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Expediente INTERAÇÃO - EDIÇÃO 08 ANO 6 - N. 1/2013 Publicação semestral produzida pelo Setor de Produção de Material Didático do Centro de Educação Aberta e a Distância CEAD/UFPI Reitor da UFPI Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes Diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância/Coordenador da UAB na UFPI Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes Vice-diretor do CEAD/UFPI Prof. Dr. Milton Batista da Silva Coordenadora Adjunta da UAB na UFPI Liana Rosa Brito Coordenadora da Revista Djane Oliveira de Brito Equipe Responsável Djane Oliveira de Brito Karine de Sousa Santiago Zilda Vieira Chaves Ubirajara Santana Assunção Projeto Gráfico e Diagramação Antônio Kerignaldo Moura Júnior Revisão Maria da Conceição de Souza Santos Sônia Maria Ferreira Lima Pareceristas Georgina Quaresma Lustosa Leonardo Ramon Nunes de Sousa Maria Goreth de Sousa Varão Maria da Conceição Prado de Oliveira Conselho Editorial Antonella Maria das Chagas Sousa Francisco Tavares de Miranda Filho José Vanderlei Carneiro Keylla Maria de Sá Urtiga Aita Leonardo Ramon Nunes de Sousa Maria Goreth de Sousa Varão Arte e Capa Antônio Kerignaldo Moura Júnior Apoio Coordenadoria de Comunicação Social da UFPI (CoordCom) Faculdade de Medicina da USP Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação

Editorial A Revista Interação, na perspectiva de superar a distância, termo que induz a considerar o que está longe, demonstra, nesta edição de número 8, que o Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí superou o paradigma do modelo convencional de ensino e de aprendizagem ao encurtar distâncias –no tempo e no espaço –, formando novos profissionais nas áreas de licenciaturas e bacharelados. Isso representa, para o mercado de trabalho, a inclusão profissional de pessoas que só em sonhos poderiam ser discentes de um curso superior. Originados de regiões diversas e de cenários bastante heterogêneos do Estado do Piauí, do sul ao norte, desde Corrente a Parnaíba, hoje, graduados evidenciam as possibilidades de consolidar as demandas profissionais da sociedade piauiense, principalmente nas instâncias municipais. Essa realidade de possibilidades e desafios relacionados à Educação a Distância é retratada nesta edição, de modo relevante, por meio de ensaios, entrevistas e depoimentos, em que os autores trazem reflexões sobre as várias dimensões da Pedagogia e os processos de mediação tecnológicos que ocorrem nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Como destaque principal, tem-se o reconhecimento do CEAD/UFPI como Centro de Ensino, além da apresentação do perfil de um aluno da EaD, bem como das atividades complementares e de extensão realizadas nos Polos de Apoio Presencial. Com esta publicação, buscou-se expor e provocar reflexões sobre a educação a distância no ensino superior brasileiro que, de modo peculiar, vem se consolidando a cada ano no Estado do Piauí nesta última década. Vamos, então, conferir!


Sumário CEAD/UFPI: alunos formados, qualificados e preparados para o mercado de trabalho UFPI: Extensão Universitária é Qualidade de Vida Entrevista: “Telemedicina – exercício da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde” Capa: Qualidade do Ensino a Distância: Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) é reconhecido pelo MEC Projetos de Extensão do CEAD/UFPI: estímulo à boa formação dos alunos de EaD

GERAL A coordenação recomenda

Dicas de livros

Perfil do aluno de EaD

Importante

Giro nos Polos


CEAD/UFPI: alunos formados, qualificados e preparados para o mercado de trabalho Entre 2011 e 2013, o Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) realizou solenidades de formaturas das primeiras turmas de licenciatura e de bacharelado em distintas áreas, cumprindo, assim, o seu papel na consolidação do Ensino a Distância no Estado do Piauí. Nesse período, alunos da modalidade EaD dos cursos de Administração, Ciências Biológicas, Filosofia, Física, Matemática, Pedagogia, Química e Sistemas de Informação alcançaram o sonho de concluir o ensino superior, e saíram da Universidade qualificados e preparados para o mercado de trabalho. O êxito desses alunos ratifica os esforços do CEAD/UFPI para oferecer um ensino superior com a mesma qualidade da educação presencial, além de revelar o avanço da Educação a Distância no Piauí. Com esse panorama, o CEAD/UFPI formou um total de 654 alunos (quadro ao lado). A formatura representa um momento único para os alunos do ensino superior, bem como para os professores e para a instituição. Receber o diploma significa a concretização dos objetivos e a superação dos desafios da vida acadêmica. Para o professor Leonardo Ramon, do Curso de Sistemas de Informação, a Cerimônia de Formatura é um dos momentos mais esperados por todos, e motivo de grande felicidade para os alunos, pois, além de representar um ritual de passagem, mostra para a comunidade que eles estão aptos a entrarem no mercado de trabalho. “Além disso, há o fato de estes alunos terem sido os pioneiros na Educação a Distância da UFPI, nos rincões do Piauí, amadurecendo a ideia de que são conquistadores, em meio a tantas dificuldades dentro e fora de sala de aula”, acrescenta o professor. O professor Gildásio Guedes ressaltou a vitória dos alunos e a conquista de todos os envolvidos no trabalho de certificação acadêmica dos concludentes: “Finalmente ninguém mais precisa se deslocar rumo

a um grande centro para fazer uma graduação. A Universidade Aberta do Brasil, que tem como foco a inclusão social e a democratização da educação superior, cumpre o papel de levar variadas graduações aos diversos pontos do interior do país”, destacou o Diretor do CEAD/UFPI que, para finalizar, agradeceu o apoio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ao Reitor da UFPI à época, Prof. Dr. Luiz Santos Júnior, pela interiorização do Ensino a Distância; e à parceria com o Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Educação e Cultura (Seduc). Curso

Polo UAB

Quantidade de alunos formados

Bacharelado em Administração

Água Branca, Piracuruca, Canto do Buriti, Buriti dos Lopes, Uruçuí, Alegrete, Simões, Inhuma, Castelo do Piauí, Simplício Mendes, Esperantina, Elesbão Veloso, São João do Piauí e Gilbués

370

Castelo do Piauí, Floriano, Licenciatura em Piracuruca, Simplício Mendes e Ciências Biológicas Uruçuí

93

Licenciatura em Filosofia

Floriano e Uruçuí

21

Licenciatura em Física

São João do Piauí, Água Branca e Piracuruca

86

Licenciatura em Matemática

Alegrete do Piauí e Inhuma

39

Licenciatura em Pedagogia

Elesbão Veloso, Floriano e Alegrete do Piauí

135

Licenciatura em Química

Castelo do Piauí, Floriano, Piracuruca, Simplício Mendes e Uruçuí

71

Bacharelado em Sistemas de Informação

São João do Piauí, Simões, Piracuruca, Inhuma, Água Branca, Gilbués, Canto do Buriti, Esperantina, Uruçuí, Elesbão Veloso, Simplício Mendes, Castelo do Piauí e Buriti dos Lopes

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Atividade

Web 2.0 como aliada ao ensino de Ciências: proposta de aplicação

Foto: Karine Santiago

Elenice Monte Alvarenga Bióloga e Mestra em Biologia Celular e Estrutural - Unicamp Especialista em Gerenciamento de Recursos Ambientais - IFPI E-mail: elenice_ma@hotmail.com

É cada vez mais evidente que a utilização de ferramentas e recursos da Web 2.0 (blogs, wikis, redes sociais, entre outros), como estratégia de complementação ao ensino presencial, pode contribuir para a minimização da apatia dos alunos, bem como aperfeiçoar o processo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais significativo, desde que haja a mediação. Com isto, nesse compêndio, busca-se descrever uma proposta de atividade on-line que sirva aos propósitos de complementação da construção de conhecimento já realizada no âmbito da sala de aula. O tema “Noções de Física” se relaciona à grande área das Ciências Naturais, objeto de estudo dos alunos das séries finais do ensino fundamental. Esta atividade, como parte de uma plataforma on-line de uso complementar ao ensino presencial, objetiva

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travadas em um fórum, captar a compreensão dos alunos sobre os temas discutidos e vislumbrar a extensão da contribuição das interações virtuais no processo de ensino-aprendizagem. Assim, propõe-se como título do

tornar mais próximo do cotidiano dos

fórum e como texto motivador para as

alunos os temas de Ciências. Esses,

discussões o que se segue:

comumente,

como

Aprendendo Física com o cotidiano

algo distante da realidade dos alunos,

Tendo como base os conhecimen-

daí realizar-se a abordagem de con-

tos adquiridos nas aulas teóricas, em

teúdos vistos em ambiente presencial

que foram discutidas e exercitadas

também dentro de um Ambiente Vir-

noções sobre frequência e veloci­

tual de Aprendizagem (AVA), a fim de

dade das ondas, procure investigar

ampliar e de melhorar a qualidade do

esses temas e contribuir para este fó-

contato dos alunos com tecnologias

rum, trazendo exemplos da utilização

de ensino a distância, estimular seu

desses conhecimentos em nosso co-

interesse com atividades mais lúdicas

tidiano; isto é, em que situações roti-

e aproximá-los das Ciências por meio

neiras podemos observar a utilização

de abordagens mais interativas.

desses conhecimentos na criação e

apresentam-se

Como uma das atividades propos-

no desenvolvimento de técnicas, de

tas, busca-se, por meio de discussões

instrumentos ou de aparelhos? Além

Revista Interação ● Edição 8


disso, mencione quais suas principais contribuições em nosso dia a dia. Além do fórum, propõe-se, nessa atividade, a realização de uma tarefa. Essa, novamente, irá ajudar o professor-tutor a captar a compreensão dos alunos sobre os temas discutidos e ajudará o aluno no processo de avaliação, uma vez que a nota obtida na tarefa poderia ser considerada dentro do conjunto dos demais instrumentos avaliatórios utilizados em sala de aula. Assim, propõe-se como título da tarefa e como texto motivador para a realização dela, o que se segue: Mergulhando nas ondas (sonoras) Com base nos conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas, após as leituras propostas, experimentos realizados e as discussões no fórum, responda as seguintes questões sobre as ondas sonoras: 1. Em dias de tempestade é comum sermos surpreendidos por relâmpagos seguidos de trovões. Por que sempre vemos o relâmpago antes de ouvirmos o trovão? Além disso,

Revista Interação ● Edição 8

qual a sua explicação para a propagação do trovão, sabendo que ele é produzido pela descarga elétrica entre duas nuvens? 2. Na infância de algumas crianças, antigamente, um brinquedo comum era o telefone com fio, que consistia de dois copos presos por um fio longo de barbante ou nylon. Assim, quando uma criança falava em um copo, a outra era capaz de ouvi-la, mesmo estando distante. Qual a sua explicação para o funcionamento desse brinquedo? 3. Desprezando o conhecimento biológico relacionado à questão dos hormônios e afins, responda somente com base em conhecimentos puramente físicos: por que, geralmente, a voz das mulheres é menos grave do que a dos homens? A fim de manter a motivação dos alunos nos estudos dos conteúdos abordados em sala de aula, é preciso utilizar-se de práticas que permitam o desenvolvimento de melhores ações relacionadas à proposta de complementação on-line. Nesse sentido,

como ferramentas motivacionais complementares, citam-se: a considera­ ção das atividades realizadas como componente dos instrumentos avaliatórios; a abordagem de temas mais curiosos, inusitados e interessantes, relacionados ao conteúdo que se está estudando; a criação de um sistema mais dinâmico e eficiente para sanar as dúvidas, inclusive as de ordem técnica; prover aos alunos instruções claras sobre a realização das atividades; contornar aspectos que geraram falha; e manter um aspecto visual atraente. Referências: Professor

Canto.

Disponível

em:

<http://www.professorcanto.com.br/ boletins_cn/032.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2011. Ensino de Física. Disponível em: <http://www.ensinodefisica.net/2_Atividades/fon-ondas_sonoras.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2011.

