 2014, um plano paisagístico no hotel-boutique sustentável Mirante do Gavião, localizado em frente ao Parque Nacional do Arquipélago de Anavilhanas. Com três mil metros quadrados de área, a construção de madeira de lei (acariquara e itaúba) recebeu o “toque verde” da profissional, que teve como direções um projeto que não perdesse a vista do Rio Negro e a preservação das árvores remanescentes do terreno. Por lá, inseriu vários maciços tropicais, como alpinias vermelhas e variegadas, helicônias papagaio, licualas, lírios do brejo, íris-azul, mini flamboyants e grama amendoim. “Foi muito especial trabalhar com uma riqueza vegetal tão grande e a Natureza em toda a sua magnitude”, revela. Outro trabalho expressivo é a Casa Container, feita em São Roque (SP). Segundo Clariça, o projeto paisagístico teve inspiração no parque suspenso High Line, de Nova York. INTERIOR DECOR 59


PAISAGISMO

Espécies de capim como Pampa, Texas, Azul e Barba de Bode foram aplicadas no local. “A implantação foi definida a partir do lote. O desenho paisagístico acompanha a curva do talude presente no terreno, e a vegetação densa funciona como um delimitador entre a parte plana e a área em declive”, descreve ela, que usou ainda árvores nativas como Sibipiruna e Ipê Amarelo para criar sombras e contrastes entre a vegetação e a arquitetura contemporânea. O trabalho mais novo da paisagista fica em uma cobertura próxima à Avenida Paulista, em São Paulo, assinada pela Gabriela Muller, do Peach Arquitetura. O design teve inspiração no Hotel Hudson, de Nova York, feito por Philippe Starck. “Desenvolvemos um lindo jardim de vasos que faz contraste com a selva de pedras dos edifícios da cidade”, diz.

foto Thais Antunes

Mundo verde A tendência agora, segundo a paisagista, é criar espaços cada vez mais personalizados. “Fazer o diferente com acessórios diferenciados”, explica. Nesse contexto, a paisagista ressalta a sustentabilidade como uma de suas principais frentes. “Optamos pelo uso de plantas nativas, pisos de dormentes (madeira de demolição), lâmpadas Led e reaproveitamento de água pluvial”, detalha. Para o processo de escolha das plantas, há sempre antes um estudo de insolação e de solo. Só então é feita a seleção da vegetação que mais se adequa a cada espaço. “Em projetos de interiores ou varandas, gosto das frutíferas em vasos e prefiro as vegetações nativas”, revela. Em seu escritório, por exemplo, localizado em um prédio de poucos andares na capital paulista, há fícus lyrata, suculentas e plantas pendentes semiáridas. “O fícus possui forma Vista da área externa da Casa Container composta por capim do texas rubro, capim dos pampas, capim santa fé; ao fundo, barba de bode e árvore sibipiruna jovem (as demais são nativas do local) 60 INTERIOR DECOR

escultórica, com folhas grandes, e é resistente e fácil de cuidar. As suculentas e as pendentes semiáridas decoram as salas de trabalho e de reunião”.


foto Thais Antunes

foto TRenato Navarro

2018 Para a sua segunda participação na CASACOR, de 22 de maio a 29 de julho no Jockey Club de São Paulo, Clariça promete surpresas. Em 2017, quando fez o espaço Jardim dos Terraços, a profissional ganhou destaque entre os novos nomes do paisagismo. “Quero criar um espaço divertido e de encontros compartilhados”, antecipa. Fora isso, suas ambições para o futuro são dignas de nota: “construir mais verde, levar mais amor no que acredito e fazer com que mais pessoas tenham acesso ao meu trabalho.”

Projeto paisagístico da Casa Container de São Roque (SP) acompanhou a curva do terreno, tendo a vegetação densa como um delimitador entre a parte plana e a área em declive; além disso, os tocos de madeira ajudam a criar um espaço de convivência para os moradores. À dir., espaço “Jardim dos terraços” criado para a CASACOR 2017: o projeto contou com três jardins verticais compostos por plantas como ripsális elíptica e ripsális bacífera

studioclaricalima.com.br

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DO LADO DE FORA

RESISTÊNCIA E ESTILO Designers conceituados apresentam peças que unem materiais duradouros à beleza e originalidade por Nathalia Giordano fotos Divulgação

Das modernas às tradicionais, as cadeiras de balanço são atemporais, atravessam gerações e carregam carinho e aconchego. O arranjo do ir e vir remete à infância e à velhice – das brincadeiras de balanço ao repouso tranquilo. Daniela Ferro apresenta a coleção Anauê – saudação indígena tupi – repleta de referências brasileiras. As cordas trançadas da poltrona carregam histórias e acolhem diálogos. Uma escolha certeira para ambientes externos que oferece diversão, calma e prazer. donaflormobilia.com.br

Vencedor do prêmio Concept Design Award, Sérgio J. Matos, assina peças de forte identidade. Diversos lugares brasileiros, como o estado do Mato Grosso e a região do Nordeste, serviram como inspiração para o designer. Cores fortes e estilo que remete à cultura brasileira marcam presença, principalmente na cadeira de chita verde – feita de aço carbono revestido em corda de polipropileno. A loja Marché Art de Vie disponibiliza à venda esse e outros utensílios do designer, que deixa qualquer área externa com energia vibrante.

Às vezes materiais com enorme potencial passam despercebidos por nossos olhares, mas não pela visão atenta de Mônica Cintra. A designer – de nome aclamado – cria peças a partir de madeira bruta que foi descartada pela própria natureza, transformando resíduos em produtos funcionais. O uso de materiais singulares faz cada uma de suas criações exclusivas e originais. Trazer a natureza para nossas casas é uma maneira fascinante de dar vida e aconchego aos espaços, é o caso do sofá namoradeira – feito de madeira canela e encosto de ferro.

marcheartdevie.com.br

monicacintra.com.br

Detalhes que roubam a cena. É o que o holandês Marcel Wanders conquista com suas peças – estruturando-se entre o moderno e o tradicional, o designer não deixa espaço algum para a mesmice. Por perambular entre as linhas humanística e romântica, seus trabalhos fogem do maquinal e automático. Essa peça evoca nossa criança interior e faz um convite para esquecermos da pressa e contemplar o movimento dos pássaros. carbonodesign.com.br

