Page 1


UFPI em números: Entre as país

39 melhores

universidades do

107 cursos de graduação, entre eles 15 do Ensino a Distância Em 2002 eram oferecidos nove cursos de pós-graduação, hoje são 44 cursos Comunidade

acadêmica com cerca de 47.000 pessoas , sendo 1.858 professores, 720 doutores, 771 mestres, 1.086 servidores técnicos, 41.452 alunos de graduação e 1.590 de programas de pósgraduação. Em 10 anos, o número de vagas para estudantes passou de 2.345 presenciais para mais de 6304 O CEAD possui mais de 10 mil alunos matriculados, distribuídos em 31 polos no Piauí e dois na Bahia.

Universidade Federal do Piauí


Expediente INTERAÇÃO - EDIÇÃO 11 ANO 8 - N. 2015.1 Publicação semestral produzida pela Assessoria de Comunicação e pelo Setor de Produção de Material Didático do Centro de Educação Aberta e a Distância CEAD/UFPI Reitor da UFPI Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes Vice-reitora da UFPI Prof.ª Dr.ª Nadir do Nascimento Nogueira Diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância/Coordenador da UAB na UFPI Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes Vice-diretor do CEAD/UFPI Prof. Dr. Milton Batista da Silva Coordenadora Adjunta da UAB na UFPI Liana Rosa Brito Coordenadoras da Revista Fernanda Ito Ota da Purificação Indira Ilana Vanderlei do Vale Equipe Responsável Fernanda Ito Ota da Purificação Indira Ilana Vanderlei do Vale Nalton Luiz Silva Parente de Pinho Projeto Gráfico e Diagramação Antônio Kerignaldo Moura Júnior Nalton Luiz Silva Parente de Pinho Fotografias Fernanda Ito Ota da Purificação Indira Ilana Vanderlei do Vale Arte e Capa Nalton Luiz Silva Parente de Pinho Revisão Maria da Conceição de Souza Santos Pareceristas Davi da Silva Gustavo Fortes Said José Elielton de Sousa Nilsângela Cardoso Lima Conselho Editorial Arnaldo Oliveira Souza Junior Gildásio Guedes Fernandes José Vanderlei Carneiro Leila Lima de Sousa Lívia Fernanda Nery da Silva

Editorial É com satisfação que apresentamos mais uma edição da Revista Interação, um veículo de informação e de formação acadêmica, relacionado às demandas da Educação a Distância – produzida pela Universidade Federal do Piauí. Além do caráter informacional, a Revista é um suporte de troca de conhecimento entre professores e alunos, por meio da divulgação dos resultados produzidos pelos projetos desenvolvidos junto à comunidade da Universidade Aberta do Brasil (UAB) no âmbito da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Nesta edição, o conteúdo abordado possibilitará aos leitores o acesso à dinâmica produtiva dessa modalidade online de Educação, na qual o tempo, como sua concepção, será um bem administrado e concebido por cada sujeito do conhecimento . Cada um atualizará as informações a partir da significação que desejar, compreendendo-se como protagonista do processo de ensino e aprendizagem. O leitor encontrará nesta publicação ensaios, notícias, relatos e dicas de livros, dentre outros. Os assuntos desta edição giram em torno da participação de aluno no Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância; o Perfil do Aluno, o 8° Fórum Nacional de Coordenadores do Sistema Universidade Aberta do Brasil; o Giro dos Polos: o que acontece nos polos de atividades científico-cultural; o relato do Núcleo de Estudo e Pesquisa em educação a distância (NEPEAD); e a informação sobre o Prêmio Direitos Humanos na categoria Ações e Experiências, recebido pelo CEAD. A entrevista deste Número é com o professor Mike Stricklin, falando da EaD nos Estados Unidos e no Piauí. E, ainda, a crônica do professor Arnaldo Oliveira. Esperamos que nossos leitores usufruam das matérias aqui publicadas e que elas sirvam também de estímulo e inspiração para suas próprias iniciativas acadêmicas, utilizando nossa revista como uma ferramenta pedagógica e acadêmica na tarefa de ensinar e de aprender, sempre!

Boa Leitura!


19 CAPA

Sumário

CEAD/ UFPI recebe prêmio de Direitos Humanos

Seções

Ensaios

6

Limites e Possibilidades do Ensino a Distância Por Clari Terezinha Hahn

10

Educação a Distância e seu importante papel para a formação dos profissionais de saúde Por Denise Glenda Gomes da Silva

14

A modalidade EaD no curso de formação continuada “Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares”: relato de experiência em tecnologias educacionais Por Carolina Cavalcanti Bezerra / Laércia Maria Bertulino de Medeiros

20

Educação a distância e as novas mídias tecnológicas: um mundo de possibilidades, centrado na autonomia Por Márcia Keilany Albuquerque Moura

24

Contextualização e Mobilização: etapas introdutórias no processo de recepção e aprendizagem na Educação a Distância: interação de sujeitos em suportes de mídia Por Cláudia Leão de Carvalho Costa

28

A tecnologia da informação superando as barreiras de espaço e de tempo Por Márcia Danielly de Araújo Ferreira / Swéle Rachel da Silva

5 8

Fórum UaB

Núcleo de Pesquisa

12

Perfil do Aluno

13

Congresso

18

WorkTec

22

Entrevista

26

Obras UFPI

30

Giro nos Polos

32 33

Dicas de livros

Crônica


Fórum UaB

8° Fórum Nacional de Coordenadores do Sistema UaB Por Indira do Vale

N

os dias 9 e 10 de julho, no edifício-sede da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), foi realizado o 8° Fórum Nacional de Coordenadores do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UaB), que reuniu mais de 90 coordenadores UaB. Estiveram presentes na abertura a presidente do Fórum de Coordenadores UaB, Maria Luísa Furlan Costa, o vice-presidente do Fórum UaB, Carlos Rinaldi, e os coordenadores da Diretoria de Educação a Distância da Capes, Maria Cristina Mesquita da Silva, Luiz Alberto Rocha de Lira e Aloísio Nonato. Na solenidade de abertura, o diretor de Educação a Distância da Capes, Jean Marc Georges Mutzig, ressaltou a importância dos coordenadores no crescimento do programa, que engloba mais de cem universidades parceiras e 170 mil alunos ativos, distribuídos em 650 polos. “Nosso trabalho avançou e continuará avançando com a contribuição de vocês. Este é o momento de analisar a conjuntura atual e de traçar metas para o futuro”, disse.

Eleições Durante o encontro foi realizada a eleição para a presidência e vice-presidência do Fórum de Coordenadores UaB para 2015. Revista Interação ● Edição 11

Arnaldo Brito (NEAD/UESPI), Gildásio Guedes (CEAD/UFPI), Jean Marc (diretor/CAPES), e Celso Costa (exdiretor/UAB-Brasil)

Maria Aparecida Crissi Knuppel (Unicentro), Eronilma Barbosa da Silva (IFAL), Gildásio Guedes (CEAD/UFPI) e Nara Maria Pimentel (EaD/UnB)

A professora Nara Maria Pimentel, da Faculdade de Educação e diretora de Ensino de Graduação a Distância da Universidade de Brasília, assumiu a presidência, e as professoras Maria Aparecida Crissi Knuppel, da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), e Eronilma Barbosa da Silva, do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), assumiram a vice-presidência do Fórum Nacional de Coordenadores do Sistema Universidade Aberta do

Brasil (UaB). Representando a UaB no Piauí, estiveram presentes o diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), Prof. Dr. Gildásio Guedes; o diretor geral do Núcleo de Ensino a Distância da Universidade Estadual do Piauí (NEAD/UESPI), Prof. Vinícius Oliveira e o diretor adjunto do NEAD/UESPI, Professor Arnaldo Brito.

5


Limites e Possibilidades do Ensino a Distância

Clari Terezinha Hahn Graduada em Pedagogia (UNINTER/2013) Especialista em Docência do Ensino Superior (UFRJ) Mestra em Ciências da Educação pela Universidade Internacional de Lisboa chann1955@hotmail.com

E

ste ensaio versa sobre as facilidades e os entraves do ensino a distância. Inicialmente, buscou-se, em cinco instituições de ensino a distância, a base primária para a investigação de campo. Foi entrevistado um percentual de estudantes sobre as facilidades e as dificuldades para ingresso e permanência, com sucesso, dos alunos nessa modalidade de ensino. As entrevistas aplicadas foram do tipo semiestruturadas e fundamentadas em Gil (1999). O material coletado constituiu a base para a análise dos proble-

6

mas da pesquisa, das hipóteses e do referencial teórico, pois é na análise dos diversos olhares que aparece a verdade que pode certificar as atitudes e apontar novos rumos para os que pretendem trabalhar ou estudar por essa modalidade de ensino. O grupo inquirido foi composto aleatoriamente a partir da possibilidade de se localizar pessoas que estudaram ou estudam pela metodologia EaD nos cursos ofertados pelas entidades pesquisadas e a disponibilidade desses de preencher o questionário proposto. Foram entrevistados 50 sujeitos, entre alunos e ex-alunos, das já referidas entidades de ensino.

Desenvolvimento A primeira questão direcionada aos estudantes pedia que apontassem “Em que estudar por essa modalidade o(a) beneficiou?”. 100% dos entrevistados apontou a não exigência da frequência diária, e 92%, a flexibilização e a realização do curso no tempo disponível. Afirmaram também que, durante o curso, auxiliaram-nos: aulas bem preparadas (32%); aulas e atendimento presencial (20%); interatividade do sistema (36%); possibilidade de ampliação dos conhecimentos (52%); menor custo (22%); possibilidade de an-

tecipar (ou ampliar) o cronograma de estudos (16%). A busca, porém, não se limitava a confirmar a importância do ensino a distância como possibilidade de formação e de aperfeiçoamento, mas, e principalmente, compreender como transformá-lo em um sistema mais eficiente pela compreensão das falhas que ainda apresenta. Por isso, quis-se saber de cada entrevistado quais foram as dificuldades que enfrenta(ou) durante seu curso e as asseverações informaram que, com relação à organização: 28% apontaram a demora de entrega do material on line; 20% reclamaram da demora na entrega dos resultados das avaliações; 62% indicaram como dificuldade a falta de orientação clara por parte dos tutores, 53%, a necessidade de materiais didáticos mais pedagógicos e de fácil entendimento e que sejam disponibilizados em um prazo razoável em relação à postagem das tarefas; 20% reclamaram de aulas pouco didáticas ou fora do nível de compreensão dos alunos, insuficientemente esclarecedoras e com poucas atividades práticas; e 8% da dificuldade para se deslocar até o polo. Sobre o funcionamento do curso, 21% falaram da pouca possibilidade para tocar experiências com outros estudantes já que o Revista Interação ● Edição 11


chat funciona no horário em que trabalham; 16% queixam-se da falta de preparo pessoal para esse tipo de estudo; 24% reclamam da demora das respostas em relação às atividades postadas; e 12 % do pouco esclarecimento de dúvidas em relação ao tema e ao problema dos trabalhos; 28% acham pouco tempo para as atividades; 29% têm dificuldade em compreender os conteúdos; e 16% reclamam da forma de recuperação. Contudo, os quesitos mais assinalados como entraves do ensino a distância e das grades responsáveis pela alta desistência de alunos desses cursos foram: a falta de clareza e de orientação para o manuseio do portal AVA, indicado em 87% das entrevistas; e a má qualidade da internet, apontada em 94% das enquetes; 72% dos entrevistados assinalaram também a necessidade de melhoria no atendimento para solucionar dúvidas e orientar aos alunos durante as atividades e, principalmente, durante o período de recuperação. Alegam encontrar grande dificuldade para entrar em contato com o tutor a distância ou orientador pedagógico: 60% frisaram que demoram muito para esclarecer as dificuldades que encontram na hora da postagem das atividades e não conseguem conversar com o tutor a distância ou coordenador pedagógico Moran (2004, p. 44) afirma que o computador é uma excelente ferramenta para uso da internet na sala de aula, pois “[...] nos permite pesquisar, simular situações, testar conhecimentos específicos, descobrir novos conceitos, lugares, ideias.” Revista Interação ● Edição 11

