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GOIÁS BATE RECORDE HISTÓRICO NAS EXPORTAÇÕES.

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ESTAMOS CONQUISTANDO O MUNDO. Goiás acaba de bater um importante recorde em suas exportações. Foram 384,4 milhões de dólares em março, somando quase US$ 800 milhões só nos 3 primeiros meses de 2010. As previsões são de que Goiás feche o ano com mais de 4 bilhões de dólares exportados. Este crescimento impressionante é resultado de um trabalho sério do governo do Estado, que através da Secretaria da Indústria e Comércio, vem oferecendo internacionalmente acordos e parcerias que têm resultado em novos e importantes negócios para Goiás. Só nos últimos meses, missões da SIC estiveram na China, Rússia, Leste Europeu (Polônia, República Tcheca, Ucrânia e Bielorrússia), Peru e Colômbia, gerando inúmeros negócios, tanto no intercâmbio de alta tecnologia quanto nas áreas da indústria e comércio. Um estado assim, capaz de conquistar países por todo o mundo, e de consistentemente melhorar a vida de sua população, só podia mesmo alcançar mais vitórias a cada novo dia.

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Índice Reportagem de Capa

Ao leitor

Ascensão de milhões de brasileiros às classes C e D revela características de consumidores com gostos e anseios diferenciados. Em contrapartida, é possível constatar a grande desigualdade social do país e a manutenção da grande distância entre ricos e pobres. Goiânia, considerada a cidade mais desigual da América Latina, é exemplo disso.

HOJE está atenta ao período de intensas transformações vividas pelo Brasil, um País com perversa distribuição de renda, mas de qualquer modo com alguns movimentos propensos a reverter essa realidade. A jornalista Janaina Gomes é autora da matéria de capa, centrada na ampliação de poder de compra de camadas tradicionalmente à margem. Várias outras matérias abordam temas diversos, sempre objetivando atender à expectativa de um número cada vez mais amplo de leitores e leitoras.

22 Entrevista

Colunas

Paulo Garcia

Primeiro Plano Valterli Guedes

Turismo Izabel Todeschini

Resenha Renato Dias

Auto Hoje Fabrício Oliveira

Urubuservando Carlos Brandão

Culturamix Carlos Pompeu

A revista do Centro-Oeste e Tocantins Editora Caraíba Ltda. CNPJ: 08629243/0001-03 Rua 261 nº 438 Setor Coimbra Goiânia-GO CEP 74.533-050 Fone: 62 3091-5959/Fax: 62 3293-1454 Administração: revista.hoje@yahoo.com.br Redação: redacao.hoje@yahoo.com.br

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06 Diretores Tarzan de Castro e Valterli Guedes

Design e Diagramação Gustavo Nascimento (gustavomorc@gmail.com)

Diretor administrativo-financeiro Joari Sousa Barreira

Colaboradores Aroldo Márcio, Pedro Guedes e Valterli Filho

Diretor de Projetos Especiais Eliezer Pena

Sucursal do Tocantins Maria Paula Bueno (marpaulabueno@hotmail.com) Sucursal de Brasília Adriana Ferraz (adriana@juridiconet.com.br) Sucursal de São Paulo (Capital) Maria de Fátima Vital (fatvital@gmail.com)

HOJE Editor-Geral Valterli Guedes (guedesvalterli@gmail.com) Edição Karla Rady (karlarady@gmail.com) Reportagens Janaina Gomes e Rhadá Costa

Impressão Gráfica e Editora Elite (62) 9106-7883 Tiragem: 20.000 exemplares


Acelera Tocantins

FICA

Demora das obras pode comprometer caravana

Em cartaz na Cidade de Goiás, a sétima arte do meio ambiente

Saúde

Esporte

Cirurgias hepáticas ganham adesivo como aliado

Rally do Fred: aventura pela solidariedade

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15 João Ribeiro

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Entretenimento

Campeão em recursos para o Tocantins

Caramaschi: o dono da noite

Arquitetura

Artigo

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Integração: palavrachave em projetos para a melhor idade

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Tarzan de Castro: Discriminalizar o aborto, já!

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SGPA

Registro

Presidente Luiz Humberto fala dos projetos da instituição

Editor-Geral da Revista HOJE é novo presidente da AGI

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Entrevista I Paulo Garcia

O bom senso em ação Paulo Garcia dá lição de equilíbrio, firmeza e dinamismo frente à Prefeitura de Goiânia

Valterli Guedes e Tarzan de Castro

N

ascido em Goiânia no dia 13 de maio de 1959, o médico e ex-deputado estadual Paulo de Siqueira Garcia (PT) assumiu as funções de prefeito de Goiânia em substituição ao titular de quem era vice, Iris Rezende Machado, que renunciou, desincompatibilizandose para a disputa do governo do Estado. A população da capital de Goiás, em poucos dias da nova administração já mostrase convencida de estarem os destinos da cidade entregues a um administrador equilibrado, sem estresse, capaz de ouvir as queixas e sugestões e de decidir com segurança e bom senso. Paulo Garcia tem longa militância política, sempre pelo PT, e na condição de líder de sua categoria profissional, tendo sido presidente da Unimed Goiânia, importante cooperativa de trabalho médico na qual ocupou diversas outras posições. O prefeito falou a HOJE com exclusividade. Os principais trechos de sua fala são os que seguem: HOJE – Paulo Garcia, Prefeito. O que muda na gestão da prefeitura? Paulo Garcia – Somente o prefeito. A gestão continua a mesma. Vou dar continuidade a todos os projetos do ex-prefeito Iris Rezende. Este é um governo de 11 partidos e todos têm responsabilidade com esta administração. Temos um plano de Governo, fomos eleitos para desenvolver um projeto importante para a cidade de Goiânia e é isso que estamos fazendo. No dia da posse, disse, inclusive, que não vou usurpar nenhuma obra ou projeto iniciado pelo ex-prefeito. Aliás, farei questão de, todas as vezes que uma obra for inaugurada, citar que aquela obra foi iniciada por decisão dele. É claro que, aos poucos, a gestão vai ganhando o meu estilo. Isso é natural. Mas espero somente que tenha o mesmo sucesso que a gestão dele. Todos aprovam o que Iris Rezende fez por Goiânia. Ele saiu da Prefeitura com uma aprovação invejável.

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HOJE – Haverá mudanças relevantes na equipe, ou apenas serão preenchidas as vagas decorrentes das desincompatibilizações? Paulo Garcia – Não fizemos nenhuma alteração significativa na equipe. Só preenchemos as vagas daqueles que se descompatibilizaram. Aliás, fizemos isso no primeiro dia útil do meu mandato. A equipe é boa e fez um grande trabalho com o ex-prefeito Iris Rezende. Quero muito que eles continuem me dando a honra de trabalharem comigo. HOJE – Qual será a grande marca da sua administração? Paulo Garcia – Vou continuar o grande trabalho iniciado pelo ex-prefeito Iris Rezende em todas as áreas: transporte, trânsito, meio ambiente, assistência social, habitação e outros. Mas quero dar atenção especial a dois setores: o primeiro é a saúde pública. Sou médico e, por isso, quero investir muito neste setor, continuando o grande trabalho de Iris; o segundo é a educação. Mas, quando digo educação, não estou dizendo somente a educação formal de diploma. Esta também. Aliás, quero que Goiânia seja, ao final da minha gestão, uma referência nacional na educação. Agora, quero muito investir na educação humana. Quero trabalhar o humano desta cidade, o relacionamento entre as pessoas. Educação ambiental, digital, tecnológica, no trânsito, na família... Enfim, no dia-a-dia. HOJE – Em que situação encontrou a Prefeitura? Existe algum gargalo ou tudo está bem? Paulo Garcia – Peguei uma cidade muito bem administrada. Se todos os políticos tivessem a oportunidade de pegar uma Prefeitura como estou pegando e fizessem o máximo por ela, como vocês podem ter certeza que farei, teríamos, em breve, uma das melhores cidades do Brasil, quem sabe do planeta. O Iris fez uma gestão, como disse, inigualável, avaliada positivamente por toda a cidade. É óbvio que não está tudo pronto. Temos de fazer muito mais, e vamos fazer. Agora, um dos grandes feitos do ex-prefeito foi não se omitir a nada. Ele teve coragem de assumir todas as responsabilidades de uma gestão e tomar as devidas decisões. A questão do transporte coletivo é uma delas. Ele, por exemplo, foi o único

prefeito, em seus dois momentos como prefeito de Goiânia, em 1966/69 e agora, a trabalhar pela melhoria do transporte coletivo, fazendo licitação e exigindo das empresas melhorias significativas. HOJE – Que idéias o senhor tem para a melhoria do trânsito, alvo de tantas críticas? Paulo Garcia – Este é um problema de todas as grandes cidades brasileiras e mundiais. Não é um problema somente de Goiânia. Mas temos de trabalhar em três focos para resolver ou, pelo menos, amenizar esta questão: o primeiro é, como disse, a conscientização cidadã. Nós, goianienses, precisamos

“Quero dar atenção especial a dois setores: a saúde pública e a educação” nos respeitar mais no trânsito, respeitando a sinalização e o próximo como ser humano, e não como máquina; o segundo diz respeito à engenharia de trânsito e às obras estruturantes. Temos de realizar as mudanças necessárias para que tenhamos uma cidade com trânsito mais rápido e eficiente. Para isso, podemos utilizar várias tecnologias e ações como onda verde, alargamento de ruas, implantação de viadutos e outras. A última está ligada à questão da conscientização, mas é bem específica. Com o crescimento demográfico e o problema de mobilidade urbana, temos de valorizar mais o coletivo em detrimento do individual. Assim, temos de investir em transporte coletivo e trabalhar para que, num futuro próximo, e com um transporte eficaz, as pessoas passem a usar mais este tipo de locomoção. HOJE – O que o senhor acha da realiza-

ção de estudos que visam à implantação do metrô de Goiânia? Paulo Garcia – Sou a favor da implantação de veículos leves sobre pneus ou sobre trilhos. O Eixo Anhanguera já é uma espécie de veículo leve sobre pneus, mas várias alterações são necessárias para que isso seja uma realidade. Este é um raciocínio diferenciado do que tem sido feito porque foge à lógica de que temos de ter aquele metrô tradicional estilo subway. Nem os grandes organismos internacionais estão financiando mais esse tipo de projeto. Ele custa muito caro e quem paga é a população. Agora, a proposta de veículo leve sobre trilhos ou rodas é uma realidade mais próxima da nossa e com avanços significativos. Nesta proposta, teríamos a possibilidade de dar prioridade para os veículos coletivos. Uma ideia interessante que vimos em Bogotá, na Colômbia, e já estamos testando aqui em alguns ônibus, é a de implantação de sensores que emitem sinais para os semáforos e eles automaticamente se fecham para as vias transversais, abrindo para que os ônibus possam passar. Isso garante uma velocidade maior destes veículos e a população é a maior beneficiada. Entrei em contato com a assessoria do governador e solicitei uma audiência para que possamos analisar melhor esta questão e, em seguida, apresentarmos, juntos, várias medidas que visam à melhoria do transporte coletivo da nossa cidade. Esta é uma questão a qual tenho dado a maior atenção. Já tivemos inúmeros avanços iniciados pelo ex-prefeito, mas precisamos dar continuidade àquilo que ele iniciou, apresentando inclusive novas sugestões. HOJE – Seu relacionamento com os vereadores é motivo de preocupação? Ou acha que a harmonia entre o Executivo e Legislativo está assegurada? Paulo Garcia – Tenho um bom relacionamento com todos os vereadores. Já fui deputado estadual e sei da importância do poder legislativo para uma cidade, estado ou até mesmo em nível federal. Os poderes precisam ter um relacionamento independente e harmônico. Não farei ingerência e nem permitirei que o respeito aos poderes seja atingido. Na semana seguinte à minha posse, fiz questão de chamar os vereadores e estabelecer um contato cordial com todos. Não farei Maio de 2010 - Hoje | 7


Entrevista I Paulo Garcia privilégios e muito menos compactuarei com qualquer ação que vise prejudicar o cidadão. Se é para o bem da cidade e para o desenvolvimento da nossa sociedade, eu serei parceiro fidedigno. Na Câmara, temos representantes de todos os setores da sociedade. Ali está a representação de todos os goianienses e os vereadores que foram eleitos pelo povo merecem o meu respeito e a minha atenção. HOJE – Quanto aos mutirões: eles terão continuidade, nos mesmos moldes? Paulo Garcia – Já começaram inclusive. O Mutirão que tivemos na região Norte foi sucesso total. Não tenho dúvidas de que esta era uma grande ação da administração do ex-prefeito Iris e que tenho de dar continuidade. O Mutirão leva a Prefeitura para mais perto do povo, faz com que o povo possa resolver problemas que, provavelmente, tivesse muita dificuldade em resolver se não realizássemos o Mutirão. Ele vai além do nosso trabalho diário e faz com que o poder público possa atentar para questões fáceis de resolver e que fazem muita diferença para a população. Brinco que usurparei mais essa ideia do ex-prefeito. Ele é um grande administrador e sabe o que é bom para o povo. Por isso, não tenho dúvidas em manter esse projeto nos moldes em que era antes. Se pudesse, até faria Mutirão todas as semanas. Só não faço isso porque precisamos de um espaço para planejar e organizar o Mutirão seguinte. HOJE – Até o final de 2012, que projetos serão concretizados por sua administração nas áreas de infraestrutura, habitação, saúde, meio ambiente, entre outras? Paulo Garcia – Existem muito projetos. Não quero trabalhar de forma setorizada. Atuarei em todos os campos da vida da cidade e farei com que todas as pastas tenham um trabalho conjunto. Falo isso porque um setor interfere em outro. Se fazemos um CMEI que é de responsabilidade da Secretaria de Educação, ele afetará positivamente o trabalho da Secretaria de Assistência Social, porque essas crianças terão oportunidades. Se realizamos uma medida positiva no trânsito, ela ajudará no transporte coletivo. Portanto, tudo é interligado. Quero muito esse trabalho conjunto para realizarmos obras importantes

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de viadutos, construção de casas, parques, escolas, CMEIs, terminais de ônibus, estações digitais, construção e término de vias importantes... Enfim, quero que esta administração continue realizando muito. Vou trabalhar também para que obras de responsabilidade do Governo Federal, como o aeroporto e o Anel Viário, saiam do papel. Vocês não precisam ter dúvidas. Farei, e muito, por nossa cidade. E não farei somente na parte de infraestrutura, não. Farei muito também pela humanização da cidade. Trabalharei junto com as áreas afins na formação permanente para que tenhamos uma cidade mais humana, solidária e respeitosa. HOJE – Seu engajamento na campanha eleitoral vai acontecer? Como isso será? Paulo Garcia – O sucesso da administração refletirá muito na campanha e

