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UFPI em números: Entre as 39 do país;

melhores universidades

107 cursos de graduação, entre eles 15 são do Ensino a Distância; Em 2002 eram oferecidos nove cursos de mestrado, hoje são 45 mestrados e 10 doutorados ; Comunidade acadêmica com cerca de 47.000 pessoas , sendo 1.858 professores, 720 doutores, 771 mestres, 1.086 servidores técnicos, 41.452 alunos de graduação e 1.590 alunos de programas de pós-graduação; Em 10 anos, o número de vagas para estudantes passou de 2.345 presenciais para mais de 6.300 ; O CEAD possui mais de 10 mil alunos matriculados, distribuídos em 39 polos no Piauí e 02 na Bahia.


Expediente INTERAÇÃO - EDIÇÃO 14 ANO 10 - N.º 2017.1 Publicação semestral produzida pela Assessoria de Comunicação e pelo Setor de Produção de Material Didático do Centro de Educação Aberta e a Distância CEAD/UFPI Reitor da UFPI Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes Vice-reitora da UFPI Prof.ª Dr.ª Nadir do Nascimento Nogueira Diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância/Coordenador da UAB na UFPI Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes Vice-diretora do CEAD/UFPI Prof.ª Dr.ª Lívia Fernanda Nery da Silva Coordenadora Adjunta da UAB na UFPI Liana Rosa Brito Coordenadora da Revista Fernanda Ito Ota da Purificação Equipe Responsável Fernanda Ito Ota da Purificação Cleidinalva Oliveira Projeto Gráfico e Diagramação Cleidinalva Oliveira Francinaldo da Silva Soares Fotografias Fernanda Ito Ota da Purificação Arte e Capa Cleidinalva Oliveira Revisão Djane Oliveira de Brito Maria das Graças Targino Pareceristas Djane Oliveira de Brito Georgina Quaresma Lustosa José Elielton de Sousa Thamirys Dias Viana Conselho Editorial Arnaldo Oliveira Souza Júnior Gildásio Guedes Fernandes José Vanderlei Carneiro Leila Lima de Sousa Lívia Fernanda Nery da Silva

Editorial Aprofundar o debate sobre a Modalidade de Educação a Distância é o nosso foco. Nesta perspectiva, o Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI) lança a 14ª edição da Revista Interação – periódico publicado desde 2007 para divulgar as ações da EaD no Piauí. Nesta edição o leitor terá acesso a matérias especiais sobre o CEAD: a expansão dos Polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) instalados em mais quatro municípios piauienses; a nova diretoria do CEAD/UFPI para o quadriênio 2017-2021, além de dados sobre os mais de 3.500 alunos formados pelo Centro. Para falar sobre a EaD e as perspectivas desta modalidade, entrevistamos a Coordenadora Pedagógica do Projeto Especial de Ensino a Distância da Universidade de Coimbra-Portugal, Profa. Dra. Maria Teresa Ribeiro Pessoa. Nos quadros tradicionais da Revista, o leitor poderá conferir as “Dicas de Livros”, com produções de professores do CEAD; o “Giro nos Polos”, com as ações realizadas pelo Estado, e o “Perfil do Aluno”, com a participação da recém-formada em Letras Português pelo Polo de Simplício Mendes, Nataly Elen Barbosa. Na produção científica, a Revista Interação desenvolve o debate por meio dos ensaios sobre o tema “Das produções do conhecimento à ética da responsabilidade no âmbito da Educação a Distância”. Sinta-se convidado a nos conhecer! Boa leitura!


CAPA

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Mais quatro municípios passam a ofertar cursos de graduação pelo CEAD/UFPI

Ensaios

Seções

pedagógicas na Educação a Distância: por 10 Estéticas veredas éticas

05 Formaturas

Jovina Silva / Renato Lima

produção colaborativa do conhecimento 16 Aferramenta de incentivo à cidadania

como

Mário Sérgio Araújo Dias

22 Educação a Distância: singularidades e desafios Antonella Maria das Chagas Sousa

na modalidade 30 Especializações Universidade Federal do Piauí

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Fadex

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Entrevista

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Perfil do aluno

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Posse CEAD/UFPI

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Dicas de livros

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Giro nos polos

a distância na

Mariane Goretti de Sá Bezerra Leal


FORMATURAS

3801 alunos já foram formados pelo CEAD/UFPI Por Fernanda Ito Ota

A

Universidade Federal do Piauí, por meio do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI), já formou 3.801 profissionais, dentre bacharéis e licenciados. O Centro está presente em 39 Polos no Piauí e 02 na Bahia, ofertando 15 cursos de graduação na Modalidade a Distância. PEDAGOGIA

A Licenciatura em Pedagogia foi o curso de graduação que mais formou alunos, totalizando 689 pedagogos. Atualmente, conta com 1.089 alunos ativos, distribuídos em 20 Polos. De acordo com o Coordenador do Curso, Prof. Dr. Baltazar Cortez, esses números se devem ao fato de a formação de pedagogos ser uma necessidade crescente na sociedade. “São muitas oportunidades de trabalho, considerando-se as Revista Interação ● Edição 14

vagas ofertadas pelos municípios, Estado e instituições privadas. Os pedagogos, distribuídos ao longo dos Polos, são absorvidos pelo mercado de trabalho, pois a legislação educacional vigente (Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996) exige que o profissional da Educação Infantil e do Ensino Fundamental do primeiro ao quinto ano, tenha formação em curso de Pedagogia”, afirmou. Outro ponto citado pelo Coordenador é a flexibilidade na área de atuação do profissional que, além de docente, pode ser enquadrado como técnico em educação, atuando na gestão escolar, já que a grade curricular do curso, na UFPI, tanto na modalidade presencial quanto a distância, contemplam essa área. “É uma honra trabalharmos para o engrandecimento do nosso Estado, colaborando para o fortalecimento educacional. É muito

gratificante para nós, enquanto professores e gestores, pois vemos a responsabilidade de realmente estarmos formando profissionais para atuarem com competência e aptos a participarem do processo de formação das nossas crianças, tanto na Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental”, concluiu. FORMATURAS

Para o Coordenador do curso de Letras Português, Prof. Dr. Milton Batista, é uma satisfação participar das solenidades de formaturas. “Quando chegamos neste momento, vemos o quanto o trabalho torna-se gratificante. Para nós professores, fazer parte desta jornada e saber que tivemos importância na vida de cada um dos nossos alunos é muito satisfatório. Sabemos das dificuldades, mas devemos ressaltar o empenho de

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Solenidade de Colação de Grau em Buriti dos Lopes

Formatura Floriano

Formatura Castelo do PI

Diretor do CEAD e Coordenador de Polo entregam diploma simbólico a formando

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Formatura Floriano

todos aqueles que se esforçam e contribuem para que a EaD aconteça em nosso Estado”, disse. Francisca d as Chagas Madeira, recém-formada em Química pelo Polo de Floriano, morava em São Félix do Piauí, distante 240 quilômetros do Polo. Durante o primeiro ano de curso, teve que enfrentar a rotina de se deslocar de sua cidade para participar dos encontros presenciais, mas, posteriormente, decidiu morar em Floriano. “Como não morava em uma cidade que ofertava cursos

Formandos do curso de Biologia fazem juramento

presenciais, a EaD foi a forma viável que encontrei para cursar uma graduação. É uma modalidade muito boa, já que requer do aluno muita atenção e responsabilidade, pois o professor exige muito e cabe ao aluno procurar novos conhecimentos para chegar aonde chegamos. Agora quero continuar meus passos, fazer uma pós, um mestrado e futuramente um doutorado”, contou. Cícera Poliana, formada em Filosofia pelo Polo de Castelo do Piauí, conta como iniciou o curso e quais os seus planos Revista Interação ● Edição 14


Fotos: Fernanda Ito Ota Formatura Piracuruca

Formatura Inhuma

para o futuro. “Dentre os cursos ofertados na época, resolvi escolher a Filosofia, pois era o que eu mais gostava. No decorrer do curso fui me identificando e hoje amo a Filosofia. Por meio dela mudei muito minha vida. Aprendi a ver as coisas de forma diferente, aceitar determinadas situações, mas também questionar de forma adequada quando necessário. Quero seguir em frente, repassar o que aprendi para meus alunos e me aperfeiçoar cada vez mais”, declarou. Revista Interação ● Edição 14

Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes, presidindo solenidade de formatura

Com a entrada dos mais de 9 mil alunos no vestibular realizado em 2016, o alunado da UFPI passa a ser composto por cerca de 40% de alunos da Modalidade a Distância. Deixamos de ser a Universidade de Teresina para sermos, de fato, a Universidade Federal do Piauí.

