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Foto: Guilherme Krug

INTERESSA Uma escolha de vida

Milhares de crianças e adolescentes aguardam por uma família, porém a adoção ainda não é um ato comum no Brasil.

ROTEIRO DAS CERVEJARIAS ARTESANAIS O FIO QUE TECE A HISTÓRIA DO VALE DO ITAJAÍ

JOGOS MORTAIS ENTREVISTA COM AUGUSTO ITTNER


Sumário 04 06 07 12 16 20 21 22 24 28 32 35 36 38 40 42 44 45 48 51

Fotos: Marta Brod

Era uma escola muito engraçada Crônica: Tempos Modernos Jogos Mortais Você já encontrou sua missão de vida? Adoção: O parto de coração Artigo: Dá uma vergonha... ou não? Coluna: Preconceito Literário Por trás das Belas Artes A Viagem Empresas abrem as portas para visitantes no Roteiro das Cervejarias Artesanais O fio que tece a história do Vale do Itajaí Coluna: Mulheres estão assumindo mais cargos de confiança O Brasiil não é tão pacífico como parece Jovens, o futuro político do Brasil 80% dos homicídios em Blumenau estão ligados às drogas É preciso lutar para alcançar o sucesso Coluna: De volta às origens Renovação no rádio: Entrevista com Augusto Ittner, o Garoto Bom de Bola Cadê a saúde na sua dieta? Coluna: A moda de ser quem você é

Expediente A Revista INTERESSA é uma publicação dos alunos do 4º semestre do curso de Comunicação Social - Jornalismo do Instituto Blumenauense de Ensino Superior - Ibes Sociesc, de Blumenau, realizada na disciplina de Jornalismo em Revista. Redação: Alexandra Ittner, Andressa Scaburri, Bianca Klemz, Charles Espig, Diego Becker, Diorgnes Saldanha Lima, Elize Casado, Gabriela Ronchi de Souza, Iran Silveira, Jedielson Filipe Rosembrock, Jotaan Sérgio, Jucieli Linhares, Leonardo Alegri, Lucas Baldin, Suelen Eskelsen.

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Editor Chefe: Diorgnes Saldanha Lima Chefe de Redação: Elize Casado Diagramação: Andressa Scaburri Professora Responsável: Marta Brod Coordenador do curso: Eumar Silva Gráfica responsável: Tipotil Indústria Gráfica Tiragem: 400 exemplares


Caro leitor, Aqui está a segunda edição da revista Interessa. Para quem não sabe, a revista é de caráter acadêmico e não terá veiculação. O que conta é o aprendizado adquirido e o gosto pela escrita em temas variados aos quais nós, alunos, empenhamo-nos em escrever ao longo do semestre. Confesso que escrever para revista foi algo em que eu, particularmente, tive uma grata surpresa. Diferente da escrita mais objetiva do jornal impresso, este meio me permitiu explorar mais o meu vocabulário e criatividade, além de poder discorrer sobre assuntos sem precisar me preocupar com o número limite de linhas e/ou caracteres. Não que isso não tenha sido estipulado para esta edição. Ao realizar pela segunda vez esse trabalho de produzir a revista – tranquei o semestre na ocasião passada – comprometi-me em fazer algo mais sério. E ao que parece, todos os alunos que produziram essa edição pensaram o mesmo. Ao folhear as próximas páginas, vai ser possível notar a diversidade dos temas, onde cada aluno encarou com muita seriedade o “trabalho da faculdade”. Economia, esporte, polícia e educação são alguns dos temas que serão encontrados a seguir. Em especial, nossa matéria de capa trará momentos de reflexão sobre um tema que ainda é tratado com estranheza por alguns, mas que já tem muitos adeptos da causa: a adoção. A reportagem contará a história de algumas pessoas que adotaram e que foram adotadas e mostrará que é possível ter – e amar – um filho que não seja do mesmo sangue.

Que a experiência em ler a revista seja tão boa quanto a que tivemos em produzi-la.

Um abraço, Diorgnes Saldanha Lima Editor Chefe

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EDUCAÇÃO

ERA UMA ESCOLA MUITO ENGRAÇADA... ...Não tinha sede, não tinha nada”. A história e as histórias da Escola Elza Pacheco, que há trinta anos ocupa espaços alheios, embora pertença ao Governo do Estado.

Jennifer Mellies é uma renomada arquiteta. Jonas Neto é engenheiro mecânico, Lucas Boeing é engenheiro químico e Luciene Adorno é engenheira civil, todos contribuindo para o crescimento da cidade. Já Vinícius Marconcini é um designer de sucesso, assim como a publicitária Heloísa Machado e a psicóloga Alessandra Reinecke. Na verdade, nenhuma das pessoas mencionadas acima tem essas profissões – pelo menos não ainda. Em comum, duas coisas: todos sabem o querem ser quando forem adultos e todos estudam no terceiro ano da Escola de Ensino Médio Professora Elza H.T. Pacheco. A música A Casa, de Vinícius de Moraes, é bem adequada como metáfora para a Escola Elza Pacheco, fundada em 1984 e que até agora já ocupou três espaços: uma Escola de Ensino Fundamental Municipal (E.B.M. Machado de Assis), uma Escola de Ensino Fundamental Estadual (E.E.B. Vítor

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Iran Silveira Hering) e um misto de cooperativa com Escola Técnica Estadual (CEDUP). Uma escola que não tem sede. De acordo com Maria Stela W. K., supervisora de educação básica e profissionalizante da Gerência Regional de Educação (Gered), a Elza Pacheco foi criada em 1984 para suprir uma necessidade pontual dos alunos do Machado de Assis, com a previsão de durar apenas três anos. Nesse meio tempo, o Centro de Educação Profissional Hermann Hering (CEDUP) deixou de oferecer o ensino médio regular para se concentrar no ensino técnico profissionalizante. Como alternativa para os alunos da região cursarem o ensino médio regular, o Elza Pacheco passou a ocupar algumas sala daquela instituição – foi quando a escola aumentou o seu número de alunos e professores. Entretanto, nos últimos dois anos o CEDUP passou a ofertar o ensino médio Integrado ao Ensino Profissionalizante (EMIEP), e

ao Elza foi imposto diminuir gradativamente suas turmas nessa instituição, sendo que hoje apenas três terceiros anos cursam lá – os últimos a ocuparem o espaço. Hoje, ocupa parte do prédio do Vitor Hering e tem cerca de 500 alunos, tendo obtido, recentemente, boas colocações no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e na Olimpíada de Matemática. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (LDB), cabe aos Estados da União gerir o ensino médio. O ensino público fundamental é de responsabilidade dos municípios, e o superior, da Federação. Portanto, segundo uma lei federal, faz parte das obrigações do estado de Santa Catarina, por intermédio da sua Secretaria de Educação, dar uma “casa” à Elza Pacheco. “Casa” que não existe – a escola “mora” em espaços. Fomos buscar esclarecimentos e nos deparamos com duas linhas diferentes de explicações: uma, da Gered; e outra, da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR). Na SDR, o secretário César Botelho nos informou sobre os planos quanto à instituição, ressaltando que são feitos em conjunto com o Secretário de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, da seguinte forma: após as deliberações, a SED as formaliza e cabe às SDRs aplicá-las. A SED e a SDR têm projetos em mente para o futuro da Elza Pacheco, de acordo com Botelho. “A curto prazo, melhoria da estrutura, e uma possível ampliação. Para construir mais salas do EP na


Vítor Hering, seria preciso a ampliação de espaço, que depende de recursos imediatos do Estado, ou seja, sem financiamento”. Já a médio e longo prazo a situação é diferente, conta o secretário. “A construção de uma sede para a Elza Pacheco está em pauta. Para isso, o Estado pode disponibilizar de recursos do BNDES e do próprio MEC, que estabelece os padrões para as construções de novas escolas”. Ele ressalta ainda que esses padrões são nacionais e já vêm sendo aplicados na região. “Nos mesmos moldes da Escola Max Tavares: laboratórios, ginásios, enfim, infraestrutura moderna, o que custa de 6 a 7 milhões de reais, fora o terreno. A construção da nova sede da Max Tavares levou cerca de três anos. Para a Elza Pacheco, a previsão é de identificar o imóvel e iniciar o desenvolvimento do projeto já no ano que vem”. Na Gered, a revista INTERESSA falou ainda com a gerente de educação Maria Isabel Porto Paes Schulz e com a supervisora de Recursos Humanos Marília Hengers. Questionamos por que, apesar das previsões de ampliação da escola, não está sendo ofertada para lá a remoção de professores efetivos – ou seja, o que seria uma garantia a mais para a sobrevivência da escola. “A ampliação do espaço físico é determinante para a ampliação de vagas para professores e alunos”, afirmou a gerente de educação. “Enquanto não tivermos uma definição de sede e de número de alunos, não podemos ofertar a remoção de professores”, completa a supervisora de RH. Argumentamos que “o número de alunos” é praticamente garantido, já que nos bairros da Vila Nova, Água Verde e Escola Agrícola o EP é a única escola a oferecer ensino médio regular; além disso, nessa região

há pelo menos nove escolas de ensino fundamental, com um público de alcance obviamente largo. A gerente Maria Isabel respondeu apenas que “o CEDUP já oferece o EMIEP, um curso intermediário entre técnico e regular, com duração de quatro anos”. Não ter oferta de remoção significa ter menos professores efetivos na escola, e mais admitidos em caráter temporário (ACTs), o que diminui o corpo docente. Se é função do Estado cuidar do ensino médio, teoricamente o EP poderia ter mais salas na escola Vítor Hering. Mas, segundo a Gerente, “o Vítor Hering tem preferência na edificação por estar lá há mais tempo; além disso, o estado e o município formam parceria na educação. É sabido que o município tem problemas para gerir a educação infantil, e ainda mais para gerir sozinho o fundamental”, responde Maria Isabel. Mesmo assim, é legalmente mais apropriado uma escola de ensino médio ter uma sede própria, em vez de uma escola de ensino fundamental, que deveria ser gerida pelo município. Novamente, Maria Isabel aponta: “o município está se reestruturando, com a finalidade de não depender mais do Estado. Mas, depois dessa reestruturação, no futuro, não

sabemos se o município, sendo responsável pelo EF, não poderá administrar as escolas municipais, como o Vítor Hering”. O destino do Elza Pacheco, nessa perspectiva, não foi esclarecido. “Não sabemos”, res-ponderam apenas. Para a secretária da APP da Escola, Edicléia Batistti, a Gered vem manifestando falta e de interesse e de vontade de resolver a situação da Elza Pacheco há muito tempo: “se a educação é um direito garantido pela constituição, o Governo do Estado está faltando com Blumenau, e não só com o Elza Pacheco: Agronômica, uma cidade pequena, tem mais escolas de ensino médio que Blumenau”. A APP já fez uma manifestação junto com os alunos em frente à escola, veiculada por um telejornal local, e não está descartada a hipótese de outra manifestação. Os professores e a direção da escola preferiram não se manifestar, temendo represálias. A pergunta fica no ar: será que futuros estudantes terão a oportunidade, tal como Jennifer, Vinícius, Alessandra, Heloísa, Jonas, Luciene, Lucas e tantos outros, de estudar na Escola Elza Pacheco?


Já vão longe os tempos das cidades pequenas e incomunicáveis, onde as pessoas só conheciam as pessoas que, como elas, tinham nascido naquele determinado lugar, e quando ficava-se sentado na praça vendo a vida passar. Hoje o tempo voa. E as pessoas, também. Esta é uma história de pessoas que não tinham nada em comum, até se conhecerem, numa determinada cidade, numa determinada instituição. A história de uma combinação improvável. Início de 2013. Mais um ano de serviço público. Perguntava-me quanto tempo mais até mudar de profissão. Mas havia Fernanda e Juliane, para me lembrarem o quanto amo ser professor. Mesma época. Mais uma faculdade. A segunda graduação foi minha escolha depois de fracassar em duas tentativas de mestrado. O tempo me escorria pelas mãos. Ainda bem que encontrei duas almas conhecidas. Josiane Caitano (22), que saiu de Palma Sola (SC) para tentar a vida em Blumenau (SC) e estava devendo

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Foto: Reprodução

CRÔNICA

Tempos modernos

Iran Silveira umas matérias da primeira fase, assim como eu, e o blumenauense Charles F. Cruz (33). Já o caso do capixaba, da cidade de Linhares (ES), Marcelo Laus Aurélio (33), foi diferente: ele devia uma matéria do curso de Ciências Contábeis, mas que coincidia com a nossa grade de Comunicação Social. Ele foi um dos que adotaram Blumenau como sua moradia, assim como Flávia Necolan (22) e Nílton Borges (50). Ambos conheceram muitos lugares no Brasil antes de vir morar aqui. Flávia nasceu em Corumbá (MS) e morou em Campo Grande (MS), Santos (SP), Franca (SP), Curitiba (PR). Nilton é um mineiro que sobreviveu na Grande São Paulo dos anos 90 e que tem muito mais histórias para contar do que daria para citar nesta crônica. Enquanto uns vêm de lá para cá, outros saem daqui para depois voltar. É o caso de Charles, que morou em Gaspar (SC) antes de retornar a Blumenau, e de Jennifer Cristina (17), que cresceu em Ibicaré (SC) e depois voltou para sua cidade natal. Jennifer é alguém com a habilidade de dizer

mais sim do que não. Ela diz ter um olho que enxerga mais do que os outros. E que tudo – ou quase tudo – pode acontecer com ela. Jennifer, que assim como Charles cursa Publicidade e Propaganda, é amiga de Bob Gonçalves (33), um curitibano que adotou a vizinha Pomerode e veio nos dar o prazer da sua companhia na faculdade de Jornalismo. Oito acadêmicos de idades e origens diferentes, com uma coisa em comum: a amizade espontânea e que já tem pinta de duradoura. Foi na sala 012 onde encontrei os personagens desta crônica, mas, antes disso, tive que andar muito. Andei tanto que, aos quarenta anos, ponderei que era hora de voltar para o começo – mas não para Joinville (SC), onde nasci. Para o começo de uma faculdade, outra vez. Ponderei que, quem sabe, eu encontrasse pessoas que, como eu, viam uma vida melhor no futuro. Espero que, quando esse tempo chegar, ele continue sorrindo, como eu o vejo agora, e que esse sorriso seja como os sorrisos de Fernanda e de Juliane.


GAMES

Fotos: Divulgação Marta Brod - Acervo pessoal Sabini Roncáglio - Acervo pessoal

Jogos Mortais Jogos de videogame e computadores são comuns na vida de adolescentes e crianças. Cada vez mais os jovens estão entretidos em mundos paralelos e distópicos. Mas, afinal, até que ponto os games influenciam no desenvolvimento dos jogadores?

Diego Becker Era uma daquelas noites quentes de verão e já passava das 21h30. Assim como nos outros fins de semana, a família Ruschel se reunia na praia em Itajaí, Santa Catarina. As irmãs, Flávia, de 32 anos, e Ana Paula, de 37, conversavam tranquilamente na cozinha enquanto as crianças se divertiam. Entretanto, algo inesperado aconteceu. De repente, as duas veem Eduardo, de oito anos, descer as escadas desesperado, aos prantos. Flávia, a mãe, tentou perguntar ao menino o que ocorreu, se havia algum estranho ou animal na casa, mas ele não respondia. Estava em estado de choque. Ana subiu as escadas e ao entrar no quarto olhou para o computador e se deparou com o que jamais imaginava. Fixa no monitor, uma imagem aterrorizante, a menina do filme O Exorcista com um sorriso leve e amedrontador. Ela avisa que não há nada de errado na residência e explica o que viu. Aos poucos e ainda assustado, o pequeno conta que estava à procura de jogos na internet. Em um dos sites, encontrou um desafio de passar um pequeno quadrado por um caminho estreito. Quando chegou ao fim levou um susto com a aparição da figura. Ele jamais esqueceu a cena. O choro demorou a cessar. As lágrimas faziam parte do medo estampado em seu rosto. Agora estava abraçado e seguro nos braços da mãe. Em seu colo, Flávia con-

versa com o menino sobre os jogos que encontra na internet. Ela tentava ao máximo estar sempre atenta ao que o filho fazia no computador. Mesmo assim, jamais imaginou que passaria por essa situação. “Eduardo sempre teve interesse por joguinhos inocentes, que a grande maioria dos amigos dessa idade costumam brincar”, diz. Mas com todos os afazeres do dia a dia ela não consegue estar 100% perto dele. “Sempre que meu filho tem interesse por algo novo pede para instalarmos em seu notebook e avaliamos. Além disso, aqui em casa são proibidos games com armas, sangue, ou qualquer tipo de violência”, ela ressalta. Situações como a da família Ruschel são mais comuns do que você imagina. Já foi o tempo

Depois do susto, Eduardo pede para a mãe, Flávia, verificar os novos jogos

em que as crianças tinham medo de mexer em computadores. Hoje, algumas possuem seus próprios apa-

relhos. E a internet está repleta de sites com diversos jogos que vão dos mais mórbidos, até os violentos. Daqueles cheios de aventura e as pegadinhas assustadoras. Além dos traumas psicológicos, existem fatos ainda mais alarmantes que podem estar ligados ao uso excessivo de videogames, crimes como, por exemplo, assassinatos. São casos que nos fazem parar para refletir sobre a seguinte questão: Será que realmente as crianças podem sofrer algum tipo de influência com o uso contínuo de jogos de videogames? Entre nesse desafio e vamos descobrir o que nos espera na última fase. Fight! Há milênios os jogos estão presentes em nossas vidas. Sejamos nós os competidores, alguém na família, ou até mesmo um vizinho. Muitas vezes nem sempre é o lado bonzinho e educativo que se sobressai. Esse pequeno passatempo geralmente cheio de cores, botões, fios e controles geram prazer a quem usa. Nos últimos anos, porém, em virtude do boom causado pela internet, os jogos eletrônicos tomaram proporções gigantescas entre adolescentes e crianças. Conforme os dados levantados pela empresa de pesquisa de mercado Zanthus, em março de 2003, 92% dos jovens norte-americanos tinham videogame em casa