Justino (2011, p. 16) adverte que o computador sozinho não basta, pois O termo ensino remete-se ao professor, e aprendizagem, está relacionada ao aluno. A educação se dá na relação de seus participantes: professor, aluno e o ambiente, bem como o material didático utilizado, que facilita o bom andamento desse processo, no qual interação e integração dos primeiros são relevantes para a manutenção dos interesses dos alunos. Outro aspecto importante a ser considerado está relacionado a diferentes situações didáticas que permitam aos sujeitos envolvidos interagirem com o objeto utilizado para o processo de aprendizagem, ou seja, os materiais didáticos.

Ao se requerer sugestões para melhoria nos cursos frequentados, os perquiridos, além de citarem o progresso no acesso à internet, que foi sugestão geral, 63% sugeriram melhoria na comunicação via telefone, chat, e-mail a fim de agilizar a interação aluno X tutor; 52%; pediram tutores que saibam orientar melhor e de maneira mais clara; 54% também apontaram a necessidade de mais pessoal para atendimento e tira-dúvidas, especialmente na postagem e no período de recuperação, aconselhando, inclusive, atendimento via webcam, pois, segundo eles, essa funcionaria como um “quebra-barreiras do desconhecido”; 92% indicaram simplificação e melhor orientação no manuseio do AVA; e 28% sugeriram materiais didáticos mais interessantes, com uma linguagem adequada à clientela, com atividades práticas

e significativas que motivem o aluno a aprender.

Conclusão Ficou claro que as falhas que demandam em abandono dos cursos sobrevêm dos quatro níveis envolvidos – alunos, tutores, instituição e disponibilização da internet. Demo (2007) indica ser fundamental a compreensão de que ofertar ensino a distância demanda grande investimento em alternativas técnicas e pedagógicas; que o relacionamento técnico/pedagógico deve ser feito por pessoal capacitado e com perfil para o tipo de atividade que desempenha. O intercâmbio entre alunos e tutores deve acontecer de modo que ambos aprendam e ensinem e que haja esforços no diálogo entre todos: alunos, tutores e instituição, no sentido de diminuir a solidão do processo, de despertar o aluno para a mudança na ação do ensino e da aprendizagem.

Referências DEMO, Pedro. O porvir: desafio das linguagens do século XXI. Curitiba: Ibpex, 2007. GIL, Antonio Carlos. Método e Técnica de Pesquisa Social. 6. ed. S. Paulo: Atlas, 1999. JUSTINO, Marinice Natal. Pesquisa e recursos didáticos na formação e prática docentes. Curitiba: IBPEX, 2011. MORAN, J. M. Ensino e aprendizagem inovadora com tecnologias audiovisuais e telemáticas. 8. ed. Campinas: Papirus, 2004. 7


Núcleo de Pesquisa

NEPEAD completa um ano de criação Por Fernanda Ito Ota

O

Núcleo de Estudos e Pesquisa em EaD (NEPEAD) foi criado em 2014 por professores do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), tendo sua primeira reunião no dia 8 de outubro daquele ano. No decorrer desse primeiro ano de criação, o grupo já desenvolveu projetos que foram aprovados em congressos e apresentados em eventos nacionais. Segundo o Coordenador do Núcleo, Prof. Dr. Arnaldo Oliveira, a iniciativa de criação do grupo surgiu da tentativa de reunir os pesquisadores em torno de uma organização, concentrando a produção bibliográfica que se encontrava dispersa. “Devido à necessidade de se

criar um grupo que pudesse concentrar as pesquisas relacionadas à educação a distância, fruto do CEAD, eu e a professora Lívia tivemos esse intuito, tomando o cuidado de criar duas linhas de pesquisa. Dessa forma, reunimos professores de várias áreas distintas e geramos uma diversidade de pesquisas relacionadas a EaD”, afirma o coordenador.

Linhas de Pesquisa O NEPEAD possui as linhas de pesquisa “Educação, gestão e formação de professores” e “Práticas educativas, tecnologias e linguagens”. A primeira linha foca-se nos processos de educação e de formação de professores na área de educação a distancia, abordando aspectos sócio-históricos, políticos e de gestão peda-

Prof.ª M.ª Elvia Torres Ximenes, Cleanny Area Leão, Prof. Dr. José Vanderlei Carneiro e Prof. Dr. Arnaldo Oliveira

8

gógica e avaliação na didática da EaD. Uma das responsáveis por essa linha, a Prof.ª M.ª Elvia Torres Ximenes, desenvolve o projeto de pesquisa com o tema “Inserção da tecnologia na Educação, uma porta para uma maior flexibilidade no trabalho docente?”, que tem o objetivo de estudar o cotidiano do profissional em EaD, especificamente o professor. “Muitos professores que trabalham com o ensino a distância foram formados dentro de uma realidade presencial. Minha pesquisa estuda justamente esses conflitos entre a nossa formação e o que a gente precisa exercer como educadores, inserindo a tecnologia na educação e a flexibilidade que essa tecnologia pode proporcionar ao profissional de EaD”, explica Elvia. Para a professora, os resultados da pesquisa irão auxiliam no processo de gerir os profissionais do CEAD, pois o uso da tecnologia ainda é difícil para algumas pessoas e são muitas as ferramentas tecnológicas oferecidas pelo sistema que não são usadas. “A necessidade de treinamento é evidente, creio que essa pesquisa vai orientar os treinamentos e o que precisa se investir para desenvolvê-los”, conclui a pesquisadora. A segunda linha de pesquisa trata de experiências e práticas educativas com uso de TecnoloRevista Interação ● Edição 11


gias da Informação e Comunicação (TIC), desenvolvendo temáticas relacionadas à midiatização das práticas educativas, utilizando dispositivos tecnológicos-midiáticos, os usos e as apropriações de tecnologias digitais no âmbito do cenário da EaD piauiense e o estudo das linguagens, das narrativas e das circulações discursivas em ambiências presenciais e digitais. As discussões desse eixo de pesquisa geram produtos que ganham visibilidade em eventos externos. O trabalho sobre a Midiatização das práticas educativas foi apresentado pelo Prof. Dr. Arnaldo Oliveira e pela Prof.ª M.ª Cleidinalva Barbosa no IV Workshop em Tecnologias na Formação de Professores (WorkTec), realizado em setembro em Teresina. Em novembro, o artigo “A importância do uso das tecnologias no ensino de química da modalidade EaD: um estudo sobre as práticas educativas midiatizadas de professores e professores tutores” será apresentado no Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância (ESUD) que acontecerá em Salvador, na Bahia. O artigo foi produzido pela Prof.ª M.ª Cleidinalva Barbosa e pela aluna Cleanny Area Leão, sob orientação do professor Arnaldo.

meio da Chamada Universal, que visa o apoio financeiro a projetos que contribuam significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a inovação no país. “Os usos e as apropriações comunicacionais dos alunos de Letras Inglês da UFPI na modalidade a distância” é o tema da pesquisa que tem duração de três anos, desenvolvida por Lívia e seus alunos. A pesquisa se divide em três partes, com o estudo de seis Polos da Universidade Aberta no Piauí. Na primeira fase, iniciada no ano passado, foram estudados os Polos de Inhuma e São João do Piauí. Neste ano, os Polos de Gilbués e Oeiras. Na terceira fase, que será em 2016, os municípios de Água Branca e Buriti do Lopes serão os objetos de estudos. “Nossa pesquisa procura saber o que os alunos de Educação a distância usam para se comunicar e aprender. Ao final da ter-

ceira fase, que tem previsão para dezembro de 2016, teremos um grande apanhado de dados que nos dará essa visão mais geral. No momento, temos os resultados parciais com dados dos achados específicos de alguns polos. Esses levantamentos já se tornaram artigos que são apresentados no decorrer deste ano e também palestras ministradas acerca dessa temática”, afirma Lívia. A pesquisa se solidifica no CEAD por meio do NEPEAD. Para o professor Arnaldo, as duas linhas de pesquisa, apesar de divergentes, acabam se encaixando e contribuindo para as diversas pesquisas em EaD. “Enquanto algumas pesquisas estão ancoradas nas práticas educativas com uma visão mais ampla dos processos de formação da EaD, outras se desenvolvem do ponto de vista mais técnico de como trabalhar esse processo a partir de suas práticas”, conclui.

Chamada Universal Os produtos gerados com a criação do NEPEAD continuam. Um projeto desenvolvido pela Prof.ª Dr.ª Lívia Nery recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por Revista Interação ● Edição 11

Coordenadora Adjunta do NEPEAD, Prof.ª Dr.ª Lívia Nery

9


Educação a Distância e seu importante papel para a formação dos profissionais de saúde

Denise Glenda Gomes da Silva Graduada em Bacharelado em Fisioterapia – UFPI Pós-Graduanda em Fisioterapia Neurológica – Estácio CEUT Fisioterapeuta Voluntária da Fundação Ninho em Parnaíba/PI deniseglendagomes@hotmail.com

A educação a distância possui, hoje, grande notoriedade como nova modalidade educacional no Brasil. Nos últimos anos, após a implantação da Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394, aprovada em 20 de dezembro de 1996, que a colocou como modalidade regular integrante do sistema de educação nacional –, ela vem sendo, na maioria das vezes, a primeira escolha de estudo entre os profissionais de saúde. 10

A EaD pode ser definida como a modalidade de ensino que facilita a autoaprendizagem, com ajuda de recursos didáticos organizados, apresentados em diferentes suportes de informações, podendo ser utilizada por diversos meios de comunicação, por intermédio de interação via plataformas digitais e produção digital de conteúdo integrado (os mesmos materiais para as mesmas disciplinas). Segundo a Lei Orgânica de Saúde, e de acordo com a Reforma Universitária, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Graduação de Profissionais de Saúde (MEC 2001/02) recomendam a articulação intersetorial para assegurar o diálogo e a orientação compartilhada entre saúde e educação para a formação dos profissionais, no sentido de melhorar a prestação de serviços, a produção de conhecimentos e a construção de relevância social no campo da saúde. Nesse contexto, qual seria a importância da EaD na formação e no aperfeiçoamento dos profissionais de saúde no seu campo de atuação?

