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BERLIM RECEBE UNIDADES DO E-CITARO

interbuss ANO 9 • Nº 437 • 31 DE MARÇO DE 2019

MOBILIDADE

&

TRANSPORTE

QUEM VAI LEVAR?

Negociações secretas levantam suspeitas sobre quem vai comprar a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo


8 ANOS 400 EDIÇÕES MAIS DE 10.000 PÁGINAS

SEMPRE EM

A Revista InterBuss completa mais um ano de vida e chega à 400ª edição, mais uma vez renovada. Sempre acompanhando as tendências do mercado, buscando as informações onde elas estão e levando aonde o público está. Por isso estamos sempre mudando, pois estamos em movimento, assim como o transporte e a mobilidade urbana.


MOVIMENTO

interbuss MOBILIDADE

&

TRANSPORTE


Edição 4 3 7

31 DE MARÇO DE 2019

NESTA EDIÇÃO

NOSSOS CONTATOS 06 EDITORIAL A chuva que caiu em São Paulo afetou seriamente os transportes, mas a /portalinterbuss

Uma publicação da InterBuss Comunicação Ltda. ARTE E DIAGRAMAÇÃO InterBuss Comunicação SOBRE A REVISTA INTERBUSS A Revista InterBuss é uma publicação semanal do site Portal InterBuss com distribuição on-line livre para todo o mundo. Todo o conteúdo da Revista InterBuss provenientes de fontes terceiras tem seu crédito dado sempre ao final de cada material. As fotos que ilustram todo o material da revista são de autoria própria e a reprodução também é autorizada apenas após um pedido formal via e-mail. As imagens de autoria terceira têm seu crédito disponibilizado na lateral da mesma e sua autorização de reprodução deve ser solicitada diretamente ao autor da foto, sem interferência da Revista InterBuss. A impressão da revista para fins particulares é previamente autorizada, sem necessidade de pedido. PARA ANUNCIAR Envie um e-mail para contato@portalinterbuss. com.br ou ligue para (19) 99483-2186 e converse com nosso setor de publicidade. Você poderá anunciar na Revista InterBuss, ou em qualquer um dos sites parceiros do grupo InterBuss, ou até em nosso site principal. CONTATO A Revista InterBuss é um espaço democrático onde todos têm voz ativa. Você pode enviar sua sugestão de pauta, ou até uma matéria completa, pode enviar também sua crítica, elogio, ou simplesmente conversar com qualquer pessoa de nossa equipe de colunistas ou de repórteres. Envie seu e-mail para revista@portalinterbuss. com.br ou contato@portalinterbuss.com.br. Procuramos atender a todos o mais rápido possível. A EQUIPE INTERBUSS A equipe do Portal InterBuss existe desde 2000, desde quando o primeiro site foi ao ar. De lá pra cá, tivemos grandes conquistas e conseguimos contatos com os mais importantes setores do transporte nacional, sempre para trazer tudo para você em primeira mão com responsabilidade e qualidade. Por conta disso, algumas pessoas usam de má fé, tentando ter acesso a pessoas e lugares utilizando o nome do Portal InterBuss, falando que é de nossa equipe. Por conta disso, instruímos a todos que os integrantes oficiais do Portal e Revista InterBuss são devidamente identificados com um crachá oficial, que informa o nome completo do integrante, mais o seu cargo dentro do site e da revista. Qualquer pessoa que disser ser da nossa equipe e não estiver devidamente identificada, não tem autorização para falar em nosso nome, e não nos responsabilizamos por informações passadas ou autorização de entradas dadas a essas pessoas. Qualquer dúvida, por favor entre em contato pelo e-mail contato@portalinterbuss. com.br ou pelo telefone (19) 99483.2186, sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia.

culpa é de quem?

