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O Brasil e a segunda fase da internet Em PCs ou celulares, brasileiros usam as redes sociais como principal meio de informação e até para ganhar dinheiro

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o longo dos anos em que estive à frente das operações do Google no Brasil, sempre ouvi o Eric Schmidt (presidente do conselho) dizer que eu tinha o melhor emprego do mundo. Trabalhava numa empresa de tecnologia em franca expansão, num país que tinha tudo para decolar. Quando cheguei ao Facebook, Sheryl Sandberg, diretora de operações, apresentou-me aos demais executivos dizendo que poderíamos esperar momentos de grande crescimento na região. Na época, fevereiro do ano passado, a empresa já demonstrava entusiasmo em relação ao potencial local. Que o Brasil estava e permanece no radar desses grandes líderes, não tenho dúvida. Agora é o país que começa a mostrar que as apostas estavam certas. Dados concretos comprovam dia a dia o nosso progresso. Recentemente, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou a 23ª Pesquisa Anual de Recursos de Tecnologia da Informação. O estudo conclui que o Brasil atingiu o mesmo padrão de penetração de número de telefones que os Estados Unidos, com 1,5 telefone por brasileiro. No mundo da mobilidade, chegamos à incrível marca de 250 milhões de celulares.

Esse cenário de maior inclusão tecnológica será um dos principais vetores da disseminação das redes conectadas. Será por meio dos celulares que boa parte dos brasileiros irá navegar na internet pela primeira vez - e talvez muitos farão do acesso móvel seu principal meio de conexão. Também será pela navegação nas redes sociais que poderão se informar, já que se tornaram a porta de entrada da internet, seja por sua vocação inicial de relacionamento ou por adotarem a tendência, cada vez mais frequente, de fonte de informação.

sOcIal cOmmerce Já é comum ver usuários que fazem das redes sociais seu principal meio de informação, para acompanhar as notícias de jornais, revistas e mesmo comentários de amigos que os levam justamente a esse ecossistema completo de informação. O brasileiro já mostrou que também está amadurecendo para outras formas de uso das redes sociais. Está aprendendo que pode comprar itens por dentro da rede e também ganhar dinheiro no chamado comércio social, ou “social commerce”. Criada no fim do ano passado, a iniciativa do Magazine Luiza de permitir que os internautas criem uma loja virtual dentro do Facebook e ganhem

AlexAndre HoHAgen

comissões pelos produtos que vendem materializou a era digital das vendas diretas, popularizadas pelos modelos de Natura e Avon, que por ano movimentam mais de 20 bilhões de reais e empregam cerca de 3 milhões de pessoas. Esses exemplos ilustram como as redes estão se transformando em grandes aliados na segunda fase de crescimento da internet no Brasil, que hoje já soma 80 milhões de internautas. Todos os dias, milhares de usuários se conectam e iniciam sua “vida virtual” com a disposição de testar essas ferramentas novas. A velocidade de aceitação das novidades digitais cresceu e mostra que os brasileiros estão amadurecendo seus hábitos de navegação. Além de caminharmos para ser um país ultraconectado - ainda que pela adoção massiva de celulares - seguimos para um perfil mais versátil de uso da internet. Quando olhavam para o Brasil, Eric Schmidt e Sheryl Sandberg já visualizavam seu potencial de amadurecimento para o uso da internet. Talvez a resposta do mercado brasileiro esteja chegando mais rápido do que o esperado. ↙

Alexandre Hohagen, 44 anos, é vice-presidente do Facebook para América Latina. Antes, foi responsável pelas operações do Google na região e trabalhou no UOL e na HBO no Brasil.

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Revista INFO 316, de MAIO de 2012

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