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Edição 04 - Junho 2012


Sumário

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Entrevista

Jean Wyllys O deputado fala sobre a sua luta pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

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Em Foco

Lanna Holder e Rosania Rocha Comunidade Cidade de Refúgio Um novo referencial cristão.

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Perfil .................................... 10 Mercado .............................. 12 Saúde .................................. 14 Do Cool ao Cult ................... 16 Comportamento .................. 18 Psicanálise .......................... 28

Sexualidade

Sexualidade e o homem com lesão medular.

LGBT ................................... 30 Fetiche ................................. 32

www.revistaimpulso.com.br

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Editorial

S

abemos que o sucesso é fruto de um bom trabalho, somado a bons profissionais, dedicação e comprometimento. Após grande repercussão na última Erotika Fair, realizada em São Paulo (março/2012), com nosso Suplemento Especial impresso, a Revista Impulso foi motivada a prosseguir com o projeto que visa levar informação com qualidade e conteúdo ao público adulto e todo segmento erótico. Nesta edição estaremos apresentando “oficialmente” o trabalho de toda nossa equipe, assim como nossos parceiros e colaboradores. Traremos matérias interessantes, de caráter político-social, comportamental, saúde, mercado, entre outras. Cada uma delas mostrará a você leitor, uma visão de mundo com realidades e vivências diferentes. Assuntos nem sempre discutidos abertamente , por serem ora “proibidos”, ora desconhecidos da grande maioria. Que esta edição seja um convite a novas descobertas, novas idéias e ideais. Que você possa ser levado por novos caminhos que os façam descobrir novos horizontes, tendo como resposta a sabedoria e experiência. Boa Leitura! Waleria Albuquerque Diretora Geral

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Cartas Queremos ouvir a sua opinião. Mande a sua mensagem com críticas, comentários e sugestões sobre a revista. A Revista Impulso se reserva o direito de alterar, resumir, adaptar, sem alterar o conteúdo, ou não publicar qualquer texto.

Capa Edição de Arte: Ronaldo Ichi Foto: Gustavo Lima Divulgação / Assessoria de Imprensa

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Expediente Diretora Geral Waléria Albuquerque Executiva de Negócios Carol Assunção negocios@revistaimpulso.com.br Coordenador Editorial João Paulo Otsuka editorial@revistaimpulso.com.br Redator Bruno Fernandes Rolha redacao@revistaimpulso.com.br Fotógrafo / Designer Ronaldo Ichi fotografia@revistaimpulso.com.br Coordenador Comercial Relações Públicas Moisés Felipe de Araújo Costa publicidade@revistaimpulso.com.br Financeiro Luciana Albuquerque financeiro@revistaimpulso.com.br Colaboradores da Edição Cristiane Mendes Patrícia Cardoso Paula Pereira Ferrari Pedro Paulo Sammarco Antunes Ricardo Desidério Rose Villela Agradecimentos Cristiane Laurentino Cynthia Cybelli Hirata Gustavo Gomes Ingrid Briz Jeovan Santos Luka Lopes Maria José Araujo Petrola Rose Lima Shirley Macedo Thais Xavier Tiragem 10.000 exemplares Impressão Gráfica Neoband Redação Rua Padre Sabóia de Medeiros, 911 Vila Maria - São Paulo - SP Brasil - 02134-001 Tel.: +55 11 2901.8585 contato@revistaimpulso.com.br As matérias, os artigos e as colunas aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores. Todos os direitos são reservados.


Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Entrevista

Jean Wyllys Professor, Linguista e Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia. Deputado Federal pelo (PSOL-RJ), e integrante da frente parlamentar em defesa dos direitos LGBT. Em entrevista à Revista Impulso, ele fala sobre a sua luta pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. por João Paulo Otsuka

“Quero fazer bem esse mandato. Quero que seja significativo. Sou preocupado mais com as futuras gerações do que com as futuras eleições.”


Fotos: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Entrevista

Impulso: O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e equiparou a união estável homoafetiva à união estável de pessoas de sexo diferentes, porém o Judiciário reconheceu apenas a união estável e não o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O que é necessário para ter esse direito adquirido? Jean Wyllys: Existem duas figuras jurídicas para representar as relações conjugais, para instituir a entidade familiar e garantir a proteção do Estado: a união estável e ao casamento civil. Se você fizer um contrato de união estável, quando você quiser converter num casamento você pode fazer em qualquer momento, porque a lei garante isso. Para os homossexuais isso não existe ou não existia até a decisão. O Judiciário reconheceu a união estável e não o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A união estável (para homossexuais) não é acessada automaticamente. A pessoa não se junta à outra, vai ao cartório e reconhece a união estável. Muitos cartórios não aceitam isso sem que um advogado esteja presente. Tem de entrar com pedido na Justiça para o juiz conceder o reconhecimento e aí ter a união estável. Portanto, não é um direito. Só passa a ser um direito quando nós, do Congresso Nacional, fizermos dessa decisão uma lei. A única maneira de fazer uma lei é alterando a Constituição, no caso o artigo 226. Impulso: O senhor ofereceu no Congresso uma propos­ ta de emenda constitucional (PEC), para garantir a união 8

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estável e o casamento civil aos homossexuais. O que vai mudar com a aprovação da PEC? Jean Wyllys: O que muda é que a PEC vai garantir a união estável e o casamento civil aos homossexuais como um direito e não como uma decisão judicial que você precisa pleitear. Como expliquei, só passa a ser um direito quando nós, do Congresso Nacional, fizermos dessa decisão uma lei, o que só vai acontecer com uma alteração da Constituição. Nós homossexuais temos que nos contentar com uma sorte de gueto. Nós não temos que ficar com a união estável enquanto o restante da população tem direito ao casamento civil. Isso seria uma cidadania de segunda categoria. Os direitos ao casamento e à união estável estão reconhecidos no artigo 226º da Constituição Federal do Brasil: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 1º – O casamento é civil e gratuita a celebração. § 2º – O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (…). Se a PEC for aprovada, o novo texto do artigo 226º, parágrafos 1, 2 e 3, seria o seguinte:


Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 1.º O casamento é civil e é gratuita sua celebração. Ele será realizado entre duas pessoas e, em qualquer caso, terá os mesmos requisitos e efeitos, sejam os cônjuges do mesmo ou de diferente sexo. § 2.º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3.º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre duas pessoas, sejam do mesmo ou de diferente sexo, como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (…). Impulso: A campanha do Casamento Civil Igualitário foi oficialmente lançada no último dia 12 de abril. Como está a tramitação no Congresso, e quais as expectativas em relação a essa aprovação? Jean Wyllys: A PEC já conta com 103 assinaturas e, para ser apresentada no Congresso precisa de 171. Quase todos os partidos já assinaram a proposta, temos assinaturas de deputados de quase toda a bancada do PCdoB, e também do PT, PV, PMDB e até do DEM e do PSDB. Alguns partidos ainda não assinaram, como o PR, PP, PSC e PSD, mas precisamos começar insistindo com a bancada do PT, que historicamente foi um partido aberto para os movimentos sociais e em especial para as causas da comunidade LGBT. Não podemos esquecer que a senadora Marta Suplicy foi pioneira em trazer para o Congresso Nacional essa questão. Acredito que, com a campanha nacional de apoio à PEC, que já conta com a adesão de artistas de peso como Arlete Salles, Zélia Duncan, Ivan Lins, Wanessa, Mônica Martelli, Mariana Ximenes, Ney Matogrosso, MV Bill, Alexandre Nero, Gutta Stresser, Sérgio Loroza, Tuca Andrada, Cláudio Lins, Alexandra di Calafiori, Preta Gil, Maria Ribeiro, Fabíula Nascimento, Rita Ribeiro, Sandra de Sá, Jussara Silveira, Marian de Morais, Neville d’ Almeida, Luiz Carlos Lacerda, Robert Guimarães, Fabiana Cozza e Lan Lan, vamos conseguir fazer uma pressão de fora pra dentro e conseguir apresentar essa proposta ao Congresso Nacional. Impulso: Existe uma resistência muito grande por parte da bancada cristã no Congresso. Como ela reage a isso? Jean Wyllys: Tem uma resistência grande. Eles reagem de todo jeito, tentando sabotar essa pauta. Mas ela (bancada) é bem diversa. Diria que dentro da bancada cristã, temos os evangélicos e católicos favoráveis à cidadania LGBT, que são minoria. E a maioria de fundamentalista que é contrária. Não adianta você argumentar que ainda assim continuam fazendo oposição. Impulso: A manifestação de apoio de Barack Obama, no último dia 09, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, pode contribuir de forma positiva e agilizar o processo de aprovação da PEC no Brasil? Jean Wyllys: Sem dúvida, a declaração do presidente Oba-

ma marca o fim de uma época. Esse ato abre as portas para a legalização do casamento igualitário em nível federal na principal potência do mundo e as consequências políticas disso são incalculáveis. É importante ressaltar o fato de que o presidente Obama é o primeiro chefe de governo negro, filho de imigrante que sofreu racismo na pele e que propõe a liderar esse país no caminho do reconhecimento pleno dos direitos humanos das pessoas LGBT. Nós aprendemos muito com o processo nos países onde o casamento igualitário foi aprovado e o debate em cada um deles mostrou que, quando o tema deixa de ser silenciado, os argumentos contra a igualdade caem. Impulso: Além da PEC, o senhor tem outro projeto que prevê a regulamentação do trabalho de prostituição no Brasil. O senhor pode falar mais sobre ele? Jean Wyllys: O projeto de lei prevê medidas de combate à exploração sexual infantil e diferenciação jurídica de casos em que prostitutas viajam voluntariamente ao exterior para desenvolverem a atividade e de casos em que mulheres são atraídas e transformadas em escravas sexuais. O atual estágio normativo, que não reconhece os trabalhadores do sexo como profissionais é inconstitucional e acaba levando e mantendo esses profissionais no submundo, na marginalidade. Precisamos resgatá-los para o campo da licitude. O projeto está sendo elaborado.

Impulso: O senhor tem feito um trabalho muito impor­ tante e digno para a política do Brasil. O senhor pensa em reeleição? Jean Wyllys: Quero fazer bem esse mandato. Quero que seja significativo. Sou preocupado mais com as futuras gerações do que com as futuras eleições. Costumo dizer que estou deputado federal e não sou deputado federal. www.revistaimpulso.com.br

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Foto: Fabi Morelli

Perfil

“A comunicação é um dos pontos-chave para o sucesso e a Erotic Point tem credibilidade para lhe dar toda e qualquer orientação.” 10

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Trilhando o sucesso por Carol Assunção

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Erotic Point Importadora de Acessórios Eróticos desde 1996, se caracteriza por ser essencialmente uma criadora de conceitos a atuar na prestação de serviços, especializada na comercialização de produtos de conveniência erótica e terapêutica com outros valores agregados. Nesta matéria a empresária e diretora Waléria Albuquerque fala sobre o mercado e dá dicas de como montar a sua boutique erótica. Impulso: Quais são as primeiras responsabilidades que o empreendedor deve ter no início do seu negócio? Waléria: Primeiramente, deve-se analisar um bom ponto comercial, adequar-se ao imóvel fazendo uma possível obra, de preferência com um bom projeto arquitetônico. Para constituir a empresa desde o inicio, é indispensável procurar um bom contador. Recrutar de preferência um casal de colaboradores para atendimento ao público. Comprar móveis, equipamentos, insumos, instalação de software e pedido de produtos. Impulso: Como encontrar empresas que de fato são distribuidoras no mercado? Waléria: É importante fazer uma pesquisa na internet. Visite o showroom do distribuidor, certifique-se do tempo dele no mercado e se tiver oportunidade, busque referências até fora do país para se certificar que ele de fato é importador e distribuidor, pois existem várias empresas hoje intermediárias e você pode estar pagando mais caro um produto, ou até mesmo, estar adquirindo um produto falsificado por falta de informação. É de extrema importância, que a empresa em que você fizer o seu pedido te oriente de forma exata: quais produtos vendem em uma boutique erótica, quais são os produtos que vendem em sex shop, pois há uma diferença grande de público e perfil. Sem contar ainda, com o treinamento sobre produtos, esta etapa é primordial para que a sua loja tenha sucesso e credibilidade. Impulso: Quais são os melhores meios de divulga­ ção da marca? Waléria: Anúncios em revistas especializadas, promo-

ções oferecendo ao cliente algum serviço diferenciado ou produto específico, panfletos, assessoria de imprensa, marketing em mídias sociais. Impulso: Como comunicar ao mercado a inaugu­ ração da loja? Waléria: Faça um coquetel de inauguração, convide jornalistas e outros veículos de comunicação, isso irá gerar matéria. Encaminhe para a imprensa um press release para divulgar a inauguração do estabelecimento. Você deve ter muito cuidado com os aspectos de divulgação, uma nota mal dirigida ou mal interpretada podem trazer efeitos negativos. Impulso: Como devo divulgar minha loja virtual? Waléria: Antes de optar de fato pela montagem de uma loja virtual, consulte uma empresa de marketing digital para que seja feito um estudo de mercado, expondo a viabilidade disso e qual plataforma você irá usar. Muito cuidado com as empresas que vendem ou alugam plataforma, só uma empresa especializada em estudo de projetos pode dizer se é viável ou não entrar no mercado virtual. Impulso: Quais os riscos do negócio não dar certo? Waléria: O seu negócio pode dar errado, caso não tenha escolhido um bom ponto comercial, falta de suporte, por conflitos territoriais (lojas muito próximas), por falta de capital de giro, incapacidade na gestão. Desta forma, é de extrema importância procurar uma empresa que possa lhe orientar para o sucesso do seu negócio. A comunicação é um dos pontos-chave para o sucesso e a Erotic Point tem credibilidade para lhe dar toda e qualquer orientação.