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Na loja Maria Pia Casa você encontra chaises como esta, com estrutura de aço inox e madeira Teka – conhecida pela resistência e durabilidade. Um móvel capaz de transformar ambientes. mariapiacasa.com.br

A poltrona Butterfly, também conhecida como hardoy chair, foi criada em 1938 por Antoni Bonet, Juan Kurchan e Jorge Ferrari-Hardoy. Vencedora do prêmio MoMA, a peça tem traços simples: sua composição envolve apenas uma armação de metal e tecido. Hoje faz parte da cultura internacional, mérito grande para um mobiliário. Nessa versão outdoor da Futon Company, a poltrona tem reedição fiel com maior resistência – o tecido escolhido foi o Sunbrella, que promete durabilidade prolongada em ambientes externos. loeil.com.br

As palavras-chave para o trabalho de Alain Blatché, designer premiado, são design contemporâneo e impacto visual. Na coleção Swell, o francês propõe uma interação com a natureza. O nome da série vem de um jargão do surf, swell é usado para nomear o crescimento das ondas no mar. O braseiro, além de beleza, carrega a potência do fogo e faz desejar uma roda de amigos em noite estrelada. saccaro.com.br

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MINHA HORTA

DA TERRA AO PRATO SEM SAIR DE CASA Plantar a semente, molhar a terra, esperar a planta crescer... Além de aumentar a variedade de comida saudável no prato, ter uma horta em casa garante que pelo menos parte do que se come está livre de agrotóxicos, com a vantagem de decorar o ambiente e manter um contato imediato com a natureza. O que parece ser um sonho distante já é realidade para alguns paulistanos que não deixaram a correria e nem o pouco espaço se tornarem empecilhos para uma rotina terapêutica e saborosa por Gabriela Guedes

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fotos Divulgação


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MINHA HORTA

Ariela Doctors

A chegada dos filhos foi o principal fator que pesou na decisão de ter uma horta em casa para a produtora e professora de culinária Ariela Doctors. “Achei que seria interessante para eles verem o processo de produção de um alimento e que isso faria com que eles valorizassem mais a natureza, entendessem por que precisamos não sujar os rios, não desmatar sem necessidade, reciclar o lixo”. Apesar de pequena e insuficiente para alimentar a família inteira, a horta dos Doctors segue produzindo o ano inteiro, variando de acordo com as estações. As pragas nem sempre são combatidas. “Mas seguimos experimentando”, diverte-se Ariela, que finaliza: “é muito gratificante plantar e colher seu próprio alimento”.

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Ana Paula Souza

A arquiteta e urbanista Ana Paula Souza tornou a demanda por uma vida mais saudável, sua profissão. Ela é dona da Hortinha, empresa especializada na criação de espaços de cultivo de alimentos em casa. “Quando comecei, em 2005, poucas pessoas tinham interesse de cultivar o próprio alimento, mas hoje cada vez mais vejo hortas comunitárias pelo mundo e dentro de casa também”. De acordo com ela, com R$ 1.500 já é possível começar um projeto sob medida. “Todos os meus trabalhos têm uma estética pensada, são colocados em áreas nobres da casa, para se integrarem aos ambientes e decoração”. A maioria dos clientes mora em apartamento e a única condição crucial para o cultivo de plantas comestíveis caseiras não é uma área espaçosa e, sim, a incidência de sol na produção.

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MINHA HORTA

João Montenegro

Quando João Montenegro sentiu falta de ter um contato maior com a natureza, não pensou duas vezes antes de se mudar para uma casa com jardim na zona sul de São Paulo. O fato de estar na cidade mas distante do caos de uma metrópole também foi um fator crucial. “A presença de plantas e animais por perto me mantém mais equilibrado e em harmonia”, conta o artista plástico, que há um ano planta temperos, chás e cultiva árvores frutíferas em casa. “Faço uso diário das coisas que planto e é um prazer consumir algo que contém tanto da minha energia”.

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Laila Mengarda

Há cinco anos, Laila Mengarda mudou-se de um apartamento para uma casa para ter sua própria horta. “Para mim, colher temperos fresquinhos atendeu a uma demanda que eu tinha em relação ao desperdício de alimentos”, diz a chef de cozinha, que se livrou do plástico e isopor que também iam para o lixo semanalmente. Desde então, a plantação cresceu e hoje ela colhe tomate, batata doce, entre outros alimentos. O prazer da experiência vale o esforço dos cuidados com a horta. “Tudo está vivo, hidratado, com cheiro de terra e se torna uma terapia ver crescer algo que era tão pequeno”.

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CASA NA ÁRVORE

SONHO DE ADULTO Casas na árvore saem do plano imaginário e realizam fantasias antigas por Nathalia Giordano

fotos Divulgação

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m sonho. Um ícone. Um símbolo indestrutível da infância. As casas na árvore habitam o imaginário da população, permitem uma reconexão com a natureza e oferecem um refúgio quando a vida está demasiadamente fatigante. Quando pequeno, às vezes é preciso se contentar em escalar uma árvore acolhedora. Entretanto, alguns adultos conquistam recursos e não abandonam sonhos antigos. Assim, em lugares distintos, por todo o globo, pessoas projetam diferentes espaços no meio às folhas das árvores. Chega mais perto... Não precisa ir tão longe para encontrar casas na árvore capazes de fascinar até adultos ranzinzas. Ricardo Brunelli é um brasileiro realizador de sonhos. Na infância, aos 12 anos, construiu uma cabana de bambu sobre um abacateiro. O desejo de criar um refúgio que não se desfizesse em uma tempestade, seguiu com Ricardo até a formação de sua empresa: “Casa na Árvore”, em 2001. Desde então, ele transforma ideias brilhantes e sonhos pueris em realidade.