“Trabalharei junto com as áreas afins para uma cidade mais humana, solidária e respeitosa” também no meu partido. Então, o que mais tenho de fazer neste período em que estou aqui na Prefeitura é me dedicar, ao máximo, à administração para que as pessoas entendam que o nosso projeto que está dando certo em Goiânia e no Brasil também dará certo no Estado. A melhor maneira de ajudar o Iris e o meu partido é fazer mais e melhor por nossa cidade. Agora, é óbvio que sou eleitor e sei o que é melhor para o nosso Estado. Por isso, não tenham dúvidas de que trabalharei dia e noite para que Iris Rezende seja eleito governador. Aliás, se já temos uma administração de sucesso, aprovada pela maioria da população, quando Iris se tornar governador, este sucesso

tomará proporções ainda maiores. Ele próprio já disse que fará por Goiânia em um ano o que ele não conseguiria fazer em três anos aqui na Prefeitura. Com isso, não restam dúvidas de que como prefeito desta cidade, preciso muito de Iris como governador. Ele é o melhor nome para todos nós. HOJE – Seu partido, o PT, tem vários segmentos. Todos eles estão, ou serão contemplados com cargos na administração? Paulo Garcia – O partido tem as suas tendências, mas ele é um todo. Por isso, posso dizer que o PT já se sente contemplado. O prefeito é do PT, alguns secretários são do PT e diversos servidores também são do PT. Para quê mais contemplação do que esta? Agora, uma coisa quero deixar claro: o PT não vive por cargos. Muito pelo contrário, o PT se tornou um partido grande e chegou à presidência da República com muitos de seus membros sem cargos relevantes. O que o PT quer, e ele tem este espaço, é poder implantar as suas propostas, os seus anseios e suas lutas. Então, não somente o PT, mas todos os partidos que fizeram parte da eleição estão tendo esta oportunidade. Todos ajudaram a criar uma proposta de Governo e ela contempla as bandeiras de todos. É óbvio que este é um processo sine qua non, ou seja, uma condição: se um partido ajudou a elaborar uma proposta, ajudou a apresentá-la para a sociedade e essa proposta foi vitoriosa, este mesmo partido tem de ajudar a colocá-la em prática indicando nomes competentes para desenvolvê-la em determinada pasta. E é isso que está acontecendo hoje. Reafirmo: o PT está mais unido do que alguns podem imaginar e este mesmo PT, em seu conjunto, está efetivamente compromissado com Goiânia na administração municipal. HOJE – O PT deve indicar o vice de Iris Rezende? Deve ter candidato ao Senado? Enfim: sugira os nomes a seu ver ideais para a composição da chapa. Paulo Garcia – Esta é uma questão que diz respeito à direção partidária. Sou muito orgânico dentro do partido e, por isso, prefiro que o meu presidente Valdi Camárcio responda sobre isso. No entanto, quero pontuar duas coisas: a primeira já disse, vou ajudar o meu partido


fazendo muito por nossa cidade. É assim que vou contribuir com o PT; a segunda é uma pré-definição nossa. Quando aprovamos apoio à candidatura de Iris, definimos também que faríamos parte da chapa majoritária, seja na vice, em uma das vagas de senatoria ou até mesmo nas suplências. Então, é para isso que trabalhamos. O que o PT quer é unir o bloco de apoio do presidente Lula e implantar em Goiás o mesmo modelo de desenvolvimento que o Brasil está tendo. E pela grandeza desse projeto, pelo apoio que temos da população, sem nenhuma prepotência e arrogância, posso afirmar que vamos eleger aqui em Goiás o próximo governador do Estado. Sinto isso nas ruas. O povo quer que Goiás avance mais, quer que nosso Estado não tenha endividamento e nem problemas administrativos como vem passando nesses últimos anos. HOJE – Como vê a pré-candidatura do ex-prefeito Vanderlan Cardoso ao Governo? Tem simpatia por essa candidatura? Paulo Garcia – Ainda acredito na união da base do Governo Lula para uma eleição em Goiás. Meu partido trabalha para isso. O Vanderlan faz parte desta base e, por isso, com todo o respeito, trabalho para que ele esteja conosco. Agora, não posso deixar de dizer que temos um nome viável para a cabeça de chapa que é o ex-prefeito Iris Rezende. Ele tem aprovação da população, está liderando pesquisas e já fez muito por nosso Estado. O Iris é hoje o nome que mais nos representa lá fora e aqui dentro do Estado. Ele já esteve em quase todos os cargos no organograma da República, só não foi presidente. Ele é ágil, atento, madrugador, competente, responsável, humano e tem o carisma do povo. Este é o nome que qualquer chapa queria ter para disputar o Governo. Quero muito que o PP, o PR e outros partidos que apoiam o presidente Lula estejam conosco neste projeto, e acredito que essa possibilidade ainda não foi esgotada. HOJE – O que espera do governo Alcides Rodrigues? Parcerias? Algum projeto comum? Paulo Garcia – Tenho um carinho especial pelo governador. Já pude, inclusive, externar isso pessoalmente a ele. Posso

dizer, por exemplo, que ele foi fiel ao povo. Foi capaz de não se calar diante das injustiças que fizeram contra o Estado de Goiás. Ele, independente de acordos políticos e pessoais, foi capaz de denunciar o rombo que fizeram. E mais que isso. Ele foi capaz de se sacrificar na gestão pública para tentar corrigir este problema que deixaram estourar em suas mãos. Do ponto de vista administrativo, apesar de o mandato dele estar no último ano, ainda acho que é possível estabelecer algumas parcerias. HOJE – O que reivindica, ou espera de especial, do governo federal? Paulo Garcia – O governo Lula fez muito pelo Brasil e, consequentemente, por Goiás. E é por isso que não tenho dúvidas de que poderei contar com recursos federais. Já pedi para a minha equipe elaborar diversos projetos para que possamos apresentar e solicitar parcerias. Mas daremos somente continuidade a este processo. O presidente Lula gosta muito do ex-prefeito Iris Rezende. Então, Goiânia já era e, com certeza, continuará sendo muito bem tratada na esfera federal. Agora, quero atuar bastante, e já falei com os nossos deputados federais, no sentido de resolver os entraves para o término do Anel Viário e para a construção do novo Aeroporto. Essa é uma das minhas principais bandeiras junto ao presidente Lula. HOJE – Dilma Rousseff é a candidata ideal? Por que? Paulo Garcia – Claro que sim. Ela é a candidata deste governo vitorioso. Ela está há algum tempo nesta administração em nível federal e conhece tudo. Quase todas as ações positivas que estão acontecendo no País aconteceram por causa do Lula e dela. Como ela mesma disse, o Lula era o pai dos grandes projetos e ela era a mãe. Ela era aquela que olhava e que cuidava com carinho enquanto o pai estava ocupado em outros afazeres. Não tenho dúvidas de que o Brasil terá, em breve, a primeira mulher eleita presidente da República. Hoje, vivemos praticamente em outro País. Antes, tínhamos dívida externa e interna, risco país, dependência do FMI, BRs sem condições de uso, desemprego, crises e mais crises econômicas, pessoas passando fome, pessoas sem moradia, nenhuma expec-

tativa de reconhecimento internacional. Enfim... Mudou tudo. Um desavisado que por algum acontecimento vivesse aqui antes, passasse um período fora e chegasse novamente, não iria acreditar que aqui é o Brasil. O Lula fez uma verdadeira revolução silenciosa no País e, para isso continuar, temos de eleger Iris governador e Dilma presidente. Maio de 2010 - Hoje | 9


P rimeiro P l ano

Aquele tiro Durante conversa com o ex-governador Ary Valadão, presente o advogado e ex-ministro Castro Filho, fui direto ao assunto: – Dr. Ary, quem atirou, em 1964, no carro do capitão Aníbal de Carvalho Coutinho?”– “Aquilo saiu da minha cabeça. Andei cometendo um terrorismozinho naquela época”. O capitão, já falecido, pertencia à ativa do Exército e era um ativista visando à derrubada do então governador Mauro Borges, o que acabou acontecendo em 26 de dezembro de 1964, data da intervenção federal, a única em uma unidade da Federação durante toda a ditadura (1964/1985). O tiro visou complicar a vida de MB.

Palavra de Juquinha José Francisco das Neves, o Juquinha presidente da Valec, disse-me que os trilhos da ferrovia Norte-Sul chegarão a Anápolis “até dezembro”. Todo mês, de helicóptero, Juquinha visita as quase 10 frentes de obras. Trabalha 15 horas por dia e seu entusiasmo é tanto que dispensou até uma candidatura ao Senado pelo Tocantins, com 100% de chance de vitória.

A equipe de planejamento do pré-candidato Marconi Perillo (que, quando governador, entre outros programas instituiu o cheque moradia) cogita criar o “cheque-muro”. A proposta, no momento e tendo em vista a indecisão do DEM, que oscila entre Marconi, Vanderlan e Iris, soa como fina ironia. Não seria uma homenagem?

Ronaldo Caiado tem evoluído sob o ponto de vista democrático. Garante que o DEM ouvirá seus prefeitos, dirigentes de diretórios municipais, entre outros líderes, sobre quem apoiar para governador. Longe, portanto, daquele antigo líder da UDR, que numa entrevista, declarou: “Democracia boa era antes, com os generais no poder; fazíamos o que bem entendíamos e ficava por isso mesmo”. Então, evoluiu. Não ao ponto de consultar as bases, também, quanto à melhor data para a convenção. Aí quem define é o próprio Ronaldo, que dita: “A decisão será às 23h50 minutos do dia 30 de junho”. Ou seja, 10 minutos antes do fim do período previsto em lei para as convenções partidárias.

A senadora Lúcia Vânia (PSDB), respeitada por seu trabalho intenso e pelos bons projetos apresentados, é conside10 | Hoje - Maio de 2010

Andei de automóvel há poucos dias de Iporá a Piranhas. Há muito buraco na rodovia, a exemplo de outros trechos, como entre Faina e Mozarlândia. Se existir recurso (ninguém duvida da intenção), o período propício para a restauração é este, dado à ausência de chuvas.

Com carinho

O democrata Caiado

Lúcia Vânia

Iporá Piranhas

rada nome certo para a disputa da reeleição, compondo a chapa do governadoriável Marconi Perillo. O nome de Lúcia tem forte apelo popular e entre os líderes municipais, a exemplo dos cerca de

Atrás do prejuízo Depois de assumir a coordenação da Nova Frente, cujo pré-candidato a governador de Goiás é o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PR), o ex-deputado Barbosa Neto (PSD) deu um passo atrás. Agora, diz, vai consultar as bases de seu partido sobre quem apoiar para o governo. Como bom socialista, vai compartilhar essa responsabilidade com seus pares.

80 prefeitos e centenas de vereadores e de dirigentes partidários.Contando com um nome tão representativo, buscar alternativas numa lista telefônica seria projetar uma anticampanha.


Plano

Darci aposta em Mourão Pré-candidato a deputado federal, Darci Coelho (PT), ex vice-governador do Tocantins, disse-me que “a candidatura de Paulo Mourão (PT) ao governo tocantinense é irreversível”. Mourão foi prefeito de

Porto Nacional e representou o Tocantins na Câmara dos Deputados. Tem o apoio do prefeito Raul Filho (PT) e trabalha na montagem da chapa, que além do pré-candidato ao governo, definiu somente um pré-candidato ao Senado, Sady Cassol (PT). A

Orgulho tocantinense Para quem, como eu, percorreu todo o Tocantins antes da criação do Estado, é prazeroso ouvir de um caminhoneiro que anda o Brasil de Norte a Sul: “As melhores rodovias do Brasil são as do Tocantins”. Ou seja, o Tocantins deu certo.

O sonho de cada qual Em Goiás, os três principais pré-candidatos ao governo tem o sonho da vitória em outubro. Para concretizá-lo, nesta etapa cada qual cultiva seu sonho particular, a saber: Marconi Perillo (PSDB) Sonha com a reunificação das antigas bases que um dia se autodenominavam “Tempo Novo” e, unidas, por duas vezes o elegeram governador (1998 e 2002).

de toda a base lulista (apoiadores do governo Lula da Silva). Vanderlan Cardoso (PR) Atingir dois dígidos nas pesquisas até final de junho, para viabilizar-se como alternativa.

Iris Rezende (PMDB) Ser o candidato único

Iris Rezende

Vanderlan Cardoso

Marconi Perillo

vice-governadoria e a outra vaga do Senado estão em aberto, “para negociação”, diz Darci, acrescentando: “Estão em aberto também as chapas proporcionais” (para deputados estaduais e federais).

Os apoiadores de Paulo Mourão ao governo do Tocantins são puro entusiasmo. Até já têm em estágio avançado a elaboração de um plano de desenvolvimento econômico/ social para o Estado. O plano, segundo Darci Coelho, está sendo debatido com a sociedade em 20 encontros regionais.

Póvoa Mendes Rebebi, com pesar, a notícia do falecimento do médico e político José Póvoa Mendes, ocorrida em Rio Verde, onde morava desde 1964. Nascido na antiga Vila Boa de Goiás há quase 90 anos, Póvoa Mendes formou-se em Medicina no Rio, voltou à sua terra natal, onde foi vereador, presidente da Câmara Municipal, diretor do colégio estadual “Prof. Alcide Jubé” e co-fundador (juntamente com Adircélio de Moraes e João Leite Neto), do jornal “Tribuna de Goiás”. Perseguido em 1964 (foi preso no antigo Cepaigo por ordem do correligionário governador Mauro Borges), depois transferiu-se para Rio Verde, continuando ali sua atuação como médico e político. Foi uma figura de grande valor.

Rompimento No Mato Grosso do Sul o senador Walter Pereira (PMDB) rompeu politicamente com o governador André Pulccinelli (PMDB). Diz que o governador usou a máquina administrativa para preteri-lo, em favor do deputado Waldemar Moka, na disputa da cadeira que atualmente ocupa.

Otimismo Na coordenação da pré-candidatura de Iris Rezende ao governo goiano há otimismo, e muito. Pesquisas não divulgadas apontam empate técnico entre Iris e Marconi (PSDB). O que, considera-se, é bom sinal, pois Iris há cinco anos não vai ao interior. Já as pesquisas qualitativas dizem que existe uma aspiração de boa parte dos goianos: ter um”gerentão” (tocador de obras), à frente do governo. Goiás carece de melhor infraestrutura. Maio de 2010 - Hoje | 11


Acelera Tocantins

Demora das obras pode comprometer Caravana Duas coisas chamam a atenção no que diz respeito à Caravana Acelera Tocantins que começou em fevereiro deste ano e deve encerrar suas edições antes do que determina o calendário eleitoral: o aspecto administrativo e o enfoque político. No primeiro está faltando que as obras e benefícios prometidos cheguem efetivamente. No segundo, quanto mais as convenções se aproximam, mais os discursos de prefeitos e do próprio governador se aproximam do tom eleitoral. É aí que mora o perigo. 12 | Hoje - Maio de 2010

Por Roberta Tum www.robertatum.com.br

A

companhando a caravana Acelera Tocantins na tarde de sextafeira, e na manhã de sábado, 15, vi que algumas coisas saltam aos olhos. Primeiro, as positivas: a presença do governo com as máquinas que chegam junto com o governador e permanecem limpando a cidade, fazendo a operação tapa buracos, arruamento e conservação de estradas vicinais, causam um impacto considerável. Entre quatro paredes, normalmente na sala do prefeito - por orientação da procuradoria eleitoral – o governador assina autorizações para celebração de convênios, faz a liberação de emendas parlamentares cuja dotação já está no orçamento, e eventualmente entrega ônibus escolares ou ambulâncias. A maioria delas, no entanto fica para a semana seguinte, após o emplacamento em Palmas. Da prefeitura para algum gi-


násio de esportes, praça, ou tenda, a Caravana perde a característica de ato administrativo e ganha ares de celebração política. É aí, penso, que começam os problemas. O povo vai às ruas em maior ou menor quantidade, dependendo do poder de mobilização e vontade política do prefeito. No palanque quem tem o uso da palavra é o prefeito anfitrião, e o governador.

É sempre importante lembrar que Marcelo Miranda foi condenado por abuso de poder político, uma figura subjetiva, que se materializou no que o governo concedeu de benefícios à comunidade, num período que antecedia o proibido pelo calendário eleitoral. E num programa que começou primeiro, para virar lei depois.

Discurso sugestivo

Depois que a caravana passa, cabe aos prefeitos providenciar documentação para a celebração de convênio, por exemplo, para construir a Clínica da Mulher. O estado tem os recursos para a obra, mas precisa, por exemplo, da área que cabe ao município doar. Uma crítica que tenho ouvido é que a saúde está precária, muito em função da falta de recursos dos municípios para o pagamento de médicos e manutenção dos HPP’s, Hospitais de Pequeno Porte. Alguns prefeitos dizem que era melhor que o estado aportasse recurso nestes hospitais, ou criassem um atendimento específico para a mulher, dentro das estruturas físicas já existentes, contratando ginecologista e colocando à disposição do município. Quando estiver pronta, a Clínica da Mulher vai gerar um novo gasto, e este deverá ser

No discurso do governador na caravana deste final de semana, as críticas à oposição ganharam terreno. Gaguim falou na ADI dos Comissionados, criticou quem quer “demitir 21 mil servidores em pleno ano eleitoral”, disse que não quer ver o Tocantins “voltar ao tempo das perseguições, ao tempo da raiva”, e completou com a promessa do asfalto, que executará na medida do “que der” este ano. Já no ano que vem, disse Gaguim, “só Deus sabe quem é que vai continuar, ou não”. A fala carregada da conotação política pode ter interpretações eleitorais. No momento, considero esse tipo de conteúdo, no discurso do governador, desnecessário e perigoso. Depois de sair do trauma de um processo de cassação, tudo que o Tocantins não precisa é passar por outro momento de questionamento desta natureza.

Providências

custeado pelos cofres estaduais, dado o estado de penúria em que vivem a maioria das prefeituras.