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ou jogavam em outros locais. Como mental, Antônio Ruschel Lenak se destrai com jogos tudo que ganha exposição demais C a r o - enquanto espera pela mãe, Ana Paula. tem seu lado negativo e-levado, o line Bufoi envideogame tem se tornado o Cal- sarello Brüning. contrado canhar de Aquiles para alguns. Jogadores se sentem impor- m o r t o Existe certo fascínio das tantes ao desafiar inimigos e mons- a p ó s pessoas pelo simples fato de brin- tros. Salvam princesas e pessoas p a s s a r car com um videogame. Com os em mundos distópicos. Fases que 40 horas jogos, as crianças podem desfru- podem levar de minutos a horas de seguidas tar do prazer da interatividade ati- duração. É importante que os pais jogando vamente. Veja esse exemplo: na tentem mediar o tempo de uso dos Diablo 3, televisão, com seus canais abertos consoles pelos filhos. “De segun- os médiou fechados, há entretenimento de da a sexta-feira procuro controlar cos acrforma passiva, ou seja, onde você os acessos de Eduardo, limito os e d i t a m apenas assiste, espera o vai e vem horários. Já no fim de semana, al- que ele dos comerciais. Entretanto, nos gumas vezes proíbo ele de usar o faleceu por conta de um coágulo no games há participação de quem uti- computador, para que brinque na coração por ter ficado sentado tanliza. O jogador se torna responsável rua, saia com os amiguinhos,” co- tas horas em frente ao computador. por todo desenvolvi-mento, tempo menta Flávia. Segundo Caroline, “Alguns educadores sugerem que o e ritmo em que as coisas ocorrem. os pais devem sempre assumir o tempo seja negociado com as crian“Além disso, o jogo mexe com o controle da situação. Eles são os ças. Pode-se estabelecer um tempo nosso mecanispadrão de mo cerebral de “A possibilidade de competir, ganhar pontos, passar de fase, uma hora recompensa. A por dia, e possibilidade de motiva-nos a querer mais e mais e, uma vez que eu consigo essa uma competir, ganhar realizar um desafio, eu quero passar para o próximo e me hora pode pontos, passar de provar novamente”. aumenfase, motiva-nos tar ou dia querer mais e Caroline Busarello Brüning, psicóloga especialista em Terapia Cognitiva Comportamental minuir demais e, uma vez pendendo que eu consigo do comportamento da criança”, exrealizar um desafio, eu quero passar verdadeiros donos do brinquedo, plica Caroline. para o próximo e me provar nova- do aparelho de TV, ou até mesmo Por esses motivos é que na casa de mente. Os jogos costumam ser mui- do computador, além de pagarem a Ana Paula ainda não existe videoto bons na demonstração de reforço energia elétrica para fazer tudo fun- game. Seu filho, Antônio Ruschel e re-compensa. Também podem cionar. Assim, determinam o que a Lenak de quatro anos, apenas tem dar uma sensação de controle e de criança pode ou não jogar. acesso a aplicativos em tablets. Os competência para o jogador. Ele é Especialistas argumentam pais permitem poucas horas por dia, o senhor desse domínio, as coisas que o importante não é a quan- especialmente quando é necessário só acontecem quando e o quanto ele tidade de horas que a pessoa passa entreter o menino. “Se eu saio para q u i s e r ” em frente a um videogame, e sim se uma reunião ou evento e preciso afirma a isso afeta o desempenho escolar, as levar meu filho, utilizo o aparelho, psicólo- relações sociais, o sono ou alimen- mas mesmo assim todos os joguga es- tação. Há casos mais sérios referen- inhos são avaliados antes, ou seja, p e c i a l - tes ao vício nos jogos. Em 2011, um não pode ter armas e, além disso, ista em rapaz de 20 anos do Reino Unido cuidamos da faixa etária indicada. Te r a p i a morreu por conta de um coágulo no Na maioria das vezes participamos Cogniti- sangue, depois de passar por várias jogando junto com ele”, diz. É semva Com- sessões de 12 horas no Xbox. Já em pre interessante que os pais tomem p o r t a - 2012, um adolescente de Taiwan a iniciativa de avaliar o conteúdo do

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Caroline diz que alguns estudos provam que o videogame exerce influência de forma positiva nas crianças, aumenta a criatividade, é um exercício de lógica e em alguns casos até ensina uma língua estrangeira.

jogo. Geralmente os games possuem sinopses e comentários de outros usuários. A internet pode


ser uma grande aliada como fer- Do Daktar para o Playstation, o gosto de ramenta de busca, um exemplo é Michael por jogos começou cedo, aos seis anos de idade. o Google. especia-lista, videogames também Pegando carona com Mario Kart podem ensinar valores morais e éticos aos jogadores, bem como Alguns fatos mostram que formar de se cuidar e proteger em a maioria das crianças e adolescen- diversas situações. “Os jogos mais tes expostos a essa mídia não de- interativos dos consoles, como os senvolvem comportamento agres- do Wii e do Kinect melhoram nossivo, de acordo com Caroline. sa coordenação, nossa agilidade, Existem casos em que é descoberto senso de direção e equilíbrio, além mais tarde que a pessoa envolvida de serem excelentes “colas” sotem um comportamento extremo ciais, já que é possível o jogo em sentar e se preparar. Há cerca de de violência e sofria de algum dis- grupo”, completou. seis anos em Blumenau, Santa Catúrbio mental ou possuía traços de tarina, um jovem de 16 anos conpersonalidade que abriam caminho Combate mortal fessou ter matado e esquartejado o para esse tipo de conduta. Quando vizinho em virtude de um jogo de se passa horas em um determinado Desde os anos 1970, com a computador. Ele disse aos policiais jogo, principalmente se for violen- explosão do uso do Atari, os video- que teria ficado irritado e primeiro to, o competidor pode ter chances games se tornaram cada vez mais estrangulou o menino. O adolesenormes de reproduzi-los sem nem populares. A evolução dos apa- cente atordoado e fora de si pensou perceber. Um dos efeitos mais co- relhos fez com que as pessoas se que a vítima estava morta e então muns entre adolescentes e crian- envolvessem mais com os jogos. decidiu esconder o corpo. Para isso ças é se tornarem cada vez mais A tecnologia foi uma grande ali- ele teria tirado as roupas do colega propensos a retaliação. e serrado suas pernas. “Li em algum lugar esses dias uma piada soEssas pessoas são mais O fato chocou e copredispostas a reagir a bre essa situação que falava ‘Sempre joguei moveu os blumenauenqualquer agressão ao Fifa e mesmo assim não sou um jogador de ses. invés de evitar confli- futebol”. Guilherme Luiz Krug, jogador Alguns jogadores tos. Porém, isso não mais experientes e de quer dizer que jogador longa data não acredivai sair por aí e matar outras ada, principalmente com a vinda tam na possibilidade de haver alpessoas, ou então sair correndo internet. E tudo isso fez com que guma ligação entre assassinatos e pelas ruas achando que estão em a mídia sempre falasse dos games. videogames. O Editor de Vídeos, uma corrida maluca. Seja do lado positivo, ou negativo. Guilherme Luiz Krug, de 23 anos, Caroline reforça o lado po- Muitas das notícias estão relacio- acredita que os games não têm a sitivo dos videogames na vida das nadas a crimes. O caso mais recen- mínima influência negativa em pessoas. “Acho importantíssimo te é do menino Marcelo Pesseghi- cima de qualquer usuário. “Exressaltar que os jogos também têm ni, de 13 anos, acusado de matar istem alguns estudos provando que muitos benefícios: a maioria dos os pais, avó e tia em São Paulo. o videogame exer-ce influência de pesquisadores acredita hoje que De acordo com o laudo psicológio videogame aprimora nossas ha- co do adolescente, há indícios de bilidades visuais e espaciais, nossa que o jogo Assassin’s Creed, um capacidade cognitiva (memória, dos seus preferidos, onde conta a atenção e concentração), aumenta- história de um matador, foi um, enmos nossa habilidade de pensar tre outros fatores que teriam motiestrategicamente e de resolver vado o massacre. Se você acha que problemas. Alguns estudos mais essas situações acontecem apenas novos apontam que alguns jogos em outros Estados ou países, pode nos ajudam a selecionar melhor as Os jogos sempre deixaram Guilpessoas com quem queremos nos herme mais calmo. As missões relacionar” diz. impossíveis eram realizadas com sucesso e alegria contagiante. Ainda de acordo com a


forma positiva na criança, aumenta a criatividade, é um exercício de lógica e em alguns casos até ensina uma língua estrangeira, como o inglês. Li em algum lugar esses dias uma piada sobre essa situação que falava ‘Sempre joguei Fifa e mesmo assim não sou um jogador de futebol”, ressalta. Já para o represen-tante comercial, Michael Thiago Roncaglio, o que mais pesa na infância é um ambiente familiar saudável. “Se o local onde a criança se desenvolve for violento pode sim influenciar. Nesse ponto para mim, o jogo sempre foi um meio para despejar qualquer tipo raiva e não ao contrario” ressalta. A psicóloga explica que crianças com o quadro de Transtorno Desafiador Opositor, que mais tarde pode evoluir para uma psicopatia, já demonstram comportamentos agressivos e violentos independente dos jogos, apenas

podem reforçar. Mas existem outras condições muito mais ambientais. “As referências que a criança tem também são cruciais. É imprescindível que a família explique para a criança o que é bom e ruim, as conseqüências das nossas ações, o limite entra o que é fantasia e o que é realidade além da habilidade de resolver problemas e lidar com conflitos”, diz. Muitas crianças demonstram dificuldade em distinguir realidade de fantasia, assim possuem um comportamento influenciável. Caroline reforça que é sempre importante deixar claro que é tudo muito relativo, cada pessoa, cada família, é um caso diferente.

necessário, é interessante procurar a ajuda de um profissional. Na maioria dos casos o passatempo nada mais é do que uma válvula de escape de outras coisas que incomodam o jogador, assim como o uso livros, filmes ou seriados. A conversa é sempre o melhor remédio para se evitar situações desagradáveis. E foi assim que aconteceu na casa da família Ruschel. Todos os novos jogos de Eduardo são vistoriados pela mãe. Ela acompanha de perto para que nada de assustador aconteça. O pequeno se sente mais seguro em seus novos desafios. Com o passar do tempo ele vai entrar em novos mundos e lugares mágicos. Assim vai esquecer aquela imagem assusYou Win, Perfect tadora e sonhar que é um herói em busca da amada princesa presa no É importante que os pais castelo. estejam sempre atentos quanto às atitudes das crianças. Caso seja

Dicas da Psicóloga 1) Participar mais da vida dos filhos. Hoje em dia, com a quantidade de coisas que precisamos fazer e de que precisamos nos ocupar, acabamos - nem sempre conscientemente - participando ativamente das vidas deles, do que eles gostam e não gostam, quais seus interesses, o que eles pensam e sentem sobre os mais variados assuntos; 2) Preste atenção no seu cotidiano. Se você está o dia todo fora e seu filho tem acesso livre ao videogame e ao computador sem controle algum, e isso já é um hábito, não vai ser gritando ou impondo, de uma hora para outra, que ele vai mudar esse comportamento; 3) Se há uma alteração visível no comportamento do seu filho, considere todas as outras variáveis além do videogame: existem problemas em casa como divórcio, dificuldades financeiras, ou brigas? Na escola existe bullying, notas baixas, uma paixão não correspondida? Ou em outras áreas. É comum que o videogame não seja o problema, mas uma forma de aliviar e esquecer o problema. 4) Uma última dica importante: procure não se desesperar e nem partir para conclusões precipitadas, é comum que os pais maximizem o problema e esperem o pior. Procure observar seu filho, observar o que ocorre em casa e na escola e procurar ajuda especializada. 10


Uma promessa feita por uma menina aos sete anos de idade foi o principal motivo da existência da ONG Amiguinho Feliz, que hoje oferece a 187 crianças uma chance de ter um futuro melhor. Jucieli Linhares Martins “Hoje posso fazer pelas crianças o que ninguém fez por mim na minha infância”, disse Úrsula Trude Richter, fundadora da ONG Amiguinho Feliz na cidade de Blumenau, Santa Catarina, ao afirmar que encontrou a sua missão de vida. Úrsula nasceu na Alemanha ex-comunista, e aos dois anos foi viver em orfanato com seu irmão de quatro anos, por desejo de sua própria mãe. O relacionamento entre as duas nunca fora dos melhores. Já vivendo no orfanato, uma vez por mês, voltava ao seu antigo lar para visitas. Embora a visita fosse mais uma prestação de serviços através da faxina para toda sua família do que uma confraternização familiar. Por incontáveis momentos, sofreu pela falta de afeto e carinho e pelos olhares indiferentes vindos da mãe. Conta ela que a maneira de ser punida era a abstinência de diálogo. Certa vez, como castigo por algo que fizera de errado, a mãe a ignorou durante um mês inteiro, fato que a machucou profundamente. Além dessas, existiram outras carências emocionais talvez superadas, porém, ainda não esquecidas. A infância de Úrsula foi conturbada por momentos difíceis, especialmente em da-

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tas comemorativas. O primeiro brinquedo que ganhou aos sete anos de idade pelo filho do vizinho, era um aviãozinho de papel, mas que até hoje, ela relembra com carinho. Aos 24 anos, vivendo então no Canadá, foi quando ganhou o primeiro bolo de aniversário. Apesar de todas as dificuldades encontradas, tanto emocionais quanto financeiras, Úrsula Trude Richter, aos sete anos de idade, prometeu a si mesma que um dia daria paras as crianças todo amor, afeto, comida e brinquedos que haviam lhe faltado na infância. Promessa hoje cumprida com muito esforço e dedicação de quem doou parte de sua vida para ajudar as crianças carentes de Blumenau, através do Centro de Educação Infantil Amiguinho Feliz. Úrsula nasceu e cresceu na Alemanha Oriental, porém, mudou-se para o Canadá em 1967, naturalizando-se canadense. Formada em enfermagem, fala emocionada de seu encontro com Deus em 25 de março de 1971, quando firmou a promessa em que se mostraria a disposição Dele para ser usada como instrumento de seu amor. Ainda no Canadá conheceu uma blumenauense que lhe fez um convite para trabalhar no Brasil,

em uma creche de crianças carentes. A princípio pediu tempo para refletir, mas lembrou-se de imediato da promessa feita a Deus e aceitou o convite sem relutâncias. Aproveitando suas técnicas de enfermagem, prestou serviço voluntário durante dois anos e meio ao Lar Betânia de Blumenau. A Amiguinho Feliz era algo que não estava claro nos planos de Úrsula, mas já fazia parte dos planos que Deus havia lhe reservado. Quando saiu do Lar Betânia, alguns pais a procuraram e foi o ponto de partida para o belo projeto que segue a todo vapor até os dias atuais. Começou cuidando de quatro crianças, e quando o número aumentou, correu atrás de todos os papeis pra regularizar a creche, fundada em 15 de novembro de 1982. Conseguiu apoio da prefeitura de Blumenau, da Secretaria Estadual e do Desporto além de algumas empresas. “O principal objetivo da entidade é atender as crianças carentes em todos os sentidos: financeiro, emocional e espiritual, por esta razão não é feita nenhuma distinção quanto ao nível social e o tratamento é dispensado a todos de maneira igualitária”, garantiu ela. Desta forma, Úrsula cumpre diariamente a promessa

Foto: Reprodução

GERAL

Você já encontrou sua missão de vida?


feita a si mesma enquanto ainda era garotinha. Explica que a equipe procura dar bastante apoio emocional para as crianças, falando muito do amor de Deus, entretanto, sem citar religiões. E toda quarta-feiras das 17h30 às 18h20, é realizado o “Encontro com Deus”. São reflexões, pedidos e orações envolvendo todas as crianças, pais e os interessados em participarem.

“ Hoje posso fazer pelas crianças o que ninguém fez por mim na minha infância”. Úrsula Trude Richter, fundadora da Ong Amiguinho Feliz.

No momento, são 187 crianças divididas em educação infantil (de zero a seis anos) e apoio escolar (acima de seis anos) que vão à escola num período e no outro se encaixam na jornada ampliada, onde fazem as tarefas escolares e desenvolvem atividades relacionadas a música, esporte, arte, teatro, cidadania entre outros. Ao invés de ficar em casa, ou brincando na rua enquanto seus pais trabalham, essas crianças estão em segurança e desenvolvendo atividades socioeducativas que farão toda diferença em seu futuro. A ONG se mantém com apoio de algumas empresas. Há contribuição da assistência social e do departamento da Educação para as crianças de 0 a 6 anos. Grande parte dos pais também contribui com um valor simbólico para as despesas das crianças até os seis anos de idade, além de convênio com o governo federal, e várias empresas que ajudam com roupas, comida, brinquedos e objetos duráveis como móveis (geladeira, colchões). Entretanto, as dificuldades financeiras encontradas pela creche são muitas. O valor

pra completar os gastos por mês, sem imprevistos, varia em torno de R$10 mil, por isso Úrsula conta que o grupo está sempre mobilizado com bazares, rifas, venda de cachorro quente, além de fazerem pão caseiro para vendas semanais. São 32 funcionários para o pagamento mensal, mais a manutenção da ONG, além de alimentos e produtos higiênicos para as crianças. No entanto, o mês de setembro trouxe uma vitória para a Amiguinho Feliz, já que pela primeira vez, foram contemplados com o bazar da receita federal. Todo o lucro será usado para a reforma da creche e construção de um novo berçário para os pequeninos de 0 a 1 ano, realizando um dos sonhos de Úrsula. A simpática senhora de serenos olhos azuis revela-se possuidora de muitos sonhos. Fala emocionada de um, especificamente. Encontrar as crianças que cresceram na ONG e sentir nelas o resultado do trabalho feito com tanto amor. A ex-enfermeira, que desde o início da entrevista citou a palavra Deus e a missão recebida Dele, não deixa dúvidas que encontrou seu lugar no mundo. “Estar entre as crianças e garantir que ela tenham todo apoio necessário para ser tornar pessoas virtuosas, pessoas essas que enfeitam o mundo com suas belas atitudes. Hoje, sinto que estou cumprindo minha missão. Nunca fui casada e não tive filho biológico, porém sinto-me realizada com os meus 187 filhos de coração”, disse, emocionada. Úrsula também menciona que acertou as contas com seu passado. Há aproximadamente 15 anos viajou para Alemanha, visitou sua mãe biológica e fizeram as pazes. “Perdoamos uma a outra e foi lindo! Agora posso dizer: Eu tive uma mãe”.