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Na página à esq. o glamour alcança o topo das árvores, no interior da casa tem desde fogão a lenha até sala com tv e home theather; ao lado e abaixo, em uma fazenda no interior de São Paulo, Ricardo Brunelli desenvolveu um projeto com três elevações distintas e banheiro decorado dentro da temática

Palácio suspenso Eucaliptos, alguns até centenários, abrigam uma estrutura que encanta crianças e adultos. O projeto não é para amadores, está longe de ser um mimo despretensioso, é o que podemos chamar de casa na árvore: com mais de 120 m², dois quartos, sala, banheiro e cozinha. Se ainda não se convenceu, tem até sacada, passarela e mirantes para apreciar o lago da propriedade. São três ambientes: o mais alto foi pensado para os adultos, o primeiro andar conta com todos os desejos que uma criança poderia pedir para seu refúgio na árvore – tubo de bombeiro, parede de escalada e até mirante em formato de barco. No térreo, as idades se encontram em redes de balanço. A arquiteta responsável pela decoração foi Marta Calasans. Quanto mais alto melhor Ideias brilhantes, bons planejadores e executores preparados podem não ser suficiente. Se não tivermos uma árvore majestosa, o sonho pode ir por água abaixo. Quando todos os requisitos são preenchidos, acontece um projeto como esse: uma figueira centenária – com mais de 20 metros de altura – abrigando uma casa com 44m² de área interna, 20m² de varanda e um mirante de 18m². Para ganhar ainda mais espaço, os quadros da parede se transformam em camas. A parte térrea foi pensada para as crianças que ganharam um delicioso parque para brincar. INTERIOR DECOR 71


CASA NA ÁRVORE Cinder Cone Foi lá para os oitenta anos que Tolstoi se encorajou e assumiu sua vontade. Fugiu de casa e largou a vida que não mais acreditava, correu para encontrar o verdadeiro significado de sua existência. Thoreau se rendeu à vontade mais cedo, perto dos trinta anos já buscava a solução dos mistérios da vida morando em uma floresta. Abandonar antigas convicções e estruturas para procurar nossa satisfação é um clássico da história humana. Foi assim que Foster Huntington decidiu deixar seu emprego na Ralph Lauren e dirigir para longe de Nova York. O jovem de apenas 27 anos juntou um grupo de amigos e, em Washington – perto da fronteira com o Oregon – planejou e construiu um projeto cativante. A formação de seu espaço conta com duas casas na árvore, uma pista de skate fantástica e um ofurô de imersão – a lenha. Tudo isso no meio do deserto do Columbia River George. Huntigton continua seu trabalho como consultor de mídia social e fotógrafo, mas faz isso de um escritório um pouco mais maneiro que os tradicionais. Quem desejar passar mais vontade ainda, a farm league fez um curta-metragem – dirigido pelo próprio Huntington – que documenta todo o processo de planejamento e execução do Cinder Cone. Foi lançado também um livro fotográfico que conta com desenhos, imagens e anotações de todo o desenvolvimento do projeto.

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Cubo espelhado Com grandes chances de passar despercebido, ao ser notado é custoso tirá-lo da cabeça. Isso porque a casa em formato cúbico é completamente espelhada em sua parte externa, dessa maneira reflete o cenário ao seu redor – uma floresta na Suíça. O espaço interior é pequeno (4 x 4 metros), mas a proposta é apreciar todo o ambiente externo – por conseguinte, as janelas são enormes. Sonhar alto pode ser bom, o cubo espelhado está disponível para hospedagem no site treehotel.se

No topo da página, a casa em formato cúbico se enreda na paisagem; acima e na extrema esquerda da reportagem, o projeto Cinder Cone encanta com toque descolado e inovador – pista de skate e passarela entre duas casas elevadas são destaque; à esquerda um charme de pousada acende o romantismo dos hóspedes na Geórgia

Sonho de viagem Nos bosques de Atlanta, na Geórgia, é possível se hospedar pelo Airbnb – serviço online comunitário – em uma adorável casa na árvore. O destino costuma ser bem disputado, não é difícil entender o porquê. A pousada se encontra isolada, oferece um ambiente calmo, romântico e contemplativo. São três espaços distintos conectados por pontes de corda. O ambiente nomeado como BODY é o quarto, conta com cama com rodas que permite levá-la até uma plataforma para observar as estrelas e o cenário da natureza. Também conta com telhado de zinco para propiciar bons momentos durante as tempestades. Todos e quaisquer detalhes foram cuidadosamente pensados, os lençóis são certificados pela Oeko-Tex, ou seja, não possuem nenhum tipo de produto químico prejudicial. O espaço SPIRITY é um deck encantador que abriga um pinheiro-dosul com aproximadamente 165 anos de idade. Por fim, a acomodação chamada MENTE, uma sala de estar com móveis antigos – janelas quase centenárias, fósseis e uma pata de tigre siberiano em gesso chama a atenção. Um lugar modelo para apreciar um bom livro. Não é à toa que essa é a hospedagem mais procurada de toda a plataforma do Airbnb. INTERIOR DECOR 73


DESIGN

DECOR

ARQUITETURA

HOTEL

URBANISMO

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DESIGN

A NOVA CARA DO DESIGN

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Selecionamos oito estúdios brasileiros de design com trabalhos autorais que representam o cenário atual. De São Paulo, o 80e8 é conhecido pelas experimentações; a Carol Gay pela ressignificação de objetos do cotidiano e o jovem Marcelo Caruso com sua produção inspirada pelo movimento modernista. O Estúdio Rain, de Brasília, quebra as barreiras do que é design e do que é arte. De Santa Catarina, Bruno Faucz mostra como trabalhar em parceria com a indústria. E do Rio de Janeiro, Bianca Barbato resgata formas nostálgicas e Gustavo Bittencourt dá uma cara nova à marcenaria tradicional. Já a mineira Juliana Vasconcellos aposta na geometria com inspiração no design do século 20 por Paula Queiroz

fotos Divulgação


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DESIGN

LUMINÁRIA SPECTRUM estúdio 80e8

80e8.com

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m tubo luminoso feito de neon projetado com o desenho de uma cúpula é a grande sacada da luminária Spectrum, cria da dupla de designers do 80e8. A série limitada com apenas dez peças é resultado de uma parceria com a galeria de design Nicoli, de São Paulo. A luminária de piso tem uma base de granito, com tubos de latão que se transformam em uma cúpula feita de neon. A peça criada em 2017 foi lançada oficialmente durante a feira PARTE, evento dedicado à arte contemporânea. “A inspiração para esse trabalho nasceu da nossa vontade de criar uma luminária de chão, trabalhando com materiais que nós ainda não havíamos mexido, como o neon e a pedra. Nós gostamos muito desse tipo de desafio e também queríamos que a peça final tivesse uma aparência elegante e clean. Por isso, o desenho do neon remete à cúpula de uma luminária convencional, para que as pessoas fizessem essa associação rapidamente”, conta Antonia Almeida. O 80e8 é um estúdio de design formado pela dupla Antonia Almeida e Fabio Esteves, ambos de São Paulo, conhecidos por projetos inovadores que resultam de muita experimentação. “Iniciamos nossa produção com muitos rascunhos, pesquisas e testes e o mote do nosso trabalho é mudar a forma como as pessoas interagem com os objetos e o com o mundo a sua volta”, diz Fabio Esteves.