Desenvolvimento Com o surgimento de diferentes modelos de tecnologias, e

pela abrangência dos sistemas de comunicação digital, a EaD está cada vez mais complexa, porém com uma grande acessibilidade entre seus usuários. A sua expansão é nítida tanto nacional quanto internacionalmente, atendendo cada vez mais a uma grande quantidade de alunos, em diferentes cidades, ofertando custos diluídos e disponibilizando modelos de ensino adaptados, por meio de plataformas, CD-ROM, material impresso, videoconferências, fóruns, chats, dentre outros. A EaD vem se popularizando devido à sua facilidade de acesso à informação rápida e atualizada, além de proporcionar baixos custos para sua obtenção. O profissional de saúde, mais que qualquer outro, deve procurar constantemente atualizar suas competências técnicas, tecnológicas, sociais e culturais dentro da ética do seu campo de atuação. Nessa perspectiva, a modalidade de ensino a distância atua como válvula de escape para esses profissionais, que hoje não têm tempo para frequentar as aulas convencionais de ensino presencial. A EaD, inicialmente, foi encarada como forma de superação de lacunas educacionais na qualificação profissional, no aperfeiçoamento ou na atualização de conhecimentos. Porém, no conRevista Interação ● Edição 11


texto atual, ela vem sendo opção de complemento da educação presencial, e é vista por muitos como uma modalidade de ensino alternativo que pode até substituir parte do sistema presencial. A principal vantagem da EaD é permitir a flexibilidade em torno da proposta de ensino, vez que hoje, como resultado do desenvolvimento da tecnologia da comunicação, as interações entre docentes e alunos são favorecidas, encurtando as distâncias na modalidade. Porém, ainda são muitos os obstáculos a serem enfrentados, como a utilização de diferentes veículos do saber, que poderiam ser usados desde que o aluno tivesse condições de possuí-los para uso individual ou que o acesso fosse fácil. Ser profissional da saúde nos dias atuais é um desafio, em especial, devido ao bombardeamento de informações. A todo o momento surgem técnicas novas, uma doença nunca vista antes, além da expectativa de vida da população que aumenta a cada ano que passa. Para manter-se atualizado, é necessária a utilização de recursos rápidos e interativos que a qualquer lugar e horário se possa consultar e estudar. E é nesse contexto que o ensino a distância entra como recurso alternativo que permite o estudo e a atualização rápida, sem se preocupar com o deslocamento para uma sala de aula ou a perda de um dia de trabalho para poder assistir uma aula convencional e interagir com o docente. Com o aparecimento de tecnologias e de mídias novas, a EaD ganha mais espaço, conquistando públicos diversos, oferecendo Revista Interação ● Edição 119

modelos de ensinos adaptados à sua rotina e ainda variados planos de pagamentos a baixos custos.

Conclusão A EaD se encaixa perfeitamente na rotina de um profissional da saúde, porém, como exposto neste texto, esse modelo de ensino enfrenta grandes desafios que devem ser superados para que: primeiro, se consiga um melhor acesso por parte desses profissionais; e, segundo, para atingir uma grande quantidade de alunos. Por essas dificuldades e por ser considerado, por muitos governos, um caminho mais barato de qualificação profissional, o ensino a distância deve superar esse paradigma para poder se consolidar como modalidade de ensino e aprendizagem na área da saúde. O ideal seria que o ensino convencional e a educação a distância interagissem de forma que um complementasse as falhas do outro, favorecendo a mobilidade dos alunos de um ensino para o outro sem que houvesse qualquer problema, permitindo, também, a estes, a escolha do modelo de ensino que mais lhe interessas-

se, proporcionando, desse modo, maior aprendizagem. Além do que, as instituições poderiam oferecer ensino de qualidade, moderno e dinâmico, a um custo competitivo. Por fim, a modalidade de ensino a distância deve ser encarada como segunda opção de ensino, como método de qualificação e não de substituição do sistema educacional que está vigente no Brasil, mesmo que, segundo vários autores, esse esteja em situação deficiente.

Referências OLIVEIRA, Marluce Alves Nunes. Educação a Distância como estratégia para a educação permanente em saúde: possibilidades e desafios. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, 2007. MORAN, José Manuel; VALENTE, José Armando. Educação a Distância: Pontos e Contrapontos. Summus Editorial, 2011.

11


Laiane de Brito Machado, natural de Cocal da Estação, sempre foi muito determinada e estudiosa. Licenciada em História, pela Uespi, começou o curso de licenciatura emMatemáticapeloCEAD/UFPI,no polo de Piracuruca, ainda em 2010.

palavra “DESISTIR” chegasse ao seu caminho. A relação com professores-tutores e colegas de classe foi peça-chave para a formação dos grupos de estudo que, além do conhecimento compartilhado, tornaram-se grandes amizades.

Dividida entre o trabalho, a reta final na graduação de História e o amor pela Matemática, a educação a distância proporcionou à Laiane a realização de um sonho. Assim, ela assistia às aulas presenciais aos sábados, e, as demais atividades, realizava no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Assim, em junho de 2014, essa trajetória foi concluída com a solenidade de formatura, e, com mais uma grande realização, a aprovação no concurso da Secretaria de Educação do Estado do Piauí (SEDUC/PI), em 2º lugar pela 3ª Gerência Regional de Educação (GRE), na área de sua paixão: Matemática.

Muitos obstáculos foram enfrentados até chegar à tão sonhada formatura, principalmente quanto à organização dos horários de estudo, pois era preciso conciliar trabalho, família, vida social e, ao fim de tudo isso, ser aprovada por média em cada período, o que não foram suficientes para que a

Hoje Laiane de Brito é professora de Matemática na cidade de Piripiri-PI, especialista em Matemática Financeira e Estatística pelo Instituto Prominas/Universidade Cândido Mendes, faz especialização em Matemática do Ensino Médio pela UESPI/EaD e atribui seu sucesso à educação a distância.

Foto: Arquivo Pessoal

Perfil do Aluno de EaD

Laiane de Brito Machado

Aprovada em 2º lugar pela 3ª Gerência Regional de Educação para lecionar Matemática

Educação a Distância Portal UAB - Universidade Aberta do Brasil www.uab.capes.gov.br Unirede - Universidade Virtual Pública do Brasil www.unirede.br UOL Educação educacao.uol.com.br

12

Revista Interação ● Edição 11


Congresso Brasileiro

XII ESUD Discute Tecnologia Educacional e Dispositivos Móveis Foto: Divulgação

Por Indira do Vale

O

XII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância aconteceu entre os dias 30 de novembro e 03 de dezembro, na cidade de Salvador, com o tema: “Cultura Digital e Inovação: tecnologia educacional e dispositivos móveis”. O evento teve como principal objetivo promover e incentivar a pesquisa acadêmica na área de Educação a Distância (EaD) no Brasil. Durante o congresso, o Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI) apresentou cinco trabalhos, são eles: - “Aplicação dos Softwares Geogebra e Scilab no Curso de Licenciatura em Matemática na Modalidade de Educação a Distância da UFPI” (Gildásio Fernandes, Conceição de Maria Revista Interação ● Edição 11

Rocha Ceyça Rocha e Marlívia Borges); - O uso das tecnologias da informação e comunicação móveis e sem fio (TIMS) nas atividades em EaD na UFPI e UFCG; (Conceição de Maria da Rocha Ceyça Rocha, Edjane Dias, Gildásio Fernandes e Sulamita Dias da Silva); - Acompanhamento dos egressos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, modalidade ensino a distância; (Maria da Conceição Prado de Oliveira, Conceição de Maria da Rocha Ceyça Rocha e Liana Rosa Brito Cardoso); - A importância do uso das tecnologias no ensino de química da modalidade EaD: um estudo sobre as práticas educativas midiatizadas de professores e professores tutores. (Arnaldo Oliveira Souza Júnior, Cleidinalva Maria

Barbosa Oliveira e Cleanny Area Leão); -Educação a distância na formação: um diferencial na ação do docente (Maria Francinete Damasceno e Dannielle Borges); Durante o evento o diretor do CEAD/UFPI, Gildásio Guedes, apresentou o Workshop III - Práticas Pedagógicas Inovadoras, juntamente com a Pós-Dra Teresinha Fróes Burnham (UFBA) que foi coordenado pela Pós-Dra Tânia Maria Hetkowski (UNEB). Na sua participação o Prof. Dr. Gildásio Guedes abordou a formação de professores na EaD para o ensino fundamental. Desde 2002, a Associação Universidade em Rede (UNIREDE) realiza o Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância (ESUD). O CEAD/UFPI participa desse evento desde 2009.

13


A modalidade EaD no curso de formação continuada “Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares” - relato de experiência em tecnologias educacionais Prof.ª M.ª Carolina Cavalcanti Bezerra Graduada em Comunicação Social (PUC-CAMPINAS/1997) Mestra em Educação (UNICAMP/2008) Especialista em Novas Tecnologias na Educação (UEPB/2010). Coordenadora Pedagógica na modalidade a distância (EaD) na UEPB desde 2008 carol.cavalcanti.bezerra@gmail.com Prof.ª Dr.ª Laércia Maria Bertulino de Medeiros Licenciada em Psicologia (UEPB/1991) Mestra em Ciências da Sociedade (UEPB/2002) Doutora em Ensino, História e Filosofia das Ciências (UFBA/2012). Professora Titular da UEPB laercia.medeiros@gmail.com

E

ste ensaio traz a temática “Processo de recepção e aprendizagem na Educação a Distância: sujeitos e suportes de mídia” a partir de resultados observados durante a oferta de um curso de especialização oferecido entre os anos de 2013 e 2014, parceria entre a Universidade Estadual da Paraíba e a Secretaria de Estado da Educação. Ações puderam ser tomadas no decorrer do curso após observações realizadas por meio de aplicação de questionário visando compreender o baixo acesso a plataforma de ensino a distância pelos alunos do curso. Porém, o ensaio destacará, a partir das experiências dos educandos, como a modalidade foi encarada pela grande maioria de primeiros “usuários” da internet como 14

veículo, meio de aprender e ensinar. Os sujeitos dessa pesquisa inicial foram professores da rede de educação pública do Estado da Paraíba, com anos de experiência em sala de aula e, pouca, com as tecnologias da informação e comunicação. Para concatenarmos a prática com a teoria destacamos que a compreensão de Educação a Distância – EaD é vasta e se fundamenta a partir de pelo menos três características: 1) como processo de ensino e aprendizagem mediado por tecnologias; 2) quando docentes e discentes conectam-se por meio de ferramentas tecnológicas, a exemplo do Ambiente Virtual de Aprendizagem –“AVA”; 3) a comunicação bidirecional na perspectiva dialógica (BELLONI, 2006).