Foto: Airu

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

As ONGs de Blumenau O trabalho desenvolvido por ONGs, creches e centros educacionais para crianças e adolescente carentes na cidade de Blumenau faz uma grande diferença para o futuro da nossa cidade e país. A maioria das ONGs voltadas a crianças e adolescentes dividem da mesma preocupação: ajudar os pequenos desfavorecidos tanto

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financeiramente quanto emocionalmente, através de orientações, de interação social, dando-lhes suporte e ao mesmo tempo com um trabalho de direcionamento com a intenção de ajudá-los a se tornar futuros bons cidadãos e sobretudo passar adiante esses bons ensinamentos para seus filhos. Um grande exemplo disso é a Associação Assistencial Lar Betânia que surgiu em 1979 depois de um incidente que vitimou duas crianças que estavam sozinhas em casa, enquanto seus pais trabalhavam. A comunidade da Igreja Assembleia de Deus, sensibilizada com o ocorrido, através de um membro de sua diretoria, foi em busca de auxílio para a implantação de uma creche para atender crianças que não tinham um lugar seguro para ficar. Após a construção da primeira unidade, com auxílio de países como Canadá, Alemanha, Holanda, em janeiro de 1988 foi construída a unidade 2 - Lar Bethel, com sede em outro bairro onde a vulnerabilidade também é grande. A entidade, nas duas unidades, atende atualmente cerca de 400 crianças e adolescentes nas modalidades de Educação Infantil e Jornada Ampliada. Seu principal objetivo é proporcionar em tempo integral atividades sócio-educativas e psicossociais que visem o desenvolvimento holístico e harmônico das crianças, respeitando-as em suas fases de desenvolvi-

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mento e na sua individualidade, defendendo também seus direitos e a vivência da cidadania sendo a entidade um espaço onde a criança e o adolescente construa seus conhecimentos e amplie suas experiências. Atuante em Blumenau a Associação Blumenauense de Amparo aos Menores (Abam) é outro exemplo. Uma Organização NãoGovernamental (ONG) com sede na cidade de Blumenau há mais de 50 anos, atua com o trabalho preventivo e educativo de resgatar e integrar crianças e adolescentes, acreditando na premissa de que “Educando nossas crianças não puniremos os homens de amanhã”. O propósito é único, oportunizar e reintegrar as crianças e os adolescentes de ambos os sexos, proporcionando seu desenvolvimento rumo à conquista da cidadania e o convívio familiar. Através de seus programas de educação e lazer, a Abam atende hoje cerca de 130 crianças e adolescentes, embora os estudos feitos na região mostraram que o número de crianças e adolescentes pode ser aumentado para 400, o que não acontece devido a inviabilidade financeira no momento. As crianças e adolescentes atendidos pela entidade vêm de famílias onde há um único provedor de sustento e a renda per capita não chega a ¼ do salário mínimo, com condições de moradia pre-

cárias. Os principais parceiros da Abam são Instituto C&A, Celesc, Ceasa e Conabe. Com o objetivo de promover o desenvolvimento integral através da interação, formando cidadãos ativos e transformadores da sua realidade, a Organização não governamental (ONG) São Roque surgiu através de um grupo de senhoras voluntárias de Blumenau. Busca desenvolver a criatividade, expressão de pensamento e de habilidades motoras, fornecendo condições de formação do ser humano ativo e crítico. Atualmente a entidade atende crianças e adolescentes de 0 a 14 anos de idade, na modalidade de Educação Infantil e no Programa Jornada Ampliada, incluindo crianças e adolescentes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil em período de contraturno escolar. A organização conta com duas estruturas físicas. Uma delas é o Centro de Educação InfantoJuvenil I São João (sede) no bairro Itoupava Norte. A outra é o Centro de Educação Infanto-Juvenil II Santa Terezinha, situada no bairro Escola Agrícola. O trabalho incentivador desenvolvido por essas ONGs é de extrema importância para os pequenos. As crianças de hoje serão os grandes homens de amanhã. Os homens que decidirão o futuro do nosso país.

Foto: Reprodução


ONGs atuantes na cidade de Blumenau voltadas para atender crianças carentes Associação de Cegos do Vale do Itajaí (Acevali) Associação de Cegos do Vale do Itajaí tem por finalidade oferecer serviços e/ou ações que venham garantir a pessoa com cegueira total e/ou com baixa visão, habilitando ou reabilitandoa para que possa desenvolver suas potencialidades e habilidades, bem como contribuir para sua plena autonomia pessoal, familiar e comunitária.

ONG Viveno Amando e Aprendendo (VAA) Tem a fundação de auxiliar crianças e adolescentes com câncer, bem como suas famílias. Sensibiliza e conscientiza a sociedade para os problemas sociais relacionados as crianças e adolescentes atingidos pela doença, fazendo parcerias, encontrando patrocinadores e voluntários, dispostos a fazer parte da nossa missão. www.ongvaa.org.br

Legião da Boa Vontade (LBV) É uma associação civil de direito privado, beneficente, filantrópica, educacional, cultural, filosófica, ecumênica e altruística, sem fins econômicos, reconhecida no Brasil e no exterior por seu trabalho socioeducacional. Sua missão é: Promover Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, na formação do Cidadão Planetário. Na cidade de Blumenau, o Centro Comunitário e Educacional da Instituição está localizado na Rua República Argentina, 2551 Ponta Aguda. Telefone: (47) 3322-1480. Portal: www.boavontade.com.

Associação Blumenauense de deficientes físicos (Abludef) Entidade não governamental, sem fins lucrativo, especializada no atendimento especializado e políticas públicas pelas pessoas com deficiência física e suas famílias.

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CAPA

Milhares de crianças e adolescentes aguardam por uma família, porém a adoção ainda não é um ato comum no Brasil

Adoção:

O parto de coração Gabriela Ronchi de Souza

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Foto: Guilherme Krug


Maquiagem, sapato maior que os pés, pulseiras que escorregam pelas mãos e a boneca no colo, sendo embalada como um bebê. É assim que agem as meninas quando crianças, se espelhando em suas mães, e aprendendo desde pequenas a serem como elas. Quando crescem, a vontade de gerar um filho aumenta e segue com elas até o chegado dia, em que o exame diz positivo, e é descoberta a gravidez. É então a hora de escolher entre o parto normal ou cesariano. Mas por que não escolher o parto de coração? Adotar, no dicionário, significa: direito de admitir legalmente como filho e filha, escolher, tomar. Na realidade adotar é a tradução para amar, independente de sangue ou de cor. Não é difícil encontrar alguém que adotou ou é adotado, mas não é fácil encontrar quem aceite a ideia facilmente. Para que o ato aconteça é preciso pensar muito e são diversas as etapas para que o objetivo seja alcançado. Adotar não é algo muito cogitado entre as famílias, mas há circunstâncias que levam casais a pensarem no assunto. Após muitas tentativas de engravidar, Janaina Antunes de Oliveira Schneider, 37, dona de casa, resolveu adotar uma criança, ela e seu marido Valmor Guilherme Schneider, 43, técnico contábil, entraram para fila de adoção do fórum da cidade de Joinville (SC), mas a longa espera os fez perder a esperança. Quando já não acreditavam mais na possibilidade de conseguir, uma notícia muda o rumo da situação. “Um dia à tarde minha cunhada ligou, dizendo que conheceu uma moça grávida que queria dar a criança, por falta de condições, porém ela já estava de oito meses” contou Janaina. O casal não hesitou e foi conhecer a mulher, e logo no dia seguinte a

levaram para fazer o ultrassom, e saber o sexo do bebê. Um mês depois nasceu João Guilherme Schneider. O casal entrou com o processo no fórum, para adquirir legalmente a criança e após seis meses compareceram a audiência. “Nesse dia meu coração ficou trêmulo, eu fiquei apavorada, com muito medo de perder o João, pois corríamos o risco do juiz tirar ele de nós, ou a mãe biológica o pedir” contou. “Mas após muitas perguntas o juiz, que era um homem muito sério, bateu na mesa, e disse: Não adianta mais se arrepender, não tem mais volta” concluiu. Hoje, João Guilherme tem três anos, é um menino saudável, amado e aceitado por toda a família além de muito carinhoso com seus pais. A adoção consensual ou adoção pronta, como a que aconteceu com a família de Janaina, na qual a mãe biológica decide para quem entregar o filho, é um caso polêmico. O juiz é quem decide, há aqueles que negam por acreditarem ser uma adoção induzida e por não poderem avaliar previamente a família escolhida, e há aqueles que acreditam ser melhor, pois assim será preservada a relação entre elas.

começar o processo, é necessário seguir algumas regras: ser maior de idade, e 16 anos mais velho que o adotando, independente de estado civil, comprovar estabilidade familiar e ser considerado apto pela Vara da Infância e Juventude. Tendo esses dados confirmados, a pessoa interessada deve procurar o Fórum do município onde reside, e assim se inscrever no Cadastro de Pretendente à adoção. (informações no Box) Com o cadastro feito, é chegada à hora de esperar. O tempo é variável, a principio será analisado na comarca mais próxima, o adotando que segue o perfil estabelecido, quanto menos restrições houver mais fácil e rápido será. O processo varia ainda mais de acordo com a idade da criança, pois às maiores de dois anos devem ter um acompanhamento de estágio maior. É chamado de estágio o tempo que os futuros pais têm para começar a se relacionar com os futuros filhos e assim iniciar uma relação. Conforme for a empatia de um para com o outro, a adoção prossegue, ou não acontece. Além de a família gostar da criança, o contrário também deve acontecer; Nos perfis traçados por quem pretende adotar, são poucas as pessoas que cogitam adotar mais do que um. Quando a crian“A minha vida antes dela era muito ças têm irmãos, a justiça prefere sem graça, eu não tinha por quem lunão afastá-los, dando preferência tar ou conquistar as coisas. Havia um para que sejam adotados juntos vazio muito grande dentro de mim, pela mesma família. Porém se a mas, graças a Maria, tudo mudou. mesma não puder adotar todos, Hoje eu me sinto super realizada, sou é procurado quem se compromuito feliz” meta a deixar os irmãos manter Maria Cecilia Bürger, 51 o laço, mesmo que vivendo em famílias diferentes. Além desse caso, crianças maiores de três anos também aguardam por mais Verdades e Dificuldades tempo pela adoção. Normalmente as pessoas preferem adotar os be Quando uma família decide bês, descartando as crianças que já adotar, inicia-se uma trajetória cer- passaram dos dois anos. cada de burocracia e espera. Para Quando Lourdes Simas

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Foto: Reprodução

Peixoto, 62, aposentada, já tinha uma filha de 24 anos, e estava no auge dos seus 44 anos, seu marido, Carlos José Peixoto, 62, aposentado chegou em casa com uma proposta: queria adotar um menino. A criança vivia sob a guarda de um colega de trabalho, que não o queria, e sempre que podia oferecia para os demais. Até chegar ao lar de Dona Lourdes, o pequeno André Luiz Simas Peixoto, 24, emplacador, na época com quatro anos, já havia passado por quatro famílias, que sempre se recusavam a continuar com ele. A simpatia do garoto con-

Janaína, João e Valmor quistou a todos logo de início. “Quando ele chegou lá em casa, no primeiro dia ele já me perguntou se podia me chamar de mãe, e se moraria conosco pra sempre”, contou emocionada Dona Lourdes. Ela zelou por ele principalmente na adolescência para que fosse um menino responsável e consciente. Hoje, André é motivo de orgulho, “o André é muito trabalhador, muito esforçado, tudo o que ele faz é bem feito. Além do mais agora, ele vai ser papai” comemorou a mãe.

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O outro lado Recentemente em uma novela da rede Globo, Salve Jorge, o tema adoção foi abordado pela personagem Aisha, interpretada pela atriz Dani Moreno. Na história fictícia, Aisha foi adotada quando bebê, porém sua adoção só foi revelada quando a menina já estava adulta. Revoltada com a situação resolveu procurar sua família biológica, que por sua vez era de realidade completamente diferente da dela. O choque foi grande, mas a personagem conseguiu construir uma relação de carinho com a família que procurou. Ao contrário da história da personagem Aisha, a mãe de Maria Carolina Bürger, 17, estudante de serviço social, decidiu contar para filha o quanto antes. “Não lembro muito bem quando minha mãe me contou que eu era adotada, pois ela sempre me falava isso, desde bebê; eu acho que ela tinha medo que eu descobrisse mais tarde” relata. Além disso, Maria Carolina, diz não conseguir se imaginar em outro âmbito familiar, “Sempre faço questão de agradecer minha mãe por ter me adotado”, conta. Assistentes sociais recomendam que o adotante saiba o quanto antes sua verdadeira história, sem rodeios, da forma mais natural possível. É necessário que mesmo criança eles saibam sua origem, evite que eles descubram através de terceiros, para que isso não cause danos psicológicos. É o que preveniu a dona de casa Janaina. “O João me perguntou se ele nasceu da minha barriga, e eu contei: você tem duas mamães, a da barriga e eu que sou do coração”, explicou. Os filhos adotivos, em sua maioria, passam por situações constrangedoras, a descriminação é feita principalmente na família. São excluídos ou são motivos para piadas, por terem essa condição.

O estudante de jornalismo, Lucas Baldin, 19, foi adotado quando bebê e sua família nunca escondeu esse fato dele, mas ele conta: “já me senti diferente por ser adotado. Lembro que eu fui a uma reunião de família por parte de mãe adotiva e eu me senti um peixe fora do aquário. Fiquei sentando no meu canto, e não me sentia parte daquilo”, comentou Lucas. A estudante Maria Carolina também passou por uma situação parecida. “Quando eu tinha uns cinco anos, meu primo me deixava meio desconfortável com a minha adoção, ele fazia brincadeiras sem graça, do tipo, você não tem meu sangue e você não é da minha família; claro que eu ficava triste com as brincadeiras, mas isso passava. Agora somos amigos, e nos damos muito bem”, contou. O desconforto passa com o tempo, e a relação de adoção se torna algo natural na vida dos pais e filhos, afinal, adotar é como ter um filho biológico, para sempre, não há volta. Amor incondicional Apesar das dificuldades, adotar é sinônimo de gratidão. Quem adota, aprende que o amor é algo puro e que vence barreiras, e quem é adotado compreende o verdadeiro significado de família. Todos têm algo a contar, mas quem passa por essa situação parece ter ainda mais orgulho da sua história. “Bem, eles são tudo pra mim. Meus pais adotivos fizeram tudo por mim e sempre me deram amor, sempre quiseram que eu pudesse ter a melhor chance. Sou eternamente grato a eles”, contou o menino Lucas. “Eu pretendo adotar, independente de condição sexual, eu acredito que é um ato de amor verdadeiro” concluiu emocionado. De acordo com o ultimo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizado em 2011, estavam cadastradas para


adoção 28 mil crianças. O processo é demorado e criterioso, mas vale à pena esperar, se há o interesse real de trazer para sua família um novo integrante. Por vezes, há pessoas que pensam que a adoção é criar o filho dos outros, que não é possível amá-los como aos filhos biológicos, que adotar é caridade. Mario Hildebrandt foi Secretário de Assistência Social da cidade de Blumenau (SC) por sete anos, e em sua função acompanhou diversos casos. “A adoção não é meramente um ato de amor, mas a construção de uma família.” Para Hildebrandt é extremamente necessário que a criança se sinta acolhida pela família, porém o processo para que isso aconteça é por vezes muito complexo. “Se há o desejo de adotar, é necessário que aconteça mudanças no âmbito familiar de quem planeja. Muitas vezes as pessoas não se preparam para isso, principalmente para que tenham tempo de abraçar, dar carinho, mas também de cuidar, levando a tratamentos psicológicos e médicos” afirmou. Para ele, o grande desafio da adoção é a formação de vínculos familiares. Quando bem instituído esse vínculo, nascem histórias como a de Maria Cecília Bürger, 51, autônoma, e mãe de Maria Carolina, uma prova de que esse ato de amor, é capaz de transformar uma história. “A minha vida antes dela era muito sem graça, eu não tinha por quem lutar ou conquistar as coisas. Havia um vazio muito grande dentro de

mim, mas, graças a Maria, tudo mudou. Hoje eu me sinto super realizada, sou muito feliz” conta Maria Cecília. E, complementa “eu tenho muita sorte por tê-la ao meu lado” comemorou. A filha responde: “costumo dizer que Foto: Reprodução tenho muito orgulho da minha história, mas eu tenho orgulho mesmo é da minha mãe. Ela é minha vida, eu não consigo imaginar um dia sem vê-la, sem abraçar, beijar e sem dizer que eu a amo muito” emociona-se Maria Carolina. São histórias regadas à esperança e amor. Histórias essas que servem de inspiração para que mais pessoas tenham vontade de adotar, aliás, nunca é tarde para isso. Não há limite de idade para ser tornar pai adotivo, não depende de estado civil, e nem importa se a pessoa já possui filhos biológicos, o pré- requisito é estar disposto a abrir o coração para que nasça o filho fruto deste ato. Janaina e seu esposo Valmor explicaram o que é a adoção para eles. “É um sentimento que nasceu verdadeiramente em nosso coração, como se ele tivesse nosso sangue, nós o amamos” e Janaina finaliza revelando: “Sabe, descobri que agora eu posso engravidar, mas quero outro filho adotado”.