07 A IMAGEM MARCANTE

Confiram a foto de transporte de maior destaque da semana

08 A GRANDE MATÉRIA

A Ford Caminhões do Brasil volta a ser assunto, depois de aparecerem interessados em suas operações

10 MOBILIDADE NO BRASIL

Licitações para mobilidade digital em Curitiba recebem propostas interessantes em vários setores

11 MOBILIDADE NO MUNDO

União Europeia e fabricantes de carros em pé de guerra por conta das metas para redução de poluentes

12 PÔSTER

Caio Apache Vip, por Gabriel Dias

14 DEU NA IMPRENSA

As notícias que foram destaque na grande imprensa especializada em transportes na semana passada

16 ACERVO PORTAL INTERBUSS

Confiram fotos que foram enviadas desde 2006 para o Portal InterBuss e foram publicadas na antiga Galeria de Imagens do site

20 REDES SOCIAIS

As melhores fotos de ônibus publicadas em redes sociais na última semana, com destaque para o movimento do feriado

22 VIAGENS & MEMÓRIA

Confira a coluna quinzenal de Marisa Vanessa N. Cruz


interbuss MOBILIDADE

Primeiro produto da Marcopolo Rail é baseado no ônibus Viale BRT, cuja aparência já se assemelha a um trem

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15

&

TRANSPORTE


Editorial

Enchentes em São Paulo: de quem é maior culpa? A cidade de São Paulo e mais algumas localidades que ficam ao seu redor passaram por uma situação bastante difícil na semana passada, quando houve um forte temporal que deixou várias regiões alagadas. Como de praxe, o transporte coletivo também sofreu bastante com a quantidade de água que caiu na região, mas o que mais chamou a atenção foi o fechamento completo da linha 10 da CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Grande parte da via ficou completamente debaixo d’água, incluindo algumas estações. O transporte ferroviário ficou paralisado por mais de um dia pois os trens não tinham a menor condição de circular. Tudo bem que o volume de chuva foi algo completamente fora do normal, porém um plano de emergência deveria existir para que houvesse a total dissipação da água em pouco tempo. Apesar da chuva ter caído em um dia, no dia seguinte as enchentes ainda persistiam, sobretudo nas estações. Foi muito comum ver imagens nas redes sociais e nas emissoras de televisão, as estações completamente cheias de água, muito lixo boiando e a

CPTM apenas esperando o que fazer. Não seria mais útil se os colaboradores da empresa ajudassem, de alguma forma, na evacuação da estação. Enquanto tudo estava debaixo d’água, o usuário ficou também bastante perdido pois já estava acostumado a ir para seus compromissos pelo meio ferroviário e do dia pra noite viu-se obrigado a achar uma alternativa de última hora. Diante de tal cenário, de quem é a culpa de tudo isso? Será que a culpa foi de São Pedro que mandou muita água para a região? Mais uma vez o maior culpado é o poder público, porém não podemos deixar de observar que o próprio usuário é culpado por toda essa barbárie que paralisou os transportes ferroviários de algumas linhas por causa das enchentes. Quando a pessoa come um salgadinho, ao invés dela jogar o papel em um lixo, ela joga imediatamente no chão. Isso acaba indo parar nas bocas de lobo, prejudicando o escoamento de água quando chove. Se a água dentro das estações estava acompanhada de muito lixo, a culpa foi do usuário que não jogou o lixo no recipiente correto. “Ah mas não tinha nenhuma lixeira por perto”. Essa é

uma das frases mais ouvidas nos últimos tempos e ainda serve como desculpa para jogar o lixo no chão. Não pode guardar uma garrafinha de suco em uma sacolinha ou dentro da bolsa até encontrar uma lixeira? Ou se não encontrar nenhuma, não pode levar para casa e jogar lá? Agora, em relação à culpa do poder público, está na manutenção das estações e das linhas férreas. Como que ainda nos dias de hoje pode-se usar estações que foram concebidas no século retrasado? Utilizar os mesmos espaços e os mesmos prédios é muito bom até para preservar a história da região, etc, mas o que deveria mudar era a forma de operar essas estações, adaptando-as à atualidade. Algumas delas foram construídas em péssimos locais, que no passado ainda tinha alguma funcionalidade, o que não ocorre mais hoje. Seria interessante se o Governo do Estado revisse algumas estações e construísse novas ou ao menos readequasse as antigas aos padrões necessários nos dias de hoje. Enquanto isso não acontece, a população segue vulnerável, mas já pode colaborar jogando o lixo no lixo.


A imagem marcante

Manaus, AM

Sexta-feira, 29 de março de 2019

Um acidente de trânsito envolvendo um ônibus articulado e dois carros deixou três pessoas feridas na Zona Leste de Manaus. As vítimas foram socorridas e levadas para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. De acordo com a polícia, o motorista do transporte coletivo da linha 652 trafegava em sentido centro/ bairro quando perdeu o controle do veículo, invadiu o canteiro central atingiu dois carros, uma picukp e um Fiat Punto, em um posto de gasolina. As informações são do Em Tempo.