Rapidez na ação

Com 90 dias na estrada, o fato é que a Caravana precisa se transformar em mais que o patrolamento de estradas vicinais e limpeza urbana. Está na hora de começar a chegar os bloquetes, os recursos de emendas, as famosas “bicicletinhas” que levam os Pioneiros Mirins à loucura atrás do governador gritando: “Gaguim, Gaguim, Gaguim!” Ouvi nos bastidores, entre os assessores do governador, que a primeira leva de bicicletas está em Palmas, fruto de doação da iniciativa privada. Os bloquetes e o início das obras de construção também precisam se materializar rápido. A entrega de ambulâncias – com ar condicionado, como tem frisado Gaguim – é outra necessidade urgente na maioria dos municípios. Cumprir rapidamente o prometido, e limitar o discurso ao estritamente necessário, são duas medidas que, uma vez tomadas, evitarão a caracterização da caravana como um programa de finalidade eleitoral, num ano eleitoral. Sem isso todo este esforço pode terminar comprometido. Foto: Márcio Vieira

Governador Gaguim na Caravana Acelera Tocantins Maio de 2010 - Hoje | 13


Tocantins

Governo do Estado efetiva o pagamento de mais de R$ 61 milhões em dívidas públicas Números revelam equílibrio nas contas do Estado e são motivo de alegria para o governador Gaguim

O

Governo do Tocantins fechou o primeiro quadrimestre com o pagamento de R$ 61.621,762,52 da dívida pública estadual. Desse montante, R$ 43.061.499,00 foram utilizados para pagamento de dívida externa e R$ 18.560.263,52 com quitação da dívida interna do Estado. Os números foram comemorados pelo governador Carlos Gaguim, lembrando que, apesar das quedas de receita, o Tocantins tem conseguido manter o equilíbrio em suas contas. Para o governador, manter o crédito em dia, com os pagamentos das parcelas das dívidas nas datas de seus vencimentos, é uma prioridade. Ele explica que diante da crise econômica que assolou o mundo no último ano e das dificuldades de um Estado ainda pequeno como o Tocantins, conseguir não atrasar os compromissos financeiros que, aliados à manutenção da máquina administrativa e quitação da folha de pagamento dos servidores, representa uma grande vitória. “Quitar mais de R$ 61 milhões em dívidas é motivo para comemorarmos, pois se precisarmos, hoje temos facilidade de crédito em qualquer instituição”, ressalta Carlos Gaguim. O crédito do qual fala o governador é constatado nos contratos de

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financiamentos que aportaram no Estado nos últimos meses. Em setembro do ano passado, quando Carlos Gaguim assumiu, a dívida pública do Tocantins era de R$ 607.673.527,77. Hoje, o saldo da dívida está em R$ 831.258.910,96, devido a novas operações de crédito para investimentos em infraestrutura. “Fazer novos empréstimos, quando necessário, é normal em qualquer administração pública, principalmente quando o Estado tem crédito”, diz o governador. Ele compara um empréstimo a uma compra à prestação.

“Quando o cidadão compra uma geladeira ou outro bem à prestação, antecipa o gozo dos benefícios desse bem. Da mesma forma, o governo busca crédito para antecipar o bemestar da população. O governo poderia juntar dinheiro para, por exemplo, construir uma estrada daqui a 10 anos, mas é um negócio melhor contrair um empréstimo, que tem longo prazo de pagamento, tornar a estrada uma realidade em menos tempo e fazer com que o benefício dessa estrada gere mais renda para o Estado”, explica ele.

Para Gaguim, manter o crédito do Estado é prioridade.

Crédito Nos cálculos do governo, a dívida do Estado em nenhum momento é motivo de preocupação, pois com um controle financeiro rigoroso, prevê e mantém o pagamento de cada parcela na data de seu vencimento. Além disso, a dívida está longe de alcançar a capacidade de endividamento do Estado, que é igual a duas vezes à sua receita corrente líquida. Isso significa que o Tocantins pode contrair empréstimos em até, aproximadamente, R$ 7 bilhões. (Arlete Carvalho)


Saúde

Cirurgias hepáticas ganham adesivo como aliado Sucesso na Europa, nova tecnologia chega ao Brasil com proposta de reduzir a necessidade de transfusões de sangue em pacientes que passaram por transplante ou cirurgias do fígado

A

classe médica em Goiás foi apresentada à nova tecnologia que chega agora ao Brasil, o TachoSil, esponja à base de colágeno altamente adesiva. O produto foi desenvolvido pela Nycomed, empresa farmacêutica européia que tem sede na Suíça. O produto tem o intuito de evitar sangramentos e extravazamento de bile, diminuindo as complicações pós-operatórias. A esponja pode ser aplicada diretamente ao fígado operado e um de seus principais benefícios é diminuir consideravelmente a necessidade de transfusão de sangue durante a cirurgia hepática em pacientes com tumores ou transplantados. Estudos revelaram que a interrupção da hemorragia nas cirurgias do fígado foi obtida em 10 minutos em 92% dos pacientes que receberam o produto contra 67% no grupo de controle. Por ser um órgão altamente vascularizado, por onde passa a maioria do

fluxo sanguíneo dos órgãos abdominais, nas cirurgias do fígado acontece sangramento em volume significativo. Esse quadro resulta em transfusão de sangue em torno de 30% a 45% das intervenções cirúrgicas no órgão. Segundo Arceu Scanavini, do Serviço de Coloproctologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, que foi quem apresentou o produto em evento realizado no dia 25 último em Goiânia, o recebimento de bolsas de sangue pode trazer consequências negativas para a recuperação dos pacientes. “A diminuição da capacidade do sistema imunológico resulta em maior propensão a infecções. Nos casos de cirurgia para ressecção de tumores, a imunossupressão interfere na defesa do organismo contra as células cancerígenas”, informa. Segundo Scanavini, o TachoSil ajuda a prevenir sangramentos posteriores que podem acontecer nas primeiras 48 horas do pós-cirúrgico. Ainda que o paciente não tenha tido sangramento durante a cirurgia que necessitasse do recebimento de sangue, o risco de hemorragia não é descartado. Após a cirurgia hepática o paciente fica internado em recuperação no hospital de 5 a 10 dias, dependendo da extensão da intervenção,

e pode voltar às suas atividades normais, desde que não haja esforço físico, após 1 mês. Se o paciente recebeu transfusão de sangue, a recuperação pode ser prolongada caso ele tenha tido alguma intercorrência relacionada ao procedimento. Para o médico, a vantagem de uma cirurgia sem sangramento excessivo e, consequentemente, necessidade de transfusão é o resultado final do procedimento. “Para o cirurgião, não é apenas o sucesso da cirurgia que importa. A recuperação total do paciente é extremamente importante e relevante. Se durante a cirurgia o paciente tiver um sangramento que não é interrompido, uma parada cardíaca acontece e com isso perdemos uma vida. Dependendo do volume do sangramento há, ainda, a possibilidade de o paciente ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou um infarto do miocárdio, que apenas serão diagnosticados quando ele já estiver em recuperação na UTI”, revela Scanavini.

Cirurgias hepáticas no Brasil

Cerca de 50% dos pacientes que passam por cirurgias do fígado recebem transfusão de sangue. No Brasil, os dois tipos mais comuns de cirurgia no fígado são: os transplantes, com aproximadamente 800 a 1000 mil casos anualmente, e o segundo para a ressecção (retirada) de tumores, com 10 a 20 mil casos por ano.

TachoSil O TachoSil é uma esponja à base de colágeno com fibrinogênio humano 5,5 mg e trombina humana 2,0 UI. Estas propriedades são as principais responsáveis pela capacidade de absorção do produto pelo corpo sem que haja a necessidade de abertura da região operada para que os curativos sejam retirados. As propriedades adesivas fornecem ao produto fortes vantagens em cirurgias hepáticas, pois a vedação impede vazamentos de fluidos. Maio de 2010 - Hoje | 15


Resenha

Renato Dias | renatodias67@gmail.com

“Apoio ao PMDB no 1º turno está descartado” (De Alcides Rodrigues Filho, governador de Goiás)

África do Sul

Bolachas, neles! Sandro Mabel não crê que Barbosa Neto deixe a Nova Frente.

Fábio Tokarski queria Ganso, Neymar e Ronaldinho Gaúcho, mesmo assim acha possível ganharmos a Copa.

Assembléia Helder Valin não irá cortar ponto dos deputadosgazeteiros.

Copa do Mundo P r o m o t o r, A b r ã o Amisy embarca dia 11 para a África do Sul.

Ruídos O tempo continua fechado entre Ademir Lima e Sandro Mabel.

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Pela fé Misael Oliveira recompôs relação com Paulo Magalhães. Linha direta Luiz Bittencourt (PMDB) desistiu da reeleição. Raquel Teixeira (PSDB) também. O que é isso? Tu c a n o , D a n i e l Goulart não é candidato a nada em 2010.

Democratas

Ronaldo Caiado está cada vez mais perto de Marconi Perillo.

Estilo hard

A CEI do Transporte Coletivo não terminará em pizza, sapeca o relator Santana Gomes (PMDB).

Senado

Pedro Wilson aguarda indicação do PT para concorrer.

Bicadas tucanas Não convidem para o mesmo palanque Charles Albert Leréia e Jardel Sebba.

PMN

1 – Exsecretário do Trabalho e exSusep, Armando Vergílio é candidato a deputado federal. 2 – Vergílio informa que o PMN realiza convenção dia 27 de junho. Com Marconi Perillo.

Mal-estar Agenor Mariano e Santana Gomes não celebraram armistício. Ainda. In memorian Morreu Elô Pinheiro Salles. De câncer. Reeleição Esse é mesmo o caminho de Mauro Rubem (PT). Sonho meu... Roberto Balestra (PP) sonha, acordado, com a volta da base aliada.


Nova Frente Vanderlan Cardoso não recua, diz Ademir Lima. Abençoado Ungido pelo pai Maguito Vilela, Daniel Vilela pode ser um dos puxadores de votos do PMDB ao Palácio Alfredo Nasser. Anúncio PRTB é Marconi Perillo. Fio Direto Giuseppe Vecci elabora o Plano de Governo do PSDB. PC do B Clone de Lênin, Fábio Tokarski é federal. PSOL Martiniano Cavalcante é candidato a estadual. PR Vice-governador, Ademir Menezes é estadual. PP É preciso lembrar Sandes Jr. (PP): trair e coçar é só começar. Aliança PSDC marconou.

Sem ruídos

Pra Frente, Brasil! A seleção de Dunga entra em campo dia 15.

Na comunicação e marketing de Vanderlan Cardoso, é Jorcelino Braga quem dá as cartas.

Agenda Política Thiago Peixoto (PMDB) lançou o livro Educação: o desafio de mudar.

Fritura

Adib Elias (PMDB) pode disputar eleição à Assembléia Legislativa.

Em Tempo

Marina Sant´Anna pode disputar eleição à Câmara Federal

Sem crise PP, PR, PDT e PTN estão fechados com a Nova Frente e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues.

Números O PMN quer eleger três deputados estaduais e um federal.

Animação Vanderlan vence, dispara Marcus Vinícius de Faria Felipe, presidente da Agecom.

Comurg (1) W a g n e r Wo l n e y Siqueira, expresidente da Comurg, é um dos puxadores de voto da coligação de Iris Rezende.

Comurg (2) Animado, Luciano de Castro, novo presidente da Comurg, quer ampliar o volume de coleta de lixo seletivo em Goiânia.

Urnas de 2010 O tempo conspira a favor de Vilmar Rocha no DEM. Galo Forte O Goiânia estréia dia 18 de julho na Série B do Goiano. Câmara de Vereadores Se Henrique Arantes (PTB) se eleger deputado estadual, Mauro Silva (PTB) deixa a suplência. Desaparecido Delúbio Soares tomou Doril.

140 toques Máximas no Twitter é o livro que Demóstenes Torres (DEM) lançou no mercado editorial.

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Senado

João Ribeiro, o sen Ex-prefeito de Araguaina, ele é campeão na conquista de recursos para o Tocantins André Camargo, de Brasília

N

o início do mês maio, entre uma audiência na CONAB e outra, no Ministério da Educação, o senador João Ribeiro recebeu uma turma de Palmas que queria conhecer o trabalho de um senador da República. João Ribeiro recebeu os 15 estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO), em seu gabinete, em Brasília, apresentando -se como “um senador dos prefeitos do Tocantins”. Os alunos de pronto entenderam o motivo. Naquela tarde, já haviam passado pelo gabinete do senador, mais de dez prefeitos. No momento em que os alunos entraram no gabinete, estavam os prefeitos Alexandre Abdalla, de Gurupi; Paulo Tavares, de Paraíso; João Cirino, de Fortaleza do Tabocão ; prefeito Bozó, de Divinópolis, prefeito Junior Evangelista, de Miracema e o prefeito Valuar Barros, de Araguaína. Naquele dia, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer os prefeitos de três das maiores cidades do Tocantins: Araguaína, com 120 mil; Gurupi, com 80 mil e Paraíso, com 40 mil habitantes.

za cerca de 15 telefonemas diários para prefeitos do Tocantins. “O senador sabe de cada problema que cada prefeito enfrenta em seus municípios”, testemunha Eliene, que trabalha com João Ribeiro desde o primeiro mandato como deputado federal em 1995. Em 2003, João Ribeiro assumiu uma cadeira no Senado Federal e pretende se reeleger nas eleições de 2010. A preocupação com as dificuldades dos municípios vem de sua própria experiência à frente da administração de Araguaína, a partir de 1989. Naquela época, como prefeito da principal cidade do Bico do Papagaio, sentiu na pele o que é cuidar de uma município com poucos recursos. A partir de agora, o prefeito João Ribeiro se movimenta em busca de recursos federais para o Estado que o elegeu, acompanhado dessa lembrança, diz ele. “É o que me motiva. É o que me identifica com os 139 prefeitos do Tocantins”, reconhece. Em 2009, cada parlamentar fe-

Rotina

O que os alunos do IFTO presenciaram no gabinete do senador João Ribeiro naquela tarde, no entanto é rotina entre os técnicos e assessores que trabalham com João Ribeiro. Além da visita constante de prefeitos e vereadores, a secretária Maria Eliene contabili-

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Senador com estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFETO)


nador dos prefeitos deral fez jus a uma quota de R$ 10 milhões no Orçamento Geral da União. O senador João Ribeiro distribuiu sua quota em emendas individuais entre 64 municípios, priorizando projetos de infraestrutura urbana, estruturas para a prática esportiva, viabilização de patrulhas mecanizadas para atender obras públicas nas cidades e na zona rural, obras sociais e melhor aparelhamento do Poder Judiciário. Além das emendas individuais e de parte das emendas de bancada e de comissões o senador conseguiu levar para os “seus municípios tocantinenses” outros milhões que conseguiu “emplacar” junto ao Poder Executivo Federal. Foram principalmente projetos inseridos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) graças ao trânsito de João Ribeiro junto à Presidência da Republica e principais ministros do governo Lula. Somente para Formoso do Araguaia, na região sudoeste do Tocan-

tins, administrada pelo prefeito Pedro Rezende, do PTB, foram R$ 30 milhões para travessia urbana, além de R$ 12,8 milhões para conclusão das obras de macrodrenagem. Ao receber a noticia da liberação dos recursos o prefeito reconheceu no senador “um campeão

em conseguir recursos suplementares e cavar convênios com os ministérios para as prefeituras apresentarem os seus projetos”. O senador é o campeão em conquistas que favorecem o Tocantins, em particular seus 139 municípios.

Prefeito de Santa Fé e presidente da Associação Tocantinense dos Municípios, Valtenis Lino, o Ministro da Previdência Social, José Pimental em reunião com senador João Ribeiro

O presidente do FNDE, Danilo Forte, senador João Ribeiro e o ex-prefeito de Ananás Wilson Saraiva Maio de 2010 - Hoje | 19


Urubuservando

Carlos Brandão | carlosbrandao7@gmail.com

Retranca Essa seleção do Dunga é que nem a do Parreira: pode ser campeã, mas ganhando de um ou empatando de zero. Detesto técnicos retranqueiros que não gostam de atacantes ousados. Não torci nunca para o Parreira. Torci 20% para o Zagallo. E vou torcer 0%¨para o Dunga e sua seleção brega de josués e grafites. Ah, nem!!!

O pior Responda rápido. Quem é pior: Aprendiz Universitário, João Doria Jr, ou Roberto Justus? A julgar pela boa performance de Justus, no 1 contra 100 do SBT, o tal do Aprendiz é que é a grande porcaria.

Porcaria na TV

Cultura Anotem: a prefeitura de Goiânia prepara um evento nos moldes dasviradas culturais que acontecem pelo Brasil, só que com outra concepção. Se a idéia, que já está sendo discutida pelos assessores de Cultura dePaulo Garcia, vingar, a cidade vai ter uma bela duma atividade cultural. É esperar pra ver.

