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entre 5 de março e 1o de abril des-

te ano para enviar 418 mensagens para 96 destinatários e receber 1 253 e-mails de 230 contatos. Fiz 718 buscas no Google usando um iPad, um celular com Android e um PC com Windows para acessar o YouTube. Voltando no tempo, vejo que recorri ao buscador por 25 751 vezes, sendo 30% delas para procurar imagens, e que, em 16 de fevereiro de 2009, usei o Google Maps às 22h05 para escolher um hotel para as férias. Voltando ainda mais, vejo que comparei preços de um computador com processador Phenom 9 900, em 20 de março de 2008, às 15h51. Melhor parar por aqui. Esse exemplo é apenas uma amostra da quantidade de informações recolhidas pelos 60 serviços do Google que usamos quase diariamente e ver o quanto a empresa sabe sobre seus usuários. Armazenar uma biografia detalhada de nosso perfil virtual é a forma que o Google encontrou para oferecer, sem custos, serviços como Gmail, YouTube, Chrome, Docs, Maps e outras ferramentas úteis na web. Pela lógica do Google, o item mais valioso é o conhecimento dos hábitos de seus usuários. De pose desses dados, a venda de publicidade tornase mais eficaz e a empresa traça um perfil de seus milhões de consumidores que nenhum instituto seria capaz de fazer. Os esforços para criar uma experiência mais simples e intuitiva para a

propaganda exibida nos produtos do Google levam em conta o conteúdo de pesquisas atuais, do passado, cliques em anúncios, localização, histórico de visitas a outros sites, conteúdo de e-mails, posts clicados como +1 na rede Google+ e até apps instalados no celular. Dessa forma, é possível personalizar serviços, que "adivinham" o que queremos comprar ou com quem vamos falar antes mesmo de digitarmos uma palavra. Mas será que isso é bom? Você sabia que está sendo monitorado dessa forma e que concordou formalmente com isso? “Toda essa coleção de informações cria um ‘eu digital’ e muitas decisões sobre a vida podem ser tomadas com base nessa entidade: oportunidades de emprego, liberação de crédito e até o preço do seguro”, disse a INFO Bill Kerrigan, CEO da empresa de segurança Abine, criadora do Protected Search, ferramenta que esconde seus dados do Google.

Com um volume cada vez maior de dados sobre os hábitos dos usuários, a venda de publicidade se torna mais eficaz

Falhas de segurança, roubos de aparelhos ou de senhas, abusos por parte de autoridades e eventuais barbeiragens de sites , como o Google, podem deixar seus dados mais vulneráveis do que nunca. A privacidade do internauta abre-se ainda mais com o elo criado entre a rede social Google+ e os diversos serviços da empresa. Além das informações geradas pelos próprios usuários, tudo começa a ser relacionado com os dados de seus contatos. Diz sobre isso o CEO do Google, Larry Page, em carta aos acionistas: “Temos um Googler veterano aqui chamado Ben Smith. Acontece que ele não é o único Ben Smith do mundo. Hoje, é difícil para o Google encontrar o Ben certo para mim, pois existem muitas pessoas com perfis online e fotos que têm esse mesmo nome.” Continua Page: “O Google+ ajuda a resolver esse problema porque faz o buscador entender as pessoas e suas conexões, trazendo o Ben certo para mim, com links e fotos.” O risco de deixar tanta informação nas mãos de Google, Facebook e outros serviços web retomou a discussão sobre o trato e a propriedade do conteúdo que geramos ao usar a internet. Onde ele está armazenado? Como é usado? Quem pode acessá-lo? Esse conteúdo é mesmo apagado quando desejamos? Para tentar esclarecer essas dúvidas e oferecer mais transparência, Google, Facebook, Tumblr e Pinterest recentemente reformularam sua política de privacidade.

ReaçãO aO PINteRest Maior destaque entre as redes sociais em 2012, ao menos até agora, o Pinterest escorregou ao lidar com os dados de seus usuários e eclipsou uma história que até então era apenas de sucesso e crescimento vertiginoso. De acordo com a empresa de pesquisas ComScore, o Pinterest foi o site que mais rápido

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Revista INFO 316, de MAIO de 2012

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