Os acessórios eróticos são destinados ao público adulto. Não compartilhe seu acessório, utilize sempre lubrificantes e preservativos em suas relações sexuais. Maiores informações www.eroticpoint.com.br www.revistaimpulso.com.br

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Mercado por Bruno F. Rolha / Foto: Ronaldo Ichi

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Foto: Shutterstock

Saúde

Síndrome de Rokitansky

por Rose Villela

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dolescência é um período que vem acom- já menstruaram e eu não?”. Começa-se então a busca panhado da puberdade. É uma fase de várias por respostas. Depois de passar por inúmeras consultas descobertas, dentre elas a sexualidade é bem e vários exames, chega-se ao diagnóstico: SÍNDROME marcante, pois todo o corpo está em transfor- DE ROKITANSKY, o mundo desaba, a primeira coisa mação. Nos meninos os pelos aparecem, a voz começa que vem a cabeça da menina é: “por que justo comigo, e a mudar. Começam a ocorrer ereções espontâneas e o agora não posso ter filho, será que um dia eu vou poder direcionamento da orientação sexual, ou seja, o inter- transar?” E a culpa dilacerando o coração da mãe: “o que esse pelas meninas ou será que eu fiz de errado?”. meninos, de forma sexual Pois bem, vamos esclatambém. recer o que vem a ser esta ... o mundo desaba, a primeira As meninas também Síndrome de Rokitansky: coisa que vem a cabeça da passam por essa fase de é uma anomalia, apesar de menina é: “por que justo transformação, os pelos ter uma incidência baixa aparecem, os seios comede 1 para cada 4000 mil comigo, e agora não posso ter çam a desenvolver, o mulheres, constitui um filho, será que um dia eu vou quadril a arredondar, fora sério problema fisiológico, poder transar?” as crises de identidade, pois a menina que tem a conflitos psíquicos. Imasíndrome não poderá gergina passar por essa fase ar filhos, além de não cone neste momento descoseguir ter relação sexual brir que seu desenvolvimento não é tão “normal” quanto com penetração, pois não possui canal vaginal e nem se esperava, pois chega-se na fase da menarca (primeira útero, e quando o possui é de forma rudimentar, ou seja, menstruação) e ela não acontece. Veem os questiona- muito pequeno. Os aspectos psicossociais também são mentos: “o que está acontecendo, todas minhas amigas abalados, levando muitas vezes essas meninas ao isola14

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mento e em muitos casos à depressão. Os órgãos genitais externos são normais, não apresentando nenhuma anomalia, assim como os ovários funcionam normalmente, por isso que só se descobre na puberdade, momento esperado pela menarca. Até hoje não se sabe o motivo exato para esta síndrome ocorrer. Importante saber que é uma síndrome que tem solução. Pode-se reconstruir o canal vaginal, ou por cirurgia na qual cava-se um canal e a menina terá que usar um molde por um período até a cicatrização, ou com dilatadores, (neste caso tem que ter muita disciplina para ir introduzindo gradativamente vários tamanhos até se criar um canal). Depois de ter passado pelo processo (cirúrgico ou dilatadores) poderá ter relação sexual normalmente com penetração, as sensações são preservadas mesmo antes da cirurgia, pois a parte mais sensível da mulher é o clitóris. O que vai limitar é que não poderá gerar filhos no próprio útero, mas já sabemos de casos de barriga de aluguel, no qual é retirado o óvulo da mulher que tem a síndrome, o esperma do pai é introduzido em outro útero para gerar. Existem também muitos casos de adoção.

Quantas mulheres que não apresentam síndrome alguma partem para a reprodução ou barriga de aluguel por não conseguirem gerar de forma “natural” seus filhos? Esta síndrome, especificamente, tem solução, nada impede de ter uma vida como qualquer outra adolescente, estudar, namorar, trabalhar, viajar... Fundamental que seja acompanhada de psicoterapia e que tenha apoio dos pais para superar este problema. O momento certo para cirurgia deve ser estudado com cautela, pois muitas vezes a adolescente não tem maturidade suficiente para lidar com estas questões.

Rose Villela Psicóloga, com especialidade em sexualidade humana, terapia reichiana, tem formação em EMDR (técnica rápida de trabalhar com traumas) e é mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP. Coordenadora e professora do curso “Sexualidade Humana e Corpo em Movimento”, no Instituto Sedes Sapientiae. www.rosevillela.blogspot.com


Foto: Divulgação

Do Cool ao Cult

DJ Érika (Nathalia Dill), Nando (Luca Bianchi) e Lara (Lívia de Bueno), protagonizam a trama Paraísos Artificiais.

Uma história de amor e êxtase

por Redação

Em uma paradisíaca praia do Nordeste brasileiro, Shangri-La – um enorme festival de arte e cultura alternativa – é pano de fundo de experiências sensoriais intensas entre três distintos jovens contemporâneos: Nando (Luca Bianchi), a DJ Érika (Nathalia Dill) e sua melhor amiga Lara (Lívia de Bueno). Sem que percebam, como meras peças de um caótico jogo do destino, o encontro muda radicalmente suas vidas para sempre. Uma trama envolvente, em pleno boom da música eletrônica no Brasil, que apresenta uma comovente história de amor e superação, o envolvimento de jovens de classe média no tráfico internacional de entorpecentes, intensas celebrações, conflitos e destinos cruzados pelo tempo. Dos produtores de Tropa de Elite I e II, PARAÍSOS ARTIFICIAIS é um filme de Marcos Prado – premiado diretor de Estamira - e foi rodado em Amsterdam, no Recife e no Rio de Janeiro.


Prazer em dobro Cervejaria Devassa Bela Cintra oferece drink cortesia e presenteia clientes com vouchers no Dia dos Namorados

Foto: Divulgação

Guia

Em comemoração ao Dia dos Namorados (12/6), a Cervejaria Devassa Bela Cintra oferece como cortesia a todos os clientes que visitarem a casa no jantar um drink Sex On The Beach - Vodca, licor de pêssego, suco de laranja e xarope de groselha. Além disso, do dia 1º a 16 de junho, a cada R$80 consumidos em quaisquer produtos da casa, o cliente ganha um vale-desconto de 30% para compras no Sex Shop Lua Livre, na Av. Paulista *. Boas sugestões para serem divididas a dois são os novos pratos do menu como Sertão Melado - Queijo coalho à moda “Feira de São Cristóvão” com tomate e manjericão frescos acompanhado de melado de açúcar mascavo R$21,90 e o Camarão Bebum Camarões grelhados no azeite flambados no conhaque com azeitonas pretas e cubos de cebola R$52,90. Original do Rio de Janeiro e presente em sete estados brasileiros, a Cervejaria Devassa vem ganhando cada vez mais força no mercado paulista. A casa tem como destaque o chope cru artesanal e as cervejas a base de ingredientes importados, com consistência cremosa e sabor diferenciado.