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ALUNOS ATIVOS

Atualmente o Centro possui 14.907 alunos ativos, o que, segundo o diretor do CEAD, Prof. Dr. Gildásio Guedes, corresponde a um terço do total de alunos da UFPI. “Com a entrada dos mais de 9 mil alunos no vestibular realizado em 2016, o alunado da UFPI passa a ser composto por cerca de 40% de alunos da Modalidade a Distância. Deixamos de ser a Universidade de Teresina para sermos, de fato, a Universidade Federal do Piauí”, ressaltou. A Coordenadora do Polo UAB de Simões, Prof.ª Maria do Socorro Bento Reis, destaca a importância da Educação a Distância. “Podemos observar dois momentos distintos

na história da nossa região: antes e depois da EaD. São mais de vinte municípios dos quais recebemos alunos, e como é bom vê-los já inseridos no mercado de trabalho. Muda-se a vida do aluno, da região e das comunidades, pois torna as pessoas mais autônomas, prontas para encarar o mundo moderno em que estamos”, afirmou. Matemática O Curso de Licenciatura em Matemática possui a maior quantidade de alunos ativos. São 37 turmas, totalizando 1.914 alunos em 27 polos. As primeiras turmas iniciaram em 2007 e já foram formados 608 alunos. O Coordenador do Curso, Prof. Me. Maycon Silva, ressalta

ALUNOS FORMADOS Administração Administração Pública Sistemas de Informação Pedagogia Filosofia Física Química Matemática História Geografia Ciências Biológicas Ciências da Natureza Computação Letras Português Letras Inglês TOTAL

a qualidade da graduação, que foi avaliada com nota 4 no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), em um índice que varia de 0 a 5. “O Curso de Matemática é importante primeiro pela deficiência na quantidade de professores no Piauí, além de ser uma área que envolve tudo, está no nosso dia a dia e na vida das pessoas. Para nós é muito gratificante sabermos que nos mais longínquos lugares têm professores de Matemática sendo formados. A nota do curso no Enade reflete a qualidade e o comprometimento com os alunos. O Curso tem o seu sucesso. Sabemos que temos nossas deficiências e limites, mas estamos caminhando para melhorar ainda mais”, disse. ALUNOS ATIVOS

450 269 270 689 404 198 254 608 298 181 180 3.801

1.672 416 1.035 1.089 1.734 227 564 1.914 702 1.586 374 81 830 1.100 1.583 14.907

Ofertados somente a partir de 2014, os Cursos de Licenciatura em História, Geografia, Ciências da Natureza e Computação são recentes e as primeiras turmas ainda realizarão Colação de Grau.

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Revista Interação ● Edição 14


Desde 2007 a Revista Interação debate e divulga as ações da EaD no Piauí

Revista Interação ● Edição 14

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ENSAIO

Estéticas pedagógicas na Educação a Distância: por veredas éticas INTRODUÇÃO

A

busca pela excelência no ensino e na educação de uma forma em geral associase diretamente com a ética, entendida como princípio e valor moral que deve ser comungado entre a sociedade e o professor no espaço da sala de aula. No terreno da Educação a Distância (EaD), a aprendizagem é mediada primordialmente por meio de aparatos tecnológicos e digitais que estreitam a relação entre professor e aluno. Essas redes interconexas ampliam as noções de ensino e aprendizagem, alterando as formas como se apresentam os objetos do conhecimento, considerando-se, deste modo, que ensinar e aprender são atividades recíprocas, mútuas e complementares que se (des) fazem e se (des) constroem na relação entre os sujeitos da ação educativa. Guiamo-nos nesta discussão pelo seguinte questionamento: quais são as possibilidades e os limites da inf luência da organização estética na prática pedagógica, mediada pela ética? Acreditamos que os baldrames que

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aprimoram a intervenção do sujeito na sociedade sustentam-se na justiça, nos processos das relações humanas, que ocorrem via ética, na formação e atuação de professores, com possibilidade de libertação da cultura da educação bancária, rumo à transformação, respeitando os valores éticos consolidados no processo cultural. A estética na Educação a Distância pela mediação ética A educação sob a ótica de formação global constitui atividade estética e ética desafiadora, com interfaces entre sentimentos, emoções e razão, o que viabiliza o resgate das formas de expressão humana. Freire (2002a) destaca que a beleza não é privilégio de uma classe, mas uma construção compar tilhada por todos, precisando ser conquistada a cada momento, a cada decisão, por meio de experiências, atitudes capazes de criar e recriar o mundo, mediados pela ética, que perpassam desde a concepção da educação formal, ao compromisso, à coerência, ao respeito profissional e à mudança,

na busca de sujeitos conscientes de seu papel numa sociedade cidadã. Duarte Júnior (1981), recorrendo ao olhar de Santos (2014, p. 28-29), afirma: Educação estética constitui uma atitude do sujeito frente ao mundo; ao estabelecimento de uma relação sensível, de beleza, de harmonia com o mundo e, logicamente, essa relação se amplia para outros campos que não apenas à obra de arte. Com isso fica patente que a experiência estética pode promover um rearranjo subjetivo. O homem moderno sofre um processo de desfragmentação, em virtude de suas atividades cotidianamente rotineiras o que o impede de olhar em volta de contemplar um belo pôr do sol, de sentir sensações novas, havendo uma dissociação entre ele e a realidade circundante que lhe tolhe a sensibilidade.

O aspecto estético, como se verifica, torna-se indispensável na educação, processo, que segundo Freire (2006, p. 40), visa à libertação humana e à transformação da realidade, possibilitando que as Revista Interação ● Edição 14


Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Jovina Silva Renato Lima

pessoas sejam sujeitos de sua história e não meros objetos, visto que nos assumirmos “[...] como sujeitos e objetos da história nos torna seres da decisão, da ruptura, seres éticos.” Ser e agir de forma ética, guiado pelos princípios de uma ética da responsabilidade é saber que, sendo a educação, por sua própria natureza, diretiva e política, “eu devo sem jamais negar meu sonho ou minha utopia aos educandos, respeitá-los, como o mesmo autor prescreve (FREIRE, 2002b, p. 78). A educação, em qualquer modalidade de ensino, precisa organizar-se esteticamente e eticamente, e na modalidade a distância, especialmente, não pode se omitir desse compromisso. É ainda Freire (2002b) quem afirma que a formação estética e ética acontece em sala de aula, a partir do diálogo entre sociedade, escola, professor e aluno, que lutam por um projeto de educação transformadora e conscientizadora, numa dimensão crítica e criativa do processo, onde o ato de conhecer, de criar e recriar objetos faz da educação uma arte, Revista Interação ● Edição 14

sensibilizando e estabelecendo interações através de diferentes linguagens. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A influência da dimensão estética nos processos formativos na escola, especialmente na EAD, constrói-se na relação com o espaço físico ou virtual, o conteúdo, a competência do professor na interação com os alunos, em atitudes que reverberam a produção de conhecimento, a criação e recriação de sentidos e significados à luz da educação ética. Diante do exposto, a ética e a estética pressupõem t ransfor mação. A educação estética estabelece abertura para o enriquecimento do processo de ensino e aprendizagem. É no belo processo de conhecer, que se imprime a ética como sustentáculo, expressa no respeito à diversidade do aluno e do meio social. Desta forma, a articulação entre estética, ética e educação precisa ser pensada e reconstruída a partir do engajamento coletivo dos sujeitos em situações concretas,

como forma de minimizar as distorções sociais que fortalecem as desigualdades, o que pressupõe, portanto, uma prática pedagógica que se realiza nas estratégias ativas estabelecidas no espaço da sala de aula, a qual exige um pensar a estética e ética, ressignificando o sentido da ação educativa. REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 25. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002a. ______. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002b. ______. A sombra desta mangueira. 8 ed. São Paulo: Olho d´Água, 2006. SANTOS, Maria Luzimar Fernandes dos. A dimensão estética na docência: narrativa docente sobre a análise do discurso no curso de letras. 2014. 83 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Cidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