Falar em TV Cultura, a TBC faz de conta que retransmite a programação da rede nacional e fica só nessa intenção. Exemplo: acaba o Jornal da Cultura e a rede anuncia Metrópolis. Só se for em outras cidades. Porque em Gyn, sempre entra uma coluna social eletrônica, ou coisa brega e mal feita, no gênero. Nada contra os programas locais. Tudo contra a falta de criatividade e inteligência que comanda os iluminados produtores desses programas. Falta critério para exibição das produções locais. Acho que os chefes da TBC nem assistem os pilotos e mandam jogar no ar qualquer porcaria. Sem falar na enxurrada de evangélicos que arrasa a programação da emissora, após às 23h.

2014 Começou a baixaria. A Fifa já reclama do atraso nas obras para a Copa de 2014. Tava na cara que ia dar nisso, né? Anotem: o Brasil vai entregar tudo certin, mas na última hora, na bacia das almas. Quero chamar mico de circo.

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Jóquei Clube Alguém sabe informar o que o Jóquei Clube vai fazer com aquela áreaenorme, que foi preparada para ser uma faculdade e agora virou estacionamento pra ninguém? Deve ser a maior área cimentada de Goiânia. Pra que? Pra quem? Pauta para os jornais diários: há quantas andam os clubes que fizeram a cabeça da sociedade goianiense há 30, 40 anos como Jóquei, Cruzeiro do Sul e outros?

Senta que lá vem história!! Depois que inventaram o politicamente correto, o mundo ficou uma chatice. A TV Anhanguera mostrou: as uvas da ceia, no Fogaréu de Goiás véi, eram de vidro. Produção, cadê a produção????

De matar Se preparem, pois a série Duro de Matar terá sua quinta edição. O filme, que tem Bruce Willis no comando, teve a última parte lançada em 2007. Todo essa enjoada história começou em 1988. Quando a gente pensa que não tem mais nada de ruim pra acontecer, eis que os EUA vêm com mais um atentado terrorista. É duro, véi! De matar!

Prostituição A cantora Elza Soares, numa entrevista a Antônio Abujamra, na TV Cultura, deixou claro que, se não fosse cantora, teria sido prostituta. É a real, né? Quem nasce em periferia brava, ainda hoje, tem grandes chances de seguir essa carreira. Se hoje essa chance ainda é real, pensa há 50 anos? Bacana ver uma artista do nível de Elza, assumir essa verdade nua e crua. Poucos famosos têm essa cara e essa coragem.

O povo da imprensa condenou um conselheiro tutelar que pegou uma criança no braço, na marra. Se eu fosse o cara faria mais: dava umas porradas no pirralho. Parece que os jornalistas daqui querem porque querem que o Lula se envolva diretamente nas picuínhas locais. Tá fácil que o Lula cai nessa. Armando Nogueira é prova inconteste de que diploma para jornalista é frescura. Escrever bem é um tipo de arte, um talento reservado a poucos. A Record mostra toda sua “modernidade” durante o dia e, na madrugada, um pastor fala duma mulher que fez sexo com o diabo. Sangue de jesus! Pa s s e r a i va : ouça um cantor gospel chamado Régis Danese. É um uó. Ele apareceu na minha TV e eu quis matar essa desgraça. meu twitter: @carlosbrandao7 Maio de 2010 - Hoje | 21


Reportagem de capa

CLA

CLASSE

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15%

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46

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CLASSE

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Ascensão de milhões de brasileiros às classes C e D revela características de consumidores com gostos e anseios bastante diferenciados. Em contrapartida, ainda é possível constatar a grande desigualdade social do país e manutenção da grande distância entre ricos e pobres. Como prova, a “rica” Goiânia é considerada a cidade mais desigual da América Latina

nsão se C e D

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Reportagem de capa Janaina Gomes

C

onsideradas as coqueluches do momento, as classes C e D já desbancaram a classe A no mundo dos negócios. Nove entre dez marcas, incluindo na lista a gigante McDonald’s, têm se preocupado com os gostos e hábitos de consumo deste público emergente e preparam suas estratégias comerciais para ganhar definitivamente este mercado, que concentra hoje a maior parte da população brasileira. A classe C é a maioria no Brasil. Agora, 46% famílias da famílias estão nesta classe e 39%, nas classes D/E.

Segundo dados estatísticos, os representantes desta camada social aumentaram 10% de 2006 para 2007, atingindo o número de 86 milhões de pessoas, quase 50% dos cerca de 190 milhões de brasileiros. Já as classes D/E, que até 2006 tinham uma proporção maior que a C, apresentaram uma queda de 46% para 39%, caindo para 73 milhões de pessoas, em 2007. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta ainda que mais de 19 milhões de brasileiros saíram da miséria desde 2002, destes um total de 3,8 milhões somente em 2008, o que representou uma queda de 12,27% no número de pessoas pobres. O grande questionamento é até que

ponto esta mobilidade social representa de fato uma melhoria na qualidade de vida da população. Em meio a esta euforia, a capital de Goiás, Goiânia, viu sua imagem de uma das cidades brasileiras com maior qualidade de vida, arranhada com o relatório da Organização Nacional das Nações Unidas (ONU), que a apontou como a cidade mais desigual do País e uma das piores em desigualdade de renda no mundo. O estudo O Estado das Cidades do Mundo 2010/2011: Unindo o Urbano Dividido analisou 138 cidades de 63 países em desenvolvimento. No relatório de 2008, Goiânia apareceu como a cidade com maior concentração de renda na América Latina e no Caribe, entre 19

Sonho de consumo Os principais consumidores de produtos eletrônicos estão na classe C. Esse foi um dos dados levantados em uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência que apresentou o potencial de consumo do brasileiro em 42 grupos de produtos e por classes sociais em todas as cidades. Débora Dias Costa, 37 anos, é secre-

tária com primeiro grau completo. Tem dois filhos matriculados em escola pública, e ainda não se beneficia tanto com o aumento do poder aquisitivo. Na casa alugada de 3 cômodos, tem computador, mas não tem acesso à internet. Não tem plano de saúde ou previdência privada. Ao ser questionada sobre o seu sonho de consumo, repete o que deve ser comum para 9 entre 10 pessoas da chamada classe C: “Quero minha casa própria”, diz sem pestanejar. E é esta classe média popular vai dominar o mercado residencial brasileiro nos próximos anos, segundo recente estudo da MB Associados. De acordo com as projeções, a classe C, com renda familiar de três a dez salários

Rodolfo Bösger é um exemplo de diversidade de desejos da chamada Classe C

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mínimos, terá uma demanda habitacional potencial por 10,4 milhões de imóveis até 2016. O economista e auditor Rodolfo Bösger também se considera pertencente à Classe C. Com renda familiar mensal de R$ 5.000,00, tem sonhos mais ousados. E lista os itens: “Hilux, fazenda, casa em região nobre de Goiânia, ganhar sozinho na mega sena etc.” Já o estudante universitário e funcionário público Alex César Alves Carvalho, 21 anos, também vive de aluguel, e apesar da juventude, engrossa a fila dos que sonham com a casa própria. Uma pesquisa da agência Nova S/B e o IBOPE Inteligência, segmentou em 2008, os consumidores

cidades de grande e médio porte. Além desta capital, hoje com 76 anos, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília estão na lista das cidades mais desiguais do mundo. Goiânia é uma cidade jovem. Sua Região Metropolitana abrange uma população de cerca de 2 milhões e 150 mil habitantes. Duzentos e nove quilômetros a sudoeste da capital federal, Brasília, também faz divisa com Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia, Aragoiania, Bela Vista de Goiás, Goianápolis, Goianira,


nacional, em torno de 0,812. Ainda não são tantos municípios, a população ainda estaria dentro do limite “administrável”, o poder aquisitivo da população é alto, a notar pela quantidade de automóveis de luxo, o que justificaria então a sua inclusão na tão malfadada lista?! Especialistas apontam como grande vilão contemporâneo o intenso processo de “metropolização”, ou seja, os fluxos migratórios para as grandes cidades, responsáveis pelo crescimento acelerado e uma série de problemas urbanos, é o irreversível fenômeno chamado macrocefalia urbana. Característica de muitos países em desenvolvimento, o crescimento rápido de algumas cidades

olhos da maioria, ainda se apresenta como algo intransponível e não está claro o papel de cada um na transformação desta realidade. Todos alheios querem usufruir das benesses, mas arcar com os ônus desta concentração urbana e dos recursos que ela requer, ninguém se interessa. O sociólogo natural de Orizona (GO), doutorando em Antropologia Social, pela Universidade Federal de Pernambuco, Abel de Castro, avalia que nos últimos anos, as políticas de inclusão social e incentivos fiscais do Governo Federal conseguiram contribuir para elevação de milhões de pessoas às classes C e D. “As pessoas começam a ter acesso a muitos bens de consumo que não

da classe C a partir dos dados do Target Group Índex, gerando três grupos diferentes: Retraídos, Consumistas e Planejadores. Ficou comprovado que a classe C não é um bloco uniforme, pois os padrões de orçamento e de consumo são bem diferentes, especialmente entre Consumistas e Planejadores. Por sua vez, o mapeamento da consultoria Serasa Experian identificou 39 segmentos distintos dentro de dez grupos de consumidores, entre eles: A – ricos, sofisticados e influentes; B – prósperos e moradores urbanos; C – assalariados urbanos; D – empreendedores e comerciantes; E – aspirantes sociais; F – periferia jovem; G – envelhecendo na periferia; H – aposentadoria tranquila; I – envelhecendo no interior; J – Brasil rural,

etc. O último levantamento do IBGE aponta que a renda das famílias 10% mais ricas do País em 2007 era 42,55 vezes maior que o rendimento médio das 10% mais pobres.Talvez não seja preciso dizer mais nada. Questionado se o avanço do acesso à informação, a cobertura quase total da telefonia celular no Brasil, bem como a possibilidade de aquisição de bens duráveis como automóvel e casa própria representam esta melhoria na qualidade de vida, o sociólogo Abel de Castro dispara: “Na verdade as pessoas só têm acesso aos bens de consumo se tiver o dinheiro para pagar. Pego o meu salário no final do mês e remunero toda a estrutura que necessito para iniciativa privada. Um exemplo claro é a telefonia... Não existe telefone

público suficiente, e a ligação mínima, menos de um minuto das operadoras, fica na faixa de 57 centavos. É preciso entender que a privatização reduziu o acesso. A iniciativa privada faz e a gente paga para usufruir. São estas políticas que tiraram do povo áreas estruturais e entregaram nas mãos das multinacionais. Por mais que pareça que foi democratizado o acesso, o custo aumentou. Antes todos podiam ter ações das empresas nacionais, e isso hoje não ocorre. E a Internet no Brasil deveria ser grátis e de livre acesso”.

Guapó, Hidrolândia, Nerópolis, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo e Trindade. A Lei Complementar nº 78, de 25 de março de 2000, incluiu os municípios de Bonfinópolis, Brazabrantes, Caldazinha, Caturaí, Inhumas, Nova Veneza e Teresópolis de Goiás. Outro dado do Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística (IBGE) fala que esta região metropolitana possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) um pouco mais elevado que a média

acaba resultando em outros problemas sociais como incapacidade de criação de empregos, seja na zona rural, seja em cidades pequenas e médias, o que força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades, polarizando a economia de cada país ou região. É certo que esta polarização não beneficia a todos igualitariamente. Os críticos mais ferrenhos veem o sistema capitalista como o principal responsável, contudo esta situação estrutural, aos

Débora Dias tem o desafio de educador sozinha os dois filhos e conquistar seu sonho de consumo: sua casa própria

O universitário Alex César engrossa a lista dos que sonham com a casa própria

Maio de 2010 - Hoje | 25


Reportagem de capa tinham antes. Políticas de incentivo fiscal às empresas, casas populares, redução de impostos, tudo isso foi uma tentativa de dividir um pouco a riqueza do país”, comenta. Abel de Castro, porém, é cético ao lembrar que ainda existe uma grande barreira social no país. “O dinheiro sai do bolso dos trabalhadores, nós acabamos bancando todo mundo, tanto a miséria quanto a elite. O povo continua trabalhando para bancar a classe alta, que continua ganhando mais que todos e muitas vezes não paga de fato os impostos”. No caso de Goiânia, o sociólogo entende que a cidade não tem política voltada para população de baixa renda. “A cidade foi planejada para que não fosse possível perceber a população pobre, segregada nos locais mais distantes. Pobre tem o seu lugar. A grande proliferação das feiras é exemplo. Não existe transporte público, diversão em eventos culturais gratuitos e o acesso aos bens não está garantido. E quando o povo se reúne em uma expressão de rua, a ordem é conter com violência” – diz lembrando o fatídico episódio de violência no carnaval de 2010 – e, conclui: “O rico vai para o condomínio fechado, leva sua estrutura e seu conforto, sem perceber a realidade a sua volta”.

Assistência social em números

Os dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) apontam que em Goiânia há 25.460 famílias beneficiárias do Bolsa Família. “Se a gente levar em conta um núcleo familiar formado por pai, mãe e dois filhos dá para dimensionar que o contingente mínimo de beneficiados é de 101.840. De acordo com o critério de seleção do programa – renda mínima per capita de R$ 140,00 ao mês – cada família pode ganhar de R$ 22,00 ao máximo de R$ 200,00 por mês”, explica o secretário de Assistência Social, Walter Silva. O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) são duas iniciativas que promovem a inclusão social. O primeiro beneficia hoje na capital 4.800 jovens e cada família, em contrapartida à frequência à escola, recebe R$ 40,00 por mês, e o segundo concede um salário mínimo (SM) a 10.482 pessoas com deficiência e a 11.448 idosos com idade acima de 65 anos – com renda

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Opinião

O papel da informação e exercício da cidadania e Karla Rady

A cidadania é um termo bastante utilizado hoje em dia, principalmente nos discursos políticos. Mas afinal, o que é cidadania e a quem ela serve? Originária da palavra cidade (do latim, civitas), a cidadania, estudada por Aristóteles, é melhor compreendida se pensarmos o cidadão inserido em um contexto social pluralista do Estado democrático, no qual ele se vê integrado à uma série de direitos e deveres,

que, em suma, é o que pode ser chamado de cidadania. Portanto, pensar em cidadania é pensar em direitos, não só políticos, mas, sobretudo, humanos. Os direitos humanos são aqueles direitos fundamentais, a partir da premissa do direito à vida. Decorrem do reconhecimento da dignidade de todo ser humano, sem qualquer distinção. Partindo desse pressuposto, fica impossível o exercício da cidadania sem antes o pleno exercício dos direitos humanos. Como cobrar

familiar per capita menor que um quarto do SM. Walter Silva, concorda que a política de assistência social implantada pelo governo federal é causa direta do crescimento econômico das classes C e D. “Os programas de redistribuição de renda contribuíram para que nos últimos anos esses segmentos sociais tivessem chance de crescer economicamente, desmitificando a teoria econômica dos anos da ditadura de que era preciso fazer o bolo crescer para poder dividir. O governo atual dividiu a renda e o resultado foi que o país vem crescendo à olhos vistos. Nas crises financeiras é esse mercado interno que nos sustenta. Iniciativas como essas, somadas,

representam melhoria da qualidade de vida para milhares de pessoas, já que a inscrição nesses programas representam o atendimento sócioassistencial de todos os membros do núcleo familiar – pai, mãe, avós, filhos – para que alcancem a autonomia financeira”, pondera.