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Sexualidade e erotismo na história do Brasil Casos saborosos narrados por uma das maiores historiadoras do país, Mary del Priore. Em Histórias Íntimas, ela mostra como a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo, influenciadas por questões políticas, econômicas e culturais, e passaram de um assunto a ser evitado a todo custo para um dos mais comentados nos dias de hoje. Titulo: Histórias íntimas – Sexualidade e erotismo na história do Brasil Autora: Mary Del Priore Editora: Planeta Paginas: 256

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Rua Bela Cintra, 1579 Capacidade do local: 180 lugares Tel. (11)3081-6081 Horário: Segunda a quarta das 12hs às 24hs. Quinta a sábado das 12hs à 1h. Feriados das 16hs às 23hs. Fecha aos domingos. Possui área para fumantes. Não é permitida rolha e nem vendem vinho em taça. Cartões de crédito e débito: Aceitam todos (com exceção de Amex). Tickets: Sim. Não aceitam cheques. Acesso para deficientes físicos e banheiro adaptado. Conexão wi-fi gratuita. Estacionamento com manobristas: R$20. Sex Shop Lua Livre Av. Paulista, 486 Loja 42 Shopping Veneza – Metrô Brigadeiro Tel. (11) 3141.2898 www.lualivre.com

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Comportamento

FASTLOVE

Os relacionamentos instantâneos

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por Ricardo Desidério

os últimos anos, os quesitos sensualidade – e em poucos instantes juram amor eterno e afirmam e erotismo têm se destacado, principal- ter conhecido o amor de suas vidas. Passam o longo mente na mídia. O amor aclamado, foto- do dia se falando, muitas vezes até se vendo através grafado, entrevistado, falsificado, que pa- de vídeos chamadas e chegam a esquecer do “mundo rece natural e evidente, é hoje, o tema da felicidade lá fora” – do real. E como num toque de mágica, no moderna – dos relacionamentos instantâneos. Neste final do dia todo esse sentimento simplesmente acaba, ensaio apresento uma pequena parte da discussão so- deleta-se do orkut, do facebook, apaga-se do celular e da bre o que eu chamo de fastlove – amor instantâneo da memória – é o fim – a morte diante da instantaneidade nossa atual cultura.¹ do amor virtual. Conhecer alguém, flertar, namorar, noivar, casar e E quando se trata dos relacionamentos virtuais nunconstituir uma família é então, uma trajetória típica ca se sabe ao certo quem está do outro lado. Confiar de um relacionamento antiquado para o nosso líquido ou não confiar? Mas a entrega é tão “real” que todos mundo moderno segundo Zygmunt Bauman. Hoje, os os envolvidos não se privam e muito menos se preocurelacionamentos virtuais surgem e desaparecem numa pam com isso, público e privado se tornam sinônimos velocidade incrível, onde podemos entrar e sair facilmente de um relacionamento. “As pessoas pela manhã Afinal, são fáceis de usar, compreender e manusear. E o melhor, podemos “deletar” conhecem o outro, trocam meia literalmente a hora que acharmos mais condúzias de palavras nos sites veniente. Isto é exatamente o que acontece de relacionamentos ... e em hoje com os jovens e porque não dizer também no mundo adulto. poucos instantes juram amor As pessoas pela manhã conhecem o oueterno e afirmam ter conhecido tro, trocam meia dúzia de palavras nos sites o amor de suas vidas.” de relacionamentos – e que são muitos hoje

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para aqueles que se dizem estar apaixonados, ou melhor, amando aquele que em menos de vinte e quatro horas foi apresentado virtualmente. A “afinidade” vai tomando espaço, a conversa se estende e o convite para ligar uma vídeo chamada acontece quase que intuitivamente. Muitas vezes a exposição inicial não aparece o rosto, lança-se o foco da imagem ao corpo que é exposto até se ter uma “confiança virtual”. Passa-se algum tempo e sua imagem, seu rosto, sua identidade está apresentada ao outro, ou aos outros, pois nunca se sabe se estamos sozinhos numa hora dessas. Se esta identidade, mesmo que virtual, agrada e se a recíproca é verdadeira, mantém-se a conversa, o batepapo. Caso contrário, independente de quem seja, deleta-se rapidamente sem ao menos se justificar, se expressar. Assim é o mundo virtual imerso em uma indústria cultural que utiliza-se de artimanhas para cativar e envolver as pessoas. Entre os artifícios utilizados pela indústria cultural para prender a atenção do espectador, o que mais se destaca é a exploração e o culto ao erotismo.

Sem dúvida, a “satisfação instantânea” é hoje o que “está na moda” e, somos levados e muitas vezes obrigados a conviver desta forma. Bauman afirma que se você investe numa relação, o lucro esperado é, em primeiro lugar e acima de tudo, a segurança – em muitos sentidos: a proximidade da mão amiga quando mais precisa dela, [...], a companhia na solidão [...]. Ele ainda faz um alerta de que quando se entra num relacionamento, as promessas de compromisso são irrelevantes a longo prazo. E será que fazer juras de lealdade ao que se acabou de “adquirir” realmente vale a pena? Ricardo Desidério Educador sexual e terapeuta holístico. Pedagogo. Mestre em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual de Maringá-PR. Organizador e coautor do livro “Mídia, Educação e Sexualidade” (2011). www.ricardodesiderio.com.br


Capa

Artistas brasileiros se engajam na luta pelo casamento civil igualitário

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omes do primeiro escalão de vários segmentos da sociedade abraçam pela primeira vez uma campanha em favor do casamento igualitário no Brasil. É a Campanha pelo Casamento Civil Igualitário, que reúne artistas, celebridades, políticos, intelectuais e formadores de opinião na luta pelos mesmos direitos com os mesmos nomes. A Campanha, apartidária e plural, foi criada para apoiar a proposta de emenda constitucional (PEC) do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) que busca igualar os direitos de todas e todos, garantindo o direito ao casamento civil aos brasileiros e brasileiras. A Campanha vem percorrendo o Brasil com o objetivo de acabar com a discriminação legal contra os casais do mesmo sexo – que tem 76 dos seus direitos civis negados por não poderem se casar – e fazer valer o princípio da igualdade perante a lei. “Fico muito feliz e lisonjeado em saber que a sociedade está abraçando essa causa, pois só teremos uma democracia verdadeira se a população tiver acesso aos mesmos direitos”, diz o deputado, lembrando que apesar de o STF já ter reconhecido a equiparação de uniões civis homoafetivas às uniões heterossexuais, ainda é necessário que os interessados recorram a justiça para isso. Segundo ele, em um país em que 90% da população não têm acesso à Justiça, esse direito não atende todos os cidadãos e cidadãs brasileiras.