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UFPI Extensão Universitária é Qualidade de Vida Prof. Doutor Miguel Cavalcante - Pró-Reitor de Extensão da UFPI

Na premissa de que a Extensão Universitária se configura como instrumento de articulação entre o ensino e a sociedade, levar e/ou elevar a qualidade de vida das pessoas constitui sua essência, o que o faz e canaliza através de seus programas, projetos, seminários, cursos, eventos e estágios a fim de garantir, à academia e à sociedade, a experiência da troca mútua entre ciência e sabedoria. As ações extensionistas (Quadro 1) desenvolvidas pela PREX/UFPI são legítimos exemplos do conceito de Extensão Universitária como processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre a Universidade e outros setores da sociedade, orientada pelo princípio constitucional da indissociabilidade com o Ensino e a Pesquisa. Nesse ambiente, a UFPI, através de sua Pró-Reitoria de Extensão gerenciou, até abril de 2013, 69 projetos com quase 400 alunos (230 bolsistas PROBEX/UFPI) e 235 docentes e funcionários, em diferentes modali-

dades de extensão e cultura. Como bom exemplo, ganharam destaque na imprensa nacional, os projetos de extensão: “Universidade e mobilização social”, “Educação ambiental nas escolas rurais de Bom Jesus”, e “Horta comunitária na comunidade Gruta Bela”, coordenados por um grupo de professores do Campus Prof.ª Cinobelina Elvas (CPCE/UFPI – Bom Jesus), que receberam o prêmio “Boas Práticas em Sustentabilidade Ambiental e Urbana” do Ministério do Meio Ambiente, na categoria “Melhor prática de educação ambiental na escola do campo do semiárido e do bioma caatinga”. O trabalho foi exposto no “II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável”, que ocorreu em Brasília, entre os dias 23 e 25 do mês de maio de 2013. Apesar disso, muitas são as preocupações e os sonhos daqueles que fazem Extensão Universitária, que vão da definição de indicadores para monitorização e avaliação ao alinhamento das áreas e linhas de

extensão com as políticas públicas do país, passando pela materialização das bolsas de produtividades em Extensão, pelo Fundo Nacional de Extensão de natureza contábil, pelas políticas de autonomia, do trabalho de extensão articulado em redes temáticas, territoriais e institucionais e, ainda, pelo tratamento institucional igualmente considerado à pesquisa e ao ensino públicos. A rigor, registra-se que os extensionistas universitários são comprometidos com a qualidade de vida dos brasileiros e experimentaram a beleza de fazer um povo feliz. O que nos permite convidar a todos a nos visitar, pessoalmente, ou pelas redes de comunicação (www.ufpi.br/prex; www.renex.gov.br; htt//forproex.blogspot.com.br; www.facebook.com/ page/forproex) para que, talvez um dia, a sua participação possa nos ajudar a reconhecer que os tão falados “muros altos” da Universidade possam ser nossos próprios corpos perfilados de costas para as comunidades.

Quadro 1 – Ações Extensionistas e seus impactos acadêmicos e sociais Ações de Extensão

Projetos Cursos e Eventos

Bolsista

Voluntário

Discentes

Docentes

PROEXT

33

205

164

154

Conexão de Saberes e Escola Aberta

04

146

-

19

PET

04

48

12

04

Formação Continuada

15

40

-

120

Projetos fluxo contínuo

1.060

1.280

11.846

3.826

Técnicos

Formador externo

Público Benef.

Recursos Captados e UFPI

-

23.949

2.158.156,64

2.524

1.371.500,74

20 -

-

-

10.099

3.933.806,16

-

580.898

2.978.670,00

36

Cursos e Eventos

2.030

-

9.029

7.068

273

3.792

153.160

8.120,00

Estágio Não Obrigatório

7.885

-

-

-

-

-

-

TOTAL GERAL

3.146

9.604

21.051

11.191

329

3.792

769.590

10.410.255,50

Fonte: PREX/UFPI, Piauí, 2012

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Revista Interação ● Edição 8


Encontro de Coordenadores no CEAD/UFPI debateu propostas de desenvolvimento para a EaD no Piauí

Coordenadores de Curso. Durante o

experiências e pela ampliação do

Encontro, a Coordenadora afirmou

conhecimento dos Polos e dos alu-

que a comunidade de Água Branca

nos. “A situação do Polo de Uruçuí

está na expectativa da implantação

tem melhorado a cada dia. Estamos

dos novos cursos e especializações,

ansiosos com os novos quatro cur-

autorizados pelo MEC.

sos aprovados. Uruçuí é uma cidade

A Coordenadora do Polo de Oei-

promissora e tem grande potencial

ras, Neide Rosângela, acredita que

com relação ao ensino”, informa a

o Encontro de Coordenadores é uma

Coordenadora.

oportunidade de mostrar a situação

Alcionéa Brito, Coordenadora do

do Polo, as dificuldades e os avan-

Polo de Piracuruca, acredita que o

ços. “Existe uma interação efetiva

evento possibilita o reencontro de to-

entre os colegas”, relata.

dos os coordenadores. “Não é só um

Para a Coordenadora do Polo de

momento pedagógico, mas também

Uruçuí, Girle dos Santos Lacerda, o

uma oportunidade para reforçar os

Encontro é importante pela troca de

laços de amizade”, declara.

Foto: Karine Santiago

O Encontro de Coordenadores de Curso e de Polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) acontece a cada ano, com o objetivo de oportunizar o acompanhamento das atividades realizadas pelo Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) nos Polos. No dia 27 de junho de 2013, o Encontro de Coordenadores, que aconteceu no auditório do CEAD/UFPI, oportunidade em que foram expostos os êxitos e os problemas dos Polos e dos Cursos. No total, 29 Coordenadores de Polos UAB foram convidados para o Encontro, que foi presidido pelo Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes. “Os Encontros são muito bons, pois conseguimos captar as necessidades, para melhorar os procedimentos utilizados pelos tutores, coordenadores e professores do CEAD”, destaca o Diretor. Para a Coordenadora do Polo de Água Branca, Conceição Pacheco, o Encontro promove a interação entre os Coordenadores de Polos e os

Prof. Dr. Gildásio Guedes, Diretor do CEAD/UFPI, e Coordenadores de Curso

Revista Interação ● Edição 8

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Desafios

A interação na Educação a Distância: contribuições das novas tecnologias da informação e da comunicação

Foto: Karine Santiago

Raimunda Gomes de Carvalho-Belini Mestre em Linguística – UFPI Doutoranda em Linguística - UFC Professora de Língua Portuguesa - IFPI E-mail: raimundinhagomes@hotmail.com

O que representa a Educação a Distância, nos dias em que as novas tecnologias da informação e da comunicação predominam nos vários espaços e nas nossas relações, aproximando-nos e agilizando nossas relações? Diversos são os usos que fazemos dessas tecnologias facilitadoras da interação entre as pessoas, incluindo a área da educação, sobretudo da Educação a Distância, que, cada vez mais torna-se dependente, especialmente dos recursos da informática associada à telemática e à multimídia. A Educação a Distância, comumente denominada EaD, representa, nos desenhos atuais, grandes avanços, permeada de relações interativas por meio das diversas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Cabe defendermos que a EaD não se

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resume “a uma inovação educativa”; cumpre-nos destacar a grande importância que tem assumido junto à formação de profissionais nas diversas áreas do conhecimento e nos diferentes níveis de ensino, sobretudo no Ensino Superior. De acordo com os dados preliminares do Censo da Educação Superior de 2008, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o total de matrículas na EaD apresentou grande crescimento nos últimos anos. Em 2008, chegou ao número de 727.961 matrículas, o que representa 14,3%

...as interações na EaD “impõem desafios aos professores e alunos para a sua realização e para a sua manutenção com sucesso, em razão da ausência do contexto físico partilhado” (BARROS; CRESCITELLI, 2008, p. 73).

do total das matrículas dos cursos de graduação, incluindo os presenciais (BRASIL, 2009). Os cursos superiores com maior oferta e procura são as licenciaturas em Pedagogia e em Normal Superior, seguidas das licenciaturas em Letras, em Matemática, em Biologia e em História. Contudo, a EaD não se restringe a esses cursos. As áreas de Administração e Gestão, Serviço Social e Ciências Contábeis também têm tido um grande aumento (BRASIL, 2009). Essa crescente demanda reflete a grande aceitação dos novos modelos nessa área, que só foi possível a partir do desenvolvimento de maiores possibilidades de interação entre os indivíduos participantes. Com o advento das TICs, a EaD adquiriu maior importância e reconhecimento, mediada pelos suportes tecnológicos digitais e de rede, inserida em sistemas de ensino presenciais, mistos ou totalmente a distância. Se antes, no Brasil, nos meados da segunda metade do século XX, a EaD se restringia às experiências de educação por correspondência, às experiências radiofônicas e às experiências televisivas, a partir do final do século XX, essa modalidade de educação passa a se utilizar de recursos que vão desde os impressos aos on-line, em redes de computadores, Revista Interação ● Edição 8


com comunicação instantânea de voz e imagem, por meio da internet, com grande poder de interação e de interatividade entre o aluno e o professor (LIMA, 2003). Cabe evidenciarmos que Belloni (2008) distingue interação de interatividade: a interação é uma ação recíproca entre dois ou mais sujeitos, que ocorre direta ou indiretamente como, por exemplo, uma conversa ao telefone; ao passo que interatividade constitui-se em potencialidade técnica oferecida por determinado meio, e na atividade humana quando o usuário age sobre a máquina. Com as TICs, professores e alunos de EaD passaram a se utilizar de diferentes formas de interação e de interatividade, realizadas por métodos e técnicas que vão desde práticas assíncronas, cuja interação pode ocorrer independente da presença do professor ou do aluno, até práticas síncronas, em que o professor e o aluno utilizam ao mesmo tempo o veículo de informação. Contudo, as interações na EaD “impõem desafios aos professores e alunos para a sua realização e para a sua manutenção com sucesso, em razão

da ausência do contexto físico partilhado” (BARROS; CRESCITELLI, 2008, p. 73). No entanto, não significa que a sala de aula seja o único habitat em que possam ocorrer relações de interação de âmbito educacional. O espaço da sala de aula é de relevância imensurável na educação formal; porém, não podemos concordar com Giolo (2008, p. 1211) quando afirma que esta deve constituir o único “lócus que condensa a cultura do ensinar e do aprender”. Não queremos aqui advogar que a interação que se estabelece entre os participantes, nos espaços da EaD, substitui vivências e práticas culturais propiciadas pelo convívio coletivo e de socialização nos ambientes físicos da sala de aula, dos corredores das universidades, da biblioteca, dos laboratórios etc. Entretanto, é um equívoco afirmarmos que esses espaços de socialização e de aprendizagem não poderão ser incorporados e vivenciados pelos estudantes de EaD. Não podemos assegurar que os estudantes de Educação a Distância não utilizam espaços físicos da vida acadêmica e nem interajam nesses espaços. Em relação à EaD, o fator distância é um grande desafio; porém, não invia-

biliza as inúmeras formas de interação entre os participantes, e não impossibilita a formação apropriada do indivíduo. Ressaltamos que, diante dos desafios que emergem frente a essa modalidade de educação em grande expansão no país, o aluno e o professor devem assumir com responsabilidade seus papéis. Para que alcancem resultados positivos, é necessário participar ativamente da construção do ensino-aprendizagem, alicerçado na funcionalidade dos processos de interação que propiciem formação sedimentada em valores capazes de insurgir as mudanças e a valorização do individuo. Referências: BARROS, K. S. M. de.; CRESCITELLI, M. F. C. de. Prática docente virtual e polidez na interação. In: MARQUESI, S. C.; ELIAS, V. M. S. da.; CABRAL, A. L. T. (Org.). Interações virtuais: perspectivas para o ensino da Língua Portuguesa a distância. São Carlos: Editora Clara Luz, 2008. p. 73-92. BELLONI, M. L. Educação a Distância. 5. ed. Campinas: Autores Associados. 2008. BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Censo da Educação Superior 2008: dados preliminares. Brasília, DF: MEC/INEP, 2009. GIOLO, J. A Educação a Distância e a formação de professores. Educ. Soc., Campinas, v. 29, n. 105, p. 1211-1234, set./dez. 2008.

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Inclusão

Foto: Karine Santiago

Contribuição da Educação para a superação dos mecanismos de exclusão e de discriminação dos sujeitos “Todos têm o dever de tornar a educação um ato de inclusão.” Leila Leal Leite – Graduada em Enfermagem pela NOVAFAPI. Especialista em Docência do Ensino Superior pela UAPI. Graduanda em Administração Pública no 5º período na modalidade EAD da UFPI/UAPI/PNAP. E-mail: enf.leilall@gmail.com Analina Medeiros Carvalho – Graduada em Teologia e Administração pela UFPI. Especialista em Educação a Distância: Tutoria, Metodologia e Aprendizagem. Tutora do Curso de Administração Pública na modalidade EAD da UFPI/UAPI/PNAP. Aluna da Especialização em Gestão Pública - UAPI. E-mail: analina@pi.senac.br Falar da educação do nosso tempo não é uma tarefa das mais fáceis, ela está envolvida em uma complexa teia de significados e de contradições que, por vezes, torna difícil a compreensão de que todo indivíduo deve ser respeitado, reconhecendo-se e valorizando-se as diferenças individuais e as diversas formas de participação. Dessa forma, criam-se oportunidades para que todos possam participar do aprendizado de novos conhecimentos, experiências e valores, bem como da apreensão da prática social identificada com a formação de uma cidadania humanista e democrática.