Maria Carolina e Cecília

Para Preencher o Cadastro de Adoção, dirija-se ao Fórum da cidade residente com os seguintes documentos: • RG; • CPF; • Requerimento conforme modelo; • Estudo social elaborado por técnico do Juizado da Infância e da Juventude do local de residência dos pretendentes; • Certidão de antecedentes criminais; • Comprovante de residência; • Comprovante de renda mensal; • Certidão de casamento (ou declaração relativo ao período de união estável) ou nascimento (se solteiros) • Demais documentos que a autoridade judiciária julgue pertinente. OBS.: Os documentos deverão ser apresentados em original ou fotocópia autenticada.

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Como esta revista é resultado do trabalho de acadêmicos, vem a calhar umas considerações sobre aqueles que lhes dão aula, mais conhecidos como “profes”, e o ensino. Como base, temos um índice sobre a valorização dos professores divulgado no início de outubro pela fundação Varkey Gems, sediada em Londres. O ruim de falar sobre isso é que estamos mal na fita. Nesse ranking, em que foram levados em consideração o status do professor, o que ele recebe pelo seu trabalho e a organização do sistema de ensino, ficamos em penúltimo lugar. O Brasil foi o único latino-americano entre os 21 países analisados, mas temos que admitir que se nossos vizinhos estivessem nesse ranking, certamente seria na nossa frente. Prova disso é que uma pesquisa da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) sobre qualidade de educação, divulgada em novembro de 2012, deixou o Brasil em penúltimo também. Nesse ranking havia 40 países, sendo que, melhor do que nós, estavam todos os demais latino-americanos submetidos à pesquisa: Chile, Argentina, Colômbia e México. Fundações e organizações estrangeiras adoram fazer ranking de tudo, e nem bem sabemos se são confiáveis ou não, usamos seus dados como parâmetros. De qualquer forma, pelo nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apontado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, dá para ver que chafurdamos sempre entre os piores. Ainda bem que esse ranking sobre

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a qualidade de educação foi só de 40 países e o de valorização dos professores só de 21. Se tivessem mais países, o vexame seria maior. Dá para concluir que tanto em um quanto no outro o Brasil não faz por menos: se esforça para estar entre os últimos. É crueldade dizer isto? Claro que não. Alguém aí já viu o Brasil estabelecendo a educação como prioridade? Isto nunca existiu. Certamente estou me referindo ao ensino público, que é dever do Estado.

Educação, que é a base da construção de um país, sempre foi considerada artigo de terceira, desde que Cabral aportou aqui. Cabral, Pero Vaz de Caminha e o alto comando da esquadra portuguesa quando viram as índias peladas devem ter pensado: educação pra quê? As moçoilas ficam tão bem sem roupa... Voltando às tabelas, pensei numa forma de amenizar esta colocação vergonhosa. Então virei as duas relações de cabeça pra baixo, mas para isto tive que inverter também o objeto da pesquisa. Ficou pior. O primeiro ranking, foi a “Desvalorização dos professo-

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ARTIGO

Dá uma vergonha... ou não?

Eumar F. Silva res”: o Brasil, então, é o segundo país que mais faz os professores comerem o pão que o diabo amassou. O segundo ranking se tornou a “Falta de qualidade de educação”: mais uma vez nosso país lá, desfilando todo garboso, exibindo a medalha de prata. Se a Copa do Mundo de 2014 terminar assim, muita gente vai querer jogar a bandeira brasileira no lixo. O lado positivo Se considerarmos o esforço de instituições de ensino, em todos os níveis, que têm a qualidade como referência, podemos dizer, sem medo de errar, que modelo para um Brasil melhor existe. Basta a coragem e a vontade de fazer o que é preciso. Não se muda um país com uma varinha mágica, é preciso esforço e competência. É nisto que a nossa instituição está investindo e os resultados começam a aparecer. O ENADE, que é um dos indicadores da qualidade da educação superior no Brasil foi favorável ao IBES SOCIESC. Dos sete cursos submetidos à prova, dois tiveram pontuação máxima – Tecnologia em Logística e Tecnologia em Processos Gerenciais. Esse número corresponde a 28,5% dos cursos avaliados. A nota desses dois cursos foi 5. Os demais cursos ficaram com nota 3, que é a média. O trabalho que está sendo desenvolvido é para que todos os cursos tenham, no mínimo, nota 4 na próxima avaliação.


A discussão é antiga e já passou despercebida, mas atualmente ganhou proporções magnânimas. Afinal de contas, quem tem competência para falar sobre literatura? O bate-boca foi levantado há cerca de dois meses em canais no Youtube e blogs literários. É comum você navegar pela internet e esbarrar com resenhas de diversos livros. Opiniões que são favoráveis ou contrárias. O que gera comentários muitas vezes maldosos. Principalmente aqueles que são preconceituosos. A literatura é muito diversificada, são centenas de milhares de exemplares no mundo. Temos à disposição diversos gêneros e alguns nos agradam mais do que outros. Muitos leitores são ecléticos, vão dos clássicos aos eróticos, dos romances aos cômicos. Mas têm aqueles que preferem estar na onda do cult do que se jogar em algo alternativo. Cada um com seus gostos, certo? Há quem diga que o importante é ler, basta! É fato que a leitura tem estado mais presente na vida dos cidadãos. Aqueles que antes nem se quer chegavam perto de livros estão agora com eles na bolsa, em um

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COLUNA

Preconceito Literário

Diego Becker ônibus e na fila do banco. O que é maravilhoso. As pessoas estão lendo. Entretanto, sempre aparece um e outro bancando o sabichão. Prejulgando o que o colega do lado gosta. Será que realmente as pessoas que leem Machado de Assis, Fernando Pessoa ou Franz Kafka, que sabem tudo dos autores, têm realmente cacife para falar das obras deles? Por que a dona de casa, que se interessou por um dos livros não pode explanar sua opinião? Há quem diga que apenas estudantes de Jornalismo ou Letras podem fazer críticas sobre suas leituras. Mas e aquele aluno de Administração que tem como passatempo os livros, por que ele não pode falar o que pensa? Isso nada mais é do que vaidade intelectual. Fica aí a reflexão para todos nós. Nem sempre para falar de um assunto precisamos ter conhecimento teórico. Com o avanço das tecnologias, as pessoas têm publicado ainda mais os seus pontos de vista das coisas na internet. No mundo literário não foi diferente. Todos com suas preferências de leitura. Meninas de 16 anos apaixonadas por vampiros que brilham, mulheres excitadas com histórias mais

quentes, bruxos encantam os rapazes e, claro, o velho e bom romance dos apaixonados. É importante frisar que quem determina o que é bom ou não é o próprio leitor. O admirável mesmo é ler. Você pode entrar em uma livraria, olhar as estantes e desfrutar de mundos impressos em folhas. Algumas capas chamam mais atenção do que outras. Há casos em que os títulos vão fisgar seus olhos. Não ter medo da escolha é o primeiro passo. Logo em seguida absorva cada página virada. No fim dê sua opinião. Ela é importante para o desenvolvimento da cultura, além de enriquecer a bagagem das outras pessoas e a sua. Leia e discuta o que aprendeu com sabedoria. Aprenda com sua opinião e dos outros. Não saia por aí desmerecendo os valores que diferentes leitores depositaram nas mesmas obras. Entenda que nem sempre sua verdade é a do outro. Preconceito já caiu de moda faz tempo! Lembre-se que não importa o estilo literário, livros não deixam as pessoas menos inteligentes.

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ARTE

Por trás das Belas Artes A arte plástica é a evolução das Belas Artes, que hoje foi democratizada na sociedade fazendo parte do homem e suas gerações Suelen Caroline Eskelsen

A arte não traz inspira- tempo ainda tenham surtido efei- tas pessoas encaram a atividade ção, ela é a inspiração. É parte to, os artistas continuam em busca artística e cultural como um asdos sentimentos que conseguem de valorização profissional. Por sunto “dos outros”, ou um comse expandir, em forma de cores e trás de todas as cores e sentimen- promisso “pra depois”: o valor da movimentos. É o que há tempos tos traduzidos para as pinturas, arte e da cultura em nossa sociese busca e não se consegue achar existe alguém que não precisa so- dade está em crise e sombreado nas palavras. É o que completa a mente da inspiração, mas também por outros valores”, analisa Pablo criatividade quando fica a espera do tempo. Não basta gostar do que dos Santos, um dos criadores do de projetos novos. O mundo sem faz, o objetivo de quem procura a site. E soluções para isso existem, a arte seria a arte sem o mundo. arte como profissão é se dedicar mas não dependem somente de Não poderia existir. Na arte as inteiramente a isso, é viver disso. um grupo, de acordo com ele, isso ideias são as melhores ferramen- A arte plástica também faz “deve ser tratado com a devida tas. O que separa um artista de um parte da política social, ela en- urgência e cuidado pelos goveramador não são somente os estu- volve a democratização do ‘pen- nantes e pelas diferentes entidades dos, mas a bagagem. Faz parte da sar’ e ‘sentir’. A importância de envolvidas”. essência, parte de uma metade de que a sociedade aprecie a cultura Sempre que se fala em alguém que não pode ser dividida. e a arte vai além dos benefícios in- arte, a maioria das pessoas acre Podemos dizer que a arte dividuais. Em Blumenau (SC), ela dita saber fazer. E afinal, superfiplástica caminhou lado a lado com ganha espaço em alguns eventos cialmente, quase todos conhecem o homem, em constante evolução culturais, mas muitos deles não a arte, ou já se envolveram com e na procura pela melhor forma chegam até o conhecimento da ela em algum período da vida. de expressar a poesia que circula população. E depois de reflexões O que existe por trás dela é bem em sua alma. Antes de existir to- sobre poucas divulgações destes mais complexo para quem não dos os materiais necessários para eventos, um grupo criou a Agenda conhece. A comunicação é a expoder ser um artista hoje, como o Cultural de Blumenau, onde deci- pressão que sustenta arte, mas ela computador, o lápis, as telas, as diram reunir todos os festivais da não se trata somente da criativitintas e os pincéis, a arte já existia. cidade e região, buscando ajudar dade. Ela faz parte da emoção e Antes que o homem conhecesse a a sociedade a criar hábito de fre- envolve a forma espiritual em que tecnologia, ele já conheas pessoas vêem a vida, cia suas emoções. Cerca Antes que o homem conhecesse a tecrefletindo com a história de 35 mil anos antes de personalidade de cada nologia, ele já conhecia suas emoções eum. Cristo nascer, esculturas já representavam a arte Por trás da arte na paleolítica européia. quentar esse tipo de programa. vive alguém procurando transfor Depois do período pré- Para os organizadores da mar um novo mundo, recriando o histórico, algumas mudanças Agenda Cultural de Blumenau, o mundo real nas pinturas. Embora conseguiram fazer desta arte uma único problema para que a arte se a arte tenha uma forma prazerosa profissão. Mesmo que as mani- torne hábito dos blumenauenses de estudo, o mercado de trabalho festações artísticas depois de tanto é a falta de compromisso. “Mui- é competitivo, como nas demais

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profissões. Alguns artistas estão a como profissão. Ela acredita que não se para, é tudo para ontem em muitos anos aprendendo técnicas não exista um determinado perío- uma corrida desenfreada que cone buscando viver da arte indepen- do de ‘formação’ mas quando se some a vitalidade das pessoas, e a dente, mas mesmo assim ainda passa por um processo seletivo, os arte faz você parar, pensar e falar não encontraram uma maneira de segmentos que contam são acima através da inspiração”, destaca. fazer dela o principal meio para de tudo, muita experiência. A arte plástica faz parte da sobrevivência. Enquanto outros, Para os artistas e pessoas natureza do Homem, da expressão em pouco tempo, conseguem que apreciam a arte, a expecta- da sua liberdade. Ela traz sentido fazer parte de acervos, centro cul- tiva é que ela se multiplique. Au- para a sociedade e simplicidade as turais ou fundações. Tudo coisas que se sente. É uma depende onde irá atuar. formas de eternizar o O valor da arte e da cultura em das A professora Ropensamento e a cultura do sinha Imthurm dá aulas de nossa sociedade está em crise e povo. Com a arte o Homem artes plásticas há 22 anos em sombreado por outros valores consegue se diferenciar dos Blumenau. Mais de 30 aludemais animais. Ele pode nos têm o prazer de estar em mostrar para todos o que contato com a arte por ano, apren- mentando a cultura e conhecimen- acontece em seu mundo interior dendo técnicas que são essenciais to por ela na sociedade. Imthurm e imaginário. A arte é a pureza, quando se busca o profissionalis- vê a arte como uma oportunidade que pode alcançar desde as mais mo. Alguns encaram a arte como de crescimento intelectual, que imensas até as minúsculas partes uma terapia, mas de acordo com nos trás a calma. “Uma neces- do universo, apenas com um pinImthurm, a maioria procura a arte sidade para os dias de hoje onde cel.

A expressão “Belas Artes” está relacionada à superioridade da estrutura de manifestações artísticas, que até meados do século XIX era considerada dignidade da nobreza. Ao contrário da arte enquanto profissão (como o design), as Belas Artes eram formadas por arquiteturas, pinturas e desenhos. Hoje também podemos chamar de Artes Plásticas, todas as expressões artísticas relacionadas a pinturas e desenhos.

Fotos: Suelen C. Eskelsen

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CINEMA

A VIAGEM Passado, presente, futuro, sonhos e esperança. O que determina o curso de nossas vidas.

Elize Casado

Viajar no tempo e poder mudar o curso da história são, além de sonhos da humanidade, coisas que consomem muitos cientistas de épocas diferentes. Desvendar o ser humano e o sobrenatural para alcançar a real felicidade e realização. Entender o que move o sentido da vida e quais os sentimentos que potencializamos para reger o nosso modo de viver e de convivência. A humanidade segue um curso natural para alguns e os que se atrevem a sair deste curso sofrem as consequências. E as marcas ficam em nós. Em A Viajem, através de várias histórias em épocas diferentes - passado, presente e futuro -, é mostrado que um simples

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ato pode atravessar séculos e inspirar uma revolução. Partindo do intricado livro de David Mitchell, Cloud Atlas, os irmãos Wachowski e Tom Tykwer escrevem um filme diferente de tudo que já vimos. Os diretores da trilogia Matrix conduzem esta história épica com bastante ênfase neste fato. O filme segue seis histórias que vão e voltam no tempo, com personagens que se cruzam, desde o século 19 até um futuro pós-apocalíptico, cada um deles narrador de sua história, de um simples viajante no Oceano Pacífico em 1850 a uma jornalista durante o governo de Ronald Reagan na Califórnia (EUA). Apesar de ocorrerem em épocas e países distintos, possuem uma interligação. No século 19, Adam Ewing (Jim Sturgees) é um advogado enviado pela família para negociar a compra de

novos escravos. Ao retornar para casa, ele salva um deles, Autua (David Gyasi), que o ajuda durante a viagem a escapar de Henry Goose (Tom Hanks), um médico que o envenenou. Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw) ajuda o também compositor, e já idoso, Vyvyan Ars (Jim Broadbent). Durante o trabalho, Robert encontra uma crônica escrita por Ewing em um jornal em meio aos livros de Ars. Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d’Arcy) quando o elevador em que ambos estão quebra. Tempos depois, ele a procura para revelar que estão encobrindo uma série de falhas no projeto de construção de um reator nuclear. Nos dias atuais, Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, que lançou um livro que, dificilmente, dará retorno financeiro. Entretanto, a situação muda quando o autor do livro mata um de seus críticos, tornando-se uma celebridade instantânea. Coreia do Sul (agora chamada de Nova Seul), futuro.


Sonmi-451 (Donna Bae) é um está conectado’. clone que trabalha em um res- A Viagem transmite taurante fast food. Ela foi pro- muitos tipos de sentimentos gramada para realizar todo dia ao telespectador. Muitos deles, as mesmas tarefas, sem manife- talvez nunca antes provados star qualquer reclamação, mas dentro de um mesmo filme. Soa situação muda quando outro mos imersos há tempos e pensclone acaba, sem querer, desper- amentos que remetem a uma tando-a sobre sua existência. análise do ser humano em vári Futuro. Nova Seul foi os aspectos. Como o destaque tragada pelas águas há 100 anos, que se dá durante o filme de o que fez com que o local viva que qualquer atitude nossa pode uma realidade pós-apocalíptica. influenciar positivamente ou Nesta época vive Zachry (Tom negativamente em nosso futuro. Hanks), o líder de uma tribo que Redenção, poder, inveja, suicívenera Sonmi como se fosse dio, raiva, passividade, amor, uma deusa. E é atormentado parceria, arte, etc. Está tudo lá por um demônio que ronda seus inserido para vislumbre dos que pensamentos. Sua vida muda conseguem ter a paciência e oquando Meronym (Halle Berry), lhar correto durante o filme, lique integra um grupo evoluído gando fatos, observando feições chamado Pree atitudes, scients, lhe descobrindo “A Viagem é como uma mistérios. pede ajuda e gloriosa loucura, às vezes Os fatos abrigo com sua tribo. atraente, às vezes impen- são jogados Com etrável, mas sempre muito a p a r e n t e personagens mente sem bem entrelaçada.” maravilhopreocupação sos, trilha socronológica Allan Hunter repórter Screen Innora incrível e sem uma ternational. e maquiagem conexão óbdigna, somos via entre arrebatados a nos tornarmos eles, mas é exatamente assim viajantes do tempo, envolvidos que a mente humana funciona. no processo de desvendar cada Algumas vezes ficamos pendetalhe. sando num assunto, e algo deste É preciso estar atento a pensamento nos faz lembrar um cada cena para entender e obter acontecimento passado, e então o real sentido da mensagem que nos recordamos de um plano ou foi transmitida e o que de rel- projeção para o futuro e já estaevante esta cena tem para com mos em outra realidade mental. o contexto geral do filme. O que O longa deixa claro que nos leva como viajantes dessas nossas vidas estão ligadas umas histórias a perceber que o que as outras e que não vivemos exparece desconecto na verdade clusivamente para nós. esta totalmente conectado. É Convido você a se tornar como a frase que é mencionada um viajante, ver e rever em cada no filme algumas vezes: ‘tudo situação a vida humana.