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ESPELHO TRÍPTICO Bianca Barbarto

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nspirada pela técnica da marchetaria, ornamento de superfícies que pode ser feito com diversos tipos de materiais, a designer Bianca Barbato criou uma edição limitada do espelho Tríptico. A novidade foi apresentada no MADE, um mercado de arte e design que acontece na cidade de São Paulo. Essa peça mistura três tipos de espelhos: o espelho de cristal rosé com nitrato de prata, uma chapa vintage que não é mais fabricada atualmente; o espelho fumê e o espelho de bronze. Já a estrutura leva latão e MDF revestido com folha natural de madeira ziricote. “A marchetaria, que já é uma característica do meu trabalho, me influenciou muito para a concepção desse projeto. O espelho conta com recortes que buscam reflexos infinitos entre si em suas formas complementares, auxiliados pelos movimentos das faces laterais”, conta a designer. Considerada uma designer autodidata, Bianca Barbato começou sua carreira em 2008 no Rio de Janeiro mas, atualmente, vive e trabalha na cidade de São Paulo. Seus trabalhos têm desenhos originais que misturam formas nostálgicas e acolhedoras, como barquinho, avião e cata-vento, combinadas com matérias-primas nobres, como cobre e latão. Bianca se inspira na geometria modernista e no desenho orgânico das construções para criar peças que

biancabarbato.com

deixem o espaço mais confortável e pessoal. Ela faz uso de diferentes tipos de técnicas, do corte a laser até a marchetaria. INTERIOR DECOR 79


DESIGN

POLTRONA VIP Bruno Faucz

brunofaucz.com

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designer catarinense Bruno Faucz considera a poltrona Vip, desenhada por ele em 2014, como um de seus melhores trabalhos. O grande destaque da peça é a mescla de diferentes materiais e o resultado final com um equilíbrio visual. A estrutura do encosto de madeira, com aspecto mais denso e pesado, em contraponto com os pés de metal, com desenho mais fino e delicado, e a tapeçaria de linho e couro que confere conforto ao produto. “Com essa peça eu queria explorar materiais não tão comuns pra mim no período, então optei pelo metal e pelo multilaminado de madeira. A ideia foi colocar um desafio no desenvolvimento, já que o projeto começava com materiais que me tiravam da zona de conforto. E eu adoro isso”, resume Bruno Faucz. Bruno é formado em Design de Mobiliário, pósgraduado em Master Design Internacional e começou sua carreira dentro da indústria de móveis, onde trabalhou por sete anos. Desde 2013 ele conta com um estúdio de design próprio e cria coleções em parceria com diversas marcas. “O que eu acho mais fantástico no design é que nós buscamos o intangível, o sentimento, os desejos e as necessidades, e transformamos isso em algo palpável, que em algum momento trará benefício para alguém, seja material, físico ou emocional”, finaliza.

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carolgay.com.br

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designer paulistana Carol Gay tem um trabalho de experimentação com o vidro soprado que já resultou em diversas criações diferentes, como vasos e luminárias. Uma das peças que se destacam é a luminária de piso CaramBola, um pendente feito de vidro e metal, com o desenho dividido em algumas partes, assim como a fruta. A peça foi feita em parceria com a marca La Lampe e essa linha é uma continuação da linha Bola. “A peça surgiu de uma experimentação durante o processo artesanal de sopro do vidro. A deformação do material é proposital, resultado da interferência de uma base de aço que, posteriormente, dá

PENDENTE CARAMBOLA Carol Gay

estabilidade ao produto. O resultado são objetos únicos onde o peso, a leveza e a transparência contracenam”, resume Carol Gay. Carol é formada em Arquitetura e Urbanismo e trabalha como designer em seu ateliê na cidade de São Paulo. O Brasil serve de inspiração para suas criações, seja através da natureza exuberante, da miscigenação ou da criatividade das pessoas. “A experimentação, a presença do trabalho manual e a busca constante de novos materiais se tornaram características essenciais do meu trabalho”, resume a designer, que desde 2000 participa de exposições no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. INTERIOR DECOR 81


DESIGN

MESA PISCINA Estúdio Rain

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dupla Ricardo Innecco e Mariana Ramos, do estúdio Rain, desenvolve peças provocativas com grande capacidade de comunicação e identificação, como a mesa Piscina, criada em 2016. A peça tem estrutura de aço carbono com pintura eletrostática na cor preta, com acabamento fosco e tampo de vidro branco. “A inspiração da coleção vem das imagens oníricas de lazer que as piscinas evocam. A coleção é composta por mesas de apoio de diferentes alturas que podem ser usadas juntas ou separadas. Elas são produzidas em aço carbono com pintura eletrostática fosca e tampo de vidro. A escada pode ser usada em diferentes posições, encorajando o usuário a criar sua própria história”, resumem os designers. O Rain é um estúdio de design formado em 2014 por Ricardo Innecco e Mariana Ramos. A dupla nasceu em Brasília e, atualmente, mantém o estúdio e o showroom no bairro da Barra Funda, na cidade de São Paulo. Ricardo é formado em Arquitetura e, Mariana, em Design de Produto. Em seus trabalhos conjuntos eles exploram o design através de um olhar mais artístico e também buscam ressignificar objetos do cotidiano para criar produtos utilitários e outros projetos. O estúdio produz peças em série, edições

estudiorain.com 82 INTERIOR DECOR

limitadas e outras demandas feitas sob medida.