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FADEX

Universidades poderão cobrar mensalidades por cursos de pós-graduação lato sensu

A

s universidades públicas poderão cobrar mensalidade em curso de especialização lato sensu. A decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF), em reconhecimento ao fato de que a cobrança dos cursos de especialização, tradicionalmente ofertados pelas universidades públicas, não fere o artigo 206 da Constituição Federal, o qual estabelece em seu inciso IV a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. A decisão é definitiva, não cabendo mais recurso, e elimina a insegurança jurídica decorrente do acúmulo de ações que demandavam a gratuidade destes cursos. Os cursos de mestrado e doutorado (stricto sensu) continuam com gratuidade garantida. C o n fo r m e r e s s a lt a o superintendente da Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (Fadex), Prof. Dr. Lívio Nunes, docente do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a possibilidade de cobrança por cursos de especialização representa uma grande vitória para a educação. “A decisão do STF tranquiliza a comunidade acadêmica e reafirma o papel das fundações de apoio

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vinculadas às universidades na gestão destes recursos, conferindo respaldo jurídico a uma prática que já acontece nas instituições públicas de ensino superior do país”, explicou o superintendente da Fadex. O ministro Edson Fachin, relator da ação no STF, considerou que as universidades públicas realizam outras atividades além do ensino e que o princípio da gratuidade não as obriga a contar apenas com recursos públicos para cumprir a sua missão institucional. Ele destacou que a Constituição diferencia Ensino, Pesquisa e Extensão. Em seu entendimento, o curso de extensão lato sensu, quesito no qual a pós-graduação se encaixa, não entra no que é obrigatoriamente gratuito. “A função exercida pelas universidades públicas é mais ampla do que a maneira pela qual elas obtêm financiamento. O princípio da gratuidade exige, tão somente, que, para todas as tarefas necessárias à plena inclusão social, missão do direito à educação, haja recursos públicos disponíveis para os estabelecimentos oficiais”, afirmou o ministro ao proferir seu voto a favor da cobrança. As universidades contaram com o apoio de entidades como a Sociedade Brasileira para o

Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies) e associações de representação de docentes. O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), prof. Dr. Fernando Peregrino, destacou que a mobilização das entidades foi decisiva para a aprovação do autofinanciamento dos cursos de especialização. “A decisão do STF reafirma também o papel das fundações de apoio que são as responsáveis por gerenciar os recursos financeiros deste tipo de pós-graduação. Nós que fazemos parte do Confies, bem como as fundações de apoio às Instituições de Ensino Superior, defendemos a cobrança destes cursos por entendermos que eles são complementares à formação do cidadão”, esclareceu Peregrino. Entenda o caso O assunto da cobrança pela pós-graduação lato sensu foi parar no STF devido às recorrentes Revista Interação ● Edição 14


“A decisão do STF reafirma também o papel das fundações de apoio que são as responsáveis por gerenciar os recursos financeiros deste tipo de pós-graduação. Nós que fazemos parte do Confies, bem como as fundações de apoio às Instituições de Ensino Superior, defendemos a cobrança destes cursos por entendermos que eles são complementares à formação do cidadão”.

Revista Interação ● Edição 14

se melhor para alcançar melhores oportunidades no mercado de trabalho”, destacou o Prof. Dr. Lívio César Cunha Nunes.

Fotos: Ascom Fadex

contestações junto ao Ministério Público Federal a respeito de tal cobrança, utilizando como argumento o fato de a Constituição prever a gratuidade do ensino público para todos os níveis. A q u e s t ã o chegou à instância jurídica superior após a Universidade Federal de Goiás (UFG) recorrer de uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão do TRF1 considerava inconstitucional a cobrança de mensalidade em um curso oferecido pela universidade. O processo foi aberto por um aluno, após ele já ter efetuado e pago sua matrícula, por este ser contra a cobrança da mensalidade. Como o processo tem repercussão geral, a decisão do STF passa a valer para todo o país. “O ganho maior é para o Estado, que não tem como custear sozinho este tipo de especialização. Em tempos de crise econômica, sem a cobrança por cursos de pós-graduação, muitos deles não poderiam ser ofertados. Quem perde com a inexistência da pós-graduação paga são os alunos, que já passaram pela graduação gratuita e que já estão inseridos no mercado de trabalho e não terão como se especializar capacitando-

Superintendente da Fadex, Prof. Dr. Lívio Nunes

“A decisão do STF tranquiliza a comunidade acadêmica e reafirma o papel das fundações de apoio vinculadas às universidades na gestão destes recursos, conferindo respaldo jurídico a uma prática que já acontece nas instituições públicas de ensino superior do país”.

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ENTREVISTA

Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Aprendizagem mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)

A Revista Interação entrevistou a professora Teresa Pessoa, Coordenadora Pedagógica do Projeto Especial de Ensino a Distância da Universidade de Coimbra, e que atualmente participa de projetos nacionais e internacionais na área da (má) utilização das tecnologias por jovens e adolescentes, da aprendizagem mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), da Educação a Distância, da Formação de Professores e da Pedagogia no Ensino Superior. Revi s ta Interação – Como funciona a educação superior em Portugal no que se refere ao processo de inserção nas Instituições, valores e qualidade? Teresa Pessoa – Não existem testes específicos para cada Faculdade. Existem exames nacionais no ensino secundário

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Maria Teresa Ribeiro Pessoa Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Licenciada em Psicologia e Doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Coimbra. Tem desenvolvido trabalho docente nas seguintes áreas: Formação de Professores, Tecnologia Educacional e E-Learning, em âmbito nacional e internacional, em mestrados e doutorados. É membro do Grupo de Estudos de Educação e de Formação da Universidade de Coimbra, membro colaborador do Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social da Universidade de Coimbra e membro integrado do Le@ds (Laboratório de Ensino a Distância da Universidade Aberta), em Lisboa.

português, cuja classificação determina a possibilidade de entrar em uma ou em outra Faculdade ou Curso. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, o aluno paga um valor anual. A graduação tem um valor e varia de Faculdade para Faculdade, e acontece o mesmo com os mestrados e doutorados. Ambas as modalidades de ensino são importantes e complementares, e com muita qualidade. RI – Como funciona a Educação a Distância em Portugal? Teresa – Sempre foi missão e propósito da Universidade Aberta de Portugal¹ facilitar a formação a distância para um público diverso, o mesmo não acontece com as Universidades Clássicas de Portugal. A Universidade de Coi mbr a , u n ive r sid a de portuguesa mais antiga e na qual trabalho, tem se preocupado com a possibilidade de alcançar novos

públicos, e o Projeto de Ensino a Distância desta Universidade (UC-D), que integramos e com o qual colaboramos na Coordenação Científico-Pedagógica, foi criado oficialmente em 2010. Temos criado cursos, não conferentes de grau, que abrangem diversas áreas e diversos públicos, com um alcance mundial. Tem sido feito um trabalho de alta qualidade com uma equipe multidisciplinar que integra, fundamentalmente, os saberes das seguintes áreas: Informática, Ciências da Educação, Tecnologia Educativa, Gestão da Formação, Design e Multimídia. Temos cursos em sistema de Blended-learning² e cursos em D-learning³, isto é, completamente a distância. Cursos de formação continuada de professores e cursos em áreas específicas, como é o caso de ‘Escrita Acadêmica’ e de ‘Metodologias de Investigação’, além de cursos protocolados com Revista Interação ● Edição 14


o Instituto Camões, que visam promover e melhorar os processos de ensinar e aprender o ‘português como língua não materna’. É um trabalho diversificado e de alta qualidade científica e pedagógica e, claro, tecnológica. RI – Seja em Portugal ou no Brasil, a Educação a Distância precisa ser melhorada? Em que aspectos? Quais tecnologias educacionais precisam ser otimizadas? Teresa – Sim, a tecnologia é muito importante para mediar as interações entre os docentes e os tutores, os conteúdos e os aprendentes. Pensamos que as grandes melhorias se situarão no domínio da Pedagogia e no desenho de percursos formativos significativos e de qualidade, que serão promotores de mudança e melhoria da vida dos cidadãos. RI – Você já visitou o Piauí e alguns Polos de Apoio Presencial no Estado. Acredita que a forma como a EaD se desenvolve em cursos de graduação no Brasil, especialmente nos municípios piauienses, é uma forma de inclusão social realmente efetiva? Teresa – Gostei muito de conhecer o Piauí e o trabalho que o CEAD faz neste Estado do Brasil. É um trabalho de qualidade com profissionais preocupados e que acreditam na EaD e procuram minimizar os riscos que esta modalidade de ensino representa – que é o abandono. Fiz essas visitas aos Polos também com dois profissionais de excelência, o Professor Vanderlei e a Professora Revista Interação ● Edição 14