A grande matéria

DÉCADAS DE HISTÓRI QUEM VAI LEVAR? • Da Transporte Mundial <transportemundial.com.br>

Está cada vez mais série a caminhada para a venda da fábrica de caminhões da Ford em São Bernardo do Campo (SP). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o interesse exigiu dos envolvidos a assinatura de um contrato de confidencialidade até a conclusão do negócio. Qual marca você apostaria ser o interessado? Apõs o governador de São Paulo, João Doria, anunciar que há duas multinacionais e uma empresa brasileira interessadas em estudar uma proposta para a compra da fábrica da Ford em São Barnardo do Campo (SP), onde são produzidos os caminhões da marca, ficou aberto as especulações nos bastidores. Entre as empresas brasileiras não há necessidade de especular, pois o Grupo Caoa já confirmou interesse em, pelo menos, estudar a possibilidade. E faz todo o sentido para o Grupo Caoa investir na Ford Caminhões. Trata-se de uma empresa que cresceu com parcerias e foco no mercado nacional. Foi responsável por trazer Renault e Citroën para o Brasil, marcas, depois assumidas por suas matrizes.

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Depois trouxe Hyundai e Subaru. Mais recentemente, formou uma joint venture com a Chery para produção dos automóveis e SUV Chery. O Grupo Caoa é rápido em suas decisões e obteve sucesso em todas empreitadas. Além disso, é, ou foi, o maior distribuidor Ford no Brasil. O foco do grupo é o Brasil, único mercado da Ford Caminhões, com exportação para alguns países da América do Sul. Na Turquia há a Ford Otosan, outra empresa, joint venture entre o Grupo Koç e a Ford Motor Company com foco apenas na Europa do Leste e do Oriente. Segundo o presidente da Ford Sul América, Lyle Watters, a Ford Otosan não tem interesse na Ford Caminhões brasileira. Assim, se a Ford Caminhões não interessa mais a Ford Motor Company, que anunciou que terá foco apenas em SUV e picapes, a marca pode ser muito lucrativa para o Grupo Caoa. Entre as multinacionais, são mais opções e no momento não há nenhum indicativo de qual seja, apesar dos rumores no ano passado sobre interesse da DAF. Mas vale lembrar que a Volvo, em 2012, queria ter uma segunda marca

no Brasil para competir, exatamente, nos segmentos que a Ford Caminhões é bastante competitiva: chassis rígidos semipesados, médios, leves e semileves. Na época, as opções mais prováveis dentro do Grupo Volvo eram UD e Renault Trucks. Teria que haver um grande investimento em linha de produção, contratação e treinamento de funcionários, marketing para divulgar a nova marca e criação da rede de concessionárias. No caso da Ford Caminhões, está tudo pronto. Porém, o Grupo Volvo não faz nada sem pensar e analisar os prós e contra antes. Assim, é difícil de imaginar que ela seria uma das multinacionais interessadas de última hora. Após reunião na manhã desta quintafeira (21/02), com o presidente da Ford América do Sul, Lyle Waters, o governador de São Paulo, João Doria, assumiu o compromisso de ajudar a achar um comprador para a fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo (SP) para manter os empregos. Não será um tarefa fácil, mas tentar é preciso. O ideal é que o foco não seja vender a fábrica em si, pois isso pode não garantir a preservação de empregos,


IA:

mas sim, vender a unidade de caminhões, preservando empregos na fábrica, em fornecedores e na rede de distribuidores. Esta unidade, mesmo lucrativa, está fora das ambições e foco da Ford Motor Company nos Estados Unidos. A Ford Caminhões vendeu 9.314 unidades em 2018 e tem potencial para vender mais de 11 mil em 2019 caso consiga preservar uma imagem positiva conquistada ao longo das últimas décadas. Ela foi a quarta maior montadora em 2018, atrás da Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo, e na frente de Scania, Iveco e DAF. No segmento de caminhões semipesados, o segundo mais importante e

