Page 84

res de posicionamento com GPS para identificar motoristas de transportadoras que usam um pequeno aparelho que envia um sinal de interferência para enganar o sistema de localização das empresas. As consequências podem ser desastrosas: vários serviços críticos, como as torres de controle de aeroportos, usam equipamentos de GPS. Depois de uma série de incidentes por causa da interferência do sinal, as autoridades estão dispostas a encontrar e prender os responsáveis. Uma das principais armas para combater os motoristas infratores é o smartphone. Durante a conferência do Instituto de Navegação, em Portland, nos Estados Unidos, o engenheiro Phil Ward propôs a criação do J911, um sistema que usa o GPS em celulares para encontrar quem comete esse tipo de delito. Vários telefones são capazes de identificar quando sinais de GPS estão sendo afogados por ruídos eletrônicos. Ward, que trabalha para a Navward GPS Consulting, quer adicionar um software que garanta que os smartphones enviem automaticamente dados para uma central de controle toda vez que isso for detectado. A central usa esses relatórios para determinar a localização de quem faz a interferência e avisa a polícia. Ward acredita que, com uma densidade de mil smartphones por quilômetro quadrado, levaria cerca de dez segundos para descobrir a localização de um aparelho de interferência em um raio de 40 metros. Não são apenas os telefones que podem transformar as pessoas em policiais cidadãos. Mario Gerla, cientista da computação da Universidade da Califórnia, quer usar os gadgets instalados em nossos carros para rastrear veículos suspeitos. Para isso, ele vai usar os serviços de navegação e conectividade sem fio, câmeras de vídeo usadas para estacionar e sistemas que evitam colisões, cada vez mais presentes nos veículos novos. Aí é só adicionar um mecanismo que reconhece placas, como os utilizados nas viaturas de polícia, e você tem o MobEyes. Na prática, o sistema coloca um policial dentro de cada automóvel. Ele tira fotos da placa de cada carro que

cruza seu caminho e coloca na imagem o horário e a localização onde isso aconteceu. Após um período predeterminado, há a troca da lista de placas armazenadas entre os veículos participantes do sistema em um raio de 100 metros. Em simulações em uma área de 2,4 quilômetros quadrados, Gerla descobriu que 300 veículos com MobEyes foram capazes de registrar todas as placas da região em poucos minutos.

CheIrO de mOrte As aplicações das redes cidadãs são inúmeras. Em Boston, nos Estados Unidos, motoristas terão à disposição um app chamado Street Bump. Ele usa o acelerômetro e o GPS do telefone para gravar a localização de um buraco toda vez que o carro passar por um e enviar os dados para a prefeitura, que aciona o serviço de reparo. Essas redes também podem ajudar a salvar vidas. O Cell-All é um sistema de vigilância ambiental que usa celulares para detectar no ar um produto químico nocivo à saúde. Isso serve para alertar sobre um acidente industrial ou, em casos mais drásticos, para um ataque com armas químicas. Desenvolvido pela agência de pesquisas em segurança interna dos Estados Unidos, o sistema foi criado para substituir os serviços de emergência como uma maneira mais rápida e confiável de pedir ajuda. Segundo a agência, o Cell-All salvaria vidas ao alertar rapidamente médicos e equipes de resgate a respeito de materiais perigosos. Com a vantagem de que o salvamento chegaria ao local já sabendo qual é o tipo de ameaça. “Detectores químicos já são utilizados em algumas cidades dos Estados Unidos, mas uma rede móvel seria mais efetiva e precisa”, afirma Stephen Dennis, gerente do projeto. Os primeiros testes do Cell-All aconteceram em setembro de 2011, em um cenário criado para parecer um quarto de hotel dentro do centro de treinamento dos bombeiros da cidade de Los Angeles. Monóxido de carbono foi liberado dentro do ambiente e um iPhone modificado soou um alar-

O Cell-All é um sistema de vigilância ambiental que usa celulares para detectar no ar um produto químico nocivo à saúde. Isso serve para alertar sobre um acidente industrial ou, em casos mais drásticos, para um ataque com armas químicas

86 / INFO Maio 2012

IN316_Artigo.indd 86

4/25/12 11:36:46 AM

MAI-316  

Revista INFO 316, de MAIO de 2012

Advertisement