Tem sido feito um trabalho de alta qualidade com uma equipe multidisciplinar que integra, fundamentalmente, os saberes das seguintes áreas: Informática, Ciências da Educação, Tecnologia Educativa, Gestão da Formação, Design e Multimídia. Temos cursos em sistema de Blendedlearning e cursos em D-learning, isto é, completamente a distância. Georgina, e conheci a importância do ‘dar colo’, isto é, uma tutoria de qualidade, na prevenção do abandono destes alunos em EaD. Num país tão grande, com um Estado com a dimensão do Piauí, e com características tão adversas e difíceis, se não é realmente uma forma eficaz de inclusão é, porém, um esforço sério nesse sentido. É um trabalho que devia ser bem registrado e publicado revelando o empenho do CEAD nesse objetivo. R I – Nesta edição da Revista Interação os ensaios são voltados para a reflexão sobre a nossa responsabilidade ética no campo da tarefa acadêmica, seja

mediada pelas plataformas digitais a distância ou encontros físicos presenciais. Como conciliar esta responsabilidade de produção de conhecimento pela e para a internet? Teresa – As Revistas devem dar conta da nossa capacidade de olhar bem o mundo, de escrever bem o mundo e de escrever com os sentidos, sejam estes os do olhar, do tato, da escuta, como ainda, e igualmente importantes, o da responsabilidade, o do rigor e do (re)conhecimento do valor do que escreve, para si, e para os outros. Se antigamente eu tinha o lápis de carvão e o livro como artefatos principais da escrita e da leitura, eu hoje tenho um equipamento mais avançado que deveria me permitir conhecer mais e escrever melhor. Tanto ontem como hoje temos responsabilidades éticas: de respeito com o que se vê e escuta, de consideração pelo que os outros já viram e escreveram e pela originalidade da minha escrita e respeito pelo meu pensamento. Apesar da ‘trapaça’, hoje mais fácil com a ajuda da internet e do ‘copy & paste’, devemos sempre treinar a criatividade e o desenvolvimento do espírito crítico. É todo um conjunto de desafios e um caminho de vida. 1 - Fundada em 1988, a Universidade Aberta (UAB) é a única instituição de ensino superior público em Portugal de Ensino a Distância (EaD). 2 - Busca combinar práticas pedagógicas do ensino presencial e do ensino a distância. 3 - Ensino não presencial apoiado em tecnologia.

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Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Produção colaborativa do conhecimento como ferramenta de incentivo à cidadania

Mário Sérgio Araújo Dias Graduando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e pesquisador do Grupo de Estudos de Teoria Política Contemporânea (DOXA). E-mail: mario.sergioaraujodias@gmail.com

A

p r o d uç ã o c ola b or at iva do conhecimento possui importante papel em nossa sociedade, já que permite ao cidadão, ao mesmo tempo, ser o criador e o consumidor do conhecimento produzido. A pa r t icipação cidadã no desenvolvimento e na propagação do conhecimento está intimamente atrelada à prática da cidadania, uma vez que todo conhecimento útil, que visa ao crescimento da sociedade, parte diretamente dos cidadãos que a compõem. Desta forma, podemos considerar tal prática como

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mecanismo cíclico focado sempre em melhorias e na otimização dos processos que atualmente regem nossa sociedade. Sendo assim, o Ensino a Distância (EaD) apresentase como ferramenta de fomento à produção de conhecimento que tende a garantir maior participação da sociedade nos processos de criação de conteúdos relevantes para as coletividades, pois, devido ao uso das tecnologias voltadas para o EaD, não existe dificuldade em se destinar espaço físico para tal prática, tampouco é necessário deslocar-se até um ambiente acadêmico, já que a própria tecnologia permite a criação de ambientes virtuais, garantindo diminuição significativa no número de faltas tão comum em algumas instituições de ensino. Devido ao seu importante papel na sociedade, pois garante acesso à educação a pessoas que dificilmente conseguiriam alcançar tal objetivo recorrendo às formas tradicionais de educação, a prática do Ensino a Distância necessita sempre estar pautada por valores éticos e com foco no avanço da sociedade à sua volta, ou seja, os docentes que compartilham de seu conhecimento e garantem a produção de novos conhecimentos devem agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de

bem-estar social possível, sabendo que o conhecimento, neste caso, é produzido e compartilhado por meio do uso de tecnologias. Assim, é possível perceber o potencial e o alcance do EaD. A educação, como instituição de construção social, é uma das bases de toda sociedade democrática. Isto demonstra a responsabilidade que discentes e docentes possuem ao exercer a cidadania diretamente em suas práticas de aprendizado e de ensino, pois o conhecimento deve ser compartilhado e deve ser construído para o desenvolvimento da sociedade. O EaD mostra que o conhecimento pode ser produzido em qualquer lugar e não apenas dentro de uma sala de aula, característica esta que prova a inexistência de barreiras para o ensino. O EaD é resultado de ações colaborativas e deliberativas entre discentes e docentes num ambiente virtual, onde as pessoas agem com maior liberdade, conseguem obter referências mais facilmente, devido ao uso da internet. Além de obterem e const r uí rem conhecimentos referentes ao curso escolhido, ainda estão melhorando significativamente suas habilidades no uso de computadores e dispositivos eletrônicos. Neste contexto, o EaD, além de produzir Revista Interação ● Edição 14


conteúdo e formar cidadãos mais participativos, consiste em ferramenta de inclusão social e digital, permitindo o crescimento pessoal e intelectual do cidadão, permitindo a propagação do conteúdo obtido, melhorando a sociedade em seus diversos segmentos, como o trabalho, por garantir trabalhadores mais bem formados e com maior possibilidade de tempo para outras atividades, como lazer, acesso à cultura etc. O s p r ofe s s o r e s q u e utilizam o EaD como ferramenta para compartilhar e produzir conhecimento estão, antes de tudo, formando cidadãos e melhorando o ambiente à sua volta. Desta forma, é necessário que esses docentes estejam comprometidos com o desenvolvimento da sociedade de forma a alcançar cada vez mais a promoção da justiça social e a diminuição das desigualdades sociais. Ao assumirem este importante papel, é de suma importância que os docentes conheçam os alunos, suas realidades, seus locais de origem e mantenham como meta a constante melhoria dos processos educacionais e o uso inteligente da tecnologia para chegar a este resultado tão importante para o crescimento do país. Isto é, a obtenção de conhecimento e sua produção devem ser sempre incentivados na sociedade, independentemente da forma e das ferramentas utilizadas para isso, pois esta prática é muito importante para o contexto social, conforme explica Maria Abreu: Só o conhecimento, por meio de diferentes linguagens mediadas ou não pela tecnologia, garante a

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possibilidade de agir e interagir de forma efetiva na sociedade moderna e o distanciamento dos saberes condenam o indivíduo ao isolamento, à discriminação e à exclusão de sua cidadania (ABREU, 1999, p. 12).

Na prática do Ensino a Distância, é necessário que o professor tenha como base práticas e ações que visem ao coletivo e não ao individual. Somente desta forma é possível alcançar o desenvolvimento social. Além disto, o professor precisa agir com a mesma ética e com os mesmos valores que agiria dentro de uma sala de aula, já que a produção do conhecimento não determina um local específico para acontecer. Todo lugar pode servir de palco para que o conhecimento seja produzido, até o mais abstrato, qual seja, o ambiente virtual para ensino e troca de informações. Desta forma, o professor conseguirá cumprir seu papel de ator social responsável pela formação intelectual e cidadã de seus alunos ao mesmo tempo que está também ampliando seu conhecimento a fim de garantir melhorias nas práticas de ensino. As ferramentas criadas para o EaD, em sua maioria, são desenvolvidas através de software livre e de código aberto. É muito importante rememorar isto, pois demonstra a lógica de inclusão da ferramenta e do processo de Ensino a Distância, já que este tipo de software possui custo quase zero e não necessita de licenças comerciais, permitindo que o processo de aprendizado por este meio seja, quando não, quase gratuito. O EaD, quando unido a práticas éticas e com foco no desenvolvimento da sociedade

de forma colaborativa, representa em si mesmo a cidadania tão necessária para garantir a dinâmica de desenvolvimento da sociedade, na qual, por meio do ensino, do aprendizado, do debate e da troca de informações, o cidadão tornase mais participativo, consegue fazer sua voz ser ouvida e obtém o conhecimento necessário para seu crescimento pessoal e intelectual. As políticas públicas que fomentam as diversas formas de ensino, destacando-se o EaD, baseiam-se na tentativa de assegurar a autonomia para o indivíduo através da educação. As políticas públicas de inclusão social visam a alcançar grande parte da população que está praticamente excluída e impossibilitada de exercer sua cidadania e o EaD, então, nos possibilita ver que, através da educação, o indivíduo desenvolve habilidades que permitam sua ascensão social, uma vez que o conhecimento e uma boa formação garantem um bom emprego. Assim, o indivíduo terá condições de melhorar o ambiente à sua volta, fortalecendo a cidadania pela educação e pela sua prática no dia a dia. Todo este processo ocorre entre cidadãos ativamente par ticipantes na sociedade, e este movimento tem como intuito o desenvolvimento social, assegurando a justiça social, a diminuição das desigualdades e a criação de uma base sólida do saber. REFERÊNCIAS ABREU, Maria Rosa et al. Incluindo os excluídos: escola para todos. Experiências de educação a distância no Brasil. Brasília: UNESCO, 1999. 17