Do ponto de vista legal, no Brasil, a EaD se consolida e é instaurada a partir da Lei nº 9.394/96 que oficializou na política nacional a normatividade da modalidade da educação a distância equivalendo e validando para todos os níveis de ensino, dentre eles cursos de formação continuada oferecidos por instituições credenciadas pela União, que foi disciplinada pela resolução nº 01, da câmara de Ensino superior (CES), do Conselho Nacional de Educação (CNE), em 3 de abril de 2001 (BRASIL, 1996). Nitidamente no Brasil, nas três últimas décadas, principalmente a partir das políticas para a Educação em todos os níveis, houve e há um incentivo para os profissionais da Educação continuarem aprendendo sobre seu campo proRevista Interação ● Edição 11


fissional. Podemos considerar que a formação continuada passou a ser um caminho fundamental para o processo de construção de um novo perfil profissional de professor. No entender de Pimenta (1995, p. 14), a formação do docente não se esgota nos cursos de formação, pois um curso não é a práxis do futuro professor, ou seja, “um curso não é a prática docente, mas é a teoria sobre a prática docente e será mais formador à medida que as disciplinas todas tiverem como ponto de partida a realidade”. Diante disso, a formação continuada baseia-se em um processo sucessivo do desenvolvimento profissional do professor perante uma interligação entre sua formação inicial. Nesse sentido, o Curso de Formação Continuada em “Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares”, parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SEE/PB) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), teve como proposta capacitar professores da rede estadual de educação da Paraíba. Para tanto, foram elaborados especialmente nove módulos presenciais e na modalidade a distância visando atender não somente um público específico, como também modernizar a discussão sobre a educação que temos e a que desejamos, aprimorando e compartilhando possibilidades de ressignificar o ensino, como também a construção de novas aprendizagens. Dentre os nove módulos ofertados na especialização, quatro foram oferecidos na modalidade a Revista Interação ● Edição 11

distância, tendo 40 horas de carga horária cada: Tecnologias Educacionais, Processos de Cidadania e Relações Sociais, Comunicação e Linguagens e Trabalho e Sociedade. Debruçamo-nos aqui sobre a experiência com o componente curricular “Tecnologias Educacionais” e seu percurso metodológico, os desafios, algumas observações pertinentes verificadas após seu encerramento decorrentes da primeira experiência com a modalidade a distância por boa parte dos cursistas2. O processo inicial de contato com a modalidade a distância se deu de forma intensiva pelos estudantes. Para tanto, utilizamos como plataforma virtual o moodle por poder ser adquirida de forma gratuita, inclusive pelos alunos da especialização3.

Metodologia Tendo em vista que a pesquisa quantitativa “é aquela [...] onde é importante a coleta e a análise quantificada dos dados” intentamos conhecer as dificuldades Partindo dessa premissa, a primeira disciplina na modalidade teve caráter instrumentalizador, isto é, o estudante da especialização pode conhecer e/ou se aprimorar na modalidade e nos conteúdos do módulo a partir do uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). 3 Vale ressaltar que o público da especialização é composto de professores da rede estadual de ensino que estando ou não em sala de aula poderão usar a ferramenta como recurso pedagógico. 2

e expectativas dos mesmos com a metodologia de aprendizado a partir da análise dos resultados alcançados com os resultados da aplicação de questionários, e “de cuja quantificação, resultados automaticamente apareçam” (SANTOS, 2001, p. 30). A disciplina a qual se refere este artigo teve início no dia 1º de abril de 2013 com proposta de cinco semanas de atividades entre leituras e exercícios práticos no AVA4. Para coleta de dados, foi aplicado presencialmente junto aos alunos do curso um questionário estruturado, contendo cinco perguntas com o objetivo de verificar e avaliar o impacto da modalidade a distância na atuação dos estudantes na especialização. O instrumento foi construído pela coordenação do curso e professores ministrantes da disciplina. A análise de dados foi desenvolvida a partir da estatística descritiva. A estatística descritiva é a área da Estatística que aplica técnicas capazes de descrever e sumarizar informações de uma amostra de dados. Para tanto, os dados foram codificados diretamente nos questionários, digitados em planilha Excel a partir de variáveis das respostas em termos percentuais. Num segundo momento, o mesmo componente curricular foi ofertado para a segunda turma que teve início em 10 de março de Dadas as dificuldades encontradas pelos cursistas para a prática na sala de aula virtual, algumas prorrogações foram necessárias para a conclusão de um maior número de alunos nessa primeira experiência. 4

15


2014, com pequenas modificações no seu planejamento feitas a partir de inferências da primeira experiência. Porém, os dados desse segundo momento não fazem parte dos resultados e discussões inicialmente apontados nesse ensaio.

Resultados e Discussão Após um mês de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) disponível aos estudantes foram tabulados alguns dados aos questionamentos realizados para os 1.137 cursistas da primeira entrada. Analisamos da seguinte forma os resultados dos questionários aplicados em todos os polos5: A primeira pergunta quis saber sobre o primeiro acesso ao AVA tendo em vista problemas com internet especialmente em algumas regiões mais distantes da capital do Estado. Apenas quatro alunos de Monteiro afirmaram ainda não terem acessado o AVA até aquela data. Na sequência, quisemos saber se existiam dificuldades mesmo após o(s) primeiro(s) acesso(s). Do total de respostas 615 (54,1%) disseram que SIM e responderam que NÃO, 522 (45,9%) à pergunta “Caso tenha acessado, permanece com dificuldades?”. O resultado em si já era esperado sabendo-se que grande parte dos estudantes O curso foi realizado em 12 polos que representam as Regionais de Ensino do Estado, sendo os municípios: Araruna, Campina Grande, Catolé do Rocha, Cuité, Guarabira, Itabaiana, Itaporanga, João Pessoa, Monteiro, Patos, Princesa Isabel e Sousa. 5

16

estava pela primeira vez em contato com o ensino a distância, mas, vale ressaltar a expressividade dos resultados negativos nos dois maiores polos: Campina Grande com 40,1% e João Pessoa com 63,9% dos estudantes com dificuldade na modalidade. O polo que apresentou o menor índice de dificuldades foi o de Monteiro com 4%, seguido do polo de Araruna, com 10% de dificuldade após o primeiro acesso. Na subsequência questionou-se o motivo pelo qual o acesso ao ambiente virtual não era realizado, ou seja, “qual” ou “quais dificuldades” apresentaram-se como entrave para o acesso a modalidade. Foram dadas quatro possibilidades para resposta e os alunos poderiam optar por mais de uma resposta. Os dados apresentados apontam que, para todos os doze polos de atuação, a maior dificuldade apresentada para acesso à plataforma virtual foi a “Falta de habilidade”, seguido de problemas com a “Internet” (quantificado das respostas dada a opção Outros) e por fim, por não possuírem computador para realizar os estudos. Sobre a falta de interesse os resultados são inexpressíveis e correspondem as respostas dadas por um grupo de alunos que não aceitava a modalidade desde o início, pois o edital de convocação para a especialização informava que as aulas seriam apenas presenciais. Para os 12 polos os resultados assim se apresentaram: 58,3% apontaram a falta de habilidade, 25,9% apontaram outras razões, 25,8% responderam não ter computador, 7,9% responderam não

ter interesse na modalidade e apenas 1,9% marcaram a opção “não gostam” como razão da dificuldade de acesso a plataforma de ensino em EaD. Chamamos a atenção para o alto índice de respostas em todos os 12 polos apontando para a falta de habilidade com a ferramenta (381) e o não acesso simplificado a internet (246). A título de curiosidade, pouquíssimos são os estudantes que não têm computador (52). Também foi questionado aos alunos se já haviam entrado em contato com a professora mediadora da disciplina de “Tecnologias Educacionais” e, apenas 34% dos alunos dos doze polos já tinham realizado o primeiro contato após pouco mais de um mês de início do primeiro componente em EaD. Por fim, foi questionado como os mesmos realizavam seu acesso, se sozinhos ou com a ajuda de alguém. Os números assim se apresentaram para aqueles que necessitavam de auxílio para entrar no ambiente virtual de aprendizagem e realizar suas atividades: Araruna 23,08%, Campina Grande 14,55%, Catolé do Rocha 16,33%, Cuité 14,23%, Guarabira 14,68%, Itabaiana 18,75%, Itaporanga 14,02%, João Pessoa 26,88%, Monteiro 33,68%, Patos 26,04%, Princesa Isabel 14,24% e Sousa 12,63%6. Ressalta-se a importância dos Como resposta ao questionamento “de quem viria esse auxílio?”, em sua grande maioria, os estudantes afirmaram ter ajuda de parentes, outros colegas e da professora/coordenadora do módulo. 6

Revista Interação ● Edição 11


resultados apresentados tendo em vista o porte da especialização e o número de pessoas envolvidas desde a concepção do projeto até as defesas de monografia ao final do curso. Corroborando com os dados encontrados, Moore e Kearsley (2010, p. 175) afirmam que “a maioria dos alunos adultos a distância se sente muito ansiosa quanto ao estudo, especialmente quando iniciam um novo curso”. Ainda mais quando sua maioria tem o primeiro contato com o ‘mundo virtual’ de uma hora para outra.

Conclusão Esse ensaio teve como objeto de estudo analisar a experiência com a disciplina “Tecnologias Educacionais”, seu percurso e desafios, no Curso de Formação Continuada em “Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares”, parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SEE/PB) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Os sujeitos da pesquisa foram 1.137 professores da rede estadual de ensino, distribuídos em doze polos que representam as Regionais de Ensino do Estado da Paraíba. Apesar de um número expressivo de estudantes da primeira turma que não acessaram em nenhum momento a disciplina num primeiro contato com a modalidade a distância e de algumas desistências durante o percurso, não entendemos como única e exclusivamente resultado do desinteresse na modalidade em si ou na inefiRevista Interação ● Edição 11

cácia da metodologia adotada pela disciplina em questão. Verificamos no início do curso em Abril, que foram 1.946 estudantes matriculados no módulo de Tecnologias Educacionais, primeiro acesso à modalidade para grande parte dos alunos. Após um mês, os “não acessos” e/ou “desistências” contabilizavam 495 pessoas (25,43%), resultado aceitável se apontarmos que “nas universidades públicas a taxa de evasão beira os 70% e, segundo o INEP, a evasão média nos cursos de graduação é de 58%” (MALUF, 2012, p. 2). Como resultado, em um primeiro momento de levantamento de dados foram 1.349 aprovados, ou seja, 93% dos estudantes atuantes na modalidade concluíram suas atividades em T.E7. Nesse sentido, a disciplina “Tecnologias Educacionais” contribuiu como experiência, e, sobretudo como mediadora na inserção de uma nova modalidade de aprendizagem. Outrossim, foi gratificante verificar que o desafio requerido pela modalidade não só foi superado, mas também arrebanhou novos professores-pesquisadores para a área dentre os nossos alunos. Foram muitos os interessados em compartilhar o aprendizado que tiveram com a ferramenta duInicialmente esse resultado foi provisório, haja vista que muitos estudantes foram recuperando suas notas com atividades extras. E outros, ainda não estavam sendo considerados como desistentes, pois tiveram mais uma oportunidade de retornar ao Curso de Formação Continuada. 7

rante o curso e que concluíram a especialização com trabalho monográfico sobre a temática tecnologia(s) educacional(is).