A primeira ação desse movimento que promete mudar as leis desse país e garantir direitos civis aos casais do mesmo sexo aconteceu no dia 23 de abril, com o lançamento do novo site oficial da campanha, www.casamen­ tociviligualitario.com.br. Completamente renovado, com uma nova estética, novas funções e muita informação e interação, o site apresenta, diariamente teasers, informações, cenas de bastidores e muito mais sobre a campanha pelo casamento civil igualitário no Brasil e no mundo. Essas ações culminaram no lançamento oficial da Campanha, que aconteceu no dia 12 de abril, no Galeria Café, no Rio de Janeiro. Durante o evento foi lançado o vídeo oficial da Campanha pelo Casamento Civil Igualitário e também foi lido o abaixo-assinado com os nomes das diferentes personalidades públicas do Brasil que se manifestam a favor da igualdade. O evento contou com a participação de artistas, jornalistas e personalidades que participaram do vídeo, além de parlamentares, militantes e representantes da sociedade civil, O texto e os vídeos também estão disponíveis, no site da campanha. Se você tem um site, um blog, uma conta no Facebook, no Twitter, no G+ e em outras redes sociais, se você trabalha na mídia, participa de uma ONG e quer ajudar, entre no site e fique ligado. www.revistaimpulso.com.br

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Fotos: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Em Foco Comunidade Cidade de Refúgio

Um novo referencial

cristão por João Paulo Otsuka Colaboração: Felipe Costa

Em meio aos fundamentalistas de plantão, elas tem feito a diferença, acolhendo e evangelizando para todos os povos. Confira a entrevista concedida a redação da Revista Impulso. Pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha, fundadoras da Igreja Comunidade Cidade de Refúgio.

Impulso: O que é a Igreja Comunidade Cidade de Refúgio? Lanna Holder: A Comunidade Cidade de Refúgio é uma igreja que tem como base a Teologia Inclusiva e como sua única regra de fé e prática, a Bíblia Sagrada. Somos uma igreja que defende as escrituras, a razão, a experiência e a tradição, o quadrilátero da Teologia Paulina. Dessa forma, somos incumbidos de pregar o Evangelho sem acepção de pessoas, incluindo a todos e não excluindo ninguém. Nossa bandeira é o Senhor Jesus Cristo, o qual foi levantado por Deus para Salvação de todos os povos. Impulso: A igreja tem como base o conceito da Teologia Inclusiva? Lanna Holder: Somos a igreja de Cristo, vivenciamos a nossa regra de fé e prática baseada na Teologia Inclusiva, a qual não exclui o público homoafetivo, pelo contrário, uma igreja que tem a missão de incluir a todos, independente de sexo, gênero ou orientação sexual. Impulso: Qual a sua data de fundação? Lanna Holder:: A igreja foi oficialmente fundada em 03 de junho de 2011, a esta data atribuímos o seu nascimento. Impulso: Qual a missão e os objetivos da igreja? Lanna Holder:: A missão da igreja é única, desmistifi22

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car o mito de que os homossexuais não herdarão os céus. Fazê-los compreender que a Bíblia em sua mensagem de Salvação inclui a todos, nos fazendo compreender que somos chamados para servir a Deus em integridade, santidade, retidão e cárater, independente da orientação sexual de cada um, porque contra essas coisas não há lei. Impulso: Como tem sido o crescimento da Igreja desde a sua fundação? Lanna Holder: Não podemos dizer que crescemos rapidamente, nem lentamente, todavia seria injusto desconsiderar que em apenas um ano de existência temos galgado grande êxito nessa conquista. A Cidade de Refúgio não tem uma visão de crescimento apenas expansivo, mas a qualidade com que esse crescimento acontecerá, ou seja, trabalhamos para que o crescimento seja qualitativo e quantitativo, afinal de contas isso é visão do Reino de Deus. Considerando que somos uma Igreja Inclusiva, seguimos na direção contrária a todos os prognósticos de uma sociedade preconceituosa, adentrando em um âmbito religioso onde estamos cercados por fundamentalistas, e em meio a tudo isso não temos apenas sobrevivido, temos feito a diferença dentro de um novo referencial cristão de inclusão social e religiosa. Impulso: A Igreja é exclusiva aos homossexuais, ou


aberta ao público em geral? Lanna Holder: A Cidade de Refúgio nunca se permitiu rotular como uma igreja gay, ou seja, exclusiva para o público gay. Somos o que toda igreja cristã deveria ser, inclusiva, não no sentido contextual, mas literal. Toda igreja de Cristo deveria incluir a todos, porque foi para isso que Cristo veio, e foi esse Evangelho que Ele pregou e viveu; incluindo em sua época as mulheres, os escravos, os eunucos, enfim, a todos. Somos uma igreja para todos os povos, somos a Igreja de Cristo. Impulso: A senhora, bem como a pastora Rosania Rocha, já foram casadas em uniões heterossexuais. Como nasceu esse relacionamento, que hoje é conde­ nado por alguns evangélicos? Lanna Holder: Nos conhecemos em uma igreja da Grande Boston, a partir daí desenvolvemos uma amizade que foi se estreitando gradativamente. Ministerialmente éramos sempre convidadas a estar pregando e cantando na mesma igreja e nosso ministério passou a ser relacionado um ao outro. Quando descobrimos que estávamos nos envolvendo emocionalmente, buscamos fugir uma da outra, todavia sem sucesso. O que pra mim era uma reincidência, para Rosania era uma primeira vez. Decidimos sanar o caos já instalado sentimentalmente em nós, evidenciando os fatos para os nossos cônjuges na época. Em seguida vieram os escândalos e os divórcios. A caminhada de auto-aceitação foi longa, e só conseguimos idealizar uma possibilidade de vivermos nosso relacionamento sem culpa quando, após conhecermos a Teologia Inclusiva, fomos paulatinamente convencidas dessa graça que também nos alcançava. Impulso: Muitos líderes evangélicos criticam as pastoras, e vêem a homossexualidade como pecado ou possessão demoníaca, doença ou desvio de comporta­ mento. A igreja tem sofrido algum tipo de retaliação por parte dessas outras igrejas evangélicas tradicionais? Lanna Holder: A Cidade de Refúgio já nasceu sob o bombardeio dos fundamentalistas de plantão, que usam a letra para matar, e ainda induzem seus seguidores a fazer o mesmo, e o pior que o fazem ainda em nome de Deus, algo bem semelhante com a Santa Inquisição. As retaliações sobre nós vem de várias maneiras, por e-mail, telefonemas, cartas deixadas embaixo da porta de entrada da igreja, ou até mesmo com afrontas pessoais de pessoas que vão até a igreja somente para isso. Quanto a tudo isso, só lamentamos, e afirmamos que como cristãos inclusivos, temos tido muito mais tolerância em manifestar o amor de Deus do que estes tais. Sabíamos desde o início o que