CAPA

quatro

Mais municípios passam a ofertar cursos de graduação pelo CEAD/UFPI

Por Fernanda Ito Ota

A

partir deste ano, a Universidade Federal do Piauí, por meio do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI), passa a ofertar cursos de graduação, na Modalidade a Distância, em mais quatro Polos de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil (UAB), nos municípios de Cajazeiras do Piauí, Itainópolis, Santa Cruz do Piauí e São José do Peixe. Os quatro Polos foram aprovados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e passaram por uma vistoria para que pudessem efetivar seu funcionamento e, assim, ser contemplados pelas vagas do Vestibular de Educação a Distância realizado em dezembro de 2016. Este foi o maior vestibular de Educação a Distância das Universidades Públicas do Brasil, ofertando 9.310 vagas para 14 cursos de Graduação, distribuídas em 39 polos no Piauí e 02 polos na Bahia. Deste total, 9.240 vagas foram preenchidas, tendo um percentual de 99% de aproveitamento.

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Diretor do CEAD/UFPI ministra palestra durante Aula Inaugural no Polo UAB de Cajazeiras

A UFPI possui cerca de 40 mil alunos, destes, 15 mil são da EaD. Antigamente podíamos dizer que existia a Universidade de Teresina. Hoje, com a expansão para diversas cidades, podemos realmente ser chamados de Universidade Federal do Piauí. Aproveitem esta oportunidade, pois o estudo é a principal forma de mudança social.

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Novos Polos

Eu sou de família sem condições financeiras. Um novo horizonte surge para nós a partir desta oportunidade que nos ajuda a sair do anonimato e sermos alguém na vida. Eu fico grato não só por mim, mas por todos aqueles que também não poderiam continuar os estudos e agora podem.

Jânio Rodrigues, aprovado para o curso de Geografia no Polo UAB de Itainópolis

Fotos: Fernanda Ito Ota

Os quatro novos Polos beneficiam cerca de 900 alunos com os cursos de Bacharelado em Administração, Administração Pública e Sistemas de Informação, além das Licenciat uras em G e og r af ia , L et r a s I ng lê s , Matemát ica , Ped agog ia , Computação, Filosofia e História. Segundo o prefeito de São José do Peixe, Valdemar Santos, a Escola Municipal Martinho de Sousa Mendes foi reformada e adequada com investimentos no valor de R$ 310 mil reais, oriundos do próprio município, para abrigar o Polo da Universidade Aberta. “Nós escolhemos a melhor escola do município, localizada no centro da cidade, para servir como Polo da educação a distância. Na reforma foram feitas todas as instalações adequadas para o funcionamento do Ensino Superior:

salas climatizadas, biblioteca, laboratório de infor mática, restaurante universitário, além da área administrativa e toda a adaptação de acessibilidade”, disse o prefeito. Pa r a o presidente d a A s s o c i a ç ã o P i a u ie n s e d e Municípios (APPM), Gil Carlos, a UAB é um programa estratégico para o desenvolvimento do Piauí,

Novos alunos do Polo UAB de Cajazeiras

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tendo o Estado o maior número de alunos de EaD no ensino público do país. “Esses números mostram não só a capacidade de gestão empreendedora, mas também o compromisso da UFPI, do Governo do Estado e de todos os parceiros. Só quem viveu a dificuldade de terminar o Ensino Médio e não poder cursar o Ensino Superior sabe o valor destas instalações”, afirmou. Aulas Inaugurais Durante as Aulas Inaugurais nos novos Polos, o Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes, proferiu a palestra “Sucesso dos Improváveis”, na qual conta as motivações e os obstáculos na busca do sucesso, e a importância dos estudos como mudança de vida. “A UFPI possui cerca de 40 mil alunos, destes, 15 mil são da EaD. Antigamente podíamos dizer que existia a Universidade de Teresina. Hoje, com a expansão

para diversas cidades, podemos realmente ser chamados de Universidade Federal do Piauí. Aproveitem esta oportunidade, pois o estudo é a principal forma de mudança social”, ressaltou o Diretor. Aprovado para o curso de Geografia no Polo de Itainópolis, Jânio Rodrigues destaca a chance como única e motivo de alegria para qualquer família. “Eu sou de família sem condições financeiras. Um novo horizonte surge para nós a partir desta oportunidade que nos ajuda a sair do anonimato e sermos alguém na vida. Eu fico grato não só por mim, mas por todos aqueles que também não poderiam continuar os estudos e agora podem”, declarou o calouro. A Coordenadora do Polo UAB de Santa Cruz do Piauí, Adália Araújo, ressaltou o papel da UFPI: “A dedicação ao estudo fará com que cada um seja um futuro profissional no mercado de trabalho. A Universidade é um importante centro de ensino que oferece oportunidade para que as pessoas tenham um curso

superior gratuito e de qualidade. Essa oportunidade chega não só para nossa cidade, mas também para as pessoas das cidades vizinhas”, disse. UAB A UFPI oferta cursos de graduação na modalidade de Educação a Distância por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, para “o desenvolvimento da modalidade de educação a distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no País”. O sistema funciona como instrumento para a universalização do acesso ao ensino superior, minimizando a concentração de oferta de cursos de graduação nos grandes centros urbanos e evitando o fluxo migratório para as grandes cidades. Na tabela que segue, é possível identificar a distribuição dos cursos nos novos Polos:

Cajazeiras

Bacharelados: Administração e Sistemas de Informação. Licenciaturas: Geografia, Letras Inglês, Matemática e Pedagogia.

Itainópolis

Bacharelado: Administração. Licenciaturas: Geografia e Letras Inglês.

Santa Cruz do Piauí Licenciatura: Computação, Filosofia, História e Letras Inglês. São José do Peixe

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Bacharelado: Administração Pública. Licenciaturas: Geografia, História, Letras Inglês e Pedagogia.

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Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes, e Prefeito de São José do Peixe, Valdemar Santos Solenidade de inauguração do Polo de São José do Peixe. Da esquerda para direita, o Presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Gil Carlos; o Deputado Federal Marcelo Castro; o Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes e o Prefeito de São José do Peixe, Valdemar Santos

Diretor do CEAD/ UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes, e do seu lado direito o Presidente da APPM (de branco) e o prefeito de Cajazeiras (terno preto)

Novos alunos do Polo UAB de Cajazeiras

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Aula Inaugural no Polo UAB de Cajazeiras

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TEXTO DA LEITORA

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: Fotos: Arquivo CEAD/UFPI

singularidades e desafios

Antonella Maria das Chagas Sousa Mestra em Administração e Organizações (UFPB). Coordenadora do Curso de Administração CEAD/UFPI. E-mail: adm.cead@hotmail.com

A

o compreender-se, a partir do Decreto n.º 5.622, de 19 de dezembro de 2005, Art. 1º, a Educação a Distância (EaD) como uma modalidade educacional na qual o ensino e a aprendizagem são mediados por tecnologias, é fato afirmar que esta apresenta uma proposta pedagógica diferenciada. Isto é, consubstanciada em lugares ou tempos diversos a partir de uma metodologia com características própr ias se comparada ao modelo presencial de ensino e aprendizagem. Trata-se, portanto, de novos paradigmas concernentes às formas de ensino e aprendizagem