Referências BELLONI, M. L. Educação a Distância. 4.ed. Campinas: Autores Associados, 2006. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em <http:// portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ ldb.pdf>. Acesso em 08 set. 2015. MALUF, R. A evasão escolar e o ensino a distância. Observatório do Trabalho de Minas Gerais, julho de 2012. Disponível em < http://www.abed.org.br/media/ textoevasao.pdf>. Acesso em 02 out. 2015. MOORE, M.; KEARSLEY, G. Educação a Distância: uma visão integrada. São Paulo: Cengage Learning, 2010. PIMENTA, S. G. (coord.). O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática. 2.ed. São Paulo: Cortez, 1995. SANTOS, A. R. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. 4.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

17


WorkTec

CEAD/UFPI Participa do IV WorkTec Por Indira do Vale

O

IV Workshop em Tecnologias na Formação Além de o Encontro de Coordenadores UAB e de Professores (WorkTec) foi realizado nos Agentes EaD, a Prof.ª Dr.ª Lívia Nery representou dias 22, 23 e 24 de setembro, em Teresina, o CEAD/UFPI em uma mesa-redonda, no auditóe foi organizado pelo Instituto Federal de Educação rio Maestrina Clóris, no IFPI Central, para discutir Ciência e Tecnologia do Os Modelos de EaD em Piauí (IFPI) e pela Unidade seus variados Contextos. Acadêmica de Educação a A mesa foi mediada pela Distância e Tecnologia da Dr.ª Márcia Karina da Universidade Federal RuSilva Luiz. ral de Pernambuco (UFRParalelo à mesa redonPE), em parceria com o da, a palestra: MidiatizaCentro de Educação Aberção das Práticas Educatita e a Distância da Univervas foi abordada pela Ma. sidade Federal do Piauí Cleidinalva Oliveira e (CEAD/UFPI) e o Núcleo pelo Dr. Arnaldo Oliveira de Educação a Distância ambos do CEAD/UFPI. da Universidade Estadual Segundo o diretor do Encontro de Coordenadores UaB e agentes EaD do Piauí (NEAD/UESPI). Centro de Educação AberNo dia 23, o CEAD/ ta e a Distância, Prof. Dr. UFPI e o NEAD/UESPI realizaram o Encontro de Gildásio Guedes, “a participação do CEAD no IV Coordenadores UAB e Agentes EaD, fechado, no auWorkTec serve para capacitar os professores que ditório do Centro de Tecnologia, para discutir a EaD trabalham com as mais diversas formas de tecnolono Estado. gia e para consolidar a EaD no Piauí”.

Coordenadores UAB; Prof. Dr. Paulo Lima (IFPI); Prof. Dr. Gildásio Guedes(CEAD/UFPI) durante abertura do WorkTec

12 18

Mesa-redonda mediada pela Dr.ª Márcia Karina da Silva Luiz

Palestra: Midiatização das Práticas Educativas foi abordada pela Ma. Cleidinalva Oliveira e pelo Dr. Arnaldo Oliveira

Revista Interação ● Edição 11


Capa

CEAD/ UFPI recebe prêmio de Direitos Humanos Por Indira do Vale

A

Universidade Federal do Piauí, por meio do Centro e Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI), recebeu, no dia 24 de setembro, o prêmio Estadual de Direitos Humanos na categoria Ações e Experiências. O Prêmio de Direitos Humanos, instituído em 1988, ocorre a cada dois anos com o objetivo de homenagear, de promover e de dar visibilidade às instituições e às pessoas que, pelo compromisso, pela dedicação e pelo testemunho, destacam-se na caminhada de luta pela dignidade e pelo respeito aos direitos humanos no Brasil e no Mundo. Existem três categorias de premiação: Personalidades; Organizações; e Ações e experiências. A categoria “Ações e Experiências” é destinada a valorizar ideias inovadoras de ação em Direitos Humanos, podendo ser desenvolvida em nível micro, mas com potencial de replicação.

As ideias inovadoras apresentam resultados sociais relevantes e aspectos metodológicos participativos, eficientes, e capacidade de integração com parceiros. O diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes, durante sua palestra sobre os Dez anos de Educação a Distância no Piauí, no IV Worktec (Workshop em Tecnologias na Formação de Professores), recebeu das mãos do coordenador do Comitê Estadual de Educação e Direitos Humanos, Dr. Arnaldo Eugênio, o Prêmio de Direitos Humanos na categoria Ações e Experiências. Para o Prof. Dr. Gildásio Guedes, “o prêmio representa o reconhecimento a uma educação de qualidade ofertada nos mais extremos municípios do Piauí, que vem mudando a realidade educacional, econômica e social do interior do estado por meio do curso superior”.

Dr. Arnaldo Eugênio entrega o prêmio ao Diretor do CEAD/UFPI

Revista Interação ● Edição 11

19


Educação a Distância e as novas mídias tecnológicas: um mundo de possibilidades, centrado na autonomia

Márcia Keilany Albuquerque Moura Graduada em Licenciatura Plena em Letras-Português (UESPI) Pós-graduada em Língua Portuguesa e Inglesa (FLATED) Graduanda em Língua Inglesa (UFPI) Tutora a Distância do IFPI - Polo Valença/PI marcia26.k@hotmail.com

A

Educação a Distância (EaD) é uma modalidade de ensino que tem como suportes pedagógicos os meios virtuais tecnológicos e oferece um legado de possibilidades para quem quer estudar de forma autônoma, crítica e, acima de tudo, com qualidade. A EaD surge para o fortalecimento do ensino, em decorrência da necessidade social de disseminar a educação a todos aqueles que não têm ou não tiveram

20

oportunidade de acesso ao ensino superior e/ou que não têm disponibilidade para participar de um curso na modalidade regular. Ela oferece vantagens, tais como: flexibilidade de tempo e horário de estudos, comodidade, praticidade etc; e desvantagens, como o contato pessoal e constante com professores e alunos que acontecerão raras vezes, por meio dos encontros presenciais. No ensino a distância, uma ferramenta que será utilizada como recurso pedagógico é o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), um instrumento didático relevante, diria até essencial, num curso desse gênero, pois se apresenta como ambiente de características sociointerativas, por serem concebidas a partir das concepções pedagógicas mais abertas, flexíveis e construtivas,  que refletirão no desenvolvimento da aprendizagem. E, para aproveitar de forma efetiva o curso, o aluno deverá se planejar, organizando os seus horários de estudo, uma vez que terá que cumprir prazos estabelecidos. Nesse sentido, terá que dispor de duas características consideradas relevantes para tal processo, que o ajudarão no desempenho du-

rante o curso: determinação e responsabilidade. Portanto, o objetivo deste ensaio é refletir sobre as novas tecnologias aplicadas na área educacional na modalidade de ensino a distância, analisando a aplicabilidade das novas mídias tecnológicas utilizadas em tal.

A utilização das tecnologias de informação e de comunicações (TICs) na Educação a Distância

O cenário educacional atual traz exigências para o ensino, em função da globalização, no sentido de redimensionar ações capazes de atender toda a demanda. A tecnologia teve um avanço considerável nos últimos anos. Nesse sentido, as Tecnologias da Informação e de Comunicações (TICs) trouxeram novos desafios para a atualidade, como, por exemplo, o aumento da produtividade e a criação de novas políticas educacionais e sociais. Elas são utilizadas em vários ramos de atividade. E, na Educação a Distância, são essenciais, uma vez que estão entre os principais instrumentos didáticos utilizados em tal modalidade. Revista Interação ● Edição 11


A Educação a Distância surge como uma possibilidade de autoaprendizagem do educando, cujo ensino é mediado por intermédio das novas tecnologias de informação, que podem ser utilizadas como um recurso de desenvolvimento educacional sistemático e interacional. Revista Interação ● Edição 11

Nesse sentido, a incorporação de novas tecnologias de comunicação possibilita o acesso aos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), que correspondem a softwares destinados a apoiar as atividades educacionais. Silva (2003) conceitua sala virtual como uma designação do ambiente virtual de aprendizagem. Na concepção de Alves (2009), trata-se de um ambiente online integrador, que possibilita maior interatividade entre os usuários com os conteúdos e as atividades disponibilizadas. Assim, com a internet, a educação a distância torna-se mais atrativa, dinâmica e interativa, em que é possível a interação entre professores e alunos, bem como entre alunos e alunos, facilitando, dessa forma, o processo de ensino-aprendizagem. De acordo com Levy (1996), os ambientes virtuais oferecem inúmeras possibilidades para quem busca um ensino mais dinâmico, interativo, eficiente e com objetividade. Logo, as TICs são ferramentas de aplicação essenciais, pois servem como elemento facilitador nas maiores dificuldades encontradas na Educação a Distância, além de ser uma forma atrativa e dinâmica de aprendizado.

Conclusão

sas aplicações da tecnologia da informação e da comunicação podem estar ligadas diretamente às práticas pedagógicas, oferecendo uma aprendizagem aliada às experiências reais do educando, oportunizando o seu crescimento e desenvolvimento profissional na perspectiva da construção do conhecimento. Assim, a Educação a Distância surge como uma possibilidade de autoaprendizagem do educando, cujo ensino é mediado por intermédio das novas tecnologias de informação, que podem ser utilizadas como um recurso de desenvolvimento educacional sistemático e interacional.

Referências ALVES, L. R. G. Um olhar pedagógico das interfaces do Moodle. In: ALVES, L.; BARROS, D.; OKADA, A. (Org.) Moodle: Estratégias Pedagógicas e Estudos de Caso. 2009. LEVY, P. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996. SILVA, M. Criar e professorar um curso online: relato de experiência. In: SILVA, M. (Org.). Educação online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. São Paulo: Edições Loyola, 2003.

Diante do estudo, podemos perceber que as perspectivas educacionais voltadas para as diver-

21


Entrevista

Desenvolvimento e História da EaD nos Estados Unidos Mike Stricklin Graduado em Letras Inglês e Jornalismo pela Universidade de Baylor (1966), mestre em Jornalismo pela Universidade da Califórnia (1971) e doutor em Comunicação de Massa pela Universidade de Iowa (1977). O professor é texano (EUA), mas desde janeiro de 2005 mora em Teresina com a esposa Chere, onde atua como professor colaborador do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí (PPGComUFPI). Juntamente com o professor Dr. Gustavo Said, também do PPGCom, conquistou o prêmio Donald Brenner Best Paper Award, conferido pela – International Society for the Scientific Study of Subjectivity (ISSSS) –, pelo melhor trabalho apresentado no congresso realizado por essa instituição no ano de 2013, em Amsterdã.