MESA PARQUET Gustavo Bittencourt

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gustavo-bittencourt.com

nspirado pelos encaixes e texturas dos antigos pisos de madeira, o designer carioca Gustavo Bittencourt criou a mesa Parquet. O nome é uma referência direta a esse estilo de piso feito a partir de um mosaico de madeiras. A peça tem design contemporâneo, mas remete à tradição. O modelo tem dois metros e vinte de comprimento e foi todo produzido com a madeira maciça roxinho. Em sua produção, o designer utiliza apenas madeira com encaixes e cola. “Tive a intenção de trazer de volta esse trabalho de encaixes com forte apelo estético e funcional, que está cada vez mais escasso em nossas casas. Mas procurei fazer esse resgate através de uma nova forma e uma nova utilização. Se não mais no piso, agora em mesas e quem sabe bancos”, revela. Gustavo nasceu no Rio de Janeiro e tem formação em Desenho Industrial. Desde 2013 ele desenvolve, produz e comercializa suas criações de um ateliê na cidade de Petrópolis. O designer é conhecido pelo trabalho apurado com a madeira artesanal e com técnicas tradicionais que valorizam a matéria-prima e os encaixes. “Desenvolvo meus móveis com um diferencial, gosto de criar uma relação com as pessoas, estabelecer uma interação, pois penso em móveis atemporais, que durem para uma vida inteira”, resume. INTERIOR DECOR 83


DESIGN

CADEIRA TRI Juliana Vasconcellos

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vasconcellosmaia.com 84 INTERIOR DECOR

geometria de três formas puras, o círculo, o retângulo e o triângulo foi explorada pelos designers Juliana Vasconcellos e Matheus Barreto durante a criação da cadeira Tri. As peças foram produzidas com mogno africano maciço e contam com o estofado feito de veludo. “Nas cadeiras Tri nós exploramos a geometria em três formas puras, com uma linguagem simples e equilibrada em três apoios, explorando a textura da madeira natural, o mogno africano de florestas plantadas, e do veludo”, comenta a designer. Os profissionais Juliana Vasconcellos e Matheus Barreto nasceram em Belo Horizonte, Minas Gerais, e são formados em Arquitetura e Urbanismo. E foi no universo do design de interiores que eles descobriram a paixão pelo desenho de móveis. Em suas criações, buscam desenvolver peças atemporais que consigam mesclar de forma harmônica a simplicidade e a sofisticação. Na hora de definir as matérias-primas, eles apostam em materiais naturais, como madeira, pedra e metal. “Este trabalho manual, aliado ao equilíbrio das formas e detalhes cuidadosamente pensados e particulares de cada projeto, agrega um valor emocional distinto a cada um dos objetos criados”, conta Juliana.


POLTRONA BETA Marcelo Caruso

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poltrona Beta foi criada em 2015 pelo designer paulistano Marcelo Caruso e, atualmente, ela é produzida artesanalmente de seu ateliê na cidade de Curitiba, no Paraná. A poltrona pode ser feita com madeira maciça jequitibá ou freijó e leva assento de couro com design geométrico de círculos sobrepostos. “A poltrona Beta é uma de minhas peças favoritas. Criada em 2015, talvez ela seja a peça que melhor representa o modo com que projeto hoje, que é muito geométrico e racional. O desenho dela foi feito utilizando-se de círculos sobrepostos, basicamente, e seu espaldar, braços e assento são todos derivados de circunferências concêntricas, o que a torna visualmente confortável, sem muitos ângulos agressivos e linhas retas”, resume o designer. Marcelo nasceu em São Paulo e se formou em Design na Faculdade de Campinas. Atualmente mora em Curitiba, onde tem sua própria marcenaria e é de lá que ele desenha, executa e comercializa seus projetos. “Sou muito observador e costumo guardar formas, cheiros e texturas e sempre fico atento à natureza, às construções e aos objetos ao meu redor. Quando sento para

@carusodesign

desenhar uma coleção nova ou alguma peça independente, sigo todas essas referências que estão na minha cabeça”, diz Marcelo. INTERIOR DECOR 85


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LOFT COM TOQUE ARTSY

Fotografias, obras de arte e peças de designers revelam um pouquinho do estilo de vida jovem e sofisticado do dono desse loft, em São Paulo por Samia Malas fotos Renato Navarro

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ara imprimir o DNA do morador deste loft localizado no bairro Jardins, área nobre da capital paulista, as designers de interiores Ana Cecília Fioravanti e Juliana Di Nardo, do escritório JA Interiores, não economizaram na criatividade. Há 2 anos trabalhando juntas – unindo experiências adquiridas em diferentes escritórios de arquitetura –, as profissionais assinam projetos de São Paulo a Miami com uma linguagem bem atual. Elas, que costumam mesclar o mobiliário contemporâneo ao clássico nos trabalhos, escolheram o estilo moderno para transformar esse loft, adequando-o ao gosto de um cliente jovem, solteiro e que aprecia arte e design. “Criamos um apartamento com ar jovial, moderno e sofisticado, onde o morador pudesse expor todas as suas obras de arte adquiridas em viagens e galerias mundo afora”, explicam. Para tal, não foram necessárias grandes mudanças estruturais no local, mas sim

Acima, ao centro, mesa de jantar e cadeiras da Clami. Na parede de tijolo pintado, tapeçaria de Picasso e, nos espelhos, coleção de fotografias de moda. Para iluminar o espaço, luminária Dimlux. A escada que leva ao quarto e mezanino é de ferro pintado com degraus de madeira. Na pág. ao lado, destaque para as mesas laterais, feitas de cobre e pedra, e para luminária, também de cobre, todas da Tok&Stok. Do outro lado, banquinho de madeira da Clami. No alto, a entrada do quarto é enfeitada com fotografias de artistas variados, comprados em viagens pelo dono do loft 86 INTERIOR DECOR

um projeto de interiores certeiro. “Em termos de estrutura, fechamos o quarto no mezanino, que era aberto para a sala. Colocamos uma porta balcão para dar mais privacidade ao espaço”. Na sala, a iluminação proposta pelas profissionais chama atenção e valoriza a seleção de móveis.


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DECOR

jainteriores.com.br

Acima, obras de arte adquiridas em viagens. À esq., telas de Macaparana, Hércules Barsotti e abajur da Lumini

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Um dos pontos altos do apartamento é a vista. Portanto, investir no visual da varanda foi uma das principais missões da dupla. “Fizemos a varanda bem confortável para receber os amigos e também para realizar atividades simples do dia a dia, como ler um jornal”, revelam. Alguns artigos do proprietário foram aproveitados nos interiores, como sofá, mesa de centro, obras de arte e fotografias. “O sofá tinha uma cara masculina e atemporal; a mesa de centro foi herança da avó; já as obras de artistas como Barsotti e Abraham Palatnik e fotografias de Sebastião Salgado complementaram a nova decoração”, explicam Juliana e Ana Cecilia. As obras ficam penduradas num sistema de trilhos com cabos de aço. Com isso, podem ser substituídas sem causar dano algum a parede. Ainda sobre a nova configuração do loft, poltronas de Gustavo Bittencourt ditaram as cores do lugar. Segundo as profissionais, toda a paleta usada foi definida por conta das peças do designer, que arrebatou o coração do morador. “O azul marinho das poltronas se estendeu por todo o projeto”, revelam. Como um bom loft moderno que se preze, materiais como couro, laca, madeira, cimento queimado e vidro se fazem presentes finalizando o trabalho em grande estilo.