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e que pedem que a definição de seus indicadores de resultados sejam mensurados através de uma avaliação sistemática, contínua e eficaz. Nesse sentido, o desafio que se coloca para este estudo preliminar são as peculiaridades do processo de ensino e da metodologia de EaD mediados pelas Tecnologias de Informação e Comu n ica çã o ( T ICs). O professor, o tutor e o aluno cumprem seus papéis e exercem suas funções em tempo e espaço diferentes, fazendo uso das TICs. A utilização das TICs – como a Internet, a teleconferência, os A mbie nt e s Vi r t u ais de Aprendizagem (AVAs) e outras plataformas semelhantes – tem como foco principal mediar a educação por meio de ferramentas tecnológicas que propiciem novas condições de aprendizado, encurtem distâncias, tragam novas concepções de tempo; elevem o grau de conectividade e viabilizem novas formas de relacionamento entre os sujeitos do conhecimento (MOR AN, 2014). É interessante ressaltar, no entanto, que apesar de as TICs facilitarem a apreensão da informação e do conhecimento, e com isso propiciar a flexibilidade

de tempo e de espaço educacional, elas não eximem o discente de gerenciar seu tempo de estudo e o fazimento das atividades síncronas e assíncronas propostas pelas disciplinas do curso, isto é, adquirir o hábito de estudo disciplinado. Esse argumento é endossado por Carneiro (2013, p. 55), quando assim comenta: A ideia de ‘flexibilidade’ do tempo é, muitas vezes, confundida com ‘participo quando quiser’, ou ‘estudo quando sobrar tempo’. A falta de uma análise mais atenta dos compromissos já assumidos pode fazer com que um estudante se matricule em um curso a distância, ou com que um tutor assuma o compromisso de acompanhar uma turma desse curso, pensando que os estudantes cumprirão seus compromissos ‘nas horas de folga’ ou ‘ nos finais de semana’ (CARNEIRO, 2013, p. 55).

Ao leva r em cont a a ab ord age m de Ca r nei ro (2013), pode-se dizer que as configurações espaço-temporais na Educação a Distância são aspectos pedagógicos e metodológicos singulares a esta metodologia e que merecem uma discussão mais específica, uma vez que são a questão do Revista Interação ● Edição 14


tempo e do espaço do ensino e a da aprendizagem, variáveis c o n ve n c i o n a d a s , o u s e j a , abstrações de quem for mula ou estabelece os parâmetros da EaD. Afinal de contas, como mensurar o tempo e delimitar o espaço no ensino a distância nos cursos de graduação? Como analisar a eficiência e a eficácia das tecnologias envolvidas no ensino e na aprendizagem? Como o aluno define o seu tempo de estudo, o tempo de aprendizado e o tempo livre a ser considerado no desenvolvimento do curso? Quais os critérios de escolha de aproveitamento do tempo? No bojo dessas questões que envolvem a disponibilidade do tempo e do uso do espaço na EaD, a ideia de dimensionar, no curso a distância, o planejamento do tempo específ ico para o estudo por parte dos discentes, assim como o espaço f ísico para a efetivação dos conteúdos programáticos das disciplinas, coloca em debate certos equívocos inerentes ao ensino a distância, a saber: “Afirmações sobre o aluno poder estudar na hora em que desejar; os cursos que exigem pouca dedicação de tempo para os estudos e que basta apenas ter um computador com adequada conexão à internet é o suficiente para a obtenção de uma formação a distância” (MARTINS; MOÇO, 2009, p. 44). A partir desse contexto de mitos e equívocos sobre a eficiência, a eficácia e a efetividade d a s con f ig u r ações espaço temporais na EaD, bem como Revista Interação ● Edição 14

sua metodologia de mediação pedagógica diferenciada da educação presencial – embora com elementos fundamentais iguais – é que se suscita esta reflexão, que conduz a outros debates sobre as peculiaridades dos seguintes elementos: estrutura do curso; desenho pedagógico; dificuldades enfrentadas pelos alunos; acesso a materiais didáticos; processo de ensino e aprendizagem; interação ent re alu nos e professores; problemas relacionados à tutoria; deficiência na metodologia de acompanhamento dos alunos; peculiaridades regionais, dentre outros. Diante do percurso histórico inicial com que a sociedade em geral estigmatizou o ensino a distância, sabe-se agora que novos olhares são postos sobre sua eficácia e efetividade, mesmo a bordo de desafios tecnológicos e novas reflexões. Aprender com o uso das novas mídias nas práticas educativas muda radicalmente os paradigmas convencionais em que a interatividade ativa e a dinâmica introduzem uma nova relação entre professor e aluno. Ao tempo que é singular, também

é desafiadora e, por conseguinte, expande e enriquece as formas de ensinar e aprender. REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto n.º 5.622, de 19 de Dezembro de 2005. Disponível em: <https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2004-2006/2005/Decreto/ D5622.htm>. Acesso em: 21 maio 2017. CARNEIRO, Mara Lúcia Fernandes. Configurações espaço-temporais na educação a distância. Mára Lúcia Fernandes Carneiro e Luciana Boff Turchielo (Org.) In: Educação a distância e tutoria: considerações pedagógicas e práticas. Porto Alegre: Evangraf, 2013, Série EAD. MARTINS, Ana Rita; MOÇO, Anderson. Educação a distância vale a pena? Revista Nova Escola, Ed. 227, novembro. São Paulo: Abril, 2009. Disponível em: <revistaescola.abril.com.br/.../ vale-pena-entrar-nessa-educacaodistancia-d...>. Acesso em: 21 maio 2017. MORAN, José. Manuel. O que é Educação a Distância. Disponível em: <http://www. eca.usp.br/prof/moran/dist.htm>. Acesso em: 21 maio 2017.

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Nataly Elen Barbosa é recémformada em Letras Português pelo Polo de Simplício Mendes, mas para realizar seu sonho, teve de enfrentar um longo caminho. A est ud a nte mora na comunidade Patos, zona rural de Floresta do Piauí, município localizado a 372 quilômetros ao sul de Teresina. De família humilde, Nataly é Líder Jovem da Comunidade e sempre teve o sonho de cursar uma Universidade, quando em 2012 surgiu a oportunidade de prestar vestibular na Modalidade de Educação a Distância pela Universidade Federal do Piauí. “Sempre batalhei por meus ideais e acreditei que iria realizar meu sonho. Ingressei no Curso e tudo era novo para mim. Foi uma oportunidade que agarrei com todas as forças, embora eu mesma soubesse das dificuldades que iria encontrar pela frente”, conta. A primeira preocupação da estudante foi a ausência da ferramenta principal: o computador. Na época, Nataly era Coordenadora Jove m d o Si n d i c a t o d o s Trabalhadores Rurais de Floresta do Piauí e foi convidada para a Plenária Nacional da Juventude Rural em Luziânia, Goiás. Neste evento, a jovem esteve com a Coordenadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), expôs seus sonhos e dificuldades financeiras e foi atendida pela Coordenadora, que se sensibilizou com a situação e a presenteou com um notebook. Com o computador em mãos,

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a estudante teve que enfrentar outro problema: a falta de internet na zona rural. Até então, para a realização dos trabalhos na Plataforma Virtual de Aprendizagem, ela precisava se deslocar para a sede do município e, muitas vezes, não encontrava lan houses funcionando adequadamente, o que atrasava o andamento das atividades. Para resolver a situação, e atender tanto suas necessidades como a dos demais jovens da comunidade, em 2014, Nataly escreveu uma carta direcionada ao Gabinete da Presidenta da República Dilma Rousseff. Na carta, a estudante relatou todas as dificuldades enfrentadas pelo jovem do campo no que se refere ao uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e solicitou a implementação do “Programa Governo Eletrônico”, que oferece gratuitamente conexão à internet em banda larga para comunidades em estado de vulnerabilidade social. Em alguns dias Nataly recebeu a conf ir mação de recebimento da carta com os procedimentos necessários para a efetivação do ponto de internet na comunidade. Um ano depois, em março de 2015, o ponto foi instalado. As iniciativas da estudante continuaram, e junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, Nataly buscou a aquisição de uma Biblioteca Rural Pública por meio do “Programa Arca das Letras”. “Eu pensava suprir as necessidades básicas de acesso

Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Perfil do aluno de EaD

Nataly Elen Barbosa à cultura da juventude local e também circunvizinha. Recebemos a biblioteca que contém um acervo de 200 livros e a visita da escritora Soraia Magalhães, que ministrou uma capacitação para os agentes de leitura da comunidade”, explicou. Depois de todos os esforços, a estudante ainda conseguiu adquirir mais computadores para que os jovens pudessem utilizar as tecnologias nas atividades escolares, por meio do apoio do Ministério das Comunicações e do Centro Marista Circuito Jovem, em Recife. “O estudo a distância foi primordial na minha trajetória como pessoa, gerou oportunidades de acesso ao conhecimento, aos livros e à inclusão digital. Hoje me sinto agradecida por todo apoio recebido, por estar formada e por ver minha comunidade assistida com os programas sociais para acesso ao conhecimento”, ressaltou Nataly. Revista Interação ● Edição 14