São excluídos aqueles que não são vistos nem abrangidos pelos serviços e pelas ações sociais do poder público, quase inexistentes, já que não usufruem dos direitos fundamentais da cidadania, principalmente aqueles que têm deficiências ou condutas típicas; síndromes; quadros psicológicos ou neurológicos; os portadores de altas habilidades; os que vivem nas favelas das grandes cidades; e os que, por orientação sexual ou por escolha religiosa, por atitudes ou comportamentos, acabam sendo discriminados. Quando se fala em educação com a perspectiva da inclusão, fala-se em tratar diferentemente aqueles que são diferentes, ou seja, trata-se de articular mecanismos de apoio e ações que permitam igualar as oportunidades de aprendizagem e de conhecimento para todos, respeitando e valorizando a diversidade cultural. Quer dizer, significa estender a todos a oferta de educação, ampliando as possibilidades de compreensão e de interação entre os alunos, e desses com os profissionais da educação. Portanto, um dos princípios fundamentais de qualquer política de inclusão social na educação deverá ser sempre o da valorização da diversidade cultural, baseada na compreensão de que cada ser é uno; cada qual tem características,

Até pouco tempo, quando se falava, primeiro de po-

habilidades e potencialidades próprias; e que todos fazem

líticas de integração e, mais tarde, de políticas de inclu-

parte do mesmo contexto. Assim, incluir significa combater

são, tinha-se um entendimento limitado ao atendimento

a discriminação em todos os aspectos, seja ela de fundo so-

dos alunos portadores de necessidades educativas es-

cial, econômico, cultural, étnico, religioso, político, físico ou

peciais. Hoje, são alvos das políticas de inclusão, todos

intelectual. E é da convivência entre os diferentes, da valori-

aqueles que necessitam de atendimento diferenciado,

zação de cada parte do todo e de suas peculiaridades, que

como aqueles dos quais os sistemas econômico, social e

se constrói a beleza da diversidade, própria da vida, da hu-

cultural subtraíram direitos.

manidade, do planeta.

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Revista Interação ● Edição 8


Entrevista Arquivo Pessoal - Luiz Ary Messina

“Telemedicina – exercício da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde” Luiz Ary Messina Graduado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Brasília (UnB); mestre em Banco de Dados pela Unicamp, Campinas (SP); doutor em Computação Gráfica pela Technische Universitaet Darmstadt, Alemanha. Possui 30 anos de experiência em Computação, atuando como professor assistente universitário na Alemanha; engenheiro e pesquisador da Siemens Alemanha; gerente de Automação da Siemens Brasil; coordenador dos cursos de Ciência da Computação e de Engenharia de Produção da Universidade Vila Velha (UVV); proprietário da Messina Informática, em Vila Velha, (ES); autor e coordenador Nacional de Projetos financiados pela União Europeia, nas áreas de Telediagnóstico por Imagem, Inclusão Digital, Biblioteca Virtual, Equivalência Curricular no Ensino de Ciências e Formação de Pequenas e Médias Empresas. Atualmente é coordenador da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

mento da conexão e a capacidade dos hospitais para melhorar o atendimento às populações nas regiões mais pobres, através de atendimento médico especializado a distância. Interação: Quais os avanços para a RUTE no Brasil? Messina - Os avanços são inúmeros. Seguindo a definição da teleme-

Em entrevista à Revista Interação, Luiz Ary Messina, coordenador da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), fala sobre a implantação da Rede e as melhorias para o atendimento médico, através de medidas simples e de baixo custo, como a implantação de sistemas de análise de imagens médicas com diagnósticos remotos, além do treinamento e da capacitação de profissionais da área médica, sem deslocamento para os centros de referência. Interação: Em quais estados brasileiros está implantada a RUTE e como funciona essa rede? Messina - A RUTE hoje está implantada em todos os estados brasileiros, com núcleos de telemedicina e telessaúde formalmente criados, e salas de videoconferência certificadas. A RUTE é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Associação

Revista Interação ● Edição 8

Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue) e coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que visa a apoiar o aprimoramento de projetos em telemedicina já existentes e incentivar o surgimento de futuros trabalhos interinstitucionais. O objetivo global é a implementação de infraestrutura de rede avançada em educação e pesquisa para a interligação dos hospitais universitários e de ensino, e escolas de saúde, em diferentes regiões do país. Nesse sentido, a iniciativa promove projetos de desenvolvimento em telemedicina e telessaúde e viabiliza a comunicação e a colaboração de instituições e grupos de pesquisa nacionais e internacionais através da RNP. Dentre os benefícios da RUTE, estão: o intercâmbio de conhecimento médico; teleconferências especializadas; treinamento e educação continuada; discussão entre as equipes; e diagnóstico médico remoto. Além disso, a iniciativa também favorece o au-

dicina, Resolução CFM nº 1.643/2002, como o exercício da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde, destaco a expansão nacional nas três linhas de atuação, para as quais, a importância dos Hospitais Universitários e de Ensino é fundamental. Desde o início das iniciativas RUTE e Telessaúde Brasil Redes, em 2006 e 2007, há uma sincronia das ações nacionais e internacionais. Essas ações tornaram-se cada vez mais integradas, ao ponto de em janeiro de 2012, o Ministério da Saúde indicar um representante para fazer parte do Comitê Gestor do Programa Interministerial de Manutenção e Desenvolvimento da RNP, que passa a ter em seu Comitê Gestor os ministérios da Educação, da Ciência, Tecnologia & Inovação, da Cultura e da Saúde.

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Entrevista Interação: E os desafios?

Interação: Onde não há RUTE, há possibilidade de implantação? Como fazer? Messina - Em todos os estados do país há pelo menos um Núcleo de Telemedicina implantado pela RUTE. Portanto, todo estado pode e deve praticar a telemedicina e a telessaúde com o apoio dos Hospitais Universitários e de Ensino, onde se concentra a maior parte do conhecimento em saúde no Brasil. E, segundo opinião especializada, essa é uma forma de oferecer aos municípios e seus pacientes, atendimento remoto que, sem a telemedicina, jamais seria possível. Como o foco das atenções, de acordo com a OMS e o Ministério da Saúde, é a Atenção Primária e o apoio remoto às equipes do Programa de Saúde da Família, fazemos uso também de ferramentas que podem ser utilizadas em baixas conexões, normalmente hoje disponíveis nos municípios, como é o caso da Web

Crédito: DTM/divulgação

Messina - Os desafios são enormes, principalmente de decisão política estadual e organização operacional; entretanto, vêm acompanhados de uma enorme demanda por tecnologias e aplicações digitais, as quais vêm se tornando prática comum entre os estudantes das áreas de saúde. Esse fator por si só será determinante para sua implantação em larga escala e de forma irreversível. Uma metodologia que vem ganhando muita adesão dos especialistas é a implantação de Grupos de Interesse Especial nas várias especialidades da saúde. Esses grupos têm pelo menos uma sessão mensal via web ou videoconferência. Atualmente, são 48 grupos, por exemplo: Saúde de Crianças e Adolescentes, Radiologia e Diagnóstico por Imagem em Pediatria, Gestão de Hospitais Universitários e Escola, Cardiologia, Banco de Leite Humano, Saúde Indígena, Psiquiatria, Colaborativo em Educação Médica, Oftalmologia, Enfermagem Intensiva e

de Alta Complexidade.

Centro de Tecnologia da Faculdade de Medicina da USP em videoconferência com o Centro de Tecnologia do Prédio Saúde do Futuro (no Hospital das Clínicas), com a Universidade do Estado do Amazonas e com a Universidade Federal de Minas Gerais. A Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP foi fundada em 1997, e participa da Rede Rute desde a sua criação, em 2006. A disciplina também coordena o Núcleo São Paulo do Programa Telessaúde Brasil Redes, que engloba o sistema Faculdade de Medicina da USP/ HCFMUSP e a Faculdade de Odontologia da USP. O chefe da disciplina, Dr. Chao Lung Wen, além de coordenador do Núcleo São Paulo, também é membro do Comitê Assessor da Rute.

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conferência, na qual o profissional da saúde, através de um PC, fone de ouvido e acesso à internet simples, participa de uma sessão a distância, recebendo treinamento, assistindo a uma palestra, interagindo, e também recebendo uma segunda opinião ou sendo assistido/acompanhado por um especialista a distância. Interação: Como os municípios que ainda não implantaram a RUTE podem participar dos Grupos de Interesse e quais os benefícios disso? Messina - Se o município tem interesse para participar dos grupos, a instituição de saúde deve ter um responsável e solicitar adesão ao grupo, através da coordenação da RUTE. (A totalidade dos grupos e as agendas podem ser acessadas em: www.rute. rnp.br). Tanto a Atenção Primária quanto as especialidades só têm a ganhar com a telemedicina e a telessaúde. Os profissionais de saúde deixam de estar isolados em municípios distantes e podem manter contato constante com os avanços e os novos procedimentos terapêuticos. O Brasil vem assumindo uma posição de liderança na América Latina e no mundo, no que diz respeito à prática da telemedicina e da telessaúde. O mais importante agora é a compreensão por parte dos gestores municipais e estaduais a respeito desta nova facilidade inserida no dia a dia das instituições de saúde, através das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação. A RUTE integra 55 Núcleos de telemedicina na RNP. São 48 Grupos de Interesse Especial, com 60 sessões científicas todo mês. Em 2013 serão 80 Núcleos e até 2015 serão 130. Sua instituição já participa? Informe-se www.rute.rnp.br

Revista Interação ● Edição 8


Conhecimento

Foto: Karine Santiago

Cibercultura e Educação: uma interface para o saber Ao falarmos sobre a diversidade de conhecimentos construídos dentro do mundo das redes de computadores, mais conhecida como cibercultura, observamos o quanto a humanidade se encontra, no que concerne aos sistemas de educação e de formação, em um cenário desafiador, até então nunca enfrentado. A velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e o savoir-faire – o saber como agir ou ter um conhecimento apurado de algo –, trazem a constatação de que “[...] a maioria das competências adquiridas por uma pessoa no início de seu percurso profissional estará obsoleta no fim de sua carreira” (LÉVY, 1999, p. 157). Além disso, cada vez mais, trabalhar significa “[...] aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos” (LÉVY, 1999, p. 157). Assim, ao se iniciar o século XX, a duração das mudanças culturais como a absorção maciça de novos conhecimentos, inovação tecnológica, deslocamento vocacional, mobilidade populacional, mudanças nos sistemas políticos e econômicos etc., prolongavam-se por diversas gerações. A partir de então, o ritmo das revoluções culturais se acelerou, e o conhecimento adquirido em determinado momento tem se tornado obRevista Interação ● Edição 8

Marcos Roberto Alves Oliveira (Graduado em Licenciatura em Filosofia/UFMA; Especialista em Metodologia do Ensino Superior/UFMA; Especialista em Tecnologias da Informação para Educadores/ UFRGS; Mestrando em Ética e Epistemologia/UFPI; Professor e Chefe do Departamento de Pedagogia do Centro de Estudos Superiores de Timon – Universidade Estadual do Maranhão/CESTI - UEMA E-mail: markus.aquiles@gmail.com

soleto cada vez mais rapidamente. A educação, nessa perspectiva, deixa de ser encarada como um processo de transmissão do que é conhecido, para caracterizar-se como um processo de questionamento contínuo que dura a vida inteira (BECHARA, 2006). Outra constatação das mudanças educacionais contemporâneas diz respeito à amplificação do ciberespaço – comunicação via rede de computadores. William Gibson foi o escritor que em sua obra de ficção chamada “Neuromante”, de 1984, inventou o termo. Buscou designar o universo de redes digitais, descrito como campo de batalha entre multinacionais, palco de conflitos mundiais, uma nova fronteira econômica e cultural. O ciberespaço modifica numerosas funções cognitivas humanas, quando utilizamos o computador, em que a memória cria bancos de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos. A imaginação possui simulações. A percepção tem sensores digitais, telepresença, realidades virtuais, e o raciocínio

possui inteligência artificial. O indivíduo passa a aprender, a transmitir saberes e a produzir conhecimentos (LÉVY, 1999). Com o uso das chamadas “tecnologias intelectuais”, através de documentos digitais ou programas disponíveis na rede, compartilha-se qualquer documento entre numerosos indivíduos, aumentando com isso a “inteligência coletiva” dos grupos humanos. Esse saber-fluxo, o trabalho-transação de conhecimento, as novas formas de inteligência individual e coletiva mudam profundamente os dados do problema da educação e da formação. O conhecimento passa a não ser mais planejado nem precisamente definido com antecedência. As trajetórias e os perfis profissionais tornam-se singulares, podendo ser canalizados em programas ou cursos válidos para todos. A busca é por novos modelos no espaço do conhecimento. Isso se tornou bem marcante, após a reunião da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação – World Summit on the Information So-

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ciety (WSIS), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, em dezembro de 2003, o que representou o primeiro esforço global no sentido de desenvolver uma visão comum da sociedade da informação que potencialize e traga benefícios a todos os povos (BECHARA, 2006). A contribuição mais significativa do referido encontro foi o consenso obtido na Declaração de Princípios – Construindo a Sociedade da Informação: um desafio global no novo milênio, a qual reconhece que: [...] a educação, o conhecimento, a informação e a comunicação estão no cerne do progresso, do empenho e do bem-estar humanos. Além disso, as tecnologias de informação e comunicação (TIC´s) têm um impacto imenso sobre praticamente todos os aspectos de nossas vidas. O rápido progresso dessas tecnologias abre oportunidades completamente novas para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento. A capacidade dessas tecnologias de reduzir

muitos obstáculos tradicionais, especialmente aqueles de tempo e distância, pela primeira vez na história torna possível utilizar o potencial dessas tecnologias para o benefício de milhões de pessoas em todos os cantos do mundo. (WSIS, 2003 apud BECHARA, 2006, p. 3).