Empregos

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged) apontou, , no último mês de março de 2010, um crescimento de 1,46% na geração de empregos com carteira assinada em Goiás marca um recorde do Estado na série iniciada em 1992. Este acréscimo colocou o Estado novamente


e do conhecimento no e dos direitos humanos de um indivíduo que vive à margem da sociedade os deveres ditos de um cidadão? O Brasil, por exemplo, é um país de milhões de excluídos – e, aqui, este termo está diretamente ligado aqueles que em algum momento ou por algum motivo têm um ou alguns de seus direitos negados ou violados. Não é difícil enumerar: são milhões de brasileiros que passam fome, que não têm casa, não contam com saneamento básico, que não têm emprego, que não têm estudo e nem acesso à informação, só para citar alguns exemplos. Em recente encontro da pré-candidata à presidência da República Dilma Rouseff com lideranças empresariais, ela afirmou que ainda existe no Brasil 54 milhões de pessoas vivendo em condições de miséria, ou seja, com menos de meio salário mínimo. Dilma afirmou que é impossível pensar em desenvolvimento sem erradicar a miséria. Como cobrar deveres de pessoas tão violadas em seus direitos?A situação se complica quando pensamos que

grande parte dessas pessoas, além de excluída, é ainda desinformada. Sem acesso à educação e à informação, elas, muitas vezes, desconhecem seus deveres e também os próprios direitos. Como prender uma senhora idosa, flagrada por fiscais do Ibama ao pegar lenha, em área protegida, para fazer o fogo que lhe proporcionará fazer a comida de sua família? Pelo prisma do Estado, a senhora idosa foi punida por violar uma lei. Pelo prisma da senhora, ela foi presa por desconhecer a lei e, ainda pior, por viver à margem de uma sociedade capitalista excludente. É uma situação delica da, mas também extremamente revoltante quando pensamos nos inúmeros políticos corruptos que roubam, mentem, usurpam a população e não são punidos, mesmo que desmascarados. Não basta haver direitos e deveres. Tem de haver direitos e deveres para todos e, ainda, justiça de verdade, sem dois pesos e duas medidas; uma justiça que valha, de fato, para se fazer cumprir

as leis, independente de seus autores. No Brasil, a desmoralização da justiça é somente mais um fator a impedir o pleno exercício da cidadania. Tais exemplos de impunidade criam no inconsciente coletivo dos brasileiros a ideia de que as leis foram feitas para não serem cumpridas. Nesse ponto, se fazem importantes os movimentos sociais, os quais surgem de uma demanda coletiva, quase sempre específica. Graças a esses movimentos, a sociedade muda a sua história, ao reivindicar, instituir e/ou a fazer valer direitos. Somente a sociedade organizada e bem informada pode alterar o curso de sua história e, assim, transformar sua realidade. No Brasil, assim como no mundo, há muito a ser feito para que se viva uma sociedade mais justa, mais digna, mais humana, inclusiva e igualitária, que prime pelos direitos dos cidadãos e faça cumprir seus deveres. Para tanto, há um longo caminho a percorrer na instituição de uma justiça que funcione e em sistemas de ensino que cheguem para todos. É preciso que se integre à sociedade que está à margem do sistema, que não têm emprego, nem casa, nem comida, nem saúde.

em primeiro lugar do ranking do Centro-Oeste, e nacionalmente, ficou com o terceiro posto, atrás de Rondônia (1,65%) e Piauí (1,57%). Até a divulgação desta última pesquisa, Goiás havia contratado 34.657 postos – um crescimento acumulado nos últimos 12 meses (até março) de 5,68%, o correspondente a 51.254 contratados. Os dados do Caged constataram também que o emprego no interior cresce mais rápido que nas regiões metropolitanas do Brasil. Em Goiânia o setor de serviços é o que mais tem contratado, seguido da construção civil e indústria de transformação. No Estado, incluem-se entre os setores que mais geram empregos a agropecuária e comércio. Maio de 2010 - Hoje | 27


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Nós, goianos, estamos vivendo um novo Brasil. O Governo Federal, em parceria com o estado e municípios, investe em programas sociais e obras de infraestrutura que geram oportunidades, fortalecem a economia e melhoram a vida em Goiás. • 4 novas Escolas Técnicas já preparam • A Ferrovia Norte-Sul, quando jovens para o mercado de trabalho. Ao concluída, vai agilizar o escoamento final da expansão da rede, mais 3 escolas da produção. serão inauguradas. • O Complexo do Ribeirão João • A Universidade Federal de Goiás Leite vai garantir o abastecimento de amplia o acesso à Educação Superior com água potável para a região metropolitana mais de 6.600 vagas ao final da expansão de Goiânia. da rede no estado. • Juntas, as Hidrelétricas São • O SAMU agiliza o atendimento de Salvador, Corumbá III e Serra do urgência para mais de 4,8 milhões de Facão vão ampliar a oferta de energia goianos. E a Farmácia Popular oferece para as famílias e a indústria. medicamentos até 90% mais baratos. • Obras de saneamento e habitação • O Bolsa Família assegura alimentação, em 157 municípios beneficiam milhares frequência escolar e acompanhamento da de famílias no estado. saúde de mais de 300 mil famílias.

Usina Serra do Facão

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Ferrovia Norte-Sul

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Bolsa Família

Maio de 2010 - Hoje | 29


Arquitetura

Integração de ambientes: cozinha (fogão em ilha), varanda com espaço gourmet e home à esquerda.

A casa do vovô Integração: palavra-chave na arquitetura feita para a melhor idade

Aroldo Márcio Ferreira

N

ada de casa do vovô ser aquele apartamento antigo onde os filhos foram criados, cheio de lembranças familiares! Se em décadas anteriores os avós preferiram a segurança, o conforto e a praticidade do apartamento, ultimamente a casa tem sido a opção para alguns, que empreendem entusiasmadamente os desafios da construção da casa dos sonhos nos condomínios horizontais, tais

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como seus filhos. Estes sim, às vezes permanecem na “cidade” por se sentirem reféns das atividades dos filhos ainda em idade de dependência. É quando a casa do vovô e da vovó vem proporcionar a convivência do núcleo familiar, geralmente nos fins de semana, dando sentido ao empreendimento. E daí a particularidade desta casa que, a princípio, deve ter um programa simplificado visando uma otimização quanto ao uso e a manutenção. Necessariamente não precisa ser térrea, pois subir

escadas, com segurança e conforto, faz bem e o custo dos elevadores domésticos é acessível. Na minha prática, como arquiteto, tenho atendido alguns clientes com este perfil -- aposentados ou não, geralmente exercendo, ainda, atividades produtivas ou hobbies -- que me permitiram refletir e decidir por soluções que venham conceituar esta casa especial. Não se trata somente de lançar mão das imprescindíveis normas e recomendações de acessibilidade e segurança para a faixa etária


denominada melhor idade. Ainda ficam a propor o programa de necessidades e o agenciamento dos ambientes adequados, entre outras coisas, de maneira a atender o cotidiano, o lazer do fim de semana e o efeito “segundafeira”, como explicamos abaixo. O isolamento característico dos condomínios horizontais, somado ao vazio da casa, estimula o peso da solidão e esta se agrava com o término do fim de semana: a partida de filhos, netos, genros, noras e demais convidados. É neste aspecto, também, que o bom planejamento da residência pode ser um atenuante para esta sensação. Atendendo ao objetivo da casa, encontro e convivência da família, recomenda-se o conjunto de ambientes propícios a este fim: home cinema, copa-cozinha com fogão em ilha (evita o isolamento do “chef”), varanda, espaço gourmet completo (nunca se sabe a preferência do genro...), entre outros. Piscina, sauna e academia, entre outros, ficam como opção, lembrando que um programa muito extenso (e que poderá ficar em parte ocioso)

encarece a obra e exige mais manu- lho ou hobbie: escritório, biblioteca, tenção. Uma suíte no térreo, próximo atelier de pintura ou outro necessáa esse setor, se faz necessário para rio. Ainda sobre o efeito “segundaos proprietários (útil em diversas feira”, recomenda-se posicionar circunstâncias) e, principalmente, a suíte do casal antes das demais, para acomodar netos ou genros que evitando-se o percurso lado a lado necessitarem de uma soneca. dos quartos vazios. Uma sala de TV Deve-se ressaltar a importância e uma pequena copa próximo à do agenciamento destes ambientes suíte principal evita o deslocaque deverão estar contíguos de mento pela casa. maneira que haja integração entre Voltamos a lembrar que eles, tanto física como visualmente. os recursos de segurança e conO resultado desta aproxiforto que a arquitetura mação dos ambientes reserva para espaços garante, além da boa voltados para a melhor convivência, a atenção idade são imprescindísobre os convidados, veis e dentre eles citaespecialmente as crianmos materiais antiderAroldo Márcio Ferreira ças. Estas, muitas vezes, rapantes para pisos, são deixadas com os portas largas (mínimo Arquiteto (UFMG); Espeavós, liberando os pais de 80 cm), banheiros cialista em Urbanismo (UFMG); para seus compromisespeciais, barras de Mestre em História (UFG); Prosos. Portanto, um quarapoio nos locais necesfessor no Curso de Arquitetura e to para os brinquedos sários, guarda-corpos Urbanismo PUC-Goiás; Titular do - desde bola à bicicleta seguros, iluminação escritório Aroldo Márcio Arquitetura - será útil. e pontos elétricos em (Goiânia-GO). www.aroldomarcioarquitetura.com.br Não esquecer do quantidade e posição ambiente para o trabaadequados.

Integração de ambientes: em primeiro plano, a varanda cozinha e home. Maio de 2010 - Hoje | 31


Decoração

Felicidade e sustentabilida Maior evento de decoração da América Latina, a Casa Cor em sua versão Goiás 2010 elegeu como tema a sustentabilidade e a felicidade para compor ambientes sofisticados, confortáveis e de olho na Agenda 21

Fachada da Casa Cor 2010: um dos atrativos

A

14ª edição da Casa Cor Goiás elege o tema “Sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz”, apresentando como grande desafio ao seleto time de arquitetos, paisagistas, designers e decoradores, provar que é possível criar espaços originais, sofisticados, confortáveis e funcionais, com soluções ecologicamente corretas. Materiais, equipamentos e produtos ecologicamente corretos têm sido os grandes destaques aos olhos do público, que tem até dia 15 de junho para visitar a mostra, na Alameda Ricardo

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Paranhos, no Setor Marista. Além disso, o visitante da Casa Cor Goiás pode desfrutar prazer que não somente a decoração. Um dos objetivos das organizadoras do evento, Eliane Martins e Sheila Podestá, da SE Promoções e Eventos, é justamente proporcionar uma experiência completa para o público, oferecendo opções de diversão para toda a família, como a alta gastronomia. São cinco ambientes comandados pelos melhores chefs. Rodrigo Sanchez, de Brasília, conduz pela

terceira vez o restaurante da mostra, o I Maestri; a equipe da Confeitaria Doce Doce ocupa o Café; o bar está sob o comando do Hakone Japanese N’ Fusion; o Cerveja Bar traz a cerveja oficial do evento, Stella Artois; e pequenos eventos contam com o espaço Lounge Gourmet. A diversão não para por aí. A mostra oferece espaços reservados para compra, como a própria loja do evento, que apresenta sua linha de produtos licenciados, constituída por roupas de cama e banho, cerâmicas,


Fotos: Eliane de Castro

dade

revistas e livros. Também é possível comprar bolsas, carteiras, artesanatos e outros artigos variados.

Exclusividade

Com três pavimentos e mais de 3 mil m2, a Casa Cor Goiás abriga ambientes diversificados. O térreo, por exemplo, traz espaços projetados para offices, além de espaços de uso

Eliane Martins e Sheila Podestá: organizadoras da Mostra

coletivo como a Sala de Cinema, o Espaço Saúde e a Brinquedoteca. O primeiro pavimento explora as tendências de ambientes amplos, como livings, homes e cozinhas. Exibe também opções de estúdios que mostram soluções para viver confortavelmente em espaços compactos. O segundo pavimento apresenta um modelo de apartamento planejado.

Sustentabilidade

Em 2010, a mostra aprimora o conceito de sustentabilidade incorporado ao evento em 2009, propondo uma mudança de comportamento. Aos poucos, a Casa Cor Goiás está implantando as práticas sustentáveis para que, em 2012, a mostra sev torne referência no tema. A sustentabilidade é percebida no evento por meio do uso

Sala de jantar mescla elementos rústicos e modernos Maio de 2010 - Hoje | 33


Decoração

Tecnologia

Home Office Mútiplos elementos em um só espaço

de materiais sustentavelmente corretos na preparação dos espaços, na orientação aos expositores, na separação e reaproveitamento do material descartado, de maneira a “atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades. Esta é uma das definições mais abrangentes de sustentabilidade”, declara Sheila Podestá. “Para ser sustentável, qualquer empreendimento deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. O tema sustentabilidade está em evidência, mas o conceito acaba sendo aderido por muitos simplesmente por modismo ou necessidade. O correto seria se este tema fosse sempre aderido pelo nível de consciência”, declara Eliane Martins.

Em 2009, o Grupo Sustentax foi o responsável pela introdução e conscientização dos profissionais sobre o tema sustentabilidade e as vantagens de sua utilização na concepção dos ambientes. Já em 2010, a ideia foi de empregar a sustentabilidade de forma efetiva em todas as etapas dos projetos, desde a criação, concepção, implantação e durante a mostra e também na sua desmontagem. A meta é reduzir o lixo em 70% e, para alcançar o objetivo simbólico do selo Lixo Zero, os materiais descartados serão separados em categorias. A elaboração dos projetos leva em conta a utilização dos materiais após o uso, conhecida como design reverso, o que é um estímulo para que os profissionais se aprofundem sobre o tema, resultando em benefícios para a mostra e também em seus projetos pessoais.

A tecnologia também ganha espaço na Casa Cor Goiás 2010, que apresenta diversos espaços projetados dentro do conceito de ambiente inteligente, onde é possível programar e controlar simultaneamente todos os equipamentos de imagem, áudio, iluminação e climatização. Além de expor os mais modernos itens em áudio, vídeo, acústica, climatização, sonorização e iluminação, a mostra exibe também lançamentos como computadores cujas CPUs são integradas aos monitores, TVs de LED, Ipad, toldos e persianas motorizados e automatizados, armários com iluminação interna, dentre outros.

Ambientes Premiados Os profissionais participantes da Casa Cor Goiás 2010 tiveram mais um estímulo para caprichar na elaboração dos ambientes para a mostra. Isso porque a organização do evento premiará os melhores espaços em cinco categorias: Ambiente mais Sustentável; Melhor Ambiente; Ambiente mais Original; Melhor Ambiente de Uso Público e Melhor Ambiente Comercial. A comissão julgadora será constituída por jornalistas, publicitários, artistas plásticos, membros do grupo Sustentax apoiador institucional da mostra - e outros expoentes da sociedade goiana. Os vencedores receberão um troféu e dois certificados da honraria, sendo que um deles ficará exposto no ambiente durante toda a mostra. Romântico conforto

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Uma proposta para a sala de cinema

Acessibilidade

Logo na entrada do evento, o visitante tem seu primeiro contato com a acessibilidade. A calçada que circunda a mostra oferece piso antiderrapante, sem obstáculos públicos ou particulares que impeçam a mobilidade ou que dificultem a circulação. O piso-guia possui frisos em relevo que indicam a direção que a pessoa com deficiência visual deve seguir, seja para frente ou para o lado. Além disso, possui inclinação e largura adequadas a todas as pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida permanente ou temporária. O projeto, executado pela arquiteta Izabel Jácomo e supervisionado pelo engenheiro Civil Augusto Fernandes, especialista em acessibilidade, gera autonomia e segurança para todos os visitantes e especialmente para aqueles que precisam de atenção especial como os idosos, as crianças, os portadores de deficiência física ou visual, as gestantes e condutores de carrinho de bebê. Além disso, no interior da mostra, os ambientes são amplos para facilitar a circulação, com a existência de rampas onde há desnível, elevador e banheiros projetados dentro das normas de acessibilidade.

Lucio Costa, o homenageado Nesta edição, a mostra homenageia o renomado arquiteto e urbanista Lucio Costa, que elaborou, ao lado Oscar Niemeyer, o Plano Piloto de Brasília. Nascido na França, em 1902, o filho de brasileiros em serviço no exterior morou em diversos países, mas foi no Brasil que estudou pintura e arquitetura, dando início a uma trajetória que mudou os padrões arquitetônicos brasileiros. Em 1938, também ao lado de Niemeyer, Lúcio projetou o pavilhão brasileiro da New York World’s Fair. Nos anos 60, foi chamado para chefiar a equipe que projetou a recuperação da cidade de Florença, na O Escritório

Itália, após uma enchente. Dentre diversos outros projetos, o arquiteto e urbanista iniciou, em 1969, a elaboração do Plano Diretor da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em 13 de junho de 1998, faleceu em casa, também no Rio.

Local: Alameda Ricardo Paranhos, esq. com Rua 1131, Qd. 249 – Setor Marista Período: até 15 de junho de 2010 Horários da Bilheteria: das 15 às 22h, de terça a sexta-feira e das 12 às 23h, sábado, domingo e feriados Ingressos: R$ 26 – inteira R$ 13 – meia (com a apresentação de comprovante de estudante referente ao ano de 2010)

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Agronegócio

SGPA projeta para breve o novo parque agropecuário Presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Luiz Humberto de Oliveira Guimarães fala à Revista HOJE. Saiba o que ele pensa sobre exportações, agronegócio e o novo parque agropecuário, dentre outros assuntos

HOJE - Quais as principais conquistas do presidente mais jovem da história da SGPA? Luiz Humberto - Desconheço este fato. Acredito que a entidade contou com outros mais jovens. Minhas ideias, no entanto, creio que são arrojadas. Penso para frente. Na minha vida profissional, desde jovem, sempre enfrentei desafios. Bem verdinho, era dos quadros da UDR. Entrei na Goiás Carnes, uma das cooperativas pioneiras na área de carnes, como estagiário e saí como um de seus dirigentes. Isto

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num curto espaço de tempo. À frente da SGPA já conseguimos importantes conquistas: o retorno gradual da família ruralista para a entidade, por exemplo. O Parque Agropecuário será, finalmente, uma realidade em poucos meses. Teremos, também, uma instituição de pesquisa agropecuária voltada para os nossos associados. Será o sabor de pequi com arroz...

nos últimos anos, o que atribuímos às missões comerciais brasileiras e de Goiás ao exterior. O governo goiano fez notável aproximação com os mercados da China e o reflexo já se faz sentir. O Brasil hoje desperta investidores de todo o mundo, por causa do interesse no etanol, na soja, nas carnes, nos lácteos e também na mineração e outros setores.