Várias montadoras estão de olho na Ford brasileira, porém o negócio ainda está em sigilo

lucrativo da indústria, a Ford tem uma importância ainda maior, sendo a terceria maior do Brasil, atrás apenas de Volkswagen e Mercedes-Benz. Nos bastidores do setor, há meses que haviam boatos sobre uma possível negociação para a venda da divisão Ford Caminhões para a DAF, o que não foi confirmado e nenhum acordo se tenha chegado. As duas empresas sempre evitaram comentar o assunto, mas um ou outro funcionário acabava comentando. Do ponto de vista de mercado, uma venda para a DAF faria sentido. Em uma entrevista publicada por TRANSPORTE MUNDIAL em 21 de dezembro 2017 (link para a entrev-

ista completa no final deste texto), o presidente mundial da DAF Trucks, Preston Feight, após ser questionado porque a marca tem baixa penetração no segmento de caminhões rígidos (no qual a Ford é mais atuante), deu a seguinte respostas: “A DAF, tradicionalmente, é muito forte no mercado de cavalo mecânico. Mas eu quero que a DAF seja dominante no segmento rígido também. E isso é certamente possível. No Reino Unido, temos um bom equilíbrio. Na Holanda vendemos uma porcentagem proporcionalmente maior de rígidos também. Não vejo porque não podemos ter igual sucesso em todos os lugares”.

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Mobilidade no Brasil Dinheiro do Aeromóvel de Canoas terá outro Curitiba escolhe novas destino tecnologias para a mobilidade urbana local

TECNOLOGIAS LICITADAS • Da CBN Curitiba <cbncuritiba.com> Três licitações para implantar novas tecnologias na área de mobilidade urbana em Curitiba estão na reta final dentro da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A). O EstaR Digital, o aplicativo da frota de táxis da cidade e o credenciamento para venda de créditos de transporte tiveram propostas apresentadas e que estão sendo analisadas. Estar Digital O Estar Digital terá seus blocos de papel substituídos por um aplicativo de celular. A fiscalização das vagas rotativas também vai ser realizado via aplicativo pelos agentes da Setran (Superintendência Municipal de Trânsito). Na fase final da licitação, 17 empresas apresentaram propostas. Segundo o coordenador da Área de Licitação da Urbs, Samuel Freire Agostinho, a empresa vencedora da licitação tem até 180 dias para implementar o sistema. Créditos de transporte A ampliação dos pontos de venda

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de crédito de cartão-transporte é outra licitação da Urbs que trará tecnologia para dentro do transporte público, facilitando a vida do passageiro. Duas grandes empresas de pagamentos online estão se credenciando para disponibilizar a venda de créditos: a Mercado Pago e a Recarga Pay. Ambas as empresas vão funcionar como aplicativos para celular. Os passageiros que comprarem créditos por meio desse serviço ganhará tempo na recarga. Hoje, com o pagamento realizado por boleto gerado na internet, o tempo para a passagem ser embarcada na bilhetagem eletrônica é de 72 horas. Com a implementação dos novos aplicativos esse tempo deve cair para 24 horas. Além dessas duas plataformas, a Urbs tem feito reuniões técnicas com duas das maiores redes bancárias do país, que estão preparando seus sistemas para fazerem o credenciamento e poder vender créditos de transporte nos caixas eletrônicos e também por aplicativos. Aplicativo de táxi

Curitiba está prestes a ter um aplicativo próprio para a frota de táxi da cidade. Três propostas foram apresentadas à Urbs, uma desabilitada (empresa SW) e outras duas estão sendo analisadas (Infosist e Serttel). O sistema poderá ser usado pelos taxistas de forma única e similar aos aplicativos privados do mercado. “Hoje, por exemplo, o Uber cobra dos motoristas credenciados de 22% a 33% de comissão no valor das corridas”, disse o gestor da Área de Tecnologia da Informação da Urbs, Vilson Kimmel A adesão ao aplicativo da cidade será opcional para os cerca de três mil taxistas de Curitiba. A Urbs não terá receita com o aplicativo, nem custo. A margem máxima de estipulada na licitação é de até 7% sobre as corridas para o vencedor. As três empresas apresentaram as seguintes taxas de comissão. A empresa SW ofereceu o máximo de 1,52% na comissão das corridas. A Infosist, 1,89% e a Serttel, 4,25%. Os resultados destas licitações estão publicados no Diário Oficial do Município de Curitiba e também no site da Urbs (www.urbs.curitiba. pr.gov.br).