Nessa perspectiva, a aprendizagem continuada ou Ensino Aberto e a Distância (EaD), passa a ser reconhecido através da Declaração de Princípios de tal Cúpula, como uma oportunidade oferecida a todos os indivíduos, possibilitando educação continuada e de adultos, o retreinamento, a aprendizagem permanente, a aprendizagem a distância e outros serviços que ofereçam uma contribuição fundamental à empregabilidade, e que possam trazer benefícios às pessoas, a partir de novas oportunidades junto ao mercado de trabalho para empregos tradicionais, autônomos e novas profissões. Logo, refletir

sobre os sistemas de educação e de formação adequados exige avaliação contínua das contribuições que as novas e diferentes abordagens tecnológicas possam agregar ao desafio da construção de uma sociedade da informação mais democrática. Referências BECHARA, J. J. B. Aprendizagem em ambientes virtuais: estamos utilizando as pedagogias mais adequadas? Dissertação (Mestrado em Educação). 102 f, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.

Foto: Marcos Santos/USP imagens

A coordenação recomenda: Administração

Letras Português

www.sobreadministracao.com

www.academia.org.br

Administração Pública

Matemática

www.administradores.com.br

www.somatematica.com.br

Biologia

Pedagogia

www.crbio5.gov.br

http://revistaescola.abril.com.br/

Física

PNAP - Curso de Especialização em Gestão em Saúde

www.veduca.com.br

http://portalsaude.saude.gov.br/

Filosofia

Química

www.dominiopublico.gov.br

www.periodicos.capes.gov.br

Letras Inglês

Sistemas de Informação

www.bbc.co.uk/portuguese/

cursosieadufpi.blogspot.com.br

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Revista Interação ● Edição 8


Reconhecimento

Qualidade do Ensino a Distância: Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) é reconhecido pelo MEC

contando, atualmente, com uma estrutura institucional de grande porte. São oferecidos onze cursos de graduação, sendo oito licenciaturas – Biologia, Filosofia, Física, Matemática, Pedagogia, Química, Letras Português e Letras Inglês –; três bacharelados – Sistemas de Informação, Administração e Administração Pública, o último ofertado pelo Programa Nacional de Administração Pública; além de quatro especializações – Gestão Pública, Gestão Municipal, Gestão em Saúde, e Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça.

Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Jorge Rodrigo Araújo Messias. “A criação do CEAD pela Portaria MEC é resultado de solicitações feitas desde 2009, com reiteração em 2012, junto ao MEC, solicitando esse reconhecimento do Centro, que veio junto também com a criação oficial do campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano. Como desdobramentos, teremos eleições para coordenadores de cursos e do CEAD”, ressalta o Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes, diretor do CEAD. Com o objetivo de ampliar a oferta de cursos a distância no Piauí, em março deste ano, o CEAD/UFPI solicitou à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mais quatro licenciaturas e nove especializações. Dessas, foram autorizadas as licenciaturas em Computação, Geografia, Ciências da Natureza e História, portanto, todas as quatro que foram requeridas; e as especializações em Ecologia, Educação Permanente para Estratégia Saúde da Família, Gestão Educacional em Rede, História Social da Cul-

Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, Magnífico Reitor ; Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes, Diretor do CEAD/UFPI e Prof. Dr. Milton Batista da Silva, Vice-diretor do CEAD/UFPI

O dia 5 de março de 2013 representa um dia histórico para o CEAD/ UFPI. Nesta data, aconteceu o reco-

Revista Interação ● Edição 8

tura, Informática na Educação e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), ou seja, seis das nove solicitadas, todas aprovadas em maio de 2013. Enade confirma qualidade da EaD na UFPI O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) tem como objetivo avaliar o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. De acordo com o resultado do Enade 2011, divulgado no final de 2012, os cursos avaliados do CEAD/ UFPI (Ciências Biológicas, Filosofia, Pedagogia e Sistemas de Informação) tiveram média de desempenho satisfatória e equivalente aos respectivos presenciais, confirmando que a Educação a Distância forma seus alunos com a mesma qualidade da educação presencial.

Foto: UFPI

nhecimento do CEAD, pelo Ministério da Educação (MEC), conforme a Portaria nº 97, publicada no Diário Oficial da União, no dia 6 de março de 2013. A Portaria foi assinada pelo

Foto: Karine Santiago

O Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), fundado em 2006, representa um avanço na educação superior a distância no Piauí,

Prof. Dr. Luiz de Sousa Santos Júnior, ex-reitor, e Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, reitor atual da UFPI, na cerimônia de transmissão de cargo de Reitor e posse de Vice, em 20-11-2012

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O destaque nessa avaliação, que

Pedagogia, dedicando-se cada vez

tem 5 como nota máxima, veio para

mais para alcançar a avaliação ple-

o curso de Pedagogia, avaliado com

na, ou seja, a nota 5, nas próximas

nota 4. O resultado, considerado mui-

avaliações do Ministério da Educa-

to bom, é fruto do empenho dos alu-

ção.

nos e de todos os que fazem o CEAD.

“Estou muito feliz pela avaliação

Evidenciam-se também os esforços

do curso, porque foi muito prazeroso

empreendidos pela gestão da UFPI, na pessoa do reitor, à época, Prof. Dr. Luiz de Sousa Santos Júnior, reiterados pelo atual reitor, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, além da dedicação das equipes de trabalho dos Polos UAB de Alegrete do Piauí, Elesbão Veloso e Floriano. A coordenadora do curso, Prof.ª Dr.ª Vera Lúcia Costa Oliveira, atribui esse resultado também à metodologia de condução das atividades. Ela cita, por exemplo, o cumprimento de calendário, da carga-horária e das normas do MEC e do Enade; e à avaliação contínua, que evita a retenção dos alunos nas disciplinas cursadas, através da aplicação de atividades contínuas, como fóruns, chats, semi-

cursar e me formar em Pedagogia. Mesa oficial de formatura da turma de Pedagogia-EaD, em Alegrete, dia 19/08/2011. Professores(as): Liduína Maria de Jesus (tutora), Telma Maria Rocha (tutora), Lourenilson Leal de Sousa (paraninfo), Gildásio Guedes Fernandes (diretor do CEAD/UFPI), Joaquim Leal Neto (prefeito de Alegrete e patrono da turma), Vera Lúcia da Costa Oliveira (coordenadora do curso de Pedagogia) e Lívia Fernanda Nery da Silva (coordenadora de Tutoria).

Matos Albano, esse resultado “é um conjunto, uma extensão da coordenação, que procura fortalecer esse suporte importante à EaD, que é o

Participei do Enade e já fui aprovada em concurso efetivo para professor do município de Teresina”, diz Rosa Albertina Tavares da Silva, egressa do curso de Pedagogia em EaD no Polo de Elesbão Veloso-PI. “Acho que essa nota é resultado dos esforços dos alunos, pelo menos 80 por cento, porque, em EaD, o aluno tem que ter mais responsabilidade, buscar mais e dar mais de

trabalho dos tutores. Também torna

si na construção do conhecimento”

homogênea a forma como os tutores

ressalta Alcides Neto de Assis Sou-

intervêm na realidade de cada Polo,

sa, aluno do Módulo 7 do curso de

atentando para as especificidades

Pedagogia-EaD/UFPI, no Polo de

de cada contexto e de cada aluno,

Simplício Mendes-PI.

sem perder de vista a qualidade que

“Achei o resultado justo e impor-

Segundo a professora Vera, a

o currículo exige para uma formação

tante para quebrar o tabu contra a

preocupação com a assiduidade do

adequada”. O prof. Ronaldo explica,

Educação a Distância, porque não

aluno é constante: “quando ele de-

ainda, que esse trabalho é dinâmico

é pelo fato de termos, na EaD, ape-

mora a acessar a plataforma, tele-

e interativo, e se dá através de ca-

nas de dois a quatro encontros pre-

fonamos, mandamos comunicados,

pacitações periódicas na Sede do

senciais no mês, que não possamos

fazemos até visita domiciliar a esse

CEAD, durante o semestre letivo; no

ter o mesmo desempenho que os

aluno, tudo na tentativa de encorajá

Ambiente Virtual de Aprendizagem

-lo a prosseguir nos estudos”.

(AVA); e na interação constante entre

nários e atividades de recuperação.

Destaca, ainda, que os professo-

tutores e Coordenação de Tutoria, à

res de disciplinas têm uma relação

medida que cada demanda vai sur-

aberta com seus tutores. “O profes-

gindo, seja por meio de e-mail, de

sor chama a atenção do tutor, cuja

telefonemas e de visitas aos Polos,

atuação esteja insatisfatória e tam-

no intuito de potencializar o trabalho

bém parabeniza quando está legal,

do tutor, que está na linha de frente.

motivando intervenções que venham a contribuir com a aprendizagem dos

A voz dos discentes

alunos da educação presencial, pois temos os mesmos compromissos, e os professores e o conteúdo também são os mesmos. Somos até cobrados mais porque dizem que temos mais tempo. Portanto, essa nota 4, igual à do presencial, só nos valoriza e prova que temos o mesmo conhecimento” afirma Cíntia de Sousa Oliveira,

Os alunos de EaD ressaltam o

aluna do Módulo 7 do curso de Peda-

De acordo com o Coordenador de

compromisso e a responsabilidade

gogia-EaD/UFPI, no Polo de Marcos

Tutoria do curso, Prof. Me. Ronaldo

de manter a qualidade do curso de

Parente- PI.

alunos”, declara.

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Revista Interação ● Edição 8


ENTREVISTA REITOR DA UFPI

Foto: UFPI

a Capes autorizou mais quatro cursos de licenciatura e seis especializações para o CEAD. Para o senhor, o que isto representa para a Educação a Distância no Piauí?

José Arimatéia Dantas Lopes, Reitor da UFPI, doutor e mestre em Química Orgânica pela Unicamp e graduado em Farmácia e Bioquímica pela UFC.

Interação: Em março deste ano, o Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí – CEAD/UFPI obteve o reconhecimento do MEC, conforme a Portaria nº 97, publicada no Diário Oficial da União. Qual a importância deste reconhecimento para a UFPI? Reitor: O CEAD já existia, de fato, mas a homologação pelo MEC de sua criação, aprovada anteriormente por nosso Conselho Universitário, foi um passo importantíssimo para ratificar a institucionalização deste Centro e permitir sua regulamentação, incluindo a criação do respectivo conselho e a eleição de seu diretor. Essas ações permitirão não apenas um melhor funcionamento do CEAD, com a melhoria, em todos os aspectos, dos cursos já ofertados, mas, também, o crescimento mais consistente dessa modalidade de ensino. Interação: O CEAD/UFPI fundado em 2006, atualmente oferece onze cursos de graduação, sendo oito licenciaturas e três bacharelados, e um mestrado em Matemática. Recentemente (maio de 2013),

Revista Interação ● Edição 8

Reitor: O ensino a distância é uma modalidade que veio para ficar e, com o advento de novas tecnologias de informação e de comunicação, será, no futuro não distante, a modalidade de ensino dominante no mundo. O Piauí não está fora desse processo, dessa tendência mundial, e para um estado de grande extensão territorial e com grandes desigualdades sociais como o nosso, a ampliação da oferta dessa modalidade de ensino terá um papel estratégico para alavancar o desenvolvimento econômico, social, político e cultural. Interação: O resultado do Enade 2011, divulgado no final de 2012, avaliou os cursos de Ciências Biológicas, Filosofia, Pedagogia e Sistemas de Informação do CEAD, com média de desempenho satisfatória e equivalente aos respectivos presenciais. A qualidade do Ensino a Distância oferecido pelo CEAD/UFPI foi, dessa forma, reafirmada junto à comunidade acadêmica e à comunidade em geral. A que o senhor atribui esse desempenho? Reitor: Os resultados alcançados no Enade 2011 pelos concluintes dos cursos oferecidos pelo CEAD não nos surpreendeu, pois sabíamos da responsabilidade com que essa modalidade vem sendo conduzida na UFPI e da qualidade e competência de nossos professores. Para os céticos, críticos dessa modalidade de ensino, fica a comprovação de que a qualidade do ensino não depende da modalidade, mas da seriedade e responsabilidade com que ela é encarada e da competência e do comprometimento da equipe de gestores

e de docentes que estão à frente do processo. Interação: Considerando as atuais instalações físicas do CEAD e sua distância geográfica do Campus Ministro Petrônio Portella, há projetos de melhoria e de ampliação para o CEAD/UFPI e para a Educação a Distância no Piauí? Reitor: Sim, nós temos um projeto e o compromisso de construirmos uma sede própria, com instalações adequadas e modernas para o CEAD, dentro do Campus Ministro Petrônio Portella, além da construção de unidades nos campi fora de sede, que contribuirá significativamente para dar um melhor suporte às atividades do CEAD, resultando na melhoria de todas as atividades desse centro. Temos, também, o compromisso de ampliarmos o número de cursos e de polos, visando dar uma melhor cobertura em todo nosso Estado, ampliando assim o processo de inclusão no ensino superior, de nossos jovens, residentes nos municípios mais distantes dos grandes centros. Interação: Como o CEAD/UFPI está crescendo muito, com a aprovação de novos cursos e especializações, como estão os planos para a contratação de pessoal docente e técnico- administrativo? Reitor: A ampliação do quadro docente e de pessoal, de um modo geral, depende de autorização do MEC e temos o reconhecimento, por parte do referido Ministério, do déficit que temos no quadro de servidores da UFPI, e não apenas no CEAD. Estamos trabalhando no sentido de obtermos uma ampliação de nosso banco de professores equivalentes, mas independente dessa ampliação iremos realizar em breve um concurso para recomposição do quadro docente do CEAD.