HOJE - Quais as principais frentes de trabalho no momento? Luiz Humberto - A construção do novo parque na região norte de Goiânia, numa área de 16 alqueires, é a nossa principal frente de trabalho. Ainda bem que contamos com parceiros importantes como a Prefeitura de Goiânia, o Estado e a União -- está representada tanto pela bancada goiana no Congresso Nacional, quanto nos Ministérios da Agricultura, do Turismo e da Casa Civil da Presidência da República.

HOJE - Que análise o senhor faz da produção agrícola no estado? Luiz Humberto - As mudanças do cenário agropecuário nos últimos dez anos são fantásticas. Olhando para trás, percebemos o quanto caminhamos de estrada. A sanidade animal e vegetal foi colocada em prática e graças a esse comportamento dos produtores, o encontro foi se abrindo e se firmando. A logística brasileira -- e Goiás não fica de fora -- ainda deixa a desejar. A Ferrovia Norte-Sul precisa ser concluída o quanto antes, para facilitar a vida de toda a cadeia do agronegócio. As hidrovias ainda são um sonho. Os portos precisam ser ágeis para o escoamento da produção de grãos, carnes etc., e também dos

HOJE - Como o senhor vê o aumento nas exportações em Goiás? A que se atribui essa melhoria? Luiz Humberto - As exportações goianas têm crescido substancialmente


insumos às fazendas. Os impostos são pesados e, por isso, oneram muito o sistema produtivo. HOJE - A localização estratégica do estado tem ajudado a melhorar os cenários da agricultura e da pecuária? Luiz Humberto - Apesar das adversidades, Goiás atrai os investimentos no setor agropecuário. São novas plantas frigoríficas, novas usinas de transformação da cana em etanol ou açúcar. A agroindústria aporta com certa velocidade em Goiás. O Estado consome praticamente 10% do que produz. O restante é comercializado com outros Estados ou exportado. HOJE - Como está o emprego da tecnologia em Goiás com vistas a impulsionar a produção agrícola e pecuária? Luiz Humberto - De parte da SGPA, estamos com um projeto de pesquisa agronômica em andamento. Devemos dispor em breve de uma instituição de pesquisa voltada para a solução dos nossos problemas tecnológicos, de sabor bem goiano. Num plano mais abrangente, dispomos do trabalho da Embrapa em seus diferentes segmentos e do CTPA, uma instituição privada de Goiás e que atua em parceria com a Emater-Goiás e também com a Embrapa. A área de capacitação profissional está entregue à Secretaria da Agricultura, que desenvolve trabalho através da Emater, e do Senar/Go. Importante trabalho tem sido feito por todo o Estado. Com isso, o produtor ganha, porque passa a dispor de recursos humanos mais profissionais, e o empregado também, por torna-se uma mão de obra melhor qualificada e em consequência garante também melhor renda e o seu trabalho. HOJE - Qual avaliação o senhor faz da posição dos governos federal, estadual e municipal em relação ao segmento da agropecuária? Luiz Humberto - O governo do Estado sempre esteve ao nosso lado, sentindo e buscando solução aos nossos problemas. O governador Alcides Rodrigues faz uma ponte direta com a SGPA a qualquer hora. Seu apoio é in-

contestável e ele está próximo de nós, nos ouvindo, procurando contornar eventuais problemas. Podemos dizer que se trata de um companheiro. No caso das exposições em nosso Parque, por exemplo, o seu governo assegura apoio através da sanidade animal, instala unidade de emergência na área de saúde, a segurança pública nada deixa a desejar, graças à presença das polícias civil e militar, rodoviária, etc. A Secretaria da Agricultura nos concede inteiro apoio logístico. A Prefeitura de Goiânia, por sua vez, se faz presente, por intermédio da Comurg, mantendo a higiene do Parque em todo o período da Exposição.

“Queremos construir o maior parque agropecuário da América do Sul. (...) Sem dúvida, o agropecuarista disporá do melhor e maior espaço e ele será sempre o nosso balizador”.

O prefeito marca presença com o atendimento em suas múltiplas ações. O governo federal tem nos apoiado sempre que solicitado. Ênfase para o Ministério do Turismo com relação ao futuro parque agropecuário de Goiânia. HOJE - E em relação a insumos e créditos para o setor, como o senhor vê as políticas governamentais? Luiz Humberto - Nessa área, o Estado

tem concedido incentivos fiscais, fomentando a atividade agropecuária. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) faz parte desse incentivo. O crédito em geral é buscado no sistema financeiro privado ou através do Banco do Brasil. HOJE - Qual sua expectativa para o setor nos próximos meses? Luiz Humberto - A expectativa é de crescimento. A crise financeira, que partiu dos Estados Unidos, está sendo gradual e rapidamente superada. O problema de endividamento tem sido solucionado entre as partes, com alongamento das dívidas. Os custos operacionais do produtor têm crescido, o que leva o sistema a um crescente planejamento e gerenciamento de suas atividades em busca justamente da economicidade de sua propriedade. HOJE - O que esperar da mudança da SGPA? Luiz Humberto - A mudança, sem dúvida, trará novas etapas de desafios. Queremos construir o maior parque agropecuário da América do Sul. Isto significa uma série de fatores, que não implicam apenas em uma nova sede da entidade no novo parque. Mas, em novos aspectos de gestão, o que a sociedade rural exige - feiras de gado bovino, de leite, de eqüinos e muares, suínos, aves, animais exóticos; leilões no universo on-line; shows artísticos, rodeios, entre tantos outros. Sem dúvida, o agropecuarista disporá de melhor e maior espaço no novo parque e ele será sempre o nosso balizador. HOJE - Que balanço o senhor faz da exposição deste ano? Luiz Humberto - Trabalhamos com bastante antecedência para que as coisas acontecessem da melhor forma possível e acho que conseguimos realizar nosso objetivo que era de atrair a família rural para o Parque Agropecuário. Nosso intuito sempre é de proporcionar conforto e segurança para expositor e visitante. Fora isso, contamos com uma gama de shows artísticos e uma praça de alimentação com o melhor de nossa gastronomia. Acho que a exposição desse ano vai deixar saudades. Maio de 2010 - Hoje | 37


Cultura

A sétima arte do Meio Ambiente Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) chega a sua décima segunda edição nos dias 8 a 13 de junho na cidade de Goiás. O evento se firma não só como um dos principais acontecimentos do calendário mundial de festivais cinematográficos ambientais, como também importante palco para música, arte, dança e teatro Rhadá Costa

O

XII FICA vai movimentar a cidade de Goiás entre os dias 8 a 13 de junho. Ao longo de suas onze edições, o festival é hoje referência mundial na união entre cinema e ecologia, já tendo premiado várias obras em vídeo e película – com a maior premiação da América Latina no gênero, no total de R$ 240 mil em prêmios. Com formato consolidado, o festival se destaca também por seu caráter multicultural, contemplando arte, teatro, dança e música. Como a temática central é a preservação ambiental, não é só nas Foto: Eraldo Peres e Fábio

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telas do cinema que esta discussão se explicita; o Festival também promove importantes mesas, oficinas e palestras que fomentam a conscientização ecológica e a busca pela sustentabilidade. Idealizado por Luiz Felipe Gabriel, Jaime Sautchuk, Adnair França e Luís Gonzaga, o FICA teve sua primeira edição nos dias 2 a 6 de junho de 1999, quando despontou como expoente de um novo momento da cultura em Goiás, sob a coordenação geral do cineasta João Batista de Andrade. Há pouco mais de dois meses da data da realização de sua primeira edição, João Batista produziu o regulamento, estabeleceu a premiação – cada prêmio homenageia uma personalidade da cultura goiana e criou o formato final do festival. Como projeto do Governo do Estado, por meio da Agência Goiana de Cultura (AGEPEL), trouxe objetivos ambiciosos, como valorizar o cinema, discutir amplamente a questão ambiental, conquistar o título de Patrimônio da

Humanidade para a Cidade de Goiás, movimentar o setor cultural como um todo, gerar riquezas (como cultura e informação), empregos e fomentar o turismo. Graças ao apoio e envolvimento de seus realizadores, todos esses objetivos foram alcançados em menos tempo do que se esperava. Seguindo sua trajetória sempre ascendente, o FICA este ano traz várias novidades. O formato se mantém e conta com a Mostra Competitiva e Paralela de filmes, fórum ambiental, mesas e cursos de cinema e cursos de meio ambiente, além de várias atrações culturais e um espaço dedicado ao público mirim. A revista HOJE traz um especial com os principais destaques.

Cinema

Estrela maior do festiva l , o c i n e m a será representado no FICA por 28 obras divididas em quatro categorias: longa-metragens, média-metragens, curtas-metragens e séries televisivas. Ao todo foram 552 obras inscritas, das quais 28 foram selecionadas pelo júri para a Mostra Competitiva. A lista é composta por 21 documentários, três animações, duas obras de ficção e duas séries. O Brasil lidera a lista dos selecionados, com 16 filmes produzidos nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás, que teve quatro


documentários em curta-metragem escolhidos. Entre os outros 10 países contemplados estão China e Reino Unido (que apresentam dois filmes, cada um), Estados Unidos, França, Holanda, Canadá, Croácia, Dinamarca, Suécia e Estônia, que tiveram um filme escolhido, cada um. As obras selecionadas versam sobre os assuntos que estão na ponta das discussões contemporâneas sobre o meio ambiente: como mudanças climáticas, extinção de espécies da fauna e flora, reciclagem de lixo, as consequências provocadas pela exclusão social, especulação imobiliária e efeitos do consumismo. Entre os destaques estão películas como A Enseada (The Cove, EUA, 2009), dirigida por Louie Psihoyos e premiada com o Oscar de 2010 na categoria Melhor Documentário. Outra boa atração

Mirim: A Ilha é um dos 11 filmes em cartaz na Mostra Infantil

Cidade de Goiás: Patrimônio da Humanidade, que há doze anos é palco recebe turistas do Brasil e do mundo no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA)

é o documentário Um Lugar ao Sol (Brasília –Pernambuno, 2009), dirigido por Gabriel Mascaro. Em seus 72 minutos, mostra depoimentos de moradores de luxuosas coberturas de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O filme reflete sobre a classe dominante brasileira e a verticalização das cidades, situando-se entre as discussões sobre meio ambiente e espaço urbano. Já a Mostra Paralela traz sete produções. Um dos momentos mais aguardados é a presença do diretor carioca João Moreira Salles, documentarista que se destacou no final dos anos 90 com Notícias de uma Guerra Particular (1999), filme sobre a guerra da polícia com o tráfico no Rio de Janeiro. Salles coleciona em seu currículo trabalhos premiados em direção e roteiro para cinema e televisão. O diretor irá protagonizar um bate-papo com o público sobre sua experiência com o cinema e ainda fala sobre seus filmes que serão exibidos no festival. Outra novidade é a exibição do premiado Avatar, de James Cameron, lançado em 2009, no circuito nacional e internacional. A seleção do filme atende ao pedido dos moradores da Cidade de Goiás, o qual também se insere pelo tema da obra em que o meio ambiente é

o foco. Completam a lista de filmes da Mostra Paralela, as obras: O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira; Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho; As Melhores Coisas do Mundo, Laís Bodanzky; Santiago, João Moreira Salles; Notícias de uma Guerra Particular, João Moreira Salles; e Nelson Freira, produção mais recente de João Moreira Salles, lançada em 2007. A Associação Brasileira de Documentaristas - seção Goiás (ABDGO – GO), aproveita o XII FICA para celebrar 25 anos de sua fundação e, dentro da programação do festival realiza a 8ª Mostra Competitiva ABD CINEGOIÁS. A Mostra oferece R$ 18.000,00 (dezoito mil reais) em premiações e um troféu - que nesta edição foi concebido pelo cineasta e artista plástico Amarildo Pessoa. Neste ano concorrem a estes prêmios, 21 filmes vídeos selecionados dentre as obras inscritas na Mostra Paralela, sendo 14 documentários, 3 vídeos de ficção, 2 animações e 2 obras experimentais.

Cursos de Cinema e Meio Ambiente

Para ampliar a prática e reflexão sobre a preservação do Meio Ambiente e a produção audiovisual, o FICA traz vários cursos de cinema e meio ambiente, que serão ministrados por renoMaio de 2010 - Hoje | 39


Cultura

Documentário Um lugar ao Sol é uns bons representantes brasileiros na Mostra Competitiva deste ano

mados profissionais da área. Este ano, os cursos de cinema serão divididos nos seguintes temas: Cinema e Filosofia: “imagem-tempo” e “imagemmovimento” com Ricardo Musse; A Crítica de Cinema e a Reinvenção Necessária do Filme, com Rubens Machado Jr; Cinema e Psicanálise: a constituição do sujeito/espectador e a análise fílmica, com João Ângelo Fantini; Cinema e Meio Ambiente, com Marcelo Lyra; Produção e Direção em Documentário, com Pedro Cezar; O Cinema de Tarantino, com Mauro Baptista; A mulher

Jacques Aumont, professor e pesquisador da Nova Sorbonne e uma das maiores autoridades mundiais em crítica, história e teoria de cinema, é convidado da mesa “O que resta do cinema?” ao lado de Ismail Xavier

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Cidade de Goiás: Turistas, cineastas, ambientalistas, estudantes e cinéfilos lotam a cidade para acompanhar uma das principais mostras temáticas do País.

no Cinema, com Rosa Berardo. Já os cursos sobre meio ambiente transitam por temas como meio ambiente urbano; biodiversidade; riscos ecológicos; legislação ambiental; hidrografia; e manejo sustentável.

Na tela: O Cerrado

Além dos cursos sobre o meio ambiental, XII Edição do FICA se preocupa com o debate. Com este intuito, será realizado o Fórum Ambiental, que traz profissionais e teóricos renomados para falar sobre as tendências, cenários e impactos ambientais. Um grande destaque este ano é o foco na temática do Cerrado. Mesmo considerado uma das mais importantes florestas de savana do mundo, o Cerrado não recebe atenção suficiente por parte dos programas governamentais de preservação ambiental. O bioma ocupa uma área aproximada de 2 milhões de km² e se estende por dez estados e o Distrito Federal. Porém, mais da metade de sua paisagem natural está transformada em centros urbanos, áreas de agricultura intensiva e pecuária de corte e pela exploração de madeira, quase sempre ilegal. Para intensificar a atenção ao bioma, o FICA dedica parte das mesas do Forúm Ambiental ao debate o Cerrado. Para isso, conta com a participação de Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UNB), uma

das maiores especialistas mundiais em Cerrado e de João Campari, diretor do Programa de Conservação das Savanas Centrais da The Nature Conservancy. Os especialistas vão compor a mesa Mudanças Climáticas e Cerrado.

Cinema em foco

O XII FICA também traz mesas de cinema, sob a curadoria do consultor de cinema Lisandro Nogueira. Entre os destaques está mesa “O que resta do cinema?”, com os teóricos Jacques Aumont, que é professor e pesquisador da Nova Sorbonne e uma das maiores autoridades mundiais em crítica, história e teoria de cinema; e Ismail Xavier, teórico e crítico de cinema, professor da ECA-USP, membro do conselho consultivo da Cinemateca Brasileira e autor de diversos livros sobre cinema.