enfrentaríamos, contudo a Obra não é nossa, nos foi confiada, mas o responsável por ela é Aquele que nos chamou, e Ele nos tem cuidado. Impulso: As pastoras ainda mantém ligação com algum segmento evangélico tradicional? Lanna Holder: Não... não mantemos nenhuma aliança com o evangélico tradicional, não porque não queremos. Temos sim, pastores que no anonimato, nos ligam e dizem estar juntos, pois sabem da nossa luta e da impossibilidade deles mesmos manterem pessoas como nós em seus castings de membros. Dizendo não saber tratálos, muitos deles nos encaminham, depois de muito lutar para “libertá-los”, e não obter nenhum resultado, apenas sofrimento. As pessoas estão interessadas em seguir Jesus, sendo quem são. Já recebemos ligações diversas de pastores, de várias igrejas em todo Brasil e no mundo, e como líderes, estamos sempre dispostas a acolher, e envolvê-los no rol de membros da Cidade de Refúgio! Impulso: Na igreja evangélica tradicional, a homos­ sexualidade assumida, faz com que pessoas sejam con­ vidadas pelo pastor a se retirarem da igreja. Isso con­ tribui para que sejam criadas igrejas inclusivas? Como essas pessoas são recebidas na Igreja Comunidade Ci­ dade de Refúgio? Lanna Holder: Devemos ressaltar que a pessoa homossexual, se sente totalmente fora do contexto das igrejas tradicionais, mesmo que queiram de coração permanecer. É difícil, na maioria das vezes é repugnada, convidada a se retirar, ou afastada do seu cargo dentro da igreja. Ela se sente vazia e sem rumo... Claro que isso contribui e muito para abertura de novas igrejas com Teologia Inclusiva, pois quem conhece a Jesus uma vez, viveu para Ele, independente, seja quem for, hetero, gay, trans, não vive mais sem Ele! A Cidade de Refúgio recebe, cuida, e prepara para que estas pessoas possam voltar a desenvolver o seu chamado no Senhor, com sinceridade e santidade. Comunidade Cidade de Refúgio Endereço: Av. São João, 1.600 – Santa Cecília (ao lado do metrô Santa Cecília) Horários dos cultos: quartas, sextas e sábados, a partir das 20 horas / domingo a partir das 18 horas Capacidade do templo: 350 pessoas

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Sexualidade

Sexualidade

e o homem com lesão medular por Paula Pereira Ferrari

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lesão medular é um problema crescente em nossa sociedade devido ao aumento da violência urbana e desrespeito às leis de trânsito. Dentre as sequelas mais comuns da lesão medular temos a paraplegia (paralisia total ou parcial dos membros inferiores) e a tetraplegia (paralisia total ou parcial dos membros superiores, inferiores e tronco), porém muitos homens apresentam uma queixa silenciosa e conflitante: a disfunção erétil. O controle da ereção, dentre outros mecanismos, é feito através de locais específicos na medula espinal, uma lesão medular pode afetar diretamente esse controle alterando a função sexual. A ereção masculina sempre foi sinônimo de virilidade e masculinidade. Ter algum tipo de disfunção erétil, de modo geral, mexe com a confiança e auto-estima de qualquer homem, sendo para o lesado medular mais um fator complicador, psicológico e social. Um estudo realizado em 2006, com 25 homens com lesão medular, mostrou que cerca de 32% afirmaram não apresentar uma

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ereção peniana eficaz e que este era um fator importante para insegurança e insatisfação durante o ato sexual. A maioria dos homens entrevistados sentiram que o desejo sexual diminuiu, bem como a qualidade do seu relacionamento com a parceira e acreditavam que a dificuldade em lidar com a disfunção erétil contribuía significativamente para tal fato. Torna-se interessante ressaltar que de todos os participantes da entrevista acima citada, somente 28% receberam algum acompanhamento profissional destinado à função sexual ou a sexualidade, sendo este um fato que possa ter influenciado negativamente na visão sobre a função sexual dos homens participantes. Diante deste fato é necessário rever conceitos sobre o sexo e sobre a própria sexualidade. Começar a compreender que o ato sexual é muito mais que somente penetração e que é possível vivenciar o prazer mesmo que de uma forma diferente anterior a lesão. Essa nova forma de prazer só é alcançada quando se estabelecem novos conceitos sobre o sexo e sobre si mesmo.

Reabilitar a função sexual da pessoa com lesão medular deve ser uma preocupação dos profissionais que atuam na área de reabilitação. Afinal, a satisfação sexual é um item extremamente importante para a tão buscada qualidade de vida. Alguns acessórios eróticos (como bombas, anéis penianos e vibradores) desempenham um papel importante na reabilitação sexual destes pacientes e quando bem indicados mostram resultados muito satisfatórios, contribuindo para a melhora do desempenho sexual. É preciso estar aberto a novas experiências e despir-se de preconceitos: o sexo e a sexualidade não precisam de barreiras! Paula Pereira Ferrari Fisioterapeuta, formada pela Universidade Nove de Julho, pós-graduada em Fisioterapia Neuro-Funcional pela Santa Casa de SP. Atualmente, trabalha na AACD (Unidade Moóca) com atendimentos voltados para a área de sexualidade e disfunção sexual do deficiente físico em especial do lesado medular.


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Psicanálise

Obra “O Aniversário”, de Marc Chagall (1915).

As relações amorosas no século XXI

O

amor sempre foi tema que despertou muito interesse. Há um vigor inerente ao apaixonado, por vezes acompanhado de sofrimento dilacerante. Será que “é impossível ser feliz sozinho” – como cantava Tom Jobim? Por que as relações amorosas, muitas vezes, não funcionam? Mesmo com toda evolução tecnológica em diversas áreas, existem muitas dúvidas acerca do progresso nas relações amorosas. Há uma busca incessante pelo outro que nos complete e nos ame porque não conhecemos uma relação inteiramente feliz e nem uma solidão autossuficiente. O criador da Psicanálise Sigmund Freud (1856-1939), deixou um patrimônio fundamental para compreensão da temática amorosa e erótica. Posteriormente Jacques Lacan (1901-1981) psicanalista francês, fez acréscimos importantes acerca das mudanças sócio-culturais e seus efeitos nas relações amorosas do século XXI. Em Psicanálise, o que se verifica, no aspecto teórico– clínico, é que o modo feminino de amar difere do modo masculino. Esta verdade não está necessariamente ligada, no campo do inconsciente, com a identidade de gênero mulher e homem. No século XII ocorreu em nossa civilização, um fato radicalmente novo nas parcerias entre homens e mulhe-

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por Cristiane Mendes

res. O sonho do amor eterno, que fazia pulsar o coração feminino, sustentado por um cavalheiro servil, que se curvava diante da sua deusa e proferia palavras de amor. Esta mulher amada, sempre inacessível para o homem, alcançou estatuto simbólico de realidade, a partir do advento da escrita literária. O sonho do amor eterno, até então ficcional, se tornou real!!

“Há uma busca incessante pelo outro que nos complete e nos ame porque não conhecemos uma relação inteiramente feliz e nem uma solidão autossuficiente. A aposta na crença deste sonho amoroso impulsionou, no último século, transformações no laço social. O feminino estabeleceu-se como motor fundamental nessas transformações. Instituiu-se, assim, um novo patamar na esfera dos relacionamentos, no qual, após a luta das mulheres para alcançar uma independência econômica, foi-lhes possibilitada a liberdade de escolha em sua parceria amorosa.