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Demandas

Educação a Distância e inclusão profissional sequência de processos sociais decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, que impõem cenários e práticas educacionais contextualizados na perspectiva da

Foto: Karine Santiago

A educação se modifica em conAryadynna Santos Feitosa Especialista em Docência da Educação Profissional - IFPI Instrutora na área de educação e de rotinas administrativas. E-mail: aryadynna@hotmail.com

sociedade tecnológica atual. O crescimento acelerado das tecnologias

do o contexto democrático e inclusi-

da informação e da comunicação

vo da EaD, evidenciada por concep-

(TICs), adicionado às novas deman-

ção sociocrítica da educação e pela

das sociais exigidas na formação e

identificação dos desafios colocados

na capacitação das pessoas, tem le-

para os professores, bem como as

vado educadores e outros estudiosos

perspectivas pedagógicas para essa

da área a repensar as concepções e

modalidade.

as práticas pedagógicas adotadas no nosso sistema educacional.

Insere-se aqui a EaD no cenário da inclusão de trabalhadores, e de

A introdução das tecnologias da

todas as pessoas, nos processos cul-

informação e os pressupostos da

turais da sociedade, como modalida-

teoria sociocrática apoiam, na edu-

de de educação sintonizada com os

cação, propostas de ensino na mo-

problemas sociais e de classes, em

dalidade a distancia. Portanto, os

que o acesso aos bens científicos,

contextos e as práticas educativas

tecnológicos e culturais, através da

de Educação a Distância (EaD) de-

escola presencial, é limitado e sem-

safiam escolas e professores a estru-

pre encontra muitos obstáculos.

turar propostas e desenvolver com-

A concepção sociocrítica da EaD

petências para atuarem nessa forma

pressupõe o atendimento às deman-

de ensino-aprendizagem, no intuito

das por escolas, por qualificação pro-

de promover cidadania pelo acesso

fissional e por melhores condições

ao ensino, e qualificação profissional

de vida e de acesso ao processo pro-

pela superação de obstáculos nos

dutivo, do crescente número de pes-

processos pedagógicos.

soas que estiveram alijadas do pro-

No entanto, o momento sugere

cesso educativo, em decorrência das

que na escola e no trabalho a apren-

desigualdades sociais e da exclusão

dizagem se dê de forma contínua, fle-

educacional ocasionadas pela esco-

xível, com professores e estudantes

la, cujo papel era selecionar e classi-

reunidos no mesmo espaço de sala

ficar pequeno número de indivíduos

de aula, em momentos presenciais

para poucos cargos de comando,

ou distantes, mas unidos nos espa-

causando situação desumana para a

ços de aprendizagens onde estão

população.

conectados virtualmente, objetivan-

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A inclusão social pela EaD, atra-

vés da oferta de cursos de capacitação e de cursos profissionalizantes, encontra apoio no artigo 40 da Lei 9394/1996: “A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho”. A interseção da Educação com a tecnologia tem despertado o interesse pelo desenvolvimento de novas concepções educacionais e crescente demanda pela EaD, como uma forma de ensino mais democrática e capaz de promover aprendizagem significativa. Essa modalidade educacional está em processo de expansão, sendo implementada por inúmeras Instituições de Ensino, públicas e privadas, apesar de ainda haver preconceito e falta de informação quanto aos seus resultados. Portanto, a EaD é definida como a modalidade de ensino utilizada para promover oportunidades educacionais a grandes contingentes de alunos em diferentes espaços geográficos a partir de noções de flexibilidade, de ritmo Revista Interação ● Edição 8


individual, de inclusão, de autonomia

dos os desafios e demandas de pro-

de EaD superam as barreiras geográ-

e de qualidade pedagógica.

fessores e de estudantes, mas pode

ficas e de comunicação, otimizando

O principal foco da EaD é a apren-

contribuir para a inserção de pessoas

a expansão da oferta e alcançando a

dizagem do aluno, através do material

no mundo do trabalho, agregando va-

inclusão de mais e mais estudantes

didático, que deve ser claro, interes-

lor cultural, capacitando-as para me-

trabalhadores.

sante, e dinâmico para que o aluno

lhor compreensão de sua realidade,

Os desafios do trabalho dos pro-

se sinta motivado à leitura. A lingua-

possibilitando-as à transformação de

fessores na EaD são bem complexos

gem dos textos deve seguir a linha

forma reflexiva e crítica. Salienta-se

e significativos, pois o planejamento, a

dialógica; assim, o aluno exercitará e

que o processo de inclusão digital,

preparação e a apresentação dos cur-

vivenciará experiências que permitem

amparado pelas políticas públicas de

sos devem ser cuidadosamente rea-

o desenvolvimento da competência de

Educação, viabiliza o acesso a uma

lizados, demandam mais tempo, pois

solucionar problemas e situações no-

formação diferenciada a uma grande

não se trata apenas de lidar com um

vas, estando cada vez mais apto a se

parcela da população, contribuindo

sistema que quantifica alunos, suas

engajar em um ambiente no mercado

para o crescimento global dos que

interações e atividades, mas de pro-

de trabalho contemporâneo.

dela fazem uso e a buscam como edu-

posta cujos parâmetros pedagógicos

A introdução da tecnologia no

cação de qualidade. Nesse sentido, os

e intencionalidades estejam evidentes

campo educacional não atende a to-

recursos que dão suporte à modalida-

para professores, alunos e sociedade.

Foto: Arquivo Pessoal

Perfil do Aluno de EAD A história de Genival Soares de Sousa é exemplo do nível de determinação dos alunos de Educação a Distância. Genival tem 28 anos, natural de Alto Longá-PI, e atualmente reside em Novo Santo Antônio-PI, onde trabalha como Auxiliar Administrativo da Prefeitura Municipal desde 2009. Em 2012, ele concluiu sua graduação com êxito, no curso de Bacharelado em Administração no Polo de Apoio Presencial de Castelo do Piauí. Para conseguir a tão sonhada formação superior, Genival teve de enfrentar alguns desafios. Em 31 de março de 2012, sofreu grave acidente, quando retornava do encontro presencial e, segundo laudo médico, ficaria com sequelas irreversíveis, principalmente

cuperação da fala e dos movimentos, além da consciência de seus atos, através de sessões de fisioterapia e de fonoaudiologia. Mesmo diante dos obstáculos, Genival apresentou o forte propósito de concluir o curso, com o cumprimento do estágio supervisionado e a produção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Ao observar a determinação e a melhora progressiva do aluno, a Coordenação do curso de Administração lançou mais um desafio: se Genival apresentasse um laudo médico, atestando as condições de apto, mesmo com restrições quanto às atividades intelectuais de entender e de expressar vontades, ele teria uma chance

fez o Artigo Científico e foi muito bem abalizado pela Banca Avaliadora.

na fala. Com muita garra e determinação, o aluno conseguiu evoluir de estado negativo, para quadro positivo de re-

para integralizar os créditos do IX Bloco. Genival aceitou e obteve êxito: cumpriu o estágio supervisionado,

Como exemplo de superação, colou grau normalmente, com os demais colegas de turma, no dia 25 de outubro de 2012.

Revista Interação ● Edição 8

Genival Soares de Sousa Bacharel em Administração

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Projetos de Extensão do CEAD/UFPI: estímulo à boa formação dos alunos de EaD

Curso de Letras Português O curso de Letras Português do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) está desenvolvendo os projetos de extensão: “Novas Tecnologias Aplicadas ao Ensino de Língua Portuguesa” e “Letras no Mundo, o Mundo nas Letras”. O Coordenador do curso de Letras Português do CEAD/ UFPI, Prof. Dr. José Vanderlei Carneiro, acredita que os projetos de extensão fazem parte da concepção do que é, de fato, a Universidade, que se organiza em torno de três pilares: Ensino, Pesquisa e Extensão. “Os alunos têm que cumprir uma carga horária de 200 horas/aula de atividades complementares, por isso, o curso de Letras oferece as atividades de extensão. Estas atividades também podem ser acrescentadas no currículo acadêmico, contribuindo, assim, para a vida profissional do aluno”, relata. “Novas tecnologias aplicadas ao ensino de Língua Portuguesa” O curso de extensão “Novas Tecnologias Aplicadas ao Ensino de Língua Portuguesa” foi implantado em 13 de abril de 2013, e tem por finalidade suprir a necessidade de capacitação e de qualificação no uso das tecnologias no ensino de Língua Portuguesa. O público-alvo é composto por professores/tutores do curso de Letras Português e por coordenadores de polo da UAB/UFPI. Ministrado em uma única turma EaD, na Plataforma Moodle/CEAD-UFPI, nos polos de Uruçuí, São João do Piauí, Simplício Mendes, Inhuma, Valença do Piauí e Elesbão Veloso, o curso de Extensão teve a participação de 25 alunos. O Curso envolve teoria e prática como subsídios para planejamento e execução de atividades práticas no que

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se refere ao ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, além de proporcionar aos tutores a oportunidade da produção acadêmica, como resultado de suas pesquisas para publicação e/ou divulgação em eventos científicos, criando-se, também, a oportunidade para uma concepção mais abrangente da intersecção educação/cultura/mídias. O objetivo é viabilizar o conhecimento de conceitos e de critérios fundamentais para que se produza aprendizagem no ensino de Língua Portuguesa, na Modalidade a Distância, além de metodologias e ferramentas essenciais para o desenvolvimento de competências na prática pedagógica de forma efetiva. “Letras no Mundo, o Mundo nas Letras” Outro projeto desenvolvido pelos professores Maria Goreth Varão, José Vanderlei Carneiro e Francisca de Jesus Cardoso é o curso de extensão: “Letras no Mundo, o Mundo nas Letras”. O projeto foi implantado em 23 de março de 2013 e, desde então, gerencia um curso de Formação e Capacitação para graduandos do curso de Letras/Português-EaD dos seis polos de apoio presencial. 210 alunos dos polos de Uruçuí, São João do Piauí, Simplício Mendes, Inhuma, Valença do Piauí e Elesbão Veloso participam do projeto, que funciona de forma presencial e a distância. Na Plataforma Moodle/ CEAD-UFPI, os alunos inscritos têm disponíveis, além do material para leitura (textos, vídeos, filmes, etc.), os fóruns para discussões e as atividades propostas pelos ministrantes do curso. O projeto tem como objetivo sair do enfoque tra-

Foto: Coordenação de Letras Português (CEAD/UFPI)

Para a boa formação dos alunos, além do Ensino, a Universidade deve contemplar a Pesquisa e a Extensão. As atividades de Extensão, como articuladoras dos saberes científico e popular, envolvem a ação de professores, de alunos e de parceiros externos à Academia, com o objetivo de promover melhorias na sociedade em que atuam.