Fotos: Reprodução


Ficha técnica Diretor: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant, Ben Whishaw, Keith David, Jim Broadbent, James D’Arcy, Götz Otto, Zhu Zhu, Doona Bae, Xun Zhou, David Gyasi, Alistair Petrie, Daniele Rizzo, Brody Nicholas Lee, Mya-Lecia Naylor, Louis Dempsey, Robin Morrissey, Raevan Lee Hanan, Valerie Lillibeth, Laura Vietzen, Lyly Schoettle, Charly Yoon, Korbyn Hawk Hanan, Liz Strange, Barry Van Lee, Alexander Yassin Produção: Stefan Arndt, Grant Hill, Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski Roteiro: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski Fotografia: Frank Griebe, John Toll Trilha Sonora: Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer Duração: 172min. Ano: 2012 País: EUA, Alemanha, Hong Kong, Cingapura Gênero: Drama Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Anarchos Productions / Media Asia Films / X-Filme Creative Pool / Asacine Produções / Five Drops / A Company Filmproduktionsgesellschaft Site oficial: cloudatlas.warnerbros.com Fotos: Reprodução

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LAZER

Empresas abrem as portas para visitantes no

Roteiro das Cervejarias Artesanais Andressa Scaburri

Que tal apreciar a bebida mais consumida do Brasil em um trajeto que te leva a mais de dez lugares diferentes? É isso o que possibilita o Roteiro das Cervejarias Artesanais, composto por 11 cervejarias de Blumenau e região, que abriram as portas para mostrar aos visitantes os segredos da produção da cerveja.

Foto: Reprodução

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Blumenau (SC) é atu- posto por 11 fábricas localiza- ponsável por idealizar o projeto almente reconhecida nacional- das em Blumenau e também em e, na época da formulação dele, mente como cidade turística, cidades da região. No passeio, o convidamos todas as cervejarias tendo sido colonizada por imi- visitante tem a oportunidade de de Blumenau e região para partigrantes alemães há mais de 163 conhecer o processo de produção, cipar. Aquelas que se propuseram anos. Mas, mesmo depois de tan- além de provar a cerveja produ- e que tinham a infraestrutura neto tempo, o município ainda man- zida em cada lugar. Todas as 11 cessária para receber os visitantém vivos alguns traços da cultura empresas do roteiro seguem a Lei tes, entraram no projeto”, explica. alemã, tanto no trabalho e na vida da Pureza Alemã – Reinheitsge- Ela finaliza dizendo que todas social, como na arquitetura, nas bot -, que limita a produção para o as cervejarias participantes ofeartes e até mesmo na gastrono- uso de apenas água, lúpulo, malte recem extrema segurança para as mia. Entre estes costumes vindos e fermento. Criada em 1516, a lei pessoas e também contam com da Europa, está a fabricação de ainda vigora na Alemanha, proi- um guia para mediar às visitas, cerveja. Antigamente, havia mais bindo o uso de conservantes na e lembra que os passeios devem de 20 cervejarias artesanais na fabricação da bebida. ser agendados diretamente com a cidade, que produziam a bebida cervejaria que o participante dede forma caseira, e utilizavam-O Roteiro sejar visitar. na para abastecer eventos como bailes e festas familiares. O percurso projetado Participantes Hoje, a produção do líqui- contempla cervejarias de nove do já se concentra em grandes cidades de Santa Catarina. De Nove cidades de Santa empresas especializadas, mas acordo com Vânia Maria Gayo, Catarina têm cervejarias no roo apego do blumenauense às gerente de planejamento da Sec- teiro, fazendo jus ao título de tradições fez com que a cidade tur, com base em pesquisas rea- “Terra da Cerveja” que o estado repensasse seus valores. Assim lizadas e retornos recebidos das possui. A prioridade é de Blumesendo, Blumenau decidiu abrir as empresas, este é o roteiro mais nau, que tem três participantes: portas para que cerveBierland, Eisenbahn, jarias artesanais ressure Wunder Bier. Algugissem, desta vez com Todas as 11 empresas do roteiro mas das cidades viziforça total, conquistan- seguem a Lei da Pureza Alemã nhas também estão no do o público pela expercurso indicado pela (Reinheitsgebot ) que limita a celente qualidade. Cada Secretaria de Turismo, vez mais integradas produção para o uso de apenas com cervejarias locacom o turismo e a cullizadas nas cidades de água, lúpulo, malte e fermento. tura da região, algumas Gaspar, Jaraguá do Sul das dezenas de cervejae Pomerode. Em Gaspar rias de Santa Catarina está a Das Bier, em Jaradecidiram inovar ainda mais e visitado entre os sete que foram guá do Sul, a Königs Bier e, em resolveram começar a promover elaborados pela equipe da secre- Pomerode, está localizada a Cervisitações para que turistas e blu- taria. “Mesmo não tendo um con- vejaria Schornstein. menauenses possam conhecer o trole oficial do número de visitan- O roteiro contempla alprocesso, a tradição e a arte de tes, já que o contato deles é feito gumas das principais cidades produzir a cerveja. diretamente com as cervejarias, turísticas do estado, seja do norte Para os apreciadores da sabemos que a maioria das em- ou do sul de Santa Catarina. Um bebida mais vendida do Brasil, ou presas que fazem parte do roteiro, exemplo é a cidade de Forquilhimesmo para os curiosos quanto principalmente as de Blumenau, nha, considerada a mais alemã do à sua fabricação, a dica da Se- recebe visitas diariamente” conta sul do estado, onde está a Cervecretaria de Turismo de Blumenau Vânia, feliz com a boa aceitação. jaria Saint Bier, que também faz (Sectur), idealizadora do projeto, A gerente da Sectur res- parte do roteiro. Cervejarias de é um passeio por essas empresas. salta que, na criação do roteiro, Brusque, Timbó, Joinville e LonA atividade contempla o Roteiro a ideia foi focar no turismo re- tras são os últimos destinos sugedas Cervejarias Artesanais, com- gionalizado. “A Sectur foi a res- ridos pelo Roteiro das Cervejarias

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Artesanais. Em Brusque fica a Cervejaria Zehn Bier, em Timbó a Cervejaria Borck, em Joinville a Opa Bier e, em Lontras, fechando o trajeto, está a Holzweg. Segundo conta Eduardo Krueger, Sócio-gerente da Cervejaria Bierland, de Blumenau, uma das principais do Roteiro desenvolvido pela Sectur, a empresa não poderia ficar de fora do projeto inovador na cidade. “Com a Bierland sendo uma das maiores fábricas de cerveja da região, optamos por participar por Roteiro. O turismo vem crescendo muito na cidade, e essa iniciativa acaba por promover a vinda dos turistas até nós”, explica. De acordo com o gerente, a aceitação turística é grande. “Recebemos muitas visitas durante todo o ano, principalmente

em outubro, época da Oktoberfest. No próximo ano estamos até planejando ampliar a fábrica, e melhoraremos ainda mais a infraestrutura necessária para atendermos os visitantes, que sempre são bem vindos”, finaliza Krueger. A opinião dele também é compartilhada por Leandro Schmitt, gerente de produção da Cervejaria Das Bier, de Gaspar, que explica que a participação no Roteiro é, além de tudo, uma boa exposição para a marca. “Temos condições boas de atendimento ao público, e achamos uma oportunidade interessante para a Das Bier participar do Roteiro das Cervejarias Artesanais”, contou. Leandro também exalta que, mesmo não tendo um controle que meça a quantidade e faça uma estatística de visitan-

tes, o Roteiro oportuniza muitas visitas à Cervejaria. “Recebemos uma boa quantidade de pessoas, em sua maioria, turistas, finalizou. Para os amantes da boa cerveja, ou até mesmo para quem apenas gosta de um chope gelado, servido de maneira apropriada, esta é a dica da Revista INTERESSA, O Roteiro das Cervejarias Artesanais é a oportunidade de conhecer e aproveitar a gastronomia típica, e respirar a ainda forte cultura alemã do estado, tudo isso acompanhado da ótima receptividade do povo blumenauense e dos seus vizinhos. Entretanto, a dica mais importante de todas é outra: Se beber, não dirija!

Conheça os ingredientes necessários para fazer cerveja artesanal ÁGUA Antes de mais, necessita de água. Da torneira ou engarrafada, qualquer uma serve para fazer uma bela cerveja, Claro que quanto melhor e mais pura for a água, melhor ficará a sua cerveja! Se puder optar por água engarrafada, Use-a. É o melhor que pode fazer pela sua cerveja.

LÚPULO O Lúpulo é a flor de uma trepadeira com duas funções importantes, conferir à sua cerveja o seu amargo e boa parte do seu aroma, Quanto maior for a percentagem de ácidos alpha no lúpulo, mais amargor vai transmitir à sua cerveja. Além disso ainda ajudam a proteger a sua cerveja de infecções durante o processo de fermentação. Estão disponíveis em cone (flor) ou em pellets (aconselhados).

MALTE O malte não é mais que o nome dado aos grãos de cevada/trigo/outros cereais que foram submetidos a um processo de germinação/aquecimento de maneira a facilitar o acesso aos açucares e enzimas dentro dos grãos. Existem vários tipos de malte, bem como várias torragens a que são submetidos, o que vai dar origem a sabores, aromas e tonalidades diferentes à cerveja.

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Fonte box: Oficina da Cerveja/site

LEVEDURA A Levedura é que faz realmente a magia. São micro-organismos que vão transformar os açucares presentes no mosto em álcool (que se dissolve no líquido) e CO2 que é libertado. Leveduras diferentes dão origem a cervejas diferentes, com aromas e sabores distintos. E pensar que durante milhares de anos se fez cerveja sem saber como é que a magia acontecia.


Conheça as cervejarias do ROTEIRO

Cervejaria Bierland, localizada no bairro Itoupava Central, em Blumenau. O nome vem do alemão, e significa “terra da cerveja”, em homenagem a Blumenau. A fábrica, que conta com um bar anexo para que os visitantes possam degustar os chopes e cervejas fabricados no local, fica na rua Gustavo Zimmermann, nº 5361. As visitas podem ser agendadas pelo telefone (47) 3337-3100 e informações podem ser obtidas no site www. bierland.com.br.

Cervejaria Borck, inaugurada em 1996. Apesar da fábrica não possuir bar próprio, visitações podem ser agendadas através do e-mail cervejaria@borck.com.br. O contato com a cervejaria, localizada na rua Pomeranos, nº 1963, em Timbó, pode ser feito através do telefone (47) 3382-0857, ou do site www.borck.com.br.

A fábrica e a Cervejaria Das Bier ficam no bairro Belchior Alto, em Gaspar. O nome da empresa vem do alemão, e significa “a cerveja”. O local, edificado em estilo arrojado e cercado de verde, conta com bar coberto e deck com vista para um vale. A fábrica fica na rua Bonifácio Haendchen, 5311, e agendamentos podem ser feitos pelo telefone (47) 3397-8600. Informações adicionais estão no site www.dasbier.com.br.

Eisenbahn, localizada no bairro no Salto Weissbach, em Blumenau, e fundada no ano de 2002. A cervejaria produz uma variedade de 11 cervejas, e chega a comercializar aproximadamente 200 mil litros por mês. No Brasil, 17 estados consomem a marca, além dos EUA e da Suíça. A empresa fica na rua Bahia, nº 5181, e visitas podem ser agendadas pelo telefone (47) 3488-7371. Informações podem ser obtidas no site www. eisenbahn.com.br.

Cervejaria Holzweg, localizada em Lontras, na rua Paulo Alves do Nascimento, n° 387, no centro de Lontras. A cervejaria foi inaugurada em 2010, e nasceu com o objetivo de resgatar a tradição e cultura alemã na cidade. O agendamento para visitar o local, em estilo rústico e bastante nostálgico, pode ser feito pelo telefone (47) 35230277 ou (47) 8819-8817. O site para conhecer a empresa é o www.holzweg. com.br.

Königs Bier, única cervejaria de Jaraguá do Sul, inaugurada em 2007. O nome vem do alemão, e significa “cerveja do rei”, em homenagem aos reis e sociedades de tiro que preservam a tradição alemã na região. Para visitas, é necessário agendar previamente pelo telefone (47) 33705544. A fábrica fica na rua Erich Sprung, nº 215, e informações podem ser obtidas no site www.konigsbier.com.br.

Cervejaria Opa Bier, fundada em 2006 para resgatar a tradição joinvilense de produzir cervejas de qualidade incontestável. Visitas devem ser agendadas pelo e-mail visita@opabier.com.br, e o contato é o telefone (47) 3467-0090. A cervejaria fica em Joinville, na rua Dona Francisca, nº 11.560, e o site para conhecê-la é www.opabier.com.br.

Cervejaria Saint Bier, que produz chopes e cervejas com ingredientes importados, mantendo o método de produção artesanal. A fábrica fica na cidade de Forquilhinha, na Avenida 25 de julho, nº 1303, e visitas devem ser agendadas pelo telefone (48) 3462-3400. Outras informações podem ser encontradas no site www.saintbier.com.

Cervejaria Schornstein, fundada em 2006 e com sede na rua Hermann Weege, nº 60, na cidade de Pomerode. O prédio que a abriga é tombado pelo patrimônio histórico e tem mais de 50 anos de existência. As visitas devem ser agendadas pelo telefone (47) 3387-6655, e informações estão disponíveis no site www. schornstein.com.br.

Wunder Bier, situada no bairro Fortaleza, em Blumenau, e fundada em 2007. O local abriga, além da fábrica, um grande espaço em estilo rústico, que sedia o bar e também vários eventos da região. Vários tipos de chopes são oferecidos aos visitantes, que podem agendar a visitação pelo telefone (47) 3339-0001. Quem quiser conhecer a cervejaria pode acessar o site www.wunderbier.com.br.

Cervejaria Zehn Bier, fundada em 2003 e localizada na rua Benjamin Constant, nº 26, em Brusque. Ela foi fundada pela família Zen, e o seu nome é um espécie de homenagem ao avô Hylário Zen, já que sua inicial foi anexa ao nome da cervejaria. Zehn, em alemão, quer dizer “dez”. O telefone para agendamentos de visitas é o (47) 3351-6685, e o site é o www.zehnbier.com.br.

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ECONOMIA

O FIO QUE TECE A HISTÓRIA DO VALE DO ITAJAÍ A importância da indústria têxtil para o desenvolvimento da região

Alexandra Ittner

Fotos: Divulgação

O barulho das fiações é ouvido ao longe. O algodão, que entra de um lado cru e sujo, sai de outro em linha reta, branquinho. E é este fio que dará origem à diversas peças que são utilizadas no dia a dia da população. Este é um processo que se repete inúmeras vezes no Vale do Itajaí, uma vez que a região se consagrou como o polo têxtil do país. São pais e filhos, donos e colaboradores, vendedores e consumidores que dependem destas empresas para sobreviver, para tocar o seu negócio ou para desenvolver outra atividade. Todos têm uma história para contar. Um registro recheado por tradições, costumes, transições financeiras e muitos momentos que valem a pena serem relembrados. A história desta região está nas tramas de cada tecido, entrelaçada em cada fio que tece sua existência. Com a colonização europeia, em especial a alemã, vieram os costumes da manufatura têxtil. Quando se instalaram em Santa Catarina, os colonizadores foram desenvolvendo a atividade, primei-

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ramente em suas famílias, com a ajuda de poucas pessoas e produzindo em baixo volume. Com o avanço do tempo e da tecnologia, estes processos foram sendo, aos poucos, desenvolvidos e aperfeiçoados e os negócios foram ex-

empresas que passaram por este processo de aperfeiçoamento, entre elas estão: Karsten, Dudalina, Teka, Kyly, Brandili, Hering, entre outras. Muitas, desde hoje, são reconhecidas nacional e internacionalmente pelo seu trabalho e marca, tanto que a região é uma das mais premiadas no segmento. Um verdadeiro museu em “A empresa tem que ter proporções e em funcionaum excelente plano de grandes mento, a indústria têxtil no Vale do mercado para não ser Itajaí conserva um valor históricoengolido pelas crises. To- cultural enorme e de extrema impara entender as antigas dos os anos o segmento portância tradições e costumes dos povos passa por altos e baixos e que residiam aqui anteriormente. A ela precisa estar prepara- empresa Hering, conserva em suas um museu onde da para passar por todas dependências, mostra peças antigas de roupas. No as dificuldades”. local, é possível fazer uma linha do Luiz Antônio - Economista tempo das vestimentas, comparando a evolução dos trajes masculinos e femininos. pandindo e ganhando proporções Outras empresas do segcada vez maiores.Agregando co- mento também conservam resquílaboradores e aumentando suas cios de sua história. Antigas mácotas de produção, começando a quinas de tecelagem, formas de atender cada vez mais mercados. manufatura, descrições de proces Na região, há diversas sos, entre outros, fazem parte do


ambiente e dos documentos que as companhias possuem. Além disso, em muitos casos, trazem consigo, a história agregada na vida de seus fundadores, de maioria alemã, saídos da Europa entre os anos de 1920 e 1950. Além da importância histórico-cultural, as empresas têxteis agregam um valor econômico muito alto. São empresas que valem de 50 milhões a dois bilhões de reais e que somadas, tornam-se um verdadeiro tesouro catarinense. São investidos a cada mês, cerca de 15 milhões de reais apenas para a compra de novos equipamentos e tecnologias para melhoria de processos. Porém, além desta importância econômica para a região, as têxteis têm o papel de garantir o poder aquisitivo da população. Mais de 60% das pessoas residentes nos municípios desta região catarinense, como Indaial, Blumenau, Pomerode, Ascurra, Apiúna, Rodeio, entre outras, trabalha ou depende do segmento têxtil para seu ganho ou sobrevivência. Por

ano, há uma média de cinco mil empregos gerados a partir de vagas no segmento. Isto acaba por ocasionar circulação no mercado de trabalho, sendo importante para localidade e desenvolvendo seus arredores. Com 30 anos trabalhados em uma mesma empresa, Henrique Schrer, supervisor, conta que aprendeu e conquistou muitas coisas em sua vida através do que foi oferecido pela companhia a qual trabalha. “Devo minha vida a esta empresa, desde jovem eu traba-lho aqui. Comecei como tecelão e com o tempo, fui estudando e co-nhecendo outros setores da empresa para me tornar mais apto a exercer cargos mais altos. A empresa onde trabalho me ofereceu chances de crescimento e hoje, só tenho a agradecer”. Entretanto, ser uma região forte em determinado segmento, possui também seus malefícios e requer cautelas. Em 2011, o mundo viu inúmeras empresas têxteis quebrarem devido ao que ficou conhecido como crise do algodão.