Em entrevista para a Revista Interação, Mike nos conta sua experiência com a Educação a Distância nos Estados Unidos e nos traz um comparativo em relação ao ensino piauiense. Revista Interação – Professor, como se desenvolveu a Educação a Distância nos Estados Unidos? Stricklin – A Educação a Distância não é coisa nova. Nos Estados Unidos, começou no século XIX, nas universidades agrícolas rurais. Naquela época, as matérias eram distribuídas no papel usando correios. As provas eram enviadas aos alunos nas fazendas das zonas rurais e, depois, eles as mandavam de volta. Tudo isso foi feito como resultado de um grande movimento após a Guerra Civil Americana, em 1865. O Governo Federal, juntamente com os Estados, trabalharam unidos nessa política. A região que compreende os estados de Nebraska, Oklahoma, Texas, 22

Dakota do Sul, Dakota do Norte, Minnesota, Wisconsin, Illinois, Iowa, Missouri e outros é rica em qualidade de solo e em chuva e, naturalmente, espaço para o desenvolvimento da agricultura. Por meio desse movimento bem abrangente e planejado, que acompanhou a expansão das ferrovias, desenvolveu-se a região e a educação para a população. RI – Conte-nos um pouco da sua trajetória na Educação a Distância. Stricklin – A Universidade de Nebraska, onde trabalhei, alugou um satélite em cima dos Estados Unidos que nos permitia mandar 16 aulas ao mesmo tempo, do Canadá até a Guatemala, mais ou menos. Eu e meus colegas de Comunicação Social ficamos pensando como poderíamos explorar essas novas tecnologias. Na região, havia muitas pessoas com grande vontade de estudar, mas com poucos recursos para abandonar a fazenda e ir para

cidade estudar. Pensamos: vamos usar a televisão para distribuir aula via satélite! E, paralelamente, usamos o telefone, por meio de ligações gratuitas pelo 0800, para os alunos nas fazendas e nas cidades pequenas participarem da aula. Lembro que o programa ao vivo começou em 1999. Foi uma novidade. Eu tinha alunos no Canadá, no Japão, na Malásia, na Dinamarca, na Noruega e nos Estados Unidos. O rapaz na Malásia assistia à aula no outro dia, devido ao fuso-horário, enquanto que a moça na Noruega assistia no dia anterior. Foi interessante esse encontro com várias regiões e culturas, mas ninguém era da América Latina ou da África porque nosso sinal não chegava abaixo da linha do Equador. Mas era terrível essa problemática de horários, então, gravamos todas as aulas e o aluno acompanharia de acordo com sua vontade e disponibilidade. A partir daí, fui eleito o viceRevista Interação ● Edição 11


Fotos: arquivo pessoal

Professor Dr. Gustavo Said e professor Dr. Mike Stricklin

presidente da Faculdade de PósGraduação da Universidade, porque eu tinha essa experiência na Educação a Distância e o próreitor de pós-graduação tinha uma grande vontade de explorar os vários cursos. Na UFPI, fui chamado também devido essas experiências. O próreitor de extensão naquela época, Dr. Noé Fortes, visitou nosso Campus e viu nossas facilidades e ficou encantado, pois um território tão grande como o Piauí poderia desenvolver grandes oportunidades para novos alunos, principalmente rurais e distantes. RI – Qual a sua visão sobre a educação no Piauí? Stricklin – Dei aula sobre Educação a Distância para tutores da Universidade Aberta aqui em Teresina e percebi uma química dentro da aula igual aquela que eu sentia há mais de 20 anos em Nebraska. O coração do curso foi Revista Interação ● Edição 11

discutir como o aluno de Educação a Distância poderia explorar as informações, especialmente pela internet. Somente depois, quando uma aluna começou a falar das dificuldades de usar a internet que eu percebi que estava falando somente na teoria. Moro em Teresina há 10 anos. Pelo meu computador tenho acesso a quase todas as bibliotecas do mundo, toda burocracia do governo americano e brasileiro, enfim, todas as riquezas da internet. Mas muitos alunos das cidades pequenas e dos interiores não têm acesso à internet de qualidade e a essas bibliotecas e buscas. Aqui, faço não uma reclamação, mas uma oração para que todos os Polos no Piauí tenham as capacidades iguais àqueles que tinham em Nebraska 25 anos atrás. É preciso investir. Teresina não é remota, nós temos as ligações tecnológicas para “matar” a distância e isso é fundamental na Educação a Distância. Eu sei que existem jovens nessas cidades procurando oportunidades e que têm capacidade de fazer muito mais. RI – O senhor acredita que as novas mídias e tecnologias contribuem realmente com o desenvolvimento da educação? Stricklin – Sim. As tecnologias auxiliam muito aos alunos. O problema é que o aluno não sabe o que é que ele não sabe. Nesse momento, entra o professor para orientar e o aluno segue em frente

em busca de suas finalidades. Esse é o resultado do processo de educação, não é o processo de decorar. O papel do professor é de orientar, e o do aluno, aprender. Nesses 31 anos dando aula, a maioria dos alunos nunca pensava nessa questão: o que é que eu quero saber? Muitos estão como bezerros procurando a mãe com a expectativa de que ela vá salvar o filhote. Muitos alunos não têm ideia de onde estão e para onde vão. RI – Qual mensagem gostaria de deixar para os alunos dos cursos de Educação a Distância? Stricklin – Na minha experiência com alunos de Educação a Distância, não existe nível de capacidade mais alto. O aluno de EaD está fazendo o programa por quê? Para melhorar a vida dele/dela. As capacidades, às vezes, são muito maiores do que as oportunidades. Então, a Universidade Aberta, por exemplo, oferece oportunidades para um foco, um alvo, desse pessoal. Eu agradeço sempre, em minha carreira, na oportunidade de trabalhar com alunos, claro, com capacidade, mas a coisa mais importante, com determinação moral: Eu vou me educar! Meu papel como professor é ajudá-lo, orientá-lo, dizer: cuidado aqui... Acompanhar este movimento valoriza minha vida muito mais do que a compensação monetária.

23


Contextualização e Mobilização: etapas introdutórias no processo de recepção e aprendizagem na Educação a Distância: interação de sujeitos em suportes de mídia

Cláudia Leão de Carvalho Costa1 Graduada em Direito e Letras (UNIFEMM/2005) Especialista em Direito Civil e Processual Civil (Fadipa/2009) Especialista em Direito Mat. e Processual Trabalho (CNP/2011) Especialista em Docência para Educação Profissional (SENAC) Mestranda em Educação Tecnológica (CEFET Minas) Orientadora de Curso do SENAC Minas claudialeaotrabalho@gmail.com

A

aprendizagem a distância exige um grau de empenho maior do aluno no sentido de dedicação e de disciplina mais eficientes. A instituição educadora também se torna sujeito no desafio de interação inicial do aluno. Faz-se necessário que seja traçado um caminho para o Sob orientação do Professor Dr. TOMASI, Antônio de Pádua Nunes – CEFET Minas 1

24

desenvolvimento desse processo de aprendizagem, de forma sistematizada, desde o início do curso, com desenho de situações de aprendizagens que conduzam o aluno a atingir o objetivo de desenvolver as competências educacionais da aprendizagem a distância na área educacional à qual se propõe a estudar. Para tanto, a aprendizagem a distância deve utilizar metodologia de aprendizagem como estratégia para condução da aquisição do saber. O primeiro passo metodológico para se conseguir a adaptação do educando a aprendizagem a distância seria a contextualização e a mobilização do conhecimento. E, para se adaptar, contextualizar o educando que inicia o processo de educação a distância, deve-se pensar inicialmente em retirá-lo da condição de expectador passivo, estabelecendo entre ele e a plataforma maior interação, além de despertar o interesse, a reciprocidade e a participação com atividades próximas de sua realidade. A contextualização deve provocar no educando visualização geral da área, a dimensão do conhecimento específico que se está propondo no âmbito de sua vida pessoal, social e cultural, mobilizando as competências cognitivas já adquiridas. Contextualizar se-

ria criar uma ponte entre a teoria e a prática, ou seja, essa seria a função da atividade de aprendizagem mobilizada do aprendizado. O aluno não inicia a aprendizagem escolar partindo do zero, mas com uma bagagem formada por conceitos já adquiridos espontaneamente, em geral carregados de afetos e de valores por resultarem de experiências pessoais. Ao longo do desenvolvimento, deve-se aprender a abstrair (observar o que já se conhece, avaliar) e a generalizar, ou seja, criar enunciados gerais desses conhecimentos apreendidos para envolver o aluno no processo de aprendizagem despertando e valorizando esse conhecimento. Um exemplo dessa contextualização: em um curso de Comunicação, Publicidade e Propaganda, em que o educando deve estabelecer um diagnóstico do seu conhecimento na área, um contato com material de comunicação que ele já tenha observado, como recebeu esse material, se houve uma eficaz transmissão da mensagem do material, quem veiculou a informação, onde veiculou e quando. Assim, a contextualização deve evocar aprendizagem significativa ao longo da transposição didática e que mobilize o aluno a estabelecer entre ele e o objeto intimidade, interação e relação de Revista Interação ● Edição 11


proximidade para melhor compreensão dos objetivos do estudo. As dimensões de vida, os pontos de contato ou os contextos de conhecimentos prévios já adquiridos devem ser já mapeados de início para a aprendizagem seja facilitada. Um segundo passo seria criar situações de aprendizagem focadas nas atividades dos participantes do curso. A partir do diagnóstico dos conhecimentos de cada participante, elaborar situações como fóruns, seminários, chats para socializar as interações, as habilidades, os conhecimentos de cada um dos alunos. Em sequência, um terceiro passo seria apresentar atividades propostas que garantam que as competências em desenvolvimento sejam mobilizadas, requeridas, exercitadas e avaliadas. Um exemplo bom para desenvolver a competência de escrever, é criar situações de aprendizagem em que os participantes sejam solicitados a escrever, a refletir sobre a escrita e a modificá-la. Conforme José Antônio Küller (2008, p. 2): Neste passo, Contextualização e Mobilização, o participante do curso compreende a essência e a importância da situação de aprendizagem e a situa no conjunto de suas aprendizagens anteriores e no seu itinerário formativo. Na contextualização, referências e articulações com situações concretas de vida e trabalho são realizadas e a importância da competência a ser desenvolvida é explicitada. Na mobilização são utilizado recursos tais como: dinâmiRevista Interação ● Edição 11

cas, apresentações, músicas, poesias, vídeos, cenas de filme, representações artísticase teatrais, que mobilizem os participantes... O aquecimento pode ser específico,quando é diretamente relacionado com a competência que vai ser desenvolvida, ou inespecífico, quando objetiva apenas despertar a atenção ou provocar, no estudante, o estado de espírito favorável ao aprendizado.