Visita do Prof. Dr. José Vanderlei (Coordenador Acadêmico) ao Polo de Simplício Mendes

Revista Interação ● Edição 8


Coordenação de Sistemas de Informação

Foto: Karine Santiago

Curso de Sistemas de Informação estimula a extensão e o conhecimento das novas tecnologias O curso de Sistemas de Informação, na modalidade EaD, ofereceu cursos de extensão em vários municípios do Estado. Foram ministrados: “Como Produzir um Artigo Científico” (Alegrete do Piauí, Esperantina, Floriano e Inhuma); “Empreendedorismo em Tecnologia da Informação” (Canto do Buriti e Gilbués); “Programação em Dispositivos Móveis em Android” (Esperantina, Floriano e Inhuma); e “Sistema Operacional LINUX” (Água Branca, Buriti dos Lopes, Castelo do Piauí e Piracuruca). Para o coordenador do Curso de Sistemas de Informação, Prof. Me. Leonardo Ramon, os cursos de extensão propiciam o aprofundamento na área, em cursos específicos, voltados para o mercado de trabalho, “além de enriquecer o currículo do discente, atualizá-lo, gerando-lhe experiência, competências diferenciadas e oportunidades futuras com os conhecimentos Prof. Me. Leonardo Ramon adquiridos”, acrescenta Coordenador do curso de Sistemas o professor. de Informação do CEAD/UFPI Coordenação de Administração A Coordenação do curso de Bacharelado em Administração, com o objetivo de disseminar o conhecimento e, desse modo, contribuir para a formatação de ideias e de propostas de mudança da realidade local, vem desenvolvendo atividades de extensão para os alunos da Universidade Aberta e para a comunidade em geral. Foram realizadas, no período de janeiro a abril de 2013, diversas atividades de extensão nos polos de Apoio Presencial de Esperantina, Canto do Buriti, Buriti dos Lopes e Castelo do Piauí, dentre as quais: • Polo de Apoio Presencial de Esperantina

Revista Interação ● Edição 8

Nos dias 18 e 19 de janeiro de 2013, aconteceu o I Encontro Pedagógico do curso de Administração, no Polo de Apoio Presencial de Esperantina. O evento contou com a palestra do Wedson Bezerra (“Como ter uma Carreira Vitoriosa?”), além do minicurso “Dinâmica sobre os Ambientes Empresariais”, ministrado pelo Prof. Rodolfo Hermann Teles. • Polo de Apoio Presencial de Canto do Buriti No dia 25 de janeiro de 2013, a Coordenação do curso de Bacharelado em Administração promoveu a oficina “Perdendo o Medo de Falar em Público”, no Polo de Apoio Presencial de Canto Profa. Ms. Antonella Sousa Coordenadora do curso de do Buriti. A oficina foi minisAdministração do CEAD/UFPI trada pelo instrutor Wedson Bezerra Pereira e contou com a participação de aproximadamente 35 pessoas, entre alunos de Administração, de Matemática, de Biologia, além de assistentes sociais e psicólogos do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) local.

Foto: Arquivo Pessoal

dicional do ensino de redação, na Modalidade a Distância, e praticar as novas tendências de ensino de leitura e de produção de textos com o apoio das novas tecnologias da informação e da comunicação, tendo como finalidade a produção de textos funcionais.

• Polo de Esperantina: II Encontro Pedagógico do Curso de Administração O II Encontro Pedagógico do curso de Administração aconteceu no dia 02 de fevereiro de 2013. Os alunos participaram do minicurso “A Pedagogia nos Trabalhos de Conclusão de Curso: Teoria e Prática das Técnicas de Pesquisa”, ministrado pela Prof.ª Ma. Antonella Sousa. A segunda parte do II Encontro Pedagógico do curso de Administração aconteceu no dia 23 de fevereiro de 2013. Dessa vez, o evento contou com o Workshop “Orçamento de Caixa: Como Planejar as Finanças de sua Empresa”, ministrado pelo Prof. Rodolfo Hermann Teles; e o Minicurso “Técnicas de Negociação”, com a Prof.ª Ioná Maria das Chagas Sousa. • Polo de Apoio Presencial de Castelo do Piauí Nos dias 19 e 20 de abril de 2013, os alunos do curso de Bacharelado em Administração do Polo de Castelo do Piauí participaram da palestra “O Sucesso dos Improváveis”, ministrada pelo Prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes. Além da palestra, a Prof.ª Ioná Maria das Chagas Sousa apresentou aos alunos o minicurso “Direito do Consumidor”.

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Trajetória

Foto: Karine Santiago

Educação a Distância: entre saberes, experiências e perspectivas tecnológicos, a educação a distância

ensino superior. Diante disso, “a ofer-

é peça-chave na oferta de um sis-

ta de educação na modalidade a dis-

tema de ensino que atenda a essa

tância pode contribuir para atender

sociedade, marcada pela constante

às demandas educacionais urgen-

busca de qualificação e de novos sa-

tes, tais como a formação ou capaci-

beres que atendam aos seus interes-

tação de docentes para a educação

ses pessoais e profissionais.

básica.” (BOMFIM; HERMINA, 2006,

No Brasil, assim como em várias partes do mundo, nos últimos tem-

No Piauí, a Universidade Federal

pos, as experiências com o Sistema

do Piauí tem contribuído, de forma

de Ensino na Modalidade EaD têm

significativa, para a ampliação dessa

se multiplicado gradativamente. Nes-

modalidade através do seu Centro

se sentido, Alves (2003) argumenta:

de Educação Aberta e a Distância

[...] a educação a distância (EaD) vem Francisco Gomes Vilanova Mestrando em Educação – UFPI; Especialização em Gestão Escolar e Especialização em Gestão Pública – CEAD/ UFPI; Licenciatura Plena em História – UESPI; Professor de História da Rede Estadual de Ensino do Piauí – SEDUC/PI. E-mail: francis.vilanova@gmail.com

Atualmente, o mundo passa por um intenso processo de informatização, em que inovadoras tecnologias de informação têm contribuído para a dinamização do conhecimento. A educação busca se adaptar a essa

p. 167).

(CEAD) que responde pela nomen-

se tornando [...] uma discussão funda-

clatura de Universidade Aberta do

mental para quem está refletindo sobre

Piauí (UAPI). Gradualmente, a UAPI

os rumos da educação numa socieda-

tem oferecido cursos de graduação

de cada vez mais interconectada por

e de pós-graduação, oportunizando

redes de tecnologia digital. São inúme-

ensino de qualidade para toda a so-

ros os cursos à distância que são cria-

ciedade piauiense.

dos e difundidos diariamente, no mundo inteiro. (ALVES, 2003, p.1)

Antes dessa nova configuração da EaD no Piauí, a falta de um siste-

Ainda na concepção da mesma

ma de ensino que conciliasse traba-

autora, no Brasil, a ampliação des-

lho e estudo afastou-me dos bancos

sa modalidade tem ganhado impulso

escolares e só através dessa moda-

em decorrência dos avanços tecnoló-

lidade veio a oportunidade de conti-

gicos e das novas exigências da Lei

nuar vivenciando novas experiências

de Diretrizes e Bases nº 9396/1996,

acadêmicas e a realização de novos

que em seu Art. 80, destaca que “O

cursos.

nova realidade com a utilização de

poder Público incentivará o desenvol-

Como sujeito partícipe desse

mecanismos que aproximem e faci-

vimento e a veiculação de programas

processo, venho testemunhando a

litem a aquisição de conhecimentos

de educação a distância”. Mais recen-

trajetória do sistema da educação

para a sociedade. Para atender às

temente, verifica-se um conjunto de

a distância da UFPI/UAPI desde as

exigências impostas pelos avanços

políticas de ampliação de acesso ao

primeiras experiências, até a fase de

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Revista Interação ● Edição 8


consolidação, vivida atualmente. No

wares educacionais em geral, não

dade EaD e a demanda tem se am-

final de 2006, ingressei no curso de

constituem a salvação para os proble-

pliado a cada seleção. Isso se deve

Especialização em Gestão Escolar,

mas do sistema educativo. Sem traba-

à qualidade do ensino oferecido e à

ofertado pelo Programa Escola de

lho, disciplina, entusiasmo, empenho,

conveniência de conciliar a progres-

Gestores da Educação Básica do Ministério da Educação, que foi realizado por esta instituição na modalidade EaD. Em 2007, fui aprovado no vestibular/EaD para o curso de Bacharelado em Administração, oferecido pela UAPI. No ano de 2010, efetivei matrícula no curso de Especialização em Gestão Pública, realizado por esta mesma IES, em parceria com o Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP). Assim, minha trajetória acadêmica se confunde com a história da UAPI, e com a consolidação dessa modalidade de ensino no Estado. De modo que ouso afirmar que as experiências vivenciadas junto ao sistema de Educação a Distância da UAPI/ UFPI foram fundamentais para a acumulação de experiência, de saberes e de autonomia de minha caminhada acadêmica. O ensino a distância funciona através de variados instrumentos que viabilizam a transmissão de informações e a integração entre os sujeitos envolvidos no processo, principalmente os ambientes virtuais desenvolvidos em plataformas na web, conhecidas como Tecnologias de In-

talento e orientação do educador e do aprendiz; de nada servirá lápis, livros, quadro negro, carteira e muito menos o computador para o ensino, mesmo em conjunto com a grande rede, a internet. (FERNANDES, 2007, p. 65).

Diante disso, em alguns casos, estudantes não conseguem se adaptar à modalidade por conta de alguns fatores, como as dificuldades de

des, como o trabalho, visto que grande parte dos estudos, das pesquisas e das atividades exigidos nesse sistema podem ser desenvolvidos fora do ambiente escolar, organizados conforme a disponibilidade do aluno e adaptados à sua própria rotina. Referências

acesso às tecnologias, a falta de disciplina na execução das atividades,

ALVES, C. N. L. e. Educação a

e a própria otimização do tempo de

Distância: limites e possibilidades.

estudo, cuja organização é tarefa do

In: Educação a distância: uma

próprio aluno.

nova concepção de aprendizagem

O ensino a distância funciona através de variados instrumentos que viabilizam a transmissão de informações e a integração entre os sujeitos envolvidos no processo...

formação e da Comunicação (TICs).

Portanto, mesmo diante de algu-

Todavia, tecnologias como televisão,

mas limitações, a EaD vem, gradual-

vídeos, internet, terão pouco signifi-

mente, superando a desconfiança de

cado no processo de ensino-apren-

estudantes, educadores e especia-

dizagem de EaD, sem o comprometi-

listas, de modo que, no Piauí, todas

mento do educando. Nesse aspecto,

as instituições públicas de ensino su-

[...] o computador, a internet e os soft-

perior já oferecem cursos na modali-

Revista Interação ● Edição 8

são de estudos com outras ativida-

e interatividade. São Paulo: Futura, 2003. BRASIL. Lei

(n. 9394/1996) de

Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, MEC, 1996. FERNANDES, G. G. Introdução à Educação a Distância. Teresina: Gráfica do Povo, UFPI/UAPI, 2007. BOMFIM, C. R. S. de.; HERMINA, J. F. A educação a distância: história, concepções e perspectivas. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. especial, p.166-181, ago, 2006.

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Mudança

UAPI: uma nova forma de aprendizagem

de diamantes em décadas passadas. Confesso que nas 17 horas de viagem até a cidade, pensei várias vezes: “Onde os alunos desse curso vão empregar os conhecimentos de Sistemas de Informação, nesse lugar onde mal deve haver computador?”. Ao iniciar meus trabalhos e conhecer os alunos da turma, vi que, na verdade, possuíamos pouquíssimos estudantes oriundos daquela cidade. Na realidade, a grande maioria era natural de localidades muito menores que Gilbués, com muito menos infraestrutura. Alguns alunos, para irem às aulas, pediam “carona” em ônibus e caminhões que trafegavam rumo àquela ci-

Foto: Karine Santiago

dade; outros, pilotavam motos durante horas pela madrugada para chegar a tempo do encontro presencial. Aquela aula, aquele encontro, era, para eles, momento de extrema importância; era a oportunidade única de mudança de vida para quem não tinha possibilidade de estudar em Brasília ou em Teresina. Esses estudantes, mesmo com todas as dificuldades e deficiências oriundas de um ensino básico carente e capenga, eram o orgulho e a esperança de dias melhores para toda uma Eldo de Brito Ferreira Chaves Bacharel em Ciências da Computação – UFPI Acadêmico de Medicina – UFPI Tutor a distância / Orientador acadêmico do curso de Sistemas de Informação da UAPI E-mail: eldouapi@gmail.com

região, os verdadeiros diamantes de Gilbués, carentes de lapidação e de apoio. Essa experiência de seis meses foi suficiente para mudar drasticamente minha visão sobre o programa UAPI, e os três anos seguintes, trabalhando nas cidades de Castelo do Piauí e Esperantina, apenas serviram

O ensino a distância pode ser a maior ferramenta de

para reforçar esse sentimento.

transformação social e econômica que o Piauí dispõe

O programa UAPI não é constituído apenas de alu-

nestes tempos. Essa frase não saiu assim, clara e natural

nos carentes. Ao contrário do que pensei inicialmente,

da minha mente. Muito pelo contrário. Encontrava-me in-

encontrei, nas minhas andanças, alunos extremamen-

serido no grupo de céticos que duvidava da eficácia desse

te capazes e inteligentes, que não deixavam a desejar

método, quando, nos idos de 2008, o professor Gildásio

nada frente aos alunos da capital. Alguns deles, chefes

Guedes o profetizava nas suas aulas de Empreendedo-

de família, com várias formações superiores e plena-

rismo no curso de Ciências da Computação da UFPI.

mente cientes do que queriam: não estavam ali para

Então, por essas voltas que o destino dá, acabei sen-

apenas mais um curso superior! Evidencia-se aí outra

do selecionado para o cargo de tutor a distância do curso

função da UAPI: fornecer formação acadêmica a indi-

de Sistemas de Informação no Polo de Gilbués (800km de

víduos que, nessas cidades, já exerciam funções liga-

Teresina). Até aquele momento, a única coisa que conhe-

das à computação de forma empírica. Muitos chefes de

cia daquela cidade, dos livros de geografia, era o grande

CPDs, programadores, donos de lan-houses, gerentes

processo de desertificação desencadeado pela extração

de redes, analistas de sistemas e instrutores de informá-

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Revista Interação ● Edição 8


tica foram brilhantes alunos, conquistando, agora, com o

dade, mas ali, naquele lugar, era uma oportunidade úni-

diploma da UFPI, respeito maior frente aos empregado-

ca, era motivo de festa para a comunidade.

res e aos clientes, e maior segurança para inovar, empreender, mudar a realidade e a oferta de serviços nas suas comunidades. Em Esperantina, aproveitando o fato de que vários alunos eram professores, tive a ideia de implementar um

Frente a tudo isso, não me envergonho em dizer que mudei, sim, minha opinião a respeito do ensino a distância e da UAPI, e sem correr o risco de cair na mesmice, digo que aprendi muito mais com meus alunos e suas

projeto já há muito latente na minha mente: UAPI é inclu-

histórias de vida do que eles aprenderam comigo. É mui-

são digital. A ideia, imediatamente apoiada pelos alunos,

to fácil criticar esse programa de ensino a distância sem

era utilizar a estrutura do polo de apoio presencial para

conhecê-lo, principalmente comparando-o erroneamente

ofertar um curso de informática básica às pessoas da

ao ensino presencial. Não se pode comparar grandezas

comunidade. Para minha surpresa, as 30 vagas disponí-

de dimensões diferentes. Os parâmetros comparativos

veis foram preenchidas na primeira hora da oferta, e uma imensa lista de espera formou-se para novas edições do curso. A dedicação dos alunos e do pessoal administrativo do polo surpreendeu-me profundamente. Ali era a de-

diluem-se e perdem-se facilmente ao conflitarmos paradigmas tão distintos de educação. Para entender a UAPI e sua logística, mergulhar no seu verdadeiro espírito, é

monstração clara de que, nas nossas cidades do interior,

necessário abandonar nossa zona de conforto na capital

não era preciso muito para fazer a diferença. Talvez um

e cair na estrada. Todos os que o fizerem, certamente,

curso desse tipo na capital não tivesse a menor visibili-

assim como eu o fiz, mudarão de opinião.