Como esta é a matéria prima principal para muitas destas têxteis, elas acabaram ficando sem mercadoria, não havia produção de estoque, não se efetuava venda e não entrava capital, o que gera dívidas e quebra uma empresa. Conforme fala o economista blumenauense, Luiz Antônio, “a empresa tem que ter um excelente plano de mercado para não ser engolido pelas crises. Todos os anos o segmento passa por altos e baixos e ela precisa estar preparada para enfrentar todas estas dificuldades”. Falando em vendas, podese dizer que mesmo depois de anos constituindo mercado em Santa Catarina, em especial o Vale do Itajaí, as empresas do setor continuam a trazer muitos benefícios financeiros para as cidades as quais pertencem. Mayara Silva, que trabalha há dois anos no segmento de televendas de uma empresa têxtil, afirma que “a cada ano, há uma procura muito grande pelos produtos oferecidos. São desde lojistas e institucionais, até o próprio con-

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sumidor final em busca do que se tem a oferecer”. Contudo, há um ano e meio, o mercado têxtil vem sofrendo uma concorrência com os produtos que vêm da China. Desde que foram abertas as portas para a livre importação de produtos chineses, as vendas de companhias nacionais caíram em torno dos 17%. Ainda segundo o economista Luiz Antônio, é preciso que o governo tome alguma medida para fiscalizar a comercialização destes produtos para não desestruturar o mercado nacional. “Sabemos que os produtos chineses têm um valor de aquisição menor, porém, também possui qualidade questionável. Os lojistas estão pagando pelo preço, assim como os consumidores, e estão deixando de lado as empresas brasileiras, o que está gerando crise em muitas delas. Se o governo não criar alguma medida, teremos um colapso na economia”. Em Blumenau, todos os anos, ocorre uma das maiores feiras de produtos têxteis do país, a Texfair. Ela reúne grandes nomes da indústria têxtil, e é visitada por pessoas, especialmente empresários, de todo o mundo. O objetivo da feira é levar informações de

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método de produção, inovação em produtos, apresentação de novidades e a possibilidade de fechamento de negócios. Economicamente falando, gera um grande capital. Tanto que as empresas se preparam o ano inteiro para uma semana de feira. A indústria têxtil na região é de suma importância para economia, desenvolvimento, cultura, tradição, entre outros fatores da lo-

calidade e de seus residentes. Elas conservam a história e inspiram modernidade. Bens de tão grande valor, que merecem o apoio e preservação necessária. As têxteis do Vale do Itajaí são um registro do passado agregado a esta terra, a vivência do presente, e uma perspectiva de futuro, aliado a conhecimento e credibilidade.


Foto: Reprodução

COLUNA

Mulheres estão assumindo mais cargos de confiança Jedielson Filipe Rosenbrock

Foto: comqueroupaeuvou.com

Em um passado distante as mulheres eram criadas apenas para cuidar da casa e dos filhos. Aos poucos conquistaram seu espaço e agora, mais do que nunca, elas assumem posições muito importantes. “Dados do Internacional Business Report 2012 (IBR), apontam que, no Brasil, 27% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.” conta Renato Viei-

ra de Avila, advogado, mestre em Estratégia, especialista em Direito Empresarial e Tributário. Mas, o principal obstáculo está nas empresas familiares. Os homens são preparados desde a sua infância para assumir cargos de chefias nas empresas. Porém, este cenário vem mudando. “O índice revela um crescimento de três pontos em relação ao ano de 2011

nos cargos ocupados por mulheres. O desafio maior é com relação às empresas familiares”, complementa Avila. Existe uma série de paradigmas e preconceitos a serem quebrados. Em Santa Catarina, a maior parte das empresas familiares foram fundadas por homens. O próximo desafio é superar o modelo corporativo masculino. “A média salarial masculina em cargos executivos chega a ser quatro vezes maiores do que a remuneração feminina”, argumenta o advogado. Elas costumam ter um estilo mais intuitivo, inclusivo e voltado mais a pessoas do que às tarefas e aos números. Em um cargo superior, a mulher pode desenvolver características de competitividade e autoridade como os homens, segundo o especialista. É preciso saber que agora a luta é de igual pra igual.

Você sabia? - A diferença salarial entre os sexos aumentou em 2012. Os homens receberam em média R$ 1.698,00.

As mulheres, por sua vez, ganharam R$ 1.238,00.

- De 2009 a 2011, o salário médio mensal real das mulheres cresceu R$ 452, e a proporção passou de 67,1% (2004) para 73,7% (2011) do rendimento do homem. - O único Estado do Brasil em que o salário da mulher é maior que o do homem é Alagoas, com ganhos admissionais de R$ 779,23 e de R$ 773,59, respectivamente. Em contrapartida, a maior defasagem de gêneros, favorável ao homem, ocorre em Rondônia, onde o trabalhador masculino ganha R$ 987,60 ou 19,19% a mais que a mulher, que recebe R$ 798,07 para exercer a mesma função. Fonte box: Uol/ Portal Brasil

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POLÍTICA

O Brasil não é tão pacífico como parece O Brasil não é tão pacífico como parece Jedielson Filipe Rosenbrock

A história do Brasil parece Também conhecida como Guerra ser pacífica e formada por homens dos Farrapos, ocorreu porque os cordiais. Porém, ela foi cunhada ricos fazendeiros gaúchos pagapor conflitos e levantes popula- vam altos impostos na produção res. De uma colônia de exploração de charque e couro. O objetivo conturbada nasceu o único império era formar uma nação sulista, inda América Latina, o Brasil. Após dependente do recém-formado Marechal Deodoro da Fonseca proclamar a república “A palavra democracia vem de em 1889, tivemos duas revoluções militares até povo. É interessante ele estar na chegarmos à composição rua”. atual de república. Oscar Guilherme Grotmann Filho, 54, asses Recentemente misor parlamentar. lhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a conturbada situação política do Brasil. A corrupção e Brasil, que teve sua independência a má administração ainda são os proclamada em 1822. Cerca de 47 maiores problemas da nação, tão mil pessoas morreram vítimas do forte quanto ao período em que conflito até o seu final em 1845. fomos explorados pela coroa lusa. Isso nos faz voltar no tempo para 1889 – Brasil República: O relembrar quais os principais le- descontentamento de diversas vantes da sociedade até a chegada classes da sociedade foi o terreno oportuno para um Golpe Militar. dos protestos atuais: À destituição do então imperador 1789 – Inconfidência Mineira: Dom Pedro II, foi em 15 de novemTiradentes, Joaquim José da Silva bro, sendo realizada pelo MareXavier, foi líder dos Inconfidentes. chal Deodoro da Fonseca. Ele foi O primeiro levante de expressão o primeiro presidente da república no Brasil colônia foi formado pela do Brasil, sistema que perdura até elite mineira que desejava tornar hoje. O primeiro presidente civil a o Brasil independente de Portu- comandar o país foi Prudente de gal por conta dos altos imposto e Morais, em 1894. transformar o Brasil em república, a exemplo da França e dos EUA. 1984 – Diretas Já: Há quem diga A coroa portuguesa desmantelou a que o Golpe Militar de 1964 foi revolta no mesmo ano e executou um levante popular. Porém esse trecho da história ficou marcado seu líder Tiradentes. pela postergação de um governo 1835 – Revolução Farroupilha: provisório militar por 20 anos.

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Seja como for, seu final foi marcado pelas Diretas Já. O termo faz referência às eleições diretas, pois os governos militares eram escolhidos a dedo por um Colégio Eleitoral. João Figueiredo, último presidente militar, foi pressionado a abrir mão do poder. Apesar da transferência de poder ser prevista, a eleição de um governo democrático só foi possível graças aos movimentos populares. “Eu vou fazer com que esses políticos briguem entre si. Vou abrir o pluripartidarismo” disse Figueiredo. “A palavra democracia vem de povo. É interessante ele estar na rua”, disse Oscar Guilherme Grotmann Filho, 54. Ele foi assessor do Ministro das Comunicações Joel Marciano Rauber, o primeiro após o fim da ditadura em 1985. A cúpula de qual fazia parte era a do Presidente Tancredo de Almeida Neves, eleito pelo povo em votação direta. Tancredo morreu antes de assumir, e o governo de seu sucessor, José Sarney, já era plenamente democrático. 2013 – Protestos pelo País: Um protesto do grupo Anárquico Passe Livre, em São Paulo Capital, pedia queda na tarifa de ônibus. Como um estopim, o movimento desencadeou uma grande onda de manifestações. Em poucas semanas, 2,5 milhões de pessoas


Foto: Newton Scharf

encheram as ruas de 428 cidades pelo país protestando por diversos motivos. A falta de liderança e a descoordenação fez com que as conquistas fossem minimizadas. Quando questionado se o movimento é comparável às Diretas Já ou Fora Collor, o jornalista Francisco Fresard ressalta: “pela mobilização, sim. Pelos objetivos, não. As duas anteriores tiveram um objetivo claro e específico cada uma. A mais recente teve vários motivos, mas poucos foram atingidos. Ocorreram poucas mudanças na postura dos políticos. Da população, um pouco mais, mas longe do ideal”.

Soldado durante a contra revolução de 1964

Você sabia? O Brasil teve mais de 88 lutas e revoluções ao longo de sua existência. Algumas delas nem constam nos livros, mas tem seu lugar na história.

População na manifestação de 2013, em Blumenau

Foto: Jedielson Filipe Rosembrock

Um fator determinante na mobilização das pessoas foram às novas mídias, como internet (com as redes sociais) e o celular. Fresard acredita que elas ainda talvez não sejam os meios mais eficientes de comunicação “Há uma nova forma de comunicar, certamente, mas não é a única. Sem novas mídias derrubamos um presidente. Com elas, o que conseguimos?”. A imprensa internacional destacou por semanas os protestos e sua possível influência na realização dos jogos que o Brasil vai sediar em 2014 e 2016. Projetos de lei de amplo apoio social, como a divisão dos royalites, foram exemplos de medidas aprovada às pressas no planalto para acalmar o ânimo dos manifestantes. Apesar de tudo, apenas 1,25% da população saiu às ruas, deixando um “gosto de quero mais”.


POLÍTICA

Jovens, o futuro político do

Brasil

Jovens foram às ruas por uma sociedade melhor Leonardo Alegri

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No mês de junho, várias manifestações levaram milhares de pessoas às ruas em todo o Brasil. Jovens, crianças, idosos, pessoas de todas as idades e classes sociais, foram às ruas em busca de um país mais justo e igualitário. As bandeiras eram diversas: saúde e educação de qualidade, maior segurança, melhorias em BR’s, e outras várias, mas não tinha uma bandeira partidária. Milhares de jovens com vontade de mudar um país, fazer um Brasil melhor, um país onde

todos tenham oportunidades. Cobrando os governos, em busca de um tratamento descente dos serviços públicos, que andem ao lado do povo, ouvindo as suas reivindicações. Os jovens mostraram no mês de junho, que se interessam pela vida pública, que lutam por uma vida e um país melhor. Deixaram de ser apenas figurantes, mostraram para as autoridades políticas que eles estavam ali, saíram de trás dos computadores e foram as ruas manifestar contra

o atual cenário político, cansados de ouvir notícias de desvios e mau uso do dinheiro público. Mas nem todos os jovens são desinteressados por partidos políticos. Instituições partidárias atraem jovens que se interessam pela vida pública. Jean Volpato, 22 anos, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) de Blumenau (SC), desde 2011, é um exemplo. Segundo Volpato, “política é uma palavra que simboliza ações coletivas, ou de benefício coletivo com foco social e humano, visando sempre


cidadania”. Nem sempre a política massa, como os meios de comu- creditada com o sistema político tem a ver com partidos políticos ou nicações desenvolvem para des- brasileiro. “Acredito que uma boa governos municipais, estaduais ou politizar a população. Interessa ao parte da juventude se interessa por federal, ou mesmo o legislativo. sistema capital e principalmente política, mas estão desacreditados No dicionário, política sig- aos políticos, corruptos, vigaristas nos políticos brasileiros” declara o nifica: arte de centralizar, coman- e lacaios, que a população não se Presidente da JDEM – Blumenau. dar e gerenciar as massas, fazendo interesse por política e nem por Para que o processo polítiuso de vários recursos para fazer e partidos, pois desta forma elas se co brasileiro comece a receber criar o seu domínio sobre o destino afastarão da política e não acom- oxigênio, é necessário que plandas nações ou países. Para Volpato, panharão seus representantes”. temos as sementes. E as sementes “política pode ser em uma ação de- Outro exemplo de jo- estão nos jovens. É preciso olhar senvolvida em nosso bairro, com o vem que se interessa por política com mais atenção para o papel do objetivo de reciclar o jovem na sociedade. Os jolixo da comunidade, vens precisam ser motiva“(...) Foi à possibilidade de fazer a através das ações de dos, com bons exemplos, uma associação de diferença, fazer revolução, lutar por com histórias de decência, moradores, ou um com valores e princípios ideais que eu acredito”. Grêmio Estudantil éticos. Os jovens hoje reem uma escola que presentam mais de cinco se articula para de- Adriano Cunha – Presidente JDEM Blumenau milhões de eleitores, entre senvolver ações em 16 e 24 anos. benefícios dos estu Nas manifestações de judantes”. “Esses são alguns de mui- é Adriano Cunha, 28 anos, atual nho, ficou mais do que provado tos exemplos de política”, afirmou. Presidente da Juventude Democra- que o jovem se interessa por políti Em junho, durante as mani- tas em Blumenau, (JDEM). Se- ca, não a partidária, mas sim uma festações que marcaram a história gundo Cunha, “se filiar no partido política de reivindicações, que do país, muitos cidadãos eram foi à possibilidade de fazer a dife- busca melhorias. Os jovens estão contra a presença de partidários rença, fazer revolução, lutar por desacreditados nos atuais políticos, nos manifesto. Segundo Jean, “a ideais que acredita”. Para ele, é com fraudes, desvios de dinheiro posição contrária às figuras dos complicado falar por toda a juven- público. É preciso uma renovação, partidos é fruto dos conjuntos de tude, mas aquilo que se sente nas e essa renovação virá com novos ações que os nossos veículos de ruas é que a juventude está desa- políticos, com políticos jovens.

Fotos: Reprodução

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POLICIAL

80% dos homicídios em Blumenau estão ligados às drogas Dados mostram que os números de mortes motivadas pelo tráfico aumentaram em Santa Catarina Charles Espig

Um relatório divulgado em setembro de 2013 pela Secretaria de Segurança Pública mostra que os números de homicídios motivados pelo tráfico de drogas aumentaram em todo o estado. Um levantamento realizado pela 1ª Vara Criminal aponta que 80% dos casos de homicídio que vão a júri popular têm como pano de fundo o tráfico de drogas. De janeiro até setembro deste ano, Blumenau (SC) registrou 18 assassinatos, 15 estavam relacionados ao tráfico de drogas. São três as possibilidades: a pessoa estava devendo por drogas, era usuária ou estava drogada no momento em que cometeu o crime. “A vida do usuário não vale nada para o traficante. Mesmo que seja por R$ 5,00, ele é morto para dar o exemplo aos demais usuários”, relata o psicólogo e pesquisador em crimes relacionados com drogas, Mário Amorim. “Muitos dos processos de homicídio vinculados ao tráfico acabam sendo arquivados porque não se chega à autoria, já que nesse universo impera a lei do silêncio”, completou Mário.

pelo Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2012, diz que é possível converter as penas privativas de liberdade em restritivas de direito aos condenados pelo crime de tráfico de drogas. Com a nova determinação, os magistrados têm uma dimensão maior de avaliação para esses casos e podem individualizar as condenações. De acordo com a juíza Karen Francis Reimer, da 1ª Vara Criminal, alguns critérios são levados em consideração para definir a pena alternativa. “Quando não existe associação para o tráfico, quando o réu é primário e quando ele exerce outra atividade e não sobrevive do tráfico”, explica. O juiz que atuou na 2ª Vara Criminal e hoje está na Execução Penal, João Marcos Buch, defende que a lei não pode proibir o juiz de dosar a pena individual. “Tem de individualizar cada caso, e não colocar num mesmo ambiente situações distintas, como alguém que é flagrado com uma pedra de crack e alguém que foi pego com uma tonelada de maconha”. Apesar da orientação do STF, alguns magistrados procuram fundamentar as condenações no regime fechado, como é Legislação facilita substituição o caso do juiz da 2ª Vara Crimide pena relacionada ao tráfico nal, Gustavo Henrique Aracheski. de drogas “Colocar o réu solto ou dar uma pena alternativa é muito pouco Uma resolução aprovada para o mal que ele está fazendo.