Fotos: Fernanda Ito Ota

POSSE CEAD/UFPI

Coordenadores de Polo participaram da solenidade

Por Fernanda Ito Ota

Empossada a nova Diretoria do CEAD/ UFPI para o quadriênio 2017-2021

N

a manhã da terça-feira do dia 13 de junho do ano de 2017, foi realizada a solenidade de posse da nova Diretoria do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI) para o quadriênio 2017-2021. O Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes foi reconduzido ao cargo de Diretor e a Prof.ª Dr.ª Lívia Fernanda Nery da Silva assumiu a Vice-Diretoria do Centro, de acordo com os Atos da Reitoria 193 e 194, de 30 de janeiro de 2017. A solenidade de posse aconteceu durante a celebração de Missa em Ação de Graças na Catedral de Nossa Senhora das Dores, localizada na Praça Saraiva. O Diretor do Centro agradeceu a presença de todos os amigos, familiares e colaboradores Revista Interação ● Edição 14

do CEAD/UFPI: “Eu estou aqui para agradecer a Deus e pedir sabedoria para conduzir por mais quatro anos esta gestão da melhor forma possível, pois o CEAD traduz o sentimento da ação social da Universidade, da inclusão social e digital, além da produção de conhecimento nos mais longínquos lugares do Piauí”, disse. O Reitor da UFPI, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, parabenizou as ações da antiga Diretoria, que tinha o Prof. Dr. Milton Batista como Vice-Diretor: “Desejo que esta nova equipe possa fazer uma gestão tão boa ou ainda melhor. O CEAD tem exercido o papel de inclusão social, pois permite o acesso ao ensino superior em grande parte do Piauí, além de dar essa oportunidade também às pessoas que não puderam

graduar-se na juventude. Vamos juntos continuar construindo a Universidade, que é nosso maior patrimônio cultural e científico”, afirmou o Reitor. A nova Vice-Diretora, Profa. Dra. Lívia Fernanda Nery da Silva, mostrou-se preparada para assumir compromisso com o CEAD: “A educação a distância está na minha vida desde 2009. Sou uma das professoras que chegou aqui no primeiro concurso e desenvolvo pesquisas relacionadas à educação e tecnologias. Ao lado do professor Gildásio, tenho a oportunidade de aprender mais sobre EaD, já que ele é a história viva desta modalidade na UFPI. Quero contribuir com a melhora de nossos processos educativos e articular a relação comunidade acadêmica, discente e docente”, ressaltou.

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Diretor do CEAD, Gildásio Guedes; Vice-Diretora, Lívia Nery; Vice-Reitora da UFPI, Nadir Nogueira e Reitor da UFPI, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes

Para o Coordenador do Polo de Apoio Presencial de Simplício Mendes, Gilcivan Barros, este é um momento de fortalecer ainda mais as parcerias: “Pela experiência que tem e já conhecendo os obstáculos que a EaD enfrenta, o Diretor, agora com um novo apoio na gestão, pode melhorar cada vez mais as ações do Centro. Nós, como Coordenadores, temos que dar suporte e trabalhar em parceria com a UFPI para dar qualidade e fortalecer a educação ofertada no Estado”, concluiu. Estiveram presentes na solenidade o Reitor da UFPI, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas 26

Lopes; a Vice-Reitora, Prof. Dr.ª Nadir Nogueira; o Pró-Reitor de Planejamento, André Macedo; o Pró-Reitor de Ensino de PósGraduação, Helder Cunha; o Diretor do Centro de Ciências da Educação (CCE), Prof. Dr. Luiz Carlos Sales; o Diretor do Centro de Ciências Agrárias (CCA), Prof. Dr. Paulo Roberto Ramalho Silva; o Diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Professor Ricardo Lira; a Coordenadora de Apoio e Assessoramento Pedagógico (CAAP), Rosa Lina Pereira; a Diretora da Associação dos Docentes (ADUFPI), Lurdinha

Professores, familiares e amigos participaram da solenidade

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Nunes; o Coordenador Geral do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual do Piauí (NEAD/UESPI), Arnaldo Silva Brito; o Prefeito de São José do Peixe, Valdemar Santos; além de secretárias do Conselho Universitário, Coordenadores de Curso e de Polo e colaboradores do CEAD. ELEIÇÕES A Consulta à Comunidade Universitária para a Escolha de

Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes durante solenidade de posse da nova diretoria do CEAD

“A educação a distância está na minha vida desde 2009. Sou uma das professoras que chegou aqui no primeiro concurso e desenvolvo pesquisas relacionadas à educação e tecnologias. Ao lado do professor Gildásio, tenho a oportunidade de aprender mais sobre EaD, já que ele é a história viva desta modalidade na UFPI”.

Diretor e Vice-Diretor do CEAD foi realizada no dia 22 de outubro de 2016. Com um total de 2202 votantes, participaram das eleições discentes, professores e técnicos da Instituição vinculados ao CEAD/ UFPI. CEAD D e s d e 2 0 0 6 a U F PI oferta cursos de graduação pela Modalidade de Educação a Distância por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). No mesmo ano foi feito o projeto de criação do Centro de Educação Aberta e a Distância. Com a Portaria n.º 97, do dia 5 de março de 2013, publicada no Diário Oficial da União, o Centro passou a ser reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). O CEAD/UFPI tem o objetivo de oferecer educação superior gratuita e de qualidade, atendendo as necessidades socioeconômicas de cada região. Atualmente são 39 polos instalados no Piauí e 02 na Bahia, ofertando cursos de graduação e pós-graduação na Modalidade a Distância.

Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes empossado como Diretor do Centro

“Eu estou aqui para agradecer a Deus e pedir sabedoria para conduzir por mais quatro anos esta gestão da melhor forma possível, pois o CEAD traduz o sentimento da ação social da Universidade, da inclusão social e digital, além da produção de conhecimento nos mais longínquos lugares do Piauí”.

Professores, familiares e amigos participaram da solenidade

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DICAS DE LIVROS

As virtudes da responsabilidade compartilhada: uma ampliação da teoria das virtudes de Alasdair MacIntyre José Elielton de Sousa

O livro de autoria do professor do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), José Elielton de Sousa, é fruto de sua tese de doutorado defendida em 2016, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Segundo o professor, a obra busca ampliar a teoria das virtudes de Alasdair MacIntyre, filósofo contemporâneo, para além do âmbito antropocêntrico em que se situa, através da incorporação de um terceiro conjunto de virtudes incluindo questões ambientais, um dos problemas mais urgentes hoje em dia.

Filosofia Prática, Epistemologia e Hermenêutica Francisco Jozivan Guedes de Lima e Gerson Albuquerque de Araújo Neto

A publicação é vinculada ao Programa de PósGraduação em Filosofia da Universidade Federal do Piauí (PPGFIL), sendo composto por três partes que contemplam as Áreas de Concentração do novo Regimento Geral do PPGFIL: (i) Filosofia Prática e (ii) Linguagem, Conhecimento e Mundo. O livro possui 20 textos de autoria de professores da UFPI, alguns deles vinculados ao CEAD/UFPI, como os professores José Elielton de Sousa e José Vanderlei Carneiro, além de autores de outras instituições do Brasil e também da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália e Portugal.

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Hermenêutica e Narratologia: por uma redefinição da narrativa à luz do pensamento contemporâneo José Vanderlei Carneiro Segundo o autor, o professor do CEAD/UFPI, José Vanderlei Carneiro, “a obra traz uma discussão relativa ao entrelaçamento entre filosofia e literatura, sentido e método, narração e ação”. O livro é fruto da sua tese de doutorado e trata da redefinição do conceito de narrativa à luz da narratologia contemporânea, tendo como ferramentas demonstrativas a inferência indexical e enunciativo-pragmática constitutiva do texto ficcional. Isso significa dizer que se pretende elaborar critérios configuracionais (sujeito, tempo e intriga) que possam constituir estratégias de análise interpretativa do texto literário, que estejam para além da descrição estrutural da narrativa.