5º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação 1º Colóquio Internacional de Educação com Tecnologias

Aprendizagem móvel dentro e fora da escola

A Universidade Federal de Pernambuco promoverá, entre os dias 13 e 15 de novembro de 2013, o 5º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação e o 1º Colóquio Internacional de Educação com Tecnologias. O evento contará com conferências, sessões de comunicação oral, feira de livros, mesasredondas, oficinas, apresentação de pôsteres, dentre outras atividades. Os temas propostos são de interesse de professores, alunos e coordenadores que trabalham com a Modalidade EaD. Dentre os quais, destacam-se: 1) Letramento digital e aprendizagens em redes e mídias móveis; 2) Comunicação mediada por computador e equivalentes off e on-line; 3) Ambientes virtuais, aplicativos e plataformas de EaD; 4) Objetivos de aprendizagem: jogos eletrônicos; 5) Gêneros digitais: E-mail, Blog, E-fórum, Chat, Twitter, Facebook e outras ferramentas; 6) Sistemas Wi-Fi adaptados à arte, governança, jornalismo, publicidade (celular/tablet); 7) Aprendizagem colaborativa, retórica, identidade e subjetividade em redes e comunidades virtuais; 8) Narração em ambiente virtual: nano-conto, conto, crônica, resenha, paper, artigo; 9) Webdesign, Webcidadania e Educação por Mídias Móveis; 10) Utilização de Mídias Móveis na Formação Docente e no Desenvolvimento Profissional; 11) Globalização, Sustentabilidade, Interculturalidade e Ética na aprendizagem. Mais informações no endereço eletrônico: www.simposiohipertexto.com.br Vale a pena conferir!

Revista Interação ● Edição 8

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GIRO nos Polos Coordenação do curso de Biologia e Administração Educação Ambiental movimenta o Polo de Apoio Presencial de Buriti dos Lopes A conscientização dos alunos de EaD sobre a sustentabilidade do Meio Ambiente recebeu estímulo através do projeto “Interdisciplinaridade na Educação Ambiental: coleta seletiva do lixo”. O projeto aconteceu nos dias 5 e 6 de abril 2013, no Polo de Apoio Presencial de Buriti dos Lopes e faz parte de uma iniciativa das coordenações dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e de Bacharelado em Administração, modalidade EaD. Mais de

as); nação de Ciências Biológic Prof. Eliesé Rodrigues (Coorde so Cur do ora nad orde eira (Co Maria da Conceição Prado Oliv fessor do (Pro e rqu que Albu má Leo , de Ciências Biológicas) nadora fª Antonella Sousa (Coorde Campus de Bom Jesus); Pro (Tutor do Curso de elo Rab celo Mar , ão) traç do Curso de Adminis Ciências de Maria (Tutora do Curso de Administração); Conceição so de Cur do ório orat Lab cnica de Biológicas) e Osana Alves (Té . as) ógic Biol cias Ciên

400 pessoas participaram do evento, que foi aberto com as boas-vindas do coordenador do polo, professor Francisco Gildásio da Silva, e contou com a presença de algumas autoridades locais. Os alunos apresentaram as atividades de limpeza de ambientes naturais de seus municípios, que já se encontravam completamente degradados com a presença de lixo. O projeto foi considerado como uma grande lição de cidadania e um exercício prático de Educação Ambiental.

Foto: Polo UAB de Água Branc

a

Coordenação do Curso de Administração Pública Painéis de Qualidade no Setor Público nos Polos A Coordenação do Curso de Bacharelado em Administração Pública ofertou, aos alunos dos Polos de Floriano, Simplício Mendes, Picos, Bom Jesus, Água Branca e Teresina, a atividade de extensão “Painel de Gestão da Qualidade no Setor Público”, que aconteceu no mês de janeiro deste ano em cada um dos Polos citados, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos adquiridos na disciplina Gestão da Qualidade no Setor Público, além de aproximar o aluno da pesquisa de campo. As maiores estrelas do evento foram os discentes, que realizaram um valoroso trabalho de pesquisa junto aos órgãos públicos de saúde e educação de suas cidades, sobre a qualidade dos serviços prestados nessas áreas, cujos resultados foram expostos para a comunidade acadêmica idade na interessada no tema. Grupo que integrou o Painel de Qual Gestão Pública em Bom Jesus

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Revista Interação ● Edição 8


Coordenação do Curso de Química Alunos e comunidade do Polo UAB Pio IX participam de oficina de capoeira A capoeira representa a cultura brasileira, como arte e esporte, além de ser importante para integridade física e mental do praticante. De 26 a 28 de abril, os alunos do Polo de Apoio Presencial de Pio IX e a comunidade do município participaram da oficina de capoeira ministrada por Ionara Nayana Gomes Passos, tutora do Curso de Química do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI). O projeto de extensão já foi levado a vários polos UAB da UFPI, como forma de valorização da cultura brasileira.

Coordenação de Pedagogia Polo UAB de Marcos Parente realiza a I GINCARTES Os acadêmicos do curso de Pedagogia do Polo de Apoio Presencial de Marcos Parente - PI realizaram a I GINCARTES, no período de 23 de março a 06 de abril. O objetivo foi promover a interação da comunidade acadêmica com os discentes das escolas municipais e estaduais, para vivenciarem as diferentes linguagens da cultura corporal, como jogos, esporte, ginástica, dança, e luta no cotidiano escolar.

Revista Interação ● Edição 8

Foto: Polo UAB de

Marcos Parente

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Não há um modelo único de educação a distância. Os mais diversos programas de ensino em EaD podem apresentar os diversos tipos ou modelos, métodos, práticas e combinações de técnicas e de recursos educacionais tecnológicos que atendam plenamente qualquer natureza de um curso e suas reais condições, em se tratando de metodologia e de tecnologia a ser utilizada. Sabe-se também das definições dos momentos presenciais necessários e obrigatórios, estágios supervisionados, práticas em laboratórios de ensino, trabalhos de conclusão de curso, quando for o caso, tutorias presenciais nos polos descentralizados de apoio presencial e outras estratégias. Assim, apesar da possibilidade de diferentes modos de organização, um ponto deve ser comum a todos aqueles que desenvolvem projetos nessa modalidade: a compreensão

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Foto: Karine Santiago

Foto: Karine Santiago

Aplicações inovadoras com tecnologias da informação e da comunicação: ações promovidas pela UAPI para qualidade do material didático

de que não existe qualidade em educação sem fundamentação qualitativa no material didático, que, por sua vez, apoia todo e qualquer processo, em especial o processo a distância. Os referenciais de qualidade para a educação superior a distância definem que, devido à complexidade e à necessidade de uma abordagem sistêmica de qualidade para projetos de cursos na modalidade a distância, esses devem compreender categorias que envolvem, fundamentalmente, aspectos pedagógicos, recursos humanos e infraestrutura. E, para alcançar essas dimensões, devem estar integralmente expressos no Projeto Político Pedagógico de um curso na modalidade a distância: a real concepção de educação a distância; o currículo para o processo de ensino-aprendizagem; os sistemas de comunicação; o material didático; a avaliação; a equipe

Paulo César Coutinho dos Santos, Universidade Aberta do Piauí – UAPI/CEAD, Professor Pesquisador II (Conteudista) E-mail: pccoutinho@pccoutinho.com.br Cyjara Orsano Machado, Universidade Aberta do Brasil – CEAD/UFPI, Tutora-Orientadora E-mail: cyjara@hotmail.com

multidisciplinar; a infraestrutura de apoio; a gestão acadêmico-administrativa; e a sustentabilidade financeira. Respeitando o que é definido pelos referenciais de qualidade para a educação superior a distância, o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação da Universidade Aberta do Piauí, com o apoio da diretoria do Centro de Educação a Distância – CEAD, na pessoa do Prof. Dr. Gildásio Guedes e da coordenação do Curso, representada pelo Prof. Me. Leonardo Ramon, está desenvolvendo, com a coordenação do Prof. Conteudista Paulo César Coutinho, um projeto piloto de integração do material didático elaborado para o curso de Sistemas de Informação, para uso também em tablets. Lembramos que, lendo o artigo Tecnologia da Informação e Comunicação: ação continuada na Ead, Revista Interação ● Edição 8


DICAS DE LIVROS do professor Gildásio Guedes Fer-

SONS DO SERTÃO: LUIZ GONZAGA, MÚSICA E IDENTIDADE

nandes (Revista Interação, Edição n. 06/2011), deparamo-nos com uma motivação baseada na necessidade de contribuir diretamente com o desenvolvimento da educação a distância no Piauí. Primeiro, por fazermos parte do corpo de professores que contribuem, na prática, com esse desenvolvimento, e que, pela proximidade com os polos e com os estudantes, sentem a necessidade de buscar novas formas e métodos que levem prazer e dedicação ao ensino a distância, e que, por sua vez, estejam diretamente ligados à inovação. Parafraseando o prof. Gildásio Guedes, “Os estudos e as ações de-

Escrito por Jonas Rodrigues de Moraes, mestre e doutorando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), o livro “Sons do Sertão: Luiz Gonzaga, Música e Identidade”, publicado em 2012, pela editora Annablume, de São Paulo, discorre sobre a produção musical e a trajetória artística de Luiz Gonzaga, precisamente sobre a invenção do baião. As músicas (letras e ritmos) e a performance de Luiz Gonzaga serviram como táticas discursivas para a construção de um imaginário de Nordeste. O livro foi desenvolvido através de relação da história, com a música e suas formas de interpretação. Em maio de 2013, a Universidade Federal do Piauí - UFPI/ UAB, por meio do Centro de Educação a Distância - CEAD e do Polo de Apoio Presencial de Valença do Piauí, promoveu o lançamento do livro para alunos e funcionários do Polo, que prestigiaram, também, diversas apresentações culturais.

monstram que falta aos agentes dos processos de ensino na modalidade de Ead uma prática com ação continuada”. Eis a frase que caracterizou nossa motivação, também atrelada à realidade de como é intrigante, como a inovação está entranhada nas veias da educação a distância, e, ao mesmo tempo, parece tão distante. O Processo: Contatamos o prof. Leonardo Ramon, coordenador do Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, que, de imediato, apoiou a ideia, pedindo-nos apenas um tempo para conversar com a Diretoria do CEAD. Logo em sua próxima reunião com o prof. Gildásio Guedes, diretor do CEAD, este de pronto apoiou o projeto e atualmente estamos trabalhando com a proposta de lançarmos em agosto de 2013 o livro-texto da disciplina Comportamento Organizacional como aplicativo gratuito para tablets. Revista Interação ● Edição 8

ESTUDOS DE LÍNGUA E LITERATURA-GESLA Organizado por Ângela Mesquita, Maria Auxiliadora e Marlene Gonçalves Mattes, “Estudos de Língua e Literatura-GESLA” é uma coletânea de textos que contempla não só a produção de professores pesquisadores, como também a dos alunos participantes do GESLA Grupo de Estudos em Linguística Aplicada. O livro aborda não somente a língua e a literatura, mas os diversos campos do saber, que compõem o ambiente interdisciplinar de uma Universidade, como o ensino e formação a distância e o uso das tecnologias no trabalho docente. A obra foi lançada em novembro de 2012, pela Editora UniRitter, do Centro Universitário Ritter dos Reis/ UniRitter de Porto Alegre (RS). No livro, o capítulo “As multifaces do sujeito no texto literário: uma abordagem a partir da narratologia contemporânea” aborda a noção de sujeito literário que contém, no seu estatuto de sustentação epistemológico, concepção narratológica multidisciplinar. Para isso, percorre a literatura disponível no cenário contemporâneo, na qual se encontram as ciências da linguagem, tais como: linguística textual e hermenêutica de texto. O autor é o Professor Doutor e Coordenador do curso de Letras Português do CEAD/UFPI, José Vanderlei Carneiro, que é mestre em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (2000) e Doutor em linguística pela Universidade Federal do Ceará - UFC (2009).