À esq., visão do living e varanda a partir do mezanino. As cortinas medem cerca de 6 metros e separam os ambientes. Nas paredes, obras de Juan Miró, Mario Cravo Neto, Vik Muniz, Henri Cartier-Bresson, Bert Stern, Picasso e muitos outros. A mesa lateral “piscina”, do Estúdio Rain, sustenta a televisão. Ao lado, na varanda, paisagismo de Blumen Flores, poltronas de Gustavo Bittencourt e pufe e mesinhas de Tidelli Abaixo, no living, tapete da By Kamy, poltronas do designer Gustavo Bittencourt, sofá de couro da Espaço 212 e almofadas da Quacker Decor. Ao fundo, na parede, coleção de obras de artistas como Claudio Tozzi, Elliot Erwin, Banksy, Picasso, Bert Stern e muitos outros

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DECOR

FLEXIBILIDADE E ESTILO

A arquitetura aberta, o design industrial, o convite à convivência são algumas propostas pensadas pelos arquitetos Gustavo Tenca e Giuliano Pelaio para atender às necessidades dos proprietários ao longo da vida por Raquel Guanaes fotos Miro Martins

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Os ambientes sociais são totalmente integrados. Ao fundo, o painel de madeira que faz a divisória da sala com o quarto tem um dos módulos que funciona como porta de acesso ao cômodo. Destaque para o forro inteiro de concreto aparente com toda a tubulação elétrica exposta com os spots de iluminação

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DECOR

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ais do que um apartamento em que os moradores podem desfrutar do máximo conforto em seu dia a dia, o Maxhaus Cambuí II, assinado pelo escritório 24,7 Arquitetura, é um projeto que não se encerra em si. A sua planta flexível permite que a demanda dos proprietários seja atendida ao longo da vida. Ou seja, as necessidades mudam, a residência também ganha cara nova. O layout prioriza as atividades preferidas do casal. Receber amigos, por exemplo, ficou ainda mais fácil e gostoso, pois a configuração aberta do apartamento convida os usuários a interagir, comunicar e integrar, sempre com muita liberdade. A começar pela ausência de paredes internas, cabendo ao mobiliário sob medida delimitar espaços conforme a necessidade. Logo na entrada, a bancada central funciona como ponto de encontro da residência e também desempenha o papel de facilitar as refeições no cotidiano da família, tornando-as um momento ainda mais prazeroso. No mesmo ambiente, as banquetas do designer Pedro Useche complementam o espaço com cor, enquanto a composição de quadros da Urban Arts vem para demarcar o perfil cosmopolita dos moradores.

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247arquitetura.com.br

No estar, o painel de madeira da TV é também um armário em seu lado oposto, servindo ao quarto do casal. Caso o casal sinta a necessidade de, posteriormente, incluir mais um quarto em seu lar, a planta do apartamento permite sem grandes impedimentos. Algumas soluções técnicas, como o equipamento de aquecimento a gás, o tanque da lavanderia e a condensadora de ar-condicionado, foram ocultadas pelo móvel ripado vazado que também mantém a ventilação necessária para o seu bom funcionamento. O acabamento em madeira presente em todos os cômodos, vem para dar leveza à decoração, que tem pegada industrial de materiais como concreto e iluminação com condutores aparentes. Há, portanto, um equilíbrio entre a rigidez das estruturas e materiais quentes como a madeira. “Esse apartamento expressa a linguagem do 24.7. Desde os materiais até a disposição dos ambientes, buscamos integrar espaços e criar uma experiência de morar mais ligada ao convívio das pessoas e às suas necessidades ao longo da vida”, finaliza Gustavo Tenca, profissional à frente do escritório ao lado do arquiteto Giuliano Pelaio.

No alto, detalhe do quarto. Acima, cozinha e lavanderia são um espaço só. O armário ripado foi utilizado para esconder equipamentos técnicos. No balcão em frente a janela, uma churrasqueira elétrica transforma o espaço de serviço em uma extensão do lazer da casa. Na parede, as hortaliças Noocity Growpocket são utilizadas para o dia a dia dos moradores. Na imagem ao centro, o hall tem um caráter receptivo e de unir os ambientes. As banquetas bar Vira Vira, do designer Pedro Useche, configuram o espaço como o mais acolhedor do apartamento

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ARQUITETURA

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REFรšGIO NO CAMPO Concreto, arenito e madeira marcam presenรงa em projeto sustentรกvel por Nathalia Giordano fotos Fran Parente

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ARQUITETURA

Abaixo, banheiro da suíte máster da casa de cima; eixo central, ligação da casa de baixo com a casa de cima

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m Americana – interior de São Paulo, uma chácara antiga e esquecida foi transformada em um refúgio familiar. Kika Casmamie, arquiteta responsável pelo projeto, assumiu o desafio de resgatar o espaço e revivificar a casa – sem aniquilar a história daquele lugar. O que inicialmente seria uma simples reforma, adquiriu outra proporção: transformar o espaço com mais de 10 mil m² e manter a alma do local, o que parecia inconcebível se concretizou. Com um olhar sustentável, o projeto adaptou duas diferentes e antigas construções e manteve o que era possível – a estrutura da casa permaneceu e ganhou modernidade e harmonia. O diálogo continuo entre Kika e seus clientes – a arquiteta deixa a visão, sonhos e desejos das pessoas sempre presentes em seu trabalho - e a sua atenção cuidadosa em todas as fases do processo criativo, permitiu o renascimento do local. O espaço, que é bem mais do que um ponto de encontro familiar, precisava de uma atualização. A família é apaixonada por esportes e sempre que iam até a chácara passavam o dia esquiando, mas no fim da tarde iam embora – não havia desejo de pernoitar por lá. Não conseguiam ver potencial naquele local.