Mobilidade no Mundo

Montadoras europeias já reclamam das metas de redução de emissão de poluentes para 2030

IMPOSSÍVEL? • Do Automotive Business <automotivebusiness.com.br> Dentro de alguns anos à frente, quando as metas de redução de emissões de CO2 impostas pela União Europeia (de 40% entre 2020 e 2030) provocarem milhares de demissões na indústria automotiva da Europa, além de restringir drasticamente o acesso da classe média aos automóveis particulares, sem no entanto atingir os objetivos propostos, certamente Carlos Tavares será um dos primeiros a dizer: “Nós avisamos”. No caso, “nós” é a associação dos construtores europeus de veículos, a Acea, que Tavares preside atualmente, acumulando o cargo de CEO do Grupo PSA. Para ele, a Comissão Europeia (CE) tomou uma “decisão brutal”, que coloca em risco o futuro da indústria e seus 13 milhões de empregados em 15 fabricantes que atuam nos 28 países do continente. “Simplesmente não quiseram nos ouvir. Dissemos a eles que o ideal seria 20% de redução das emissões até 2030, pois sabemos como fazer isso sem desestabilizar o setor inteiro. Tudo bem se tivessem nos desafiado com 27% ou 28%. Mas não 40%, o dobro da nossa recomendação. Seguiram na atitude infantil de que tudo que se impõe à

indústria automotive é possível. Não é”, dispara Carlos Tavares. O executivo afirma que a decisão votada pelo Parlamento Europeu em outubro de 2018 trará dias difíceis à indústria. Tavares explica que, para reduzir as emissões de CO2 a níveis tão baixos, não há outra alternativa senão transformar em carros elétricos ao menos 30% da frota, para só assim evitar as pesadas multas previstas pela legislação europeia – em 2018 apenas 2% das vendas no mercado europeu foram de modelos elétricos recarregáveis. “Como os veículos a bateria são muito mais caros, isso quer dizer que a classe média não poderá pagar por eles. A UE está criando uma mobilidade elitista, portanto. Esse encarecimento vai restringir a mobilidade das pessoas e fazer as vendas caírem bastante. Com mercado em queda e cada vez menor, os fabricantes já anunciaram, só para começar, que a partir de 2020 devem demitir cerca de 30 mil empregados nos próximos anos. Isso já está anunciado, é a primeira consequência dessa legislação brutal. Um deputado eleito pelo povo não deveria ter esse poder de eliminar empregos”, afirma. A outra alternativa, ele pondera, “seria vender 30% dos carros (os elétricos) com prejuízo, o que obviamente não é

sustentável e teremos de reestruturar, fechar fábricas, demitir pessoas. Mas os governos europeus não parecem ter qualquer sensibilidade quanto a isso”. ELÉTRICOS TRAZEM RESTRIÇÕES Tavares alerta ainda para muito outros problemas sem solução antes de partir para nível tão elevado de eletrificação. “Não existem na Europa postos de recarga para atender a esse aumento de demanda, nós (fabricantes de veículos) estamos fora desse mercado e os governos não têm recursos para fazer. Também não há fábricas de baterias suficientes para equipar todos esses veículos, os fornecedores estão quase todos na Ásia. Lembro ainda que as baterias representam quase metade do custo de um automóvel elétrico, então vamos transferir esse capital e empregos para fora dos países europeus.” A retração do mercado europeu também trará como consequência a queda na arrecadação fiscal. Em 2017 (último dado disponível) a taxação sobre veículos em 15 países-membro da União Europeia gerou € 413 bilhões em impostos pagos. “Certamente parte disso passará a ser aplicado sobre o consumo de energia”, aponta Tavares.