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TEXTO DA LEITORA

Fotos: Arquivo do CEAD/UFPI

Especializacões na Modalidade a Distância na Universidade Federal do Piauí

Mariane Goretti de Sá Bezerra Leal Administradora, Mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPI/ TROPEN/PRODEMA). Coordenadora de Tutoria do Curso de Especialização em Gestão Pública. E-mail: mariane.goretti@ufpi.edu.br

A

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394, de 20/12/1996) estabelece normas gerais aplicáveis a todos os níveis e modalidades de educação, e no Capítulo IV discorre sobre a Educação Superior, envolvendo os aspectos específicos do segmento. Em seu artigo 44 destaca que a Educação Superior abrange os cursos e programas sequenciais, de graduação e pós-graduação, esclarecendo que esta última compreende os programas de mestrado e doutorado, cursos de

especialização, aperfeiçoamento e e a Distância (CEAD), com oferta outros, sendo que os mestrados e os de cursos de pós-graduação lato doutorados são considerados “stricto sensu em diversas áreas, cujo intuito é possibilitar o acesso à formação sensu” e os demais “lato sensu”. No artigo 80, a referida lei continuada no Ensino Superior, trata da Educação a Distância, o que nos dez anos de existência posteriormente regulamentada de Centro, em números de 2015, pelo Decreto 5.622, de 19/12/2005, representou o quantitativo de 18 que caracteriza a Educação a cursos autorizados e ministrados Distância como a “modalidade a 2.918 alunos nos 33 polos de educacional na qual a mediação apoio presencial, sendo 31 deles didático-pedagógica nos processos situados no Piauí e dois na Bahia, de ensino e aprendizagem ocorre como segue: com a utilização Cursos autorizados para oferta no CEAD no de meios e período de 2009 a 2014: tecnologias de Especialização i n for mação e Ano de autorização Gestão Pública c omu n ic a ç ã o, 2009 Gestão Pública Municipal com estudantes e professores Gestão em Saúde desenvolvendo Ensino de Filosofia no Ensino Médio 2010 atividades Ensino de Matemática no Ensino Médio educativas em lugares ou Ensino de Sociologia no Ensino Médio tempos diversos” 2011 Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça (BRASIL, 2005). E m Ecologia consonância com Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS tais legislações, Ensino de Química a Universidade Ensino de Física Fe de r a l do Informática na Educação 2013 Piau í ( U F PI ) Gestão Educacional em Rede disponibiliza Alfabetização e Letramento especializações História Social da Cultura na modalidade Saúde da Família a distância por 2014 Gênero e Diversidade na Escola meio do Centro de Política da Igualdade Racial na Escola Educação Aberta Fonte: Cardoso (2016)

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Em 2017 serão ofertadas mais 05 (cinco) especializações, com previsão de início até julho de 2017 ano, são elas: Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS, Gestão Educacional em Rede, Gestão Pública, Gestão Pública Municipal e Gestão em Saúde. As especializações em Gestão Pública operacionalizadas pelo CEAD fazem parte do Programa Nacional de Administração Pública (PNAP) e são totalmente gratuitas, desde as inscrições. Compreendem um número total de 900 vagas, distribuídas da seguinte forma: 250 vagas para Gestão Pública Municipal, 300 vagas para Gestão Pública e 350 vagas para Gestão em Saúde. Com a promulgação da Lei de Responsabilidade de Fiscal (LRF), Estados e Municípios passaram a se preocupar mais com suas finanças, tanto do lado da receita quanto do lado da despesa. O poder público precisa estar preparado, do ponto de vista administrativo, para cumprir a legislação relacionada à arrecadação. É razoável afirmar que isso se deve à carência no quadro de servidores preparados para gerenciar a máquina administrativa. Nesse sentido, tanto no desen ho de nova est r ut u ra organizacional quanto na gestão dos processos/atividades, União, Estados e Municípios necessitam de profissionais capacitados em gestão. Para tanto, é preciso que seja dado oportunidade a cidadãos e a Estados e Prefeituras de todo o Brasil de se capacitarem para o exercício de uma administração pública profissional. Visando atender a esse fim, os cursos de especialização em Gestão Pública e Gestão Revista Interação ● Edição 14

Pública Municipal oferecem a oportunidade de melhor qualificar os profissionais que atuam ou visam a atuar na esfera pública, seja no âmbito da União, dos Estados ou dos Municípios. Já o curso de especialização em Gestão em Saúde objetiva qualificar profissionais para o exercício de atividades gerenciais no âmbito dos serviços vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os polos contemplados na ofer t a de 2017 com as especializações em Gestão do PNAP no Estado do Piauí estão localizados nas cidades de Água Branca, Bom Jesus, Buriti dos Lopes, Castelo do Piauí, Floriano, Luiz Correia e Picos. Esses cursos têm a duração de 18 (dezoito) meses e compreendem um módulo básico de 210h comum aos três cursos, seguido de módulo específico para cada curso, também de 210h, incluindo o cumprimento de créditos e a elaboração de monografia. Para o desenvolvimento dos cursos são disponibilizados aos estudantes a estrutura existente nos Polos, com infraestrutura técnica e pedagógica, laboratório de computação e biblioteca. E para as atividades presenciais e como base de apoio para os estudos no decorrer dos cursos, são realizados encontros presenciais destinados a discussões temáticas com os professores das disciplinas, orientações, oficinas, avaliações de aprendizagem e apresentações de monografias. Para o desenvolvimento dos conteúdos, são organizados como recursos didáticos: textos impressos de apoio ao estudo, por

disciplina; Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA) para comu nicação ent re os sujeitos e a disponibilização de textos complement a res; encontros presenciais mensalmente a o s s á b a d o s; s i s t e m a d e acompanhamento (tutoria), tendo como sistemática de avaliação a participação em fóruns, exercícios e avaliação por disciplina. Nessa perspectiva, observa-se que o quantitativo de cursos ofertados e a estrutura física e didático-pedagógica disponibilizada pela UFPI por meio do CEAD são iniciativas que têm possibilitado a promoção da educação em nível superior na modalidade a distância, oportunizando a um maior número de pessoas o acesso a atividades posteriores à graduação, voltadas ao aprimoramento acadêmicoprofissional. REFERÊNCIAS CARDOSO, Liana. Sistema Universidade Aberta do Brasil: 10 anos de EaD na Universidade Federal do Piauí. In: SOUZA JUNIOR, Arnaldo et al. (Orgs.). Educação a Distância: midiatização, formação e saberes. Curitiba, PR: CRV, 2016. BRASIL. Decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/ Decreto/D5622.htm>. Acesso em: 7 jul. 2011. ______. Ministério de Educação e Cultura. LDB - Lei n.º 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: MEC, 1996.

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Giro nos

POLOS

SIMÕES

No dia 06 de fevereiro de 2017, o Diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes, ministrou duas palestras no município de Simões: “Sucesso dos Improváveis” e “Inteligência Coletiva”. Na primeira palestra participaram cerca de duzentas pessoas, especialmente professores da rede Estadual e Municipal. A segunda foi voltada para funcionários da Prefeitura e da área da saúde.

CORRENTE

Nos dias 02 e 03 de dezembro de 2016, o curso de Licenciatura em Filosofia, do Polo de Apoio Presencial de Corrente, promoveu o III Café Filosófico intitulado “Filosofia e Educação”. Com oficinas e palestras que versaram sobre a Filosofia nos seus mais diversos campos, o evento foi organizado pelos discentes do V Módulo do Curso e mediado por professores da área. 32

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PARNAÍBA

O II Encontro de Geografia da Educação a Distância (II EGEAD) foi realizado no Campus Ministro Reis Veloso, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), na cidade de ParnaíbaPI, em novembro de 2016. “Espaço geográfico piauiense: dinâmicas territoriais e desenvolvimento socioambiental” foi o tema do encontro que teve como objetivo estimular o debate sobre as questões educacionais no Estado do Piauí, qualificando os futuros professores de Geografia sobre novas formas de intervenções no ambiente escolar, bem como na utilização de ferramentas metodológicas inovadoras.

GILBUÉS, CANTO DO BURITI, SIMÕES E BURITI DOS LOPES

Os cursos de Ciências Biológicas e Ciências da Natureza do CEAD/UFPI realizaram, de março a maio deste ano, o curso de capacitação para planejamento, execução e apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) em quatro Polos de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Com o tema “Reforço à Metodologia Científica e Tabulação e Apresentação de Dados Científicos”, os participantes tiveram a oportunidade de realizar oficinas a partir das quais foram capazes reconhecer cada seção que compõe um projeto científico, desde o seu planejamento até como realizar a apresentação para uma banca avaliadora. Revista Interação ● Edição 14

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Revista Interação - Edição 14 - Ano 10 nº 1/2017  

Além do debate científico, por meio dos ensaios com o tema “Das produções do conhecimento à ética da responsabilidade no âmbito da Educação...