As mulheres empreenderam uma luta contra as tradições da família patriarcal que determinava regras nos laços do matrimônio. O pai, que até então era visto como juiz, cuja função era ordenar o destino das mulheres, passou a ser questionado no uso do seu poder. O feminismo desafiou a autoridade paterna. Começou-se um amplo debate acerca da emancipação feminina. Os valores e crenças impostos pela tradição cultural foram e continuam sendo questionados. A mulher, antes vista romanticamente como inacessível, tornou-se sujeito e não mero objeto do desejo masculino. Ficou poderosa e emancipada. O lindo amor começou a declinar à medida que as mulheres passam a ser reais e possíveis. Surge o casal contemporâneo: a mulher consciente de seu novo papel nas relações, acompanhada de um homem acuado, sem a necessária compreensão da dimensão desse novo formato de relacionamento. As mulheres “liberadas, independentes e capazes” se mostram descrentes em alcançar uma relação amorosa satisfatória. No entanto, este avanço cultural não fez calar a incessante demanda do amor feminino, que se dá na forma de um arrebatamento (...) “me ame, mais, mais, mais , mais e mais ainda”. Mas como ficou o homem, diante dessa demanda? O homem contemporâneo, pós-amor cortês, perde os antigos balizamentos. Ao ser colocado como desnecessário, tenta manter os anseios de ser amado por uma mulher. Os novos homens, muitas vezes, ao perceberem essas mudanças, encontram a saída de se colocar como apaziguadores do apelo amoroso da mulher. Ficam mais próximos, mudam o seu estilo de vestir, preocupam-se mais com o auto-cuidado: fazem ginástica, depilam-se, fazem as unhas, etc. Ouvem as opiniões de suas parceiras, participam nos afazeres da casa, cozinham, são presentes no cuidado com

os filhos, dentre outras coisas. Essas mudanças, no entanto, fazem o homem atual abrir mão de se colocar como alguém que possui uma potência viril, por entender que deve ficar distante do que antes era visto pelas feministas como atitudes machistas. O modo feminino de amar, agora existente na cultura, causou alterações importante nas relações amorosas da atualidade. Surge um novo modo de ser e de se fazer amar, que, no entanto, coloca o homem num grande dilema entre ocupar esse novo espaço que as novas relações delimitam, sem se descaracterizar como sujeito dessas mesmas relações. Assim, para que as relações amorosas atuais sejam satisfatórias, é preciso que cada um entenda o seu papel no relacionamento amoroso. Isso é possível quando nos conectamos com a nossa história. Essa sabedoria está em nosso inconsciente. O autoconhecimento faz com que encontremos respostas acerca do nosso modo mais singular de representar o feminino e masculino. A história dos nossos antepassados e as nossas ligações amorosas com as figuras parentais contribuem para que venhamos a direcionar as nossas próprias escolhas e desejos. Essa é a verdadeira emancipação para a Psicanálise, quando ressignificamos a nossa história e inauguramos novos modos de ser e de amar. Cristiane Mendes Psicanalista, Professora e Membro da Escola Brasileira de Psicanálise. Graduou-se em Psicologia em pós-graduouse em Saúde Pública na Universidade de São Paulo. Fez formação em Psicanálise na Clínica-Escola Oficina de Psicanálise Lacaniana. Atualmente Coordena o Núcleo Lacan de Psicanálise no qual pesquisa e realiza cursos sobre o Amor Feminino no Século XXI. Além disso, atende pacientes em seu consultório particular há 9 anos. Oferece cursos, seminários e grupos de estudos . Realiza consultoria em Psicanálise para escolas e hospitais. www.nucleolacandepsicanalise.com.br


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LGBT

Travestis

H

envelhecem?

á padrões estabelecidos que respondem a uma determinada forma de organização econômica e social. O que nos importa é saber qual é o impacto que as normas de gênero têm sobre as travestis que atravessam a vida e atingem a velhice. Seus corpos foram apropriados pelos saberes religiosos, jurídicos e científicos determinando como eles deveriam se comportar. Ao invés de viver o que pode um corpo, são pressionadas a viver o que “deve” um corpo. O trajeto que descreverei não tem a intenção de estabelecer uma regra. No entanto, diante da bibliografia especializada consultada e dos relatos obtidos, pôde-se perceber que os percursos e as dificuldades enfrentadas são parecidas para a grande maioria delas Desde pequenas, começam a perceber que não estão em um bom encontro em relação ao que é estabelecido. Conforme dados levantados e presentes em diversas passagens dessa dissertação, a exclusão da travesti já começa na família, justamente por não se adequarem as regras sociais. Podem até mesmo sofrer violência por parte de seus familiares. Acontece um mau encontro que diminui sua potência de agir. O próximo desafio vem na escola. O nome social

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por Pedro Paulo Sammarco Antunes

que elas desejam usar combinado com a aparência são elementos para que sejam rechaçadas na escola, tanto pelos colegas como professores e demais funcionários. Muitas relatam que por causa disso, não conseguem terminar os estudos. Ao mesmo tempo, saem de casa ou são expulsas, encontrando nas travestis mais velhas a referência para construir seu modo próprio de ser. Travestis mais experientes terão um papel importante na vida das mais novas. Ajudarão a construir os novos corpos, estilos de vestir e formas de ser das novas travestis. Devido à dificuldade de encontrar um emprego, por causa da aparência, aliada a baixa escolaridade, acabam se prostituindo para sobreviver. Precisam modelar seus corpos de forma quase que clandestina e arriscada, pois não contam com políticas públicas de saúde que as amparem. Isso exige altos investimentos, pois quanto menos considerado ambíguo e atraente for o corpo, menos discriminação e maiores os ganhos financeiros. A condição de seres patológicos que são colocadas facilita que a sociedade não as veja como humanas e sim como seres abjetas. Em sua maioria, são consideradas aberrações, sujeitas a tratamento, punição ou até mesmo extermínio. Desde cedo seu drama como não humanas já


começa e se arrasta até quando conseguirem sobreviver. As que conseguiram driblar os riscos inerentes ao contexto existencial de marginalidade, precisam adotar estratégias. Para isso, seguem um estilo próprio de existir. Não há como generalizar sua forma de lidar com as adversidades da vida. Cada uma terá seu jeito próprio. Além de ter sobrevivido, chegar à velhice é também sinônimo de referência, exemplo e alerta para as mais jovens. Ser travesti na atualidade não é o mesmo que ter sido travesti antes da década de 1960. Se um homem saísse na rua vestido de mulher, geralmente era preso. Não havia hormônios nem silicone. Porém, mesmo assim, muitas podiam ser travestis durante os bailes de carnaval. Outras se tornavam artistas, o que possibilitava que pudessem ser mais travestis em um contexto de artes cênicas. As prostituições eram veladas e sutis, conforme acompanhamos nos relatos de vida de duas de nossas entrevistadas. Após as revoluções sexuais ocorridas no final do século XX no mundo, os conceitos de família e gênero sofreram profundas transformações. A travesti passou a ter mais espaço. Saiu da clandestinidade e começou a se prostituir nas ruas dos grandes centros urbanos. Assim como os jogadores de futebol, muitas saíram de contextos socioeconômicos mais humildes. Como prostitutas, galgaram espaço nos grandes centros até chegarem ao exterior. Lá, precisavam ganhar muito dinheiro em curto espaço de tempo, para que pudessem ter um futuro. Quando não pudessem mais viver do corpo, já seriam consideradas velhas. Para as travestis o conceito de velhice está vinculado ao trabalho que desempenham como prostitutas. Enquanto trabalham são úteis, produtivas e, portanto jovens. Conhecer suas trajetórias de vida possibilita identificar quais são os pontos mais críticos onde não há qualquer amparo existencial. Elas são grandes improvisadoras, visto que não são reconhecidas como pessoas humanas. Precisam inventar suas vidas de forma original.