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Acredito que se a legislação não for revista, vai ficar cada vez mais difícil sustentar uma condenação no regime fechado”, disse Aracheski. Já para, promotor de justiça Ricardo Paladino, a legislação é um estímulo ao tráfico de drogas. “Como o governo não investe no sistema prisional, que é um caos, estabelece formas de evitar que as pessoas sejam presas”, afirma ele. Um levantamento realizado pela Secretaria de Segurança Púbica mostrou que, a cada 100 réus julgados no estado, apenas 44 são reincidentes. Isso não quer dizer que os demais não tenham antecedentes criminais, porém nunca foram condenados em outro processo. Os réus reincidentes geralmente recebem condenações mais pesadas e não recebem o direito de recorrer em liberdade. Número de homicídios na cidade vem caindo desde 2012 Segundo dados da Polícia Civil de Blumenau, a cidade registrou 26 homicídios em 2012, o que representa uma redução de 23% em relação aos números de 2011, ano em que foram registrados 32 assassinatos. Neste ano, até o mês de setembro, o município contabilizou 18 homicídios. Se continuar a média de 2,25 assassinatos por mês, 2013 vai terminar


com 26 mortes na área policial. Câmeras de segurança auxiliam na investigação policial As câmeras de segurança têm sido cada vez mais importantes na solução de crimes em Blumenau. A polícia conta com imagens captadas a partir de câmeras públicas, aquelas instaladas pela Secretaria de Segurança, e as particulares, instaladas em empresas ou residências. Não existem estatísticas sobre o número de crimes solucionados com o uso das câmeras, mas o delegado Bruno Effori, coordenador da Central de Polícia, diz que elas são importantes no apoio ao trabalho policial. “A simples colocação de uma câmera para controle já é útil, pois pode fornecer informações importantes,

além de intimidar os ladrões. Mas, para ajudar nas investigações da polícia, é preciso considerar qualidade da câmera e a resolução da imagem, além de seu correto posicionamento e gravação”. Disseminação As imagens das câmeras tanto privadas quanto públicas são frequentemente distribuídas à imprensa para divulgação. As cenas também ilustram uma página que a Divisão de Investigações Criminais (DIC) mantém no Facebook. Ao serem compartilhadas, também contribuem para a solução de crimes. Embora não existam estatísticas a respeito, Effori afirma que a utilização das câmeras já ajudaram na resolução de crimes graves como latrocínios. “No caso do jovem assassinado no Supermercado Zoni, do Bairro Gar-

cia, no ano passado, as imagens foram importantes para identificar o autor do crime através das roupas, além de servirem para a comprovação de que o disparo foi feito à queima-roupa e sem nenhuma motivação”, comenta Bruno. Distribuição Effori diz que as câmeras devem estar posicionadas em locais estratégicos, como entradas e saídas da cidade, áreas de maior movimento de pessoas e veículos, praças, comércio e pontos próximos de agências bancárias. “Em Blumenau há uma grande quantidade de câmeras. No entanto, a maioria está concentrada no Centro. É necessário que esses equipamentos sejam instalados também nos bairros mais distantes na BR-470, que muitas vezes é utilizada como rota de fuga”, finalizou o delegado.

Fotos: Reprodução

Recomendações A polícia faz as seguintes recomendações quanto à instalação de câmeras de segurança: - Posicionamento – As câmeras precisam ser instaladas em áreas estratégicas das residências e estabelecimentos comerciais, tendo em vista os melhores ângulos para cobrir entradas e saídas. - Qualidade – Os equipamentos devem ter qualidade suficiente para fornecer imagens coloridas e com grande nitidez. Às vezes, por economia, são instaladas câmeras de menor custo, mas que pouco ajudam na identificação de criminosos ou até mesmo detalhes como roupas ou placas de veículos. - Gravação – É necessário que as imagens sejam gravadas junto a algum servidor, para posterior visualização e divulgação.


ESPORTE

É preciso lutar para alcançar o SUCESSO Saber jogar futebol muitos sabem, ter potencial também, mas para ser um vencedor é preciso muito mais do que isso. São vários os obstáculos que surgem no início e em todo decorrer da carreira Jotaan Sérgio

Em todos os bairros, escolas e quadras de futebol existem aqueles garotos que se destacam entre os demais quando o negócio é jogar bola. O que faz mais gols, o que dribla mais e até aquele que defende todas. É comum se tratando de um esporte tão adorado e praticado no Brasil. É, ou já foi, um sonho de quase todo menino se tornar um profissional e fazer sua vida como boleiro. Mas não pense que é fácil transformar este anseio em realidade. São diversas as pedras no caminho que impedem um sonhador de se tornar aquilo que deseja. Além da dificuldade de iniciar a vida no futebol, também são muitos os obstáculos para nela permanecer. Diversos exemplos provam que não basta saber driblar igual à Neymar, nem dominar a bola como Messi. Para virar um jogador de futebol é preciso ter objetivo, força de vontade e coragem. Braulino Luiz Pontes Neto, filho do ex-goleiro do Fluminense e times catarinenses, Braulino Filho, conhece bem esses contratempos. Ele teve a chance de se tornar um futebolista, mas reconhece que as dificuldades foram superiores ao desejo e por isso não teve êxito em sua carreira. “A barca passa

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só uma vez para você, e é preciso preconceito, só porque eu era aproveitá-la”, lamenta. o cara de fora”. Mesmo com os atriA chance, a dificuldade e o tos, Bacanna agradou e teve arrependimento outra chance um tempo depois, para aí se firmar na Após passar sua infância época tri campeão brasileiro. inteira jogando futebol e futsal Treinou ao lado de estrelas em escolhinhas na cidade de Blu- como Kaká, Julio Baptista, menau (SC), o agora promotor de Marco Antonio, Hernanes, eventos e personal trainer, teve a entre outros. Mas a falta da oportunidade de jogar na base do família e tudo o que teve que São Paulo Futebol Clube. Após deixar para trás o fizeram dese destacar em um amistoso entre sistir e voltar para Blumenau, um time com jogadores blume- abandonando assim a sua nauenses contra o time paulista, “barca”. ele foi convidado a participar de “A saudade e a faum treino-teste com os juniores. cilidade foram coisas muito Mas não foi tão fácil e bonito grandes”, declarou Braulino como parecia. Neto, quando conta o mo Como são muitos que tivo de seu pedido pra sair do almejam ter a vida de jogador, clube paulista. Mesmo não a disputa é grande. O atleta pre- sendo rico, ele comenta que cisa estar concentrado e não cair era muito fácil viver em Bluna pressão que seus adversários menau, diferententemente do pela vaga oprimem. No momento que a vida na cidade paulista. em que se está em uma disputa, “Aqui eu tinha televisão no a rivalidade existirá, e é impres- quarto com meu irmão. Com cindível que haja personalidade. um ônibus eu ia pra onde eu Bacanna, como é popularmente queria e com outro eu voltaconhecido Braulino, conta que va pra casa. Em São Paulo, passou por este desafio no seu eu ficava sozinho dentro do primeiro teste no SPFC. “Na quarto sem ter nada para fazhora do treino, eles não tocavam er. Eu tinha medo de dar uma a bola pra mim. Teve hora que eu volta. Demorou mais de um precisei colocar a mão no peito mês para eu criar coragem e dos caras e pedir pra eles toca- sair do alojamento onde eu rem. Ali eu já senti um tipo de morava”.


Bacanna ainda teve outras passagens por bases de times grandes, como o Atlético Paranaense, porém, não teve sucesso como no São Paulo, por ter idade já avançada aos planos do clube. Ele comenta que estava feliz morando em Blumenau, e por isso demorou bastante tempo para sentir arrependimento de sua desistência. “Quando eu os vi (seus ex-companheiros de time) na televisão, bateu, deu um choque, um calafrio, foi uma sensação horrível”. Hoje o promotor passa essas suas experiências para os alunos da escolhinha do olímpico, onde já foi treinador de futebol. Obstáculos deixados para trás As dificuldades irão aparecer, é lei de qualquer profissão. Mas é preciso focar no seu objetivo e não deixar que isso o abata. Alessandro da Conceição Pinto é um exemplo de que perseverança gera sucesso. Vindo de família simples, o jogador do Clube Atlético Metropolitano, de Blumenau, teve que passar por várias barreiras para chegar aonde chegou.

do time na época, o atleta foi emprestado para um time sem expressão, pelo até então presidente Eurico Miranda. “O Eurico me mandou por empréstimo junto com outros jogadores, para o Campo Grande. Eu fui sem reclamar e não me arrependi. Foi ali que minha carreira deslanchou”. Braulino Luiz Pontes Neto, Per- Declara o jogador que afirma sonal Trainer e Promotor de ter saído de cabeça erguida. Eventos “Não, eu não queria sair, tinha O lateral-direito diz que um carinho pelo clube. Mas eu reprovou em alguns testes até sai bem, tinha acabado de ser adentrar no clube que o revelou campeão carioca em cima do o Vasco da Gama, do Rio de flamengo”. Janeiro. Comenta também, que Os frutos morava com a irmã para ficar Quando seu vinculo com mais próximo do local de treinamento, mas que mesmo as- o Vasco acabou, Alessandro passim, tinha que pegar três ônibus sou por diversos clubes pequepara ir ao Centro de Treinamen- nos do Brasil. Também teve to. Quando se firmou no clube, problemas, mas não desanimou foi morar nas categorias de base, nem perdeu o foco em momento aí apareceu outro grande obstá- algum, conseguindo assim dar a volta por cima e chegar no culo. A distância da família. Mas Alessandro não Atlético Paranaense. No time desistiu. Tinha sede de fazer de Curitiba (PR) conquistou o história e continuou sua luta. Campeonato Brasileiro de 2001 Quando conseguiu chegar ao e uma vaga na seleção Brasileira profissional pelo Vasco, mais daquele ano, quase chegando a uma vez a vida quis o jogar para ir para a copa do mundo, impebaixo. Após uma discussão em dido apenas por uma lesão. O presidente, como ficou campo com Edmundo, o craque conhecido na sua grande passagem pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, fez sua vida de sucesso nas quatro linhas assim. Sempre buscando a vitória e nunca deixando que os empecilhos o deixassem para trás. Como conselho para os que almejam uma oportunidade no futebol, Alessandro ressalta, “acredite em você, no seu potencial. Foque no seu objetivo. Na primeira dificuldade que encontrar no caminho não desista, pois elas vão aparecer, mas só você pode vencê-las”.

- “Quando eu os vi (seus ex-companheiros de time) na televisão, bateu, deu um choque, um calafrio, foi uma sensação horrível”.

Foto: Satiro Sodré/ Agif/ Gazeta


Jotaan Sérgio

O futebol no Brasil não nasceu para o pobre. Antigamente era coisa para a elite. O “povão”, então, foi aos poucos conquistando seu espaço e o tornou universal. Assim, todas as classes começaram a ter a oportunidade de ir ao estádio e ver o seu time jogar. Mas o que está acontecendo atualmente é uma reversão de tais valores. Com a elitização do futebol nas terras brasileiras, o torcedor menos provido de uma boa vida financeira está perdendo o espaço nas arquibancadas. Ingressos à R$ 200, R$ 300, e R$500, estão se tornando comuns. Os mais baratos beiram os R$50 e R$60. Valores exorbitantes, se levada em conta a estrutura oferecida dentro e nos arredores dos estádios e dos frequentadores de arquibancada. A geral, famosa parte do estádio onde a torcida não para,

Foto: Reprodução

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Foto: Reprodução

COLUNA

De volta às origens com os fanáticos pulando e cantando ensandecidos durante toda a partida, já não existe mais. As empresas que se apoderam das novas arenas estão tramando instalar códigos de comportamento para os espectadores. Levar instrumentos, tirar a camisa e ficar de pé para assistir a partida, são algumas dessas proibições infames contidas nessas normas “anti-povão”. Os clubes, federações e empresas, financeiramente agradecem. O faturamento está aumentando, já que existe público que tem bala na agulha para pagar tal preço. Já os outros torcedores, os sem condições, os operários, reclamam e sofrem sem poder ver sua paixão. Futebol sempre foi um negócio, porém recheado de entretenimento, felicidade e emoção. A elitização do futebol está destruindo isso. Estão querendo “europei-

zar” o torcedor brasileiro. Daqui a pouco ir aos jogos será a mesma coisa que ir a um concerto. Todos estarão sentados em suas cadeiras, trajados de terno e vestido. Futebol voltará a ser dos ricos. E o pobre, esse que veja em sua casa, pela televisão. O Brasil não é Europa, o brasileiro não é europeu. Nós queremos pular, cantar, xingar e fazer barulho. Não queremos ser finos. Desejamos poder levar nossos filhos aos estádios e ensiná-los a torcer como nós. Não fazê-los assistir como assistem a uma peça. O futebol na arquibancada não pode ser para poucos, deve ser para todos. Desde o que senta e come amendoim, o que não para de pular e cantar, ao que vai de terno e aplaude com elegância a bela jogada.

Torcedores de Botafogo e Flamengo usam de ironia para protestar contra o valor dos ingressos no novo Maracanã.


ENTREVISTA

Renovação no rádio: ENTREVISTA com Augusto Ittner,

Diorgnes Saldanha Lima

Foto: Diorgnes S. Lima

o Garoto Bom de Bola

Ao atingirmos idade suficiente para ingressar no mercado de trabalho, sempre imaginamos atuar com aquilo que gostamos. Começamos pequenos, inexperientes e com o passar dos anos, vamos consolidando nossas carreiras. Algumas vezes isto demora bons anos, outras raras vezes, a ascensão é quase meteórica. No meio radiofônico é ainda mais difícil. Costumamos tarjar um bom ou mau narrador/radialista, de acordo com a experiência que ele tem atrás do microfone. Por não encontrarmos facilmente, no rádio, profissionais que tiveram uma ascensão meteórica, a INTERESSA, nesta edição, entrevistou o narrador esportivo da Rádio Nereu Ramos, de Blumenau (SC), Augusto Ittner. O Garoto Bom de Bola. INTERESSA: Qual a origem do de nossa existência, optamos por apelido "Garoto Bom de Bola"? esta ou aquela para seguir carreira. O sonho de se tornar narrador esAugusto Ittner: Na verdade, eu portivo vem desde menino? Como não faço nem ideia. A gente brin- surgiu? ca aqui na rádio que a pessoa que mandou gravar essa vinheta nunca A.I.: Na verdade, muitas coisas me viu jogar futebol. Até porque, passaram na minha cabeça desde definitivamente, eu não sou um criança, quando adolescente e, "garoto bom de bola". Surgiu re- principalmente, nessa fase de mupentinamente, antes do Campe- dança quando você meio que obrionato Catarinense deste ano, onde gatoriamente passa à vida adulta. a emissora queria uma vinheta que Quis ser, como quase todos os meremetesse à juventude da minha ninos, jogador de futebol, aí munarração. E foi aí que surgiu. dei de ideia, cogitei ser professor de história, fazer psicologia. Eu INTERESSA: Costumamos, des- não sabia. Estava encurralado. Aí, de pequenos, admirar várias pro- coincidência ou não, as coisas se fissões e em determinado ponto fundiram com algumas situações

do passado. Em 2004, por conta do rebaixamento do Botafogo - time do coração do meu pai - nós não tínhamos como assistir aos jogos. Com isso, tínhamos de sintonizar a Super Rádio Tupi ou a Rádio Globo, ambas do Rio de Janeiro. Aí me veio à mente, nove anos atrás, com 12 lascas de vivência, o sonho de ser narrador esportivo. Entre os anos de 2007 e 2009, trabalhando em uma vídeo-locadora, essa vontade ficou mais forte e eu até brincava de gravar, no celular, gols do Metropolitano. Então, eu posso dizer que, depois de uma série de situações, ser narrador esportivo era algo pelo qual eu já estava predestinado.