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Transição

Foto: Karine Santiago

Competências docentes diante das linguagens tecnológicas da EaD aprendizagem. Tal interação é composta de equipamentos e de um mediador que conhece bem a linguagem e, assim, estabelece uma rede de comunicações que favorece a aprendizagem de forma significativa, através dos Silvestre Pereira da Silva Neto Graduado em Letras Português – UESPI Pós-graduado em Docência do Ensino a Distância – UNINTER E-mails: silperneto@hotmail.com; silperneto@gmail.com

diversos meios e recursos de comunicação disponíveis nos ambientes. A comunicação permite a aprendizes e a ensinantes compartilhar determinados conteúdos, promover a prática do aprender, do ensinar e a aplicação dos conhecimentos em qualquer lugar, diuturnamente,

Em pleno século XXI, com o desenvolvimento da web, os processos de interação entre as pessoas se modifica-

tanto de forma síncrona quanto assíncrona, ou seja, em tempo real ou não.

ram, diminuindo distâncias e aproximando-as em função

Assim, a incorporação da linguagem das mídias digi-

da aquisição do conhecimento; permitiram que docentes

tais à educação, através do uso das tecnologias, exige

e discentes tivessem acesso ao conhecimento através

dos elementos envolvidos no processo ensino-aprendi-

das novas tecnologias de informação e de comunicação,

zagem conhecimentos específicos para utilizar os recur-

pois a invenção de aparelhos e de instrumentos eletroele-

sos de maneira eficaz e assim dinamizar a aprendiza-

trônicos possibilitou a criação de diversas ferramentas

gem. A rapidez das inovações tecnológicas nem sempre

para uso nos ambientes de aprendizagem, possibilitan-

corresponde à capacitação dos professores para a sua

do, com isso, o surgimento de linguagem específica e

utilização, o que muitas vezes resulta na aplicação ina-

mediada, sobretudo pelos programas de computadores,

dequada. Desse modo, o uso da linguagem tecnológi-

por meio da “grande rede”.

ca no meio educacional, através de seus ambientes de

A linguagem veiculada através dos ambientes virtuais

aprendizagem, faz nascer uma preocupação: até que

de aprendizagem representa uma verdadeira ruptura

ponto o corpo docente está preparado para lidar com a

com a tradicional dicotomia tempo/espaço, haja vista que

linguagem mediada pelas novas tecnologias? Sabemos

os principais elementos do processo de ensino-aprendi-

que nossos docentes vieram de uma tradição clássica,

zagem, professor/aluno/conteúdo, não têm, necessaria-

na qual se utilizava a metodologia tradicional e os ele-

mente, que compartilhar o mesmo ambiente físico, ou

mentos do processo ensino-aprendizagem se resumiam

seja, a sala de aula, e nem o mesmo tempo, no que se

em professor, aluno e o famoso quadro de giz.

relaciona às horas.

Nos dias atuais, vivemos uma transição para um meio

A linguagem tecnológica representa revolução no pro-

mais dinâmico que exige do professor capacidades de se

cesso ensino-aprendizagem, pois faz a interface entre o

adequar ao novo. Esse novo paradigma de educação exi-

homem e o conhecimento. O uso dessa linguagem por

ge também mudanças em relação ao papel do professor,

parte dos elementos envolvidos nesse processo viabili-

que deixa de ser apenas um repassador de conhecimen-

za e potencializa a interação nos ambientes virtuais de

tos e passa a desempenhar múltiplas atribuições. Sua

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Revista Interação ● Edição 8


competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a

ceber que transitamos da mídia clássica para a mídia

aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se um

on-line e deverá se familiarizar com os equipamentos

animador da inteligência coletiva dos grupos que estão ao

tecnológicos que veiculam essa linguagem, pois o que

seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanha-

se percebe é que, quanto ao uso das tecnologias, os

mento e na gestão da aprendizagem.

alunos têm facilidade de domínio, enquanto os profes-

A redefinição dos papéis dos professores para o uso

sores têm dificuldades. Assim, a linguagem utilizada

das tecnologias envolve questões como estilo de ensino,

pelas mídias possui grande poder de informação, e en-

necessidade de domínio das ferramentas tecnológicas

canta a mais um dos elementos envolvidos no processo

envolvidas no processo de ensino, concepção de apren-

ensino-aprendizagem: o aluno.

dizagem, a percepção de sala de aula como um sistema

O professor precisará assimilar que pode potenciali-

ecológico mais amplo, no qual as funções de professores

zar a comunicação e a aprendizagem, utilizando interfa-

e alunos estão começando a mudar. Fazer uso das tecno-

ces da internet; precisará compreender a força dos tex-

logias no meio educacional reclama o conhecimento do

tos próprios da tecnologia digital; além de atentar que

universo de ferramentas, através das quais os ambientes

a interatividade é mudança fundamental do esquema

de aprendizagem ganham vida. O surgimento do World

clássico da comunicação. Do contrário, corre o risco de

Wide Web alterou a forma de se adquirir informação, de

se ver dividido entre ter que ensinar e ter que aprender,

pesquisar, de preparar aulas e de planejar variadas formas

para assim desempenhar satisfatoriamente suas fun-

de comunicação com o outro.

ções docentes e melhor orientar os alunos para a in-

Na educação a distância, o professor precisará per-

serção na sociedade da informação e da comunicação.

Revista Interação ● Edição 8

Conceição de Maria da Rocha, do Apoio à Tutoria (CEAD/UFPI), que apresentou trabalho na forma pôster no ESUD 2013

Foto: ESUD 2013

O X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância (X ESUD), que teve como temática “EAD rompendo fronteiras”, aconteceu de 11 a 13 de junho de 2013, em Belém (PA). Foram 262 trabalhos inscritos e 160 selecionados. O Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD/UFPI) foi representado no evento com a aprovação e a apresentação de três artigos científicos de graduandos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, modalidade EAD. Os trabalhos foram apresentados na forma de pôster. Artigos apresentados no X ESUD: - Evasão no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas modalidade a Distância, UFPI; - O Ensino de Ciências e Biologia na Educação de Jovens e Adultos na visão dos professores e futuros professores do município de Canto do Buriti, Piauí/Brasil; - Educação Superior a Distância: o processo de avaliação da aprendizagem no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, Piauí/Brasil. Conceição de Maria Rocha, do Apoio à Tutoria do Curso de Ciências Biológicas, teve seu trabalho aprovado e apresentado, em forma de pôster. Para ela, representa destaque para o CEAD/UFPI no nível nacional. “O evento foi muito bom e representou uma troca de experiências, além de uma oportunidade de assistir palestras internacionais, que nos ajudarão a expandir a temática da Educação a Distância”, declara Conceição Rocha.

Foto: Arquivo pessoal

Centro de Educação Aberta e a Distância da UFPI é representado no X ESUD

Professora Beatriz Fainholc ministra a Conferência de Abertura do ESUD 2013

33


Importante

Primeira Diretoria eleita do Centro de Educação Aberta e a Distância da UFPI: eleição histórica e mais autonomia para o CEAD/UFPI O Centro de Educação Aberta e a Distância da

Diocesano, com a participação dos diretores recém-

Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI), 11ª Unidade

eleitos e dos servidores do CEAD/UFPI; e no segundo

Administrativa da UFPI, realizou, no dia 25 de maio de

momento, a solenidade propriamente dita ocorreu no

2013, sua primeira eleição para diretor e vice-diretor do

auditório do CEAD, com a presença do professor Dr. José

Centro, como consequência da institucionalização do

de Arimatéia Dantas, reitor da UFPI; do senhor Átila Lira,

CEAD/UFPI junto ao Ministério da Educação (MEC) em

secretário da Educação do Estado do Piauí; do professor

março de 2013. A eleição aconteceu em Teresina e nos

Pedro Vilarinho, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação;

trinta polos de Educação a Distância do Estado do Piauí,

do professor Helder Cunha, pró-reitor de Pesquisa; da

o que possibilitou a participação de alunos, funcionários

professora Glória Ferro, coordenadora do PARFOR; do

e professores de distintas regiões na escolha dos

senhor Valdemar Santos, prefeito de São José do Peixe;

dirigentes da instituição para os próximos cinco anos. O

dos coordenadores dos polos de Educação a Distância;

prof. Dr. Gildásio Guedes Fernandes e o prof. Dr. Milton

e de funcionários e professores do CEAD/UFPI.

Batista dos Santos, candidatos a diretor e a vice-diretor

Em seu discurso de posse, o professor Dr. Gildásio

respectivamente, foram eleitos com 91,8% dos votos

Guedes agradeceu o apoio de todos, e afirmou que a

válidos para o período 2013-2017, instituindo-se como a

posse é a comprovação do fortalecimento do CEAD. “A

primeira Diretoria eleita do CEAD/UFPI.

primeira Eleição se reveste de um caráter extraordinário,

A solenidade de posse da Diretoria eleita ocorreu no

porque o Centro terá mais autonomia. Nós passaremos

dia 26 de junho de 2013 em dois momentos: no primeiro,

a ter acesso aos controles superiores da Universidade,

pela manhã, uma missa de Ação de Graças celebrada

que realmente definem as políticas de ensino, pesquisa,

pelo padre Marcelo Costa na Capela do Colégio

extensão e gestão. A Eleição representa o poder que emana dos alunos, funcionários e professores”, destacou o diretor eleito, acrescentando que uma das principais metas da sua gestão é lutar pela construção de um novo prédio para o Centro, ampliar a qualidade da educação

Foto: Karine Santiago

oferecida, com a contratação de professores, além da capacidade de firmar novas parcerias e convênios. O prof. Dr. José de Arimatéia Dantas, além de destacar o reconhecimento do CEAD/ UFPI pelo MEC, ratificou a primeira eleição do CEAD/UFPI como fator importante para o avanço da Educação a Distância no Estado, e revelou o compromisso com o fortalecimento do Centro, ao afirmar que “Nós vamos construir a sede própria do CEAD no Campus Petrônio Diretor do CEAD/UFPI, Prof. Dr. Gildásio Guedes, discursa em solenidade de posse. Secretário Estadual de Educação, Átila Lira e Reitor da UFPI, Prof. Dr. José de Arimatéia Dantas compõem a mesa.

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Portella, além de realizar reposição das vagas de professores e funcionários. Vamos trabalhar, Revista Interação ● Edição 8


junto com a diretoria do CEAD, para a ampliação da oferta

Lira informou que serão construídos mais 14 novos polos

nos municípios. Precisamos ampliar essa cobertura para

de Educação a Distância no Piauí, passando, então, de

dar oportunidade aos nossos piauienses de fazer um

30 para 44 polos de EaD implantados no Estado. Dos

curso superior”, ressaltou.

30 existentes, 14 estão aprovados pela Coordenação de

De acordo com o diretor do CEAD/UFPI, nos próximos meses a meta é investir nos polos, em parceria com a Seduc-PI, para a realização do próximo

dezembro de 2013, para todos os cursos oferecidos pelo CEAD/UFPI. “Vamos contar com o apoio do Governo do Estado, que é nosso principal parceiro, através da Seduc-PI; e de algumas prefeituras, para que possamos administrar os polos”, informou. Durante a solenidade de posse, o secretário Átila

e 16 ainda precisam da aprovação. Sobre a infraestrutura dos Polos, que é de

responsabilidade da Seduc-PI, o secretário Átila Lira reafirmou o compromisso da sua gestão em realizar a manutenção dos Polos e ampliar o número de laboratórios de apoio às graduações. “A Secretaria de Educação se compromete em resolver as deficiências verificadas nos 16 polos que ainda precisam ser aprovados Átila Lira (Secretário Estadual de Educação), Prof. Dr. José de Arimatéia pela Capes, para a Dantas (Reitor da UFPI); Prof. Dr. Gildásio Guedes (Diretor do CEAD/ UFPI); Prof. Dr. Milton da Silva (Vice-Diretor do CEAD/UFPI), em realização de vestibular”, solenidade de posse no CEAD/UFPI informa o Secretário.

vestibular, com previsão do lançamento do edital em outubro, e realização em

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)


Revista Interação - Edição 08 - Ano 6 nº 1/2013  

Nesta edição a Interação traz à você, leitor, matérias sobre a qualificação dos alunos CEAD/UFPI, bem como a Extensão Universitária da UFPI...

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