Os suportes de mídia se inserem, então, como plataformas eficazes no passo metodológico de contextualização e de mobilização por trazerem o caráter de recursos que tornam a aprendizagem mais significativa e associam as experiências em contextos que podem colaborar com o aprendizado. Emerenciano, Souza e Freitas (2001, p. 11) explicitam a importância de um projeto responsável de educação a distância: [...] a tutoria na educação a distância é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de estudo, orientar, estimular e provocar o participante a construir o seu próprio saber, partindo do princípio de que não há resposta feita, a cada um compete “criar” um pronunciamento marcadamente pessoal.

As instituições de educação a distância comprometidas com a responsabilidade de formar cidadãos melhores visam o conhecimento acessível a todos pela promoção da inclusão educacional e social de maneira sistemática e intencional por meio do processo de contextualizar e de mobilizar

saberes, englobando de modo indissociável o educando e o educador. Assim, esse envolvimento de mobilização dos saberes contextualizados com as vivências do aluno está diretamente interligado com o processo de aproximação e de aproveitamento das competências já desenvolvidas em prol da interação social comunicativa, princípio basilar na educação a distância. Essa interação como princípio educativo deve estar presente, de forma pró-ativa, na parceria entre professores e alunos. E, ainda, mobilização dos alunos no sentido de construir significados para os conhecimentos para que se sintam motivados a trocar suas experiências, registrar suas descobertas e compartilhar impressões e experiências com toda a turma, tornando-se participantes ativos na dinâmica da aprendizagem, protagonistas em seus processos de formação.

Referências M. S. J. Emerenciano, C. A. L. de Souza e L. G. de Freitas. Ser Presença como Educador, Professor e Tutor. Colabora, Curitiba, v.1, n.1 - p. 4-11, agosto 2001. Disponível em http://www.ricesu. com.br/colabora/n1/artigos/n_1/ id02.pdf KÜLLER, J. A. Como trabalhar metodologias na educação profissional. Blog Germinal – Educação e Trabalho, jul.2008. Disponível em: http://www. senac.br/media/6613/artigo1.pdfConsulta em: 20 Agosto. 2015.

25


UFPI

mantém cronograma de execução de obras

Por Coordenadoria de Comunicação Social UFPI

26

Foto: arquivo UFPI

C

om o objetivo de desenvolver um Ensino Superior de qualidade e, assim, contribuir para o desenvolvimento sócio, econômico e cultural da sociedade piauiense, a Universidade Federal do Piauí (UFPI) tem avançado a passos largos para o melhor desempenho dos serviços prestados à comunidade. Inaugurada em 1971, a Instituição possui comunidade acadêmica de cerca de 47.000 pessoas, distribuídas em cinco câmpus por todo o Estado. Ao longo dos últimos dois anos, a UFPI concluiu 15 obras, entre reformas e construções. Dentre as mais importantes, destacam-se a ampliação e a reforma dos Restaurantes Universitários de Bom Jesus e Teresina, a construção de novas salas de aula no Colégio Técnico do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e reformas no estacionamento do Centro de Ciências da Educação (CCE). Somente este ano, já foram empenhados R$ 24.765.381,30 milhões em obras. Atualmente, a Instituição apresenta 25 obras em andamento que, juntas, totalizam o montante de R$54.291.096,32

Reitor, Vice-Reitora e representantes da PREUNI visitam obras na UFPI

milhões. A pista de atletismo; as construções das Faculdades de Medicina, em Parnaíba e em Picos; o Departamento de Biofísica e Fisiologia; e o Núcleo de Pesquisa em Computação formam as principais obras em andamento nos diversos câmpus. Segundo o Reitor da UFPI, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, é importante frisar que,

apesar das dificuldades financeiras que o país enfrenta, do contingenciamento de recursos de capital que também atingiu o orçamento das universidades federais, a UFPI está conseguindo dar continuidade a todas as obras e reformas iniciadas e tem a garantia da conclusão de todas elas. “Nesta área próxima à Reitoria, por exemplo, temos quatro Revista Interação ● Edição 11


Obras UFPI Administração Superior da UFPI tem se empenhado na intenção de garantir os recursos necessários a serem investidos, cumprindo, assim, o cronograma de todas as suas obras. “O Reitor sempre tem se empenhado em nos ajudar, dando suporte, sempre quando precisamos, principalmente, em relação aos recursos. Sabemos que hoje a situação financeira do país não é fácil, mas com relação a pagamentos, estamos em dia com os nossos empreiteiros para que as nossas obras não paralisem. A UFPI tem 25 contratos, em Teresina, Picos, Parnaíba, Bom Jesus e Floriano, e não temos nenhuma obra parada por falta de pagamento, todas as obras estão em andamento cumprindo o cronograma previsto de entrega”, destacou. O cumprimento de prazos e a excelência do serviço estão entre

os principais objetivos da Coordenadoria de Obras da PREUNI. “Apesar de o momento externo influenciar internamente, a UFPI, em particular, com relação à situação dos seus contratos de obras, está regular, pois nós não temos atrasos significativos, não temos problemas de ordem técnica, então, assim, de maneira geral, os contratos das obras estão andando de forma regular. A grande maioria tem previsão para conclusão no final deste ano e meados de 2016, cumprindo-se o cronograma, que é a grande meta da Coordenação de Obras: fazer com que todos os contratos cumpram o prazo, garantindo a excelência dos serviços oferecidos à comunidade acadêmica”, frisou o Coordenador de Obras da PREUNI, Marcos Vinicius Nunes Sampaio.

Fotos: arquivo UFPI

obras importantes que estão em andamento: a primeira etapa do LIB, o Departamento de Biofísica e Fisiologia, o Departamento de Morfologia e o Núcleo de Pesquisa em Computação. São obras de grande porte, que juntas, somam R$16.000.000,00 milhões de reais. É importante destacar esse valor, porque nós estamos em um ano difícil, todos nós temos conhecimento das dificuldades financeiras que o país está passando, consequentemente, os repasses para a Universidade estão reduzidos, mas, mesmo assim com um esforço muito grande de todos que fazem a Administração Superior, estamos conseguindo manter o andamento e com a garantia da conclusão de todas essas obras”, afirmou. Para o Prefeito Universitário, Pedro José Gomes Rodrigues, a

Revista Interação ● Edição 11

27


A tecnologia da informação superando as barreiras de espaço e de tempo

Márcia Danielly de Araújo Ferreira Graduada em Letras - Português/Francês (UFPI/2015) Professora da Escola Santa Clara marcia_mdaf@hotmail.com

Swéle Rachel da Silva Graduada em Física (UFPI/2014) Especializanda em Ensino de Física (UFPI) Professora da Escola Santa Clara e Projeto Mais Educação - MEC swelelyn@hotmail.com

A

tecnologia da Informação e Comunicação, juntamente com as mídias interativas vem dando um novo sentido à Educação a Distância, no que diz respeito às possibilidades da realização de um curso no exterior, Com a EaD, as opções atuais se expandem para além das fronteiras do Brasil. Pesquisas realizadas mostram que brasileiros podem assistir aulas de forma virtual em países como Estados Unidos, Canadá, Espanha, Reino Unido e França, obtendo, dessa forma, título de graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado, facilitando trocas sociais e culturais. [1] A mediação da aprendizagem em Ambientes Virtuais, auxiliada pela Tecnologia da Informação e Comunicação, representa o ponto central do presente trabalho, ou seja, a especificidade do proces28

so da EaD online como método que visa, primordialmente, à superação de barreiras de espaço e de tempo, num desafio de superar horas de viagem de avião, gastos e o não abandono da terra natal para estudar nas melhores universidades estrangeiras. [2] Apesar de a EaD no Brasil ainda estar em fase de desenvolvimento, a modalidade no exterior já adquiriu maturidade. As principais universidades do mundo, bem como as instituições de ensino a distância, incluíram em sua grade curricular opções de cursos a distância nas mais variadas áreas de conhecimento e nos diversos níveis de ensino. Há oportunidade inclusive para estrangeiros. Podemos citar umas das opções para os brasileiros interessados em estudar nos Estados Unidos pelo sistema da EaD, a American World University. Essa institui-

ção oferece para os brasileiros 76 cursos de graduação, mestrado, doutorado. Nesses cursos, segundo o presidente da divisão latino-americana, Gilberto Fontes, os programas da instituição respeitam o sistema de ensino americano, no entanto, são adaptados aos brasileiros. Os cursos são traduzidos para o Português e podem ser realizados 100% a distância, sem que o estudante tenha que ir aos Estados Unidos. [3]

Desenvolvimento A mediação pedagógica na EaD é entendida por educadores como um processo de produção de conhecimento que envolve suportes mediadores e tecnológicos, auxiliada por interfaces interativas como e-mails, chats, fóruns e videoconferências. Tais ferramentas permitem mediatizar Revista Interação ● Edição 11


a comunicação entre emissor-receptor e efetivar trocas sociais. [4] Os novos paradigmas educacionais da EaD conduzem à uma prática educativa que anuncia uma cibercultura e elege a comunicação, o diálogo, a colaboração como aspectos importantes de estratégias pedagógicas e igualitárias para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem. [5] [6] Dessa maneira, o cenário da EaD, possibilita que pessoas situadas em espaço e tempo diferentes possam construir e melhorar sua formação estimulando o exercício cognitivo, adquirindo novos conhecimentos com a orientação de outros professores, partindo da interação entre diferentes países. Entretanto, na era da informação e em tempos de comunicação digital, o ato de obter uma formação acadêmica vem sendo modificada e facilitada pela a Educação a Distância, permitindo novas formas de explorar o saber, criando oportunidades para que todos sejam incluídos nessa nova perspectiva, e eficaz forma de aprendizagem que circunda o século XXI. Dessa forma, a Educação a distância vem ganhando um espaço promissor.

uma inclusão educacional, social e digital; a construção do conhecimento de maneira partilhada; e o protagonismo dos participantes do processo de ensino-aprendizagem. [6] É notório que há necessidade de abertura de espírito, envolvimento, responsabilidade, organização, pesquisa e, principalmente, criticidade para saber optar pela melhor e mais adequada maneira de ensinar e de aprender, dependendo do contexto em que nos situamos. Podemos constatar que a EaD é também possibilitadora de sonhos, a partir do momento em que se deseja fazer um curso fora do Brasil. Oportunizando, para tanto, a obtenção de uma graduação, especialização, mestrado ou doutorado em universidades conceituadas tendo como modo facilitador a tecnologia. [7]

Conclusão

[2] ABED. Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância. A aprendizagem mediada por TIC: interação e cognição em perspectiva. Disponível em: <http://www.abed.org.br/ revistacientifica/Revista_PDF_ Doc/2012/artigo_07_v112012. pdf>.Acesso em: 9 set. 2015.