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Acima, acesso exclusivo à suíte máster. À dir., terraço das suítes da casa de baixo. Abaixo, living da casa de baixo, anexo ao espaço gourmet

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ARQUITETURA

Essencialmente focada em integrar paisagem, arquitetura e design de interiores, Kika escolheu três principais materiais para sustentarem o projeto: cimento queimado, madeira e pedra (arenito). “O arenito é uma pedra bem brasileira, usamos em diversos lugares. No piso, na parede, na bancada. Também usamos de maneiras distintas, tanto bruta quanto lixada”, comenta a arquiteta. A escolha dos materiais foi voltada para os elementos naturais que dialogassem com o ambiente que é bem árido. A questão da sustentabilidade permeou a obra todo o tempo. Foi pensada meticulosamente a parte de circulação de carros e pedestres, pisos permeáveis e a permeabilidade do solo. O projeto reaproveitou a represa que existe no local para fazer uma irrigação natural no espaço – aproveitando a ligação anterior. Houve um cuidado especial com o entorno, inclusive com o terreno que tem grande declínio. Todas as condições do ambiente foram respeitadas e utilizadas como aliadas – ao invés de buscar transformações desnecessárias. A aliança com o entorno também se faz presente na forma de buscar e privilegiar a iluminação natural e planejar a construção com ambientes de maneira a formar um cruzamento de ar. “Arquitetura e interiores são inseparáveis”, explica a arquiteta. No projeto, o interior segue a mesma linha e também se mune dos mesmos materiais. Escolher focar essencialmente em três opções (madeira, pedra e cimento) deixou o projeto clean e natural. O interior se comunica perfeitamente com a construção e a natureza local.

kikacamasmie.com.br

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À dir., vista de um dos chalés para a piscina e área gourmet. Abaixo, gourmet piscina Acima, à dir., varanda, suítes casa de baixo e acesso ligação das duas casas. Ao lado, vista do espaço gourmet para a represa

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PROJETO

BRUTA LEVEZA Hotel mistura elementos novos e antigos em um charmoso casarão da década de 1960 propondo um mar de calmaria no coração de um boêmio bairro de São Paulo

foto Karine Basílio

por Gabriela Guedes fotos Tomás Cytrynowicz

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m casarão antigo habitado por hóspedes modernos. Uma área verde e silenciosa no meio do agitado bairro de Pinheiros, em São Paulo. De olho nesse balanço harmônico entre opostos, Demian Figueiredo e Fabio Queiroz planejaram com

foto Karine Basílio

afinco os primeiros esboços do Guest Urban, hotel inaugurado por eles em 2015. Tomaram como base do projeto dos sonhos as viagens que eles próprios costumam fazer, munidos de curiosidade para desbravar novas cidades e muita disposição para conhecer seus destinos, usando o que de melhor a mobilidade urbana oferece. “Escolhemos Pinheiros porque é um bairro que se conecta facilmente à cidade, o perfil dos moradores é bem parecido com o dos hóspedes que a gente queria acolher”, explica Demian. O segundo passo foi a definição das arquitetas Isabel Nassif e Renata Pedrosa, do Sub Estúdio, que se deu em 2014, após uma visita ao então recém-inaugurado Mandíbula – o pequeno bar no centro de São Paulo assinado pelo Sub, arrebatou corações de uma clientela na qual os sócios do Guest Urban estavam de olho. “Demian e Fabio nos procuraram em busca daquela estética simples, que usasse elementos industriais, No alto, Demian Figueiredo e Fabio Queiroz, sócios do Guest Urban. Acima, deque e refeitório vistos das suítes da edícula e paisagismo da Passe Ar 100 INTERIOR DECOR

com estruturas e elétricas aparentes”, explica Isabel Nassif, que iniciou a parceria com Renata em 2010.


À esq., fachada do casarão de 1960 que abriga o Guest Urban. Abaixo, cabine da recepção desenhada em chapa de aço natural; cozinha e refeitório com luminárias criadas pelo Sub Estúdio usando os conduletes aparentes da elétrica do projeto

guesturbansp.com.br

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PROJETO

Elas são crias da Escola da Cidade, inaugurada em 2002 por uma nova geração de arquitetos que trouxeram uma proposta acadêmica ousada, centrada no viés humanístico. Muitos dos professores são referências para os trabalhos do Sub, assim como arquitetos modernistas paulistanos. Isabel define o estilo da dupla como “brutalista”. “Gostamos dessa arquitetura sem maquiagem, que ao invés de incorporar elementos externos, busca tirar, descascar, encontrar partes nas próprias obras para criar novas texturas”. Era exatamente isso que Demian e Fabio procuravam para o Guest Urban. O maior desafio do Sub foi o de encaixar um programa muito extenso ao casarão da década de 1960. “A demolição foi quase total”, conta Isabel. Poucas paredes internas originais foram mantidas, apesar da casca do imóvel de 300 m2 ter permanecido intacta.

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“Foi um projeto complexo e tivemos de fazer muitos reforços estruturais para ter liberdade de layout interno”. Algumas paredes remanescentes foram descascadas para a exploração de cores antigas. As paredes novas foram feitas em dry wall, deixando bem claro aos visitantes quais são os elementos novos e os originais. No final do projeto, 14 suítes foram finalizadas, todas diferentes entre si, porém, com elementos em comum, como o mobiliário, também desenvolvido pelo Sub Estúdio. O paisagismo da obra é uma atração à parte, dando ares de um refúgio verde no coração da metrópole, assinado pela Passe Ar Verde. Na cidade que mistura tão bem seus antagonismos, o Guest Urban não se limita à hospedagem, abrigando exposições de arte, festas e uma loja que vende produtos que remetem a São Paulo. O amor à capital também aparece no incentivo aos hóspedes de desbravarem o entorno, seja de bicicleta ou via transporte público – o hotel vende Bilhete Único na recepção, oferece serviço de aluguel de bikes e mapas das ciclovias. Porque, assim como no brutalismo do Sub, é olhando de perto que encontramos as melhores partes de um lugar.