Mirim

As crianças também terão diversão garantida no XII FICA. Além da Mostra Infantil, com filmes exclusivos para a meninada, a programação do festival traz também uma oficina de animação, que será ministrada pela produtora Élène Dallaire, e ainda o espetáculo O Contador de Histórias do Cerrado, com o grupo goiano Arte e Fogo. Na Mostra Infantil, que tem curadoria de Carlos Cipriano, serão


Música no FICA Várias artistas e grupos nacionais e locais incrementam a extensa programação do XII FICA. Destaque para a presença de Alcione e Lulu Santos. Confira: 8 de junho (Terça-feira)

A partir das 20h30 no Cine Teatro São Joaquim (Abertura Oficial) Show Grace Carvalho Cena do filme estrangeiro A Ensada, ganhador do Oscar 2010 de melhor documentário e atração da Mostra Competitiva do XII FICA

exibidos 11 filmes, entre produções nacionais e estrangeiras, todas com temática ambiental, na tela do Cinemão (espaço montado no Colégio Alcides Jubé). Na oficina de animação, no Museu das Bandeiras, a produtora Élène Dallaire trabalha com as crianças todo o processo de montagem de um filme, com apresentações de maquetes, exibições de vídeos e criação de personagens, entre outras curiosidades. Durante o curso as crianças terão oportunidade de produzir filmes e, em meio a troca de experiências, se envolver no cenário cinematográfico e ver suas criações exibidas ao final da oficina, que terá como público-alvo os alunos da Escola de Artes Plásticas Veiga Valle, da Cidade de Goiás.

09 de junho (Quarta-Feira)

A partir das 20h30 no Palácio Conde dos Arcos “Na Melodia dos Versos de Cora Coralina” – Daniel Melo e Elenízia da Mata Som de Gafieira Luiz Augusto e Amauri Garcia

10 de junho (Quinta-Feira)

A partir das 20h no Palácio Conde dos Arcos: Cega Machado Umbando A partir das 22h30 na Praça de Eventos Beira Rio: DJ Múcio Guimarães Monster Bus Banda Mugo Black Drawing Chalks

Dia 11 de junho (Sexta-Feira)

A partir das 20h00 no Palácio Conde dos Arcos: Nila Branco João Caetano A patir das 22h30 na Praça de Eventos Beira Rio: DJ Simone Junqueira Marco Antonini Paula Lima

Dia 12 de junho (Sábado) Ismail Xavier: consagrado crítico e autor de vários livros sobre cinema participa de painel de debates

A partir das 22h00 na Praça de Eventos Beira Rio DJ Simone Junqueira Em Nome do Samba Alcione

Dia 13 de junho (Domingo)

A partir das 19h00 na Praça de Eventos Beira Rio: DJ Simone Junqueira Mr. Gyn Lulu Santos

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Esporte

Rally Amigos do Fred Aventura, solidariedade e fraternidade Valterli Guedes

O

1º Rally da Solidariedade Amigos do Fred, que partiu de Goiânia com destino a Montalvânia, extremo norte de Minas Gerais, percorrendo cerca de 770 quilômetros, revestiu-se de êxito, segundo a avaliação das dezenas de participantes. Em mais de 20 veículos a caravana cumpriu o roteiro previamente traçado, sem incidentes ou acidentes. Percorreu os gerais do norte de Minas e levou benefícios a habitantes de uma região que, malgrado pertencer a um Estado rico, está a esperar benefícios em setores essenciais como Saúde, Educação, infraestrutura de Transportes, entre outros. Liderado pelo empresário Fredson Lopes França, o Fred, nascido em Montalvânia e que há anos transferiuse para Goiânia em busca da realização profissional mas mantém estreitos laços com a terra natal, o Rally visou, prin-

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cipalmente, levar assistência àquela parte do Norte de Minas. Alimentos, remédios, material esportivo, palestras sobre drogas, evangelização, tudo isto fez parte do programa cumprido. Mas não ficou só nisso. Um exemplo: na vila Veredinha, às margens do rio Cochá, onde aconteceu o primeiro pernoite, um participante do Rally contemplou a única escola do lugar, mantida pelo governo mineiro, com uma bomba d’água, porque a antiga estava com defeito e não havia água no estabelecimento.

Roteiro

No roteiro até Montalvânia, os integrantes do Rally, cujo organizador, Fred, é também presidente da Associação dos Mineiros em Goiás (ASMINAS), sediada em Goiânia, foram recebidos por autoridades e populações de duas cidades. Em Arinos, o prefeito Carlos Alberto Recch Filho

(DEM), acompanhado de secretários, confraternizou com os integrantes do Rally durante almoço. Mais tarde, na cidade de Chapada Gaúcha, cujo município abriga o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, que homenageia a obra de Guimarães Rosa ali inspirada, os integrantes da caravana mantiveram contatos com autoridades municipais, tendo à frente o chefe de gabinete do prefeito, Miguel Rodrigues Ribeiro. A chegada a Montalvânia, depois de almoço de confraternizaçãono balneário de vila Janaína, às margens do belíssimo rio Cochá, e de rápida passagem por vila Capitânia, foi apoeótica, sendo o Rally da Solidariedade aplaudido pela população ao percorrer as principais ruas da cidade. Na propriedade rural do empresário Fred, em vila Capitânia, houve torneio de futebol disputado por vários times da região. O prefeito de Montalvânia, padre José Aparecido e o vice-prefeito, Horácio Sales, prestigiaram os diversos eventos, que incluiu uma palestra sobre drogras


em praça pública, ministrada por Aristóteles Sakai de Freitas, delegado da Polícia Civil de Goiás. A convite do empresário Jordão Medrado, de Montalvânia, que participou de todos os eventos em vila Capitânia e em Montalvânia, os dirigentes do Rally confraternizaram durante almoço na churrascaria Dallas, considerada a melhor do norte de Minas, dirigida pelo casal Consúlia e Armando Santana. Para Fred França, os objetivos

foram alcançados, “e outros rallys acontecerão, aliando o espírito de aventura ao ideal da solidariedade”. O êxito do Rally da Solidariedade Amigos do Fred foi comemorado na fazenda Francesa, onde Fredson França, ao lado de sua mãe, Maria Lopes França; das irmãs, Josefina Lopes França (Neta) e Natália Castelo Branco França, da esposa, Diana Fontenelle de Jesus França e dos filhos, receberam durante almoço todos os participantes,

autoridades e convidados especiais. Durante o almoço, houve show artístico, organizado pelo radialista Juscelino Sena, da Rádio Brasil Central, de Goiânia, de Goiânia. Entre as atrações, uma aplaudida apresentação do violeiro Carlos Bicalho, de Campinas (SP), que fabrica o próprio instrumento por ele executado com maestria tal que chega a ser apontado por especialistas como “o maior violeiro do Brasil”, na atualidade.

Imagens do Rally

Rio Cochá

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Esporte

Heróica Montalvânia

Juscelino Sena (RBC) e Pedro Guedes (HOJE) premiam o time compeão

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Montalvânia, ponto final da excursão, estava completando 48 anos (22 de abril). É cidade cuja História reveste-se de heroísmo e de bravura, por ser produto da rebeldia de seu fundador, Antônio Lopo Montalvão, contra o coronelismo político dominante na região. Foi aí que Montalvão, um antigo trabalhador da construção de Goiânia no início da década de 1940, decidiu adquirir uma gleba de terras às margens do rio Cochá, no qual corre a água cristalina dos gerais, para ali fundar uma cidade que pudesse significar o início de nova etapa civilizatória. Já falecido, Montalvão tem sua memória, que é a memória da própria cidade, cultivada em memorial, sob os cuidados de seu filho Zelito Montalvão, oficial da reserva da Aeronáutica, à espera do interesse do poder público acerca de uma das mais heróicas páginas da História daquela região.


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Turismo

DUBAI, a extravag A mega cidade é um dos destinos turísticos de luxo mais cobiçados do planeta

Izabel Todeschini izabelace@yahoo.com.br

D

ubai é uma daquelas cidades que mexem com você logo na chegada, despertando todos os sentidos. Ela é mega, sofisticada, extravagante. A viagem é cansativa - são mais de 15 horas de voo – mas não se preocupe: você não vai sucumbir ao cansaço. Já no aeroporto, aquela profusão de homens cobertos da cabeça aos pés aguça a curiosidade. “O que estarão vestindo por baixo dessa túnica ? Será que estão só de cuecas ? Mas é inverno em janeiro no Oriente Médio, e a média é de 23 graus – isso é ‘frio’ pra eles, que estão acostumados a um verão de 45 graus ?” Humm... Mil perguntas vão surgindo, enquanto você vai sendo surpreendido durante o percurso até o hotel... “Uau, que edifício lindo ! E aquele, que esquisito, em forma de parafuso. Um arquiteto aqui perde a cabeça! ” E é assim que começa a aventura pelo mais cobiçado destino turístico de luxo do planeta. Começamos a explorar Dubai pela Marina – um dos bairros mais novos e chiques - criado a partir de um braço de mar que foi “puxado” e “adaptado” para se transformar em um estacionamento para iates, cercado de lojas finas, bares, fontes e jardins. Dali, é fácil observar do topo de um dos hotéis 5 estrelas, a famosa “The Palm” – um complexo de três ilhas artificiais (as maiores feitas pelo homem) em formato de palmeira, que abrigam condomínios e redes hoteleiras. Próximo, está o ícone de Dubai : o Burj Al Arab, hotel 7 estrelas em forma de vela de barco, com 202 suítes duplex com mordomo, e que tem colunas, tetos e painéis banhados a ouro, além de uma

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frota de 14 Rolls Royce e um helicóptero à disposição dos hóspedes. Um dos lugares mais fotografados da cidade, conhecer o Burj é algo irresistível. Mas ou você desembolsa no mínimo 2 mil dólares por uma simples diária, ou reserva lugar em um dos 9 baresrestaurantes para poder ao menos dar uma espiada em tanto luxo. Foi o que fizemos: pagamos 45 dólares por um drinque no Junsuy Lounge, só para matar a vontade. Ao lado do Burj, fica um dos lugares mais lindos de Dubai : a “Veneza Árabe”. São 29 elegantes vilas com pátios e torres de vento, cortadas por

canais artificiais formados pelo Madinat Jumeirah Resort - um complexo de hotéis -, além do Madinah Souk, uma réplica dos antigos mercados de rua, só que com preços salgados para turista. Por falar em “souk”, eles são uma atração à parte. No bairro de Deira, estão concentrados os verdadeiros mercados onde se vendem especiarias, ouro, tecidos e também bugigangas. É um delírio pra quem gosta de bater perna, conhecer de perto a cultura local, pechinchar e encontrar coisas diferentes e curiosas. Dali você pode observar o Creek, outro braço de mar que divide a cidade, e por onde circulam “abras” - pequenas embarcações que funcionam como táxi aquático para moradores e turistas - e “dhows”- barcos tradicionais para o transporte de mercadorias. Quem gosta de história, pode cru-

The Palm: uma das três maiores ilhas artificias do mundo


agante

zar o canal e dar uma passadinha no Heritage Village, em Bur Dubai – um verdadeiro museu vivo, com cenários da vida dos nômades, acampamentos com tendas, utensílios e até camelos. A Bastakiya é outra área preservada bem próxima, com a atmosfera árabe do começo do século XX e edificações feitas com pedras de coral e conchas, além das antigas torres de vento e o Museu de Dubai. Você não é consumista ? Ah, mas passear pelos shoppings é algo imperdível. Ainda mais sabendo que vai conhecer o maior shopping center do mundo, do tamanho equivalente a 50 estádios de futebol – o Dubai Mall -, que conta com boutiques de grifes famosas, além de um gigantesco aquário e um rinque de patinação. Ao lado dele está o Burj Dubai, o maior

Uma cidade onde tudo é possível

prédio do mundo ( 828 metros de altura), em forma de torpedo. Outro shopping surpreendente é o Mall of the Emirates, que conta com uma estação de esqui de três mil metros quadrados, coberta com mais de seis toneladas de neve artificial e temperaturas que chegam a 10 graus negativos, com montanhas, pistas, instrutores e até teleférico. Há muito mais pra conhecer... A praia de Jumeirah e o hotel Jumeirah Beach, em forma de onda...O Atlantis, imenso e impressionante hotel com ambientes que lembram o fundo do mar e o reino perdido de Atlântida, além de aquários com tubarões e arraias... O Wild Wadi, o mirabolante parque aquático com tobogãs... Não dá pra deixar de fazer um safári no deserto em jipes 4 x 4, entre dunas de areia, assim como assistir a uma corrida de cavalos árabes - e o que dizer ...de camelos ! - no Jockey Clube Nad Al Sheba. Mas o que não tem preço, no meio de toda essa modernidade, é observar os traços vivos da cultura muçulmana - porque, acredite, só o que sobrevive intacta é a religião Islâmica. E ela está presente no modo de vestir, comer, beber e se comportar da maioria do povo. Há centenas de mesquitas espalhadas pela cidade (os muçulmanos rezam cinco vezes ao dia) e há lugares reservados para oração até nos shoppings. É proibido beber álcool em público – mesmo os turistas. Carinhos exagerados na rua podem resultar em multa ou prisão – mesmo entre casados. Então, todo o cuidado é pouco. É engraçado observar as mu-

çulmanas dirigindo seus potentes Land Rovers, de repente saindo dos carros vestindo longas túnicas pretas (“abayas”), com lenços cobrindo a cabeça (“shailas”), desfilando com bolsas Chanel, relógios e óculos de grife, e entrando nos cafés para fumar “narguile” (o grande cachimbo d’água). Difícil imaginar que há menos de quatro décadas, Dubai não passava de um vilarejo de 20 mil mercadores árabes sem energia elétrica, e que se transformou na Meca do turismo graças ao sonho de um visionário: o Sheikh ‘Mo’. Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, 58 anos, pode até ser chamado de megalomaníaco ou seja lá o que for. Mas uma coisa é certa: com a máxima de que Dubai deveria superar o que há de mais avançado e maior na face da terra, a qualquer custo, ele criou um lugar onde “tudo é possível”. Ou quase tudo. Um dos maiores e mais espalhafatosos prédios de Dubai

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Entretenimento

O dono da festa Empresário bem sucedido, Cristiano Caramaschi está no hall dos que escolheram a balada como profissão. Ele comanda a Club Fiction

N

ada da formalidade dos ternos, tradicional em algumas profissões como Direito, ou da rotina estática de um escritório. Eles escolheram promover o entretenimento e a diversão, atuando no badalado circuito da noite. São os empresários da noite que trabalham diariamente com as glórias e os desafios deste mercado tão específico, dinâmico e exigente. Cristiano Caramaschi, DJ e proprietário do conceituado Club Fiction,

Caramaschi: proprietário de uma das night clubs mais badaladas e bem sucedidas de Goiânia

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faz parte deste seleto grupo de empresários. Com mais de 17 anos dedicados a agitada vida noturna de Goiânia, a história de Cristiano não poderia representar melhor o que é a rotina de quem escolhe a balada como profissão. Assim como outros empresários, o interesse de Caramaschi pela noite nasceu por meio de outra paixão: a música. “Comecei a sair muito cedo. O primeiro club que frequentei foi a Cockney em Goiânia, onde fiquei fascinado pela atmosfera do ‘night club’. Comecei a promover festas numa casa lendária de Goiânia, a Avalon, do finado Marcão. A partir daí, resolvi montar meu próprio club em 1993, o Casanostra, no qual além de administrador era também DJ residente juntamente com o André (Pulse). Em 1999, eu e ele abrimos o Pulse Club & Lounge, ainda com o Casanostra em funcionamento. No Pulse, promovíamos eventos de música eletrônica paralelamente ao funcionamento do Casanostra. Em 2006, montei o Club Fiction com meu irmão Thiago e amigo Alessandro, que acreditaram e apostaram no projeto”, conta Cristiano. Os clubs Pulse e Casanostra – ambos um sucesso entre o púbico – foram redutos precursores da cultura alternativa na capital nos anos 90. A Casanostra funcionou por sete anos e foi pioneira ao focar no público alternativo que gostava de rock dos anos 80 e reggae, enquanto o Pulse foi o primeiro club de Goiânia dedicado exclusivamente à música eletrônica e permaneceu ativo até 2004.

A experiência com os erros e acertos desses empreendimentos anteriores foi decisiva para que Cristiano persistisse neste negócio, sendo hoje dono de um empreendimento bem sucedido que há cinco anos figura entre as boates mais consolidadas e estáveis da noite goianiense – um grande desafio para uma casa noturna, já que a maioria dos empreendimentos deste gênero não conseguem se consolidar no mercado e fecham suas portas rapidamente. Fato justificado pelos muitos desafios enfrentados pelos empresários da área. “O mercado é sazonal e instável. É preciso ter uma estrutura sólida, um conceito formado e um público fiel e segmentado para um empreendimento deste tipo ter vida longa; senão o empresário aparece e desaparece na mesma rapidez que as tendências e modismos. Falta ética e sobra para-


quedistas no mercado. Essa é a maior dificuldade que vejo. A minha principal satisfação é ser reconhecido pelo meu trabalho, sem me render a modismos temporários”, analisa Caramaschi. Também decisivo para o sucesso de um club é se manter fiel a sua identidade, ao mesmo tempo em que se reinventa e se mantém criativo. Este fator é determinante para uma casa cheia ou um fracasso de público. Com todos estes anos de trabalho, Cristiano conhece de perto esta realidade. “É um jogo e cabe ao empresário ou produtor conhecer bem a sua praça e o poder que o artista e as atrações têm de levar público para o evento. Nem sempre se acerta, sobrevive quem erra menos e está mais antenado às tendências e mercado. Porém, hoje, muita coisa mudou em termos de público, cenário cultural e negócios. Principalmente a figura do DJ e a qualidade dos clubs atuais. A estrutura, som, iluminação, promoção e marketing estão cada vez melhores. É um ramo que se profissionaliza mais diariamente”.