Como não “existem” perante a lei, estão sujeitas a todo tipo de violência e aniquilamento. Quem as defenderá? Essa pesquisa detectou que é preciso haver políticas públicas que as amparem, começando pela família e escola. Depois necessitarão de políticas de saúde que as auxiliem em seus processos de transformação corporal para que não tenham que se arriscar clandestinamente com silicone industrial e ingestão hormonal desregrada. Em seguida está outro grande desafio: sua profissão e meio de sobrevivência. Ocupações onde não precisem se arriscar a doenças e violências. E que se assim for, que seja por escolha e não por ser a única forma de sobreviver. Por fim, as políticas públicas continuarão amparando suas velhices, pois se adequarão às necessidades específicas de cada travesti que envelhece. Embora sujeitas aos mecanismos de controle, as políticas públicas dão reconhecimento e condição de existência para as travestis. Existir por meio de políticas públicas, as retira da situação de marginalidade e violência. Alegam que muitas vezes são violentas, para se defender da violência que sofrem por serem invisíveis. Vemos que o assunto é muito complexo e que há muito ainda a ser feito. Estou satisfeito com os resultados desse estudo, pois o primeiro passo já foi dado: começar a conhecer quem elas são. Trazendo-as a visibilidade, teremos melhores condições de traçar políticas específicas que as amparem desde tenra idade. Convido todos os pesquisadores interessados nesse assunto a continuar esse trabalho gratificante e desafiador. Pedro Paulo Sammarco Antunes Psicólogo e doutorando em Psicologia Social e mestre em Gerontologia (2010) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Obteve o título de pós-graduação lato-sensu em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2008). É colunista da revista G Magazine desde 2008.


Fetiche

Crossdresser

uma questão de gênero por Patrícia Cardoso

N

o Carnaval é comum encontrarmos homens travestidos de mulher, ou “montados”, como se diz atualmente. Alguns blocos carnavalescos assim se popularizaram e muitas pessoas consideram normal e divertido ver um “bigodudo” de colombina ou noiva grávida. Na festa do Rei Momo, quebrar os rígidos padrões de moralidade pode soar divertido e contagiante. Mas na vida real não funciona assim. Pessoas que rompem esses padrões como forma de expressão ou para a realização de fantasias são consideradas pervertidas e anormais e, fatalmente, serão discriminadas pela maioria. O que pouca gente sabe é que um CD ou Crossdresser (“vestir-se ao contrário”) não o faz porque é homossexual, nem tampouco transsexual. Seu comportamento quebra a rigidez do que é socialmente aceitável quanto à expressão dos gêneros masculino ou feminino no que se refere ao vestuário. Lembrando Pepeu Gomes na música Masculino e Feminino “Ser um homem feminino, não quebra o meu lado masculino”, esse pensamento talvez seja o grande diferencial de um Crossdresser, já que se apresenta ao público com o vestuário do sexo oposto ao seu sexo biológico sem, no entanto, perder sua masculinidade. Então um Crossdresser pode gostar de mulher? Sim, perfeitamente. Algumas CDs podem se descobrir transsexuais, mas muitos homens transgêneros se casam com mulheres e são ainda mais realizados quando aceitos por suas esposas. Quando isso acontece, eles contam com o apoio de uma S/O (Supportive other, ou supportive op-

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posite), ou seja, pessoa do sexo oposto que dá suporte ao CD. Se sua orientação sexual for hetero, o fato de gostar de se vestir de mulher não o fará sentir-se atraído sexualmente por homens. Concluindo: as práticas sexuais de um homem que se veste de mulher não estão diretamente relacionadas à prática Crossdressing, podendo ele ser heterossexual, bissexual, ou assexual. No que diz respeito à prática Crossdressing propriamente dita, ela também varia de acordo com a realidade de cada um. De forma ainda minoritária, alguns CDs saem literalmente do armário, andando pelas ruas sem se preocuparem com as convenções sociais. Mas outros, em sua maioria, por motivos profissionais ou por questões familiares, não tornam a prática pública e, por essa razão, procuram os espaços destinados para tal, ou eventos promovidos por instituições como o BCC – Brazilian Crossdresser Club, que completou recentemente 15 anos de existência. Em alguns casos, a intervenção ou mudança corporal acontece, levando a CD a buscar recursos que possam traduzir a sua feminilidade, como depilação, unhas postiças, maquiagem, saltos e meias calças, perucas e, quando se revelam transsexuais, recorrem às cirurgias feminilizantes ou hormonização. Nos dias atuais, os discursos voltados à construção de uma sociedade mais justa, democrática e que respeite as diferenças tem aberto espaço às minorias sociais, sobretudo aos estigmatizados, permeados de preconceitos e visões estereotipadas das pessoas, já que o modelo social esperado não corresponde aos seus atributos incomuns.


Mas, o que pode parecer um surto de modernidade nos dias atuais, apenas ressurge sob uma nova perspectiva, já que há relatos sobre essa prática na Antiguidade e Idade Média. No século VI, na China, foi composto o famoso poema narrativo chinês, Balada de Mulan. Nele, conta-se a história de uma jovem que se disfarça de guerreiro para ingressar no exército. Em nossa história, temos o exemplo de Maria Quitéria de Jesus ou Soldado Medeiros que, vestida como um homem, alistou-se no Regimento da Artilharia e tornouse heroína da Guerra da Independência. Casou-se e teve uma filha, não sem antes receber as honras de 1° Cadete. Considerada umas das precursoras do feminismo, George Sand era o pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin. Vestia smoking e fumava charuto, sendo a mais importante romancista francesa de sua época. Envolveu-se amorosamente com homens e mulheres, além de ser militante política. A prática Crossdressing tem sido amplamente retratada em filmes, peças teatrais e na literatura, além de despertar a investigação científica de quem se interessa pelo

estudo do comportamento sexual humano. Eliane Chermann Kogut, em sua tese de doutorado em Psicologia Clínica/PUC-SP, intitulada Crossdressing Masculino- Uma visão Psicanalítica da Sexualidade Crossdresser, resume bem essa lacuna, ainda latente em nossa sociedade, afinal continuamos sabendo bem pouco sobre o universo Crossdresser: “Por ora os crossdressers tem mais a nos ensinar, do que nós a eles. Mostram-nos que a diversidade de entrecruzamentos, de identidade e de identificações estão presentes nas mais variadas combinações e intensidades em todos os seres humanos. Além disso, vemos como os Crossdressers jogam por terra as nossas definições estritas sobre a sexualidade”.

Patricia Cardoso Mestre em Sexologia (2002), graduada em Letras..Pósgraduada em Gestão de Recursos Humanos. Docente do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Sexualidade Humana do IBMR/RJ. www.aflordapelesexologia.blogspot.com


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Revista Impulso 4ª Edição