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Alguns estudos apontam como fatores importantes para o desenvolvimento da doença: - Aspectos neuroquímicos: diminuição de substâncias através das quais se transmite o impulso nervoso entre os neurônios, tais como a acetilcolina e noradrenalina. - Aspectos ambientais: exposição/intoxicação por alumínio e manganês. - Aspectos infecciosos: como infecções cerebrais e da medula espinhal. - Pré-disposição genética em algumas famílias, não necessariamente hereditária. Hoje alguns especialistas já arriscam dizer que existem duas variações de Alzheimer. Noventa e cinco por cento dos portadores apresentam a doença esporádica, aquela que surge depois dos 60 anos sem que haja, necessariamente, a presença de outros casos na família. E 5% têm o que o chamamos de Alzheimer familiar. Só que, nesse caso, o mal pode acometer o indivíduo antes dos 60 anos e evoluir mais rapidamente. Cuidados especiais A doença de Alzheimer não afeta apenas o paciente, mas também as pessoas que lhe são próximas. A família deve se preparar para uma sobrecarga muito grande em termos emocionais, físicos e financeiros. Também deve se organizar com um plano de atenção ao familiar doente, em que se incluam, além da supervisão sociofamiliar, os cuidados gerais, sem esquecer os cuidados médicos e as visitas regulares ao mesmo, que ajudarão monitorar as condições da pessoa doente, verificando se existem outros problemas de saúde que precisem ser tratados.

Até que ponto a perda de memória em razão da idade é normal? O sinal de alerta deve ser acionado no momento em que as perdas de memória tornam-se frequentes e passam a atrapalhar a rotina. Isso acontece, por exemplo, quando a pessoa vai ao supermercado e não sabe como voltar de lá. Ou, então, quando ela se esquece como se prepara aquele prato de sempre. Paulatinamente, vem esquecimento atrás de esquecimento. Isso impede que o indivíduo se mantenha atualizado e compromete suas atividades no dia a dia. Acentuam-se, assim, as suspeitas de que o responsável pela memória cada vez mais frágil seja o Alzheimer. Aumento do número de portadores de Alzheimer Os médicos esboçam duas explicações para o fenômeno. A primeira delas diz respeito à maior expectativa de vida das pessoas em todo o planeta. E a idade, como mencionamos, é um dos principais fatores de risco para a eclosão da doença. Em outras palavras, o risco aumenta à medida que os anos passam — tanto faz ser homem ou mulher. Outro motivo é a maior precisão nos diagnósticos. No fim das contas, o próprio holofote que a medicina lançou sobre a doença propicia, felizmente, que mais casos sejam detectados e, consequentemente, tratados.

Como afastar a doença? Quando o assunto é Alzheimer, prevenção ainda é palavra controversa. Como os genes entram em jogo e algumas dúvidas rondam o mal, os médicos hesitam em prescrever medidas 100% eficazes. O que já se sabe, no entanto, é que botar a cabeça para funcionar é regra básica para protegê-la. Manter a massa cinzenta ativa — exercitandose intelectualmente, trabalhando e interagindo com outras pessoas — aumenta as chances de se ver livre do mal. O grande perigo é se aposentar e parar de exercitar o cérebro. Estudos recentes revelam, aliás, que os males cardiovasculares e o diabete tornam o organismo mais suscetível à doença neurodegenerativa. Dessa forma, conservar uma dieta equilibrada, com menos gordura e açúcar, praticar atividades físicas e tomar cuidados extras com a glicemia e a pressão arterial são medidas importantes para blindar a cabeça e fazê-la pensar por muito, muito tempo.

19 | REVISTA INTERATIVA | SETEMBRO 2011

66º Edição Revista Interativa (Set/2011)  

66º Edição Revista Interativa (Set/2011)

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