Além de todos estes fatores, mais um item é imprescindível na cartilha do empresário da noite: a sintonia com a legislação, já que esta muda repentinamente e passa a exigir uma nova estrutura (como a Lei Antifumo). “Sempre temos que nos adaptar as mudanças da lei, que estão cada vez mais rígidas. Concordo com a lei antifumo, e com as duras penalidades para quem dirige alcoolizado, por exemplo. Nós nos adaptamos (no Club Fiction) proibindo o fumo no interior do club e construindo uma área ao ar livre para fumantes. Também fornecemos serviço de motorista para quem sai sob a influência de álcool. No caso da

lei antifumo (muito mal feita por sinal), somos uma das únicas casas em Goiânia que segue a lei à risca, enquanto outras se baseiam em entrelinhas da legislação para continuar permitindo fumar no interior de seus estabelecimentos. Isso é lamentável”, pondera o empresário. Mas, e no meio de toda esta rotina agitada como fica a vida pessoal destes empresários? Carmaschi responde a esta pergunta dizendo que hoje consegue levar uma vida normal. “Hoje não preciso estar presente a noite toda no meu club para ele funcionar redondo. É mais importante estar disposto e ativo durante o dia, para assim administrálo melhor. Tenho uma boa equipe, que está comigo há muitos anos, em que posso confiar. E, é claro, que sempre estou presente e isso é necessário, mas muito menos do que era antes. Sou pai e minhas filhas moram comigo durante a semana, logo tenho que acordar cedo. Ao contrário do que fazia antigamente, não ando saindo muito. Geralmente janto com a família ou namorada”.

Club Fiction O Club Fiction é o terceiro e o mais arrojado empreendimento de Cristiano Caramashi. A variedade de estilos e atrações da casa, com destaque para DJs e VJs nacionais e estrangeiros, é o grande diferencial. Em cada uma noite, um estilo diferente é o carro-chefe, como rock, samba rock, house music, hip hop, etc. Tanto que a Club Fiction foi eleita pelo júri de VEJA Goiânia o melhor lugar para dançar na cidade. A casa revolucionou o segmento dos night clubs em Goiânia. Dividido em três ambientes, o club tem uma pista exclusiva aos fumantes no mezanino, completamente isolada e com exaustores, e conta ainda com uma pista principal e um lounge. Foi a primeira a trabalhar com o sistema biométrico no atendimento,

que torna desnecessário o uso de cartões, fichas ou comandas. Também é considerada pela Agência Muncipal do Meio Ambiente (AMMA) “modelo” no quesito acústica, mesmo possuindo sound sytem D.A.S (um dos melhores do mundo), tem isolamento sonoro total. A tecnologia é outro atributo do Club Fiction. Completam a música, projeções em uma tela widescreen de 50 m² e também em plasma, pelo sistema video wall da cabine. Recentemente inaugurou uma nova ambientação, assinada pelo arquiteto Cláudio Arantes, responsável por trabalhos em outros clubs como Pulse, Love e U-turn. Atualmente, a Fiction é considerada referência no segmento da música eletrônica do Centro-Oeste.

Club Ficton: (62) 3541-0429 Rua 87, nº 536 – Setor Sul – Goiânia (GO) www.clubfiction.com.br Maio de 2010 - Hoje | 49


Carlos Pompeu | culturamix@gmail.com

GIRlIE IN HELL é o nome de uma banda de Rock, radicada em Goiânia,composta apenas por garotas. Conheci as meninas por meio do blog Jurassik Dark. O som delas lembra JOAN JETT do hit “I Love Rock ‘n Roll”. Confiram. Você pode sentir seu Rock com atitude no clip de “Get Off” que pode ser acessado no You Tube. (http://www.youtube.com/ watch?v=lun4x2mB-qM)

Glorinha Beuttenmüller é considerada a mais prestigiada fonoaudióliga do Brasil , inclusive por ter uniformizado o modo de falar dos jornalistas da TV GLOBO. Ela também é autora do livro “Tragédia: O mal de todos os tempos”, onde traz dicas e exercícios para suavizar a voz. Foi com essa idéia que estou aprendendo a utilizar minhas próprias cordas vocais com a fonoaudióloga goianiense Ana Cristina Caixeta (anacriscaixeta@yahoo.com.br) para levarmos a coluna “Cultuta Mix” para o audiovisual. As negociações com a OLHO COMUNICAÇÂO já estão adiantadas. Em breve, pela rede, onde quer que você esteja!

O filósofo e produtor Edson Lenine Prado (elgprado@hotmail.com ou www.twitter.com/poiesisart), está a frente do escritório de produção cultural POIESIS ART, onde desenvolve assessoria na montagem de projetos culturais, captação de recursos, planejamento de marketing cultural e estratégia de comunicação para artistas de todas as áreas. O escritório está a todo vapor e atua em todo território brasileiro. Recentemente fechou contrato com a artista multimídia Vanessa Ramos-Velasquez que tem no currículo passagens pelo New York Festival (de Cinema) e que atualmente reside em Berlin, na Alemanha, onde apresenta o espetáculo de vídeo e dança chamado SOMNEX IN LUMINEN. O escritório POIESIS ART também está investindo em um portal, na internet, sobre arte e cultura a ser lançado no segundo semestre de 2010.

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Entre os blogs mais interessantes da web podemos destacar o Jurassik Dark (http://jurassikdark. blogspot.com/), que faz um trocadilho com o filme de Spielberg. Jadson Jr. escreve textos impecáveis que nos proporcionam uma boa leitura e informações sobre os subterrâneos da cultura. Nos anos 80 esteve a frente do QUARTO MUNDO banda que influenciou muitas outras ainda em atividade como os DOENTES DO AMOR . Jadson recentemente escreveu um livro “Das Cores ao Século XXI”, ainda inédito que conta detalhes e revela a verdadeira história do Rock de Goiânia. Com certeza, a obra será cultuada pelos fãs de arte pop.


Shirley Vilela, da Universidade Federal de Goiás, escreveu um belo artigo acadêmico com o título “São Paulo Fashion Week Como Espaço de Performance”. Shirley é especialista em cultura da aparência, história das roupas, tecidos e seus espaços específicos de manifestação. Tive acesso ao seu trabalho pela rede social Facebook. Mais informações sobre seu trabalho você encontra em: http://cafehistoria.ning.com/profile/ShirleyVilela

Viola na mão e muito chão. A cantora de música sertaneja Anna Clara está com a agenda lotada. Natural de Itapuranga, a moça tem agradado em seus shows pelo interior do Estado. Logo logo ela brilhará nacionalmente também.

LEE THALOR é um ator goiano que tem se destacado no cenário nacional. Já atuou em quatro peças do genial Antunes Filho. Atualmente os elogios foram pela peça “POLICARPO QUARESMA” inspirado na obra de Lima Barreto (1881-1922) escritor e jornalista, também conhecido como um dos maiores críticos da República Velha do Brasil. Os parnasianos o criticavam por abordar a temática social, mas seu estilo despojado, fluente e coloquial, influenciou os escritores modernistas.

A sexta edição do Festival Italiano Gastronômico e Cultural de Nova Veneza recebeu um público recorde calculado em mais de 100 mil pessoas. A cidade ficou tomada e milhares de pessoas que buscavam as delícias dos pratos italianos tiveram que esperar pelo próximo ano para se deliciar com as iguarias. O festival, sucesso em Goiás, tem como objetivo homenagear os primeiros imigrantes, que com seus trabalhos e suas culturas ajudaram a desenvolver Nova Veneza e o estado. Ano que vem tem mais!

O Prêmio TOP BLOG é um sistema interativo de incentivo cultural que reconhece por meio de votação popular e por um júri acadêmico os melhores da rede. Trata-se de uma iniciativa do maior grupo de educação do país. O Blog do Pablito (www. pablomirans.com/blog), onde também sou colunista, está concorrendo. Cabe lembrar: o blog é um dos mais acessados no segmento cultural da região Centro Oeste.

Recentem e n t e Ju a r e z Petrillo, filho do inesquecível e saudoso cineasta José Petrillo, comemorou em gra n d e e s t il o sua data querida. Atualmente se destaca como “dee jay” e assina SWARUP à frente da FIRST STONE que é a tradução literal de PRIMEIRA PEDRA, banda de Rock onde tocamos juntos(assinava Boris de Pedra) entre 1989 e 1994. Por isso, sinto-me à vontade para afirmar que a vida começa mesmo após a degustação de 40 primaveras.

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Carlos Pompeu | culturamix@gmail.com

Mais que uma convenção de tattoo, mais que um festival de rock... Um encontro cultural, um momento de diversidade, uma celebração a um estilo de vida alternativo que flutua entre vários universos, como o rock, o grafite e o skate: é o Tattoo Rock Fest, evento promovido pelas produtoras Tattoo Rock Fest e Hiccup Produções Independentes. Pelo sexto ano, o Tattoo Rock Fest vai reunir grandes artistas e marcas envolvidas nesta cultura milenar, e sempre vanguardista. Nos três dias de festas, sobem ao palco Dr. Sin (SP), Raimundos (DF), Garage Fuzz (SP) e outras 16 bandas eminentes do cenário goiano e nacional. Além disso, o aguardado concurso de melhor tattoo e tatuador dará uma moto zero km ao vencedor. Na Feira da Estação (Goiânia), nos dias 2, 3 e 4 de julho. Tattoo Rock Fest: para quem tem e para quem ainda vai ter uma tattoo.

Para mais informações acesse www.myspace.com/tattoorockfestfestival

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Artigo

Tarzan de Castro

C

Dis oa

onheço e respeito as posições contrárias à discriminalização do aborto no Brasil. Sejam elas de caráter religioso, ético ou moral. Tod a s c o m a l g u m a s va r i a n t e s defendem em princípio valores semelhantes à concepção de que a vida humana se inicia com a fecundação do óvulo no útero feminino. A partir daí a vida existe e deve ser defendida em qualquer circunstância e acima de qualquer outro valor. Vejo a questão do aborto como um grande, complexo e polêmico problema que permeia uma das maiores questões ligadas à humanidade moderna. Em alguns países, aliás os chamados desenvolvidos e cristãos,


scriminalizar borto, já! a discriminalização ou a simples legalização do aborto foi normatizada. As leis desses países permitem o aborto, na maioria deles a questão é vista como um problema de saúde pública, pertencente quase exclusivamente à mulher, vista como única com a faculdade de decisão sobre o assunto. Haja vista ser sua consciência e seu corpo que está em questão, ter ou não ter filho. A ela e a mais ninguém é dado o direito de decidir sobre sua maternidade. Ninguém assumirá por ela as conseqüências de uma gravidez indesejada, não importa a causa. A saúde mental, física, assim como situação da mulher grávida sem querer pode ser devastadora no contexto social e até mesmo familiar ao qual ela pertença. Agregam – se a este

quadro os esquemas clandestinos de abortamento, clínicas, medicamentos abortivos, os provocadores de abortos com os mais diversos e absurdos instrumentos que põem em risco a vida da mulher ao se submeter aos infames procedimentos usados em larga escala por grávida em desespero. Honestamente, qual a família que já não teve caso de aborto clandestino em seu seio? Deve haver exceção, mas é muito rara. Centenas de milhares de abortos são feitos por ano no Brasil. As seqüelas causadas são terríveis, indo da morte até às infecções, mutilações do aparelho genital, provocando d i ve r s a s o u t r a s c o n s e q ü ê n c i a s , tais como a infertilidade, ou incapacitação para várias atividades. É sempre a mulher quem arca com o ônus dessa situação à luz da racionalidade e do bom senso. As péssimas condições sociais em que vive a maioria da população brasileira expõem milhares de mulheres ao risco constante da malfadada gravidez indesejada. Principalmente as jovens das periferias, favelas e bairros populares que em geral são engravidadas inconsequentemente, muitas vezes meninas ainda, trazendo para suas famílias ou para as comunidades que pertencem um problema insolúvel. Que futuro terá uma criança nascida nestas condições? terá tudo para aumentar o exército de marginais composto por milhões de jovens

sem futuro nesse país. Muitos deles serão abortados pela marginalização, pela polícia ou pelos mecanismos de proteção da sociedade dominante. As filhas da classe média alta não enfrentam este problema, porque podem pagar o aborto em clínicas caras, ou simplesmente fazê – lo no exterior, em países ditos civilizados nos quais o aborto é legal, tais como Portugal, França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Suíça, Inglaterra, ou aqui ao lado, como o Uruguai, ou em outros vizinhos. Esta questão deveria ser enfrentada republicanamente. Aqueles que forem contra a discriminalização do aborto, por razões religiosa, moral ou ética, não o pratique, mas não imponham a sua vontade aos outros de forma arbitrária, em forma de lei proibitiva. Esta situação paradoxal me faz lembrar quando se discutia no Brasil a instituição do divórcio. Setores conservadores da sociedade argumentavam que, adotado o divórcio, veríamos em seguida a dissolução da família, uma verdade i r a catástrofe se abateria sobre n o s s o s f i l h o s , a d e va s s i d ã o tomaria conta da sociedade, seria o fim dos princípios éticos, morais e religiosos. Tudo seria contaminado. O aborto está definitivamente no campo da saúde pública e da consciência soberana da mulher para decidir sobre o assunto. A ela será permitido sem pressão ou ameaça de punição tomar a decisão de ter ou não o filho de uma gravidez indesejada. Tenho a convicção de que os legisladores do Brasil, cedo ou tarde, assumirão este problema como há muito tempo já o fizeram seus colegas dos países mais adiantados.

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Registro Novos desembargadores no Tribunal de Justiça de Goiás Os juízes Hélio Maurício de Amorim, Benedito Soares Camargo Neto, Ivo Favaro, Jeová Sardinha Moraes, Fausto Moreira Diniz, Norival Santomé são os novos desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Segundo o presidente do TJGO, desembargador Paulo Teles, a chegada dos novos desembargadores muda o perfil do TJ. “São novos desembargadores, novas idéias, novas filosofias e, sobretudo, é importantíssima a inovação de pensamentos”, reforçou na ocasião da posse.

Benedito Soares Camargo Neto

Fausto Moreira Diniz

Hélio Maurício

Ivo Fávaro

Jeová Sardinha

Norival de Castro

Homenagens pelo mundo confirmam competência do mais ilustre goiano Acompanhado da pré-candidata do PT à Presidência de República, Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, participou de um jantar no Hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Escolhido como “Personalidade do Ano” pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos ele tocou o sino da abertura da Bolsa de Nova York. A mesma honraria também foi conferida a Meireles pela Câmara de Comércio Brasil/Reino Unido, cuja solenidade aconteceu no Hotel Dorcheter.

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A saga dos Caiado Uma das principais historiadoras do estado de Goiás e professora da Universidade Federal de Goiás, D. Lena Castello Branco Ferreira de Freitas, lançou recentemente o livro Poder e Paixão: a saga dos Caiado (Cânone Editorial).

Ronaldo Caiado, Sérgio Caiado, primeira-dama Raquel Rodrigues e Governador Alcides Rodrigues posam com a renomada historiadora Lena Castelo Branco

AGI tem nova gestão A Associação Goiana de Imprensa (AGI) empossou nova diretoria para o triênio 2010-2013. À frente da instituição o jornalista e editor-chefe da HOJE, Valterli Leite Guedes. A cerimônia aconteceu, no auditório da Asmego. A nova diretoria é formada por Danúbio Cardoso na vice-presidência, o ex-vereador e deputado Hélio de Brito Júnior como 1º tesoureiro, Divino Olávio como 2º tesoureiro e Jane Sebba como relações-públicas. Olimpio Jayme é o 1º secretário, Aníbal Silva o 2º secretário e José Elias Fernandes o 3º secretário. O advogado Rodrigues D’abadia é o novo diretor de Relações Institucionais.


Maio de 2010 - Hoje | 55


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