No alto, detalhe do criadomudo/luminária desenvolvido pelas arquitetas. Acima, banheiro de vidro da suíte 1, solução para o espaço pequeno. À esq., detalhe da entrada com parede descascada Na pág. ao lado, área externa das suítes localizadas na edícula do casarão; vista da suíte 9, onde a entrada de luz natural ganha destaque INTERIOR DECOR 103


URBANISMO

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MONTE ALEGRE Precioso e reservado, um bairro antigo em Piracicaba que guarda obra inestimável por Nathalia Giordano fotos Angaba Fotografia

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uarida da maior obra de Alfredo Volpi, região de solos férteis marcados pela cultura da cana-de-açúcar, morada de uma importante colônia italiana, zona de inovações tecnológicas – desde o levantamento da primeira fábrica de papel a designar o bagaço de cana como matéria prima, inspiração literária de José de Alencar. O bairro Monte Alegre, em Piracicaba – interior de São Paulo – é uma região preciosa que mescla antiga e marcante arquitetura com belíssima paisagem natural. Hoje, o bairro é uma atração cultural – ainda que pouco frequentado. As ruelas, que reúnem casas levantadas no início do século XX, normalmente passam a semana sem grandes movimentações. Embora, gradualmente é possível observar uma efervescência aqui e ali quando algum desavisado descobre o Monte Alegre, ou quando ocorre um evento por lá e a turma de Piracicaba e região gasta um bom tempo de prosa para comentar as belezas desse bairro.

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URBANISMO

Acima e à direita, fachada e interior da capela São Pedro

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A CAPELA – Pérola da arte sacra Com o enorme número de imigrantes italianos na década de 30, foi necessária a construção de uma Igreja católica no bairro. Naquela época, Pedro Morganti, proprietário da usina, era um verdadeiro entusiasta e contratou o engenheiro italiano Antônio Ambroti para assumir a missão de transformar o sonho de ter uma representação perfeita da arquitetura italiana em solo piracicabano em realidade. No alto da colina, em 1936, foi inaugurada a Capela de São Pedro que, em seu interior, abriga a maior obra do pintor Alfredo Volpi. Com estilo neorromântico, a capela conta com arcos, cúpulas, vitrais e altares de mármore importados da Itália, com paredes externas erigidas em pedras. A pintura interna, assinada por Volpi, tem mais de 600 metros quadrados e coloca em evidência quatro apóstolos. Outra característica marcante é a maestria na construção da abóboda que tem uma acústica impecável. A construção, à época, foi um ato nobre e audacioso que trouxe conforto para os imigrantes. E, desde então, a capela ainda é um ambiente que causa prazerosas emoções – tanto para os amantes da cultura artística, quanto para casais que escolhem o alto daquela colina para selar compromissos apaixonados.


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URBANISMO

A USINA – Voltando no tempo A fazenda Monte Alegre sediou um engenho de açúcar dos mais produtivos no início do século XIX. Em 1940, a região era um polo econômico, havia cerca de 5 mil colonos no bairro. No ápice de sua atividade, a usina era uma das principais forças financeiras de Piracicaba, sendo fonte essencial para a existência do povoado Monte Alegre. Em 1981, os negócios no ramo da cana-de açúcar perderam suas forças e a usina foi desativada, minando a razão de ser do bairro. A maior parte das pessoas buscaram novos caminhos e aquela região se manteve de suas histórias e dos residentes que não abandonaram as casas mais próximas da usina. O tempo e o marasmo levaram a região a adormecer, ameaçando todo o seu valor arquitetônico, social e cultural. O Monte Alegre esteve exposto ao perigo de degradação de seu patrimônio. Acima, locomotiva para transporte de cana. À dir., açougue e barbearia

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foto Ricardo Lima

URBANISMO

A REVITALIZAÇÃO – Resinificando o espaço A temporada sem cuidados estava deteriorando o charmoso bairro Monte Alegre. Houve uma significante redução demográfica, a condição do bairro de vila operária não tinha mais significado. Com o intuito de recuperar a região que já foi um modelo de desenvolvimento, no início dos anos 2000, o empresário Wilson Guidotti Jr, o Balu, começou a investir em criar um novo caminho para o Monte Alegre. Hoje, o local que abrigava lavradores e operários, está recebendo cada vez mais homens de negócios e da classe cultural. A usina ganhou outro foco, hoje se chama Usina de Inovação e é um ambiente que visa oferecer infraestrutura para aproximar empreendedores, restaurantes, startups, investidores, aceleradoras, fundos, academia e produtores com perfil colaborativo.

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À esq., oficina mecânica das locomotivas. Abaixo, pub The Wall; vista panorâmica do Condomínio Residencial Monte Alegre

“É importante focar sempre no tripé, temos que pensar na parte cultural, parte história e a parte empresarial. O Monte Alegre é um quebra cabeça e tem que ser muito bem pensado. Não podemos deixar descaracterizar”, afirma Balu. O empresário começou a revitalização do bairro com o desenvolvimento de um condomínio – projeto que foi o ponta pé para o início de um fluxo de pessoas no Monte Alegre. Em seguida, houve um investimento para a recuperação da Capela São Pedro. Por último, o alvo de posicionamento do capital é a usina que já conta com 17 empresas em seu polo. Parte da revitalização é apresentar ou reapresentar o bairro para os moradores de Piracicaba e região. “Há um público grande que não conhece o espaço. Se você considerar que a usina foi desativada há quase 40 anos, há duas gerações que têm curiosidade em conhecê-la”, comenta Balu. Com essa motivação, o empresário e sua esposa promovem eventos culturais no Monte Alegre. O solo fértil da região, vêm demonstrando que é produtivo para muito além da cana-de-açúcar. INTERIOR DECOR 111


FOCO Karina Walter assina as colagens que abrem os cadernos desta edição. A fotógrafa é formada pela EFTI de Madri, na Espanha. A volta ao Brasil, em 2015, resultou no início da sua carreira profissional. O trabalho da catarinense, que adotou São Paulo como sua cidade, abrange retratos, projetos autorais e comerciais, estudos sobre a imagem e colagens, essas realizadas desde 2016. Qual é a melhor foto? É aquela que te surpreende e te faz pensar e sentir. A intenção não está no que a imagem entrega, mas no seu potencial de desorientar e provocar o imaginário. Em tempos de selfies, como anda a fotografia profissional? Selfie é para todos, é democrática e lúdica. E está na mão. Além disso, ela ajudou a popularizar a fotografia – o que foi muito bom. Já o fotógrafo profissional, independente do equipamento que utiliza, se re-contextualiza. Encontrar o sentido da imagem é tão ou mais significativo do que produzi-la.

karinawalter.photography

O Tempo Sem Idade - fotografia adesivada sobre ps - tamanhos diversos. Vista parcial da exposição Ela, as imagens, Galeria Vértice, SP/SP, 2017

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AO SAIR, MANTENHA A PORTA ABERTA, E VOLTE SEMPRE


REVISTA INTERIOR DECOR ED. 02  

Brazil, interior design, architecture, graphic design, photography, art, landscape, lifestyle

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