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interbuss MOBILIDADE

&

TRANSPORTE

FERNANDO MARTINS

Viação Boa Vista, em Hortolândia/SP


Deu na imprensa

BLINDADO TOTAL

Protege está com caminhão que pode transportar produtos de alto valor

• Da Transporte Mundial <www.transportemunidial.com.br>

A situação de segurança pública no Brasil faz aumentar os custos logísticos no Brasil. Um exemplo é o crescimento da atuação de transportadoras de valores atuando no transporte de cargas de maior valor agregado. Para isso, essas transportadoras precisam investir em carretas blindadas, custo, que obviamente, é pago pelo consumidor final dos produtos transportados sem direto a abatimento no Imposto de Renda. O Grupo Protege, por exemplo, apresentou na Intermodal o serviço carga segura com caminhão VW Constellation 25.420 blindado 8×2 com carreta semirreboque furgão de três eixos com capacidade para 28 pallets. Assim, o Grupo Protege oferece aos embarcadores toda sua experiência em transporte de valores para o transporte de mercadorias de alto valor agregado, como eletrônicos e insumos farmacêuticos. A empresa, inclusive, conta com carreta refrig-

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erada apropriada para o transporte de produtos perecíveis ou com

temperatura controlada e licença sanitária da Anvisa.


Primeiras unidades do elétrico da Mercedes-Benz vão para Berlim

e-CITARO ALEMÃO • Da Transporte Mundial <www.transportemunidial.com.br> A Mercedes-Benz entregou as 15 primeiras unidades do eCitaro, ônibus urbano totalmente elétrico, para a cidade de Berlim. Com o modelo conta com um sistema especialmente desenvolvido de arcondicionado e aquecimento para evitar uso intenso das baterias. Em condições de trânsito intenso, a autonomia do eCitaro é de 150 km. Em condições favoráveis, é de 250 km. A carroceria conta com 15 tomadas USB para os passageiros recarregarem seus celulares e três monitores internos com informações para os passageiros. Câmaras externas fornecem informações ao motorista sobre a presença de pedestre e ciclistas. Enquanto isso, em São Paulo, 63% da frota de ônibus ainda é de motor diesel Euro 3, tecnologia que foi trocada por Euro 5 em 2012, porém, a falta de renovação da frota não permite os benefícios tecnológicos da indústria de ônibus.

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Acervo Portal InterBuss

As fotos publicadas na antiga Galeri

Anderson Ribeiro

Cesar Castro

Alberto Semedo Neto

Carlos Alberto

Comil Campione Scania K124IB Viação Campinas

Marcopolo Paradiso G7 1200 Mercedes-Benz O-500RS Expresso Itamarati

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Comil Campione 4.05HD Mercedes-Benz O-500RSD Expreso Internacional Ormeño

Monobloco MBB Mercedes-Benz O-400RSD Viação Itapemirim


ia de Imagens do Portal InterBuss

o

Josenilton Cavalcante da Cruz Marcopolo Torino Mercedes-Benz OF-1721 E3 Transurbano Guatemala

Cassio Moutinho

Marcopolo Viale Mercedes-Benz O-500U Saens PeĂąa www.portalinterbuss.com.br | 17


Acervo Portal InterBuss

As fotos publicadas na antiga Galeria

Marcio Douglas Ribeiro Venino

Matheus Novacki

Paulo Henrique Marques

Paulo Rafael Peixoto

Marcopolo Paradiso G7 1200 Mercedes-Benz O-500RSD Viação Motta

Marcopolo Torino Volksbus 17 230 EOD Cooper Pam

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Marcopolo Paradiso G7 1200 Scania K-310 Real Brasil

Caio Millennium Scania K270UB Expresso Maringá


a de Imagens do Portal InterBuss

Wesley Araujo

Marcopolo Paradiso G6 1200 Mercedes-Benz O-500RS Viação Cometa

Transpen

Marcopolo Paradiso G7 1200 Scania K380 Transpen www.portalinterbuss.com.br | 19


Rede Social

As melhores fotos de ônibus publicadas nas redes sociais

Fernando Martins Antunes

Wladimir Livramento

Raphael Malacarne

Marcos Pedrazzi

Caio Foz Super Viação Lira OCD Holding

Marcopolo Paradiso G7 1200 Emtram OCD Holding

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Mascarello Gran Via Viação Pinheiral OCD Holding

Marcopolo Viaggio G7 1050 Expresso Pégaso OCD Holding


o

Pedro Henrique Thomaz Marcopolo Torino Viação da Montanha OCD Holding

Luciano Formiga

Marcopolo Paradiso G7 1200 Pássaro Verde OCD Holding www.portalinterbuss.com.br | 21