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INTERESSA: Não é normal vermos surgirem novos narradores esportivos. O teu caso foi uma agradável exceção. Porque tu achas que este é o cenário atual? Ou existem novos narradores surgindo? A.I.: Existem poucos narradores esportivos surgindo. Até pelo pouco interesse dos jovens de hoje por rádio, quanto mais pelo rádio AM. Antigamente ser um locutor esportivo em uma rádio regional era como ser um "Deus". Hoje não. Pra falar a verdade, conheço apenas um jovem narrador, também de 21 anos, como eu, que é o Eduardo Costa, da Rádio Pelotense do Rio Grande do Sul. No mais, são apenas os velhos "medalhões", como Pedro Ernesto Denardin, Luiz Penido, José Carlos Araújo, Mário Henrique, Ulisses Costa, José Silveiro, Evaldo José, entre tantos outros. O rádio esportivo precisa de renovação porque pode faltar mão-de-obra num futuro nem tão distante.

para a tevê. Essa migração você acredita que é natural? Ou é possível construir uma carreira sólida na rádio?

dade da narração do Evaldo José, da CBN, da legenda - aquilo que o narrador fala após o grito de "gol" - do Pedro Ernesto Denardin, da Gaúcha, do pique de Luiz Penido, A.I: Possível é, mas é muito da Globo, da emoção de Mário difícil. É uma mão-de-obra muito Henrique "Caixa", da Itatiaia e nos rara, digamos assim. O narrador bordões do falecido Fiori Gigliotti. esportivo em rádio precisa gostar do que faz acima de tudo e são INTERESSA: Nós sabemos que poucos os lugares onde você pode o Mário Henrique é torcedor do criar uma carreira sólida. É o caso Galo mineiro assumido. Já o Pedro da Rádio Globo, Gaúcha, Guaíba, Ernesto Denardin deixa essa místiBanda B, Tupi, Itatiaia, entre out- ca sobre a preferência dele nas ras. São poucos os narradores que narrações. O Augusto Ittner semconseguem se consolidar e, princi- pre acompanhou o Metropolitano. palmente, ganhar dinheiro fazendo Existem chances de se tornar um o que gostam regionalmente. Um Pedro Ernesto Denardin e acomexemplo de Blumenau é o saudoso panhar também o renovado Blumenauen Esporte Clube, o BEC? “Antigamente ser um Ou vai seguir a linha do Mário Henrique?

locutor esportivo em uma rádio regional era como ser um “Deus”. Hoje não.” Augusto Ittner, radialista

INTERESSA: Por que tu achas que mudou? Quais foram as principais mudanças no rádio (ou na Rodolfo Sestrem, que marcou seu mídia) que fizeram com que isto nome na história do rádio esportiacontecesse? vo de Santa Catarina. Quanto à migração para TV, é simples: um bom A.I.: O rádio nunca vai morrer, narrador esportivo para televisão mas perdeu um pouco de força precisa antes ser um bom narrador com o público jovem por conta da esportivo para rádio. Assim como chegada da internet. Outra questão antes de ser um bom narrador esé que a pessoa não vai enriquecer portivo em rádio, você precisa ser no meio radiofônico regional. Vai um bom repórter esportivo de ráter respeito, vai ser uma referência, dio, e assim por diante. mas não vai ficar rico com isso, diferente, por exemplo, da tele- INTERESSA: Quais são os provisão. O rádio é paixão e isso falta fissionais que o Augusto Ittner adem muitos - não todos - os jovens mira? Tem algum em quem tu te de hoje em dia. espelhas? INTERESSA: Se formos analisar a carreira de alguns narradores, eles iniciam no rádio. Ficam alguns anos e aos poucos migram

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A.I.: Conversei sobre isso com torcedores do BEC no início deste ano. Quem me conhece sabe que eu cresci nas arquibancadas do Sesi vendo jogos do Metropolitano. Acompanhei os 11 anos, desde o nascimento do clube. Essa pessoa que me viu na torcida não iria me reconhecer caso algum dia eu narre jogos do Blumenau. A imparcialidade é algo em discussão frequente no jornalismo, mas é algo que eu colocaria em prática. O BEC tem a sua história, tem a sua torcida e, caso um dia surja a oportunidade, eu narraria algum jogo sem problema algum. Luiz Penido, da Rádio Globo, é botafoguense declarado, e mesmo assim narra jogos do Flamengo, do Vasco e do Fluminense. Evaldo José, da CBN, é flamenguista, e assim por diante. O Mário Henrique "Caixa" é uma nobre exceção no rádio nacional.

INTERESSA: Existe alguma carA.I: Me inspiro em alguns, pra acterística que tu repete de algum falar a verdade, e tento fazer uma destes nomes que citasse? Qual? mescla deles naquilo que eu passo para o ouvinte. Gosto da tranquili- A.I.: Na verdade, eu pego um pou-


co de cada e tento criar algo meu. Mas sempre acaba saindo algo bem parecido. Quando o goleiro faz uma defesa eu faço semelhante ao Evaldo José, quando algum time faz gol eu digo "entrou", como José Carlos Araújo, e assim por diante. A gente pega um pouco de cada.

gostaria de ser ela. Não pretendo ir pra televisão e gostaria de ser para Blumenau o que Mário Henrique "Caixa" é para Belo Horizonte, ou o que Pedro Ernesto Denardin é para o Rio Grande do Sul.

INTERESSA: Qual é essa renovação? Você acredita que é regional ou em âmbito nacional que essa INTERESSA: Pretende criar um renovação precisa acontecer? bordão teu? Já tem algo em mente? A.I.: É em âmbito nacional. Novos A.I.: Claro que pretendo, mas é profissionais precisam ser criaalgo que não pode ser forçado. dos pra que, quando esses que eu Surge repentinamente, sem pre- citei agora a pouco "pendurarem visão. É aquilo que você pensa no o microfone", os novos já estejam banho ou antes de dormir, e anota prontos para assumir uma grande num papel para pôr em prática. No responsabilidade, que é a de eminício do jogo, por exemplo, eu punhar um microfone de uma sempre falo "a partir deste horário, grande rádio brasileira. Essa tal torcedor, a minha visão vai trans- renovação não é imediata e muito formar em palavras aquilo que o menos drástica. Novos narradores seu ouvido transforma e imagina precisam estar no banco de reserser a mais bela, e pura, paixão do vas pra que quando o titular sair futebol". Foi algo que eu pensei na por cansaço, ele esteja pronto pra cama, sem sono. Eu tenho alguns fazer o gol da vitória. Se não houbordões, mas bons narradores es- ver essa renovação, quando o rádio portivos têm centenas deles. precisar, não haverá uma segunda opção. INTERESSA: Qual a tua ambição profissional? Pretende ficar no rá- INTERESSA: Para finalizar, condio? te um pouco da sua rotina como narrador esportivo e quais as dicas A.I.: Pretendo sim. Acho que o para que alguém possa se dar bem rádio precisa de renovação e eu e seguir o caminho que tu está tri-

lhando... A.I.: Bom, na verdade, minha função como narrador esportivo é exercida somente em dias de jogos. Durante a semana faço reportagens jornalísticas e sou o responsável pela programação esportiva da Rádio Nereu Ramos. Mas, como a gente sempre precisa estar atualizado, tem um segredinho que na verdade é o ponto principal pra quem quer ser narrador esportivo: ouvir rádio. O cara que tem interesse em virar um locutor de esportes precisa aproveitar a internet, ouvir tudo quanto é narrador esportivo, anotar bordões, adaptar, inovar. É assim. Não tem erro. O dom é um detalhe quando você tem força de vontade. INTERESSA: Se não fosse rádio, qual outro meio de comunicação seria? A.I.: Não sei. Sinceramente. Eu sempre me vi no rádio e nunca cogitei outra possibilidade. Mas acredito que a televisão seria a minha primeira opção, seguido pela mídia impressa.


SAÚDE

CADÊ A SAÚDE NA SUA DIETA? Com a pressão para se obter um corpo ideal, todo cuidado é pouco quando se fala em dieta. Saiba como lidar com uma boa rotina alimentar e como se sair bem na alimentação para a alta estação Bianca Klemz e Lucas Baldin

Hoje em dia existe certa pressão sobre a forma física em ter o corpo definido, sequinho, sem nenhuma gordura localizada. E com a chegada do verão todos aqueles quilinhos acumulados durante o ano são uma ameaça para quem quer ficar bem na sunga ou no biquíni. Mas, uma coisa fica evidente a cada tentativa das pessoas de entrar em forma: será que a rapidez dos métodos que são encontrados no mercado são mesmo eficazes? Será que é possível entrar em forma e cuidar da saúde ao mesmo tempo? Na internet, chovem páginas com dietas e dicas de como perder peso em pouco tempo. Também é possível achar métodos confiáveis de como ficar com o corpo desejado. A dúvida que fica no ar é: será que isso é indicado para as pessoas? Por isso, o ideal é buscar ajuda de um profissional especializado na área, que poderá confirmar as dietas adequadas. Porém, não são todos que se lembram disso, arriscando a própria saúde em nome da “boa forma”. E será que comer pouco significa comer bem? Há pessoas que acreditam que por comer algo

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antes do almoço, ou comer apenas uma porção pequena, sem saciar a fome, irá emagrecer mais rápido e não terá a saúde afetada. O que elas não imaginam é que o problema começa a partir deste pequeno passo: se alimentar errado. Há horários e quantidades adequadas para cada refeição. Por isso, o ideal é não pular os horários de comer, pois assim, é possível se sentir satisfeito com a sua dieta.

Sem controle Fato: cada um é cada um. Cada indivíduo tem costumes, rotinas, ritmo e organismo diferente dos demais. O erro é que com as dietas do momento, se funcionar com alguém, vira regra. Dietas de internet e revistas são, em parte,

um risco para quem tenta seguir. “As dietas prontas que encontramos nas revistas, dependendo do caso, até podem ser perigosas”, diz a nutricionista Karina Dotta. Esses métodos não são avaliados especificamente para quem irá fazê-la. “Uma dieta equilibrada e saudável deve ser individualizada, levando em consideração indicadores bioquímicos, sinais e sintomas, patologias, estilo de vida e composição corporal”, explica Karina sobre a individualidade, que deve ser seguida em cada reeducação alimentar. Possivelmente, todos convivem com alguém que gosta de uma dieta. Muitas pessoas pecam ao optarem pela restrição dos alimentos. Porém, esta saída é um erro grave. Para quem busca este meio, além de estar colocando a saúde em risco, está também, deixando a imunidade baixa. Para isso, um aviso da nutricionista: “Estas atitudes podem até ajudar na perda de peso repentina, mas os resultados duram pouco tempo”, revela. E engana-se quem pensa que este método é eficaz e duradouro, pois “quando Foto: Jasmine Alimentos


se há redução de peso intensa e grande restrição alimentar, a pessoa evita o ganho de massa muscular, além de deixar o metabolismo mais lento” complementa a nutricionista. Ter hábitos saudáveis, comer de três em três horas e seguir o cardápio de um bom profissional da área trás diversos benefícios. Além da queima de peso para os que precisam, os magrinhos também podem - e devem - seguir uma boa dieta. Hoje em dia, com tantas opções de cardápios prontos espalhados nos supermercados e shoppings, é importante ter uma alimentação balanceada. O mau hábito alimentar pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças como: hipertensão, , obesidade, diabetes, entre outras, influenciando também negativamente na sua composição corporal, mal estar e outros sintomas como dores de cabeça, fraqueza e tonturas. Por isso a reeducação alimentar é a melhor alternativa para quem busca saúde e bem estar. Não é tão doce assim E por falar em alimentação equilibrada, muitas vezes existem pessoas que se obrigam a entrar nos eixos. Esse foi o caso do laboratorista Enio Baldin, 56. Em 2005 quando foi a uma consulta com seu médico para um exame de rotina, um dos resultados estava diferente. Seu nível de glicose no sangue estava alto. Enio e o médico resolveram ir a fundo e descobrir o Foto: Thiago Aguiar

motivo dessa alteração “Descobri então que eu estava com diabetes” contou Baldin. A atitude foi cortar o consumo de doces. Uma nova rotina alimentar foi estabelecida, os doces foram substituídos por alimentos diet e em alguns casos até eliminados do cardápio. “Eu podia comer de tudo, exceto doces. Foi uma reeducação alimentar” conversou Enio. E olha que essa nova dieta

trouxe seus benefícios. “Desde que comecei a me controlar perdi por volta de 10 quilos” ressaltou. A diabetes é uma doença que age no metabolismo. Simplificando: causa o aumento de açúcar no sangue. E se não levada a sério, pode ser um risco. “Quando não controlada, pode causar muitos danos ao corpo, comprometendo principalmente os rins, coração, olhos, nervos e também pode desenvolver hipertensão arterial sistêmica”, explica a nutricionista Karina Dotta. A doença atinge cada vez mais brasileiros. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no ano de 2012, cerca de 5% da população brasileira tem a doença e ela cresce entre indivíduos do gênero masculino. Em 2006 os números se encaixam

na marca de 4,4% (aproximada) de população diabética, já em 2011 o valor avançou para 5,2 %. Para se exercitar não há idade A Organização Mundial da Saúde (OMS), vem sensibilizando os diferentes países membros quanto à necessidade emergencial de modificar o estilo de vida sedentário, a fim de melhorar a qualidade de vida. A maior parte das atividades físicas deve ser aeróbica e no mínimo três vezes por semana. Quem pratica 150 minutos de atividades físicas diária é considerado praticante ativo. Pessoas com limitações causadas por doenças crônicas ou avanço da idade devem ser tão ativas quanto possível. A natação seria uma atitude obrigatória para crianças de 2 a 5 anos, visando a questão de sobrevivência e pela redução do risco de afogamento em atividades com água. Nessa idade, o mais importante é brincar, jogar e imaginar. A partir dos 4 e 5 anos entra recreações mais especificas, usando bolas e outros objetos. Para a faixa etária dos 5 aos 17 anos o cardápio esportivo inclui jogos e esportes, podendo ser em família ou com amigos. Dos 18 aos 64 anos, é incluído o tempo de locomoção, por exemplo: caminhar ou andar de bicicleta, ocupação (trabalho), serviços domésticos. Isso pode melhorar a capacidade cardiorrespiratória e muscular e a saúde dos ossos, bem como reduzir o risco de doenças não transmissíveis e

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o surgimento de depressão. A me- combine com seu estilo de vida. var uns minutinhos para caminhar, lhor estratégia é procurar conhecer Parece complicado, mas trocar alimentos prejudiciais por o prazer das atividades físicas, comidas saudáveis. Tudo isso além de informar sobre os seus quando posto em prática traz “Fazer loucuras em nome bons resultados. benefícios. Apenas atividades agradáveis podem competir daquilo que dizem ser “o E além de resultados no umas com as outras. corpo, a autoestima sai gacorpo perfeito” não irá mu Fazer loucuras em nhando também. Aquela sennome daquilo que dizem ser “o dar o fato de que a saúde sação de missão cumprida, corpo perfeito” não irá mudar aquela sensação de “eu conpode estar dizendo tchau.” o fato de que a saúde pode essegui” faz parte do efeito tar dizendo tchau. Comer bem provocado pela dedicação na é mais o que comer pouco, é autoestima. Fica a dica: tenha saber comer a quantidade certa na com dedicação e força de vontade, paciência. Nem tudo que é feito hora certa. Estar em forma envolve o enigma de como estar “de boa” com pressa irá valer a pena. Tenha várias questões: dormir bem, ter com o seu corpo se desvenda. Po- foco e dedicação e os resultados um ótimo dia, praticar exercícios, der colocar a rotina descontrolada serão visíveis. seguir uma dieta balanceada e que de trabalho com a rotina de reser-

Fica a Dica O calor do verão já está dando as caras. Com isso, aumenta a preocupação em manter o corpo em forma. Com as altas temperaturas e o risco de desidratação decorrente da estação, o consumo de água deve ser maior. Optar por frutas cítricas é o melhor caminho. São nesses dias de tempo livre em que as pessoas prometem fazer caminhadas e exercícios físicos, dietas sem pé e nem cabeça. Por isso, preste atenção a seguir, pois, preparamos duas dicas para você:

1.Descanse bem: Ter uma boa noite de sono influencia (e muito) na sua disposição do dia seguinte. Desligue-se dos problemas e relaxe. Afinal, a noite foi feita para recarregar as energias. Segundo o doutor psiquiátrico José Rui Bianchi “a necessidade diária de sono para o adulto é uma média de oito horas e de preferência à noite”. Então nada de ficar até de madrugada nas maratonas de seriados ou de conversas na internet. Somos acostumados a dormir durante a noite. “Nosso relógio biológico é controlado pelo claro-escuro” justifica o Dr. Bianchi em um artigo publicado no portal Mais Equilíbrio, do site Terra. 2.Cuide com a desidratação: Com as altas temperaturas do verão (e também da primavera), o risco de ficar desidratado aumenta. Ao suar, vamos perdendo líquido e ele precisa ser reposto. Ao praticar algum exercício beba água, é sempre bom ir repondo o líquido que vamos perdendo, isso evita transtornos futuros. Fotos: Reprodução

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Moda vem do ato de se vestir. Hoje em dia é uma indústria que gera empregos e muito lucro para quem nela está envolvida. A ação de escolher uma determinada peça de roupa de acordo com o seu estilo e com o que você gosta já é moda. Em um termo simples, é como você se veste, que estilo você tem e como é a relação entre a sua aparência e os seus sentimentos, ou seja, seu interior. Já o que vemos nas passarelas, nas capas de revistas fashion e nas vitrines de loja são tendências. Aquilo que todos vão vestir na próxima estação, as peças que vão bombar nas lojas mais caras e que inspiram as demais a colocarem essas roupas à venda. As produções que são exibidas nas

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COLUNA

A moda de ser quem você é Lucas Baldin semanas de moda, nos desfiles e afins, são um guia do que estará nas ruas. As peças todas produzidas, verdadeiras obras de arte, não são logicamente para se usar no dia a dia, como dito, são apenas uma referência, qual será o corte, as cores e estampas, tecidos que será o ponto alto do momento. Um fato que fica evidente é que nem tudo que está na tendência é para todos. Uma peça de roupa que todos os famosos, que todas as pessoas referências em vestuário e estilo estão usando, pode não cair bem para o seu corpo. Isso se torna um pecado na hora de montar um visual para o dia a dia ou para o lazer. Além de se frustrar por não ficar “bem” em determinada camiseta ou calça, pode-se ainda

desenvolver algum tipo de complexo. Acabar por fazer alguma loucura pelo físico necessário para ficar de acordo com a “tendência”. E tudo isso é necessário? Ficar deprimido e se martirizando por não ter “o corpo” não é a saída. Lembre-se: a moda é de todos. Encontre as peças que valorizam seu corpo e seu estilo. A moda é feita por você e para você. É o reflexo do que tu pensas sobre si mesmo. Parece fútil, eu sei, mas não é. Como você se veste interfere nas primeiras impressões. É o reflexo do interior. Não se deprima caso digam que você está fora de moda. Pois para quem diz, pode ser que o estilo que você adota não venha a ser o mesmo de quem opina.


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