As possibilidades que a EaD pode propiciar são: a flexibilização de espaço e de tempo; o acesso a um grande número de informações; a possibilidade de comunicação em tempo real; a troca de experiências entre pessoas que vivem em espaços físicos diferenciados e distantes; a chance de Revista Interação ● Edição 11

Referências [1] LUIS, B. Blog. Faculdade a distância no exterior. Existe EaD em outros países? Disponível em: <http://www.luis.blog. br/faculdade-a-distancia-no-exterior-existe-ead-em-outros-paises. aspx>. Acesso em: 9 set. 2015.

cias da Informação. Interfaces digitais na educação: alucinações consentidas. São Paulo: Escola do Futuro da USP, 2007. Disponível em: <http://revista. ibict.br/index.php/ciinf/article/ view/959>. Acesso em: 7 ago. 2015. [4] LÉVY, P. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999. Disponível em: <http://www.unifai. edu.br/upload/aula/Cibercultura-Pierre-Levy%20.pdf>. Acesso em: 8 set. 2015. [5] KENSKI, V. M. Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância. Campinas: Papirus, 2003. Disponível em: <http://www. umcpos.com.br/centraldoaluno/ arquivos/10_02_2014_164/tecnologias_e_esnsino.pdf>. Acesso em: 7 ago. 2015. [6] SEAD. Secretária de Educação a Distância. Educação a Distância: Fenômeno Global. Disponível em: <http://ead.uepb. edu.br/noticias,270>. Acesso em: 9 set. 2015. [7] LOPES, M. C. L. P. Formação Tecnológica: um fenômeno em foco. Série-Estudos: Periódicos do Mestrado em Educação da UCDB, n. 19, p. 127-136, jan./ jun. 2005. Disponível em: <http:// www.serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/ view/452>. Acesso em: 7 ago. 2015.

[3] MACEDO, N. Revista Ciên-

29


Giro nos Polos

Simões No dia 3 de agosto, no Polo de Simões, foi realizada uma reunião com os representantes de empresas instaladoras do Complexo Eólico Chapada do Piauí - Contour Global, Queiroz Galvão, Casa dos Ventos e Geoconsult-PI, com o intuito de elaborar um projeto para a instalação de cursos técnicos, visando a formação de mão de obra que atenda as necessidades dessas empresas.

30

Revista Interação ● Edição 11


Campo Maior No dia 17 de outubro, aconteceu o I Seminário da Especialização de Alfabetização e Letramento. Os alunos se reuniram para discutir a questão da inclusão digital e os processos de aquisição da escrita por meio da leitura. O seminário foi mediado pelas professores-tutores Jecicleide de Sousa Silva e Paiva Dias.

Floriano Entre os dias 14 e 17 de setembro, a coordenadora do Polo da UaB-Floriano, professora Dr.ª Maria Francinete Damasceno, participou do VIII Colóquio da Associação Francofone Internacional de Pesquisa Científica em Educação (AFIRSE) Secção Brasileira, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em Natal – RN, quando coordenou o Ateliê “Educação e Tecnologia da Informação e da Comunicação” e apresentou os trabalhos “Educação a Distância em sua relação com a ação docente presencial” e “O fazer da Educação a Distância e a autonomia do docente em formação”. No evento, a professora apresentou aspectos da prática pedagógica da EaD da UFPI na formação do docente, a partir dos sentidos atribuídos pelos docentes em formação nessa modalidade.

Gilbués Em 27 de junho, foi realizado a III Feira das Tradições Culturais dos Países de Língua Inglesa - From London to New York City, organizado pelo Curso de Letras Inglês. A III Feira das Tradições apresentou à comunidade peças teatrais, danças, músicas e comidas típicas.

Simplício Mendes No dia 21 de março, alunos do curso de Bacharelado em Administração realizaram visita técnica à Fazenda Chapada Grande, localizada no município de Regeneração, em atividade da disciplina Gestão Ambiental.

Revista Interação ● Edição 11

31


DICAS DE LIVROS Ética Profissional - Antônio Lopes de Sá Seguindo a atual tendência das ciências, de se embasarem não só na lógica, mas também na metafísica, o livro estuda a consciência ética e o dever ético sempre com base em filósofos clássicos e modernos – significativos no que diz respeito à ética profissional na sociedade. Antônio Lopes de Sá foi doutor em Ciências Contábeis pela Universidade do Brasil, doutor em Letras, H. C., pela Samuel Benjamin Thomas University, de Londres -Inglaterra. Administrador, economista, professor universitário e escritor com 183 livros publicados no Brasil e no exterior, com aproximadamente 10 milhões de exemplares vendidos e mais de 13.000 artigos, possui diversos prêmios internacionais de mérito e de literatura científica.

32

O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota – Olavo de Carvalho

Web 2.0 e Redes Sociais na Educação – João Mattar

Em O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, estão compilados 20 anos de trabalho jornalístico do professor Olavo de Carvalho. Sistematicamente organizada e repleta de inúmeras notas explicativas, esta edição, realizada por Felipe Moura Brasil, tem a virtude de oferecer um corpo bem organizado, procurando introduzir o leitor no universo filosófico de Olavo de Carvalho. O título pode parecer ofensivo a um olhar desatento, mas se trata de um convite para que as pessoas saiam de seu mundo fechado e subam ao encontro da realidade. Como explica o próprio Olavo, “em grego, idios quer dizer ‘o mesmo’. Idiotes, de onde veio o nosso termo ‘idiota’, é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez”. As 615 páginas desta ótima edição são apenas a superfície do pensamento de Olavo de Carvalho. Vale a pena conferir! pessoa em constante busca de seu aperfeiçoamento pessoal.

João Mattar é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade de Stanford, Califórnia. É autor de diversos artigos e livros, dentre eles Web 2.0 e Redes Sociais na Educação. Neste livro, o autor faz um resgate das teorias pedagógicas clássicas com o objetivo de avaliar suas contribuições para a compreensão das novas formas de aprendizagem. A obra traça um relato, carregado de reflexão, sobre a utilização das tecnologias da Web 2.0 como ferramenta educacional, levandonos a fazer reflexões como: as plataformas específicas de ensino e aprendizagem são mesmo tão necessárias diante da expansão das redes sociais e toda sua interatividade? Quais são as dificuldades no uso das tecnologias da Web 2.0 e das redes sociais como ferramentas pedagógicas? Há uma ferramenta ou uma rede social mais adequada, ou deve-se pensar no uso conjunto de todas? Revista Interação ● Edição 11


CRÔNICA

Ser ou não ser professor O professor-tutor no ato de ensinar com uso das tecnologias Arnaldo Oliveira Souza Júnior1

E

m uma das viagens para ministrar a disciplina História da Educação – juntamente com os professores –, iniciamos conversas sobre os desafios do ato de ensinar na EaD. Conversamos muitas vezes sobre o papel do professor-tutor e, de forma consensual, refletimos que Doutor em Ciência da Comunicação – processos midiáticos, professor do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI). E-mail: arnaldo@ufpi.edu.br 1

Revista Interação ● Edição 11

o ato de ensinar não era mais uma prerrogativa limitada à função do professor, pois, em face ao desenvolvimento de novos aplicativos, dispositivos de interação, proporcionados pela internet via seus buscadores – o Google e outros –, os dispositivos tecnológicos da internet têm assumido o papel de ensinar, mesmo considerando que atrás de cada aparato tecnológico (vídeo, texto, áudio etc) há diversas pessoas envolvidas como produtores desses. Esqueço a quantidade de vezes

que recorri ao buscador Google e aos repositórios de vídeos para acessar informações acerca de como otimizar minhas apresentações no PowerPoint; de acessar conceitos sobre educação, ou saber como devo colocar uma linha de multifilamento em uma carretilha (molinete). Sempre há um vídeo ou um tutorial para dar conta dessas necessidades. Esses exemplos mostram como a internet e seus dispositivos têm proporcionado o ato ensinar! E nós, professores? Qual seria a nossa tarefa? 33


Ser professor-tutor como aquele que ensina ou será que há outra função do professor? O ser professor-tutor, como ato de ensinar, especificamente como transmissor de informações, não tem dado conta da complexidade da perspectiva da educação, se considerar as novas possibilidades de informação e de conhecimento disponibilizados pela internet atualmente (mostramos com exemplos de que o Google tem assumido esse papel). Creio que o desafio do professor-tutor é provocar, ajudar o aluno a pensar por si mesmo. A sua função é ofertar – com sua experiência de vida acadêmica e cotidiana – possibilidades e estratégias para que os alunos possam: buscar informações, refletir, dialogar, produzir e socializar conhecimentos. Para que isso ocorra, é necessário que ele possa ser consciente de seu papel social, de estar aberto às novas expectativas tecnológicas, de ser sujeito autônomo, de conhecer e aplicar os saberes necessários à prática educativa e de ser aprendiz constante2. É na condição de sujeito que o professor-tutor deixa de ser um mero executor de atividades, para tornar-se capaz de proporcionar mediações e provocações. De fato, o professor, como um sujeito provocador, por meio de uma pergunta simples pode despertar e mobilizar a curiosidade de alunos para pesquisa em livros, materiais Sobre função de autônoma de professores e alunos, sugiro o livro de FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia.: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996. 2

34

didáticos, bibliotecas presenciais ou digitais (com intuito de buscar respostas às perguntas). Outra função, do ser professor-tutor, é ensejar discussões e reflexões, junto aos alunos, sobre as temáticas e os conhecimentos; seja por meio de encontros presenciais ou da plataforma, das redes sociais, dos blogs e de outros dispositivos. Creio que não é função do professor-tutor tutoriar... tomar conta de alguém! A função de ser professor-tutor é muito mais complexa, pois abrange vários cenários: ministrar aulas, ofertar estratégias para que os alunos possam buscar informações, possibilitar construção de conhecimentos, estar disponível para oferecer apoio pedagógico, técnico, tecnológico etc. Ser professor-tutor na Educação a Distância é ter plena consciência de que seu papel vai além de “ser um mero executor” daquilo que os coordenadores de discipli-

na definem como planejamento e estratégia para o desenvolvimento do curso. É ter o papel – dentro do cenário pedagógico –, de ajudar ao aluno, em seu processo de aprendizagem: criar fóruns de discussão, listas, páginas Web (redes sociais, blogs) e outros dispositivos. Além disso, elaborar perguntas e estratégias pedagógicas visando a aprendizagem dos alunos; criar aplicações pedagógicas para que possam participar e socializar respostas de seus colegas. O professor-tutor deve, além dos recursos disponibilizados pelo curso, procurar conhecer e oportunizar vídeos, animações, jogos, arquivos de áudio e outros dispositivos midiáticos que a internet oferece. Ainda assim, deverá orientar os alunos no processo pedagógico. Isso é função natural de ser professor-tutor. Ser professor-tutor é ser professor!

Creio que o desafio do professor-tutor é provocar, ajudar o aluno a pensar por si mesmo. Revista Interação ● Edição 11


Revista Interação - Edição 11 - Ano 8 nº 1/2015  

Nesta edição a Revista Interação traz como matéria de capa o prêmio estadual de Direitos Humanos concedido ao CEAD/UFPI; o dossiê dessa ediç...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you