Viagens & Memória

MARISA VANESSA N. CRUZ Independência Transportes Coletivos

Uma das viações que deixaram saudades foi a Viação Independência, ou Independência Transportes Coletivos, que mais tarde mudou para Cidade Verde. A Independência existiu desde os anos 60, ligando a capital paulista à cidade de Embu-Guaçu. E era braço direito da Viação Sete de Setembro (que fazia linhas municipais da capital paulista), que este último deixou de existir em 1978 por não atender às novas exigências da licitação dos transportes. Sua única linha até então era 012 Embu-Guaçu (Cipó) – São Paulo (Santo Amaro). Por volta de 1982, a empresa dá início à sua expansão de linhas, criando a linha 226 Embu-Guaçu (Cipó) – São Paulo (Metrô Santa Cruz). Nos anos 90, a linha 012 é prolongada até o Shopping Morumbi, e em 1998, a mesma linha tem seu trajeto totalmente modificado, até o Metrô Jabaquara (não passando mais por Santo Amaro). E a 226, prolongada até o bairro da Chácara Flórida. Ainda no final dos anos 90, a Independência resolve atender linhas novas, ligando bairros mais distantes de Parelheiros até Embu-Guaçu, como linhas 421 e 423, mas mesmo assim foram extintas anos após.

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Há ainda dois pontos, que a empresa tentou se expandir: - Criação da Viação Cidade Verde, atendendo linhas seletivas de EmbuGuaçu para a Rodoviária do Tietê, e mais tarde até a região de Pinheiros (ambas as linhas foram extintas anos depois). - Compra da Viação Monte Alegre, conhecida como “Jurema Intermunicipal”, passando a atender cidades de Itapecerica da Serra. Assumiu duas linhas tradicionais, a 009 Santo Amaro – Embu-Guaçu (Santa Júlia) e 010 Santo Amaro – Itapecerica da Serra (Crispim), e a 237 Santo Amaro – Itapecerica da Serra (Jardim São Pedro), além da recém criada 395 Itapecerica da Serra (Jardim das Oliveiras) – Metrô São Judas. A partir dessas duas compras, segundo moradores da região a empresa começou a se endividar, causando um suicídio de um dos sócios por volta de 2005. E para atender à nova licitação da EMTU, as linhas intermunicipais convencionais passaram também a se chamar Cidade Verde. Enquanto isso, com a inauguração da estação de metrô Capão Redondo, algumas de suas linhas foram seccionadas para lá, criando a 513 (Jardim das Oliveiras), 558 (Chácara Flórida),

563 (Vila Louro, em Embu-Guaçu), e até a 561 (Jardim São Pedro), fazendo o mesmo caminho da 237 até Santo Amaro, apesar de o mesmo 237 ser seccionado também para Capão Redondo. E também lembro de outras viagens parciais da 226, como a 410 (partindo do Cipó) e a 548 (Borba Gato), além da 547 (Shopping Interlagos) como viagem parcial da 012. Uma das últimas compras de veículos novos foi em 2008, quando comprou modelos Caio Apache Vip II na frota. Com a obrigatoriedade de seccionamentos no Terminal Grajaú, as linhas 012 e 226 passaram a ter saídas naquele terminal, reduzindo ainda mais a frota e arrecadando menos, que por volta de 2010 infelizmente por ter grande parte de veículos quebrados e ineficiência de suas linhas, mesmo mudando de razão social para Auto Unida, a EMTU resolve suspender todas as operações da empresa, repartindo suas linhas entre as empresas do Consórcio Intervias. Boa parte de seus ônibus foram postos à venda, enquanto a outra parte teve seus veículos abandonados e depenados na garagem. Uma pena que mais uma viação deixou de existir.


A MOBILIDADE DEVE SER PARA TODOS. PARA QUEM ANDA NA RUA E NA CALÃ&#x2021;ADA.

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A INTEGRAÇÃO DOS MODAIS NÃO É UMA UTOPIA. CIDADE SUSTENTÁVEL É CIDADE INTEGRADA.

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Revista InterBuss | Edição 437 | 31.03.2019  

Edição com 24 páginas | Confira nesta edição matéria sobre a possível venda da fábrica da Ford Caminhões em São Bernardo do Campo. Vejam tam...

Revista InterBuss | Edição 437 | 31.03.2019  

Edição com 24 páginas | Confira nesta edição matéria sobre a possível venda da fábrica da Ford Caminhões em São Bernardo do Campo. Vejam tam...

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